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Cidades
O Estado do Maranhão - São Luís, 15 de março de 2015 - domingo
Hotel está na lembrança de quem
acompanhou seus tempos de glória
Ex-funcionários e quem ainda trabalha no prédio onde funcionou a hospedaria lembram-se do seu apogeu e declínio;
local recebeu personalidades, e suas festas eram animadas com música ao vivo, tomando toda a Praça Benedito Leite
Fotos/Paulo Soares
D
e 1950 a 1970, o Hotel
Central foi o ponto de encontro de autoridades e
personalidades maranhenses. Seu
bar, salão e restaurante abrigaram
eventos importantes da sociedade maranhense, movimentando
a noite do Centro Histórico de São
Luís, sobretudo a Praça Benedito
Leite, onde fica localizado o prédio em que funcionou. Mas a partir dos anos 1980, com o surgimento de novos hotéis e o esvaziamento do Centro, o Central começou a perder sua importância,
tendo de fechar as portas.
Os tempos de opulência do
Hotel Central podem ser lembrados graças a um registro do Diário de São Luiz, publicado na capital de 1920 a 1949. E é uma edição do ano em que o jornal foi
fechado que traz a manchete
"Grandes homenagens a Daudt
de Oliveira", presidente da
Confederação Nacional do Comércio e da Associação Comercial do Rio de Janeiro. A publicação do dia 17 de maio daquele ano relata a "Festiva recepção na sede da Associação
Comercial - Banquete no Palácio do Comércio e almoço nos
Leões - Debate de importantes
problemas econômicos do Maranhão e do país, diz o subtítulo da reportagem.
Segundo o Diário de São Luiz,
João Daudt de Oliveira fazia excursão pelo país, iniciada pelo Rio
Grande do Sul, levando "sua palavra de estímulo e de encorajamento a todos os companheiros
das classes produtoras do país",
sendo recebido no Aeroporto do
Tirirical, atual Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado
(que fora inaugurado em 1942),
de onde seguiu para o Hotel Central, "onde ficou hospedado e ali
recebeu a visita do chefe do Governo do Estado". O jornal relata
ainda que em homenagem a João
Daudt de Oliveira foi oferecido
um jantar que reuniu 150 pessoas,
"destacando-se o vice governador, Saturnino Belo, e o dr. Clodoaldo Cardoso, secretário de Fazenda e Produção, representante
do Governo do Estado, que por
motivos de moléstia não pode estar presente".
Antigo funcionário - Cerca de
10 anos após esse evento, em
1958, José Henrique Coaracy,
então com 15 anos, começou a
trabalhar no Hotel Central, ficando no local até 1960. "Eu estudava no Senac [Serviço Nacional do Comércio] e comecei
a trabalhar no Hotel Central como menor aprendiz. Eu carregava a bagagem dos hóspedes
e também era mensageiro",
conta. De família humilde, para aumentar a renda, ele desempenhou ainda outras funções, servindo no bar do hotel,
lavando louças e até como vigia.
Hoje advogado tributarista e exsecretário de Controle Externo do
Tribunal de Contas da União
(TCU) e professor universitário
aposentado, José Henrique Coaracy lembra que o bar do hotel funcionava todas as noites, atraindo
um grande público, formado por
hóspedes e membros ilustres da
sociedade ludovicense. As festas
eram animadas com música ao
vivo, tomando toda a Praça Benedito Leite. O restaurante na cobertura era outro atrativo do Hotel
Central.
Segundo José Henrique Coaracy, que chegou a frequentar o
Atualmente, apenas a Associação Comercial do Maranhão funciona no prédio do Palácio do Comércio; a maior parte do prédio está fechada e alguns espaços necessitando de reforma
José Henrique Coaracy teve seu primeiro emprego como aprendiz no Hotel Central
Mais
Antonio Oliveira Maia, administrador do Hotel Central, foi um
empresário de origem portuguesa, reconhecido por muitos
como o precursor do segmento
hoteleiro no Maranhão. Além do
Hotel Central, em 1962, Antônio Oliveira Maia adquirou um
antigo sobrado, adaptou-o, e
instalou o Lord Hotel, situado na
Rua de Nazaré, ao lado da Praça Benedito Leite, onde fica situado o Palácio do Comércio.
Hotel Central já como professor do
Senac, onde se formou como técnico em contabilidade, para almoços de Natal, o local começou a declinar quando Oliveira Maia, seu
administrador, que morava com a
esposa, Tereza, nos apartamentos
316 e 317 do local, deixou o hotel.
"Ele era muito rígido. Se visse algum funcionário encostado, pedia que se recompusesse. A gente,
naquela época, trabalhava com
aqueles uniformes tradicionais. Era
tudo muito arrumado", disse.
Fechamento - Gustavo Marques,
vice-presidente da Associação Comercial do Maranhão (ACM),
aponta ainda, como motivos para o fechamento do Hotel Central,
a perda gradativa da importância
do centro de São Luís na vida da
cidade. "Aos poucos foram surgindo novos hotéis, como o antigo Vila Rica, também no Centro.
Além disso, os serviços públicos
foram, sobretudo a partir dos
anos 1970, deixando o Centro e isso contribuiu para a área perder
“
O bar do Hotel
Central funcionava
todos os dias e
atraia não apenas
os hóspedes, mas
pessoas da cidade
também. O Hotel
Central era o ponto
das autoridades
de São Luís àquela
época"
José Henrique Coaracy,
advogado, trabalhou no
hotel de 1958 a 1960
a importância", avalia.
Com a concorrência dos novos hotéis e a expansão da cidade para a região da orla, o Hotel
Central não resistiu e acabou fechando em 1994. Sem uso, as dependências foram se deteriorando e, hoje, há antigos cômodos
sustentados por madeira. Dez
anos após o seu fechamento, a
ACM, na tentativa de revitalizar
o antigo prédio, e melhorar suas
instalações, concebeu um projeto arquitetônico de intervenção
do edifício. "O nosso desafio é
encontrar parceiros para investir em uma reforma que seja benéfica para todos nós", explica.
Auditório da Associação Comercial, no interior do prédio onde funcionou o hotel
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