Platão,
Estilos e
Personagens
PRIMEIRA CONFERÊNCIA DA ÁREA LATINO-AMERICANA DA INTERNATIONAL PLATO SOCIETY
X SEMINÁRIO INTERNACIONAL ARCHAI
V ESCOLA DE ALTOS ESTUDOS DA CÁTEDRA UNESCO ARCHAI / CAPES
Caderno -1de Resumos
www.archai.unb.br
APOIO
International Plato Society
Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos
Núcleo de Estudos em Filosofia Antiga e Hum. / UFU
Programa de Pós-Graduação em Filosofia / UnB
Platão,
Estilos e Personagens
I Conferência da Área Latino-Americana da International Plato Society
X Seminário Internacional Archai
V Escola de Altos Estudos da Cátedra UNESCO Archai / CAPES
Caderno de Resumos
Brasília, 20 a 24 Agosto de 2012
Comissão Científica
Francisco Bravo (Universidad Central de Venezuela)
Marcelo Boeri (Universidad Alberto Hurtado, Chile)
Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília)
Comissão Organizadora
Jonatas Rafael Alvares; Talita Siqueira Cavaignac; Ariadne Borges
Coelho; Gilmário Guerreiro da Costa; Mariana Cabral Falqueiro; Eryc
de Oliveira Leão; Ester Macedo; Walter Nascimento Neto; Érica Calil Nogueira; Abadio Aparecido Bento de Oliveira; Thiago Rodrigo de
Oliveira; Eduardo Fernandes da Silva Oliveira; Luiza Silva Porto Ramos;
Rafael Gaspar G. Raro; Nicholas Riegel; Simone Elisa Ferreira da Silva;
Vânia dos Santos Silva; Talita Lobo Vianna.
Seminário Internacional Archai (1. 2012: Brasília - DF).
Caderno de Resumos do X Seminário Internacional Archai, Brasília,
2012 / Orgs. Gabriele Cornelli, Gilmário Guerreiro da Costa, Ester
Macedo, Nicholas Riegel. Brasília, DF: Cátedra UNESCO Archai As origens do pensamento ocidental, 2012.
ISSN 1983-0920
Projeto, Produção e Capa
Jonatas Rafael Alvares
Érica Calil Nogueira
Editado por
Cátedra UNESCO Archai
Universidade de Brasília
Instituto de Ciências Humanas - Departamento de Filosofia
Cátedra UNESCO Archai
ICC-Centro, ASS 306/10
Asa Norte, Brasília - DF, CEP 70910-700
Telefone: (61) 3107-7040
Sumário
Mesas Redondas
BACELAR, Agatha Pitombo..............................................................1
Arqueologia de uma metáfora: as doenças da pólis, de Sólon à República de
Platão
BENOIT, Hector. .............................................................................1
The Stranger from Elea in the temporalities of Plato’s Dialogues
BOERI, Marcelo D...........................................................................1
Teeteto y Protarco: dos personajes filosóficos o lo que un alma
filosófica debería hacer
BOSSI, Beatriz.................................................................................1
Plato´s Phaedrus: A play inside the play
BRAVO, Francisco...........................................................................2
“Quién es y qué enseña el Calicles de Platón”. ¿Quién es Calicles?
CAMPOS, Álvaro Vallejo................................................................2
Socrates as a physician of the soul: from reason to utopia
CORDERO, Nestor Luis..................................................................3
El Extranjero de Elea, ‘compañero’ de los parmenídeos... desde 1561
CORNELLI, Gabriele........................................................................3
He longs for him, he hates him and he wants him for himself: The
Alcibiades case between Socrates and Plato.
CORRADI, Michele. .........................................................................3
Fare affari con Protagora (Prot. 313e): Platone e la costruzione di un
personaggio
DA COSTA, Gilmário Guerreiro......................................................4
O grande drama do conhecimento: escrita, arte e tragicidade em
Platão
DE PINOTTI, Graciela Marcos........................................................5
Estrategias argumentativas en Teeteto y Sofista. El recurso platónico a las
condiciones de posibilidad del lenguaje.
-III-
DE SANCTIS, Dino. .........................................................................5
Socrate per le strade di Atene: le scene d’incontro nell’incipit del
dialogo di Platone.
EL MURR, Dimitri.............................................................................6
Manufacturing Friendship in Plato’s Republic.
ERLER, Michael...............................................................................7
Detailed completeness and pleasure. Some remarks on narrative
tradition in Plato.
FERRARI, Franco............................................................................7
Socrate, la maieutica e la filosofia: personaggi e autore nella struttura
drammatica del Teeteto
FITZPATRICK, Kirk.........................................................................7
The Modal Stichometric Interpretation of Plato’s Texts
GILL, Mary-Louise............................................................................8
Plato’s Unfinished Trilogy: Timaeus–Critias–Hermocrates
GUTIÉRREZ, Raúl...........................................................................8
Las tres olas de la dialéctica
HARTE, Verity. ................................................................................9
A comic rivalry? Character and Caricature: Socrates and ridicule in Philebus
48e-50b
MACEDO, Ester. .............................................................................9
Could Cephalus have had a tyrannical soul?
MARINO, Silvio................................................................................9
Lo stile della scrittura della medicina nel discorso di Erissimaco:
imitazione e contaminazione
MARQUES, Marcelo P..................................................................10
O caráter antilógico da busca erótica no Banquete
McCABE, Mary Margaret..............................................................11
Seven characters in search of a teacher
MONTENEGRO, Maria Aparecida.................................................11
O estilo platônico de filosofar e escrever no diálogo Fedro
-IV-
MOTA, Marcus...............................................................................11
Dramaturgia cômica em Platão: observações a partir de Íon
MUNIZ, Fernando...........................................................................11
Performance e Elenkhos no Íon de Plato
NAILS, Debra..................................................................................12
Five Platonic Characters
OLIVEIRA, Loraine ........................................................................12
A figura de Sócrates segundo Pierre Hadot
PEIXOTO, Miriam Campolina..........................................................13
Demócrito de Abdera, um ὑποκριτής sob a σκηνή platônica.
REGALI, Mario...............................................................................14
Amicus Homerus: l’arte allusiva di Platone nell’incipit del X libro della
Repubblica (595a-c)
RIEGEL, Nicholas. .........................................................................15
Two Tetralogies in Plato’s Symposium
SAMPAIO, Evaldo..........................................................................15
A recepção do Platão político em Leo Strauss
SANTORO, Fernando.....................................................................16
As Faces de Aristófanes no Banquete de Platão
SANTOS, José Gabriel Trindade. ..................................................16
“Reading the Sophist”
SCOLNICOV, Samuel.....................................................................16
Beyond language and literature
SOARES, Lucas. ............................................................................17
Perspectivismo, escritura proléptica y naturaleza y efectos de Éros. Tres ejes
de lectura para abordar el Banquete. Tres ejes de lectura para abordar el
Banquete.
TORDESILLAS, Alonso.................................................................18
De quelques traits caractéristiques de la figure de Protagoras dans les
dialogues de Platon.
TULLI, Mauro. ................................................................................18
Platone, la forma del testo e il personaggio: il giudice nello Ione
-V-
XAVIER, Dennys Garcia.................................................................18
Aspectos teatrográficos da digressão sobre o Filósofo no Teeteto de Platão
Comunicações
AGOSTINI, Cristina de Souza........................................................19
Cobrir o rosto e escrever: Platão e Eurípides na tessitura da persuasão
ALMEIDA JÚNIOR, George Matias de. ......................................... 19
O jogo sério de Platão
ÁLVAREZ, Lucas M........................................................................19
El personaje sofista. De la adquisición a la producción: claves de un
itinerario
BARBOSA, Ana Mercia..................................................................20
O caráter dialógico do Banquete de Platão
BATISTA, Eduardo Pereira............................................................20
O estilo da autobiografia de Platão
BIEDA, Esteban Enrique. ...............................................................21
Gorgias, el octavo orador. Resonancias gorgianas en el discurso de Agatón en
el Banquete
BORGES, Anderson de Paula........................................................22
Justiça, bem e harmonia psíquica em Platão
BRANDÃO, Renato Matoso R. G...................................................22
Zenão, Parmênides e as contradições do diálogo Parmênides
CAMPOS, Antônio José Vieira de Queirós.................................... 23
Intertextualidade orgânica dos diálogos platônicos com os gêneros literários
clássicos: o exemplo da Apologia de Sócrates
CARVALHO JUNIOR, Adail Pereira. ............................................ 24
A natureza e função de Eros na filosofia de Platão: Um estudo do Banquete
e do Fedro
-VI-
CHRYSAKOPOULOU, Sylvana.....................................................24
The reform of epic poetry by the first philosopher-poets in the Sophist
COELHO, Ariadne Borges.............................................................25
Sócrates personagem em As Nuvens de Aristófanes: uma análise dialógica
CORNAVACA, Ramón Enrique ......................................................26
Memoria y diálogo filosófico. Observaciones sobre las apelaciones al
recuerdo del interlocutor en tres diálogos platónicos
COSTA, Thiago Rodrigo de Oliveira.............................................. 27
Platão intérprete de Parmênides, ou Parmênides como uma
personagem para o filosofar de Platão: entre a hermenêutica e a
poética filosófica
COTTONE, Rossella Saetta..........................................................27
Agathon figure du genre, des Thesmophories au Banquet
COUTINHO, Carlos Luciano Silva. ...............................................28
Zalmoxis e Sócrates: a katábasis mágica e a katábasis subjetiva no Cármides
de Platão
DA COSTA, Luiza Moreira.............................................................29
Alcibíades, Atenas e o Eros
DA MOTTA, Guilherme Domingues.................................................29
Platão e a poesia: considerações sobre o caráter da leitura dos poetas
apresentada por Gláucon e Adimanto na República
DA SILVA, André Luiz Braga. ........................................................30
Sócrates versus Estrangeiro de Eleia?
DA SILVA, José Lourenço Pereira. ...............................................30
Sócrates no discurso de Alcibíades
DEMARÍA, Fabiana Andrea.............................................................31
Elementos platónicos de palingénesis recreados por Arturo Capdevila
en Arbaces, maestro de amor
DE ARAÚJO, Hugo Filgueiras.......................................................32
A natureza da alma no Timeu de Platão
DE LUCENA, Maria Gorette Bezerra........................................... 32
Considerações sobre prôta stoicheîa no Timeu de Platão
-VII-
DE MELO, Luiz Fernando Bandeira................................................ 32
Influência dos cultos de mistérios na questão de ser mais feliz: os
sofreados que os desenfreados
DE MORAES, Kellen Ferreira. .....................................................33
Para uma Teoria da Oralidade em Platão
DE SOUZA, Jovelina Maria Ramos. ...............................................33
O cortejo de Alcibíades
DIEZ, Pedro Luis Villagra..............................................................34
El personaje Lisímaco como receptor de la enseñanza socrática en el Laques.
Implicaciones extratextuales en el marco de la enseñanza platónica
DOS SANTOS, Vladimir Chaves....................................................35
Algumas aproximações entre o tirano de Platão e o MacBeth de Shakespeare
por intermédio de Longino
FERREIRA, Mariane Rodrigues.....................................................35
Para uma teoria acerca da formação do filósofo em Platão
FIERRO, María Angélica................................................................36
El Mito del Carro Alado del Fedro como Vehículo de la Filosofía
FORCINITI, Martín.........................................................................37
El sofista, entre la erística privada y la demagogia política
GABIONETA, Robson. ...................................................................38
Algumas relações entre a Odisseia de Homero e alguns diálogos de Platão
GONZAGA, Solange Maria Norjosa.............................................. 38
Personagens em NOMOI
KEIME, Christian............................................................................38
La fonction du personnage de Diotime dans le “Banquet”: le dialogue
et son double
IPIRANGA JÚNIOR, Pedro. ..........................................................40
Prosa literária na Antiguidade: interlocuções de Luciano e Plutarco
com o diálogo platônico
LISSANDRELLO, José M...............................................................40
Protágoras: aporía del maestro – euporía del discípulo
-VIII-
LOPES, Adriana Alves de Lima ......................................................41
A Natureza da Alma em Platão
LOPES, Ricardo Leon....................................................................41
A tensão entre a razão e a emoção do fiel amigo de Sócrates: Críton
MÁRSICO, Claudia.........................................................................42
“Se irritan contra mí porque acuso a mi padre” (Eutifrón, 6a). Intertextualidad
de estilos y personajes en Esquines y Platón a propósito de la violencia filial
MELONI, Gabriele..........................................................................43
Plato’s banishment of the poets or mass media theory: Why (and how)
Plato released poetry
MENEZES, Michel. ........................................................................44
Sobre os personagens do “Crátilo” de Platão
MOREIRA, Eduarda Pianete. .........................................................44
As palavras que curam: a fundamentaçao formal-estilística de uma
dialética terapêutica no “Cármides” de Platao
NUNES SOBRINHO, Rubens Garcia............................................. 45
A encruzilhada da ΨΥΧΉ: entre o mito e a realidade
ORLANDI, Juliano..........................................................................45
Fedro: o problema da interpretação alegórica dos diálogos platônicos
PAGLIARO, Heitor de Carvalho....................................................46
O Arbítrio dos Governantes em Trasímaco e Sócrates.
PEREIRA, Angelo Balbino Soares.................................................47
O Fédon como expressão da poesia filosófica platônica
PILOTE, Guillaume.........................................................................47
Littérature et corporéité dans le Phédon
PINHEIRO, Felipe Gustavo............................................................48
Cálicles ou da soberania da natureza manifesta na ação do mais forte
RACKET, Andrés. ..........................................................................48
La Apología de Sócrates leída como una tragedia
SHARP, Kendall.............................................................................49
The Character of Phaedrus in the Style of Alcidamas: Conversation and
Muthologia in Plato’s Phaedrus
-IX-
SILVA, Martim Reyes da Costa. .....................................................50
Tensão dramática e argumentação filosófica no Críton de Platão
SILVA, Tiago Do Rosário...............................................................51
Sócrates: um filósofo, um personagem
SILVA, Vânia Dos Santos...............................................................51
Personagens Femininas na Filosofia de Platão
STELLA, Massimo...........................................................................52
O mestre ambiguo e seus discípulos: em torno da “legitimidade” da
filosofia platónica
TABOSA, Adriana...........................................................................52
Economia e Política no diálogo de A República de Platão
VIEGAS, Alessandra Serra. ..........................................................53
A ‘genialidade’ literária de Platão no Banquete: a imbricação entre os nomes
dos personagens e suas falas: um estudo de caso
VIEIRA, Celso................................................................................54
Os nomes de personagens nos diálogos de Platão
WINKLER, Stephanie......................................................................54
Teatro & Pensamento
YOUNESIE, Mostafa . ...................................................................55
Plato’s Reading of Mystery for His Philosophy: Phaedo 69C
-X-
Mesas Redondas
BACELAR, Agatha Pitombo
École des Hautes Études en Sciences Sociales
Arqueologia de uma metáfora: as doenças da pólis, de Sólon à República
de Platão
Com base nas reflexões semânticas sobre a metáfora propostas pelo linguista Vincent
Nyckees, a presente comunicação passa em revista as ocorrências mais expressivas
da figura da cidade doente em textos gregos anteriores e contemporâneos a Platão
– notadamente na poesia elegíaca, na historiografia, na poesia trágica e na oratória
– com vistas a, em um segundo momento, mostrar de que modo Platão se apropria
desse tópos discursivo em algumas passagens da República.
BENOIT, Hector
Universidade Estadual de Campinas
The Stranger from Elea in the temporalities of Plato’s Dialogues
The Stranger from Elea is a mysterious character that appears in the Sophist and the
Statesman dialogues. We shall strive to understand his particular insertion in the
Dialogues’ temporalities, and show how his appearance represents a genuine rupture
that characterizes the whole process of exposition and the conceptual development
in the works of Plato. In order to do that, first of all we need to make clear what we
understand as ‘temporalities’ in the dialogues.
BOERI, Marcelo D.
Universidad Alberto Hurtado
Teeteto y Protarco: dos personajes filosóficos o lo que un alma filosófica
debería hacer
Esta presentación se centra en dos personajes de Platón (Teeteto y Protarco) que,
con sus características personales diferentes, pueden entenderse como “personajes
filosóficos”. Teeteto y Protarco son “lo que un alma filosófica debería ser” porque
son yoes que reúnen en sí mismos, si no todos, al menos varios de los requerimientos
imprescindibles en los que Platón parece pensar para que haya una conversación
filosófica. También se enfatiza la relevancia de los ingredientes dramáticos en la
composicion del argumento filosófico o, más precisamente, la importancia que Platón
parece conferir tanto a los aspectos dramáticos como filosóficos en el progresso del
diálogo.
BOSSI, Beatriz
Universidad Complutense de Madrid
Plato´s Phaedrus: A play inside the play
It is usually thought that Socrates cannot abandon Phaedrus and go back across the
-1-
river because his daimon forbids him to do so. This voice he hears when he is about to
commit a shameful act, and Phaedrus is in need of a new speech on Eros, because the
former ones do not offer a proper image of the God. Here I should like to show that
Socrates’ return has, in addition, a deeper meaning: Socrates cannot leave Phaedrus
in his ignorance because he has something to teach his friend, and also because he
has something he needs to know about himself. Socrates has to teach Phaedrus how
a real lover acts towards his beloved, and by doing so, he has to learn whether he is
able to master himself. This is a decisive moment in the dialogue, in which he reveals
himself as a real master, who can transcend both the image of an erupting Typhoon
who wants to devour his victim and also the image of a peaceful citizen, untouched
by madness.
BRAVO, Francisco
Universidad Central de Venezuela
“Quién es y qué enseña el Calicles de Platón”. ¿Quién es Calicles?
No es posible responder a esta pregunta sin determinar antes qué doctrinas éticopolíticas defiende este personaje. Sostengo que no son ellas un puro invento de Platón,
sino un reflejo de proposiciones que se hallaban en voga en los escritos de sofistas y
poetas y en la acción de ciertos políticos de la época. ¿Son atribuibles a alguno de ellos
en particular? La respuesta permitirá barruntar las intenciones del autor del Gorgias
al ponerlo en escena.
CAMPOS, Álvaro Vallejo
Universidad de Granada
Socrates as a physician of the soul: from reason to utopia
In my contribution to Plato’s styles and characters I would like to analyse Socrates
as a literary character, but from an special point of view, as a therapist or a physician
of the soul. I propose to distinguish at least three phases in the evolution of Plato’
s dialogues. First of all, Socrates in the Apology is a therapist of the soul and he is
probably the first thinker to define consciously philosophy as therapeutics. My thesis
is that in this first period the Socratic project has a rational character not only in his
aim but also in its method and that its main purpose is the individual person. In a
second period, as the project is redefined in the Gorgias, philosophy is still very close
to medicine, but now the object is not directly the individual person, but the city and
this means that the Socrates of the Apology has been converted into a politician and
philosophy seems now “the continuation of politics by other means”. In third place, I
would like to analyse the character of Socrates in the Republic, where the philosopher
is a therapist of culture in an utopian scenario, which in my opinion transforms
completely the original spirit of the rational project as defined in the Apology.
-2-
CORDERO, Nestor Luis
Unversité de Rennes 1
El Extranjero de Elea, ‘compañero’ de los parmenídeos... desde 1561
En todas las ediciones y traducciones del Sofista de Platón, desde que se adoptó el texto
presentado por J.Cornarius en 1561, cuando Teodoro presenta al Extranjero de Elea,
se dice que este personaje anónimo es “un compañero (hetairos) de los partidarios de
Parménides y de Zenón” (216a). No obstante, varias dificultades obligan a cuestionar
este carácter de “compañero. Ello es posible si se sigue et textro griego que presentan
manuscritos no privileguiados por J. Burnet, pero que son de gran valor, como
el Vindobonensis 21 (Y) que ofrecen la variante “heteros”, “diferente”, en vez de
“hetairon”, “compañero”.
CORNELLI, Gabriele
Universidade de Brasília
He longs for him, he hates him and he wants him for himself: The Alcibiades
case between Socrates and Plato.
The figure of Alcibiades goes through the history of fifth century Athens and
the Symposium narrative with his dramatic political force and his deviant moral
behavior. Alcibiades affaire thus assumes a central place in the Platonic concerns
focused more generally on the historical review of the years of crisis in Athenian
politics, and more specifically on the former’s dangerous liaison with Socrates and his
group. The meaning of Alcibiades’ dramatic incursion in the Symposium, as well as his
praise of Socrates, will be read in the light of Xenophon, Thucydides, Androcles and
Andocides’ testimonies, among others, in search of the Platonic understanding of the
construction of one of the most remarkable characters of Classical Athens.”
