Anexo 13.5.3-5 - Monitoramento do Tráfego de Embarcações
O principal objetivo do monitoramento do tráfego das embarcações é estabelecer a
caracterização e avaliação do aumento de fluxo da navegação na região conhecida
como “Tabuleiro do Embaubal”, localizado nas proximidades do porto hidroviário de
Vitória do Xingu, em função da implantação da UHE Belo Monte. Informa-se que a
referida região é utilizada pelos quelônios como banco de reprodução, sendo que a
desova ocorre habitualmente entre os meses de agosto a novembro e sua eclosão nos
meses de dezembro e janeiro.
Este monitoramento objetiva também a caracterização das principais rotas de
navegação e os destinos principais das embarcações que têm utilizado este trecho do
rio Xingu. Além disso, tem sido estabelecida a determinação e caracterização dos
tipos de embarcações (voadeiras, barcos, balsas, entre outros) que trafegam neste
trecho do rio Xingu e suas periodicidades (viagens de ida e volta). Vale destacar que
esta atividade de verificação e determinação das rotas de navegação em uso pelas
pequenas e grandes embarcações já foi realizada pela UFPA-Altamira e a SEMA-PA
através de um estudo específico, no âmbito do Projeto de Manejo de Quelônios de
Belo Monte (PBA 13.5.3), sendo seus resultados e dados incorporados ao presente
Projeto.
As atividades de monitoramento do tráfego de embarcações estão sendo executadas,
continuamente, por meio de pesquisas de campo nos portos existentes na região
próxima e dentro da cidade de Vitória do Xingu, incluindo o Porto da UHE Belo Monte,
junto aos proprietários das embarcações e com os respectivos responsáveis que tem
como função o gerenciamento dos referidos portos.
O aumento no fluxo de embarcações nesta região do rio Xingu, está intimamente
relacionado ao período de implantação e construção da UHE Belo Monte, tanto no que
se refere ao aumento no quantitativo de pessoas a procura de trabalho, quanto na
chegada de equipamentos e de materiais para o próprio empreendimento.
As duas primeiras campanhas de campo do monitoramento das embarcações foram
estabelecidas no ano de 2013, sendo que efetivamente esta atividade foi devidamente
implantada e intensificada em agosto de 2013, quando foi obtido o licenciamento de
funcionamento do Porto da UHE Belo Monte junto a SEMA-PA. A execução desta
atividade atende as diretrizes estabelecidas no item 1.74 do subitem “b” do Ofício
510/2011/DILIC/IBAMA, datado de 01/06/2011, que apresenta o seguinte texto:
“Monitorar o tráfego de embarcações no local, considerando a possibilidade de
aumento no trânsito devido ao porto a ser implantado pelo empreendedor”.
A definição das principais rotas de navegação tem sido fundamental para se avaliar e
analisar as possíveis interferências que o aumento do fluxo de embarcações na região
pode acarretar nas praias utilizadas pelos quelônios para sua reprodução e habitat
natural (Figura 01). Além disso, verifica-se que o uso exclusivo destas principais rotas,
evitando o tráfego próximo aos referidos bancos de areia (praias de desova) desta
1
região, evitam a possibilidade de encalhamento destas grandes embarcações e da
possível ação efetiva das ondas formadas pelas mesmas em suas margens
(desencadeamento de processos erosivos).
Os dados e resultados apresentados para o monitoramento do tráfego das
embarcações no âmbito deste Sexto RC foram atualizados ao longo do primeiro
semestre de 2014 nos principais portos que atendem a região.
A Figura 01 apresenta a localização das principais praias utilizadas pelos quelônios
para desova e eclosão, assim como as rotas de navegação de embarcações de
pequeno e grande porte utilizadas na região em estudo. Além disso, ilustram as
localidades existentes neste trecho e a localização dos 6 portos fluviais da região
compreendida entre os municípios de Senador José Porfírio e Vitória do Xingu, sendo
todos licenciados e em plena operação. Para o monitoramento das embarcações na
região dos tabuleiros (praias de desova de quelônios), devem-se considerar as
embarcações que trafegam no trecho entre Senador Porfírio e Vitória do Xingu, sendo
que as mesmas, para passagem nesta região devem, obrigatoriamente, aportar nos
portos do município de Vitória do Xingu, principalmente, aquelas exclusivamente
relacionadas ao empreendimento da UHE Belo Monte.
