EMPREENDEDORES
BEM SUCEDIDOS,
EMPREENDIMENTOS: QUAL O SEGREDO?
RAZÕES
DO
SUCESSO
OBTIDO
EM
SEUS
Autoria: Mônica Maria Barbosa Gueiros
RESUMO
O objetivo desta pesquisa foi identificar os fatores críticos de sucesso para empreender, sob o
ponto de vista de alguns empreendedores exitosos. Neste sentido, o presente artigo procura
analisar alguns dos principais fatores que levam ao sucesso dos empreendedores de acordo
com o referencial teórico sobre o tema. Especificamente, busca-se conhecer algumas
características relacionadas ao comportamento empreendedor apontadas na literatura sobre o
tema, dentre estas: os aspectos facilitadores e dificultantes da abertura e desenvolvimento de
novos negócios e os critérios de identificação de oportunidades. Para coleta de dados foram
realizadas entrevistas semi-estruturadas, em profundidade, com quatros empreendedores do
Nordeste. Conclui-se este artigo, corroborando com literatura e registrando que os
empreendedores pesquisados fazem parte de um fenômeno (o empreendedorismo) que é
regional e local; demonstram ser pessoas que valoriza relacionamentos e o desejo de crescer
através do próprio esforço. Os resultados revelam semelhanças no comportamento dos
empreendedores em alguns aspectos tratados neste estudo, contudo, alerta que não deve ser
generalizados. Trata-se de um estudo exploratório que visa instigar novas pesquisas sobre as
características comportamentais de empreendedores no país.
1
1. INTRODUÇÃO
Como tema de estudo, este trabalho tem no empreendedorismo as bases necessárias para a
compreensão do dinamismo econômico da sociedade, através de sua personificação na figura
do empreendedor, cuja missão é criar e distribuir riquezas. Estudar o empreendedor, suas
características pessoais e comportamentais, configura-se a proposta deste estudo,
corroborando as afirmações de que este é um agente fomentador do crescimento e do
desenvolvimento econômico. (LEITE, 2000, p. 294).
De acordo com o relatório da GEM (Global Entrepreneurship Monitor), o Brasil é
apontado como um dos países com maior nível de empreendedorismo do mundo, estando na
5ª colocação, com a TAE (Taxa de Atividade Empreendedora) de 14,2%. Está abaixo apenas
do México (18,7%), Austrália (16,2%), Nova Zelândia (15,6%) e Coréia (14,9%). Os Estados
Unidos estão em 7° colocado, com 11,7%. Essa taxa indica o percentual da população
economicamente ativa que está envolvida com alguma atividade empreendedora. Ou seja,
hoje, no Brasil, a cada 100 pessoas, 14 estão envolvidas com empreendedorismo. Embora,
esse quadro aparente ser agradável, o Brasil teve uma queda no valor dessa taxa que passou de
20,4% para 14,2% (GEM, 2001, p. 16-18).
Estudos sobre empreendedorismo têm sido desenvolvidos em diversas partes do mundo.
Observa-se um crescente interesse pelo assunto: “Mais de mil publicações surgem
anualmente no campo do empreendedorismo, em mais de 50 conferências e 25 publicações
especializadas” (Filion,1999b,p.05).
As culturas empreendedoras são regionais e locais. É um fenômeno que necessita ser
estudado mais de perto. De acordo com FILION (Filion,1999,p.17): “Quanto mais o terreno é
estranho a um pesquisador, tanto mais o terreno oferece efeitos enriquecedores”.
Este estudo objetiva de forma geral, identificar quais as principais razões do sucesso obtido
em seus empreendimentos, na visão de alguns empresários do estado de Pernambuco,
buscando abrir novas perspectivas para compreender o que os empreendedores são e o que
eles fazem. Neste sentido, para a realização de tal propósito, foram determinados alguns
objetivos específicos:
• Identificar aspectos facilitadores e dificultantes de um novo negócio na visão de
empreendedores de sucesso;
• Levantar critérios de identificação de oportunidades de negócios utilizados por estes
empreendedores.