CORRADI, Michele
Università di Pisa
Fare affari con Protagora (Prot. 313e): Platone e la costruzione di un
personaggio
Fra i grandi avversari di Socrate, Protagora è quello cui Platone riserva più spazio
nella propria produzione. Del sofista Platone offre un ritratto complesso, capace di
rendere giustizia alla grande statura di Protagora. La tradizione antica sottolineava il
suo ruolo particolare nella galleria dei personaggi dei dialoghi: sosteneva addirittura
una dipendenza di Platone dalle opere di Protagora per la Repubblica (80 B 5 DK),
forse per il Parmenide (80 B 2 DK). Certo l’analisi delle due sezioni più importanti in
cui Platone si fa portavoce di Protagora, il grande discorso del Protagora e l’apologia
del Teeteto solleva alcuni problemi interpretativi. Il grande discorso del Protagora
(320d-328d) si articola in due sezioni, un mythos e un logos. Nella prima sezione
Protagora costruisce un racconto sull’origine della società umana. Un racconto che
muove dalla condizione deficitaria dell’uomo allo stato di natura fino alla nascita della
polis e si sofferma su due interventi successivi della divinità, quello di Prometeo, che
-3-
dona agli uomini le tekhnai, e quello di Zeus che dona loro aidos e dike. Nel logos
Protagora svolge considerazioni sull’impegno paideutico di Atene nei confronti dei
giovani, riflette sul ruolo del sofista e sulla funzione della pena. Ebbene non pochi
degli elementi sviluppati nel grande discorso contengono aspetti spiccatamente
platonici. Ad esempio, platonica è la stessa scelta del codice espressivo del mito:
possono riconoscersi riprese quasi letterali del mito del Protagora nel mito del
Politico. Ma è soprattutto il logos a presentare spunti che saranno approfonditi in
dialoghi successivi. Soltanto due esempi: Protagora sviluppa considerazioni sul valore
educativo della poesia che certo anticipano la riflessione della Repubblica (606e-607a)
e a quanto afferma Protagora sulla funzione correttiva della pena Platone allude
letteralmente nelle Leggi (934a). Anche nell’apologia di Protagora nel Teeteto (166d
ss.) non mancano elementi platonici. In particolare il complesso parallelo, sviluppato
da Protagora per bocca di Socrate, tra l’attività del sofista e quelle del medico e
dell’agricoltore non può non richiamare alla mente celebri pagine del Gorgia o del
Fedro. Non appare dunque fuori luogo riproporre il problema, più volte avanzato
dalla critica: quanto lo straordinario ritratto del sofista che proprio il grande discorso
del Protagora e l’apologia del Teeteto consegnano alla tradizione successiva deve
al genio letterario di Platone? Ma il problema potrà essere posto anche in termini
diametralmente opposti: quale peso ha la riflessione di Protagora su Platone? Certo,
nella sezione introduttiva del Protagora, attraverso un articolato e programmatico
paragone con l’ambito del commercio, lo stesso Socrate teorizza la possibilità di
riprendere posizioni di Protagora, quando siano state giudicate valide (313e2-5): chi
è in grado di distinguere nei mathemata il khreston dal poneron potrà acquistarli
anche da Protagora. Anche nel caso di Protagora è possibile scorgere il consueto
atteggiamento di Platone nei confronti della tradizione letteraria e filosofica a lui
precedente. Platone, pur ponendosi spesso in un atteggiamento critico, non nega
tale tradizione in senso assoluto. Vuole piuttosto rifondarla su un piano diverso, più
stabile, alla luce della propria concezione della realtà.
DA COSTA, Gilmário Guerreiro
Universidade de Brasília
O grande drama do conhecimento: escrita, arte e tragicidade em Platão
Por sorte de notável ironia, não raro as tentativas de salvar Platão das acusações
de dogmatismo servem-se da afirmação do caráter ambíguo e rico da sua escrita.
Seria precisamente o traço repudiado no Fedro aquele dotado de maior força e
convencimento. Noutros termos, o filósofo ressurge no reencontro com o artista.
Em grande medida, as razões desse fenômeno residem em que nos diálogos de Platão
lemos o grande drama do conhecimento e da pesquisa. Um grande feito da cultura
grega. O presente artigo intenta examinar algumas possibilidades explicativas e
compreensivas desse fenômeno no texto platônico, focalizando três instâncias
intimamente relacionadas entre si: a peculiaridade da sua escrita, seu caráter
artístico e o gesto crítico ambíguo com que instaura sua relação temática e formal
com a tragédia. Cada uma dessas seções se ocupará de um diálogo para análise
-4-
mais pormenorizada: I. Escrita: Os impasses miméticos no que tange à construção
da imagem dos sofistas no Sofista; II. Arte: Diálogo e sedução – a leitura e o éros no
Banquete; III. Tragicidade: A força irresistível da aparência – hesitações platônicas
em torno à tragédia na República. Tais hesitações, se não fazem de Platão um autor
trágico, podem ao menos matizar os planos de superioridade do discurso filosófico
com respeito à tragédia. Nesta haveria genuíno conhecimento acerca desse nível em
que se processam os dilemas e instabilidade humanos. Se encena o fracasso do ideal,
não sustenta, necessariamente, o abandono do Ideal – tão somente a exibição da
cicatriz da busca. Assim como o mestre de Platão, o escritor trágico também apenas
pode saber do que não sabe. Escrita; arte; tragicidade.
DE PINOTTI, Graciela Marcos
Universidad de Buenos Aires
Estrategias argumentativas en Teeteto y Sofista. El recurso platónico a las
condiciones de posibilidad del lenguaje.
El recurso platónico a las condiciones de posibilidad del lenguaje. En Teeteto y Sofista,
Platón combate una serie de posiciones extremas de cuño heraclíteo y eleático, al igual
que ciertas tesis sofísticas que tendrían relación con ellas. Para refutarlas ofrece un
tipo especial de argumento que no apela a la existencia de las Formas sino al factum
del lenguaje. Tales argumentaciones, sostendremos, tienen mayor alcance que las que
suele aducir el Sócrates platónico cuando discute con los adeptos a las Formas, pues
aspiran a persuadir a todo hablante dispuesto a aceptar ciertos presupuestos sin los
cuales, según Platón, la práctica del lenguaje sería imposible.
DE SANCTIS, Dino
Università di Pisa
Socrate per le strade di Atene: le scene d’incontro nell’incipit del dialogo
di Platone.
Nel dialogo, Platone intreccia, con una fitta rete di allusioni, la produzione epica e
teatrale alla quale attinge per creare un genere letterario nuovo, capace di riprodurre
la synousia, sempre aperta, tra maestro e allievo. Non poco rilievo in questa
operazione assumono le scene di incontro tra Socrate e i suoi interlocutori: vere e
proprie situazioni tipiche. Emergono qui fertili presupposti tematici del dialogo, base
necessaria per lo sviluppo narrativo: il luogo, un luogo preciso, riconoscibile di Atene,
assieme al tempo, l’”ora”, il nun, e soprattutto lo “ieri”, lo chthes, come rivela, ad
esempio, l’apertura della Repubblica con la catabasi di Socrate dal Pireo alla casa di
Cefalo (327a). Nelle scene di incontro, dunque, l’esperienza di Socrate ruota intorno
ad Atene, un’Atene indicata con scrupolosa puntualità. Ne offre una testimonianza
significativa lo Ione (530a1-c6): per le strade della città avviene l’incontro tra Socrate
e il rapsodo che giunge vittorioso da Epidauro, pronto per una nuova vittoria e per
un nuovo viaggio. Con chairein, l’omaggio di Socrate: il saluto di benvenuto all’ospite,
con pothen ta nyn, la domanda per sapere da dove l’ospite giunga. Ma da subito nel
-5-
serrato botta e risposta che scandisce l’incontro tra Socrate e Ione è ben chiaro che
Platone tende a mettere in evidenza il ruolo di Socrate ad Atene. Atene s’oppone al
mondo esterno, fuori dalle mura, perché rappresenta il luogo per eccellenza nel quale
Socrate realizza la sua indagine sull’uomo. Non sorprende, dunque, che un’attenzione
analoga per gli incontri di Socrate emerga anche in altri dialoghi: dall’Eutifrone, per il
problema della graphe di Socrate (2a1-2c1); dal Critone (43a1-43b1) con la descrizione
del soffuso albeggiare visto dal carcere; dal Fedro (227a-229c5) dove Platone osserva,
con garbato distacco e sarcastico imbarazzo, la campagna alle porte della città. Agisce
nell’Ippia maggiore con l’arrivo improvviso di Ippia (281a1-b3), nel Protagora con
la notizia che il sofista è giunto finalmente in città (309a1-310a1), nel Carmide nel
richiamo alla gioia con la quale, al ritorno da Potidea, Socrate si reca presso la palestra
di Taurea (153a1-153c4). In altri casi l’incontro diventa oggetto di ricordo: ricordo
da comunicare, dopo complesse cornici, nel Simposio (172a1-174a2) e nel Teeteto
(142a1-143c8), ad esempio, tramite un “salto all’indietro” nel tempo. Un esame delle
scene d’incontro, dunque, intende chiarire l’impiego e le finalità di alcune tecniche
narrative che si mostrano nei dialoghi sempre rinnovabili a seconda del contesto.
Tecniche adattate ad una produzione letteraria nuova, in costante contatto e
colloquio con la tradizione. Tecniche di sorprendente forza evocativa, che non a caso
avranno uno sviluppo nella poetica dell’Ellenismo: ad esempio, nell’idillio mimetico
di Teocrito, con le Talisie (VII), i Cantori Bucolici (VIII), Eschine e Tionico (XIV), e le
Siracusane (XV), dove l’eredità del dialogo di Platone gioca un ruolo cruciale nella
dotta commistione dei generi.
EL MURR, Dimitri
Université Paris I Panthéon-Sorbonne
Manufacturing Friendship in Plato’s Republic.
That friendship is a topic addressed in any philosophical depth in Plato’s Republic
is not self-evident. When Socrates moves on to the description of the communal life
of guards, he does not dwell on the interpersonal relationships involved and he has
even less to say about friendship between the members of the intermediate class. It is
as if the Pythagorean motto ‘everything is common between friends’, used twice (at
Rep., IV, 424a2 and V, 449c5) to single out the main thrust of the form of community
specific to the intermediate class, was put forward for merely rhetorical reasons,
not to introduce a consistent view of interpersonal friendship. From a philosophical
perspective, this is surprising: how could Plato have neglected friendship, when
his main political objective is explicitly to explore the conditions of a unified and
harmonious city? My claim is that Plato’s conception of the role friendship plays
within the city is far more important and more elaborate than it seems at first. In
order to support this claim, one needs to unravel the successive approaches to philia
developed by Socrates and consider how they might form a coherent whole. This will
lead me to consider not only how Plato rejects the traditional understanding of the
polarity between friend and foe, so as to exclude any form of enmity from the ideal
city, but also how the stability and efficiency of the ideal city depend upon a complex
-6-
network of relationships of philia, manufactured by Socrates and his fellow legislators
of Kallipolis.
ERLER, Michael
Universität Würzburg
Detailed completeness and pleasure. Some remarks on narrative tradition
in Plato.
In his novel ‚Der Zauberberg’ Thomas Mann praises the pleasure that results from
the completeness of a narrative. In doing so he follows a tradition which goes back to
antiquity and Homer and plays an interesting role in the platonic dialogues as well.
It is characteristic of the Platonic sokratikoi logoi – some even call it an invention
by Plato – that in his dialogues Plato shows strong concern with character types,
historical personal and detailed historical settings of the conversations he describes
in his dialogues. Following the tradition of the narrative back to Homer Plato the
narrator - or so it seems –aims at completeness of his narrative in order to entertain
the reader. In addition to that some dialogues which combine dramatic and narrative
elements offer reflections on different forms of narratives and on the expectations of
their audiences. I shall argue that these passages are of interest in view of the poetical
tradition from Homer to Plato’s time and at the time can be seen as hermeneutical
devices to better understand the poetics of Plato’s narrations in the dialogues and of
the dialogues themselves insofar as they are narratives.
FERRARI, Franco
Università degli Studi di Salerno
Socrate, la maieutica e la filosofia: personaggi e autore nella struttura
drammatica del Teeteto
Nel Teeteto, come in altri scritti platonici, l’esito aporetico del dialogo non esprime
il punto di vista dell’autore. L’incapacità dei personaggi di fornire una risposta
soddisfacente alla problema della natura della conoscenza non va estesa in maniera
meccanica a Platone, la cui posizione non viene rispecchiata da quella del personaggio
di Socrate.
FITZPATRICK, Kirk
Southern Utah University
The Modal Stichometric Interpretation of Plato’s Texts
Professor Kennedy’s article in Apeiron seeks to establish that Plato divided some, if not
all, of his dialogues into 12 equal sections (J.B. Kennedy’s “Plato’s Forms, Pythagorean
Mathematics, and Stichometry,” Apeiron, 003-6390/2010/4301-032 32.00, Academic
Printing and Publishing, 2010). The twelve sections are construed to correlate with
the Pythagorean twelve division multi-octave musical scale. Each note in the musical
scale is identified as harmonious, disharmonious, or neutral relative to the root note
of the scale. When the thesis is applied to a text, the notes are harmonious or not
-7-
relative to the text’s thesis. The article seeks to demonstrate what I will call “ST”:
The Stichometric Thesis (ST) – Some of Plato’s texts divide in 12 equal sections that
correlate with the Pythagorean account of the 12 section multi-octave scale. Though
ST does not discuss the musical modes, it does not preclude a stichometric thesis
concerning the musical modes. This paper accepts ST, it corrects the letter-count cited
in ST, and stretches ST to account for the musical modes. This paper seeks to establish
a modal stichometric hypothesis: The Modal Stichometric Thesis (MST) – (a) Plato
divides his texts according to the musical modes: (b) The normative account of the
modes in the Republic directs his textual references. Since ST implies MSTa, we may
chart the notes in the various modes directly. MSTb requires a supporting argument
with a test application to a text. MSTb states that there is a normative account of the
modes in the Republic. Therein, the modes correlate with the constitutions of state
and soul. MSTb holds that in a text the notes in the various modes will make reference
to the attributes or character traits of the correlate constitution. The focal text for ST,
the Symposium, will function as the test-case for MSTb.
GILL, Mary-Louise
Brown University
Plato’s Unfinished Trilogy: Timaeus–Critias–Hermocrates
Why does Plato leave his trilogy, Timaeus–Critias–Hermocrates unfinished, with
the Critias ending in mid-sentence and the Hermocrates missing? This paper argues
that Plato says enough in the Timaeus and Critias to indicate the contents of the
unfinished series. His choice of characters, Socrates’ references back to the ideal city
in the Republic, Critias’ story of Atlantis, and references forward all suggest that the
trilogy would have contained a powerful political message best left to the audience
to reconstruct. Starting with the beginning of the world down to the emergence of
humankind (Timaeus), the series would have recounted the degeneration of Athens
from the ideal state that defeated Atlantis and saved the world from aggression
(Critias) into the Athens that invaded Sicily in the recent past, revealing herself as the
new Atlantis (Hermocrates).
GUTIÉRREZ, Raúl
Pontificia Universidad Católica del Perú
Las tres olas de la dialéctica
La imagen de las tres olas que se inicia en República V 449 a y concluye en República
VI 502 c la entiendo como una imagen de la dialéctica tal cual es descrita en la línea.
En ese sentido, allí se examinan tres cuestiones – 1) la comunidad de funciones de
hombres y mujeres, la comunidad de mujeres e hijos y la factibilidad de Kallípolis –
recurriendo a tres hipótesis superiores – 1) la coincidencia de physis y érgon, 2) que el
mayor bien para la polis es lo que la hace una y el mayor mal lo que la divide y la hace
múltiple, 3) la coincidencia de la filosofia y el poder político. A su vez, una hipótesis
sobre la naturaleza de la filosofia permite establecer la unidad entre conocimiento
filosófico y virtud como condición necesaria y suficiente para la posibilidad de la
-8-
realización de la polis justa. Siendo así, a través de estas hipótesis se asciende como
si fueran “peldaños o trampolines” (hoīon epibáseis kaὶ hormás, 511b6) conducentes
al orden justo de las Ideas como paradigma y, en última instancia, a la Idea del Bien.
HARTE, Verity
Yale University
A comic rivalry? Character and Caricature: Socrates and ridicule in
Philebus 48e-50b
The paper addresses the question why the Philebus devotes two Stephanus pages
to showing that an audience’s reaction to comedy involves phthonos and, as such,
a mixture of pleasure and pain. It argues that the discussion of comedy is the means
by which Plato stages a contrast between competing portraits of the character
Sócrates—his own and that of comedy—and, in so doing, invites reflection on the
value of Socratic self-knowledge.
MACEDO, Ester
Universidade de Brasília
Could Cephalus have had a tyrannical soul?
In this paper, I examine the role of Cephalus in the structure of Plato’s Republic. In
particular, I try to fit Cephalus’ genealogy into that of books VIII-IX. The result of this
comparison is the following thought experiment: what if Cephalus had had – at least
before old age – a tyrannical kind of soul? This hypothesis, though far-fetched, brings
a new light to several details in Cephalus’ short appearance in the dialogue. There
must, after all, be a reason for Socrates’ keen interest in Cephalus’ attitude towards
money, especially since Cephalus’ description of the attitudes of his father and
grandfather that comes as answer bears considerable resemblance to the genealogy
given in books VIII-IX. It would also give a stronger significance to his endorsement of
Sophocles’ opinion of erotic passions as being a “savage and tyrannical master” (329c)
as well as his conception of justice and his eagerness to placate the gods. These are
some of the elements I consider in detail in this paper.
MARINO, Silvio
Universidade de São Paulo / Universidade Estadual de Campinas
Lo stile della scrittura della medicina nel discorso di Erissimaco: imitazione
e contaminazione
Scopo della comunicazione è mostrare innanzitutto le assonanze, di stile e di
contenuto, che intercorrono tra i trattati medici ippocratici e il discorso che
Erissimaco enuncia nel Simposio per definire la natura di Eros. Si possono evidenziare,
infatti, importanti punti di contatto tra l’impostazione del discorso di Erissimaco e i
primi capitoli di Venti. In questo trattato, infatti, vi è innanzitutto l’elogio dell’arte
medica, elogio che distingue tra quanti sono ottimi medici e quanti invece sono
lontani dall’arte, e introduce la dialettica dei contrari e quella del riempimento
-9-
(plesmone) e dello svuotamento (kenosis). Proprio in questo modo inizia il discorso
di Erissimaco: nell’elogio iniziale questi enuncia i punti sopra evidenziati del discorso
di Venti, permettendo così di mettere in luce dei paralleli tra il discorso medico di
questo trattato e quello di Erissimaco. Il nodo della questione è che in entrambi i
testi si riscontra un doppio elogio; il primo della tecnica medica, il secondo, invece,
del principio che si ritiene alla base della costituzione fisica di tutti i corpi, umani e
animali. Sia in Erissimaco sia in Venti, infatti, l’eros, per il primo, l’aria, per il secondo,
sono i principii che regolano l’universo intero e per i quali viene pronunciato un elogio
per entrambi simile: attributo dell’eros e dell’aria è la “potenza” – «megas dynastes»
per Venti, «megisten dynamin echei» per Erissimaco.Il discorso di Erissimaco, però,
si complica e non segue più l’“orma” di Venti, e introduce altri dominii tecnici, quali
la musica e la mantica, che sono riportati al modello di funzionamento più generale
della medicina. Il modello di Venti viene perciò sostituito, per così dire, e si impone
un altro paradigma, più vicino a quello di un altro testo ippocratico: il Regime,
testo importantissimo non solo perché sviluppo di concezioni mediche della prima
produzione ippocratica, ma anche perché esprimente una concezione medica nota a
Platone e criticata nella Repubblica. I punti di contatto con il Regime aprono la strada
a un’evoluzione del discorso di Erissimaco, che, introducendo musica e mantica, può
mostrare in che modo la medicina sia la chiave per la conoscenza del cosmo intero,
intento proprio dell’autore del Regime.A questo punto, però, leggendo a ritroso il
discorso di Erissimaco, ci si accorge che la terminologia utilizzata da Platone non è
prettamente medica, ma pertiene al lessico tecnico del dialogo: concetti come quelli di
homologia, homonoia, amicizia pertengono al livello del dialogo socratico-platonico
e indicano un altro tipo di medicina, presente nei testi platonici, che è quello della
medicina dell’anima. Il gioco platonico nel costruire il discorso di Erissimaco, in questa
visuale, è, pertanto, da un lato quello di ricreare discorsi che imitano stilisticamente
quelli degli autori ippocratici, dall’altro, invece, quello di contaminare i diversi piani
di discorso (medico e dialogico) per introdurre l’analogia tra la pratica terapeutica
medica e la pratica del dialeghesthai.
MARQUES, Marcelo P.
Universidade Federal de Minas Gerais
O caráter antilógico da busca erótica no Banquete
No Banquete, a verdade dialética do amor é construída dramaticamente, através de
todos os interlocutores, não apenas no discurso de Sócrates-Diotima. O diálogo sobre
o amor é um sistema literário e discursivo com múltiplas entradas e conexões. São
diversos os elementos e níveis de significação que se entrelaçam antilogicamente,
configurando uma estrutura aporética, mas que aponta para uma direção
determinada. Serão desenvolvidas as seguintes antilogias: elogio e verdade, intuição e
discursividade, deus e não deus, afeto e estrutura, carência e plenitude, parte e todo,
amante e amado, loucura e filosofia. Ao provocar impasses, o diálogo propicia ocasiões
efetivas de acionamento da pesquisa e de reformulação dos problemas, constituindo
o meio propriamente erótico de fazer avançar a pesquisa. O amor é movimento e
-10-
transformação permanentes, que exigem beleza e renovação das significações.
McCABE, Mary Margaret
King’s College London
Seven characters in search of a teacher
There are seven dramatis personae in the Euthydemus, each carefully characterised. I
explore the relation between the characterisation of the characters and the dialogue’s
various accounts of process and change. This relation, I claim, is connected to the
dialogue’s overall theme of learning and teaching, and it reflects competing accounts
of the nature, and even the possibility of teaching and learning. This, I suggest, shows
us the argumentative unity of a dialogue which seems badly fragmented at first view.
MONTENEGRO, Maria Aparecida
Universidade Federal do Ceará
O estilo platônico de filosofar e escrever no diálogo Fedro
O Fedro é um diálogo especialmente rico para se pensar a questão do estilo de Platão
como escritor e como filósofo, uma vez que traz como um de seus temas centrais
justamente a arte da composição de discursos, bem como polemiza o papel da
escrita como instrumento para o exercício da filosofia. Pretendo mostrar que, nesse
diálogo, toda a maestria de seu estilo único de filosofar se faz presente, posto que
primeiro apresenta, em ato, o tema que, em seguida, será submetido a exame. Cumpre
destacar que aquilo que se consagrou como a metafísica platônica - a natureza da
alma e das formas – é tratado, quiçá de modo mais ostensivo que alhures, a partir do
mito. Tal recurso, característico do estilo do Ateniense, consistiria, suponho, em uma
alternativa entre o estilo poético, o estilo materialista dos filósofos da physis e o estilo
antropológico (para não dizer relativista) dos assim chamados sofistas.
MOTA, Marcus
Universidade de Brasília
Dramaturgia cômica em Platão: observações a partir de Íon
Neste texto propõe-se uma análise detida de Íon, de Platão objetivando explicitar seus
procedimentos de comicidade. Tais procedimentos possibilitam estabelecer conexões
entre o texto a a tradição cômica. A abordagem aqui desenvolvida situa-se na interface
entre Estudos Clássicos e Estudos Teatrais.
