EMPREENDEDORES BEM SUCEDIDOS, EMPREENDIMENTOS: QUAL O SEGREDO? RAZÕES DO SUCESSO OBTIDO EM SEUS Autoria: Mônica Maria Barbosa Gueiros RESUMO O objetivo desta pesquisa foi identificar os fatores críticos de sucesso para empreender, sob o ponto de vista de alguns empreendedores exitosos. Neste sentido, o presente artigo procura analisar alguns dos principais fatores que levam ao sucesso dos empreendedores de acordo com o referencial teórico sobre o tema. Especificamente, busca-se conhecer algumas características relacionadas ao comportamento empreendedor apontadas na literatura sobre o tema, dentre estas: os aspectos facilitadores e dificultantes da abertura e desenvolvimento de novos negócios e os critérios de identificação de oportunidades. Para coleta de dados foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, em profundidade, com quatros empreendedores do Nordeste. Conclui-se este artigo, corroborando com literatura e registrando que os empreendedores pesquisados fazem parte de um fenômeno (o empreendedorismo) que é regional e local; demonstram ser pessoas que valoriza relacionamentos e o desejo de crescer através do próprio esforço. Os resultados revelam semelhanças no comportamento dos empreendedores em alguns aspectos tratados neste estudo, contudo, alerta que não deve ser generalizados. Trata-se de um estudo exploratório que visa instigar novas pesquisas sobre as características comportamentais de empreendedores no país. 1 1. INTRODUÇÃO Como tema de estudo, este trabalho tem no empreendedorismo as bases necessárias para a compreensão do dinamismo econômico da sociedade, através de sua personificação na figura do empreendedor, cuja missão é criar e distribuir riquezas. Estudar o empreendedor, suas características pessoais e comportamentais, configura-se a proposta deste estudo, corroborando as afirmações de que este é um agente fomentador do crescimento e do desenvolvimento econômico. (LEITE, 2000, p. 294). De acordo com o relatório da GEM (Global Entrepreneurship Monitor), o Brasil é apontado como um dos países com maior nível de empreendedorismo do mundo, estando na 5ª colocação, com a TAE (Taxa de Atividade Empreendedora) de 14,2%. Está abaixo apenas do México (18,7%), Austrália (16,2%), Nova Zelândia (15,6%) e Coréia (14,9%). Os Estados Unidos estão em 7° colocado, com 11,7%. Essa taxa indica o percentual da população economicamente ativa que está envolvida com alguma atividade empreendedora. Ou seja, hoje, no Brasil, a cada 100 pessoas, 14 estão envolvidas com empreendedorismo. Embora, esse quadro aparente ser agradável, o Brasil teve uma queda no valor dessa taxa que passou de 20,4% para 14,2% (GEM, 2001, p. 16-18). Estudos sobre empreendedorismo têm sido desenvolvidos em diversas partes do mundo. Observa-se um crescente interesse pelo assunto: “Mais de mil publicações surgem anualmente no campo do empreendedorismo, em mais de 50 conferências e 25 publicações especializadas” (Filion,1999b,p.05). As culturas empreendedoras são regionais e locais. É um fenômeno que necessita ser estudado mais de perto. De acordo com FILION (Filion,1999,p.17): “Quanto mais o terreno é estranho a um pesquisador, tanto mais o terreno oferece efeitos enriquecedores”. Este estudo objetiva de forma geral, identificar quais as principais razões do sucesso obtido em seus empreendimentos, na visão de alguns empresários do estado de Pernambuco, buscando abrir novas perspectivas para compreender o que os empreendedores são e o que eles fazem. Neste sentido, para a realização de tal propósito, foram determinados alguns objetivos específicos: • Identificar aspectos facilitadores e dificultantes de um novo negócio na visão de empreendedores de sucesso; • Levantar critérios de identificação de oportunidades de negócios utilizados por estes empreendedores. 2. REFERENCIAL TEÓRICO: 2.1 Conceituação do tema: A definição de empreendedor e empreendedorismo é assunto para grandes discussões devido aos diversos pontos de vista apresentados pelos estudiosos do fenômeno ao longo dos tempos. Desde o século XVIII, na França, observa-se o impacto desse conceito na sociedade e o potencial de mudanças e desenvolvimento que dele nasce. Este termo, de acordo com estudos de FILION (1999a, p.03), foi usado primeiramente nas obras de Cantillon. O conceito de empreendedorismo evoluiu ao longo da história, passando por três principais correntes de pensamento: a economista, a comportamentalista e a moderna visão atual. Cada corrente interpreta o fenômeno do empreendedorismo através de pressupostos básicos de suas disciplinas, provocando diferenças entre os conceitos. Inicialmente, a Corrente