2. REFERENCIAL TEÓRICO:
2.1 Conceituação do tema:
A definição de empreendedor e empreendedorismo é assunto para grandes discussões
devido aos diversos pontos de vista apresentados pelos estudiosos do fenômeno ao longo dos
tempos. Desde o século XVIII, na França, observa-se o impacto desse conceito na sociedade e
o potencial de mudanças e desenvolvimento que dele nasce. Este termo, de acordo com
estudos de FILION (1999a, p.03), foi usado primeiramente nas obras de Cantillon.
O conceito de empreendedorismo evoluiu ao longo da história, passando por três
principais correntes de pensamento: a economista, a comportamentalista e a moderna visão
atual. Cada corrente interpreta o fenômeno do empreendedorismo através de pressupostos
básicos de suas disciplinas, provocando diferenças entre os conceitos.
Inicialmente, a Corrente Economista, onde os principais autores desta corrente de
pensamento foram os franceses Richard Cantillon, Jean-Baptiste Say e o economista autríaco
2
Joseph Alois Schumpeter, que se destacam entre os demais (FILION, 1999a). Estes viam o
empreendedor como um criador de riquezas e promotor do desenvolvimento econômico,
através da abertura das empresas, principalmente da área industrial  que passava a ser a
mola mestra das economias dos estados no século XVIII.
Say foi um dos primeiros a associar o empreendedorismo à inovação e o empreendedor a um
agente de mudanças na sociedade. Este pensamento foi consolidado por Schumpeter, que
comprovou a ligação existente entre empreendedorismo e desenvolvimento econômico e
social. (SCHUMPETER,1928 apud FILION, 1999a, p.5). Uma das críticas à corrente de
pensamento economista, porém, é o fato de valorizarem o “homem econômico” a ponto de
não perceberem o aspecto comportamental do empreendedor, pois tudo era realizado a fim de
que se pudesse mensurar, registrar e calcular.
Por outro lado, o estudo do empreendedorismo, no final do século XX, foi marcado
pela corrente Comportamentalista, de pensamento, também chamada de Behaviorista. Em
sua defesa, encontram-se os principais estudiosos: Marx Weber, David C. McClelland,
Brockhaus, Lorrain e Dussault, Filion, entre outros. Grande parte do mérito dessa corrente
de pensamento deve-se a McClelland, pelo trabalho que estudou o comportamento de
civilizações diante do desenvolvimento ou do declínio. Ele verificou que um dos pontos que
diferenciava as civilizações de sucesso e as não bem sucedidas no processo de
desenvolvimento era a existência de modelos que influenciavam o comportamento da
população em geral (FILION, 1999a).
Embora os estudos behavioristas tenham evoluído, não há evidências científicas
suficientes para se traçar um perfil definitivo da personalidade empreendedora : As pessoas
mudam segundo os contextos e as circunstâncias às quais são expostas” (FILION, 1999a, p.
04).
No final do século XX, na visão atual, o estudo do empreendedorismo tornou-se
presente em praticamente todas as áreas do conhecimento, focado principalmente na questão:
“o que faz um empreendedor?” (FILION, 1999a). São mais de 25 temas principais, nos quais
o empreendedorismo está como objeto de pesquisa.
Segundo afirma, LEITE (2000 p.44): “O termo entrepreneur tem raízes francesas e
sua tradução literal é empreendedor, empresário ou aquele que empreende a criação por
conta própria, em seu benefício, e a seus riscos, de um produto qualquer, ou aquele que lança
à realização (entre significa estar sob e preneur é derivado do verbo francês prende,
conduzir)”.
2.2 Aspectos facilitadores e dificultantes de um novo negócio :
As principais características que dificultam ou facilitam a abertura de um empreendimento
são: auto-confiança (baixa/alta); confiança na capacidade produtiva da população;
características da cultura brasileira; além da disciplina no exercício das atividades e no
controle da vida pessoal; necessidade de compartilhamento (ou seja, procurar enriquecer a
qualquer custo ou procurar compartilhar com todos um desenvolvimento econômico); e, por
último, a burocracia das instituições (FILION, 1999a, p. 18). Portanto, alguns aspectos
levados em consideração para a abertura de um novo empreendimento estão relacionados às
características de personalidade dos empreendedores.
