REVISÃO Lesões intraepiteliais de baixo grau e atipias de significado indeterminado em células escamosas: conduta em adolescentes Low grade squamous intraepithelial lesion and atypical squamous cells of undetermined significance: management on adolescents Antonio Carlos de Melo Costa Junior¹ Gabriela de Vasconcelos Dias¹ Luiza Rodrigues Cruz¹ Raquel de Sousa Maciel¹ Denise Leite Maia Monteiro² Palavras-chave Neoplasia intraepitelial cervical Terapêutica Adolescente Keywords Cervical intraepithelial neoplasia Therapeutics Adolescent Resumo Este trabalho teve como objetivo identificar a melhor conduta para mulheres adolescentes com diagnóstico citopatológico de atipias de significado indeterminado em células escamosas (ASC-US) e de lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL). Foi realizada pesquisa na literatura médica procurandose identificar, criticar e extrair informações de fontes nacionais e internacionais, incluindo as recomendações publicadas em diretrizes relacionadas ao tema. Essa revisão teve como bases de dados: MEDLINE (por meio do PubMed), LILACS, EBSCO e Google Acadêmico. As diretrizes e as recomendações foram identificadas e aquelas relacionadas ao tema foram avaliadas segundo sua validade, sendo, então, sumarizadas. As recomendações feitas por Moscicki, pelo American College of Obstetricians and Gynecologists e pelo consenso australiano indicam encaminhamento à colposcopia após alteração citopatológica em duas amostras com intervalo de 12 meses, enquanto a recomendação do Ministério da Saúde do Brasil é o encaminhamento à colposcopia após alteração citopatológica em duas amostras com intervalo de seis meses. Concluiu-se que adolescentes devem ter abordagem cautelosa pela alta possibilidade de regressão da lesão. Foi observado que a conduta mais adotada é a repetição de duas citologias com intervalo de 12 meses, antes do encaminhamento à colposcopia. Abstract The objective of this paper was to identify the best procedure in cases of adolescents which have the diagnosis of atypical squamous cells of undetermined significance (ASC-US) and lowgrade squamous intraepithelial lesion (LSIL). A research in medical literature carried out in order to identify, criticize and get information from national and international sources, including the recommendations and guidelines on this subject. The databases used in this review were MEDLINE (by PubMed), LILACS, EBSCO and Google Scholar. The guidelines and recommendations were summarized according to their validity. The recommendations made by Moscicki, by the American College of Obstetricians and Gynecologists and the Australian consensus indicate colposcopy only after two abnormals cytopathological exams with interval of 12 months. The Brazilian Health Ministry recommends colposcopy after two abnormal cytopahological exams with interval of six months. It was concluded that the approach on the adolescent women should be cautious because of the high possibility of regression of the wound. It was observed that the best procedure is the repetition of 2 exams, in an interval of 12 months, before referring the patient to colposcopy. Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) – Teresópolis (RJ), Brasil. 1 Discente do Curso de Graduação em Medicina do Unifeso – Teresópolis (RJ), Brasil 2 Doutora em Saúde da Criança e da Mulher pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – Rio de Janeiro (RJ) – Brasil; Professora titular do Unifeso – Teresópolis (RJ), Brasil Endereço para correspondência: Antonio Carlos de Melo Costa Junior – Avenida Oliveira Botelho, 210/303 – Alto – CEP 25961-144 – Teresópolis (RJ), Brasil – Tel.: (21) 7632-6752 – E-mail: [email protected] Costa Junior ACM , Dias GV, Cruz LR, Maciel RS, Monteiro DLM Introdução Os papilomavírus humanos (HPV) são vírus mucoepiteliotrópicos pertencentes à família