CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA EVENTO: Seminário N°: 0585/09 DATA: 14/05/2009 INÍCIO: 10h09min TÉRMINO: 12h45min DURAÇÃO: 02h36min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 02h36min PÁGINAS: 49 QUARTOS: 32 DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO CARLOS ALEXANDRE BRAGA – Inspetor da Guarda Civil Metropolitana do Estado de São Paulo Capital e Presidente da Associação das Guardas Municipais do Brasil e do Estado de São Paulo. MAURÍCIO DOMINGUES DA SILVA (CD NAVAL) – Guarda Municipal e Presidente da ONG SOS Segurança dá Vida. JOÃO JOSÉ BARBOSA SANA – Secretário de Segurança Urbana de Vitória, Estado do Espírito Santo. ARIMAR ROCHA – Diretor-Geral da Guarda Municipal de Fortaleza, Ceará. SUMÁRIO: Seminário “Guardas Municipais e Segurança Pública”. OBSERVAÇÕES Houve exibição de imagens. Houve manifestações no plenário. CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR APRESENTADOR - Senhoras e Senhores, bom dia. Inicia-se a solenidade de abertura do 1º Seminário Guardas Municipais e Segurança Pública. Este evento tem como objetivo ouvir as demandas das Guardas Municipais, avaliar as necessidades legislativas em relação ao tema e debater as principais proposições da categoria em tramitação no Congresso Nacional. Neste momento, passamos a compor a Mesa de honra. Convidamos, para tanto, o Exmo. Sr. Deputado Roberto Britto, Presidente da Comissão de Legislação Participativa (palmas.); o Exmo. Sr. Deputado Dr. Talmir, Vice-Presidente da Comissão de Legislação Participativa (palmas.); o Exmo. Sr. Deputado Arnaldo Faria de Sá, Relator da PEC nº 534/02 (palmas.). Convidamos todos os presentes a se colocarem de pé para ouvirmos o Hino Nacional. (É executado o Hino Nacional.) O SR. APRESENTADOR - Fará o uso da palavra o Exmo. Sr. Deputado Roberto Britto. O SR. DEPUTADO ROBERTO BRITTO - Exmo. Deputado Dr. Talmir; Exmo. Sr. Deputado Arnaldo Faria de Sá, grande lutador pela causa das Guardas Municipais, a Comissão de Legislação Participativa é um elo entre a sociedade e esta Casa de Leis. É através dela que todas as demandas da sociedade podem ser encaminhadas a esta Casa e transformadas em projetos de lei que seguirão os seus trâmites legais e, por certo, um dia serão aprovados ou reprovados no plenário desta Casa. Estamos extremamente felizes com a participação, neste evento, da Guarda Municipal –– a gloriosa Guarda Municipal. Eu estive Prefeito de um município de quase 200 mil habitantes, onde fui eleito e reeleito, e sempre tive um carinho muito grande pela Guarda Municipal. Encontrei-a totalmente acabada, na verdadeira acepção da palavra, e, ao longo do tempo, procurei valorizá-la, por entender os seus grandes préstimos à sociedade e ao município. Em outros municípios tenho certeza de que não é diferente a importância da Guarda Municipal. 1 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Tramita nesta Casa a PEC nº 534, que, por certo, irá melhorar, em muito, a qualidade dos serviços por ela prestados, bem como a qualidade de vida dos senhores guardas municipais. Quero, na abertura deste seminário convocado pelo Dr. Talmir, por meio da Comissão de Legislação Participativa, dizer que espero, após o seu término, termos a oportunidade de promover uma maior mobilização das Guardas, a fim de aprovarmos a PEC nº 534. Muito obrigado pela presença de todos. Tenham um bom seminário. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Dr. Talmir. O SR. DEPUTADO DR. TALMIR - Bom dia a todos. Foi com enorme satisfação que atendi ao pedido do Maurício Naval, que não mede esforços em defesa da Guarda Municipal, em defesa da segurança pública, procurando a paz neste País. Nós, da Comissão de Legislação Participativa, na pessoa do nosso Presidente, Deputado Roberto Britto, temos a preocupação de atender aos segmentos organizados da sociedade, que têm voz ativa na Comissão. Gostaria de convidar para fazer parte da nossa Mesa o Deputado Professor Setimo. Gostaria, também, de dizer a vocês que tudo o que nós fizermos durante o dia de hoje será registrado, gravado –– os pronunciamentos, as exposições, os debates. Muitas vezes, algumas pessoas ficam preocupadas com o público. Sabemos que muitas pessoas ainda adentrarão o Auditório Nereu Ramos. O mais importante, entretanto, é que, hoje, no Congresso Nacional, estamos muito preocupados com a questão da transparência, com a questão da verdade. Dessa forma, temos aqui, hoje, o Deputado Arnaldo Faria de Sá, Relator da PEC nº 534, de autoria do Senador Romeu Tuma, que é o Deputado Arnaldo Faria de Sá. S.Exa. é um ferrenho combatente, aguerrido lutador, para assegurar planos de carreira, assegurar, realmente, o fortalecimento, não somente da Guarda Municipal, mas de todos os segmentos ligados à segurança pública neste País. Porque só podemos entender um país com mais cidadania se tivermos a união de esforços, ninguém 2 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 pisando sobre o outro, ninguém querendo dominar o outro, mas sim em união para podermos fazer com que a população se sinta mais segura. Fizemos uma pesquisa no Partido Verde, considerado quase uma ONG ambientalista, um partido que tem mais de 20 anos em âmbito internacional, sobre as inquietudes da população, e descobrimos que as principais são relativas à saúde, à educação e à segurança. O Deputado Professor Setimo, que também é o Relator de um projeto ligado à questão da segurança particular, privada, falará um pouco nesse sentido. Não poderíamos deixar de citar a CNBB, que teve como tema da sua Campanha da Fraternidade a segurança pública. Inclusive hoje, nesta Casa, está sendo realizado no Plenário 6 um debate sobre Fraternidade e Segurança Pública. Dom Dimas, Secretário da CNBB, ficou de vir aqui dirigir algumas palavras a vocês. Peço a compreensão de todos para, logo depois de compormos a Mesa, pelo protocolo, considerando a realização de diversas reuniões de Comissão da Casa, quando algum Deputado aparecer, pedirei licença ao palestrante, se concordar, obviamente, para que o Deputado faça uso da palavra dentro de 3 minutos, para que vocês conheçam o posicionamento do Deputado. Porque muitos Deputados, inclusive em decorrência de outras Comissões, outros trabalhos, acabam não vindo; passam rapidamente em decorrência de muitas atividades. Em geral, temos 4 atividades ao mesmo tempo. Peço a compreensão de todos nesse sentido, porque teremos o dia inteiro pela frente. Agradeço imensamente a todos vocês, que vieram de vários Estados da Nação, a participação, o esforço. O nosso muito obrigado. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Bom dia a todos. Cumprimento o Deputado Dr. Talmir pela iniciativa, o Deputado Roberto Britto, por ter dado apoio ao Presidente da Comissão, o Professor Sétimo e os presentes. Com toda franqueza e sinceridade, nossa PEC só não foi aprovada até agora por falta de mobilização, falta de articulação nossa. O único culpado somos nós. É uma proposta difícil de ser aprovada. Se fizermos uma grande mobilização, teremos possibilidade de êxito. Tecnicamente, é uma PEC que já está aprovada pelo 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Senado. Portanto, se for aprovada pela Câmara, já será uma aprovação definitiva; não depende de sanção presidencial, não depende da manifestação de outro Poder, porque é uma proposta de emenda à Constituição. Quer dizer, a manifestação é só da Casa. Se ela fora aprovada, será promulgada. Sabemos que há uma grande articulação contra nós; a articulação contra nós funciona e nós não temos a capacidade de fazer funcionar a nossa possibilidade de aprovar a PEC. Ela tem uma possibilidade de aprovação bastante grande, mas vocês têm que lembrar que existe uma força contrária a nós, que são as Polícias Militares, que não querem a aprovação da nossa PEC, só que eles são articulados e nós, desarticulados. Lembro-me de que, na época em que estávamos discutindo e votando na Comissão Especial a PEC, o então comandante da Polícia Militar de São Paulo, Coronel Alberto, me chamou. Ele não queria de jeito nenhum que a PEC fosse aprovada. Quando ele foi para a reserva, ele foi comandar a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e abriu a porta para outros 40 coronéis e oficiais estarem hoje na Prefeitura de São Paulo. Lembro-me de um outro coronel, com o qual eu até tinha boa relação, Comandante da Polícia Rodoviária, e ele não queria nem ouvir falar de Guarda Municipal. Quando ele foi para a Reserva, foi convidado para a Guarda Municipal de Cotia. Havia um outro coronel lá de São Paulo, Coronel Suzano, que chegou a prender uma viatura da Guarda Civil Metropolitana, à época em que eu comandava a Guarda, que saiu da Polícia Militar e foi para a Guarda Municipal de Peruíbe. É comum isso acontecer. Na verdade, eles trabalham sempre nessa ótica de impedir que as Guardas Municipais cresçam. E, nas boas cidades — vou falar por São Paulo; não quero falar por outro Estado de que não tenho conhecimento — em que tem Guardas Municipais efetivas, o que fez a PM, na sua última reformulação? Aumentou o efetivo naquelas cidades que tinham uma boa Guarda Municipal, para combater o poder da Guarda, que era um poder que se estava instalando de forma positiva. A PM poderia mandar efetivo para cidade que não tinha Guarda, mas mandou efetivo nas cidades que têm boas Guardas. Então, é uma luta constante e permanente, e nós estamos sendo — desculpem a expressão — incompetentes no combate a esta ação das Polícias 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Militares. Alguns Estados nós sabemos que não têm Guardas estruturadas, Guardas fortes; e, aí, é difícil poder trabalhar. O que quero chamar a atenção de todos vocês é o seguinte: nós precisamos nos mobilizar. Se tivermos mobilização, nós podemos pressionar o Presidente da Casa — eu estava dizendo isso para o Deputado Roberto Britto, o Presidente da Comissão —, o Presidente Michel Temer, para colocar em votação a nossa PEC. Mas vou ser honesto com vocês, com toda a seriedade e objetividade de quem está nessa luta há muito tempo: se a PEC for para o plenário hoje, nós vamos perder e a nossa expectativa vai morrer no nascedouro. Acho que temos que fazer uma grande articulação, Estado por Estado, dizer quais são os Deputados que nos apoiam. Precisamos de, no mínimo, 380 votos para poder aprovar a PEC. O limite oficial é 308, mas não se pode jogar com limite de 308, porque alguns que apoiam podem faltar no dia; outros vão ficar pressionados pelo seu Comandante Geral e vão deixar de votar a favor da matéria. Então, temos que ter, pelo menos, 380 para ter os 308 necessários para aprovar essa PEC. Penso que essa PEC, inclusive, é extremamente importante porque, lá no início da nossa luta, não tínhamos o porte de armas. Garantimos o porte de arma, numa luta intensa. No caso de cidades que ainda não têm o direito de porte de arma é por culpa das Assembléias Legislativas, porque está estabelecido na lei federal que as regiões metropolitanas, independentemente da população, terão direito ao porte de arma. Então, para se criar região metropolitana é só na Assembléia. Em São Paulo, por exemplo, nós temos a região metropolitana de Campinas, a região metropolitana da Baixada Santista. Outras regiões todas não têm região metropolitana. Para criar região metropolitana, é só na Assembléia Legislativa, o que resolve toda essa questão de algumas cidades que ainda estão impedidas de ter o porte de arma. Naquilo que foi uma luta muito grande na criação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o PRONASCI, nós incluímos as Guardas Municipais. Algumas Guardas foram competentes, conseguiram fazer projetos e, por meio deles, tiraram recursos importantes para as suas Guardas, o que acho que é extremamente importante. 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Essa participação do PRONASCI foi uma luta nossa junto com algumas Guardas, para que pudéssemos ter direito de entrar nesse Programa, e isso está garantido. Agora, falta algo que é extremamente importante: o poder de polícia para as guardas. Isso é fundamental. Na hora em que tivermos o poder de polícia para as Guardas, nós resolveremos toda essa situação de uma forma clara e definitiva. Mas isso precisa, depende de uma articulação de todos nós. Nós precisamos fazer essa articulação o mais rapidamente possível e, a partir daí, nós teremos a oportunidade de garantir aquilo que toda a sociedade está reclamando, está pedindo para todos nós do Congresso Nacional: a melhoria da segurança pública. Para melhorar a segurança pública, temos que dar poder de polícia às Guardas Municipais. (Pausa.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Estamos fazendo um breve intervalo, para as pessoas chegarem e tomarem assento. Enquanto isso, solicitamos a presença na Mesa dos Deputados João Paulo Cunha, Rubens Otoni e Pedro Wilson. Nós fizemos aqui um acordo. Praticamente, foi unilateral, monólogo. Quase ninguém se manifestou, mas pedimos a condescendência dos senhores para que, quando algum Deputado chegasse, mediante tantos compromissos que temos, que os convidássemos para compor a Mesa e cada um fizesse uso da palavra durante 3 minutos. Então, logo após o Deputado Arnaldo Faria de Sá complementar seu raciocínio, ele que é o Relator da PEC nº 534, de autoria do Senador Romeu Tuma, passaremos a palavra para os outros Deputados que aqui chegaram e, findando esta Mesa, passaremos a uma segunda Mesa, em que, inclusive, os demais expositores já se encontram presentes. Agradecemos à Guarda Municipal que chegou de diversos Estados do País a presença, eles que fizeram essa caminhada desde a Catedral até o Congresso Nacional de maneira serena, pacífica, ordeira, demonstrando realmente que o que queremos é essa sintonia entre todas as esferas no sentido de assegurarmos uma segurança pública que leve mais paz ao cidadão brasileiro. O Deputado Arnaldo Faria de Sá abre mais um espaço na sua fala para que o Inspetor Braga nos apresente a Guarda Municipal que adentra neste instante o Auditório Nereu Ramos. 