Contribuição 187. XII Reunião Bienal da Rede POP. Rede Latino-Americana para Popularização da Ciência. Campinas, São Paulo, Brasil, 29 de maio a 2 de junho de 2011. PARQUE MUNICIPAL DO MINDU: ESPAÇO DE LAZER, CULTURA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL Maria das Graças Alves Cascais Mestranda do Curso de Educação em Ciências pela Universidade do Estado do Amazonas- UEA. E-mail: [email protected] Augusto Fachín Teran Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia-UEA. E-mail: [email protected] RESUMO: O Parque Municipal do Mindu é uma Unidade de Conservação de Proteção integral sob a responsabilidade do Município de Manaus, localizada na Zona Centro-Sul da cidade, com estrutura para lazer e turismo ecológico. A administração desse parque realiza uma série de atividades relacionadas com a educação para o meio ambiente que são pouco divulgadas na comunidade. O nosso objetivo é reportarmos informações acerca do Projeto “Conhecendo o Parque Municipal do Mindu”, atividade que acontece no terceiro domingo de cada mês. Na coleta de informações, utilizamos a pesquisa bibliográfica, entrevistas com visitantes e com a chefa de Núcleo do Parque. O projeto, que tem como objetivo sensibilizar os participantes para questões voltadas ao meio ambiente e despertar a consciência crítica ambiental por meio de atividades educativas, culturais e de interpretação da natureza, é destinado aos alunos das escolas públicas municipais, pessoas das comunidades e visitantes do parque. Na visita ao local, observou-se a infraestrutura, a diversidade de espécies da fauna e flora e suas possibilidades de como elas poderiam ser utilizadas no Ensino de Ciências, Educação Ambiental e pesquisa científica. Palavras-Chave: Parque Municipal do Mindu. Educação ambiental. Ensino de Ciências. PARQUE MUNICIPAL DEL MINDU: ESPACIO DE DIVERSIÓN, CULTURA Y EDUCACIÓN AMBIENTAL RESUMEN: El Parque Municipal del Mindu es una Unidad de Conservación de Protección Integral sobre la responsabilidad del Municipio de Manaus, situado en la zona centro-sur de la ciudad, con estructura para diversión y turismo ecológico. La administración de este Parque realiza una serie de actividades relacionadas con la educación para el medio ambiente que son poco difundidas en la comunidad. El objetivo de este trabajo es reportar informaciones sobre el Proyecto: “Conociendo el Parque Municipal del Mindu”, actividad que es realizada en el tercer domingo de cada mes. En la colecta de informaciones utilizamos la investigación bibliográfica, entrevistas con los visitantes y con el responsable del núcleo del Parque. El proyecto tiene como objetivo sensibilizar los participantes para asuntos relacionadas al medio ambiente y despertar la consciencia critica ambiental a través de actividades educativas, culturales y de interpretación de la naturaleza, es destinado a los estudiantes de las escuelas publicas municipales, personas de las comunidades y visitantes del parque. En la visista al local se observo la infraestructura, la diversidad de especies de fauna y flora y las posibilidades de cómo esto podría ser utilizado en la enseñanza de las ciencias, educación ambiental e investigación científica. Palabras Clave: Parque Municipal del Mindu. Educación ambiental. Enseñanza de las Ciencias. 2 1. INTRODUÇÃO Os parques florestais geralmente são locais ricos em biodiversidade, agregando em sua maioria a fauna e a flora da localidade. Segundo Nascimento (2002), os espaços públicos como parques, reservas florestais, zoológicos, bosques, entre outros, se constituem em ambientes que podem ser utilizados não somente para o lazer, como também para diversas atividades relacionadas à preservação e contemplação. Esses ambientes têm o potencial de possibilitar a realização de atividades educativas não formais. A educação não formal ocorre quando existe a intenção de determinados sujeitos em criar ou buscar determinados objetivos fora da instituição escolar. Assim a educação nãoformal pode ser definida como a que proporciona a aprendizagem de