PUBLICAÇÃO OFICIAL DA MARINHA •Nº 470 •ANO XLII
JANEIRO 2013 • MENSAL • € 1,50
MUSEU DE MARINHA
O Museu de Marinha foi enriquecido no ano de 2012 com dois modelos dos navios-escolas Sagres
que prestaram serviço na Marinha Portuguesa no século XX.
Sagres I
Modelo construído nas Oficinas do Museu de Marinha.
Incorporado na exposição permanente do Museu de Marinha em 8 de março de 2012.
Sagres II
Modelo construído pela empresa Modellbau Georgi GmbH, de Berlim. Oferecido ao Museu de Marinha pelo grupo industrial alemão
Thyssenkrupp Marine Systems, detentor dos estaleiros Blohm + Voss, de Hamburgo, onde o navio foi construído.
Modelo entregue em 20 de Julho de 2012 por Reinhard Kuhlmann, membro do Conselho Executivo da Thyssenkrupp Marine Systems.
SUMÁRIO
Publicação Oficial da Marinha
Periodicidade mensal
Nº 470 • Ano XLII
Janeiro 2013
Diretor
CALM EMQ
Luís Augusto Roque Martins
Chefe de Redação
CMG Joaquim Manuel de S. Vaz Ferreira
Redação
1TEN TSN Ana Alexandra Gago de Brito
Secretário de Redação
5
Mensagem de Natal e de Ano Novo
do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada
e Autoridade Marítima Nacional
8
O NRP Álvares Cabral no POST
SAJ L Mário Jorge Almeida de Carvalho
Colaboradores Permanentes
CFR Jorge Manuel Patrício Gorjão
CFR FZ Luís Jorge R. Semedo de Matos
CFR SEG Abel Ivo de Melo e Sousa
1TEN Dr. Rui M. Ramalho Ortigão Neves
10
Administração, Redação e Publicidade
Revista da Armada
Edifício das Instalações
Centrais da Marinha
Rua do Arsenal
1149-001 Lisboa - Portugal
Telef: 21 321 76 50
Fax: 21 347 36 24
Endereço da Marinha na Internet
http://www.marinha.pt
e-mail da Revista da Armada
[email protected]
Escola Naval
Abertura do Ano Letivo
11
Jornadas do Mar
Paginação eletrónica e produção
Smash Creative
Tiragem média mensal:
4500 exemplares
Preço de venda avulso: € 1,50
Revista anotada na ERC
Depósito Legal nº 55737/92
ISSN 0870-9343
ANUNCIANTES:
LISSA - AGÊNCIA DE DESPACHOS E TRÂNSITOS, Lda;
ROHDE & SCHWARZ, Lda.
MUSEU DE MARINHA
2
REFLEXÃO ESTRATÉGICA 6
4
O COMBATE DO NRP VEGA. HOMENAGEM AO CABO ANÍBAL
6
JARDINO, EM BRAGANÇA
O ARPÃO NO SNMG2. CONCLUSÃO
7
COMISSÃO CULTURAL DA MARINHA
14
A DIVERSIDADE DE EMBARCAÇÕES TRADICIONAIS DO ESTUÁRIO DO TEJO
15
OCEAN REVIVAL . “A NOVA MISSÃO”
18
TOMADA DE POSSE / ENTREGA DE COMANDO
20
TOMADA DE POSSE
21
A “PEDRA FILOSOFAL” DA DIRECÇÃO DO SERVIÇO DE ELECTRICIDADE
22
E COMUNICAÇÕES
COMANDANTE SOEIRO DE BRITO
23
ACTIVIDADES DO NÚCLEO DE RADIOAMADORES DA ARMADA
26
OS NÁUTICOS
27
CURSO “OLIVEIRA E CARMO” VISITA A ESCOLA NAVAL
28
HIERARQUIA DA MARINHA 20 / VIGIA DA HISTÓRIA 50
29
ESTÓRIAS
30
NOVAS HISTÓRIAS DA BOTICA (19)
31
QUARTO DE FOLGA
33
NOTÍCIAS PESSOAIS / CONVÍVIOS
34
NAVIOS HIDROGRÁFICOS
CONTRACAPA
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
3
REFLEXÃO ESTRATÉGICA
N
MAHAN: O HOMEM NO SEU TEMPO
a sequência do artigo publicado na
Depois de retirado da vida militar, Mahan
edição de Junho do ano transacto, e continuou a escrever artigos e livros, a profepara se continuar a analisar a valia rir conferências e foi distinguido com diverde Mahan como teórico da estratégia naval, sos diplomas honoríficos pelas Universidaé indispensável recordar o homem e situá- des de Harvard, Yale, Columbia, Dartmouth
-lo no seu tempo.
e McGill. Até ao fim da sua vida manteve
Mahan nasceu em West Point, Nova Ior- uma profunda devoção religiosa e uma visão
que, a 27 de Setembro de 1840, e morreu a do mundo determinada pela convicção de
1 de Dezembro de 1914, em Washington. que a Providência Divina traça o destino dos
Era filho de Dennis Hart Mahan, professor povos e alimenta a inspiração que produz
da United States Military Academy.
Depois de concluir a United States Naval Academy em 1859, prestou serviço
activo na United States Navy durante
cerca de 40 anos, tendo embarcado em
diversos navios como oficial de guarnição e comandante. Também foi instrutor
na United States Naval Academy.
Em 1885, após ter sido promovido ao
posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi
nomeado instrutor de História e Táctica
Naval no United States Naval War College, que acabara de ser criado. Mahan
presidiu a esta instituição de 1886 a
1889 e de 1892 a 1893. Foi no exercí- USS Chicago.
cio dos cargos referidos que organizou
as notas das aulas, a partir das quais redi- novas ideias. Foi com base nesta devoção
giu a sua obra mais conhecida e relevante, e convicção que justificou e apresentou o
The Influence of Sea Power Upon History, expansionismo progressivo dos EUA, como
1660/1783, publicada em 1890 e que teve um contributo para o dever ocidental de cienorme influência no pensamento estraté- vilizar a Humanidade, e que considerou a
gico naval do início do século XX. Nesta dinâmica conflitual entre os Estados como
obra, analisa a competição pelo domínio inevitável, recorrente, aceitável e necessária
dos mares entre a França e o Reino Unido ao engrandecimento de todos eles.
durante os séculos XVII e
XVIII, para demonstrar que
o poder naval é o factor
decisivo no controlo do comércio marítimo e na vitória
em caso de conflito.
Em Maio de 1893, sendo já muito conhecido, foi
nomeado comandante do
USS “Chicago”, um cruzador que realizou uma visita
de demonstração de força à
Europa, onde foi recebido e US Naval War College.
homenageado aos mais altos níveis polítiO tempo de Mahan foi muito favorável à
co, académico e social. Depois desta mis- divulgação do seu pensamento estratégico
são retomou o cargo de instrutor no United no Reino Unido e nos EUA, embora por raStates Naval War College, onde passou à zões distintas.
reserva em 1896.
No Reino Unido vivia-se um momento
No ano de 1898, durante a Guerra Hispano- particularmente difícil, por a tecnologia ter
-Americana, voltou ao serviço activo no Naval desvalorizado os elementos estruturantes da
War Board, como consultor de estratégia naval utilidade e valia da Royal Navy como instrudo Secretário da Marinha e do Presidente dos mento político. Com efeito, por um lado, deEUA. Foi promovido a contra-almirante em corria um processo particularmente difícil de
1906, quando o Congresso dos Estados Unidos transformação da marinha da era da vela e da
aprovou a legislação que determinou a promo- madeira para a marinha da era do vapor e do
ção ao posto superior, de oficiais de marinha aço, e da artilharia de carregar pela boca para
que serviram na Guerra Civil Americana.
a artilharia de culatra e percussão central,
4
6
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
com a incorporação simultânea das tecnologias e das tácticas associadas às granadas de
alto explosivo e aos torpedos. Por outro lado,
o incremento do volume e da diversidade
do comércio marítimo internacional, questionava a predominância do transporte das
mercadorias em navios britânicos. Acrescia,
ainda, que a ferrovia mostrava a possibilidade dos países continentais se desenvolverem
sem recurso a marinhas, enquanto o telégrafo
reconfigurara as possibilidades das comunicações terrestres. Nestas circunstâncias, a outrora inquestionável utilidade e
o valor decisivo da Royal Navy, como
instrumento político preferencial do Reino Unido para garantir a sua prosperidade e afirmação internacional, pareciam
condenadas à irrelevância.
Nos EUA a situação era completamente diferente da descrita para o Reino Unido. O país estava empenhado
na ocupação progressiva e efectiva do
vasto território do continente norteamericano. Por isso, os assuntos marítimos
tinham sido colocados numa prioridade
política remota. É certo que esta situação
contribuiu, de forma relevante, para o facto
de, na época de Mahan, a United States
Navy ser composta apenas por unidades costeiras, que se encontravam em grande obsolescência tecnológica e não dispunham de
capacidade militar válida numa guerra entre
potências navais de primeira ordem. Porém,
não se pode esquecer que o almirantado norte americano, após a Guerra
Civil dos EUA, se havia oposto ao abandono dos navios à
vela, a favor da adopção da
tecnologia emergente dos
navios a vapor!
Nestas circunstâncias, o
pensamento estratégico de
Mahan serviu perfeitamente
as pretensões políticas do
Reino Unido e dos EUA no
início do século XX, porque,
ao colocar as prioridades
navais na primeira linha dos requisitos necessários à riqueza e grandeza ambicionada pelos líderes dos dois países, contribuiu
decisivamente para viabilizar os investimentos necessários à aquisição de meios
materiais e de conhecimentos técnicos,
bem como à experimentação de procedimentos, que são os factores determinantes
do sucesso de toda a estratégia naval.
António Silva Ribeiro
CALM
N.R.
O autor não adota o novo acordo ortográfico.
MENSAGEM DE NATAL E DE ANO NOVO
DO ALMIRANTE CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA ARMADA
E AUTORIDADE MARÍTIMA NACIONAL
Militares, Militarizados e Civis da Marinha:
A
o entrar neste Novo Ano, e no espírito desta quadra em que nos encontramos, saúdo todos os que
servem Portugal na Marinha.
Gostaria de começar, manifestando toda a minha solidariedade para com aqueles que, no mar ou em terra, por
motivos de serviço, não podem estar no seio da sua família, pois esta é sem dúvida uma época para celebrar a paz e
a amizade com os nossos entes queridos.
Terminamos um ano
de grande exigência e
rigor, onde as restrições que foram impostas ao País refletiram-se sobremaneira na
Marinha. No entanto, e
fruto do esforço de todos os que, apesar das
dificuldades, continuam a lutar por um futuro melhor, conseguimos honrar os nossos
compromissos.
Cumprimos um conjunto alargado de missões, das quais relevo
as relacionadas com a
segurança e autoridade do Estado nas águas
de jurisdição nacional,
a presença nos países
de língua oficial portuguesa, a manutenção de paz em Timor-Leste, no Kosovo e no Afeganistão, a participação de
uma fragata na Operação Atalanta, no âmbito do combate
à pirataria, e a integração de um submarino no SNMG2.
Ainda, e em tempo recorde, aprontámos e fizemos ao mar
a Força Naval Portuguesa, como componente da Força de
Reação Imediata (FRI), para eventual apoio à evacuação de
cidadãos nacionais da Guiné-Bissau.
É, assim, oportuno reconhecer publicamente o trabalho
efectuado pelos que no mar, a partir do mar, no litoral e
nos serviços em terra, independentemente de serem militares, militarizados ou civis, dão o melhor do seu esforço e
dedicação ao País e à Marinha.
No que respeita a 2013, estou bem ciente das dificuldades
que temos de enfrentar. Será, indubitavelmente, um ano
de enormes restrições onde apenas com o engenho e a arte
que caracteriza os que cumprem Portugal no mar, vamos
poder continuar a cumprir as nossas missões. Conto assim
com o rigor, a dedicação e a entrega de todos, na procura
de soluções que permitam resolver as dificuldades e desta
forma encontrar o caminho adequado para manter a nossa
Marinha como uma instituição de referência, otimizada e
eficiente.
Iremos, finalmente, receber o tão aguardado NPO Figueira da Foz, mais uma unidade de um programa que é fundamental para substituir as envelhecidas corvetas. Iremos
também assumir o comando e prover o navio almirante da
EUNAVFOR, força da união europeia que combate a pirataria no oceano Índico,
para além de continuarmos a assegurar a manutenção do Dispositivo Padrão.
Estão em curso importantes alterações ao
corpo legislativo que
rege toda a instituição
militar, alterações estas
que visam uma melhor
adaptação aos tempos
modernos e torná-la
mais eficaz. Estou certo que todos sairemos
a ganhar, pois com o
trabalho, o empenho e
a dedicação de todos os
homens e mulheres que
servem na Marinha,
podemos auspiciar um
futuro melhor, e destes
tempos difíceis sairemos mais fortes e mais capazes de dar
o nosso contributo para o desígnio nacional de tornar o mar
num vetor essencial do desenvolvimento português.
Podem contar com o Comandante da Marinha, para defender os superiores interesses da nossa centenária instituição, como sei que posso contar com a vossa coesão, disciplina e sentido de missão para superar esta “tempestade”
e rumar à “bonança”.
Termino esta minha mensagem fazendo votos para que
o Ano Novo proporcione, a todos, a realização dos vossos
anseios, pessoais e profissionais, e vos traga satisfação pelo
dever cumprido e orgulho em servir na Marinha.
Desejo a todos um Feliz Natal e um próspero 2013.
José Carlos Saldanha Lopes
Almirante
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
5
O COMBATE DO NRP VEGA
ÍNDIA–18DEZ1961
a sequência das comemorações
ocorridas no ano passado, no
âmbito do cinquentenário dos
combates navais na Índia, a Câmara Municipal de Bragança convidou a Marinha
a participar na homenagem a um «filho
da terra» que neles participou, o
Cabo Aníbal Jardino. As diversificadas cerimónias decorreram
nos dias 2 e 3 de novembro,
tendo a Marinha tido uma participação ativa nas mesmas. A
representação foi ao mais alto
nível, contando com a presença
do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), com
o Vice-almirante Vice-chefe do
Estado-Maior da Armada e com
o Vice-almirante Diretor da Comissão Cultural da Marinha. Estiveram ainda presentes diversas
entidades locais e o Professor
Doutor Adriano Moreira, transmontano ilustre que, à data dos
acontecimentos, era o ministro
com a tutela do Ultramar.
No dia 2 de novembro prestou-se homenagem aos militares
falecidos, no talhão dos Combatentes do cemitério do Toural.
No dia 3, com a presença, designadamente, do Presidente da
Câmara de Bragança, do Almirante CEMA e do Presidente da
Liga dos Combatentes, realizou-se nova cerimónia de homenagem, agora ao Cabo Aníbal
Jardino e junto ao monumento
que celebra a sua memória. Ambas as cerimónias incluíram a
deposição de coroas de flores e
contaram com a intervenção de
uma guarda de honra assegurada pela Marinha, através de uma
secção de fuzileiros e um terno
de clarins. Na tarde desse mesmo dia 3 inaugurou-se, no Centro Cultural Adriano Moreira,
uma exposição dedicada aos últimos combates navais da Índia,
organizada pelo Museu de Marinha. À noite ocorreu uma sessão
cultural no Teatro Municipal de
Bragança. Numa primeira parte,
fez-se a evocação do combate
da lancha Vega. Após curtas intervenções do Almirante CEMA
e do Presidente da Câmara Municipal de
Bragança, usou da palavra o Professor
Doutor Adriano Moreira, o qual fez o enquadramento das circunstâncias políticas
6
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
conducentes à ação da União Indiana sobre os territórios do então Estado da Índia.
Seguiu-se uma entrevista aos marinheiros
sobrevivos da Vega, os Sargento-ajudante Francisco Mendes Freitas, Primeiro-sargento Venâncio dos Ramos e Cabo
participou nos combates navais de 18
de dezembro de 1961, a bordo do aviso
Afonso de Albuquerque. A noite encerrou
com um concerto pela Banda da Armada,
que contou com a participação da cantora Dulce Pontes.
Fotos 1SAR FZ Pereira
N
Homenagem ao Cabo Aníbal Jardino, em Bragança
Armando Cardoso da Silva, entrevista
que foi coordenada pelo Capitão-de-mar-e-guerra Engenheiro Maquinista Naval
José Vitoriano Cabrita, o qual também
Exposição «Os últimos combates navais na Índia»
Nesta exposição procurou-se evocar a participação da
Marinha nos combates contra
as forças da União Indiana nos
territórios que integravam o Estado Português da Índia. Desde
1947, ano da sua independência que a União Indiana reclamava a anexação dos territórios
portugueses. A situação degradou-se significativamente em
1960, culminando com a invasão em final de 1961. Na defesa
do espaço português participaram dois navios, o aviso Afonso
de Albuquerque, em Mormugão, e a lancha Vega, em Diu.
Na madrugada de 18 de dezembro de 1961, a fortaleza de
Diu foi atacada pela aviação
indiana. A Vega, sob o comando do Segundo-tenente Oliveira e Carmo, foi empenhada na
proteção da fortaleza contra os
ataques aéreos. O combate foi
muito desequilibrado, pois a
Vega apenas dispunha de uma
peça Oerlinkon de 20 mm, para
fazer frente à aviação inimiga.
Após cerca de uma hora e meia
de combate, o navio foi afundado, em resultado dos inúmeros
projécteis que o atingiram. Perderam a vida o seu comandante
e os marinheiros António Ferreira e Aníbal dos Santos Fernandes Jardino. O marinheiro
Aníbal Jardino foi promovido
por distinção ao posto de Cabo,
a título póstumo, tendo-lhe sido
concedidas a Medalha de Cobre
de Valor Militar, com Palma e a
Medalha Militar por Promoção.
De acordo com o documento
de concessão da Medalha de
Cobre de Valor Militar, Aníbal
Jardino demonstrou, perante o
combate, extraordinária coragem e invulgar abnegação.
O Arpão no SNMG2
N
o último artigo – PARTE 2 – havíamos ficado com o Arpão em trânsito para Cartagena, após ter terminado a 2ª patrulha
integrada na OAE, a qual a NATO designa por
SURGE, dada a sua natureza anti-terrorista. Na
manhã de 29 de Outubro chegámos a Cartagena, após um trânsito sem problemas tendo sido
recebidos por toda a estrutura de Comando da nossa Esquadrilha “irmã”.
Cartagena é uma cidade desconhecida
para a maior parte do pessoal da nossa
Marinha, no entanto para a comunidade
submarinista é uma cidade não só conhecida como muito importante. Durante 3
décadas Cartagena representou um local
de encontro entre as duas Esquadrilhas Ibéricas, tantos eram os aspectos em comum
da vida de ambas as comunidades de submarinistas, centrada numa plataforma comum, os submarinos da classe “Daphné”.
Os 3 dias passados em porto ofereceram
muitas oportunidades de interacção entre
as guarnições do Arpão e do “host ship”,
o “Tramontana”. Foi possível ficar com
uma primeira impressão da forma como
se encontra o desenvolvimento dos futuros
submarinos espanhóis, designados “S80”.
A Marinha de Espanha aponta para um
submarino com um desenho nacional, baseado na classe Scorpene, mas com características semelhantes ao nosso “209PN”,
estando atualmente projetadas 4 unidades.
Assim, foi de uma forma emotiva que largámos no final da tarde dia 1 de novembro deste relevante porto, o qual constitui
um excelente ponto de apoio naval para
os nossos submarinos quando em missão
nesta área do Mediterrâneo e para a manutenção de uma longa relação bilateral
efetiva com nossos “irmãos” espanhóis.
O trânsito entre Cartagena e Lisboa fez-se
sem sobressaltos, tendo o Arpão realizado
a sua primeira passagem em imersão, no
sentido Leste-Oeste do Estreito de Gibraltar.
O regresso a Lisboa deu-se na tarde do dia 6
de novembro, após ter largado da Base Naval de
Lisboa em 28 de agosto e ter integrado, pela primeira vez na história dos submarinos portugueses,
a Força Naval Permanente da NATO (SNMG2).
Em termos de resumo da missão realizada podemos afirmar que a integração concretizou-se no
período de 4 de setembro e 27 de outubro, onde
efectuou duas patrulhas no âmbito da Operação
“Active Endeavour” (OAE) e participou no exercício “Noble Mariner 12” (NOMR12).
A OAE é a única operação militar no âmbito
do artigo 5º do Tratado da Aliança Atlântica, tendo como objectivo principal combater todas as
atividades que podem sob qualquer forma contribuir para o aparecimento, desenvolvimento e
concretização de actividades de natureza terrorista em ambiente marítimo no Mediterrâneo.
O exercício NOMR 12 teve como objectivo
principal a certificação da Força de Reacção Rá-
pida (NRF) da NATO para 2013, permitindo a
integração e o treino da interoperabilidade dos
diferentes meios participantes.
A participação do submarino Arpão nesta missão teve a duração de 71 dias, dos quais 31 foram
em patrulha nas áreas de operações da OAE, com
uma taxa de navegação total cerca de 83%.
Das tarefas efetuadas pelo submarino português destacam-se as seguintes actividades:
Recolha de dados
Contribuição para a compilação do panorama
marítimo em áreas sensíveis
Controlo do tráfego marítimo no Mediterrâneo
Apoiar as operações do SNMG2
O resultado desta missão foi bastante positivo,
tendo a participação do Arpão sido bastante elogiada pelas entidades da NATO, tanto referentes
à sua participação no exercício NOMR 12, quer
pelas capacidades demonstradas na OAE.
Reflexo disso foi a carta elogiosa enviada pelo
Comandante da Força de Submarinos NATO
para o Mediterrâneo, CALM Roegge, da US
Navy, o qual havia detido o OPCON do submarino durante o período da integração:
“Quero aproveitar esta oportunidade para
elogiar o sucesso da participação do NRP “Arpão” e pelo seu apoio à NATO e na guerra
contra o terrorismo. Fiquei impressionado pela
CONCLUSÃO
mostra de profissionalismo, pela determinação
e pelo espírito do NRP Arpão. A sua atitude
sempre vigilante contribuiu bastante para compilação do panorama marítimo e para esta importante operação da NATO.
