Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil São Paulo Abril/2015 Abril/2015 Este documento é um relatório síntese da pesquisa sobre discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil, realizada por dois professores do curso de graduação e do programa de mestrado em Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP e por um professor do curso de graduação em Administração Pública da FCLAr-UNESP. Intitulado “Para onde vai o dinheiro público: casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil”, o relato apresenta um compêndio didático da pesquisa – objetivos da investigação, metodologia empregada e principais resultados –, visando o alcance do grande público brasileiro e o debate com a sociedade. É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação para quaisquer fins, desde que citada a fonte. Equipe de Pesquisa Prof. Dr. Fernando de Souza Coelho – [email protected] Prof. Dr. Jaime Crozatti (coordenador da pesquisa) – [email protected] Prof. Ms. Victor Corrêa Silva – [email protected] Av. Arlindo Béttio, 1000 - 03828-000 – E. Matarazzo – São Paulo/SP Telefone: (11) 3091-1008 – www.each.usp.br Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 2 SUMÁRIO 1. Introdução 1.1 Apresentação da pesquisa _______________________________________ 04 1.2 Fontes de dados e informações da pesquisa_________________________ 05 2. Análise Quantitativa: municípios com alta receita corrente per capita 2.1 Evolução da receita corrente municipal no Brasil (2003-2013)____________ 08 2.2 As 280 cidades com maior receita corrente per capita do país____________ 11 2.3 Evidências preliminares de disparidade na análise quantitativa___________ 24 3. Estudo de Casos: alguns municípios onde a disparidade chama atenção 3.1 Casos de discrepância: alta receita corrente per capita e médio/baixo IDH-M_ 27 3.2 Contrapontos: casos de cidades com receita corrente padrão e alto IDH-M__ 39 4. Principais Conclusões da Pesquisa 4.1 Síntese dos Resultados e Considerações Finais_______________________ 46 Anexos Anexo A – Currículo dos Membros da Equipe de Pesquisa__________________ 50 Anexo B – Produções Acadêmicas da Equipe de Pesquisa Atinentes ao Tema___ 51 Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 3 1. INTRODUÇÃO Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 4 1.1 Apresentação da pesquisa A ampliação e o aperfeiçoamento da gestão dos serviços públicos em nível municipal, no Brasil, é uma estratégia desenhada desde os primeiros debates da Assembléia Nacional Constituinte, que teve como resultado a Constituição Federal de 1988. Parte-se do princípio de que quanto mais próxima a formulação de políticas públicas ocorrer do local onde os serviços públicos serão oferecidos, melhor pode se dar a gestão destes em virtude da proximidade entre o gestor e o usuário-cidadão. Reduzir os níveis hierárquicos ou encurtar a distância entre o locus do desenho das políticas públicas e o ambiente de sua implementação é um caminho de grande possibilidade para a melhoria da qualidade dos serviços públicos e para o incremento do controle social e da participação cidadã na construção dos programas governamentais. Com o novo pacto federativo que emerge da Constituição Federal de 1988, o município entra gradativamente no radar da discussão sobre avaliação dos resultados da ação estatal brasileira, uma vez que assume o encargo da gestão de relevantes políticas públicas, com maior poder na tomada de decisão das autoridades locais em setores como a saúde e a educação. Diante dessa perspectiva, a equipe de professores de Gestão de Políticas Públicas, autores deste trabalho, tem desenvolvido estudos acerca das diversas possibilidades da aplicação dos recursos financeiros e orçamentários de responsabilidade dos municípios brasileiros1. Educação e Saúde, por serem direitos sociais consagrados e exigirem um percentual de gasto público, têm sido os temas mais visitados nestes estudos. Porém, há grande potencial de desenvolvimento de trabalhos nas mais diversas frentes para ampliar o debate sobre a qualidade do gasto público municipal no país. Nos diversos estudos produzidos até então, pode-se verificar que a utilização adequada dos recursos dos orçamentos para as políticas públicas de responsabilidade da gestão municipal não têm sido, infelizmente, uma 1 As referências dos estudos anteriores realizados pela grupo de professores desta pesquisa estão indicadas no ANEXO B deste relatório. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 5 característica marcante. Os recursos financeiros de grande parte dos municípios brasileiros não influenciam de forma determinante o padrão do serviço prestado, bem como a melhora em indicadores de qualidade de vida, como o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. Pelo que se pôde analisar até o momento, não há como afirmar que os recursos orçamentários sejam insuficientes para melhorar a qualidade dos serviços de educação e saúde nos municípios. Por outro lado, os resultados destes estudos sugerem que há algum problema com o uso e o controle do dinheiro dos orçamentos nas esferas de decisão das políticas públicas municipais. O senso comum para explicar esta situação é o grande e irresolúvel problema da corrupção que assola a gestão pública no Brasil. Por outro lado, há fortes indícios de que os municípios não estão plenamente capacitados para o desafio de ofertar e gerir todas as políticas públicas sob sua competência. A partir dessas considerações e tendo em vista que a arrecadação dos municípios brasileiros mais do que dobrou nos últimos 11 anos (e que alguns municípios tiveram uma expressiva evolução na receita corrente por morador muito acima da média nacional), este estudo busca, inicialmente, associar indicadores da execução orçamentária das cidades brasileiras com o indicador sintético de qualidade de vida no município (IDH-M), analisando os 280 municípios brasileiros com maior média de receita corrente por habitante. Na sequência, são apresentados, ilustrativamente, alguns casos entre esses 280 municípios que chamam atenção pela grande discrepância entre sua alta receita corrente per capita e seu baixo nível de desenvolvimento (com notável carência de serviços públicos básicos). 1.2 Fontes de dados e informações da pesquisa As informações desta pesquisa foram extraídas, sobretudo, de bancos de dados oficiais de órgãos federais de avaliação de políticas públicas, tais como: a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda, nos municípios que foram objeto de aprofundamento para a configuração de estudos de casos, algumas fontes de informações Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 6 adicionais foram utilizadas, incluindo sites das prefeituras e reportagens da imprensa local/regional. Em suma, trata-se de uma investigação baseada no levantamento e cruzamento de dados secundários, os quais foram processados com o uso do aplicativo Excel da Microsoft e apresentados em formato de tabelas e gráficos para facilitar a compreensão. Vale ressaltar que os valores monetários foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, para eliminar a influência da inflação nas análises. Por fim, salienta-se que a amostra de 280 municípios, no caso, daqueles com maior média de receita corrente por habitante no país, corresponde a aproximadamente 5% do total de cidades brasileiras – que é igual a 5570, segundo o IBGE. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 7 2. ANÁLISE QUANTITATIVA: municípios com maior receita corrente per capita Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 8 2.1 Evolução da receita corrente municipal no Brasil (2003-2013 ) Entre os anos 2003 a 2013, os municípios brasileiros tiveram uma excepcional evolução no montante de receita corrente. Passaram de uma cifra superior a duzentos bilhões de reais para uma valor de quatrocentos e setenta bilhões, mais de duas vezes o valor do primeiro ano, já descontada a inflação. Os principais componentes destas receitas são o IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano e o ISS – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, que são tributos arrecadados pelos próprios municípios, além das transferências intergovernamentais que advém dos governos federal e estadual. O gráfico 1, abaixo, demonstra esse processo de crescimento do orçamento dos municípios do país. Gráfico 1 – Total da Receita Corrente dos Municípios Brasileiros, em bilhões de R$, no período de 2003 a 2013. Valores corrigidos pelo INPC até dez./2014. 0 6 0 470 415 0 4 0 287 213 236 310 339 354 435 376 256 0 2 0 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 Fonte: elaboração dos autores, baseada em dados da STN. Da União, os municípios recebem quotas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), recurso distribuído pelo governo federal por força do Artigo 159 da Constituição Federal. Os principais tributos da União que fazem parte do FPM são o Imposto sobre a Renda (IR) das pessoas físicas e das jurídicas e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Outras fontes relevantes de receitas correntes para os municípios brasileiros são as transferências do Fundo de Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 9 Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) e programas específicos para o financiamento da saúde, gerenciados pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Nacional da Saúde. Outra importante fonte de renda dos municípios é o montante transferido da arrecadação do respectivo Estado. Esta modalidade de transferência é regulamenta pela Constituição Estadual e guarda certas características próprias. Os principais tributos desta fonte de arrecadação são o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Como a população cresce em ritmo distinto da arrecadação municipal, tendo em vista diversos fatores demográficos e a própria dinâmica de funcionamento da economia, apresentamos no gráfico 2, a seguir, a média brasileira para a receita corrente média por habitante entre os anos 2003 a 2013. Gráfico 2 – Receita Corrente Média por Habitante dos Municípios Brasileiros, em 3.000,0 0 milhares de R$, no período de 2003 a 2013. Valores corrigidos pelo INPC até dez./2014. 