conteúdos de escolarização formal em espaços como museus, centro de ciências, parques, ou qualquer outro em que as atividades sejam desenvolvidas de forma bem direcionada, com um objetivo bem definido (GOHM, 1999). Nesse contexto, o Parque Municipal do Mindu realiza uma série de atividades de lazer, cultura e educação para o meio ambiente que precisam ser conhecidos pela comunidade acadêmica e pela sociedade. O objetivo deste trabalho foi conhecer as atividades desenvolvidas pelo projeto “Conhecendo o Parque Municipal do Mindu” realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMMAS em parceria com outras secretarias do município. No decorrer deste artigo, serão descritas as atividades desenvolvidas pelo projeto supracitado, assim como outras atividades que acontecem no parque. 1.1 O Parque Municipal do Mindu O Parque Municipal do Mindu é uma Unidade de Conservação com estrutura para lazer e turismo ecológico, localizado no bairro Parque Dez de Novembro, na Zona Centro-Sul da cidade de Manaus-AM. Ocupa uma área de 40 hectares e abriga várias espécies da fauna e da flora da região: animais como o Sauim-de-Coleira (Saguinus bicolor), macaco endêmico ameaçado de extinção, pertencente à Família Callitrichida existente somente na região de Manaus, a preguiça (Bradypus tridactylus), roedores típicos da região como a cutia (Dasyprocta aguti) e esquilo (Sciurus antunes), aves como o gavião (Buteo spp), arara (Ara macao) e uma diversidade de espécies vegetais. Possui vegetação nativa de mata de baixio/igapó ou áreas inundáveis, terra firme e mata de capoeira secundária. É cortado pelo igarapé do Mindu, de onde se originou o nome do parque (Fig.1). Figura 1: Igarapé do Mindu 3 A Prefeitura Municipal de Manaus por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMMAS é o órgão responsável pelo Parque Municipal do Mindu. A SEMMAS possui uma coordenadoria de Áreas Protegidas, responsável pela criação e gestão das áreas protegidas do município de Manaus, à qual o parque está vinculado. O Parque Municipal do Mindu por sua vez, está submetido às normas do CONDEMA – Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente. 1.2 Histórico do Parque A história do Parque do Mindu tem início no ano de 1940, quando foi instalada uma gruta em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes, às margens do igarapé do mesmo nome, área que era conhecida como sítio da Pedreira. No início do ano de 1960, a área foi vendida para os padres redentoristas da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, passando a ser usada como retiro pela comunidade Salesiana, onde foram desenvolvidas atividades, como plantio de árvores frutíferas e cultivo de hortaliças. No final dos anos 60 e início dos anos 70, com a construção do Conjunto Habitacional Humberto de Alencar Castelo Branco, situado nas proximidades do igarapé e com as invasões de terra, o igarapé do Mindu começou a ficar poluído. Em 1975, com o aumento da poluição, o terreno foi vendido para o Ministério da Fazenda e incorporado à área verde da cidade. Sem os cuidados devidos pelo órgão responsável, a área começou a ser alvo de imobiliárias, das invasões e desmatamentos. No ano de 1989, por iniciativa dos moradores do bairro Parque Dez de Novembro, começou um movimento popular visando à preservação do local, conseguindo com que passasse a ser área protegida do município de Manaus. O marco inicial do parque ocorreu em 18 de março de 1992, quando a primeira ministra da Noruega, Sra. Grobrudfland plantou um pé de Sumaúma (Seiba pentandra). Em maio daquele mesmo ano, o Parque recebeu a visita do “Projeto Gaia” (Mãe Terra), composto por 142 adolescentes de 44 países. Esse grupo permaneceu na área durante três semanas limpando o local, construindo pontes, abrindo diversas trilhas. Também foi construído o Monumento da Fertilidade, utilizando pedras enviadas por crianças de diversos países. Em 1993, por meio da Lei 219, de 11 de novembro, o Parque do Mindu recebeu o reconhecimento legal como “área de interesse ecológico” com uma extensão de 