Papilomaviridae1(B). Essa classificação se deve à sua capacidade de migrar entre as diferentes camadas epiteliais (forma de expressão gênica). Atualmente, são identificados mais de 100 tipos de HPV, dentre os quais cerca de 60 infectam o ser humano e, aproximadamente, 40 são responsáveis pela infecção do trato genital; destes, 15 são carcinogênicos1,2(B),3(A). A principal forma de transmissão do vírus é pela via sexual, o que não exclui outras formas menos frequentes de transmissão. Estima-se que cerca de metade da população feminina sexualmente ativa será infectada ao longo da vida4(A). As lesões geradas pelo HPV são classificadas de acordo com o Sistema Bethesda. As alterações das células escamosas são classificadas em lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (do inglês low grade squamous intraepithelial lesions, LSIL) e de alto grau (do inglês high grade squamous intraepithelial lesions, HSIL), substituindo o termo neoplasia intracervical (NIC); as atipias citológicas insuficientes para o diagnóstico de lesão intraepitelial são denominadas de “células escamosas atípicas” ou ASC, sendo divididas em ASC-US (células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não-neoplásicas) e ASC-H (células escamosas atípicas, não sendo possível excluir lesão intraepitelial de alto grau)5,6(A). As lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL) resultam da expressão gênica inicial na infecção pelo HPV, levando à leve proliferação de células basais e halos perinucleares. Essas alterações são benignas e frequentemente reversíveis, principalmente nas adolescentes5(A). Os principais métodos de rastreio dessa lesão visam reduzir a incidência do câncer cervical, reduzindo, assim, a morbidade associada com o tratamento (incluindo a diminuição da fertilidade) e a mortalidade associada ao câncer de colo uterino7(B). O câncer do colo uterino é a segunda causa mais comum de câncer em mulheres ao redor do mundo8(A), sendo responsável por altos custos anuais à Saúde Pública. É uma doença de evolução lenta e evitável, desde que seja diagnosticada precocemente – enquanto lesão pré-maligna – para escolha da conduta adequada9,10(A). Esta revisão crítica teve o objetivo de identificar as recomendações válidas para a abordagem em adolescentes portadoras de citopatologia com diagnóstico de LSIL e ASC-US, propondo-se guiar a conduta clínica e discutir sua aplicabilidade em nosso país, já que existe dúvida acerca do momento em que se deve optar pela realização de exames mais elaborados, que visam ao diagnóstico precoce, adequando-se à melhor conduta terapêutica. Métodos Foi realizada pesquisa na literatura médica procurando-se identificar, criticar e extrair informações de fontes nacionais e internacionais, incluindo as recomendações publicadas em diretrizes relacionadas ao tema. Esta revisão teve como bases de dados: MEDLINE (por meio do PubMed), LILACS, EBSCO e Google Acadêmico. Para identificação de publicações no PubMed, foi utilizada a seguinte estratégia de busca: “(low[All Fields] AND grade[All Fields] AND squamous[All Fields] AND intraepithelial[All Fields] AND lesion[All Fields]) AND vaginal smears[mesh] AND (low[All Fields] AND grade[All Fields] AND squamous[All Fields] AND intraepithelial[All Fields] AND lesion[All Fields]) AND colposcopy[mesh] AND adolescent”. Nas outras bases de dados, foram adotados os seguintes termos de busca: “management LSIL HPV”; “conduta LSIL”; “conduta tratamento lesão intraepitelial de baixo grau”; “LSIL adolescente”; “guideline LSIL”. Foram buscados textos de referências no período entre 2003 e 2009. Foram estudadas publicações em português e em inglês, obedecendo-se a critérios de inclusão e exclusão pré-estabelecidos, como o foco na população feminina adolescente e na conduta de LSIL e de ASC-US. Além disso, foram analisados estudos que relacionavam