MUNIZ, Fernando
Universidade Federal Fluminense
Performance e Elenkhos no Íon de Plato
No Íon, a autoridade e a sabedoria de poetas e rapsodos são confrontadas por meios
indiretos. O caráter oblíquo dessa estratégia impede o acesso direto ao conteúdo do
diálogo e provoca inúmeros equívocos de leitura. Um fato contextual estimula mais
ainda leituras equivocadas. A poesia tratada no Íon difere muito da forma como nós,
-11-
modernos, a entendemos. Na Antiguidade grega, de base aural, a poesia era o modo
privilegiado de conservação da tradição herdada, e permaneceu exercendo essa
função capital até mesmo quando a escrita passou a desempenhar papel relevante na
forma de composição e transmissão cultural. Neste contexto, o rapsodo representa
uma autoridade que cobre praticamente todos os campos do saber. Autoridade
enciclopédica, contra a qual Platão travou uma guerra não sem ambiguidades. O
presente artigo busca revelar a motivação profunda que anima o Íon: a contraposição
entre dois modos de comunicação, o da poesia e o da filosofia. Defende, ainda, que
Platão, ao atacar a performance poética, busca, além de rejeitá-la, substituí-la pelo
élenkhos socrático como modo de comunicação ideal para instrução e guia da vida
humana.
NAILS, Debra
Michigan State University
Five Platonic Characters
I argue that our interpretations of Plato’s dialogues ought to be influenced by what
was known of the particular persons he chose as characters or chose to mention or
describe. Sometimes, the roles of individuals within familial, social, and religious
institutions—even the particular times in which they lived—set boundaries on how
we should understand the texts. As evidence, I use Meno, Theaetetus, Diotima,
Phaenarete, and an unnamed woman mentioned in the Protagoras.
OLIVEIRA, Loraine
Universidade de Brasília
A figura de Sócrates segundo Pierre Hadot
Em 1974, Pierre Hadot fez uma conferência chamada La Figure de Socrate, na qual
analisou a figura idealizada de Sócrates, tal como foi desenhada no Banquete, e como
Kierkegaard e Nietzsche a perceberam. De múltiplas faces, a figura de Sócrates é
pouco a pouco desvendada por Hadot, sob três máscaras: a do Sileno, a de Eros e a de
Dionísio. Limitando-se à leitura que faz Hadot do Banquete, propõe-se aqui estudar
a figura de Sócrates a partir especialmente das máscaras do Sileno e de Eros. Com
isso, serão investigados os conceitos de máscara, ironia e amor, em relação com o
“diálogo socrático”, gênero literário e filosófico desenvolvido por Platão. O conceito
de máscara, que aparece no capítulo dedicado ao Sileno, é fundamental para se
compreender a figura de Sócrates. Segundo Hadot, “Sócrates se mascara a si mesmo:
é a famosa ironia socrática”. Mas não só isso. Porque se mascarou, o antigo mestre de
Platão serviu de máscara a outros, que necessitaram esconder-se atrás dele. Destas
constatações, Hadot tira o significado profundo da máscara irônica de Sócrates, que
aparece na situação dialógica. Nos diálogos, Sócrates torna-se uma máscara, tal como
o prosopon no teatro. Sob a forma sutil e refinada que Platão conferiu a estes diálogos,
o leitor vê-se como o interlocutor que não sabe onde as questões socráticas o levarão.
A máscara de Sócrates é desconcertante; “introduz uma perturbação na alma do leitor
e a conduz a uma tomada de consciência que pode ir até à conversão filosófica”. Hadot
-12-
então envereda pela máscara de Eros: “ligada à ironia do diálogo, há em Sócrates uma
ironia do amor que conduz a inversões de situação totalmente análogas àquelas da
ironia do discurso”. Assim como o interlocutor dos diálogos descobria não possuir
sabedoria alguma para dar a Sócrates, na ironia amorosa, o suposto amado descobre
que é incapaz de satisfazer o amor de Sócrates, por não possuir a verdadeira beleza.
Sócrates e Eros então confundem-se em um jogo de máscaras, de tal modo que amar
a Sócrates será equivalente a amar o amor. Este é o sentido do Banquete de Platão,
diálogo construído de modo a fazer adivinhar a identidade entre a figura de Eros e
aquela de Sócrates, diz Hadot. O Banquete apresenta Eros como um daimon, donde
Hadot encontra a plena significação da máscara erótica de Sócrates. A dimensão
do amor é também aquela do irracional, do “demoníaco”. “O daimon de Sócrates
era a inspiração que se impunha por vezes a ele de uma maneira completamente
irracional (...). Era, de algum modo, seu “caráter” próprio, seu verdadeiro eu”. Mas,
precisamente esta dimensão ambígua e indecisa é inseparável da existência humana.
É “a força motriz indispensável a toda realização, é a dinâmica cega, mas inexorável,
que é preciso saber utilizar”. O daimon não é bom, nem mau; só a decisão moral do
homem pode dar a ele seu valor definitivo.
PEIXOTO, Miriam Campolina
Universidade Federal de Minas Gerais
Demócrito de Abdera, um ὑποκριτής sob a σκηνή platônica.
Platão, em seus diálogos, põe em cena os mais variados tipos de personagens.
Dentre esses, alguns são cidadãos mais ou menos ilustres, conhecidos de seus
contemporâneos, mesmo se nem sempre as opiniões que lhes atribui Platão podem
ser tomadas como sendo aquelas que teriam professado os seus correlatos históricos.
De outros tantos, pouco ou quase nada se sabe além do que ele próprio nos informa.
Em um e em outro caso contudo, Platão os toma como porta-vozes, sejam de teses que
lhe inspiraram ou influenciaram em um ou outro aspecto ou momento da gestação
de seu pensamento, sejam de teses que serão alvos do movimento elêntico de seus
diálogos. Se assim acontece no mais das vezes, não são entretanto raras - e não
de menor importância! - as ocasiões em que ele parece ter preferido deixar o seu
potencial interlocutor no anonimato, limitando-se apenas a sugerir ou a insinuar a
pertinência de uma ou outra doutrina sem referi-la explicitamente a alguns de seus
predecessores ou contemporâneos. Às conhecidas alusões do Sofista aos “amigos da
terra” e aos “amigos das formas” somam-se tantas outras em que se contenta em se
referir, por exemplo, “aos antigos”, “aos sábios de hoje”, ou seja, a somente aludir sem
identificar aqueles que são os seus “virtuais” interlocutores. Interessa-nos examinar
este tipo de procedimento, do qual Platão lança mão com uma certa freqüência, e
suscitar algumas reflexões sobre as possíveis razões que o levaram a recorrer a ele no
quadro de suas composições dialógicas. Em nossa exposição, tomaremos como objeto
a figura de Demócrito de Abdera, personna silenciosa cuja sombra se deixa entrever
em tantos contextos e argumentos das cenas platônicas, cujas idéias, não obstante,
emergem discretamente aqui e ali ao longo de seus textos e nos mais variados campos
-13-
de sua investigação. “Eminência parda” no corpus dos diálogos platônicos, o filósofo
de Abdera e, principalmente, o silêncio de Platão a seu respeito, não passaram de todo
despercebidos de sucessivas gerações de historiadores da filosofia que se dedicaram
ao estudo do pensamento e da obra platônicos. Desde a conhecida alusão de Diogenes
Laércio ao episodio reportado por Aristoxeno em suas Memórias históricas, o tema têm
sido objeto de conjecturas e suscitado controvérsias. Pretendemos, através do exame
de alguns pontos de convergência entre os dois filósofos, tecer algumas considerações
sobre a presença silenciosa, apesar de sua virtual eloqüência, dos personagens que
Platão não quis nomear diretamente e nem sequer aludir em seus diálogos.
REGALI, Mario
Università di Pisa
Amicus Homerus: l’arte allusiva di Platone nell’incipit del X libro della
Repubblica (595a-c)
In apertura del X libro della Repubblica, Socrate propone di nuovo la poiesis quale
argomento per il dialogo con Glaucone, dopo la condanna del III libro. Il bando espresso
per la parte mimetike acquisisce ora maggiore forza alla luce della ripartizione
dell’anima formulata nel IV libro. Per chi non possiede il pharmakon del sapere, la
produzione mimetica rappresenta un oltraggio, lobe, alla facoltà intellettiva. Prima di
specificare di quale oltraggio si tratti, come richiesto da Glaucone, Socrate confessa
un sentimento per Omero, un sentimento che ostacola la definizione della lobe:
sin dalla fanciullezza, ek paidos, la philia e l’aidos per Omero possiedono Socrate.
Un sentimento che Socrate spiega con il ruolo preminente che Omero svolge quale
primo maestro ed hegemon di tutti i poeti tragici kaloi. Nonostante l’affezione che
lo lega a Omero, Socrate dovrà comunque esprimere la condanna perchè non si deve
onorare l’uomo più della verità. La critica moderna, con il contributo di Leonardo
Taràn, ha ben illustrato la fortuna della sequenza ou pro tes aletheias timeteos aner,
che da Aristotele, attraverso la produzione dei Neoplatonici, giunge al Don Quijote
di Cervantes e al Tristram Shandy di Sterne. Ma restano forse da indagare i modelli
letterari per la scena che qui costruisce Platone; in particolare, con la philia e l’aidos
per Omero, Platone reimpiega la lingua dell’epos, in una trama allusiva che tende alla
caratterizzazione di Socrate quale eroe omerico. Il rapporto fra il nesso impiegato da
Socrate e la formula di Omero è notato, pur con rapidità, anche da NADDAFF, Exiling
the Poets, Chicago-London 2002, p. 38 n. 3: “Socrates’ own ironic reflection on his
childish, cultivated philia and aidos for Homeric verse is coached in a phrasing itself
echoing a Homeric formula”. Scorgiamo infatti qui un gioco con il nesso epico philos
te kai aidoios che, di norma, nelle scene tipiche di xenia designa l’ospite (e.g. Il. XVIII
385-386, 424-425: Charis si rivolge a Teti che arriva da Efesto, poi Efesto a Teti dopo
aver lasciato il lavoro; Od. V 87-88: Calipso accoglie Ermes; VIII 18-22: Atena che mesce
charis su Odisseo perchè sia per i Feaci philos, deinos e aidoios; XI 355-361: Odisseo
chiede ad Alcinoo i doni per essere aidoioteros e philteros agli occhi degli Itacesi;
XIV 388: Eumeo rielabora il nesso nello scambio con Odisseo-cretese). Ma Platone
richiama forse in modo puntuale una scena dell’Iliade nella quale Nestore avverte
-14-
Agamennone, giunto da solo presso la sua tenda nella notte, che biasimerà Menelao,
sebbene per lui sia philos kai aidoios, nel caso Menelao dormisse lasciando solo il
fratello (X 114-116): come Nestore, Socrate nella Repubblica manifesta a Omero il
rispetto prima della critica. Il rapporto concreto con la scena del X libro dell’Iliade
illustra il ruolo di modello che per la caratterizzazione di Socrate svolge la figura di
Nestore, non a caso l’eroe che fra i Greci possiede il sapere più alto.
RIEGEL, Nicholas
Universidade de Brasília
Two Tetralogies in Plato’s Symposium
In this paper I argue that Plato’s Symposium should be read as two competing
tetralogies. Each tetralogy consists of three serious, or “tragic,” speeches followed by
a satyr-play, or “comic” speech. The first tetralogy consists of speeches by Phaedrus,
Pausanias, Eryximachus, Aristophanes, and the second tetralogy is composed of the
speeches by Agathon, Socrates, Diotima, and Alcibiades. Conclusions are drawn from
the division of the dialogue into these two sets of speeches.
SAMPAIO, Evaldo
Universidade de Brasília
A recepção do Platão político em Leo Strauss
A História da Filosofia, enquanto disciplina acadêmica, parece cada vez mais íntima da
“História” e, por conseguinte, menos familiar à “Filosofia”. Isso por que a “descoberta
da história” consolidada no século XIX ocasionou uma outra maneira de se pensar
até então sobre a relação entre os diversos sistemas filosóficos. Por conseguinte, o
surgimento e o desenvolvimento da disciplina História da Filosofia está em paralelo
ao da “consciência história” que a tornou possível e influente. A consciência histórica
se tornou tão espontânea na maneira como abordamos as doutrinas filosóficas
do passado – e mesmo as do presente, que muitos sequer percebem a profunda
incompatibilidade entre o ponto de vista dessas doutrinas e a interpretação historicista
que agora as recobre. Tal é a intuição central da leitura que a obra de Leo Strauss
requer quanto a História da Filosofia e, em especial, à filosofia política clássica. Dentre
os principais representantes da filosofia política clássica, Strauss reencontra em
Platão – ou no Sócrates de Platão – os elementos necessários para se revitalizar o que
se poderia denominar de “racionalismo político clássico” e assim apontar um modo
não-historicista de se pensar a História da Filosofia, um acesso superior às doutrinas
do passado que hoje estaria como que impossibilitado pela consciência histórica.
Pretendo aqui interrogar as linhas gerais do método hermenêutico straussiano através
de sua análise da personificação socrática de Platão, caso exemplar para discutir a
superioridade de uma interpretação não-historicista da História da Filosofia. Espero,
deste modo, contribuir para se pensar a História da Filosofia, essencialmente, como
uma forma de reflexão filosófica.
-15-
SANTORO, Fernando
Universidade Federal do Rio de Janeiro
As Faces de Aristófanes no Banquete de Platão
As personagens do Banquete de Platão são faces de gêneros literários, isto é assente.
Mais do que isso, também são faces de gêneros sapienciais tradicionais ou inovadores.
Quais são as faces de Aristófanes? Com certeza, uma delas é a comédia. Todavia,
no Banquete, a comédia não é a sua face mais exposta, constituindo muito mais o
contorno e o tom do caráter da personagem. O discurso de Aristófanes é um discurso
cosmogônico, segundo um modelo de teogonia. Que tipificação de teogonia podemos
encontrar no seu discurso? Que relação este discurso sapiencial pode ter com toda a
trama dramática e conceitual do diálogo filosófico?
SANTOS, José Gabriel Trindade
Universidade Federal da Paraíba
“Reading the Sophist”
Integrando dados colhidos nos planos “dramático” e “argumentativo” do diálogo, o
meu objetivo é apresentar uma interpretação “aberta” do Sofista. Explorando uma
rede de conexões com outras obras platônicas, não explicitamente autorizadas pelo
filósofo, leio o Sofista como uma investigação conjunta sobre uma teia de problemas,
recorrentes no Corpus (Ser/Não-Ser, Verdade/Falsidade). Vejo estes problemas como
constitutivos do “programa de pesquisa” de que depende o estabelecimento dos
conceitos básicos da filosofia, tal como Platão a entende e pratica.
SCOLNICOV, Samuel
The Hebrew University of Jerusalem
Beyond language and literature
Plato’s dialogues are always incomplete, in order to warn us against taking what is
said at face value. Even the narrator, if there is one, is himself a dramatis persona,
with his own interests and point of view. Socrates is necessarily ironical, as a direct
consequence of his method of hypothesis. Against good logical reasoning, the
conclusion is taken to be stronger than its premisses. Socratic irony cannot tell us, not
even indirectly, Socrates’ meaning, as it involves a different understanding of the very
words used. Language is fundamentally non-communicative. Hence the unavoidable
distinction between utterance and proposition. Plato’s fundamental intuition is the
primacy of philosophia. That archimedean point has to be directly intuited through
an extra-dialogical event. That formative event in Plato’s thought is Socrates’ death.
For Plato, reason is normative, in and of itself, as his Socrates demonstrated it on
himself.
-16-
SOARES, Lucas
Universidad de Buenos Aires
Perspectivismo, escritura proléptica y naturaleza y efectos de Éros. Tres
ejes de lectura para abordar el Banquete. Tres ejes de lectura para
abordar el Banquete.
Las lecturas tradicionales del Banquete (Bury, Brochard, Cornford, Grube, Guthrie,
White, Osborne, Kahn, entre otros) cifran por lo general la erótica platónica en el
discurso de Sócrates-Diotima, relegando los cinco discursos previos y el último de
Alcibíades a un papel filosófico secundario. La devaluación de estos discursos corre
pareja con la canonización del discurso de Sócrates-Diotima como lugar privilegiado
a través del cual Platón estaría revelando su único y verdadero pensamiento acerca
de la naturaleza del amor. Esta primacía otorgada al encomio socrático suele apoyarse
sobre la base de la divisoria de aguas que el mismo Sócrates establece como criterio,
al erigirse desde antes de pronunciar su discurso como garantía de la verdad en
relación con la problemática erótica (Smp. 198d7-199a3; 199b2-5). Frente a esta
lectura tradicional del diálogo, en la presente comunicación me interesa plantear
un esquema de lectura del Banquete basado en tres ejes en mutua correlación:
perspectivismo, escritura proléptica, y naturaleza y efectos de Éros. En lo que toca
al primer eje, y sobre el trasfondo de la polifonía dramático-filosófica que vertebra
el diálogo, parto del supuesto de que la problemática erótica, tal como Platón la
presenta en Banquete, no deja aprehenderse como un acontecimiento en sí o de
manera unidireccional (como si la verdad sobre Éros pudiera enfocarse sólo desde el
ángulo del discurso de Sócrates-Diotima), sino a través de siete perspectivas teóricas
en concierto. El Banquete estaría implicando así un modo perspectivista de acceso
a la naturaleza del amor. Bajo este enfoque, cada perspectiva teórica encierra un
núcleo parcial de verdad sobre el fenómeno erótico. En lo que respecta al segundo eje,
se trata de analizar en qué medida Platón pone en práctica en el Banquete, y como
en ningún otro diálogo, un tipo de escritura proléptica, en el sentido de que cada
encomio contiene anticipos fragmentarios de tópicos que, a través de un sutil juego
de rectificación y complementación, serán retomados en los discursos posteriores.
Esta escritura proléptica entronca con la lectura perspectivista, ya que cada posición
discursiva no se hace sola sino en el contrapunto con la asumida por los otros
oradores. En cuanto al tercer eje, a pesar de la crítica que Agatón dirige contra los
encomios previos por no respetar su precepto metodológico, según el cual primero
hay que hacer referencia a las propiedades del objeto encomiado y después a las obras
de las que éste es responsable (Smp. 194e4-195a5), los siete discursos terminan por
articularse sobre la base de tal principio pues, como veremos, todos se ocupan de
relevar los rasgos esenciales del amor para deducir a partir de ellos sus efectos sobre
los hombres.
-17-
TORDESILLAS, Alonso
Université d’Aix-en-Provence
De quelques traits caractéristiques de la figure de Protagoras dans les
dialogues de Platon.
Du Protagoras au Théétète, du Ménon au Cratyle, du Phèdre au Sophiste, de l’Hippias
majeur à l’Euthydème, la figure de Protagoras ou son ombre portée sont omniprésentes
dans les dialogues de Platon. La communication s’attachera à dégager quelques traits
caractéristiques de cette figure en fonction de son statut dans chacun des dialogues,
du rôle qu’elle occupe dans l’économie des divers dialogues et des stratégies et enjeux
platoniciens de son emploi.
TULLI, Mauro
Università di Pisa
Platone, la forma del testo e il personaggio: il giudice nello Ione
Il contributo ha quale tema il rapporto fra la forma del testo che Platone offre per la
ricerca e il personaggio che Socrate coinvolge. In particolare lo Ione (532 e 4-533 c 3)
apre la trama, dopo l’identificazione per le singole opere del giudice con l’autore per
un concetto di techne quale holon, prima del puntuale sviluppo sull’enthousiasmos
che suggerisce priva di techne l’interpretazione di Omero, al catalogo, la forma del
testo che più richiama la produzione arcaica. La pittura, con Polignoto, la scultura,
con il Dedalo dell’Iliade, la musica di Olimpo, con il flauto, e di Tamiri, di Orfeo, con
il canto, e di Femio: non è difficile scorgere qui una progressiva retrodatazione che
al culmine ha la sequenza per strutture parallele, con l’esortazione, con il concreto
ingresso, con l’accumulazione, per una poetica del passato che vuole ignorare il
processo di emancipazione dalle figure divine realizzato da Esiodo.
XAVIER, Dennys Garcia
Universidade Federal de Uberlândia
Aspectos teatrográficos da digressão sobre o Filósofo no Teeteto de Platão
Aqui, pretendemos demonstrar em que medida a “segunda digressão” do Teeteto de
Platão – que versa sobre o filósofo – traz elementos teatrográficos de fundamental
importância para o desenvolvimento do diálogo e para o tema que, no passo em tela,
põe em discussão. Em especial, tentaremos jogar luz sobre os aspectos pedagógicoeducativos registrados na digressão, ressaltando a força com que alude a um percurso
metafísico que, no Teeteto, será apenas indicado.
-18-
Comunicações
AGOSTINI, Cristina de Souza
Universidade de São Paulo
Cobrir o rosto e escrever: Platão e Eurípides na tessitura da persuasão
O presente trabalho pretende fazer uma aproximação comparativa entre alguns temas
do diálogo Fedro, de Platão e da tragédia Hipólito, de Eurípides, como o ato de cobrir
a cabeça, o phármakon e os grammáta.
ALMEIDA JÚNIOR, George Matias de
Universidade Federal de Minas Gerais
O jogo sério de Platão
Partindo de discussões pontuais de alguns diálogos e da Carta VII, apresentaremos
a consideração platônica sobre o jocoso e o sério no domínio da escrita filosófica, da
ação dramático-argumentativa dos diálogos e a relevância do jogo e da seriedade em
alguns temas fundamentais do pensamento platônico.
ÁLVAREZ, Lucas M.
