Plano de Manejo
Floresta Nacional de Passo Fundo Rio Grande do Sul
Volume I – Diagnóstico Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Plano de Manejo da Floresta Nacional de Passo Fundo
Volume I – Diagnóstico
Florianópolis
Dezembro de 2011
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Dilma Vana Rousseff - Presidenta
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
Izabella Mônica Vieira Teixeira - Ministra
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
Rômulo José Fernandes Barreto Mello - Presidente
DIRETORIA DE CRIAÇÃO E MANEJO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Ricardo José Soavinski - Diretor
COORDENAÇÃO GERAL DE CRIAÇÃO, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO DE
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Marcelo Rodrigues Kinouchi – Coordenador Geral - Substituto
COORDENAÇÃO DE ELABORAÇÃO E REVISÃO DE PLANO DE MANEJO
Carlos Henrique Velasquez Fernandes - Coordenador
COORDENAÇÃO REGIONAL – CR-9
Ricardo Castelli Vieira - Coordenador
FLORESTA NACIONAL DE PASSO FUNDO
Remi Osvino Weirich – Chefe
i Equipe do ICMBio Responsável pela Coordenação e Supervisão da Elaboração do
Plano de Manejo
Coordenação Geral
Cirineu Jorge Lorensi - Analista Ambiental, Engenheiro. Florestal, MSc.
Supervisão Técnica – ICMBio
Cirineu Jorge Lorensi - Analista Ambiental, Engenheiro Florestal, MSc.
Augusta Rosa Gonçalves – Analista Ambiental, Engenheira Florestal, MSc.
Remi Osvino Weirich – Analista Ambiental, Biólogo.
Equipe Técnica da Floresta Nacional de Passo Fundo que Colaborou na Elaboração
do Plano de Manejo
Carlos Antonio Inholeto da Rosa, Técnico Ambiental
Davi Fernando Piasson, Técnico Ambiental
Enio José Graboski, Técnico Ambiental
Jose Mauricio Inholeto da Rosa, Técnico Ambiental
Sérgio Afonso Freire de Azambuja, Técnico Ambiental
Colaboradores do ICMBio
Artur José Soligo – Analista Ambiental, Engenheiro Florestal, MSc - Flona de São Francisco
- RS
Ewerton Aires Ferraz – Analista Ambiental, Engenheiro Agrônomo – Floresta Nacional de
Canela - RS
Juares Andreiv – Analista Ambiental, Engenheiro Florestal, MSc – Floresta Nacional de
Chapecó - SC
ii Empresa Responsável pela Elaboração do Plano de Manejo
Socioambiental Consultores Associados Ltda.
Coordenação Técnica
José Olimpio da Silva Jr., Biólogo, M.Sc. - Coordenação Técnica e Geral, Planejamento e
Supervisão do Meio Biótico
Claudio Henschel de Matos, Geógrafo – Apoio à Coordenação e ao Planejamento e
Supervisão do Meio Físico
Aline Fernandes de Faria e Silva, Bióloga, Esp. - Apoio à Gerência e à Coordenação
Diagnóstico do Meio Físico
- Geologia, Geomorfologia e Geoprocessamento
Renata Inácio Duzzioni, Geógrafa, M.Sc.
- Pedologia
Fernando Hermes Lehmkuhl, Engenheiro Agrônomo
- Recursos Hídricos
Carlito Duarte, Engº Sanitarista
Diagnóstico do Meio Biótico
- Vegetação - Inventário Nativas
Rafael Garziera Perin, Biólogo - Coordenação Técnica e Edição Final
Tony Thomass Sartori, Engenheiro Florestal - Responsável pelo Levantamento de Dados
Primários
Cilmar Antonio Dalmaso, Engenheiro Florestal - Levantamento de Dados Primários
- Vegetação - Inventário Plantadas
Ataides Marinheski Filho, Engenheiro Florestal - Coordenação Técnica e Edição Final
Raul Silvestre, Engenheiro Florestal - Supervisor de Campo e Processamento
Cilmar Antônio Dalmaso, Engenheiro Florestal - Supervisor de Campo e Processamento
- Ictiofauna
Bernd Egon Marterer, Biólogo, M.Sc.
iii - Herpetofauna
Magno Segalla, Biólogo
- Avifauna
Nêmora Pauletti Prestes, Bióloga, Dra.
- Mastofauna
Jorge Cherem, Biólogo, M.Sc.
Levantamento Sócioeconômico e Ambiental
Guilherme Pinto de Araújo, Sociólogo, M.Sc.
Sérgio Cordioli, Agrônomo, M.Sc. - Moderação da Oficina de Planejamento Participativo
Revisão de Texto
Laura Tajes Gomes, Licencenciada em Letras Português e Francês - Revisão de Textos
Sérgio Luiz Meira, Bacharel e Licenciado em Letras - Língua e Literatura Portuguesa
iv SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 1
2
HISTÓRICO DE PLANEJAMENTO ...................................................................................... 4
3
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A FLORESTA NACIONAL DE PASSO FUNDO .......... 4
3.1 - Acesso à Unidade ........................................................................................................... 5
3.2 - Origem do Nome da Unidade ........................................................................................ 6
4
ANÁLISE DA REPRESENTATIVIDADE DA FLORESTA NACIONAL ................................ 7
4.1 A FLONA Passo Fundo no Contexto da Conservação Biológica no Rio Grande
do Sul ....................................................................................................................................... 7
4.2 Hotspots de Biodiversidade ........................................................................................ 19
4.3 Potencialidade de Cooperação no Contexto da FLONA Passo Fundo.................... 20
5
ASPECTOS HISTÓRICOS, CULTURAIS E SOCIOECÔNOMICOS .................................. 22
5.1
5.2
5.3
5.4
5.5
5.6
5.7
6
O Município de Mato Castelhano ................................................................................ 24
O Município de Marau................................................................................................... 24
Indicadores de Desenvolvimento de Passo Fundo, Mato Castelhano e Marau ...... 24
Visão da Comunidade Sobre a FLONA Passo Fundo ............................................... 28
Uso e Ocupação do Solo e Problemas Ambientais Decorrentes ............................. 29
Legislação e Normas Pertinentes ............................................................................... 34
Potencial de Apoio à FLONA Passo Fundo ................................................................ 37
CARACTERIZAÇÃO DOS FATORES ABIÓTICOS E BIÓTICOS ..................................... 41
6.1
6.2
6.3
6.4
6.5
6.6
6.7
Clima .............................................................................................................................. 41
Geologia......................................................................................................................... 42
Geomorfologia .............................................................................................................. 42
Aspectos Pedológicos ................................................................................................. 47
Recursos Hídricos ........................................................................................................ 54
Vegetação ...................................................................................................................... 60
Fauna ............................................................................................................................. 78
7 CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS AO USO
MÚLTIPLO, CONFLITANTES E ILEGAIS ............................................................................... 101
7.1 Atividades Apropriadas.............................................................................................. 101
7.2 Atividades Conflitantes .............................................................................................. 105
7.3 Atividades Ilegais........................................................................................................ 107
8
ASPECTOS INSTITUCIONAIS DA FLORESTA NACIONAL DE PASSO FUNDO ......... 108
8.1
8.2
8.3
8.4
8.5
8.6
9
Pessoal ........................................................................................................................ 108
Situação Fundiária da FLONA Passo Fundo ............................................................ 108
Infraestrutura e Equipamentos .................................................................................. 109
Estrutura Organizacional ........................................................................................... 111
Recursos Financeiros ................................................................................................ 111
Cooperação Institucional ........................................................................................... 111
DECLARAÇÃO DE SIGNIFICÂNCIA ............................................................................... 112
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 115
v LISTA DE FIGURAS
Figura 4.1: Mapa de Unidades de Conservação Federais e Estaduais no Estado do Rio Grande
do Sul sobre as Áreas da Reserva da Biosfera...................................................................................... 10 Figura 4.2: Áreas Prioritárias para o Estado do Rio Grande do Sul .................................................... 16 Figura 4.3: Áreas Prioritárias para Conservação (segundo MMA, 2007), Existentes na Região
da FLONA Passo Fundo. .......................................................................................................................... 18 Figura 5.1: Área (%) por Forma de Utilização dos Estabelecimentos de Passo Fundo em 2006 ..... 29 Figura 5.2: Área (%) por Forma de Utilização das Terras de Passo Fundo, Mato Castelhano e
Marau em 1995 ........................................................................................................................................... 30 Figura 5.3: Estabelecimentos (%) por Grupo de Área em Passo Fundo, Mato Castelhano e
Marau em 1995 ........................................................................................................................................... 31 Figura 5.4: Condição da Propriedade – Rural ........................................................................................ 32 Figura 5.5: Mapa de Uso do Solo da ZA da FLONA Passo Fundo ....................................................... 33 Figura 5.6: Quantificação da Presença e/ou Ausência de Vegetação Nativa ou Exótica nas
Propriedades Rurais do Entorno da FLONA Passo Fundo .................................................................. 34 Figura 6.1: Relevo Ondulado, na Forma de Colinas, Característico da Região que Abrange a
FLONA Passo Fundo. ............................................................................................................................... 44 Figura 6.2: Regiões Hidrográficas do Estado do Rio Grande do Sul .................................................. 54 Figura 6.3: Localização dos Pontos de Amostragem ............................................................................ 57 Figura 6.4: Metodologia de Delimitação das Unidades Amostrais e Mensuração da CAP. .............. 61 Figura 6.5: Recorte em Detalhe da 3ª Edição do Mapa de Vegetação do Brasil – Distribuição
Regional da Vegetação Natural (IBGE, 2004), Escala Original 1:5.000.000, Referente à Região
Sul do Brasil (1), Destacando as Formações Vegetais Potenciais para o Contexto Geográfico
de Inserção da FLONA Passo Fundo Indicada de Forma Aproximada. Est = Estepe GramíneoLenhosa; Fom = Floresta Ombrófila Mista; Fed = Floresta Estacional Decidual ............................... 62 Figura 6.6: Respectivos Percentuais de Vegetação e Uso de Cobertura do Solo da FLONA
Passo Fundo. ............................................................................................................................................. 65 Figura 6.7: Gráfico das 11 Famílias com Maior Número de Espécies Registradas ........................... 66 Figura 6.8: Gráfico das 10 Famílias com Maior Número de Indivíduos Registrados ......................... 66 Figura 6.9: Gráfico da Curva do Coletor para as Unidades Amostrais ............................................... 67 Figura 6.10: Gráfico com as 10 Espécies com Maiores Valores de VI ................................................ 67 Figura 6.11: Gráfico com as 11 Espécies com Maiores Valores de PSR ............................................ 68 Figura 6.12: Fisionomia da FOM na Extremidade Sudeste da FLONA Passo Fundo ........................ 69 Figura 6.13: Borda Florestal Junto à Lavoura no Limite Sul da FLONA Passo Fundo...................... 69 Figura 6.14: Aspecto do sub-bosque e estrato herbáceo da Floresta Ombrófila Mista na
extremidade sudeste da FLONA Passo Fundo ...................................................................................... 70 Figura 6.15: Mensuração de Indivíduos de Grande porte de Araucaria angustifolia na Floresta
Ombrófila Mista da FLONA Passo Fundo ............................................................................................... 70 Figura 6.16: Percentuais do Volume Estimado de Madeira dos Plantios da FLONA Passo
Fundo.......................................................................................................................................................... 76 Figura 6.17: Espécie Registrada na Unidade Heptapterus mustelinus jundiá cobra......................... 80 Figura 6.18: Espécie Registrada na Unidade Astyanax eigenmanniorum lambarí ............................ 80 Figura 6.19: Ambientes de Reprodução e Espécies Registradas Durante a AER na Floresta
Nacional de Passo Fundo......................................................................................................................... 86 vi Figura 6.20: Stephanoxis lalandi macho. Espécie Residente da FLONA Passo Fundo.
Registrada em Quase todas as Áreas de Estudo .................................................................................. 90 Figura 6.21: Hemitriccus obsoletus, Registrado Apenas no Talhão 59 (área IV) Durante dez
Anos de Estudo na UC .............................................................................................................................. 90 Figura 6.22: Veniliornis spilogaster, Espécie Residente da FLONA Passo Fundo. Registrada
em Quase todas as Áreas de Estudo ...................................................................................................... 90 Figura 6.23: Cerdocyon thous (cachorro-do-mato) ............................................................................... 96 Figura 6.24: Sphiggurus villosus (ouriço) Fotografado na FLONA Passo Fundo.............................. 96 Figura 7.1: Placa de Sinalização de Acesso Restrito .......................................................................... 107 Figura 8.1: Imóvel funcional n. 16, utilizado como hospedaria .......................................................... 110 Figura 8.2: Imóvel residencial n. 10, em uso ........................................................................................ 110 Figura 8.3: Imóvel Funcional n. 25, onde Funciona o Escritório da Atual Sede da FLONA
Passo Fundo ............................................................................................................................................ 110 Figura 8.4: Imóvel Residencial n. 34, em Uso ...................................................................................... 110 LISTA DE TABELAS
Tabela 4.1: Área Florestal no Estado do RS - 1993 e 2001 ..................................................................... 8 Tabela 4.2: Classificação e Quantificação da Vegetação do Rio Grande do Sul e o Percentual
na Superfície do Estado ............................................................................................................................. 8 Tabela 4.3: Classificação do Uso Atual da Terra e Percentual na Superfície do Estado do Rio
Grande do Sul .............................................................................................................................................. 8 Tabela 4.4: Unidades de Conservação Federais de Uso Sustentável do Estado do Rio Grande
do Sul.......................................................................................................................................................... 11 Tabela 4.5: Unidades de Conservação Federais de Proteção Integral do Estado do Rio Grande
do Sul.......................................................................................................................................................... 11 Tabela 4.6: Reservas Particulares do Patrimônio Natural do Rio Grande do Sul .............................. 12 Tabela 4.7: Unidades de Conservação Estaduais do Estado do Rio Grande do Sul ......................... 13 Tabela 5.1: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, 2006-2008 ................................................. 25 Tabela 5.2: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Educação, 2006-2008 ............... 25 Tabela 5.3: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Renda, 2006-2008 ..................... 26 Tabela 5.4: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Saneamento, 2006-2008 .......... 26 Tabela 5.5: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Saúde, 2006-2008 ..................... 26 Tabela 5.6: Índice de Analfabetismo, Expectativa de Vida e Mortalidade Infantil .............................. 27 Tabela 5.7: Dados Demográficos Comparativos para os Anos de 1990, 2000 e 2010 ....................... 27 Tabela 5.8: Variação Populacional entre 2000 e 2010 ........................................................................... 28 Tabela 5.9: População dos Municípios por Sexo, em 2010 .................................................................. 28 Tabela 5.10: Utilização das Terras dos Estabelecimentos Agropecuários, 2006 ............................... 29 Tabela 5.11: Utilização das Terras no Estado e nos Municípios de Passo Fundo, Mato
Castelhano e Marau em 1995 ................................................................................................................... 29 Tabela 5.12: Estabelecimentos por Grupo de Área (ha) Total no Estado, nos Municípios de
Passo Fundo, Mato Castelhano e Marau em 1995 ................................................................................. 30 Tabela 5.13: Condição do Produtor em 1995 ......................................................................................... 31 Tabela 5.14: Classes de Área da Propriedade por Hectare (ha) ........................................................... 32 vii Tabela 6.1: Áreas das Tipologias de Vegetação e Uso do Solo da FLONA Passo Fundo................. 63 Tabela 6.2: Índices de Diversidade Calculados para as 12 Unidades Amostrais............................... 71 Tabela 6.3: Distribuição dos Parâmetros Diamétricos pelas Classes de DAP das Espécies
Arbóreas e Arbustivas Registradas nas Unidades Amostrais ............................................................. 71 Tabela 6.4: Relação de Espécies Nativas com Potencial de Uso Madeireiro Registradas na
FOM da FLONA Passo Fundo .................................................................................................................. 72 Tabela 6.5: Relação das Espécies Arbóreas e Arbustivas Nativas com Potencial de Uso Não
Madeireiro Registradas na FLONA Passo Fundo .................................................................................. 73 Tabela 6.6: Parâmetros Dendrométricos Básicos Obtidos para os Talhões com Plantio de
Araucaria, Pinus e Eucalyptus ................................................................................................................. 74 Tabela 6.7: Parâmetros Dendrométricos Obtidos a Partir do Inventário Florestal dos Plantios
e Enquadramento do Estágio Sucessional Conforme Resolução CONAMA n. 33/94. ...................... 77 Tabela 6.8: Espécies Registradas na FLONA Passo Fundo e Entorno por Ponto de
Amostragem............................................................................................................................................... 79 Tabela 6.9: Lista de Espécies Registradas (Ocorrência Confirmada) na FLONA Passo Fundo e
Consideradas a Partir de Dados Secundários (Ocorrência Certa) ...................................................... 84 Tabela 6.10: Avifauna Registrada na Floresta Nacional de Passo Fundo. ......................................... 91 Tabela 6.11: Mamíferos Registrados ou de Possível Ocorrência na Porção Centro-Norte (CN)
do Estado do Rio Grande do Sul e na Floresta Nacional de Passo Fundo (FN), com Registro
das espécies Bioindicadoras (BIO), Espécies Diferenciais (DIF) e seu Estado de Conservação .... 99 LISTA DE QUADROS
Quadro 1.1: Ficha Técnica da Floresta Nacional de Passo Fundo ........................................................ 3 Quadro 3.1: Distância dos Principais Centros Urbanos mais Próximos à FLONA Passo Fundo ...... 6 Quadro 4.1: Áreas Prioritárias para a Conservação (segundo MMA, 2007), existentes na
região da FLONA Passo Fundo. .............................................................................................................. 17 Quadro 5.1: Unidades de Ensino em Passo Fundo e Mato Castelhano em 2003............................... 39 Quadro 6.1: Domínios Morfoestruturais, Regiões e Unidades Geomorfológicas do Estado do
Rio Grande do Sul ..................................................................................................................................... 43 Quadro 6.2: Código e Descrição de Cada Amostra de Solo Coletada................................................. 47 Quadro 6.3: Laudo de Análise do Solo dos Sítios Amostrais .............................................................. 50 Quadro 6.4: Demandas Hídricas Superficiais ........................................................................................ 55 Quadro 6.5: Demandas de Águas Subterrâneas .................................................................................... 55 Quadro 6.6: Resumo Geral da Campanha de Coleta de Amostras de Água em Campo ................... 58 Quadro 6.7: Parâmetros Químicos Medidos em Campo de Coleta de Amostras de Água ............... 58 Quadro 6.8: Resultados das Análises Laboratoriais da Campanha .................................................... 59 Quadro 6.9: Volume Total Estimado do Estoque de Madeira para cada Plantio da FLONA
Passo Fundo .............................................................................................................................................. 76 Quadro 7.1: Lista de Pesquisas Desenvolvidas na FLONA Passo Fundo ........................................ 102 Quadro 7.2: Lista de Pesquisas em Desenvolvimento na FLONA Passo Fundo ............................. 103 Quadro 8.1: Pessoal Integrante da Equipe da FLONA Passo Fundo................................................. 108 Quadro 8.2: Infraestrutura Imobiliária da FLONA Passo Fundo ........................................................ 109 Quadro 8.3: Equipamentos Disponíveis à Gestão da FLONA Passo Fundo .................................... 111 Quadro 8.4: Execução Orçamentária da FLONA Passo Fundo, Valores em Reais (R$) .................. 111 viii Quadro 8.5: Parceiros Institucionais da Floresta Nacional de Passo Fundo ................................... 112 LISTA DE MAPAS
Mapa 3.1: Mapa de Localização da Floresta Nacional de Passo Fundo ................................................ 5 Mapa 3.2: Acessos à FLONA Passo Fundo .............................................................................................. 7 Mapa 4.1: Mapa da Fase VI da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica ............................................... 15 Mapa 4.2: Mapa de Fragmentos de Mata Nativa (Floresta Ombrófila Mista), Divididos em Cinco
Classes de Tamanho, Geradas Automaticamente pelo Programa ArcGis 10, com Base na
Fragmentação Florestal Evidenciada nos Mapas de Uso do Solo da FLONA Passo Fundo e
sua ZA, Elaborados para o Plano de Manejo. ........................................................................................ 19 Mapa 6.1: Geomorfologia Local da FLONA Passo Fundo .................................................................... 45 Mapa 6.2: Mapa Hipsométrico da FLONA Passo Fundo ....................................................................... 46 Mapa 6.3: Pontos Amostrais de Solo com os Sítios Naturais para a FLONA Passo Fundo ............. 48 Mapa 6.4: Mapa de Declividade para a FLONA Passo Fundo............................................................... 53 Mapa 6.5: Distribuição da Cobertura Vegetal e do Uso do Solo da FLONA Passo Fundo ................ 64 Mapa 6.6: Pontos da AER para a Ictiofauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo ................. 82 Mapa 6.7: Pontos da AER para a Herpetofauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo ........... 87 Mapa 6.8: Pontos da AER para a Avifauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo ................... 89 Mapa 6.9: Pontos da AER para a Mastofauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo .............. 98 Mapa 8.1: Localização das Edificações Existentes na Floresta Nacional de Passo Fundo ............ 110 ix LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
ABONG
Associação Brasileira de Ongs
AER
Avaliação Ecológica Rápida
AM
Amplitude Modulation
AMA
Amigos do Meio Ambiente
AMZOP
Associação dos Municípios da Zona de Produção
ANA
Articulação Nacional de Agroecologia
APA
Área de Proteção Ambiental
APP
Área de Preservação Permanente
APS
Área de Produção de Sementes
BIRD
Banco Mundial
BNDS
Banco Nacional do Desenvolvimento
CDB
Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas
CE
Corredor Ecológico
CEEE
Companhia Estadual de Energia Elétrica
CEP
Código de Endereçamento Postal
CETAP
Centro de Tecnologias Alternativas Populares
CI
Conservação Internacional
CIDASC
Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina
CNNDEE
Companhia Norte-Nordeste de Distribuição de Energia Elétrica
CNPq
Conselho Nacional de Pesquisa
CODEPAS
Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo
CONABIO
Comissão Nacional de Biodiversidade
CONAMA
Conselho Nacional de Meio Ambiente
CONSEMA
Conselho Estadual de Meio Ambiente
COPREL
Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural Ltda.
COREDE
Conselho Regional de Desenvolvimento
CORSAN
Companhia Riograndense de Saneamento
CPF
Cadastro de Pessoas Físicas
x CR
Coordenação Regional
DAP
Declaração de Aptidão
DAP
Diâmetro à Altura do Peito
DEFAP
Departamento Estadual de Florestas
DEPLAN
Departamento de Planejamento
DMAE
Departamento Municipal de Água e Esgotos
DSG
Diretoria de Serviço Geográfico
DVD
Digital Video Disc
ESEC
Estação Ecológica
E
East
EBCT
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
EIA
Estudo de Impacto Ambiental
EMATER
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
EMBRAPA
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
ETAU
Empresa de Transmissão do Alto Uruguai S.A.
FAMURS
Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul
FAPERGS
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do RS
FEE/RS
Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul
FEPAM
Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler
FINEP
Financiadora de Estudos e Projetos
FLONA
Floresta Nacional
FM
Frequency Modulation
FOM
Floresta Ombrófila Mista
FUNDEFLOR
Fundo de Desenvolvimento Florestal
FURI
Fundação Regional Integrada
FZB
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
GPS
Global Positioning System
IBAMA
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis
IBDF
Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal
xi ICMBio
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
IDESE
Índice de Desenvolvimento Socioeconômico
IDH
Índice de Desenvolvimento Humano
INP
Instituto Nacional do Pinho
IPEA
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
IPHAE
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estadual
IPTU
Imposto Predial e Territorial Urbano
IQA
Índice de Qualidade da Água
MAELA
Movimento Agroecológico Latino Americano
MDA
Ministério do Desenvolvimento Agrário
MERCOSUL
Mercado Comum do Sul
MMA
Ministério do Meio Ambiente
MW
Megawatt
N
North
ONG
Organização Não Governamental
OPP
Oficina de Planejamento Participativo
OSCIP
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
PAM
Programa de Assessoramento aos Municípios
PAOF
Plano Anual de Outorga Florestal
PC
Personal Computer
PDA
Projetos Demonstrativos
PIB
Produto Interno Bruto
PMPF
Prefeitura Municipal de Passo Fundo
PNMA
Programa Nacional do Meio Ambiente
PR
Paraná
PRÓ-GUAÍBA
Programa para o Desenvolvimento Racional, Recuperação
Gerenciamento Ambiental da Bacia Hidrográfica do Guaíba
PROGER
Programa de Geração de Emprego, Trabalho e Renda
PRONAF
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
PSR
Posição Sociológica Relativa
xii e
RBMA
Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
RGE
Rio Grande Energia
RIMA
Relatório de Impacto no Meio Ambiente
RMPA
Região Metropolitana de Porto Alegre
RPPN
Reserva Particular de Patrimônio Natural
RS
Rio Grande do Sul
S
South
SC
Santa Catarina
SCP
Secretaria de Coordenação e Planejamento
SEMA
Secretaria Estadual do Meio Ambiente
SEMC
Secretaria de Energia, Minas e Comunicações
SEUC
Sistema Estadual de Unidades de Conservação
SIGA
Sistema Integrado de Gestão Ambiental
SNUC
Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza
SISEPRA
Sistema Estadual de Proteção Ambiental
SISNAMA
Sistema Nacional do Meio Ambiente
S/N
Sem Número
TNC
The Nature Conservancy
UAAF
Unidade Avançada de Administração e Finanças
UAAF
Unidade de Apoio Administrativo e financeiro
UC
Unidade de Conservação
UFPEL
Universidade Federal De Pelotas
UFPR
Universidade Federal do Paraná
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UFRJ
Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFSM
Universidade Federal de Santa Maria
UHE
Usina Hidrelétrica
UNESCO
United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization
UPF
Universidade de Passo Fundo
URI
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões
xiii USP
Universidade de São Paulo
W
West
ZA
Zona de Amortecimento
xiv 1
INTRODUÇÃO
A Floresta Nacional, conforme definido pela Lei do SNUC - Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Natureza1 integra uma das sete categorias do grupo de
Unidades de Conservação de Uso Sustentável, cujo objetivo básico é o uso múltiplo
sustentável dos recursos florestais e a realização de pesquisa científica, com ênfase em
métodos para exploração sustentável de florestas nativas.
O Decreto n. 1.298, de 27 de outubro de 1994, que instituiu o regulamento das
Florestas Nacionais, em seu 1° artigo, descreve as FLONAS como áreas de domínio
público, providas de cobertura vegetal nativa ou plantada, que são estabelecidas com os
seguintes objetivos: I - promover o manejo dos recursos naturais, com ênfase na produção
de madeira e outros produtos vegetais; II - garantir a proteção dos recursos hídricos, das
belezas cênicas e dos sítios históricos e arqueológicos; III - fomentar o desenvolvimento da
pesquisa científica básica e aplicada, da educação ambiental e das atividades de recreação,
lazer e turismo.
Com a promulgação da Lei do SNUC e sua regulamentação, foi dada maior ênfase à
exploração sustentável dos recursos florestais nativos. Para que a gestão e o manejo da
Floresta Nacional tenham como base os parâmetros legais e técnicos, eles devem possuir
um Plano de Manejo que, de acordo com a mesma lei, é definido como:
Documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais
de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as
normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais,
inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da
unidade. (SNUC, Lei n. 9.985/2000: art. 2º)
A mesma lei determina que o Plano de Manejo deva abranger, além da área da
Unidade de Conservação (UC), a sua Zona de Amortecimento2 (ZA) e os Corredores
Ecológicos3 (CE) associados a ela.
Neste sentido, destacam-se os seguintes objetivos do Plano de Manejo, segundo o
“Roteiro Metodológico para Elaboração de Planos de Manejo de Florestas Nacionais”
(ICMBio, 2009):
 dotar a FLONA de um instrumento de planejamento, gerenciamento e manejo, que
contribua para os quais foi criada;
 definir objetivos específicos de manejo para orientar a gestão da UC;
 definir ações específicas para o manejo da FLONA;
 estabelecer normas específicas para regulamentar a ocupação e o uso dos recursos da
ZA e dos Corredores Ecológicos, com o objetivo de proteger a UC;
 promover o manejo da UC, orientado pelo conhecimento disponível e/ou gerado;
 estabelecer a diferenciação e intensidade de uso mediante zoneamento, com o objetivo
de proteger seus recursos naturais e culturais;
1
Lei n. 9.985/2000
“Zona de Amortecimento: o entorno de uma Unidade de Conservação, onde as atividades humanas estão
sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a
Unidade” (Lei no 9.985/00, artigo 2o - XVIII).
3
“Corredores Ecológicos: porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando Unidades de Conservação,
que possibilitem entre elas o fluxo de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a
recolonização de áreas degradadas, bem como a manutenção de populações que demandam para sua
o
o
sobrevivência, áreas com extensão maior do que aquela das unidades individuais”. (Lei n 9.985/00, artigo 2 XIX).
2
1  promover a integração socioeconômica das comunidades do entorno com a UC;
 fortalecer a proteção da FLONA e estimular as atividades de pesquisa científica e o
monitoramento ambiental da área da UC, a fim de subsidiar a atualização do seu manejo;
 promover atividades de educação ambiental e uso público para ampliar o apoio da
população no manejo e na implementação da FLONA e da melhoria das condições
ambientais da região.
A Floresta Nacional de Passo Fundo já possuía um Plano de Manejo, criado em 1989
pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Tal instrumento de planejamento foi
elaborado de forma condizente com os objetivos da categoria de manejo entendidos à
época, apresentando especialmente informações voltadas ao manejo florestal para a
exploração dos recursos madeiráveis.
Atualmente, o Plano de Manejo de uma Unidade Conservação é um instrumento para
orientar a gestão da unidade na busca pelo alcance dos seus objetivos. Ele fortalece
também o processo de envolvimento da sociedade na implementação da UC, por meio de
ações estratégicas em sua relação com o entorno.
A elaboração do Plano de Manejo teve como referência inicial o “Roteiro Metodológico
para Elaboração de Plano de Manejo para Florestas Nacionais”, publicado pelo IBAMA em
2003 e posteriormente o novo Roteiro Metodológico publicado pelo ICMBio em 2009. Sendo
assim, ele é dividido em 03 volumes, o primeiro refere-se ao Diagnóstico, o segundo ao
Planejamento e o terceiro aos Anexos.
Como elementos do diagnóstico, após análise da FLONA Passo Fundo e de seu
contexto, foram utilizadas diversas fontes de informações dos relatórios temáticos dos
trabalhos de campo e das oficinas a fim de compor os subsídios para o planejamento. Neste
sentido, destaca-se a Análise Estratégica Preliminar, com a aplicação do questionário
RAPPAM (WWF, 2003) junto aos funcionários da FLONA Passo Fundo; reuniões e contatos
institucionais com entidades diversas, comunidades e atores sociais da área de abrangência
da FLONA Passo Fundo; OPP - Oficina de Planejamento Participativo; reuniões técnicas da
equipe de coordenação da elaboração do plano com a equipe de supervisão dos trabalhos;
e OPE – Oficina de Planejamento Estratégico com as equipes de coordenação, supervisão
do plano e a equipe da FLONA Passo Fundo.
A elaboração deste Plano de Manejo foi desenvolvida pela SOCIOAMBIENTAL
Consultores Associados Ltda., sob supervisão do ICMBio e com recursos da ETAU Empresa de Transmissão do Alto Uruguai S.A., referente à parte dos recursos da
compensação ambiental do licenciamento da Linha de Transmissão Campos Novos – Santa
Marta (RS-SC).
O Quadro 1.1 apresenta a ficha técnica da FLONA Passo Fundo com um resumo das
principais informações da Unidade.
2 Quadro 1.1: Ficha Técnica da Floresta Nacional de Passo Fundo
Ficha Técnica da Floresta Nacional
Nome da Unidade de Conservação: Floresta Nacional de Passo Fundo
Coordenação Regional: CR9 – Coordenação Regional, Florianópolis
Unidade de Apoio Administrativo e Financeiro: UAAF / Pirassununga
Av. Presidente Vargas, S/N, Mato Castelhano/RS.
CEP: 99180-000
(54) 3313-4311 / 3615-0011
Endereço da sede:
Telefone:
Fax:
E-mail:
Site:
(54) 3313-4311
[email protected]
Perímetro da Unidade de Conservação (km):
www.icmbio.gov.br
Segundo escritura 1.328 ha
Cálculo aproximado neste PM 1.275 ha
31,65
Superfície da ZA (ha):
14.680,10
Perímetro da ZA (km):
58,4
Superfície da Unidade de Conservação (ha):
Município
Municípios que abrange e percentual abrangido
pela Unidade de Conservação:
Mato Castelhano
Estados que abrange:
Área da FLONA Passo
Fundo no município
4,5%
Rio Grande do Sul/RS
Norte: 52°11'12" W e 28°16'47" S
Sul: 52°10'37" W e 28°20'41" S
Leste: 52°10'0" W e 28°9'28" S
Oeste: 52°12'36" W e 28°17'45" S
Foi criado em 1946 como Parque Florestal José
Segadas Viana, vinculado ao INP. Passou a ter a
denominação de Floresta Nacional de Passo Fundo
em 25/10/1968, de acordo com a Portaria IBDF n. 561.
Barragem do Capingüí ao sul; rio Branco a leste; BR
285 ao norte e arroio Capingüí a oeste.
Área de Transição Estépica e Floresta Ombrófila
Mista.
Proteção, educação ambiental, pesquisa básica e
aplicada e conservação da biodiversidade
Elaboração de cursos sobre educação ambiental
dentro da FLONA Passo Fundo, palestras em escolas
da rede municipal e estadual, com discussões sobre a
Unidade e outros temas ambientais, atividades
comunitárias e escolares.
A fiscalização na Unidade é diária, feita pelos
servidores do ICMBio, com ajuda eventual da brigada
militar de Mato Castelhano.
Inúmeras pesquisas realizadas e/ou em andamento,
com destaque para as desenvolvidas pela UPF, URI e
EMBRAPA.
A visitação, em sua maioria, é feita por alunos de
universidades e pesquisadores, com média de 500
visitantes por ano, entretanto, não há programa de uso
público, nem divulgação para visitação. A Unidade não
possui estrutura para uso público, sendo seus
visitantes atendidos principalmente sob agendamento.
Extração de recursos vegetais dentro da Unidade,
acessos no interior da FLONA Passo Fundo utilizados
por moradores do entorno para chegar às suas casas,
caça, presença de animais domésticos, invasões e
depredações.
São realizados desbastes nos plantios de pínus e
araucária. Atualmente, essas atividades se encontram
paralisadas, mas deverão ser retomadas logo após o
término do Plano de Manejo.
Coordenadas geográficas (Latitude e Longitude):
Data de criação e número da Portaria:
Marcos geográficos referenciais dos limites:
Biomas e ecossistemas:
Atividades ocorrentes:
Educação ambiental:
Fiscalização:
Pesquisa:
Visitação:
Atividades conflitantes:
Manejo Florestal:
3 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 2
HISTÓRICO DE PLANEJAMENTO
As terras que atualmente formam a Floresta Nacional de Passo Fundo foram
adquiridas em dezembro de 1946, quando passaram a compor o Parque Florestal José
Segadas Viana, vinculado ao extinto Instituto Nacional do Pinho. Os primeiros plantios
tiveram início em 1947. Desde o plantio das mudas foram realizadas atividades de manejo
florestal sem, entretanto, seguir integralmente o cronograma de atividades recomendadas
no planejamento da Unidade.
Em 25 de outubro de 1968, conforme Portaria n. 561 do extinto Instituto Brasileiro de
Desenvolvimento Florestal, a área foi denominada como Floresta Nacional de Passo Fundo.
Em 1982, o Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa
Maria/RS elaborou o primeiro Plano de Manejo da Floresta Nacional de Passo Fundo,
consistindo basicamente em um plano de ordenamento para exploração florestal da área.
Em 1989, a Universidade Federal de Santa Maria elaborou o segundo Plano de
Manejo da FLONA Passo Fundo, este já com avanços em relação aos objetivos da Unidade.
Entretanto, os objetivos vigentes à época ainda se restringiam ao aspecto produtivo, não
tendo sido detalhados outros temas de manejo da Unidade de Conservação,
especificamente aqueles voltados aos objetivos de conservação, uso público e educação
ambiental na FLONA Passo Fundo.
Em ambos os Planos de Manejo anteriores estava prevista a transformação do
sistema florestal nas áreas de mata nativa em sistemas de exploração florestal comercial.
