1 RENATA CIDRAL DE LIMA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE ESTÁGIO ESTRUTURA E GESTÃO DE PROCESSOS: ESTUDO NA EMPRESA CACER LTDA Trabalho de conclusão desenvolvido para o Estágio Supervisionado do Curso de Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade do Vale do Itajaí. ITAJAÍ – SC, 2008 2 Agradeço à minha família amada, minha mãe, meu pai e meus irmãos, que me deram educação, amor, carinho e apoio, onde nasceram meus valores. Meu pai, a quem tenho muito orgulho nessa vida, as lembranças que guardo com amor, sinto-o presente no meu coração, eu sei que hoje, está ao lado de Deus, torcendo por mim. Agradeço a todos meus professores, pois contribuíram para minha formação. A todos que me ajudaram na construção deste trabalho, em especial, meu orientador de estágio, meus diretores e colegas da CACER. Agradeço a todos meus amigos, colegas e demais familiares, pois tiveram paciência e compreensão, nos momentos em que estive ausente. Agradeço principalmente a Deus, por ter sonhado minha vida, demonstrado seu amor, por estar me guiando e me protegendo da escuridão, por me fazer feliz e vencedora com estas realizações. 3 “Só é útil o conhecimento que nos torna melhores” (Sócrates) 4 EQUIPE TÉCNICA a) Nome do estagiário Renata Cidral de Lima b) Área de estágio OSM - Organização, Sistemas e Métodos. c) Supervisor de campo Regina Figueiredo de Souza d) Orientador de estágio Prof. Luiz Carlos da Silva Flores, Dr. e) Responsável pelos Estágios em Administração Prof. Eduardo Krieger da Silva, Msc. 5 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA a) Razão social Comissária, Assessoria de Comércio Exterior e Representações Ltda b) Endereço Avenida Marcos Konder, 391, Centro, Itajaí – SC c) Setor de desenvolvimento do estágio Geral d) Duração do estágio 240 horas e) Nome e cargo do supervisor de campo Regina Figueiredo de Souza, gerente administrativo. f) Carimbo e visto da empresa 6 AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA ITAJAÍ, 03 DE NOVEMBRO DE 2008 A Empresa CACER, pelo presente instrumento, autoriza a Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, a publicar, em sua biblioteca, o Trabalho de Conclusão de Estágio executado durante o Estágio Supervisionado, pela acadêmica Renata Cidral de Lima. ______________________________ Josebel Figueiredo de Souza Diretoria 7 RESUMO O serviço especializado em comércio exterior vem sendo cada vez mais necessitado pelo mercado brasileiro, exigindo máxima agilidade nas respostas e margem mínima de erro igual à zero. É constante a troca de informações entre as entidades e as pessoas envolvidas neste setor, e para que haja perfeição no serviço prestado, estas empresas precisam estar atentas às exigências do mercado, adequando assim, sua estrutura organizacional aos processos. Esta pesquisa foi realizada na empresa CACER Ltda., prestadora de serviços de assessoria em comércio exterior, que teve como principal objetivo analisar a estrutura organizacional na perspectiva dos processos, identificando assim, os fatores restritivos e propulsores para o sincronismo entre a estrutura e os processos. A estratégia adotada na pesquisa foi o estudo de caso, utilizando o levantamento dos dados, através da entrevista não-estruturada com pessoaschaves, o uso da observação participante e a análise documental, viabilizando a organização dos dados para a análise qualitativa. Com os resultados das análises da estrutura e dos processos, foram identificados os pontos positivos e os pontos negativos da empresa, estes resultados apontaram que a estrutura atual da empresa apresenta falhas e não está adequada aos processos. Sobre este aspecto, foram elaboradas as propostas de melhoria com base nas ferramentas da qualidade, configurando nova estrutura organizacional para adequar-se aos processos da empresa. PALAVRAS-CHAVE: Gestão de Processos; Estrutura Organizacional; Sincronismo. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1- Etapas do desenvolvimento do trabalho de estágio................................................. 15 Figura 2 – Ciclo de serviços.................................................................................................... 22 Figura 3 – A estrutura organizacional de Mintzberg.............................................................. 28 Figura 4 – Hierarquia departamental...................................................................................... 29 Quadro 1 – Participantes da pesquisa..................................................................................... 13 Quadro 2 – Fases de estruturação de organização por processo............................................ 30 Quadro 3 – Stakeholders da CACER..................................................................................... 40 Quadro 4 – Diagnóstico pontos positivos e negativos da empresa......................................... 56 Gráfico 1 – Organograma situação atual................................................................................ 46 Gráfico 2 – Unidade de negócio da CACER......................................................................... 47 Gráfico 3 – Áreas de suporte ao macroprocesso da CACER.................................................. 48 Gráfico 4 – Fluxo do processo de importação........................................................................ 49 Gráfico 5 – Fluxo do processo de exportação......................................................................... 51 Gráfico 6 – Fluxo de faturamento........................................................................................... 53 Gráfico 7 – Sugestão ao macroprocesso CACER................................................................... 57 Gráfico 8 – Organograma sugestão estrutural......................................................................... 59 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................................. 10 1.2 Objetivo geral e específicos......................................................................................... 12 1.3 Aspectos Metodológicos .............................................................................................. 12 1.3.1 Caracterização do trabalho de estágio........................................................................ 12 1.3.2 Contexto e participantes da pesquisa.......................................................................... 13 1.3.3 Procedimentos e instrumentos de coleta de dados...................................................... 14 1.3.4 Tratamento e análise dos dados.................................................................................. 15 2 REVISÃO TEÓRICA................................................................................................... 17 2.1 Administração: aspectos gerais.................................................................................. 17 2.1.1 As áreas da Administração......................................................................................... 20 2.1.2 Administração de Serviços......................................................................................... 21 2.1.3 OSM: conceitos e atividades...................................................................................... 22 2.2 Organização.................................................................................................................. 23 2.3 Estrutura Organizacional........................................................................................... 25 2.4 Métodos de estruturação organizacional................................................................... 30 2.5 Gestão por processos................................................................................................... 31 2.6 Mudança Organizacional............................................................................................ 34 3 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA DE CAMPO............................................. 37 3.1 Caracterização da empresa......................................................................................... 37 3.1.1 Estrutura da empresa................................................................................................... 38 3.1.2 Stakeholders................................................................................................................ 40 3.2 Diagnóstico situacional: estrutura e processos.......................................................... 41 3.2.1 Macroprocesso............................................................................................................ 46 3.2.2 Análise de processos................................................................................................... 49 3.2.3 Escopo do processo..................................................................................................... 54 3.3 Sugestões de melhoria.................................................................................................. 57 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................ 62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................63 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS.......................................................................... 65 APÊNDICE I: Roteiro da entrevista e observação......................................................... 67 10 1 INTRODUÇÃO A economia brasileira já passou e continua passando por diversos estágios devido à globalização e as políticas governamentais adotadas no país e que de fato refletem direta e indiretamente no desempenho das indústrias. O comércio exterior brasileiro vem se destacando nos últimos anos no cenário econômico em função do desenvolvimento industrial, pela necessidade das empresas em competir no mercado, aumentando e melhorando sua produção através dos avanços tecnológicos, configuração de processos e desenvolvimento de competências. O governo de certa forma incentiva à prática do comércio exterior, principalmente às empresas exportadoras. O Brasil criou relações com quase todos os países do mundo. As indústrias almejam pela priorização da eficiência e eficácia na prestação de serviços das empresas ligadas ao comércio exterior, pela utilização intensiva de novas tecnologias e do emprego sistematizado da informática, aprimorando a comunicação e a logística. As organizações prestadoras de serviços especializados de comércio exterior necessitam de eficiência em seus processos, precisam estar bem estruturadas para desenvolver a troca de informações com praticidade e devem, principalmente, administrar bem seus recursos, configurando-os de acordo com as necessidades dos ambientes, em virtude de que possam obter vantagem competitiva sustentável no mercado. A ciência da Administração, voltada a estes aspectos de Organização, Sistemas e Métodos (OSM), busca estudar e desenvolver análises com objetivo de conhecer ferramentas eficientes para organização obter melhor desempenho em seus processos. Estudar o melhor método para a organização desempenhar seus processos de acordo com o ambiente em que se insere, considerando sua estrutura disponível, algo para o sucesso. A empresa CACER, prestadora de serviços gerais em despachos e desembaraços de cargas de diversos segmentos industriais, opera com a parte burocrática destes processos regulamentados por lei. A empresa serve como intermediário de seus clientes perante órgãos fiscais do governo, entre outros, com especialização em nacionalização e internacionalização de mercadorias que entram e saem do país. Empresa familiar de sociedade limitada fundada há 30 anos, localizada próximo ao porto da cidade de Itajaí, uma das primeiras na região operando no setor aduaneiro. Nesta região é considerável o número de concorrentes e vem crescendo cada vez mais, por se tratar de uma cidade portuária em que os empreendedores do ramo identificam-na como ótima oportunidade de negócio. 11 A empresa atualmente pretende melhorar seus processos configurando sua estrutura, melhorando a comunicação entre as pessoas e a qualidade nos serviços. Opera com mão-deobra especializada e a maior parte da estrutura são recursos próprios, possui capacidade para manter-se no mercado, mas deseja estar à frente da concorrência e melhorar seu desempenho. 1.1 Problema de Pesquisa A CACER há 30 anos fornece serviços especializados em comércio exterior, vem encontrando dificuldades para competir com eficiência e eficácia. Isto ocorre pela falta de sincronismo organizacional que inclui a integração dos processos, a resposta rápida, o relacionamento com clientes e fornecedores e sua estrutura, almejando todos na organização com o mesmo objetivo. Com isso, definiu-se como problema de pesquisa que orientou o desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de Estágio: Quais os fatores restritivos e propulsores para o sincronismo entre a estrutura organizacional e os processos da empresa CACER? O estudo é importante para empresa, pois permitiu a análise e avaliação dos processos com a estrutura organizacional, identificando os fatores restritivos e propulsores, propondo melhorias, beneficiando a organização, visando fornecer maior satisfação aos seus clientes. Importante para o acadêmico de administração em contato com outras áreas, abrangendo, no caso específico a qualidade, utilizou-se ferramentas para análise dos processos e diagnóstico organizacional, na oportunidade que este aprimorou seu conhecimento e desenvolveu o senso crítico, ao colocar em prática seu aprendizado. Para a Univali, no curso de Administração, deu abertura a outra linha de pesquisa em estágio supervisionado, explorando o estudo de processos em empresas de serviços especializados de comércio exterior. O trabalho é original para empresa estudada, pois até o momento não havia sido apresentado nenhum trabalho desta natureza, abordando o tema sobre a gestão de processos. Na produção de estágio, do curso de Administração da Univali em Itajaí, observaram-se outros trabalhos relacionados a esta área, porém nenhum em empresas desta natureza. Obteve-se facilidade ao acesso de todo material literário entre outras fontes de pesquisa que fundamentaram o trabalho, sendo permitida a realização deste, com execução 12 dentro do tempo e recursos financeiros necessários. Pelo fato de a empresa ser pequena e com poucos funcionários o tempo para executar a pesquisa foi bem aproveitado. 