UPM: Nova direção Manter a excelência, a principal meta A troca de comando em uma universidade estável e com projeto educacional sólido como o do Mackenzie não traz riscos de qualquer turbulência. No entanto, a professora Maria Lucia Vasconcelos, ao assumir o cargo de reitora pro tempore aguarda, atenta, as possíveis mudanças nas ações de Educação do novo governo federal. professora Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos assume a reitoria da Universidade Presbiteriana Mackenzie depois de vários anos como educadora em outras áreas. Além de professora da escola normal, foi Orientadora Educacional do ensino médio, na época, o 2º Grau. Deixa a coordenação geral da PósGraduação para dar seqüência ao mandato do doutor Cláudio Lembo, que terminaria em julho. O novo posto é o reconhecimento ao seu trabalho de vários anos. “É uma grande responsabilidade. Sinto-me lisonjeada com a confiança que a instituição deposita em mim”, afirma. A professora assume o cargo com um novo presidente no comando da República, o que, segundo ela, não é motivo de preocupação. “A instituição tem “Sinto-me lisonjeada com a política que independe confiança depositada em mim”. A O capelo é colocado sobre os ombros da professora Maria Lucia pelo doutor Cláudio Lembo que até então exercera o cargo de reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. da vontade de um governo. Sabemos para onde temos que ir e para onde vamos”, explica. Maria Lucia acredita que as ações em Educação sempre foram uma incógnita no país. Para ela, qualquer que seja a linha proposta e adotada, se não ferir os princípios institucionais, é passível de adequação.“Nós cumprimos, há 123 anos, a tarefa de educar. Não é esse ou aquele governo que vai desestruturar uma instituição centenária como a nossa. Não estou preocupada, apenas aguardo, curiosa e atenta”, declara. Sua aposta é de que não haverá mudanças radicais de imediato. No entanto, Maria Lucia acredita que elas virão, porque há uma nova filosofia de governo. “As mudanças que facilitarem nossa vida serão bem-vindas, as que dificultarem, contornadas. Não me preocupo, principalmente porque tudo está por fazer em Educação no Brasil. Então, qual- as regras vamos examinar, conhecer quer coisa que seja feita, e bem-feita, e nos adaptar, assim como quando recebemos a notícia do Provão. Não será bem-vinda”, afirma. Mesmo com autonomia, existe a foi fácil para ninguém – o Provão legislação à qual a universidade tem defeitos, tem problemas mas nem por isso a deve se ajustar. Segundo a reiescola parou. “Desejo um período tora o Provão é Acho que muum exemplo danças deverão rico e produtivo para vir e, se forem que causou surtodos os alunos e me boas, aplaudirepresa e levanmos”, explica a tou discussões. coloco à disposição para reitora esclareNo entanto, ajucendo que, indedou o Ministentar ajudá-los da pendente da tério de Educamelhor forma possível.” avaliação exterção e Cultura na, o Mackenzie (MEC) a exercer sua função de fiscalizar as uni- mantém a cultura da avaliação interversidades. “Espero que continue a na. “Isso nós não vamos permitir fiscalizar. Se vai fazer do mesmo que acabe, mesmo que o MEC deixe jeito? Acho difícil. Vai haver adequa- de cumprir seu papel”, conclui. Na opinião da reitora, não é só o ções, novas propostas serão criadas e nós aguardaremos. Quando derem governo que dá as diretrizes para Mackenzie 15 UPM: Nova direção Parcerias e projetos são prioridade A primeira fala da reitora, após sua posse. uma universidade – ela tem autonomia e sua própria filosofia. No Mackenzie, está tudo claramente definido. É uma instituição confessional com linha filosófica de princípios em relação à educação. “Por isso, não importa qual seja o governo, temos que tentar fazer o melhor que pudermos”, afirma. Para a reitora, o importante é mostrar que a troca de comando em uma universidade estável e com um projeto educacional sólido como o do Mackenzie não traz risco de qualquer turbulência. A reitora Maria Lucia não pretende mudar os rumos em sua gestão. Indica que um dos grandes méritos do professor Cláudio Lembo foi abrir o leque de contatos da Universidade. Hoje, o Mackenzie dialoga com outras instituições, tanto no Brasil quanto no exterior. “O objetivo é dar seqüência aos trabalhos, atendendo às perspectivas de manter a excelência no ensino. Aprimorar os procedimentos só vai imprimir algum traço que seja mais característico de uma gestão nova. No entanto, não se trata, em hipótese alguma, de mudança de rumos”, esclarece. 