UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO SECRETARIA GERAL DE RECURSOS HUMANOS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA CLÁUDIA REJANE ZANGOTTI DA COSTA ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A GESTÃO DE COMPETÊNCIAS DA LINHA DE CUIDADO DO IDOSO JUNTO À UNIDADE SAÚDE ESCOLA DA UFSCAR SÃO CARLOS 2010 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO SECRETARIA GERAL DE RECURSOS HUMANOS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA CLÁUDIA REJANE ZANGOTTI DA COSTA ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A GESTÃO DE COMPETÊNCIAS DA LINHA DE CUIDADO DO IDOSO JUNTO À UNIDADE SAÚDE ESCOLA DA UFSCAR Monografia apresentada para obtenção do Certificado de conclusão do Curso de Especialização em Gestão Pública promovido pela Secretaria Geral de Recursos Humanos e Programa de PósGraduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos Orientador: Prof. Dr. Wilson José Alves Pedro SÃO CARLOS 2010 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por me dar a oportunidade de cumprir mais essa etapa de minha jornada. Aos meus pais que sempre se dedicaram aos filhos e aos netos com tanto carinho, amor, e paciência. Devo muito a vocês. Ao meu esposo e meus filhos que foram tão compreensivos e pacientes até a conclusão deste trabalho. Aos colegas de turma e professores do curso com os quais compartilhei momentos agradáveis de troca de experiências. Aos companheiros de trabalho, tão solícitos e disponíveis, sem os quais seria impossível a realização deste estudo. Ao Professor Mauro Rocha Côrtes, Secretário de Recursos Humanos e Coordenador do Curso, que incentivou e encorajou a turma desde a primeira reunião até a conclusão deste trabalho. Ao Professor Wilson Pedro que orientou este trabalho com tanta dedicação, paciência e atenção. Às Professoras Adriana e Marisa, que demonstraram tanta atenção e empenho na avaliação deste trabalho. Muito obrigada a todos, de coração. RESUMO As organizações têm buscado alternativas e estratégias para a melhoria de sua eficácia por meio de políticas estratégicas de recursos humanos. Nesse contexto, a Política de Gestão por Competências se destaca como alternativa para alinhar as competências organizacionais e individuais, com base no plano estratégico da organização, de maneira a levar às organizações a atingir seus objetivos de maneira eficaz, melhorando a qualidade dos produtos ou serviços ofertados e gerando a motivação de seu pessoal. No Serviço Público Federal Brasileiro, a Política de Gestão por Competências foi implantada pelo Governo Federal com a criação do Decreto nº 5.707 de 23 de fevereiro de 2006. Tal Política propõe a Gestão da Capacitação orientada para o desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição. Este trabalho consiste em um estudo de caso iniciado a partir de pesquisa documental, análise da legislação brasileira em relação à gestão de pessoas, em especial no que tange às políticas públicas na área da saúde. Consiste também no mapeamento das competências dos profissionais de saúde que integram a equipe da Linha de Cuidado do Idoso na Unidade Saúde Escola da UFSCar, visando identificar os conhecimentos dos profissionais em relação à velhice, as habilidades relativas ao trabalho em equipe multiprofissional e atitudes disponíveis. Os resultados demonstram que a equipe possui formação profissional e qualificação acima do esperado e que os atendimentos realizados são planejados, discutidos e socializados na equipe. Em relação ao modelo assistencial por Linha de Cuidado, identificouse que, conforme prevê a Política de Gestão por Competências, a Educação Permanente é o caminho para o desenvolvimento das competências da equipe na construção da Linha, por meio da Educação Permanente, promovendo Seminários, cursos e consultorias que direcionem as ações a partir do plano terapêutico desenvolvido conjuntamente pelos profissionais, com a participação dos usuários. Identificou-se também a importância de treinamentos e desenvolvimento da equipe na área de Liderança e Tomada de Decisão, aspectos fundamentais para o trabalho em equipe. Palavras-chave: Gestão de Pessoas; Gestão por Competências; Saúde do Idoso LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Evolução dos Modelos de Gestão de Pessoas ...................................................... 14 Quadro 2 – Algumas definições de competência .................................................................... 22 Quadro 3 – Resultados do Estudo ENAP (Gestão de Pessoas por Competências em Organizações Públicas)............................................................................................................. 28 Quadro 4 – Resoluções que definem as Diretrizes Curriculares dos cursos da área da saúde 34 Quadro 5 – Perfil dos participantes em relação à formação/capacitação ................................ 38 LISTA DE SIGLAS UFSCar Universidade Federal de São Carlos PNDP Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal ENAP Escola Nacional de Administração Pública USE Unidade Saúde Escola SUS Sistema Único de Saúde CONSUni Conselho Universitário GPPC Gestão de Pessoas por Competências GC Gestão por Competências RH Recursos Humanos CNE Conselho Nacional de Educação CES Câmara de Educação Superior COIC Centro de Orientação ao Idoso e seu Cuidador CAIC Centro de Atendimento ao Idoso e seu Cuidador ONU Organização das Nações Unidas NITES Núcleo Interdisciplinar de Tecnologia Educacional em Saúde SUMÁRIO I. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 9 II. REVISÃO BILIOGRÁFICA............................................................................................ 13 1. Gestão de Pessoas .......................................................................................................... 13 2. Gestão Estratégica de Pessoas ....................................................................................... 15 2.1. A Gestão Estratégica no Serviço Público Federal Brasileiro..................................... 17 3. O modelo de gestão por competências: um dos pilares da Gestão Estratégica de Pessoas .................................................................................................................................. 17 3.1. Conceituando o termo competência ........................................................................... 20 3.2. As três dimensões da competência ............................................................................ 22 3.3. Competências Individuais .......................................................................................... 24 3.4. Competências Organizacionais .................................................................................. 24 3.5. Competências Profissionais ....................................................................................... 25 3.5.1. Níveis de Competência Profissional ...................................................................... 26 3.6. Competência Profissional em Saúde.......................................................................... 26 3.7. Identificação ou mapeamento de competências ......................................................... 27 3.8. Estratégias de Implantação da GPPC no Setor Público ............................................. 28 3.9. A aplicação do Modelo de Gestão por Competências no Setor da Saúde ................. 29 4. A saúde do idoso no Brasil ............................................................................................ 30 4.1. A Gestão Estratégica na área da saúde mediante o envelhecimento populacional .... 31 4.2. Sobre as competências dos profissionais de saúde para atenção à pessoa idosa ....... 34 4.2.1. Sobre as competências para trabalhar com cuidadores .......................................... 35 III. DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO DE CASO ......................................................... 35 1. Método ........................................................................................................................... 35 1.1. Instrumentos............................................................................................................... 36 1.2. Procedimentos de coleta de dados ............................................................................. 37 1.3. Procedimentos de análise dos dados .......................................................................... 37 1.4. Participantes do Estudo: sujeitos-informantes ........................................................... 38 1.4.1. Perfil dos participantes ........................................................................................... 38 1.4.2. Aspectos Éticos ...................................................................................................... 39 2. Um caso em análise: a Unidade Saúde Escola – USE/UFSCar .................................... 39 2.1. O atendimento ao idoso e cuidador............................................................................ 42 2.1.1. As atividades do CAIC – Centro de Atendimento ao Idoso e seu Cuidador ......... 42 2.1.2. Atendimento psicoterápico cognitivo-comportamental em grupo de idosos com depressão .............................................................................................................................. 42 2.1.3. Arte, Música e Movimento: proposta de estimulação global em Terapia Ocupacional junto a grupo de idosos com necessidades especiais ....................................... 43 2.1.4. Grupo de Promoção de Qualidade de Vida para Idosos......................................... 43 2.2. Principais atividades descritas pelos profissionais junto à Linha de Cuidado do Idoso ....................................................................................................................................43 2.2.1. Atividades Individuais............................................................................................ 44 2.2.2. Atividades em Grupo ............................................................................................. 44 2.3. Sobre as competências profissionais.......................................................................... 45 2.3.1. Atenção à saúde ...................................................................................................... 46 2.3.2. Administração e Gerenciamento ............................................................................ 47 2.3.3. Comunicação .......................................................................................................... 48 2.3.4. Educação Permanente ............................................................................................ 48 2.3.5. Liderança ................................................................................................................ 49 2.3.6. Tomada de Decisão ................................................................................................ 50 2.4. Avaliação de conhecimentos em relação à velhice .................................................... 50 IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 52 V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 56 ANEXOS .................................................................................................................................. 63 ANEXO I - RESOLUÇÃO CNE/CES Nº 4 ............................................................................. 64 ANEXO II - QUESTIONÁRIO PARA IDENTIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES/ATIVIDADES .............................................................................................. 69 ANEXO III - QUESTIONÁRIO: COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS ............................... 70 ANEXO IV - QUESTIONÁRIO PALMORE-NERI-CACHIONI PARA AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS EM RELAÇÃO À VELHICE ............................................................... 72 ANEXO V - PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA DA UNIDADE SAÚDE ESCOLA .. 74 ANEXO VI - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO ........................... 75 9 I. INTRODUÇÃO A Secretaria Geral de Recursos Humanos da UFSCar criou, em 2009, como parte de sua política de capacitação, o Curso de Especialização em Gestão Pública, cuja primeira turma foi formada por um conjunto de 45 servidores da UFSCar, tendo as disciplinas sido ministradas presencialmente, entre outubro de 2008 e dezembro de 2009. Como produto final do Curso de Especialização em Gestão Pública, este trabalho consiste em um estudo de caso na área de Gestão por Competências, tendo como foco a equipe profissional que compõe a Linha de Cuidado do Idoso da Unidade Saúde Escola da UFSCar. O tema Gestão por Competências foi sugerido como cenário de desenvolvimento do curso e por extensão, desta monografia, por ser o Sistema de Gestão por Competências um dos três eixos da Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal PNDP, instituída pelo Governo Federal em 2006, pelo Decreto nº 5.707, de 23 de fevereiro de 2006. A PNDP prevê o ajuste das competências dos servidores aos objetivos das instituições, a capacitação e o desenvolvimento permanente dos servidores, a racionalização e efetividade dos recursos investidos em capacitação e a busca da eficiência, eficácia e qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos (Decreto 5.707/06). No Decreto 5.707, a noção de competência está definida como “o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição” (art.2º, II). O artigo 2º define capacitação como “processo permanente e deliberado de aprendizagem, com o propósito de contribuir para o desenvolvimento de competências institucionais, por meio do desenvolvimento de competências individuais” (Decreto 5.707/06). A PNDP lançou à Administração Pública o desafio de transformar estruturas burocráticas e hierarquizadas em organizações flexíveis e empreendedoras. Neste sentido, o sistema de gestão por competências vem sendo estudado desde 2001 e permite a flexibilização do conceito de posto de trabalho, além de pautar-se no envolvimento e na responsabilização permanente do indivíduo em seu desenvolvimento. De acordo com Brandão e Guimarães (2001), os objetivos da Gestão por Competências são: planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização pública, as competências necessárias para a consecução dos objetivos organizacionais. Também objetiva identificar e gerenciar as lacunas entre as competências 10 disponíveis e as necessárias para a consecução dos objetivos organizacionais, buscando, quando possível, eliminar tais lacunas ou, pelo menos, diminuí-las. Pesquisas apontam para a transformação que vem ocorrendo no modelo de gestão organizacional tanto em se tratando de instituições públicas quanto privadas, em especial em relação à gestão de pessoas, conseqüência da modernização e do ritmo acelerado que vem cada vez mais tomando o mundo moderno, com impactos diretos no mundo do trabalho. Como exemplo, citamos o estudo apresentado por Bastos, em 2006, sobre as transformações sociais, econômicas, tecnológicas e políticas que provocaram a reflexão sobre os rumos da sociedade e a emergência de novos cenários para o mundo do trabalho. As mudanças são imprescindíveis para a sobrevivência das organizações que devem buscar maior eficiência, agilidade e qualidade nos serviços prestados. Em nosso entender, sintonizadas com as demandas sócio-históricas pautadas na ética e na sustentabilidade. No âmbito das instituições públicas, as mudanças vêm sendo implementadas ao longo dos anos, através de políticas específicas, buscando melhor resolutividade e eficácia de suas ações. Tais mudanças tornam-se mais visíveis, a partir de 1988, com a promulgação da Constituição Federal, que propôs a descentralização na administração pública, visando maior autonomia e agilidade dos serviços; a desburocratização visando eficiência e efetividade; bem como a democratização do setor público, com maior transparência das ações e maior controle social (ENAP, 2009). No que diz respeito à Gestão de Pessoas, verifica-se uma constante adaptação e atualização, transformando da tradicional administração de recursos humanos para uma gestão mais estratégica, inovadora, que também busca a qualidade no atendimento prestado, bem como o bem estar do trabalhador. Destaca-se a importância da gestão de pessoas no sucesso da organização, quando se trata do processo de mudança organizacional. É impossível que se consiga obter sucesso num processo de mudança organizacional apenas investindo em equipamentos, em tecnologia e informatização. Muda-se uma organização a partir da mudança cultural, de iniciativas, de conhecimentos e atitudes que, necessariamente, partem das pessoas. No Setor Público, o Governo Federal implantou, em 2006, a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal, através do Decreto 5707/2006, com o principal objetivo de alcançar a eficiência, a eficácia e a qualidade dos serviços públicos prestados ao cidadão. O referido Decreto prevê o desenvolvimento profissional, a adequação das competências requeridas pelo servidor aos objetivos da instituição. 