Grupo de Trabalho da Violência ao Longo do Ciclo de Vida Fluxograma de Actuação para adultos Procura Activa 1. RASTREAR Orientações para o Rastreio Indicadores de Detecção 2. DETECTAR Confirmação 3. AVALIAR Suspeita Critérios de Avaliação Avaliação Diagnóstica História Clínica 4. REGISTAR Orientações para Entrevista Formulário Registo Clínico Violência História Clínica Formulário de Registo Clínico da Violência (brevemente) ICD - 10 5. DIAGNOSTICAR 6. ACTUAR Perigo Risco Protocolo 1 Perigo Protocolo 1 Risco Protocolo 2 Risco Protocolo 33 Protocolo (brevemente) Avaliação do Risco/Perigo Plano Segurança Protocolo 2 7. SINALIZAR 8. DENUNCIAR 9. ENCAMINHAR Núcleo de Apoio Vítima de Violência (crianças no agregado) NACJR/NHACJR Formulário de Denúncia às Autoridades Judiciárias Gabinete Médico Legal Outros Recursos Formulário de Denúncia Guia de Recursos e Percursos (brevemente) 1. rastreAR 1. RASTREAR ORIENTAÇÕES PARA O RASTREIO de violência Doméstica Orientações para o Rastreio de Violência Doméstica * Adaptado de: Hurt, Insulted,Threatened with harm and Screamed (HITS) copyrighted in 2003 by Kevin Sherin MD, MPH Perguntas de Rastreio da Violência em Adultos* Com que regularidade o/a seu/sua parceiro/a ou alguém lhe agride fisicamente? Com que regularidade o/a seu/sua parceiro/a ou alguém lhe insulta ou humilha? Com que regularidade o/a seu/sua parceiro/a ou alguém ameaça fazer-lhe mal? Com que regularidade o/a seu/sua parceiro/a ou alguém lhe grita ou ofende? NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES FREQUENTEMENTE SEMPRE 1 2 3 4 5 3 4 5 1 2 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Contabilizar soma das pontuações obtidas. Uma pontuação total igual ou superior a 10 valores indica estarmos na presença de uma vítima de violência. 2. DETECTAR 2. detectar indicadores de detecção de violência Indicadores de Detecção de Violência Indicadoresde Suspeitacombase nosAntecedentese Característicasda Vítima Indicadoresde SuspeitaDurante oAtendimento 2. detectar indicadores de detecção de violência Antecedentes de infância • Ter sofrido ou presenciado situações de maus-tratos Antecedentes pessoais e hábitos de vida • • • Lesões frequentes Abuso de álcool ou outras drogas Abuso de medicamentos, sobretudo psicofármacos Problemas Gineco-obstétricos • • • • • • Ausência de controlo de fecundidade (muitas gravidezes, gravidezes não desejadas) Presença de lesões nos genitais, abdómen ou mamas durante as gravidezes Dispareunia, dor pélvica, infecções ginecológicas de repetição, anorgasmia, dismenorreia Historial de abortos de repetição Filhos com baixo peso ao nascer Atraso na procura de cuidados pré-natais Sintomas Psicológicos Sintomatologia Ansiosa • • • • • • • • • • • • • Sensação de fraqueza Confusão mental Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado Tremores Sudorese Sensação de sufocação Náuseas ou dores abdominais Despersonalização ou desrealização Sensação de adormecimento ou formigueiro em várias partes do corpo (parestesia) Calafrios Hipervigilância Medo de morrer Medo de ficar louco ou de perder o controlo 2. detectar indicadores de detecção de violência Sintomatologia Depressiva • • • • • • • • • • • • • • • • • Perda de apetite ou voracidade Insónia ou hipersónia Perda de energia ou fadiga Baixa auto-estima Falta de concentração ou dificuldades em tomar decisões Sentimentos de desesperança Isolamento social (família, amigos) Pouco comunicativa/o Culpabilização Tristeza Somatizações Ideação/tentativa suicídio Dificuldade na resolução de problemas Escassas competências sociais Abuso ou dependência de substâncias: álcool ou drogas Depressão Perturbação de Stress Pós-Traumático Sintomas físicos frequentes • • • • • • • Cefaleias Cervicalgias Dor crónica em geral Tonturas Problemas gastrointestinais (diarreia, dispepsia, vómitos, dor