309.518 m², sendo incorporado ao Sistema Municipal de Unidades de Conservação como categoria de Parque Municipal de Unidades de Conservação, passando a ser regido pela regulamentação dos Parques Nacionais Brasileiros. Em 1994, um decreto federal autorizou a cessão para instalação de parque ecológico público, com o objetivo de preservação ambiental da área, passando a ter sua situação fundiária regularizada. No ano de 1996, a Prefeitura Municipal de Manaus implantou a infraestrutura física do parque: urbanização das trilhas, biblioteca do meio ambiente, estacionamento, praças temáticas, orquidário, trilha suspensa e sinalização educativa, visando a desenvolver programas de educação ambiental. O parque foi reinaugurado em 2006, pela Prefeitura Municipal de Manaus, com a construção de um auditório fechado, cozinha de apoio no chapéu de palha, trilha pavimentada para os portadores de necessidades especiais, ampliação do orquidário e recuperação de todas as instalações. Em 2007, por meio do decreto N. 9.043, de 22 de maio de 2007, a área do Parque foi ampliada de 309.518 m² para 408.011,87 m², atendendo à demanda da sociedade civil e do poder público em proteger os fragmentos florestais do município de Manaus. 4 De acordo com o Relatório do Plano de Manejo do Parque Municipal do Mindu (2008), as Unidades de Conservação – UC’s integrantes do SNUC dividem-se em dois grupos com características específicas, a saber: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de Unidades de Conservação: Estação Ecológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural; e Refúgio de Vida Silvestre. Sob esse aspecto, o Parque Municipal do Mindu faz parte do grupo de Unidades de Proteção Integral na categoria de Parque Nacional. “A visitação pública está sujeita às normas estabelecidas no Plano de Manejo da Unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento” (Plano de Manejo do Parque Municipal do Mindu, 2008 p.23). De acordo com o Plano de Manejo, o município de Manaus ainda não dispõe de uma lei de regulamentação do Sistema Municipal de Áreas Protegidas. 1.3 Educação para o ambiente e o Parque Municipal do Mindu Um dos principais objetivos dos parques Nacionais previstos no Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC “é promover a educação e a interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de ecoturismo, considerando o objetivo básico da preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica” (FONTES e SIMIQUELI, 2007, p.1). Nesse sentido, o Parque do Mindu está contemplando os objetivos prescritos no SNUC promovendo as atividades supracitadas por meio do “Projeto Conhecendo o Parque Municipal do Mindu”, como veremos adiante. Ainda segundo os mesmos autores, esse contato com a natureza tem o objetivo primordial de proporcionar ao visitante a oportunidade de conhecer, de forma prazerosa, a riqueza ambiental protegida pela unidade de conservação. Segundo Santos (2007), um dos subsídios que deve ser oferecido pelos parques são as trilhas interpretativas, as quais devem estar em boas condições para dar ao visitante segurança e conforto, de modo a despertar-lhe a sensibilização para a preservação da natureza. As trilhas que compõem o Parque do Mindu estão em boas condições: algumas pavimentadas, uma trilha suspensa e uma adaptada para cadeirante. Em relação à Educação Ambiental, inúmeras atividades são desenvolvidas por ocasião da realização do Projeto “Conhecendo o Parque Municipal do Mindu” com o objetivo de despertar a consciência crítica para com a preservação do ambiente. A UNESCO define a educação ambiental como sendo: Um processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, habilidades, experiências, valores e a determinação que os tornam capazes de agir, individual ou coletivamente, na busca de soluções para os problemas ambientais, presentes e futuros (FONTES e SIMIQUELI, 2007 p. 3) Segundo Lima (2001, p.7), o Projeto de Educação Ambiental do Parque do Mindu teve início no ano de 2000 “tendo como objetivo despertar cidadãos que estejam engajados com o compromisso de conservar e manter um meio ambiente saudável, equilibrado e seguro”. Naquela época o projeto estava sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente – SEDEMA, tendo atendido 538 crianças da rede pública de ensino (escolas estaduais e municipais). Já naquele período se observa a participação dos alunos da rede pública. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais, um dos objetivos gerais do Ensino Fundamental das séries iniciais diz que o aluno deverá ser capaz de: 5 “perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente” (PCN 1997). Portanto, é de suma importância proporcionar ao educando, momentos de interação com a natureza a fim de despertar o interesse pelos problemas ambientais, assim como, fazê-lo reconhecer-se como parte integrante deste ecossistema. Em pesquisa realizada por Alcântara (2010, p. 19), ela aponta os elementos da floresta como recursos importantes a serem utilizados nas aulas de Ciências, entretanto, “o estudo revelou que, na maioria das vezes, os professores não percebem essa possibilidade e lamentam-se e reivindicam mais recursos didáticos para ensinar ciências”. Existe, pois a necessidade de se trabalhar com o tema Meio Ambiente de forma não linear e diversificada (PCN, 1997). Sendo assim, para que os alunos possam compreender a complexidade e amplitude das questões ambientais, faz-se necessário oferecer-lhes maior diversidade de experiências, uma visão global de diversas realidades e uma visão contextualizada da realidade ambiental. Dentro dessa perspectiva, o Parque Municipal do Mindu por suas características, constitui-se em um espaço não formal propício ao Ensino de Ciências. Nesse aspecto, Carvalho (2008, p. 38) nos chama atenção no sentido de termos uma visão socioambiental em relação à natureza, reconhecendo que, para apreensão da problemática ambiental, é preciso ter uma visão complexa de meio ambiente, ou seja, compreender que a natureza faz parte de “uma rede de relações não apenas naturais, mas também sociais e culturais”. Daí a importância de as escolas lançarem mão de projetos como este do Parque do Mindu, onde há um contato direto com a natureza, e oportunidade de uma compreensão maior a respeito dessa teia de relações nela existentes. 2. METODOLOGIA A motivação desta pesquisa veio a partir de uma visita realizada ao parque na disciplina Preservação de Recursos Naturais Amazônicos do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências na Amazônia. Durante essa visita, recebemos material impresso que falava das atividades do parque. A metodologia utilizada baseou-se na pesquisa bibliográfica, entrevista com a Chefa de Núcleo do Parque no período em que acontecia o café regional do Parque do Mindu. Após a entrevista, permanecemos no local entrevistando algumas famílias que estavam passeando pelo parque. 3. RESULTADOS 3.1. Projeto Conhecendo o Parque O Projeto “Conhecendo o Parque Municipal do Mindu” tem como objetivo promover atividades educativas, culturais e de interpretação da natureza, de forma a sensibilizar os participantes para as questões voltadas ao meio ambiente e despertar uma consciência crítica ambiental. É realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMMAS e Secretaria Municipal de Educação – SEMED em parceria com Secretaria Municipal de Saúde – SEMSA, Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos – SEMULSP e Secretaria Municipal de Obras e Saneamento Básico – SEMOSB. As edições do Projeto são agendadas através de um cronograma anual, tendo como data o terceiro domingo de cada mês das 09h00min às 12h15min. Envolvem alunos de escolas públicas do município, grupos de idosos das Unidades Básicas de Saúde e visitantes do parque. As escolas e os grupos de idosos são indicados pelos responsáveis do projeto e contatados previamente. Caso a escola não possua programa de educação ambiental, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente procura implantar. 