Ano 1 – Edição 3 Set – Dez de 2012 Expediente Edição 3 set- dez de 2012 Tiragem: 100 exemplares (Distribuição gratuita) www.petvet.ufra.edu.br Realização: Grupo PET de Medicina Veterinária/Ufra Uma publicação do Programa de Educação Tutorial do Curso de Medicina Veterinária da Ufra Adriano Leão Caio Mendes Caroline Pessoa Damazio Campos Danielle Góes Gabriel Furtado Gustavo Lobato Helen Santos Henrique Piram Natália Lopes Nathaly Monteiro Priscila Del Aguila Raquel Fernández Rinaldo Viana Rodrigo Albuquerque Entrevista. Nessa edição a entrevistada é a Prof. Dra. Nazaré Fonseca. Ex-Diretora do Hovet/Ufra, Ex-Diretora do ISPA/Ufra e atual Coordenadora do Vida Digna – Unidade de atendimento a cães e gatos de proprietários em fragilidade socioeconômica História. Como se deu a chegada do búfalo no Brasil. Você sabe? Entenda um pouco essa história. Ano 1 – Edição 3 Set – Dez de 2012 Do gado: fórum da pecuária. Expediente 2 História 3 O Mugido 4 Veterinária em foco 5 Mundo cão 6 Dicas 7 Congressos e Eventos 8 Ciência em ação. Avicultura: Do gado: Fórum da pecuária 10 verdades e mitos sobre a produção de aves no Brasil. Entrevista 15 Leite de búfalas com garantia de pureza. Saiba se a mozzarella que você consome é de leite de búfala ou não. 1 Ufra/ISPA – Belém/PA Avenida Presidente Tancredo Neves, Nº 2501 Montese 66.077-901 [email protected] Editorial Nesta terceira edição comemoramos um ano deste informativo. Uma iniciativa do Grupo PET de Medicina Veterinária da Ufra. Além da procura constante pela divulgação de notícias e informações científicas, o PETVet news tem buscado a melhoria da formação dos acadêmicos de Medicina Veterinária da Ufra. Apresentamos nessa ultima edição de 2012 um breve histórico da chegada dos búfalos na Amazônia; uma reportagem sobre as raças de búfalos na coluna o mugido; na veterinária em foco trazemos uma matéria sobre avicultura, mitos e verdades na produção dessas espécies; na coluna mundo cão abordamos uma reportagem sobre o mundo pet, um programa da ourofino saúde animal; e na coluna Do gado: fórum da pecuária, várias matérias de interesse dos acadêmicos e médicos veterinários foram abordadas. Assim mais uma vez trazemos um gama de informações úteis para todos aqueles que vivem o universo das ciências veterinárias. Finalmente, trazemos uma entrevista com a professora Dra. Nazaré Fonseca do Instituto da Saúde e Produção Animal da Universidade Federal Rural da Amazônia que fala um pouco sobre sua vasta experiência como docente e pesquisadora da Ufra e sobre as ações do Vida Digna . Assim finalizamos o ano de 2012 com a perspectiva de consolidação do nosso informativo. Que em 2013 mais matérias interessantes sejam oferecidas ao nosso leitor e que possamos tornar o PETVet news cada vez mais interativo, democrático, moderno e arrojado, como todo veículo de comunicação deve ser. Agradecemos a todos os professores, pesquisadores e médicos veterinários que colaboraram conosco ao longo do ano de 2012. Que venha 2013! Rinaldo B. Viana Tutor PETVet-Ufra 2 História O mugido A chegada do Búfalo na Amazônia Raças de búfalos Os animais da raça Mediterrânea apresentam porte médio e são medianamente compactos. De origem italiana, é uma raça de dupla aptidão (leite e carne), embora os mediterrâneos brasileiros tenham mais aptidão para o corte. Possuem chifres fortes e grossos, de seção ovalada ou triangular, dirigidos para trás, para fora e para o alto, terminando em forma semicircular ou de Lira e pelos e pele preta. N Foto: Rinaldo Viana arram as crônicas que os primeiros Búfalos teriam entrado na Amazônia, entre 1890 e 1895, trazidos por condenados foragidos da Guiana Francesa em um barco que aportou na costa norte da Ilha do Marajó. A mais remota entrada que se tem confirmado, é de uma importação por volta de 1902 feita por Bertino Lobato de Miranda, para a Fazenda São Joaquim, às margens do rio Arari, na Ilha do Marajó. Eram Búfalos de procedência italiana. Todavia