citopatologia oncótica e colposcopia com LSIL/ASC-US e estudos sobre regressão e progressão de LSIL/ASC-US. Em seguida, realizou-se a análise das recomendações especificamente relacionadas ao tema, com identificação de algumas limitações nos seus processos de construção. Resultados Os resultados obtidos podem ser observados na Tabela 1. Discussão A infecção por HPV em adolescentes é extremamente frequente. Sabe-se que as LSIL são manifestações clínicas do HPV e apresentam natureza transitória. Tabela 1 - Conduta frente ao diagnóstico de LSIL e ASC-US em adolescentes • Moscicki15 • ACOG12 • Wright et al.16 Ministério da Saúde19 308 FEMINA | Junho 2010 | vol 38 | nº 6 Encaminhamento à colposcopia apenas em caso de alteração citopatológica em duas amostras com intervalo de 12 meses da citopatologia inicial. Encaminhamento à colposcopia apenas em caso de alteração citopatológica em duas amostras com intervalo de seis meses da citopatologia inicial. Lesões intraepiteliais de baixo grau e atipias de significado indeterminado em células escamosas: conduta em adolescentes Em virtude de baixa taxa de HSIL e de regressão espontânea da maioria das infecções por HPV nas adolescentes, foi sugerido que o acompanhamento da lesão por citopatologia anual fosse apropriado para mulheres jovens8,11,12(A). Isso seria justificado pelo fato de que, mesmo que HSIL fossem detectadas, a progressão de carcinoma de células escamosas ocorre em 5 a 15% dos casos e, geralmente, leva anos13(B). Diante do acrescido índice de regressão percebido em mulheres jovens, 61% em três anos para Wright et al.6 e 90% para Widdice e Moscicki5, confirmando altas taxas de resolução da infecção por HPV, recomenda-se cautela para o rastreamento de neoplasias cervicais. Considera-se regressão depois da análise citológica de duas amostras normais consecutivas14(A). As altas taxas de HPV apresentadas pela maior parte da população adolescente são atribuídas ao comportamento sexual e à maior vulnerabilidade inerente a essa faixa etária. Estruturalmente, a cérvix uterina da adolescente é diferente da cérvix uterina da mulher adulta por apresentar áreas de imaturidade, descritas como predomínio de células colunares e epitélio metaplásico15(A). A cérvix uterina na neonata é composta por epitélio colunar, que é posteriormente substituído por epitélio escamoso da vagina em direção à endocérvice, a qual resulta em uma junção escamocolunar (JEC) localizada na ectocérvice16(A). A JEC permanece intacta até a puberdade, quando os hormônios transformam as células do epitélio colunar em epitélio escamoso, em um processo chamado metaplasia escamosa. Essa área de transição é o sítio mais vulnerável para o desenvolvimento de câncer. O processo de metaplasia sustenta a replicação viral. A incidência de HPV é maior em adolescentes entre 15 e 19 anos, com taxa de 17% no primeiro ano e de 35,7% no terceiro ano. Os índices declinam com a idade: para mulheres com 20 a 24 anos, a taxa do terceiro ano é de 24,1% e para mulheres acima de 45 anos, essa taxa diminui para 8,1%15(A). Estudo realizado no Rio de Janeiro demonstrou que 24,1% das adolescentes apresentam alteração citopatológica no primeiro ano de vida sexual, com menor incidência nos anos subsequentes, alcançando 40% ao final do quinto ano17(B). O HPV requer célula em replicação e diferenciação para completar seu ciclo de vida. A metaplasia, por definição, é um processo com célula em replicação e diferenciação, portanto, perfeito ambiente para a replicação do vírus15(A). Cada país determina a idade para o início de rastreio das lesões por HPV, de acordo com a prevalência dos casos. A American Cancer Society recomenda começar o rastreio após três anos de atividade sexual, mas até os 21 anos de idade. Já a maioria das nações europeias recomenda que o rastreio citológico não seja iniciado antes dos 24 anos de idade18. No