RODRIGO PORTO OLIVEIRA UTILIZAÇÃO DE UM APLICATIVO DE SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO TÉRMICO DE PROTÓTIPO DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL (HIS) NATAL - RN MARÇO DE 2010 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO RODRIGO PORTO OLIVEIRA UTILIZAÇÃO DE UM APLICATIVO DE SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO TÉRMICO DE PROTÓTIPO DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL (HIS) NATAL - RN MARÇO DE 2010 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial de Arquitetura Oliveira, Rodrigo Porto. Utilização de um aplicativo de simulação computacional na avaliação de desempenho térmico de protótipo de habitação de interesse social (HIS) / Rodrigo Porto Oliveira. – Natal, RN, 2010. 124 f.: il. Orientador: Virgínia Maria Dantas de Araújo. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Departamento de Arquitetura. 1. Habitação – Dissertação. 2. Desempenho térmico – Dissertação. 3. Simulação computacional – Dissertação. 4. DesignBuilder – Dissertação. I. Araújo, Virgínia Maria Dantas de. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/UF/BSE-ARQ CDU 728.1 RODRIGO PORTO OLIVEIRA UTILIZAÇÃO DE UM APLICATIVO DE SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL NA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO TÉRMICO DE PROTÓTIPO DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL (HIS) Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo, PPGAU, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, tendo como Orientadora, a Professora Doutora Virgínia Maria Dantas de Araújo, como requisito à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo NATAL - RN MARÇO DE 2010 Ao meu pai, exemplo nesta difícil caminhada; Á minha mãe, minha fortaleza. AGRADECIMENTOS A Deus, grande criador do universo; À minha esposa Milena, pela paciência, compreensão e essencial amor; À minha orientadora Virgínia Araújo, pelo valoroso e essencial trabalho na condução dessa pesquisa; Ao colega, arquiteto Leonardo Cunha, pela grande ajuda em horas difíceis, na realização de diversas tarefas deste trabalho; À professora Flora Mendes, pelo incentivo fundamental à realização do mestrado; Ao professor George Marinho, pela disponibilidade e cessão do protótipo do projeto Habitare, essencial na realização deste trabalho; Ao CNPq, pela bolsa concedida; À amiga e colega, arquiteta Sheila Oliveira de Carvalho, pelo incentivo em horas difíceis; Aos meus amigos que, de uma forma geral, colaboraram com esta pesquisa; RESUMO A presente dissertação de mestrado teve como objetivo estudar comparativamente os dados das temperaturas do ar internas simuladas através de um aplicativo computacional de simulação térmica, o DesignBuilder 1.2, e os dados registrados in loco através do HOBO® Temp Data Logger, em protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS), localizado no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. O referido protótipo foi projetado e construído buscando estratégias de conforto térmico recomendadas para o clima do local de estudo, e construído com painéis de concreto celular pela Construtora DoisA, interventora do projeto de pesquisa REPESC – Rede de Pesquisa em Eficiência Energética de Sistemas Construtivos, integrante do programa Habitare. A metodologia utilizada partiu da problemática, realizando uma revisão bibliográfica, que levantou os principais aspectos relacionados às simulações computacionais de desempenho térmico de edificações, como a caracterização climática da região objeto de estudo e às exigências de conforto térmico de usuários. O aplicativo computacional DesignBuilder 1.2 foi o utilizado como ferramenta de simulação, realizando alterações teóricas no protótipo e comparando-os com os parâmetros de conforto térmico adotados, com base na literatura técnica atual da área. As análises dos resultados dos estudos comparativos foram realizadas através de saídas gráficas para a compreensão das amplitudes de temperatura do ar e situações de conforto térmico. Os dados utilizados para a caracterização da temperatura do ar externa foi o Test Reference Year (TRY), definidos para a região de estudo (Natal-RN). Neste sentido, também foram realizados estudos comparativos do TRY com os dados registrados nos anos 2006, 2007 e 2008, na estação climática Davis Precision Station, localizada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE-CRN, em terreno contíguo ao Campus Central da UFRN. Dos estudos comparativos entre as simulações computacionais e os registros in loco realizados no protótipo objeto de estudo, conclui-se que simulações em edificações naturalmente ventiladas é uma tarefa complexa devido às limitações dos aplicativos, principalmente devido à complexidade do fenômeno de escoamento do ar, da influência das condições de contorno da área e dos registros climáticos. Por fim, quanto à utilização do aplicativo DesignBuilder 1.2 no presente estudo, pode-se definir como uma boa ferramenta de simulação computacional. Todavia, há necessidade de alguns ajustes para maior confiabilidade na sua utilização, tendo a necessidade de continuação da pesquisa considerando a ocupação de usuários no protótipo, bem como as cargas térmicas de equipamentos, no sentido de aferição de sua sensibilidade. Palavras chave: Desempenho térmico; Simulação computacional; DesignBuilder. ABSTRACT This Masters’ Degree dissertation seeks to make a comparative study of internal air temperature data, simulated through the thermal computer application DesignBuilder 1.2, and data registered in loco through HOBO® Temp Data Logger, in a Social Housing Prototype (HIS), located at the Central Campus of the Federal University of Rio Grande do Norte – UFRN. The prototype was designed and built seeking strategies of thermal comfort recommended for the local climate where the study was carried out, and built with panels of cellular concrete by Construtora DoisA, a collaborator of research project REPESC – Rede de Pesquisa em Eficiência Energética de Sistemas Construtivos (Research Network on Energy Efficiency of Construction Systems), an integral part of Habitare program. The methodology employed carefully examined the problem, reviewed the bibliography, analyzing the major aspects related to computer simulations for thermal performance of buildings, such as climate characterization of the region under study and users’ thermal comfort demands. The DesignBuilder 1.2 computer application was used as a simulation tool, and theoretical alterations were carried out in the prototype, then they were compared with the parameters of thermal comfort adopted, based on the area’s current technical literature. Analyses of the comparative studies were performed through graphical outputs for a better understanding of air temperature amplitudes and thermal comfort conditions. The data used for the characterization of external air temperature were obtained from the Test Reference Year (TRY), defined for the study area (Natal-RN). Thus the author also performed comparative studies for TRY data registered in the years 2006, 2007 and 2008, at weather station Davis Precision Station, located at the Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE-CRN (National Institute of Space Research), in a neighboring area of UFRN’s Central Campus. The conclusions observed from the comparative studies performed among computer simulations, and the local records obtained from the studied prototype, point out that the simulations performed in naturally ventilated buildings is quite a complex task, due to the applications’ limitations, mainly owed to the complexity of air flow phenomena, the influence of comfort conditions in the surrounding areas and climate records. Lastly, regarding the use of the application DesignBuilder 1.2 in the present study, one may conclude that it is a good tool for computer simulations. However, it needs some adjustments to improve reliability in its use. There is a need for continued research, considering the dedication of users to the prototype, as well as the thermal charges of the equipment, in order to check sensitivity. Key-words: Thermal performance; Computer simulation; DesignBuilder. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01: Imagem da região de Natal-RN 24 Figura 02: Climas controlados por massas de ar 25 Figura 03: Gráfico da temperatura do ar média nos períodos diários de Natal 28 Figura 04: Carta com estratégias bioclimáticas para Natal 33 Figura 05: Foto da Estação climática Davis Precision Weather Station, localizada no INPE-CRN 40 Figura 06: Velocidade interna em função da relação do tamanho das aberturas e direção dos ventos para 45º e 90. 43 Figura 07: Fluxograma da Metodologia Proposta para a pesquisa. 50 Figura 08: Planta baixa do protótipo de Habitação de Interesse Social. 46 Figura 09: Perspectiva do protótipo de Habitação de Interesse Social. 52 Figura 10: Foto da fachada frontal do Protótipo 53 Figura 11: Foto da fachada posterior do Protótipo 53 Figura 12: Tela de definição da espessura e material de cada camada 55 Figura 13: Tela de composição das camadas escolhidas. 55 Figura 14: Tela de características Físicas como transmitância térmica e absortância já calculados pelo DesignBuilder após a escolha das camadas e materiais 56 Figura 15: Tela de dados do Local ou Location Data. 57 Figura 16: Tela de dados de ocupação do edifício, desde as taxas metabólicas até listagem de equipamentos presentes no interior do edifício. 58 Figura 17: Tela de dados de elementos construtivos do objeto modelado 59 Figura 18: Tela de definição da operação de aberturas. 60 Figura 19: Tela de definição do tipo de iluminação artificial, bem como a operação das luminárias e o calor gerado por elas no ambiente interno. 61 Figura 20: Tela de definição do controle do ar-condicionado e ventilação natural,alem dos níveis de infiltração de ar externo no interior do modelo. 62 Figura 21: Fluxograma dos Gerenciadores que organizam o funcionamento do DesignBuilder 1.2. 64 Figura 22: Localização do protótipo de Habitação de Interesse Social no Campus Central da UFRN. 66 Figura 23: Gráfico do comportamento dos dias típicos de temperatura para a região de estudo. 67 Figura 24: HOBO, para as medições de temperatura do ar 68 Figura 25: Planta Baixa do Protótipo utilizado como objeto de estudo nas medições e indicação da localização da aparelhagem. 72 Figura 26: Foto da fixação dos dataloggers no interior do protótipo em estudo 72 Figura 27: Tela do protótipo modelado no DesignBuilder 1.2 sem as proteções das aberturas – primeira modelagem para arquivamento dos resultados, para posterior comparação com a modelagem do projeto original (com proteções). 73 Figura 28: Planta baixa do protótipo em sua real implantação. 74 Figura 29: Gráfico de freqüência de horas em que o protótipo base se encontra dentro da Zona de Conforto escolhida para análise neste estudo. 77 Figura 30: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado sem proteções solares. 78 Figura 31: Gráfico de freqüência de horas em que o protótipo base se encontra dentro da Zona de Conforto escolhida, em relação ao caso base. 80 Figura 32: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado rotacionado 60° no sentido anti-horário 81 Figura 33: Gráfico de freqüência de horas dentro da zona de conforto escolhida em relação ao meio externo e o caso base. 83 Figura 34: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado. 84 Figura 35: Gráfico de freqüência de horas dentro da zona de Conforto escolhida em relação ao meio externo e o caso base. 85 Figura 36: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado. 86 Figura 37: Gráfico de freqüência de horas dentro da zona de Conforto escolhida em relação ao meio externo e o caso base. 88 Figura 38: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado. 89 Figura 39: Gráfico de freqüência de horas dentro da zona de Conforto escolhida em relação ao meio externo e o caso base. 91 Figura 40: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado. 92 Figura 41: Gráfico de freqüência de horas dentro da zona de Conforto escolhida em relação ao meio externo e o caso base. 93 Figura 42: Gráfico de cargas de aquecimento e resfriamento do protótipo modelado. 94 Figura 43: Foto da vedação das aberturas do protótipo 95 Figura 44: Gráfico de freqüência de horas dentro da zona de Conforto escolhida em relação ao meio externo e o caso base. 96 Figura 45: Gráfico das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 2, referente ao quarto da frente da HIS em análise 97 Figura 46: Gráfico das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 4, referente cozinha da HIS em análise. 97 Figura 47: Gráfico das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 3, referente ao quarto fundos da HIS em análise. 98 Figura 48: Comparação entre os dados de temperatura externa TRY e os coletados na estação do INPE-CRN, em um dia típico no período de medição. 101 Figura 49: Comparação entre os dados de temperatura externa TRY e os coletados na estação do INPE-CRN, em médias. 102 Figura 50: Gráfico das temperaturas internas das Zonas térmicas dos dados simulados no primeiro dia de medições. 103 Figura 51: Gráfico das temperaturas internas das Zonas térmicas dos dados medidos no primeiro dia de medições 104 Figura 52: Gráfico comparativo das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 2, referente ao quarto da frente, em todos os dias de medição. 105 Figura 53: Gráfico comparativo das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 2, referente ao quarto da frente, em um dia típico no período de medições. 105 Figura 54: Gráfico comparativo das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 2, referente ao quarto dos fundos, em todos os dias de medição. 106 Figura 55: Gráfico comparativo das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 3, referente ao quarto dos fundos, em um dia no período de medições. 107 Figura 56: Gráfico comparativo das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 4, referente à média de temperaturas da sala e cozinha, em todos os dias de medição. 108 Figura 57: Gráfico comparativo das temperaturas internas medidas e simuladas da Zona 3, referente à média entre sala e cozinha, em um dia típico no período de medições. 108 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Temperatura de conforto térmico para climas quentes e úmidos e/ou países tropicais em desenvolvimento 34 Tabela 02: Características dos materiais construtivos básicos do protótipo de HIS modelada no DesignBuilder 1.2. 75 LISTA DE QUADROS Quadro 01: Nomenclatura dos Ambientes da HIS 103 LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES ASHRAE CIBSE CNPq UFRN American Society of Heating, Refrigeration and Air Conditioning Engineers Chartered Institute of Buildings Services Engineering Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Universidade Federal do Rio Grande do Norte LABCON DOE HVAC PROCEL TRY Laboratório de Conforto Ambiental do curso de Arquitetura e Urbanismo TMY PPGAU ABNT Tipical Meteorological Year Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo Associação Brasileira de Normas Técnicas APO HIS IPT EPE Avaliação Pós Ocupação Habitação de Interesse Social Instituto de Pesquisas Tecnológicas Empresa de Pesquisa Energética INEMET Instituto Nacional de Meteorologia CFD Computational Fluid Dynamics DFC Dinâmica Computacional dos Fluidos Department of Energy of U.S.A. Heating, Ventilation and Air Conditioning Programa Nacional de Combate ao Despedício de Energia Elétrica Test Reference Year REPESC Rede de Pesquisa em Eficiência Energética de Sistemas Construtivos PBCP Associação Brasileira de Cimento Portland Sumário LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES RESUMO ABSTRACT INTRODUÇÃO 15 1.0. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 19 1.1. A Produção da Arquitetura e o Desempenho Térmico 19 1.2. Características climáticas da região de estudo 24 1.2.1. Estratégias Bioclimáticas recomendadas para o Clima Quente e Úmido 26 1.3. Critério de Conforto Térmico para a região de estudo 29 1.4. Simulação computacional do Desempenho Térmico de Edificações 36 1.4.1 Variáveis Climáticas 38 1.4.2 Variáveis de Projeto 43 2.0 METODOLOGIA 50 2.1. O Objeto de Estudo 53 2.2. O DesignBuilder 1.2 como ferramenta de Simulação 54 2.2.1. Metodologias de Cálculo do DesignBuilder 63 2.3. Plano de Medições 67 2.4. Tratamento dos Dados Climáticos 71 2.5. Simulações 72 2.5.1 Limitações e Simplificações do Aplicativo 74 2.5.2 Simulação do Protótipo nas condições reais de implantação 75 3.0 RESULTADOS E DISCUSSÕES 80 3.1. Simulação do Protótipo – alteração 01 80 3.2. Simulação do Protótipo – alteração 02 83 3.3. Simulação do Protótipo – alteração 03 85 3.4. Simulação do Protótipo – alteração 04 88 3.5. Simulação do Protótipo – alteração 05 91 3.6. Simulação do Protótipo – alteração 06 93 3.7. Experiência com o protótipo totalmente fechado 95 3.8. Considerações sobre as simulações 100 3.9. Resultados obtidos por medições no local 101 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 111 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 115 6.0 APÊNDICE 122 INTRODUÇÃO O problema da adequação da arquitetura ao clima tem sido objeto de estudo em grandes centros de pesquisa. Porém, países desenvolvidos, que outrora eram símbolos de estilo hightech, com muito vidro e aço, agora retomam os materiais menos agressivos ao meio natural, e se preocupam com estratégias para poupar energia, respeitando a natureza e o entorno onde se insere e, sobretudo, promovendo o conforto, sem esquecer a questão estética. A redução do impacto ambiental gerado pelas edificações nos países desenvolvidos é uma das grandes preocupações de seus gestores. Para exemplificar isto, cita-se aqui os Estados Unidos que, segundo Edwards (2004), é o país que mais consome energia no mundo. Somente no setor residencial são consumidos 21% do total de energia gerada. A preocupação em desenvolver métodos de desempenho térmico nas habitações americanas se deve à grande quantidade de aparelhos de resfriamento e/ou aquecimento de ar. Este dado está diretamente relacionado ao alto padrão de vida dos cidadãos do país, que têm condições de arcar com as despesas geradas pelos equipamentos de condicionamento artificial. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, o cenário é diferente. Os critérios de avaliação do desempenho térmico de edificações, adotados em países como os EUA, são inapropriados para o clima tropical brasileiro. O baixo número de aparelhos de condicionamento de ar no país também representa um obstáculo à validação desses critérios, já que esses softwares foram desenvolvidos para climas onde só é possível reproduzi-los com esses aparelhos. Pode-se acrescer isso ao baixo poder aquisitivo da população, trazendo para a maioria das habitações brasileiras, sistemas de ventilação mecânica ou passiva. Existem normas que são 15 empregadas na avaliação de conforto de edificações, como a ISO-7730 (2005) e a ASHRAE Standard 55 (2004). A primeira contém estudos dos modelos adaptativos adotados por Fanger (1972). A última inclui estudos de um modelo adaptativo de conforto térmico. Porém, o uso destas normas só é aceito pela falta de referências adequadas, o que torna essencial a avaliação do conforto térmico de cada região, e suas devidas condições e peculiaridades. Segundo Jones (2002), todos os modelos térmicos nas normas de conforto são no máximo uma aproximação da realidade, ou seja, desenvolvidos a partir de determinadas condições. No Brasil, existem normas de desempenho térmico e energético, dentre elas a NBR-15220 (ABNT, 2005) - Desempenho térmico de edificações - Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social, que trazem recomendações para a melhoria do comportamento térmico e energético dos edifícios brasileiros. No nordeste brasileiro, mais precisamente em Natal-RN, estudos sobre o assunto já foram desenvolvidos pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGAU-UFRN), por Araújo (2001) e Oliveira (2006) . O primeiro, de Araújo (2001), realizou um estudo de campo em edificações escolares e seus usuários, determinando parâmetros das variáveis ambientais que propiciam o conforto térmico, a partir da APO (Avaliação PósOcupação), confrontando-os com os índices de conforto térmico comumente utilizados no Brasil, a fim de validar a adoção de algum deles à realidade do objeto de estudo. O trabalho deixou claro que merece estudos posteriores, com o intuito de correlacionar os dados encontrados com a inércia térmica das edificações pesquisadas, no sentido de comprovar as recomendações de projeto adotadas para Natal-RN. Já o trabalho desenvolvido por Oliveira (2006) abordou questões relacionadas ao desempenho térmico de habitações unifamiliares no clima quente e úmido e sua avaliação através de simulação computacional, na fase de projeto, buscando uma forma de melhor analisar a decisão arquitetônica e assim promover o entendimento do comportamento térmico dessas habitações. Foi escolhido o programa VisualDOE (DOE, 2008), disponível na época, e que, segundo o próprio 16 Oliveira (2006), apresentou limitações quanto à medição da velocidade do ar, propondo estudos futuros com programas mais avançados. Assim, o presente estudo busca trabalhar com dados de temperatura do ar coletados em um protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS), localizado no Campus Central da UFRN, na cidade de Natal, de clima quente e úmido de baixa latitude, semelhante ao existente em algumas cidades litorâneas do nordeste brasileiro. Nas simulações, foi utilizado o aplicativo computacional DesignBuilder 1.2, recentemente desenvolvido pela DesignBuilder Software (DESIGNBUILDER, 2008). Há hipótese que o DesignBuilder é capaz de fornecer excelentes resultados, que serão comparados e discutidos ao longo deste trabalho. Este estudo poderá fornecer à área de conhecimento da Arquitetura e Urbanismo informações pertinentes a melhores formas de projeto com o uso de simulação térmica. Assim, os resultados desta pesquisa poderão contribuir para um melhor aproveitamento dos recursos naturais disponíveis no local de projeto, promovendo, a longo prazo, uma economia de energia por parte do setor residencial da cidade de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte. O aplicativo utilizado é capaz de fornecer dados de temperaturas do ar internas e externas (°C), umidade relativa do ar (%), dentre outros, necessários à avaliação de desempenho térmico do objeto arquitetônico, fornecendo subsídio à propostas de melhorias projetuais que podem levar o mesmo ao equilíbrio térmico. O objeto de estudo é definido como o desempenho térmico de um protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS) condicionado passivamente. A pesquisa está contextualizada para o clima da cidade de Natal no Estado do Rio Grande do Norte – RN (Latitude 5º55’, Longitude 35º15’), pertencente à Zona Bioclimática Z8, clima quente úmido, de acordo com a norma da ABNT 15-220, de Desempenho Térmico de Edificações – Parte 3, que divide o país em oito zonas bioclimáticas homogêneas quanto ao clima (ABNT, 2005). 17 Este trabalho está estruturado em cinco partes. Na Introdução, estão expostos: a problemática, os objetivos, a relevância deste estudo, a contextualização e a estrutura. No Capítulo da Revisão Bibliográfica estão apresentados assuntos referentes à arquitetura bioclimática, sustentabilidade, desempenho térmico de edificações, conforto térmico, e outros. Além disso, será apresentado o clima da cidade objeto de estudo, fazendo um link com a simulação computacional e apresentação do DesignBuilder, aplicativo escolhido para esta pesquisa. Em seguida, serão apresentadas estratégias bioclimáticas para o clima quente e úmido, analisando as principais variáveis envolvidas rumo à melhor situação térmica local. No Capítulo da Metodologia, são apresentados procedimentos de pesquisa, tais como materiais e ferramentas utilizadas nas medições in loco, as variáveis a serem utilizadas na avaliação de conforto térmico do protótipo. O Capítulo 4 se inicia com a apresentação dos resultados obtidos nas simulações e medições in loco, sendo em seguida esses resultados analisados e discutidos, a fim de testar a sensibilidade do aplicativo computacional utilizado como ferramenta de avaliação de desempenho térmico de edificações em locais de clima quente e úmido de baixa latitude. No Capítulo 5, Considerações Finais e Conclusões é feita uma análise dos resultados, sendo posteriormente apresentadas as limitações e dificuldades de metodologia, sendo feitas recomendações para estudos futuros sobre a problemática. 18 1.0. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 1.1. A PRODUÇÃO DA ARQUITETURA E O DESEMPENHO TÉRMICO A evolução tecnológica pós-Revolução Industrial modificou o panorama da concepção arquitetônica. O arquiteto foi direcionado a buscar soluções distantes das que levavam em consideração os elementos naturais. Embora fossem encontrados nesse período exemplos arquitetônicos notáveis nos quais se identificam a manutenção de princípios bioclimáticos, os desenvolvimentos na área de sistemas estruturais, na produção do vidro e, posteriormente, no advento da luz elétrica contribuíram para retirar a função de fontes de luz primárias (JANNUZZI, DANELLA e SILVA, 2004). O embargo do petróleo no início da década de 70 e o conseqüente aumento dos preços da energia levaram a sociedade a forçar os setores a reavaliar suas praticas de uso desta. Medidas emergenciais, como conservar os recursos simplesmente por não usá-los, deram início a um movimento pela conscientização do uso racional de energia. O embargo acabou, porém os preços continuaram elevados e, além disso, a sociedade foi forçada a encarar e apontar soluções para a crescente degradação ambiental do planeta. Com essa pressão e a oportunidade de uma resposta mais sensível e efetiva para uma mudança de perspectiva no projeto do ambiente construído, a atenção tem se voltado para estratégias de eficiência energética através do uso mais racional dos recursos naturais. 19 Ainda de acordo com Jannuzzi, Danella e Silva (2004), em 1981 foi criado o CONSERVE pelo Conselho Nacional de Petróleo. Foi o primeiro programa de eficiência energética de peso em nível nacional e estava sob a coordenação do então Ministério da Indústria e Comércio. O objetivo desse programa era a conservação de energia e a substituição de derivados do petróleo por eletricidade no setor industrial. Paralelamente, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, também elaborou uma série de estudos e materiais de divulgação nesse sentido. Observou-se que a conservação da energia ficou muito aquém do esperado, se considerado o forte período de recessão industrial verificado no início da década de 80. Somente os setores de Papel e Celulose e de Siderurgia obtiveram resultado expressivo, e em menor quantidade, os setores Energético e Petroquímico. Em 1985, foi criado o Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica - PROCEL. O foco inicial do PROCEL estava voltado ao combate ao desperdício de eletricidade, tanto na produção, quanto no uso da energia elétrica. Na década de 90, o programa teve seu escopo ampliado, tornando-se um programa de governo, e não mais setorial. Atualmente, o programa é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia e executado pela ELETROBRÁS. O financiamento dos projetos conta com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, e da própria ELETROBRÁS. No período de 1994 a 2003, o PROCEL conseguiu evitar a geração adicional de 15.775 GWh de energia elétrica (PROCEL, 2003). Mesmo com programas de conservação de energia promovidos, observase muitas vezes em diversos projetos o descaso com esse critério, de forma que o profissional da arquitetura e engenharia não tem contemplado seus trabalhos com diretrizes de eficiência energética. Se para o cliente ou investidor o interesse e o apoio a uma posição de uso mais eficiente da energia passam por uma análise de custo-benefício, para o arquiteto a questão é bastante diferente (LAMBERTS, DUTRA E PEREIRA, 2004). A tarefa assume outra magnitude, exigindo uma reavaliação dos métodos e 20 estratégias de projeto. Isso exige a retomada de um conhecimento básico necessário para o resgate da função perdida de projetista integrador. Ainda que as fundamentais decisões pautadas com o desempenho da edificação sejam tomadas pelo projetista, o trabalho deste profissional vem apontado para seu descuido para com o desempenho térmico e energético. A principal causa é a falta de entendimento do impacto das decisões sobre os fenômenos físicos que ocorrem entre as condições de contorno, a edificação e o seu usuário. A partir daí, observa-se o não comprometimento com o atendimento às condições térmicas e fatores climáticos favoráveis ao usuário no ambiente construído, implicando na perda do bem-estar físico e mental, em baixa produtividade, ou até mesmo no comprometimento da saúde dos usuários das edificações projetadas. Os fatores climáticos atuam de forma intrínseca na natureza. A ação simultânea das variáveis climáticas terá influência no espaço arquitetônico construído. Segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2004), as variações climáticas são atribuídas a elementos de controle, tais como: proximidade à água (pois a água se aquece ou esfria mais rapidamente que a terra), altitude (a temperatura do ar tende a diminuir com o aumento da altitude), barreiras montanhosas e correntes oceânicas. As cidades estão crescendo em ritmo cada vez mais acelerado e com elas as indústrias e atividades urbanas proliferam. A cobertura vegetal dá lugar a inúmeros tipos de materiais, com diferentes comportamentos térmicos, tornando a paisagem cinzenta e agravando cada vez mais a situação climática. Dessa forma, a área urbana se torna mais quente que a área rural durante parte do dia e a maior parte da noite. Nas noites de verão, pouca diferença é percebida na temperatura, mesmo após as áreas periféricas já terem dispersado grande parte do calor do dia. Santamouris, em pesquisas de 2001 em 30 cidades e áreas suburbanas próximas a Atenas, encontrou diferenças de temperatura de até 15ºC e em média de 10ºC (SANTAMOURIS apud WILLIAMSON, 2001). 21 Este fenômeno é conhecido como ilha de calor que, além de gerar desconforto, aumenta gradativamente o consumo de energia, visto que as altas temperaturas urbanas fazem crescer a demanda de eletricidade para resfriamento. Oliveira (2007) afirma que muitas vezes se confunde crescimento com desenvolvimento. O crescimento pode ser compreendido como um aumento quantitativo do uso de materiais e energia. Desenvolvimento é a melhoria qualitativa no uso feito dos recursos. O desenvolvimento pode decorrer de uma melhoria técnica, que minimiza a utilização de recursos, ou de uma compreensão mais profunda de propósito, que minimiza o consumo. O estado estável é quando as retiradas de recursos naturais são mantidas constantes. Em um estado estável pode haver desenvolvimento, mas não ocorre crescimento. Assim, o desenvolvimento pode levar a um aumento do estoque de artefatos, por conta de um melhor uso dos recursos e como resultado do progresso técnico. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética - EPE (2006), considerando-se a elevação do poder aquisitivo de significativa parcela da população brasileira a partir de planos econômicos consistentes, supõe-se que até o ano de 2030 haverá um aumento substancial na aquisição de equipamentos de arcondicionado. Na visão de Maciel, Ono e Lamberts (2007), em climas quentes a tarefa primordial do projetista é normalmente a exclusão da radiação solar para evitar superaquecimento. Em climas moderados é desejável a admissão de parte dessa radiação nos cômodos habitados, por razões térmicas e de iluminação. Dessa forma, a primeira tarefa do projetista é predizer a posição solar em relação ao edifício e à janela considerada. De acordo com Marsh (1997) o termo ferramenta de projeto é geralmente aplicado a uma grande quantidade de técnicas, variando de dados tabulados em planilhas e métodos manuais de cálculo a programas sofisticados de análise computacional. Entretanto, pode-se observar que embora sejam classificados por pesquisadores como ferramentas de projeto, a maioria focaliza mais a análise do projeto consolidado do que a tomada de decisão durante o projeto. 22 Segundo Lima (1995), “a arquitetura passou a ser uma ‘arte da forma’ em que o produto arquitetônico é visto quase sempre como um fenômeno visual”. Esta citação aponta para a necessidade do uso de uma metodologia de análise do desempenho térmico e energético na fase de decisões de projeto e validação das soluções adotadas pelos profissionais da arquitetura. No contexto atual, modernos escritórios são construídos para depender de iluminação artificial, condicionamento de ar e sofisticados sistemas de controle automáticos, o que consome mais energia, pois não há uma conjugação dos componentes da fachada e cobertura com o clima local. É o caso da tipologia construtiva que segue o padrão internacional, com fachadas totalmente envidraçadas, muitas vezes sem nenhuma proteção contra a alta incidência de radiação solar direta. Assim, de acordo com Lima, Amorim e Naves (2007) essas características, na maioria das vezes, satisfazem às necessidades estéticas do mercado, mas estão afastadas da melhor solução com relação ao conforto ambiental, tanto térmico quanto luminoso. Um elevado percentual de área de janela em relação à fachada permite altos ganhos de calor e substancial incidência de radiação solar direta para o interior dos ambientes, aumentando os custos com condicionamento de ar e sistemas de iluminação artificial. Uma elevada parcela de profissionais de arquitetura, engenharia e pessoas ligadas à construção está incluindo esta forma de projetar em seus métodos criativos, baseados no conceito de arquitetura bioclimática. O conceito de arquitetura bioclimática integra outras definições mais sólidas, como por exemplo, a de arquitetura integrada, que se adapta a seu espaço físico, socioeconômico e cultural, utilizando materiais sustentáveis, técnicas e formas tradicionais, que beneficiam a integração visual e reduzem o impacto ambiental. Entretanto, se uma arquitetura pode ser caracterizada como “bioclimática” é porque deve também haver uma arquitetura “não-bioclimática”. Segundo Corcuera (2003), este pensamento traz à tona o fato de que possa haver arquiteturas não adequadas às condicionantes climáticas e geomorfológicas do sítio 23 em que se insere. Pode-se dizer que uma Arquitetura Sustentável pressupõe ser Bioclimática. A arquitetura sustentável também é conhecida como a de alta eficiência energética, porque economiza e conserva a energia que capta, produz ou transforma no seu interior, reduzindo, portanto, o consumo energético e a suposta poluição ambiental. Em geral, é uma arquitetura pensada com o clima do lugar, o sol, o vento, a vegetação e a topografia, com um desenho que permite tirar maior proveito das condições naturais do lugar, estabelecendo condições adequadas de conforto físico e mental dentro do espaço físico em que se desenvolve. 1.2. CARACTERÍSTICAS CLIMÁTICAS DA REGIÃO DE ESTUDO O clima nordestino é bem diversificado. O Rio Grande do Norte está próximo da zona de convergência intertropical que recebe os ventos alísios. Estes ventos fazem parte de um grande sistema de correntes de ar no globo. A cidade de Natal está situada num dos pontos mais orientais na costa do Atlântico Sul, entre o mar e a margem direita do Rio Potengi. O clima é quente e úmido. Permanentemente, sopra uma brisa vinda do oceano, sempre de sudeste, dada a proximidade do Equador, com pequenas variações, e é predominante em toda a região nordeste do Brasil. Os ventos mais fortes são característicos de agosto e setembro, sendo abril a época dos mais fracos. Na figura 01, uma imagem do Google Earth®, na qual se distingue nitidamente a posição favorável do litoral de Natal-RN em relação aos ventos vindos do sudeste, que fazem o clima desta cidade ser tão ameno, em relação a outras cidades do Nordeste. 24 Figura 01: Imagem da região de Natal-RN. Fonte: Adaptado do Google Earth Segundo Araújo (2001), a região de estudo destaca-se por apresentar alta umidade relativa do ar, radiação solar intensa, temperaturas do ar sempre inferiores às da pele e amplitude térmica pequena, tanto diária quanto sazonal. Possui duas épocas características anuais com pequena variação entre elas. A grande presença de nuvens (alto conteúdo de vapor d’água) ameniza a radiação solar direta intensa, mas também não permite a re-irradiação para o céu à noite, o que impede a queda acentuada da temperatura e provoca uma radiação solar difusa bastante intensa. A perda de calor por evaporação é dificultada, embora possa ser amenizada pelo movimento do ar. Os ventos são variáveis em velocidade, mas quase constantes na direção sudeste, com variações para leste e sul. Como Natal se encontra a uma latitude próxima de 6° Sul, ou seja, quase no Equador e, particularmente, com a linha litorânea no sentido Norte-Sul, significa que os ventos trazem para o continente, a brisa fresca do mar, numa situação peculiar, turbilhonando por sobre as dunas localizadas a Leste da Cidade, e que desta forma refrescam melhor a área habitada. Segundo Araújo, Martins, Araújo (1998), o clima quente-úmido em Natal se caracteriza pela existência de quatro períodos “distintos” ao longo do dia. Assim, o início dos quatro períodos distintos ao longo do dia se dá nas primeiras horas do mesmo, mais especificamente até as 6:00 h, onde apresenta 25 comportam mento de valoores decrescentes de tem mperatura doo ar; o segunndo, das 6:000 às 12:00 h apresenta coomportamennto bastante definido dee acréscimo acentuado de d temperaturaa; o terceirro, das 12::00 às 18:000 h, constta que as temperaturaas decrescem, também de maneira aceentuada; o quuarto, das 188:00 às 24:000 h, apresentta melhante ao primeiro, porém num patamar p mais elevado, de d um comporrtamento sem acordo com m o gráfico daa figura 02. 34 32 30 1 ‐ 6 hs 28 26 6 ‐ 12 hs 24 12 ‐ 18 hs 22 18 ‐ 24 hs JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 20 Figu ura 02: Grááfico da Tem mperatura do ar média noos períodos diários d de Natal. Fontee: Adaptado dee Araújo, Martiins, Araújo (19998) TRATÉGIA AS BIOCL LIMÁTICAS S RECOM MENDADAS S PARA O 1.2.1. EST CLIMA QU UENTE E ÚMIDO Ú O clima queente e úmidoo domina grrande parte do d Brasil, coomo é o casso de Natal-RN N. Nesse cllima, as osccilações das temperaturaas diárias e sazonais sãão pequenas e o nível de umidade reelativa do arr é bastante alto. Tambéém é típica a d céu parccialmente nuublado, prodduzindo um ma grande quantidade q d de existência de radiação diifusa. Nestaas regiões, as edificaçõões devem evitar ganhhos de caloor externo, en nquanto diissipam aquuele produzzido em seu s interiorr (LOBO E BITTENCO OURT, 20033). 2 26 Nesse tipo de clima, a ventilação pode ser usada para duas finalidades complementares. A primeira é resfriar o edifício, aquecido pela radiação solar e por ganhos internos de calor (ocupação, iluminação artificial etc.), onde as taxas de ventilação podem fazer com que a temperatura interna se aproxime da externa. A outra finalidade diz respeito ao aspecto fisiológico, isto é, a evaporação do suor e trocas de calor por convecção, quando as correntes de ar estão em contato com o corpo humano. Neste caso, a ventilação se torna importante em locais quentes e úmidos, uma vez que o suor é uma das causas do desconforto térmico humano. A ventilação pode modificar a sensação térmica, atuando na evaporação do suor e acelerando as trocas de calor por convecção entre o fluxo de ar e o corpo (Givoni, 1992). Com ventos de baixa velocidade, a temperatura radiante e a temperatura do ar produzem efeitos semelhantes na sensação de conforto térmico, mas com altas velocidades a temperatura do ar domina a sensação de conforto. Segundo Fanger e Christensen (1986), a existência de uma ventilação turbulenta e de qualidade variável dentro das edificações pode aumentar as trocas de calor por convecção, e é concebível que isto possa afetar a sensação de conforto térmico humana. A importância da ventilação natural se acentua nas edificações que não têm a possibilidade de utilizar equipamentos mecânicos de climatização para a obtenção do conforto térmico, como é o caso das “habitações populares”, que dependem basicamente de um projeto de arquitetura eficiente. De acordo com Szokolay (2004), em edificações climatizadas passivamente, o melhor projeto que se pode obter é aquele em que a temperatura interna não fique maior do que a temperatura externa, o que pode ser conseguido através de ventilação natural para remover o excesso de calor. De acordo do Neto (1997), no clima equatorial as variações climáticas são muito pequenas, e os requerimentos para as características do edifício são similares para todo o ano. A predominância de alta umidade e temperatura faz com que a velocidade do ar tenha de ser aumentada, para promover a evaporação do suor na superfície da pele humana, amenizando a sensação se desconforto térmico. 