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR. CARLOS ALEXANDRE BRAGA - Atenção, todos os Guardas Municipais do Brasil em pé. Atenção, Guardas Municipais, sentido! Permissão, excelências. Inspetor Carlos Alexandre Braga, da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo Capital e Presidente da Associação das Guardas Municipais do Brasil e do Estado de São Paulo, apresenta todos os guardas Municipais do Brasil, que clamam aos senhores a aprovação da PEC nº 534, e se colocam à disposição dos senhores. (Palmas.) O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - À vontade. O SR. CARLOS ALEXANDRE BRAGA - Atenção, guardas, à vontade. O SR. DEPUTADO ARNALDO FARIA DE SÁ - Agradeço ao Deputado Dr. Talmir a devolução da palavra. Eu já tinha falado sobre isso e agora, provocado pelo Braga, responderei ao que ele falou. Na verdade, Braga, acho que aprovar essa PEC depende mais de vocês do que nós, porque precisamos, na verdade, de uma mobilização que tem de ser constante, permanente e de forma contínua junto a todas as delegações partidárias dos vários Estados. Precisamos ter uma garantia de voto de cerca de 380 Deputados para obtermos 308 votos necessários. Eu já disse, Braga, e é do seu conhecimento, que temos um adversário de peso: as Polícias Militares não querem o poder de polícia das Guardas Municipais. Temos de fazer uma mobilização para garantir que teremos votos suficientes para que essa PEC seja aprovada. Se levarmos a PEC para votação e perdemos, isso matará toda a nossa expectativa. A PEC já está aprovada no Senado Federal. Falta só ser aprovada na Câmara para entrar em vigor. É apenas um ato do Presidente da Câmara e do Senado fazer a promulgação dessa PEC. Portanto, temos de fazer uma grande mobilização, porque você sabe, Braga, que a pressão das Polícias Militares contra nós é muito grande. Já disse anteriormente e repito que, na época da tramitação na Comissão Especial, você acompanhou tudo, o Comandante da PM de São Paulo pediu que não aprovássemos essa PEC. Depois que ele foi para a reserva, foi comandar a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. Graças a Deus, não está mais, mas foi lá 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 abrir as portas para cerca de 40 coronéis e oficiais entrarem na administração municipal. Temos de acabar com essa história, porque todo coronel da ativa é contra a guarda e, quando vai para a reserva, quer comandar a guarda e mandar na gente. (Palmas.) Na verdade, acho que, para melhorarmos a segurança pública no Brasil, precisamos de polícia comunitária, e quem fará polícia comunitária são vocês, guardas municipais, que conhecem a cidade, todos aqueles que nela tramitam e têm a oportunidade de fazer a verdadeira polícia comunitária. Na verdade, nós temos que dizer para a Polícia Militar, com todas as letras, que tem vagabundo para todo o mundo, para eles e para nós. Nós sabemos o que acontece na cidade de cada um de vocês. (Palmas.) Gostaria de aproveitar essa mobilização — fazia tempo que eu não via tanta mobilização das Guardas Municipais — para que, Estado por Estado, mapeássemos quais os Deputados que podemos ter de apoio. Não tenho a mínima dúvida de que, para melhorarmos a segurança pública, temos que dar poder de polícia para as Guardas Municipais. Parabéns. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Com a palavra o Deputado Federal Professor Setimo. Para quem acabou de entrar no recinto, quero comunicar que fizemos um acordo prévio de que a todos os Deputados que adentrassem no auditório nós concederíamos a palavra por 3 minutos, considerando que os Parlamentares às vezes têm 4 atividades ao mesmo tempo. Então, aqueles que vierem prestigiar a Guarda Municipal terão 3 minutos para falar, e nós agradecemos imensamente. O SR. DEPUTADO PROFESSOR SETIMO - Inicialmente, a todos os presentes, o nosso cordial bom dia, principalmente a essa belíssima composição de guardas municipais de todo o País aqui conosco. (Palmas.) Mais uma vez saúdo o nosso colega Deputado Dr. Talmir pela iniciativa e o Deputado Arnaldo Faria de Sá, que é um guerreiro nesse campo da organização e de dar à Guarda Municipal o poder de polícia, a legalização nas ações dentro do 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 município. Nós temos na pessoa do Deputado Arnaldo Faria de Sá esse guerreiro incansável e que merece de todos nós os nossos aplausos. (Palmas.) Quero fazer um breve histórico, porque o tempo é curto. Quando Vereador da minha cidade no Estado do Maranhão, ali elaborando, como Relator, a Lei Orgânica do Município, eu ali já criava, em 1989, a Guarda Municipal da minha querida cidade de Timon, dando poderes ao Prefeito para a criação da Guarda Municipal. Isso em 1989, quando eu era Vereador. Depois de um longo tempo, a Prefeita, a Professora Socorro, realizou essa proposta da Lei Orgânica e criou na nossa cidade a Guarda Municipal com 80 guardas. Essa Guarda hoje está exercendo o seu trabalho na cidade de Timon. Eu sou defensor das Guardas. Na realidade, hoje, o Governo Federal reconhece, através do PRONASCI, que é necessário que exista uma interação, e essa interação tem como elemento coordenador a Secretaria Nacional de Segurança Pública. É necessário que haja uma operação em que estejam incluídas a Polícia Federal, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária, a Guarda Municipal, a Polícia Civil. Tem que haver essa interação como parceria, porque quem vive dentro do município é que conhece, na realidade, a sua situação social, e a Guarda funciona como uma polícia comunitária. Por exemplo, nos Estados Unidos, dentro do município, quem dá o comando à polícia é o prefeito. A polícia militar, dentro do município dos Estados Unidos, o comando da guarda é coordenada por um eleito escolhido pela comunidade. Isso faz com que a guarda municipal não possa, de maneira alguma, ampliar os seus poderes dentro do Estado mas dentro do município onde o concurso é realizado. Por exemplo, na minha cidade, só participou do concurso quem tinha o segundo grau. Foi um ano de formação, um ano de capacitação da Guarda Municipal e ainda estamos em processo probatório. Não é fácil comandar uma guarda no município em que a formação ainda está na fase experimental, mas essa é a saída. Como disse o Deputado Arnaldo Faria de Sá, nós precisamos mobilizar os Deputados de todos os Estados para que possamos aprovar a PEC nº 534 a fim de dar à Guarda Municipal o seu devido direito de ação dentro do município. (Palmas.) 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 A Câmara criou agora uma Comissão Especial e eu fui convidado para ser o Relator da regulamentação do Estatuto do Agente de Segurança Privada e de outras providências, como reger também a questão de serviço prestado de segurança privada. Há uma relação muito grande entre a relação pública e a relação privada e há um ponto em comum. Estamos tratando, discutindo para chegarmos a um acordo. Vejam bem, porque este ponto é importante. No Projeto de Lei nº 4005 há um ponto muito importante na profissão do agente de segurança privado. É porque muitos policiais militares, policiais civis, nas suas horas de folga querem fazer o papel de agente de segurança privada. Nesse estatuto nós vamos proibir a participação de policiais militares e civis ocupando o serviço de segurança pública e privada. (Palmas.) Há também muitos municípios no Brasil em que a guarda é simplesmente um departamento formado por policiais aposentados que exercem a função de Guarda Municipal. Outros municípios pegam os vigias mais antigos e colocam para fazer o serviço de Guarda Municipal. Então, nós precisamos regulamentar com urgência a profissão e dizer que a saída, para que haja segurança maior nos municípios, está na Guarda Municipal. Muito obrigado pela oportunidade. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Senhoras e senhores, neste momento gostaria de agradecer pela presença aos Exmos. Deputados Rubens Otoni, João Paulo Cunha, Pedro Wilson, Vicentinho e Mauro Nazif. Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado João Paulo Cunha. O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Enquanto o Deputado João Paulo Cunha se dirige à tribuna, nós solicitamos ao Deputado Mauro Nazif que tome assento junto à Mesa. O SR. DEPUTADO JOÃO PAULO CUNHA - Sr. Presidente da Comissão de Legislação Participativa, Dr. Talmir, do PV de São Paulo; Deputados Rubens Otoni, Pedro Wilson, Vicentinho, Professor Setimo, Mauro Nazif, nosso companheiro, demais Deputados e Deputadas, membros da Guarda Municipal, quero iniciar minha fala saudando a criação, nesta semana, da Guarda Municipal da Cidade de Carapicuíba, São Paulo, que já está presente neste ato. (Palmas.) 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Quero dizer para vocês que esta mobilização vem em boa hora, porque há um divórcio muito grande entre a prática da segurança pública no nosso País e os princípios inseridos na Constituição de 1988. Há, efetivamente, um mundo diferente de 1988, em particular no que diz respeito à segurança pública. Quando os Constituintes fizeram a nossa Constituição, estabeleceram ali a responsabilidade da segurança pública, e o nosso País, por conta do seu crescimento, em particular no mundo urbano, passou a adotar a criação das Guardas Municipais como uma política pública em quase todos os municípios, iniciando pelos grandes, mas hoje em uma parte grande das nossas cidades. Eu não teria aqui o número, mas hoje devem ser em torno de mil os municípios do nosso País que já contam com a Guarda Municipal. A criação dessas guardas mostra, na realidade, em particular nos últimos anos, que a instituição Guarda Municipal passou a fazer parte do sistema de segurança público do nosso País. Se não adequarmos a nossa Constituição à realidade, continuaremos com esse divórcio, ou seja, a segurança pública em vários municípios é exercida em larga escala pela Guarda Municipal sem o reconhecimento constitucional. Temos emendas à Constituição de 14 anos já tratando da mudança do papel da Guarda Municipal. Montamos a Comissão, esta Comissão trabalhou, já fez o parecer e agora nós precisamos, então, fazer o seguinte. Permitam-me aqui sugerir aos nossos Deputados que estão coordenando, Dr. Talmir, Arnaldo Faria de Sá e tantos outros, e à coordenação nacional, dois movimentos: o primeiro é mostrar para a Câmara dos Deputados o papel que a guarda cumpre hoje nas nossas cidades; o segundo é buscar o apoio da sociedade brasileira, o que, tenho certeza, todas as guardas já o têm. Para quê? Para aprovarmos o estatuto. Já está na hora disso acontecer. Esses dias, o PRONASCI chegou aqui na Câmara e nele não constava o Programa de Formação para a Guarda Municipal. Foi este Congresso que o inseriu ali, gente! Foi o Congresso que inseriu a participação das guardas no PRONASCI. Por quê? Porque não havia, até então, esse reconhecimento, e nós precisamos reconhecer e mostrar que as nossas Guardas querem ter a sua autonomia operacional. A autonomia da Guarda pressupõe definir a sua ação de acordo com a 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 realidade, de acordo com o tamanho do seu corpo, de acordo com o tamanho dos seus equipamentos. Ela pode definir isso. Ou melhor, ela é quem deve definir sua autonomia financeira, respeitando aquilo que nós chamamos de pacto federativo em nosso País. Então, as Guardas Municipais do nosso País hoje têm essas duas tarefas: primeiro, convencer a Câmara junto com todos nós aqui, Deputados, e, segundo, ganhar o apoio da sociedade. Para quê? Para dar poder efetivo de polícia para a Guarda Municipal. Na realidade, nada mais faremos do que reconhecer o trabalho que vocês fazem, que é garantir a segurança para o cidadão brasileiro. (Palmas.) Quero encerrar dando parabéns a vocês, primeiro, pela mobilização e, segundo, aos Deputados que tomaram a iniciativa. Vamos continuar trabalhando. Sou um ardoroso defensor de que a nossa Guarda Municipal tem que ter esse papel para poder, cada dia mais, garantir a segurança dos nossos cidadãos. Parabéns às Guardas Municipais do Brasil! (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Gostaria de chamar à frente o Sr. Inspetor Braga e o Comandante Naval, para fazer a entrega do documento. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Pediria que todos nós, Deputados que compomos a Mesa, ficássemos de pé e que o Deputado Arnaldo Faria de Sá viesse aqui para o meio, juntamente com o Inspetor Braga e o Presidente, que foi quem, realmente, idealizou este seminário. V.Exa. foi a pessoa que fez, de corpo e alma, este momento ocorrer. O SR. MAURÍCIO DOMINGUES DA SILVA - Em primeiro lugar, Presidente, integrantes da Mesa, quero agradecer sem maiores formalidades, do fundo do meu coração, a colaboração de cada guarda municipal, de cada cidade, de cada Estado deste País maravilhoso. Confesso que ainda não havia colocado em prática o nosso chamado, que seria atendido à altura. Quero agradecer ao Dr. Talmir a colaboração porque, assim que lhe procurei e falei a ele da possibilidade de realizarmos, juntamente com a Marcha AzulMarinho, o seminário, ele se prontificou. 