Em 2008, com recursos da compensação ambiental do licenciamento da Linha de
Transmissão Campos Novos – Santa Marta (RS-SC), a 2,2 km de distância da FLONA
Passo Fundo, a empresa Socioambiental Consultores Associados Ltda. iniciou a elaboração
de um novo plano de manejo da Unidade, já considerando as definições legais
estabelecidas para esta categoria no Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
3
INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A FLORESTA NACIONAL DE PASSO FUNDO
A Floresta Nacional de Passo Fundo está localizada no município de Mato Castelhano,
no Planalto dos Campos Gerais região norte do estado do Rio Grande do Sul. Este
município integra a Microrregião Socioeconômica de Passo Fundo, que pertence à
Mesorregião Noroeste Rio-Grandense (FEE/RS). Mato Castelhano caracteriza-se como um
município de pequeno porte, com apenas 2.470 habitantes em uma área de 23.836,5 ha
(IBGE, 2010).
A Região da FLONA Passo Fundo abrange ainda o município de Marau, uma vez que
parte do município foi incluída em sua ZA. O município, fundado em 28 de fevereiro de
1955, conta atualmente com uma população de 36.364 habitantes, distribuídos em uma área
de 64.930,2 ha.
Pode-se citar ainda por sua influência, importância regional e proximidade à Unidade,
a cidade de Passo Fundo, que é a maior da região, com uma área de 78.342,3 ha, e que
atualmente possui 184.869 habitantes (IBGE, 2010). É um centro regional que oferece
variados tipos de serviços e comércios necessários à gestão da FLONA Passo Fundo,
distando 24 km, em sentido oeste pela BR 285, da Unidade de Conservação.
Os três municípios citados, juntos, abrangem uma área de 167.109 ha e uma
população de 223.703 habitantes. O Mapa 3.1 apresenta a localização da FLONA Passo
Fundo e os municípios próximos a ela.
4 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
FLONA
Passo Fundo
Mapa 3.1: Mapa de Localização da Floresta Nacional de Passo Fundo
3.1 - Acesso à Unidade
O acesso à sede da FLONA Passo Fundo é feito por via terrestre, partindo do centro
de Passo Fundo por aproximadamente 4 km por vias municipais e mais 20 km pela BR 285
em sentido a Lagoa Vermelha. Após os aproximados 20 km na BR 285, segue-se pelo
perímetro urbano de Mato Castelhano até o trevo de acesso à Unidade.
O Quadro 3.1 apresenta as distâncias entre a FLONA Passo Fundo e as principais
cidades das regiões sul e sudeste do Brasil.
5 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Quadro 3.1: Distância dos Principais Centros Urbanos mais Próximos à FLONA Passo
Fundo
Cidades
Distância (km)
Rodovias
Curitiba
Florianópolis
Passo Fundo
Porto Alegre
São Paulo
570
481
24
317
966
BR 285 / BR 470 / BR 116
BR 285 / BR 116 / BR 282 / BR 101
BR 285 / Av. Brasil Leste
BR 285 / RS 153 / BR 386
BR 285 / BR 470 / BR 116
Fonte: Google Mapas. Acessado em: 22 fev. 2010
Em relação ao transporte rodoviário, não existem linhas municipais entre Passo Fundo
e Mato Castelhano. No entanto, pode-se optar pelo uso dos serviços das empresas
Reunidas e Unesul, que realizam viagens intermunicipais e interestaduais pela rodovia BR
285. Estas empresas têm linhas diárias que passam por Mato Castelhano, sem, no entanto,
oferecer uma linha exclusiva para o município.
O transporte aéreo pode ser feito pelo Aeroporto Lauro Kourtz, localizado em Passo
Fundo, que opera voos para as principais capitais do país. O trajeto deste até a Unidade
leva cerca de 16 km seguindo pela BR 285 no sentido leste em direção a Lagoa Vermelha.
O Mapa 3.2 apresenta os acessos terrestres e a localização do aeroporto Lauro
Kourtz, assim como a localização da FLONA Passo Fundo e os municípios próximos.
3.2 - Origem do Nome da Unidade
Originalmente, a área da Floresta Nacional de Passo Fundo foi denominada como
Parque Florestal Segadas Viana e estava vinculada ao Instituto Nacional do Pinho (INP). A
Unidade foi criada com o objetivo de estudar o crescimento e o comportamento da Araucaria
angustifolia na região de ocorrência da espécie, sob diferentes condições silviculturais. Em
1947, os plantios de araucária foram iniciados e, até 1950, a área plantada com araucária
somava 253 ha. O gênero Pinus spp. só foi introduzido na década de 60.
Com a extinção do INP, em 1967, o Parque Florestal foi incorporado ao Instituto
Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) e, por ato administrativo (Portaria 561, de 25
de outubro de 1968) de adequação das unidades à estrutura do novo Instituto, transformou
o Parque em Floresta Nacional de Passo Fundo, respaldado no Código Florestal. Criado o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em
fevereiro de 1989, a FLONA Passo Fundo foi incorporada à sua estrutura administrativa até
agosto de 2007, quando o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) passou a fazer a gestão das Unidades de Conservação Federais.
Em 1968, ano de enquadramento das Florestas Nacionais, a área da FLONA Passo
Fundo pertencia ao município de Passo Fundo, sendo assim denominada com o nome do
município. Somente em 1988, foi criado o Distrito de Mato Castelhano, por
desmembramento do Distrito de Campo do Meio. Porém, o seu desmembramento do
município de Passo Fundo só foi ocorrer em 1992, quando foi elevado à categoria de
município com a denominação de Mato Castelhano, pela lei Estadual n. 9.645.
6 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
FLONA
Passo Fundo
Mapa 3.2: Acessos à FLONA Passo Fundo
4
4.1
ANÁLISE DA REPRESENTATIVIDADE DA FLORESTA NACIONAL
A FLONA Passo Fundo no Contexto da Conservação Biológica no Rio Grande do
Sul
De acordo com o Mapa de Biomas do Brasil, produzido pelo IBGE (2004), a FLONA
Passo Fundo está localizada no Bioma Mata Atlântica, que ocupava originalmente 39,7% do
território do estado do Rio Grande do Sul, cerca de 111.160,00 km². Hoje, segundo SOS
Mata Atlântica (2008), este bioma está reduzido a cerca de 7,48%, correspondendo a
10.289,9 km².
No Inventário Florestal Contínuo do estado do RS, elaborado pela SEMA em 2001,
ficou constatado um aumento na cobertura florestal entre 1993 e 2001 (Tabela 4.1). O
levantamento observou que o território tem 17,53% de florestas nativas, 13,50% em estágio
avançado e médio de regeneração, 4,03% em estágio inicial, e, ainda, 0,97% de florestas
plantadas (Tabela 4.2). Considerando as florestas nativas da FLONA Passo Fundo, esta
representa 0,7% do montante das florestas nativas do estado. Se as áreas de plantios de
araucária forem adicionadas, esse percentual sobe para 1,7%.
7 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 4.1: Área Florestal no Estado do RS - 1993 e 2001
1993
2001
Floresta
Área km²
%
Área km²
Nativa
15.857,31
5,62
49.556,29
Plantada
1.743,96
0,62
2.747,48
Total
17.601,27
6,24
52.303,77
Fonte: SEMA, 2001
%
17,53
0,97
18,50
Acréscimo
Área km²
33.698,98
1.003,50
34.702,50
Esse fato é decorrente do abandono das áreas mais difíceis de serem cultivadas,
pelo maior rigor da legislação pertinente e por uma maior conscientização dos proprietários
sobre a importância das florestas para o meio ambiente (IBAMA, 2003).
A grande maioria das áreas de florestas primárias do estado encontra-se nas
Unidades de Conservação. Outra parte substancial das florestas remanescentes está
localizada em regiões serranas de difícil acesso, muitas em áreas de preservação
permanente. Atualmente, as florestas nativas sujeitas ao manejo, de um modo geral, têm
alto valor ambiental e baixo valor econômico. A Tabela 4.2 representa a classificação e
quantificação da vegetação do Rio Grande do Sul e seu percentual da superfície do estado.
Tabela 4.2: Classificação e Quantificação da Vegetação do Rio Grande do Sul e o Percentual na
Superfície do Estado
FORMAÇÕES VEGETAIS
ÁREA km²
PERCENTUAL (%)
Floresta Ombrófila densa
683,75
0,24
Floresta Ombrófila mista
9.195,65
3,25
Floresta Estacional Semidecidual
2.102,75
0,74
Floresta Estacional Decidual
11.762,45
4,16
Savana (arbórea aberta e gramíneo lenhosa)
17.650,36
6,24
Estepe (gramíneo-lenhosa)
2.002,86
0,71
Estepe (parque de espinilho)
22,89
0,01
Savana Estépica
1.220,87
0,43
Áreas de Formações Pioneiras
1.488,04
0,53
Áreas de Tensão Ecológica (região intermediária, entre
3.199,65
1,13
ecossistemas)
Fonte: SEMA, 2001
Outro dado importante que o Inventário Contínuo apresenta é a classificação do uso
atual da terra para o estado (Tabela 4.3)
Tabela 4.3: Classificação do Uso Atual da Terra e Percentual na Superfície do Estado do Rio
Grande do Sul
Classe de uso
Área km²
Percentual (%)
Florestas nativas - estágios médio e avançado
38.159,52
13,50
Florestas nativas - estágios iniciais (capoeira)
11.396,77
4,03
Florestas plantadas
2.747,48
0,97
Agricultura implantada
17.369,63
6,14
Solo exposto
54.008,26
19,11
Campo e pastagem
132.102,60
46,73
Áreas urbanas
1.285,96
0,45
Lâminas d'água
20.050,28
7,09
Dunas
2.018,78
0,71
Banhados
1.655,55
0,60
Nuvens e áreas não classificadas
1.884,87
0,67
Total
282.679,70
100,00
Fonte: SEMA, 2001
A FLONA Passo Fundo está inserida em uma região do RS com predomínio de
campos, onde as florestas de araucária se distribuem ao longo dos cursos d’água e sob a
8 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
forma de capões de diferentes dimensões, recebendo influências florísticas da Floresta
Estacional Decidual (ou Floresta do Alto Uruguai).
Conforme o documento “Diretrizes para a Atividade de Silvicultura por Unidade de
Paisagem” (FEPAM, 2007), que indica restrições e potencialidades por unidade de
paisagem no estado do Rio Grande do Sul, a FLONA Passo Fundo está localizada na
unidade de paisagem PM6 correspondente à região do Planalto dos Campos Gerais. Está
inserida também na bacia hidrográfica de Taquari-Antas, que possui comitê de bacia
hidrográfica, onde se encontra a maior porção dessa unidade de paisagem, estando
localizada no limite da referida bacia com as bacias de Ipuae-Inhandava, Alto Jacuí e Passo
Fundo.
Na unidade de paisagem PM6, existem apenas duas Unidades de Conservação, a
FLONA Passo Fundo e a FLONA de Canela. Ambas correspondem a uma pequena área
dessa unidade de paisagem, o que faz com que, apesar de importantes, não garantam a
conservação do ambiente natural do Planalto dos Campos Gerais, caracterizado pela
Floresta Ombrófila Mista e pelos Campos.
O cenário em que se insere a FLONA Passo Fundo não favorece a conectividade
com outras Unidades de Conservação, o que deverá ser compensado no futuro com ações
que venham a garantir a conectividade com as áreas protegidas adjacentes, o que implica
em considerável esforço conjunto de gestão de órgãos responsáveis e da sociedade.
4.1.1
A FLONA Passo Fundo e as Unidades de Conservação do Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o total de área protegida por meio de Unidades de
Conservação Federais e Estaduais, incluindo todas as categorias, inclusive as RPPNs, é de
aproximadamente 809.754,97 ha. A Figura 4.1 apresenta as Unidades de Conservação
Federais e Estaduais sobre o plano de fundo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Nesse cenário, pode-se constatar uma maior representatividade de UCs na área litorânea
do estado, contemplando principalmente os ambientes relacionados à Mata Atlântica.
9 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Figura 4.1: Mapa de Unidades de Conservação Federais e Estaduais no Estado do Rio Grande
do Sul sobre as Áreas da Reserva da Biosfera
Dentre o grupo de Unidades de Conservação Federais de Uso Sustentável, as
cinco áreas protegidas existentes no Rio Grande do Sul, excluindo-se as RPPNs, somam
um total aproximado de 324.444,69 ha, sendo que a FLONA Passo Fundo representa cerca
de 0,41% deste total (Tabela 4.4).
10 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 4.4: Unidades de Conservação Federais de Uso Sustentável do Estado do Rio Grande
do Sul
Instrumento Legal de
UC
Área (ha) e %
Bioma
Criação
Área de Proteção Ambiental
A.P.A. Ibirapuitã
Dec. no 529, de
Campos
318.000,00 / 98,01%
20.05.92
Sulinos
Florestas Nacionais
Canela
Port. 561/68
517,73 / 0,16%
Mata Atlântica
Passo Fundo
Port. 561/68
1.328,004 / 0,41%
Mata Atlântica
São Francisco de Paula
Port. 561/68
1.606,70 / 0,50%
Mata Atlântica
Área de Relevante Interesse Ecológico
Marinho
Pontal dos Latinos e
Re. CONOMA 5 de
2.992,26 / 0,92%
Pontal dos Santajos
05/05/84
324.444,69
Área total
Fonte: Site da Sema disponível em: <http://www.sema.rs.gov.br/>, acessado em: 31 jan. 2012. E site do ICMBio,
disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros>,
acessado em: 31 jan. 2012.
As seis Unidades de Conservação Federais do Grupo de Proteção Integral somam
um total de 176.437,8 ha. (Tabela 4.5).
Tabela 4.5: Unidades de Conservação Federais de Proteção Integral do Estado do Rio Grande
do Sul
UNIDADES DE
Instrumento Legal de
Área (ha) e %
Bioma
CONSERVAÇÃO
Criação
Parques Nacionais
Dec. no 47.446, de 17.12.59,
13.041,58 /
Mata Atlântica
Aparados da Serra
Dec. no 70.296, de 17.03.72
7,39%
17.300,00 /
Serra Geral
Dec. no 531, de 20.05.92
Mata Atlântica
9,80%
34.400,00 /
Lagoa do Peixe
Dec. no 93.546, de 06.11.86
Campos Sulinos
19,50%
Estações Ecológicas
111.271,57 /
Marinho Costeiro
Taim
Dec. no 92.963, de 21.07.86
63,07%
272,63 /
Aracuri-Esmeralda
Dec. no 86.061, de 02.06.81
Mata Atlântica
0,15%
Refúgio da Vida Silvestre
Dec. de 4 de julho de 2005,
152,00 /
Ilha dos Lobos
altera Dec. no 8.8463, de
Marinho
0,09%
1983.
176.437,8
Área total
Fonte: Site da Sema disponível em: <http://www.sema.rs.gov.br/>, acessado em: 31 jan. 2012. E site do ICMBio,
disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros>,
acessado em: 31 jan. 2012.
As Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), sendo 30 federais e uma
estadual, somam um total aproximado de 6.733,89 ha no estado do Rio Grande do Sul,
(Tabela 4.6), ou seja, cerca de 0,83% em relação à soma com as demais UCs do estado.
4
Informação técnica ICMBio. Pelo Plano de Manejo, a área da FLONA Passo Fundo é de 1.275 ha.
11 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 4.6: Reservas Particulares do Patrimônio Natural do Rio Grande do Sul
RPPN
Município
Esfera
Área
(ha.)
Fazenda das Palmas
Encruzilhada do Sul
Federal
160,00
Mariana Pimentel
Federal
46,00
São Borja
Federal
135,00
Viamão
Humaitá
Federal
Federal
3,00
4,00
São Luiz Gonzaga
Federal
29,00
Federal
140,00
Mata Atlântica
Federal
340,00
Mata Atlântica
Mariana Pimentel
Estância Santa Isabel
do Butuí
Chácara Sananduva
Particular Schuster
Uruquá
Paredão
Estância Santa Rita
São Francisco de
Assis
Santa Vitória do
Palmar
Bioma
Campos do Sul/Mata de
Araucária
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Mata Atlântica
Mata Atlântica
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Bosque de Canela
Costa do Serro
Canela
Porto Alegre
Federal
Federal
6,00
8,00
Minas do Paredão
Piratini
Federal
15,00
Fazenda Curupira
Pedro Osório
Federal
100,20
Jardim da Paz
Sítio Porto da Capela
Fazenda Caneleira
Fazenda
Rodeio
Bonito
Reserva
dos
Mananciais
Capão Grande
Prof. Delamar Harry
dos Reis
Porto Alegre
Charqueadas
Dom Pedrito
Federal
Federal
Federal
1,75
14,00
45,00
Júlio de Castilhos
Federal
2.761,00
Dom Pedrito
Federal
11,11
Barra do Ribeiro
Federal
9,00
Mata de Araucária
Restinga/ Mata Atlântica
Campos do Sul/Mata de
Araucária
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Restinga/ Mata Atlântica
Mata Atlântica
Mata Atlântica
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Mata Atlântica
Viamão
Federal
10,00
Mata Atlântica
Federal
17,68
Recanto do Robalo
São Francisco de
Paula
Torres
Federal
9,95
Fazenda Branquilho
Dom Pedrito
Federal
13,00
Pelotas
Federal
65,33
Sapucaia do Sul
Federal
90,25
Mata Atlântica/ Mata de
Araucária
Mata Atlântica
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Campos do Sul/ Mata de
Araucária
Mata Atlântica
Viamão
Federal
9,98
Mata Atlântica
Professor Baptista
Dom Pedro de
Alcântara
Federal
9,22
Mata Atlântica
Reserva Maragato
Passo Fundo
Federal
41,56
Mata Atlântica
Rincão das Flores
Piratini
Federal
15
Mata Atlântica
Santa Cruz do Sul
Federal
221,39
Mata Atlântica
Ronco do Bugio
Venâncio Aires
Federal
23,03
Mata Atlântica
Barba Negra
Barra do Ribeiro
Estadual
2.379,44
Mata Atlântica
Área total
6.733,89
Rancho Mira-Serra
Pontal da Barra
Morro de Sapucaia
Farroupilha
Unisc
Fonte: Cadastro Nacional de RPPNs, disponível em: <http://sistemas.icmbio.gov.br/simrppn/publico/>, acessado
em: 31 jan. 2012, e Projeto RS Biodiversidade do estado do Rio Grande do Sul, disponível em:
<http://www.biodiversidade.rs.gov.br/arquivos/1162476883Quadro2.pdf>, acessado em: 31 jan. 2012
12 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
As Unidades de Conservação Estaduais
aproximadamente 302.138,59 ha. (Tabela 4.7).
garantem
a
preservação
de
Tabela 4.7: Unidades de Conservação Estaduais do Estado do Rio Grande do Sul
UC
Município
Decreto de Criação
Área (ha.)
Áreas de Proteção Ambiental
Santo Antônio da Patrulha,
Banhado Grande
Dec. no 38.971/1998
136.935
Viamão, Gravataí e Glorinha
São Francisco de Paula,
Rota do Sol
Cambará
do
Sul,
Três Dec. no 37.346 /1997
54.670
Forquilhas, Itati e Maquiné
Porto Alegre, Canoas, Eldorado
Delta do Jacuí
do Sul, Nova Santa Rita, Lei no 12.371/ 2005
22.826,39
Triunfo e Charqueados
Parques Estaduais
Porto Alegre, Canoas, Nova
Dec. no 24.385, de 14
14.242
Delta do Jacuí
Santa Rita, Eldorado do Sul e
de janeiro de 1976
Triunfo
Dec. no 30.645, de 22
1.000
Rondinha
Sarandi
de abril de 1982
Dec. no 658, de 10 de
Espigão Alto
Barracão
1.331,90
março de 1949
o
Dec. n 22.575, de 14
de julho de 1973 e
5.566
Itapuã
Viamão
Dec. no 33.886, de 11
de março de 1991
Dec. no 41.440, de 28
1.617,14
Espinilho
Barra do Quarai
de fevereiro de 2002
o
Turvo
Derrubadas
Dec. n 2.312/ 1947
17.491,40
Itapeva
Torres
Dec. no 42.009 / 2002
1.000
São Francisco de Paula,
o
Dec. n 23.798 / 1975
Tainhas
6.654,70
Jaquirana e Cambará do Sul
o
Camaquã
São Lourenço do Sul, Camaquã Dec. n 23.798 / 1975
7992,5
Ibitiriá
Vacaria, Bom Jesus
Dec. no 23.798 / 1975
415
Podocarpus
Encruzilhada do Sul
Dec. no 23.798 / 1975
3.645
Parque Estadual da
Decreto Estadual n°
Agudo e Ibarama
1.847,90
Quarta Colônia
44.186/2005.
Decreto Estadual n°
Parque Estadual
1.000
Sarandi
30.645/1982
Papagaio-charão
Reserva Biológica
Dec. no 30.788, de 27
4845,76
Serra Geral
Terra de Areia, Itati e Maquiné
de julho de 1982
o
Dec. n 31.788, de 27
351,42
Ibirapuitã
Alegrete
de junho de 1982
o
Dec. n 23.798, de 12
4.392
Banhado São Donato
Itaqui e Maçambará
de março de 1975
o
Mata Paludosa
Itati
Dec. n 38.972 / 1998
113
Mato Grande
Arroio Grande
Dec. no 23.798 / 1975
5.161
Ibicuí-Mirim
Itaara, São Martinho da Serra
Dec. no 30.950 / 1982
598,48
Estação Ecológica
Dec. no 37.345, de 11
5.882
Aratinga
São Francisco de Paula e Itati
de abril de 1997
Refúgio de Vida Silvestre
Banhado dos
Dec. no 41.55921, de
Viamão
2.560
Pachecos
fevereiro de 2002
302.138,59
Área Total
Fonte: Site da Sema disponível em: <http://www.sema.rs.gov.br/>, acessado em: 31 jan. 2012, e site do Projeto
RS Biodiversidade disponível em: <http://www.biodiversidade.rs.gov.br>, acessado em: 31 jan. 2012.
13 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Considerando as Unidades de Conservação Federais e Estaduais de uso
sustentável, excetuando as RPPNs, a FLONA Passo Fundo representa 0,60% desta
categoria no estado.
4.1.2
A FLONA Passo Fundo e a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no Rio
Grande do Sul
Reserva da Biosfera (RB), segundo definição trazida pelo SNUC, é:
[...] um modelo, adotado internacionalmente, de gestão integrada, participativa e
sustentável dos recursos naturais, com os objetivos básicos de preservação da
diversidade biológica, o desenvolvimento de atividades de pesquisa, o
monitoramento ambiental, a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a
melhoria da qualidade de vida das populações.
Trata-se, portanto, de título de reconhecimento conferido pela UNESCO, pelo
Programa Intergovernamental O Homem e a Biosfera (MAB).
Segundo informações divulgadas no portal eletrônico da Reserva da Biosfera da
Mata Atlântica - RBMA5, o reconhecimento desta Reserva pela UNESCO foi realizado em
seis fases (Fases I a VI) entre 1992 e 2008, sendo esta a primeira unidade da Rede Mundial
de Reservas da Biosfera declarada no Brasil. Como missão, a RBMA busca “contribuir de
forma eficaz para o estabelecimento de uma relação harmônica entre as sociedades
humanas e o ambiente na área de Mata Atlântica”.
A RBMA incluiu a área da FLONA Passo Fundo em sua última fase (Fase VI, em
2008), a partir da qual, também de acordo com informações fornecidas pela instituição6,
passou a totalizar cerca de 78.500.000 ha, sendo aproximadamente 62.300.000 ha em
áreas terrestres e 16.200.000 em áreas marinhas, contemplando 16 dos 17 estados de
ocorrência de Mata Atlântica no país (Mapa 4.1). No estado do Rio Grande do Sul
incorporou também com a Fase VI cerca de 11.318.41ha em área terrestre, além dos
1.543.645ha em área marinha.
Apesar de resguardar importantes remanescentes de Mata Atlântica, a FLONA
Passo Fundo encontra-se inserida na RBMA como Zona de Amortecimento, em função de
sua categoria de manejo, que permite exploração direta de recursos naturais, evitando-se,
assim, possibilidades de conflito com a redação trazida pela Lei do SNUC a respeito da
constituição das RBs:
§ 1o A Reserva da Biosfera é constituída por:
I - uma ou várias áreas-núcleo, destinadas à proteção integral da natureza;
II - uma ou várias zonas de amortecimento, onde só são admitidas atividades que não
resultem em dano para as áreas-núcleo; e
III - uma ou várias zonas de transição, sem limites rígidos, onde o processo de ocupação
e o manejo dos recursos naturais são planejados e conduzidos de modo participativo
e em bases sustentáveis.
As Zonas de Amortecimento, segundo informações do portal da RBMA7, “são
estabelecidas no entorno das zonas núcleo, ou entre elas, e têm por objetivos minimizar os
impactos negativos sobre estes núcleos e promover a qualidade de vida das populações da
área, especialmente das comunidades tradicionais”.
5
Disponível em: < http://www.rbma.org.br/rbma/rbma_1_textosintese.asp>, acessado em: 11 jun. 2011.
Disponível em: < http://www.rbma.org.br/rbma/rbma_fase_vi_01_apres.asp>, acessado em: 11 jul. 2011.
7
Disponível em: <http://www.rbma.org.br/rbma/rbma_1_zoneamento.asp>, acessado em: 11 jul. 2011.
6
14 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Mapa 4.1: Mapa da Fase VI da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
Fonte: Site da RBMA disponível em: <http://www.rbma.org.br/rbma/rbma_fase_vi_03_mapa_vi.asp>, acessado
em: 23 fev. 2010
4.1.3
A FLONA Passo Fundo e as Áreas Prioritárias para a Conservação no Rio
Grande do Sul
O levantamento e mapeamento das “Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso
Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira” é fruto do “Projeto de
Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira”, desenvolvido
entre 1998 e 2000 e com atualizações posteriores. O diagnóstico e o mapeamento dessas
áreas vêm sendo atualizados desde então. A última atualização foi estabelecida
formalmente pela Portaria MMA n. 09, de 23/01/2007 (MMA, 2007).
A definição dessas áreas foi feita para todos os biomas brasileiros, com base em
informações disponíveis e uma série de reuniões técnicas, seminários regionais e oficinas
participativas com uma série de especialistas e entidades afins. As áreas identificadas foram
classificadas de acordo com seu grau de importância para biodiversidade e com a urgência
para a implementação das ações sugeridas. As áreas foram classificadas quanto à sua
importância em extremamente alta, muito alta, alta e insuficientemente conhecida. Quanto à
urgência das ações, elas foram classificadas como extremamente alta, muito alta e alta
(MMA, 2007).
No Bioma Mata Atlântica estão mapeadas e tabeladas 886 áreas, que incluem
praticamente todas as UCs públicas desse bioma, além de terras indígenas e também
outras áreas não protegidas. Na região da FLONA Passo Fundo, inserida no Planalto Norte
do RS, foram mapeadas poucas áreas prioritárias (Figura 4.2), incluindo a própria FLONA
Passo Fundo como uma das áreas, além de outras quatro áreas, sendo duas terras
indígenas (Quadro 4.1 e Figura 4.3). Ainda no Planalto Norte, outras duas UCs estão
15 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul mapeadas, a ESEC Aracuri e o Parque Estadual de Rondinha, porém, ambas mais distantes
da FLONA Passo Fundo (Figura 4.2).
São poucas as áreas prioritárias mapeadas nessa região, se comparada à região da
Serra Gaúcha, os vales dos rios Uruguai e Paraná e a região dos Pampas, considerando
esta região já como outro bioma. Isso é compreensível dada à extrema ocupação dessa
região por atividades agrícolas e pecuárias, com poucos remanescentes de ambientes
naturais de porte mais significativo. Esse aspecto inclusive é considerado como uma das
ameaças à FLONA Passo Fundo pelo mapeamento do MMA (Quadro 4.1), que ganha
significância neste contexto não pela ocorrência de áreas de alta relevância ecológica, mas
pela escassez de áreas protegidas e de ambientes naturais, o que configura a importância
dessa UC na manutenção da biodiversidade da região.
Figura 4.2: Áreas Prioritárias para o Estado do Rio Grande do Sul
Fonte: MMA, 2007.
16 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Quadro 4.1: Áreas Prioritárias para a Conservação (segundo MMA, 2007), existentes na região da FLONA Passo Fundo.
Nome Característica FLONA
Passo
Fundo
Floresta Ombrófila
Mista; remanescente
importante para
conservação do
papagaio-charão
(Amazona pretrei) e
papagaio-do-peito-roxo
(Amazona vinacea)
TI Ligeiro
TI
Carreteiro
Represa
Ernestina
Rio Telha
Importância
Extremamente
Alta
Prioridade
Muito Alta
Oportunidade Ameaças
Ação Projetos de desenvolvimento
sustentável.
Presença de espécies exóticas. Caça
predatória. Uso de agrotóxicos. Captura
de fauna e flora silvestre para tráfico.
Contaminação de recursos hídricos.
Perda de biodiversidade e recursos.
Extração de madeira. Isolamento e
fragmentação de áreas naturais.
Área Protegida
Projetos de desenvolvimento
sustentável. Recuperação de APP.
Caça predatória. Contaminação de
Floresta Ombrófila Mista
Alta
Alta
Uso de plantas medicinais. Criação
recursos hídricos. Perda de
de peixes de espécies nativas
biodiversidade e recursos.
como recurso de subsistência.
Projetos de desenvolvimento
Perda de biodiversidades e recursos.
Remanescentes de
sustentável. Recuperação de APP.
Extração de pedras semipreciosas.
Floresta Ombrófila
Alta
Alta
Uso de plantas medicinais. Criação
Expansão de área agrícola.
Mista.
de peixes de espécies nativas
Contaminação do solo. Caça predatória.
como recurso de subsistência.
Turismo predatório. Presença de
espécies exóticas. Caça predatória.
Pesca predatória. Uso de agrotóxicos.
Existência de RPPN e UCs
Floresta Ombrófila Mista Extremamente Extremamente
Contaminação de recursos hídricos.
municipais. Recuperação de APP.
- remanescentes
Alta
Alta
Perda de biodiversidades e recursos.
Uso de plantas medicinais.
Extração de pedras semipreciosas.
Isolamento e fragmentação de áreas
naturais.
Presença de espécies exóticas. Caça
predatória. Expansão de área agrícola.
Remanescentes de
Muito Alta
Muito Alta
Uso de plantas medicinais.
Contaminação de recursos hídricos.
Floresta Ombrófila Mista
Perda de biodiversidades e recursos.
Contaminação do solo.
17 Área Protegida
Área Protegida
Recuperação
Recuperação
Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Figura 4.3: Áreas Prioritárias para Conservação (segundo MMA, 2007), Existentes na Região da FLONA Passo Fundo.
18 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
4.1.4
A FLONA Passo Fundo e o Contexto Local da Conservação Biológica
Na Zona de Amortecimento (ZA) proposta para a FLONA Passo Fundo, conforme
classificação do uso do solo realizada para este Plano de Manejo, a floresta nativa foi
reduzida a cerca de 21% da sua área original. Atualmente, aproximadamente 74% da ZA é
ocupada por lavouras.
A FLONA Passo Fundo protege 38,63% do maior fragmento de florestas nativas
existentes em área correspondente à sua ZA, somando-se a sua própria área. Ela
representa ainda 12% da área coberta por remanescentes florestais neste conjunto (Mapa
4.2). Se consideradas as áreas de plantios de araucária da FLONA Passo Fundo, esse
percentual sobe para 25%.
Mapa 4.2: Mapa de Fragmentos de Mata Nativa (Floresta Ombrófila Mista), Divididos em Cinco
Classes de Tamanho, Geradas Automaticamente pelo Programa ArcGis 10, com Base na
Fragmentação Florestal Evidenciada nos Mapas de Uso do Solo da FLONA Passo Fundo e sua
ZA, Elaborados para o Plano de Manejo.
4.2
Hotspots de Biodiversidade
Hotspot foi um conceito criado pelo ecólogo inglês Norman Myers em 1988, para
identificar as áreas prioritárias à conservação. São considerados hotspots regiões com pelo
menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenham perdido mais de ¾ de sua
vegetação original, ou seja, áreas de alta biodiversidade e ameaçadas no mais alto grau8.
8
Disponível em: < http://www.conservation.org.br/como/index.php?id=8>, acessado em: 11 jul. 2011.
19 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Segundo informações disponibilizadas pela ONG Conservação Internacional (CI) em
seu portal, em 2005, a organização atualizou as análises anteriores ampliando para 34 o
número dos Hotspots mundiais. Essas áreas, que representam apenas 2,3% da superfície
terrestre, são o hábitat de 75% dos mamíferos, aves e anfíbios mais ameaçados do planeta
e também onde se encontram 50% das plantas e 42% dos vertebrados conhecidos.
No Brasil, os biomas Mata Atlântica e Cerrado são considerados Hotspots, razão
pela qual a FLONA Passo Fundo se insere neste contexto. Um dos principais benefícios
deste reconhecimento é o destaque, em nível internacional, que dá publicidade ao Bioma e
auxilia a tarefa de conscientização da população a respeito da necessidade de conservação
dos remanescentes florestais. Indiretamente, isso pode auxiliar na captação de recursos
para esta tarefa, pois o estado de ameaça em que se encontra o bioma, associado à sua
importância em termos de biodiversidade, são argumentos reconhecidos mundialmente que
apontam a necessidade premente de esforços. Atualmente, apenas outras 33 regiões do
mundo possuem este destaque para urgência em ações de conservação.
4.3
Potencialidade de Cooperação no Contexto da FLONA Passo Fundo
Na região da FLONA Passo Fundo foram identificados alguns planos, programas e
projetos com possível inferência na UC e/ou com potencial de cooperação e integração ou
minimização de impactos, que são relacionados a seguir. Na mesma direção, no item 12
(Cooperação Institucional), buscando indicar potenciais de parcerias com as entidades
locais ou regionais que viabilizem a implementação deste Plano de Manejo, são
apresentadas instituições indicadas no relatório da Oficina de Planejamento Participativo
(OPP).
a. Programa Nacional do Meio Ambiente - PNMA II
O Programa Nacional do Meio Ambiente (PNMA) é conduzido pelo MMA, sendo
financiado por meio do acordo de empréstimo entre o Governo Brasileiro e o Banco Mundial
(BIRD). Objetiva desenvolver projetos de gestão nos estados que integram a Política
Ambiental com políticas setoriais, propiciando uma maior participação dos municípios e de
organizações da sociedade civil na gestão ambiental. Também visa a atuar de forma
descentralizada, apoiando as diversas UCs da Federação no fortalecimento das instituições
que compõem o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA - e no incentivo à gestão
integrada do meio ambiente.
b. Conservabio
Projeto da Embrapa Florestas em parceria com o ICMBio e universidades da região.
Em Mato Castelhano, onde a FLONA Passo Fundo está localizada, o Conservabio tem
apoio de representantes da EMATER, Prefeitura Municipal, do Grupo de Terceira Idade e da
Associação de Produtores de Suínos e Leite. Tem como objetivo geral produzir
conhecimento científico e tecnológico para a conservação e utilização sustentável dos
recursos florestais não madeiráveis da Floresta Ombrófila Mista (FOM), visando subsidiar a
formulação de políticas públicas, a diversificação de espécies para uso nos sistemas
agroflorestais, a recuperação de matas ciliares e reserva legal e a agregação de valor e
renda nas comunidades de agricultores familiares e tradicionais no entorno das Florestas
Nacionais e região. Esse projeto está sendo implantado nas FLONAs Irati (PR), Três Barras
(SC) e Passo Fundo (RS) e seus respectivos entornos.
c. Projeto de Reposição Florestal
O projeto tem o objetivo de plantar cerca de duzentos e vinte mil mudas de diversas
espécies de árvores nativas nas Floretas Nacionais de Passo Fundo, São Francisco de
20 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Paula e de Canela, em atendimento ao Código Florestal Estadual do Estado do Rio Grande
do Sul (Lei 9.519/92), em compensação ambiental pelo abate de remanescentes de floretas
nativas no estado para a passagem do gasoduto Bolívia-Brasil. O projeto prevê a
implantação de Áreas de Produção de Sementes (APS), Recomposição com Espécies
Nativas, Recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP), Consórcios
Silviculturais com Espécies Frutíferas e Medicinais e também o Enriquecimento de
Capoeiras com Araucária.
d. Projeto Papagaio-Charão
Projeto de pesquisa e educação ambiental voltado à preservação da vida silvestre.