2
Figura 01 – Principais rotas de navegação, praias de desova e localização dos
portos hidroviários.
3
1.1.1
Porto Vitória do Xingu (Porto Dorothy Stang)
O monitoramento realizado no primeiro semestre de 2014 no Porto de Dorothy Stang
não apresentou modificações em relação aos dados apresentados no Quinto RC,
sendo que o tráfego de embarcações ali caracterizado refere-se ao transporte de
carga e de pessoas em periodicidade já devidamente estabelecida e conhecida na
região.
O Porto Dorothy Stang é o mais dinâmico e importante da região, já que as principais
rotas de viagens têm como destino inicial ou final o referido porto. As principais rotas
sejam elas realizadas por balsas ou embarcações de menor porte, partem ou atracam
neste porto com destinos variados, tais como: Belém, Macapá, Gurupá, Porto de Moz,
Senador José Porfírio, Santarém, Almeirim, entre outros.
O tempo de duração de uma viagem entre Vitória do Xingu e Santarém ou Macapá é
de duas noites e um dia, de forma que tanto as embarcações de passageiros quanto
as balsas, possuem locais para a acomodação dos passageiros em redes de dormir.
Na Figura 02 são apresentadas fotos atualizadas das embarcações de grande e
pequeno porte que realizam viagens de longa duração transportando cargas e
passageiros.
Figura 02 – Embarcações no porto de Vitória do Xingu.
4
Já o Quadro 01 a seguir ilustra o quantitativo de balsas, dias, horários e frequência
das viagens partindo do porto de Vitória do Xingu, ressaltando que não houveram
modificações destes quantitativos desde o início do monitoramento no primeiro
semestre de 2013.
Quadro 01 – Principais rotas de balsas partindo do porto de Vitória do Xingu
PORTO MUNICIPAL DE VITÓRIA DO XINGU
ROTA BELÉM
Embarcação
Balsa Belo Monte
Brinave
Balsa Sisalto Bonfim
Balsa Talismã
Origem
Vitória do
Xingu
Vitória do
Xingu
Vitória do
Xingu
Vitória do
Xingu
Destino
Tipo de Carga
Capacidade de
Carga
Dias e Horários
Belém
Cargas
-
1 x Semana
Belém
Carga
-
1 x Semana
Belém
Carga
-
2 x mês
Belém
Carga viva de
gado
-
10 em 10 dias
ROTA SANTARÉM
Embarcação
B/M Dilson - Barco
da Dona Rose
F/B - Balsa da Dona
Maria
F/B - Balsa
Muirapinima
Barco B/M Sanfranel
Origem
Destino
Tipo de Carga
Capacidade de
Carga
Passageiros e
Cargas
Passageiros e
Cargas
Santarém
Vitória Xingu
Santarém
Vitória Xingu
Santarém
Vitória Xingu
Santarém
Vitória Xingu
Passageiros e
Cargas
Origem
Destino
Tipo de Carga
-
Carga
-
Dias e Horários
Chega Sexta Feira as 08:00 e retorna no
Sábado as 18:00
Chega Sexta Feira as 08:00 e retorna no
Sábado as 15:30
Chega Quarta Feira as 08:00 e retorna na
Quinta Feira as 18:00
Chega Quarta Feira as 08:00 e retorna na
Quinta Feira as 17:30
ROTA MACAPÁ
Embarcação
F/B - Balsa Darcy
Junior II (Amigão)
F/B - Balsa Darcy
Junior III
Capacidade de
Carga
Passageiros e
Cargas
Passageiros e
Cargas
Passageiros e
Cargas
Vitória Xingu
Macapá
Vitória Xingu
Macapá
B/M - Balsa do Café
Vitória Xingu
Macapá
B/M - Barco Souza
(Rose)
Vitória Xingu
Macapá
Passageiros e
Cargas
-
Chega Domingo as 08:00 e retorna na
Segunda Feira as 18:00
Balsa Rio Xingu
Vitória Xingu
Macapá
Carga viva de
gado
-
1 x semana
Balsa do Voni
Vitória Xingu
Macapá
-
Chega Quinta Feira as 08:00 e retorna na
Sexta Feira as 18:00
-
Chega Segunda Feira e sai no mesmo dia
Chega Quinta Feira e sai no mesmo dia