Além disso, o seu desempenho no exercício
Noble Mariner 2012 foi digno de nota e contribuiu significativamente para o sucesso
deste complexo exercício. Apreciei especialmente as contribuições inteligentes e francas durante e após o exercício.
Essas contribuições terão um impacto na
melhoria futura dos exercícios da NATO.
Os meus sinceros agradecimentos pelo
profissionalismo, dedicação e devoção à
missão durante a integração do NRP Arpão. A sua contribuição para a NATO e
para a guerra global contra o terrorismo
foi louvável.”
De igual forma o CALM Kheeler, da GE
Navy, Comandante do SNMG2 enviou as
melhores referências do Arpão, salientando as suas capacidades enquanto plataforma e igualmente a relevante capacidade
de adaptação dos submarinistas a novas
realidades indicando que a missão havia
sido cumprida com elevado mérito.
Finalmente chegou o dia de chegada
a Lisboa a 6 de novembro. De facto não
nos sentíamos a chegar de uma missão de
2 meses e meio, mas sim recordávamos
que havíamos saído de Lisboa no dia 7 de
março para realizar o PTO da Álvares Cabral, provas de calibração ao sonar IDRS,
“Instrex 12”, trânsito para Kiel, docagem
de garantia no estaleiro construtor – a qual
durou 4 meses e meio, o trânsito para Lisboa e apenas após uma semana de preparação na BNL, a integração no SNMG2
o que totaliza praticamente 8 meses de
missão contínua com 14 dias de paragem
em Lisboa. Foi com base neste registo e
com o consequente estado de espírito que
recebemos a bordo o Ministro da Defesa Nacional, Dr. José Pedro Aguiar-Branco, acompanhado
pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças
Armadas, General Luís Evangelista Esteves de
Araújo e pelo Chefe do Estado-Maior da Armada,
Almirante José Saldanha Lopes.
O embarque das altas entidades realizou-se
como previsto na Baía de Cascais tendo sido
oferecido um almoço no Posto a vante durante
o trânsito à superfície para a BNL, tendo contado com a participação de representantes da
guarnição e onde se trocaram impressões sobre os mais diversos aspectos que revestiram o
cumprimento da missão do Arpão.
Foi desta forma que às 1600 horas o Arpão atracou no cais 6 sul da Base Naval de Lisboa com o
sentimento do dever cumprido, após termos navegado aproximadamente 1500 horas, 1480 das
quais em imersão e percorrido 6670 milhas.
Colaboração do COMANDO DO NRP ARPÃO
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
7
O NRP ÁLVARES CABRAL
NO PORTUGUESE OPERATIONAL SEA TRAINING
INTRODUÇÃO
preparação para a primeira semana de mar.
Esta primeira semana de terra permitiu o
Com partida de Lisboa em 10 de setembro e regresso a 28 de outubro, o NRP início da adaptação da guarnição a um ritÁlvares Cabral, após quase 50 dias de mis- mo de trabalho específico, mas foi também
são, cumpriu o Portuguese Operational Sea a oportunidade de conhecer os Seariders
Training (POST), em Inglaterra sob a égide (avaliadores) que acompanhariam o navio
do Flag Officer Sea Training (FOST), no durante as 6 semanas de treino.
período de 17 de setembro a 25 de
outubro de 2012.
Após um longo período de manutenção, com a realização de uma
revisão intermédia que decorreu
de Janeiro a novembro de 2011, a
Álvares Cabral iniciou o seu treino
em fevereiro de 2012 através do
Plano de Treino Básico (PTB), com
uma duração de 4 semanas e acompanhamento da Equipa de Avaliação do Centro Integrado de Treino
e Avaliação Naval (EACITAN). Este
A iniciar aproximação para reabastecimento.
treino nacional teve como objetivo
garantir a preparação do navio para
participar em exercícios básicos e
para ações de presença naval, mas
permitiu sobretudo elevar o patamar
de desempenho de modo a retirar o
máximo rendimento do treino subsequente, a realizar em Inglaterra,
no POST 2012.
O POST da Álvares Cabral decorreu durante as habituais 6 semanas,
tendo desta feita sido distribuídas
por uma semana de terra e quase
5 semanas de mar, uma vez que a O Lynx armado com torpedos e pronto a descolar.
quarta semana de treino, tradicionalmente uma semana de terra, foi passada no mar de terça a quinta-feira.
O MASC
O POST 2012 iniciou-se com a
inspeção inicial, designada por Material Assessment and Safety Check
(MASC), que teve como objetivo a
avaliação do estado do material e
dos procedimentos de segurança
durante a condução de séries de tiro,
combate a incêndios e testes aos sensores, sistemas de comando e contro- Reabastecimento no mar com RFA Wave Knight.
lo e sistemas da plataforma.
No dia 20 de Setembro, foi oferecida uma
O dia do MASC, em excelentes condições
meteorológicas, foi bastante positivo e o receção a bordo, que teve a presença do
navio cumpriu todas as séries previstas, no Almirante FOST - Rear Admiral Clive Johorário planeado, de forma eficaz e em se- hnstone CBE. Na receção, a boa disposição
gurança, tendo nesta sequência sido consi- garantiu um momento de agradável convíderado seguro e pronto para iniciar o treino. vio e troca de experiencias entre a guarnição da Álvares Cabral e os elementos do
PRIMEIRA SEMANA DE TERRA FOST.
Os restantes dias da primeira semana decorreram com o navio atracado na Base Naval AS DUAS PRIMEIRAS
de Devonport, onde foram realizadas várias SEMANAS DE MAR
ações de treino, palestras, reuniões e exercíApós o MASC, as duas primeiras semanas
cios diversos, que tiveram como objetivo a de mar revelaram-se igualmente um desa8
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
fio para a guarnição, exigindo uma adaptação rápida a um plano de treino exigente,
com o cumprimento de um seriado intenso
em áreas tão diversas como operações, mecânica, eletricidade, limitação de avarias,
marinharia, logística, saúde, armas e eletrónica e navegação.
Este período de treino foi uma
prova à determinação e destreza da
guarnição. Os dias começam cedo
e acabam tarde, sempre com um
calendário de treino muito exigente
e ao mesmo tempo aliciante. Nesta
fase, os avaliadores têm a preocupação de acompanhar a execução
das séries de forma mais próxima, mantendo uma abordagem de
maior ajuda e ensinamento, com o
objetivo de garantir a consolidação
de procedimentos corretos que permitam a posterior evolução gradual
do desempenho.
As duas primeiras semanas de mar
marcaram também o início dos “dias
de guerra”, conduzidos às terças e
quintas-feiras, com a realização das
séries em postos de combate. Estas séries caracterizam-se pela sua
complexidade e intensidade, com
toda a guarnição envolvida na condução da guerra área, de superfície,
submarina, minas e assimétrica, e ao
mesmo tempo também envolvida internamente nas áreas da mecânica,
eletricidade, limitação de avarias e
emergência médica, no combate aos
incidentes, emergências e avarias
causados pelo “inimigo” ou decorrentes da normal operação do navio
em situação de combate.
Durante este período foram jogadas duas grandes séries com incidentes de significativa dimensão e
necessidade de estabelecimento de
postos de emergência: o F4 (grande incêndio em espaço de máquinas) e o “Crash on deck” (queda do
helicóptero no convés de voo), nas
quais foram testadas a capacidade
de comando e controlo e controlo de danos e avarias, em cenário particularmente
difícil.
SEGUNDA SEMANA
DE TERRA
Apesar de designada “Semana de Terra”,
esta edição do POST revelou uma semana
de terra com três dias de mar para a realização de duas “Training War” e exercícios
na área da marinharia e operações. Foi, à
semelhança das duas semanas anteriores,
um período de treino intenso e culminou
com a realização do Disaster Relief Exercise
O SALVEX permitiu treinar a guarnição Este exercício, de elevado nível de desgaste
(DISTEX) na 6ª feira.
para apoio a um navio sinistrado no mar físico, foi um teste ao trabalho de equipa,
O DISTEX é uma experiência que marca
e o BOARDING concentrou-se numa ope- revelou uma guarnição coesa e com eletodos os que já participaram no POST. Trataração de interdição marítima, através de vado espírito de entreajuda e constituiu-se
-se de um exercício que se desenrola num
uma ação de abordagem e vistoria na qual como uma valiosa experiência que podecenário de ajuda humanitária a uma vila
se desenvolveu um cenário de múltiplas rá eventualmente vir a ser usada no treino
afetada por uma catástrofe natural. O nacomplicações, incluindo o ataque a tiro à nacional. Deve ainda ser referido, a título
vio é chamado a prestar o primeiro apoio
equipa de boarding e a posterior necessida- de curiosidade, que o chefe da equipa de
à população sinistrada, através de ajuda
de de prestação de primeiros socorros e de avaliação deste exercício era o oficial que
médica e especializada para restaurar as inevacuação do militar atingido.
exercia funções de Chefe de Departamenfraestruturas de primeira necessidade. Para o
No exercício F7, primeiro exercício des- to de Propulsão e Energia no HMS Nottinefeito, procedeu-se a um trabalho exaustivo
te género realizado por navios da Marinha gham quando ocorreu o respetivo encalhe
de planeamento e identificação das equino POST, o cenário jogado foi baseado em e, no exercício das suas funções, lidou na
pas e meios necessários para prestar
realidade com aquele grave sinistro.
o auxílio à população sinistrada e,
No último dia de treino decorreu
nesse sentido, foi projetada no terreInspeção Final, em que embarcaram
no uma equipa de 100 militares que
o Oficial Inspetor – Comodoro Mike
prestaram o auxílio solicitado.
Mansergh CBE e 40 Seariders que
Neste exercício, o FOST contou
avaliaram e inspecionaram estrutucom a colaboração de civis (alguns
ras, sistemas e desempenhos, com
verdadeiros atores) que personificaum formalismo e protocolo tradicioram os sobreviventes da população
nais e muito vincados. Este dia, espeafetada e cuja representação tornou
cial para todos, revelou um navio que
difícil a distinção entre a realidade
soube aproveitar as seis semanas de
e a ficção, de tão credível que é a
treino que lhe foram proporcionadas,
caracterização e encenação dos
que atingiu os padrões de prontidão
Treino de socorrismo durante o exercicio de defesa no porto.
participantes.
exigidos à classe e que, mais importante que tudo, se encontra pronto a
AS DUAS ÚLTIMAS
ser empenhado operacionalmente e
SEMANAS DE MAR
a defender os interesses de Portugal
Na penúltima semana de treino, a
no mar.
Álvares Cabral foi nomeada navioCONCLUSÃO
-chefe da força naval em treino, o que
O POST é uma missão peculiar
implicou um esforço acrescido no
que marca todos os que já tiveram
planeamento, coordenação e conduoportunidade de nela participar.
ção das principais séries da semana.
Treinar no FOST é sem dúvida uma
Esta semana, exigente em termos
experiência única. O acesso ao code treino e marcada por condições
nhecimento consolidado e extraído
de mar muito adversas, foi para
das melhores práticas de várias maalém das habituais “Training War”,
rinhas e os meios aéreos e navais disorientada para a execução de exer- Carregamento da Phalanx.
poníveis constituem uma excecional
cícios de tiro real, luta anti-superfímais-valia que importa continuadacie e anti-submarina e atividades na
mente manter, porque é garante dos
área de marinharia.
melhores padrões de desempenho
Na 6ª feira, à chegada do navio à
na nossa esquadra.
Base Naval de Devonport, a semana
O POST 2012, com início na Base
terminou com a realização do Ship
Naval de Lisboa muitos meses anProtection Exercise (SPE), com o nates da largada para Inglaterra, só foi
vio atracado. Este treino decorre num
possível com o inexcedível apoio de
cenário em que o navio atraca para
todos aqueles que em terra apoiam
reabastecer e reparar avarias, e em
a esquadra no mar e que, apesar das
que após atracar é confrontado com
consabidas dificuldades que todos
um estado de anarquia em terra,
atravessamos, através do seu melhor
com a incapacidade das autoridades DISTEX - Posto de Comando em Terra.
trabalho dotaram a Álvares Cabral
locais de garantirem a proteção ao
navio e ao mesmo tempo com a existência
factos reais, que ocorreram no encalhe do dos meios humanos, financeiros e matede ameaça terrorista. Este quadro, cumprinavio Inglês HMS Nottingham em Julho de riais que permitiram a robustez e o suporte
do de forma realista através de um número
2007, quando navegava ao largo da costa necessário ao cumprimento da missão em
muito significativo de figurantes, colocou à
da Austrália. Foi simulada uma situação Plymouth.
Deve ainda, e em justiça ser referido o
prova a defesa própria em situações de amede graves danos no casco, resultando em
aça assimétrica e demonstrou a mais-valia
grandes alagamentos em diversos compar- apoio da equipa de ligação (Portuguese
do pelotão de fuzileiros embarcado e a adetimentos. Neste cenário, o navio em “postos Liaison Team) que integrada no Staff do
quabilidade do planeamento e da reação da
de emergência” envolveu toda a guarnição FOST acompanhou e apoiou o navio, de
guarnição, que permitiu enfrentar com assino combate ao sinistro, tendo o período da forma incansável, durante todo o período
nalável sucesso as dificuldades associadas a
manhã sido passado a efetuar escoramentos de treino.
esta situação.
de grandes dimensões, assistência a cerca
Na última semana de treino, destaca-se a rede duas dezenas de feridos, combate a inColaboração do COMANDO DO
alização dos exercícios SALVEX, BOARDING,
cêndios provocados pelo encalhe e recupeNRP ÁLVARES CABRAL
F7 (grande alagamento) e a Inspeção Final.
ração dos circuitos de alimentação elétrica.
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
9
ESCOLA NAVAL
D
ecorreu na Escola Naval, no
dia 16 de novembro, a Sessão Solene de Abertura do
Ano Letivo, e a Sessão de Encerramento das Jornadas do Mar 2012.
Este ano, a cerimónia contou com
a presença do Ministro da Defesa
Nacional e do Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional,
fazendo também parte da Mesa da
Presidência o Chefe do Estado-Maior
da Armada, o Chefe do Estado-Maior
da Força Aérea, o Presidente das Jornadas do Mar 2012, o Presidente do
Conselho do Ensino Superior Militar
e o Comandante da Escola Naval.
A cerimónia foi iniciada com o
Hino da Escola Naval, entoado pelos
cadetes, seguindo-se uma alocução
do Comandante da Escola Naval,
CALM Bastos Ribeiro. Do seu discurso destacam-se as seguintes palavras:
“A Escola Naval entregou à Marinha
vinte e dois Guardas-marinhas do
Curso Dom Rodrigo de Sousa Coutinho, com mestrado integrado, bem
como oito oficiais do serviço técnico
com o grau de licenciatura. Preparámos ainda nove oficiais, técnicos
superiores navais e especialistas. (…)
Completaram e defenderam a dissertação quarenta oficiais, em complemento de estudos, convertendo
os cursos antigos para o modelo de
Bolonha. Aprontámos ainda para as
Marinhas amigas de Moçambique e
de Cabo Verde, respetivamente dois e
um oficial. Atingimos taxas de sucesso escolar acima dos 65% no primeiro ano e acima dos 95% nos restantes
anos, o que muito nos apraz.”
(…) “Sabemos onde estamos e
para onde queremos ir. Temos tido
avanços significativos, mas também
temos consciência que ainda temos
um caminho a percorrer. (…) Pretendemos centralizar funcionalmente
10
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
Fotos 1SAR A Laranjeira
ABERTURA DO ANO LETIVO NA ESCOLA NAVAL
a gestão da qualidade em todos os
processos e actividades de formação, reforçando os procedimentos
existentes e formalizando um plano
com medidas para a melhoria contínua do ensino”.
A lição inaugural, subordinada ao
tema “Redes sem fios de sensores”,
foi proferida pelo Professor Dr. Pedro Silva Girão, que colabora desde
1993 com a Escola Naval, lecionando a unidade curricular de Tecnologia e Medidas Eléctricas.
Para além da entrega dos Diplomas de Mestrado e de Licenciatura,
e dos Prémios Escolares, foram também entregues nesta cerimónia os
Prémios das Jornadas do Mar 2012,
o que possibilitou aos participantes
deste colóquio assistirem à cerimónia militar de maior dimensão realizada anualmente na Escola Naval.
A cerimónia ficou também marcada
pela oferta, ao Almirante Chefe do
Estado-Maior da Armada, de uma réplica do primeiro Estandarte da Companhia dos Guardas Marinhas pela
Delegação da Escola Naval Brasileira
que participou nas Jornadas do Mar
2012. Esta oferta foi efetuada no âmbito da relação fraterna entre as duas
academias irmãs, que se tem vindo a
estreitar com a presença de delegações da Escola Naval do Brasil em sucessivas edições das Jornadas do Mar.
Destacam-se ainda as presenças de
antigos CEMA e comandantes da Escola Naval, do representante do General Chefe do Estado-Maior do Exército, do Vice-presidente da Câmara
Municipal de Almada, do Presidente
da Sociedade de Geografia de Lisboa,
de Adidos de Defesa e Militares, e de
representantes de instituições de Ensino Superior Militares e Civis.
Colaboração da ESCOLA NAVAL
ESCOLA NAVAL
D
e 12 a 16 de novembro tiveram
lugar na Escola Naval, as Jornadas do Mar 2012, subordinadas
ao tema “O Reencontro com o Mar no
Século XXI”.
As Jornadas do Mar têm a configuração de um colóquio onde são apresentados trabalhos realizados pelos
estudantes num ambiente de convívio
saudável que conjuga o estudo com os
aspetos lúdicos, numa experiência ímpar e única na formação do estudante
universitário.
Foi a VIII edição deste colóquio, que
tem vindo a ser organizado pela Escola
Naval desde 1998 com periodicidade
bienal, com o objetivo principal de promover o estudo e a reflexão sobre o Mar,
destacando o seu papel no passado e no
presente e perspetivando a sua utilização no futuro.
Esta iniciativa, única, por ser dirigida
apenas aos estudantes do Ensino Superior, pretende constituir um estímulo
para a apresentação e discussão temática orientada, proporcionando a convivência entre os alunos de diferentes
instituições do Ensino Superior e personalidades ligadas às várias áreas em
debate. Pretende-se incentivar assim as
novas gerações para as questões relacionadas com o Mar, nas suas diversas
vertentes, tendo sempre em mente os
benefícios que podem advir da nossa
condição de país marítimo que tem no
mar o mais importante fator de afirmação do país e de criação de riqueza.
Nas Jornadas do Mar 2012 foram considerados todos os trabalhos, tendo o
Mar como objeto de estudo, abrangidos
pelos seguintes domínios do conhecimento:
∙ Matemática, Modelação e Engenharia
∙ Geografia, Oceanografia, Ambiente e
Ciências Naturais
∙ História e Sociologia
∙ Economia e Gestão
∙ Relações Internacionais, Direito e Estratégia
∙ Literatura e Linguística
∙ Tecnologias da Informação e Comunicação
∙ Ciências Militares
Com o tema “O Reencontro com o Mar
no Século XXI” procurou-se potenciar a
apresentação de trabalhos que dessem
realce às seguintes ideias-força:
∙ O papel do mar no mundo globalizado e a importância da situação es-
“O REENCONTRO COM O MAR
NO SÉC. XXI”
tratégica de Portugal que deve levar o
país a explorar as vantagens do seu centralismo atlântico em diversas vertentes,
nomeadamente no que concerne ao
comércio internacional e ao desenvolvimento do sistema marítimo-portuário associado a uma cadeia logística
que reforce as potencialidades do país
como plataforma de distribuição à escala global;
∙ A importância e a afirmação de Portugal na ligação à sua maritimidade, e
nesta senda, para que o mar continue a
constituir um fator de competitividade
e valorização do país, é muito importante a aposta determinada no desenvolvimento sustentável das atividades
económicas associadas, desde a pesca
ao turismo, e na investigação científica
que igualmente terá efeitos potenciadores na economia;
∙ Os largos benefícios que o país pode
obter, caso as Nações Unidas aceitem
a proposta nacional elaborada pela
equipa da Estrutura de Missão para a
Extensão da Plataforma Continental
tendo em vista a extensão da nossa Plataforma Continental, o que representará
um acréscimo de cerca de 2 milhões de
km2 aos espaços marítimos sob sobera-
nia ou jurisdição nacional, ou seja, um
acréscimo de superfície correspondente
a 22 vezes o território nacional;
∙ A crescente necessidade de se velar
pela segurança do mar face à sua importância geoestratégica e às ameaças
e riscos variados a que está exposto,
desde os acidentes poluentes até à criminalidade organizada com crescentes
sintomas de globalização;
∙ A visão estratégica do mundo durante este século e o papel do mar devido à
sua importância como meio importante
de comunicação, de exploração de recursos e de potencial fonte geradora de
conflitos devido à luta quer pelos espaços quer pelos recursos.
As jornadas tiveram o seu início com
uma sessão solene, presidida pelo Secretário de Estado Adjunto e da Defesa
Nacional, Dr. Paulo Braga Lino, com
a presença do Secretário de Estado
do Mar, Prof. Doutor Manuel Pinto de
Abreu, e aberta pelo Comandante da
Escola Naval, Contra-almirante Bastos
Ribeiro. Na sua alocução, o Comandante da Escola Naval enalteceu o interesse e o apoio que merecem estas
iniciativas que, contribuindo para a
afirmação de Portugal na ligação à sua
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
11
maritimidade, apelam ao estudo e reflexão sobre a importância do Mar através de uma
partilha de saberes e valores
entre diferentes instituições
de ensino superior nacionais e
estrangeiras. Seguiu-se a apresentação de boas vindas a todos os participantes por parte
do aluno mais antigo, cadete
Andrade da Cunha, e uma
conferência de abertura proferida pelo CMG Augusto Alves
Salgado, subordinada ao tema
“O CINAV e o Património Cultural Marítimo”.
Foram admitidos 67 trabalhos de 90 autores, em nome
individual ou coletivo, oriundos de 24 instituições de ensino, abrangendo as 8 áreas do
conhecimento pré-definidas.