2.747,64 2.591,27 2.562,01 2.224,51 2.000,0 0 2.338,69 2.156,01 1.993,63 1.822,69 1.684,13 1.497,15 - 1.000,0 0 1.369,67 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 Fonte: elaboração dos autores, baseada em dados da STN. Observa-se que a receita corrente média por morador dos municípios brasileiros, descontado o efeito inflacionário do período, se mostra crescente, Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 10 extrapolando quase o dobro do valor no intervalo de 11 anos. Em 2003, a gestão municipal no país dispunha, em média, de R$ 1.369,67 por habitante; já em 2013, a média do volume de recursos orçamentários que os prefeitos tinham para o atendimento das demandas locais era de R$ 2.747,64 per capita. Vale salientar que há dois momentos de declínio neste período: em 2009, fruto da crise econômica internacional, e entre 2011 e 2013, fruto de ajustes na política econômica do governo federal que resultou na diminuição da arrecadação dos municípios. 2.2 As 280 cidades com maior receita corrente per capita do país Como apontado na seção 1.2, neste estudo, para discutir a qualidade do gasto público na gestão municipal brasileira, foram selecionados aproximadamente 5% das 5.570 cidades presentes no território nacional. Totalizando 280 municípios, estas cidades tiveram receita corrente média por habitante duas vezes e meia superior à média nacional durante todo o período analisado – vide o gráfico 3. Gráfico 3 – Receita Corrente Média por Habitante dos 280 Municípios Brasileiros com maior valor médio de arrecadação per capita, em milhares de R$, no período de 8.000,0 0 2003 a 2013. Valores corrigidos pelo INPC até dez./2014. 6.896,93 6.000,0 0 6.357,96 5.398,74 4.513,30 6.121,54 5.743,62 5.221,81 3.453,82 4.139,72 1.969,97 - 2.000,0 0 4.000,0 0 4.850,04 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 3 4 5 6 7 8 9 0 1 2 3 Fonte: elaboração dos autores, baseada em dados da STN. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 11 Pelo gráfico acima, fica patente que os 5% dos municípios brasileiros com maior média de receita corrente per capita apresentaram em 2003 uma arrecadação por morador em torno R$ 3.453,82; onze anos depois, em 2013, esse valor alcançou o patamar de R$ 6.896,93 por habitante, quase que duplicando. Um ranking dos 280 municípios brasileiros com maior média de receita corrente per capita em 2013 – último ano em que os dados disponibilizados pelo FINBRA (banco de dados da STN) permitem tal cálculo – encontram-se na tabela 1, nas páginas seguintes. Para além da média de receita corrente por morador para o ano de 2013, a qual define a posição de cada um dos 280 municípios, a tabela mostra, para cada cidade: A média da receita corrente por habitante para o período compreendido entre 2003 e 2013; O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), referente ao ano de 2010 e disponibilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Cabe lembrar que o IDH-M, inspirado no IDH que mede o desenvolvimento dos países, é uma medida composta de indicadores de três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda. O índice varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano; e A categoria do IDH-M do município, quais sejam: municípios com IDH-M até 0,499 têm desenvolvimento considerado muito baixo; na sequência, os municípios com índices entre 0,500 e 0,599 são classificados como de baixo desenvolvimento; já os municípios com IDH-M variando de 0,600 a 0,699 são qualificados como de médio desenvolvimento; os municípios com valores entre 0,700 e 0,799 são conceituados como de alto desenvolvimento; e, por fim, os municípios com IDH-M igual ou maior que 0,800 têm desenvolvimento avalizado como muito alto. O interesse entre o cruzamento dessas informações é o de averiguar quais são os municípios brasileiros que apresentam enorme disparidade entre arrecadação e qualidade de vida, isto é: de um lado, contam com alta média de receita corrente per capita e, de outro, apresentam IDH-M nos estratos médio ou baixo – menor do que o IDH do Brasil (0,73) que é considerado alto. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 12 Tabela 1 – Ranking dos 280 Municípios Brasileiros com Maior Média de Receita Corrente (MRC) per Capita, em 2013. Ranking Município Estado MRC per capita em 2013 MRC per capita (2003-2013) IDH-M Categoria 1 Presidente Kennedy ES 30.164,78 13.370,49 0,657 Médio 2 São Gonçalo do Rio Abaixo MG 17.394,38 8.583,48 0,667 Médio 3 Porto Real RJ 13.902,30 8.745,25 0,713 Alto 4 Alto Horizonte GO 13.322,91 8.043,81 0,719 Alto 5 Anchieta ES 12.625,41 7.053,26 0,73 Alto 6 São Francisco do Conde BA 12.427,82 10.752,16 0,674 Médio 7 Quissamã RJ 12.395,61 11.710,05 0,704 Alto 8 Serra da Saudade MG 12.177,45 8.257,46 0,677 Médio 9 Paulínia SP 12.069,43 12.443,79 0,795 Alto 10 Bora SP 11.643,42 8.735,88 0,746 Alto 11 São João da Barra RJ 11.565,70 7.403,24 0,671 Médio 12 Guamaré RN 11.135,30 9.526,80 0,626 Médio 13 Cachoeira Dourada MG 9.928,86 8.585,27 0,726 Alto 14 Alvorada de Minas MG 9.865,39 3.286,98 0,572 Baixo 15 Nova Castilho SP 9.729,81 8.210,95 0,756 Alto 16 Pinhal da Serra RS 9.514,79 6.288,92 0,650 Médio 17 Louveira SP 9.402,97 5.497,40 0,777 Alto 18 Itapemirim ES 9.197,83 3.815,51 0,654 Médio 19 Macaé RJ 9.136,67 7.005,15 0,764 Alto 20 Torre de Pedra SP 8.909,79 3.271,80 0,714 Alto 21 Grupiara MG 8.886,88 6.949,12 0,731 Alto 22 Anhanguera GO 8.345,28 6.606,13 0,725 Alto 23 Araguainha MT 8.249,62 5.664,94 0,701 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 13 24 Barueri SP 8.142,75 5.383,93 0,786 Alto 25 Ilha Comprida SP 7.948,56 5.317,15 0,725 Alto 26 Monções SP 7.855,32 4.847,10 0,772 Alto 27 Itatiaiucu MG 7.834,77 3.673,40 0,677 Médio 28 Cedro do Abaete MG 7.763,74 5.483,79 0,678 Médio 29 Andre da Rocha RS 7.749,17 5.804,89 0,720 Alto 30 Jardim Olinda PR 7.742,46 5.501,48 0,682 Médio 31 Lajeado TO 7.733,57 4.451,57 0,675 Médio 32 Mangaratiba RJ 7.626,56 4.930,24 0,753 Alto 33 Sandovalina SP 7.609,93 5.463,70 0,709 Alto 34 Madre de Deus BA 7.581,77 7.552,65 0,708 Alto 35 Pontes Gestal SP 7.561,39 4.783,09 0,732 Alto 36 Cachoeira de Goiás GO 7.525,41 4.591,46 0,727 Alto 37 Jateí MS 7.486,11 5.487,90 0,708 Alto 38 Lagoa Santa GO 7.450,77 6.142,67 0,740 Alto 39 Montauri RS 7.411,67 5.233,72 0,764 Alto 40 Nova Lima MG 7.392,22 3.994,41 0,813 Muito Alto 41 Araporã MG 7.306,98 6.384,97 0,708 Alto 42 Lajeado Grande SC 7.292,39 5.125,68 0,771 Alto 43 Carapebus RJ 7.264,26 6.478,71 0,713 Alto 44 Casimiro de Abreu RJ 7.262,80 5.964,95 0,726 Alto 45 Tapira MG 7.260,37 5.796,88 0,712 Alto 46 São João da Paraúna GO 7.235,58 4.319,81 0,724 Alto 47 União da Serra RS 7.233,92 4.964,45 0,733 Alto 48 Parauapebas PA 7.165,27 3.686,09 0,715 Alto 49 Engenho Velho RS 7.156,17 5.077,70 0,717 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 14 50 Uru SP 7.100,58 5.712,15 0,712 Alto 51 Piratuba SC 7.084,32 4.771,31 0,758 Alto 52 Santiago do Sul SC 7.061,87 5.211,72 0,728 Alto 53 Zacarias SP 7.047,49 5.866,18 0,729 Alto 54 Ouroeste SP 7.041,01 5.527,37 0,770 Alto 55 Sebastianópolis do Sul SP 7.022,77 4.178,46 0,773 Alto 56 São Caetano do Sul SP 7.018,95 5.498,10 0,862 Muito Alto 57 Presidente Castelo Branco SC 7.001,23 4.608,59 0,770 Alto 58 Vista Alegre do Prata RS 6.991,38 5.641,07 0,780 Alto 59 Capão Bonito do Sul RS 6.989,90 4.604,62 0,637 Médio 60 Flora Rica SP 6.968,23 5.554,76 0,727 Alto 61 Lagoa dos Três Cantos RS 6.881,85 5.077,58 0,789 Alto 62 Cubatão SP 6.859,00 6.185,12 0,737 Alto 63 Trabiju SP 6.834,80 5.246,02 0,722 Alto 64 Àgua Comprida MG 6.826,36 4.966,81 0,675 Médio 65 Gavião Peixoto SP 6.767,80 3.771,50 0,719 Alto 66 Triunfo RS 6.740,08 7.121,20 0,733 Alto 67 Rifaina SP 6.738,54 4.351,34 0,74 Alto 68 Santa Salete SP 6.725,57 5.387,40 0,772 Alto 69 Doresópolis MG 6.719,84 5.035,14 0,692 Médio 70 Fernão SP 6.711,17 5.488,63 0,703 Alto 71 Flor do Sertão SC 6.653,78 4.649,35 0,708 Alto 72 Armação de Búzios RJ 6.650,71 5.698,97 0,728 Alto 73 Paial SC 6.621,26 4.142,27 0,718 Alto 74 Turiuba SP 6.596,40 4.704,64 0,751 Alto 75 Macuco RJ 6.588,46 4.688,22 0,703 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 15 76 União Paulista SP 6.587,39 5.087,50 0,749 Alto 77 São Sebastião SP 6.586,72 5.514,14 0,772 Alto 78 Turmalina SP 6.576,47 5.020,41 0,736 Alto 79 Aratiba RS 6.564,23 5.005,48 0,772 Alto 80 Nova Aliança do Ivaí PR 6.551,03 4.674,72 0,717 Alto 81 Pedras Altas RS 6.550,24 4.388,48 0,64 Médio 82 Santa Cruz da Esperança SP 6.525,48 4.553,76 0,743 Alto 83 Abdon Batista SC 6.521,03 4.064,30 0,694 Médio 84 Gentil RS 6.511,10 4.878,50 0,733 Alto 85 Alcinópolis MS 6.502,90 5.450,55 0,711 Alto 86 Mato Queimado RS 6.492,08 4.252,26 0,717 Alto 87 Coqueiro Baixo RS 6.480,11 4.614,10 0,692 Médio 88 Rio Quente GO 6.415,54 5.059,28 0,731 Alto 89 Taquarussu MS 6.403,33 4.785,09 0,651 Médio 90 Oliveira de Fátima TO 6.390,47 5.122,09 0,675 Médio 91 Paulistania SP 6.372,65 4.711,73 0,718 Alto 92 Mesópolis SP 6.369,01 4.775,78 0,724 Alto 93 Santana da Ponte Pensa SP 6.367,96 4.965,97 0,773 Alto 94 Rubineia SP 6.359,52 4.777,57 0,759 Alto 95 Ipojuca PE 6.345,56 4.182,84 0,619 Médio 96 Águas de São Pedro SP 6.337,55 6.108,50 0,854 Muito Alto 97 Alto Bela Vista SC 6.321,52 4.644,97 0,755 Alto 98 Borebi SP 6.279,08 4.584,23 0,705 Alto 99 Guararema SP 6.271,22 3.861,16 0,731 Alto 100 Santa Cecília do Sul RS 6.257,18 4.440,63 0,725 Alto 101 Rosário do Catete SE 6.251,73 5.102,37 0,631 Médio Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 16 102 Serra Nova Dourada MT 6.241,25 4.676,44 0,664 Médio 103 Santa Clara D'oeste SP 6.235,21 4.687,12 0,733 Alto 104 Ipiranga Do Sul RS 6.224,04 4.650,44 0,791 Alto 105 Guarani D'oeste