Avaliação Externa das Escolas
Relatório de escola
Agrupamento de Escolas
de Nogueira
BRAGA
Delegação Regional do Norte da IGE
Datas da visita: 4 a 6 de Novembro de 2008
I – INTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de
avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e
dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais
para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez,
o programa do XVII Governo Constitucional estabeleceu o
lançamento de um «programa nacional de avaliação das
escolas básicas e secundárias que considere as dimensões
fundamentais do seu trabalho».
Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de
um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º 370/2006, de
3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a
Inspecção-Geral da Educação (IGE) de acolher e dar
continuidade ao processo de avaliação externa das escolas.
Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na
experiência adquirida durante a fase-piloto, a IGE está a
desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua
competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31
de Julho.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação
externa do Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga
realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita
efectuada entre 4 e 6 de Novembro de 2008.
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
Os capítulos do relatório ― Caracterização do Agrupamento,
Conclusões da Avaliação por Domínio, Avaliação por Factor
e Considerações Finais ― decorrem da análise dos
documentos fundamentais do Agrupamento, da sua
apresentação e da realização de entrevistas em painel.
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Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a
auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria
para o Agrupamento, constituindo este relatório um
instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar
pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e
constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos
para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de
melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em
articulação com a administração educativa e com a
comunidade em que se insere.
A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude
de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem
interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
O texto integral deste relatório, bem como um eventual
contraditório apresentado pelo Agrupamento, será
oportunamente disponibilizado no sítio da IGE em:
www.ige.min-edu.pt
Escala de avaliação
Níveis de classificação dos
cinco domínios
MUITO BOM – Predominam os pontos
fortes, evidenciando uma regulação
sistemática, com base em
procedimentos explícitos,
generalizados e eficazes. Apesar de
alguns aspectos menos conseguidos,
a organização mobiliza-se para o
aperfeiçoamento contínuo e a sua
acção tem proporcionado um impacto
muito forte na melhoria dos
resultados dos alunos.
BOM – A escola revela bastantes
pontos fortes decorrentes de uma
acção intencional e frequente, com
base em procedimentos explícitos e
eficazes. As actuações positivas são a
norma, mas decorrem muitas vezes
do empenho e da iniciativa
individuais. As acções desenvolvidas
têm proporcionado um impacto forte
na melhoria dos resultados dos
alunos.
SUFICIENTE – Os pontos fortes e os
pontos fracos equilibram-se,
revelando uma acção com alguns
aspectos positivos, mas pouco
explícita e sistemática. As acções de
aperfeiçoamento são pouco
consistentes ao longo do tempo e
envolvem áreas limitadas da escola.
No entanto, essas acções têm um
impacto positivo na melhoria dos
resultados dos alunos.
INSUFICIENTE – Os pontos fracos
sobrepõem-se aos pontos fortes. A
escola não demonstra uma prática
coerente e não desenvolve suficientes
acções positivas e coesas. A
capacidade interna de melhoria é
reduzida, podendo existir alguns
aspectos positivos, mas pouco
relevantes para o desempenho global.
As acções desenvolvidas têm
proporcionado um impacto limitado
na melhoria dos resultados dos
alunos.
O Agrupamento de Escolas de Nogueira, situado no concelho de Braga, foi constituído no ano de
2001. Actualmente, para além da Escola Básica dos 2º e 3º ciclos (EB2,3) de Nogueira, sede do
Agrupamento, este é constituído por mais seis Jardins-de-infância (JI), seis escolas básicas do 1.º ciclo
(EB1) e duas escolas EB1 com Jardim-de-infância (EB1/JI), a saber: JI de Arcos, JI de CarvalhoTrandeiras, JI de Igreja-Esporões, JI de Monte-Nogueira, JI de Regadinhas-Lomar, JI de AgreloNogueira, EB1/JI de Fraião, EB1/JI Nogueira da Silva, EB1 de Arcos, EB1 de Esporões, EB1 de Lomar,
EB1 de Morreira, EB1 de Nogueira e EB1 de Trandeiras. Os estabelecimentos de educação e ensino ora
referidos inserem-se na área de influência pedagógica do Agrupamento que se estende pelas
freguesias de Nogueira, Arcos (S. Paio), Morreira, Esporões, Trandeiras, Fraião, Lomar e S. Lázaro
(Bairro Nogueira da Silva). Trata-se de um território educativo com uma relativa dispersão, distando o
estabelecimento de educação e ensino geograficamente mais longínquo da escola sede cerca de 5 km.
Os vários edifícios e respectivos logradouros, tendo sido objecto de intervenções de melhoramentos e
requalificação, encontram-se conservados. A globalidade das escolas está dotada com sistemas de
alarme e campainha. O Agrupamento acolhe, actualmente, 1632 discentes, assim distribuídos pelos
diversos níveis de educação e ensino: 279 a frequentar a educação pré-escolar, 650 o 1.º ciclo, 284 o 2.º
ciclo, 369 o 3.º ciclo, 28 os cursos de educação formação (Jardinagem e Espaços Verdes e Serviço de
Mesa e Bar) e 13 os cursos de educação e formação de adultos. Tendo presente o universo dos
discentes do ensino básico do Agrupamento, resulta, com base no respectivo perfil, que 42,7% não têm
computador nem internet em casa, 25,9% têm computador mas não têm internet e os restantes 31,4%
têm computador e internet em casa. Os serviços de acção social escolar apoiam 37,8 % dos alunos, dos
quais 46,7% estão integrados no escalão A, 48.5% no escalão B e 4.8% no escalão C. Quanto às
profissões dos pais, 9% enquadram-se na categoria de “quadros superiores, dirigentes e profissionais
intelectuais”, 6,3% são “técnicos e profissionais de nível intermédio”, 18,8% desempenham a sua
actividade nos “serviços e comércio”, 0,4% são “agricultores e trabalhadores qualificados da
agricultura e pescas”, 32,1% enquadram-se na categoria de “operários e trabalhadores da indústria”,
4,8% são “trabalhadores não qualificados” e os restantes 28,6% na categoria “outras” profissões. Já no
que diz respeito às suas habilitações académicas, verifica-se que 31,2% possuem formação superior,
28,3% o ensino secundário, 20,4% o 3.º ciclo do ensino básico, 0,7% habilitação igual ou inferior ao
2.ºCEB e 19,4% formação desconhecida. O corpo docente do Agrupamento caracteriza-se pela
estabilidade e experiência profissional. Constituído por 133 docentes, destes, 80,4% pertencem ao
quadro de escola, a maioria (74,4%) tem entre 40 e 60 anos de idade e 60% desempenham a sua
actividade há 20 ou mais anos. Exercem funções no Agrupamento 54 funcionários não docentes, sendo
que 61,2% pertencem ao quadro de vinculação e os demais 38.8% encontram-se numa situação de
vínculo temporário. Também desempenham funções no Agrupamento 7 funcionários colocados pela
Câmara Municipal de Braga.
III – CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO
1. RESULTADOS
BOM
A avaliação dos resultados constitui, desde 2002, uma prioridade do Agrupamento. De facto, trata-se
de um trabalho consistente e sistemático, cujas análises têm permitido, não só conhecer a quantidade
do sucesso, mas também a sua qualidade. Regista-se, nos últimos anos, com particular enfoque no ano
lectivo de 2007/08, um aumento quantitativo e qualitativo do sucesso académico. As taxas de
transição do Agrupamento são superiores às verificadas a nível nacional. Refiram-se os resultados
obtidos nas provas de aferição do 4.º e do 6.º ano, no ano de 2008, os quais foram superiores aos
nacionais, tanto em Língua Portuguesa, como em Matemática. No 9º ano de escolaridade, observou-se,
entre 2006 e 2008, uma evolução progressiva das médias dos resultados obtidos no exame nacional da
disciplina de Língua Portuguesa, embora, excepcionando o valor médio relativo ao ano de 2007, as
restantes médias foram inferiores às médias internas e às médias dos exames nacionais. Na disciplina
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
II – CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO
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de Matemática, no período acima mencionado, as médias dos resultados obtidos pelo Agrupamento
no exame nacional foram sempre inferiores, quer às médias das classificações internas, quer às médias
nacionais dos exames, situação demonstrativa de alguma falta de sustentabilidade do Agrupamento
na disciplina ora em apreço, no âmbito da avaliação sumativa externa.
A participação dos alunos na vida do Agrupamento, tendo em atenção o seu nível etário, constitui um
aspecto muito positivo, assumindo os discentes, responsabilidades concretas, desde logo, o
acompanhamento e monitorização da limpeza dos espaços e separação dos lixos. Refira-se, ainda, a
existência da Associação de Estudantes com uma acção e intervenção regulares, embora muito virada
para a escola sede. Outra modalidade de participação dos alunos é nas assembleias de turma, cujos
representantes têm assento na Assembleia-Geral de Delegados, prática existente, por enquanto, na
escola sede. Os alunos aderem, de forma empenhada, aos vários clubes e projectos existentes no
Agrupamento. Há, pois, uma elevada participação que deriva do forte sentido de pertença dos alunos
à sua escola. Acresce referir o comportamento disciplinado dos discentes. As situações graves de
violência não existem. O Agrupamento assume-se como uma escola de afectos, onde se promovem os
valores da cidadania, da tolerância, da solidariedade e do respeito mútuo. É um espaço educativo
muito seguro, acolhedor e onde há um permanente ambiente harmonioso. O Agrupamento
diversificou as suas ofertas formativas, através da criação de novos cursos, desde logo, os cursos de
educação formação e de educação e formação de adultos. Procurou, ainda, diversificar a oferta
curricular, pela via da formação artística, científica, ambiental e da educação para cidadania,
assumindo tais vertentes destaque através dos vários projectos e clubes. É de salientar que, em muitas
destas actividades internas e externas, os alunos têm sido premiados, nalguns casos com prémios de
grande importância e valor.
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
2. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO
4
MUITO BOM
Neste âmbito, no Agrupamento predominam os pontos fortes, existindo uma acção intencional com
base em procedimentos explícitos e eficazes. De facto, ao nível da articulação e sequencialidade, há um
trabalho intra e interdepartamental com coordenação e consolidação científica. Há um
acompanhamento e orientação regulares por parte dos coordenadores dos conselhos de docentes e dos
departamentos curriculares. Para aprofundar a articulação e a sequencialidade entre ciclos de
aprendizagem e as diversas unidades educativas que constituem o Agrupamento, são desenvolvidos
projectos e actividades transversais, realizam-se visitas dos discentes às suas futuras escolas e
promovem-se reuniões e troca de informação entre os docentes dos anos terminais da educação préescolar e dos três ciclos do ensino básico.
O acompanhamento da prática lectiva em sala de aula é realizado de forma indirecta, através do
trabalho desenvolvido nos conselhos de docentes, nos departamentos curriculares e respectivas
secções, bem como nos conselhos de turma.
Há um trabalho consistente no que concerne à diferenciação e apoios que conta com a acção dos
docentes de apoio educativo em ligação estreita com a psicóloga. Acresce, ainda, que o Agrupamento,
considerando o contexto em que se insere, oferece, para além do currículo centralmente prescrito,
diferentes oportunidades educativas e formativas através de vários clubes, projectos, e outras
actividades de complemento e enriquecimento do curricular.
3. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR
MUITO BOM
Os documentos estruturantes da acção educativa do Agrupamento contemplam princípios
orientadores, prioridades pedagógicas e organizacionais, objectivos gerais, áreas específicas de
intervenção, estratégias de acção e metas claramente avaliáveis. No que respeita à gestão dos recursos
humanos são tidas em atenção as competências profissionais e a capacidade de relacionamento
interpessoal. Na distribuição do serviço docente releva, ainda, o princípio da continuidade educativa.
