Série Documentos Técnicos Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Brasília 2011 Série Documentos Técnicos Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Presidente Dilma Vana Rousseff Ministra do Meio Ambiente Izabella Mônica Vieira Teixeira Presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Rômulo José Fernandes Barreto Mello Diretora de Planejamento, Administração e Logística Silvana Canuto Medeiros Diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação Ricardo José Soavinski Diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em UCs. Paulo Fernando Maier Souza Diretor de Pesquisa,Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade Marcelo Marcelino de Oliveira Coordenador-Geral de Gestão de Pessoas Clayton Geraldo Mendonça de Castilho Educação Corporativa Helena Machado Cabral Coimbra Araújo Gestão da Educação Thaís Ferraresi Pereira Academia Nacional da Biodiversidade Ricardo Brochado Alves de Silva Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Ministério do Meio Ambiente Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Diretoria de Planejamento, Administração e Logística Coordenação Geral de Gestão de Pessoas Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Série Documentos Técnicos Brasília 2011 2011 by Caren Cristina Dalmolin Este trabalho é parte integrante da monografia de conclusão da Especialização em Gestão de Pessoas no Setor Público pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), de autoria da analista ambiental Caren Cristina Dalmolin. A citação deste estudo em trabalhos acadêmicos e/ou profissionais deverá ser feita com indicação da fonte. Equipe: Caren Cristina Dalmolin - Coordenação Geral Pesquisa/DIBIO Helena Coimbra Araújo - Coordenação Geral de Gestão de Pessoas/DIPLAN Thais Ferraresi Pereira - Coordenação Geral de Gestão de Pessoas/DIPLAN Facilitação das Oficinas: Rita Scardinni (CNPq) e Caren Cristina Dalmolin (ICMBio) Coordenação e elaboração do relatório: Caren Cristina Dalmolin Editoração eletrônica, ilustração e diagramação : Divisão de Comunicação - ICMBio Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Dalmolin, Caren Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade / Caren Cristina Dalmolin. - Brasília: 2011. 36 p.; 21 cm x 29,7 cm. ISBN 978-85-61842-38-3 1.Mapeamento de competências gerenciais. Título. Índice para catálogo sistemático: 1.Mapeamento de competências gerenciais: Educação Corporativa Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade SUMÁRIO Apresentação 4 5 6 10 11 12 14 15 15 15 16 17 Primeiras Conclusões 28 11.Considerações Finais 32 12.Referências Bibliográficas 33 Apresentação Caren Cristina Dalmolin apresenta proposta de Mapeamento de Competências para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, cuja organização, missão, e estratégias estão bem descritas. A autora o faz de forma bastante rica e competente, discutindo os conceitos, definições e dimensões das Competências, tanto segundo a abordagem americana, quanto a francesa, explorando também autores brasileiros, no contexto da Gestão de Pessoas e em conexão com o Plano Estratégico do ICMbio. Estou certo de que se tornará referência importante nessa temática e se constituirá como mais uma importante contribuição da ENAP (Escola Nacional da Administração Pública) para o serviço público federal. Tive a feliz oportunidade de ser convidado, ao que muito agradeço, a acompanhar o processo de sua elaboração e as oficinas que foram realizadas de forma intensamente participativa e também de fazer esta apresentação, o que muito me honra. Nesses exercícios contou com a colaboração efetiva e competente da colega Rita Scardinni, que também realizou processo semelhante no CNPq, e com o apoio de suas colegas Helena Coimbra Araújo e Thais Ferraresi Pereira da Diretoria de Planejamento do Instituto e demonstrou capacidade de liderança, realização e trabalho em equipe, bem como segurança em relação aos conceitos, além de aguda capacidade de crítica. Neste texto a autora desenvolve o mapeamento de competências com foco na dimensão gerencial, sem descuidar das demais (essenciais, conversacionais, emocionais, técnicas, trabalho em equipe, e outras como condicionantes dos conhecimentos, atitudes e habilidades gerenciais). Uma das estratégias para o desenvolvimento gerencial é o mapeamento de competências, ausências e vazios, para posteriormente orientar a proposição de formação, treinamento e desenvolvimento. Assim, esta monografia contribui com propostas orientadas pelo planejamento estratégico é a implantação de um sistema de gestão por competências. Conforme destaca a autora, o desenvolvimento de competências gerenciais tem como objetivo melhorar o desempenho das pessoas no trabalho e, consequentemente, aperfeiçoar o desempenho institucional e a qualidade dos serviços prestados pela organização. Na literatura contemporânea a respeito desse conceito uma ambigüidade surge com relação à gestão de ou por competências. A primeira corresponde à gestão orientada para desenvolver competências e apropriá-las na organização, independentemente das responsabilidades formalmente atribuídas aos cargos ou funções, e a segunda tem foco na compatibilização entre os talentos e capacidades dos colaboradores com as suas responsabilidades funcionais. Conceituar e avaliar a eficácia, especialmente o desempenho dos colaboradores de uma organização é um dos papéis mais relevantes dos gestores. Mas como saber que conhecimentos, habilidades, atitudes e valores um profissional precisa para desempenhar eficazmente suas funções? Como saber se está qualificado para o trabalho? Em outras palavras, como saber o que avaliar? Alguns autores defendem que a educação formal pode ser uma estratégia confiável para avaliar competências enquanto outros apostam na experiência, e outros ainda argumentam que características pessoais oferecem critérios melhores de avaliação. Tal discussão ocorre em conseqüência de raciocínio de exclusão (ou, ou). A opção da autora foi a da abordagem do pensamento sistêmico que considera a complexidade dessa questão em todas as suas dimensões. A proposta de Dee Hock em seu livro O nascimento da Era Caórdica tem fundamento do pensamento sistêmico envolvendo competências com o propósito de estimular e desenvolver a criatividade dos servidores, e de criar ambiência favorável às Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade inovações: Integridade Pessoal; Motivação; Capacidade de Realização; Compreensão; Conhecimento; e Experiência. Sugere ainda um ordenamento entre esses critérios, argumentando que: Sem Integridade, a motivação é Perigosa; Sem Motivação, a capacidade de realização é Impotente; Sem Capacidade, a compreensão é limitada; Sem Compreensão, o conhecimento não tem significado; e Sem Conhecimento, a experiência é Cega. Parabéns a autora pela excelente monografia. Ivan Rocha Neto Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 1. Introdução A transformação é uma das características mais marcantes do contexto atual do mercado e da sociedade (ALBUQUERQUE, 2002). Nesses ambientes marcados por mudanças constantes, a forma como as instituições fazem a gestão de pessoas também passa por mudanças significativas tanto na organização do trabalho como no relacionamento entre a organização e as pessoas (DUTRA, 2008a). Um dos motivos para a indução dessas mudanças é a inadequação dos modelos tradicionais de gestão de pessoas para suprir as necessidades e expectativas tanto das organizações quanto das pessoas (DUTRA, 2008a). Assim, ganha espaço a chamada gestão estratégica de pessoas, que consiste em um processo sistemático e constante de tomada de decisões, com ações inter-relacionadas e interdependentes, cujos efeitos serão observados no futuro (TEIXEIRA et.al., 2005). Nesse modelo, o sucesso de uma organização está ligado a sua capacidade de desenvolver pessoas e ser desenvolvida por elas (DUTRA, 2008a). Um dos desafios da gestão contemporânea consiste na necessidade e na capacidade de lidar com mudanças e transformações, que tendem a ser cada vez mais diversificadas, imprevistas e rápidas. Desta forma, cada colaborador, e em especial cada gerente, precisa ser capaz de compreender os desafios que a organização enfrenta e de identificar os elementos que podem afetar o desempenho da organização (TONET e GONÇALVES, 2009). Segundo Tonet e Gonçalves (2009), o desenvolvimento de competências gerenciais pode ser considerado um fator de efetividade para qualquer organização. Para essas autoras é essencial o desenvolvimento de um modelo de ação gerencial que norteie suas práticas e que possibilite trabalhar a complexidade do ambiente organizacional (interno e externo) e seus desafios, garantindo integração, comprometimento, inovação e produtividade das equipes. O desenvolvimento do quadro gerencial é uma das áreas de relevante interesse do governo federal, que, por meio da Escola Nacional de Administração Pública, tem realizado ações de treinamento, desenvolvimento e educação voltadas à formação gerencial das instituições públicas federais com o objetivo de melhorar a qualidade do serviço público. Portanto, o gestor precisa estar preparado para implementar de forma eficaz as políticas públicas, aliando a habilidade para a gestão de recursos à tomada de decisão fundamentada, com foco no alcance dos resultados planejados (MACIEL E GONÇALVES, 2008). 4 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 2. Justificativa e Objetivos: O foco deste trabalho é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), criado em 2007, por meio da Lei 11.516 (28/08/2007). O Instituto concluiu a fase inicial de seu processo de planejamento estratégico em 2008. A organização está estruturada em processos e macroprocessos visando à integração de temas e equipes de trabalho (PUBLIX, 2008). Desta forma, essa estrutura demanda gerentes com um perfil de gestão diferenciado, capazes de pensar e de trabalhar de forma sistêmica, promovendo a integração das equipes. Nesse sentido, o desenvolvimento de um corpo gerencial com visão sistêmica e alinhada à estrutura organizacional por processos contribuirá para a implementação do planejamento estratégico, para o desenvolvimento de equipes de trabalho em redes e para a consolidação de uma gestão de pessoas mais moderna e estratégica no ICMBio. Segundo Maciel e Gonçalves (2008), a implementação do processo de gestão por competências na administração pública federal tem se iniciado pelas funções gerenciais, devido ao papel importante que os gerentes desempenham no processo de mudança. Portanto, dotá-los de competências para conduzir as mudanças é considerado como prioridade segundo o Decreto 5.707/2006. Nesse sentido, um gestor bem preparado torna-se um prérequisito para o alcance dos objetivos e da missão da instituição. Entretanto, no ICMBio ainda não há um portfólio de competências gerenciais necessárias à efetiva implantação desse modelo de gestão. Assim, uma das estratégias para o desenvolvimento gerencial é o mapeamento de competências e suas lacunas, para posteriormente subsidiar a proposição de ações de treinamento, desenvolvimento e educação. Somando-se a isso, uma das ações estruturantes propostas pelo planejamento estratégico é a implantação de um sistema de gestão por competências (PUBLIX, 2008). O desenvolvimento de competências gerenciais tem como objetivo final melhorar o desempenho do indivíduo no trabalho e, consequentemente, aperfeiçoar o desempenho institucional e a qualidade dos serviços prestados pela organização. Desta forma, o objetivo deste trabalho é mapear as competências gerenciais no contexto da gestão por processos no ICMBio. 5 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 3. Caracterização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é uma autarquia federal instituída pela Lei 11.516, de 28 de agosto de 2007, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente com a finalidade de: I – executar ações da política nacional de unidades de conservação da natureza, referentes às atribuições federais relativas à proposição, implantação, gestão, proteção, fiscalização e monitoramento das unidades de conservação instituídas pela União; II – executar as políticas relativas ao uso sustentável dos recursos naturais renováveis e ao apoio ao extrativismo e às populações tradicionais nas unidades de conservação de uso sustentável instituídas pela União; III – fomentar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e de educação ambiental; IV – exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das unidades de conservação instituídas pela União; e V – promover e executar, em articulação com os demais órgãos e entidades