Ele é conduzido pela AMA – Amigos do Meio Ambiente de Carazinho/RS e pelo Instituto de
Ciências Biológicas da Universidade de Passo Fundo – UFP. Desde 1991 desenvolve
pesquisas nas áreas de biologia, ecologia e etologia do papagaio-charão (Amazona pretrei).
e. Plano de Uso e Ocupação do Solo no Entorno dos Reservatórios da UHE
Capingüí
O Grupo CEEE - Companhia Estadual de Energia Elétrica, opera no
desenvolvimento de atividades no setor energético em todo o estado do Rio Grande do Sul
desde 1943, sendo responsável pela Usina Hidroelétrica Capingüí, localizada no município
de Passo Fundo. Com a elaboração do Plano de Uso e Ocupação do Solo no Entorno dos
Reservatórios da UHE Capingüí, a implementação do zoneamento e de uma política de
gestão da área poderá ajudar a diminuir os impactos negativos na borda sul da FLONA
Passo Fundo, adjacente à barragem.
f. Comitê da Bacia Hidrográfica Taquari-Antas
Os comitês de bacia hidrográfica são colegiados instituídos oficialmente pelo
Governo do Estado, formados majoritariamente por representantes da sociedade e de
usuários das águas. Das 23 sub-bacias do estado do Rio Grande do Sul, 16 já contam com
Comitês instalados e operantes, 4 apresentam comissões provisórias e 4 são bacias
compartilhadas que necessitam de tratamento especial. O Comitê poderá ajudar na
divulgação da UC em seus municípios integrantes e no desenvolvimento de parcerias para a
criação de outras áreas protegidas na bacia.
g. Programa para o Desenvolvimento Racional, Recuperação e Gerenciamento
Ambiental da Bacia Hidrográfica do Guaíba - PRÓ-GUAÍBA
O Pró-Guaíba é uma ação governamental, que visa a contribuir para a melhoria das
condições ambientais de uma região hidrográfica com área aproximada de 114.536,7 km,
em um total de 251 municípios envolvidos, com um percentual de área da bacia no estado
de 40,61%. Uma das atividades desenvolvidas é o monitoramento de recursos hídricos, que
tem como objetivos gerais o acompanhamento das alterações de sua qualidade, a
elaboração de previsões de comportamento, o desenvolvimento de instrumentos de gestão
e fornecer subsídios para ações saneadoras. Neste monitoramento são analisados 27
parâmetros de qualidade da água. Na Bacia Taquari-Antas, o monitoramento é trimestral.
h. Programa Mata Atlântica
Foi criado em 1990, na FEPAM, com o objetivo de implantar a Reserva da Biosfera
da Mata Atlântica no estado, priorizando a conservação da biodiversidade, o
desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico. Tem como objetivo geral implantar
a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no Rio Grande do Sul, priorizando a conservação
da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico.
21 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul i.
Fundo de Desenvolvimento Florestal - FUNDEFLOR
Criado pelo artigo 49 da Lei no 9.519, de 21 de janeiro de 1992, tem por finalidade
financiar os projetos e programas definidos no Plano de Desenvolvimento Florestal,
objetivando a execução da Política Florestal Estadual. Ele centra as suas metas
prioritariamente na pesquisa e desenvolvimento tecnológico, manejo e extensão florestal,
aproveitamento econômico e sustentável da floresta nativa, controle e fiscalização florestal,
fomento florestal e Unidades de Conservação. Os recursos do FUNDEFLOR são oriundos
de dotações orçamentárias do estado e créditos adicionais que forem atribuídos.
j.
Centro de Tecnologias Alternativas Populares - CETAP
O CETAP foi criado e organizado em 1986, pela sociedade civil. Sua constituição
conta com a participação de sindicatos de trabalhadores rurais, cooperativas, associação de
agricultores familiares e movimentos sociais do Rio Grande do Sul. A missão do CETAP é
contribuir para a afirmação da agricultura familiar e suas organizações, particularmente
atuando na construção da agricultura sustentável com base em princípios agroecológicos. A
equipe de trabalho é composta por profissionais das ciências sociais, agrárias e da
educação; orientando os agricultores, buscando que sejam sujeitos de seu próprio
desenvolvimento.
5
ASPECTOS HISTÓRICOS, CULTURAIS E SOCIOECÔNOMICOS
Passo Fundo, e toda a região conhecida como Planalto Médio, teve seu território
efetivamente conquistado e ocupado pelos europeus no século XIX, em um processo
permeado de conflitos e disputas que se arrastavam desde o século XVII, entre nativos e
jesuítas inicialmente; entre nativos, bandeirantes, tropeiros e imigrantes, mais tarde.
Os recursos naturais, especialmente a madeira e a erva-mate, além do fato de a
região ser uma passagem que ligava a região missioneira, despertaram a atenção do ponto
de vista econômico.
A partir de 1890, os imigrantes e seus filhos começaram a se instalar nas áreas
florestais do planalto, iniciando a produção agrícola em pequenas propriedades, que foram
substituindo essas áreas florestais. Os preços baixos das terras, o estímulo do governo e a
abertura da ferrovia foram motivações suficientes para os colonos investirem na nova
fronteira agrícola (ZARTH, 1997), fechando o importante triângulo: surto demográfico
decorrente da imigração europeia; produção de alimentos; e atividade ferroviária ligando a
região aos principais centros econômicos do país. Iniciou-se, assim, a ocupação e a
organização da vasta região territorial do planalto no norte do estado.
O processo de formação da cidade de Passo Fundo remonta às primeiras décadas
do século XIX, por ocasião da dinâmica comercial dos tropeiros9 paulistas, que utilizavam a
região como caminho para levar gado, charque e mulas para serem comercializados na feira
de Sorocaba, em São Paulo (IBGE, 2012).
Em novembro de 1847, Passo Fundo foi elevado à condição de freguesia, sob a
denominação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Passo Fundo, pertencendo ao
município de Cruz Alta, do qual se desmembrou em 28 de janeiro de 1857, tornando-se
município. Nessa época, as principais atividades econômicas de Passo Fundo estavam
ligadas à agricultura e à pecuária de pequeno porte, fazendo-se presente o cultivo da erva-
9
A palavra "tropeiro" deriva de tropa, uma referência ao conjunto de homens que transportavam gado e
mercadoria no Brasil colônia.
22 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
mate, do milho, feijão, trigo, amendoim, batata, arroz, em conjunto com a criação de gado
vacum, cavalar e muar.
Posteriormente, a freguesia foi promovida à vila de Passo Fundo e contava com
casas de negócios, ferrarias, olarias e um bilhar. Nesse período, iniciou-se a construção de
uma estrada que ligasse Passo Fundo a Porto Alegre, a fim de encurtar o caminho que era
feito por Rio Pardo. Na década de 1890, foi elaborado um projeto para a construção da
estrada de ferro, inaugurada em 1898. O transporte ferroviário contribuiu para um
desenvolvimento significativo da cidade e região, pois revitalizou a economia da cidade.
O conflito militar contra o Paraguai, de 1864-1870, influenciou a economia de Passo
Fundo, acarretando a estagnação da agricultura. Devido à sua baixa produtividade e à falta
de atenção dedicada aos setores produtivos, muitos foram paralisados em função do
conflito.
Todavia, como forma de reação, a diversificação do setor produtivo iniciou-se por
volta de 1870 com o plantio de tabaco, café e algodão. Houve um incremento na indústria de
artefatos de couro, com utensílios de montaria, principalmente a fabricação do lombilho,
chamado de “serigote”, introduzido pelos imigrantes alemães.
Foi neste período que imigrantes de várias nacionalidades se instalaram no
município - alemães, italianos, portugueses, franceses, uruguaios, paraguaios e espanhóis.
Os imigrantes imprimiram um panorama diferente à cidade, havendo uma modificação na
dinâmica econômica: o comércio foi implementado com maior vigor; novas técnicas foram
introduzidas para revitalizar o setor primário; as práticas da produção se voltaram para as
pequenas propriedades e para as colônias, que produziam o necessário para a manutenção
dos núcleos familiares locais. Houve inclusive inovações tecnológicas no setor de indústrias
com a introdução de curtumes, selarias e ferrarias.
O primeiro ciclo econômico da cidade de Passo Fundo foi o cultivo de erva-mate, que
era produzida e comercializada localmente e como produto de exportação, especialmente
para o Uruguai e o Rio da Prata. Outro ciclo desenvolvido no município foi a pecuária,
mostrando, dessa forma, uma proximidade com a produção estadual do Rio Grande do Sul,
mas que não despontava com resultados promissores, pois as fazendas de criação em
grande escala não ofereciam resultados seguros, uma vez que a indústria pastoril serrana
dependia do sal importado com alto custo.
Em 1902, a indústria madeireira trouxe um novo perfil para o município, pois se
iniciou a exploração intensiva das florestas de pinhais, atividade que se destacou como o
terceiro ciclo econômico do município. Esses ciclos estão diretamente relacionados com os
interesses estaduais na tentativa de buscar alternativas econômicas, uma vez que,
esgotadas algumas das fontes de riqueza, era necessária a criação de novos recursos.
Com a abolição da escravatura, alguns fatos peculiares aconteceram em Passo
Fundo. Campanhas para emancipação dos cativos foram realizadas, sendo fundada, em
1871, a Sociedade Emancipadora das Crianças Negras do Sexo Feminino, da qual fazia
parte um número significativo de pessoas da comunidade, que auxiliavam as crianças com
donativos, alimentos, etc. Ainda em 1884, houve a liberação de escravos do município,
medida anterior à abolição nacional ocorrida em 1888.
A Revolução Federalista de 1893-1895 demarcou a bipolarização entre os liberais,
apelidados de “Maragatos”, liderados por Gaspar de Silveira Martins, e os republicanos,
apelidados de “pica-paus”, liderados por Júlio de Castilhos. Ela deixou consequências que
se evidenciariam mais tarde, como a revolução de 1923 e a permanência do Partido
Republicano no poder por trinta e três anos. No caso de Passo Fundo, esse conflito também
ficou evidente, e seus efeitos tornaram-se presentes, por exemplo, na permanência dos
23 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul republicanos na administração local ao longo do período de 1914-1928 e na própria disputa
político-partidária, ocorrida entre os republicanos e liberais.
O desenvolvimento econômico da cidade no período compreendido entre 1860 e
1934 foi significativo. Ele teve maior impacto no setor comercial e, posteriormente, no setor
industrial, com sua produção voltada ao mercado regional.
5.1
O Município de Mato Castelhano
A região do município de Mato Castelhano foi habitada por diversas tribos indígenas
tupis e guaranis. Essas tribos legaram as denominações dos distritos que vieram a formar o
município: Mato Castelhano e Campo do Meio, que se chamavam, respectivamente,
"Mondecaa" (mato das armadilhas) e Caariroi (onde se colhe a erva-mate).
Por volta de 1632, o Padre Mola, missionário jesuíta, chegou à região, reunindo os
índios na redução de Santa Tereza, possivelmente onde hoje se localiza o povoado Povinho
Velho. Consta que a redução chegou a ter 4000 índios doutrinados na crença cristã. No
entanto, em 1637, esta redução foi destruída pelo bandeirante André Fernandes.
As trilhas abertas pelos índios serviram como caminho para caçadores de gado
selvagem, enquanto os antigos habitantes da redução viviam dispersos. O elemento
indígena ainda hoje está presente na região, vivendo na reserva de Charrua, nas
proximidades de Tapejara. Frequentemente se encontram vestígios nas antigas ocas,
principalmente restos de cerâmicas.
No final do século XIX, a região passou a ser ocupada por colonizadores europeus,
especialmente italianos e alemães, estes últimos em menor escala. Em 1917, membros das
famílias Manfroi, Saggiorato e Loss chegaram a Mato Castelhano, oriundos de Garibaldi.
A localidade de Campo do Meio foi palco de confrontos na Guerra dos Farrapos e
também na Revolução Federalista. A área foi local de combates entre as tropas de Chaco
Pereira e Gumercindo Saraiva. Desde 1858, Campo do Meio era Distrito de Passo Fundo.
Em 1931, foi elevado à condição de vila. Em 1988, foi criado o Distrito de Mato Castelhano,
por desmembramento do Distrito de Campo do Meio. Atualmente, eles formam o município
de Mato Castelhano.
A comunidade de Mato Castelhano concentra sua economia no setor primário. No
entanto, o município vem atraindo diversas indústrias, como as ervateiras e as frigoríficas.
5.2
O Município de Marau
Antes da Coroa distribuir sesmarias para que os tropeiros e os militares se
estabelecessem em estâncias, o município de Marau era apenas território para tropeio de
gado. Com a vinda de imigrantes das mais diversas pátrias, surgiram os primeiros núcleos
populacionais na região. Marau recebeu as primeiras famílias de imigrantes italianos por
volta de 1904 e a região se desenvolveu com o trabalho dos colonizadores, descendentes
desses imigrantes. Já em 1916 foi criado o 5º Distrito de Passo Fundo, e Marau tornou-se
sede do distrito (IBGE, 2012).
Em 1954 foi elevado à categoria de município, pela Lei Estadual n.º 2.550, com o
desmembrado de Passo Fundo e Guaporé. Atualmente, o município se destaca como polo
industrial com cerca de 200 empresas, o que gera mais 6.500 empregos (IBGE, 2012).
5.3
Indicadores de Desenvolvimento de Passo Fundo, Mato Castelhano e Marau
A Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul – FEE/RS, apresenta
24 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
uma classificação para os municípios do estado, segundo o Índice de Desenvolvimento
Socioeconômico (IDESE). Ele é um índice sintético, inspirado no IDH, que abrange um
conjunto amplo de indicadores sociais e econômicos, classificados em quatro blocos
temáticos: Educação; Renda; Saneamento e Domicílios; e Saúde. O IDESE varia de zero a
um e, assim como o IDH, permite que se classifiquem três níveis de desenvolvimento: baixo
(índices até 0,499), médio (entre 0,500 e 0,799) ou alto (maiores ou iguais a 0,800).
Segundo a Tabela 5.1, houve um pequeno crescimento no IDESE no município de
Mato Castelhano entre 2006 e 2008. O índice se encontra no nível de desenvolvimento
médio e, apesar de permanecer abaixo do índice do estado, seu índice ainda permanece no
mesmo patamar de nível de desenvolvimento. O município de Marau permaneceu
praticamente estável neste período. Já o crescimento do nível do município de Passo
Fundo, apesar de compartilhar o nível de desenvolvimento médio com o estado e os
municípios vizinhos, sugere que em breve passará para o nível alto.
Tabela 5.1: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, 2006-2008
2006
Município
Índice
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
IDESE
2007
Índice
Ordem
Ordem
2008
Índice
Ordem
0,79
0,634
0,771
18º
384º
39º
0,795
0,647
0,775
21º
375º
46º
0,797
0,654
0,774
19º
370º
50º
0,764
-
0,769
-
0,772
-
Fonte: FEE/RS. Disponível em:
<http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/estatisticas/pg_idese_municipios_classificacao_idese.php?ano=2007&l
etra=M&ordem=municipios>. Acessado em: 11 jul. 2011.
Em relação aos componentes do IDESE, a Tabela 5.2 mostra que os três municípios
da área de abrangência dos estudos permaneceram estáveis entre os anos de 2006 a 2008
no item Educação. Passo Fundo caiu no Ranking de 180º para 203º, entretanto, sua posição
se manteve no índice de desenvolvimento alto. O município de Mato Castelhano registrou
pouca variação no ranking, caindo de 7º para 10º em 2007, e subindo para 9º em 2008,
muito à frente do outro município com maior expressão socioeconômica. Marau pouco
variou seu índice, entretanto, sua posição caiu de 207° para 271°.
Tabela 5.2: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Educação, 2006-2008
Índice
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
EDUCAÇÃO
2007
2006
Município
0,86
0,939
0,855
0,854
Ordem
180º
7º
207º
-
Índice
0,863
0,941
0,851
0,855
Ordem
188º
10º
254º
-
2008
Índice
0,859
0,939
0,847
0,853
Ordem
203º
9º
271º
-
Fonte: FEE/RS
No item Renda, Tabela 5.3, Passo Fundo permanece no patamar de alto
desenvolvimento. Mato Castelhano, apesar de se manter no nível de desenvolvimento
médio, progrediu no período considerado. Para o período considerado, Marau aumentou seu
índice, entretanto, sua ordem caiu 30 posições.
25 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 5.3: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Renda, 2006-2008
2006
Município
Índice
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
RENDA
2007
Ordem
0,836
0,702
0,811
0,786
18º
194º
41º
-
Índice
2008
Ordem
0,858
0,756
0,829
0,804
28º
146º
60º
-
Índice
Ordem
0,873
0,788
0,833
0,821
34º
130º
71º
-
Fonte: FEE/RS
No item Saneamento, Tabela 5.4, Passo Fundo e Marau se mantiveram na mesma
colocação no Ranking, com pouca variação no índice entre 2006 e 2008. Já o município de
Mato Castelhano apresentou o índice de 0,05, caracterizando baixo desenvolvimento,
embora tenha demonstrado pequena elevação de 2006 a 2008.
Tabela 5.4: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Saneamento, 2006-2008
SANEAMENTO
2006
Município
Índice
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
2007
Ordem
0,653
0,056
0,582
0,567
23º
491º
55º
-
Índice
2008
Ordem
0,654
0,057
0,582
0,569
23º
490º
55º
-
Índice
Ordem
0,655
0,06
0,581
0,57
23º
487º
55º
-
Fonte: FEE/RS
Apesar da péssima situação apresentada na tabela anterior, em relação à Saúde,
Tabela 5.5, os três municípios se mantiveram na condição de alto desenvolvimento no
período analisado.
Tabela 5.5: Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, Variável Saúde, 2006-2008
2006
Município
Índice
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
SAÚDE
2007
0,812
0,838
0,839
0,85
Ordem
488º
393º
392º
-
Índice
0,805
0,833
0,839
0,848
2008
Ordem
489º
417º
391º
-
Índice
0,8
0,827
0,833
0,846
Ordem
492º
432º
391º
-
Fonte: FEE/RS
A Tabela 5.6 mostra que a taxa de analfabetismo no município de Passo Fundo e
Marau é inferior à registrada em nível estadual; já em Mato Castelhano, a situação é
inversa. No entanto, este município apresenta uma expectativa de vida ao nascer superior a
Passo Fundo, entretanto, inferior a Marau e ao estado. Já em termos de mortalidade infantil,
Passo Fundo e Marau apresentam coeficientes inferiores à média estadual, conforme
mostra a Tabela 5.6, enquanto Mato Castelhano apresenta um coeficiente de mortalidade
infantil de 46,51 por mil nascidos vivos, o que é muito superior às estimativas para o estado
e os municípios vizinhos.
26 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 5.6: Índice de Analfabetismo, Expectativa de Vida e Mortalidade Infantil
Município
Taxa de analfabetismo
(2010)
Expectativa de vida
ao nascer (2000)
Coeficiente de
mortalidade infantil / mil
nascidos vivos (2010)
3,58%
9,3%
3,03%
68,51
71,86
74.64
7,34
46,51
8,13
4,35
72,05
11,41
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
Fonte: FEE/RS
5.3.1
Situação Demográfica da Região da FLONA Passo Fundo
Antes de observar a situação demográfica dos municípios e da região nas últimas
décadas, é importante entender o que ocorreu no estado do Rio Grande do Sul no período.
Entre 1990 e 2010, houve um acréscimo populacional no estado de mais de 1,6 milhões de
habitantes. Entretanto, o meio rural perdeu parcela significativa da sua população, ao passo
que a população urbana cresceu (Tabela 5.7).
Tabela 5.7: Dados Demográficos Comparativos para os Anos de 1990, 2000 e 2010
Municípios
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
1990
2000
Total
Rural
Urbana
Total
Rural
Urbana
144.583
-
10.490
-
134.093
-
168.458
2454
4.694
2064
163.764
390
24.739
9.646
15.093
28.361
5.508
22.853
9.017.408 2.175.958 6.841.450 10.187.798 1.869.814 8.317.984
RS
Fonte: FEE/RS. Disponível em:
<http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/estatisticas/pg_populacao_tabela_03.php?ano=2010&letra=M&nome=
Mato+Castelhano>. Acessado em: 11 jul. 2011
Tabela 5.7: (Continuação)
Municípios
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
2010
Total
Rural
Urbana
184.869
2.470
4.710
1.949
180.159
521
36.364
10.695.532
4.806
1.593.291
31.558
9.102.241
Fonte: FEE/RS. Disponível em:
<http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/estatisticas/pg_populacao_tabela_03.php?ano=2010&letra=M&nome=
Mato+Castelhano>. Acessado em: 11 jul. 2011
Enquanto a população total do Rio Grande do Sul cresceu 1,53% entre 2006 e 2010,
o município de Passo Fundo apresentou um acréscimo populacional superior ao registrado
no estado (3,8%) (Tabela 5.8). A população rural de Mato Castelhano e Marau se manteve
relativamente estável entre os anos de 2006 e 2010. Diferentemente dos outros contextos
territoriais, incluindo Passo Fundo (Tabela 5.7), a população rural (79%) de Mato
Castelhano é superior à urbana (21%).
No que se refere ao aumento da população nas áreas urbanas, deve-se observar
que a maioria dos municípios brasileiros está ampliando seu perímetro urbano, seja para
aumentar a arrecadação de imposto (IPTU), seja na expectativa de oferecer condições para
instalação de atividades industriais, zoneando áreas destinadas ao distrito industrial.
27 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 5.8: Variação Populacional entre 2000 e 2010
Variação populacional entre
Municípios
2000 e 2010
Passo Fundo
9,7%
Mato Castelhano
0,65%
Marau
28,2%
4,98%
RS
Fonte: FEE/RS
A Tabela 5.9 mostra o predomínio da população feminina em Passo Fundo (52,3%),
a quase igualdade entre mulheres (49,58%) e homens (50,41%) em Marau e o estrato
masculino predominante em Mato Castelhano (52,3%).
Tabela 5.9: População dos Municípios por Sexo, em 2010
Município
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
Homens
Mulheres
88.050
1.292
18.030
5.205.057
96.776
1.178
18.334
5.488.872
%
Homens
47,6394
52,30769
49,582
48,67301
Mulheres
52,3606
47,69231
50,418
51,32699
Fonte: FEE/RS
5.4
Visão da Comunidade Sobre a FLONA Passo Fundo
Aqui são apresentados alguns dos resultados obtidos na Oficina de Planejamento
Participativo – OPP da FLONA Passo Fundo, realizada no período de 29 de setembro a 1º
de outubro de 2009. A compilação integral dos resultados encontra-se no relatório da OPP
no volume de anexos deste Plano de Manejo.
Durante a oficina, foram realizadas três perguntas sobre a Unidade aos participantes
(moradores do entorno, representantes do conselho e representantes de entidades locais,
do setor público, privado ou ONGs). Estes resultados refletem a impressão de cada
participante sobre a Unidade de Conservação.
A primeira pergunta: “Qual a importância da FLONA no contexto regional?”, resultou
em opiniões, em sua maioria, referentes à preservação do meio ambiente. Houve ainda
aqueles que apresentaram preocupação com possíveis restrições a agricultores do entorno
da Unidade, evidenciando que a UC, por algumas pessoas, é vista como uma "ameaça".
Outros participantes, além das opiniões já comentadas, citaram também "a oportunidade de
lazer na região", "redução de conflitos com o entorno", "geração de oportunidades para
região", "foco de desenvolvimento regional", dentre outros aspectos positivos.
Já para a segunda pergunta, “Qual a nossa visão de futuro em relação à FLONA?”, a
maioria dos participantes mostrou interesse em que houvesse um envolvimento maior da
Floresta Nacional com a comunidade, por exemplo, "a interação da UC com os agricultores";
"utilização da FLONA pela comunidade para o uso público"; e "gestão participativa da UC".
Cabe destacar que a "utilização da Floresta Nacional como espaço para pesquisa e uso
múltiplo da UC" também foi abordada.
A terceira pergunta referiu-se aos objetivos da Unidade e, no geral, a maioria dos
objetivos sugeridos pelos participantes estão de acordo com os da categoria Floresta
Nacional, definidos pelo SNUC (Lei N° 9.985, de 18 de junho de 2000).
Contudo, para as perguntas feitas na oficina, notou-se a expectativa da comunidade
em ver a Unidade aberta ao público e cumprindo os objetivos da categoria.
Perceptivamente, as opiniões coletadas apontam que a efetiva participação e utilização da
28 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
FLONA Passo Fundo pela comunidade ajudará a melhorar as relações com o entorno e
consequentemente o fluxo de informações referentes à conservação e práticas ambientais
na região.
5.5
Uso e Ocupação do Solo e Problemas Ambientais Decorrentes
Quanto ao uso do solo da região, na Tabela 5.10 e na Figura 5.1, pode-se observar
que, no ano de 2006, nos municípios de Passo Fundo, Mato Castelhano e Marau, a maioria
das terras destinava-se a lavouras, florestas e pastagens respectivamente, sendo que a
maioria dos estabelecimentos concentrava-se na produção agrícola (lavouras).
Em 1995, as lavouras permanentes e temporárias representavam 62% da área de
Passo Fundo, 62% em Mato Castelhano e 63% em Marau, conforme Tabela 5.11 e Figura
5.2.
Tabela 5.10: Utilização das Terras dos Estabelecimentos Agropecuários, 2006
Utilização das terras dos estabelecimentos agropecuários
Área de
abrangência
Total de
estabelecimentos
Área
total
(ha)
Mato
Castelhano
461
14.741
377
11.519
217
1.759
228
1.945
Passo
Fundo
887
53.967
902
40.530
488
4.203
565
6.433
Marau
1384
50.654
1397
35.520
905
3.445
481
2.609
442.564
19.707.572
497.295
7.238.843
297.827
8.955.
229
274.774
2.676.
805
RS
Lavouras
EstabeleÁrea
cimentos
(ha)
Pastagens
Área
Estabele(ha)
cimentos
Matas e florestas
EstabeleÁrea
cimentos
(ha)
Fonte: IBGE/ Censo Agropecuário, 2006
Mato Castelhano
Passo Fundo
13%
13%
Marau
8%
6%
Lavouras 8%
11%
Pastagens
76%
79%
86%
Matas e florestas Figura 5.1: Área (%) por Forma de Utilização dos Estabelecimentos de Passo Fundo em 2006
Tabela 5.11: Utilização das Terras no Estado e nos Municípios de Passo Fundo, Mato
Castelhano e Marau em 1995
Lavouras em
Lavouras
Pastagens
Matas
Área total
descanso e
Município
permanentes
naturais e
naturais e
(ha)
produtivas e não
e temporárias
artificiais
plantadas
utilizadas
Mato
21.528
13.475
4.573
3.517
319
Castelhano
Passo Fundo
61 649
36 340
12 846
8 175
1 377
Marau
50 742
30 476
9 598
6 974
1 244
21.800.887
5.635.362
11.680.328
2.511.631
861.860
RS
Fonte: IBGE/ Censo Agropecuário, 1995
29 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
2%
1%
3%
14%
16%
22%
62%
Lavouras permanentes e temporárias
Pastagens naturais e artificiais
14%
Matas naturais e plantadas
20%
21%
62%
63%
Lavouras em descanso e produtivas e não utilizadas
Figura 5.2: Área (%) por Forma de Utilização das Terras de Passo Fundo, Mato Castelhano e
Marau em 1995
A estrutura fundiária das propriedades, dos municípios analisados, seguia, em 1995,
o padrão estadual e microrregional, com predomínio das pequenas propriedades (Tabela
5.12 e Figuras 5.3). Em Passo Fundo, os estabelecimentos situados em propriedades com
tamanho entre menos de 10 e 100 ha representam 89% do total. Já em Mato Castelhano,
esse grupo de áreas representava 88% e, em Marau, 95% dos estabelecimentos.
Tabela 5.12: Estabelecimentos por Grupo de Área (ha) Total no Estado, nos Municípios de
Passo Fundo, Mato Castelhano e Marau em 1995
Município
Mato Castelhano
Passo Fundo
Marau
RS
Menos de 10
10 a menos
de 100
100 a menos
de 200
200 a menos
de 500
500 a menos
de 2000
92
375
258
568
29
69
17
52
4
22
287
150.679
1 074
244.905
37
14.349
15
11.600
9
7.012
Fonte: IBGE/ Censo Agropecuário, 199510
Segundo o resultado do Censo Agropecuário do IBGE de 1995, a condição do
produtor predominante é a de proprietário nos municípios de Passo Fundo (89%), Mato
Castelhano (93%) e Marau (91%). A classe dos arrendatários e parceiros é a segunda forma
de posse da terra mais observada e representa 9,5% em Passo Fundo, 6,1% em Mato
Castelhano e 7,33% em Marau (Tabela 5.13),
10
Na conclusão dos trabalhos, parte dos dados do Censo Agropecuário 2006 do IBGE não estava disponível.
30 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Passo Fundo
Mato Castelhano
2%
6%
Marau
4% 1%
1%
3%
5%
7%
1%
Menos de 10
20%
23%
10 a menos de 100
35%
100 a menos de 200
200 a menos de 500 500 a menos de 2000
52%
75%
65%
Figura 5.3: Estabelecimentos (%) por Grupo de Área em Passo Fundo, Mato Castelhano e Marau em 1995
Tabela 5.13: Condição do Produtor em 1995
Proprietário
Área de
abrangência
Passo Fundo
Mato Castelhano
Marau
RS
Estabelecimentos
Arrendatário
Área (ha)
Parceiro
Ocupante
Estabelecimentos Área (ha) Estabelecimentos Área (ha) Estabelecimentos Área (ha)
907
343
54.878
20.119
130
44
5.409
1.207
13
6
503
127
36
7
859
74
1 284
357.333
46 257
19.206.811
42
26.460
2 676
1.653.447
44
22.945
1 047
536.881
52
23.220
762
403.747
Fonte: IBGE/ Censo Agropecuário, 1995
31 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Segundo dados do Diagnóstico Socioeconômico, realizado pelo Laboratório de
Geoprocessamento e Planejamento Ambiental do Departamento de Ciências Biológicas da
Universidade Regional Integrada (URI), sob a coordenação do professor Dr. Vanderlei
Decian, nas propriedades localizadas nas proximidades da FLONA Passo Fundo, observase que 26,58% delas têm entre 0,1 e 10 ha, 46,84% entre 10 e 100 ha e 6,33% entre 100 e
200 ha (Tabela 5.14) (URI, 2010). Com isso, pode-se observar que o tamanho das
propriedades localizadas do entorno da FLONA Passo Fundo segue a tendência dos
municípios de Mato Castelhano e Marau, apresentada na tabela 5.12, onde,
respectivamente, 88% e 95% das propriedades têm entre 0,1 e 100 ha (Figura 5.3).
Tabela 5.14: Classes de Área da Propriedade por Hectare (ha)
Classes de Área da Propriedade (ha)
N° Entrevistados
Percentual (%)
0.1(ha)------|1(ha)
1.1(ha)------|5(ha)
5.1(ha)------|10(ha)
10.1(ha)------|20(ha)
20.1(ha)------|35(ha)
35.1(ha)------|50(ha)
50.1(ha)------|75(ha)
75.1(ha)------|100(ha)
100.1(ha)------|200 (ha)
200.1(ha)------|500 (ha)
Não Soube Informar - Não quis Informar
Total
3
7
11
15
10
7
2
3
5
1
15
79
3.80
8.86
13.92
18.99
12.66
8.86
2.53
3.80
6.33
1.27
18.99
100.00
Fonte: URI, 2010
As propriedades de maior tamanho concentram-se a noroeste da área de entorno, e
as propriedades menores estão associadas às áreas menos planas e que se situam em
direção a Marau.
Em relação à condição da propriedade, o levantamento da URI coaduna com as
informações do Censo Agropecuário de 1995, apresentadas anteriormente, indicando que a
grande maioria das propriedades rurais são próprias (92%), evidenciando que outras formas
de gestão (por exemplo, arrendamento, parceria, etc.) do imóvel são inexpressivas devido
aos baixos índices encontrados (Figura 5.4).
Figura 5.4: Condição da Propriedade – Rural
Fonte: URI, 2010
32 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Outra fonte de informações para a caracterização do uso e ocupação do solo no
entorno da FLONA Passo Fundo é o mapa de uso do solo apresentado na Figura 5.5,
elaborado para este Plano de Manejo para a área da sua ZA. Na análise realizada
constatou-se que as propriedades do entorno da UC são destinadas, principalmente, à
lavoura, havendo também algumas pastagens e pequenas áreas de reflorestamento
(silvicultura).
Figura 5.5: Mapa de Uso do Solo da ZA da FLONA Passo Fundo
Ainda sobre a Figura 5.5, as áreas com vegetação nativa encontram-se,
basicamente, restritas às margens dos cursos de água que drenam a região, além de
algumas áreas adjacentes à FLONA Passo Fundo. Estas últimas configuram-se como as
mais extensas.
Considerando a conclusão dos estudos realizados pela URI, em 2010, de que as
maiores propriedades concentram-se a noroeste da FLONA Passo Fundo, pode-se
constatar que estas propriedades coincidem com as áreas de menor ocorrência de matas
naturais no entorno da UC.
Em relação à cobertura vegetal nativa ou com reflorestamento, os estudos realizados
pela URI (2010) indicam que a grande maioria dos proprietários rurais não possuem nenhum
tipo dessa cobertura de vegetação na propriedade (Figura 5.6).
33 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Figura 5.6: Quantificação da Presença e/ou Ausência de Vegetação Nativa ou Exótica nas
Propriedades Rurais do Entorno da FLONA Passo Fundo
Fonte: URI, 2010
Quanto ao destino do lixo nas propriedades rurais, o levantamento da URI indica que
50% dos entrevistados afirmam que o lixo é recolhido e depositado em aterro sanitário. Esse
dado refere-se principalmente aos entrevistados pertencentes ao município de Marau, uma
vez que este município possui sistema de recolhimento no meio rural, tendo como destino a
reciclagem e o aterro sanitário.
No levantamento, a pesquisa também mostra os dados coletados sobre a captação
de água e a procedência da lenha utilizada nas propriedades rurais, que indicam uma
possível ocorrência de impactos ambientais sobre os recursos naturais no entorno da
FLONA Passo Fundo.
Ainda sobre os impactos ambientais no entorno da FLONA Passo Fundo, destaca-se
a existência de um processo de ocupação irregular às margens da Barragem de Capingüí,
situada imediatamente ao sul da FLONA, em propriedades basicamente de veraneio, que já
demandou ações de controle e planejamento pelo poder público. Além disso, ressalta-se
também o emprego de sementes geneticamente modificadas, principalmente em lavouras
de soja, que tem gerado muitas controvérsias em relação à regulamentação e à fiscalização
do cumprimento das normas vigentes.
5.6
Legislação e Normas Pertinentes
Para que a gestão de uma Unidade de Conservação possa ter respaldo legal, além
do seu planejamento, há que ser levadas em consideração algumas disposições de normas
federais e estaduais de diversos níveis hierárquicos, que se aplicam ao contexto físico e na
sua zona de amortecimento.
34 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), instituído
pela Lei no 9.985/2000, estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão
de Unidades de Conservação (UC), apresentando conceitos, objetivos e diretrizes para o
manejo dessas áreas protegidas.
A categoria Floresta Nacional (FLONA) é definida no artigo 17 do SNUC como uma
área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo
básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase
em métodos para exploração sustentável de florestas nativas. A Floresta Nacional é de
posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites devem
ser desapropriadas de acordo com o que dispõe a lei. Ainda segundo esse mesmo artigo,
nas Florestas Nacionais a visitação pública é permitida, condicionada às normas
estabelecidas para o manejo da Unidade pelo órgão responsável por sua administração,
bem como a pesquisa científica, que também é permitida e incentivada, sujeitando-se à
prévia autorização do órgão responsável pela administração da UC, às condições e
restrições estabelecidas pelo mesmo e àquelas previstas em regulamento. A lei prevê ainda
que as Unidades de Conservação devem dispor de um Plano de Manejo, o qual deve
abranger sua área, sua Zona de Amortecimento e os corredores ecológicos, incluindo
medidas com a finalidade de promover sua integração à vida econômica e social das
comunidades vizinhas, bem como um Conselho Consultivo, presidido pelo órgão
responsável por sua administração e constituído por representantes de órgãos públicos, de
organizações da sociedade civil e, quando for o caso, das populações tradicionais
residentes.
O Decreto Federal n. 1.298/94, que aprova o Regulamento das Florestas Nacionais,
dispõe que as mesmas são estabelecidas com os seguintes objetivos: I - promover o manejo
dos recursos naturais, com ênfase na produção de madeira e outros produtos vegetais; II garantir a proteção dos recursos hídricos, das belezas cênicas, e dos sítios históricos e
arqueológicos; e III - fomentar o desenvolvimento da pesquisa científica básica e aplicada,
da educação ambiental e das atividades de recreação, lazer e turismo. Prevê ainda que as
FLONAS serão administradas visando: a) demonstrar a viabilidade do uso múltiplos e
sustentável dos recursos florestais e desenvolver técnicas de produção correspondente; b)
recuperar áreas degradadas e combater a erosão e sedimentação; c) preservar recursos
genéricos in-situ e a diversidade biológica; d) assegurar o controle ambiental nas áreas
contíguas
O Decreto n. 4.340/2002, que regulamenta a Lei do SNUC, dispõe em seu artigo 12
que o Plano de Manejo das FLONAS será aprovado em Portaria do órgão executor, neste
caso o ICMBio. Outros aspectos importantes do regulamento são as disposições sobre a
estrutura, funcionamento e competências do conselho da Unidade de Conservação e a
gestão compartilhada com OSCIP.
