Avaliação Externa das Escolas Relatório de escola Agrupamento de Escolas de Nogueira BRAGA Delegação Regional do Norte da IGE Datas da visita: 4 a 6 de Novembro de 2008 I – INTRODUÇÃO A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabeleceu o lançamento de um «programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais do seu trabalho». Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação (IGE) de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase-piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho. O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita efectuada entre 4 e 6 de Novembro de 2008. Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 Os capítulos do relatório ― Caracterização do Agrupamento, Conclusões da Avaliação por Domínio, Avaliação por Factor e Considerações Finais ― decorrem da análise dos documentos fundamentais do Agrupamento, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel. 2 Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação. O texto integral deste relatório, bem como um eventual contraditório apresentado pelo Agrupamento, será oportunamente disponibilizado no sítio da IGE em: www.ige.min-edu.pt Escala de avaliação Níveis de classificação dos cinco domínios MUITO BOM – Predominam os pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoamento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos. BOM – A escola revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa individuais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos. SUFICIENTE – Os pontos fortes e os pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos. INSUFICIENTE – Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes. A escola não demonstra uma prática coerente e não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos. O Agrupamento de Escolas de Nogueira, situado no concelho de Braga, foi constituído no ano de 2001. Actualmente, para além da Escola Básica dos 2º e 3º ciclos (EB2,3) de Nogueira, sede do Agrupamento, este é constituído por mais seis Jardins-de-infância (JI), seis escolas básicas do 1.º ciclo (EB1) e duas escolas EB1 com Jardim-de-infância (EB1/JI), a saber: JI de Arcos, JI de CarvalhoTrandeiras, JI de Igreja-Esporões, JI de Monte-Nogueira, JI de Regadinhas-Lomar, JI de AgreloNogueira, EB1/JI de Fraião, EB1/JI Nogueira da Silva, EB1 de Arcos, EB1 de Esporões, EB1 de Lomar, EB1 de Morreira, EB1 de Nogueira e EB1 de Trandeiras. Os estabelecimentos de educação e ensino ora referidos inserem-se na área de influência pedagógica do Agrupamento que se estende pelas freguesias de Nogueira, Arcos (S. Paio), Morreira, Esporões, Trandeiras, Fraião, Lomar e S. Lázaro (Bairro Nogueira da Silva). Trata-se de um território educativo com uma relativa dispersão, distando o estabelecimento de educação e ensino geograficamente mais longínquo da escola sede cerca de 5 km. Os vários edifícios e respectivos logradouros, tendo sido objecto de intervenções de melhoramentos e requalificação, encontram-se conservados. A globalidade das escolas está dotada com sistemas de alarme e campainha. O Agrupamento acolhe, actualmente, 1632 discentes, assim distribuídos pelos diversos níveis de educação e ensino: 279 a frequentar a educação pré-escolar, 650 o 1.º ciclo, 284 o 2.º ciclo, 369 o 3.º ciclo, 28 os cursos de educação formação (Jardinagem e Espaços Verdes e Serviço de Mesa e Bar) e 13 os cursos de educação e formação de adultos. Tendo presente o universo dos discentes do ensino básico do Agrupamento, resulta, com base no respectivo perfil, que 42,7% não têm computador nem internet em casa, 25,9% têm computador mas não têm internet e os restantes 31,4% têm computador e internet em casa. Os serviços de acção social escolar apoiam 37,8 % dos alunos, dos quais 46,7% estão integrados no escalão A, 48.5% no escalão B e 4.8% no escalão C. Quanto às profissões dos pais, 9% enquadram-se na categoria de “quadros superiores, dirigentes e profissionais intelectuais”, 6,3% são “técnicos e profissionais de nível intermédio”, 18,8% desempenham a sua actividade nos “serviços e comércio”, 0,4% são “agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas”, 32,1% enquadram-se na categoria de “operários e trabalhadores da indústria”, 4,8% são “trabalhadores não qualificados” e os restantes 28,6% na categoria “outras” profissões. Já no que diz respeito às suas habilitações académicas, verifica-se que 31,2% possuem formação superior, 28,3% o ensino secundário, 20,4% o 3.º ciclo do ensino básico, 0,7% habilitação igual ou inferior ao 2.ºCEB e 19,4% formação desconhecida. O corpo docente do Agrupamento caracteriza-se pela estabilidade e experiência profissional. Constituído por 133 docentes, destes, 80,4% pertencem ao quadro de escola, a maioria (74,4%) tem entre 40 e 60 anos de idade e 60% desempenham a sua actividade há 20 ou mais anos. Exercem funções no Agrupamento 54 funcionários não docentes, sendo que 61,2% pertencem ao quadro de vinculação e os demais 38.8% encontram-se numa situação de vínculo temporário. Também desempenham funções no Agrupamento 7 funcionários colocados pela Câmara Municipal de Braga. III – CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO 1. RESULTADOS BOM A avaliação dos resultados constitui, desde 2002, uma prioridade do Agrupamento. De facto, trata-se de um trabalho consistente e sistemático, cujas análises têm permitido, não só conhecer a quantidade do sucesso, mas também a sua qualidade. Regista-se, nos últimos anos, com particular enfoque no ano lectivo de 2007/08, um aumento quantitativo e qualitativo do sucesso académico. As taxas de transição do Agrupamento são superiores às verificadas a nível nacional. Refiram-se os resultados obtidos nas provas de aferição do 4.º e do 6.