Mas, para além de tudo isto, destacam-se as posturas atentas e motivadoras das lideranças de topo,
delegando funções e valorizando os bons desempenhos. Ora, esta atitude é bem aceite e constitui um
permanente alento para um trabalho de qualidade do pessoal docente e não docente. Acerca da gestão
financeira e dos recursos materiais, ressalta que os responsáveis pelo Agrupamento demonstram ter
capacidade para captar receitas. Desta forma, às verbas do Orçamento de Estado, acrescem as que
advêm das candidaturas a vários projectos. Trata-se de uma gestão pelo rigor orçamental e pelo
combate persistente a todas as situações de desperdício. Nenhuma actividade proposta deixa de se
realizar por falta de verba. Os princípios da equidade e justiça orientam as opções das lideranças em
apreço. Existem políticas de inclusão, salvaguardando as características culturais de minorias étnicas
que frequentam as escolas do Agrupamento. A participação dos pais na vida do Agrupamento tem
vindo a aumentar ao longo dos tempos. Ora, esta realidade deriva de um trabalho sistemático e
explícito do Conselho Executivo e dos directores de turma. Hoje verifica-se que a generalidade dos
pais se interessa pela escola e pelo desempenho escolar dos seus filhos. Já a participação do
movimento associativo da região nas dinâmicas do Agrupamento é muito ténue. Quanto ao tecido
empresarial, apesar de significativo no contexto geográfico em causa, não se tem vislumbrado a sua
efectiva participação nos órgãos onde legalmente têm assento, situação agora alterada com a
cooptação de uma empresa do ramo da construção civil para o Conselho Geral transitório.
MUITO BOM
Os documentos estruturantes e orientadores da acção educativa do Agrupamento, designadamente o
Projecto Educativo, o Projecto Curricular e o Plano Anual de Actividades denotam que existe uma
visão e estratégia assente num pensamento integrado e organizacionalmente assumido. O
Agrupamento define metas claras e avaliáveis. Registam-se elevados índices de empenho e motivação
dos actores, existindo, claramente, uma cultura de responsabilização e uma descentralização
perfeitamente assumida. Evidencia-se uma clara monitorização dos casos de absentismo e uma
política activa para a sua diminuição. A abertura à inovação é um aspecto marcante e bem visível na
acção de docentes e outros funcionários na procura de novos saberes. De resto, há perfeitamente
instalada uma cultura de parcerias, protocolos e projectos, realidade cuja dinâmica tem sido
importante ao permitir uma abordagem mais diversificada e contextualizada dos conteúdos e
matérias e, consequentemente, a melhoria das aprendizagens dos alunos.
5. CAPACIDADE DE AUTO-REGULAÇÃO E MELHORIA DO
AGRUPAMENTO
[CLASSIFICAÇÃO]
MUITO BOM
Neste domínio, ressalta, das evidências recolhidas, a existência de dinâmicas sustentadas em
procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Há, claramente, uma cultura de auto-avaliação no
Agrupamento. É um trabalho que acontece, de forma ininterrupta, desde 2002. Pela adopção de
mecanismos de auto-avaliação, existe uma evidente preocupação em definir planos de acção com vista
à melhoria, tendo, por isso mesmo, impacto no planeamento e gestão das diferentes actividades. O
Agrupamento tem clara consciência dos seus pontos fortes e apoia-se neles para o seu
desenvolvimento. Ao nível dos pontos fracos, sabe identificá-los e apontar formas de os resolver. O
Agrupamento, com uma história relativamente recente, tem dado passos certos na sua afirmação
como espaço educativo muito seguro, limpo e com sucesso reconhecido, o que reforça nos seus
responsáveis e demais membros, a convicção de que será cada vez mais um Agrupamento desejado
pelas suas boas práticas e causas que defende. É, assim, uma organização com um conhecimento de si e,
por isso, com um rumo e sentido estratégico.
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
4. LIDERANÇA
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IV – AVALIAÇÃO POR FACTOR
1. RESULTADOS
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
1.1. SUCESSO ACADÉMICO
6
O Agrupamento organiza a componente educativa da educação pré-escolar, relevando as áreas de
conteúdo, as quais são, particularmente, consideradas no planeamento e avaliação das situações e
oportunidades de aprendizagem. Neste nível de educação, os registos e análises avaliativas são feitas
de forma descritiva, através do preenchimento de fichas individuais para todas as crianças e da
elaboração de relatórios no final de cada período e ano lectivos. Das evidências colhidas, resulta que
há, pois, um trabalho pedagógico que tem concorrido para o desenvolvimento harmonioso das
crianças e consequente evolução das suas aprendizagens. No que concerne ao ensino básico,
globalmente considerado, o Agrupamento, no período que medeia entre o ano lectivo de 2005/06 até
2007/08, registou taxas de transição sempre superiores às verificadas a nível nacional. Assim, no
primeiro ano ora em referência, o valor registado foi de 94.3% e, nos anos seguintes, de 92.3% e 97.8%;
enquanto a nível nacional se observaram, respectivamente, taxas de 88.6%, 89.2% e 91,7%. Numa
análise mais focada e desagregada, resulta que, no 1.º ciclo, a taxa de transição em 2005/2006, foi de
95%. Nos demais anos acima referidos, a mencionada taxa foi, respectivamente, de 94.6% e 97.9%.