Para além dos estudantes nacionais, registou-se com agrado a participação de estudantes estrangeiros da Escola
Naval brasileira, da Escola
Naval espanhola, da Universidade de Oviedo, da Universidade Itinerante do Mar e de
um estudante português da
Universidade de Kyoto - Japão. Esteve também presente,
durante toda a semana, uma
delegação da Escola Naval
alemã que, não apresentando
trabalhos, participou, quer nas
sessões de apresentação, quer
nas outras atividades;
Durante o tempo em que decorreram as jornadas, a Escola
Naval proporcionou alojamento a 24 participantes;
Os trabalhos analisados e
apreciados pela Comissão
Científica foram apresentados
em 9 sessões plenárias, presididas por professores universitários e outras personalidades,
civis e militares, ligados às
áreas em debate;
Efetuaram-se duas mesas
redondas, subordinadas aos
temas “A pesca do bacalhau”
e “Universidade Itinerante
do Mar”, com moderadores
e participantes de excelência
académica e profissional que
despertaram grande interesse
e participação das audiências;
Esteve ainda patente durante
esta semana uma exposição
de fotografia, “Raízes de Mar”,
alusiva às atividades de pesca;
No domínio das atividades
culturais, aconteceu uma noite de tunas universitárias, com
a atuação das Tunas académicas da Faculdade de Medicina
12
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
Veterinária da Universidade
Técnica de Lisboa e do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e um concerto
da Banda da Armada. Ainda
neste âmbito, foram efetuadas
visitas ao Museu de Marinha,
à Fragata D. Fernando II e
Glória e ao Planetário Calouste Gulbenkian. No domínio
da divulgação das atividades
científicas da Marinha, foi
proporcionada uma visita ao
Instituto Hidrográfico.
A meio da semana houve um
jantar convívio nas instalações
do Farol da Guia, acompanhado com a excelente atuação
do dueto intimista de voz e
guitarra “In Two”, que contou
com a presença de alunos participantes, membros das Comissões Científica e Executiva,
professores que participaram
no evento, representantes das
instituições patrocinadoras e
apoiantes e outros convidados
envolvidos na organização
das Jornadas.
Após uma semana intensa
de atividades, as Jornadas do
Mar 2012 encerraram no dia
16NOV numa cerimónia que
coincidiu com a abertura solene do ano letivo 2012/2013
da Escola Naval, sob a presidência do Ministro da Defesa
Nacional, Doutor José Pedro
Aguiar Branco. A solenidade
abriu com o discurso do Comandante da Escola Naval,
Contra-almirante Bastos Ribeiro, que fez um balanço da
atividade escolar do ano letivo
transato e uma breve referência ao que se perspetiva para
o próximo a que se seguiu a
oferta pela Escola Naval brasileira, através da sua delegação
que participou nas Jornadas
do Mar, de uma réplica do 1º
estandarte da Companhia de
Guardas-Marinhas. Terminada
esta alocução, foi dada a tradicional lição inaugural pelo
Professor Doutor Pedro Silva
Girão, docente na Escola Naval através do convénio com
o Instituto Superior Técnico, a
que se seguiu a entrega dos diplomas de mestrado e licenciatura e dos prémios escolares.
Cumpridas as formalidades
inerentes à abertura do ano letivo, o Presidente da Comissão
Executiva das Jornadas do Mar
2012, Contra-almirante Henrique Lila Morgado, fez um
sucinto balanço das Jornadas,
terminando com o desejo que o
contributo do colóquio “O Reencontro com o Mar no Século
XXI” prestado à causa do Mar
concorra para o agitar de consciências, melhor compreensão
dos problemas e incentivo para
concretizar as soluções necessárias ao progresso do país
através da utilização do Mar.
Seguiu-se a entrega de prémios
para os melhores trabalhos de
cada área temática, tendo a cerimónia terminado com o hino
nacional cantado por todos os
presentes.
Em jeito de conclusão pode-se seguramente afirmar que os
objetivos deste colóquio foram
plenamente atingidos, quer no
aspeto académico, pela quantidade e qualidade dos trabalhos
apresentados, quer no que concerne à satisfação pessoal dos
intervenientes, por terem contribuído para a divulgação dos
diversos temas ligados ao Mar.
“O REENCONTRO COM O MAR NO SÉCULO XXI”
PRÉMIOS
ÁREA
ESCALÃO
TRABALHO
Área da Matemática, da Modelação
e da Engenharia
1º
Utilização de Materiais Compósitos na Construção Naval: Utilização do GLARE em Superestruturas
Luis Tiago de Matos Filipe
Escola Naval – Departamento de Engenharia Naval, Ramo de Mecânica
Área da Geografia,
da Oceanografia,
do Ambiente e das
Ciências Naturais
1º
Desafios na Gestão da Zona Económica Exclusiva
Portuguesa à Luz da Directiva-Quadro da Estratégia para
o Meio Marinho
Ana Rodrigues
André Lopes
Universidade Nova de Lisboa - Faculdade
de Ciências e Tecnologias
A Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória - Assistência, Educação e Trabalho no Estado Novo.
Américo José Vidigal Alves
Universidade de Lisboa/Escola Naval
Jorge Russo
Universidade Aberta
Sandro Mendonça
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa
Olinda Maria Martinho Rio
Universidade de Coimbra – Faculdade
de Letras
1º
Área da História e
da Sociologia
2º
MH 1º
2º
Área das Relações
Internacionais,
do Direito e da
Estratégia
Área da Economia
e Gestão
Área da Ciências
Militares
SS Dago: Historiografia de um destroço
Too big to patent: Patenting, non-patenting and anti-patenting in the emergence of mature marine engineering and
industrial naval architecture in nineteenth century Britain
O Porto da Figueira da Foz: onde o passado conta e o
futuro desafia
Fatores de Stress no Contexto da Marinha Portuguesa:
Efeitos das Auto-Imagens e Consequências para a
Satisfação Laboral
O caso da classe Almirante Pereira da Silva ilações para o futuro
No termo da Ilha. Moradores, comércio e acesso à terra no
continente fronteiro à Ilha de Moçambique (c. 1763 – c. 1800)
Deploying Warships, Employing Diplomacy: Portuguese
Diplomacy at Sea and NRP Sagres
The Naval Dimension of East Asian Regional Security:
Expenditures, Disputes and Solutions
NOME DO PARTICIPANTE
INSTITUIÇÃO
Carina Veludo
Instituto Superior de Economia
e Gestão
Pedro Filipe Figueira Saial
Escola Naval – Departamento de Marinha
Maria Paula Pereira Bastião
Centro de História de Além Mar|FCSH/UNL
& CEHC e ISCTE/ IUL
Tiago Maurício
Universidade de Kyoto
Tiago Maurício
Universidade de Kyoto
MH 1º
Do conhecimento situacional marítimo: Os projetos Blue
Mass Med e Blue Eye como meio
Raphael Cid Fonseca Dias Bernardo
Filipe de Oliveira Lopes
Walmor Cristino Leite Junior
Ramon Dantas Vaqueiro
José Miguel Neves de Sousa Assis
Santa
MH 2º
O Parque Marinho dos Açores – tensões à vista?
Maria Inês Gameiro
Universidade Nova de Lisboa – Faculdade
de Direito
1º
O Mar Português: Passado Histórico ou Futura Potência
Económica?
Instituto Superior de Ciências Policiais e
Segurança Interna
2º
Quantificação e Análise de Setores do Cluster do Mar
Português
Fábio Manuel de Nogueira Camelo
Ana Catarina Carvalho
Ana Lúcia Barracho Oliveira
Jéssica Ribeiro Miranda
Isabel Beatriz Machado Pinto
1º
1º
MH 1º
Brasil e Portugal: Baluartes Marítimos do novo século
El Papel de la Armada en la Gestion del tesoro Submarino
Español
Segurança Nacional: nova definição para Defesa Nacional
e Segurança Interna?
Candidatos à Escola Naval: atividade, aptidão,
antropometria
Escola Naval do Brasil
Escola Naval – Departamento de Marinha
Abel da Silva Simões
Universidade Noval de Lisboa – Faculdade
de Ciências Sociais e Humanas
Luis Garcia Cardo
Alberto Hernandez de la Fuente
Escuela Naval Militar
André Nunes Pedro
Escola Naval – Departamento de Fuzileiros
Helena Sofia Fonseca Paiva
de Sousa Teles
Escola Naval – Departamento de Médicos
Navais
Colaboração da ESCOLA NAVAL
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
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COMISSÃO CULTURAL DA MARINHA
MUSEU DE MARINHA
LANÇAMENTO DE LIVRO E INAUGURAÇÃO DE EXPOSIÇÃO
14
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
Indonésia que não admitia que essa instabilidade constituísse uma ameaça à sua segurança. Em finais de agosto de 1975, diante de
uma situação descontrolada e em clima de
pré-guerra civil, o Governador e Comandante-Chefe ordena a saída para a Ilha do Ataúro.
No terceiro e último período são referenciadas
as missões cometidas à Marinha quando da estadia no Ataúro. Ao longo da obra o Almirante
Leiria Pinto tece rasgados elogios a todo o pessoal de Marinha que serviu sob as suas ordens
e destaca o papel fundamental e imprescindível
da Estação Radionaval de Díli nas comunica-
sândalo, no qual estavam identificados os vários
acontecimentos desde a chegada dos portugueses, no século XVI, até à atualidade, com destaque para aqueles em que participou a Marinha.
À entrada encontravam-se modelos de embarcações tradicionais timorenses a que se seguia a apresentação de testemunhos escritos,
pertença do Arquivo Histórico, distribuídos
por três expositores.
No primeiro, constava documentação desde
o século XIX até à conclusão das Campanhas
de Pacificação, nas quais a Marinha desempenhou um papel importante. Foi dado especial
destaque à Guerra do Manufai (1911/12), a
mais grave e duradoura revolta indígena timorense. Estava exposto um modelo da canhoneira Pátria que, na ocasião, muito contribuiu
para que a paz fosse alcançada. Igualmente,
referente a esse período, podia ser observado
um modelo da canhoneira Bengo.
O segundo expositor referia-se à ocupação japonesa, entre fevereiro de 1942 e setembro de
1945, sendo apresentados vários documentos,
especialmente os Diários Náuticos dos avisos
Afonso de Albuquerque, Bartolomeu Dias e
Gonçalves Zarco, que participaram no reassumir da soberania portuguesa no território.
O último espaço expositivo reportava-se ao
período pós II Guerra Mundial até aos nossos
dias, sendo exibidos relatórios dos acontecimentos que se registaram depois do 25 de Abril
de 1974 até à invasão da ilha, em dezembro de
1975, por forças indonésias e Diários Náuticos
das corvetas então presentes em águas timorenses. Após uma ausência de 24 anos a Marinha
voltaria a Timor, a partir de novembro de 1999, com a chegada da
fragata Vasco da Gama integrada
na INTERFET (Força Internacional
de Timor-Leste) que seria rendida
pela fragata Comandante Hermenegildo Capelo cujos modelos
também estavam apresentados.
Ao mesmo tempo, Companhias
de Fuzileiros integraram diversas
missões de imposição e manutenção de paz no território, sob a
égide das Nações Unidas.
Encontravam-se igualmente referências à cooperação técnico-militar que
a Marinha Portuguesa levou e leva a efeito
para a edificação da Marinha Timorense.
A concluir a Exposição figurava a última
Bandeira Nacional que esteve içada na Estação Radionaval de Díli e foi definitivamente
arriada em 26 de Agosto de 1975, quando da
saída dos portugueses de Díli.
Foto Rui Salta
R
ealizou-se no passado dia 5 de novembro, no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha, o lançamento do livro
Recordações de um Marinheiro – Timor 1973-1975 do CALM Leiria Pinto. Tendo obtido
uma licenciatura em História, após passar à situação de Reserva, o autor desempenhou, durante quase cinco décadas, diversas funções
na Marinha. Entre o comando de navios e de
unidades em terra destacam-se os comandos
de um Destacamento de Fuzileiros Especiais
na Guiné e o da Escola Naval, e a direção da
Biblioteca Central da Marinha, em acumulação com a presidência da Comissão Cultural.
Foram escolhidas estas funções como testemunho de uma carreira multifacetada, abrangendo tanto missões operacionais de combate
como atividades de cariz cultural.
O livro em questão descreve, detalhadamente,
a comissão desempenhada no mais longínquo
território do então Ultramar Português, num período bastante conturbado que abrange os dois
últimos anos da existência do Timor Português.
Após umas palavras introdutórias proferidas
pelo VALM Vilas Boas Tavares, Diretor da Comissão Cultural da Marinha, a editora do livro,
o CALM MN Rui Abreu, também ele antigo
Presidente da Comissão Cultural, fez a respetiva apresentação, com uma descrição bastante
completa em que destacou os pontos principais.
O Almirante Leiria Pinto divide a sua missão
em três períodos distintos. O primeiro destes
inicia-se com a sua chegada ao território, para
desempenhar os cargos de Comandante da Defesa Marítima, de Chefe da Repartição Provincial dos Serviços de Marinha e por
inerência Capitão dos Portos, de
Presidente da Comissão Administrativa dos Serviços de Transportes
Marítimos e de Presidente da Junta
Autónoma do Porto de Díli, mais
tarde seria também Diretor dos
Serviços de Transportes Aéreos
de Timor. Este primeiro período
carateriza-se por uma situação de
rotina e tranquilidade, executando a Marinha, além da patrulha e
fiscalização marítimas, tarefas de
apoio às populações ribeirinhas.
De realçar o importante papel desempenhado
pela Estação Radionaval de Díli nas comunicações com Lisboa, Macau e Lourenço Marques e com os navios-petroleiros portugueses
que navegavam de e para o Golfo Pérsico.
O segundo período começa com a revolução do 25 de abril e prolonga-se até 1975,
sendo apresentado em relatórios diários o degradar da situação política e social, mercê de
fatores internos e externos, perante a vizinha
ções entre aquela parcela do território português
e os centros de decisão no Portugal Continental.
O lançamento deste livro coincidiu com a
inauguração de uma exposição, igualmente
no Pavilhão das Galeotas, sobre a presença da
Marinha em Timor desde o século XVI até ao
presente.
Na Exposição organizada pelo Museu de Marinha, um extenso quadro apresentava a cronologia histórica da Ilha de Timor onde nasce o
Colaboração da COMISSÃO CULTURAL DA MARINHA
A Diversidade de Embarcações Tradicionais
do Estuário do Tejo
ENQUADRAMENTO
Quanto ao primeiro factor, importa ter
de Água Cima, cujo pequeno porte e caO património marítimo-fluvial do Estuário racterísticas do fundo tornava-os embarca- em conta que estas embarcações eram
do Tejo, na sua dupla vertente material e ções aptas a navegar ao longo do rio Tejo construídas, em grande medida, sem reimaterial, constitui a marca indelével de uma (incluindo os seus afluentes e valas), até aos curso a planos geométricos de construção.
Eram antes utilizados moldes (ou grades)
profunda relação histórica e cultural das po- portos do “rio acima”.
voações ribeirinhas com o Tejo. Gentes que
Desde matérias-primas até produtos aca- próprios de cada estaleiro, os quais respeifizeram deste estuário o seu modo de vida, bados (incluindo o fornecimento de frescos tavam a técnica, o estilo do Mestre carpingentes cujas vidas se confundem e foram e cereais e de lenha para os fornos de pão de teiro naval e as especificações requeridas
marcadas pelas cadências do Tejo e pelas vi- Lisboa), sal e vinho, areia e cortiça, açúcar pelo armador. Ora, a multiplicidade de
vências por este propiciadas.
e cereais, carvão ou lixo, era vasta a gama estaleiros que povoavam as margens do
Na vertente material, as embarcações tra- de mercadorias/produtos transportados por estuário e que se dedicavam à construção
dicionais do Estuário do Tejo apresentam-se estas embarcações. Foi, assim, possível sus- e reparação de embarcações tradicionais
talvez como os principais elementos patri- tentar o desenvolvimento de uma vasta frota deixa perceber como este factor contrimoniais simbolicamente representativos da fluvial, cuja diversidade e especificidades buiu para a existência de embarcações
com características técnicas diferenciadas
cultura ribeirinha e da identidade local dos importa considerar (Figura 1).
no quadro da tipologia de embarterritórios da borda d’água. A divercações existentes. Ademais, há que
sidade de embarcações tradicionais
considerar que são vários os casos
deste estuário constitui, aliás, um
de embarcações tradicionais do
dos mais importantes conjuntos paEstuário do Tejo construídas em estrimoniais flutuantes portugueses e
taleiros navais localizados noutros
europeus.
pontos do país (e.g. região da ria de
Neste sentido, o presente artigo
Aveiro), nomeadamente Varinos.
procura esboçar uma síntese desta
Quanto ao segundo factor, este
diversidade tipológica de embarcaprende-se com a necessidade de
ções vocacionadas para o transporte
resposta às diferentes procuras do
fluvial de mercadorias: as Fragatas,
transporte fluvial, associadas às
os Varinos, as Faluas, os Cangueiquais se verificavam requisitos esros, os Botes, os Botes-de-fragata, os
pecíficos de transporte. Cita-se um
Botes do Pinho, os Barcos de Água Fig.1 - Embarcações tradicionais atracadas no Cais da Ribeira
exemplo. A embarcação Cangueiro
Acima, as Canoas e os Catraios. Um Nova, Lisboa.
apresentava um conjunto de caracobjectivo enquadrável no desígnio
terísticas técnicas que decorria da
de preservação e salvaguarda da
especificidade do serviço de transmemória histórica e cultural deste
porte para o qual foi concebida: o
património, através da disseminatransporte de materiais de construção do conhecimento sobre as suas
ção – portanto, materiais pesados –,
especificidades e funções.
cuja operação de carga era muitas
Com efeito, recuando até à privezes realizada com a embarcameira metade do século XX, enção “abicada à praia”; como tal,
contramos um Estuário do Tejo que,
o formato da popa da embarcação
para além de se constituir como o
– “popa fechada” – (principal casustentáculo do desenvolvimento
racterística técnica diferenciadora),
de um amplo conjunto de activiera de grande utilidade para cortar
dades, se afirmava como um meio
a vaga, minimizando o efeito do
de transporte fulcral para a Região
embate da mesma.
de Lisboa. Na actividade das emQuanto ao último factor explicabarcações tradicionais de carga
tivo (as áreas de operação das emdestacava-se então o abastecimento Fig.2 - Fragata “Ninfa” navegando no Estuário do Tejo.
barcações), as condições naturais
da cidade de Lisboa, o transporte de
do Estuário do Tejo (e “rio acima”) determercadorias de e para o Porto de Lisboa,
minaram o desenvolvimento de adaptaassim como as operações de carga e des- FACTORES EXPLICATIVOS
ções técnicas nas embarcações. O fundo
carga dos navios de grande porte fundea- DA DIVERSIDADE DE EMchato dos Varinos e dos Barcos de Água
dos neste porto.
Acima é disso exemplo maior.
Importa ainda destacar que no plano de BARCAÇÕES TRADICIONAIS
Para NABAIS (2009: 3), a grande diverPara além destes factores, também a
água estuarino existiam (e existem) condições diferenciadas de navegabilidade, sidade de embarcações tradicionais por- existência de vários tipos específicos de
facto que obrigou a adaptações técnicas tuguesas é explicada pelo estilo próprio embarcações precedentes, a partir das
das embarcações que nele navegavam. É o de cada estaleiro/povoação, pelas funções quais foram desenvolvidas adaptações ao
caso dos Varinos (fundo chato), utilizados que estas embarcações desempenhavam e longo do tempo (decorrentes das evolupara navegar nas águas pouco profundas pelas suas áreas de operação. Tais factores ções técnicas, tecnológicas e funcionais),
da generalidade dos esteiros que permitiam explicativos são passíveis de transposição terá influído na diversidade de embarcapenetrar nas margens recortadas do arco ri- para o caso específico das embarcações ções verificada em momento posterior.
Referidos os factores explicativos da dibeirinho Sul. É também o caso dos Barcos tradicionais do Estuário do Tejo.
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
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versidade de embarcações tradicionais de
carga do Estuário do Tejo, apresenta-se de
seguida uma breve descrição das suas características e funções.
va, essencialmente, ao transporte de carga
pesada, com destaque para os materiais de
construção (incluindo areia e saibro), possuía
algumas adaptações técnicas: a proa era mais
arqueada e a “popa fechada” para aliviar o
embate aquando das operações de carga e
CARACTERÍSTICAS E FUNdescarga (Cf. Leitão, 2002: 93). “Íamos à praia
ÇÕES DAS EMBARCAÇÕES
do Alfeite carregar areia, que transportávamos
TRADICIONAIS
para a Doca de Santo Amaro, para as obras.
As Fragatas, embarcações à vela de um
Transportávamos ainda pedra da Doca de
só mastro (com um ligeiro caimento para a
Santo Amaro para os fornos de Salvaterra e
ré, aparelhando uma vela latina quadranBenavente, para fazer cal. Depois, quando
gular e uma triangular de estai) e “de fundescíamos o rio vínhamos carregados de pido redondo e proa direita” (Leitão, 2002:
nho para a Doca de Santo Amaro, para abas41), possuíam as maiores dimensões, emtecer os fornos de pão de Lisboa. Quando o
bora a sua tonelagem fosse muito variável
cangueiro não tinha serviço, dava entrada no
(Figura 2).