SP 6.222,05 4.135,20 0,732 Alto 106 Guabiju RS 6.218,27 4.362,00 0,758 Alto 107 Brejo Alegre SP 6.210,55 3.802,77 0,710 Alto 108 Boa Vista do Cadeado RS 6.209,43 4.291,50 0,703 Alto 109 São Vendelino RS 6.176,71 5.019,04 0,754 Alto 110 Nova Independência SP 6.151,00 4.391,96 0,735 Alto 111 Canaã dos Carajas PA 6.133,01 4.183,40 0,673 Médio 112 Queiroz SP 6.131,31 4.121,90 0,715 Alto 113 Aparecida do Rio Doce GO 6.122,18 4.052,46 0,693 Médio 114 Tupandi RS 6.116,34 4.518,42 0,718 Alto 115 Narandiba SP 6.113,10 3.606,78 0,718 Alto 116 Arco-Iris SP 6.102,27 4.220,54 0,722 Alto 117 Mariana MG 6.093,78 3.403,01 0,742 Alto 118 Viçosa RN 6.089,05 4.336,86 0,592 Baixo 119 Paiva MG 6.050,43 4.039,58 0,720 Alto 120 Congonhas MG 6.046,86 3.767,28 0,753 Alto 121 Dirce Reis SP 6.046,15 5.017,98 0,741 Alto 122 Coronel Pilar RS 6.041,07 4.657,68 0,727 Alto 123 Santa Cruz do Xingu MT 6.040,78 5.738,11 0,684 Médio 124 Bento de Abreu SP 6.039,33 4.642,22 0,744 Alto 125 Lidianópolis PR 6.035,19 2.535,94 0,68 Médio 126 Santo Antonio do Planalto RS 6.015,58 4.765,17 0,759 Alto 127 Nicolau Vergueiro RS 5.996,68 4.429,91 0,753 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 17 128 Pimenteiras do Oeste RO 5.993,77 4.107,04 0,665 Médio 129 Chapadão do Céu GO 5.992,92 5.330,36 0,742 Alto 130 Tupanci do Sul RS 5.989,85 4.291,19 0,694 Médio 131 Douradoquara MG 5.985,56 4.486,18 0,706 Alto 132 Itacuruba PE 5.981,25 4.679,47 0,595 Baixo 133 Jardinópolis SC 5.980,06 4.114,77 0,709 Alto 134 Moiporá GO 5.965,84 3.772,74 0,696 Médio 135 Vila Alta (Alto Paraíso) PR 5.947,37 4.028,71 0,678 Médio 136 Alto Alegre RS 5.945,13 4.287,11 0,747 Alto 137 Sao Manoel do Paraná PR 5.936,82 4.723,20 0,725 Alto 138 Macieira SC 5.882,66 4.602,60 0,662 Médio 139 Catas Altas MG 5.875,57 3.732,35 0,684 Médio 140 São Patrício GO 5.873,64 3.962,21 0,693 Médio 141 Turvelândia GO 5.856,87 4.593,46 0,691 Médio 142 Piraí RJ 5.839,05 4.737,08 0,708 Alto 143 Florinia SP 5.836,98 4.112,16 0,713 Alto 144 Carlos Gomes RS 5.827,86 4.083,88 0,739 Alto 145 Nova Boa Vista RS 5.819,17 4.268,82 0,768 Alto 146 Saudade do Iguaçu PR 5.817,40 3.763,35 0,699 Médio 147 Tigrinhos SC 5.815,07 4.238,68 0,717 Alto 148 Dois Irmãos das Missões RS 5.798,65 4.061,24 0,670 Médio 149 Ouvidor GO 5.792,14 4.109,08 0,747 Alto 150 Quatro Irmãos RS 5.790,06 4.102,65 0,689 Médio 151 Santa Rita do Trivelato MT 5.779,40 5.346,88 0,735 Alto 152 Marema SC 5.748,84 3.838,47 0,743 Alto 153 Vespasiano Corrêa RS 5.745,92 4.029,62 0,723 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 18 154 Muitos Capões RS 5.743,04 4.090,93 0,702 Alto 155 Santo Antonio co Palma RS 5.742,86 3.949,59 0,764 Alto 156 Rio das Ostras RJ 5.742,35 7.258,63 0,773 Alto 157 Vinhedo SP 5.736,99 3.664,48 0,817 Muito Alto 158 Colômbia SP 5.735,40 3.982,75 0,710 Alto 159 Bodo RN 5.720,23 3.581,73 0,629 Médio 160 Parisi SP 5.697,73 4.248,21 0,721 Alto 161 Canudos do Vale RS 5.691,12 3.820,61 0,713 Alto 162 Westfália RS 5.690,03 4.285,32 0,752 Alto 163 Pouso Novo RS 5.686,42 4.255,81 0,715 Alto 164 São José do Sul RS 5.680,63 4.448,96 0,725 Alto 165 Quixaba PB 5.674,40 4.532,35 0,622 Médio 166 Porteirão GO 5.662,04 3.771,84 0,684 Médio 167 Água Limpa GO 5.658,56 3.971,67 0,722 Alto 168 Cruzália SP 5.649,46 3.853,26 0,774 Alto 169 Arvoredo SC 5.643,95 3.943,00 0,715 Alto 170 Carmópolis SE 5.640,22 4.534,67 0,643 Médio 171 Almirante Tamandaré do Sul RS 5.607,31 4.063,87 0,740 Alto 172 Estrela do Norte SP 5.605,24 4.027,59 0,740 Alto 173 São José do Brejo do Cruz PB 5.604,51 4.039,94 0,581 Baixo 174 Nova Canaã Paulista SP 5.590,49 3.955,88 0,715 Alto 175 Passabem MG 5.581,90 3.520,59 0,642 Médio 176 Miguel Leão PI 5.574,73 3.855,97 0,623 Médio 177 Santa Tereza RS 5.557,60 4.281,41 0,746 Alto 178 Porto Vera Cruz RS 5.556,83 3.684,06 0,690 Médio 179 Brumadinho MG 5.552,94 3.095,86 0,747 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 19 180 Candiota RS 5.546,28 3.646,21 0,698 Médio 181 Barra do Rio Azul RS 5.543,48 4.245,35 0,723 Alto 182 Figueirão MS 5.541,58 3.857,01 0,660 Médio 183 Aspásia SP 5.540,08 4.116,77 0,735 Alto 184 Silva Jardim RJ 5.538,51 3.621,49 0,654 Médio 185 Boa Vista das Missões RS 5.532,59 4.281,05 0,676 Médio 186 Urutaí GO 5.527,40 3.222,86 0,732 Alto 187 São João de Iracema SP 5.517,88 5.017,13 0,748 Alto 188 Ibiam SC 5.517,12 4.110,10 0,725 Alto 189 Capão Alto SC 5.508,41 3.521,85 0,654 Médio 190 Capitão RS 5.495,34 4.173,79 0,746 Alto 191 Linha Nova RS 5.483,58 4.370,13 0,749 Alto 192 Miraselva PR 5.476,05 3.827,35 0,748 Alto 193 Suzanápolis SP 5.469,97 3.947,34 0,699 Médio 194 Antonio Prado de Minas MG 5.468,78 3.803,80 0,684 Médio 195 Vitória Brasil SP 5.449,55 3.879,35 0,725 Alto 196 Aporé GO 5.439,11 3.683,69 0,693 Médio 197 Novo Santo Antonio MT 5.437,62 5.049,67 0,653 Médio 198 Ouro Verde SC 5.437,36 4.079,34 0,695 Médio 199 Riacho de Santo Antonio PB 5.435,10 4.187,79 0,594 Baixo 200 Três Ranchos GO 5.428,61 4.176,45 0,745 Alto 201 Boa Vista do Sul RS 5.420,56 4.483,45 0,728 Alto 202 Esperança Nova PR 5.417,89 3.908,18 0,689 Médio 203 Ilhabela SP 5.408,55 3.889,71 0,756 Alto 204 Santa Maria Madalena RJ 5.406,68 3.675,22 0,668 Médio 205 Barra Bonita SC 5.402,37 3.713,18 0,701 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 20 206 Itá SC 5.399,30 4.446,31 0,771 Alto 207 Mira Estrela SP 5.397,24 4.491,43 0,743 Alto 208 Jeceaba MG 5.395,72 3.244,60 0,661 Médio 209 Vanini RS 5.391,67 4.185,63 0,757 Alto 210 Morro da Garça MG 5.382,50 3.341,53 0,648 Médio 211 Protásio Alves RS 5.380,26 4.182,63 0,733 Alto 212 Boa Vista do Incra RS 5.379,05 4.009,73 0,731 Alto 213 Olaria MG 5.377,81 3.425,73 0,636 Médio 214 Muliterno RS 5.352,42 4.003,48 0,689 Médio 215 Campos de Julio MT 5.344,27 4.282,25 0,744 Alto 216 São João do Pau D'alho SP 5.337,24 4.239,39 0,750 Alto 217 Lourdes SP 5.323,54 3.910,57 0,742 Alto 218 Pedro Teixeira MG 5.317,05 3.787,79 0,637 Médio 219 Entre Rios do Oeste PR 5.313,05 4.306,00 0,761 Alto 220 Divina Pastora SE 5.311,97 4.234,90 0,61 Médio 221 Consolação MG 5.304,56 3.856,98 0,673 Médio 222 Treviso SC 5.296,76 3.844,28 0,774 Alto 223 Cajamar SP 5.296,59 3.385,41 0,728 Alto 224 Camargo RS 5.286,93 4.218,37 0,736 Alto 225 Taciba SP 5.284,73 3.689,35 0,723 Alto 226 Campos dos Goytacazes RJ 5.278,94 4.379,84 0,716 Alto 227 Coronel Barros RS 5.276,00 3.852,02 0,744 Alto 228 Lacerdópolis SC 5.275,68 4.067,49 0,781 Alto 229 Santa Rita D'oeste SP 5.273,22 4.116,43 0,761 Alto 230 Araucária PR 5.272,59 4.712,11 0,740 Alto 231 Chapada de Areia TO 5.270,91 4.485,58 0,619 Médio Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 21 232 São Miguel da Boa Vista SC 5.266,43 4.020,88 0,710 Alto 233 Santa Margarida do Sul RS 5.264,52 4.050,31 0,663 Médio 234 Lutécia SP 5.263,44 3.772,46 0,720 Alto 235 Seritinga MG 5.262,22 4.017,70 0,660 Médio 236 Cunhataí SC 5.257,49 4.119,05 0,754 Alto 237 Simão Pereira MG 5.251,17 3.808,08 0,638 Médio 238 Mariano Moro RS 5.244,24 4.003,62 0,73 Alto 239 Novo Xingu RS 5.238,87 3.851,31 0,767 Alto 240 Nova Ramada RS 5.218,46 3.730,06 0,742 Alto 241 Buritizal SP 5.214,08 3.989,97 0,735 Alto 242 Jambeiro SP 5.213,64 3.375,87 0,756 Alto 243 Carmésia MG 5.207,44 3.901,94 0,650 Médio 244 Vila Langaro RS 5.196,82 4.016,85 0,705 Alto 245 Bertioga SP 5.189,31 4.401,42 0,730 Alto 246 Tapiraí MG 5.177,46 3.904,82 0,667 Médio 247 Ermo SC 5.177,13 3.894,16 0,726 Alto 248 Dolcinópolis SP 5.169,58 3.715,20 0,742 Alto 249 Mirador PR 5.168,81 3.452,27 0,680 Médio 250 São José do Inhacora RS 5.168,73 3.779,98 0,747 Alto 251 Pedranópolis SP 5.164,11 3.655,37 0,742 Alto 252 Rio das Flores RJ 5.163,03 3.558,05 0,680 Médio 253 Barra Funda RS 5.160,16 4.136,20 0,763 Alto 254 Cruzaltense RS 5.138,16 3.550,81 0,719 Alto 255 Corumbataí SP 5.135,53 3.596,00 0,754 Alto 256 Marapoama SP 5.134,22 3.691,24 0,752 Alto 257 Santa Inês PR 5.133,77 3.866,09 0,717 Alto Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 22 258 Marinópolis SP 5.131,61 4.131,01 0,718 Alto 259 Laje do Muriaé RJ 5.127,92 3.606,62 0,668 Médio 260 Porto Rico PR 5.124,76 3.707,15 0,735 Alto 261 Doutor Ricardo RS 5.118,54 3.827,04 0,724 Alto 262 Coqueiros do Sul RS 5.118,02 3.625,36 0,746 Alto 263 São José do Herval RS 5.113,77 3.769,10 0,717 Alto 264 Ribeirãozinho MT 5.110,65 3.776,12 0,692 Médio 265 Jaguariúna SP 5.108,06 5.203,53 0,784 Alto 266 Magda SP 5.104,52 3.654,73 0,753 Alto 267 Bodoquena MS 5.102,01 2.894,99 0,666 Médio 268 Garruchos RS 5.084,13 3.930,49 0,671 Médio 269 Lucianópolis SP 5.075,49 3.711,51 0,733 Alto 270 Pedrinhas Paulista SP 5.074,93 3.834,75 0,774 Alto 271 Xangri-lá RS 5.074,09 3.793,00 0,735 Alto 272 Maratá RS 5.062,63 3.952,82 0,697 Médio 273 Iomerê SC 5.057,83 3.955,33 0,795 Alto 274 Icem SP 5.057,13 3.677,56 0,720 Alto 275 Irati SC 5.043,64 3.420,23 0,707 Alto 276 Travesseiro RS 5.037,43 3.767,70 0,701 Alto 277 Entre Rios do Sul RS 5.037,42 3.555,30 0,703 Alto 278 Cordeirópolis SP 5.036,29 3.815,76 0,758 Alto 279 Areia de Baraúnas PB 5.031,76 3.461,27 0,562 Baixo 280 Imigrante RS 5.030,63 3.723,17 0,743 Alto Fonte: elaboração dos autores, baseada em dados da STN, do IBGE e do PNUD. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 23 2.3 Evidências preliminares de disparidade na análise quantitativa Para aprofundar a análise sobre a aplicação dos recursos orçamentários nesses 280 municípios brasileiros de alta receita corrente per capita, selecionamos algumas cidades que estão entre as 25 primeiras do ranking. Estas localidades foram escolhidas considerando: (a) tanto a discrepância entre vultosa arrecadação por morador e IDH-M médio ou baixo; (b) como a representatividade das diversas regiões político-administrativas do país. De forma mais precisa, elegemos sete entre os 16 municípios – que figuram na tabela 1 – com maior média de receita corrente per capita do país no ano de 2013. São casos como o de Presidente Kennedy (ES) e de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), respectivamente, o primeiro e o segundo colocados no ranking. A localidade capixaba obteve uma receita corrente por morador 11 vezes maior do que média nacional, enquanto a cidade mineira alcançou uma cifra seis vezes superior. Ambas, porém, apresentam um índice de desenvolvimento humano municipal no estrato médio, mesmo estando há pelo menos duas décadas auferindo uma arrecadação por habitante bastante acima do padrão da gestão municipal brasileira. As demais cidades selecionadas nesse intervalo do ranking foram: São Francisco do Conde (BA), São João da Barra (RJ), Guamaré (RN), Pinhal da Serra (RS) e Alvorada de Minas (MG); os primeiros quatro municípios com IDH-M médio e o último com IDH-M baixo. Em adição, buscando um contraste analítico, realizou-se o exame de três municípios de regiões distintas do país que apresentam – historicamente – uma média de receita corrente per capita em valores próximos à média nacional, e o IDH-M é alto ou muito alto. Aqui, o objetivo foi meramente de levantar exemplos de cidades, igualmente de pequeno ou médio porte, que evidenciem a boa aplicação de recursos públicos, mesmo quando eles não são tão abundantes. Neste caso, as localidades investigadas foram: Concórdia (SC), Santa Rita do Sapucaí (MG) e Eusébio (CE). Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 24 Assim, temos um conjunto de 10 localidades que são exploradas como casos neste estudo, sendo sete municípios que evidenciam a discrepância entre alta arrecadação e baixo/médio IDH-M e três cidades que se postam como contrapontos. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 25 3. ESTUDO DE CASOS: alguns municípios onde a disparidade chama atenção atenção Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 26 3.1 Casos de discrepância: alta receita corrente per capita e médio/ baixo IDH-M As sete cidades que compõem a amostra de casos discrepantes entre alta receita corrente per capita e médio (ou baixo) IDH-M são localidades em que a arrecadação municipal é incrementada pelo recebimento de royalties (da produção de petróleo, da exploração de minérios etc.) e/ou pela presença de um grande empreendimento econômico no território (refinaria, usina hidrelétrica etc.) que potencializa o recolhimento de ISS e da cota-parte do ICMS. A seguir, no esteio da posição dessas cidades no ranking dos municípios brasileiros com maior média de receita corrente per capita em 2013, anteriormente demonstrado na tabela 1, apresenta-se uma breve caracterização de cada uma dessas sete localidades. A intenção é descrever de maneira mais nítida a situação de disparidade entre alta arrecadação e baixa qualidade de vida, buscando alguns indícios de nível insatisfatório de serviços públicos que são de competência municipal. Caso 1 Presidente Kennedy (ES), 1º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 30.164,78 e IDH-M 0,657 (médio). Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1964 População (estimada): 11.221 (IBGE/2014) Área: 583 km² Densidade: 17,66 hab./ km² Taxa de Urbanização: 33,35% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 5.339.306 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 511.967,24 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita em 2013: R$ 30.164,78 IDHM: 0,657 – médio / 2964º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,53 (PNUD/2010) Localizado no extremo sul do estado do Espírito Santo, o município de Presidente Kennedy, de acordo com o IBGE, tinha uma população estimada em 2014 de – Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 27 aproximadamente – 11 mil habitantes. Nos últimos anos a cidade aparece como o maior PIB per capita do país, o que se deve a exploração de petróleo em seus limites territoriais. Embora a média da arrecadação municipal por morador na última década (R$ 13.370,49) seja bastante superior a média nacional, existem indicativos de que o nível de alguns serviços públicos – como a infraestrutura urbana – é sofrível e os casos de corrupção são recorrentes. Como exemplos, a taxa de analfabetismo comparada com a média brasileira é relativamente alta – 17,09% (IBGE/2010) – e quase 15% das famílias se deparam em suas residências com esgoto a céu aberto. A pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge 9% da população, e no município quase 1200 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, representando 34% da população. As comunidades de Campinas e Boa Esperança aparentemente são as que mais sofrem com a miséria e deficiência de serviços públicos. No ano de 2012, Presidente Kennedy passou por uma grave crise institucional por conta da operação da Polícia Federal denominada “Lee Oswald”, que prendeu o prefeito Reginaldo Quinta (PTB) e seis secretários de governo, além de afastar quatro vereadores, dentre eles o presidente da Câmara Municipal. Na ocasião, o vereador Jardeci Terra (PMDB) assumiu o cargo interinamente, já que o vice-prefeito foi impedido de assumir por não morar na cidade. Entretanto, por solicitação do Ministério Público, foi nomeado um interventor para o município, o promotor de justiça aposentado Lourival do Nascimento, que assumiu o cargo de prefeito interino até o final do ano de 2012. Nas eleições de 2012, a sobrinha do ex-prefeito – Amanda Quinta (PTB) – se elegeu com 57% dos votos. Abaixo, com o intuito de ilustrar tal situação, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que discutem a contradição entre a alta geração de receita no município e a deficiência de seus indicadores sociais, bem como apontam processos de mau uso dos recursos públicos pela prefeitura. http://eleicoes.uol.com.br/2012/uol-pelo-brasil/2012/08/28/com-r-315-mi-de-royalties-do-petroleofaltam-agua-e-esgoto-em-presidente-kennedy.htm - Especial UOL eleições 2012 Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 28 http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/04/noticias/a_gazeta/politica/1211190-presidentekennedy-politica-do-pao-e-circo.html - notícia de 28 de abril de 2012. http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/07/justica-do-es-determina-intervencao-na-prefeiturade-presidente-kennedy.html - notícia de 05 de julho de 2012. http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/04/secretarias-de-presidente-kennedy-sao-extintasapos-escandalo-no-es.html - notícia de 27 de abril de 2012. Caso 2 São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), 2º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 17.394,38 e IDH-M 0,667 (médio). Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1962 População (estimada): 10.488 (IBGE/2014) Área: 363 km² Densidade: 26,87 hab./ km² Taxa de Urbanização: 47,55% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 2.273.382 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 227.885,15 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 17.394,38 IDHM: 0,667 – médio / 2738º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,53 (PNUD/2010) Localizado no estado de Minas Gerais, na mesorregião metropolitana de Belo Horizonte, o município tinha, de acordo com o IBGE, uma população estimada em 2014 em torno de 10 mil habitantes. O município figura recentemente como um dos maiores PIB per capita do país, e o terceiro do estado de Minas Gerais. Grande parte da geração de renda na localidade se deve à exploração de minérios, impulsionada com a instalação da empresa Vale no ano de 2006. A cidade abriga também a Usina Hidrelétrica de Peti, pertencente à CEMIG. Embora a arrecadação municipal per capita seja uma das 10 maiores do Brasil nos últimos anos, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M) é tãosomente médio (0,667) e alguns indicadores sociais são visivelmente insatisfatórios. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 29 Como exemplos, quase 15% das famílias se deparam em suas residências com esgoto a céu aberto. A pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge 7,3% da população, e no município 567 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, representando pouco mais que 20% da população. Ademais, chama atenção o alto percentual, quando comparado à média nacional, de crianças em idade escolas (de 7 a 14 anos) não matriculadas na escola. No que tange a segurança pública, embora a cidade seja de pequeno porte, existem evidências de problemas de violência envolvendo um número considerável de homicídios na comunidade de Vargem da Lua. Os casos de corrupção registrados nos últimos anos na cidade referem-se, sobretudo, a vereadores envolvidos em esquemas fraudulentos, segundo investigações da Polícia Federal no ano de 2011. Contudo, as informações não indicam a participação do poder executivo municipal. O atual prefeito é Antonio Carlos (PDT), cuja candidatura foi apoiada pelo ex-prefeito por duas gestões, Raimundo Nonato Barcelos “Nozinho” (PDT). Abaixo, com o intuito de ilustrar alguns aspectos da situação do município, seguem dois links de notícias da imprensa regional que discutem a contradição entre a alta geração de receita na cidade e deficiência de alguns indicadores sociais e/ou ausência de equipamentos públicos. http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/03/sem-hospital-ou-faculdade-cidade-de-mg-cresce-comferro-de-brucutu.html - notícia de 03 de março de 2011. http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/12/confins-e-s-g-do-rio-abaixo-estao-entre-maiores-pibcapita-do-pais.html - notícia de 11 de dezembro de 2014. Caso 3 São Francisco do Conde (BA), 6º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 12.427,82 e IDH-M 0,674 (médio). Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 30 Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1938 População (estimada): 38.838 (IBGE/2014) Área: 262 km² Densidade: 126,24 hab./ km² Taxa de Urbanização: 82,5% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 2.101.704 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 61.406,66 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 12.427,82 IDHM: 0,674 – médio / 2573º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,50 (PNUD/2010) Localizado na Região Metropolitana de Salvador, o município tinha, de acordo com o IBGE, uma população estimada em 2014 de quase 39 mil habitantes. Nas últimas duas décadas, o município aparece, invariavelmente, entre os 20 maiores PIB per capita do país e entre os cinco maiores da região Nordeste. Parte considerável desta geração de riqueza na localidade deve-se a atividade de exploração de petróleo e seu refino pela Petrobrás – refinaria Landulpho Alves-Mataripe (RLAM). Embora a arrecadação municipal per capita esteja entre as10 maiores do Brasil há muito tempo, o índice de desenvolvimento humano municipal é tão-somente médio e a cobertura de alguns serviços públicos é bastante deficitária. Como exemplos, menos de 5% das famílias contam com rede de esgoto em suas residências. A pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge quase 30% da população, e no município 4.375 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, representando um alto contingente dos munícipes. Os bairros de Muribeca e Caíbe, aparentemente, são os que mais sofrem com a miséria e a ausência infraestrutura urbana. Nos últimos quatro mandatos na prefeitura de São Francisco do Conde ocorreram duas reeleições e uma alternância de poder entre posição e oposição. O prefeito Antonio Carlos Calmon (PMDB), eleito em 2000 e reeleito em 2004, teve suas contas do segundo mandato reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios do estado da Bahia e ficou inelegível. A vereadora da oposição entre 2005-2008, Rilza Valentim de Almeida Pena (PT), elegeu-se prefeita em 2008 e reelegeu-se em 2012, na ocasião, com 75% dos votos. Ela faleceu em meados de Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 31 2014 e enfrentava diversas denúncias sobre mau uso de recursos públicos em sua administração; em julho de 2014 assumiu o vice-prefeito Evandro Almeida (PP). Abaixo, com o intuito de ilustrar tal situação, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que discutem a contradição entre a alta arrecadação no município e o déficit de alguns de seus serviços públicos, bem como apontam processos e/ou denúncias de corrupção na prefeitura. http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/12/cidade-com-maior-pib-capita-do-brasil-enfrentamuitas-dificuldades.html – notícia de 14 de dezembro de 2011. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po3107201109.htm / Miséria persiste em 30 das 200 cidades com PIB mais alto – notícia de 31 de julho de 2011. http://www.bahianegocios.com.br/contas-publicas/ex-prefeita-de-sao-francisco-do-conde-ba-gastoumais-de-r-14-milhoes-em-alugueis-de-veiculos/ – notícia de 19 de fevereiro de 2014. http://www.bahianoticias.com.br/noticia/137995-ex-prefeito-de-sao-francisco-do-conde-fica-inelegivelpor-oito-anos.html – notícia de 23 de maio de 2013. http://www.prba.mpf.mp.br/mpf-noticias/criminal/mpf-ba-denuncia-seis-por-desvio-de-recursos- notícia de 17 de julho de 2012, referente à gestão 1997-2000 em São Francisco do Conde, do prefeito Osmar Ramos (PMDB). Caso 4 São João da Barra (RJ), 11º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 11.565,60 e IDH-M 0,671 (médio). Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1850 População (estimada): 34.273 (IBGE/2014) Área: 455 km² Densidade: 71,96 hab./ km² Taxa de Urbanização: 78% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 4.899.623 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 146.205,05 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 11.565,70 IDHM: 0,671 – médio / 2642º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,51 (PNUD/2010) Localizado no norte do estado do Rio de Janeiro, São João da Barra conta com uma população estimada em 2014 pelo IBGE de cerca de 34 mil habitantes. Nos últimos Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 32 anos o município aparece como um dos dez maiores PIB per capita do país. O grande potencial econômico da região se deve a exploração petrolífera, impulsionando uma série de outros empreendimentos como o super Porto do Açu, o qual iniciou as operações em 2014. Embora a arrecadação municipal per capita seja uma das 10 maiores do Brasil nos últimos anos, o nível de alguns serviços públicos é baixo e o índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M) é apenas médio (0,671). Como exemplo, menos de 25% das famílias contam com rede de esgoto em suas residências. Outrossim, a pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge quase 8% da população. No município, 3.145 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, representando mais do que 30% da população. Chama atenção também a alta taxa de homicídio na localidade, de acordo com o DATASUS (2013). As contradições entre alta arrecadação per capita e indicadores sociais deficitários dessa localidade retrata uma situação que é muito comum nos municípios do norte fluminense. O município de São João da Barra (RJ) foi comandado no período de 20052012 pela ex-prefeita Carla Maria Machado dos Santos (PT), que chegou a ser presa pela Polícia Federal no final do ano de 2012 por crime eleitoral, pela suposta tentativa de favorecer seus aliados políticos do PMDB nas eleições municipais. O candidato aliado, José Amaro Martins de Souza, o Neco (PMDB), venceu as eleições com a bandeira da continuidade, em uma eleição muito disputada por conta dos diversos interesses em gerir uma cidade cujo volume de recursos financeiros não para de crescer. Abaixo, com o intuito de ilustrar tal situação, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que discutem o contraste entre a alta geração de receita no município e a qualidade de vida na localidade, bem como apontam processos de mau uso dos recursos públicos pela prefeitura. http://globotv.globo.com/inter-tv-rj/rj-inter-tv-1a-edicao/v/pacientes-com-direitos-estao-sem-receberatendimentos-em-casa-em-sao-joao-da-barra-rj/3755252/ - notícia de 10 de novembro de 2014. http://www.viuonline.com.br/politica/na-lista-do-tce-ex-prefeita-de-sao-joao-da-barra-pode-ficar-foradas-eleicoes - notícia 12 de junho de 2014. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 33 http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/prefeita-de-sao-joao-da-barra-e-presa-por-compra-de-votos notícia de 02 de outubro de 2014. - Caso 5 Guamaré (RN), 12º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 11.135,30 e IDH-M 0,626 (médio). Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1962 População (estimada): 14.282 (IBGE/2014) Área: 258 km² Densidade: 47,90 hab./ km² Taxa de Urbanização: 35,53% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 1.365.226 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 104.639,06 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 11.135,30 IDHM: 0,626 – médio / 3561º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,53 (PNUD/2010) Localizado no pólo Costa Branca, região de alta atividade turística do Rio Grande do Norte, o município possuía, de acordo com o IBGE, uma população estimada em 2014 de um pouco mais de 14 mil habitantes. Na última década o município aparece entre os 20 maiores PIB per capita do país e entre os cinco maiores da região Nordeste. Verifica-se como fundamental para a geração de riqueza na localidade a presença de um pólo industrial da Petrobrás, com atividades de tratamento de óleo, compressão e fracionamento de gás natural. Embora a média da arrecadação municipal por morador na última década seja muito superior a média nacional, existem evidências de que o nível de alguns serviços públicos – como a infraestrutura urbana – é precário e os casos de corrupção são frequentes. Como exemplos, a taxa de analfabetismo, comparada com a média brasileira é alta – 24,06% (IBGE/2010) – e menos de 5% das famílias possuem rede de esgoto em suas residências. A pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge mais de 10% da população, e no município quase 1700 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, representando 42% do Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 34 total de habitantes do município. O bairro Morro do Judas aparentemente é um dos que mais sofrem com a miséria e escassez de serviços públicos. No período recente a prefeitura de Guamaré tem passado por constantes processos de afastamento de seus dirigentes por mau uso do dinheiro público. Em 2007, o prefeito à época, José da Silva Câmara (PMDB) foi afastado por improbidade administrativa, assumindo o vice Auricélio Teixeira (PSDB). Nas eleições de 2008 o candidato vencedor, Mozaniel (PP) foi impedido de assumir, tomando posse o segundo colocado, Auricélio (PTB). Em 2012, o então prefeito pediu repetidas licenças do cargo para tratar de assuntos pessoais, assumindo o cargo o presidente da Câmara Municipal, Emilson Borba (PTN). Em 2013, o Ministério Público deflagrou a operação “Máscara Negra”, revelando indícios de desvio de recursos e culminando na prisão do ex-prefeito Emílson Borba. Nas eleições de 2012, o candidato Hélio Miranda (PMDB) saiu vencedor, contando com o apoio dos dois últimos ex-prefeitos. Abaixo, com o intuito de ilustrar tal situação, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que discutem a contradição entre a geração de riqueza do município e a deficiência de seus indicadores sociais, bem como apontam processos de mau uso dos recursos públicos pela prefeitura. http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2014/12/tres-municipios-concentram-mais-dametade-do-pib-do-rn.html - notícia de 11 de dezembro de 2014. http://tribunadonorte.com.br/noticia/campeoes-tem-alta-taxa-de-pobreza/269598 - notícia de 18 de dezembro de 2013. http://tribunadonorte.com.br/noticia/apesar-da-calamidade-guamare-gasta-r-6-mi/247306 - noticia de 10 de abril de 2013. http://tribunadonorte.com.br/noticia/ex-prefeito-de-guamare-se-entrega-a-justica/247322 - notícia de 10 de abril de 2013. http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/04/suspeitos-de-corrupcao-usam-shows-de-grandesnomes-da-musica-para-desviar-dinheiro.html - notícia de 14 de abril de 2013; a reportagem mostra que o Ministério Público fez uma investigação na cidade de Guamaré, onde os gastos com shows passaram de R$ 6,5 milhões em 2012. Caso 6 Alvorada de Minas (MG), 14º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 9.865,39 e IDH-M 0,572 (baixo). Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 35 Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1962 População (estimada): 3.661 (IBGE/2014) Área: 374 km² Densidade: 9,48 hab./ km² Taxa de Urbanização: 40% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 42.806 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 12.061,56 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 9.865,30 IDHM: 0,572 – baixo / 4802º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,62 (PNUD/2010) Localizado na região mesorregião metropolitana de Belo Horizonte, o município possuía, de acordo com o IBGE, uma população estimada em 2014 de mais de 3,5 mil habitantes. O município se beneficia economicamente de alta arrecadação per capita no último quinquênio por se tornar um pólo de mineração com atividades do grupo Anglo American. Embora a média da receita corrente por morador seja crescente nesse período, percebe-se que o nível de alguns serviços públicos é insuficiente e o IDH-M da localidade é baixo (0,572). Como exemplos, a taxa de analfabetismo comparada com a média brasileira é alta – 20,32% (IBGE/2010) –, e menos de 25% das famílias possuem rede de esgoto em suas residências. A pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge mais de 25% da população, e no município quase 523 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, representando mais de 60% do contingente populacional. Salienta-se que nessa localidade, o intervalo de tempo de cinco anos de alta vertiginosa do volume arrecadado, talvez, ainda seja exíguo para se afirmar que há problemas na qualidade do gasto público municipal. A prefeitura de Alvorada de Minas (MG) é gerida atualmente pelo prefeito Valter Antonio Costa (PRN), que está no cargo desde 2008. O grande debate neste momento na cidade está relacionado aos grandes impactos ambientais da mineração que, por outro lado, gera grande volume de arrecadação. Poucos casos de corrupção são relatados na cidade, sendo o mais recente um esquema de fraude em Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 36 licitações, na qual o antigo prefeito Antônio Simões Leite (DEM) está envolvido, juntamente com outros prefeitos da região. Abaixo, com o intuito de ilustrar, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que discutem a contradição entre alta geração de receita no município e a sua deficiência em qualidade de vida, bem como apontam processos de mau uso dos recursos públicos pela prefeitura. http://economia.estadao.com.br/blogs/entenda-seu-ir/menos-de-1-dos-municipios-arrecadam-mais-doque-recebem-em-transferencias/ - notícia de 12 de dezembro de 2014. http://www.divinews.com/minasgerais/geral/3348-ministerio-publico-pede-a-prisao-de-24-prefeitos-emminas-e-denuncia-167-pessoas.html - notícia de 09 de outubro de 2008. http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2014/12/21/interna_politica,601438/prefeito-aperta-ocinto.shtml - notícia de 21 de dezembro de 2014. Caso 7 Pinhal da Serra (RS), 16º lugar no ranking, com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 9.514,79 e IDH-M 0,650 (médio). Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1996 População (estimada): 2.138 (IBGE/2014) Área: 437 km² Densidade: 4,86 hab./ km² Taxa de Urbanização: 22% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 180.712 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 86.506,48 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$9.514,79 IDHM: 0,650 – médio / 3115º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,54 (PNUD/2010) Localizado na região nordeste do estado do Rio Grande do Sul, na divisa com o estado de Santa Catarina, o município tinha, de acordo com o IBGE, uma população estimada em 2014 de aproximadamente dois mil habitantes. Trata-se de um nano município, de característica rural, onde está localizada a usina hidrelétrica de Barra Grande (BAESA), no Rio Pelotas. Nos últimos anos, o município aparece como o segundo maior PIB per capita do Rio Grande do Sul. Essa Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 37 alta de geração de renda por habitante no local – propiciada pelas atividades da BAESA – é muito pouca apropriada pelo município. Embora a arrecadação municipal per capita seja uma das 20 maiores do Brasil, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM) é tão-somente médio (0,650) e a infraestrutura urbana deixa a desejar. Como exemplo, menos de 1% das famílias possuem rede de esgoto em suas residências. Em adição, a pobreza extrema (pessoas com renda domiciliar per capita menor que R$ 70,00/mês) atinge mais de 20% da população; quase 200 famílias recebem auxílio do programa bolsa família, beneficiando mais de 30% das pessoas que vivem no município. O município se emancipou em 1996, e a primeira administração data de 2001. Entre 2001 e 2008 o município foi administrado pelo PP, na figura do prefeito Antonio Giordano da Costa. Ele foi reeleito em 2004, mas faleceu em meados de 2008, assumindo o vice-prefeito. Nas eleições de 2008 a vitória foi da coligação PMDB-PT, com a eleição do até então vereador Ivandro Birck (PMDB) para prefeito e Delmar Antonio Jaguszewski (PT) para vice-prefeito. Eles foram reeleitos em 2012 com 52% dos votos contra o candidato do PP – Anderson Costa. Fato interessante é que o número de eleitores na última eleição era um pouco superior ao número estimado de habitantes, algo explicado por um processo deliberado de mudança de domicílio eleitoral de 400 eleitores e que foi investigado pela Promotoria de Justiça da região. Não há, porém, denúncias de mau uso dos recursos públicos e tampouco casos expressivos de corrupção sendo investigados. Cabe frisar que a cidade tem sido elogiada por autoridades estaduais pelo alto investimento per capita em educação (o maior do estado do Rio Grande do Sul nos últimos anos), mas não há impactos visíveis ainda sobre a qualidade de gasto público. Abaixo, com o intuito de ilustrar a situação da localidade, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que apontam a alta geração de receita no município. http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/12/rs-tem-6-municipios-entre-os-100-com-maiorparticipacao-no-pib-do-pais.html - notícia de 11 de dezembro de 2014. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 38 http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/01/pinhal-da-serra-lidera-investimento-emeducacao-no-rs-aponta-mp.html - notícia de 14 de janeiro de 2014. http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/03/mp-investiga-suposta-fraude-emlicitacao-empinhal-da-serra-rs.html - notícia de 9 de março de 2013. 3.2 Contrapontos: casos de cidades com receita corrente padrão e alto IDH As cidades que compõem a amostra de casos municipais de receita corrente padrão e alto IDH-M são: duas localidades com dinâmica de desenvolvimento territorial de longa data – Concórdia (SC) e Santa Rita do Sapucaí (MG) – e um município com processo de crescimento econômico recente acompanhado de aumento da qualidade de vida – Eusébio (CE). Nos três casos é perceptível um nível de serviços públicos de competência local satisfatório, mesmo com cifras de arrecadação por habitante dentro da média da gestão municipal brasileira. Caso 8 Concórdia (SC), com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 2.626,68 e IDH-M 0, 800 (muito alto). Alguns Indicadores Demográficos Município de médio porte, fundado em 1934 População (estimada): 72.073 (IBGE/2014) Área: 799 km² Densidade: 85,79 hab./ km² Taxa de Urbanização: 79% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 2.416.217 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 34.784,73 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 2.626,68 IDHM: 0,800 – muito alto / 40º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,36 (PNUD/2010) Município do estado de Santa Catarina, localizado na região oeste. De acordo com o IBGE, a população estimada em 2014 era de – aproximadamente – 72 mil habitantes. Possui um PIB per capita acima da média nacional e tem sua economia baseada fortemente no agronegócio; a cidade é conhecida por sediar a empresa Sadia, hoje parte do grupo Brasil Foods S.A. Apesar da arrecadação municipal per Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 39 capita estar abaixo da média do país, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M) é muito alto (0,800). Atualmente, é um dos 50 municípios com maior IDH-M do Brasil. A taxa de analfabetismo – 3,59% (IBGE/2010) – é bem inferior à média nacional e o índice de pobreza extrema atinge apenas 1,4% da população. Na cidade é pequeno também o percentual de famílias que recebem auxílio do programa bolsa família (não mais do que 5% da população), evidenciando seu padrão de desenvolvimento socioeconômico. Politicamente, o município tem 80 anos de emancipação. O PT, em 2016, completa 16 anos na prefeitura municipal, administrando a cidade desde 2001 com duas reeleições. Neodi Saretta se elegeu em 2000 e se reelegeu em 2004; em 2008 fez o sucessor – João Girardi (vice-prefeito) –, que assumiu a prefeitura em 2009 com 66% dos votos e foi reeleito com 54% dos votos em 2012. O principal partido de oposição é o PMDB, que administrou a cidade entre 1993 e 2000, e apresentou candidato em todas as eleições pós-2000 contra a posição (PT). Vale comentar que não foram localizadas denúncias graves de corrupção e tampouco processos em andamento contra os dois prefeitos que administram o município de Concórdia desde 2001. Abaixo, com o intuito de ilustrar a situação da localidade, seguem dois links de notícias da imprensa regional que reforçam o argumento sobre o caso positivo da cidade. http://ricmais.com.br/sc/cidades/videos/estudo-aponta-concordia-como-municipio-mais-desenvolvidode-sc/ Notícia que destaca Concórdia como o maior IFDM dentre os 293 municípios de Santa 2 Catarina, segundo ranking da FIRJAN, datada de 2 de junho de 2014. 