Estudos 68 Relações públicas nos hospitais: saúde garantida BETE NARDI Formada em relações públicas pela Umesp e com pós-graduação em Marketing pela ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing. Foi responsável pelo lançamento das Unidades Avançadas do Hospital Alberto Einstein e pela revitalização da marca do Hospital 9 de Julho, respondendo pelo gerenciamento de marketing, relações públicas e programas sociais. Dirige a Base 5, consultoria de marketing e relações públicas para a área de saúde e indústria farmacêutica. E.mails: [email protected] - [email protected] Estudos, revista semestral do Curso de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo Estudos 69 Resumo Somente no início da década de 1990, os administradores hospitalares tomaram consciência da importância do papel dos profissionais de relações públicas, que em sintonia com a área de Marketing, apresentam novos conceitos e adaptam sua atuação num segmento que praticamente não consegue definir precisamente sua importância, mas está certo da necessidade de marcas fortes, com imagem de excelência e transparentes perante seus públicos. Nos hospitais, o relações-públicas observa e efetua interface com as diversas áreas, para propor soluções aos questionamentos dos clientes. Porém, preocupar-se com a satisfação dos clientes e com a reputação da instituição no mercado não é mais suficiente. Apesar da presença recente e ainda tímida do profissional de relações públicas na área de saúde no Brasil, é marcante sua contribuição, pois, afinal, ele é capaz de mudar totalmente o perfil e a reputação de um hospital. O relaçõespúblicas que atua nessa área é um exemplo marcante de versatilidade: enfrenta tantos desafios, experiências e pressões que se torna apto a atuar em qualquer mercado. Palavras-chave: Relações públicas – Ser viços de Saúde – Mercado hospitalar – Perspectivas. D esde a década de 1960, a prestação de serviços tem apresentado crescimento expressivo em diversas economias ao redor do mundo. No Brasil, dados do ano 2000 apresentados pelo IBGE indicam que 56% do Produto Interno Bruto é proveniente do setor de ser viços. Infelizmente, existe pouquíssima bibliografia de apoio na área de saúde para o profissional de relações públicas, em comparação com os Estados Unidos ou os países nórdicos, tidos como centros de disseminação de conhecimento nessa área e conseqüentemente sobre as ferramentas de marketing, jornalismo e relações públicas utilizadas. Somente na década de 1970 o marketing de serviços e as atividades de relações públicas passaram a ser considerados importantes para o mercado hospitalar, que iniciava uma fase de grande competitividade. Na metade da década de 1980, esses profissionais tornaram-se imprescindíveis para a sobrevivência dos prestadores de ser viços de saúde, estimando-se também os aspectos físicos, a qualidade dos serviços prestados e o valor da marca. Esta história se repete na parte inferior dos trópicos, porém, com pelo menos uma década de atraso. No Brasil, com o precário serviço oferecido pelas instituições públicas, somente os hospitais particulares, com ou sem fins lucrativos, mas de grande porte, tomaram a iniciativa de prever a grande competitividade que se instalaria no final dos anos 1990 e partiram para uma análise criteriosa do mercado, dos seus serviços e da necessidade de implantar um departamento ou contratar profissionais habilitados. Robbins, Kane e Sullivan (1988) denominaram esta situação como a “infância do marketing e das relações públicas nos hospitais”. Cabe ao relações-públicas, apenas e no máximo, o papel de gerenciar o Serviço de Atendimento ao Cliente SAC. Hoje, esta situação está tomando outro formato: o relações-públicas e o profissional de marketing trabalham em plena sintonia, introduzindo novos conceitos e adaptando sua atuação num segmento que praticamente não consegue definir com precisão sua importância, mas estão conscientes da Somente os hospitais particulares de grande porte tomaram a iniciativa de prever a competitividade do setor. Porém, na maioria, cabe ao relações-públicas, apenas e no máximo, o papel de gerenciar o Ser viço de Atendimento ao Cliente - SAC. Relações