COMO EXPLORAR RELACÕES E POSSIBILIDADES DE INTERPRETAÇÃO DESDE O CONTEXTO DA CULTURA VISUAL Mariane Blotta Abakerli Baptista 1 , Doutorado em “Arte y Educación”, Universidad de Barcelona Resumo A Cultura Visual, principalmente por sua constituição interdisciplinar promove uma aproximação entre as diversas práticas culturais e visuais e os sujeitos. Através da Cultura Visual se pode refletir sobre o uso das imagens, suas representações e a intervenção na realidade a partir do diálogo pessoal e dos significados que elas têm para cada um, assim como no grupo onde se pode compartir seus distintos significados. Acercar uma perspectiva pedagógica à Cultura Visual e sua transversalidade é, por tanto, possibilitar um cruzamento não só em termos de objetos mas de linguagens e significados. Isso favorece a análise e a reflexão do contexto político-social no qual os sujetos estão inseridos, e com isso, a comprenção dos distintos modos de representação desse mesmo sujeito na sociedade, desenvolvendo assim um posicionamento que permite que se veja as coisas desde distintos ângulos. Palavras-chave: cultura visual, educação, subjetividade, representação, diálogo. Minha formação como educadora Me formei como Designer no final dos anos 80 e, desde então, trabalhei como professora de Artes em escolas para alunos de 7 a 14 anos e como 1 Professora de arte em escolas de ensino fundamental e arte-educadora em museus e bienais (19932006). Formada em Design pela Universidade Mackenzie em São Paulo, licenciada em Artes Plásticas pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, mestre em Cultura Visual pela Universidad de Barcelona e agora cursando o doutorado em Artes y Educación pela mesma universidade, contemplada com a bolsa de estudos MAEC-AECID. III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 educadora no MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo. Nesse período a “Metodologia Triangular” 2 de Ana Mae Barbosa era a tendência mais inovadora principalmente por relacionar três vertentes da arte: o fazer artístico, a leitura de imagem (obra de arte) e a história da arte. Posso dizer que, como arte-educadora, esses indícios sempre estiveram presentes no meu modo de trabalhar. Minhas crenças e minha formação resultaram em um ensino muito pautado em uma prática que relacionava o fazer artístico e o que eu considerava importante em termos sociais. Ou seja, minhas aulas não eram unicamente de pintura ou desenho, eu buscava ensinar o compartir, o respeito, o compromisso e a consciência dos outros, a alteridade. Para mim eram práticas simples que poderiam ser aplicadas tanto dentro como fora da escola, em suas casas ou em outros lugares e que ajudavam a gerar a compreensão do outro, de seus lugares e papéis na sociedade. No MAM eu trabalhei com formação de professores e, graças à grande repercussão do museu, tive contato com muitas escolas e realidades muito distintas da minha e que por mais que eu queira dizer que conhecia, nunca vivi realmente. Um outro exemplo desse embate entre realidades foi em uma bienal onde eu trabalhei como educadora. Muitas vezes tive que parar uma visita à exposição para que os alunos pudessem brincar nas escadas rolantes ou para que olhassem o próprio parque, das janelas do prédio, ambos desconhecidos para muitos deles 3 . 2 A Metodología Triangular é uma adaptação que Ana Mae Barbosa fez da teoría DBAE (Discipline-Based Art Education) nos anos 1980, para o contexto brasileiro. Para a construção dos conhecimentos da arte, o DBAE valora não só a produção artística, mas também as informações culturais e históricas, assim como a análise das obras. Esse modo de ensinar arte está baseado na fruição, na compreenção da dimensão histórica, na apreciação estética, na análise e na reflexão sobre ela com um espírito crítico. Para isto se requeríam as (então) quatro instâncias do conhecimiento artístico: produção, crítica, estética e conhecimentos de história da arte. 3 Tanto o MAM quanto o prédio da Bienal de São Paulo estão dentro do “Parque do Ibirapuera” o mais importante e famoso parque urbano da cidade. São espaços antagônicos ainda que tenham a mesma finalidade: o lazer. 166 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 Dadas essas dimensões sociais, a questão para mim passou a ser: “como associar interesses e experiências entre a realidade da obra de um museu e suas vidas?” Posso dizer que o trabalho no museu foi decisivo para minhas necessidades de mudança. No MAM tive a oportunidade de dar aula para professores o que pedia um outro conhecimento de arte e de seus contextos. “Conhecer” significava explicar, contestar as perguntas dos professores e transmitir um conhecimento “memorizado”. Sem dúvida muito reafirmado pelas posturas dos professores e do que supõe a própria instituição museu. Depois de contar algo aos professores, uma particularidade sobre as obras ou a vida do artista, sempre diziam “saber isso muda nossa compreensão da obra”. Essa dupla dependência do educador conhecedor e do visitante ideal me levou a questionar meu modo de ensinar. Ainda que meu procedimento não estivesse equivocado – centrado nos aspectos formais das obras – não havia uma reflexão sobre o caráter político/social das representações que deveríamos analisar juntos. Ou seja, além de tentar relacionar sujeito, cultura e representação, tentar também romper com a dualidade comunicação/transmissão de um conhecimento, que é o método tradicional utilizado por muitos setores educativos e escolas. O “esvaziamento” e o trabalho tipo “cadeia de montagem” impulsionaram a busca de um sentido para o trabalho que eu vinha desenvolvendo. Isto significava mudar minhas práticas educativas para que as ações realizadas dentro desses espaços pedagógicos tivesse sentido. Tinha que envolver muito mais que os conhecimentos de um experto em história da arte. Haveria que incorporar os conhecimentos do grupo, de cada um e de seus contextos. Nesse momento Fernando Hernández deu uma palestra para os educadores do MAM e então entrei em contato com a perspectiva da cultura 167 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 visual e as possibilidades de uma educação artística que envolvesse mais que a apreciação estética. A partir de então, fui buscar mais referências sobre o tema e procurar saber mais a fundo de que se tratava essa perspectiva. Nesse momento, buscar um mestrado para meu desenvolvimento pessoal/profissional tinha conexão com minhas crenças sobre a educação. Era a forma que eu conhecia para buscar os fundamentos e significados teóricos para refletir sobre minha prática além de investigar sobre bases metodológicas críticas e empíricas que apresentassem um ensino de Arte onde houvesse um cruzamento, não só em termos de objetos, mas também de linguagens e significados. Ou seja, minhas inquietudes me guiavam a uma mudança epistemológica. Meu acercamento a Cultura Visual A cultura visual vincula a prática docente com a situação social na qual se está inserido e busca ações que mudam os modos de ensinar. Isso significa construir novas metodologias de trabalho onde se vinculam os processos individuais com as dinâmicas sociais e políticas das representações e refletir sobre a conotação que as imagens ou representações visuais podem ter ou adquirir de acordo com os significados aprendidos culturalmente. Isto rompe com o ensino tipo “instrução” e adquire a possibilidade de construção de um conhecimento em conjunto, principalmente porque parte “do que vemos e como vemos” e do estímulo que o outro pode oferecer. Todas as situações onde nos encontramos são espaços pedagógicos, são lugares onde os sujeitos se relacionam e onde existe produção de identidade. Esta ideia faz referência a como o entorno, a situação social e o meio dialogam com os sujeitos, e os sujeitos entre si e de como isso influi em nosso desenvolvimento cognitivo. Para Vigotsky, através da linguagem se transmite conhecimentos e a própria estrutura da sociedade e da cultura na qual estamos inseridos. A interação para Vigotsky é, portanto, sociocultural. 168 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 É no seu conceito de zona de desenvolvimento próximo onde se produz a ideia central do papel das mediações sociais. Este conceito compreende as diferenças entre o que uma criança consegue realizar sozinha e o que consegue com a ajuda de um adulto, ou seja, como a intervenção de um adulto potencializa sua aprendizagem. Neste processo a linguagem tem um papel central no desenvolvimento da inteligência. Neste caso, o papel do professor não é só o de propor algo, mas sim de como propõe. Se antes, para mim, as relações pedagógicas estavam mediadas pelos materiais e pela subjetividade, agora as vejo mediadas pelas relações existentes entre a percepção visual e as interpretações do mundo, onde todos os momentos da produção se incorporam, criando, assim, um conhecimento situado onde há uma grande diferença entre representar e produzir. Deste modo, a arte não é um instrumento ilustrativo para a criação, mas um elemento que proporciona novas idéias. Se compreendemos isso, faz então sentido ampliar essa relação para os outros objetos com os quais nos relacionamos diariamente e que não são só os produzidos pelas Belas Artes. Incorporar essas outras experiências visuais à educação significa entender que a cultura contemporânea está constituída de muitas outras imagens que têm significados e que devem ser analisadas e discutidas criticamente, pois formam parte de nossa cultura e dos entornos pedagógicos de produção de identidade. Isto nos vincula ao pensamento de David Darts (2004, p. 315): “several proponents of an art education informed by (and imbued with) visual culture have successfully demonstrated that the visual is inextricably linked to ongoing social, political, psychological and cultural struggles”. Ou seja, a cultura visual não vincula somente outros elementos visuais em detrimento das obras de arte, mas corresponde, principalmente, ao modo como nos relacionamos diariamente com tudo que vemos, e como isso nos conforma como indivíduos. 