º ano, no ano de 2008, os quais foram superiores aos nacionais, tanto em Língua Portuguesa, como em Matemática. No 9º ano de escolaridade, observou-se, entre 2006 e 2008, uma evolução progressiva das médias dos resultados obtidos no exame nacional da disciplina de Língua Portuguesa, embora, excepcionando o valor médio relativo ao ano de 2007, as restantes médias foram inferiores às médias internas e às médias dos exames nacionais. Na disciplina Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 II – CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO 3 de Matemática, no período acima mencionado, as médias dos resultados obtidos pelo Agrupamento no exame nacional foram sempre inferiores, quer às médias das classificações internas, quer às médias nacionais dos exames, situação demonstrativa de alguma falta de sustentabilidade do Agrupamento na disciplina ora em apreço, no âmbito da avaliação sumativa externa. A participação dos alunos na vida do Agrupamento, tendo em atenção o seu nível etário, constitui um aspecto muito positivo, assumindo os discentes, responsabilidades concretas, desde logo, o acompanhamento e monitorização da limpeza dos espaços e separação dos lixos. Refira-se, ainda, a existência da Associação de Estudantes com uma acção e intervenção regulares, embora muito virada para a escola sede. Outra modalidade de participação dos alunos é nas assembleias de turma, cujos representantes têm assento na Assembleia-Geral de Delegados, prática existente, por enquanto, na escola sede. Os alunos aderem, de forma empenhada, aos vários clubes e projectos existentes no Agrupamento. Há, pois, uma elevada participação que deriva do forte sentido de pertença dos alunos à sua escola. Acresce referir o comportamento disciplinado dos discentes. As situações graves de violência não existem. O Agrupamento assume-se como uma escola de afectos, onde se promovem os valores da cidadania, da tolerância, da solidariedade e do respeito mútuo. É um espaço educativo muito seguro, acolhedor e onde há um permanente ambiente harmonioso. O Agrupamento diversificou as suas ofertas formativas, através da criação de novos cursos, desde logo, os cursos de educação formação e de educação e formação de adultos. Procurou, ainda, diversificar a oferta curricular, pela via da formação artística, científica, ambiental e da educação para cidadania, assumindo tais vertentes destaque através dos vários projectos e clubes. É de salientar que, em muitas destas actividades internas e externas, os alunos têm sido premiados, nalguns casos com prémios de grande importância e valor. Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 2. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO 4 MUITO BOM Neste âmbito, no Agrupamento predominam os pontos fortes, existindo uma acção intencional com base em procedimentos explícitos e eficazes. De facto, ao nível da articulação e sequencialidade, há um trabalho intra e interdepartamental com coordenação e consolidação científica. Há um acompanhamento e orientação regulares por parte dos coordenadores dos conselhos de docentes e dos departamentos curriculares. Para aprofundar a articulação e a sequencialidade entre ciclos de aprendizagem e as diversas unidades educativas que constituem o Agrupamento, são desenvolvidos projectos e actividades transversais, realizam-se visitas dos discentes às suas futuras escolas e promovem-se reuniões e troca de informação entre os docentes dos anos terminais da educação préescolar e dos três ciclos do ensino básico. O acompanhamento da prática lectiva em sala de aula é realizado de forma indirecta, através do trabalho desenvolvido nos conselhos de docentes, nos departamentos curriculares e respectivas secções, bem como nos conselhos de turma. Há um trabalho consistente no que concerne à diferenciação e apoios que conta com a acção dos docentes de apoio educativo em ligação estreita com a psicóloga. Acresce, ainda, que o Agrupamento, considerando o contexto em que se insere, oferece, para além do currículo centralmente prescrito, diferentes oportunidades educativas e formativas através de vários clubes, projectos, e outras actividades de complemento e enriquecimento do curricular. 3. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR MUITO BOM Os documentos estruturantes da acção educativa do Agrupamento contemplam princípios orientadores, prioridades pedagógicas e organizacionais, objectivos gerais, áreas específicas de intervenção, estratégias de acção e metas claramente avaliáveis. No que respeita à gestão dos recursos humanos são tidas em atenção as competências profissionais e a capacidade de relacionamento interpessoal. Na distribuição do serviço docente releva, ainda, o princípio da continuidade educativa. Mas, para além de tudo isto, destacam-se as posturas atentas e motivadoras das lideranças de topo, delegando funções e valorizando os bons desempenhos. Ora, esta atitude é bem aceite e constitui um permanente alento para um trabalho de qualidade do pessoal docente e não docente. Acerca da gestão financeira e dos recursos materiais, ressalta que os responsáveis pelo Agrupamento demonstram ter capacidade para captar receitas. Desta forma, às verbas do Orçamento de Estado, acrescem as que advêm das candidaturas a vários projectos. Trata-se de uma gestão pelo rigor orçamental e pelo combate persistente a todas as situações de desperdício. Nenhuma actividade proposta deixa de se realizar por falta de verba. Os princípios da equidade e justiça orientam as opções das lideranças em apreço. Existem políticas de inclusão, salvaguardando as características culturais de minorias étnicas que frequentam as escolas do Agrupamento. A participação dos pais na vida do Agrupamento tem vindo a aumentar ao longo dos tempos. Ora, esta realidade deriva de um trabalho sistemático e explícito do Conselho Executivo e dos directores de turma. Hoje verifica-se que a generalidade dos pais se interessa pela escola e pelo desempenho escolar dos seus filhos. Já