envolvidos, programas recreacionais, de uso público e de ecoturismo nas unidades de conservação, onde estas atividades sejam permitidas. A instituição foi criada em virtude de uma reestruturação na área ambiental, com a missão de proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental. A estrutura organizacional do Instituto é composta por um órgão colegiado, o Comitê Gestor, formado pelo presidente, diretores, Procuradoria e Auditoria e estruturas de apoio ao Presidente (Gabinete, Procuradoria Federal Especializada e Ouvidoria). As diretorias que integram o comitê gestor são a Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade, a Diretoria de Ações Socioambientais e consolidação Territorial em Unidades de Conservação, a Diretoria de Criação e Manejo da Unidade de Conservação Integral e a Diretoria de Planejamento, Administração e Logística. As unidades avançadas também fazem parte da estrutura e são representadas pelas Coordenações Regionais, Unidades de Conservação, Centros de Pesquisa e Conservação, Centro de Formação em Conservação da Biodiversidade e Unidades Avançadas de Administração e Finanças, distribuídos por todas as regiões do país. (Figura 1). 6 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade O Instituto iniciou o processo de planejamento estratégico em 2008. A organização foi modelada para funcionar em uma estrutura matricial, mais fluida e estruturada em macroprocessos e processos Nesse sentido, o resultado desse trabalho visa contribuir para a promoção da integração e coerência entre os objetivos estratégicos e a capacidade gerencial requerida para atingir tais objetivos, e bem como visando à integração de temas e equipes de trabalho (PUBLIX, 2008). Na segunda fase do planejamento estratégico, iniciada em junho de 2010, foram refinados os objetivos estratégicos da Instituição (Figuras 2 e 3) e definidos indicadores de desempenho, bem como a pactuação de metas . para o alcance das metas referentes ao objetivo - consolidar as políticas de formação continuada para os servidores e de gestão de pessoas do instituto. Figura 1: Estrutura organizacional do ICMBio. Fonte: ICMBio (2012). 7 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade MAPA ESTRATÉGICO ICMBio (Versão 17/09/2010) Compatibilizar o desenvolvimento local, regional e nacional com a conservação da biodiversidade Envolver a sociedade na conservação da biodiversidade Posicionar- se de forma coerente e transparente Prevenir e responder aos conflitos com comunidades locais afetadas pela existência de UCs Estimular o desenvolvimento de pesquisas Integrar as ações das UCs às comunidades do seu entorno Estimular as UCs e Centros como espaço educacional e de formação para a sociedade e para as Instituições de Ensino e Pesquisa Conservação de espécies Ampliar a articulação e integração com órgãos públicos e privados Estimular o desenvolvimento de pesquisas Integrar as ações das UCs às comunidades do seu entorno Estimular as UCs e Centros como espaço educacional e de formação para a sociedade e para as Instituições de Ensino e Pesquisa Otimizar os processos administrativos e logísticos Fortalecer a imagem do ICMBio Aprimorar e modernizar a administração de pessoal Melhorar a qualidade de vida dos servidores Figura 2: Mapa Estratégico do ICMBio. Fonte: ICMBio (2010). Prover o Instituto de infraestrutura e serviços adequados Consolidar as políticas de formação continuada para os servidores e de gestão de pessoas do Instituto Consolidar a gestão estratégica e a gestão por processos orientada para resultados Ampliar a transparência e o acesso à informação para a sociedade Incrementar o quadro de pessoal de forma a garantir a consolidação, sustentabilidade e o desenvolvimento do ICMBio Estruturar e implementar sistemas de informações para assegurar a integração dos dados e disponibilização informações Ampliar os recursos orçamentários e financeiros e otimizar a sua utilização Recursos Fazer cumprir obrigação de compensação ambiental e aplicar os recursos da forma mais efetiva para o cumprimento da missão Criar condições para a realização de pesquisas nas UCs e Centros Ampliar a quantidade e a qualidade dos bens e serviços ofertados pelo Instituto Aprendizado Contribuir para o fortalecimento da cultura organizacional Uso dos recursos e geração de serviços Ampliar a quantidade e a qualidade dos bens e serviços ofertados pelo Instituto Processos Suporte Desenvolver e implementar uma estratégia de comunicação Criar experiências consistentes de interação com os beneficiários Processos Finalísticos Prevenir e responder aos conflitos com comunidades locais afetadas pela existência de UCs Reduzir o risco de extinção de espécies Subsidiar a formulação de políticas públicas alinhando-as à conservação da biodiversidade Ampliar a articulação e integração com órgãos públicos e privados Aumentar a efetividade e a consolidação das UCs Garantir território e promover desenvolvimento socioambiental das comunidades tradicionais Ampliar o conhecimento da biodiversidade Beneficiário Garantir território e promover desenvolvimento socioambiental das comunidades tradicionais Aumentar representatividade e conectividade das áreas naturais protegidas nos biomas Sociedade e Governo Conservar e promover as práticas e conhecimentos tradicionais associadas ao uso sustentável da biodiversidade 8 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Figura 3: Mapa Estratégico do ICMBio – Curto Prazo. Fonte: ICMBio (2011). 