Economista, onde os principais autores desta corrente de pensamento foram os franceses Richard Cantillon, Jean-Baptiste Say e o economista autríaco 2 Joseph Alois Schumpeter, que se destacam entre os demais (FILION, 1999a). Estes viam o empreendedor como um criador de riquezas e promotor do desenvolvimento econômico, através da abertura das empresas, principalmente da área industrial que passava a ser a mola mestra das economias dos estados no século XVIII. Say foi um dos primeiros a associar o empreendedorismo à inovação e o empreendedor a um agente de mudanças na sociedade. Este pensamento foi consolidado por Schumpeter, que comprovou a ligação existente entre empreendedorismo e desenvolvimento econômico e social. (SCHUMPETER,1928 apud FILION, 1999a, p.5). Uma das críticas à corrente de pensamento economista, porém, é o fato de valorizarem o “homem econômico” a ponto de não perceberem o aspecto comportamental do empreendedor, pois tudo era realizado a fim de que se pudesse mensurar, registrar e calcular. Por outro lado, o estudo do empreendedorismo, no final do século XX, foi marcado pela corrente Comportamentalista, de pensamento, também chamada de Behaviorista. Em sua defesa, encontram-se os principais estudiosos: Marx Weber, David C. McClelland, Brockhaus, Lorrain e Dussault, Filion, entre outros. Grande parte do mérito dessa corrente de pensamento deve-se a McClelland, pelo trabalho que estudou o comportamento de civilizações diante do desenvolvimento ou do declínio. Ele verificou que um dos pontos que diferenciava as civilizações de sucesso e as não bem sucedidas no processo de desenvolvimento era a existência de modelos que influenciavam o comportamento da população em geral (FILION, 1999a). Embora os estudos behavioristas tenham evoluído, não há evidências científicas suficientes para se traçar um perfil definitivo da personalidade empreendedora : As pessoas mudam segundo os contextos e as circunstâncias às quais são expostas” (FILION, 1999a, p. 04). No final do século XX, na visão atual, o estudo do empreendedorismo tornou-se presente em praticamente todas as áreas do conhecimento, focado principalmente na questão: “o que faz um empreendedor?” (FILION, 1999a). São mais de 25 temas principais, nos quais o empreendedorismo está como objeto de pesquisa. Segundo afirma, LEITE (2000 p.44): “O termo entrepreneur tem raízes francesas e sua tradução literal é empreendedor, empresário ou aquele que empreende a criação por conta própria, em seu benefício, e a seus riscos, de um produto qualquer, ou aquele que lança à realização (entre significa estar sob e preneur é derivado do verbo francês prende, conduzir)”. 2.2 Aspectos facilitadores e dificultantes de um novo negócio : As principais características que dificultam ou facilitam a abertura de um empreendimento são: auto-confiança (baixa/alta); confiança na capacidade produtiva da população; características da cultura brasileira; além da disciplina no exercício das atividades e no controle da vida pessoal; necessidade de compartilhamento (ou seja, procurar enriquecer a qualquer custo ou procurar compartilhar com todos um desenvolvimento econômico); e, por último, a burocracia das instituições (FILION, 1999a, p. 18). Portanto, alguns aspectos levados em consideração para a abertura de um novo empreendimento estão relacionados às características de personalidade dos empreendedores. 2.3 Características de empreendedores bem sucedidos : As principais características que determinam o sucesso de alguns empreendedores, entretanto, são relacionadas a seguir: primeiramente, tem-se o valor e a cultura de 3 empreendedorismo adquiridos através de contato com, pelo menos, um modelo empreendedor durante a sua juventude. Em seguida, observa-se a experiência nos negócios: conhecer o seu mercado profundamente é uma das maneiras de se conseguir vantagem competitiva em relação aos concorrentes. A esta característica, inclusive, somam-se outras duas citadas por FILION (1999d): a diferenciação, juntamente com a intuição. Envolver-se com o trabalho e dedicar-se de “corpo e alma” é o que mais se observa nas empresas cujo fundador ainda esteja atuando e um dos fatores que levam ao sucesso. Complementando, o autor acima menciona: são trabalhadores incansáveis e sonhadores realistas. Lideram seus empregados, criando relações sólidas com os mesmos. Geralmente, tendem a controlar o comportamento das pessoas ao seu redor. Finalmente, têm uma enorme capacidade de aprender, são curiosos e inquietos, procurando sempre correr riscos, embora calculados. 