27 Assim, Neto (1997) propõe as seguintes exigências para edificações em clima quente e úmido de baixa latitude: • Proteger contra o Sol, chuva e insetos; • Prover ao edifício uma ventilação eficiente; • Prevenir o aumento da temperatura durante o dia e garantir sua minimização durante a noite; Ainda segundo Neto (1997), a temperatura interna pode com dificuldade ser mantida abaixo da temperatura externa, sem a utilização de mecanismos de climatização. Assim, um desenho eficiente garante no mínimo que a temperatura interna seja similar à externa. Já Szokolay (1997) afirma que em locais de clima quente e úmido a temperatura interna das edificações naturalmente ventiladas não apresenta diferenças significativas em relação à temperatura externa. Na cidade em estudo, Natal-RN, devido à baixa latitude, a radiação solar incide predominantemente nas superfícies horizontais. Assim, a maioria das cargas térmicas positivas provém da coberta de uma edificação, durante as horas de maior temperatura do ar, que se iniciam nas últimas horas da manhã e primeiras horas da tarde. Destaca-se então, a importância do sistema de ventilação cruzada no interior da edificação para retirada do calor que adentra a mesma pela coberta. De acordo com Szokolay (2004), o clima quente e úmido é o mais complicado para projetos diversos. As altas taxas de umidade relativa do ar impedem a evaporação do suor, atenuando seus efeitos de resfriamento corpóreo. Regiões equatoriais sofrem o acúmulo de ampla quantidade de calor pela cobertura consequente da passagem do sol próximo ao zênite. Assim Oliveira (2006) apud Szokolay (2004) sugere duas importantes recomendações para edificações localizadas em clima quente e úmido: • Para a coberta; o uso de superfícies reflexivas, havendo espaços que separem a coberta do forro (ático), áticos ventilados, isolantes reflexivos sob a coberta e isolantes resistivos sobre o forro; 28 • Para as aberturas; inexistência de janelas nas fachadas Leste e Oeste, evitando assim a entrada de radiação solar em baixos ângulos solares; Analisando-se a Figura 03, observa-se a grande concentração de horas em que a ventilação natural é necessária para a promoção do conforto térmico, de acordo com a operação do aplicativo Analisys Bio, realizada por Trindade (2005). Assim, Lamberts, Dutra e Pereira (2004) afirmam que uma arquitetura com boas condições de ventilação natural pode promover o conforto térmico em 83,5% das horas anuais. Figura 03: Carta com estratégias bioclimáticas para Natal Fonte: Trindade (2005) 1.3. CRITÉRIO DE CONFORTO TÉRMICO PARA A REGIÃO OBJETO DE ESTUDO Determinar o índice de conforto térmico de uma dada região ainda é algo complexo, visto que a maioria dos índices de conforto são baseados em modelos de balanço térmico e modelos adaptativos. Um dos maiores obstáculos para avaliar o desempenho térmico é a definição de critérios baseados em predição de conforto térmico para edificações situadas nos trópicos em condições naturais de condicionamento (sem uso de ar condicionado). Existem poucos critérios específicos para avaliação do desempenho térmico de edificações. Segundo Mendes, Westphal e Lamberts (2005), a avaliação 29 do desempenho térmico e energético de edificações constitui-se numa tarefa complexa, envolvendo muitas variáveis interdependentes e conceitos multidisciplinares. Geralmente, pesquisas, programas e ferramentas de simulação costumam adotar o consumo de energia da edificação e a temperatura interna do ar como critérios do desempenho térmico e energético. O primeiro é baseado no cálculo do consumo de energia da edificação, o qual pode ser muito influenciado pelas cargas térmicas de resfriamento e/ou de aquecimento. Neste caso, ocorre uma limitação em sua aplicação, quando analisadas edificações naturalmente ventiladas, onde o consumo de energia é atribuído em sua maior parte aos eletrodomésticos. Já no critério de análise de temperatura interna do ar, as edificações naturalmente ventiladas são objetos coerentes em sua aplicação. Resta então, escolher a técnica que será utilizada para a análise dos dados de temperatura. De acordo com Oliveira (2006), são elas: • Contagem das horas totais de desconforto (HD): expressa o número total de horas com temperatura interna fora de zona de conforto; • Porcentagem de horas totais de desconforto (PD): expressa a frequência percentual de horas totais com temperatura interna fora de zona de conforto. • Graus-hora de desconforto (GH): representa a contagem em graus das diferenças entre a temperatura interna e a temperatura de conforto, em todas as horas do ano; • Distribuição de temperatura (DT): através de uma análise estatística, expressa a frequência de ocorrência de temperaturas no ano, de forma absoluta ou relativa. Os critérios de avaliação do conforto térmico para clima quente e úmido ainda são polêmicos e apresentam restrições. Não foi encontrado nesta pesquisa 30 critério satisfatório em bibliografia que contemple os efeitos da temperatura de bulbo seco, umidade relativa, velocidade do ar e temperatura radiante média. A zona de conforto de Givoni foi vastamente difundida e utilizada para estabelecer critérios de conforto térmico e diretrizes para projetos bioclimáticos, principalmente em países quentes em desenvolvimento como o Brasil. Atualmente, a zona de conforto de Givoni é adotada na norma de desempenho térmico de edificações da ABNT (ABNT, 2005). A restrição na zona de conforto de Givoni está na invariabilidade das condições de conforto aceitáveis ao longo do ano, apesar da mesma indicar condições de conforto térmico para edificações naturalmente ventiladas em climas tropicais e aceitar adequações da faixa de conforto em função de distintas estratégias de projeto. Givoni (1992) afirma que a aclimatação e a expectativa quanto ao conforto devem ser abordadas no desenvolvimento de diagramas de conforto e de recomendações de projeto quando aplicados a climas quentes de países em desenvolvimento. No entanto, a demarcação da zona de Givoni, baseada na temperatura interna e estimada através de cálculos de modelos em regime estático, não reconhece as oportunidades de adaptação dos ocupantes e fatores contextuais como o próprio clima, condições que regem os modelos adaptativos. De acordo com Nicol e Humphreys (2002), se a adequação ao clima acontece devido à mudança das condições para se conseguir conforto ou pela mudança da temperatura de conforto para acolher as condições que se destaquem, a faixa de condições avaliada como confortável depende das peculiaridades da edificação e das chances de adaptação do usuário. Assim, os modelos adaptativos se encaixariam melhor às condições de habitações naturalmente ventiladas em climas tropicais em razão das maiores chances de adaptação que esse tipo de uso pode proporcionar, admitindo o usuário como utilizador, em qualquer momento de ocupação, das estratégias de adaptação, como: 31 • Redução das resistências da vestimenta com a troca de itens; • Emprego do movimento de ar através da operação das esquadrias e uso de aparelhos de ventilação mecânica (ventiladores); • Mudança da atividade metabólica por meio de mudança de atividades ou de sua amplitude ou consumo de alimentos; • Relacionar a temperatura de conforto térmico à temperatura externa em climas tropicais; Para Nicol (2004), em climas tropicais o uso de movimento do ar pode ser um importante aliado no controle das condições de conforto térmico. Oliveira (2006) analisou as diferenças achadas entre todos os modelos de conforto térmico existentes, e citou diferença de até 2,2° C da temperatura de conforto entre eles. Dessa forma, Oliveira (2006) aplicou em seu trabalho o modelo que melhor se adequaria à avaliação de edificações naturalmente ventiladas em NatalRN: o modelo adaptativo de Humphreys, publicado em 1978. A escolha do modelo teve como critérios o próprio clima e estudos de conforto térmico realizados por Araújo (2001) para o clima de Natal-RN. O primeiro critério parte da consideração de que a temperatura de conforto deve acompanhar as oscilações da temperatura externa. O segundo baseia-se em um estudo realizado por Araújo (2001), que sugere o uso do índice de conforto térmico proposto por Koenigsberger et al. (1974) para o clima de Natal-RN. Assim, para o modelo adaptativo de Humphreys escolhido, Nicol (2004) sugere uma amplitude entre 2° e 3°C para estabelecer a zona de conforto. Assim, Oliveira (2006) utilizou uma faixa de ± 2,5°C da temperatura de conforto para delimitar a zona adequada para Natal-RN, de acordo com o modelo, que considera apenas os ajustes de vestimenta e na atividade metabólica como mecanismos de adaptação ao ambiente. Trindade (2006) também utilizou a zona de conforto de Humphreys (1978), com sugestão de Nicol (2004) em seu trabalho, seguindo os passos de Oliveira (2006). O autor analisou térmica e energeticamente galpões localizados nos 32 Campus Central da UFRN, enfocando principalmente a influência dos ventos no alcance do conforto térmico. Trindade (2006) utilizou vários aplicativos computacionais, como o VisualDOE, e simulações em CFD, através do PHOENICS. Houve então divergência na obtenção dos resultados, já que um trabalha com arquivo climático TRY (Test Reference Year) de 1954 e as simulações em CFD se basearam em dados coletados nos anos de 2002 a 2005, para a região de estudo. Todavia, apesar das limitações, o método utilizado por Trindade (2006) apresentou resultados qualitativos, que permitem avaliar a distribuição da ventilação no interior da edificação, além de fornecer considerações sobre a utilização da tipologia dos galpões pré-moldados, principalmente quanto ao emprego dos componentes construtivos e sua influência na velocidade do ar interior e conseqüentemente no desempenho térmico do mesmo. Foram coletados dados de temperaturas medidos no INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -, localizado no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, provindos da estação climática Davis Precision Weather Station, da Davis Instruments (Figura 04). Contemplaram-se os anos de 2006, 2007 e 2008, por se tratarem de arquivos atuais, que refletem a presente situação climática de Natal-RN. 33 Figura 04: Foto da Estação climática Davis Precision Weather Station, localizada no INPECRN No período climático escolhido para as medições, compreendido dos meses de abril a setembro, caracterizado como período chuvoso no clima da região, as principais características são a diminuição da temperatura do ar, e o aumento da precipitação e a umidade relativa do ar. Através de revisão bibliográfica e testes realizados neste trabalho, foi possível apontar uma Zona de Conforto coerente com a intenção que este estudo se propõe a realizar. Sendo assim, foi utilizado um modelo simplificado de avaliação do desempenho térmico. Dessa forma, para o presente trabalho, foi adotada a curva de distribuição de frequência de temperaturas aliadas ao modelo simplificado de zonas de conforto onde foram consideradas quatro zonas de classificação de conforto térmico. Elas foram baseadas em índices de diversos autores, já utilizada anteriormente em um estudo desenvolvido por Pedrini em 2007, para habitações em 6 diferentes climas, numa tentativa de se chegar a um índice de conforto que pudesse ser utilizado em boa parte do território brasileiro, financiado pela Caixa 34 Econômica Federal (Tabela 01). Este estudo ainda não foi publicado, sendo sua referência resumida à informações do LabCon – Laboratório de Conforto Ambiental do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN. Tabela 01: Temperatura de conforto térmico para climas quentes e úmidos e/ou países tropicais em desenvolvimento CONDIÇÕES TEMPERATURAS REFERÊNCIAS Desconforto ao frio Conforto térmico sem ventilação Conforto térmico com ventilação de até 1m/s T < 18ºC 18º ≤ T ≤ 29ºC Givoni (1992) Givoni (1992) 29ºC < T ≤ 33ºC Desconforto ao calor T > 33ºC Humphreys (NICOL, 2004) e Szokolay e Docherty (1999) Humphreys (NICOL, 2004) e Szokolay e Docherty (1999) Fonte: Estudo para Habitações Populares da Caixa Econômica Federal. Fonte: Pedrini, 2007 Pretende-se com a adoção das quatro zonas a obtenção de uma maior fidedignidade nos resultados oferecidos pelo aplicativo computacional, visto que as mesmas se configuram coerentes para o clima quente e úmido da área de estudo. Assim, será feita uma comparação entre os dados de temperatura do ar obtidos in loco, medidos pelos dataloggers instalados no interior da edificação, e os dados de temperatura do ar obtidos através do arquivo climático TRY com as simulações feitas com a mesma edificação, modelada. Dessa forma, será possível observar o comportamento da edificação, verificando a veracidade dos resultados que o aplicativo DesignBuilder 1.2 apresenta. Givoni (1998) amplia em 2 ºC a amplitude térmica da zona de conforto para países tropicais em desenvolvimento. Já Humphreys e Nicol (1998) inclui a ventilação natural com velocidade de até 1 m/s para temperaturas entre 29 ºC e 33 ºC para se manter o conforto térmico, e desconforto ao calor acima dos 33 ºC, mesmo com a presença de ventilação. 35 Nicol e Humphreys (2002) afirmam que a adaptação ocorre pela mudança das condições para se obter conforto ou pela alteração da temperatura de conforto para atender às condições que prevaleçam. Assim sendo, a faixa de condições considerada confortável depende tanto das características da edificação quanto das oportunidades de adaptação individual do usuário. 1.4. SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL DO DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES Com a intenção de promover qualidade nas edificações, projetistas podem recorrer à simulação computacional para auxiliar a tomada de decisões em projeto. De acordo com Mourshed et al. (2003) os programas de simulação capazes de avaliar o desempenho termo-energético são muito pouco usados pelos projetistas por acreditarem não ser possível integrá-los no processo de projeto. Ainda segundo os autores, esses programas têm avançado muito em relação à precisão, mas não o suficiente no que tange à utilidade. Para Ghisi e Pereira (2009), as principais causas disto são a complexidade dos programas e a consequente dificuldade e demora no aprendizado pelos projetistas. Segundo Marsh (1997), o termo ferramenta de projeto é geralmente aplicado a uma grande quantidade de técnicas, variando de dados tabulados em planilhas e métodos manuais de cálculo a programas sofisticados de análise computacional. Entretanto, pode-se observar que embora sejam classificados por pesquisadores como ferramentas de projeto, a maioria focaliza mais a análise do projeto consolidado do que a tomada de decisão durante o projeto. Para Larsen et al. (2008), os programas da simulação têm as ferramentas importantes, utilizadas para melhorar projetos de edifícios e consumo de energia, podendo calcular o comportamento térmico dos edifícios e mudar variáveis diferentes, como as condições climáticas, geometria, materiais, dentre outros, para avaliar sua resposta térmica. Assim, um “padrão” é realizado até que um projeto final adequado esteja elaborado. Hoje em dia, uma grande variedade de programas de simulação está disponível, dos níveis diferentes da complexidade que vão da 36 situação de estado estacionário até a sofisticada simulação do CFD. Pode-se citar o TRNSYS, ESP-r, DOE-2, BLAST, ENERGY PLUS, TAS, DEROB-LTH FLUENT, o DESIGNBUILDER, dentre outros. As metodologias para a validação de programas de simulação da energia do edifício têm sido desenvolvidas. Segundo Oliveira (2006), a maioria das ferramentas de simulação é similar na abordagem e geralmente simulam um modelo detalhado pelo usuário da ferramenta. Ainda segundo Oliveira (2006), na avaliação do desempenho térmico e energético de habitações, a diversidade de parâmetros que influenciam o comportamento térmico dos ambientes – e que devem ser considerados na modelagem da edificação – pode ser agrupada em três categorias: 1. Variáveis climáticas: relacionado aos aspectos climáticos locais (temperatura do ar externa, velocidade dos ventos, radiação solar, entre outros); 2. Variáveis de projeto: relacionado ao projeto arquitetônico e construção da edificação (geometria, layout da planta, propriedades termo-físicas dos componentes dos sistemas construtivos, entre outros); 3. Variáveis de uso e ocupação: relacionado ao comportamento dos usuários e operação da edificação (rotinas, cargas térmicas internas, operação de janelas, uso de equipamentos elétricos, entre outros); Esses fatores devidamente analisados podem colaborar para um entrosamento da complexidade dos parâmetros coligados ao projeto de habitação que devem ser ponderados no desenvolvimento de metodologias para avaliação de desempenho térmico e energético das mesmas, de sugestões de projeto e das relações com a decisão projetual. Outro aspecto é a identificação das limitações e imprecisões associada a cada grupo. Assim, pode-se dizer que as variáveis climáticas inseridas no arquivo TRY funcionam como referências de entrada no aplicativo computacional a ser utilizado, que no presente trabalho será o DesignBuilder 1.2, que será apresentado no capítulo 02. Na simulação de desempenho térmico de edificações naturalmente ventiladas, os dados relativos à ventilação e sua modelagem em simulações 37 sugerem um destaque, em virtude do aperfeiçoamento das técnicas nos últimos anos e das grandes imprecisões e limitações que permanecem quando consideradas a velocidade, a direção e a pressão dos ventos no entorno e no interior do espaço simulado, cujos aspectos serão abordados no tópico a seguir. 