Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros NASCIMENTO, Edson Reis do71 NOVELLO, Ivan Carlos72 RESUMO Este artigo relata um estudo de caso, no qual estão descritos os processos da organização da Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap), fundada em 18 de outubro de 2011, sediada na região colonial, em Arroio do Padre, no Rio Grande do Sul, Brasil e contando, atualmente, com um quadro ativo de 38 sócios. O estudo aborda a experiência de pequenos agricultores familiares, sua missão e visão, características das linhas de trabalho, bem como estratégias e ações atualmente adotadas, centrados em um foco principal que é atender, em um primeiro momento, o mercado institucional local e microrregional e, em um segundo momento, atender e ampliar os mercados não institucionais. Buscou-se identificar e minimizar os principais entraves na comercialização de hortifrutigranjeiros, utilizando ferramentas de gestão. Para a realização deste estudo, foram feitas entrevistas com 36% dos associados, aplicando-se um questionário. Conclui-se que a cooperativa realiza ações que promovem a segurança alimentar e nutricional na comercialização de produtos da agricultura familiar às escolas municipais e estaduais existentes na região, bem como para escolas de outros municípios, por meio do Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE). A diversificação dos alimentos, que até então não eram oferecidos aos alunos, e a melhoria da qualidade estão promovendo mudança de hábitos que se expressam na satisfação das crianças e de toda a comunidade escolar. A feira livre da cooperativa proporciona a valorização do agricultor, a credibilidade e a visibilidade para a comunidade de Arroio do Padre, o que ficou evidenciado por seus clientes. A representatividade e participação nos fóruns de discussão das políticas públicas e o acesso a recursos de políticas públicas também foram relatados. A diversificação da matriz produtiva é outro aspecto positivo, considerando-se o potencial de produção de olerícolas, frutas e leite como atividades alternativas à cultura do fumo. A falta de infraestrutura e a participação do quadro social ainda são os fatores apontados como as principais fragilidades. Palavras-chave: Cooperativismo. Hortifrutigranjeiros. Mercado. 71 72 mini Formado em administração de empresas pela Faculdade São Judas Tadeu de Porto Alegre. MBA em marketing pela Fundação Getúlio Vargas de Porto Alegre. MBA em gestão estratégica de pessoas e negócios pela Fundação Getúlio Vargas de Porto Alegre. Gerente de Comunicação e Marketing. E-mail: [email protected]. 499 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros ABSTRACT This article reports a case study describing the organizational processes of the Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap), founded in October 18th, 2011, and headquartered in the rural area of Arroio do Padre in Rio Grande do Sul, Brazil. The cooperative has currently a staff of 38 active members. The study approaches the experience of small family farmers, and also Coopap’s mission and vision, its performance lines, as well as strategies and actions currently adopted, focusing firstly on local and micro-regional market, and secondly on meeting and expanding non institutional markets. We attempted to identify and minimize the main obstacles in the fresh produce marketing, using management tools. For this study, interviews were conducted with 36% of Coopap’s members through a questionnaire. We concluded that the cooperative carries out actions that promote food and nutrition security in the marketing of family farming to local public and state schools as well as to schools in other cities, through the Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE). Diversification of food previously not offered to students and quality improvement are promoting a change of habits expressed by the children and the whole school community satisfaction. The street market organized by the cooperative shows the importance of the farmers, and also promotes credibility and visibility to the community, fact evidenced by their customers. Representation and participation in the discussion forums and access to resources from public policies were also reported. The diversification of the production is another positive aspect, considering the potential to produce vegetables, fruits and milk as alternative activities to tobacco crop. The lack of infrastructure and the membership participation are still the factors identified as major weaknesses. Keywords: Cooperativism. Fresh Produce. Market. 1 INTRODUÇÃO O município de Arroio do Padre foi emancipado de Pelotas em 17 de abril de 1996 e está inserido na Zona Sul do estado do Rio Grande do Sul, caracterizando-se por ser essencialmente agrícola. Apresenta uma área física de 124,317 km 2 e um total de 2.730. (IBGE, 2010). Segundo Bohrer (2000, p. 4), a principal etnia é a Pomerana, cujos descendentes conservaram todas as tradições étnico-culturais. Há, no município, 546 propriedades rurais (IBGE, 2006), e 582 agricultores familiares estão cadastrados junto ao Ministério de Desenvolvimento Agrário com suas declarações de Aptidão ao Pronaf ativas. (BRASIL, 2013). Os principais sistemas de produção no município são: fumo; fumo/leite; fumo/leite/olericultura; fumo/leite/olericultura/fruticultura; leite; leite/avicultura; leite/olericultura; e olericultura/fruticultura. Entretanto, a principal atividade agrícola ainda é a cultura do tabaco, com envolvimento de cerca de 500 famílias nessa 500 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros cadeia. O mercado de hortifrutigranjeiros em Arroio do Padre caracteriza-se por ser a atividade principal de 55 famílias no sistema olericultura/fruticultura. Outras 35 famílias produzem fumo e olerícolas na entressafra do cultivo do fumo. A comercialização ocorre na sua grande maioria para sete principais compradores atacadistas e para feirantes durante todo o ano. Poucos produtores têm recursos humanos e infraestrutura para vender diretamente sua produção. (EMATER, 2011). A agricultura familiar colonial, historicamente, produzia para atender às suas necessidades, ou seja, produção de alimentos para a família sendo o excedente comercializado. Algumas famílias que prosperaram na comunidade, com o aumento de sua produção e o desenvolvimento local, empreenderam no interior do município a formação de “pequenos armazéns ou casas comerciais”, que passavam a absorver parte dessa produção, funcionando em um sistema eficiente de troca de mercadorias e atendendo à necessidade dos agricultores. Segundo Schneider (1996, p. 6), a venda rural (casa de comércio) foi o principal mecanismo de contato da população colonial-camponesa com a sociedade gaúcha. Os colonos produziam e vendiam produtos agrícolas como milho, feijão, mandioca e batata-inglesa, que eram levados e comercializados pelos comerciantes em Porto Alegre, de onde traziam os produtos manufaturados como tecidos, ferramentas e alimentos como