abdominal) Dores pélvicas Dificuldades respiratórias Utilização de serviços de saúde • • • • • Existência de períodos de hiperfrequentação e outros de abandono (largas ausências) Incumprimentos de tratamentos Utilização repetitiva dos serviços de urgência Frequentes hospitalizações Fazer-se acompanhar pelo companheiro quando antes não o fazia 2. detectar indicadores de detecção de violência Situações de maior vulnerabilidade e dependência • • • Situações de mudanças no ciclo de vida: gravidez e puerpério, namoro, separação Situações que aumentam a dependência: isolamento familiar e social, migração, doença incapacitante, dependência económica ou física, problemas laborais e desemprego, ausência de competências sociais Situações de exclusão social (reclusas, protitutas, pobreza) Informação por parte de familiares, amigos ou de outros profissionais e instituições de que a mulher é vítima de violência doméstica Indicadores Físicos • • • • • • • • • • • • • • • • • Atraso na procura de cuidados em caso de lesões físicas Incongruência entre o tipo de lesão e a explicação Hematomas ou contusões em zonas suspeitas: cara/cabeça, zona interna de braços ou músculos Lesões por defesa: zona interna do antebraço Lesões múltiplas em diferentes estadios de cicatrização que indicam violência continuada Lesões nos genitais, peito Fracturas, lacerações, abrasões, equimoses, cortes, queimaduras, mordeduras, fracturas (particularmente no nariz e órbitas) e fracturas por torção do pulso Lesões durante a gravidez nos genitais, abdómen e mamas Lesão típica: ruptura do tímpano Queixas de dor aguda ou crónica, sem evidência de lesões nos tecidos Zonas de peladas na cabeça Abuso sexual (incluindo do cônjuge quando não é consentido) Sangramento anal ou genital Fissuras anais Dores genitais Traumatismos na vulva Lesões ou sangramento vaginal durante a gravidez, aborto espontâneo ou ameaça de aborto 2. detectar indicadores de detecção de violência Atitude da Mulher • • • • • • • • • • • • Temerosa, evasiva, incomodada, nervosa, fica alterada por exemplo ao abrir-se a porta… Traços depressivos: triste, desmotivada, sem esperança Culpabilização no discurso Estado de ansiedade ou angústia, irritabilidade Sentimentos de vergonha: retraimento, comunicação difícil, evita contacto ocular Vestuário sugestivo de ocultação de lesões Falta de cuidado na higiene pessoal Se o companheiro está presente: temerosa nas respostas, procura constantemente a sua aprovação Hesitante ou evasivo durante a descrição das lesões: medo, fuga no olhar, vergonha, culpa Justifica as lesões ou desvaloriza-as Preocupação desproporcionada em relação às lesões (ex. atitude de grande aflição perante lesões mínimas) Explicação não coincidente com as características da lesão: explicações vagas, contraditórias, confusas (ex. encalhei na porta) Atitude do Companheiro • • • • Insiste em estar presente durante todo o atendimento (é habitual que o agressor acompanhe a vítima à consulta como forma de controlo; nestes casos há que convidar a sair da consulta) Por vezes colérico ou hostil com a companheira ou com o profissional, contestatário Excessivamente preocupado ou solícito com a companheira Excessivamente despreocupado, depreciativo e/ou irónico, banalizando os factos 2. detectar orientações para a entrevista em situações de violência recomendações para a entrevista em caso de suspeita de violência • • • • • • • Realizar o atendimento de forma individual preservando a confidencialidade Observar as atitudes e o estado emocional (através da linguagem verbal e não verbal) Facilitar a expressão de sentimentos Manter uma atitude empática, que facilite a comunicação, com uma escuta activa Seguir uma sequência lógica de perguntas mais gerais e indirectas para outras mais concretas e directas Abordar