públicas nos hospitais: saúde garantida Estudos 70 necessidade de marcas fortes, com imagem de excelência e transparentes perante seus públicos. Tabela 1 Estabelecimentos de saúde, por regime de atendimento e classificação da entidade mantenedora do estabelecimento, no Brasil (1976-2002) Somente na década de 1970 o marketing de ser viços e as atividades de relações públicas passaram a ser considerados impor tantes para o mercado hospitalar, que iniciava uma fase de grande competitividade. Ano Total 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1992 1999 2002 5.311 5.505 5.708 6.036 6.110 6.342 6.495 6.680 6.861 6.678 6.920 7.062 7.123 7.127 7.280 7.430 7.806 7.397 Entidade mantenedora Pública Privada 960 1.001 1.072 1.162 1.217 1.322 1.400 1.450 1.547 1.469 1.595 1.703 1.823 1.889 2.034 2.114 2.613 2.588 4.351 4.504 4.636 4.874 4.893 5.020 5.095 5.230 5.314 5.209 5.325 5.359 5.300 5.238 5.246 5.316 5.193 4.809 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de População e Indicadores Sociais, Pesquisa de Assistência Médico -Sanitária 1976-2002 O relações-públicas não se limita a um per fil trabalhista, ou seja, ele pode atuar em múltiplas atividades, desde o lançamento de um espaço virtual até a realização de um mega- evento governamental. Portanto, também no segmento da saúde, há um campo vasto e complexo para que ele desenvolva programas focados nos seguintes públicos-alvo: Estudos, revista semestral do Curso de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo Estudos 71 O relações-públicas é capaz de mudar totalmente o perfil e a imagem de um hospital no mercado. Todavia, suas ações devem estar embasadas num abrangente planejamento estratégico. Um caso prático Considerando que o paciente é um elemento de extrema importância para um hospital, desde a sua chegada até a alta hospitalar, faz-se necessário um atendimento completo, para que seja bem recebido, acomodado e tratado e deixe a instituição com excelente impressão. Por conseguinte, tem muita importância a visão e influência do profissional de relações públicas. Atuando em conjunto com várias áreas existentes num hospital, o relações-públicas deve observar o modo como o paciente é recepcionado (o que inclui informação, aparência e preparo dos atendentes) e designado para o apartamento, em caso de internação. É imprescindível checar periodicamente o tratamento oferecido a esse cliente, como o serviço médico, de enfermagem e hotelaria. Se um relações-públicas puder acompanhar, sem necessariamente estar à frente dessas ações, muito poderá ser oferecido ao paciente-cliente, para que se sinta único, tendo todas as sas necessidades atendidas, principalmente se for o caso de uma pessoa de notoriedade pública, que exige cuidados redobrados para preservar sua privacidade. Especialmente neste caso, é fundamental que se tenha uma detalhada política de relacionamento com a mídia, para atender adequadamente a procura da imprensa por informações, através de comunicados sucintos elaborados pela equipe médica responsável pelo paciente, em linguagem clara e acessível. Para visualizar uma simples situação e a importância do relaçõespúblicas no segmento hospitalar, obser vemos o depoimento a seguir, no qual assinalamos, entre colchetes, as ferramentas e/ou os procedimentos necessários e indispensáveis para oferecer um atendimento per feito ao cliente, comentados logo em seguida. “Acordei no meio da madrugada com fortes dores abdominais. Esperei clarear o dia e me dirigi a um hospital de São Paulo. [1 – livro de convênios, mala-direta, propaganda em veículos de comunicação, outdoor, outros]. Ao chegar, fui atendido por uma simpática recepcionista no balcão do pronto socorro. Comentei que estava sentindo muitas dores e ela respondeu que agilizaria o mais rápido possível a minha consulta. [2 – cordialidade, atenção]. Nesse instante, fui informado Na política de atendimento completo ao cliente, tem muita importância a visão e influência do profissional de relações públicas Relações públicas nos hospitais: saúde garantida Estudos 72 Cabe a cada uma das instituições de saúde aplicar seu diferencial, no que a contribuição de um relações-públicas é determinante para