Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 O LEITOR E O IMAGINÁRIO NA OBRA INFANTO-JUVENIL “A RODA DO VENTO”, DE NÉLIDA PIÑON Rejanilza Santos da Silva Barboza (UFS)1 O ensino de leitura, principalmente de obras literárias, além de promover o prazer e o entretenimento é fundamental para a formação do leitor crítico. Todavia, há algum tempo são apontados problemas no ensino de literatura. Isso porque, a literatura na escola e na vida social se vê relegada a um lugar secundário por conta da adesão dos jovens às novas mídias. Todorov, na obra A literatura em perigo, argumenta sob a ameaça a qual a literatura se encontra: “Na escola, não aprendemos acerca do que falam as obras, mas sim do que falam os críticos” (TODOROV, 2009, p. 27). Essa falta de leitor para o texto literário é um obstáculo e vem sendo alvo de críticas e debates acadêmicos, pois o texto literário abordado desse modo impede a formação do cidadão leitor. Por isso, “nunca será demais recomendar a leitura direta dos textos originais, evitando o mais possível bibliografia crítica, comentários, interpretações” (CALVINO, 2007, p. 12). Nesse sentido, é fundamental pensar propostas para o ensino de literatura que fujam do modelo tradicional e das abordagens que trazem como ponto de partida não o texto literário, mas informações históricas, formais, temáticas sobre autores e obras. É imprescindível que o ensino de literatura seja sempre a partir do texto e usado como instrumento de uma leitura crítica do mundo sem desprezar os aspectos estéticos e artísticos. Em outras palavras, a obra literária tem importância quando estimula o leitor a se pronunciar sobre o texto, a dialogar com a narrativa, usar as palavras e a desenvolver diversas possibilidades de interpretação que o literário permite. A leitura literária assume, portanto, um papel diferencial pelo fato de que envolve modos de leitura específicos. Essa mudança de perspectiva iniciou-se com a Estética da Recepção, com a ideia de que é o leitor que garante a historicidade das obras literárias. Como assevera Lima, 1 Mestranda em PROFLETRAS pela Universidade Federal de Sergipe/Itabaiana. Graduada em Letras Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia - Campus XXII, Euclides da Cunha - BA. Bolsista/Capes. Membro do Grupo de Pesquisas de Estudos de Literatura e de Cultura - GELIC. Orientanda do Professor Doutor Carlos Magno Santos Gomes. 1 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 Cabe acrescentar que essa substituição do leitor por uma estética da produção fora facilitada porque, nos séculos passados, sobretudo nos tratados de retórica, o leitor era invocado dentro de um contexto normativo, isto é, era invocado para que se dissesse como deveria se conduzir, assim, como quais os estilos e gêneros adequados às diversas circunstâncias (LIMA, 1979, p.15). Diante desses estudos que abordam que o sentido é a interação feita entre os atos de compreensão do leitor e do texto, é válido frisar que, o trabalho com a literatura não pode ser pautado apenas na estética das obras, ou ainda de forma fragmentada, mas, sim, por objetivos que promovam ao leitor a necessidade de solucionar os problemas que o texto apresenta na construção de sentidos. Tomamos como proposta de um modelo de leitura literária, o romance A roda do vento (2012), de Nélida Piñon, livro de estreia da autora na literatura infanto-juvenil. A pretensão com a pesquisa em andamento é mostrar uma das formas possíveis para atingir o objetivo de formar leitores críticos e participativos. A obra é considerada aberta e nos remete à arte de narrar, conjugada a uma escritura que se abre a misteriosos horizontes, conduzindo o leitor, não apenas o infanto-juvenil, mas de todas as idades ao universo do imaginário, por intercâmbios entre culturas, temporalidades e geografias. Como ponto de partida, fizemos apenas pequenos levantamentos sobre a obra em análise, a fim de exemplificar a leitura literária por uma abordagem que coloque o leitor como partícipe da construção do sentido no texto literário. Partindo dessa constatação, a pesquisa traz alguns conceitos sobre os estudos desenvolvidos pela Estética da Recepção, nas figuras de Hans Robert Jauss (1979) e Wolfgang Iser (1979) e leitor-modelo, de Umberto Eco (2004). Nesse contexto, é importante considerar o que Pinõn relatou no prefácioentrevista de A roda do vento (2012), que os leitores em sua companhia, tornar-se-ão “parceiros, sócios aliados nesta aventura narrativa”. Sairão “da atitude passiva” para coparticiparem da narrativa. Nesse aspecto, a autora comunga com os pressupostos da Estética da Recepção com a visão de que é o leitor que garante a historicidade das obras literárias. Sob tal sentido, Jauss atribuiu à leitura uma franca natureza emancipatória. Avalia o estudioso que a experiência da leitura poderia liberar o leitor de adaptações, prejuízos e apertos de sua vida prática – liberação que o obrigaria a uma nova, e mais crítica, percepção das coisas (apud TINOCO, 2010, p.16). 