1.2 Objetivo Geral e Específicos Perante o contexto definiu-se o objetivo geral e os objetivos específicos que orientaram o desenvolvimento deste trabalho. Este trabalho teve como objetivo geral analisar a estrutura organizacional da CACER na perspectiva dos processos. Considerando o objetivo geral apresentado, determinaram-se os seguintes objetivos específicos: - Descrever a estrutura organizacional da empresa. - Descrever os processos internos. - Identificar pontos fortes e fragilidades. - Verificar alternativas para o sincronismo entre a estrutura e os processos - Propor melhorias para estrutura e os processos da empresa. 1.3 Aspectos Metodológicos Os aspectos metodológicos do trabalho de estágio descrevem como foi realizado, abordando os itens de caracterização do método, participantes da pesquisa, instrumentos de coleta de dados, tratamento e análise dos dados e resultados do trabalho. 1.3.1 Caracterização do trabalho de estágio A tipologia do trabalho trata-se de uma avaliação formativa, visando analisar a estrutura atual, avaliar e propor melhorias a esta, para elevar o nível de qualidade na execução dos processos da empresa. Segundo Roesch (2007), a avaliação formativa consiste no diagnóstico do sistema atual para elaboração de sugestões para sua reformulação. Para atingir os objetivos deste trabalho, utilizou-se o método qualitativo, predominantemente de natureza exploratório-descritiva. A metodologia qualitativa pode descrever, conforme Richardson (1999), a complexidade de determinado problema, analisar o 13 envolvimento de certas variáveis, compreender e classificar processos vividos por grupos sociais, bem como entender o comportamento dos indivíduos em profundidade. A estratégia de pesquisa adotada foi o estudo de caso, por ser o mais adequado para a realização deste trabalho de estágio, o que viabilizou melhor análise da empresa como um todo. Para Roesch (2007, p.201), o estudo de caso: “permite o estudo de fenômenos em profundidade dentro de seu contexto e especialmente adequado ao estudo de processos e explora fenômenos com base em vários ângulos”. 1.3.2 Contexto e participantes da pesquisa Este trabalho de estágio foi realizado na CACER, empresa de serviços especializados em comércio exterior, que possui atualmente, em seu contexto organizacional, trinta e três funcionários, caracterizando assim a população desta pesquisa. Porém, para a análise do processo, interessam-se apenas àquelas pessoas envolvidas direta e indiretamente, sendo elas, denominadas de pessoas-chave. Dessa forma, adotou-se a amostra intencional que, segundo Richardson (1999), compreende em relacionar intencionalmente os elementos-chave de acordo com certas características estabelecidas no plano e nas hipóteses formuladas pelo pesquisador. Para realização, foram convidados informantes que detinham conhecimento sobre as atividades e negócio da empresa, como segue no quadro abaixo: CARGO FUNÇÃO QUE EXERCE QUANTIDADE Gerente geral Supervisão e coordenação geral 1 Gerente de exportação Supervisão e coordenação de exportação 1 Gerente de importação Supervisão e coordenação de importação 1 Auxiliar ad. financeiro Operações financeiras 1 Auxiliar ad. de faturamento Auxiliar de importação Operações financeiras, faturamento e prestação de contas Operações de importação 1 1 Auxiliar de exportação Operações de exportação 1 Auxiliar de expedição Expedição de documentos e diversos 1 Quadro 1 – Participantes da pesquisa. Fonte – Elaboração da acadêmica. 14 Sendo assim, as pessoas-chave abordadas na realização deste trabalho, foram três gerentes e cinco auxiliares operacionais, ou seja, um de cada departamento. Durante o estudo foi necessário consultar opiniões de alguns clientes, selecionados pelo critério de maior ou menor movimentação de serviço e pela fidelização, ou tempo com que operam junto à empresa. 1.3.3 Procedimentos e instrumentos de coleta de dados Para alcançar o objetivo proposto neste trabalho, utilizou-se dados de fontes primárias e secundárias. Conforme Roesch (2007), os dados primários são aqueles elaborados e colhidos diretamente pelo pesquisador, através de entrevistas e questionários; já os dados secundários são aqueles, já existentes na forma de arquivos, banco de dados, índices ou relatórios. Como fonte de dados primária, utilizou-se como um dos instrumentos de coleta de dados a entrevista não-estruturada com cada gerente e um operacional de cada departamento, coletando dados através de suas opiniões. Roesch (2007) afirma que a entrevista nãoestruturada visa obter do entrevistado o que ele considera os aspectos mais importantes de determinado problema. Para maior profundidade e conhecimento dos processos, utilizou-se como complemento, a observação participante ou direta com a finalidade de relatar possíveis fenômenos omitidos e/ou não relatados pelos entrevistados. Esta observação foi possível pelo fato do pesquisador fazer parte do quadro funcional da empresa. Roesch (2007) caracteriza por observação participante encoberta quando o pesquisador é empregado da empresa em estudo, argumentando que neste caso, além do trabalho estará observando, participando, conversando e interpretando os acontecimentos. Para tanto, elaborou-se um roteiro para a entrevista e observação, em formato de perguntas específicas, cujas serviram de apoio na coleta de dados, apresentado no Apêndice I. Utilizou-se, também, como instrumento de coleta de dados, a análise documental, com objetivo de investigar e buscar evidências da organização e de seus processos em determinados documentos, tais como, manuais de procedimentos, políticas adotadas, entre outros. Conforme Roesch (2007), é normal a consulta de documentos organizacionais como fonte de dados, são utilizadas para completar entrevistas ou outros métodos de coleta de dados. 15 1.3.4 Tratamento e análise dos dados As respostas das entrevistas, as observações realizadas e os levantamentos efetuados por análise documental resultaram em dados e sua organização facilitou o alcance do objetivo proposto neste trabalho de estágio, em poder analisar a estrutura e os processos da empresa. Para análise, adotou-se a técnica da análise de conteúdo que, segundo Roesch (2007) define as unidades de análise sobre as respostas obtidas dos entrevistados e de observações, bem como categorias de análise e codificações para interpretação com base nas teorias que fundamentam o trabalho. As categorias serão definidas pelas etapas do processo. Após a análise por categorias, realizou-se a avaliação para verificar sugestões de melhorias e posteriormente a elaboração do plano de implantação. No entanto, as etapas de realização do trabalho estão definidas a seguir: Descrição da estrutura da empresa Entrevista/ observações Levantamento dados Descrição dos processos internos da empresa Organiza dados Analise de estrutura e processos Avaliação estrutura e processos Proposta de melhorias Figura 1 – Etapas do desenvolvimento do trabalho de estágio. Fonte – Elaboração da acadêmica. Análise de documentos/ observações Análise de conteúdo Categorias de análise 16 A figura 1 demonstra as etapas do trabalho, na seqüência, iniciando pelo levantamento de dados através das entrevistas, observações e análise documental, a organização dos dados possibilitando à análise de conteúdo e na seqüência a avaliação da estrutura e os processos por categorias de análise, e posteriormente, a proposta de melhorias. 17 2 REVISÃO TEÓRICA Neste capítulo apresentar-se-á teorias, argumentações e definições de pesquisadores da ciência da administração, com o objetivo de fundamentar o tema proposto neste trabalho de estágio, iniciando pelos aspectos gerais da administração, as principais áreas da administração, funções e definições, em seguida os conceitos e atividades de OSM, a estrutura organizacional, a gestão por processos e a mudança organizacional. 2.1 Administração: aspectos gerais Conhecer a forma como historicamente se manifestou a administração é um ponto fundamental do estudo, pois todo conhecimento tem uma mecânica acumulativa, histórica e social, e vai se adaptando ao modelo mental de cada ser. Sabe-se que as ciências são obras desvendadas pelo próprio homem e com a Administração não foi diferente. Desde a era dos primitivos ela se fez presente, porém não conhecida. O fato de o homem ter de caçar para sustentar e abrigar sua família já exigia esforços e planejamento. Na idade média, a fabricação do artesanato e sua comercialização; a nobreza com seus servos ou o senhor feudal com seus escravos, já manifestava práticas de Administração sem ser reconhecida. Segundo Perel (1977), a revolução industrial faz parte de um sistema tecnológico que produz contínuas mudanças e as indústrias necessitam de administração. Historicamente, a teoria clássica da administração preocupou-se em estudar e analisar apenas empresas industriais, uma vez que os clássicos engenheiros consideravam a empresa sob o ponto de vista de sua organização interna, sem incluir os aspectos externos do ambiente. Para Lodi (1998), Oliveira e Silva (2006), a Administração Científica foi o movimento inicial que evidenciou e fundamentou a administração como ciência e mostrou sua importância a sociedade. Devido à sua contribuição para o movimento da administração científica, Frederick W. Taylor está ainda hoje entre as figuras que mais se destacaram na história do pensamento administrativo. Afirma Perel (1977, p.24): “Taylor preconizou a necessidade de separar o trabalho de planejamento do de execução”. Crainer (1999) admite que Taylor foi o primeiro e mais sincero defensor do comando e do controle, afirmando ainda que o exame elaborado por ele na escola de engenharia Stevens deveria ser obedecido e rigorosamente seguido pelos 18 empregados para obter um melhor desempenho, ao indicar a maneira ideal para realizarem suas tarefas. Maximiano (2000), Oliveira e Silva (2006), afirmam que a Administração Científica foi a primeira teoria da administração, enfatizando os problemas técnicos da organização e, além de Taylor, teve outras contribuições importantes como Henry Gantt, que desenvolveu o gráfico de Gantt, Henry Ford, que aperfeiçoou o sistema de trabalho e o casal Frank e Lilian Gilbreth, que racionalizaram movimentos necessários para as tarefas. O francês Henri Fayol começa a desenvolver a administração clássica ao formular um conjunto de princípios de administração geral ou uma teoria de gestão com a divisão do trabalho, segundo Oliveira e Silva (2006). Afirma Lodi (1998, p.46): “Fayol definiu as funções da administração nos seguintes termos: planejar, organizar, comandar (dirigir), coordenar e controlar”. Fayol defendia o princípio de unidade de comando, que um operário deve ter apenas um chefe. Outra contribuição importante da teoria clássica foi do alemão sociólogo Max Weber, ao elaborar uma escola cultural orientada para a sociologia da burocracia, o que ficou de herança até hoje. Conforme Lodi (1998), Stoner e Freeman (1999), Oliveira e Silva (2006), a burocracia de Weber é definida como um sistema social organizado por normas escritas visando uma racionalidade e igualdade no tratamento organizacional. Para Lodi (1998), Oliveira e Silva (2006), a administração das relações humanas começa com George Elton Mayo, o cientista professor e diretor de pesquisas da Escola de Administração de Empresas de Harvard, coordenador do projeto de pesquisa na fábrica Hawtorne. Um movimento que trouxe muitos melhoramentos nas condições de trabalho, no treinamento de supervisores, no desenvolvimento de estudos sobre dinâmica de grupo e comunicações. Segundo Maximiano (2000), Oliveira e Silva (2006), após a Segunda Guerra Mundial, surge então as idéias oriundas da Teoria dos Sistemas colocadas primeiramente por Ludovic Von Bertalanffy, com um impacto significativo em todas as áreas do conhecimento. Na área da Administração, passa-se a considerar as empresas como um sistema aberto. Segundo Oliveira e Silva (2006), após a administração do desenvolvimento organizacional, surge então uma das principais teorias modernas de gestão, a abordagem contingencial, trata-se de um desdobramento da teoria dos sistemas com foco na teoria organizacional, desprezando soluções universalistas e enfocando para contingências do ambiente e da tecnologia como fatores determinantes da estrutura organizacional. 