Tendo por suporte um olhar comparativo, colhe-se que, neste ciclo de estudos, o valor médio da taxa
de transição no Agrupamento (96%) se situa acima da média nacional (95.7%). Prosseguindo no
mesmo rumo de análise, ressalta que, no 2.º ciclo, as taxas de transição evoluíram, nos últimos três
anos, de forma muito positiva, passando de 94.6% em 2005/2006, para 95.8% em 2006/2007 e 98.2%
em 2007/2008. Também, o valor médio da taxa de transição dos alunos do 2º ciclo (96.2%) foi,
manifestamente, superior à média nacional (89.7%). No 3.º ciclo, as taxas de transição, no período
temporal em apreço, foram, respectivamente, 92.4%, 87.3% e 93.9%, cujo valor médio no Agrupamento
(91.2), apesar da contracção verificada em 2006/2007, se apresenta superior ao valor médio nacional
(81.6%). Releva, também, a comparação da taxa de alunos avaliados com níveis iguais ou superiores a
4. Assim, nos anos lectivos de 2006/2007 e 2007/2008, registaram-se, respectivamente, os seguintes
valores: i) 5.º ano: 14.5%; 18.5%, ii) 6.ºano: 16.7%; 18.7%, iii) 7.º ano: 12.4%; 12%, iv) 8.º ano: 5.3%;
15.5%, v) 9.º ano: 6.8% e 10.4%. O Agrupamento procedeu à comparação dos seus resultados
académicos, obtidos em 2007/2008, com os de outro agrupamento do concelho de Braga com
características semelhantes, tendo-se verificado que a taxa de sucesso nos 2.º e 3.º ciclos foi superior no
Agrupamento. Nas provas de aferição do 4º e do 6.º ano, no ano de 2008, os resultados obtidos pelos
alunos foram superiores aos nacionais, tanto em Língua Portuguesa, como em Matemática. No que
concerne ao 9º ano de escolaridade, constatou-se, entre 2006 e 2008, uma contínua evolução das
médias dos resultados obtidos no exame nacional da disciplina de Língua Portuguesa (2.4; 3.0 e 3.1).
Excepcionando o valor médio relativo ao ano de 2007, as restantes médias foram inferiores às médias
internas (3.1; 3.0; 3.2) e às médias dos exames nacionais (2.7; 3.2; 3.3). Por seu turno, na disciplina de
Matemática, no período acima mencionado, as médias dos resultados obtidos pelo Agrupamento no
exame nacional (2.2, 2.0; 2.7) foram inferiores, quer às médias das classificações internas (3.1; 3.1,3.1),
quer às médias nacionais dos exames (2.4; 2.2; 2.9). O absentismo escolar é residual e, no que respeita
ao abandono, há muito que o mesmo deixou de existir.
1.2 PARTICIPAÇÃO E DESENVOLVIMENTO CÍVICO
O Agrupamento, privilegiando um perfil humanista na formação dos seus discentes, estabeleceu
como prioridade da sua acção educativa, entre outras, o desenvolvimento das competências cívicas
dos alunos, de forma a desenvolver neles capacidades de intervenção crítica e de relacionamento
harmonioso nos seus contextos vivenciais. Trata-se de uma opção organizacionalmente assumida,
traduzida num trabalho sistemático e consolidado ao longo dos anos, cujos resultados são bem
visíveis. Efectivamente, os alunos assumem responsabilidades concretas, desde logo, o
acompanhamento e monitorização da limpeza dos espaços e separação dos lixos, procedendo à
elaboração de relatórios sobre esta matéria, documentos que levam ao conhecimento do Conselho
Executivo. Para o efeito, formam equipas com escalas de distribuição de serviço. Refira-se, ainda, a
existência da Associação de Estudantes com uma acção e intervenção regulares, embora muito virada
para a escola sede. Trata-se de uma estrutura estudantil que apresenta sugestões de melhoria, elabora
o seu próprio plano de actividades, o qual operacionaliza ao longo do ano, bem como colabora na
dinamização de projectos. Os alunos relevam, como muito positivo, o trabalho que a associação em
apreço desenvolve, destacando o funcionamento da Rádio da Escola. Funcionam, também, no
Agrupamento, as assembleias de turma, cujos representantes têm assento na Assembleia-Geral de
Delegados. Contudo, apesar de estar a ser equacionado o seu alargamento a todas as unidades
educativas, esta representação, por enquanto, acontece apenas na escola sede. As estruturas de
participação discente ora mencionadas são muito interventivas, desde logo, na definição de regras de
conduta a serem observadas, por exemplo, em cada turma, sem prejuízo do respeito pelas normas
insertas no Regulamento Interno. Os alunos envolvem-se, de forma empenhada, nos vários clubes e
projectos existentes no Agrupamento. Quer a Associação de Estudantes, quer a Assembleia Geral de
Delegados estabelecem, sobre as matérias e problemáticas que mais lhes dizem respeito, contactos
permanentes com os responsáveis pela gestão, sendo que a generalidade das propostas apresentadas,
quase sempre, são acolhidas e realizadas. De tudo, resulta uma elevada participação que deriva do
forte sentido de pertença dos alunos ao Agrupamento.
A comunidade educativa preconiza que o clima e ambientes educativos do Agrupamento devem ter,
como traços marcantes e distintivos, a segurança, o bem-estar e o relacionamento harmonioso,
enquanto condições de suporte para o aumento e qualidade das aprendizagens. De facto, esta
realidade emerge como um elemento caracterizador do Agrupamento, quando se constata o
comportamento disciplinado dos alunos, sem prejuízo, conforme foi explicitado em vários painéis, de
uma ou outra atitude mais irreverente. As situações graves de violência não existem. De resto, está
estabelecido o princípio da tolerância zero à violência, o qual é assumido com grande rigor, em
primeira linha, pelos alunos. Para a existência deste quadro claramente positivo em termos de
comportamento cívico e de disciplina têm contribuído vários factores, sendo de destacar, para além do
conhecimento e rigoroso cumprimento das regras, a participação empenhada na área curricular não
disciplinar de Formação Cívica, bem como nos vários clubes e projectos existentes no Agrupamento.
Mas, há, também, que referir, neste âmbito, a acção preventiva e o trabalho sintonizado entre o
Conselho Executivo e os directores de turma, bem assim a co-responsabilização do pessoal não
docente e dos pais/encarregados de educação que têm assimilado e assumido a sua importância,
fazendo-o, cada vez mais, com gosto e sentido de responsabilidade. O Agrupamento, assume-se como
uma “escola de afectos”, onde se promovem os valores da cidadania, da tolerância, da solidariedade e
do respeito mútuo.
1.4 VALORIZAÇÃO E IMPACTO DAS APRENDIZAGENS
Durante algum tempo, as baixas expectativas de muitas famílias em relação ao Agrupamento não
deixaram de ter reflexos negativos nas aprendizagens dos alunos. Havia um quadro problemático,
onde a insegurança, o abandono e os baixos resultados escolares eram alguns dos seus elementos
caracterizadores. A envolvência dos pais/encarregados de educação assumia uma feição residual.