directamente o tema da violência Expressar claramente que não existe desculpa/justificação para a violência nas relações humanas SUSPEITA: Exemplos de Perguntas por Informação obtida pelos antecedentes e características do/da utente • “Estive a avaliar o seu historial e encontro algumas coisas que gostaria de conversar consigo. Vejo que (relatar os factos). A que pensa dever-se o seu mal-estar ou problema de saúde? Observo-a um pouco nervosa. O que a preocupa? Está vivendo alguma situação problemática que a possa fazer sentir-se assim? Pode-me falar sobre isto? Pensa estar relacionado?” • “Em muitos casos as mulheres têm problemas como os seus como (relatar os mais significativos), habitualmente a causa é estarem a receber algum tipo de mau-trato por parte de alguém. É este o seu caso?” • Em caso de suspeita por antecedentes como dispareunia, dor pélvica questionar acerca das suas relações afectivas e sexuais, se são satisfatórias ou não SUSPEITA: Exemplos de Perguntas através de lesões físicas • “Esta lesão habitualmente ocorre quando se recebe um empurrão, golpe, corte... foi isso que aconteceu?” • “O seu companheiro ou alguma outra pessoa é violento para si? Como? Desde quando?” • “Alguma vez a agrediram mais gravemente? (espancamentos, utilização de armas, agressões sexuais)” 2. detectar orientações para a entrevista em situações de violência SUSPEITA: Exemplos de Perguntas através de sintomas psicológicos • “Gostaria de saber a sua opinião sobre esses sintomas que me relatou (ansiedade, nervosismo, tristeza, apatia) Desde quando é que se sente assim? A que acha que se devem? Relaciona-os com alguma situação?” • “Aconteceu ultimamente alguma situação na sua vida que a possa deixar preocupada? Tem algum problema com o seu companheiro ou alguém da família?” • “Parece que se encontra sob alerta, assustada? O que teme?” SUSPEITA DE TRÁFICO HUMANO: Exemplos de Perguntas Traduzido e adaptado de Administration for Children Families • Pode abandonar o seu emprego se assim o desejar? • Poderá entrar e sair como quiser? • Já alguma vez foi ameaçada quando tentava sair da situação? • Já alguma vez foi fisicamente agredido/a de alguma forma? • Como são as suas condições de trabalho ou de vida? • Onde come e dorme? • Dorme numa cama ou no chão? • Já alguma vez foi privada de receber comida, água, de dormir ou receber cuidados médicos? • Tem de pedir permissão para comer, dormir ou ir à casa de banho? • As portas e janelas encontram-se trancadas para que não possa sair? • A sua família é ou foi ameaçada? • Tiraram-lhe alguma identificação ou documentação? • Alguém o/a força a fazer coisas que não quer fazer? Adaptado de: Protocolo Andaluz para la Actuación Sanitaria ante la Violencia de Género. 2. detectar orientações para a entrevista em situações de violência recomendações para a entrevista em caso de confirmação de violência • Fazer com a vítima não se sinta culpada da violência que sofre • Acreditar na vítima, sem colocar em dúvida a interpretação dos factos, sem emitir juízos, tentando retirar o medo associado à revelação/queixa • Ajudar-lhe a reflectir, a ordenar as suas ideias e a tomar decisões • Alertá-la para os riscos que corre e aceitar a sua escolha • NÃO dar a sensação de que tudo se vai resolver facilmente • NÃO dar falsas esperanças • NÃO criticar a atitude ou ausência de resposta com frases como: “Porque é que se mantém nessa situação?; Se você quisesse mesmo parar com esta situação, já teria” • NÃO desvalorizar a sensação de perigo expressa • NÃO recomendar terapia de casal nem mediação familiar • NÃO prescrever fármacos que diminuam a sua capacidade de reacção • NÃO utilizar uma atitude paternalista • NÃO impor critérios ou decisões CONFIRMAÇÃO: Exemplos de Perguntas em caso de Violência Física • “Obriga-lhe a ter relações sexuais contra a sua vontade?” • “Força-lhe a ter alguma prática sexual que você não deseje?” CONFIRMAÇÃO: Exemplos de Perguntas em caso de Violência Sexual • “O agressor (após identificação) empurra-lhe ou agarra-lhe?” • “Dá-lhe bofetadas, socos, murros, chapadas? 