1.4.1. VARIÁVEIS CLIMÁTICAS Os seres humanos avaliam como exigência para atingir um perfeito conforto térmico as seguintes variáveis climáticas: temperatura do ar, temperatura radiante média do ambiente, umidade relativa e velocidade do ar, segundo AKUTSU & VITTORINO (1992). O conhecimento do clima e da geografia local é importante auxílio para todo profissional executar um bom projeto arquitetônico, utilizando-se dos recursos naturais, que atendam às exigências de conforto do usuário. Para Maciel (2006), algumas características particulares do contexto definem as variáveis climáticas mais importantes a serem levadas em conta na definição do partido. Por exemplo, se o edifício tiver que ser localizado no alto de uma montanha em um clima frio, é importante considerar os ventos predominantes e os períodos de temperaturas mais baixas para adotar estratégias de projeto que evitem o vento frio. Por outro lado, a mesma autora aponta que às vezes a estratégia adotada no projeto pode definir quais variáveis climáticas devem ser avaliadas no projeto específico. Métodos foram desenvolvidos nas últimas décadas, a partir de dados coletados em estações meteorológicas e classificados de acordo com o tipo de informação que apresentam bem como sua utilidade. Esses métodos geraram diferentes tipos de arquivos climáticos com variações na qualidade dos dados. Visando a integrar os diferentes elementos climáticos em todos os níveis de projeto, exige-se um tratamento específico dos mesmos, voltado para o uso dos profissionais de conforto ambiental. Isto requer um prévio tratamento estatístico ou 38 métodos que transformem uma grande quantidade de registros em ferramentas práticas de trabalho. Algumas metodologias foram desenvolvidas com este propósito. Os dados climáticos são obtidos a partir de várias estações meteorológicas que diariamente registram um grande número de variáveis. No Brasil, esses dados são coletados pelo Instituto Nacional de Meteorologia INEMET, setor do Ministério da Agricultura, e por diversos Institutos de Pesquisas (federais / estaduais) e órgãos ligados à aviação. O Instituto Nacional de Meteorologia (INEMET), órgão do Ministério da Agricultura, sistematiza os dados meteorológicos em séries de 30 anos (1931/1960 e 1961/1990) constituindo o que se chama de Normais Climatológicas. Os aplicativos computacionais de simulação do desempenho térmico das construções empregam os dados climáticos de um ano típico (ano de projeto) para a análise de desempenho térmico e de sua eficiência energética. O ano de projeto é conhecido como TRY (Test Reference Year) e consiste em um ano com dados climáticos horários, apresentados em um formato padronizado, conforme necessário para simulação de desempenho térmico de edificações. O TRY contém informações climáticas para as 8.760 horas do ano. Por tratar-se de arquivos de grande dimensão, os TRY das localidades trabalhadas encontram-se disponíveis na forma digital (GOULART, LAMBERTe FIRMINO, 1998). • Ventilação Natural Sob a ótica do conforto térmico, os movimentos de ar aceleram as trocas de calor das pessoas com o ambiente por convecção e por evaporação. Sua consideração em clima quente e úmido é fundamental para obtenção das condições de conforto. 39 Na região de estudo, a situação socioeconômica do usuário de habitações de interesse social impossibilita a aquisição de aparelhos de ar condicionado, bem como o pagamento da elevada conta mensal de energia elétrica, consumida por este tipo de equipamento. Mascaró (1985) salienta que “é indispensável conhecer e aplicar técnicas de projeto e cálculo de ventilação natural dos edifícios; com a dupla finalidade de oferecer conforto ao usuário e otimizar o uso da energia na edificação”. Os fatores que condicionam a ventilação são: forma e características da edificação e do entorno (topografia natural e edificada); localização e orientação do edifício; posição e tamanho das aberturas; direção, velocidade e frequência dos ventos; e diferença de temperaturas interiores e exteriores. Nicol (2004) afirma que pesquisas realizadas em edificações ventiladas naturalmente em regiões de clima tropical mostram que os indivíduos sentem-se confortáveis, mesmo em temperaturas acima de 30 ºC, especialmente se houver o uso de ventiladores. Dentre os diversos fatores que permitem a variação do limite da temperatura da zona de conforto, a adaptabilidade dos indivíduos é a parte mais difícil de ser quantificada. Contudo, as pesquisas mostram que uma série de fatores, tais como a interação com a edificação, o abrir e fechar das janelas e a mudança de posição dentro do ambiente para captar melhor a ventilação tornam as pessoas mais tolerantes a temperaturas elevadas. A capacidade de adaptação dos indivíduos pode elevar a temperatura de conforto em 2 ou 3 ºC, bem como o movimento do ar. A figura 05 mostra que a velocidade do ar em 1 m/s pode elevar a temperatura de conforto em mais de 3ºC. Assim, mesmo que o ar externo esteja pouco acima dos 29 ºC é vantajoso fazer uso da ventilação natural para melhorar a sensação térmica dos usuários. 40 Figura 05: Gráfico da influência do movimento do ar sobre a temperatura de conforto. Fonte: Adaptado de Nicol, 2004 A ventilação natural pode representar importante fator de conforto e melhoria das condições ambientais no interior dos edifícios. Trata-se de recurso aplicado desde o início da história da arquitetura, para amenizar altas temperaturas internas, em localidades de clima quente e úmido, sendo até hoje amplamente empregado em habitações unifamiliares e prédios de apartamentos, entre outras tipologias arquitetônicas. O uso do movimento de ar em edificações pode proporcionar conforto térmico em climas quentes e úmidos por diminuir as altas temperaturas, amenizando a sensação de desconforto ao calor na evaporação do suor. Também reduz o consumo de energia, por evitar ou minimizar o emprego de sistemas de condicionamento de ar. Além disso, mantém a qualidade interna do ar pela renovação, entre outras funções. Métodos foram desenvolvidos objetivando-se trabalhar com casos específicos e com maior precisão. Entre estes, estão o método do túnel de vento e os métodos baseados em simulação computacional. O método de cálculo de renovação de ar para edificações é complexo em sua estimativa, e quase sempre é impreciso. Todavia, estes métodos são utilizados em países desenvolvidos de clima frio onde a aquisição de dados relativos às taxas 41 de infiltração e o uso de estratégias para reduzí-la tem grande impacto sobre a eficiência energética de edificações climatizadas artificialmente. Vale também citar o método CFD (Computational Fluid Dynamics) ou DFC (Dinâmica Computacional dos Fluidos), como é conhecido em português, que é usado para estimar o fluxo de ar interno e externo a partir de equações de conservação de massa, momento, energia, turbulência, entre outras. Atualmente, diversos aplicativos computacionais são desenvolvidos e utilizados em pesquisas para estimar os padrões de comportamento do vento nas edificações a partir dessa técnica. Este método também possui desvantagens de imprecisões e de requerer conhecimentos em mecânica dos fluidos e computadores com alta capacidade de processamento. • Temperatura do Ar A temperatura do ar é a resultante do aquecimento e resfriamento da superfície da terra, por processos indiretos, visto que o ar é transparente à propagação das ondas eletromagnéticas, como a radiação solar. Fenômenos como evaporação, convecção, condução e emissão de radiação de ondas longas constituem o balanço térmico da superfície terrestre. A assimetria da temperatura do ar em ambientes pode causar desconforto térmico no corpo humano. Uma pessoa pode ter a sensação de neutralidade térmica, mas se uma parte do seu corpo está fria e a outra está quente, o efeito local é de desconforto. Segundo Araújo (2001), em ambientes geralmente pouco ventilados, a temperatura aumenta do piso para o teto e, se esta variação for muito grande, pode ocorrer desconforto com sensação de calor no nível superior do corpo e de frio inferior, embora o corpo, como um todo, esteja em neutralidade térmica. O desconforto provocado pelo aquecimento ou resfriamento unilateral do corpo pode 42 também ser causado por um campo assimétrico de radiação, por uma ventilação cruzada ou por tetos quentes ou frios. O critério de análise de temperatura interna do ar está voltado para a avaliação do desempenho térmico de edificações naturalmente ventiladas. Assim, sua aplicação apóia-se em diferentes técnicas de análise de temperatura, das quais será escolhida a técnica de gráficos com curvas de distribuição de temperatura (DT), que permite maior rapidez na leitura dos dados com a informação da intensidade de desconforto e dos extremos de temperatura no ambiente. Na simulação do comportamento térmico de edificações, o uso de dados climáticos horários e de uma destas técnicas implica no manejo de uma grande quantidade de dados resultantes das simulações. 1.4.2. VARIÁVEIS DE PROJETO As variáveis de projeto podem ser definidas como as características da edificação que podem ser modificadas, podendo alterar os resultados da simulação. Dessas variáveis, é na envoltória em que as decisões arquitetônicas têm maior impacto sobre o desempenho térmico das edificações, pois através desta, o fluxo de calor pode ser controlado, regulando-se a perda ou o ganho deste. No entanto, podese citar outras variáveis que influenciam o desempenho da edificação, como orientação do lote, entorno sombreado, verticalização e/ou horizontalidade do bairro. A envoltória de uma edificação pode ser definida como o conjunto de artefatos que limitam o ambiente interior do exterior. Esses componentes da envoltória se diferenciam em função de seu comportamento em relação à radiação solar de onda curta incidente e dividem-se basicamente em dois grupos. São eles os fechamentos opacos e os fechamentos transparentes e aberturas. 43 O primeiro é definido como elemento que obstrui a passagem de radiação solar de onda curta. Como exemplo, temos as paredes, as divisórias, os pisos. Já os transparentes e aberturas são definidos como elementos que permitem uma conexão física e visual com o exterior, permitindo a passagem de radiação solar, principalmente de onda curta. Isto acontece pela presença de elementos abertos à passagem do ar ou por áreas envidraçadas e translúcidas, como clarabóias e aberturas zenitais. • Orientação em relação ao Norte/Sul/Leste/Oeste A literatura apresenta diversos estudos avaliando a influência das variáveis arquitetônicas na distribuição do fluxo de ar internamente, que geraram recomendações baseadas nos resultados dos experimentos, normalmente conduzidos em túneis de vento. Givoni (1976) correlacionou as dimensões das aberturas de entrada e saída com o ângulo de incidência dos ventos, testando diferentes combinações de aberturas com os ângulos de 90° e 45° dos ventos em relação à fachada (Figura 06). Figura 06: Velocidade interna em função da relação do tamanho das aberturas e direção dos ventos para 45º e 90º. Fonte: Adaptado de Givoni (1976) 44 Givoni (1976) recomenda que as fachadas estejam voltadas para os ventos dominantes em pelo menos um ângulo de 60º, para que a ventilação seja captada. As aberturas posicionadas a sotavento devem ser utilizadas como saída da ventilação, promovendo assim, o efeito cruzado (GIVONI, 1998). Portanto, os resultados demonstraram que a velocidade do fluxo interno não está diretamente ligada à dimensão das aberturas. Além do tamanho diferente das aberturas de entrada e saída (as menores aberturas de entrada em relação às de saída proporcionam maiores velocidades do ar). Outro aspecto relevante para o desempenho da ventilação interior é a tipologia das aberturas, que podem incrementar ou prejudicar a qualidade dos ventos internos. Para as condições do clima quente e úmido, qualquer esquadria que permita um fluxo contínuo de ar é mais apropriada para a ventilação. Um exemplo desse tipo de configuração são as venezianas, que conseguem permitir o fluxo de ar mesmo com a esquadria fechada. Bittencourt (1993) destaca a solução do peitoril ventilado que, além de oferecer segurança e um fluxo de ar ao nível das camas, permite a ventilação contínua do ambiente mesmo com as janelas fechadas, sendo indicado para uso em dormitórios. Outra tipologia de abertura que permite a ventilação constante do interior do edifício são os elementos vazados, ou cobogós, muito utilizados na arquitetura nordestina por oferecerem uma combinação de baixo custo, segurança e porosidade das fachadas. No entanto, é necessário considerar a influência desses elementos no fluxo de ar interno, pois dependendo da sua geometria, o ar pode ser direcionado de forma indesejada no ambiente. Bittencourt (1993) avaliou o desempenho de quatro tipologias de elementos vazados popularmente chamados de cobogós, quanto à resistência à passagem da ventilação natural, em função da velocidade e do ângulo de incidência. Para isso, realizou medições em duas câmaras de testes com painéis compostos pelos quatro tipos de elementos, tomando como referência um ponto interno em cada câmara e um externo. 45 O estudo demonstrou que os blocos apresentam uma resistência seletiva em função da velocidade do vento e da forma de cada elemento, e que os ângulos de incidência oblíquos à fachada diminuem a velocidade do ar interior. Para o presente trabalho, foram realizadas simulações com combinações de orientação do Protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS) em relação ao terreno. Assim, resultados diferentes foram encontrados a partir do aplicativo computacional utilizado. • Caracterização do sistema de paredes do protótipo estudado O protótipo objeto de estudo empregado é componente do projeto REPESC - Rede de Pesquisa em Eficiência Energética de Sistemas Construtivos, integrante do programa HABITARE (2007), que tem como objetivo geral consolidar uma rede de pesquisa regional voltada ao estudo do desempenho térmico de sistemas construtivos para o Nordeste, considerando as peculiaridades climáticas, econômicas e sociais. O interesse das pesquisas pertinentes ao projeto está concentrado em sistemas construtivos que aperfeiçoem o conforto térmico no ambiente construído e que diminua o gasto de energia necessário à climatização ambiental. O sistema construtivo utilizado no protótipo é formado por painéis modulados em concreto celular espumoso1. Este material é uma mistura homogênea de argamassa com espuma, gerando um material fluido que logo em seguida é despejado sobre as fôrmas nas dimensões-padrão da construtora. Vãos de aberturas e dutos para a passagem de instalações elétricas e hidro-sanitárias já são fixados durante esta fase, com o objetivo de evitar a quebra do painel depois de pronto. As 1 Segundo Ferreira (1986) apud Lawrence et al.(1998), “...o concreto celular é um tipo de concreto leve que resulta da pega de uma mistura composta de aglomerantes e agregados finos, que sofre tratamento mecânico, físico ou químico, destinado a criar na sua massa uma alta porcentagem de poros esféricos, de dimensão regular e milimétrica, uniformemente distribuídos, que permanecem estáveis, incomunicáveis e indeformáveis durante todo o processo, resultando numa massa específica aparente seca inferior a 1850 kg/m³ e superior a 400 kg/m³”. 46 dimensões padrão da construtora são 2,45m de altura por múltiplos de 80 cm na largura. De acordo com a Caixa Econômica Federal (2008), nos últimos anos o concreto celular espumoso (ou concreto leve com adição de espuma) vem sendo utilizado no Brasil na produção de vedações verticais, como resultado da busca de alternativas para reduzir a geração de entulho, a baixa produtividade da mão-deobra e o desperdício de materiais em geral. Dentre os diferentes processos construtivos em uso, aquele em que se emprega a concretagem das paredes in loco tem-se mostrado muito competitivo com relação à otimização do processo. No entanto, apesar das vantagens apresentadas, o concreto celular espumoso pode apresentar um problema: a fissuração por retração. De acordo com Barros et al (1998) apud Lawrence et al. (1998), essa fissuração pode comprometer a estanqueidade, segurança de utilização e estética da parede produzida. Ferreira (1986) apud Lawrence et al. (1998) apresenta as causas de fissuras à temperatura constante. Antes da pega, são considerados causadores o assentamento e a evaporação rápida da água de amassamento; após a pega, deve-se considerar que o volume dos produtos de reação do concreto é menor que o volume dos componentes anidros; portanto, há movimento de água, ou seja, sai por evaporação e entra por capilaridade, e há água livre no interior da pasta, além de poder ocorrer a retração devido a carbonatação2. A produção do concreto celular está regulamentada pelas normas NBR 12.644, 12.645 e 12.646. A Caixa Econômica Federal produziu, sob a coordenação do Departamento de Apoio e Controle Técnico de FURNAS – Centrais Elétricas S/A, com a colaboração técnica da Associação Brasileira de Cimento Portland – PBCP, documento técnico contendo os critérios e requisitos mínimos e a serem observados na execução de paredes de concreto espumoso, fundido in loco dos quais cabe ressaltar que: 2 Processo pelo qual o gás carbônico da atmosfera penetra no interior da massa do concreto celular. 47 o Só deve ser utilizado em locais isentos de cloreto (longe da orla marítima); o Para garantia das condições térmicas da unidade, seu projeto arquitetônico deve observar as peculiaridades de cada uma das 8 (oito) zonas bioclimáticas, dispostas na NBR; o Detalhe do projeto arquitetônico, em especial quanto à dimensão dos beirais, tem influência direta na durabilidade da unidade habitacional; o As paredes deverão ser revestidas, especialmente na face externa; o O projeto deve prever que a sua execução seja acompanhada/monitorada por meio de sistema de garantia de qualidade, com o objetivo de garantir a sua conformidade aos pressupostos da tecnologia construtiva; Estudos desenvolvidos por Givoni (1998) comprovam que, para regiões de clima quente e úmido, a melhor estratégia para prover conforto térmico no interior de uma edificação é a ventilação confortável ou ventilação diurna de conforto. Ainda segundo o autor, edifícios construídos com envelope de alta inércia térmica e providos de ventilação cruzada durante o dia podem alcançar temperatura interna de 2ºC a 3ºC menores que a externa, diferentemente dos de baixa inércia térmica, que mesmo quando ventilados artificialmente, mantêm a temperatura interna próxima da externa. De acordo com Santamouris e Asimakopolus (1996), apud Papst (1999), o uso de inércia térmica tem efeito positivo tanto no verão quanto no inverno. No verão, o ganho solar durante o dia é armazenado na massa térmica, reduzindo os picos das cargas de resfriamento. Com um tempo de atraso, este calor é liberado para o interior da edificação, provocando uma mudança no horário de pico de carga de resfriamento e reduzindo o seu valor. Comparando edificações com pouca e muita inércia térmica para meia estação (outono e primavera), a autora observou que edificações leves podem precisar de aquecimento para uma parte do dia e resfriamento para outra. Já edificações com mais inércia térmica não apresentam esta variabilidade e, dependendo das condições externas, podem apresentar condições internas favoráveis. 48 Todavia, a mesma autora esclarece em outro momento que o uso da inércia térmica em ambientes comerciais pode fazer com que o pico máximo da temperatura interna ocorra em um período posterior, normalmente o noturno, quando não há ocupação. Mas no caso de ambientes residenciais, como o que trata o presente trabalho, este pico de temperatura pode ocorrer quando a edificação está tendo sua maior ocupação. 49 2.0. METODOLOGIA O trabalho busca integrar a pesquisa de campo com a simulação computacional do comportamento térmico de edificações, para quantificar o impacto das decisões arquitetônicas no desempenho térmico dos edifícios. As simulações são definidas a partir de um modelo baseado na pesquisa de campo, onde foi possível caracterizar o desempenho térmico de uma edificação construída através de acompanhamento e informações obtidas na literatura. A formulação da presente metodologia foi resultado da revisão bibliográfica, da avaliação dos recursos computacionais disponíveis e da discussão com os colaboradores dessa pesquisa. A proposta se iniciou com a seleção de uma tipologia arquitetônica que representa uma edificação denominada HIS – Habitação de Interesse Social. Após a caracterização do caso base e da simulação de seu desempenho, foi possível criar combinações de variáveis climáticas e de projeto. Conforme fluxograma a seguir (Figura 07), a metodologia desta pesquisa compreende 6 etapas que interagem entre si. Na primeira etapa, foi feita a escolha do objeto de estudo, bem como dos recursos disponíveis. Além disso, nessa etapa pesquisou-se sobre as características climáticas da região objeto de estudo. Logo após, foi definido o método de pesquisa para simulação do desempenho térmico do protótipo estudado. 50 Figura 07: Fluxograma da Metodologia Proposta para a pesquisa. Fonte: elaboração própria No que diz respeito à simulação, há duas maneiras em que as experiências em ambientes de teste ao ar livre podem ser usadas: para a validação empírica e para a calibração do aplicativo computacional (STRACHAN, 2008). Enquanto a calibração tem como objetivo a avaliação do modelo ambiental de tecnologias nos edifícios, a validação avalia a confiabilidade de predição dos programas de simulação. Ou seja, a calibração tem ênfase na avaliação quantitativa do desempenho do edifício modelado, enquanto que a validação tem como foco a avaliação quantitativa do desempenho do programa. 