16 Mackenzie Revista Mackenzie – A nova gestão pretende estabelecer convênios com universidades estrangeiras, atividade que vinha sendo posta em prática até então? Maria Lucia Vasconcelos – Com certeza. Acho que não só estabeleceremos novos convênios, como, principalmente, procuraremos fazer com que gerem frutos concretos. Assinar convênio não é problema – é muito fácil. O problema é fazer com que eles resultem em bons projetos, boas parcerias. Que eles se concretizem em ações acadêmicas. Acredito que, mais do que assinar convênios, a nossa intenção é dar cada vez mais vida aos já assinados. RM – Os convênios já assinados trouxeram resultados? Maria Lucia – Sim, eles estão presentes na nossa vida universitária. O convênio com as universidades espanholas de Salamanca e de Valladolid são bastante produtivos. Na Espanha, com projetos de pesquisa, intercâmbio de professores e de alunos e, em Portugal, com a Universidade Técnica de Lisboa – mais especificamente com a área de arquitetura. Professores de lá vêm ao Brasil, anualmente, e dão cursos em parceria com os nossos docentes. Também há projetos de pesquisas que dependem de financiamentos oficiais e de agências financiadoras portuguesas, em andamento com professores de Portugal e do Brasil. Por outro lado, temos um convênio bastante ativo com a Universidade de Coimbra. Aliás, a partir de fevereiro de 2003 um professor visitante da área de arquitetura ficará conosco por um período de três meses. Isso, para citar apenas uns exemplos. RM – Com quais Universidades de outros países serão estabelecidas novas relações? Maria Lucia – Mais importante do que localizar universidades é escolher o grupo de pesquisa que se identifique com os nossos. Para que as coisas realmente fluam é fundamental que os parceiros se encaixem. Podemos dizer que, por enquanto, há uma série muito grande de convênios assinados e eles estão rendendo um intercâmbio bastante frutífero. Em sua mesa de trabalho, a pausa para a foto, antes de começar o expediente. A posse do vice-reitor m solenidade realizada no dia 13 de janeiro de 2002, no Auditório João Calvino, o doutor Pedro Ronzelli Júnior foi empossado no cargo de vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os discursos proferidos na ocasião trouxeram, além das tradicionais saudações de boas-vindas, sugestões de como deve ser a conduta do novo ocupante da cadeira. Bem como as responsabilidades que passará a ter e o desafio que deverá enfrentar em uma instituição cujos princípios são calcados nos preceitos cristãos presbiterianos. O reverendo Roberto Brasileiro, presidente do supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, baseou sua fala na carta do apóstolo Pedro, capítulo 3, versos de 8 a 12, que exaltam a necessidade de propagar a fraternidade e a solidariedade em um mundo materialista: “Uma universidade forma vidas e caracteres”. Em seguida, aconselhou: “Que o doutor Pedro ao assumir seu cargo possa sentir sobre si a preocupação da Igreja e cada um de nós possamos entender que, se, de fato, amamos o que estamos fazendo, devemos cuidar daquilo de que nós temos cuidado”, ponderou, para logo após dar sua benção. O reverendo Osvaldo Hack, chanceler da UPM, ofereceu ao novo vice-reitor a capa correspondente ao cargo, desejou-lhe boa sorte e acrescentou: “Esperamos do nobre mackenzista que agora faz parte desta jornada, que possa assimilar e vivenciar valores e princípios da nossa instituição”. A reitora, Maria Lúcia Vasconcelos, preferiu destacar em sua fala o privilégio e a responsabilidade de conduzir a Universidade Presbiteria- E Empossado, o vice-reitor, doutor Pedro Ronzelli Júnior recebe o abraço do reverendo Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. na Mackenzie depois da excelente administração feita pelo doutor Cláudio Lembo e salientou:“O diálogo, professor Ronzelli, deverá ser a marca do nosso dia-a-dia, pois não é o debate de idéias que se constitui em empecilho para a ação, mas a falta dele”. Manassés Claudino Fonteles, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, falou o que a UPM pode esperar do homem que está assumindo, seu amigo particular: “Pedro é a pessoa que poderá trazer conhecimentos e grande contribuição para esta universidade, porque é daqueles que se debruçam sobre os fatos novos que aparecem”. Vice-governador do Estado de São Paulo, o ex-reitor Cláudio Lembo afirmou:“O doutor Ronzelli é personalidade sensível à história desta instituição e está apto a integrar