2 O Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) é um estudo do Sistema FIRJAN que acompanha, anualmente, o desenvolvimento socioeconômico de todos os municípios brasileiros em três áreas: emprego e renda, educação e saúde. O índice varia de 0 (mínimo) a 1 ponto (máximo) para classificar o nível de cada localidade em quatro estratos: baixo (de 0 a 0,4), regular (0,4 a 0,6), moderado (de 0,6 a 0,8) e alto (0,8 a 1) desenvolvimento. Ou seja, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento da localidade. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 40 http://redecomsc.com.br/portal/noticias/noticias/Concordia_sobe_cinco_posicoes_na_economia_catari nense__6935 Notícia que destaca o crescimento econômico do município, datada de 24 de junho de 2013. http://redecomsc.com.br/portal/noticias/noticias/Concordia_sobe_cinco_posicoes_na_economia_catari nense__6935 Notícia que destaca o crescimento econômico de Concórdia com índice muito superior a média nacional. Caso 9 Santa Rita do Sapucaí (MG), com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 1.782,67 e IDH-M 0,721 (alto). Alguns Indicadores Demográficos Município de pequeno porte, fundado em 1892 População (estimada): 40.941 (IBGE/2014) Área: 352 km² Densidade: 106,96 hab./ km² Taxa de Urbanização: 85% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 918.235 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 23.706,17 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 1.782,67 IDHM: 0,721 – alto / 1266º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,49 (PNUD/2010) Município do estado de Minas Gerais, localizado na região. De acordo com o IBGE, a população estimada em 2014 era de – aproximadamente – 40 mil habitantes. Nos últimos anos tem mantido um PIB per capita acima da média nacional, sobretudo por conta das características da cidade, que para além da agricultura forte, conta com um arranjo produtivo local (APL) que agrega uma série de indústrias – conhecido como o “Vale da Eletrônica”. Apesar da arrecadação municipal per capita estar abaixo da média do país, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDH-M) é alto (0,721) e o nível de serviços públicos é satisfatório. A alta taxa de famílias com rede de esgoto em suas residências (83,77%) e o índice de pobreza extrema de apenas 1,7% da população evidencia o desenvolvimento da cidade. No ranking da FIRJAN – supracitado também no caso de Concórdia (SC) – o município figura em terceiro lugar no estado de Minas Gerais, destacando-se nos indicadores de educação e saúde. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 41 O prefeito atual de Santa Rita do Sapucaí – Jefferson Gonçalves Mendes (PR) – está em seu quarto mandato. A primeira vez que Jeffinho, como é conhecido pela população, assumiu a prefeitura foi em 1989 pelo PMDB. Nas eleições de 1996, novamente, Jeffinho venceu o pleito e assumiu o município no mandato 1997-2000. O prefeito foi reeleito em 2000, então pelo PFL, e permaneceu à frente do município até 2004. Entre 2005 e meados de 2008 o PSDB governou Santa Rita do Sapucaí, com o prefeito Ronaldo Azevedo de Carvalho – que já havia sido prefeito no final dos anos setenta e secretário de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais no início dos anos noventa. O PSDB não concluiu o mandato 2005-2008 na cidade, pois o prefeito Ronaldo Azevedo Carvalho e seu vice-prefeito tiveram seus mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MG), sob a condenação de abuso de poder econômico e uso indevido de veículo de comunicação. Em abril de 2008, Paulo Cândido da Silva (PV), segundo colocado nas eleições de 2004, foi diplomado prefeito de Santa Rita do Sapucaí. Ele também venceu as eleições no final de 2008 e continuou administrando o município entre 2009 e 2012. Nas eleições de 2012, Jeffinho ganhou as eleições com 87% dos votos válidos e reassumiu a gestão da cidade, em curso (2013-2016). Observa-se, portanto, que a tônica nas últimas três eleições municipais foi a alternância de poder entre grupos políticos distintos. É importante enfatizar também que não houve casos graves de corrupção nesse período. Abaixo, com o intuito de ilustrar a situação da localidade, seguem dois links de notícias da imprensa nacional que reforçam o argumento sobre o caso positivo da cidade. http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2012/10/04/pequena-santa-rita-do-sapucai-mg-despontacomo-polo-tecnologico.htm - notícia de 4 de outubro de 2012. http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2012/04/cidade-do-sul-de-minas-produz-mais-de-13-milequipamentos-eletronicos.html - notícia de 22 de abril de 2012. Caso 10 Eusébio (CE), com média de receita corrente por habitante em 2013 de R$ 2.868,31 e IDH-M 0,701 (alto). Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 42 Alguns Indicadores Demográficos Município de médio porte, fundado em 1987 População (estimada): 50.308 (IBGE/2014) Área: 79 km² Densidade: 636,81 hab./ km² Taxa de Urbanização: 100% (IBGE/2010) Alguns Indicadores Econômicos PIB a preços correntes: R$ 1.417.518 mil (IBGE/2012) PIB per capita: R$ 29.327,45 (IBGE/2012) Receita Corrente per capita: R$ 2.868,31 IDHM: 0,701 – alto / 1866º no Brasil (PNUD/2010) Índice de Gini: 0,65 (PNUD/2010) Município do estado do Ceará, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza. De acordo com o IBGE, a população estimada em 2014 era de cerca de 50 mil habitantes. Trata-se de um município de pequeno porte em transição para médio porte, com crescimento vertiginoso na última década pelo investimento da indústria de construção civil e empreendimentos imobiliários. Entre 2011 e 2014 o município obteve a liderança no ranking do Índice do FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFM) no estado do Ceará, bem como é o primeiro lugar em tal estudo entre todos os municípios das regiões Nordeste e Norte, sendo o 50º do país. Embora a arrecadação municipal per capita não se apresenta entre as 1000 maiores do Brasil e encontra-se no patamar da média dos municípios brasileiros, o índice de desenvolvimento municipal (IDHM) é alto (0,701) e o nível dos indicadores sociais é satisfatório, com inovações na prestação de serviços públicos como transporte público gratuito, alunos em tempo integral na educação municipal e reconhecimento como case estadual no programa de Saúde da Família. O município se emancipou em 1987, e a primeira administração iniciou em 1989. Nos últimos 10 anos o município é administrado pelo PSB. Entre 2005-2012 o prefeito foi o médico Acilon Gonçalves, reeleito em 2008 com 82,5 dos votos válidos. Em 2013 assumiu a prefeitura o médico José Arimatéa Lima Barros Júnior (afilhado político de Acilon); ele foi eleito com 56% dos votos válidos. Não foram encontradas Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 43 denúncias graves de corrupção e processos em andamento contra o ex e o atual prefeito de Eusébio. Abaixo, com o intuito de ilustrar a situação da localidade, seguem alguns links de notícias da imprensa regional e nacional que reforçam o argumento sobre o caso positivo da cidade; IDH-M alto e nível de serviços públicos satisfatório, embora a arrecadação por morador esteja dentro da média nacional. http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/lista-definitiva-das-500-cidades-mais-desenvolvidas-do-pais essa reportagem mostra o ranking da da FIRJAN em 2014 com Eusébio em 50º lugar no IDM no Brasil e 1º lugar na região Nordeste – notícia de 9 de junho de 2014. http://www.oestadoce.com.br/noticia/eusebio-destaca-se-com-tarifa-zero-no-transporte-publicomunicipal - a reportagem destaca a cidade como uma das primeiras a adotar a tarifa zero no transporte público municipal – notícia de 3 de dezembro de 2013. http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/eusebio-100-das-escolas-com-tempointegral-1.423447 - a reportagem chama atenção para os grandes avanços do município na implantação da educação de tempo integral - notícia de 3 de junho de 2011. http://tvdiario.verdesmares.com.br/videos/detalhes-devideos?id=d42a8c7e89491b036c05c0cd3c622597 – a reportagem aponta para a conquista do município do primeiro lugar no país de queda dos indicadores de mortalidade infantil – notícia de 15 de janeiro de 2015. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 44 4. PRINCIPAIS CONCLUSÕES DA PESQUISA Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 45 4.1 Síntese dos Resultados e Considerações Finais Em suma, como apontado inicialmente, o objetivo deste documento era sintetizar, em uma linguagem acessível ao público em geral, o desenho e os achados de uma pesquisa acadêmica sobre a discrepância entre alta receita corrente por habitante e baixo nível de desenvolvimento (e problemas nos serviços públicos) em alguns municípios brasileiros. A finalidade, em última instância, é suscitar o debate na sociedade sobre a qualidade do gasto público na gestão pública local, nível de governo do qual os cidadãos estão – naturalmente – mais próximos para pressionar as autoridades em prol da ampliação e da qualidade dos serviços públicos, exercendo o papel de controle social. Afinal, para onde vai o dinheiro público? Como os recursos empregados pelas prefeituras ao longo dos tempos impactam as condições de vida das pessoas? Como o orçamento da localidade poderia ser mais bem aplicado nas ações que são de competência do município visando atender os direitos sociais? Essas são algumas das questões que o grande público precisa tomar maior ciência e aprofundar a reflexão com vistas de fiscalizar e participar mais ativamente dos rumos da vida política de sua cidade. É fundamental ressaltar que esta pesquisa não compreende que os recursos financeiros são fartos no conjunto de municípios brasileiros. Pelo contrário: sabe-se que na maioria das cidades do país o dinheiro é, muitas vezes, insuficiente para dar conta de todas as demandas sociais que recaem sobre a prefeitura, seja pela forma desigual que a arrecadação dos impostos é distribuída entre os níveis de governo, seja pelos diversos anseios populares que primeiro batem na porta dos prefeitos – afinal, as pessoas vivem concretamente nos municípios, e não nos estados e na União! Entretanto, a pesquisa demonstra de maneira explícita que existe um grupo de municípios no Brasil onde é muito grande a incompatibilidade entre alta arrecadação por habitante há vários anos (e em alguns casos até décadas) e baixa qualidade de Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 46 vida dos moradores com problemas graves na oferta dos serviços públicos – como, por exemplo, a falta de acesso de parcela considerável da população aos direitos. Por mais que seja importante o combate ao uso inadequado dos recursos públicos (gastos sem relevância social, desperdícios, desvios, superfaturamentos etc.) em quaisquer cidades, independente de seu volume de arrecadação, alguns casos retratados neste estudo – como Presidente Kennedy (ES), São Francisco do Conde (BA) e Guamaré (RN) – devem ser constantemente vigiados, pois representam situações inconcebíveis de orçamento público municipal abundante e indicadores sociais insatisfatórios. Em outras palavras, são exemplos de grande ineficácia do gasto público que, simultaneamente, envolvem repetidas práticas de corrupção já comprovadas pelo Poder Judiciário e/ou por órgãos de controle externo. É mister notar que em alguns municípios abordados como casos discrepantes, eventualmente, o tempo de alta arrecadação ainda seja insuficiente para se angariar o montante de recursos necessários para os investimentos mais caros, tal como na área de saneamento básico que, inclusive, é de competência partilhada – segundo a Constituição de 1988 – entre União, Estados e municípios. Nesse rol, enquadramos dois municípios predominantemente rurais e com população inferior a 4000 habitantes, a saber: Pinhal da Serra (RS) e Alvorada de Minas (MG). Ainda, é essencial dar relevo ao fato de que não há nenhuma correlação entre os indícios de má qualidade do gasto público nos municípios estudados com um determinado grupo ou partido político. A descrição do processo político das localidades que foram relatadas – tanto os sete casos de discrepância como os três casos positivos que serviram de contraponto – mostram que essas cidades são geridas atualmente (e foram administradas nas últimas duas décadas) por distintas agremiações partidárias. Por fim, deve-se citar que uma das limitações desse estudo é o fato de ter uma abordagem que buscou mais jogar luz na amplitude do problema do que na profundidade de cada um dos casos. Logo, a fonte de informação principal foram os dados secundários, sem um mergulho no cotidiano dos municípios abordados. Assim, sugere-se que os próximos estudos, além de aumentar o número de casos Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 47 analisados, considerem uma visita de campo para uma melhor observação da realidade local, abarcando o trabalho da prefeitura, a qualidade da infraestrutura urbana, a oferta de serviços públicos e as condições de vida da população. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 48 ANEXOS Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 49 ANEXO A – Currículo dos Membros da Equipe de Pesquisa Prof. Dr. Jaime Crozatti (coordenador da pesquisa) Possui graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (1986), mestrado (1998) e doutorado (2002) em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP. Desde 2007 é professor doutor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, atuando no curso de graduação e no programa de mestrado em Gestão de Políticas Pública. É avaliador de artigos para periódicos nacionais e congressos nacionais e internacionais da área de contabilidade e administração. Atuação profissional nas áreas de: Contabilidade Gerencial, atuando principalmente nos seguintes temas: Contabilidade e Orçamento Público, Controladoria Estratégica, Planejamento Estratégico e Sistemas de Custos e Resultados. Atualmente é coordenador do bacharelado em Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/6839916429676664 Prof. Dr. Fernando de Souza Coelho Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (1998), mestrado (2002) e doutorado (2006) em Administração Pública e Governo pela Escola de Administração de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV). Atualmente é Professor Doutor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), na especialidade de Administração/Políticas Pública(s), atuando no Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas (o qual coordenou entre 2011/12013/1), no Programa de Mestrado em Gestão de Políticas Públicas e no Programa de Mestrado em Sistemas Complexos. Tem experiência acadêmica nos campos do saber de Gestão de Políticas Públicas e Gerência de Organizações Públicas, com atividades de docência, pesquisa e extensão. É revisor dos periódicos RAP, RAC, O&S e RSP, integrante do Comitê Científico da Divisão Acadêmica de Administração Pública da ANPAD no biênio 2015-2016 e Diretor de Relações Institucionais da Sociedade Brasileira de Administração Pública (SBAP). Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/2038805993153668 Prof. Ms. Victor Corrêa da Silva Graduado em Gestão de Políticas Públicas (2008) pela EACH-USP, mestre em Modelagem de Sistemas Complexos (2012) pela EACH-USP e doutorando em Administração pela FEARP-USP (com linha de pesquisa em Gestão Pública). Possui como objeto de estudo o campo do saber da administração pública, estudando a rede de pesquisadores e de produção científica (dissertação) e o seu caráter multifacetado - como teoria, técnica e prática (tese). Tem experiência em docência, em cursos de graduação e especialização voltados à área pública, e também atuação profissional em órgãos da administração pública municipal e estadual. Atualmente é professor da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, em Araraquara, atuando no curso de bacharelado em Administração Pública. Anteriormente, foi docente do curso de graduação tecnológica em Gestão Pública da Universidade Metodista de São Paulo. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/7730160645235694 Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 50 ANEXO B – Produções Acadêmicas da Equipe de Pesquisa Atinentes ao Tema COELHO, F. S. Reformas e Inovações na Gestão Pública no Brasil Contemporâneo. In: José Mario Brasiliense Carneiro; Humberto Dantas. (Org.). Parceria Social Público-Privado textos de referência. São Paulo: Oficina Municipal, 2012. ______________. Orientando a Gestão Pública em prol da Transparência, da Participação e do Controle Social. In: Eduardo Roberto Lamari (Org.). Ciclo de Debates Pensando São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - IOESP, 2012, v. 1, p. 201-208. CORRÊA SILVA, V.; AMORIM, I. T. Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual, Orçamento Participativo e Programa de Metas: instrumentos complementares ou conflitantes? Revista Eletrônica Gestão e Serviços, v. 3, p. 431-452, 2012. CORRÊA SILVA, V. ; ALMEIDA, A. G. ; COELHO, F. S . A Carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental no Setor Público Brasileiro: uma análise das experiências no nível municipal. In: VIII Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social - ENAPEGS, 2014, Cachoeira. Anais do VIII ENAPEGS. Salvador: UFRB e UFBA, 2014, p. 1-15. CROZATTI, J . Ensino Fundamental no Brasil: a média do gasto por Aluno, o IDEB e sua Correlação nos municípios brasileiros. In: XXXV Encontro da ANPAD, 2011, Rio de Janeiro. Anais do XXXV EnANPAD. Rio de Janeiro: ANPAD, 2011. v. 1. p. 1-17. ___________. Gasto médio por aluno, por professor e por escola e o IDEB no ensino fundamental das escolas municipais brasileiras: evolução e correlação de 1999 a 2009. Revista Enfoque, v. 32, p. 91-109, 2013. CROZATTI, J ; BRITO, M. F. ; MORAES, I. M. ; LIMA JUNIOR, A. F. ; LIMA, L. N. Evolução do Gasto e Fonte de Financiamento da Educação nos Municípios Brasileiros de 2003 a 2012. In: XXI Congresso Brasileiro de Custos, 2014, Natal - RN. Anais do XXI Congresso Brasileiro de Custos. Natal - RN: Associação Brasileira de Custos, 2014. v. 1. p. 1-16. CROZATTI, J ; LIMA JUNIOR, A. F. ; LIMA, L. N. ; BRITO, M. F. ; MORAES, V. M. O Financiamento do SUS nos Municípios Brasileiros de 2003 a 2012. In: VI Encontro de Administração Pública da ANPAD, 2014, Belo Horizonte. Anais do VI Encontro de Administração Pública da ANPAD. Rio de Janeiro: ANPAD, 2014. v. 1. p. 1-17. ORDONEZ, A. R. N. ; CROZATTI, J . Razões da Diminuição do Endividamento dos Municípios Brasileiros: o que dizem os balanços públicos de 1999 e 2010. In: Encontro Anual da ANPAD, 2013, Rio de Janeiro. Anais do ENANPAD 2013. Rio de Janeiro: ENANPAD, 2013. v. 1. p. 1-17. POKER JR, J. H. ; CROZATTI, J . Gastos públicos com saúde e qualidade de vida nos municípios brasileiros: influência na variação do IDH-expectativa de vida na última década. Cadernos de Finanças Públicas, v. 13, p. 175-197, 2013. RODRIGUES, G. M. ; CROZATTI, J ; MUGNAINI, R. ; PEDRUCCI, S. A. T. Análise do endividamento Municipal Antes e Depois da Lei de Responsabilidade Fiscal. In: XVI Congresso Brasileiro de Custos, 2009, Fortaleza. Anais do XVI Congresso Brasileiro de Custos, 2009. v. 1. p. 1-9. Para onde vai o dinheiro público? Casos de discrepância entre receita corrente per capita e desenvolvimento municipal no Brasil 51