sal, açúcar, café e outros que não eram produzidos na colônia. A existência das casas de moinho, onde eram beneficiados os cereais produzidos na colônia, em um primeiro momento, visava a atender a base da alimentação das famílias e as criações. Também proporcionava agregação de valor a esses produtos, que podiam ser comercializados nas “casas de comércio” do interior, servindo como moeda de troca para outras mercadorias, ou seguiam o caminho para os aglomerados urbanos maiores e ali eram vendidos no comércio atacadista e mercados públicos. As pequenas criações de aves e suínos para subsistência das famílias e a integração com a agricultura apresentavam um custo de produção muito baixo, não havendo necessidade de compra de insumos externos. O abate (carneação) dos animais era um momento de partilha em que as famílias dividiam a produção ou comercializavam para os vizinhos, pois o limitante era a falta de meios de conservação dos produtos. Com o surgimento das agroindústrias de conservas, muitas famílias passaram a produzir de forma integrada, sobressaindo-se a 501 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros produção de pêssego e aspargo, que foram, por um grande período, a fonte de renda dessas famílias. Nessa época, apareceu a figura dos transportadores, que migraram para o papel de “atravessadores”, comprando os produtores e revendendo tanto para as agroindústrias como para comércios maiores. A partir daí, os agricultores passaram a estar desinformados quanto aos preços praticados e às margens dentro da cadeia produtiva, tornando-se dessa forma dependentes desses novos atores, que começaram a ditar o preço dos produtos. Além disso, as exigências legais e os novos consumidores passaram a modificar os mercados dos produtos coloniais que tinham seus próprios canais de escoamento da produção. Poucos vendem diretamente em feiras livres ou para feirantes, pois não têm estrutura familiar e mesmo recursos financeiros para vender diretamente sua produção, caindo então na mão desses atravessadores, que trabalham com preços aviltantes, diminuindo a autoestima e a vontade de produzir dos agricultores. Com as crises do setor agroindustrial de Pelotas, as famílias migraram para uma nova atividade que apontava para uma maior segurança de mercado, ou seja, a cultura do fumo, conforme dados acima. Atualmente, apesar da insatisfação devido aos altos preços dos insumos entregues aos produtores e dos preços praticados pelas empresas fumageiras por ocasião da classificação do fumo, os produtores, ainda, consideram a cadeia do tabaco mais organizada e estruturada, quando comparada às demais. A comercialização do fumo ainda é o principal fator de segurança em relação às outras atividades, tais como a produção de olerícolas ou a fruticultura. No entanto, a falta de mão-de-obra, a saída dos filhos e o envelhecimento das pessoas no campo são os principais fatores que estão levando as famílias a procurarem alternativas à cultura do fumo, onde se destaca a produção de leite, a fruticultura e a olericultura. Os produtores de fumo estão apreensivos com o que acontecerá com a atividade, estão conscientes da pressão da sociedade e das instituições de saúde pública, acompanham por meio da mídia as campanhas para a redução do consumo do cigarro, estão sentindo a diminuição do crédito oficial de investimento e custeio à cultura, que ocorria de forma indireta, assim como sabem que produtores com menor produção e/ou produtividade têm sido excluídos pelas fumageiras. 502 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros Em 2011, durante o desenvolvimento do projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater/MDA)73 com 155 famílias do município, surgiu, na sistematização dos dados e nos seminários participativos, a vontade e a disposição da criação de uma cooperativa, na qual os sócios teriam uma identidade (marca), abertura de novos mercados, capacidade e autonomia na venda de seus produtos e, consequentemente, maior competitividade no comércio. (EMATER, 2011). A partir daí, um grupo informal de agricultores familiares do município de Arroio do Padre que comercializavam hortifrutigranjeiros para alimentação escolar vinha discutindo e avaliando a necessidade de formação de uma associação ou de uma cooperativa visando a buscar e ampliar a comercialização de seus produtos, em um ambiente mais seguro. Diante do exposto, este estudo tem por objetivo descrever o processo de organização, apresentar os problemas e entraves na comercialização de hortifrutigranjeiros nas pequenas propriedades dos sócios da Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap) e analisar suas inter-relações com os mercados formais e institucionais, levando em consideração as especificidades da agricultura familiar colonial da Zona Sul no estado do Rio Grande do Sul. 2 REFERENCIAL TEÓRICO Nas últimas décadas, a realidade do êxodo rural familiar modificou-se substancialmente; e políticas públicas, como a aposentadoria rural, aumentaram a possibilidade de permanência das pessoas mais idosas no espaço rural. Entretanto, para boa parte da população jovem, que cresceu em meio às dificuldades encontradas para a reprodução socioeconômica das unidades produtivas e com maior acesso à escolaridade com viés urbano, a cidade ainda é visualizada como futuro promissor. (FROEHLICH et al., 2011). Esse fato conduziu ao envelhecimento da população rural, devido ao êxodo seletivo dos jovens, fenômeno social que marca o período mais recente. (FROEHLICH et al., 2011). O êxodo predominante de jovens mostra que o campo abre-se cada vez mais para o contato com as cidades. Resta saber se essa abertura dará lugar a laços construtivos e interativos ou levará à desagregação do tecido social ainda existente hoje no meio. 73 Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA): Chamada Pública de Extensão Rural. Abril de 2011 a julho de 2012. 503 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros A integração com a cidade depende, cada vez mais, das condições de mobilidade e de acesso da população que vive no campo aos serviços concentrados nas cidades. Nesse sentido, uma área rural será mais ou menos dinâmica, conforme disponha de meios de comunicação com os polos dinâmicos locais e conforme estabeleça com as cidades trocas materiais e imateriais. Exemplo particularmente ilustrativo dessa relação vem a ser a produção de alimentos para os mercados urbanos próximos. Se, para os moradores da cidade, o mercado local de produtos agrícolas é o meio que lhes assegura uma qualidade saudável dos alimentos que consomem, para os do campo, a existência dessa economia de proximidade é, frequentemente, o esteio para sua permanência no campo e sua afirmação identitária. (WANDERLEY, 2010 p. 37). Entretanto, é preciso conhecer a história dos trabalhadores rurais, suas dificuldades enfrentadas no tempo, suas razões para permanecerem no campo, suas estratégias para comercialização de seus produtos e integração a um mercado competitivo, seu desenvolvimento como