Grémio e andávamos no rio a carregar cortiça
O calado destas embarcações constituía,
e madeira, isto por volta de 1942. Chegámos
contudo, um factor condicionador
a vir ao porto de Sarilhos carregar mada sua navegação em águas pouco
deira para a Covina, localizada a seprofundas, restringindo o seu acesso
guir a Sacavém. Este cangueiro (“Maaos designados “portos baixos”. Não
ria Júlia”) tinha 50 toneladas” (António
obstante, era uma embarcação relaFernandes Júnior, 2011).
tivamente rápida, conforme é expliOs Botes apresentavam traça semecado por António Fernandes Júnior
lhante às Fragatas, embora sendo de
(2011), um antigo Arrais de Fragata:
menor porte. Armavam “uma vela
“As fragatas tinham quilha e por isso
grande de carangueja e, por vezes,
aguentavam mais a bordejar. Já os
duas velas à proa – um estai e uma
varinos, como tinham o fundo chato
bujarrona” (Carrasco, 1997: 23). Leitão diferencia os Botes, propriamente
rolavam mais com a vela cheia; por
ditos, dos Botes de meia-quilha, conisso, andavam menos”.
siderando que “as diferenças fundaDe acordo com Leitão (2002: 91),
as Fragatas, conjuntamente com os Fig.3 - Barco de Água Acima carregado de cortiça.
mentais que existem entre [eles] são a
Varinos, tinham como ocupação
consequência natural do fundo forteprincipal “a descarga de navios e o
mente abaulado e dos bojos volumotransporte da sua carga de trigo, fasos do bote de meia-quilha”, acresrinha, carvão de coque, maquinaria,
centando ainda que este último barco
etc., para várias zonas do porto de
ao ser concebido “para navegar em
Lisboa”, carregando também “azeisítios com pouca água e assentar no
te em Vila Franca de Xira, cimento
fundo na maré baixa, (…) é um pouco
em Alhandra, cortiça em Sacavém,
mais pequeno que o bote da mesma
Montijo, Moita, Alhos Vedros, Barépoca, calando menos não só em
reiro, Seixal, Amora e Caramujo”.
consequência do seu tamanho mais
O leque de produtos transportados
reduzido, mas também porque os
pelas Fragatas era, naturalmente,
bojos bem cheios lhe proporcionam
mais amplo, destacando-se ainda:
uma maior flutuabilidade em relação
“o vinho, que era carregado (…), por
ao tamanho” (Leitão, 2002: 96).
A capacidade média de carga destas
exemplo desde a Arealva. Também
embarcações oscilava, em geral, entre
transportávamos muito açúcar, café,
20 e 50 ton., destinando-se essencialfeijão, madeiras, amendoins e peles Fig.4 - Cangueiro (à direita) atracado no Porto de Lisboa.
mente ao transporte de produtos horproveniente das colónias. No Cais do
tícolas, rama de pinho seco, cortiças, cereais
Ginjal laborava a firma João Theotónio Pe- fundas, fruto do seu reduzido calado.
reira Júnior, Lda. (…). A Fragata “Maria AliTransportavam, entre outros produtos, a e vinho. Estas embarcações “carregavam tamce” era propriedade desta empresa, na qual madeira e o arroz provenientes das Lezírias, bém encomendas (as mercearias) para Salvatransportávamos vinhos, azeite, vinagre para o arroz e a pasta de tomate produzida nas terra, Benavente e outros portos (…) a partir da
exportação para as ex-colónias, mas tam- fábricas de Salvaterra de Magos ou o vinho doca do Jardim do Tabaco. Havia igualmente
bém para abastecimento da frota bacalhoei- a partir do Carregado, Azambuja, Cartaxo, vários botes que transportavam encomendas
ra nacional” (António José Fernandes, 2011). Salvaterra, Muge e Almeirim (Cf. Leitão, para Lisboa e para o Barreiro” (António FerPor sua vez, os Varinos apresentavam 2002: 91). O transporte de cortiça até às nandes Júnior, 2011).
Um outro tipo de Bote era o Bote do Picomo principais características estrutu- unidades industriais localizadas no Estuário
rais diferenciadoras a arqueação da proa do Tejo ou o transporte de carga geral era nho. Destinava-se ao transporte de rama
(“proa redonda”) e o fundo chato, que lhes também assegurado por estas embarcações. e toros de pinho para os fornos de pão da
No que diz respeito ao Cangueiro, as suas cidade de Lisboa, com uma capacidade de
garantia a acessibilidade a locais de águas
pouco profundas, nomeadamente nos bra- características eram muito próximas de uma carga que variava entre 20 e 50 ton., apareços de rio e esteiros da margem Sul, onde Fragata (incluindo o velame, ainda que o lhando uma pequena vela latina triangular
a profundidade é reduzida. À semelhança mastro apresentasse maior caimento), em- (vela de estai) à proa e uma grande vela ladas Fragatas, possuíam um só mastro com bora fosse, em geral, de dimensão inferior tina quadrangular de carangueja junto ao
mastro (é conhecida uma excepção a este
caimento para a ré, aparelhando uma vela (Figura 4).
Sendo uma embarcação que se destina- velame; trata-se do Bote do Pinho “Fernanlatina quadrangular e uma ou duas velas
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JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
triangulares de estai à proa.
Os Varinos destinavam-se, em grande
medida, ao transporte de mercadorias entre as margens do estuário, nomeadamente
produtos hortícolas, rama de pinho seco,
cortiça, ferro, areia, farinha, açúcar, vinho
e sal, entre outros.
Os pequenos Varinos, utilizados para
navegar nas águas pouco profundas a
montante de Lisboa (incluindo os esteiros,
valas, canais e pequenos rios afluentes do
Tejo), eram também conhecidos como
Barcos de Água Acima (em geral, com tonelagem inferior a 50 ton.) – Figura 3.
Para além das características do fundo, o
leme apresentava-se muito comprido para
compensar a menor área submersa e, assim,
poder chegar a locais de águas pouco pro-
Fig.5 - Bote do Pinho “Fernando I”, de Sarilhos Pequenos.
do I”, de Sarilhos Pequenos - conhecido
como “Bote Gaião” -, que armava uma
grande vela latina triangular). Estas embarcações destacavam-se também pelas suas
minuciosas pinturas, apresentando cores
garridas, motivos florais e figuras míticas
(Figura 5).
Os Botes do Pinho transportavam pinho a
partir de vários pontos, incluindo a Raposa
(Seixal), Corroios, Samora, Lançada ou Sarilhos Pequenos. Ocasionalmente transportavam palha, proveniente dos mouchões
do Tejo, para Sarilhos Pequenos, Alcochete, Moita, Rosário e Montijo, onde era utilizada para cobrir as serras do sal produzido
nas salinas aqui existentes.
Quanto aos Botes-de-fragata, estes assemelham-se ora a uma Fragata (ainda que
de dimensões substancialmente inferiores
a estas embarcações), ora a um Bote, daí
serem considerados um tipo híbrido. Leitão
(2002: 109) identifica, contudo, as seguintes particularidades neste tipo de embarcação: “nas bordas; no número de cabeços
à popa; na existência ou não de barbados
na proa, e no tipo de barbados montados à
ré; na existência ou não de paus de entre
cintas; na construção do painel de popa; na
existência ou não de falquitos”.
Estas embarcações tinham, normalmente, uma capacidade de carga entre 20 e 50
ton., aparelhando uma pequena vela latina
triangular à proa (estai) e uma grande vela
latina quadrangular de carangueja junto
ao mastro. Os Botes-de-fragata eram muito
utilizados no transporte de cortiça, ferro,
cereais e carga geral entre as duas margens
do Tejo.
No seu “Barcos do Tejo”, Carrasco (1997:
23) descreve as Faluas como situando-se entre o Bote e a Fragata em termos de
dimensão. Por sua vez, Leitão (2002: 111)
destaca, entre outras especificidades, que
as linhas de água destas embarcações “são
muito mais delgadas que as dos botes, e
que são prolongadas à proa e à ré para produzir entradas finas que alargam para cima,
e saídas compridas terminando num painel
de popa pequeno e estreito” (Figura 6).
Outra característica da Falua prende-se
com a especificidade do convés: “O convés de vante ocupa um pouco mais que
uma metade do barco e tem duas escotilhas, uma no bico da proa, no lado de esti-
Fig. 6 - Falua atracada na Quinta do Esteiro Furado (Sarilhos Pequenos).
bordo, e a outra por ante-a-vante do mastro
principal. O convés da ré é muito reduzido, porque o espaço normalmente ocupado pelo leito da popa é sacrificado para
aumentar a casa de carga aberta, também
utilizada pelos passageiros” (Leitão, 2002:
111). Em termos funcionais, o convés de
vante era muito utilizado como alojamento, onde os passageiros se abrigavam do
frio, da chuva e do calor durante a viagem.
Este convés servia ainda de resguardo para
as mercadorias.
Estas embarcações armavam, geralmente,
duas velas latinas, tendo havido segundo
Leitão (2002) uma evolução ao longo do
tempo nas suas velas, passando a predominar as Faluas de um só mastro.
A Falua era utilizada no transporte de passageiros e de mercadorias, oferecendo “um
serviço de transporte relativamente regular,
de passageiros, numa rota certa, em oposição ao transporte de carga geral, sem horário pré-estabelecido, e eram utilizadas para
carregar produtos deterioráveis, tais como
batatas, uvas, figos, laranjas e legumes frescos até à cidade e voltar com mercearias na
viagem de retorno. Tinham, por isso, de ser
de bom porte e rápidas, visto que cobriam
nesta ocupação distâncias que podiam
atingir 50 km” (Leitão, 2002: 110).
Finalmente, são de referir as embarcações vocacionadas, essencialmente, para
o transporte de passageiros e pequenas
mercadorias, designadamente as Canoas
(ou Botes-canoas) e os Catraios (ou Botes-catraio).
No que se refere às Canoas, identificam-se diferentes tipos, decorrendo as suas especificidades técnicas das funções e áreas
privilegiadas de operação. Destaca-se a
Canoa Cacilheira e a Canoa do Tejo. A primeira utilizada no transporte de pessoas,
animais (Cf. Ecomuseu Municipal do Seixal
e CCDRLVT, 1995: 114) e pequenas mercadorias entre Lisboa e Cacilhas. A segunda,
destinada, essencialmente, ao transporte
de pequenas mercadorias e mercearias
entre as povoações ribeirinhas do Estuário
Tejo (embora tivesse sido também utilizada na pesca), sobrevivendo no exercício
destas funções até à década de 1970. Os
demais tipos de Canoas eram utilizados, essencialmente, na pesca e no transporte do
pescado (Canoa da Picada, Canoa Enviada
do Montijo, do Seixal e do Barreiro, Canoa
do Alto, Canoa Grande e Canoa Pequena
da Trafaria).
Por sua vez, os Catraios apresentavam-se como embarcações de pequeno porte
(“embarcações miúdas”), cujo comprimento não ia além dos 6,5m. Eram normalmente utilizados no transporte de pequenas
mercadorias e passageiros, na pesca artesanal e ainda como embarcações de recreio.
Usualmente armavam uma vela latina
quadrangular de carangueja e uma vela
triangular de estai, existindo ainda alguns
Catraios aparelhados com vela de espicha
e vela latina triangular.
André Fernandes
Instituto de Dinâmica do Espaço (FCSH-UNL)
Mário Pinto
Associação Naval Sarilhense
Fontes das Figuras
Fig.1 - Centro de Documentação e Informação da APL
- Administração do Porto de Lisboa, SA (Autoria: Desconhecido).
Fig.2 - Mário Pinto (Autoria: Desconhecido).
Fig.3 - Centro de Documentação e Informação da APL
- Administração do Porto de Lisboa, SA (Autoria: Desconhecido).
Fig.4 - Mário Pinto (Autoria: Desconhecido).
Fig.5 - Museu de Marinha (Colecção Seixas).
Fig.6 - Extraído de Joaquim Baldrico, Montijo, Aldeia Galega:
Memória Fotográfica, 2002.
Referências Bibliográficas
Baldrico, J. (Org.) (2002) – Montijo, Aldeia Galega: Memória Fotográfica. s.l.: Cygnuscolor Design, Lda., C.M.
Montijo/J. F. Montijo.
Carrasco, E. (1997): Barcos do Tejo, Lisboa, Edições Inapa, 153 p.
Ecomuseu Municipal do Seixal, CCRLVT (1995)
“Os Barcos Típicos do Tejo – Caracterização
Genérica”. In Magalhães, F. (Coord.), Navegando no Tejo.
Lisboa: CCRLVT, pp. 110-117.
Leitão, M. (2002): Barcos do Tejo. Lisboa, Museu de Marinha, 216 p.
Nabais, A. (2009) – “Barcos do Tejo”. In AÇAFA On-Line
(n.º 2). Vila Velha de Ródão: Associação de Estudos do
Alto Tejo, 6 p.
Fontes Orais
António José Fernandes – Entrevista realizada em 2011.
Natural de Sarilhos Pequenos, Marítimo entre 1963 e
1967 (61 anos).
António Fernandes Júnior – Entrevista realizada em
2011. Natural de Sarilhos Pequenos, Marítimo entre
1942 e 1961 (84 anos).
NR - Os autores não adotam o novo acordo ortográfico.
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
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OCEAN REVIVAL
U
m dia cinzento de prometida chuva.
Felizmente, as previsões meteorológicas tão esperadas para a realização
da operação de afundamento dos navios
mostram mar com ondulação inferior a um
metro e ventos fracos. Às sete da manhã a
azáfama já é grande no PAN (Ponto de Apoio
Naval) da Marinha, ultimam-se os preparativos para o reboque da Oliveira e Carmo.
Meia hora mais tarde a imponente corveta
inicia o percurso para o local do seu afundamento.
Por volta das 12h30, a partir do Hotel Pestana Alvor Praia, a viúva do Comandante Oliveira e Carmo, a Senhora D. Maria do Carmo
Oliveira e Carmo, dá início à contagem regressiva para o início do afundamento.
Cinco, quatro, três, dois, um, fogo. Três
bolas amarelas com laivos alaranjados
e avermelhados elevam-se no céu, ao
mesmo tempo que doze aberturas são
instantaneamente desenhadas nos cascos de estibordo e bombordo. A Corveta inicia a sua descida progressiva,
mantendo-se orgulhosamente na horizontal, até ser engolida em pouco mais
de dois minutos, pelas águas da Baía de
Lagos duas milhas frente à Praia dos Três
Irmãos em Alvor. A Oliveira e Carmo repousa agora no fundo do mar esperando ser visitada por milhares de turistas
subaquáticos e dar abrigo a centenas de
espécies ao longo dos próximos anos,
cumprindo assim a sua derradeira missão ao serviço de Portugal.
Umas horas mais tarde, perto das
15h30, segue-se o afundamento do Patrulha Oceânico Zambeze. Imediatamente após a ordem dada pelo CALM
Nunes Teixeira, três novas bolas de
fogo elevam-se no céu cinzento, oito
aberturas surgem como por milagre no
casco dando entrada a milhares de litros de água. Devido às suas características,
mais leve que a Corveta e com maior peso
a vante, o navio, já a meia água, inclina a
proa para o fundo do mar, tocando o mesmo,
caindo e assentando a popa na areia poucos
segundos depois.
Os dois afundamentos decorreram com
grande perfeição técnica, excedendo largamente todas as expectativas. A façanha nunca antes realizada, digna do Guiness: afundar
com sucesso dois navios de forma controlada
no mesmo dia, deve-se à equipa de explosivos minas e armadilhas dos Mergulhadores da
Marinha e da Canadian Artificial Reef Consultants, que em conjunto realizaram ao longo
de duas semanas todos os preparativos para a
fase final da operação até ao premir do botão
dando início ao afundamento de cada navio.
Em pouco mais de dois minutos os navios
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JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
“A NOVA MISSÃO”
tomaram o seu lugar no fundo mar. Dois minutos precedidos de mais de cinco anos de
trabalho intenso, milhares de palavras escritas e argumentadas, estudos e relatórios, debates e apresentações, críticas e apoios, desalentos seguidos de novas esperanças, mas
sempre na crença que era possível vencer
cada obstáculo, um de cada vez, de forma
sistemática. Enormes adversidades, não só
pelos problemas burocráticos e as várias interpretações e entendimentos, normais num
projecto inovador como este, mas também
pelos “Velhos do Restelo” sempre prontos a
criticar e a ditar o fracasso da iniciativa.
Apesar das contrariedades, existiu sempre
apoio, boa vontade, orientação e conselho
das entidades envolvidas no processo de
aprovação do Projecto e uma equipa determinada e empenhada na resolução dos
problemas e requisitos formais. No dia 30 de
Outubro de 2012, o Parque Ocean Revival
tornou-se realidade.
Devidamente sinalizado com quatro bóias
que delimitam a área que está situada a sul da
zona de recifes artificiais já existentes, repousando nas batimétricas dos 26 e 32 metros
com um mínimo de 15 metros de água livre.
Encontra-se a uma milha do fundeadouro de
Portimão, a cerca de três milhas da barra de
Portimão e a duas milhas da costa não causando assim qualquer perigo à navegação.
Logo após o afundamento da Corveta Oliveira e Carmo, um destacamento de Mergulhadores efectuou um mergulho cuja finalidade foi a de verificar as condições em que a
embarcação se encontrava para futura autorização de utilização.
No caso do Patrulha Oceânico Zambeze,
esse mergulho por parte dos Mergulhadores
da Marinha só foi possível realizar na manhã
seguinte, uma vez que o final do dia do afundamento estava próximo e as condições de
visibilidade não seriam as melhores.
Apesar das condições meteorológicas e do
mar nesse dia do afundamento, os dois navios
repousam agora na sua posição original como
se “navegassem no fundo do oceano”.
Constituíram desde esse momento a primeira
fase do museu subaquático que irá ficar completo no final do primeiro quadrimestre de
2013 com o afundamento da Fragata Hermenegildo Capelo e do Navio Oceanográfico Almeida Carvalho.
Esta “nova missão” destes navios veio
alterar o habitual destino de desmantelamento a que são sujeitos todos os que
em fim de vida são descomissionados,
mas que pelo sonho e empenho na
concretização desse sonho de Luís Sá
Couto e da Marinha de Guerra Portuguesa foi possível tornar realidade.
Em vez de serem destruídos, estes navios carregados de história vão continuar a perpetuar o seu nome e a serem
o destino de mergulhadores que vão
percorrer os seus espaços. De salientar
que praticamente logo após o seu afundamento começaram a ficar com vida
subaquática.
O projecto OCEAN REVIVAL nasceu
há quase seis anos e para a sua concretização foram necessárias catorze entidades que com o seu parecer favorável
autorizaram esta operação. Foram ainda
efectuados vários estudos prévios que estão disponíveis para consulta e que atestam a qualidade do trabalho efectuado
bem como os benefícios inerentes.
Os navios já afundados foram limpos e preparados seguindo as mais rigorosas normas e
regulamentos que devem respeitar este tipo de
operações de limpeza com destaque especial
para a remoção do amianto, dos óleos, dos
combustíveis, assim como todos os cabos eléctricos e de comunicações. Desta forma procura
garantir-se que o meio ambiente envolvente
não recebe quaisquer impactes nocivos.
Quanto aos dois navios a afundar, eles também já em fase de preparação, foram limpos
do amianto que pela especificidade requer um
cuidado muito especial.
Após análise na pesquisa dos locais onde
existe o amianto, segue-se a selagem da área
onde se irá retirar a substância para que os trabalhadores que efectuam esta tarefa de remoção com a suas protecções individuais numa
área que está em pressão negativa.
que lhes permitem explorar o navio no seu
interior em níveis em que a luz natural penetra na embarcação ou que no seu percurso
esteja sempre em linha de vista uma saída.
Por fim no terceiro nível (Negro) destina-se
a mergulhadores com certificação de especialidade de mergulho técnico correspondente em naufrágio que lhes permita fazer
as penetrações e que disponham de material
adequado como seja a iluminação a gestão
dos gases etc.
Cada navio do Parque dispõe de duas ou
três bóias, determinando em função do seu
comprimento, para amarração temporária
de mergulho e de emergência e comportamentos a ter perante a vida existente no recife.
Pelo que foi referido é de toda a conveniência
que os mergulhadores que desejem visitar o
Parque procurem um centro de mergulho associado ao Projecto Ocean Revival.
Importa referir que o Parque é de acesso gratuito e universal a todos os operadores, centros, escolas e clubes de mergulho desde que
cumpram a lei vigente no território nacional.
Este projecto nasce com a finalidade de promover o turismo subaquático criando num só
local através do conjunto de navios representantes da Marinha de Guerra Portuguesa cuja
história será perpetuada com o seu
afundamento criando dessa forma
um recife artificial sem par a nível
mundial
A Câmara Municipal de Portimão
e a SUBNAUTA uniram esforços e
criaram a MUSUBMAR – Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Turismo Subaquático
que sendo uma associação sem
fins lucrativos desenvolve através
do projecto OCEAN REVIVAL um
objectivo comum de colocar à
disposição de todos os operadores turísticos da região os navios
cedidos pela Marinha Portuguesa
direccionado em primeiro lugar
ao mercado nacional mas dada
a magnitude também e principalmente mercado internacional
Mas este projecto OCEAN REVIVAL não se fica só pelo recife
artificial e envolve também uma
câmara hiperbárica que ficará instalada no Hospital de Portimão.
Sendo um equipamento que pode
ser utilizado no tratamento de
acidentes de descompressão que
podem ocorrer aos mergulhadores
não se irá destinar só a esse fim e
tendo em consideração que cada
vez mais as câmaras hiperbáricas
existentes no nosso País são utilizadas no tratamento de variadíssimas
doenças através da Oxigenoterapia Hiperbárica passará a ser uma
mais valia da população envolvente uma vez que em situação de necessidade de tratamento terão que
actualmente deslocar-se a Lisboa.
Também o Museu de Portimão
vai possuir um Núcleo Museológico OCEAN REVIVAL onde a história dos navios de
guerra da Marinha Portuguesa será perpetuada, assim como a história dos patronos e dos
respectivos comandantes. Também diversas
peças representativas dos navios estarão expostas aos visitantes.
Fotos Cmdt. Augusto Salgado
É pois dessa forma feito um controlo apertadíssimo no sentido de que quando há variação
na pressão significa que haverá uma fuga, sendo de imediato interrompido o trabalho para
reparar a falha. A rotina dos trabalhadores que
executam esta função é a de entrar no local de
trabalho através de três cabines sendo que na
primeira deixarão as suas roupas passando pela
segunda e entrando na terceira onde devem
vestir a sua roupa habitual de trabalho. Após
completarem a sua jornada voltam à cabine
onde deixam a sua roupa de trabalho e de seguida passam à segunda cabine onde tomam
banho dirigindo-se de seguida à terceira cabine
onde vestem as suas roupas de saída.
