UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EMPRESARIAL DANIEL PAULO FLOR UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE EQUIVALÊNCIA NO CUSTO PADRÃO PARA FORMAÇÃO DE PREÇOS CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2006 DANIEL PAULO FLOR UTILIZAÇÃO DO ÍNDICE DE EQUIVALÊNCIA NO CUSTO PADRÃO PARA FORMAÇÃO DE PREÇOS Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense- UNESC, para a obtenção do título de especialista em Gestão Empresarial VII. Orientador: Prof.(MSc). Adilson Pagani Ramos CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2006 AGRADECIMENTOS Quero expressar meus agradecimentos primeiramente a Deus, que oportunizou este momento em minha vida de aprendizado. Em segundo a minha esposa Andréa e meu filho Luiz que souberam superar as minhas faltas junto a eles a fim de me dedicar ao aprendizado. Em último, agradecer ao meu orientador Adilson, que soube respeitar as minhas idéias apresentadas neste trabalho, bem como no suporte para a sua conclusão e também as pessoas que de alguma forma contribuíram neste trabalho. RESUMO A finalidade deste trabalho foi de avaliar e demonstrar a importância na utilização do Índice de Equivalência, bem como da escolha de um sistema que possibilite segurança na formação de preços, trazendo para a empresa a oportunidade de ganhos marginais e consequentemente ganhos reais (lucro líquido) através de análise de resultado por item produzido. Este trabalho inicia descrevendo as terminologias utilizadas na análise de resultado de uma empresa de produção, destacando os sistemas de custeios tradicionais e contemporâneos, e por fim a proposta da utilização do índice de equivalência. É sabido que as decisões tomadas dentro da empresa consistem em levantamentos baseados em resultados reais e que a gama de produtos pode ser de tamanha proporção que fica em certos momentos difícil de sua análise individual. Com as ferramentas apresentadas, buscou-se identificar pontos fortes e fracos para então combiná-los e adequá-los as exigências da empresa. Palavras-chave: Índice de equivalência; sistema de custeio tradicional; ganhos reais. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Componentes da análise custo/volume/lucro............................................17 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Formulário para cálculo da margem de contribuição.............................. 19 Tabela 2 - Tabela de cálculo do índice de Mark-up.................................................. 45 Tabela 3 - Tabela de cálculo do índice de equivalência .......................................... 48 Tabela 4 - Tabela de formação de preços do mercado interno ................................ 50 Tabela 1 - Tabela de formação de preços domercado externo ............................... 50 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11 2 CONCEITOS, TERMINOLOGIAS DE CUSTOS E DE RESULTADO................... 13 2.1 Conceitos e Terminologias de Custeios .......................................................... 13 2.1.1 Gastos .......................................................................................................... 14 2.1.2 Investimentos................................................................................................ 14 2.1.3 Receitas........................................................................................................ 14 2.1.4 Custos Fixos ................................................................................................. 14 2.1.5 Custos Variáveis........................................................................................... 15 2.1.6 Despesas...................................................................................................... 16 2.1.7 Despesas Fixas ............................................................................................ 16 2.1.8 Despesas Variáveis ...................................................................................... 16 2.2 Conceitos e Terminologias de Resultados ...................................................... 16 2.2.1 Margem de Contribuição .............................................................................. 18 2.2.2 Vantagens e limitações da Margem de Contribuição.................................... 19 2.2.3 Ponto de equilíbrio........................................................................................ 20 2.2.4 Margem de Segurança ................................................................................. 21 3 SISTEMAS DE CUSTEIOS ................................................................................... 22 3.1 Custo Padrão................................................................................................... 22 3.1.1 Finalidades do Custo Padrão........................................................................ 23 3.1.2 Utilização do Custo Padrão .......................................................................... 26 3.2 Custo Histórico e Efetivo ................................................................................. 27 3.3 Custo Pré-determinado.................................................................................... 27 3.4 Custo por Ordem de Produção ........................................................................ 28 3.5 Custo Direto e Indireto..................................................................................... 28 3.6 Custo Corrigido e Atualizado ........................................................................... 28 3.7 Custo por Absorção ......................................................................................... 29 3.8 Custo pelo Método UEP (unidade de Esforços de Produção) ......................... 30 3.9 Custo ABC (Custo por Atividade) .................................................................... 36 3.10 Target Cost: O Custo Meta ............................................................................ 39 4 FORMAÇÃO DE PREÇOS .................................................................................. 41 4.1 Escolha do Sistema de Custeio na Formação de Preços.................................. 42 4.1.2 Fatores que interferem na formação do preço de venda .............................. 43 4.2 Taxa de Marcação ou Uso do Mark-Up na formação de preços ........................ 44 4.2.1 Mark-up Divisor............................................................................................. 44 4.3 Índice de Equivalência........................................................................................ 45 4.3.1 Índice de Qualidade...................................................................................... 46 4.3.2 Sobra de Produção Exclusiva de Cliente...................................................... 47 4.3.3 Sobra de Produção Exclusiva por Mercado.................................................. 47 4.3.4 Fórmula do Índice de Equivalência............................................................... 48 5 METODOLOGIA.................................................................................................... 52 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 53 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 55 11 1 INTRODUÇÃO De uma forma ou de outra as empresas estão sempre sujeitas a todos os desafios nos demais diversos ramos de atividade econômica. Nesta situação em que a concorrência tornou-se extremamente acirrada, ocasionando queda real nas margens de lucros, ganha importância a atenção que deve ser dada a uma das estratégias comerciais mais cruciais: A fixação de preços. É fundamental desta forma, a formação de preços de venda para sobrevivência e crescimento das empresas, independente do porte e da área de atuação da mesma. Atualmente, a determinação de preço de venda está sendo cada vez mais influenciada por fatores de mercado e menos por fatores internos, mas entretanto toda empresa deve saber o preço de venda orientativo, ou seja, o preço mínimo pelo qual deve vender seus produtos e/ou mercadorias. É comum observar companhias que não tem a menor noção de lucratividade proporcional por seus produtos e serviços, bem como das necessidades de atingir os respectivos equilíbrios operacionais. As ferramentas que devem ser utilizadas para formação de preços não são explicadas em livros didáticos, onde cada autor procura demonstrar uma ferramenta que muitas vezes não é a mais correta e confiável para determinadas empresas, ficando estas a mercê da competitividade mercadológica. Produtos concorrentes em variedades, qualidades, preços, entregas e condições de pagamento, começaram a aparecer no mercado a partir da revolução 12 nas tecnologias de gestão de produção, iniciada pelos japoneses na década de 60, do século XX, que reduziram drasticamente a mão de obra direta empregada e o desperdício nas organizações. Em função do preço de venda ter passado a ser função de mercado e que a variável entre custo, lucro e preço deixou de ser o preço e passou a ser o lucro, é importante que os gestores conheçam seus custos de forma transparente afim de que possam precificar seus produtos/serviços de forma que seja competitivo e ao mesmo tempo obtenham o lucro desejado. Para tanto é necessário que não se conheça somente o custo médio global, mas sim os custos para cada produto vendido individualmente pela corporação. 