Barco Luis Afonso
Vitória Xingu
Macapá
Passageiros e
Cargas
Passageiros e
Cargas
-
Dias e Horários
Chega Terça Feira as 08:00 e retorna na
Quinta Feira as 18:00
Chega Quarta Feira as 08:00 e retorna na
Quinta Feira as 18:00
Chega Segunda Feira as 08:00 e retorna na
Terça Feira as 18:00
-
2 x semana
ROTA ALMEIRIM
Barco Comandante
Torres
Almeirim
Vitória Xingu
Passageiros e
Cargas
Além das viagens de balsas de grande porte partindo do porto de Vitória do Xingu,
existem as voadeiras que fazem as linhas com destino para Senador José Porfírio e
Porto de Moz, sendo que para Porto de Moz algumas voadeiras têm os dias e horários
alternados e as passagens podem variar entre R$ 40,00 a R$ 50,00.
No Quadro 02 a seguir são apresentadas as características das embarcações que
realizam a linha Vitória do Xingu/Porto de Moz.
5
Quadro 02 – Voadeiras que realizam o trajeto Vitória do Xingu / Porto de Moz
PORTO MUNICIPAL DE VITÓRIA DO XINGU
ROTA PORTO DE MOZ
Embarcação
Expresso
Café
Expresso
Diamante
Expresso
Xingu
Tipo de Carga
Capacidade
de carga
Dias e Horários
Vitória do Xingu Porto de Moz
Passageiros
50 passageiros
2 x semana
Vitória do Xingu Porto de Moz
Passageiros
60 passageiros
2 x semana
Vitória do Xingu Porto de Moz
Passageiros
35 passageiros
2 x semana
Origem
Destino
As viagens diárias realizadas partindo do porto de Vitória do Xingu com destino a
Senador José Porfírio continuam com suas rotas inalteradas, utilizando uma frota de
aproximadamente 10 voadeiras com capacidade máxima para 20 passageiros e com o
valor do bilhete ainda custando R$ 20,00. Os horários são pré-definidos ou podem
sofrer alterações dependendo do regime de lotação.
Vale ressaltar que no ciclo hidrológico de seca (agosto a novembro) são formadas
praias amplamente utilizadas como lazer pela população local. Neste período, o
tráfego de embarcações de pequeno porte e mais leve (voadeiras) aumenta
significativamente, transportando os banhistas para as referidas praias que se formam,
principalmente nas proximidades da cidade de Vitória do Xingu, destacando-se a praia
do Leme, localizada as margens da cidade de Senador José Porfírio. O aumento no
tráfego destas embarcações de pequeno porte, na época de seca, não tem acarretado
problemas relacionados a processos erosivos na região de praias dos quelônios, pois
o efeito de ondas gerado por estas embarcações é pouco significativo quando as
mesmas trafegam na rota especificada.
Outro contexto de navegação no rio Xingu é determinado pelo obstáculo natural
estabelecido logo acima da travessia de balsa da Rodovia Transamazônica, junto às
localidades de Belo Monte e Belo Monte do Pontal, onde a denominada Cachoeira
Grande, seguida de uma extensa área de pedrais e corredeiras do Xingu, impede uma
navegação contínua para montante até a cidade de Altamira, não permitindo a ligação
hidroviária entre Altamira e o Rio Amazonas.
A falta desta ligação, como anteriormente indicado, é suprida pelo porto da cidade de
Vitória do Xingu, situado às margens do rio Tucuruí e com acesso ao melhor trecho
para navegabilidade do rio Xingu até a sua foz com o rio Amazonas. O acesso até a
cidade de Altamira se dá pela rodovia PA-415 com o percurso de aproximadamente 50
km, com rodovia pavimentada e em boas condições de trafegabilidade.