2.3 Características de empreendedores bem sucedidos :
As principais características que determinam o sucesso de alguns empreendedores,
entretanto, são relacionadas a seguir: primeiramente, tem-se o valor e a cultura de
3
empreendedorismo adquiridos através de contato com, pelo menos, um modelo empreendedor
durante a sua juventude. Em seguida, observa-se a experiência nos negócios: conhecer o seu
mercado profundamente é uma das maneiras de se conseguir vantagem competitiva em
relação aos concorrentes. A esta característica, inclusive, somam-se outras duas citadas por
FILION (1999d): a diferenciação, juntamente com a intuição. Envolver-se com o trabalho e
dedicar-se de “corpo e alma” é o que mais se observa nas empresas cujo fundador ainda esteja
atuando e um dos fatores que levam ao sucesso.
Complementando, o autor acima menciona: são trabalhadores incansáveis e sonhadores
realistas. Lideram seus empregados, criando relações sólidas com os mesmos. Geralmente,
tendem a controlar o comportamento das pessoas ao seu redor. Finalmente, têm uma enorme
capacidade de aprender, são curiosos e inquietos, procurando sempre correr riscos, embora
calculados.
2.4 Critérios de Identificação de Oportunidades de Negócios :
Uma das características do empreendedor é a sua capacidade de identificar e aproveitar
uma oportunidade, transformando-a em um negócio rentável e de sucesso. De acordo com
Birley/Muzyka (2001) :“Os empreendedores existem para explorar oportunidades”. A
oportunidade é considerada como fruto de um processo de observação da realidade, de um
exercício que só dará retorno se praticado constantemente.
Os autores acima, ainda mencionam que as oportunidades surgem, ou são reconhecidas
pelos empresários, de variadas formas. Cada um utiliza seu próprio critério de busca e
avaliação. “É raro que alguém tenha uma inspiração do nada e identifique uma nova
oportunidade em um campo com o qual não está familiarizado. As oportunidades são
geralmente relacionadas com a experiência profissional ou o ambiente social”.
A oportunidade é considerada como fruto de um processo de observação da realidade e de
um exercício que garante retorno se praticado constantemente. BATEMAN & SNELL (1998)
afirmam que os principais critérios para identificação de oportunidades de negócios são a
observação das mudanças na própria empresa e no mercado onde ela atua; além do estímulo
de um bom relacionamento entre clientes e funcionários (grande fontes de novas
oportunidades) e da postura adotada de reavaliar seus produtos e/ou serviços para desenvolvêlos.
Na avaliação das oportunidades deve ser considerado o mercado consumidor, a
participação no mercado, proteger a oportunidade e, por fim, a viabilidade do negócio “A
avaliação das oportunidades é um processo contínuo de coleta de dados, revisão da proposta
e reformulação do conceito do negócio. A maior parte dos empreendedores dirá que o
negócio que criaram tinha pouca semelhança com o que tinham originalmente imaginado
(Birley/ Muzyka,2001).
3. METODODOLOGIA
Devido ao pouco conhecimento científico acerca da realidade do empreendedorismo no
Estado de Pernambuco e, especificamente, sobre as razões do sucesso obtido em seus
empreendimentos, optou-se por realizar um estudo exploratório de caráter descritivo,
metodologia esta citada por GIL (1991, p.45), que diz: “Estas pesquisas têm como objetivo
proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a
construir hipóteses”.
Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram compostos por três partes, a saber:
A primeira, constituída de questões relativas às variáveis de identificação da empresa. A
segunda parte, constituída de questões relativas às variáveis de identificação dos
4
respondentes. E, a terceira parte comportará questões relativas ao tema objeto de interesse da
pesquisa.
