SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE – FURG PÓS – GRADUAÇÃO (LATO SENSU) EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO Patrícia Costa Dos Reis RECONTANDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DAS MÍDIAS TV, MATERIAL IMPRESSO E INFORMÁTICA SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA JUNHO/ 2011 3 PATRÍCIA COSTA DOS REIS RECONTANDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DAS MÍDIAS TV, MATERIAL IMPRESSO E INFORMÁTICA Monografia apresentada ao Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, da Universidade Federal do Rio Grande, como requisito para a obtenção do Título de Especialista em Mídias na Educação. Orientador: Prof. Msc José Antonio Klaes Roig SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA JUNHO/ 2011 4 PATRÍCIA COSTA DOS REIS RECONTANDO HISTÓRIAS ATRAVÉS DAS MÍDIAS TV, MATERIAL IMPRESSO E INFORMÁTICA Monografia apresentada ao Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, da Universidade Federal do Rio Grande, como requisito para a obtenção do Título de Especialista em Mídias na Educação. Orientador: Prof. Msc. José Antonio Klaes Roig Rio Grande, RS _____/_____/2011. Nota: ________ Prof. Msc. José Antonio Klaes Roig Orientador Coordenação da Pós-Graduação Santo Antonio da Patrulha, 2011 5 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a meu filho Vicente dos Reis Ramos, inspiração do “meu viver”, motivação e entusiasmo do “meu acordar” em todos os dias de minha existência. 6 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, primeiramente, por ter me dado saúde para poder continuar meus estudos. Em seguida, agradeço ao meu filho Vicente dos Reis Ramos, pela compreensão de minha ausência, em tantos momentos importantes de sua linda infância. Também quero agradecer à escola em que trabalho, E.E.E.F. Padre Reüs. Pela acolhida ao meu projeto; em especial à parceira e colega, professora de Artes, Istela Romera Foss, e à diretora Maria Silveira Gomes, pela ajuda e apoio em todas as etapas do trabalho. Agradeço ao meu professor e orientador do curso “Mídias na Educação”, José Antônio Roig, pela disponibilidade, atenção, motivação e carinho comigo dispensados. E, finalmente, agradeço a minhas amigas especiais: Auria Eliane Cardoso (colega, amiga e comadre) por não ter me deixado desistir deste curso com seu estímulo incansável; Goreti Fraga Gomes, por ter sido o “anjo” que me auxiliou dando tanto apoio e atenção ao meu filho, na minha ausência; e Caroline Migliavaca, por ser a responsável por toda digitação e formatação deste trabalho. A todos, os meus sinceros votos de agradecimento. 7 EPÍGRAFE “Teremos uma Educação com mais qualidade quando enfrentarmos, com determinação, os problemas reais surgidos no dia-a-dia”. (Luiz Carlos de Menezes) 8 SUMÁRIO RESUMO O presente trabalho intitulado “Recontando histórias através das Mídias” é baseado na leitura e readaptação dos contos de Machado de Assis, obras clássicas literárias, que vêm sendo desvalorizadas nos tempos atuais. Visto que a Internet, amém de facilitar a comunicação entre as pessoas, também tem contribuído para o esquecimento da leitura em material impresso. Os objetivos a serem alcançados com este projeto são a valorização do hábito da leitura, principalmente obras clássicas literárias, bem como a interpretação e a produção textual, a partir das leituras feitas, e ainda a dramatização das obras estudadas para filmagem, em parceria com a disciplina de Artes. A metodologia usada foi a exploratória, com caráter qualitativo, pois procurou-se explorar diferentes instrumentos e métodos nas atividades propostas, buscando enfatizar a qualidade de todo o processo de construção do projeto. Os resultados esperados foram atingidos, pois o engajamento e interação dos alunos nas atividades foram praticamente unânimes, além da acolhida da comunidade escolar para com o trabalho. Além de tudo, o mesmo tornou-se um referencial para o planejamento de outros trabalhos utilizando “as mídias”, bem como motivação para uma constante reflexão da prática pedagógica diária. MIDIAS- MATERIAL IMPRESSO- TVINFORMÁTICA- CURTA-METRAGEM. 9 1 INTRODUÇÃO Todo o conhecimento está em processo de construção e reconstrução, de criação e recriação. É um conhecimento interdisciplinar em sua natureza, que se expressa pela constituição de equipes interdisciplinares que, em sua metodologia problematizadora, procuram observar os mais diferentes ângulos temáticos e escolher um tema de desenvolvimento que promova a síntese interdisciplinar a ser explorada nos círculos de investigação temática. Ao decodificar os temas decorrentes do processo de investigação, procura classificá-los em departamentos estanques. (Freire, pág 62, 1996) Com o surgimento da “globalização”, o avanço das novas tecnologias, e principalmente o uso cada vez mais propagado da internet, a leitura dos clássicos literários está sendo deixada de lado. Os alunos, principalmente do Ensino Fundamental, não têm mais contato com as obras clássicas literárias, pois o hábito da leitura em material impresso está sendo cada vez mais esquecido por nossos jovens. Portanto, este projeto buscou a valorização das obras clássicas literárias, de uma forma mais criativa, mais integrada com outras disciplinas, usando as mídias TV e vídeo, informática e material impresso como ferramentas para um melhor entendimento, leitura e releitura das obras clássicas literárias. Baseado nesta proposta de Paulo Freire, este projeto teve como intenção propor aos alunos um novo olhar das obras clássicas literárias, iniciando pelos contos machadianos, para que eles pudessem observar os contextos da nossa época atual. Este trabalho buscou desenvolver as atividades de forma interdisciplinar, fazendo parcerias com as professoras de História, Religião, além da disciplina de base, a Língua Portuguesa. O Currículo integrado favorece uma melhor aprendizagem, bem como interconecta os conteúdos, possibilitando ao educando a construção de uma aprendizagem mais significativa. A partir desta premissa, é necessário lutar por um currículo globalizado e interdisciplinar. Na verdade, o que realmente importa é que as disciplinas tenham idéias afins e trabalhem juntos vários conteúdos, deixando de lado os conhecimentos fragmentados, os quais provocam a descentralização da aprendizagem. De acordo com Santomé (1998, pág. 16) “Começa-se a conceder importância ao trabalho em equipe, frente ao trabalho individual”. 