2 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 Exemplo disso pode ser visto em A roda do vento com Gênia, a contadora de história, a qual “reforçava as palavras com gestos. E no afã de conquistar a imaginação dos sobrinhos, de acender-lhes a chama do coração, pedia-lhes [...] que jamais deixassem de acreditar na força das palavras” (PIÑON, 2012, p.27). Essa característica de formação pela palavra é vista na obra de Nélida como aquela que mais diretamente consegue aproximar o homem de si mesmo, quer diante dos seus problemas individuais, quer frente aos problemas que envolvem a sociedade, a natureza, o outro. De acordo com Coelho (1993, p. 167), “a escritora dirige sua escrita para mundos proibidos, investe contra sistemas estratificados, recusa as sintaxes consagradas, e a junção de todos esses elementos resulta em um trabalho estético de grande valor”. Vejamos em A roda do vento que a personagem Gênia transcende os modelos tradicionalistas e sempre analisa o que está por trás de cada verdade. E com narrativas fabulosas e criativas lança às crianças (os seus sobrinhos) sementes que os levem a reflexão para participarem das aventuras imaginadas ou vividas. Ela também lhes induz a ler os fatos nas entrelinhas, pois “para cada história oficial correspondia uma outra, enrolada como um caracol. Justo aquela que, por seu mistério, merecia ser desvendada, caso se quisesse ir ao fundo do poço da verdade” (PIÑON, 2012, p.39). Podemos traçar uma analogia de A roda do vento com a história de Minguilim, personagem de uma novela de Guimarães Rosa, no momento em que o doutor aparece com seus óculos, e Minguilim que até então era míope pôde realmente ver. Gênia lembra o artifício do doutor ao clarear os corações e mentes das crianças. A tia representa com o poder que emana da palavra o que os óculos representaram para Minguilim: a possibilidade de ver os dados do mundo com mais esperteza, nuanças, verdades. Por tudo isso, com mais encantamento, essa revelação é vista em A roda do vento no momento em que Tarzan diz: Se era capaz de pensar, de sentir, por que haveria de esquivar-se das palavras? De encará-las, como criaturas vestidas, calçadas, pedindo licença para entrar na casa? [...] O medo é gostoso, pai, arrepia a pele. É melhor o medo que nada (PIÑON, 2012, p.36). Na citação acima, observamos que o menino está em busca de novas experiências e sensações de um mundo até então desconhecido. Com isso, 3 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 percebemos que o personagem reconstrói seus horizontes e aprende a olhar o mundo pelo binóculo do “mais além”. Como notamos na obra nelidiana, em que: “Tarzan desenhava um violino no papel. Saía torto, o arco sem inclinação. Mas ele insistia em dizer que aquilo ali, a despeito da aparência, era um violino de madeira, do qual se arrancavam sons, para que se pudesse cantar” (PIÑON, 2012, p.5). A autonomia do garoto já é resultado de crescimento intelectual, pois se desarma de qualquer conceito, de qualquer ideia preconcebida. Tanto é que, mesmo já conhecendo os lugares os quais já está tão acostumado a passar, não descarta a ideia de que algo diferente é capaz de surpreendê-lo. Nessa busca do imaginário, o menino sai de si e se transforma naquele que é capaz de ver nos objetos, nas paisagens, nas palavras, algo mais do que o simples olhar pode captar. Nessa perspectiva, o trabalho com a literatura deve servir “para entender quem somos e aonde chegamos” (CALVINO, 2007, p.16). A leitura deve colocar o leitor como um coautor do sentido do texto literário, ampliando desse modo o “horizonte de expectativa”, tornando-o mais crítico e participativo. Como é possível observar no relato que segue: Tarzan sentia-se um homem em meio aos demais, pronto para interferir nos acontecimentos. Além do mais adorava histórias que cumpriam a função de levá-lo para longe. De deslocá-lo do eixo da gravidade do cotidiano. [...] Gênia pressentiu o perigo. O horizonte do sobrinho ampliara-se. Havia que lhe fornecer subsídios, dados, informações. Ainda que corresse o risco de vê-lo crescer às pressas (PIÑON, 2012, p.32-33, 44). Desse modo, tem-se o reforço da tia que contava as histórias em pedaços, o que faz alusão a Scherazade, em Mil e uma noites, ao deixar em suspenso o narrado. Desse modo, com a sua mediação, a tia Gênia é fundamental para a possibilidade de ampliação do horizonte de expectativas de leitura dos sobrinhos. Como assinala Tinoco (2010, p.17), uma intermediação bem conduzida “pode possibilitar uma melhor compreensão do presente e até indicar o futuro; se mal feita, fica sempre dependente do passado, com receio do novo, do