Platão, Estilos e Personagens PRIMEIRA CONFERÊNCIA DA ÁREA LATINO-AMERICANA DA INTERNATIONAL PLATO SOCIETY X SEMINÁRIO INTERNACIONAL ARCHAI V ESCOLA DE ALTOS ESTUDOS DA CÁTEDRA UNESCO ARCHAI / CAPES Caderno -1de Resumos www.archai.unb.br APOIO International Plato Society Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos Núcleo de Estudos em Filosofia Antiga e Hum. / UFU Programa de Pós-Graduação em Filosofia / UnB Platão, Estilos e Personagens I Conferência da Área Latino-Americana da International Plato Society X Seminário Internacional Archai V Escola de Altos Estudos da Cátedra UNESCO Archai / CAPES Caderno de Resumos Brasília, 20 a 24 Agosto de 2012 Comissão Científica Francisco Bravo (Universidad Central de Venezuela) Marcelo Boeri (Universidad Alberto Hurtado, Chile) Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília) Comissão Organizadora Jonatas Rafael Alvares; Talita Siqueira Cavaignac; Ariadne Borges Coelho; Gilmário Guerreiro da Costa; Mariana Cabral Falqueiro; Eryc de Oliveira Leão; Ester Macedo; Walter Nascimento Neto; Érica Calil Nogueira; Abadio Aparecido Bento de Oliveira; Thiago Rodrigo de Oliveira; Eduardo Fernandes da Silva Oliveira; Luiza Silva Porto Ramos; Rafael Gaspar G. Raro; Nicholas Riegel; Simone Elisa Ferreira da Silva; Vânia dos Santos Silva; Talita Lobo Vianna. Seminário Internacional Archai (1. 2012: Brasília - DF). Caderno de Resumos do X Seminário Internacional Archai, Brasília, 2012 / Orgs. Gabriele Cornelli, Gilmário Guerreiro da Costa, Ester Macedo, Nicholas Riegel. Brasília, DF: Cátedra UNESCO Archai As origens do pensamento ocidental, 2012. ISSN 1983-0920 Projeto, Produção e Capa Jonatas Rafael Alvares Érica Calil Nogueira Editado por Cátedra UNESCO Archai Universidade de Brasília Instituto de Ciências Humanas - Departamento de Filosofia Cátedra UNESCO Archai ICC-Centro, ASS 306/10 Asa Norte, Brasília - DF, CEP 70910-700 Telefone: (61) 3107-7040 Sumário Mesas Redondas BACELAR, Agatha Pitombo..............................................................1 Arqueologia de uma metáfora: as doenças da pólis, de Sólon à República de Platão BENOIT, Hector. .............................................................................1 The Stranger from Elea in the temporalities of Plato’s Dialogues BOERI, Marcelo D...........................................................................1 Teeteto y Protarco: dos personajes filosóficos o lo que un alma filosófica debería hacer BOSSI, Beatriz.................................................................................1 Plato´s Phaedrus: A play inside the play BRAVO, Francisco...........................................................................2 “Quién es y qué enseña el Calicles de Platón”. ¿Quién es Calicles? CAMPOS, Álvaro Vallejo................................................................2 Socrates as a physician of the soul: from reason to utopia CORDERO, Nestor Luis..................................................................3 El Extranjero de Elea, ‘compañero’ de los parmenídeos... desde 1561 CORNELLI, Gabriele........................................................................3 He longs for him, he hates him and he wants him for himself: The Alcibiades case between Socrates and Plato. CORRADI, Michele. .........................................................................3 Fare affari con Protagora (Prot. 313e): Platone e la costruzione di un personaggio DA COSTA, Gilmário Guerreiro......................................................4 O grande drama do conhecimento: escrita, arte e tragicidade em Platão DE PINOTTI, Graciela Marcos........................................................5 Estrategias argumentativas en Teeteto y Sofista. El recurso platónico a las condiciones de posibilidad del lenguaje. -III- DE SANCTIS, Dino. .........................................................................5 Socrate per le strade di Atene: le scene d’incontro nell’incipit del dialogo di Platone. EL MURR, Dimitri.............................................................................6 Manufacturing Friendship in Plato’s Republic. ERLER, Michael...............................................................................7 Detailed completeness and pleasure. Some remarks on narrative tradition in Plato. FERRARI, Franco............................................................................7 Socrate, la maieutica e la filosofia: personaggi e autore nella struttura drammatica del Teeteto FITZPATRICK, Kirk.........................................................................7 The Modal Stichometric Interpretation of Plato’s Texts GILL, Mary-Louise............................................................................8 Plato’s Unfinished Trilogy: Timaeus–Critias–Hermocrates GUTIÉRREZ, Raúl...........................................................................8 Las tres olas de la dialéctica HARTE, Verity. ................................................................................9 A comic rivalry? Character and Caricature: Socrates and ridicule in Philebus 48e-50b MACEDO, Ester. .............................................................................9 Could Cephalus have had a tyrannical soul? MARINO, Silvio................................................................................9 Lo stile della scrittura della medicina nel discorso di Erissimaco: imitazione e contaminazione MARQUES, Marcelo P..................................................................10 O caráter antilógico da busca erótica no Banquete McCABE, Mary Margaret..............................................................11 Seven characters in search of a teacher MONTENEGRO, Maria Aparecida.................................................11 O estilo platônico de filosofar e escrever no diálogo Fedro -IV- MOTA, Marcus...............................................................................11 Dramaturgia cômica em Platão: observações a partir de Íon MUNIZ, Fernando...........................................................................11 Performance e Elenkhos no Íon de Plato NAILS, Debra..................................................................................12 Five Platonic Characters OLIVEIRA, Loraine ........................................................................12 A figura de Sócrates segundo Pierre Hadot PEIXOTO, Miriam Campolina..........................................................13 Demócrito de Abdera, um ὑποκριτής sob a σκηνή platônica. REGALI, Mario...............................................................................14 Amicus Homerus: l’arte allusiva di Platone nell’incipit del X libro della Repubblica (595a-c) RIEGEL, Nicholas. .........................................................................15 Two Tetralogies in Plato’s Symposium SAMPAIO, Evaldo..........................................................................15 A recepção do Platão político em Leo Strauss SANTORO, Fernando.....................................................................16 As Faces de Aristófanes no Banquete de Platão SANTOS, José Gabriel Trindade. ..................................................16 “Reading the Sophist” SCOLNICOV, Samuel.....................................................................16 Beyond language and literature SOARES, Lucas. ............................................................................17 Perspectivismo, escritura proléptica y naturaleza y efectos de Éros. Tres ejes de lectura para abordar el Banquete. Tres ejes de lectura para abordar el Banquete. TORDESILLAS, Alonso.................................................................18 De quelques traits caractéristiques de la figure de Protagoras dans les dialogues de Platon. TULLI, Mauro. ................................................................................18 Platone, la forma del testo e il personaggio: il giudice nello Ione -V- XAVIER, Dennys Garcia.................................................................18 Aspectos teatrográficos da digressão sobre o Filósofo no Teeteto de Platão Comunicações AGOSTINI, Cristina de Souza........................................................19 Cobrir o rosto e escrever: Platão e Eurípides na tessitura da persuasão ALMEIDA JÚNIOR, George Matias de. ......................................... 19 O jogo sério de Platão ÁLVAREZ, Lucas M........................................................................19 El personaje sofista. De la adquisición a la producción: claves de un itinerario BARBOSA, Ana Mercia..................................................................20 O caráter dialógico do Banquete de Platão BATISTA, Eduardo Pereira............................................................20 O estilo da autobiografia de Platão BIEDA, Esteban Enrique. ...............................................................21 Gorgias, el octavo orador. Resonancias gorgianas en el discurso de Agatón en el Banquete BORGES, Anderson de Paula........................................................22 Justiça, bem e harmonia psíquica em Platão BRANDÃO, Renato Matoso R. G...................................................22 Zenão, Parmênides e as contradições do diálogo Parmênides CAMPOS, Antônio José Vieira de Queirós.................................... 23 Intertextualidade orgânica dos diálogos platônicos com os gêneros literários clássicos: o exemplo da Apologia de Sócrates CARVALHO JUNIOR, Adail Pereira. ............................................ 24 A natureza e função de Eros na filosofia de Platão: Um estudo do Banquete e do Fedro -VI- CHRYSAKOPOULOU, Sylvana.....................................................24 The reform of epic poetry by the first philosopher-poets in the Sophist COELHO, Ariadne Borges.............................................................25 Sócrates personagem em As Nuvens de Aristófanes: uma análise dialógica CORNAVACA, Ramón Enrique ......................................................26 Memoria y diálogo filosófico. Observaciones sobre las apelaciones al recuerdo del interlocutor en tres diálogos platónicos COSTA, Thiago Rodrigo de Oliveira.............................................. 27 Platão intérprete de Parmênides, ou Parmênides como uma personagem para o filosofar de Platão: entre a hermenêutica e a poética filosófica COTTONE, Rossella Saetta..........................................................27 Agathon figure du genre, des Thesmophories au Banquet COUTINHO, Carlos Luciano Silva. ...............................................28 Zalmoxis e Sócrates: a katábasis mágica e a katábasis subjetiva no Cármides de Platão DA COSTA, Luiza Moreira.............................................................29 Alcibíades, Atenas e o Eros DA MOTTA, Guilherme Domingues.................................................29 Platão e a poesia: considerações sobre o caráter da leitura dos poetas apresentada por Gláucon e Adimanto na República DA SILVA, André Luiz Braga. ........................................................30 Sócrates versus Estrangeiro de Eleia? DA SILVA, José Lourenço Pereira. ...............................................30 Sócrates no discurso de Alcibíades DEMARÍA, Fabiana Andrea.............................................................31 Elementos platónicos de palingénesis recreados por Arturo Capdevila en Arbaces, maestro de amor DE ARAÚJO, Hugo Filgueiras.......................................................32 A natureza da alma no Timeu de Platão DE LUCENA, Maria Gorette Bezerra........................................... 32 Considerações sobre prôta stoicheîa no Timeu de Platão -VII- DE MELO, Luiz Fernando Bandeira................................................ 32 Influência dos cultos de mistérios na questão de ser mais feliz: os sofreados que os desenfreados DE MORAES, Kellen Ferreira. .....................................................33 Para uma Teoria da Oralidade em Platão DE SOUZA, Jovelina Maria Ramos. ...............................................33 O cortejo de Alcibíades DIEZ, Pedro Luis Villagra..............................................................34 El personaje Lisímaco como receptor de la enseñanza socrática en el Laques. Implicaciones extratextuales en el marco de la enseñanza platónica DOS SANTOS, Vladimir Chaves....................................................35 Algumas aproximações entre o tirano de Platão e o MacBeth de Shakespeare por intermédio de Longino FERREIRA, Mariane Rodrigues.....................................................35 Para uma teoria acerca da formação do filósofo em Platão FIERRO, María Angélica................................................................36 El Mito del Carro Alado del Fedro como Vehículo de la Filosofía FORCINITI, Martín.........................................................................37 El sofista, entre la erística privada y la demagogia política GABIONETA, Robson. ...................................................................38 Algumas relações entre a Odisseia de Homero e alguns diálogos de Platão GONZAGA, Solange Maria Norjosa.............................................. 38 Personagens em NOMOI KEIME, Christian............................................................................38 La fonction du personnage de Diotime dans le “Banquet”: le dialogue et son double IPIRANGA JÚNIOR, Pedro. ..........................................................40 Prosa literária na Antiguidade: interlocuções de Luciano e Plutarco com o diálogo platônico LISSANDRELLO, José M...............................................................40 Protágoras: aporía del maestro – euporía del discípulo -VIII- LOPES, Adriana Alves de Lima ......................................................41 A Natureza da Alma em Platão LOPES, Ricardo Leon....................................................................41 A tensão entre a razão e a emoção do fiel amigo de Sócrates: Críton MÁRSICO, Claudia.........................................................................42 “Se irritan contra mí porque acuso a mi padre” (Eutifrón, 6a). Intertextualidad de estilos y personajes en Esquines y Platón a propósito de la violencia filial MELONI, Gabriele..........................................................................43 Plato’s banishment of the poets or mass media theory: Why (and how) Plato released poetry MENEZES, Michel. ........................................................................44 Sobre os personagens do “Crátilo” de Platão MOREIRA, Eduarda Pianete. .........................................................44 As palavras que curam: a fundamentaçao formal-estilística de uma dialética terapêutica no “Cármides” de Platao NUNES SOBRINHO, Rubens Garcia............................................. 45 A encruzilhada da ΨΥΧΉ: entre o mito e a realidade ORLANDI, Juliano..........................................................................45 Fedro: o problema da interpretação alegórica dos diálogos platônicos PAGLIARO, Heitor de Carvalho....................................................46 O Arbítrio dos Governantes em Trasímaco e Sócrates. PEREIRA, Angelo Balbino Soares.................................................47 O Fédon como expressão da poesia filosófica platônica PILOTE, Guillaume.........................................................................47 Littérature et corporéité dans le Phédon PINHEIRO, Felipe Gustavo............................................................48 Cálicles ou da soberania da natureza manifesta na ação do mais forte RACKET, Andrés. ..........................................................................48 La Apología de Sócrates leída como una tragedia SHARP, Kendall.............................................................................49 The Character of Phaedrus in the Style of Alcidamas: Conversation and Muthologia in Plato’s Phaedrus -IX- SILVA, Martim Reyes da Costa. .....................................................50 Tensão dramática e argumentação filosófica no Críton de Platão SILVA, Tiago Do Rosário...............................................................51 Sócrates: um filósofo, um personagem SILVA, Vânia Dos Santos...............................................................51 Personagens Femininas na Filosofia de Platão STELLA, Massimo...........................................................................52 O mestre ambiguo e seus discípulos: em torno da “legitimidade” da filosofia platónica TABOSA, Adriana...........................................................................52 Economia e Política no diálogo de A República de Platão VIEGAS, Alessandra Serra. ..........................................................53 A ‘genialidade’ literária de Platão no Banquete: a imbricação entre os nomes dos personagens e suas falas: um estudo de caso VIEIRA, Celso................................................................................54 Os nomes de personagens nos diálogos de Platão WINKLER, Stephanie......................................................................54 Teatro & Pensamento YOUNESIE, Mostafa . ...................................................................55 Plato’s Reading of Mystery for His Philosophy: Phaedo 69C -X- Mesas Redondas BACELAR, Agatha Pitombo École des Hautes Études en Sciences Sociales Arqueologia de uma metáfora: as doenças da pólis, de Sólon à República de Platão Com base nas reflexões semânticas sobre a metáfora propostas pelo linguista Vincent Nyckees, a presente comunicação passa em revista as ocorrências mais expressivas da figura da cidade doente em textos gregos anteriores e contemporâneos a Platão – notadamente na poesia elegíaca, na historiografia, na poesia trágica e na oratória – com vistas a, em um segundo momento, mostrar de que modo Platão se apropria desse tópos discursivo em algumas passagens da República. BENOIT, Hector Universidade Estadual de Campinas The Stranger from Elea in the temporalities of Plato’s Dialogues The Stranger from Elea is a mysterious character that appears in the Sophist and the Statesman dialogues. We shall strive to understand his particular insertion in the Dialogues’ temporalities, and show how his appearance represents a genuine rupture that characterizes the whole process of exposition and the conceptual development in the works of Plato. In order to do that, first of all we need to make clear what we understand as ‘temporalities’ in the dialogues. BOERI, Marcelo D. Universidad Alberto Hurtado Teeteto y Protarco: dos personajes filosóficos o lo que un alma filosófica debería hacer Esta presentación se centra en dos personajes de Platón (Teeteto y Protarco) que, con sus características personales diferentes, pueden entenderse como “personajes filosóficos”. Teeteto y Protarco son “lo que un alma filosófica debería ser” porque son yoes que reúnen en sí mismos, si no todos, al menos varios de los requerimientos imprescindibles en los que Platón parece pensar para que haya una conversación filosófica. También se enfatiza la relevancia de los ingredientes dramáticos en la composicion del argumento filosófico o, más precisamente, la importancia que Platón parece conferir tanto a los aspectos dramáticos como filosóficos en el progresso del diálogo. BOSSI, Beatriz Universidad Complutense de Madrid Plato´s Phaedrus: A play inside the play It is usually thought that Socrates cannot abandon Phaedrus and go back across the -1- river because his daimon forbids him to do so. This voice he hears when he is about to commit a shameful act, and Phaedrus is in need of a new speech on Eros, because the former ones do not offer a proper image of the God. Here I should like to show that Socrates’ return has, in addition, a deeper meaning: Socrates cannot leave Phaedrus in his ignorance because he has something to teach his friend, and also because he has something he needs to know about himself. Socrates has to teach Phaedrus how a real lover acts towards his beloved, and by doing so, he has to learn whether he is able to master himself. This is a decisive moment in the dialogue, in which he reveals himself as a real master, who can transcend both the image of an erupting Typhoon who wants to devour his victim and also the image of a peaceful citizen, untouched by madness. BRAVO, Francisco Universidad Central de Venezuela “Quién es y qué enseña el Calicles de Platón”. ¿Quién es Calicles? No es posible responder a esta pregunta sin determinar antes qué doctrinas éticopolíticas defiende este personaje. Sostengo que no son ellas un puro invento de Platón, sino un reflejo de proposiciones que se hallaban en voga en los escritos de sofistas y poetas y en la acción de ciertos políticos de la época. ¿Son atribuibles a alguno de ellos en particular? La respuesta permitirá barruntar las intenciones del autor del Gorgias al ponerlo en escena. CAMPOS, Álvaro Vallejo Universidad de Granada Socrates as a physician of the soul: from reason to utopia In my contribution to Plato’s styles and characters I would like to analyse Socrates as a literary character, but from an special point of view, as a therapist or a physician of the soul. I propose to distinguish at least three phases in the evolution of Plato’ s dialogues. First of all, Socrates in the Apology is a therapist of the soul and he is probably the first thinker to define consciously philosophy as therapeutics. My thesis is that in this first period the Socratic project has a rational character not only in his aim but also in its method and that its main purpose is the individual person. In a second period, as the project is redefined in the Gorgias, philosophy is still very close to medicine, but now the object is not directly the individual person, but the city and this means that the Socrates of the Apology has been converted into a politician and philosophy seems now “the continuation of politics by other means”. In third place, I would like to analyse the character of Socrates in the Republic, where the philosopher is a therapist of culture in an utopian scenario, which in my opinion transforms completely the original spirit of the rational project as defined in the Apology. -2- CORDERO, Nestor Luis Unversité de Rennes 1 El Extranjero de Elea, ‘compañero’ de los parmenídeos... desde 1561 En todas las ediciones y traducciones del Sofista de Platón, desde que se adoptó el texto presentado por J.Cornarius en 1561, cuando Teodoro presenta al Extranjero de Elea, se dice que este personaje anónimo es “un compañero (hetairos) de los partidarios de Parménides y de Zenón” (216a). No obstante, varias dificultades obligan a cuestionar este carácter de “compañero. Ello es posible si se sigue et textro griego que presentan manuscritos no privileguiados por J. Burnet, pero que