10 Para que haja uma transformação propriamente dita na Educação, a escola precisa ser um espaço político, o qual deseja a transformação, buscando construir um currículo novo, onde o aluno seja o mesmo sujeito, o elemento que vai auxiliar nesta mudança. Desta forma, compreende-se que além das disciplinas, os conteúdos necessitam estar conectados, mostrando que não tem uma melhor do que a outra. Neste projeto, houve fortemente o intuito de mostrar aos alunos e, posteriormente, a toda a comunidade escolar, como a leitura dos clássicos literários é importante, e que não é tarefa entediante, já que há inúmeras formas de “ler” e “reler” uma obra, enriquecendo nossa cultura e a cultura de quem conosco compartilha de nossas interpretações. Para isso, é fundamental as ferramentas que as mídias nos oferecem, bem como a parceria estabelecida entre as disciplinas, além da interação professor – aluno. Então, este trabalho irá tratar do relato do projeto “Recontando Histórias através das mídias TV, material impresso e informática “, que foi aplicado em uma turma de 7ªsérie do Ensino Fundamental da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Reus, no município de Santo Antônio da Patrulha, nas aulas da disciplina de Língua Portuguesa, pela professora e pós-graduanda deste curso, Mídias na Educação, Patrícia Costa dos Reis. Primeiramente, serão apresentados os objetivos do trabalho, em seguida a introdução, o referencial teórico, dividido em três capítulos intitulados, respectivamente: “Refletindo sobre a Educação e as Práticas pedagógicas” e “A Formação reflexiva do Professor” e “Mídias na Educação, um longo caminho a percorrer”. Depois disso, a metodologia usada neste trabalho, os resultados esperados e a discussão (reflexão) feita a partir destes; e após as considerações finais. 11 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Conscientizar os alunos da importância da leitura das obras clássicas literárias, utilizando para isso algumas mídias. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Pesquisar em material impresso, na biblioteca da escola, os contos machadianos, lendo-os e interpretando-os; Conhecer, através de pesquisa em material impresso e internet, a opinião de críticas literárias sobre os contos machadianos; Assistir a vídeos de contos adaptados de Machado de Assis, como “A Cartomante” e “Missa do Galo” para refletir e debater em grande grupo as temáticas dos contos; Produzir textos, readaptando os contos, para posteriormente, encená-los; Produzir curtas-metragens, observando cenário, figurino, personagens, gravado por eles mesmos, das adaptações das obras de Machado de Assis (contos) , apresentando-os em forma de festival para toda a comunidade escolar; 12 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 REFLETINDO SOBRE A EDUCAÇÃO E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS A Educação é feita de muitas incertezas, mas de algo podemos ter absoluta certeza, enquanto educadores: o educando só irá aprender efetivamente quando ele encontrar significado para sua aprendizagem, operacionalizando-o no seu cotidiano. E é aí que o professor tem papel fundamental de atuação, pois com suas metodologias diferentes, respeitando o ritmo e o tempo de cada um, poderá contribuir, sendo um mediador dessa aprendizagem, ou seja, mediador entre sujeito e objeto. Já segundo Vigotsky (1987), o professor entra no intercambio da zona de desenvolvimento proximal, ajudando os seus alunos a construírem sua própria aprendizagem. É claro que os conteúdos curriculares devem ser incluídos, mas tudo há de fazer sentido para os alunos, a fim de que se tornem construtores e questionadores de seus conhecimentos adquiridos, e, assim, tornando-se motivados para sempre aprender mais e mais. Conforme Moran (2006), as crianças e os jovens, no seu cotidiano escolar ou não, se habituaram a se expressar de várias formas, seja por dramatizações, jogos, seja pelo concreto ou pela imagem em movimento. A imagem fascina, pois mexe com o imediato, com o palpável. A escola, por sua vez, tende a desvalorizar a imagem e essas linguagens são consideradas, então, pelo ambiente escolar, negativas para o conhecimento. Vale destacar que é muito importante para a criança equilibrar o concreto e o abstrato, e os meios de comunicação podem ser aliados muito eficientes à passagem da especialidade contigüidade visual para o raciocínio seqüencial da lógica falada e escrita. Não se trata de opor os meios de comunicação às práticas pedagógicas convencionais, mas de integrá-los, de aproximá-los para que a educação seja um processo completo, rico, estimulante. A escola precisa observar o que está acontecendo no mundo é mostrá-lo na sala de aula, debatendo com seus alunos auxiliando-os, para que eles possam perceber pontos positivos e negativos das abordagens sobre cada assunto. http://www.eca.usp.br/prof/moran/midias_educ.htm 13 Dessa forma, este projeto foi todo organizado, tendo como um dos focos, o uso das mídias (informática, TV, material impresso), na elaboração de DVD’s de curtas-metragens dramatizados com contos clássicos machadianos que foram adaptados pelos próprios alunos. Todo este trabalho foi desenvolvido, visando alimentar o universo sensorial, afetivo e ético das crianças e dos adolescentes. De uma forma mais informal, despretensiosa e sedutora, fazer com que eles observem as diferenças do texto escrito para a linguagem falada, bem como do texto dramatizado. Além disso, houve toda a questão da preocupação da pesquisa do contexto histórico, da adaptação da linguagem dos contos machadianos em sua época para a linguagem atual, embora os assuntos abordados sejam ainda atuais. 3.2 A FORMAÇÃO REFLEXIVA DO PROFESSOR Durante o passar dos tempos, o mundo foi evoluindo e as pessoas foram acompanhando o momento em que a era industrial foi substituída pela era do conhecimento e da informação. Na era industrial, havia a preocupação com a produtividade, e dentro deste contexto histórico, surge a educação sistematizada. Os estudantes passaram a estudar e a absorver os conhecimentos necessários a sua formação, visando geralmente, uma profissão. Hoje, na era da informação, com a tecnologia cada vez mais avançada, o conhecimento e a informação vêm de várias formas, numa enorme rapidez, fazendo com que “saber fazer algo bem” já não seja o mais importante. Talvez, seja sim primordial na sociedade atual, ser alguém multifacetário, ou seja, os alunos se deparam com uma necessidade iminente de desenvolver, pelo menos um pouco , de cada suas possíveis habilidades. Tratou-se de um período de muitas e profundas mudanças, no qual a Educação foi apontada como o ponto-chave para o desenvolvimento na sociedade. A Educação como um todo traz então, incertezas e riscos, sobre os quais a escola e o professor devem refletir, posicionando-se de modo que, conhecendo o presente, possam vislumbrar o futuro. Temos, enquanto profissionais da educação, a obrigação de pensar na “escola”, olharmos novas formas de pensar e de viver a 14 realidade e, em especial, preocuparmo-nos em atuar em nossa profissão redimensionando as escolas em agências formadoras que se adéqüem à contemporaneidade, procurando perceber como os alunos se posicionam e se definem como “investigadores” frente aos fenômenos sociais que a eles se apresentam. Portanto, é preciso buscar uma nova maneira de pensar escola, formação, currículo, prática pedagógica e a maneira como os estudantes assimilam essa ruptura necessária para a compreensão dos fenômenos que ocorrem. Para tanto, é importante que se busque uma escola e um professor reflexivo, que pensa sobre si mesmo, que compreenda a função social do ensino, que defina em seu interior o tipo de escola e para que a queremos, bem como sua repercussão no meio sociocultural. A escola deve ter espaço aos professores para que eles possam refletir sobre sua prática pedagógica. Como aponta Shön (1997), o professor deve aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no qual seja possível ouvir os alunos. Estes dois lados da questão devem ser olhados como inseparáveis. Falar em prática reflexiva pressupõe entendê-la como atitude que possibilita ao professor voltar-se sobre si mesmo, sobre sua prática e sobre sua ação de forma analítica, a fim de identificar lacunas e, a partir delas, repensar o seu fazer docente. Conforme Alarcão (2003), a noção de professor reflexivo baseia-se na consciência da capacidade de pensamento e reflexão, que caracteriza o ser humano como criativo e não como mero reprodutor de idéia que lhe são exteriores. http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2052-6.pdf Segundo Pimenta e Lima (2004), a prática docente que imita modelos tem sido classificada como artesanal por alguns autores. Essa prática faz parte do modo tradicional de atuação do professor – ainda presente em nossos dias – e pressupõe que a realidade do ensino seja imutável, assim como os alunos que freqüentam a escola. Como afirma Freire (1996,) em seu livro Pedagogia da autonomia, ou cita Alves em Conversas com quem gosta de ensinar (1983), verdadeiros educadores possuem uma vocação que nasce de um grande amor, de uma grande esperança. Alves compara os educadores com velhas árvores, pois 15 [...] possuem uma face, um nome, uma “estória” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade” sui generis, portador de um nome, também de uma “estória”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo para acontecer neste espaço invisível e denso, que se estabelece a dois. (ALVES, 1983, pág. 13). Nóvoa (2001), Alarcão (2003), Libâneo (1998) e Freire (1996) concordam que é mais difícil ser professor hoje do que há 50, 60 ou 70 anos. Atualmente o professor deve trabalhar o conteúdo escolhido pelos órgãos oficiais, ao que hoje se agregam a tecnologia e a complexividade social. Isso gera insegurança à escola, ao professor e à própria sociedade que, por vezes, não sabe o que esperar da escola nem quais os objetivos que esta deve perseguir. Por isso, é necessário que a formação do professor seja continuada começando nas instituições de formação inicial e se estendendo ao longo da vida profissional com práticas de atualização constante. Concomitante à formação inicial (formal), a formação continuada deve estender-se à escola. O estudo, reflexão e aprofundamento teórico docente devem estar voltados à escola onde o professor exerce sua profissão. Ele deve ter o intuito de estudar, discutir e aprofundar as questões do ensino de aprendizagens, escolhendo lá os meios e os métodos adequados, sem desprezar nesse processo as parcerias com outras instituições de diferentes níveis. Com base em todas as leituras feitas, dos autores e autorias citadas, mais torna- se claro que as escolas de “hoje” precisa estar sintonizada com o mundo “real” do aluno, ou seja, tornou-se iminente a “ressignificação” dos conteúdos escolares. Portanto, o professor ao refletir sobre sua prática pedagógica, deve sempre avaliar e reavaliar o quanto os conteúdos trabalhados estão contextualizados com o “meio social” em que os educando vivem e, por conseguinte, atuam. Baseado nesta premissa e também na questão das “MÍDIAS”, não há como negar que a Mídia informática é, além de muita prática, um grande atrativo para todos nós, principalmente para nossos jovens, adolescentes e crianças, que passam horas diárias em frente a um computador, seja em software de jogos, seja 16 “navegando” pela internet, ou mesmo interagindo com outras pessoas (do mundo todo) em sites de relacionamento. A mídia TV faz parte do nosso cotidiano, seja em filmes, jornais, novela, programas de esportes e humor; e nossos alunos estão sempre comentando entre eles os programas que assistem e as novidades dos quais ficam sabendo. Então fica o contraposto a escola tem a função básica de instruir, ou seja, transmitir conhecimentos universais. E há conteúdos programáticos a serem seguidos dentro de um currículo previamente organizado em nível nacional por nossos governantes. Como aponta Guilherme Orozco Gomez (2010), embora haja um grande volume de informação disponível, e o acesso a ela seja relativamente amplo, não significa que esteja havendo construção de conhecimento. O autor afirma que [...] a informação se converteu em um bem de consumo, aparentemente cada vez mais necessário para os indivíduos e os grupos em seu esforço por uma existência plena de sucesso em uma sociedade moderna, repleta de interações sociais informatizadas (GOMEZ, 2010, pág. 04 ) Logo, tal embasamento me faz refletir sobre minha prática pedagógica diária, enquanto educadora. Se o acesso às informações é amplo e as mesmas vêm em grande volume, porque nossos alunos, muitas vezes, me parecem alienados ao processo de construção de conhecimento? Por que os conhecimentos mais básicos parecem inúteis e desnecessários a eles? As obras clássicas literárias devem ser lidas e conhecidas, por quê? Para quê? Realmente conteúdos relacionados aos seus interesses lhe são bem mais atrativos, porém, talvez, a grande questão aqui em debate, não seja “o quê ensinar”, mas “como ensinas”. Então, pode-se constatar que a mídia dará um bom suporte para uma verdadeira interação entre o sujeito e o conhecimento a ser adquirido. As mídias podem ser um “link” que liga o sujeito a ele, o conteúdo pode ser abordado de diversas formas, em momentos e situações diferentes da prática pedagógica, buscando “fazeres pedagógicos” mais ágeis, eficazes, modernos, conectados com o mundo. 