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Agradeço também a todos os presidentes, diretores de associações, de sindicatos. Sei que há um grande número de sindicatos — já chegaram às minhas mãos mais de 30 —, principalmente o Presidente da AGMESP. Neste momento, passaremos às mãos do Presidente desta Comissão, Deputado Roberto Britto, e do nosso Deputado Arnaldo Faria de Sá, Relator da PEC nº 534, um documento, que depois será passado para o Presidente da AGMESP, que irá explicar, mais uma vez, como nascemos e a que ponto chegamos. O SR. CARLOS ALEXANDRE BRAGA - Gostaria de agradecer ao Deputado Dr. Talmir pela ajuda que está dando às Guardas Municipais e a todos os Deputados que estão presentes nos prestigiando, ao Deputado Arnaldo Faria de Sá e, principalmente, a todos os guardas do Brasil presentes, todas as entidades, enfim, todos os que estão aqui demonstrando a força do Azul-Marinho. O Azul-Marinho, Deputados, já exerce o poder de polícia que tem. Esse documento que irei entregar aos senhores representa a soma de 4 milhões de assinaturas a favor da aprovação da PEC nº 534. (Palmas.) A população brasileira já reconhece as Guardas Municipais. Agora, pedimos, clamamos e esperamos que os nobres Deputados aprovem a PEC nº 534. Saudações Azul-Marinho! (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Senhoras e senhores, apenas ratificando: o Sr. CD Naval. (Palmas.) Com a palavra o Exmo. Deputado Pedro Wilson. O SR. DEPUTADO PEDRO WILSON - Bom dia a todos e a todas, guardas de todo o Brasil, a segurança se dá na cidade, na rua, no bairro. Por isso, Presidente desta Comissão, Dr. Roberto Britto; Deputado Dr. Talmir, Deputado Vicentinho, Deputado Mauro Nazif, Deputada Nilmar Ruiz, Deputado Rubens Otoni, nosso Líder em Goiás; Deputada Sueli Vidigal, Deputado João Paulo, nosso Presidente da Casa, peço permissão para saudar todos os guardas municipais da Guarda de Goiânia, com a qual tive a honra de ter convivido. Guarda não é para proteger o Prefeito, o Vereador, o Deputado ou o Coronel, mas a população da sua cidade, o meio ambiente, as crianças e os adolescentes. (Palmas.) É importante valorizarmos a Guarda Municipal. 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Temos 3 fatos importantes. Um deles é a aprovação da PEC. E aí os senhores cobrem porque, às vezes, alguns Deputados fazem discurso mas, depois, não votam. Na condição de Deputado, digo que precisamos receber os senhores, mas, na hora do plenário, como disse bem aqui o Deputado Arnaldo Faria de Sá, temos que ter um número legal, um número alto para votar. Porque, às vezes, podese ganhar mas não se atingir a maioria, porque se trata de uma proposta de emenda constitucional. Então, os senhores têm o desafio de cobrar, aqui e em cada Estado, o compromisso do Deputado e do Senador de que ele deve, não só no discurso, mas na prática, mudar a legislação. Além da PEC, temos um segundo fato muito importante e os senhores devem procurar participar. No final de agosto, o Presidente Lula e o Ministro Tarso Genro estabeleceram, pela primeira vez no Brasil, a discussão sobre segurança pública e cidadania. Iremos realizar a Conferência Municipal em Goiânia — precisamos que ela ocorra lá, e não sei se já foi convocada; deixo o meu apelo para o Prefeito e para a Câmara Municipal. Iremos convocar a Conferência Estadual; e, na Conferência Nacional, espero vir como delegado, inclusive para buscar a criação de um sistema único de segurança pública que inclua o município e a Guarda Municipal como dados importantes. Tivemos um desvio no Brasil de modo que, ao invés das Guardas Municipais, cresceu o serviço terceirizado de vigilância. Nada contra a área de segurança pública privada, mas a pública é fundamental, porque ela tem o dado legal para agir para a proteção do cidadão e da família. Por isso acho importante termos a Guarda Municipal na escola, no parque, na rua, trabalhando com a população. Espero que os senhores participem da grande Conferência Nacional de Segurança Pública e Cidadania para que possam apresentar mudanças que vão inclusive na linha da PEC. Parabéns às Guardas de Goiânia, do Rio Grande do Sul, de São Paulo. Os senhores lembram que, em um período, não se aceitavam as mulheres. Hoje, as mulheres estão lá também, porque homens e mulheres é que devem fazer a segurança do Brasil e de cada cidade. Um abraço e felicidades. Contem com o Deputado Pedro Wilson, com o PT, com o Ministro Tarso Genro e o Presidente Lula. (Palmas.) 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Deputado Rubens Otoni. O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Antes de S.Exa fazer uso da palavra, gostaria de anunciar a presença entre nós da Deputada Nilmar Ruiz, uma mulher que vem abrilhantar a nossa mesa só de homens. (Palmas.) Na pessoa dela, parabenizo as mulheres presentes — levantem as mãos as mulheres! Cadê as mulheres?. (Palmas.) Parabéns. Agradecemos, de antemão, a alguns Deputados a disponibilidade de ter feito o uso da palavra, como o Deputado Pedro Wilson, que é da cidade de Goiânia e que agora está saindo do recinto em consideração a outros compromissos previamente agendados. O SR. DEPUTADO RUBENS OTONI - Bom dia a todos e todas. Com muita honra, satisfação e orgulho, partilho com vocês deste momento que é histórico e simbólico na nossa caminhada de avanço na discussão da segurança pública. Parabenizo a Comissão de Legislação Participativa por meio do seu Presidente e Vice-Presidente, os Deputados que aqui trazem o seu apoio, a organização do seminário e, de maneira especial, cumprimento a cada um e a cada uma que vêm de vários municípios do nosso País para demonstrar a capacidade de mobilização mediante a Marcha Azul-Marinho. Acima de tudo, devemos ser capazes de sensibilizar os Deputados, as Deputadas e a sociedade. O momento é oportuno para discutirmos segurança pública. O mundo mudou, o Brasil mudou e precisamos mudar a nossa legislação para cumprir o papel importante que temos, o compromisso que temos na garantia da segurança pública, não apenas para o patrimônio mas para a população. As Guardas Municipais têm este papel, têm esta importância: garantir a segurança não apenas do patrimônio, não apenas do imóvel, mas a segurança da população, da comunidade, do cidadão e da cidadã. Por isso viemos trazer o nosso apoio não apenas como Deputado, mas o nosso compromisso de estarmos ao lado de vocês na busca do convencimento de outros Parlamentares e também na busca que julgo o mais importante: buscarmos o convencimento da sociedade brasileira do papel real da Guarda Municipal e o que ela tem a dar como contribuição para a segurança pública no nosso País. Um grande abraço. Contem conosco, estamos ao lado de vocês. (Palmas) 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Vicentinho. O SR. DEPUTADO VICENTINHO - Bom dia companheiras e companheiros; bom dia nossos comandantes e as nossas comandantes, bom dia Dr. Talmir, em nome de quem saúdo todos os meus colegas Deputados presentes. Sou um Deputado ligado à classe trabalhadora. Sou morador de São Bernardo do Campo. Envolvido com as greves por muito tempo — inclusive o nosso sindicato completa 50 anos e vocês estão convidados para ver um painel que está sendo exposto no corredor e assinem a lista de presença depois. Lá eu ouvi falar que a Prefeitura Municipal de São Bernardo criou uma Guarda Municipal modelo, padrão, motivo de orgulho. De repente, começaram a me procurar no sindicato: Vicentinho, eu não aguento mais; sou guarda municipal e estou sendo humilhado, estou sofrendo assédio. Quando é para pedir direito não podemos pedir, porque não temos direito à negociação — inclusive há uma PEC de minha autoria, que peço aos Deputados que me ajudem a aprovar, a PEC 129, que garante na lei a negociação para o servidor público. Quando fazemos greve, dizem que não podemos porque somos militares. Não somos militar. Estou passando por necessidade... Até que um dia esses irmãos resolveram fazer uma greve. Vocês ouviram falar dessa greve. Foi uma greve difícil. Havia um Comandante chamado Coronel Branco. Quem o conhece? Esse Coronel Branco comandava essa Guarda e não dialogava. Fomos obrigados a montar um plantão na Guarda Municipal, ficamos de madrugada, à noite; mandaram gente acompanhar por causa do temor da perseguição. Até que, um dia, esses nossos irmãos deram os braços. Um guarda chamado Amintas, não aguentando mais, ameaçou se suicidar diante do Paço Municipal. Meus companheiros, essa situação parece comum em todos os lugares. Entendo ser preciso aprovarmos essa PEC, a defesa da dignidade do profissional municipal. Não é nenhum conflito contra a Polícia. Aliás, sou defensor de que policial ganhe um bom salário, ganhe adicional noturno, para não fazer bico. Inclusive há um projeto de minha autoria sobre isso. Mas é preciso que a cúpula entenda que esta organização é a mais próxima da comunidade, é a que tem os seus direitos e é por isso que não posso deixar de manifestar o meu apoio a essa 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 luta, que agora veio para o Congresso, no sentido da regulamentação, da aprovação dessa digna categoria que, se for aprovada, dará o melhor exemplo de cidadania, de comunidade, porque vocês moram junto ao povo pobre e sabem muito bem como tratá-lo. Há alguns dias vi em São Bernardo um caso que me deixou doído. Tudo bem que isso não é orientação da Polícia, mas pediram a um jovem que chegou num mercado a identificação e ele se recusou a apresentá-la; ele foi jogado no camburão como se fosse um bandido. A guarda não tem essa orientação. É preciso que compreendamos isso. Acho que por vocês serem gente como a gente... Os policiais também são, mas como é um militarismo danado, e tem que acabar essa lei do militarismo. O policial tem que ser um guarda público. Infelizmente, os nossos soldados são treinados para essa postura violenta, parece que estão em guerra permanente com a sociedade, e não podem estar em guerra; têm que conviver, separar o joio do trigo, porque senão vamos viver numa violência profunda. Por isso que a nossa Guarda, hoje sob o comando de um civil, o Benedito Mariano, que é muito respeitado, está muito feliz com ele, porque ele dialoga. Em homenagem à Guarda de São Bernardo, em homenagem ao Amintas, que quase perdeu a vida — só não perdeu porque errou o tiro, graças a Deus —, estou aqui para dizer que estou com vocês até o fim. Boa sorte! (Palmas) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Mauro Nazif. O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Peço aos queridos Deputados, que procurem se pronunciar no prazo de 3 minutos. Todos do Parlamento adoramos parlar e, em consideração a vocês, ao cansaço da viagem, aos outros expositores, agradecemos imensamente a brevidade. É importante a votação do Deputado e pedimos que fizessem uso da palavra, porque quando a pessoa se expressa, ele se compromete, pois está tudo sendo gravado e registrado. Com a palavra o Deputado Mauro Nazif. 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR. DEPUTADO MAURO NAZIF - Bom dia a todos. Cumprimento o Deputado Dr. Talmir, e em seu nome todos os nobres Parlamentares que compõem esta Mesa. Cumprimento todas as senhores e senhores da Guarda Municipal que representam todos os Estados do nosso País. Dr. Talmir, temos a Polícia Federal, as Polícias Militares, as Polícias Civis, as nossas Polícias Legislativas. Se formos fazer uma pesquisa nos mais de 5 mil municípios do nosso País e perguntarmos às comunidades qual o maior problema que existe em sua comunidade, não tenho a mínima dúvida de que será apontada a segurança pública. A falta de segurança é tão grande no nosso País que, mesmo com a formação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária, da Polícia Militar, da Polícia Civil e de tantas outras, o maior problema que existe no nosso País é falta de segurança pública. Temos na Casa inúmeros projetos tramitando sobre todas as Polícias, e defendemos todos — quero deixar isto muito bem claro: defendemos todos as Polícias. Agora, quando vejo chegar na Guarda Municipal, que é um incremento à segurança, observamos setores que não querem a sua entrada nos seus respectivos municípios. Nós temos que questionar por que não querem. Por que não a Guarda Municipal, que é, sem dúvida, a que está mais próxima de toda a sociedade? Não tenho a mínima dúvida. E a Guarda Municipal não significa apenas um serviço de segurança, ela significa um serviço social prestado a todas as sociedades e comunidades daquela localidade. Hoje, estamos discutindo aqui a PEC nº 534, que está chegando. Essa PEC diz que poderá ser autorizada a criação das Guardas Municipais. E eu defendo que “deverá” haver as Guardas Municipais. Nós não podemos deixar brecha, porque com a palavra “poderá” cria quem quiser. Os Municípios que entenderem que elas não devem ser criadas não criarão. E para todos os Municípios que têm a sua Guarda Municipal, automaticamente o Fundo Nacional de Segurança Pública será repassado. Então, em nome do Estado de Rondônia, em nome dos Municípios do Estado de Rondônia, em nome dos mais de 5 mil Municípios do nosso País, defendemos para agora a PEC nº 534. Que seja muito bem-vinda a Guarda Municipal. Estamos juntos nesta luta. 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Muito obrigado a todos. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Chico Abreu. O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - O Deputado Chico Abreu vai passar a palavra à Deputada Nilmar Ruiz. Antes de a Deputada fazer uso da palavra, pedimos ao Deputado Roberto Britto, Presidente da Comissão de Legislação Participativa, que assegurou este seminário junto com toda a nossa assessoria, a que parabenizamos na pessoa da Sônia, que faça uma consideração final. Tendo outro seminário da mesma Comissão aqui no Congresso Nacional, S.Exa. vai fazer uso da palavra e se retirar do recinto. Fique à vontade, Deputado. O SR. DEPUTADO ROBERTO BRITTO - Dr. Talmir, autor do projeto, senhoras e senhores guardas municipais, a Comissão de Legislação Participativa é o elo que une a sociedade ao Congresso Nacional. O requerimento do nobre Deputado Dr. Talmir em boa hora traz a esta Casa tantos guardas e tantas guardas municipais. Nós sabemos perfeitamente da justeza desta causa, e a Comissão de Legislação Participativa, com todos os seus membros, abraça esta causa por entender que é justa e perfeita. Sabemos também que, como disseram muito bem os Deputados Dr. Talmir e Arnaldo Faria de Sá, precisamos da mobilização dos senhores. É preciso que esse movimento não pare aqui, hoje, nesta Casa. É preciso que a esse movimento seja dada continuidade, para que haja uma sensibilização do Presidente da Casa e que ele possa colocar essa matéria em pauta. Tenham certeza absoluta, todos vocês, guardas municipais, de que a Comissão de Legislação Participativa estará sempre ao lado da gloriosa Guarda Municipal. Terei de sair neste instante porque vou presidir outro seminário da Comissão de Legislação Participativa. Hoje, durante o dia, os senhores terão a oportunidade de questionar, de dialogar. No final deste seminário, sairá um documento que será apensado à PEC. Nós estaremos juntos na luta pela gloriosa Guarda Municipal. 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Muito obrigado e um bom dia. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra a Exma. Sra. Deputada Nilmar Ruiz. A SRA. DEPUTADA NILMAR RUIZ - Bom dia a todos os presentes. Quero cumprimentar a Mesa, por intermédio dos Deputados Roberto Britto e Dr. Talmir. Parabenizo também o Relator da PEC nº 534, Deputado Arnaldo Faria de Sá. Cumprimento todos os guardas metropolitanos e guardas metropolitanas de todo o Brasil por intermédio dos representantes do meu Estado do Tocantins. Fiz questão de vir até aqui para, mais do que fazer um discurso, dar o meu depoimento na qualidade de Prefeita de Palmas que fui de 2001 a 2004. Naquele momento, tínhamos a Guarda Metropolitana, cuja responsabilidade era apenas zelar pelo patrimônio público. Mas, a partir do fortalecimento da Guarda, ela passou a cuidar não apenas da segurança da comunidade, mas principalmente da prevenção da segurança. E a Guarda assumiu o papel, eu posso dizer assim, de anjo da guarda da comunidade da nossa cidade Palmas, capital do meu Estado do Tocantins. Durante 4 anos, tivemos a oportunidade de ver não só uma comunidade mais segura, mas, mais do que isso, crianças e jovens sendo envolvidos em muitas atividades, como as da Banda Mirim da Guarda Metropolitana de Palmas, as do Projeto Esporte na Escola, as do Projeto Guardião Escolar, em que um guarda metropolitano vai para dentro da escola. Isso fez uma fundamental diferença na nossa cidade. Vimos a importância da Guarda Metropolitana quando da greve da Polícia Militar, em que a nossa cidade ficou entregue –– toda a questão da segurança –– à Guarda Metropolitana. Só que a nossa PEC nº 534 precisa ser aprovada, porque temos que estabelecer claramente as competências e atribuições da Guarda. Precisamos desvincular as Guardas Metropolitanas da Polícia Militar. (Palmas.) Precisamos dar autonomia à nossa Guarda Metropolitana, para que não tenhamos perseguição de comando, para que possamos ter uma Guarda Metropolitana respeitada pelos prefeitos, sem a possibilidade de determinada gestão modificar o seu trabalho. Também para que ela possa atuar da forma como estamos vendo atualmente dentro da Prefeitura de Palmas. 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Para os senhores terem uma idéia, para que nós hoje aqui contássemos com a representação da Guarda Metropolitana de Palmas, precisei fazer uma ação direta. O boicote foi tanto, que aqueles que vinham tiveram seus plantões modificados para que não pudessem estar aqui neste momento, junto com todos os senhores, lutando por um direito que vai somente beneficiar o nosso Brasil e a nossa comunidade. (Palmas.) Quero aqui hipotecar o meu apoio irrestrito à aprovação da PEC nº 534. Quero aqui hipotecar o meu apoio e o meu carinho a todos os senhores e o meu reconhecimento ao que representa a Guarda Metropolitana de Palmas, a Guarda Municipal de Porto Nacional, a Guarda Metropolitana do Estado do Tocantins. Queremos uma Guarda Metropolitana forte nas nossas cidades, queremos segurança para o nosso povo. Parabéns a todos que estão nessa luta. Tenho certeza de que irá representar muito para o nosso Brasil. Parabéns e vamos, sim, à aprovação da PEC nº 534. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Chico Abreu. O SR. DEPUTADO CHICO ABREU - Bom dia às senhoras e aos senhores. Todos são bem-vindos. Sei que aqui há pessoas de várias regiões e cidades do País. Cumprimento o Presidente desta Mesa, Dr. Talmir, Deputado Federal por São Paulo; o Deputado Marcelo Itagiba, Deputado do Estado do Rio de Janeiro; e a Deputada Nilmar Ruiz, Deputada do Estado do Tocantins. Cumprimento os representantes da Guarda Municipal da minha querida cidade de Aparecida de Goiânia, Estado de Goiás. (Palmas.) Cumprimento o Vereador Gustavo Mendanha, também da minha cidade. Obrigado, Vereador. Cumprimento o Coronel Camelo, Comandante da Guarda Municipal de Goiânia. (Apupos.) Pessoal, este aqui é um ambiente democrático para a discussão, para o debate. Acho importante a presença do Coronel aqui, porque é o Comandante da Guarda Municipal de Goiânia. Gostaria de dizer da importância das Guardas Municipais nas cidades onde elas já foram constituídas. A Guarda Municipal é o primeiro rosto que o cidadão 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 encontra nos departamentos públicos municipais. É aquele rosto que, com alegria, recebe o cidadão para, inicialmente, dar as informações de que ele necessita quando procura um órgão público municipal. (Palmas.) A Guarda Municipal tem também o importante papel de preservar o patrimônio público municipal e colaborar com a segurança pública do Município. Por quê? Porque a Guarda Municipal está presente em toda a cidade. Dessa forma, ela pode prestar informações, pode colaborar com o cidadão, com a criança, com o jovem que às vezes está fora de hora na rua. Ela dá proteção também ao cidadão nas suas rondas noturnas ou diárias nas cidades. A Guarda precisa ampliar os seus serviços. Mas, para isso, precisamos regulamentá-la por meio de legislação federal e legislação municipal. É para isso que estou aqui, que os Parlamentares estão aqui. Nós estamos com os senhores, para apoiá-los na aprovação da PEC, na aprovação de leis que venham regulamentar o funcionamento das Guardas Municipais, a fim de que elas possam, de forma livre, exercer o seu papel de colaboradoras da sociedade. (Palmas.) Coloco-me à disposição, assim como todos os Parlamentares presentes. Todos estão com o espírito de colaboração, a fim de que se possa aprovar a PEC e aprovar as demais leis que regulamentam o papel das Guardas. Deixo aqui o meu abraço. Muito obrigado. Sejam bem-vindos a Brasília. Por meio dessas manifestações é que irão conquistar os seus anseios. Muito obrigado e um abraço. Que Deus abençoe a todos. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Marcelo Itagiba. O SR. DEPUTADO MARCELO ITAGIBA - Bom dia a todos. Antes de qualquer coisa, gostaria de me apresentar. Eu me chamo Marcelo Itagiba, sou Delegado de Polícia Federal, estou Deputado Federal e exerci o cargo de Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Fico muito à vontade para estar aqui hoje junto aos senhores, porque esse tema me interessa e deste debate eu já faço parte. E faço parte não só através do discurso, mas faço parte através da ação. 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Talvez muitos dos senhores não saibam, mas existe um projeto de emenda à Constituição de minha autoria, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, assegurando às Guardas Municipais papel principal na questão da segurança pública e não mero papel de coadjuvante. (Palmas.) Nós temos que ousar, nós temos que modificar, nós temos que aprimorar a nossa forma de atuação. O que estamos vendo em todo o Brasil é que o atual sistema repressivo penal não atende às necessidades da população. Eu sou da cidade do Rio de Janeiro, que fica no Estado do Rio de Janeiro, que fica localizado no Brasil. Logo, o meu primeiro lugar de moradia é a cidade. Ninguém mora no País, mora na cidade. Quem tem de cuidar da cidade são aqueles que têm de ter a responsabilidade pela administração da vida dos munícipes. E isso cabe a quem? Cabe ao prefeito. Que o prefeito deve fazer? Justamente fazer cumprir as normas e as posturas municipais. A quem cabe o dever de fazer cumprir essas normas e posturas municipais? Não cabe à Polícia Civil, não cabe à Polícia Militar, mas cabe, sim, às Guardas Municipais de todas as cidades do nosso País. (Palmas.) No meu projeto de emenda à Constituição eu não retiro a atribuição de quem quer que seja. Eu dou, sim, a devida e correta atribuição a todos aqueles atores da segurança pública. Então, nas posturas municipais, cabe aos guardas municipais. Proponho uma coisa ousada, que é a estadualização da Lei das Contravenções Penais, porque hoje ela é uma lei federal. Mas uma lei federal tem de ser aplicada por igual em todo o território nacional, quando sabemos que cada Estado tem a sua peculiaridade. Portanto, se cada Estado tem a sua peculiaridade, tem de ter uma lei própria que possibilite disciplinar essa questão. O Rio Grande do Norte não é igual ao Rio Grande do Sul. O Paraná não é igual ao Ceará. Portanto, precisamos da estadualização da Lei das Contravenções e um papel importante a ser desenvolvido pelas Polícias Militares nesse específico mister. Deixo reservado aquilo que é violência contra a pessoa, aquilo que é violência contra o patrimônio da pessoa ao processo de investigação das Polícias Civis e das Polícias Federais, numa legislação penal, federal, como hoje nós temos. Dessa forma, faríamos a modernização e a adequação do sistema repressivo penal, para termos todas essas instituições, que são importantes, trabalhando de 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 forma integrada, de forma conjunta e não de forma subordinada — um departamento de Polícia subordinado a outro. Cada um tem o seu papel, cada um tem a sua obrigação e cada um deve ter sua independência, de forma integrada, para exercer não o que as corporações desejam, mas aquilo que a população exige de todos nós. (Palmas.) Espero poder contar com o apoio dos senhores para essa PEC, que, se aprovada na Comissão de Constituição de Justiça, vai à Comissão Especial, onde poderá ser aprimorada pelas sugestões dos senhores através das suas representações de classe. Por fim, quero fazer aqui um libelo de acusação contra todos aqueles que acham que podem submeter as Guardas Municipais a um sistema que não é estatutário, que querem submeter as Guardas Municipais a um sistema celetista, como existe no Rio de Janeiro, fazendo com que a ingerência política se sobreponha aos ideais de segurança pública da nossa população. (Palmas.) Portanto, senhores, peço para caminharmos unidos, juntos, porque, como já dizia o poeta na música que fez revolução neste País, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” À vitória! (Palmas prolongadas.) (Manifestação no plenário.) O SR. APRESENTADOR - Com a palavra o Exmo. Sr. Deputado Mário de Oliveira. O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Antes de o Deputado chegar à tribuna, faço aqui deferência ao Deputado Federal Marcelo Itagiba, que conduziu tão bem, enquanto Presidente, a CPI dos Grampos. No Congresso Nacional, temos Deputados de referência, Deputados que realmente demonstram, no seu dia-a-dia, que trabalham. Oxalá, este seminário fosse veiculado por toda a mídia nacional, que, muitas vezes, penaliza o trabalho do Deputado, demonstrando que todos os segmentos têm algumas coisas imperfeitas. Oxalá todos os discursos de hoje, de todos os Deputados, fossem demonstrados. Obrigado. (Palmas.) 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR. DEPUTADO MÁRIO DE OLIVEIRA - Sr. Presidente da Mesa, demais integrantes deste auditório, primeiramente, quero parabenizá-los pela organização. Estão mostrando aqui unidade, coesão, e que já representam, sem dúvida, uma força muito grande na sociedade. Esse Projeto de Emenda à Constituição nº 534, de autoria do Senador Romeu Tuma, relatado pelo Deputado Arnaldo Faria de Sá, vem ao encontro das necessidades. Já era tempo de as Guardas Municipais, de todos os senhores, integrarem realmente essa força que defende os direitos do cidadão. Sem dúvida, todos vocês serão vitoriosos! (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Senhoras e senhores, para encerrarmos os pronunciamentos, gostaria de passar a palavra ao Exmo. Sr. Deputado Jefferson Campos. (Palmas.) O SR. DEPUTADO JEFFERSON CAMPOS - Bom dia a todos. Cumprimento o brilhante Deputado Dr. Talmir, que convocou esta reunião; cumprimento o Senador Romeu Tuma, que apresentou a PEC nº 534; cumprimento o Deputado Arnaldo Faria de Sá, do meu partido e do Estado de São Paulo, ao qual eu me somo juntamente com os demais Deputados presentes. Serei muito breve e objetivo. Manifestamo-nos aqui em nome dos Deputados do Estado de São Paulo, daqueles com quem pudemos conversar. É muito importante essa pressão positiva que hoje é feita aqui. Todos os que me antecederam falaram sobre a importância deste evento. O Deputado Mário de Oliveira parabenizou a organização deste evento. Não vejo neste auditório, não vejo na minha cidade, Sorocaba, nem no meu Estado guardas de segunda categoria. Não vejo cidadãos de segunda categoria. Vejo cidadãos, guardas que estão trabalhando pelo bem comum e pela segurança da minha cidade. (Palmas.) Por que, então, uma legislação que quer tolher direitos daqueles que estão defendendo vidas e que estão colocando a sua vida em risco; daqueles que deixam suas famílias em casa sem saber se voltam vivos, não apenas pelo patrimônio, mas pela segurança daqueles que estão nas cidades? 