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TURISMO E DESENVOLVIMENTO LOCAL:
o turismo de negócios como possibilidade para o desenvolvimento
econômico de Franca-SP
Sibele Castro Silva - Uni-FACEF
Hélio Braga Filho - Uni-FACEF
Introdução
De acordo com as definições de turismo, a atividade compreende o
deslocamento de pessoas que saem de duas residências habituais com destino
a outras localidades, por um período superior a 24 horas e inferior a 6 meses
por diferentes motivos e que para isso utilizam os serviços de transportes,
hospedagem, alimentação, lazer e entretenimento para atender suas
necessidades.
No entanto, não são todos os autores que consideram as viagens
motivadas por trabalho, também conhecidas como negócios como viagens
turísticas, porém esse trabalho aborda as viagens a negócios como turísticas
tendo em vista que esse tipo de viagem movimenta assim como qualquer outra
a localidade receptora.
A Organização Mundial de Turismo determina que este deslocamento
faz-se para lugar não coincidente com a residência habitual, por um período de
24 horas ou mais, sem o objetivo de exercer atividade remunerada. Observase, porém, a existência de turistas que fogem ás regras como turistas de
negócios, eventos ou excursionistas.
Destaca-se que para uma localidade desenvolver a atividade turística é
preciso que a mesma disponha de recursos com significativa atração para
chamar a atenção do turista em visitá-la. Esses recursos são chamados de
oferta turística, ou seja, o conjunto de bens e serviços que são oferecidos ao
consumo do turista (BENI, 2000).
A cidade de Franca, situada no Nordeste do Estado de São Paulo,
muito embora não seja dotada de atrativos naturais capazes de fomentar o
desenvolvimento do turismo voltado para a natureza, evidencia, em
1062
compensação, em razão da movimentação dos negócios em torno da atividade
coureiro-calçadista, considerável possibilidade e potencial capacidade para
impulsionar o turismo de negócios.
O presente estudo procura analisar o que falta a cidade para
desenvolver efetivamente a prática do turismo de negócios e como o
desenvolvimento da atividade pode contribuir para o desenvolvimento
econômico local do município.
A metodologia utilizada se divide em duas fases: no primeiro momento
foi utilizada a pesquisa bibliográfica como base teórica constituída por livros,
artigos, monografias, dissertações de mestrado, teses de doutorado,
relacionados
a
desenvolvimento
turismo,
desenvolvimento
local,
econômico, além de pesquisas
turismo
em
de
jornais,
negócios,
revistas
especializadas e internet. No segundo momento está sendo utilizada a
pesquisa qualitativa de caráter descritivo, envolvendo pesquisa de campo com
aplicação de formulários e entrevistas com os gestores locais – iniciativa
privada (hotéis, agências de turismo, gestores do Franca Shopping, Shooping
do Calçado, Representante do Convention & Visitors Bureau, Presidente do
Sindicato dos Sapateiros) e poder público e pesquisa quantitativa com dados
secundários analisando a infra-estrutura básica, de apoio e turística já existente
no município
Considera-se ainda que esse artigo é fruto de um projeto de pesquisa
que terá como conseqüência a dissertação de mestrado e se encontra ainda
em andamento, por esse motivo será apresentado os primeiros levantamentos
do referencial teórico já pesquisado, ficando para um segundo artigo a
conclusão da pesquisa.
1 Turismo e suas vertentes
Para estudar e entender melhor sobre o turismo é preciso que se aborde
os temas que são correlatos a atividade, como as definições de turismo, turista
e o composto da oferta turística. A princípio destaca-se que não existe uma
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definição única sobre os termos turismo e turista, ao contrário, muitos autores
divergem sobre esses conceitos.
O Professor Luiz Fernando Jiménez G. (apud ACERENZA, 2002:31)
descreve uma das primeiras definições de turismo que foi dada em sala de aula
por Guyer em 1905:
“Turismo no sentido moderno da palavra, é um
fenômeno dos tempos atuais, baseado na crescente
necessidade de recuperação e mudança de ambiente,
no conhecimento e na apreciação da beleza de
cenários, no gozo do contato com a natureza e é, em
particular, produto da crescente fusão das nações e
países da sociedade humana, como resultado do
desenvolvimento do comércio, da indústria e dos
mercados e do aperfeiçoamento dos meios de
transporte”.