Levando em consideração o método de coleta de dados, entrevistas semi-estruturadas e
questionários, a amostra foi por acessibilidade, ou seja, aqueles empreendedores que
atenderam ao chamado de participar da pesquisa. Utilizou-se também o critério da
intencionalidade, prioritariamente empresas reconhecidas por seu sucesso. Assim, opta-se
pelo conceito de FILION (1999a, p.7) que define as empresas reconhecidas pelo sucesso
como“aquelas que ganharam pelo menos um prêmio (por exemplo, Empresa do Ano,
Exportador do Ano, etc.) e foram matérias de artigos em jornais ou revistas”. Além do
critério da empresa ser reconhecidamente “a empresa de sucesso”, utilizou-se também um
segundo critério, mas não menos relevante, do empresário ser o pioneiro (fundador do
negócio) e não aquele que herdou a empresa. Os dados da pesquisa obtidos através dos
questionários e entrevistas foram analisados através da técnica de análise de conteúdos. Entre
os empreendedores selecionados quatro disponibilizaram-se a participar da pesquisa, os
demais não quiseram participar justificando tratar-se de uma política da empresa, devido
receio de sequestros e furtos, por serem notoriamente conhecidos na região. Para preservar o
anonimato dos empreendedores e das respectivas empresas participantes do estudo, utilizou-se
as letras A, B, C e D para identificá-los.
Nome: Empreendedor A
Empresa: A
Classificação: Grande Porte
Idade inicial: 28 Idade atual: 72
Número de Funcionários: 900
Setor de Atividade: Indústria - Fabricação de Baterias Automotivas
Nome: Empreendedor B
Empresa: B
Classificação: Pequeno e Médio Porte
Idade inicial: 38 Idade atual: 68
Número de Funcionários: Mineradora Rancharia 28 e Supergesso 137.
Setor de Atividade: Indústria – Gesseiro
Nome: Empreendedor C
Empresa: C
Classificação: Grande Porte (Mas considera-se de Médio Porte)
Idade inicial: Acima de 22
Idade atual: Acima de 42
Número de Funcionários: 500
Setor de Atividade: Indústria – Farmacêutica
Nome: Empreendedor D
Empresa: D
Classificação: Microempresa
Idade inicial: 31 Idade atual: 37
Número de Funcionários: 5
Setor de Atividade: Serviços – Tecnologia e Internet para empresas
4. RESULTADOS
Inicialmente, os empreendedores revelaram que o principal motivo de ter iniciado seus
negócios diz respeito à vontade pessoal de ser dono de um empreendimento.
5
O principal motivo apontado para o sucesso dos empreendimentos está inserido nas
características pessoais dos empreendedores. Esta razão foi escolhida por todos, segundo os
dados coletados. Tal constatação descarta, como prioridade para o sucesso dos negócios, as
características da empresa, a sorte ou eventualidades. Dentre algumas características pessoais
citadas, a que mais se destacou foi a disposição para trabalhar muito. O trabalho árduo, acima
de dez horas por dia, é apontado como um fator diferencial entre os empreendedores de
sucesso. Foram citados também: ter visão, conhecer o negócio, o mercado e ter um modelo
referencial.
No que concerne aos empreendedores, possuir ou não um modelo que serviu de
referência na sua trajetória, todos revelaram que tiveram (e têm). Suas atitudes, durante a
vida, eram tomadas com base nesses modelos e nas experiências vivenciadas durante a
juventude. Dois empreendedores (A e B) apontaram o próprio pai como inspiração e modelo a
ser seguido. Outro (Empreendedor C) apontou um antigo chefe, proprietário da empresa que
serviu de inspiração para o atual ramo de atividade que o empreendedor exerce. Entretanto, o
último empreendedor (Empreendedor D), diferentemente dos demais, apresentou um modelo
com o qual nunca teve contato pessoal, apenas através dos meios de comunicação de massa
como TV, jornais e revistas: trata-se de um grande empresário norte-americano.
