miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 1 Relatório de Monitoramento de Educação para Todos Brasil 2008 Educação para todos em 2015 Alcançaremos a meta? BRASÍLIA, ABRIL DE 2008 miolo_relatorio:Mise en page 1 2 BRASIL 4/23/08 12:02 PM Page 2 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 © 2008 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) Representação da UNESCO no Brasil Representante Vincent Defourny Coordenadora da Área de Educação a.i. Marilza Regattieri Coordenador Editorial Célio da Cunha Esta publicação foi baseada no Relatório de Monitoramento Global de EPT 2008, mas foi elaborada e editada pela Representação da UNESCO no Brasil, de forma independente da equipe do Education for all Global Monitoring Report (EFA, GMR, UNESCO, Paris), e não está sob sua responsabilidade. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 3 Relatório de Monitoramento de Educação para Todos Brasil 2008 Educação para todos em 2015 Alcançaremos a meta? miolo_relatorio:Mise en page 1 4 BRASIL 4/23/08 12:02 PM Page 4 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Equipe de elaboração Angela Maria Rabelo Ferreira Barreto Claudio Oliveira Arantes Regina Lúcia Couto de Melo Revisão técnica Helenne Barbosa Simões Jane Margareth de Castro Jeanne Sawaya Marilza Regattieri Wagner Alves de Santana Tradução: Guilherme Teixeira de Freitas e Claudia David Revisão: Reinaldo de Lima Reis Diagramação: Paulo Selveira Foto da Capa: Mila Petrillo Relatório de monitoramento de educação para todos Brasil 2008: educação para todos em 2015; alcançaremos a meta? – Brasília : UNESCO, 2008. BR/2008/PI/H/20 1. Educação Universal—Brasil 2. Educação Básica—Brasil 3. Desenvolvimento Educacional—Brasil 3. Avaliação Educacional—Brasil 4. Indicadores Educacionais—Brasil 5. Estatística Educacional--Brasil CDD 370 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Representação no Brasil SAS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º andar 70070-914 - Brasília - DF - Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 3322-4261 E-mail: [email protected] miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 5 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Sumário Apresentação...............................................................................................................................07 Introdução....................................................................................................................................09 1. Qual é a situação mundial em relação aos seis objetivos da EPT? E qual é a situação do Brasil? ...................................................................................................11 I.1 Cumprimento dos objetivos de EPT .....................................................................................12 Objetivo 1: Educação e cuidados na primeira infância .........................................................12 Objetivo 2: Universalização da educação primária................................................................13 Objetivo 3: Necessidades de aprendizagem dos jovens e dos adultos ...............................15 Objetivo 4: Alfabetização dos adultos .....................................................................................16 Objetivo 5: Paridade e igualdade de gênero...........................................................................17 Objetivo 6: Qualidade da educação .........................................................................................18 I.2 Perspectivas quanto ao alcance das metas de Dacar........................................................19 2. As desigualdades na educação brasileira e os desafios para o cumprimento das Metas de Dacar ...........................................................................................................................25 3. A Educação para Todos e o Plano Nacional de Educação .....................................................31 4. Considerações sobre as prioridades das políticas educacionais brasileiras e as metas de EPT ......................................................................................................................33 Anexos estatísticos .....................................................................................................................39 Glossário ......................................................................................................................................58 Referências bibliográficas .........................................................................................................64 Lista de abreviaturas..................................................................................................................66 BRASIL 5 miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 7 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Apresentação O ano 2000 constituiu um marco no reconhecimento do direito de todos à educação e à aprendizagem ao longo de toda a vida. Em Dacar, Senegal, reuniram-se governos de 164 países para avaliar os progressos realizados desde a Conferência Mundial de Educação para Todos, organizada pela UNESCO em Jomtien, no ano de 1990. Os países firmaram acordo de expandir significativamente as oportunidades educacionais para as crianças, jovens e adultos até 2015. Reconhecendo que as desigualdades educacionais eram inaceitáveis, comprometeram-se com a efetiva inclusão dos que estavam em desvantagem, entre eles as mulheres, os mais pobres, os mais vulneráveis e outros grupos socialmente desfavorecidos. O compromisso foi expresso em seis objetivos no chamado Marco de Ação de Educação para Todos (EPT), os quais abrangem: a expansão da educação e o cuidado na primeira infância, a universalização da educação elementar gratuita e obrigatória, a aprendizagem de jovens e adultos, a redução das taxas de analfabetismo, a igualdade entre homens e mulheres nas oportunidades educacionais e a qualidade da educação em todos os seus aspectos. Desde então, a Educação para Todos está no cerne das atividades da UNESCO na área da educação. Promover mudanças substantivas nas políticas e práticas educativas para alcançar os objetivos do Marco de Ação de Educação para Todos exige a construção de conhecimentos e o diálogo entre os gestores dos sistemas educativos, professores e profissionais da educação e os diversos atores da sociedade. Neste contexto, a UNESCO vem exercendo suas funções colaborando com os países na formulação de suas políticas educacionais, desenvolvendo e difundindo meios inovadores e materiais sobre temas pertinentes à educação e intermediando parcerias entre financiadores, atores públicos, privados e não-governamentais para garantir melhor coordenação de esforços. Além disso, com o objetivo de acompanhar o cumprimento pelos países dos objetivos de EPT, a UNESCO publica anualmente o Relatório Global de Monitoramento de EPT, na maioria das vezes destacando um dos objetivos. A edição de 2008 do Relatório Global aborda todos eles e mostra que avanços significativos foram alcançados por vários países e aponta os diversos obstáculos a serem enfrentados. Neste Relatório Nacional que a Representação da UNESCO no Brasil põe à disposição da sociedade brasileira, além de trazer à luz análises apresentadas no Relatório Global de 2008 sobre o país, examinam-se as desigualdades educacionais, as quais evidenciam quem são e onde estão os excluídos da educação brasileira. Fazem-se considerações sobre as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), principal referência para a avaliação e monitoramento da educação brasileira, elaborado em sintonia com a Declaração Mundial de Educação para Todos. Algumas políticas educacionais recentes são também examinadas à luz dos objetivos de EPT. Nosso intuito é dar visibilidade aos progressos atingidos e ao caminho ainda a percorrer e assim contribuir para o processo de acompanhamento do PNE como parte da estratégia da UNESCO para o monitoramento dos objetivos de EPT no Brasil. Com este Relatório Nacional, pretendemos inaugurar a publicação anual dos resultados do monitoramento. Vincent Defourny Representante da UNESCO no Brasil BRASIL 7 miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 9 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Introdução Passados dez anos da Conferência de Educação para Todos realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1990, realizou-se em Dacar, Senegal, em 2000, o Fórum de Educação para Todos. Tendo-se verificado que a agenda de Educação para Todos (EPT) havia sido negligenciada por muitos países, firmou-se o chamado Compromisso de Dacar, estabelecendo metas a serem cumpridas pelos países signatários até 2015. Desde então, a UNESCO vem publicando relatórios anuais de monitoramento, geralmente dedicados a metas específicas. Educação para Todos Os seis objetivos aprovados durante a Conferência de Dacar de 2000 a serem alcançados até 2015 1. Ampliar e aperfeiçoar os cuidados e a educação para a primeira infância, especialmente no caso das crianças mais vulneráveis e em situação de maior carência. 2. Assegurar que, até 2015, todas as crianças, particularmente as meninas, vivendo em circunstâncias difíceis e as pertencentes a minorias étnicas, tenham acesso ao ensino primário gratuito, obrigatório e de boa qualidade. 3. Assegurar que sejam atendidas as necessidades de aprendizado de todos os jovens e adultos através de acesso eqüitativo a programas apropriados de aprendizagem e de treinamento para a vida. 4. Alcançar, até 2015, uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos, especialmente no que se refere às mulheres, bem como acesso eqüitativo à educação básica e contínua para todos os adultos. 5. Eliminar, até 2005, as disparidades de gênero no ensino primário e secundário, alcançando, em 2015, igualdade de gêneros na educação, visando principalmente garantir que as meninas tenham acesso pleno e igualitário, bem como bom desempenho, no ensino primário de boa qualidade. 6. Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e assegurar a excelência de todos, de forma que resultados de aprendizagem reconhecidos e mensuráveis sejam alcançados por todos, especialmente em alfabetização lingüística e matemática e na capacitação essencial para a vida. A edição de 2008, assim como a de 2002, traz um relatório global abrangendo as seis metas do Marco de Dacar. Analisa o progresso do movimento de EPT buscando responder as seguintes questões: os governos nacionais têm prosseguido em seus compromissos com as metas de EPT? A comunidade internacional vem provendo apoio adequado aos governos nacionais? O mundo está progredindo em direção às metas para 2015 e, se não, que metas têm sido negligenciadas e que países e regiões encontram-se em maior dificuldade? BRASIL 9 miolo_relatorio:Mise en page 1 10 BRASIL 4/23/08 12:02 PM Page 10 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 O Brasil está entre os 129 países monitorados. Visando divulgar avaliações pertinentes ao nosso país e aprofundar algumas delas, o Escritório da UNESCO no Brasil publica este Relatório Nacional, constituído de quatro seções. Na primeira, são apresentados dados e análises do Relatório Global relativos ao Brasil, trazendo-se à luz comparações com o desempenho de outros países que compõem dois grupos, nos quais se inclui o Brasil. O primeiro é o chamado Grupo E-9, composto por nove países (Brasil, Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia, México, Nigéria e Paquistão), que contam em seu conjunto com 3,3 bilhões de habitantes – ou seja, mais de 50% da população mundial. Neles vivem mais da metade das crianças do mundo em idade escolar e mais de 40% das que se encontram fora da escola. Concentram ainda cerca de 70% dos 771 milhões de analfabetos de todo o planeta. O outro conjunto de países com o qual se busca cotejar o Brasil foi selecionado entre aqueles da América do Sul que, depois do nosso, possuem maior população (Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela). Na segunda seção o foco são as desigualdades sociais quanto ao alcance das metas de EPT no Brasil, buscando-se apontar quem são e onde estão os excluídos dos progressos educacionais. As metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e as prioridades das políticas públicas brasileiras recentes à luz dos objetivos de EPT são analisadas na terceira e quarta seções, respectivamente. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 11 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 1. Qual é a situação no plano mundial em relação aos seis objetivos da EPT? E qual é a situação do Brasil? inda que considere que o cumprimento de cada uma das seis metas de Dacar seja individualmente importante, a UNESCO utiliza o Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) como meio de realizar uma avaliação geral de EPT. O IDE é composto de indicadores quantitativos de quatro dos objetivos: universalização da educação primária, alfabetização de adultos, paridade de gêneros e qualidade da educação. A Como medida da universalização da educação primária, meta número 2 de Dacar, o indicador selecionado para composição do IDE é a proporção de crianças que se encontram na escola na idade adequada para essa etapa. Para medir o progresso na meta 4, relativa à alfabetização de adultos, o indicador é a taxa de alfabetização, ou seja, o percentual da população com 15 anos ou mais de idade que sabe ler e escrever. Outro componente do IDE é o índice de paridade de gêneros específico para EPT, usado para mostrar até que ponto há ou não igualdade na participação de homens e mulheres na educação. A paridade de gêneros é medida dividindo-se o valor de determinado indicador alcançado pelas mulheres pelo valor atingido pelos homens. No IDE, ele é composto por índices de paridade relativos à três indicadores: taxa de freqüência à escola dos que se encontram na idade própria para o ensino primário, a mesma taxa para os que se encontram na idade esperada para o ensino médio e taxa de analfabetismo. A 1. O IDE é calculado dividindo-se cada um dos quatro índices e somando os resultados dessas divisões (1/4 do índice de freqüência ao ensino primário + 1/4 do índice de alfabetização de adultos + 1/4 do índice de paridade de gêneros específico para EPT + 1/4 da taxa de sobrevivência na quinta série). paridade de gêneros específica para EPT é a média aritmética desses três índices de paridade. A qualidade da educação é um conceito sobre o qual há muito debate, especialmente sobre como quantificá-la. Os resultados de aprendizagem de alunos em testes padronizados têm sido usados em vários países, porém não estão disponíveis em bases comparáveis. Assim, a UNESCO utiliza como indicador da qualidade (meta 6) na composição do IDE a proporção de crianças que atingem a quinta série. Essa taxa foi selecionada por ser uma informação disponível para grande parte dos países e também pela constatação de que os sistemas educacionais que conduzem maior proporção de alunos até essa série tendem a ter melhor desempenho em testes de rendimento escolar 1. O Relatório de Monitoramento Global de EPT, com base no IDE, divide os 129 países em três grupos para os quais há dados disponíveis, referentes ao ano de 2005. O primeiro inclui os de IDE elevado, igual ou superior a 0,950, e que alcançaram ou estão perto de alcançar os quatro objetivos de EPT mensurados; são 51 países nessa condição. O grupo de IDE médio, igual ou superior a 0,804 e inferior a 0,950, é composto por 53 países que estão em posição intermediária quanto ao alcance dos objetivos. O terceiro grupo é constituído pelos outros 25 países com IDE inferior e que estão longe de realizar os objetivos em seu conjunto. Esse grupo, alerta o Relatório, certamente seria maior se países que não possuem os dados necessários fossem incluídos. Entre eles se encontram os que estão em situação de conflito e de fragilidade político-institucional e que apresentam baixos níveis de desenvolvimento educacional. BRASIL 11 miolo_relatorio:Mise en page 1 12 BRASIL 4/23/08 12:02 PM Page 12 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Na avaliação do cumprimento das metas de Dacar, segundo o IDE, o Brasil encontra-se entre os 53 países que ocupam posição intermediária no alcance dos objetivos. Situado em 76º lugar, o valor do índice do Brasil mostrado no Relatório de Monitoramento Global é 0,901. Esse valor resulta de índice de 0,964 na universalização da educação primária, 0,892 na taxa de alfabetização, 0,805 na taxa de sobrevivência na quinta série e de 0,943 no índice de paridade de gênero para EPT. Todos esses valores referem-se a 2005. O Brasil está entre os países que ainda não atingiram nem estão perto de atingir o conjunto das metas, porém não se encontra entre os que estão muito longe de fazê-lo. Dos países do E-9, à exceção da China para a qual o Relatório de Monitoramento Global não publica os dados do IDE, apenas o México (em 48º lugar) encontra-se entre os 51 com índice elevado e que estão próximos de atingir as metas de Dacar. Indonésia (62º) e Egito (91º) incluem-se ao lado do Brasil no grupo de IDE médio, e os demais (Bangladesh, Índia, Nigéria e Paquistão) estão distantes dos objetivos de EPT. Dos países sulamericanos aqui escolhidos para comparação, também no nível intermediário estão Venezuela (64º), Peru (65º) e Colômbia (78º). A situação da Argentina (27º) e do Chile (37º) é bem mais favorável, estando ambos incluídos entre os países próximos das metas (Tabela14). O Brasil está perto de atingir o objetivo de universalização da educação compulsória, quando se leva em conta apenas o acesso. No indicador de qualidade, a taxa de sobrevivência na 5ª série, está sua pior situação: entre os 129 países avaliados no Relatório de Monitoramento Global, o Brasil ocupa a 93ª posição. Além disso, encontra-se em risco de não reduzir pela metade a taxa de analfabetismo e de não alcançar a paridade de gêneros nos ensinos fundamental e médio. Realizada essa avaliação geral possibilitada pelo IDE, busca-se a seguir analisar a situação do país em cada uma das seis metas definidas em Dacar. 1.1. Cumprimento dos objetivos de EPT 1. Educação e cuidados na primeira infância Objetivo 1: Ampliar e aperfeiçoar os cuidados e a educação para a primeira infância, especialmente no caso das crianças mais vulneráveis e em situação de maior carência. A natureza crítica da educação e dos cuidados na primeira infância no desenvolvimento físico e mental é enfatizada no Relatório de Monitoramento Global de EPT 2008. Ao atender as necessidades de educação, saúde e nutrição, os programas de Cuidado e Educação Infantil ajudam a reduzir as desvantagens atuais e futuras das 2 0 0 8 crianças, garantem direitos e podem abrir caminhos para os demais objetivos de EPT. A despeito disso, as crianças pequenas, especialmente aquelas com até três anos de idade têm sido negligenciadas. Os programas a elas dirigidos estão presentes em apenas 53% dos países, a maioria deles na América do Norte, Europa Ocidental, Ásia Central, América Latina e Caribe. Outra característica em relação a ações destinadas a essa faixa etária é a carência de dados sistematizados. Uma constatação positiva do Relatório de Monitoramento Global é o grande progresso observado nos serviços de saúde e imunização, aumentando o bem-estar e promovendo a queda da mortalidade infantil. No Brasil, a cobertura vacinal atinge quase todas as crianças de até um ano, equiparando-se aos índices apresentados pelo México e Egito e superando expressivamente Nigéria, Indonésia, Índia e Paquistão, todos esses países que, como o Brasil, fazem parte da iniciativa E-9. Comparado aos demais países mais populosos da América do Sul, a situação do Brasil também é de superioridade. Quanto à taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos, o Brasil mostra-se aquém do México, Chile, Argentina, Venezuela e Colômbia. No aleitamento materno, as percentagens brasileiras são inferiores tanto àquelas dos países do E-9 quanto dos sul-americanos comparados. Ainda que o Relatório não trate do atendimento educacional às crianças de até três anos, em razão da carência de informações, deve-se mencionar que é na área da educação que o atendimento à criança de até três anos se apresenta mais restrito no Brasil. Em 2005, o acesso limitava-se a 13% dessa população. Embora insuficiente, tem mostrado expansão: em 1999, a taxa era de 9,2%. Para as crianças com três anos ou mais, a oferta de programas educacionais é maior que para a idade anterior. Nessa etapa, usualmente denominada educação pré-primária ou pré-escolar, o número de matrículas no mundo cresceu de 112,3 para 132 milhões entre 1999 e 2005, e a taxa bruta de matrículas de 33% para 40%. Essa é mais elevada nos países desenvolvidos e naqueles em transição do antigo bloco soviético para a economia de mercado. É alta também na América Latina e Caribe, na Ásia Oriental e no Pacífico. É muito baixa na África Subsaariana e em alguns estados árabes. A duração e as idades cobertas pela educação préprimária variam muito entre os países, o que dificulta comparações. No Brasil, a educação pré-escolar em 2005 estendia-se de quatro a seis anos 2. Entre os demais 2. Com a Lei nº 11.274, de 2006, que ampliou a duração do ensino fundamental para nove anos, as crianças de seis anos completos no início do ano letivo passam a ser matriculadas nesse nível de ensino. 4/23/08 12:02 PM Page 13 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S países sul-americanos mais populosos, a faixa etária é de três a cinco anos, e mesmo com crianças mais novas, a Argentina e o Peru mostram taxas de escolarização similares às das crianças de quatro a seis brasileiras. Dos países do E-9, destaca-se o México, cuja idade abrangida é de quatro a cinco anos; nele a escolarização é mais elevada que a da faixa etária brasileira. Os demais mostram taxas inferiores. De um modo geral, as disparidades devidas a gênero são mais baixas na educação pré-primária que nos outros níveis de ensino. Isso se dá, segundo o Relatório de Monitoramento Global, provavelmente porque é uma etapa em que o acesso tende a se limitar aos estratos mais afluentes, nos quais há menor discriminação dessa natureza. No Brasil e nos demais países do E-9, à exceção do Paquistão e do Egito, bem como nos sulamericanos, não se observa disparidade no acesso de meninos e meninas a essa etapa educacional. O Relatório de Monitoramento Global chama a atenção para a carência de professores capacitados que compromete a qualidade do atendimento na educação pré-escolar. No Brasil, há ainda instituições que oferecem educação infantil (creche e pré-escola, para crianças de zero a seis anos de idade) e que não estão devidamente cadastradas nos registros oficiais. Provavelmente apresentam qualidade mais precária no atendimento. Dos docentes que atuam nas creches e pré-escolas cadastradas no Censo Escolar, mais de 14% (superando 50 mil) não estão habilitados no curso normal de nível médio ou superior ou em licenciatura, conforme exige a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Esses dados não estão disponíveis no Relatório, impossibilitando comparações com outros países. A qualidade do atendimento nas creches e pré-escolas brasileiras também ainda está distante das recomendações do Ministério da Educação, no que tange aos espaços físicos, materiais e projetos pedagógicos e na formação docente. O Relatório de Monitoramento Global enfatiza que os programas de educação e cuidados das crianças pequenas, em âmbito mundial, não priorizam o acesso das crianças menos favorecidas em termos socioeconômicos, e que deles poderiam tirar proveito especial para seu desenvolvimento cognitivo e sua saúde. Também no Brasil, o acesso à educação infantil revela grandes desigualdades entre pobres e não-pobres, como mostram os dados dos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que serão abordados na segunda seção deste Relatório. 2 0 0 8 BRASIL 13 2. Universalização da educação primária Objetivo 2. Assegurar que, até 2015, todas as crianças, particularmente as meninas, vivendo em circunstâncias difíceis e as pertencentes a minorias étnicas, tenham acesso ao ensino primário gratuito, obrigatório e de boa qualidade. Um dos avanços mundiais apontados no Relatório de Monitoramento Global de EPT de 2008 foi a introdução da obrigatoriedade do ensino primário em 23 países que não dispunham de legislação a respeito até o ano 2000. Atualmente existem leis a respeito em 95% dos países acompanhados. Deve-se destacar que em termos internacionais a educação primária equivale ao que no Brasil são as quatro primeiras séries do ensino fundamental, correspondendo à faixa etária de sete a dez anos se cursadas na idade apropriada. As últimas séries do ensino fundamental incluem-se internacionalmente na educação secundária, tratada no próximo tópico. Mostra o Relatório que a taxa de escolarização do total dos países observados passou de 83 para 87%, entre 1999 e 2005, tendo o crescimento sido maior que o registrado na década anterior. Dessa forma, decresceu em 24 milhões o número das crianças fora da educação primária. Restam ainda 72 milhões nessa condição, a maioria delas concentrada em 35 países. Avalia o Foto: Mila Petrillo miolo_relatorio:Mise en page 1 miolo_relatorio:Mise en page 1 14 BRASIL 4/23/08 12:02 PM Page 14 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S monitoramento de 2008 que, caso persistam as tendências verificadas, dos 86 países que não lograram a universalização do ensino primário, 58 não alcançarão a meta até 2015. A situação do Brasil quanto ao acesso a esse segmento educacional comparada à dos demais países do E-9 mostra sua posição favorável, estando apenas ligeiramente atrás do México e da Indonésia: 95% das crianças brasileiras de sete a dez anos estão na escola. Em relação aos outros cinco países da América do Sul selecionados pelo tamanho de sua população, apenas a Argentina e o Peru, este por pequena margem, encontram-se em posição melhor que o Brasil. Como nos outros países, vem diminuindo o número de crianças brasileiras dessa faixa que se encontrava fora da escola: elas somavam mais de 1.032 milhão em 1999 e em 2005 totalizaram 482 mil. Foto: Mila Petrillo Observa o Relatório de Monitoramento Global que o progresso no acesso ao ensino compulsório não tem sido uniforme nas diversas regiões dos países. Encontram-se também em desvantagem as crianças das zonas rurais, as pobres, as moradoras das favelas, as de algumas etnias e as portadoras de necessidades especiais. No Brasil, ainda se observam desigualdades no acesso à educação primária, mas elas são de pequena monta comparadas às das demais etapas educacionais. 