Em substituição à Resolução CONAMA n. 13/1990, o CONAMA editou a Resolução n.
428, de 17 de dezembro de 2010, que dispõe, no âmbito do licenciamento ambiental, sobre
a autorização do órgão responsável pela administração de uma UC, conforme trata o
parágrafo 3º do artigo 36 da Lei do SNUC, bem como sobre a ciência do órgão responsável
pela administração da UC, em casos de licenciamento ambiental de empreendimentos não
sujeitos a EIA-RIMA.
As Áreas de Preservação Permanente e a Reserva Florestal Legal das propriedades
rurais localizadas na ZA e região de entorno da FLONA têm sua definição e regras de
utilização conforme disposto no Código Florestal e Resoluções do CONAMA.
A Floresta Nacional de Passo Fundo está inserida no Bioma Mata Atlântica, o qual tem
a sua utilização e proteção regidas pela Lei da Mata Atlântica e seu Decreto de
Regulamentação, respectivamente a Lei Federal n. 11.428/06 e o Decreto Federal n.
35 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 6.660/08. Tais normas vedam o corte e a supressão de vegetação primária ou nos estágios
avançado e médio de regeneração do Bioma Mata Atlântica, quando essa vegetação formar
corredores entre remanescentes de vegetação primária ou secundária em estágio avançado
de regeneração e proteger o entorno das Unidades de Conservação.
A Lei Federal n. 11.284/06, que trata da gestão de florestas públicas para a produção
sustentável, estabelece como princípios a proteção dos ecossistemas, do solo, da água, da
biodiversidade e dos valores culturais associados; o respeito ao direito da população, em
especial das comunidades locais, de acesso às florestas públicas e aos benefícios
decorrentes de seu uso e conservação; o acesso livre de qualquer indivíduo às informações
referentes à gestão de florestas públicas; a promoção e difusão da pesquisa florestal,
faunística e edáfica, relacionada à conservação, à recuperação e ao uso sustentável das
florestas; o fomento ao conhecimento e a promoção da conscientização da população sobre
a importância da conservação, da recuperação e do manejo sustentável dos recursos
florestais, dentre outros.
Além disso, a lei apresenta disposições gerais sobre a gestão de florestas públicas
para a produção sustentável, regras e critérios para as concessões florestais, direitos das
comunidades locais e o estabelecimento dos órgãos competentes e suas atribuições e
responsabilidades. Destaca-se que as concessões em florestas nacionais, estaduais e
municipais devem observar o disposto no Plano de Manejo da Unidade de Conservação e
na legislação em vigor. A inserção de unidades de manejo das florestas nacionais, estaduais
e municipais no Plano Anual de Outorga Florestal (PAOF) requer prévia autorização do
órgão gestor da Unidade de Conservação.
Os recursos florestais das unidades de manejo de florestas nacionais, estaduais e
municipais somente serão objeto de concessão após aprovação do Plano de Manejo da
Unidade de Conservação, nos termos da Lei do SNUC. Para a elaboração do edital e do
contrato de concessão florestal das unidades de manejo em florestas nacionais, estaduais e
municipais, ouvir-se-á o respectivo Conselho Consultivo, o qual acompanhará todas as
etapas do processo de outorga.
O Código Florestal (Lei n. 4.771/65), em seu artigo 27, proíbe o uso de fogo nas
florestas e demais formas de vegetação. Porém, admite que, se peculiaridades locais ou
regionais justifiquem o emprego de fogo em atividades agropastoris ou florestais, a
permissão será estabelecida em ato do poder público, circunscrevendo as áreas e
estabelecendo normas de precaução. O Decreto Federal n. 2.661/98 regulamenta parágrafo
único do citado artigo 27, mediante o estabelecimento de normas de precaução, relativas ao
emprego do fogo em práticas agropastoris e florestais. Tal norma permite, mediante a
queima controlada previamente autorizada por órgão do SISNAMA, o emprego de fogo em
práticas florestais e agropastoris.
Assim como o Código Florestal Nacional, a Lei Estadual n. 9.519/92, que institui o
Código Florestal do Estado do Rio Grande do Sul, em seu artigo 28, proíbe expressamente
o uso de fogo e a realização de queimadas nas florestas e demais formações vegetais
naturais no RS. Prevê, no entanto, em seus parágrafos primeiro e segundo, a possibilidade
da queima controlada para fins de eliminação e controle de pragas e doenças, desde que
seja devidamente licenciada pelo órgão ambiental competente.
A fauna silvestre ocorrente na região é tutelada nos termos da Lei Federal n. 5.197/67
de Proteção à Fauna. A ocorrência de danos diretos ou indiretos à fauna e à flora,
localizadas na UC e em sua Zona de Amortecimento, sujeitarão os agentes às sanções
previstas nas normas penais e administrativas que tutelam o meio ambiente.
O incentivo à sensibilização da sociedade para a importância da criação, gestão e
manejo das Unidades de Conservação é atribuição do poder público, de acordo com a
36 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Política Nacional de Educação Ambiental. Também, a integração da gestão das águas com
a gestão ambiental é uma diretriz expressa na Política Nacional de Recursos Hídricos.
5.7
Potencial de Apoio à FLONA Passo Fundo
A FLONA Passo Fundo é vizinha da zona urbana de Mato Castelhano, que possui
infraestrutura básica de município de pequeno porte, com escola pública, posto de saúde,
posto de combustível, delegacia de polícia, além de estabelecimentos de comércio e
serviços, com exceção de transporte urbano e de hospedagem.
As instituições públicas estaduais e federais, o comércio e os serviços mais
especializados, bem como as universidades, podem ser encontrados em Passo Fundo, que
é um centro regional e oferece toda a infraestrutura necessária à gestão da FLONA Passo
Fundo.
5.7.1
Turismo
a) Passo Fundo
O município conta com mais de 20 tipos de hospedagem, desde locais fixos e
específicos para dormir, como locais móveis que, além da diária, oferecem outras atividades
relacionadas ao lazer.
Em relação ao número de hóspedes que atendem, pode-se dizer que, para uma
cidade de médio porte, a capacidade é relativamente boa, pois mais da metade dos hotéis
consegue receber entre 50 a 200 hóspedes.
b) Mato Castelhano
Segundo a Prefeitura, não há opção de hospedagem no município, mas há a
possibilidade de que, nos próximos anos, seja instalada uma hospedaria na região.
c) Marau
No município existem 11 opções de hospedagem, 8 hotéis, 2 campings e 1 pousada.
5.7.2
Saúde
a) Passo Fundo
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o município conta com 4 Unidades
Hospitalares, totalizando 804 leitos, 51 Unidades de Saúde e 23 Ambulatórios de
Atendimento Básico.
b) Mato Castelhano
Conta com apenas 1 Unidade de Saúde, a Unidade Sanitária Mato Castelhano.
c) Marau
O município conta com 7 unidades de saúde públicas e 4 unidades de saúde
privadas.
37 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 5.7.3
Rede de Serviços
a) Passo Fundo
O município apresenta diversos estabelecimentos de prestação de serviços. Quanto
ao serviço bancário, o sistema financeiro de Passo Fundo é constituído por 24 agências
bancárias, 17 postos de atendimento bancário, 40 postos de atendimento bancário
eletrônico e 5 unidades de atendimento bancário. Estão presentes os bancos: Banco 24
horas Bella Cittá, Banco 24 horas Bourbon, Banco Bradesco S.A., Banco da Terra, Banco
do Brasil S.A., Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Banco HSBC, Banco Itaú S.A.,
Banco Santander Banespa, Banco Sicredi e Caixa Econômica Federal.
b) Mato Castelhano
O município não possui agências bancárias, há apenas caixas eletrônicos da Caixa
Econômica Federal e duas cooperativas de crédito, o Banco Sicredi e o Banco Crehnor.
c) Marau
O município possui alguns estabelecimentos de prestação de serviço. Quanto ao
serviço bancário, possui 5 agências bancárias localizadas na Avenida Júlio Borella, que são:
Banco do Brasil S.A., Banrisul - Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A., HSBC Bank
Brasil S.A. - Banco Múltiplo, Caixa Econômica Federal e Banco Bradesco S.A.
5.7.4
Segurança Pública
a) Passo Fundo
No município de Passo Fundo, a Segurança Pública é realizada pelas Polícias Civil e
Militar, lotadas na 1ª Delegacia de Polícia (com 15 homens); 2ª Delegacia de Polícia (com
15 homens); 6ª Delegacia Regional de Polícia – DRP (com 8 homens); Delegacia de Polícia
de Pronto Atendimento (com 35 homens); Delegacia de Delitos de Trânsito (com 6 homens);
Delegacia de Furtos, Roubos, Extorsões e Capturas (com 11 homens); Delegacia de
Proteção à Criança e ao Adolescente (com 11 homens); e Delegacia Virtual da Polícia Civil
(site da Secretaria da Justiça e da Segurança do RS, que conta com vários serviços).
Também há o Posto Policial da Mulher em Passo Fundo, criado no final de 2001, que
conta com 3 policiais do sexo feminino e 1 agente administrativa, além da delegada de
polícia responsável. Este posto propicia também atendimento psicológico às vitimas de
abuso contra a mulher. O município ainda conta com Polícia Rodoviária Federal, Polícia
Ambiental, guarda municipal e Corpo de Bombeiros.
b) Mato Castelhano
O policiamento do município é feito pela Delegacia de Polícia de Mato Castelhano,
que tem um efetivo de 5 policiais, e é vinculada à Delegacia de Polícia de Passo Fundo.
c) Marau
O Policiamento no município é feito pela Delegacia de Polícia de Marau, localizada na
Avenida Barão do Rio Branco, 1039, centro da cidade.
38 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
5.7.5
Educação
O Quadro 5.1 apresenta a relação das Unidades de ensino dos municípios de Passo
Fundo, Mato Castelhano e Marau.
Quadro 5.1: Unidades de Ensino em Passo Fundo e Mato Castelhano em 2003
UNIDADES
Passo Fundo
Mato Castelhano
Unidades de educação infantil
121
2
Unidades de ensino fundamental
80
5
Unidades de ensino médio
20
1
Unidades de educação de jovens e adultos
18
1
Unidades de ensino superior
8
0
Marau
29
25
3
6
1
Fonte: Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul – FAMURS. Portal Municipal.
Disponível em: <http://www.portalmunicipal.org.br/entidades/famurs/educacao>. Acessado em: 20 dez. 2010
5.7.6
a)
Telecomunicação
Passo Fundo
Os principais meios de comunicação do município são as 4 Emissoras de TV (RBS
TV - Passo Fundo, SBT- Passo Fundo, TV Pampa e UPF TV), os 8 Jornais (Diário da
Manhã, Jornal A Nota, Jornal Rotta, Jornal Zero Hora PF, O Cidadão, O Nacional, O
Planalto e Tropeiro dos Pampas), e as 8 Rádios, sendo Rádios FM (Diário da Manhã, Rádio
Atlântida de Passo Fundo, Rádio Planalto) e Rádios AM (Diário da Manhã, Rádio Planalto,
Rádio Uirapuru) e mais de 10 Agências de Correios. Compete observar que, além dos
veículos de comunicação destacados acima, o município conta com acesso a jornais e
revistas de circulação regional e nacional, o que dimensiona sua posição socioeconômica na
região. Entretanto, o município não conta com programas específicos que envolvam temas
ligados ao meio ambiente.
b) Mato Castelhano
Os principais meios de comunicação do município são as emissoras de TV, de rádio
(Rádio Castelhana - Emissora de Radiodifusão Comunitária, FM 104,9) e uma Agência de
Correio, aberta de segunda a sexta-feira. Além dos veículos de comunicação destacados, o
município conta com acesso a jornais e revistas de circulação regional e nacional. O
município não conta com programas específicos que envolvam temas ligados ao meio
ambiente.
c)
Marau
Os principais meios de comunicação do Município são as 3 agências de correio,
abertas de segunda a sexta, além dos jornais A Folha Regional, Marau, Correio Marauense
e Nossa Cidade, as rádios Alvorada, Mais Nova e Vang FM e as revistas Aqui! e Graffos.
Afora os veículos de comunicação destacados, o município conta com acesso a
jornais e revistas de circulação regional e nacional. O município não conta com programas
específicos que envolvam temas ligados ao meio ambiente
39 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 5.7.7
a)
Fornecimento de Energia Elétrica
Passo Fundo
Segundo a prefeitura de Passo Fundo11, a cidade é atendida pela Companhia NorteNordeste de Distribuição de Energia Elétrica - CNNDEE (antiga CEEE), tendo
disponibilidade de 10.000 kW de demanda, distribuídos em 8 alimentadores. O fornecimento
de energia elétrica é feito pela Usina de Passo Real, de propriedade da CNNDEE e da
Usina do Rio Passo Fundo, que é da ELETROSUL - Centrais Elétricas do Sul. A voltagem é
de 220 volts.
A energia elétrica consumida no município é também distribuída pela empresa Rio
Grande Energia - RGE, que atende a 262 municípios na região norte-nordeste do estado do
Rio Grande do Sul, o que representa 51% do total de municípios do estado. A área de
cobertura da RGE divide-se em duas regiões: a Centro, com sede em Passo Fundo, e a
Leste, com sede em Caxias do Sul. São 90.718 km2 e 34% do território do estado atendidos.
b) Mato Castelhano
O município faz parte da região atendida pela Cooperativa de Energia e
Desenvolvimento Rural Ltda. – COPREL quanto ao fornecimento e distribuição de energia
elétrica. A voltagem é de 220 volts.
c)
Marau
O município, assim como Mato Castelhano, também faz parte da região atendida
pela COPREL quanto ao fornecimento e distribuição de energia elétrica. A voltagem é de
220 volts.
5.7.8
Transporte
a) Passo Fundo
O transporte aéreo é realizado no Aeroporto Municipal Lauro Kourtz. Atualmente, os
voos diários são limitados a alguns destinos das regiões sul, sudeste, centro-oeste e
nordeste.
O transporte rodoviário é realizado desde a Estação Rodoviária de Passo Fundo,
sendo que o movimento médio/dia de passageiros na rodoviária é de 2.200 passagens
intermunicipais vendidas e de 1.000 passagens interestaduais. Atende em diversos horários,
com frequência de ônibus de segunda a domingo.
Passo Fundo ainda possui três empresas para o transporte coletivo urbano na
cidade. A empresa de coletivo urbano Coleurb Coletivo Urbano Ltda. é a maior do município,
possuindo cerca de 24 linhas que atendem a maior parte dos bairros da cidade. A Codepas Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo, é uma empresa pública de direito privado,
instituída pelo município de Passo Fundo. Ela possui uma frota de 36 ônibus, sendo 21
ônibus para transporte urbano, que são utilizados no circuito de 9 linhas diárias, 5 veículos
reserva e 10 veículos locados para o transporte escolar e de crianças pela Secretaria de
Educação e Secretaria da Criança e Ação Social. Há, ainda, a empresa Transpasso
Transporte Coletivo Ltda.
11
<http://www.pmpf.rs.gov.br/secao.php?p=215&a=3&pm=158>
40 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
b) Mato Castelhano
Segundo a Prefeitura12, não há opções de transporte público no município, nem entre
Mato Castelhano e Passo Fundo. Este trajeto é realizado apenas por transporte escolar.
c) Marau
O transporte público no município é realizado pela empresa Marisul Transportes
Ltda. Só existem linhas entre bairros, sendo o deslocamento intermunicipal realizado pela
empresa Unesul na Estação Rodoviária Marau.
6
CARACTERIZAÇÃO DOS FATORES ABIÓTICOS E BIÓTICOS
6.1
Clima
A dinâmica atmosférica da região norte do Rio Grande do Sul é caracterizada pelo
escoamento persistente de leste-nordeste ao longo de toda região sul do Brasil. Esse fluxo é
induzido pelo gradiente de pressão atmosférico entre a depressão do nordeste da Argentina
e o anticiclone subtropical Atlântico. Em consequência desse escoamento, são resultantes
ventos de velocidades médias anuais de 5.5 m/s a 6.5 m/s sobre grandes áreas da região.
Entretanto, os aspectos orográficos, a cobertura do solo e o fator de continentalidade
influenciam o perfil de circulação atmosférica, causando variações significativas nas
condições de vento locais.
A dinâmica da circulação atmosférica sobre o Rio Grande do Sul é intensificada no
inverno e, na primavera, pela recorrente passagem de frentes frias oriundas da depressão
do nordeste da Argentina. A região em que está situada a Floresta Nacional de Passo
Fundo enquadra-se, segundo a classificação de Köppen, no tipo climático Cfa, que se
caracteriza por ser um clima subtropical, com chuvas bem distribuídas durante o ano e com
temperatura média mensal mais quente superior a 22 C. De acordo com o Atlas Eólico do
Rio Grande do Sul (SEMC, 2002), as temperaturas médias anuais na região da FLONA
Passo Fundo são entre de 16 a 18 °C, sendo que as temperaturas mais frias, nos meses de
inverno, variam entre -3 e 10 °C, e as precipitações entre 1.800 e 1.900 mm anuais,
gerando, assim, balanços hídricos positivos em relação ao processo chuva-vazão da bacia
contribuinte.
Para a caracterização do clima local na região da FLONA Passo Fundo, foi utilizada
a estação meteorológica da Embrapa Trigo em Passo Fundo – na qual existem as variáveis
de fotoperíodo, horas de frio, características do vento, caracterização de pH de águas de
chuva e radiação solar. A temperatura nesta região é em função da altitude do local, sendo
que a sua média anual gira em torno de 17,5 ºC. As temperaturas médias máximas são em
torno de 23,6 ºC e as médias mínimas registradas foram de 13,2 ºC. A temperatura média
mais alta ocorre em janeiro e a mínima nos meses de junho e julho.
De maneira geral, a precipitação apresenta uma elevação na primavera e verão e
durante o outono/inverno é mais reduzida, entretanto, não há uma época seca. De certa
forma, as chuvas são bem distribuídas anualmente. Os valores totais anuais são em torno
de 1.788 mm. A precipitação máxima de 24 horas possui comportamento semelhante aos
totais precipitados, além dos meses de abril e maio apresentarem também valores elevados
(entre 140 e 160 mm). A probabilidade de ocorrência de geada é maior entre maio e
setembro, sendo em julho os menores valores de temperatura mínima absoluta.
12
Contato telefônico com a Sra. Nádia da Secretaria de Educação do município em 19 de janeiro de 2012.
41 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul No que diz respeito à velocidade e direção dos ventos na região da FLONA Passo
Fundo, tem-se para a velocidade média normal 4,2 m/s e a direção predominante dos
ventos é NE (nordeste). Ela apresenta uma cobertura média de nuvens que chega a 50%
durante o ano.
6.2
Geologia
O estado do Rio Grande do Sul é constituído em parte por rochas efusivas básicas,
intermediárias e ácidas do Planalto da Serra Geral e pela cobertura sedimentar gonduânica
referente à Bacia do Paraná, ou seja, uma bacia intracratônica, cuja idade varia entre o
Siluriano e o Cretáceo. Este último período está compreendido na Era Mesozoica e data de,
aproximadamente, 135 milhões de anos.
No decorrer desse período, ocorreram sucessivos derrames de lavas basálticas
sobre as areias do deserto Botucatu, as quais atingiram toda a região sul do Brasil. Essa
deposição de lavas, de origem mesozoica, constitui a geologia da Formação Serra Geral,
sobre a qual se encontra a Floresta Nacional de Passo Fundo. Essa formação é constituída
tanto por rochas efusivas, como o basalto e fenobasaltos, quanto por rochas vulcânicas
ácidas, como os riodacitos, riolitos e dacitos félsicos. A essa formação estão associados
diques e corpos tabulares de diabásio, bem como intercalações de arenitos interderrames
caracterizados por sua origem eólica e de granulação fina à média (BRASIL, 1986).
As rochas da sequência ácida estão posicionadas estratigraficamente acima das de
sequência básica. As rochas ácidas, quando alteradas, exibem coloração em tons de cinzaclaro e amarelado, constituindo solos do tipo Terra Bruna Similar. Tais rochas mostram um
relevo tabular, de platô, regionalmente denominado de “campos gerais”, apresentando uma
drenagem pouco encaixada, refletindo um estágio de dissecação menos desenvolvido
(BRASIL, 1986).
6.3
Geomorfologia
Para o Rio Grande do Sul, o mapeamento realizado pelo Projeto RADAMBRASIL
indica três domínios morfoestruturais e oito regiões geomorfológicas e suas respectivas
unidades geomorfológicas, como apresenta o Quadro 6.1. Os textos em negrito
representam os domínios, regiões e unidades geomorfológicas que ocorrem na área da
FLONA Passo Fundo.
42 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Quadro 6.1: Domínios Morfoestruturais, Regiões e Unidades Geomorfológicas do Estado do
Rio Grande do Sul
Domínios Morfoestruturais
Depósitos Sedimentares
Regiões Geomorfológicas
Planície Costeira Externa
Planície Costeira Interna
Planalto das Araucárias
Bacias e Coberturas
Sedimentares
Planalto das Missões
Planalto da Campanha
Planalto Centro-Oriental de
Santa Catarina
Depressão Central Gaúcha
Depressão do Sudeste
Catarinense
Embasamento em Estilos
Complexos
Planalto Sul-Rio Grandense
Serras do Leste Catarinense
Unidades Geomorfológicas
Planície Marinha
Planície Lagunar
Planície Alúvio-Coluvionar
Planalto dos Campos Gerais
Planalto Dissecado Rio Iguaçu Rio Uruguai
Serra Geral
Patamares da Serra Geral
Planalto Santo Ângelo
Planalto de Uruguaiana
Planalto de Lages
Depressão Rio Jacuí
Depressão Rio Ibicuí-Rio Negro
Depressão da Zona
Carbonífera Catarinense
Planaltos Residuais CanguçuCaçapava do Sul
Planalto Rebaixado Marginal
Serras do Tabuleiro-Itajaí
Fonte: Brasil, 1986
Neste contexto, devido à sua posição geográfica, isto é, em área de planalto, a
Floresta Nacional de Passo Fundo está enquadrada nas regiões geomorfológicas Planalto
das Araucárias e Planalto das Missões, ambas compreendidas no Domínio Morfoestrutural
das Bacias e Coberturas Sedimentares, conforme observado na Carta Temática de
Geomorfologia, desenvolvida pelo IBGE (2003a).
De modo geral, a região onde se encontra a FLONA Passo Fundo apresenta relevo
ondulado, conforme Figura 6.1, e áreas de declividades acentuadas, denotando um relevo
mais movimentado (UFSM, 1989).
43 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Figura 6.1: Relevo Ondulado, na Forma de Colinas, Característico da Região que Abrange a
FLONA Passo Fundo.
Fonte: Acervo FLONA Passo Fundo
O modelado que representa a FLONA Passo Fundo é caracterizado por ser de
dissecação. Isto porque está associado aos processos de erosão pluvial, fluvial e
gravitacional. Nesse sentido, de acordo com as formas dominantes do relevo, o modelado
de dissecação da FLONA Passo Fundo é caracterizado por ser em outeiros ou morrarias
(Mapa 6.1).
A maior parte da UC é representada por vales abertos em forma de “U”, enquanto
que os poucos vales em forma de “V” estão caracteristicamente bem encaixados. As feições
mais relevantes encontradas na FLONA Passo Fundo são: topos de morro, poucos topos de
morro planos, rupturas de declive, algumas ombreiras de rift e três áreas identificadas como
colo entre dois morros. Os interflúvios, de maneira geral, apresentam-se amplos e
alongados. As cotas altimétricas variam de aproximadamente 632,3 m a 757,6 m (ponto
mais alto localizado próximo à sede da UC) (Mapa 6.2), de acordo com a restituição
aerofotogramétrica realizada no ano de 2003 e 1964 em escalas 1:10.000 e 1:30.000,
respectivamente.
44 Mapa 6.1: Geomorfologia Local da FLONA Passo Fundo
45 Mapa 6.2: Mapa Hipsométrico da FLONA Passo Fundo
46 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
6.4
Aspectos Pedológicos
De acordo com a Carta Temática de Pedologia (IBGE, 2003c), o solo da região onde
se encontra a FLONA Passo Fundo é identificado por ser do tipo Terra Bruna Estruturada
Intermediária para Podzólico Vermelho-Escuro álico “A” com proeminente textura muito
argilosa e Terra Bruna Estruturada álica “A” com proeminente textura argilosa. Desde 1999,
os nomes dos referidos tipos de solo sofreram alterações, o tipo de solo “Terra Bruna
Estruturada” passou a ser chamado de “Nitossolo Háplico” e o Tipo “Podzólico VermelhoEscuro” passou a ser chamado “Argissolo Vermelho” (EMBRAPA, 1999).
Esses tipos de solos compreendem os solos minerais não hidromórficos e se
desenvolvem a partir de rochas efusivas da Formação Serra Geral, bem como de
sedimentos finos do Paleozoico. Ocorrem em relevo suave ondulado a ondulado em clima
subtropical úmido.
Os Nitossolos Háplicos são caracterizados por serem argilosos ou muito argilosos,
bem drenados e profundos ou muito profundos. A profundidade, juntamente com o relevo
característico da região, os torna de boa aptidão agrícola, desde que a fertilidade química
seja corrigida (EMBRAPA, 1999). Os Argissolos Vermelhos possuem, em geral, um
horizonte A do tipo moderado, com argila de atividade baixa no horizonte B, cuja fração
argila tem quase o predomínio da caulinita e óxidos. São solos fortemente ácidos, com baixa
reserva de nutrientes e com alta saturação por alumínio trocável.
O Quadro 6.2 e o Mapa 6.3 representam os pontos amostrais de solo para a FLONA
Passo Fundo, onde foram feitas coletas para análises físicas e químicas de solo. A seleção
dos pontos de coleta foi feita com o intuito de contemplar todas as espécies plantadas,
conforme a definição dos sítios naturais para a FLONA Passo Fundo, estabelecida no Plano
de Manejo da Universidade Federal de Santa Maria (1989).
Quadro 6.2: Código e Descrição de Cada Amostra de Solo Coletada
Legenda Código
Descrição
Mapa Amostras
Amostra de solo em área ocupada por Araucaria angustifólia no sítio natural 1
A
PFA1
A
PFA2
Amostra de solo em área ocupada por Araucaria angustifólia no sítio natural 2
A
PFA3
Amostra de solo em área ocupada por Araucaria angustifólia no sítio natural 3
A
PFA4
Amostra de solo em área ocupada por Araucaria angustifólia no sítio natural 4
A
PFA5
Amostra de solo em área ocupada por Araucaria angustifólia no sítio natural 5
P
PFP1
Amostra de solo em área ocupada por Pinus elliottii no sítio natural 1
P
PFP2
Amostra de solo em área ocupada por Pinus taeda no sítio natural 2
P
PFP3
Amostra de solo em área ocupada por Pinus elliottii no sítio natural 3
P
PFP4
Amostra de solo em área ocupada por Pinus elliottii no sítio natural 4
P
PFP5
Amostra de solo em área ocupada por Pinus elliottii no sítio natural 5
N
PFNativa Amostra de solo em área ocupada por Mata Nativa
47 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Mapa 6.3: Pontos Amostrais de Solo com os Sítios Naturais para a FLONA Passo Fundo
48 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
A análise dos parâmetros químicos do solo foi realizada pelo laboratório de análise
de solo da CIDASC – Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa
Catarina. As amostras foram coletadas com o uso de um trado, coletando-se solo na
camada de 0 a 40 cm de profundidade, em cada um dos Sítios Amostrais, onde foi extraída
uma amostra de solo com peso total de 500 g para cada Sítio. O parâmetro analisado foi a
Análise Básica (Macronutrientes). A análise dos parâmetros químicos do solo apontou uma
amplitude considerável das condições de fertilidade nos diferentes Sítios Amostrais. A
metodologia utilizada para a realização das análises de solo foi a mesma apresentada no
Boletim Técnico de Solos n. 5, do Departamento de Solos da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (TEDESCO et al., 1995).
Os Sítios Amostrais PFP5 (Amostra de solo em área ocupada por Pinus elliottii no
sítio natural 5) e FNATIVA (Amostra de solo em área ocupada por Mata Nativa)
apresentaram parâmetros químicos satisfatórios com relação à fertilidade do solo,
diferentemente dos parâmetros encontrados nos Sítios PFA3, PFA4 e PFA5 (Amostra de
solo em área ocupada por Araucaria angustifólia nos sítios naturais 3, 4 e 5), que
apresentaram as condições de fertilidade mais baixas de todos os Sítios.
Os parâmetros químicos, que proporcionaram tal amplitude de condição de
fertilidade do solo, estão principalmente relacionados aos valores de: Soma de Bases,
Saturação de Bases, teores de potássio, cálcio, magnésio e classe textural do solo. Tais
parâmetros, com destaque à classe textural do solo, podem estar relacionados diretamente
à localização geográfica dos Sítios em relação aos tipos de solo encontrados na área de
FLONA Passo Fundo (Terra Bruna Estruturada Intermediária para Podzólico VermelhoEscuro álico “A” com proeminente textura muito argilosa e Terra Bruna Estruturada álica “A”
com proeminente textura argilosa). A Matéria Orgânica, que influencia sobremaneira os
atributos químicos, físicos e biológicos do solo, não foi apontada como um parâmetro
relevante na análise de fertilidade dos Sítios Amostrais da FLONA Passo Fundo, uma vez
que não foi constatada nenhuma relação direta com os parâmetros químicos supracitados.
De todos os parâmetros químicos do solo analisados, os teores de Potássio, Soma
de Bases e Saturação de Bases tiveram maior representatividade com relação à
identificação de atributos relevantes no manejo dos Sítios Amostrais da FLONA Passo
Fundo (Quadro 6.3 e Tabela 6.1).
49 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Quadro 6.3: Laudo de Análise do Solo dos Sítios Amostrais
Determinação
PFNATIVA
PFA1
PFA2
PFA3
PFA4
Unidade
Textura
39.00
Classe 3
50.00
Classe 2
61.00
Classe 1
70.00
Classe 1
58.00
Classe 2
pH
4.80
Muito
Baixo
5.10
Baixo
4.50
Muito
Baixo
4.40
Muito
Baixo
4.40
Muito
Baixo
Índice SMP
5.20
Fósforo
4.20
Potássio
96.00
Matéria
Orgânica
2.70
Alumínio
0.40
Cálcio
3.00
Médio
5.50
Alto
3.40
Médio
2.00
Baixo
2.00
Baixo
cmolc/l
Magnésio
1.10
Alto
1.20
Alto
0.90
Médio
0.80
Médio
0.80
Médio
cmolc/l
Sódio
4.00
4.00
4.00
6.00
4.00
ppm
H + Al
10.93
8.69
21.76
30.72
30.72
cmolc/l
Soma Bases S
4.36
Média
6.81
Alta
4.39
Média
2.90
Média
2.96
Média
cmolc/l
CTC
15.29
Alta
15.50
Alta
26.15
Alta
33.62
Alta
33.68
Alta
cmolc/l
Saturação
Bases - V
28.52
Muito
Baixa
43.94
Muito
Baixa
16.79
Muito
Baixa
8.63
Muito
Baixa
8.79
Muito
Baixa
%
5.40
Baixo
3.40
4.60
Baixo
36.00
Médio
2.40
2.00
4.30
Muito
Baixo
28.00
Baixo
0.30
3.60
4.30
Muito
Baixo
28.00
Médio
2.10
3.60
1.90
Muito
Baixo
54.00
Médio
3.90
Data da coleta: 27/05/2009. Coletado por: Socioambiental Consultores Associados Ltda.
50 1.50
% argila
2.40
ppm
ppm
Baixo
2.80
% (m/v)
cmolc/l
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Quadro 6.3: Laudo de Análise do Solo dos Sítios Amostrais (Continuação)
Determinação
PFA5
PFP1
PFP2
PF P3
PFP4
PFP5
Unidade
Textura
52.00
Classe
2
50.00
Classe 2
25.00
Classe
3
44.00
Classe 2
41.00
Classe 2
58.00
Classe 2
pH
4.50
Muito
Baixo
5.00
Muito
Baixo
5.10
Baixo
4.80
Muito
Baixo
4.80
Muito
Baixo
5.00
Muito
Baixo
Índice SMP
4.40
Fósforo
1.00
Potássio
24.00
Matéria
Orgânica
3.80
Alumínio
2.70
Cálcio
2.70
Médio
4.00
Médio
5.70
Alto
2.50
Médio
2.10
Médio
8.60
Alto
cmolc/l
Magnésio
1.00
Médio
1.10
Alto
1.60
Alto
0.80
Médio
0.60
Médio
2.60
Alto
cmolc/l
Sódio
4.00
4.00
8.00
4.00
4.00
8.00
ppm
H + Al
27.38
9.74
9.74
10.93
10.93
12.26
cmolc/l
Soma Bases –
S
3.78
Média
5.21
Média
7.59
Alta
3.47
Média
2.91
Média
11.79
Alta
cmolc/l
CTC
31.16
Alta
14.95
Média
17.33
Alta
14.40
Média
13.84
Média
24.05
Alta
cmolc/l
Saturação
Bases - V
12.13
Muito
Baixa
34.85
Muito
Baixa
43.80
Muito
Baixa
24.10
Muito
Baixa
21.03
Muito
Baixa
49.02
Baixa
%
5.30
Muito
Baixo
2.00
5.30
Muito
Baixo
34.00
Médio
2.10
4.10
5.20
Baixo
100.00
Baixo
0.30
3.00
1.00
5.20
Muito
Baixo
60.00
Médio
0.70
2.80
51 5.10
Muito
Baixo
74.00
Médio
0.90
Data da coleta: 27/05/2009. Coletado por: Socioambiental Consultores Associados Ltda.
2.20
2.20
% argila
3.90
Baixo
218.00
Baixo
1.00
3.10
ppm
ppm
Médio
0.40
% (m/v)
cmolc/l
Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 6.4.1
Suscetibilidade Erosiva
A formação geológica, a geomorfologia e os tipos de solos observados na crosta
terrestre, aliados à declividade do terreno, morfologia das encostas, regime de chuvas e
papel da vegetação, constituem itens importantes para o estudo de áreas suscetíveis a
processos erosivos. Esses, por sua vez, são esporádicos e imprevisíveis, por isto a
importância em estudá-los.
A FLONA Passo Fundo possui características de relevo predominantemente
relacionadas aos declives 3º-8º e 8º-20º. Com isso, entende-se que a suscetibilidade erosiva
para quase toda a área segue de pouca a moderada, justamente por apresentar relevo com
características que pouco contribuem para o favorecimento de eventos erosivos, tais como
movimentos de massa. Nas áreas próximas ao reservatório (ao sul da UC) têm-se os
maiores declives, logo, características de relevo mais acidentado, os quais alcançam 20º45º e >45º. Esses locais tendem a ter maiores possibilidades de ocorrência de eventos
erosivos do que nas outras partes da UC.
O Mapa 6.4 de Declividade para a FLONA Passo Fundo apresenta as classes de
declividade e seus intervalos, onde se pode observar que a Unidade apresenta relevo com
predominância de declividades baixas e poucos pontos com suscetibilidade elevada de
erosão.
Cabe ressaltar que não se pode ter um conhecimento efetivo de onde surgiram os
processos erosivos. Logo, as classes de declividade aqui sugeridas apenas oferecem
algumas indicações de áreas suscetíveis ao aparecimento desses processos. De fato, neste
relatório foram apontadas algumas áreas onde a suscetibilidade a eventos erosivos é maior.
No entanto, a declividade por si só não é o fator que determina se uma área sofrerá algum
tipo de movimento de massa ou não. Por isso, todos os fatores mencionados devem ser
levados em consideração.
52 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Mapa 6.4: Mapa de Declividade para a FLONA Passo Fundo
53 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 6.5
6.5.1
Recursos Hídricos
Aspectos Hidrográficos da Floresta Nacional de Passo Fundo
A Floresta Nacional de Passo Fundo está situada na região hidrográfica do Guaíba e
inserida na bacia hidrográfica do Taquari-Antas, praticamente na nascente desta bacia, o
que demonstra a grande importância da Unidade de Conservação no regime de
abastecimento da mesma (Figura 6.2). Os principais cursos de água são o rio das Antas, rio
Tainhas, rio Lageado Grande, rio Humatã, rio Carreiro, rio Guaporé, rio Forqueta, rio
Forquetinha e o rio Taquari. Os cursos de água que drenam a região da Floresta Nacional
de Passo Fundo são tributários do rio Guaporé.