6 No dia da visita, o ônibus da Escola Itinerante e Meio Ambiente vai buscar tanto os estudantes quanto os idosos. Durante a visita, são realizadas várias atividades: caminhada e interpretação ambiental pelas trilhas, histórico do parque, gincana ambiental, apresentação de peça teatral, visita ao canteiro de ervas medicinais, oficinas de material reciclado, vídeo com mensagens ambientais, palestra de sensibilização com tema sobre meio ambiente, pintura artística, visita ao igarapé do Mindu. A visita é acompanhada pelos guias do parque, monitores da escola de meio ambiente e por funcionários das instituições parceiras, dentre elas a Fundação Municipal de Cultura e Turismo (MANAUSCULT) e a Universidade do Meio Ambiente (UNIAMBIENTE). É prevista no projeto a participação de 80 alunos das escolas municipais, 40 idosos das Unidades Básicas de Saúde – UBS e visitantes do parque que queiram participar (adultos e crianças). Em média participam da visita em torno de 250 pessoas entre crianças, adultos e idosos. Para realizar a visita nas trilhas interpretativas, os participantes são divididos em subgrupos acompanhados pelos responsáveis do Projeto. Em 2009, foram realizadas nove edições do Projeto “Conhecendo o Parque Municipal do Mindu”. Os temas ambientais previstos e trabalhados naquele ano foram: Planeta Terra; Conservação do Solo; Meio Ambiente e Biodiversidade; Floresta Amazônica; Poluição Urbana; Defesa da Fauna; Nossas Aves; O Parque Municipal do Mindu; e Ciência a Serviço da Comunidade. Outras atividades também são realizadas no Parque: café da manhã regional todos os domingos, eventos de ambientalistas, cursos de guia, cursos de hotelaria, ciclo de palestra uma vez ao mês das 08h00min às 17h00min pela UNIAMBIENTE. Também o local é muito visitado por estudantes de escolas públicas e privadas e por universitários que veem no parque um laboratório para suas pesquisas. Sobre atividades culturais proporcionadas pelo Parque, segundo a chefa de Núcleo, no momento, há a participação da MANAUSCULT durante as edições do Projeto, proporcionando oficina de música e pintura voltada para a sensibilização ambiental (Figura 2). Entretanto, muitos eventos são realizados tanto pelas secretarias municipais quanto por empresas privadas, já que o parque conta com um Anfiteatro para 700 pessoas e um auditório fechado para 100 pessoas. Figura 2: oficina de pintura 7 3.2. Experiências na execução do Projeto Durante a entrevista com a chefa de Núcleo do Parque, quando indagada sobre o resultado do Projeto nas escolas, a mesma respondeu que não há como acompanhar esse processo. Mas em sua opinião, seria necessário fazer um trabalho anterior nas escolas, para em seguida, trazer os estudantes ao parque. Isso porque, durante a realização da visita as crianças ficam perplexas diante da realidade que encontram, ou seja, elas não são preparadas na escola em relação à temática ambiental. Muitas perguntam, por exemplo, se o jacaré é de verdade. Também em relação ao lixo, há estudantes que deixam rastro de sujeira por onde passam. Já os adultos, principalmente os idosos, querem levar para casa galhos de plantas. Outra observação feita pela entrevistada foi em relação à temática meio ambiente, que, em sua concepção, deveria ser trabalhada nas escolas de forma transversalizada. Na visão dela, os professores de disciplinas como Matemática, Língua Portuguesa e outras que não sejam da Área de Ciências Naturais não sabem como abordar a temática a partir do conteúdo programático. Ao ser indagada sobre a participação dos professores durante a visita, a chefa de Núcleo ressaltou que muitos deles não acompanham os alunos durante a caminhada pelas trilhas, preferem ficar esperando por eles na parte de cima do parque. Na visão deles, não lhes cabe essa responsabilidade. Tal observação deixou-nos um tanto perplexos e preocupados quanto ao papel dos professores em relação à responsabilidade social e ambiental. Esse momento é rico de experiências e poderia suscitar enorme curiosidade e temas para serem trabalhados em sala de aula. A respeito das famílias que estavam visitando o Parque, uma delas era composta de