a participação do movimento associativo da região nas dinâmicas do Agrupamento é muito ténue. Quanto ao tecido empresarial, apesar de significativo no contexto geográfico em causa, não se tem vislumbrado a sua efectiva participação nos órgãos onde legalmente têm assento, situação agora alterada com a cooptação de uma empresa do ramo da construção civil para o Conselho Geral transitório. MUITO BOM Os documentos estruturantes e orientadores da acção educativa do Agrupamento, designadamente o Projecto Educativo, o Projecto Curricular e o Plano Anual de Actividades denotam que existe uma visão e estratégia assente num pensamento integrado e organizacionalmente assumido. O Agrupamento define metas claras e avaliáveis. Registam-se elevados índices de empenho e motivação dos actores, existindo, claramente, uma cultura de responsabilização e uma descentralização perfeitamente assumida. Evidencia-se uma clara monitorização dos casos de absentismo e uma política activa para a sua diminuição. A abertura à inovação é um aspecto marcante e bem visível na acção de docentes e outros funcionários na procura de novos saberes. De resto, há perfeitamente instalada uma cultura de parcerias, protocolos e projectos, realidade cuja dinâmica tem sido importante ao permitir uma abordagem mais diversificada e contextualizada dos conteúdos e matérias e, consequentemente, a melhoria das aprendizagens dos alunos. 5. CAPACIDADE DE AUTO-REGULAÇÃO E MELHORIA DO AGRUPAMENTO [CLASSIFICAÇÃO] MUITO BOM Neste domínio, ressalta, das evidências recolhidas, a existência de dinâmicas sustentadas em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Há, claramente, uma cultura de auto-avaliação no Agrupamento. É um trabalho que acontece, de forma ininterrupta, desde 2002. Pela adopção de mecanismos de auto-avaliação, existe uma evidente preocupação em definir planos de acção com vista à melhoria, tendo, por isso mesmo, impacto no planeamento e gestão das diferentes actividades. O Agrupamento tem clara consciência dos seus pontos fortes e apoia-se neles para o seu desenvolvimento. Ao nível dos pontos fracos, sabe identificá-los e apontar formas de os resolver. O Agrupamento, com uma história relativamente recente, tem dado passos certos na sua afirmação como espaço educativo muito seguro, limpo e com sucesso reconhecido, o que reforça nos seus responsáveis e demais membros, a convicção de que será cada vez mais um Agrupamento desejado pelas suas boas práticas e causas que defende. É, assim, uma organização com um conhecimento de si e, por isso, com um rumo e sentido estratégico. Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 4. LIDERANÇA 5 IV – AVALIAÇÃO POR FACTOR 1. RESULTADOS Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 1.1. SUCESSO ACADÉMICO 6 O Agrupamento organiza a componente educativa da educação pré-escolar, relevando as áreas de conteúdo, as quais são, particularmente, consideradas no planeamento e avaliação das situações e oportunidades de aprendizagem. Neste nível de educação, os registos e análises avaliativas são feitas de forma descritiva, através do preenchimento de fichas individuais para todas as crianças e da elaboração de relatórios no final de cada período e ano lectivos. Das evidências colhidas, resulta que há, pois, um trabalho pedagógico que tem concorrido para o desenvolvimento harmonioso das crianças e consequente evolução das suas aprendizagens. No que concerne ao ensino básico, globalmente considerado, o Agrupamento, no período que medeia entre o ano lectivo de 2005/06 até 2007/08, registou taxas de transição sempre superiores às verificadas a nível nacional. Assim, no primeiro ano ora em referência, o valor registado foi de 94.3% e, nos anos seguintes, de 92.3% e 97.8%; enquanto a nível nacional se observaram, respectivamente, taxas de 88.6%, 89.2% e 91,7%. Numa análise mais focada e desagregada, resulta que, no 1.º ciclo, a taxa de transição em 2005/2006, foi de 95%. Nos demais anos acima referidos, a mencionada taxa foi, respectivamente, de 94.6% e 97.9%. Tendo por suporte um olhar comparativo, colhe-se que, neste ciclo de estudos, o valor médio da taxa de transição no Agrupamento (96%) se situa acima da média nacional (95.7%). Prosseguindo no mesmo rumo de análise, ressalta que, no 2.º ciclo, as taxas de transição evoluíram, nos últimos três anos, de forma muito positiva, passando de 94.6% em 2005/2006, para 95.8% em 2006/2007 e 98.2% em 2007/2008. Também, o valor médio da taxa de transição dos alunos do 2º ciclo (96.2%) foi, manifestamente, superior à média nacional (89.7%). No 3.º ciclo, as taxas de transição, no período temporal em apreço, foram, respectivamente, 92.4%, 87.3% e 93.9%, cujo valor médio no Agrupamento (91.2), apesar da contracção verificada em 2006/2007, se apresenta superior ao valor médio nacional (81.6%). Releva, também, a comparação da taxa de alunos avaliados com níveis iguais ou superiores a 4. Assim, nos anos lectivos de 2006/2007 e 2007/2008, registaram-se, respectivamente, os seguintes valores: i) 5.º ano: 14.5%; 18.5%, ii) 6.ºano: 16.7%; 18.7%, iii) 7.º ano: 12.4%; 12%, iv) 8.º ano: 5.3%; 15.5%, v) 9.º ano: 6.8% e 10.4%. O Agrupamento procedeu à comparação dos seus resultados académicos, obtidos em 2007/2008, com os de outro agrupamento do concelho de Braga com características semelhantes, tendo-se verificado que a taxa de sucesso nos 2.º e 3.º ciclos foi superior no Agrupamento. Nas provas de aferição do 4º e do 6.