13 2 CONCEITOS, TERMINOLOGIAS DE CUSTOS E DE RESULTADO Para melhor agilidade e segurança na precificação e apuração de resultados, a empresa deve ter definido um sistema de custeio que melhor se ajuste às suas necessidades. Somente através de um controle rígido é que as empresas poderão estar atentas aos seus resultados. Sejam operacionais, sejam comerciais e ou financeiros. A avaliação de resultados consiste em conhecer seus custos utilizados internamente ou externamente, conceitos e abordagens. Assim procurou-se abordar e explicar alguns dos mais conhecidos conceitos e terminologias utilizados pelos autores, bem como conhecer um sistema de custeio que melhor se adapte como ferramenta na formação de preços. 2.1 Conceitos e Terminologias de Custeios Segundo Martins (Contabilidade de custos, 2001, p.24) “Desde que duas pessoas resolvam se comunicar, é absolutamente necessário que passem a dar aos objetos, conceitos e idéias o mesmo nome, sob pena de, no mínimo reduzir-se o nível de entendimento”. Infelizmente, encontramos em todas as áreas, uma profusão de nomes para um único conceito e também conceitos diferentes para uma única palavra. Abaixo estaremos explicando algumas terminologias mais importantes relacionados a custos: 14 2.1.1 Gastos Gastos, segundo Prado (Guia de custos, 2ª Ed., P10) são os compromissos assumidos ou consumo de recursos que a empresa faz para obtenção de um ativo, produto, ou qualquer serviço. Ex; Gastos com aquisição de imobilizado, com Mão de Obra, com Seguros, etc. 2.1.2 Investimentos Investimentos, segundo Prado (Guia de custos, 2ª Ed., P10) representa a aplicação de recursos em todos os bens e direitos registrados no “Ativo” da empresa, que serão baixados pela Venda, Consumo e Amortização em futuro(s) períodos(s) 2.1.3 Receitas Receitas são acréscimos brutos de ativos sem ampliação de Obrigações ou Capital Social. Resultam da venda de mercadorias, produtos, bens e serviços em geral com acréscimos em disponibilidade ou direitos a receber. 2.1.4 Custos Fixos Segundo Prado (Guia de custos, 2ª Ed., P11), “Custos fixos é o consumo de recursos que dentro de determinada capacidade de produção da empresa, 15 tendem a permanecer constantes em seu total apesar da variação do volume de produção e ou vendas”. Características: 1. São quantias fixas dentro de certos limites de produção, ou até a capacidade máxima. 2. São fixos em seu total, mas diminuem proporcionalmente ao número de unidades à medida que a produção aumente. 3. O Controle de sua ocorrência depende da alta administração e não dos supervisores dos departamentos. Ex: Salários Gerência Industrial, Manutenção, Salários Supervisão Industrial, Depreciação de máquinas e equipamentos. 2.1.5 Custos Variáveis É o consumo de recursos que tendem a variar em seu total, conforme flutuem as atividades produtivas da empresa. Segundo Wernke (1993, p.14) “Estão diretamente relacionados com o volume de produção ou venda, pois quanto maior for o volume de produção, maior serão os custos variáveis totais”. Características: 4. Variam no total em proporção direta ao volume de atividades. 5. Permanecem relativamente constantes do ponto de vista unitário, ainda que varie o volume de atividades. 6. Podem ser facilmente departamentos. apropriados, com certa precisão, aos 16 7. O Controle de sua possível ocorrência e consumo são de responsabilidade dos supervisores dos departamentos. Ex: Mão de Obra Direta, Matéria Prima, Embalagens, Etc. 2.1.6 Despesas Segundo Nascimento (2001), as despesas são os gastos com consumo de recursos com bens e ou serviços consumidos ou utilizados “direto” ou “indiretamente” para obtenção de receitas, podendo ser classificados em Despesas fixas e/ou Despesas Variáveis. 2.1.7 Despesas Fixas Segundo Prado (E-Book, 2003, p.12), são “gastos com consumo de recursos que não variam diretamente e proporcionais com a receita operacional”. Representam os gastos da estrutura fixa da empresa. Ex: Despesas Administrativas em Geral, Despesas Comerciais em Geral. 2.1.8 Despesas Variáveis Segundo Nascimento (2001), são os gastos com consumo de recursos diretamente relacionados ao objetivo principal, na obtenção da receita operacional. Ex: Comissões de Vendedores, Fretes e transportes sobre venda. 2.2 Conceitos e Terminologias de Resultados 17 Segundo Wernke(Gestão de custos, 2001, p.41) “Um dos instrumentos da área de custos que podem ser utilizados nas decisões gerenciais é a análise de custo/volume/lucro” Esta expressão abrange os conceitos de margem de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança, cujo conhecimento é de fundamental importância para os gestores de custos em virtude do número de benefícios informativos que proporcionam. Análise de custo/volume/lucro Margem de Contribuição Ponto de Equilíbrio Margem de Segurança Figura 1 – Componentes da análise custo/volume/lucro Fonte: WERNKE, Rodney. Gestão de Custos – Uma abordagem Prática Os conceitos necessários ao adequado entendimento da análise de custo/volume/lucro são relativamente fáceis de ser compreendidos, bastando apenas um conhecimento contábil mínimo. Suas vantagens em termos da oferta de informações gerenciais são inegáveis e todo gestor deveria conhecer em profundidade todos os conceitos que ela abrange. As análises de custo/volume/lucro, conforme Wernke (Gestão de custos, 2001, p.42), visam demonstrar, de forma gráfica ou matemática, as inter-relações 18 existentes entre as vendas, os custos (fixos e variáveis), o nível de atividade desenvolvido e o lucro alcançado ou desejado. Seu estudo proporciona respostas a questões relacionadas ao que acontecerá com o lucro da empresa se ocorrer: a) aumento ou diminuição do custo (variável ou fixo); b) diminuição ou aumento do volume de vendas; e c) redução ou majoração dos preços de venda. Custo, preço e volume são fatores considerados no planejamento e na análise da variação do lucro. O preço de venda geralmente é de controle limitado, mas custo e volume possuem elementos mais controláveis. As decisões gerenciais requerem uma análise cuidadosa do comportamento de custos e lucros em função das expectativas do volume de vendas. A análise de custo/volume/lucro aponta os efeitos das mudanças nos volumes de vendas na lucratividade da organização. 2.2.1 Margem de Contribuição Segundo Martins(Contabilidade de Custos, 2001, p.195) “Margem de contribuição é a diferença entre a receita e o custo variável de cada produto”. É o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que de fato provocou e lhe pode ser imputado sem erro. Wernke (Gestão de custos, 2001, p.43) apresenta como sugestão um formulário para cálculo da margem de contribuição: 19 Mercadoria/Produto: Linha ou Grupo: Referência/Tipo/Tamanho Fornecedor: (1) - Preço de Venda Unitário (de mercado ou de tabela) (2) - Custo Unitário de Compra¹ (+) - Custo Unitário na fatura (-) - Descontos concedidos (+) - Fretes/Seguros/Outros (-) - Impostos recuperáveis (ICMS-Comércio e ICMS-IPI-Indústria) (+/-) Outros (3) Despesas Variáveis de vendas (percentuais incidentes sobre o preço de venda (-) ICMS (-) Cofins (-) IPI (-) CSL/IRPJ (-) Pis (-) Simples (-) Comissões S/Vendas (-) Outros percentuais sobre preço de venda (4) Mão-de-Obra direta (por unidade produzida) (5 = 1 - 2 - 3 - 4) Margem de Contribuição unitária ($) (6) Margem de Contribuição Percentual ([(5)/(1)] x 100) Tabela 1 – Formulário para cálculo da margem de contribuição Fonte: WERNKE, Rodney. Gestão de Custos – Uma abordagem Prática 2.2.2 Vantagens e limitações da Margem de Contribuição Um estudo da margem de contribuição possibilita análises que visem redução de custos ou ajustes nos preços de vendas, a fim de melhorar as margens desejadas. Entre as vantagens e desvantagens do conhecimento das margens de contribuições (em $ e em percentual) das divisões, linhas de produção e de produtos, Wernke(2001) nos enumera algumas das principais: a) Instrumento para avaliar a viabilidade de aceitação de pedidos em condições especiais; b) Ajudar a administração a decidir que produtos devem merecer maior esforço de venda ou alocados em planos secundários ou simplesmente tolerados pelos benefícios de vendas que possam trazer a outros 20 produtos; c) Auxiliar os administradores a decidirem se um determinado segmento produtivo deva ser abandonado ou não; d) Auxiliar os Gerentes a entenderem a relação entre custos, volume, preços e lucros, fundamentando tecnicamente as decisões de vendas; e) Utilização para decisões de curto prazo, mesmo que isso possa levar o administrador a menosprezar a importância dos custos fixos. 