Mais tarde e também considerada uma das definições mais antigas de
turismo é atribuída ao economista Herman Von Schullern (apud Beni, 2001:34)
em 1910 que
Compreende turismo como: a soma das operações,
principalmente de natureza econômica, que estão
diretamente relacionadas com a entrada, permanência
e deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora
de um país, cidade ou região.
Robert McIntosh (1993) analisa o turismo por um aspecto qualitativo:
“Turismo pode ser definido como a
ciência, a arte e a atividade de atrair e
transportar visitantes, aloja-los e
cortesmente
satisfazer
suas
necessidades e desejos”.
Pode-se perceber que independente das definições os autores abordam
o turismo sob um mesmo prisma, o deslocamento de pessoas para outro lugar
diferente do que residem por um determinado período de tempo a fim de
atender suas necessidades por variados motivos.
De acordo com Lickorish e Jenkins (2000) um aspecto do conceito
econômico de turismo basea-se no fato de que o viajante gasta dinheiro no
destino visitado, o qual é ganho fora de tal localidade ou de tal país, sendo
assim, o turismo representa uma injeção externa de riqueza e receitas
consideráveis para a área que recebe o turista.
Essa ultima definição aborda o aspecto econômico do turismo como
mobilizador e impulsionador da economia da localidade onde se desenvolve,
tendo em vista que o turista quando viaja e independente do motivo gasta
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dinheiro e na maioria das vezes com itens que são considerados supérfluos e
que o mesmo não compraria em seu local de origem.
De acordo com Andrade (2000) o
“Turismo é o complexo de atividades e serviços
relacionados
aos
deslocamentos,
transportes,
alojamentos, alimentação, circulação de produtos
típicos, atividades relacionadas aos movimentos
culturais, visitas, lazer e entretenimento”.
Todas as definições abordam que para que haja turismo é necessário
deslocamento de pessoas, por tempo superior a 24 horas, inferior a 6 meses,
que utilizem os serviços de transporte, hospedagem, alimentação e que
efetuem a viagem para atender as necessidades de um motivo aparente.
Porém não são todos os autores que aceitam as viagens motivadas por
trabalho, conhecidas como turismo de negócios como sendo um segmento da
atividade turística.
Oscar de La Torre (1992) é um dos autores que não aceita viagens a
negócio como turísticas, afirmando que o turismo é:
“Um fenômeno social que consiste no
deslocamento voluntário e temporário de
indivíduos ou grupos de pessoas que
fundamentalmente por motivos de recreação,
descanso, cultura ou saúde, saem de seu local
de residência habitual para outro no qual não
exercem nenhuma atividade lucrativa nem
remunerada”.
No entanto, esse trabalho estuda o turismo de acordo com a definição
da OMT – Organização Mundial de Turismo dada em 1994 que o caracteriza
de tal forma:
“O turismo compreende as atividades que realizam as
pessoas durante suas viagens e estadas a lugares
diferentes a seu entorno habitual, por um período
consecutivo inferior a um ano, com a finalidade de
lazer, negócios ou outras” (OMT, 2001:38).
Assim como o termo turismo, quando se trata do conceito de turista
também existem diferentes denominações para o mesmo. O turista pode ser
chamado de turista, excursionista, visitante e viajante, para os leigos isso quer
dizer a mesma coisa, porém existe diferença entre essas definições.
A definição de turista abordada pela Organização Mundial do Turismo –
OMT é:
“Visitante temporário, proveniente de um país
estrangeiro, que permanece no país por mais de 24
horas e menos de três meses, por qualquer razão,
exceção feita de trabalho” (BARRETO, 1995:25).
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Visitante é considerado qualquer pessoa que viaje para um lugar
diferente de onde resida, por menos de 12 meses, e cujo objetivo principal da
viagem não seja o exercício de uma atividade remunerada no local visitado.