obtenção de uma imagem positiva. É impor tante que a própria instituição, além dos seus clientes, mantenha a população em geral informada sobre os ser viços oferecidos. de que o meu convênio não dava cobertura naquele hospital, mas seria atendido e deixaria um chequecaução. [3 – esclarecer, posicionar o cliente para a sua livre-escolha em optar por outra instituição]. Sem hesitar, autorizei a continuidade do processo. Havia recebido uma senha e estava aguardando no saguão da recepção junto a outros pacientes e, após vinte minutos “minha” senha de atendimento apareceu registrada no painel. [4 – painel, avaliar forma de comunicação]. Segui em direção à sala de triagem e uma enfermeira pediu que eu sentasse na cadeira a sua frente e fez algumas perguntas sobre a minha saúde. [5 – treinamento, conhecimento. Aferiu minha pressão e mediu minha temperatura (estava sem febre). Comentou que, pela minha descrição, se suspeitava de “problema na região abdominal” e que um médico especialista em gastroenterologia me atenderia em seguida. Aguardei mais cinco minutos e fui encaminhado a uma outra sala, onde um médico de avental branco impecável me aguardava. [6 – aparência, imagem positiva].. Este fez novas perguntas e examinou meu abdômen. Ele disse que “poderia” ser um problema de apendicite aguda, mas para confirmar o diagnóstico deveria analisar alguns exames descritos no receituário. [7 – informação cautelosa]. Medicou-me com um analgésico para minimizar a dor e pediu que eu providenciasse rapidamente os exames para confirmar o diagnóstico. Saí do hospital e me dirigi ao laboratório mais próximo (neste caso, aceitava o meu plano de saúde). Sob analgésico, mas ainda com dores, voltei ao hospital após a realização e obtenção do resultado dos exames. [8 – fidelização do clientepaciente]. Fui atendido pelo mesmo médico que diagnosticou o caso: era de fato apendicite aguda. Após orientação do médico, procurei o serviço de internação e agendei minha cirurgia. Na mesma semana, fui operado e permaneci internado por três dias. Tempo suficiente para conhecer e avaliar alguns serviços da instituição, como o trabalho de médicos, enfermeiras, faxineiras, copeiras e serviço de atendimento ao cliente. [9 – SAC]. No caso do Serviço de Atendimento ao Cliente, não se tratava de uma equipe apenas para mensurar “mais um número” entre os pacientes internados no hospital e sim avaliar se o atendimento que eu recebia mantinha os padrões de qualidade da instituição. Aproveitei para sugerir que melhorassem a alimentação (as dietas basicamente não tinham sal) e elogiei outros serviços. Recebi alta, pronto para retomar minhas atividades”. [M.G.M., 32 anos, analista de sistemas]. O depoimento do cliente é uma situação rotineira nos hospitais. Cabe a cada uma das instituições de saúde aplicar seu diferencial, no que a contribuição de um relações-públicas é determinante para obtenção de uma imagem positiva. Na maioria dos hospitais, ele atua como observador e interface com as diversas áreas para propor soluções aos questionamentos dos clientes. Para isso, conta com o apoio de outros profissionais e utiliza vários métodos de comunicação, como alguns exemplos ilustrados a seguir: 1. Divulgação: independentemente de os convênios divulgarem seus serviços e profissionais credenciados, é importante que a própria instituição, além dos seus clientes, mantenha a população em geral informada sobre os ser viços oferecidos, seja através de ações de relacionamento com a imprensa ou criação de um perfil institucional ou por meio de outras fontes de informação, junto a órgãos gover- Estudos, revista semestral do Curso de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo Estudos 73 namentais, instituições de classe, eventos e congressos ou através do seu site. 2. Treinamento: um diferencial significativo para o cliente é o bom atendimento oferecido pelos hospitais, que depende basicamente da atuação de sua equipe. Portanto, o relações-públicas deve interagir com a área de Recursos Humanos, desenvolvendo ações que promovam integração, participação e envolvimento de um público estratégico, capaz de criar o diferencial competitivo de uma instituição de saúde privada: o atendimento e o calor humano de seus funcionários. Tecnologia em saúde, hoje, é considerada commodity. 