19 Começam a surgir outras abordagens nestas últimas décadas, conforme Oliveira e Silva (2006), e com enfoque na qualidade, administração participativa, administração estratégica, entre outros, pois a crença generalizada é de que os sistemas burocráticos tornaram-se inapropriados para a era atual, buscando organizações mais flexíveis, descentralizadas e receptivas à inovação. Neste contexto evolutivo a definição de Administração foi sofrendo alterações, podendo ser descrita pelos autores apresentados a seguir. Para Maximiano (2000), administrar é o processo ou ação de executar, realizar e alcançar ações que utilizam recursos para atingir os objetivos. Já para Stoner e Freeman (1999), administração é o processo de planejar organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros da organização, e de usar todos os recursos disponíveis da organização para alcançar objetivos estabelecidos. Megginson, Mosley e Pietri Jr. (1998) afirmam que administração pode ser o trabalho com todos os tipos de recursos disponíveis da empresa, humanos, financeiros e materiais, para atingir objetivos organizacionais, através do desempenho das funções de planejar, organizar, liderar e controlar. A administração e os administradores servem para tornar uma organização bem sucedida em alcançar seus objetivos e satisfazer suas responsabilidades sociais e na vida pessoal também desenvolve a administração quando se lida com recursos, até mesmos nas profissões que requerem habilidades de planejamento, organização, controle e direção. (STONER E FREEMAN, 1999, MAXIMIANO, 2000). Pode-se identificar semelhanças nas definições citadas acima, pois todos os autores relacionam a administração como ações selecionadas por pessoas para que lidem com seus recursos da melhor maneira possível, alcançando objetivos e obtendo bons resultados. Para Stoner e Freeman (1999), Maximiano (2000), Megginson, Mosley e Pietri Jr. (1998), o processo administrativo envolve quatro ações: planejar, organizar, liderar e controlar. O planejamento sendo o processo que define objetivos, atividades e recursos. Organizar define o trabalho a ser executado, bem como suas responsabilidades e distribuir os recursos disponíveis. Liderar ou dirigir consiste em influenciar e motivar os colaboradores a realizar as tarefas e controlar, um processo que assegura a realização dos objetivos e identifica a necessidade de modificá-los. 20 2.1.1 As Áreas da Administração A administração, segundo Maximiano (2004), envolve áreas ou funções organizacionais, sendo elas, tarefas especializadas executadas por pessoas e grupos para o alcance dos objetivos da organização. Conforme Moraes (2000), a maioria das empresas encontran-se estruturadas por áreas funcionais, entre as quais se destacam: produção e operações, mercadológicas (marketing), finanças e recursos humanos. Coordenar todas essas funções especializadas é o papel da administração geral. Charnov e Montana (2003) caracterizam a administração da produção e operações, como uma área de administração que desenvolve técnicas novas para aumentar a produtividade. Para Maximiano (2004), produção ou operações tem por objetivo básico, fornecer o produto ou serviço da organização, envolve todos os tipos de operações para o fornecimento de produtos ou serviços, transformando os recursos para fornecer bens e serviços ao público. Quando se trata de prestação de serviços, os próprios clientes são processados e transformados. Maximiano (2007) afirma que o marketing tem a função de estabelecer e manter a ligação entre a organização e as principais atividades são: pesquisa, desenvolvimento de produtos, distribuição, preço, promoção e vendas. O autor relaciona a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) com o marketing, pois a função da área é transformar as informações de marketing junto às idéias originais e avanços da ciência, em produtos e serviços. Segundo Maximiano (2007), a função financeira de uma organização objetiva a proteção e a utilização eficaz dos recursos financeiros, maximizando retorno dos acionistas ou sócios, buscando manter certo grau de liquidez para a organização cumprir seus compromissos. As decisões que a área financeira abrange: investimento, financiamento, controle e destinação dos resultados. Recursos humanos ou gestão de pessoas tem por objetivo principal, encontrar, atrair e manter a mão-de-obra que a organização necessita, envolvendo atividades que começam antes da contratação de pessoas e vão até após do desligamento dessas. (MAXIMIANO, 2007). Conforme Charnov e Montana (2003), as principais atividades da gestão de pessoas são: o planejamento de mão-de-obra, recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, 21 avaliação de desempenho, remuneração ou compensação, higiene, saúde e segurança e auditoria. 2.1.2 Administração de Serviços Segundo Gianesi e Corrêa (1996), o serviço constitui de operações responsáveis em produzir um bem intangível para o cliente, envolvendo expectativas e percepção deste pelo serviço prestado, podendo satisfazê-lo, ou não. Johnston e Clark (2002, p.55) afirmam que: “a maneira como a organização gostaria de ter seus serviços percebidos por seus clientes, funcionários, acionistas e financiadores”, propõe ao negócio, a maneira que o cliente percebe os serviços da organização. Sendo assim, o serviço faz parte de uma função de marketing, cuja filosofia gerencial permite a organização compreender como satisfazer as necessidades dos clientes, bem como seus objetivos. Para Berry (1996), a excelência em serviços cria um diferencial competitivo para a organização. A qualidade no serviço possibilita que a organização crie relacionamentos com clientes, funcionários e demais interessados no negócio e a excelência em serviços deve ser liderada por toda a organização, em harmonia com a energia e os valores. Johnston e Clark (2002) apresentam a idéia do foco no serviço, que consiste em concentrar esforços e atendimento num determinado segmento de clientes com faixa limitadas de produtos por serviços, como por exemplo, algumas empresas de consultoria que focam o fornecimento de serviços especializados a tipos específicos de clientes. Para Tachizawa, Cruz Júnior e Rocha (2001) o setor de serviços especializados refere-se às empresas de publicidade, consultoria, assessoria, auditoria, escritórios de engenharia consultiva, entre outros que exigem formação e especialização de sua mão-deobra, conteúdo tecnológico e elevado grau agregado de conhecimento especializado. É o aspecto em que a empresa CACER se enquadra, executando serviços especializados em comércio exterior. Johnston e Clark (2002) distinguem duas dimensões para foco nos serviços, sendo o número de mercados servidos e faixa de serviços fornecidos, categorizam o serviço em quatro tipos: serviço focado, mercado focado, serviço e mercado focados e serviço e mercados não focados. Para Tachizawa, Cruz Júnior e Rocha (2001), as principais estratégias de gestão de processo em uma organização de serviço especializado, é a adoção de um banco de talentos e 22 uma gerência proativa, de configuração matricial para a execução dos processos, cargos flexíveis, formando equipes inter e multidisciplinares, ou seja, a gestão de processos neste caso depende exclusivamente do desempenho de seus colaboradores. Gianesi e Corrêa (1996) afirmam que o serviço possui um ciclo no qual é formado por dois momentos críticos, os momentos iniciais, que preparam a percepção do cliente para as próximas etapas e, os momentos finais do ciclo, formada a impressão do cliente percebida no serviço, permanecendo mais forte na memória do cliente, o que irá influenciar nas suas decisões e analisar se o serviço correspondeu com suas expectativas. Como segue na figura a seguir: Final do ciclo Momentos finais Início do ciclo Momentos iniciais CICLO DE SERVIÇO Figura 2 – Ciclo de serviços. Fonte - Adaptado de Gianesi e Corrêa (1996). 2.1.3 OSM: conceitos e atividades A Organização e Métodos (OSM) é uma das funções especializadas da administração, responsável pela configuração da empresa na institucionalização de uma infraestrutura, definindo ou redefinindo processos e métodos de trabalho. Segundo Cury (2005), a função de OSM tem como objetivo final a renovação organizacional através da manipulação da empresa como um sistema social aberto em sintonia com suas variáveis internas e externas. 23 Cruz (2002) atribui ao conceito de OSM o estudo das organizações por meio da análise de cada uma das suas atividades, com objetivo de criar procedimentos que venham a interligá-las de forma sistêmica. Para que a função de OSM possa ser efetivada, Cury (2005) afirma que é necessária sua institucionalização da empresa, devendo atuar em três cenários: o institucional, o dos processos organizacionais e o dos métodos de trabalho. Cury (2005) acredita que a OSM cumpre dois papéis importantes na organização: assessorar a administração estratégica com participação das gerências e desenvolver projetos de intervenções organizacionais através da análise administrativa. Algumas das atividades da OSM e suas ferramentas são redesenhar processos empresarias e analisar a distribuição do trabalho enfocando a qualidade. Araújo (2001) afirma que os estudos de Organização, Sistemas e Métodos no passado, era algo essencial para a consecução dos objetivos de racionalização e estruturação, quando a mudança organizacional tinha sua origem através da análise estrutural e essa era a maneira da OSM (antes O & M) atuar na organização. Acredita que a evolução de OSM não acompanhou a evolução da teoria das organizações influenciada pelo ambiente tecnológico, mas atualmente revela possibilidade de progresso e adaptação. O novo OSM assume forma virtual, ligado diretamente ao ambiente da TI. Da essência do estudo organizacional passa para a análise de processos pelo surgimento de novos ingredientes de gestão nas organizações e, segundo Araújo (2001), a OSM e suas ferramentas sempre serão úteis à medida que se integrarem aos novos incrementos de ação organizacional. Rocha (1998) define a OSM como sendo uma função mista de organizar e planejar, que desenvolve na construção da estrutura de recursos e de operações de uma instituição, como na determinação de seus planos, principalmente na definição dos procedimentos, rotinas e métodos. 2.2 Organização Jucius e Schlender (1981) definem a organização como uma função administrativa de reunir os vários fatores e recursos necessários para a realização de planos, pois esta é baseada no planejamento. 24 Para Maximiano (2000), uma organização é um sistema de recursos que procura realizar objetivos ou conjunto de objetivos e, as organizações constituem de sistemas, que é todo um complexo organizado por partes ou elementos, que interagem para realizar um objetivo explícito. Seus elementos mais importantes são seus objetivos, recursos, divisão do trabalho e processos de transformação. Oliveira e Silva (2006) caracterizam por organização, um grupo de pessoas que interagem para realizar funções essenciais e alcançar metas. São sistemas compostos de vários elementos, os principais são as pessoas e seus relacionamentos e a importância de uma organização está em, civilizar a vida, servir à sociedade, realizar objetivos, preservar o conhecimento e proporcionar carreiras. Com base nas definições acima, pode-se caracterizar uma organização por um grupo de pessoas e recursos unidos e disponibilizados, interagindo de modo a realizar objetivos. As organizações são consideradas como unidades sociais de agrupamentos humanos com o objetivo de atingir um ou mais objetivos específicos e conforme D’Ascenção (2001), Oliveira e Silva (2006), existe a organização informal e a organização formal. Segundo D’Ascenção (2001), Oliveira e Silva (2006), organização informal é fruto da interação social de seus membros e desenvolvem-se naturalmente pela união das pessoas, com o propósito de atender suas necessidades. A organização formal, representada na Estrutura Organizacional, difere da anterior, estabelecendo formalmente as áreas de decisão com a definição das respectivas responsabilidades e autoridades, e as coordenações necessárias aos trabalhos que deverão ser executados pelas partes envolvidas. Para Megginson, Mosley e Pietri Jr. (1998), Oliveira e Silva (2006) os tipos de organizações formais mais populares são: organização de linha, organização funcional e organização de linha-assessoria, definidas a seguir: - Organização de linha, que desempenham atividades mais intimamente por sua missão e identifica-se nela, autoridade única e absoluta do gerente sobre subordinados, a comunicação é através de linhas representadas no organograma. - Organização funcional que possui autoridade dividida, relativa ao grau de especialização, sendo que um funcionário pode reportar-se e ser subordinado a um ou vários gerentes, dependendo da atividade executada. - Organização de linha-assessoria, que contratam pessoas para dar assistência em alguns casos, há presença de características lineares e funcionais simultaneamente, as unidades ou cargos possuem unidade de comando, mas também recebem assessoria de uma unidade de apoio, bem como recebem autoridade funcional também. 25 No contexto de formulação e gestão de estratégias, Mintzberg, Lampel, Quinn e Ghoshal (2006) configuram a organização em: organização empreendedora, organização máquina, organização profissional, organização diversificada, organização inovadora, organização missionária e organização política. São distinguidas a seguir: - Organização empreendedora que consiste numa estrutura simples, como uma unidade com poucos gerentes e um grupo de operadores. - Organização máquina, quando as tarefas tornam-se altamente especializadas e o trabalho altamente padronizado. - Organização profissional, que padroniza as atividades com pressão na profissionalização. - Organização diversificada, constitui em unidades da linha intermediária, como divisões. - Organização inovadora, consiste em segmentos que exigem especialistas de diversas áreas e equipes criativas, por necessidade de inovar. - Organização missionária, denominada por sua ideologia e membros encorajados a união para executar funções de forma flexível, exercendo uma possível liderança em qualquer tarefa. - Organização política, sendo uma organização que não possui um comando definido e separa suas partes diferentes. Neste aspecto, a organização profissional é o tipo de organização identificada na empresa em estudo, ao prestar serviços especializados, que exigem a padronização em suas ações e profissionalismo de todos. 2.3 Estrutura Organizacional Para D’Ascenção (2001), a estrutura organizacional sistematiza os componentes de uma organização, dispondo-os de forma racional e lógica, de maneira eficiente, buscando evitar o desperdício de recursos materiais, humanos, financeiros e de tempo. Em OSM, Cury (2005) afirma que a estrutura envolve a disposição das diversas unidades que compõem a empresa, como departamentos, divisões, seções, entre outros; além das relações entre superiores e subordinados, envolvendo todos os processos da empresa e seus sistemas. 