Conscientes desta realidade, os responsáveis do Agrupamento, adoptaram, de forma claramente
assumida, estratégias orientadas, em primeira linha, para a valorização das aprendizagens, com
impacto nos alunos, seus pais e restantes membros da comunidade educativa. Neste sentido, foi
criado o prémio de mérito e excelência, homenageando os alunos que se distinguem pelo seu
aproveitamento escolar, pela realização de trabalhos académicos e pelas suas acções meritórias em
prol da comunidade mais restrita e da sociedade. Do mesmo modo, face à realidade dos seus alunos, o
Agrupamento diversificou as suas ofertas curriculares, através da criação de novos cursos, desde logo,
os de educação e formação. O impacto destas ofertas tem sido muito positivo junto da comunidade,
porquanto as empresas e os formadores internos e externos dão conta do bom desempenho da
generalidade dos discentes nas situações de estágio. Releva, ainda, o funcionamento dos cursos de
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
1.3 COMPORTAMENTO E DISCIPLINA
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educação formação de adultos destinados a todos aqueles a quem a escola, no seu currículo normal,
não conseguiu despertar interesse para concluírem a escolaridade básica. Mas, para além da
preocupação com a aquisição de resultados de natureza mais académica, o Agrupamento não
descurou, em toda a sua oferta e diversidade curricular, a formação artística, científica, ambiental e da
cidadania; pelo contrário, tais vertentes têm assumido muito destaque através dos vários projectos e
clubes. É de salientar que, em muitas destas actividades internas e externas, os alunos têm sido
premiados, nalguns casos, com prémios de grande importância e valor.
2. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
2.1 ARTICULAÇÃO E SEQUENCIALIDADE
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A articulação entre órgãos e estruturas escolares é consistente, funcional e eficaz. O Agrupamento, na
perspectiva de aprofundar a coordenação e articulação entre as suas várias unidades educativas e entre
estas e a direcção executiva, criou o Conselho de Coordenadores de Escola. Trata-se de uma estrutura que
tem contribuído, no plano da articulação funcional e até curricular, para reforçar a unidade do
Agrupamento. A articulação curricular e supervisão pedagógica acontecem nos conselhos de docentes e
nos departamentos curriculares. Nestas últimas estruturas de orientação, para além do seu funcionamento
em plenário, existem secções específicas e grupos de trabalho por anos de escolaridade e disciplinas, onde
são realizadas as planificações das diferentes áreas disciplinares, analisados o desenvolvimento dos
projectos e demais actividades de natureza curricular e, ainda, discutidos os critérios gerais e específicos de
avaliação. Na perspectiva da alteração de práticas, de forma a garantir aprendizagens mais diversificadas e
significativas, há uma mobilização dos docentes a nível da procura e frequência de acções de formação
interna e externa. O desenvolvimento de projectos e actividades transversais, as visitas das crianças/alunos
às instalações que vão frequentar no ano lectivo seguinte, as quais poderiam assumir uma feição mais
regular se, para o efeito, existisse uma rede de transportes escolares; e as reuniões, no início de cada ano
lectivo, nas quais participam docentes dos anos terminais de cada nível de educação e ensino, constituem
formas de aprofundar a articulação e a sequencialidade entre os ciclos de aprendizagem e as unidades
educativas que integram o Agrupamento. Ainda, neste âmbito, habitualmente, as educadoras entregam
aos professores do 1º ano o dossier de grupo e uma ficha de avaliação de cada criança com uma descrição
qualitativa do seu desempenho. Por seu turno, os professores do 4.º ano fornecem aos directores de turma
do 5.º ano os planos curriculares de turma. Ainda, com a intencionalidade de aprofundar a articulação
interdepartamental, são contemplados nos semanários-horários tempos comuns para reuniões dos
docentes, aprofundando-se, também, por esta via, o trabalho colaborativo. Nas estruturas mencionadas são
definidas metas e objectivos de excelência, avaliáveis e quantificáveis, a atingir, desde logo, nos resultados
escolares.
2.2 ACOMPANHAMENTO DA PRÁTICA LECTIVA EM SALA DE AULA
A qualidade científica e pedagógica da actividade lectiva no Agrupamento constitui uma preocupação
permanente. O acompanhamento da prática lectiva em sala de aula é realizado de forma indirecta,
através do trabalho desenvolvido nos conselhos de docentes, nos departamentos curriculares e
respectivas secções, bem como nos conselhos de turma. No entanto, apesar de não existir, ainda, uma
observação presencial e formalizada nas salas de actividades/aula, há todo um trabalho de partilha de
saberes, metodologias, experiências e de materiais nas estruturas de orientação acima mencionadas.
Desta forma, acontece, também, a monitorização do grau de coerência entre o planeamento individual
e as orientações vertidas no plano de gestão curricular de tais estruturas.
2.3 DIFERENCIAÇÃO E APOIOS
No Agrupamento há um trabalho consistente no que concerne à identificação dos alunos com
necessidades educativas especiais (NEE) e com dificuldades de aprendizagem. Efectivamente,
procede-se à detecção precoce das situações referidas através da acção atenta dos educadores de
infância e professores do 1.º ciclo. Os casos identificados são reportados aos conselhos de docentes e
de turma, onde se concebem as necessárias e adequadas medidas de apoio a aplicar, sendo
fundamental nesta tarefa a acção do núcleo de apoio educativo e da psicóloga. Mas, para além do
esforço na identificação e diagnóstico atempado das situações, há a preocupação de desenvolver toda
a intervenção assente no princípio da continuidade do apoio específico às crianças com NEE. Desta
forma, o docente especializado que inicia o trabalho de acompanhamento de uma criança no Jardimde-infância, fá-lo até que a mesma conclua a escolaridade básica. Acresce, ainda, mencionar o trabalho
de acompanhamento desenvolvido por docentes de apoio educativo aos demais alunos com
dificuldades de aprendizagem, consubstanciado em actividades diversas, prioritariamente, na sala de
aula ou em micro-grupos. Salienta-se, neste âmbito, o apoio pedagógico acrescido, as acções
enquadradas no Plano de Acção para a Matemática e no Plano Nacional de Leitura, a elaboração e
aplicação de planos de recuperação e de acompanhamento. Apesar de não existirem planos de
desenvolvimento, foram organizados espaços, sempre com a presença de docentes, como o cantinho
da Matemática ou o curso de aperfeiçoamento de Inglês para os alunos com excepcionais capacidades
de aprendizagem.