comunidade dentro da sociedade e suas formas de organização. Bohrer (2000, p. 3) afirma que conhecer a história desse povo é compreender as razões que os tornam tão apegados às lutas pelo bem comum e pelo progresso das instituições educacionais e religiosas. Segundo Wanderley (2010, p. 20), um agricultor cria as condições para que ele amplie seu espaço produtivo, ao expandir o leque de atividades, tanto no campo da produção agrícola quanto no campo dos serviços, dentro ou fora do estabelecimento familiar. Este é, sem dúvida, o sentido último da prática camponesa da pluriatividade. A multiplicidade de expressões históricas, concretas, fruto, por um lado, da forma como cada sociedade moldou seu próprio mundo rural e sua agricultura, mas também, por outro lado, da resistência e da capacidade de adaptação do campesinato às condições imediatas, nas quais está inserido. Brandão (1998) afirma que: Todo projeto de construção do futuro só poderá ser motivado e, depois, realizado, como um plano de história, mediante uma reconstrução solidária do passado vivido pelas gerações antecedentes. Cada geração presente torna-se responsável por si mesma, pelas gerações vindouras e pelo destino não realizado das gerações do passado. (BRANDÃO, 1998, p. 31). Isso, da mesma forma, é reafirmado por Wanderley (2010, p. 27): 504 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros Produtor direto do seu meio de vida, o camponês é o responsável pela subsistência de sua família, no tempo presente e de sua reprodução futura, através da construção/reprodução do patrimônio familiar. A família é assim, o fundamento de sua forma social de produção, uma vez que ela é, ao mesmo tempo, proprietária dos meios de trabalho e responsável direta pelo esforço necessário à realização dos seus objetivos, através de um sistema de atividades, exercido interna e externamente ao estabelecimento familiar. A articulação do processo de industrialização difusa com as transformações na agricultura familiar levou ao aparecimento da pluriatividade das relações de trabalho. Com isso, quebrou-se a unidade entre a família rural e o local de trabalho agrícola, pois os membros de uma mesma unidade familiar podem ter diferentes empregos e fontes de renda. (SCHNEIDER, 1996, p. 17). Para Ploeg (2008, p. 5), a pluriatividade refere-se à diversificação, à instauração de circuitos locais de comercialização, à redescoberta de práticas intensivas em trabalho, em artesanalidade, que funde trabalho manual e conhecimento e que culmina no desenvolvimento de tecnologias orientadas para a autonomia, para o aumento da renda que acaba retida localmente. Para entender as implicações dessa modernização, recorre-se, muito frequentemente, ao conceito de industrialização da agricultura, expressão que parece autoexplicativa, tanto que seu uso vem dispensando justificativas. O que pode explicar esse conceito? Sem dúvida, ele explica a subordinação da atividade agrícola ao processo geral de acumulação, pela qual os produtos agrícolas, bem como os recursos necessários à sua produção, assumem a racionalidade da mercadoria. (WANDERLEY, 2010, p. 25). Para Cordeiro (2010, p. 3), a capacidade interventiva dos pequenos produtores sobre os preços praticados é praticamente nula. Já Sen (2010, p. 27) afirma que a forma com que os atravessadores atuam nas relações do mercado junto aos agricultores, gerando a desinformação e a dependência, pode ser explicada como uma forma de trabalho adscritício. A negação do acesso aos mercados de produtos frequentemente está entre as privações enfrentadas por muitos pequenos agricultores. Segundo Ferrinho (1978, p. 99): Cooperativismo é o movimento social que ocorre quando homens com necessidades comuns estabelecem entre si uma relação de interdependência promotora, orientada por uma filosofia de vida que os leva a procurar satisfazer aquelas necessidades através da solidariedade, da equidade, do respeito homem pelo homem e ativismo constante. 505 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros Schulze (2002, p. 17) afirma que a sociedade cooperativa é um “negócio” de muitos donos, que também são usuários de serviços. Assim, ora dono ora usuário dos produtos e serviços, o cooperado tenta fazer seu negócio prosperar tomando decisões acertadas, fato que nem sempre é possível devido a diversos fatores negativos diante das estratégias adotadas. No caso das cooperativas de agricultores familiares, esse fato é atribuído devido à falta de preparo e profissionalismo dos dirigentes, que, ao longo de todo o processo de sua formação, pouco aprenderam sobre economia ou mesmo sobre a administração das suas propriedades. Conforme afirmam Ignácio e Souza (2008, p. 3): [...] as organizações de perspectiva solidária são levadas a um impasse: de um lado há a necessidade do seu fortalecimento para sobreviverem e se destacarem dentro deste ambiente altamente competitivo em que o mercado se apresenta; de outro, está a dificuldade de desenvolver uma gestão competente sem a racionalidade instrumental da ciência da administração. As pequenas cooperativas, neste ambiente de grande competitividade, devem buscar a intercooperação como uma forma de diminuir suas fragilidades, fortalecendo-se através do trabalho das redes de cooperação, que podemos conceituar através da citação de Martinho (2003, p. 46): Mais apropriado do que afirmar que a rede é uma propriedade coletiva, em que todos são donos, seria dizer que a rede não é propriedade de ninguém”. O autor afirma ainda que ‘esse absoluto respeito à autonomia e à autodeterminação, por sua vez, exige que a rede exercite um jeito de trabalhar amplamente baseado em cooperação e decisão compartilhada’. O estudo de caso da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Curaçá e Uauá (Coopercuc) pode ser mencionado como exemplo de que a primeira venda feita pela cooperativa foi para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal, fortalecendo a agricultura familiar com base na segurança alimentar e no combate a pobreza. “Foi a primeira experiência da cooperativa com vendas institucionais, o que também ajudou a estruturá-la do ponto de vista organizacional, impulsionando a comercialização para o mercado externo”. (XAVIER, 2010, p. 6). Friedland (1994) admite que hoje esteja havendo um retorno à produção especializada gerada pela escala artesanal (não massiva). Entretanto, ele afirma que isso é um fenômeno que envolve somente segmentos relativamente pequenos 506 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros da sociedade e, em particular, frações das classes média e alta. Segmentos dessas classes têm capacidade econômica e desejos culturais para consumir produtos alimentares artesanais bem mais caros, os quais estão fora do alcance da grande maioria da população. 