ORGANIZAÇÕES DE PRODUTORES RELATÓRIO 2013 Dezembro 2014 1. Introdução O presente relatório - relativo ao ano 2013 - é elaborado ao abrigo da alínea c) do nº1 do artigo 13º do Despacho Normativo n.º 11/2010, de 20 de abril, incluindo-se, pela primeira vez de forma consolidada, também informação relativa ao setor das frutas e produtos hortícolas, a qual ficou disponível por ocasião do relatório enviado à Comissão Europeia em novembro último sobre aquele setor. Reúne-se portanto num único documento informação comparável de todas as Organizações de Produtores (OP) reconhecidas em Portugal: do setor das frutas e produtos hortícolas (Portaria n.º 1266/2008, de 5 de novembro), e dos restantes setores (Despacho Normativo n.º 11/2010, de 20 de abril), a partir de informação coligida pelas Direções Regionais de Agricultura e Pescas (DRAP) e serviços competentes nas regiões autónomas a partir das respetivas OP. Este propósito fundamenta-se igualmente na intenção de fundir, a partir de 2015 inclusive, estes dois diplomas num único normativo. Uma vez que o reconhecimento é atribuído por setor ou produto, deve ter-se em atenção que pode acontecer que um mesmo agricultor seja membro de mais do que uma OP reconhecida, desde que para produtos diferentes. Por essa razão o número total de membros de uma OP estará sobredimensionado relativamente ao efetivo real de agricultores associados. Por outro lado, a mesma OP pode estar reconhecida para mais do que um setor ou produto, pelo que o somatório do número total de OP deve ser lido como número de reconhecimentos ativos e não necessariamente número total de OP, o qual será necessariamente igual ou inferior. 1. Número e distribuição das organizações de produtores reconhecidas No final de 2013 estavam reconhecidas em Portugal 135 organizações de produtores (OP), das quais 84 no setor das frutas e produtos hortícolas (ou setor hortofrutícola) e 51 nos restantes setores. Neste universo de 135 OP, os setores hortofrutícola, da produção pecuária e o setor do milho destacam-se, com o setor hortofrutícola a concentrar mais de metade do número total de OP reconhecidas a nível nacional, conforme se pode observar no gráfico 1. Página 2 Gráfico 1 - Distribuição do total de OP por setor (ano 2013) Arroz 4% Azeite 1% Batata 1% Pecuária 16% Vinho 3% Cereais/Prot./Ole ag.… Hortofrutícola 62% Mel 2% Quanto à distribuição dos cerca de 21.000 associados de OP que existem em Portugal, as OP do setor das frutas e produtos hortícolas detêm, sem surpresa, o maior número de sócios como se poderá verificar no gráfico em baixo. Seguem-se as OP ligadas aos setores do vinho, cereais e setores ligados à produção pecuária. Gráfico 2 - Número de sócios de OP por setor - 2013 Arroz; 1517 Hortofrutícola; 8746 Azeite; 522 Pecuária; 2488 Vinho; 5365 Mel; 237 Cereais; 2514 Apesar dos setores do vinho, do azeite e mesmo do mel com 5365, 522 e 237 sócios, respetivamente, deterem um número significativo de associados de OP, como se verifica no gráfico 2, tal não se repercute na relevância a nível do número de OP total, ou na percentagem de VPC no respetivo setor como se pode constatar adiante no gráfico 7 e na tabela 1. Página 3 Em termos de distribuição geográfica, as OP reconhecidas concentram-se sobretudo na região Lisboa e Vale do Tejo. Nas regiões autónomas houve pela primeira vez em 2014 a atribuição de reconhecimentos de OP, que serão objeto de análise no relatório referente a 2014. Gráfico 3 – Distribuição de OP por DRAP (número, ano 2013) 160 135 140 120 100 84 80 65 60 40 20 51 46 9 15 24 9 7 16 19 14 21 7 0 9 9 0 DRAPN DRAPC DRAPLVT Outros setores DRAPAL F&H DRAPALG TOTAL Total A forma jurídica preponderante para a qual as organizações de produtores se apresentam para reconhecimento é a de “Cooperativa”, seguindo-se a forma de sociedade comercial. Gráfico 4 - Organizações de Produtores - formas jurídicas Soc. Comercial 36% Outras 1% Coop 54% Soc. Anonima 9% Página 4 2. Valor da produção comercializada O Valor de Produção Comercializada (VPC) através de OP reconhecidas em Portugal foi, em 2013, de quase 580 milhões de euros (550 M€ em 2012), representando, de forma agregada, 9% do valor da produção do ramo agrícola medida pelo