Figura 6.2: Regiões Hidrográficas do Estado do Rio Grande do Sul
Fonte: SEMA, 2002
A bacia hidrográfica do sistema Taquari-Antas situa-se na região nordeste do Rio
Grande do Sul. Esta bacia faz parte da região hidrográfica do Guaíba e tem como principal
formador o rio Taquari. Este rio nasce no extremo leste do Planalto dos Campos Gerais,
com a denominação de rio das Antas, até a confluência com o rio Carreiro, nas imediações
do município de São Valentim do Sul. A partir daí, passa a denominar-se Taquari,
desembocando no rio Jacuí, junto à cidade de Triunfo. Seus principais afluentes pela
margem esquerda são os rios Camisas, Tainhas, Lajeado Grande e São Marcos, e pela
54 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
margem direita os rios Quebra-Dentes, da Prata, Carreiro, Guaporé, Forqueta e TaquariMirim.
Dentro da bacia hidrográfica do Taquari-Antas, a FLONA Passo Fundo encontra-se
inserida na bacia do rio Guaporé, um dos principais tributários do rio das Antas pela sua
margem direita, que, após a contribuição das águas do Guaporé, passa a se denominar rio
Taquari. A UC está inserida na parte mais elevada da bacia do rio Guaporé, ou seja,
encontra-se próxima às nascentes da mesma, mais precisamente na sub-bacia do rio
Capingüí.
Em relação ao sistema Aquífero Guarani, especificamente em suas áreas de recarga
e ocorrência junto à bacia do rio Taquari-Antas, a FLONA Passo Fundo está situada em
área potencial de recarga direta - regime fissura/poroso: basalto e arenito. Segundo o Atlas
de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul (SEMA, 2007), os sistemas de aquíferos na
região da FLONA Passo Fundo são do tipo: Média/Baixa possibilidade em rochas com
porosidade por fraturas.
6.5.2
Usos dos Recursos Hídricos
Com uma área de 26.491,82 km², a bacia do Taquari-Antas apresenta o seguinte
quadro de demandas hídricas superficiais (Quadro 6.4):
Quadro 6.4: Demandas Hídricas Superficiais
Demandas
Vazão (hm³/ano)
Abastecimento Público
67,14
Abastecimento Industrial
51,40
Irrigação
109,29
Dessedentação Animal
76,29
Fonte: Ecoplan Engenharia Ltda., 2007
Com isso, pode-se notar que a demanda mais expressiva na bacia é para a irrigação,
representando aproximadamente 36% da demanda total da bacia, seguida da
dessedentação de animais, que representa um aporte de 25% da demanda total de água.
O abastecimento público da bacia consome 22% da demanda hídrica da região,
sendo, assim, a terceira demanda mais significativa. Por fim, há o abastecimento industrial,
que faz uso de aproximadamente 17% da demanda total de água da região. Para as
demandas de águas subterrâneas, a situação é a seguinte (Quadro 6.5):
Quadro 6.5: Demandas de Águas Subterrâneas
Demandas
Vazão (hm³/ano)
Abastecimento Público
16,93
Abastecimento Industrial
15,14
Fonte: Ecoplan Engenharia Ltda., 2007
A demanda de águas subterrâneas na bacia supre apenas o abastecimento público e
industrial de forma complementar, sendo que o abastecimento público é responsável por
52,8% da demanda de água subterrânea e o restante é usado para abastecimento industrial.
Em relação à qualidade da água da bacia do rio Taquari-Antas, como síntese da
situação atual das águas superficiais nesta bacia, observa-se que a classificação das águas
quanto ao IQA (Índice de Qualidade da Água) varia entre “Boa” e “Regular”, com
55 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul predominância desta última. Há uma leve tendência de piora da situação de qualidade das
águas no sentido de jusante.
6.5.3
Recursos Hídricos Locais
Os rios da FLONA Passo Fundo drenam, em sua maioria, para o reservatório da
Barragem do Capingüí, já que a UC se encontra na porção de montante do reservatório. Os
rios arroio Tingatu, sanga da Cachoeirinha, sanga do Caminho, que forma o córrego João
de Barro, arroio Capingüí, rio Branco e rio Capingüí exercem influência direta na Unidade de
Conservação.
A FLONA Passo Fundo insere-se em 4 microbacias da sub-bacia do rio Capingüí,
são elas de leste para oeste: rio Branco, sanga da Cachoeirinha, sanga do Caminho e
afluente norte do arroio Capingüí. A FLONA Passo Fundo contribui com 13,04 km² de um
total de 120,21 km² de área que drena ao reservatório, passando pela Unidade, ou seja,
com 10,8% da contribuição total. Em termos de vazões médias, isto representa em torno de
345 l/s de um total que chegaria à barragem de 2760 l/s. As vazões mínimas seriam em
torno de 20,4 l/s de um total de 163,2 l/s.
6.5.4
Qualidade da Água
Foram realizadas coletas em três pontos da FLONA Passo Fundo. O ponto FLOPF01 está localizado em um açude, que representa sua porção norte. O ponto FLOPF-02 está
localizado junto à ponte em um córrego dentro da UC, que é denominado pelos funcionários
da UC de córrego João de Barro e sua escolha teve como intuito revelar a qualidade da
água dentro da FLONA Passo Fundo. O ponto FLOPF-03 está localizado nas margens do
reservatório da Barragem do Capingüí, pois as águas da FLONA Passo Fundo drenam em
sua maioria para o reservatório da barragem.
As coletas de amostras para análises de qualidade da água foram realizadas no dia
23 de abril de 2009 nos pontos estabelecidos na área de abrangência da FLONA Passo
Fundo. A Figura 6.3 apresenta a localização dos pontos amostrados, o Quadro 6.6, o
resumo geral da campanha, e o Quadro 6.7, os parâmetros químicos medidos em campo.
Para a avaliação da qualidade da água, utilizou-se como padrão a Resolução
CONAMA n. 357, artigo 15, de 17/03/05, além da aplicação do Índice de Qualidade das
Águas. O Índice de Qualidade da Água – IQA é uma classificação proposta pela CETESB
(2002), calculado pelo produtório ponderado de nove (9) parâmetros de qualidade da
13
água . Os resultados das análises laboratoriais da campanha estão apresentados no
Quadro 6.8.
13
Os parâmetros do IQA são: temperatura da amostra, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio
(5 dias, 20 ºC), coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total, resíduo total e turbidez.
56 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Figura 6.3: Localização dos Pontos de Amostragem
Os resultados dos 03 pontos levaram a um IQA médio de 72, apresentando-se com
uma classificação da qualidade de água “boa”. Entretanto, o ponto FLOPF-02 apresentou
pontuação menor do que a dos demais. O parâmetro que causou a diminuição no valor do
IQA neste ponto foi o de coliformes fecais. Para os outros dois pontos, pode-se perceber
uma melhor condição, com uma tendência à classificação “excelente”. Os dois pontos
apresentaram o mesmo valor de IQA, mas com variações entre os parâmetros orgânicos e
inorgânicos monitorados. Todavia, o último ponto trata-se de um ambiente lêntico, com
águas de cor acinzentada. Ocorreram alguns interferentes quanto à presença de material
em suspensão e na superfície da água neste corpo hídrico (porque a estiagem na região
aumentou o seu tempo de residência), resultando em maiores níveis de oxigênio dissolvido
e turbidez. Para os nutrientes em todos os pontos, os aportes foram reduzidos, sendo que,
relativamente, o ponto FLOPC-03 apresentou as maiores frações de nitrogênio total e NKT,
mas elas podem ser consideradas de baixa concentração.
Por fim, de uma maneira geral, pelos resultados da qualidade da água e do IQA,
verifica-se que a condição de qualidade da água do recurso hídrico que passa pela Unidade
possui alterações em alguns parâmetros, e os pontos analisados fora da Unidade (zonas de
entorno) mostraram resultados com condições um pouco melhores (com exceção do
parâmetro de coliformes fecais), apesar das variações na condição de ambiente hídrico
(lênticos e lóticos). Pode-se dizer que a contaminação por matéria orgânica é bem reduzida
e que não se registraram cargas expressivas de nutrientes nos principais corpos hídricos,
mostrando-se, ainda, uma boa condição da qualidade da água superficial. Em relação à
contaminação por agrotóxicos, o parâmetro analisado não apresentou traços residuais nas
amostras analisadas.
57 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul FLONA PASSO
FUNDO
Quadro 6.6: Resumo Geral da Campanha de Coleta de Amostras de Água em Campo
Ponto
Data de
Coleta
Horário
Condição do Temperatur
tempo
a do Ar ºC
FLOPF-01
22/04/09
08:35
Nublado
18,7
FLOPF-02
22/04/09
10:50
Nublado
18,3
FLOPF-03
22/04/09
10:25
Nublado
19,4
Turvação da
Coloração da
Observação
Água
Água
Transparente a
Sem vazão de saída,
Verde/Amarronzada
Pouco Turva
material dentro do açude
Pouca vazão, boa
Transparente
Amarronzada
aparência, mata fechada
Fuligem em suspensão,
Transparente
Amarronzada
reservatório muito baixo
FLONA PASSO
FUNDO
Quadro 6.7: Parâmetros Químicos Medidos em Campo de Coleta de Amostras de Água
OD
Ponto
Temperatura Água
(ºC)
mg/L
%
FLOPF-01
19,5
4,16
FLOPF-02
17,0
FLOPF-03
19,2
58 pH
Condutividade
(US/cm)
48,82
7,71
42,7
6,73
77,79
7,58
60,6
6,92
82,81
7,62
50,6
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Quadro 6.8: Resultados das Análises Laboratoriais da Campanha
Temperatura
Ponto
OD
Campanha
Condutividade*
Turbidez
Sólidos
Totais
mS/cm
UNT
mg/L
pH*
Ar °C *
Água °C *
mg/L *
%*
FLOPF 01
abr/09
17,2
18,2
5,00
58,04
6,36
60,2
16,3
125
FLOPF 02
abr/09
18,7
19,5
4,16
48,82
7,71
42,7
2,89
103
FLOPF 03
abr/09
20,0
21,3
4,19
49,71
6,98
39,9
19,6
116
-
-
>5
-
-
100
-
-
-
0,1
-
0,1
0,19
1
Padrão Conama 357 / 05 Rio Classe
L.D.:
Obs.:
6,0 a 9,0
-
1. L.D.: Limite de detectação do método calculado para o volume amostrado.
2. L.M.: Limites máximos permitidos segundo Resolução CONAMA 357, Artigo 15, para Águas de Classe 2, de 17/03/2005.
3. n.d.: não detectado.
4. S - Superfície; M - Meio; F - Fundo
Fósforo
Total
N Kjeldahl
Total
Nitrogênio
Nitrogênio
Amoniacal
Total
N Total
DBO
Glifosato
Coli. Totais
Coli. Fecais
mg P/L
mg N/L
Nitrato Nitrito
mg/L
mg/L
mg N/L
mg N/L
mg
O2/L
mg /L
NMP/100
mL
NMP/100mL
n.d
n.d
n.d
0,32
0,09
0,33
n.d
0,100
n.d
n.d
n.d
n.d
0,03
0,02
0,05
0,317
0,187
0,329
3
3
2
n.d
n.d
n.d
1600
3500
5400
ausente
3500
ausente
Padrão Conama 357 / 05
Rio Classe II
(*)
-
10
1,0
(***)
(**)
5
65
-
-
L.D.:
9
0,03
0,003
0,001
0,02
0,03
1
3
1,8
1,8
Ponto
Campanha
FLOPF 01
FLOPF 02
FLOPF 03
Obs.:
abr/09
abr/09
abr/09
1. L.D.: Limite de detectação do método calculado para o volume amostrado.
2. L.M.: Limites máximos permitidos segundo Resolução CONAMA 357, Artigo 15, para Águas de Classe 2, de 17/03/2005.
3. n.d.: Não detectado.
4. S - Superfície; M - Meio; F - Fundo
5. (*) Fósforo Total: Até 30 µg/L em ambientes lênticos; até 50 µg/L em ambientes intermediários, com tempo de residência entre 2 e 40 dias, e tributários diretos de
ambientes lênticos
6. (**) Nitrogênio Total: Art. 10º - § 3º - Para águas doces classes I e II, quando o nitrogênio for fator limitante para eutrofização, nas condições estabelecidas pelo
órgão ambiental competente, o valor do nitrogênio total (após oxidação) não deverá ultrapassar 1,27 mg/L para ambientes lênticos e 2,18 mg/L para ambientes
óticos, na vazão de referência.
7. (***) Nitrogênio Amoniacal Total: 3,7 mg/L, para pH = 7,5; 2,0 mg/L, para 7,5 < pH < 8,0; 1,0 mg/L, para 8,0 < pH < 8,5; 0,5, para pH > 8,5.
59 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
6.6
Vegetação
A caracterização da vegetação e do uso do solo da FLONA Passo Fundo para o
Plano de Manejo foi realizada com base em análise de fotos aéreas de levantamento
aerofotogramétrico na escala 1:30.000, elaborado em 2003 por Esteio Engenharia Ltda. e na
escala 1:60.000 elaborada em 1964 por USAF (United States Air Force), seguida de
checagem em campo, fundamentalmente para a elaboração do mapa de uso do solo e
cobertura vegetal bem como para registro de características fitofisionômicas e florísticas. O
levantamento florístico e da estrutura da vegetação foi baseado em inventários florestais
realizados entre 2009 e 2010 para este Plano de Manejo. O texto a seguir apresenta apenas
um extrato dos resultados dos inventários e da caracterização geral da vegetação e do uso
do solo da FLONA Passo Fundo.
Os objetivos dos estudos florestais apresentam enfoques diferentes para as florestas
nativas e plantadas. Para as nativas, o objetivo geral foi analisar quali-quantitativamente
suas condições atuais sob os pontos de vista florístico, fitossociológico e dendrométrico,
com indicações sobre o estado de conservação, presença de espécies exóticas invasoras e
relação das espécies nativas com potencial madeireiro e não madeireiro. Esse levantamento
também servirá para uma futura análise da evolução dessa floresta, já que esta teve uma
exploração acentuada no passado. Para os plantios, o objetivo foi estimar os estoques
madeireiros quanto ao número de toras e volumes comercial e total, além de indicar as
condições de regeneração natural presentes no sub-bosque desses plantios.
As metodologias aplicadas para o desenvolvimento dos inventários florestais foram
diferenciadas em relação às florestas nativas e as plantadas. Para a Floresta Ombrófila
Mista (FOM) aplicou-se metodologia de amostragem por transecções com unidades
amostrais alinhadas e subníveis de amostragem. Para os plantios, a amostragem foi
efetuada em cada talhão e considerou também a regeneração natural no sub-bosque,
formada por espécies nativas.
Para a FOM, a metodologia (Figura 6.4) utilizada caracterizou-se como uma
Amostragem Sistemática com alocação das Unidades Amostrais (UA) retangulares com
área fixa de 2.000 m² correspondente (20 x 100 m), alinhadas em transecções, com 4
unidades por transecção, com equidistância entre linhas de 100 m, orientadas
preferencialmente em sentido Norte-Sul, e distância de 100 m entre as parcelas, com
afastamento mínimo de 50 m da borda da floresta. Na extremidade sudeste de cada UA foi
fixada uma baliza de madeira de 2 m de altura com uma placa metálica em sua porção
superior com a respectiva numeração da UA, caracterizando-se como UAs permanentes.
A coleta de informações nas UAs foi efetuada em 5 níveis de inclusão
correspondentes aos diferentes estratos florestais (emergente e arbóreo superior, arbóreo
médio, arbóreo inferior, arbustivo e regeneração que incluiu árvores com altura inferir a 1,3
m), respectivamente na UA como um todo e em subparcelas de 1.000 m², 400 m², 100 m² e
25 m² considerando distintos intervalos de tamanho de DAP – diâmetro na altura do peito. A
amostragem foi realizada em 12 UAs subdivididas em 3 transecções. Com os resultados
florísticos e dendrométricos foram efetuadas análises florísticas (espécies, famílias e índices
de diversidade de Shannon-Weaver, de Simpson, de Pielou e Quociente de Mistura de
Jentsch), análises fitossociológicas com base nas estruturas horizontal (Densidade,
Frequência e Dominância, Índice Valor de Cobertura e Índice Valor de Importância) e
vertical (Posição Sociológica) e análises diamétricas (número de indivíduos, área basal e
volume) para as espécies registradas, para as UAs e por classe de DAP.
Nos plantios, as UAs instaladas foram circulares, com raio igual a 13,8197 m, cuja
área abrange 600m². Também foi instalada uma subparcela de 10x6 metros (60 m²) em
cada uma das Unidades circulares para a análise da vegetação de ocorrência natural de
espécies nativas do sub-bosque. A subparcela foi orientada com auxílio de uma bússola na
direção do norte magnético, partindo do centro da parcela circular. Foram instaladas 127
60 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
UAs, distribuídas entre os plantios da seguinte forma: 74 nos plantios de araucária, 49 nos
plantios de pínus e 3 nos plantios de eucalipto.
Para a determinação do volume real foi efetuada cubagem rigorosa pelo método
relativo de Hohenadl de 16 seções, em um total de 129 árvores, sendo 64 de Pinus spp. e
65 de Araucaria angustifolia.
Na análise da regeneração natural de sub-bosque dos plantios foram calculados o
índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’) e parâmetros fitossociológicos como
frequência absoluta e relativa, densidade absoluta e relativa, dominância absoluta e relativa
e Índice de valor de importância.
Figura 6.4: Metodologia de Delimitação das Unidades Amostrais e Mensuração da CAP.
6.6.1
Contexto Fitogeográfico da FLONA Passo Fundo
A Região Sul do Brasil encontra-se inserida predominantemente no Bioma Mata
Atlântica, com exceção da metade sul do estado do Rio Grande do Sul e de pequena porção
no nordeste do estado do Paraná, abrangidas respectivamente pelos Biomas Pampa e
Cerrado. O Mapa de Biomas do Brasil (IBGE, 2004) indica que o Bioma Mata Atlântica
abrange 98% do Paraná, 100% de Santa Catarina e 37% do Rio Grande do Sul, com uma
área total no território brasileiro de 1.110.182 km², compreendendo “um complexo ambiental
que incorpora cadeias de montanhas, platôs, vales e planícies de toda faixa continental
atlântica leste brasileira.”
O bioma Mata Atlântica no Rio Grande do Sul (Figura 6.5) abrange as formações
florestais pertencentes às Regiões Fitoecológicas da Floresta Ombrófila Densa (ou Mata
Atlântica sentido restrito), da Floresta Ombrófila Mista (ou Floresta com Araucária), Florestas
Estacional Decidual (ou Floresta do Alto Uruguai), Florestas Estacional Semidecidual
(Floresta Tropical Subcaducifólia) e das Formações Campestres pertencentes à Região
Fitoecológica da Estepe, localizadas no Planalto Meridional Brasileiro (ou Campos Gerais).
Apesar de figurar entre os 25 hotspots mundiais de biodiversidade, o Bioma Mata
Atlântica encontra-se atualmente restrito à cerca de 8% de sua área original (MMA, 2000),
na medida em que corresponde à porção mais populosa e economicamente ativa do Brasil.
61 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Legenda
Rios e Lagos
.
Vegatação
Contato Savana
Floresta Estacional Decidual (Floresta Tropical Caducifólia)
Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Tropical Subcaducifólia)
Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial)
Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária)
Savana Estépica (Campanha)
Áreas de Formação Pioneira
Estepes
Legenda
Rios e Lagos
arborizada com floresta de galeria
Vegatação
Contato Savana
Floresta Estacional Decidual (Floresta Tropical Caducifólia)
Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Tropical Subcaducifólia)
arbórea aberta com floresta de galeria
Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial)
Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária)
Savana Estépica (Campanha)
Áreas de Formação Pioneira
gramíneo lenhosa (campestre) com floresta de galeria
Estepes
arborizada com floresta de galeria
arbórea aberta com floresta de galeria
gramíneo lenhosa (campestre) sem floresta de galeria
gramíneo lenhosa (campestre) com floresta de galeria
gramíneo lenhosa (campestre) sem floresta de galeria
parque com floresta de galeria
parque sem floresta de galeria
parque com floresta de galeria
parque sem floresta de galeria
SC
FED
FOM
EST
Passo Fundo
FLONA
Passo Fundo
Figura 6.5: Recorte em Detalhe da 3ª Edição do Mapa de Vegetação do Brasil – Distribuição
Regional da Vegetação Natural (IBGE, 2004), Escala Original 1:5.000.000, Referente à Região
Sul do Brasil (1), Destacando as Formações Vegetais Potenciais para o Contexto Geográfico
de Inserção da FLONA Passo Fundo Indicada de Forma Aproximada. Est = Estepe GramíneoLenhosa; Fom = Floresta Ombrófila Mista; Fed = Floresta Estacional Decidual
62 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Inserida em um contexto ambiental dominado pelo uso agropecuário do solo, a
FLONA Passo Fundo representa porção territorial de inestimável valor para a conservação
da natureza, configurando-se em um importante banco genético de biodiversidade que
desempenha papel fundamental na regeneração, manutenção e desenvolvimento
vegetacional de ecossistemas naturais, tanto em escala local quanto regional.
6.6.2
Caracterização da Cobertura Vegetal e Uso do Solo
A FLONA Passo Fundo abrange em seus 1275 ha relevante amostra de
remanescente da Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucária da região, em
diferentes estágios de regeneração, além de vasta área da regeneração natural instalada
nos sub-bosques do diferentes plantios, tanto da espécie nativa A. angustifolia, plantados
com o objetivo de estudar o crescimento e o comportamento da espécie na região de sua
ocorrência, quanto de exóticas, como os pinheiros-americanos Pinus eliiottii e P. taeda e o
eucalipto Eucalyptus sp.
Em análise aos quantitativos de áreas das tipologias de vegetação e uso do solo da
FLONA Passo Fundo (Tabela 6.1, Mapa 6.5 e Figura 6.6) pode-se verificar a importante
representatividade da Floresta Ombrófila Mista na UC, que, incluindo também as tipologias
"estágios iniciais de regeneração", "Banhados" e "Capoeirão", perfaz um total de 408,5 ha,
representando 32% da área total da FLONA. Também se destacam, em relação à área de
abrangência, os plantios de araucária e de pínus que, juntos, perfazem 712,64 ha, ou seja,
cerca de 56% da área da FLONA.
Tabela 6.1: Áreas das Tipologias de Vegetação e Uso do Solo da FLONA Passo Fundo
Tipologias de Vegetação e Uso do Solo
Plantio de Araucaria angustifolia
Floresta Ombrófila Mista
Plantio de Pinus elliottii
Capoeirão com Plantio de Araucária
Aceiro/Estrada/Caminho
Plantio de Pinus taeda
Estágio Inicial de Regeneração
Capoeirão
Plantio de Eucalyptus sp.
Área Administrativa
Plantio de Erva-Mate
Banhado
Plantio de Pínus chileno
Água (reservatório barragem)
Cascalheira
Açude
Total
Hectares
431,27
354,80
254,77
91,87
36,56
25,62
21,28
30,95
12,52
9,46
2,33
1,47
0,98
0,55
0,54
0,26
1275,23
63 %
33,82
27,83
19,98
7,20
2,87
2,01
1,66
2,43
0,98
0,74
0,18
0,12
0,08
0,04
0,04
0,02
100
382800
4
3
6870550
384000
65
63
5
6
2
385200
Viveiro
1
64
58
66
66
6870550
381600
7
58
59
67
8
6869400
6869400
10
11
9
12
11
13
15
6868250
6868250
68
14
24
6867100
16
70
17
6865950
36
24
17
20
21
17
44
28
71
22
18
72
25
30
27
23
31
73
33
34
45
38
29
26
57
6867100
19
35
61
60
62
37
32
50
39
46
51
40
47
52
41
48
53
53
54
55
6865950
69
44
56
49
42
Barragem Capingüi
381600
6864800
6864800
43
74
382800
384000
385200
Legenda
Plantio de Pinus chileno
Plantio de Erva Mate
Plantio de Pinus elliottii
Estágio Inicial de Regeneração
Plantio de Pinus taeda
Talhões
Vegetação e Uso do Solo
Aceiro/Estrada/Caminho
Banhado
Floresta Ombrófila Mista
0
100
200
400
m
600
Projeção Universal Transversa de Mercator
Meridiano Central: 51° W GR
Datum Horizontal: SIRGAS 2000
Origem da quilometragem UTM: Equador e Meridiano Central,
acrescidas as constantes 10.000 Km e 500 Km respectivamente.
Fonte
Uso e Cobertura do Solo: Interpretação de
fotografias aéreas (ortofotos) e excursões de campo.
52° W
Recursos de Compensação Realização:
Ambiental:
48° W
Rio Grande do Sul
o
Cascalheira
Limite da FLONA de Passo Fundo
56° W
tic
Plantio de Eucalyptus sp
ân
Plantio de Araucária com Capoeirão
Capoeirão
A tl
Área Administrativa
no
Rio Intermitente
Execução:
ea
Plantio de Araucaria angustifolia
Oc
Açude
30° S
Rio Perene
PLANO DE MANEJO DA
FLORESTA NACIONAL DE PASSO FUNDO
Mapa 6.5: Distribuição da Cobertura Vegetal
e do Uso do Solo da FLONA Passo Fundo
Data:
Dezembro/2011
Escala:
1: 21.000
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Percentuais Uso do Solo FLONA Passo Fundo
0,04%
0,02%
2,01%
2,87%
Aceiro/Estrada/Caminho
Açude
0,74%
0,11%
0,04%
2,43%
0,18%
Água
Área Administrativa
Banhado
Capoeirão
7,20%
19,98%
1,66%
0,08%
Capoeirão com Plantio de Araucária
Cascalheira
0,98%
Plantio de Erva‐Mate
Estágio Inicial de Regeneração
27,83%
Floresta Ombrófila Mista
Plantio de Araucaria angustifolia
33,82%
Plantio de Eucalyptus sp
Plantio de Pinus chileno
Plantio de Pinus elliottii
Plantio de Pinus taeda
Figura 6.6: Respectivos Percentuais de Vegetação e Uso de Cobertura do Solo da FLONA
Passo Fundo.
6.6.3
Mata Nativa – Floresta Ombrófila Mista
Na Floresta Ombrófila Mista, os resultados da amostragem indicaram a existência de
81 espécies arbóreas e arbustivas registradas em todos os níveis de inclusão das 12
Unidades Amostrais, referentes a um total de 2.571 indivíduos amostrados, sendo 2.162
adultas relativas aos níveis de inclusão 1 a 4 (estratos arbóreos e arbustivo) e 409 jovens
referentes ao nível de inclusão 5 (regeneração natural). O conjunto de espécies registradas
abrange 67 gêneros pertencentes a 38 famílias; na regeneração natural foram registradas
46 espécies arbóreas e arbustivas pertencentes a 24 famílias.
Das 11 famílias com maior riqueza, ou seja, maior número de espécies observadas
na FLONA Passo Fundo (Figura 6.7), destacam-se: Myrtaceae com 10 espécies, seguida
de Fabaceae com 8 e Lauraceae com 6; Euphorbiaceae, Rubiaceae e Sapindaceae
aparecem com 4 espécies, enquanto Rutaceae, Salicaceae, Meliaceae, Anacardiaceae e
Aquifoliaceae apresentaram 3 espécies. O restante das 27 famílias apresentaram 1 ou 2
espécies.
65 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Número de Espécies
Riqueza das Famílias
EU
AC
PH
EA
O
E
R
BI
AC
EA
E
RU
BI
AC
SA
EA
PI
E
ND
AC
EA
E
RU
TA
C
EA
SA
E
LI
C
AC
EA
E
M
EL
IA
AN
CE
AC
AE
AR
D
IA
AQ
CE
UI
AE
FO
LI
AC
EA
E
E
LA
UR
BA
CE
A
FA
M
YR
TA
CE
AE
12
10
8
6
4
2
0
Famílias
Figura 6.7: Gráfico das 11 Famílias com Maior Número de Espécies Registradas
Na análise das 10 famílias mais abundantes (Figura 6.8), isto é, com maior número
de indivíduos, nota-se uma diferença em relação às famílias com maior riqueza, com
Sapindaceae possuindo cerca de 16% dos indivíduos, seguida de Salicaceae com 14%,
Myrtaceae com 13%, Lauraceae com 11% e Araucariaceae com 8%, Meliaceae com 6%,
Euphorbiaceae e Fabaceae com 4% e Aquifoliaceae e Rosaceae com aproximadamente
2%. A presença da família Araucariaceae, que apesar de possuir apenas uma espécie
(Araucaria angustifolia), apresenta alta abundância relativa. Destaca-se também a
expressividade da família Myrtaceae em relação à riqueza e à abundância.
Número de Indivíduos (%)
Abundância das Famílias
E
FO
LI
AC
EA
E
RO
SA
CE
AE
BA
CE
A
AQ
UI
FA
CE
AE
E
EU
PH
O
R
BI
A
E
EL
IA
CE
A
M
AR
IA
CE
A
EA
E
AC
AR
AU
C
LA
UR
CE
AE
YR
TA
M
AC
SA
LI
C
SA
PI
ND
AC
EA
E
EA
E
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Famílias
Figura 6.8: Gráfico das 10 Famílias com Maior Número de Indivíduos Registrados
Com a utilização da Curva do Coletor (Figura 6.9) é possível visualizar uma
tendência à estabilização no número de espécies acumuladas por área amostrada a partir
da 8ª Unidade Amostral instalada, com 77 espécies.
66 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Número de Espécies Acumuladas
Curva do Coletor
90
80
70
68
64
60
77
75
73
78
77
78
81
78
54
50
40
30
20
19
10
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
Unidades Amostrais
Figura 6.9: Gráfico da Curva do Coletor para as Unidades Amostrais
A dominância fitossociológica na estrutura horizontal florestal é do pinheiro-brasileiro
Araucaria angustifolia em relação às demais espécies (Figura 6.10). Destaca-se ainda,
nesta relação, a categoria “Mortas” com o segundo maior VI, indicando intenso processo
sucessivo na comunidade florestal estudada. O camboatá-branco Matayba elaeagnoides, a
canela-fedida Nectandra megapotamica e o angico-vermelho Parapiptadenia rigida
aparecem como codominantes do estrato arbóreo superior, e a guaçatunga Banara
tomentosa, o chal-chal Allophylus edulis, camboatá-vermelho Cupania vernalis e o camboim
Myrciaria tenella aparecem como codominantes dos estratos arbóreo inferior e arbustivo.
Índice Valor de Importância (IVI)
70,00
61,52
60,00
50,00
40,00
30,00
16,99
20,00
14,92
13,53
11,84
10,00
9,97
8,87
8,51
8,45
8,01
or
ta
s
Ne
el
a
ct
ea
an
gn
dr
oi
a
de
m
s
eg
ap
ot
am
Ba
na
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Al
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ph
yl
us
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ed
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te
ne
lla
at
ay
ba
M
Ar
au
ca
r ia
an
gu
s
m
tif
ol
ia
0,00
Figura 6.10: Gráfico com as 10 Espécies com Maiores Valores de VI
Já, para estrutura vertical, as 11 espécies (Figura 6.11) com maiores valores
relativos à Posição Sociológica Relativa indicam a participação das mesmas espécies
apresentadas na estrutura horizontal da comunidade florestal estudada. O 11º lugar obtido
67 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul pelo pinheiro-brasileiro Araucaria angustifolia expressa sua menor participação nos estratos
verticais, indicando desta forma a baixa representatividade de indivíduos jovens que
naturalmente ocupariam estes estratos; tal condição também é observada para a espécie
camboatá-branco Matayba elaeagnoides. A dominância fitossociológica quanto à estrutura
vertical é exercida principalmente por espécies arbóreas de pequeno e médio porte, como a
guaçatunga Banara tomentosa, o chal-chal Allophylus edulis, o catiguá Trichilia elegans, a
guaçatunga Casearia decandra e o camboim Myrciaria tenella. Entretanto, a espécie
arbórea de grande porte que apresentou os maiores valores sociológicos em ambas as
estruturas está representada pela canela-fedida Nectandra megapotamica, indicando tratarse de espécie com relevante importância sociológica na estruturação florestal.
Posição Sociológica Relativa (PSR)
9,16
5,71
5,05
4,26
3,97
3,35
2,87
an
yr
ci
s
ar
ia
C
as
te
ne
ea
lla
ria
de
ca
C
nd
up
ra
an
M
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st
no
ia
id
ni
es
a
br
Ar
as
au
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ca
ria
ns
is
an
gu
st
ifo
lia
5,73
M
el
eg
ili
a
M
or
ta
s
5,89
Tr
ic
h
Al
lo
ph
ot
a
ap
m
eg
a
nd
r
ta
yl
us
m
os
en
t
m
to
ar
a
Ba
n
N
ec
6,04
ed
ul
is
ic
a
6,7
a
%
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Figura 6.11: Gráfico com as 11 Espécies com Maiores Valores de PSR
A composição florística registrada caracteriza-se principalmente pela presença de
espécies e famílias típicas componentes da Floresta Ombrófila Mista para a região sul do
Brasil. Dentre essas espécies típicas cita-se, além da própria Araucaria angustifolia, a
guabirobeira Campomanesia xanthocarpa, a guaçatunga Casearia decandra, a pimenteira
Cinnamodendron dinisii, o espinho-de-agulha Dasyphyllum spinescens, o cocão
Erythroxylum deciduum, a uvaia Eugenia pyriformis, a erva-mate Ilex paraguariensis, a
casca-d’anta Drimys brasiliensis, o bugreiro Lithraea brasiliensis, o camboatá-branco
Matayba elaeagnoides, a pixirica Miconia cinerascens, o guamirim Myrcia bombycina, a
canela-lageana Ocotea pulchella, o pessegueiro-bravo Prunus myrtifolia, o leiterinho
Sebastiania brasiliensis, o branquilho Sebastiania commersoniana, a murta Blepharocalix
salicifolius, a sapopema Sloanea monosperma, a carne-de-vaca Styrax leprosus e o juvevê
Zanthoxylum kleinii; dentre as famílias típicas destacam-se, Araucariaceae, Myrtaceae,
Lauraceae, Sapindaceae, Salicaceae, Aquifoliaceae e Rosaceae. Interessante citar a
presença de espécies típicas do contingente fitogeográfico da Floresta Estacional Decidual
situado mais ao norte, no vale do rio Uruguai, e ao sul, nas escarpas da Serra geral,
representadas pelo angico-vermelho Parapiptadenia rigida, angico-branco Albizia niopoides,
guajuvira Cordia americana, timbó Ateleia glazioviana, cabreúva Myrocarpus frondosus,
sete-capotes Campomanesia guazumifolia, laranjeira-do-mato Gymnanthes concolor,
guabiju Myrcianthes pungens, camboim Myrciaria tenella, canela-louro Ocotea diospyrifolia e
tarumã Vitex megapotamica.
Como espécies arbóreas exóticas da flora brasileira foram registradas a
bergamoteira Citrus reticulata representada por 2 indivíduos amostrados nas parcelas. Além
das próprias espécies de pínus plantadas na FLONA Passo Fundo e os eucaliptos, os quais
68 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
apresentam risco de contaminação biológica devido ao potencial dispersivo natural. Outras
espécies exóticas foram observadas na UC, algumas junto às estradas internas, outras em
meio à vegetação florestal nativa: uva-do-Japão Hovenia dulcis; ameixa-do-Japão
Eryobotrya japonica; bergamoteira Citrus reticulata; limoeiro Citrus limon; estrela-de-fogo
Crocosmia x crocosmiiflora; Lírio-do-brejo Hedychium coronarium; capim-elefante
Pennisetum purpureum; bambu-comum Bambusa vulgaris; bambuzinho-de-jardim Bambusa
gracili e taiá Xanthosoma robustum.
A estrutura sociológica apresenta como dominante dos estratos emergente e arbóreo
superior o pinheiro-brasilerio Araucaria angustifolia, acompanhado das codominantes
camboatá-branco Matayba elaeagnoides, canela-fedorenta Nectandra megapotamica. Como
dominantes nos estratos arbóreos médio e inferior aparecem a guaçatunga-branca Banara
tomentosa e o chal-chal Allophylus edulis, acompanhadas das codominantes guaçatunga
Casearia decandra, pau-ervilha Trichilia elegans, camboim Myrciaria tenella e camboatávermelho Cupania vernalis. No estrato arbustivo domina o leiterinho Sebastiania brasiliensis,
acompanhado da grandiúva-d’anta Psychotria suterella e do veludinho Guettarda
uruguensis. Na regeneração natural 56,79% das espécies registradas para os estratos
superiores encontram-se representados como plântulas e/ou indivíduos jovens, incluindo
todas as espécies consideradas dominantes sociológicas, indicando aspecto positivo quanto
à manutenção dos processos reprodutivos.
Na estrutura diamétrica, o principal destaque é relativo aos elevados valores de
número de indivíduos, área basal e volume apresentados pelo pinheiro-brasileiro Araucaria
angustifolia em relação às demais espécies arbóreas, com indivíduos alcançando até 27
metros de altura, o que indica a maturidade da floresta com significativo desenvolvimento
estrutural, resultando em condições favoráveis como hábitat para espécies vegetais e
animais. O esforço amostral de 0,88% da área florestal total da UC mostrou-se suficiente
para caracterizar a comunidade arbórea-arbustiva, demonstrado pela tendência de
estabilização da curva do coletor e pelos erros relativos dos parâmetros diamétricos.