2. detectar orientações para a entrevista em situações de violência CONFIRMAÇÃO: Exemplos de Perguntas em caso de Violência Psicológica • “Grita muito frequentemente ou fala-lhe de forma autoritária?” • “Ameaça fazer-lhe mal ou aos seus/vossos filhos ou diante de outras pessoas?” • “Insulta-lhe, ridizulariza-lhe, menospreza-lhe individualmente ou na frente de outros?” • “É ciumento sem motivo?” • “Impede-lhe ou dificulta de se aproximar de familiar e amigos? De trabalhar fora ou de estudar?” • “Culpa-lhe de tudo o que acontece?” • “Controla o seu dinheiro e obriga-lhe a prestar contas de todos os gastos?” • “Ameaça-lhe tirar-lhe os filhos se o abandona? (violência conjugal)” • “Ignora os seus sentimentos ou a sua presença?” Adaptado de: Protocolo Andaluz para la Actuación Sanitaria ante la Violencia de Género. 3. avaliar 1ª etapa - avaliação inicial • Garantir, preferencialmente, o acesso imediato a um profissional de saúde com perfil e formação na área da violência. • Realizar o atendimento de forma prioritária, de acordo com os critérios pré-estabelecidos (Triagem de Manchester se for no serviço de urgência). • Em situaçwões agudas, prestar cuidados médicos de urgência (se nos CSP enviar para o serviço de urgência SUB ou Hospital). • Em situações de espera, derivar um profissional de saúde para oferecer apoio e conforto à vítima, não a deixando sozinha. 2ª etapa - consentimento informado (exame físico e sexual) • A vítima deverá dar o seu consentimento para o exame físico e sexual. 3. avaliar 3ª etapa - recolha de informação HISTÓRIA MÉDICA • Antecedentes Médicos • Historial Ginecológico (situações de abuso sexual) - Quando foi o primeiro dia do seu último período menstrual? - Já teve alguma relação sexual antes deste episódio? - Já teve alguma gravidez? Quantas e qual o tipo de partos? - Quantos filhos tem? - Houve complicações durante o parto? - Já fez alguma cirurgia pélvica? - Usa algum método contraceptivo? Qual? - Actualmente, tem um parceiro sexual ? - Quando foi a sua última relação sexual consentida? INFORMAÇÃO PSICOSSOCIAL • Situação emocional • Antecedentes Familiares • Situação familiar actual • Situação económica, laboral e ocupacional • Rede de apoio social da vítima EPISÓDIO(S) DE VIOLÊNCIA • Identificação do agressor • Data e local da(s) ocorrência(s) • Tipo e descrição da violência (física, psicológica, negligência, sexual) - em caso de abuso sexual perceber se houve: - Penetração vaginal ou anal praticado pelo agressor ou pela vítima - Sexo oral praticado pela vítima ou pelo agressor - Utilização de pénis, dedos ou objectos pelo agressor - Contacto da boca do agressor com o rosto, corpo ou área genito-anal da vítima - Contacto forçado da boca da vítima com rosto, corpo ou área genito-anal da vítima - Ejaculação nos genitais da vítima ou em qualquer outra parte do corpo da vítima, roupa ou na cena do crime - Utilização de meios contraceptivos ou lubrificantes • Início da situação de violência • Frequência e intensidade dos maus-tratos • Comportamentos do agressor a nível familiar e social; se existem outras agressões a outras pessoas ou elementos da família • Existência de consumos por parte do agressor (álcool ou drogas) • Mecanismo de adaptação desenvolvido pela vítima para se proteger • Fase do processo de violência em que se encontra 3. avaliar 4ª etapa - EXAME FÍSICO Antes do exame: • Assegurar uma muda de roupa para a vitima, ou, se esta já tiver mudado roupa, realizar as diligencias necessárias para obter as peças de vestuário usadas quando da agressão. • Recolher a roupa da