(LICKORISH; JENKINS, 2000)
Porém a definição mais completa e que será usada nesse trabalho é
conceituada pela Organização das Nações Unidas na Conferência sobre
Facilidades Alfandegárias para o Turismo em 1954, quando turista foi definido
como:
“Toda pessoa, sem distinção de raça, sexo, língua e
religião, que ingresse no território de um Estado
contratante diverso daquele em que tem residência
habitual e nele permaneça pelo prazo mínimo de 24
horas e máximo de seis meses, no transcorrer de um
período de 12 meses, com finalidade de turismo,
recreio, esporte, saúde, motivos familiares, estudos,
peregrinações religiosas ou negócios, mais sem
propósito de imigração”
O excursionista diferente do turista e do visitante é aquele que
permanece menos de 24 horas no receptivo que não seja o de sua residência
fixa ou habitual, com as mesmas finalidades que caracterizam o turista, mas
sem pernoitar no local visitado, usa-se o termo excursionista ou visitante de um
dia. No entanto entende-se que o excursionista por ficar pouco tempo na
localidade receptora e dificilmente usar os serviços de hospedagem, transporte,
alimentação não gerando assim um gasto considerável quando comparado ao
turista, gasto esse capaz de movimentar efetivamente e constantemente a
economia da localidade.
Para que a atividade turística aconteça é necessário que o turista se
desloque para uma localidade diferente de sua residência habitual, permaneça
mais de 24 horas e utilize os serviços de transporte, hospedagem, alimentação,
lazer, serviços públicos, sendo assim, e independente do tipo de turismo que
seja desenvolvido, é necessário que a localidade ofereça a esse turista o que
chamamos de produto turístico.
Para Andrade (2000:98) o produto turístico é um composto de bens e
serviços diversificados e essencialmente relacionados entre si, tanto em razão
de sua integração com vistas ao atendimento da demanda quanto pelo fator de
unir setores primário, secundário e terciário de produção econômica.
1066
De acordo com Ignarra (1999:47) a oferta turística pode ser dividia em
alguns grupos: atrativos turísticos, serviços turísticos, serviços públicos e infraestrutura básica.
O autor classifica ainda os recursos ou atrativos naturais como:
montanhas, planaltos e planíces, costas ou litoral, terras insulares, hidrografia,
pântanos, fontes hidrominerais e/ou termais, parques e reservas de flora e
fauna, grutas, cavernas, furnas e áreas de caça e pesca. Já os recursos ou
atrativos culturais são identificados como: monumentos, sítios, instituições e
estabelecimentos de pesquisa e lazer, manifestações, uso e tradições
populares, realizações técnicas e cientificas contemporâneas e acontecimentos
programados.
A cidade de Franca não possui atrativos com grande potencial de
atração de turistas motivados a lazer ou em busca de maior contato com a
natureza, porém por causa de sua característica econômica, principalmente
voltada para a produção e comercialização de calçado é possível identificar na
cidade uma demanda motivada por negócios que permanece por um curto
período de duração na cidade, dessa forma o produto turístico existente serve
principalmente para atender as necessidades desse turista, por outro lado a
localidade ainda sofre pela inexistência de recursos básicos para a atração do
turista de lazer ou mesmo para propiciar uma maior permanência do turista de
negócios.
1.1 Turismo de negócios
Como visto anteriormente, não são todos os autores que aceitam as
viagens a negócios como turísticas, porém o foco desse trabalho é justamente
analisar o turismo de negócios na cidade de Franca como fator para o
desenvolvimento econômico local, por esse motivo entende-se que aquele que
viaja a negócios pratica turismo da mesma forma que qualquer outro turista,
pois ele utiliza os serviços de hospedagem, transporte, alimentação e em seu
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tempo livre aproveita dos recursos de lazer e entretenimento que a cidade tem
a lhe oferecer.
Lage e Milone (2000) caracterizam o turismo de uma maneira mais
ampla
...”qualquer que seja o motivo da viagem, sob o
enfoque econômico, mesmo que o indivíduo que viaja
para um país ou região venha exercer um trabalho
remunerado, ainda assim será definido como turismo”.