quatro pessoas: o pai, a mãe e duas crianças, sendo um bebê e a outra de quatro anos. A mãe, ao ser indagada sobre os motivos que a levavam ao parque, respondeu que frequentemente ia lá para levar a filha para brincar no playground, brincar ao ar livre e ficar em contato com a natureza, pois moravam em apartamento. A outra família, uma mãe que estava com uma criança de sete anos, disse que sempre vai ao parque para levar a filha e as sobrinhas, anda nas trilhas e fala sobre a importância de preservar a natureza. Enfatizou que costuma participar com as mesmas do Projeto “Conhecendo o Parque do Mindu” e que as crianças gostam muito, pois, há brincadeiras, oficinas e várias outras atividades. Observou-se que muitas famílias vão ao parque no domingo para tomar café e passear com as crianças, ou seja, é um momento de lazer para elas. Por isso a importância do Projeto em questão, para trabalhar a educação ambiental. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Parque Municipal do Mindu é uma Unidade de Conservação com um espaço privilegiado de fácil acesso e área verde que pode servir para o turismo ecológico tanto para os moradores do entorno e da cidade quanto para aqueles que passam pela cidade de Manaus para conhecer as belezas naturais da fauna e da flora de nossa região. Possui infraestrutura para lazer, cultura, educação ambiental e ensino de ciências, além de uma diversa fauna e flora que deve ser explorada através de pesquisas científicas. Quanto ao objetivo geral do Projeto que é sensibilizar os participantes para as questões voltadas ao Meio Ambiente e despertar sua consciência crítica ambiental por meio de atividades educativas, culturais e de interpretação da natureza, não se pode afirmar que ele atinja sua totalidade, pois, para isso, teríamos que fazer uma investigação mais aprofundada. 8 Entretanto, as atividades para atingir o fim são realizadas a contento e diríamos, ainda, de forma bem articulada. O Projeto “Conhecendo o Parque Municipal do Mindu” é uma ótima iniciativa para trabalhar a educação ambiental, no entanto, ele precisa ser bem aproveitado pelas escolas, no sentido de exploração do espaço por parte dos professores com a finalidade de despertar a consciência ambiental nos estudantes. Existe por parte da coordenação do Parque uma grande preocupação em trabalhar a temática ambiental, portanto, o projeto deve ser apoiado e, se houver condições, ampliado. 5. AGRADECIMENTOS O nosso agradecimento especial à Chefa de Núcleo do Parque do Mindu, que nos forneceu as informações necessárias para a elaboração deste artigo. 6. REFERÊNCIAS ÂLCANTARA, Maria Inez Pereira de; FACHÍN-TERÁN, Augusto. Elementos da Floresta: recursos didáticos para o ensino de ciências na área rural amazônica. Manaus: UEA/ Escola Normal Superior/ PPGEECA, 2010. 84p. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1997. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente e Saúde. Brasília: MEC/SEF, 1997. CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2008. FONTES, Silvana Lopes; SIMIQUELI, Raquel Ferreira. Perspectivas da sinalização interpretativa em unidades de conservação. In: II Encontro Interdisciplinar de Ecoturismo em Unidades de Conservação, 08 a 11 de Novembro de 2007, Itatiaia-RJ. Pag. 1-10. GOHN, M. da G. Educação não - formal e cultura política: impacto sobre o associativismo do terceiro setor. São Paulo: Cortez, 1999. LIMA, Marco Antônio Vaz de. Parque Municipal do Mindu: a consolidação de uma Unidade de Conservação. Manaus, 2001 NASCIMENTO, Silvania Sousa do. Um Final de Semana no Zoológico: um passeio educativo? ENSAIO – Pesquisa em Educação em Ciências, v. 04/ N. 1 – julho de 2002. PREFEITURA MUNICIPAL DE MANAUS. Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente/SEDEMA. Histórico do Parque Municipal do Mindu. 2.ed. Atualizada. Manaus, 2004. SANTOS, André Ferreira et al. Implantação de uma trilha interpretativa no Parque Florestal Quedas do Rio Bonito, Lavras-MG. In: Anais VII Congresso de Ecologia do Brasil, 23 a 28 de setembro de 2007, Caxambu-MG.