9 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 4. O que é competência? O conceito de competência pode ser pensado como um conjunto de capacidades humanas - conhecimentos, habilidades e atitudes – que possibilitam um alto desempenho, cujos aspectos fundamentais são a inteligência e a personalidade das pessoas. Portanto, a competência pode ser percebida como um estoque de recursos à disposição do indivíduo (FLEURY, 2002). Conforme descrito por Dutra (2008b), pode-se observar a existência de duas grandes correntes de pensamento na definição do termo competência. A primeira é a abordagem norte-americana que conceitua competência como um estoque de qualificações (conhecimentos, habilidades e atitudes) que habilitam o indivíduo para o desempenho de uma função. A segunda abordagem, que tem origem principalmente francesa, associa o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes da pessoa às suas realizações e àquilo que elas produzem ou entregam às organizações. Para Fleury (2002) o conceito de competência extrapola o conceito de qualificação. O desempenho no trabalho é resultado direto das competências que o indivíduo mobiliza em uma situação profissional cada vez mais mutável e complexa. Dutra (2008b) ainda acrescenta ao conceito de Fleury (2002) o aspecto da entrega da pessoa à organização. Cada pessoa fará a entrega que a organização espera ou necessita de formas diversas, pois cada um integrará de maneira diferente seus conhecimentos, habilidades e atitudes de acordo com o contexto ambiental. Para o autor as organizações e as pessoas estão em um processo contínuo de troca de competências. Além disso, a entrega da competência pode ser considerada como uma agregação de valor ao patrimônio de conhecimentos da organização, conferindo-lhe vantagens competitivas (DUTRA, 2008b). A Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal da Administração Pública Federal, publicada em 2006, agrega esses conceitos e define competência com “um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição” (BRASIL, 2006). É importante ressaltar que o conceito de competência não está restrito somente às pessoas, mas estende-se às equipes de trabalho e às organizações (BRANDÃO e BAHRY, 2005). 10 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Nesse sentido, as competências podem ser classificadas em competências humanas ou profissionais e organizacionais (CARBONE et al., 2006) As competências humanas ou profissionais referem-se às competências do indivíduo ou de pequenas equipes de trabalho, também chamadas de competências individuais (RUAS, 2005; CARBONE et al., 2006; DUTRA, 2008b). As competências organizacionais estão relacionadas à organização ou às suas unidades produtivas (CARBONE et al., 2006). Essas competências constituem mais do que o simples somatório das competências individuais, pois devido às interações entre as pessoas ocorre sinergia e potencialização de conhecimentos, habilidades e atitudes que resultam na competência organizacional, a qual influencia o seu comportamento estratégico (GOMES et al., 2007; ZARIFIAN, 2008). No setor público as competências organizacionais extrapolam as competências legais definidas pela lei de criação da instituição. As competências definidas pela legislação seriam a base ou o ponto de partida daquela instituição, mas o portfólio de competências organizacionais é mais amplo e é construído a partir das novas realidades, políticas e diretrizes que se modificam ao longo do tempo (CARVALHO et al., 2009). Para Carbone et al., (2006) as competências individuais aliadas aos recursos e aos processos da organização dão origem e sustentação às competências organizacionais, por isso não é possível dissociar a discussão sobre competências organizacionais das competências individuais (GOMES et al., 2007). Nesse sentido, Brandão (2009) defende a importância de identificar o portfólio de competências humanas que mais impactam o alcance dos resultados organizacionais, bem como a análise de como as estratégias de aprendizagem e como o suporte organizacional afetam a expressão das competências no trabalho. 5. Competências gerenciais Conforme proposto por Cockerill (1994 citado por BRANDÃO et al., 2010), dependendo da função exercida pelo indivíduo as competências humanas podem ser classificadas em técnicas e gerenciais. As competências técnicas podem ser definidas como aquelas necessárias ao desempenho de atividades de assessoramento ou operacionais, que não requerem o exercício formal da liderança. As competências gerenciais são os comportamentos requeridos daqueles que exercem funções de supervisão ou direção (BRANDÃO et al., 2010). 11 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 6. O modelo de gestão por competências Para Ruas (2005, p. 49) a competência gerencial pode ser definida como “uma ação através da qual se mobilizam conhecimentos, habilidades e atitudes pessoais e profissionais a fim de cumprir com certa tarefa ou responsabilidade, numa determinada situação”. Conforme Brandão et al., (2010), o interesse por estudos envolvendo a categoria das competências gerenciais têm sido crescente, sendo que uma das razões para isso seria a suposição de que elas exercem considerável influência sobre o desempenho das equipes de trabalho e, consequentemente, sobre os resultados organizacionais. Segundo Moura e Bittencourt (2006), cada instituição requer um conjunto específico de competências gerenciais, o que implica no desenvolvimento por competências customizado, elaborado a partir de um diagnóstico da situação organizacional e do próprio significado do trabalho. Nesse contexto, percebemos que programas para o desenvolvimento e o aprimoramento de competências gerenciais são fundamentais, pois estão diretamente relacionados à qualidade do desempenho das suas funções e, consequentemente, ao alcance das metas da organização. O modelo de gestão por competências se propõe a orientar a organização para o planejamento, desenvolvimento, manutenção e avaliação das competências necessárias para o alcance dos seus objetivos (CARBONE et al., 2006). Brandão e Guimarães (2001) descrevem a gestão por competências como parte de sistema maior de gestão organizacional. Esse modelo tem como referência a estratégia da organização e, portanto, orienta as etapas de recrutamento e seleção, treinamento, gestão de carreira, avaliação de desempenho e estabelecimento de parcerias para a captação e o desenvolvimento das competências necessárias ao alcance dos objetivos e estratégias organizacionais. Segundo o Decreto n°5.707, a gestão por competências pode ser definida como a “gestão da capacitação orientada para o desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição” (BRASIL, 2006) Esse modelo tem sido descrito como uma alternativa gerencial em substituição aos instrumentos tradicionalmente utilizados pelas organizações (BRANDÃO e BAHRY, 2005). Portanto, esse modelo visa alinhar as competências individuais às organizacionais, de modo que elas possam gerar e sustentar as competências necessárias à organização (BRANDÃO e BAHRY, 2005). 