26 Para Oliveira e Silva (2006), a estrutura organizacional consiste no conjunto de unidades que interligadas por meio de relações funcionais e hierárquicas, integram todos os recursos da organização para alcançar objetivos ou metas traçadas. A estrutura organizacional divide as atividades, define os responsáveis pela realização das atividades estabelecendo os canais formais de comunicação. Conforme Porter (1986), a estrutura da Indústria determina o comportamento das organizações, levando a determinada performance das mesmas, uma vez que o comportamento (estratégia) é definido pela estrutura da indústria em questão, caracterizada pelo número e pelo tamanho relativo de concorrentes, compradores e vendedores, pelo grau de integração vertical que existe, entre outros. Para Seiffert e Costa (2007), os fatores que influenciam a elaboração da estrutura organizacional para alcançar objetivos, envolvem as tarefas que devem ser desempenhadas, o agrupamento destas para seu bom desempenho atribuindo responsabilidades as pessoas e grupos, e a definição bem clara de papéis e responsabilidades. Cury (2005) segmenta a palavra estrutura em duas partes, as partes físicas da empresa (espaço, equipamento, bens e localização) e os elementos de trabalho (operações dos processos, sistema de organização, entre outros). Stoner e Freeman (1999) e Oliveira e Silva (2006) relacionam os tipos de estrutura organizacional, sendo a estrutura funcional, a estrutura divisional e geográfica ou por produto/mercado e a estrutura matricial, descritos a seguir: - A Estrutura funcional quando as atividades são agrupadas por funções comuns às pessoas envolvidas, uma departamentalização, cujas principais vantagens são a especialização, a economia de escala e mais fácil supervisão. - A Estrutura divisional e geográfica ou por produto/mercado quando grandes empresas possuem grande linha de produtos e a alta administração enxerga a necessidade de criar divisões semi-autônomas, com as pessoas envolvidas num produto, serviços ou num mercado específico. A vantagem é que promove flexibilidade e mudança de cada unidade que possibilita adaptação das necessidades do ambiente e descentraliza a tomada de decisão. - A Estrutura matricial que consiste em combinar os benefícios dos dois tipos de estrutura citados acima, gerando uma melhor especialização tecnológica nos negócios e na produção coordenada de bens, dando ênfase ao produto e à função, ou ao produto e à geografia, ao mesmo tempo. A delegação se faz horizontalmente e a divisão de produtos e a estruturas funcionais são implantadas simultaneamente. 27 Oliveira e Silva (2006) citam ainda, como abordagem mais recente da organização, a estrutura horizontal, que organiza os funcionários para os processos centrais, concentrando esforços e eliminando hierarquias verticais além de fronteiras entre unidades. Apresentam também a estrutura híbrida que oferecem maior flexibilidade, pois combina características de várias estruturas, extraindo o que elas têm de melhor para a organização em relação as suas estratégias. Charnov e Montana (2003) afirmam que na abordagem contigencial, a estrutura organizacional mais apropriada depende da situação e consiste na tecnologia em particular, no ambiente e em muitos outros fatores dinâmicos. No caso específico deste trabalho, deve-se considerar o ciclo do serviço e suas operações. Segundo D’Ascenção (2001), a estrutura organizacional pode ser definida também como um sistema, sendo que os componentes da organização agem de forma dinâmica, organizada e estruturada, sofrendo influências do ambiente interno e do ambiente externo. É representada pelo organograma, ferramenta de OSM, gráfico que retrata, em dado momento, como está estruturada a organização, visando à realização de um objetivo ou conjunto de objetivos. Para Cury (2005), o organograma consiste na representação gráfica da estrutura organizacional com o objetivo em transparecer os órgãos componentes da empresa, funções desenvolvidas por estes, a interdependência ou relações entre os órgãos, os níveis de administrativos da organização, bem como a hierarquia de autoridade e responsabilidade. Os fatores determinantes da estrutura organizacional, para Seiffert e Costa (2007) pode ser o tamanho da organização em conjunto com outras variáveis, pois a formalização e a complexidade não se compreendem através do tamanho, pode estar ligada ao fator tecnologia. Mas, o fator determinante da estrutura deve estar relacionado com as escolhas estratégicas dos tomadores de decisão. O fator ambiente também é um dos principais determinantes da estrutura, pressiona a organização ao ajustamento de acordo com suas exigências. Para Oliveira e Silva (2006), os elementos que compõem a estrutura organizacional nos aspectos verticais e horizontais são: o número de níveis de hierarquia e amplitude de controle dos gerentes; agrupamento de funcionários em unidades organizacionais, (tais como setores, departamentos), a integração e a comunicação entre as unidades. A estrutura organizacional de Mintzberg (1983) citado por Seiffert e Costa (2007) está dividida em cinco partes básicas, sendo o nível estratégico, nível intermediário, nível operacional, o suporte e a tecnoestrutura formada por analistas que servem à organização visando um melhor desempenho organizacional, conforme a apresentada na figura a seguir: 28 Figura 3 – A estrutura organizacional de Mintzberg (1983) Fonte – Adaptado de Seiffert e Costa (2007, p. 34). O design da estrutura organizacional de Mintzberg (1983) compõe os seguintes elementos: - Especialização do trabalho - Formalização do comportamento - Treinamento e doutrinação - Agrupamento das unidades - Tamanho das unidades - Sistema de planejamento e controle - Dispositivo de ligação - Descentralização vertical - Descentralização horizontal Para Mintzberg (2003), a hierarquia da organização é constituída através do processo de agrupamentos em unidades do sistema de autoridade formal, que por sua vez é representada pelo organograma organizacional. O design estrutural tem a função de delinear 29 todas as tarefas que devem ser feitas com base nas necessidades organizacionais, metas definidas e missões. Seiffert e Costa (2007) relacionam o modelo de estruturação organizacional de Mintzberg (1983), perante os cinco mecanismos de coordenação como o mútuo ajuste pela comunicação informal, a supervisão direta, a padronização do processo de trabalho, a padronização da saída do processo de trabalho e a padronização das habilidades necessárias para realizar as atividades. Na estrutura organizacional são identificados os departamentos que dividem a organização em setores ou responsabilidades. Para Oliveira e Silva (2006), a hierarquia departamental de decisões é formada por três tipos de níveis organizacionais, sendo: o nível institucional, nível intermediário e nível operacional, como na figura a seguir: Nível Institucional Nível Intermediário Nível Operacional Figura 4 - Hierarquia departamental Fonte - Adaptado de Oliveira e Silva (2006). A departamentalização, segundo Megginson, Mosley e Pietri Jr. (1998), tende a ser um processo organizacional que determina o agrupamento das atividades a serem desempenhadas, consiste em dividir a organização em determinados aspectos. Maximiano (2000) classifica os tipos de departamentalização: funcional que divide a organização em funções; territorial que utiliza o critério geográfico por território; por produto quando a empresa apresenta uma variada linha de produtos bem distintos; por cliente quando 30 estes são inúmeros e possuem necessidades distintas; por período (atividades com necessidade de tempo); por disciplinas (áreas de conhecimento); por quantidade e também por fases. Megginson, Mosley e Pietri Jr. (1998), relacionam ainda a departamentalização por processo ou equipamento, que consiste em atividades que necessitam de equipamentos ou processos específicos, e ainda a departamentalização matricial, quando uma exigência precisa ser executada com a integração do trabalho de vários especialistas dos outros setores funcionais. 2.4 Métodos de Estruturação Organizacional Para Seiffert e Costa (2007, p.64): “o método para estruturar ou reestruturar uma organização baseada em processo envolve cinco fases: diagnóstico, planejamento, implantação, avaliação e ações de melhoria”. Descritos na tabela a seguir: ETAPAS: Diagnóstico Planejamento Implantação Avaliação Ações de melhoria DESCRIÇÃO: Consiste no levantamento das características históricas da organização, como efeitos das mudanças na estrutura, deficiências e problemas até a atualidade. Nova estrutura organizacional através da definição do modelo de negócio, (produtos, clientes), dos principais objetivos estratégicos, das principais estratégias do negócio para atingir os objetivos estratégicos, a definição dos macroprocessos para atingir objetivos, levantamento dos processos e desdobramento dos processos em subprocessos, definição dos relacionamentos entre processos, agrupamento dos processos e por último a definição da nova estrutura e dos cargos. Relativa a cada organização, as etapas obrigatórias são a padronização, a neutralização dos pontos de restrição (define-se um plano de ação contra as causas de insucesso da nova estrutura), estabelecimento de indicadores de processo (que meçam os resultados em termos de qualidade, produtividade, atendimento, e custo de cada processo), comunicação e treinamento. Devem ser realizadas periodicamente com o objetivo de monitorar a implantação e definir ações corretivas. Aplicar ações para garantir a efetiva implantação da nova estrutura, e efetuar os ajustes necessários que não foram previstos no planejamento. Quadro 2 - Fases de estruturação de organização por processo, Seiffert e Costa (2007). Fonte – Elaboração da acadêmica. 31 Em relação ao diagnóstico organizacional, Cury (2005) apresenta e descreve o modelo de Peter Drucker, com variáveis essenciais para o estudo de estrutura organizacional, são elas: - Análise das atividades que deverão ser executadas, a forma em que estarão organizadas e agrupadas, bem como sua importância na estrutura organizacional. - Análise das decisões, identificando a estrutura necessária de decisões e responsabilidades para todos os níveis de gerência. - Análise das relações, analisando as relações de operários com e gerentes, gerentes com operários e gerentes com gerentes, possibilitando identificar a estrutura necessária para a tomada de decisão. O modelo de diagnóstico organizacional de Peter Drucker apud Cury (2005) será utilizado neste trabalho de estágio, no que diz respeito ao item 1.3.4 - o tratamento e análise dos dados com as etapas da pesquisa, com objetivo de avaliar a estrutura e os processos da empresa e perante estes resultados, propor melhorias. 2.5 Gestão por Processo Segundo Sordi (2008), os fluxos de trabalhos que atendem a um ou mais objetivos da organização e que agregam valor na visão do cliente final, são chamados de processo de negócio. Para Davenport (1994) apud Mello et al (2007, p.42), o processo é “como a ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, entradas e saídas claramente identificadas”. Segundo D’Ascenção (2001), processo é um conjunto de causas que provoca um ou mais efeitos, portanto uma organização pode ser definida como um processo, considerando a produção de um bem ou um serviço, são os efeitos e os componentes da produção são as causas que contribuem para a realização desses efeitos. Para Sordi (2008), os processos organizacionais podem ser extensos e complexos, extremamente dinâmicos (exigindo maior agilidade em resposta a demanda), distribuídos e segmentados, duradouros, automatizados, dependente de pessoas e de difícil compreensão. Sordi (2008) ressalta que na gestão por processos, as pessoas formam uma equipe responsável pelas tarefas de um processo multifuncional, as equipes de trabalho, constituem profissionais de diferentes perfis e habilidades, em que cada um desempenha um papel. 