Todos os entrevistados definiram sucesso como grande satisfação com o trabalho e
sentir-se realizado profissionalmente. Receber o reconhecimento da sociedade e conquistar
uma situação financeira confortável, apesar de importante, não é o principal. Ao que parece,
na perspectiva dos empreendedores analisados, algumas características (dispostas a seguir em
ordem decrescente de importância) são fundamentais para um empreendedor ser bem
sucedido:
1ª Característica –Trabalhador Incansável e Liderança.
2ª Característica – Auto-aprendizagem.
3ª Característica – Nível Educacional.
4ª Característica – São duas: Experiência nos negócios e Valores Éticos/Morais.
5ª Característica – Ter um modelo empreendedor que o influencia ou influenciou.
6ª Característica – Sonhador Realista (visionário).
7ª Característica – Ter Iniciativa e Autonomia, Necessidade de Realização.
8ª Característica – Intuição.
Critérios de Identificação de Oportunidades de Negócios :
Os principais critérios de identificação de oportunidades de negócios utilizados pelos
empreendedores pesquisados foram: a atitude de sempre estar procurando por oportunidades e
estudar as tendências do mercado.
Por outro lado, o critério que mais facilita a identificação de novas oportunidades, segundo os
empreendedores estudados, é o surgimento de novas tecnologias. Em segundo lugar, estudar
as tendências do mercado, seguido pelas mudanças na economia e leis governamentais.
Aspectos Dificultantes na Abertura e Desenvolvimento de um Novo Negócio :
Os empreendedores em estudo afirmaram que a maior dificuldade enfrentada para
iniciarem seus empreendimentos foram os recursos financeiros escassos. A falta de capital e
de crédito no mercado, foi relatado como o principal entrave para a efetivação da atividade
empreendedora no estado de Pernambuco. Outra grande dificuldade enfrentada, também
mencionada: a falta de experiência. No entanto, desta dificuldade só compartilharam os
Empreendedores A e B.
6
No que diz respeito as principais dificuldades para abertura de um empreendimento,
nos dias atuais, a amostra pesquisada informou: falta de experiência e competitividade do
setor (Empreendedor B); a legislação, prejudicial ao micro e pequeno empreendedor
(Empreendedor C) e a falta de recursos financeiros  necessidade de juros mais baixos para
financiamentos (Empreendedores C e D).
Aspectos Facilitadores na Abertura e Desenvolvimento de um Novo Negócio :
Quando questionados sobre o que mais facilitou a abertura e crescimento dos seus
negócios, os empreendedores responderam:
• o Brasil vivia uma outra época, era mais dinâmico em 1957 (Empreendedor A);
• apoio dos empresários do setor, dos colaboradores e a escolha de pessoas com
conhecimento de causa e efeito para assessorar (Empreendedor B);
• experiência e algum conhecimento teórico, conhecer o negócio (Empreendedor C);
• a vontade de abrir e a combinação das personalidades dos três sócios que se
complementam (Empreendedor D).
Entretanto, quando questionados sobre o que pode facilitar a abertura e o
desenvolvimento de um novo empreendimento nos dias atuais, responderam que: um novo
empreendimento só com muito capital”(Empreendedor A e C); é necessário conhecer o básico
(gestão administrativa e financeira), estudar o mercador que pretende explorar, ter visão do
futuro, muita dedicação e persistência (Empreendedor B); além da vontade de abrir, é preciso
procurar formar parcerias e sociedades (Empreendedor D)
Finalizando, para alguém que está iniciando um novo negócios, os empreendedores
deram os seguintes conselhos: “ser muito cauteloso (Empreendedor A); fazer um estudo de
mercado, disposição de estar a frente do empreendimento; gostar do que faz e fazer melhor,
pensar permanentemente no cliente e vê-lo como seu patrão, investir e reinvestir todo o lucro
no empreendimento, ser humilde (Empreendedor B); ser um sonhador realista, adquirir
experiência, acostumar-se com as barreiras e ser persistente (Empreendedor C); possuir
objetivos, procurar associar-se, formar parcerias (alguém que o complemente, onde não tiver
muitas habilidades) e verificar se de fato vai satisfazer uma necessidade do mercado
(Empreendedor D).