2.4 ABRANGÊNCIA DO CURRÍCULO E VALORIZAÇÃO DOS SABERES E DA
APRENDIZAGEM
O Agrupamento, considerando o contexto em que se insere, desenvolve um esforço orientado para
assegurar diferentes oportunidades educativas e formativas. Ora, é neste sentido que, para além do
currículo prescrito, de aplicação geral, o Agrupamento tem implementado várias actividades,
projectos e clubes temáticos que configuram uma maior abrangência do currículo, permitindo a
aquisição de novas aprendizagens e competências e uma maior autonomia na busca de novos saberes.
Trata-se, pois, no fundamental, de ofertas de complemento e enriquecimento curricular, com
particular incidência nos domínios da cidadania, saúde, arte, ambiente e desporto. Também, na
perspectiva de acautelar o abandono precoce da escola, bem assim valorizar novas formas de
aprendizagem, o Agrupamento oferece cursos de educação e formação (Jardinagem e Serviço de Mesa
e Bar). Ainda, no presente ano lectivo, entrou em funcionamento um curso educação e formação de
adultos, no qual estão inscritos vários pais/encarregados de educação.
3.1 CONCEPÇÃO, PLANEAMENTO E DESENVOLVIMENTO DA ACTIVIDADE
A concepção do actual Projecto Educativo, com uma dimensão temporal de três anos (2005-2008), teve
por suporte a avaliação do projecto anterior, na medida em que para o Agrupamento não seria
possível traçar um rumo sem conhecer a situação em que se encontrava. Com base nesta orientação,
foram definidos princípios orientadores da acção educativa e organizacional, bem assim, as
prioridades pedagógicas (melhoria dos níveis de aprendizagem, com o objectivo de aumentar o
sucesso educativo, com particular enfoque a qualidade do mesmo; aumento das competências cívicas
dos alunos e optimização dos seus tempos livres) e prioridades organizacionais (segurança das
pessoas e bens e manutenção e melhoramento dos espaços e meios de suporte material às actividades).
Do mesmo modo, foram delineados, quer os objectivos gerais, quer as áreas específicas de intervenção
e estratégias de acção. Ora, em coerência e articulação com estas linhas gerais orientadoras foi
elaborado o Projecto Curricular do Agrupamento, bem como os planos anuais de actividades.
Estabelecendo um juízo de análise e comparação entre as intencionalidades orientadoras da acção
vertidas nos documentos em apreço e os resultados da acção propriamente dita, ressalta o elevado
grau de concretização das vontades manifestadas. De facto, estes resultados advêm, no fundamental,
da acção empenhada e sistemática dos vários membros da comunidade educativa. No entanto, o
pessoal não docente assume, ainda, uma atitude muito passiva em termos de apresentação de
propostas para o Plano Anual de Actividades.
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
3. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR
9
3.2 GESTÃO DOS RECURSOS HUMANOS
A estabilidade, em termos de colocação, da maioria dos professores permite que o Conselho Executivo
tenha um conhecimento aprofundado das suas competências pessoais e profissionais, factor que
contribui para a optimização na gestão destes recursos humanos. A distribuição de serviço docente
assenta no princípio da continuidade/sequencialidade do trabalho educativo com as diferentes
turmas. Esta prática de gestão tem sido muito bem acolhida pelos alunos e respectivos pais e é
geradora de grande satisfação profissional, porquanto é um elemento potenciador da melhoria dos
resultados escolares. O perfil, a capacidade de relacionamento interpessoal, a facilidade de
comunicação com as famílias constituem requisitos para a designação dos directores de turma.
Verificou-se que a maioria dos directores de turma desempenha o cargo há muitos anos com grande
dedicação e empenho. A gestão do pessoal não docente é feita de acordo com o perfil evidenciado por
cada um dos seus elementos. O número destes funcionários é, conforme foi afirmado nos vários
painéis, claramente insuficiente para a quantidade e diversidade de escolas do Agrupamento, para o
seu bom funcionamento e exequibilidade de algumas das prioridades do Projecto Educativo. No
entanto, apesar da sua insuficiência, o seu trabalho destaca-se pela qualidade, desde logo, em duas das
prioridades do Projecto Educativo: a segurança e a higiene e limpeza. Diariamente e, sobretudo nas
pausas lectivas, realizam muitíssimo trabalho bem executado, de tal modo que em cada recomeço os
espaços parecem sempre novos. Ademais, todos os anos pintam os edifícios do Agrupamento.
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
3.3 GESTÃO DOS RECURSOS MATERIAIS E FINANCEIROS
10
As instalações, o seu muito bom estado de conservação, o seu aspecto airoso e acolhedor, os seus
espaços verdes, a sua decoração com trabalhos executados pelos alunos constituem um traço marcante
e distintivo do Agrupamento. No que concerne aos recursos financeiros, constata-se que os mesmos
têm permitido um desenvolvimento de todas as actividades que são propostas pelas estruturas e
órgãos internos, tendo os responsáveis pela gestão do Agrupamento, afirmado que nunca nenhuma
actividade se deixou de realizar por falta de verba. Há a preocupação com a valorização dos edifícios, bens
e equipamentos. Ora, esta orientação obedece a princípios de gestão equilibrada e parcimoniosa dos
recursos. O combate persistente a todas as situações de desperdício é um lema que prosseguem com
rigor. O Agrupamento demonstra ter capacidade para captar receitas. Desta forma, às verbas do
Orçamento de Estado, acrescem as que advêm das candidaturas a projectos, sendo de destacar, entre
outras, as candidaturas ao projecto EDP – painéis solares que permitem uma poupança de energia – e
às campanhas de recolha de rolhas de cortiça e de óleos de cozinha.