2.2.3 Ponto de equilíbrio Outro conceito aplicável às empresas como suporte às necessidades informativas é o ponto de equilíbrio. Em determinadas ocasiões o gestor necessita saber qual o volume de atividades é o suficiente para que a empresa não tenha prejuízo. Ou, ainda, qual o nível de produção ou vendas deve ser atingido para que a empresa alcance o lucro desejado pelos acionistas. Estas indagações são respondidas pela equação do ponto de equilíbrio. Segundo Prado (Guia de custos, 2ª Ed., P13) “Refere-se ao nível de atividade de uma empresa no qual não existe lucro ou prejuízo, isto é, em que os custos e despesas são iguais às receitas”. Embora os textos publicados sobre custos nem sempre fazem à distinção clara entre custos e despesas é recomendável e aconselhável a sua utilização para fins de controle e tomada de decisão gerencial. Segundo Martins (Contabilidade de Custos, 8ª Ed., 2001, P.303), “O ponto de equilíbrio não pode ser calculado como um todo para empresas com diversos produtos”. Segundo o mesmo autor, o máximo que poderá se fazer é calcular o 21 Ponto de equilíbrio específico de cada produto, quando há custos e despesas fixas identificadas com cada um. Mesmo assim, persiste o problema sem solução de um único ponto de equilíbrio para a cobertura dos custos fixos comuns. Haverá sempre um número infinitamente grande de diferentes hipóteses para esse ponto de equilíbrio global e final. 2.2.4 Margem de Segurança Segundo Nascimento (2001) a margem de segurança é o volume de vendas que supera as vendas calculadas no ponto de equilíbrio. Ou seja, representa o quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para a empresa. Segundo o mesmo autor, o volume de vendas excedente para analisar a margem de segurança pode ser tanto o valor das vendas orçadas como o valor real das vendas. Destacam-se abaixo as principais fórmulas para obtenção da margem de segurança relacionado por Wernke: a) Margem de segurança em valor ($) = vendas efetivas ($) menos vendas no ponto de equilíbrio ($). b) Margem de segurança em unidades = vendas efetivas em unidades menos vendas em unidades no ponto de equilíbrio. c) Margem de segurança em percentual (%) = margem de segurança ($) dividido por vendas totais ($). (WERNKE, 2001, p.63). 22 3 SISTEMAS DE CUSTEIOS A fim de se apurar melhor a formação de preços, é necessário de antemão, conhecer um sistema de custeio que possibilite uma distribuição justa dos custos, sejam variáveis, seja fixos, quando não identificados diretamente aos seus produtos. Diante disso, serão apresentados os principais sistemas de custeio conhecidos no país e que possibilite uma melhor compreensão e entendimento e por conseqüência à correta escolha para utilização na formação de preços. 3.1 Custo Padrão Segundo Martins (2001, p.332) Existem diversos significados de custo padrão. Muitas vezes é entendido com sendo o Custo Ideal de fabricação de um determinado item. Segundo PADOVEZE (1996, p.263), custo padrão é uma técnica para avaliar e substituir a utilização do custo real. Já IÚDICIBUS (1991, p.281), custo padrão é um sistema de custeamento de produtos e tem filosofia de controle das operações da empresa. De acordo com Sá, citado por Leone (2001, p.281), custo padrão, trata-se de: “Custo determinado a priori, ou seja, predeterminado, e que se fundamenta em princípios científicos e observa cada componente de custos (matérias, mão-de-obra e gastos gerais de fabricação) dentro de suas medidas de verdadeira participação no processo de produção, representando o quanto deve custar cada unidade em bases racionais de fabricação (SÁ, Apud LEONE, 2001, p.281)”. 23 Conforme Kohler, citado por Leone (2001, p.281), custo padrão é uma previsão ou predeterminação do que os custos reais devem ser dentro de condições projetadas, servindo como uma base para o controle de custos e como uma medida de eficiência de produção. Diante dos conceitos, há em que se reconhecer o custo padrão como uma ferramenta de eficiência, pois quando colocado em comparação com os custos reais, ele fornece oportunidades de controle e avaliação de desempenho no sentido de buscar a informação e o resultado desejado, através de análise das variações identificadas. Tais distorções do objetivo do custeio são os desvios resultantes dessa comparação, que após sua identificação devem ser investigados e as medidas corretivas acionadas, bem como acompanhadas até que seus efeitos e resultados sejam plenamente alcançados. Pode-se afirmar que a forma mais eficaz de controlar custos é a partir da institucionalização do custo padrão, que tanto pode ser usado com o absorção ou como o variável (direto). Segundo Kraemer (1995, p.29) a Associação de Contadores da Inglaterra e Pais de Gales definem padrão como o seguinte: “O termo ‘padrão’ não se refere ao produto, mas a predeterminados níveis de produção ou rendimento e de despesa usados para medir acontecimentos subseqüentes”. “... É um número pré-determinado, calculado em relação a uma particular atividade, com referência a sua experiência anterior, a condições presentes e a uma previsão do que pode acontecer no futuro”. 24 3.1.1 Finalidades do Custo Padrão Segundo Martins (2001, p.334) tem-se idéia que uma empresa ou tem Custo Real ou tem custo padrão, e assim pode existir uma interpretação de que o custo padrão é uma forma mais sofisticada de se fazer custo. E o que se procura neste trabalho é mostrar que o custo padrão é uma base de grande importância de comparação com o real e só tem de fato grande utilidade se a empresa possuir um sistema de custeio confiável na apuração e alocação de seus respectivos custos. Outra grande finalidade do custo padrão conforme Martins (2001), decorrente da adoção de qualquer base de comparação fixada para efeito de controle, é o efeito psicológico sobre o pessoal, pois este efeito pode ser positivo ou negativo. Sabe-se que se for fixado metas difíceis, mas não impossíveis de serem alcançadas, acabará por funcionar como alvo e desafio realmente de todo o pessoal e principalmente se tiver firmado com a participação dos responsáveis pelo setor produtivo. Agora se for fixado com base em conceitos ideais, torna-se um aspecto negativo, pois todos que participam desta ferramenta já saberão de antemão que o valor provavelmente será inatingível e que todo o esforço não chegará na satisfação de objetivo alcançado e assim poderá haver a criação de um espírito psicológico individual e coletivo amplamente desfavorável. Os responsáveis pelas análises das diferenças entre Padrão e Real, conscientes de que aquele é passível de ser atingido estarão sempre interessadas nas divergências que por ventura ocorrerem bem como da sua eliminação. 