2 0 0 8 Se a participação na educação primária vem crescendo significativamente no mundo, o avanço nas séries e a conclusão desse ciclo mostram sérios entraves em vários países. A repetência é problema presente em muitos deles, sendo mais elevada nos da África Subsaariana, da América Latina e Caribe e do Sul e Oeste da Ásia. Evidencia o Relatório de Monitoramento Global que os repetentes na educação primária do Brasil (primeiras quatro séries do ensino fundamental) somavam 21,2% em 2005. Esse valor só é superado por alguns países da África Subsaariana. É muito superior às taxas dos componentes do E-9 e da América do Sul selecionados aqui para comparação, todas inferiores a 10%. Bangladesh, no primeiro grupo, e Peru no segundo são os que apresentam maiores taxas de repetência (7% e 8,9%, respectivamente, em 2005) depois da do Brasil, estando elas entre um terço e a metade da taxa brasileira. Observa-se que, em relação a 1999, a repetência na educação primária no país decresceu, ainda que pouco; naquele ano atingia 24% dos alunos. Repetir especialmente a primeira série é mais comum também nos países em desenvolvimento. No Brasil, em 2005, a repetência nessa série era 27,3%, ou seja, mais que o dobro das ainda consideradas elevadas proporções da Indonésia (9,8%), Venezuela (10,9%) e Argentina miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:02 PM Page 15 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S (10,9%). Disparidades regionais são pronunciadas: na região Norte, quase metade dos alunos (46,9%) repetiram a primeira série em 2005, taxa que no Sudeste estava pouco acima dos 10%, segundo dados do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A permanência do aluno na escola até a conclusão da educação primária também não está garantida em muitos países. O Relatório de Monitoramento Global mostra que a taxa de sobrevivência na última série dessa etapa educacional encontra-se abaixo de 87% na metade daqueles onde há dados disponíveis. O Relatório não traz os dados para o Brasil, porém estatísticas do Inep demonstram que em 2005 apenas 80,8% dos alunos atingiram a quinta série do ensino fundamental, situação que mostra piora comparada às de 2001 (quando era 84,5%). Desigualdades regionais são evidentes; em 2005 a taxa do Sudeste era de 90,9%, e a do Nordeste de 69,9%. É também no Nordeste que essa proporção piorou mais no período; em 2001, atingia 75,8%. Esses dados evidenciam que a universalização da educação primária está longe de ser atingida no Brasil se considerado que deveria implicar não apenas estar na escola na idade adequada a essa etapa educacional, mas concluí-la e assim ter acesso a conhecimentos e competências iniciais básicos. 3. Necessidades de aprendizagem dos jovens e dos adultos Objetivo 3. Assegurar que sejam atendidas as necessidades de aprendizado de todos os jovens e adultos através de acesso eqüitativo a programas apropriados de aprendizagem e de treinamento para a vida. O Relatório de Monitoramento Global de EPT de 2008 reconhece que há dificuldades para definir e monitorar esse terceiro objetivo definido em Dacar, entre elas a ausência de uma meta quantitativa que deveria ser atingida e a falta de compreensão comum de que atividades de aprendizagem devem ser incluídas. A principal estratégia para responder às necessidades de aprendizagem dos jovens e adultos é a expansão da educação secundária e superior, afirma o Relatório. Ainda que em Dacar não tenha sido explicitado objetivo específico para esses níveis de ensino, são claramente mencionados quando tratada a questão de igualdade de gêneros. A educação secundária, para efeitos de comparação internacional, inclui o que no Brasil constitui as últimas séries do ensino fundamental (5ª a 8ª) e as três séries do ensino médio. A idade correta para cursar a educação 2 0 0 8 secundária, assim compreendida, estende-se dos 11 aos 17 anos, no Brasil. Em cerca de três quartos dos países incluídos no Relatório de Monitoramento Global, entre eles o Brasil, as séries equivalentes às últimas do ensino fundamental fazem parte da educação compulsória, o que denota a intenção oficial de universalização dessa etapa. No nosso país, a extensão do ensino compulsório com a inclusão dessas séries data de 1971 (Lei nº 5.692/71). Mostra o Relatório de Monitoramento Global que a população de brasileiros de 11 a 17 anos somava, em 2005, 24,9 milhões, número inferior ao de matrículas na educação secundária (25,1 milhões). Isso se explica pela existência de grande contingente de alunos acima da idade esperada que ainda se encontrava nessa etapa. Por outro lado, quando se analisa a participação dos alunos de 11 a 17 anos que estão na escola, em qualquer nível, observa-se que alcança 78%. Comparada aos países do E9 e os da América do Sul selecionados e cujos dados eram disponíveis, essa taxa brasileira supera a de todos os demais, à exceção da Argentina (79%), da qual muito se aproxima. Em vários países como no Brasil, parte dos programas de educação secundária inclui educação profissional em escolas técnicas e vocacionais. O Relatório de Monitoramento Global dá conta de que dos 512 milhões de estudantes da educação secundária, um em cada dez encontra-se matriculado nesses programas. A taxa é mais elevada nos países do Pacífico, na Europa Central e na América do Norte e mais baixa no Sul e Oeste da Ásia, Caribe, Ásia Central e África Subsaariana. No Brasil, como mostra o Relatório, em 2005, 718 mil alunos freqüentavam o ensino técnico, o que representava menos de 3% das matrículas na educação secundária 3. Entre os países do E-9 e os sulamericanos selecionados para comparação, a taxa apresentada pelo Brasil é mais elevada apenas que as da Índia (0,83), Bangladesh (1,62) e Paquistão (2,13). A educação superior apresentou no mundo, em 2005, crescimento de 45 milhões de matrículas, em relação a 1999. Contribuiu para esse aumento a criação de novas instituições nos países em desenvolvimento, como Brasil, China, Índia e Nigéria. Na China, as matrículas no ensino superior quase quadruplicaram no período, passando de 6,3 para 23,4 milhões de alunos. No Brasil, elas somam 4,2 milhões em 2005, aproximadamente o dobro das de 1999 (2,4 milhões). A despeito da expansão contínua, relativamente poucos jovens e adultos têm acesso a esse nível de ensino. No mundo, a taxa bruta de matrículas (ou seja, a razão entre 3. Se consideradas apenas as matrículas do ensino médio, que totalizavam 9 milhões, o percentual é de 8%. BRASIL 15 miolo_relatorio:Mise en page 1 16 BRASIL 4/23/08 12:02 PM Page 16 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S número total de matrículas e a população na faixa etária oficial para essa etapa educacional) é de quase 24%. Na América do Norte e na Europa é próxima dos 70%, enquanto no Caribe e na África Subsaariana é menor que 7%. Dos países do E-9 e dos seis países sul-americanos mais populosos, cujos dados encontram-se no Relatório de Monitoramento Global, o crescimento da taxa bruta de matrículas alcançado pelo Brasil, entre 1999 e 2005, (de 14% para 24%) é superado apenas pela China (de 6% para 22%) e pela Argentina (de 49% para 65%). 2 0 0 8 UNESCO/Orealc (2007) que apresenta taxa mais elevada que a média da América Latina e Caribe (10%) de jovens que não completaram a educação secundária e que participam de algum tipo de programa educacional. Como anteriormente mencionado, ausência de informações sistemáticas e comparáveis internacionalmente representa séria dificuldade para o monitoramento e avaliação de programas de aprendizagem e treinamento para jovens e adultos. 4. Alfabetização dos adultos O Relatório de Monitoramento Global enfatiza a relevância dos meios não-formais de educação para grupos em desvantagem e para os que abandonaram a escola. Os programas suplementares ao sistema formal são especialmente importantes para desenvolver “alfabetização de adultos, educação básica para as crianças fora da escola, habilidades para a vida, habilidades para o trabalho e cultura geral” (UNESCO, 1997). Em todo o mundo, os programas de educação nãoformal cumprem diferentes objetivos, utilizam variadas metodologias e são oferecidos por uma diversidade de instituições, governamentais e não-governamentais. Alfabetização, desenvolvimento de habilidades para a vida e para o trabalho, cuidados de saúde, cidadania, geração de renda, formação profissional, desenvolvimento rural e suplência educacional estão entre os objetivos de programas, muitos deles apoiados por organizações internacionais. O Relatório de Monitoramento Global destaca que os programas de educação não-formal são ainda negligenciados no financiamento público, ainda que alguns países tenham implementado, recentemente, estruturas no plano nacional para garantir a continuidade nesses serviços. O Brasil é um dos países destacados no Relatório de Monitoramento Global por ter vários de seus ministérios envolvidos com programas dessa natureza, do mesmo modo que Bangladesh, Indonésia, Namíbia e Tailândia. Está também entre os países que desenvolvem programas de equivalência para suprir oportunidades de aprendizagem para jovens. Mais que isso, embora não mencionado no Relatório, o acesso de jovens e adultos ao ensino fundamental, no Brasil constitui direito assegurado na Constituição de 1988. Desde então, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) vem crescendo nos sistemas de ensino. Em 1999, estavam matriculados em EJA 2,8 milhões de alunos, número que em 2005 atinge 5,6 milhões. Pesquisas domiciliares em alguns países mostram que, apesar de programas de educação não-formal e formação continuada oferecerem caminho alternativo importante, as oportunidades dos jovens e adultos de a eles terem acesso são bastante limitadas. O Brasil é citado junto com a Costa Rica e a República Dominicana como um dos países envolvidos em pesquisa da Objetivo 4. Alcançar, até 2015, uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos, especialmente no que se refere às mulheres, bem como acesso eqüitativo à educação básica e contínua para todos os adultos. Segundo o Relatório de Monitoramento Global, há no mundo 774 milhões de adultos que não dispõem das competências elementares para ler, escrever e calcular, dos quais 64% são mulheres. Esse número é calculado a partir de levantamentos em que as pessoas declaram se têm ou não essas competências. Se essas competências fossem medidas diretamente, sem dúvida o número de analfabetos seria muito mais elevado. Três quartos desses analfabetos concentram-se em 15 países, entre eles o Brasil e outros sete do E-9. Na maior parte dos países não houve redução do número de adultos analfabetos, no decorrer da última década. Destaca o Relatório que entre os 101 países que se encontram mais distantes da alfabetização universal, 72 não conseguirão diminuir em 50% a taxa de analfabetismo de adultos até 2015. Entre os países do E-9, o Brasil apresenta taxa de analfabetismo semelhante à da China, Indonésia e México. Em relação aos outros países sul-americanos mais populosos, a taxa brasileira é equivalente apenas à do Peru e pior que a dos demais. No país havia em 2005 cerca de 15 milhões de analfabetos absolutos, ou seja, pessoas que declaram não saber ler e escrever um bilhete simples. Isso corresponde a 11,1% da população. O analfabetismo é mais elevado nas pessoas de mais de 60 anos (taxa de 31,1%), na região Nordeste (21,9%), na zona rural (25%) e na população negra ou parda (15,4%). Diferente de alguns países do E-9 como Bangladesh, Egito, Índia, Indonésia e Paquistão, em que o analfabetismo dos adultos é expressivamente mais elevado entre as mulheres, a disparidade entre homens e mulheres no Brasil não é elevada. Ao contrário, a situação é ligeiramente mais favorável às mulheres, uma tendência que deve crescer como em muitos outros países, especialmente na população mais jovem. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 17 Foto: Mila Petrillo R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 que se encontra maior incidência de analfabetismo. Entre minorias étnicas, migrantes, indígenas e portadores de necessidades especiais também há mais analfabetos por se encontrarem mais freqüentemente excluídos da educação formal e dos programas de alfabetização. 5. Paridade e igualdade de gênero Objetivo 5. Eliminar, até 2005, as disparidades de gênero no ensino primário e secundário, alcançando, em 2015, igualdade de gêneros na educação, visando principalmente garantir que as meninas tenham acesso pleno e igualitário, bem como bom desempenho, no ensino primário de boa qualidade. No acompanhamento das metas de EPT realizado em 1999-2000 evidenciou-se que de cerca de 113 milhões de crianças que não tinham acesso à escola primária, 60% eram meninas, o que motivou explicitar no Compromisso de Dacar o objetivo de paridade e igualdade de gênero na educação primária e secundária. Mostra o Relatório de Monitoramento Global que, entre os países que possuem dados, 59 atingiram o objetivo de paridade de gênero nos ensinos primário e secundário, 17 o fizeram ou estão perto de fazê-lo no primário, e 19 no secundário. Dos 113 países que não haviam alcançado o objetivo da paridade de gêneros no ensino primário e secundário em 2005, apenas 18 teriam possibilidade de fazê-lo até 2015. O analfabetismo entre jovens de 15 a 24 anos tem se reduzido mais rapidamente que entre os adultos em todas as regiões do mundo, em decorrência do acesso à educação formal pelas gerações mais novas. O número de analfabetos jovens, entretanto, aumentou na África Subsaariana, apesar da queda da taxa, em decorrência do crescimento populacional e das baixas percentagens de conclusão escolar. No Brasil, 97% dos jovens eram alfabetizados em 2004, restando 1,1 milhão de analfabetos nessa faixa etária, dos quais dois terços são homens. A proporção de analfabetos entre os jovens (3%) no Brasil supera a China, Indonésia, México, sendo menor que a de outros países do E-9; em relação aos outros países sul-americanos mais populosos, a taxa brasileira assemelha-se à do Peru e da Venezuela. O Relatório de Monitoramento Global apresenta projeções das taxas de analfabetismo dos países para o ano 2015. Para o Brasil, estima taxa de 7%, o que significa que o país não cumpriria a meta de reduzir pela metade a proporção de 12,3% verificada em 1999. Na faixa de 15 a 24 anos, segundo estimativas do Relatório, o contingente de analfabetos será de 418 mil jovens, dos quais apenas 27% serão mulheres. Analfabetismo e pobreza estão fortemente correlacionados. É nos países e nos lares mais pobres O Brasil não se incluía entre os países que apresentavam problema grave de paridade. Para a taxa bruta de matrículas na educação primária (primeira à quarta série), que inclui todas as pessoas que estão matriculadas nessa etapa educacional, o Índice de Paridade de Gêneros (IGP) em 1999 era de 0,94. Em 2005, a situação é praticamente a mesma, com IGP de 0,93. Na educação secundária, por outro lado, o IGP de 1999 era de 1,11, mostrando disparidade em favor das mulheres, situação que se repete em 2004, com IGP de 1,10. Essa tendência brasileira, em que as mulheres estão um pouco sub-representadas na taxa bruta de matrículas da educação primária e super-representadas na educação secundária, assemelha-se à da média da América Latina e à dos países sul-americanos mais populosos. Entre os países do E-9, entretanto, observamse variadas situações, algumas de grande disparidade desfavorável às mulheres, como o caso do Paquistão, Nigéria e Índia, na educação primária e na secundária. No México, por outro lado, o quadro é similar ao do Brasil. O aumento da disparidade em favor das mulheres ao longo das etapas educacionais em vários países decorre do fato de que uma vez que ingressam na escola, elas tendem a avançar mais rapidamente e concluir mais séries. BRASIL 17 miolo_relatorio:Mise en page 1 18 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 18 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Na taxa de alfabetização de jovens na faixa de 15 a 24 anos, observa-se que no Brasil já se evidencia uma pequena vantagem das mulheres (IPG de 1,02), reflexo da melhoria da participação delas no sistema educacional. Dos outros países do E-9, México e Indonésia atingem paridade, e os demais dela se aproximam. São exceções Paquistão e Egito, nos quais as mulheres, mesmo as jovens, ainda se encontram em pronunciada desvantagem. Quanto aos países sul-americanos, todos se encontram próximos da paridade, já atingida pela Argentina. Ainda que não incluído no objetivo 5 de Dacar, o ensino superior é também retratado no Relatório de Monitoramento Global. Observa-se que aí se aprofunda a disparidade de gêneros no Brasil, em prol das mulheres, com um IGP de 1,32, ou seja, para cada 100 homens há 132 mulheres nessa etapa educacional. A maior participação das mulheres é observada em muitos países, como nos sulamericanos selecionados e na média da América Latina. Entretanto, quando se verificam os cursos em que estão matriculadas as estudantes de ensino superior do Brasil, observa-se que estão sub-representadas em algumas áreas, como a de engenharia, manufatura e construção, arquitetura e ciências, e estão especialmente superrepresentadas nas áreas de educação e saúde e bem-estar (tabela 9B, do anexo). Além da paridade na participação na educação, também se espera igualdade de tratamento e de condições para homens e mulheres no ambiente educacional. As atitudes e percepções dos professores muitas vezes revelam vieses prejudiciais a um dos gêneros em muitos países, onde persistem as práticas sexistas. As interações professor-aluno também contribuem, muitas vezes, para perpetuar discriminações. O Relatório de Monitoramento Global recomenda, por isso, que maior atenção seja dada à temática da igualdade de gêneros na formação dos professores. Demandam ainda atenção os livros e o próprio currículo a fim de que não contribuam para fortalecer preconceitos e estereótipos. Alerta o Relatório de Monitoramento Global para a existência de violência física e psicológica praticada por professores e funcionários, como os castigos físicos. Além disso, o entorno das escolas muitas vezes traz grandes riscos. Os meninos têm sido vítimas mais freqüentes da violência física; as meninas costumam ser alvos mais comuns da violência sexual. Disso decorrem sérios problemas de saúde física e mental, de desenvolvimento social e psicológico, e em conseqüência, de desempenho acadêmico. 2 0 0 8 6. Qualidade da educação Objetivo 6. Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e assegurar a excelência de todos, de forma a que resultados de aprendizagem reconhecidos e mensuráveis sejam alcançados por todos, especialmente em alfabetização lingüística e matemática e na capacitação essencial para a vida. Destaca o Relatório de Monitoramento Global que ainda são numerosos os países em que os resultados de aprendizagem são insuficientes e desiguais. As condições materiais das escolas também são precárias em muitos deles. A proporção alunos por professor é elevada, tendo ainda aumentado na África Subsaariana e na Ásia Meridional e Ocidental, desde 1999. O Relatório enfatiza que, no plano mundial, seriam necessários 18 milhões de professores para o ensino primário a fim de alcançar o objetivo da universalização desse ensino, daqui a 2015. Precariedade nas condições de trabalho dos professores e carência na contratação dos professores são apontadas como sérios entraves à qualidade na educação. No cálculo do Índice de Desenvolvimento de EPT, como visto anteriormente, utiliza-se como indicador da qualidade (meta 6) a proporção de crianças que atingem a quinta série, o qual mostra associação com melhor desempenho em testes de rendimento escolar em vários sistemas educacionais. Evidencia o Relatório que entre 1999 e 2004, essa taxa aumentou na maior parte dos países que dispõem de estatísticas. Continua reduzida, entretanto, na África Subsaariana (média de 63%) e na Ásia Meridional e Ocidental (79%). No Brasil, a taxa de sobrevivência na quinta série em 2005 foi de 80,5%, inferior à de 2001, quando atingia 84,5, segundo informações do Inep. Significa que de cada 100 alunos que entram na primeira série do ensino fundamental, apenas 80 chegam à quinta série. Esse dado não está disponível no Relatório de Monitoramento Global para todos os países, inclusive o Brasil. Comparando-se, porém, o valor informado pelo Inep com os dados apresentados no Relatório, observa-se que nesse indicador a situação do Brasil em 2005 é melhor apenas que a Bangladesh, Índia, Nigéria e Paquistão, entre os países do E-9. É pior que a média da América Latina e a dos países sul-americanos mais populosos. A situação desfavorável apresentada pelo Brasil, onde o acesso à educação primária encontra-se quase universalizado, reflete problemas de qualidade do ensino e de fluxo escolar, como as mais elevadas taxas de repetência entre os países aqui comparados. O Relatório de Monitoramento Global, apesar de reconhecer que as avaliações de rendimento escolar conduzidas internacionalmente, em regiões ou em países, individualmente, sejam importantes para mostrar as forças e fraquezas dos sistemas de ensino, miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 19 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 apresentam limitações. Tendem a focar em disciplinas como língua materna e matemática, não incluindo outras, como história, geografia, arte e educação moral. Raramente examinam os valores, as atitudes e habilidades não-cognitivas. letivos, acesso a livros e materiais didáticos, escolas seguras e bem-conservadas, professores com formação e em quantidade adequadas. Problemas relativos a todos esses fatores ainda estão presentes na educação brasileira. As avaliações internacionais de desempenho escolar tiveram seu início nos anos de 1960, expandindo-se desde então. As conclusões dessas avaliações têm mostrado baixos resultados em muitos lugares, sendo piores naqueles em desenvolvimento do que nos desenvolvidos. No Pisa (Programme for International Assessment), coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os estudantes que mostraram proficiência mais baixa em leitura foram os de países de renda média ou baixa, como Brasil, Indonésia, México, Federação Russa e Tailândia. Dados dessas avaliações internacionais mostram que têm desempenho melhor os estudantes de condição socioeconômica mais favorável, em termos de educação dos pais ou conforto do lar, os que têm acesso a materiais de leitura, mais tempo dedicado aos estudos na escola e em casa, disponibilidade de recursos instrucionais básicos e infra-estrutura adequada das escolas. A disponibilidade e uso dos livros aumentam o desempenho acadêmico e podem compensar desvantagens socioeconômicas. As avaliações evidenciam também diferenças consideráveis de resultados entre escolas, apontando para a importância da disponibilidade, uso e a gestão dos recursos. Mesmo que tenha sido aumentada, por lei, a extensão do ano letivo brasileiro para 200 dias, absenteísmo de professores prejudicam o tempo efetivo de aulas. A jornada diária de quatro horas ou um pouco mais que isso é também inferior à de vários países. O número de países que conduzem avaliações nacionais e divulgam seus resultados também vem crescendo, o que colabora para exigir das autoridades formas de melhorar os níveis de conhecimento e competência dos estudantes. O Brasil é um dos países que tem investido em avaliação educacional. Em 1991 criou o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – Saeb, que vem sendo aperfeiçoado desde então. Os resultados das avaliações bianuais têm sido utilizados para mostrar os resultados dos estudantes de diferentes redes e unidades da federação e sua evolução ao longo dos anos. O Relatório de Monitoramento Global apresenta a evolução dos resultados de aprendizagem baseados nas avaliações nacionais, entre os quais se encontram os do Saeb de 1999 e de 2005. Tanto em língua portuguesa quanto em matemática, a comparação entre os dois anos mostra estabilidade, o que também foi observado nas avaliações do Peru, entre 1998 e 2004, e do Chile entre 2002 e 2005. No México, houve melhora entre 2000 e 2005 em linguagem e estabilidade em matemática, o que também ocorreu na Colômbia, entre 2003 e 2005. São apresentados no Relatório de Monitoramento Global alguns fatores fundamentais para uma boa aprendizagem, incluindo número suficiente de dias Quanto à infra-estrutura, em muitas escolas brasileiras, especialmente na periferia dos grandes centros e da zona rural, as condições são precárias; as salas são exíguas e desconfortáveis. A proporção de alunos por professor no Brasil varia bastante entre redes e escolas. A média nacional para a educação primária apresenta melhora, com a diminuição de 26 alunos por professor em 1999 para 21 em 2004, segundo o Relatório de Monitoramento Global, o que equipara ou aproxima o Brasil aos países sul-americanos mais populosos e aos países do E-9 com melhor situação nesse indicador. Há ainda no país número expressivo de professores sem a habilitação formal exigida para o nível que ensinam. Não estão publicados no Relatório de Monitoramento Global os dados sobre os docentes do Brasil, porém essas informações estão disponíveis nos Censos Escolares do Inep. Na educação infantil, a taxa de professores não-habilitados em nível médio, mínimo exigido na LDB, era de 14,4% em 2006. Nas primeiras séries do ensino fundamental, 47,3% dos professores não possuíam habilitação em nível superior, e dos que lecionam nas últimas séries, o percentual era de 19,6%. No ensino médio, 11,7% não possuem habilitação. Observa-se, na educação básica, carência de professores habilitados para as disciplinas de matemática, física, química e biologia, que decorre em grande parte das condições de remuneração pouco atrativas. Outro problema em alguns sistemas de ensino são as contratações de professores em caráter temporário, em detrimento de concursos públicos. Sobre esse aspecto não há informações sistematizadas. 1.2. Perspectivas quanto ao alcance das metas de Dacar Mostrado esse quadro resumido da situação da educação brasileira nos aspectos incluídos no Compromisso de Dacar, impõe-se a pergunta: o Brasil cumprirá até 2015 as seis metas estabelecidas? O Relatório de Monitoramento Global de EPT de 2008 apresenta as perspectivas dos países, a partir de projeções calculadas com base nos dados de 1990 a 2005, relativos aos objetivos cujos indicadores são mais facilmente quantificáveis: o BRASIL 19 miolo_relatorio:Mise en page 1 BRASIL 12:03 PM Page 20 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S objetivo 2 (universalização da educação primária), o 4 (redução da taxa de analfabetismo entre os adultos) e o 5 (eliminação das disparidades de gênero na educação primária e secundária). Por se tratar de extrapolações de tendências passadas não refletem resultados de políticas e práticas educacionais mais recentes, e não são previsões. Considerando cada um desses três objetivos, os países são classificados em grupos segundo as tendências e probabilidades de alcançá-los. As perspectivas para o Brasil, os demais países do E-9 e os sul-americanos mais populosos são aqui destacadas. Para os demais objetivos, são trazidas considerações de natureza mais geral apresentadas no Relatório de Monitoramento Global. 