Os remanescentes da Floresta Ombrófila Mista existente na FLONA Passo Fundo
desempenha papel de altíssima relevância ambiental e ecológica para o contexto de
recuperação de APPs, plantios de talhões para Área de Produção de Sementes (APS),
consórcios silviculturais com espécies frutíferas e medicinais, enriquecimento de áreas de
capoeiras/recomposição, que tem como objetivo acelerar o processo de regeneração natural
em fase inicial de sucessão ou recuperação de áreas, incorporando ao sistema espécies
locais ameaçadas de extinção, de forma a buscar uma fitofisionomia mais próxima à da
Floresta Ombrófila Mista original da região, bem como na Zona de Amortecimento, na
medida em que configura importante fonte de propágulos vegetais, banco genético de
diversidade vegetal e hábitat para diversos elementos da fauna.
Figura 6.12: Fisionomia da FOM na
Extremidade Sudeste da FLONA Passo
Fundo
Figura 6.13: Borda Florestal Junto à
Lavoura no Limite Sul da FLONA Passo
Fundo
69 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Figura 6.14: Aspecto do sub-bosque e estrato herbáceo da Floresta Ombrófila Mista na
extremidade sudeste da FLONA Passo Fundo
Figura 6.15: Mensuração de Indivíduos de Grande porte de Araucaria angustifolia na
Floresta Ombrófila Mista da FLONA Passo Fundo
O índice de diversidade de Shannon-Weaver (Tabela 6.2), obtido para o conjunto
amostral, foi de 3,6nats/ind14. O índice obteve um valor máximo para a Unidade Amostral 1
(3,29) e um mínimo de 2,81 para a Unidade Amostral 9. O intervalo de confiança calculado
pela estimativa de Jackknife ficou entre 3,52 a 3,83, o que pode ser interpretado como um
ecossistema de significativa diversidade se for considerado o limite de cerca de 4,27
nats/indiv. para florestas tropicais.
O índice de dominância de Simpson de 0,96 (Tabela 6.2) ratifica esta interpretação na
medida em que para valores próximos de 1 a diversidade é considerada maior. Já o índice
de equabilidade de Pielou de 0,79 indica uma diversidade menor se comparado ao índice de
Simpson, mas igualmente próximo de 1.
O coeficiente de mistura de Jentsch (Tabela 6.2) mostra a proporção do número de
indivíduos por espécie em cada Unidade Amostral e para o geral, indicando de igual
maneira condições de dominância e equabilidade. Este coeficiente variou de 1:4,35 na
Unidade Amostral 7 para 1:6,47 na Unidade Amostral 9; se pareados os resultados de todos
os índices, observa-se que a Unidade Amostral 7 apresentou a menor diversidade devido à
maior dominância de poucas espécies.
14
logaritmo de base natural ou base neperiana
70 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.2: Índices de Diversidade Calculados para as 12 Unidades Amostrais
Unidades
N
S
ln(S)
H'
C
J
Amostrais
1
236
43
3,76
3,23
0,95
0,86
2
291
48
3,87
3,29
0,95
0,85
3
211
38
3,64
3,05
0,93
0,84
4
241
41
3,71
3,1
0,92
0,84
5
210
37
3,61
3,02
0,93
0,84
6
237
40
3,69
2,96
0,9
0,8
7
148
34
3,53
3,08
0,95
0,87
8
204
42
3,74
3,25
0,95
0,87
9
233
36
3,58
2,81
0,91
0,78
10
188
38
3,64
3,27
0,96
0,9
11
167
32
3,47
2,98
0,93
0,86
12
205
39
3,66
3,23
0,95
0,88
Geral
2571
81
4,56
3,6
0,96
0,79
Jackknife
T (95%) = 2,20
3,52 a 3,83
QM
1 : 5,49
1 : 6,06
1 : 5,55
1 : 5,88
1 : 5,68
1 : 5,93
1 : 4,35
1 : 4,86
1 : 6,47
1 : 4,95
1 : 5,22
1 : 5,26
1 : 31,74
Legenda: N = Número de indivíduos; S = Número de espécies; ln = logaritmo de base neperiana; H’ = Índice de
Diversidade de Shannon-Weaver; C = Índice de Dominância de Simpson; J = Índice de Equabilidade de Pielou; QM =
Coeficiente de Mistura de Jentsch.
A análise da distribuição dos parâmetros diamétricos, Número de Indivíduos, Área
Basal e Volume pelas Classes de DAP para as espécies nativas (Tabela 6.3) constata um
expressivo número de indivíduos nas classes de menores diâmetros em contraposição aos
maiores volumes e áreas basais presentes nas classes de maiores diâmetros; o maior
número de indivíduos amostrados encontra-se relacionado à classe de 0 a 5 cm, enquanto o
maior volume está contido na classe de 65 a 70 cm.
Tabela 6.3: Distribuição dos Parâmetros Diamétricos pelas Classes de DAP das Espécies
Arbóreas e Arbustivas Registradas nas Unidades Amostrais
Classe
N
AB
VT
VC
DA
DoA
VT/ha
VC /ha
0,0 |- 5,0
1047
0,5954
1,1828
0
5937,5
1,884
3,2739
0
5,0 |- 10,0
281
1,1261
3,7216
0
572,5
2,231
7,337
0
10,0 |- 15,0
179
2,1769
9,0004
0
149,167
1,814
7,5003
0
15,0 |- 20,0
94
2,2423
10,8501
0
78,333
1,869
9,0417
0
20,0 |- 25,0
154
6,0099
32,7291
4,1953
64,167
2,504
13,6371
1,748
25,0 |- 30,0
99
5,9279
34,8212
5,8473
41,25
2,47
14,5088
2,4364
30,0 |- 35,0
63
5,2633
33,8197
9,3338
26,25
2,193
14,0915
3,8891
35,0 |- 40,0
57
6,3478
43,8963
15,2962
23,75
2,645
18,2901
6,3734
40,0 |- 45,0
41
5,6846
40,8595
11,364
17,083
2,369
17,0248
4,735
45,0 |- 50,0
28
4,9776
42,4766
19,1161
11,667
2,074
17,6986
7,965
50,0 |- 55,0
24
5,2065
48,6046
26,1339
10
2,169
20,2519
10,8891
55,0 |- 60,0
25
6,4354
61,1676
35,9442
10,417
2,681
25,4865
14,9767
60,0 |- 65,0
15
4,5515
42,712
23,7836
6,25
1,896
17,7967
9,9098
65,0 |- 70,0
20
7,1689
71,3192
44,2597
8,333
2,987
29,7163
18,4416
70,0 |- 75,0
13
5,3239
57,0994
38,4066
5,417
2,218
23,7914
16,0027
75,0 |- 80,0
9
4,1609
48,7149
36,0562
3,75
1,734
20,2979
15,0234
80,0 |- 85,0
5
2,718
30,9043
21,3763
2,083
1,132
12,8768
8,9068
85,0 |- 90,0
3
1,7772
18,7091
13,9558
1,25
0,741
7,7954
5,8149
90,0 |- 95,0
3
1,9914
22,604
14,6126
1,25
0,83
9,4183
6,0886
95,0 |- 100,0
0
0
0
0
0
0
0
0
100,0 |- 105,0
1
0,831
9,1417
6,233
0,417
0,346
3,8091
2,5971
105,0 |- 110,0
1
0,9154
10,5276
6,8658
0,417
0,381
4,3865
2,8608
Total
2162
81,387
674,794
332,78
6970,831
39,153
298,0032 138,658
Legenda: DAP = Diâmetro à Altura do Peito; N= Número de indivíduos; AB = Área Basal (m²); VT =
Volume total (m³); VC = Volume comercial (m³); DA = Densidade Absoluta (N/ha); DoA = Dominância
Absoluta (AB/ha).
71 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Mesmo que nesse Plano de Manejo não esteja prevista a exploração madeireira das
florestas nativas da FLONA Passo Fundo, cabe destacar a ocorrência de significativo
número de espécies nativas com potencial de uso madeireiro (Tabela 6.4). Os indivíduos
dessas espécies são potenciais fornecedores de sementes para projetos de experimentação
de cultivos comerciais na UC, bem como projetos de recuperação de áreas degradadas,
dentro e fora da FLONA Passo Fundo.
Tabela 6.4: Relação de Espécies Nativas com Potencial de Uso Madeireiro Registradas na FOM
da FLONA Passo Fundo
Nome Científico
Nome popular
Família
Nectandra megapotamica
Nectandra lanceolata
Ocotea pulchella
Ocotea diospyrifolia
Parapiptadenia rigida
Albizia niopoides
Myrocarpus frondosus
Cedrela fissilis
Cabralea canjerana
Luehea divaricata
Prunus myrtifolia
Vitex megapotamica
Cordia americana
Myrcianthes pungens
Lamanonia speciosa
canela-fedorenta
canela-amarela
canela-lageana
canela-louro
angico-vermelho
angico-branco
cabreúva
cedro
canjerana
açoita-cavalo
pessegueiro-bravo
tarumã
guajuvira
guabiju
guaperê
Lauraceae
Lauraceae
Lauraceae
Lauraceae
Fabaceae
Fabaceae
Fabaceae
Meliaceae
Meliaceae
Meliaceae
Meliaceae
Meliaceae
Meliaceae
Meliaceae
Meliaceae
Para projetos de manejo florestal não madeireiro de espécies nativas, seja para o
aproveitamento comercial ou experimental, foram listadas as principais espécies com
potencial encontradas na FLONA Passo Fundo (Tabela 6.5). Certamente que, para este tipo
de aproveitamento, os projetos específicos terão ainda que avaliar, entre outros fatores,
como viabilidade econômica, a sustentabilidade ecológica desses recursos naturais,
incluindo informações como distribuição e abundância, definindo locais e formas mais
propícias de exploração.
72 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.5: Relação das Espécies Arbóreas e Arbustivas Nativas com Potencial de Uso Não
Madeireiro Registradas na FLONA Passo Fundo
Nome Científico
Nome Popular
Uso Potencial
Araucaria angustifolia
pinheiro-brasileiro
comestível
Campomanesia guazumifolia
sete-capotes
comestível
Campomanesia xanthocarpa
guabirobeira
comestível
Casearia sylvestris
cafezeiro-do-mato
medicinal
Cinnamodendron dinisii
pimenteira
medicinal
Citronella paniculata
congonha
medicinal
Cordia americana
guajuvira
medicinal
Drimys brasiliensis
casca-d’anta
medicinal
Eugenia pyriformis
uvaia
comestível
Eugenia uniflora
pitangueira
comestível e medicinal
Ilex paraguariensis
erva-mate
medicinal
Maytenus dasyclada
coração-de-bugre
medicinal
Myrocarpus frondosus
cabreúva
medicinal
Piper amalago
pariparoba
medicinal
Psychotria suterella
grandiúva-d'anta
pesquisa farmacológica
Schinus terebinthifolious
aroeira-vermelha
comestível e medicinal
Scutia buxifolia
coronilha
medicinal
Syagrus romanzoffiana
gerivá
ornamental
Zanthoxylum rhoifolium
mamica-de-cadela
medicinal
6.6.4
Caracterização Geral dos Plantios
Em relação aos plantios de pínus e araucária, a Tabela 6.6 apresenta os principais
resultados dendrométricos obtidos para cada talhão, indicando a espécie plantada, a área
atual de efetivo plantio, o diâmetro médio, alturas média, área basal média, volume médio
por árvore e volume total.
73 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 6.6: Parâmetros Dendrométricos Básicos Obtidos para os Talhões com Plantio de
Araucaria, Pinus e Eucalyptus
Área plantio
atual (ha)
d (cm)
ht (m)
G m²/
hectare
n° árv /
hectare
V c/c Total
(m³/talhão)
Talhão
Plantio
1
AA
1,7
42,88
19,45
29,38
200
602,054
2
AA
3
40,68
19,2
29,8
225
1.063,313
3
AA
3,62
40,27
19,46
21,51
167
939,314
4
EU
3,36
38,4
27,7
37,931
367
2.047,899
5
Psp.
5,03
41,31
30,95
37,93
275
2.912,823
6
AA
5,42
36,04
19,36
24,65
233
1.634,759
7
AA
16,55
36,62
20,73
40,36
375
8.582,696
7
Psp.
2,78
42,76
34,08
49,11
333
2.310,560
8
AA
7,8
35,02
19,36
33,769
342
2.529,959
9
AA
56,29
34,58
19,5
26,44
272
18.257,873
11
AA
16,86
34,37
20,22
27,78
292
5.906,928
12
AA
21,89
38,48
21,17
31,04
278
8.926,283
13
Psp.
7
45,31
34,88
34,29
200
4.134,195
14
AA
11,08
33,73
18,74
32,43
350
4.194,162
15
AA
13,27
37,06
20,04
29,4
272
4.891,298
16
AA
3,49
45,75
18,59
23,16
133
929,499
17
Psp.
7,55
36,44
33,14
61,95
567
7.828,945
17
EU
0,54
38,4
29,3
48,106
356
360,857
18
AA
4,01
35,02
19,36
33,77
342
1.633,870
18
EU
2,7
38,4
29,3
34,294
356
1.804,285
19
AA
25,71
36,93
19,59
33,99
317
10.587,529
20
AA
0,33
36,5
19,64
29
277
117,764
21
AA
5,65
36,02
20,18
24,36
233
1.732,358
22
AA
1,83
30,26
19,51
25
333
558,854
24
Psp.
17,28
34,73
31,87
47,13
483
12.926,559
25
AA
1,53
39,68
22,03
38,52
300
826,854
25
Psp.
2,97
41,86
34,59
59,14
417
3.023,305
26
AA
3,63
36,45
18,9
25,07
233
1.078,118
27
AA
4,98
38,29
19,19
29,96
250
1.792,949
28
Psp.
55,75
41,64
34,14
44,95
320
42.922,973
29
AA
15,93
30,08
17,58
27,75
383
4.803,091
30
AA
6,58
36,28
20,23
28,01
267
2.314,631
31
AA
2,75
40,11
21,62
32,56
250
1.216,894
32
AA
26,96
35,48
20,33
38,72
378
13.369,274
33
AA
3,27
39,73
20,62
33,55
267
1.408,410
34
35
36
AA
AA
Psp.
6,5
2,44
46,62
30,38
31,53
42,54
18,66
18,99
33,88
25,93
20,025
38,72
350
250
267
1.951,486
586,092
30.600,589
37
AA
0,85
40,89
20,92
18,085
133
202,831
Legenda: AA – Araucaria angustifólia; Psp – Pinus sp.; EU – Eucalyptus sp.; d - DAP médio; ht - altura
total média; G - área basal; v c/c - volume com casca
74 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.6: Continuação
Área plantio
atual (ha)
d (cm)
ht (m)
G m²/
hectare
n° árv /
hectare
V c/c Total
(m³/talhão)
Talhão
Plantio
37
Psp.
18,25
44,73
34,04
45,81
289
14.119,963
38
AA
16,22
38,16
19,39
27,13
233
5.310,512
39
AA
12,8
34,28
19,34
28,52
300
4.385,660
40
AA
9,44
35,31
18,54
30,38
300
3.287,493
41
AA
7,22
32,67
16,37
23,3
267
1.708,693
42
AA
7,99
46,03
19,37
8,6
50
827,097
43
AA
3,58
40,89
20,92
18,08
133
854,276
44
AA
38,66
36,27
19,2
27,78
258
12.945,294
45
AA
7,67
32,89
18,9
35,73
400
3.251,675
46
AA
5,9
37,27
19,18
35,31
317
2.486,419
47
AA
7,5
41,83
20,12
16,32
117
1.522,562
48
AA
7,4
36,87
19,25
30,77
292
2.730,825
49
AA
3,44
35,79
19,9
31,37
300
1.359,716
50
AA
2,87
33,5
18,32
25,73
283
837,326
51
AA
9,09
36,59
19,72
39,49
367
4.388,969
52
AA
2,2
34,78
17,57
26,03
267
623,527
53
AA
5,16
39,34
20,92
25,07
200
1.687,425
54
AA
7,3
35,11
20,1
28,54
283
2.610,874
55
Psp.
15,18
42,95
34,48
37,5
258
9.643,066
56
Psp.
26,82
47,42
34,3
34,08
189
15.600,486
57
Psp.
6,11
42,17
35,36
32,35
225
3.481,863
58
Psp.
1,1
37,29
32,13
37,53
333
661,701
59
Psp.
18,53
42,21
33,35
46,46
325
14.216,055
62
Psp.
7,37
47,06
37,58
41,64
233
5.743,629
63
Psp.
0,71
40,34
34,7
47,83
367
583,805
64
AA
0,65
40,27
19,46
21,51
167
168,661
64
Psp.
6,18
43,84
32,51
34,01
217
3.416,833
65
Psp.
1,17
42,66
33,94
42,27
297
835,200
66
Psp.
0,99
45,3
34,89
54,74
333
937,100
67
Psp.
7,8
42,35
33,44
49,24
342
6.393,947
68
Psp.
7,6
50,81
35,57
34,9
175
4.607,927
69
Psp.
1,49
46
35,53
33,73
200
881,689
70
Psp.
11,72
41,46
34,21
41,73
300
8.313,362
71
Psp
0,48
34,73
31,87
47,125
483
361,393
71
EU
5,83
38,4
29,3
61,948
333
4.581,059
72
Psp.
5,54
44,57
37
39,49
250
4.006,957
72
EU
0,11
38,4
29,3
61,948
356
74,337
73
AA
2,26
31,53
18,99
20,02
250
542,856
Volume Total da FLONA Passo Fundo
Área Total de Plantio (ha)
737,3
363.502,37
(m³)
Legenda: AA – Araucaria angustifólia; Psp – Pinus sp.; EU – Eucalyptus sp.; d - DAP médio; ht - altura
total média; G - área basal; v c/c - volume com casca
75 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Os dados de volume total de araucária, pínus e eucalipto na FLONA são
apresentados no Quadro 6.9 e gráfico da Figura 6.16 e demonstram que são esperados
aproximadamente 363.502 m³ de madeira para a Unidade.
Quadro 6.9: Volume Total Estimado do Estoque de Madeira para cada Plantio da FLONA Passo
Fundo
Tipologia
Estoque m³ com casca
Araucaria angustifolia*
154.169,79
Pinus sp.
200.464,93
Eucalyptus sp.
8.867,65
Total
363.502,37
* As áreas de Capoeirão com Plantio de Araucária não estão inseridas neste volume
Percentual do Estoque de Madeira da FLONA
2,44%
42,41%
Araucaria angustifolia
Pinus sp.
Eucalyptus sp.
55,15%
Figura 6.16: Percentuais do Volume Estimado de Madeira dos Plantios da FLONA Passo Fundo
Quanto à composição florística da regeneração natural dos plantios foram
registradas 99 espécies arbóreas e arbustivas, nativas e exóticas, pertencentes a 43
famílias. As famílias mais ricas em espécies foram: Myrtaceae com 12 espécies, seguida por
Lauraceae com 8 espécies, Fabaceae com 7 espécies e Solanaceae com 5 espécies.
Das 88 espécies arbóreas, 4 espécies foram identificadas apenas em nível de
gênero, e, dentre as 11 espécies arbustivas, 4 espécies também foram identificadas apenas
em nível de gênero. Apenas uma espécie não foi identificada.
As espécies da flora classificadas como ameaçadas de extinção, conforme a Lista
Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção (MMA, 2008), estão
representadas pelo pinheiro-brasileiro Araucaria angustifolia, a imbuia Ocotea porosa, o
xaxim Dicksonia sellowiana e o butiazeiro-da-serra Butia eriospatha. Aquelas ameaçadas
conforme a Lista Final das Espécies da Flora Ameaçadas do Rio Grande do Sul15 estão
representadas pela cabreúva Myrocarpus frondosus, a cangiqueira Rhamnus
sphaerosperma, a orelha-de-onça Symplocos tenuifolia e a casca-d’anta Drimys brasiliensis.
15
Decreto estadual n° 42.099, publicado em 1/01/2003
76 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Foram registradas 3 espécies exóticas da flora brasileira nos plantios: a nêspera
Eryobotrya japonica, a uva-do-Japão Hovenia dulcis e a bergamoteira Citrus reticulata.
Na Tabela 6.7 constam os resultados dos parâmetros dendrométricos DAP médio e
Altura média obtidos na regeneração natural dos plantios para enquadramento do estágio
sucessional, conforme a Resolução CONAMA n. 33/94, que estabelece os parâmetros para
análise da vegetação secundária da Mata Atlântica no estado do Rio Grande do Sul. Apesar
de o parâmetro DAP médio encontrado estar relacionado ao definido para estágio inicial, o
parâmetro Altura indicou para todos os plantios estágio médio de regeneração, ainda que,
para os plantios de Araucaria angustifolia e Pinus sp., estes valores se encontram muito
próximos ao limite máximo do estágio inicial.
Tabela 6.7: Parâmetros Dendrométricos Obtidos a Partir do Inventário Florestal dos Plantios e
Enquadramento do Estágio Sucessional Conforme Resolução CONAMA n. 33/9416.
Parâmetros dendrométrico
Tipologia
(Plantio)
DAP médio (cm)
Altura média (m)
Enquadramento do
estágio sucessional
Araucaria angustifolia
2,62
3,83
Médio
Pinus sp
2,91
4,14
Médio
Eucalyptus sp.
4,18
6,16
Médio
Para o plantio de Araucaria angustifolia, entre os maiores Valores de Importância
para a regeneração natural do sub-bosque, destacam-se as espécies camboatá-vermelho
Cupania vernalis, chal-chal Allophylus edulis, guaçatunga Casearia decandra, camboatábranco Matayba elaeagnoides e canela-fedida Nectandra megapotamica. As espécies com
valores sociológicos expressivos na Floresta Ombrófila Mista indicam a correlação
ecossistêmica existente entre áreas naturais e plantadas.. Ressalta-se ainda a presença do
cafezeiro-do-mato Casearia sylvestris, da canela-guaicá Ocotea puberula, da pariparoba
Piper amalago e do capororocão Myrsine umbellata dentre este grupo dominante pelo fato
de representarem espécies pioneiras de sub-bosque adaptadas às condições de
sombreamento exercidas pelas árvores plantadas.
Para o plantio de Pinus sp., verifica-se uma forte semelhança entre estas dominantes
citadas para Araucaria angustifolia, exceto pela própria presença de araucária que
desempenha relevante importância sociológica neste processo regenerativo.
Já em relação ao plantio de Eucalytpus sp., observa-se uma diferença significativa
em relação aos demais plantios devido à expressiva dominância do pinheiro-brasileiro
Araucaria angustifolia, associada ao camboatá-branco Matayba elaeagnoides e à erva-mate
Ilex paraguariensis, com presença da canela-lageana Ocotea pulchella e da pimenteira
Capsicodendron dinisii, indicando uma condição particular a este tipo de plantio, onde a
regeneração natural parece estar mais próxima à estrutura florestal de caráter natural.
16
Parâmetros dendométricos estabelecidos na Resolução CONAMA n° 33/94:
I - Estágio inicial de regeneração: vegetação sucessora com fisionomia herbácea/arbustiva, apresentando altura
média da formação até 03 (três) metros e Diâmetro à Altura do Peito (DAP), menor ou igual a 08 (oito)
centímetros, podendo eventualmente apresentar dispersos na formação, indivíduos de porte arbóreo.
II - Estágio médio de regeneração: vegetação que apresenta fisionomia de porte arbustivo/arbóreo, cuja
formação florestal apresenta altura de até 08 (oito) metros e Diâmetro à Altura do Peito (DAP) até 15 (quinze)
centímetros.
III - Estágio avançado de regeneração: vegetação com fisionomia arbórea predominando sobre os demais
estratos, formando um dossel fechado, uniforme, de grande amplitude diamétrica, apresentando altura superior a
08 (oito) metros e Diâmetro à Altura do Peito (DAP) médio, superior a 15 (quinze) centímetros.
77 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 6.7
Fauna
Os estudos da fauna para a Floresta Nacional de Passo Fundo e seu entorno foram
desenvolvidos com elementos da metodologia da Avaliação Ecológica Rápida – AER17, que
consiste em um processo flexível utilizado para obter e aplicar, de forma acelerada, dados
biológicos e ecológicos visando à tomada de decisões para o planejamento de Unidades de
Conservação e com dados secundários (levantamentos bibliográficos) para os grupos
temáticos de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.
6.7.1
Ictiofauna
Para o levantamento da Ictiofauna da FLONA Passo Fundo, foram obtidos dados
primários e secundários. Nos dados secundários, foram levantadas 61 espécies de
ocorrência esperada.
Para a obtenção de dados primários, a campanha de campo para execução do
inventário ictiofaunístico foi efetuada entre os dias 23 e 29 de novembro de 2008. Os pontos
de amostragem da ictiofauna foram o rio João de Barro, o rio Branco e o açude, localizados
no interior da FLONA Passo Fundo, e a Barragem do Capingüí e tributários, localizados em
seu entorno (Mapa 6.6).
A captura dos peixes foi padronizada nos pontos de coleta, que apresentam
similaridade ambiental, mediante o emprego das seguintes artes de pesca: redes de espera
de malhas 3, 5 e 7 cm (medida entre nós opostos), tarrafas de malha 1,3 e 3 cm, picaré de
malha 1 cm e puçá, com coletas noturnas e diurnas.
Foram registradas 24 espécies (Tabela 6.8), das quais 4 delas registradas através
de entrevistas. Elas ocorrem somente na represa e são: o dourado Salminus brasiliensis, o
jundiá Rhamdia quelen, o pintado Pimelodus maculatus e o peixe-rei Odonthestes
humensis. As demais foram registradas através de coletas na FLONA Passo Fundo e seu
entorno e inserem-se em 5 ordens, com a seguinte distribuição percentual do número de
espécies Characiformes (48%), Siluriformes (28%), Perciformes (12%), Cyprinodontiformes
(8%) e Atheriniformes (4%). A única espécie de Atheriniformes registrada foi o peixe-rei
Odonthestes humensis, que ocorre na represa.
17
Essa metodologia da Avaliação Ecológica Rápida foi elaborada por Sobrevilla & Bath (1992) para o Programa
de Ciências da The Nature Conservancy - TNC para a América Latina e aperfeiçoada em Sayre et al. (2000) para
a TNC.
78 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.8: Espécies Registradas na FLONA Passo Fundo e Entorno por Ponto de Amostragem
Pontos de amostragem
Espécies
Nome comum
1
2
3
4
5
6
6A
6B
7
H. malabaricus
traíra
C. pterostictum
canivete
C. voga
biru
A. fasciatus
lambari
A. jacuhiensis
lambari
A.eigenmanniorum
lambari
Astyanax sp.
lambari
Bryconamericus ecai
lambari
B. iheringii
lambari
Bryconamericus sp
lambari
O. jenynsii
saicanga
S. brasiliensis*
dourado
R. quelen*
jundiá
P. maculatus*
pintado
H. mustelinus
jundiá-cobra
Trichomycterus sp
Ancistrus brevipinnis
cf.
Rineloricaria baliola
lambira
cascudo-roseta
O. humensis
peixe-rei
P. caudimaculatus
barrigudinho
Phalloceros sp.
barrigudinho
G. brasiliensis
acará
C. lepidota
joana
O. niloticus
tilápia
S
viola
3
3
4
8
3
14
9
8
6
S = riqueza específica; * = espécies registradas na represa através de entrevistas com moradores locais
Determinou-se a relação de algumas espécies com ambientes específicos naquele
período, que é de intensa atividade reprodutiva. A saicanga O. jenynsii, o dourado S.
brasiliensis, o jundiá R. quelen e o pintado P. maculatus estiveram associados ao
ecossistema barragem – rio. Quanto ao cascudo Rineloricaria sp, um foi registrado em fundo
arenoso e outros dois em fundo pedregoso. A presença da traíra H. malabaricus, registrada
no ponto de amostragem 3 no interior da FLONA Passo Fundo, indica a presença de uma
comunidade ictiofaunística de espécies forrageiras, como os lambaris, para a conservação
desta espécie carnívora.
Verificou-se incremento da riqueza específica com o aumento do tamanho do rio, de
maneira que rios menores têm de 3 a 4 espécies de pequeno porte. Os rios de maior porte
apresentam riqueza específica de 6 a 9 espécies e são também representados, na maioria,
por espécies de pequeno porte, como lambaris e cascudos. As 3 espécies registradas no
açude, representadas por Astyanax fasciatus, Geophagus brasiliensis e Crenicichla lepidota,
ocorrem também em ambientes lóticos, indicando que este ambiente tem importância no
79 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul desenvolvimento e na manutenção destas e de outras espécies que, eventualmente,
possam ocupar este ambiente no seu ciclo biológico.
As espécies de cascudos Ancistrus brevipinnis e Rineloricaria baliola foram restritas
a 2 pontos de amostragem de ambientes lóticos com água em geral bem oxigenada. O
lambari Bryconamericus iheringii foi registrado em 7 pontos de amostragem, com maior
número de indivíduos capturados em ambientes lóticos. Esta espécie efetua, neste período,
pequenas migrações reprodutivas. O canivete Characidium pterostictum também foi
registrado em 7 pontos caracterizados como ambientes lóticos. O lambari Astyanax
eigenmanniorum (Figura 6.18) apresentou uma das menores abundâncias e está associado
ao ambiente da represa, caracteristicamente lêntico. A saicanga Oligosarcus jenynsii foi
registrada em 3 pontos, na represa (ponto 6) e no rio nos pontos 6 A e 6 B. Como é uma
espécie que atinge porte médio, não foi registrada nos pequenos riachos no interior da UC.
Esta espécie necessita de ambientes maiores, como a represa e o rio, onde interage para
crescimento e reprodução. O jundiá Rhamdia quelen não foi registrado no interior da FLONA
Passo Fundo. Em geral, esta espécie é registrada em todos os ambientes e, portanto,
também deve ocorrer em riachos e em rios no interior desta UC.
A qualidade ambiental nos rios de porte pequeno a médio, no interior ou no entorno
da UC, é indicada por alguns aspectos de conservação, como a presença de mata ciliar,
água limpa com baixa turbidez, oxigenada e diversidade de ambientes, como remansos,
poços, corredeiras e cachoeiras. Reconhece-se uma tendência de ocorrência de redução de
recursos hídricos ao longo do tempo fora de UCs e, caso este processo se manifeste em
seu interior, torna-se evidente o comprometimento da conservação de populações de
peixes. A conservação de espécies e de populações deve caminhar paralelamente com a
conservação da rede hidrográfica. E, para que ocorra a manutenção do regime hídrico,
torna-se importante a conservação da estrutura da mata em um processo que integra as
matas e a rede hidrográfica no interior e no entorno desta FLONA Passo Fundo.
Para o estudo foi considerada a presença de espécies indicadoras, seja de qualidade
ambiental ou as que indicam conservação de populações. Desta maneira, as espécies
registradas indicam a presença de micro-hábitats, água com teor normal de oxigenação e
ambientes propícios para reprodução, além de pontos com alta diversidade das populações,
bem como pontos com baixa riqueza específica.
Entre as espécies com algum elemento bioindicador, pode-se associar o lambari
Bryconamericus iheringii à correnteza de rio, o que indica água com teor médio a alto de
oxigênio. O jundiá-cobra Heptapterus mustelinus (Figura 6.17) restringe-se a ambientes
com correnteza média à fraca e a lambira Trichomycterus sp é específica de
microambientes constituídos por aglomeração e combinação de madeira e pedras em
ambientes com pequena correnteza. O cascudo Ancistrus brevipinnis cf. vive entre pedras
em ambiente correntoso e indica água bem oxigenada.
Figura 6.17: Espécie Registrada na Unidade
Heptapterus mustelinus jundiá cobra
80 Figura 6.18: Espécie Registrada na Unidade
Astyanax eigenmanniorum lambarí
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
A presença de um grupo diversificado de lambaris, pertencentes a vários gêneros e
espécies, torna esta comunidade bastante diversificada e importante nas relações
ecológicas e constitui uma base para a manutenção da cadeia alimentar das espécies de
topo de cadeia, como as traíras H. malabaricus, o jundiá R. quelen e as saicangas O.
jenynsii.
A FLONA Passo Fundo apresenta várias fisionomias vegetais, das quais as mais
significativas para a conservação dos peixes são a mata nativa e de araucária. A riqueza
específica aumenta com o tamanho do rio e este, por sua vez, depende da conservação dos
recursos hídricos para a manutenção da comunidade ictiofaunística.
Desta maneira, a malha hidrográfica no interior da FLONA Passo Fundo é constituída
por rios que nascem em seu interior e rios que atravessam a UC. Ao primeiro grupo
pertencem os pontos de amostragem 1, 5 e 7 e, ao segundo, os pontos 2, 4, 6 A e 6 B. O
ponto 2, que constitui o açude, não é isolado na UC e recebe contribuições de fora da
Unidade.
O fato de que certos rios da FLONA Passo Fundo, como os pontos de amostragem
4, 6 A e 6 B são provenientes de fora da UC e, portanto, sujeitos a todas as interferências
antropogênicas, como o uso de defensivos agrícolas na agricultura intensiva, assoreamento
provocado pela redução da mata ciliar e pesca predatória, pode reduzir tanto a riqueza
específica, como a abundância das espécies. Desta maneira, os pontos acima citados,
localizados no interior da UC, podem se tornar locais importantes para a conservação das
espécies. Isto pode ser corroborado pela riqueza específica registrada nos pontos, ou seja,
8 espécies registradas nos pontos 4 e 6 B e 9 espécies no ponto 6 A.
Quanto às nascentes dos pontos localizados no interior da UC, deve-se inferir a boa
qualidade da água, isenta, de resíduos de biocidas, o que favorece a manutenção da
comunidade ictiofaunística presente naqueles pontos, com riqueza específica de 3 espécies
nos pontos 1 e 5, e de 6 espécies no ponto 7.
81 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Mapa 6.6: Pontos da AER para a Ictiofauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo
82 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
6.7.2
Herpetofauna
Para a herpetofauna, os dados secundários foram obtidos por meio da revisão
bibliográfica, onde foram considerados apenas trabalhos de cunho regional. Já para os
dados primários, foi efetuada uma campanha de campo de 23 a 29 de novembro de 2008
(Mapa 6.7).
A obtenção de dados primários foi realizada na melhor época para observação e
registro da herpetofauna (primavera). As observações foram realizadas durante o dia para
répteis e à noite para anfíbios. Os sítios de reprodução dos anfíbios foram identificados
principalmente pelo registro de vocalizações, buscando-se por corpos d’água lóticos e
lênticos, permanentes ou temporários.
Dos resultados, um total de 14 espécies de anfíbios, divididos em cinco famílias, foi
considerado como de ocorrência certa na Floresta Nacional de Passo Fundo. Destas, 13
foram registradas durante a campanha de campo. Para répteis, 24 espécies das Ordens
Chelonia, Squamata e Subordem Lacertília e Ophidia, divididas em oito famílias, foram
consideradas como de ocorrência certa na FLONA Passo Fundo e/ou no seu entorno.
Destas, 12 foram consideradas como de ocorrência certa dentro da UC por terem sido
registradas durante a campanha de campo ou por serem espécies de ampla distribuição na
região; outras 12 espécies foram consideradas de ocorrência provável dentro da FLONA
Passo Fundo por serem espécies registradas em regiões próximas de acordo com a
bibliografia consultada (Tabela 6.9).
Das espécies de anfíbios e répteis da Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas de
Extinção, que podem ocorrer no estado do Rio Grande do Sul, apenas uma espécie de réptil
(Cnemidophorus vacariensis) tem a sua área de distribuição abrangendo a FLONA Passo
Fundo. Na lista mundial de anfíbios ameaçados, que foi elaborada pelo Global Amphibian
Assessment, onde constam 26 espécies brasileiras como ameaçadas, uma espécie foi
registrada durante a Avaliação Ecológica Rápida: Proceratophrys bigigosa, categorizada
como quase ameaçada. Proceratophrys bigibosa é uma espécie que vive dentro da floresta,
reproduzindo-se em pequenos córregos dentro da mesma. Cnemidophorus vacariensis é
uma espécie de lagarto de pequeno tamanho, cerca de 14 cm de comprimento. Este lagarto
vive em áreas de campo em meio a afloramentos rochosos. Não existem registros dos
mesmos próximos à FLONA Passo Fundo, porém, teoricamente, eles estariam dentro da
área de distribuição.
Atualmente, anfíbios têm sido utilizados como indicadores de qualidade de água,
principalmente a sua forma larval (girino), isto por causa de sua sensibilidade a uma ampla
variedade de perturbações ambientais na água, como concentrações de pesticidas
organoclorados, metais pesados e outros contaminantes (POWER et al., 1989). Platin et al.
(1995) afirmam que, após o monitoramento da resposta de embriões a 25 características da
água e 20 do solo, os anfíbios podem ser usados como biomonitores de áreas úmidas para
avaliar a condição de stress associada aos processos decorrentes da urbanização.
Na FLONA Passo Fundo encontram-se córregos com o leito rochoso, fluxo rápido,
água límpida e bem oxigenada e vegetação ciliar abundante. Essas características
propiciam a ocorrência de espécies de anfíbios mais especializados, que, embora tenham
sido registradas poucas espécies, outras ocorrem dentro do domínio da Floresta de
Araucária em altitudes acima de 700m. Além das condições dos ambientes lóticos
propriamente ditos, as inúmeras nascentes propiciam a formação de ambientes lênticos,
como poças temporárias e pequenas áreas de brejos, tanto dentro das áreas com cobertura
florestal como em áreas reflorestadas.
Aparentemente, a substituição das áreas naturais por reflorestamentos trouxe
alterações no fluxo e na qualidade da água. Ademais, a ausência da diversidade
vegetacional pode ter diminuído a variedade de componentes de matéria orgânica nas
83 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul mesmas, refletindo na riqueza de espécies de microrganismos que propiciam a
sobrevivência de algumas espécies. Práticas de manejo na agricultura e silvicultura são
consideradas o maior fator de alteração da riqueza faunística em paisagens antropogênicas
(GOTTSCHALK et al., 2007). Anormalidades morfológicas em populações de anfíbios em
agroecossistemas são relatadas por Gurushankara et al. (2007). A implantação e a
manutenção de reflorestamentos, tanto em áreas de floresta como em campo, têm impactos
sobre as populações de anfíbios ainda não mensurados.
A maior ameaça para as espécies de anfíbios e répteis é o atropelamento, sendo um
dos maiores impactos ocasionados por estradas que cortam áreas naturais. Segundo
Langton (1989) e Lizana (1991) em estudos realizados na Península Ibérica, os anfíbios e
os répteis representam 25% dos vertebrados atropelados em rodovias, principalmente para
as espécies que costumam fazer migrações no período reprodutivo. Para os anfíbios, o risco
de atropelamentos aumenta nas estações de primavera e verão por coincidir com o período
de reprodução. O problema, de forma geral, atinge anfíbios à noite, principalmente após as
chuvas e répteis nos horários de sol ameno.
Tabela 6.9: Lista de Espécies Registradas (Ocorrência Confirmada) na FLONA Passo Fundo e
Consideradas a Partir de Dados Secundários (Ocorrência Certa)
Nome Vernacular
Ocorrência
na FLONA
Rhinella henseli
Sapo-cururu-depontos-amarelos
confirmada
Florestal
Rhinella icterica
Sapo-cururu
confirmada
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Anura, Cyclorhamphidae
Proceratophrys bigibbosa18
Sapo-de-chifre
confirmada
Odontophrynus americanus
Sapo-bolinha
certa
Aplastodiscus perviridis19
Perereca-flautinha
confirmada
Dendropsophus minutus
Pererequinha
confirmada
Dendropsophus nanus
Pererequinha
confirmada
Perereca-martelo
confirmada
Perereca-debanheiro
confirmada
Espécie
Ocorrência
no Entorno
Ambiente
ANFÍBIOS
Anura, Bufonidae
Florestal
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Anura, Hylidae
Hypsiboas faber
Scinax fuscovarius
Scinax sp.
Anura, Leiuperidae
confirmada
Physalaemus cuvieri
Ranzinha-cachorro
confirmada
Physalaemus gr. gracilis
Ranzinha-chorona
confirmada
Anura, Leptodactylidae
Leptodactylus gr. marmoratus
Ranzinha-da-mata
confirmada
Rã-comum
confirmada
Cágado-pescoçode-cobra
confirmada
Leptodactylus ocellatus
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Florestal
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Florestal
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
RÉPTEIS
Chelonia, Chelidae
Hydromedusa tectifera
18
19
Espécie bioindicadora / lista vermelha
Espécie bioindicadora
84 Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.9: Continuação
Espécie
Ocorrência
no Entorno
Ambiente
Lagarto
certa
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Cobra-de-vidro
certa
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Lagartixa
certa
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Nome Vernacular
Ocorrência
na FLONA
Sauria, Polychridae
Anisolepis grilli
Sauria, Anguidae
Ophiodes fragilis
Sauria, Gymnophthalmidae
Pantodactylus schreibersii
Sauria, Teiidae
Tupinambis merianae
Teiú
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
confirmada
Ophidia, Colubridae
Cobra
certa
Cobra-cipó
certa
Echinanthera cyanopleura
Cobra
certa
Echinanthera poecilopogon
Cobra
certa
Cobra-d’água
certa
Cobra
certa
Liophis jaegeri
Cobra-verde-debarriga-laranja
certa
Liophis miliaris
Cobra ‘água
certa
Liophis poecilogyrus
Cobra
certa
Oxyrhopus rhombifer
Falsa-coral
certa
Cobra-verde
certa
Parelheira
certa
Cobra
certa
Thamnodynastes strigatus
Cobra-espada
certa
Thamnodynastes hypoconia
Cobra-espada
certa
Cobra
certa
Cobra-coral
certa
Bothrops neuwiedi
Jararaca-de-rabobranco
certa
Bothrops alternatus
Urutu
Atractus thalesdelemai
Chironius bicarinatus
Helicops infrataeniatus
Liophis flavifrenatus
Philodryas aestiva
Phyllodryas patagoniensis
Pseudablades agassizii
Tomodon dorsatus
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Florestal
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Elapidae
Micrurus altirostris
Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Ophidia, Viperidae
confirmada
85 Florestal / Aberto (natural
e/ou antropizado)
Aberto (natural e/ou
antropizado)
Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul A
B
C
D
E
F
G
H
A)
B)
C)
D)
E)
F)
G)
H)
Poça temporária no Ponto1, registrado Physalaemus gr. gracilis
Aplastodiscus perviridis – fotografado no Ponto 1
Poça permanente (açude) no Ponto 1
Girinos de Proceratophrys bigibosa no Ponto 2
Córrego no Ponto 2
Aplastodiscus perviridis – fotografado no Ponto 1
Poça dentro da floresta no Ponto 3
Tupinambis merianae no Ponto Oportunístico 02
Figura 6.19: Ambientes de Reprodução e Espécies Registradas Durante a AER na Floresta
Nacional de Passo Fundo
86 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Mapa 6.7: Pontos da AER para a Herpetofauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo
87 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 6.7.3
Avifauna
O monitoramento da avifauna da Floresta Nacional de Passo Fundo vem sendo
realizado desde 1999 pela Universidade de Passo Fundo durante duas estações do ano:
inverno e verão. Estas estações são fundamentais, pois é possível acompanhar os
deslocamentos de aves migrantes de inverno e verão e as visitantes da área de estudo.
Pelo monitoramento sistemático, é possível estabelecer qual a comunidade de aves é
residente para a UC.
Para o levantamento da avifauna, foram investigadas 13 áreas amostrais: talhão 64
(Ponto I), talhão 7 (Ponto II), talhão 67 (Ponto III), talhão 59 (Ponto IV), talhões 14 e 15
(Ponto V), talhão 36 (Ponto VI), talhão 44 (Ponto VII), talhão 40 (Ponto VIII;), talhão 74
(Ponto IX;), talhão 23 (Ponto X). As áreas XI (propriedade do Sr. Solagna), XII (propriedade
do Sr. Stangler) e XIII (propriedade do Sr. Orlando Manfroi), são áreas nativas e
circunvizinhas da Floresta Nacional de Passo Fundo (Mapa 6.8).
Os talhões 64 (Ponto I), talhão 67 (Ponto III), talhões 14 e 15 (Ponto V), talhão 40
(Ponto VIII), talhão 23 (Ponto X), áreas XI (propriedade do Sr. Solagna), XII (propriedade do
Sr. Stangler) e XIII (propriedade do Sr. Orlando Manfroi) são áreas investigadas apenas por
ocasião dos levantamentos para o Plano de Manejo. As demais áreas citadas vêm sendo
monitoradas a longo prazo.
Dois métodos distintos foram utilizados para identificar a composição avifaunística da
FLONA Passo Fundo: qualitativo (visualização e vocalização) e quantitativo (captura e
marcação) durante o período de 10 a 17 de dezembro de 2008.
A observação direta permitiu identificar 129 espécies de aves nas áreas de estudo
durante este período, destacando-se as espécies Crypturellus noctivagus, Phalacrocorax
brasilianus, Elanus leucurus, Cariama cristata e uma espécie não identificada, representante
da família Strigidae (NI), que foi registrada pela primeira vez na UC. Nos trabalhos
anteriores, realizados desde 1999, junto com os resultados derivados do levantamento para
este Plano de Manejo, já foram registradas 195 espécies para FLONA Passo Fundo. Estas
espécies estão apresentadas na Tabela 6.10.
As 129 espécies de aves identificadas durante os levantamento para este Plano de
Manejo estão agrupadas em 36 famílias e 6 subfamílias. Deste total, 102 espécies de aves
apresentam os seguintes status de ocorrência: residentes para a Unidade, 19 espécies são
migrantes, 4 espécies são migrantes de status assumido, mas não confirmado, e 3 espécies
são residentes com status assumido, mas não confirmado, de acordo com Bencke (2001).
Destacam-se 5 espécies de aves registradas durante este período, que apresentam status
de conservação quase ameaçado: Crypturellus noctivagus, registrado na área 67; Piculus
aurulentus, registrado nas áreas 7, 40, 74, 23 e na propriedade do Sr. Solagna;
Leptastenura setaria não foi registrado nas áreas com plantio de Pinus e nas propriedades
do Sr. Stangler e Manfroi. Nas demais áreas de estudo, esta espécie foi registrada; e
Cyanocorax caeruleus foi registrada nas áreas 64, 67 e na propriedade do Sr. Solagna. No
entanto, Cyanocorax caeruleus já foi registrada, em anos anteriores, em todas as áreas de
estudo do Plano de Manejo da FLONA Passo Fundo.
Destaca-se também a espécie Hemitriccus obsoletus, registrada apenas no talhão 59
desde 1999, por razões ainda não bem compreendidas. É necessário conhecer mais sobre
a exigência desta espécie de ave, como sua biologia e ecologia, para traçar medidas
conservacionistas.
88 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Mapa 6.8: Pontos da AER para a Avifauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo
89 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Após dez anos de monitoramento da avifauna da FLONA Passo Fundo e com este
levantamento, que investigou outras áreas desta Unidade de Conservação, foram
registradas 195 espécies de aves (Tabela 6.10), porém, uma espécie representante da
família strigidae precisa ser confirmada.
O grau de estruturação e conservação do ambiente fitofisionômico influencia na
riqueza de espécies das comunidades de aves, proporcionando maior disponibilidade de
diferentes hábitats e micro-hábitats com seus correspondentes nichos ecológicos, que
podem ser ocupados pelas aves. Em ambientes florestais, que receberam maior intensidade
de impactos antrópicos, no caso da FLONA Passo Fundo, de manejos de corte seletivos
mais recentes, onde é pouco desenvolvida a constituição do sub-bosque, verificam-se
populações maiores de indivíduos da mesma espécie, o que diminui seu índice de
diversidade. Para algumas espécies, a causa da maior abundância é de difícil definição e
provavelmente são muitos os fatores responsáveis, além de atuarem de forma heterogênea
sobre as espécies. Áreas florestadas com predominância de apenas uma essência florestal,
caracterizando as monoculturas, sejam elas representadas por P. elliottii ou por A.
angustifolia, desde que bem manejadas a ponto de permitir luminosidade adequada ao
desenvolvimento do sub-bosque, podem apresentar uma boa diversidade de aves e virem a
colaborar com a conservação da avifauna.
Os resultados sugerem que grande parte das espécies de aves da Floresta Nacional
de Passo Fundo são residentes e, entre essas, grande parte são espécies territoriais, com
grande aderência e fidelidade aos seus ambientes. É preciso destacar que depois de 10
anos de anilhamento nos diferentes ambientes fitofisionômicos da FLONA Passo Fundo,
com mais de 4.000 aves marcadas, as recapturas realizadas ocorreram nos mesmos locais
de captura, ou em suas imediações. Entre hábitats semelhantes dentro da Unidade de
Conservação, que são contíguos, não ocorreram registros de deslocamentos entre as aves
marcadas.
Compreende-se a ideia geral da importância da conectividade dos ambientes, para
as questões de fluxo gênico e perda da variabilidade genética pelo processo da deriva
genética, para toda a diversidade biológica, questões que, por si só, subsidiam as
recomendações gerais para qualquer Unidade de Conservação com relação ao seu entorno.
Essa é a razão pela qual é indicada a área florestal da família Solagna, contígua ao Talhão
74 da FLONA Passo Fundo, como prioritária para a conservação, assim como os ambientes
com florestas ciliares de todos os recursos hídricos que integrem a bacia hidrográfica na
qual se insere a Floresta Nacional.
Figura 6.20: Stephanoxis
lalandi
macho.
Espécie
Residente da FLONA Passo
Fundo. Registrada em Quase
todas as Áreas de Estudo
Figura 6.21: Hemitriccus
obsoletus,
Registrado
Apenas no Talhão 59 (área
IV) Durante dez Anos de
Estudo na UC
Figura
6.22:
Veniliornis
spilogaster,
Espécie
Residente da FLONA Passo
Fundo. Registrada em Quase
todas as Áreas de Estudo
Foto: Jaime Martinez
Foto: Jaime Martinez
Foto: Jaime Martinez
90 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.10: Avifauna Registrada na Floresta Nacional de Passo Fundo.
N
Espécie / família
Tinamidae
1
Crypturellus obsoletus
2
Crypturellus noctivagus
3
Rhynchotus rufescens*
Phalacrocoracidae
4
Phalacrocorax brasilianus
Ardeidae
5
Syrigma sibilatrix
6
Bubulcus ibis*
7
Butorides striatus
Threskiornithidae
8
Theristicus caudatus*
Cathartidae
9
Coragyps atratus
10
Cathartes aura*
Cathartidae
Accipitrinae
11
Elanoides forficatus
12
Elanus leucurus
13
Ictinia plumbea
14
Accipiter striatus*
15
Buteo swainsoni
16
Buteo magnirostris
Falconidae
17
Caracara plancus
18
Milvago chimachima
19
Milvago chimango
20
Hepetotheres cachinnans*
21
Micrastur ruficollis
22
Micrastur semitorquatus*
23
Falco femoralis*
Anatidae
24
Amazonetta brasiliensis*
Cracidae
25
Penelope obscura
Rallidae
26
Aramides saracura
27
Gallinula chloropus*
Chariamidae
28
Cariama cristata
Jacanidae
29
Jacana jacana*
Charadriidae
30
Vanellus chilensis
Columbidae
31
Columba picazuro*
32
Columba cayanensis
33
Zenaida auriculata
34
Columbina talpacoti
35
Columbina picui
*Espécie não registrada neste levantamento
Nome comum
inambuguaçu
jaó-do-litoral
perdigão
biguá
maria-faceira
garça-faceira
socozinho
curicaca
urubu-de-cabeça-preta
urubu-de-cabeça-vermelha
gavião-tesoura
gavião-peneira
sovi
gaviãozinho
gavião-papa-gafanhoto
gavião-carijó
caracará
carrapateiro
chimango
acauã
gavião-caburé
gavião-relógio
falcão-de-coleira
marreca-pé-vermelho
jacuaçu
saracura-do-brejo
galinhola
seriema
jaçanã
quero-quero
asa-branca
pomba-galega
pomba-de-bando
rolinha-roxa
rolinha-picuí
91 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 6.10: Continuação
N
Espécie / família
36
Leptotila verreauxi
37
Leptotila rufaxilla
38
Geotrygon montana
Psittacidae
39
Pyrrhura frontalis
40
Myiopsitta monachus*
41
Pionus maximiliani
42
Amazona pretrei*
Cuculidae
43
Coccyzus melacoryphus*
44
Piaya cayana
45
Crotophaga ani*
46
Guira guira
47
Tapera naevia
Tytonidae
48
Tyto alba*
Strigidae
49
Otus atricapillus*
50
Speotyto cunicularia*
51
Strix hylophila*
52
Asio stygius*
53
NI
Nyctibiidae
54
Nyctibius griseus*
Caprimulgidae
55
Lurocalis semitorquatus
56
Caprimulgus rufus
57
Hydropsalis torquata
58
Chaetura meridionalis*
Trochilidae
59
Stephanoxis lalandi
60
Chlorostilbon aureoventris
61
Leucochloris albicollis
Trogonidae
62
Trogon surrucura
Alcedinidae
63
Ceryle torquata
64
Chloroceryle amazona
65
Chloroceryle americana*
Bucconidae
66
Nystalus chacuru*
Ramphastidae
67
Ramphastos dicolorus
Picidae
68
Picumnus nebulosus*
69
Veniliornis spilogaster
70
Piculus aurulentus
71
Colaptes melanochloros
72
Colaptes campestris
73
Celeus flavescens*
74
Dryocopus galeatus*
*Espécie não registrada neste levantamento
Nome comum
juriti-pupu
juriti-gemedeira
pariri
tiriba-de-testa-vermelha
caturrita
maitaca-bronzeada
charão
papa-lagarto-verdadeiro
alma-de-gato
anu-preto
anu-branco
saci
coruja-de-igreja
coruja-do-campo
coruja-listrada
mocho-diabo
urutau
tuju
joão-cota-pau
bacurau-tesoura
andorinhão-do-temporal
beija-flor-de-topete
besourinho-de-bico-vermelho
beija-flor-de-papo-branco
surucuá-variado
martim-pescador-grande
martim-pescador-verde
martim-pescador-pequeno
joão-bobo
tucano-de-bico-verde
picapauzinho-verde-carijó
pica-pau-dourado
pica-pau-verde-barrado
pica-pau-do-campo
pica-pau-do-campo
joão-velho
pica-pau-de-cara-amarela
92 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.10: Continuação
N
Espécie / família
75
Dryocopus lineatus*
76
Campephilus robustus*
Dendrocolaptidae
77
Dendrocincla fuliginosa*
78
Sittasomus griseicapillus
79
Xiphocolaptes albicollis*
80
Dendrocolaptes platyrostris
81
Lepidocolaptes falcinellus
82
Lepidocolaptes fuscus*
Furnariidae
83
Furnarius rufus
84
Leptasthenura setaria
85
Leptasthenura striolata*
86
Synallaxis ruficapilla
87
Synallaxis albescens*
88
Synallaxis spixi
89
Synallaxis cinerascens
90
Cranioleuca obsoleta
91
Syndactyla rufosuperciliata
92
Sclerurus scansor*
93
Philydor rufus
94
Heliobletus contaminatus
95
Xenops rutilans
Formicariidae
96
Batara cinerea*
97
Machenzianea leachii*
98
Thamnophilus caerulescens
99
Thamnophilus ruficapillus
100
Dysitamnus mentalis
101
Drymophila malura*
102
Chamaeza campanisona
103
Chamaeza ruficauda
Conopophagidae
104
Conopophaga lineata
Tyrannidae
105
Phyllomyas fasciatus
106
Phyllomyas burmeisteri*
107
Phyllomyas virescens*
108
Camptostoma obsotetum
109
Myiopagis caniceps
110
Myiopagis viridicata*
111
Elaenia parvirostris
112
Elaenia mesoleuca
113
Serpophaga subcristata
114
Mionectes rufiventris*
115
Leptopogon amaurocephalus
116
Phylloscartes eximius*
117
Phylloscartes ventralis
118
Hemitriccus obsoletus
*Espécie não registrada neste levantamento
Nome comum
pica-pau-de-banda-branca
pica-pau-rei
arapaçu-liso
arapaçu-verde
arapaçu-grande-garganta-branca
arapaçu-grande
arapaçu-escamoso-do-sul
arapaçu-rajado
joão-de-barro
grimpeiro
grimperinho
pichororé
ui-pi
joão-teneném
pi-pui
arredio-oliváceo
trepador-quiete
vira-folha
limpa-folha-de-testa-baia
trepadorzinho
bico-virado-carijó
matracão
brujarara-assobiador
choca-da-mata
choca-de-boné-vermelho
choquinha-lisa
choquinha-carijó
tovaca-campainha
tovaca-rabo-vermelho
chupa-dente
piolhinho
piolhinho-chiador
piolhinho-verdoso
risadinha
guaracava-cinzenta
guaracava-de-crista-alaranjada
guaracava-de-bico-curto
tuque
alegrinho
supi-de-cabeça-cinza
cabeçudo
barbudinho
borboletinha-do-mato
catraca
93 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 6.10: Continuação
Espécie / família
119
Todirostrum plumbeiceps
120
Tolmomyias sulphurescens
121
Platyrinchus mystaceus
122
Myiophobus fasciatus
123
Lathrotriccus euleri
124
Knipolegus cyanirostris*
125
Machetornis rixosus
126
Atilla phoenicurus*
127
Sirystes sibilator*
128
Myiarchus swainsoni
129
Myiarchus tyrannulus*
130
Pitangus sulphuratus
131
Megarynchus pitangua
132
Myiodynastes maculatus
133
Legatus leucophaius
134
Empidonomus varius*
135
Tyrannus melancholicus
136
Tyrannus savana
137
Pachyramphus viridis*
138
Pachyramphus castaneus
139
Pachyramphus polychopterus
140
Tityra cayana
Pipridae
141
Schiffornis virescens
142
Chiroxiphia caudata
Hirundinidae
143
Progne tapera
144
Progne chalybea*
145
Notiochelidon cyanoleuca
146
Steigidopteryx ruficolis*
Motaciliidae
147
Anthus lutescens*
Troglodytidae
148
Troglodytes musculus
Mimidae
149
Mimus saturninus
Turdinae
150
Turdus subalaris
151
Turdus rufiventris
152
Turdus leucomelas
153
Turdus amaurochalinus
154
Turdus albicollis
Emberizidae
Emberizinae
155
Zonotrichia capensis
156
Ammodramus humeralis*
157
Haplospiza unicolor*
158
Poospiza nigrorufa*
159
Poospiza lateralis
160
Sicalis flaveola
*Espécie não registrada neste levantamento
Nome comum
tororó
bico-chato-de-orelha-preta
patinho
filipe
enferrujado
maria-preta-bico-azulado
suiriri-cavalheiro
capitão-castanho
suriri-assobiador
irré
maria-cavaleira-rabo-ferrugem
bem-te-vi
neinei
bem-te-vi-rajado
bem-te-vi-pirata
peitica
suiriri
tesourinha
caneleirinho
caneleirinho
caneleirinho-preto
anambé-branco-rabo-preto
flautim
dançador
andorinha-do-campo
andorinha-doméstica-grande
andorinha-pequena-de-casa
andorinha-serradora
caminheiro-zumbidor
corruíra
sabiá-do-campo
sabiá-ferreiro
sabiá-laranjeira
sabiá-barranco
sabiá-poca
sabiá-coleira
tico-tico
tico-tico-do-campo
cigarra-bambu
quem-te-vestiu
quete
canário-da-terra-verdadeiro
94 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.10: Continuação
Espécie / família
161
Embernagra platensis*
162
Volatinia jacarina
163
Sporophila caerulescens*
164
Coryphospingus cucullatus
Cardinalinae
165
Saltator similis
166
Saltator maxillosus
167
Saltator aurantirostris*
168
Cyanoloxia glaucocaerulea*
169
Cyanocompsa brissonii
Thraupinae
170
Pyrrhocoma ruficeps
171
Hemithraupis guira
172
Tachyphonus coronatus
173
Trichothraupis melanops
174
Thraupis sayaca
175
Thraupis bonariensis*
176
Stephanophorus diadematus
177
Pipraeidea melanonota
178
Euphonia chlorotica
179
Euphonia chalybea*
180
Chlorophonia cyanea*
181
Tangara preciosa
Tersininae
182
Tersina viridis
Parulidae
183
Parula pitiayumi
184
Geothlypis aequinoctialis
185
Basileuterus culicivorus
186
Basileuterus leucoblepharus
Vireonidae
187
Cyclarhis gujanensis
188
Vireo olivaceus
Icteridae
189
Cacicus chysopterus
190
Creopsar badius*
191
Molothrus bonariensis*
Fringillidae
192
Carduellis magellanica
Passeridae
193
Passer domesticus*
Corvidae
194
Cyanocorax caeruleus
195
Cyanocorax chrysops
*Espécie não registrada neste levantamento
Nome comum
sabiá-do-banhado
tiziu
coleirinho
tico-tico-rei
trica-ferro-verdadeiro
bico-grosso
bico-duro
azulinho
azulão-verdadeiro
cabecinha-castanha
papo-preto
tiê-preto
tiê-de-topete
sanhaço-cinzento
papa-figo
sanhaçu-frade
saíra-viúva
fim-fim
cais-cais
bandeirinha
saíra-preciosa
saí-andorinha
mariquita
pia-cobra
pula-pula
pula-pula-assobiador
gente-de-fora-vem
juruviara
tecelão
asa-de-telha
vira-bosta
pintassilgo
pardal
gralha-azul
gralha-picaça
95 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 6.7.4
Mastofauna
O levantamento dos mamíferos da FLONA Passo Fundo foi realizado em campanha
de campo no período de 23 a 29 de novembro de 2008, sendo também considerados os
dados obtidos para o entorno da UC. Esta data foi escolhida por ser a primavera uma
estação adequada para o registro de quirópteros (Mapa 6.9).
Os dados primários obtidos em campanha foram complementados com um
levantamento dos trabalhos já desenvolvidos sobre a mastofauna da FLONA Passo Fundo e
as demais espécies de possível ocorrência, listadas com base em sua distribuição para o sul
do Brasil.
Com base nos dados primários e secundários levantados, a composição original
esperada para a porção centro-norte do estado inclui pelo menos 91 espécies de mamíferos
nativos, distribuídas em 9 ordens e 25 famílias. As ordens Rodentia (esquilos, ratos, preás,
capivaras, etc.), com 26 espécies, Chiroptera (morcegos), com 24 espécies, e Carnívora
(graxains, gatos-do-mato, lontras, quatis, etc.), com 17 espécies, são as mais numerosas
(Tabela 6.11).
Considerando-se os dados primários obtidos na campanha de campo para
elaboração do Plano de Manejo da FLONA Passo Fundo por observação direta, vestígios e
captura nas redes de neblina, foram levantadas 18 espécies de mamíferos silvestres para a
área da FLONA Passo Fundo e seu entorno imediato: Didelphis albiventris (gambá),
Cabassous tatouay (tatu-de-rabo-mole), Dasypus novemcinctus (tatu-galinha), Dasypus sp.
(tatu-mulita), Tamandua tetradactyla (tamanduá-mirim), Chrotopterus auritus (morcego),
Sturnira lilium (morcego), Desmodus rotundus (morcego-vampiro), Eptesicus brasiliensis
(morcego), Myotis nigricans (morcego), Myotis riparius (morcego), Cerdocyon thous
(cachorro-do-mato; Figura 6.23), Leopardus sp. (gato-do-mato), Eira barbara (irara),
Procyon cancrivorus (mão-pelada), Mazama gouazoubira (veado-virá), Sphiggurus villosus
(ouriço-cacheiro; Figura 6.24) e Dasyprocta azarae (cutia).
Figura 6.23: Cerdocyon thous (cachorrodo-mato)
Figura 6.24: Sphiggurus villosus (ouriço)
Fotografado na FLONA Passo Fundo
Fonte: Acervo Jorge Cherem
Fonte: Ênio José Graboski
Cinco espécies registradas em campo na FLONA Passo Fundo são consideradas
ameaçadas de extinção para o estado do Rio Grande do Sul (FONTANA et al., 2003):
Tamandua tetradactyla (tamanduá-mirim), Eira barbara (irara), Mazama gouazoubira
(veado-virá) e Dasyprocta azarae (cutia), além de Leopardus sp. (gato-do-mato), que se
refere a L. tigrinus (gato-do-mato-pequeno) ou a L. wiedii (gato-maracajá), ambas também
consideradas ameaçadas em nível nacional (MMA, 2003). Além disso, duas outras espécies
mencionadas em entrevistas para a FLONA Passo Fundo também constam como
ameaçadas em nível estadual, a saber, Puma yagouaroundi (gato-mourisco) e Nasua nasua
(quati).
96 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Outras espécies ameaçadas, tanto em nível estadual quanto nacional, são de
possível ocorrência na FLONA Passo Fundo, como no caso de Myotis ruber (morcego) e
Mazama nana (veado-bororó).
As principais ameaças que podem ocorrer na FLONA Passo Fundo, afetando as
espécies de mamíferos, são a caça, que parece ocorrer na FLONA Passo Fundo segundo
informações locais; a degradação e a destruição de hábitats no entorno, que reduzem o
potencial de área de emigração e imigração de indivíduos; a introdução de espécies
exóticas; a grande proporção de monoculturas dentro da FLONA Passo Fundo; e o risco de
atropelamentos nas estradas internas da Floresta Nacional, tendo em vista inclusive o uso
das mesmas por moradores do entorno.
A FLONA Passo Fundo pode ser dividida em duas partes principais, levando-se em
conta a sua forma geral: uma parte norte mais afilada, que inclui os pontos de amostragem I
a V desta AER, e uma parte sul, mais larga, que inclui os pontos de amostragem VI a X.
A parte sul é considerada mais relevante para a conservação das espécies de
mamíferos por sua maior dimensão e menor proporção de borda. Desta forma, além de
fornecer maior área para abrigo e forrageio, ela é menos afetada pelo efeito de borda.
Dentro da parte sul, merecem destaque as áreas mais extensas de floresta nativa e
em estágio mais avançado de regeneração que são representadas pelos pontos de
amostragem IX e X. Nessas áreas, por estarem mais afastadas da sede da FLONA Passo
Fundo, a fiscalização é menos constante e, por consequência, existe maior facilidade de
acesso por pessoas não autorizadas.
Na parte norte, destaca-se o açude no ponto III de amostragem, por representar um
ambiente único dentro da FLONA Passo Fundo. Este açude abriga espécies características,
possivelmente não ocorrentes em outros locais na UC, como é o caso de Scapteromys sp.
(rato-do-banhado).
97 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Mapa 6.9: Pontos da AER para a Mastofauna sobre o Mapa de Vegetação e Uso do Solo
98 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.11: Mamíferos Registrados ou de Possível Ocorrência na Porção Centro-Norte (CN) do
Estado do Rio Grande do Sul e na Floresta Nacional de Passo Fundo (FN), com Registro das
espécies Bioindicadoras (BIO), Espécies Diferenciais (DIF) e seu Estado de Conservação
Táxon
Didelphimorphia (5)
Didelphidae
Chironectes minimus
Cryptonanus sp.
Didelphis albiventris
Gracilinanus microtarsus
Monodelphis sp.
Philander frenatus
Xenarthra (7)
Dasypodidae
Cabassous tatouay
Dasypus novemcinctus
Dasypus hybridus
Dasypus septemcinctus
Dasypus sp.
Euphractus sexcinctus
Myrmecophagidae
Myrmecophaga tetradactyla
Tamandua tetradactyla
Chiroptera (24)
Phyllostomidae
Chrotopterus auritus
Anoura caudifera
Glossophaga soricina
Artibeus fimbriatus
Artibeus lituratus
Pygoderma bilabiatum
Sturnira lilium
Desmodus rotundus
Vespertilionidae
Eptesicus brasiliensis
Eptesicus diminutus
Eptesicus furinalis
Histiotus montanus
Histiotus velatus
Lasiurus borealis
Myotis levis
Myotis nigricans
Myotis riparius
Myotis ruber
Molossidae
Eumops bonariensis
Eumops perotis
Molossus ater
Molossus molossus
Promops nasutus
Tadarida brasiliensis
Primates (2)
Atelidae
Alouatta guariba
Cebidae
Cebus nigritus
Carnivora (17)
Canidae
Cerdocyon thous
Nome popular
CN
FN
BIO
DIF
Estado de
conservação
cuíca-d’água
guaiquiquinha
gambá-de-orelha-branca
guaiquiquinha
catita
cuíca-de-quatro-olhos
B
P
B
B
P
B
P
P
V
B
P
V?
X
X
VU-RS
tatu-de-rabo-mole
tatu-galinha
tatu-mulita
tatu-mulita
tatu-mulita
tatu-peludo
B
B
P
P
P
V
O
P
P
O
P
tamanduá-bandeira
tamanduá-mirim
†?
B
O
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego-vampiro
B
B
B
B
B
B
B
B
C
P
P
P
P
P
C
C
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
C
P
P
P
B
P
P
C
C
P
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
morcego
B
B
B
B
B
B
P
P
P
P
P
P
bugio
B
macaco-prego
E
cachorro-do-mato
B
X
DD-BR; DD-RS
X
X
X
VU-BR; CR-RS
VU-RS
X
DD-RS
VU-BR; VU-RS
X
VU-RS
DD-RS
OV
Registros: B = bibliografia; C = captura; E = entrevista; O = observação; P = possível ocorrência; V = vestígios; † = extinto.
Um ponto de interrogação (?) indica dúvida quanto ao registro. BIO = espécies bioindicadoras de hábitats florestais
conservados. DIF = espécies diferenciais.
Estado de conservação: BR = Brasil (MMA, 2003), RS = estado do Rio Grande do Sul (FONTANA et al., 2003). Grau de
ameaça: CR = Criticamente em Perigo, EN = Em Perigo, PE = Provavelmente Extinta, VU = Vulnerável, DD = espécies com
dados insuficientes para definição da categoria
99 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Tabela 6.11: Continuação
Táxon
Chrysocyon brachyurus
Lycalopex gymnocercus
Felidae
Leopardus pardalis
Leopardus tigrinus
Leopardus wiedii
Leoparuds sp.
Puma concolor
Puma yagouaroundi
Panthera onca
Mephitidae
Conepatus chinga
Mustelidae
Lontra longicaudis
Pteronura brasiliensis
Eira barbara
Galictis cuja
Procyonidae
Nasua nasua
Procyon cancrivorus
Perissodactyla (1)
Tapiridae
Tapirus terrestris
Artiodactyla (6)
Tayassuidae
Pecari tajacu
Tayassu pecari
Cervidae
Mazama americana
Mazama gouazoubira
Mazama nana
Ozotoceros bezoarticus
Lagomorpha (1)
Leporidae
Sylvilagus brasiliensis
Rodentia (26)
Sciuridae
Guerlinguetus ingrami
Cricetidae
Akodon azarae
Akodon montensis
Akodon reigi
Brucepattersonius iheringi
Delomys dorsalis
Euryoryzomys russatus
Holochilus brasiliensis
Necromys lasiurus
Nectomys squamipes
Oligoryzomys flavescens
Oligoryzomys nigripes
Oxymycterus judex
Oxymycterus nasutus
Scapteromys sp.
Sooretamys angouya
Thaptomys nigrita
Erethizontidae
Sphiggurus villosus
Caviidae
Nome popular
CN
FN
lobo-guará
cachorro-do-campo
B
B
jaguatirica
gato-do-mato-pequeno
gato-maracajá
gato-do-mato
leão-baio, puma
gato-mourisco
tigre, onça-pintada
B
B
B
B
B
†?
zorrilho
B
lontra
ariranha
irara
furão
B
†
B
B
V
E
quati
mão-pelada
B
B
E
EV
anta
†?
cateto
queixada
B
†?
veado-mateiro ou pardo
veado-virá
poca, poquinha
veado-campeiro
B
B
B
B
P
O
P
tapiti
P
P
esquilo
B
P
rato-do-mato
rato-do-mato
rato-do-mato
rato-do-mato
rato-do-mato
rato-do-mato
rato-do-junco
rato-do-mato
rato-d’água
camundongo-do-mato
camundongo-do-mato
rato-do-mato
rato-do-mato
rato-do-banhado
rato-do-mato
rato-do-mato
P
B
P
P
P
B
P
B
P
B
B
P
B
B
P
B
P
B
P
P
P
P
P
P
P
B
B
P
B
B
P
P
ouriço-cacheiro
B
O
BIO
DIF
X
P
P
P
EO
P
E
X
Estado de
conservação
VU-BR; CR-RS
X
X
X
X
X
X
X
VU-BR; EN-RS
VU-RS
VU-BR; CR-RS
X
X
X
VU-RS
VU-BR; PE-RS
VU-RS
X
VU-RS
X
X
CR-RS
X
X
X
X
EN-RS
CR-RS
X
X
X
X
X
EN-RS
VU-RS
VU-BR; CR-RS
CR-RS
X
X
VU-BR; VU-RS
VU-BR; VU-RS
VU-BR; VU-RS
E
X
DD-RS
X
X
X
Registros: B = bibliografia; C = captura; E = entrevista; O = observação; P = possível ocorrência; V = vestígios; † =
extinto. Um ponto de interrogação (?) indica dúvida quanto ao registro. BIO = espécies bioindicadoras de hábitats
florestais conservados. DIF = espécies diferenciais.