11 Baseando-se na Política de Desenvolvimento de Pessoal, os órgãos públicos vêm buscando adotar o sistema de Gestão por Competências, visando mapear as competências organizacionais e individuais, identificando os gaps entre as competências existentes e as necessárias para que a organização atinja seus objetivos de maneira eficiente e eficaz. Seguindo o que propõe a PNDP às organizações públicas, a Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, por meio de sua Secretaria Geral de Recursos Humanos, vem buscando reformular seu Plano Anual de Capacitação e suas ações na área de desenvolvimento de pessoal, procurando otimizar os recursos e desenvolver as competências dos servidores de acordo com a necessidade e os objetivos da instituição. A UFSCar, instituição pública situada no município de São Carlos, Estado de São Paulo, teve suas atividades iniciadas em 1970 e vem crescendo significativamente nos últimos anos, com o aumento do número de cursos de graduação e pós-graduação. A Universidade conta com mais dois campi, um em Araras e outro em Sorocaba e hoje possui em seu quadro mais de 1600 servidores entre docentes e técnicos-administrativos (UFSCar, 2010). Considerando as diretrizes da PNDP, a Secretaria Geral de Recursos Humanos da UFSCar vem realizando estudos relativos à implantação do sistema de Gestão por Competências na instituição. Neste contexto, definiu-se como tema para o presente estudo, a temática Gestão por Competências, tendo a Linha de Cuidado do Idoso da Unidade Saúde Escola da Universidade Federal de São Carlos, por seu principal objeto. Na condição de especializanda da Universidade e profissional técnicoadministrativa da Unidade em estudo desde o início de seu funcionamento, no final de 2004, tendo cursado Bacharelado em Administração e atuado como Secretária em área administrativa desde 1991, o tema Gestão por Competências despertou-me interesse para ser estudado. Pela aproximação e características, definiu-se que o estudo da Gestão por Competências deve ser abordado de modo concreto e específico. Dessa forma, o objeto deste estudo é Linha de Cuidado do Idoso da USE/UFSCar, formada por uma equipe multiprofissional de atendimento ao Idoso, que iniciou suas atividades na Unidade Saúde Escola da UFSCar no ano de 2004, primeiramente organizada na forma de Programa de Saúde. O Programa de Saúde do Idoso foi idealizado com base nos princípios que regem o SUS, na Política Nacional do Idoso e no Estatuto do Idoso. A equipe é composta, atualmente, por um médico cardiologista, um médico psicogeriatra, um fonoaudiólogo, um 12 psicólogo, dois fisioterapeutas, um terapeuta ocupacional, um farmacêutico-bioquímico e um assistente social e presta assistência à saúde do idoso e ao seu cuidador, de forma multi e interdisciplinar. Dentre os serviços oferecidos, destacam-se orientações sobre cuidados, estimulação e motivação, psicoterapia, fisioterapia e atividades físicas, abrangendo reabilitação, atividades expressivas, artísticas, estimuladoras, entre outras. A Coordenação da equipe, no momento, é realizada por uma fisioterapeuta, que coordena reuniões quinzenais para discussão de casos clínicos, atualização sobre a evolução dos usuários e definição da continuidade do projeto terapêutico, além de questões internas relacionadas à própria equipe e sua organização. A escolha da linha de cuidado do Idoso da USE como objeto de estudo se deu pela proximidade com a equipe, por se tratar de um grupo mais consolidado desde o início das atividades da Unidade, pela disposição dos colegas integrantes da equipe em participar, colaborar e fornecer informações, sem as quais o trabalho ficaria inviabilizado. Aqui deixo mais uma vez meus agradecimentos a todos. Os objetivos do presente trabalho são: a) explorar a legislação brasileira vigente em relação à gestão de pessoas, mais especificamente no que diz respeito às políticas públicas na área de saúde; b) realizar um Estudo de Caso através de análise documental visando compreender e analisar o processo de mudança organizacional e a estratégia junto à Unidade Saúde Escola da Universidade Federal de São Carlos, que busca oferecer um atendimento integral e de qualidade aos usuários, ao mesmo tempo em que se propõe a ser um espaço de ensino e de pesquisa; c) realizar o mapeamento das competências do profissional integrante da Linha do Cuidado do Idoso, a partir das competências organizacionais e individuais existentes neste momento na USE/UFSCar e gerando, como produto final, um instrumento para mapeamento das competências existentes e a identificação das lacunas entre as competências identificadas e as competências necessárias, considerando-se os princípios e objetivos da instituição. O presente trabalho está estruturado da seguinte forma: o texto consiste em seis capítulos, sendo que o primeiro contém a introdução, onde estão inseridos a justificativa e os objetivos do trabalho. No segundo capítulo, encontra-se a revisão bibliográfica. No terceiro capítulo apresenta-se o Desenvolvimento da Pesquisa, identificando o método utilizado e o Estudo de Caso propriamente dito. 13 Os quarto, quinto e sexto capítulos referem-se, respectivamente, às Considerações Finais, Referências Bibliográficas e Anexos. II. REVISÃO BILIOGRÁFICA 1. Gestão de Pessoas Dutra (2002, p.17) define Gestão de Pessoas como “um conjunto de políticas, processos e práticas que permitem a conciliação de expectativas entre as organizações e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo”. Os mecanismos utilizados para o gerenciamento são basicamente: a definição dos princípios da organização, de estratégias, de políticas e práticas ou processos de gestão. Os princípios seriam as orientações de valor e crenças básicas que determinam o modelo e são adotadas pela organização. As políticas estabelecem diretrizes de atuação para alcance dos objetivos para as relações organizacionais. Orientam e integram os processos especificamente voltados para a gestão de pessoas. Os processos são os elementos mais visíveis do modelo. São caminhos previamente traçados, devem respeitar os limites dos princípios da gestão e visam alcançar os objetivos traçados, orientados por políticas específicas; são instrumentalizados por uma ou mais ferramentas de gestão que pressupõem procedimentos específicos. Caracterizam-se como processos de gestão os planos de cargos e salários, de capacitação e de sucessão, a administração de carreiras e as avaliações de desempenho, de performance e de pessoal (AMARAL, 2006, p.17). Outro fator determinante do Modelo de Gestão é o estilo de administrar de cada gestor, ou seja, o modo de agir e de direcionar a equipe de trabalho, de estabelecer limites e de estimular determinados padrões de comportamento. Também constituem o modelo de gestão o desenho organizacional, ou modo operacional, a estrutura específica da organização do trabalho dos profissionais especializados e a forma pela qual prestam serviços aos clientes. (FISCHER, 2002). Gramigna (2002) destaca sete motivos para que as organizações invistam nas pessoas: • Sem as pessoas, qualquer tecnologia, por mais necessária e inovadora que seja, não funciona. 14 • Pessoas têm o dom de fazer o sucesso ou o fracasso de qualquer empresa. • Pessoas trazem dentro de si histórias de vida, emoções, saberes, valores, crenças e expectativas. • Pessoas têm necessidade de integrar seus sonhos a um projeto coletivo. • Pessoas carregam a expectativa de patrocínio deste empreendimento, em que cada parte precisa ser atendida e o resultado deve ser favorável, “ganhaganha”. • Pessoas podem colocar seu talento a favor das organizações, quando encontram ambiente para tal. • Pessoas são leais àqueles que as respeitam, abrem oportunidades e valorizam-nas. O quadro 1 apresenta a evolução do Modelo de Gestão de Pessoas ao longo das últimas décadas, até o surgimento do modelo estratégico articulado por Competências. Quadro 1 – Evolução dos Modelos de Gestão de Pessoas Ano Estrutura 1890 Departamento de Pessoal 1930 Gestão do Comportamento Humano 1970 Modelo estratégico de Gestão de Pessoas 1980 Modelo estratégico articulado por Competências Funcionários administrados como custo - utilização da Psicologia; - atuação sobre o comportamento; - descoberta da relação entre empresa e funcionários intermediada pelos gerentes de linha; - investimento em treinamento gerencial; - desenvolvimento de perfis gerenciais. - vínculo da gestão de pessoas com a estratégia da organização; - necessidade do modelo de gestão de pessoas corresponder a fatores internos e externos à organização; - busca de orientação estratégica para as políticas e práticas de recursos humanos. Beverly Springer Abraham Maslow; Ticky, Forbrum; Likert; Millesi; Devanna Schultz; Schuster; Mahoney; Deckop Fonte: Adaptado de Fischer, 2002 - início da era de competitividade; ofensiva japonesa; domínio das grandes corporações americanas; - vantagem competitiva está nas inúmeras atividades que uma organização executa; - Reengenharia – reconstrução – racionalizar e diminuir o custo fixo com mão-de-obra; - Competências – a competitividade está relacionada com a capacidade da organização em reinventar seu setor; - desenvolver e estruturar as competências humanas necessárias para que as competências organizacionais se viabilizem; - as pessoas são vistas como recursos estratégicos, como competências necessárias para atingir um posicionamento diferenciado. Porter; Hammer; Prahalad; Champy; Hamel; Lower. Conceitos Chaves Principais autores 15 Verifica-se que no início do Século XX começava a haver uma maior preocupação por parte dos gerentes ou administradores em investir na capacitação dos funcionários como forma de obter retorno para a empresa ou organização. Na década de 70 inicia-se o processo de mudança para a Gestão Estratégica de Pessoas e, a partir de 1980, com o início da era de competitividade, as competências passam a ser estratégias para que as organizações alcançassem seus objetivos. As pessoas começam a ser vistas como recursos estratégicos. 2. Gestão Estratégica de Pessoas A Gestão de Pessoas vem sendo constantemente adaptada, atualizada, passando de uma administração de recursos humanos para uma gestão estratégica, inovadora, que busca a qualidade dos serviços prestados e também o bem estar do trabalhador. Verifica-se, na literatura disponível, que a gestão de pessoas é fundamental para que a organização atinja seus objetivos, pois não se consegue mudar uma organização investindo apensas em tecnologias, mas somente a partir de uma cultura, de iniciativas, de conhecimentos e de atitudes que provem, necessariamente, das pessoas. Uma organização alcançará destaque se possuir um modelo efetivo de gestão de pessoas que compatibilize os interesses da organização com os interesses individuais (GRAMIGNA, 2002). Motta (1991) define estratégia como “o conjunto de decisões fixadas em um plano ou emergentes do processo organizacional, que integra missão, objetivos e seqüência das ações administrativas num todo interdependente”. De acordo com Motta (1991), gerência estratégica seria “o processo de tratar a dimensão empreendedora da organização, sua renovação e crescimento e, especialmente, desenvolvendo e usando de estratégias para guiar as operações da organização.” Um dos desafios da gestão de pessoas atualmente é o gerenciamento de mudanças. Toda mudança gera resistência, mesmo que por pequena parte das pessoas. Assim, os gestores têm a tarefa de expor os objetivos da organização com a mudança, ao mesmo tempo em que ouvem os funcionários, conhecendo e percebendo onde estão os medos, as incertezas, as inseguranças e procurando reverter esses fatores. Os gestores então atuam como facilitadores do processo de mudança, fazendo a interlocução entre empresa e funcionários, de maneira a atingir os objetivos e garantir a satisfação do pessoal. Segundo Albuquerque (2001), alguns pontos em comum entre as definições de estratégia podem auxiliar na formação e no entendimento de seu conceito: 16 • A estratégia dá a direção, fornece o direcionamento da empresa e provê consistência; • A estratégia resulta de um processo de decisão; • As decisões são principalmente de natureza qualitativa, interferem no todo da organização e buscam eficiência ao longo prazo; • A estratégia abrange a organização e sua relação com o ambiente; • A estratégia envolve questões de conteúdo e de processo, em diferentes níveis. Albuquerque (2001) afirma que a administração estratégica de pessoas é um processo amplo que propicia a organização atingir o seu propósito ao longo do tempo, através da obtenção efetiva de vantagens competitivas sustentáveis, com equipes qualificadas e comprometidas com os objetivos mais amplos da organização. Esse processo abrange a visão, a formulação e a implementação, bem como o feedback contínuo e a avaliação dos resultados, tendo em vista orientar e empreender as ações organizacionais de natureza estratégica, tática e operacional. Faissal, Passos, Mendonça e Almeida (2005) identificam como fundamental a capacidade de converter informações adequadas em conhecimento que agregue valor, constituindo assim, o “capital intelectual” da organização. À medida que as pessoas trazem suas competências para a organização, forma-se este capital intelectual e as estratégias podem ser transformadas nos resultados desejados. Por outro lado, é a formulação da estratégia organizacional que determinará as competências necessárias ao alcance de seus objetivos. Cervo e Peter, apud Fleury (2005), apontam as seguintes responsabilidades a serem assumidas pelos administradores para o sucesso da gestão estratégica: a. definir missão – decidir sobre aquilo a que a empresa vai se dedicar e o que será fundamental para ela; b. formular a filosofia da organização – crenças, valores, normas, regras, etc. – escritas ou não; c. estabelecer políticas – planos de ação para guiar o desempenho e assegurar a consecução da estratégia; d. estabelecer objetivos – relacionados aos planos operacionais e com delineamento mais específico que a missão; 17 e. desenvolver a estratégia – conceitos, idéias, planos, lembrando que o planejamento estratégico global faz parte do planejamento global, incluindo as áreas administrativa e operacional; f. planejar a estrutura da organização – ajudando as pessoas em seu trabalho em equipe, conforme a estratégia e a filosofia estabelecidas; g. estabelecer procedimentos – prescrever atividades importantes e rotineiras; h. estabelecer padrões – medidas de desempenho, conforme os objetivos; i. fornecer informação e controle – fornecer fatos, estabelecer uma comunicação eficiente, manter a força de trabalho atenta, medir o desempenho global em relação ao que foi estabelecido; j. manter o pessoal ativo, comandar, motivar, reconhecer. 2.1. A Gestão Estratégica no Serviço Público Federal Brasileiro O Serviço Público vem passando por uma série de transformações. O uso de novas tecnologias, a informatização, a modernização dos sistemas e outros fatores vêm exigindo dos servidores uma adaptação e uma atualização constantes, pois alteram os processos de trabalho. No que tange à Gestão de Pessoas, a Política de Gestão por Competências, foi instituída pelo Decreto 5707/2006 como parte da Política de Desenvolvimento de Pessoal da administração pública. Tal Política objetiva adequar as competências requeridas pelos servidores aos objetivos das instituições, tomando-se como referência o Plano Plurianual. O artigo II da Política de Desenvolvimento de Pessoal define Gestão por Competência como: “gestão da capacitação orientada para o desenvolvimento do conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição”. Este foi, em nosso entender, um dos temas fundamentais estudado no Curso de Especialização em Gestão Pública e ora propomos avançar em sua compreensão. 