32 Para Mello et al (2007) a organização pode modificar um processo para reduzir custos, renovar sua competitividade e domínio tecnológico. Os processos sofrem alterações ao longo do tempo, visando esperado resultado em sintonia com a demanda do cliente, mas essas alterações podem estar sendo alocadas de forma negativa, reduzindo a eficácia e a qualidade no resultado, portanto cabe ao gerente identificar o problema e propor o redesenho do processo. Segundo Sordi (2008), o papel do funcionário é valorizado na gestão por processos, pois a tecnologia de comunicação provoca o fenômeno da globalização dos negócios e consequentemente a reconfiguração da execução dos processos, portanto as pessoas devem ser flexíveis e as empresas devem adotar uma gestão horizontal, descentralizando autoridade em níveis hierárquicos, elevando a produtividade e qualidade do processo como um todo. Conforme D’Ascenção (2001), organizar e automatizar fluxo de processos é uma preocupação que nas últimas décadas, influenciou a qualidade e a reengenharia nas empresas, focadas em melhorar o fluxo de seus processos, diminuir custos e ganhar maior agilidade e eficiência. Para Davenport (1994), a obtenção de vantagens na reengenharia de processos está relacionada com o elemento estrutural do processo, pois é através da estrutura do processo que a empresa vai produzir valor, estando envolvida diretamente com os seguintes elementos do processo: custo, prazos, qualidade de produção e satisfação do cliente. A reengenharia tem por objetivo a mudança para melhorar os processos de acordo com a necessidade organizacional. A estrutura para a reengenharia de processos, segundo Davenport (1994), envolve cinco etapas: a identificação dos processos, a identificação dos instrumentos de mudança, o desenvolvimento de uma visão das atividades e dos objetivos do processo, o entendimento e medição dos processos existentes e por último, o planejamento e a construção de um protótipo do novo processo e sua organização. Para Albuquerque e Rocha (2007), os processos devem ser alinhados de forma a redesenhar-los, compreendendo primeiramente, o modo como são atualmente e de uma forma radical e criativa, deve-se redefinir como devem ser. Para Adair e Murray apud Mello et al (2007), desenvolver o produto ou serviço, gerar pedidos, atender os pedidos e atender os clientes, são os quatro processos centrais que envolvem qualquer organização. Mello et al (2007) apresentam a seguinte hierarquia de processos descrita por Harrington, Davis e Weckler 1997: 33 - Macroprocesso: que envolve as atividades-chaves na estrutura organizacional, fundamentais para o funcionamento da organização. - Processo: consiste na seqüência de atividades interligadas, desde a entrada da matéria-prima, passando pela agregação de valor até a saída para o consumidor. - Atividades: são os subprocessos, estão contidas no processo como funções particulares e necessárias para a execução do mesmo. - Tarefa ou operação: a menor parte específica do trabalho que é ou são requeridas pela atividade. Funções contidas nas atividades. Segundo Mello et al (2007), o fluxograma é uma ferramenta de gestão e controle, que serve para mapear as principais tarefas ou atividades de um determinado processo, em que todo processo, atividade ou tarefa, possui um ciclo de tempo necessário para a sua execução e, variam em função de diversos fatores, que podem comprometer a eficiência do processo, da produtividade e da lucratividade da organização. Mello et al (2007) afirma que a gestão por processos consiste em uma metodologia para contínua avaliação, análise, e melhoria do desempenho dos processos-chaves da organização, melhoria de resultados e da satisfação das partes interessadas e para redução de custos. Para Sordi (2008) na gestão por processos, a avalição de desempenho se dá pelo resultado final do processo, e na cadeia de comando o processo de negócio é administrado pelos donos de processos, sendo que este não é chefe dos profissionais que atuam no seu processo, mas exerce liderança. Albuquerque e Rocha (2007,) definem a o sincronismo como a relação entre fatores que acontecem ao mesmo tempo, acreditam que os problemas organizacionais manifestados, (reclamações, resistência à mudança e proliferação de burocracia), são sintomas da falta de redesenho e sincronismo (integração) entre processos, pessoas e sistemas, ou seja, falta de sincronismo entre estrutura e processos organizacionais. Os sistemas e os recursos organizacionais são ferramentas, não devem ser considerados como elementos principais do processo, mas sim quem vai e como devem ser utilizados os processos, visando obter sincronismo. Mesmo após muito trabalho e esforço de toda organização com sinergia, o resultado não é percebido, isso ocorre porque os esforços são executados paralelamente, porém isolados. Afirmam Albuquerque e Rocha (2007, p. 5): “Sincronismo significa um passo adiante da sinergia. É todo mundo indo junto para o mesmo lugar. Para que isso seja possível é necessário determinar para onde queremos ir e quando precisamos chegar lá”. 34 Para haver sincronismo organizacional, conforme Albuquerque e Rocha (2007), é preciso o redesenho dos processos e a implantação da gestão dos processos. O sincronismo organizacional tem a função de alinhar os indicadores estratégicos, dos processos e das pessoas com seus postos de trabalho, levanto em conta suas metas quantitativas, qualitativas e com prazo, além do monitoramento contínuo do ambiente externo e suas mudanças significativas. Voltar a organização para o cliente, garantindo qualidade e produtividade nos principais processos, de modo a obter maior agilidade e eficiência nas decisões, é desenvolver sincronismo organizacional, segundo Albuquerque e Rocha (2007). Muitas organizações, por possuirem uma estrutura funcional de visão verticar tradicional, impedem que o processo completo seja conhecido por todas as áreas, portanto o ideal é que as organizações sejam orientadas por processos. 2.6 Mudança Organizacional Mudança organizacional é toda e qualquer alteração que de alguma forma afeta a rotina das empresas e o comportamento das pessoas que nela atuam. Segundo Galbraith e Lawler (1995, p.69), “as tarefas que as atuais empresas enfrentam vai além da simples expansão do foco para incluir inovações e soluções de problemas. Certos aspectos de modelo organizacional promovem inovação, aprendizagem e mudança”. Para Araújo (2001), a mudança organizacional pode ser qualquer alteração significativa, articulada, planejada e operacionalizada por pessoal interno ou externo à organização que tenha o apoio e a supervisão da administração superior e atinja integradamente, os componentes de cunho comportamental, estrutural, tecnológico e estratégico. Galbraith e Lawler (1995, p.81): A reformulação organizacional pode incluir mudanças substanciais nos valores que a organização esta tentando alcançar, nos papéis que as pessoas devem desempenhar, nas pressuposições e na visão global que governam o comportamento e nas características concretas do programa da organização. Tais mudanças são realmente em larga escala, no sentido de que elas são abrangentes envolvendo múltiplos aspectos da organização. Conforme Galbraith e Lawler (1995), um dos objetivos principais da mudança é desenvolver novas normas organizacionais que irão permitir às pessoas lidarem eficazmente com a complexidade, a ambiguidade, a desordem e frequentes atividades. 35 Para Bullock e Batten apud Tachizawa, Cruz Júnior e Rocha (2001), a mudança planejada consiste em quatro fases descritas a segui: - A fase de exploração que se identifica na organização a necessidade de mudar e a busca dessa necessidade. - A fase de planejamento, onde ocorre o diagnóstico da situação atual da organização e a determinação dos seus objetivos, bem como as estratégias que deverão ser executadas para o alcance destes. - A fase da ação, a mudança propriamente dita. -A fase de integração, que ocorre depois das mudanças aplicadas com sucesso, exigindo novos esforços, novos comportamentos e uma nova cultura para a adaptação. Geralmente a mudança organizacional vem acompanhada de muitos conflitos, como regeições das pessoas que compõe a organização, este fato faz com que a organização deixe de crescer. Araújo (2001, p.253), “os condutores nos processos de mudança devem estar conscientes de que o próprio processo já é, por si só, uma mudança importante na estrutura social da organização”. Sabe-se que as organizações precisam responder com velocidade às turbulências do ambiente para se manterem competitivas, mas não deve-se apenas enchergar o fenômeno das mudanças pelo qual o mundo está passando e sim a natureza destas que estão ocorrendo. Conforme Albuquerque e Rocha (2007), o que diferencia a mudança atual é que ela é impelida pelo futuro e não mais pelas circunstâncias do passado. Tachizawa, Cruz Júnior e Rocha (2001) citam algumas condições necessárias para uma mudança bem-sucedida: - Informação; - Escolha livre e informada de todas as pessoas envolvidas no processo de mudança; - Compromisso de todos envolvidos; - Todos possíveis afetados no problema possam estar envolvidos; - A mudança seja orientada para os problemas e oportunidades dos envolvidos; - Transparência dos objetivos e das estratégias para alcançá-los; - Experiência e investigação; - Clima organizacional calmo e não ansioso / defensivo; - Instrução para todos de como resolver problemas; - Atividades atinjam a todos e; - Todos comprometidos com a mudança. 36 Portanto, as mudanças precisam ser trabalhadas na cabeça das pessoas que compõem a organização, como algo indispensável no processo organizacional. Os gerentes, conforme Araújo (2001) são os condutores e os responsáveis por mudanças e não podem esperar resultados positivos de imediato. 37 3 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA DE CAMPO Nesta seção é apresentada a caracterização da empresa em estudo, bem como as respostas aos objetivos propostos neste trabalho, incluindo o diagnóstico e resultado da pesquisa e as sugestões de melhoria. 3.1 Caracterização da Empresa A CACER, nome fantasia com base na abreviação nominal da razão social: Comissária, Assessoria de Comércio Exterior e Representações Ltda., é uma empresa familiar de capital fechado, integralizado e limitado por quotas a três sócios, restringindo suas responsabilidades e direitos. As decisões estratégicas e o poder de tomada de decisão estão concentrados nas mãos dos principais gestores, membros da família. Foi fundada pelo sócio majoritário em 02 de maio de 1979, na cidade de Itajaí – SC, onde se encontra atualmente localizada. No decorrer dos anos, a CACER obteve mais dois sócios, o irmão e a esposa do fundador, tornando-se uma grande comissária de despacho. Em 29 de dezembro de 1981 houve alteração contratual, pela aquisição da filial na cidade portuária de São Francisco do Sul, localizada no litoral norte de Santa Catarina. Na visão estratégica de expandir seus serviços, aumentar seu rendimento e dar maior suporte aos seus clientes, a empresa, além da filial em São Francisco do Sul, possui representantes em outras principais cidades portuárias que movimentam o comércio exterior no Brasil: Paranaguá - PR, Imbituba - SC e Santos - SP. A empresa atua como prestadora de serviços e tem como objetivo a exploração no ramo de assessoria em comércio exterior, com as seguintes atividades: - Intermediação de negócios; - Coordenação dos serviços de transportes terrestres, aéreos e marítimos; - Representações comerciais; - Despachos aduaneiros; - Desembaraços de mercadorias exportadas, importadas e bagagens; - Agenciamento marítimo e; - Serviços de agente desconsolidador de cargas (NVOCC). A missão da CACER declarada e divulgada no âmbito interno é: “assegurar o fluxo contínuo, seguro e legal das cargas que entram e saem do país”. Seu objetivo é o despacho de 38 cargas tanto de exportação quanto de importação, na função burocrática de fazer com que a mercadoria do cliente seja liberada pelos órgãos governamentais, em tempo para seguir seu destino. No processo de exportação, primeiramente recebe-se a documentação do cliente exportador que envia a sua mercadoria para um depósito, terminal/armazém de contêineres, onde este unitiza o contêiner ou pallet1 com a mercadoria e envia para o recinto de embarque, aguardando o despacho junto à Receita Federal. Já, no processo de importação, após o desembarque da carga, ocorre o desembaraço da mercadoria em seu recinto alfandegário, junto à receita federal para liberação e posteriormente, o carregamento até a chegada no cliente. A CACER acompanha toda a movimentação destes processos que envolvem inúmeras atividades com diversas tarefas. A execução dos processos depende de variáveis controláveis e incontroláveis, gerando expectativa e incertezas nas pessoas envolvidas. Na exportação, o desembaraço consiste na liberação da mercadoria pela Receita Federal, estando assim pronta para o embarque e sua internacionalização. Uma carga que saí ou entra no país, sem o desembaraço legal, é considerada como contrabando. Na importação o processo é bem mais burocrático devido à política governamental, faz-se exigência ao cumprimento de diversas restrições para que a mercadoria possa ser nacionalizada. 3.1.1 Estrutura da Empresa Com um faturamento anual de aproximadamente R$3.200.000,00, a empresa possui uma estrutura que comporta 40 funcionários, sendo oito na filial em São Francisco do Sul e 32 na matriz em Itajaí. Para a realização deste Trabalho de Estágio, o alvo de estudo foi na matriz em Itajaí, onde concentra sua gestão estratégica, operações comerciais, financeiras e de recursos humanos. A CACER contrata serviços terceirizados em funções específicas, como o fretamento de documentos entre cidades próximas, limpeza do estabelecimento, contabilidade, recursos humanos, programação de sistemas e Tecnologia da Informação - TI -, representantes dos serviços portuários e despachantes das demais cidades portuárias do Brasil. Em Itajaí, contratam estagiários contínuos para as operações externas, na movimentação de documentos, o conhecido popularmente por ofice-boy. 1 Pequenos estrados de madeira para armazenar carga seca, no Brasil medida padrão de 1x1, 20 m. 39 Seus escritórios são totalmente informatizados, integrados ao Sistema Integrado do Comércio Exterior - SISCOMEX -, propiciando informações precisas e rápidas sobre os processos da movimentação. Trabalha, também, com outros sistemas específicos de processamento de informação e transações. Os recursos materiais da empresa são próprios, incluindo o escritório onde está localizada a matriz, os automóveis, motocicletas, equipamentos, computadores, móveis, materiais de expediente e aparelhos de comunicação. A sala do escritório da filial em São Francisco do Sul é alugada e as máquinas copiadoras utilizadas atualmente são contratos de locação. O mercado alvo da empresa é formado por empresas de médio e grande porte, que praticam comércio exterior, ou seja, organizações que importam e exportam matéria-prima, insumos, máquinas, mercadorias e qualquer outro item de sua atividade. A maioria dos clientes da CACER são pessoas jurídicas, destacando como principais: Whirlpool S/A, Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos, Cecrisa Revestimentos Cerâmicos S/A, Cerâmica Portinari S/A, Itagres Revestimentos Cerâmicos Ltda, Pisoforte Revestimentos Cerâmicos Ltda, Torrecid do Brasil Fritas, Esmaltes e Corantes Ltda, Netzsch do Brasil Indústria e Comércio Ltda, Estaleiro Navship Ltda, Cia Hering, Duas Rodas Industrial Ltda, Femepe Indústria e Comércio de Pescados Ltda, Cebrace Cristal Plano, Arcelor Mittal S/A, Beckhauser Indústria e Comércio de Malhas Ltda, Portobello S/A, entre outros. Os produtos movimentados por estas empresas são: compressores, revestimentos cerâmicos, frita cerâmica, bombas volumétricas, peças para produção de embarcações, algodão, fios, alimentação e pescados. Haja visto, que aproximadamente 70% dos clientes pertencem à indústria de revestimentos cerâmicos. Neste mercado a concorrência é bastante acirrada, existem muitos concorrentes, seus principais são: Nelson Heusi Ltda., Heusi Comissária Ltda., Itajaí Comissária Ltda., Sulpartinier Ltda e Open Trade Ltda. O mercado está cada vez mai exigente, qualquer falha da empresa, o cliente abandona e procura outra. A CACER tem reconhecimento forte no mercado, pela sua vasta experiência na área, foi uma das primeiras empresas a operar com este segmento na região. 