Quanto à matéria recolhida ela é
embalada e selada para posterior retirada do local.
No que respeita aos outros materiais retirados dos navios eles são separados consoante a sua natureza e
reaproveitados.
Como característica de um navio
e sobretudo de um destinado a uma
marinha de guerra eles são compartimentados como regra de segurança
para que em caso de inundação de
uma determinada área ela seja selada
das restantes e não comprometa a flutuabilidade da embarcação.
Ora como destino de mergulho será
possibilitado o acesso a quase todos
os compartimentos das embarcações, serão abertas passagens quer no
interior quer no casco que para além
de facilitar o afundamento tem como
preocupação fundamental a segurança ao criar mais do que uma entrada
e uma saída para que os visitantes
mergulhadores não fiquem retidos.
Esta preocupação também se verifica
com portas e escotilhas que quando
fiquem no seu sítio original não será
possível movê-las para que se evitem
possíveis acidentes.
Outra preocupação é a de que não
fiquem espaços onde possam ser
criadas bolsas de ar que poderiam
desestabilizar o navio no seu afundamento e que também não sejam
criadas com a passagem de mergulhadores em determinados locais.
As imersões neste parque estão
pensadas para três níveis de certificação que se definem da seguinte
forma:
No primeiro nível (branco) onde estão englobados os mergulhadores menos certificados e
com menos experiência, pelo que é recomendado que visitem os navios pelo seu lado exterior e só devendo fazer alguma penetração em
espaços que se encontrem a menos profundidade pois são os que também estão mais iluminados pelas características base dos navios
e pelas aberturas neles efectuadas.
No segundo nível (amarelo) já estão englobados os mergulhadores que detêm experiência e certificação de especialidade de mergulho recreativo correspondente a naufrágio
das embarcações com mergulhadores e servindo de ponto de entrada e saída de mergulhadores do navio visitado. As amarrações
vulgarmente denominadas de poitas tem
como finalidade aumentar o grau de segurança aos mergulhadores assim como evitar
que de cada vez que uma embarcação visite
o Parque tenha de lançar ferro e danificar os
navios ou o meio envolvente.
Na preparação dos mergulhos devem os
guias de mergulho realizar os briefings prévios
no sentido de informar os mergulhadores sobre as características do navio a visitar, os itinerários, cuidados a ter, regras e procedimentos
OCEAN REVIVAL
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REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
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TOMADA DE POSSE
CHEFE DO GABINETE DO ALMIRANTE CEMA
Foto Júlio Tito
● Em 26 de outubro efetuou-se no Salão
Nobre do Gabinete do CEMA e por ele
presidida a cerimónia da tomada de
posse do seu Chefe do Gabinete, em
que o CALM Brás da Silva foi rendido
pelo CALM Seabra de Melo, estando
presente vários Oficiais Generais e
muitos militares e civis do Gabinete
e do EMA. No início da cerimónia
foi condecorado com a medalha de
Serviços Distintos-prata o CALM Brás da Silva. Após a leitura
da ordem usou da palavra o recém-empossado de que se
destaca. “… Nos tempos que correm que não lamentaremos,
mas tentaremos viver com esperança e motivação, eu gostaria
de os resumir do modo seguinte: não fazer apenas o possível,
não desistir à primeira e teimar não desesperando perante
a adversidade, obviamente salpicando a ação com algum
prazer…”.
Por fim o ALM CEMA depois de elogiar o anterior Chefe
do Gabinete referiu-se ao novo empossado e ao seu trabalho
no Gabinete sendo de realçar que é a estabilidade, coesão e
disciplina que deve nortear a sua ação.
No final o novo Chefe de Gabinete foi cumprimentado por
todos os presentes.
O CALM José Luís Branco Seabra de Melo nasceu em
Benavente, ingressou na EN e foi promovido a G/M em
1 de outubro de 1979. Especializou-se em Hidrografia e
concluiu o mestrado em Oceanografia Física, ministrado na Naval Post-Graduate School, Monterey, nos EUA.
Frequentou com aproveitamento o CGNG e o CCNG,
no ISNG, bem como o Curso de Promoção a Oficial
General (2008), no IESM.
Esteve embarcado, como aspirante estagiário, no
NRP Sacadura Cabral e no navio da 6ª esquadra “La
Moure County”. Foi Chefe do Serv. de Comunicações
e de Navegação, no NRP João Roby, imediato no NRP Geba e oficial de hidrografia no NRP Almeida Carvalho. No ano 2000, comandou o NRP Alm Gago
Coutinho e foi comandante do Agrupamento de Navios Hidrográficos.
Prestou serviço no IH: primeiro, como adjunto do Chefe da Div. de Dinâmica de Costas e Estuários e, depois na Chefia da Div. de Oceanografia. Nesta qualidade, foi o representante nacional no Comité Científico da NATO do Centro do SACLANT para a Investigação Submarina (SACLANTCEN) e no Grupo NATO de Oceanografia Militar (NATO
MILOC GROUP), tendo igualmente participado em diversos projetos de investigação
nacionais e internacionais no domínio das Ciências do Mar, com trabalhos publicados
em revistas da especialidade. Foi adjunto do Chefe da Div. de Pessoal e Organização
do EMA. Foi presidente da Comissão de Receção e Integração do navio americano
Assurance, tendo conduzido a sua reativação em San Diego e a sua transferência para
a Marinha como NRP Alm Gago Coutinho.
No ano letivo 2000/01 foi professor de oceanografia na EN e no ano seguinte
Diretor de Instrução da Escola de Hidrografia e Oceanografia do IH. Foi assessor
pessoal do ALM CEMA. Foi Adido de Defesa junto das Embaixadas de Portugal
em Paris, Bruxelas e Luxemburgo. De 2008 a 2010 ocupou o cargo de Comandante da BNL. Foi Comandante da EN, até outubro de 2012. É detentor de vários
louvores pessoais e condecorações.
ENTREGA DE COMANDO
COMANDANTE DA FLOTILHA
● Em 15 de novembro ocorreu no Salão
Nobre do Palácio do Alfeite a cerimónia de
entrega de comando da Flotilha, do CALM
Mina Henriques para o CMG Silvestre Correia, presidida pelo Comandante Naval. Assistiram diversos oficiais generais, convidados civis, comandantes e representações das
unidades subordinadas da Flotilha, além de
outros oficiais. A cerimónia iniciou-se com o
discurso do Comandante cessante que salientou a forma como os atuais constrangimentos financeiros e de pessoal
estão a afetar a Esquadra e realçou o importante trabalho de entreajuda que existe ao nível dos diversos órgãos de apoio logístico que
vem permitindo mitigar os problemas existentes. Seguiu-se a leitura
do louvor ao CALM Mina Henriques e o ato formal da entrega de
comando. O novo Comandante usou da palavra manifestando estar
ciente dos constrangimentos existentes e da reorganização em curso
nas FA´s, e que orientará o esforço da Flotilha, não obstante o contexto de forte contenção orçamental, para a manutenção dos padrões de
qualidade do aprontamento dos meios navais. Seguiu-se o discurso
do VALM Monteiro Montenegro que se dirigiu ao camarada e amigo
que termina uma carreira de 40 anos no ativo agradecendo a lealdade
e sublinhando o permanente sentido do dever, o calor humano sempre evidenciado nas suas relações com superiores, pares, ou subordinados, a determinação, o espírito de diálogo e a entrega pessoal aos
objetivos traçados. O CMG Silvestre Correia, realçou a riqueza da sua
experiência naval, considerando-a adequada aos difíceis desafios que
se colocam à Esquadra e à necessidade de adaptação aos constrangimentos externos assumindo solidariamente riscos e compartilhando responsabilidades. Terminou recordando as palavras do distinto
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JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
ALM Silva Horta: “um homem mede-se pela
força dos sentimentos que domina, e não pela dos
que o dominam a ele, e só mantendo um perfeito e
inalterável domínio próprio é que o chefe consegue
fazer aquilo que mais ninguém pode: infundir confiança nas horas de maior dificuldade” e realçou
que “só coesos e confiantes conseguiremos ajudar
a construir a Marinha do futuro, uma Marinha
imprescindível a Portugal”.
O CMG Alberto Manuel Silvestre Correia nasceu, em Abrantes, ingressado na
EN e sendo promovido a G/M em 1 de Outubro de 1982.
É especializado em A/S´s, frequentou vários cursos de carreira, designadamente
o CGNG e o CCNG, para além de outros na área operacional, onde se incluem
o “Maritime Tactical Course” e o “Maritime Warfare Course” no Reino Unido.
Desempenhou vários cargos em UN’s, de onde se salientam o comando dos
NRP´s Quanza e Cunene e no NRP Vasco da Gama, e como Oficial Imediato nos
NRP´s Afonso Cerqueira e Álvares Cabral.
Foi instrutor de Luta A/S e subdirector do CITAN e, posteriormente, também na
gestão do pessoal. Assumiu o comando da Esquadrilha de Escoltas Oceânicos e
em Junho de 2007 passou a acumular essas funções de comando administrativo,
com o cargo operacional de Comandante do Grupo de Tarefa – CTG 443.20. e
acumulou ainda o cargo de Comandante da Força de Reacção Imediata (FRI).
Concluiu o Curso de Promoção a Oficial General, tendo assumido funções
como Chefe do Gabinete do VALM SSP cargo que ocupou até ser designado
para comandar a força naval europeia em missão no Oceano Índico empenhada no combate à pirataria – European Union Naval Force Somalia - Operation
Atalanta.
Em Março de 2011 foi graduado no posto de Comodoro para assumir o comando daquela força europeia no combate à pirataria.
Serviu no EMGFA como Chefe de Gabinete do Chefe do Estado-Maior Conjunto.
Tem vários louvores e condecorações.
TOMADAS DE POSSE
●
DIRETOR DO SERVIÇO DE PESSOAL
Decorreu em 31 de outubro, no gabinete do
SSP VALM Bonifácio Lopes, que presidiu, a tomada de posse do CALM Braz da Silva como
diretor do Serviço de Pessoal, substituindo naquele cargo o CALM Casqueiro de Sampaio
que, passou à RES. Estiveram presentes oficiais
generais e outros militares dos vários setores
da Marinha, militares e civis da área dos recursos humanos e foi precedido da imposição de
condecorações a vários militares que prestam
serviço na área dos R/H´s, entre o quais o diretor cessante.
Após a leitura da OA tomou a palavra o novo DSP que, referiu o
seguinte: “… Mas a sua complexidade aumentou bastante nos últimos
anos tendo em conta: As restrições no recrutamento e nas promoções;
contínua redução de efetivos; diminuição de cargos dirigentes; redução
incremental mas contínua do nosso rendimento disponível; e a falta de
recursos para a melhoria das condições de trabalho e habitabilidade quer
nos navios quer nas instalações em terra. Acresce o desencanto que se
apoderou de muitos de nós ao verificarmos que o nosso futuro será bastante mais difícil do que seria expetável até há bem pouco tempo e que o
Estado tem cuidado melhor de outros grupos sociais, levando à renúncia
a objetivos pessoais e até à desistência e saída de muitos dos que escolheram servir o país nas FA´S e, mais especificamente, na Marinha…”
Em seguida usou da palavra o VALM SSP que, na sua alocução, mencionou: “... Não obstante, elencarei, sinteticamente, algumas das
matérias em que a DSP não poderá deixar de se empenhar, de uma forma
particularmente intensa, no curto e médio prazo, em paralelo com a sua atividade de rotina:
● O acompanhamento e a avaliação das implicações, no âmbito das suas
competências de gestão: das orientações plasmadas na recente diretiva do
ALM CEMA para a reorganização da estrutura superior da Marinha; da
reforma e racionalização do Ensino Superior Militar; e do novo modelo
de educação e formação dos oficiais, em fase final de estudo no âmbito do
Conselho Coordenador do Ensino e Formação;
●
● A reavaliação das carreiras dos militares,
militarizados e civis e das necessidades em pessoal, em função, por um lado, da modificação
dos requisitos internos e externos e, por outro,
da otimização do emprego dos recursos humanos disponíveis, na certeza de um quadro de
evolução negativa dos seus quantitativos.
● A reflexão sobre a estrutura orgânico-funcional da DSP, já vertida como tarefa da
DSRH, mas que deverá, também, articular-se
com a futura entrada em produtivo do módulo de R.H. e Vencimentos do
Sistema Integrado de Gestão da DN”.
O CALM Francisco José Nunes Braz da Silva nasceu em Ervidel, Baixo Alentejo,
entrou para a Escola Naval e foi promovido a G/M em 1 de Outubro de 1982.
Foi oficial imediato dos NPR´s Geba, S. Roque, João Coutinho e Oliveira e
Carmo. Especializou-se em mergulhador-sapador (1983/84) tendo prestado serviço
em unidades de mergulhadores e frequentado o NATO EOD Course na Naval
School EOD, Indian Head, EUA.
Em 1989 frequentou o Aircraft Controller Course no R.U., tendo assumido
funções como instrutor no CITAN e embarcado como Controlador de Heli´s
nas FF´s Sacadura Cabral, Vasco da Gama e Álvares Cabral. Naquelas funções
efectuou o BOST e integrou a STANAVFORLANT, ambos por duas vezes. Durante
a estadia no CITAN, frequentou os cursos de Abordagem Sistémica ao Treino.
Prestou serviço no CN, onde teve oportunidade de embarcar em vários navios,
na qualidade de oficial de EM de Comandos de Força Naval.
Prestou serviço no CINCIBERLANT, em Oeiras, onde teve a oportunidade de
frequentar o ACE Abbreviated Staff Officers Orientation Course e o NATO Crises
Management Course, ambos na NATO School, Oberammergau.
Em Julho 97 passou a prestar serviço no EMA e, frequentou o Senior Course no
NATO Defense College, em Roma e, foi colocado no E.M. Militar Internacional no
Q.G. da NATO, em Bruxelas. Em Outubro 04, foi nomeado Chefe do Gabinete do 2º- Comandante do
Comando Aliado Conjunto de Lisboa, em Oeiras e depois foi nomeado Assessor
do CEMA. Após frequentar o Curso de Promoção a Oficial-General (2008/09) no
IESM, foi Chefe da Divisão de Planeamento do EMA até ser nomeado Chefe do
Gabinete do CEMA.
Recebeu vários louvores e condecorações.
DIRETOR DE FARÓIS
Decorreu em 22 de novembro, nas
instalações da Direção de Faróis, a cerimónia
de tomada de posse do novo Diretor de
Faróis, CMG Gouveia e Melo, a qual foi
presidida pelo Diretor-Geral da Autoridade
Marítima, VALM Cunha Lopes. Assistiram à
cerimónia diversas entidades civis e militares,
uma pequena delegação de Faroleiros
representativa dos faróis do continente e os
militares, militarizados e civis em serviço na
Direção. Após a leitura da ordem procedeu-se a uma breve cerimónia
de imposição de condecorações, finda a qual o empossado proferiu
uma alocução onde historiou as sucessivas soluções organizacionais
do serviço de faróis até aos nossos dias, na dependência ininterrupta da
Marinha desde 1892, realçou a importância atual da Direção de Faróis
como direção técnica de todas as infraestruturas de assinalamento
marítimo, costeiras e portuárias, bem como do dispositivo nacional
de posicionamento marítimo, e afirmou o seu empenho em “…
defender um assinalamento marítimo eficaz e de qualidade… e contribuir para
a necessária atualização legislativa que envolve o assinalamento marítimo…”
No final, o VALM DGAM usou da palavra, referindo que
“...A Direção de Faróis, como direção técnica nacional em matéria de
assinalamento marítimo dependente da DGAM, é, àquele título, um excelente
exemplo de quão eficazes, céleres e ágeis podem ser
os quadros cooperativos com as entidades civis …”
O CMG Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo
nasceu em Quelimane, Moçambique, ingressou na Escola
Naval e em 19 setembro de 1983 foi promovido a Aspirante.
Integrou a Esquadrilha de Submarinos, tendo navegado
nos NRP´s Albacora, Barracuda e Delfim, exercendo diversas funções operacionais como Oficial de guarnição até
1992. Especializou-se em Comunicações e Guerra Electrónica. Foi promovido às funções de Oficial Imediato em
1992, tendo exercido essas funções nos NRP´s Albacora e Barracuda até 1994.
Frequentou o Curso “International Diesel Electric Submarine Tracking Course” em
Norfolk, Estados Unidos e o CGNG no ISNG.
Fez três comissões de Comando nos NRP´s Delfim e Barracuda no período de outubro de 1994 a abril de 1998. De janeiro 98 a dezembro 02 foi de Chefe do Serviço de
Treino e Avaliação da ES e Chefe do Estado-Maior do SUBOPAUTH nacional.
Em 2000 fez uma pós-graduação em “Information Warfare” na Universidade Independente.
De dezembro de 2002 a dezembro de 2005 foi Chefe do Serviço de Informação e
Relações Públicas do Gabinete ALM CEMA.
Frequentou o CCNG no IESM. De março a setembro de 2006 foi 2º comandante da
Flotilha de navios.
Foi Comandante do NRP Vasco da Gama de setembro 06e 08, e depois Comandante
da Esquadrilha de Submarinos até setembro 11.
Frequentou com sucesso o curso de promoção a oficial general no IESM.
Foi agraciado com diversos louvores e condecorações.
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
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A ”PEDRA FILOSOFAL”
DA
DIRECÇÃO DO SERVIÇO DE ELECTRICIDADE E COMUNICAÇÕES
Tendo havido vários leitores a indagar a Revista da Armada sobre a origem de uma pedra existente na Direcção de Infra-estruturas
com os dizeres “Pedra Filosofal da Direcção de Electricidade e Comunicações”, e não havendo ninguém que pudesse dar uma
resposta cabal, acabei por pedir ao V/Almirante Vicente Almeida d´Eça que nos esclarecesse.
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JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
Necessariamente que muito apreciei não só a ideia, como a sua materialização; uma peça sem dúvida
invulgar que passou a permanecer
na minha secretária onde despertava a curiosidade.
Quando entreguei o cargo de Director do Serviço de Electricidade
e Comunicações ao comandante
Dias Martins, a passagem para as
suas mãos da “Pedra Filosofal” fez
necessariamente parte da cerimónia, como a fotografia junta testemunha.
Muitos mais anos volvidos,
numa sessão da Academia de Marinha, com a presença do Almirante CEMA Mendes Cabeçadas,
em que se evocaram os “100 anos
de Comunicações na Armada” e
na qual fizeram intervenções três
vice-almirantes ligados à especialidade – Almeida d’Eça, Alves Sameiro e Moreira Rato – e também
o então capitão-de-fragata Gameiro Marques, lembrei-me de pedir
à Direcção de Infra-Estruturas, onde a
“Pedra Filosofal” se encontra, que me
deixassem levá-la à Academia de Marinha, ao que o Director prontamente
acedeu.
A “Pedra” ficou na mesa da presidência. Após as palavras de introdução
proferidas pelo contra-almirante Rogério de Oliveira, Presidente da Academia, e terminada a minha intervenção
que se lhe seguiu, fui buscar a
“Pedra” e entreguei-a ao Vice-almirante Alves Sameiro, que
falava logo depois, revivendo o
cerimonial havido quando deixei
a Direcção do Serviço de Electricidade e Comunicações.
Aqui fica, em breves palavras,
esperando que a memória me
não tenha atraiçoado, a história
da “Pedra Filosofal” da Direcção
do Serviço de Electricidade e Comunicações, Organismo que nos
seus 54 anos de existência prestou valiosos serviços à Marinha.
Foto SAJ L Carvalho
E
m 1952, extinta que fora a
Aviação Naval, estava na Direcção do Serviço de Electricidade e Comunicações a chefiar a
Secção de Comunicações; era então 1.º tenente.
Trabalhava numa mesa grande,
com tampo de vidro, tendo na parede fronteira um “mapa mundi” de
grandes dimensões e alta qualidade
que, salvo erro, fora mandado adquirir pelo então Comandante Ramos Pereira.
À minha frente, sobre a mesa,
alinhavam-se encostados uns aos
outros, num equilíbrio instável, livros técnicos, instruções de comunicações, publicações várias e elementos de trabalho, entre os quais
as previsões ionosféricas que foram
de minha iniciativa.
A um encosto mais brusco espalhavam-se pela mesa, obrigando-me a repô-los no seu lugar, o que,
Comandantes Almeida d’Eça e Dias Martins - 1973.
dada a frequência, me aborrecia.
do Serviço de Electricidade e ComunicaNão dispondo de pára-livros eficações, vieram trazer-me uma peça que me
zes, mandei uma ordenança buscar dois
surpreendeu, formada por uma lâmina
paralelepípedos de granito a uma rua
de granito, extraída de uma daquelas pedas redondezas que estava em obras;
dras, encastrada numa base de mármore
garanti com eles uma maior estabilidade
preto, na qual estava uma placa com os
aos elementos de trabalho.
seguintes dizeres:
Eram sem dúvida peças insólitas naquela mesa e por isso várias vezes me
PEDRA FILOSOFAL
perguntavam por que razão estavam ali.
DA
Enfastiado de repetir a mesma história,
DIRECÇÃO DE ELECTRICIDADE E COMUNICAÇÕES
resolvi dizer que eram fonte de inspiração para o trabalho que realizávamos.
Aliás, esta ideia deve ter surgido
por me permanecer na mente uma
frase de um oficial inglês que muito
prezava, pelos seus conhecimentos
de comunicações e pelas soluções
que apresentava nas reuniões em
que se preparavam os primórdios
das comunicações navais NATO.
Tendo-o procurado no seu gabinete de trabalho no Almirantado Britânico, ocorreu-me perguntar-lhe de
onde provinha a inspiração para as
suas propostas. Fitou-me por alguns
momentos, olhou demoradamente
à sua volta, e respondeu-me: - “Está
imbuída nestas paredes”.
Vários anos volvidos, quando fui
desempenhar o cargo de Director
LRM
Vicente Almeida d’Eça
VALM
COMANDANTE SOEIRO DE BRITO
Intelectual. Cientista. Homem de Cultura.
com o cargo de instrutor dos cursos de DAS,
frequenta o curso de Especialização em
Rádio-Comunicações, o qual lhe abre novos horizontes na área da Electrónica. Igualmente, também em acumulação, reassume
o comando da Zaire, que para treino
dos alunos se desloca ao Algarve, tendo
subido o rio Guadiana até ao Pomarão.