3. O modelo de gestão por competências: um dos pilares da Gestão Estratégica de Pessoas O sucesso da gestão estratégica de pessoas será alcançado à medida que promover geração de conhecimento e desenvolvimento de competências. Brandão e Guimarães (2001) sugerem, para tal, a identificação do gap, ou seja, da lacuna entre as competências disponíveis e as competências necessárias para que a organização atinja seus 18 objetivos. Os objetivos e metas a serem alcançados serão estabelecidos segundo a intenção estratégica da organização e, a seguir, são identificadas as lacunas entre os objetivos definidos e as competências internas disponíveis. Os passos seguintes deste processo buscarão minimizar esta lacuna com a utilização de diversas políticas de recursos humanos, tais como recrutamento e seleção, treinamento, capacitação e gestão de desempenho. Neste sentido, a gestão de competências faz parte de um sistema maior da gestão organizacional, sendo importante que esteja baseada na estratégia da organização. David Mc Clelland, psicólogo norte-americano, iniciou os primeiros estudos sobre Gestão por Competências na década de 70, publicando os resultados de seu trabalho sobre mensuração de competências e inteligência, na Revista American Psychologist. A partir de então, foram se sucedendo outras pesquisas na área (GRAMIGNA, 2002). A gestão por competências começou a ser difundida na década de 90, nos Estados Unidos e na Europa e hoje figura como alternativa aos modelos gerenciais tradicionalmente utilizados pelas organizações. Tanto a Gestão Estratégica de Recursos Humanos quanto a Gestão por Competências buscam alinhar as práticas de RH com o planejamento estratégico da organização. As pesquisas e as experiências de aplicação do modelo de Gestão por Competências vêm demonstrando que o RH pode se tornar estratégico a partir do modelo de GC. O RH deixa sua característica centralizadora e assume seu papel estratégico, passando a uma gestão integrada, com foco nos resultados. A exemplo disso, a PNDP destaca, em suas diretrizes, a importância de: • incentivar e apoiar o servidor público em suas atividades de capacitação, assegurando o acesso a eventos de aprendizagem e promovendo sua capacitação para o exercício de atividades de direção e assessoramento; • apoiar as iniciativas de capacitação realizadas pelas instituições; • incentivar a utilização das atividades de capacitação como requisito para promoção de servidores; • considerar capacitação e desempenho complementares entre si; • exigir das instituições públicas planos anuais de capacitação de seus quadros. 19 A ENAP – Escola Nacional de Administração Pública oferece curso de capacitação para que gestores desenvolvam seus instrumentos e técnicas de mapeamento de competências. A gestão por competências figura como alternativa aos modelos gerenciais tradicionalmente utilizados pelas organizações. Propõe-se a orientar esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização (individual, grupal e organizacional), as competências necessárias à consecução de seus objetivos, conforme explicam Brandão e Guimarães (2001). Segundo esses autores, a gestão por competências constitui um processo contínuo, que tem como etapa inicial a formulação da estratégia organizacional. Em seguida, em razão dos objetivos estabelecidos, podem-se definir indicadores de desempenho no nível corporativo e metas, e identificar as competências necessárias para concretizar o desempenho esperado. Depois, por meio de instrumentos de gestão do desempenho e de outras ferramentas gerenciais, como o balanced scorecard, por exemplo, a organização pode identificar o seu gap ou lacuna de competências, isto é, a discrepância entre as competências necessárias para concretizar a estratégia corporativa e as competências disponíveis internamente. Feito esse diagnóstico, a organização pode planejar ações para captar e desenvolver as competências de que necessita, bem como estabelecer planos de trabalho e de gestão de pessoas. Finalmente, há uma etapa de avaliação, em que os resultados alcançados são comparados com os que eram esperados, gerando informações para retroalimentar o processo. Carbone, Brandão e Leite (2005) comentam que identificar as competências necessárias à consecução dos objetivos organizacionais constitui uma das etapas mais importantes desse processo. Para essa identificação, geralmente é realizada, primeiro, uma pesquisa documental, que inclui a análise do conteúdo da missão, da visão de futuro, dos objetivos e de outros documentos relativos à estratégia da organização. Depois, realiza-se a coleta de dados com pessoas-chave da organização, para que tais dados sejam cotejados com a análise documental, conforme proposto por Bruno-Faria e Brandão (2003). Podem ser utilizados, ainda, outros métodos e técnicas de pesquisa, como a observação (participante ou não), entrevistas, grupos focais e questionários. O aumento do interesse pela abordagem da competência decorre, sobretudo, do reconhecimento do fator humano como elemento primordial para o sucesso das organizações. A clara identificação dos seus objetivos estratégicos consiste, portanto, num pré-requisito fundamental para a implantação do modelo. As atividades de mapeamento de competências, 20 ou seja, a identificação do conjunto de habilidades, conhecimentos e atitudes de que dispõem os profissionais de uma organização e que os capacita para a execução de determinadas atividades, surgem – ao lado da formulação dos seus respectivos planos estratégicos – como recursos importantes para a elaboração e o desenvolvimento de grande número de projetos. Essas ações fornecem importantes subsídios para as atividades de gestão de recursos humanos em organizações públicas. A Administração Pública Brasileira vem reunindo esforços e buscando estratégias para a profissionalização e a modernização do Serviço Público, com o objetivo de melhorar a gestão e prestar serviços de melhor qualidade à sociedade. Exemplos de tais mudanças são a informatização de serviços, a oferta de serviços pela internet e a disponibilização de informações que traduzem transparência no Setor Público. Na área de gestão de pessoas, destaca-se o processo de regulamentação de carreiras, renovação dos quadros e o investimento nas Escolas de Governo, que tem papel importante no desenvolvimento de pessoas. O Modelo de Gestão por Competências, tendo a melhoria da gestão organizacional como um de seus principais objetivos, tem sido considerado como alternativa para mudança na administração pública, a médios e longos prazos. O desenvolvimento de competências constitui-se em significativo recurso de apoio para o enfrentamento dos problemas da organização. Porém, é necessário que esses problemas sejam previamente diagnosticados, assim como as estratégias a serem alcançadas precisam ser bem definidas, já que as competências serão analisadas de acordo com os objetivos da organização (ENAP, 2009, p.13). Dessa forma, para se analisar as competências individuais é necessário que as competências organizacionais estejam previamente definidas. “Organização e pessoas, lado a lado, propiciam um processo contínuo de troca de competências” (DUTRA, 2001). 3.1. Conceituando o termo competência Lê Boterf (1995), conceituou competência como o ponto central da soma de três eixos caracterizados pelo indivíduo com sua história de vida e socialização, formação educacional e por último, sua experiência profissional. 21 Zarifian (1996), ao definir competência, baseia-se na premissa de que, em ambiente dinâmico e competitivo, não é possível considerar o trabalho como um conjunto de tarefas ou atividades pré-definidas e estáticas. Magalhães et al (1997) definiram o termo competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências que possibilitam um profissional desenvolver uma dada função em um tempo determinado,objetivando alcançar um determinado fim. Dutra, Hipólito e Silva (1998), por sua vez, definem competência como a capacidade de uma pessoa gerar resultados dentro dos objetivos organizacionais (ENAP, 2005, p.15). Brandão (1999) afirmou que as competências vão além de um conjunto de qualificações que a pessoa possui, pois compreende também o resultado ou efeito do desenvolvimento de tais qualificações no ambiente de trabalho. Fleury e Fleury (2000) buscaram, de forma mais ampla, descrever o conceito de competência como: “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades que agreguem valor econômico à organização e social ao indivíduo”. Bittencourt (2001) considerou alguns aspectos fundamentais da competência que são relacionados pelos indivíduos durante as atividades de trabalho: a formação, a capacitação, a ação, a articulação de recursos, os resultados, o questionamento, o autodesenvolvimento e a interação. Zarifian (2003) relaciona responsabilidade à ética profissional e destaca que assumir uma responsabilidade é demonstrar preocupação com os outros. O autor destaca a iniciativa e a responsabilidades como elementos que se complementam e como fundamentais na definição de competências. “É porque pratico a preocupação com os outros em minhas tomadas de iniciativa que me responsabilizo por elas”. Para Zarifian, competência significa “assumir responsabilidades frente a situações de trabalho complexas [aliado]...ao exercício sistemático de uma reflexividade no trabalho” (Ibid.), que permita ao profissional lidar com eventos inéditos, surpreendentes e de natureza singular (ENAP, 2005, p.14). O quadro 2 apresenta as definições de competências sistematizadas cronologicamente (ENAP, 2009, p.39). 22 Quadro 2 – Algumas definições de competência Fonte: Dias (2001) apud Lima e Borges-Andrade (2006), com adaptações Analisando e comparando as definições de competência dos autores supracitados, pode-se perceber que não há uma concordância sobre o conceito final do termo competência, considerando-se as diferentes filosofias e procedimentos para sua definição e desenvolvimento no ambiente organizacional. Contudo, é possível também verificar que existe um ponto de intersecção entre as definições referentes à questão das habilidades humanas, pois estas, quando aplicadas e reconhecidas na organização, refletem em ganhos significativos tanto para o indivíduo quanto para a organização. 3.2. As três dimensões da competência De acordo com o exposto, percebe-se que as competências, ou recursos, se relacionam com a gestão à medida que são responsáveis pelo sucesso da organização na 23 conquista de seus objetivos. O conceito de “CHA” é empregado como sinônimo de expressão das competências requeridas que são: Conhecimento, Habilidade e Atitude. 1ª Dimensão – Conhecimento De acordo com Durand (2000), conhecimento corresponde a uma série de informações assimiladas e estruturadas pelo indivíduo, que lhe permitem “entender o mundo”. Refere-se ao saber que a pessoa acumulou ao longo da vida. Davenport e Prusak (1998) e Davis e Botkin (1994) explicam que o conhecimento deriva da informação, que, por sua vez, deriva de conjuntos de dados. Por fim, os conhecimentos são conjuntos de informações reconhecidas e integradas pelo indivíduo dentro de um esquema preexistente, causando impacto sobre seu julgamento ou comportamento. Essa dimensão, para Bloom e outros (1979) e Gagné e outros (1988), representa algo relacionado à lembrança de idéias ou fenômenos, a alguma coisa armazenada na memória da pessoa. 2ª Dimensão – Habilidade A habilidade, por sua vez, está relacionada ao saber como fazer algo (GAGNÉ et al., 1988) ou à capacidade de fazer uso produtivo do conhecimento, ou seja, de instaurar conhecimentos e utilizá-los em uma ação (DURAND, 2000). Segundo Bloom e outros (1979), a definição operacional mais comum sobre a habilidade é a de que o indivíduo pode buscar, em suas experiências anteriores, conhecimentos, sejam eles de fatos ou princípios ou de técnicas apropriadas, para examinar e solucionar um problema qualquer. As habilidades podem ser classificadas como intelectuais, quando abrangem essencialmente processos mentais de organização e reorganização de informações – por exemplo, em uma conversação ou na realização de uma operação matemática – e como motoras ou manipulativas, quando exigem fundamentalmente uma coordenação neuromuscular, como na realização de um desenho ou na escrita a lápis, por exemplo (BLOOM et al., 1979, GAGNÉ et al., 1988). 3ª Dimensão – Atitude A atitude, terceira dimensão da competência, refere-se a aspectos sociais e afetivos relacionados ao trabalho (DURAND, 2000). Gagné e outros (1988) comentam que atitudes são estados complexos do ser humano que afetam o comportamento em relação à pessoas, coisas e eventos, determinando a escolha de curso de ação pessoal. Segundo esses 24 autores, as pessoas têm preferências por alguns tipos de atividades e mostram interesse por certos eventos mais que por outros. O efeito da atitude é justamente ampliar a reação positiva ou negativa de uma pessoa, ou seja, sua predisposição em relação à adoção de uma ação específica. Essa última dimensão está relacionada a um sentimento, a uma emoção ou a um grau de aceitação ou rejeição da pessoa em relação aos outros, a objetos ou a situações. Portanto, por analogia, a atitude refere-se ao querer fazer. Observando-se as dimensões acima, percebe-se que os dois primeiros são competências técnicas, enquanto que a atitude constitui competência comportamental. Ou seja, por mais conhecimentos e habilidades que uma pessoa tenha, é necessária a atitude ou iniciativa para que esses venham a contribuir para seu desempenho profissional. Zarifian (2003) vai além, acrescentando a esses recursos a responsabilidade, relacionando-a à ética profissional e destacando que assumir uma responsabilidade é demonstrar preocupação com os outros. O autor destaca a iniciativa e a responsabilidade como elementos que se complementam e como fundamentais na definição de competências. “É porque pratico a preocupação com os outros em minhas tomadas de iniciativa que me responsabilizo por elas”. 3.3. Competências Individuais As competências individuais são aquelas adquiridas ou desenvolvidas pelas pessoas que atuam nas organizações, possibilitando que os objetivos das organizações sejam atingidos. São aquelas formadas pelo “CHA”, conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que caracterizam o desempenho profissional, gerando os resultados esperados pela organização. 3.4. Competências Organizacionais Alguns autores associam o conceito de competência não apenas a pessoas, mas também a equipes de trabalho ou mesmo a organizações. É o caso de Le Boterf (1995), para quem em cada equipe de trabalho manifesta-se uma competência coletiva, que emerge das relações sociais que se estabelecem no grupo e da sinergia entre as competências individuais de seus membros. Prahalad e Hamel (1990), por sua vez, elevam o conceito ao nível organizacional, referindo-se à competência como um atributo da organização. 25 As competências organizacionais são consideradas competências essenciais e se constituem no conjunto de conhecimentos técnicos, recursos que representam o diferencial de mercado que possuem. Estão diretamente relacionadas com as competências individuais, sendo que uma exerce influência sobre a outra. 3.5. Competências Profissionais As competências humanas ou profissionais são entendidas como combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades e atitudes, expressas pelo desempenho profissional em determinado contexto ou em determinada estratégia organizacional (CARBONE et al, 2005; FREITAS; BRANDÃO, 2005). Essas competências são reveladas quando as pessoas agem diante das situações profissionais com as quais se deparam (ZARIFIAN, 1996) e servem como ligação entre as condutas individuais e a estratégia da organização (PRAHALAD; HAMEL, 1990). Sob essa perspectiva, a aplicação de conhecimentos, habilidades e atitudes no trabalho gera um desempenho profissional. Esse desempenho, por sua vez, é expresso pelos comportamentos que a pessoa manifesta no trabalho e pelas conseqüências desses comportamentos, em termos de realizações e resultados (GILBERT, 1978). O desempenho da pessoa, então, representa uma expressão de suas competências (BRANDÃO; GUIMARÃES, 2001). Por essa razão, alguns autores, como Santos (2001) e Whiddett e Hollyforde (1999), descrevem as competências humanas sob a forma de comportamentos observáveis no trabalho. É possível, então, classificar as competências como humanas ou profissionais (aquelas relacionadas a indivíduos ou a pequenas equipes de trabalho) e organizacionais (aquelas inerentes a toda a organização ou a uma de suas unidades produtivas). Uma competência profissional resulta, portanto, da mobilização, por parte do indivíduo, de uma combinação de recursos. Le Boterf (1995), por exemplo, explica que a competência da pessoa é decorrente da aplicação conjunta, no trabalho, de conhecimentos, habilidades e atitudes, que representam os três recursos ou dimensões da competência: Vargas et al. (2001) definem competência profissional como a capacidade de desempenhar efetivamente uma atividade de trabalho mobilizando conhecimentos, habilidades, destrezas e compreensão necessários para atingir os objetivos que tal atividade supõe. O trabalho competente inclui a mobilização de atributos como base para facilitar sua capacidade de solucionar situações contingentes e problemas que surjam durante a execução 26 do trabalho. Essa também é a visão de diversos autores, a partir dos quais a autora Suzete Marchetto Claus (2007) identificou idéias comuns às definições de competência profissional, tais como: • a combinação de conhecimentos, habilidades e atitudes; • a idéia de colocar em jogo, de mobilizar capacidades diversas para atuar alcançando um desempenho requerido por um determinado tipo de trabalho; • a idéia de que esse desempenho pode ocorrer em diversos contextos, cujos significados a pessoa deve ser capaz de compreender para que a atuação seja localizada. Verifica-se, portanto, nessas observações, que a pessoa não somente colocará em prática conhecimentos adquiridos, mas tomará decisões de acordo com a situação, aplicando seus conhecimentos e habilidades segundo as circunstâncias. A partir daí, Claus (2007) considera competência profissional como a combinação integrada de um saber conhecer, de um saber fazer e de um saber ser que formam uma tríade quase clássica. 