40 3.1.2 Stakeholders O ambiente do comércio exterior é um dos mais turbulentos envolvendo muitas empresas especializadas em prestação de serviços, como terminais portuários, aeroportos, agências de transportes internacionais - NVOCC -, agências de comércio exterior que comercializam a mercadoria do cliente, ou seja, negociam, compram e vendem mercadorias Trader’s, expurgadores de cargas, despachantes aduaneiros, terminais e armazéns logísticos, armadores, órgãos do governo, sindicatos entre outros. Para tanto, os processos dependem da troca de informações contínuas entre os envolvidos e suas competências para realizar o objetivo de todos com sucesso, ambiente interno e ambiente externo. A necessidade de parceria e flexibilidade entre os envolvidos é fundamental, necessitam de uma logística eficiente, em que os prazos exigidos são cada vez mais curtos e os clientes almejam por agilidade e qualidade nos serviços. As imperfeições, erros e problemas podem gerar grandes custos e insatisfação do cliente. Entende-se por stakeholders, todos que possuem interesses e que estão envolvidos em um negócio. Os principais stakeholders internos e externos da CACER estão descritos no quadro abaixo: STAKEHOLDERS - CACER INTERNOS • • • • • EXTERNOS • • • • • • • • • • • Quadro 3 - Stakeholders da CACER. Fonte – Elaboração da acadêmica. Colaboradores organizacionais (funcionários, gerentes e estagiários) Terceirizados: RH, TI, Contabilidade e despachantes Sócios Diretor Filhos do diretor e outros membros da família Cliente importador ou exportador Terminais e armazéns de carga Receita Federal Ministério da Agricultura Fundação da Marinha Mercante Entre outros órgãos públicos (municipais estaduais e federais) Terminais portuários Agências de transportes internacionais Concorrentes Armadores Sindicatos 41 Os consideráveis stakeholders que possuem ações diretas nos processos da empresa são: colaboradores, diretores, clientes, terminais de carga, órgãos públicos, armadores e agenciadores. Subentende-se que na ausência das ações necessárias por estes, o processo não se completa. Os demais stakeholders relacionados do Quadro 3, possuem ações indiretas nos processos. 3.2 Diagnóstico Situacional: Estrutura e Processos A CACER está organizada com uma departamentalização funcional. As pessoas estão agrupadas por funções e atividades semelhantes, gerando grupos especializados e possui uma hierarquia verticalizada. Não há um organograma definido e divulgado, a divisão do trabalho reconhecida por seus colaboradores e identificada conforme descrito a seguir: - Departamento de importação - Departamento de exportação - Departamento financeiro - Departamento de faturamento - Departamento de expedição - Colaborador da recepção - Colaboradores de operações externas O Departamento de Importação opera com sete colaboradores e possuem as seguintes responsabilidades: - Receber as instruções e documentação do cliente. - Conferir os documentos e abrir um cadastro com um número para a identificação do processo no sistema da CACER. - Elaborar e enviar para o cliente, solicitação do numerário com custo estimado para toda operação. - Após a chegada da carga na Unidade da Receita Federal - URF - ou recinto alfandegário, agendar a conferência física por parte do Ministério da Agricultura. - Após liberação pelo Ministério da Agricultura e a confirmação do depósito do cliente pelo numerário na conta da CACER, enviar a nota de débito da agência transportadora para o departamento financeiro. - Confirmar a carga no porto e solicitar do número da presença de carga. - Registrar a Declaração de Importação - DI - junto ao SISCOMEX. 42 - Levar as documentações até a receita para fazer a liberação da carga. - Aguardar a parametrização2 por parte da Receita Federal do Brasil. - Após liberada pela RF, solicitar a liberação pelo pagamento do Adicional de Frete para Reparos a Marinha Mercante – AFRMM. - Finalizada a liberação, comunicar ao importador que a sua mercadoria está pronta para carregar. - Emitir o Comprovante de Importação - CI- do SISCOMEX - Solicitar a retirada da carga do cliente no recinto alfandegário. - Organizar toda documentação original do processo e encaminhar ao recinto onde se encontra a carga. - Conferir e solicitar ao financeiro o pagamento da Armazenagem pela utilização do contêiner – Sobreestadia do Contêiner e do terminal. - Arquivar as cópias e os documentos originais em uma pasta com o número de identificação do processo e encaminhar para o colaborador da expedição. - Assessorar a movimentação do processo junto ao cliente. Há uma departamentalização por cliente no departamento de importação, são três duplas de colaboradores. A dupla é formada pelo dono do processo - principal responsável, e um auxiliar principal. Cada dupla é responsável por um determinado grupo de clientes, os demais integrantes do departamento, prestam auxílio geral em atividades de rotina. A departamentalização por clientes gera especialização entre as duplas, principalmente no que diz respeito ao relacionamento e integridade com seus clientes, porém as duplas não trocam informações entre si e a tomada de decisão principal é do diretor. Quando aumenta a demanda pelos serviços de determinado cliente ou atividade, os colaboradores das duplas se sobrecarregam como num efeito gargalo, e assim o tempo tornase escasso para a realização eficiente das operações e troca de informações completas, podendo gerar insatisfação do cliente. Observa-se que as duplas não dividem suas funções com os outros colaboradores, pois segundo eles, há falta de tempo em transmitir o conhecimento a estes que estão menos sobrecarregados, e que preferem limitar-se a suas responsabilidades. O Departamento de Exportação opera com nove colaboradores e um gerente, responsáveis por desenvolver as seguintes tarefas: - Receber do cliente toda documentação física da mercadoria. 2 Seleção da carga pela Receita Federal para fiscalização. 43 - Abrir um número para controle do processo e cadastrar no sistema da CACER. - Cadastrar todas as informações no Sistema de Operações - IBF. - Elaborar uma planilha com as informações do romaneio3 da carga para o terminal devolver com os números dos contêineres. - Receber a planilha do terminal com os números dos contêineres, após a unitização da mercadoria. - Elaborar o Registro de Exportação - RE - e posteriormente a Declaração de Despacho - DDE - junto ao SISCOMEX - Elaborar a solicitação do numerário e enviar ao cliente. - Entregar a documentação no porto (DDE, o RE e as Notas da mercadoria) e ao mesmo tempo elaborar o draft – rascunho com as informações do embarque e número de contêineres - e enviar por e-mail a agência de transporte internacional. - Aguardar a chegada dos contêineres no porto e pegar a presença de carga - carimbo de protocolo no envelope da documentação. - Preparar e enviar a documentação física da carga para a Receita Federal. - Aguardar a parametrização para liberação do processo através do SICOMEX. - Aguardar a confirmação do embarque - Após liberação, retirar a cópia do Bill of Lading - BL ou Conhecimento de Embarque - na agência e passar uma cópia para o departamento financeiro da CACER. - Arquivar toda documentação do embarque em uma pasta e enviar para o colaborador do departamento de expedição completar o cadastro dos dados do processo no sistema da CACER. - Após o pagamento do BL, retirar junto à agência o BL original e encaminhar ao departamento de expedição para o envio imediato ao cliente. - Assessorar movimentações do processo junto ao cliente. Os colaboradores do departamento de exportação estão subordinados a um gerente, porém as decisões mais importantes são realizadas pelo diretor. Ao contrário do departamento de importação, cada colaborador é responsável por um número de atividades, não são departamentalizados por clientes. O departamento, além dos sistemas de registros e consultas operacionais, também utiliza o sistema IBF para cadastrar todas as informações dos processos, com todos os dados possíveis, facilitando o acesso às informações pelos colaboradores. Porém o sistema não foi 3 Descrição com dados gerais da mercadoria, contendo volume, número do pedido, peso líquido, peso bruto, entre outros. 44 customizado, não é 100% alimentado pelos colaboradores, devido ao tempo escasso de todos. Portanto ainda não há um sistema central com acesso a todas as informações sobre o processo. O Departamento Financeiro possui três colaboradores, é responsável pela execução das seguintes atividades: - Cadastrar o CNPJ do cliente no sistema da CACER. - Efetuar todos os pagamentos, depósitos e transferências de despesas e valores, provenientes dos processos de exportação e importação. -Lançar e registrar no sistema as remessas de numerários de entrada. - Lançar e registrar no sistema todas as despesas e faturas pagas. - Efetuar os pagamentos das despesas administrativas da empresa. - Controlar a movimentação dos bancos e fluxo de entrada e saída de remessas, contas a pagar e a receber. - Elaborar a cópia de cheque - relatório dos pagamentos com cópias das faturas e despesas dos processos. - Enviar para o faturamento as cópias de cheque anexadas às despesas originais do cliente. - Emitir relatórios a contabilidade e aos gestores. No Departamento de Faturamento operam quatro colaboradores e cabem a estes a execução e responsabilidade das seguintes tarefas: - Receber, controlar e coordenar todas as despesas operacionais dos processos. - Controlar as remessas nos processos dos clientes. - Solicitar pagamento de despesas operacionais dos clientes ao financeiro. - Cadastrar os dados da razão social ou nome e endereço do cliente no sistema (exceto quando o cliente já está cadastrado) - Conferir o cadastro do processo do cliente efetuado no sistema. - Cadastrar a comissão do serviço, referente ao processo. - Lançar taxas operacionais e despesas específicas na prestação de contas. - Conferir todas as despesas pagas e as remessas do cliente, provenientes do processo. - Emitir nota fiscal do serviço prestado. - Recolher encargos e imposto de renda das notas do serviço prestado em alguns casos específicos. - Tirar cópia das despesas para manter no arquivo do processo. 45 - Emitir relatório de prestação de contas relacionando e anexando todas as despesas e remessas provenientes do processo - Emissão de títulos bancários para cobrança - Informar remessas de valores que sobram ao cliente no final da prestação de contas em casos específicos. - Assessorar o cliente quanto à movimentação das despesas no processo. - Emitir relatórios estatísticos para análise e encaminhar aos gerentes e ao diretor. - Emitir relatórios para contabilidade - Controlar e cadastrar requisições e exigências dos clientes. - Solicitar numerários aos clientes, para despesas complementares do processo. - Arquivar o processo com cópia das despesas e relatório de prestação de contas após envio da mesma ao cliente. No Departamento de Expedição opera um colaborador apenas e a este competem as seguintes tarefas: - Expedir documentos originais aos órgãos, clientes ou terceiros - Controlar e registrar documentos expedidos - Cadastrar as pastas dos processos e enviar ao faturamento - Organizar e controlar os materiais de expediente - Emitir relatório de embarques aos gerentes e diretor - Coordenar o envio da documentação com empresas distribuidoras de correspondências Na Recepção da empresa há um colaborador responsável pelas seguintes tarefas: - efetuar e receber ligações - recepcionar pessoas - receber e protocolar documentos - agendar reuniões e demais eventos - organizar e cadastrar o sistema de agenda de contatos - auxiliar os departamentos em algumas tarefas eventuais - monitorar a circulação de veículos da empresa. A CACER em Itajaí possui seis colaboradores responsáveis pelas atividades externas da empresa, com a movimentação de documentos nos portos, recinto alfandegário, Receita Federal, agências, entre outros. Após esta descrição, o desenho do organograma representando a situação atual da empresa a seguir: 46 Gráfico I – Organograma Situação Atual Fonte – Elaboração da acadêmica. Observa-se no gráfico a estrutura em linha e departamentalização funcional caracterizada pelos departamentos e funções específicas já descritas anteriormente. As atividades de Recursos Humanos - RH-, TI e Contabilidade são contratos de terceiros. O planejamento, controle e a tomada de decisão são centralizados nas mãos da diretoria, mas possui um apoio da gerente geral, uma das sócias. A Expedição, a Recepção e os colaboradores das Operações Externas executam responsabilidades impostas pela diretoria e gerentes, bem como atividades designadas por demais departamentos. Na empresa não há alguém determinado ou especialmente encarregado em desenvolver o Marketing, em assuntos ligados a pesquisa de satisfação, ou relacionamento pós-venda com os clientes, bem como a parte comercial de prospecção. 3.2.1 Macroprocesso O Macroprocesso representa a estrutura dos processos da empresa, ou seja, as atividades-chave necessárias para o seu funcionamento. O gráfico a seguir representa o Macroprocesso da CACER, permitindo a análise do mapeamento de seus processos. 