12 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Figura 4: Etapas do modelo de gestão por competências, segundo Brandão e Bahry (2005). Para os autores o processo de gestão por competências é um ciclo contínuo, que apresenta como etapa crucial o mapeamento de competências, pois essa etapa constitui pré-requisito para as ações de captação e desenvolvimento de competências, de avaliação e de retribuição. Segundo Moura e Bittencourt (2006), a efetividade de uma organização depende da articulação entre seu planejamento estratégico com as competências organizacionais, de equipes e individuais. Esse processo implica em uma reflexão sobre a cultura organizacional e o modelo de gestão adotado. A literatura associa a temática das competências à criação de um diferencial competitivo para as organizações, na administração pública a concorrência é menos explícita, entretanto, ela existe e se evidencia nos processos de recrutamento, de retenção de talentos, de acesso aos recursos, estabelecimento de contratos e também na busca por resultados (HONDEGHEM et al., 2006). A administração pública de alguns países da Europa, como Reino Unido, Bélgica e Alemanha adotaram, há alguns anos, o modelo de gestão por competências. Sabe-se que implantação e internalização deste modelo é um processo complexo e que existem problemas tanto de ordem científica, quanto de ordem prática. 13 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Contudo, é importante lembrar que a essência da gestão por competências são as pessoas, estas constituem o capital humano das instituições, e, portanto, devem ter todas as oportunidades para desenvolverem e desempenharem seus talentos de modo a oferecer ao público um serviço de qualidade (HONDEGHEM et al., 2006). 7. Marcos legais Para Carvalho et al., (2009), a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas (PNDP - Decreto nº 5.707 de 23/02/2006) inseriu o processo de gestão por competências como um referencial para as ações de capacitação dos servidores públicos federais visando a melhoria na qualidade dos serviços prestados ao cidadão. Os objetivos dessa Política visam alcançar a melhoria da eficiência, eficácia e qualidade dos serviços públicos prestados à sociedade; o desenvolvimento permanente do servidor público; a adequação das competências requeridas dos servidores aos objetivos das suas instituições; a divulgação e gerenciamento das ações de capacitação e a racionalização e efetividade dos gastos com capacitação (BRASIL, 2006). A PNDP estabelece como diretrizes (BRASIL, 2006): ? Incentivar e apoiar o servidor público para ações de capacitação visando ao desenvolvimento das competências institucionais e individuais; ? Promover a capacitação gerencial do servidor e sua qualificação para o exercício de atividades de direção e assessoramento; ? Incentivar a utilização das atividades de capacitação como condição para a promoção funcional do servidor, assegurando sua participação nesses eventos; ? Considerar o resultado das ações de capacitação e da avaliação de desempenho do servidor complementares entre si; ? Estimular a participação do servidor em ações de educação continuada; ? Avaliar continuamente os resultados das ações de capacitação. Segundo o decreto acima citado, uma das estratégias para a implantação da PNDP é o sistema de gestão por competências como ferramenta para planejar, monitorar e avaliar ações de capacitação, a partir da definição do conjunto de conhecimentos, habilidades e das atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores públicos. Reforçando as diretrizes da PNDP, foi publicado o Decreto 7.133 de 19/03/2010 que estabelece critérios e procedimentos para a realização das avaliações de desempenho individual e institucional. Este decreto determinou como modelo a avaliação 360 graus tanto para os subordinados como para os gestores, que deverá tomar como base critérios e fatores considerando as competências do servidor na execução das suas atividades (BRASIL, 2010). 14 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 8. Metodologia para o mapeamento de competências gerenciais 8.1 Análise documental A primeira etapa consistiu na análise documental, ou seja, foram analisados documentos considerados relevantes para a identificação de competências gerenciais, tais como: ? Lei 11.516 de 28 de agosto de 2007 – que dispõe sobre a criação do Instituto; ? Decreto 6.100 de 26 de abril de 2007 – que regulamenta a estrutura regimental do Instituto; ? Planejamento Estratégico e missão. 8.2 Mapeamento de competências gerenciais É importante ressaltar que o conceito de competência não está restrito somente às pessoas, mas estende-se às equipes de trabalho e às organizações (BRANDÃO e BAHRY, 2005). O diagnóstico ou mapeamento de competências tem como objetivo principal identificar as lacunas de competências existentes em uma organização, cujo desenvolvimento é considerado essencial para o alcance da missão. Partindo desse pressuposto, o diagnóstico das competências gerenciais relevantes ao ICMBio foi realizado por meio de uma oficina de trabalho utilizando a metodologia de facilitação de processos grupais com a visualização em cartelas, consistindo em uma técnica interativa. Para obtenção da construção das competências gerenciais, a plenária foi dividida em pequenos grupos (subgrupos) para responder a questão: quais são as competências necessárias aos gestores do ICMBio? A partir dessa tempestade de ideias, as respostas de cada subgrupo foram registradas em cartelas, seguindo a orientação de redigir uma ideia por cartela, e fixadas em um painel que podia ser visualizado por todos os participantes. Deste momento em diante a cartela passou a pertencer ao grupo para discussão coletiva. Em seguida, as ideias foram agrupadas de acordo com uma lógica de similaridade para formar o portifólio de competências gerenciais do ICMBio. A dinâmica da oficina consiste, portanto, em um enfoque participativo, onde os participantes expõem e debatem suas ideias de forma igualitária, buscando sempre a construção das competências de forma consensual. Essa oficina teve como objetivo mapear e descrever as competências gerenciais no contexto da gestão por processos do ICMBio, trazendo como diretrizes a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas e a Missão do Instituto. 15 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Previamente à oficina presencial foi criado um ambiente virtual para disponibilizar aos participantes as seguintes referências: Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas (Decreto nº 5.707 de 23/02/2006); Decreto 7.133 (19/03/2010); Mesa-redonda de pesquisaação: a) Gestão por competências em organizações de governo e b) Escolas de Governo e Gestão por Competências. A oficina de trabalho contou com a participação de vinte pessoas, incluindo coordenadores gerais, coordenadores setoriais (titulares e substitutos) e técnicos representando todas as Diretorias do ICMBio (Diretoria de Criação e Manejo de Unidades de Conservação, a Diretoria de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em UCs, a Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade e a Diretoria de Planejamento, Administração e Logística). Dos treze macroprocessos existentes na atual estrutura, apenas três não participaram das etapas de discussão sobre as competências gerenciais. A oficina foi dividida em quatro blocos, conforme detalhado abaixo: Bloco1: abertura e diretrizes, conceito de competência, importância do sistema de gestão por competências. Bloco 2: mapeamento das competências gerenciais. Bloco 3: descrição das competências gerenciais. Bloco 4: descrição dos conhecimentos, habilidades e atitudes (CHAs) requeridos para as competências gerenciais. Ao final de cada oficina o relatório sistematizado foi encaminhado via correio eletrônico a todos os coordenadores gerais e demais participantes da oficina para análise e sugestões. O produto resultante desse trabalho consistiu num portfólio de competências gerenciais customizado para o sistema de gestão do ICMBio. A realização desse mapeamento contou com o apoio da alta direção e está alinhado aos objetivos estratégicos da Instituição. 8.3 Análise dos dados e validação das competências gerenciais Em seguida os dados foram sistematizados em um relatório técnico e analisados com base na literatura existente. A descrição das competências e seus conhecimentos, habilidades e atitudes foi validada pelo Dr. Ivan Rocha Neto, especialista na área de Gestão por Competências. 16 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 9. Resultados da Oficina O resultado da oficina de mapeamento de competências indicou a necessidade de desenvolvimento de onze competências gerenciais essenciais para o cumprimento da missão do ICMBio, conforme exposto na figura 5. Comunicação Negociação Gestão de recursos financeiros e orçamentários Gestão do conhecimento e informação Gestão de recursos materiais Gestão de equipes Gestão de projetos Planejamento Conhecimento técnico Visão sistêmica Figura 5: Competências gerenciais necessárias ao cumprimento da missão do ICMBio Ética 17 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade O portfólio de competências gerenciais obtido para o ICMBio demonstra um alinhamento com literatura consultada, além de competências específicas para o contexto dessa instituição como, por exemplo, a gestão de recursos materiais e gestão de recursos financeiros e orçamentários. A construção das competências gerenciais e a sua descrição foram trabalhadas seguindo essa linha, quais as competências e qual o desempenho esperado são essenciais ao ICMBio neste momento. No quadro 1 é apresentada a descrição das competências gerenciais do ICMBio. Posteriormente, para cada uma das competências foi construído o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes requeridos, conforme detalhado no quadro 2. 18 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Descrição das competências gerenciais do ICMBio Comunicação Propõe e executa estratégias de comunicação, apresenta as idéias com clareza e objetividade, buscando melhorar internamente a gestão e a comunicação entre os processos bem como divulgar a marca ICMBio ao público externo. Negociação e articulação Articula e negocia com diferentes atores, concilia interesses, considerando o contexto político-econômico bem como o planejamento institucional, buscando um acordo satisfatório para ambas as partes. Gestão de recursos financeiros e orçamentários Capta, planeja e administra os recursos financeiros e orçamentários de forma eficaz e eficiente, buscando identificar previamente possíveis erros a fim de minimizar falhas nos processos administrativos. Gestão de equipes Lidera equipes identificando competências individuais, delegando tarefas, compartilhando decisões e sabendo ouvir. Estimula o espírito de equipe e a educação continuada, valorizando o papel de cada um no alcance das metas institucionais. Gestão de recursos materiais Administra com eficiência e eficácia a compra, uso e distribuição de recursos, identificando necessidades e prioridades para o alcance dos objetivos estabelecidos. Conhecimento técnico Gestão do conhecimento e informação Ética Visão sistêmica Domina e aplica com efetividade os conhecimentos técnicos, normas e procedimentos no desempenho de suas atividades, buscando a qualificação e o aprendizado permanente, projetando novas perspectivas e cenários futuros. Conduz de forma integrada o processo de registro, sistematização e divulgação dos dados e informações, a fim de institucionalizar e disseminar o conhecimento em todos os níveis da organização. Demonstra postura institucional ética e responsável, observando os princípios da administração pública, respeitando normas e procedimentos internos e reconhecendo sua responsabilidade sócio-ambiental. Demonstra conhecimento sobre a estrutura organizacional, sobre o fluxo de processos e tem clareza da relação e da influência mútua dos mesmos, promove a interdisciplinaridade e as sinergias buscando uma integração institucional adequada dos processos. Planejamento Estabelece, de forma participativa, objetivos condizentes com a missão institucional, identifica oportunidades e tendências, define prioridades e metas factíveis. Gestão de projetos Elabora, planeja, executa, coordena e monitora programas e projetos em sua área de atuação com a visão de interface com outros processos, buscando contribuir para o alcance dos resultados institucionais. Quadro 1: Descrição das competências gerenciais do ICMBio. 20 19 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimentos Conhecimento de idiomas. Conhecimento sobre o uso adequado da língua portuguesa. Comunicação Conhecimento sobre formas de comunicação com a mídia. Conhecimento sobre os veículos institucionais de comunicação. Conhecimento sobre técnicas de comunicação. Ser capaz de expressar idéias com clareza e objetividade. Ser capaz de adequar a linguagem conforme o público alvo. Ser capaz de transmitir as informações técnicas corretamente. Ser capaz de criar, utilizar e disseminar o uso dos de comunicação do Instituto. Ser capaz de argumentar, persuadir e convencer. Conhecimento técnico específico. Negociação e articulação Conhecimento sobre gestão de conflitos. Conhecimento de técnicas de negociação. Atitudes Habilidades Ser capaz de comunicar-se com clareza. Ser capaz de identificar oportunidades e parceiros. Saber fazer análises políticas e do contexto. Saber lidar com pressões políticas e econômicas. Apresentar bom relacionamento interpessoal. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais Ser aberto às criticas e sugestões. Criatividade. Flexibilidade. Respeito às opiniões diversas. Flexibilidade. Autoconfiança. Respeito pelos outros. Empatia. Postura institucional. Iniciativa. 21 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimentos Habilidades Ser capaz de expressar idéias com clareza e objetividade. Gestão de recursos financeiros e orçamentários Conhecimento sobre instrumentos, ferramentas e sistemas para a gestão de recursos financeiros e orçamentários. Conhecimento sobre orçamento público. Conhecimento sobre planejamento. Conhecimento sobre legislação aplicada e normativas. Conhecimento de princípios de contabilidade, administração e finanças no setor público. Conhecimento sobre as diretrizes institucionais. Possuir capacidade de organização. Conhecimento sobre gestão de pessoas. Saber delegar tarefas. Paciência. Saber ouvir. Assertividade. Conhecimento sobre liderança. Gestão de equipes Conhecimento sobre gestão de conflitos. Conhecimento sobre planejamento. Atitudes Ser capaz de adequar a linguagem conforme o público alvo. Perfil legalista. Saber utilizar aplicativos e sistemas para a gestão dos recursos financeiros e orçamentários. Ser capaz de analisar os dados financeiros e orçamentários. Possuir bom raciocínio lógico. Saber compartilhar decisões. Saber avaliar o desempenho individual e de equipe. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais Dinamismo. Concentração. Paciência. Imparcialidade. Ser aberto às críticas e sugestões. 22 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimentos Atitudes Habilidades Saber dar e receber feedback. Gestão de equipes Conhecimento sobre legislação e normas aplicadas à gestão de pessoas. Ter capacidade de se auto-motivar e motivar o outro. Ser capaz de identificar competências individuais e valorizar tanto o indivíduo como a equipe. Conhecimento sobre legislação aplicada (Licitação, Contratos). Conhecimento institucional e da cultura organizacional. Gestão de recursos materiais Conhecimentos de sistemas corporativos. Conhecimento e avaliação das demandas com base no planejamento estratégico, tático e operacional. Conhecimento sobre administração de recursos de materiais Ser capaz de desenvolver ferramentas de controle para a administração de recursos materiais. Ser capaz de operar sistemas. Ser capaz de sistematizar dados e demandas. Ser capaz de gerenciar e executar o planejamento. Possuir capacidade de análise e síntese. Possuir capacidade de organização. Possuir visão sistêmica. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais Iniciativa. Comprometimento. Respeito pelo outro. Comprometimento. Responsabilidade. Imparcialidade. Pró- atividade. 23 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimento técnico Gestão do conhecimento e informação Conhecimentos Habilidades Atitudes Conhecimento de redação oficial e uso adequado da língua portuguesa. Ser capaz fazer uso e aplicar o conhecimento. Conhecimento de idiomas. Ser capaz de trabalhar de forma interdisciplinar. Respeito às opiniões diversas. Conhecimento técnico específico da área de atuação. Possuir visão sistêmica. Buscar novos conhecimentos e aprendizagem contínua. Conhecimento de procedimentos e normas legais. Possuir capacidade de análise e síntese. Conhecimento de estratégias e práticas da gestão do conhecimento (ex.: coaching, comunidades de práticas). Ser capaz de organizar soluções e informações. Disponibilidade de compartilhar o conhecimento. Ser capaz de trabalhar em rede. Criatividade. Conhecimento sobre a psicologia das relações humanas. Conhecimento sobre a cultura e estrutura da organização. Conhecimento sobre técnicas de sistematização e divulgação de informações e conhecimento. Possuir clareza das necessidades e objetivos. Ser capaz de identificar oportunidades e problemas. Possuir habilidades conversacionais. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais Compartilhar o conhecimento. Saber ouvir. Atualização e aprendizado contínuo. Cooperativismo. 24 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimentos Gestão do conhecimento e informação Conhecimento sobre instrumentos de institucionalização do conhecimento. Conhecimento para uma ambiência adequada dos processos de gestão do conhecimento. Ser capaz de implementar programas de responsabilidade sócio-ambiental. Ser capaz de identificar interesses e suas implicações para a instituição. Conhecimento sobre a Lei 8.112/90. Ser capaz de demonstrar integridade na tomada de decisão. Conhecimento do regramento Ser capaz de gerenciar ou resistir da comissão de ética do instituto às pressões organizacionais. Conhecimento sobre o Código de ética do servidor público civil do poder executivo federal. Ética Conhecimento sobre o planejamento estratégico do Instituto. Visão sistêmica Atitudes Habilidades Conhecimento sobre gestão de processos. Conhecimento da estrutura e cultura organizacional. Ser capaz de identificar oportunidades, ameaças. Ser capaz de processar e transmitir informações. Responsabilidade socioambiental. Transparência. Imparcialidade. Razoabilidade. Flexibilidade. Respeito às opiniões diversas. Compartilhar conhecimento. Ser capaz de trabalhar em rede. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais 25 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimentos Atitudes Habilidades Ser capaz de projetar cenários (visão estratégica). Possuir facilidade de comunicação. Possuir capacidade de análise e síntese. Visão sistêmica Conhecimento sobre a administração pública. Ser capaz de identificar oportunidades e tendências. Cooperativismo. Conhecimento sobre ferramentas de planejamento (estratégico, tático e operacional). Ser capaz executar avaliação contínua. Planejamento Conhecimento sobre o planejamento estratégico do instituto. Ser capaz de avaliar e criar indicadores de desempenho. Conhecimento sobre teorias de planejamento. Ser capaz de identificar erros e corrigi-lo. Assertividade. Responsabilidade. Dinamismo. Criatividade. Flexibilidade. Conhecimento básico de finanças e gerenciamento financeiro. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais 26 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Competências Gerenciais Conhecimentos Habilidades Atitudes Conhecimento sobre ciclo de gerenciamento de projetos. Conhecimento sobre ferramentas de planejamento, monitoramento e controle. Conhecimento básico de finanças e gerenciamento financeiro. Gestão de projetos Conhecimento técnico específico. Conhecimento dos aplicativos de informática. Ser capaz de gerenciar e trabalhar em equipe. Ser capaz de expressar as idéias com clareza e objetividade. Versatilidade. Criatividade. Flexibilidade. Ser capaz de monitorar a execução dos projetos. Responsabilidade. Ser capaz de identificar oportunidades e parceiros. Respeito às opiniões diversas. Ser capaz de delegar responsabilidades. Conhecimento sobre o planejamento estratégico do instituto. Quadro 2: Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes para as competências gerenciais 27 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 10. Primeiras Conclusões Os resultados da implantação da gestão por competências podem ser utilizados para planejar, monitorar e avaliar as ações de capacitação; orientar os processos de movimentação de pessoal, e, assim, propor a lotação mais adequada ao perfil do servidor; identificar lacunas de aprendizagem; avaliar o desempenho dos servidores, orientar os processos seletivos (internos e externos) para admissão e alocação de pessoas em cargos ou funções; implantar processos de remuneração variável; orientar o estabelecimento de parcerias e direcionar investimentos em pesquisa e desenvolvimento (CARBONE et al., 2006). O mapeamento das competências gerenciais no ICMBio pode ser um instrumento para viabilizar a integração e a coerência entre os objetivos estratégicos propostos e a capacidade gerencial requerida para atingi-los (vide Figura 2 e Figura 3). Além disso, o presente trabalho contribui diretamente para o alcance do objetivo estratégico “consolidação das políticas de formação continuada para os servidores e das políticas de gestão de pessoas do Instituto”, pois servirá de subsídio para o desenvolvimento de programas de formação gerencial. A implantação de um modelo gestão por competências é um processo dinâmico e contínuo. Além disso, o acompanhamento e avaliação dos resultados obtidos permitem que o processo de gestão por competências seja um ciclo em constante aperfeiçoamento. Nesse sentido, o processo de implantação do sistema de gestão por competências no ICMBio pode ser iniciado pela temática das competências gerenciais, evoluindo para a construção do portfólio de competências técnicas, básicas e organizacionais associado à constante avaliação da adequabilidade do portfólio das competências gerenciais. 28 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Oficina de Mapeamento de Competências Gerenciais no ICMBio 29 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Resultados da Oficina de Mapeamento de Competências Gerenciais no ICMBio 30 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Resultados da Oficina de Mapeamento de Competências Gerenciais no ICMBio 31 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 11. Considerações Finais Conforme observamos na literatura, este trabalho constitui apenas a primeira etapa para a implantação de um sistema de gestão por competências, ou seja, o mapeamento de competências serve como subsídio para os processos de desenvolvimento das competências necessárias à efetiva implantação do sistema. Dado o foco do presente trabalho nas competências gerenciais, pode ser proposto um programa de formação e desenvolvimento gerencial com base nas competências essenciais elencadas. Para tanto é necessário dar prosseguimento às outras ações que compõem as etapas de implantação desse sistema, como por exemplo, o diagnóstico de lacunas de competências gerenciais para então propor e executar ações de treinamento, desenvolvimento e educação. A filosofia da gestão por competências aposta em um novo perfil de gestor, detentor de uma visão estratégica que parta de premissas como a valorização do capital intelectual, a aprendizagem contínua e a modernização dos processos produtivos e serviços oferecidos pela organização. Além disso, a PNDP reforça a importância da capacitação trazendo como uma de suas diretrizes o incentivo e a promoção da capacitação gerencial visando ao desenvolvimento das competências individuais alinhadas às institucionais. Portanto, programas de desenvolvimento de competências implicam em servidores e gestores mais preparados para sua função, o que reflete diretamente na melhoria da qualidade dos serviços públicos prestados à sociedade, estando associado à boa governança e ao exercício da accountability. 32 Mapeamento de competências gerenciais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 12. Referências Bibliográficas ALBUQUERQUE, L. G. A gestão estratégica de pessoas In: FLEURY. M.T.L. As pessoas na organização. São Paulo: Gente, 2002. cap. 2, p.35-50. BRANDÃO, H. P.; VIEIRA, I. A.; VIEIRA, F. T. A. Desenvolvimento e Estrutura Interna de uma Escala de Competências Gerenciais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 26, n. 1, p. 171-182, 2010. BRANDÃO, H. P. Aprendizagem, Contexto, Competência e Desempenho: Um Estudo Multinivel. 2009, 345f. Tese (Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações) - Universidade de Brasília, Brasília, 2009. BRANDÃO, H. P.; BAHRY, C. P. Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 56, n. 2, p. 179-194, 2005. BRANDÃO, H. P.; GUIMARÃES, T. A. Gestão de competências e gestão de desempenho: tecnologias distintas ou instrumentos de um mesmo constructo? Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 41, n.1, p. 8-15, 2001. BRASIL. Decreto 7.133 de 19 de março de 2010. 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