3.5.1. Níveis de Competência Profissional Os níveis de competência definem a variedade de contexto em que se realiza o desempenho profissional e o nível de supervisão exigido. Isto significa que, quanto maior o nível de competência, menor o grau de supervisão. A combinação dos dois elementos acima permite criar a matriz de competências profissionais, que possibilita visualização gráfica das profissões, de acordo com a área de desempenho e o nível de competência. 3.6. Competência Profissional em Saúde A competência profissional, no processo de trabalho em saúde, se assenta sobre o princípio da humanização e do cuidado em sua dimensão ética, reconhecendo e valorizando a autonomia das pessoas para assumir a sua própria saúde (RAMOS, 2001a, 2001b, apud CLAUS, 2007) De acordo com a Resolução CNE/CES 04/2001 (Anexo I), que institui as diretrizes curriculares para formação do profissional da área de saúde, o profissional formado deverá ter adquirido as seguintes competências e habilidades gerais: atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação, liderança, administração e gerenciamento, educação permanente. 27 3.7. Identificação ou mapeamento de competências Tendo definido o planejamento estratégico da instituição, o passo seguinte da implantação do Modelo de Gestão por Competências consiste no mapeamento das competências. O mapeamento das competências consiste na identificação das competências organizacionais e individuais, a partir do levantamento dos indicadores de competências reunidos por semelhança e convertidos em competências. Indicadores de competência são informações a respeito do cargo cujas competências se desejam mapear. Exemplos de indicadores: formação exigida para o cargo e a experiência profissional. Esses aspectos podem ser obtidos a partir do conhecimento detalhado do cargo, que pode ser feito a partir da observação da atuação dos profissionais reconhecidamente competentes, ou até mesmo pela análise das fichas de descrição de cargos (RUZZARIN, 2002). Para realizar esse mapeamento, a organização pode fazer uso de diversos métodos e técnicas de pesquisa social, que auxiliam na realização de um diagnóstico. Indicadores de competência organizacionais representam os traços culturais e estratégicos e devem ser agregados aos indicadores específicos como forma de garantir que os valores centrais da organização estarão inseridos no processo de gerenciamento das competências de todos os cargos (RUZZARIN, 2002). Um levantamento feito pela ENAP em 2005, sobre as atividades de gestão de recursos humanos em órgãos do Poder Executivo, identificou alguns desafios para o desenvolvimento de competências no setor público, a partir de relatos de várias organizações do Governo que estão aplicando a abordagem de competência em um ou mais dos seus subsistemas de gestão de RH. Os resultados mostraram que a complexidade para adequação do modelo de GPPC à gestão pública foi apontada como uma das maiores dificuldades. Foram indicados como responsáveis pela causa dessa dificuldade a legislação e a estrutura organizacional burocratizada e altamente hierarquizada. Outro desafio apontado para o setor público é a falta de um modelo estruturado. Em relação à cultura organizacional, os obstáculos identificados foram a estabilidade dos servidores e a descontinuidade das ações. O mapeamento das competências foi realizado em 25% das empresas participantes do ENAP 2005. Foram apontados como causa da baixa realização da fase de mapeamento em órgãos públicos a deficiente compreensão do tema e a falta dos profissionais de RH. O quadro 3 apresenta o levantamento da situação da implantação do Sistema de Gestão por Competências em 16 organizações públicas brasileiras, realizado em 2005. 28 Observa-se que apenas 18,75% declararam ter implantado todos os processos de Gestão por Competências. 75% das organizações estavam, nessa época, na fase inicial da CPPC. Quadro 3 – Resultados do Estudo ENAP (Gestão de Pessoas por Competências em Organizações Públicas) Estudo ENAP – Levantamento da situação da implantação da GC em Organizações Públicas (Dezesseis organizações participaram do estudo) 75% Ações 25% 18,75% 43,75% Obstáculos econtrados Marco Inicial 37,5% 37,5% 25% 18,75% 12,5% 12,5% 12,5% 6,25% 6,25% 12,5% 6,25% 18,75% 12,5% 12,5% 37,50% Estudavam os conceitos e iniciavam a estruturação de GPPC Terminaram o primeiro passo a caminho da GPPC, mapeamento das competências organizacionais e individuais Declararam possuir todos os principais processos da GPPC implantados e em desenvolvimento Das organizações apresentaram dificuldades em compatibilizar a tecnologia da GPPC com a gestão pública Tiveram dificuldades com o mapeamento Apontaram a presença de barreiras culturais Apontaram a falta de um modelo institucional Dificuldades com os profissionais de RH Mão de obra terceirizada Dispersão geográfica Descontinuidade Ceticismo por parte dos servidores Orçamento 1999 2000 2002 2003 2004 Outros anos Fonte: ENAP (2005) 3.8. Estratégias de Implantação da GPPC no Setor Público Os resultados do ENAP 2005 contribuem para a afirmação de que é necessária uma estratégia diferente de implantação da GPPC no setor público, não bastando simplesmente aplicar o modelo construído para o setor privado. A implantação da GPPC exige mudanças organizacionais profundas no serviço público. Apesar disso, as técnicas de mapeamento das competências organizacionais e individuais não são diferentes nos setores público e privado. Nos dois casos é imprescindível 29 a preparação dos profissionais de RH para a implantação da GPPC, pois eles conduzirão todo o processo. Já a análise das informações é diferente, em função das diferentes formas de estrutura organizacional. Em relação à questão da estabilidade do servidor, é preciso usá-la como instrumento, como segurança para experimentar a evolução e habilitar a melhoria. Sem o risco de demissão, o profissional pode ser convencido a ousar evoluir, sem medo. 3.9. A aplicação do Modelo de Gestão por Competências no Setor da Saúde Atualmente faz-se essencial investir em capacitação permanente dos profissionais de saúde, bem como a constante atualização do processo de gestão. Além disso, o modelo de atenção em saúde tem sido constantemente revisto, de maneira a garantir os princípios do SUS. Para implantação do modelo de GC, alguns desafios deverão ser enfrentados. O principal deles é a participação. É importante que a proposta seja construída conjuntamente, com a participação de todos os segmentos da organização. As pessoas estando envolvidas assumirão responsabilidades e estarão comprometidas com o sucesso do sistema. Na área da saúde, não só no Brasil, mas em diversos países vem crescendo a idéia de padronização das competências, de acordo com a área de atuação profissional. “Uma estrutura nacional de competências é um acordo conceitual que compreende a definição de diferentes áreas profissionais e os distintos níveis de competência que existem no mercado de trabalho do país em questão” (SENAC. Irigoin Barrenne, et. al., 2002). O capítulo seguinte abordará a situação do atendimento à saúde da pessoa idosa no Brasil, considerando a legislação vigente, as políticas públicas existentes e buscando identificar os Conhecimentos, Habilidades e Atitudes necessárias tanto em nível organizacional como individual, subsidiando a compreensão de um estudo de caso realizado numa Unidade Saúde Escola de uma Universidade pública brasileira. 30 4. A saúde do idoso no Brasil Há de se observar que a saúde da pessoa idosa é tema de reflexão e debate internacional, tendo em vista o processo de envelhecimento populacional observado no mundo atual. A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou em junho de 2010 a Rede Global de Cidades Amigas do Idoso como parte da resposta ao rápido envelhecimento das populações. Segundo a agência, os maiores desafios estão em países menos desenvolvidos. Até 2050, a estimativa é que 80% dos 2 mil milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivam em nações de rendimento médio e baixo. "Uma pessoa de mais idade requer algumas necessidades especiais, às vezes ela não anda com tanta agilidade como uma pessoa mais nova, às vezes precisa de uma bengala, está numa cadeira de rodas, ou tem dificuldade visual que é muito comum nas pessoas mais velhas" (Regina Ungerer, médica e coordenadora da rede de informação em saúde em português da OMS (em entrevista à Radio ONU de Genebra, afirmando que as cidades precisam se adaptar) 29/6/2010 – Nova Iorque) Organizações discutem internacionalmente políticas e estratégias para adaptação dos países a essa nova realidade, pois segundo a ONU, a população com mais de 60 anos em 2050 alcançará o total de 2 bilhões de pessoas e, assim, se faz necessário um planejamento adequado para acomodar este fenômeno demográfico. No presente trabalho, priorizamos a realidade brasileira, as políticas públicas do país, especialmente no que diz respeito à saúde da pessoa idosa. No Brasil, estima-se que a população será de 63 milhões de pessoas acima de 60 anos a partir de 2050. Se em 1980 eram 10 idosos para cada 100 jovens, em 2050 serão 172 idosos para cada 100 jovens. A expectativa reflete na melhora da esperança de vida ao nascer, que saiu de 43,3 anos, na década de 1950, para 72,5 anos em 2007 (sexo feminino). Além disso, a média de filhos por mulher em idade fértil deverá diminuir. Se está em 1,9 filhos, chegará em 2030 a ser negativa de -0,05. Os dados foram apresentados pelo Coordenador Técnico do Censo Demográfico, Joilson de Souza, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – BA. “O desequilíbrio entre a quantidade de idosos e a proporção de crianças é preocupante”, alertou Souza. Hoje, a maior proporção de idosos está principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraíba (BRASIL, 2007). 31 4.1. A Gestão Estratégica na área da saúde mediante o envelhecimento populacional Nos últimos anos, o Governo vem buscando formas de melhorar a qualidade de vida do idoso, criando condições para que tenham prioridade no atendimento, conforme previsto no Estatuto do Idoso, instituído em 1º de outubro de 2003 (Lei 10741). Conforme o artigo 15 do Estatuto do Idoso é “assegurada a atenção integral à saúde do idoso, através do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.” Tais medidas vêm sendo tomadas principalmente em decorrência do envelhecimento populacional e dos custos significativos com internações hospitalares e com tratamentos médicos com a população idosa, conforme consta, inclusive na Política Nacional de Saúde do Idoso, aprovada em 1999 (Portaria n.º 1.395/GM Em 10 de dezembro de 1999). “O idoso consome mais serviços de saúde, as internações hospitalares são mais freqüentes e o tempo de ocupação do leito é maior do que o de outras faixas etárias. Em geral, as doenças dos idosos são crônicas e múltiplas, perduram por vários anos e exigem acompanhamento médico e de equipes multidisciplinares permanentes e intervenções contínuas.” (Portaria n.º 1.395/GM Em 10 de dezembro de 1999 – página 3). O documento determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde (MS), cujas ações se relacionem com o tema objeto da Política aprovada, promovam a elaboração ou a readequação de seus planos, programas, projetos e atividades na conformidade das diretrizes e responsabilidades nela estabelecidas (BRASIL, 1999). O foco central da Política Nacional de Saúde do Idoso, conforme consta na introdução do documento é a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria, ao máximo, da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde dos que adoecem e a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida, de modo a garantir-lhes permanência no meio em que vivem, exercendo de forma independente suas funções na sociedade" (BRASIL, 1999:21). Para o alcance do propósito da Política Nacional de Saúde do Idoso, foram definidas como diretrizes essenciais a promoção do envelhecimento saudável; a manutenção da capacidade funcional; a assistência às necessidades de saúde do idoso; a reabilitação da 32 capacidade funcional comprometida; a capacitação de recursos humanos especializados; o apoio ao desenvolvimento de cuidados informais; e o apoio a estudos e pesquisas. a) Promoção do envelhecimento saudável: Prevê a adoção de medidas de orientação e motivação dos idosos e pessoas em fase de envelhecimento para que tenham uma alimentação adequada, pratiquem atividades físicas e evitem o consumo de álcool e drogas. Além das campanhas educativas, essa diretriz também prevê a orientação a idosos e familiares em relação ao risco de quedas, além de prever a adaptação de todos os espaços públicos, a fim de garantir o acesso dos idosos e também das pessoas portadoras de necessidades especiais. b) Manutenção da capacidade funcional: Orienta para a adoção de medidas que objetivem a prevenção de perdas funcionais, como a aplicação de vacinas e a realização de exames preventivos, visando diagnosticar possíveis problemas de saúde que, caso demorem a ser tratados, possibilitem a perda de habilidades funcionais. c) Assistência às necessidades de saúde do idoso: Objetiva garantir a assistência, a nível ambulatorial. Hospitalar e domiciliar, que deverá impactar na redução das internações hospitalares e em asilos ou clínicas de repouso, assim como diminuir a procura pelos serviços de emergência e pelos ambulatórios de especialidades. É também previsto o atendimento por equipe multiprofissional nas instituições públicas ou privadas conveniadas ao SUS É também estabelecido que idosos em condições socioeconômicas desfavoráveis recebam atenção especial, já que estes estão mais vulneráveis à perda de capacidade funcional. d) Reabilitação da capacidade funcional comprometida: A reabilitação precoce é prevista como forma de evitar o avanço das limitações da capacidade funcional, pois isso possibilita a recuperação mais rápida do indivíduo. Também prevê uma equipe de atendimento multiprofissional. 33 e) Capacitação de recursos humanos especializados: Propõe a capacitação permanente da equipe profissional, de acordo com o art. 13 da Lei 8080/90, que estabelece a criação de comissão permanente de integração entre os serviços de saúde e as instituições de ensino profissional e superior, para propor prioridades métodos e estratégias. Prevê ainda a criação de Centros Colaboradores de Geriatria e Gerontologia para viabilizar a articulação entre o Ministério da Educação e as instituições de ensino superior na capacitação de pessoal de acordo com esta Política Nacional do Idoso. f) Apoio ao desenvolvimento de cuidados informais: Nesse item é indicado que seja utilizada a estratégia de realização de parceria entre o profissional de saúde responsável pelo atendimento ao idoso com as pessoas próximas desses idosos. Os profissionais de saúde deverão orientar e preparar os familiares ou cuidadores em relação às necessidades diárias do idoso, mantendo e melhorando a capacidade funcional do idoso, de maneira menos onerosa. Além disso, também é previsto que as pessoas responsáveis pelo cuidado do idoso no domicílio devem receber atendimento médico, pois essa tarefa é desgastante e pode colocar em risco a saúde do cuidador. g) Apoio a estudos e pesquisas: Os Centros Colaboradores de Geriatria e Gerontologia são responsáveis por esse apoio, de acordo com a área de conhecimento e especialidade de cada um. Deverão ser equipados com recursos de agências de ciência e tecnologia para organização dos pesquisadores e atuação em uma ou mais linhas de pesquisa. As pesquisas deverão produzir informações relevantes para garantir a efetividade das ações previstas nesta Política (Portaria n.º 1.395/GM Em 10 de dezembro de 1999). Todas as ações em saúde do idoso, conforme previsto na referida Política, devem objetivar ao máximo manter o idoso na comunidade, junto de sua família, da forma mais digna e confortável possível. Seu deslocamento para um serviço de longa permanência, seja ele um hospital de longa estada, asilo, casa de repouso ou similar, pode ser considerada uma alternativa, somente quando falharem todos os esforços anteriores (GALINSKY, 1993). 