º ano, no ano de 2008, os resultados obtidos pelos alunos foram superiores aos nacionais, tanto em Língua Portuguesa, como em Matemática. No que concerne ao 9º ano de escolaridade, constatou-se, entre 2006 e 2008, uma contínua evolução das médias dos resultados obtidos no exame nacional da disciplina de Língua Portuguesa (2.4; 3.0 e 3.1). Excepcionando o valor médio relativo ao ano de 2007, as restantes médias foram inferiores às médias internas (3.1; 3.0; 3.2) e às médias dos exames nacionais (2.7; 3.2; 3.3). Por seu turno, na disciplina de Matemática, no período acima mencionado, as médias dos resultados obtidos pelo Agrupamento no exame nacional (2.2, 2.0; 2.7) foram inferiores, quer às médias das classificações internas (3.1; 3.1,3.1), quer às médias nacionais dos exames (2.4; 2.2; 2.9). O absentismo escolar é residual e, no que respeita ao abandono, há muito que o mesmo deixou de existir. 1.2 PARTICIPAÇÃO E DESENVOLVIMENTO CÍVICO O Agrupamento, privilegiando um perfil humanista na formação dos seus discentes, estabeleceu como prioridade da sua acção educativa, entre outras, o desenvolvimento das competências cívicas dos alunos, de forma a desenvolver neles capacidades de intervenção crítica e de relacionamento harmonioso nos seus contextos vivenciais. Trata-se de uma opção organizacionalmente assumida, traduzida num trabalho sistemático e consolidado ao longo dos anos, cujos resultados são bem visíveis. Efectivamente, os alunos assumem responsabilidades concretas, desde logo, o acompanhamento e monitorização da limpeza dos espaços e separação dos lixos, procedendo à elaboração de relatórios sobre esta matéria, documentos que levam ao conhecimento do Conselho Executivo. Para o efeito, formam equipas com escalas de distribuição de serviço. Refira-se, ainda, a existência da Associação de Estudantes com uma acção e intervenção regulares, embora muito virada para a escola sede. Trata-se de uma estrutura estudantil que apresenta sugestões de melhoria, elabora o seu próprio plano de actividades, o qual operacionaliza ao longo do ano, bem como colabora na dinamização de projectos. Os alunos relevam, como muito positivo, o trabalho que a associação em apreço desenvolve, destacando o funcionamento da Rádio da Escola. Funcionam, também, no Agrupamento, as assembleias de turma, cujos representantes têm assento na Assembleia-Geral de Delegados. Contudo, apesar de estar a ser equacionado o seu alargamento a todas as unidades educativas, esta representação, por enquanto, acontece apenas na escola sede. As estruturas de participação discente ora mencionadas são muito interventivas, desde logo, na definição de regras de conduta a serem observadas, por exemplo, em cada turma, sem prejuízo do respeito pelas normas insertas no Regulamento Interno. Os alunos envolvem-se, de forma empenhada, nos vários clubes e projectos existentes no Agrupamento. Quer a Associação de Estudantes, quer a Assembleia Geral de Delegados estabelecem, sobre as matérias e problemáticas que mais lhes dizem respeito, contactos permanentes com os responsáveis pela gestão, sendo que a generalidade das propostas apresentadas, quase sempre, são acolhidas e realizadas. De tudo, resulta uma elevada participação que deriva do forte sentido de pertença dos alunos ao Agrupamento. A comunidade educativa preconiza que o clima e ambientes educativos do Agrupamento devem ter, como traços marcantes e distintivos, a segurança, o bem-estar e o relacionamento harmonioso, enquanto condições de suporte para o aumento e qualidade das aprendizagens. De facto, esta realidade emerge como um elemento caracterizador do Agrupamento, quando se constata o comportamento disciplinado dos alunos, sem prejuízo, conforme foi explicitado em vários painéis, de uma ou outra atitude mais irreverente. As situações graves de violência não existem. De resto, está estabelecido o princípio da tolerância zero à violência, o qual é assumido com grande rigor, em primeira linha, pelos alunos. Para a existência deste quadro claramente positivo em termos de comportamento cívico e de disciplina têm contribuído vários factores, sendo de destacar, para além do conhecimento e rigoroso cumprimento das regras, a participação empenhada na área curricular não disciplinar de Formação Cívica, bem como nos vários clubes e projectos existentes no Agrupamento. Mas, há, também, que referir, neste âmbito, a acção preventiva e o trabalho sintonizado entre o Conselho Executivo e os directores de turma, bem assim a co-responsabilização do pessoal não docente e dos pais/encarregados de educação que têm assimilado e assumido a sua importância, fazendo-o, cada vez mais, com gosto e sentido de responsabilidade. O Agrupamento, assume-se como uma “escola de afectos”, onde se promovem os valores da cidadania, da tolerância, da solidariedade e do respeito mútuo. 1.4 VALORIZAÇÃO E IMPACTO DAS APRENDIZAGENS Durante algum tempo, as baixas expectativas de muitas famílias em relação ao Agrupamento não deixaram de ter reflexos negativos nas aprendizagens dos alunos. Havia um quadro problemático, onde a insegurança, o abandono e os baixos resultados escolares eram alguns dos seus elementos caracterizadores. A envolvência dos pais/encarregados de educação assumia uma feição residual. Conscientes desta realidade, os responsáveis do Agrupamento, adoptaram, de forma claramente assumida, estratégias orientadas, em primeira linha, para a valorização das aprendizagens, com impacto nos alunos, seus pais e restantes membros da comunidade educativa. Neste sentido, foi criado o prémio de mérito e excelência, homenageando os alunos que se distinguem pelo seu aproveitamento escolar, pela realização de trabalhos académicos e pelas suas acções meritórias em prol da comunidade mais restrita e da sociedade. Do mesmo modo, face à realidade dos seus alunos, o Agrupamento diversificou as suas ofertas curriculares, através da criação de novos cursos, desde logo, os de educação e formação. O impacto destas ofertas tem sido muito positivo junto da comunidade, porquanto as empresas e os formadores internos e externos dão conta do bom desempenho da generalidade dos discentes nas situações de estágio. Releva, ainda, o funcionamento dos cursos de Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 1.3 COMPORTAMENTO E DISCIPLINA 7 educação formação de adultos destinados a todos aqueles a quem a escola, no seu currículo normal, não conseguiu despertar interesse para concluírem a escolaridade básica. Mas, para além da preocupação com a aquisição de resultados de natureza mais académica, o Agrupamento não descurou, em toda a sua oferta e diversidade curricular, a formação artística, científica, ambiental e da cidadania; pelo contrário, tais vertentes têm assumido muito destaque através dos vários projectos e clubes. É de salientar que, em muitas destas actividades internas e externas, os alunos têm sido premiados, nalguns casos, com prémios de grande importância e valor. 2. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 2.1 ARTICULAÇÃO E SEQUENCIALIDADE 8 A articulação entre órgãos e estruturas escolares é consistente, funcional e eficaz. O Agrupamento, na perspectiva de aprofundar a coordenação e articulação entre as suas várias unidades educativas e entre estas e a direcção executiva, criou o Conselho de Coordenadores de Escola. Trata-se de uma estrutura que tem contribuído, no plano da articulação funcional e até curricular, para reforçar a unidade do Agrupamento. A articulação curricular e supervisão pedagógica acontecem nos conselhos de docentes e nos departamentos curriculares. Nestas últimas estruturas de orientação, para além do seu funcionamento em plenário, existem secções específicas e grupos de trabalho por anos de escolaridade e disciplinas, onde são realizadas as planificações das diferentes áreas disciplinares, analisados o desenvolvimento dos projectos e demais actividades de natureza curricular e, ainda, discutidos os critérios gerais e específicos de avaliação. Na perspectiva da alteração de práticas, de forma a garantir aprendizagens mais diversificadas e significativas, há uma mobilização dos docentes a nível da procura e frequência de acções de formação interna e externa. O desenvolvimento de projectos e actividades transversais, as visitas das crianças/alunos às instalações que vão frequentar no ano lectivo seguinte, as quais poderiam assumir uma feição mais regular se, para o efeito, existisse uma rede de transportes escolares; e as reuniões, no início de cada ano lectivo, nas quais participam docentes dos anos terminais de cada nível de educação e ensino, constituem formas de aprofundar a articulação e a sequencialidade entre os ciclos de aprendizagem e as unidades educativas que integram o Agrupamento. Ainda, neste âmbito, habitualmente, as educadoras entregam aos professores do 1º ano o dossier de grupo e uma ficha de avaliação de cada criança com uma descrição qualitativa do seu desempenho. Por seu turno, os professores do 4.º ano fornecem aos directores de turma do 5.º ano os planos curriculares de turma. Ainda, com a intencionalidade de aprofundar a articulação interdepartamental, são contemplados nos semanários-horários tempos comuns para reuniões dos docentes, aprofundando-se, também, por esta via, o trabalho colaborativo. Nas estruturas mencionadas são definidas metas e objectivos de excelência, avaliáveis e quantificáveis, a atingir, desde logo, nos resultados escolares. 2.2 ACOMPANHAMENTO DA PRÁTICA LECTIVA EM SALA DE AULA A qualidade científica e pedagógica da actividade lectiva no Agrupamento constitui uma preocupação permanente. O acompanhamento da prática lectiva em sala de aula é realizado de forma indirecta, através do trabalho desenvolvido nos conselhos de docentes, nos departamentos curriculares e respectivas secções, bem como nos conselhos de turma. No entanto, apesar de não existir, ainda, uma observação presencial e formalizada nas salas de actividades/aula, há todo um trabalho de partilha de saberes, metodologias, experiências e de materiais nas estruturas de orientação acima mencionadas. Desta forma, acontece, também, a monitorização do grau de coerência entre o planeamento individual e as orientações vertidas no plano de gestão curricular de tais estruturas. 2.3 DIFERENCIAÇÃO E APOIOS No Agrupamento há um trabalho consistente no que concerne à identificação dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) e com dificuldades de aprendizagem. Efectivamente, procede-se à detecção precoce das situações referidas através da acção atenta dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo. Os casos identificados são reportados aos conselhos de docentes e de turma, onde se concebem as necessárias e adequadas medidas de apoio a aplicar, sendo fundamental nesta tarefa a acção do núcleo de apoio educativo e da psicóloga. Mas, para além do esforço na identificação e diagnóstico atempado das situações, há a preocupação de desenvolver toda a intervenção assente no princípio da continuidade do apoio específico às crianças com NEE. Desta forma, o docente especializado que inicia o trabalho de acompanhamento de uma criança no Jardimde-infância, fá-lo até que a mesma conclua a escolaridade básica. Acresce, ainda, mencionar o trabalho de acompanhamento desenvolvido por docentes de apoio educativo aos demais alunos com dificuldades de aprendizagem, consubstanciado em actividades diversas, prioritariamente, na sala de aula ou em micro-grupos. Salienta-se, neste âmbito, o apoio pedagógico acrescido, as acções enquadradas no Plano de Acção para a Matemática e no Plano Nacional de Leitura, a elaboração e aplicação de planos de recuperação e de acompanhamento. Apesar de não existirem planos de desenvolvimento, foram organizados espaços, sempre com a presença de docentes, como o cantinho da Matemática ou o curso de aperfeiçoamento de Inglês para os alunos com excepcionais capacidades de aprendizagem. 