Brasil, o Ministério de Saúde recomenda que o exame colpocitológico seja realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade ou que já tenham atividade sexual mesmo antes dessa faixa etária19(A). O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomendava o início da triagem para câncer de colo uterino três anos após a primeira relação sexual ou aos 21 anos, independente de qual fato ocorresse primeiro. Entretanto, para evitar implicações econômicas, emocionais, obstétricas e tratamento desnecessário das adolescentes, em novembro de 2009 o ACOG mudou essa base de início da triagem para os 21 anos de idade. Junto a isso, as novas diretrizes do ACOG indicam a triagem citológica do colo uterino a cada dois anos, sendo aceitáveis como técnicas de triagem a citologia em meio líquido e os métodos convencionais de citologia cervical. A justificativa é que o câncer cervical invasivo é muito raro antes dos 21 anos, embora a taxa de infecção por HPV seja alta entre adolescentes sexualmente ativas, porque seu sistema imune clareia a infecção na maioria dos casos entre um e dois anos. Além disso, adolescentes apresentam maior incidência de lesões HPV-induzidas devido à imaturidade da cérvix, mas a maioria dessas lesões se resolve espontaneamente, sem tratamento20(A). A American Society for Colposcopy and Cervical Pathology, em 2007 (estudo que foi a base para as recomendações brasileiras), assim como Moscicki15 e a atualização do consenso americano de 200621 (adendo 2009), indicam o encaminhamento para a colposcopia em mulheres com idade inferior a 20 anos, com citologia ASC-US, e recomendam a repetição citológica em um ano. Somente aquelas que apresentarem HSIL nessa nova citologia ou mantiverem ASC-US em 24 meses devem ser encaminhadas para colposcopia. Estudos recomendam a realização de citologia anual e encaminhamento para colposcopia apenas quando houver a constatação de HSIL nas adolescentes15,16,18,21(A). No Brasil, o Ministério da Saúde preconiza a realização do exame preventivo anualmente. No caso de dois resultados normais seguidos (com intervalo de um ano entre eles), o exame deverá ser feito a cada três anos. Se o resultado apresentar ASC possivelmente não neoplásico, deve-se repetir a citologia em seis meses; em caso negativo, realizar seis meses depois; caso uma dessas mantenha atipia, encaminhar para a colposcopia. Caso a colposcopia não apresente lesão, deve-se repetir a citologia oncótica cervical em seis meses. Analisando-se os testes de identificação para detectar o DNA do vírus (HPV-DNA), foi possível verificar a maior frequência de resultados positivos em mulheres entre 18 e 22 anos (71%), resultado maior do que nas pacientes maiores de 29 anos. A triagem realizada pelo teste de HPV-DNA em adolescentes e mulheres jovens portadoras de ASC-US, as quais têm baixo risco de câncer cervical, poderia encaminhar grande número de pacientes à colposcopia desnecessariamente. FEMINA | Junho 2010 | vol 38 | nº 6 309 Costa Junior ACM , Dias GV, Cruz LR, Maciel RS, Monteiro DLM Muitas adolescentes apresentam sequência de múltiplas infecções por HPV, e um teste HPV-positivo repetitivo nessa faixa etária pode representar consecutivas infecções, em vez de uma única infecção persistente18(A). Portanto, o teste HPV-DNA não deve ser usado nesse grupo e, se inadvertidamente realizado, o resultado positivo não deve influenciar a conduta21(A). A identificação do HPV-DNA por captura híbrida é considerada inaceitável em mulheres com idade igual ou inferior a 20 anos, segundo o consenso de 2006 da American Society for Colposcopy and Cervical Pathology, visto que, em jovens, a infecção por múltiplos genótipos de HPV aumenta a porcentagem de resultados positivos, diminuindo a especificidade14,22(A). A citologia em meio líquido pode ser realizada após citopatologia oncótica anormal ou