Estado de conservação: BR = Brasil (MMA, 2003), RS = estado do Rio Grande do Sul (FONTANA et al., 2003). Grau
de ameaça: CR = Criticamente em Perigo, EN = Em Perigo, PE = Provavelmente Extinta, VU = Vulnerável, DD =
espécies com dados insuficientes para definição da categoria
100 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Tabela 6.11: Continuação
Táxon
Cavia aperea
Hydrochoeridae
Hydrochoerus hydrochaeris
Dasyproctidae
Dasyprocta azarae
Cuniculidae
Cuniculus paca
Echimyidae
Kannabateomys amblyonyx
Phyllomys sp.
Euryzygomatomys spinosus
Myocastoridae
Myocastor coypus
Nome popular
CN
FN
BIO
preá
B
E
capivara
B
cutia
B
EOV
paca
B
P
X
rato-da-taquara
rato-de-espinho
rato-de-espinho
P
B
P
P
P
P
X
ratão-do-banhado
B
E
DIF
Estado de
conservação
X
VU-RS
X
EN-RS
Registros: B = bibliografia; C = captura; E = entrevista; O = observação; P = possível ocorrência; V = vestígios; † =
extinto. Um ponto de interrogação (?) indica dúvida quanto ao registro. BIO = espécies bioindicadoras de hábitats
florestais conservados. DIF = espécies diferenciais.
Estado de conservação: BR = Brasil (MMA, 2003), RS = estado do Rio Grande do Sul (FONTANA et al., 2003). Grau
de ameaça: CR = Criticamente em Perigo, EN = Em Perigo, PE = Provavelmente Extinta, VU = Vulnerável, DD =
espécies com dados insuficientes para definição da categoria
7
CARACTERIZAÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS AO USO MÚLTIPLO,
CONFLITANTES E ILEGAIS
7.1
7.1.1
Atividades Apropriadas
Pesquisa Científica
No levantamento realizado durante a elaboração do Plano de Manejo, foram
identificadas diversas pesquisas já realizadas na área da FLONA Passo Fundo (Quadro
7.1) e também aquelas que se encontram em desenvolvimento (Quadro 7.2). Em sua
maioria, estas pesquisas foram ou estão sendo realizadas pela Universidade de Passo
Fundo (UFP) e pela Fundação Regional Integrada (URI). Das pesquisas já desenvolvidas na
UC, 75% (9) tiveram como tema a fauna local, 16,7% (2) pesquisaram sobre a flora e 8,3%
(1), ou seja, apenas uma tratou de tema ambiental em relação à Unidade de Conservação.
101 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Quadro 7.1: Lista de Pesquisas Desenvolvidas na FLONA Passo Fundo
Autor
Nêmora Pauletti
Prestes
Gisele Riboldi
Dal´Pupo
Janaína Bruschi
Adriana Simor
Sônia Beatris
Balvedi Zakrzevski
Daiane Pellizzaro
Cristine da Mota
Rassele
Cristiano Roberto
Biuzatto
Elisiane Mainardi
Ângela Maria Cenzi
Patrícia Giequelin
Centeleghe
Élinton Rezende
Título
Monitoramento das comunidades de aves
em diferentes ambientes fitofisionômicos da
Floresta Nacional de Passo Fundo
Ecologia de Pequenos Mamíferos Nãovoadores, em Diferentes Fragmentos de
Mata da Floresta Nacional de Passo Fundo
Identificação de Pegadas de Mamíferos do
Planalto Médio do Rio Grande do Sul.
Inventariamento de Espécies de Morcegos
na Floresta Nacional do IBAMA no Município
de Mato Castelhano
A percepção Ambiental Sobre Unidades de
Conservação: Um Estudo na Floresta
Nacional de Passo Fundo
Comunidades de Morcegos em Duas
Unidades de Conservação do Planalto Médio
do Rio Grande do Sul
Crescimento de Espécies Florestais Nativas
no Planalto Médio do Rio Grande do Sul e
sua Possível Relação com o Seqüestro de
Carbono
Epífitos Vasculares na Floresta Nacional de
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
Dispersão de Sementes por Morcegos em
Duas Unidades de Conservação do Planalto
Médio do Rio Grande do Sul
Eficiência de Armadilhas de Queda (PITFALL
TRAPS) Em Amostragens de Vertebrados na
Floresta Nacional de Passo Fundo, RS
Diversidade e Dinâmica Populacional da
Fauna de Pequenos Mamíferos da Floresta
Nacional de Passo Fundo/RS
Avaliação da Aceitação de Caixas-Ninho
Pelas Aves Silvestres na Floresta Nacional
de Passo Fundo/RS
102 Instituição
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Regional
Integrada
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Fundação
Regional
Integrada
Fundação
Regional
Integrada
Fundação
Universidade de
Passo Fundo
Data
1999/2009
200/2001
1999/2000
1996/1997
2008
2005/2006
2005/2006
2005/2006
2005/2006
2007
2007
2004
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Quadro 7.2: Lista de Pesquisas em Desenvolvimento na FLONA Passo Fundo
Autor
Daniel Galeano
Nêmora Pauletti
Prestes
Nêmora Pauletti
Prestes
Marcelo Malysz
Carla Denise
Tedesco
Jorge Reppold
Marinho
Patrícia Povoa de
Mattos
Maria Cristina
Medeiros Mazza
Genei Antônio
Dalmago
Antônio Rioyei Higa
Ricardo Loyola de
Moura
Carla Denise
Tedesco
Fábio Sarubbi
Raposo do Amaral
Filipe de Carvalho
Victória
Cristina Yumi
Miyaki
Título
Instituição
Dinâmica Populacional e Relações
Ecológicas de Pequenos Mamíferos em um
Fragmento de Floresta Ombrófila Mista no
Sul do Brasil
Avaliação do Crescimento Sazonal de
Espécies Arbóreas Florestais e sua Relação
com o Sequestro de Carbono no Norte do Rio
Grande do Sul.
Monitoramento das Comunidades de Aves
em Diferentes Ambientes Fitofisionômicos da
Floresta Nacional de Passo Fundo
Correlações Entre o Componente Arbóreo,
Regeneração e Variáveis Ambientais da
Floresta Nacional de Passo Fundo – Mato
Castelhano – RS
Comparação das Espécies de Macrófitas em
Áreas de Vegetação Nativa e Exótica na
FLONA Passo Fundo
Distribuição Espaço Temporal de Pequenos
Mamíferos e Anuros na Floresta Nacional de
Passo Fundo, RS, Brasil
Dinâmica de Crescimento de 3 Espécies da
FOM, no Âmbito do Projeto Conservabio
Colheita de Sementes de Espécies
Prioritárias do Projeto Conservabio
Avaliação do Incremento Anual de Biomassa
em Floresta Nativa (Floresta Ombrófila Mista)
Junto ao Município de Mato Catelhano/RS.
Melhoramento Genético de Pinus Radiata no
Brasil
Revisão Taxonômica do Grupo Vriesea
Platynema Gaudich. (Bromeliaceae) - Rio
Grande Do Sul
Caracterização Ecológica, Ornamental, e
Propagação de Macrófitas Aquáticas
Espontâneas da Região Meio Norte do RS
Filogeografia e Demografia Histórica de
Myrmeciza Loricata e Myrmeciza Squamosa
(Aves, Thamnophilidae): Uma Análise de
Limites Específicos, Especiação e Processos
de Diversificação na Mata Atlântica
Análise Genômica em Espécies do Gênero
Polytrichum (Polytrichaceae, Polytrichales,
Bryophyta): Tamanho do Genoma,
Composição dos Elementos Repetitivos e
Similaridade Genética
Filogeografia de Passeriformes Florestais da
Mata Atlântica
103 UFRGS - Universidade
Federal do Rio Grande do
Sul
Fundação Universidade de
Passo Fundo
Fundação Universidade de
Passo Fundo
Fundação Regional
Integrada
Fundação Universidade de
Passo Fundo
Fundação Regional
Integrada
Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária
Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária
EMBRAPA
Universidade Federal do
Paraná
Museu Nacional (UFRJ)
Fundação Universidade de
Passo Fundo
Reitoria da Universidade de
São Paulo
Universidade Federal de
Pelotas
Universidade de São Paulo Instituto de Biociências
Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 7.1.2
Fiscalização
A fiscalização na Floresta Nacional de Passo Fundo é realizada pelos servidores da
Unidade. Nos dias úteis, os servidores deslocam-se pelo interior da Unidade com o objetivo
de verificar possível presença de pessoas que adentram na FLONA Passo Fundo para
caçar, pescar, coletar pinhão, cipó ou outros produtos da floresta. A maior dificuldade para a
realização da fiscalização se dá em horários extraexpediente, pois a Unidade conta com
uma equipe de servidores reduzida, dificultando o pleno atendimento às necessidades de
fiscalização nestes horários, especialmente nos finais de semana, quando esses problemas
ocorrem com maior frequência.
A brigada militar local eventualmente presta auxílio para a fiscalização da coleta
clandestina de pinhão e circulação não autorizada, mas ela tem dificuldade de combater a
caça, pelo fato de que o efetivo da corporação no município de Mato Castelhano é pequeno
e tem dificuldade de manter um plantão local. A Polícia Ambiental, com sede em Passo
Fundo, realiza operações na região, na fiscalização de desmatamentos, combate à pesca
predatória na Barragem do Capingüí e, eventualmente, em operações de combate à caça.
Para coibir atividades ilícitas, há a necessidade do apoio mais efetivo da Polícia
Ambiental nas ações de fiscalizações na FLONA Passo Fundo e seu entorno. No que se
refere à atuação local, foram feitos três Autos de Infração no ano de 2009, um por extração
de cipó, um por extração de pinhão e outro por desmatamento em APP na área do entorno
próximo.
Apesar das dificuldades, em função da pequena equipe da FLONA Passo Fundo e
sua parceria para realizar a fiscalização, ocorrem poucas irregularidades no interior da
Unidade e entorno. Quando essas ocorrências acontecem, costumam ser comunicadas ao
Departamento Estadual de Florestas (DEFAP) ou à Polícia Ambiental. A fiscalização do
plantio de transgênicos tem sido realizada pelo IBAMA do RS desde 2005.
Contudo, existe a necessidade de contratação de mais servidores habilitados à
fiscalização e também de treinamento constante para os atuais.
7.1.3
Educação Ambiental
Ao longo dos últimos anos, várias iniciativas de Educação Ambiental foram
desenvolvidas. Em 2004, o IBAMA promoveu, em parceria com a Universidade de Passo
Fundo, um curso de Educação para a Gestão Ambiental, do qual participaram servidores da
Floresta Nacional e representantes da comunidade local e regional. Depois deste curso, foi
formado um Grupo de Trabalho de Educação Ambiental. Este grupo passou a atuar como
apoio ao Conselho Consultivo, tendo sido realizados vários encontros com representantes
da comunidade local com o objetivo de iniciar um amplo programa de Educação Ambiental.
O trabalho deste grupo teve sua atuação reduzida em consequência do conflito que se
instalou, decorrente da proibição do cultivo de soja transgênica no entorno da FLONA Passo
Fundo, em 2005.
Após este período, as atividades locais foram reiniciadas com o envolvimento da
comunidade, como a participação no Programa União Faz a Vida, desenvolvido em 2007 e
2008. Este Programa propiciou aos alunos da rede municipal e estadual de Mato Castelhano
atividades escolares e comunitárias, como visitação à Unidade e participação da produção
de mudas de araucária, que, posteriormente, foram distribuídas na comunidade. Cita-se
ainda a visita à UC, organizada com as autoridades municipais de Mato Castelhano, onde o
prefeito municipal, vereadores e secretários fizeram o plantio simbólico de pinhões para a
criação de mudas do Programa. Também, no mesmo Programa, foram desenvolvidas
palestras nas escolas de Mato Castelhano sobre a Floresta Nacional e demais temas
ambientais.
104 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Ainda em 2007, teve início a participação de membros do Conselho Consultivo no
Projeto de Educação para a Gestão Participativa. Este projeto foi desenvolvido pela parceria
estabelecida entre a ONG Mater Natura, IBAMA e ICMBio, com recursos do PDA da Mata
Atlântica/MMA. Em decorrência, foram eleitos quatro membros do Conselho Consultivo, que,
posteriormente, realizaram atividade de formação para os demais membros.
No ano de 2009, foi desenvolvido o Programa de Formação de Educadores
Ambientais, em parceria com a URI Campus de Erechim e com a Prefeitura Municipal de
Mato Castelhano, que incluiu um curso de formação de professores com parte das
atividades desenvolvidas dentro da Floresta Nacional visando fomentar a realização de
atividades de Educação Ambiental com enfoque na Floresta Nacional.
O que se tem verificado ao longo dos anos em que o Conselho Consultivo da FLONA
Passo Fundo está em atividade é a formação contínua de várias pessoas em gestão
participativa, sendo que, atualmente, a Floresta Nacional conta com um grupo considerável
de pessoas e entidades comprometidas com a Unidade.
Além destas atividades, também são recebidos visitantes, especialmente excursões
de alunos da região, principalmente universitários da área de ciências biológicas.
7.1.4
Manejo
Historicamente, a FLONA Passo Fundo fez o manejo dos plantios de Pinus e
araucária na modalidade de desbaste, entretanto, essas atividades cessaram em 2006.
Deste ano em diante, as atividades de manejo florestal têm se restringido em
manutenção de estradas, aceiros e cercas, com destaque para a retirada de Pinus invasor
nas margens da UC.
7.1.5
Horto de Plantas Bioativas
Em 2008 iniciou-se a implantação de um horto de plantas bioativas da Floresta
Nacional de Passo Fundo em um espaço previamente delimitado junto à sede e em parceria
com o Grupo da Terceira Idade local, além do apoio da Emater e da administração municipal
de Mato Castelhano. As atividades estão integradas ao Projeto Conservabio, que contempla
o mesmo grupo de pessoas e prevê a ampliação dos trabalhos com a implantação de
experimentos com modelos agroflorestais ao lado do horto, com ênfase para as espécies
nativas prioritárias definidas de forma participativa com o Grupo da Terceira Idade.
7.1.6
Projeto de Reposição Florestal
O Projeto, em parceria com a TBG, depende do manejo florestal com a retirada de
alguns plantios de Pinus na forma de corte raso, onde deverão ser realizados os plantios
com espécies nativas da região.
7.2
7.2.1
Atividades Conflitantes
Animais Domésticos
Normalmente é comum encontrar pegadas de cachorros nas estradas internas da
Unidade, sendo feitas algumas abordagens com os animais domésticos soltos no interior da
Floresta Nacional. Os moradores do entorno têm demonstrado muita resistência sobre essa
questão, inclusive com episódios de desacato à autoridade.
105 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 7.2.2
Coleta de Pinhão
A coleta de pinhão é uma das principais atividades conflitantes existentes na
Unidade. O pinhão tornou-se um recurso escasso na região, sendo procurado na FLONA
Passo Fundo na época da safra por diversas pessoas. A campanha realizada ao longo dos
anos, alertando para a proibição da coleta de pinhão, tem reduzido significativamente a
circulação de pessoas nestas épocas. Salienta-se que a medida de proibição da coleta foi
adotada diante da dificuldade de controle que havia se estabelecido em épocas anteriores,
quando, por alguns anos, a administração da Floresta Nacional autorizava a coleta de
pinhão.
Segundo relatos dos funcionários e moradores vizinhos, a permissão para a coleta
gerou muitos transtornos na FLONA Passo Fundo e na comunidade. Muitas pessoas da
região iam à UC para coletar pinhão, adentrando a mata e extraindo o produto sem respeitar
os critérios estabelecidos, o que acabava gerando prejuízos à Floresta Nacional. De fato, a
proibição de coleta tem diminuído o acesso de catadores ao longo dos anos, no entanto, é
difícil controlar a extração irregular.
7.2.3
Acessos
A FLONA Passo Fundo apresenta estradas internas utilizadas pela administração da
Unidade e também por vários moradores vizinhos para acesso às suas propriedades. De
forma a garantir a proteção desta Unidade de Conservação, há a preocupação em reduzir o
trânsito pelo interior da FLONA Passo Fundo, bem como restringir o trânsito de terceiros ao
menor volume possível, de modo a evitar maiores danos à UC.
No passado, algumas medidas para diminuir o trânsito não autorizado pelo interior da
Unidade foram adotadas, que incluem o fechamento de acessos secundários, as patrulhas
diárias, o cadastro de moradores e programas de educação ambiental. Também foi
acordado com a administração municipal que qualquer obra de manutenção de estradas
internas da FLONA Passo Fundo deve atender apenas a situações emergenciais e precisa
ser autorizada oficialmente pela administração da FLONA Passo Fundo, mediante
solicitação da administração municipal.
Deste modo, ainda em 2003, foram fechados dois dos quatro acessos secundários
em estradas existentes na época, o que diminuiu significativamente a circulação clandestina
dentro da Unidade. Devido à necessidade de proteção da Floresta Nacional, foi instalado um
portão em maio de 2007, em um dos dois acessos secundários ainda existentes na época.
O referido acesso encontrava-se em local distante e de difícil controle, sendo caminho
possível para caçadores, coletores de pinhão e outras pessoas com intenção de praticar
danos à Floresta Nacional. Após a instalação do portão, verificaram-se vários danos,
confirmando a vulnerabilidade do local, incluindo quebra de cadeado, destruição do portão
com objeto cortante e uso de máquina pesada e de fogo para destruí-lo. Tais alterações
foram comunicadas à Delegacia de Polícia Federal em Passo Fundo. Diante destas
constatações, o Instituto Chico Mendes procedeu a uma análise técnica da questão, o que
levou ao fechamento definitivo do referido acesso.
Atualmente, existe apenas um acesso secundário externo em contato direto com a
estrada municipal, que é utilizado por cerca de quarenta proprietários vizinhos, agricultores e
proprietários de chácaras às margens da Barragem do Capingüí. Este acesso tem sua
entrada sinalizada como mostra a Figura 7.1.
106 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Figura 7.1: Placa de Sinalização de Acesso Restrito
7.3
7.3.1
Atividades Ilegais
Caça
Têm sido registradas denúncias de caçadores nos limites da Unidade, porém, o
combate à caça, principalmente em horários extraexpediente e à noite, requer uma equipe
bem preparada, com fiscais habilitados e apoio policial. Considerando que a Floresta
Nacional conta com apenas um fiscal habilitado atualmente, e que o aparato policial local é
deficitário, existe dificuldade para desenvolver a fiscalização para combater esta atividade.
A brigada militar local eventualmente presta auxílio na fiscalização da coleta
clandestina de pinhão e circulação não autorizada, mas tem dificuldade de combater a caça,
porque normalmente tem apenas um brigadiano de plantão no município de Mato
Castelhano. A Polícia Ambiental realiza também, eventualmente, operações de combate à
caça na região.
7.3.2
Invasão Indígena
Na Unidade, existe histórico de invasão indígena, episódio ocorrido no período de
novembro de 2005 a abril de 2006. A invasão foi realizada por um grupo de
aproximadamente 100 indígenas Kaingang, que invadiram a FLONA Passo Fundo com o
pretexto de reivindicação da área, saindo somente mediante ação judicial de reintegração de
posse. Esta situação foi crítica no período, com a ocupação da área de recreação e de
imóveis antigos próximos à sede, ocorrendo atritos entre invasores e servidores da Floresta
Nacional, com circulação acentuada dos invasores pelas áreas florestais e extração irregular
de recursos da floresta para subsistência.
Atualmente, com a existência de dois acampamentos indígenas na Rodovia BR 285,
nas proximidades da FLONA Passo Fundo e também na área industrial municipal na divisa
com a UC, a Unidade continua a ser acessada irregularmente pela comunidade indígena e
encontra-se sempre na iminência de uma nova invasão.
107 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul 8
ASPECTOS INSTITUCIONAIS DA FLORESTA NACIONAL DE PASSO FUNDO
São abordadas a disponibilidade de recursos, de infraestrutura e equipamentos
disponíveis para as atividades desenvolvidas, além de outros aspectos importantes para o
bom funcionamento da Unidade, tais como entraves no fluxo de informações e na execução
financeira, esta última levantada a partir da análise das planilhas orçamentárias dos três
anos anteriores à elaboração deste Plano. Ele apresenta ainda o perfil da equipe de
profissionais lotados na FLONA Passo Fundo e os processos de parceria com as atividades
correspondentes.
8.1
Pessoal
A Equipe da Unidade conta com 6 profissionais lotados na Floresta Nacional de
Passo Fundo, sendo 5 com o cargo de técnico ambiental e 1 analista ambiental (Quadro
8.1).
Quadro 8.1: Pessoal Integrante da Equipe da FLONA Passo Fundo
Tempo de Serviço
Nome
Idade
Escolaridade
IBAMA/
Total
ICMBIO
Carlos Antônio Inholeto da
2º Grau
24
46
27
Rosa
Completo
2º Grau
Davi Fernando Piasson
30
27
46
Completo
Nível Superior
Ênio José Graboski
29
27
48
Administração
José Maurício Inholeto da
1º Grau
26
53
26
Rosa
Completo
Sérgio Afonso Freire de
1º Grau
27
27
49
Azambuja
Completo
Nível Superior
Remi Osvino Wieirich
17
08
38
Biólogo
8.2
Cargo
Técnico Ambiental
Técnico Ambiental
Técnico Ambiental
Técnico Ambiental
Técnico Ambiental
Analista Ambiental
Situação Fundiária da FLONA Passo Fundo
A Floresta Nacional de Passo Fundo possui área escriturada e registrada no 1º
Cartório de Notas do Município de Passo Fundo em nome do Instituto Nacional do Pinho,
conforme consta do livro 1-T. Diversas – Fls 27 a 33v., de 31 de agosto de 1946, com uma
área total de 1.327,94 ha. Essas terras formam adquiridas em dezembro de 1946 pelo
Instituto Nacional do Pinho, quando passaram a compor o Parque Florestal José Segadas
Viana. Com a extinção do INP, essa área passou a ser administrada pelo IBDF e, em 25 de
outubro de 1968, por meio da portaria número 561, passou a ter a denominação de Floresta
Nacional de Passo Fundo. A referida portaria não apresenta áreas, apenas altera a
denominação de parques florestais já pertencentes à União.
Com referência no material cartográfico fornecido pelo ICMBio, na base cartográfica
elaborada por restituição aerofotogramétrica e nos limites historicamente estabelecidos para
as divisas em campo, foi feita a delimitação da FLONA Passo Fundo, totalizando uma área
de 1.275 ha.
A área da FLONA Passo Fundo é totalmente pública, no entanto, existem algumas
discordâncias pontuais entre os limites de campo e os materiais cartográficos existentes no
acervo da FLONA Passo Fundo. Além disso, o perímetro da FLONA Passo Fundo não é
integralmente demarcado, sinalizado ou cercado. Assim, torna-se difícil o reconhecimento
108 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
dos limites em campo em alguns trechos, como é o caso de áreas com cobertura de mata
nativa.
Uma das discordâncias já identificadas pela Chefia da FLONA Passo Fundo é
decorrente do represamento da Barragem Capingüí, que resultou na submersão de uma
pequena porção da área da FLONA Passo Fundo. Outros pontos onde restam dúvidas
relacionam-se com alterações das referências utilizadas para o reconhecimento dos limites,
tais como aceiros utilizados como estradas por proprietários vizinhos, alteração da rede
hidrográfica e alterações na malha viária junto aos limites da FLONA Passo Fundo.
8.3
Infraestrutura e Equipamentos
A sede administrativa funciona em edificações localizadas na própria Unidade - uma
área administrativa e operacional, contando com 1 sede administrativa, 5 imóveis funcionais,
2 imóveis para alojamento de pesquisadores (hospedaria) e 1 galpão destinado a guardar os
equipamentos de campo, necessários às atividades de manutenção, que funciona também
como garagem, e 7 imóveis residenciais. O Quadro 8.2 informa a situação dos imóveis e o
Mapa 8.1 apresenta a localização das edificações existentes na FLONA Passo Fundo. As
Figuras 8.1, 8.2, 8.3 e 8.4 representam algumas das edificações.
Quadro 8.2: Infraestrutura Imobiliária da FLONA Passo Fundo
N.º e Uso Atual
01 - Imóvel Residencial
08 - Imóvel Residencial
Localização
Área m²
Entrada da sede da
FLONA
Fundos da sede da
FLONA
91 m²
90 m²
09 - Imóvel Residencial
Fundos da sede da
FLONA
60 m²
10 - Imóvel Residencial
Sede da FLONA
89 m²
14 - Imóvel Residencial
Sede da FLONA
131 m²
15 - Imóvel Funcional
Sede da FLONA
148 m²
16 - Imóvel Funcional
Sede da FLONA
137m²
24 - Imóvel Residencial
Sede da FLONA
86 m²
25 - Imóvel Funcional
Sede da FLONA
160 m²
26 - Imóvel Funcional
Fundos da sede da
FLONA
132 m²
27 - Imóvel Funcional
Sede da FLONA
282m²
28 - Imóvel Funcional
Sede da FLONA
91 m²
31 - Imóvel Funcional
Antigo Viveiro
223 m²
34 - Imóvel Residencial
Sede da FLONA
132 m²
109 Observações
O imóvel necessita manutenção
(desocupada)
O imóvel necessita manutenção
(desocupada)
Imóvel ocupado por Sérgio Afonso
Freire de Azambuja
Imóvel ocupado por Davi Fernando
Piasson
O imóvel necessita manutenção
(desocupada)
O imóvel necessita manutenção
(Hospedaria)
O imóvel necessita manutenção
(Hospedaria)
O imóvel necessita manutenção
(desocupada)
O imóvel necessita manutenção
(Escritório)
O imóvel necessita manutenção
(Deposito de madeira)
O imóvel necessita manutenção
(Garagem e carpintaria)
O imóvel necessita manutenção
(Depósito de combustível,
Garagem)
O imóvel necessita
manutenção/demolição
Imóvel ocupado por Dalzir
Navarini/IBAMA
Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Mapa 8.1: Localização das Edificações Existentes na Floresta Nacional de Passo Fundo
Figura 8.1: Imóvel funcional n. 16, utilizado
como hospedaria.
Figura 8.2: Imóvel residencial n. 10, em uso
Figura 8.3: Imóvel Funcional n. 25, onde
Funciona o Escritório da Atual Sede da
FLONA Passo Fundo
Figura 8.4: Imóvel Residencial n. 34, em
Uso
110 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
O Quadro 8.3 apresenta o equipamento existente na FLONA Passo Fundo.
Quadro 8.3: Equipamentos Disponíveis à Gestão da FLONA Passo Fundo
Estado de
Principais Equipamentos
Localização
Conservação
Trator MF 275, Carroção, Roçadeira
Ótimo
Rampa
Caminhonete Mitsubischi L200
Ótimo
Garagem
GM Celta
Ótimo
Garagem
Toyota Bandeirantes
Bom
Garagem
Caminhão Chevrolet
Regular
Garagem
Minitrator Cortador de Grama
Bom
Carpintaria
Abastecimento de água
Bom
Sede
Telefone fixo (2 linhas)
Bom
Sede
Rádio comunicador (1 fixo e 3 móveis)
Bom
Sede
Internet Banda Larga
Bom
Sede
Notebook
Bom
Escritório
Data Show
Bom
Escritório
6 Computadores
Bom
Escritório
2 Impressoras Multifuncionais
Bom
Escritório
Impressora
Regular
Escritório
Impressora
Regular
Escritório
Cofre
Bom
Escritório
Máquina Fotográfica Digital
Bom
Escritório
2 GPS
Bom
Escritório
TV 29 “
Ótimo
Escritório
Aparelho de DVD
Bom
Escritório
Vídeo Cassete
Bom
Escritório
8.4
Observações
-
Estrutura Organizacional
A Unidade é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade – ICMBio, com sede nacional em Brasília. A FLONA Passo Fundo possui
chefia local e vinculação técnica com a Coordenação Regional 9 (CR9) para assuntos
técnicos, a parte financeira é vinculada à Unidade Avançada de Administração e Finanças
UAAF de Pirassununga.
8.5
Recursos Financeiros
O Quadro 8.4 mostra os valores em reais dos gastos nos anos de 2006, 2007 e
2008 com suas respectivas rubricas.
Quadro 8.4: Execução Orçamentária da FLONA Passo Fundo, Valores em Reais (R$)
Rubrica
2006
2007
2008
3390.30 Mat. Consumo
7.400,00
16.450,00
30.519,84
3390.39 Serv. P. J
2.632,00
4.000,00
1.927,00
TOTAL
10.032,00
20.450,00
32.446,84
8.6
Cooperação Institucional
Como cooperação institucional, a FLONA possui um convênio em parceria com a
EMBRAPA, com o objetivo de execução do Projeto Conservabio com vigência até 2013
(Quadro 8.5).
111 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul Quadro 8.5: Parceiros Institucionais da Floresta Nacional de Passo Fundo
9
Parceiro
Instrumento Legal
Objeto
Vigência
EMBRAPA
Convênio
2013
TBG
Termo de Compromisso
Execução Projeto Conservabio
Execução de Parte do Projeto de
Reposição Florestal
2015
DECLARAÇÃO DE SIGNIFICÂNCIA
A FLONA Passo Fundo tem grande representatividade e importância ecológica.
Levando-se em consideração os diagnósticos efetuados, dentre os seus maiores atributos
destaca-se o potencial para alcançar os objetivos da categoria de manejo, neles incluídos o
uso sustentável de produção madeireira e não madeireira, a conservação biológica, a
pesquisa, a educação ambiental, o lazer e outros benefícios socioambientais. Além disso, os
serviços ambientais e de promoção de desenvolvimento socioeconômico local que a
Unidade promoverá tornam-se um dos principais elementos de sua significância.
O Rio Grande do Sul encontra-se inserido nos Biomas Pampa e Mata Atlântica, este
último correspondendo a 37% do estado (IBGE, 2004). No estado, o Bioma Mata Atlântica
abrange as formações florestais pertencentes às regiões Fitoecológicas da Floresta
Ombrófila Densa (ou Mata Atlântica sentido restrito), da Floresta Ombrófila Mista - FOM (ou
Floresta com Araucária) e das Florestas Estacionais Decidual (ou Floresta do Alto Uruguai)
e Semidecidual (Floresta Tropical Subcaducifólia) e as formações campestres pertencentes
à Região Fitoecológica da Estepe localizada no Planalto Meridional Brasileiro (ou campos
Gerais).
Nesse contexto, em sua área de 1.275 hectares, a FLONA Passo Fundo preserva
relevante amostra remanescente da FOM da região com um total de 355 hectares de mata
nativa, correspondente a cerca de 28% da área total da Unidade. Possui ainda vasta área
com regeneração natural com espécies nativas nos sub-bosques dos diferentes plantios,
tanto nos de Araucaria angustifolia, quanto nos de pínus e de eucalipto, totalizando 46
espécies na regeneração natural das nativas e 99 espécies na regeneração dos plantios.
Na Floresta Ombrófila Mista, foram registradas 81 espécies arbóreas e arbustivas.
As espécies da flora classificadas como ameaçadas de extinção, de acordo com a Lista
Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção (MMA, 2008), estão
representadas pelo pinheiro-brasileiro Araucaria angustifolia, a imbuia Ocotea porosa, o
xaxim Dicksonia sellowiana e o butiazeiro-da-serra Butia eriospatha, e as ameaçadas,
conforme a Lista Final das Espécies da Flora Ameaçadas do Rio Grande do Sul20, estão
representadas pela cabreúva Myrocarpus frondosus, cangiqueira Rhamnus sphaerosperma,
orelha-de-onça Symplocos tenuifolia e casca-d’anta Drimys brasiliensis.
Apesar da significativa integridade de suas florestas nativas, a FLONA Passo Fundo
possui 9 espécies vegetais exóticas, além das próprias espécies de pínus e eucalipto
plantadas. Essas espécies exóticas foram registradas na UC junto às estradas internas ou
em meio à vegetação florestal nativa. Algumas delas, que são bastante agressivas e podem
apresentar risco de contaminação devido ao seu potencial dispersivo, são as seguintes: uvado-Japão Hovenia dulcis; ameixa-do-Japão Eryobotrya japonica; bergamoteira Citrus
reticulata; limoeiro Citrus limon; Estrela-de-fogo Crocosmia x crocosmiiflora; lírio-do-brejo
Hedychium coronarium; capim-elefante Pennisetum purpureum; bambu-comum Bambusa
20
Decreto estadual n° 42.099, publicado em 1/01/2003
112 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
vulgaris; taiá Xanthosoma robustum. A ocorrência dessas espécies sugere a necessidade
de elaboração futura de projetos específicos para definição de ações de controle das
mesmas.
Soma-se à significativa riqueza de espécies da flora, o fato de que, em geral, a
grande maioria das áreas de floresta nativa remanescentes, apesar da exploração
madeireira anterior à criação da FLONA Passo Fundo, encontra-se em estado avançado de
regeneração, o que representa boa integridade desses ambientes. O sub-bosque dos
plantios florestais da FLONA Passo Fundo se encontra em estágio médio de regeneração,
de acordo com a Resolução CONAMA n. 33/94, representado pelo número significativo de
espécies da flora nativa encontrada. São 99 espécies registradas nos sub-bosques dos
plantios, o que denota um importante processo de regeneração espontânea da vegetação
nativa nessas áreas de plantios.
Além de área significativa de mata nativa, a FLONA Passo Fundo possui ainda
grande potencial madeireiro em seus plantios. São estimados cerca de 200 mil m³ de
madeira somente nos plantios de Pinus, o que representa cerca de 55% do total estimado
de todos os plantios, ou seja, considerando também os volumes de madeira de araucária e
eucalipto. Esses volumes de madeira representam significativo potencial econômico. Somase a isso a possibilidade de exploração de número significativo de espécies com potencial
de uso não madeireiro, medicinal e comestível, presentes nos sub-bosques da floresta
nativa e dos plantios, além das inúmeras espécies nativas de potencial de uso madeireiro
que podem fornecer material genético autóctone para futuros plantios de espécies nativas
com fins experimentais, de recuperação ambiental e de exploração comercial. A
possibilidade do desenvolvimento econômico no contexto local, com a exploração dos
recursos florestais, madeireiros e não madeireiros na FLONA Passo Fundo, deve ser
considerada na perspectiva da geração de oportunidades para as comunidades e
empreendedores locais.
A importância da FLONA Passo Fundo no âmbito dos serviços ambientais,
representados não somente pela preservação de parcela importante da biodiversidade
remanescente da região, mas também pela conservação de nascentes d'água e de rios que
abastecem o reservatório da Barragem Capingüí, também merece destaque no cenário
local.
Em relação à fauna, para a região da FLONA Passo Fundo são esperadas 61
espécies de peixes, sendo que 24 foram registradas nos levantamentos para o Plano de
Manejo. Dentre essas, destacam-se as espécies Trichomycterus sp. e Ancistrus brevipinnis
sp., que apresentam status taxonômico indefinido e podem ser espécies novas a serem
descritas.
Foram registradas também 14 espécies de anfíbios e 3 espécies de répteis (uma
espécie de serpente, uma espécie de lagarto e uma espécie de quelônio). De acordo com as
categorias de ameaças de extinção das espécies de anfíbios, assim consideradas pela
avaliação da Global Amphibian Assessment feita em 2004, Proceratophrys bigibosa é listado
na categoria “próxima de ameaçada”. Esta espécie foi registrada em 3 pontos da FLONA
Passo Fundo.
Dentre as aves, 195 espécies já foram registradas na FLONA Passo Fundo durante
10 anos de levantamentos. Quatro dessas espécies apresentam status de quase
ameaçadas, segundo o Livro vermelho da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do
Sul (FONTANA et al., 2003). São elas: o Jaó do Litoral (Crypturellus noctivagus), Pica-paudourado (Piculus aurulentus), Grimpeiro (Leptasthenura setaria) e a Gralha Azul
(Cyanocorax caeruleus).
Segundo os levantamentos até o momento, têm-se o registro de 19 espécies de
mamíferos de um total de 86 espécies esperadas para a região. Dentre essas espécies, 4 se
113 Plano de Manejo – Floresta Nacional de Passo Fundo – Rio Grande do Sul encontram ameaçadas de extinção no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no
Rio Grande do Sul (FONTANA et al., 2003), Tamandua tetradactyla tamanduá-mirim, Eira
barbara irara, Mazama gouazoubira veado-virá, Dasyprocta azarae cutia e uma espécie na
Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção (MMA, 2003),
Leopardus sp. gato-do-mato.
Destaca-se ainda a importância da FLONA Passo Fundo como área potencial de
visitação pública, constituindo-se, no contexto local, como área privilegiada de lazer
educativo junto à natureza, podendo vir a se desenvolver como alternativa importante no
turismo local, mediante o provimento de estrutura e pessoal necessários.
114 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
10
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANA. Agência Nacional das Águas. Sistema de Informações Hidrológicas - HIDROWEB.
Disponível
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