34 4.2. Sobre as competências dos profissionais de saúde para atenção à pessoa idosa Em consonância a Política Nacional de Saúde do Idoso, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação e Câmara de Educação Superior, a Resolução CNE/CES 4/2001 (Anexo I) definindo as diretrizes curriculares do curso de medicina, na qual também se pautam as diretrizes gerais para os demais cursos da área da saúde. O quadro 4 apresenta as Resoluções que definem as diretrizes curriculares dos cursos da área de saúde pautadas nas Diretrizes Curriculares do Curso de Medicina, definidas pelo Conselho Nacional de Saúde e Câmara de Educação Superior no ano de 2001. Quadro 4 – Resoluções que definem as Diretrizes Curriculares dos cursos da área da saúde. Resolução Resolução CNE/CES 4/2001 Data 7/11/2001 Medicina Curso Resolução CNE/CES 2/2002 19/2/2002 Farmácia Resolução CNE/CES 4/2002 19/2/2002 Fisioterapia Resolução CNE/CES 5/2002 19/2/2002 Fonoaudiologia Resolução CNE/CES 6/2002 19/2/2002 Terapia Ocupacional Resolução CNE/CES 8/2004 7/5/2004 Psicologia As Diretrizes Curriculares definem os conhecimentos a serem adquiridos pelos profissionais das áreas da saúde, para o exercício das seguintes competências e habilidades gerais, a saber: • Atenção à saúde; • Tomada de decisões; • Comunicação; • Liderança; • Administração e gerenciamento; • Educação permanente; As diretrizes curriculares orientam para a formação de profissionais de saúde capazes de atuar em equipe, com responsabilidade e resolutividade, não somente em nível individual quanto coletivo; deverão também ser capazes de tomar decisões, de maneira a 35 decidir por condutas mais adequadas, agindo com eficácia e evitando desperdício de serviços, de medicamentos e de materiais. Outra competência de extrema importância a ser adquirida é a capacidade de liderança, de assumir o gerenciamento com compromisso e responsabilidade. Além das competências apresentadas acima, é esperado do profissional, estar aberto a aprender a todo tempo, tendo compromisso com a educação, criando condições para o benefício mutuo entre os profissionais dos serviços e os futuros profissionais, ou estagiários. 4.2.1. Sobre as competências para trabalhar com cuidadores Segundo Zarit (1997), o profissional que pretende trabalhar com cuidadores, dentre suas habilidades e conhecimentos, deverá dispor de: - familiaridade com os transtornos comuns do envelhecimento e com suas possibilidades de tratamento; - informações sobre diagnóstico e avaliações dos transtornos do envelhecimento; - conhecimento sobre as disponibilidades dos serviços de saúde para o idoso doente; - habilidades clínicas que permitam tanto prover orientação relativa ao comportamento do idoso, como aquelas que permitam levar o cuidador a identificar sentimentos e comportamentos relativos ao idoso, compreendê-los e/ou modificá-los, de modo a resultar em melhora de sua qualidade de vida, e de sua relação com o idoso, com outros familiares e com pessoas do seu convívio. III. DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO DE CASO 1. Método A presente investigação é um estudo de caso, com duas frentes distintas e complementares de obtenção das informações: a) pesquisa documental/exploratória, visando análise de documentos de um segmento de um serviço de saúde de uma instituição de ensino superior pública; b) informações coletadas junto à sujeitos-informantes que vinculam-se à unidade de saúde supra citada. 36 De acordo com Martins e Theóphilo (2007, p. 61) “a estratégia de pesquisa Estudo de Caso pede avaliação qualitativa, pois seu objetivo é o estudo de uma unidade social que se analisa profunda e intensamente. Trata-se de uma investigação empírica que pesquisa fenômenos dentro de seu contexto real (pesquisa naturalística), onde o pesquisador não tem controle sobre eventos e variáveis, buscando aprender a totalidade de uma situação e criativamente descrever, compreender e interpretar a complexidade de um caso concreto”. 1.1. Instrumentos Quanto à estratégia de pesquisa documental Martins e Theóphilo (2007, p. 55) “é característica dos estudos que utilizam documentos como fonte de dados, informações e evidências”. A obtenção de dados através de sujeitos informantes por meio de questionários. Martins e Theóphilo (2007, p. 90) definem que questionário é “um conjunto ordenado e consistente de perguntas a respeito de variáveis e situações que se deseja medir ou descrever. O questionário é encaminhado para potenciais informantes, selecionados previamente, tendo que ser respondido por escrito e, geralmente, sem a presença do pesquisador”. Os questionários enviados aos sujeitos informantes foram organizados da seguinte maneira: o primeiro contém questões objetivas a respeito da formação, experiência e atividades realizadas pelo profissional, com o objetivo de reunir informações sobre as ações realizadas pelos profissionais na Unidade, a experiência adquirida e a capacitação/qualificação desses profissionais. O segundo instrumento é o Questionário Palmore-Neri-Cachioni (Anexo IV) para Avaliação de Conhecimentos em Relação à Velhice, que possibilita identificar o grau de conhecimento do profissional em relação à velhice. O terceiro instrumento baseia-se nas competências do profissional de saúde definidas na Resolução CNE/CES 04/2001 (Anexo I), levantando o grau de importância considerado pelo profissional-informante para cada item/competência previsto nas diretrizes curriculares dos cursos das áreas de saúde. Estas três modalidades de instrumentos conjuntamente, puderam auxiliar-nos na realização do presente Estudo de Caso junto à Unidade Saúde Escola da UFSCar, espaço que agrega atividades de ensino, de pesquisa e de extensão universitárias, que tem como objetivo principal prestar assistência gratuita aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Este serviço articula-se com a Rede Municipal de Saúde. Após algumas consultas aos membros da direção da Unidade quanto à viabilidade do desenvolvimento do projeto no 37 âmbito da USE, decidiu-se restringir o campo de estudo, restringindo-se à equipe que atua junto à Linha de Cuidado do Idoso, na Unidade Saúde Escola da UFSCar. 1.2. Procedimentos de coleta de dados Sistematizamos a coleta de dados em três fases: Fase 1 – Revisão bibliográfica, analisando a legislação brasileira, as políticas públicas e a literatura sobre Gestão por Competências e sobre Saúde do Idoso. Fase 2 – Pesquisa documental em que se procurou analisar diversos documentos e informações sobre a Unidade Saúde Escola, identificando, a partir de seus objetivos e seu Plano Estratégico, as competências organizacionais. Foram também analisados os documentos que continham informações sobre a Linha de Cuidado de Idoso, como relatórios que detalham as ações desenvolvidas, profissionais envolvidos e a organização do processo de trabalho. Fase 3 –Aplicação de questionários – Nessa fase foram coletados dados por meio de um questionário enviado eletronicamente aos oito profissionais vinculados à linha de cuidado do idoso na Unidade Saúde Escola, a fim de permitir o mapeamento das competências individuais e da equipe. Como referências para o estudo, foram consideradas as competências comuns definidas pelas Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação da área da Saúde previstas no Parecer CNE/CES 1133/2001, a saber: atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação, liderança, administração e gerenciamento, educação permanente. As Diretrizes orientam também a formação dos profissionais de saúde para que possam adquirir “competências, habilidades e conteúdos, dentro de perspectivas e abordagens contemporâneas de formação pertinentes e compatíveis com referencias nacionais e internacionais, capazes de atuar com qualidade, eficiência e resolutividade, no Sistema Único de Saúde (SUS), considerando o processo da Reforma Sanitária Brasileira” (Parecer CNE/CES 1133/2001). 1.3. Procedimentos de análise dos dados Após o levantamento das informações documentais e da aplicação dos questionários, iniciou-se a análise dos dados visando a identificação das competências da equipe, bem como as de cada profissional atuante na linha de cuidado do idoso, permitindo identificar os gaps ou lacunas entre as competências existentes e as competências necessárias para a eficiência e eficácia do atendimento prestado na Unidade Saúde Escola da UFSCar. 38 1.4. Participantes do Estudo: sujeitos-informantes Foram convidados a participar do estudo os oito profissionais de nível técnico e superior, que atuam na Linha de Cuidado da Saúde do Idoso da USE, de ambos os sexos das áreas de Assistência Social, Psicologia, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Medicina e Farmácia. Todos os participantes foram devidamente esclarecidos e convidados a participar da etapa de coleta de dados. Os questionários foram enviados eletronicamente, ficando a critério de cada participante devolvê-los da mesma maneira ou de forma impressa. Sete dos oito profissionais devolveram os questionários preenchidos. 1.4.1. Perfil dos participantes O primeiro questionário permitiu identificar o perfil dos profissionais que atuam na Linha de Cuidado do Idoso, em relação à formação profissional, sexo, idade e tempo de serviço. As informações estão apresentadas no quadro 5. Quadro 5 – Perfil dos participantes em relação à formação/capacitação Sujeito Formação Pós-Graduação Sexo Idade Tempo de serviço (S/N) Área 1 Fisioterapeuta Sim Fisioterapia Fem 34 5 a 6m 2 Fonoaudiólogo Sim Audiologia Fem 33 5a 3 Psicólogo Sim -Psicologia Hospitalar; Fem 35 5a - Educação Especial 4 Fisioterapeuta Sim Fisioterapia Fem 35 5a 5 Assistente Sim - Administração Hospitalar Fem 31 1a Social 6 Médico -Psicologia Educacional Sim - Fem 34 5a Sim - Musicoterapia Fem 37 5a cardiologista 7 Terapeuta Ocupacional 39 Observou-se que todos os profissionais que responderam o questionário cursaram no mínimo especialização em sua área de atuação, sendo que 50% possuem Curso de Mestrado. 1.4.2. Aspectos Éticos Todos os aspectos éticos de um estudo de caso organizacional foram observados. O projeto foi submetido à apreciação e análise quanto à sua viabilidade junto à Comissão de Pesquisa da Unidade Saúde Escola, tendo sido aprovado em 27 de maio de 2010. Entretanto, além dos esclarecimentos verbais, os participantes expressaram sua autorização por escrito através de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo VI). 2. Um caso em análise: a Unidade Saúde Escola – USE/UFSCar A Unidade Saúde Escola foi inaugurada em 2004 e está localizada na área de expansão norte da UFSCar. É um espaço construído para o desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão na área da saúde. A educação e a pesquisa acontecem de forma articulada com assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde e por meio de capacitação de profissionais e estagiários que atuam na área da saúde. A principal missão da Unidade Saúde Escola da UFSCar é prestar assistência qualificada e gratuita a todo cidadão dentro dos princípios do Sistema Único de Saúde, de forma articulada com a rede pública de saúde. (Resolução 644 CONSUni/UFSCar) Seus princípios foram definidos na elaboração do Regimento Interno, com base nos princípios que regem o SUS, que são: • Respeito aos valores humanos; • Eficácia e efetividade nas intervenções; • Qualidade e humanização no atendimento; • Eqüidade e universalidade; • Integralidade nas ações; • Trabalho interdisciplinar; • Indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. 40 Os atendimentos são realizados por docentes, profissionais de saúde da Unidade e, principalmente, por estagiários dos cursos de saúde da UFSCar, como Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Psicologia, Enfermagem, Educação Física. Gerontologia e Medicina. A USE consiste em uma proposta inovadora no que se refere à integração do ensino, pesquisa e extensão, à interdisciplinaridade e à integralidade do cuidado. As ações desenvolvidas na USE são voltadas principalmente para a reabilitação Física e Mental. Por exemplo, são desenvolvidas intervenções como psicoterapia individual e em grupo voltadas para transtornos psicológicos leves e moderados; grupo de idosos e cuidadores, atendimentos com inserção dos alunos do curso de Medicina, fisioterapia (nas áreas respiratória, cardiovascular, ortopédica, neurológica, reumatológica, geriátrica e ginecológica), atendimento em terapia ocupacional para as áreas física e mental assim como correções posturais, na área de educação física (USE-UFSCAR, 2010). São atividades contínuas que propiciam à USE sua inserção junto à Rede Municipal de Saúde, com reconhecimento dos seus usuários, da população local, assim como da Secretaria Estadual de Saúde, com a qual a Unidade mantém convênio para pactuação dos procedimentos realizados A Unidade vem buscando gradativamente a adaptação do modelo de assistência, antes organizado na forma de Programa de Saúde, passando a adotar o modelo de Linha do Cuidado. O Modelo de Linha do Cuidado objetiva “organizar as ações de forma interdisciplinar, multiprofissional, buscando o atendimento integral com foco no usuário, prestado com base em projeto terapêutico elaborado conjuntamente pelos profissionais e discutidos com os usuários” (USE-UFSCAR, 2010). O Programa de Saúde do Idoso foi idealizado com base nos princípios que regem o SUS, na Política Nacional do Idoso e no Estatuto do Idoso. O Programa vem, desde a inauguração da Unidade Saúde Escola, em outubro de 2004, prestando assistência à saúde do idoso e ao seu cuidador. A equipe que atua nesta frente é composta, atualmente, por um médico cardiologista, um médico psicogeriatra, um psicólogo, dois fisioterapeutas, um terapeuta ocupacional e um assistente social. Dentre os serviços oferecidos, destacam-se orientações sobre cuidados, estimulação e motivação, psicoterapia, fisioterapia e atividades físicas, abrangendo reabilitação, atividades expressivas, artísticas, estimuladoras, entre outras. Um Programa de Saúde constitui-se num conjunto de ações construídas e conduzidas, de forma interdisciplinar, por profissionais de diferentes campos de atuação e por 41 pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, e articuladas em relação a um tipo de população, problema ou fenômeno comum, em relação aos quais são desenvolvidas as atividades-fim da Unidade (USE-UFSCAR, 2010). No Programa são atendidas pessoas de ambos os sexos, a partir de 60 anos, em geral com doenças crônicas ou pós-cirúrgicas, em processo de reabilitação, portadores de demência ou alteração cognitiva, disfunção física, cardiopatias, alteração do sistema respiratório e outras necessidades. Entretanto, outras demandas leves e/ou moderadas tem também sido objeto de interveniência multidisciplinar. Estudo realizado pela coordenação do Programa do Idoso (Mendiondo, M.; Rabelo, K., 2008) analisou uma amostra de 300 usuários do programa, permitindo conhecer o perfil do idoso que procura a Unidade Saúde Escola. O estudo mostrou que a média de idade dos idosos atendidos pelo Programa é de 71,4 anos com, estando a maioria na faixa de 70 a 79 anos Dessa população, 40% eram mulheres e 60% homens. Em relação à escolaridade, a maioria declarou possuir ensino fundamental incompleto, sendo a escolaridade das mulheres, em média inferior a dos homens. A renda salarial ficou em média de 3 salários mínimos, com um desvio padrão de 4 salários mínimos. Em relação à estrutura familiar, 70% dos idosos declararam morar com esposo/esposa. A maioria vem em busca de atendimento em fisioterapia (geriátrica, cardiovascular e respiratória). O segundo motivo que traz a maioria dos idosos e/ou familiares são as queixas de esquecimento, alteração de memória e demência. Em maio de 2009, com a aprovação do regimento interno da Unidade, foi definida a organização da assistência por Linhas de Cuidado, em substituição aos Programas de Saúde. As Linhas de Cuidado estão definidas no próprio regimento interno como: “o conjunto de ações construídas e conduzidas de forma interdisciplinar, multiprofissional, baseadas na integralidade e centradas no usuário, integrando ações de educação, promoção, vigilância, prevenção e assistência, voltadas para as especificidades de grupos e/ou necessidades individuais de saúde dos usuários, respeitadas suas singularidades, subjetividades e conforme um projeto terapêutico previamente elaborado e negociado entre profissionais e usuários”. (USE-UFSCAR, 2010). Contudo, sabe-se que todo processo de mudança organizacional requer esforços tanto do gestor quanto da equipe, para a transformação das estratégias em práticas. Não se trata simplesmente de estipular um prazo para que o sistema seja transformado. É 42 necessária a mudança cultural, a adesão e o envolvimento da equipe, para vencer as dificuldades e iniciar gradativamente começar a assimilar o novo modelo. 2.1. O atendimento ao idoso e cuidador O atendimento prestado pela equipe profissional na Linha de Cuidado do Idoso pauta-se também nos princípios norteadores do SUS, na Política Nacional do Idoso, no Estatuto do Idoso, e também no Regimento Interno da USE. O objetivo da Linha de Cuidado do Idoso consiste em desenvolver ações a partir da compreensão do contexto de vida dos idosos e seus cuidadores, familiares ou profissionais e da multiplicidade de fatores que afetam a qualidade da relação entre eles. As atividades são desenvolvidas de forma interdisciplinar, integrando o ensino, a pesquisa e a extensão, em cada uma das ações que são nele desenvolvidas. Os idosos se distribuem nas diversas ações oferecidas pelo Programa do Idoso O levantamento feito pelos profissionais do Programa do Idoso no ano de 2008 demonstrou a necessidade de investir em políticas de prevenção, informação e orientação ao cuidador, pois, como foi evidenciado, o perfil do idoso atendido no Programa revela potencialidade para trabalhar nessas vertentes. Citamos abaixo alguns dos projetos desenvolvidos no âmbito da linha do cuidado, na intenção de exemplificar ações desenvolvidas pelos profissionais: 2.1.1. As atividades do CAIC – Centro de Atendimento ao Idoso e seu Cuidador Este projeto tem por objetivo identificar as necessidades de cuidado de idosos com alterações cognitivas, bem como planejar e desenvolver um Programa de Orientação para esses idosos e seus cuidadores familiares. Pretende contribuir para o desenvolvimento da Linha de Cuidado do Idoso na Unidade Saúde Escola, fortalecendo o Sistema Único de Saúde, no estabelecimento de ações de referência e contra referência, integrando-se com as necessidades e demandas do município. 2.1.2. Atendimento psicoterápico cognitivo-comportamental em grupo de idosos com depressão Este projeto consiste na capacitação de alunos de psicologia para atendimento grupal a idosos que apresentam transtornos depressivos, numa abordagem cognitiva comportamental. 43 - Propiciar condições para que o idoso participante amplie seu grau de bem estar emocional, ampliando o número de atividades prazerosas em seu dia-a-dia, ampliando sua rede de apoio e modificando padrões de pensamento negativos. 2.1.3. Arte, Música e Movimento: proposta de estimulação global em Terapia Ocupacional junto a grupo de idosos com necessidades especiais Este projeto tem por objetivo promover oportunidades de socialização e troca de experiências para idosos com necessidades especiais que possuem dificuldades (físicas, cognitivas e/ou emocionais) para socializar-se fora do setting terapêutico, gerando assim uma rede de apoio entre seus integrantes; oferecer estímulos às necessidades e interesses de cada idoso em suas especificidades, buscando, através do uso da arte, da música e do movimento como recursos terapêuticos ocupacionais, fortalecer o senso de identidade e a auto-estima, em prol da qualidade de vida; oferecer um espaço onde cada idoso possa exercitar sua iniciativa, capacidade de escolher, tomar decisões, ser autor da própria vida. 2.1.4. Grupo de Promoção de Qualidade de Vida para Idosos A preparação deste grupo envolve a capacitação de alunos de psicologia para planejar, intervir e avaliar a atividade interdisciplinar em grupo de idosos sem alteração cognitiva, possibilitando que o aluno reflita sobre o conceito de qualidade de vida no envelhecimento. Consistem em seis encontros para revisão bibliográfica sobre qualidade de vida em idosos, outros doze encontros para preparação e organização das atividades e seleção dos participantes. Somente depois deste processo, são iniciadas as atividades com os idosos selecionados. Com esta atividade, busca-se fomentar a reflexão e a busca de alternativas saudáveis para o envelhecimento. Os responsáveis enfatizam a necessidade de que o idoso se mantenha ativo, seja na busca de significados pessoais para essa fase de sua vida, seja na ação visando à manutenção de sua saúde física e mental. 2.2. Principais atividades descritas pelos profissionais junto à Linha de Cuidado do Idoso Para obtenção das informações, elaborou-se um formulário (Anexo II) para que os informantes mencionassem as atividades individuais e em grupo realizadas na Unidade. As atividades foram transcritas nos itens abaixo: 44 2.2.1. Atividades Individuais Sujeito Atividades individuais - avaliação de cuidadores de portadores de demência; - orientações individuais para cuidadores de portadores de demência; 1 - entrevista inicial de idosos e cuidadores - aplicação do protocolo de avaliação do idoso. - avaliações específicas na área de fonoaudiologia 2 - terapia fonoaudiológica individual para alterações de fala, linguagem e deglutição em idosos com alterações neurológicas - avaliação do estado emocional e cognitivo dos idosos - avaliação do estado emocional de cuidadores de idosos 3 - intervenção junto a idosos e familiares, por meio de psicoterapia individual - protocolo de avaliação do Programa do Idoso - atendimento de fisioterapia respiratória 4 - visita domiciliar para orientação em relação a cuidados respiratórios - entrevista inicial - abordagem sócio-familiar com cuidador e ou responsável 5 - mediação para necessidades de transporte e outros auxílios de cunho social 6 - consultas médicas cardiológicas 7 - estimulação cognitiva 2.2.2. Atividades em Grupo Sujeito Atividades em Grupo - grupos de reabilitação cardiovascular; 1 - grupo informativo para cuidadores de portadores de demência; - grupo de apoio para cuidadores de portadores de demência; - discussão de casos e encaminhamentos; 2 3 - grupo de estimulação cognitiva para idosos com demência (fono e TO) - grupo de estimulação da linguagem por meio da musicoterapia - co-responsabilização na condução de Grupo de Apoio para cuidadores de idosos com demência (atividade interdisciplinar) 45 - supervisão de alunos do curso de graduação em psicologia, na condução de grupo psicoterápico de idosos com depressão - participação em reuniões da equipe 4 - reuniões de equipe para discussão dos casos clínicos 5 - discussão de caso com equipe interdisciplinar, colaborando nas questões sociais junto ao plano terapêutico em questão. - visitas domiciliares conjuntas com profissionais de outras áreas 6 - realização de exames de ergometria na avaliação complementar da fisioterapia cardiovascular. - Grupo de Geronto: atividade de extensão com objetivo de oferecer oportunidade de socialização para pacientes idosos fragilizados, troca de experiências, auto-conhecimento, auto-valorização, auto-estima - Encontro de Marias: atividade de extensão que visa o desenvolvimento de estratégias saudáveis para lidar com o cotidiano (grupo de mulheres) 7 - Grupo de musicoterapia para estimulação da linguagem em pacientes com dificuldades de comunicação pós AVE - Grupos de cuidadores (informativo e de apoio) - Oficinas de estimulação cognitiva para idosos - Visitas domiciliares para adequação de ambientes e prevenção de quedas e acidentes em domicílio Observa-se, pela descrição das atividades feita pelos profissionais-informantes, que os são priorizadas as atividades de caráter individual, não descartando, entretanto, atividades de grupo relevantes como de apoio a cuidadores. 2.3. Sobre as competências profissionais Para análise das competências individuais da equipe da Linha de Cuidado do Idoso, foi utilizado um instrumento construído pelos pesquisadores a partir das competências comuns aos profissionais de saúde, previstas na Resolução CNE/CES 4/2001 (Anexo I). Esta Resolução propõe a formação de um profissional generalista, humanista, crítico e reflexivo, capacitado a atuar, pautado nos princípios éticos, no processo de saúdedoença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano. 46 Foi solicitado aos participantes que atribuíssem valor de 1 a 3, sendo 1 o item a que se atribui menor prioridade na atividade profissional e 3 para o que fosse considerado de extrema importância para o desenvolvimento das atividades. A partir desse instrumento, analisou-se as seguintes categorias: atenção à saúde, administração e gerenciamento, comunicação, educação permanente, liderança e tomada de decisões. Dentre as categorias analisadas identificou-se a prioridade para Atenção à Saúde, tendo a pontuação média de 2,5, seguida da categoria Comunicação, com média de 2,5. Os aspectos menos priorizados pelos profissionais, de acordo com o questionário (Anexo III), foram Administração e Gerenciamento, obtendo média de 2,0 e Liderança, cuja média foi de 2,16. A seguir demonstra-se a média obtida a partir do valor atribuído pelos profissionais-informantes para cada item: 2.3.1. Atenção à saúde Item MÉDIA Os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, 3 tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de 2,66 procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico mas sim, 2,5 com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo. Nesse aspecto, pode-se verificar que houve um consenso sobre a priorização dos profissionais em relação à atenção à saúde, demonstrando a importância dada pela equipe à Atenção à Saúde. A média geral calculada foi de 2,72. 47 Apesar do esforço verificado para realização de atividades em grupo de orientação, de estimulação, de reabilitação e socialização, verifica-se que a proposta de atendimento integral prevista no modelo de Linha do Cuidado por meio de ações interdisciplinares e multiprofissionais carece de investimento em sua construção. Pela análise acima e, até mesmo pelo conhecimento e convívio com a equipe no dia-adia, podemos afirmar que há intensa dedicação de cada profissional no atendimento prestado. As atividades têm caráter contínuo e os atendimentos são sempre bem avaliados e os profissionais são elogiados por seus usuários. Outro fator muito positivo é a discussão de casos clínicos feita quinzenalmente pela equipe, quando se discute a evolução de cada usuário e se planeja a continuidade dos procedimentos. Dessa forma, considerar que o atendimento prestado necessita se alinhar ao previsto no modelo de Linha do Cuidado não significa, de forma alguma, que os resultados obtidos a partir das atividades realizadas não sejam significativos e altamente benéficos aos usuários. No entanto, constata-se que a construção do plano terapêutico precisa ainda ser repensada em relação ao modelo de assistência, de acordo com os princípios do SUS e com a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, de 19 de outubro de 2006. Em relação à Atenção à Saúde, sugere-se aos gestores o investimento em ações educativas para construção do modelo de Linha do Cuidado, a partir de experiências de outras instituições, de consultorias e de reuniões com a própria equipe. 2.3.2. Administração e Gerenciamento Item MÉDIA Os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, Fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho quanto dos recursos físicos e materiais e de informação, Estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde; 2,5 1,83 1,66 Verifica-se, pela pontuação obtida, que a questão Administração e Gerenciamento não faz parte das prioridades da equipe, tendo obtido média geral de 2,0. 48 2.3.3. Comunicação Item MÉDIA Os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o 3 público em geral. A comunicação envolve comunicação verbal, não-verbal e habilidades de escrita e leitura; o domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira e de tecnologias de 2 comunicação e informação; A Comunicação foi um aspecto considerado importante, apesar de não ser considerada entre as principais prioridades. Considerando que a Comunicação é essencial para o bom funcionamento de qualquer organização, pode-se constatar ser um ponto positivo a avaliação da equipe da Linha de Cuidado do Idoso em relação a esse aspecto. Concluímos que é dada importância à troca de informações, seja por qual meio se considere o mais eficiente, pois com uma boa comunicação facilita o trabalho em equipe e transmite confiança aos usuários. 2.3.4. Educação Permanente Item MÉDIA Os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática. Os profissionais de saúde devem aprender a aprender Ter responsabilidade e compromisso com a sua educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de profissionais Proporcionar condições para que haja benefício mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços, Estimular e desenvolver a mobilidade acadêmico/profissional, a formação e a cooperação por meio de redes nacionais e internacionais. 3 2,66 2 2,16 2 A Educação Permanente obteve média geral 2,36, remetendo para o entendimento de que é considerada uma das prioridades, após a Atenção à Saúde. 49 Nesse aspecto, considera-se interessante o resultado da pesquisa, pois esse demonstra que há interesse da equipe em capacitação, em aprendizado contínuo. Tal característica é fundamental para que se invista nos profissionais. Observa-se que o item “os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática” obteve pontuação máxima 3. Entendemos com isso, que a equipe está disposta a permanecer em constante processo de aperfeiçoamento, atualização e treinamento. Com isso e, sabendo-se que a instituição em que atuam – USE, conta com um Núcleo Interdisciplinar de Tecnologia Educacional em Saúde – NITES, que dispõe de espaço e equipamentos próprios para cursos e eventos, como Auditório e sala para Seminários Além disso, podemos considerar que a USE é uma Unidade privilegiada por sua vinculação à Universidade Federal de São Carlos, que, por sua vez, se destaca por seu quadro docente altamente qualificado e pelas alternativas de contatos com outras instituições com o objetivo de trazer pessoas externas para troca de experiências, assim como já vivenciado na USE. 2.3.5. Liderança Item MÉDIA No trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumir posições de liderança, sempre tendo em vista o bem-estar da 1,66 comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz; 2,66 No aspecto Liderança, conforme já relatamos, observou-se que há menor priorização por parte dos profissionais-informantes. A média geral foi de 2,16, sendo que, em consonância com o levantamento das atividades realizadas, observamos que há necessidade de investimento em ações que favoreçam o trabalho interdisciplinar. Portanto, trata-se de um aspecto que sugerimos ser trabalhado pelos gestores, de maneira a conscientizar os profissionais de sua importância e do significado que tem a capacidade de Liderança no trabalho em equipe. 50 2.3.6. Tomada de Decisão Item MÉDIA O trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de 2,5 tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custo-efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas. Para este fim, os mesmos devem possuir competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências 2,33 científicas; Com média geral de 2,41, verifica-se que o grupo valoriza a autonomia em suas ações, porém ainda prevalece maior priorização para as ações de Atenção à Saúde ou ações individuais. Sabe-se que todo profissional de saúde deve estar preparado para a tomada de decisões, inclusive na busca constante da melhor estratégia, do uso de recursos e meios mais adequados a cada situação, decidindo pela melhor conduta, pelo procedimento a ser adotado em cada caso. Assim como o trabalho interdisciplinar exige que os membros da equipe estejam preparados para liderar o grupo, assumir compromissos e gerenciar, não somente as atividades mas os recursos empregados, otimizando o funcionamento e evitando desperdícios de recursos e, principalmente, de tempo, recurso cada vez mais escasso nos dias atuais. 2.4. Avaliação de conhecimentos em relação à velhice Para esta etapa do estudo utilizou-se o instrumento desenvolvimento por Palmore, Néri e Cachioni (2002) para Avaliação de Conhecimentos em relação à velhice. Esse instrumento foi traduzido e adaptado da versão original, possuindo 25 questões de múltipla escolha, sendo que três delas seriam de natureza preconceituosa ou esteriotipada em relação à velhice e apenas uma considerada correta. Portanto, foi orientado para a escolha de apenas uma resposta para cada questão. As questões abrangem os aspectos físico, cognitivo, psicológico e social. Responderam esse questionário, seis dos integrantes da equipe da linha de cuidado. 51 Por tratar-se de um grupo pequeno e pela preocupação com as questões éticas, optou-se por não revelar a pontuação média de cada profissional, mencionando apenas informações consideradas relevantes para o estudo. Quanto aos domínios do questionário constatou-se que: Domínios Itens n Score médio Cognitivo 1, 12 2 1 Físico 2, 4, 6, 8, 14, 18 6 3,96 Psicológico 5, 11, 13, 16, 23, 24 6 4,5 7 3 1 0 Psicológico/social/físico 10 1 0 Físico/cognitivo 9 1 1 Psicológico/social 15 1 1 7, 17, 19, 20, 21, 22, Social 25 Físico/psicológico 3 Os resultados revelaram que os domínios físico/cognitivo e psicológico/social foram os que obtiveram maior número de acertos. Nesses domínios, obtivemos mediana de 100%. As menores pontuações foram em relação aos domínios físico/psicológico, social e psicológico/social/físico, cujas medianas foram de 0% a 43%. Apenas um dos sujeitos/informantes obteve 100% nesse domínio. Os demais acertaram uma das duas questões. O domínio social, avaliado nas questões 7, 17, 19, 20, 21, 22 e 25 foi o que obteve menor número de acertos, tendo sido obtida a menor média de acertos de 0% e a maior de 57%, evidenciando a necessidade de investimento de ações nesse aspecto. Podemos considerar, a partir desse levantamento, que os profissionais apresentam conhecimentos específicos em sua área de atuação. Entretanto, em relação aos aspectos social e físico/psicológico, encontramos lacunas, pois a média de acertos nas questões relacionadas a esses aspectos foi mais baixa. O resultado apresentado remete para a necessidade de investimento em cursos de atualização na área de envelhecimento, pois é de nosso conhecimento que os profissionais que atendem idosos devem conhecer melhor sobre essa população, seus anseios, suas preocupações, suas limitações, suas preferências. Compreendê-los melhor pode facilitar a 52 comunicação entre profissional e usuário, melhorando a qualidade da relação e, em conseqüência, gerando melhores resultados nos atendimentos. A equipe de profissionais realiza Grupo de Estudos periodicamente. Sugere-se, também, nessa área, a ampliação dos grupos de estudo, com a participação, dentre outros, de docentes e alunos do Curso de Gerontologia, mais recentemente implantado na UFSCar, que conta com um projeto pedagógico novo e, portanto, atualizado em relação à nova realidade brasileira. Investimento em ações de capacitação e formação profissional que favoreçam o conhecimento nesses aspectos poderão contribuir para a da implementação da Linha do Cuidado, de acordo com sua concepção. IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observa-se que há cerca de vinte anos, as políticas públicas foram direcionando os serviços de saúde para um atendimento de acordo com os princípios do SUS, revendo, inclusive a formação dos profissionais de saúde. Porém, na prática constata-se uma distância muito grande entre o ideal e o real, ou seja, entre um atendimento que deveria ser integral e humanizado e o modelo assistencial prescritivo, que gera um custo elevado, pela utilização de recursos com a realização de exames, dispensação de medicação e outras despesas que poderiam ser evitadas com ações educativas, preventivas, além de melhor organização e planejamento das atividades assistenciais. A Unidade Saúde Escola vem oferecendo atendimento multidisciplinar a idosos e cuidadores, cujas ações foram até 2008 organizadas em forma de Programa de Saúde. Nos últimos dois anos, vem-se tentando uma reestruturação do modelo assistencial na forma de Linha do Cuidado. Os atendimentos são prestados aos idosos e seu cuidador, em alguns casos no domicílio, na intenção de orientar o cuidado. A equipe multiprofissional se reúne quinzenalmente, discutindo os casos clínicos e traçando o percurso a ser seguido. Porém, alguns fatores dificultam o desenvolvimento das atividades e exigem esforços da equipe e dos gestores para manter a qualidade do atendimento, tendo em vista que: • Os profissionais são contratados pela Universidade que não conta com autonomia para reposição de vagas. Ao longo dos cinco anos de atividades, a USE perdeu vários profissionais sem os quais fica difícil a continuidade de 53 algumas ações. É o caso, por exemplo, das especialidades médicas, como ortopedia e psiquiatria, das quais a Unidade se encontra desprovida. • Apesar de todo esforço da direção da USE, de várias reuniões e documentos, até o momento não foi concretizada a inserção da Unidade na Rede Municipal de Saúde, fato que impede que os médicos solicitem exames clínicos, dificultando e, em alguns casos, impedindo uma avaliação do paciente. A falta de um convênio com a Secretaria Municipal de Saúde também é fator que dificulta a referência e contra-referência, pois a USE recebe usuários do Município de São Carlos e outros cinco municípios da micro-região, sendo que em alguns casos seria imprescindível o encaminhamento desses usuários a outros órgãos, ação esta que precisa ser pactuada com a Rede. Em alguns casos os encaminhamentos são conseguidos informalmente, mediante contato direto do profissional da USE com o setor externo. • Os currículos dos cursos de saúde passam no momento por reformulação na Universidade. Atualmente as grades curriculares não permitem que alunos reservem horários para participação nas discussões de caso, fator que dificulta o atendimento integral. • Desde o início dos atendimentos pelo Programa do Idoso, esforços são destinados a melhorar a organização e gerenciamento das listas de espera, bem como da lista de usuários em atendimento. Este esforço é de extrema valia para conhecer a diversidade de atendimentos que o usuário recebe na Linha de Cuidado, bem como, para conhecer o fluxo de pacientes e resolutividade do serviço. Sabe-se que sem o apoio de ferramentas computacionais (ex. prontuário eletrônico) e meios tecnológicos, esforços de organização e gerenciamento destes dados que traduzem a qualidade do atendimento, encontram sérias limitações. Na atualidade a heterogeneidade de duração dos atendimentos, bem como critérios de ingresso e de alta, por se tratar de uma unidade escola levam a refletir os desafios da implantação do gerenciamento de vagas na Unidade, em geral, e nas linhas de cuidado, em particular. 54 Não obstante a todas as dificuldades apontadas acima, a equipe tem procurado alternativas para oferecer o atendimento adequado, buscando, juntamente com a administração da Unidade, viabilizar cotas para exames junto aos órgãos competentes do município, encontrando horários alternativos para as reuniões e estudos de casos, permitindo maior participação de alunos e contando com profissionais “emprestados” (em colaboração técnica). Com os resultados dos levantamentos realizados junto aos profissionaisinformantes, pode-se considerar que, do ponto de vista de formação profissional, os profissionais que atuam na Linha de Cuidado do Idoso na Unidade Saúde Escola da UFSCar são capacitados para as atividades que desenvolvem, possuem formação acima do necessário para sua função, pois todos possuem no mínimo curso de especialização e 50% da equipe possui Mestrado. Em relação às competências profissionais, verificou-se que são priorizadas as ações terapêuticas individuais, apesar do esforço da equipe em socializar as informações entre a equipe e discutir o plano terapêutico de seus usuários. Tais atividades, sem dúvida, contribuem imensamente para a reabilitação dos usuários atendidos, apóiam o cuidador e são sempre muito bem avaliadas por esse público. Paralelamente a isso, verifica-se a necessidade da construção da Linha do Cuidado na forma de sua concepção, visto que a equipe encontra-se aberta à capacitação e à mudança no processo de trabalho. Em relação aos conhecimentos sobre a velhice, observou-se que os profissionais possuem maior domínio físico/cognitivo e psicológico/social e menor domínio nos aspectos social, físico/psicológico e psicológico/social/físico. Faz-se necessário o investimento em ações para o desenvolvimento desses domínios, para as quais propomos realização de grupos de estudos, com o envolvimento de docentes e alunos do curso de Gerontologia da UFSCar. Dessa forma, e a título de contribuição, deixamos para a Secretaria de Recursos Humanos da Universidade, para a administração da Unidade e para a própria equipe da Linha de Cuidado, recomendações de investimento em ações de: • Capacitação dos profissionais para o atendimento integral e interdisciplinar, investindo na troca de experiências com outros locais de assistência que atuam com Linha do Cuidado; 55 • Viabilização do engajamento de outros profissionais na equipe, complementando as ações ofertadas; • Aproximação e envolvimento de profissionais docentes e técnicos de outros setores e cursos da Universidade com conhecimentos em Gerontologia, como Enfermagem, Medicina, Fisioterapia, tanto na prática da assistência como na construção de grupos de estudos com temas vinculados ao envelhecimento e à Saúde do Idoso; • Investimento na gestão da Linha de Cuidado, elaborando planejamento anual de atividades e projetos em curto prazo que contemplem ações de atendimento integral, valorizando o trabalho interdisciplinar; • Construção de “Empowerment” – aproveitando o capital intelectual e o potencial criativo das pessoas pela Unidade, com o intuito de desenvolver capacidades e habilidades como liderança e tomada de decisões. E, finalmente, com este trabalho, deseja-se contribuir com o estudo desenvolvido pela Secretaria Geral de Recursos Humanos da UFSCar sobre o Modelo de Gestão por Competências. Espera-se também que futuros trabalhos possam explorar a questão das Competências voltadas para a área da Saúde, pois esta é uma área se encontra em pleno desenvolvimento na UFSCar e que enfrenta grandes desafios a serem vencidos. 56 V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, L.G.; OLIVEIRA, P.M. Competências ou Cargos: uma análise das tendências das bases para o Instrumental de Recursos - Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 08, nº 4, outubro/dezembro 2001. AMARAL, R. M. Gestão de Pessoas por Competências em Organizações Públicas. UFSCar, São Carlos, SP, 2006. AMARAL, H. K. Desenvolvimento de Competências de Servidores na Administração Pública Brasileira. Revista do Serviço Público Brasília 57 (4): 549-563 Out/Dez 2006. BARRENNE I. (et al.) 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O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, tendo em vista o disposto no Art. 9º, do § 2º, alínea “c”, da Lei nº 9.131, de 25 de novembro de 1995, e com fundamento no Parecer CNE/CES 1.133, de 7 de agosto de 2001, peça indispensável do conjunto das presentes Diretrizes Curriculares Nacionais, homologado pelo Senhor Ministro da Educação, em 1º de outubro de 2001, RESOLVE: Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, a serem observadas na organização curricular das Instituições do Sistema de Educação Superior do País. Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino de Graduação em Medicina definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de médicos, estabelecidas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, para aplicação em âmbito nacional na organização, desenvolvimento e avaliação dos projetos pedagógicos dos Cursos de Graduação em Medicina das Instituições do Sistema de Ensino Superior. Art. 3º O Curso de Graduação em Medicina tem como perfil do formando egresso/profissional o médico, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano. Art. 4º A formação do médico tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades gerais: I - Atenção à saúde: os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico, mas sim, com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo; (*)CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES 4/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de novembro de 2001. Seção 1, p. 38. II - Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custoefetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas. Para este fim, os mesmos devem possuir competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas; III - Comunicação: os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o público em geral. A comunicação envolve comunicação verbal, não-verbal e habilidades de escrita e leitura; o domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação; IV - Liderança: no trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumir posições de liderança, sempre tendo em vista o bem-estar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz; V - Administração e gerenciamento: os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho quanto dos recursos físicos e materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde; e VI - Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática. Desta forma, os profissionais de saúde devem aprender a aprender e ter responsabilidade e compromisso com a sua educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de profissionais, mas proporcionando condições para que haja benefício mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços, inclusive, estimulando e desenvolvendo a mobilidade acadêmico/profissional, a formação e a cooperação por meio de redes nacionais e internacionais. Art. 5º A formação do médico tem por objetivo dotar o profissional dos conhe cimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades específicas: I – promover estilos de vida saudáveis, conciliando as necessidades tanto dos seus clientes/pacientes quanto às de sua comunidade, atuando como agente de transformação social; II - atuar nos diferentes níveis de atendimento à saúde, com ênfase nos atendimentos primário e secundário; III - comunicar-se adequadamente com os colegas de trabalho, os pacientes e seus familiares; IV - informar e educar seus pacientes, familiares e comunidade em relação à promoção da saúde, prevenção, tratamento e reabilitação das doenças, usando técnicas apropriadas de comunicação; V - realizar com proficiência a anamnese e a conseqüente construção da história clínica, bem como dominar a arte e a técnica do exame físico; VI - dominar os conhecimentos científicos básicos da natureza biopsicosocio-ambiental subjacentes à prática médica e ter raciocínio crítico na interpretação dos dados, na identificação da natureza dos problemas da prática médica e na sua resolução; VII - diagnosticar e tratar corretamente as principais doenças do ser humano em todas as fases do ciclo biológico, tendo como critérios a prevalência e o potencial mórbido das doenças, bem como a eficácia da ação médica; VIII - reconhecer suas limitações e encaminhar, adequadamente, pacientes portadores de problemas que fujam ao alcance da sua formação geral; IX - otimizar o uso dos recursos propedêuticos, valorizando o método clínico em todos seus aspectos; X - exercer a medicina utilizando procedimentos diagnósticos e terapêuticos com base em evidências científicas; XI - utilizar adequadamente recursos semiológicos e terapêuticos, validados cientificamente, contemporâneos, hierarquizados para atenção integral à saúde, no primeiro, segundo e terceiro níveis de atenção; XII - reconhecer a saúde como direito e atuar de forma a garantir a integralidade da assistência entendida como conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; XIII - atuar na proteção e na promoção da saúde e na prevenção de doenças, bem como no tratamento e reabilitação dos problemas de saúde e acompanhamento do processo de morte; XIV - realizar procedimentos clínicos e cirúrgicos indispensáveis para o atendimento ambulatorial e para o atendimento inicial das urgências e emergências em todas as fases do ciclo biológico; XV - conhecer os princípios da metodologia científica, possibilitando-lhe a leitura crítica de artigos técnico-científicos e a participação na produção de conhecimentos; XVI - lidar criticamente com a dinâmica do mercado de trabalho e com as políticas de saúde; XVII - atuar no sistema hierarquizado de saúde, obedecendo aos princípios técnicos e éticos de referência e contra-referência; XVIII - cuidar da própria saúde física e mental e buscar seu bem-estar como cidadão e como médico; XIX - considerar a relação custo-benefício nas decisões médicas, levando em conta as reais necessidades da população; XX - ter visão do papel social do médico e disposição para atuar em atividades de política e de planejamento em saúde; XXI - atuar em equipe multiprofissional; e XXII - manter-se atualizado com a legislação pertinente à saúde. Parágrafo Único. Com base nestas competências, a formação do médico deverá contemplar o sistema de saúde vigente no país, a atenção integral da saúde num sistema regionalizado e hierarquizado de referência e contra-referência e o trabalho em equipe. Art. 6º Os conteúdos essenciais para o Curso de Graduação em Medicina devem estar relacionados com todo o processo saúde-doença do cidadão, da família e da comunidade, integrado à realidade epidemiológica e profissional, proporcionando a integralidade das ações do cuidar em medicina. Devem contemplar: I - conhecimento das bases moleculares e celulares dos processos normais e alterados, da estrutura e função dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos, aplicados aos problemas de sua prática e na forma como o médico o utiliza; II - compreensão dos determinantes sociais, culturais, comportamentais, psicológicos, ecológicos, éticos e legais, nos níveis individual e coletivo, do processo saúde-doença; III - abordagem do processo saúde-doença do indivíduo e da população, em seus múltiplos aspectos de determinação, ocorrência e intervenção; IV - compreensão e domínio da propedêutica médica – capacidade de realizar história clínica, exame físico, conhecimento