2.4 Critérios de Identificação de Oportunidades de Negócios : Uma das características do empreendedor é a sua capacidade de identificar e aproveitar uma oportunidade, transformando-a em um negócio rentável e de sucesso. De acordo com Birley/Muzyka (2001) :“Os empreendedores existem para explorar oportunidades”. A oportunidade é considerada como fruto de um processo de observação da realidade, de um exercício que só dará retorno se praticado constantemente. Os autores acima, ainda mencionam que as oportunidades surgem, ou são reconhecidas pelos empresários, de variadas formas. Cada um utiliza seu próprio critério de busca e avaliação. “É raro que alguém tenha uma inspiração do nada e identifique uma nova oportunidade em um campo com o qual não está familiarizado. As oportunidades são geralmente relacionadas com a experiência profissional ou o ambiente social”. A oportunidade é considerada como fruto de um processo de observação da realidade e de um exercício que garante retorno se praticado constantemente. BATEMAN & SNELL (1998) afirmam que os principais critérios para identificação de oportunidades de negócios são a observação das mudanças na própria empresa e no mercado onde ela atua; além do estímulo de um bom relacionamento entre clientes e funcionários (grande fontes de novas oportunidades) e da postura adotada de reavaliar seus produtos e/ou serviços para desenvolvêlos. Na avaliação das oportunidades deve ser considerado o mercado consumidor, a participação no mercado, proteger a oportunidade e, por fim, a viabilidade do negócio “A avaliação das oportunidades é um processo contínuo de coleta de dados, revisão da proposta e reformulação do conceito do negócio. A maior parte dos empreendedores dirá que o negócio que criaram tinha pouca semelhança com o que tinham originalmente imaginado (Birley/ Muzyka,2001). 3. METODODOLOGIA Devido ao pouco conhecimento científico acerca da realidade do empreendedorismo no Estado de Pernambuco e, especificamente, sobre as razões do sucesso obtido em seus empreendimentos, optou-se por realizar um estudo exploratório de caráter descritivo, metodologia esta citada por GIL (1991, p.45), que diz: “Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses”. Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram compostos por três partes, a saber: A primeira, constituída de questões relativas às variáveis de identificação da empresa. A segunda parte, constituída de questões relativas às variáveis de identificação dos 4 respondentes. E, a terceira parte comportará questões relativas ao tema objeto de interesse da pesquisa. Levando em consideração o método de coleta de dados, entrevistas semi-estruturadas e questionários, a amostra foi por acessibilidade, ou seja, aqueles empreendedores que atenderam ao chamado de participar da pesquisa. Utilizou-se também o critério da intencionalidade, prioritariamente empresas reconhecidas por seu sucesso. Assim, opta-se pelo conceito de FILION (1999a, p.7) que define as empresas reconhecidas pelo sucesso como“aquelas que ganharam pelo menos um prêmio (por exemplo, Empresa do Ano, Exportador do Ano, etc.) e foram matérias de artigos em jornais ou revistas”. Além do critério da empresa ser reconhecidamente “a empresa de sucesso”, utilizou-se também um segundo critério, mas não menos relevante, do empresário ser o pioneiro (fundador do negócio) e não aquele que herdou a empresa. Os dados da pesquisa obtidos através dos questionários e entrevistas foram analisados através da técnica de análise de conteúdos. Entre os empreendedores selecionados quatro disponibilizaram-se a participar da pesquisa, os demais não quiseram participar justificando tratar-se de uma política da empresa, devido receio de sequestros e furtos, por serem notoriamente conhecidos na região. Para preservar o anonimato dos empreendedores e das respectivas empresas participantes do estudo, utilizou-se as letras A, B, C e D para identificá-los. Nome: Empreendedor A Empresa: A Classificação: Grande Porte Idade inicial: 28 Idade atual: 72 Número de Funcionários: 900 Setor de Atividade: Indústria - Fabricação de Baterias Automotivas Nome: Empreendedor B Empresa: B Classificação: Pequeno e Médio Porte Idade inicial: 38 Idade atual: 68 Número de Funcionários: Mineradora Rancharia 28 e Supergesso 137. Setor de Atividade: Indústria – Gesseiro Nome: Empreendedor C Empresa: C Classificação: Grande Porte (Mas considera-se de Médio Porte) Idade inicial: Acima de 22 Idade atual: Acima de 42 Número de Funcionários: 500 Setor de Atividade: Indústria – Farmacêutica Nome: Empreendedor D Empresa: D Classificação: Microempresa Idade inicial: 31 Idade atual: 37 Número de Funcionários: 5 Setor de Atividade: Serviços – Tecnologia e Internet para empresas 4. RESULTADOS Inicialmente, os empreendedores revelaram que o principal motivo de ter iniciado seus negócios diz respeito à vontade pessoal de ser dono de um empreendimento. 