Essa pesquisa adota a definição de Andrade (2000) que considera
turismo de negócios como o conjunto de atividades de viagem, hospedagem,
alimentação e lazer praticado por quem viaja a negócios referentes aos mais
diversos setores da economia, como atividades comercial ou industrial, ou
ainda para conhecer mercados, fazer contatos, firmar convênios, aprender e
testar novas tecnologias, vender ou comprar bens e serviços.
Para a maioria das empresas, a viagem de seus representantes é algo
essencial e não é considerado um gasto de luxo, ou seja, a viagem é
necessária para o bom andamento da empresa, trata-se de uma clientela
importante, que viaja durante o ano todo, independente da estação do ano e se
hospeda em hotéis de luxo que disponham de serviços especializados como
guias bilíngües, tradutores intérpretes, salas de reuniões, secretarias,
motoristas e veículos especiais.
O gasto diário do turista de negócios é maior do que o do turista de lazer
justamente pelo fato do primeiro utilizar serviços que são considerados mais
caros devido suas facilidades, como se hospedar em hotéis próximos do local
onde ele deve se apresentar, o mesmo utiliza ainda serviços específicos como
locação de veículos, equipamentos para reuniões, entre outros.
Considerando o gasto e as exigências do turista de negócios, a cidade
onde esse tipo de turismo se desenvolve deve estar preparada para recebê-lo,
oferecendo recursos e equipamentos que atenda suas necessidades.
De acordo com Ansarah (1999) os equipamentos e serviços mais
utilizados pelo turista de negócios são:
Meios de transporte: esse tipo de turista prefere viagem
aérea, por ser mais rápida, otimizando assim o uso do
tempo.
Hospedagem: a maioria das viagens exige
permanência, o que representa a ocupação de quartos
de hotéis. A oferta de recursos tecnológicos também
aumentou, muitos hotéis e flats oferecem além do
1068
telefone, conexão para computador e serviços de apoio
administrativo como, secretária, boy, xérox, etc.
Locais para eventos: os congressos, seminários e
outros tipos de eventos geralmente recebem um
grande número de turistas de negócios e profissionais
liberais. Para atender a essa necessidade, muitos
hotéis dispõem de espaços capazes de satisfazer as
mais variadas exigências, complementados pelos
serviços de apoio como, som, imagem, tradução
simultânea, etc.
Entretenimento e lazer: em seu tempo livre, o turista de
negócios se comporta como um turista convencional.
Gosta de fazer compras e de se divertir, e a cidade
onde se encontra tem que estar preparada para
proporcionar um mínimo de condições para satisfazer
essas necessidades. A existência de locais de
entretenimento, adaptados à característica da cidade, é
fundamental para atender aos desejos do visitante.
A localidade receptora deve dispor de pré-condições para a realização
da prática desse segmento de turismo, como: movimentação turística para
realização dos negócios; áreas de concentração técnica, científica, industrial e
outras, movimentação no setor de comércio e incentivo a realização de feiras,
associações locais com forte representatividade e articuladas entre si, estrutura
e serviços de qualidade para a realização de encontros, acesso e logística,
rede e serviços de comunicação eficientes, condições de segurança e
cooperação ou parceria do poder público com a iniciativa privada.
O turismo de negócios proporciona relativa importância para as cidades
que não possuem atrativos naturais e culturais, pois tem a capacidade de
incentivar o crescimento econômico local, por meio de geração de renda,
empregos e criação de infra-estrutura que não beneficia apenas o turista como
também a população local.
2 Turismo e desenvolvimento econômico local
A atividade turística vem crescendo consideravelmente em todo o
mundo e é considerada uma alternativa de desenvolvimento econômico
principalmente em cidades que não tem opções de renda, mas possuem
recursos naturais e culturais em abundância.
1069
O turismo representa um conjunto de atividades produtivas que interessa
a todos os setores econômicos de um país ou uma região, repercutindo em
outros setores da economia, provocando uma reação em cadeia, causando um
efeito multiplicador que pode influenciar no emprego, renda, nas indústrias, no
comércio.