mais conhecida é a importação feita em 1906, por Vicente Chermont de Miranda para a Fazenda Dunas e Ribanceira, na costa norte de Ilha. Com a ida de Chermont para o sul, seu rebanho ficou praticamente abandonado, tornando-se semisselvagens e embrenhandose nas matas e alagados da região. Eles eram chamados “Rosilhos”, mais tarde identificados como da raça Carabao. Era hábito dos pecuaristas Marajoaras a caça aos “Rosilhos”, abatendo os machos para consumo e amansando as fêmeas e os jovens, utilizando-os nos trabalhos e cruzando-os com outros importados da Itália, dando uma considerável parcela de mestiços. Outra importação naquela época, para o Pará, foi devida a José Júlio de Andrade, para a sua Fazenda Arúmanduba, no Baixo Amazonas. Ocasionalmente, nas décadas de 20 e 30, alguns poucos exemplares foram levados para o Pará. Na década de 40, o Departamento Nacional de Produção Animal, do Ministério da Agricultura tendo em vista as dificuldades enfrentadas pelos bovinos Europeus, e até mesmo pelos Zebuínos, decidiu estimular a pecuária regional do Pará, com programas de fomentos aos bubalinos. Foi organizada a Fazenda de Criação de Soure, que recebeu um plantel de Búfalos para a seleção da aptidão leiteira, conduzida por muito tempo pelo dedicado zootecnista Hugo Borborema. As fêmeas em lactação eram mantidas em regime de semi-estabulação e controle leiteiro, o único de que se tinha notícia na época, com produções de 8, 10 e até 12 quilos diários. Reprodutores e matrizes desses estabelecimentos eram vendidos anualmente em leilão para criadores da Ilha e de outras regiões do Pará. Rebanhos foram formados pelo Instituto Agronômico do Norte, sem sua sede no Município de Belém e em Belterra. Na margem direita do Rio Amazonas, em Santarém no Pará, foi instalada a Estação Experimental de Maicurú, que chegou a possuir quase 2.000 Búfalos. Fontes: www.bufalo.com.br/info_criador/historico_bufalos.pdf Henrique Piram, discente do Curdo de Medicina Veterinária, bolsista do grupo PETVet/Ufra Raça de origem indiana, animais com conformação média e compacta. Apresentam cabeças leves e chifres curtos, espiralados, enrodilhando-se em anéis na altura do crânio. São animais profundos e de boa capacidade digestiva, elementos muito importantes para as produtoras leiteiras. Aptidão tanto para leite quanto para carne. Jafarabadi, também indiana, é a raça menos compacta e de maior porte que existe no mundo, com chifres mais longos e de espessura menor, com uma curvatura longa e harmônica dirigidos para trás e para baixo, com curvatura final para cima e para dentro; orelhas com direção horizontal, dirigidas por cima dos chifres. Apresenta aptidão para carne e leite. Conhecido como o "trator do oriente". No Brasil, a maior população desta raça está concentrada na Ilha do Marajó, no Estado do Pará. É a única raça adaptada às regiões pantanosas e, por isto, apresentando pelagem mais clara, variando de coloração rosilha ou castanha com extremidades dos membros claras ou brancas. Também é conhecido por sua dupla aptidão, produzindo carne e sendo excelente para tração. Originário da Indochina, tem a cabeça triangular, chifres grandes e pontiagudos, voltados para cima, e de porte médio. Fonte: http://www.bufalobeef.com.br 3 Henrique Piram, discente do Curdo de Medicina Veterinária, bolsista do grupo PETVet/Ufra 4 Veterinária em foco Mundo cão Avicultura, verdade e mitos sobre sua produção Amigo Pet Q uem nunca ouviu dizer a ração do frango de granja contem hormônios? Na verdade de acordo com Sulivan Pereira Alves da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (ABEF) “nenhum frango, convencional ou orgânico, recebe hormônios em sua criação e a ABEF não concorda com esse tipo de anúncio.” Carne de frango não possui hormônios e, entre outras razões está a inviabilidade. Segundo dados da própria ABEF somente no ano passado foram produzidos no país cerca de 5,2 bilhões de frangos e os hormônios para produzir o