47 Missão da CACER: Assegurar o fluxo contínuo, seguro e legal das cargas que entram e saem do país. FORNECEDORES • • • • • • • • • • • • Cliente exportador Cliente importador Terminal de contêineres e transportes Armazéns SISCOMEX Terminal portuário Receita federal Agências de transporte internacional Armadores Ministério da agricultura Recinto alfandegário Marinha mercante INSUMOS • • • • • • • • • • • • • • • Documentação da mercadoria negociada Planilhas de conteineirização Transporte ou carregamento interno Liberação da carga Informações específicas Embarque da carga Desembarque da carga Presença de carga Dados do processo Armazenagem e movimentação da carga Documentação específica BL (informação do embarque pela agência de transporte internacional) CE mercante (comprovante de marinha mercante) Numerários (remessas em moeda corrente) Faturas e comprovantes de pagamento das despesas Gráfico 2 - Unidade de negócio da CACER Fonte – Adaptado de Mello (2007) com dados da CACER. MACROPROCESSO PRODUTO /SERVIÇO • Desembaraço da mercadoria importada para nacionalização • • • • Faturamento e gestão das despesas decorrentes dos processos • • • Despacho de mercadoria para exportação • • DI (declaração de importação) CI (comprovante de importação) Pagamentos das taxas e despesas decorrentes Assessoria e acompanhamento dos processos Solicitação de suspensão total ou parcial da marinha mercante Termo de responsabilidade para suspensão total ou parcial da marinha mercante RE (registro de exportação) DDE (declaração de despacho exportação) Comprovante de exportação Suporte e prestação de contas provenientes do processo CLIENTE • Expedição de documentos • Assessoria de informação e dados do processo • Chegada legal e segura da mercadoria no destino • Prestação de contas do processo 48 DIRETORIA GERÊNCIA – GESTÃO Desembaraço Aduaneiro IMPORTADOR IMPORTADOR FATURAMENTO DAS DESPESAS DECORRENTES EXPORTADOR EXPORTADOR Despacho Aduaneiro ÁREAS DE SUPORTE RH Financeiro Recepção Expedição Contabilidade TI Gráfico 3 - Áreas de suporte ao macroprocesso da CACER Fonte: Elaboração da acadêmica. Pode-se observar nos gráficos anteriores que as atividades-chave para o alcance dos objetivos da empresa são: o desembaraço e o despacho aduaneiro, respectivas importação e exportação. O faturamento dos processos como uma atividade-chave que agrega valor ao cliente e as áreas que dão suporte: RH, Financeiro, Recepção, Contabilidade, Expedição e TI. A gestão concentra-se na diretoria e gerentes, onde é possível identificar a ausência de um apoio para qualidade no planejamento. 49 3.2.2 Análise de Processos Na seqüência são demonstrados os fluxogramas dos processos-chave da empresa: importação, exportação e faturamento. Os fluxos foram elaborados a partir da observação participante e envolvimento das pessoas responsáveis pelos processos na empresa. O primeiro gráfico demonstra o processo de importação. Gráfico 4 – Fluxo do processo de Importação Fonte – Elaboração da acadêmica 50 Verifica-se no Gráfico 4 que o processo de importação abrange inúmeras atividades, envolvendo órgãos externos e internos, com trocas de informações e documentos entre as partes. As primeiras atividades do processo de importação tratam do recebimento de remessa de custos e da documentação correta e necessária para a confecção da Declaração de Importação. É fundamental esta primeira etapa, pois sem a remessa do cliente, se torna impossível o registro de importação para o desembaraço, uma vez em que se necessita de valores disponíveis para pagar todos os encargos federais inerentes à mercadoria. São envolvidos os órgãos públicos, fiscalizadores e arrecadadores de receitas sobre a mercadoria que está sendo nacionalizada, para liberação da mesma - o Ministério da Agricultura e a Receita Federal, considerados como duas variáveis incontroláveis e interdependentes no processo. A Fundação da Marinha Mercante é o último órgão público que libera a mercadoria após o recolhimento da tarifa relativa ao processo. O desembaraço é executado com muitas exigências e restrições, demandando muito trabalho, em que o principal objetivo é obter 0% de erro. Aos desembaraços de importação, são atribuídos um número de identificação no sistema da CACER, sendo cadastrado inicialmente pelo Departamento de Importação e finalizado com as informações complementares pelo colaborador da Expedição, que posteriormente envia ao Faturamento para sua finalização. Na seqüência segue o gráfico representando o fluxo de exportação. 51 Exportador Elaboração do draft para agência transporte internacional Recebimento da documentação do exportador Entrega da doc. no local de embarque Solicitação de numerário ao exportador Entrega da doc. na R.F. Cadastro das informações no sistema IBF Parametrização da R.F. Transmissão da lista de carga ao terminal Liberado ? NÃO Aguarda SIM Recebimento da planilha de contêiner do terminal Envio do BL original ao cliente exportador Elaboração do DDE junto ao SISCOMEX Gráfico 5 – Fluxo do processo de exportação Fonte – Elaboração da acadêmica. Observa-se no Gráfico 5 que o processo de exportação, depende da Receita Federal na liberação da carga para o embarque, ou, em alguns casos específicos, dependendo do tipo de carga ou exigências do cliente externo, podem ser requisitados a fiscalização ou documentações de outros órgãos públicos. Os Armadores também podem impedir o embarque da carga, geralmente por problemas operacionais, ocasionando demora ou sinistros. Todas as operações para o despacho da carga são realizadas em tempo limitado, para que a mercadoria embarque no tempo programado. O fluxo de documentos e informações 52 trocadas pode demandar mais tempo, dependendo da situação em que se encontra o processo e também do volume de carga. O processo de exportação também depende da execução de atividades por parte do terminal, em enviar a carga a tempo para o porto, ou aeroporto de embarque e da agência na confecção do BL. Tanto a exportação como a importação, após o registro e apresentação documental junto ao SISCOMEX, aguarda-se a parametrização pela Receita Federal, que consiste na seleção do canal em que será liberada a carga, podendo ser basicamente: - canal verde: liberado sem conferência aduaneira; - canal amarelo, seleção para exame documental e, - canal vermelho, seleção para exame documental e vistoria completa da mercadoria. Os dois últimos canais podem deixar a carga paralisada para conferência, demandando mais tempo para ser liberada. Os clientes, tanto importadores como exportadores exigem agilidade e qualidade no serviço, e quando ocorre um sinistro com suas cargas, necessitam de todas as informações para que possam acompanhar o processo. Este é um indicador que apresenta um dos pontos mais fracos na empresa, dando origem a maior parte das reclamações. Os clientes se queixam pela demora dos processos, e por não acompanharem as informações, sem saber o motivo da demora. O processo de Faturamento sucede aos processos de Importação e Exportação, representado no gráfico a seguir. 53 Importação e Exportação Recebimento dos processos p/ faturaramento Recebimento de despesas dos processos / clientes Conferência das despesas decorrentes do processo Controle de remessas/ numerários recebidos Pronto p/ faturar ? NÂO Aguarda SIM Controle e envio de despesas ao financeiro Emissão de Nota e extrato de despesas ao cliente Cadastramento de requisições e solicitações de clientes Gráfico 6 – Fluxo de faturamento Fonte – Elaboração da acadêmica No Gráfico 6 pode-se observar que o processo de Faturamento compreende os processos de Importação e Exportação. É o serviço final que agrega valor aos clientes, uma vez que estes não precisam se preocupar diretamente com o fluxo e acompanhamento das despesas decorrentes dos processos de importação e exportação. O departamento é especializado em administrar essas despesas e prestar contas junto aos clientes, dentro de suas exigências, respeitando prazos e restrições em que julguem necessários, e com autorização do diretor. Após o término do processo de importação ou de exportação a documentação originada é arquivada em uma pasta e encaminhada ao Departamento de Expedição para o cadastro, e este, posteriormente, encaminha a pasta com o processo cadastrado ao Departamento de Faturamento, onde é feita a prestação de contas. Entretanto, a comunicação entre os departamentos é uma variável crítica para que a prestação de contas chegue ao cliente de forma correta e dentro de suas exigências. A falta de informação pode acarretar em erros graves, como por exemplo, o pagamento de uma despesa 54 indevida ou o fechamento da prestação de contas incompleto, faltando o pagamento de alguma despesa, pois a informação não foi transmitida e nem sistematizada. Nestes casos, os colaboradores do departamento devem investigar e buscar informações, para dar resposta rápida ao cliente que precisa do fechamento do processo. O Departamento de Faturamento depende do maior número de informações possíveis e acompanhamento dos processos para que possam atender os clientes, elevando nível de qualidade no serviço prestado. Dependem excepcionalmente das informações do Departamento Financeiro para acompanhar o pagamento e os lançamentos devidos das despesas dos clientes, relacionadas aos processos. Não há alguém determinado ou especialmente encarregado em desenvolver na empresa, pesquisa de níveis de satisfação, ou relacionamento pós-venda com os clientes, bem como a parte comercial de prospecção. 3.2.3 Escopo do Processo Apresenta-se a seguir, o escopo de cada processo organizado por tópicos de categorias. A) Missão do processo - Importação: desembaraçar legalmente as cargas que entram no país, para sua nacionalização. - Exportação: despachar legalmente as cargas que saem do país, para sua internacionalização. - Faturamento: administrar as despesas e custos decorrentes dos processos de exportação e importação, visando eliminar custos desnecessários ao cliente e cobrar o serviço prestado, gerando receita para a empresa. B) Onde inicia o processo - Importação / Exportação: após o contrato da prestação de serviço entre CACER e cliente, o recebimento de toda documentação e informações necessárias, pelos donos dos processos nos departamentos, dando assim a abertura no processo. 55 - Faturamento: o recebimento das despesas a pagar ou comprovantes de remessas dos clientes, em conjunto com troca de documentos e informações internas. C) O que ele contém (atividades principais) - Importação / Exportação: registro junto aos órgãos federais para a sua liberação - Faturamento: prestação de contas e emissão de títulos aos clientes D) Onde termina o processo - Importação / Exportação: quando a carga chega liberada no destino determinado pelo cliente. - Faturamento: quando o cliente, após receber e conferir a prestação de contas, paga o montante devedor ou finaliza sua contabilidade nos casos em que a remessa enviada no início exceder ao total das despesas, então a CACER devolve o saldo excedente. E) Quais são os objetivos - Importação / Exportação / Faturamento: satisfazer as necessidades dos clientes, agregando valor, elevando o nível de qualidade do serviço prestado na percepção do cliente. F) Os fatores críticos de sucesso - Importação / Exportação / Faturamento: tempo, informações / comunicação, documentação correta, cadastro correto, exigências de órgãos federais atendidas, identificação das tendências do macro-ambiente, ótimos relacionamentos com os stakeholders e o sincronismo entre estrutura e processos e órgãos internos e externos. G) Pontos-chave dos processos - Conhecimento e acesso rápido as informações necessárias; - habilidade técnica dos colaboradores; - sistema customizado com informações unificadas para melhor assessoria ao cliente; - transparência e comunicação entre gestores e colaboradores. H) Suporte críticos aos processos - Organização; - recursos de locomoção, comunicação e materiais de expediente disponíveis; - administração e desenvolvimento de recursos humanos; 56 - suporte em TI; - determinação de indicadores para o controle e coordenação das atividades. O Quadro a seguir define os pontos positivos e negativos levantados na empresa, relativos ao estudo desenvolvido neste trabalho: PONTOS POSITIVOS • • • • • • • • Competência técnica e especializada da mão-de-obra Recursos materiais e bens imobilizados próprios Bons relacionamentos, acessibilidade e parceria com Stakeholders Boa imagem no mercado com reconhecimento e tempo Processos eficientes Estrutura geográfica (localização) Recursos tecnológicos e materiais disponíveis Know - how dos processos-chave PONTOS NEGATIVOS • • • • • • • • • • • Troca de informações entre grupos e pessoas imperfeita Falta de integração dos sistemas e dados dos processos Distribuição das tarefas entre as pessoas de forma inadequada Pessoas estão restritas nos departamentos, não há transferência de conhecimento Informações centralizadas dificultam as ações dos grupos para assessoria junto ao cliente e órgãos externos Risco e incerteza sobre colaboradores que detém o Know – how Autoridade centralizada, inexistência de delegação Inexistência de indicadores para controle de qualidade e processos Não há uma área ou equipe de pessoas com responsabilidade em desenvolver ações de Marketing. (Ex: prospectar novos clientes, relações pós-vendas, pesquisa de satisfação, entre outros) Falta de Planejamento estratégico Falta de sincronismo organizacional, os processos são executados para a estrutura e não ao contrário. Quadro 4 – Diagnóstico pontos positivos e negativos da empresa Fonte – Elaboração da acadêmica Após as análises dos levantamentos realizados na empresa, apresenta-se no próximo item as sugestões para a adequação da estrutura aos processos da CACER. 