2.4 ABRANGÊNCIA DO CURRÍCULO E VALORIZAÇÃO DOS SABERES E DA APRENDIZAGEM O Agrupamento, considerando o contexto em que se insere, desenvolve um esforço orientado para assegurar diferentes oportunidades educativas e formativas. Ora, é neste sentido que, para além do currículo prescrito, de aplicação geral, o Agrupamento tem implementado várias actividades, projectos e clubes temáticos que configuram uma maior abrangência do currículo, permitindo a aquisição de novas aprendizagens e competências e uma maior autonomia na busca de novos saberes. Trata-se, pois, no fundamental, de ofertas de complemento e enriquecimento curricular, com particular incidência nos domínios da cidadania, saúde, arte, ambiente e desporto. Também, na perspectiva de acautelar o abandono precoce da escola, bem assim valorizar novas formas de aprendizagem, o Agrupamento oferece cursos de educação e formação (Jardinagem e Serviço de Mesa e Bar). Ainda, no presente ano lectivo, entrou em funcionamento um curso educação e formação de adultos, no qual estão inscritos vários pais/encarregados de educação. 3.1 CONCEPÇÃO, PLANEAMENTO E DESENVOLVIMENTO DA ACTIVIDADE A concepção do actual Projecto Educativo, com uma dimensão temporal de três anos (2005-2008), teve por suporte a avaliação do projecto anterior, na medida em que para o Agrupamento não seria possível traçar um rumo sem conhecer a situação em que se encontrava. Com base nesta orientação, foram definidos princípios orientadores da acção educativa e organizacional, bem assim, as prioridades pedagógicas (melhoria dos níveis de aprendizagem, com o objectivo de aumentar o sucesso educativo, com particular enfoque a qualidade do mesmo; aumento das competências cívicas dos alunos e optimização dos seus tempos livres) e prioridades organizacionais (segurança das pessoas e bens e manutenção e melhoramento dos espaços e meios de suporte material às actividades). Do mesmo modo, foram delineados, quer os objectivos gerais, quer as áreas específicas de intervenção e estratégias de acção. Ora, em coerência e articulação com estas linhas gerais orientadoras foi elaborado o Projecto Curricular do Agrupamento, bem como os planos anuais de actividades. Estabelecendo um juízo de análise e comparação entre as intencionalidades orientadoras da acção vertidas nos documentos em apreço e os resultados da acção propriamente dita, ressalta o elevado grau de concretização das vontades manifestadas. De facto, estes resultados advêm, no fundamental, da acção empenhada e sistemática dos vários membros da comunidade educativa. No entanto, o pessoal não docente assume, ainda, uma atitude muito passiva em termos de apresentação de propostas para o Plano Anual de Actividades. Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 3. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR 9 3.2 GESTÃO DOS RECURSOS HUMANOS A estabilidade, em termos de colocação, da maioria dos professores permite que o Conselho Executivo tenha um conhecimento aprofundado das suas competências pessoais e profissionais, factor que contribui para a optimização na gestão destes recursos humanos. A distribuição de serviço docente assenta no princípio da continuidade/sequencialidade do trabalho educativo com as diferentes turmas. Esta prática de gestão tem sido muito bem acolhida pelos alunos e respectivos pais e é geradora de grande satisfação profissional, porquanto é um elemento potenciador da melhoria dos resultados escolares. O perfil, a capacidade de relacionamento interpessoal, a facilidade de comunicação com as famílias constituem requisitos para a designação dos directores de turma. Verificou-se que a maioria dos directores de turma desempenha o cargo há muitos anos com grande dedicação e empenho. A gestão do pessoal não docente é feita de acordo com o perfil evidenciado por cada um dos seus elementos. O número destes funcionários é, conforme foi afirmado nos vários painéis, claramente insuficiente para a quantidade e diversidade de escolas do Agrupamento, para o seu bom funcionamento e exequibilidade de algumas das prioridades do Projecto Educativo. No entanto, apesar da sua insuficiência, o seu trabalho destaca-se pela qualidade, desde logo, em duas das prioridades do Projecto Educativo: a segurança e a higiene e limpeza. Diariamente e, sobretudo nas pausas lectivas, realizam muitíssimo trabalho bem executado, de tal modo que em cada recomeço os espaços parecem sempre novos. Ademais, todos os anos pintam os edifícios do Agrupamento. Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 3.3 GESTÃO DOS RECURSOS MATERIAIS E FINANCEIROS 10 As instalações, o seu muito bom estado de conservação, o seu aspecto airoso e acolhedor, os seus espaços verdes, a sua decoração com trabalhos executados pelos alunos constituem um traço marcante e distintivo do Agrupamento. No que concerne aos recursos financeiros, constata-se que os mesmos têm permitido um desenvolvimento de todas as actividades que são propostas pelas estruturas e órgãos internos, tendo os responsáveis pela gestão do Agrupamento, afirmado que nunca nenhuma actividade se deixou de realizar por falta de verba. Há a preocupação com a valorização dos edifícios, bens e equipamentos. Ora, esta orientação obedece a princípios de gestão equilibrada e parcimoniosa dos recursos. O combate persistente a todas as situações de desperdício é um lema que prosseguem com rigor. O Agrupamento demonstra ter capacidade para captar receitas. Desta forma, às verbas do Orçamento de Estado, acrescem as que advêm das candidaturas a projectos, sendo de destacar, entre outras, as candidaturas ao projecto EDP – painéis solares que permitem uma poupança de energia – e às campanhas de recolha de rolhas de cortiça e de óleos de cozinha. 