51 A calibração requer o uso de dados experimentais para assegurar-se de que as predições do modelo alinhem-se com os dados medidos sobre uma escala realista de condições de funcionamento. Na terceira etapa foi feita a escolha do aplicativo computacional a ser utilizado como ferramenta de simulação. Neste caso, optou-se pelo DesignBuilder 1.2, um aplicativo com o qual se pode trabalhar modelos virtuais de um edifício, e principalmente pelo fato do referido aplicativo trabalhar com simulação térmica de edificações naturalmente ventiladas. Ainda nesta etapa, é escolhido um índice de conforto térmico, e as variáveis climáticas que implicarão no alcance do mesmo. Na quarta etapa, o protótipo de estudo escolhido foi modelado no DesignBuilder 1.2, e são realizadas simulações. Os resultados dessa simulação foram apresentados e discutidos, visando contribuir com os estudos feitos com o programa, e se certificar de que algumas variáveis de projeto possam influir no desempenho térmico do protótipo, ajustando os dados de entrada de orientação, rotinas de ocupação e materiais construtivos. Na quinta etapa, foi realizada uma série de simulações, onde várias combinações de variáveis mostraram os casos com o melhor e o pior desempenho térmico, sendo identificada uma faixa de desempenho possível que contemple a maioria das combinações possíveis. Na sexta e última etapa, os resultados foram analisados e comparados entre si, e com os resultados de temperatura interna obtidos in loco. Nesta etapa, foi verificada a fidelidade dos dados oferecidos pelo aplicativo computacional de simulação escolhido para avaliação do desempenho térmico do protótipo objeto de estudo, em clima quente e úmido, a partir do método adotado. 52 2.1. O OBJETO DE ESTUDO A elaboração do projeto do protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS) buscou conciliar as estratégias de conforto térmico recomendadas para o clima local (quente e úmido de baixa latitude) às condições de mercado propostas pela Construtora DOIS A, interventora da pesquisa Rede de Pesquisa em Eficiência Energética de Sistemas Construtivos (REPESC). O sistema construtivo dos painéis de concreto celular espumoso é utilizado nas envoltórias laterais e o sistema de cobertura utilizado é de telha cerâmica. A coberta possui inclinação de 25% e beirais de 40 cm. Os ambientes que constituem o protótipo são: dois quartos, um banheiro, uma sala e cozinha americana; ao quintal se encontra uma lavanderia. O protótipo apresenta dimensões de 5,44 x 6.64m resultando numa área total de 45,15 m². A planta baixa do protótipo objeto de estudo está ilustrada nas figuras 08 e 09. Figura 08 – Planta baixa do protótipo Figura 09 - Perspectiva do protótipo de Habitação de Interesse Social. de Habitação de Interesse Social. Fonte: Acervo da Arquiteta Bianca Negreiros Fonte: Acervo do Arquiteto Leonardo Cunha 53 A construção do protótipo foi iniciada em meados do mês de março de 2009, e sua entrega se deu no dia 20 de abril próximo. Trata-se, portanto, de uma construção rápida e de baixo custo. Na entrega do protótipo, por motivos técnicos, foi incluído um forro em PVC, não previsto no projeto original. Também na proposta projetual, as esquadrias, que eram metálicas, num misto de brises com vidro, foram entregues em madeira pintada de branco, modelo em brises fixos, de folhas pivotantes. Os beirais da coberta, que no projeto mediam 60 cm em projeção, foram entregues com 40 cm. Outro fato bastante relevante foi a não inclusão da proteção solar frontal, aqui denominada terraço, que protegia as esquadrias da fachada leste da radiação solar (Figura 10 e 11). Também deve ser citada a inserção de caixas de ar condicionado pré-moldadas, que promoverão ao protótipo uma entrada/saída de ar não programada anteriormente. Figura 10: Foto da fachada frontal do Protótipo Figura 11: Foto da fachada posterior do Protótipo 2.2. O DESIGNBUILDER 1.2 COMO FERRAMENTA DE SIMULAÇÃO O uso de aplicativos computacionais de simulação de desempenho térmico de edificações como ferramentas de projeto importantes para racionalização do gasto de energia vem crescendo entre os projetistas. Através da simulação em 54 computadores, pode-se testar diversas alternativas de orientações, aberturas, materiais e texturas, de forma rápida e eficiente, para se chegar a uma melhor solução de projeto. Como já mencionado, foi escolhido para o presente trabalho uma ferramenta de simulação computacional do desempenho térmico de fácil manuseio, que não necessitou de longo treinamento por parte do pesquisador. A opção foi pelo DesignBuilder 1.2, o primeiro interface gráfico para o programa de simulação térmica EnergyPlus. O aplicativo combina as funcionalidades de modelação de edifícios e de uso do mesmo, com simulação energética dinâmica de ponta, oferecendo uma plataforma de modelação de habitação em 3d de rápida manipulação. Não há limitações de geometrias tridimensionais e estão disponíveis elementos realísticos que fornecem de forma visual e imediata detalhes como espessuras de paredes, janelas, lajes, dentre outros. As pré-definições permitem que se atribuam aos modelos dados e características de construções, atividades e ocupações, sistemas de condicionamento artificial e iluminação, tudo a partir de menus simples. Um importante motivo de escolha deste aplicativo foi a possibilidade de exportação de dados para elaboração de gráficos no Microsoft Office Excel®, como forma melhor de representação dos dados obtidos. O DesignBuilder 1.2 inclui uma grande quantidade de bibliotecas e planilhas de dados, das quais se pode eleger para definir os parâmetros dos modelos. O mais importante é que também permite ao usuário criar suas próprias bibliotecas, com informações de acordo com cada país ou região. Como exemplo, nas telas das figuras 12, 13 e 14, pode-se visualizar o editor de componentes construtivos. Na figura 12, define-se a espessura e o material de todas as camadas de formam cada componente; na figura 13, é possível ver a composição da mesma e 55 na figura 14 são mostradas as principais características físicas calculadas pelo programa. Figura 12: Tela de definição da espessura e material de cada camada Figura 13: Tela de composição das camadas escolhidas. 56 Figura 14: Tela de características Físicas como transmitância térmica e absortância já calculados pelo DesignBuilder após a escolha das camadas e materiais. Ao criar um modelo, o DesignBuilder permite que sejam definidos automaticamente os dados do mesmo mediante as plantas baixas definidas. Uma vez criado, é possível fazer alterações no nível global ou específico, no nível edifício, bloco e zona. Também é possível controlar o nível de detalhe de cada modelo, o que faz do referido aplicativo uma ferramenta útil em qualquer etapa do processo de projeto. Nos tópicos seguintes, será apresentada uma breve descrição dos parâmetros que o usuário pode atribuir a cada modelo. • Dados do Local A primeira seção de escolha de dados se refere às características do local, com a possibilidade de se definir os dados de locação (latitude, longitude, altura sobre o nível do mar, zona horária), características do terreno (material construtivo, temperatura do solo), dados climáticos de aquecimento (temperatura externa, velocidade e direção dos ventos), dados climáticos de resfriamento 57 (temperatura de bulbo seco máxima e mínima, temperatura coincidente de bulbo úmido). Um aspecto relevante do DesignBuilder é o fato de o mesmo utilizar dados climáticos reais em formato .EPW que contém informações sobre as temperaturas exteriores, a radiação solar e condições atmosféricas, entre outros aspectos, de cada hora durante um ano completo. Os arquivos EPW podem ser gerados a partir de outros arquivos de dados climáticos, como o TRY, TMY2, IWEC, DOE-2, ESP-r, entre outros (Figura 15). Figura 15: Tela de dados do Local ou Location Data. • Atividades Nesta sessão definem-se os parâmetros relacionados com o uso do edifício, os quais desempenham um importante papel no que se refere a seu desempenho térmico. Entre eles se encontram as atividades que se desenvolvem no edifício e suas correspondentes taxas metabólicas; o fator metabólico, que permite especificar a constituição física dos usuários (crianças, mulheres, homens, grupos mistos); a densidade de ocupação; o grau de aglomeração das pessoas no interior do edifício, parâmetro que afeta fundamentalmente os índices de conforto e desconforto; índice de consumo de água quente por dia; as temperaturas de 58 termostato, mediante as quais é possível simular o controle dos índices médios de climatização (sistemas de aquecimento e resfriamento, ventilação natural e ventilação mecânica); a entrada mínima de ar fresco por pessoa; níveis ótimos de iluminação requeridos nas zonas distintas e espaços do edifício e por fim, os equipamentos usados no interior do edifício, com seus correspondentes valores térmicos (Figura 16). Figura 16: Tela de dados de ocupação do edifício, desde as taxas metabólicas até listagem de equipamentos presentes no interior do edifício. • Construção A sessão de construção permite especificar a composição dos componentes opacos da edificação, com seus revestimentos, materiais e espessuras. Desta maneira, o programa calcula as propriedades térmicas de cada componente, incluindo aspectos como o coeficiente de transmissão térmica (valor U) e os coeficientes de transferência de calor (convecção e radiação). Entre os componentes construtivos que o DesignBuilder pode simular, destacam-se as paredes externas e internas; superfícies planas e inclinadas; portas internas e externas; pisos, entrepisos e pisos externos; tetos e forros. Ao mesmo 59 tempo, é possível definir as condições de contornos dos elementos construtivos, com objetivo de estabelecer a maneira em que se dão os fluxos de calor, indicando o número de trocas de ar por hora (Figura 17). Figura 17: Tela de dados de elementos construtivos do objeto modelado. É possível definir inclusive o nível de infiltração de ar externo no interior do mesmo. • Aberturas Na sessão de aberturas se estabelecem as características detalhadas das janelas e superfícies envidraçadas incluídas no modelo virtual, as quais podem ser encontradas em pareces externas e em cobertas. Podem ser escolhidos os tipos de vidro (claro, reflexivo), espessura, número de folhas; os marcos e divisores (materiais, dimensões, localização no que se refere à espessura da parede, número de separadores horizontais e verticais, entre outras funcionalidades); sombreamento (pode incluir vários dispositivos de proteção solar, quer integrados às janelas (persianas, telas, cortinas, sistemas eletrônicos), ou sob a forma de dispositivos arquitetônicos (persianas, venezianas); operação (é possível definir a percentagem das superfícies das janelas que se consideram abertas para permitir a ventilação natural, assim como os períodos, quando isso acontece. É possível também indicar 60 nesta sessão a operação de portas, mediante células, nas quais se estabelecem os períodos em que são considerados ativos (Figura 18). Figura 18: Tela de definição da operação de aberturas. • Iluminação O programa permite ao seu usuário definir parâmetros relacionados com a iluminação artificial do edifício, no qual é de grande utilidade para estimar os ganhos caloríficos resultantes, assim como o consumo energético derivado deste conceito. Tem-se duas opções para a definição de iluminação artificial: geral e desktop. Ambas as opções podem ser utilizadas separadamente ou em simultâneo, com a possibilidade de indicar o tipo de luminária (fluorescente ou incandescente); a situação das luminárias (suspensas, de chão etc.); os índices de ganhos caloríficos; operação (para indicar em que períodos se considera ativa a iluminação geral). Também é possível simular diversos mecanismos virtuais de controle da iluminação. Eles têm em conta a disponibilidade de luz natural, bem como a otimização dos níveis de iluminância criado para acionar iluminação artificial. Assim, é possível avaliar o desempenho lumínico dos edifícios, considerando o potencial de economia de energia através do aproveitamento da luz (Figura 19). 61 Figura 19: Tela de definição do tipo de iluminação artificial, bem como a operação das luminárias e o calor gerado por elas no ambiente interno. • Aquecimento, ventilação e ar condicionado Uma das características mais importantes do DesignBuilder 1.2 é sua capacidade de incluir a ventilação natural como um recurso para climatizar os edifícios, a qual representa um ganho fundamental se o objetivo é tornar mais eficiente o desempenho térmico e reduzir o gasto energético. O programa oferece duas maneiras de incluir a ventilação natural. Por célula (a ventilação natural é prédefinida mediante taxas de trocas de ar horárias e células de operação - parâmetros que podem variar para cada zona do edifício), e calculada (a ventilação natural é calculada a partir da pressão do vento, locação e medidas das aberturas, a operação destas últimas e a infiltração, dentre outros parâmetros. Também é possível controlar a ativação da ventilação natural como parâmetro de referência à temperatura interna do edifício (Figura 20). 62 Figura 20: Tela de definição do controle do ar-condicionado e ventilação natural, além dos níveis de infiltração de ar externo no interior do modelo. 2.2.1. METODOLOGIAS DE CÁLCULO DO DESIGNBUILDER 1.2 O processo de projeto pode ser auxiliado pelo uso de programas computacionais de simulação, para os quais é necessária a escolha adequada dos parâmetros utilizados como dados de entrada e o entendimento dos resultados de saída obtidos pela simulação, além da compreensão geral do modelo de simulação utilizado. O aplicativo DesignBuilder 1.2 fornece dados de consumo de energia, conforto interno e sistemas de ar condicionado de vários tamanhos e potências. Os dados de saída são baseados numa detalhada simulação, de etapas sub-horárias, usando o Programa EnergyPlus como base. O EnergyPlus foi elaborado a partir da fusão dos códigos do BLAST e DOE-2, porém seu código integra vários outros algoritmos, como WINDOW 5.0, COMIS, TRNSYS e SPARK (DOE, 2004). A partir da caracterização geométrica 63 da edificação, seus componentes construtivos, cargas elétricas instaladas, sistemas de condicionamento de ar e padrões de uso, o programa estima o consumo de energia considerando as trocas térmicas da edificação com o exterior. Para isso, deve-se utilizar um arquivo climático da região, com dados horários de temperatura, umidade relativa, ventos e radiação solar. O EnergyPlus permite que o usuário solicite diversos relatórios, com dados estimados durante o processo de simulação, incluindo temperatura interna de cada zona térmica, consumo de energia por uso final e carga térmica retirada ou adicionada pelo sistema de condicionamento de ar (SCARDUELLI, WESTPHAL e LAMBERTS, 2005). A integração entre as cargas térmicas, os sistemas de climatização e os equipamentos utilizados é outro ponto forte do EnergyPlus. Os impactos pelo tipo de sistema e equipamentos escolhidos são considerados diretamente na resposta térmica do edifício, ao invés de se calcular a carga térmica primeiro, para depois simular o tipo de sistema e os equipamentos. Isto permite ao projetista analisar a influência sobre o conforto térmico quando se sub-dimensiona um componente do sistema, por exemplo. O EnergyPlus é um programa onde suas linhas de programação podem ser facilmente apresentadas e modificadas. Dessa forma, espera-se que a exatidão e o número de probabilidades de utilização do mesmo possam ser aperfeiçoadas. A possibilidade de mudança do código fonte é também um fator importante para a sobrevivência do programa frente aos avanços tecnológicos. Para manter o código fonte e os algoritmos, o mais separadamente possível, e de forma mais modular, a equipe de programadores muito se empenhou, a fim de minimizar a necessidade de um conhecimento amplo que um usuário deveria ter para adicionar novos modelos (WESTPHAL e LAMBERTS, 2005). Após a realização da simulação, o programa produz até 23 arquivos de saída, sendo alguns listados no decorrer deste trabalho. A interpretação desses arquivos não é simples; eles precisam passar por uma análise ou serem rearranjados por um outro programa de interface mais amigável, para que os resultados da 64 simulação tenham algum sentido. Um exemplo de um programa para visualizar dados de entrada é o DesignBuilder, que é utilizado neste trabalho. Existem cinco módulos de gerenciadores que organizam todo o funcionamento do EnergyPlus: o gerenciador da simulação (GS), gerenciador da solução integrada (GSI), gerenciador do balanço de calor de superfície (GBCS), gerenciador do balanço de calor do ar (GBCA) e gerenciador da simulação dos sistemas do edifício (GSSE), sendo que o gerenciador da simulação do EnergyPlus está contido em um único módulo separado de todos os outros. O gerenciador da solução integrada comanda os outros três gerenciadores (Figura 21). Figura 21: Fluxograma dos Gerenciadores que organizam o funcionamento do DesignBuilder 1.2. A organização em módulos permite que diferentes pesquisadores e programadores possam desenvolver seus blocos e sub-rotinas simultaneamente, sem interferir em outros módulos, que estão desenvolvidos e com uma necessidade limitada de conhecimento de toda a estrutura do programa. Entretanto, devido às transferências de calor entre as superfícies das zonas e as misturas de ar das mesmas, que ainda ocorrem, os novos campos de temperaturas devem ser computados ao mesmo tempo da simulação e ao mesmo tempo dos incrementos de todas as Zonas, ainda que as condições de uma Zona estejam mudando muito mais rápido que as condições das outras Zonas. Este 65 método é chamado “Predictor Corrector Method”, que tem se mostrado satisfatório para condições de limites restritas. Porém, como o EnergyPlus é um aplicativo de simulação, ao desenvolvê-lo não se preocuparam com a interface, sendo que seus dados de entrada e saída são simplesmente textos em ASCII. Além disso o EnergyPlus aceita qualquer valor para os dados de entrada, exceto para alguns parâmetros que têm limites de máximo e mínimo, e não faz nenhuma análise crítica sobre os resultados obtidos. Por isso engenheiros e arquitetos sempre deverão ser cuidadosos ao fornecerem dados de entrada, e ao analisarem dados de saída, para utilizarem essa ferramenta. Rauber et al (2005) afirmam que os resultados analisados podem demonstrar diferenças significativas no comportamento de programas de simulação térmica, independentemente dos dados climáticos utilizados na simulação. Em sua pesquisa, resultados oferecidos por quatro softwares de simulação térmica, utilizando o mesmo arquivo climático TRY, se apresentaram discrepantes, não havendo nenhum consenso entre eles, impossibilitando assim a escolha de algum aplicativo com o modelo de comportamento real da edificação. O Energy Plus gera com os dados de entrada fornecidos um arquivo com extensão “idf” (Input Data Files – Arquivo de Dados de Entrada), que possui, entre outros, os dados de geometria, que são os de interesse desta pesquisa. O programa gera automaticamente comentários e divide as informações em blocos, sendo que apenas alguns desses blocos reúnem informações relativas à geometria da construção. Nestes blocos estão presentes características físicas do material da superfície, e algumas situações às quais a mesma está sujeita, mas que não são relevantes no processo projetual. Os dados para a simulação são inseridos através de arquivos de dados climáticos, de extensão “.epw” (energy plus weather file). Em relação aos arquivos de saída de dados tem-se: o arquivo de desenho (.dxf); o arquivo de erros (.err), que lista os tipos de erros ocorridos no programa facilitando sua correção, o arquivo de variáveis de saída (.rdd), que lista todas as variáveis de saída para a simulação; o 66 arquivo de parâmetros (.eio) , que especifica os parâmetros da simulação e lista os resultados dos cálculos das funções de transferência por condução (CFTs); e o arquivo de resultados da simulação (.eso). Vale salientar que os dois últimos arquivos foram criados no formato (.csv) e podem ser lidos como texto ou na planilha eletrônica do Microsoft Excel. O fato do arquivo (.eso) ser compatível com o Microsoft Excel viabiliza a plotagem de gráficos com os resultados, facilitando a apresentação das definições. 