57 3.3 Sugestões de Melhoria Com base no diagnóstico dos processos de Mello et al (2007), apresentado no referencial teórico este trabalho, apresenta-se as sugestões com a visão proposta do Macroprocesso. GESTÃO - DIRETORIA - PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO CLIENTES CLIENTES IMPORTAÇÃO Expede doc. Recebe doc. IMPORTADOR IMPORTADOR Fatura Desembaraça EXPORTAÇÃO EXPORTADOR Expede doc. Recebe doc. Fatura Despacho EXPORTADOR ÁREAS DE APOIO Recepção Financeiro RH TI Contabilidade Marketing Gráfico 7 – Sugestão ao Macroprocesso CACER Fonte – Elaboração da acadêmica Pode-se observar na proposta do Gráfico 7, a caracterização dos processos-chave da empresa, Importação e Exportação, envolvendo um ciclo de serviços com as principais atividades, tendo como entrada, o cliente ao contratar o serviço, envia informações e documentações para CACER, que dará início ao processo de importação ou exportação, até que se atinja o objetivo principal do cliente : quando a carga estiver liberada. Então, serão executadas as atividades finais do processo e que agregam valor ao cliente. 58 A proposta traz uma nova visão ao Macroprocesso da empresa, o que antes tinha o Faturamento como um processo-chave, agora este deve ser considerado como uma das atividades principais que finalizam o processo. No referencial teórico deste trabalho, na Gestão de Processos, é preciso que haja o Sincronismo Organizacional, sendo necessário o redesenho entre a estrutura e os processos da empresa. Portanto, os dois processos, Importação e Exportação, deverão ser organizados por projeto, ou seja, um serviço contratado pelo cliente, será um projeto que terá início no recebimento da documentação, desembaraço ou despacho aduaneiro, faturamento e expedição, finalizando com a entrega do produto (documentação). Neste caso, todas as áreas da empresa executarão suas tarefas de forma mais integrada, ágil e eficiente, acompanhando desde o início do projeto do cliente até sua finalização, trabalhando com qualidade para o alcance do objetivo final: proporcionar maior satisfação no cliente, a formação da percepção do cliente no ciclo do serviço supere as expectativas iniciais. Para aplicabilidade desta proposta, deverão ser redesenhados a Estrutura e os Processos da empresa. A Estrutura Organizacional, de seu modelo funcional passa para o modelo de Estrutura Horizontal, organizada para os processos centrais, eliminando hierarquias verticais e fronteiras entre as áreas, conforme levantado no referencial teórico. A partir da sugestão de melhoria, com base no Macroprocesso proposto, definiu-se o plano de uma nova Estrutura para a CACER, representado no organograma a seguir: 59 Gráfico 8 – Organograma Sugestão Estrutural Fonte – Elaboração da acadêmica Ao Departamento de Importação competem as seguintes atividades-chave: - Recepção ao cliente importador, quanto ao recebimento de toda documentação e informações necessárias para dar entrada ao processo; - Acompanhamento e assessoramento ao cliente e demais envolvidos sobre a carga que está sendo nacionalizada; - Desembaraço aduaneiro da carga com objetivo de liberação perante órgãos públicos fiscalizadores, concluindo assim a nacionalização da mesma e, - A gestão das despesas e expedição dos documentos decorrentes dos projetos. O Departamento de Exportação, ficando então, responsável pela execução das atividades-chave do processo de Exportação, conforme descrição a seguir: - Recepção ao cliente exportador, quanto ao recebimento de toda documentação e informações necessárias para dar entrada ao processo; - Acompanhamento e assessoramento ao cliente e demais envolvidos sobre a carga que deverá ser internacionalizada; - Despacho aduaneiro da carga para exportação, perante documentação e registros comprovados, para liberação, perante órgãos públicos e fiscalizadores, visando iniciar a internacionalização desta, e, - A gestão das despesas e expedição dos documentos decorrentes dos projetos. 60 Para o Escritório de São Francisco do Sul, define-se a execução das atividades-chave dos processos de Importação e Exportação ligadas ao porto desta localidade, porém com a responsabilidade de transmitir documentações e trocar informações necessárias e de forma eficaz, utilizando o sistema unificado junto à Matriz de Itajaí, onde estão centralizadas as Áreas de Apoio e a Gestão Estratégica da empresa. Os Assistentes Externos da empresa devem operar em Sincronismo com os processos, de forma integrada com as demais áreas, desenvolvendo as atividades operacionais com qualidade e agilidade, conforme demandadas pelos processos. A área Financeira da Organização, sendo responsáveis pelas seguintes atividades: - Cadastro do cliente e registro de solicitações deste - Acompanhamento de valores recebidos - Acompanhamento, coordenação e pagamento das despesas dos processos - Prestação de contas - Faturamento do serviço prestado junto ao cliente - Gestão de fluxo de caixa - Assessoria de informações aos clientes - Cobrança e demais operações financeiras A área de Marketing deve ser incorporada a Estrutura da empresa na necessidade apresentada pelo diagnóstico atual, descrito anteriormente. Sendo esta nova área, responsável no desenvolvimento das seguintes atividades: - Prospectar clientes no mercado segmentado - Executar pesquisa de satisfação com pós-venda - Desenvolver indicadores para auxiliar no Planejamento Estratégico e Gestão Organizacional. A gestão organizacional, de responsabilidade da Diretoria deve ser executada com ênfase nos processos, apoiada no Planejamento Estratégico e do Marketing, visando alcançar os objetivos da CACER. Ás áreas terceirizadas, devem fornecer o suporte adequado aos objetivos estratégicos da empresa e com base no Macroprocesso definido, aprimorando a qualidade no desempenho organizacional. Contudo, a sugestão proposta, se aplicada e desenvolvida, poderá proporcionar benefícios à empresa, dentre eles os mais importantes estão descritos a seguir: - Sincronismo Organizacional; pessoas trabalhando em grupo por um mesmo objetivo. 61 - Integração das pessoas aos processos - chaves e objetivos. - Integração das informações. - Melhor relacionamento e agilidade das informações com os Stakehorders. - Desenvolvimento de talentos; pessoas trabalhando nas variadas etapas dos projetos. - Processos executados com qualidade. - Elevação do nível de satisfação do cliente e, - Vantagem competitiva no mercado. 62 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme visto, a CACER, empresa em que foi realizado este Trabalho de Conclusão de Estágio, atualmente encontra-se estável no mercado em que atua, em fornecer serviços especializados em comércio exterior. Neste segmento o mercado é altamente concorrido e a empresa está lutando para melhorar a qualidade do serviço prestado aos seus clientes, elevando o nível de satisfação destes. No entanto, este trabalho de estágio teve como objetivo geral, analisar a estrutura organizacional da empresa na perspectiva dos processos. Para tanto, foram efetuados levantamentos da estrutura e dos processos atuais, analisado e elaborando proposta para adequação organizacional. Para realização do Trabalho de Conclusão de Estágio - TCE -, foi utilizada a metodologia de Avaliação Formativa com a estratégia de Estudo de Caso. As fontes de dados abordadas foram: a entrevista não-estruturada, a observação participante e análise documental. Como apoios teóricos, foram utilizadas obras atualizadas, direcionadas para o estudo da organização, qualidade e processos. Artigos científicos e revistas especializadas na área, também serviram como meios de análise. Os resultados apresentados demonstram que a estrutura atual da empresa não permite flexibilidade e agilidade devido à divisão das funções. Na proposta apresentada, a estrutura por processos possibilita maior integração das atividades e das pessoas, bem como o desenvolvimento dos objetivos organizacionais. Após a realização do trabalho, pôde-se responder o problema de pesquisa apresentado no início do estudo, portanto os fatores restritivos para o sincronismo entre a estrutura e os processos organizacionais da empresa CACER, estão identificados na sua estrutura atual, sendo ela funcional e departamentalizada. O foco para o processo possibilitará novas integrações e o sincronismo organizacional. Esse trabalho de estágio foi importante para a acadêmica, conferindo-lhe a oportunidade de aprendizagem no assunto e na aplicação de seus conhecimentos adquiridos durante o curso e, com o objetivo de beneficiar a organização em que trabalha. Após prestigiar o trabalho, a empresa CACER está analisando a proposta, na perspectiva de implantação para melhorar o desempenho organizacional. 63 REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS ALBUQUERQUE, Alan; ROCHA, Paulo. Sincronismo organizacional: como alinhar a estratégia, os processos e as pessoas. São Paulo: Saraiva, 2007. ARAÚJO, Luiz César de. Organização, sistemas e métodos: e as modernas ferramentas de gestão organizacional. São Paulo: Atlas, 2001. ASCENÇÃO, Luiz Carlos de. Organização, sistemas e métodos: análise, redesenho e informatização de processos administrativos. São Paulo: Atlas, 2001. BERRY, Leonard. Serviços de satisfação máxima: guia prático de ação. Rio de Janeiro: Campus, 1996. CHARNOV, Bruce; MONTANA, Patrick. Administração. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. 3 ed. São Paulo: Makron, 2000. CRAINER, Stuart. Os revolucionários da administração: um guia indispensável dos pensadores e suas idéias que criaram e revolucionaram a administração e o mundo dos negócios. São Paulo: Negócio, 1999. CRUZ, Tadeu. Sistemas, organização e métodos. São Paulo: Atlas, 2002. CURY, Antônio. Organização e métodos: uma visão holística. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2005. DAVENPORT, Thomas. Reengenharia de processos: como inovar na empresa através da tecnologia da informação. Rio de Janeiro: Campus, 1994. GALBRAITH, Jay; LAWLER, Edward. Organizando para competir no futuro. São Paulo: Makron Books, 1995. GIANESI, Irineu; CORRÊA, Henrique Luiz. Administração estratégica de serviços: operações para a satisfação do cliente. 8 ed. São Paulo: Atlas, 1996. JOHNSTON, Robert; CLARK, Graham. Administração de operações e serviço. São Paulo: Atlas, 2002. JUCIUS, Michael James; SCHLENDER, William Elmer. Introdução administração: elementos de ação administrativa. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1981. LODI, João Bosco. História da administração. 11 ed. São Paulo: Pioneira, 1998. MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Introdução à administração. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2000. ______. Introdução à administração. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2004. MEGGINSON, Leon; PIETRI JUNIOR, Paul; MOSLEY, Donald. Administração: conceitos e aplicações. 4 ed. São Paulo: Harbra, 1998. MELLO, Carlos Henrique Pereira et al. ISO 9001:2000: sistema de gestão da qualidade para operações de produção e serviços. São Paulo: Atlas, 2007. MINTZBERG, Henry et al. O processo da estratégia: conceitos, contextos e casos selecionados. 4 ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. MINTZBERG, Henry. Criando organizações eficazes: estruturas em cinco configurações. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003. 64 MORAES, Anna Maris Pereira de. Iniciação ao estudo da administração. São Paulo: Makron Books, 2000. OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 18 ed. São Paulo: Atlas, 2002. OLIVEIRA, Jayr Figueiredo de; SILVA, Edison Aurélio da. Gestão Organizacional: descobrindo uma chave de sucesso para os negócios. São Paulo: Saraiva, 2006. PEREL, Vicente. Administração: passado, presente e futuro: da formação da oficina à teoria dos sistemas. Petrópolis: Vozes, 1977. PORTER, Michael. Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1986. ROCHA, Luiz Oswaldo Leal da. Organização e Métodos. São Paulo: Atlas, 2002. ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e pesquisa em administração: um guia para estágio, trabalho e conclusão. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2006. RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1999. SEIFFERT, Peter Quadros; COSTA, João Alípio da Silva. Estruturação organizacional: planejando uma nova estrutura. São Paulo: Atlas, 2007. STONER, James Arthur Finch; FREEMAN, Edward. Administração. 5 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. TAKESHY, Tachizawa; CRUZ JÚNIOR, João Benjamim da; ROCHA, José Antônio de Oliveira. Gestão de negócios: visões e dimensões empresariais da organização. São Paulo: Atlas, 2001. 65 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS Renata Cidral de Lima Estagiária Regina Figueiredo de Souza Supervisora de campo Prof. Luiz Carlos da Silva Flores, Dr. Orientador de estágio Prof. Eduardo Krieger da Silva, Msc. Responsável pelos estágios em administração 66 APÊNDICE I 67 Roteiro da Entrevista e Observação As entrevistas não-estruturadas foram gravadas e transcritas para no levantamento de dados do trabalho, realizadas com os participantes mencionados no item 1.3.2, com base nas seguintes perguntas: 1) Quais atividades são executadas pelos departamentos. 2) Quais atividades são consideradas chaves para o desempenho dos processos? 3) Onde inicia e onde termina o processo? 4) Quais as pessoas que estão diretamente envolvidas no processo? 5) Quantas e quais as pessoas que desenvolvem as atividades-chaves do processo? 6) Quem são os principais responsáveis pelos processos? 7) Como é realizada a comunicação entre as partes envolvidas? 8) Quem detém as principais informações e como elas são disseminadas. 9) Onde estão centralizadas as principais decisões? 10) Quem são os principais Stakeholders? 11) Qual a missão e o objetivo do processo? 12) Quais as principais dificuldades encontradas nos departamentos? 13) Quais as reclamações constantes dos clientes? 14) Como está a relação com o mercado? 15) Quais os fatores críticos de sucesso?