insatisfatória. Diagnosticado LSIL ou ASC pela citologia em mulheres jovens, com idade inferior a 21 anos, realiza-se a citologia em meio líquido em 12 meses. Permanecendo resultado de menor gravidade que HSIL, repetese a citologia em meio líquido em 12 meses e, após confirmação da ausência de anormalidades, a conduta preconizada é o rastreamento de rotina. Caso o resultado apresente nível superior de ASC, é indicada a colposcopia. Mulheres com idade maior ou igual a 21 anos com resultado de LSIL na citologia em meio líquido são encaminhadas para a colposcopia23(A). Considerações finais Todas as recomendações preconizam abordagem cautelosa em adolescentes com diagnóstico de LSIL e ASC-US, em virtude da alta possibilidade de regressão da lesão e da rara ocorrência de câncer cervical em menores de 21 anos. Como a prevalência da idade, em cada país, é o fator que determina a época de início do rastreio das lesões por HPV, observa-se que a conduta mais adequada para LSIL/ASC-US em adolescentes é o acompanhamento da lesão repetindo-se duas citopatologias com intervalo de 12 meses15,16,18,21(A). No Brasil, o intervalo preconizado pelo Ministério da Saúde é de seis meses e, caso o diagnóstico persista ou progrida, encaminhase a paciente à colposcopia19(A). A mesma conduta é indicada para a citopatologia em meio líquido23(A). Além disso, o teste de captura híbrida não é indicado para adolescentes e mulheres jovens, devido à alta frequência de lesões por HPV nesse grupo e pela alta taxa de regressão dessas lesões14,22(A). Leituras suplementares 1. Túlio S, Pereira LA, Neves FB, Pinto AP. Relação entre a carga viral de HPV oncogênico determinada pelo método de captura híbrida e o diagnóstico citológico de lesões de alto grau. J. Bras. Patol. Med. Lab. 2007;43(1):31-5. 2. Rama CH, Roteli-Martins CM, Derchain SFM, Longatto-Filho A, Gontijo RC, Sarian LOZ, et al. Prevalência do HPV em mulheres rastreadas para o câncer cervical. Rev Saude Publica. 2008;42(1):123-30. 3. Muñoz N, Bosch FX, de Sanjosé S, Herrero R, Castellsagué X, Shah KV, et al. Epidemiologic classification of human papillomavirus types associated with cervical cancer. N Engl J Med. 2003;348(6):518-27. 4. Autl KA. Epidemiology and Natural History of Human Papillomavirus Infections in the Female Genital Tract. Infect Dis Obstet Gynecol. 2006;2006 Suppl:40470. 5. Widdice LE, Moscicki AB. Updated Guidelines for Papanicolaou Tests, Colposcopy, and Human Papillomavirus Testing in Adolescents. J Adolesc Health. 2008;43(Suppl): S41-51. 6. Wright TC Jr, Cox JT, Massad LS, Twiggs L, Wilkinson EJ; ASCCP-Sponsored Consensus Conference. 2001 Consensus guidelines for the management of women with cervical cytological abnormalities. JAMA. 2002;287(16):2120-9. 7. 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Wright TC Jr, Massad LS, Dunton CJ, Spitzer M, Wilkinson EJ, Solomon D; 2006 American Society for Colposcopy and Cervical Pathology-sponsored Consensus Conference. 2006 consensus guidelines for the management of women with abnormal cervical cancer screening tests. Am J Obstet Gynecol. 2007;197(4): 346-55. 17. Monteiro DLM, Trajano AJB, Silva KS, Russomano FB. Incidência de lesões intraepiteliais cervicais em população de adolescentes atendidas em serviço público de saúde no Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saude Publica. 2009; 25(5):1113-22. 18. Moscicki AB. Cervical Cytology Screening in Teens. Curr Womens Health Rep. 2003;3(6):433-7. 19. Ministério da Saúde/Instituto Nacional do Câncer. MS/INCA [Internet]. Programa Nacional de Controle do Colo do Útero e de Mama – Viva Mulher. INCA/Ministério da Saúde, Brasil. [cited 2009 jun. 7]. Available from: <http://www.inca.gov.br/ conteudo_view.asp?id=140> 20. The American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) [Internet]. 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