efeito de crescimento deveria ser administrado diariamente. Logo, a prática seria dispendiosa e não promoveria o resultado desejado. De acordo com o veterinário Leandro Feijó, da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/MAPA) “ o tempo de vida do animal até o abate inviabiliza qualquer tentativa de utilização de hormônios nesta espécie, assim como o tempo suficiente para a sua atuação no organismo”. Feijó coordena o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) que monitora, continuamente, a presença de medicamentos veterinários de uso proibido no País em carnes, incluindo hormônios. Ele explica que, nos últimos quatro anos, foram realizadas mais de 2,8 mil análises em frangos e atesta: “a partir dos resultados obtidos, a conclusão é de que não há indícios da utilização dessas substâncias nas carnes de aves consumidas pela população brasileira e exportada a mais de cem países”. Outra questão, apontada pela técnica da ABEF, seria a legislação. A Instrução Normativa nº 17, de 18 de junho de 2004 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento proíbe o uso de substâncias estimulantes do crescimento. “Mesmo que alguma indústria avícola tentasse fazer uso, burlando as leis estabelecidas, não obteria êxito, pois a utilização de hormônios é completamente impraticável sob o ponto de vista econômico e não sobreviria aos procedimentos de fiscalização hoje existentes”, esclarece. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Suínos e Aves - Concórdia (SC) - Brasil FONTE: http://portaldoconsumidor.wordpress.com/2009/10/19/carne-de-frango-tem-ou-nao-tem-hormonios/ Henrique Piram, é aluno Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC O Amigo Pet Ourofino é um site voltado para donos de cães e gatos que desejam organizar a rotina dos seus animais de estimação. A correria do dia a dia pode fazer com que os donos dos pets acabem se perdendo em suas agendas e se esquecendo dos compromissos dos nossos melhores amigos. Pensando em facilitar a vida dos donos de pets, a Ourofino Saúde Animal, maior empresa nacional na produção de medicamentos veterinários há 25 anos, acaba de lançar o site "Amigo Pet", que funciona como uma agenda eletrônica para os compromissos de cães e gatos. O serviço é inédito no país. Na página www.amigopetourofino.com.br o usuário encontra serviços online gratuitos, onde é possível criar o próprio RG do animal e também organizar uma rotina de cuidados que inclui dias e horários do banho e tosa, carteira de vacinação, horário dos medicamentos e das consultas veterinárias. Com o cadastro, o dono passa a receber lembretes sobre os dias de levar seu pet para tomar banho e tosar, e os horários de cada consulta e medicação. Tudo cadastrado em espaços específicos e com a possibilidade de recebimento de aviso dos compromissos via e-mail ou mensagem de celular. “Com este serviço, ficou muito mais fácil medicá-los na hora certa", afirma a médica veterinária da Ourofino, Karina Kowalesky. FONTE: http://www.ourofino.com/saudeanimal/pets/noticias/2012/08/02/pets-ganham-site-queorganiza-suas-rotinas.html 5 5 Henrique Piram, é acadêmico de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC 6 6 Dicas Congressos e eventos “AVISO: Não é permitido cães no local” Foto: Danielle Góes A lei ( nº 7831/97) que proíbe a circulação de cães acompanhados de seus donos em praças públicas da cidade durante dois períodos do dia (entre 6h e 9h horas e entre 16h e 20 h) foi sancionada em 30 de abril de 1998 pelo então prefeito de Belém, contudo, tratou-se de uma lei sem nenhuma repercussão na época, o que desencadeou no desconhecimento desta por parte da população e na sua não aplicabilidade. Em meados de agosto de 2012, passou a ser exigido o cumprimento da referida lei, sendo colocadas nas praças placas alusivas aos períodos proibidos de circulação de animais, e tendo a guarda municipal como responsável pela fiscalização. As placas deveriam ter sido fixadas em