2.3. PLANO DE MEDIÇÕES Têm-se como objetivo nesta fase do trabalho realizar um planejamento de medição in loco da variável temperatura do ar no protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS), localizado no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal/RN (Figura 22). Figura 22: Localização do protótipo de Habitação de Interesse Social no Campus Central da UFRN. Fonte: Acervo do Arquiteto Leonardo Cunha – adaptado do SketchUp O planejamento experimental para a coleta de dados de campo forneceu os subsídios necessários à análise estatística. A velocidade e direção dos ventos foi variável de entrada constante no DesignBuilder, pois o arquivo climático TRY já contém esses dados. 67 De acordo com Araújo, Martins, Araújo (1998), em pesquisa feita utilizando dados da Estação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal/RN, os horários representativos na cidade de Natal, onde ocorrem menor temperatura aquele intermediário entre os máximos e mínimos são, respectivamente, 5h, 13h e 17h (Figura 23). 32 Temperatura Média (ºC) 30,8 30 28 28,7 26 24,8 24 23,0 22 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Abril-Setembro Horas do Dia Outubro-Março Média Anual Figura 23: Gráfico do comportamento dos dias típicos de temperatura para a região de estudo. Fonte: Adaptado de Araújo (1998) É então proposto um plano de medições, onde os meses e horários representativos para o clima da cidade possam servir de instrumento para a análise do protótipo em estudo. Observou-se então o comportamento da temperatura do ar no interior da HIS durante uma sequência de quinze dias, dos dias 23 de abril de 2009 ao dia 07 de maio de 2009, período que caracteriza a diminuição da temperatura média do ar na região objeto de estudo. Para isso, utilizou-se o medidor HOBO® Temp Data Logger da Onset Computer Corporation (Figura 24). 68 Figura 24: Foto do HOBO utilizado para os registros de temperatura do ar O HOBO Data Logger funciona com uma pequena bateria de acionamento de dados, que, no caso, registra temperatura e umidade do ar de dez em dez minutos por até 28 dias. Quando a medição se completa, é possível descarregar rapidamente os dados para um computador, através do programa BoxCar PRO for Windows 4.0. Depois, podem-se exportar os dados para uma planilha do Microsoft Excel® para calcular e visualizar os dados, sob forma de tabela ou gráfico. Dessa forma, de acordo com a planta baixa do protótipo, os HOBO’s foram fixados em número de 4, nos quartos, na sala e na cozinha, no centro geométrico destes ambientes (Figuras 25 e 26). Portanto, acredita-se que a altura de 1,20m em relação ao nível do piso represente uma distância coerente em relação à coberta (principal fonte de ganhos caloríficos por radiação solar), ao piso e às paredes, e também represente uma altura condizente com as principais atividades realizadas em uma habitação unifamiliar (deitar, estudar, sentar para comer ou assistir TV), mesmo considerando que as medições foram realizadas sem a presença de usuários. 69 Figura 25: Planta Baixa do Protótipo utilizado como objeto de estudo nas medições e indicação da localização da aparelhagem. Figura 26: Foto da fixação dos dataloggers no interior do protótipo em estudo 70 2.4. TRATAMENTO DOS DADOS CLIMÁTICOS Goulart (1993) utilizou-se dos dados da cidade de Florianópolis e, através de metodologias, foram obtidas informações sobre temperatura de projeto (pelo método da ASHRAE), dias típicos de projeto de verão e inverno, ano climático de referência, graus-dia e graus-hora. Os métodos foram discutidos e avaliados de acordo com os resultados alcançados. Conforme Goulart (1993), a ASHRAE identifica duas fontes de ano climático desenvolvidas para cálculos de energia utilizados no Estados Unidos: o Test Reference Year (TRY), preparado pelo National Climatic Center e o Tipical Meteorological Year (TMY) preparado pelo Sandia Laboratories na cidade de Albuquerque, Estado do Novo México, EUA. De acordo com Libos (2007), o Test Reference Year (TRY) representa um ano real de dados referentes a um período de registro disponível de 10 anos ou mais. A mais recente geração de sistemas informatizados para simulação de desempenho térmico de edificações adota como dados de entrada, representando o clima local, informações horárias de um período anual. Exemplos desses sistemas são DOE, ESP, COMFIE e mais recentemente o DesignBuilder 1.2 (EnergyPlus), que utilizam os dados climáticos horários de um ano típico, para cálculo do consumo de energia e avaliação de desempenho térmico em edifícios. Ainda segundo Libos (2007), a vantagem em se adotar um arquivo climático com dados horários de um ano inteiro ao invés de aplicar a prática usual de apenas o dia típico de verão e inverno encontra-se no fato de que os resultados obtidos nas simulações com dados horários anuais representam com mais fidedignidade as variações sazonais de um ciclo anual. Um arquivo climático de um ano de dados permite uma visão integral das variações, que podem incidir na simulação, e garantem o equilíbrio do método dinâmico de interações nos cálculos de simulação térmica em regime momentâneo, para qualquer estação, mês, dia ou hora do ano que se queira simular. 71 Akutsu et al. (1995) esclarece que o dia típico é empregado para representação climática em simulações de desempenho térmico nos métodos usados pelo IPT. Contudo, nessa prática, não se pondera as variações ocorridas no clima durante os dias precedentes ao dia típico, o que é relevante quando se trata de edificações com certa inércia térmica. O Test Reference Year (TRY) consiste em dados climáticos horários apresentados em um formato padronizado, conforme necessário para simulação de desempenho térmico de edificações. No TRY, determinado pelo processo descrito por Stamper, apud Goulart (1993), constam as seguintes informações climáticas para as 8.760 horas do ano: · mês, dia e hora; temperatura de bulbo seco (TBS); · temperatura de bulbo úmido (TBU); umidade relativa (UR%); · direção de vento (DV); velocidade de vento (VV); · pressão barométrica (PR); nebulosidade (TN); · radiação solar (estimada a partir da nebulosidade). No presente estudo foi utilizado o arquivo climático TRY de Natal-RN, datado de 1954, disponibilizado pelo Laboratório de Eficiência Energética em Edificações – LABEEE, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. 2.5. SIMULAÇÕES O processo de simulação é composto basicamente por três fases conectadas entre si. A primeira consiste na caracterização do edifício; a segunda na simulação propriamente dita e a terceira na análise dos resultados. Para a caracterização do edifício, é indispensável o fornecimento de dados do ponto de vista geométrico e construtivo, para que sejam geradas duas bases de dados, sendo uma referente às propriedades termofísicas de cada elemento primitivo, e outra 72 relativa às soluções construtivas das envolventes do edifício (paredes, cobertura, superfícies) e que são definidas a partir da combinação de tais elementos primitivos. Ainda uma terceira base de dados é gerada a partir da caracterização dos ganhos internos de calor, ou seja, da definição das taxas de ocupação, de utilização de iluminação e equipamentos diversos (dados operativos). Para a definição de um modelo computacional confiável, que represente o desempenho térmico e energético de determinado edifício avaliado, é essencial que esse modelo seja corretamente calibrado (WESTPHAL e LAMBERTS, 2005). Para isso, uma das opções é comparar dados obtidos por simulação com dados de medições no edifício. Avaliar o impacto das variáveis de projeto em função da variável climática temperatura do ar interior, e identificar as variáveis de pior e melhor desempenho para modelagem dos casos extremos (pior caso e melhor caso), fazendo uma análise de sensibilidade no aplicativo em questão são os objetivos da série de simulações feitas com o DesignBuilder 1.2 no presente trabalho. Combinou-se, então, inicialmente algumas orientações com alterações em elementos construtivos. Os diversos estudos sobre a influência do entorno, quanto à geometria do edifício no comportamento da ventilação, precisam considerar os diferentes padrões de distribuição das pressões nas superfícies do edifício (MOESEKE et al., 2005). O protótipo foi modelado no DesignBuilder 1.2 (Figura 27) e nesta primeira modelagem, as proteções solares (beirais) não foram incluídas. O motivo da não inclusão dos beirais nesta primeira série foi constatar que as próximas simulações (modelagem seguindo o projeto – com beirais) apresentarão resultados diferentes, com melhor desempenho térmico do protótipo, já que as proteções das aberturas exercem no presente clima um importante papel no seu desempenho térmico. 73 Figura 27: Tela do protótipo modelado no DesignBuilder 1.2 sem as proteções das aberturas – primeira modelagem para arquivamento dos resultados, para posterior comparação com a modelagem do projeto original (com proteções). 2.5.1. LIMITAÇÕES E SIMPLIFICAÇÕES DO APLICATIVO De modo geral, qualquer que seja a opção de processamento, o aplicativo apresenta as seguintes limitações e simplificações: 1. Utilização de grande número de memória RAM, o que exige a utilização de microcomputadores de configuração elevada; 2. Limitação na variável de entrada “ventilação natural”. O programa não regula a velocidade dos ventos, configurando apenas as pressões de acordo com as aberturas. Dessa forma, impede que sejam feitas experiências com maior ou menor ventilação com precisão. É possível modelar a ventilação natural somente com a opção de janelas abertas, baseada no setpoint de temperatura do ar; 74 3. Limitações no processo de modelagem do protótipo. Mesmo no caso de um projeto simples como o da HIS (Habitação de Interesse Social) deste trabalho, ocorreram fases em que não se conseguiu representar com clareza alguns elementos construtivos, como o elemento madeira, presente nas janelas. O tutorial do aplicativo não se mostrou claro para este pesquisador neste momento; 4. A complexidade dos fenômenos envolvendo o comportamento térmico de edifícios implica em uma grande quantidade de dados de entrada nas simulações com o DesignBuilder, o que requer conhecimentos multidisciplinares dos usuários da ferramenta; 5. A pouca disponibilidade de estudos e informações relacionadas ao DesignBuilder 1.2, por se tratar de um aplicativo bastante atual, apesar do referido aplicativo estar sendo continuamente analisado e modificado. 2.5.2. SIMULAÇÃO DO PROTÓTIPO NAS CONDIÇÕES REAIS DE IMPLANTAÇÃO O protótipo está na situação de implantação e sua fachada frontal se encontra voltada para o leste, permanecendo a oeste a cozinha, o banheiro e o quarto de casal (Figura 28). Figura 28: Planta do protótipo em sua real implantação. Para as simulações realizadas, utilizou-se as propriedades físicas dos elementos construtivos de acordo com a Tabela 02: 75 Tabela 02: Características dos materiais construtivos básicos do protótipo de HIS modelada no DesignBuilder 1.2. Elemento Material Transmitância Térmica (W/m²-k) Absortância (%) Coberta Telha Cerâmica com forro de PVC 2,01 60 Paredes Concreto Celular Espumoso Radier + Piso Cerâmico 1,86 25 5,07 70 Piso As simulações realizadas utilizaram dados horários de 365 dias do ano, em 8.760 horas. Os dados oferecidos pelo DesignBuilder 1.2 foram exportados (em formato .csv) para uma tabela do Microsoft Excel, onde foram elaborados gráficos para melhor representação dos resultados. Como já mencionado, iniciaram-se as simulações com uma modelagem sem proteções solares, a fim de se fazer uma análise de sensibilidade do aplicativo computacional. Os dados oferecidos são obtidos com freqüência de horas em temperatura de conforto térmico, que, como já citado no capítulo 02, parte de modelos de vários autores como Givoni, Humphreys e Nicol, Szokolay e Docherty. Por motivos de segurança da aparelhagem instalada no protótipo no Campus Central da UFRN, as esquadrias (portas e janelas) permaneceram 45% das horas do dia totalmente abertas, durante a maior parte das horas de incidência solar, e foram fechadas em média às 19hs, de modo igual na modelagem. De acordo com Papst e Lamberts (2001), o ganho térmico solar faz com que, em edificações naturalmente ventiladas, a temperatura média interna seja superior à temperatura média externa. Este calor excedente pode ser retirado pelo uso da ventilação, mas a temperatura interna nunca seria inferior a externa. 76 Dessa D form ma, já que o protótipo não foi anaalisado com m usuários, o pesquisadorr executou pessoalmente p e, de forma diária d nos diaas de mediçãão, o controlle de aberturaa e fechamennto das aberrturas do prootótipo objeeto de estudoo, bem com mo fotografou o protótipo em diversoos horários, mostrando a incidênciaa do Sol naas o objeto de estudo. e Por esse motivo, faz-se neceessário adotaar a rotina de d fachadas do ocupação de d 5%, refereente ao temppo em que o pesquisadoor entra no protótipo p parra realizar a operação o das aberturas. No anexo deste traballho, está dissponível um ma tabela com m os horárioos de abertuura e fechaamento das esquadrias do protótippo localizado no n Campus Central C da UFRN. U Os eletrodomésticos nãão foram inccluídos, poiss não estão presentes no n layout destaa habitação em análise. A infiltração do ar exteerno pelas veenezianas daas janelas é peequena, porém relevante. Foi F então realizada a priimeira simullação para annálise de sennsibilidade do d software. Os O resultadoss estão exprressos abaixoo, no gráficoo de frequênncia de horaas em que o protótipo se encontra e em m temperaturaa de confortto térmico deentro da zonna escolhida co omo padrão para este traabalho (Figuura 29). C Caso Bas se T < 19 19 < T < 29 29 < T < 33 83% % 78% 22% 17% % 0% TEM MP. EXTERNA 0% T TEMP. INTERNA A CASO BASE Figura 29: 2 Gráfico de d frequênciaa de horas em m que o prottótipo base se s encontra dentro d da Zonna de Conforto escolhidaa para análisse neste estuudo. 7 77 Constata-se aqui, através da figura 28, que o protótipo sem proteções solares alcançou temperatura do ar interior em 78% das horas anuais dentro da zona de conforto térmico aqui adotada, contra 83% para o clima externo. Com presença de ventilação, nas temperaturas de 29° a 33°C, a frequência de horas subiu significativamente, de 17% para 22%, também em relação ao meio externo, tido como referência neste estudo. A função das proteções solares é permitir que as aberturas exerçam seu papel de prover ventilação natural para o interior de uma edificação, sem que o calor resultante da radiação solar venha a penetrar no interior dos ambientes e eleve a temperatura interna. O gráfico da figura 30 mostra os ganhos térmicos do protótipo através de seus principais elementos. As paredes externas em concreto celular, de elevada inércia térmica, indicaram o atraso térmico previsto, mostrando-se como não recomendada para o clima objeto de estudo. Os resultados do aplicativo mostram que as paredes externas foram responsáveis por aquecer o interior do protótipo, muito mais do que resfriar. O piso interno é de concreto, elevado 20 cm do solo. Apesar de ser uma superfície horizontal, perpendicular aos raios solares, dispõe da proteção do telhamento cerâmico, sendo, portanto, o que melhor respondeu a esta simulação. Todavia, os pisos externos, não presentes nesta análise, provavelmente apontariam um baixo desempenho térmico em relação ao interno, por não possuírem nenhum tipo de proteção. 78 ilumin nação/ocupaçãão infiltraação/ ventilaçãão coberrta as paredes intern p piso paredes AQ QUECIMENTO REESFRIAMENTO ‐8 ‐6 ‐4 ‐2 0 2 4 6 Figura 30: Gráfico de cargas c de aqquecimento e resfriamentto do protótiipo modeladdo sem proteções soolares. 7 79 3.0. RESULTADOS E DISCUSSÕES As simulações realizadas a seguir foram processadas e calculadas ajustando o aplicativo em estudo aos dias de medição in loco, que são de 23 de abril de 2009 a 07 de maio de 2009. Acredita-se que, dessa forma, os resultados possam melhor servir de objeto de análise do comportamento do protótipo de HIS no clima da região em estudo, de acordo com os dados fornecidos pelo DesignBuilder. 3.1. SIMULAÇÃO DO PROTÓTIPO - ALTERAÇÃO 01 Inicialmente, partiu-se para o estudo do comportamento do protótipo em relação a sua orientação. Segundo algumas recomendações para o projeto em clima quente e úmido, do ponto de vista do ganho de calor, devido à radiação solar, as edificações devem estar orientadas com seus eixos maiores, na direção leste-oeste (ARAÚJO, 1987). Portanto, fundamentado nesta afirmação, processou-se o programa, simulando a rotação correspondente no protótipo. Nesta modificação, o protótipo permaneceu sem beirais e/ou proteções solares nas aberturas, alterando-se apenas sua orientação, que será no sentido antihorário de 60º em relação a sua real implantação. Com base nos dados de vento da região de estudo, constatou-se a direção predominante de 120° SE, durante 8 (oito) meses do ano, bem como uma velocidade do vento média de 5m/s, adotada como vento de projeto (ARAÚJO, MARTINS, ARAÚJO, 1998). 80 Processou-s P e esta simuulação com rotação doo protótipo, para que as a aberturas dee entrada dee ar dos 2 (doois) quartos situassem-se perpendicuular à direçãão dos ventos predominant p tes. O gráfico daa figura 31 mostra m os ressultados destta simulaçãoo em relação à frequência de d temperatuuras de confforto, segunddo o critério utilizado neste trabalho:: Allteração o 01 T < 19 19 < T < 29 83% 29 < T < 33 81% 78% 22 2% 17% 0% TEMP. EXTTERNA 0% TEMP. INTERNA C CASO BASE 19% 0% % TEM MP. INTERNA A ALTERAÇÃO Figura 31: 3 Gráfico de d freqüênciaa de horas em m que o prottótipo base se s encontra dentro d da Zonna de Confoorto escolhida, em relaçãão ao caso baase. Constata-se através da figura f 31 um m sensível aumento a na frequência f d de horas de co onforto sem presença p de ventilação em e relação ao a caso basee, que adotouuse como refferência paraa análise de sensibilidad s e. A intençãão foi melhorrar o confortto térmico do protótipo através a da entrada e de ventilação v peelas janelas dos quartos. Porém nesta opção, apeenas os quarrtos foram beeneficiados com os venttos provindoos do sudeste. A sala e coozinha, mesm mo em comuunicação com m os quartoss pelas portaas abertas, nesste caso, paassam toda a tarde recebbendo cargaas térmicas provindas de d radiação solar. Dessa foorma, nota-se que o softw ware reconhhece o protóttipo como um m todo nas sim mulações, realizando cállculos de méédias de tempperaturas. Assim, A tem--se um aumeento nas horaas em que o protótipo see encontra em m conforto térrmico nas tem mperaturas de d 19º a 29ºC, e uma dim minuição coonsiderável na n frequência de d horas nass temperaturaas entre 29º e 33ºC. Issoo faz com que se necessitte menos de ventilação arttificial ou mecânica, em relação ao caso c base. 8 81 Em E relação às cargas de d aquecimento e resfrriamento doo protótipo, a simulação mostrou m o seeguinte resulltado (Figuraa 32): ilum minação/ocupação infilttração/ ventilação cobeerta paredes interrnas p piso AQUEECIMENTO RESFR RIAMENTO paredes ‐10 ‐8 ‐6 ‐4 ‐2 2 0 2 4 6 8 10 Figurra 32: Gráficco de cargas de aquecimeento e resfriaamento do protótipo p modellado rotacionnado 60° no sentido anti-horário As A paredes externas em m concreto celular c espum moso chamaaram atençãão pelo aumen nto em maiss de 50% dee sua capaciidade de aquuecimento, e aumento de d mais de 10 00% da cappacidade dee resfriamennto, em com mparação aoo caso basee. Acontece que q boa partee do protótippo, incluindoo sala, cozinnha e banheiro, com esssa nova orienttação, está viirada para o oeste, fachaada que posssui 3 aberturras em todo o seu comprim mento e outrra parte que possui paredde sem abertturas. Os resultaddos apresenttados neste gráfico refe ferentes à cooberta foram m significativo os. Houve um u aumento das cargas de d aquecimeento e de resfriamento em m relação ao caso base. Passaram P coonsecutivameente de 3,000 para 7,63 MWh, M contrra 2,70 para -4,90 MWh. Analisandoo-se em perrcentual, constata-se quue, apesar do d aumento daa capacidadde de aqueciimento em 40%, a cobberta obtevee aumento da d capacidade de resfriam mento de 55%. Porém m, a coberta não deverria apresentaar p nãão grandes varriações, umaa vez que appenas a muddança de orientação do protótipo muda a posição dos raioos solares inncidentes na cobertura. 