3.4 PARTICIPAÇÃO DOS PAIS E OUTROS ELEMENTOS DA COMUNIDADE EDUCATIVA Fruto de um persistente trabalho do Conselho Executivo e dos directores de turma, verifica-se que a generalidade dos pais se interessa cada vez mais pela vida do Agrupamento e pelo desempenho escolar dos seus filhos. Os directores de turma realizam reuniões regulares com os pais e, para facilitar a sua presença, flexibilizam os horários de atendimento. O Conselho Executivo também reúne com as associações de pais e representantes dos pais e encarregados de educação das turmas. Existe uma boa articulação entre o Agrupamento, a Câmara Municipal de Braga e as Juntas de Freguesia do território de influência do Agrupamento. De resto, conforme foi explicitado em painel, as Juntas de Freguesia em apreço têm um profundo orgulho no Agrupamento, tendo em conta a boa imagem social do mesmo. No entanto, apesar de na comunidade local existir um vasto movimento associativo, a sua ligação ao Agrupamento é muito ténue. Quanto ao tecido empresarial, apesar de significativo no contexto geográfico em causa, não se colhe a sua efectiva envolvência nas dinâmicas do Agrupamento. 3.5 EQUIDADE E JUSTIÇA Dos vários depoimentos, resultou claro que a acção do Agrupamento obedece a critérios de equidade e justiça. Os alunos afirmaram não existirem turmas especiais constituídas com base no estrato social e económico de pertença. Mais referiram que os seus professores são justos na atribuição das classificações, respeitando os critérios definidos. Tendo presente que a população discente do J.I./EB1 Nogueira da Silva é maioritariamente de etnia cigana, há um grande trabalho do Conselho Executivo e da Coordenadora deste estabelecimento tendente a combater o absentismo e a aprofundar a integração de tais crianças/alunos, salvaguardando sempre os traços identitários da sua cultura. Acresce salientar a adopção de políticas e medidas de discriminação positiva, desde logo, na distribuição de suplementos alimentares aos alunos da escola sede que denotam carências nutricionais. Têm um papel importante na identificação destes problemas, os auxiliares de acção educativa, os directores de turma e a funcionária responsável pelo serviço de acção social escolar. No entanto, esta prática não foi, ainda, alargada às restantes unidades do Agrupamento. Importa salientar que vários docentes a expensas suas, quando os alunos estão doentes, se deslocam às suas casas para lhes darem aulas e, acima de tudo, mantê-los ligados à escola, concretizando, também, por esta via, a opção de serem uma “escola de afectos”. 4. LIDERANÇA 4.1 VISÃO E ESTRATÉGIA Os documentos estruturantes e orientadores da acção educativa do Agrupamento, nomeadamente o seu Projecto Educativo, Projecto Curricular e Plano Anual de Actividades, têm como lema “ Uma Escola Segura e de Sucesso”. Para a sua prossecução apontam prioridades, objectivos, estratégias e formas de acção, bem como metas claras e avaliáveis. Existe a noção clara de que a aquisição consistente de novos saberes por parte dos alunos, enquanto principais destinatários da acção educativa, está dependente, no fundamental, da verificação de condições de bem-estar, segurança e respeito mútuo. É neste sentido que as lideranças de topo e intermédias se têm mobilizado, numa parceria estreita com os demais responsáveis directos pelos processos educativos, de forma a reforçarem, ainda mais, a imagem e o reconhecimento do Agrupamento, enquanto organização que presta um serviço público de educação. A existência de um bom e motivador ambiente de trabalho constitui um traço marcante do Agrupamento. Para tal tem contribuído a comunicação fácil e directa das lideranças de topo e intermédias com os demais membros da comunidade educativa. As relações interpessoais e os contextos informais de interacção emergem como elementos facilitadores de uma participação mais activa e empenhada. A percepção da boa imagem que o Agrupamento tem no exterior é, também, um elemento que concorre para a existência deste ambiente educativo. 4.3 ABERTURA À INOVAÇÃO O Agrupamento ao orientar toda a acção educativa à luz do seu lema fá-lo com grande sentido de abertura à inovação. Há docentes e outros funcionários que, por iniciativa própria, procuram obter novos conhecimentos em acções de formação, para que os seus desempenhos sejam sempre de maior qualidade. Mas, para além da busca pessoal de novos saberes, assume uma feição reforçada a envolvência do Agrupamento em projectos e actividades formativas, designadamente no Plano de Acção para a Matemática, no Plano Nacional de Leitura e na criação e dinamização da biblioteca escolar, sendo, de resto, os primeiros no concelho de Braga, funcionando em rede com a Biblioteca Municipal. Acresce, ainda, a participação do Agrupamento em projectos pioneiros a nível nacional e, até, internacional, tendo já obtido excelentes resultados como atrás já se explicitou no factor 3.3. 4.4 PARCERIAS, PROTOCOLOS E PROJECTOS A feição dinâmica do Agrupamento traduz-se, também, na capacidade demonstrada em estabelecer parcerias, protocolos e desenvolver projectos numa ligação estreita com outras entidades. Refira-se a oferta de estágio, por parte de catorze empresas, para alunos dos cursos de educação e formação. Será de mencionar, ainda, as parcerias/protocolos de colaboração com vinte e nove instituições, sendo de Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 4.2 MOTIVAÇÃO E EMPENHO 11 destacar, entre outras, a ligação estreita à Universidade do Minho (o Agrupamento integra a rede de escolas cooperantes desta Universidade), Universidade Lusíada, Universidade Fernando Pessoa, Instituições particulares de solidariedade social, centros de saúde, Fundação Portuguesa de Cardiologia, Associação Promotora de Segurança Rodoviária, Câmara Municipal de Braga e Juntas de Freguesia da área do Agrupamento. Releva a ligação e articulação permanentes com outras escolas, desde logo, no âmbito do Desporto Escolar. Ficou claro nos vários painéis que o Agrupamento é uma instituição educativa que não se fecha sobre si mesma, antes procurando dar conhecimento do seu trabalho e buscar sempre novos saberes através do contacto com outros parceiros. Na perspectiva de manter ligações ao Agrupamento, contribuindo para o seu desenvolvimento, foi criada a Associação de Amigos do Agrupamento de Escolas de Nogueira, cujos associados são, na sua maioria, docentes aposentados do Agrupamento, contando, ainda, com outros membros da comunidade educativa. 