Universidad de Buenos Aires e CONICET
El personaje sofista. De la adquisición a la producción: claves de un
itinerario
En las primeras líneas de Sofista, los interlocutores acuerdan investigar la figura
homónima con el objeto de ofrecer una definición de su naturaleza y diferenciarla
así de las figuras del político y el filósofo. Extranjero emprende la tarea mediante el
método de la división que se extiende desde 219a hasta 236d y en este largo segmento
del diálogo se alcanzan las siete definiciones de la figura en cuestión. En el presente
trabajo, nos dedicaremos a estudiar el itinerario de estas definiciones buscando
precisar el status que en definitiva adquiere el sofista. Para ello nos detendremos en los
siguientes puntos del trayecto: a) la condición de foráneo y de filósofo de Extranjero;
b) la vinculación entre dioses y filósofos que plantea Sócrates; c) la conveniencia de
ejercitar el método de la división mediante el modelo (parádeigma) del pescador
con caña; d) el paso de la técnica adquisitiva (ktetiké) a la productiva (poietiké)
(232b-235b) y la división de la técnica de producir imágenes en una técnica figurativa
(eikastiké) y otra simulativa (phantastiké) (235b-236e) y, finalmente, e) la definición
del sofista como productor de “imágenes habladas” (eídola legómena) (234c), como
“imitador de las cosas que son” (mimetès òn tôn ónton) (235a), como “artífice de
engaño” (pseudourgós) (241b) y, hacia el final del diálogo, la reaparición de la división
y la caracterización del sofista como un “imitador del sabio” (mimetès òn toû sophoû)
(268c).A partir de este repaso por ciertas claves del itinerario, insistiremos sobre
-19-
la doble dimensión que adquiere la figura del sofista en tanto concepto diegético y
personaje extradiegético vinculando esta duplicidad con la pérdida del lugar que
otrora poseía el sofista como interlocutor en el corpus platonicum. En lo que hace
a la primera dimensión, pondremos en evidencia la postulación del sofista como
modelo del no-ser e intentaremos probar si el método de la división no esconde una
producción de esa figura por parte de los interlocutores que obligaría a pensar el
resultado final en términos de eikónes o phantásmata. Con respecto a la segunda
dimensión, buscaremos explicitar la influencia del paradigma teatral a la hora de
pensar las relaciones entre el filósofo y el sofista. Mientras que este último, gracias
al modelo del actor, es pensado como un personaje que, fuera de la diégesis y en el
marco de la ciudad, hace las veces de sabio, el filósofo encarnado por Extranjero se
presenta lidiando (esta vez, mutatis mutandis, como un espectador teatral) con las
máscaras, con los reflejos o, más bien, con las sombras que el personaje en cuestión
parece interponer para confundirse con el sabio. Finalmente, intentaremos dejar
planteada la cuestión de si en el diálogo Sofista, Platón consuma un acercamiento o
más bien un alejamiento premeditado de la figura del sofista histórico.
BARBOSA, Ana Mercia
Universidade Federal de Sergipe
O caráter dialógico do Banquete de Platão
O Banquete de Platão é uma obra filosófica marcada por elementos literários em
que o autor põe em cenaalguns discursos na tentativa de definir a natureza do Eros.
Historicamente, Platão é apontado como umcrítico da poesia naquilo que se refere à
formação do homem grego, no entanto, se faz necessário entenderem que sentido ele
tece essa crítica ao mesmo tempo em que recorre à literatura em suas obras e, com
isso,perceber os recursos literários que se enquadram no gênero dialógico na relação
entre palavra, imagem erealidade. Nesse sentido, o Banquete é o ponto de análise
desse trabalho que tem por objetivo demonstrar oprocesso dialógico na obra de Platão
que, segundo M. Bakhtin, revela na figura de Sócrates, um gênero quese relaciona
ao carnavalesco no jogo entre o sério e o cômico como modo de pensar a realidade
através dasalegorias e da ironia socrática presentes na obra. A metodologia utilizada
consta da leitura do Banquete de Platão relacionando-o aos aspectos ressaltados por
Bakhtin como manifestação primeira daquilo que elenomeará de dialogismo.
BATISTA, Eduardo Pereira
Universidade de São Paulo
O estilo da autobiografia de Platão
Luciano Canfora em seu livro intitulado Um Ofício Perigoso afirma que a Carta VII
de Platão, supondo que ela não tenha sido escrita pelo mestre da Academia, mas por
um de seus discípulos mais próximos, pode ser considerada como a sua biografia
escrita de forma autobiográfica. E, neste sentido, aponta o historiador italiano, uma
vez que o documento mantém inalterado seu papel de fonte autêntica, primaria e
imprescindível na biografia do filósofo ateniense, a diferença entre autêntico e
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inautêntico se torna ociosa. No entanto, dentro desta conjectura apresentada por
Luciano Canfora, como é possível admitir que a Carta VII seja para Platão a sua biografia
escrita de forma autobiográfica? Em Le style de l’autobiographie, Jean Starobinski
define as condições gerais da escritura autobiográfica. Para onde apontam estas
condições gerais? Primeiro, que as figuras de autor, personagem e narrador se diluem
e se fundem numa só pessoa, resultando num eu amálgama de narrador, personagem
e autor; segundo, que a narrativa deve possuir uma certa temporalidade na qual se
faça ver os traços de uma vida, de maneira que esta narrativa, ao pôr em movimento
a experiência vivida pelo sujeito do discurso, constitui-se propriamente como uma
narração; e, terceiro, que deve haver no seio da narrativa algo de extraordinário,
algum acontecimento que resulte em uma mudança radical que divide a existência do
narrador em um antes e um depois. Diante destas condições gerais, apresentadas por
Jean Starobinski, a conjectura de Canfora que torna ociosa a diferença entre autêntico
e inautêntico, a saber, que a Carta VII pode ser considerada como a biografia escrita
de forma autobiográfica, reforça o valor histórico do documento, mas, ao mesmo
tempo, enfraquece o valor filosófico do texto platônico. Nosso trabalho, ao contrário
da hipótese admitida por Luciano Canfora, pretende apresentar, na esteira de Jean
Starobinski, os desdobramentos na hipótese de ao lermos a Carta VII, estarmos diante
de uma autêntica autobiografia de Platão. E, neste sentido, é preciso entender o estilo
da autobiografia como o índice entre o escritor e seu próprio passado que, á luz do
presente, revela seu projeto, voltado para o futuro, de uma maneira específica de se
apresentar a outrem.
BIEDA, Esteban Enrique
Universidad de Buenos Aires
Gorgias, el octavo orador. Resonancias gorgianas en el discurso de Agatón
en el Banquete
Una vez finalizado el discurso de Agatón en el Banquete platónico, Sócrates toma la
palabra a fin de ensayar su propia alabanza a éros. No obstante, antes de comenzar
a hablar, el hijo de la partera dedica un momento a comentar algunos puntos del
discurso de su predecesor que, según dice, provocó en él reminiscencias gorgianas:
“de modo que había padecido lo de Homero: temía no fuera cosa que Agatón, hacia
el final, tras arrojar con su discurso contra mi discurso la cabeza de Gorgias, terrible
para hablar, me convirtiera en piedra debido a la afonía ” (198c2-5; las trads. son
nuestras).En el presente trabajo nos proponemos rastrear la presencia de un octavo
‘personaje’ que se halla inmiscuido entre los asistentes al banquete organizado por
Agatón: el sofista Gorgias. Llevaremos a cabo dicho rastreo en tres planos diferentes
pero complementarios. (A) En lo que hace a la forma de ambos discursos, veremos
que tanto el sofista, en su Encomio de Helena (EH), como el personaje Agatón, en
su encomio de Eros, construyen sus respectivos lógoi siguiendo un mismo orden
expositivo: (i) pauta metodológica, (ii) status quaestionis, error de antecesores y
objetivo perseguido, (iii) presentación de la ‘hoja de ruta’ a seguir, (iv) desarrollo de
las alternativas propuestas en iii, (v) recapitulación y conclusión, (vi) cierre.(B) En lo
-21-
que hace al estilo de escritura, veremos la frecuencia del recurso retórico, atribuido a
Gorgias, conocido como “decir cosas iguales” o “isofonía” (ísa légein). Esto fue notado
ya en la antigüedad por Filóstrato quien, en sus Vidas, afirma que “Agatón, el poeta
trágico a quien la comedia considera sabio y de fina expresión, a menudo, entre los
yambos, se expresa como Gorgias (gorgiázein)” (I.493). En este punto daremos cuenta
de los múltiples pasajes del parlamento de Agatón en los que se utiliza el “ísa légein”.
(C) Finalmente, en lo que hace al contenido de ambos discursos, intentaremos mostrar
que muchos de los elementos utilizados por el sofista para encomiar al lógos en su EH
pueden ser hallados, en mayor o menor medida, en la alabanza que Agatón dedica a
Eros. A modo de ejemplo: (i) la mención en Banq. 195b-c de las cuatro causas por las
que Helena pudo haber viajado a Troya según el EH gorgiano, (ii) la “invisibilidad”
como atributo tanto de Eros (Banq. 196a) como del lógos (EH §8), (iii) la euskhemosýne
de Eros (Banq. 196a) y el lógos verdadero en tanto discurso ordenado (EH §1), (iv) la
referencia al “paígnion” y “paidiá” al final de cada discurso, entre otros ejemplos. La
conclusión del trabajo intentará mostrar, pues, cuáles son los elementos concretos
que podrían haber hecho que el discurso del poeta haya hecho que Sócrates recuerde a
Gorgias, orador oculto en las palabras del poeta Agatón: “pues ciertamente el discurso
me recordó a Gorgias…” (198c).
BORGES, Anderson de Paula
Universidade Federal de Goiás
Justiça, bem e harmonia psíquica em Platão
Entre os temas que mais frequentemente interessam ao leitor da República de Platão
está o papel que a relação alma-cidade desempenha na concepção de justiça. Vários
leitores já notaram que essa relação é uma analogia que preside o argumento central
da obra. Nessa breve comunicação quero me envolver com o argumento que está no
coração da analogia e propor duas tarefas. Primeiro, vou me deter na tese de que um
bom ordenamento social depende do tipo de vida mental que os cidadãos adotam
para si. Tendo exposto rapidamente as linhas gerais dessa proposta, passo depois a
formular algumas ideias sobre a concepção de justiça que dela emerge. Embora minha
comunicação não pretenda ser mais do que notas provisórias e insuficientes sobre o
tema, há pelo menos uma ideia que me parece, agora, bem segura para ser afirmada:
Platão trabalha com a tese de que aquilo que é bom para o indivíduo não pode ser
essencialmente distinto daquilo que é bom em si.
BRANDÃO, Renato Matoso R. G.
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Zenão, Parmênides e as contradições do diálogo Parmênides
O diálogo Parmênides contém uma série de particularidades dramáticas e estilísticas.
Com relação ao seu contexto dramático, o Parmênides apresenta Sócrates, ainda um
jovem, em conversa com Parmênides e Zenão. Com relação ao estilo empregado na
composição do diálogo, encontramos uma obra claramente dividida. Na primeira
parte, Sócrates sofre uma espécie de elenchos, método comum a outros diálogos, mas
-22-
com a particularidade de que, apenas aqui, Sócrates é o refutado e não o refutador.
Na sua segunda parte, encontramos uma longa cadeia de deduções dedicadas a
análise de hipóteses acerca do Um, com o estranho resultado de que estas deduções
chegam a resultados contraditórios entre si. Tanto do ponto de vista dramático,
com relação ao uso de personagens, quanto do ponto de vista estilístico, podemos
observar singularidades marcantes do diálogo Parmênides. O personagem Zenão
aparece apenas aqui e, excetuando uma referência indireta no Fedro, não há menção
a ele no conjunto da obra platônica. Em contraste, a figura de Parmênides recebe
várias outras menções, por exemplo: na República e no Sofista. Da mesma maneira,
as deduções da segunda parte representam um hapax, não se repetindo em nenhum
outro diálogo, em contraste, novamente, com o elenchos da primeira parte. A tradição
de comentários ao Parmênides vem tentando, incessantemente, compreeender
os resultados da cadeia de deduções contida na segunda parte do diálogo, como
apenas aparentemente contraditórios. Para que esta interpretação seja mantida, os
comentadores procuraram identificar sujeitos distintos para cada uma das deduções,
o que não implicaria na contradição das conclusões, uma vez que estas se aplicariam
a sujeitos distintos. Surgiram, ainda, interpretações que identificam tipos distintos
de predicação, outro modo de anular a aparente contradição de resultados. Em
minha apresentação, defenderei a tese de que os resultados das deduções devem ser
entendidos como de fato contraditórios, o que acarretaria no abandono da hipótese da
qual partem, segundo o método argumentativo conhecido como redução ao absurdo.
Ora, tal método foi criado e desenvolvido justamente por Zenão, personagem do
diálogo. Pretendo, portanto, investigar a relação entre o personagem Zenão e o estilo
empregado por Platão na segunda parte do diálogo.
CAMPOS, Antônio José Vieira de Queirós
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Intertextualidade orgânica dos diálogos platônicos com os gêneros literários
clássicos: o exemplo da Apologia de Sócrates
Se há uma marca universal no espírito grego é o agonismo, a disputa pela excelência,
traço que, entre os escritores gregos arcaicos ou clássicos se manifesta por abundante
intertextualidade. Assim é que Arquíloco, na lírica, já se reporta parodicamente a
Homero em versos iâmbicos, desprezando cinicamente essa tradição, ao comentar
que mais valia preservar a vida mesmo tendo perdido o escudo para os inimigos.
Xenófanes e Heráclito, por sua vez, criticavam acerba e abertamente Homero e
Hesíodo em sua pretensão de tudo saber em suas narrativas inspiradas. O próprio
Xenofonte em sua Apologia e em seu Banquete parece, sem dizê-lo, estar respondendo
à caracterização de Sócrates feita por Platão, que ,a seu ver, pintaria Sócrates como
alguém destituído de phrònesis por se expor deliberadamente à morte, desafiando
seus juízes. Eurípedes igualmente zomba, em algumas peças, do estilo pomposo de
Ésquilo. Aristófanes, por seu turno, delicia-se em desdenhar da arte de Eurípedes,
por julgá-lo demasiado prosaico e apelativo com seus personagens andrajosos e seus
órfãos desamparados, além de o grande comediógrafo ter o vezo de inventariar
-23-
humoristicamente, em algumas parábases, todo o passado do gênero cômico. Platão
leva ao paroxismo o recurso à intertextualidade, com suas alusões, implícitas ou
não, citações e reconstruções paródicas de filósofos, retóricos, sofistas e poetas de
seu tempo e anteriores. Nem Aristóteles, com sua obra basicamente escolar e algo
fragmentada, escapou ao diálogo frequente tanto com seus antepassados filosóficos,
incluindo Platão, quanto com poetas e prosadores em sua “Metafísica I”, na “Poética” e
na “Retórica”. Só que, em Platão, esse fenômeno assume uma proporção muito maior
e de consequências filosóficas e literárias bem mais profundas, dado que , em sua obra,
o agonismo se radicaliza e universaliza, pois seu adversário não é apenas um ou outro
filósofo, um ou outro sofista ou poeta, mas toda a tradição intelectual, ética, teológica
e poética dos gregos. E Platão talvez seja a última grande manifestação desse vínculo
imanente e desse diálogo constante, de cunho agonístico, na tessitura ficcional de
seus diálogos, com os textos fundadores da cultura grega, os textos poéticos. De todo
modo, com Aristófanes é que começa já no provável primeiro diálogo – a Apologia -,
essa interlocução platônica com a poesia, na advertência de Sócrates, em 19b3-c8, de
que as acusações contra si procedem de longe (24 anos atrás), mais especificamente
das “Nuvens” de Aristófanes. Com isso, quer dar um exemplo vivo da perversidade do
mecanismo mimético: o que foi dito numa comédia foi tomado à letra como expressão
da realidade, não porque a culpa fosse do comediógrafo, mas da audiência, que tomou
os ditos e feitos de seu personagem literalmente, isto é, tomou por real o que já
era uma mímesis caricata de outra mímesis em que esta se baseou, a visão popular
sobre Apologia, ainda no prelo, como e com que fins se estabelece a interlocução do
personagem Sócrates com os grandes gêneros poéticos da antiguidade, sobretudo
com a comédia antiga, com a tragédia e com a épica, e também com a prosa retórica.
CARVALHO JUNIOR, Adail Pereira
Universidade Federal do Ceará
A natureza e função de Eros na filosofia de Platão: Um estudo do Banquete e do
Fedro
A natureza de Eros na filosofia platônica está ligado ao conhecimento estabelecido
entre o homem e o ser em si e entre os homens associados na busca comum de um
relacionamento que não é puramente intelectual, porque envolve o homem como um
todo e, portanto, também à vontade. Esta relação é definida por Platão como o amor
(Eros). Dedicado à teoria do amor são dois dos diálogos mais artisticamente perfeito, o
Banquete e no Fedro que encontramos de maneira primorosa essa temática.
CHRYSAKOPOULOU, Sylvana
The Library of the Hellenic Parliament
The reform of epic poetry by the first philosopher-poets in the Sophist
In the Sophist Plato provides us with the first doxographic material on pre-platonic
thinkers (242b). The aim of the present article is to shed light on the intertextual
affinities between Plato and his forerunners according to the testimony in question,
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in order for their common project regarding the reform of epic poetry to come
forth. In other words, the platonic reception of his predecessors cannot be treated
independently from the question of the epic poetry and its cultural predominance
among Greeks. I will thus focus on the platonic appropriation of the pre-platonic
criticism against the epic poets and on its consequences for the history of reception.
In the above-mentioned testimony Plato refers to three thinkers in particular:
Xenophanes, Heraclitus and Empedocles. Xenophanes is renowned for having
addressed the first explicit dismissive remarks against the theology propagated by
his predecessors, that is to say the epic poets (21B 10, 11, 12). Heraclitus followed him
closely along the same line of criticism (22B 40, 42, 56). Similarly to Xenophanes and
his alleged disciple Parmenides, Empedocles has chosen as a medium of expression
the epic verse, namely the dactylic hexameter. He composes the new epic, in response
to the Hesiodic Theogony and to the myth of races in the Works and Days, not to
mention the Catalogue of Women. Empedocles goes as far as to abolish the foundation
of the Greek religion according to the Hesiodic myth of Promytheus, that is to say
sacrifice, while Xenophanes presents his symposiac elegy as a reform of the banquet
ritual (21B1DK), not to mention the banquet poetry of his time. Likewise, Heraclitus’
acute irony against Greek religious practices leaves no space for the Olympian Gods
(22B 5,14,15 DK) promoted by the epic poets, whereas he adopts a similar attitude
against his contemporaries, namely the lyric poets: Archilochus ought to be banned
from all poetic competitions along with Hesiod (22B 42 DK). In conclusion, all three
thinkers mentioned by Plato in his doxographic account have the same target: the
epic poets, whose unparalleled cultural predominance is to be held responsible for
the education of all Greeks. The harsh criticism they address their predecessors
and contemporaries is nevertheless a clear indication that they consciously place
themselves within the same so-called ‘agonistic’ tradition, which started with Homer
and Hesiod and continued up to Plato. In the Republic, the poets are exiled because of
their harming educational influence on the citizens, only to be replaced in the Laws
by the lawgivers, their true ‘antagonistai’, who compose the best drama (817 a-c).
COELHO, Ariadne Borges
Universidade de Brasília
Sócrates personagem em As Nuvens de Aristófanes: uma análise dialógica
Este trabalho pretende analisar Sócrates enquanto personagem da comédia As
Nuvens de Aristófanes. Através de uma análise comparativista com a representação
do filósofo em Platão, pretende-se traçar um paralelo entre as duas imagens e
demonstrar a repercussão da peça de Aristófanes como fonte histórica, como sátira
diante de temáticas atuais e, ainda, como obra para os estudos a respeito de Sócrates.
Segundo Platão, na Apologia, a caricatura feita por Aristófanes foi responsável pela
má fama de Sócrates e pela acusação – semelhante à encontrada na peça. A partir do
pensamento bakhtiniano sobre o teatro, demonstraremos a presença de elementos do
gênero sério-cômico para a obra aristofânica e a relação dialógica e responsiva entre
os personagens Estrepsíades e Sócrates. Para tal análise, além do elemento comparado
-25-
utilizaremos o entendimento do diálogo como gênero e os conceitos liminares
de realismo grotesco, de riso ambivalente e da carnavalização.[1] Este trabalho é
desenvolvido em coautoria pelo professor doutor Augusto Rodrigues da Silva Junior
e sua orientanda de mestrado Ariadne Borges Coelho, ambos da Universidade de
Brasília– UnB. Há um ano, o professor e a discente desenvolvem pesquisa, no grupo de
pesquisa do TEL Literatura e Cultura.
CORNAVACA, Ramón Enrique
Universidad Nacional de Córdoba
Memoria y diálogo filosófico. Observaciones sobre las apelaciones al
recuerdo del interlocutor en tres diálogos platónicos
En los diálogos platónicos se lee con frecuencia que uno de los interlocutores
pregunta al otro si recuerda un tema determinado acerca del que se ha discurrido en
un tramo anterior de la conversación, o bien lo insta a que lo haga. Estas apelaciones
a la memoria del interlocutor – que por lo general, aunque no exclusivamente, están
puestas en boca de Sócrates- parecen algo irrelevante; el lector puede pensar que
ellas constituyen un recurso de carácter decorativo que el autor emplea para dar una
impresión de vivacidad o realismo a la narración. Sin embargo, si se atiende a los
contextos en los que algunas de esas apelaciones acontecen, ellas cobran otro relieve.
En la presente ponencia se revisan unos pocos pasajes del Menón, del Fedón y de la
República en los que se encuentran estas apelaciones y se observa quién, a quién y en
qué circunstancia uno pregunta a otro si recuerda o le pide que lo haga. La hipótesis
que orienta esta sencilla investigación es que, en el caso de un escritor-filósofo como
Platón, es posible que el empleo de este recurso cumpla una función determinada
en el decurso del diálogo y tenga una relación significativa con el tema que está
siendo discutido en ese momento. En el caso de los pasajes del Menón y del Fedón
es obvia la correspondencia que se establece con la cuestión de la anamnesis: podría
decirse que ya durante el diálogo mismo se está ejercitando la memoria. En cambio,
la observación de varios textos de la República –y quizás ya algunos del Fedón- invita
a pensar que mediante esas apelaciones se persigue un doble objetivo: por una
parte, con este recurso Platón estaría brindando al lector un indicio que facilite la
percepción de la articulación discursiva de un texto extraordinariamente extenso;
por otra, -y dado que estas apelaciones a la memoria se encuentran en un diálogo
que trata acerca de la formación de los llamados “guardianes de la ciudad”, los que
precisamente han de caracterizarse por su capacidad mnemónica- es pensable que las
aparentemente intrascendentes preguntas por el “recuerdo” tiendan a sugerir que
en el mismo diálogo el autor está proponiendo un modelo de ejercicio discursivo, que
pueda resultar útil para la formación política de los ciudadanos. En fin, y a modo de
conclusión se hace una breve referencia a la aparición de este motivo en las Leyes.
-26-
COSTA, Thiago Rodrigo de Oliveira
Universidade de Brasília
Platão intérprete de Parmênides, ou Parmênides como uma personagem
para o filosofar de Platão: entre a hermenêutica e a poética filosófica
Gostaríamos de discutir três pontos de uma das primeiras interpretações (se é que
a devemos tomar como tal) do poema de Parmênides, a saber, a interpretação que
dele faz Platão no seu diálogo intitulado Parmênides. Platão utiliza, com alguma
liberdade, três personagens históricas: Parmênides, Zenão e Sócrates para apresentar
a sua interpretação do poema de Parmênides, ao mesmo tempo em que o toma
como um mote para a introdução da problemática da relação das idéias entre si, e
destas com os objetos sensíveis. Neste percurso faz três sugestões de interpretação
relativas ao poema: (i) identifica tò eón com tò pân (“”Pois tu [Parmênides], em
teus versos afirmas o todo ser um””, Parm. 128a); (ii) identifica o sentido do texto
de Zenão com o do poema de Parmênides (“”É que ele [Zenão] escreveu, de certa
maneira, a mesma coisa que tu [Parmênides], só que, fazendo uma alteração, tenta
enganar-nos, fazendo-nos crer que diz algo diferente (...)””, Parm. 128a); e (iii) reduz
o conteúdo místico do poema por meio da identificação deste com o texto de Zenão
(“”(...) mas dissimulando-se aos homens [o escrito], como se estivesse realizando algo
de grandioso””, Parm. 128c). Com estas três sugestões Platão condicionará grande
parte da história da interpretação do poema de Parmênides. Nosso propósito é então
problematizar e discutir com essa interpretação platônica de Parmênides pesando o
seu caráter hermenêutico e o confrontando com o seu caráter poético e literário, no
sentido em que Platão faz da literatura o aporte para o seu filosofar.
COTTONE, Rossella Saetta
CNRS / Centre Léon Robin (Paris IV-ENS)
Agathon figure du genre, des Thesmophories au Banquet
A partir d’une relecture du passage des Thesmophories d’Aristophane où le
personnage d’Agathon fait son apparition sous les traits d’un Dionysos redivivus (vv.
130-170), et situant ce passage dans le contexte élargi de la pièce, nous entendons
montrer que les propos sur la mimesis dramatique rapportés par le jeune poète
tragique constituent une clé théorique permettant de comprendre l’issue de l’intrigue
comique. En effet, la théorie agathonienne fonctionne comme interpretans de l’action
dramatique, entendue comme terrain d’expérimentations mimétiques diverses, où la
comédie se mêle à la tragédie, la paracomédie à la paratragédie, et où le mélange des
genres dramatiques correspond au mélange des genres sexuels qui s’empare de la
scène par l’intermédiaire du jeu des travestissements. Le symptôme le plus évident
du bouleversement mimétique au cœur de la pièce est le destin du protagoniste, le
poète tragique Euripide, qui se trouve assimilé à l’image sans doute la plus ‘politique’
d’Aristophane, celle, rendue célèbre par les Acharniens, du poète jugé à cause de ses
insultes contre la cité. Ainsi, si la première partie de l’intrigue se propose, par une
reprise para-comique des Acharniens d’Aristophane, de transformer Euripide en
-27-
alter-ego de l’auteur comique persécuté ; la seconde partie est basée sur une reprise
paratragique de trois pièces d’Euripide, sous forme de play-within-the-play. La boucle
pourrait sembler bouclée : Euripide comme Aristophane, et Aristophane comme
Euripide… Mais le jeu des assimilations ne doit pas tromper : à la différence de l’auteur
des Acharniens, dont on nous dit qu’il avait été poursuivi à cause de ses insultes contre
la cité, le poète protagoniste des Thesmophories est jugé pour avoir insulté les femmes
d’Athènes. Bien que politique, le théâtre d’Euripide reste donc un théâtre de femmes,
et la politique à Athènes, on le sait, est bien l’affaire des hommes. Mais un autre aspect,
purement conventionnel, montre l’écart entre la dramaturgie des Thesmophories
et son modèle para-comique : si l’Aristophane des Acharniens avait été défendu
sur scène par son acteur protagoniste et pas son chœur sans être représenté par un
personnage, l’Euripide des Thesmophories est, quant à lui, le protagoniste d’une pièce
qui met en scène son procès par les athéniennes. De fait, dans les Thesmophories,
Euripide est prisonnier de l’intrigue comique, de cette même intrigue qui a pour
fonction de le juger et de le condamner. Ainsi, il réussira à s’enfuir du cauchemar où
Aristophane l’a placé seulement quand, suivant les préceptes d’Agathon, il acceptera
d’interpréter un rôle de femme, conformément au contexte féminin du drame dont il
est le protagoniste. Bref, sur la scène des Thesmophories, la distinction entre drames
féminins et drames masculins prime sur celle entre tragédie et comédie, qu’elle finit
par remplacer. C’est au fond une réflexion sur les horizons esthétiques de la nouvelle
tragédie, celle d’Euripide et de son élève Agathon, qu’Aristophane nous livre dans les
Thesmophories, en même temps qu’une parodie féroce de ses implications éthiques
et politiques. L’Agathon du Banquet doit être situé dans cet arrière-plan historique.
COUTINHO, Carlos Luciano Silva
Universidade de Brasília
Zalmoxis e Sócrates: a katábasis mágica e a katábasis subjetiva no
Cármides de Platão
As teorias platônicas parecem estar sempre envoltas por um almanaque mitológico
vasto e rico. No Cârmides, Platão desenvolve um procedimento interessante de
Filosofia do mito, na medida em que busca desencantar o mito de cura apresentado
por supostos médicos trácios, seguidores de Zalmoxis: uma divindade Trácia
também humana, segundo conta Heródoto, que teria ressuscitado depois de habitar,
por três anos como morto, um compartimento subterrâneo (IV, 95, 4 – 96, 1). Tal
desencantamento, entretanto, é bem diferente daquele conhecido pelo Iluminismo
Moderno. Primeiramente, Platão não nega, substancialmente, o conhecimento
mítico. Em segundo lugar, ele Propõe o desencantamento do mito de Zalmoxis a
partir do mesmo princípio estrutural, ou seja, a partir do também movimento de
descida, a katábasis, como fundamento primário para se alcançar a cura. No entanto,
o filósofo ateniense estabelece um paralelismo entre o movimento de descida do mito
trácio e um tipo de movimento de descida que a mente humana faz em suas próprias
profundidades inexplicáveis. Nesse viés, sua teoria assume uma perspectiva subjetiva,
em que a mente é responsável pela cura, e não, objetivamente, a divindade. Assim,
-28-
esse trabalho pretende verificar como esse processo de descida é desencantado e
continuado estruturalmente no diálogo.
DA COSTA, Luiza Moreira
Universidade de São Paulo
Alcibíades, Atenas e o Eros
Em um recorte da pesquisa de mestrado subsidiada pela FAPESP, cuja temática busca
investigar a relação paidêutica entre Alcibíades e Sócrates, estabelecemos alguns
paralelos de detalhe que buscaremos apresentar neste trabalho. Tais paralelos referemse a duas situações: a primeira conta dos efeitos de Alcibíades sobre a pólis ateniense
- relação bem descrita por Tucídides, em sua História da Guerra do Peloponeso (Livros
VI e VIII) e também indicada no verso de Aristófanes, em As Rãs: [A cidade] Tem
saudade dele, odeia-o, mas quer tê-lo (1425). A relação que Alcibíades construiu com
Atenas aproxima-se do retrato do amor frustrado pela mútua traição: de um lado, o
estratagema dos opositores de Alcibíades ao adiar seu julgamento por profanação, o
que o levaria a condenação; de outro, sua fuga e a aliança com Esparta, sob a justificativa
de ser um meio de salvar Atenas. O resultado disso é que irá faltar à pólis a excelência
do estrategista, e irá faltar a Alcibíades uma pátria – de ambos os lados, portanto, a
penúria. Ao mesmo tempo em que a cidade deseja Alcibíades, por vezes ardentemente,
ela o repele, também, na mesma medida, vítima de um Eros que a subjuga.A segunda
situação conta, por outro lado, dos efeitos de Sócrates sobre Alcibíades, tal como
retratado n’O Banquete: após a descrição socrática do Eros filosófico, dado a conhecer
por Diotima, Platão faz entrar em cena Alcibíades – e o elogio ao amor passa, então, a
ser o elogio à Sócrates, feito pelo próprio Alcibíades através da narração dos enlaces
de sua vida com a de Sócrates, e as frustações decorrentes deles. Nessas relações, uma
ambiguidade semelhante àquela que encontramos entre Alcibíades e Atenas parece
se insinuar: o discípulo ama o mestre, que não pode, no entanto, realizar o desejo
de Alcibíades. Sócrates aspira a um Eros em tudo diferente daquele concebido pelo
discípulo, um Eros que Alcibíades não é capaz de cumprir, ainda que concorde com
as palavras de Sócrates e com a correção de suas expectativas. Alcibíades não sabe o
que fazer: “muitas vezes sem dúvida com prazer o veria não existir entre os homens;
mas se por outro lado tal coisa ocorresse, bem sei que muito maior seria minha dor”
(Banq. 216c) Propomo-nos, na comunicação, discutir esse “paralelo amoroso”: Atenas
em relação a Alcibíades, Alcibíades em relação à Sócrates. Como, de fato, existir sem o
objeto do Eros? Como conviver com sua incômoda e perigosa existência?
DA MOTTA, Guilherme Domingues
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Universidade
Católica de Petrópolis
Platão e a poesia: considerações sobre o caráter da leitura dos poetas
apresentada por Gláucon e Adimanto na República
São muito debatidas as restrições feitas por Sócrates à poesia na República, de Platão,
-29-
e o caráter seletivo de sua apropriação dos trechos poéticos que cita para justificá-las,
muitas vezes fora de contexto e distorcidos. Não é raro que o filósofo ateniense saia
das análises sobre o tema como alguém com uma compreensão limitada do papel da
poesia e da “arte” em geral, e que seja considerada insuficiente a principal justificativa
que se costuma aduzir a favor de suas restrições: a de não admitir a noção de “arte
pela arte” e a subordinação da poesia e da “arte” aos fins educacionais aos quais
sempre estiveram atreladas. Porém, outro aspecto que deveria ser considerado em
uma possível justificação daquelas restrições é que, valendo-se de seu gênio literário
e cuidado com o texto, Platão, através de Sócrates, só começa a propor suas restrições
depois de mostrar, pelos discursos de Gláucon e Adimanto, no livro II, que são eles os
primeiros a apresentar uma leitura seletiva e distorcida dos poetas, ainda que o façam
para apresentar o ponto de vista da “maioria”. O que uma análise cuidadosa desses
discursos pode mostrar é que a “reescritura” da poesia, que Gláucon, e, principalmente
Adimanto, veiculam como sendo a da “maioria”, denuncia, nas entrelinhas do texto
de Platão, o perigo de que uma poesia que possa ter diferentes interpretações seja
sempre apropriada e interpretada de modo a justificar as escolhas e o modo de vida
daqueles que a interpretam.
DA SILVA, André Luiz Braga
Universidade de Uberlândia/Universidade de São Paulo
Sócrates versus Estrangeiro de Eleia?
O uso de Platão, para expor sua filosofia, da forma dramática do diálogo, em especial
pela pluralidade de personagens que neles figuram, dá ensejo a interessantes
observações acerca de como o fundador da Academia entendia que deveria se
desenrolar uma argumentação dialética. Essa pluralidade, contudo, fica ainda mais
interessante e curiosa é quando é-nos possível identificar divergências – claras ou não
tão claras - no que tange às posições defendidas por estes dramatis personae. É fato que
República e Sofista são obras capitais no pensamento deste filósofo grego, bem como
que seus condutores de diálogo, Sócrates e Estrangeiro de Eleia, são inegavelmente
grandes dialéticos que discutem aspectos os mais relevantes de sua filosofia. O que
não é tão claro é o que pode representar para o pensamento de Platão o aparente
choque de opiniões entre um (República X 596a) e outro (Político 262d) personagem.
Este trabalho visa precisamente se inserir neste debate (GUTHRIE, 1962; PHILIP, 1966;
TREVASKIS, 1967). É possível falar em tal divergência? Se sim, quem estaria com a
razão, e o que isso representa para a filosofia platônica? Isto é: para todo grupo de
entes sensíveis com o mesmo nome, existe uma Ideia?
DA SILVA, José Lourenço Pereira
Universidade Federal de Santa Maria
Sócrates no discurso de Alcibíades
A leitura atenta do discurso de Alcibíades no Banquete (215a-222a) põe por terra
a opinião tornada ortodoxa de acordo com a qual, na obra de Platão, os primeiros
diálogos formam o domínio praticamente exclusivo em que é possível encontrar a
-30-
representação mais historicamente acurada de Sócrates e sua atividade filosófica;
enquanto que nos diálogos intermediários, o personagem Sócrates é tão somente
porta-voz das ideias de Platão. Para essa tradição interpretativa, o desenvolvimento por
que passou o pensamento de Platão levou o autor dos diálogos a figurar dois Sócrates:
o questionador ignorante dos diálogos aporéticos, e o filósofo defensor de doutrinas
positivas nos vários campos da investigação filosófica dos escritos da maturidade.
Nesta comunicação eu argumento que o Sócrates nos primeiros textos platônicos é
tão personagem de Platão quanto em qualquer outro diálogo em que aparece, isto é, é
sempre uma criação artística, porém com inegável referente na realidade, ora mais ora
menos fielmente retratado. E pretendo evidenciar que, se for correto conceber mais
de um Sócrates na obra de Platão, com base no discurso de Alcibíades a distinção deve
ser entre a imagem pública e a imagem privada de Sócrates, de um lado, o refutador
irônico e ameaçador dos valores tradicionais, de outro lado, o sábio e justo que, com
ideias chocantes, busca cuidar das almas e promover nelas a virtude.
DEMARÍA, Fabiana Andrea
Universidad Nacional de Córdoba
Elementos platónicos de palingénesis recreados por Arturo Capdevila en
Arbaces, maestro de amor
Dra. Fabiana Demaría de Lissandrello (U.N.C.) Arturo Capdevila (1889-1967) presenta
en Arbaces, maestro de amor (1945) un testimonio de recepción productiva (H. Link,
1976) de la antigüedad grecorromana. Esta novela, narrada en primera persona,
refleja la vida del período helenístico. A través de variadas citas relacionadas con las
costumbres, el momento histórico y la religiosidad se constata la presencia de autores
como Homero y Hesíodo, entre otros. Su protagonista es “Arbaces”, un maestro
persa, que brinda enseñanzas de amor en Atenas como Tibulo.Para armar la trama
el autor utiliza como técnica el habérsele otorgado el don de recordar sus pasadas
reencarnaciones, basándose en la teoría de la palingénesis (palin: nuevamente y
genesiV: nacimiento), como él mismo la denomina. A través de este procedimiento el
protagonista va rememorando y afirma que influyó sobre todos los poetas elegíacos que
le sucedieron. El hecho de evocar a diferentes poetas, en los que Arbaces reconoce su
influencia, permite descubrir inversamente a los autores en los que se basó Capdevila
y revela además, aquellos por los cuales sentía una gran predilección. La mención
directa de Tíbulo y de unos versos correspondientes de su Elegía IV sirve para explicar
la verdadera tarea que cumplía este maestro persa, el espíritu de su curso y de sus
lecciones amorosas.La doctrina de la palingénesis es receptada fundamentalmente del
Fedón, diálogo platónico en el que se narran los últimos momentos de Sócrates con
sus discípulos más queridos y se presenta como uno de los temas más sobresalientes
el de la inmortalidad del alma. En la novela capdeviliana Arbaces se encuentra en la
región de Lebadea con un mendigo llamado Metón, un sabio, quien le explica acerca
del origen de los dioses, la formación de los elementos de la naturaleza y la aparición
del hombre, siguiendo la tradición hesiódica. Las enseñanzas de Metón se enmarcan
dentro de la doctrina platónica acerca de las anteriores encarnaciones y hacen hincapié
-31-
en aquellas palabras de la “revelación socrática”, relacionadas con las creencias de los
antiguos, quienes sostenían que “las almas, al abandonar este mundo van al Hades y
desde allí vuelven a la tierra después de haber pasado por la muerte.” Estas palabras
puestas en boca de Metón remiten directamente al Fedón y permite vincular la teoría
de la reencarnación de las almas con el tema del conocimiento. En este trabajo se
procurará definir el concepto de palingénesis, mostrar cómo aparece aquí recreado
de los textos platónicos y qué función le otorga el poeta cordobés al utilizarlo como
recurso para contextualizar la narración y los personajes comprometidos en un asunto
antiguo, en el que se unen orientalismo y helenismo. Esta unión o simbiosis revela una
nueva cosmovisión propia de los poetas de fines del siglo XIX, caracterizada por la
mezcla de elementos cosmológicos, filosóficos, teológicos y teosóficos, según señala
Adolfo de Obieta.
DE ARAÚJO, Hugo Filgueiras
Universidade Federal do Ceará
A natureza da alma no Timeu de Platão
Platão, no Timeu, apresenta uma tese sobre a natureza da alma cósmica e dos humanos
a partir da união de três elementos utilizados pelo demiurgo na sua criação: o Mesmo,
o Outro e a substância. Ocorre que com essa estrutura fica clara que a alma é idêntica a
si mesma, mas por ter parte no Outro e na substância, também é passível de mudança.
Essa tese favorece o entendimento de que a alma é semelhante às Formas e não é uma
Formas, pois ao moldá-la serviu-se o demiurgo dessas entidades como paradigma.
DE LUCENA, Maria Gorette Bezerra
Universidade Federal da Paraíba
Considerações sobre prôta stoicheîa no Timeu de Platão
Como se sabe, Platão no Timeu decompõe os quatro elementos terra, fogo, água e ar
em busca do que eles são antes da ordenação do mundo. Nosso propósito é mostrar
que essa reflexão sobre os primeiros constituintes (prôta stoicheîa) dos elementos
propicia a Platão pontuar o papel preponderante de Chôra na ordenação do visível e
tangível.
DE MELO, Luiz Fernando Bandeira
Universidade Federal de Uberlândia
Influência dos cultos de mistérios na questão de ser mais feliz: os sofreados
que os desenfreados
Este trabalho pressupõe a influência dos cultos de mistérios vivida pelos gregos
contemporâneos de Sócrates em muitas de suas ações, e em particular na exposição
do diálogo platônico Górgias, em que Sócrates, questiona Pólo, Górgia e Cálicles, com
a clareza de estilo de um experimentado interlocutor que busca insistentemente a
verdade sobre as virtudes, unido à consideração que atribui aos, assim tidos, mais
conhecedores com quem dialoga. Embora trate o diálogo em questão de um grave
-32-
assunto em pauta na Atenas dos séculos V e IV a. C. (a retórica como fonte de
aprendizado), este trabalho restringe-se apenas a duas interferências de Sócrates nesse
diálogo (492e a 494a), onde será mostrado que se encontram respingos inconfundíveis
das ideias contidas nos cultos de mistérios, vigentes nas atitudes e pensamentos dos
gregos do período clássico e sem dúvida em Sócrates e Platão. Será utilizado como
referência principal da influência desses cultos existente naquele momento histórico,
além do diálogo relacionado, o texto traduzido e comentado por GAZZINELLI, Gabriela
Guimarães “Fragmentos Órficos”, para mostrar similaridades contidas nas palavras
de Sócrates com os poemas de Orfeu usados em muitos temas diários, em especial
nas palavras grifadas em lâminas que alguns gregos levavam consigo para as câmaras
mortuárias, tidas como orientações para a vida de além-túmulo, o que caracterizava
um procedimento religioso comum da sociedade helênica, preocupada com o fim
(telos) feliz que a alma poderia ter após a morte. No texto estudado, Platão mostra que
Sócrates faz uso de uma parábola para dar explicações à Cálicles da importância do que
é ser feliz ou infeliz e que tais situações dependem das escolhas que o homem faz para
manter um gênero de vida, tema proposto por Platão para o momento da discussão
entre os interlocutores, sendo isso o que está pesquisado nesse trabalho. Assim, para
demonstrar que o pensamento socrático estava impregnado por ideias dos cultos de
mistérios, foram utilizados alguns comentadores do movimento religioso da época,
alem de cotejamentos de alguns outros textos platônicos em que são encontradas
amostras dessa influência mística, nos exemplos e fundamentos que Sócrates expõe
para convencer seus interlocutores, e principalmente atender a missão projetada por
ele mesmo quando recebeu de um oráculo a informação de ser o homem mais sábio.
DE MORAES, Kellen Ferreira
Universidade Federal de Uberlândia
Para uma Teoria da Oralidade em Platão
Nesta apresentação, buscaremos demonstrar um dos mais graves problemas
relacionados à interpretação da doutrina de Platão, que é o de reconstruir de maneira
adequada as relações entre as obras escritas e as doutrinas não-escritas, legadas pela
assim chamada tradição indireta, as quais Platão, ao que parece, quis comunicar
por meio da oralidade dialética. Tentaremos demonstrar, por consequência, em que
medida, para Platão, a escrita presta-se, no limite, a ser um recurso mnemônico
auxiliar à dialética, mas não um instrumento de ensinamento filosófico, visto que o
escrito dificilmente se defende de equivocas interpretações e críticas “... oferecendo
aos estudiosos a aparência da sabedoria e não a verdade” [Fedro 275 a]. Trataremos,
portanto, do recurso que Platão nos legou: os diálogos, que, diferentemente da palavra
escrita, auxiliam a si mesmos.
DE SOUZA, Jovelina Maria Ramos
Universidade Federal do Pará
O cortejo de Alcibíades
Na dramatização do elogio de Alcibíades a Sócrates, no Banquete, Platão retoma
-33-
o cenário próprio das práticas simpóticas para compor a entrada em cena deste
personagem. A chegada abrupta de Alcibíades ao sympósion na casa de Agaton é
marcada por um grande alarido, como se ele e seus acompanhantes incitassem os
convidados do poeta trágico a participarem de um cortejo, no qual Alcibíades parece
trazer para o cenário do diálogo a presença de Dioniso. Na construção dessa analogia,
Platão mescla à sua narrativa, elementos próprios dos rituais dionisíacos, como festa,
alegria, bebedeira, desregramento, flores e fitas, não para honrar Eros, o grande
homenageado na sequência de elogios do diálogo, mas o objeto de seu amor e desejo,
Sócrates, a quem dirige o seu encômio. No elogio do arrebatado Alcibíades, a imagem
de éros definitivamente se plasma a do filósofo, elemento já apontado por Diotima,
na sua ressignificação dos antigos rituais de iniciação, nos passos da ascese eróticodialética, firmada por Alcibíades na descrição da caça amorosa ao seu amado, na
qual ele estabelece a analogia entre éros e Sócrates. A presente exposição pretende
acompanhar a recepção do cortejo de Dioniso, na composição do intempestivo
Alcibíades, observando como Platão incorpora e revaloriza, na escrita do Banquete,
o movimento entre as diversas dimensões do psiquismo, presentes tanto no elogio
de Sócrates/Diotima como no do eterno apaixonado por Sócrates. Defendemos que
o tratamento dado por Platão na tessitura desses dois encômios, não permite que
se afirme, a partir de um contexto nietzschiano, que o primeiro seja apolíneo e o
segundo dionisíaco, pois em ambos encontramos a linguagem dos mistérios aliada a
um discurso de natureza erótico-filosófica.
DIEZ, Pedro Luis Villagra
Universidad Nacional de Córdoba
El personaje Lisímaco como receptor de la enseñanza socrática en
el Laques. Implicaciones extratextuales en el marco de la enseñanza
platónica
La pregunta acerca de cómo se debe leer a Platón se halla íntimamente ligada a la que
interroga sobre el modo literario que el autor escoge para dar a conocer su pensamiento.
El hecho de que la mayor parte de la producción escrita del filósofo ateniense esté
planteada en forma de diálogo responde, sin dudas, al manifiesto interés de proponer a
la dialéctica como la vía más válida en el acceso del conocimiento. Hasta aquí la crítica
platónica, en su conjunto y en líneas generales, parece coincidir; sin embargo, en el
marco de estas investigaciones muy pronto comenzaron a perfilarse dos cuestiones
que, de algún modo, marcaron las tendencias interpretativas. Éstas son: la pregunta
acerca de qué se entiende como forma-diálogo y el consecuente interrogante sobre la
función y finalidad del diálogo. A partir del posicionamiento hermenéutico que asume
la presente comunicación, alienta la lectura del Laques (como la de otros escritos
de Platón) la convicción de que amén de su valor y alcance en sí mismo, éste ofrece
una dimensión proléptica respecto de escritos posteriores (como la República) y una
dimensión protréptico-parenética respecto de la enseñanza oral en el marco de los
ágrapha dógmata. Leer el Laques ofrece la posibilidad de internarse en la dinámica
de un diálogo temprano en la producción literaria de Platón. Una estructura simple
-34-
junto a la sencillez y claridad en la exposición de la acción dramática permiten, a
quien se inicia en el campo de la especulación filosófica, tomar contacto con la
recreación artística de un supuesto momento histórico al abrigo de la ficción literaria.
Si se atiende a las situaciones que se suceden en el transcurso de la conversación, a los
personajes que en ella intervienen y a la performance de Sócrates en la conducción
discursiva, resulta oportuno interrogarse acerca de, por un lado, cómo opera el
diálogo en el nivel inmediato del escrito y, por el otro, las implicaciones que pudiere
tener a nivel extratextual.Esta lectura del Laques descansa sobre la hipótesis de que
Lisímaco llega a ser el personaje que vertebra todo el diálogo. El cambio (lo que se
podría denominar “modificación de la conducta”) que éste experimenta al final de la
conversación, respecto de su actitud inicial, se muestra como una suerte de principio
estructural del diálogo y permite, a su vez, pensar en la propuesta educativa platónica
apuntando a un ámbito que trasciende el propio escrito.
DOS SANTOS, Vladimir Chaves
Universidade Estadual de Maringá
Algumas aproximações entre o tirano de Platão e o MacBeth de
Shakespeare por intermédio de Longino
Em seu tratado acerca do estilo sublime, Longino sugere que Platão seja um modelo
literário desse estilo. Uma das principais características do sublime apontadas por
Longino e verificáveis em Platão é a vivacidade (enárgeia), presente na linguagem e
no drama dos diálogos. Nesse sentido, Platão seria um mestre das imagens literárias,
realizando aquilo que Longino chama de “fantasia”, que é um meio necessário para
se atingir o sublime. Eco da grandeza de alma e ao mesmo tempo aquilo que provoca
a elevação da alma dos leitores e ouvintes, eis a definição do sublime para Longino,
efeitos esses esperados, talvez, na dramatização da pedagogia e da moral platônicas.
Supondo que Longino esteja certo e que Platão seja mesmo um modelo literário,
gostaria de apresentar algumas aproximações entre o arquétipo do tirano, tal qual
aparece nos livros VIII e IX da República, e a personagem MacBeth de Shakespeare.
A hipótese desse trabalho é que à construção dessa personagem concorreu direta ou
indiretamente o retrato típico do tirano elaborado por Platão em sua República. Cabe
ressaltar em Macbeth a redescrição imoral dos vícios em virtudes e vice-versa, além
da carência, da violência (hýbris), do conflito interno, do medo, da convivência com
mercenários, das angústias e da solidão, entre outros aspectos do arquétipo do tirano
apresentado por Platão.
FERREIRA, Mariane Rodrigues
Universidade Federal de Uberlândia
Para uma teoria acerca da formação do filósofo em Platão
O modelo Ideal de cidade fundada em imaginação por Sócrates na República de Platão
tem sua origem devido as suas necessidades, as quais devem ser supridas por meio
de papel específico desenvolvido por cada indivíduo. Segundo Platão, cada homem
-35-
nasce com uma natureza própria, a qual determina a função a ser exercida. A função
de governante para este modelo Ideal de cidade, segundo Platão, deverá ser exercida
pelo filósofo. O filósofo para exercer sua função perfeitamente precisa, em primeiro
lugar, de uma formação que desenvolva suas qualidades físicas e psíquicas. Nos livros
II e III da República, segundo Platão, as qualidades psíquicas serão desenvolvidas por
meio da música. Já, as qualidades físicas serão desenvolvidas por meio da ginástica.
Posteriormente, o filósofo deverá alcançar uma alta formação filosófica que lhe
proporcione meios para governar justamente a cidade Ideal, mas para que isso
ocorra ele deverá ter uma educação filosófica, demonstrada no livro VII, por meio da
geometria, do cálculo, da aritmética, da astronomia e da dialética. O presente trabalho
tem como objetivo investigar o processo de formação filosófico ao qual o dialético
deverá ser educado de modo que explique, na medida do possível, o porquê do filósofo
ser aquele que deverá governar.Palavras-chave: Filósofo, natureza própria e educação
filosófica.
FIERRO, María Angélica
Consejo Nacional de Investigaciones
(CONICET)
Científicas
y
El Mito del Carro Alado del Fedro como Vehículo de la Filosofía
Técnicas
Es mi intención aquí mostrar que el mito del carro alado del Fedro, lejos de tratarse
de una aleatoria yuxtaposición de cuestiones diversas, resulta ser un elemento
fundamental para urdir el minucioso entramado del diálogo en su totalidad y
su conformación a la guisa de un organismo vivo (PHDR. 264c). A este respecto,
intrínsecamente, cumple de modo simultáneo distintas funciones: a) articula
dinámicamente distintas aproximaciones de la antropología platónica, a saber, la teoría
del Éros del Banquete, la teoría tripartita de la República y la dupla psychê-sôma del
Fédon a fin de dar cuenta de nuestra forma de existencial actual; b) proporciona una
relato conjetural sobre la vida post-mortem, a la manera de otros mitos escatológicos
de la obra platónica; c) proyecta estas reflexiones sobre la condición humana en la
perspectiva de la eternidad del cosmos. Por otra parte, extrínsecamente, esto es, en el
contexto general del diálogo, el segundo parlamento de Sócrates (PHDR. 243e-257a),
constituido en gran medida por el relato mítico, sirve de contraejemplo a los dos
primeros discursos de la primera parte del diálogo (PHDR. 230e-257a), presentados
por Fedro y el propio Sócrates, en la discusión de la segunda parte del diálogo
respecto de la relación entre retórica y filosofía (PHDR. 257b-279b). Brinda, además,
un compendio de los conocimientos de psicología que debería ser capaz de manejar
el verdadero orador, junto con la dialéctica y la retórica (PHDR. 277c-d). Asimismo, al
presentar sus contenidos conceptuales en forma intuitiva a través de un relato mítico
configura un modelo apropiado de la composición de un discurso adecuado al tipo de
alma al que está dirigida, en este caso la de Fedro. De este modo el relato mítico queda
también perfectamente ensamblado en la construcción dramática del diálogo en su
conjunto.
-36-
FORCINITI, Martín
Universidad de Buenos Aires - CONICET
El sofista, entre la erística privada y la demagogia política
Este trabajo analiza el personaje del sofista en la obra platónica, fundamentalmente
a partir de los diálogos Sofista, Político, Gorgias y Protágoras. Mi objetivo es
demostrar que su diferencia con el demagogo, postulada hacia el final del Sofista, no
es de carácter esencial, sino accidental. Es decir que el mismo sujeto social merecerá
alternativamente la denominación de “sofista” o de “demagogo” según el contexto en
el cual se desempeñe. Sugiero que desde esta perspectiva se tornarán coherentes las
diversas caracterizaciones de este personaje presentadas en el resto de los diálogos
platónicos. Para establecer esta hipótesis, analizaré en primer lugar la séptima
definición del sofista (Soph. 264c-268d), en cuya última división se lo distingue del
“demagogo” u “orador popular” (demologikón), imitador del político. Esta distinción
establece que el sofista actúa en un ámbito privado (idíai) y se vale de discursos breves
(brachylogía), frente a un interlocutor al cual obliga a contradecirse; mientras que el
demagogo habla en público (demosía), desarrollando discursos largos (makrología)
frente a una multitud. Sobre esta base, mostraré en primer lugar que los elementos
que componen el ámbito sofístico-privado y el demagógico-público son exactamente
los mismos: un discutidor (sofista o demagogo), uno o varios contrincantes, y una
audiencia supuestamente ignorante que actúa como juez y jurado de la disputa de
palabras. También es idéntico el valor de verdad de los lógoi de cualquiera de los dos
discutidores, pues ambos personajes se valen de la técnica productora de imágenes
engañosas, los fantasmas (phantásmata), de los que es vehículo el discurso falso.
De manera que la diferencia entre los ámbitos radica solamente en la cantidad de
personas que componen cada audiencia y el marco institucional en el que ejercen su
función de jurado. El sofista podría entonces trascender sin inconvenientes la esfera
privada hacia la pública, lo cual se vería corroborado en Político 291c, 292d, 293c y
303c, en donde este personaje aparece como uno de los tantos falsos aspirantes a la
epistéme política. En segundo lugar, cuestionaré la sencilla identificación del lógos
breve con el sofista y del lógos largo con el demagogo, recurriendo a los testimonios de
otros diálogos. Por ejemplo, si bien en el Gorgias se distingue entre sofística y retórica
- la primera sería una práctica adulatoria que se oculta detrás de la técnica (téchne)
de la legislación (nomothetiké), mientras que la segunda lo hace detrás de la justicia
(dikaiosýne) (465c) – a ambas prácticas se les adjudica la makrología. Por otro lado,
en Protágoras 329b se afirma que el sofista puede utilizar indistintamente discursos
breves o largos, según la ocasión (kairós) lo requiera, así como que es capaz de enseñar
a los jóvenes la areté tanto privada como política (318e-319a).Concluiré entonces que
el personaje del sofista es, tal y como se lo denomina en el diálogo homónimo, un ser
“multifacético” (poikílos, Soph. 223c, 226a y 234b), que puede actuar arteramente en
todos los ámbitos de la pólis, y valerse de todos los tipos de lógoi, con el único objetivo
de adquirir fama y poder.
-37-
GABIONETA, Robson
Universidade Estadual de Campinas
Algumas relações entre a Odisseia de Homero e alguns diálogos de Platão
Que Platão foi leitor de Homero parece algo aceito de bom grado pela crítica em
geral, porém que Platão foi mais que um simples leitor, mas alguém que captou sua
genialidade a tal ponto de utilizar seu processo de criação em outro tipo de texto é o
que tentaremos se não mostrar definitivamente ao menos apontar algumas indicações.
Um exemplo disso decorre da fantástica invenção homérica de introduzir um poema
dentro de outro poema que para nós Platão absorveu-a colocando um diálogo dentro
de outro. O efeito desse recurso como veremos é exuberante, permitindo ao escritor
experimentar sentidos diversos que sem esse auxilio seriam impossíveis. Outro tema
que também pretendemos tratar sem também exauri-lo decorre da famosa relação
entre filosofia e literatura a partir de Platão e Homero. Procuraremos mostrar que
essa distinção em Platão e Homero é no mínimo complicada, se não impossível de ser
realizada.
GONZAGA, Solange Maria Norjosa
Universidade Federal da Paraíba
Personagens em NOMOI
Platão em seu mais longo diálogo, Leis, uniu três personagens inusitados; três homens
de três históricas poleis inimigas, Atenas, Esparta e Creta em uma longa caminhada
ao templo de Zeus, durante a qual, os personagens vão discutindo sobre leis e formas
de governo. Demonstrar o porquê de Platão unir estes personagens e o relevo do tema
discutido é o objeto dessa comunicação.
KEIME, Christian
Université Paris IV
La fonction du personnage de Diotime dans le “Banquet”: le dialogue et
son double
Pourquoi dans le “Banquet”, Socrate ne délivre-t-il pas sa leçon sur erôs en son nom,
mais prétend rapporter le discours d’un personnage absent du dialogue, Diotime, qui
s’exprime avec le style d’une prêtresse, d’un rhéteur et d’un sophiste? Par la bouche
du personnage de Diotime, le dialecticien Socrate délivre, outre un enseignement
sur erôs, une leçon de communication qui permet à ses destinataires (le public du
banquet comme le lecteur du “Banquet”) de faire bon usage de cet enseignement.
Pour expliquer cela, je montrerai que la mise en scène du personnage de Diotime
n’est pas seulement pour Socrate l’occasion de prononcer un discours; c’est surtout
le moyen de mettre en scène un dialogue rapporté entre la prêtresse et lui-même,
qui apparaît comme un double du dialogue qu’il menait jusque là avec Agathon. Dans
sa façon de s’exprimer, chacun des protagonistes du dialogue rapporté (Diotime et
le jeune Socrate) synthétise les caractères des deux personnages du dialogue cadre
(Socrate et Agathon) : Diotime représente le philosophe vu par les yeux d’un poète
-38-
tragique, élève des sophistes et des rhéteurs qu’admire Agathon mais avec lesquels
le philosophe véritable est en concurrence. Quant au jeune Socrate, encore ignorant,
à l’instar d’Agathon, mais mû par un erôs philosophique dont le poète s’est montré
dépourvu dans son entretien avec Socrate, il s’agit d’un portrait d’Agathon en jeune
dialecticien.Ainsi en comparant le dialogue et son double le lecteur comprend que :
(1) le personnage de Diotime est un masque dialogique (M. Bakhtine) qui permet au
dialecticien de montrer qu’il s’adapte à son public selon les règles de la rhétorique
véritable exposée dans Phèdre. (2) En s’adaptant à ce public, le dialecticien adopte un
mode de transmission du savoir – une leçon sophistique – qui est incompatible avec
l’erôs philosophique que Diotime elle-même décrit dans son discours : la connaissance
ne se transmet pas d’un maître savant à un disciple ignorant, mais le disciple doit
accoucher d’une connaissance, d’un logos vrai dont il est déjà gros. C’est donc aussi
pour signaler ce décalage entre ce qu’il fait et ce qu’il dit, et pour engager le lecteur
à faire un usage critique du discours prononcé, que le dialecticien ne s’exprime pas
en son nom mais par la bouche d’un personnage suspect, explicitement caractérisé
comme sophiste. En prétendant rapporter les paroles de Diotime, Socrate signale au
lecteur qu’il ne doit pas se contenter de comprendre théoriquement cette leçon pour
connaître erôs. (3) En se substituant à Agathon comme destinataire de la leçon sur
amour, Socrate signale le bon usage que l’on peut faire néanmoins de cette leçon.
Il montre quel type de jeune homme est susceptible d’en tirer profit : non pas un
interlocuteur passif comme Agathon mais, un jeune homme déjà mû par l’erôs
philosophique, qui, encouragé par ce discours, s’est montré par la suite, non pas un
théoricien mais un praticien de l’erôs philosophique, c’est-à-dire un dialecticien qui
préfère au discours suivi la méditation personnelle et la pratique du dialogue qui
permet de transmettre à l’interlocuteur ce désir de connaître. Le discours de Diotime
peut donc être la cause de la connaissance d’erôs sans en être la source : sa fonction
est de transmettre l’erôs de la connaissance plus que la connaissance d’erôs. (4) Si
Socrate, au lieu de prononcer en son nom la leçon de Diotime, rapporte un dialogue,
c’est enfin pour reproduire sur Agathon l’efficacité que le discours de Diotime a eue
sur lui, en l’engageant à s’identifier avec son double, le jeune Socrate : le dialogue sert
à transmettre l’erôs de la connaissance à un interlocuteur chez qui cet erôs est en
sommeil. Cette fonction est celle du dialogue platonicien en général, dont le dialogue
rapporté par Socrate est une image : à l’instar de Socrate, Platon fait comprendre que
toute parole est « moitié à celui qui parle, moitié à celui qui écoute » (Montaigne),
qu’il convient ainsi de faire un usage critique des discours que l’auteur délivre par
la voix de ses porte-parole, Socrate y compris, et que l’objectif ultime de la lecture
n’est pas la mémorisation de théories énoncées par les personnages mais l’éveil (ou le
réveil) du désir philosophique chez celui à qui elles sont adressées.
-39-
IPIRANGA JÚNIOR, Pedro
Universidade Federal do Paraná
Prosa literária na Antiguidade: interlocuções de Luciano e Plutarco com o
diálogo platônico
Desde os séculos V e IV a.C., autores, como Platão e Isócrates, dirigem suas críticas
ao fazer poético e, ao mesmo tempo, constróem, em maior ou menor medida, uma
delimitação para a escrita em prosa em que os mesmos estavam engajados. No século
II d.C., autores, como Luciano de Samósata e Plutarco, em suas experimentações no
campo de uma prosa literária, retomam o diálogo platônico inserindo-o dentro de
uma nova roupagem e buscando para a prosa de sua época um estatuto correlato
ao da poesia. O que proponho, neste trabalho, é, tendo como ponto de partida as
perspectivas de Luciano e Plutarco, verificar e fazer um levantamento de expressões
e conceitos, por um lado, em As Leis e na República de Platão e, por outro, em Sobre
a troca de Isócrates, no sentido de estabelecer uma base analítica para a discussão
acerca de uma prosaística na Antiguidade, ou seja, em que base e sob que parâmetros
se constrói um discurso teórico e crítico sobre prosa e como isso está atrelado a uma
crítica e/ou comparação ao discurso poético.
LISSANDRELLO, José M.
Universidad Nacional de Córdoba
Protágoras: aporía del maestro – euporía del discípulo
El Protágoras es uno de los diálogos aporéticos que plantea como centro de la discusión
filosófica la enseñabilidad de la virtud. No obstante, abundan en este diálogo aspectos
escénicos que no tienen que ver –a priori- con la cuestión mencionada. En el presente
trabajo, prestaremos atención al diálogo entre Sócrates y el joven Hipócrates quien
busca al filósofo, muy de madrugada, para que lo acompañe a hablar frente a Protágoras.
Precisamente este diálogo, si bien no trata la cuestión filosófica que se debatirá en
casa de Calias, presenta, no obstante, aspectos escénicos que guardan relación con lo
que será uno de los objetivos centrales del diálogo: que Sócrates interceda en favor
de Hipócrates frente a Protágoras para que este último haga sabio al joven. Nuestra
hipótesis es que la conversación central entre Sócrates y Protágoras tiene como
principal destinatario a Hipócrates y que en ese diálogo, más allá de la aporía, se lleva
a cabo la intercesión socrática. Al llegar el joven, con bastante ansiedad, a despertarlo
a Sócrates, éste lo detiene y lo invita a salir afuera y dialogar hasta que aclare. En ese
tiempo de diálogo el joven entenderá que no sabe ni quién es un sofista, ni el riesgo que
conlleva confiar el alma a Protágoras. Precisamente cuando amanece, el joven llega a
comprender esta situación. Aparece la luz en el plano real y aparece la luz en el alma
de Hipócrates.Por su parte, el diálogo entre Sócrates y Protágoras culmina en aporía
ya que no se llega a un acuerdo acerca de la enseñabilidad de la virtud. Sin embargo,
el transcurso del diálogo, guiado por el filósofo, dejar ver actitudes de malestar en
Protágoras por no poder responder como Sócrates se lo requería. Hipócrates, si bien
no interviene en este diálogo, permanece junto al filósofo en todo momento. Es de
-40-
pensar que las diversas vicisitudes del diálogo debieron haber impactado en él y, por
lo tanto, la aporía del sofista tendría, en última instancia, un carácter positivo ya que
le permitiría alcanzar una idea más acabada de quién es Protágoras y hasta dónde
puede sostener un diálogo. Atendiendo a esto último, Hipócrates sería uno de los
interlocutores para quien el diálogo deja un saldo positivo y lo predispone para seguir
no ya tras las apariencias engañosas de la sofística, sino tras el camino de la búsqueda
dialéctica que tiene como condición primera el reconocimiento de propia ignorancia.
Quien aparecía como “el maestro” al comienzo, esto es Protágoras, ha terminado en
aporía; quien en un primer momento deseaba con ansiedad ser “el discípulo” –esto es
Hipócrates- termina en euporía al encontrar luz respecto de los puntos planteados al
comienzo con Sócrates. El diálogo entre filósofo y el sofista y su resultado aporético
puede ser leído bajo la clave de una intercesión por Hipócrates no tanto desde lo que
el joven demanda sino desde lo que su alma necesita en ese momento.
LOPES, Adriana Alves de Lima
Universidade Federal do Ceará
A Natureza da Alma em Platão
A proposta de nossa comunicação gira em torno da relevância da defesa da
imortalidade da alma para a filosofia platônica. Para tal, escolhemos o diálogo Fédon,
onde Platão expõe claramente uma doutrina da reminiscência. Sócrates atribui aos
destinos ultraterrenos o lugar de correspondência entre aquilo que é virtuoso para o
homem, assim como o ideal de felicidade a ser alcançado. Este só é assegurado graças
à reminiscência, ou seja, através da recordação de uma vida à outra, o homem chega
ao bem. Neste sentido, a alma assume o papel de detentora das virtudes morais, como
também está descrito na República de Platão, mais especificamente na descrição do
mito de Er. A descida ao Hades é feita em função das ações praticadas em vida e cabe
aos deuses o julgamento de tais ações. Já que a alma corresponde ao intelecto e à
consciência, é esta que rege o homem e suas condutas morais. Neste sentido, só a alma
desencarnada pode compreender a realidade inteligível e imaterial, representando
assim a busca por uma realidade perfeita e ideal das coisas, o que ressalta a dualidade
corpo e alma, no esforço desta última em destacar-se do corpo para permanecer
sozinha em si mesma (82d-83b). Porém, é válido ressaltar que a alma não assume em
Platão, um aspecto puramente ideal, mas tem a função de dar vida aos corpos, já que
por si mesma é autônoma para adquirir valores, contrapondo-se, inclusive, aos desejos
e necessidades corpóreas. Tal dualismo será descrito a partir da tese da tripartição da
alma, dando a esta além de uma raiz racionalista, um aspecto psicológico que faz com
que esta possa direcionar e controlar melhor seus impulsos e desejos.
LOPES, Ricardo Leon
Universidade Federal de Campina Grande
A tensão entre a razão e a emoção do fiel amigo de Sócrates: Críton
A presença de Críton nas atividades filosóficas realizadas por Sócrates na cidade de
Atenas sempre foi constante, conforme relatos dos doxógrafos Diógenes Laércios,
-41-
Xenofonte, e, principalmente, nos seguintes diálogos platônicos: Críton, Apologia
de Sócrates e Fédon. Nestes diálogos, notadamente, pelas situações vivenciadas por
Sócrates: a defesa deste contra os seus acusadores no tribunal de Atenas; depois,
diante de sua condenação à morte, o momento da prisão, e, por fim, a ingestão
da cicuta; Críton, sempre demonstrou mais emoção do que razão, procurando,
inicialmente, encontrar motivos passionais para convencer Sócrates a evadir-se de
seu cárcere, a fim de que o fiel amigo filósofo continuasse a viver, dedicando-se à
filosofia, mesmo que em outras cidades gregas. Deparando-se com as negativas de
Sócrates, articuladas de forma racional, dialeticamente, Críton, aferra-se, ainda preso
às emoções, no desenrolar dos diálogos constantes no Fédon, à preocupação com o
amigo, no sentido de atendê-lo nos detalhes que antecedem à ingestão do veneno letal.
Apesar de agir emocionalmente diante dos infaustos do velho amigo, acreditamos que
não se pode, peremptoriamente, como fazem alguns comentadores, descaracterizar
o conhecimento filosófico adquirido e desenvolvimento por Críton na companhia do
belo e saudoso amigo Sócrates; esta é a finalidade de nossa comunicação.
MÁRSICO, Claudia
Universidad de Buenos Aires e CONICET
“Se irritan contra mí porque acuso a mi padre” (Eutifrón, 6a).
Intertextualidad de estilos y personajes en Esquines y Platón a propósito
de la violencia filial
Los últimos años han visto multiplicarse los estudios en torno de los llamados
tradicionalmente “socráticos menores” y se ha avanzado en el cuestionamiento de
tal minoridad a través del señalamiento de la originalidad de sus planteos y de la
impronta que dejaron en las obras filosóficas de las figuras señeras de la época entre
las cuales sobresale Platón. En efecto, los rastros de Antístenes, Aristipo de Cirene y el
grupo megárico han dejado marcas cuyo reconocimiento confiere una inteligibilidad
creciente al contexto teórico de la época. Igualmente importante, y aun menos
transitado por la falta de un grupo que continuara sus enseñanzas, es el papel de
Esquines de Esfeto, cuya prosa, muy festejada por los autores de la segunda sofística,
competía en valor teórico y literario con la obra de Platón. En el presente trabajo nos
proponemos explorar la tensión entre estos dos socráticos prestando atención a los
rasgos de estilo a los que apela cada uno en su adopción del diálogo socrático. En este
marco podremos avanzar sobre un segundo punto, llamando la atención sobre las
similitudes y diferencias que adoptan personajes como Alcibiades, Aspasia y Calias en
las obras de Esquines, así como la función que cumplen las alusiones a otras figuras
políticas de la historia reciente en la tematización de las relaciones filiales y la actitud
de Sócrates sobre este punto, que contrasta con las actitudes que Platón confiere a
los personajes cuando se alude a los mismos problemas. El problema de la violencia
contra los padres, que según el testimonio de Jenofonte en Memorabilia, I.2.49 había
sido un elemento de peso en la acusación de corrupción de los jóvenes contra Sócrates,
encuentra en sus dos discípulos un tratamiento distinto forjado en la diferente
concepción que ambos tuvieron acerca de la función del estilo y los personajes en
-42-
el diálogo socrático como formato de expresión filosófica. En esta encrucijada de
estilo y personajes el tópico de las acusaciones contra Sócrates resulta especialmente
importante, ya que se encuentra en la base de las reacciones corporativas que llevaron
a diseñar este formato literario común al que adhirieron numerosos integrantes del
grupo socrático con un impacto tal que Aristóteles habrá de considerarlo un género
autónomo (Poética, 2.1147a). Este enfoque resulta de especial interés para iluminar
puntos oscuros de los textos conservados de ambos autores, a la vez que ofrece una
perspectiva integradora del clima intelectual fundante de nuestra tradición cultural.
MELONI, Gabriele
The University of Edinburgh
Plato’s banishment of the poets or mass media theory: Why (and how)
Plato released poetry
This paper addresses Plato’s notorious attitude toward poetry in the Republic. Plato’s
stance looks prima facie a dilemma. On the one hand he expresses hard criticism
against poetry and he even banishes the poets from the ideal state he envisages in the
Republic. That has been usually regarded as an illiberal, totalitarian position. On the
other hand, the criticisms he makes of poetry seem to present inconsistencies among
the Platonic corpus and they could prima facie appear to the modern reader odd,
paternalistic or moralistic.Throughout my work I suggest to adopt a new approach,
based both on historical and theoretical grounds, accor¬ding to which it will be possible
to resolve the problems that Plato’s objections to poetry give rise to. It consists of the
following points. It starts from the very different features that characterize Greek
poetry. It emphasizes how the ethical and political role, along with the educational
function, made poetry the privileged source of information and education, and the
ultimate reference for everyone in the archaic Greek society. In this regard, I aim to
show that Plato’s criticism against poetry regards just the features listed above, in
virtue of their flaws in teaching as well as source of knowledge. By analyzing Plato’s
literary criticism, I will also show that there is not aesthetic devaluation of art, once
he adopts Plato’s standpoint. I intend to show that Plato’s criticism of poetry is not an
aesthetic attitude, but rather a justified concern about the pursuit of truth through
poetry, as it were the main source of teaching, moral value, knowledge and information
in the ancient Greek society. Such a claim is historically justified by the totally
different role poets had in the ancient Greek society, which is widely substantiated.
Besides, my approach explains why Plato attacks the bards from an educational and
epistemological standpoint in the Republic, while he esteems beauty and the high
aesthetic value of art in general and poetry in particular in other several passages.The
outcome of my investigations is to show that Plato does not banish poetry because he
is attacking it as a dangerous, free, “fine” Art. On the contrary, I propose to take his
attack as the only way to release poetry from its educational and political context and
to baptize it into the realm of Fine Art.Moreover, in the last part of my work I will show
not just that using the pattern I propose, gives a new reading to the attitude of Plato
towards the arts, but I will also show that once recognized and interpreted so, Plato’s
-43-
criticism towards poets is as a mass-media theory. In conclusion, the present work
allows solving the vexata quaestio of Plato’s attitude toward poetry by reconstructing
a coherent (and positive) picture of Plato’s attitude on Art.
MENEZES, Michel
Universidade Federal de Minas Gerais
Sobre os personagens do “Crátilo” de Platão
O “Crátilo” de Platão é a representação de uma discussão filosófica da qual participam
três personagens: aquele que empresta seu nome ao Diálogo, Crátilo, Hermógenes e
Sócrates. A origem e o foco da discussão giram em torno de questões sobre nomeação,
mais especificamente sobre o caráter natural ou convencional da relação entre
o nome e a coisa nomeada. À medida em que a argumentação se desenvolve, fica
claro que discutir sobre nomeação significa discutir sobre ontologia, ou seja, para se
nomear as coisas é necessário conhecer como são constituídas. O “Crátilo” mostra
que antes de escolher entre teorias (aparentemente) contraditórias sobre a relação
nome e coisa é preciso se posicionar em relação à ontologia que sustenta essas teorias.
Sócrates acredita que é necessário que as coisas possuam em si uma essência estável e
tenta mostrar que tanto o convencionalismo quanto o naturalismo, tal como entende
Crátilo, não oferecem boas respostas aos problemas envolvendo nome e coisa. Sócrates
investigará dialeticamente essas duas posições e proporá uma terceira, intermediária,
que se apoiará na proposta das essências inteligíveis para mostrar que se tudo flui o
tempo todo o conhecimento mesmo não seria possível. A discussão não tem um cenário
definido. Talvez tenha se dado em movimento, caminhando. Embora não haja muitos
elementos para se pensar o cenário, a caracterização dos personagens é bem rica e
não apenas o que falam mas também o que calam é significativo e merece atenção. A
curiosidade e boa vontade de Hermógenes, o entusiasmo e bom humor de Sócrates,
o silêncio e persistência de Crátilo; tudo isso tem muito a dizer e contribuir com uma
rica e boa interpretação. É sobre a postura e caracterização desses personagens que
teceremos algumas notas.
MOREIRA, Eduarda Pianete
Universidade Federal do Rio de Janeiro
As palavras que curam: a fundamentaçao formal-estilística de uma
dialética terapêutica no “Cármides” de Platao
Que Platao escreveu suas obras em forma de diálogo é um fato conhecido mesmo para
aqueles que escolhem nao se aprofundar no pensamento deste ateniense. Menos óbvio
(ou nem um pouco óbvio, diríamos), entretanto, é a discussao sobre o(s) possível(is)
motivo(s) que levaram o filósofo a optar por tal estilo de escrita. O presente trabalho
se propoe a tentar analisar uma das possíveis explicaçoes para tal escolha, focando-se,
para tal investimento, na leitura do diálogo intitulado “Cármides”. Neste, a personagem
Sócrates, literalmente, encarna o papel de um médico (nao um médico tradicionalhipocrático, mas sim de uma corrente distinta), na tentativa de curar o jovem e belo
-44-
Cármides da dor de cabeça que lhe aflige. Neste intento, o “médico Sócrates” diz que
possui uma medicina para fazer cessar a dor do jovem, porém, tais folhas medicinais
só fariam efeito caso fossem acompanhadas de “belas palavras”. Parece-nos, entao,
que é justamente nesse diálogo onde podemos encontrar uma das mais claras
tentativas platônicas de aproximaçao entre a Medicina e a Filosofia. E um dos mais
fortes indícios que encontramos para realizar tal afirmaçao é o fato de Sócrates basear
seu tratamento “médico” no diálogo. Mas nao em um diálogo qualquer - Platao nao
pretende cair numa tagarelice desmedida -, e sim em um diálogo comprometido com
a busca pelo conhecimento, que busca revelar “aquilo que é”. Desta maneira, Platao
tece uma explicita relaçao entre o homem saudavel e o homem sábio. Guiando-se por
esta proposta de análise, tentamos mostrar como o estilo de escrita platônico já se
encontra comprometido com a tentativa de fundamentar uma dialética terapêutica.
NUNES SOBRINHO, Rubens Garcia
Universidade Federal de Uberlândia
A encruzilhada da ΨΥΧΉ: entre o mito e a realidade
Como discorrer filosoficamente acerca daquilo que é inverificável? Daquilo que está
para além da percepção imediata e daquilo de que não se pode falar com exatidão?
Qual é o discurso apropriado para se investigar a natureza de potências invisíveis,
em relação às quais a inteligência só pode apreender os efeitos? Se tudo o que é
engendrado existe por uma causa (Timeu 28c), qual pode ser o discurso verdadeiro
acerca das causas primeiras não percebidas? Não sendo nem um μυθολογικός, nem
um fabricante de mitos (Fédon, 61b.04-05), Sócrates, não obstante, recorre ao mito
razoável (εἶχον μύθους, Fédon 61b.06; Timeu 29d.02, 30b, 59c, 68d) para estabelecer
homologias somente pensáveis a partir de imagens. O emprego de imagens míticas
indica a necessidade de se valer do discurso como imagem para o estabelecimento de
hipóteses primeiras necessárias, pois o devir está para a realidade (οὐσία), assim como
a crença está para a verdade (Timeu 29c.03). Há uma homologia entre a natureza dos
fenômenos e a natureza de estados psíquicos pelos quais a inteligência apreende
princípios invariantes – tanto nos movimentos da natureza, como nos movimentos
de si mesma. A inteligência se vale do eikón e do olhar para ultrapassar a imagem
e, mediante a transposição e a homologação de suas relações internas, “saturar-se”
gradativamente do inteligível e do invisível no foco das relações somente pensáveis. As
imagens icônicas constituem o esforço inglório de pensar filosoficamente o invisível,
a morte, a alma e os referenciais imóveis exigidos para a compreensão de um mundo
caótico. Este estudo foca as imagens do mito de julgamento do Górgias e as relações
epistêmicas, suscitadas pela estrutura icônica imagética, com o paradigma velado ao
qual elas remetem.
ORLANDI, Juliano
Universidade Federal de São Carlos
Fedro: o problema da interpretação alegórica dos diálogos platônicos
Há no diálogo do Fedro uma curiosa repercussão da crítica à escrita que aparece de 274b
-45-
a 278e. O texto se inicia justamente com a leitura de um escrito de Lísias (230e-234c) e
segue com a apresentação de dois discursos orais de Sócrates (237a-241d e 243e-257b)
e de um diálogo entre o filósofo e Fedro (257b-279c). O que no final da obra aparece
dito explicitamente está de algum modo implícito em seu enredo: a defesa socrática
da oralidade em detrimento da escritura. Eis uma tese que o texto do Fedro não só
apresenta e defende manifestamente, mas ilustra em seu desdobramento dramático.
Em outras palavras, a obra alegoriza uma de suas perspectivas filosóficas. De maneira
geral, esse caráter repercussivo das teses nos próprios enredos dos diálogos não é
incomum em Platão, e seus comentadores o utilizam recorrentemente para explicar,
ilustrar ou aprofundar suas interpretações. O Fedro apresenta, contudo, uma objeção
ao procedimento de interpretação alegórica de relatos. Em 329b, ao passar pelas
margens do Ilisso, Fedro questiona a veracidade de um mito sobre o sequestro de Oritia
pelo deus Bóreas. A resposta de Sócrates menciona a possibilidade de se interpretar o
mito alegoricamente e dizer que, na verdade, a princesa foi derrubada pelo vento de
alguns rochedos próximos. As circunstâncias de sua morte levaram as pessoas a dizer
que Bóreas a havia raptado. O que se segue é a manifestação da descrença de Sócrates
nesse tipo de interpretação e sua decisão de não se dedicar a descobrir a verdade por
detrás dos relatos míticos. Eis a questão nuclear dessa apresentação: como é possível
que a personagem Sócrates, tida comumente como porta-voz das perspectivas
platônicas, recuse a ideia de procurar um sentido oculto nos mitos tradicionais e, ao
mesmo tempo, o texto platônico contenha teses filosóficas ocultas em seu enredo que
exigem procedimentos de interpretação alegórica para serem descobertas?
PAGLIARO, Heitor de Carvalho
Universidade Federal de Goiás
O Arbítrio dos Governantes em Trasímaco e Sócrates.
Na obra A República de Platão, o personagem principal – Sócrates – dialoga com
outros sobre vários assuntos políticos, tais como: propriedade, liberdade, igualdade,
classes sociais, divisão do trabalho, formas de governo e justiça. Esta última é um tema
central discutido na obra, tanto que Platão se preocupou em imaginar a formação de
uma cidade para nela poder enxergar a justiça, empresa lhe custou quase metade da
obra para ser realizada. Dialogando com Sócrates sobre a questão da justiça, Trasímaco
defende uma concepção desta como sendo a vontade dos governantes - dependendo
da tradução para o português, isto pode aparecer como vontade dos mais fortes ou dos
poderosos. Em todo caso, a idéia é a de que justiça seria a conveniência dos que detêm
a força dos poderes constituídos. Sócrates, por sua vez, posiciona-se no sentido de que
os governantes devem buscar o que é conveniente aos governados. Apesar de opostas,
ambas as posições parecem ter em comum, de certo modo, a idéia de que o arbítrio
da justiça reside nas mãos dos governantes (não havendo participação dos súditos).
Nosso propósito é investigar a concepção de justiça em Sócrates e em Trasímaco,
buscando analisar, sobretudo, a questão do arbítrio dos governantes.
-46-
PEREIRA, Angelo Balbino Soares
Universidade de Coimbra
O Fédon como expressão da poesia filosófica platônica
Platão pode ser considerado o maior artista e autor da prosa grega, é um dos poucos
autores que temos obras completas. Um dos grandes debates entre seus leitores é
exatamente a ordenação de suas obras. Com seus escritos Platão elevou o gênero
literário, durante a juventude teve gosto pelo teatro, o que levou o ateniense a escrever
tragédias, que queimou quando se tornou discípulo de Sócrates. Considerando as
obras platônicas de maior intensidade, o Fédon (o mais importante diálogo platônico
sobre a alma) aparece no centro filosófico porque do ponto de vista poético é o mais
perfeito texto (ao lado do Banquete) para esclarecer sua especulação sobre a Teoria
das Ideias. Platão apresenta o cenário dramático, poético e filosófico da morte de
Sócrates. O testemunho do narrador-personagem imprimiu credibilidade à obra
literária mesmo considerando que na narração não devemos esperar fatos históricos,
e sim poesia filosófica, no entanto, dramatiza o texto criando um ambiente que
transcende a realidade histórica. As personagens são escolhidas visando à dinâmica do
debate e a definição das fontes. No Fédon Platão pode ser apresentado como filósofo,
poeta, dramaturgo ou tragediógrafo, o texto tem tanta importância que, junto com a
Apologia de Sócrates, Platão faz referência a si mesmo.
PILOTE, Guillaume
Université Paris 1 / Université d’Ottawa
Littérature et corporéité dans le Phédon
Par l’écriture de ses dialogues, Platon ne cherche pas à trancher l’éternel conflit entre
l’art et la philosophie en choisissant l’un ou l’autre camp, mais plutôt à les réconcilier
dans une poésie philosophique. Cette décision donne partiellement raison aux poètes
en reconnaissant que les arguments sont insuffisants pour communiquer la vérité
dans son intégrité et risquent de donner un portrait réducteur de la vie et de l’être. Le
Phédon nous donne les moyens de réfléchir sur ce sujet. Les arguments du dialogue
présentent l’âme et le corps du philosophe comme étant irrémédiablement brouillés,
attendant chacun de leur côté la rupture finale que leur procurera la mort. En
conséquence, on considère que le dialogue fait l’apologie d’un ascétisme glacé. Notre
étude montre que cela n’est pas le dernier mot de Platon sur la nature de la vie bonne,
mais seulement le côté « philosophique » de la médaille. Le discours philosophique,
en tant qu’il refuse la corporéité, est un raccourci, une réduction de l’essence de la
vie. Il repose ultimement sur une métaphore non prise en charge, qui comprend la
connaissance comme purification, c’est-à-dire comme une séparation du meilleur et
du pire. Le revers de cette thèse, qui nous est présenté par ce qui a trait au drame du
dialogue et aux erga de Socrate, nous suggère la possibilité d’un rapport sain, voire
souhaitable, avec le corps, où l’âme ne s’oppose plus à lui, mais le dirige en réglant
ses actions sur le logos. Lorsque bien utilisé, le corps nous ouvre un accès aux formes
par la réminiscence et rend possible la dialectique en servant d’intermédiaire à la
discussion.
-47-
En montrant dramatiquement les limites du discours philosophique de Socrate, Platon
prend une distance par rapport à son maître. Socrate a été un philosophe exemplaire,
mais il n’a été qu’un philosophe : il n’a pas su être également un écrivain. Pourtant,
la divinité a souvent voulu le rappeler à l’ordre. Toute sa vie, le philosophe a fait le
même rêve, dans lequel le dieu lui ordonnait de « faire de la musikē », ce qu’il avait
interprété comme une invitation à faire de la philosophie. Mais il avait tort : il fallait
aussi « faire de la musikē » dans un sens littéral et accoupler le discours philosophique
au discours poétique. En définitive, le refus de Socrate de composer une oeuvre écrite
va de pair avec son rejet de la corporéité dans son discours philosophique : l’écriture
est le corps de la philosophie et assumer la corporéité jusqu’au bout implique écrire.
Cependant, cela ne signifie pas qu’il faille se résigner à la corporéité et coucher dans
un traité rigide et froid sa pensée, mais il faut écrire de manière à pointer par-delà la
matière inerte de l’écrit, c’est-à-dire écrire la philosophie d’une manière littéraire. Il
faut écrire des dialogues comme Platon l’a fait.
PINHEIRO, Felipe Gustavo
Universidade Federal de Minas Gerais
Cálicles ou da soberania da natureza manifesta na ação do mais forte
Tendo como pano de fundo o debate acerca do problema nomos / physis que ocupou
lugar de destaque nas reflexões de filósofos e sofistas gregos nos séculos V e IV a.C.,
a finalidade da presente comunicação é examinar os elementos que caracterizam o
polêmico Cálicles - personagem irascível e eloquente apresentado por Platão em seu
diálogo Górgias. Apesar da escassez de informações acerca dessa enigmática figura
pertencente à tradição filosófica da Antiguidade, tentaremos compreender melhor
certas questões que são suscitadas por seu enérgico discurso tão logo ele surge em cena
no diálogo platônico. Em suma, Cálicles foi uma figura histórica ou um personagem
dramático elaborado por Platão? Sendo um produto do fundador da Academia, quais
figuras históricas poderiam ter servido de modelo para a criação de Cálicles? Por que
determinados aspectos são destacados por Platão em detrimento de outros ao compor
seu personagem? Enfim, seria Cálicles um mero hedonista desmesurado? Um adepto
desregrado da vida segundo a natureza? Um insignificante defensor da liberdade
humana? A questão é: sabemos que Platão não faz escolhas nada fortuitas ao compor a
sua obra e, sendo fictícia ou não, a vigorosa personalidade de Cálicles apresentada pelo
autor do Górgias e escolhida para fazer frente à inquirição conduzida por Sócrates
nesse diálogo ainda hoje instiga muitos estudiosos da filosofia grega antiga.
RACKET, Andrés
Universidad de Buenos Aires
La Apología de Sócrates leída como una tragedia
J. Howland propuso, poco tiempo atrás, que la Apología de Sócrates platónica puede
ser leída como una tragedia. Las consecuencias de su análisis echan luz sobre el tipo
de interrelación que establece el diálogo socrático-platónico con el género trágico a
través de ciertos mecanismos de escritura, en un complejo fenómeno de apropiación
-48-
y resignificación de algunas características de la Tragedia para los objetivos de la
filosofía. En diálogo con la hipótesis de Howland, la presente ponencia explorará esa
interrelación, construyendo analogías entre fenómenos típicos del género trágico, tal
como se plasman en la versión sofoclea del Edipo Rey, y dispositivos narrativos de los
que se sirve Platón en Apología, para analizar sobre esa base las claves hermenéuticas
que esta lectura intertextual aporta a la lectura del texto platónico. En esta dirección,
se propondrá que Platón construye intencionalmente la Apología... echando mano
de ciertos mecanismos del género trágico, para evitar la tensión entre las prácticas
políticas atenienses y el interés de la filosofía por la verdad que conllevó la condena
y muerte de su maestro. La apropiación de fenómenos de la tragedia se constituye
entonces en una nueva modalidad para significar que la filosofía debe adoptar para
sobrevivir.
SHARP, Kendall
University of Western Ontario
The Character of Phaedrus in the Style of Alcidamas: Conversation and
Muthologia in Plato’s Phaedrus
Scholarly interpretations vary about just how Plato intends the critique of writing
at Phaedrus 274b-278b to apply to his own dialogue form. However, interpretation
of this famous passage seems never to have recognized the title character’s active
conversational role. This paper gives Phaedrus his due, and argues that Plato uses
him at two key points in the Account of Good Writing (276a-e) to clarify his own,
authorial meaning for readers. Socrates describes Good Writing in only abstract,
metaphorical terms, and borrows some of his metaphors from the rhetorical theorist
Alcidamas. Phaedrus evidently knows his Alcidamas, and uses this knowledge to
translate Socrates’ metaphors into metaphors of his own that are easier for readers
to interpret. The resulting picture from Phaedrus’ translations fits the Platonic
dialogue well. Because Phaedrus has an enthusiast’s interest in rhetoric, I conclude,
he understands and responds to Socrates in ways that coincidentally clarify Plato’s
own message about his dialogue form.Phaedrus’ first translation comes as he realizes
Socrates means that the best type of discourse is no writing at all, but rather one-onone conversation (276a). Both his translation and Socrates’ original metaphor draw
imagery and specific word choices from Alcidamas 15. 27-29, entitled On Those Who
Write Written Speeches, or On Sophists. Alcidamas argues that oratory extemporized
to suit the moment is superior to that composed laboriously ahead of time. Alcidamas
was, of course, Plato’s contemporary, but this anachronism, I suggest, is meant by
Plato to lead readers also into anachronism, and to apply Socrates’ Account of Good
Writing to another fourth-century example, namely Plato’s own dialogues. Socrates
varies Alcidamas’ formulation about oratory to speak of conversation (276a). In
his response, Phaedrus uses other words, from the same sentence in Alcidamas, to
indicate he understands Socrates here to mean that even the writing of the best
dialectician can be only an “image [eidôlon]” of live, conversational discourse (276a).
But such an image of conversation describes exactly Plato’s dialogues. Alcidamas’
-49-
metaphor of a text as a conversation’s image informs Phaedrus’ second translation
as well. Here, he reveals his realization that Socrates means that the best writing can
aspire only to represent the form of discourse, by narrating stories about characters
having dialectical conversations (276e). The master dialectician will not necessarily
eschew all writing, but will write discourses like the good farmer plants Gardens of
Adonis, strictly as an amusement, a “playful” version of his normally serious activity.
Socrates describes the best writing as only “playful” reminders-to-self, of the “pieces
of knowledge of what’s just, beautiful and good” (276c). Since these are the topics of
the dialectician’s conversations, and his reminders a written version of his normal
conversational activity, Phaedrus infers from Socrates’ words that the dialectician’s
writings will be narratives of dialectical conversations. Phaedrus translates Socrates’
“reminders to himself ” about the virtues as “telling stories [muthologounta]” about
the virtues that serve as topics for the serious conversations (276e).
SILVA, Martim Reyes da Costa
Universidade Federal de Minas Gerais
Tensão dramática e argumentação filosófica no Críton de Platão
Na aridez da cela de Sócrates e na penumbra do amanhecer, dois velhos sentados
conversam quase calmamente. O diálogo permanece com um aspecto quase
desinteressado, até que o real objeto da visita de Críton se coloque, e então a
emotividade que estava nas entrelinhas se apresenta diretamente. Na apresentação das
personagens, chama a atenção o contraste entre a ansiedade de Críton e a tranquilidade
de Sócrates: trata-se de um momento decisivo, talvez a ultima oportunidade para
salvar a vida de seu amigo, por quem demonstra tanta admiração. Esta admiração,
por outro lado, leva o próprio Críton a um dilema, uma vez que a tranquilidade de
Sócrates diante da morte injustamente outorgada faz parte desta personalidade
singular que, por assim dizer, o define. O uso de optativos e subjuntivos que começa
a se fazer presente no fim deste primeiro momento será uma característica marcante
de todo diálogo, demostrando uma espécie de análise das possibilidades, uma decisão
talvez ainda em aberto. Assim, a tensão entre a ansiedade de um e a tranquilidade do
outro se mantem até o momento em que Críton é convencido de participar de uma
investigação paciente acerca das razões pró e contra sua proposta, já quase no meio
do diálogo. No fim do diálogo, escutamos a voz das Leis apresentadas por Sócrates
enquanto último recurso para apresentar ao amigo a necessidade de agir tal como
lhe parece justo. A personificação das leis, que falam por uma só voz, como uma só
entidade, se mostra como um recurso literário de bastante impacto, acrescendo à cena
uma nova personagem que retomará os mesmos argumentos explicitados durante o
diálogo, mas de maneira mais incisiva e definitiva. O tom assumido por elas é um
tanto mais formal do que aquele utilizado entre os dois velhos amigos (sobretudo
no começo do diálogo), mas ao mesmo tempo também demonstram emotividade,
com um sentimento de indignação que lembra um discurso propriamente político.
Dentre os principais argumentos apresentados por Críton, em que o carácter emotivo
se coloca juntamente com razões pragmáticas, se encontram o impacto que a perda
-50-
de Sócrates terá sobre seus discípulos, assim como a impressão que isto causará na
opinião pública. Em contrapartida, as Leis assumirão, por suas vez, um tom parental
em relação ao próprio Sócrates: se te preocupas com a nutrição dos teus, não será justo
para isto renegar a quem nutriu a si mesmo. Não é completamente destituído de pesar
que Sócrates parece reconhecer este ponto de vista superior, segundo o qual não há
saída digna para a injustiça contra ele acometida senão, como os heróis épicos, morrer
com dignidade. Contudo, talvez Platão nos esteja mostrando ao narrar este diálogo
desta maneira que o impacto da personalidade de Sócrates, se mantendo coerente
consigo mesma e com sua homologia para com a justiça divina, aqui representada
pelas leis, se justifica por aqueles que podem entender e absorver seu significado.
SILVA, Tiago Do Rosário
Universidade Estadual da Paraíba
Sócrates: um filósofo, um personagem
A figura de Sócrates nos apresenta uma infinidade de controvérsias. Exceto pela
problemática da sua autenticidade histórica agora ultrapassada. É fundamental
perceber que sua figura, inserida nos diálogos platônicos da juventude, não apresenta
apenas um personagem que faz perguntas as quais não se pode responder. Mas
apresenta um interesse pelo acesso ao que pode ser entendido como uma verdade
conceitual. A atitude questionadora do filósofo implica a busca por uma explicação
que requer o encontro de um objeto universal. Para desenvolvermos tal tema, faremos
referência ao passo 96ss do Fédon, no qual é realizada por Sócrates uma crítica a sua
maneira antiga de investigação, que estava ligada à busca também efetuada pelos présocráticos. Nesta perspectiva, avaliaremos também a crítica feita a Anaxágoras. Por
conseguinte, aferiremos as fases distintas que podem ser extraídas da “evolução” do
Sócrates enquanto personagem de Platão; para tanto, avaliar o estilo do personagem
nos primeiros diálogos e nos diálogos médios. Assim sendo, será possível averiguar
as principais influências textuais de um personagem que não fez senão imortal pelo
incômodo provocado por seu modo de realizar sua principal atividade: a filosofia.
SILVA, Vânia Dos Santos
Universidade de Brasília
Personagens Femininas na Filosofia de Platão
Nesta comunicação tematizaremos a posição que as mulheres assumem enquanto
personagens na obra de Platão. Analisaremos, especialmente, o livro V da República,
por nele conter uma proposta avançada quanto à posição das mulheres, dado seu
contexto histórico. Sabemos, contudo, que as figuras femininas no pensamento de
Platão não têm sempre o mesmo status, e mesmo a posição das mulheres no livro V
da República têm interpretações muito divergentes, ao ponto de alguns identificarem
Platão como um proto-feminista e outros como um misoginista. Nossa proposta,
portanto, é analisar a posição das figuras femininas e discutir algumas dessas
interpretações possíveis.
-51-
STELLA, Massimo
Università di Pavia
O mestre ambiguo e seus discípulos: em torno da “legitimidade” da
filosofia platónica
O objetivo deste trabalho é analisar - através do teatro de personagens e cenas que a
escrita platónica retrata nos vários diálogos - a estratégia autoral em que o discurso
filosófico constrói a própria autoridade e legitimação, por um lado, e estabelece, por
outro, os próprios mecanismos de seleção e transmissão. Neste quadro, as figuras do
mestre e do discípulo desempenham um papel central, porque, de facto, a relação
intelectual e afetiva que liga-los é um avatar da tradição da sabedoria. Muito tem
sido dito acerca do fundamento ético, político, doutrinal e disciplinar da filosofia
platónica, nem sempre tendo em conta da textualidade da mesma (o caso das
doutrinas não escritas é apenas o extremo entre muitos outros). Nossa convicção é
que, pelo contrario, a cena arquetípica do magistério filosófico platónico (juntamente
com todas as suas possíveis consequências éticas, políticas e especulativas) não é
separável da textura dramatúrgica do macrotexto (ou seja, os diálogos considerados
como uma única constelação de escritas). Os personagens desta cena são: Fédon, o
discípulo fiel, que, além disso, encarna a figura da testemunha por excelência dos
diálogos platônicos, visto que ele é, de facto, o depositário das últimas horas de
Sócrates; Alcibíades, o seguidor infiel, refratário a qualquer tentativa de educação;
e, finalmente, o mestre, Sócrates. Em suma, investigar as interações entre Fédon,
Alcibíades e Sócrates, significa pôr o problema da relação entre o mestre e a verdade
(Fédon), por um lado, e o desejo (Alcibíades), por outro. Neste contexto, a questão
mais espinhosa é se Sócrates é ou não um mestre ambíguo, sendo essa eventual
ambiguidade o risco de uma navegação perigosa, por assim dizer, entre verdade e
desejo. O papel da escrita, dentro da obra platónica, está estreitamente ligado a esse
conjunto de problemas: como é que a escrita se conecta ao magistério filosófico?
Em que sentido Platão distingue a escrita legítima da escrita ilegítima nas famosas
paginas do Fedro?
TABOSA, Adriana
Universidade Estadual de Campinas e Instituto Federal da
Bahia
Economia e Política no diálogo de A República de Platão
A economia em Platão não é uma dimensão animal no homem, mas uma dimensão
humana, porque nela se inscreve imediatamente a política e sua orientação em
vista do divino. Qual é a natureza dessa questão refletida e sentida em direção
daquilo que orienta uma discussão coletiva conduzida no tempo e segundo mesmo
a alma? É necessário não tomar como ponto de vista o início de toda a discussão
e de conciliar toda a sua confiança no espírito dos homens. O ponto de partida de
uma discussão comum é o desacordo provocado pelos problemas de distribuição
– por troca ou por repartição – dos bens, das honrarias e dos poderes. A questão
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reside no problema de um homem ser tratado injustamente por outro. A confiança
no espírito dos homens é a crença ou a fé que a prática coletiva do pensamento
exercitado por todos faça com que se perceba que o correto não é possuir bens,
honrarias e poder ao preço da injustiça ou do domínio sobre o outro, mas de ser
justo e de aceder ao bem verdadeiro. É porque para Platão, a disputa pelos bens, das
honrarias ou dos poderes e a discussão disto que se têm então por justo e injusto
em cada circunstância, os homens são naturalmente conduzidos em direção da
revelação progressiva do seu destino. A economia fundada sobre as necessidades
do exercício da vida política, que é a discussão organizada das questões de justiça e
as questões de justiça desvelam a natureza profunda do desejo do bem. A economia
conduz desse modo à sabedoria ou a vida divina para a política e para ética. O
problema central é em Platão a questão de saber se é possível ou não definir as
relações entre Economia e Política a partir desta confiança no espírito dos homens
e na palavra que os reúne.
É esta confiança no espírito que Platão põe em cena no diálogo que constitui os dez
livros de A República. Sócrates discute sobre a questão de saber qual é a natureza da
política. A discussão imita a vida política. A cidade é a imagem do diálogo da alma
consigo mesma, quando a discussão ou a leitura requerem toda a atenção do espírito.
Sócrates é de todos os personagens o mais atento e o mais próximo do diálogo interior
de sua alma, porque ele é o mais próximo da justiça verdadeira e do bem. Tudo
começa pela economia e o problema das necessidades. Os problemas econômicos
são incitações permanentes que suscitam subterraneamente opiniões em direção
de propostas mais precisas e mais exatas das artes, das técnicas ou das ciências. Os
problemas econômicos são, por assim dizer, “tentações insidiosas” ao tratar das
questões da justiça em termos de cálculo de quantidades e de equilíbrio de forças.
De modo geral, o início da discussão sobre a política no livro II de A República se põe
a questão de saber se a confiança no espírito dos homens comuns e em Sócrates que
os representa toma o caminho da ciência subjacente às opiniões ou reside no plano
de opiniões para afastar-se progressivamente dos pensamentos refletidos. Ou ainda,
nos termos modernos, o leitor é convidado desde os primeiros livros a decidir por si
mesmo, pela economia que intermedia as necessidades, e pela política que se ocupa
inicialmente da organização racional e técnica ou das ideias e da espiritualidade.
VIEGAS, Alessandra Serra
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
A ‘genialidade’ literária de Platão no Banquete: a imbricação entre os
nomes dos personagens e suas falas: um estudo de caso
Não por acaso os nomes e/ou epítetos são utilizados como referência às características
físicas, psíquicas ou sociais dos personagens na literatura grega desde Homero.
Acerca deste, Haroldo de Campos nos relata: “Para que se tenha uma ideia do nível
de elaboração verbal a que chega a poesia homérica, observe-se que essa história
é sintetizada no nome dos dois heróis: Akhilleús, ‘aquele cujo povo (laós) tem dor
(ákhos)’, obtém a glória que, no futuro, será recordada como a ‘glória dos homens do
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passado’ com a morte de Patroklês, isto é, ‘a glória – klês, de kleós – dos ancestrais
– patros, de patêr, pateres” (CAMPOS, 2003, p.20). Do mesmo modo, Platão aninhará
seu discurso sobre o Amor – tão próximo do belo e do bem – isto é, da kalokagathia
– na morada ateniense de ‘Agatão’, nomeado como quem abriga o próprio bem. Ali
estava a participar ‘Aristodemo’, um bem nascido entre o povo, permitido a estar ali
no banquete de Eros por sua condição intrínseca ao nome! Ainda, neste relato de um
relato, Platão trará à baila para discursar ‘Apolodoro’ – aquele que recebeu o dom de
Apolo, a fim de contar ao atento e brilhante ‘Glauco’, aquilo que lhe foi transmitido. O
cerne da obra, ou seja, a concepção socrática acerca do Amor, ser-nos-á apresentada
pela mulher mui estimada por Zeus, ‘Diotima’, o que não poderia ser diferente,
seguindo o fio condutor de metonímias com o qual a tessitura da obra é elaborada. Eis
a discussão deste trabalho.
VIEIRA, Celso
Universidade Federal de Minas Gerais
Os nomes de personagens nos diálogos de Platão
O objetivo será entender a relação entre os nomes próprios e o papel das personagens
nos diálogos de Platão. Para tanto servirá de guia o tratamento do uso de nomes
próprios por parte dos poetas examinados em várias passagens ao longo do Crátilo.
O principal problema parece ser no uso do conteúdo descritivo de um nome a partir
das raízes etimológicas que o compõem. Os poetas se aproveitariam da relação entre
esta descrição e os feitos de suas personagens para criar uma coerência interna à
sua narrativa. Platão, em geral, discordaria deste uso. O aprofundamento de uma tal
análise fornecerá um paradigma que permitirá identificar na atitude de Platão sua
postura em relação aos nomes de suas personagens. Assim será possível contrapôr
sua posição à crítica que faz aos poetas e sofistas. Então será possível encontrar
uma hipótese que justifique a motivação de Platão para evitar nomes próprios em
personagens centrais de seus diálogos, como os casos do Eleata ou do Ateniense. Esta
motivação deve ajudar a compreender o papel das personagens dentro dos diálogos
que elas conduzem.
WINKLER, Stephanie
Universidade de Brasília
Teatro & Pensamento
O objetivo deste trabalho é comparar dois filósofos gregos da Antiguidade clássica:
Platão e Aristóteles. Tendo como base seus respectivos pensamentos sobre as artes,
mais especificamente, o teatro, pretende-se mapear as diferenças entre os dois
pensadores focando principalmente no gênero da tragédia. A partir de uma análise
bakhtiniana, pretende-se também focar majoritariamente na tragédia Macbeth de
Shakespeare. O diálogo socrático, por um lado, seria usado como instrumento de
construção da autoconsciência das personagens principais - Macbeth e Lady Macbeth.
Por outro lado, por serem personagens elevadas, estariam ligadas à um entendimento
da tragédia e do herói trágico a partir de princípios aristotélicos.
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YOUNESIE, Mostafa
Tarbiat Modares University
Plato’s Reading of Mystery for His Philosophy: Phaedo 69C
I begin my paper with this fact that Plato has attentive and receptive reading of
mysteries and we can see and read mystic terminologies in his different dialogues.
(Riedweg, 1987) Notwithstanding the diversity and plurality of mysteries in classical
Greek for beginning our discussion by classical Greek mystery in general terms I
mean the existence of first time participants, undergoing a death-like experience by
the engaged participants, and promise of prosperity in this life and afterlife to the
involved participants. (Burkert1987, 12)
According to Plato’s reading of mystery
in Phaedo 69c, perhaps from the Eleusian mystery, I want to explore the effects and
implications of his particular reading both for his definition of philosophy and his
characters that should be initiated in order to understand the pertinent definition
of philosophy in this dialogue. In other words, the purpose of dialogue’s author is
introduction of philosophy definition (80) but before it the community of companions
as characters are uninitiated to it therefore they should become initiated. According
to the heuristic appropriative reading of Plato of complete mystic phases and grades
they are three (69c): myesis as a kind of purification of the ideas (here predominantly
Pythagorean) by Socrates as the initiated and guide; telete as the “performances” that
have pedagogical educational orientations that can be performed by characters; and
epopteia as a kind of speculation and contemplation about every subject matter. As a
conclusion, in order to introduce and define philosophy Plato through his heuristic
appropriative reading of three complete mystic phases and grades (perhaps with
some objective knowledge of Eleusinian mystery and Eleusis near Athens) engage his
participants of dialogue although it does not mean that all of them can complete this
process. But on the whole a kind of consistency and integrity shapes between the
purpose of Socrates as guide and initiated with those who are initiated by him.
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