vítima (incluindo roupa interior, sapatos e adereços usados) e colocar separadamente dentro de um envelope de papel fechado. Durante o exame: • Observar da cabeça aos pés, tendo especial atenção às zonas escondidas (axilas, couro cabeludo, virilhas, planta dos pés, boca, principalmente a zona das gengivas, pescoço, com especial atenção aos mamilos, assim como face interna das coxas e braços). • Pesquisa de lesões (ver avaliação das lesões) • Registo fotográfico com consentimento do/a utente (não necessita se for criança). EXAME FÍSICO COMPLETO Passo 1 Avaliar a aparência geral da vítima, o comportamento e o funcionamento mental. Em caso de alteração do funcionamento mental, avaliar se se encontra relacionado com o episódio ou com a vitimação ou se existe doença prévia ou incapacidade (por exemplo, debilidade). Comece com o mãos do paciente, e recolha os sinais vitais, pulsação, pressão arterial, respiração e temperatura. Inspeccionar os dois lados de ambas as mãos. Observe os pulsos, se apresentam sinais de marcas de ligadura. Recolha vestígios das unhas, no caso de existirem. Passo 2 Inspeccione o antebraço para as lesões de defesa, que são lesões que ocorrem quando a vítima tenta proteger áreas vulneráveis do corpo: hematomas, escoriações, lacerações ou feridas incisas. Em pessoas de pele escura as contusões podem ser difíceis de observar, pelo que é importante a apalpação do inchaço. Devem ser observados locais de punção venosa. Passo 3 Observar sinais de hematomas nas superfícies internas dos braços e axilas. É frequente a existência marcas de dedos do agressor em forma de hematoma nos braços da vítima. Em caso de puxões de roupa é comum encontrar equimoses lineares. Passo 4 Inspeccione o rosto. As nódoas negras na região ocular podem ser subtis. Observe sinais de hemorragia no nariz. Apalpação leve dos maxilares e da região orbital pode revelar presença de sensibilidade por lesões. Verifique a boca com cuidado, existência de contusões, abrasões e lacerações da mucosa bucal. Petéquias no palato podem indiciar penetração. Verifique se existe rasgamento do freio ou dentes partidos. Passo 5 Inspeccionar as orelhas, não esquecendo a área atrás das orelhas, para verificar vestígios de contusões, existentes em situação de agressão na zona da cabeça. Observe o tímpano. Passo 6 Realize apalpação suave ao couro para avaliar sensibilidade e inchaço, sugestivos de hematomas. A perda de cabelo (alopécia) devido ao puxar do cabelo durante o ataque pode causar grandes quantidades de cabelo solto que podem ser recolhidos para amostra. Passo 7 A zona do pescoço é de grande interesse forense. Contusões no pescoço podem indicar risco de vida. Em caso de mordeduras, retirar prova de saliva para análise. 3. avaliar 4ª etapa - EXAME FÍSICO complet (cont.) Passo 8 Por serem zonas que podem ser mais sensíveis para a vítima, deve-se começar pela parte de trás, tendo o cuidado de expor apenas a área que está sendo examinada. Os ombros devem ser vistos separadamente. Os peitos são frequentemente alvos de agressões e mordeduras. Passo 9 Recline a vítima para efecutar exame abdominal. Inspeccione contusões, abrasões, lacerações. Realize apalpação abdominal para excluir qualquer trauma interno ou para detectar gravidez. Passo 10 Com a vítima na posição reclinada, examine as pernas começando pela zona frontal. A parte interna das coxas são frequentemente alvo de ferimentos ou trauma (causados por joelhos). O padrão de contusões na parte interna das coxas é frequentemente simétrico. Pode haver escoriações nos joelhos (como consequência da vítima ter sido atirada para o chão), similarmente, os pés podem mostrar sinais de escoriações ou lacerações. É importante observar cuidadosamente os tornozelos (e pulsos) para verificar sinais de contenção com ligaduras. As solas dos os pés também devem ser examinadas. Passo 11 Permanecendo a vítima deitada, avaliar a zona traseira das pernas. A observação das nádegas é melhor alcançada de pé. Alternativamente, pode ser examinada na posição supina e pedir para levantar uma perna de cada vez e, em seguida, rolar um pouco para inspeccionar cada nádega. OMS Guidelines for medico-legal care for victims of sexual violence, 2003. 