Algumas localidades vêem no turismo uma grande possibilidade para se
desenvolverem economicamente, considerando o mesmo como uma das
alternativas capazes de propiciar melhoria na qualidade de vida das
populações, principalmente em regiões que possuem paisagens exóticas e
com recursos financeiros escassos. (LOPES, 1990)
A atividade turística é considerada uma força econômica das mais
importantes do mundo, pois através da mesma, ocorrem fenômenos de
consumo, originam-se renda, potencializam mercados onde a oferta e a
procura se encontram.
Segundo Ignarra (2001), o turismo é uma atividade que tem grande
importância no desenvolvimento sócio-econômico. É intensiva de mão-de-obra,
podendo contribuir para o grande problema da sociedade moderna que é o
desemprego.
Apesar de o desenvolvimento ter diferentes significados, para a maioria
dos países ele pode ser visto como uma medida para o progresso econômico.
O turismo surge como uma alternativa para o desenvolvimento
econômico local das localidades receptoras, porém antes é necessário discutir
o que é desenvolvimento econômico local.
Dawbor (1995) entende que o desenvolvimento econômico local pode
ser definido como o conjunto de estratégias e ações para ativar ou acelerar a
economia local provocando assim impactos no território.
Em seu artigo, Braga Filho (2008) apresenta cinco questões importantes
para a promoção do desenvolvimento econômico local.
1) da iniciativa do governo municipal para liberar, sensibilizar e
aglutinar as forças representativas da sociedade;
2) do esforço mútuo de cooperação entre os diversos atores socais
envolvidos no processo;
3) da capacidade dos atores elaborarem propostas exeqüíveis e ao
mesmo formularem objetivos de atender as demandas e os
diferentes interesses, de tal sorte que todos possam vislumbrar
possibilidade de ganhos;
1070
4) do exercício e da difusão de práticas de convivência forjadas na
liberdade de expressão e na participação construtiva cidadã e;
5) da disseminação de cultura baseada na confiança e dos benefícios
passíveis de serem alcançados através da cooperação mútua.
Swinburn, Goga e Murphy entendem desenvolvimento econômico local
como uma possibilidade que está
[...] sendo cada vez mais usada para fortalecer a
capacidade local das comunidades de uma região,
melhorar o ambiente para investimentos e aumentar a
produtividade e a competitividade dos negócios locais,
dos empreendedores e dos trabalhadores. A
capacidade das comunidades para melhorar a
qualidade de vida, criar novas oportunidades
econômicas e lutar contra a pobreza, depende dessas
serem capazes de compreender os processos de
desenvolvimento
econômico
local
e
agirem
estrategicamente
no
mercado
que
muda
constantemente e que é cada vez mais competitivo.
Cada comunidade possui características individuais como cultura, clima,
tipo de terra, características econômicas, etc., que podem ser determinante
para o processo de desenvolvimento econômico local. É através desse
conjunto de características individuais pertencentes à localidade que esse
trabalho busca estudar o que a cidade de Franca tem de diferente em relação a
outras cidades para poder atrair um maior e ordenado fluxo de turistas
motivados a negócios à cidade e entender o que falta para esse tipo de turismo
se desenvolver de uma forma mais organizada, tendo em vista a indústria
coureiro-calçadista que tem destaque na economia do município. O turismo de
negócios pode ser uma segunda opção de desenvolvimento econômico na
cidade gerando renda, empregos, divisas e um incentivo maior tanto para a
iniciativa privada como para o poder público para investir no turismo na cidade.
A atividade turística aliada ao desenvolvimento da cidade em estudo
possibilitará analisar o turismo como uma fonte para a melhoria da qualidade
de vida da população local, conservação do patrimônio turístico, geração de
renda e de emprego, conscientização da população para a importância do
turismo, intercâmbio cultural, etc. (IGNARRA, 2001).
O turismo é um fenômeno em crescimento no Brasil e no mundo, a
receita gerada tem se equiparado a setores tradicionais como petróleo,
automóveis e equipamentos eletrônicos. A atividade é considerada ainda
grande geradora de emprego, renda e divisas para diversas localidades onde
se desenvolve, por esse motivo, o turismo tem sido apontando como estratégia
1071
para o desenvolvimento, sendo incentivado pelos governos, empresários e
constantemente procurado pelos consumidores. (PORTUGUEZ, 2002)
Com o desenvolvimento da atividade turística há geração de emprego,
aumento e melhor distribuição de renda na localidade onde se desenvolve e os
benefícios são aproveitados pela população local e contribui também para o
desenvolvimento e equilíbrio econômico local.