5. CAPACIDADE DE AUTO-REGULAÇÃO E MELHORIA DO AGRUPAMENTO Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 5.1 AUTO-AVALIAÇÃO 12 No Agrupamento existe uma política consistente e sistemática de auto-avaliação. Trata-se de um trabalho iniciado em 2002. Toda a acção desenvolvida é avaliada. Assim, as estruturas pedagógicas e grupos de projectos produzem, periodicamente, relatórios circunstanciados, os quais são, numa primeira fase, lidos e analisados por uma equipa para o efeito constituída. Depois deste primeiro trabalho, o Conselho Pedagógico procede, igualmente, à análise das reflexões e relatórios então produzidos. De tudo resulta ou a validação do trabalho desenvolvido e objecto de avaliação ou a produção de novas orientações direccionadas para a reformulação das estratégias então adoptadas. A equipa que ora se refere também elabora os mapas estatísticos dos resultados obtidos para análise nos conselhos de docentes, departamentos, conselhos de directores de turma e no Conselho Pedagógico, tendo, à luz do princípio da sintonia na actuação, a supervisão e acompanhamento do Conselho Executivo. Mas, para além dos processos mencionados, há o trabalho de avaliação do desempenho global do Agrupamento, enquanto organização, efectuado pela equipa de auto-avaliação. Nesta sede procura-se avaliar o grau de consecução do Projecto Educativo no período da sua vigência. Fazem-no, tendo por fontes relatórios, reflexões, análises e conclusões que, sectorialmente, vão sendo produzidas. Mas, também as actas, os dados estatísticos e inquéritos aplicados aos vários membros da comunidade educativa que constituem elementos de recolha de informação. Da análise das evidências que resultam destas fontes, a comissão de auto-avaliação produz um relatório, onde constam os pontos fracos, pontos fortes e se apontam estratégias de melhoria. Das evidências recolhidas, constata-se que este trabalho tem um efectivo impacto no planeamento e na gestão das actividades, na organização do Agrupamento e nas práticas profissionais, sendo de destacar, em jeito de exemplo, a organização dos horários (2 contraturnos, a ocupação dos momentos mortos dos alunos, o aprofundamento da articulação entre a educação pré-escolar e o 1º ciclo e a reorganização dos clubes). No entanto, a equipa de auto-avaliação tem sido constituída apenas por docentes. Mas esta, conforme afirmaram, é uma mera questão formal, porque, efectivamente, acaba por haver uma grande mobilização e envolvência de todos os membros da comunidade educativa neste trabalho. 5.2 SUSTENTABILIDADE DO PROGRESSO Os resultados escolares dos alunos verificados nos últimos anos e o impacto, no meio envolvente, do serviço educativo prestado pelo Agrupamento são elementos demonstrativos da sustentabilidade do progresso. Acresce a visão estratégica dos responsáveis pela gestão de topo e intermédia, o envolvimento empenhado dos alunos e a progressiva participação dos pais, o reiterado apoio das autarquias, a consistência dos projectos desenvolvidos e a estabilidade de um corpo docente qualificado e motivado. Efectivamente, o Agrupamento, com uma história recente, tem dado passos certos na sua afirmação, enquanto entidade educativa segura, limpa, cultural, eficaz, com sucesso reconhecido, o que reforça nos seus responsáveis e demais membros a convicção de que será cada vez mais uma escola desejada pelas suas boas práticas e pelas causas que defende. Trata-se, pois, de uma organização com um conhecimento de si e, por isso, com um rumo e sentido estratégico, cuja ambição, como afirmaram os seus actores é tornar-se, a curto prazo, a melhor Escola de Braga. V – CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, apresenta-se uma selecção dos atributos do Agrupamento de Escolas de Nogueira (pontos fortes e fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos). A equipa de avaliação externa entende que esta selecção identifica os aspectos estratégicos que caracterizam o Agrupamento e define as áreas onde devem incidir os seus esforços de melhoria. Entende-se aqui por ponto forte: atributo da organização que ajuda a alcançar os seus objectivos; por ponto fraco: atributo da organização que prejudica o cumprimento dos seus objectivos; por oportunidade: condição ou possibilidade externas à organização que poderão favorecer o cumprimento dos seus objectivos; por constrangimento: condição ou possibilidade externas à organização que poderão ameaçar o cumprimento dos seus objectivos. Os tópicos aqui identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório. Pontos fortes A melhoria consistente dos resultados escolares; O trabalho atento e dedicado das lideranças de topo e intermédias, bem como dos restantes profissionais; A aprazibilidade dos espaços, a segurança e bom clima e ambiente educativo; A existência de práticas consistentes e sistemáticas de auto-avaliação. Os resultados dos alunos nos exames do 9.º ano ainda inferiores aos nacionais; O funcionamento da assembleia de delegados de turma, apenas com alunos da escola sede; A falta de acompanhamento e supervisão da prática lectiva em sala de aula. Oportunidades A existência de um tecido empresarial envolvente ao Agrupamento que poderá constituir uma mais-valia no plano da oferta formativa. Constrangimentos A inexistência de transportes escolares que permitam a deslocação regular das crianças/alunos dos JI/EB1 à escola sede, dificultando a partilha de materiais e o acesso a recursos diversificados; A falta de colocação de auxiliares de acção educativa. Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga 4 a 6 de Novembro de 2008 Pontos fracos 13