3. Transparência: qualquer tipo de informação, principalmente quando envolver remuneração dos serviços prestados, como no exemplo citado, não pode ser omitida ao paciente. Isso se aplica também a situações de crise, pois, devido à natureza da atividade, que envolve aplicação de técnicas médicas e de enfermagem, protocolos de atendimento e pessoas fragilizadas, qualquer fato que dê margem a dúvidas pode acarretar danos à imagem da instituição. 4. Comunicação visual: de um modo geral, o paciente deseja um tratamento “humanizado”, sendo por isso fundamental que não se sinta um número de prontuário médico. Em parceria com as equipes de engenharia, hotelaria e marketing, o relações-públicas deve desenvolver ações que promovam o bem-estar dos pacientes, seja através de conceitos consagrados na área de hotelaria, que colaboram para minimizar o estresse do ambiente hospitalar, como a cromoterapia, ou da realização de atividades culturais e de lazer. 5. Atendimento: é comum, nos serviços de pronto socorro dos hos- pitais, que o primeiro atendimento (triagem) seja efetuado por um profissional da enfermagem, que não substitui o médico, mas colabora para diminuir a ansiedade do paciente, identificando o grau de urgência e o especialista que o atenderá. Para isso, é preciso que esse profissional esteja capacitado para atender qualquer tipo de situação. Neste caso, os questionamentos dos clientes são discutidos com a área envolvida, papel de responsabilidade do Ser viço de Atendimento ao Cliente ou de um ombudsman. 6. Imagem: áreas hospitalares são conhecidas como ambientes brancos, claros e limpos, mas, se a equipe de apoio não corresponder aos cuidados da hotelaria, também pode denegrir a imagem da instituição. 7. Orientações seguras: o bom profissional, independentemente da sua área de atuação, deve “ ter certeza” do que vai informar ao seu cliente, ou seja, conhecer o conteúdo do seu produto ou ser viço. Na área médica, esse cuidado, que exige atenção redobrada, conta com o apoio de materiais institucionais, com orientações sobre diagnóstico e tratamento clínico ou cirúrgico, assim como o guia de orientação ao paciente (direitos e deveres), desenvolvidos pelo profissional de relações públicas. 8. Fidelização do cliente-paciente: após a realização de exames, o paciente pode procurar a segunda opinião de um profissional médico em outra instituição. É uma livre escolha. Seu retorno indica reconhecimento e satisfação pelo ser viço recebido. 9. Serviço de Atendimento ao Cliente: tradicionalmente, avalia a satisfação dos clientes, utilizando formulários e contato via site, e-mail, fax, telefone, e alguns serviços estão inovando através da realização de pesquisa pós-internação (pós-venda). Esse ser viço é o trabalho de um ombudsman dentro de um hospital. O relações-públicas deve interagir com a área de Recursos Humanos, desenvolvendo ações que promovam integração, participação e envolvimento de seus funcionários. O bom profissional deve “ter certeza” do que vai informar ao seu cliente, ou seja, conhecer o conteúdo do seu produto ou ser viço. Relações públicas nos hospitais: saúde garantida Estudos 74 Armazenar, gerenciar e utilizar dados sobre seus públicos estratégicos permite ao hospital construir uma relação duradoura e bilateral através de programas customizados. Os hospitais também estão implantando o conceito de CRM para se diferenciar de seus concorrente, pois apenas satisfazer os clientes não é mais suficiente para fidelizá-los. Avaliar o que foi oferecido ao paciente-cliente é uma tarefa que exige preparo, agilidade e muita atenção. Estar pessoalmente com o seu principal público para obter um feedback, em muitos casos é uma tarefa gratificante. Em outros, porém, é a oportunidade que o seu receptor terá para criticar ou comentar aspectos que exigem melhorias no ser viço oferecido pelo hospital. O relações-públicas é capaz de mudar totalmente o per fil de um hospital. Sustentada por um planejamento estratégico, a comunicação corporativa deve passar por um processo de mudanças, que geralmente leva cinco anos para