todas as praças com maior movimentação de pessoas e animais, no caso seriam as praças da República, Batista Campos e Brasil. Todavia, somente na praça Batista Campos a lei se fez cumprir devido provavelmente ao pedido da associação de moradores do bairro onde a praça se encontra. No caso de descumprimento da lei, duas medidas são adotadas: na primeira vez seria aplicada apenas uma advertência e em casos de reincidência o pagamento de multa. Com o objetivo de atestar o nível de conhecimento da população a respeito desta lei, foi realizado uma entrevista em duas das praças: Batista Campos e República, abordando a opinião das pessoas sobre o assunto e ideias de medidas alternativas para uma possível resolução das questões apontadas. A entrevista foi realizada das 16 às 20 horas, período que seria proibido a circulação de animais de companhia. Após 4 meses do seu exercício, foi observado que seus frequentadores não estão levando a lei tão a sério, tanto por aqueles que possuem animais de estimação, quanto por aqueles que não os possuem. Muitos frequentadores passeiam com seus cães nesses horários, alegando que é o único tempo disponível ou que não se importam com a regra imposta. E a guarda municipal, órgão que deveria monitorar e esclarecer dúvidas da população em relação a tal lei, não cumpre de fato o seu papel. Outra lei municipal (nº 824903) trata do recolhimento dos dejetos de cães e gatos em logradouros. Sancionada em 31 de julho de 2003, diz a lei que o proprietário é obrigado a levar sacos plásticos para que possa recolher os dejetos deixados pelo seu animal. Ao contrário da lei anterior, apresenta um maior número de cumpridores, contudo ainda há muitas pessoas que não o fazem, alegando diversos motivos, dentre eles a preguiça. Recolher o dejeto do animal, além de um ato de cidadania e respeito ao próximo também é importante para evitar a propagação de doenças, tanto para outros animais, quanto para o homem. Gabriel Furtado, Natália Lopes e Danielle Góes, são acadêmicos do curso de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsistas PET/SESu-MEC e CAPES. 7 O melhor as Buiatria estará no Pará em 2013. Venha conhecer o Estado do Pará, obra prima da Amazônia! 37ª SEMANA DO MÉDICO VETERINÁRIO DO ESTADO DO PARÁ 5º SIMPÓSIO PARAENSE DE MEDICINA VETERINÁRIA buiatria2013.com.br A Associação Brasileira de Buiatria promove em Belém do Pará, no Hangar - Centro de convenções da Amazônia, no período de 8 a 12 de setembro de 2013 o X Congresso Brasileiro de Buiatria. É a primeira vez em duas décadas que o congresso acontece em um Estado da região Norte do Brasil. Portanto, configura-se como uma oportunidade singular para os Buiatras da região e do Brasil se atualizarem sobre os mais variados temas a cerca da atuação do Veterinário que trabalha com Buiatria. Serão abordados temáticas inerentes a medicina dos animais de produção, recursos genéticos, diagnóstico, clínica das intoxicações, produção animal, reprodução animal, ensinança na buiatria, glândula mamária, neonatologia, doenças infectocontagiosas, ciência dos alimentos, entre outros. Além de palestrantes nacionais o evento contará com palestrantes internacionais da Alemanha, Áustria e Nova Zelândia. Durante o evento três cursos práticos serão oferecidos, cada um para cerca de 20 veterinários e acadêmicos. Toda a grade preliminar, assim como as orientações para envio de trabalhos e inscrição estão disponíveis no site: buiatria2013.com.br. O evento é uma realização da Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia e Embrapa Amazônia Oriental, com organização da Pauta.com. Durante o evento o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Pará organizará dois importantes eventos, 37ª edição da SEMAVET – SEMANA DO MÉDICO VETERINÁRIO DO ESTADO DO PARÁ e 5ª edição do SIMPÓSIO PARAENSE DE MEDICINA VETERINÁRIA. Nesses dois eventos os Médicos Veterinários terão quatro cursos com os mais destacados veterinários do Brasil: Dermatologia em Cães e Gatos, Clínica de Animais Selvagens, Medicina de felinos domésticos e Cardiologia em Cães e Gatos. 