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Estou sendo muito objetivo, até pelo tempo que nos foi dado. Quero dizer que aqui eu vejo cidadãos, profissionais de primeira categoria, que precisam desse direito expresso na lei. Podem contar conosco para que isso aconteça. (Muito bem. Palmas.) Afinal, essa mobilização positiva de chegar junto ao Deputado da cidade, de mobilizar a Guarda Municipal, todos nós estamos tendo. Eu quero, em nome do Maurício Naval, parabenizar todas as associações e todos aqueles que têm trabalhado em prol da aprovação desta PEC. O Congresso funciona desta forma, com a participação do povo, que deve vir aqui e sentir o clima. Saibam que nós estamos aqui para aprovar esta PEC. Até a aprovamos, vamos vêlos muitas vezes, ainda. Também quero contar com vocês lá nos seus municípios. Reunam-se e conversem com os Deputados da sua região, para que eles, ao chegarem aqui, não se escondam, mas mostrem a cara e votem favoravelmente às Guardas Municipais. Obrigado a todos. (Palmas.) O SR. APRESENTADOR - Encerramos esta solenidade de abertura e convidamos todos a permanecerem no auditório, para a continuidade dos trabalhos. Tenham todos um bom dia. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Convidamos a fazer parte da segunda Mesa de exposições, que versará sobre o papel dos Municípios na segurança pública, o Dr. João José Barbosa Sana, Secretário de Segurança Urbana de Vitória, Estado do Espírito Santo (palmas); o Dr. Arimar Rocha, Diretor-Geral da Guarda Municipal e Defesa Civil da Prefeitura de Fortaleza, Estado do Ceará; o Inspetor Carlos Alexandre Braga, Presidente da Associação das Guardas Municipais do Brasil e da Associação das Guardas Municipais do Estado de São Paulo (palmas); e o Sr. Maurício Naval, membro da entidade (palmas.). Passo a palavra ao Dr. João José Barbosa Sana, para sua exposição. O SR. JOÃO JOSÉ BARBOSA SANA - Bom dia a todas e a todos. Quero saudar o Deputado Dr. Talmir, em nome de quem saúdo todos os Deputados que por aqui passaram e participaram desta Mesa de abertura. Também quero saudar os componentes do Conselho Nacional de Secretários e Gestores Municipais de Segurança, particularmente o Dr. Ortega, Secretário Municipal de 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Segurança Urbana de São Paulo, aqui presente; a Sra. Amparo Araújo, Secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã do Recife; o Secretário Zaqueu, de Duque de Caxias; o Secretário Itamar, de Curitiba; o Secretário Fernando César, de Cabreúva; o Secretário Arimá, de Fortaleza, que compõe conosco a Comissão Executiva Nacional e faz parte desta Mesa. Queremos saudar também os representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública –– SENASP, que igualmente têm contribuído de forma significativa com a discussão sobre o papel dos Municípios na segurança e a relevante tarefa que pode e deve ser desempenhada pelas Guardas Municipais no contexto da segurança municipal. Solicito ao técnico que projete os eslaides que preparamos para este momento, a fim de que possamos dar sequência à nossa apresentação. (Pausa.) (Segue-se exibição de imagens.) Estamos aqui para falar, basicamente, do programa de segurança do Município de Vitória, o Vitória da Paz, constituído a partir do mês de julho de 2005. Conforme encaminhado no debate interno da administração municipal do Prefeito João Coser, eleito para assumir aquele período e reeleito para o período 2009-2012, precisamos enfrentar esse sério problema da segurança no âmbito do Município. Portanto, o Prefeito recebeu, da população, a missão de transformar a Cidade de Vitória, para que o ambiente lá fortalecesse a paz e a convivência entre os munícipes. Vivíamos uma situação extremamente crítica. Situação que continua sendo difícil, ainda, na região metropolitana da Grande Vitória. Certamente, a nossa região metropolitana continua sendo, ainda hoje, uma das regiões mais violentas do País. A partir daí, começamos a pensar um projeto de segurança que efetivamente desse conta de colaborar com o enfrentamento de todas essas questões relacionadas com a violência. É importante dizer que o Município, tendo ou não Guarda Municipal, pode e deve desenvolver políticas públicas de segurança. Naturalmente que as Guardas Municipais –– e falarei sobre a Guarda de Vitória ao final da minha apresentação –– podem cumprir papel extraordinariamente importante. Mas é necessário destacar que os Municípios têm um conjunto de mecanismos legais que favorecem, portanto, o exercício do poder de polícia, quais sejam, Plano Diretor Urbano, serviço de 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 limpeza e fiscalização sanitária, administração de escolas, postos de saúde e áreas de esporte e lazer. Esses são instrumentos importantes na prevenção do crime, na busca da não-violência e na construção da cultura da paz. Na nossa perspectiva, o papel fundamental do Município se situa na prevenção e no controle da violência. Como já foi falado nesta plenária, a prefeitura é justamente o braço do Poder Público mais próximo da população. Sem dúvida, cabe ao Município, às gestões municipais, dar solução para os muitos problemas que afligem a vida dos munícipes. Assim, em qualquer projeto que queiramos realizar na área de segurança nos Municípios, é fundamental mobilizar e articular a comunidade; estabelecer parcerias com a sociedade civil, com as lideranças dos bairros, com as associações de moradores, com as ONGs, visando ao planejamento e à prática de ações de controle da violência. Naturalmente, entendemos que o eixo desse trabalho dos Municípios se situa no campo da prevenção primária e da prevenção secundária, em especial. Tendo em vista essas considerações, nós elaboramos, na gestão municipal, um conjunto de princípios para nortear o nosso programa de segurança Vitória da Paz. O primeiro desses princípios é o compromisso com a promoção da paz, que é sempre fruto da justiça, é sempre fruto da promoção dos direitos dos cidadãos e das cidadãs. Pensamos também que é fundamental realizar um trabalho de integração intersetorial. Assim, não é possível falar da resolução dos problemas no Município sem pensar numa política de integração com o Governo Federal e com o Governo Estadual, se quisermos ser bem sucedidos. Então, nesse sentido, o Município de Vitória celebrou Convênio de Cooperação Federativa com o Ministério da Justiça, inclusive com a implantação do Programa Nacional de Segurança Pública, o que nos ensejou a possibilidade de realizar uma série de ações, uma série de políticas públicas visando à prevenção da violência, especialmente voltadas para aquele público mais vulnerável, que são os jovens, mas também nos propiciou realizar uma série de políticas públicas voltadas para a nossa Guarda Municipal. A partir do momento que fizemos o convênio do PRONASCI, pudemos ter acesso a um telecentro de formação da Guarda Civil Municipal de Vitória, que 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 possibilita a formação continuada através da grade de cursos proporcionados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. Foi esse convênio também que nos possibilitou o acesso ao Programa Bolsa-Formação, que alia um projeto de formação ao fortalecimento salarial dos guardas municipais. Isso é extremamente importante para um programa de segurança. Também consideramos indispensável nesse processo termos como princípio a intersetorialidade, ou seja, assunto de segurança não é assunto só da Secretaria Municipal de Segurança, nem só da Guarda Civil Municipal. Nele têm de estar envolvidos o Secretário de Saúde, o Secretário de Educação, o Secretário de Assistência Social, o Secretário de Cidadania e Direitos Humanos, o Secretário de Habitação, o Secretário de Cultura e o Secretário de Esportes. Assim é que temos, dentro do modelo de gestão municipal, um comitê de políticas sociais que articula todas essas Secretarias. E conseguimos fazer, portanto, um debate integrado de todas as políticas municipais, inclusive das políticas municipais de segurança. Outro elemento fundamental nesse processo é assegurar, Dr. Talmir, a participação da sociedade. A participação da sociedade se faz através do Fóruns Civis Regionais de Segurança Urbana, que ocorrem nas 8 regiões administrativas do Município. Também se dá através de audiências públicas entre o Município, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o fórum de entidades institucionais da área de segurança. Então, temos a oportunidade de proporcionar aos munícipes a exposição das suas demandas e a tentativa de uma resposta conjunta, integrada, a esses problemas. Também temos reuniões mensais do Conselho Municipal de Segurança Urbana. É importante dizer que, por conta desse programa de integração das ações de segurança e por força do Convênio de Cooperação Federativa com o Ministério da Justiça, instalamos também no Município o Gabinete de Gestão Integrada Municipal de Segurança Pública, que articula todas as Polícias: Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. No nosso caso, de Vitória, articulamos também uma participação da Marinha do Brasil. Temos um convênio de cooperação com a Marinha, visando à proteção da nossa orla, à proteção dos munícipes nessa orla. Além das Polícias, participam dessa articulação todas as Secretarias que desempenham as políticas sociais e também um 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 representante da Secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social do Espírito Santo. Agora em junho vamos completar 1 ano de realizações, de reuniões, de implementação efetiva do Gabinete de Gestão Integrada, o que nos permite tentar, em conjunto com todas as forças que atuam no Município e no Estado, atender às demandas efetivas apresentadas pela municipalidade. É fundamental destacar também que todo o conjunto de políticas públicas desenvolvidas pelo Município vão na linha do fortalecimento da participação integrada, da participação de todas as forças, da desconstrução da violência, da construção da cultura da paz, tudo fundado num eixo estratégico, que é o eixo da defesa da vida, da promoção da paz e do respeito aos direitos humanos. Agora, vou falar efetivamente sobre a Guarda Municipal. A Guarda Municipal de Vitória tem aproximadamente 500 agentes, divididos em 2 grupamentos: de proteção comunitária e de trânsito. Os agentes de trânsito, que formam um grupo maior, são em torno de 260. Eles cuidam especificamente de educar, orientar e fiscalizar o trânsito na Cidade de Vitória. Esse grupamento usa calça azul marinho e camisa bege. Temos o grupamento de proteção comunitária, cujo uniforme passou a ser todo azul marinho, depois da última reestruturação que fizemos. Esse grupamento cumpre tarefas extraordinárias: dedica-se ao patrulhamento escolar — basicamente ao atendimento de 95 escolas da rede municipal —, cuida de 26 parques municipais, apoia 22 unidades de saúde e faz o patrulhamento particular das nossas praias, que são belos postais da nossa cidade. É importante dizer que toda a Guarda Municipal desenvolve, conjuntamente com as diversas Secretarias da Prefeitura de Vitória, relevante trabalho com a educação e a prevenção. Assim é que, inspirados pela Guarda Municipal de Curitiba, por exemplo, criamos em Vitória um grupo de teatro de bonecos, que faz uma série de atividades de prevenção. Em 1 ano de funcionamento desse grupo, 14 mil pessoas já participaram das suas atividades. Esse grupo de teatro trata, por exemplo, do enfrentamento da homofobia, do respeito aos direitos da criança e do adolescente, da violência sexual infanto-juvenil, da violência doméstica, especialmente a violência contra a mulher. Tem sido extraordinário o trabalho desse 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 grupo na educação, especialmente das crianças e adolescentes da Cidade de Vitória. Temos também o grupamento turístico. Vitória é uma cidade turística muito bonita. Convido a todos para, na medida do possível, visitarem nossa cidade. Temos um grupamento que trabalha especialmente no tratamento aos turistas. Nesse grupamento, há guardas que falam inglês, francês, italiano e alemão. Eles têm um relacionamento especial com os turistas e fazem realmente o cartão de visita da nossa cidade. Então, para nós, isso é sempre motivo de honra e de muito orgulho. Quando chegamos, havia na administração da nossa Guarda Municipal apenas policiais militares. É importante destacar que achamos fundamental que, gradativamente, os guardas municipais possam assumir as gestões das Guardas, mas não devemos abrir mão da contribuição de todos os profissionais da segurança pública nesse processo de gestão da Guarda. Então, lá tivemos contribuições de profissionais da