169 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 Fazendo uma reflexão sobre meu trabalho como arte-educadora, não só no MAM, mas também como professora, compreendo que meu trabalho estava basicamente pautado na tradição da livre expressão combinado com as diretrizes que pautavam a assinatura de Educação Artística: produção, fruição e reflexão (de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais em Arte,1997). Este ensino era como dar voltas ao redor de mim mesma, sem romper com a “hegemonia do ensino da Arte baseado na estética”, na qual eu estava envolvida. Não que trabalhar sobre esse prisma seja errado pois, para Kerry Freedman, por exemplo, a estética é um dos conceitos fundamentais da educação artística. Freedman fala de "estética con sentido: la gama de formas visuales sólo puede comprenderse en relación con sus contextos de creación y contemplación. Al mismo tiempo las formas de cultura visual dan forma a estos contextos”. Ou seja, as formas visuais e os contextos estão em zonas de contato que interagem por processos de apropriação e reapropriação. Neste caso, a questão é que Freedman mantém a cultura visual dentro dos parâmetros dos objetos. O que faz é ampliar a gama de objetos que devem fazer parte da educação artística, mas sem integrar o sujeito. Ou seja, o caráter estético proposto por esse ensino ainda corresponde a uma relação unidirecional diante dos múltiplos diálogos que a cultura visual propõe. É sem dúvida um caminho mais político e social dentro do espaço da educação, mas se pensamos na relação entre o que vemos e como vemos, cruzamos as fronteiras e estabelecemos relações entre sujeito, contexto, subjetividade e identidade. A arte-educação, como campo de ação, é um espaço fértil para o debate visual contemporâneo ainda mais se incluímos em seus processos a cultura visual, essencial para os arte-educadores, tanto na prática pedagógica que deve estar vinculada com a cultura e a política quanto pelo papel da educação em si, na preparação de alunos conscientes, cidadãos atentos e informados na esfera cultural. 170 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 Para Paul Duncum (2002, pg 6) “critical understanding and empowerment – not artistic expression – are the primary goals of visual culture art education, but critical understanding and empowerment are best developed through an emphasis in image making where students have some freedom to explore meaning for themselves”. Para ele é através dessa experiência vivida/corporificada que o estudante se põe no lugar do “outro” (neste caso do artista) e explora outras possibilidades. Trabalhar sobre a perspectiva de análise de obra de arte e dentro da concepção formalista da estética não deixa muito espaço para a construção de significados por parte dos estudantes. Essa visão condiciona a um tipo de leitura ao mesmo tempo em que afasta essas representações da realidade, limitando-os ainda mais a uma condição de exclusão, já que esse tipo de leitura requer um conhecimento próprio. Para sair desse espaço determinado, a análise das obras deve abordar não só a relação imagem/observador, mas imagem/construção de identidade e imagem/sociedade, passando pela corporização da experiência. Isso significa que o aluno já não tem um papel tão passivo/ideal como o de “receber” a experiência, mas o de alguém que incorpora sua cultura dentro da classe. Essa atitude faz com que a escola reconheça sua identidade e experiência de vida rompendo inclusive com o ensino do tipo “transmissão de conhecimento”. A partir das experiências cotidianas do olhar, situadas dentro da escola, professores e alunos podem começar a estabelecer e interpretar significativamente quais são as lutas sociais, políticas e culturais que ocorrem dentro dos múltiplos terrenos diários. A interpretação e a relação com o que se vê, associadas a experiências pessoais são fundamentais para o desenvolvimento de um pensamento mais amplo e crítico dos contextos políticos-sociais. A cultura visual expande o campo de atuação da educação ao inserir o contexto político-social no qual as obras estão inseridas, pois estimula a reflexão e amplia o papel da arte na sociedade. Segundo Darts (2004, p. 325), na conclusão de seu texto: 171 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 Combined with a determined pedagogical effort to expose and deconstruct the powerful strategies and aesthetic tactics commonly employed by artists, designers an other producers of visual texts, visual culture educators can begin to provide their students with the required intellectual and creative tools to examine, challenge and transform themselves, their communities and the world(s) in which they live. Baseada nesse pensamento e procurando não desenvolver mais somente a parte estética e as terminologias ou conceitos fundamentais da arte e das exposições (como instalação, abstração ou os movimentos da arte, por exemplo), entendo que existem outros pontos importantes vinculados à arte, que podem ser amplamente discutidos nas salas de aula ou dentro de museus. Esta atuação, mais comprometida com a cultura visual e sua abertura a possibilidades de mudanças sociais, se exerce dentro de uma prática reflexiva que investiga o papel das imagens na sociedade associadas as experiências de cada um. Perguntas como: “Que sujeitos esta obra inclui? Estamos refletidos nesta obra? Como se representa o sujeito nesta obra? Este