fisiopatológico dos sinais e sintomas; capacidade reflexiva e compreensão ética, psicológica e humanística da relação médico-paciente; V - diagnóstico, prognóstico e conduta terapêutica nas doenças que acometem o ser humano em todas as fases do ciclo biológico, considerando-se os critérios da prevalência, letalidade, potencial de prevenção e importância pedagógica; e VI - promoção da saúde e compreensão dos processos fisiológicos dos seres humanos – gestação, nascimento, crescimento e desenvolvimento, envelhecimento e do processo de morte, atividades físicas, desportivas e as relacionadas ao meio social e ambiental. Art. 7º A formação do médico incluirá, como etapa integrante da graduação, estágio curricular obrigatório de treinamento em serviço, em regime de internato, em serviços próprios ou conveniados, e sob supervisão direta dos docentes da própria Escola/Faculdade. A carga horária mínima do estágio curricular deverá atingir 35% (trinta e cinco por cento) da carga horária total do Curso de Graduação em Medicina proposto, com base no Parecer/Resolução específico da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. § 1º O estágio curricular obrigatório de treinamento em serviço incluirá necessariamente aspectos essenciais nas áreas de Clínica Médica, Cirurgia, Ginecologia-Obstetrícia, Pediatria e Saúde Coletiva, devendo incluir atividades no primeiro, segundo e terceiro níveis de atenção em cada área. Estas atividades devem ser eminentemente práticas e sua carga horária teórica não poderá ser superior a 20% (vinte por cento) do total por estágio. § 2º O Colegiado do Curso de Graduação em Medicina poderá autorizar, no máximo 25% (vinte e cinco por cento) da carga horária total estabelecida para este estágio, a realização de treinamento supervisionado fora da unidade federativa, preferencialmente nos serviços do Sistema Único de Saúde, bem como em Instituição conveniada que mantenha programas de Residência credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica e/ou outros programas de qualidade equivalente em nível internacional. Art. 8º O projeto pedagógico do Curso de Graduação em Medicina deverá contemplar atividades complementares e as Instituições de Ensino Superior deverão criar mecanismos de aproveitamento de conhecimentos, adquiridos pelo estudante, mediante estudos e práticas independentes, presenciais e/ou a distância, a saber: monitorias e estágios; programas de iniciação científica; programas de extensão; estudos complementares e cursos realizados em outras áreas afins. Art. 9º O Curso de Graduação em Medicina deve ter um projeto pedagógico, construído coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor como facilitador e mediador do processo ensino-aprendizagem. Este projeto pedagógico deverá buscar a formação integral e adequada do estudante por meio de uma articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência. Art. 10. As Diretrizes Curriculares e o Projeto Pedagógico devem orientar o Currículo do Curso de Graduação em Medicina para um perfil acadêmico e profissional do egresso. Este currículo deverá contribuir, também, para a compreensão, interpretação, preservação, reforço, fomento e difusão das culturas nacionais e regionais, internacionais e históricas, em um contexto de pluralismo e diversidade cultural. § 1º As diretrizes curriculares do Curso de Graduação em Medicina deverão contribuir para a inovação e a qualidade do projeto pedagógico do curso. § 2º O Currículo do Curso de Graduação em Medicina poderá incluir aspectos complementares de perfil, habilidades, competências e conteúdos, de forma a considerar a inserção institucional do curso, a flexibilidade individual de estudos e os requerimentos, demandas e expectativas de desenvolvimento do setor saúde na região. Art. 11. A organização do Curso de Graduação em Medicina deverá ser definida pelo respectivo colegiado do curso, que indicará a modalidade: seriada anual, seriada semestral, sistema de créditos ou modular. Art. 12. A estrutura do Curso de Graduação em Medicina deve: I - Ter como eixo do desenvolvimento curricular as necessidades de saúde dos indivíduos e das populações referidas pelo usuário e identificadas pelo setor saúde; II - utilizar metodologias que privilegiem a participação ativa do aluno na construção do conhecimento e a integração entre os conteúdos, além de estimular a interação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência; III - incluir dimensões éticas e humanísticas, desenvolvendo no aluno atitudes e valores orientados para a cidadania; IV - promover a integração e a interdisciplinaridade em coerência com o eixo de desenvolvimento curricular, buscando integrar as dimensões biológicas, psicológicas, sociais e ambientais; V - inserir o aluno precocemente em atividades práticas relevantes para a sua futura vida profissional; VI - utilizar diferentes cenários de ensino-aprendizagem permitindo ao aluno conhecer e vivenciar situações variadas de vida, da organização da prática e do trabalho em equipe multiprofissional; VII - propiciar a interação ativa do aluno com usuários e profissionais de saúde desde o início de sua formação, proporcionando ao aluno lidar com problemas reais, assumindo responsabilidades crescentes como agente prestador de cuidados e atenção, compatíveis com seu grau de autonomia, que se consolida na graduação com o internato; e VIII - vincular, através da integração ensino-serviço, a formação médico-acadêmica às necessidades sociais da saúde, com ênfase no SUS. Art. 13. A implantação e desenvolvimento das diretrizes curriculares devem orientar e propiciar concepções curriculares ao Curso de Graduação em Medicina que deverão ser acompanhadas e permanentemente avaliadas, a fim de permitir os ajustes que se fizerem necessários ao seu aperfeiçoamento. § 1º As avaliações dos alunos deverão basear-se nas competências, habilidades e conteúdos curriculares desenvolvidos, tendo como referência as Diretrizes Curriculares. § 2º O Curso de Graduação em Medicina deverá utilizar metodologias e critérios para acompanhamento e avaliação do processo ensino-aprendizagem e do próprio curso, em consonância com o sistema de avaliação e a dinâmica curricular definidos pela IES à qual pertence. Art. 14. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Arthur Roquete de Macedo Presidente da Câmara de Educação Superior ANEXO II - QUESTIONÁRIO PARA IDENTIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES/ATIVIDADES Entrevistado: (não é necessário se identificar) Sexo: ( ) feminino ( ) masculino Idade: ___ anos Tempo de serviço no local: ____ anos Carga horária: ___ horas/semana Possui outro vínculo ou emprego? ( ) sim ( ) não Formação/titulação: ( ) Graduação ( ) Especialização ( ) Pós-Graduação Capacitações específicas para sua atuação c/idosos: 1. ________________________________________________________________ 2. ________________________________________________________________ 3. ________________________________________________________________ 4. ________________________________________________________________ Outras capacitações: 1. ________________________________________________________________ 2. ________________________________________________________________ 3. ________________________________________________________________ 4. ________________________________________________________________ Experiências profissionais Anteriores: Instituição: ____________________________ Unidade/departamento: __________________ Cidade/Estado: _________________________ Descreva suas principais atividades junto à linha de cuidado do idoso na Unidade: Atividades de atenção individual: 1. ________________________________________________________________ 2. ________________________________________________________________ 3. ________________________________________________________________ 4. ________________________________________________________________ 5. ________________________________________________________________ 6. ________________________________________________________________ Atividades de atendimento em grupo/equipe: 1. ________________________________________________________________ 2. ________________________________________________________________ 3. ________________________________________________________________ 4. ________________________________________________________________ 5. ________________________________________________________________ Atividades administrativas/burocráticas: 1. ______________________________________________________________ 2. ______________________________________________________________ 3. ______________________________________________________________ 4. ______________________________________________________________ ANEXO III - QUESTIONÁRIO: COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS A Resolução CNE/CES no. 4 de 07 de novembro de 2001, em linhas gerais propõe a formação de um profissional generalista, humanista, crítico e reflexivo, capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano. Considerando estas dimensões, atribua um valor, numa escala de 1 a 3, sendo que a maior nota significa que você considera deva ser priorizada em sua atividade profissional. 1. Importante 2. Muito importante 3. Extremamente importante Atenção à saúde: Os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais instâncias do sistema de saúde, sendo capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico mas sim, com a resolução do problema de saúde, tanto em nível individual como coletivo. Administração e gerenciamento: Os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, Fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho quanto dos recursos físicos e materiais e de informação, Estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde; Comunicação: Os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais de saúde e o público em geral. A comunicação envolve comunicação verbal, não-verbal e habilidades de escrita e leitura; o domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação; Educação permanente: Os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática. Os profissionais de saúde devem aprender a aprender Ter responsabilidade e compromisso com a sua educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de profissionais Proporcionar condições para que haja benefício mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços, Estimular e desenvolver a mobilidade acadêmico/profissional, a formação e a cooperação por meio de redes nacionais e internacionais. Liderança: No trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumir posições de liderança, sempre tendo em vista o bemestar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz; Tomada de decisões: O trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custo-efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas. Para este fim, os mesmos devem possuir competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas; Agora, por favor, enumere os itens abaixo, de 1 a 6, sendo 1 o que você considera como o conhecimento mais relevante para o desenvolvimento de sua atuação profissional: ( ( ( ( ( ( ) Administração e Gerenciamento ) Atenção à Saúde ) Comunicação ) Educação Permanente ) Liderança ) Tomada de Decisão ANEXO IV - QUESTIONÁRIO PALMORE-NERI-CACHIONI PARA AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS EM RELAÇÃO À VELHICE 1. A proporção de pessoas com mais de 65 anos que apresentam problemas cognitivos severos é: (a) uma em 100 (b) uma em 10 (c) uma em duas (d) a maioria 8. O número de acidentes em motoristas com mais de 65 anos, em comparação com os de 30 a 40 anos, é: (a) maior (b) o mesmo (c) menor (d) desconhecido 2. Os sentidos que tendem ao enfraquecimento na velhice são: (a) a visão e a audição (b) o paladar e o olfato (c) a visão, a audição e o tato (d) todos os sentidos 9. Em comparação com os trabalhadores de 25 a 35 anos, os de 50 a 60 anos apresentam: (a) maior eficiência (b) a mesma eficiência (c) menor eficiência (d) depende do tipo de trabalho 3. A maioria dos casais acima de 65 anos: (a) perdem o interesse pelo sexo (b) não são capazes de ter relações sexuais (c) continuam a praticar sexo regularmente (d) tem alta freqüência de atividade sexual 10. A proporção de pessoas de 60 a 70 anos que se mantêm ativas é: (a) pequena (b) média (c) grande (d) não tem relação com a idade 4. A capacidade pulmonar nos idosos saudáveis: (a) tende a declinar (b) tende a manter-se (c) tende a melhorar (d) não tem relação com a idade 11. A flexibilidade para adaptar-se a mudanças entre pessoas de 60 a 70 anos é: (a) pequena (b) média (c) grande (d) não tem relação com a idade 5. A satisfação com a vida entre idosos: (a) não existe (b) é maior do que entre os jovens (c) é menor do que entre os jovens (d) não tem relação com a idade 12. Em comparação com os jovens, a capacidade de aprender entre pessoas de 60 a 70 anos é: (a) menor (b) igual (c) maior (d) não depende da idade 6. A força física em idosos saudáveis: (a) tende a declinar com a idade (b) tende a manter-se com a idade (c) tende a aumentar com a idade (d) não tem relação com idade 7. A cifra que mais se aproxima da realidade, com relação à porcentagem de brasileiros com mais de 65 anos que residem em asilos e casas de repouso, é de: (a) 5 para 100 (b) 10 para 100 (c) 25 para 100 (d) 50 para 100 13. Em comparação com os jovens, os velhos têm a seguinte propensão à depressão: (a) maior (b) menor (c) igual (d) não depende da idade 14. Em comparação com os jovens, a velocidade de reação das pessoas de 60 a 70 anos é: (a) menor (b) igual (c) maior (d) não depende da idade 15. Em comparação com os jovens, os velhos: (a) valorizam mais as amizades chegadas/próximas (b) buscam mais fazer novos amigos (c) têm pouco interesse em amizades (d) não depende de idade 16. Em comparação com os jovens, os velhos são: (a) mais emotivos (b) menos emotivos (c) igualmente emotivos (d) não depende da idade 17. A proporção de pessoas de 60 a 70 anos que vivem sozinhas é: (a) pequena (b) média (c) grande (d) não tem relação com a idade 18. A taxa de acidentes de trabalho entre adultos mais velhos tende a ser: (a) maior (b) igual (c) menor (d) depende do tipo de tarefa 19. A porcentagem de brasileiros acima de 60 anos é cerca de: (a) 9% (b) 4,5% (c) 13% (d) 23% 20. No sistema público de saúde, o tratamento dos idosos em comparação com os jovens tem prioridade: (a) (b) (c) (d) menor igual maior não tem relação com a idade 21. A maioria dos idosos brasileiros tem rendimento mensal de: (a) até 1 salário mínimo (b) 1 a 3 salários mínimos (c) 3 a 5 salários mínimos (d) 5 a 10 salários mínimos 22. A maioria dos idosos é: (a) economicamente ativa (b) socialmente produtiva mas economicamente inativa (c) improdutiva (d) aposentada 23. A religiosidade tende a: (a) crescer com a idade (b) diminuir com a idade (c) manter-se com a idade (d) não ter relação com a idade 24. Com a idade, a maioria dos idosos: (a) investe no aumento da quantidade de relações sociais (b) dá mais importância às velhas amizades (c) torna-se socialmente mais seletiva (d) b e c são corretas 25. Em comparação com as velhas gerações, as próximas gerações de idosos serão: (a) mais educadas (b) menos educadas (c) tão educadas quanto (d) não é possível prever ANEXO V - PARECER DA COMISSÃO DE ÉTICA DA UNIDADE SAÚDE ESCOLA ANEXO VI - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Eu, ________________________________, declaro que me dispus a conceder informações respondendo questionário para elaboração da monografia de conclusão do curso de Especialização em Gestão Pública, trabalho intitulado: “Estudo Exploratório sobre a Gestão de Competências da Linha de Cuidado do Idoso junto à Unidade Saúde Escola da UFSCar”. Estou ciente que as informações por mim prestadas serão juntadas com as fornecidas pelos demais participantes do estudo que está sendo realizado junto à Unidade Saúde Escola sob orientação do Prof. Dr. Wilson José Alves Pedro, docente do Curso de Gerontologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade da UFSCar. Estou ciente também que meu nome será mantido em sigilo pelo pesquisador. Declaro que as informações que forneci tem autorização prévia para publicidade destes, cuja análise e interpretação dar-se-á pelo pesquisador. Estas informações, parcialmente ou na íntegra, estarão contidas em publicações afins (livro ou artigo científico). Os dados e fatos que pedi sigilo e confidencialidade não serão transcritos pelo pesquisador, desde a fase de coleta de dados, cumprindo assim a observância dos aspectos éticos junto aos sujeitos da pesquisa científica. Por estar plenamente de acordo, assino a presente declaração de livre consentimento esclarecido, numa única via, que ficará sob a guarda do pesquisador. São Carlos, junho de 2010. __________________________________ Pesquisador ______________________________ Entrevistado