INE para o ano 2013. A base para esta produção situa-se nas 135 OP reconhecidas, repartidas entre 84 OP do setor hortofrutícola e 51 OP dos restantes setores. Tabela 1 - Organização da oferta em 2013: concentração em OP, por setor VPC Organizações Produtores Nº de Setor/Produto OP (1) a Ano 2013 Média por OP valor total da produção nacional (INE) b c =b : a d Grau de concentração em OP e =b : d Arroz 7 24,7 3,5 41,3 60% Milho 17 78,1 4,6 165,4 47% Hortofrutícolas 84 328,8 3,9 1375,2 24% Carne Ovino/Caprino 15 15,4 1,0 94,0 16% Cereais, Oleaginosas, Prot. (sem milho) 17 11,5 0,7 101,1 11% Carne Suíno 1 59,4 59,4 627,1 9% Carne Bovino 17 40,9 2,4 469,4 9% Vinho 4 19,8 4,9 715,9 3% Mel 3 0,2 0,1 18,3 1% Azeite 1 0,5 0,5 72,6 1% Outros - 3025,0 - TOTAL 166 6705,3 9% 579,3 - valores em milhões de euro Notas: (1) Uma OP pode estar reconhecida para vários produtos ou setores Fonte INE: CEA (dados extraídos em dezembro de 2014, exceto mel (2012) e hortofrutícolas (novembro 2014) Em termos evolutivos e como se pode observar no gráfico seguinte, o valor de produção comercializada pelo total das OP tem evoluído de forma mais pronunciada do que o conjunto da produção agrícola nacional, o que mostra capacidade de resposta destas estruturas num período particularmente difícil da economia. O grau de concentração visto de forma agregada é bastante reduzido (8,64% em 2013) não obstante uma tendência crescente do grau. Varia de 1% nos setores do mel e azeite até aos 60% no arroz, passando por 24% no setor hortofrutícola, conforme se pode observar na tabela anterior. Página 5 Gráfico 5 -Concentração da oferta e índice de crescimento das OP vs produção nacional (base 100= 2011) 130 8,60% 8,64% 8,80% 8,60% 8,40% 8,20% 120 8,00% 7,80% 7,60% 110 7,43% 7,40% 7,20% 7,00% 100 6,80% 2011 2012 total nacional total em OP 2013 Grau de organização (%) Fonte: INE-CEA 2014 para valores do total da produção agrícola nacional. Dados GPP para as OP. Uma análise do grau de organização em OP por setor mostra que os setores do arroz e do milho se destacam com um grau de organização elevado com 60% e 47% respetivamente. Seguem-se os setores hortofrutícola e de ovinos e caprinos, respetivamente com 24% e 16% da produção a ser comercializada por OP. Deve ser sublinhado que esta análise se reporta apenas às OP legalmente reconhecidas, pelo que o grau de organização da produção se reporta àquela que é comercializada por OP. Sectores como o azeite, o vinho ou o leite (este último sem OP reconhecidas em 2013) têm importante implantação em cooperativas que cumprem também objetivos de concentração da oferta, a qual não é no entanto medida por este indicador. Gráfico 6 -Organização da oferta: grau de concentração em OP por setor em 2013 (%) Arroz Milho Hortofrutícolas Carne Ovino/Caprino C.O.P. (sem milho) Carne Suíno Média PT Carne Bovino Vinho Mel Azeite 0% 10% 20% 30% Página 6 40% 50% 60% 70% Dentro do universo das organizações de produtores, o peso de cada setor pode ser avaliado no gráfico seguinte onde se constata que o setor hortofrutícola representa 57% do VPC total a partir de OP, seguindo-se os setores do milho, da carne de suíno e da carne de bovino com 14%, 10% e 7% respetivamente. O regime próprio de ajudas através do financiamento de programas operacionais no setor hortofrutícola ajudará a explicar que mais de metade do VPC em OP reconhecidas seja proveniente deste setor. Gráfico 7 - Peso relativo de cada setor no VPC total das OP em Portugal em 2013 Mel 0,03% Carne Suino 10,25% Milho 13,48% Vinho 3,41% Hortofrutícolas 56,76% Arroz 4,26% Azeite 0,08% Carne Bovino 7,07% Cereais, Oleaginosas, Proteaginosas (sem milho) 1,99% Carne Ovino 2,63% Carne Caprino 0,03% Em termos de VPC médio por reconhecimento atribuído, dada maior maturidade e prevalência das OP do setor das frutas e produtos hortícolas, importará separar a análise deste setor que apresentou um VPC médio de 3,9 M€ por reconhecimento em 2013. Mesmo com esta separação a classe mais representativa (mais de metade) de valor de produção comercializada situa-se abaixo de 5 M€, o que indicia potencial de aumento. Acima de 20 M€ as poucas OP que existem encontram-se nos setores da carne de suíno e ao setor dos