sujeito tem corpo, sexo ou raça? Quem atua como esse sujeito na sociedade? Que quer esta imagem de mim? Que eu apreendo desta imagem?” são só algumas das perguntas que podemos fazer para começar a dialogar com a produção e recepção de uma representação. Esta postura permite que nos aproximemos das outras manifestações visuais que nos rodeiam e que as insiramos dentro de nossas práticas pedagógicas como um caminho para entender e deixar entrar os referentes visuais de nossos alunos. Segundo Fernando Hernández ensinar sobre a perspectiva da cultura visual vai mais além de ampliar a gama de objetos e de romper a dicotomia alta/baixa cultura. Ele amplia o campo epistemológico da educação artística ao entender que o sujeito que vê já não é mais só receptor e sim um “visualizador crítico”. Segundo Hernández (2007): 172 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 “El desafío consistía en quebrar los posicionamientos hegemónicos respecto a las manifestaciones y las prácticas artísticas, explorando relaciones y posibilidades de interpretación y producción que hasta ahora no habían sido consideradas por las narrativas autoexpresivas o disciplinares de la Educación Artística”. Desde o ponto de vista do educador, a educação artística pode e deve vincular as características de nosso tempo, que são tempos de mudanças profundas, como a inconstância, a contingência e a velocidade. Estas características também determinam para quem, para que sociedade e para que contextos se desenvolve um currículo. Além de se perguntar que faz parte do imaginário dos sujeitos, levando em conta que em muitos casos o sujeito já não é mais passivo, é ativo: constrói a informação. Ou seja, dentro de uma perspectiva posmoderna é fundamental perguntar-se sempre “en que consiste y para que sirve la enseñanza” (Kerry Freedman, 1996). A educação artística tem que abarcar as representações estéticas do imaginário das culturas juvenis. É a disciplina mais indicada para isso, já que a mediação entre o objeto de estudo e o estudante é feita através do uso da visualidade. Segundo Hal Foster, a visualidade é um ato social, é algo que envolve o corpo e a psique. Mais que uma operação física, é social e histórica também, está dentro dos discursos que determinam diferenças entre como se vê, como estamos autorizados/acostumados a ver e como vemos. O visual hoje, como linguagem, é a chave para um trabalho que pode dar conta da necessidade social que temos já que os repertórios provêem basicamente do meio, pois é o visual que materializa as emoções. As imagens singulares, com um alto grau de narratividade evocam as lembranças pessoais, as afetividades e as subjetividades que configuram os traços estéticos e culturais de cada um dentro de seus contextos. Através de seu potencial simbólico se faz possível uma ponte entre a educação e a experiência pessoal para a construção de um pensamento crítico. 173 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 O papel da educação vinculado ao ensino da Arte é estratégico na hora de produzir identidades por sua mediação entre o campo simbólico e as representações da realidade. A análise dessas produções através de uma pedagogia crítica pode levar os alunos a uma reflexão sobre as condições históricas, sociais e políticas que criam as diversas identidades. A partir disso, se pode explorar outras manifestações sociais ampliando não só a aquisição de um conhecimento mas a possibilidade de se escrever um novo significado que seja mais enriquecedor para os sujeitos. O papel da cultura visual, como transdisciplina, visa mudanças sociais através de uma prática reflexiva que investiga o papel das imagens associadas às experiências e aos contextos de produção e recepção. Deste modo, se rompe com a dualidade alta cultura e cultura popular, pois supõe-se que a arte fala de tudo e que não existem símbolos especificamente artísticos. A arte se transforma em uma ferramenta para a educação já que aborda todos os aspectos da humanidade por ser permeável a todos os sistemas culturais que repercutem em outros âmbitos da cultura. Falar de cultura é falar de diferença. E esta diferença é algo construído e não se define para sempre. Para se tomar consciência da construção da cultura é preciso saber que isto se faz a partir da escolha de elementos legitimadores que outorgam poder sobre os significados. O caráter da construção da cultura está nos significados e relações sociais, econômicas e estéticas imbricados nas ações artísticas e sistemas culturais que interagem entre si. Esse entramado cultural vai ressignificando que é arte. Não depende exclusivamente do objeto para se transmitir simbolicamente valores e informações inclusive não estéticas, mas das lógicas que se constroem de acordo com a articulação dos sistemas sustentados pelas práticas diarias. 174 III Seminário Leitura de Imagens para a Educação: múltiplas mídias Florianópolis, 14 de abril de 2010 REFERÊNCIAS: CRARY, Jonathan. Modernity and the problem of Attention en Suspensions of Perception. Attention, Spectacle, and Modern Culture. Massachusetts: MIT Press, 1999. CRARY, Jonathan. 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