novos conhecimentos àqueles acumulados pelos nossos acadêmicos, permitindo assim oportuna simbiose entre visões acadêmicas diversas”. Em seu discurso, o vice-reitor Pedro Ronzelli Júnior fez o juramento mostrando-se seguro com as responsabilidades que assume, tanto de parte da UPM, quanto da Igreja Presbiteriana do Brasil, reafirmando seu compromisso com a Educação e com os valores morais e éticos.A certa altura, fazendo referência ao livro do apóstolo João, capítulo 16, verso 33, disse o que os “parceiros de trincheira” poderiam esperar do seu reitorado: “Tendo o verdadeiro Mestre por auxílio, a família como cúmplice e os amigos por ombro, certamente serei Mackenzie 17 UPM: Nova direção Experiente e confiante, o novo vice-reitor assume tranquilamente. capaz de fazer todas as coisas que são esperadas de mim e de vencer as dificuldades que se apresentarão”. O Termo de Posse, lido por Nelson Callegari, secretário geral da UPM, antecedeu a leitura e assinatura do Termo de Compromisso, feita pelo vice-reitor. Em seguida, firmaram o documento os integrantes da mesa diretora: reverendo Osvaldo Hack, chanceler da UPM; Cláudio Lembo, exreitor; Maria Lucia Vasconcelos, reitora pro tempore; reverendo Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio (IPB); reverendo Cilas Cunha Menezes, presidente do Conselho de Curadores (IPM); Manassés Claudino Fonteles, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras; Jared Ferreira Toledo Silva, vice-presidente do Conselho Deliberativo (IPM); Cyro Aguiar, diretor-presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie. Estiveram presentes também lideranças políticas e acadêmicas, além de dirigentes do Mackenzie. “Espero contribuir na proporção desejada.” Cuidadoso com as palavras e nos gestos. É a impressão que se tem, após breve conversa com o vicereitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, doutor Pedro Ronzelli Júnior, que se diz confortável e feliz no novo cargo: “Honra a gente só 18 Mackenzie Síntese de uma vida Pedro Ronzelli Júnior, 53 anos, natural de Campinas, SP, casado, duas filhas, presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil em Curitiba, PR, engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQUSP), mestre e doutor em Agricultura pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), professor e pesquisador há 30 anos, com programas de pós-doutorado na França e nos Estados Unidos da América. Professor visitante da University of Kentucky, EUA. Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), nos últimos 20 anos, atuando tanto na graduação quanto na pósgraduação, coordenando e orientando projetos de pesquisa, que produziram doutores e mestres. Cinco livros e mais de 100 trabalhos científicos publicados no Brasil e no exterior. deve a Deus. Mas com um bocado de cuidado, sinto-me muito honrado em estar aqui. E bastante confortável porque não tenho nenhuma preocupação do ponto de vista das ações acadêmicas que têm de ser tomadas porque são 30 anos de trabalho atrás disso. Então, tenho tranqüilidade muito grande para exercer a vicereitoria. Penso que existe um satisfatório grau de maturidade para que a gente possa avaliar cada questão individualmente. Isso, reitero, me deixa bastante confortável. Eu estou muito feliz e quero contribuir na proporção esperada de mim”. Casado com a bibliotecária Sônia Borges de Oliveira Ronzelli, pai de Carolina e Camila, o vice-reitor tem segurança e confiança no bom papel que vai desempenhar, sobretudo porque o cargo não lhe foi atribuído por meio de lobby ou pleito, mas veio como conseqüência da capacidade acadêmico-administrativa, demonstrada ao longo da sua vida profissional, inclusive como membro do Conselho Deliberativo. “Assiduidade é palavra importante para exercer o cargo com competência. Para isso, o vice-reitor tem que estar consciente e presente na universidade como um todo, para poder co-participar de todas as decisões”, avalia. Presença e conhecimento são importantes, entretanto, para cumprir com as exigências do cargo é preciso mais:“O vice-reitor tem que ter envolvimento acadêmico com todas as áreas da universidade”. Isso posto, diz: “É muito difícil oferecer uma proposta pessoal como vicereitor, inclusive, e sobretudo, porque existe o Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, que tem o planejamento estratégico claramente definido com propostas para a instituição. Então, não é o cargo de vice-reitor que vai permitir que se faça uma proposta especial”, conclui.