25 Para eles, uma diferença de 10% (dez pontos percentual) é algo de importante a ser analisado e pesquisado, agora se estas mesmas pessoas observarem divergência representativas para as circunstâncias do Padrão, uma divergência entre 90% será igual a uma divergência de 50%, e assim não haverá grandes motivações e estímulo para a busca de soluções. Martins (2001, p.335) comenta que a própria alta administração da empresa tende a se acostumar aos relatórios com apontamentos de grandes distorções, caso os valores tomados sejam utópicos. E nada pior do que relatórios onde os números tornam-se viciosos e o destinatário já conheça os conteúdos. Martins (2001, p.335) também alerta que o sucesso do custo padrão vai depender do grau de seriedade que a empresa der à localização e saneamento das diferenças entre o Padrão e o Real. Para isso o alto escalão precisa estar consciente e disposto a propagar aos níveis inferiores. De pouca ou nenhuma utilidade será o sistema caso vários relatórios forem feitos a respeito das variações e ninguém se interessar por suas reduções e eliminações. Desta forma o clima que poderá ocorrer, será de desânimo e frustração dos responsáveis pelo sistema e assim o espírito de não-responsabilidade cobrado junto ao pessoal produtivo acabará por desmoralizá-lo. Assim, perdida a grande importância do controle, acaba por desaparecer a razão do custo padrão. Desta forma, Martins (2001, p.335) afirma que outra importante utilidade do custo padrão, “é a obrigação que cria na empresa, de registro e controle não só dos valores reais, mas também das quantidades físicas dos fatores de produção utilizados”. 26 Alerta-se que isto não ocorre somente com o custo padrão, mas com ele, se converte numa prática inevitável. Prática esta de extrema importância. Assim ao se fixar o Padrão, deve ser feito com base em quantidades e valores (ex. m² de material e preço por m²), para se poder depois, avaliar onde existam as diferenças. E para comparações, será importante que o Custo Real também levante quantidades e valores consumidos, possibilitando melhores controles e análises por parte da empresa. 3.1.2 Utilização do Custo Padrão Segundo PADOVEZE (1996, p.286), o custo padrão só fornece informações úteis se estiver acoplado a outro sistema de custeamento com base em custos reais. Para LEONE (2001, p.226), existem dois sistemas básicos de custeamento: “Produção sob encomenda e produção padronizada e contínua”. Para tanto podem ser empregados os custos padrão para os dois, só que em alguns casos no custeamento sob encomenda fica impossibilitado de utilizar o custo padrão, tendo em vista que quando a fábrica produz sob encomenda, os produtos apresentam características diferenciadas quanto a quantidades, personalização, data de início e fim de produção. Neste caso o preço de venda destes produtos é auxiliado pelo orçamento estimado. Na produção sob encomenda o custo padrão é utilizado em processo que mesmo sob encomenda é desenvolvido em quantidade grande de unidades iguais. 27 Conforme LEONE (2001, p.227), num processo fabril de produção contínua, o custo padrão dá bons resultados, pode desempenhar um papel importante na elaboração do orçamento, pois muitos dados padronizados entram na composição do orçamento, principalmente, quando se trata de orçar os materiais e mão-de-obra, bastando apenas multiplicar o seu padrão unitário pela quantidade programada desses custos que integram os produtos. 3.2 Custo Histórico e Efetivo Segundo Nascimento (2001, p.28), “São os custos apropriados ou realizados com base em seus valores originais de aquisição ou apuração de um bem ou serviço”. Ou seja, o custo é identificado quando ainda não sofreu qualquer tipo de correção ou reavaliação, este é considerado custo histórico, são registrados e sumariados tais como ocorrem. Em conseqüência, nesse sistema os custos somente são determinados após o término das operações de manufatura ou da execução dos serviços prestados pela empresa. O efetivo é considerado na mesma data que a contabilidade efetuou seu registro. 3.3 Custo Pré-determinado Segundo Prado (E-Book, 2003, p.15), como o próprio nome já diz, “Os custos são estabelecidos com antecedência sobre as operações de produção”. Num sistema baseado em custos predeterminados, material, mão-de-obra e gastos gerais de fabricação são contabilizados nas bases de preço, uso e volume previstos. Os custos predeterminados são usados quando se está interessado em conhecer 28 primeiramente quais deveriam ser os custos, para depois compará-los com os custos reais. 3.4 Custos por ordem de produção Prado (E-Book, 2003, p.16), descreve como “Um sistema no qual cada elemento do custo é acumulado separadamente, segundo ordens específicas de produção, emitidas pelos setores de produção”. As ordens de produção são emitidas para início da execução do serviço e nenhum trabalho poderá ser iniciado sem que ele seja devidamente autorizado pela correspondente emissão de uma ordem de produção. 3.5 Custo Direto e Indireto Segundo Nascimento (2001), custo direto é o que incide diretamente sobre a produção ou a venda de um bem ou serviço. Citando como exemplo, matérias-primas, e mão-de-obra direta. Custo indireto, também de acordo com o autor, é o que, embora não incida diretamente sobre a produção, tem participação como apoio no processo produtivo ou comercialização de um bem ou serviço. Citando como exemplo, custos de manutenção industrial e administração industrial. 3.6 Custo Corrigido e Atualizado 29 Segundo Nascimento (2001), o Custo Corrigido era utilizado muito até dezembro de 1995, pois toda economia era indexada. Mas a partir de Janeiro/96, através de Lei Federal, extinguiu a correção monetária de bens, direitos e obrigações. Assim, para atualização do custo, é necessário de uma avaliação previa, em se tratando de reavaliação de bens do ativo permanente. Já para atualização do custo de material inventariado ou de estoque, depende do critério de custeio adotado e aceito pela legislação do Imposto de Renda. 3.7 Custo por Absorção O custeio por absorção é o custeio mais tradicional e é empregado quando se deseja atribuir um valor de custo ao produto, atribuindo-lhe também uma parte dos custos indiretos. Segundo Wernke (2001, p.20) “Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos produtos, de forma direta ou indireta mediante critérios de rateios”. Em suma, o custeio por absorção atribui a todos os produtos, os custos totais industriais empregados na fabricação do item, seja direto ou indireto, ou também como custos fixos ou variáveis. Assim os itens que integram os custos de bens ou serviços são, conforme Wernke: 1-O custo de aquisição de matéria-prima e qualquer outro bem ou serviço aplicado ou consumido na produção; 2-O custo de pessoal aplicado na produção, inclusive o pessoal de apoio de manutenção ou administração industrial; 3-O custo de alocação, manutenção, reparo e encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; 4-Encargos de amortização diretamente ligados à produção; 5-Encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. (WERNKE, 2001, p.21) 30 Destacam-se abaixo as principais vantagens do custeio por absorção relacionado por Wernke: 1-Atende à legislação fiscal e deve ser usado quando a empresa busca o 1 uso do sistema de custo integrado a contabilidade ; 2-Permite a apuração do custo por centro de custo, visto que sua aplicação exige a organização contábil nesse sentido; 3-Ao absorver todos os custos de produção, permite a apuração do custo total de cada produto.(WERNKE, 2001, p.21). Já, as principais desvantagens do custo por absorção, Wernke (2001), destaca a utilização dos rateios para distribuir os custos entre os departamentos e/ou produtos. Pois os critérios utilizados nem sempre são critérios objetivos, podendo desta forma distorcer os resultados, penalizando alguns produtos e beneficiando outros. Santos (apud WERNKE, 2001, p.21), defende que o método de custeamento por absorção é falho em circunstâncias, como instrumento gerencial de tomada de decisão, porque se fundamenta no rateio de custos fixos, que apesar de aparentarem lógicos, levam a alocações arbitrárias e até enganosas. 3.8 Custo pelo Método UEP (Unidade de Esforços de Produção) Bornia (apud WERNKE, 2001, p.33) relata que método das UEPs, originalmente concebido pelo engenheiro francês Georges Perrin no final da II Guerra Mundial, foi trazido para o Brasil pelo engenheiro Franz Allora no início da década de 60 do século XX. Visava, basicamente, a alocação precisa dos custos do chão-de-fábrica aos produtos. 31 O método, validado por uma equipe de pesquisadores mestrados da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no ano de 1988, foi estudado, divulgado e aprimorado, resgatando sua real abrangência, por servir como instrumento gerencial, não só para a compreensão dos custos industriais, mas, também, na produtividade, no que se refere ao controle e avaliação do nível de eficiência, eficácia e ociosidade do chão-de-fábrica. Assim, a concepção básica do método UEP, segundo Wernke (2001), de unificar a medição da produção industrial por meio de uma única unidade de medida abstrata vem de longa data. Uma das dificuldades que as empresas enfrentam quanto ao cálculo de seus custos, é relativo aos critérios utilizados para a alocação dos custos indiretos de fabricação aos produtos e quando, estes tem uma grande participação nos custos de produção. Uma das causas desse problema, reside no fato de os produtos, apesar de serem geridos a partir de uma estrutura comum2, exigem diferentes esforços para suas fabricações. Neste sentido, uma das conseqüências dessa impossibilidade de alocação é não se poder medir a lucratividade individual de cada produto fabricado. Considerando que as matérias-primas são apenas repassadas ao consumidor, e o que se vende são os serviços aplicados às matérias-primas, a preocupação básica que um sistema de custos deve ter, é quanto a medir esses esforços. 1 A integração existe quando os valores apropriados são inseridos na contabilidade; a apropriação é à Base dos Princípios Contábeis e quando os valores estão apoiados em registros, cálculos e mapas que comprovem o movimento dos registros desde o início da produção até o produto acabado. 2 Produtiva e/ou administrativa. 32 No método UEPs, os custos unitários dos produtos são resumidos em custos das matérias-primas consumidos e custos de transformação. O custeio de cada produto3 é obtido facilmente nas fichas técnicas individuais dos produtos. Por esse motivo, o método UEP preocupa-se basicamente com os custos de transformação. Wernke afirma o seguinte: Custos de transformação são conhecidos também como custos de conversão ou custos de agregação e representam o esforço agregado pela empresa na obtenção do produto. São todos os custos de produção, exceto as matérias-primas, os componentes adquiridos prontos e embalagens compradas (WERNKE, 2001, p.33). Permite afirmar, então, que para a produção de quaisquer artigos, são necessários esforços de produção de mesma natureza, embora de diferentes intensidades. Como são de mesma natureza, podem, facilmente, ser adicionados. Em se tratando da fábrica como um todo, o esforço global de produção será o resultado da somatória dos esforços de produção individuais, de cada um dos itens selecionados. Conforme Wernke (2001), para identificação desses esforços, utilizam-se os elementos de produção que são os geradores desses esforços, denominados Postos Operativos. Os Postos Operativos representam uma ou mais operações de trabalho, que uma vez definidas, passam a manter os esforços de produção o mais constante possível ao longo do tempo, por unidade de capacidade. Na prática, os Postos Operativos são unidades básicas de produção. 33 Dessa forma, segundo Wernke (2001), a mão-de-obra (direta e indireta), a energia elétrica utilizada na produção, a manutenção do equipamento, o controle de qualidade, o trabalho intelectual de planejamento de produção, enfim tudo que se relaciona com a produção da empresa gera esforços de produção. Kliemann (apud WERNKE, 2001, p.34), assevera4 que a unidade escolhida para representar os esforços despendidos para converter as matériasprimas em produtos acabados será denominada de unidade de esforços de produção (UEP), servindo desta forma como um denominador comum de todas as atividades fabris desenvolvidas pela empresa. Para se utilizar o método UEP, devem ser observadas as seguintes fases: • Divisão da fábrica em postos operativos; • Determinação dos índices de custos horários por postos operativos (ou o custo/hora por postos operativos); • Escolha do produto-base (custo-base ou UEP) • Cálculo dos potenciais produtivos (UEP/hora) de cada posto operativo; • Determinação dos equivalentes dos produtos UEP (valor em UEP do produto) • Mensuração da produção total em UEP • Cálculo dos custos de transformação. Primeiro, divide-se a fábrica em postos operativos, que é constituído por operações de transformação homogêneas, ou seja, formado por uma ou mais operações produtivas semelhantes, para todos os produtos que passam por este posto operativo. 3 4 Custos das matérias-primas. Afirmar com insistência ou segurança. 34 Segundo, determinar o índice do custo hora de cada posto operativo, que Allora (Apud WERNKE, 2001, p.34) denomina de Foto-índice. São apurados conforme o consumo de tempo por produto nos postos operativos em funcionamento, excluindo as matérias-primas. Terceiro, escolha do produto-base, que deverá recair sobre o produto que melhor representa a estrutura de produção da fábrica. Depois de apurado a valor de uma UEP, parte-se para o cálculo dos potenciais produtivos de cada posto. Potencial produtivo, que é a quantidade de esforços de produção gerada pelo funcionamento dos postos por uma hora. Em quinto, a mensuração da produção é encontrada facilmente multiplicando-se as quantidades fabricadas de cada produto pelos respectivos equivalentes em UEP, tendo assim a produção total do período em UEP. Por fim, se encontra o cálculo dos custos de transformação por meio da multiplicação da quantidade de UEP de cada produto pelo valor médio da UEP. (ex: um produto que tenha um número de 1,54 UEP x o valor da UEP de R$7,48/UEP é igual ao custo de transformação de R$11,52 unitário). O método UEP permite o emprego de três índices de mensuração de desempenho, desde que a empresa que o utiliza tenha um custo fixo ou direto sobre seus produtos, uma representatividade alta, pois caso contrário, de nada adiantará. Os índices são eficiência, eficácia e produtividade. A eficiência representa o nível de produção alcançado, em comparação com a produção que seria normalmente conseguida no período de expediente. A eficácia refere-se a excelência do trabalho e é calculada comparando-se a produção obtida com a produção que teoricamente se deveria obter no período realmente trabalhado, conhecido como capacidade 35 utilizada. A produtividade é obtida com a produção do período divida por um ou mais insumos. Assim vários índices de produtividade podem ser obtidos e analisados. Observa-se que o método UEP pode oferecer informações não somente de custo, mas também de utilização de capacidade produtiva, de eficiência e eficácia. Mas, entretanto, como já comentado anteriormente, esse método também apresenta algumas deficiências, pois sua operacionalização restringe-se somente ao processo produtivo, ficando outras áreas não relacionadas diretamente ao produto sem serem analisadas e apuradas seus custos. Outras três deficiências inerentes ao método são elencadas5 por Bornia (apud WERNKE, 2001, p.40). A primeira refere-se à dificuldade no tratamento do desperdício, tendo em vista que o método não fornece parcela dos gastos devida aos mesmos. Argumenta que o principal empecilho para a separação dos desperdícios é a definição de postos operativos, onde somente atividades produtivas são consideradas. As atividades auxiliares não são detalhadas; seus custos são jogados para os postos operativos, perdendo-se a noção dos desperdícios nesse processo. Outra limitação Segundo Bornia (apud WERNKE, 2001, p.40), diz respeito à análise dos gastos de estrutura. Já que o método trabalha somente com a transformação dos produtos, os gastos de estrutura não são abordados. Como tais gastos estão cada vez maiores, uma análise detalhada é importante para a compreensão e racionalização deles, no processo de combate aos desperdícios e ao trabalho adicional. A terceira deficiência do método relaciona-se com a identificação das melhorias. Se as operações forem racionalizadas, por modificações 5 Listadas. 36 ou mesmo eliminação de operações elementares e/ou improdutivas, teoricamente os parâmetros do método deveriam ser revistos, pois o método não capta esse tipo de melhoria. Assim, num ambiente de melhoria contínua, que atualmente caracteriza as empresas modernas, pode obrigar a revisão permanente dos cálculos do método, tornando-se inviável. 3.9 Custo ABC (Custo por Atividade) A partir da segunda metade da década de 80 do século XX, foi desenvolvido nos Estados Unidos da América, um método de custos denominado de Activity-Based Costing – ABC (Método de Custeio Baseado em Atividades), pelos professores Robert Kaplan e Robin Cooper, da Harvard Business Scholl, tendo por objetivo principal aprimorar a alocação dos custos indiretos fixos (overheads) aos produtos, principalmente administrativos. Sua utilização se justifica por um curto espaço de tempo, a empresa necessitar de determinadas atividades consideradas fixas, que não variam segundo a quantidade produzida, ou seja, independem do volume produzido. Kaplan e Cooper (apud WERNKE, 2001, p.22), mencionam que o sistema de custeio baseado nas atividades oferta informações de custos mais precisas sobre atividades e processos de negócios e sobre produtos, serviços e clientes servidos por esses fatores. O ABC focaliza as atividades organizacionais como elementoschaves para análise de comportamento do custo. 37 Na visão tradicional, os produtos ou serviços consomem recursos6. Na metodologia ABC, supõe-se que serviços ou produtos consomem atividades e que são essas atividades que consomem recursos. Segundo Kraemer (1995) o método ABC não é um modelo de custo. É sim, um modelo econômico operacionalmente similar ao tradicional método dos centros de custos, apesar de sua lógica ser bem diferenciada. Ele mantém a correspondência das despesas incorridas com os produtos fabricados, num mesmo período de tempo, através das bases de relação, semelhantemente ao método dos centros de custos. Procura melhor determinar os custos fixos indiretos, pois ao contrário de trabalhar com os setores, como unidade de trabalho, trabalha com as atividades ocorridas nos setores. O método ABC procura tornar o cálculo de custo dos produtos mais preciso, superando os problemas crônicos dos métodos tradicionais, isto é, calcados em bases arbritárias e simplistas de rateio. Basicamente, ele consiste em dividir a empresa em centros de custos, seccionar estes em atividades, calcular os custos de cada atividade, compreender seu comportamento, para então identificar os causadores destes custos, denominados direcionadores de custos. Por fim, atribui os custos das atividades aos produtos conforme as intensidades utilizadas, mensuradas pelos direcionadores de custos, com respeito a um determinado período de tempo. Cooper e Kaplan (1991) argumentam que despesas de estrutura, tais como administrativas, comerciais e financeiras, ultrapassam a 20% do faturamento da empresa. Portanto, devem ser alocadas aos produtos de forma precisa. A não 6 Recursos financeiros, despesas. 38 apropriação dos custos e despesas indiretas fixas aos produtos é considerada como incorreta pelo custeio por atividades. O modelo tradicional, típico de custos para as tomadas de decisão, é muito simplista, não representando adequadamente as situações ocorridas na prática. Segundo os mesmo autores, muitos custos não variam de acordo com o volume produzido, mas sim, com o número de itens utilizados e suas complexidades. Pode-se manter o volume produzido constante, mas se a combinação dos produtos a serem fabricados variar, muitos custos considerados fixos tendem a alterar-se significativamente. Exemplificando, é diferente produzir 1.000 unidades de canetas da mesma cor, do que produzir 10 lotes de 100 canetas com um de cada cor. Por lógica no segundo caso, os custos associados às atividades de apoio à produção em determinadas atividades, serão maior que no primeiro caso. A sistemática de custeio utilizada pelo método ABC baseia-se numa técnica de distribuição dos custos aos produtos que inclui mais do que o tempo de processamento tradicional. Diferencia-se por incluir, também, movimentação, inspeção, filas, enfim, todos os aspectos que afetam o custo do produto durante o seu processamento. Valoriza os custos relacionados às suas atividades e peculiaridades. Segundo Nascimento (2001), O maior objetivo do método é compreender as atividades desenvolvidas e, pela identificação das perdas (atividades que não agregam valor e que não são necessárias, tanto a nível qualitativo quanto quantitativo), melhorá-las. 39 Aplica-se o sistema ABC também nas empresas não-industriais, pois atividades ocorrem tanto em processos de manufatura quanto de prestação de serviços. Assim podemos utilizar também em instituições financeiras, concessionárias de serviços públicos, hospitais, escolas, etc., pois atividades e objetos de custeio são encontrados em todas as organizações, inclusive naquelas de fins não lucrativos. Segundo Martins (2001), pode-se utilizar o ABC sem interferir no sistema contábil corrente da empresa, pois ele pode ser um sistema paralelo, utilizado apenas periodicamente. Assim esta periodicidade poderá ser pré-estabelecida ou em função de alterações nos mix de produto, melhoria na produção, ou nos recursos consumidos nas atividades. O ABC por ser uma ferramenta gerencial, pode utilizar os conceitos na gestão econômica, como custo de oportunidade, custo de reposição, depreciação diferenciada dos critérios legais, etc. 3.10 Target Cost: O Custo Meta Todos os olhares do mundo se voltaram para o Japão, após o sucesso alcançado através de seus métodos gerenciais, tendo seu ponto culminante com a filosofia do “Just in Time” (JIT). Pouco se sabe sobre o sistema gerencial japonês de custeio quanto a sua operacionalização, sendo a descrição a seguir referente aos princípios gerais que o regem devido a relevância do assunto. 40 Segundo Berliner e Brimson (Apud KRAEMER, 1995, p.61), o sistema gerencial japonês de custos se diferencia dos ocidentais em alguns aspectos, tais como: “A administração de custos japonesa é guiada pelo conceito de custometa. Isto é, decisões administrativas, quanto a custo, são tomadas antes de o produto ser projetado, baseado nos fatores mercadológico (melhor que a produção)”. “As companhias japonesas preocupam-se mais em planejar e reduzir custos que controlá-los”. “Tomar decisões de investimento é mais freqüente quando há concordância de toda a companhia nos propósitos de custo e ou desempenho, do que por justificativa financeira, favorecida nas companhias ocidentais”. O Custo-alvo/meta é o custo máximo de manufatura de um determinado produto – um custo que permitirá o retorno esperado dentro de certo nicho do mercado e, também, que o produto ganhe certa porção do mercado. O custo-alvo pode ser computado, tomando-se o preço de mercado esperado do nicho apropriado e subtraindo desse preço a esperada margem nas vendas. Segundo Prado(E-Book, 2003, p.18), “O custo-alvo não é uma ferramenta para o controle do dia-a-dia”. Em vez disso, é uma ferramenta de planejamento de custos que focaliza o controle das especificações do desenho e as técnicas de produção, contribuindo, assim, para a meta de entregar um produto competitivo ao mercado. 41 4 FORMAÇÃO DE PREÇOS Conforme Prado (E-Book, 2ª Ed., 2003, P.42), Formação de preços “é o método ou forma da empresa elaborar seus preços e depende dentro outros fatores da cultura organizacional, da concorrência, do mercado, da tecnologia e da remuneração do capital investido”. O Cálculo do preço de venda procura sempre por um valor: • Que possibilite a empresa a maximização dos lucros; • Que seja possível manter a qualidade, atender as necessidades de mercado àquele preço determinado; • Que melhor aproveite os níveis de produção, etc. Wernke(2001) afirma que a correta formação de preços de vendas é questão fundamental para sobrevivência e crescimento das empresas, independentemente do porte e de área de atuação. Segundo o autor é comum observar companhias que não tem a menor noção da lucratividade proporcionada por seus produtos e serviços., bem como das necessidades para atingir os respectivos equilíbrios operacionais. Para este trabalho o método da formação de preços escolhido será o método com base no custo marginal, ou seja, mesmo se utilizando o custo padrão como ferramenta de formação de preços, os seus respectivos custos serão considerados somente os custos diretos de fabricação (fixos e variáveis) que irão compor os respectivos preços e buscar a margem de contribuição desejada. 42 4.1 Escolha do Sistema de Custeio na Formação de Preços Depois de conhecido as principais nomenclaturas de custos e resultados e dos principais sistemas de custeio, ferramentas imprescindíveis na utilização para formação de preços, apresentar-se-á nos próximos itens, outra ferramenta importante para formação de preços. Para uma formação de preços segura e condizente com o mercado, é necessário a escolha de um dos sistemas de custeio apresentado anteriormente e que melhor se encaixe com a realidade da empresa em questão. Neste caso, o sistema escolhido foi “CUSTO PADRÃO” e tem-se abaixo os principais itens que determinaram esta escolha: 1 – Melhor distribuição dos custos fixos e variáveis; 2 – Facilidade de comparação com os custos realizados; 3 – Segurança na implantação deste sistema; 4 – Quantidades se mantém fixas, atualizando somente os preços dos insumos; 5 – Não utiliza média histórica e passada para distribuição dos custos, exigindo que a empresa faça uma averiguação de produtividade de cada máquina/setor. O custo padrão é de grande importância para a definição do preço de vendas. A empresa que não o utilizar, ou não possuir outra ferramenta de igual importância para o uso na base de cálculo, corre o risco de perder mercado perante a concorrência, que está cada vez mais acirrada em ambos mercados (Interno e externo). 43 Na maioria das vezes, os pequenos índices de produtividade, perdas de produção, utilização da capacidade produtiva acima da plena, oferecem variações que não podem estar associadas a variação de preço e que de forma alguma poderá ser repassado ao cliente, já que este não aceitará variações no momento da compra. 4.1.2 Fatores que interferem na formação do preço de venda Tem-se abaixo alguns dos principais fatores na formação de preços, que deverão ser observados e que poderão interferir no seu resultado: • Tipo de mercado que a empresa opera; • A qualidade do produto em relação as necessidades do mercado consumidor; • O grau de competição e disponibilidade de produtos competitivos; • A demanda esperada do produto e qualquer vantagem competitiva resultante de capacitação próprias; • O mercado de atuação do produto; • Lealdade do cliente e hábito de compra; • O controle ou interferência de preços (se houver); • Mutações e custos para troca de produtos; • Implicações ou necessidades de regulamentações locais, nacionais ou internacionais; • Os níveis de produção e vendas que se pretende ou que se pode operar; • Os custos e despesas de fabricar, administrar e comercializar o produto. 44 • Necessidade de recursos financeiros para fabricar o produto no volume desejado, etc. 4.2 Taxa de Marcação ou Uso do Mark-Up na formação de preços Uma das ferramentas de grande importância na formação de preços é a utilização do índice Mark-up ou taxa de marcação. Segundo Wernke(Gestão de custos, 2001, p.41), “É um índice aplicado sobre o custo de um bem ou serviço para formação de preços. Tem por finalidade, cobrir os fatores, como tributação, percentuais de variáveis de vendas, despesas fixas e margem de lucro”. Um dos pontos polêmicos é a margem de lucro que deve ser utilizada no mark-up, pois o percentual de margem de lucro depende de inúmeros fatores e difere de empresa para empresa, mesmo se atuantes no mesmo segmento mercadológico. O mark-up pode ser utilizado de duas formas: Como Divisor ou Como Multiplicador. Independentemente do modo que será utilizado, o valor apurado do preço de venda será igual. 4.2.1 Mark-up Divisor Para obtenção do mark-up divisor é necessário observar as fases abaixos: 1 – Identificar os Impostos - ICMS 45 - Pis - Cofins 2 – Identificar as variáveis de vendas - Comissões - Fretes - Propagandas 3 – Identificar a Margem (lucro) desejada Abaixo tem-se o quadro do índice de mark-up divisor: P re ç o d e V e n d a s ....................... 1 0 0 ,0 % (-) Im p o s to s ................................ 2 1 ,0 % (-) D e s p e s a s V a riá ve is ............. 5 ,0 % (-) C o n trib u iç ã o G e ra ............... 2 0 ,0 % ÍN D IC E M A R K -U P ......................5 4 ,0 % (1 0 0 ,0 % -2 1 ,0 % -5 ,0 % -2 0 ,0 % ) P V = $10/54/100 = $18,52 O b s: C o n trib u ição G eral............. 20% D e s p e s a s A d m . F ix a s ................. 7 ,0 % D e s p e s a s V e n d a s F ix a s ......... 4 ,0 % D e s p e s a s In d u s tria is F ix a s .... 3 ,0 % M a rg e m d e L u c ro ..................... 6 ,0 % Tabela 2 – Tabela de calculo do Índice de Mark-up Fonte: WERNKE, Rodney. Gestão de Custos – Uma abordagem Prática 4.3 Índice de Equivalência 46 Nas empresas de produção que tenham seus produtos direcionados e exclusivos para determinados mercados e/ou clientes onde podem ocorrer sobras decorrentes da qualidade de produção ou sobras de estoques chamadas “pontas de estoques”, as empresas tem uma série de dificuldades quando na formação e/ou projeção de seus respectivos preços a serem faturados contra estes clientes/mercado. Apesar de que em determinado momento, a formação dos preços é definido pelo mercado, a empresa deve estar sempre atenta a sua lucratividade e nestes casos de “sobras” por cliente exclusivo, índice de qualidade de produção, e pontas, precisa-se de uma ferramenta que auxilie na análise de resultado. Em estudo recente de mercado pela empresa pesquisada, surgiu uma ferramenta que é de pouco conhecimento das empresas, mas que seu uso vem crescendo de forma rápida como ferramenta de gestão pelas áreas relacionadas aos resultados da empresa, seja produção, vendas e financeira. A ferramenta desenvolvida pela empresa pesquisada chama-se “INDICE DE EQUIVALÊNCIA NA FORMAÇÃO DE PREÇOS”. Que é composto pelos seguintes fatores: 1) Índice de Qualidade 2) Sobra por produção exclusiva de Cliente 3) Exclusivo do Mercado 4.3.1 Índice de Qualidade O Índice de qualidade é calculado nas empresas em que apesar dos 47 produtos não saírem sem falhas, os mesmo são negociados a um preço menor e por conseqüência considerados como volume de produção. Ex: Nas empresas produtoras de revestimentos cerâmicos, a produção de seus produtos é classificado em índices de qualidades do tipo: “A”, “B”, “C” e “D”, onde o “A” é qualidade de 100% e os demais com apresentação de algum defeito de fabricação aceitos pelas normas da “ABNT”. 4.3.2 Sobra de Produção Exclusiva de Cliente Uma das grandes dificuldades das empresas quando na formação de preços para o cliente, é quando um determinado cliente solicita um produto de uso exclusivo, neste caso, fica como exemplo novamente o revestimento cerâmico. Imagina-se um solicitação de um produto onde o grau de dificuldade de produção seja grande, ocorrendo desclassificação por diferença de tonalidade, tamanho das peças e que para produzir o número de m² solicitado pelo cliente é necessário uma produção maior do que o pedido. Restando por conseqüência a dúvida do quanto pode ser cobrado pelo cliente, se esta dificuldade de produção ou quanto desta ineficiência fabril poderá ser cobrado do cliente, já que este produto acabará ficando com uma sobra nos estoques e que dificilmente será comercializado pela empresa, ou pelo menos, terá uma grande dificuldade em comercializá-la. 4.3.3 Sobra de Produção Exclusiva por Mercado Assim como na sobra por cliente exclusivo, a empresa tem a mesma 48 dificuldade com os produtos exclusivamente a um determinado mercado. Um exemplo bem prático é o mercado asiático, onde os costumes locais reverenciam cores fortes e sem desejos nos revestimentos. Já nos mercados europeu e americano possuem gostos diferentes. Assim sendo ocorrem sobras destes produtos que possuem um grau de dificuldade muito grande para serem comercializados em outros países. 4.3.4 Fórmula do Índice de Equivalência Abaixo, tem-se a fórmula do índice de equivalência com uma descrição detalhada de seu meio de utilização: Custo por Equivalencia - Método para avaliação de preços Metodologia de cálculo: A B C D - itens A B Índice de Qualidade Qtd produçãom² Taxa de Desconto MI Taxa de Desconto ME 91% 91.370 100% 100% 4% 4.000 35% 100% 5% 5.000 35% 35% 100% 100.000 91,37% 91,37% 1,40% 4,00% 1,75% 1,75% 94,52% 97,12% E - Índice de equivalência MI "A" F - Índice de equivalência ME "A" C Total G - Índice de equivalência MI "B" H - Índice de equivalência ME "B" 35% 100% I - Índice de equivalência MI "C" J - Índice de equivalência ME "C" 35% 35% K - Custo Médio R$/m² L - Custo Total R$ 5,00 456.850 5,00 20.000 5,00 25.000 5,00 500.000 M - Custo R$/m² com IE - MI N - Custo R$ Total com IE - MI 5,29 483.337 1,85 7.406 1,85 9.257 5,00 500.000 O - Custo R$/m² com IE - ME P - Custo R$ Total com IE - ME 5,15 470.397 5,15 20.593 1,80 9.009 5,00 500.000 Tabela 3 – Tabela de calculo do Índice Equivalência Fonte: Empresas Eliane – Departamento Comercial e Departamento de Controladoria 49 Na tabela acima, se apresentou os itens necessários para cálculo do índice de equivalência, e abaixo a descrição de cada ítem: A – índice de qualidade: É necessário conhecer o índice de qualidade de produção boa e ruim: no exemplo acima calculou-se o índice de qualidade em % das classes “A”, “B” e “C”. B – Quantidade de produção em m²: Volume de produção por índice de qualidade. C – Taxa de Desconto MI e D – Taxa de Desconto ME: Esta taxa referese ao desconto que será dado nos custos para os respectivos mercados e classes, conforme no exemplo acima, onde a taxa de desconto no mercado interno para a classe “A” é igual