5 O principal motivo apontado para o sucesso dos empreendimentos está inserido nas características pessoais dos empreendedores. Esta razão foi escolhida por todos, segundo os dados coletados. Tal constatação descarta, como prioridade para o sucesso dos negócios, as características da empresa, a sorte ou eventualidades. Dentre algumas características pessoais citadas, a que mais se destacou foi a disposição para trabalhar muito. O trabalho árduo, acima de dez horas por dia, é apontado como um fator diferencial entre os empreendedores de sucesso. Foram citados também: ter visão, conhecer o negócio, o mercado e ter um modelo referencial. No que concerne aos empreendedores, possuir ou não um modelo que serviu de referência na sua trajetória, todos revelaram que tiveram (e têm). Suas atitudes, durante a vida, eram tomadas com base nesses modelos e nas experiências vivenciadas durante a juventude. Dois empreendedores (A e B) apontaram o próprio pai como inspiração e modelo a ser seguido. Outro (Empreendedor C) apontou um antigo chefe, proprietário da empresa que serviu de inspiração para o atual ramo de atividade que o empreendedor exerce. Entretanto, o último empreendedor (Empreendedor D), diferentemente dos demais, apresentou um modelo com o qual nunca teve contato pessoal, apenas através dos meios de comunicação de massa como TV, jornais e revistas: trata-se de um grande empresário norte-americano. Todos os entrevistados definiram sucesso como grande satisfação com o trabalho e sentir-se realizado profissionalmente. Receber o reconhecimento da sociedade e conquistar uma situação financeira confortável, apesar de importante, não é o principal. Ao que parece, na perspectiva dos empreendedores analisados, algumas características (dispostas a seguir em ordem decrescente de importância) são fundamentais para um empreendedor ser bem sucedido: 1ª Característica –Trabalhador Incansável e Liderança. 2ª Característica – Auto-aprendizagem. 3ª Característica – Nível Educacional. 4ª Característica – São duas: Experiência nos negócios e Valores Éticos/Morais. 5ª Característica – Ter um modelo empreendedor que o influencia ou influenciou. 6ª Característica – Sonhador Realista (visionário). 7ª Característica – Ter Iniciativa e Autonomia, Necessidade de Realização. 8ª Característica – Intuição. Critérios de Identificação de Oportunidades de Negócios : Os principais critérios de identificação de oportunidades de negócios utilizados pelos empreendedores pesquisados foram: a atitude de sempre estar procurando por oportunidades e estudar as tendências do mercado. Por outro lado, o critério que mais facilita a identificação de novas oportunidades, segundo os empreendedores estudados, é o surgimento de novas tecnologias. Em segundo lugar, estudar as tendências do mercado, seguido pelas mudanças na economia e leis governamentais. Aspectos Dificultantes na Abertura e Desenvolvimento de um Novo Negócio : Os empreendedores em estudo afirmaram que a maior dificuldade enfrentada para iniciarem seus empreendimentos foram os recursos financeiros escassos. A falta de capital e de crédito no mercado, foi relatado como o principal entrave para a efetivação da atividade empreendedora no estado de Pernambuco. Outra grande dificuldade enfrentada, também mencionada: a falta de experiência. No entanto, desta dificuldade só compartilharam os Empreendedores A e B. 6 No que diz respeito as principais dificuldades para abertura de um empreendimento, nos dias atuais, a amostra pesquisada informou: falta de experiência e competitividade do setor (Empreendedor B); a legislação, prejudicial ao micro e pequeno empreendedor (Empreendedor C) e a falta de recursos financeiros necessidade de juros mais baixos para financiamentos (Empreendedores C e D). Aspectos Facilitadores na Abertura e Desenvolvimento de um Novo Negócio : Quando questionados sobre o que mais facilitou a abertura e crescimento dos seus negócios, os empreendedores responderam: • o Brasil vivia uma outra época, era mais dinâmico em 1957 (Empreendedor A); • apoio dos empresários do setor, dos colaboradores e a escolha de pessoas com conhecimento de causa e efeito para assessorar (Empreendedor B); • experiência e algum conhecimento teórico, conhecer o negócio (Empreendedor C); • a vontade de abrir e a combinação das personalidades dos três sócios que se complementam (Empreendedor D). Entretanto, quando questionados sobre o que