Os empreendedores acrescentaram que, para ser empreendedor, é necessário: trabalhar
no negócio antes (Empreendedor C), focar suas atividades mais em resultados e menos em
processos (Empreendedor D) e procurar transformar oportunidades de mercado em novos
produtos (Empreendedor B).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Primeiramente, é importante ressaltar que não é viável fazer generalizações das
características dos empreendedores bem sucedidos apresentadas neste estudo. Assim, não se
pretende elaborar uma análise de caráter conclusivo (mas, provocativo), haja vista as
limitações e especificidades da amostra investigada. Estes resultados são, na verdade, passos
iniciais que inspirarão novas pesquisas sobre as características dos empreendedores na região
Nordeste.
Entretanto, urge considerar que apesar das limitações, algumas reflexões
significativas, fruto do esforço em discutir o tema eclodiu e pode contribuir para análises
futuras mais aprofundadas.
7
Sobre os aspectos dificultantes na abertura e desenvolvimento de um novo
empreendimento, acredita-se que estes se modificaram ao longo do tempo. A principal
dificuldade no início da segunda metade do século XX (falta de recursos financeiros), hoje,
está acompanhada da falta de experiência e da disputada concorrência do mercado,
verdadeiros obstáculos na abertura de um novo negócio. Já os principais aspectos
facilitadores, no entanto, dizem respeito à situação favorável do ambiente econômico
(capacidade de aquisição de crédito financeiro); a ter alguma experiência e conhecimento
teórico; além de conhecer o negócio e saber como inovar em suas atividades.
A literatura, no entanto, destaca que os principais aspectos dificultantes e facilitadores
para a abertura de um novo empreendimento dizem respeito às características intrínsecas da
personalidade de cada empreendedor. Como é possível observar, os resultados desta pesquisa
preliminar com os empreendedores da região sinalizam que, possivelmente, há questões muito
mais relevantes no pensamento dos empreendedores de sucesso do que aquelas relacionadas
às características da personalidade. A influência do ambiente econômico, a questão da
experiência e conhecimento do negócio que, aparece neste estudo, necessita ser considerados.
Uma característica relevante, dos empreendedores analisados, é o fato de todos
considerarem sucesso como grande satisfação com o trabalho e realização profissional.
Corroborando com a literatura, os critérios de identificação de oportunidades mais utilizados
pelos empreendedores pesquisados em suas práticas organizacionais, foram adotar uma
atitude de sempre procurar por oportunidades (antenado) e estudar as tendências do mercado.
Finalmente, este trabalho registra uma característica comum percebida nos
empreendedores, investigados: o fato de serem pessoas simples, no que diz respeito aos
sentimentos e desejos. Conforme as palavras de Filion, expressa em diversos dos seus
trabalhos: “o empreendedorismo no Brasil é um fenômeno regional e local”. O empreendedor
desta região, principalmente do agreste e zona da mata pernambucana, indica ser uma pessoa
que valoriza os relacionamentos (com a família, amigos e funcionários) e o desejo de crescer
através do esforço próprio, algo já ressaltado no referencial teórico deste artigo (FILION,
1999d) e, uma das características do empreendedor bem sucedido: ser um trabalhador
incansável.
6. BIBLIOGRAFIA
BATEMAN, Thomas S. & SNELL, Scott A. Liderança. In: Administração: Construindo
Vantagem Competitiva. São Paulo: Atlas, 1998. p. 333-358.
BIRLEY, Sue & MUZYKA, Daniel F. Dominando os Desafios do Empreendedor. São Paulo:
Makron Books, 2001.
CARPINTÉRO, José Newton Cabral. Empreendedorismo e Desenvolvimento. In: World
Conference of Business Incubation – WCBI. Anais... Rio de Janeiro: WCBI, 2001. [CDROM]
DOLABELA, Fernando. Oficina do Empreendedor. Cultura Editores Associados, 1999a. 280
___________________. O Segredo de Luísa. São Paulo: Cultura, maio 1999b.
___________________. O Ensino de Empreendedorismo: Panorama Brasileiro. In:
Conferência A Universidade Formando Empreendedores – CNI-IEL. Anais... Brasília:
[s.n.] maio 1999c.