a 0(zero), para a classe “B” é igual a 65(sessenta e cinco) e Classe “C” igual a 65(sessenta e cinco). E – Índice de equivalência MI “A”e F – Índice de equivalência ME “A”: É o resultado do índice de qualidade x a taxa de desconto. G – Índice de equivalência ME “B”e H – Índice de equivalência ME “B”: É o resultado do índice de qualidade x a taxa de desconto. I – Índice de equivalência ME “C”e J – Índice de equivalência ME “C”: É o resultado do índice de qualidade x a taxa de desconto. A utilização do índice de equivalência na formação de preços cria alternativas para potencializar as vendas principalmente dos produtos de “sobra de exportação” dos com problemas de qualidade conforme tabela acima, ou seja, se a empresa não utilizar o índice de equivalência nos seus custos, a formação de preços seria o seguinte: 50 Sit. Normal MI Itens Custo de Produção (+) Margem de Contribuição (+) Despesas Variáveis (+) Impostos (=) Preço de Vendas Volume Vendas Total Margem de Contribuição "A" 30% 9% 24% 5,00 2,14 0,49 1,58 9,22 91.370,00 195.792,86 "B" 5,00 2,14 0,49 1,58 9,22 4.000,00 8.571,43 "C" 5,00 2,14 0,49 1,58 9,22 5.000,00 10.714,29 Total 100.370,00 215.078,57 Sit. Com Índice de Equivalência MI "A" Custo de Produção (+) Margem de Contribuição (+) Despesas Variáveis (+) Impostos (=) Preço de Vendas Volume Vendas Total Margem de Contribuição 30% 9% 24% 5,29 2,27 0,52 1,67 9,75 91.370,00 207.148,84 "B" 1,85 0,79 0,18 0,58 3,41 4.000,00 3.171,43 "C" 1,85 0,79 0,18 0,58 3,41 5.000,00 3.964,29 Total 100.370,00 214.284,56 Tabela 4 – Tabela de Formação de Preços Mercado Interno Fonte: Empresas eliane Sit. Normal ME "A" Custo de Produção (+) Margem de Contribuição (+) Despesas Variáveis (+) Impostos (=) Preço de Vendas Volume Vendas Total Margem de Contribuição 30% 9% 24% 5,00 2,14 0,49 1,58 9,22 91.370,00 195.792,86 "B" 5,00 2,14 0,49 1,58 9,22 4.000,00 8.571,43 "C" 5,00 2,14 0,49 1,58 9,22 5.000,00 10.714,29 Total 100.370,00 215.078,57 Sit. Com Índice de Equivalência ME "A" Custo de Produção (+) Margem de Contribuição (+) Despesas Variáveis (+) Impostos (=) Preço de Vendas Volume Vendas Total Margem de Contribuição 30% 9% 24% 5,15 2,21 0,51 1,63 9,49 91.370,00 201.666,64 "B" 5,15 2,21 0,51 1,63 9,49 4.000,00 8.828,57 "C" 1,80 0,77 0,18 0,57 3,32 5.000,00 3.857,14 Total 100.370,00 214.352,36 Tabela 5 – Tabela de Formação de Preços Mercado Externo Fonte: Empresas eliane Nas tabelas acima com a situação normal, para que a empresa atinja a margem desejada é necessário que ela forme os preços iguais para as 03(três) classes, dificultando a aceitação por parte do mercado, pois os respectivos preços da classe “B” e “C” são produtos desclassificados ou provenientes de sobras de exportação. 51 Com aplicação do Índice de Equivalência, os produtos da classe “A” absorvem um custo maior na formação de preços o que ocasiona uma oportunidade de comercialização das classes “B” e “C” com menores preços sem que a empresa perca a margem desejada. E é com esta ferramenta (índice de equivalência) que a empresa poderá ter uma diferenciação quando numa negociação ou leilão das vendas de seus produtos para o cliente, oportunizando ganhos(margem) e garantindo as vendas de todos os seus produtos, evitando assim um custo de estocagem. 52 5 METODOLOGIA Este trabalho foi baseado em pesquisa bibliográfica com abordagem em estudo de caso numa empresa cerâmica – Eliane S/A - Revestimentos Cerâmicos, situada no município de Cocal do Sul em SC. As fontes usadas neste trabalho compreendem livros de diversos autores e também um livro eletrônico. Além da fundamentação teórica, que foi elaborada com base nos materiais selecionados, foi realizado um acompanhamento da implantação e gestão na empresa acima citada, conhecendo a ferramenta “Índice de equivalência” para utilização na formação de preços que a mesma vem fazendo de uso em suas tomadas de decisões. Foi utilizado para o estudo um determinado grupo de produtos que representa a maior parte do faturamento da empresa.. 53 6 CONCLUSÃO A implantação do índice de equivalência representou um aumento na segurança para formação de preços, pois as empresas não podem mais utilizar somente um sistema de custeio para validar as decisões estratégicas. Pelo fato de que no mundo em que as empresas estão inseridas, está em constante transformação, deve-se assim, exigir da Contabilidade de Custos novas formas de apuração dos custeios e ferramentas de análise, que permitam refletir com mais precisão e consistência, a dinâmica da relação empresa e mercado. E que devam buscar por meio do conhecimento dos reflexos de seus atos perante os seus clientes e fornecedores e da forma como os seus produtos podem contribuir para o fortalecimento desta relação. Então, faz-se necessário que a empresa de forma geral abandone as velhas práticas que servem simplesmente para o custeamento dos estoques, que estão voltadas somente para dentro da empresa e tendo uma visão estática da produção. Por isso depois de avaliado o novo sistema, percebe-se o quanto é importante para a empresa uma ferramenta de gestão de preços e custos, principalmente quando o estoque de produto acabado destas empresas for composto por produtos de diversos segmentos e classes de qualidade. A escolha do sistema de custeio demonstra o quanto é importante e necessário, pois manter somente um sistema com apuração do custo real, sem que haja uma outra ferramenta de apuração de custo que os fixe de forma que não variem por problemas de produtividade, quebras, perdas, ou problemas técnicos, a empresa estará propensa à tomada de decisões que impliquem na perda de receita financeira ou até de margem de contribuição. 54 Com a utilização do índice de equivalência na formação de preços junto no sistema de custeio apropriado, as empresas terão uma maior segurança na obtenção de seus resultados. Assim além da análise de resultado através deste índice, são necessários no momento da precificação os resultados também globais da empresa e não somente de um determinado produto. Pois apesar de que em algumas situações, numa negociação de vendas, o resultado de alguns produtos apresentarem prejuízo, mas que na média geral obter resultado (chamados de vendas casada), a empresa poderá abrir mão dos índices de equivalência para análise deste resultado. Também é necessário para que o índice de equivalência tenha importância e validade na empresa, que a mesma respeite os levantamentos de produção, de sobra de vendas e de estoques, afim de não colocar em risco a veracidade e confiabilidade dos cálculos do índice de equivalência e por conseqüência os respectivos custos de vendas. Tomadas todas as medidas necessárias de escolha de sistema de custeio, implantação dos controles de nível de qualidade, direcionamento correto dos produtos para os respectivos mercados e a utilização do método de índice de equivalência, a empresa estará pronta para tomada de decisão de forma segura, aumentando o poder na disputa por mercado junto as suas concorrentes. Dessa forma, o método de índice de equivalência reúne melhores condições para sustentar as transações entre as atividades de uma organização, promovendo ações voltadas para aperfeiçoar seus resultados econômicos e, consequentemente, dos seus níveis de eficácia. 55 REFERÊNCIAS LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: um enfoque administrativo. 14ª ed. Rio de Janeiro: Editora FGV. 2001. 506 p. MARTINS, Eliseu Martins. Contabilidade de Custos. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. 388 p. MARTINS, Eliseu Martins. Contabilidade de Custos. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 1998. 380 p. WERN KE, Rodney. Gestão de Custos – Uma abordagem Prática. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. 175 p. NASCIMENTO, Jonilton Mendes do. Custos – Planejamento, Controle e Gestão na Economia Globalizada. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. 384 p. KAPLAN, Robert S, COOPER, Robin. Custos e Desempenho: Administre seus custos para ser mais competitivo. 2ª ed. São Paulo: Futura, 2000. 376 p. ANSCHAU, Dário. Análise de Custos. 1998. Conclusão de curso (Bacharelado em ciências contábeis) – Faculdades de Ciências Contábeis e Administrativas do Rio Grande do Sul, 1998. PRADO, Lauro Jorge. Guia de Custos – E-Book. 2ª ed. Disponível http://www.lauroprado.tripo.com/ezime/ [capturado em 20 de Janeiro de 2003]. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Geral. São Paulo. Atlas. 4ª ed. 1986