2 0 0 8 até 2015, em todas as regiões de países em desenvolvimento, exceto na América Latina e Caribe. É especialmente o caso das crianças menores de três anos, mormente as de famílias mais desfavorecidas. Os dados brasileiros confirmam essa tendência apontada no Relatório: em 2006, apenas 15,5% das crianças de até três anos estavam freqüentando a educação infantil. No quinto mais pobre da população, a taxa era de apenas 9,7% e no quinto mais rico mais rico 29,6% (PNAD/IBGE). Com base em projeções da taxa de escolarização líquida na educação primária de 149 países, o Relatório mostra as perspectivas de atingirem o objetivo em 2015, dividindo-os em quatro grupos (Figura 1). Considera-se que a meta foi alcançada quando a taxa é de 97%. Realça o Relatório que as tendências em curso sinalizam para taxas de participação em programas de ECPI baixas Figura 1. Perspectiva dos paises em alcançar a universalização da educação primária em 2015 Objetivo alcançado até 2005 (total TLE ≥ 97%) - 63 países Argélia, Argentina, Aruba, Austrália, Áustria, Bahrain, Bangladesh, Barbados, Bélgica, Belize, Bermudas, Ilhas Virgens Britânicas, Brunei Darussalam, Camboja, Canadá, Cuba, Chipre, Dinamarca, Equador, Egito, Estônia, Fiji, Finlândia, França, Grécia, Islândia, Indonésia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Cazaquistão, Kiribati, Luxemburgo, México, Montserrat, Países Baixos, Nova Zelândia, Noruega, Panamá, Peru, Polônia, Portugal, Catar, República da Coréia, Santa Lúcia, Samoa, São Tomé e Príncipe, Sérvia e Montenegro, Seychelles, Eslovênia, Espanha, Sri Lanka, Suécia, Suíça, República Árabe da Síria, Tadjiquistão, TFYR Macedônia, Timor Leste, Tonga, Tunísia, Reino Unido, República Unida da Tanzânia QUADRANTE I Alta chance de alcançar o objetivo até 2015 (aproximando-se do objetivo, com progresso estável) - 28 países Distância de TLE Total de 100% na educação primária em 2005 20 4/23/08 Próximo ou em posição intermediária (total TLE 8096%) Distante (total TLE: < 80%) Total QUADRANTE III Em risco de não alcançar o objetivo até 2015 (se afastando do objetivo ou progresso muito lento) - 33 países Bielo-Rússia, Benin, Bolívia, Brasil, Bulgária, Colômbia, Albânia, Anguila, Armênia, Azerbaijão, Bahamas, Botsuana, El Salvador, Geórgia, Guatemala, Hungria, Índia, República Cabo Verde, Ilhas Caimã, Croácia, Dominica, República Islâmica do Irã, Kuait, Kyrgyzstan, Líbano, Lesoto, Dominicana, Guiné Equatorial, Granada, Iraque, Jamaica, Madagascar, Malaui, Marrocos, Mianma, Jordânia, República Democrática Popular do Laos, Lituânia, Nicarágua, Filipinas, Romênia, Federação Macau (China), Malásia, Malta, Maurícias, Mongólia, Russa, Ucrânia, Vanuatu, Venezuela, Territórios Palestinos, Moldova, Movendo do Quadrante III em 2015 para o Zâmbia São Vicente e Granadinas, África Quadrante I em 2025: Botsuana, Croácia, do Sul, Suazilândia, Togo, Trinidad Iraque, República Democrática Popular do e Tobago, Turquia, Vietnã, Laos, Macau (China), Maurícia, Territórios Palestinos Zimbábue Movendo do Quadrante II em 2015 para o Quadrante I em 2025 Etiópia, Gâmbia, Guine, Quênia, Moçambique Iêmen QUADRANTE II Baixa chance de alcançar o objetivo até 2015 (aproximando-se do objetivo, com rápido progresso) 17 países Burquina Fasso, Burundi, Chade, Eritréia, Etiópia, Gâmbia, Gana, Guiné, Quênia, Mali, Mauritânia, Moçambique, Níger, Paquistão, Arábia Saudita, Senegal, Iêmen 61 QUADRANTE IV Sério Risco de não alcançar o objetivo até 2015 (se afastando do objetivo ou progresso muito lento) 8 países Costa do Marfim, Djibouti, Maldivas, Namíbia, Nigéria, Omã, Ruanda, Emirados Árabes Unidos 45 41 No caminho Fora do caminho Total da TLE no ensino primário projetado para 2015, extrapolando a tendência 1991-2005 25 86 Não incluídos nas possibilidades de análises - (dados insuficientes ou inexistentes) - 54 países Afeganistão, Andorra,Angola, Antígua e Barbuda, Butão, Bósnia e Herzegovina, Camarões, República Centro-Africana, Chile, China, Comores, Congo, Ilhas Cook, Costa Rica, República Checa, República Popular Democrática da Coréia, República Democrática do Congo, Gabão, Alemanha, Guiné-Bissau, Guiana, Haiti, Honduras, Letônia, Libéria, Líbia, Ilhas Marshall, Micronésia, Mônaco, Nauru, Nepal, Países Baixos, Antilhas, Niue, Palau, Papua Nova Guiné, Paraguai, São Cristóvão e Nevis, San Marino, Serra Leoa, Cingapura, Eslováquia, Ilhas Salomão, Somália, Sudão, Suriname, Tailândia, Tokelau, Turcomenistão, Ilhas Turcas e Caicos, Tuvalu, Uganda, Estados Unidos, Uruguai, Uzbequistão Nota: Traduzido de UNESCO Education for All by 2015: Will we make it? EFA global monitoring report, 2008. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: http://unescdoc.unesco.org/images/0015/001547/154743e.pdf,p.180. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 21 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S O Brasil está incluído no grupo dos 28 que têm alta probabilidade de atingir o objetivo. Como também estão (igual ou superior a 97%) a Índia (do E-9), Colômbia e Venezuela. O Paquistão tem baixa chance de atingir a meta, e a Nigéria está entre os oito que correm sério risco de não alcançá-la. À exceção do Chile e da China, que não disponibilizaram dados, os demais países do E-9 (Bangladesh, Egito, Indonésia e México) e Argentina e Peru já alcançaram o objetivo em 2005. O Relatório de Monitoramento Global afirma que muitos países devem dar mais ênfase a programas de educação, treinamento e desenvolvimento de habilidades para a vida que dêem conta desse objetivo. Esse é especialmente o caso da África Subsaariana e do Sul e Oeste da Ásia, onde as taxas de alfabetização de adultos são mais baixas, e ainda há muitas crianças fora da escola. 2 0 0 8 BRASIL De 127 países que possuíam dados sobre taxa de alfabetização, 26 já atingiram ou superaram a meta (igual ou superior a de 97%) em 2005 (Figura 2). Entre eles encontra-se a Argentina. Nos demais essas taxas têm melhorado, mas em ritmos diferentes, o que permite classificá-los em quatro grupos segundo as projeções. O primeiro é formado por 30 países que têm alta probabilidade de atingir a meta em 2015, entre eles a China e a Indonésia (do E-9), Chile, Colômbia, Peru e Venezuela. No segundo estão 18 países, como Bangladesh (E-9), com pouca chance de cumprir o objetivo, porém têm apresentado rápido progresso. O Brasil é incluído, como o México, no grupo de 28 países que embora tenham taxa acima de 80%, têm mostrado progresso lento e correm risco de não atingir a meta. O último grupo é formado pelos 25 países que apresentam sério risco de não alcançar a taxa de alfabetização esperada e nele estão quatro países do E-9: Egito, Índia, Nigéria e Paquistão. Figura 2. Perspectivas dos países em alcançar o objetivo 4 – alfabetização de adutos em 2015 Distância da alfabetização universal em 1995-2004 Alfabetização universal alcançada - (taxa de alfabetização de adultos ≥ 97%) - 26 países Albânia, Argentina, Armênia, Aruba, Azerbaijão, Bielo-Rússia, Bulgária, Croácia, Cuba, Estônia, Itália, Kazhakstan, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Mongólia, Moldova, Romênia, Rússia, Samoa, Eslovênia, Tadjiquistão, Tonga, Trinidade e Tobago, Turcomenistão, Ucrânia Próximo ou em posição intermediária (taxa de alfabetização de adultos: 80-96%) Distante (taxa de alfabetização de adultos: < 80%) Total QUADRANTE I Alta chance de alcançar o objetivo até 2015 (aproximando-se do objetivo, com progresso estável) - 30 países Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Chile, China, Congo, Chipre, Colômbia, Costa Rica, Gabão, Grécia, Indonésia, Jordânia, Kuait, Macau (China), Malásia, Maldivas, Malta, Antilhas Holandesas, Territórios Palestinos, Peru, Portugal, Sérvia e Montenegro, Cingapura, África do Sul, Tailândia, TFYR Macedônia, Emirados Árabes Unidos, Uruguai, Venezuela, Zimbábue QUADRANTE II Baixa chance de alcançar o objetivo até 2015 (aproximando-se do objetivo, com rápido progresso) - 18 países Bangladesh, Benin, Burkina Fasso, Chad, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Libéria, Malaui, Mali, Marrocos, Moçambique, Nepal, Níger, Senegal, Serra Leoa, Togo, Iêmen QUADRANTE III Em risco de não alcançar o objetivo até 2015 (aproximando-se do objetivo, mas progresso muito lento) - 28 países Bahrain, Botsuana, Brasil, Brunei, Cabo Verde, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiné Equatorial, Honduras, República Islâmica do Irã, Líbia, Maurícia, México, Mianma, Namíbia, Oman, Panamá, Paraguai, Filipinas, Catar, São Tomé e Príncipe, Arábia Saudita, Sri Lanka, Suriname, República Árabe da Síria, Turquia, Vietnã 58 QUADRANTE IV Sérios Riscos de não alcançar o objetivo até 2015 (aproximando-se do objetivo, mas progresso muito lento) - 25 países Argélia, Angola, Burundi, Camboja, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Egito, Guatemala, Índia, Iraque, Quênia, República Democrática Popular do Laos, Madagáscar, Mauritânia, Nicarágua, Nigéria, Paquistão, Papua Nova Guiné, Ruanda, Sudão, Suazilândia, Tunísia, Uganda, República Unida da Tanzânia, Zâmbia 48 53 Países com desempenho mais rápido Países com desempenho mais lento Taxa de alfabetização de adultos projetada para 2015, extrapolando a tendência 1995-2004 43 101 Não incluídos nas possibilidades de análises - (dados insuficientes ou inexistentes) - 76 países Afeganistão, Andorra, Anguila, Antígua e Barbuda, Austrália, Áustria, Bahamas, Barbados, Bélgica, Belize, Bermuda, Butão, lhas Virgens Britânicas, Camarões, Canadá, Ilhas Caimã, Ilhas Comores, Ilhas Cook, República Checa, Dinamarca, Djibuti, República Popular Democrática da Coréia, Dominica, Eritréia, Etiópia, Fiji, Finlândia, França, Gâmbia, Geórgia, Alemanha, Granada, Guiné-Bissau, Guiana, Haiti, Hungria, Irlanda, Islândia, Israel, Jamaica, Japão, Kiribati, Líbano, Lesoto, Luxemburgo, Ilhas Marshall, Micronésia, Mônaco, Montserrat, Nauru, Países Baixos, Nova Zelândia, Niue, Noruega, Palau, Polônia, República da Coréia, Saint Kitts e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, San Marino, Eslováquia, Seicheles, Ilhas Salomão, Somália, Espanha, Suécia, Suíça, Timor-Leste, Tokelau, Ilhas Turks e Caicos, Tuvalu, Reino Unido, Estados Unidos, Uzbequistão, Vanuatu Nota: Traduzido de UNESCO Education for All by 2015: Will we make it? EFA global monitoring report, 2008. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: http://unescdoc.unesco.org/images/0015/001547/154743e.pdf, p.182. 21 miolo_relatorio:Mise en page 1 BRASIL 12:03 PM Page 22 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Foto: Bruno Peres 22 4/23/08 Analisada a situação de 172 países (Figura 3) e considerando a meta alcançada quando o IPG está entre 0,97 e 1,03, verificou-se que 59 já atingiram a paridade no primário e no secundário em 2005. Entre eles estão Bangladesh, China e Indonésia (E-9) e Chile e Peru. O Brasil encontra-se entre os 12 países, sendo a maioria da América Latina e Caribe, que apresentam risco de não atingir a paridade no ensino primário em 2015 nem em 2025, podendo alcançar a do secundário até 2025. Venezuela, Argentina, Colômbia e México também já a alcançaram no primário, porém os três últimos estão em risco de não atingí-la no secundário em 2015 ou 2025. Os demais países sul-americanos aqui selecionados e do E9 apresentam risco de não atingir a paridade em nenhum dos dois níveis, seja em 2015 seja em 2025. A partir das dimensões de qualidade monitoradas em EPT (resultados em avaliações nacionais e internacionais, condições para o ensino e a aprendizagem, e quantidade e qualidade dos professores), para as quais é difícil fazer projeções, o Relatório trata de tendências gerais. Aponta o relevo que a questão da qualidade vem ganhando nas agendas dos governos nacionais, parceiros internacionais, autoridades escolares e pais. Apesar disso, continuam evidentes os problemas de baixo desempenho, repetência, insuficiência da duração do tempo na escola, entre outros, as disparidades nos resultados de aprendizagem, mostrando desvantagem dos alunos mais pobres, os do meio rural, das periferias urbanas, os indígenas marginalizados e as crianças das minorias. É dado destaque à necessidade de ampliação do número de docentes habilitados, estimada em 28 milhões de novos professores, em termos mundiais, para a universalização da educação primária. Serão necessários significativos recursos para formar e remunerar esses professores. Para os países da África Subsaariana, Ásia e Pacífico e região dos Estados Árabes esses desafios serão especialmente elevados. O Relatório de Monitoramento Global, além de dedicar um capítulo à análise do financiamento de EPT, tanto com relação aos gastos nacionais quanto ao de ajuda internacional, trata das tendências relativas a esse aspecto fundamental. Mostra que os recursos mais significativos para o desenvolvimento da EPT são os nacionais, e que após Dacar, houve aumento dessas receitas destinadas aos objetivos, diferentemente do que ocorreu no período anterior. Destaca que os países que mais avançaram na universalização da educação primária foram os que mantiveram ou aumentaram os recursos para a educação em relação ao PNB. Assim, conclui que o alcance dos objetivos de Dacar dependerá do crescimento econômico e dos recursos governamentais, bem como da sua destinação à miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 23 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 BRASIL Figura 3. Perspectivas dos países em alcançar paridade de gênero na educação primária e secundária (Baseadas em tendências passadas, 1991-2005. Todos os países com IPGs entre 0,97 e 1,03 são considerados como tendo alcançado a paridade) Igualdade de gênero na educação secundária Alcançado ou provável de ser alcançado em 2005 Igualdade de gênero na educação primária Alcançado ou provável de ser alcançado em 2005 Probabilidade de alcançar até 2015 Albânia, Anguila, Armênia, Bahamas, Bangladesh, Barbados, Bielo-Rússia, Belize, Bolívia, Chile, China, Ilhas Cook, Chipre, Croácia, República Checa, Dinamarca, Dominica, Equador, Estônia, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Guiana, Hungria, Islândia, Indonésia, Israel, Itália, Jamaica, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Malta, Maurícia, Mianma, Holanda, Noruega, Paraguai, Peru, Polônia, Catar, República da Coréia, Moldova, Romênia, Federação Russa, Seychelles, Cingapura, Eslováquia, Eslovênia, Sri Lanka, Suécia, TFYR Macedónia, Reino Unido, Estados Unidos, Uzbequistão Número de países Bahrain, Botsuana, Brunei Darussalam, Fiji, Finlândia, Maldivas, Mongólia, Territórios Palestinos, Arábia Saudita, Espanha, Suíça, Uganda, Emirados Árabes Unidos Probabilidade de alcançar até 2025 Em risco de não alcançar até 2015 ou 2025 Nicarágua, Gana, Lesoto, Venezuela Argentina, Austrália, Alemanha, Áustria, Azerbaijão, Bélgica, Bermudas, Bulgária, Colômbia, Irlanda, Kiribati, Kuait, Líbano, Luxemburgo, Malaui, Malásia, Mauritânia, México, Namíbia, Nauru, Antilhas Holandesas, Nova Zelândia, Omã, Panamá, Filipinas, Ruanda, Samoa, Senegal, Suriname, Trinidad e Tobago, Tunísia, Ucrânia, Uruguai, Vanuatu, Zimbábue 59 13 4 34 Costa Rica, Guiné El Salvador Santa Lúcia, Ilhas Salomão, República Árabe da Síria, Turquia Camboja, Egito, Índia, Nepal, Tajiquistão, Tailândia, Togo 1 4 2 7 Guatemala, Gâmbia Burquina Fasso Benin, República Democrática do Congo, Mali, Paquistão, Zâmbia Probabilidade de alcançar até 2025 Em risco de não alcançar até 2015 ou 2025 Probabilidade de alcançar até 2015 Aruba, Cuba, Saint Kitts e Nevis, Vietnã 2 1 Ilhas Caimã, Quênia, Macau (China), África do Sul Brasil, Ilhas Marshall, Portugal, São Vicente e Granadinas 5 Argélia, Ilhas Virgens Britânicas, Burundi, Camarões, Cabo Verde, Chade, Comores, Congo, Costa do Marfim, Djibouti, República Dominicana, Eritréia, Etiópia, República Islâmica do Irã, Iraque, República Democrática Popular do Laos, Marrocos, Moçambique, Níger, Nigéria, Niue, Palau, Papua Nova Guiné, Sudão, Suazilândia, Tokelau, Tonga, Iêmen 4 4 4 28 64 23 11 74 110 14 8 40 172 Não incluídos nas possibilidades de análises (dados insuficientes ou inexistentes) 31 países Afeganistão, Andorra, Angola, Antígua e Barbuda, Butão, Bósnia e Herzegovina, Canadá, República Centro-Africana, República Popular Democrática da Coréia, Guiné Equatorial, Gabão, Granada, Guiné-Bissau, Haiti, Honduras, Libéria, Líbia, Madagascar, Micronésia, Mônaco, Montserrat, San Marino, São Tomé e Príncipe, Sérvia e Montenegro, Serra Leoa, Somália, Timor-Leste, Turcomenistão, Turcos e Caicos, Tuvalu, República Unida da Tanzânia Notas: 1. Nos países destacados em azul as disparidades de gênero em favor dos homens são observados no ensino primário ou secundário. 2. Quatro países, dentre eles Cuba, que tenham alcançado paridade de gênero no ensino secundário estão em risco de não alcaça-lo no ensino primário, o que pode parecer incoerente. No caso de Cuba, os dados disponíveis mostram que, embora a paridade foi alcançada no ensino primário até 1996, o IPG da TBE diminuiu de 0,97 para 0,95 em 2005. Esta tendência em Cuba, junto com a situação nos outros três países, requer um exame mais aprofundado. 3. Na Austrália,os dados de matrícula para o ensino secundário incluem educação para adultos (estudantes com idade superior a 25 anos), particularmente em programas pré-vocacionais/vocacionais, em que são maioria o sexo masculino. Isto explica a elevada TBE (217%) e o IPG relativamente baixo (0,90) neste nível. Nota: Traduzido de UNESCO Education for All by 2015: Will we make it? EFA global monitoring report, 2008. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: http://unescdoc.unesco.org/images/0015/001547/154743e.pdf,p.184. 23 miolo_relatorio:Mise en page 1 24 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 24 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S educação básica. As tendências são avaliadas como favoráveis, em razão do crescimento econômico e da renda per capita nos países de renda mais baixa, bem como do crescimento da participação dos recursos destinados à educação. Entretanto, mostra que é necessária a manutenção dessa destinação, o que pode não ser simples dada a pressão para a expansão da educação secundária e superior à medida que aumentam os concluintes do ensino primário. Dois riscos são apontados: recursos aplicados restritamente para o acesso ao ensino primário, sem aumento necessário para melhoria de qualidade, e continuidade da situação de insuficiência de recursos para a educação infantil (ECPI), para alfabetização e outras necessidades de aprendizagem de jovens e adultos. O Relatório menciona também a necessidade do aumento de eficiência no uso dos recursos. Sobre o financiamento externo para o alcance dos objetivos de EPT, o Relatório aponta que se persistirem as tendências e as promessas forem cumpridas, os recursos da ajuda bilateral deverão aumentar para U$ 5 bilhões anuais. Esses são considerados insuficientes, uma vez que mesmo incluindo a ajuda multilateral, não permitem alcançar os U$ 11 bilhões necessários. Destaca que parcela mínima dos recursos é destinada aos programas de ECPI, assim como aos programas de alfabetização, cujas necessidades de recursos são grandes. Entre as medidas consideradas necessárias no que tange ao financiamento externo enfatiza a importância de que a ajuda beneficie os países mais necessitados, em particular, os estados em situação de conflito e fragilidade e os países da África Subsaariana; seja mais global, de modo a incluir os programas de ECPI e os destinados aos jovens e adultos, bem como para desenvolvimento de capacidades em matéria de elaboração, planejamento, execução e acompanhamento de políticas; seja mais centralizada na EPT e menos no ensino pós-secundário; seja mais previsível a fim de dar suporte aos planos nacionais de educação a longo prazo; e seja mais ajustada aos programas e às prioridades dos governos. 2 0 0 8 miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 25 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 2. As desigualdades na educação brasileira e os desafios para o cumprimento das Metas de Dacar O O reconhecimento de que o desenvolvimento nacional exige a superação das desigualdades educacionais é revelado pelo destaque que o tema vem recebendo nas agendas das instâncias governamentais e da sociedade civil organizada 1. Em praticamente todo indicador educacional brasileiro ficarão evidentes as desigualdades sociais brasileiras. A análise da proporção de alunos dos diferentes segmentos demográficos e sociais que estão na escola cursando o nível de ensino apropriado à idade permite visualizar de maneira resumida as disparidades especialmente entre regiões e entre os mais pobres e mais ricos da população (tabela 1), e como se manifestam ao longo das etapas educacionais. A comparação dos dados anteriores ao Compromisso de Dacar (1999) aos mais recentes disponíveis (2006) mostra os avanços ocorridos como também a distância das metas de EPT. Diferente do tópico anterior, em que 1. Evidência foi a criação do Observatório da Eqüidade, no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), como instrumento de acompanhamento das desigualdades sociais e de apoio à proposição de políticas públicas e ações sociais que possam superá-las. O peso da influência da educação na promoção da eqüidade motivou a escolha dessa área como primeira a ser objeto do Observatório. Contando com o apoio técnico de instituições como o IBGE, o Ipea e o Dieese, o CDES vem produzindo relatórios de observação, disponíveis no portal <www.cdes.gov.br>. 2. As faixas etárias utilizadas são anteriores à Lei 11.274/2006, que alterou a duração e o início do ensino fundamental, que ainda está sendo implantada. os níveis de ensino foram tratados segundo a classificação internacional, neste item se utiliza a estrutura do ensino brasileiro e as respectivas faixas etárias 2: educação infantil (zero a seis anos), ensino fundamental (sete a quatorze), ensino médio (quinze a dezessete) e educação superior (dezoito a vinte e quatro), por fazer mais sentido quando o objetivo é analisar a situação interna. Desigualdades entre as regiões são evidentes em todas as etapas educacionais, desde a educação infantil, mostram os dados de 2006. São proporcionalmente menores no ensino fundamental para o qual o acesso encontra-se próximo da universalização. As distâncias regionais se aprofundam no ensino médio e mais ainda no superior. A região Norte apresenta a pior situação na educação infantil, e a região Nordeste está em maior desvantagem nas demais etapas. O Sudeste só não está na melhor posição no ensino superior, no qual é Foto: Dermot Tatlow/PANOS Relatório de Monitoramento Global de EPT de 2008 traz à luz a situação dos vários países por meio das médias nacionais nos diferentes indicadores, porém chama a atenção reiteradamente para as desigualdades observadas no interior deles, entre: regiões, províncias ou estados, áreas urbanas e rurais, populações pobres e ricas e grupos étnicos. Essas desigualdades são apontadas como sérios desafios ao alcance dos objetivos de EPT em muitas nações. Esse é o caso do Brasil, como evidenciam os dados. BRASIL 25 26 BRASIL R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 1: Taxa de escolarização na idade correta, segundo nível de ensino e categorias selecionadas Brasil e grandes regiões - 1999 e 2006 Níveis de ensino e faixas etárias Brasil, regiões, sexo, situação de domicílio e quintos de renda familiar ra i Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Localização Urbano Metropolitano Urbano Não-Metropolitano Rural Sexo Masculino Feminino Raça ou Cor2 Branca Negra Renda 20% mais pobres 20% mais ricos 20061 1999 EI 0a6 EF 7 a 14 EM 15 a 17 25,5 30,7 29,2 42,2 22,4 91,4 89,1 93,9 95,0 93,3 24,3 16,7 42,4 44,7 32,2 31,3 30,7 19,3 93,5 93,3 88,9 27,9 28,5 ES 18 a 24 4 3,8 EI 0a6 EF 7 a 14 4 93,8 EM 15 a 17 4 34,7 ES 18 a 24 93,4 95,7 96,2 95,4 33,0 57,7 54,8 48,0 7,5 6,9 15,0 16,8 14,7 3,7 9,4 10,4 7,7 27,7 38,0 43,1 35,2 30,0 41,4 35,6 15,2 10,7 7,6 1,5 43,3 39,5 25,8 95,2 95,3 93,1 55,2 49,9 26,9 16,1 12,9 2,4 91,7 92,9 28,3 37,2 6,3 8,5 37,9 37,7 94,8 94,9 41,9 52,0 10,4 13,9 29,3 27,0 94,2 95,5 44,2 21,2 11,9 2,5 39,1 36,6 95,7 94,2 58,3 37,4 18,8 6,1 22,2 41,9 89,3 95,2 12,1 60,5 0,4 24,1 30,5 53,8 93,0 96,3 24,5 77,2 0,8 40,4 Fonte: Microdados da Pnad (IBGE), processados por Disoc/Ipea. Notas: 1. A partir de 2004 a Pnad passa a contemplar a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. 2. Raça negra é composta de negros e pardos. ligeiramente superado pela região Sul. As desigualdades regionais em 2006, à exceção da educação infantil, são um pouco menos pronunciadas que aquelas apresentadas em 1999, especialmente no ensino médio. No acesso à educação infantil, acentuaram-se as diferenças, em razão da maior expansão ocorrida no Sudeste, onde já era o mais elevado. Nessa etapa, diferente das demais, o Nordeste encontra-se entre as regiões com maiores taxas, provavelmente em decorrência de programas de apoio federal dirigidos à região em períodos anteriores. Entre zonas urbanas e rurais, também são elevadas as disparidades. Mesmo sendo muito menor no ensino fundamental, a desigualdade entre as taxas das cidades e do campo é considerável, tratando-se de educação compulsória. Comparadas ao ano de 1999, as distâncias observadas em 2006 são menores, à exceção novamente da educação infantil, em razão do maior crescimento proporcional nas zonas urbanas no período. A falta de paridade de gêneros, conforme mencionada na seção 1, é muito pequena na educação infantil e na taxa de escolarização na idade adequada no ensino fundamental, porém é elevada nos ensinos médio e superior, nos quais as mulheres estão em vantagem. Para cada 100 homens de 15 a 17 que cursam o ensino médio, 124 mulheres o fazem (índice de 1,24). Essa desigualdade é menor que a de 1999, quando o índice era 1,31 (131 mulheres para cada 100 homens). No ensino superior, não se observou redução na situação mais favorável às mulheres, sendo o índice de 2006 (1,35) ligeiramente superior ao de 1999 (1,33). A igualdade de gêneros é um dos objetivos de EPT (objetivo 6) em que o Brasil encontra-se em risco de não cumprir até 2015. São muito acentuadas as desigualdades devidas à cor, no acesso na idade correta ao ensino médio e superior, porém nesse aspecto observa-se alguma melhoria entre 1999 e 2006. Em 1999, a percentagem da população negra de 15 a 17 anos que cursava o ensino médio (21,2%) distanciava-se 23 pontos percentuais da dos brancos (44,2%). Em 2006, a diferença que separa a taxa dos brancos (58,3%) daquela alcançada pelos negros (37,94%) foi reduzida para 20,9 pontos percentuais. No ensino superior, dobrou a taxa de escolarização na idade correta da população negra (2,5% para 6,1%), porém com o aumento proporcionalmente maior da participação dos brancos, a distância entre os dois segmentos acentuouse de 9,4 para 12,7 pontos percentuais. Esses dados mostram o quanto o país encontra-se distante da igualdade racial na educação. As maiores desigualdades na freqüência à escola na idade apropriada são encontradas quando se confrontam os segmentos populacionais mais pobres e mais ricos. Na educação infantil, a taxa de escolarização dos 20% mais ricos é quase o dobro da apresentada pelos 20% mais pobres, em 2006. A situação mais grave é a das miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 27 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S crianças de até três anos: do segmento 20% mais pobre, apenas 9,7% estavam em creches; entre os 20% mais ricos, essa taxa era de 29,6%. No ensino fundamental obrigatório ainda se observa desigualdade (93% a dos mais pobres e 96,3% a dos mais ricos). A proporção daqueles que estão no ensino médio na idade correta é três vezes maior para os que se encontram entre os 20% mais ricos. Entre o quinto mais pobre de jovens de 18 a 24 anos, não chega a um (0,8) em 100 os que cursam ensino superior. As desigualdades nas taxas de freqüência, em 2006, medidas em pontos percentuais que separam os dois segmentos de renda são mais elevadas que as de 1999, à exceção do ensino fundamental. No ensino médio, apesar de ter dobrado a taxa de freqüência dos mais pobres (de 12,1% para 24,5%), a distância em pontos percentuais em relação aos mais ricos cresceu de 48,4 para 52,7. O mesmo ocorreu com o ensino superior. 2 0 0 8 BRASIL Os entraves devidos ao fluxo escolar ficam especialmente demonstrados quando os percentuais dos que cursam o ensino médio na idade correta (15 a 17 anos) são comparados à proporção nessa idade que estão na escola freqüentando qualquer nível de ensino (figura 4): 82% dos jovens estão na escola, mas apenas 46,9% encontram-se no ensino médio. Em suma, é expressiva a parcela da população de jovens que estão na escola, porém o sistema educacional não tem se mostrado capaz de fazê-los avançar e concluir com sucesso a escolaridade. Quando as taxas dos que estão na escola freqüentando qualquer nível de ensino em cada grupo etário são comparadas segundo regiões, sexo, localização de domicílio, cor e renda, verificam-se desigualdades, porém são bastante inferiores àquelas mostradas no caso da escolarização na idade correta. Por exemplo, a percentagem da população negra de 18 a 24 anos que está na escola (28,8%) não é tão menor que a de brancos (34,4%), mas a parcela que cursa o nível de ensino adequado, o ensino superior, no caso dos negros (6,1%) é um terço da dos brancos (18,8%). Mesmo entre os segmentos de renda, em que as desigualdades educacionais são mais evidentes, observa-se que dos jovens mais pobres 25% estão na escola, ou seja, metade da taxa apresentada pelos mais ricos; porém, menos de 1% encontra-se no ensino superior, taxa que para os mais ricos é de 40,4% (Figura 5). Essas comparações evidenciam o quanto o sistema educacional ainda é excludente no Brasil. A taxa de freqüência à escola no nível adequado (escolarização líquida) constitui importante indicador da eficiência do sistema educacional, por ser resultado da progressão dos alunos nas séries e níveis, ou seja, do fluxo escolar. Observando-se as taxas nos níveis de ensino sucessivos, evidencia-se como são expressivamente menores a partir do ensino fundamental. Em 2006, a percentagem dos brasileiros de sete a 14 anos que cursam esse nível (94,8%) é o dobro daquela apresentada pelos de 15 a 17 anos que estão no ensino médio (46,9%), e é quase quatro vezes maior que a dos de 18 a 24 anos que cursam o superior (12,2%). Figura 4. Escolarização da população de 15 a 17 anos - 2006 100,0 94,9 90,0 82,0 80,0 84,9 82,9 80,7 79,6 79,2 85,0 82,6 81,5 79,5 77,2 74,0 57,7 60,0 50,0 58,3 54,8 52,0 48,0 46,9 41,9 40,0 34,7 37,4 33,0 30,0 24,5 20,0 10,0 No ensino médio Fonte: Microdados (Pnad/IBGE), processados pela Disoc/Ipea os ric br ma is po 20 % is ma % 20 Estão na escola es s ro Ne g s co an Br es M ulh er ns Ho me te Ce n tro -O es Su l ste Su de ste de No r te No r sil 0 Br a Porcentagem 70,0 27 miolo_relatorio:Mise en page 1 12:03 PM Page 28 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Figura 5. Escolarização da população de 18 a 24 anos - 2006 100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 52,4 50,0 40,4 40,0 33,7 32,5 30,4 20,0 15,0 12,2 7,5 16,8 34,4 32,5 30,5 28,8 25,0 18,8 14,7 6,9 10,4 13,9 6,1 ma is po br es Ne gr os 20 % Br an co s ulh er es M Ho me ns Su l Ce nt ro -O es te Su de ste No rd es te No rte Estão na escola ric os 0,8 0 ma is 10,0 29,4 32,0 20 % 30,0 31,5 Br as il BRASIL Porcentagem 28 4/23/08 No ensino médio Fonte: Microdados (Pnad/IBGE), processados pela Disoc/Ipea Indicadores do fluxo escolar como taxa de evasão e a taxa esperada de conclusão e indicadores de desempenho como os medidos pelo Saeb revelam desigualdades entre as regiões e mostram como ainda são grandes os desafios no ensino fundamental. A taxa de evasão, ou seja, a proporção de alunos que, tendo freqüentado a escola em determinado ano, não se matriculam no ano seguinte, é ainda elevada e desigual. Os dados do Censo Escolar mostram que dos alunos matriculados em 2005 no ensino fundamental, 6,9% não se matricularam em 2006. No Nordeste, esse percentual alcançou 8,9%, e no Sul, 5,0%, o que revela pronunciada desigualdade regional. A posição desfavorável do Nordeste é ainda mais evidente na taxa média esperada de conclusão do ensino fundamental, ou seja, na percentagem estimada dos alunos que concluem esse nível de ensino, calculada a partir das taxas de promoção, repetência e evasão vigentes. Mostram os dados do Inep dos que ingressam no ensino fundamental, no Brasil, que apenas 53,8% chegam a concluí-lo. Para o Nordeste, essa estimativa é de que apenas 38,7% concluem, ou seja, pouco mais de um terço dos que ingressam. No Sudeste, esse percentual é bem mais elevado (69,1%), porém ainda muito abaixo do desejável. Observa-se que os problemas ocorrem desde o início do ensino fundamental, o que acarreta uma taxa esperada de conclusão da 4ª série de 87,6% para todo o Brasil, ou seja, 12,4% já são excluídos nas primeiras séries. A desigualdade entre as regiões se revela na distância dessas taxas do Nordeste, com 79,4% e do Sudeste, com 94,5%. Comparações com os valores dessas duas taxas, de evasão e de conclusão, nos anos de 1999 e 2005, mostram melhoria no fluxo escolar na região Sudeste e piora no Nordeste, pronunciando-se as desigualdades regionais nos últimos anos. O avanço nas séries e a permanência do aluno na escola mostram relação com as condições econômicas e sociais dos alunos. Isso é evidente quando se comparam os percentuais de alunos oriundos de famílias com renda per capita inferior a 1/2 salário mínimo no início e no final do ensino fundamental: de 56,3% na primeira série essa proporção se reduz para 37,1% na oitava, conforme mostra a Pnad 2006 (Observatório da Eqüidade, Relatório de Observação n. 2). A acumulação de repetências acarreta que muitos atinjam a idade em que precisam auferir renda e abandonem a escola sem concluí-la. O desempenho dos alunos medido em testes de âmbito nacional também evidencia desigualdades regionais pronunciadas, conforme atestam os resultados da pesquisa bianual do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizada pelo Inep. De caráter amostral, a pesquisa avalia o desempenho escolar dos alunos da 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio, nas disciplinas de língua portuguesa e matemática, apresentando os resultados em níveis de proficiência numa escala única. Permite avaliar a evolução desse indicador ao longo do tempo e comparar as redes escolares por estados e regiões. Ao se compararem os dados de 1999 e 2005 (tabelas 2 e 3), observa-se pouca variação no desempenho médio dos alunos nas duas séries do ensino fundamental e em ambas as disciplinas avaliadas, o que permite concluir que os avanços obtidos no aumento da cobertura do ensino fundamental não foram acompanhados de melhoria no desempenho dos alunos. No caso do ensino médio, o desempenho médio dos alunos da última série mostrou queda em 2005 em relação aos de 1999, tanto em língua portuguesa quanto em matemática. As miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 29 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S desigualdades regionais nos resultados do Saeb tanto para o ensino fundamental quanto o médio são, de modo geral, as mesmas mostradas nos indicadores de fluxo: as regiões Sudeste e Sul apresentam as melhores proficiências, e Nordeste e Norte as piores, situando-se a região Centro-Oeste em posição intermediária. Em 2005, o Inep iniciou uma nova avaliação no âmbito do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb): a Prova Brasil, ou Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). Diferente das avaliações por amostragem do Saeb, a Prova Brasil é aplicada em todas as escolas urbanas, possibilitando que os resultados da avaliação subsidiem as redes e cada escola em suas tomadas de decisão. Os exames da Prova Brasil, de leitura e matemática, foram aplicados em novembro de 2005 aos alunos de 4ª e 8ª séries de 43 mil escolas públicas urbanas. Seus resultados fazem parte do cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas e dos municípios, novo indicador criado pelo MEC e que será tratado na terceira seção deste Relatório. Os baixos resultados do ensino fundamental têm sido atribuídos a várias deficiências na oferta desse nível de ensino: infra-estrutura das escolas, formação e valorização dos professores, gestão da escola e do sistema de ensino, entre outras. Por exemplo, com respeito à infra-estrutura, o Censo Escolar de 2006 mostra que metade dos alunos (50,5%) estuda em escolas que não possuem biblioteca. Quanto à formação dos professores, no caso das quatro primeiras séries, 2 0 0 8 BRASIL quase metade dos postos docentes (47,3%) são ocupados por professores que não possuem a licenciatura. Nas quatro últimas séries, esse percentual é de 19,6%, tratando-se nesse caso de grau de formação abaixo daquele legalmente exigido. As deficiências no ensino fundamental, não superadas nas últimas décadas, acarretando seu abandono por muitos que ainda não haviam consolidado suas habilidades de ler e escrever, estão entre os fatores que explicam a lenta redução na taxa de analfabetismo no Brasil. Mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad/IBGE) de 2006 que mais de 40% dos que se declaram analfabetos freqüentaram escola em algum momento de sua vida. Além disso, jovens com 15 anos continuam a ingressar a cada ano no contingente de analfabetos, número que em 2006 foi superior a 51 mil. Outra razão da dificuldade da redução da taxa de analfabetismo no Brasil reside na incidência dessa situação nos segmentos etários mais velhos, os quais mais dificilmente se engajam em programas de alfabetização. Em 2006, na população com idade superior a 40 anos, mais de 18% eram analfabetos (tabela 4). A baixa proporção de analfabetos que freqüentam cursos de alfabetização (3,9% entre jovens de 15 a 24 anos e 2,6% entre adultos) evidencia que a oferta desses cursos e os mecanismos de mobilização de jovens e adultos para aprender a ler e escrever têm sido insuficientes (Observatório da Eqüidade, 2008). Além disso, a desarticulação das iniciativas de alfabetização com a Tabela 2: Proficiência de língua portuguesa dos alunos de escolas urbanas, sem federais - 1999 e 2005 Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 4ª série do Ensino Fundamental 8ª série do Ensino Fundamental 1999 172,34 160,21 159,71 180,40 179,10 170,74 1999 232,90 226,34 224,49 235,27 239,28 235,71 2005 175,52 163,79 159,08 185,24 182,53 176,75 2005 231,71 225,69 219,45 237,36 239,01 233,12 3ª série do Ensino Médio 1999 266,57 246,07 253,00 271,15 277,64 270,94 2005 257,14 241,85 245,50 262,15 272,24 261,56 Fonte: Elaboração com base nos dados do Saeb - Inep/MEC Tabela 3: Proficiência de matemática dos alunos de escolas urbanas, sem federais - 1999 e 2005 Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Fonte: Elaboração com base nos dados do Saeb - Inep/MEC 4ª série do Ensino Fundamental 8ª série do Ensino Fundamental 1999 182,25 171,32 170,23 189,41 188,46 183,40 1999 246,36 233,59 235,45 250,14 254,79 248,46 2005 185,66 169,93 166,49 196,52 196,22 187,66 2005 239,38 226,61 225,21 245,93 251,42 239,72 3ª série do Ensino Médio 1999 280,29 253,42 265,51 284,33 296,80 287,14 2005 270,67 250,07 257,27 275,98 292,32 274,53 29 miolo_relatorio:Mise en page 1 30 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 30 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S continuidade dos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos em muitos casos resulta no retorno do aluno à condição de analfabeto. O enfrentamento do problema do analfabetismo passou a ser prioridade na agenda do Ministério da Educação em 2003, como será comentado posteriormente. Tabela 4: Taxa de analfabetismo, segundo categorias selecionadas Brasil e grandes regiões - 1999 e 2006 Categorias 15 anos ou mais Brasil Norte 1 Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Localização Urbano Metropolitano Urbano Não-Metropolitano Rural Sexo Masculino Feminino Raça ou Cor 2 Branca Negra Renda 20% mais pobres 20% mais ricos Faixa Etária 10 anos e mais 10 a 14 anos 15 a 24 anos 25 a 39 anos 40 anos e mais 1999 2006 13,4 12,3 26,5 7,9 7,8 10,8 10,5 11,3 20,8 6,1 5,7 8,3 5,9 12,2 28,8 4,5 9,9 24,2 13,4 13,4 10,8 10,3 8,3 19,8 6,6 14,7 26,3 4,4 20,6 1,8 12,3 5,5 4,8 8,8 22,9 9,7 3,1 2,4 6,4 18,1 Fonte: Microdados da Pnad (IBGE), processados por Disoc/Ipea. Notas: 1. A partir de 2004 a Pnad passa a contemplar a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. 2. Raça negra é composta de negros e pardos. 2 0 0 8 A taxa de analfabetismo evidencia pronunciadas desigualdades entre as regiões, entre populações urbanas e rurais, entre brancos e negros, bem como entre ricos e pobres. Segundo dados de 2006, a taxa da região Nordeste (20,8%) é quase quatro vezes a da região Sul (5,7%). Na zona rural, os analfabetos representam um quarto dos habitantes com 15 anos ou mais (24,2%); na área urbana metropolitana e não-metropolitana esses percentuais são bem inferiores (4,5% e 9,9%, respectivamente). Entre os jovens e adultos negros e pardos, 14,7% não sabem ler e escrever, percentual que no caso dos brancos é de 6,6%. No quinto mais pobre da população, o analfabetismo atinge 20,6% e no quinto mais rico é de 1,8%. As desigualdades medidas em pontos percentuais, entretanto, vêm diminuindo com a queda mais pronunciada nas taxas dos segmentos menos privilegiados, como se observa a partir das comparações entre os dados de 1999 e 2006. De modo diverso a muitos países, não se verifica atualmente no Brasil taxa de analfabetismo mais elevada na população feminina que na masculina; pelo contrário, o percentual de mulheres analfabetas (10,3%) é ligeiramente inferior ao dos homens (10,8%). Isso é resultado da melhor situação das mulheres na escolarização básica nos anos mais recentes. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 31 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 3. A Educação para Todos e o Plano Nacional de Educação or determinação constitucional, reiterada na LDB, foi estabelecido em lei o Plano Nacional de Educação (PNE, aprovado pela Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001). Suas diretrizes e metas encontram-se em sintonia com a Declaração Mundial de Educação para Todos, conforme prevê o artigo da LDB que determinou sua elaboração. A Declaração resultou da Conferência Mundial de Educação promovida pela UNESCO em Jomtien, em 1990. O PNE é um plano de Estado e está assentado na concepção da educação como direito. P Foto: Eraldo Peres Resultado de debates e embates entre parlamentares, governo e sociedade civil quando de sua tramitação no Congresso Nacional, o PNE apresenta os seguintes objetivos para a educação nacional: elevação global do nível de escolaridade da população; melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis; redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública; e democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos oficiais obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Estabelece cinco prioridades, justificando-as no dever constitucional e nas necessidades sociais, bem como na limitação de recursos e da capacidade dos sistemas. São elas: (1) garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de sete a 14 anos, assegurando o ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino; (2) garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concretizaram, incluindo a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino; (3) ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino; (4) valorização dos profissionais da educação; (5) desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino, inclusive educação profissional. No quadro 1 são sintetizadas as metas do PNE para a expansão do atendimento educacional. Elas não esgotam os objetivos postos pelo PNE, muitos deles de natureza não quantificável. Apresentam-se também os valores dos indicadores em 2001 e em 2006, o que permite verificar onde houve avanços e onde se encontram os maiores desafios. Observa-se que as metas do PNE coadunam-se aos objetivos de EPT e vão além deles, em consonância com os desejos da nação brasileira. Destaca-se aqui a afirmação da prioridade da “garantia de ensino fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino”. Esse compromisso é significativamente mais amplo do que a universalização da educação primária, primeiro objetivo de EPT. BRASIL 31 miolo_relatorio:Mise en page 1 32 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 32 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Quadro 1. PNE: Metas de expansão do atendimento educacional Níveis e modalidades Metas do PNE e dados de 2001 e 2006 Faixa etária Valores em 2001 Meta PNE (em 5 anos - 2006) Valor em 2006 Meta PNE (em 10 anos – 2011) 0a3 10,5% 30% 15,5% 50% 4a6 65,5% 60% 76% 80% Ensino fundamental 7 a 14 anos 93,1% 100% 94,8% 100% EJA - alfabetização 15 anos e mais 15,7 milhões Alfabetizar 10 milhões Alfabetizados 1,4 milhão 0% (taxa de analfabetismo) Ensino médio 15 anos e mais 8.398.008 Dobrar atendimento 8.906.820 Quadruplicar atendimento Educação superior 18 a 24 anos 8,5% (Não especificado) 12,2% 30% Educação infantil Fonte: 1. Metas: PNE, UNESCO, 2001, apud Fundescola com adaptações. 2. Valores em 2006: Microdados (PNAD/(IBGE), processados por Disoc/Ipea. Por outro lado, os dados de 2006, cinco anos após a aprovação do PNE, apontam que os avanços alcançados estão longe das metas firmadas. Isso só não é verdadeiro para a educação das crianças de quatro a seis anos, porque o PNE subestimou, por problemas metodológicos, a taxa de atendimento então existente quando de sua elaboração. São evidentes as distâncias entre as metas da educação das crianças de até três anos de idade (30%) e o percentual que em 2006 encontra-se atendido: metade da meta (15,5%). No ensino fundamental, a universalização não apenas do acesso, mas do avanço e conclusão, está longe de se realizar, uma vez que a estimativa é de que apenas 53,8% concluem as oito séries. Na alfabetização de jovens e adultos, chama a atenção a tímida diminuição do número de pessoas alfabetizadas frente à meta (menos de 15% do que se previu). No ensino médio, como visto, apesar de o contingente de jovens de 15 a 17 anos na escola atingir quase 80%, apenas 46,9% cursam esse nível de ensino, o que evidencia os graves problemas de fluxo no ensino fundamental. No ensino superior, etapa que mais se expandiu no país nos últimos anos, o desafio para 2011 ainda é expressivo. Entretanto, se todos aqueles jovens de 18 a 24 anos que em 2006 estavam na escola cursassem o ensino superior, a meta estaria atendida. Essas metas são tratadas em capítulos do PNE para cada nível e modalidade de ensino, e neles são também apresentadas as diretrizes e outros objetivos e metas, incluindo os aspectos referentes a acesso, permanência e qualidade. Quanto à qualidade, são incluídos: a definição de parâmetros nacionais, currículo, formação e valorização de professores e outros profissionais de educação, avaliação educacional, equipamentos e materiais didático-pedagógicos, infra-estrutura física, financiamento e gestão, além de outros específicos a cada nível ou modalidade. Uma das metas mais relevantes do PNE aprovado no Congresso tratava do financiamento e estabelecia um aumento de 0,5% dos recursos públicos aplicados em educação a cada ano, de forma que até o final da década do Plano se atingisse o percentual de 7% do PIB. Essa meta, todavia, sofreu veto presidencial. A lei que aprovou o PNE determina que os estados, o Distrito Federal e os municípios elaborem planos decenais correspondentes, com base no plano nacional. Prevê também a avaliação da implementação do PNE pela União, em articulação com os demais entes federados e a sociedade civil; a elaboração de planos plurianuais da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, de modo a dar suporte às metas constantes do PNE e dos respectivos planos decenais; e a divulgação do Plano e da progressiva realização de seus objetivos e metas. O PNE é uma evidência de que na legislação da educação nacional há grandes avanços, aos quais as políticas públicas precisam responder. Considerando-se, entretanto, a natureza federativa e descentralizada da educação pública brasileira, é imprescindível que os entes federados definam seus planos em consonância com o PNE, sem o que não terá nenhuma possibilidade de se concretizar. Nesse aspecto, a Representação da UNESCO no Brasil pode colaborar no monitoramento do PNE como também na análise da consistência dos planos e das políticas educacionais dos entes federados como parte fundamental da estratégia da UNESCO para o monitoramento dos objetivos de EPT. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 33 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 4. Considerações sobre as prioridades das políticas públicas brasileiras e as metas de EPT Relatório de Monitoramento Global de EPT de 2008, com base no diagnóstico da situação observada nos países acompanhados, traz um conjunto de sugestões de políticas públicas que poderiam ser adotadas pelos governos. Parte-se do pressuposto de que é possível promover, simultaneamente, o aumento da escolarização, além de maior eqüidade e qualidade da educação, por meio da coordenação de medidas de caráter geral e específico, que sejam objeto de financiamento adequado e englobem os seis objetivos de EPT. Para tanto, as políticas de educação devem focalizar-se na inclusão, alfabetização, qualidade, desenvolvimento das capacidades e financiamento. Além disso, afirma-se a necessidade de que a estrutura internacional do movimento em favor da EPT se torne cada vez mais eficaz. O Nesta seção, são feitas considerações sobre as políticas educacionais brasileiras vis à vis às medidas sugeridas no Relatório. Vale ressaltar que a análise aqui conduzida enfatiza as iniciativas coordenadas pelo governo federal, sendo necessário no futuro traçar um quadro mais completo daquelas implementadas de formas diferenciadas nos estados e municípios. Destaque especial é dado ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 2007 pelo Ministério da Educação. Das medidas propostas para promover a inclusão (Quadro 1), observa-se que no Brasil há políticas com elas convergentes, o que não quer dizer que têm sido suficientes, em termos de abrangência, eficácia e efetividade. Quadro 2: Medidas para promover a inclusão • Implementar programas de educação e cuidados na primeira infância que comportem elementos de saúde, nutrição e educação, em particular para as crianças oriundas das famílias mais desfavorecidas. • Suprimir o pagamento da matrícula e mensalidades escolares e oferecer número suficiente de vagas nas escolas, dotando-as com o número necessário de professores para responder ao aumento do número de novos alunos. • Garantir apoio financeiro sob a forma de bolsas ou benefícios, em dinheiro ou em gêneros, às crianças oriundas das famílias mais pobres. • Providenciar medidas para erradicar o trabalho infantil e prever horários escolares flexíveis, além de cursos de equivalência não-formais para os jovens trabalhadores. • Promover políticas de inclusão que facilitem o acesso às escolas das crianças portadoras de necessidades especiais ou oriundas de povos indígenas e de outros grupos desfavorecidos. • Contribuir para a redução das disparidades entre os sexos pelo aumento do número de professoras nos países em que a taxa de escolarização das mulheres é baixa, assim como pela construção de escolas próximas das residências e dotadas de instalações sanitárias adequadas. • Reconhecer toda prioridade à tarefa de estender com audácia os programas de alfabetização e de aquisição de competências básicas destinados aos jovens e adultos, dotando tais projetos com pessoal e recursos financeiros suficientes, além de recorrer a todas as formas de mídia para concretizá-los. • Formular políticas de mídia, além da edição e distribuição de livros, a fim de promover a leitura. Texto traduzido de UNESCO. Education for All by 2015: will we make it? EFA global monitoring report, 2008. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001547/154743e.pdf>. p. 3. BRASIL 33 miolo_relatorio:Mise en page 1 BRASIL 12:03 PM Page 34 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S No caso dos programas para a primeira infância, a inclusão do atendimento em creches e pré-escolas entre as atribuições do Estado no campo da educação, a partir da Constituição de 1988, representou um avanço no âmbito legal, que lentamente vem se traduzindo em políticas públicas. É uma área, entretanto, em que muito ainda necessita ser feito. O percentual de crianças que freqüentam creches e pré-escolas tem aumentado, porém ainda há uma grande demanda não atendida, especialmente para as crianças mais novas e dos segmentos mais pobres. Além disso, parte significativa desse atendimento não se dá em instituições públicas e gratuitas. A integração das políticas de educação, saúde, nutrição, assistência social, cultura e lazer é insuficiente, tanto para a primeira infância quanto para todas as demais etapas. O MEC criou no PDE uma ação específica para a educação infantil: o ProInfância, ou Programa Nacional de Reestruturação e Aparelhagem da Rede Escolar Pública de Educação Infantil. Os recursos do ProInfância são destinados ao Distrito Federal e aos municípios definidos como prioritários, e devem ser aplicados na construção, reforma, pequenos reparos e aquisição de equipamentos e mobiliário para creches e pré-escolas públicas da educação infantil. São considerados Foto: Mila Petrillo 34 4/23/08 2 0 0 8 prioritários (critério de vulnerabilidade social) os municípios com maiores percentuais de mulheres chefes de família e de jovens em situação de pobreza, e que contem com menores disponibilidades de recursos para financiamento da educação infantil. No critério populacional, a prioridade refere-se aos municípios com maior número de crianças de até seis anos, maior taxa de crescimento da população nessa faixa e maior concentração urbana. O programa é uma iniciativa relevante da esfera federal para o aumento das oportunidades de acesso à educação infantil, porém suas metas são tímidas em face da demanda que se tem apresentado em praticamente todos os municípios brasileiros. Programas de transferência de renda às famílias mais pobres que possuem crianças em idade escolar, condicionada à freqüência à escola, têm sido instituídos a partir da segunda metade da década de 1990. Atualmente o programa federal Bolsa Família abrange crianças e jovens de até 17 anos, exigindo-se freqüência escolar dos de sete a 17 anos. Sua coordenação é responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Essa iniciativa está entre as ações governamentais que contribuíram para a diminuição do contingente de crianças fora da escola. Programas específicos para alunos envolvidos no trabalho infantil também têm sido implementados, incluindo transferência de renda e atividades extracurriculares em jornada ampliada. Coordenado pelo MDS, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) teve início em 1996. O acesso à escola pelas crianças portadoras de necessidades especiais vem se ampliando desde os anos 90, o que tem exigido investimento na formação de professores e adaptações físicas nos estabelecimentos de ensino. A educação escolar indígena tem sido também focalizada, tanto na questão da formação inicial e continuada de professores indígenas quanto na expansão e melhoria da rede de escolas para esse segmento. Material didático e paradidático em línguas indígenas, bilíngües ou em português têm sido desenvolvidos por professores indígenas e publicados com apoio financeiro do MEC. A diversidade e igualdade étnico-racial tiveram maior destaque na agenda das políticas públicas a partir de 2003. Programas de cotas para universidades públicas encontram-se entre elas. No campo da educação básica, a Lei nº 10.639, de 2003, promoveu alteração na LDB, tornando obrigatório o ensino de história da África e cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio. A Lei nº 11.645, de 2008, acrescentou nessa obrigatoriedade a temática da história e cultura indígena. A educação nas comunidades quilombolas tem recebido maior atenção nos anos recentes. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 35 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S As disparidades entre os sexos, no Brasil, atualmente são desfavoráveis aos meninos e surgiram a partir dos anos finais do ensino fundamental, os quais apresentam maiores problemas com relação ao fluxo escolar. Essa questão não tem sido objeto de muita atenção, exigindo estudos e políticas adequadas. A prioridade da alfabetização e da escolarização de jovens e adultos tem se tornado mais evidente nos anos 2000, especialmente com a criação do Programa Brasil Alfabetizado pelo Ministério da Educação, em 2004. Parte de destaque do PDE, o Brasil Alfabetizado passou por redesenho a fim de alcançar maior efetividade. O pressuposto que norteia a maioria das mudanças no Brasil Alfabetizado é que a alfabetização de jovens e adultos deve estar integrada nas redes públicas de ensino para possibilitar a continuidade de estudos. Assim, o Programa passa a privilegiar as parcerias com estados e municípios, os quais deverão submeter ao MEC planos plurianuais de alfabetização. Os alfabetizadores devem ser prioritariamente (pelo menos 75%) professores municipais ou estaduais, que recebem a bolsa-auxílio paga pelo MEC. Os recursos da União previstos para o Programa em 2007 foram cerca de 50% superiores aos de 2006. Visando minorar o entrave imposto pelas dificuldades de mobilização e de localização dos analfabetos, o Brasil Alfabetizado propõe que as entidades financiadas pelo Programa aproveitem as parcerias do MEC com outros programas governamentais. Entre eles, os dirigidos a populações de baixa renda, pescadores, quilombolas, presidiários, jovens sob medidas socioeducativas, deficientes visuais, trabalhadores envolvidos em trabalho escravo e outros programas que apóiam técnica e financeiramente ações de alfabetização de jovens e adultos. As ações do Brasil Alfabetizado são focalizadas nos 1.103 municípios que detêm taxa de analfabetismo superior a 35%. A quase totalidade deles (93%) encontra-se na região Nordeste. A prioridade é o atendimento de jovens de 15 a 29 anos. Considerando as altas taxas de analfabetismo na população rural, o Programa se propõe a incidir sobre a melhoria da educação no campo. A continuidade dos estudos pelos egressos dos cursos de alfabetização continua a ser um desafio para o qual o programa conta com a atuação dos estados e municípios, responsáveis pela oferta de educação de jovens e adultos. Ainda que nos instrumentos legais do programa essa responsabilidade seja explicitada, não há mecanismos para garanti-la. Atualmente, a oferta de educação de jovens e adultos (EJA) não está disseminada entre as escolas públicas; apenas cerca de um quarto delas a oferece. A inclusão de EJA no Fundeb, sistemática de financiamento a ser comentada posteriormente, talvez resulte em crescimento dessa 2 0 0 8 oferta nos próximos anos. Também de médio prazo poderá ser o impacto das melhorias no ensino fundamental na redução das taxas e número de analfabetos no Brasil. Ainda com relação aos jovens e adultos, é prioridade do PDE promover a expansão da oferta pública de educação profissional e tecnológica. Dessa forma, prevê a ampliação da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, a incorporação das escolas agrícolas vinculadas ao Ministério da Agricultura e o fortalecimento das redes estaduais e municipais de Educação Profissional. Essas estratégias possibilitarão atingir a meta de duplicar a capacidade de atendimento das redes públicas de educação profissional e tecnológica até 2010. É também meta do PDE a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – Ifet, os quais se fundamentam em novo modelo de gestão, que deve articular, segundo o MEC, os princípios de educação sistêmica, desenvolvimento e territorialidade. Assim, os Ifet deverão ter oferta verticalizada (da formação inicial e continuada à pós-graduação), em sintonia com a consolidação e o fortalecimento dos arranjos produtivos locais e apoiando processos educativos que levam à geração de trabalho e renda. Além disso, o Plano prevê que os Ifet se constituam centros de excelência na oferta de ensino de ciências nas escolas públicas e ofereçam programas de formação de professores especialmente nas áreas de física, química, biologia e matemática. Prevê-se ainda no PDE a continuidade do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja. Em seu âmbito deverão ser ofertados cursos técnicos e de formação inicial e continuada de forma integrada ou concomitante à educação de jovens e adultos. Para os jovens trabalhadores, outras ações recentes são o Programa Escola de Fábrica e o ProJovem, iniciados em 2005. O primeiro visa promover a inclusão social e no mercado de trabalho de jovens na faixa de 16 a 24 anos, provenientes de famílias de renda mensal per capita até 1,5 salário mínimo, por meio da iniciação profissional conduzida no próprio ambiente das empresas. Esses jovens recebem um auxílio mensal e devem estar matriculados no ensino regular ou em EJA, a partir da 5ª série do ensino fundamental até o ensino médio e não podem trabalhar no período dos cursos. Induz-se, dessa forma, o aumento da escolaridade. O ProJovem, iniciado em 2005 e coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República em articulação com o MEC, o MDS e o Ministério do Trabalho e Emprego, destina-se aos jovens na faixa de 18 a 24 anos que terminaram a 4ª série do ensino fundamental, porém não concluíram a 8ª e que não têm vínculos BRASIL 35 36 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 36 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S formais de trabalho. Oferece a oportunidade de elevação de escolaridade, por meio da modalidade de educação de jovens e adultos, integrada à qualificação profissional, bem como o planejamento e execução de ações comunitárias de interesse público. Para tanto, o jovem recebe um auxílio-financeiro mensal por um período máximo de 12 meses, enquanto estiver matriculado no curso. Nas medidas para promover a qualidade (Quadro 2), ainda que os esforços tenham sido freqüentes, os problemas apontados anteriormente mostram que muito ainda deve ser feito na educação brasileira. A questão docente é, sem dúvida, a mais desafiadora da educação básica, sobretudo porque envolve grande diversidade de situações. Com os 26 estados e o Distrito Federal e os mais de 5,5 mil municípios brasileiros administrando suas próprias redes de ensino, as políticas dos recursos humanos da educação, a não ser em aspectos gerais regulamentados pela LDB, são muito variadas, aí incluídas as remunerações e condições de trabalho dos professores. As dificuldades de estabelecimento de parâmetros nacionais são evidentes nos impasses atualmente vividos na tramitação, no Congresso Nacional, de legislação sobre piso nacional do salário dos professores da educação básica. Quadro 3: Medidas para promover a qualidade • Recorrer a medidas de incentivo para atrair novos profissionais ao corpo docente garantindo-lhes adequada formação inicial e contínua. • Garantir tempo letivo suficiente e implementar política de publicação e distribuição de livros escolares. • Criar condições seguras e salubres para a aprendizagem. • Promover a igualdade entre os sexos por meio do tratamento do tema na formação dos professores, assim como do conteúdo dos programas e dos livros escolares. • Reconhecer a importância da instrução na língua materna durante a primeira infância e os primeiros anos de escola primária. • Implementar parcerias construtivas entre o estado e o setor não-estatal a fim de ampliar o acesso a uma educação de qualidade. Texto traduzido de UNESCO. Education for All by 2015: will we make it? EFA global monitoring report, 2008. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001547/154743e.pdf>. p. 4. Quanto à formação de professores, o MEC vem ao longo dos anos desenvolvendo programas e apoiando financeiramente estados e municípios em suas iniciativas. Dada a natureza estratégica da formação docente, no âmbito do PDE duas grandes iniciativas estão sendo conduzidas. A primeira diz respeito à ampliação da Universidade Aberta do Brasil (UAB), que visa ampliar o 2 0 0 8 acesso ao ensino superior público pela educação a distância e que prioriza a formação de professores em disciplinas ou temas de maior carência. A segunda é a criação de Comitê Técnico Científico da Educação Básica, vinculado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com a atribuição de formular políticas públicas para a formação de professores da educação básica. Visando superar as carências de professores nas áreas das ciências exatas e biologia, inclui-se no PDE programa de bolsas de estudos para alunos em formação nesses cursos. Prevê-se que os Institutos Federais de Educação Tecnológica (Ifet) a serem implantados também formem professores nessas áreas. A melhoria da qualidade da educação básica é o objetivo da considerada estratégia fundamental do PDE: o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. Baseia-se na conjugação dos esforços da União, estados, Distrito Federal e municípios, em regime de colaboração, e na participação das famílias e da comunidade. A adesão de cada ente federativo ao Compromisso é voluntária e implica assumir a responsabilidade de promover a melhoria da qualidade da educação básica em sua esfera de competência, de acordo com um conjunto de 28 diretrizes. Essas incluem atendimento das diversas etapas e modalidades da educação básica, além do ensino fundamental regular, como a educação infantil, a educação de jovens e adultos e a educação especial. Abrangem aspectos político-pedagógicos, como foco na aprendizagem e adoção de práticas que evitem a repetência e a evasão; gestão participativa e transparente na rede e nas escolas; formação continuada dos professores e outros trabalhadores da educação; valorização profissional e escolha de dirigentes escolares baseadas em mérito e desempenho; garantia de funcionamento efetivo, autônomo e articulado dos conselhos de controle social; elaboração de plano de educação e instalação de Conselho Municipal de Educação, quando inexistente, além de outros aspectos. A adesão ao Compromisso é condição para que o ente federado receba apoio suplementar da União, sendo a outra exigência a elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR), de caráter plurianual, que deve se basear em diagnóstico realizado com base em instrumentos desenvolvidos pelo MEC. O ministério estabeleceu como prioridade para esse apoio suplementar os 1.242 municípios que apresentam os menores Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação), além das capitais e municípios mais populosos. O Ideb constitui instrumento basilar do Plano de Metas e, conseqüentemente, do PDE. Esse indicador foi construído com base nos resultados dos Saeb e da Prova Brasil de © ZUMA PRESS/MAXPPP miolo_relatorio:Mise en page 1 miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 37 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S © ZUMA PRESS/MAXPPP 2005, ano de referência inicial para as metas, cujo ponto final é 2022. Como já mencionado, a Prova Brasil é aplicada aos alunos de 4ª e 8ª séries em todas as escolas urbanas, nas áreas de leitura e matemática. O Ideb sintetiza informações de desempenho em exames padronizados (Saeb ou Prova Brasil), aplicados no final das etapas de ensino (4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio), com informações sobre rendimento escolar (taxa média de aprovação dos estudantes na etapa de ensino). Esse indicador de qualidade da educação básica, ao combinar proficiência e rendimento escolar, parte do princípio de que um sistema de ensino ideal seria aquele em que todas as crianças e adolescentes tivessem acesso à escola, não desperdiçassem tempo com repetências, não abandonassem a escola precocemente e, ao final de tudo, aprendessem. Como visto anteriormente, no Brasil são elevadas as taxas de repetência e abandono da escola e são baixos os resultados da aprendizagem, problemas que precisam ser superados ao mesmo tempo. O Ideb permite detectar escolas e/ou redes de ensino cujos alunos apresentem baixo desempenho em termos de rendimento e proficiência, e acompanhar a evolução temporal desse desempenho. Possibilita ainda estabelecer metas e monitorar seu alcance, o que motivou sua criação como instrumento da ação estratégica do PDE, o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. Na fixação da meta nacional, tomou-se como parâmetro o rendimento e proficiência em avaliações similares dos países da OCDE. O Ideb obtido pelos 20 países mais bem colocados do mundo em educação é 6, valor que foi fixado como meta para o Brasil no ano de 2022, quando o país completa 200 anos de sua independência. O Ideb é parte de uma área em que o Brasil tem mostrado avanços significativos: a avaliação educacional. Além do Saeb e da Prova Brasil, outros importantes mecanismos de avaliação são o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e no ensino superior o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Entretanto, esforços adicionais são necessários para que os resultados dessas avaliações sejam efetivamente compreendidos por gestores e docentes, condição necessária para que provoquem mudanças pertinentes nos sistemas de ensino. No que tange ao financiamento (Quadro 3), a educação brasileira conta com o importante mecanismo de vinculação de receitas de impostos (18% em âmbito federal e 25%, no dos estados e municípios). A prioridade atribuída ao ensino fundamental motivou a instituição no âmbito de cada estado do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério em 1996, para o qual eram 2 0 0 8 subvinculados 15% dos 25% do estado e de seus municípios. Esses recursos eram então distribuídos segundo o número de alunos do ensino fundamental das escolas estaduais e municipais. Em 2007, o Fundef foi substituído pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb). Este passa a contar com 20% dos 25% vinculados e a abranger os alunos de todas as etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio), bem como a educação de jovens e adultos e a educação especial. Quadro 4: Medidas para aprimorar as capacidades de financiamento • Manter os gastos públicos ou ampliá-los onde for necessário considerando a possibilidade de os custos unitários aumentarem com a escolarização das crianças oriundas das famílias mais desfavorecidas e marginalizadas. • Ampliar os recursos financeiros destinados à educação e cuidados na primeira infância, assim como à alfabetização e à qualidade do ensino, investindo, em particular, na formação inicial e continuada dos professores. • Fortalecer as capacidades de gestão em todos os níveis da administração estatal. • Coordenar os programas de educação e cuidados na primeira infância assim como os projetos de alfabetização dos adultos, cooperando com todos os ministérios e organizações não-governamentais (ONGs) interessadas. • Fazer a sociedade civil participar, oficialmente, da formulação, implementação e acompanhamento das políticas relativas à EPT. • Investir nas capacidades de coleta, análise e utilização dos dados sobre os sistemas educacionais. Texto traduzido de UNESCO. Education for All by 2015: will we make it? EFA global monitoring report, 2008. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001547/154743e.pdf>. p. 4. No mecanismo do Fundeb, como no Fundef, cabe à União complementar os recursos para os estados que não atingirem um valor mínimo por aluno definido nacionalmente. O Fundeb representa avanço significativo no montante de complementação da União, que passa a ser de 2 bilhões, no primeiro ano, 3 bilhões no segundo, 4,5 bilhões no terceiro ano e a partir do quarto ano 10% do Fundeb (soma dos fundos dos estados). Em 2006, o último ano de vigência do Fundef, a complementação da União foi inferior a 450 milhões. Por outro lado, o novo Fundo ainda não atende ao dispositivo legal da Constituição Federal (artigo 211) e da LDB (artigo 4º), que afirmam a necessidade de que o BRASIL 37 miolo_relatorio:Mise en page 1 38 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 38 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Estado garanta condições para que sejam atendidos padrões mínimos de qualidade do ensino. A propósito, a sociedade civil, por intermédio da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, desenvolveu e colocou à disposição dos órgãos executivos e legislativos estudo do custo aluno-qualidade (CAQ) para os vários níveis e modalidades da educação básica (Campanha Nacional pelo Direito à Educação, 2008). O estudo mostra que os recursos destinados à educação ainda estão bastante abaixo do necessário para garantir padrões mínimos de qualidade. As mudanças relativas aos impostos no Fundeb serão implementadas em um período de três anos, sendo esse também o prazo para a inclusão das matrículas dos níveis e modalidades não abrangidos no Fundef. Com o objetivo de assegurar que não haveria perdas para o ensino fundamental, a legislação do Fundeb determinou que o valor aluno-ano para esse nível em cada estado não pode ser menor que o praticado no Fundef no ano de 2006. Outra mudança introduzida no financiamento da educação básica diz respeito ao salário-educação, contribuição social arrecadada das empresas que até 2006 destinava-se apenas ao ensino fundamental. A partir de 2007 essa fonte passou a incluir toda a educação básica, mantendo-se sua subdivisão em quotas federal, estaduais e municipais; no caso dessas duas últimas os recursos são distribuídos proporcionalmente ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas redes públicas de ensino. A quota federal do salário-educação constitui importante instrumento da política federal de educação, financiando programas de apoio do MEC aos sistemas de ensino, como as ações do PAR mencionadas quando se comentou o PDE. Foto: Felipe Câmera A primeira infância tem sido uma etapa pouco priorizada nos recursos financeiros da educação. Com a 2 0 0 8 implementação do Fundeb, as possibilidades de alterar essa situação são promissoras, ainda que na fixação dos índices estabelecidos para distribuição dos recursos do Fundo segundo os níveis e modalidades de ensino, essa etapa não tenha sido devidamente favorecida, como mostram as estimativas do CAQ (Campanha Nacional pelo Direito à Educação, 2008). Em razão do elevado número de alunos atendidos em creches e pré-escolas privadas sem fins lucrativos, conveniadas com o setor público, estas são abrangidas na distribuição dos recursos no Fundeb, viabilizando assim a continuidade da inclusão de número significativo de crianças. O necessário aumento da rede de escolas públicas de educação infantil conta a partir de 2007 com o ProInfância, criado pelo MEC em 2007, e tratado anteriormente. Observa-se, ao exame dos indicadores educacionais, que o alcance das metas de Dacar até 2015 constitui considerável desafio para o país, especialmente em razão das graves desigualdades. Por outro lado, verifica-se que iniciativas de políticas educacionais destinadas a alcançálos estão presentes no âmbito federal e certamente nas esferas dos estados e municípios. É indispensável dar a elas dimensões compatíveis com a amplitude e complexidade dos problemas. O Brasil conta com algumas condições favoráveis, comparadas a anos anteriores, entre elas a retomada do crescimento econômico, e em conseqüência mais recursos financeiros para a área educacional bem como a diminuição do crescimento demográfico. Tirar proveito delas, entretanto, requer visão ampla da complexa problemática educacional brasileira, forte coesão entre os entes federados, emprego do melhor das capacidades de todos aqueles que atuam na área (professores, gestores, formadores, pesquisadores e demais trabalhadores da educação) e o engajamento dos pais, alunos e comunidade. É evidente que apenas políticas educacionais não serão suficientes para modificar os ainda baixos níveis de escolaridade da população brasileira. O acesso à renda, aos serviços públicos e aos bens culturais está entre os fatores imprescindíveis à redução das desigualdades nas condições para que o avanço na escolarização seja realizável para todos. O alcance dos objetivos de EPT depende também da capacidade da sociedade civil de exercer a defesa da educação para todos, atuando principalmente no controle social das políticas governamentais e junto à comunidade internacional, como sugere o Relatório de Monitoramento Global de 2008. À UNESCO cabe o relevante papel de articular todas as forças na direção das metas firmadas em Dacar. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 39 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Anexos Estatísticos O conjunto de tabelas deste anexo foi organizado com base nas tabelas do Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2008, e na tradução preservou-se a nomenclatura utilizada neste relatório. Foram selecionados indicadores e dados de dois grupos de países, nos quais se inclui o Brasil. O primeiro é o chamado Grupo E-9, composto por nove países (Brasil, Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia, México, Nigéria e Paquistão). O outro conjunto é formado pelos países da América do Sul que, depois do Brasil, possuem maior população (Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela). Tabela 1. Estatísticas de background................................................................................................................40 Tabela 2. Alfabetização de adultos e jovens......................................................................................................40 Tabela 3A. Cuidados e Educação na Primeira Infância (CEPI): cuidados ......................................................42 Tabela 3B. Cuidados e Educação na Primeira Infância (CEPI): educação.....................................................42 Tabela 4. Acesso a educação..............................................................................................................................44 Tabela 5. Participação na educação primária...................................................................................................44 Tabela 6. Eficiência interna: repetência na educação primária......................................................................46 Tabela 7. Eficiência interna: evasão e conclusão da educação primária.......................................................46 Tabela 8. Participação na educação secundária ..............................................................................................48 Tabela 9A. Participação na educação superior ................................................................................................48 Tabela 9B. Educação superior: distribuição de alunos por área de estudo e parcela feminina em cada área, ano escolar encerrado em 2005 ......................................................................................................50 Tabela 10A. Corpo docente na educação pré-primária e primária ................................................................50 Tabela 10B. Corpo docente na educação secundária e superior ...................................................................52 Tabela 11. Investimento em educação: gasto público .....................................................................................52 Tabela 12. Tendências dos indicadores básicos ou representativos para medir os objetivos 1, 2, 3, 4 e 5 de EPT ........................................................................................................................................54 Tabela 13. Tendências dos indicadores básicos ou representativos para medir o objetivo 6 de EPT ........54 Tabela 14. O Índice de Desenvolvimento de EPT e seus componentes, 2005 ...............................................56 Tabela 14.1. Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) UNESCO - Histórico Brasil ........57 BRASIL 39 miolo_relatorio:Mise en page 1 40 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 40 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 1. Estatísticas de background DEMOGRAFIA 1 Taxa de Taxa de crescimento crescimento anual médio (%) População total anual médio (%) População (milhares) População total (0-4 anos) 2005 País ou território 2005-2010 Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 2005-2010 2005-2010 Homens Mulheres % de mulheres Taxa de entre pessoas a prevalência em partir de 15 adultos (%) anos que vivem (15-49 anos) com HIV 2005-2010 2005 Total 2005 2,2 0,5 36 186.405 1,3 0,0 72 68 76 141.822 1.315.844 74 .033 1.103.371 222.781 107.029 131.530 157.935 1,8 0,6 1,8 1,4 1,1 1,1 2,1 2,1 0,4 0,1 1,0 -0,1 -0,4 -1,3 1,1 1,2 65 73 71 65 69 76 44 65 64 71 69 63 67 74 44 65 66 75 73 67 70 79 44 65 3,0 1,7 3,0 2,8 2,2 2,1 5,3 3,7 38.747 16.295 45.600 27.968 26.749 1,0 1,0 1,4 1,4 1,7 0,6 0,2 -0,2 0,3 0,5 75 79 73 71 74 72 75 70 69 71 79 82 76 74 77 2,3 1,9 2,5 2,7 2,5 0,6 0,3 0,6 0,6 0,7 1,1 0,4 1,3 1,3 0,5 -0,1 0,6 -0,1 70 78 69 77 2,5 1,6 2,8 2,4 1,0 - Total Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina Taxa total de fertilidade (crianças por mulher) Expectativa de vida ao nascer (anos) Total Brasil HIV/AIDS 2 68 75 67 73 66 73 65 70 13 0,1 <0.1 0,9 0,1 0,3 28 … 29 17 23 62 3,9 0,1 Média Ponderada 6.450.253 1.007.223 5.165.463 540.720 <0,1 17 28 27 28 29 28 Média Ponderada 48 - 1. Estatísticas da Divisão de População da ONU, revisão de 2004, variante média, Divisão de População da ONU (2005). 2. UNAIDS (2006). Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/AIDS. 3. PNUD (2006). 4. Banco Mundial (2007). Tabela 2. Alfabetização de adultos e jovens TAXA DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS (a partir de 15 anos) (%) 1985 - País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia 2 Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 1994 1 1995 - 2004 1 ADULTOS ANALFABETOS (a partir de 15 anos) 1985 - 1994 1 Projeções para 2015 Homens Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total - - - 89* 88* 89* 93 92 93 - 35* 78* 44* 48* 82* 88* 55* - 44* 87* 57* 62* 88* 90* 68* - 26* 68* 31* 34* 75* 85* 44* - 47* 91* 71* 61* 90* 92* 69 50* 54* 95* 83* 73* 94* 93* 78 64* 41* 87* 59* 48* 87* 90* 60 35* 61 96 77 71 94 93 79 59 65 98 86 80 97 95 85 71 58 93 68 62 92 91 74 47 96* 94* 81* 87* 90* 96* 95* 81* 93* 91* 96* 94* 81* 82* 89* 97* 96* 93* 88* 93* 97* 96* 93* 94* 93* 97* 96* 93* 82* 93* 98 97 96 93 96 98 97 95 96 95 76 99 68 88 83 99 77 89 87 99 84 91 77 99 70 90 86 99 83 93 90 99 88 94 70 98 59 87 82 99 77 90 Projeções para 2015 Total % Total % Total % Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres - 15.052 50* 11.630 48 40.818 185.405 16.541 285.690 21.406 6.372 22.355 - 56* 70* 62* 62* 68* 62* 64* - 43.394 87.019 14.210 268.426 15.100 6.174 22.061 48.597 55* 73* 71* 65* 69* 61* 65 63* 44.680 50.200 13.961 259.234 10.794 6.323 19.570 51.925 53 75 70 65 71 69 62 63 98 97 96 90 96 889 547 4.489 1.844 1.242 53* 53* 52* 72* 54* 756 495 2.251 2.259 1.166 52* 52* 51* 74* 52* 598 364 1.693 1.588 973 49 51 49 74 47 Total %Mulheres Total %Mulheres Total %Mulheres 83 99 78 93 863.980 9.300 851.280 34.226 63 65 63 56 773.954 8.192 764.448 35.307 64 62 64 55 725.302 9.950 714.611 29.850 63 57 64 56 Média Ponderada Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 1995 - 2004 1 Nota: Para os países indicados com (*), foram utilizados os dados nacionais de alfabetização observados. Para todos os outros, foram utilizadas as estimativas do IUE. As estimativas foram geradas utilizando o modelo de Projeções Globais de Alfabetização por Faixa Etária IUE. Estão baseadas em dados coletados entre 1990 e 1994. A população utilizada para gerar o número de analfabetos é aquela das estimativas da Divisão de População das Nações Unidas, revisão de 2004 (2005). Nos países com dados nacionais de alfabetização, foi utilizada a população correspondente ao ano do recenseamento ou da pesquisa. No caso de países com estimativas IUE, a população utilizada é a de 1994 e 2004. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 41 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Valor atual de US$ População População Ajuda vivendo com vivendo com líquida menos de menos de per capita US$ 1 por dia 5 US$ 2 por dia (US$) 3 (%) 3 (%) 3 PPC (US$) 2005 1990-2004 5 2004 0 0 8 BRASIL 41 DESIGUALDADE EM RENDA OU GASTO 3 PNB, AJUDA E POBREZA PNB per capita 4 2 Parcela da renda ou gasto % 20% mais pobres 1990-2004 5 1996-2004 5 Medida de Desigualdade Relação 20% mais ricos pelos 20% 20% mais ricos mais pobres 6 Índice de Gini 7 1996-2004 5 1996-2004 5 1996-2004 5 1998 2005 1998 4.610 3.550 6.720 8.140 1,6 7,5 21,2 21,6 62,1 23,7 58,0 360 740 1.270 420 670 4.020 260 470 470 1.740 1.260 730 1.280 7.310 560 690 1.440 3.200 3.200 2.150 2.650 7.800 760 1.760 2.160 6.790 4.330 3.430 3.720 10.560 990 2.320 10,1 1,3 20,1 0,6 0,4 1,1 4,5 9,2 36,0 16,6 3,1 34,7 7,5 4,4 70,8 17,0 82,8 46,7 43,9 79,9 52,4 20,4 92,4 73,6 9,0 4,7 8,6 8,9 8,4 4,3 5,0 9,3 41,3 50,0 43,6 43,3 43,3 55,1 49,2 40,3 4,6 10,7 5,1 4,9 5,2 12,8 9,7 4,3 31,8 44,7 34,4 32,5 34,3 49,5 43,7 30,6 8.230 4.880 2.410 2.210 3.490 4.470 5.870 2.290 2.650 4.820 12.230 8.490 6.030 4.410 5.760 13.800 10.920 6.970 5.650 6.540 2,4 3,0 11,3 17,7 1,8 7,0 2,0 7,0 12,5 8,3 23,0 9,6 17,8 31,8 27,6 3,2 3,3 2,5 3,2 4,7 56,8 62,2 62,7 58,7 49,3 17,6 18,7 25,3 18,6 10,6 52,8 57,1 58,6 54,6 44,1 - 7.011 - - 9.489 - 11,7 10,5 - - País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Média ponderada - - … … … … … … … … … … … … Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 5. Os dados se referem aos anos mais recentes disponíveis durante o período especificado. Para mais detalhes, consulte PNUD (2006). 6. Os dados mostram a proporção entre renda e gasto do grupo mais rico em relação ao mais pobre.\ 7. Um valor de 0 representa uma igualdade perfeita e um valor 100 a desigualdade perfeita. TAXA DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS (15-24 anos) (%) 15 s 1985 - 1994 1 1995 - 2004 1 JOVENS ANALFABETOS (15-24 anos) 1985 - 1994 1 Projeções para 2015 Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total - - - 97* 96* 98* 99 Homens 98 1995 - 2004 1 Projeções para 2015 Total % Total % Total % Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres 99 - - 1.123 33* 428 27 94* 45* 63* 62* 96* 95* 71* - 97* 52* 71* 74* 97* 96* 81* - 91* 38* 54* 49* 95* 95* 62* - 99* 64* 85* 76* 99* 98* 84 65* 99* 67* 90* 84* 99* 98* 87 77* 99* 60* 79* 68* 99* 98* 81 53* 100 83 91 88 99 99 92 76 100 80 92 90 99 99 92 81 100 85 90 85 99 99 91 70 14.355 11.862 3.506 63.667 1.407 845 4.869 - 73* 55* 61* 64* 65* 56* 66* - 2.260 9.663 2.382 46.290 549 480 4.193 11.727 63* 53* 67* 66* 56* 50* 58 65* 902 5.568 1.447 27.913 327 294 2.870 9.353 51 41 55 58 42 50 50 61 98* 98* 91* 95* 95* 98* 98* 89* 97* 95* 99* 99* 92* 94* 96* 99* 99* 98* 97* 97* 99* 99* 98* 98* 96* 99* 99* 98* 96* 98* 99 99 99 98 98 99 99 98 99 97 99 99 99 98 99 92 38 696 215 176 43* 41* 43* 67* 39* 71 26 172 156 137 40* 40* 39* 64* 34* 48 19 123 99 120 37 41 33 56 27 Total %Mulheres Total %Mulheres Total 83 99 80 94 88 99 85 94 79 99 75 95 88 99 85 97 84 99 82 97 91 99 90 98 92 99 91 98 90 99 89 98 165.921 771 165.018 5.072 62 53 62 46 135.729 792 134.817 3.375 62 52 62 42 105.922 1.285 104.502 2.118 es Média Ponderada 91 99 89 96 1. Os dados são para o ano mais recente disponível no período especificado. 2. Os dados de alfabetização para o ano mais recente não incluem algumas regiões geográficas. País ou território Brasil Demais países do E-9 Banglasesh China Egito Índia 2 Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela %Mulheres 55 50 55 40 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina miolo_relatorio:Mise en page 1 42 BRASIL 4/23/08 12:03 PM Page 42 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 3A Cuidados e Educação na Primeira Infância (CEPI): cuidados SOBREVIVÊNCIA INFANTIL 1 BEM ESTAR DA CRIANÇA 2 % de crianças menores de 5 anos sofrendo de: Taxa de Taxa de mortalidade de mortalidade menores de 5 infantil anos (‰) (‰) País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Bebês com baixo peso ao nascer (%) Baixo peso moderado e grave Déficit ponderal moderado ou severo % de crianças alimentadas com: Com leite Déficit Exclusivamente materno e estatural com leite alimentação moderado ou materno complementar severo (< 6 meses) (6-9 meses) Ainda com leite materno (20-23 meses) 2005-2010 2005-2010 1998-2005 3 1996-2005 3 1996-2005 3 1996-2005 3 1996-2005 3 1996-2005 3 1996-2005 3 24 30 8 6 2 11 - 30 17 50 31 30 60 34 17 108 71 65 36 35 86 41 20 189 100 36 4 12 30 9 8 14 19 48 8 6 47 28 8 29 38 13 4 16 2 9 13 43 14 18 46 18 38 37 36 51 38 37 40 17 16 69 32 67 44 75 64 31 90 15 37 66 59 34 56 13 7 22 29 16 16 9 28 45 26 8 6 9 11 9 4 1 7 8 5 1 0 1 1 4 4 1 12 24 13 63 47 64 7 47 65 81 50 32 41 31 52 6 57 22 78 7 86 29 15 7 16 - 25 27 - 30 31 - 36 36 - 52 52 - 46 46 - Média Ponderada Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 9 10 - 1. Estatísticas da Divisão de População das Nações Unidas, revisão de 2004, variante média, Divisão de População da ONU (2005). 2. UNICEF (2006). 3. Os dados são para o ano mais recente disponível no período especificado. 4. Mulheres empregadas e desempregadas como uma parcela da população em idade produtiva, inclusive mulheres com emprego que não estão trabalhando temporariamente (por Table 3B. Cuidados e Educação na Primeira Infância (CEPI): educação Grupo Etário País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 2005 MATRÍCULA NA EDUCAÇÃO PRÉPRIMÁRIA1 (%) Matrícula em instituições privadas como % da matrícula total TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA EDUCAÇÃO PRÉ-PRIMÁRIA (%) Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 Total (milhares) 2005 1999 % Mulheres Total (milhares) % Mulheres 2005 1999 Total Homens Mulheres I.P.G (M/H) 4-6 5.733 49 6.603 z 48z 28 29 z 58 58 58 1.00 3-5 4-6 4-5 3-5 5-6 4-5 3-5 3-4 1.825 24.030 328 13.869 1.981 3.361 … … 50 46 48 48 49 50 … … 1.109 z 21.790 542 29.254 2.832 4.098 1.860 4.075 49 z 45 48 49 50 49 49 46 … … 54 … 99 9 … … 53 31 31 4y 99 13 … … 18 38 11 20 24 73 … … 18 39 11 20 24 72 … … 19 37 10 19 24 73 … … 1,04 0,97 0,95 0,99 1,01 1,01 … … 3-5 3-5 3-5 3-5 3-5 1.191 450 1.034 1.017 738 50 49 50 50 50 1.303 z 408 1.108 1.115 975 49 z 49 49 49 49 28 45 45 15 20 27 z 48 38 21 18 57 77 36 55 45 56 78 36 55 44 57 77 37 56 45 1,02 0,99 1,02 1,02 1,03 32 8 47 21 33 73 28 55 - Total %Mulher Total 112.289 25.367 79.851 15.720 48 49 47 49 132.010 25.636 99.188 18.332 % Mulher 1. Na legislação brasileira, o termo utilizado é pré-escola, que constitui parte da educação infantil. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. 48 48 48 49 Mediana 29 8 47 23 Média Ponderada 34 74 28 55 33 73 27 56 0,96 0,99 0,95 1,01 miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:03 PM Page 43 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 OFERTA PARA CRIANÇAS MENORES DE 3 ANOS BEM ESTAR DA CRIANÇA 2 0 8 BRASIL EMPREGO DAS MULHERES E LICENÇA MATERNIDADE (%) de crianças com 1 ano de idade imunizadas contra Tuberculose Difteria, coqueluche e tétano BCG DPT 3 Pólio 3 Sarampo 2005 2005 2005 2005 99 96 98 99 Pólio Sarampo HepB 3 Programas oficiais para crianças Menos de 3 anos Faixas etárias mais novas visadas pelos programas (anos) Taxa de participação feminina na força de trabalho, com 15 anos ou mais 4 (%) Duração da licença maternidade remunerada 5 (semanas) 2005 2005 2005 2003 2005-20073 92 Sim 0-3 57 17 Hepatite B Vacinas correspondentes: 99 86 98 75 82 99 88 87 98 59 70 98 88 87 98 58 70 98 81 86 98 58 72 96 62 84 98 8 70 98 Não Sim Sim Sim Sim Sim 0-3 2-3 0-6 0-6 0-3 55 70 21 35 51 39 12 13 13 12 0 12 48 82 25 72 39 77 35 78 73 Sim Sim 0-3 0-6 46 32 12 12 99 95 87 93 95 92 91 87 84 87 92 92 87 80 81 99 90 89 80 76 87 87 84 88 Sim Sim Sim Sim Sim 0-5 0-2 0-5 0-5 0-2 52 37 60 58 53 13 18 12 13 24 83 78 78 77 55 - - 52 14 83 - 96 75 - 94 76 - 92 75 - 64 54 - - - 50 52 47 16 12 12 Média Ponderada País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mediana Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina exemplo, em licença maternidade), emprego doméstico para produção de bens e serviços para consumo em casa, e serviços domésticos e pessoais produzidos por empregados domésticos remunerados. Os dados excluem mulheres ocupadas apenas em tarefas domésticas em seus próprios lares (ILO, 2006). 5. Refere-se à licença do emprego remunerada protegida para mulheres empregadas à época do parto. Fontes: (Situação da licença maternidade das mulheres) US Social Security Administration (2005, 2006a, 2006b, 2007); Base de Dados de Família da OCDE. TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA EDUCAÇÃO PRÉ-PRIMÁRIA (%) TAXA LÍQUIDA DE ESCOLARIZAÇÃO (TLE) NA EDUCAÇÃO PRÉ-PRIMÁRIA (%) TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA PRÉ-PRIMÁRIA E EM OUTROS PROGRAMAS DE CEPI (%) Ano letivo encerrado em 2005 Ano letivo encerrado em 2005 Ano letivo encerrado em 2005 Grupo Etário 2005 Total Homens Mulheres I.P.G (H/M) Total Homens Mulheres I.P.G (H/M) Total Homens Mulheres 4-6 63 z 64 z 62 z 0,97 z 51 z 51 z 52 z 1,01 z … … … I.P.G (H/M) … 3-5 4-6 4-5 3-5 5-6 4-5 3-5 3-4 11 z 40 16 41 34 93 15 50 11 z 42 17 41 34 93 15 53 11 z 38 16 41 35 94 15 48 1,01 z 0,91 0,94 1,01 1,03 1,01 0,99 0,90 10 z … 15 … 24 81 11 z 41 10 z … 16 … 23 81 11 z 44 10 z … 15 … 24 81 11 z 39 1,01 z … 0,94 … 1,03 1,00 0,97 z 0,89 … 40 16 41 … 93 … … … 42 17 41 … 93 … … … 38 16 41 … 94 … … … 0,91 0,94 1,01 … 1,01 … … 3-5 3-5 3-5 3-5 3-5 64 z 54 39 62 58 64z 54 39 62 58 65 z 55 39 62 59 1,01 z 1,01 0,99 1,01 1,01 64 z 44 35 62 51 64 z 43 35 62 51 64 z 44 35 62 52 1,01 z 1,01 1,00 1,01 1,02 … 54 39 62 63 … 54 39 62 63 … 55 39 62 63 … 1,01 0,99 1,01 1,01 … … … … 40 78 34 61 0,97 0,98 0,97 0,99 … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … Média Ponderada 40 79 35 61 39 77 34 61 (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. Mediana País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mediana … … … … … … … … … … … … Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 43 miolo_relatorio:Mise en page 1 44 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 44 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 4 Acesso a educação primária 1 Novos ingressantes (milhares) País ou território Brasil3 Demais países do E-9 Bangladesh 3 China 3,4 Egito 3 Índia 3 Indonésia México 3 Nigéria 3 Paquistão Outros países sul americanos Argentina 3,5 Chile 3,5 Colômbia 5 Peru 3 Venezuela 3 Ensino obrigatório (Grupo Etário) Garantia legal de educação gratuita 2 Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 1999 2005 2005 Total Homens Mulheres IPG (M/H) Total Homens Mulheres Sim - 4.407z - - - - 129z - - 6-10 6-14 6-13 6-14 7-15 6-15 6-11 5-9 Sim Sim Sim Sim Não Sim Sim Não 4.005 1.451 29.639 2.509 - 4.318 z 16.764 1.659 34.110 4.996 2.365 4.431 4.618 121 92 127 109 - 122 94 138 109 - 119 90 115 109 - 0,98 0,96 0,83 0,99 - 130 z 88 102 144 121 107 116 116 129 z 90 104 149 124 108 124 128 131 z 87 100 140 119 106 107 103 1,02 z 0,97 0,96 0,94 0,96 0,99 0,87 0,81 5-15 6-14 5-15 6-16 6-15 Sim Sim Não Sim Sim 781 284 1.267 676 537 752 z 258 1.151 633 550 112 95 134 111 98 111 95 137 111 99 112 94 131 111 97 1,00 0,99 0,96 1,00 0,98 109 z 100 122 105 100 110 z 101 126 104 101 109 z 99 118 106 98 0,99 z 0,98 0,94 1,01 0,97 - - 106 101 106 118 110 103 112 121 101 100 101 114 0,91 0,98 0,90 0,95 115 101 117 122 109 100 110 113 0,94 0,99 0,94 0,93 Total 129.884 12.286 113.366 12.612 112 101 114 118 3. As escolas primárias continuam a cobrar algumas taxas apesar da garantia legal de educação gratuita (Bentaouet-Kattan, 2005; Tomasevsky, 2006; World Bank, 2002). 4. As crianças podem entrar no ensino primário com 6 ou 7 anos. Tabela 5. Participação na educação primária MATRÍCULA NA ESCOLA PRIMÁRIA Matrícula em instituições privadas como % do total de matrículas TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Grupo Etário População em idade escolar 1 (milhares) País ou território 2005 2004 Brasil 3 7-10 13.613 20.939 48 18.969 z 47 z 8 10 z 155 159 150 0,94 6-10 7-11 6-11 6-10 7-12 6-11 6-11 5-9 16.526 99.967 9.487 117.416 24.855 13.459 21.645 19.764 17.622 … 8.086 110.986 … 14.698 17.907 … 49 … 47 43 … 49 44 … 17.953 z 108.925 9.564 146.375 29.150 14.700 22.267 17.258 50 z 47 47 47 48 49 45 42 37 … … … … 7 4 … 42z 4 7 17y 17 8 … 36 110 … 101 97 … 109 93 … 110 … 106 107 … 110 102 … 109 … 97 87 … 107 83 … 0,99 … 0,91 0,82 … 0,97 0,82 … 6-11 6-11 6-10 6-11 6-11 4.140 1.659 4.729 3.626 3.289 4.821 1.805 5.162 4.350 3.261 49 48 49 49 49 4.686 z 1.721 5.298 4.077 3.449 49 z 48 48 49 48 20 45 20 13 15 21 y 51 19 16 14 117 101 113 123 100 116 102 113 123 101 117 99 112 122 99 1,00 0,97 1,00 0,99 0,98 Total Total % Mulher Total % Mulher 641.643 65.995 563.298 56.697 646.731 70.444 560.453 67.705 47 49 46 48 688.285 67.022 607.524 66.652 47 49 47 48 8 4 11 15 100 102 100 121 Demais países do E-9 Bangladesh China 4 Egito Índia Indonésia México Nigéria 5 Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 1999 - Média Ponderada 134.926 11.497 120.179 12.668 1. No Brasil, o ensino compulsório é o ensino fundamental, gratutito na escola pública. Até 2006, sua duração mínima era de oito anos, segundo a LDB/1996, e iniciava-se aos sete anos de idade. A Lei 11.274/2006 estendeu-o às crianças de seis anos e aumentou sua duração para nove anos. 2. Fonte: Tomasevsky (2006). 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 IPG (M/H) 7-14 Total Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina TAXA BRUTA DE ADMISSÃO (TBA) NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) 2005 1999 2005 Total % Total % (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres 1. Os dados se referem a 2004, exceto no caso de países com um calendário escolar, quando os dados são para 2005. 2. Os dados refletem o número real de crianças que não estão matriculadas, derivados das taxas de matrícula por faixa etária das crianças em idade escolar, que mede a proporção das crianças matriculadas no ensino primário ou secundário (TLE primária total). 1999 Total Mediana 7 3 11 15 Homens Mulheres IPG (M/H) Média Ponderada 104 102 105 123 96 103 95 119 0,92 1,00 0,91 0,97 3. No Brasil, os indicadores dessa tabela se referem aos anos iniciais do ensino fundamental. 4. As crianças entram na escola primária com 6 ou 7 anos. Como 7 anos é a idade mais comum, as taxas de matrícula foram calculadas utilizando o grupo populacional na faixa etária de 7 a 11 anos. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 45 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 BRASIL 45 País ou território Brasil3 Demais países do E-9 Bangladesh 3 China 3,4 Egito 3 Índia 3 Indonésia México 3 Nigéria 3 Paquistão Outros países sul americanos Argentina 3,5 Chile 3,5 Colômbia 5 Peru 3 Venezuela 3 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. 5. As informações sobre ensino obrigatório vêm dos Relatórios dos Tratados de Direitos Humanos das Nações Unidas. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) TAXA LÍQUIDA DE ESCOLARIZAÇÃO (TLE) NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 2005 Total 140 z Homens 146 z Ano letivo encerrado em 1999 Mulheres 135 z CRIANÇAS FORA DA ESCOLA 2 IPG (M/H) Total Homens 0.93 z 91 … 2005 1999 Mulheres IPG (M/H) Total Homens Mulheres … … 95 z 95 z 95 z IPG (M/H) 1,00 z 2005 Total (milhares) % Mulheres Total (milhares) % Mulheres 1,032 … 482 z 47 z 109 z 112 101 125 117 109 103 87 107 z 113 104 129 119 110 111 99 111 z 111 97 120 115 108 95 75 1.03 z 0.98 0.94 0.93 0.96 0.98 0.86 0.76 89* … 93 … … 98 61 … 90* … 97 … … 98 67 … 89* … 90 … … 97 56 … 1,00* … 0,93 … … 1,00 0,84 … 94 *,z … 94 89 96 98 68 68 93 *,z … 96 92 97 98 72 77 96*,z … 91 85 94 98 64 59 1,03 *,z … 0,95 0,93 0,96 1,00 0,88 0,76 1.121* … 320 … … 25 7.189 … 48* … 91 … … 38 56 … 399 *,z … 269 6.395 414 30 6.583 6.303 113z 104 112 112 105 113z 106 113 113 106 112z 101 111 112 104 0.99z 0.96 0.98 1.00 0.98 99* … 88 98 86 99* … 88 98 85 99* … 89 98 86 1,00* … 1,01 1,00 1,01 99z 90 87 96 91 99z 90 87 96 91 98z 89 87 97 92 0,99z 0,98 1,00 1,00 1,01 10* … 431 2 423 52* … 46 100 47 22z 97 479 30 236 107 102 108 118 110 102 111 120 0.95 0.99 0.94 0.96 83 97 81 93 86 97 85 93 87 96 86 95 88 95 88 95 Média Ponderada 104 101 104 115 Média Ponderada 80 97 78 92 Média Ponderada 0,93 1,00 0,92 0,98 5. Devido à contínua discrepância na matrícula por idade, a taxa de escolarização líquida na educação primária é estimada utilizando a distribuição etária dos dados de DHS de 2004. Os dados em itálico são estimativas do IUE. 85 96 83 95 0,96 1,01 0,95 1,00 Total % Mulher Total 96.459 1.886 92.534 3.160 59 49 59 55 72.124 2.270 68.825 1.983 Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. Brasil 3 1 15 *,z 2 … 3 96 4 81 5 100 6 46 7 56 8 63 9 10 86z 11 54 12 48 13 33 14 45 15 % Mulher 16 57 17 45 18 57 19 48 20 miolo_relatorio:Mise en page 1 46 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 46 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 6. Eficiência interna: repetência na educação primária TAXAS DE REPETÊNCIA NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) Duração1 da educação primária País ou território Ano letivo encerrado em 2004 1ª série 2ª série 3ª série 4ª série 2005 Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres 4 27,3y - - 20,5y - - 15,4y - - 15,4y - - 5 5 6 5 6 6 6 5 7,1y 1,3 0,1 4,0 9,8 7,3 1,2 3,7 6,8y 1,4 3,9 11,4 8,5 1,3 4,0 7,4y 1,2 4,0 8,0 6,0 1,2 3,2 6,7y 2,0 2,9 5,4 7,2 3,0 6,6y 2,9 6,7 8,5 3,2 6,7y 2,9 4,0 5,8 2,8 9,2y 2,7 4,1 4,9 4,9 2,8 9,4y 4,1 6,1 6,0 2,9 8,9y 4,2 3,7 3,7 2,6 7,7y 4,0 3,6 4,1 2,8 8,2y 4,4 5,2 2,9 7,3y 2,8 3,1 2,6 6 6 5 6 6 - 10,1y 2,5 7,3 5,5 10,9 3,9 0,8 5,9 10.1 11,6y 2,9 7,9 5,7 12,8 5,1 1,0 6,4 11.6 8,4y 2,1 6,5 5,3 8,8 2,6 0,6 5,3 8.4 7,1y 2,2 4,4 14,4 8,4 2,2 0,7 4,7 7.7 8,4y 2,5 4,9 14,7 10,2 2,5 0,9 8,4 8.9 5,7y 1,8 3,9 14,1 6,5 1,8 0,5 5,7 6.5 6,3y 2,1 3,3 11,7 8,1 2,0 0,4 4,5 6.6 7,5y 2,5 3,6 12,0 10,1 1,7 0,5 4,8 7.8 5,0y 1,7 2,9 11,5 6,0 2,2 0,2 4,2 5.2 6,0y 1,6 2,5 8,5 5,9 1,9 0,6 4,3 4.8 7,2y 2,0 2,9 8,8 7,4 2,6 0,7 5,2 5.9 4,6y 1,2 2,1 8,2 4,3 1,2 0,4 3,3 3.6 Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo 2 Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 1. A duração nesta tabela é definida segundo o ISCED97 e pode diferir da duração reportada nacionalmente. 2. Todos os valores apresentados são medianas. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Tabela 7. Eficiência interna: evasão e conclusão da educação primária TAXAS DE EVASÃO POR SÉRIE DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) Ano letivo encerrado em 2004 Duração1 da educação primária País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo 2 Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 1ª série 2ª série Total 4 8,4 - - 2,0y - 5 5 6 5 6 6 6 5 14,6y 0,2y 14,4y 1,9 8,7y 15,3 17,6y 0,3y 14,0y 2,0 9,1y 15,4 11,2y 0,1y 14,9y 1,7 8,3y 15,1 9,9y 0,4y 4,4y 6,3 1,1 2,7y 4,7 11,4y 0,5y 3,6y 5,2 1,2 3,0y 6,1 8,3y 0,4y 5,2y 7,4 1,0 2,3y 2,5 5,8y 0,3y 4,4y 1,6 1,7 7,1y 3,8 5,2y 0,3y 4,0y 1,5 1,8 7,4y 4,7 6 6 5 6 6 2,1y 0,4y 11,5 3,0 2,6 2,2 0,9 5,2 5,2 2,3y 0,4y 12,4 3,2 3,3 1,7 0,8 5,4 5,9 1,9y 0,5y 10,6 2,8 1,8 2,7 1,1 4,9 4,5 0,1y 1,3y 2,2 2,4 1,4 1,4 0,2 2,4 2,2 0,2y 1,5y 2,9 2,4 2,4 0,9 0,3 2,4 2,9 0,1y 1,1y 1,4 2,4 0,4 2,2 0,0 2,4 1,4 -y -y 3,1 1,9 1,5 1,7 0,2 3,2 2,6 -y -y 3,6 1,8 2,1 1,1 0,3 2,2 2,8 - Homens Mulheres Total 3ª série 2005 Homens Mulheres 1. A duração nesta tabela é definida segundo o ISCED97 e pode diferir da duração reportada nacionalmente. 2. Todos os valores apresentados são medianas. Os dados em itálico são estimativas do IUE. - Total 5,5y 4ª série Homens Mulheres - - Total 5ª série Homens Mulheres - - - 6,4y 0,2y 4,9y 1,7 1,6 6,7y 2,5 7,2y 0,4y -y 3,5 1,3 11,1y 9,2 5,5y 0,5y -y 3,2 1,4 12,0y 9,1 8,9y 0,3y -y 3,8 1,1 9,9y 9,4 -y -y 2,5 2,1 0,9 2,3 0,0 4,6 2,5 0,6y -y 2,4 2,0 2,6 2,6 3,4 2,9 0,9y -y 3,0 1,7 3,4 2,4 2,9 0,3y -y 1,8 2,4 1,7 2,8 2,9 Total Homens Mulheres - - - - - - 4,4 2,3 13,5y - 4,2 2,5 13,3y - 4,6 2,0 13,7y - 1,2y 0,5y 4,9 2,5 1,9 3,3 3,2 1,7y 0,7y 4,6 3,2 1,3 3,3 - 0,7y 0,3y 5,1 1,8 2,6 3,3 - Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2005. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (x) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2002. (*) Estimativas nacionais. - miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 47 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S TAXAS DE REPETÊNCIA NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) - 0 0 8 BRASIL 47 REPETENTES, TODAS AS SÉRIES (%) Ano letivo encerrado em 2004 5ª série 2 Ano letivo encerrado em 6ª série 1999 2005 Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres - - - - - - 24,0 24,0 24,0 21,2z - - 5,1y 3,8 2,4 2,9 4,0 5,5y 3,0 3,7 4,5 4,7y 1,9 2,0 3,2 0,2 0,7 1,9 - 0,2 0,8 1,9 - 0,1 0,5 1,9 - 6,5 6,0 4,0 6,6 - 6,8 7,1 4,0 7,6 - 6,2 4,6 4,1 5,5 - 7,0z 0,3 2,2 3,4 4,6 4,6 2,9 3,1 7,2z 0,3 2,7 3,4 5,5 5,6 2,4 3,3 6,9z 0,2 1,5 3,4 3,6 3,6 3,0 2,7 5,2y 2,1 7,1 4,1 1,5 3,3 3,3 6,3y 2,5 7,5 5,2 4,1 4,1 4,0y 1,8 6,8 3,0 2,4 2,4 4,4y 3,7 1,8 1,5 1,5 5,4y 3,8 2,2 1,7 1,7 3,3y 3,5 1,3 1,1 1,4 6,1 2,4 5,2 10,2 7,0 3,8 1,2 6,6 6,5 7,1 2,9 5,8 10,5 8,5 4,2 7,6 7,5 5,0 1,9 4,6 9,9 5,5 3,4 5,5 5,3 6,5z 2,2 4,1 8,9 6,8 3,1 0,7 5,8 6,7 7,7z 2,7 4,6 9,2 8,3 3,7 1,0 6,0 7,9 5,2z 1,7 3,6 8,7 5,1 2,3 0,4 5,7 5,4 País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo 2 Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (x) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2002. (*) Estimativas nacionais. Os dados grafados em negrito para taxas de repetência por série referem-se ao ano letivo encerrado em 2005, e para porcentagens de repetentes, a 2006 (todas as séries). (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. CONCLUSÃO DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA TAXA DE SOBREVIVÊNCIA ATÉ A 5ª SÉRIE (%) TAXA DE SOBREVIVÊNCIA ATÉ A ÚLTIMA SÉRIE (%) TAXA DE CONCLUSÃO DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (%) Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 Total - 2004 Homens Mulheres - - Total - 1999 Homens Mulheres - - Total - 2004 Homens Mulheres 80y - Total - 2004 Homens Mulheres - - Total - Homens Mulheres - - 65 99 62 89 - 60 99 63 88 - 70 99 60 90 - 65y 99y 79y 89 94 73 y 70 63y 98y 81y 92 93 71 y 68 67y 99y 76y 87 94 75 y 72 65 99 62 87 - 60 99 63 86 - 70 99 60 88 - 65y 99y 79y 85 92 63 y 70 63y 99y 81y 88 91 61 y 68 67y 99y 76y 83 92 64 y 72 55y 48 52y 47 58y 51 90 100 67 87 91 85 90 100 64 88 88 85 90 100 69 87 94 84 97y 99y 81 90 91 86 96y 99y 78 90 88 - 98y 99y 84 90 95 - 89 100 67 83 88 98 81 88 99 64 84 84 83 89 100 69 82 92 80 96y 98y 81 85 89 98 82 94y 98y 78 86 85 98 83 97y 98y 84 85 93 99 81 75 79x 87 79 - 73 76x 87 78 - 77 82x 86 81 - País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo 2 Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina miolo_relatorio:Mise en page 1 48 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 48 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 8. Participação na educação secundária 1 TRANSIÇÃO DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA PARA O SECUNDÁRIO GERAL (%) Ano letivo encerrado em 2004 País ou território Brasil 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Total MATRÍCULA NA EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA Grupo Etário População em idade escolar 2 (milhares) Total de Matrículas Matrícula em instituições privadas como % do total de Matrícula no ensino matrículas técnico e vocacional Ano letivo encerrado em 1999 2005 Ano letivo encerrado Ano letivo encerrado em 2005 em 2005 Homens Mulheres 2005 2004 80,5y - - 11-17 23.543 24.983 52 25.128z 52z 12z 718z 47z Total (milhares) % Mulheres Total (milhares) % Mulheres Total (milhares) % Mulheres Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 89,3y 76,9 85,1 78,5 93,7 69,0 86,5y 72,4 86,5 78,6 94,7 67,0 92,1y 82,0 83,4 78,3 92,6 72,0 11-17 12-17 12-17 11-17 13-18 12-17 12-17 10-16 22.150 135.361 9.562 158.173 25.332 13.166 18.681 26.971 9.912 77.436 7.671 67.090 8.722 3.845 - 49 47 39 50 47 - 10.355z 101.195 8.177 92.743 15.993 10.564 6.398 7.245 50z 48 47 43 49 51 45 41 96z 8 4 42y 44 15 25 168z 15.306 2.244 772 2.164 1.484 154 27z 51 45 16 42 57 25 94,6y 96,7 100,0 94,7 98,7 93,4y 95,6 100,0 95,9 98,4 95,8y 98,0 100,0 93,5 99,0 12-17 12-17 11-16 12-16 12-16 4.117 1.795 5.505 2.935 2.724 3.722 1.305 3.589 2.278 1.439 51 50 52 48 54 3.516z 1.630 4.297 2.691 2.028 51z 49 52 50 52 27y 52 24 22 25 1.270z 398 283 279 78 52z 46 54 63 50 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 91,8 99,3 87,5 93,7 92,4 87,1 92,6 - Mediana 91,3 87,7 94,7 Total Total % Mulheres Total %Mulheres Mediana Total %Mulheres 775.474 83.730 660.691 64.601 438.570 84.659 321.911 51.802 47 49 46 51 511.936 85.280 398.529 57.231 47 49 47 51 11 8 15 22 51.100 14.738 33.419 5.919 45 44 46 53 1. Refere-se a educação secundária júnior e sênior (ISCED níveis 2 e 3). No Brasil corresponde às quatro últimas séries do ensino fundamental e ao ensino médio. 2. Os dados são para 2004, exceto para os países com um calendário escolar, quando os dados são para 2005. Tabela 9A. Participação na educação superior MATRÍCULAS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR Total de alunos matriculados Taxa Bruta de Escolarização (TBE) Ano letivo encerrado em 1999 País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina Ano letivo encerrado em 2005 Total (milhares) % Mulheres 2.457 56 709 6.366 2.447 1.838 699 - 32 48 43 - 1.601 451 878 - 62 47 52 - Total %Mulheres 92.863 9.272 36.365 10.583 48 54 53 53 Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. 1999 2005 Total Homens Mulheres IPG (M/H) % Mulheres Total Homens Mulheres IPG (M/H) 4.275z 56z 14 13 16 1,26 24z 21z 27z 1,32z 912 23.361 2.594 11.777 3.640 2.385 1.290z 783 33 47 40 44 50 35z 45 6 6 36 18 7 - 8 19 7 - 4 17 6 - 0,51 0,92 0,78 - 6 22 34 11 17 24 10z 5 8 22 13 19 24 13z 5 4 21 9 15 24 7z 4 0,53 0,97 0,70 0,79 0,99 0,55z 0,88 58z 48 51 50 - 49 38 22 - 37 39 21 - 60 36 23 - 1,63 0,91 1,11 - 65z 48 29 33 41*,z 54z 49 28 33 - 76z 47 31 34 - 1,41z 0,96 1,09 1,03 - 0,96 1,20 1,19 1,12 24 56 66 30 Total (milhares) 2.127z 664 1.224 908 1.050*,z Total 137.769 14.208 43.411 15.189 %Mulheres 50 56 55 54 Média Ponderada 18 41 55 22 18 37 50 21 18 45 60 23 Média Ponderada 24 50 58 28 (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. 25 64 74 32 1,05 1,29 1,28 1,17 99 miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 49 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 BRASIL TAXA LÍQUIDA DE ESCOLARIZAÇÃO (TLE) NA EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA (%) TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA (%) 1º ciclo secundário 2º ciclo secundário Total secundário Total secundário Ano letivo encerrado em 2005 Ano letivo encerrado em 2005 Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 2005 Total 99 Homens Mulheres IPG (M/H) Total Homens Mulheres 1999 Total IPG (M/H) 2005 Homens Mulheres IPG (M/H) Total Homens Mulheres IPG (M/H) Total Homens Female IPG (M/H) 114z 112z 117z 1,04z 94z 86z 103z 1,19z 99 94 104 1,11 106z 101z 111z 1,10z 76z 75z 81z 1,08z 64z 99 96 75 77 104 37 33 61z 99 100 80 76 100 40 38 68z 1,0 92 68 77 108 34 28 1,10z 55 0,92 0,85 1,02 1,07 0,87 0,73 34z 54 75 46 50 55 31 11 35z 56 78 52 51 54 34 12 32z 1,03 72 40 48 57 28 10 0,94z 62 0,93 0,76 0,95 1,06 0,81 0,83 49 81 46 69 24 - 49 84 54 68 25 - 49 77 38 70 23 - 1,01 76 0,91 0,69 1,02 0,91 - 47z 75 86 59 63 80 34 27 47z 76 89 65 63 78 37 31 48z 1,01 82 52 63 83 31 23 1,03z 0,92 0,81 0,99 1,07 0,84 0,74 44z 82 58 65 27 21 44z 85 59 64 29 24 45z 79 58 66 25 18 1,04z 0,92 0,99 1,04 0,87 0,74 102z 99 85 104 86 100z 101 82 102 83 103z 98 89 106 89 1,03z 0,98 1,08 1,04 1,08 70z 86 63 72 57 66z 85 57 73 51 74z 88 68 71 63 1,13z 1,03 1,19 0,96 1,25 94 79 71 83 56 91 78 67 86 51 97 81 75 81 62 1,07 1,04 1,11 0,94 1,23 86z 91 78 92 74 83z 90 74 91 70 89z 91 82 92 79 1,07z 1,01 1,11 1,01 1,13 79z 70 63 76z 70 59 82z 69 67 1,07z 0,99 1,15 79 104 75 101 81 105 77 99 76 104 72 103 0,94 0,99 0,93 1,05 53 99 46 74 54 98 48 69 51 100 44 79 0,94 1,02 0,92 1,13 60 100 53 81 0,91 1,00 0,88 1,07 66 102 60 89 68 102 63 85 64 102 58 92 0,94 1,00 0,93 1,08 59 92 53 69 60 91 55 67 57 93 51 71 0,95 1,02 0,93 1,07 Média Ponderada Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. 63 100 56 78 (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (x) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2002. (*) Estimativas nacionais. DISTRIBUIÇÃO DE ESTUDANTES POR NÍVEL ISCED (%) 94z ESTUDANTES ESTRANGEIROS Total de estudantes Estudantes do sexo feminino em cada nível (%) Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 2005 Nível 5A Nível 5B 4z 57 100 49 84 Ano letivo encerrado em 1999 Nível 6 Nível 5A Nível 5B Nível 6 Total (milhares) 3z 57z 35z 56z - 2005 % Mulheres - Total (milhares) 1,2y 91 100 73 96 58z 97 9 26 3 41z 2 0 0 2 1 1z 1 35 39 42 51 26z 46 20 49 42 46z 29 28 41 35 40 39z 28 0,3 2 - - 0,7 36 8z 0,4z 0,4y 74z 67 75 58 61*,z 26z 33 25 42 - 0z 0 0 - 55z 52 57 45 - 67z 40 35 57 - 56z 39 41 - 1,5 - - 2,0 2z 2 6 3 0 54 56 52 56 Mediana 82 83 79 88 16 12 18 12 Mediana 50 60 46 55 Total % 39 48 31 - - 49 Mulheres - Total - % Mulheres 45 - País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela %Mulheres - Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina Brasil 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 miolo_relatorio:Mise en page 1 50 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 50 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 9B. Educação superior: distribuição de alunos por área de estudo e parcela feminina em cada área, ano letivo encerrado em 2005 DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL POR ÁREA DE ESTUDO Ciências sociais, Humanidades negócios e Educação e Artes direito Total de matrículas País ou território Brasil (000) Ciências Engenharia, indústria e construção Agricultura Saúde e Bem-estar Serviços Desconhecido ou não especificado %F 4.275 56z 20z 4z 41z 8z 7z 2z 13z 912 23.361 2.594 9.327 3.640 2.385 1.290z 783 33 47 40 44 50 35z 45 3 1z 11 - 24 36z 4 23 34 15z 40 17 15 16z 13 20 5 7z 18 4 1 2 - 2 2z 8 3 2.127z 664 1.224 908 1.050*,z 58z 48 51 50 - 12z 14 9 12 - 11z 6 4 - 39z 27 43 8 - 10z 10 3 6 - 8z 18 30 0.4 - 3z 5 2 1 - 12z 14 9 8 - 2z 5 - 0,2z 64 - 12 10 13 22 13 3 15 38 18 11 11 8 4 1 3 5 10 11 2 4 3 17 0,4 32 Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Total %Mulheres Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 137.769 43.411 80.150 15.189 50 55 46 54 -z 2z 3z 0.2 - 15 100 100z 24z 100y 33 -z 2.6 - Mediana 13 13 9 (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. Table 10A. Corpo docente na educação pré-primária e primária EDUCAÇÃO PRIMÁRIA Corpo docente Docentes habilitados (%)1 Relação alunos/professor 2 Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina Total (milhares) 2005 % Mulheres Total (milhares) 1999 % Mulheres Total Homens 2005 Mulheres Total Homens 1999 2005 Mulheres 304 98 369z 98z - - - - - - 19 18z 68 875 14 118 150 - 33 94 99 98 94 - 33z 952 23 717 182 142 86z 90z 98 99 100 98 96 45z - - - 41z - 50z - 40z - 27 27 24 17 22 - 34z 23 24 41 16 29 41z 50 59 - 96 94 - 53y 20 50 45 63 97y 98 96 97 94 - - - 86 70 87 24 18 - 24y 21 22 25 15 - - - - - - Total % Mulheres Total % Mulheres 5.417 1.452 2.998 726 91 94 87 96 6,119 1,659 3.533 868 94 93 93 96 Mediana 1. Os dados sobre professores habilitados (definidos segundo os padrões nacionais) não são coletados para os países onde as estatísticas educacionais são coletadas pela OCDE, Eurostat ou pelos questionários dos Indicadores Mundiais de Educação. Média Ponderada - 21 17 27 22 22 15 28 21 2. Baseado nas contagens de alunos e professores. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 51 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 BRASIL PERCENTUAL DE MULHERES EM CADA ÁREA Humanidades e Artes Educação Ciências sociais, negócios e direito Ciências Engenharia, indústria e construção Agricultura Saúde e Bem-estar Desconhecido ou não especificado Serviços País ou território 76z 61z 52z 35z 26z 40z 71z 66z 55z Brasil 33 - 36 - 38 42z 64 43 59 - 36 47 32z 44y 50 51z 44 37 31 - 47z 71 77 78 - 28z 44 - 56z 44 - Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 32 57 38 63 81 59 31 49 55 59 31 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 36 50z 70 - 41 44z 56 43 33 37z 57 43 26 40z 40 43 15 24z 25 43 17 - 17z 70 69 62 - 35z 51 49 - 48z 52 58 58 - 37z 26 43 43 - 44z 21 32 23 - 71 75 72 56 62 57 35 56 57 30 32 38 -z -z Mediana 16 24 27 EDUCAÇÃO PRIMÁRIA Corpo docente Docentes habilitados (%)1 Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 Total (milhares) 807 2005 1999 % Mulheres Total (milhares) % Mulheres 93 887z 90z Total - Homens - Relação alunos/professor 2 Ano letivo encerrado em 2005 Mulheres Total - - Homens - 1999 2005 País ou território Mulheres - 26 21z 312 346 3.135* 540 440 - 33 52 33* 62 47 - 353z 6.116 373 1.428 519 599 450 34z 55 55 61 66 51 46 64 - 64 - 64 - 48z 50 86 47z 39 94 52z 60 76 56 23 35* 27 41 - 51z 18 26 20 28 37 38 221 56 215 - 88 77 77 - 270y 66 187 177 184 86y 78 77 64 81 - - - 84 70 87 22 32 24 - 17y 26 28 23 19 - - - - - - Total % Mulheres 25.724 4.483 20.426 2.580 58 81 52 77 Total 27.048 4.598 21.713 2.861 % Mulheres 62 83 57 78 (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. Mediana Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Média Ponderada 25 16 27 26 25 15 28 23 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 51 miolo_relatorio:Mise en page 1 52 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 52 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Table 10B. Corpo docente na educação secundária e superior EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA Professores habilitados (%)1 Corpo docente País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 1º Ciclo secundário 2º Ciclo secundário Total da educação secundária Total da secundária Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 1999 1999 1999 2005 2005 2005 2005 Total % % Total Total Total % Total % Total % % (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres (milhares) Mulheres Total Homens Mulheres 703 84 945z 87z 401 70 625z 70z 1.104 79 1.571z 80z - - - 136 3.213 207 321 - 13 41 44 46 - 186z 3.661 222 1.312z 751 357 162*,z 17z 46 45 37z 43 49 54*,z 129 247 - 13 38 - 198 - 40 - 192z 2.444 270 1.274z 603 237 36*,z 19z 43 38 31z 44 43 35*,z 265 454 1.995 519 - 13 41 34 44 - 378z 6.105 492 2.586z 1.354 593 159 197*,z 18z 45 41 34z 43 47 36 51*,z 32z - 31z - 35z - 171 16 138 - 73 78 50 - 110y 23 161 116 67y 78 44 65 29 48 - 54 50 - 92y 43 64y 54 60 45 187 - 62 50 - 202y 66 164 161 188 66y 63 52 64 63 83 76 86 Total % Mulheres - Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina Total - % Mulheres - Total - - % Mulheres 72 Total - % Mulheres - - Total % Mulheres Total 24.295 6.296 15.111 2.693 52 55 47 64 28.457 6.564 19.049 3.370 % Mulheres 53 59 47 66 Mediana - - - 2. Baseado nas contagens de alunos e professores. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. 1. Os dados sobre professores habilitados (definidos segundo os padrões nacionais) não são coletados para os países onde as estatísticas educacionais são coletadas pela OCDE, Eurostat ou pelos questionários dos Indicadores Mundiais de Educação. Tabela 11. Investimento em educação: gasto público Gastos públicos Gastos públicos Gastos públicos Total de gastos públicos Gastos públicos correntes com correntes com correntes com educação Total de gastos públicos com educação como % educação como % do educação primária como primária por aluno correntes com com educação como % do total de gastos do total de gastos públicos % do gasto público (custo unitário) em PPC, educação primária como do PNB governo com educação corrente em educação US$ constante para 2004 % do PNB País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo 1 Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 1999 2005 1999 2005 1999 2005 1999 2005 4,4 4,5z 10 - 95 94z 33 32z 2,3 1,9 4,0 4,5 2,6 2,4 3,8z 1,0y 5,5z 2,4 15 13 13 23 - 14 11y 26z 11 64 93 98 95 89 79 88y 97z 78 39 34 30 41 - 4,6 4,0 4,5 3,5 4,5 5,0 4,4 4,5 4,0z 3,8 5,0 2,6 4,9 5,5 4,7 4,0 13 17 17 21 11 15 13z 18z 11 14 14 13 13 94 88 88 93 99z 95 99 97 92 94 89 96 37 45 40 - 1. Todos os valores regionais são apresentados em medianas. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para 2006. 1999 2005 1999 2005 855 1.071z 1,4 1,4z 35 39y 40z - 63 264 1.054 - 106 84y 1.442z - 0,6 0,6 1,2 1,8 - 0,7 0,3y 2,1z - 37z 37 48 42 34 25 46 1.594 1.026 355 862 1.498z 1.421 1.478 403 985 4.762 598 1,6 1,5 1,2 1,6 1,5z 1,4 2,4 1,0 1,5 1,2 1,8 1,5 (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (x) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2002. (*) Estimativas nacionais. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 53 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 0 8 BRASIL EDUCAÇÃO SUPERIOR Relação alunos/professor 2 Corpo docente 1º Ciclo secundário 2º Ciclo secundário Total da secundária Ano letivo encerrado em Ano letivo encerrado em 2005 1999 2005 1999 Ano letivo encerrado em 2005 1999 Total (milhares) 34z 43 0 EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA Ano letivo encerrado em 1999 2 21z 32 27z 37 45 2005 % Mulheres % Mulheres Total (milhares) 14 52 País ou território 15 Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 43 17 22 18 - 34z 17 20 37z 13 20 38*,z 32 13 14 - 21z 16 14 28z 10 15 32*,z 37 17 34 17 - 27z 17 17 32z 12 18 40 37*,z 45 504 192 52 - 14 31 - 52 1.332 81z 539z 271 251 37z 69* 15 51 40z 39 17z 17* 13 32 19 - 19y 26 12 12 27 20 - 16y 24 9 29 19 - 17y 25 26 17 11 102 86 - 54 34 - 131y 94 82*,z 50y 34 - Total % Mulheres Total % Mulheres - - 18 13 21 19 18 13 21 17 6.476 2.787 2.893 826 39 34 39 45 8.812 3.289 4.531 1.200 41 37 40 45 Média Ponderada - - Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. Gastos públicos Gastos públicos Gastos públicos Gastos públicos correntes com Gastos públicos correntes com correntes com educação secundária correntes em educação educação primária por secundária por aluno correntes em educação educação secundária como % dos gastos aluno como % do PNB públicos correntes com (custo unitário) em PPC, secundária como % do por aluno como % do per capita educação US$ constante para 2004 PNB PNB per capita 1999 2005 1999 2005 1999 2005 11 13z 36 40z 775 987z 4 10 12 - 5 3y 15z - 42 38 38 - 47 42y 30z - 137 441 12 13 7 12 12z 13 20 7 14 19 12 35 36 28 - 38z 39 36 36 35 42 33 Salário de professores primários como % dos gastos públicos correntes com educação primária 1999 2005 1999 2005 1999 2005 1,5 1,7z 10 12z - - - 243 158y 1.510z - 0,6 0,7 1,5 - 0,9 0,4y 1,6z - 8 11 21 - 12 5y 15z - 79 86 - 80z 78y 88z - 1.990 1.367 476 5.233 1.081 2.058z 1.564 1.364 520 5.904 642 1,5 1,3 0,9 1,3 1,5z 1,4 1,8 0,9 1,7 2,2 1,5 1,4 15 15 10 15 16z 14 19 9 20 24 13 91* 88 - 63z 85 76 72 75 - 532 País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mundo 1 Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 53 miolo_relatorio:Mise en page 1 54 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 54 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 12. Tendências dos indicadores básicos ou representativos para medir os objetivos 1, 2, 3, 4 e 5 de EPT OBJETIVO 1 OBJETIVO 2 Cuidados e educação na primeira infância Educação primária universal TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) NA EDUCAÇÃO PRÉ-PRIMÁRIA (%) TAXA LÍQUIDA DE ESCOLARIZAÇÃO (TLE) NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA 1991 País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China2 Egito Índia3 Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Ano letivo encerrado em 1999 2005 Total Total 48 58 22 6 3 18 63 49 72 13 30 40 Ano letivo encerrado em 1999 1991 Total Total (%) IPG (M/H) Total (%) 63z 85 - 91 18 38 11 20 24 73 - 11z 40 16,2 41 34 93 15 50 97 84 97 98 33 0,96 0,84 0,96 0,97 - 57 77 36 55 45 64z 54 39 62 58 89 69 87 0,98 1,03 40 78 34 61 81 96 79 87 0,88 1,00 0,86 0,99 Média Ponderada Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina - 33 73 28 55 IPG (M/H) OBJETIVO 3 Necessidades de aprendizagem de todos os jovens e adultos TAXA DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS (15-24 anos) 1985-19941 2005 Total (%) Total (%) IPG (M/H) 1995-20041 Total (%) IPG (M/H) - 97 1,02.* IPG (M/H) - 95z 1,0z 89* 93 98 61 - 1,00 0,93 1,00 0,84 - 94*,z 94 89 96 98 68 68 1,03*,z 0,95 0,93 0,96 1,00 0,88 0,76 45 94 63 62 96 95 71 - 0,73* 0,94.* 0,76.* .0,67. .0,98*. 0,99* 0,77* - 64 99 85 76 99 98 84 65 0,90 0,94.* 0,88.* 0,80* 1,00.* 1,00.* 0,94 0,69* 99* 88 98 86 1,00* 1,01 1,00 1,01 99z 90 87 96 91 0,99z 0,98 1,00 1,00 1,01 98 98 91 95 95 1,00* 1,01* 1,03* 0,97* 1,02* 99 99 98 97 97 1,00* 1,00* 1,01* 0,98* 1,02* 87 96 86 95 0,96 1,01 0,95 1,00 83 99 80 94 - Média Ponderada 83 97 81 93 0,93 1,00 0,92 0,98 1. Os dados se referem aos anos mais recentes disponíveis no período especificado. Veja a introdução às tabelas estatística para obter uma explicação mais ampla das definições de alfabetização nacional, métodos de avaliação e fontes e anos de dados. Nos países marcados com um (*) são utilizados os dados Média Ponderada 0,90 1,00 0,88 1,01 88 99 85 97 0,93 1,00 0,92 1,01 nacionais de alfabetização observados. Para todos os outros, são usadas as estimativas de alfabetização do IUE. As estimativas foram geradas utilizando o modelo de Projeções Globais de Alfabetização por Grupo Etário IUE. Elas se baseiam nos dados observados entre 1990 e 1994. Tabela 13. Tendências dos indicadores básicos ou representativos para medir o objetivo 6 de EPT OBJETIVO 6 Qualidade da educação RELAÇÃO ALUNOS/PROFESSOR NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA1 TAXA DE SOBREVIVÊNCIA ATÉ A 5ª SÉRIE Ano letivo encerrado em 1999 1991 País ou território Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Total (%) IPG (M/H) Total (%) IPG (M/H) - - 2004 Total (%) 1991 IPG (M/H) 23 26 21z 1,07y .1,01y 0,94y 0,94 1,01 1,05 y 1,07 22 24 47 23 31 39 - 56 23 35* 27 41 - 51z 18 26 20 28 37 38 97y 99 81 90 91 1,02y 1,00 1,07 .0,99 .1,08 . 25 30 29 23 22 32 24 - 17 y 26 28 23 19 86 -- 26 17 29 25 73 - - 86 84 80 89 - 1,36 2,06 - 65 99 62 89 - 1,16 1,01 0,95 1,02 .- 65y 99y 79y 89 94 73 y 70 92 76 86 0,97 1,09 90 100 67 87 91 1,00 1,00 1,08 .0,98 .1,08 . 80 - .0,98 - Mediana Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina 85 Ano letivo encerrado em 1999 2005 Média Ponderada 1. Baseado na contagem de estudantes e professores. 2. Os dados sobre professores habilitados (definidos segundo os padrões nacionais) não são coletados 25 16 27 26 25 15 28 23 para os países onde as estatísticas educacionais são coletadas pela OCDE, Eurostat ou pelos questionários dos Indicadores Mundiais de Educação. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 55 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S OBJETIVO 4 2 0 0 8 BRASIL OBJETIVO 5 Melhorar os níveis de alfabetização de adultos Igualdade de gênero na educação primária Igualdade de Gênero na educação secundária TAXA DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTO (a partir de 15 anos) TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) TAXA BRUTA DE ESCOLARIZAÇÃO (TBE) 1985-19941 Total (%) - 1995-20041 Total (%) IPG (M/H) - 89 55 IPG (M/H) 1,00* Ano letivo encerrado em 1999 1991 Total (%) IPG (M/H) 104 - Total (%) 155 2005 Ano letivo encerrado em 1999 1991 IPG (M/H) Total (%) IPG (M/H) Total (%) 0,94 140z 0,93z 40 IPG (M/H) - Total (%) IPG (M/H) 99 1,11 2005 Total (%) 106z IPG (M/H) 1,10z País ou território Brasil 35 78 44 48 82 88 55 - 0,58* 0,78* 0,55* 0,55* 0,86* 0,94* 0,65* - 47 91 71 61 90 92 69 50 0,76* 0,91* 0,71* 0,65* 0,92* 0,97* 0,77 0,55* 125 92 98 114 111 87 - 0,93 0,83 0,76 0,98 0,97 0,81 - 110 101 97 109 93 - 0,99 0,91 0,82 0,97 0,82 - 109z 112 101 125 117 109 103 87 1,03z 0,98 0,94 0,93 0,96 0,98 0,86 0,76 49 71 44 46 52 25 25 0,75 0,79 0,60 0,83 1,00 0,74 0,48 49 62 81 46 69 24 - 1,01 0,91 0,69 1,02 0,91 - 47z 76 86 59 63 80 34 27 1,03z 1,01 0,92 0,81 0,99 1,07 0,84 0,74 96 94 81 87 90 1,00* 0,99* 1,00* 0,88* 0,98* 97 96 93 88 93 1,00* 1,00* 1,00* 0,88* 0,99* 108 101 103 118 95 0,98 1,02 0,97 1,03 117 101 113 123 100 1,00 0,97 1,00 0,99 0,98 113z 104 112 112 105 0,99z 0,96 0,98 1,00 0,98 72 73 50 67 34 1,07 1,19 0,94 1,38 94 79 71 83 56 1,07 1,04 1,11 0,94 1,23 86z 91 78 92 74 1,07z 1,01 1,11 1,01 1,13 Demais países do E-9 Bangladesh China2 Egito Índia3 Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul-americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela 76 99 68 88 0,85 0,99 0,77 0,98 82 99 77 90 0,89 1,00 0,84 0,98 99 102 98 104 0,89 0,99 0,87 0,97 100 102 100 121 107 102 108 118 0,95 0,99 0,94 0,96 52 93 42 51 0,83 1,01 0,74 1,09 60 100 53 81 0,91 1,00 0,88 1,07 66 102 60 89 0,94 1,00 0,93 1,08 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina Média Ponderada s . 0,92 1,00 0,91 0,97 2. As crianças entram na escola primária com 6 ou 7 anos. Como 7 anos é a idade mais comum, as taxas de matrícula e população foram calculadas utilizando o grupo populacional na Grupo Etário de 7 a 11 anos. 3. Os dados de alfabetização para os anos mais recentes não incluem algumas regiões geográficas. Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2006. (z) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2004. (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (*) Estimativas nacionais. OBJETIVO 6 Qualidade da educação % DE DOCENTES DO SEXO FEMININO NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA DOCENTES HABILITADOS NA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA 2 como % do total GASTOS PÚBLICOS CORRENTES COM EDUCAÇÃO PRIMÁRIA como % do PNB GASTOS PÚBLICOS CORRENTES COM EDUCAÇÃO PRIMÁRIA POR ALUNO (custo unitário) em PPC, em US$ constante para 2004 Ano letivo encerrado em 1991 1999 2005 Ano letivo encerrado em 1999 2005 Ano letivo encerrado em 1991 1999 2005 Ano letivo encerrado em 1991 1999 2005 País ou território - 93 90z - - - 1,4 1,4z - 855 43 52 28 51 43 27 33 55 33* 62 47 - 34z 55 55 61 66 51 46 64 - 48z 50 86 0,8 - 0,6 0,6 1,2 1,8 - 0,7 0,3y 2,1z - 453 - 63 264 1.054 - 73 74 88 77 77 - 86y 78 77 64 81 - 84 - 1,6 1,5 1,2 - 1,5z 1,4 2,4 1,0 - - 1.594 1.206 62 83 57 78 - - - 1,5 1,2 1,8 1,5 - Média Ponderada 56 78 49 77 58 81 52 77 Mediana Os dados em itálico são estimativas do IUE. Os dados em negrito são para o ano letivo encerrado em 2005. Mediana 1,6 355 - 1.071z 106 84y 1.442z 1.498y 1.421 1.478 403 - Brasil Demais países do E-9 Bangladesh China Egito Índia Indonésia México Nigéria Paquistão Outros países sul americanos Argentina Chile Colômbia Peru Venezuela Mediana 862 (y) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2003. (x) Os dados são para o ano letivo encerrado em 2002. (*) Estimativas nacionais. 985 4.762 598 Mundo Países desenvolvidos Países em desenvolvimento América Latina miolo_relatorio:Mise en page 1 56 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 56 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Tabela 14 O Índice de Desenvolvimento de EPT e seus componentes, 2005 País ou território Brasil2 Demais países do E-9 Bangladesh2 China Egito Índia2 Indonésia México Nigéria2 Paquistão Outros países sul americanos Argentina2 Chile2 Colômbia Peru Venezuela Índice de EPT Posição de TLE total da Taxa de Taxa de acordo com o educação Alfabetização relativo a sobrevivência 1 Gênero primária nível de IDE até a 5ª série de Adultos População total IDE 186.405 0,901 76 0,964 0,892 0,943 0,805 Brasil 141.822 1.315.844 74 033 1.103.731 222.781 107.029 131.530 157.935 0,759 0,883 0,797 0,935 0,953 0,734 0,640 107 91 105 62 48 111 120 0,976 0,972 0,946 0,983 0,998 0,696 0,681 0,505 0,714 0,641 0,904 0,916 0,691 0,499 0,906 0,859 0,811 0,959 0,961 0,822 0,684 0,651 0,986 0,789 0,895 0,938 0,726 0,697 38.747 16.295 46.600 27.968 26.749 0,979 0,969 0,899 0,931 0,931 27 37 78 65 64 0,995 0,941 0,899 0,992 0,928 0,974 0,963 0,928 0,879 0,930 0,976 0,981 0,961 0,954 0,953 0,969 0,990 0,809 0,900 0,914 "Nota: Nos países destacados em azul as disparidades de gênero em favor dos homens são observados particularmente no ensino secundário. 1. A TLE total do ensino primário inclui as crianças do ensino primário na idade que estão matriculadas em um dos ensinos primário ou secundário. 2. As taxas de alfabetização de adultos são estimativas anuais IUE. As estimativas foram geradas usando o Global Age-specific Literacy Projections model IUE. Fontes: Anexo, Tabelas Estatísticas 2, 5, 7 e 8; Base de dados IUE; proxy mensuração da alfabetização para os países europeus: European Commission, European Labour Force Survey (2005). miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 57 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 BRASIL Tabela 14.1 Índice de Desenvolvimento de Educação para Todos (IDE) UNESCO - Histórico Brasil Ano do Relatório da UNESCO 2008(3) 2007(4) 2006(5) 2005(6) Taxa Líquida de Taxa de Ano Base Escolarização Alfabetização (TLE) na Educação Dados de Adultos Primário 2005 0,964 0,892 2004 0,940 0,886 2002 0,983 0,884 2001 0,965 0,882 Índice relativo à Gênero1 Taxa de Sobrevivência até a 5ª série IDE Classificação de acordo com o nível de IDE2 Total de Países 0,943 0,951 0,954 0,951 0,805 0,844 0,799 0,799 0,901 0,905 0,905 0,899 76 72 71 72 129 125 121 127 1. Composto pela média simples para taxa bruta de matrícula na educação primária, taxa bruta de matrícula na educação secundária e taxa de alfabetização de adultos. Quanto mais próximo de 1, maior a extensão do país em relação à realização dos objetivos de EPT. 2. IDE Médio: O país ainda não atingiu o conjunto das metas, porém não se encontra entre os que estão muito longe de fazê-lo. 3. UNESCO. Education for all by 2015: Will we make it? EFA Global Monitoring Report 2008.Paris: UNESCO, 2007. 4. UNESCO. Strong Foundations: Early Childhood Care and Education. EFA Global Monitoring Report 2007. Paris: UNESCO, 2006. 5. UNESCO. Education for all: Literacy for Life. EFA Global Monitoring Report 2006. Paris: UNESCO, 2005. 6. UNESCO. Education for all: The Quality Imperative. EFA Global Monitoring Report 2005. Paris: UNESCO, 2004. 