3.4 PARTICIPAÇÃO DOS PAIS E OUTROS ELEMENTOS DA COMUNIDADE EDUCATIVA
Fruto de um persistente trabalho do Conselho Executivo e dos directores de turma, verifica-se que a
generalidade dos pais se interessa cada vez mais pela vida do Agrupamento e pelo desempenho
escolar dos seus filhos. Os directores de turma realizam reuniões regulares com os pais e, para facilitar
a sua presença, flexibilizam os horários de atendimento. O Conselho Executivo também reúne com as
associações de pais e representantes dos pais e encarregados de educação das turmas. Existe uma boa
articulação entre o Agrupamento, a Câmara Municipal de Braga e as Juntas de Freguesia do território
de influência do Agrupamento. De resto, conforme foi explicitado em painel, as Juntas de Freguesia em
apreço têm um profundo orgulho no Agrupamento, tendo em conta a boa imagem social do mesmo. No entanto,
apesar de na comunidade local existir um vasto movimento associativo, a sua ligação ao
Agrupamento é muito ténue. Quanto ao tecido empresarial, apesar de significativo no contexto
geográfico em causa, não se colhe a sua efectiva envolvência nas dinâmicas do Agrupamento.
3.5 EQUIDADE E JUSTIÇA
Dos vários depoimentos, resultou claro que a acção do Agrupamento obedece a critérios de equidade
e justiça. Os alunos afirmaram não existirem turmas especiais constituídas com base no estrato social e
económico de pertença. Mais referiram que os seus professores são justos na atribuição das
classificações, respeitando os critérios definidos. Tendo presente que a população discente do J.I./EB1
Nogueira da Silva é maioritariamente de etnia cigana, há um grande trabalho do Conselho Executivo e
da Coordenadora deste estabelecimento tendente a combater o absentismo e a aprofundar a
integração de tais crianças/alunos, salvaguardando sempre os traços identitários da sua cultura.
Acresce salientar a adopção de políticas e medidas de discriminação positiva, desde logo, na
distribuição de suplementos alimentares aos alunos da escola sede que denotam carências
nutricionais. Têm um papel importante na identificação destes problemas, os auxiliares de acção
educativa, os directores de turma e a funcionária responsável pelo serviço de acção social escolar. No
entanto, esta prática não foi, ainda, alargada às restantes unidades do Agrupamento. Importa salientar
que vários docentes a expensas suas, quando os alunos estão doentes, se deslocam às suas casas para
lhes darem aulas e, acima de tudo, mantê-los ligados à escola, concretizando, também, por esta via, a
opção de serem uma “escola de afectos”.
4. LIDERANÇA
4.1 VISÃO E ESTRATÉGIA
Os documentos estruturantes e orientadores da acção educativa do Agrupamento, nomeadamente o
seu Projecto Educativo, Projecto Curricular e Plano Anual de Actividades, têm como lema “ Uma
Escola Segura e de Sucesso”. Para a sua prossecução apontam prioridades, objectivos, estratégias e
formas de acção, bem como metas claras e avaliáveis. Existe a noção clara de que a aquisição
consistente de novos saberes por parte dos alunos, enquanto principais destinatários da acção
educativa, está dependente, no fundamental, da verificação de condições de bem-estar, segurança e
respeito mútuo. É neste sentido que as lideranças de topo e intermédias se têm mobilizado, numa
parceria estreita com os demais responsáveis directos pelos processos educativos, de forma a
reforçarem, ainda mais, a imagem e o reconhecimento do Agrupamento, enquanto organização que
presta um serviço público de educação.
A existência de um bom e motivador ambiente de trabalho constitui um traço marcante do
Agrupamento. Para tal tem contribuído a comunicação fácil e directa das lideranças de topo e
intermédias com os demais membros da comunidade educativa. As relações interpessoais e os
contextos informais de interacção emergem como elementos facilitadores de uma participação mais
activa e empenhada. A percepção da boa imagem que o Agrupamento tem no exterior é, também, um
elemento que concorre para a existência deste ambiente educativo.
4.3 ABERTURA À INOVAÇÃO
O Agrupamento ao orientar toda a acção educativa à luz do seu lema fá-lo com grande sentido de
abertura à inovação. Há docentes e outros funcionários que, por iniciativa própria, procuram obter
novos conhecimentos em acções de formação, para que os seus desempenhos sejam sempre de maior
qualidade. Mas, para além da busca pessoal de novos saberes, assume uma feição reforçada a
envolvência do Agrupamento em projectos e actividades formativas, designadamente no Plano de
Acção para a Matemática, no Plano Nacional de Leitura e na criação e dinamização da biblioteca
escolar, sendo, de resto, os primeiros no concelho de Braga, funcionando em rede com a Biblioteca
Municipal. Acresce, ainda, a participação do Agrupamento em projectos pioneiros a nível nacional e,
até, internacional, tendo já obtido excelentes resultados como atrás já se explicitou no factor 3.3.
4.4 PARCERIAS, PROTOCOLOS E PROJECTOS
A feição dinâmica do Agrupamento traduz-se, também, na capacidade demonstrada em estabelecer
parcerias, protocolos e desenvolver projectos numa ligação estreita com outras entidades. Refira-se a
oferta de estágio, por parte de catorze empresas, para alunos dos cursos de educação e formação. Será
de mencionar, ainda, as parcerias/protocolos de colaboração com vinte e nove instituições, sendo de
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
4.2 MOTIVAÇÃO E EMPENHO
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destacar, entre outras, a ligação estreita à Universidade do Minho (o Agrupamento integra a rede de
escolas cooperantes desta Universidade), Universidade Lusíada, Universidade Fernando Pessoa,
Instituições particulares de solidariedade social, centros de saúde, Fundação Portuguesa de
Cardiologia, Associação Promotora de Segurança Rodoviária, Câmara Municipal de Braga e Juntas de
Freguesia da área do Agrupamento. Releva a ligação e articulação permanentes com outras escolas,
desde logo, no âmbito do Desporto Escolar. Ficou claro nos vários painéis que o Agrupamento é uma
instituição educativa que não se fecha sobre si mesma, antes procurando dar conhecimento do seu trabalho e
buscar sempre novos saberes através do contacto com outros parceiros. Na perspectiva de manter ligações ao
Agrupamento, contribuindo para o seu desenvolvimento, foi criada a Associação de Amigos do
Agrupamento de Escolas de Nogueira, cujos associados são, na sua maioria, docentes aposentados do
Agrupamento, contando, ainda, com outros membros da comunidade educativa.