3 METODOLOGIA 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA A metodologia adotada neste trabalho contou com abordagem qualitativa e quantitativa. Neste tipo de pesquisa, os instrumentos de medidas são as entrevistas e questionários, “estabelecem-se qualidades a serem medidas. São consideradas as questões de pesquisa” (BOENTE; BRAGA, 2004, p. 12), visando a obter uma análise crítica dos sócios quanto à adesão à cooperativa, missão e visão, participação dos sócios, relações comerciais, ações e estratégias atualmente adotadas e satisfação dos sócios em relação à entidade. A pesquisa descritiva tem como objetivo apresentar as características da pesquisa, preocupando-se com o conhecimento da realidade. (GIL, 2002, p. 42). Segundo Boente e Braga (2004, p. 12), “a pesquisa descritiva consiste na descrição de uma população ou um fenômeno, a qual aprofunda os fatos, descrevendo e explicando como eles acontecem, assim permitindo uma análise do problema de pesquisa”. Boente e Braga (2004) ainda afirmam que “não importa a pesquisa, sempre haverá antes algum contexto que terá a parte quantitativa”. 3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA Este estudo foi realizado na Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre com sua sede localizada na região colonial da Zona Sul do estado do Rio Grande do Sul. Para condução do trabalho foram aplicados questionários por meio de entrevista sobre diversos segmentos: no segmento produção (produtores), abrangendo os diferentes sistemas de produção existentes; nos seguimentos envolvidos na comercialização dos produtos da cooperativa para o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE), medindo o grau de satisfação quanto à qualidade dos alimentos entregues, bem como a aceitação e satisfação dos alunos, tanto na escola 507 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros da rede municipal como na estadual; no segmento de gestão pública, no qual foram entrevistados representantes do Conselho Municipal da Alimentação Escolar (CMAE) e da Secretaria Municipal de Educação; assim como segmentos de processamentos do alimento e consumidores, no qual foram entrevistados a nutricionista, as merendeiras e os alunos das escolas atendidas no município. No segmento produção, foram realizadas entrevistas com uma amostra de 14 sócios, o que representa 36% do quadro dos associados. Atualmente a cooperativa conta com um total de 38 famílias. Os entrevistados foram, no entanto, escolhidos ao acaso. As entrevistas foram realizadas por ocasião de visitas às propriedades, seguindo um roteiro com perguntas abertas e semiestruturadas. As questões levantadas foram: o que o levou a se associar à cooperativa; como você vê a sua cooperativa? como gostaria que ela fosse vista?; o que o levaria a participar mais das reuniões?; como avalia as ações que a cooperativa vem desenvolvendo?; que outras ações gostaria que a cooperativa viesse desenvolver no futuro?; o que mais gostaria de comentar sobre a cooperativa?; qual a influência dos compradores de hortifrutigranjeiros no desenvolvimento desta atividade?; como são os preços praticados? Ótimo () bom () regular () péssimo (); qual é a margem de lucro com os intermediários? ()% ; qual a periodicidade de compra?; existe fidelidade de compra? () sim () não; estes intermediários honram o compromisso de pagamento? () sim () não; existe segurança para ampliar a atividade () sim; () não; houve melhoria da renda? sim () não (); qual a margem de lucro através da Coopap? ()%; estimando em percentual qual a melhoria da renda (0 a 100%)? ()%; qual a sua satisfação com relação à cooperativa (0 a 100%)? ()%; houve mais acesso à informação? sim () não (); o que poderia melhorar? Para o segmento que envolve CMAE, diretora e merendeiras as questões foram as seguintes: qual a sua visão da qualidade dos produtos adquiridos de intermediários em comparação à compra da cooperativa?; e quanto aos preços praticados, pelos intermediários e pela cooperativa?; havia problemas na entrega dos produtos? quais?; com a compra direta de alimentos dos agricultores, melhorou a qualidade nutricional da merenda escolar? em que aspectos?; quais outros benefícios e problemas enfrentados? Para os estudantes, as questões eram: o que vocês acham da merenda escolar na escola? () ótimo () bom () regular () ruim; o que poderia melhorar?. 508 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros A cooperativa fornece, através do Programa Nacional Alimentação Escolar, alimentos para elaboração da merenda dos alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Arroio do Padre. Estão matriculados nessa instituição 180 alunos, desses foram entrevistados 45 alunos (25%) dos três anos, com idades variando entre 14 e 22 anos. Também foram entrevistados os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Benjamim Constant, com 307 alunos, desses foram entrevistados 48 alunos (16%) do sexto ao oitavo ano com idades variando entre 10 e 19 anos. Os principais parâmetros levantados foram a qualidade dos alimentos e a satisfação quanto ao cardápio ofertado. Outra atividade implementada pela cooperativa é a realização uma feira livre que ocorre semanalmente no município. Foram entrevistados 18 consumidores (30%) de aproximadamente 60 clientes que frequentam a feira regularmente. Com o objetivo de verificar a visão dos clientes quanto à feira, questionou-se o que poderia ser melhorado e a satisfação na compra direta dos produtos da agricultura familiar. Para os consumidores no ponto de venda, as questões eram: o que vocês estão achando de se fazer a feira livre em Arroio do Padre?; o que vocês estão achando dos produtos oferecidos na Feira da Agricultura Familiar? da qualidade? da variedade dos produtos?; o que pode melhorar?. 3.3 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS As respostas para cada uma das questões foram analisadas de forma individual, para cada um dos entrevistados. Posteriormente, foram agrupadas em um bloco que considerava todas as informações expressas pelos participantes da pesquisa. As respostas foram compiladas por sua semelhança dentro de cada um dos objetivos iniciais propostos. Da mesma forma, os dados quantitativos foram tabulados e analisados buscando utilizá-los como parâmetros de medida dos resultados das ações da cooperativa, quanto às relações comerciais e sociais e quanto à satisfação. Conforme Minayo (1994), as três etapas são: 1 - Pré-análise: ocorre a escolha dos documentos analisados, na revisão dos objetivos iniciais da pesquisa e formulação dos indicadores que orientem a interpretação final da pesquisa (leitura flutuante e seletiva). 509 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros 2 - Exploração do material: é a operação de codificação e categorização. É o recorte do texto em unidades de registro que podem ser uma palavra, uma frase, um tema, um personagem, um acontecimento, tal como foi estabelecido na préanálise. A exploração do material realiza a classificação e a agregação dos dados, escolhendo as categorias teóricas ou empíricas que comandarão a especificação dos temas. 3 - Tratamento dos resultados obtidos e classificação: os resultados brutos são submetidos à interpretação e reflexão a partir das categorias e discussão frente a um referencial teórico. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A apresentação e discussão dos resultados seguirão a ordem dos segmentos apresentados na metodologia: grupo de agricultores, diretora da escola, merendeira, alunos e consumidores. 4.1 AGRICULTORES A análise que será apresentada se inicia pela posição do grupo na tomada de decisão para criação da cooperativa e pelo motivo que os levou a se associar. Os entrevistados apontaram o associativismo como o caminho para a solução de seus problemas e como a forma de fortalecer suas relações e consequentemente atender às suas necessidades comuns. Valores como a união e a solidariedade surgem nas respostas como base para sua “missão” e forma de auxiliar o enfrentamento desses problemas e suprir suas necessidades comuns. Questões levantadas e missão da cooperativa: “Aproximar os associados”, “praticar a ajuda mútua”, “trabalhar em grupo um ajudando o outro”, “futuro para os jovens”, “acreditar que deve ser a soma de forças para conquistar seu espaço”, “busca de informações”, “ajudar a comunidade”, “fazer a cooperativa crescer”, “obter melhores preços por seus produtos”; “fortalecer a agricultura familiar nas atividades de produção de hortifrutigranjeiros e na diversificação, vender a produção e comprar insumos para os sócios.” (Missão). (Grifo nosso). Para avaliar as relações entre os sócios e cooperativa de uma forma crítica e na proposta da “visão”, foram analisadas as respostas de como o associado via a sua cooperativa e como gostaria que esta fosse vista. A maioria das respostas 510 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros apontaram as dificuldades da consolidação das ações em razão do tempo de existência da organização. Os entrevistados fizeram as seguintes considerações: “Tudo no início é mais difícil, mais os primeiros passos foram dados”, “a cooperativa está progredindo”, “as associações e cooperativas são o ideal”, “os produtores devem sonhar grande”, “vejo como uma criança que está começando a engatinhar”, “para a comunidade é uma forma de ajudar no desenvolvimento e na compra dos produtos”, “foi importante a formação da cooperativa”; “a cooperativa deve ser a representação do agricultor, no município, estado e até nacionalmente.” (Visão). (Grifo nosso). Ferrinho (1978, p. 99), em seu estudo, define cooperativa como sendo “uma instituição resultante do processo pelo qual pessoas que sentem necessidades comuns decidem formar voluntariamente uma associação”. O principal objetivo dessas pessoas é suprir não só as suas necessidades, como também as dos seus semelhantes. O bem comum é o elemento primordial nesse processo. Para avaliar e aprofundar o motivo da pouca participação dos sócios nas reuniões, foi inserida na entrevista a seguinte questão: o que o levaria a participar mais das reuniões? Algumas respostas apontaram o horário das reuniões como um fator de impedimento da participação, devido às atividades nas lavouras, principalmente para aqueles envolvidos com a produção de tabaco. A sugestão foi para realização durante a noite. Outras respostas indicaram a pouca aproximação da diretoria com os sócios. Mais detalhes abaixo: “Ir mais nas casas dos interessados e dos sócios”, “problemas de saúde”, houve sugestões da realização de atividades técnicas e práticas, “reuniões técnicas nas casas dos agricultores, “rodízio” com café e visita a campo nas lavouras”, “fichas de acompanhamento”, “comprometer o agricultor”, “a retomada do valor pago pelo fumo”, a “falta de tempo”, “acho que pensam que ir a reunião é uma perda de tempo”, “seria a mesma coisa quando surge uma conversa de recursos financeiros”,” tirar alguma vantagem, aí eles se interessam, mas quando não surge se desinteressam”. Xavier (2010, p. 12) afirma que, por conta da complexidade de muitas cooperativas, é possível identificar a sensação de desconexão de seus associados, provavelmente por existir um desconhecimento das estratégias adotadas pela equipe administrativa formada normalmente por técnicos contratados e dirigentes. A falta de participação dos associados nas atividades foi descrita como um fator de desestímulo para o grupo diretor, o que acarreta o sentimento de “fardo” sobre a 511 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros diretoria. Fatores internos de conflito também surgem como entraves na participação e ou adesão de novos sócios: “Não é justo, o direito deve ser igual para todos, deve ser como para os demais, as opiniões são muito divididas”, “trabalhar para que todos tenham o mesmo direito”, “os produtores maiores que estão nesta atividade não têm participado por não visualizar ainda uma oportunidade maior de mercado para colocar sua produção” “muita gente está em cima do muro. As promessas de recursos que não vieram deixam os produtores com descrédito”, “mas vão acreditar no futuro”. As estratégias e ações foram também avaliadas de forma qualitativa, sendo perguntado aos entrevistados: como avalia as ações que a cooperativa vem desenvolvendo? Que outras ações gostaria que a cooperativa viesse desenvolver no futuro? As respostas à primeira pergunta, na maioria dos casos, foram otimistas. Porém algumas relataram que expectativas quanto aos resultados poderiam ser melhores e que atividades planejadas não estavam acontecendo. Seguem algumas citações: “Está facilitando que o agricultor tenha acesso aos mercados e que as pessoas tenham acesso aos produtos”, “se continuar assim vai funcionar, a feira está funcionando”, “são de extrema importância, dou o exemplo do Programa de Extensão Cooperativa (PEC), que a Emater tem, através da Unidade de Cooperativismo”, “entrar nos mercados das escolas e este comércio está indo bem assim como as feiras”, “o esforço tem sido grande, eu sei por ter passado por isso”. O mercado novamente aparece como um fator limitante: Acho que está muito devagar, deveríamos ter um mercado maior. Depois sim, plantando mais, terão mais interesse. Ainda sobre as ações e estratégias desenvolvidas, os entrevistados apontaram a questão do planejamento da produção e o tempo de execução das atividades ao longo do ano agrícola, além da falta de infraestrutura e de assistência técnica como fatores restritivos para se alcançar os resultados esperados. Nota-se pelas respostas que ainda há falta de informação entre as partes associado/cooperativa, mesmo com as entidades de apoio. Foram levantadas outras questões, como por exemplo: “Orientações técnicas, como, por exemplo, análise da terra”, “compra de insumos mais cedo”, “comprometer o associado a plantar pelo menos um produto de forma a entregar semanal ou quinzenalmente, ter 512 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros programação”, “a feira do Cassino seria um passo importante”, “participar de eventos, ir outros associados, não só a diretoria”, “ter um veículo próprio”, “na área administrativa está bem, mas precisa de assistência técnica (hortigranjeiros e fruticultura)”, “a área administrativa tem que caminhar junto com a área técnica, uma