3. avaliar 4ª etapa - EXAME FÍSICO EXAME SEXUAL • Observar região anal e genital: - Exame com espéculo sem lavagem prévia ou lubrificação - Exame bimanual - para determinar tamanho, forma, consistência e mobilidade uterina, assim como a possível existência de massas ou dor adnexal. - Toque rectal – anuscopia desejável - Ecografia – ex: suspeita de gravidez • Pesquisa de sinais traumáticos e de infecção: detalhar feridas, hematomas contusões, ou a sua inexistência. Nos casos de agressões sexuais em raparigas ou mulheres que não tenham iniciado vida sexual, é importante constar a possível existência e localização de rasgos himeneais, que comprovam existência de penetração. • Registo fotográfico com consentimento do/a utente (não necessita se for criança). COLHEITA DE AMOSTRAS BIOLÓGICAS • Realizar colheita de amostras biológicas (sémen, pêlos, saliva ou mordeduras no corpo da vítima, unhas) para doseamento toxicológico e para rastreio de infecções sexualmente transmissíveis: recolha de amostra de sangue para doseamento de b-HCG, serologias (VHB, VIH, VHC), VDRL, drogas de abuso e álcool. • Amostra de exsudado vaginal para: Neisseria gonorrhoea, Chlamydia Trachomatis e Trichomonas Vaginalis. Se for necessário pode realizar-se exames imagiológicos. • Deve-se fazer ainda recolha de zaragatoa oral, para amostra referencia de DNA. Antes da colheita, deve-se ter em atenção os seguintes aspectos: - Se a vitima fumou (até 30 minutos antes) - Se está a mastigar pastilha - Se utilizou desinfectante oral em spray (até 30 minutos antes) - Se não for possível realizar zaragatoa oral para DNA, deve-se recolher sangue para o efeito, mas deve-se ter em atenção se a vitima fez alguma transfusão sanguínea nos últimos 3 meses (DNA alterado). OMS Guidelines for medico-legal care for victims of sexual violence, 2003. 3. avaliar PRESERVAÇÃO DO MATERIAL BIOLÓGICO 1. Não comer, beber ou fumar. 2. Não lavar a boca nem os dentes. 3. Não tomar banho nem lavar os órgãos genitais. 4. Não mudar de roupa e se já tiver mudado, preservar a que usava à data da ocorrência, se possível seca e em sacos de papel. 5. Não lavar as mãos, não limpar nem cortar as unhas. 6. Não se pentear. 7. Não urinar ou defecar e caso o tenha de fazer, conservar esses produtos numa embalagem adequada. 8. Não alterar nada no local onde decorreu o abuso. 9. Não esvaziar baldes do lixo nem puxar o autoclismo. Substância a recolher Equipamento Instruções para recolha amostra Drogas Tubo apropriado Colher 10ml de sangue venoso DNA (vítima) Tubo apropriado Colher 10ml de sangue Roupas Materiais externos (sémen, sangue, cabelo, fibras) Sacos de papel Colocar a roupa em sacos de papel separadamente e restantes itens em envelopes. Itens molhados devem ser ensacados separadamente. Genitais Semen Cotonetes ou zaragatoas Utilizar cotonetes para recolher vestígios dos genitais, cúpula vaginal e cérvix; lubrifique o espéculo com água (não com lubrificante) Semen Cotonetes ou zaragatoas Utilizar cotonetes para recolher vestígios dos genitais, cúpula vaginal e cérvix; lubrifique o espéculo com água (não com lubrificante) Lubrificante Cotonetes ou zaragatoas Secar o cotonete após colecta. Comparação com cabelos/pelos encontrados na zona do crime Recipiente estéril Cortar aproximadamente 20 fios de cabelo e colocar num recipiente estéril Sémen Cotonetes ou zaragatoas, recipiente estéril (para lavagens bucais) e fio dentário Pincelar