Polícia Civil, da Polícia Federal e também da Polícia Militar do Estado de Espírito Santo. Estes, aliás, foram os que ajudaram a estruturar a Guarda Municipal. Reconhecemos essas belas contribuições. Certamente, como disse um dos Deputados que nos antecederam, estamos aqui para um momento de debate importante. Acho fundamental que todos os guardas municipais procurem ampliar o diálogo com todas as organizações da área de segurança, procurem ampliar o diálogo com todas as autoridades municipais, porque a grande possibilidade que têm as Guardas de ampliar o espectro da sua atuação nos Municípios brasileiros se dá justamente pelo seu fortalecimento. Mas como se fortalecerem? No diálogo com todas as forças existentes, no diálogo com os mais de 5 mil Municípios brasileiros. Foi dito aqui que possivelmente existem mil municípios brasileiros que têm Guardas. Então, temos outros 4 mil que não têm. As Guardas só avançarão se tiverem competência, por meio de suas organizações, de conquistar aliados, e não desafetos. Esta é a grande proposta que trazemos aos senhores no dia de hoje, que possamos trabalhar cada vez mais para fortalecer a formação dos guardas municipais, mais do que todos. Todos nós estamos sob o império da lei, ninguém está aqui sobre a lei. Portanto, devemos ter toda a nossa formação embasada fortemente na matriz curricular da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 estabelece claramente os princípios mais COM REDAÇÃO FINAL fundamentais Data: 14/05/2009 dessa formação. Precisamos de fortalecimento. Nesse sentido é que trabalhamos em Vitória, para fortalecer, procurando ter boas estruturas de sede, bons treinamentos, criar coordenações de apoio psicossocial, estruturar corregedorias que apurem efetivamente, fiscalizem a conduta e ajudem a fazer a correição, para que nós tenhamos guardas corretos. Se eventualmente alguns guardas tiverem desvio de conduta, eles não podem e não devem contaminar a grande maioria dos agentes da Guarda Municipal, que são profissionais corretos, que atuam respeitando as leis e as normas e que zelam pelo bem-estar da comunidade. Então, precisamos ter boas corregedorias instaladas, ouvidorias que assegurem efetivamente o direito da comunidade. Precisamos fazer bons registros sobre a condução da Guarda e também denunciar aqueles que eventualmente não cumpram de forma adequada os seus deveres. Finalmente, o Presidente Lula teve a coragem e a dignidade de convocar a realização da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública. Quero, portanto, cumprimentar todas as lideranças das Guardas Municipais, dizendo que este é um momento fundamental de discussões. Quem ainda não participou das Conferências Municipais em seus Municípios deve participar. Vamos levantar todas as nossas questões e pensar grande. Vamos pensar em nós, pensar em contribuir efetivamente com a elaboração de um conjunto de princípios e diretrizes para a Política Nacional de Segurança Pública. Então, temos as Conferências Municipais mensalmente e teremos a realização das Conferências Estaduais de Segurança nos meses de junho e julho, quando estará garantido que de cada Estado teremos no mínimo 1 guarda municipal para participar da Conferência Nacional de Segurança Pública, que acontecerá em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, de 27 a 30 de agosto de 2009. Será fundamental que os guardas possam comparecer, trazer suas demandas, suas reivindicações, suas proposições, e não só discutir suas questões, mas ajudar a pensar na definição de diretrizes e políticas públicas para o Brasil. Com essas palavras, agradeço ao Deputado Dr. Talmir o gentil convite que fez ao Conselho Municipal de Secretários e Gestores Municipais para participar 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 desta Mesa. Agradeço pela a minha participação e pela do Secretário Arimá, de Fortaleza. Colocamo-nos à disposição para construir cada vez mais políticas públicas que fortaleçam a participação dos Municípios, sempre fundadas no eixo estratégico da defesa da vida e dos direitos humanos, com o consequente fortalecimento do desenvolvimento, da formação, da implementação e da atuação das Guardas Municipais, e sempre com o foco em atender efetivamente o Município nas suas políticas públicas mais fundamentais. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Agradecemos ao Dr. João José Barbosa Sana a exposição. Conforme acordo previamente estabelecido, gostaríamos de passar a palavra ao Deputado João Campos, que, no Congresso Nacional, tem desemprenhado trabalho de alta relevância ligado à questão da segurança pública. Não poderia deixar de comentar um aspecto que é pouco conhecido da sociedade brasileira: trabalhamos, aqui, com uma base cristã muito forte. Somos muito unidos. A ética cristã prevalece, assim como a verdade e a transparência. Com a palavra o Deputado João Campos. O SR. DEPUTADO JOÃO CAMPOS - Bom dia. Tem alguém de Goiás aqui? (Manifestação no plenário.) O SR. DEPUTADO JOÃO CAMPOS - Isso está bom. Quero cumprimentar o Presidente à Mesa, Deputado Dr. Talmir, amigo, companheiro, que tem buscado, junto conosco, construir políticas de segurança pública que vão ao encontro da expectativa e do interesse da sociedade brasileira, e que já fazia o registro de que buscamos atuar na linha também da segurança pública convergindo para a nossa formação cristã. Eu presido a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, e o Dr. Talmir é um agente ativo no trabalho que fazemos no âmbito da Frente Parlamentar Evangélica. Dentro dessa convergência de valores religiosos, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados realiza hoje, pela manhã, por proposta minha e do Deputado Biscaia, audiência pública com a 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 presença do Secretário Geral da CNBB do Brasil para potencializar essa feliz campanha proposta pela Igreja Católica, mas que tem o apoio de todo o segmento evangélico, denominada Fraternidade e Segurança Pública. Hei de ser breve. Temos palestrantes a serem ouvidos. Os senhores estão em jejum, eu também, e não tenho reserva técnica. (Risos.) Quero saudar o meu Zaqueu — Delegado Zaqueu —, que servia no Ministério da Justiça e está servindo no Rio de Janeiro, e os demais membros da Mesa. Vocês sabem do compromisso que temos com a segurança pública geral, com o sistema de segurança pública no geral. Portanto, em sendo no geral, as Guardas Municipais fazem parte das nossas prioridades. Fiz parte da Comissão Especial que analisou nesta Casa a PEC do Senador Romeu Tuma, à qual 5 outras foram apensadas, da qual foi Relator o nosso amigo Arnaldo Faria de Sá — que certamente esteve aqui nesta manhã deixando a sua mensagem —, e ajudei a aprovar o texto. Aqueles que tiveram a oportunidade de acompanhar esse trabalho sabem o quanto foi difícil aprovarmos o texto final. Tivemos de ter uma certa esperteza, senão não conseguíamos aprová-lo. Mas foi aprovado, graças a Deus, e há um bom tempo a PEC 534, de 2002, está pronta para ir a plenário. Mas por um conjunto de dificuldades até hoje não foi. Em 2007, fiz requerimento para que ela fosse pautada em plenário, mas não fui atendido. Este ano, não havia por que postular sua ida a plenário. Desde o dia 1º de fevereiro, quando se iniciou a atual Sessão Legislativa, até 2 semanas atrás, não tivemos 1 só dia de pauta destrancada nesta Casa, nem havia a expectativa de ter. Então, não havia por que os senhores se mobilizarem e nem os Deputados trabalharem nessa direção. Não havia expectativa. Mas graças a Deus, um Parlamentar desta Casa, Michel Temer, constitucionalista respeitado, com a inteligência que Deus lhe deu — não só inteligência, mas coragem; não bastava ter inteligência —, na condição de Presidente da Câmara, deu nova interpretação ao texto constitucional no que diz respeito ao trancamento de pauta. Inteligência jurídica. Deu nova interpretação e teve a coragem de assumi-la, dizendo que entendia diferente daquilo que sempre foi entendido: que as propostas de emendas constitucionais podem ser votadas em 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 sessões extraordinárias. Alguns partidos, inclusive o meu, o PSDB, não foram felizes, contestaram o Presidente da Casa. Ora, a interpretação de Michel Temer está a favor do Parlamento e da sociedade, nenhum partido tinha que contestá-la. Mas os partidos de oposição, inclusive o meu, resolveram contestar. Foram ao Supremo. Ele não se manifestou ainda, mas o Relator manifestou-se, concordando com Michel Temer. E isso encorajou o Colégio de Líderes da Casa. Há duas semanas, o Colégio respaldou Michel Temer, e começou-se a aplicar essa nova interpretação. Agora, temos toda uma perspectiva de, mobilizados como estamos hoje, levar essa proposta de emenda constitucional ao plenário da Casa. Por isso, há duas semanas, voltei a fazer requerimento para que a PEC seja pautada em plenário. Agora é possível. Mas não é nada fácil. Temos uma demanda reprimida. Temos um conjunto de propostas de emenda constitucionais prontas para irem a plenário, a exemplo da nossa, há muito tempo. Daqui por diante, cada segmento vai fazer articulação para que a sua seja a primeira a entrar. Daí ser muito importante a presença de vocês neste evento. Mas quero ir além. Não basta este evento de hoje. Já que agora temos essa oportunidade, é muito importante que, sob a coordenação da associação nacional, da ONG que apoia este evento, das associações estaduais e municipais, que terminam sendo mais fortes e mais representativas, que têm mais possibilidade de estar em Brasília, façamos uma abordagem líder por líder de partido — a Casa é presidencialista, mas o Presidente, na hora de fazer a pauta, consulta os líderes de partidos —, para convencê-los da conveniência e da oportunidade de colocarmos essa matéria na pauta do plenário. Se esse trabalho for feito, com a minha ajuda, com a ajuda do Deputado Dr. Talmir, de Arnaldo Faria de Sá e tantos outros, vai acontecer. Mas se nos recolhermos, se ficarmos eu, Arnaldo, Dr. Talmir e mais uma meia dúzia tentando pautar, certamente não vai acontecer. É um trabalho a várias mãos: a dos Parlamentares desta Casa e a de vocês; digo, não todos vocês, mas as representações, as associações. Mas é claro que, quando chegar o dia de votar, será importante que haja um número maior de pessoas do que há hoje enchendo 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 aquelas galerias e esses corredores, porque Deputado gosta disso e se convence por isso. Mas o que estou falando é besteira, vocês sabem o que é preciso fazer, agora que temos possibilidade, para que as coisas aconteçam. Estamos juntos. Essa causa é nossa. Além da PEC 534, as Guardas Municipais tiveram um avanço extraordinário com o Estatuto do Desarmamento. Foi ali que ocorreu a possibilidade de armar as guardas; as das regiões metropolitanas de uma forma, as outras, de outra forma. Mas foi um avanço extraordinário, não há dúvida quanto a isso. Temos um projeto na Comissão de Segurança Pública que altera a destinação de recursos do Fundo Nacional de Segurança. Eu apresentei uma emenda lá — estou tendo dificuldade em aprová-la — para que os recursos do Fundo Nacional de Segurança complementem salários de policiais de Estados e guardas. Precisamos avançar também nessa direção. Minha concepção é a seguinte: temos que caminhar na direção de dar a elas tratamento isonômico. Em todo dispositivo no qual criarmos vantagens, benefícios, qualificação para policiais civis e militares as Guardas Municipais têm que estar, porque, de fato, elas já são polícia, já fazem trabalho de polícia ostensiva. A sociedade também vê assim e não concebe a ideia de que alguns brasileiros inteligentes ainda pensem haver guarda municipal numa praça pública, vigiando aquele bem público, sem que ele, se acontecer um crime ali, possa intervir. É claro que não concebe isso. Se ele é pago pelo Poder Público e tem formação na área de segurança não vai intervir? A sociedade não aceita isso. Penso que o Parlamento já tem essa concepção. E se as Guardas Municipais não têm essa formação? Muitas delas já têm. E às que não têm é só proporcionar formação. Estou convencido de que até vocês querem ter essa capacitação. (Palmas.) Ora, estamos caminhando para que a própria segurança privada tenha responsabilidade, nas suas atividades, para com a segurança pública do País, a título de colaboração, mas tenha um papel nessa área, quiçá também as Guardas Municipais, que são órgãos de segurança pública com previsão constitucional. Esse é o meu entendimento. 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Estou nessa causa não é de hoje. Vocês me conhecem. Contem comigo. Agora, nas tarefas mais difíceis, precisaremos ter os representantes de vocês mais próximos, para nos ajudarem a articular, a fazer esse convencimento dentro da Casa. Mas estou muito confiante, otimista. A partir da interpretação dada pelo Presidente Michel Temer, que já está sendo aplicada na Casa — estou muito otimista! —, logo, logo vamos conseguir levar essa PEC ao plenário e aprová-la, porque não basta levar. Acho que nossa dificuldade maior é conseguir pautá-la em plenário. O convencimento da Casa para aprová-la não vai ter o mesmo grau de dificuldade. Contem comigo. Que este evento seja muito bem-sucedido e seja motivação para outras atividades nesta Casa com a participação de vocês. Eu penso que posso interpretar o sentimento do Presidente desta Comissão — não sei se já esteve aqui o Deputado Alexandre Silveira, mas se não esteve era seu desejo estar: esta Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado é a casa de vocês, é a casa dos órgãos de segurança aqui dentro da Câmara, espaço para o debate, para a busca de interação com a sociedade e com o Parlamento. Contem com a Comissão de Segurança da Pública. Contem conosco. Deus os abençoe! Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Agradeço ao Deputado João Campos as palavras. Sempre muito participativo, já colaborou com a redação dessa PEC, como ele mesmo falou, e tenho certeza de que não medirá esforços para que realmente ela seja aprovada. Passo a palavra ao Dr. Arimar Rocha, agradecendo-lhe a paciência de esperar para fazer seu pronunciamento. Peço um pouco de paciência a vocês. Tenho certeza de que muitos querem ir ao banheiro e ao restaurante, na medida do possível, mas ouviremos as considerações o Dr. Arimar Rocha, Diretor-Presidente da Guarda Municipal de Fortaleza e, na sequência, outros 2 presentes, Maurício Naval e Carlos Alexandre Braga. 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O SR. ARIMAR ROCHA - Bom dia a todos. Quero cumprimentar o Deputado Dr. Talmir e agradecer-lhe o convite, a atenção da sua equipe. Cumprimento o meu companheiro João Sana, coordenador do Conselho Nacional de Gestores e Secretários Municipais de Segurança; cumprimento todos os gestores municipais e secretários de segurança que estão aqui; saúdo Carlos Alexandre Braga, liderança expressiva do Movimento Nacional de Guardas Municipais; saúdo o comandante Naval e, carinhosamente, saúdo e abraço todos vocês, guardas municipais, subinspetores, inspetores e comandantes que vieram participar deste seminário e dessa marcha na busca da conquista de direitos. Na verdade, gostaria de falar um pouco sobre a experiência de Fortaleza, mas vou lançar duas grandes provocações, para podermos travar o debate durante o dia. Provocações em relação às Guardas Municipais, para podermos pensar, dialogar, refletir e levar deste seminário questões que possam melhorar a compressão sobre as políticas municipais de segurança e o próprio papel da Guarda Municipal. Eu vou pedir à Francisca, nossa assessora — assessora de João Sana, que estou tomando para mim também —, que passe gradativamente os espelhos, mas vou pular essa parte. Quero levantar duas questões, até porque não podemos falar em política de segurança municipal sem dar destaque especial ao papel das Guardas Municipais, porque elas ou são os gestores das políticas municipais de segurança ou, onde há secretaria, elas são o principal órgão, instrumento ou suporte dessa gestão. Então, não há como falar em política municipal de segurança sem abordar a dimensão, a estrutura e o papel das Guardas Municipais. Na primeira provocação, quero usar uma expressão — e os senhores me perdoem se ela for forte demais —, para provocar o debate. Não diz respeito nem a nós, gestores, nem aos senhores que estão aqui, até porque, se estamos aqui, é porque já temos uma plataforma, já temos uma ideia do que queremos para as Guardas Municipais. Mas diz respeito à realidade do Brasil. (Segue-se exibição de imagens.) É o que eu chamo de crise de identidade das Guardas Municipais — quero ajudá-los a refletir sobre isso. 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 O que está ocorrendo no Brasil? Esta crise de identidade talvez não esteja entre nós, porque estamos aqui com uma ideia concebida. As lideranças dos movimentos de Guardas Municipais, eu reconheço, têm uma plataforma, têm propostas concretas. Nós, gestores, também temos uma plataforma de trabalho sobre a segurança pública do município; mas o País reflete esta crise. Olhem bem os dados dos comandos das Guardas Municipais do Brasil: 77% dos comandos ou são de coronéis da polícia — mais de 40% policiais civis, policiais federais, bombeiros — ou de militares das Forças Armadas e só 23% são de Guardas Municipais de carreira. Então, há um encaminhamento, uma marcha, no Brasil, para transformar a Guarda Municipal em órgão auxiliar de outra Polícia, especificamente, a Polícia Militar. Contrapondo-se a isso, há todo um movimento no sentido de fazer das Guardas Municipais o que elas de fato são hoje, uma Polícia Municipal. Nós temos que nos desapegar do temor e do preconceito contra a palavra “polícia”, porque o que vocês fazem é atividade de polícia. Guardar a vida do cidadão e da cidadã no município é a atividade da Guarda Municipal, atividade histórica de polícia, que vem desde a Grécia Antiga. Esse dilema está enclausurado principalmente no comando das guardas. Em Fortaleza, quando assumi a Secretaria, havia 7 coronéis no comando da Guarda Municipal — todo o respeito à carreira militar, todo respeito à Polícia Militar, grande parceira nossa, à qual não fazemos oposição; muito pelo contrário, trabalhamos numa integração muito forte —, e exonerei todos os 7. (Muito bem! Palmas.) Em todo o comando da Guarda Municipal há inspetor, subinspetor e guarda de carreira. O único que não é da carreira sou eu. Sou gestor da Secretaria, gestor dos órgãos que compõem a Guarda Municipal e Defesa Civil. O comando operacional, o comando patrimonial, o comando dos pelotões, todo o corpo da guarda, inclusive os chefes de departamento, são profissionalizados. Uma maneira de investir na instituição para que ela crie vida profissional própria é investir principalmente na formação. Essa é a primeira questão que eu lanço: há que se instituir, de forma democrática, com a sociedade, o papel efetivo de Polícia Municipal das Guardas Municipais — não é uma polícia igual às outras. E vamos discutir se o policiamento é 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 efetivamente comunitário, se é uma polícia de proximidade, se vamos pegar essa oportunidade de termos uma polícia comunitária de fato no Brasil, uma polícia de proximidade, no município, a Guarda Municipal; ou se vamos transformar as guardas em uma polícia como as outras, com as mesmas atribuições e, daí, incorporar mais gente às demais polícias. Esse é um dos dilemas que vivemos no Brasil, sobre o qual devemos refletir. O segundo dilema que quero lançar para discussão é a falsa oposição que se faz a que as guardas tenham poder de polícia. Ora, minha gente, o poder de polícia não é da Guarda Municipal, não é da Polícia Militar, não é da Polícia Federal; o poder de polícia é da União, do Estado, do Município. A Polícia Federal tem poder de polícia, a Polícia Militar tem poder de polícia, a Guarda Municipal tem poder de polícia, cada uma dentro da sua representação, da sua competência, do seu ente federado. O poder de polícia do Município, de acordo com as suas atribuições, é imenso. O número de ações de policiamento que o município é tanto, que talvez uma Guarda Municipal, por si só, não dê conta. Por isso, a ação tem que ser integrada. Então, as Guardas Municipais têm poder de polícia, a Polícia Militar tem poder de polícia; tem o poder de polícia da Guarda Municipal, o poder de polícia da Polícia Militar, o poder de polícia da Polícia Federal. A gente tem que se livrar dessa história de os rádios e os jornais dizerem que a Guarda Municipal não tem poder de polícia. Ela tem tanto poder de polícia quanto têm os órgãos de polícia do Estado e da União, cada um dentro da sua competência. (Palmas.) No tocante a essa intenção de transformar as Guardas Municipais numa polícia de proximidade, numa polícia efetivamente comunitária, há duas questões importantes a considerar — eu vou avançando, para terminar minha fala. A primeira questão é a disciplina. Nós, guardas municipais, não somos militares e devemos ter todo respeito por aqueles que são. Como eu disse, devemos ser parceiros. As dificuldades no campo da segurança pública são muitas. Não existe ação de segurança pública isolada, e ela só pode se dar com sucesso, com efetividade, 40 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 se construída em conjunto pela União, pelo Estado e pelo Município. Não somos militares, mas sendo de um órgão de segurança pública, devemos ter um regulamento disciplinado. A Guarda Municipal de Fortaleza, quando cheguei ao comando da Guarda de Defesa Civil, tinha um regulamento que obrigava o guarda, caso pegasse um ônibus, a ceder lugar ao subinspetor. E o guarda tinha que pedir permissão ao comandante para se casar. Vejam o absurdo! O que fizemos? Baixamos um decreto revogando esse regulamento militar, estabelecemos uma comissão, fomos conhecer o regulamento de Osasco, de Diadema, do Rio de Janeiro, de Recife, de Porto Alegre, abrimos uma discussão e fizemos 8 audiências públicas dentro da Guarda com cada um dos pelotões, com cada uma das inspetorias. À proposta regulamentar da direção foram apresentadas 42 emendas de guardas, subinspetores e inspetores. Trinta e seis emendas foram aprovadas. O regulamento foi quase consenso na instituição, porque é um regulamento que prima pela disciplina, mas que respeita a dignidade. O guarda tem o direito de pedir explicação sobre a ordem dada, mas tem a obrigação de cumprir a ordem do Comando, tem a obrigação de se submeter às diretrizes emanadas do Comando — porque existe uma corregedoria e uma ouvidoria que tanto servem para evitar que haja injustiça com ele, como para que aquele mau guarda que não se conduz corretamente seja processado e julgado, inclusive para preservar os bons guardas e a instituição. Então, temos que estabelecer um regulamento disciplinar que prime pela dignidade, pelo direito de petição, mas que prime também pela boa hierarquia. Senão, não funciona, minha gente! Instituição de segurança pública sem cadeia hierárquica, sem direitos constitucionais garantidos não funciona; ou gera autoritarismo ou gera vandalismo. Então, é preciso que as instituições discutam. Digo isso lá na Guarda. Hoje eu vou cortar da própria carne. Estou vivendo um momento crítico. Um grupo de guardas está pedindo a saída do comandante do pelotão. Mas o comandante também é guarda, e eu digo para eles: ou resolvemos isso negociadamente ou, daqui a alguns dias, são vocês que vão estar no comando. Vocês vão ser comandantes, porque a carreira aqui é profissional, ninguém vai vir 41 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 de fora comandar vocês. Então, temos que resolver dialogando, conversando, mas respeitando o bom regulamento disciplinar, para preservar a instituição, para preservar principalmente os bons profissionais. Por último — eu pediria para adiantar um pouco o slide —, nós optamos por tornar a Guarda Municipal e Defesa Civil um órgão gestor de segurança pública, optamos por um método de trabalho de articulação dos órgãos do Município e do Estado. Como o João Luiz explicou aqui, temos o programa Fortaleza de Paz, mediante o qual identificamos as áreas mais críticas de violência da cidade. Agora, com o PRONASCI, o PAC da Segurança Pública — a Guarda Municipal é gestora do PRONASCI, de todos os projetos —, criamos o GGI ou Grupo de Gestão Integrada Municipal, que a Guarda coordena, e lá estão todos os órgãos do Município — sociais, esporte e cultura, todos os órgãos de segurança do Estado e da União. Esse GGI vai aplicar o PRONASCI, numa grande região, com cerca de 500 mil habitantes, os programas sociais e de segurança, a ronda escolar, grande instrumento que a Guarda Municipal tem para promover segurança. Minha gente, quem está matando e morrendo neste País são os jovens na faixa etária de 14 a 29 anos e os pobres! Temos que trabalhar a prevenção com esses jovens. Temos que trabalhar a prevenção na escola. Temos que construir espaços de lazer e cultura seguros. Nesse papel, a Polícia é nossa aliada, mas a grande protagonista é a Guarda Municipal, porque ela é que está na escola, ela é que está na comunidade, ela é que pode viver o dia-a-dia e fica lá o dia todo. A Polícia vem, responde ao chamado e sai, mas a guarda fica lá. Então, temos que trabalhar a guarda como gestora e operadora desse programa de prevenção, articulada com as demais secretarias, com as polícias estaduais e com as polícias federais, mas gerindo, juntamente com a comunidade; programa onde os jovens tenham espaço para cultura, para lazer, para esporte. É a única forma de tirarmos os jovens deste País do crack e do crime organizado. São os jovens deste País que estão matando e morrendo, e a guarda pode ser um forte instrumento de cidadania, pedagoga dos direitos humanos e, principalmente, segurança efetiva para que os espaços públicos possam promover cultura de paz, cultura cidadã e diminuir a violência. 42 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Quero deixar aqui um grande abraço para todos vocês. Reconheço a dedicação de toda a Corporação pelo que eu vejo, em Fortaleza, nos guardas, subinspetores e inspetores. É uma construção difícil, é um desafio grande, e precisamos realizar duas coisas: primeiro, desarmar os espíritos, quebrar os preconceitos, entender que segurança pública tem que ser feita com todo mundo. Segundo, temos que fazer muita autocrítica, avaliar muito o nosso trabalho. Como o trabalho da guarda está em construção, jamais devemos ter certezas plenas. Devemos sempre nos avaliar para podermos melhorar e construir, efetivamente, neste País, uma polícia de proximidade, uma polícia cidadã, comunitária. É a chance que as Guardas Municipais estão dando a este País. Obrigado e um bom dia. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Agradecemos ao Dr. Arimar Rocha a exposição. Passo a palavra, a seguir, ao Deputado Federal Luiz Couto, por 3 minutos. Na sequência, para findar a Mesa, passo a palavra ao inspetor Carlos Alexandre Braga para que faça as suas considerações finais. O SR. DEPUTADO LUIZ COUTO - Como sei que ninguém almoçou ainda e que, lá no meu Nordeste, a gente só dá boa tarde depois que se almoça, bom dia para todos! Em primeiro lugar, como Presidente da Comissão dos Direitos Humanos, quero dizer da importância deste evento. Vocês estão trabalhando a questão da segurança pública. S sociedade brasileira, quando questionada, através de pesquisa, quando são levantados os problemas maiores que ela enfrenta, diz: desemprego e insegurança. E vocês estão trabalhando a questão da segurança pública. Quero fazer um convite às Guardas Municipais: participem das conferências municipais e das conferências estaduais. Este ano, vamos realizar, no final de agosto, a I Conferência Nacional em Cidadania. É importante a participação das Guardas Municipais nesse evento. Temos que trabalhar. Eu fui a um evento, e o pessoal da Polícia Civil e da Polícia Militar veio me dizer que: De segurança pública quem entende somos nós. Eu disse que não, também há muita gente que entende de segurança, porque segurança pública não é 43 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 apenas função da Polícia Militar e da Polícia Civil , mas da sociedade, de todos nós; de vocês também. Nesse sentido, como Presidente da Comissão de Direitos Humanos, quero dizer que estamos nessa luta porque segurança pública é algo importante na vida da população. Poder ir e vir sem ser molestado, sem ser violentado, sem ser assaltado, sem ter sua casa arrombada é direito de todos nós. Quero registrar a presença do companheiro de Soledade, Município da Paraíba, onde estive, no dia 1º de maio, num evento, discutindo a questão da insegurança. Temos que enfrentar a insegurança que há hoje, não apenas a insegurança individualizada, mas a insegurança provocada pelo crime organizado. Temos de nos preparar para combatê-lo. Parabéns a vocês por este evento. Tenham certeza de que podem contar com este Deputado Federal, com o Presidente da Comissão de Direitos Humanos, no apoio à luta de vocês. Todos nós precisamos muito da atuação das Guardas Municipais. São peças fundamentais para manter a segurança pública nos municípios. Muito obrigado e um abraço a todos. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Agradeço as palavras do Deputado Federal Luiz Couto, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Com certeza, não só na teoria, mas também na prática, tem feito muito bem ao nosso País. Sou testemunha de que ele quer, realmente, assegurar a paz, com a união de todos e com a força de vocês da Guarda Municipal. Agora, com vocês, o Presidente da Associação das Guardas Municipais do Estado de São Paulo e do Brasil, inspetor Carlos Alexandre Braga. (Palmas.) O SR. CARLOS ALEXANDRE BRAGA - Gostaria de cumprimentar o Deputado Dr. Talmir pela iniciativa e de agradecer a S.Exa. pelo apoio ao movimento, por toda a ajuda às Guardas Municipais. Gostaria de cumprimentar todos os Secretários Municipais aqui presentes, em nome do diretor da AGMESP e Secretário de Cabreúva, César Zarantonelo. Gostaria de cumprimentar todos os diretores, comandantes, dirigentes de Guardas 44 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Municipais. Gostaria de cumprimentar o Naval e os guardas presentes, toda a família azul-marinho. Tenho certeza de que os guardas que não estão de azul-marinho têm coração azul-marinho. Se tivessem opção, estariam uniformizados de azul-marinho, a cor internacional da Polícia, e a guarda tem que usar o azul-marinho. Vou comentar algumas coisas que ouvi aqui, hoje, e fazer algumas observações. Parabenizo o Secretário de Fortaleza pelos detalhes que mencionou. Com referência aos comandos de Guarda Municipal, vou citar algumas cidades aqui representadas, cujos comandantes são guardas municipais de carreira. O guarda municipal de carreira é que tem que ensinar o guarda municipal. Temos que ter a figura do secretário, que é o gestor da segurança — concordo plenamente —, que é uma pessoa de fora, mas o comandante tem que ser guarda municipal de carreira. Ele é quem sabe o que significa ser guarda municipal de carreira. Se vícios as guardas têm é porque os comandantes militares colocam nelas esses vícios. Eles têm 30 anos de carreira militar. Vão ensinar o quê para o guarda senão o que aprenderam em 30 anos de carreira militar? Eles vão ensinar o que aprenderam. Também não é culpa deles; eles só podem ensinar o que sabem. Eles viveram 30 anos e vão ensinar o que sabem. Isso gera alguns vícios, e as pessoas reclamam dos guardas. Mas os guardas têm superado isso e têm avançado diariamente. Temos realmente esse problema na carreira das guardas. A Guarda Municipal de Sertãozinho há mais de 8 anos é comandada pelo Comandante Humberto, que é de carreira. É exemplo a ser seguido; o Superintendente da Guarda Municipal de Ribeirão Preto — o André — é guarda municipal de carreira; em Ilhéus, na Bahia, temos o Pedro, guarda municipal de carreira; em Soledade, temos guarda municipal de carreira; em Rancharia, temos guarda municipal de carreira, e poderia citar outras. O Secretário César é guarda municipal de carreira; o Subcomandante da Guarda Submetropolitana da qual faço parte, inspetor Marino, que está aqui, é guarda municipal de carreira; o Comandante Dourado é guarda municipal de carreira. Em Bebedouro há guarda municipal de carreira. Então, temos vários guardas municipais de carreira, e isso prova que nos comandos das guardas tem que haver guarda municipal de carreira. 45 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 Vou citar um detalhe, um caso de perseguição. Temos um colega que foi perseguido. É normal ser perseguido. Eu já fui. E tem uma vantagem: quando se é perseguido, a gente se fortalece e começa outra jornada bem mais forte do que aquela. O guarda municipal nasceu para vencer. Ele é azul-marinho, como o céu é azul-marinho. (Palmas.) Podem nos perseguir que nós vamos vencer. Eu fui perseguido uma vez porque disse que o comandante da guarda tinha que ser da carreira — o inspetor Marino também. Tinha que ser da carreira o comandante da guarda. Não vou citar nomes, mas isto acontece. Vai acontecer, mas vamos superar, porque vamos ficar até o fim da guarda. Nós somos da carreira, somos os guardas que fazem a atividade de guarda. Precisamos de gestores para nos orientar, para traçar as políticas que a guarda tem que seguir. Esse pessoal que persegue não sabe comandar, não sabe dialogar com o guarda, conversar com ele frente a frente e aceitar a sua opinião. Pode não ser a opinião deles, mas têm que respeitá-la, e isso eles que não sabem. Por que não sabem? É culpa deles? Também não. Estão acostumados. Volto a falar, são 30 anos no regime militar: um manda, o outro obedece. Se não obedecer, mandam para a cadeia. Até para casar têm que pedir autorização. Não vivemos nesse regime. O guarda municipal é civil. Tem que ter hierarquia, disciplina, regulamento. O guarda trabalha para a população, está ligado diretamente a ela. Por isso, estamos superando todas as dificuldades e todas as potências que têm tentado fazer com que as guardas não cresçam. A PEC 534 é fruto de uma luta de longos anos, e vou citar 3 momentos marcantes: o evento de hoje, a aprovação do relatório final aqui em Brasília e, o Estatuto do Desarmamento trouxe grandes avanços, mas também um retrocesso tremendo, porque desarmou diversas guardas do País, que até hoje têm problemas para se armarem, com aquela regra discriminatória da quantidade de população. O Judiciário confirmou e tem confirmado decisões nesse sentido. Não pode haver essa discriminação entre município que tem 50 mil, 30 mil, 20 mil habitantes, até porque o Relator esqueceu-se de um dado importante — pesquisem quem foi o Relator do Estatuto do Desarmamento. No Estado de São Paulo, que tem a maior arrecadação do País, mais de 70% dos municípios têm 46 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 menos de 50 mil habitantes. Então, as guardas têm de ser armadas nesses municípios. Mas isso a Justiça está corrigindo e, com certeza, o Legislativo também vai corrigir. Com relação ao poder de polícia, nem gosto de falar mais, porque é uma discussão exaustiva. A guarda tem poder de polícia e exerce poder de polícia, porque só existem duas formas de prisão: em flagrante ou por ordem da autoridade judiciária. Não adianta inventar outras formas. Até o povo tem poder de polícia, pode prender em flagrante. Só existem estas duas formas, o resto é abuso: prisão em flagrante ou por ordem da autoridade judiciária, competente e fundamentada. Isso a guarda já faz no Brasil inteiro. Então, nem vamos discutir essa questão. A Ordem dos Advogados do Brasil, entidade respeitada em todo o País, já reconheceu isso. Manifestou este entendimento, em um caso meu, em 1988, 11 anos atrás: guarda municipal exerce poder de polícia. A doutrina de formação das guardas — e aqui falo sobre o comando militar — tem que ser da guarda. E quem fará a doutrina? Tem que ser uma pessoa que tenha doutrina de 30 anos, que seja guarda municipal e especialista na área de segurança. Não se pode trazer para a guarda uma doutrina de 30 anos. Somos completamente contra isso, e vocês viram o que acontece. Diz-se que a Guarda Municipal é uma polícia nova. Diz o lema que a Guarda Municipal deve ser moderna — não é nova —, preventiva e comunitária. Esse tem que ser o lema da Guarda Municipal. Moderna, porque não somos iguais a ninguém, nem queremos ser. Somos diferentes e melhores. Sabem por que somos melhores? É só consultar a lei: a primeira polícia do País chamava-se Guarda Municipal Permanente. O pessoal esconde isso porque tem medo. O nome era Guarda Municipal Permanente. E não se venha falar agora na Constituição de 1988, porque a Guarda Civil Metropolitana foi criada em 1986, armada, porque podia. Temos de tomar cuidado, fazer essas observações, para que não cairmos em discussões erradas. Este momento de mobilização dos senhores vai ser mais um marco na história. Tenho certeza absoluta de que, uma hora ou outra, vamos aprovar a PEC. As guardas estão crescendo, os guardas estão trabalhando nas suas cidades e estão conseguindo resultados tremendos. Por quê? É simples, senhores: todo 47 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 mundo vive no Município, não vive nem no Estado nem na União. É no Município que tudo acontece. É o guarda municipal quem conhece o seu Município. Gostaria de registrar que se encontra na Casa o Dr. Ruyrillo de Magalhães, que foi Presidente do Conselho Nacional (palmas) e acho que é membro vitalício do Conselho — da AGMESP eu sei que é, e isso não vamos mudar. Ele defendeu e defende as guardas até hoje, seguindo a doutrina de Guarda Municipal moderna, preventiva e comunitária. Todos os presentes estão de parabéns pela disciplina, pela forma como vieram e como chegaram Hoje, senhores, podem voltar para casa e dormir. Mostramos aqui que somos diferentes. Não precisamos ser iguais; somos diferentes. E somos melhores, porque vivemos no município, onde tudo acontece. Dificuldades temos e vamos ter. Não pensem que vai ser fácil. Mas como falei no início, o azul-marinho é o céu e é lá que todos nós vamos chegar, com Deus em nossos corações — sempre digo isso ao Naval. Ele nos dá forças para superar todas as perseguições, todas as coisas. Quando começamos a votação dessa PEC — talvez muitos dos senhores não estivessem na época —, as pessoas nos rotularam. Diziam o seguinte: o inspetor Braga e o Naval são loucos! Somos loucos mesmo; loucos pela Guarda Municipal. Quatro milhões de pessoas já são favoráveis às guardas. Quero ver, Deputado, que Polícia tem 4 milhões de assinaturas a seu favor. Eu desafio: quem os tem? Nós temos, e podemos ter mais, porque estamos no município. Nós somos a Polícia do passado, a primeira, do presente e do futuro, porque somos o céu azul-marinho. Com fé em Deus, vamos conseguir aprovar essa PEC, vamos vencer. Saudações azul-marinho a todos! Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Agradecemos ao Presidente da Associação das Guardas Municipais do Estado de São Paulo e do Brasil, inspetor Carlos Alexandre Braga, as palavras. Conforme havíamos previsto, chegou o horário do almoço. No período da tarde, ouviremos mais 4 expositores e, após a exposição, abriremos o debate, inclusive com os expositores do período da manhã. Agora vou pedir à minha Chefe de Gabinete, Dra. Vitória, que passe a todos uma orientação sobre o almoço. 48 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 0585/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 14/05/2009 A SRA. VITÓRIA - Boa tarde. Infelizmente, não temos um único estabelecimento que consiga atendê-los de uma só vez. Então, vou-lhes indicar 4 lugares que lhes possam oferecer almoço, para que, de forma distribuída, vocês consigam fazer sua refeição e retornem para as atividades da tarde. Todos os 4 ficam neste sentido: à direita, pegando a esteira, sentido Anexo IV, prédio logo atrás deste; no subsolo do Anexo IV tem o restaurante natural, chamado Naturetto, self-service, por quilo; no 10º andar do Anexo IV, pegando os elevadores, temos 2, uma churrascaria e o Vila Chocolate, que serve saladas, sanduíches, salgados; e saindo pelo estacionamento dos Parlamentares e dos Servidores, atrás do prédio do Anexo IV, temos algumas pessoas que servem marmitex. A refeição pode ser feita lá mesmo. Então, acredito que, de forma distribuída, vocês consigam almoçar. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Dr. Talmir) - Pessoal, retorno às 14h. Vamos começar, impreterivelmente, às 14h15min, com a mesa já composta. Um abraço para vocês. Até daqui a pouco. 49