Em fins do ano de 1950, termina também a primeira fase da sua carreira naval. Durante sete anos tinha sido Chefe
do Serviço de Navegação de um contratorpedeiro em zona de guerra e de um
aviso em missão em Angola, comandante de uma canhoneira, enriquecido a sua
formação técnica com duas especializações e acompanhado em Inglaterra a
modernização dos contratorpedeiros.
Segue-se a fase de Hidrografia, que tem
início em Janeiro de 1951, com o seu
embarque no NH Almirante Lacerda da
Missão Hidrográfica de Moçambique.
Os métodos de posicionamento até
então utilizados na Missão estavam limitados a curtas distâncias, o que impossibilitava o levantamento do Banco de
Sofala que se estende até cerca de 100
milhas da costa, pelo que havia necessidade de adquirir modernos equipamentos electrónicos. Assim, mercê da
sua vasta preparação técnica, o Tenente
Soeiro de Brito vai para os Estados Unidos a fim de acompanhar a construção
do Raydist, na época o mais avançado equipamento para posicionamento. Com a utilização do Raydist foi em 1952 completada
a cartografia do Banco de Sofala. Em Março
de 1953 é promovido a 1º tenente. A Missão elabora nos anos seguintes
não só cartas de toda a costa
moçambicana até à foz do Rovuma, incluindo a Ilha de Moçambique e o Arquipélago das
Quirimbas, como também dos
principais portos. Entretanto,
em meados dos anos 50, a
África do Sul tinha iniciado
o desenvolvimento do Tellurometer, equipamento para a
medição rigorosa da distância
em trabalhos geodésicos. Para
estudar a avaliação do novo
sistema, o Governo Geral de
Moçambique solicita-lhe a colaboração, que atingiu tal nível
que a firma construtora, sedeada na Cidade do
Cabo, o convida para cooperar na apresentação dos fundamentos do sistema, que mais
tarde seria adoptado pela Missão Geográfica
de Moçambique e pelos Serviços Geográficos
e Cadastrais do Continente. Profundo conhecedor das técnicas de medição electrónica de
Arquivo Histórico da Marinha
Arquivo Histórico da Marinha
E
m 9 de Dezembro de 1921 nascia, em
Em Setembro de 1947 é nomeado para
Elvas, Joaquim Baptista Viegas Soeiro
fazer parte da Missão de Fiscalização dos
de Brito. Desde cedo demonstrou posContratorpedeiros que em Glasgow, nos
suir elevados níveis de inteligência e capaestaleiros da Yarrow, ia acompanhar a mocidade de estudo, facto que o levou a ser
dernização dos navios do Programa Naval
um dos três melhores alunos do país
que completaram o ensino liceal no ano
lectivo 1938/39. Em Setembro de 1940,
após ter obtido altas classificações no
Curso de Preparatórios Militares na Escola Politécnica, em Lisboa, ingressa na
Escola Naval, tendo sido admitido no
“Curso do Restaurador”. Faz a sua viagem de adaptação na velha Sagres, visitando portos de Cabo Verde e do Brasil,
em plena II Guerra Mundial quando o
Atlântico era palco de sangrentas batalhas navais em que a supremacia dos
submarinos alemães era então evidente.
Concluída a viagem, inicia em Fevereiro de 1941 o curso da Escola Naval, durante o qual tem elevadas qualificações.
Promovido a guarda-marinha, em Setembro de 1943, efectua o respectivo estágio como oficial imediato do patrulha
P1. Este navio, cedido por empréstimo
pela Inglaterra, efectuava a rocega do
porto açoriano da Horta, importante estação de cabo submarino, e a fiscalização entre as ilhas do Faial e do Pico onde
por vezes surgiam submarinos alemães.
Joaquim Soeiro de Brito.
Em Outubro de 1944, tinha sido promo- Cadete da Escola Naval - 1940.
vido no mês anterior a 2º tenente, assume
o cargo de Chefe do Serviço de Navegação
Magalhães Corrêa. Terminada, em Maio de
do contratorpedeiro Lima, sob o comando do
1948, a missão em Inglaterra, onde teve a
Capitão-tenente Sarmento Rodrigues, navio
oportunidade de aumentar os seus conheque já tinha nos Açores salvo centenas de
cimentos técnicos sobre os novos sonares e
náufragos de navios torpedeados e que nas
radares, regressa a Lisboa para logo embarmesmas águas, debaixo de
violenta tempestade, atingira
uns incríveis 67º de inclinação.
Este início de carreira muito influenciou o jovem 2º tenente.
A Guerra termina em Setembro de 1945 e logo em Outubro, na Escola de Mecânicos,
em Vila Franca de Xira, é criada uma nova especialização
para oficiais, o curso de Detecção Anti-Submarina (DAS),
sendo o Tenente Soeiro de Brito um dos quatro oficiais nomeados para este curso, cuja
Canhoneira “Zaire”.
base era o estudo e operação
do Asdic, equipamento que
seria instalado em alguns navios da Armada.
car como Chefe do Serviço de Navegação
Obtida a especialização, é, a partir de Março
no aviso Afonso de Albuquerque que larga
de 1946, imediato da canhoneira Zaire, naem Julho com destino a Angola, a fim de
vio adstrito à Escola de Mecânicos para treiparticipar nas cerimónias do 3º Centenário
no prático dos alunos, em acumulação com
da Restauração. Em Setembro, concluída a
a função de instrutor dos cursos de DAS para
missão em África, apresenta-se novamente
sargentos.
na Escola de Mecânicos e, em acumulação
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
23
distância, publica então dois livros, um sobre
gra o Serviço de Informações Militares (SIM)
o Sistema Raydist e das Redes Hiperbólicas e
que, entre outras tarefas, é responsável pelos
outro relativo ao Sistema Tellurometer.
briefings semanais para o EMA e a publicaAnos mais tarde surgiram outros trabalhos
ção de um boletim semanal, que destaca as
da sua autoria, um dos quais, Características
ameaças possíveis sobre navios portugueses
Métricas de Alguns Sistemas Coordenados na Esfera, obteve o “Prémio Internacional Gago Coutinho” instituído pela
Sociedade de Geografia de Lisboa. Igualmente, devido ao seu elevado prestígio
a nível internacional, a firma Hastings,
construtora do Raydist, encomenda-lhe
um estudo referente ao sistema Micro
Omega e envia-o como seu representante aos países da América do Sul, para
prestar esclarecimento sobre os equipamentos que estavam a adquirir. Durante
a sua estadia na Missão foi iniciado o
levantamento hidrográfico das águas do
lago Niassa que, na ocasião e após longas negociações, tinham ficado sob jurisdição portuguesa.
Em Abril de 1959 é promovido a capitão-tenente e termina a sua comissão
no NH Almeida Carvalho, sendo então
louvado pelas suas muito elevadas qualidades profissionais de que deu provas
na Missão Hidrográfica de Moçambique,
e que, aliadas a uma excepcional inteligência e cultura, o tornaram um colaborador precioso e o afirmaram como um
oficial distinto. É um louvor que caracteriza claramente as qualidades que o Comandante Soeiro de Brito demonstrou ser
possuidor durante toda a sua vida.
atribuídos a todos os Comandos Navais e CoJá depois de deixar a hidrografia faz uma
mandos de Defesa Marítima.
comunicação em Tananarive, sobre os traNos meses de Outubro e Novembro de
balhos realizados na Missão, quando do II
1963 é Capitão–de-Bandeira do transporte
Congresso da Pan Indian Ocean Science
de tropas Ana Mafalda numa viagem a Cabo
Association, instituição científica criada
para o estudo do Oceano Índico.
Os oito anos passados na hidrografia
constituíram a segunda fase da sua carreira.
Após uma breve passagem pela Direcção do Serviço de Electricidade e
Comunicações, como Chefe da Secção
da Detecção Anti-Submarina, frequenta na Universidade Livre de Bruxelas,
com uma bolsa NATO, no ano lectivo
1959/60, o curso de Ciências Nucleares
Aplicadas. Este curso de pós-graduação,
que versava as utilizações pacíficas do
nuclear na produção de energia, haveria
de anos mais tarde ter influência na sua
vida profissional.
No regresso de Bruxelas, no Instituto
Superior Naval de Guerra, é o primeiro
classificado do Curso Geral no ano lectivo 1960/61.
Em Julho de 1961, atendendo às suas
elevadas aptidões e capacidade de estu- Representando Portugal numa reunião em Viena de
do, assume o cargo de Adjunto da I Di- Áustria – 1965.
visão do Estado-Maior da Armada (EMA).
Num ano marcante para Portugal, com o
Verde e à Guiné. Cite-se os casos que na ocasequestro do paquete Santa Maria, o início
sião mereceram especial atenção do SIM: o
da guerra de guerrilha em Angola, a queda
Bloqueio do Porto da Beira e o incidente com
do Estado da Índia Portuguesa, além de imo navio Angoche em águas moçambicanas.
portantes ocorrências no âmbito de política
Durante o período em que prestou serviço
interna, o Comandante Soeiro de Brito inteno EMA, organiza e dirige o Centro de Estu24
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
dos Especiais da Marinha, que se dedicava
ao estudo de navios, armas, especialmente
munições autopropulsionadas e o Centro de
Investigação Operacional cuja actividade
incidia sobre a aplicação da área militar na
nova ciência.
A acção do Capitão-de-fragata Soeiro
de Brito, que tinha sido promovido em
Março de 1966, muito contribuiu para
que a Marinha pudesse evoluir tecnologicamente e adaptar novas metodologias.
De salientar, na qualidade de representante do EMA, a sua participação em actividades da área de Oceanografia Militar
e a criação da Estação de Rastreio, na ilha
das Flores, e do Polígono de Acústica Submarina, na ilha de Santa Maria. No âmbito do Planeamento destaca-se o louvor
que recebeu, em Outubro de 1967, pelo
seu contributo para o estudo e elaboração
do Projecto de Plano Naval, documento
que definiu a Política Naval Portuguesa da
época e foi o sustentáculo da sua doutrina.
Considerando os seus vastos conhecimentos sobre energia nuclear após a frequência do curso, em Bruxelas, tinha sido
admitido como consultor no Laboratório
de Física e Energia Nuclear e mais tarde
representante do Ministério da Defesa
Nacional no Conselho Consultivo da Junta de Energia Nuclear (JEN). Em Janeiro de
1969 é nomeado seu Vice-Presidente, em
acumulação com o EMA.
Em Setembro de 1968, o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) tinha-o louvado
pelo muito que tem feito para elevar o nível do
organismo em que trabalha, pelos estudos de
muita importância que tem elaborado, pelos
seus vastos e actualizados conhecimentos de
política militar e internacional – é chefe do
SIM – que tem demonstrado através de exposições de uma clareza meridiana, tudo
aliado a uma saliente dedicação pelo serviço, pelo que é de flagrante justiça considerar os serviços prestados pelo comandante Soeiro de Brito de extraordinários,
relevantes e distintos, e por consequência
agraciado com a Medalha Militar de Prata
de Serviços Distintos.
Em Novembro de 1969 passa a exercer
o cargo de Presidente da JSN dado que
o titular, General Kaulza de Arriaga, tinha sido nomeado para uma comissão
em Moçambique. O Comandante Soeiro
de Brito começa então a dar forte dinâmica ao organismo a que preside pois se
admitia que a energia nuclear seria, em
breve, introduzida no sistema energético
nacional, dado que o petróleo se poderia
esgotar nos vinte anos seguintes.
Vários são então as conferências e congressos internacionais em que representa
Portugal. Igualmente é, na qualidade de
Presidente da JSN, membro de instituições
científicas onde os seus conhecimentos sobre
energia nuclear são amplamente apreciados
e reconhecidos e promove vários acordos e
parcerias com empresas estrangeiras, com
vista a valorizar os recursos energéticos na-
Xangai, onde apresenta um estudo sobre métodos de navegação. Em 1982 e 1986 rejeita,
possivelmente por modéstia, a proposta para
se candidatar à presidência da Academia,
sendo em Dezembro deste último ano Vice-Presidente e Presidente da Secção de Artes,
Letras e Ciências para o biénio 1987/88 e
eleito, em 1992, académico emérito.
Outra organização cultural de que faz
parte é a Sociedade de Geografia de
Lisboa, onde em 1978 e anos seguintes
desempenha as funções de Presidente
da Secção de Geografia dos Oceanos,
tendo organizado diversas conferências
sobre a Convenção das Nações Unidas
do Decreto do Mar e por ocasião do
25º aniversário da criação do Ano Geofísico Internacional. Em 1983 é eleito
Vice-Presidente da Direcção, cargo que
exerce até 2006. De referir que em 2000
declina, por razões familiares e de saúde,
a proposta apresentada pela Direcção no
sentido de se candidatar à presidência.
Igualmente na área cultural, em Julho
de 1985 é nomeado Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do V Centenário da Passagem do
Cabo da Boa Esperança que constituiria
o embrião da Comissão Nacional para
as Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses, onde foi integrado em Janeiro
de 1987 e nomeado Coordenador Adjunto
da Comissão Executiva, em Setembro de 88.
As suas provadas qualidades humanas e
intelectuais, aliadas a uma excepcional capacidade de trabalho, muito contribuíram
para a concretização de um vasto número de
eventos promovidos pela Comissão durante
a sua existência, isto é, de Junho de 1986 a
Novembro de 2001. Destacam-se as Comemorações da Viagem de Bartolomeu Dias,
de Colombo, da Chegada dos Portugueses
ao Japão, do Tratado de Tordesilhas, do VI
Centenário do Nascimento do Infante Henrique, da Descoberta do Caminho Marítimo
para a Índia e do Centenário da Descoberta
do Brasil.
Em 3 de Julho de 2012 falecia, em Lisboa,
o Capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Baptista
Viegas Soeiro de Brito. Desde a sua entrada
para a Escola Naval tinham passado sete
décadas durante as quais sempre assumiu
uma vincada simplicidade e uma modesta exibição da sua excepcional craveira
intelectual, científica e cultural. A enorme
injustiça que sofreu ao ser passado compulsivamente à Reserva, pelo desempenho de
um cargo governamental para o qual tinha
sido convidado unicamente pela suas qualidades e competências e não por razões
políticas, apesar de o terem magoado profundamente jamais foram objecto de qualquer
recriminação da sua parte.
Arquivo Histórico da Marinha
cionais. Com o regresso do General Kaulza
A actividade que dedica ao estudo e à dide Moçambique, em Setembro de 1973, revulgação de saberes sobre a área energética,
assume as funções de Vice-Presidente da JEN,
especialmente a nuclear, e a Oceanografia é
em acumulação com o EMA.
ampliada quando, em 1984, assume as funEm Dezembro completa o tirocínio para
ções de Docente Convidado para leccionar
promoção como Capitão-de-Bandeira do
as disciplinas de Energia e Oceanografia, na
transporte de tropas Niassa, onde embarcam dois Batalhões do Exército, que foram
as duas últimas forças militares organizadas
com destino à Guiné. No transporte marítimo de forças para o Ultramar, esta viagem
teve a particularidade única de ser escoltada, em permanência, por duas fragatas e
sobrevoada diariamente por um avião da
Força Aérea durante todo o percurso Lisboa-Bissau, já que havia suspeitas de poder
surgir uma revolta a bordo do navio.
Promovido a capitão-de-mar-e-guerra em
Março de 1974, é nesse mesmo mês convidado, pessoalmente pelo Professor Marcelo
Caetano, para o cargo de Sub-Secretário de
Estado da Energia. Inicialmente declina o
convite mas perante a repetida insistência
do Presidente do Conselho de Ministros
aceita. Com o 25 de Abril é exonerado.
Em Julho inicia as suas últimas funções na
Marinha, a de professor do Instituto Superior
Naval de Guerra, que termina em Setembro, por ter sido transferido para o Quadro CMG Soeiro de Brito
da Reserva da Armada, por Decreto do
Conselho de Chefes dos Estados Maiores das
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Forças Armadas do dia 2 desse mês.
Universidade Nova de Lisboa, funções que
As suas marcantes qualidades humanísticas,
exerce até 1992.
de que se destacam a tolerância, a simpliciReferido que foi o seu brilhante desempenho
dade e a honestidade ajudam-no a suportar
na área científica, torna-se necessário descrea flagrante injustiça a que tinha sido sujeito.
ver o de âmbito cultural, que teve especial inDe 1976 a 84 exerce, a convite do Presidencidência a partir da década de oitenta.
te do Centro Democrático Social, que tinha
Anos antes, a convite do Almirante Sarmento
sido seu oficial no EMA, o cargo de Director
Rodrigues, integra o restrito grupo de personado Gabinete de Estudos daquele partido político, gabinete que tinha a missão principal
de preparar pareceres sobre os diplomas
apresentados à Assembleia da República,
estudar os programas geral e sectoriais e
representar o Partido junto de organizações
internacionais. Tem então a oportunidade
de participar em reuniões da Comunidade
Económica Europeia, em Bruxelas e em
Estrasburgo, o que lhe permite aprofundar
os conhecimentos sobre a organização e
objectivos daquela instituição.
Os tempos conturbados pós-revolução
vão-se extinguindo e assim, por Despacho
do CEMA, o Comandante Soeiro de Brito
foi considerado como tendo sido convocado para a efectividade do serviço a partir de
10 de Novembro de 1981, data em que foi
nomeado representante do Vice-Primeiro
Ministro e Ministro da Defesa Nacional no
Grupo Consultivo e de Apoio, relativo ao No gabinete da Comissão dos Descobrimentos.
Plano Energético Nacional e na Comissão
Nacional de Emergência Petrolífera.
lidades que, em 1970, constituem o Centro de
Entretanto, a sua elevada competência
Estudos de Marinha, organismo antecessor da
profissional, apesar das profundas alterações
actual Academia de Marinha.
políticas, nunca deixa de ser reconhecida já
Vasta é a sua participação em realizações
que continua a ser convidado para realizar
da Academia, especialmente quando das copalestras sobre o tema Energia Nuclear, em
memorações dos 50 anos da primeira ligação
universidades portuguesas e nos Institutos
aérea Lisboa-Madeira e em Macau, num enSuperiores Militares.
contro com professores da Universidade de
Deixava o mundo dos vivos um Homem
Bom!
José Luís Leiria Pinto
CALM
NR - O autor não adota o novo acordo ortográfico.
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
25
ATIVIDADES DO NÚCLEO
DE RADIOAMADORES DA ARMADA
Como habitualmente, o juntou-se à APAC - Associação Portuguesa
Núcleo de Radioamado- dos Amigos dos Castelos, para com a atires da Armada (NRA) no vação do Forte de S. Bruno, na Avenida
seguimento do seu progra- Marginal,em Oeiras, associar-se à efeméma anual de atividades, ride. Esta ativação contou para o World
pôs em prática alguns dos Castles Award bem como para outras refeeventos previstos, nomeadamente o “Con- rências, entre elas o “Diploma dos Castelos
curso do Dia da Marinha”, “Um
Dia de CW QRS”, Naval Radio
Party e o Portuguese Museum
Ships Rádio Activity. De particular relevo o facto de o “Um Dia
de CW QRS” ter sido organizado
em conjunto com a REP - Rede
de Emissores Portugueses e no
caso do Portuguese Museum
Ships Rádio Activity a organização partilhada com a ARAM
- Associação de Radioamadores
do Alto Minho, uma vez que
quer o Núcleo quer aquela Associação têm sob sua responsabilidade as Estações de Amador “Concurso Dia da Marinha”. CT1ELF - Fernando Silva Pinto
existentes a bordo dos dois mais contempla o seu troféu, uma réplica da Sagres.
relevantes navios – museu portugueses, a fragata D. Fernando
II e Glória e o navio hospital Gil
Eanes, sendo aliás o bordo deste navio que a Associação tem a
sua sede.
É importante referir que esta
atividade põe em prática um
substancial incremento à promoção do património histórico naval
português, não só in loco como
também levando além fronteiras
a sua divulgação.
Para assinalar a entrega dos
prémios alusivos as estas atividades, a REP e o NRA promoveram
no passado dia 29 de setembro,
na Casa do Alentejo em Lisboa,
um almoço ao qual compareceu
aproximadamente uma vintena
de radioamadores, vindos alguns
deles acompanhados de familiares e de lugares tão distantes
como o Porto ou a Corunha.
Terminado o período de sã confraternização e degustação de
sabores do Alentejo seguiu-se, no
salão de leitura da Biblioteca da
Casa, o ato de entrega de troféus,
diplomas e certificados aos parAgrupamento de Escuteiros nº 510 de Cacilhas.
ticipantes. Antes porém, o Presidente da Direção do NRA fez uma breve e Fortalezas de Portugal” e o “Diploma dos
introdução, partilhada com o Presidente da Monumentos Históricos Portugueses”.
Direção da REP, sobre o motivo pelo qual o
Logo pela manhã de sábado a equipa
epílogo daquelas atividades convergiu num de radioamadores deu início à montagem
único ato.
das antenas consideradas necessárias bem
como das posições de operação, quer em
No Dia Nacional dos Castelos, celebra- morse acústico quer em fonia - SSB, ambas
do anualmente em 7 de outubro, o NRA constituintes da estação com o indicativo
26
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
CR5SB. Às 10:30h UTC deu-se início efetivo à operação que contou com a participação dos radioamadores CT4GN - Rafael
Costa, CT1DRB - David Quental, CT1ETL Miguel Andrade e CT1GZB - José Proença.
É ainda meritório assinalar a extraordinária
colaboração dada pela APAC na pessoa do
seu Presidente, o Engº Francisco
de Sousa Lobo e da Drª. Marisa
Cristino.
A ativação decorreu de acordo
com as expetativas nela depositadas tendo-se efetuado duas centenas de QSO´s distribuídos por
122 sufixos em 34 países, durante
as 6 horas de operação.
Para assinalar o evento foi feito
um cartão especial de QSL que
consolidará a confirmação dos
contactos efetuados.
No passado fim de semana de
20/21 de outubro, a convite do
Agrupamento de Escuteiros nº
510 de Cacilhas, o NRA esteve
presente no “55º Jamboree no Ar”
com a estação do Núcleo existente a bordo da fragata D. Fernando II
e Glória. Com o beneplácito do
Comandante do Navio, CMG
Rocha e Abreu, concedido aos
responsáveis do Agrupamento
e a colaboração dos radioamadores CT1DRB – David Quental, CT1FYY – José Simeão e
CT1CZT - António Gamito desde
as 23:30h de 19 de outubro, hora
a que a Estação Nacional fez a
abertura do Jamboree, o NRA
esteve presente no evento até às
17:30h do dia 21, operando em
CW e em fonia – SSB com predominância neste último modo
de emissão. Ambos os modos
despertaram bastante interesse
entre os escuteiros, particularmente nos mais novos, contudo
haveria de ser a fonia que mais os
motivou, já que lhes era possível
entender a mensagem dos irmãos
escutas e retribuir quer fosse em
língua portuguesa quer fosse em
inglês. Durante o período, além
de se ter verificado uma considerável movimentação e presença
de escuteiros junto da estação, o normal
fluxo de visitantes foi substancialmente aumentado por radioamadores que ali quiseram testemunhar o evento.
Colaboração do NÚCLEO DE RADIOAMADORES
DA ARMADA
OS NÁUTICOS
Alguns momentos inesquecíveis de uma digressão por terras de África
N
a primavera de 1970 começava a despontar no Grupo nº 2 de Escolas da
Armada, no Alfeite, o embrião de um
agrupamento musical que haveria de deixar o
seu nome indelevelmente gravado na memória,
não só dos que com eles conviveram na Marinha, mas também de muitos militares dos outros
ramos das Forças Armadas e civis, dispersos pela
Guiné, Cabo Verde, Angola e Moçambique.
Este agrupamento musical, Os Náuticos, inicialmente constituído pelos elementos:
∙ Ernesto Dabó - Voz
∙ Rui Almeida - Guitarra Solo
∙ José Ricardo - Guitarra Ritmo e Voz
∙ Pedro Serigado - Baixo Elétrico
∙ Carlos Portugal - Bateria
foi posteriormente alargado com mais dois
instrumentistas de sopro, oriundos da Banda da Armada:
∙ José Araújo Pereira - Trompete
∙ Francisco Ribeiro Jr - Saxofone Tenor
O conjunto ensaiava no Grupo nº 2 de
Escolas da Armada e as suas atuações
gratuitas eram essencialmente de caráter
social. Participou também em festas de
Natal, organizadas pela Cruz Vermelha,
no Natal dos Hospitais e no programa
“Estúdio sem Marcação”, gravado pela
RTP na Escola de Artilharia Naval.
A digressão pela Guiné, Cabo Verde,
Angola e Moçambique teve como principal papel levar uma lufada de ar fresco
e elevar a moral dos militares em serviço
naquelas paragens.
O grupo que encetou essa digressão, em
abril de 1971, embarcados no paquete Niassa,
era coordenado pelo Capelão Delmar Barreiros
e para além dos Náuticos atuava isoladamente
o acordeonista Orlandino.
Antes de iniciar a viagem os elementos foram
recebidos pelo Ministro da Marinha, Almirante Pereira Crespo, que a todos exortou para o
cumprimento da missão.
Começava assim uma digressão que ainda
hoje é recordada por muitos que assistiram às
suas atuações, como um dos momentos mais
emotivos da componente lúdica.
Chegado a Bissau, o grupo ficou instalado
no Comando da Defesa Marítima e, daí, partia para os locais onde iria efetuar as atuações
e naturalmente os meios mais utilizados no
transporte foram as lanchas de desembarque
e os patrulhas que naquela altura se encontravam ao serviço na Guiné.
Assim, foram efetuadas, entre outras, atuações
em Bissalanca, Bolama, Farim, Ganturé e Bissau.
Relembro o interesse e boa vontade com
que os militares se esforçavam por adaptar os
escassos meios de que dispunham para receber Os Náuticos e proporcionar as melhores
condições de atuação.
A grande participação e entusiasmo sentido
nas diversas atuações, raiado por vezes com
uma lágrima de saudade, foi concerteza fruto
do encurtar das várias milhas náuticas de distância da terra Natal pelo poder inigualável de
uma canção de Lisboa ou temas de folclore
regional, elevando cada ser humano no mais
profundo do seu nostálgico sentimento.
E comprovando o carácter universal da arte
musical, recordo o episódio em Ganturé, onde
as escaramuças invariavelmente diárias faziam
pensar ser impossível terminar a atuação programada, mas, ao invés, decorreu na íntegra
sem qualquer interrupção; e até depois da referia atuação, já pernoitando num abrigo, o grupo não vislumbrou qualquer problema.
A digressão pela Guiné culminou numa grande iniciativa do Quartel General, no estádio
Sarmento Rodrigues (cidade de Bissau), completamente lotado, com muitos agrupamentos
indígenas, sendo o encerramento do espetáculo
feito pl’Os Náuticos. O êxito retumbante, com
os elementos do grupo absorvidos pela assistência e passeados em ombros, em grande apoteose, indicou o cumprimento integral do objetivo
de proporcionar aos militares em serviço alguns
momentos de lazer e elevação moral. Durante a
estadia em Bissau, o agrupamento foi recebido
pelo Comandante Chefe das Forças Armadas na
Guiné – General António de Spínola.
Na viagem de regresso a Lisboa, ainda houve oportunidade para fazer uma escala no
Mindelo (Cabo Verde) e atuar em dois espetáculos no cinema Miramar ao qual assistiram
muitos militares e civis.
A segunda viagem já estava praticamente
definida e em função do sucesso da primeira
tudo se conjugava para que Angola e Moçambique fossem os próximos destinos.
Pouco tempo depois iniciava-se a viagem
a bordo do paquete Vera Cruz – destino: Luanda! O navio levava militares dos três ramos
das Forças Armadas que iam com a finalidade
de substituir outros que lá se encontravam.
Durante a viagem, tal como nas situações an-
teriores, o agrupamento realizou atuações para o
pessal que se encontrava a bordo e numa dessas
exibições, nas imediações de São Tomé e Príncipe, repentinamente desencadeou-se uma tempestade tropical que por pouco não danificou os
instrumentos e aparelhos eletrónicos que tiveram de ser retirados à pressa do convés do navio.
Chegados a Luanda logo se iniciaram espetáculos na própria capital e em unidades próximas
com assinalável êxito.
Depois foi tempo de zarpar até Santo António do Zaire, onde o agrupamento atuou em
alguns locais, na Pedra do Feitiço e também em
Cabinda. De volta a Luanda, Os Náuticos
foram convidados a atuar num grandioso
festival que se realizou no cinema Avis e
a sua performance foi de tal forma empolgante que a assistência invadiu o palco. Há
coisas que perduram na memória e tenho
a certeza que tal como nós, muitos dos
que assistiram devem ter ficado com essa
recordação por muito tempo.
Outra das mais significativas atuações
d’Os Náuticos aconteceu na Reclusão
Militar, onde também se apresentou o célebre ator Raul Solnado e que a propósito
cantou uma das suas canções acompanhado pl’Os Náuticos.
O rumo seguinte foi Moçambique onde
estava programada a continuação da digressão. Em Lourenço Marques (atual Maputo), Os Náuticos ficaram alojados nas
instalações do Comando Naval.
A maior parte das deslocações foram
feitas por meio aéreo pois as distâncias
eram longas: Nampula, Porto Amélia, Tete,
Vila Cabral e Metangula (no lago Niassa).
Numa das atuações feitas no ringue da unidade, em Metangula, o baterista desmaiou
com o calor e só recuperou com a ajuda do
enfermeiro que assistia ao espetáculo.
Numa das noites em Metangula, alguns elementos deslocaram-se ao Cobué para uma pequena atuação e para quem conhece o lugar
pode imaginar a emoção que é ouvir “O Silêncio”, tocado naquele ambiente quase desértico,
a altas horas da noite. É mais um momento único
que fica gravado na memória para toda a vida.
No regresso de Moçambique Os Náuticos fizeram a viagem a bordo da fragata Hermenegildo Capelo e mais uma vez efetuaram algumas
atuações a bordo, gerando-se uma grande empatia com a guarnição e amizades muito fortes
que se prolongaram até aos dias de hoje.
Em traços largos, aqui fica um pequeno contributo para recordar a existência d’Os Náuticos,
um agrupamento musical que ainda hoje é lembrado por muitos dos que serviram na Marinha,
Exército e Força Aérea nos anos de 1970/71 e
que com eles se cruzaram em terra ou no mar.
José Araújo Pereira
CFR Músico
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
27
O curso “Oliveira e Carmo” visita a Escola Naval
N
o âmbito das comemorações do cinquentenário da entrada na Escola Naval dos cadetes do Curso “Oliveira e
Carmo”, a visita efectuada àquele estabelecimento de Ensino Superior Público Militar no
dia 25 de outubro representou o ponto mais
alto de entre todas as visitas realizadas, não
só pela sua carga simbólica, mas também
pela sua envolvente emocional. Poucos foram os que faltaram e os presentes voltaram
a entrar no átrio do edifício escolar por onde
passaram tantas vezes, todos os dias e durante alguns anos. Aparentemente, o aspecto das
velhas salas de aulas não se alterou significativamente, o mesmo não se podendo dizer de
toda a ala Sul do edifício escolar e dos alojamentos, completamente modernizados e aumentados. Bem mais evidentes
eram as mudanças sofridas pelos jovens
cadetes de 1962, agora exibindo a sua
natureza quase septuagenária.
Apesar do dia chuvoso e da hora matutina a que se iniciou a visita, os elementos
do Curso “Oliveira e Carmo” e os seus
professores que puderam estar presentes,
foram pontuais e, na sala AORN, apresentaram cumprimentos ao CALM Bastos
Ribeiro, Comandante da Escola Naval,
assinando depois o Livro de Honra, onde
ficou registada a mensagem:
Um muito Bem-Haja à Escola Naval
que neste dia nos proporcionou rejuvenescer 50 anos.
É com emoção que aqui voltámos a
esta Casa que nos formou como Homens
e Marinheiros. Que ela continue a honrar
a Marinha e o País na senda da sua divisa
henriquina “Talant de bien faire”, são os
votos do curso “Oliveira e Carmo”.
Seguidamente, o grupo posou para a
tradicional fotografia de conjunto na escadaria principal do átrio do edifício escolar. Seguiu-se uma missa na Capela da
Escola Naval por intenção dos elementos do curso já falecidos, que foi celebrada pelo CALM Capelão Costa Amorim e,
depois, no pequeno auditório do edifício
escolar, uma sessão de apresentação da
Escola Naval e da sua missão, feita pelo Comandante e pelo 2º Comandante, respectivamente CALM Bastos Ribeiro e CMG Soares
Ribeiro, que permitiu que nos inteirássemos
das alterações havidas, quer nas instalações
escolares quer no plano de estudos, de forma
ao seu adequado enquadramento no sistema
educativo nacional e nas necessidades da
Marinha.
Para a tradicional lição proferida por um antigo professor foi convidado o CMG Martins e
Silva que, numa evocação cheia de interesse
e boa disposição, recordou a sua relação com
o Curso “Oliveira e Carmo” e lembrou alguns
episódios da sua vida naval, nomeadamente
durante as suas comissões a bordo do NE Sagres, nos quais teve a colaboração de alguns
28
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
membros do curso, com os quais intensificou
os laços de amizade que já vinham dos tempos da Escola. A aula foi atentamente seguida pelos cadetes, que muito a apreciaram e
aplaudiram.
O nosso camarada e Chefe de Curso CALM
AN Nunes da Cruz usou da palavra para agradecer ao Comandante Martins e Silva a excelência do seu contributo para as comemorações do cinquentenário do Curso “Oliveira e
Carmo” e ler mensagens recebidas de alguns
membros do curso ausentes por motivos de
força maior, casos de Rodrigues Rodolfo, Paiva de Andrade, Aires da Silva e Raul Leitão,
assim como as mensagens de agradecimento
pelo convite e de felicitações pela efeméride,
que foram enviadas ao curso por alguns professores também ausentes, nomeadamente,
VALM Carmo Fernandes, VALM Quesada
Andrade, CALM AN Pereira de Oliveira, Comandantes Serra Brandão, Abel de Oliveira,
Conceição e Silva, Castro Guise, Bandeira
Duarte, Duarte Costa, Brilhante Pessoa, Pascoal Rodrigues e Prof. Doutor Noémio Macias Marques. A leitura destas mensagens, por
vezes de conteúdo muito fraterno e emocional, foi um momento de grande significado
para todos os presentes.
Os elementos do Curso “Oliveira e Carmo”
dirigiram-se depois para a sala Macau, onde
tiveram a oportunidade de consultar alguma
documentação relativa à sua vida escolar,
seguindo depois para o átrio do edifício do
antigo internato onde, devido ao mau tempo,
o Batalhão do Corpo de Alunos se encontrava
em formatura.
O Chefe de Curso fez uma breve alocução
dirigida aos cadetes em formatura, de que se
salienta a seguinte passagem:
A profissão que escolheram não vos irá dar
poder nem riqueza, realidades endeusadas na
sociedade actual. Vão enfrentar muitas agruras, muitas dificuldades e muitas incompreensões e têm de estar preparados para saber
ultrapassá-las. Porém, há muitas satisfações
sem contrapartida material que hão-de saborear no desempenho da vossa profissão, e
essas, por isso mesmo, são mais duradouras e
gratificantes.
Lealdade, disciplina, frontalidade, honradez, coragem moral e cívica, integridade, ética, liderança, são valores que os
vossos mestres aqui vos hão-de incutir e
ajudar a desenvolver. É um investimento
em que vale a pena todo o empenhamento e, dele, a vida se encarregará de
vos trazer o consequente e gratificante
retorno. As Forças Armadas em geral e
esta escola em particular, são um cadinho onde germinam esses valores. Fazê-los florescer é a vossa obrigação.
O cadete não é - apenas, direi eu - um
estudante universitário, mas é mais, já
que o seu nível académico tem de ser
completado com outras valências, militares e marinheiras, que o universitário
civil não tem.
Mais do que palavras, a nossa presença aqui, passados 50 anos, significa que
valeu a pena o termos escolhido esta
profissão, que a vivemos o melhor que
soubemos e pudemos e que a Marinha
continua a ocupar um lugar privilegiado
nas nossas vidas.
No final das suas palavras agradeceu
a presença dos professores do curso
presentes – VALM Garcês de Lencastre,
CALM Victor Crespo, CALM Pereira Germano, Comandantes Cyrne de Castro,
Eurico Matiolli e Costa Catalão e Professor João Afonso Freire. Agradeceu, também, as presenças do Comandante Almada
Contreiras e do VALM Neves de Bettencourt,
representantes dos cursos que o Curso “Oliveira e Carmo” encontrou na Escola Naval
em Setembro de 1962 – “Luís de Camões” e
“Nuno Tristão” – e do Eng. Luís Filipe Penedo,
representante do 5º Curso Especial de Oficiais
da Reserva Naval que entrou para a Escola
Naval em Outubro de 1962, tendo como patrono o Comandante Oliveira e Carmo.
Seguiu-se o descerramento de uma placa
comemorativa dos 50 anos do Curso, que
foi muito aplaudido e, depois, um almoço de
convívio no hall do Grande Auditório.
Colaboração do CURSO “OLIVEIRA E CARMO”
HIERARQUIA DA MARINHA
20
GALEOTE
O
termo galeote terá a sua origem
no italiano, onde galiotto significa marinheiro, forçado, ou condenado a remar nas galés ou galeotas.
José de Vasconcelos e Menezes, em Os
Marinheiros e o Almirantado (p. 156), afirma que «…o galeote era o remador…,
obrigado ao serviço militar do Rei, nas
armadas, do mesmo modo que os homens de armas o eram na hoste». Fernando Oliveira, na Arte da Guerra do Mar
(parte I, cap. XII, p. XXIX verso), evidencia as competências técnicas necessárias
aos galeotes: «Os remeiros a quem em
especial chamam galeotes são quase marinheiros, e pelos mesmos respeitos devem ser escolhidos práticos no marinhar
do navio, porque também tiram pela corda, e acodem aos aparelhos, e hão mester
conhecê-los, e entender o apito».
Inicialmente, em Portugal, os galeotes
eram jovens barões livres das populações ribeirinhas. José de Vasconcelos e
Menezes (ob. cit., p. 156) afirma que, até
ao reinado de D. Pedro I, os concelhos
mandavam apresentar um determina-
do número de homens para o serviço
de remador. Acrescenta que, do reinado de D. Pedro I ao de D. João I, como
o sistema de recrutamento designado
por “vintena do mar” ainda não se encontrava uniformizado, manteve-se em
vários locais o processo anterior. Do reinado de D. João I ao de D. Manuel I foi
estabelecido um imposto sobre o pescado, para pagar aos galeotes que se apresentassem voluntariamente. Depois
desse tempo, as exigências das guerras,
associadas ao facto do serviço de remador ser extraordinariamente violento e
perigoso, os galeotes livres começaram
a ser substituídos por delinquentes e cativos, muitos deles sem qualquer experiência de mar.
A condenação de um individuo ao
serviço de remador era uma forma escravizante de privação da liberdade,
aplicada em caso de delito grave, ou imposta a inimigos capturados durante os
combates, a membros de etnias socialmente estigmatizadas, e a alguns nobres
caídos em desgraça. Embora os conde-
nados pudessem obter perdão da pena,
através dos ouvidores e dos comissários
que advogavam perante o Rei, isso era
muito raro, pelo que o serviço de galeote equivalia, frequentemente, a uma
pena perpétua ou capital.
Na iminência dos combates, e para não
fugirem sob o efeito do medo, os galeotes eram acorrentados aos bancos das
galés. Fernando Oliveira (ibid, ibidem)
refere-se à violência exercida sobre os
galeotes, dizendo que os comitres «…
os açoitam à sua vontade e os mandam
para onde querem…», pelo que «… o
trabalho de remar é tão intolerável que
ninguém o faz bem senão por força, a
qual resulta de açoite ou de necessidade...». Os galeotes feridos e doentes
eram lançados ao mar. Embora sujeitos
a severas privações, os galeotes tinham
alguns direitos relativamente aos saques efectuados e ao soldo pelo serviço
prestado.
António Silva Ribeiro
CALM
VIGIA DA HISTÓRIA
50
COMPETÊNCIAS
N
em sempre os cargos dos oficiais dos navios, mormente na
Carreira da Índia, eram atribuídos a indivíduos adequadamente habilitados; os pilotos, os sota pilotos, os
mestres e os contramestres obtinham
tal habilitação através de exame efectuado pelo Cosmógrafo Mor (1), os cirurgiões e os físicos através da apreciação
efectuada respectivamente pelo físico
mor e pelo cirurgião mor, desconhecendo como seriam as restantes categorias
(meirinhos, condestáveis, artilheiros
etc…).
Seja como for o que é um facto é que
são conhecidas inúmeros nomeações,
para o desempenho de cargos a bordo
das naus da Índia de indivíduos que,
pelo menos, aparentemente não estariam habilitados para o seu desempenho ou mesmo não teriam as adequadas
qualificações para o fazer.
O sucedido com a nomeação de António da Silva, ocorrida em 1769, parece
ser um desses casos.
No respectivo diploma de nomeação é
referida a sua experiência que começara
a servir, no mar, anteriormente a 1760,
como cirurgião, nalgumas armadas da
costa.
Fora o cirurgião mor da armada da Índia, de 1670, em que seguira o Vice Rei
Conde do Lavradio tendo, ao chegar a
Goa, sido nomeado cirurgião mor do
Estado da Índia e do Hospital de Todos
os Santos. No ano seguinte foi nomeado
escrivão da Câmara de Goa e nomeado
em vida Guarda Mor da Relação da Câmara, cargos em que pelo seu desempenho merecera a atribuição do grau de
cavaleiro da Ordem de S. Tiago.
Tendo renunciado aos cargos embarcou para o Reino vindo a perder a maior
dos seus bens no naufrágio do navio em
que seguia viagem.
Em Moçambique, para onde seguira
na sequência do naufrágio, foi nomeado
escrivão da charrua Nª Srª da Visitação
que, em Maio de 1679, regressava da Índia a Lisboa.
Na Baía, onde o navio arribou foi, em
12 de Maio de 1679, nomeado como Tenente do Capitão de Mar e Guerra (2)
da mesma charrua Nª Srª da Visitação
em acumulação com o cargo que já desempenhava.
Com. E. Gomes
Notas
(1) Embora a lei assim o obrigasse são muitos
os pilotos e sota pilotos que não se conhece se teriam efectuado exame isto para
não referir as outras categorias em
que a situação é bem pior.
(2) As funções daquele cargo poder-se-iam
comparar às desempenhadas pelo imediato do
navio competindo-lhe, em caso de algo suceder
ao Capitão-de-Mar-e-Guerra, que, certamente
não por acaso, havia sido aprovado em exame
como piloto, substitui-lo.
Fonte: Documentos Históricos da Biblioteca
do Rio de Janeiro vol. 27
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
29
ESTÓRIAS
P
VENTOS DE BOLINA
or falar em nortadas
rijas de Verão junto
à costa ocidental, relembro um episódio que, não
tendo vivido, é do conhecimento de todos os que tiveram o ensejo de passar pelo
Navio-Escola “Sagres”.
Em ano que não posso precisar, a “Sagres” fazia o seu
período de adestramento
básico antes de iniciar uma
viagem de instrução de cadetes e foi determinado que
uma equipa de televisão ou
cinema, talvez, embarcasse
na “Gina”, Fragata “Pero
Escobar”, que na altura
era capaz de atingir os seus
trinta e dois ou trinta e três
nós de velocidade, a fim de tomar imagens da “Sagres” a navegar.
É preciso referir que esta “Sagres” tinha ainda pouco tempo ao serviço da Marinha Portuguesa e não havia grande documentação fotográfica sobre ela.
Assim, depois de várias tentativas sem êxito da equipa que seguia a
bordo da fragata para recolher as imagens para a posteridade, já que
30
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
a “Gina” era navio pouco
cómodo para esta tarefa,
sobretudo com nortada
que ocasionava um forte
balanço proa-popa, pondo
os operadores de câmara
do avesso, estes foram
falar com o comandante
para diminuir a velocidade do navio.
Na impossibilidade de o
fazer sem correr o risco de
se afastar demasiado da
“Sagres”, o comandante
sem se dar bem conta de
que estava a escrever uma
mensagem para a história
daquele navio, pede-lhe
que diminua a velocidade
para o poder acompanhar.
Claro que o navio mais rápido da Armada a pedir à “Bela Barca”
para reduzir velocidade, teve direito a ver a sua mensagem encaixilhada e exposta na Câmara de Oficiais como troféu.
CMG José Ferreira Júnior (2009)
(Texto enviado pelo Curso “Luís de Camões”)
NOVAS HISTÓRIAS DA BOTICA (19)
N
O Natal deste ano...
esta manhã de Natal meninos, felizes Vão aos saltos pela casa Descalças ou com chinelos Procurar suas prendas Depois há danças de roda No Natal todos se sentem irmãos
Se isto fosse verdade
Para todos os Meninos
Era bom ouvir os sinos tocar.
Poema popular de Natal, lido por uma criança.
Todos os anos escrevo por esta altura uma
história alusiva ao Natal…Este ano está difícil. Nem o ambiente parece propício, nem
a minha alma parece pronta e até estas histórias parecem diferentes agora que – com
sincera pena – perdi o meu ilustrador…
Nada me parece Natal este ano, nem a música copiada de uma América distante, nem
os Pais do Natal da Coca Cola, ou aqueles
condenados velhos barbudos pendurados
em cabos gastos de uma China, tão em queda como eles, que adornam as varandas das
cidades dormitório, objetos de um desejo estranho, alheio aos “meninos jesus “ de outros
tempos… Nem sequer os pinheiros de plástico, ou as luzinhas cintilantes, me aquecem
nesta época, ou me recordam o velho espírito
de Natal…Tenho mesmo que me lembrar do
sabor a azevias e filhoses, da minha avó – o
melhor de um tempo que nunca passou…
Contudo, presenciei este ano muitos milagres nos meses que passaram: vi o meu filho
encontrar paz, eu próprio venci inúmeras
adversidades e acreditei…Acreditar já é suficientemente bom e, sei-o eu e sabem muitos,
já é metade do Natal, qualquer Natal de qualquer ano, em qualquer lugar…
Consegui mesmo, durante o passado ano, nos
olhos de muitos ver a vida a renascer apesar dos
cortes, das trocas e baldrocas e de toda a bruma que rodeia o país…Verifiquei, com grande
satisfação, que muitos retornaram a um país de
menos ostentação e mais afirmação…Acreditei
na vitória dos pequenos. Aceitei os sofrimentos presentes…Recordei-me nos muitos que
encontro e comigo partilharam a experiência
Naval. Sobrevivi…e isso também é Natal…
Verifiquei, para lá de tudo, que ainda sou
médico… Dediquei toda a minha vida ao saber e isso foi recompensado, após um longo
período de trabalho. No processo nunca me
senti só, antes seguro no calor dos amigos…
Também isso foi um bom presente de Natal…
Muitas coisas novas nos esperam no novo
ano. Espera-se, por exemplo, que dos escombros do Hospital da Marinha, nasça algo que
mantenha algum do espírito Naval, do velho
Hospital da Marinha, que está perto do seu estertor final. Espero que se reconheça na nova
estrutura, alguma da maresia que transpirava
nos corredores da atual Unidade de Santa Clara, do Centro Hospitalar das Forças Armadas,
que está a nascer. Espera-se que a nova estrutura conquiste – de algum modo - o lugar que a
estrutura antiga tinha no coração de muitos…
Espera-se, por fim, que o novo ano traga
esperança a todos e ventos de uma orientação que todos compreendam, para lá das
brumas que a incerteza agora traz…
Feliz Natal a todos. Esperança para 2013…
Que bom seria ouvir de novo os sinos a tocar…assim diz a criança…que finalmente
me fez acreditar, que é Natal…
Doc
DOUTORAMENTO EM MEDICINA
Actos da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa a cerimónia de Doutoramento em Medicina
do CMG MN Luís Bronze dos Santos Carvalho
perante numerosa assistência constituída essencialmente por médicos e oficiais de Marinha.
O júri foi constituído pelos Professor Miguel
Oliveira Presidente (Vice-reitor da Universidade
Nova de Lisboa) Professora Ana Aleixo, Professor
Palma dos Reis e Professor Nuno Cardim (FML).
Professor Manuel Bicho (FML), Professor Silva
Cardoso e Professor Paulo Bettencourt (FM Porto).
A lição proferida pelo Dr. Bronze dos Santos
Carvalho versou o tema Marcadores Inflamatórios da Placa Aterosclerótica Coronária: Caraterização e potencial retilização clínica.
Este tema prende-se com a “teoria inflamatória
da aterosclerose“, que explica aquela entidade
médica com base em pressupostos inflamatórios.
De forma sucinta, explicitou-se que o organismo
reage a estímulos metabolicamente agressivos
(como a gordura da dieta e outros) do mesmo
modo como reage a estímulos agressivos de um
outro tipo – como uma infeção microbiana, por
exemplo. A aterosclerose apresenta-se assim como
um mecanismo de defesa, acessível por marcadores colhidos por análise de sangue periférico.
Após a apresentação da sua Tese o doutorando
foi interpelado por todos membros do júri.
No final o júri atribuiu ao candidato, por unanimidade e distinção o grau de Doutor.
O nosso Doc já é DOUTOR!
Fotos SAJ L Carvalho
● No dia 16 de novembro realizou-se na Sala dos
CMG MN Luís Bronze Carvalho
Licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa.
Especialista em Cardiologia pelo Hospital de Santa Cruz.
Doutorado em Medicina/Cardiologia pela Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa.
Comissões de embarque como Chefe de Serviço de Saúde no
NRP João Roby 1990/1991, NRP António Enes e NRP Pereira d’Eça
(1995), NRP Álvares Cabral (1998) e NRP Vasco da Gama
(1999/2000).
Cardiologista do Hospital da Marinha até 2005.
Cardiologista e Chefe do Departamento de Cuidados de Saúde
Primários do Centro de Medicina Naval entre 2005 e 2009.
Subdiretor do Centro de Medicina Naval entre 2010 e 2011.
Atual presidente da Junta de Recrutamento e Seleção e Responsável pelo Serviço de Cardiologia da Unidade de Santa Clara,
do Pólo de Lisboa, do Centro Hospitalar das Forças Armadas.
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
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JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
QUARTO DE FOLGA
JOGUEMOS O BRIDGE
PALAVRAS CRUZADAS
Problema Nº158
Problema Nº440
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Norte (N)
9 A D A
8 10 7 6
4 2 6 5
5
Oeste (W)
R D V
D V 8
V 9
10
Este (E)
9
8
7
3
6
5
7 10 D
6 9 V
5 4 10
4 3
Sul (S)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
Horizontais: 1-Duro como pedra; humedecer por irrigação.
2-Ovário dos peixes; envia. 3-Fel; ilha de Moçambique. 4-Jogo
que se joga ordinariamente entre dois parceiros, com trinta e
duas cartas; rio da Itália. 5-Navegara (Náut); é quase cave. 6-Riqueza (Poét); mamífero marsupial trepador, da Austrália, 7-Uma
das cícladessentre Naxas e Santorim; misturassem. 8-Estás; filha de Agámémnon, vingou a morte de seu pai, matando sua
mãe Clitemnestra (sing). 9-Nome próprio; penai na confusão.
10-Compositor francês (1683-1764); vento frio (inv). 11-Cidade
da Sírianas margens do Oronto, célebre pelo seu tempo do Sol;
planta rasteira, com folhas nauseabundas.
A R A R
7 8 R 4
3 3 2 2
2
Todos vuln. S joga 3ST e recebe a saída a ♠ R. Analisando as 4
mãos será que S conseguirá encontrar a 9ª vaza que lhe falta para
cumprir o contrato?
Solução neste número
∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙
SOLUÇÕES: PROBLEMA Nº 158
Com uma distribuição desfavorável 4-2 dos ♦ só tem 8 vazas
rápidas, pelo que vamos ver a linha de jogo que S deve seguir
para encontrar a 9ª vaza fazendo 3 ♥. Vejamos como: deixa fazer
♠ R e ganha à segunda com A; joga 3 voltas de ♦ e verifica que
estão 4-2, continuando com o 4º para obrigar a 2 baldas de W
que terão de ser ♣; E fica em mão e se atacar ♣ S faz AR e coloca
a mão em W em ♠, sendo este obrigado a jogar ♥ e permitindo
que S faça 3 vazas no naipe, como facilmente se pode verificar;
se E tivesse atacado ♥ em vez de ♣ deixaria correr para o morto
e W teria de jogar D ou V para o A de N; depois o carteador jogaria do mesmo modo deixando W sem defesa na saída de mão
obrigatória a ♥, face ao 10x em N e Rx em S contra os seus V9.
Nunes Marques
CALM AN
Verticais: 1-Advogado e convencional francês, tendo reinado
pelo terror com a Junta de Salvação Pública, de que era a alma.
2-Pequenos ornatos ovai antes do meio-dia. 3-Planta malvácea
(pl); goste. 4-Tricas na confusão; acreditas. 5-Satao na confusão; átomo gasoso electrizado sob a acção de certas radiações.
6-Também (ant); pedra de moinha. 7-Soberano; cidade e munigípio do estado do Rio Grande do Norte (Bras). 8-Região petrolífera da Rússia entre o Ural e o Cáspio; acto ou efeito de sopesar
(inv). 9-Prefixo de terra; tornara nulo. 10-Símb. quím. do astato;
esporear na paleta (Bras). 11-Renovação.
∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙
SOLUÇÕES: PALAVRAS CRUZADAS Nº 440
Horizontais:1-rocal;regar.2-ovas;remete.3-bilis;ibo.4-ecarte;po.
5-sulcara;cav.6-pluto;coala.7-ios;amassem.8-es;oreste.9-ari;ipaen.10-rameau;orat.11-emeso;asaro.
Verticais: 1- robespierre. 2 - oviculos; am. 3 - calalus; ame.
4 - asirct; cres. 5 - staoa; iao. 6 - er; mo. 7 - rei; acari. 8 - emba;
osepos. 9 geo; cassara. 10 - at; palatear. 11 - renovamento.
Carmo Pinto
1TEN REF
REVISTA DA ARMADA • JANEIRO 2013
33
NOTÍCIAS PESSOAIS
NOMEAÇÕES
● CMG Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo
nomeado Diretor de Faróis ● CMG Alberto Manuel Silvestre Correia nomeado Comandante da Flotilha e de 2º. Comandante Naval ● CMG Paulo Jorge da Silva Ribeiro nomeado Chefe da Repartição de Militarizados e Civis da Direção
do Serviço de Pessoal ● CMG José Nuno dos Santos Chaves
Ferreira nomeado Chefe de Divisão de Recursos do Estado
Maior da Armada.
●
●
●
●
RESERVA
●
●
FZ António dos Anjos Lopes
SCH E Francisco de Carvalho
Pereira
SAJ TF Abílio dos Santos Simões
SAJ L Gaspar
Manuel Pinto Monteiro
SAJ C José Bento Marques
SAJ L
Carlos Manuel Neves Canais
SAJ T Alberto Manuel Guerreiro Pires
SAJ T António Jorge Serra Saraiva Rocha
SAJ
FZ Luís Correia Lopes Barbosa 1SAR E Jairo Joaquim Pereira
Fernandes
1SAR E José Francisco Mendes Lopes
1SAR
CM Flamínio José Picanço Robusta
1SAR CM José Caetano Vieira
1SAR E Demétrio de Alegria Meira Gavetanho
1SAR T José Maria Carapuça Pacau 2SAR A Abílio Armando
Pereira CAB L Paulo Fernando da Silva Rodrigues CAB A
José Augusto de Almeida Lemos.
●
COMANDOS E CARGOS
●
●
●
●
●
●
●
●
●
●
●
FALECIDOS
●
● CMG SEM REF Manuel da Silva Conde Guedes ● CTEN
REF Jorge Henrique Dias dos Reis ● 1TEN OT REF Jorge Iná●
● cio Medina ● SMOR L REF Marcelino Filipe David ● SAJ H
REF Jaime Marques ● SAJ CM REF Joaquim Batista ● SAJ M
REF José António Pinto Rego ● SAR V REF Mateus de Jesus
●
Vicente ● SAJ A REF António Patrício Cristóvão ● 1SAR MQ
REF Augusto Lenine Gonçalves Abreu ● 1SAR B REF MarREFORMA
celino António Eugénio Guerreiro ● 1SAR H REF Manuel da
● VALM Rui Cardoso Teles Palhinha ● CMG José António Silva Marques ● CAB FZV REF António José Rosado Mendes
Ruivo ● CMG EMQ António de Castro Figueiredo ● SMOR L
● CAB TFD REF João Martins Terrôa Mendes ● 1MAR Q REF
Carlos Eduardo Vendeirinho dos Santos ● SMOR FZ António
António Pereira Silveira ● 1GR L Rui Miguel Cabrita de Lima
Maria Romano ● SMOR FZ José Coelho da Piedade ● SMOR
● AG/ 1/A CLAS PM APOS José Brás Gomes.
CALM Carlos Manuel Mina Henriques
CALM Rui Manuel Costa Casqueiro de Sampaio
CALM MN Armando Filipe da Silva Roque CMG SEF António dos Santos Pereira
CMG Luís Filipe Correia Andrade
CTEN STC José Salvado
dos Santos CTEN SEL Rui Alberto Pires do Rosário.
●
●
CONVÍVIOS
ALMOÇO DOS TRIPULANTES DAS ESTAÇÕES SALVA
VIDAS DO INSTITUTO DE SOCORROS A NÁUFRAGOS
●
Realizou-se no passado dia 8 de dezembro, no Restaurante
“Lobo do Mar” em Sesimbra, o tradicional almoço dos tripulantes das Estações Salva Vidas (ESV) do Instituto de Socorros a
Náufragos (ISN). O encontro contou com a presença de 30 convivas, entre eles tripulantes e seus familiares.
Representadas as seguintes ESV:
Viana do Castelo, Apúlia, Povoa de Varzim, Vila do Conde, Vila Chã,
Douro, Peniche, Paço d’Arcos, Sesimbra (organização) e Sagres.
Representantes do ISN:
Diretor do ISN, CMG Peixoto Queiroz, o Subdiretor, CFR Rato Rodrigues e o Chefe do Serviço de Salvamento Marítimo e seu adjunto, CFR
Silva de Pinho e CTEN Mário Pinto
Capitania da Setúbal:
Adjunto do Capitão do Porto para a Delegação Marítima de Sesimbra,
1TEN ST Marinho.
O convívio decorreu em ambiente de grande camaradagem e
amizade e serviu para rever camaradas e amigos. O momento foi
aproveitado para, em reconhecimento de todos os tripulantes, se
proceder à entregar simbólica de uma Cresta do ISN ao proprietário do restaurante, neto do falecido Patrão Justino da Silva, tripulante da extinta ESV do Portinho da Arrábida.
Por sorteio, em 2013 a responsabilidade da organização deste encontro caberá à ESV de Sagres.
34
JANEIRO 2013 • REVISTA DA ARMADA
1º ENCONTRO DE “FILHOS DA ESCOLA”
DE VENDAS NOVAS
●
Realizou-se no dia 1 de dezembro, no restaurante “A Fonte”,
o 1º encontro de “Filhos da Escola” de Vendas Novas que contou
com a presença de cerca de 50 militares e respetivas famílias. O
convívio decorreu em ambiente de amizade e sã camaradagem.
Navios Hidrográficos
23. O DRAGA-MINAS S.JORGE
O S. Jorge era um draga-minas oceânico, construído em Washington,
tendo servido a Marinha dos E.U.A. com a designação USS MSO 478,
até ser cedido a Portugal ao abrigo do Acordo de Defesa e Assistência
Mútuas entre os dois países.
Em 1 de junho de 1955 foi aumentado ao Efetivo dos Navios da Armada, ostentando na amurada a inscrição “M415”. Largou de Seattle a
5 de setembro daquele ano, atravessou o canal da Panamá e demandou
o porto de Lisboa em 30 de novembro.
Dispunha de uma peça “Bofors” de 40
mm e, enquanto draga-minas, participou em diversos exercícios navais e visitado vários portos de países europeus
como Harwich, Brest e Toulon.
A atribuição da denominação S. Jorge
ao referido draga-minas foi feita em alusão à ilha açoriana com o mesmo nome,
o qual evoca o célebre soldado romano,
ao tempo do Imperador Diocleciano, que foi feito mártir e cujo culto
foi introduzido em Portugal pelos cruzados ingleses, tendo mais tarde
vindo a substituir Sant’Iago no campo de batalha entre as hostes portuguesas.
O navio apresentava as seguintes características:
Deslocamento máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 780 toneladas
Comprimento (fora a fora) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52,72 metros
Boca. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . 10,62 “
Calado máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3,81
“
Velocidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
nós
Propulsionada por dois motores Diesel com a potência de 800 cavalos
cada, a sua guarnição era composta de 69 homens (5 oficiais, 6 sargentos
e 58 praças).
A partir de abril de 1967 ficou na dependência técnica do Instituto Hidrográfico, tendo sido adaptado para o desempenho da sua nova missão
com a instalação de dois laboratórios e a adaptação das condições de alojamento a fim de poderem embarcar pessoal de investigação. Iniciou em
junho uma série de comissões nos Açores em trabalhos de oceanografia,
que se repetiram nos anos seguintes.
Entretanto, em 18 de fevereiro de 1969, um violento incêndio destruiu
por completo as instalações do Instituto Hidrográfico, na rua do Arsenal.
Este acidente perturbou de alguma forma atividade de navio na medida
em que as atenções passaram a centrar-se na reinstalação do Instituto e
em garantir a continuidade de alguns serviços considerados essenciais,
como a publicação de cartas náuticas e a edição dos grupos de avisos aos
navegantes. Em consequência do ocorrido, apenas em 1970 foi possível o
S. Jorge dar apoio à campanha oceanográfica “Internacional 70”.
Em 1970, participou nas campanhas oceanográficas para apoio às pescas do Continente (CAPEC), as quais prosseguiram até 1974, numa segunda fase a bordo do N.R.P. Almeida
Carvalho. A missão destinou-se a recolher informação física, química e biológica junto à costa do Continente, de
forma sistemática e em regime sazonal,
incluindo dados relativos à salinidade
e temperatura, colheita de amostras de
plâncton e outros elementos biológicos.
Em dezembro desse ano seguiu para os
Açores, com escala no Funchal, tendo
regressado alguns dias depois à Base Naval de Lisboa. Durante o curto
período de permanência no Arquipélago da Madeira, foram efetuados
estudos às cagarras nas Ilhas Desertas, uma espécie protegida de aves
marinhas que possuem ali o seu habitat.
No ano seguinte, deu apoio aos estudos sismológicos na zona do canhão da Nazaré, operação considerada arriscada atendendo ao facto de
que os mesmos incluíam o rebentamento de cargas explosivas, controlado de bordo, cujos impactes faziam-se sentir fortemente no navio. O prosseguimento destes estudos estava previsto para outubro de 1971 mas,
devido às deficientes condições do navio, os mesmos foram suspensos,
tendo prosseguido no ano seguinte com o N.R.P Almeida Carvalho.
Em 10 de novembro de 1971, regressou à Base Naval de Lisboa, tendo
terminado a sua dependência do Instituto Hidrográfico. Em setembro do
ano seguinte foi atribuído ao Agrupamento nº. 1 de Draga-Minas, do qual
também faziam parte os draga-minas Pico, Graciosa e Corvo, todos da classe S. Jorge. Em 30 de junho de 1973 passou ao estado de desarmamento
e em 20 de abril de 1974 foi o draga-minas S. Jorge, que de abril de 1967
a novembro de 1971 na dependência do Instituto Hidrográfico efetuou
trabalhos de oceanografia, abatido ao Efetivo dos Navios da Armada.
Colaboração do INSTITUTO HIDROGRÁFICO
24. A LANCHA HIDROGRÁFICA MIRA
A Mira era uma antiga lancha torpedeira, adquirida por Portugal em 1961 e rebatizada com o nome Arrábida. Prestou serviço na
Missão Hidrográfica do Continente
e Ilhas Adjacentes juntamente com o
N.H. João de Lisboa. Adaptada a lancha
hidrográfica, veio a ser aumentada ao
Efetivo dos Navios da Armada em 1
de novembro de 1968, ostentando na
amurada a inscrição “A 5200”.
A atribuição da denominação Mira
à referida lancha foi feita em alusão
ao rio Mira que nasce na Serra do
Caldeirão e vai desaguar ao Oceano
Atlântico, junto à Vila Nova de Milfontes.
A lancha apresentava as seguintes características:
Deslocamento máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 toneladas
Comprimento (fora afora) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19,2 metros
Boca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4,6
“
Calado máximo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,2
“
Velocidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
nós
Propulsionada por dois motores Diesel, a sua guarnição era de 6
homens (1 oficial e 5 praças).
Entre os trabalhos em que participou na costa continental portuguesa,
destaca-se o apoio às atividades de
hidrografia e oceanografia no estuário do rio Tejo e na área entre a Figueira da Foz e Sines, que incluíram
a obtenção de valores de correntes,
colheitas de amostras de água, seguimento de drogues e o apoio aos estudos preliminares para a edificação
de uma estação nuclear em Peniche.
Em 20 de maio de 1981, a Mira passou ao estado de desarmamento, tendo sido abatida ao Efetivo os
Navios da Armada em 16 de dezembro de 1983.
Colaboração do INSTITUTO HIDROGRÁFICO
Navios Hidrográficos
23. O DRAGA-MINAS S.JORGE
24. A LANCHA HIDROGRÁFICA MIRA
Download

publicação oficial da marinha •nº 470 •ano xlii janeiro 2013 • mensal