pode facilitar a abertura e o desenvolvimento de um novo empreendimento nos dias atuais, responderam que: um novo empreendimento só com muito capital”(Empreendedor A e C); é necessário conhecer o básico (gestão administrativa e financeira), estudar o mercador que pretende explorar, ter visão do futuro, muita dedicação e persistência (Empreendedor B); além da vontade de abrir, é preciso procurar formar parcerias e sociedades (Empreendedor D) Finalizando, para alguém que está iniciando um novo negócios, os empreendedores deram os seguintes conselhos: “ser muito cauteloso (Empreendedor A); fazer um estudo de mercado, disposição de estar a frente do empreendimento; gostar do que faz e fazer melhor, pensar permanentemente no cliente e vê-lo como seu patrão, investir e reinvestir todo o lucro no empreendimento, ser humilde (Empreendedor B); ser um sonhador realista, adquirir experiência, acostumar-se com as barreiras e ser persistente (Empreendedor C); possuir objetivos, procurar associar-se, formar parcerias (alguém que o complemente, onde não tiver muitas habilidades) e verificar se de fato vai satisfazer uma necessidade do mercado (Empreendedor D). Os empreendedores acrescentaram que, para ser empreendedor, é necessário: trabalhar no negócio antes (Empreendedor C), focar suas atividades mais em resultados e menos em processos (Empreendedor D) e procurar transformar oportunidades de mercado em novos produtos (Empreendedor B). 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Primeiramente, é importante ressaltar que não é viável fazer generalizações das características dos empreendedores bem sucedidos apresentadas neste estudo. Assim, não se pretende elaborar uma análise de caráter conclusivo (mas, provocativo), haja vista as limitações e especificidades da amostra investigada. Estes resultados são, na verdade, passos iniciais que inspirarão novas pesquisas sobre as características dos empreendedores na região Nordeste. Entretanto, urge considerar que apesar das limitações, algumas reflexões significativas, fruto do esforço em discutir o tema eclodiu e pode contribuir para análises futuras mais aprofundadas. 7 Sobre os aspectos dificultantes na abertura e desenvolvimento de um novo empreendimento, acredita-se que estes se modificaram ao longo do tempo. A principal dificuldade no início da segunda metade do século XX (falta de recursos financeiros), hoje, está acompanhada da falta de experiência e da disputada concorrência do mercado, verdadeiros obstáculos na abertura de um novo negócio. Já os principais aspectos facilitadores, no entanto, dizem respeito à situação favorável do ambiente econômico (capacidade de aquisição de crédito financeiro); a ter alguma experiência e conhecimento teórico; além de conhecer o negócio e saber como inovar em suas atividades. A literatura, no entanto, destaca que os principais aspectos dificultantes e facilitadores para a abertura de um novo empreendimento dizem respeito às características intrínsecas da personalidade de cada empreendedor. Como é possível observar, os resultados desta pesquisa preliminar com os empreendedores da região sinalizam que, possivelmente, há questões muito mais relevantes no pensamento dos empreendedores de sucesso do que aquelas relacionadas às características da personalidade. A influência do ambiente econômico, a questão da experiência e conhecimento do negócio que, aparece neste estudo, necessita ser considerados. Uma característica relevante, dos empreendedores analisados, é o fato de todos considerarem sucesso como grande satisfação com o trabalho e realização profissional. Corroborando com a literatura, os critérios de identificação de oportunidades mais utilizados pelos empreendedores pesquisados em suas práticas organizacionais, foram adotar uma atitude de sempre procurar por oportunidades (antenado) e estudar as tendências do mercado. Finalmente, este trabalho registra uma característica comum percebida nos empreendedores, investigados: o fato de serem pessoas simples, no que diz respeito aos sentimentos e desejos. Conforme as palavras de Filion, expressa em diversos dos seus trabalhos: “o empreendedorismo no Brasil é um fenômeno regional e local”. O empreendedor desta região, principalmente do agreste e zona da mata pernambucana, indica ser uma pessoa que valoriza os relacionamentos (com a família, amigos e funcionários) e o desejo de crescer através do esforço próprio, algo já ressaltado no referencial teórico deste artigo (FILION, 1999d) e, uma das características do empreendedor bem sucedido: ser um trabalhador incansável. 6. 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