17 3.3 MÍDIAS NA EDUCAÇÃO: UM LONGO CAMINHO A PERCORRER Em se tratando de educação em sentido amplo, salienta Moran: Antes de pensar em educar os jovens, temos que pensar em educar os adultos, nós em primeiro lugar, para estas novas linguagens, novas formas de perceber e de expressar. Aprender a ler os meios a partir da ótica do jovem, do que ele valoriza, para ajudá-lo depois a perceber melhor o mundo, de forma mais organizada, mais contextual, profunda, reconhecendo os valores e problemas que a sociedade moderna coloca, sem deslumbramento, mas também sem preconceitos. (MORAN, 2006 , pág. 26) Segundo Belloni (2005, pág. 41), é a escola que tem condições teóricas e práticas de executar a tarefa de educação para as mídias. “Como depositária do espírito crítico, responsável pela elaboração das aprendizagens e pela coerência da informação, a escola detém a legitimidade cultural e as condições práticas de ensinar a lucidez às novas gerações”. Muitas têm sido as pesquisas e as experiências de educação para a mídia ao redor do mundo. Em alguns lugares, institucionalizadas. No Brasil, essas ações ainda são promovidas por grupos comunitários. (BELLONI, 2005) O que se destaca é a necessidade de integrar os meios de comunicação à escola, tanto como instrumento, quanto como objetivo de estudo, considerando a nova linguagem e forma de expressão que eles introduzem no universo infantil e jovem, principalmente a televisão e a informática (Internet) Ainda segundo Belloni (2005, pág. 42), “a missão da escola é capacitar seus alunos a fazendo da TV / Internet que eles vêem e acessam todos os dias um uso crítico e ativo, isto é, inteligente”. O problema consiste nas condições materiais e técnicas e no preparo de professores para esta tarefa. http://linguanativa.blogspot.com/2009/10/midia-educacao-resumo-por.html (Não citou: a fonte da internet nem o autor) 18 Pensando em tudo isso, este projeto foi elaborado a fim de que alguns primeiros passos possam ser dados nesta trilha, às vezes delicada, às vezes difícil, mas envolvente e desafiadora; pois a cada dia que passa a missão de educador torna-se mais delicada e difícil sim. Os jovens estão envolvidos com várias informações que chegam a eles de diversas formas , muitas vezes de maneira instantânea, mas não confiável. Então, como planejar as aulas de forma criativa, com conteúdos pertinentes e interessantes à realidade dos alunos, mas de forma segura, com conhecimentos importantes à vida intelectual e social deles. Tarefa realmente difícil. Segundo Silva (2004), educar numa sociedade em mudanças rápidas e profundas nos obriga a reaprender a ensinar e a aprender, a construir modelos diferentes do que conhecemos até agora. Ensinar e aprender hoje não se reduz a estar um tempo em sala de aula, Implica modificar o que fazemos dentro da sala de aula e organizar ações de pesquisa e de comunicação que permitam os professores e alunos continuar aprendendo em ambientes virtuais, acessando páginas da Internet, onde encontram textos, novas mensagens, salas de aula virtuais, possibilidade de orientação a distância, etc. Como em outras épocas, há uma expectativa de que as novas tecnologias nos trarão soluções rápidas para a educação. Sem dúvida as tecnologias nos permitem ampliar o conceito de aula, o espaço e o tempo, a comunicação audiovisual e a estabelecer pontes novas entre o presencial e o virtual, entre o estarmos juntos e o estarmos conectados a distância. http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/introd utorio/etapa_2/p2_06.html Como todos os estudos feitos no curso de “Mídias na Educação”, passei a acreditar realmente nas tecnologias como uma ampliação do conceito de “prática pedagógica”, estabelecendo novos “links” entre o presencial e o virtual. Porém, como desenvolver um projeto usando as mídias numa escola da rede estadual de ensino fundamental, com poucos recursos, com infraestrutura precária, onde a biblioteca está bem mal equipada e nem o laboratório de informática está funcionando, muito menos com Internet? Tornou-se um grande desafio, mas me propus a fazer algo, a fim de tornar minhas aulas mais interessantes, mais 19 interativas, sem desviar do meu foco principal: a valorização da leitura dos clássicos literários, principalmente dos contos de Machado de Assis. Vale destacar, no entanto, que as tecnologias são importantes, mas não resolvem as questões de fundo. Ensinar e aprender são os desafios maiores que enfrentamos em todas as épocas e particularmente atualmente em que estamos vivendo uma enorme pressão pela transição do modelo de gestão industrial para o da informação e do conhecimento. Desta forma, segundo Silva (2006), nosso desafio maior é caminhar para um ensino e educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso, precisamos de pessoas que façam essa integração do sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico em si mesmas, que transmitam de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas suas palavras e ações que estão sempre evoluindo, mudando e avançando. 20 4 METODOLOGIA 4.1 TIPO DE ESTUDO Este estudo é de caráter exploratório, com abordagem qualitativa. 4.2 LOCAL DE ESTUDO O projeto “Recontando Histórias através das Mídias” foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Reüs, na cidade de Santo Antônio da Patrulha, em uma turma de 7ª série do Ensino Fundamental, composta de 26 alunos. A Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Reüs, faz parte da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul, possuindo aproximadamente 490 alunos. É uma escola urbana, com clientela preferencialmente urbana, mas também com uma pequena percentagem de alunos vindos da zona rural. A escola possui dez salas de aula e um laboratório de informática, porém o mesmo não está em uso, por falta de computador. 4.3 SUJEITOS ENVOLVIDOS Os alunos da turma 72, 7ª série do Ensino Fundamental, têm em média de 12 a 14 anos, sendo na grande maioria da zona urbana, sendo apenas duas alunas moradoras da zona rural. A classe é bastante agitada, no entanto, bastante produtiva. Nas aulas de Língua Portuguesa, disciplina na qual atuo, sempre foram bem participativos e dinâmicos, fazendo as atividades propostas sem grandes dificuldades. Na maioria têm condições financeiras razoáveis, possuindo computador com Internet, celular, Televisão, DVD etc. 21 Não possuem o hábito da leitura, porém são bastante receptivos, aceitando propostas novas, acolhendo as atividades oferecidas pela professora. 