8 Do gado: Congressos e eventos Palpação Retal VI CICLO DE COLÓQUIOS BUIÁTRICOS A Mais uma edição do VI Ciclo de Colóquios Buiátricos ocorrerá agora em 2013. Participe! Venha discutir conosco temas inerentes a Buiatria. Participação gratuita com direito a certificado ao final do ciclo. Palestra Palestrante 19.2.2013 Diagnóstico precoce da gestação em bovinos e bubalinos Prof. Dr. Rinaldo B. Viana ISPA/Ufra 5.3.2013 Criopreservação em bovinos e bubalinos Jakeline Pessoa Bolsista IC UFPA 19.3.2013 Manejo reprodutivo do gado de corte em grandes rebanhos comerciais MV. Christian Costa Ourofino Agronegócio 7.5.2013 Fluidoterapia oral em ruminantes 21.5.2013 Andrologia em Bubalinos e Bovinos utilizada desde o início do século XX. O diagnóstico de prenhez permite determinar a existência e duração da gestação. Para uma maior precisão do diagnóstico de gestação em bovinos, o uso da técnica de palpação retal é feita a partir dos 45 dias após a monta natural ou inseminação artificial. Na década de 80, este diagnóstico passou a contar com o auxílio da técnica de ultrassonografia, possibilitando um diagnóstico mais precoce. A palpação retal facilita o manejo dos animais, previne gastos desnecessários e possibilita uma avaliação mais rápida da eficiência dos programas de indução e sincronização de estro. O conhecimento da existência ou não da prenhez, facilita a tomada de decisões que podem interferir no índice de fecundidade e produtividade do rebanho. Um médico veterinário capacitado é quem deve realizar a técnica de diagnóstico da gestação por meio da palpação transretal. O médico veterinário deve tomar algumas precauções, como por exemplo, o uso de luvas especiais. Para identificação das fases da gestação sugerimos a classificação proposta por Grunert & Berchtold: 1º mês de gestação: Sem sinais evidentes, o útero encontra-se localizado na região pélvica e são encontrados cornos uterinos assimétricos, vesícula amniótica, efeito de parede dupla, flutuação e corpo lúteo ipsilateral. 2º mês de gestação: Verifica-se pequena bolsa localizada também na região pélvica e apresenta as mesmas características da fase anterior. 3º mês de gestação: Observa-se uma grande bolsa; o útero localiza-se na região pélvica/abdominal. Cornos uterinos com uma assimetria mais acentuada, flutuação, efeito de parede dupla com beliscamento positivo das membranas fetais, aumento de volume e conteúdo uterino. 4º mês de gestação: Nota-se a presença de um balão semelhante a uma bola de futebol, localizado na região pélvica/abdominal e as características apresentadas são flutuação, placentomaspalpáveis, feto e frêmito da artéria uterina 5º ao 6º mês de gestação: Caracteriza-se pela descida do feto, com o útero localizado na região abdominal e ventral. 7º ao 9º mês de gestação: Fase em que o útero repleto de líquido começa a subir. O feto é facilmente palpado. MV Mestrando Pedro Ermita PPGSPAA/Ufra Prof. Dr. Sebastião Rolim ISPA/Ufra Programação sujeita a alterações II Ciclo de Tertúlias da Clínica de Animais de Companhia Mais uma edição do II Ciclo de Tertúlias da Clínica de Animais de Companhia ocorrerá agora em 2013. Participe! Venha discutir conosco temas inerentes medicina de cães e gatos. Participação gratuita com direito a certificado ao final do ciclo. Data Palestra 26.2.2013 Intensivismo na medicina felina e canina 12.3.2013 Neonatologia em cães e gatos 26.3.2013 Cuidados com o paciente canino e felino geriatra 14.5.2013 Oftalmologia em cães e gatos 28.5.2013 Ortopedia em cães e gatos Programação sujeita a alterações técnica de palpação retal em bovinos é Foto: Rinaldo Viana Data fórum da pecuária Palestrante MV Verena da Costa Ferreira PPGSPAA/Ufra Prof. Dr. Andre Meneses ISPA/Ufra Profa. Dra. Nazaré Fonseca de Souza ISPA/Ufra MS Marcelo Monte Santo Clínica Saúde animal Profa. Dra. Rosa Cabral