2.1 Turismo e economia
Atualmente o turismo é aceito como o setor mais significativo do
mercado global.
Goeldner et al (2002) destaca o turismo como sendo
Uma força econômica poderosa que proporciona
emprego, divisas, renda e receitas de impostos. Os
geradores de impacto econômico para uma cidade,
um estado, uma província, um país ou destino, são os
visitantes, seus gastos e o efeito multiplicador.
O autor destaca ainda que os destinos estão se tornando cada vez mais
competitivos, tendo em vista que um grande número deles estão se voltando
para as características do turismo gerador de benefícios econômicos,
compensando a decadência das atividades agrícolas, mineradoras e
industriais.
A OMT (2001) destaca que o turismo tem maior influência nas
economias que são pouco desenvolvidas. Os países em desenvolvimento têm
como característica níveis de renda baixos, altos índices de desemprego, baixo
desenvolvimento industrial pela escassa demanda nacional de bens de
consumo, grande dependência da agricultura para as exportações e alta
participação estrangeira na propriedade das empresas manufatureiras e de
serviços. Tendo em vista a rápida injeção de divisas que supõem o gasto
turístico e os investimentos estrangeiros tem efeitos mais significativos nesses
países do que nos países desenvolvidos, estes possuem geralmente
economias mais diversificadas que contribuem para a sustentação do
desenvolvimento econômico.
1072
2.2 Turismo e balanço de pagamentos
O balanço de pagamentos de um país apresenta o conjunto de contas
que representam os negócios do país com relação ao resto de mundo.
Lickorish e Jenkins (2000) afirmam que
“as contas do balanço de pagamentos são
interpretadas pelo governo e por observadores
internacionais como um reflexo da saúde
econômica de um país”.
O balanço de pagamentos é considerado o registro contábil de todas as
transações realizadas entre os moradores de um país e os dos outros países
do mundo, em um determinado período (SIMONSEN; CYSNE, 1995). Essas
transações podem ser tanto econômicas com bens e serviços como transações
com capitais físicos e monetários.
De acordo com Goeldner et al (2002) uma forma fácil de entender esse
aspecto é perguntar: “Quem ficou com o dinheiro?”
O turismo é também uma atividade geradora de emprego e em muitas
localidades chega a ser a única opção de renda para a comunidade receptora.
2.3 Turismo e geração de emprego
O turismo é considerado como a atividade que gera mais empregos do
que qualquer outra atividade econômica em todo o mundo.
O número de empregos gerado pelo turismo é considerado direto e
indireto. Os empregos diretos são aqueles definidos pela quantidade de postos
de trabalho criados especificamente pela necessidade de atender aos turistas.
Já os empregos indiretos são aqueles provenientes do turismo, porém que não
atuam diretamente com a satisfação das necessidades dos turistas, um
exemplo claro são as vagas geradas na construção civil pela construção de
hotéis, restaurantes, casas noturnas, entre outros.
1073
De acordo com Mathieson e Wall (apud OMT, 2001) os tipos de
empregos gerados pelo turismo se classificam de três formas:
Direto: resultado dos
instalações turísticas;
gastos
dos
visitantes
em
Indireto: ainda no setor turístico, mas não como
resultado direto dos gastos turísticos;
Induzido: resultado dos gastos dos moradores devido
às entradas procedentes do turismo.
Silva (apud OLIVEIRA, 2002) destaca a importância do turismo na
questão do emprego:
“tão importante quanto considerar e tirar proveito do
fato de que o turismo é a atividade econômica que mais
cresce no mundo é perceber que o setor é uma
extraordinária oportunidade para os micro e pequenos
empreendedores. Na prática, isto representa geração
de renda bem distribuída e a valorização do capital
intelectual e da capacidade empreendedora. O turismo
pode nos proporcionar um crescimento econômico
horizontal, auto-sustentado e com qualidade de vida
sem a disparidade comum no Terceiro Mundo”.
Com o desenvolvimento da atividade turística há geração de emprego,
aumento e melhor distribuição de renda na localidade onde se desenvolve e os
benefícios são aproveitados tanto pela população local e contribui também para
o desenvolvimento e equilíbrio econômico local.
3 O município de Franca e suas características
A cidade de Franca está localizada no Nordeste do Estado de São Paulo
e possui uma área total de 607 Km².
O município é sede da 14º Região Administrativa do Estado de São
Paulo, composta por 23 municípios que são eles: Franca, Aramina, Batatais,
Buritizal, Cristais Paulista, Guará,Igarapava, Ipuã, Itirapuã, Ituverava, Jeriquara,
Miguelópolis,
Morro
Agudo,
Nuporanga,
Orlândia,
Patrocínio
Paulista,
Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Rifaina, Sales Oliveira, São Joaquim
da Barra, São José da Bela Vista.
1074
A população estimada segundo o IBGE (2009) é de 330.938 habitantes,
com aproximadamente 64% da população economicamente ativa. O PIB per
capita do município R$ 11.205,22 (SEADE, 2009).
Figura 1: Mapa de localização de Franca
Fonte: Prefeitura Municipal de Franca
A cidade de Franca possuiu características econômicas voltadas para a
indústria coureiro-calçadista, o que incentiva o número de pessoas que visitam
a cidade interessadas em comercializar ou comprar esses produtos. Porém não
existe ainda uma preocupação por parte do poder público e da iniciativa
privada em controlar e organizar essa visitação, a fim de desenvolver na
localidade o turismo de negócios de forma planejada e organizada tendo como
base multiplicar os efeitos financeiros positivos que esse tipo de segmento gera
e pode gerar ainda mais para o município, incentivando o desenvolvimento da
localidade em si.
1075
De acordo com o site da Fundação SEADE (SEADE, 2009) Franca
possui: 2.636 estabelecimentos industriais, 3.747 estabelecimentos comerciais,
2.211 estabelecimentos prestadores de serviços.
A cidade conta com 02 distritos industriais onde se localizam o maior
número das empresas do pólo industrial de Franca. A economia da cidade gira
em torno da produção coureiro-calçadista, incluindo as exportações de
componentes para calçados, bolsas, carteiras de couro, material de borracha
para calçados, salto e sola de borracha, chapa de borracha para solado de
calçado, cola de borracha ou solução de borracha, forma para a fabricação de
calçados, máquinas industriais e implementos, caixas ou cartuchos de papelão.
Figura 2. Estrutura da cadeia produtiva da indústria coureiro-calçadista
em Franca-SP.
Fonte: Saturi, 2005.
O estudo pretende analisar possibilidade de desenvolvimento econômico
da cidade de Franca aliando as características econômicas do município ao
desenvolvimento do turismo de negócios, tendo em vista o potencial já
existente na cidade relacionado à suas características econômicas e a infraestrutura já existente no município.
4 Considerações Parciais
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A partir da análise superficial feita até o momento, tendo em vista que as
entrevistas ainda não foram concluídas, porém de acordo com o levantamento
teórico realizado até o momento entende-se que a cidade possui expressiva
possibilidade para o desenvolvimento da atividade turística através do
segmento
de
negócios
considerando suas
características econômicas
conforme levantamento já realizado.
De acordo com o que foi analisado até o momento percebe-se um fluxo
de turismo de negócios já existente na cidade, porém não há controle por parte
da iniciativa privada e do poder público sobre números de visitantes que a
cidade recebe.
No entanto, não é possível também, até o momento quantificar a
existência de benefícios advindos do desenvolvimento do turismo de negócios
no município por não se ter concluído a pesquisa.
Espera-se analisar a infra-estrutura básica, de apoio e turística existente
na cidade de Franca; pesquisar o setor público (prefeitura, secretária de
turismo, departamento de cultura, COMTUR) e a iniciativa privada (hotéis,
agências de turismo, sindicato da indústria calçadista, Shopping do Calçado e
Franca Shopping) a fim de identificar o potencial de atração de turistas de
negócios e a demanda já existente na cidade.
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Sibele Castro Silva, Hélio - Local - Uni