com o cotonete em múltiplas localizações na boca. Para obter uma amostra de lavagem bucal, enxaguar a boca com 10ml de água e colocar num recipiente estéril DNA (vítima) Cotonetes ou zaragatoas Local Sangue Ânus Cabelos ou pelos Boca 3. avaliar Unhas Pele, sangue, fibras, etc. do agressor Palito estéril ou similar ou tesoura das unhas/ corta-unhas ou recipiente estéril Utilizar o palito para recolher material debaixo das unhas ou cortar as unhas ou aparas e colocar num recipiente estéril Pensos higiénicos/ tampões Material externo (sémen, sangue, cabelos ou pelos) Recipiente estéril Recolher se utilizado durante ou após penetração vaginal ou oral Semen Cotonetes ou zaragatoas Pincelar com o cotonete em zonas onde o sémen possa estar presente Saliva (beijos, mordeduras ou labidelas), sangue Cotonetes ou zaragatoas Secar o cotonete após colecta Material externo (vegetação, pêlos púbicos ou cabelos) Cotonetes ou pinças Colocar o material num recipiente estéril (envelope ou frasco) Drogas Recipiente estéril Recolher 100ml de urina Pele Urina OMS Guidelines for medico-legal care for victims of sexual violence, 2003. 4ª etapa - EXAME FÍSICO avaliação das lesões Natureza da lesão • Hematomas ou contusões em zonas suspeitas: cara/cabeça, zona interna de braços ou músculos • Escoriações generalizadas ou lacerações - mais encontradas na face • Edemas por constrição nos punhos e tornozelos • Abrasões, equimoses, cortes, queimaduras, mordeduras • Fracturas por torção do pulso, costelas, ossos longos das extremidades, nariz, órbitas • Alopécia - zonas hemorrágicas difusas do couro cabeludo (arrancamento de tufos) • Lesões oculares – retinopatias, cristalinopatias, roturas oculares com esvaziamento do humor vítreo e cegueira consecutiva • Lesões otológicas - ruptura dos tímpanos, otorragia • Lesões genitais , rectais ou no peito com sangramento ou fissuras(sinais de abuso sexual) • Lesões por electrocussão • Lesões produzidas em ambientes de baixíssima temperatura - sobretudo em frigoríficos podendo ocorrer, inclusive, gangrena das extremidades • Lesões decorrentes de avitaminoses e desnutrição - por omissão de alimentos e falta de cuidados adequados e de higiene corporal • Lesões por defesa: zona interna do antebraço • Lesões durante a gravidez nos genitais, abdómen e mamas • Queixas de dor aguda ou crónica, sem evidência de lesões nos tecidos • Lesões produzidas por simulação 3. avaliar AVALIAÇÃO DAS LESÕES (CONT.) Natureza do traumatismo • Agentes mecânicos: contundentes, superfície , cortantes, linha, perfurantes, ponto • Armas de fogo e explosivos • Agentes físicos - térmicos-calor e frio, eléctricos, radiações • Agentes químicos - substâncias caústicas e corrosivas, tóxicos Concordância entre a lesão e o mecanismo que a produziu Concordância da localização com o discurso da vítima Relação temporal das lesões (actual, passada) e a procura de cuidados Exclusão da possibilidade da lesão preexistir ao traumatismo Exclusão de uma causa alheia ao traumatismo 5. DIAGNOSTICAR RISCO VS PERIGO AVALIAÇÃO DO PERIGO Determinar se a vítima se encontra ou não em perigo extremo (situação actual de iminente risco para a vida da vítima e/ou familiares): Considerar a percepção de perigo por parte da vítima tanto para ela como para outros familiares (perante este indicador assume-se a situação como perigo extremo) • • • • • • • • • Critério profissional após avaliação de equipa ou conjunta (fundamentada na entrevista e na avaliação biopsicossocial realizada) • • • • • • • • • Ameaças ou tentativas de homicídio Ameaças com armas ou uso das mesmas Agressões com ferimentos graves em incidentes anteriores Ameaças ou tentativas de suicídio da vítima Escalada da violência em frequência e gravidade Ameaças ou perseguições mesmo depois da separação Maus-tratos a filhos ou outros