ISPA/Ufra 9 Rodrigo Albuquerque, é acadêmico de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC 10 Do gado: Do gado: Fórum da pecuária Fórum da pecuária Manejo etológico é essencial para alta produção de leite Leite de búfalas com garantia de pureza A criação de búfalos já se firmou como uma atividade viável e rentável, até para pequenas propriedades. Nos últimos anos, a bubalinocultura brasileira vem se voltando para a produção de leite, para atender à crescente demanda pela mozzarella de leite de búfala. A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) estima que a produção de leite de búfalas cresça 30% ao ano. A atividade tem algumas vantagens, se comparada à criação de bovinos, como a melhor remuneração pelo leite, todavia esbarra em um problema cada vez mais comum no mercado: a concorrência com queijos e derivados falsificados. Para o consumidor, é difícil detectar se a mozarella é produzida com 100% de leite de búfala. A mozarella de búfala é mais branca, enquanto o leite de vaca deixa o queijo amarelado, porém os fabricantes usam substâncias para branqueá-lo. Daí a importância do selo criado pela ABCB, para dar ao consumidor certeza de que está comprando um produto legítimo. Para ter o selo de pureza - 100% búfalo, o criador precisa ser associado da ABCB. Atualmente, nove laticínios têm o selo de pureza, sete em São Paulo, Foto: Jamile Andrea Rodrigues da Silva Fotos: Rinaldo Viana um em Minas e outro no Rio Grande do Norte. Segundo dados da ABCB, a industrialização do leite de búfala nos laticínios que aderiram ao selo cresceu mais de 30%. Conforme os criadores, o leite de búfala tem algumas vantagens nutritivas em relação ao de vaca: tem menos colesterol, é mais rico em nutrientes, vitaminas A, D e B2, e ainda pode ser consumido por pessoas alérgicas à lactose. Um das razões que levam laticínios a misturar leites na fabricação do queijo e derivados é o o preço. O leite de búfala chega a custar o dobro do leite de vaca. Fonte: www.ruralcentro.uol.com.br/noticias/leitecom-selo-de-pureza-4397 7 11 O manejo etológico de búfalas se baseia no bem-estar animal e busca a tranquilidade da búfala na sua criação e, principalmente, na hora da ordenha para que ela esteja relaxada e possa produzir maior quantidade de leite. A palavra etologia quer dizer estudo do comportamento. É isto que o bubalinocultor Alberto de Gusmão Couto está fazendo há 26 anos. Ele estuda o comportamento dos seus animais e está desenvolvendo estudos para quantificar o impacto do bem-estar na produção leiteira. Estudos preliminares indicam aumento de 20% a 30% na produção, mas Couto acredita que este número possa chegar a 50%, dependendo das condições da fazenda. A búfala precisa durante a ordenha estar tranquila, sem estresse, para que o hormônio ocitocina seja liberado na corrente sanguínea do animal e possa atuar na liberação do leite. Se ela estiver estressada entra em ação a adrenalina, que é o hormônio antagônico à ocitocina. É preciso conduzir o animal devagar, sem bater, sem espancar, sem gritar. O bubalinocultor faz questão de ressaltar que os estudos sobre o aumento da produtividade ainda não são definitivos, porque a técnica do manejo etológico ainda é muito desconhecida no Brasil, mas ele dá exemplos bastante significativos da produção leiteira da sua fazenda. Enquanto a média no país é de 1.600 kg de leite por lactação/búfala, a fazenda de Alberto Couto produz cerca de 2.600 kg de leite por lactação/búfala e ele acredita que este ótimo resultado é efeito do melhor manejo dos animais. Segundo ele, a Itália, que trabalha com búfalas há décadas, tem produtividade média de 2.200 kg de leite por lactação. A búfala não produz números expressivos, se comparada com a vaca, mas Couto diz que a qualidade do leite que é produzido compensa a falta de quantidade. Ele cita exemplos da produção de queijo na sua empresa que usa tanto leite de búfala quanto de vaca e ilustra a diferença. “Existe uma