4.4 DESENVOLVIMENTO DA PRÁTICA A idéia de pôr em prática o trabalho “Recontando histórias através das Mídias”, surgiu em 2008, quando fui jurada de um festival de curta-metragens em uma escola da rede privada da cidade, a convite de uma colega de trabalho. A partir deste momento, comecei a amadurecer a idéia de desenvolver este projeto na disciplina de Língua Portuguesa, com as séries finais (7ª e 8ª séries) do Ensino Fundamental há 11 anos. Então, no ano de 2010, resolvi aperfeiçoar a ideia, colocando-a no papel. Ao iniciar o ano letivo, lancei a proposta aos alunos que a acolhera com entusiasmo. Ficou estabelecido que teríamos sempre nas aulas de Língua Portuguesa, o “momento da leitura”, para que pudéssemos ler e refletir sobre nossas leituras. A cada semana, escolhíamos tipos de textos diferentes para que pudéssemos entender as características de cada tipo de texto. Quando chegamos na leitura de “contos”, escolhemos os “Contos Machadianos”. E, então, a preparação e, finalmente, a execução do “I Festival de Curtametragens da Escola Padre Reüs”. A leitura dos contos se dava nas próprias aulas Língua Portuguesa. A turma ficava inteiramente em silêncio, e tínhamos em média 20 minutos para ler os contos. Depois abríamos as discussões. Falávamos do vocabulário, procurávamos as palavras que não conhecíamos, discutíamos as questões sociais da época, falávamos dos personagens, intenções e falas dos mesmos Em seguida, distribuímos as tarefas e, muitas delas, os alunos fizeram em horário inverso de aula, como as pesquisas, já que a escola não possui internet. Nas aulas seguintes, eles se dividiram em grupos e começaram as produções textuais, ou seja, foram adaptando os textos para a realidade atual, modificando nomes, lugares, linguagem, mantendo original apenas o enredo em si, ou seja, a temática dos contos, que ainda são bastante atuais. Por exemplo, nos dias de hoje, as pessoas ainda procuram cartomantes ou videntes para buscar 22 informações de seu futuro. Isto nos abriu um leque de opções para discussões e algumas pequenas mudanças no texto, já que se pôde falar muito em má fé, honestidade, charlatanismo, solidão, temas importantes e polêmicos também nos dias de hoje. Depois, com a ajuda da professora de Artes, que gentilmente abriu espaço em suas aulas e se prontificou ao trabalho em parceria, iniciamos os ensaios. Ensaiamos por um mês ou mais. E foi nesta etapa que o nosso envolvimento com o projeto chegou no seu ápice, pois tínhamos um movimento de ”ação e reação” contínuo. Fazíamos os ensaios e conversávamos muito sobre como estavam, o que poderíamos melhorar, etc. Foi um momento divertido, lúdico e produtivo! O próximo passo, então, foi organizar o festival. Enquanto um grupo produzia os convites aos jurados e convidados, outro grupo escrevia o cerimonial do evento. Distribuímos funções, combinamos sobre cenário, roupas, músicas, enfim, assuntos pertinentes às apresentações. No dia das filmagens, todos estavam empolgados e nervosos. A professora de Artes os filmou em ação. Inicialmente eles estavam tímidos na frente da câmera, mas depois foram se soltando. A professora Istela e eu fizemos, posteriormente, as edições e ajustes necessários. Depois, no dia do festival, o mais trabalhoso foi montar a aparelhagem necessária, ou seja, a tela, o computador, todo o equipamento para a apresentação dos filmes. A mesa dos jurados foi montada com a direção e equipe de coordenação e supervisão da escola, que foi uma sugestão dos próprios alunos. A escola ficou na platéia, no pátio, pois não possuímos auditório, e tudo foi feito na galeria e pátio da escola. Mesmo com todas estas dificuldades, o resultado foi bom, pois eles foram muito aplaudidos e os jurados distribuíram muito bem as premiações, não deixando nenhum dos curtas (no total de quatro) sem alguma premiação, que foi feita através de medalhas, adquiridas pela diretora da escola. Foi um momento marcante para os alunos, creio eu, pois seus olhos brilhavam e pareciam estar muito felizes com os resultados ali visualizados por eles, naquele momento. 23 4.5 COLETA DE DADOS A prática deste projeto se deu de abril a novembro de 2010. Usamos como recursos as mídias informática e material impresso para pesquisa. A mídia informática para digitação de textos, convites e cerimonial do festival, bem como pesquisas na internet; e a mídia material impresso nos próprios livros de contos e biográficos de Machado de Assis, retirados pelos alunos na biblioteca da escola. E também revistas e jornais que comentavam algo do autor, que eles encontraram na biblioteca pública da cidade. Todas as etapas do trabalho foram anotadas, com registros dos objetivos a serem vencidos, dos ensaios feitos, bem como todos os acertos feitos no grupo. 4.6 ANÁLISE DE DADOS A partir das atividades desenvolvidas, farei uma reflexão crítica sobre o uso das mídias na Educação; em especial as mídias informática e material que foram as utilizadas neste projeto. Esta reflexão deverá pontuar, preferencialmente, como as mídias podem aprimorar a nossa prática pedagógica, enquanto educadores, no nosso cotidiano escolar. Começamos a partir da pesquisa sobre a vida de obra de Machado de Assis. Anteriormente, conversei com a turma sobre quem foi o autor, falando um pouco sobre suas obras, a questão do tempo e do espaço em seus contos, a fim de motiválos para o projeto. Decidimos quais contos iríamos estudar, então, dando maior ênfase ao conto “A Cartomante”. Em posse de algumas referências bibliográficas, bem como “sites” que possuíam conteúdos pertinentes ao trabalho, os alunos dedicaram um bom tempo à pesquisa. Nas próprias aulas de Português, nos cinco períodos semanais, utilizávamos algum tempo para leitura, debate e reflexão do material selecionado. 24 Após a pesquisa, foi o momento de produzir novos textos, readaptando os contos para nossa realidade atual, trazendo assuntos e temas da época dos contos para o nosso contexto dos dias de hoje, pois os contos escolhidos tratam de temas que ainda podem ser comentados e refletidos ainda hoje. No conto “A cartomante”, a questão do misticismo, da honestidade, do adultério, assassinato, morte. No “Pai contra mãe”, a questão da família. Em “Missa do galo” a questão da religiosidade, preconceito de idade, casamento, e assim por diante, ou seja, questões éticas também pertinentes aos dias atuais. Em seguida, fizemos as combinações para as peças teatrais (ensaios, cenografia, sonografia, escolha de personagens, figurinos, etc.) E, finalmente, chegou o dia do I Festival de curtas - metragens da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Réus. A escola estava toda organizada para a apresentação. Fizemos do pátio uma espécie de auditório. O “datashow” foi colocado na galeria da escola e, bem ao lado, colocamos a mesa dos jurados. Desde o cerimonial de apresentação dos jurados, mensagem de abertura do evento, ordem de apresentação, tudo foi escrito por eles, sob minha orientação, e também produzido e apresentado por eles. À medida que iam sendo apresentados os filmes, os alunos, alguns pré-selecionados anteriormente, que se sentiam mais preparados para falar em público, iam dando os seus depoimentos e relatando sobre como o projeto foi sendo construído. Além disso, eles fizeram suas homenagens, seus agradecimentos especiais aos professores que contribuíram para que o trabalho tivesse chegado até ali, etc. A ordem de apresentação dos curtas foi a seguinte: a) A cartomante; b) Missa do galo; c) Pai contra mãe; d) O caso da vara. Vale lembrar que a turma tem 26 alunos, tendo trabalhado em quatro grupos: dois grupos de quatro componentes e dois de cinco componentes. Todos se envolveram no projeto, trabalharam na produção e atuação dos filmes, bem como em todas as outras atividades pertinentes ao festival. . 25 4.7 ASPECTOS ÉTICOS Para o desenvolvimento deste estudo, foram feitos os devidos documentos requerendo a autorização da direção da escola, bem como dos pais dos alunos (já que os mesmos são menores), a fim de que as imagens e os conteúdos expostos fossem consentidos e esclarecidos por seus responsáveis. 26 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir da idéia do anteprojeto, para a readaptação dos clássicos de Machado de Assis, estruturei o projeto de forma a desenvolver atividades, visando a valorização da leitura dos clássicos literários, especificamente os contos machadianos. A proposta foi lançada através de muita motivação, falando em minhas aulas sobre Machado de Assis, sobre sua vida e obra, o tempo e o espaço de seus contos, e leitura de um trecho além de comentários do conto “A Cartomante”. Em seguida, entreguei a eles algumas referências (material impresso e “sites”) que falam do autor e sua vasta obra, para que eles fossem pesquisar sobre o assunto. Foi um grande tempo deles de envolvimento com a pesquisa. Nas próprias aulas de Português da turma, em dois, dos cinco períodos semanais, comentávamos, líamos e debatíamos o que eles pesquisavam, com o objetivo de estarmos cada vez mais próximos da realidade dos textos. A cada conto lido e debatido, discutíamos sobre o período histórico dos mesmos, observando o contexto histórico, social, econômico das personagens da época, além das vestimentas, hábitos e costumes das mesmas. Foi um verdadeiro passeio pela história literária da obra (CONTOS) de Machado de Assis (Anexo 1). Todos estes passos do projeto foram previamente elaborados, pois fazem parte do processo de busca dos objetivos vislumbrados, para este trabalho. Por isso, a importância do planejamento. O objetivo geral deste projeto,era conscientizar os alunos da importância da leitura dos clássicos literários, motivando-os através de estratégias inovadoras, com o uso das mídias TV, informática e material impresso, como aliadas no processo de ensino-aprendizagem. Este objetivo foi atingindo com toda a certeza ,pois, no início, quando lancei a proposta do projeto, os alunos estavam totalmente negativos ao trabalho, mas à medida que eu propunha as atividades, apresentando os conteúdos a serem pesquisados através das mídias tv (filmes dos contos), material impresso (livros, jornais e revistas sobre o autor e sua obra) e informática (para digitação dos textos e pesquisa na internet sobre os assuntos propostos) eles iam mudando sua postura diante do projeto. Ficavam mais animados, mais motivados, entusiasmados mesmo com as tarefas. E, assim, os 27 objetivos específicos foram também sendo atingidos, porque pude aproveitar a motivação deles para, gradativamente, ir desenvolvendo os trabalhos. Então, as pesquisas sobre a vida e obra do autor, a produção dos textos (adaptação dos contos), a encenação dos contos para a filmagem do curtas, a organização e apresentação do festival de curtas-metragens, todos estes objetivos foram atingidos com sucesso, pois pude constatar, através do envolvimento dos alunos, que iam vencendo cada etapa com êxito, efetivamente envolvidos pelo que estavam fazendo. O único objetivo que não consegui atingir foi o trabalho interdisciplinar, pois as outras disciplinas convidadas para o projeto não se engajaram na proposta. A única parceria estabelecida foi com a professora de Artes, que se enquadrou na proposta desde o início. Sinto-me um tanto falha neste aspecto, porque, talvez, não soube motivar as colegas o suficiente para o trabalho, razão pela qual creio eu, não quiseram participar do mesmo. Conforme Vasconcellos (2010, pág.72) a elaboração do planejamento tem como elementos básicos a finalidade, a realidade e o plano de ação. Como o autor destaca: “Nessa hora o professor tem de assumir seu papel, pois o planejamento é uma organização de intencionalidade”. Segundo Gandin (2010, pág.72), finalidade é uma palavra crucial, pois todo professor deve aproveitar esse momento do planejamento para sair do nível de como e com o que fazer, “que estão ligados aos conteúdos, para pensar no que fazer e para quê”. Tentei seguir estas premissas, embasada na idéia da valorização da leitura, da pesquisa, das obras clássicas, já que a Internet, apesar de aproximar pessoas e ter uma funcionalidade muito grande, trazendo uma rapidez de informação e de comunicação, tem afastado cada vez mais os alunos da leitura do material impresso, e a pesquisa na Internet tornou-se um fato corriqueiro, em que o aluno “copia” dos “sites” informações prontas, sem nem ao menos ler ou selecionar dados. Seguindo as etapas de elaboração do projeto, partimos para a readaptação dos contos “A cartomante”, “Missa do galo”, “O caso da vara” e “Pai contra mãe” para a realidade atual, trazendo assuntos e temas da época, como misticismo, honestidade, religiosidade, problemas familiares e amorosos, questões éticas, para o contexto da nossa atualidade, pois são todos temas sociais relevantes ainda nos dias de hoje. Esta foi uma tarefa bastante trabalhosa, visto que, apesar de possuir temas bem atuais, toda a linguagem, bem como cenografia e figurinos dos contos 28 originais precisaram ser mexidos. Porém, foi uma atividade muito prazerosa e divertida! Para tal, utilizamos paralelamente, todas as pesquisas feitas, como embasamento teórico, (Anexo 2). O trabalho foi sendo construído em forma de rede de saberes. Segundo Alves (1995, pág.15), “a noção de rede não é algo que se explique por si mesmo. A palavra rede tem muitos sentidos, é polissêmica.” Ainda conforme o mesmo autor: Redes existem e só podem ser pesquisadas nos processos cotidianos de viver. São, pois, formadas nos processos múltiplos e diferentes dentro das inúmeras relações que os sujeitos todos, em seus contatos cotidianos, tecem destecem e tecem outra vez, no espaço do aqui e agora. (ALVES, 1995, pág. 15) Castells (2000, pág.53) define rede como um conjunto de nós interconectados. Segundo este autor, cada um destes nós representa um ponto de inflexão na construção do conhecimento, bem como a interconexão com outros conhecimentos vindos de outras fontes. A estrutura concreta de cada um destes pontos irá variar de acordo com o tipo de rede concreta que está estabelecida. E, seguindo a idéia de construção de “rede de saberes”, de trabalho em equipe, de parcerias estabelecidas com a professora de “Artes” da turma, partimos para os ensaios, ou seja, as dramatizações dos contos. A professora de “Artes” da turma, Istela Romera Foss, possui formação em “Artes Cênicas” pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e vasta experiência em festivais de teatro, tanto na escola, como no próprio município de Santo Antônio da Patrulha. Temos grande afinidade de ideias e ela logo aceitou a proposta de engajamento no projeto. Foi nesta etapa de ensaios, preparação de cenários, de figurinos, que eu pude realmente avaliar o envolvimento dos alunos com o trabalho. (Anexo 3). Finalmente, veio a preparação para o festival de curta-metragem, onde a professora de Artes os filmou em atuação, bem como editou os filmes. Nas aulas de Língua Portuguesa, produzimos os convites para a comunidade escolar e o cerimonial do evento, bem como os convites para os jurados (diretora, 29 supervisora, orientadora escolar e para duas colegas da disciplina de Língua Portuguesa – escolha dos próprios alunos). Alguns dias antes, fizemos, juntamente com a professora de Artes, a nossa pré-estreia particular. Assistimos aos filmes, já editados, com direito a um coquetel da turma. No dia marcado, aconteceu o “I Festival de Curta – Metragem da E.E.E Fundamental Padre Reus”. Foi um verdadeiro sucesso! A comunidade escolar toda, alunos, professores, pais, funcionários prestigiaram o evento e, após a apresentação de cada curta-metragem, aplaudiram e elogiaram muito o trabalho. Foi muito gratificante ver a alegria e satisfação dos alunos com a repercussão do evento. Pude constatar, através deste trabalho, que os objetivos vislumbrados previamente, foram atingidos, principalmente no que diz respeito às questões da motivação à pesquisa, da produção textual. Os alunos trabalhavam em turno inverso ao de aula, marcando encontros nas suas casas, onde possuem internet, bem como na biblioteca. Pesquisavam na internet e no material impresso da biblioteca (referências sugeridas por mim) e traziam suas pesquisas para as aulas. Então, debatíamos sobre as informações trazidas e íamos montando os textos, pesquisando algumas palavras desconhecidas no dicionário, e trocando-as por outras mais usuais, bem como reformulando algumas frases, de forma que ficassem com uma linguagem mais coloquial, do uso deles, que eles pudessem estar se interpretando e se apropriando efetivamente dos textos. Obviamente, houve algumas dificuldades, como a questão da infra-estrutura da escola, bastante precária, em que não possui nem Internet, bem como a dificuldade em motivar alguns alunos à leitura e engajamento nas atividades, por falta de hábito, por timidez, entre outros aspectos. Porém, posso dizer que os resultados alcançados foram, na maioria, ao encontro daqueles previamente esperados e planejados. Além disto, pude fazer uma boa reflexão sobre minha prática pedagógica e, à medida que eu utilizava novas estratégias em meu fazer pedagógico diário, conseguia enxergar outras novas possibilidades para o planejamento das aulas que viriam. Pude constatar o quanto o trabalho com projeto de pesquisa é eficaz no processo de ensino-aprendizagem, pois os alunos vão em busca dos seus próprios conhecimentos e, à medida que vão pesquisando, sentem-se motivados a buscar mais e mais informações; diferentemente das nossas aulas anteriores, em 30 que os conteúdos eram dados, explicados e exercitados, mas sempre de uma vertical, por mim trazia os conteúdos, dizendo-lhes o que deveriam ou não fazer. Neste projeto, pude sentir que o trabalho se deu totalmente na horizontal, pois todos trabalhavam juntos, buscando mais conhecimentos e mais formas de explorar aquilo que pesquisávamos. Embora o assunto tenha sido sugerido por mim, o trabalho de motivação auxiliou para que eles se engajassem com afinco na proposta. Em uma próxima oportunidade, pretendo trabalhar com assuntos sugeridos por eles, escolhidos através de uma pré-seleção que poderá ser feita em aula mesmo, a partir de temas do interesse dos próprios alunos. O papel do professor se torna, assim, muito importante, pois será o mediador, o orientador dos alunos em busca de seus conhecimentos. As mídias na Educação podem ser grandes aliadas na reestruturação de nossas ações pedagógicas, enquanto educadores, já que as Mídias Informática, Televisão e material impresso foram estratégias eficazes para a efetivação do processo de ensino-aprendizagem. Pois os alunos foram em busca dos conhecimentos necessários para a realização do festival. E, para isso acontecer, as mídias foram verdadeiramente importantes, já que, através da informática eles puderam pesquisa textos e imagens, digitar textos, entre outros. E através do material impresso pesquisado puderam entrar em contato com as obras de Machado de Assis. E pela mídia TVpuderam assistir vídeos motivadores dos contos machadianos que seriam posteriormente encenados por eles. Se não fossem as mídias, o trabalho não seria tão rico e não teríamos tornado as atividades tão dinâmicas e criativas; bem pelo contrário, seria, talvez, monótonas ou cansativas, com cópias e pesquisas somente em livros etc. Conforme Queiroz (2006), o advento das novas tecnologias da informação e da comunicação proporciona o repensar do processo de ensino-aprendizagem. Estamos passando e vivendo um momento histórico e social, em que a revolução das tecnologias e dos sistemas de comunicação enriquecem a capacidade dos cidadãos de adquirir conhecimento. Tais tecnologias nos possibilitam uma reflexão crítica e elaborada da realidade, gerando-nos mudanças e inovações que podem melhorar o mundo do qual fizemos parte e onde vivemos; pois as pessoas aprendem a transformar o seu cotidiano a partir das vivências universais. A maior reflexão que pude fazer é que todo este projeto serviu-me de impulso para um começo de novas expectativas de uma prática docente melhor, mais 31 criativa e produtiva, usando as mídias, tão necessárias e atuais, principalmente a informática, para a realização de aulas mais eficazes e produtivas; buscando também estar mais próxima da realidade discente, auxiliando na busca pelo conhecimento, tendo o papel de mediador, motivando os alunos para o estudo, para a pesquisa em dias tão difíceis deste contexto educacional e social em que vivemos. Segundo Vygotsky (1987), tendo acesso à língua escrita, o indivíduo se apropria de técnicas psicológicas oferecidas por sua cultura, que se tornam suas “técnicas interiores”. Desse modo, um instrumento cultural é enraizado no indivíduo e torna-se um instrumento individual, privado. Então, podemos pensar nas mudanças tecnológicas modernas e debatermos sobre quais as conseqüências da utilização das tecnologias, como a informática para os processos cognitivos do indivíduo? Por exemplo, quando o professor pede ao seu aluno uma pesquisa na internet, sugerindo alguns endereços eletrônicos, sites com bons conteúdos, já está o ajudando em seu processo de aprendizagem. Está fazendo o seu papel de mediador, orientando seu aluno para a pesquisa, auxiliando-o para a busca deus próprios conhecimentos. Terá referências, apoio, mas ele, o próprio educando, estará construindo seus conhecimentos. Ao pensarmos como Vygotsky (1987), essas tecnologias modernas nos auxiliam na aquisiçãode conceitos culturais e científicas, as aquisições mais importantes ao longo do período escolar. Na concepção do autor, o sistema de conceitos científicos é um instrumento cultural portador de mensagens profundas e, ao assimilá-lo, o aluno muda profundamente seu modo de pensar. E aí está o principal papel do professor, o mediador entre este sistema de conceitos culturais e científicos e o aluno. Procurei fazer este papel durante todos os momentos de minha prática pedagógica neste projeto. As informações não chegavam até eles de forma pronta. Procurei sugerir leituras, ou seja, sites, livros , revistas, e principalmente estar aberta sempre à discussão. 32 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O projeto “Recontando histórias através das mídias” foi uma experiência ímpar na minha carreira de professora. Durante todo o processo de planejamento, bem como o processo de execução, pude refletir muito sobre minha prática pedagógica, sobre o papel do professor no processo ensino-aprendizagem, e sobre, principalmente, como o uso das mídias na Língua Portuguesa, disciplina em que atuo, pode tornar as aulas mais interessantes, criativas, produtivas e eficientes na busca da construção do conhecimento. Quando surgiu a idéia do projeto, e do trabalho embasado na readaptação e dramatização, para as filmagens, dos contos machadianos, estava com muitas expectativas positivas quantos aos resultados. Porém, não poderia imaginar que haveria um envolvimento e um engajamento tão grande da turma em relação à proposta inicial. No decorrer da execução do projeto, pude perceber que os objetivos estavam sendo atingidos, pois a leitura dos clássicos não foi algo tão desagradável a eles, à medida que íamos lendo e relendo os contos e traduzindo-os para nossa linguagem e realidade atuais. Não posso dizer que houve, efetivamente, um trabalho interdisciplinar, porque a princípio, pensei em fazer um trabalho em parceria com algumas disciplinas, como História e Religião. Porém, a parceria só se estabeleceu com a disciplina de Artes, que se mostrou inteiramente engajada ao projeto desde o início. A professora Istela trabalhou também as atividades do projeto nas suas aulas, auxiliando-nos principalmente com dicas na atuação dos alunos nas dramatizações, sugerindo no cenário, nos figurinos e também filmando e editando os curtas. Penso que os outros objetivos foram alcançados, pois percebi que os alunos puderam e conhecer e valorizar a obra clássica de Machado de Assis (no caso aqui, os contos), as produções textuais foram feitas, baseadas nas pesquisas, as dramatizações também, bem como as filmagens dos curtas-metragens, culminando com o I Festival de Curta-metragem da E.E. de E.F. Padre Reüs. Na verdade, eu tive muitas surpresas com este projeto, pois em alguns momentos, desanimei e pensei que os alunos não se envolveriam o quanto se envolveram. Quanto aos aspectos 33 negativos, posso relatar que a infraestrutura da escola deixa muito a desejar ainda para este tipo de trabalho. O material é insuficiente e o aquilo que a escola possui é bem deficitário. Falta internet na escola para momentos de pesquisa, além de material de reprodução dos filmes (datashow) mais eficaz e moderno. Além disso, poderia ter havido mais disciplinas envolvidas no projeto, como inicialmente propus aos colegas, porém o trabalho não encantou a todos, a não ser a parceria estabelecida com a professora de Artes. Portanto, não houve um projeto interdisciplinar como havia estabelecido como um dos objetivos. No entanto, os resultados, com certeza, mesmo com algumas dificuldades, ainda podem ser considerados, na maioria, como positivos. As atividades foram acontecendo, com adaptações, na medida do possível e foram dando certo. Um outro obstáculo que enfrentei, principalmente no início dos trabalhos, foi a falta de hábito de leitura de alguns. Para estes alunos, eu procurava dar maiores motivação e estímulo. Alguns também ficaram um tanto tímidos na hora de atuar nas dramatizações. No entanto, a professora de Artes foi uma grande aliada, fazendo com eles oficinas de expressão corporal, para que se soltassem mais, perdendo a vergonha e a timidez. Portanto, este trabalho foi concluído com resultados muito bons para mim, enquanto educadora.. Principalmente porque me fez refletir sobre meu fazer pedagógico e concluir que este foi apenas “o trampolim” para outros projetos, sobre outros temas, utilizando as mídias como estratégias para o processo de construção do conhecimento. Hoje, ao planejar minhas aulas, sempre penso em estratégias inovadoras para trabalhar determinado conteúdo, utilizando as mídias. Por exemplo, já estamos trabalhando com “webquests”, com “hotpotatoes”, além do hábito da leitura, tanto em material impresso, como em pesquisas da internet , de que não nos desfazemos mais. Temos a “hora da leitura”, onde sempre trazemos diferentes tipos de texto para lermos e discutirmos juntos; depois, então, partimos para as pesquisas e as atividades. Assim, a aula fica bem mais interessante, interativa e dinâmica. O curso “Mídias na Educação” me despertou muitos questionamentos quanto à minha prática pedagógica (será que meus alunos estavam aprendendo verdadeiramente nas minhas aulas, ou eram apenas meros espectadores, ao copiarem o conteúdo, ouvirem a explicação e exercitarem o que “ diziam” aprender sobre o que ouviram?). Estes questionamentos só foram sendo esclarecidos à proporção que as atividades aconteciam, pois em cada atividade proposta aos alunos, eu podia perceber a 34 diferença do trabalho pedagógico feito a partir de um projeto. Os alunos participaram o tempo todo: sugerindo, perguntando, criticando, refletindo, buscando saídas para os problemas que surgiam, dando idéias novas a cada dia. Ao ver o engajamento deles no projeto, pude ver claramente o quanto as minhas aulas, até então, estavam sendo monótonas, centradas mais no “o quê ensinar”, do que no “como ensinar”. Eu as planejava partindo sempre de um conteúdo a desenvolver com eles. Mas, na maioria das vezes, eu já os levava o conteúdo pronto, pré-estabelecido. Por mais que fizesse exercícios e atividades variadas, a dinâmica das aulas se tornavam as mesmas. Eles até podiam gostar das atividades, porém eles faziam-nas, nós as corrigíamos e eu sempre ficava com a impressão de que eles haviam aprendido naquela hora, mas e depois? Com este projeto, consegui realmente trabalhar em equipe, porque apesar da proposta inicial ser minha, tudo foi feito com combinações prévias do grande grupo, bem como com os devidos ajustes e reparos no percorrer da caminhada. Logo, posso dizer que este projeto mudou totalmente as idéias da professora que “eu era”, que “eu sou” e, principalmente, da que “eu quero ser”. 35 REFERÊNCIAS ALARCÃO, Isabel (Org.) Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo, Cortez 2003. ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. 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