8 82 Pode-se notar o sensível aumento no item infiltração-ventilação, na capacidade de resfriamento, de aproximadamente 7% em relação ao caso base. Apesar do sensível progresso nas horas de conforto térmico dentro da zona adotada neste estudo, pode-se dizer, em termos gerais, que esta primeira modificação não trouxe melhorias significativas para o protótipo. Assim, outra modificação no nível de orientação foi simulada. 3.2. SIMULAÇÃO DO PROTÓTIPO – ALTERAÇÃO 02 Desta vez, optou-se por rotacionar o protótipo, através do mesmo eixo de rotação utilizado na alteração anterior, só que em sentido horário de 60º, em relação à sua real implantação. Dessa forma, diferentemente da simulação 01, tentou-se priorizar os ventos provindos do sudeste nas aberturas presentes na sala e no primeiro quarto, colocando-os quase perpendicular à direção predominante dos ventos. O gráfico a seguir (Figura 32) mostra uma pequena melhoria na frequência de horas de conforto térmico dentro da zona escolhida sem presença de ventilação, e também uma diminuição nas horas de conforto na mesma zona com presença de ventilação em relação ao caso anterior. 83 Allteração o 02 T < 19 19 < T < 29 83% 29 < T < 33 82% 78% 22 2% 17% 0% TEMP. EXTTERNA 0% TEMP. INTERNA C CASO BASE 18% 0% % TEM MP. INTERNA A ALTERAÇÃO Figura 33: Gráfico de freqüência de d horas denntro da zona de d conforto escolhida em m r relação ao meio m externo e o caso basse. Esta E mudançça no sentiddo real da oriientação (de 60º anti-horrário para 600º horário) ofeereceu 1% de d melhoria na n situação de conforto térmico do protótipo em m relação à allteração 01. Assim, prioorizar a fachhada frontal com c os venttos provindoos do sudeste mostraram que q este casso se define como mais vantajoso em e relação ao a simulado an nteriormentee, supondo que a área da casa conntemplada com a melhoor orientação corresponde c à maioria da área internna do protótippo em m2. Em E relação às cargas poositivas e neggativas que o protótipo recebeu r nestta orientação, observa-se uma diminnuição de approximadamente 10% das d cargas de d d aquecimentto provindass da coberttura, mantenndo-se a caarga de resfriamento da mesma, em m relação à orientaçãoo modificadda do item anterior. Novamente N a simulação apresentou variações na cobertura,, com a moodificação da d orientaçãoo. Este fato ap presenta-se como c uma lim mitação nos resultados fornecidos f (F Figura 34). 8 84 ILUM MINAÇÃO‐OCU UPAÇÃO INFILLTRAÇÃO‐VENTTILAÇÃO COBERTA PAREDES INTERNAS PISO P PAREDES AQ QUECIMENTO REESFRIAMENTO ‐10 ‐8 ‐6 ‐4 ‐2 0 2 4 MWh) carrga térmica (M 6 8 10 p Figura 34: Gráficco de cargas de aquecimeento e resfriaamento do protótipo modelado.. De D forma geral, os resultadoss obtidos com esta modificaçãão apresentaraam melhoriass, porém de forma poucoo significativvas em relaçção à anterior. Assim, parttiu-se para ouutro tipo de alteração noo protótipo. Escolheu-se E e como próxiima modificcação, a incluusão de protteções solarees nas aberturaas. Espera-se que, com esse resultaddo, consiga-se aumentarr a frequênciia de horas de conforto deentro da zonaa escolhida. LAÇÃO DO O PROTÓT TIPO – ALT TERAÇÃO 03 3.3. SIMUL Em E um clim ma quente e úmido, sobbretudo de baixa b latitudee, como o de d Natal-RN, os ganhos térmicos t provindos da coberta sãoo bastante significativo s s, tornando ass superfícies verticais (faachadas e abberturas) elementos mennos relevantees no que se trrata de cargaas térmicas. 8 85 A coberta apresenta comportameento antagôônico durantte o períoddo diurno e no oturno. Porém nas noites de “céu lim mpo” (ausênncia de nuveens) a cobertta perde calorr, resfriandoo a edificaçãão. Portanto, uma boa allternativa é a redução na n absortividaade da superffície expostaa ao sol. Ou seja, a utilizzação de corr clara e a suua manutenção o. Como a película p de tinta praticam mente não innterfere na condutividad c de do materiall, os efeitos benéficos de d resfriameento não seriiam alteradoos no caso da d simulação. Desta form ma, foi incluíddo, além da proteção sollar (em form ma de beiraiss), d cor bege clara. Além m disso, moddificou-se a operação daas telhamento cerâmico de janelas, que agora perm manecem 700% das horaas do dia abbertas. As poortas internaas continuam abertas todoo o dia, comoo nos casos anteriores, modificando m o-se apenas as a portas exteernas que, neeste caso, fooram fechaddas nas 24h do dia. A orientação o d do protótipo permanece a original de projeto. p No N gráfico da d figura 355 mostra-se a fração de horas dentrro da zona de d conforto ad dotada para este e trabalho: Allteração o 03 T < 19 19 < T < 29 83% 29 < T < 33 81% 78% 22 2% 17% 0% TEMP. EXTEERNA 0% TEM MP. INTERNA C CASO BASE 19% 0% % TEMP. INTERNA A ALTERAÇÃO Figura 35: Gráfico de freqüência f d horas denttro da zona de de d Conforto escolhida em m r relação ao meio m externo e o caso basse. 8 86 A presença do telhamennto cerâmicoo de cor begge clara deveeria prover ao a protótipo um m maior nívvel de conforrto térmico. Se levado em m conta que a opção parra esse tipo dee telhamentoo somada à inclusão i de proteções p soolares em forrma de beiraal onera mais recursos que as anteriorres, pode-se dizer que a presente alteeração não se s mostra vanttajosa, de acordo com oss resultados oferecidos pelo p DesignB Builder 1.2. Em E relação às cargas poositivas e neggativas que o protótipo recebeu r nestta alteração, observa-se o u uma diminuuição de aprroximadameente 55% das d cargas de d resfriamentto provindaas da cobertura, dim minuindo-se também a carga de d aquecimentto do telham mento, que, em relação à alteração do item annterior, foi de d 60%. Dessaa forma, o protótipo se apresenta a coom maior cappacidade de resfriamentto que de aqueecimento. As A proteçõões solaress, neste c caso, não ofereceram m resultadoos significativo os, se usaddas isoladam mente comoo estratégia, em relação à respostta térmica doss elementos em questãoo. Ocorre apenas a uma diminuição de 10% daas cargas de aquecimentoo provindass das paredees externas em relaçãoo à alteraçãão anterior (Figura 36). ilu uminação/ocupação inffiltração/ ventilação co oberta paredes intternas piso paaredes AQUECIMENTTO RESFRIAMEN NTO ‐8 ‐6 ‐4 ‐2 0 2 4 p Figura 36: Gráficco de cargas de aquecimeento e resfriaamento do protótipo modelado.. 8 87 Acredita-se que possa ter ocorrido uma falha no fornecimento dos dados pelo aplicativo em estudo, pois esperava-se que, com a inclusão do telhamento cerâmico claro aliado às proteções solares, o protótipo tivesse um aumento significativo na frequência de horas na zona de conforto térmico escolhida. No entanto, as alterações anteriores, que tiveram apenas suas orientações modificadas, mostraram-se mais vantajosas em relação à presente. 3.4. SIMULAÇÃO DO PROTÓTIPO – ALTERAÇÃO 04 Nesta alteração foi mantido o mesmo material de cobertura da modificação anterior, alterando-se apenas o elemento de forro. Neste caso, diferentemente dos casos anteriores, foi adicionado um sistema de laje em concreto celular, em substituição ao forro em Policloreto de Vinilina, o PVC. Os resultados apresentaram melhorias razoáveis, se comparados com os obtidos na alteração anterior e, principalmente, com a situação de conforto térmico do meio externo, tido como referência no gráfico a seguir (Figura 37). 88 Allteração o 04 T < 19 19 < T < 29 83% 29 < T < 33 83% 78% 2% 22 17% 0% TEMP. EXTTERNA 0% TEM MP. INTERNA C CASO BASE 17% 0% TEM MP. INTERNA A ALTERAÇÃO Figura 37: Gráfico de freqüência f d horas denttro da zona de de d Conforto escolhida em m r relação ao meio m externo e o caso basse. Em E 83% daas horas doo período em m análise, o protótipo simulado se s encontra em m situação de d conforto térmico, t iguaalando-se coom a frequênncia de horaas do meio ex xterno. Assim, diminui--se considerravelmente a necessidadde do uso de d ventilação mecânica m paara obtenção da situação de conforto térmico. Acredita-se A que a melhooria se deve à elevada inércia térmica do concretto celular, já presente p nas paredes, e nesta n alteraçção no forro. Como o caalor demora a penetrar no o interior doos ambientess do protótippo, a temperratura se maantém menoos elevada na maior m parte do tempo. No N gráfico abaixo (Figgura 38), observa-se o u sensível aumento na um n capacidade de resfriam mento da coberta, c de aproximadaamente 6%,, enquanto a capacidade de aquecimento diminuuiu, em aproxximadamente 4%, em relação ao casso e PVC. com forro em 8 89 iluminação/ocupaçção infiltração/ ventilaçção cobeerta paredes intern nas p piso pared des AQ QUECIMENTO RESSFRIAMENTO ‐8 ‐6 ‐4 ‐2 0 2 4 Figura 38: Gráficco de cargas de aquecimeento e resfriaamento do protótipo p modelado.. Mesmo M com m a melhoriaa na frequênncia de horaas em que o protótipo se s encontra em m situação de conforto téérmico dentrro da zona adotada a nestee estudo, estta alteração aiinda não se mostra m vantaajosa para a tipologia t de HIS em queestão. O forrro de PVC ap presenta-se ainda comoo mais baraato, de rápida e fácil instalação e manutenção o. Não é vaantajoso troocar o sistem ma de forroo em PVC por concretto celular, dian nte dos resulltados obtidoos pelo apliccativo. Obteve-se até a aqui umaa idéia de coomportamennto de alguns sistemas de d cobertura e de orientaçãão, em relaçãão às condiçções padrão consideradas c s. Partiu-se, P enntão, para abbordar a quuestão da veentilação e sua s influênciia direta no alcance da siituação de conforto c térm mico. Na prróxima simuulação, foram m b (referênncia inicial), modificandoomantidas ass características de projeeto do caso base se a operaçãão das abertuuras. 9 90 3.5. SIMULAÇÃO DO PROTÓTIPO – ALTERAÇÃO 05 De forma simplificada, The Chartered Institution of Building Services Engineers - CIBSE (1998) afirma que, para minimizar o consumo de energia em edificações, referentes a gastos com iluminação e climatização em regiões tropicais, a área de janela (e aberturas em geral) deve ser limitada. A instituição sugere o limite de 30% da área da fachada exposta. Para Ghisi, Tinker e Ibrahim (2005), a adoção da área recomendada para garantir vista para o exterior em detrimento da área ideal de janela implicará maior consumo de energia, pois foi mostrado na referida pesquisa que a área de janela para garantir vista para o exterior é geralmente maior do que a AIJ (área ideal de janela). Recomendou que mais pesquisas deveriam ser desenvolvidas para investigar as áreas mínimas recomendadas para melhor integração de sistemas natural e artificial, tanto para iluminação quanto para climatização. Quando uma determinada edificação se encontra com temperaturas fora da zona de conforto térmico coerente para determinado clima, é recomendado que se utilizem meios de equilíbrio, a fim de se chegar a uma situação de conforto térmico. Estes meios podem ser mecânicos (ventiladores) ou artificiais (ar condicionados ou aquecedores). Esses mecanismos são consumidores de energia, levando à hipótese de que, quando uma determinada edificação necessita deles para conseguir uma situação climática favorável naquele ambiente, a mesma não é termicamente eficiente. Então, considerando-se essa hipótese, foram conferidas e calculadas as áreas das aberturas do protótipo objeto de estudo em relação às áreas das fachadas. Certificou-se que o autor do projeto preocupou-se para que a área das aberturas não ultrapassasse os 30% das áreas das fachadas, recomendado pelo CIBSE. 91 Desta D formaa, a presentte simulaçãoo trabalhou com todas as janelas e portas com mpletamente abertas, de d forma a não consiiderar a exxistência daas esquadrias. Assim, ass aberturas ficam com mpletamentee livres para promoveer ventilação intensa. i Toddavia, sua opperação seráá na mesmaa frequência de horas daas simulações anteriores (445% das horras do dia abbertas). O forrro volta a ser em PVC, e o telhamen nto em cerââmica colonnial. Os beiirais serão mantidos, m p pois retrata a situação oriiginal. No gráfico g da figgura 38, os resultados r e estão expresssos em form ma de porcentaagem, com a frequência de horas dee conforto téérmico dentrro dos índicees adotados neeste estudo. Através A daa figura 399, pode-se observar uma u melhooria bastantte consideráveel em relaçãão ao caso anterior, poois os elemeentos de forrro e cobertta permanecem m os mesmoos da situaçãão original do d protótipo, e a freqüênncia de horaas dentro da zona z de connforto escolhhida não soffre alteraçõees, também em relação à situação antterior. Allteração o 05 T < 19 19 < T < 29 % 83% 29 < T < 33 83% 78% 2% 22 17% 0% TEMP. EX XTERNA 0% TEMP. INTERNA C CASO BASE 17% 0% TEM MP. INTERNA ALLTERAÇÃO Figura 39: Gráfico de frequência f d horas denttro da zona de de d Conforto escolhida em m r relação ao meio m externo e o caso basse. Esta E alteraçção mostra-sse vantajosaa quando o único artifíício utilizaddo para igualarr a frequênciia de horas dentro d da zonna de conforrto térmico foi f a exclusãão dos elementtos de esquaadrias em 45% das horass do dia. 9 92 Dessa D forma, observa-sse um ganhoo na capacidade de ressfriamento da d coberta do protótipo, de d aproximaadamente 200% , bem coomo uma diminuição d d da capacidade de aquecim mento de aprooximadamennte 10%, tam mbém em rellação ao casso anterior. O piso também m teve diminnuição na caapacidade dee aquecimentto em relaçãão à alteração anterior, coomo mostra o gráfico daa figura 40. Da mesma forma, com mo esperado, o resfriamentto através dee ventilação e infiltraçãoo de ar teve um aumentto de aproximadamente 100% em relação ao caso anterior. a minação/ocupação ilum infiltração/ ventilação cob berta paredes inteernas piso paredes AQUECIMENTO A O RESFRIAMENTO R O ‐12 ‐10 ‐8 ‐6 6 ‐4 ‐2 0 2 4 Figura 40: Gráficco de cargas de aquecimeento e resfriaamento do protótipo p modelado.. 3.6. SIMUL LAÇÃO DO O PROTÓT TIPO – ALT TERAÇÃO 06 Nesta N simulação, para efeito e de caliibração do aplicativo a em m uso, optouuse por continuar a trabaalhar com opperação de aberturas. a A alteração 05 0 mostrou-sse m seus resuultados, levaando-se em m conta que promoveu uma melhoor coerente em circulação do ar no interior i do protótipo, provocando um elevaddo índice de d resfriamentto evaporativvo. 9 93 Foi F então prroposto na alteração a 06, a adoção das d condiçõees idênticas à da alteração o 05, com a diferença na n operaçãoo das aberturras. Neste caso, c todas as a aberturas, in nternas e extternas, ficaraam abertas 24h 2 por dia. Sabe-se quee esta situaçãão é teórica, viisto que em uma habitaçção real, na parte da noiite as portas e janelas sãão quase semp pre fechadas por motivo de segurança. Porém, P com mo a propossta é realizar um estuddo comparaativo com os o resultados fornecidos f p pelo program ma e analisáá-los, deve-se trabalhar com todas as a possibilidad des. Os resuultados ofereecidos pelo gráfico g de distribuição d d frequênciia de estão mostrrados no gráffico da figurra 41. Allteração o 06 T < 19 19 < T < 29 83% 29 < T < 33 84% 78% 22 2% 17% 0% TEMP. EXTTERNA 0% TEMP. INTERNA C CASO BASE 16% 0% % TEM MP. INTERNA A ALTERAÇÃO Figura 41: Gráfico de frequência f d horas denttro da zona de de d Conforto escolhida em m r relação ao meio m externo e o caso basse. Fontte: elaboração própria p Como C vistoo no gráfico da figura 40, 4 houve uma u grande melhoria da d situação dee conforto téérmico do protótipo p em m relação à alteração 01, no critériio temperaturaas de conforto. O motiivo foi a opperação das aberturas, que permitiiu maiores tro ocas de ar no interiorr dos ambientes do protótipo, prromovendo a ventilação cruzada c e um m consequennte aumento do resfriameento evaporaativo. 9 94 Em E relação à simulaçãoo que serviu de modelo para esta, a diferença fooi nas perdas térmicas t com m infiltraçãoo-ventilação,, promovenddo um maiorr resfriamentto no protótipo o, como é mostrado m no gráfico g da figgura 42. ilumin nação/ocupaçãão infiltraação/ ventilaçãão cobertta paredes internaas pisso paredees AQUECIMENTO RESFRIAMENTO ‐12 ‐10 ‐8 ‐6 ‐4 ‐2 2 0 2 4 Figura 42: Gráficco de cargas de aquecimeento e resfriaamento do protótipo p modelado.. 3.7. EXPER RIÊNCIA COM C O PROTÓTIPO TOTALME ENTE FECHADO Nesta simuulação, opttou-se por trabalhar a edificaçãoo totalmentte fechada, seendo feita meedição in locco através dos mesmos dataloggers d utilizados na n bateria de medições m annterior. Utiliizou-se paraa o fechamennto, o poliettileno de altta densidade, devidamentte grampeaddo ao redor dos brises das janelas, e reforçaddo com fita crrepe (Figura 43). O períoodo de mediições nestas condições requeridas r fooi de 04/02/20 010 a 10/02//2010. Este períoddo climáticoo destas meddições correesponde seguundo Araújoo, Martins, Araújo A (19988), como o que apresennta maiores temperaturas, umidadees 9 95 mais baixas, velocidade dos ventos mais fraca e direção dos ventos no quadrante sudeste com tendência para leste e radiação solar intensa. Figura 43: Foto da vedação das aberturas do protótipo Fez-se necessário realizar essas medições para testar o aplicativo em questão, em situação em que não se realizam trocas de ar no interior do protótipo objeto de estudo. Tratou-se esta comparação dos dados medidos com os dados simulados, separadamente dos resultados das demais simulações, por se tratar de uma situação bem distinta das realizadas no outro período climático. A seguir, na figura 44, o gráfico de frequência de horas na zona de conforto escolhida mostra uma grande diminuição das mesmas em relação às demais simuladas. 96 Allteração o 07 T < 19 19 < T < 29 72% 29 < T < 33 66% TEMP. EXTEERNA 41% 34% 28% 0% 59% % 0% TEMP. INTERNA CASO BASE 0% % A TEEMP. INTERNA ALTERAÇÃO Figura 44: Gráfico de frequência f d horas denttro da zona de de d Conforto escolhida em m r relação ao meio m externo e o caso basse. Na maioriaa das horass, os resultaados mostraaram que o protótipo se s encontra em m situação de d temperatuuras acima de d 29º C, coom 59% da freqüência f d de horas no peeríodo em annálise. O caso basse permanecce em sua maioria m denntro da zonaa de confortto escolhida, visto v que, suuas janelas e portas foram m operadas simulando s 60% das horaas totalmente abertas. a Para efeitoo de comparação, com m os resulttados mostrrados, foram m elaborados gráficos sepparados por zonas. No gráfico das figuras 45, 46 e 47, sãão comparadoss os resultaddos de tempperatura do ar a registradoos pelos dataaloggers e os o simulados através a aplicativo compuutacional. 9 97 Q Quarto Fr rente (Zona 2 ‐ Z2) Z 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 35 5,0 32 2,0 29 9,0 26 6,0 23 3,0 20 0,0 4/2 TEMP‐ MED DIÇÃO TEMP‐ SIMU ULAÇÃO Figura 45: 4 Gráfico das temperaaturas internaas medidas e simuladas da d Zona 2, a referrente ao quarrto da frente da HIS em análise Saala e Cozzinha (Zona 4 ‐ Z4) Z 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 35,0 32,0 29,0 26,0 23,0 20,0 4/2 TEMP. MED DIÇÃO TEMP. SIMU ULAÇÃO 4 Gráfico das temperaaturas internaas medidas e simuladas da d Zona 4, Figura 46: referente coozinha da HIIS em análisse 9 98 Q Quarto Fu undos (ZZona 3 ‐ Z3) 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 01:00:00 07:00:00 13:00:00 19:00:00 38,0 35,0 32,0 29,0 26 6,0 23,0 20 0,0 4/2 TEMP. MED DIÇÃO TEMP. SIMU ULAÇÃO Figura 47: 4 Gráfico das temperaaturas internaas medidas e simuladas da d Zona 3, referrente ao quarrto fundos da d HIS em annálise no perríodo de meddições. Através A dessses gráficoss, é possíveel verificar a grande influência i d do movimento o de ar nos resultados. Os valoress de temperratura do arr medidos no n interior do o protótipo vedado moostram que as temperaaturas do ar a obtidas na n simulação apontam um ma significattiva diferençça nos resulttados. Nas três t zonas, as a maiores differenças são nos momenntos de tempperatura máxxima do dia, em torno daas 13 horas, quando q a dife ferença chega a 5°C na zona z 2, 4°C na zona 4 e 7°C na zonna 3. Conclui-se C q as freqqüências de horas dentrro da zona de confortto que definido em m relação ao meio externno e o caso base b apresenttam distorçõões. 