junto com a outra”, “dar continuidade na produção para multiplicação de sementes (feijão e batata), o morango no verão seria um sucesso, continuar a trabalhar mais a merenda escolar”, “vender para Rio Grande para os feiristas”. Foi feita uma pergunta aberta sem direcionar assunto específico: o que mais gostaria de comentar sobre a cooperativa? Alguns sócios demonstraram a vontade de participar mais, porém, sem a atual condição: Não tenho podido participar devido a problema de saúde. Mas não tenho queixa da cooperativa”, “sempre tem coisas a melhorar e são muitas coisas”, “não participo ativamente, mas escuto que deveriam ter outros vendendo, escutamos isso. Primeiro vende o seu para depois vender o dos outros”, “agilizar e melhorar saídas dos produtos e escoamento da produção”, “comercializar direto, o produtor passa a ver como funciona, ele passa a se adequar ao que o mercado exige”, “fazer as feiras traz satisfação, por estar tratando direto com o consumidor”, “deve ser um profissional no que faz, tem que fazer o melhor, o que o mercado exige”, “realizar dias de campo, excursões, reuniões e principalmente visitas técnicas”, “temos que fazer dinheiro para ter renda e sustentar a cooperativa”. Para a pergunta sobre a influência dos compradores de hortifrutigranjeiros no desenvolvimento desta atividade, as respostas demonstram que os preços dependem principalmente da sazonalidade da produção e de fatores climáticos. Além de uma forte especulação, pode-se observar a desinformação dos agricultores e a falta de recursos e infraestrutura para a comercialização. Seguem as respostas de alguns dos entrevistados quanto à comercialização: “Por épocas são boas e por outras são ruins. Época do ano e do produto”, “vejo como mais uma alternativa e mais uma oportunidade, não temos ainda como querer que o produtor produza só para a cooperativa”, “vendo para os feirantes como forma de escoar a produção”, “consigo encostar só quando falta, quase pedindo por favor”, “não influenciam, temos mais liberdade (opções)” “vendo para outros compradores em função de não ter comércio na cooperativa”, “sou da opinião de que vender direto é melhor”, “vendo para os compradores, pois ainda o movimento é pouco com a cooperativa”, “vendo para os feiristas e para Ceasa Pelotas”, “acho que a cooperativa faz medo para eles. São uns sete compradores”. “Não influenciam o mercado”, “eles colocam o preço”, “entregamos o produto e em alguns casos não sabemos o preço que vamos receber”, “se classificam o produto, o preço baixa”, “os preços poderiam ser melhor”, 513 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros “os preços são mais baixos no inverno e melhor no verão, entregamos de forma condicional e não dizem o preço”. Alguns fatores que tiveram peso decisivo na formação da Coopap foram a organização como forma de se opor aos baixos preços praticados pelos compradores de hortifrutigranjeiros e as margens por ele praticadas; a crise vivenciada pela indústria fumageira e o temor dos produtores de sair dessa atividade sem ter outra que a substitua; o pouco poder de negociação na compra dos insumos; e as novas oportunidades dos canais de comercialização que se abrem para os mercados institucionais. A desinformação e desconhecimento quanto ao mercado e seus canais de comercialização, principalmente quanto aos preços praticados, proporcionam grande desestímulo à produção. Nas entrevistas, 16% consideram os preços bons, 43% regulares, 16% péssimos e 25% não opinaram. Também, 50% dos agricultores entrevistados desconhecem a margem de lucro dos compradores e, dos que opinaram, não houve concordância quanto à margem dos compradores, com respostas variando de 25% a 400%, afirmando que depende do produto, da sazonalidade e de fatores climáticos. “A negação do acesso aos mercados de produtos, frequentemente, está entre as privações enfrentadas por muitos pequenos agricultores”. (SEN, 2010, p. 21). Figura 4 - Avaliação dos entrevistados quanto aos preços praticados pela Coopap. Avalição dos Preços Praticados Bom Regular Péssimo Não Opinaram 16% 25% 16% 43% Fonte: Arroio do Padre (2013). Quanto à relação comercial de fidelização entre comprador e fornecedor, 62% responderam que existe fidelidade dos compradores, 23% consideram que não 514 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros existe fidelidade e 15% não opinaram. Além desse fato, 46% afirmam que os compradores honram o compromisso de pagamento, 23% têm posição contrária, afirmando que estes não honram os compromissos, e 31% não opinaram. Segundo Cordeiro (2010, p. 3), a capacidade interventiva dos pequenos produtores sobre os preços praticados é praticamente nula. A falta de infraestrutura, principalmente quanto ao transporte da produção até o mercado consumidor, é outra fonte de frustração, conforme afirma um entrevistado: Não ter para quem vender, ter que jogar fora a produção. O aumento da faixa etária dos associados, com a perda da força física e a falta de perspectiva para a sucessão também surge como fator restritivo das famílias envolvidas em ampliar a atividade. Nas condições rurais, o envelhecimento populacional é intensificado pelo êxodo seletivo dos jovens, fenômeno social que marca o período mais recente. (FROEHLICH et al., 2011). As respostas quanto à segurança em ampliar as atividades traduzem a diminuição da autoestima e da falta de perspectivas futuras das famílias, pois 62% dos entrevistados afirmam ter segurança para ampliar a atividade, 15% afirmam não ter essa segurança e 23% não opinaram. Figura 5 - Segurança expressa pelos entrevistados para ampliar suas atividades. Ampliar a Atividade de Olericultura Têm segurança Não têm segurança Não opinaram 15% 23% 62% Fonte: Arroio do Padre (2013). Os entrevistados que já estão comercializando através da cooperativa, quando perguntados sobre a melhoria da sua renda, afirmam o seguinte: 46% 515 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros consideram que houve melhoria da renda, 30% consideram que não houve melhoria e 24% não opinaram. Figura 6 - Avaliação dos entrevistados quanto à melhoria de renda. Melhoria da renda dos sócios com COOPAP Houve melhoria Não houve Melhoria 24% Não opinaram 46% 30% Fonte: Arroio do Padre (2013). Foi solicitado aos sócios que avaliassem o grau da sua satisfação com a Coopap, em percentual de 0 a 100 %. A partir dos dados levantados foi calculado o grau médio de satisfação, que pode ser visto na Figura 4. Figura 7 - Grau de satisfação dos entrevistados em relação à cooperativa. 120 100 80 Grau de Satisfação (%) 60 40 20 0 Fonte: Arroio do Padre (2013). 516 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros Quanto ao acesso à informação, 85% dos entrevistados afirmam que melhorou a informação com a criação da cooperativa, 7,5% dos entrevistados não consideram que melhorou e 7,5% não opinaram. Isso demonstra também que, até o momento, com as ações desenvolvidas, a cooperativa começa a ter visibilidade e um ganho de credibilidade na comunidade e junto às lideranças, assim como com os parceiros locais. A análise demonstra as possíveis maneiras e os desafios de implementação da proposta da cooperativa e do próprio paradigma de desenvolvimento sustentável, baseados nos conceitos e princípios da economia solidaria na região. Figura 8 Grau de informação dos entrevistados em relação à formação da Coopap. Grau de informação com a formação da COOPAP Melhorou a informação Não melhorou a informação Não opinaram 7% 8% 85% Fonte: Arroio do Padre (2013). Na busca de contornar situações de crise enfrentadas pelas famílias, estas buscam na pluriatividade uma saída para auferir uma complementariedade da renda e atender a suas necessidades e seus objetivos. É normal verificar que atualmente ocorre venda de mão-de-obra, a realização de atividades específicas e ou especializadas para terceiros (inseminador, tratorista, principalmente na colheita do fumo). A pluriatividade também para outros autores pode explicar como os pequenos agricultores, através de suas organizações, podem implantar “circuitos” locais de comercialização, ou seja, redes de comercialização, principalmente no resgate de uma produção de alimentos na visão do slow food. Ressalta-se ainda a valoração de 517 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros produtos artesanais ou ditos coloniais na linha agroecológica ou orgânica, a partir de uma identidade da produção familiar e da circulação da renda na própria comunidade. No debate teórico, os relatos dos autores são convergentes em afirmar que, nesse mercado competitivo, o cooperativismo surge como uma saída às famílias de agricultores, mas deve ser fundamentado nos seus conceitos básicos e filosóficos. Não se esquecendo das questões da sustentabilidade socioambiental e que as necessidades devem ser comuns entre seus participantes, que o respeito ao homem deve prevalecer e que o ativismo deve ser constante. Deve ser, também, visto como um negócio e como tal devem ser adotadas estratégias de gestão para a cooperativa, o que demandará formações e capacitações dos dirigentes em administração e gestão, aumentando assim a competência, a racionalidade do trabalho e a eficiência técnica para minimizar os possíveis erros. Outros autores mencionam a formação de redes de cooperação e a intercooperação, na lógica participativa, como uma forma de aumentar a capacidade competitiva e a eficiência das pequenas cooperativas junto aos mercados, principalmente na aquisição de insumos e no setor de logística e distribuição. Este artigo também apresenta os resultados e a importância que tem a articulação em rede para a consolidação do trabalho da Coopap, que busca, de forma inovadora, experimentar novas parcerias, assegurando a continuidade do processo que ruma para a conquista da sustentabilidade ambiental, organizativa, político-econômica e social desse empreendimento. Foi entrevistada a nutricionista que atende as escolas do município, a secretária municipal de educação, além de representantes do Conselho Municipal da Alimentação Escolar e as merendeiras das duas escolas do município. Buscou-se entender a visão dessas pessoas quanto ao novo processo de aquisição de produtos para alimentação escolar (Lei nº 11.947), a forma como os alimentos eram comprados anteriormente e a inserção da cooperativa como fornecedora desses produtos. As pessoas entrevistadas consideram que: “Com o processo de licitação não se conhecia a origem dos alimentos, as verduras eram amareladas, sempre existiam perdas, pois tínhamos que estocar por um tempo maior, sendo a compra pelo menor preço, a qualidade era baixa, as entregas atrasavam”, “O novo processo das chamadas públicas promove mais liberdade, pode pagar mais pelos alimentos, como são menos manuseados, diminui a possibilidade de 518 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros contaminação, os produtos são mais frescos, menor perda de água e consequentemente leva a uma maior integridade nutricional dos alimentos”, “os preços praticados pela cooperativa estão condizentes com a qualidade dos produtos entregues”, “melhorou a integridade dos alimentos pois eles vêm diretamente das lavouras para a escola, menor manuseio melhora a qualidade, diminuiu os desperdícios e as perdas, além de melhorar a qualidade dos alimentos fornecidos”, “melhorou a logística da entrega dos alimentos fornecidos para merenda escolar. Não dificultou a mão-de-obra no processo de aquisição e das merendeiras que manipulam os alimentos. Ainda existe falta de conhecimento por parte da administração pública entre o preço praticado na aquisição dos alimentos dos agricultores sócios da cooperativa e os preços de mercado e o ganho na qualidade da alimentação oferecida aos alunos. E, se os produtos fossem ecológicos e certificados, poderíamos pagar mais 30% sobre o preço. Os agricultores ainda têm muito medo de participar de cooperativas pelo passado, pois existem experiências negativas. O cooperativismo deve ser mais divulgado e desmistificado”. 4.2 DIRETORA A opinião do gestor público dentro da cadeia é de grande relevância, considerando ser um cliente real e engajado no processo de políticas públicas interrelacionadas com as cooperativas dos agricultores. A opinião da diretora é de que: Os produtos adquiridos da agricultura familiar são excelentes, comparados com os comprados em outros mercados, que não apresentam a mesma qualidade. São produtos mais frescos, o preço é justo para os agricultores, pois nos outros mercados o preço é menor, mas não tem a mesma qualidade. Não existem problemas quanto à entrega dos produtos, os pedidos são solicitados na sexta-feira e a entrega é feita na sexta-feira. Com os produtores existe flexibilidade na troca dos produtos por não ter na época ou a falta, a qualidade da alimentação melhorou, pois o cardápio foi adequado à produção local e ao gosto e cultura dos alunos. Os alunos têm o hábito de consumir bastante verduras nas saladas e frutas. A merenda ou alimentação é fundamental para os alunos pelo tempo de permanência deles na escola, muitos não teriam condições de comprar lanches, além de ser uma forma de educação alimentar, os alimentos são mais saudáveis, naturais e produzidos pelos agricultores. Sendo assim, diminuem o consumo dos salgadinhos ou alimentos do gênero. 