desconhecido”. A leitura da obra de Nélida com o pressuposto da teoria da recepção oferece ao leitor a possiblidade de sua emancipação, ampliando a percepção que tem de sua realidade e preparando-se para leituras mais complexas. A roda do vento permite a ruptura do horizonte de expectativas com o final da narrativa inconclusa. As crianças 4 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 pedem “vamos, tia, conte-nos logo a verdade. Qual a história de João, de seu sócio, do vento e do velho a que se referiram” (NÉLIDA, 2012, p.93). A tia disse que responde mais tarde. A obra se fecha em suspenso. Cabe ao leitor participar com seu ponto de vista do processo literário, de modo a completar lacunas do enigma, ou melhor, de acordo com o seu “horizonte de expectativa” tornando-o não apenas cúmplice, mas coautor da obra. Acerca das possíveis respostas que o leitor pode dar, assinala Iser: Tais vazios, portanto provocam o leitor a produzir a própria vivacidade da estória narrada; ele começa a viver com os personagens e a participar das experiências. Pois a falta de conhecimento sobre a continuação mostra ao leitor como o futuro incerto dos personagens e este horizonte vazio “geral” o leva a fundir-se com eles (ISER apud LIMA, 1979, p.117). Por todos esses aspectos, é importante considerar que “o leitor deve suspeitar de que cada linha esconde um outro significado secreto; as palavras, em vez de dizer, ocultam o não-dito; a glória do leitor é descobrir que os textos podem dizer tudo, exceto o que o autor queria que dissessem” (ECO,2005, p. 46). Assim, em uma obra aberta os leitores projetam sua visão de mundo neste ou naquele personagem, acreditando mais ou menos no que diz o narrador e formulando seus conceitos e até mesmo interpretações e julgamentos opostos sobre as personagens e suas motivações. Como versa Umberto Eco (2005, p.46), “o leitor real é aquele que compreende que o segredo de um texto é o seu vazio”. Os lugares vazios exigem do leitor mais do que uma capacidade de decodificação. O vazio exige do leitor uma participação ativa (LIMA,1979, p.26). Assim fica claro, que, as formas simbólicas de uma criação literária não são pragmáticas e sim polissêmicas, representando desse modo, uma multiplicidade de interpretações e significados, portanto, a criação literária não pode ser reduzida a apenas uma possibilidade de significado conceitual. interpretar um texto: “não é dar-lhe um sentido (mais ou menos embasado, mais ou menos livre), é ao contrário, estimar de que plural é feito” (BARTHES,1992. p. 39). Diante dessas discussões teóricas, a proposta do trabalho com o texto ficcional é relevante a partir dessas contribuições, uma vez que não desprezam o papel do leitor e sua interação com o texto, pois “prever o próprio Leitor Modelo não significa 5 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 somente “esperar” que exista, mas significa também mover o texto de modo a construí- lo” (ECO, 2004, p.40). No procedimento de análise de texto, deve-se considerar que, uma boa interpretação é aquela em o leitor consiga efetuar o maior número de leitura possível e que faça associação entre o meio, o espaço e o tempo. Nesse sentido, Gomes (2010, p.30) propõe um ensino em que “a intertextualidade se mostra um recurso indispensável para a formação do leitor crítico, visto que, o diálogo e a oposição entre os textos e a sociedade devem ser levados em conta”. Segundo esse enfoque, a leitura possibilita ao leitor uma multiplicidade de discursos. O “texto literário é antes de qualquer leitura, um espaço plural, um espaço de confronto de linguagens e de memórias” (GOMES, 2010, p.33). Assim, sem perder de vista a dimensão estética e social, o autor acredita que: [...] O leitor estético analisa como os problemas sociais foram representados artisticamente. Nesta proposta, a leitura interdisciplinar é o exercício em que o leitor inclui questões de pertencimento identitário no roteiro de sua interpretação para identificar a camada ideológica explorada pelo autor. Em diálogo com a proposta de Eco, privilegia-se o ato de ler como um exercício de comparações artísticas e culturais (GOMES, 2010, p.29). A leitura deve possibilitar o encontro das pessoas com os diálogos culturais e sociais presentes no texto literário, afinal o mundo é formado tanto de matéria sólida quanto de ideias, crenças, sensações e sentimentos. Nessa proposta, não se pode considerar apenas a função social da literatura, mas também a tradição estética. Nesse sentido, a leitura do texto literário passa a ser vista como uma prática que dialoga com diversos conhecimentos, de modo que, possibilita ao leitor uma multiplicidade de discursos. Para poder ler os clássicos, temos de definir “de onde” eles estão sendo lidos, caso contrário tanto o livro quanto o leitor se perdem numa nuvem temporal. Assim, o