grande diferença de rendimento. Para fazer queijo coalho eu uso cinco litros de leite de búfala, enquanto eu preciso de dez litros de leite de vaca. Além disso, o preço do queijo de búfala é maior. A mozzarella de búfala, por exemplo, custa o dobro da mozzarella convencional. Na verdade, a mozzarella foi criada na Itália com o leite de búfala” — explica o bubalinocultor. Fonte: www.diadecampo.com.br Henrique Piram, é acadêmico de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC 12 Do gado: Do gado: fórum da pecuária Cesariana em vacas fórum da pecuária Cesariana em vacas A Cesariana é uma técnica empregada em partos distócicos não resolvidos com as manobras 1 3 Fotos. Rinaldo Viana obstétricas, objetivando-se a sobrevivência da mãe e do feto. Para o veterinário obstetra é fundamental o conhecimento do histórico reprodutivo do animal, a realização do exame clínico geral para avaliar condições de saúde da mãe e do feto e do aparelho reprodutor. São de extrema importância os procedimentos pré-operatórios com esterilização dos instrumentos cirúrgicos, disponibilidade dos materiais necessários (luva de palpação estéril, lubrificante obstétrico, ocitocina, gluconato de cálcio, antibióticos de amplo espectro, xilazina, lidocaína 2%, bupivacaina, agulhas 40 x 12, agulha em S, compressas estéreis, cordas para contenção, correntes e fios de sutura) e adequada antissepsia. Após adequada anestesia e laparotomia, inicia-se a procura pelo útero na cavidade abdominal, tentando tomar as partes fetais duras, como metacarpo e metatarso, apresentando sobre a incisão cirúrgica. A incisão do útero deve ser feita com a tesoura de Lister, até que seja possível a retirada do feto, placenta ou parte dela, facilitando a síntese. Retira-se o ancoramento e o útero é suturado com a técnica de Cushing que consiste em uma sutura invaginante. O fio de sutura utilizado é o categute 2, 3 ou 4 e agulha atraumática . Solução estéril é utilizada para retirar coágulos aderidos ao órgão. Na síntese é recomendado aplicar superficialmente antibiótico de base oleosa, prevenindo futuras aderências. Não serão abordados aqui os procedimentos com o neonato. 5 6 7 8 9 10 11 12 2 4 Fig. 1. Depilação da campo cirúrgico. Fig. 2. Anestesia epidural com colocação de cateter. Fig. 3. Anestesia infiltrativa em L invertido. Fig. 4. Anestesia Paravertebral. Fig. 5. Antissepsia. Fig. 6. Colocação dos panos de campo. Fig. 7. Incisão da pelo. Fig. 8. Incisão dos planos musculares. Fig. 9. Incisão do útero. Figs. 10 e 11. Retirada do bezerro. Fig. 12. Sutura da pele. Rodrigo Albuquerque, é acadêmico de Medicina Veterinária/Ufra, Bolsista PET/SESu-MEC 13 14 Entrevista Profa. Dra. Nazaré Fonseca de Souza Profa. Dra. Nazaré Fonseca de Souza Foto: Rinaldo Viana Entrevista Médica Veterinária pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Farmacêutico-Bioquímica pelo Centro Bioquímico da Universidade Federal do Pará, Mestre em Patologia Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e Doutora em Clínica Veterinária pela Universidade de São Paulo (FMVZ/USP. Atualmente é Professora Associada da Universidade Federal Rural da Amazônia. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Clínica Médica Veterinária, Cardiologia Veterinária e Hematologia Veterinária, atuando principalmente nos seguintes temas: cães, gatos, animais selvagens e sorologia (leptospirose, dirofilariose, brucelose e toxoplasmose). PETVet News: Professora, a senhora está na Ufra há 32 anos, se computarmos o seu tempo de estudante, ainda na antiga FCAP. Ao longo desta vasta experiência como é sua visão a cerca da evolução do Curso de Medicina Veterinária ao longo dessas três ultimas décadas? Dra. Nazaré Fonseca: Eu acredito que houve uma grande evolução, por exemplo, no início nós não tínhamos Trabalho de Conclusão de Curso, tampouco Estágio Supervisionado Obrigatório e hoje nós já temos. Além disso, algo bem mais recente foi o reconhecimento pelo MEC da nossa