519 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros 4.3 MERENDEIRA Segundo as entrevistadas, a escola atua também na redistribuição de alimentos para outras quatro escolas municipais. As merendeiras acompanham e supervisionam a qualidade dos produtos: “Antes desse processo, da compra dos alimentos através das licitações, se comprava da Ceasa de Pelotas, às vezes os alimentos “iam e voltavam”, não tinham tão boa qualidade”, “chegavam quase tudo de uma vez que às vezes se perdia por não ser consumidos e pela incapacidade de guardar”, “agora as frutas são “novinhas”, de boa qualidade, os legumes não chegam murchos e há bastante variedade”, “as crianças, na grande maioria, aceitam bem as saladas, alguns gostam mais dos legumes cozidos, outros consomem na forma crua, mais na maioria comem bem, com satisfação”, “muitos complementam o que deixam de comer em casa, pois a família não produz e não oferece aquele alimento, e na escola eles passam a comer”, “melhorou a qualidade da alimentação”, “para evitar o desperdício e aumentar o tempo de oferecimento de um determinado tipo de alimento, estes são estocados congelados quando é possível”. Na opinião da merendeira da escola estadual: Antes, até final de 2011, os alimentos eram comprados dos mercados locais no município e não preparavam alimentos, pois faltava infraestrutura na armazenagem dos alimentos, pois faltam freezers para congelamento de um volume maior. As frutas compradas eram boas também. Pelas características dos alunos, eles gostam de consumir a merenda. Temos aproveitado tudo, congelamos legumes e das verduras para fazer sopão. Em Pelotas, os alunos não gostam deste tipo de alimento. Outro ponto destacado pela diretora da escola estadual é a relação direta com os agricultores. Os próprios agricultores controlam a qualidade dos produtos entregues: Não temos problema na distribuição dos alimentos. Quando tem só lanche, os alunos preferem comida, eles reclamam. 4.4 ALUNOS Cabe salientar, nesse ponto, que os alunos das duas escolas são quase na totalidade filhos de agricultores. As duas questões aplicadas aos alunos do ensino fundamental e ensino médio direcionam para avaliar a percepção de como está a 520 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros qualidade das refeições oferecidas e em que poderia melhorar o cardápio. Nas Figuras 6 e 7 estão detalhamentos das respostas apresentadas quanto ao grau de satisfação da alimentação recebida em cada escola. Na pergunta mais aberta, os alunos entrevistados consideraram que as refeições poderiam ainda ser mais variadas. Tendo mais frutas e alimentos elaborados. Pelas respostas, existe muita influência do consumo de alimentos industrializados (salgadinhos), lanches e refrigerantes. Figura 9 - Grau de satisfação dos alunos quanto ao alimento recebido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Benjamin Constant. Satisfação dos alunos com a merenda Ótima Boa Regular Ruim 0% 22% 51% 27% Fonte: Arroio do Padre (2013). Figura 10 - Grau de satisfação dos alunos quanto à merenda na Escola Estadual de Ensino Médio Arroio do Padre. Satisfação dos alunos com a merenda Ótima Boa 14% Regular Ruim 0% 28% 58% Fonte: Arroio do Padre (2013). 521 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros 4.5 CONSUMIDORES Os consumidores entrevistados, na maioria, são moradores dos núcleos urbanos, donos dos restaurantes locais, funcionários dos estabelecimentos comerciais e da Prefeitura Municipal de Arroio do Padre. As respostas consideraram a feira livre como sendo uma boa iniciativa por parte da cooperativa, proporcionando o acesso a produtos de qualidade. Também afirmam que, através da venda direta dos produtos, os clientes da feira adquirem uma maior variedade de alimentos, sendo estes mais “frescos e saudáveis”, aparecendo referências a produtos sem agrotóxicos. Esse fato também é evidenciado por Anjos, Godoy e Caldas (2005, p. 176), que citam “a existência de um nível de satisfação maior de frequentadores das feiras, se comparado com outros canais de abastecimento”. Existem relatos na mudança do hábito dos consumidores, afirmando que passaram a comprar somente na feira, deixando de comprar nos mercados locais e mesmo em Pelotas, fidelizando a compra na feira. A valorização dos agricultores aparece também nas respostas dos entrevistados. Quanto aos preços praticados, os entrevistados os consideraram mais baratos, levando em consideração a qualidade dos produtos, comparativamente aos supermercados locais e de Pelotas. Quando questionados no que poderia melhorar, os entrevistados consideraram a infraestrutura do local de comercialização como sendo um fator limitante e a ser melhorado, tanto para os feirantes como para os clientes, principalmente nos dias de chuva. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho de organização dos agricultores familiares sócios da Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap) contribuiu com ações que promoveram a segurança alimentar, atendendo não mais como grupo informal e sim como uma organização legalmente constituída. A venda de produtos da agricultura familiar para o Programa Nacional da Alimentação Escolar (PNAE) tem estimulado a produção e resultados na comercialização local e para outros municípios. Já existe a intervenção da nutricionista na elaboração dos cardápios e na busca da diversificação do uso de alimentos que até então não eram oferecidos às 522 Capítulo XXIV - Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap): estratégias para a comercialização de hortifrutigranjeiros crianças nas escolas. Podemos hoje afirmar que existem resultados em aumento da qualidade da alimentação e mesmo a mudança de hábitos, que se expressa na satisfação das crianças e de toda comunidade escolar. Hoje existe uma proposta de trabalho, com um planejamento que tem estratégias para realização de ações que serão desenvolvidas pela cooperativa. Esse trabalho visa a fortalecer a agricultura familiar, além de dar visibilidade institucional a um empreendimento de caráter coletivo, que mobiliza as famílias em torno de uma proposta viável, justa e solidária para melhorar as condições de vida dos homens e mulheres do campo e da cidade, que lutam para dignificar os seus sonhos e viabilizar os seus projetos. Até a criação da cooperativa, os agricultores familiares do município não tinham representatividade em muitos fóruns e espaços de discussão das políticas públicas municipais, estaduais e federais. Hoje, estes já estão buscando esse espaço para obter informações que contribuam com o desenvolvimento e a melhoria de vida dos agricultores. Essas ações têm proporcionado também o fortalecimento nas relações institucionais e aumentado a credibilidade perante os parceiros. Outro aspecto positivo que pode ser destacado como resultado é busca de alternativas à cultura do fumo, já que os agricultores sócios buscam gradativamente ir substituindo essa cultura. A produção de hortifrutigranjeiros tem sido uma saída. As fragilidades desse projeto continuam sendo a falta de estrutura e logística para atender aos mercados externos ao município, a contínua capacitação dos produtores nas atividades produtivas e a organização dentro das unidades produtivas com um maior controle dos fatores de produção e custos. Por parte da cooperativa, a capacitação em gestão, a educação cooperativista, a ampliação do quadro social e a prospecção constante de novos mercados são apontadas como questões a serem melhoradas. REFERÊNCIAS ANJOS, F. S.; GODOY, W. I.; CALDAS, N. V. As feiras livres de Pelotas sob o império da globalização: perspectivas e tendências. Pelotas: Editora e Gráfica Universitária, 2005. BOENTE, A.; BRAGA, G. Metodologia científica contemporânea. 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