1.1.2
Porto Gabriela
O Porto Gabriela, localizado ao lado do porto principal de Vitória do Xingu, também
permanece com o seu trajeto de embarcações inalterado em relação ao último
levantamento realizado no segundo semestre de 2013. Vale ressaltar que neste porto
o movimento é exclusivo de cargas e insumos, quando as 4 balsas que aportam neste
6
porto fazem continuamente o trajeto de ida e volta de Belém a Vitória do Xingu. O
Quadro 03 apresenta as balsas que realizam este trajeto e sua periodicidade.
Quadro 03 – Embarcações que realizam o trajeto Vitória do Xingu / Belém – Porto
Gabriela
PORTO GABRIELA - VITÓRIA DO XINGU
ROTA BELÉM
Embarcação
Origem
Destino Tipo de Carga Dias e Horários
Balsa Gabriela III
Vitória do Xingu
Belém
Cargas
2x semana
Balsa Gabriela IV
Vitória do Xingu
Belém
Cargas
2x semana
Balsa Maringá
Vitória do Xingu
Belém
Cargas
2x mês
Balsa Transcoman
Vitória do Xingu
Belém
Cargas
1x semana
Na Figura 03 são apresentadas imagens atualizadas do Porto Gabriela, apresentando
as balsas que realizam o trecho de Vitória do Xingu até Belém transportando cargas e
insumos diversos.
Figura 03 – Aspectos gerais do Porto Gabriela - Trajeto entre Vitória do
Xingu a Belém
7
1.1.3
Porto da REICON
Os dados quantitativos das balsas operadas pela REICON estão apresentados no
Quadro 04 devidamente atualizados até o mês de junho 2014 junto aos responsáveis
da própria empresa REICON.
Reitera-se que as balsas da REICON provenientes de Belém, que prestam serviços
tanto para o Consórcio Construtor quanto para o Consórcio Montador, continuam
atracando primeiramente no porto da própria REICON situado em Vitória do Xingu,
onde descarregam insumos e materiais diversos para atender as necessidades das
cidades circunvizinhas, se deslocando em seguida para o porto da UHE Belo Monte
onde é feito o restante do descarregamento exclusivo para o empreendimento.
O Quadro 04 apresenta o monitoramento de embarcações estabelecido no período
compreendido entre julho de 2012 a maio de 2014, sendo que, o maior fluxo registrado
de embarcações continua sendo no período de maio a julho de 2013, o que
corresponde ao aumento das atividades inerentes ao empreendimento (obras civis)
que se concentravam neste porto. Além disso, vale destacar que este aumento no
fluxo de embarcações, registrado no período informado anteriormente, deve-se ao fato
que o Porto da UHE Belo Monte ainda não tinha iniciado suas operações, o que só
ocorreu a partir de agosto de 2013.
Quadro 04 – Quantitativos de embarcações no Porto da REICON
PORTO DA REICON - VITÓRIA DO XINGU
COMPARATIVO OPERACIONAL (OPERAÇÃO AQUAVIÁRIA)
Período
Balsas Atracadas de Operação da REICON
(UN)
2012
2013
2014
JAN
-
8
6
FEV
-
7
9
MAR
-
6
7
ABR
-
8
8
MAI
-
12
9
JUN
-
18
-
JUL
9
18
-
AGO
7
6
-
SET
5
6
-
OUT
5
7
-
NOV
3
5
-
DEZ
5
4
-
34
105
39
MESES
TOTAL
A Figura 04 apresenta um gráfico com os dados comparativos referentes ao período
compreendido entre julho de 2012 a maio de 2014. Podemos observar que o maior
fluxo de embarcações continua sendo no ano de 2013, nos meses compreendidos
entre maio e julho, início do verão amazônico, onde ocorre uma maior demanda de
8
produção da obra, haja vista que no período de chuva (dezembro a maio) a mesma
interfere diretamente nas obras civis (diminuição da produtividade nos serviços de
escavação em solo e rocha, terraplanagem, entre outros). O referido gráfico corrobora
com a afirmação que o início da operação do Porto da UHE Belo Monte acarretou uma
diminuição no fluxo de embarcações que atracam no Porto da REICON, em Vitória do
Xingu.