9 99 3.8. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS SIMULAÇÕES As simulações aqui realizadas foram feitas de modo a representar com fidedignidade o protótipo construído no Campus Central da UFRN. Porém, alguns materiais e elementos no DesignBuilder tiveram limitações quanto à disponibilidade em sua biblioteca, e algumas propriedades dos mesmos, não sendo possível obedecer rigidamente a todos os pontos. No item “openings” do DesignBuilder, que opera as aberturas de uma forma geral, o material madeira, não foi encontrado na biblioteca. Recorreu-se, então, à norma NBR 15220 (ABNT, 2005), e obteve-se o valor das propriedades térmicas da madeira usual para janelas e portas, pintadas de branco. Já no elemento “glazing”, o programa calcula situações onde todas as janelas possuem vidro. A carga gerada no ambiente é a variável mais difícil de ser declarada na modelagem, e é onde há maior chance de erro, principalmente por se tratar de simulação de habitação unifamiliar. O comportamento das pessoas numa casa é muito peculiar, não periódico e, portanto, pouco previsível. Como a maior parte dos equipamentos (eletrodomésticos) é acionada quando há ocupação, o erro torna-se acumulativo. Ou seja, se houver um equívoco ao declarar o tempo de permanência das pessoas dentro da edificação, não só estará contribuindo no erro do cálculo do calor gerado pelas pessoas, mas também na contribuição gerada pelos equipamentos dos quais elas provavelmente estariam fazendo uso. Desta forma o meio mais seguro é tentar fazer uma estimativa baseada em algum padrão de comportamento e deixar claro nas análises das simulações. Tendo em vista que, no período considerado a edificação foi ocupada apenas pelo pesquisador em aproximadamente 5% das horas diárias e não houve uso de lâmpadas, os ganhos de calor pela iluminação e por pessoas é constante em todos os resultados de cargas térmicas, representados nas simulações anteriores. 100 Assim, para comparação dos resultados das simulações com os valores medidos na edificação real, foi requerido como dado de saída do modelo a temperatura média do ar no interior [°C], nas zonas do quarto de casal, quarto dos filhos, sala e cozinha. Os dados obtidos por medição e simulação foram comparados, verificando-se as diferenças entre os valores. No item a seguir, iniciase essa etapa. 3.9. RESULTADOS OBTIDOS POR MEDIÇÕES NO LOCAL O presente tópico é iniciado com a análise das temperaturas externas colhidas na estação climática Davis Precision Weather Station, localizada no LAVAT INPE-CRN, que se encontra em terreno contíguo à UFRN. Esses dados de temperaturas externas foram comparados aos fornecidos pelo arquivo climático utilizado no aplicativo computacional usado nesta pesquisa, TRY. O gráfico da figura 48 mostra a visível diferença entre os dados usados como referência para as simulações do clima de Natal-RN no DesignBuilder 1.2 e os registrados na estação climática mencionada. 101 T. Ext. Simulada e T. Ext. Registrada Temperatura C° 30,0 28,0 26,0 24,0 22,0 Temp. Ext. Medições 23:00 21:00 19:00 17:00 15:00 13:00 11:00 09:00 07:00 05:00 03:00 01:00 20,0 Temp. Ext. TRY Figura 48: Comparação entre os dados de temperatura externa TRY e os coletados na estação do INPE-CRN, em um dia escolhido aleatoriamente no período de medição. De acordo com o gráfico da figura 48, pode-se afirmar que em poucas horas do dia os dados simulados e registrados se assemelham, ocorrendo diferenças de 3,4°C às 11:00 hs, e outras consideráveis das 1:00 hs às 7:00 da manhã, de 2°C em média. O gráfico da figura 49 mostra a comparação entre os dados de temperatura externa TRY e as médias das temperaturas do ar externas no período das medições in loco no protótipo, realizadas no período de 23 de abril à 07 de maio de 2009. 102 Médias Diárias dos Dias de Análise 29,0 27,0 25,0 MÉDIA DIÁRIA SIMULADA 7/5 6/5 5/5 4/5 3/5 2/5 1/5 30/4 29/4 28/4 27/4 26/4 25/4 24/4 23/4 23,0 MÉDIA DIÁRIA MEDIÇÕES Figura 49: Comparação entre os dados de temperatura externa TRY e os coletados na estação do INPE-CRN, em médias diárias do período de medições in loco no protótipo. De acordo com Melo e Lamberts (2008), uma das evidências do aquecimento global em que o planeta se encontra é a mudança brusca de temperatura. Portanto, prever temperaturas é algo passível de contestações na atualidade. Entretanto, essa limitação do arquivo climático é habitual em aplicativos computacionais utilizados para a definição de desempenho térmico e/ou energético de edificações. Para os registros das temperaturas nos quatro ambientes do protótipo de Habitação de Interesse Social (HIS), foram definidas zonas térmicas. O aplicativo utilizado nesta pesquisa, o DesignBuilder 1.2, apresentou limitação na separação dos ambientes cozinha e sala, por constituírem-se, no estilo cozinha americana, ou seja, integrados. Por este motivo, foram feitas médias entre as temperaturas medidas na sala e na cozinha para se chegar à Zona 4 (Quadro 01). 103 Quadro 01: Nomenclatura dos ambientes da HIS Nomenclatura Ambiente Z2 Quarto Filhos (Frente) Z3 Quarto Casal (Fundos) Z4 Sala e Cozinha Inicia-se a análise pelo primeiro dia de medições, 23/04/09, separadamente. A seguir, são mostrados os gráficos comparativos dos ambientes, separados por data, hora e zona de medição (Figuras 50 e 51): Dados de Temperatura Simulados Temperaturas °C 30,0 28,0 26,0 24,0 01:00 02:00 03:00 04:00 05:00 06:00 07:00 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 22,0 Temp. Int. Z2 Temp. Int. Z3 23/4 Temp. Int. Z4 Temp. Externa Figura 50: Gráfico das temperaturas internas das Zonas térmicas dos dados simulados no primeiro dia de medições. 104 Dados de Temperatura Medidos In Loco Temperaturas °C 30,0 28,0 26,0 24,0 01:00 02:00 03:00 04:00 05:00 06:00 07:00 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 22,0 23/4 Temp. Int. Z2 Temp. Int. Z3 Temp. Int. Z4 Temp. Externa Figura 51: Gráfico das temperaturas internas das Zonas térmicas dos dados medidos no primeiro dia de medições Através dos gráficos das figuras 49, 50 e 51, constata-se uma diferença de temperaturas significativa por volta das 15:00 hs, das temperaturas fornecidas pelas medições in loco, onde a Zona 4 e a Zona 3 se mostraram os ambientes que mais alcançaram temperaturas próximas ao limite da zona de conforto escolhida. Já nos dados de temperatura simulados, a temperatura externa aparece como semelhante nos picos de temperatura máxima juntamente com a Zona 4. Através dos dados medidos in loco, constata-se que em nenhum momento o protótipo alcança temperaturas iguais à externa, se aproximando apenas por volta de 1:00 hs, onde, de acordo com a operação de aberturas feita pelo pesquisador, as portas e janelas estariam fechadas. Neste horário, o ambiente em maior semelhança com a temperatura externa é o correspondente à Zona 03, relativo ao quarto do casal. Todavia, de acordo com a zona de conforto térmico escolhida, a mesma apresenta elevada freqüência de horas em que se encontra termicamente em equilíbrio. A seguir, são expostos gráficos comparativos das temperaturas internas 105 medidas in n loco e as fornecidas f peelas simulaçções com o aplicativo a coomputacionaal DesignBuillder, referentte a cada Zoona. Comp paração Zona 2 32,0 29,0 26,0 23,0 01:00 15:00 05:00 19:00 09:00 23 00 23:00 13:00 03:00 17:00 07:00 21:00 11:00 01:00 15:00 05:00 19:00 09:00 23:00 13 00 13:00 03:00 17:00 07:00 21:00 11:00 01:00 15:00 20,0 23/4 TEMP.IN NTERNA Z2 (SIMUL) TEMP. INTEERNA Z2 (MEDIIDA) Figura 52: Gráfico comparativo das d temperatuuras internass medidas e simuladas s daa Zona 2, refeerente ao quaarto dos filhoos no períoddo de mediçãão. Fontte: elaboração própria Comp paração Zona 2 32,0 29,0 26,0 23,0 00:00 01:00 02:00 03:00 04:00 05:00 06:00 07:00 08 00 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21 00 21:00 22:00 23:00 20,0 28/4 Temp. Interna Sim mulada Temp. Intterna Medida Figura 53: Gráfico comparativo das d temperatuuras internass medidas e simuladas s daa Zona Z 2, referrente ao quaarto dos filhoos no períodoo de medições. 1006 Através doos gráficos das d Figuras 52 e 53, verifica-se quue a Zona 2, 2 referente ao o quarto da frente da HIS, H apresenttou-se em grande parte das horas do d dia em situação de confforto térmicoo dentro do índice í aqui adotado. a De acordo com o gráfi fico da figurra 52, no diaa 3/5/2009, caracterizaddo pela agend da de mediçõões, observoou-se que see tratava dee um dia chuvoso e com m ventos denttro da média, o aplicatiivo não recoonheceu estaa peculiaridaade climáticaa. Desta form ma, trabalhar com arquivvos climáticoos exige quee sejam feitaas as devidaas alterações quando q ocorrrem particullaridades com mo esta. No gráfico da figura 53, 5 com resuultados mediidos comparrados com os o fornecidos pela simuulação em um dia noo período de d mediçõees, escolhiddo aleatoriameente, houve diferenças de d até 2°C no final do dia, por voolta das 23hs. Todavia, para um apliicativo de simulação quue ainda vem m passandoo por testes e verificações, essas differenças se configuram coerentes na n avaliaçãoo da situaçãão térmica de um protótipoo como o em m análise. A seguir, parte-se para a comparaçãão da Zona 3, 3 referente ao quarto doos fundos, tido o como de caasal na HIS em análise. Comp paração Zona 3 32,,0 29,,0 26,,0 23,,0 01:00 17:00 09:00 01:00 17:00 09:00 01:00 17:00 09:00 01:00 17:00 09:00 01 00 01:00 17:00 09:00 01:00 17:00 09:00 01:00 17:00 09:00 01:00 17:00 20,,0 23/4 TEMP. INTERNA Z3 (SSIMUL.) TEMP. INTER RNA Z3 (MEDID DA) Figura 54: Gráfico comparativo das d temperatuuras internass medidas e simuladas s daa Zona Z 2, referrente ao quarrto dos fundos, no períoddo de mediçção. 1007 Comp paração Zona 3 00:00 01:00 02:00 03:00 04:00 05:00 06:00 07:00 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 32,0 0 30,0 0 28,0 0 26,0 0 24,0 0 22,0 0 20,0 0 26/4 Temp.Interna Sim mulada Temp. Intterna Medida Figura 55: Gráfico comparativo das d temperatuuras internass medidas e simuladas s daa Zona 3, 3 referente ao a quarto doss fundos, em m um dia no período p de medições. m De acordo com c o gráficco da figura 54, os resulttados mostraam diferençaas mperaturas medidas m e simuladas s noos dias 3/5//2009, já meencionado na n entre as tem comparação o anterior, e 7/5/2009 de d maio. O dia 7/5/20099 de maio último ú dia de d medições, caracterizou c u-se como nublado, n e com c ventilaçção inferior à média. Os O resultados obtidos o pelo aplicativo não n reconhecceram essas particularida p ades. Todavia, dee acordo com m o gráfico da figura 55, 5 referentee a um dia de d medições escolhido aleeatoriamente, os estudos comparativos da Zona 3 mostraram mse mais sem melhantes do d que o os resultados da Zona 2, analisada anteriormente a e. Apenas porr volta das 17hs, os daados de tempperatura inteerna foram superiores às à temperaturaas medidas no n mesmo am mbiente, com m diferença de d 1,6°C. A seguir, será s realizadda a comparração a seguuir dos dadoos medidos e simulados das d médias entre e cozinhaa e sala, caraacterizado coomo Zona 4. 1008 Comp paração Zona 4 32,0 0 29,0 0 26,0 0 23,0 0 01:00 16:00 07:00 22:00 13:00 04:00 19:00 10:00 01:00 16:00 07:00 22:00 13:00 04:00 19:00 10:00 01:00 16:00 07:00 22:00 13:00 04:00 19:00 10:00 20,0 0 23/4 TEMP. INTERNA Z4 (SSIMUL.) TEMP. INTERNA Z4 (MEDIDA) Figura 56: Gráfico comparativo das d temperatuuras internass medidas e simuladas s daa Zona 4, 4 referente à média de teemperaturas da sala e coozinha, no peeríodo de medição. Comp paração Zona 4 32,0 0 29,0 0 26,0 0 23,0 0 00:00 01:00 02:00 03:00 04:00 05:00 06:00 07:00 08:00 09:00 10:00 11:00 12:00 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 20,0 0 25/4 Tem mp. Interna Sim mulada Temp. Intterna Medida Figura 57: Gráfico comparativo das d temperatuuras internass medidas e simuladas s daa Zona 3, refferente à méédia entre salla e cozinha,, em um dia no período de d mediçõess. 1009 De acordo com o gráfico da figura 56, ocorre o mesmo que nas comparações anteriores, onde os resultados simulados não refletem as temperaturas menores ocorridas nos dias 3 à 7/05/2009. De uma forma geral, a Zona 4 apresentou dados coerentes na comparação dos resultados medidos e simulados. No gráfico da figura 57, os resultados medidos e simulados são praticamente iguais até 14hs de um dia típico no período de medições. Após essa hora, a temperatura simulada continua a subir, enquanto que a temperatura medida decresceu. Isso acontece até o final do dia, com uma diferença de 2,4°C. 110 4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta teve como objetivo apresentar o estudo comparativo de um modelo computacional para análise de desempenho térmico de um protótipo de habitação de interesse social (HIS) localizada na cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte. Foram comparados valores de temperatura do ar medidos no interior da referida habitação e valores obtidos por meio da simulação do modelo no aplicativo computacional DesignBuilder 1.2. Concluiu-se que a simulação de edificações naturalmente ventiladas ainda é uma tarefa complexa devido às limitações dos programas de simulação de desempenho térmico, da complexidade do fenômeno de escoamento do ar, da influência das condições de contorno e dos registros climáticos. No estudo comparativo realizado considerou-se que houve uma razoável concordância entre as temperaturas medidas e simuladas no período de análise. No entanto, é necessário ressaltar que, dependendo dos ajustes necessários a serem realizados no aplicativo computacional pelo usuário do mesmo, as diferenças entre os resultados medidos e simulados poderão ser diferentes. Muitos fatores podem ter contribuído para as diferenças apresentadas entre os resultados medidos e simulados, tais como: • As características termofísicas dos materiais, que podem não representar exatamente as que foram utilizados na construção; • Os dados de entrada resumidos em arquivos climáticos, obtidos a partir de medições que pressupõe muitas incertezas em sua obtenção 111 • A infiltração do ar, que ocorreu em horas indesejáveis devido às janelas do tipo venezianas fixas. A infiltração do ar, que trata-se de uma grandeza difícil de ser determinada ou estimada, merece muitas horas de simulações e ajustes até se obter um valor adequado e coerente com a bibliografia disponível pesquisada. A partir dos resultados obtidos é possível verificar a importância de determinar com cuidado os parâmetros dos modelos de simulação de desempenho térmico. Destaca-se a importância da correta definição da operação de aberturas, bem como o material e mecanismos das mesmas, que podem provocar grandes alterações nos resultados simulados. Os valores de temperatura e velocidade do ar que constam nos arquivos climáticos TRY são obtidos, geralmente, em estações meteorológicas localizadas em áreas distintas das situações de contorno do protótipo analisado. Dentre os ambientes do protótipo analisado, o quarto da frente foi o ambiente que manteve as maiores diferenças de temperatura entre simulação e medição, seguido do ambiente sala-cozinha. Vale salientar que mesmo as menores diferenças, de 0,8°C nos momentos de menor temperatura do dia ainda não é um resultado satisfatório. Já o quarto dos fundos foi o que apresentou melhor resultado final apresentando diferença média de temperatura entre os dados simulados e registrados em torno de 1,0°C. Quanto à experiência com o protótipo totalmente fechado, observa-se uma grande diferença entre os valores simulados e medidos. Acredita-se que essas discrepâncias possam ser amenizadas com a realização de experimentos utilizando aberturas com esquadrias em vidro, que podem simular mais fidedignamente situações abertas e fechadas. Nesse caso, o software reconhece a opção de ausência de movimento de ar claramente em suas opções. 112 Com os valores apresentados, considera-se que os resultados finais proporcionaram uma boa proximidade entre os simulados e registrados, com erro médio de 1,4°C entre eles, na situação e objeto de estudo propostos. Dessa forma, permite-se constatar que o aplicativo DesignBuilder 1.2 é uma boa ferramenta de simulação. Contudo, vale salientar que os dados de temperatura externa apresentaram resultados com diferenças de até 5°C, reforçando-se a necessidade de uma série de dados mais atuais que a utilizada na bibliografia, o que poderá melhorar o desempenho atual do aplicativo. O arquivo climático TRY utilizado data de 1954. Sua utilização neste trabalho poderá contribuir para que, em futuras análises de simulação para o clima da região de estudo, o mesmo possa ser utilizado com o devido conhecimento pelo operador de seu erro nos resultados. Não foi intenção deste trabalho realizar ajustes no arquivo climático TRY, mas utilizá-lo como possível opção de simulação no DesignBuilder 1.2. Foi possível com os resultados aqui obtidos, verificar a necessidade da escolha cuidadosa de tipos de janelas e portas em projetos de edificações localizadas em clima quente e úmido. O mercado local já oferece uma gama de tipologias e materiais, de modo a ajustar entrada e saída de ar e luz no interior dos ambientes. Uma correta escolha da cor da cobertura também pode diminuir consideravelmente a temperatura interna de edificações em clima quente e úmido. Quando se utilizou a cor clara na coberta nas simulações, obteve-se um aumento na frequência de horas em que o protótipo se encontrou em conforto térmico. Por fim, conclui-se que o aplicativo computacional DesignBuilder 1.2 trata-se de uma ferramenta de simulação computacional que possui um potencial para o propósito que foi desenvolvido, mas que precisa passar por ajustes para maior confiabilidade de sua utilização. 113 Como continuidade deste trabalho, novas simulações poderão ser realizadas, incluindo a ocupação de usuários na habitação e a continuidade de ajustes necessários no aplicativo computacional utilizado na pesquisa. 114 5.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT. Desempenho térmico de edificações Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. NBR 15220-3. 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FOTOS PROTÓTIPO FINALIZADO (exterior) Figura 27: Protótipo com portas e janelas abertas às 8:30hs. Figura 28: Protótipo com portas e janelas abertas às 14:30hs. Figura 29: Protótipo com portas e janelas abertas às 17:00hs. 123 Figura 30: Protótipo com portas e janelas fechadas às 20:00hs. 7.3 FOTOS PROTÓTIPO FINALIZADO (interior) Figura 31: Vistas da sala e cozinha americana Figura 32: Vistas quarto 01 e quarto 02. 7.4 TABELA COM HORÁRIOS E DATA DA OPERAÇÃO DAS ABERTURAS REALIZADA PELO PESQUISADOR 124 DATA 22-04-09 23-04-09 24-04-09 25-04-09 26-04-09 27-04-09 28-04-09 29-04-09 01-05-09 02-05-09 03-05-09 04-05-09 05-05-09 06-05-09 07-05-09 08-05-09 ABERTURA instalação 09h00min 09h20min 08h40min 09h30min 09h00min 09h10min 09h35min 09h20min 09h30min 09h45min 09h15min 09h30min 09h30min 09h00min 11h55min FECHAMENTO Instalação 16h00min 18h00min 19h00min 19h05min 18h10min 18h10min 18h45min 18h20min 18h00min 18h00min 18h45min 19h00min 18h30min 18h10min Retirada 7.5 REFERÊNCIA DOS DATALOGGERS INSTALADOS NO PROTÓTIPO • • • • 98.0395 – Instalado na sala nos dois períodos de medições 98.0402 – Instalado no quarto da frente nos dois períodos de medição 98.0401 – Instalado na cozinha nos dois períodos de medição 98.0393 - Instalado no quarto dos fundos nos dois períodos de medição 125