ser totalmente aplicado. No planejamento é imprescindível considerar a definição de uma política de comunicação dirigida aos públicos da instituição, relações com a mídia, assessoria política, gerenciamento de crises, relação com investidores, pesquisa de opinião, cooperação técnica e outras áreas. A gestão do relacionamento com o cliente Diagnosticar, planejar, definir metas atingíveis, ser criativo, são atitudes básicas em qualquer área de atuação, mas deve-se ficar atento ao código de ética do segmento. Preocupar-se com a satisfação dos clientes e com a reputação do hospital no mercado não é mais suficiente. Hoje, as instituições devem construir um relacionamento sólido com seus públicos, para promover sua fidelização. Os conceitos de CRM - Custumer Relationship Management estão sendo adotados para se conhecerem profundamente o perfil e as expectativas dos clientes, colaborando para implantação de estratégias que coloquem estes públicos no centro de todas as ações do hospital. Armazenar, gerenciar e utilizar dados sobre seus públicos estratégicos permite ao hospital construir uma relação duradoura e bilateral através de programas customizados. Num cenário cada vez mais competitivo, entre hospitais concorrentes, torna-se indispensável desen- volver ações que atendam e até mesmo antecipem expectativas. Através da implantação de CRM, um hospital é capaz de: 1. Estabelecer diálogo contínuo com seus clientes, sejam eles internos ou externos. Uma situação rotineira para os hospitais é contatar vizinhos antecipando informações sobre grandes obras, que geralmente causam transtornos. 2. Entender melhor as necessidades desses públicos construindo soluções individuais, como, por exemplo, direcionar a internação de um paciente supersticioso para qualquer andar desde que não seja o 13º e até mesmo preparar a sala de cirurgia com os kits (instrumentos e materiais) personalizados para cada cirurgião 3. Desenvolver ações de relações públicas mais eficientes através do uso de informações sobre o cliente. Enviar flores e cartão para pacientes, preparar um bolo no dia do aniversário do médico que realizará uma cirurgia no hospital, são algumas iniciativas simples que agradam e fidelizam. Para ser bem-sucedido no segmento hospitalar: 1. Realize um bom briefing. Identifique a situação competitiva do hospital e, baseando-se no diagnóstico, conseguirá definir quais são as metas a conquistar. 2. Identifique os principais pontos fortes e fracos da instituição, definindo as ações que prioritariamente deverão minimizar as fraquezas críticas e, por outro lado, maximizar as vantagens competitivas. 3. Seja um estrategista. O direcionamento estratégico proporcionará à empresa uma visão clara das diretrizes que nortearão as ações de todos os funcionários 4. Gerencie a comunicação e promova a integração de todos os profissionais da instituição. Isto contribui para alinhar as ações e Estudos, revista semestral do Curso de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo Estudos 75 integrar a equipe em torno da execução das estratégias da empresa: todos devem conhecer sua missão e se empenhar na sua execução. 5. Tenha uma visão holística da instituição. 6. Siga o Código de Ética Médica e de Divulgação de Atividades de Saúde do Conselhos de Medicina. 7. O profissional de relações públicas pode criar oportunidades para a melhoria dos ser viços e produtos do seu cliente. Existem várias ferramentas, maneiras e atividades que podem ser aplicadas em suas tarefas. 8. Seja criativo. Pouca verba é uma realidade no segmento hospitalar e uma boa idéia pode significar um diferencial competitivo. 