cereais (incluindo milho). Página 7 Gráfico 8 – Distribuição por classe de valor de produção comercializada Concentração da oferta: distribuição por classe de VPC das OP dos setores não hortotrutícola Concentração da oferta: distribuição por classe de VPC das OP do setor hortofrutícola <1M€ 6% 4% 32% 11% 1M€ a 5M€ 1% 20% 14% 22% <1M€ 1M€ a 5M€ 5M€ a 10M€ 5M€ a 10M€ 10M€ a 20M€ >20M€ 54% 36% 10M€ a 20M€ Para o conjunto de OP dos setores que não o hortofrutícola, existe uma estabilização do número total de organizações reconhecidas em relação a 2012, tendo o total sido acrescido em mais 2 entidades, ou seja, de 49 para 51. Em 2013 foram reconhecidas 5 OP, nos setores do mel (1), carne de bovino (2), vinho (1) e carne de suínos (1), mas três organizações viram o seu reconhecimento suspenso, nos setores do azeite, do mel e da carne de bovino. No setor hortofrutícola o ano terminou com 84 OP reconhecidas, o mesmo número de 2012. Na tabela 3 é possível constatar que entre 2010 e 2013, para os setores que não o hortofrutícola, existe um constante aumento das quantidades entregues em OP no setor do milho, uma estabilização no setor do arroz e outros cereais, e uma ligeira diminuição do número de cabeças abatidas no setor da carne de bovino. No caso da pecuária é de salientar a quantidade significativa de cabeças abatida na única OP reconhecida de carne de suíno, o que tem consequências na importância destacada que este setor passa a ter em termos de VPC quando comparado com outros (tabela 2). Página 8 Gráfico 9 - Quantidades comercializadas por OP – outros setores (2010-2013) 500 000 450 000 400 000 350 000 300 000 2010 250 000 2011 200 000 2012 150 000 2013 100 000 50 000 0 Milho (t) Cereais s/ milho (t) Arroz (t) Bovinos Ovinos/cap. Suinos (cabeças) (cabeças) (cabeças) Confrontando as quantidades comercializadas com a evolução anual do VPC verifica-se que a maior quantidade de milho comercializado em 2013, não é acompanhada de um aumento de VPC deste produto o que pode ser justificado pelo facto de a partir de setembro de 2013 (campanha de comercialização) ter havido uma diminuição de cerca de 20% no preço médio deste cereal. Será de mencionar ainda em 2013, o aumento significativo do valor associado ao setor do vinho que está relacionado com uma nova OP reconhecida. Tabela 2 – Evolução do valor de produção comercializada por setor Valor de VPC (mi l hões de euro) Setor/Produto 2011 2012 Arroz 23,0 Azeite 0,4 Carne Bovino 54,8 Carne Ovino / Caprino 13,4 Carne Suíno - 28,4 2013 Δ yoy 23% 24,7 -13% 0,2 -62% 0,5 207% 0% 40,9 -26% 9,9 -26% 15,4 55% 59,4 - 55,0 - - 12,1 16,7 38% 11,5 -31% 297,0 348,0 17% 328,8 -6% Cereais, Oleaginosas, Proteaginosas (s/ milho) Hortofrutícolas Δ yoy Mel 0,2 0,2 -5% 0,2 -15% Milho 59,7 85,0 42% 78,1 -8% Vinho 5,1 6,0 18% 19,8 228% TOTAL 465,8 549,4 18% 579,3 5% Página 9 Na tabela seguinte encontra-se listados os setores objeto de reconhecimento através do Despacho Normativo n.º 11/2010 de 20 de abril e as respetivas quantidades comercializadas pelas OP reconhecidas. A ausência de valores em alguns dos setores ou produtos significa ausência de reconhecimento de OP nesses setores. Tabela 3 - Evolução das quantidades comercializadas por OP 2010-2013 (não inclui setor das frutas e produtos hortícolas frescos) SETOR/PRODUTO 2010 2011 Δ yoy 2012 Δ yoy 2013 Δ yoy Bovinos (Cabeças abatidas) 55 436 59 980 8% 56 354 -6% 38 885 -31% Cereais Oleaginosas Proteaginosas ( t ) 72 106 43 847 -39% 67 055 53% 61 985 -8% Arroz ( t ) 75 311 77 711 3% 97 765 26% 92 416 -5% Milho ( t ) 228 735 292 539 28% 361 833 24% 448 716 24% 11 437 - 118 64% 65% 4 770 211 7014% 450 303 - Batata ( t ) Azeite ( t ) 180 - 72 40 653 79% 67 057 -60% Azeitonas de Conserva ( t ) Tabaco ( t ) Vinho ( hl ) 22 690 Flores (€) Lúpulo (ha) Bananas ( t ) Frutas e Produtos Hortícolas Transf.(€) Suínos (Cabeças abatidas) Aves de Capoeira (Cabeças abatidas) Ovos ( t ) Caprinos (Cabeças abatidas) 12 117 16 832 39% 11 512 -32% 3 938 -66% 136 891 196 209 43% 138 189 -30% 214 605 55% 87 - 75 -14% 43 -43% Coelhos (Cabeças abatidas) Ovinos (Cabeças abatidas) Leite e Produtos Lácteos de Vaca ( t ) Leite e Produtos Lácteos ( t ) Mel ( t ) __________________ Página 10