son de gran valor, como el Vindobonensis 21 (Y) que ofrecen la variante “heteros”, “diferente”, en vez de “hetairon”, “compañero”. CORNELLI, Gabriele Universidade de Brasília He longs for him, he hates him and he wants him for himself: The Alcibiades case between Socrates and Plato. The figure of Alcibiades goes through the history of fifth century Athens and the Symposium narrative with his dramatic political force and his deviant moral behavior. Alcibiades affaire thus assumes a central place in the Platonic concerns focused more generally on the historical review of the years of crisis in Athenian politics, and more specifically on the former’s dangerous liaison with Socrates and his group. The meaning of Alcibiades’ dramatic incursion in the Symposium, as well as his praise of Socrates, will be read in the light of Xenophon, Thucydides, Androcles and Andocides’ testimonies, among others, in search of the Platonic understanding of the construction of one of the most remarkable characters of Classical Athens.” CORRADI, Michele Università di Pisa Fare affari con Protagora (Prot. 313e): Platone e la costruzione di un personaggio Fra i grandi avversari di Socrate, Protagora è quello cui Platone riserva più spazio nella propria produzione. Del sofista Platone offre un ritratto complesso, capace di rendere giustizia alla grande statura di Protagora. La tradizione antica sottolineava il suo ruolo particolare nella galleria dei personaggi dei dialoghi: sosteneva addirittura una dipendenza di Platone dalle opere di Protagora per la Repubblica (80 B 5 DK), forse per il Parmenide (80 B 2 DK). Certo l’analisi delle due sezioni più importanti in cui Platone si fa portavoce di Protagora, il grande discorso del Protagora e l’apologia del Teeteto solleva alcuni problemi interpretativi. Il grande discorso del Protagora (320d-328d) si articola in due sezioni, un mythos e un logos. Nella prima sezione Protagora costruisce un racconto sull’origine della società umana. Un racconto che muove dalla condizione deficitaria dell’uomo allo stato di natura fino alla nascita della polis e si sofferma su due interventi successivi della divinità, quello di Prometeo, che -3- dona agli uomini le tekhnai, e quello di Zeus che dona loro aidos e dike. Nel logos Protagora svolge considerazioni sull’impegno paideutico di Atene nei confronti dei giovani, riflette sul ruolo del sofista e sulla funzione della pena. Ebbene non pochi degli elementi sviluppati nel grande discorso contengono aspetti spiccatamente platonici. Ad esempio, platonica è la stessa scelta del codice espressivo del mito: possono riconoscersi riprese quasi letterali del mito del Protagora nel mito del Politico. Ma è soprattutto il logos a presentare spunti che saranno approfonditi in dialoghi successivi. Soltanto due esempi: Protagora sviluppa considerazioni sul valore educativo della poesia che certo anticipano la riflessione della Repubblica (606e-607a) e a quanto afferma Protagora sulla funzione correttiva della pena Platone allude letteralmente nelle Leggi (934a). Anche nell’apologia di Protagora nel Teeteto (166d ss.) non mancano elementi platonici. In particolare il complesso parallelo, sviluppato da Protagora per bocca di Socrate, tra l’attività del sofista e quelle del medico e dell’agricoltore non può non richiamare alla mente celebri pagine del Gorgia o del Fedro. Non appare dunque fuori luogo riproporre il problema, più volte avanzato dalla critica: quanto lo straordinario ritratto del sofista che proprio il grande discorso del Protagora e l’apologia del Teeteto consegnano alla tradizione successiva deve al genio letterario di Platone? Ma il problema potrà essere posto anche in termini diametralmente opposti: quale peso ha la riflessione di Protagora su Platone? Certo, nella sezione introduttiva del Protagora, attraverso un articolato e programmatico paragone con l’ambito del commercio, lo stesso Socrate teorizza la possibilità di riprendere posizioni di Protagora, quando siano state giudicate valide (313e2-5): chi è in grado di distinguere nei mathemata il khreston dal poneron potrà acquistarli anche da Protagora. Anche nel caso di Protagora è possibile scorgere il consueto atteggiamento di Platone nei confronti della tradizione letteraria e filosofica a lui precedente. Platone, pur ponendosi spesso in un atteggiamento critico, non nega tale tradizione in senso assoluto. Vuole piuttosto rifondarla su un piano diverso, più stabile, alla luce della propria concezione della realtà. DA COSTA, Gilmário Guerreiro Universidade de Brasília O grande drama do conhecimento: escrita, arte e tragicidade em Platão Por sorte de notável ironia, não raro as tentativas de salvar Platão das acusações de dogmatismo servem-se da afirmação do caráter ambíguo e rico da sua escrita. Seria precisamente o traço repudiado no Fedro aquele dotado de maior força e convencimento. Noutros termos, o filósofo ressurge no reencontro com o artista. Em grande medida, as razões desse fenômeno residem em que nos diálogos de Platão lemos o grande drama do conhecimento e da pesquisa. Um grande feito da cultura grega. O presente artigo intenta examinar algumas possibilidades explicativas e compreensivas desse fenômeno no texto platônico, focalizando três instâncias intimamente relacionadas entre si: a peculiaridade da sua escrita, seu caráter artístico e o gesto crítico ambíguo com que instaura sua relação temática e formal com a tragédia. Cada uma dessas seções se ocupará de um diálogo para análise -4- mais pormenorizada: I. Escrita: Os impasses miméticos no que tange à construção da imagem dos sofistas no Sofista; II. Arte: Diálogo e sedução – a leitura e o éros no Banquete; III. Tragicidade: A força irresistível da aparência – hesitações platônicas em torno à tragédia na República. Tais hesitações, se não fazem de Platão um autor trágico, podem ao menos matizar os planos de superioridade do discurso filosófico com respeito à tragédia. Nesta haveria genuíno conhecimento acerca desse nível em que se processam os dilemas e instabilidade humanos. Se encena o fracasso do ideal, não sustenta, necessariamente, o abandono do Ideal – tão somente a exibição da cicatriz da busca. Assim como o mestre de Platão, o escritor trágico também apenas pode saber do que não sabe. Escrita; arte; tragicidade. DE PINOTTI, Graciela Marcos Universidad de Buenos Aires Estrategias argumentativas en Teeteto y Sofista. El recurso platónico a las condiciones de posibilidad del lenguaje. El recurso platónico a las condiciones de posibilidad del lenguaje. En Teeteto y Sofista, Platón combate una serie de posiciones extremas de cuño heraclíteo y eleático, al igual que ciertas tesis sofísticas que tendrían relación con ellas. Para refutarlas ofrece un tipo especial de argumento que no apela a la existencia de las Formas sino al factum del lenguaje. Tales argumentaciones, sostendremos, tienen mayor alcance que las que suele aducir el Sócrates platónico cuando discute con los adeptos a las Formas, pues aspiran a persuadir a todo hablante dispuesto a aceptar ciertos presupuestos sin los cuales, según Platón, la práctica del lenguaje sería imposible. DE SANCTIS, Dino Università di Pisa Socrate per le strade di Atene: le scene d’incontro nell’incipit del dialogo di Platone. Nel dialogo, Platone intreccia, con una fitta rete di allusioni, la produzione epica e teatrale alla quale attinge per creare un genere letterario nuovo, capace di riprodurre la synousia, sempre aperta, tra maestro e allievo. Non poco rilievo in questa operazione assumono le scene di incontro tra Socrate e i suoi interlocutori: vere e proprie situazioni tipiche. Emergono qui fertili presupposti tematici del dialogo, base necessaria per lo sviluppo narrativo: il luogo, un luogo preciso, riconoscibile di Atene, assieme al tempo, l’”ora”, il nun, e soprattutto lo “ieri”, lo chthes, come rivela, ad esempio, l’apertura della Repubblica con la catabasi di Socrate dal Pireo alla casa di Cefalo (327a). Nelle scene di incontro, dunque, l’esperienza di Socrate ruota intorno ad Atene, un’Atene indicata con scrupolosa puntualità. Ne offre una testimonianza significativa lo Ione (530a1-c6): per le strade della città avviene l’incontro tra Socrate e il rapsodo che giunge vittorioso da Epidauro, pronto per una nuova vittoria e per un nuovo viaggio. Con chairein, l’omaggio di Socrate: il saluto di benvenuto all’ospite, con pothen ta nyn, la domanda per sapere da dove l’ospite giunga. Ma da subito nel -5- serrato botta e risposta che scandisce l’incontro tra Socrate e Ione è ben chiaro che Platone tende a mettere in evidenza il ruolo di Socrate ad Atene. Atene s’oppone al mondo esterno, fuori dalle mura, perché rappresenta il luogo per eccellenza nel quale Socrate realizza la sua indagine sull’uomo. Non sorprende, dunque, che un’attenzione analoga per gli incontri di Socrate emerga anche in altri dialoghi: dall’Eutifrone, per il problema della graphe di Socrate (2a1-2c1); dal Critone (43a1-43b1) con la descrizione del soffuso albeggiare visto dal carcere; dal Fedro (227a-229c5) dove Platone osserva, con garbato distacco e sarcastico imbarazzo, la campagna alle porte della città. Agisce nell’Ippia maggiore con l’arrivo improvviso di Ippia (281a1-b3), nel Protagora con la notizia che il sofista è giunto finalmente in città (309a1-310a1), nel Carmide nel richiamo alla gioia con la quale, al ritorno da Potidea, Socrate si reca presso la palestra di Taurea (153a1-153c4). In altri casi l’incontro diventa oggetto di ricordo: ricordo da comunicare, dopo complesse cornici, nel Simposio (172a1-174a2) e nel Teeteto (142a1-143c8), ad esempio, tramite un “salto all’indietro” nel tempo. Un esame delle scene d’incontro, dunque, intende chiarire l’impiego e le finalità di alcune tecniche narrative che si mostrano nei dialoghi sempre rinnovabili a seconda del contesto. Tecniche adattate ad una produzione letteraria nuova, in costante contatto e colloquio con la tradizione. Tecniche di sorprendente forza evocativa, che non a caso avranno uno sviluppo nella poetica dell’Ellenismo: ad esempio, nell’idillio mimetico di Teocrito, con le Talisie (VII), i Cantori Bucolici (VIII), Eschine e Tionico (XIV), e le Siracusane (XV), dove l’eredità del dialogo di Platone gioca un ruolo cruciale nella dotta commistione dei generi. EL MURR, Dimitri Université Paris I Panthéon-Sorbonne Manufacturing Friendship in Plato’s Republic. That friendship is a topic addressed in any philosophical depth in Plato’s Republic is not self-evident. When Socrates moves on to the description of the communal life of guards, he does not dwell on the interpersonal relationships involved and he has even less to say about friendship between the members of the intermediate class. It is as if the Pythagorean motto ‘everything is common between friends’, used twice (at Rep., IV, 424a2 and V, 449c5) to single out the main thrust of the form of community specific to the intermediate class, was put forward for merely rhetorical reasons, not to introduce a consistent view of interpersonal friendship. From a philosophical perspective, this is surprising: how could Plato have neglected friendship, when his main political objective is explicitly to explore the conditions of a unified and harmonious city? My claim is that Plato’s conception of the role friendship plays within the city is far more important and more elaborate than it seems at first. In order to support this claim, one needs to unravel the successive approaches to philia developed by Socrates and consider how they might form a coherent whole. This will lead me to consider not only how Plato rejects the traditional understanding of the polarity between friend and foe, so as to exclude any form of enmity from the ideal city, but also how the stability and efficiency of the ideal city depend upon a complex -6- network of relationships of philia, manufactured by Socrates and his fellow legislators of Kallipolis. ERLER, Michael Universität Würzburg Detailed completeness and pleasure. Some remarks on narrative tradition in Plato. In his novel ‚Der Zauberberg’ Thomas Mann praises the pleasure that results from the completeness of a narrative. In doing so he follows a tradition which goes back to antiquity and Homer and plays an interesting role in the platonic dialogues as well. It is characteristic of the Platonic sokratikoi logoi – some even call it an invention by Plato – that in his dialogues Plato shows strong concern with character types, historical personal and detailed historical settings of the conversations he describes in his dialogues. Following the tradition of the narrative back to Homer Plato the narrator - or so it seems –aims at completeness of his narrative in order to entertain the reader. In addition to that some dialogues which combine dramatic and narrative elements offer reflections on different forms of narratives and on the expectations of their audiences. I shall argue that these passages are of interest in view of the poetical tradition from Homer to Plato’s time and at the time can be seen as hermeneutical devices to better understand the poetics of Plato’s narrations in the dialogues and of the dialogues themselves insofar as they are narratives. FERRARI, Franco Università degli Studi di Salerno Socrate, la maieutica e la filosofia: personaggi e autore nella struttura drammatica del Teeteto Nel Teeteto, come in altri scritti platonici, l’esito aporetico del dialogo non esprime il punto di vista dell’autore. L’incapacità dei personaggi di fornire una risposta soddisfacente alla problema della natura della conoscenza non va estesa in maniera meccanica a Platone, la cui posizione non viene rispecchiata da quella del personaggio di Socrate. FITZPATRICK, Kirk Southern Utah University The Modal Stichometric Interpretation of Plato’s Texts Professor Kennedy’s article in Apeiron seeks to establish that Plato divided some, if not all, of his dialogues into 12 equal sections (J.B. Kennedy’s “Plato’s Forms, Pythagorean Mathematics, and Stichometry,” Apeiron, 003-6390/2010/4301-032 32.00, Academic Printing and Publishing, 2010). The twelve sections are construed to correlate with the Pythagorean twelve division multi-octave musical scale. Each note in the musical scale is identified as harmonious, disharmonious, or neutral relative to the root note of the scale. When the thesis is applied to a text, the notes are harmonious or not -7- relative to the text’s thesis. The article seeks to demonstrate what I will call “ST”: The Stichometric Thesis (ST) – Some of Plato’s texts divide in 12 equal sections that correlate with the Pythagorean account of the 12 section multi-octave scale. Though ST does not discuss the musical modes, it does not preclude a stichometric thesis concerning the musical modes. This paper accepts ST, it corrects the letter-count cited in ST, and stretches ST to account for the musical modes. This paper seeks to establish a modal stichometric hypothesis: The Modal Stichometric Thesis (MST) – (a) Plato divides his texts according to the musical modes: (b) The normative account of the modes in the Republic directs his textual references. Since ST implies MSTa, we may chart the notes in the various modes directly. MSTb requires a supporting argument with a test application to a text. MSTb states that there is a normative account of the modes in the Republic. Therein, the modes correlate with the constitutions of state and soul. MSTb holds that in a text the notes in the various modes will make reference to the attributes or character traits of the correlate constitution. The focal text for ST, the Symposium, will function as the test-case for MSTb. GILL, Mary-Louise Brown University Plato’s Unfinished Trilogy: Timaeus–Critias–Hermocrates Why does Plato leave his trilogy, Timaeus–Critias–Hermocrates unfinished, with the Critias ending in mid-sentence and the Hermocrates missing? This paper argues that Plato says enough in the Timaeus and Critias to indicate the contents of the unfinished series. His choice of characters, Socrates’ references back to the ideal city in the Republic, Critias’ story of Atlantis, and references forward all suggest that the trilogy would have contained a powerful political message best left to the audience to reconstruct. Starting with the beginning of the world down to the emergence of humankind (Timaeus), the series would have recounted the degeneration of Athens from the ideal state that defeated Atlantis and saved the world from aggression (Critias) into the Athens that invaded Sicily in the recent past, revealing herself as the new Atlantis (Hermocrates). GUTIÉRREZ, Raúl Pontificia Universidad Católica del Perú Las tres olas de la dialéctica La imagen de las tres olas que se inicia en República V 449 a y concluye en República VI 502 c la entiendo como una imagen de la dialéctica tal cual es descrita en la línea. En ese sentido, allí se examinan tres cuestiones – 1) la comunidad de funciones de hombres y mujeres, la comunidad de mujeres e hijos y la factibilidad de Kallípolis – recurriendo a tres hipótesis superiores – 1) la coincidencia de physis y érgon, 2) que el mayor bien para la polis es lo que la hace una y el mayor mal lo que la divide y la hace múltiple, 3) la coincidencia de la filosofia y el poder político. A su vez, una hipótesis sobre la naturaleza de la filosofia permite establecer la unidad entre conocimiento filosófico y virtud como condición necesaria y suficiente para la posibilidad de la -8- realización de la polis justa. Siendo así, a través de estas hipótesis se asciende como si fueran “peldaños o trampolines” (hoīon epibáseis kaὶ hormás, 511b6) conducentes al orden justo de las Ideas como paradigma y, en última instancia, a la Idea del Bien. HARTE, Verity Yale University A comic rivalry? Character and Caricature: Socrates and ridicule in Philebus 48e-50b The paper addresses the question why the Philebus devotes two Stephanus pages to showing that an audience’s reaction to comedy involves phthonos and, as such, a mixture of pleasure and pain. It argues that the discussion of comedy is the means by which Plato stages a contrast between competing portraits of the character Sócrates—his own and that of comedy—and, in so doing, invites reflection on the value of Socratic self-knowledge. MACEDO, Ester Universidade de Brasília Could Cephalus have had a tyrannical soul? In this paper, I examine the role of Cephalus in the structure of Plato’s Republic. In particular, I try to fit Cephalus’ genealogy into that of books VIII-IX. The result of this comparison is the following thought experiment: what if Cephalus had had – at least before old age – a tyrannical kind of soul? This hypothesis, though far-fetched, brings a new light to several details in Cephalus’ short appearance in the dialogue. There must, after all, be a reason for Socrates’ keen interest in Cephalus’ attitude towards money, especially since Cephalus’ description of the attitudes of his father and grandfather that comes as answer bears considerable resemblance to the genealogy given in books VIII-IX. It would also give a stronger significance to his endorsement of Sophocles’ opinion of erotic passions as being a “savage and tyrannical master” (329c) as well as his conception of justice and his eagerness to placate the gods. These are some of the elements I consider in detail in this paper. MARINO, Silvio Universidade de São Paulo / Universidade Estadual de Campinas Lo stile della scrittura della medicina nel discorso di Erissimaco: imitazione e contaminazione Scopo della comunicazione è mostrare innanzitutto le assonanze, di stile e di contenuto, che intercorrono tra i trattati medici ippocratici e il discorso che Erissimaco enuncia nel Simposio per definire la natura di Eros. Si possono evidenziare, infatti, importanti punti di contatto tra l’impostazione del discorso di Erissimaco e i primi capitoli di Venti. In questo trattato, infatti, vi è innanzitutto l’elogio dell’arte medica, elogio che distingue tra quanti sono ottimi medici e quanti invece sono lontani dall’arte, e introduce la dialettica dei contrari e quella del riempimento -9- (plesmone) e dello svuotamento (kenosis). Proprio in questo modo inizia il discorso di Erissimaco: nell’elogio iniziale questi enuncia i punti sopra evidenziati del discorso di Venti, permettendo così di mettere in luce dei paralleli tra il discorso medico di questo trattato e quello di Erissimaco. Il nodo della questione è che in entrambi i testi si riscontra un doppio elogio; il primo della tecnica medica, il secondo, invece, del principio che si ritiene alla base della costituzione fisica di tutti i corpi, umani e animali. Sia in Erissimaco sia in Venti, infatti, l’eros, per il primo, l’aria, per il secondo, sono i principii che regolano l’universo intero e per i quali viene pronunciato un elogio per entrambi simile: attributo dell’eros e dell’aria è la “potenza” – «megas dynastes» per Venti, «megisten dynamin echei» per Erissimaco.Il discorso di Erissimaco, però, si complica e non segue più l’“orma” di Venti, e introduce altri dominii tecnici, quali la musica e la mantica, che sono riportati al modello di funzionamento più generale della medicina. Il modello di Venti viene perciò sostituito, per così dire, e si impone un altro paradigma, più vicino a quello di un altro testo ippocratico: il Regime, testo importantissimo non solo perché sviluppo di concezioni mediche della prima produzione ippocratica, ma anche perché esprimente una concezione medica nota a Platone e criticata nella Repubblica. I punti di contatto con il Regime aprono la strada a un’evoluzione del discorso di Erissimaco, che, introducendo musica e mantica, può mostrare in che modo la medicina sia la chiave per la conoscenza del cosmo intero, intento proprio dell’autore del Regime.A questo punto, però, leggendo a ritroso il discorso di Erissimaco, ci si accorge che la terminologia utilizzata da Platone non è prettamente medica, ma pertiene al lessico tecnico del dialogo: concetti come quelli di homologia, homonoia, amicizia pertengono al livello del dialogo socratico-platonico e indicano un altro tipo di medicina, presente nei testi platonici, che è quello della medicina dell’anima. Il gioco platonico nel costruire il discorso di Erissimaco, in questa visuale, è, pertanto, da un lato quello di ricreare discorsi che imitano stilisticamente quelli degli autori ippocratici, dall’altro, invece, quello di contaminare i diversi piani di discorso (medico e dialogico) per introdurre l’analogia tra la pratica terapeutica medica e la pratica del dialeghesthai. MARQUES, Marcelo P. Universidade Federal de Minas Gerais O caráter antilógico da busca erótica no Banquete No Banquete, a verdade dialética do amor é construída dramaticamente, através de todos os interlocutores, não apenas no discurso de Sócrates-Diotima. O diálogo sobre o amor é um sistema literário e discursivo com múltiplas entradas e conexões. São diversos os elementos e níveis de significação que se entrelaçam antilogicamente, configurando uma estrutura aporética, mas que aponta para uma direção determinada. Serão desenvolvidas as seguintes antilogias: elogio e verdade, intuição e discursividade, deus e não deus, afeto e estrutura, carência e plenitude, parte e todo, amante e amado, loucura e filosofia. Ao provocar impasses, o diálogo propicia ocasiões efetivas de acionamento da pesquisa e de reformulação dos problemas, constituindo o meio propriamente erótico de fazer avançar a pesquisa. O amor é movimento e -10- transformação permanentes, que exigem beleza e renovação das significações. McCABE, Mary Margaret King’s College London Seven characters in search of a teacher There are seven dramatis personae in the Euthydemus, each carefully characterised. I explore the relation between the characterisation of the characters and the dialogue’s various accounts of process and change. This relation, I claim, is connected to the dialogue’s overall theme of learning and teaching, and it reflects competing accounts of the nature, and even the possibility of teaching and learning. This, I suggest, shows us the argumentative unity of a dialogue which seems badly fragmented at first view. MONTENEGRO, Maria Aparecida Universidade Federal do Ceará O estilo platônico de filosofar e escrever no diálogo Fedro O Fedro é um diálogo especialmente rico para se pensar a questão do estilo de Platão como escritor e como filósofo, uma vez que traz como um de seus temas centrais justamente a arte da composição de discursos, bem como polemiza o papel da escrita como instrumento para o exercício da filosofia. Pretendo mostrar que, nesse diálogo, toda a maestria de seu estilo único de filosofar se faz presente, posto que primeiro apresenta, em ato, o tema que, em seguida, será submetido a exame. Cumpre destacar que aquilo que se consagrou como a metafísica platônica - a natureza da alma e das formas – é tratado, quiçá de modo mais ostensivo que alhures, a partir do mito. Tal recurso, característico do estilo do Ateniense, consistiria, suponho, em uma alternativa entre o estilo poético, o estilo materialista dos filósofos da physis e o estilo antropológico (para não dizer relativista) dos assim chamados sofistas. MOTA, Marcus Universidade de Brasília Dramaturgia cômica em Platão: observações a partir de Íon Neste texto propõe-se uma análise detida de Íon, de Platão objetivando explicitar seus procedimentos de comicidade. Tais procedimentos possibilitam estabelecer conexões entre o texto a a tradição cômica. A abordagem aqui desenvolvida situa-se na interface entre Estudos Clássicos e Estudos Teatrais. MUNIZ, Fernando Universidade Federal Fluminense Performance e Elenkhos no Íon de Plato No Íon, a autoridade e a sabedoria de poetas e rapsodos são confrontadas por meios indiretos. O caráter oblíquo dessa estratégia impede o acesso direto ao conteúdo do diálogo e provoca inúmeros equívocos de leitura. Um fato contextual estimula mais ainda leituras equivocadas. A poesia tratada no Íon difere muito da forma como nós, -11- modernos, a entendemos. Na Antiguidade grega, de base aural, a poesia era o modo privilegiado de conservação da tradição herdada, e permaneceu exercendo essa função capital até mesmo quando a escrita passou a desempenhar papel relevante na forma de composição e transmissão cultural. Neste contexto, o rapsodo representa uma autoridade que cobre praticamente todos os campos do saber. Autoridade enciclopédica, contra a qual Platão travou uma guerra não sem ambiguidades. O presente artigo busca revelar a motivação profunda que anima o Íon: a contraposição entre dois modos de comunicação, o da poesia e o da filosofia. Defende, ainda, que Platão, ao atacar a performance poética, busca, além de rejeitá-la, substituí-la pelo élenkhos socrático como modo de comunicação ideal para instrução e guia da vida humana. NAILS, Debra Michigan State University Five Platonic Characters I argue that our interpretations of Plato’s dialogues ought to be influenced by what was known of the particular persons he chose as characters or chose to mention or describe. Sometimes, the roles of individuals within familial, social, and religious institutions—even the particular times in which they lived—set boundaries on how we should understand the texts. As evidence, I use Meno, Theaetetus, Diotima, Phaenarete, and an unnamed woman mentioned in the Protagoras. OLIVEIRA, Loraine Universidade de Brasília A figura de Sócrates segundo Pierre Hadot Em 1974, Pierre Hadot fez uma conferência chamada La Figure de Socrate, na qual analisou a figura idealizada de Sócrates, tal como foi desenhada no Banquete, e como Kierkegaard e Nietzsche a perceberam. De múltiplas faces, a figura de Sócrates é pouco a pouco desvendada por Hadot, sob três máscaras: a do Sileno, a de Eros e a de Dionísio. Limitando-se à leitura que faz Hadot do Banquete, propõe-se aqui estudar a figura de Sócrates a partir especialmente das máscaras do Sileno e de Eros. Com isso, serão investigados os conceitos de máscara, ironia e amor, em relação com o “diálogo socrático”, gênero literário e filosófico desenvolvido por Platão. O conceito de máscara, que aparece no capítulo dedicado ao Sileno, é fundamental para se compreender a figura de Sócrates. Segundo Hadot, “Sócrates se mascara a si mesmo: é a famosa ironia socrática”. Mas não só isso. Porque se mascarou, o antigo mestre de Platão serviu de máscara a outros, que necessitaram esconder-se atrás dele. Destas constatações, Hadot tira o significado profundo da máscara irônica de Sócrates, que aparece na situação dialógica. Nos diálogos, Sócrates torna-se uma máscara, tal como o prosopon no teatro. Sob a forma sutil e refinada que Platão conferiu a estes diálogos, o leitor vê-se como o interlocutor que não sabe onde as questões socráticas o levarão. A máscara de Sócrates é desconcertante; “introduz uma perturbação na alma do leitor e a conduz a uma tomada de consciência que pode ir até à conversão filosófica”. Hadot -12- então envereda pela máscara de Eros: “ligada à ironia do diálogo, há em Sócrates uma ironia do amor que conduz a inversões de situação totalmente análogas àquelas da ironia do discurso”. Assim como o interlocutor dos diálogos descobria não possuir sabedoria alguma para dar a Sócrates, na ironia amorosa, o suposto amado descobre que é incapaz de satisfazer o amor de Sócrates, por não possuir a verdadeira beleza. Sócrates e Eros então confundem-se em um jogo de máscaras, de tal modo que amar a Sócrates será equivalente a amar o amor. Este é o sentido do Banquete de Platão, diálogo construído de modo a fazer adivinhar a identidade entre a figura de Eros e aquela de Sócrates, diz Hadot. O Banquete apresenta Eros como um daimon, donde Hadot encontra a plena significação da máscara erótica de Sócrates. A dimensão do amor é também aquela do irracional, do “demoníaco”. “O daimon de Sócrates era a inspiração que se impunha por vezes a ele de uma maneira completamente irracional (...). Era, de algum modo, seu “caráter” próprio, seu verdadeiro eu”. Mas, precisamente esta dimensão ambígua e indecisa é inseparável da existência humana. É “a força motriz indispensável a toda realização, é a dinâmica cega, mas inexorável, que é preciso saber utilizar”. O daimon não é bom, nem mau; só a decisão moral do homem pode dar a ele seu valor definitivo. PEIXOTO, Miriam Campolina Universidade Federal de Minas Gerais Demócrito de Abdera, um ὑποκριτής sob a σκηνή platônica. Platão, em seus diálogos, põe em cena os mais variados tipos de personagens. Dentre esses, alguns são cidadãos mais ou menos ilustres, conhecidos de seus contemporâneos, mesmo se nem sempre as opiniões que lhes atribui Platão podem ser tomadas como sendo aquelas que teriam professado os seus correlatos históricos. De outros tantos, pouco ou quase nada se sabe além do que ele próprio nos informa. Em um e em outro caso contudo, Platão os toma como porta-vozes, sejam de teses que lhe inspiraram ou influenciaram em um ou outro aspecto ou momento da gestação de seu pensamento, sejam de teses que serão alvos do movimento elêntico de seus diálogos. Se assim acontece no mais das vezes, não são entretanto raras - e não de menor importância! - as ocasiões em que ele parece ter preferido deixar o seu potencial interlocutor no anonimato, limitando-se apenas a sugerir ou a insinuar a pertinência de uma ou outra doutrina sem referi-la explicitamente a alguns de seus predecessores ou contemporâneos. Às conhecidas alusões do Sofista aos “amigos da terra” e aos “amigos das formas” somam-se tantas outras em que se contenta em se referir, por exemplo, “aos antigos”, “aos sábios de hoje”, ou seja, a somente aludir sem identificar aqueles que são os seus “virtuais” interlocutores. Interessa-nos examinar este tipo de procedimento, do qual Platão lança mão com uma certa freqüência, e suscitar algumas reflexões sobre as possíveis razões que o levaram a recorrer a ele no quadro de suas composições dialógicas. Em nossa exposição, tomaremos como objeto a figura de Demócrito de Abdera, personna silenciosa cuja sombra se deixa entrever em tantos contextos e argumentos das cenas platônicas, cujas idéias, não obstante, emergem discretamente aqui e ali ao longo de seus textos e nos mais variados campos -13- de sua investigação. “Eminência parda” no corpus dos diálogos platônicos, o filósofo de Abdera e, principalmente, o silêncio de Platão a seu respeito, não passaram de todo despercebidos de sucessivas gerações de historiadores da filosofia que se dedicaram ao estudo do pensamento e da obra platônicos. Desde a conhecida alusão de Diogenes Laércio ao episodio reportado por Aristoxeno em suas Memórias históricas, o tema têm sido objeto de conjecturas e suscitado controvérsias. Pretendemos, através do exame de alguns pontos de convergência entre os dois filósofos, tecer algumas considerações sobre a presença silenciosa, apesar de sua virtual eloqüência, dos personagens que Platão não quis nomear diretamente e nem sequer aludir em seus diálogos. REGALI, Mario Università di Pisa Amicus Homerus: l’arte allusiva di Platone nell’incipit del X libro della Repubblica (595a-c) In apertura del X libro della Repubblica, Socrate propone di nuovo la poiesis quale argomento per il dialogo con Glaucone, dopo la condanna del III libro. Il bando espresso per la parte mimetike acquisisce ora maggiore forza alla luce della ripartizione dell’anima formulata nel IV libro. Per chi non possiede il pharmakon del sapere, la produzione mimetica rappresenta un oltraggio, lobe, alla facoltà intellettiva. Prima di specificare di quale oltraggio si tratti, come richiesto da Glaucone, Socrate confessa un sentimento per Omero, un sentimento che ostacola la definizione della lobe: sin dalla fanciullezza, ek paidos, la philia e l’aidos per Omero possiedono Socrate. Un sentimento che Socrate spiega con il ruolo preminente che Omero svolge quale primo maestro ed hegemon di tutti i poeti tragici kaloi. Nonostante l’affezione che lo lega a Omero, Socrate dovrà comunque esprimere la condanna perchè non si deve onorare l’uomo più della verità. La critica moderna, con il contributo di Leonardo Taràn, ha ben illustrato la fortuna della sequenza ou pro tes aletheias timeteos aner, che da Aristotele, attraverso la produzione dei Neoplatonici, giunge al Don Quijote di Cervantes e al Tristram Shandy di Sterne. Ma restano forse da indagare i modelli letterari per la scena che qui costruisce Platone; in particolare, con la philia e l’aidos per Omero, Platone reimpiega la lingua dell’epos, in una trama allusiva che tende alla caratterizzazione di Socrate quale eroe omerico. Il rapporto fra il nesso impiegato da Socrate e la formula di Omero è notato, pur con rapidità, anche da NADDAFF, Exiling the Poets, Chicago-London 2002, p. 38 n. 3: “Socrates’ own ironic reflection on his childish, cultivated philia and aidos for Homeric verse is coached in a phrasing itself echoing a Homeric formula”. Scorgiamo infatti qui un gioco con il nesso epico philos te kai aidoios che, di norma, nelle scene tipiche di xenia designa l’ospite (e.g. Il. XVIII 385-386, 424-425: Charis si rivolge a Teti che arriva da Efesto, poi Efesto a Teti dopo aver lasciato il lavoro; Od. V 87-88: Calipso accoglie Ermes; VIII 18-22: Atena che mesce charis su Odisseo perchè sia per i Feaci philos, deinos e aidoios; XI 355-361: Odisseo chiede ad Alcinoo i doni per essere aidoioteros e philteros agli occhi degli Itacesi; XIV 388: Eumeo rielabora il nesso nello scambio con Odisseo-cretese). Ma Platone richiama forse in modo puntuale una scena dell’Iliade nella quale Nestore avverte -14- Agamennone, giunto da solo presso la sua tenda nella notte, che biasimerà Menelao, sebbene per lui sia philos kai aidoios, nel caso Menelao dormisse lasciando solo il fratello (X 114-116): come Nestore, Socrate nella Repubblica manifesta a Omero il rispetto prima della critica. Il rapporto concreto con la scena del X libro dell’Iliade illustra il ruolo di modello che per la caratterizzazione di Socrate svolge la figura di Nestore, non a caso l’eroe che fra i Greci possiede il sapere più alto. RIEGEL, Nicholas Universidade de Brasília Two Tetralogies in Plato’s Symposium In this paper I argue that Plato’s Symposium should be read as two competing tetralogies. Each tetralogy consists of three serious, or “tragic,” speeches followed by a satyr-play, or “comic” speech. The first tetralogy consists of speeches by Phaedrus, Pausanias, Eryximachus, Aristophanes, and the second tetralogy is composed of the speeches by Agathon, Socrates, Diotima, and Alcibiades. Conclusions are drawn from the division of the dialogue into these two sets of speeches. SAMPAIO, Evaldo Universidade de Brasília A recepção do Platão político em Leo Strauss A História da Filosofia, enquanto disciplina acadêmica, parece cada vez mais íntima da “História” e, por conseguinte, menos familiar à “Filosofia”. Isso por que a “descoberta da história” consolidada no século XIX ocasionou uma outra maneira de se pensar até então sobre a relação entre os diversos sistemas filosóficos. Por conseguinte, o surgimento e o desenvolvimento da disciplina História da Filosofia está em paralelo ao da “consciência história” que a tornou possível e influente. A consciência histórica se tornou tão espontânea na maneira como abordamos as doutrinas filosóficas do passado – e mesmo as do presente, que muitos sequer percebem a profunda incompatibilidade entre o ponto de vista dessas doutrinas e a interpretação historicista que agora as recobre. Tal é a intuição central da leitura que a obra de Leo Strauss requer quanto a História da Filosofia e, em especial, à filosofia política clássica. Dentre os principais representantes da filosofia política clássica, Strauss reencontra em Platão – ou no Sócrates de Platão – os elementos necessários para se revitalizar o que se poderia denominar de “racionalismo político clássico” e assim apontar um modo não-historicista de se pensar a História da Filosofia, um acesso superior às doutrinas do passado que hoje estaria como que impossibilitado pela consciência histórica. Pretendo aqui interrogar as linhas gerais do método hermenêutico straussiano através de sua análise da personificação socrática de Platão, caso exemplar para discutir a superioridade de uma interpretação não-historicista da História da Filosofia. Espero, deste modo, contribuir para se pensar a História da Filosofia, essencialmente, como uma forma de reflexão filosófica. -15- SANTORO, Fernando Universidade Federal do Rio de Janeiro As Faces de Aristófanes no Banquete de Platão As personagens do Banquete de Platão são faces de gêneros literários, isto é assente. Mais do que isso, também são faces de gêneros sapienciais tradicionais ou inovadores. Quais são as faces de Aristófanes? Com certeza, uma delas é a comédia. Todavia, no Banquete, a comédia não é a sua face mais exposta, constituindo muito mais o contorno e o tom do caráter da personagem. O discurso de Aristófanes é um discurso cosmogônico, segundo um modelo de teogonia. Que tipificação de teogonia podemos encontrar no seu discurso? Que relação este discurso sapiencial pode ter com toda a trama dramática e conceitual do diálogo filosófico? SANTOS, José Gabriel Trindade Universidade Federal da Paraíba “Reading the Sophist” Integrando dados colhidos nos planos “dramático” e “argumentativo” do diálogo, o meu objetivo é apresentar uma interpretação “aberta” do Sofista. Explorando uma rede de conexões com outras obras platônicas, não explicitamente autorizadas pelo filósofo, leio o Sofista como uma investigação conjunta sobre uma teia de problemas, recorrentes no Corpus (Ser/Não-Ser, Verdade/Falsidade). Vejo estes problemas como constitutivos do “programa de pesquisa” de que depende o estabelecimento dos conceitos básicos da filosofia, tal como Platão a entende e pratica. SCOLNICOV, Samuel The Hebrew University of Jerusalem Beyond language and literature Plato’s dialogues are always incomplete, in order to warn us against taking what is said at face value. Even the narrator, if there is one, is himself a dramatis persona, with his own interests and point of view. Socrates is necessarily ironical, as a direct consequence of his method of hypothesis. Against good logical reasoning, the conclusion is taken to be stronger than its premisses. Socratic irony cannot tell us, not even indirectly, Socrates’ meaning, as it involves a different understanding of the very words used. Language is fundamentally non-communicative. Hence the unavoidable distinction between utterance and proposition. Plato’s fundamental intuition is the primacy of philosophia. That archimedean point has to be directly intuited through an extra-dialogical event. That formative event in Plato’s thought is Socrates’ death. For Plato, reason is normative, in and of itself, as his Socrates demonstrated it on himself. -16- SOARES, Lucas Universidad de Buenos Aires Perspectivismo, escritura proléptica y naturaleza y efectos de Éros. Tres ejes de lectura para abordar el Banquete. Tres ejes de lectura para abordar el Banquete. Las lecturas tradicionales del Banquete (Bury, Brochard, Cornford, Grube, Guthrie, White, Osborne, Kahn, entre otros) cifran por lo general la erótica platónica en el discurso de Sócrates-Diotima, relegando los cinco discursos previos y el último de Alcibíades a un papel filosófico secundario. La devaluación de estos discursos corre pareja con la canonización del discurso de Sócrates-Diotima como lugar privilegiado a través del cual Platón estaría revelando su único y verdadero pensamiento acerca de la naturaleza del amor. Esta primacía otorgada al encomio socrático suele apoyarse sobre la base de la divisoria de aguas que el mismo Sócrates establece como criterio, al erigirse desde antes de pronunciar su discurso como garantía de la verdad en relación con la problemática erótica (Smp. 198d7-199a3; 199b2-5). Frente a esta lectura tradicional del diálogo, en la presente comunicación me interesa plantear un esquema de lectura del Banquete basado en tres ejes en mutua correlación: perspectivismo, escritura proléptica, y naturaleza y efectos de Éros. En lo que toca al primer eje, y sobre el trasfondo de la polifonía dramático-filosófica que vertebra el diálogo, parto del supuesto de que la problemática erótica, tal como Platón la presenta en Banquete, no deja aprehenderse como un acontecimiento en sí o de manera unidireccional (como si la verdad sobre Éros pudiera enfocarse sólo desde el ángulo del discurso de Sócrates-Diotima), sino a través de siete perspectivas teóricas en concierto. El Banquete estaría implicando así un modo perspectivista de acceso a la naturaleza del amor. Bajo este enfoque, cada perspectiva teórica encierra un núcleo parcial de verdad sobre el fenómeno erótico. En lo que respecta al segundo eje, se trata de analizar en qué medida Platón pone en práctica en el Banquete, y como en ningún otro diálogo, un tipo de escritura proléptica, en el sentido de que cada encomio contiene anticipos fragmentarios de tópicos que, a través de un sutil juego de rectificación y complementación, serán retomados en los discursos posteriores. Esta escritura proléptica entronca con la lectura perspectivista, ya que cada posición discursiva no se hace sola sino en el contrapunto con la asumida por los otros oradores. En cuanto al tercer eje, a pesar de la crítica que Agatón dirige contra los encomios previos por no respetar su precepto metodológico, según el cual primero hay que hacer referencia a las propiedades del objeto encomiado y después a las obras de las que éste es responsable (Smp. 194e4-195a5), los siete discursos terminan por articularse sobre la base de tal principio pues, como veremos, todos se ocupan de relevar los rasgos esenciales del amor para deducir a partir de ellos sus efectos sobre los hombres. -17- TORDESILLAS, Alonso Université d’Aix-en-Provence De quelques traits caractéristiques de la figure de Protagoras dans les dialogues de Platon. Du Protagoras au Théétète, du Ménon au Cratyle, du Phèdre au Sophiste, de l’Hippias majeur à l’Euthydème, la figure de Protagoras ou son ombre portée sont omniprésentes dans les dialogues de Platon. La communication s’attachera à dégager quelques traits caractéristiques de cette figure en fonction de son statut dans chacun des dialogues, du rôle qu’elle occupe dans l’économie des divers dialogues et des stratégies et enjeux platoniciens de son emploi. TULLI, Mauro Università di Pisa Platone, la forma del testo e il personaggio: il giudice nello Ione Il contributo ha quale tema il rapporto fra la forma del testo che Platone offre per la ricerca e il personaggio che Socrate coinvolge. In particolare lo Ione (532 e 4-533 c 3) apre la trama, dopo l’identificazione per le singole opere del giudice con l’autore per un concetto di techne quale holon, prima del puntuale sviluppo sull’enthousiasmos che suggerisce priva di techne l’interpretazione di Omero, al catalogo, la forma del testo che più richiama la produzione arcaica. La pittura, con Polignoto, la scultura, con il Dedalo dell’Iliade, la musica di Olimpo, con il flauto, e di Tamiri, di Orfeo, con il canto, e di Femio: non è difficile scorgere qui una progressiva retrodatazione che al culmine ha la sequenza per strutture parallele, con l’esortazione, con il concreto ingresso, con l’accumulazione, per una poetica del passato che vuole ignorare il processo di emancipazione dalle figure divine realizzato da Esiodo. XAVIER, Dennys Garcia Universidade Federal de Uberlândia Aspectos teatrográficos da digressão sobre o Filósofo no Teeteto de Platão Aqui, pretendemos demonstrar em que medida a “segunda digressão” do Teeteto de Platão – que versa sobre o filósofo – traz elementos teatrográficos de fundamental importância para o desenvolvimento do diálogo e para o tema que, no passo em tela, põe em discussão. Em especial, tentaremos jogar luz sobre os aspectos pedagógicoeducativos registrados na digressão, ressaltando a força com que alude a um percurso metafísico que, no Teeteto, será apenas indicado. -18- Comunicações AGOSTINI, Cristina de Souza Universidade de São Paulo Cobrir o rosto e escrever: Platão e Eurípides na tessitura da persuasão O presente trabalho pretende fazer uma aproximação comparativa entre alguns temas do diálogo Fedro, de Platão e da tragédia Hipólito, de Eurípides, como o ato de cobrir a cabeça, o phármakon e os grammáta. ALMEIDA JÚNIOR, George Matias de Universidade Federal de Minas Gerais O jogo sério de Platão Partindo de discussões pontuais de alguns diálogos e da Carta VII, apresentaremos a consideração platônica sobre o jocoso e o sério no domínio da escrita filosófica, da ação dramático-argumentativa dos diálogos e a relevância do jogo e da seriedade em alguns temas fundamentais do pensamento platônico. ÁLVAREZ, Lucas M. Universidad de Buenos Aires e CONICET El personaje sofista. De la adquisición a la producción: claves de un itinerario En las primeras líneas de Sofista, los interlocutores acuerdan investigar la figura homónima con el objeto de ofrecer una definición de su naturaleza y diferenciarla así de las figuras del político y el filósofo. Extranjero emprende la tarea mediante el método de la división que se extiende desde 219a hasta 236d y en este largo segmento del diálogo se alcanzan las siete definiciones de la figura en cuestión. En el presente trabajo, nos dedicaremos a estudiar el itinerario de estas definiciones buscando precisar el status que en definitiva adquiere el sofista. Para ello nos detendremos en los siguientes puntos del trayecto: a) la condición de foráneo y de filósofo de Extranjero; b) la vinculación entre dioses y filósofos que plantea Sócrates; c) la conveniencia de ejercitar el método de la división mediante el modelo (parádeigma) del pescador con caña; d) el paso de la técnica adquisitiva (ktetiké) a la productiva (poietiké) (232b-235b) y la división de la técnica de producir imágenes en una técnica figurativa (eikastiké) y otra simulativa (phantastiké) (235b-236e) y, finalmente, e) la definición del sofista como productor de “imágenes habladas” (eídola legómena) (234c), como “imitador de las cosas que son” (mimetès òn tôn ónton) (235a), como “artífice de engaño” (pseudourgós) (241b) y, hacia el final del diálogo, la reaparición de la división y la caracterización del sofista como un “imitador del sabio” (mimetès òn toû sophoû) (268c).A partir de este repaso por ciertas claves del itinerario, insistiremos sobre -19- la doble dimensión que adquiere la figura del sofista en tanto concepto diegético y personaje extradiegético vinculando esta duplicidad con la pérdida del lugar que otrora poseía el sofista como interlocutor en el corpus platonicum. En lo que hace a la primera dimensión, pondremos en evidencia la postulación del sofista como modelo del no-ser e intentaremos probar si el método de la división no esconde una producción de esa figura por parte de los interlocutores que obligaría a pensar el resultado final en términos de eikónes o phantásmata. Con respecto a la segunda dimensión, buscaremos explicitar la influencia del paradigma teatral a la hora de pensar las relaciones entre el filósofo y el sofista. Mientras que este último, gracias al modelo del actor, es pensado como un personaje que, fuera de la diégesis y en el marco de la ciudad, hace las veces de sabio, el filósofo encarnado por Extranjero se presenta lidiando (esta vez, mutatis mutandis, como un espectador teatral) con las máscaras, con los reflejos o, más bien, con las sombras que el personaje en cuestión parece interponer para confundirse con el sabio. Finalmente, intentaremos dejar planteada la cuestión de si en el diálogo Sofista, Platón consuma un acercamiento o más bien un alejamiento premeditado de la figura del sofista histórico. BARBOSA, Ana Mercia Universidade Federal de Sergipe O caráter dialógico do Banquete de Platão O Banquete de Platão é uma obra filosófica marcada por elementos literários em que o autor põe em cenaalguns discursos na tentativa de definir a natureza do Eros. Historicamente, Platão é apontado como umcrítico da poesia naquilo que se refere à formação do homem grego, no entanto, se faz necessário entenderem que sentido ele tece essa crítica ao mesmo tempo em que recorre à literatura em suas obras e, com isso,perceber os recursos literários que se enquadram no gênero dialógico na relação entre palavra, imagem erealidade. Nesse sentido, o Banquete é o ponto de análise desse trabalho que tem por objetivo demonstrar oprocesso dialógico na obra de Platão que, segundo M. Bakhtin, revela na figura de Sócrates, um gênero quese relaciona ao carnavalesco no jogo entre o sério e o cômico como modo de pensar a realidade através dasalegorias e da ironia socrática presentes na obra. A metodologia utilizada consta da leitura do Banquete de Platão relacionando-o aos aspectos ressaltados por Bakhtin como manifestação primeira daquilo que elenomeará de dialogismo. BATISTA, Eduardo Pereira Universidade de São Paulo O estilo da autobiografia de Platão Luciano Canfora em seu livro intitulado Um Ofício Perigoso afirma que a Carta VII de Platão, supondo que ela não tenha sido escrita pelo mestre da Academia, mas por um de seus discípulos mais próximos, pode ser considerada como a sua biografia escrita de forma autobiográfica. E, neste sentido, aponta o historiador italiano, uma vez que o documento mantém inalterado seu papel de fonte autêntica, primaria e imprescindível na biografia do filósofo ateniense, a diferença entre autêntico e -20- inautêntico se torna ociosa. No entanto, dentro desta conjectura apresentada por Luciano Canfora, como é possível admitir que a Carta VII seja para Platão a sua biografia escrita de forma autobiográfica? Em Le style de l’autobiographie, Jean Starobinski define as condições gerais da escritura autobiográfica. Para onde apontam estas condições gerais? Primeiro, que as figuras de autor, personagem e narrador se diluem e se fundem numa só pessoa, resultando num eu amálgama de narrador, personagem e autor; segundo, que a narrativa deve possuir uma certa temporalidade na qual se faça ver os traços de uma vida, de maneira que esta narrativa, ao pôr em movimento a experiência vivida pelo sujeito do discurso, constitui-se propriamente como uma narração; e, terceiro, que deve haver no seio da narrativa algo de extraordinário, algum acontecimento que resulte em uma mudança radical que divide a existência do narrador em um antes e um depois. Diante destas condições gerais, apresentadas por Jean Starobinski, a conjectura de Canfora que torna ociosa a diferença entre autêntico e inautêntico, a saber, que a Carta VII pode ser considerada como a biografia escrita de forma autobiográfica, reforça o valor histórico do documento, mas, ao mesmo tempo, enfraquece o valor filosófico do texto platônico. Nosso trabalho, ao contrário da hipótese admitida por Luciano Canfora, pretende apresentar, na esteira de Jean Starobinski, os desdobramentos na hipótese de ao lermos a Carta VII, estarmos diante de uma autêntica autobiografia de Platão. E, neste sentido, é preciso entender o estilo da autobiografia como o índice entre o escritor e seu próprio passado que, á luz do presente, revela seu projeto, voltado para o futuro, de uma maneira específica de se apresentar a outrem. BIEDA, Esteban Enrique Universidad de Buenos Aires Gorgias, el octavo orador. Resonancias gorgianas en el discurso de Agatón en el Banquete Una vez finalizado el discurso de Agatón en el Banquete platónico, Sócrates toma la palabra a fin de ensayar su propia alabanza a éros. No obstante, antes de comenzar a hablar, el hijo de la partera dedica un momento a comentar algunos puntos del discurso de su predecesor que, según dice, provocó en él reminiscencias gorgianas: “de modo que había padecido lo de Homero: temía no fuera cosa que Agatón, hacia el final, tras arrojar con su discurso contra mi discurso la cabeza de Gorgias, terrible para hablar, me convirtiera en piedra debido a la afonía ” (198c2-5; las trads. son nuestras).En el presente trabajo nos proponemos rastrear la presencia de un octavo ‘personaje’ que se halla inmiscuido entre los asistentes al banquete organizado por Agatón: el sofista Gorgias. Llevaremos a cabo dicho rastreo en tres planos diferentes pero complementarios. (A) En lo que hace a la forma de ambos discursos, veremos que tanto el sofista, en su Encomio de Helena (EH), como el personaje Agatón, en su encomio de Eros, construyen sus respectivos lógoi siguiendo un mismo orden expositivo: (i) pauta metodológica, (ii) status quaestionis, error de antecesores y objetivo perseguido, (iii) presentación de la ‘hoja de ruta’ a seguir, (iv) desarrollo de las alternativas propuestas en iii, (v) recapitulación y conclusión, (vi) cierre.(B) En lo -21- que hace al estilo de escritura, veremos la frecuencia del recurso retórico, atribuido a Gorgias, conocido como “decir cosas iguales” o “isofonía” (ísa légein). Esto fue notado ya en la antigüedad por Filóstrato quien, en sus Vidas, afirma que “Agatón, el poeta trágico a quien la comedia considera sabio y de fina expresión, a menudo, entre los yambos, se expresa como Gorgias (gorgiázein)” (I.493). En este punto daremos cuenta de los múltiples pasajes del parlamento de Agatón en los que se utiliza el “ísa légein”. (C) Finalmente, en lo que hace al contenido de ambos discursos, intentaremos mostrar que muchos de los elementos utilizados por el sofista para encomiar al lógos en su EH pueden ser hallados, en mayor o menor medida, en la alabanza que Agatón dedica a Eros. A modo de ejemplo: (i) la mención en Banq. 195b-c de las cuatro causas por las que Helena pudo haber viajado a Troya según el EH gorgiano, (ii) la “invisibilidad” como atributo tanto de Eros (Banq. 196a) como del lógos (EH §8), (iii) la euskhemosýne de Eros (Banq. 196a) y el lógos verdadero en tanto discurso ordenado (EH §1), (iv) la referencia al “paígnion” y “paidiá” al final de cada discurso, entre otros ejemplos. La conclusión del trabajo intentará mostrar, pues, cuáles son los elementos concretos que podrían haber hecho que el discurso del poeta haya hecho que Sócrates recuerde a Gorgias, orador oculto en las palabras del poeta Agatón: “pues ciertamente el discurso me recordó a Gorgias…” (198c). BORGES, Anderson de Paula Universidade Federal de Goiás Justiça, bem e harmonia psíquica em Platão Entre os temas que mais frequentemente interessam ao leitor da República de Platão está o papel que a relação alma-cidade desempenha na concepção de justiça. Vários leitores já notaram que essa relação é uma analogia que preside o argumento central da obra. Nessa breve comunicação quero me envolver com o argumento que está no coração da analogia e propor duas tarefas. Primeiro, vou me deter na tese de que um bom ordenamento social depende do tipo de vida mental que os cidadãos adotam para si. Tendo exposto rapidamente as linhas gerais dessa proposta, passo depois a formular algumas ideias sobre a concepção de justiça que dela emerge. Embora minha comunicação não pretenda ser mais do que notas provisórias e insuficientes sobre o tema, há pelo menos uma ideia que me parece, agora, bem segura para ser afirmada: Platão trabalha com a tese de que aquilo que é bom para o indivíduo não pode ser essencialmente distinto daquilo que é bom em si. BRANDÃO, Renato Matoso R. G. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Zenão, Parmênides e as contradições do diálogo Parmênides O diálogo Parmênides contém uma série de particularidades dramáticas e estilísticas. Com relação ao seu contexto dramático, o Parmênides apresenta Sócrates, ainda um jovem, em conversa com Parmênides e Zenão. Com relação ao estilo empregado na composição do diálogo, encontramos uma obra claramente dividida. Na primeira parte, Sócrates sofre uma espécie de elenchos, método comum a outros diálogos, mas -22- com a particularidade de que, apenas aqui, Sócrates é o refutado e não o refutador. Na sua segunda parte, encontramos uma longa cadeia de deduções dedicadas a análise de hipóteses acerca do Um, com o estranho resultado de que estas deduções chegam a resultados contraditórios entre si. Tanto do ponto de vista dramático, com relação ao uso de personagens, quanto do ponto de vista estilístico, podemos observar singularidades marcantes do diálogo Parmênides. O personagem Zenão aparece apenas aqui e, excetuando uma referência indireta no Fedro, não há menção a ele no conjunto da obra platônica. Em contraste, a figura de Parmênides recebe várias outras menções, por exemplo: na República e no Sofista. Da mesma maneira, as deduções da segunda parte representam um hapax, não se repetindo em nenhum outro diálogo, em contraste, novamente, com o elenchos da primeira parte. A tradição de comentários ao Parmênides vem tentando, incessantemente, compreeender os resultados da cadeia de deduções contida na segunda parte do diálogo, como apenas aparentemente contraditórios. Para que esta interpretação seja mantida, os comentadores procuraram identificar sujeitos distintos para cada uma das deduções, o que não implicaria na contradição das conclusões, uma vez que estas se aplicariam a sujeitos distintos. Surgiram, ainda, interpretações que identificam tipos distintos de predicação, outro modo de anular a aparente contradição de resultados. Em minha apresentação, defenderei a tese de que os resultados das deduções devem ser entendidos como de fato contraditórios, o que acarretaria no abandono da hipótese da qual partem, segundo o método argumentativo conhecido como redução ao absurdo. Ora, tal método foi criado e desenvolvido justamente por Zenão, personagem do diálogo. Pretendo, portanto, investigar a relação entre o personagem Zenão e o estilo empregado por Platão na segunda parte do diálogo. CAMPOS, Antônio José Vieira de Queirós Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Intertextualidade orgânica dos diálogos platônicos com os gêneros literários clássicos: o exemplo da Apologia de Sócrates Se há uma marca universal no espírito grego é o agonismo, a disputa pela excelência, traço que, entre os escritores gregos arcaicos ou clássicos se manifesta por abundante intertextualidade. Assim é que Arquíloco, na lírica, já se reporta parodicamente a Homero em versos iâmbicos, desprezando cinicamente essa tradição, ao comentar que mais valia preservar a vida mesmo tendo perdido o escudo para os inimigos. Xenófanes e Heráclito, por sua vez, criticavam acerba e abertamente Homero e Hesíodo em sua pretensão de tudo saber em suas narrativas inspiradas. O próprio Xenofonte em sua Apologia e em seu Banquete parece, sem dizê-lo, estar respondendo à caracterização de Sócrates feita por Platão, que ,a seu ver, pintaria Sócrates como alguém destituído de phrònesis por se expor deliberadamente à morte, desafiando seus juízes. Eurípedes igualmente zomba, em algumas peças, do estilo pomposo de Ésquilo. Aristófanes, por seu turno, delicia-se em desdenhar da arte de Eurípedes, por julgá-lo demasiado prosaico e apelativo com seus personagens andrajosos e seus órfãos desamparados, além de o grande comediógrafo ter o vezo de inventariar -23- humoristicamente, em algumas parábases, todo o passado do gênero cômico. Platão leva ao paroxismo o recurso à intertextualidade, com suas alusões, implícitas ou não, citações e reconstruções paródicas de filósofos, retóricos, sofistas e poetas de seu tempo e anteriores. Nem Aristóteles, com sua obra basicamente escolar e algo fragmentada, escapou ao diálogo frequente tanto com seus antepassados filosóficos, incluindo Platão, quanto com poetas e prosadores em sua “Metafísica I”, na “Poética” e na “Retórica”. Só que, em Platão, esse fenômeno assume uma proporção muito maior e de consequências filosóficas e literárias bem mais profundas, dado que , em sua obra, o agonismo se radicaliza e universaliza, pois seu adversário não é apenas um ou outro filósofo, um ou outro sofista ou poeta, mas toda a tradição intelectual, ética, teológica e poética dos gregos. E Platão talvez seja a última grande manifestação desse vínculo imanente e desse diálogo constante, de cunho agonístico, na tessitura ficcional de seus diálogos, com os textos fundadores da cultura grega, os textos poéticos. De todo modo, com Aristófanes é que começa já no provável primeiro diálogo – a Apologia -, essa interlocução platônica com a poesia, na advertência de Sócrates, em 19b3-c8, de que as acusações contra si procedem de longe (24 anos atrás), mais especificamente das “Nuvens” de Aristófanes. Com isso, quer dar um exemplo vivo da perversidade do mecanismo mimético: o que foi dito numa comédia foi tomado à letra como expressão da realidade, não porque a culpa fosse do comediógrafo, mas da audiência, que tomou os ditos e feitos de seu personagem literalmente, isto é, tomou por real o que já era uma mímesis caricata de outra mímesis em que esta se baseou, a visão popular sobre Apologia, ainda no prelo, como e com que fins se estabelece a interlocução do personagem Sócrates com os grandes gêneros poéticos da antiguidade, sobretudo com a comédia antiga, com a tragédia e com a épica, e também com a prosa retórica. CARVALHO JUNIOR, Adail Pereira Universidade Federal do Ceará A natureza e função de Eros na filosofia de Platão: Um estudo do Banquete e do Fedro A natureza de Eros na filosofia platônica está ligado ao conhecimento estabelecido entre o homem e o ser em si e entre os homens associados na busca comum de um relacionamento que não é puramente intelectual, porque envolve o homem como um todo e, portanto, também à vontade. Esta relação é definida por Platão como o amor (Eros). Dedicado à teoria do amor são dois dos diálogos mais artisticamente perfeito, o Banquete e no Fedro que encontramos de maneira primorosa essa temática. CHRYSAKOPOULOU, Sylvana The Library of the Hellenic Parliament The reform of epic poetry by the first philosopher-poets in the Sophist In the Sophist Plato provides us with the first doxographic material on pre-platonic thinkers (242b). The aim of the present article is to shed light on the intertextual affinities between Plato and his forerunners according to the testimony in question, -24- in order for their common project regarding the reform of epic poetry to come forth. In other words, the platonic reception of his predecessors cannot be treated independently from the question of the epic poetry and its cultural predominance among Greeks. I will thus focus on the platonic appropriation of the pre-platonic criticism against the epic poets and on its consequences for the history of reception. In the above-mentioned testimony Plato refers to three thinkers in particular: Xenophanes, Heraclitus and Empedocles. Xenophanes is renowned for having addressed the first explicit dismissive remarks against the theology propagated by his predecessors, that is to say the epic poets (21B 10, 11, 12). Heraclitus followed him closely along the same line of criticism (22B 40, 42, 56). Similarly to Xenophanes and his alleged disciple Parmenides, Empedocles has chosen as a medium of expression the epic verse, namely the dactylic hexameter. He composes the new epic, in response to the Hesiodic Theogony and to the myth of races in the Works and Days, not to mention the Catalogue of Women. Empedocles goes as far as to abolish the foundation of the Greek religion according to the Hesiodic myth of Promytheus, that is to say sacrifice, while Xenophanes presents his symposiac elegy as a reform of the banquet ritual (21B1DK), not to mention the banquet poetry of his time. Likewise, Heraclitus’ acute irony against Greek religious practices leaves no space for the Olympian Gods (22B 5,14,15 DK) promoted by the epic poets, whereas he adopts a similar attitude against his contemporaries, namely the lyric poets: Archilochus ought to be banned from all poetic competitions along with Hesiod (22B 42 DK). In conclusion, all three thinkers mentioned by Plato in his doxographic account have the same target: the epic poets, whose unparalleled cultural predominance is to be held responsible for the education of all Greeks. The harsh criticism they address their predecessors and contemporaries is nevertheless a clear indication that they consciously place themselves within the same so-called ‘agonistic’ tradition, which started with Homer and Hesiod and continued up to Plato. In the Republic, the poets are exiled because of their harming educational influence on the citizens, only to be replaced in the Laws by the lawgivers, their true ‘antagonistai’, who compose the best drama (817 a-c). COELHO, Ariadne Borges Universidade de Brasília Sócrates personagem em As Nuvens de Aristófanes: uma análise dialógica Este trabalho pretende analisar Sócrates enquanto personagem da comédia As Nuvens de Aristófanes. Através de uma análise comparativista com a representação do filósofo em Platão, pretende-se traçar um paralelo entre as duas imagens e demonstrar a repercussão da peça de Aristófanes como fonte histórica, como sátira diante de temáticas atuais e, ainda, como obra para os estudos a respeito de Sócrates. Segundo Platão, na Apologia, a caricatura feita por Aristófanes foi responsável pela má fama de Sócrates e pela acusação – semelhante à encontrada na peça. A partir do pensamento bakhtiniano sobre o teatro, demonstraremos a presença de elementos do gênero sério-cômico para a obra aristofânica e a relação dialógica e responsiva entre os personagens Estrepsíades e Sócrates. Para tal análise, além do elemento comparado -25- utilizaremos o entendimento do diálogo como gênero e os conceitos liminares de realismo grotesco, de riso ambivalente e da carnavalização.[1] Este trabalho é desenvolvido em coautoria pelo professor doutor Augusto Rodrigues da Silva Junior e sua orientanda de mestrado Ariadne Borges Coelho, ambos da Universidade de Brasília– UnB. Há um ano, o professor e a discente desenvolvem pesquisa, no grupo de pesquisa do TEL Literatura e Cultura. CORNAVACA, Ramón Enrique Universidad Nacional de Córdoba Memoria y diálogo filosófico. Observaciones sobre las apelaciones al recuerdo del interlocutor en tres diálogos platónicos En los diálogos platónicos se lee con frecuencia que uno de los interlocutores pregunta al otro si recuerda un tema determinado acerca del que se ha discurrido en un tramo anterior de la conversación, o bien lo insta a que lo haga. Estas apelaciones a la memoria del interlocutor – que por lo general, aunque no exclusivamente, están puestas en boca de Sócrates- parecen algo irrelevante; el lector puede pensar que ellas constituyen un recurso de carácter decorativo que el autor emplea para dar una impresión de vivacidad o realismo a la narración. Sin embargo, si se atiende a los contextos en los que algunas de esas apelaciones acontecen, ellas cobran otro relieve. En la presente ponencia se revisan unos pocos pasajes del Menón, del Fedón y de la República en los que se encuentran estas apelaciones y se observa quién, a quién y en qué circunstancia uno pregunta a otro si recuerda o le pide que lo haga. La hipótesis que orienta esta sencilla investigación es que, en el caso de un escritor-filósofo como Platón, es posible que el empleo de este recurso cumpla una función determinada en el decurso del diálogo y tenga una relación significativa con el tema que está siendo discutido en ese momento. En el caso de los pasajes del Menón y del Fedón es obvia la correspondencia que se establece con la cuestión de la anamnesis: podría decirse que ya durante el diálogo mismo se está ejercitando la memoria. En cambio, la observación de varios textos de la República –y quizás ya algunos del Fedón- invita a pensar que mediante esas apelaciones se persigue un doble objetivo: por una parte, con este recurso Platón estaría brindando al lector un indicio que facilite la percepción de la articulación discursiva de un texto extraordinariamente extenso; por otra, -y dado que estas apelaciones a la memoria se encuentran en un diálogo que trata acerca de la formación de los llamados “guardianes de la ciudad”, los que precisamente han de caracterizarse por su capacidad mnemónica- es pensable que las aparentemente intrascendentes preguntas por el “recuerdo” tiendan a sugerir que en el mismo diálogo el autor está proponiendo un modelo de ejercicio discursivo, que pueda resultar útil para la formación política de los ciudadanos. En fin, y a modo de conclusión se hace una breve referencia a la aparición de este motivo en las Leyes. -26- COSTA, Thiago Rodrigo de Oliveira Universidade de Brasília Platão intérprete de Parmênides, ou Parmênides como uma personagem para o filosofar de Platão: entre a hermenêutica e a poética filosófica Gostaríamos de discutir três pontos de uma das primeiras interpretações (se é que a devemos tomar como tal) do poema de Parmênides, a saber, a interpretação que dele faz Platão no seu diálogo intitulado Parmênides. Platão utiliza, com alguma liberdade, três personagens históricas: Parmênides, Zenão e Sócrates para apresentar a sua interpretação do poema de Parmênides, ao mesmo tempo em que o toma como um mote para a introdução da problemática da relação das idéias entre si, e destas com os objetos sensíveis. Neste percurso faz três sugestões de interpretação relativas ao poema: (i) identifica tò eón com tò pân (“”Pois tu [Parmênides], em teus versos afirmas o todo ser um””, Parm. 128a); (ii) identifica o sentido do texto de Zenão com o do poema de Parmênides (“”É que ele [Zenão] escreveu, de certa maneira, a mesma coisa que tu [Parmênides], só que, fazendo uma alteração, tenta enganar-nos, fazendo-nos crer que diz algo diferente (...)””, Parm. 128a); e (iii) reduz o conteúdo místico do poema por meio da identificação deste com o texto de Zenão (“”(...) mas dissimulando-se aos homens [o escrito], como se estivesse realizando algo de grandioso””, Parm. 128c). Com estas três sugestões Platão condicionará grande parte da história da interpretação do poema de Parmênides. Nosso propósito é então problematizar e discutir com essa interpretação platônica de Parmênides pesando o seu caráter hermenêutico e o confrontando com o seu caráter poético e literário, no sentido em que Platão faz da literatura o aporte para o seu filosofar. COTTONE, Rossella Saetta CNRS / Centre Léon Robin (Paris IV-ENS) Agathon figure du genre, des Thesmophories au Banquet A partir d’une relecture du passage des Thesmophories d’Aristophane où le personnage d’Agathon fait son apparition sous les traits d’un Dionysos redivivus (vv. 130-170), et situant ce passage dans le contexte élargi de la pièce, nous entendons montrer que les propos sur la mimesis dramatique rapportés par le jeune poète tragique constituent une clé théorique permettant de comprendre l’issue de l’intrigue comique. En effet, la théorie agathonienne fonctionne comme interpretans de l’action dramatique, entendue comme terrain d’expérimentations mimétiques diverses, où la comédie se mêle à la tragédie, la paracomédie à la paratragédie, et où le mélange des genres dramatiques correspond au mélange des genres sexuels qui s’empare de la scène par l’intermédiaire du jeu des travestissements. Le symptôme le plus évident du bouleversement mimétique au cœur de la pièce est le destin du protagoniste, le poète tragique Euripide, qui se trouve assimilé à l’image sans doute la plus ‘politique’ d’Aristophane, celle, rendue célèbre par les Acharniens, du poète jugé à cause de ses insultes contre la cité. Ainsi, si la première partie de l’intrigue se propose, par une reprise para-comique des Acharniens d’Aristophane, de transformer Euripide en -27- alter-ego de l’auteur comique persécuté ; la seconde partie est basée sur une reprise paratragique de trois pièces d’Euripide, sous forme de play-within-the-play. La boucle pourrait sembler bouclée : Euripide comme Aristophane, et Aristophane comme Euripide… Mais le jeu des assimilations ne doit pas tromper : à la différence de l’auteur des Acharniens, dont on nous dit qu’il avait été poursuivi à cause de ses insultes contre la cité, le poète protagoniste des Thesmophories est jugé pour avoir insulté les femmes d’Athènes. Bien que politique, le théâtre d’Euripide reste donc un théâtre de femmes, et la politique à Athènes, on le sait, est bien l’affaire des hommes. Mais un autre aspect, purement conventionnel, montre l’écart entre la dramaturgie des Thesmophories et son modèle para-comique : si l’Aristophane des Acharniens avait été défendu sur scène par son acteur protagoniste et pas son chœur sans être représenté par un personnage, l’Euripide des Thesmophories est, quant à lui, le protagoniste d’une pièce qui met en scène son procès par les athéniennes. De fait, dans les Thesmophories, Euripide est prisonnier de l’intrigue comique, de cette même intrigue qui a pour fonction de le juger et de le condamner. Ainsi, il réussira à s’enfuir du cauchemar où Aristophane l’a placé seulement quand, suivant les préceptes d’Agathon, il acceptera d’interpréter un rôle de femme, conformément au contexte féminin du drame dont il est le protagoniste. Bref, sur la scène des Thesmophories, la distinction entre drames féminins et drames masculins prime sur celle entre tragédie et comédie, qu’elle finit par remplacer. C’est au fond une réflexion sur les horizons esthétiques de la nouvelle tragédie, celle d’Euripide et de son élève Agathon, qu’Aristophane nous livre dans les Thesmophories, en même temps qu’une parodie féroce de ses implications éthiques et politiques. L’Agathon du Banquet doit être situé dans cet arrière-plan historique. COUTINHO, Carlos Luciano Silva Universidade de Brasília Zalmoxis e Sócrates: a katábasis mágica e a katábasis subjetiva no Cármides de Platão As teorias platônicas parecem estar sempre envoltas por um almanaque mitológico vasto e rico. No Cârmides, Platão desenvolve um procedimento interessante de Filosofia do mito, na medida em que busca desencantar o mito de cura apresentado por supostos médicos trácios, seguidores de Zalmoxis: uma divindade Trácia também humana, segundo conta Heródoto, que teria ressuscitado depois de habitar, por três anos como morto, um compartimento subterrâneo (IV, 95, 4 – 96, 1). Tal desencantamento, entretanto, é bem diferente daquele conhecido pelo Iluminismo Moderno. Primeiramente, Platão não nega, substancialmente, o conhecimento mítico. Em segundo lugar, ele Propõe o desencantamento do mito de Zalmoxis a partir do mesmo princípio estrutural, ou seja, a partir do também movimento de descida, a katábasis, como fundamento primário para se alcançar a cura. No entanto, o filósofo ateniense estabelece um paralelismo entre o movimento de descida do mito trácio e um tipo de movimento de descida que a mente humana faz em suas próprias profundidades inexplicáveis. Nesse viés, sua teoria assume uma perspectiva subjetiva, em que a mente é responsável pela cura, e não, objetivamente, a divindade. Assim, -28- esse trabalho pretende verificar como esse processo de descida é desencantado e continuado estruturalmente no diálogo. DA COSTA, Luiza Moreira Universidade de São Paulo Alcibíades, Atenas e o Eros Em um recorte da pesquisa de mestrado subsidiada pela FAPESP, cuja temática busca investigar a relação paidêutica entre Alcibíades e Sócrates, estabelecemos alguns paralelos de detalhe que buscaremos apresentar neste trabalho. Tais paralelos referemse a duas situações: a primeira conta dos efeitos de Alcibíades sobre a pólis ateniense - relação bem descrita por Tucídides, em sua História da Guerra do Peloponeso (Livros VI e VIII) e também indicada no verso de Aristófanes, em As Rãs: [A cidade] Tem saudade dele, odeia-o, mas quer tê-lo (1425). A relação que Alcibíades construiu com Atenas aproxima-se do retrato do amor frustrado pela mútua traição: de um lado, o estratagema dos opositores de Alcibíades ao adiar seu julgamento por profanação, o que o levaria a condenação; de outro, sua fuga e a aliança com Esparta, sob a justificativa de ser um meio de salvar Atenas. O resultado disso é que irá faltar à pólis a excelência do estrategista, e irá faltar a Alcibíades uma pátria – de ambos os lados, portanto, a penúria. Ao mesmo tempo em que a cidade deseja Alcibíades, por vezes ardentemente, ela o repele, também, na mesma medida, vítima de um Eros que a subjuga.A segunda situação conta, por outro lado, dos efeitos de Sócrates sobre Alcibíades, tal como retratado n’O Banquete: após a descrição socrática do Eros filosófico, dado a conhecer por Diotima, Platão faz entrar em cena Alcibíades – e o elogio ao amor passa, então, a ser o elogio à Sócrates, feito pelo próprio Alcibíades através da narração dos enlaces de sua vida com a de Sócrates, e as frustações decorrentes deles. Nessas relações, uma ambiguidade semelhante àquela que encontramos entre Alcibíades e Atenas parece se insinuar: o discípulo ama o mestre, que não pode, no entanto, realizar o desejo de Alcibíades. Sócrates aspira a um Eros em tudo diferente daquele concebido pelo discípulo, um Eros que Alcibíades não é capaz de cumprir, ainda que concorde com as palavras de Sócrates e com a correção de suas expectativas. Alcibíades não sabe o que fazer: “muitas vezes sem dúvida com prazer o veria não existir entre os homens; mas se por outro lado tal coisa ocorresse, bem sei que muito maior seria minha dor” (Banq. 216c) Propomo-nos, na comunicação, discutir esse “paralelo amoroso”: Atenas em relação a Alcibíades, Alcibíades em relação à Sócrates. Como, de fato, existir sem o objeto do Eros? Como conviver com sua incômoda e perigosa existência? DA MOTTA, Guilherme Domingues Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Universidade Católica de Petrópolis Platão e a poesia: considerações sobre o caráter da leitura dos poetas apresentada por Gláucon e Adimanto na República São muito debatidas as restrições feitas por Sócrates à poesia na República, de Platão, -29- e o caráter seletivo de sua apropriação dos trechos poéticos que cita para justificá-las, muitas vezes fora de contexto e distorcidos. Não é raro que o filósofo ateniense saia das análises sobre o tema como alguém com uma compreensão limitada do papel da poesia e da “arte” em geral, e que seja considerada insuficiente a principal justificativa que se costuma aduzir a favor de suas restrições: a de não admitir a noção de “arte pela arte” e a subordinação da poesia e da “arte” aos fins educacionais aos quais sempre estiveram atreladas. Porém, outro aspecto que deveria ser considerado em uma possível justificação daquelas restrições é que, valendo-se de seu gênio literário e cuidado com o texto, Platão, através de Sócrates, só começa a propor suas restrições depois de mostrar, pelos discursos de Gláucon e Adimanto, no livro II, que são eles os primeiros a apresentar uma leitura seletiva e distorcida dos poetas, ainda que o façam para apresentar o ponto de vista da “maioria”. O que uma análise cuidadosa desses discursos pode mostrar é que a “reescritura” da poesia, que Gláucon, e, principalmente Adimanto, veiculam como sendo a da “maioria”, denuncia, nas entrelinhas do texto de Platão, o perigo de que uma poesia que possa ter diferentes interpretações seja sempre apropriada e interpretada de modo a justificar as escolhas e o modo de vida daqueles que a interpretam. DA SILVA, André Luiz Braga Universidade de Uberlândia/Universidade de São Paulo Sócrates versus Estrangeiro de Eleia? O uso de Platão, para expor sua filosofia, da forma dramática do diálogo, em especial pela pluralidade de personagens que neles figuram, dá ensejo a interessantes observações acerca de como o fundador da Academia entendia que deveria se desenrolar uma argumentação dialética. Essa pluralidade, contudo, fica ainda mais interessante e curiosa é quando é-nos possível identificar divergências – claras ou não tão claras - no que tange às posições defendidas por estes dramatis personae. É fato que República e Sofista são obras capitais no pensamento deste filósofo grego, bem como que seus condutores de diálogo, Sócrates e Estrangeiro de Eleia, são inegavelmente grandes dialéticos que discutem aspectos os mais relevantes de sua filosofia. O que não é tão claro é o que pode representar para o pensamento de Platão o aparente choque de opiniões entre um (República X 596a) e outro (Político 262d) personagem. Este trabalho visa precisamente se inserir neste debate (GUTHRIE, 1962; PHILIP, 1966; TREVASKIS, 1967). É possível falar em tal divergência? Se sim, quem estaria com a razão, e o que isso representa para a filosofia platônica? Isto é: para todo grupo de entes sensíveis com o mesmo nome, existe uma Ideia? DA SILVA, José Lourenço Pereira Universidade Federal de Santa Maria Sócrates no discurso de Alcibíades A leitura atenta do discurso de Alcibíades no Banquete (215a-222a) põe por terra a opinião tornada ortodoxa de acordo com a qual, na obra de Platão, os primeiros diálogos formam o domínio praticamente exclusivo em que é possível encontrar a -30- representação mais historicamente acurada de Sócrates e sua atividade filosófica; enquanto que nos diálogos intermediários, o personagem Sócrates é tão somente porta-voz das ideias de Platão. Para essa tradição interpretativa, o desenvolvimento por que passou o pensamento de Platão levou o autor dos diálogos a figurar dois Sócrates: o questionador ignorante dos diálogos aporéticos, e o filósofo defensor de doutrinas positivas nos vários campos da investigação filosófica dos escritos da maturidade. Nesta comunicação eu argumento que o Sócrates nos primeiros textos platônicos é tão personagem de Platão quanto em qualquer outro diálogo em que aparece, isto é, é sempre uma criação artística, porém com inegável referente na realidade, ora mais ora menos fielmente retratado. E pretendo evidenciar que, se for correto conceber mais de um Sócrates na obra de Platão, com base no discurso de Alcibíades a distinção deve ser entre a imagem pública e a imagem privada de Sócrates, de um lado, o refutador irônico e ameaçador dos valores tradicionais, de outro lado, o sábio e justo que, com ideias chocantes, busca cuidar das almas e promover nelas a virtude. DEMARÍA, Fabiana Andrea Universidad Nacional de Córdoba Elementos platónicos de palingénesis recreados por Arturo Capdevila en Arbaces, maestro de amor Dra. Fabiana Demaría de Lissandrello (U.N.C.) Arturo Capdevila (1889-1967) presenta en Arbaces, maestro de amor (1945) un testimonio de recepción productiva (H. Link, 1976) de la antigüedad grecorromana. Esta novela, narrada en primera persona, refleja la vida del período helenístico. A través de variadas citas relacionadas con las costumbres, el momento histórico y la religiosidad se constata la presencia de autores como Homero y Hesíodo, entre otros. Su protagonista es “Arbaces”, un maestro persa, que brinda enseñanzas de amor en Atenas como Tibulo.Para armar la trama el autor utiliza como técnica el habérsele otorgado el don de recordar sus pasadas reencarnaciones, basándose en la teoría de la palingénesis (palin: nuevamente y genesiV: nacimiento), como él mismo la denomina. A través de este procedimiento el protagonista va rememorando y afirma que influyó sobre todos los poetas elegíacos que le sucedieron. El hecho de evocar a diferentes poetas, en los que Arbaces reconoce su influencia, permite descubrir inversamente a los autores en los que se basó Capdevila y revela además, aquellos por los cuales sentía una gran predilección. La mención directa de Tíbulo y de unos versos correspondientes de su Elegía IV sirve para explicar la verdadera tarea que cumplía este maestro persa, el espíritu de su curso y de sus lecciones amorosas.La doctrina de la palingénesis es receptada fundamentalmente del Fedón, diálogo platónico en el que se narran los últimos momentos de Sócrates con sus discípulos más queridos y se presenta como uno de los temas más sobresalientes el de la inmortalidad del alma. En la novela capdeviliana Arbaces se encuentra en la región de Lebadea con un mendigo llamado Metón, un sabio, quien le explica acerca del origen de los dioses, la formación de los elementos de la naturaleza y la aparición del hombre, siguiendo la tradición hesiódica. Las enseñanzas de Metón se enmarcan dentro de la doctrina platónica acerca de las anteriores encarnaciones y hacen hincapié -31- en aquellas palabras de la “revelación socrática”, relacionadas con las creencias de los antiguos, quienes sostenían que “las almas, al abandonar este mundo van al Hades y desde allí vuelven a la tierra después de haber pasado por la muerte.” Estas palabras puestas en boca de Metón remiten directamente al Fedón y permite vincular la teoría de la reencarnación de las almas con el tema del conocimiento. En este trabajo se procurará definir el concepto de palingénesis, mostrar cómo aparece aquí recreado de los textos platónicos y qué función le otorga el poeta cordobés al utilizarlo como recurso para contextualizar la narración y los personajes comprometidos en un asunto antiguo, en el que se unen orientalismo y helenismo. Esta unión o simbiosis revela una nueva cosmovisión propia de los poetas de fines del siglo XIX, caracterizada por la mezcla de elementos cosmológicos, filosóficos, teológicos y teosóficos, según señala Adolfo de Obieta. DE ARAÚJO, Hugo Filgueiras Universidade Federal do Ceará A natureza da alma no Timeu de Platão Platão, no Timeu, apresenta uma tese sobre a natureza da alma cósmica e dos humanos a partir da união de três elementos utilizados pelo demiurgo na sua criação: o Mesmo, o Outro e a substância. Ocorre que com essa estrutura fica clara que a alma é idêntica a si mesma, mas por ter parte no Outro e na substância, também é passível de mudança. Essa tese favorece o entendimento de que a alma é semelhante às Formas e não é uma Formas, pois ao moldá-la serviu-se o demiurgo dessas entidades como paradigma. DE LUCENA, Maria Gorette Bezerra Universidade Federal da Paraíba Considerações sobre prôta stoicheîa no Timeu de Platão Como se sabe, Platão no Timeu decompõe os quatro elementos terra, fogo, água e ar em busca do que eles são antes da ordenação do mundo. Nosso propósito é mostrar que essa reflexão sobre os primeiros constituintes (prôta stoicheîa) dos elementos propicia a Platão pontuar o papel preponderante de Chôra na ordenação do visível e tangível. DE MELO, Luiz Fernando Bandeira Universidade Federal de Uberlândia Influência dos cultos de mistérios na questão de ser mais feliz: os sofreados que os desenfreados Este trabalho pressupõe a influência dos cultos de mistérios vivida pelos gregos contemporâneos de Sócrates em muitas de suas ações, e em particular na exposição do diálogo platônico Górgias, em que Sócrates, questiona Pólo, Górgia e Cálicles, com a clareza de estilo de um experimentado interlocutor que busca insistentemente a verdade sobre as virtudes, unido à consideração que atribui aos, assim tidos, mais conhecedores com quem dialoga. Embora trate o diálogo em questão de um grave -32- assunto em pauta na Atenas dos séculos V e IV a. C. (a retórica como fonte de aprendizado), este trabalho restringe-se apenas a duas interferências de Sócrates nesse diálogo (492e a 494a), onde será mostrado que se encontram respingos inconfundíveis das ideias contidas nos cultos de mistérios, vigentes nas atitudes e pensamentos dos gregos do período clássico e sem dúvida em Sócrates e Platão. Será utilizado como referência principal da influência desses cultos existente naquele momento histórico, além do diálogo relacionado, o texto traduzido e comentado por GAZZINELLI, Gabriela Guimarães “Fragmentos Órficos”, para mostrar similaridades contidas nas palavras de Sócrates com os poemas de Orfeu usados em muitos temas diários, em especial nas palavras grifadas em lâminas que alguns gregos levavam consigo para as câmaras mortuárias, tidas como orientações para a vida de além-túmulo, o que caracterizava um procedimento religioso comum da sociedade helênica, preocupada com o fim (telos) feliz que a alma poderia ter após a morte. No texto estudado, Platão mostra que Sócrates faz uso de uma parábola para dar explicações à Cálicles da importância do que é ser feliz ou infeliz e que tais situações dependem das escolhas que o homem faz para manter um gênero de vida, tema proposto por Platão para o momento da discussão entre os interlocutores, sendo isso o que está pesquisado nesse trabalho. Assim, para demonstrar que o pensamento socrático estava impregnado por ideias dos cultos de mistérios, foram utilizados alguns comentadores do movimento religioso da época, alem de cotejamentos de alguns outros textos platônicos em que são encontradas amostras dessa influência mística, nos exemplos e fundamentos que Sócrates expõe para convencer seus interlocutores, e principalmente atender a missão projetada por ele mesmo quando recebeu de um oráculo a informação de ser o homem mais sábio. DE MORAES, Kellen Ferreira Universidade Federal de Uberlândia Para uma Teoria da Oralidade em Platão Nesta apresentação, buscaremos demonstrar um dos mais graves problemas relacionados à interpretação da doutrina de Platão, que é o de reconstruir de maneira adequada as relações entre as obras escritas e as doutrinas não-escritas, legadas pela assim