9. Avalie suas ações e comunique resultados. Perspectivas Segundo a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), os profissionais formam parcerias para ajudar na preparação, no treinamento e na habilitação das empresas no dia-a-dia. Isso fica claro ao obser varmos o caso do paciente citado. A comunicação corporativa, na qual o relações-públicas tem papel imprescindível, é uma das atividades que mais crescem em nosso país, com potencial de crescer ainda mais. Promovemos com muita experiência o gerenciamento de comunicação nas instituições de diversos segmentos e áreas como as políticas, internacionais e sociais. Suas ações são desenvolvidas para consolidar, com responsabilidade, as marcas das empresas ou instituições perante a opinião pública. Atualmente estamos em pleno processo de globalização, razão por que vale ressaltar que o Brasil é um país de dimensões continentais. Estamos numa posição estratégica e as ações de relações públicas são cada vez mais determinantes para o desenvolvimento das instituições de saúde, principalmente na busca d e m a i o r a p r o x i m a ç ã o m e r c a d ológica com as outras nações da A m é r i c a La t i n a. Diante do cenário atual, torna-se óbvia a necessidade de uma ação de fortalecimento da própria categoria para ampliar as oportunidades de atuação desse profissional multifacetado e preparado para as mais diversas funções e diferentes mercados. O relações-públicas que atua na área de saúde é um exemplo marcante de versatilidade: enfrenta vários desafios, experiências e pressões, que o tornam apto a atuar em qualquer mercado. Entretanto, certamente ainda teremos pela frente pelo menos uma década para obter o reconhecimento dos administradores dos hospitais, revertendo o quadro a nosso favor, com um mercado mais amplo e com melhores oportunidades. Gerencie a comunicação e promova a integração de todos os profissionais da instituição. As ações de relações-públicas são cada vez mais determinantes para o desenvolvimento das instituições de saúde. Considerações finais Apesar da presença recente e ainda tímida do profissional de relações públicas na área de saúde no Brasil, é marcante sua contribuição para a mudança de comportamento da população, através da disseminação de informações. Atualmente, uma em cada quatro capas dos principais veículos de mídia impressa, sites e reportagens de rádio e tv abordam os mais diversos temas de saúde. Assuntos como câncer, aids, doenças sexualmente transmissíveis e HPV deixaram de ser tabus através da democratização da informação. O paciente, antes tímido e passivo diante do diagnóstico e da prescrição médica, hoje, mais informado e curioso, chega ao consultório munido de informações sobre o seu problema de saúde e questiona o médico sobre Exemplo de versatilidade, o relações públicas que atua na área da saúde enfrenta vários desafios, que o tornam apto a atuar em qualquer mercado. Basta procurar oportunidades. Relações públicas nos hospitais: saúde garantida Estudos 76 Apesar da presença recente e ainda tímida do profissional de relações públicas na área de saúde no Brasil, é marcante sua contribuição para a mudança de comportamento da população, através da disseminação de informações. novas terapias e medicamentos. Esse comportamento facilita o tratamento e, conseqüentemente, o resultado, pois o paciente esclarecido é mais participativo e coopera com o seu tratamento. O relações-públicas atua como facilitador do relacionamento das instituições de saúde com os di- versos públicos, como a imprensa e a comunidade. Trabalhando e fortalecendo a imagem da instituição em que atua, o profissional desenvolve ações de divulgação e campanhas, que consolidam o relacionamento, conquistam o público e preservam a imagem em eventuais momentos de crise. Referências bibliográficas BARNES, James G. Segredos da gestão pelo relacionamento com os clientes – CRM. São Paulo: Quality Mark 2002. BECKHAM, J. D. Branding. Health Care Forum Journal, San Francisco, 1996. BITRAN, G. R. & HOECH, J. The humanization of ser vice: respect at the moment of truth. Sloan Managment Review, Cambridge, 1990. DAVIDSON, K. Health care industries pose special sthics problems. Marketing News, 1996. FONTINELE JÚNIOR, Klinger. Administração hospitalar. Goiânia: AB Editora, 2004. FORTES, Waldyr Gutierrez. Relações públicas: processo, funções, tecnologia e estratégias. 2a.ed. 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SITES ANAHP – Associação Nacional de Hospitais Privados – anahp.com.br IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - ibge.com.br SINDHOSP – Sindicato dos Hospitais do Estado de São Paulo - sindhosp.com.br Estudos, revista semestral do Curso de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo