DARTIANE DO NASCIMENTO FERREIRA RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS JOÃO PESSOA – PB Novembro - 2012 RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EMPRESA: COMTÉRMICA ENGENHARIA LTDA OBRA: CONSTRUÇÃO DO EDIFÍCIO INSTITUCIONAL COM QUATRO PAVIMENTOS (SOBRE PILOTIS) DO CENTRO ADMINISTRATIVO MUNICIPAL EM JOÃO PESSOA - PB DARTIANE DO NASCIMENTO FERREIRA RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO Relatório apresentado à Coordenação de Estágios e à Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Construção de Edifícios do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, campus João Pessoa, em cumprimento às exigências do referido curso. Orientador: PROFº JEFERSON MACK SOUZA DE OLIVEIRA Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba Curso Superior de Tecnologia em Construção de Edifícios DARTIANE DO NASCIMENTO FERREIRA RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO Aprovado em: ____ / ____ / 2012. BANCA EXAMINADORA ________________________________________________________ Prof.º M.Sc. Jeferson Mack Souza de Oliveira Orientador(a) ________________________________________________________ Examinador(a) ________________________________________________________ Examinador(a) ________________________________________________________ Profª Drª Maria de Fátima Duarte Lucena Coordenadora da CESUT - CCE ________________________________________________________ Profª M.Sc. Roberta Paiva Cavalcante Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Construção de Edifícios DEDICATÓRIA Àqueles que o criador escolheu para ser minha família. Especialmente aos que sempre dividiram o mesmo teto que eu e consequentemente os contentamentos e desventuras que vivi. Mas, mais especialmente à minha mãe dedico essa vitória, que mais especialmente nela acreditou. AGRADECIMENTOS À Deus. Que providenciou as pessoas; e as situações; e os materiais que se fizeram importantes no caminho dessa conquista. LISTA DE FIGURAS Figura 01: Maquete eletrônica do Edifício de Ampliação do CAM – JP; Figura 02: Estrutura em concreto armado; Figura 03: Divisórias navais com perfis em aço; Figura 04: Revestimento da Fachada Sul; Figura 05: Revestimento de WC; Figura 06: Pavimentação externa; Figura 07: Formação de custo total de uma obra; Figura 08: Exemplo de Planilha Orçamentária; Figura 09: Trecho Memória de cálculos de Medição; Figura 10: Trecho da Planilha Orçamentária da obra; Figura 11: Trecho da Planilha de Acompanhamento contratado/executado; SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ....................................................................................09 1.1 JUSTIFICATIVA ..................................................................................10 1.2 APRESENTAÇÃO DA OBRA ..............................................................11 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...............................................................16 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS .......................................................23 4 CONCLUSÕES ...................................................................................35 5 RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES ................................................36 REFERÊNCIAS ...................................................................................37 ANEXOS ..............................................................................................38 1. INTRODUÇÃO A fim de cumprir mais uma etapa necessária à conclusão do Curso Superior de Tecnologia em Construção de Edifícios cursado nesta Instituição, apresento este relatório como instrumento de avaliação do estágio realizado em um período de 03 (três) meses e quinze dias na obra de construção do Edifício Institucional com 04 pavimentos do Centro Administrativo Municipal – JP, localizado no bairro de Água Fria nesta capital, executada através da Concorrência 13/2010 da Prefeitura Municipal de João Pessoa pela Comtérmica Engenharia Ltda, sob responsabilidade técnica do engenheiro Alexandre José Mousinho Moreira. O estágio, orientado pelo professor Jeferson Mack Souza de Oliveira e supervisionado pela engª Shirley Mangueira, engenheira designada pela Comtérmica à execução da obra, consistiu no desenvolvimento de atividades de elaboração de orçamento; levantamento de quantitativos de insumos; medições; desenhos em AutoCAD; e ainda, no acompanhamento e fiscalização das tarefas de execução relativas às diversas etapas da obra. Atividades estas que fortaleceram e ampliaram o conteúdo das disciplinas estudadas em sala de aula, visto que exigem conhecimento e habilidade técnica para a sua correta concretização. 1.1 JUSTIFICATIVA O período de estágio além de ser um momento de corroboração do que fora aprendido em sala de aula, é também uma grande fonte de conhecimento técnico e prático daquilo que, mesmo que pertença à grade curricular, não se consegue atingir somente na esfera acadêmica. É ainda, um grande capacitor e direcionador do futuro profissional também no que diz respeito ao relacionamento interpessoal em seu ambiente de trabalho, pois o ensina como lidar com diversos tipos de profissionais e situações. A experiência do estágio permite ao aluno ter ou não a convicção de sua profissão e o inserir no mercado de trabalho. E promove ao mercado a possibilidade de conhecer e desenvolver profissionais. 1.2 APRESENTAÇÃO DA OBRA A obra, projetada pelos arquitetos Tonis Marques e Susana Acioli, situase à Rua Diógenes Chianca, s/n, Água Fria - João Pessoa-PB tendo como utilidade o funcionamento de um novo edifício institucional para o Centro Administrativo Municipal de João Pessoa. Sua área construída é de 2.563,27 m² constituída por uma torre com quatro (04) pavimentos sobre pilotis. Foi iniciada em Janeiro de 2010 com prazo de execução de dezoito (18) meses. Figura 1 – Edifício de Ampliação do CAM - JP. Fonte: DIPLUR/SEPLAN - PMJP, 2009. ESTRUTURA Toda a estrutura da obra é em concreto armado (Figura 02): as armaduras obedeceram ao que foi determinado em projeto; as formas foram em compensado resinado; escoramento metálico e o concreto confeccionado in loco e usinado. A partir das especificações do projeto estrutural, elaborado pela E.M Engenharia Estrutural Ltda., foi adotado um FCK de 25 MPa; abatimento (slump test) de 9±1 cm e consumo de 261 Kg de cimento CPII - F por metro cúbico de concreto para todos os componentes estruturais, havendo apenas uma variação no que diz respeito à estrutura do pavimento Térreo e às fundações, que são do tipo sapata interligadas por vigas baldrame; neste elementos a resistência do concreto mantida foi de 30 MPa e abatimento de 8±1. Figura 2 - Estrutura da obra de Ampliação do CAM - JP. O controle tecnológico do concreto foi realizado pela Projeto Consultoria e Engenharia Ltda., que tratava de todo o processo desde a receptação do concreto, ensaios de abatimento, moldagem dos corpos de prova com encaminhamento para rompimento no LABEME, à emissão regular de relatórios com os resultados de cada concretagem. VEDAÇÃO Para fechamento externo utilizou-se alvenaria convencional em tijolo cerâmico de 08 furos e esquadrias em alumínio e vidro; internamente possui tipologia livre, sem alvenaria, permitindo layouts diversos nos pavimentos cujas subdivisões foram feitas através de divisórias navais com perfis em aço (Figura 03). Figura 3 – Divisórias navais com perfis em aço. REVESTIMENTOS Foram utilizadas pastilhas cerâmicas nas fachadas e áreas molhadas internas (Figuras 04 e 05 respectivamente). Enquanto no lado interno das paredes de fechamento empregou-se pintura acrílica. PISOS E PAVIMENTAÇÃO Com exceção das áreas molhadas, que foram revestidas com pastilhas cerâmicas, toda a edificação apresenta piso em granilite branco. Nas áreas externas temos a incidência de piso permeável tipo cobograma e intertravado nos estacionamentos, e ainda, a presença de alguns trechos de concreto e detalhes em granito, mais especificamente nas rampas de acesso. (Figura 06). Figura 04 - Revestimento Fachada. Figura 05 - Revestimento WC. Figura 06 – Pavimentação área externa. INSTALAÇÕES PREDIAIS Todos os projetos de instalações prediais: elétricas; hidráulicas e de incêndio foram preparados pela HERTZ Eletrificação Ltda. São instalações com procedimentos e materiais convencionais como, por exemplo, temos as instalações hidrossanitárias que apresenta o sistema de alimentação de água fria através de transmissão indireta, composta por uma cisterna e reservatório elevado; toda a tubulação em PVC e o tratamento das águas servidas feito pelo sistema de esgoto sanitário existente. A coleta das águas pluviais ocorre através de calhas em concreto e tubulação em PVC que as conduzem para locais como linha d´água ou para caixas coletoras de águas pluviais existentes. O suprimento de energia elétrica é realizado a partir de uma subestação própria, cuja instalação foi de responsabilidade do Centro Administrativo Municipal. Quanto ao sistema de aterramento, este é do tipo TN-S, de acordo com a NBR 5410. A edificação possui todas as estruturas metálicas ligadas por condutores de aterramento formando um sistema de ligações equipotencias. O edifício é climatizado por máquinas do tipo Split Cassete e HiWall, cujas instalações foram pensadas pela Comtérmica – Comercial Térmica Ltda, visto que não havia um projeto inicial e a empresa é especializada no setor. 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Limmer (1997) diz que “um orçamento pode ser definido como a determinação dos gastos necessários para a realização de um projeto, de acordo com um plano de execução previamente estabelecido, gastos estes traduzidos em termos de quantitativo”. Ou ainda, “o orçamento de um projeto baseia-se na previsão de ocorrência de atividades futuras logicamente encadeadas e que consomem recursos, ou seja, acarretam custos.” (LIMMER, 1997) É portanto o processo de orçamentação que determina o preço da construção, fato que requer estudos aprofundados com critérios técnicos bem estabelecidos: Um dos requisitos básicos para um bom orçamentista é o conhecimento detalhado do serviço. A interpretação aprofundada dos desenhos, planos e especificações da obra lhe permite estabelecer a melhor maneira de atacar a obra e realizar cada tarefa, assim como identificar a dificuldade de cada serviço e consequentemente seus custos de execução. (MATTOS, 2006). Diante disso, o que se tem é o fato de que compor o custo total de uma obra delineia certa dificuldade, logo, o tipo de orçamento a ser adotado deve ser definido a partir da finalidade da estimativa e do grau de detalhamento disponível do empreendimento, visto que em função disto o orçamento admite ser classificado em: Orçamento Sumário – É um orçamento simplificado que parte do conceito que obras do mesmo padrão tem custos proporcionais, onde o custo total da obra é obtido multiplicando-se sua área total pelo valor do metro quadrado seguido. Geralmente é utilizado quando se deseja verificar a viabilidade ou não do empreendimento, sendo realizado ainda na fase inicial da concepção deste; Orçamento Detalhado – Oliveira (2007) diz ser aquele em que é realizado o levantamento de todas as quantidades de materiais, apropriação da mão de obra (homens/hora) para realização do serviço, ferramentas, equipamentos, encargos e taxas que incidem sobre o serviço a ser realizado. Esta se apresenta como a forma mais exata de realizar um orçamento, mas por ser extremamente trabalhosa é justificada apenas nos casos de produção em massa; Por Composição de Custo Unitário – O custo total é composto pelos custos de cada serviço, que são o produto da relação dos seus custos unitários necessariamente serão pelas respectivas quantidades que produzidas. “O orçamento por composição de custo unitário baseia-se na decomposição da obra em partes obedecendo a critérios de afinidades de serviços e parte da premissa da proporcionalidade entre o custo total de um serviço e a quantidade do mesmo a ser produzida”. (OLIVEIRA, 2007). Este tipo de orçamento é largamente utilizado na construção civil, especialmente para a participação em concorrências públicas e privadas, por apresentar da maneira detalhada todas as tarefas realizadas na obra e o custo que cada uma infundirá ao custo final de execução. Segundo Mattos (2006) a orçamentação por Composição de Custo Unitário perpassa por etapas que incluem a leitura e interpretação de projetos; especificações técnicas; identificação dos serviços; levantamento quantitativos; composição dos custos; etc. Dentre estas ações serão elucidadas abaixo aquelas consideradas indispensáveis: Leitura e interpretação de projetos - Limmer (1997) define projeto como “um conjunto de realizações físicas, compreendendo desde a concepção inicial de uma ideia até a sua concretização, traduzidas por um empreendimento em operação ou pronto para funcionar”. São os projetos que norteiam todo o processo construtivo por serem documentos que trazem, através de desenhos e especificações, todas as informações necessárias à execução de um empreendimento, tornando-se fundamental aos orçamentistas um bom entendimento e boa capacidade de leitura de projetos. Por isso, percebe-se a importância de um projeto bem detalhado, já que sem esse requisito mesmo um bom orçamentista não poderia presumir com exatidão o real custo da obra. Quanto melhor e mais fidedigno for o detalhamento de projeto, maior será a possibilidade de se obter um bom orçamento. No projeto fica definido o que deverá ser construído, como ocorrerá a construção em termos de tecnologia, dos materiais e dos equipamentos a serem empregados. (AVILA et al 2003). Especificações Técnicas - González (2008) afirma que “as especificações técnicas (ET) descrevem, de forma precisa, completa e ordenada, os materiais e os procedimentos de execução a serem adotados na construção.” Avila et tal (2003) corroboram tal afirmação: “as especificações técnicas devem, ainda, providenciar a indicação correta de locais de aplicação de cada um dos tipos de serviços, indicar as normas para verificação específica de materiais, elementos, instalações, equipamentos”. Identificação dos serviços – Para Mattos (2006) “o início da orçamentação de uma obra requer o conhecimento dos diversos serviços que a compõe”. Portanto, o processo de quantificação tem origem na identificação de todos os serviços que compõem o sistema construtivo do empreendimento que se objetiva efetivar. Levantamento de quantitativos – Depois de identificados os serviços o próximo passo é de quantificação destes, em que, conforme Mattos (2006) esta é uma das etapas “que intelectualmente mais exigem do orçamentista, porque demanda leitura de projeto, cálculos de áreas e volumes, consulta a tabelas de engenharia, tabulação de números etc.”. “Para efetuar o levantamento das quantidades dos insumos é necessário seguir os projetos e as especificações, que vão indicar o que, onde e como usar”. (AVILA et al 2003). Composição de custos – Entende-se por custo aquilo que se faz necessário desprender para a obtenção de algum bem ou serviço. Quanto ao custo total de uma construção, este “é fruto do custo orçado para cada um dos serviços integrantes da obra”. (MATTOS, 2006). Os custos de uma obra de acordo com sua natureza são classificados em diretos ou indiretos: Custos diretos – São os gastos feitos com insumos. Entendendose por insumo “todos os elementos necessários para a construção da obra, considerados individualmente”. (GONZÁLEZ, 2008). Tais insumos são pertencentes basicamente a três categorias: materiais; mão-de-obra e equipamentos. Ou seja, são gastos associados diretamente com a produção de um serviço; Custos Indiretos – Limmer (1997) os classifica como o “somatório dos gastos com elementos coadjuvantes necessários à correta elaboração do produto”. São os gastos realizados com o canteiro de obras; administração; segurança do trabalho; despesas comerciais, tributárias e financeiras, e ainda, aqueles relacionados ao consumo por obra. O esquema abaixo (Figura 07) sintetiza a composição do custo total de uma obra por este método: MATERIAIS CANTEIRO DE OBRAS MÃO-DE-OBRA SEGURANÇA DO TRABALHO EQUIPAMENTOS MÃO-DE-OBRA INDIRETA DESPESAS COMERCIAIS DESPESAS FINANCEIRAS DESPESAS TRIBUTÁRIAS CUSTOS DIRETOS CUSTOS INDIRETOS DESPESAS ADMINISTRATIVAS CUSTO TOTAL DA OBRA Figura 7 – Formação de custo total de uma obra. Fonte: Oliveira, 2007. Formação de preço – O preço na construção civil geralmente é definido pelo somatórios dos custos diretos, indiretos e do lucro. Entretanto o lucro e os custos indiretos “são considerados como uma taxa percentual incidente sobre os custos diretos. Essa taxa recebe o nome de BDI, que significa Bonificação e Despesas indiretas.” (OLIVEIRA, 2007). Assim: PV = CD x M Onde: PV = Preço de venda CD = Custo Direto M = 1 + BDI Com isso temos que sobre os custos diretos foram diluídos todos os outros custos. Um requisito básico para a confecção eficaz do orçamento é a sistematização dos serviços inerentes ao processo construtivo do empreendimento que se deseja orçar, uma vez que se trata de uma atividade complexa composta por diversas fases e variáveis. É o que nos alerta Avila et al (2003): o setor da construção civil é uma atividade industrial caracterizada por um grau elevado de complexidade e que precisa ser bem caracterizado quanto aos seus insumos, materiais, mão-de-obra, recursos financeiros e equipamentos, para que o processo de orçamentação e controle da construção seja levado a bom termo. Portanto, é importante que seja traçado um plano de discriminação que relacione todos os serviços a serem executados “levando-se em consideração a afinidade dos serviços e observando-se a ordem cronológica da sua execução.” (OLIVEIRA, 2007). Tal plano é denominado como Discriminação Orçamentária dos Serviços. Através desta divisão de serviços pode-se efetuar um acompanhamento mais qualificado quanto à evolução da construção, pois se tem determinadas e documentadas todas as etapas da obra por meio da Planilha Orçamentária. E ainda, permite um melhor controle e administração dos insumos. Exemplo: ITEM DESCRIÇÃO UNID QUANT. PREÇO TOTAL UNIT. C/BDI 11 REVESTIMENTOS 94.747,51 1101 REVESTIMENTO INTERNO 94.747,51 110101 Chapisco c/argamassa de cimento e areia m² 4.552,19 3,02 13.747,61 m² 3.137,17 13,88 43.543,91 m² 918,94 11,48 10.549,43 m² 918,94 29,28 26.906,56 1:3 110102 Massa unica com arg.1:2:8 (cimento, cal e areia) 110103 Emboço com argamassa 1:2:8(cimento, cal e areia) 110104 Revestimento ceramico, 34x46cm, linha Linho Bianco, fab.ELIZABETH, assentada com argamassa pré-fabricada de cimento colante AC1 e rejuntada com rejunte prefabricado Figura 8 – Planilha Orçamentária. Em se tratando de obras públicas tal detalhamento “traduz em termos quantitativos e financeiros os serviços que serão contratados, e por esse motivo, situa-se entre os documentos importantes do processo licitatório”. (ALTOUNIAN, 2009). Apresenta-se, portanto, como fundamental no que diz respeito à fiscalização por parte dos órgãos contratantes quanto aos serviços executados, pois mostra se estes estão de acordo com o pré-estabelecido ou se houveram divergências em termos de quantidades, ou mesmo, se houve necessidade de supressão ou acréscimo de outros serviços para a concretização da obra. A verificação se dá através de medições emitidas pelas contratadas, a fim de comprovarem tais serviços executados e receberem por eles conforme o estabelecido em contrato. Isto porque as medições são formadas por planilhas que demonstram os serviços executados no mês e os serviços acumulados desde o início da obra comprovados pelas memórias de cálculos que atestam as quantidades e indicam as áreas em que os serviços estão sendo aferidos, são ainda, complementadas com o diário de obras e as memórias fotográficas relativas ao período medido, devidamente conferidas e assinadas pelo fiscal da obra. Mattos (2006) nos chama a atenção para o seguinte fato: O processo de levantamento de quantidades de cada material deve sempre deixar uma memória de cálculo fácil de ser manipulada, a fim de que as contas possam ser conferidas por outra pessoa e que uma mudança de características ou dimensões do projeto não acarrete um segundo levantamento completo. Vemos, portanto, que todo esse processo é de grande relevância principalmente na execução de obras públicas, pois como o próprio Altounian (2009) nos alerta, “o processo de qualquer contratação na qual estejam envolvidos recursos públicos deve ser conduzido com cautela pelos responsáveis designados para cada uma das tarefas inseridas no seu contexto.” 3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Quando do início do estágio a construção já contava 04 (quatro) meses de trabalhos iniciados encontrando-se na fase de execução das formas e escoramento da estrutura do 2º pavimento. O desenvolvimento das atividades era supervisionado pela engenheira da obra, que determinava e solicitava as tarefas que eu deveria cumprir, tomando com base o objetivo do estágio. As principais tarefas realizadas tratavam de: 3.1 MEDIÇÕES Como se trata de obra pública executada através de processo licitatório, mensalmente a Comtérmica elaborava medições descrevendo os serviços realizados no período, com respectivas quantidades demonstradas através de memoriais de cálculos. A partir desse documento aliado à memória fotográfica e ao diário de obras, era emitida a fatura através da qual o órgão contratante, no caso a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), realizava o pagamento à construtora. Portanto era de extrema importância que os serviços realizados fossem identificados e quantificados o mais preciso quanto possível fosse, porque aquilo que era possível medir, ou seja, o que estava em contrato e fora executado seria medido, e o que tivera sido executado por necessidade da obra e não constasse no contrato ou excedesse em termos de quantidade, iria compor a Planilha Aditivo, e consequentemente do Aditivo de Contrato, para que então a empresa pudesse receber pelo excedente executado ou a executar. Para tanto se fazia necessário o acompanhamento da execução dos serviços, e a conferência destes in loco, pois muitas vezes ocorriam variações em relação ao que estava determinado em projeto, resultantes de fatores como erros de projetos; equívocos durante a orçamentação, ou mesmo de situações que não puderam ser previstas, mas foram necessárias ao processo. MEMÓRIA DE CÁLCULOS A memória de cálculo é parte fundamental da medição, visto que ela comprova como se obteve as quantidades descritas, mostrando, inclusive, os locais onde foram empregados os serviços. PREFEITURA MUNICIPAL DE JOÃO PESSOA SEINFRA - SECRETARIA DA INFRAESTRUTURA MEMÓRIA DE CÁLCULO Nº 13 OBRA: CONSTRUÇÃO DO EDIFÍCIO INSTITUCIONAL COM QUATRO PAVIMENTOS (SOBRE PILOTIS) DO CENTRO ADMINISTRATIVO MUNICIPAL FIRMA: COMTÉRMICA ENGENHARIA LTDA LICITAÇÃO: 13/2010 O.S.: Nº 65/2010 CONTRATO: Nº 16/2010 PERÍODO: 01/02/2012 à 29/02/2012 ESQUADRIAS E VIDROS 09 METÁLICAS 0902 090202 J3, J4, J5 e J8 - Janela de correr e painel fixo em aluminio anodizado preto Fórmula: Área = Comp. x Alt x Quant. J3 Fachada Norte Pav.Tipo 1 J4 Fachada Norte Pav.Tipo 1 J3 Fachada Norte Pav.Tipo 2; 3 e 4 J4 Fachada Norte Pav.Tipo 2; 3 e 4 J7A Fachada Leste (Conforme projeto) J3 Fachada Sul Pav.Tipo 1; 2; 3 e 4 J5 Fachada Sul Pav.Tipo 1; 2; 3 e 4 J7A Fachada Oeste (Conforme projeto) Total executado = Comp. Alt. Quant. 4,20 1,30 2,00 5,90 1,30 3,00 4,20 1,30 6,00 5,90 1,30 9,00 11,00 1,70 4,00 (J3 e J4 Fachada Norte Pav.Tipo 2; 3 e 4 e J7 Fach. Leste) = 4,20 1,30 8,00 5,45 1,30 8,00 11,00 1,70 4,00 MEDIDO NO PERÍODO (J3 e J5 Fachada Sul Pav.Tipo 1; 2; 3 e 4 + J7A Fachada Oeste ) = RESUMO DO ITEM 090202 Quantidade de contrato Acumulado anterior Medido no período Saldo à medir 090203 Alçapão em chapa metálica, de 0,90x 0,90cm, com acabamento em pintura automotiva Locais: Tampas da Caixa d´água Total executado = 385,68 m² 10,92 23,01 32,76 69,03 74,80 210,52 43,68 56,68 74,80 175,16 385,68 330,48 210,52 119,96 55,20 2,00 und Quan.t 2,00 RESUMO DO ITEM 090203 Quantidade de contrato Acumulado anterior Medido no período Saldo à medir Figura 9 – Memória de cálculos. Fonte: Medição 13, Comtérmica Engenharia, 2012. Nela são apresentados dados como o número e o período da medição e descreve os serviços medidos com seus respectivos cálculos. Abaixo da descriminação destes aparece uma tabela de resumo que fornece as seguintes informações: 1) Resumo do item: Nos dá o total executado deste item incluindo o período, ela é o somatório da coluna onde constam os subtotais calculados do item; 2,00 2,00 2,00 - 2) Quantidade do contrato: mostra a quantidade que poderá ser medida, prevista em contrato; 3) Acumulado anterior: Nela temos a quantidade medida acumulada deste item até a medição anterior; 4) Medido no período: temos então, o que será medido neste período. Para obter este valor faz-se necessário apenas que constem preenchidas as células anteriores. Em resumo ela é o total executado subtraído do acumulado anterior; 5) Saldo a medir: Automaticamente dá o resultado daquilo que só poderá ser medido após a formalização de um aditivo de contrato, visto que tal saldo é superior ao contratado inicialmente. Ela é o total executado, subtraindo o acumulado anterior e o medido no período. Uma folha completa da memória de cálculo pode ser visualizada no Anexo I. Com a finalidade de poder visualizar sinteticamente o que estava sendo medido e o que faltava-se medir em termos de valores e quantidades, e principalmente para sabermos o valor total da medição, era feita uma planilha (Ver Anexo II) semelhante ao Boletim de Medição oficial emitido pela PMJP após aprovação da medição. Quando esta nos era transmitida, tornava-se possível comparar as duas planilhas e comprovar se os dados da medição foram considerados igualmente por ambas as partes. E o boletim oficial servia de base para a próxima medição, devido aos dados por ele apresentados, principalmente o medido acumulado até o período que se ia medir. BOLETIM DE MEDIÇÃO Após aprovada a medição a prefeitura nos emitia este boletim oficial (Ver Anexo III) corroborando o pagamento à empresa pelas tarefas realizadas no período. Através dele podíamos fazer as devidas comparações a fim de analisarmos se haviam divergências com relação à memória de cálculos por nós emitidas, e se todos os dados correspondiam aos mesmos que o boletim por nós elaborados, a fim de verificarmos a existência de erros de alguma das partes. Porém, mais que isto tal boletim atualizava mensalmente informações importantes como: quantidade de dias de iniciadas as tarefas da obra; o medido no período; medido acumulado; saldo a medir; valor total contratado; valor de aditivo, caso houvesse; período da medição; etc. MEMÓRIA FOTOGRÁFICA Tal memória, documento obrigatório componente da medição, comprova visualmente a execução dos serviços, devendo esta conter fotografias de todos os itens medidos. (Ver anexo IV). RESUMO DE ITENS Sintetiza as quantidades executadas de cada item da referente medição. (Ver anexo V). DIÁRIO DE OBRAS O diário de obras documento oficial que segue junto à medição se trata de um livro preenchido diariamente pelo fiscal da obra, no caso senhor Joaquim Correia Neto representante da PMJP, em parceria com a engenheira responsável, contendo informações como: as atividades realizadas no dia; condições meteorológicas; equipamentos utilizados; número de funcionários de acordo com suas funções; irregularidades; situações atípicas que influenciaram positiva ou negativamente; etc. No entanto para controle da empresa, diariamente essas mesmas informações eram descritas por mim em documento extraoficial. 3.2 PLANILHA DE LEVANTAMENTO DE QUANTITATIVO TOTAL DA OBRA Antes do início dos serviços da obra, além da formalização de todos os documentos necessários, a Comtérmica recebeu da Administração os projetos básicos e a Planilha Orçamentária (Figura 10), que são subsídios fundamentais para que o executado correspondesse àquilo que fora contratado. UEM- SECRETARIA DE PLANEJAMENTO PLANILHA ORÇAMENTÁRIA OBRA: CONSTRUÇÃO DO EDIFÍCIO INSTITUCIONAL COM QUATRO PAVIMENTOS (SOBRE PILOTIS) DO CENTRO ADMINISTRATIVO MUNICIPAL. LOCAL: ÁGUA FRIA – JOÃO PESSOA/PB BDI= 25% ITEM 01 0101 0102 0103 0104 0105 0106 0107 0108 0109 0110 02 0201 0202 0203 0204 0205 0206 0207 0208 0209 0210 03 0301 0302 0303 0304 DESCRIÇÃO SERVIÇOS PRELIMINARES Licenças e taxas (Edifício Institucional do CAM) Placa indicativa da obra (6,00x3,00m) Mobilização Administração Local da Obra Raspagem e limpeza do terreno Tapume de chapa compensada resinada de 12mm, inclusive ferragem para portão Barracão provisório de um pavimento, executado em chapa compensada Ligação provisória elétrica de baixa tensão para canteiro de obras PREÇO UNID QUANT. UNITÁRIO C/BDI un m2 un mes m2 m2 1,00 18,00 1,00 18,00 3.336,32 519,02 TOTAL 266.373,54 5.186,98 5.186,98 163,88 2.949,84 8.000,00 8.000,00 11.250,00 202.500,00 1,46 4.871,02 59,54 30.902,45 m2 20,00 292,21 5.844,20 un 1,00 966,69 966,69 Ligação provisória de água Locação da obra DEMOLIÇÕES E RETIRADAS Demolição de alvenaria de 1/2 vez sem reaproveitamento Retirada de meio fio Retirada de poste de concreto Demolição de caixa alvenaria de 50x50x50cm c/tampa concreto Demolição de pavimentação com paralelepípedo Demolição de piso cimentado sobre lastro de concreto Retirada de esquadrias metálicas, com ou sem reaproveitamento Demolição de cobertura c/telhas onduladas de fibrocimento, com aproveitamento Demolição de laje pré-moldada Retirada de luminária com reaproveitamento MOVIMENTO DE TERRA Escavacao mecanizada em campo aberto com trator de esteira, inclusive bota-fora mecânico DMT=10 Km un m2 1,00 728,67 182,84 6,82 m2 87,23 2,18 182,84 4.969,52 6.532,13 190,16 m un un 254,59 3,00 4,00 3,33 69,59 11,97 847,78 208,77 47,88 m2 m2 667,82 105,74 4,02 8,71 2.684,63 920,99 m2 7,44 3,33 24,77 m2 17,22 1,63 28,06 m2 un 17,22 4,00 9,45 3,05 m3 790,09 13,22 162,72 12,20 64.887,00 10.444,98 Compactacao de aterro com equipamento mecanico Solo cimento no traço 1:20 (cimento areia), compactado manualmente Aterro do caixão, com aquisição de material, em camadas de 0,20m m3 136,10 2,29 311,66 m3 190,00 162,22 30.821,80 m3 461,83 50,47 23.308,56 Figura 10 – Trecho da Planilha Orçamentária da Obra. Fonte: COMTÉRMICA. Mas, como se sabe projetos e orçamentos são passíveis de erro, e nem sempre abrangem tudo aquilo que uma construção demanda para que seja finalizada. E neste caso onde tanto um como o outro foi elaborado pelo órgão contratante para em seguida ser lançado um processo licitatório, cujo contrato amarra preços e quantidades dos serviços a serem executados, as divergências entre o planejado/orçado e o executado poderiam acarretar em grandes prejuízos à empresa. Devido a este fato, bem como, para um maior controle por parte da Comtérmica quanto ao andamento dos serviços, ou seja, quanto ao cumprimento do cronograma da obra, foi elaborada uma planilha orçamentária baseada na oficial recebida, constando os itens nela apresentados, mas estruturada de tal forma que mostrasse o excesso ou saldo de cada um, e aqueles que no orçamento base não foram identificados. Tais quantidades foram fornecidas pela memória de cálculos que a acompanha, feita inicialmente a partir dos projetos e no decorrer da execução dos serviços, nas medições. Todos os dados sejam eles quantidades; novos serviços; e a memória de cálculos eram utilizados nas medições e no Aditivo de Contrato. Na verdade esta é a principal função desta planilha: quantificar toda a obra baseando-se no contratado, mas apresentando, de fato, todas as etapas e serviços realizados para sua concretização. É um orçamento paralelo, que visava comprovar através das planilhas e memorial o que foi feito para concretizar o produto do contrato e para que se pudesse receber pelo que se executou. A figura 11 descreve a situação de cada item: Temos seu valor unitário e quantidade prevista em contrato, e em seguida obsevamos a coluna “a executar” fornecendo após quantificação realizada o quanto deste item era necessário, de fato realizar. Com isto constatamos dentre eles quais apresentavam excesso ou saldo cujos valores comporiam o Aditivo de contratos. PLANILHA ORÇAMENTÁRIA PARA ADITIVO OBRA: CONST. DO EDIFÍCIO INSTITUCIONAL COM 04 PAVIMENTOS (SOBRE PILOTIS) DO CENTRO ADMINISTRATIVO LOCAL: ÁGUA FRIA ITEM 01 0101 0102 0103 0104 0105 0106 0107 0108 0109 0110 DESCRIÇÃO SERVIÇOS PRELIMINARES Licenças e taxas (Edifício Institucional do CAM) Placa indicativa da obra (6,00x3,00m) Mobilização Administração Local da Obra Raspagem e limpeza do terreno Tapume de chapa compensada resinada de 12mm, inclusive ferragem para portão Barracao provisório de um pavimento, executado em chapa compensada Ligação provisória elétrica de baixa tensão para canteiro de obras Ligação provisória de água Locacao da obra UNID PREÇO UNIT. C/BDI CONTRATADO Quantid. Valor (R$) Á EXECUTAR Quantid. EXCESSO Valor (R$) 5.186,98 163,88 8.000,00 11.250,00 1,46 59,54 1,00 18,00 1,00 18,00 3.336,32 519,02 266.373,54 5.186,98 2.949,84 8.000,00 202.500,00 4.871,02 30.902,45 1,00 18,00 1,00 18,00 2.511,00 506,00 298.819,40 5.186,98 2.949,84 8.000,00 202.500,00 3.666,06 30.127,24 m2 292,21 20,00 5.844,20 130,00 37.987,30 un 966,69 1,00 966,69 1,00 966,69 un m2 182,84 6,82 1,00 728,67 182,84 4.969,52 1,00 1.063,41 182,84 7.252,45 un m2 un mes m2 m2 Quantid. SALDO Valor (R$) Quantid. Valor (R$) 34.426,02 1.980,17 825,32 13,02 110,00 32.143,10 334,74 2.282,92 Figura 11 – Trecho Planilha de Acompanhamento Contratado/executado. Fonte: COMTÉRMICA, 2011. 3.3 ADITIVO DE CONTRATO A planilha de levantamento de quantitativo total da obra era nomeada de Planilha de Acompanhamento Contratado/executado, visto que apresenta os excessos e/ou saldos dos serviços já existentes como também novos itens e itens não executados, com a finalidade de solicitar junto a Administração através de procedimentos legais a elaboração e aprovação do Aditivo de Contrato que permitiu inserir e excluir serviços oficialmente na Planilha Orçamentária da obra, para que então a empresa pudesse ser onerada pela execução dos mesmos. Como já mencionado, a comprovação das quantidades se deram através das memórias de cálculos das medições, no que diz respeito aos itens já executados e quanto aos itens a executar as memórias foram retiradas da planilha de quantitativo total da obra. Os serviços novos eram incluídos, ainda, em um outro documento com o nome de Planilha para tomada de preços, para que a contratante pudesse realizar o trabalho de coleta de preços de itens novos para em seguida inseri-los no aditivo de contrato. De posse das quantidades e dos preços novos, a PMJP pôde confeccionar o aditivo, calculando seu valor e consequentemente gerar um 1.204,96 775,21 novo valor de contrato, que conforme o art. 65 da Lei n° 8.666/93 poderia ter no máximo um acréscimo de até 25% do valor inicial. Na verdade, houve a necessidade de dois aditivos: o primeiro aprovado após 08 meses de iniciada a obra, com o valor de R$ 494.861,49 acarretando num acréscimo de 13,41% sobre o valor inicial do contrato que era de R$ 3.688.741,02. Os serviços que contribuíram mais expressivamente para tal fato pertenciam às seguintes fases: 1) SERVIÇOS PRELIMINARES: nesta fase houve um acréscimo necessário no tamanho do barracão, gerando aditivo de quantidade deste item; 2) MOVIMENTO DE TERRA: não foram previstos inicialmente, ou seja, não constavam na planilha orçamentária serviços como escavação manual de valas e bota-fora de material, no entanto foram necessários e consequentemente executados e incluídos no aditivo; 3) ESTRUTURA: Aqui houve aumento significativo na quantidade da armadura CA-50, cerca de 11t, e a inclusão de itens como Escoramento metálico e Bandeja de proteção; 4) ESQUADRIAS quantidades E de VIDROS: Um esquadrias foi considerável resultante aumento tanto de nas uma incompatibilidade entre os projetos estrutural e o arquitetônico, levando a uma modificação na altura das janelas, quanto por causa da divergência entre projeto e orçado: aquele mostrava determinadas janelas como de correr, no entanto o orçado as considerava como boca-de-lobo,e tal adequação (visto que foi executada como de correr) gerou diferenças nas quantidades dos itens ocasionando saldo em um e excesso no outro; 5) FORROS: Também foi executada quantidade superior ao orçado devido ao considerado em projeto e a necessidade da obra, e inserido itens como “Cortineira” e “Rodateto”. Também ocorreram excessos relevantes em itens como chapisco; pintura; piso em granilite; meio fio e piso intertravado. O segundo aditivo foi aprovado 10 meses após o primeiro, onerando a obra em mais 11,4% chegando-se a um valor total de R$ 4.603.855,90, com isto a construção custou 24,81% a mais que o orçado inicialmente. (Ver Anexo VI). Os serviços que causaram este acréscimo foram principalmente: de instalações elétricas onde foi necessária uma quantidade superior à prevista de cabos e fios; cabeamento estruturado com motivos semelhantes aos de instalações elétricas e também devido à ausência de equipamentos essenciais no contrato, como racks, patch panel; o revestimento cerâmico das fachadas foi um dos itens que mais apresentou divergência, apresentando quantidade orçada bastante inferior àquela que foi executada, talvez devido à sua complexidade causada pela grande quantidade de marquises. E ainda outros itens que envolviam, especialmente, serviços relacionados às fases de acabamento da obra. Também foram inseridos a estrutura de um mastro para uma bandeira, solicitada pela PMJP, e um reservatório inferior exigido em projeto, mas não considerado em planilha. É interessante relembrar que nem só de excessos é composto o aditivo. Inclusive o seu valor é formado pela diferença entre os excedentes e os saldos dos serviços. Entendendo-se como saldo, o valor das quantidades não medidas, pois foram executadas inferiores à constante em contrato inicial, ou mesmo itens que foram substituídos por outros com a mesma função. Neste caso, o item substituído gerou um saldo e o item que o substituiu gerou um excedente. Temos como exemplo de itens em que ocorreram saldo: Aço CA-60, tubulação de esgoto; substituição do bloco intertravado e da alvenaria com tijolos de 7 cm; entre outros casos. Todo este processo de concepção de aditivo de contrato demandou muito tempo até a sua finalização, visto que ele é formado por itens que foram previstos de uma maneira diferente da necessária ou não previstos, exigindo uma análise aprofundada para a efetivação e quantificação daqueles que se apresentavam como novos, em que, paralelamente ocasionou um atraso na conclusão de algumas fases e consequentemente na finalização da obra. Partindo daí a solicitação de um Aditivo de Prazo o qual contemplou um período de 02 meses a mais para realização dos serviços pendentes. Assim, a obra teve um prazo total de execução de 20 meses. 3.4 ACOMPANHAMENTO E FISCALIZAÇÃO DAS TAREFAS O cumprimento das tarefas se dava a partir do cronograma da obra, mas contemplava, é claro, aquilo que ia apontando como importante para que ela pudesse ser desenvolvida satisfatoriamente. A mim cabia acompanhar e fiscalizar, conforme o designado pela engenheira responsável, junto ao mestre de obras a execução de todos os serviços a fim de confirmar sua correta realização e equiparar ao quantificado, observando e identificando a existência de itens novos ou a serem excluídos, trabalhando paralelamente na confecção das medições e dos Aditivos de Contrato. Outro ponto relevante era identificar a existência de problemas que interferissem no andamento das tarefas. Isto compreendia: leitura e interpretação de projetos (arquitetônico, estrutural, de instalações, etc.); conferência de medidas e quantidades; cálculos de áreas e volumes; emprego correto de materiais e equipamentos conforme especificação; identificação de insumos; entre outros. Todos esses dados eram repassados, e analisados tanto pela engenheira responsável quanto pelo fiscal da obra. 3.5 DESENHOS EM AUTOCAD Além da leitura de projetos, tratava-se de algo fundamental ter bom domínio na técnica de desenhar com o auxílio do AutoCAD porque era imprescindível realizar o levantamento de medidas e áreas antes mesmo da execução de alguns serviço, e após a mesma ajustá-las à realidade nos projetos, quando ocorrido, que eram repassadas aos projetistas para elaboração do as built. Fato ocorrido no projeto de distribuição de luminárias, que foi modificado devido a mudança no layout das divisórias; no de instalações sanitárias pois houve mudança no local de alguns tubos de queda que fora projetado inicialmente em local inconveniente; também houveram algumas mudanças no arquitetônico por causa da incompatibilidade com o estrutural e o de instalações elétricas, modificando dimensões de janelas e altura do forro. Além das modificações também foi preciso elaborar projetos, a exemplo de: 1) Distribuição de máquinas de ar-condicionado tipo Split-Cassete, inclusive rede de dutos e drenos - distribuído de acordo com o layout e orientação do engenheiro responsável por este tipo de serviço na empresa; 2) Projetos de Segurança do trabalho - balancim, andaimes, etc.; 3) Instalações elétricas do Canteiro de obras; 4) Desenhos diversos – disposição de telhas na coberta, acréscimo de cotas quando insuficientes à execução, detalhes, etc. 3.6 OUTRAS ATIVIDADES Também faziam parte da minha rotina de estagiária, as seguintes atribuições: 1) Elaboração de pedidos: O almoxarife da obra me passava as necessidades de materiais e equipamentos de uso mais comum como cimento, areia, pregos, etc. Já aqueles cujas quantidades dependiam de projetos, eram elaborados por mim em conjunto com o profissional específico (como no caso de instalações hidrossanitárias), louças e metais, cerâmica, granitos, tintas, etc. De posse das quantidades, era preenchido um formulário padrão que era encaminhado a engenheira responsável pela obra e em seguida ao setor de compras da empresa; 2) Medição de serviços terceirizados: Era necessário quantificar mensalmente os serviços realizados por terceiros para realização de pagamento. Ex.: O forro era executado por empresa terceirizada, então era preciso que fossem levantadas e descritas as áreas feitas no determinado mês, bem como comprimento de cortineiro e rodateto para efetuar o pagamento devido. Era elaborada uma planilha descritiva e repassada à engenheira responsável. 3) Preenchimento de folha de produção: Quinzenalmente era preenchida em conjunto ao encarregado, uma planilha demonstrativa com as atividades e respectivas quantidades relacionadas à produção dos operários; 4) Atualização e organização de projetos: Algo muito importante era manter atualizados os cadernos de projetos conforme as modificações e passá-los ao responsáveis pela execução de cada tarefa. 4. CONCLUSÕES O estágio é, de fato, uma disciplina prática fundamental para o desenvolvimento do aluno tanto tecnicamente quanto nos demais patamares que envoltam o ser profissional. É um desafio, pois testa os conhecimentos e exige responsabilidade visto que as consequências vão além de notas baixas e/ou reprovação de cadeira. E algo relevante é que o estágio pode se tornar determinante no que se refere ao direcionamento profissional que irá se tomar. A oportunidade de estagiar em uma obra, mas com foco em orçamentação foi extremamente enriquecedor diante da complexidade deste processo e da necessidade que ele apresenta de se ter considerável conhecimento sobre construção além daqueles que tendem para a área financeira ou mesmo jurídica. O estágio ultrapassou o limite dos desenhos; cálculos e planilhas e me exigiu “cair em campo”, ou seja, estar constantemente execercendo atividades diretamente na obra para que aquelas de escritório pudessem fluir corretamente. Confirmo, portanto, que esta experiência contribuiu fortemente para a minha formação como Tecnóloga em Construção de Edifícios. 5. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES Sabemos que a Indústria da Construção é uma das que mais tem contribuído para o desenvolvimento do país. E isto tem tornado cada vez mais o mercado aquecido e solicitador de profissionais especializados e preparados. Sabemos também da grande conceituação e reconhecimento desta Instituição não só pelo mercado, mas por toda a sociedade. E tal fato é merecido pois ela é uma formadora de profissionais qualificados. Tem-se portanto, uma situação de procura e oferta de profissionais que pode ser ainda mais eficiente, principalmente quanto a oferta dos profissionais. Seguem minhas sugestões e recomendações: Ao Sr. Reitor, pró-reitores e coordenadores: Buscar mais investimentos para os laboratórios e equipamentos do CST em Construção de Edifícios. Inclusive, faz grande falta um local (uma sala) onde os estudantes e professores deste curso possam se reunir e dirimir dúvidas, concluir trabalhos, etc. Especialmente se este local dispor de computadores com AutoCAD e internet, ou ao menos, uma rede WI-FI. Aos professores: Que são extremamente qualificados e a quem muito admiro, cumprir mais fielmente a ementa das disciplinas, bem como os horários de aula. Aos alunos: Acreditem mais e dediquem-se mais ao curso, pois mesmo com as dificludades, se houver interesse; dedicação; pesquisa voce será um bom profissional que conquistará o seu espaço no mercado, que de tão aquecido, absorve até aqueles que não demonstram tanta qualificação. Por fim, a todos estes parabenizo e agradeço, pois contribuíram, cada uma à sua maneira, nesta caminhada e contribuem diariamente para esta Instituição que tanto estimo e com a permissão de Deus escolhi para me tornar uma profissional de Nível Superior. REFERÊNCIAS ALTOUNIAN. Cláudio Sarian. Obras Públicas: licitação,contratação, fiscalização e utilização. 2 Ed. Belo Horizonte: Forum, 2009. AVILA, Antonio V.; LIBRELOTTO, Liziane I.; LOPES, Oscar C. Orçamento de obras – Construção Civil. Universidade do Sul de Santa Catarina, Curso de Arquitetura e Urbanismo Planejamento e Gerenciamento de Obras, 2003. Disponível em <http://www.slideshare.net/kleberkukas/ecv5307-oramento>. Acesso em Maio de 2012. GONZÁLEZ. Marco Aurélio Stumpf. Noções de Orçamento e Planejamento de Obras. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Notas de aula, 2008. Disponível em <www.exatec.unisinos.br/~gonzalez/index.html>. Acesso em Maio de 2012. LIMMER. Carl V. Planejamento, orçamento e controle de projetos e obras. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos, 1997. MATTOS. Aldo Dórea. Como preparar orçamento de obras. São Paulo: Editora Pini, 2006. ANEXOS