chamada tradição indireta, as quais Platão, ao que parece, quis comunicar por meio da oralidade dialética. Tentaremos demonstrar, por consequência, em que medida, para Platão, a escrita presta-se, no limite, a ser um recurso mnemônico auxiliar à dialética, mas não um instrumento de ensinamento filosófico, visto que o escrito dificilmente se defende de equivocas interpretações e críticas “... oferecendo aos estudiosos a aparência da sabedoria e não a verdade” [Fedro 275 a]. Trataremos, portanto, do recurso que Platão nos legou: os diálogos, que, diferentemente da palavra escrita, auxiliam a si mesmos. DE SOUZA, Jovelina Maria Ramos Universidade Federal do Pará O cortejo de Alcibíades Na dramatização do elogio de Alcibíades a Sócrates, no Banquete, Platão retoma -33- o cenário próprio das práticas simpóticas para compor a entrada em cena deste personagem. A chegada abrupta de Alcibíades ao sympósion na casa de Agaton é marcada por um grande alarido, como se ele e seus acompanhantes incitassem os convidados do poeta trágico a participarem de um cortejo, no qual Alcibíades parece trazer para o cenário do diálogo a presença de Dioniso. Na construção dessa analogia, Platão mescla à sua narrativa, elementos próprios dos rituais dionisíacos, como festa, alegria, bebedeira, desregramento, flores e fitas, não para honrar Eros, o grande homenageado na sequência de elogios do diálogo, mas o objeto de seu amor e desejo, Sócrates, a quem dirige o seu encômio. No elogio do arrebatado Alcibíades, a imagem de éros definitivamente se plasma a do filósofo, elemento já apontado por Diotima, na sua ressignificação dos antigos rituais de iniciação, nos passos da ascese eróticodialética, firmada por Alcibíades na descrição da caça amorosa ao seu amado, na qual ele estabelece a analogia entre éros e Sócrates. A presente exposição pretende acompanhar a recepção do cortejo de Dioniso, na composição do intempestivo Alcibíades, observando como Platão incorpora e revaloriza, na escrita do Banquete, o movimento entre as diversas dimensões do psiquismo, presentes tanto no elogio de Sócrates/Diotima como no do eterno apaixonado por Sócrates. Defendemos que o tratamento dado por Platão na tessitura desses dois encômios, não permite que se afirme, a partir de um contexto nietzschiano, que o primeiro seja apolíneo e o segundo dionisíaco, pois em ambos encontramos a linguagem dos mistérios aliada a um discurso de natureza erótico-filosófica. DIEZ, Pedro Luis Villagra Universidad Nacional de Córdoba El personaje Lisímaco como receptor de la enseñanza socrática en el Laques. Implicaciones extratextuales en el marco de la enseñanza platónica La pregunta acerca de cómo se debe leer a Platón se halla íntimamente ligada a la que interroga sobre el modo literario que el autor escoge para dar a conocer su pensamiento. El hecho de que la mayor parte de la producción escrita del filósofo ateniense esté planteada en forma de diálogo responde, sin dudas, al manifiesto interés de proponer a la dialéctica como la vía más válida en el acceso del conocimiento. Hasta aquí la crítica platónica, en su conjunto y en líneas generales, parece coincidir; sin embargo, en el marco de estas investigaciones muy pronto comenzaron a perfilarse dos cuestiones que, de algún modo, marcaron las tendencias interpretativas. Éstas son: la pregunta acerca de qué se entiende como forma-diálogo y el consecuente interrogante sobre la función y finalidad del diálogo. A partir del posicionamiento hermenéutico que asume la presente comunicación, alienta la lectura del Laques (como la de otros escritos de Platón) la convicción de que amén de su valor y alcance en sí mismo, éste ofrece una dimensión proléptica respecto de escritos posteriores (como la República) y una dimensión protréptico-parenética respecto de la enseñanza oral en el marco de los ágrapha dógmata. Leer el Laques ofrece la posibilidad de internarse en la dinámica de un diálogo temprano en la producción literaria de Platón. Una estructura simple -34- junto a la sencillez y claridad en la exposición de la acción dramática permiten, a quien se inicia en el campo de la especulación filosófica, tomar contacto con la recreación artística de un supuesto momento histórico al abrigo de la ficción literaria. Si se atiende a las situaciones que se suceden en el transcurso de la conversación, a los personajes que en ella intervienen y a la performance de Sócrates en la conducción discursiva, resulta oportuno interrogarse acerca de, por un lado, cómo opera el diálogo en el nivel inmediato del escrito y, por el otro, las implicaciones que pudiere tener a nivel extratextual.Esta lectura del Laques descansa sobre la hipótesis de que Lisímaco llega a ser el personaje que vertebra todo el diálogo. El cambio (lo que se podría denominar “modificación de la conducta”) que éste experimenta al final de la conversación, respecto de su actitud inicial, se muestra como una suerte de principio estructural del diálogo y permite, a su vez, pensar en la propuesta educativa platónica apuntando a un ámbito que trasciende el propio escrito. DOS SANTOS, Vladimir Chaves Universidade Estadual de Maringá Algumas aproximações entre o tirano de Platão e o MacBeth de Shakespeare por intermédio de Longino Em seu tratado acerca do estilo sublime, Longino sugere que Platão seja um modelo literário desse estilo. Uma das principais características do sublime apontadas por Longino e verificáveis em Platão é a vivacidade (enárgeia), presente na linguagem e no drama dos diálogos. Nesse sentido, Platão seria um mestre das imagens literárias, realizando aquilo que Longino chama de “fantasia”, que é um meio necessário para se atingir o sublime. Eco da grandeza de alma e ao mesmo tempo aquilo que provoca a elevação da alma dos leitores e ouvintes, eis a definição do sublime para Longino, efeitos esses esperados, talvez, na dramatização da pedagogia e da moral platônicas. Supondo que Longino esteja certo e que Platão seja mesmo um modelo literário, gostaria de apresentar algumas aproximações entre o arquétipo do tirano, tal qual aparece nos livros VIII e IX da República, e a personagem MacBeth de Shakespeare. A hipótese desse trabalho é que à construção dessa personagem concorreu direta ou indiretamente o retrato típico do tirano elaborado por Platão em sua República. Cabe ressaltar em Macbeth a redescrição imoral dos vícios em virtudes e vice-versa, além da carência, da violência (hýbris), do conflito interno, do medo, da convivência com mercenários, das angústias e da solidão, entre outros aspectos do arquétipo do tirano apresentado por Platão. FERREIRA, Mariane Rodrigues Universidade Federal de Uberlândia Para uma teoria acerca da formação do filósofo em Platão O modelo Ideal de cidade fundada em imaginação por Sócrates na República de Platão tem sua origem devido as suas necessidades, as quais devem ser supridas por meio de papel específico desenvolvido por cada indivíduo. Segundo Platão, cada homem -35- nasce com uma natureza própria, a qual determina a função a ser exercida. A função de governante para este modelo Ideal de cidade, segundo Platão, deverá ser exercida pelo filósofo. O filósofo para exercer sua função perfeitamente precisa, em primeiro lugar, de uma formação que desenvolva suas qualidades físicas e psíquicas. Nos livros II e III da República, segundo Platão, as qualidades psíquicas serão desenvolvidas por meio da música. Já, as qualidades físicas serão desenvolvidas por meio da ginástica. Posteriormente, o filósofo deverá alcançar uma alta formação filosófica que lhe proporcione meios para governar justamente a cidade Ideal, mas para que isso ocorra ele deverá ter uma educação filosófica, demonstrada no livro VII, por meio da geometria, do cálculo, da aritmética, da astronomia e da dialética. O presente trabalho tem como objetivo investigar o processo de formação filosófico ao qual o dialético deverá ser educado de modo que explique, na medida do possível, o porquê do filósofo ser aquele que deverá governar.Palavras-chave: Filósofo, natureza própria e educação filosófica. FIERRO, María Angélica Consejo Nacional de Investigaciones (CONICET) Científicas y El Mito del Carro Alado del Fedro como Vehículo de la Filosofía Técnicas Es mi intención aquí mostrar que el mito del carro alado del Fedro, lejos de tratarse de una aleatoria yuxtaposición de cuestiones diversas, resulta ser un elemento fundamental para urdir el minucioso entramado del diálogo en su totalidad y su conformación a la guisa de un organismo vivo (PHDR. 264c). A este respecto, intrínsecamente, cumple de modo simultáneo distintas funciones: a) articula dinámicamente distintas aproximaciones de la antropología platónica, a saber, la teoría del Éros del Banquete, la teoría tripartita de la República y la dupla psychê-sôma del Fédon a fin de dar cuenta de nuestra forma de existencial actual; b) proporciona una relato conjetural sobre la vida post-mortem, a la manera de otros mitos escatológicos de la obra platónica; c) proyecta estas reflexiones sobre la condición humana en la perspectiva de la eternidad del cosmos. Por otra parte, extrínsecamente, esto es, en el contexto general del diálogo, el segundo parlamento de Sócrates (PHDR. 243e-257a), constituido en gran medida por el relato mítico, sirve de contraejemplo a los dos primeros discursos de la primera parte del diálogo (PHDR. 230e-257a), presentados por Fedro y el propio Sócrates, en la discusión de la segunda parte del diálogo respecto de la relación entre retórica y filosofía (PHDR. 257b-279b). Brinda, además, un compendio de los conocimientos de psicología que debería ser capaz de manejar el verdadero orador, junto con la dialéctica y la retórica (PHDR. 277c-d). Asimismo, al presentar sus contenidos conceptuales en forma intuitiva a través de un relato mítico configura un modelo apropiado de la composición de un discurso adecuado al tipo de alma al que está dirigida, en este caso la de Fedro. De este modo el relato mítico queda también perfectamente ensamblado en la construcción dramática del diálogo en su conjunto. -36- FORCINITI, Martín Universidad de Buenos Aires - CONICET El sofista, entre la erística privada y la demagogia política Este trabajo analiza el personaje del sofista en la obra platónica, fundamentalmente a partir de los diálogos Sofista, Político, Gorgias y Protágoras. Mi objetivo es demostrar que su diferencia con el demagogo, postulada hacia el final del Sofista, no es de carácter esencial, sino accidental. Es decir que el mismo sujeto social merecerá alternativamente la denominación de “sofista” o de “demagogo” según el contexto en el cual se desempeñe. Sugiero que desde esta perspectiva se tornarán coherentes las diversas caracterizaciones de este personaje presentadas en el resto de los diálogos platónicos. Para establecer esta hipótesis, analizaré en primer lugar la séptima definición del sofista (Soph. 264c-268d), en cuya última división se lo distingue del “demagogo” u “orador popular” (demologikón), imitador del político. Esta distinción establece que el sofista actúa en un ámbito privado (idíai) y se vale de discursos breves (brachylogía), frente a un interlocutor al cual obliga a contradecirse; mientras que el demagogo habla en público (demosía), desarrollando discursos largos (makrología) frente a una multitud. Sobre esta base, mostraré en primer lugar que los elementos que componen el ámbito sofístico-privado y el demagógico-público son exactamente los mismos: un discutidor (sofista o demagogo), uno o varios contrincantes, y una audiencia supuestamente ignorante que actúa como juez y jurado de la disputa de palabras. También es idéntico el valor de verdad de los lógoi de cualquiera de los dos discutidores, pues ambos personajes se valen de la técnica productora de imágenes engañosas, los fantasmas (phantásmata), de los que es vehículo el discurso falso. De manera que la diferencia entre los ámbitos radica solamente en la cantidad de personas que componen cada audiencia y el marco institucional en el que ejercen su función de jurado. El sofista podría entonces trascender sin inconvenientes la esfera privada hacia la pública, lo cual se vería corroborado en Político 291c, 292d, 293c y 303c, en donde este personaje aparece como uno de los tantos falsos aspirantes a la epistéme política. En segundo lugar, cuestionaré la sencilla identificación del lógos breve con el sofista y del lógos largo con el demagogo, recurriendo a los testimonios de otros diálogos. Por ejemplo, si bien en el Gorgias se distingue entre sofística y retórica - la primera sería una práctica adulatoria que se oculta detrás de la técnica (téchne) de la legislación (nomothetiké), mientras que la segunda lo hace detrás de la justicia (dikaiosýne) (465c) – a ambas prácticas se les adjudica la makrología. Por otro lado, en Protágoras 329b se afirma que el sofista puede utilizar indistintamente discursos breves o largos, según la ocasión (kairós) lo requiera, así como que es capaz de enseñar a los jóvenes la areté tanto privada como política (318e-319a).Concluiré entonces que el personaje del sofista es, tal y como se lo denomina en el diálogo homónimo, un ser “multifacético” (poikílos, Soph. 223c, 226a y 234b), que puede actuar arteramente en todos los ámbitos de la pólis, y valerse de todos los tipos de lógoi, con el único objetivo de adquirir fama y poder. -37- GABIONETA, Robson Universidade Estadual de Campinas Algumas relações entre a Odisseia de Homero e alguns diálogos de Platão Que Platão foi leitor de Homero parece algo aceito de bom grado pela crítica em geral, porém que Platão foi mais que um simples leitor, mas alguém que captou sua genialidade a tal ponto de utilizar seu processo de criação em outro tipo de texto é o que tentaremos se não mostrar definitivamente ao menos apontar algumas indicações. Um exemplo disso decorre da fantástica invenção homérica de introduzir um poema dentro de outro poema que para nós Platão absorveu-a colocando um diálogo dentro de outro. O efeito desse recurso como veremos é exuberante, permitindo ao escritor experimentar sentidos diversos que sem esse auxilio seriam impossíveis. Outro tema que também pretendemos tratar sem também exauri-lo decorre da famosa relação entre filosofia e literatura a partir de Platão e Homero. Procuraremos mostrar que essa distinção em Platão e Homero é no mínimo complicada, se não impossível de ser realizada. GONZAGA, Solange Maria Norjosa Universidade Federal da Paraíba Personagens em NOMOI Platão em seu mais longo diálogo, Leis, uniu três personagens inusitados; três homens de três históricas poleis inimigas, Atenas, Esparta e Creta em uma longa caminhada ao templo de Zeus, durante a qual, os personagens vão discutindo sobre leis e formas de governo. Demonstrar o porquê de Platão unir estes personagens e o relevo do tema discutido é o objeto dessa comunicação. KEIME, Christian Université Paris IV La fonction du personnage de Diotime dans le “Banquet”: le dialogue et son double Pourquoi dans le “Banquet”, Socrate ne délivre-t-il pas sa leçon sur erôs en son nom, mais prétend rapporter le discours d’un personnage absent du dialogue, Diotime, qui s’exprime avec le style d’une prêtresse, d’un rhéteur et d’un sophiste? Par la bouche du personnage de Diotime, le dialecticien Socrate délivre, outre un enseignement sur erôs, une leçon de communication qui permet à ses destinataires (le public du banquet comme le lecteur du “Banquet”) de faire bon usage de cet enseignement. Pour expliquer cela, je montrerai que la mise en scène du personnage de Diotime n’est pas seulement pour Socrate l’occasion de prononcer un discours; c’est surtout le moyen de mettre en scène un dialogue rapporté entre la prêtresse et lui-même, qui apparaît comme un double du dialogue qu’il menait jusque là avec Agathon. Dans sa façon de s’exprimer, chacun des protagonistes du dialogue rapporté (Diotime et le jeune Socrate) synthétise les caractères des deux personnages du dialogue cadre (Socrate et Agathon) : Diotime représente le philosophe vu par les yeux d’un poète -38- tragique, élève des sophistes et des rhéteurs qu’admire Agathon mais avec lesquels le philosophe véritable est en concurrence. Quant au jeune Socrate, encore ignorant, à l’instar d’Agathon, mais mû par un erôs philosophique dont le poète s’est montré dépourvu dans son entretien avec Socrate, il s’agit d’un portrait d’Agathon en jeune dialecticien.Ainsi en comparant le dialogue et son double le lecteur comprend que : (1) le personnage de Diotime est un masque dialogique (M. Bakhtine) qui permet au dialecticien de montrer qu’il s’adapte à son public selon les règles de la rhétorique véritable exposée dans Phèdre. (2) En s’adaptant à ce public, le dialecticien adopte un mode de transmission du savoir – une leçon sophistique – qui est incompatible avec l’erôs philosophique que Diotime elle-même décrit dans son discours : la connaissance ne se transmet pas d’un maître savant à un disciple ignorant, mais le disciple doit accoucher d’une connaissance, d’un logos vrai dont il est déjà gros. C’est donc aussi pour signaler ce décalage entre ce qu’il fait et ce qu’il dit, et pour engager le lecteur à faire un usage critique du discours prononcé, que le dialecticien ne s’exprime pas en son nom mais par la bouche d’un personnage suspect, explicitement caractérisé comme sophiste. En prétendant rapporter les paroles de Diotime, Socrate signale au lecteur qu’il ne doit pas se contenter de comprendre théoriquement cette leçon pour connaître erôs. (3) En se substituant à Agathon comme destinataire de la leçon sur amour, Socrate signale le bon usage que l’on peut faire néanmoins de cette leçon. Il montre quel type de jeune homme est susceptible d’en tirer profit : non pas un interlocuteur passif comme Agathon mais, un jeune homme déjà mû par l’erôs philosophique, qui, encouragé par ce discours, s’est montré par la suite, non pas un théoricien mais un praticien de l’erôs philosophique, c’est-à-dire un dialecticien qui préfère au discours suivi la méditation personnelle et la pratique du dialogue qui permet de transmettre à l’interlocuteur ce désir de connaître. Le discours de Diotime peut donc être la cause de la connaissance d’erôs sans en être la source : sa fonction est de transmettre l’erôs de la connaissance plus que la connaissance d’erôs. (4) Si Socrate, au lieu de prononcer en son nom la leçon de Diotime, rapporte un dialogue, c’est enfin pour reproduire sur Agathon l’efficacité que le discours de Diotime a eue sur lui, en l’engageant à s’identifier avec son double, le jeune Socrate : le dialogue sert à transmettre l’erôs de la connaissance à un interlocuteur chez qui cet erôs est en sommeil. Cette fonction est celle du dialogue platonicien en général, dont le dialogue rapporté par Socrate est une image : à l’instar de Socrate, Platon fait comprendre que toute parole est « moitié à celui qui parle, moitié à celui qui écoute » (Montaigne), qu’il convient ainsi de faire un usage critique des discours que l’auteur délivre par la voix de ses porte-parole, Socrate y compris, et que l’objectif ultime de la lecture n’est pas la mémorisation de théories énoncées par les personnages mais l’éveil (ou le réveil) du désir philosophique chez celui à qui elles sont adressées. -39- IPIRANGA JÚNIOR, Pedro Universidade Federal do Paraná Prosa literária na Antiguidade: interlocuções de Luciano e Plutarco com o diálogo platônico Desde os séculos V e IV a.C., autores, como Platão e Isócrates, dirigem suas críticas ao fazer poético e, ao mesmo tempo, constróem, em maior ou menor medida, uma delimitação para a escrita em prosa em que os mesmos estavam engajados. No século II d.C., autores, como Luciano de Samósata e Plutarco, em suas experimentações no campo de uma prosa literária, retomam o diálogo platônico inserindo-o dentro de uma nova roupagem e buscando para a prosa de sua época um estatuto correlato ao da poesia. O que proponho, neste trabalho, é, tendo como ponto de partida as perspectivas de Luciano e Plutarco, verificar e fazer um levantamento de expressões e conceitos, por um lado, em As Leis e na República de Platão e, por outro, em Sobre a troca de Isócrates, no sentido de estabelecer uma base analítica para a discussão acerca de uma prosaística na Antiguidade, ou seja, em que base e sob que parâmetros se constrói um discurso teórico e crítico sobre prosa e como isso está atrelado a uma crítica e/ou comparação ao discurso poético. LISSANDRELLO, José M. Universidad Nacional de Córdoba Protágoras: aporía del maestro – euporía del discípulo El Protágoras es uno de los diálogos aporéticos que plantea como centro de la discusión filosófica la enseñabilidad de la virtud. No obstante, abundan en este diálogo aspectos escénicos que no tienen que ver –a priori- con la cuestión mencionada. En el presente trabajo, prestaremos atención al diálogo entre Sócrates y el joven Hipócrates quien busca al filósofo, muy de madrugada, para que lo acompañe a hablar frente a Protágoras. Precisamente este diálogo, si bien no trata la cuestión filosófica que se debatirá en casa de Calias, presenta, no obstante, aspectos escénicos que guardan relación con lo que será uno de los objetivos centrales del diálogo: que Sócrates interceda en favor de Hipócrates frente a Protágoras para que este último haga sabio al joven. Nuestra hipótesis es que la conversación central entre Sócrates y Protágoras tiene como principal destinatario a Hipócrates y que en ese diálogo, más allá de la aporía, se lleva a cabo la intercesión socrática. Al llegar el joven, con bastante ansiedad, a despertarlo a Sócrates, éste lo detiene y lo invita a salir afuera y dialogar hasta que aclare. En ese tiempo de diálogo el joven entenderá que no sabe ni quién es un sofista, ni el riesgo que conlleva confiar el alma a Protágoras. Precisamente cuando amanece, el joven llega a comprender esta situación. Aparece la luz en el plano real y aparece la luz en el alma de Hipócrates.Por su parte, el diálogo entre Sócrates y Protágoras culmina en aporía ya que no se llega a un acuerdo acerca de la enseñabilidad de la virtud. Sin embargo, el transcurso del diálogo, guiado por el filósofo, dejar ver actitudes de malestar en Protágoras por no poder responder como Sócrates se lo requería. Hipócrates, si bien no interviene en este diálogo, permanece junto al filósofo en todo momento. Es de -40- pensar que las diversas vicisitudes del diálogo debieron haber impactado en él y, por lo tanto, la aporía del sofista tendría, en última instancia, un carácter positivo ya que le permitiría alcanzar una idea más acabada de quién es Protágoras y hasta dónde puede sostener un diálogo. Atendiendo a esto último, Hipócrates sería uno de los interlocutores para quien el diálogo deja un saldo positivo y lo predispone para seguir no ya tras las apariencias engañosas de la sofística, sino tras el camino de la búsqueda dialéctica que tiene como condición primera el reconocimiento de propia ignorancia. Quien aparecía como “el maestro” al comienzo, esto es Protágoras, ha terminado en aporía; quien en un primer momento deseaba con ansiedad ser “el discípulo” –esto es Hipócrates- termina en euporía al encontrar luz respecto de los puntos planteados al comienzo con Sócrates. El diálogo entre filósofo y el sofista y su resultado aporético puede ser leído bajo la clave de una intercesión por Hipócrates no tanto desde lo que el joven demanda sino desde lo que su alma necesita en ese momento. LOPES, Adriana Alves de Lima Universidade Federal do Ceará A Natureza da Alma em Platão A proposta de nossa comunicação gira em torno da relevância da defesa da imortalidade da alma para a filosofia platônica. Para tal, escolhemos o diálogo Fédon, onde Platão expõe claramente uma doutrina da reminiscência. Sócrates atribui aos destinos ultraterrenos o lugar de correspondência entre aquilo que é virtuoso para o homem, assim como o ideal de felicidade a ser alcançado. Este só é assegurado graças à reminiscência, ou seja, através da recordação de uma vida à outra, o homem chega ao bem. Neste sentido, a alma assume o papel de detentora das virtudes morais, como também está descrito na República de Platão, mais especificamente na descrição do mito de Er. A descida ao Hades é feita em função das ações praticadas em vida e cabe aos deuses o julgamento de tais ações. Já que a alma corresponde ao intelecto e à consciência, é esta que rege o homem e suas condutas morais. Neste sentido, só a alma desencarnada pode compreender a realidade inteligível e imaterial, representando assim a busca por uma realidade perfeita e ideal das coisas, o que ressalta a dualidade corpo e alma, no esforço desta última em destacar-se do corpo para permanecer sozinha em si mesma (82d-83b). Porém, é válido ressaltar que a alma não assume em Platão, um aspecto puramente ideal, mas tem a função de dar vida aos corpos, já que por si mesma é autônoma para adquirir valores, contrapondo-se, inclusive, aos desejos e necessidades corpóreas. Tal dualismo será descrito a partir da tese da tripartição da alma, dando a esta além de uma raiz racionalista, um aspecto psicológico que faz com que esta possa direcionar e controlar melhor seus impulsos e desejos. LOPES, Ricardo Leon Universidade Federal de Campina Grande A tensão entre a razão e a emoção do fiel amigo de Sócrates: Críton A presença de Críton nas atividades filosóficas realizadas por Sócrates na cidade de Atenas sempre foi constante, conforme relatos dos doxógrafos Diógenes Laércios, -41- Xenofonte, e, principalmente, nos seguintes diálogos platônicos: Críton, Apologia de Sócrates e Fédon. Nestes diálogos, notadamente, pelas situações vivenciadas por Sócrates: a defesa deste contra os seus acusadores no tribunal de Atenas; depois, diante de sua condenação à morte, o momento da prisão, e, por fim, a ingestão da cicuta; Críton, sempre demonstrou mais emoção do que razão, procurando, inicialmente, encontrar motivos passionais para convencer Sócrates a evadir-se de seu cárcere, a fim de que o fiel amigo filósofo continuasse a viver, dedicando-se à filosofia, mesmo que em outras cidades gregas. Deparando-se com as negativas de Sócrates, articuladas de forma racional, dialeticamente, Críton, aferra-se, ainda preso às emoções, no desenrolar dos diálogos constantes no Fédon, à preocupação com o amigo, no sentido de atendê-lo nos detalhes que antecedem à ingestão do veneno letal. Apesar de agir emocionalmente diante dos infaustos do velho amigo, acreditamos que não se pode, peremptoriamente, como fazem alguns comentadores, descaracterizar o conhecimento filosófico adquirido e desenvolvimento por Críton na companhia do belo e saudoso amigo Sócrates; esta é a finalidade de nossa comunicação. MÁRSICO, Claudia Universidad de Buenos Aires e CONICET “Se irritan contra mí porque acuso a mi padre” (Eutifrón, 6a). Intertextualidad de estilos y personajes en Esquines y Platón a propósito de la violencia filial Los últimos años han visto multiplicarse los estudios en torno de los llamados tradicionalmente “socráticos menores” y se ha avanzado en el cuestionamiento de tal minoridad a través del señalamiento de la originalidad de sus planteos y de la impronta que dejaron en las obras filosóficas de las figuras señeras de la época entre las cuales sobresale Platón. En efecto, los rastros de Antístenes, Aristipo de Cirene y el grupo megárico han dejado marcas cuyo reconocimiento confiere una inteligibilidad creciente al contexto teórico de la época. Igualmente importante, y aun menos transitado por la falta de un grupo que continuara sus enseñanzas, es el papel de Esquines de Esfeto, cuya prosa, muy festejada por los autores de la segunda sofística, competía en valor teórico y literario con la obra de Platón. En el presente trabajo nos proponemos explorar la tensión entre estos dos socráticos prestando atención a los rasgos de estilo a los que apela cada uno en su adopción del diálogo socrático. En este marco podremos avanzar sobre un segundo punto, llamando la atención sobre las similitudes y diferencias que adoptan personajes como Alcibiades, Aspasia y Calias en las obras de Esquines, así como la función que cumplen las alusiones a otras figuras políticas de la historia reciente en la tematización de las relaciones filiales y la actitud de Sócrates sobre este punto, que contrasta con las actitudes que Platón confiere a los personajes cuando se alude a los mismos problemas. El problema de la violencia contra los padres, que según el testimonio de Jenofonte en Memorabilia, I.2.49 había sido un elemento de peso en la acusación de corrupción de los jóvenes contra Sócrates, encuentra en sus dos discípulos un tratamiento distinto forjado en la diferente concepción que ambos tuvieron acerca de la función del estilo y los personajes en -42- el diálogo socrático como formato de expresión filosófica. En esta encrucijada de estilo y personajes el tópico de las acusaciones contra Sócrates resulta especialmente importante, ya que se encuentra en la base de las reacciones corporativas que llevaron a diseñar este formato literario común al que adhirieron numerosos integrantes del grupo socrático con un impacto tal que Aristóteles habrá de considerarlo un género autónomo (Poética, 2.1147a). Este enfoque resulta de especial interés para iluminar puntos oscuros de los textos conservados de ambos autores, a la vez que ofrece una perspectiva integradora del clima intelectual fundante de nuestra tradición cultural. MELONI, Gabriele The University of Edinburgh Plato’s banishment of the poets or mass media theory: Why (and how) Plato released poetry This paper addresses Plato’s notorious attitude toward poetry in the Republic. Plato’s stance looks prima facie a dilemma. On the one hand he expresses hard criticism against poetry and he even banishes the poets from the ideal state he envisages in the Republic. That has been usually regarded as an illiberal, totalitarian position. On the other hand, the criticisms he makes of poetry seem to present inconsistencies among the Platonic corpus and they could prima facie appear to the modern reader odd, paternalistic or moralistic.Throughout my work I suggest to adopt a new approach, based both on historical and theoretical grounds, accor¬ding to which it will be possible to resolve the problems that Plato’s objections to poetry give rise to. It consists of the following points. It starts from the very different features that characterize Greek poetry. It emphasizes how the ethical and political role, along with the educational function, made poetry the privileged source of information and education, and the ultimate reference for everyone in the archaic Greek society. In this regard, I aim to show that Plato’s criticism against poetry regards just the features listed above, in virtue of their flaws in teaching as well as source of knowledge. By analyzing Plato’s literary criticism, I will also show that there is not aesthetic devaluation of art, once he adopts Plato’s standpoint. I intend to show that Plato’s criticism of poetry is not an aesthetic attitude, but rather a justified concern about the pursuit of truth through poetry, as it were the main source of teaching, moral value, knowledge and information in the ancient Greek society. Such a claim is historically justified by the totally different role poets had in the ancient Greek society, which is widely substantiated. Besides, my approach explains why Plato attacks the bards from an educational and epistemological standpoint in the Republic, while he esteems beauty and the high aesthetic value of art in general and poetry in particular in other several passages.The outcome of my investigations is to show that Plato does not banish poetry because he is attacking it as a dangerous, free, “fine” Art. On the contrary, I propose to take his attack as the only way to release poetry from its educational and political context and to baptize it into the realm of Fine Art.Moreover, in the last part of my work I will show not just that using the pattern I propose, gives a new reading to the attitude of Plato towards the arts, but I will also show that once recognized and interpreted so, Plato’s -43- criticism towards poets is as a mass-media theory. In conclusion, the present work allows solving the vexata quaestio of Plato’s attitude toward poetry by reconstructing a coherent (and positive) picture of Plato’s attitude on Art. MENEZES, Michel Universidade Federal de Minas Gerais Sobre os personagens do “Crátilo” de Platão O “Crátilo” de Platão é a representação de uma discussão filosófica da qual participam três personagens: aquele que empresta seu nome ao Diálogo, Crátilo, Hermógenes e Sócrates. A origem e o foco da discussão giram em torno de questões sobre nomeação, mais especificamente sobre o caráter natural ou convencional da relação entre o nome e a coisa nomeada. À medida em que a argumentação se desenvolve, fica claro que discutir sobre nomeação significa discutir sobre ontologia, ou seja, para se nomear as coisas é necessário conhecer como são constituídas. O “Crátilo” mostra que antes de escolher entre teorias (aparentemente) contraditórias sobre a relação nome e coisa é preciso se posicionar em relação à ontologia que sustenta essas teorias. Sócrates acredita que é necessário que as coisas possuam em si uma essência estável e tenta mostrar que tanto o convencionalismo quanto o naturalismo, tal como entende Crátilo, não oferecem boas respostas aos problemas envolvendo nome e coisa. Sócrates investigará dialeticamente essas duas posições e proporá uma terceira, intermediária, que se apoiará na proposta das essências inteligíveis para mostrar que se tudo flui o tempo todo o conhecimento mesmo não seria possível. A discussão não tem um cenário definido. Talvez tenha se dado em movimento, caminhando. Embora não haja muitos elementos para se pensar o cenário, a caracterização dos personagens é bem rica e não apenas o que falam mas também o que calam é significativo e merece atenção. A curiosidade e boa vontade de Hermógenes, o entusiasmo e bom humor de Sócrates, o silêncio e persistência de Crátilo; tudo isso tem muito a dizer e contribuir com uma rica e boa interpretação. É sobre a postura e caracterização desses personagens que teceremos algumas notas. MOREIRA, Eduarda Pianete Universidade Federal do Rio de Janeiro As palavras que curam: a fundamentaçao formal-estilística de uma dialética terapêutica no “Cármides” de Platao Que Platao escreveu suas obras em forma de diálogo é um fato conhecido mesmo para aqueles que escolhem nao se aprofundar no pensamento deste ateniense. Menos óbvio (ou nem um pouco óbvio, diríamos), entretanto, é a discussao sobre o(s) possível(is) motivo(s) que levaram o filósofo a optar por tal estilo de escrita. O presente trabalho se propoe a tentar analisar uma das possíveis explicaçoes para tal escolha, focando-se, para tal investimento, na leitura do diálogo intitulado “Cármides”. Neste, a personagem Sócrates, literalmente, encarna o papel de um médico (nao um médico tradicionalhipocrático, mas sim de uma corrente distinta), na tentativa de curar o jovem e belo -44- Cármides da dor de cabeça que lhe aflige. Neste intento, o “médico Sócrates” diz que possui uma medicina para fazer cessar a dor do jovem, porém, tais folhas medicinais só fariam efeito caso fossem acompanhadas de “belas palavras”. Parece-nos, entao, que é justamente nesse diálogo onde podemos encontrar uma das mais claras tentativas platônicas de aproximaçao entre a Medicina e a Filosofia. E um dos mais fortes indícios que encontramos para realizar tal afirmaçao é o fato de Sócrates basear seu tratamento “médico” no diálogo. Mas nao em um diálogo qualquer - Platao nao pretende cair numa tagarelice desmedida -, e sim em um diálogo comprometido com a busca pelo conhecimento, que busca revelar “aquilo que é”. Desta maneira, Platao tece uma explicita relaçao entre o homem saudavel e o homem sábio. Guiando-se por esta proposta de análise, tentamos mostrar como o estilo de escrita platônico já se encontra comprometido com a tentativa de fundamentar uma dialética terapêutica. NUNES SOBRINHO, Rubens Garcia Universidade Federal de Uberlândia A encruzilhada da ΨΥΧΉ: entre o mito e a realidade Como discorrer filosoficamente acerca daquilo que é inverificável? Daquilo que está para além da percepção imediata e daquilo de que não se pode falar com exatidão? Qual é o discurso apropriado para se investigar a natureza de potências invisíveis, em relação às quais a inteligência só pode apreender os efeitos? Se tudo o que é engendrado existe por uma causa (Timeu 28c), qual pode ser o discurso verdadeiro acerca das causas primeiras não percebidas? Não sendo nem um μυθολογικός, nem um fabricante de mitos (Fédon, 61b.04-05), Sócrates, não obstante, recorre ao mito razoável (εἶχον μύθους, Fédon 61b.06; Timeu 29d.02, 30b, 59c, 68d) para estabelecer homologias somente pensáveis a partir de imagens. O emprego de imagens míticas indica a necessidade de se valer do discurso como imagem para o estabelecimento de hipóteses primeiras necessárias, pois o devir está para a realidade (οὐσία), assim como a crença está para a verdade (Timeu 29c.03). Há uma homologia entre a natureza dos fenômenos e a natureza de estados psíquicos pelos quais a inteligência apreende princípios invariantes – tanto nos movimentos da natureza, como nos movimentos de si mesma. A inteligência se vale do eikón e do olhar para ultrapassar a imagem e, mediante a transposição e a homologação de suas relações internas, “saturar-se” gradativamente do inteligível e do invisível no foco das relações somente pensáveis. As imagens icônicas constituem o esforço inglório de pensar filosoficamente o invisível, a morte, a alma e os referenciais imóveis exigidos para a compreensão de um mundo caótico. Este estudo foca as imagens do mito de julgamento do Górgias e as relações epistêmicas, suscitadas pela estrutura icônica imagética, com o paradigma velado ao qual elas remetem. ORLANDI, Juliano Universidade Federal de São Carlos Fedro: o problema da interpretação alegórica dos diálogos platônicos Há no diálogo do Fedro uma curiosa repercussão da crítica à escrita que aparece de 274b -45- a 278e. O texto se inicia justamente com a leitura de um escrito de Lísias (230e-234c) e segue com a apresentação de dois discursos orais de Sócrates (237a-241d e 243e-257b) e de um diálogo entre o filósofo e Fedro (257b-279c). O que no final da obra aparece dito explicitamente está de algum modo implícito em seu enredo: a defesa socrática da oralidade em detrimento da escritura. Eis uma tese que o texto do Fedro não só apresenta e defende manifestamente, mas ilustra em seu desdobramento dramático. Em outras palavras, a obra alegoriza uma de suas perspectivas filosóficas. De maneira geral, esse caráter repercussivo das teses nos próprios enredos dos diálogos não é incomum em Platão, e seus comentadores o utilizam recorrentemente para explicar, ilustrar ou aprofundar suas interpretações. O Fedro apresenta, contudo, uma objeção ao procedimento de interpretação alegórica de relatos. Em 329b, ao passar pelas margens do Ilisso, Fedro questiona a veracidade de um mito sobre o sequestro de Oritia pelo deus Bóreas. A resposta de Sócrates menciona a possibilidade de se interpretar o mito alegoricamente e dizer que, na verdade, a princesa foi derrubada pelo vento de alguns rochedos próximos. As circunstâncias de sua morte levaram as pessoas a dizer que Bóreas a havia raptado. O que se segue é a manifestação da descrença de Sócrates nesse tipo de interpretação e sua decisão de não se dedicar a descobrir a verdade por detrás dos relatos míticos. Eis a questão nuclear dessa apresentação: como é possível que a personagem Sócrates, tida comumente como porta-voz das perspectivas platônicas, recuse a ideia de procurar um sentido oculto nos mitos tradicionais e, ao mesmo tempo, o texto platônico contenha teses filosóficas ocultas em seu enredo que exigem procedimentos de interpretação alegórica para serem descobertas? PAGLIARO, Heitor de Carvalho Universidade Federal de Goiás O Arbítrio dos Governantes em Trasímaco e Sócrates. Na obra A República de Platão, o personagem principal – Sócrates – dialoga com outros sobre vários assuntos políticos, tais como: propriedade, liberdade, igualdade, classes sociais, divisão do trabalho, formas de governo e justiça. Esta última é um tema central discutido na obra, tanto que Platão se preocupou em imaginar a formação de uma cidade para nela poder enxergar a justiça, empresa lhe custou quase metade da obra para ser realizada. Dialogando com Sócrates sobre a questão da justiça, Trasímaco defende uma concepção desta como sendo a vontade dos governantes - dependendo da tradução para o português, isto pode aparecer como vontade dos mais fortes ou dos poderosos. Em todo caso, a idéia é a de que justiça seria a conveniência dos que detêm a força dos poderes constituídos. Sócrates, por sua vez, posiciona-se no sentido de que os governantes devem buscar o que é conveniente aos governados. Apesar de opostas, ambas as posições parecem ter em comum, de certo modo, a idéia de que o arbítrio da justiça reside nas mãos dos governantes (não havendo participação dos súditos). Nosso propósito é investigar a concepção de justiça em Sócrates e em Trasímaco, buscando analisar, sobretudo, a questão do arbítrio dos governantes. -46- PEREIRA, Angelo Balbino Soares Universidade de Coimbra O Fédon como expressão da poesia filosófica platônica Platão pode ser considerado o maior artista e autor da prosa grega, é um dos poucos autores que temos obras completas. Um dos grandes debates entre seus leitores é exatamente a ordenação de suas obras. Com seus escritos Platão elevou o gênero literário, durante a juventude teve gosto pelo teatro, o que levou o ateniense a escrever tragédias, que queimou quando se tornou discípulo de Sócrates. Considerando as obras platônicas de maior intensidade, o Fédon (o mais importante diálogo platônico sobre a alma) aparece no centro filosófico porque do ponto de vista poético é o mais perfeito texto (ao lado do Banquete) para esclarecer sua especulação sobre a Teoria das Ideias. Platão apresenta o cenário dramático, poético e filosófico da morte de Sócrates. O testemunho do narrador-personagem imprimiu credibilidade à obra literária mesmo considerando que na narração não devemos esperar fatos históricos, e sim poesia filosófica, no entanto, dramatiza o texto criando um ambiente que transcende a realidade histórica. As personagens são escolhidas visando à dinâmica do debate e a definição das fontes. No Fédon Platão pode ser apresentado como filósofo, poeta, dramaturgo ou tragediógrafo, o texto tem tanta importância que, junto com a Apologia de Sócrates, Platão faz referência a si mesmo. PILOTE, Guillaume Université Paris 1 / Université d’Ottawa Littérature et corporéité dans le Phédon Par l’écriture de ses dialogues, Platon ne cherche pas à trancher l’éternel conflit entre l’art et la philosophie en choisissant l’un ou l’autre camp, mais plutôt à les réconcilier dans une poésie philosophique. Cette décision donne partiellement raison aux poètes en reconnaissant que les arguments sont insuffisants pour communiquer la vérité dans son intégrité et risquent de donner un portrait réducteur de la vie et de l’être. Le Phédon nous donne les moyens de réfléchir sur ce sujet. Les arguments du dialogue présentent l’âme et le corps du philosophe comme étant irrémédiablement brouillés, attendant chacun de leur côté la rupture finale que leur procurera la mort. En conséquence, on considère que le dialogue fait l’apologie d’un ascétisme glacé. Notre étude montre que cela n’est pas le dernier mot de Platon sur la nature de la vie bonne, mais seulement le côté « philosophique » de la médaille. Le discours philosophique, en tant qu’il refuse la corporéité, est un raccourci, une réduction de l’essence de la vie. Il repose ultimement sur une métaphore non prise en charge, qui comprend la connaissance comme purification, c’est-à-dire comme une séparation du meilleur et du pire. Le revers de cette thèse, qui nous est présenté par ce qui a trait au drame du dialogue et aux erga de Socrate, nous suggère la possibilité d’un rapport sain, voire souhaitable, avec le corps, où l’âme ne s’oppose plus à lui, mais le dirige en réglant ses actions sur le logos. Lorsque bien utilisé, le corps nous ouvre un accès aux formes par la réminiscence et rend possible la dialectique en servant d’intermédiaire à la discussion. -47- En montrant dramatiquement les limites du discours philosophique de Socrate, Platon prend une distance par rapport à son maître. Socrate a été un philosophe exemplaire, mais il n’a été qu’un philosophe : il n’a pas su être également un écrivain. Pourtant, la divinité a souvent voulu le rappeler à l’ordre. Toute sa vie, le philosophe a fait le même rêve, dans lequel le dieu lui ordonnait de « faire de la musikē », ce qu’il avait interprété comme une invitation à faire de la philosophie. Mais il avait tort : il fallait aussi « faire de la musikē » dans un sens littéral et accoupler le discours philosophique au discours poétique. En définitive, le refus de Socrate de composer une oeuvre écrite va de pair avec son rejet de la corporéité dans son discours philosophique : l’écriture est le corps de la philosophie et assumer la corporéité jusqu’au bout implique écrire. Cependant, cela ne signifie pas qu’il faille se résigner à la corporéité et coucher dans un traité rigide et froid sa pensée, mais il faut écrire de manière à pointer par-delà la matière inerte de l’écrit, c’est-à-dire écrire la philosophie d’une manière littéraire. Il faut écrire des dialogues comme Platon l’a fait. PINHEIRO, Felipe Gustavo Universidade Federal de Minas Gerais Cálicles ou da soberania da natureza manifesta na ação do mais forte Tendo como pano de fundo o debate acerca do problema nomos / physis que ocupou lugar de destaque nas reflexões de filósofos e sofistas gregos nos séculos V e IV a.C., a finalidade da presente comunicação é examinar os elementos que caracterizam o polêmico Cálicles - personagem irascível e eloquente apresentado por Platão em seu diálogo Górgias. Apesar da escassez de informações acerca dessa enigmática figura pertencente à tradição filosófica da Antiguidade, tentaremos compreender melhor certas questões que são suscitadas por seu enérgico discurso tão logo ele surge em cena no diálogo platônico. Em suma, Cálicles foi uma figura histórica ou um personagem dramático elaborado por Platão? Sendo um produto do fundador da Academia, quais figuras históricas poderiam ter servido de modelo para a criação de Cálicles? Por que determinados aspectos são destacados por Platão em detrimento de outros ao compor seu personagem? Enfim, seria Cálicles um mero hedonista desmesurado? Um adepto desregrado da vida segundo a natureza? Um insignificante defensor da liberdade humana? A questão é: sabemos que Platão não faz escolhas nada fortuitas ao compor a sua obra e, sendo fictícia ou não, a vigorosa personalidade de Cálicles apresentada pelo autor do Górgias e escolhida para fazer frente à inquirição conduzida por Sócrates nesse diálogo ainda hoje instiga muitos estudiosos da filosofia grega antiga. RACKET, Andrés Universidad de Buenos Aires La Apología de Sócrates leída como una tragedia J. Howland propuso, poco tiempo atrás, que la Apología de Sócrates platónica puede ser leída como una tragedia. Las consecuencias de su análisis echan luz sobre el tipo de interrelación que establece el diálogo socrático-platónico con el género trágico a través de ciertos mecanismos de escritura, en un complejo fenómeno de apropiación -48- y resignificación de algunas características de la Tragedia para los objetivos de la filosofía. En diálogo con la hipótesis de Howland, la presente ponencia explorará esa interrelación, construyendo analogías entre fenómenos típicos del género trágico, tal como se plasman en la versión sofoclea del Edipo Rey, y dispositivos narrativos de los que se sirve Platón en Apología, para analizar sobre esa base las claves hermenéuticas que esta lectura intertextual aporta a la lectura del texto platónico. En esta dirección, se propondrá que Platón construye intencionalmente la Apología... echando mano de ciertos mecanismos del género trágico, para evitar la tensión entre las prácticas políticas atenienses y el interés de la filosofía por la verdad que conllevó la condena y muerte de su maestro. La apropiación de fenómenos de la tragedia se constituye entonces en una nueva modalidad para significar que la filosofía debe adoptar para sobrevivir. SHARP, Kendall University of Western Ontario The Character of Phaedrus in the Style of Alcidamas: Conversation and Muthologia in Plato’s Phaedrus Scholarly interpretations vary about just how Plato intends the critique of writing at Phaedrus 274b-278b to apply to his own dialogue form. However, interpretation of this famous passage seems never to have recognized the title character’s active conversational role. This paper gives Phaedrus his due, and argues that Plato uses him at two key points in the Account of Good Writing (276a-e) to clarify his own, authorial meaning for readers. Socrates describes Good Writing in only abstract, metaphorical terms, and borrows some of his metaphors from the rhetorical theorist Alcidamas. Phaedrus evidently knows his Alcidamas, and uses this knowledge to translate Socrates’ metaphors into metaphors of his own that are easier for readers to interpret. The resulting picture from Phaedrus’ translations fits the Platonic dialogue well. Because Phaedrus has an enthusiast’s interest in rhetoric, I conclude, he understands and responds to Socrates in ways that coincidentally clarify Plato’s own message about his dialogue form.Phaedrus’ first translation comes as he realizes Socrates means that the best type of discourse is no writing at all, but rather one-onone conversation (276a). Both his translation and Socrates’ original metaphor draw imagery and specific word choices from Alcidamas 15. 27-29, entitled On Those Who Write Written Speeches, or On Sophists. Alcidamas argues that oratory extemporized to suit the moment is superior to that composed laboriously ahead of time. Alcidamas was, of course, Plato’s contemporary, but this anachronism, I suggest, is meant by Plato to lead readers also into anachronism, and to apply Socrates’ Account of Good Writing to another fourth-century example, namely Plato’s own dialogues. Socrates varies Alcidamas’ formulation about oratory to speak of conversation (276a). In his response, Phaedrus uses other words, from the same sentence in Alcidamas, to indicate he understands Socrates here to mean that even the writing of the best dialectician can be only an “image [eidôlon]” of live, conversational discourse (276a). But such an image of conversation describes exactly Plato’s dialogues. Alcidamas’ -49- metaphor of a text as a conversation’s image informs Phaedrus’ second translation as well. Here, he reveals his realization that Socrates means that the best writing can aspire only to represent the form of discourse, by narrating stories about characters having dialectical conversations (276e). The master dialectician will not necessarily eschew all writing, but will write discourses like the good farmer plants Gardens of Adonis, strictly as an amusement, a “playful” version of his normally serious activity. Socrates describes the best writing as only “playful” reminders-to-self, of the “pieces of knowledge of what’s just, beautiful and good” (276c). Since these are the topics of the dialectician’s conversations, and his reminders a written version of his normal conversational activity, Phaedrus infers from Socrates’ words that the dialectician’s writings will be narratives of dialectical conversations. Phaedrus translates Socrates’ “reminders to himself ” about the virtues as “telling stories [muthologounta]” about the virtues that serve as topics for the serious conversations (276e). SILVA, Martim Reyes da Costa Universidade Federal de Minas Gerais Tensão dramática e argumentação filosófica no Críton de Platão Na aridez da cela de Sócrates e na penumbra do amanhecer, dois velhos sentados conversam quase calmamente. O diálogo permanece com um aspecto quase desinteressado, até que o real objeto da visita de Críton se coloque, e então a emotividade que estava nas entrelinhas se apresenta diretamente. Na apresentação das personagens, chama a atenção o contraste entre a ansiedade de Críton e a tranquilidade de Sócrates: trata-se de um momento decisivo, talvez a ultima oportunidade para salvar a vida de seu amigo, por quem demonstra tanta admiração. Esta admiração, por outro lado, leva o próprio Críton a um dilema, uma vez que a tranquilidade de Sócrates diante da morte injustamente outorgada faz parte desta personalidade singular que, por assim dizer, o define. O uso de optativos e subjuntivos que começa a se fazer presente no fim deste primeiro momento será uma característica marcante de todo diálogo, demostrando uma espécie de análise das possibilidades, uma decisão talvez ainda em aberto. Assim, a tensão entre a ansiedade de um e a tranquilidade do outro se mantem até o momento em que Críton é convencido de participar de uma investigação paciente acerca das razões pró e contra sua proposta, já quase no meio do diálogo. No fim do diálogo, escutamos a voz das Leis apresentadas por Sócrates enquanto último recurso para apresentar ao amigo a necessidade de agir tal como lhe parece justo. A personificação das leis, que falam por uma só voz, como uma só entidade, se mostra como um recurso literário de bastante impacto, acrescendo à cena uma nova personagem que retomará os mesmos argumentos explicitados durante o diálogo, mas de maneira mais incisiva e definitiva. O tom assumido por elas é um tanto mais formal do que aquele utilizado entre os dois velhos amigos (sobretudo no começo do diálogo), mas ao mesmo tempo também demonstram emotividade, com um sentimento de indignação que lembra um discurso propriamente político. Dentre os principais argumentos apresentados por Críton, em que o carácter emotivo se coloca juntamente com razões pragmáticas, se encontram o impacto que a perda -50- de Sócrates terá sobre seus discípulos, assim como a impressão que isto causará na opinião pública. Em contrapartida, as Leis assumirão, por suas vez, um tom parental em relação ao próprio Sócrates: se te preocupas com a nutrição dos teus, não será justo para isto renegar a quem nutriu a si mesmo. Não é completamente destituído de pesar que Sócrates parece reconhecer este ponto de vista superior, segundo o qual não há saída digna para a injustiça contra ele acometida senão, como os heróis épicos, morrer com dignidade. Contudo, talvez Platão nos esteja mostrando ao narrar este diálogo desta maneira que o impacto da personalidade de Sócrates, se mantendo coerente consigo mesma e com sua homologia para com a justiça divina, aqui representada pelas leis, se justifica por aqueles que podem entender e absorver seu significado. SILVA, Tiago Do Rosário Universidade Estadual da Paraíba Sócrates: um filósofo, um personagem A figura de Sócrates nos apresenta uma infinidade de controvérsias. Exceto pela problemática da sua autenticidade histórica agora ultrapassada. É fundamental perceber que sua figura, inserida nos diálogos platônicos da juventude, não apresenta apenas um personagem que faz perguntas as quais não se pode responder. Mas apresenta um interesse pelo acesso ao que pode ser entendido como uma verdade conceitual. A atitude questionadora do filósofo implica a busca por uma explicação que requer o encontro de um objeto universal. Para desenvolvermos tal tema, faremos referência ao passo 96ss do Fédon, no qual é realizada por Sócrates uma crítica a sua maneira antiga de investigação, que estava ligada à busca também efetuada pelos présocráticos. Nesta perspectiva, avaliaremos também a crítica feita a Anaxágoras. Por conseguinte, aferiremos as fases distintas que podem ser extraídas da “evolução” do Sócrates enquanto personagem de Platão; para tanto, avaliar o estilo do personagem nos primeiros diálogos e nos diálogos médios. Assim sendo, será possível averiguar as principais influências textuais de um personagem que não fez senão imortal pelo incômodo provocado por seu modo de realizar sua principal atividade: a filosofia. SILVA, Vânia Dos Santos Universidade de Brasília Personagens Femininas na Filosofia de Platão Nesta comunicação tematizaremos a posição que as mulheres assumem enquanto personagens na obra de Platão. Analisaremos, especialmente, o livro V da República, por nele conter uma proposta avançada quanto à posição das mulheres, dado seu contexto histórico. Sabemos, contudo, que as figuras femininas no pensamento de Platão não têm sempre o mesmo status, e mesmo a posição das mulheres no livro V da República têm interpretações muito divergentes, ao ponto de alguns identificarem Platão como um proto-feminista e outros como um misoginista. Nossa proposta, portanto, é analisar a posição das figuras femininas e discutir algumas dessas interpretações possíveis. -51- STELLA, Massimo Università di Pavia O mestre ambiguo e seus discípulos: em torno da “legitimidade” da filosofia platónica O objetivo deste trabalho é analisar - através do teatro de personagens e cenas que a escrita platónica retrata nos vários diálogos - a estratégia autoral em que o discurso filosófico constrói a própria autoridade e legitimação, por um lado, e estabelece, por outro, os próprios mecanismos de seleção e transmissão. Neste quadro, as figuras do mestre e do discípulo desempenham um papel central, porque, de facto, a relação intelectual e afetiva que liga-los é um avatar da tradição da sabedoria. Muito tem sido dito acerca do fundamento ético, político, doutrinal e disciplinar da filosofia platónica, nem sempre tendo em conta da textualidade da mesma (o caso das doutrinas não escritas é apenas o extremo entre muitos outros). Nossa convicção é que, pelo contrario, a cena arquetípica do magistério filosófico platónico (juntamente com todas as suas possíveis consequências éticas, políticas e especulativas) não é separável da textura dramatúrgica do macrotexto (ou seja, os diálogos considerados como uma única constelação de escritas). Os personagens desta cena são: Fédon, o discípulo fiel, que, além disso, encarna a figura da testemunha por excelência dos diálogos platônicos, visto que ele é, de facto, o depositário das últimas horas de Sócrates; Alcibíades, o seguidor infiel, refratário a qualquer tentativa de educação; e, finalmente, o mestre, Sócrates. Em suma, investigar as interações entre Fédon, Alcibíades e Sócrates, significa pôr o problema da relação entre o mestre e a verdade (Fédon), por um lado, e o desejo (Alcibíades), por outro. Neste contexto, a questão mais espinhosa é se Sócrates é ou não um mestre ambíguo, sendo essa eventual ambiguidade o risco de uma navegação perigosa, por assim dizer, entre verdade e desejo. O papel da escrita, dentro da obra platónica, está estreitamente ligado a esse conjunto de problemas: como é que a escrita se conecta ao magistério filosófico? Em que sentido Platão distingue a escrita legítima da escrita ilegítima nas famosas paginas do Fedro? TABOSA, Adriana Universidade Estadual de Campinas e Instituto Federal da Bahia Economia e Política no diálogo de A República de Platão A economia em Platão não é uma dimensão animal no homem, mas uma dimensão humana, porque nela se inscreve imediatamente a política e sua orientação em vista do divino. Qual é a natureza dessa questão refletida e sentida em direção daquilo que orienta uma discussão coletiva conduzida no tempo e segundo mesmo a alma? É necessário não tomar como ponto de vista o início de toda a discussão e de conciliar toda a sua confiança no espírito dos homens. O ponto de partida de uma discussão comum é o desacordo provocado pelos problemas de distribuição – por troca ou por repartição – dos bens, das honrarias e dos poderes. A questão -52- reside no problema de um homem ser tratado injustamente por outro. A confiança no espírito dos homens é a crença ou a fé que a prática coletiva do pensamento exercitado por todos faça com que se perceba que o correto não é possuir bens, honrarias e poder ao preço da injustiça ou do domínio sobre o outro, mas de ser justo e de aceder ao bem verdadeiro. É porque para Platão, a disputa pelos bens, das honrarias ou dos poderes e a discussão disto que se têm então por justo e injusto em cada circunstância, os homens são naturalmente conduzidos em direção da revelação progressiva do seu destino. A economia fundada sobre as necessidades do exercício da vida política, que é a discussão organizada das questões de justiça e as questões de justiça desvelam a natureza profunda do desejo do bem. A economia conduz desse modo à sabedoria ou a vida divina para a política e para ética. O problema central é em Platão a questão de saber se é possível ou não definir as relações entre Economia e Política a partir desta confiança no espírito dos homens e na palavra que os reúne. É esta confiança no espírito que Platão põe em cena no diálogo que constitui os dez livros de A República. Sócrates discute sobre a questão de saber qual é a natureza da política. A discussão imita a vida política. A cidade é a imagem do diálogo da alma consigo mesma, quando a discussão ou a leitura requerem toda a atenção do espírito. Sócrates é de todos os personagens o mais atento e o mais próximo do diálogo interior de sua alma, porque ele é o mais próximo da justiça verdadeira e do bem. Tudo começa pela economia e o problema das necessidades. Os problemas econômicos são incitações permanentes que suscitam subterraneamente opiniões em direção de propostas mais precisas e mais exatas das artes, das técnicas ou das ciências. Os problemas econômicos são, por assim dizer, “tentações insidiosas” ao tratar das questões da justiça em termos de cálculo de quantidades e de equilíbrio de forças. De modo geral, o início da discussão sobre a política no livro II de A República se põe a questão de saber se a confiança no espírito dos homens comuns e em Sócrates que os representa toma o caminho da ciência subjacente às opiniões ou reside no plano de opiniões para afastar-se progressivamente dos pensamentos refletidos. Ou ainda, nos termos modernos, o leitor é convidado desde os primeiros livros a decidir por si mesmo, pela economia que intermedia as necessidades, e pela política que se ocupa inicialmente da organização racional e técnica ou das ideias e da espiritualidade. VIEGAS, Alessandra Serra Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro A ‘genialidade’ literária de Platão no Banquete: a imbricação entre os nomes dos personagens e suas falas: um estudo de caso Não por acaso os nomes e/ou epítetos são utilizados como referência às características físicas, psíquicas ou sociais dos personagens na literatura grega desde Homero. Acerca deste, Haroldo de Campos nos relata: “Para que se tenha uma ideia do nível de elaboração verbal a que chega a poesia homérica, observe-se que essa história é sintetizada no nome dos dois heróis: Akhilleús, ‘aquele cujo povo (laós) tem dor (ákhos)’, obtém a glória que, no futuro, será recordada como a ‘glória dos homens do -53- passado’ com a morte de Patroklês, isto é, ‘a glória – klês, de kleós – dos ancestrais – patros, de patêr, pateres” (CAMPOS, 2003, p.20). Do mesmo modo, Platão aninhará seu discurso sobre o Amor – tão próximo do belo e do bem – isto é, da kalokagathia – na morada ateniense de ‘Agatão’, nomeado como quem abriga o próprio bem. Ali estava a participar ‘Aristodemo’, um bem nascido entre o povo, permitido a estar ali no banquete de Eros por sua condição intrínseca ao nome! Ainda, neste relato de um relato, Platão trará à baila para discursar ‘Apolodoro’ – aquele que recebeu o dom de Apolo, a fim de contar ao atento e brilhante ‘Glauco’, aquilo que lhe foi transmitido. O cerne da obra, ou seja, a concepção socrática acerca do Amor, ser-nos-á apresentada pela mulher mui estimada por Zeus, ‘Diotima’, o que não poderia ser diferente, seguindo o fio condutor de metonímias com o qual a tessitura da obra é elaborada. Eis a discussão deste trabalho. VIEIRA, Celso Universidade Federal de Minas Gerais Os nomes de personagens nos diálogos de Platão O objetivo será entender a relação entre os nomes próprios e o papel das personagens nos diálogos de Platão. Para tanto servirá de guia o tratamento do uso de nomes próprios por parte dos poetas examinados em várias passagens ao longo do Crátilo. O principal problema parece ser no uso do conteúdo descritivo de um nome a partir das raízes etimológicas que o compõem. Os poetas se aproveitariam da relação entre esta descrição e os feitos de suas personagens para criar uma coerência interna à sua narrativa. Platão, em geral, discordaria deste uso. O aprofundamento de uma tal análise fornecerá um paradigma que permitirá identificar na atitude de Platão sua postura em relação aos nomes de suas personagens. Assim será possível contrapôr sua posição à crítica que faz aos poetas e sofistas. Então será possível encontrar uma hipótese que justifique a motivação de Platão para evitar nomes próprios em personagens centrais de seus diálogos, como os casos do Eleata ou do Ateniense. Esta motivação deve ajudar a compreender o papel das personagens dentro dos diálogos que elas conduzem. WINKLER, Stephanie Universidade de Brasília Teatro & Pensamento O objetivo deste trabalho é comparar dois filósofos gregos da Antiguidade clássica: Platão e Aristóteles. Tendo como base seus respectivos pensamentos sobre as artes, mais especificamente, o teatro, pretende-se mapear as diferenças entre os dois pensadores focando principalmente no gênero da tragédia. A partir de uma análise bakhtiniana, pretende-se também focar majoritariamente na tragédia Macbeth de Shakespeare. O diálogo socrático, por um lado, seria usado como instrumento de construção da autoconsciência das personagens principais - Macbeth e Lady Macbeth. Por outro lado, por serem personagens elevadas, estariam ligadas à um entendimento da tragédia e do herói trágico a partir de princípios aristotélicos. -54- YOUNESIE, Mostafa Tarbiat Modares University Plato’s Reading of Mystery for His Philosophy: Phaedo 69C I begin my paper with this fact that Plato has attentive and receptive reading of mysteries and we can see and read mystic terminologies in his different dialogues. (Riedweg, 1987) Notwithstanding the diversity and plurality of mysteries in classical Greek for beginning our discussion by classical Greek mystery in general terms I mean the existence of first time participants, undergoing a death-like experience by the engaged participants, and promise of prosperity in this life and afterlife to the involved participants. (Burkert1987, 12) According to Plato’s reading of mystery in Phaedo 69c, perhaps from the Eleusian mystery, I want to explore the effects and implications of his particular reading both for his definition of philosophy and his characters that should be initiated in order to understand the pertinent definition of philosophy in this dialogue. In other words, the purpose of dialogue’s author is introduction of philosophy definition (80) but before it the community of companions as characters are uninitiated to it therefore they should become initiated. According to the heuristic appropriative reading of Plato of complete mystic phases and grades they are three (69c): myesis as a kind of purification of the ideas (here predominantly Pythagorean) by Socrates as the initiated and guide; telete as the “performances” that have pedagogical educational orientations that can be performed by characters; and epopteia as a kind of speculation and contemplation about every subject matter. As a conclusion, in order to introduce and define philosophy Plato through his heuristic appropriative reading of three complete mystic phases and grades (perhaps with some objective knowledge of Eleusinian mystery and Eleusis near Athens) engage his participants of dialogue although it does not mean that all of them can complete this process. But on the whole a kind of consistency and integrity shapes between the purpose of Socrates as guide and initiated with those who are initiated by him. -55-