A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA DE GÊNEROS TEXTUAIS
Deisiane Paez
Bolsista PIBID Letras Inglês; UNICENTRO – CAPES
Lidia Stutz
Coordenadora PIBID Letras Inglês; UNICENTRO – CAPES
Orientadora
[email protected]
Resumo:
Este trabalho tem por objetivo apresentar os pressupostos teóricos para realizar a transposição
didática com gêneros textuais. Dessa forma, esta pesquisa, fundamenta-se nas teorias de
transposição didática (CHEVALLARD, 1985), nos estudos de gêneros textuais e nas capacidades
de linguagem (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004; MACHADO; CRISTOVÃO, 2006). Nesse sentido,
pretendemos por meio desta fundamentação prover condições para construir um modelo didático e
uma sequência didática, para alunos de uma escola pública central de Guarapuava, com os quais o
PIBID está envolvido.
Palavras-chave: Transposição didática; Modelo didático; gêneros textuais.
Introdução
Observamos que muitos professores não recorrem ao instrumento sequência didática com base em
gêneros textuais, haja vista que abordam a linguagem apenas pela temática ou pelos elementos
linguísticos. Nesse sentido, apenas o nível mais superficial da linguagem e questões generalistas são
enfatizadas, relegando para um segundo planos as relações com o contexto de produção e questões
discursivas apresentadas nos livros didáticos. Justificamos a necessidade de apropriação desse
instrumento por possibilitar práticas docentes adequadas ao contexto escolar e o meio social dos
alunos. Dessa forma, como destaca Dolz, Gagnon e Decândio (2009), no ensino e aprendizagem de
línguas, a eficácia depende tanto da capacidade para gerar novos saberes quanto para resolver os
problemas sociais e educativos. O professor é o responsável por transformar e adaptar os objetos de
ensino para permitir o desenvolvimento linguageiro dos alunos.
O estudo em tela tem como objetivo apresentar os pressupostos teóricos para realizar a transposição
didática com gêneros textuais. Para tanto, o presente trabalho apresenta os principais conceitos
provenientes do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) como importantes elementos para efetivar
ações de transposição didática com base em gêneros textuais.
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Fundamentação teórica
Baseado nos estudos de Bakhtin /Voloshinov (2010), os gêneros do discurso são utilizados nas
diferentes formas da comunicação, visto que são fundamentais para a interação, novas
aprendizagens e desenvolvimento humano. Dessa forma, adquirimos conhecimento sobre os
gêneros primários e os dominamos quase da mesma maneira em que aprendemos a língua materna.
Os gêneros discursivos são extremamente heterogêneos, pois se dão de diversas formas, pode ser
em uma conversa informal do dia-a-dia, até um trabalho científico ou obra literária, por isso a
necessidade de classificá-los em gêneros discursivos primários (simples) e secundários
(complexos), para Bakthin,
Os gêneros discursivos secundários (complexos – romances, dramas, pesquisas cientificas de toda
espécie, os grandes gêneros publicísticos, etc.) surgem nas condições de um convívio cultural mais
complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado (predominantemente o escrito) –
artístico, cientifico, sociopolítico, etc. No processo de sua formação eles incorporam e reelaboram
diversos gêneros primários (simples), que se formaram nas condições da comunicação discursiva
imediata. (BAKTHIN, 2010, p. 263.).
Nesse sentido, podemos afirmar que todas as áreas da atividade humana estão ligadas ao uso
da linguagem e, de acordo com Bakhtin (2010, p. 261), “o emprego da língua efetua-se em forma de
enunciados (orais e escritos)”. Esses enunciados apresentam relativa estabilidade e são
denominados de gêneros do discurso. De acordo com as Diretrizes Curriculares da Rede Pública de
Educação Básica do Estado do Paraná (DCE, PARANÁ, 2008), o ensino da língua estrangeira, no
caso o inglês, deve se realizar-se a partir do estudo dos diversos gêneros. Assim, de acordo com
Calvo e Borghi (2009, p. 7), entende-se que:
Para os alunos agirem de maneira crítica na sociedade, é de suma relevância que tenham contato
com os mais diversos gêneros que circulam em nosso meio, pois, dessa maneira, eles
compreenderão as várias formas de materialização da linguagem, entendendo o contexto de
produção do texto, as capacidades de linguagens necessárias para apropriação e uso/entendimento
de um determinado gênero.
A partir dessa citação, compreendemos a necessidade e a importância de se trabalhar com os
diversos gêneros, não somente para sua análise gramatical, mas também para que sejam situados em
um determinado contexto de produção específica, afim de relacionar os textos com os aspectos
sociais, culturais e ideológicos, possibilitando ao aluno aprendizagem crítica e que conduza a agir
na sociedade.
Nesse âmbito, é necessário transformar o conteúdo a ser ensinado, para que se enquadre ao contexto
e conhecimentos do aluno. Para tanto, a necessidade da transposição didática (TD), a qual consiste
em transformar o objeto de ensino em objeto ensinado. Conforme ressalta Schneuwly (2009, apud
Olivera 2013, p. 64),
o estudo da transposição consiste precisamente, ao mesmo tempo, em descrever estas
transformações dos objetos [objeto de saber – objeto a ensinar – objeto de ensino] e em
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compreender os mecanismos e restrições. A teoria vai ao encontro da ilusão de uma identidade
possível, e mesmo desejável, entre o objeto de saber e o objeto de ensino.
Dessa forma, como proposto por Chavallard (1985), a TD é composta por dois níveis: o interno, que
consiste no ensino realizado pelo professor em sala de aula e o que foi possível a ser aprendido
pelos alunos; e o nível externo (documentos oficiais, teorias, a seleção dos gêneros de circulação
social), no qual há a construção de material didático.
A TD de gêneros textuais demanda a construção de um modelo didático (MD), que traz todas as
informações acerca do gênero a ser trabalhado. A partir deste MD será construída a sequência
didática (SD), a qual consiste em um conjunto de atividades para os alunos. Contudo, a TD
materializada na SD e MD, deve levar em conta o que propõe as diretrizes internas da escola, de
acordo com a necessidade dos alunos.
Dessa maneira, Machado e Cristovão (2006 p. 222) afirmam que a construção do modelo didático
implica a análise de um conjunto de textos que se considera como pertencentes ao gênero, de modo
que se analise os seguintes elementos: as características de situação de produção, os conteúdos
típicos, as diferentes formas de mobilizá-los, o estilo, as sequências textuais e os tipos de discurso
predominantes e subordinados que caracterizam o gênero, ou seja, um levantamento de todas as
características dos gênero para que se possa elaborar a SD.
Conforme Guimarães (2006, p. 5), três são os aspectos a serem considerados na elaboração do MD:
“os conhecimentos existentes sobre gêneros de texto (teoricamente variados e heterogêneos); as
capacidades observadas dos aprendizes e os objetivos de ensino”. Portanto o MD serve como uma
ferramenta que auxilia o professor para melhor elaborar uma SD. Finalizado o MD, estará definido,
então, o saber a ser ensinado, que, por sua vez, parte das capacidades dos alunos para aprimorá-las.
Schneuwly e Dolz (2004, p. 97) conceituam a SD como “um conjunto de atividades
escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero oral ou escrito”. Entende-se
que a elaboração de uma SD sobre gêneros começa a partir de uma produção inicial dos alunos,
para que o professor possa mensurar quais as dificuldades e conhecimentos que eles já possuem
sobre o tema e o que precisa ser trabalhado em módulos diversos. Após a abordagem dos módulos,
há a produção final, em que o professor avalia o que os alunos aprenderam com uma última
produção, de modo que o aluno tenha a oportunidade de mostrar resultados alcançados quanto às
capacidades de linguagem.
Considerações finais
Asseveramos assim que a TD é um recurso indispensável ao professor, pois é por meio dele que é
possível transformar o saber cientifico em saber ensinado. Para tanto, este trabalho dará sustentação
para a proposta didática a ser realizada no PIBID Letras Inglês, que consiste na elaboração de um
MD e SD para a aplicação em uma escola central de Guarapuava, com o intuito de analisar os
resultados obtidos.
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Referências
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DOLZ, Joaquim; GAGNON, Roxane; DECÂNDIO, Fabrício R. Uma disciplina emergente: a
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GUIMARÃES, Ana Maria de Mattos. Reflexões sobre didátização de gênero. UNIrevista. Vol. 1,
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MACHADO, Anna Rachel; CRISTOVÃO, Vera Lúcia Lopes. A construção de modelos didáticos
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OLIVEIRA, Márcia Andrea Almeida. O ensino de língua portuguesa: usos do livro didático,
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