rendimento máximo da leitura dos clássicos advém para aquele que sabe alterná-la com a leitura de atualidades numa sábia dosagem (CALVINO, 2007, p.14-15). .No caso de A roda do vento, a leitura pode ser feita com a introdução de novos diálogos que deem continuidade à etapa anterior, mas que de alguma forma, abale as certezas. A introdução de novos textos, tais como: música, filme, teatro, entre outros, 6 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 podem possibilitar a ampliação no horizonte de expectativa do leitor, visto que, o sentido do texto não se realiza por si só, mas por todo um contexto vinculado com os conhecimentos prévios do leitor e os possíveis diálogos que o texto literário pode estabelecer com os diversificados gêneros textuais. Assim, nossa proposta a partir da obra é de grande contribuição para o aumento do repertório de leitura. Esse convite é uma abertura para as múltiplas vozes que subjazem o discurso literário de Nélida Piñon. Há em A roda do vento uma relação dialógica com outros textos, tais como: ecos infantis de João e Maria, tapetes voadores, alusões bíblicas e mitos gregos. Esse mosaico presente no texto insere também ecos de Monteiro Lobato num jogo parodístico, em que o ambiente rural, a casa de família, a contadora de história nos faz lembrar o Sítio do Pica-Pau Amarelo. . A literatura se escreve com a lembrança daquilo que é, daquilo que foi. Ela a exprime, movimentando sua memória e a inscrevendo nos textos por meio de um certo número de procedimentos de retomadas, de lembranças e de re-escrituras, cujo trabalho faz aparecer o intertexto (SAMOYAULT, 2008, p.47). Como se vê, Nélida mantém uma relação de “isomorfia” com os textos que lhe servem de modelo. Essa ideia é sustentada pela concepção de Roland Barthes (1992) em S/Z, ao considerar que há textos escrevíveis e que, portanto, é necessário usufruir de elementos já existentes para se criar uma outra obra. Sendo assim, “o escritor não pode deixar de imitar um gesto sempre anterior, nunca original; o seu único poder é o de misturar as escritas, de as contrariar umas às outras, de modo a nunca se apoiar numa delas” (SANTIAGO apud BARTHES, 1987, p. 52). Assim, as obras perpassam os séculos, repetidas, transformadas, parodiadas, convertem-se em herança universal e suas vozes se fazem ouvir em outras obras com tons e matizes diferentes. “Esta re-atualização memorial corresponde bem ao que é tratado pela estética da recepção, sob a noção de “fusão de horizontes”: na leitura, o tempo muda de natureza e torna-se propriamente dito trans-histórico” (SAMOYAULT, 2008, p.95). O texto nelidiano, ao estabelecer essa relação intertextual, constitui-se num espaço plural em que se podem ler múltiplos textos que, por sua vez, também possuem ancestrais na série literária, com os quais se relacionam. Nesse sentido é que Samoyault (2008, p.71) afirma: “As idéias não pertencem a ninguém, elas 7 Realização: Apoio: Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS ISSN – 2175-4128 Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014 circulam, voam, dispersam-se e pousam, de acordo com os ventos, cuja orientação é preciso medir. [...] Tudo está dito, mas redigo o que quero”. Por meio dessas reflexões, é preciso que o exercício da leitura transcenda em muito, a utilização de materiais, muitas vezes empregados como uma prática de ensino limitada, repetitiva para uma perspectiva em que a formação do leitor impõe-se como prioridade a ser seguida. Nesse sentido, pressupondo a figura do professor como interlocutor ativo do diálogo da leitura, a fim de instigar e promover leitores que encontrem na leitura literária um sentido que lhe permita compreender melhor o homem e o mundo. Sendo assim, ele encontra nos livros, a fonte de sabedoria e inspiração, resgatando uma beleza que enriqueça sua existência para melhor compreender a si mesmo. Elemento tão necessário nos novos tempos, em que as mudanças são rápidas e atropelam o próprio “saber humano”. “O conhecimento da literatura não é um fim em si, mas uma das vias régias que conduzem à realização pessoal de cada um” (TODOROV, 2009, p.33). REFERÊNCIAS BARTHES, Roland. S/Z. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992. CALVINO, Ítalo. Por que ler os clássicos. Tradução Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. CEREJA, Roberto William. Ensino de Literatura: Uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005. COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico de escritoras brasileiras. São Paulo: Escrituras, 1993. COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: Literatura e senso comum. Tradução de Cleonice Paes Barreto Mourão, Consuelo Fontes Santiago. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001. ECO, Humberto. 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