5. CAPACIDADE DE AUTO-REGULAÇÃO E MELHORIA DO AGRUPAMENTO
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
5.1 AUTO-AVALIAÇÃO
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No Agrupamento existe uma política consistente e sistemática de auto-avaliação. Trata-se de um
trabalho iniciado em 2002. Toda a acção desenvolvida é avaliada. Assim, as estruturas pedagógicas e
grupos de projectos produzem, periodicamente, relatórios circunstanciados, os quais são, numa
primeira fase, lidos e analisados por uma equipa para o efeito constituída. Depois deste primeiro
trabalho, o Conselho Pedagógico procede, igualmente, à análise das reflexões e relatórios então
produzidos. De tudo resulta ou a validação do trabalho desenvolvido e objecto de avaliação ou a
produção de novas orientações direccionadas para a reformulação das estratégias então adoptadas. A
equipa que ora se refere também elabora os mapas estatísticos dos resultados obtidos para análise nos
conselhos de docentes, departamentos, conselhos de directores de turma e no Conselho Pedagógico,
tendo, à luz do princípio da sintonia na actuação, a supervisão e acompanhamento do Conselho
Executivo. Mas, para além dos processos mencionados, há o trabalho de avaliação do desempenho
global do Agrupamento, enquanto organização, efectuado pela equipa de auto-avaliação. Nesta sede
procura-se avaliar o grau de consecução do Projecto Educativo no período da sua vigência. Fazem-no,
tendo por fontes relatórios, reflexões, análises e conclusões que, sectorialmente, vão sendo produzidas.
Mas, também as actas, os dados estatísticos e inquéritos aplicados aos vários membros da comunidade
educativa que constituem elementos de recolha de informação. Da análise das evidências que
resultam destas fontes, a comissão de auto-avaliação produz um relatório, onde constam os pontos
fracos, pontos fortes e se apontam estratégias de melhoria. Das evidências recolhidas, constata-se que
este trabalho tem um efectivo impacto no planeamento e na gestão das actividades, na organização do
Agrupamento e nas práticas profissionais, sendo de destacar, em jeito de exemplo, a organização dos
horários (2 contraturnos, a ocupação dos momentos mortos dos alunos, o aprofundamento da
articulação entre a educação pré-escolar e o 1º ciclo e a reorganização dos clubes). No entanto, a
equipa de auto-avaliação tem sido constituída apenas por docentes. Mas esta, conforme afirmaram, é
uma mera questão formal, porque, efectivamente, acaba por haver uma grande mobilização e
envolvência de todos os membros da comunidade educativa neste trabalho.
5.2 SUSTENTABILIDADE DO PROGRESSO
Os resultados escolares dos alunos verificados nos últimos anos e o impacto, no meio envolvente, do
serviço educativo prestado pelo Agrupamento são elementos demonstrativos da sustentabilidade do
progresso. Acresce a visão estratégica dos responsáveis pela gestão de topo e intermédia, o
envolvimento empenhado dos alunos e a progressiva participação dos pais, o reiterado apoio das
autarquias, a consistência dos projectos desenvolvidos e a estabilidade de um corpo docente
qualificado e motivado. Efectivamente, o Agrupamento, com uma história recente, tem dado passos
certos na sua afirmação, enquanto entidade educativa segura, limpa, cultural, eficaz, com sucesso
reconhecido, o que reforça nos seus responsáveis e demais membros a convicção de que será cada vez
mais uma escola desejada pelas suas boas práticas e pelas causas que defende. Trata-se, pois, de uma
organização com um conhecimento de si e, por isso, com um rumo e sentido estratégico, cuja ambição,
como afirmaram os seus actores é tornar-se, a curto prazo, a melhor Escola de Braga.
V – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, apresenta-se uma selecção dos atributos do Agrupamento de Escolas de Nogueira
(pontos fortes e fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e
constrangimentos). A equipa de avaliação externa entende que esta selecção identifica os aspectos
estratégicos que caracterizam o Agrupamento e define as áreas onde devem incidir os seus esforços de
melhoria.
Entende-se aqui por ponto forte: atributo da organização que ajuda a alcançar os seus objectivos; por
ponto fraco: atributo da organização que prejudica o cumprimento dos seus objectivos; por
oportunidade: condição ou possibilidade externas à organização que poderão favorecer o
cumprimento dos seus objectivos; por constrangimento: condição ou possibilidade externas à
organização que poderão ameaçar o cumprimento dos seus objectivos.
Os tópicos aqui identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste
relatório.
Pontos fortes

A melhoria consistente dos resultados escolares;

O trabalho atento e dedicado das lideranças de topo e intermédias, bem como dos restantes
profissionais;

A aprazibilidade dos espaços, a segurança e bom clima e ambiente educativo;

A existência de práticas consistentes e sistemáticas de auto-avaliação.

Os resultados dos alunos nos exames do 9.º ano ainda inferiores aos nacionais;

O funcionamento da assembleia de delegados de turma, apenas com alunos da escola sede;

A falta de acompanhamento e supervisão da prática lectiva em sala de aula.
Oportunidades

A existência de um tecido empresarial envolvente ao Agrupamento que poderá constituir
uma mais-valia no plano da oferta formativa.
Constrangimentos

A inexistência de transportes escolares que permitam a deslocação regular das
crianças/alunos dos JI/EB1 à escola sede, dificultando a partilha de materiais e o acesso a
recursos diversificados;

A falta de colocação de auxiliares de acção educativa.
Agrupamento de Escolas de Nogueira, Braga  4 a 6 de Novembro de 2008
Pontos fracos
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Agrupamento de Escolas de Nogueira (Braga)