Residência em Medicina Veterinária, que contribuirá significativamente para melhoria do Curso de Medicina Veterinária. PETVet News: Além da residência em Medicina Veterinária, que foi um ganho incontestável para o Curso de Medicina Veterinária, que outras ações foram importantes para o desenvolvimento desse curso que completa 40 anos em 2013? Dra. Nazaré Fonseca: A implementação do novo currículo é sem dúvida um grande ganho para os alunos e para o curso PETVet News: Entre as ações que a senhora está a frente ao longo de sua carreira, merece destaque o Projeto Vida Digna que possui um apelo social muito grande e é importante pra comunidade de Belém. Como se deu a concepção desse projeto? Dra. Nazaré Fonseca: Na verdade, esse projeto já existe desde 2006, quando nós já utilizávamos a estrutura do departamento da época que hoje é o Instituto (Instituo da Saúde e Produção Animal), além do apoio da Prefeitura Municipal de Belém através de doações de alguns produtos, além da realização de um dia de castração com apoio de alunos e dos médicos veterinários do HOVET. Isso foi evoluindo e por meio de um projeto conseguimos mostrar uma necessidade de diminuir a população canina da cidade, realizando controle populacional por meio de orquiectomias ou ovariosalpingohisterectomias, popularmente conhecidas como castrações, diminuindo por conseguinte os problemas sanitários, higiênicos 15 e, logicamente as doenças zoonóticas na cidade. PETVet News: O que o cidadão precisa fazer pra ser beneficiado com o projeto Vida Digna? Dra. Nazaré Fonseca: O cliente deve vir até a Ufra com o seu documento de identificação e comprovar a renda familiar; fazer o preenchimento de um cadastro e aguardar a nossa ligação para que seu animal seja examinado, colhido material para exames pré-operatórios e posteriormente encaminhado para a cirurgia. PETVet News: Qual a diferença entre o projeto Vida Digna e uma outra ação que a senhora coordena na Ufra, que é a Ação Pet? Dra. Nazaré Fonseca: A Ação Pet é uma ação pontual e acontece o dia inteiro em que os alunos praticam a clínica médica, vacinação e curativos, vivenciando a clínica em um único dia, das 08h00min da manhã às 16h00min no ginásio da nossa Universidade, cujo objetivo principal é o atendimento à população canina e felina de pessoas em fragilidade socioeconômica, mas de forma nenhuma se deixa de atender qualquer pessoa que nos procura. PETVet News: A senhora já tem ideia de quais foram os avanços obtidos com a instalação do projeto Vida Digna na Ufra? Dra. Nazaré Fonseca: Nós seremos avaliados ao longo de mais 2 anos e no período de 5 anos, no qual teremos que comprovar estatisticamente que a população canina foi reduzida em torno de 30 a 40%. São cálculos estatísticos que vão nos dizer se houve realmente essa diminuição, porém o projeto abraça a pós-graduação, apoiando também os graduandos, estagiários e bolsistas que usufruem de todo o aprendizado, não somente nas ações de extensão, mas também de pesquisa. PETVet News: E após esses cinco anos que o projeto será avaliado, ele irá prosseguir atendendo aos cães e gatos de proprietários em situação de fragilidade socioeconômica? Dra. Nazaré Fonseca: Até o presente momento ainda temos como contar com recursos da verba inicial do projeto, mas a Universidade também tem que abraçar o projeto. Nosso sonho é que até o fim desse ano ele se torne um projeto de lei para poder contar com aporte financeiro do poder público municipal e estadual, visto que ele é um projeto de cunho social. PETVet News: Então uma das formas de expandir o projeto seria que ele tivesse o apoio político tanto da Prefeitura, quanto do Estado para a manutenção da unidade e atendimento aos animais? Dra. Nazaré Fonseca: Sim. Para que a responsabilidade seja dividida entre o Estado e o Município. Nós, enquanto Universidade, estamos tentando fazer o nosso papel, mas sem apoio do poder público ficará difícil manter o projeto ao longo dos anos. 16