DRUCKER, Peter. Além da Revolução da Informação. In: HSM Management. [s.l.] jan./fev.
2000, n.18. p.48.
___________________. Inovação e Espírito Empreendedor. São Paulo: Pioneira, 1986.378 p.
8
___________________. O Planejamento do seu Sistema de Aprendizagem Empresarial:
Identifique uma Visão e Avalie o seu Sistema de Relações. In: Revista de Administração
de Empresas – RAE. São Paulo: USP, jul./set. 1991. p.63-71.
FILION, Jacques & DOLABELA, Fernando. Boa Idéia! E Agora? São Paulo: Cultura, 2000.
FILION, Luis Jacques. O Empreendedorismo como Temas de Estudos Superiores. Seminário:
A Universidade Formando Empreendedores. Anais... [On-line] Escola de Altos Estudos
Comerciais
(H.E.C.)
de
Montreal,
CNI-IEL,
1999a
(http://www.epa.adm.br/empreend001.htm) [14 set. 2001].
___________________. Empreendedorismo: Empreendedores e Proprietários-Gerentes de
Pequenos Negócios. In: RAUSP – Revista de Administração, v.34, n.2, abril/junho 1999b.
p.5-28.
___________________. Diferenças entre Sistemas Gerenciais de Empreendedores e
Operadores de Pequenos Negócios. In: Revista de Administração de Empresas – RAE. São
Paulo: FGV-SP, v.39. n.4, Out/Dez. 1999c, p.06-20
___________________. Empreendedorismo e Gerenciamento: Processos distintos porém
complementares. In: Revista de Administração de Empresas – RAE (Light). [s.l.] FGV-SP,
1999d. [Documento não publicado].
___________________. Artigo para o jornal “Gazeta Mercantil”. Gazeta Mercantil. “École
dês HEC, The University of Montreal Business School”, [19xx].
FORMICA, Piero. Inovação e Empreendedorismo: Um Ponto de Vista do Contexto Italiano
das PME. In: Seminário Universidade Formando Empreendedores. Anais... [s.l.]
[s.n.][19xx].
GEM. Empreendedorismo no Brasil. Global Entrepreneurship Monitor, 2001.
GERBER, Michael E. O Mito do Empreendedor: Como fazer de seu empreendimento um
negócio bem-sucedido. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 1990.
GUEIROS, Mônica M. B, VASCONCELOS, Íris Eucaris de & ALMEIDA, Yêda Medeiros
B. de. O Ensino do Empreendedorismo como Alternativa para o Desenvolvimento
Regional. In: World Conference of Business Incubation – WCBI. Anais... Rio de Janeiro:
WCBI, nov. 2001. [CD-ROM]
LEITE, Emanoel Ferreira. O Fenômeno do Empreendedorismo: criando Riquezas. [s.l.] Ed.
Bagaço, 2000. 503 p.
PELISSON, Cleufe et alii. Comportamento Gerencial, Gênero e Empreendedorismo. In:
Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração –
ENANPAD, Anais.... [s.l.] ANPAD, 2001.
SOUZA, Jader. Empreendedorismo e Negócio Próprio. In: Gazeta Mercantil. [s.l.] 14 mar.
2001.
TEIXEIRA, Hélvio de Avellar. A Trajetória dos Pequenos Negócios do Ramo de Turismo na
Região de Belo Horizonte e Poços de Caldas (MG) - um estudo sobre o mito ou a
realidade do processo de empreendedorismo. In: Encontro da Associação Nacional dos
Programas de Pós-Graduação em Administração – ENANPAD, Anais.... [s.l.] ANPAD
2001.
WOOD,
Thomaz.
Trash
Management.
In:
Revista
Carta
Capital.
(http://www.terra.com.br/cartacapital/153/coluna.htm) [24 ago. 2001].
9
Download

Mônica Maria Barbosa Gueiros RESUMO O objetivo desta