57 miolo_relatorio:Mise en page 1 58 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 58 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Glossário Alfabetização. De acordo com a definição estabelecida pela UNESCO de 1958, o termo refere-se à capacidade de um indivíduo de ler e escrever com compreensão uma afirmação simples e curta relacionada à sua vida cotidiana. O conceito de alfabetização evoluiu desde então, abrangendo múltiplas áreas de habilidades, cada uma concebida em uma escala de diferentes níveis de domínio e servindo a diferentes propósitos. Atualmente, muitos consideram a alfabetização como a capacidade de identificar, interpretar, criar, comunicar e calcular, utilizando materiais impressos e escritos em vários contextos. A alfabetização é o processo de aprendizagem que capacita os indivíduos a atingir metas pessoais, desenvolver seus conhecimentos e seu potencial, e participar plenamente na comunidade e na sociedade mais ampla. Alfabetizado/analfabeto. Conforme utilizado, nas Tabelas Estatísticas, o termo se refere a uma pessoa capaz/não capaz de ler e escrever com compreensão uma afirmação simples relacionada à sua vida cotidiana. Aluno. Criança matriculada no ensino pré-primário ou primário. Jovens e adultos matriculados em níveis mais avançados são denominados estudantes. Alunos estrangeiros. Alunos matriculados em um programa educacional em um país no qual não são residentes permanentes. Ambiente letrado.A expressão tem no mínimo dois significados: (a) a disponibilidade de materiais escritos, impressos e visuais em ambiente freqüentado por aprendizes, capacitando-os a fazer uso de suas habilidades básicas de escrita e leitura; e/ou (b) a prevalência de materiais de letramento em famílias e comunidades, melhorando as perspectivas de aquisição de letramento por parte dos aprendizes. Analfabeto. Ver alfabetizado. Áreas de estudo na educação terciária ou superior. Educação: Capacitação de professores e ciência da educação. Humanidades e artes: Humanidades, religião e teologia, belas artes e artes aplicadas. Ciências sociais, negócios e direito: Ciências sociais e do comportamento, jornalismo e informação, negócios e administração, direito. Ciências: Ciências físicas e biológicas, matemática, estatística e ciências da computação. Engenharia, indústria e construção: Engenharia e comércio técnico, indústria e processamento, arquitetura e construção. Agricultura: Agricultura, silvicultura e pesca, veterinária. Saúde e bem-estar: Ciências médicas e ciências relacionadas à saúde, serviços sociais. Serviços: Serviços pessoais, serviços de transporte, proteção ambiental, serviços de segurança. Crianças fora da escola. Crianças na idade escolar que oficialmente corresponde ao ensino primário ou secundário que não estão matriculadas nesses ciclos. Cuidado e educação na primeira infância (CEPI). Programas que, além de prover cuidados infantis, oferecem um conjunto de atividades de aprendizagem estruturado e significativo em uma instituição formal (pré-primário ou ISCED 0), ou como parte de um programa de desenvolvimento infantil não-formal. Programas CEPI são normalmente desenvolvidos para crianças a partir de três anos de idade, e incluem atividades organizadas de aprendizagem envolvendo, em média, o equivalente a no mínimo duas horas por dia e cem dias por ano. Desempenho escolar. Desempenho em testes ou exames padronizados que medem o conhecimento ou a competência em uma disciplina específica. Algumas vezes o termo é utilizado como indicação de qualidade de educação em um sistema educacional ou para comparar grupos de escolas. Desenvolvimento cognitivo. Desenvolvimento de ação ou processo mental de aquisição de conhecimento por meio de pensamento, experiências e sentidos. Doenças infecciosas. Doenças causadas por microorganismos patogênicos, tais como bactérias, fungos, parasitas ou vírus, e que pode ser transmitida direta ou indiretamente de uma pessoa para a outra. Incluem febre aviária, dengue, hepatite, malária, sarampo, tuberculose e febre amarela. Educação básica. A gama completa de atividades educacionais que se realizam em diversos ambientes (formais, não-formais e informais) com o objetivo de satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem. No Marco de Dacar é sinônimo da grande agenda de EPA. Da mesma forma, a classificação da OCDE-CAD e outras classificações padrões de auxílio usam uma definição que inclui a educação na primeira infância, educação primária e habilidades básicas da vida para jovens e adultos, inclusive a alfabetização. Segundo a miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 59 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Classificação Internacional Normalizada da Educação (ISCED), a educação básica compreende as séries iniciais da educação primária (primeiro estágio da educação básica) e a educação secundária inferior (segundo estágio). Educação continuada (ou adicional). Expressão genérica que se refere a uma ampla variedade de atividades educacionais projetadas para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem dos adultos. Ver também Educação de adultos. Educação de adultos. Atividades educacionais oferecidas para adultos por meio de estruturas formais, não-formais ou informais, com o objetivo de complementar ou substituir educação e capacitação iniciais. O objetivo pode ser: (a) concluir determinado nível de educação formal ou de qualificação profissional; (b) adquirir conhecimentos e habilidades em uma nova área (não necessariamente visando uma qualificação); e/ou (c) relembrar ou atualizar conhecimentos e habilidades. Ver também Educação básica e Educação continuada. Educação elementar. Ver educação primária. Educação geral. Programas elaborados principalmente para levar aos estudantes uma compreensão mais profunda de uma disciplina ou de um grupo de disciplinas, visando principalmente, mas não necessariamente, prepará-los para a educação futura, seja no mesmo nível, seja em um nível mais elevado. Esses programas são tipicamente baseados na escola e podem ou não conter elementos profissionalizantes. A conclusão desses programas não garante aos estudantes uma qualificação de relevância no mercado de trabalho. Educação não-formal. Atividades de aprendizagem tipicamente organizadas fora do sistema educacional formal. A expressão é geralmente comparada educação formal e educação informal. Em diferentes contextos, a educação não-formal cobre atividades educacionais que visam alfabetização de adultos, educação básica para crianças e jovens que não freqüentam a escola, habilidades para a vida, habilidades de trabalho e cultura geral. Essas atividades geralmente têm objetivos de aprendizagem claros, porém variam em duração, na atribuição de certificados pela aquisição da aprendizagem e na estrutura organizacional. Educação ou freqüência obrigatória. Programas educacionais que crianças e jovens são legalmente obrigados a freqüentar, geralmente definidos em termos de número de séries ou de faixa etária, ou ambas. Educação primária (ISCED nível 1). Programas geralmente desenvolvidos com base em uma unidade 2 0 0 8 BRASIL ou em um projeto para proporcionar aos alunos uma educação básica sólida em leitura, escrita e matemática, juntamente com uma compreensão elementar de outras disciplinas, como história, geografia, ciências naturais, ciências sociais, artes e música. Em alguns casos, há também ensino religioso. Essas disciplinas contribuem para o desenvolvimento da capacidade dos alunos de obter e utilizar as informações de que necessitam sobre sua família, sua comunidade ou seu país. Também é identificado como ensino primário. Educação secundária (ISCED níveis 2 e 3). Programa que abrange o ensino secundário inferior e superior. O ensino secundário inferior (ISCED 2) geralmente é desenvolvido para dar continuidade aos programas básicos do nível primário, mas tipicamente o ensino está mais focalizado nas disciplinas, exigindo professores mais especializados em cada área disciplinar. O final deste nível geralmente coincide com a conclusão da educação obrigatória. No ensino secundário superior (ISCED 3) – etapa final da educação secundária em muitos países – a instrução muitas vezes é organizada ainda mais acentuadamente por disciplinas e, normalmente os professores necessitam de qualificação de nível mais alto ou mais específica por disciplina do que os professores do ISCED nível 2. Educação e treinamento técnico e vocacional (ETTV). Programas desenvolvidos principalmente para preparar estudantes para o ingresso direto em determinada ocupação ou atividade comercial (ou classes de ocupações ou atividades comerciais). A conclusão desses programas geralmente leva a uma qualificação profissional relevante para o mercado de trabalho, reconhecida pelas autoridades competentes (Ministério da Educação, associações de empregadores etc.) no país onde o título é obtido. Educação pós-secundária não superior (ISCED nível 4). Programas situados entre os níveis secundário e superior, a partir de um ponto de vista internacional, embora possam ser claramente considerados como programas de ensino secundário ou de ensino superior em um contexto nacional. Com freqüência, esses programas não são significativamente mais avançados em comparação aos programas do nível ISCED 3 (secundário superior), mas servem para ampliar o conhecimento de estudantes que já concluíram um programa desse nível. Normalmente os estudantes são mais velhos do que os estudantes do ISCED nível 3. Tipicamente, programas ISCED nível 4 têm duração entre seis meses e dois anos. Educação pré-primária (ISCED nível 0). Programas no estágio inicial de instrução organizada, desenvolvidos principalmente para introduzir crianças de pouca idade, 59 miolo_relatorio:Mise en page 1 60 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 60 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S geralmente a partir de três anos de idade, ao ambiente escolar semelhante ao de casa, constituindo-se uma ponte entre o lar e a escola. Recebendo denominações diversas, como educação infantil, creche, educação pré-escolar, jardim de infância ou educação na primeira infância, esses programas constituem o componente mais formal de CEPI (Cuidados e Educação para a Primeira Infância). Após a conclusão desses programas, as crianças continuam sua educação no ISCED 1 (educação primária). Educação secundária inferior (ISCED nível 2). Ver educação secundária. Educação secundária superior (ISCED nível 3). Ver ensino secundário. Educação terciária ou superior (ISCED níveis 5 e 6). Programas com conteúdo educacional mais avançado do que aquele oferecido nos níveis 3 e 4 do ISCED. O primeiro estágio da educação superior, ISCED nível 5, inclui o nível 5A, composto por programas altamente teóricos, cujo objetivo é fornecer qualificação suficiente para o ingresso em programas de pesquisa avançada e profissões que exigem alta qualificação. Inclui, ainda, o nível 5B, cujos programas são geralmente mais direcionados para atividades práticas, técnicas e/ou ocupacionais. O segundo estágio da educação superior, ISCED nível 6, compreende programas dedicados a estudos avançados e a pesquisas originais, levando a uma qualificação em pesquisa avançada. Eqüidade. Em educação, a extensão em que o acesso e as oportunidades para crianças e adultos são justas e iguais. Isso implica a redução de desigualdades baseadas em gênero, pobreza, residência, etnia, idioma ou outras características. Expectativa de vida ao nascer. Número teórico de anos que um recém-nascido viveria caso os padrões prevalecentes das taxas de mortalidade específicas por idade no ano do nascimento fossem assumidos como sendo constantes durante toda a vida da criança. Gastos públicos em educação. Total de gastos públicos correntes e de capital destinados à educação pelos governos locais, regionais e nacionais, inclusive os municípios. As contribuições familiares estão excluídas. Incluem gastos com instituições públicas e privadas. Gastos correntes incluem gastos com bens e serviços consumidos durante determinado ano e que devem ser renovados no ano seguinte, tais como: salários e benefícios de pessoal; contratação e compra de serviços; outros recursos, inclusive livros e materiais didáticos; serviços de assistência social; e outros gastos, como mobiliário e equipamentos, pequenos reparos, combustível, telecomunicações, deslocamentos, 2 0 0 8 seguros e aluguéis. Gasto de capital incluem gastos com construção, reformas e reparos importantes dos edifícios e aquisição de equipamentos pesados ou veículos. Graduado. Pessoa que concluiu com aprovação o último ano de um nível ou sub-nível educacional. Em alguns países, a conclusão ocorre como resultado da aprovação em exame ou em uma série de exames. Em outros, ocorre após a acumulação de determinado número exigido de horas de curso. Algumas vezes, os dois tipos de conclusão ocorrem em um mesmo país. Idade de admissão (oficial). Idade na qual os alunos ou estudantes são admitidos em determinado programa ou nível de educação, supondo que tenham iniciado no nível mais elementar com a idade oficial de admissão, que não tenham interrompido seus estudos, e que tenham progredido através do sistema sem repetência e sem deixar de freqüentar nenhuma série. A idade teórica de admissão em determinado programa ou nível pode ser muito diferente da idade real, ou mesmo da idade de admissão mais usual. Idioma indígena. Um idioma originado em determinado território ou em uma comunidade específica e que não foi trazido de outro lugar. Incapacidade. Um problema físico ou mental, que pode ser temporário ou permanente, e que limita as oportunidades de uma pessoa de participar da comunidade em nível de igualdade com os outros. Índice de Desenvolvimento da Educação (IDE). Índice composto que visa medir os progressos em geral em direção à EPT. Atualmente, o IDE incorpora os quatro objetivos de EPT que podem ser mais facilmente quantificados – Educação Primária Universal, medida pela taxa líquida de matrícula; alfabetização de adultos, medida pela taxa de alfabetização de adultos; igualdade de gênero, medida pelo índice de EPT relativo a gênero; e qualidade da educação, medida pela taxa de sobrevivência até a 5ª série. Seu valor é a média aritmética dos valores desses quatro indicadores. Índice de EPT relativo a gênero (IEG). Índice composto que mede o desempenho relativo com relação à igualdade de gênero na participação total na educação primária e secundária, assim como a igualdade de gênero na alfabetização de adultos. O IEG é calculado como a média aritmética dos índices de igualdade de gênero de Taxas Brutas de Escolarização na educação primária e secundária. Índice de Paridade de Gênero (IPG). Relação mulher/homem dos valores de determinado indicador (em alguns casos, relação homem/mulher). Um IPG miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 61 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S com valor 1 indica paridade entre os gêneros; um IPG acima ou abaixo de 1 indica uma desigualdade em favor de um gênero com relação ao outro. Matrícula. Número de alunos ou estudantes matriculados em determinado nível de educação, independentemente da idade. Ver também Taxa Bruta de Escolarização e Taxa Líquida de Escolarização. Matrícula privada. Número de alunos matriculados em uma instituição que não é dirigida por uma autoridade pública, e sim controlada e gerenciada, com ou sem fins lucrativos, por entidades privadas, tais como organizações não-governamentais, entidades religiosas, grupos de interesse especial, fundações ou empresas. Matrícula pública. Número de alunos matriculados em instituições controladas e gerenciadas por autoridades ou agências públicas (nacionais/federais, estaduais/ provinciais ou locais), independentemente da origem de seus recursos financeiros. Necessidades básicas de aprendizagem. Definidas na Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Jomtien, Tailândia, 1990) como ferramentas essenciais para a aprendizagem (por exemplo, alfabetização, expressão oral, operações com números, resolução de problemas) e conteúdo básico de aprendizagem (por exemplo, conhecimentos, habilidades, valores, atitudes) que os indivíduos devem adquirir para sobreviver, desenvolver capacidades pessoais, viver e trabalhar com dignidade, participar no desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida, tomar decisões conscientes e continuar o processo de aprendizagem. O escopo das necessidades básicas de aprendizagem e a maneira como devem ser adquiridas variam de acordo com o país e a cultura, e modificam-se ao longo do tempo. Novatos. Alunos admitidos em determinado nível de educação pela primeira vez. A diferença entre o número de matrícula e o número de repetentes na primeira série desse nível. Novatos na 1ª série da educação primária com experiência em CEPI. Número de novatos na primeira série da escola primária que freqüentaram o equivalente a, no mínimo, 200 horas de programas organizados de CEPI, expresso como um percentual do número total de novatos da primeira série. Padrão Internacional de Classificação para Educação (ISCED). Sistema de classificação desenvolvido como instrumento para reunir, compilar e apresentar indicadores e estatísticas comparáveis sobre educação, tanto dentro de cada país como internacionalmente. Esse sistema foi introduzido em 1976 e revisado em 1997 (ISCED97). 2 0 0 8 BRASIL Países Menos Desenvolvidos (PMDs). Países de baixa renda que, de acordo com as Nações Unidas, têm recursos humanos frágeis (com base em indicadores de nutrição, saúde, educação e alfabetização de adulto) e são economicamente vulneráveis. Uma categoria utilizada para orientar doadores e países na alocação de assistência estrangeira. Paridade de Poder de Compra (PPC). Taxa de conversão que reflete as diferenças de preços entre os países, permitindo comparações internacionais de produção e de rendimentos reais. Pedagogia. Profissão, ciência ou teoria de ensino. População em idade escolar. População da faixa etária que oficialmente corresponde a determinado nível de educação, quer esteja matriculada na escola ou não. Preços constantes. Modo de expressar valores em termos reais que permite comparações ao longo do tempo. Para medir mudanças em renda ou produto nacional real, economistas utilizam o valor total da produção em cada ano a preços constantes, utilizando um conjunto de preços aplicados em determinado ano base. Primeira infância.Período da vida de uma criança do nascimento aos oito anos de idade. Produto Interno Bruto (PIB). Valor de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em um ano (ver também Produto Nacional Bruto). O PIB pode ser medido por meio da soma do total de: (a) receitas (salários, juros, lucros e empréstimos); ou (b) gastos (consumo, investimento, aquisições do governo), acrescida das exportações líquidas (exportações menos importações). Os dois resultados devem ser iguais, uma vez que os gastos de uma pessoa sempre correspondem à receita de outra pessoa. Portanto, a soma de todas as receitas deve ser igual à soma de todos os gastos. Produto Interno Bruto per capita. PIB dividido pela população total na metade do ano. Produto Nacional Bruto (PNB). Valor de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em um ano (Produto Interno Bruto), acrescido das receitas provenientes de fontes externas, menos a receita destinada a não-residentes. O PNB é muito inferior ao PIB quando a maior parte da receita proveniente da produção de país é destinada a pessoas ou empresas estrangeiras. Entretanto, quando pessoas ou empresas retêm grande quantidade de ações ou títulos de empresas ou governos estrangeiros, e recebem uma renda proveniente desses papéis, o PNB pode ser maior que o PIB. 61 miolo_relatorio:Mise en page 1 62 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 62 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Produto Nacional Bruto per capita. PNB dividido pela população total na metade do ano. Professor habilitado. Professor que recebeu o nível mínimo de formação exigido para o ensino no nível no qual atua em um determinado país. Professores ou equipe de ensino. Pessoas empregadas em período integral ou parcial como professores regulares para orientar e conduzir experiências de aprendizagem de alunos e estudantes, independentemente de suas qualificação ou dos métodos de provimento de ensino, isto é, presencial e/ou à distância. Esta definição exclui pessoas que não exercem atividades de ensino (por exemplo, coordenadores ou diretores que não lecionam) e pessoas que trabalham ocasionalmente ou que realizam trabalho voluntário. Programa de setor abrangente. Programa onde todo o financiamento significativo para o setor apóia uma única política de setor ou programas de gastos, sob a liderança do governo, adotando abordagens comuns entre o setor e avançando para contar com procedimentos do governo para desembolso e contabilidade de todos os fundos. Quintil. Em estatística, cada um dos cinco grupos iguais em que uma população pode ser dividida de acordo com a distribuição de valores de uma variável. Relação alunos/professor. Número médio de alunos por professor em um nível específico de educação, baseado em contagem de indivíduos, tanto para alunos como para professores. Relação alunos/professor habilitado. Número médio de alunos por professor habilitado em um determinado nível de ensino, com base na contagem de alunos e professores habilitados. 2 0 0 8 Retardo de crescimento. Proporção de menores de 5 anos de idade situados abaixo de menos 2 e menos 3 desviospadrão da altura mediana para a idade de populaçãoreferência. Baixa estatura para a idade é um indicador básico de desnutrição. Série. Estágio de instrução geralmente equivalente a um ano letivo completo. Subnutrição/Má nutrição. A condição das pessoas que têm um consumo de energia na dieta que está abaixo do necessário para manter uma vida saudável e realizar atividades físicas leves. A má nutrição se refere a deficiências nutritivas em termos de quantidade ou qualidade (falta de nutrientes ou vitaminas específicos). Supletivo. Programas inicialmente organizados para crianças e jovens que não tiveram acesso ou abandonaram a educação formal primária/básica. Normalmente esses programas visam fornecer cursos equivalentes ao ensino primário/básico e alinhar os grupos alvos no sistema formal, mediante o término do programa supletivo. Taxa Bruta de Admissão (TBA). Número total de novos ingressantes em determinada série da educação primária, independentemente de idade, expresso como porcentagem da população na idade oficial de admissão naquela série. Taxa Bruta de Escolarização (TBE). Número de alunos matriculados em determinado nível de educação, independentemente de idade, expresso como porcentagem da população pertencente ao grupo etário que oficialmente corresponde a esse nível de educação. Para o nível superior, é utilizada a população no grupo etário cinco anos acima da idade de conclusão do ensino secundário. A TBE pode ultrapassar 100% em razão de ingresso precoce ou tardio e/ou repetência. Remuneração de professor. Consiste no salário base do professor acrescido de todas as bonificações. A expressão salário base refere-se ao salário anual bruto mínimo programado para um professor em período integral com capacitação mínima necessária para qualificação no início de sua carreira. Salários-base relatados são definidos como a soma do dinheiro pago pelo empregador pelo trabalho realizado, menos a contribuição do empregador a previdência social e fundo de pensão. Bonificações que fazem parte regularmente do salário anual (como décimo terceiro salário ou adiantamento de férias) estão normalmente incluídos no salário base. Taxa de alfabetização de adultos. Número de adultos a partir de 15 anos de idade alfabetizados, expresso como porcentagem do total da população adulta nesse grupo etário. As diferentes maneiras de definir e avaliar a alfabetização podem produzir resultados diferentes em relação ao número de pessoas consideradas alfabetizadas. Repetentes. Número de alunos matriculados na mesma série ou no mesmo nível que freqüentaram no ano anterior, expresso como porcentagem do número total de matrículas naquela série ou naquele nível. Taxa de conclusão do ensino primário. Número de alunos que concluem o último ano da escola primária expresso como porcentagem do número de alunos que ingressaram no primeiro ano. Taxa de alfabetização de jovens. Número de pessoas entre 15 e 24 anos de idade alfabetizadas, expresso como porcentagem da população total nesse grupo etário. miolo_relatorio:Mise en page 1 4/23/08 12:04 PM Page 63 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S Taxa de escolarização para idade específica (TEIE). Número de matrículas de determinado grupo etário, independentemente do nível educacional em que os alunos ou estudantes estão matriculados, expresso como porcentagem da população pertencente ao mesmo grupo etário. Taxa de evasão por série. Porcentagem de alunos ou estudantes que abandonam determinada série em determinado ano letivo. É a diferença entre 100% e a soma das taxas de promoção e de repetência. Taxa de mortalidade infantil ou de menores de cinco anos. Probabilidade de morte entre o nascimento e exatamente os cinco anos de idade por mil nascidos vivos. Taxa de participação na força de trabalho. Parcela da população empregada e desempregada em comparação com a população em idade produtiva. Taxa de prevalência de HIV. Número estimado de pessoas em determinado grupo etário vivendo com HIV/Aids ao final de determinado ano, expresso como porcentagem da população total pertencente ao grupo etário correspondente. Taxa de repetência por série. Número de repetentes em determinada série em determinado ano letivo, expresso como porcentagem do número de matrículas naquela série no ano letivo anterior. Taxa de sobrevivência por série. Porcentagem de alunos ou estudantes matriculados na primeira série de um ciclo educacional em determinado ano letivo que devem atingir uma série determinada, independentemente de repetência. Taxa de transição para a educação secundária. Novos ingressantes na primeira série do ensino secundário em determinado ano, expresso como porcentagem do número de alunos matriculados na última série do ensino primário no ano anterior. Taxa Líquida de Admissão (TLA). Número de novos ingressantes na primeira série do ensino primário com a idade oficial de ingresso no ensino primário, expresso como porcentagem da população pertencente a esse grupo etário. Taxa Líquida de Escolarização (TLE). Número de alunos matriculados em determinado nível, no grupo etário oficial de freqüência em determinado nível de educação, expresso como porcentagem da população pertencente a esse grupo etário. 2 0 0 8 BRASIL Taxa Líquida de Freqüência (TLF). Número de alunos no grupo etário oficial de freqüência em determinado nível de educação e que freqüentam a escola nesse nível, expresso como porcentagem da população pertencente a esse grupo etário. Taxa Líquida Total de Escolarização Primária (TLTEP). Número de alunos matriculados no ensino primário, no grupo etário oficial de freqüência desse nível de educação, expresso como porcentagem da população pertencente a esse grupo etário. Taxa total de fertilidade. Número médio de filhos que uma mulher teria se vivesse até o final de seus anos férteis (15 a 49 anos) e tivesse filhos em cada idade, de acordo com as prevalentes de fertilidade por idade específica. Trabalho infantil. O trabalho que priva as crianças de sua infância, seu potencial e sua dignidade, e que é prejudicial ao desenvolvimento físico e mental delas. Variância. Uma medida de dispersão de uma dada distribuição. 63 miolo_relatorio:Mise en page 1 64 BRASIL 4/23/08 12:04 PM Page 64 R E L AT Ó R I O D E M O N I T O R A M E N T O D E E D U C A Ç Ã O PA R A T O D O S 2 0 0 8 Referências Bibliográficas BENTAOUETT, R. School fees. Paris: UNESCO, 2005. (Background paper for the Education for all global monitoring report 2006: literacy for life). Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001459/145944e.pdf>. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 08 abr. 2008. _____. Senado Federal. Lei nº 5.692/71, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Coleção de leis da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 11 ago. 1971. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5692.htm>. _____. Senado Federal. Lei nº 10.172/01, de 9 de janeiro de 2001. 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Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Coleção de leis da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 6 fev. 2006. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm>. Acesso em: 08 abr. 2008. _____. _____. Lei nº 11.645/08, de 10 de março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Coleção de leis da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 10 mar. 2008. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2008/Lei/L11645.htm>. 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