No ano de 2013 houve um aumento considerável em relação ao número de balsas
atracadas no referido porto em relação aos meses que foram monitorados no ano de
2012, provavelmente pelo crescimento das regiões adjacentes (Brasil Novo,
Medicilândia, Vitória do Xingu e Altamira) e, consequentemente, do aumento do
contingente de pessoas chegando à região em busca de oportunidades de emprego
devido a construção da UHE Belo Monte. Neste contexto, é natural que haja um
acréscimo no número de balsas trazendo diversos tipos de insumos para atender às
demandas da cidade de Altamira e municípios circunvizinhos, além da própria
estrutura das obras relacionadas ao empreendimento.
Já para o ano de 2014, o gráfico ilustra que os números de balsas atracando no porto
estão relativamente compatíveis com o ano de 2013, não sendo possível afirmar um
aumento do número de embarcações até o mês de maio 2014.
Figura 04 – Quantidade de balsas da empresa REICON para os anos de 2012 e
2013.
Reitera-se que a rota de navegação das grandes embarcações é realizada pela
margem esquerda do rio Xingu, onde o leito do rio é mais largo, profundo e
relativamente distante das principais praias de desova dos quelônios, conforme pode
ser observado na Figura 01. Portanto, o aumento do fluxo de embarcações de grande
porte para atendimento ao empreendimento, não deve interferir de forma impactante
(surgimento de processos erosivos por efeito de ondas) nas praias de desova
9
utilizadas pelos quelônios. É importante que seja feito um trabalho de conscientização
junto aos pilotos destas grandes embarcações, no sentido da manutenção e uso
exclusivo destas rotas principais para preservação das referidas praias de desova.
A Figura 05 ilustra aspectos gerais do Porto da empresa REICON.
Figura 05 – Aspectos gerais do Porto da REICON.
1.1.4
Porto de Senador José Porfírio
O Porto de Senador José Porfírio (SOUZEL), serve basicamente como ponto de
escala para as rotas hidroviárias do Porto de Vitória do Xingu, onde as empresas de
navegação estão instaladas. A maior parte das embarcações de passageiros com
destino a Macapá e a Belém fazem escala em Senador José Porfírio proporcionando a
oferta de transporte hidroviário para outras cidades e para os polos regionais.
Conforme dito anteriormente, diariamente saem voadeiras que fazem a linha entre
Senador José Porfírio com destino a Vitória do Xingu, levando passageiros que tem
como seu destino final a cidade de Altamira, onde procuram serviços básicos de
saúde, comércio, bancos e compras em geral. Vale ressaltar que depois do
desembarque na cidade de Vitória do Xingu, esses passageiros ainda realizam um
percurso de cerca de 50 km através da PA-415 até a chegada em Altamira. Esse
10
trajeto é realizado por intermédio de ônibus ou táxi, já que a cidade não conta com
serviço público de transporte.
1.1.5
Porto Remanso do Pontal (PETROBRÁS)
Conforme informado em relatórios consolidados anteriores, o Porto Remanso do
Pontal, conhecido regionalmente como porto da PETROBRÁS, foi inaugurado em
1974 pelo Ministério dos Transportes através do Departamento Nacional de Portos e
Vias Navegáveis, e sua operação é de responsabilidade da Companhia Docas do Pará
– CDP. O porto está localizado nas coordenadas UTM (420.070 / 9.654.851), próximo
à vila de Belo Monte. Uma estrada de cerca de 1 km garante a ligação com a BR 230
(Transamazônica), principal via de acesso à cidade de Altamira.
Segundo levantamentos realizados, até meados do ano de 2010 operavam neste
terminal, exclusivamente, embarcações de transporte de derivados de petróleo a
serviço da PETROBRÁS, que possuem instalações para armazenamento de diesel,
gasolina e querosene na área do próprio porto.
Abaixo, segue a descrição das dimensões de área e uso do porto Remanso do Pontal.





O porto Remanso do Pontal tem uma área total de 200 hectares.
Área construída (armazém, administração e pátio) = 21.030,98m²;
Área de expansão = 36.869,71m²;
Área operacional da PETROBRÁS = 16.403,94m²; e
Área Disponível = 192,57 ha
O porto hoje ocupa uma área de 74.304,63 m², ou seja, apenas 2,69% de sua área
total. A Figura 06 ilustra a vista aérea do Porto Remanso do Pontal.
Figura 06 – Foto aérea da área operacional do Porto Remanso do Pontal.
Vale ressaltar que o porto Remanso do Pontal, por se tratar de um porto público,
recebe, atualmente, além de derivados de petróleo, vários tipos de cargas de
diferentes gêneros, tais como: cegonhas de automóveis, caminhões, gás, materiais de
11
construção, bebidas, alimentos entre outros. O aumento de embarcações de grande
porte neste porto está diretamente associado ao crescimento e desenvolvimento
socioeconômico da região e adjacências, devido à necessidade de importação de
produtos para suprir as demandas da região, conforme previsto no Estudo de Impacto
Ambiental (EIA).
O Quadro 05, apresentado a seguir, foi extraído do site da CDP com as informações
da movimentação operacional no porto Remanso do Pontal no período compreendido
entre janeiro de 2012 a maio de 2014. Verifica-se que a partir do mês de junho de
2012, houve um aumento significativo no tráfego de embarcações no referido porto,
fato este que está estreitamente relacionado com a intensificação das atividades
inerentes à construção da UHE Belo Monte.
Quadro 05 – Movimento de embarcações nos anos de 2012 a 2014 (de janeiro de
2012 a maio de 2014).
SECRETARIA DE PORTOS - SEP
COMPANHIA DOCAS DO PARÁ
AUTORIDADE PORTUÁRIA
COMPARATIVO OPERACIONAL (OPERAÇÃO AQUAVIÁRIA)
ALTAMIRA
Porto de Altamira
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
MOVIMENTAÇÃO
2012
2013
(t)
5.853
14.979
5.884
15.900
6.116
17.507
4.769
16.563
8.059
17.537
13.299
21.870
12.826
29.055
14.467
26.711
16.310
26.774
14.911
23.284
16.657
26.420
15.812
19.619
2014
34.676
34.902
15.015
12.763
11.784
-
EMBARCAÇÕES
2012
2013
2014
(Unid.)
9
31
44
7
26
44
8
21
19
6
26
23
10
33
18
20
35
21
34
18
30
24
41
22
35
27
34
27
24
-
O gráfico apresentado na Figura 07 deixa mais evidente o aumento no número de
balsas atracadas no referido porto, comparando os dados entre os anos de 2012 e
2014. O ano de 2013 foi considerado um ano importante no avanço das obras da
usina de Belo Monte, sendo assim, pode-se atrelar o acréscimo desse quantitativo
com a procura mais intensa pelos derivados do petróleo, haja vista que o número de
veículos circulando pela região (carros, carretas, ônibus e caminhões) aumentou
consideravelmente, indicando um maior consumo de combustíveis. Entretanto esse
aumento não pode ser atrelado exclusivamente às obras da UHE Belo Monte, sendo
que a região em si passa por um período de intenso crescimento, o que eleva a
procura por insumos e pelos derivados do petróleo.
12
Figura 07 – Número de embarcações no porto Remanso do Pontal (Petrobrás).
Os dados levantados no período de janeiro a maio de 2014 demonstram que até maio
de 2014 houve um aumento de 8% no número de balsas atracadas neste porto se
comparado com o mesmo período de 2013, ou seja, 11 embarcações a mais. Tudo
indica que o aumento de veículos (carros, ônibus, caminhões e motocicletas)
circulando pela região em decorrência das obras da UHE Belo Monte, fez com que
aumentasse o consumo de combustível na região e consequentemente o número de
balsas trazendo os derivados para atender tal demanda. Entretanto verifica-se que
este aumento ocorreu nos meses de janeiro e fevereiro, sendo que durante o mês de
maio de 2014, o número de embarcações reduziu consideravelmente. A continuidade
do monitoramento indicará se esta tendência será mantida ou não.
1.1.6
Porto da UHE Belo Monte
Conforme mencionado anteriormente, o Porto da UHE Belo Monte está em
funcionamento desde agosto de 2013, após licenciamento feito pela SEMA-PA e
desde então, encontra-se em operação. A partir do início de sua operação, tem sido
desenvolvido o monitoramento da chegada e saída das embarcações relacionadas ao
empreendimento neste porto.
No Quinto RC foi informado que 01 balsa estava atracando no porto da obra, uma vez
por semana, com o apoio de um empurrador da empresa Linave, transportando carga
específica de equipamentos eletromecânicos. Estas balsas, de uso exclusivo da Norte
Energia, partem de Belém todas as sextas feiras e seu tempo de percurso, até Vitória
do Xingu, é estimado em 72 horas, dependendo da variação da maré. Ainda de acordo
com as informações recebidas, a balsa enviada pode variar de tamanho de acordo
com as cargas transportadas, com o volume podendo variar entre 800 a 3.000
toneladas. Adicionalmente, informou-se que dependendo das demandas do
empreendimento, o envio de balsas extras é possível de ocorrer.
Os dados atualizados evidenciam que até o presente momento foram atracadas 19
balsas no porto da obra em atendimento as demandas eletromecânicas da UHE Belo
13
Monte. As informações repassadas pelo Consórcio Montador dão conta de que duas
empresas (Linave e TGS) estão prestando serviços no referido porto, sendo a Linave a
responsável pela maioria das embarcações que tem trazido os carregamentos para o
empreendimento.
O Quadro 06 a seguir, apresenta os quantitativos de embarcações que aportaram no
Porto da UHE Belo Monte desde sua operação, ou seja, de agosto de 2013 até maio
de 2014. Observa-se um total de 102 embarcações atracadas até maio de 2014,
sendo 30 da empresa Linave, 05 da TGS e 67 provenientes do Porto da REICON.
Quadro 06 – Quantitativo de embarcações atracadas no porto da UHE Belo
Monte no período de agosto de 2013 a maio de 2014.
MESES
BALSAS DAS EMPRESAS LINAVE, TGS E REICON
ATRACADAS NO PORTO DA UHE BELO MONTE
QUANTITATIVOS
LINAVE
PORTO DA
UHE BELO
MONTE
JAN
FEV
MAR
ABR
MAIO
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
TOTAL
TGS
REICON
2013
2014
2013
2014
2013
2014
4
4
4
4
4
2
2
2
2
2
-
0
0
0
0
0
1
1
1
1
1
-
20
10
0
5
6
6
7
5
4
28
6
9
7
8
9
39
Vale destacar que empresa Linave também se comprometeu a conduzir seus
comboios tanto na descida quanto na subida do rio Xingu, pela margem esquerda,
resguardando pelo menos, 5 milhas de distância da cidade de Senador José Porfírio,
isto é, seguindo a rota principal de navegação para grandes embarcações, evitando
assim o possível encalhamento das balsas no Tabuleiro do Embaubal. Além disso,
este comprometimento das grandes embarcações seguirem a rota principal de
navegação estabelecida, evita que a maioria das praias de desova dos quelônios,
situadas nesta região, sofram interferências relacionadas ao aumento do tráfego
destas mesmas embarcações. Fato este que diminui o risco da possibilidade de
surgimento de processos erosivos oriundos de ondas geradas pelas mesmas em suas
margens e mantém o isolamento necessário destas ilhas para reprodução dos
quelônios (planejamento de conscientização ambiental junto aos responsáveis pelas
embarcações). Entretanto, ressalta-se ainda, conforme observado na Figura 01, que a
rota principal de navegação passa entre as praias do Peteruçu de Cima e Carão que
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são monitoradas com maior atenção no âmbito do Projeto de Manejo de Quelônios de
Belo Monte, por serem locais de desova. O Anexo 01 apresenta a declaração
encaminhada ao Consórcio Montador pela Linave consolidando este
comprometimento.
A Figura 08 ilustra, de maneira geral, o Porto da UHE Belo Monte.
Figura 08 – Aspectos gerais do porto da UHE Belo Monte.
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2.
ANEXOS
ANEXO 01 – Declaração de Compromisso LINAVE
Anexo 01
DECLARAÇÃO DE COMPROMISSO
LINAVE
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