elementos da família Episódios de violência durante a gravidez Prática de sexo forçado com a vítima (mesmo durante o casamento) Comportamento violento generalizado (para além do contexto doméstico) Manifestação de ciúmes extremos, controlo obsessivo da vida da vítima (onde vai, com quem está, que dinheiro tem) Atitudes de dominância e poder extremas: vítima como propriedade Isolamento crescente Consumo de álcool ou drogas pelo agressor Diminuição ou ausência de remorsos por parte do agressor Morbilidade psiquiátrica/psicopatologia do agressor Ameaça ou abandono da relação por parte da vítima Violência na família de origem do agressor Se se detecta uma situação de perigo, questionar: • • • • • • Sente-se segura na sua casa? Pode ir à sua casa neste momento? O(s) seu(s) filho(s) encontram-se em segurança? Onde está o agressor neste momento? Os seus familiares e amigos sabem da situação? Acha que a/o poderiam ajudar? 6. ACTUAR PROTOCOLO 1 SITUAÇÃO DE PERIGO Manter a vítima em segurança, protegendo-a do contacto com o agressor Tratar lesões físicas, em caso de necessidade encaminhar para o Serviço de Urgência do Hospital de referência com cópia do Formulário de Registo Clínico de Violência Contactar Linha de Emergência Social 144 Contactar forças de segurança (GNR/PSP/PJ) Preencher formulário de denúncia às Autoridades Judiciais e entregar aos agentes das forças de segurança Sinalizar a situação ao Núcleo de Apoio à Vítima de Violência - NAVV (brevemente) Entregar Formulário de Registo Clínico de Violência e entregar juntamente com Meios de Prova (em caso de existência) Solicitar apoio para intervenção ao NAVV, em caso de necessidade. Em caso de crianças do agregado sinalizar ao Núcleo de Apoio à Criança e Jovem em Risco (NACJR/NHACJR) Avaliar o seguimento da situação Após saída da situação de perigo, acompanhar a situação de acordo com Protocolo 1 - Situação de Risco 6. ACTUAR PROTOCOLO 2 SITUAÇÃO DE risco Informar o/a utente da situação em que se encontra Tratar lesões físicas, em caso de necessidade encaminhar para o Serviço de Urgência do Hospital de referência com cópia do Formulário de Registo Clínico de Violência Realizar seguimento em ambulatório Oferecer apoio integral e interdisciplinar aos problemas apresentados: físicos, psicológicos, sociais Desenvolver plano de segurança com a vítima para possíveis situações de perigo Apoiar a vítima na resolução da situação e na tomada de decisões, de forma empática Prevenir novas situações de violência Informar a vítima sobre os recursos externos de apoio nesta área, em caso de aceitação realizar o seu encaminhamento Sinalizar a situação ao Núcleo de Apoio à Vítima de Violência - NAVV (brevemente) Enviar Formulário de Registo Clínico de Violência, juntamente com Meios de Prova (em caso de existência) Solicitar apoio para intervenção ao NAVV, em caso de necessidade Em caso de crianças do agregado sinalizar ao Núcleo de Apoio à Criança e Jovem em Risco (NACJR/NHACJR) Informar a vítima de que a violência física e/ou psicológica é considerada como um crime público e que a denúncia é feita directamente nas Forças de Segurança (PSP, GNR, PJ), Ministério Público ou Gabinete MédicoLegal ou através de https://queixaselectronicas.mai.gov.pt/sqe.aspx?l=PT 6. ACTUAR PROTOCOLO 3 SITUAÇÃO DE suspeita (quando a vítima não reconhece encontrar-se numa situação de violência) Informar o/a utente da situação em que se encontra Informar o/a utente da situação em que se encontra Oferecer apoio integral e interdisciplinar aos problemas apresentados: físicos, psicológicos, sociais Apoiar a vítima no reconhecimento da situação como um problema que necessita de resolução e ajudar na tomada de decisões, de forma empática Informar a vítima sobre os recursos de apoio nesta área, em caso de aceitação realizar o seu encaminhamento