PORTUGUÊS - 1o ANO
MÓDULO 53
ROMANTISMO:
INTRODUÇÃO
Fixação
O texto acima, embora contemporâneo,F
apresenta diversos traços do Romantismo.
Identifique três.
1)
Meu bem-querer
Meu bem-querer
É segredo é sagrado,
Está sacramentado
Em meu coração.
Meu bem-querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção
Meu bem-querer, meu encanto,
Tô sofrendo tanto, amor.
E o que é sofrer
Para mim, que estou
Jurado p’ra morrer de amor?
(Djavan. Alumbramento. Emi- Odeon. 1980)
,Fixação
.
Dei o nome de Primeiros Cantos às
poesias que agora publico, porque espero
que não serão as últimas.
Muitas delas não têm uniformidade nas
estrofes, porque menosprezo regras de
mera convenção; adotei todos os ritmos da
metrificação portuguesa, e usei deles como
me pareceram quadrar melhor com o que eu
pretendia exprimir.
Não têm unidade de pensamento entre si,
porque foram compostas em épocas diversas
— debaixo de céu diverso — e sob a influência
de impressões momentâneas (...)
Com a vida isolada que vivo, gosto de
afastar os olhos de nossa arena política para
ler em minha alma, reduzindo à linguagem
harmoniosa e cadente o pensamento que
me vem de improviso, as ideias que em mim
desperta a vista de uma paisagem ou do
oceanoo aspecto enfim da natureza. Casar
assim o pensamento com o sentido — o
coração com o entendimento — a ideia com a
paixão — colorir isto tudo com a imaginação,
fundir tudo isto com a vida e com a natureza,
purificar tudo com o sentimento da religião e
da divindade, eis a Poesia — a Poesia grande
e santa — a Poesia como eu a compreendo
sem a poder definir como eu a sinto sem a
poder traduzir.”
(DIAS, Gonçalves. Prólogo aos Primeiros Cantos)
Glossário:
• quadrar: convir.
Gonçalves Dias, em seu Prólogo aos seus
primeiros cantos, expõe sua concepção de
Poesia, que reflete as características da estética
romântica.
2) Assinale o que CONTRARIA as ideias contidas nos três primeiros parágrafos, em relação
a Gonçalves Dias.
a) A poesia reflete os mais variados estados
de espírito do poeta, sendo fruto da emoção
momentânea.
b) As suas poesias não apresentam apego à
rigidez métrica, apresentando ritmos variados.
c) Apesar de terem sido escritas em épocas
diversas, constata-se a unidade de pensamento
em suas poesias.
d) Por serem fruto de criações sob influências
locais distintas, suas poesias apresentam-se
diferenciadas.
e) A força poética de seus versos realiza-se na
perfeita harmonia entre forma e conteúdo.
Fixação
F
3)
4
Reflexivo
O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-me.
O que não vivi, morreu-se.
(Affonso Romano de Sant’Ana)
O texto do modernista Affonso Romano de Sant’Ana apresenta características românticas
defendidas no Prólogo de Gonçalves Dias.
O item que NÃO está presente em “Reflexivo” é:
a) o extravasamento emocional;
b) a perfeita simbiose entre sentimento e pensamento;
c) o subjetivismo como fonte de inspiração para o poeta;
d) a emoção e a natureza como elementos da poesia;
e) a sensibilidade e a espontaneidade do eu lírico.
d
Fixação
4)
Um índio
um índio descerá
de uma estrela colorida e brilhante
de uma estrela que virá
numa velocidade estonteante
e pousará no coração do hemisfério sul na américa num claro instante
(...)
virá
impávido que nem Muhammad Ali
virá que eu vi
apaixonadamente como Peri
virá que eu vivi
tranq ilo e infalível como Bruce Lee
virá que eu vi
o axé do afoxé filhos de handi
virá
(Caetano Veloso)
O trecho anterior mostra, com uma visão contemporânea, determinado tipo de tratamento
dado ao índio brasileiro em certo período de nossa literatura. Comente.
Fixação
Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha;
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.
Correi pr’as bandas do sul:
Debaixo dum céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil;
— É uma terra de amores
Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de Abril.
Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal,
Que nem as sonha um poeta
E nem as canta um mortal!
— É uma terra encantada
— Mimoso jardim de fada —
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.
Não, não tem, que Deus fadou-a
F
Dentre todas — a primeira:
Deu-lhe esses campos bordados,
Deu-lhe os leques da palmeira,
E a borboleta que adeja
Sobre as flores que ela beija,
Quando o vento rumoreja
Na folhagem da mangueira.
É um país majestoso
Essa terra de Tupã,
Desd’o Amazonas ao Prata,
Do Rio Grande ao Pará!
— Tem serranias gigantes
E tem bosques verdejantes
Que repetem incessantes
Os cantos do sabiá.
(Casimiro de Abreu)
Glossário:
1) alcatifa: tapete.
2) adejar: voar.
3) serrania: serra
5) (UFRJ) Analise o texto acima e responda:
a) O nacionalismo foi uma característica romântica que,
no Brasil, ganhou contornos próprios. Partindo do texto,
explique como foi utilizada a natureza, no Romantismo,
para marcar a identidade nacional brasileira.
b) Cite uma característica da linguagem romântica presente
no poema de Casimiro de Abreu.
Fixação
Os encantos da gentil cantora eram ainda
realçados pela singeleza, e diremos quase pobreza
do modesto trajar. Um vestido de chita ordinária
azul--clara desenhava-lhe perfeitamente com
encantadora simplicidade o porte esbelto e a cintura
delicada, e desdobrando-se-lhe em roda amplas
ondulações parecia uma nuvem, do seio da qual se
erguia a cantora como Vênus nascendo da espuma
do mar, ou como um anjo surgindo dentre brumas
vaporosas.(…)
Entretanto abre-se sutilmente a cortina de
cassa de uma das portas interiores, e uma nova
personagem penetra no salão. Era também uma
formosa dama ainda no viço da mocidade, bonita,
bem feita e elegante.
A riqueza e o primoroso esmero do trajar, o porte
altivo e senhoril, certo balanceio afetado e langoroso
dos movimentos davam-lhe esse ar pretensioso, que
acompanha toda moça bonita e rica, ainda mesmo
quando está sozinha. Mas com todo esse luxo e
donaire de grande senhora nem por isso sua grande
beleza deixava de ficar algum tanto eclipsada em
presença das formas puras e corretas, da nobre
, singeleza, e dos tão naturais e modestos ademanes
, da cantora. Todavia Malvina era linda, encantadora
mesmo, e posto que vaidosa de sua formosura e
alta posição, transluzialhe nos grandes e meigos
olhos azuis toda a nativa bondade de seu coração.
(Bernardo Guimarães)
Glossário:
1) cassa: tecido fino de linho ou de algodão.
2) esmero: cuidado.
3) langoroso: sensual.
4) donaire: elegância.
5) eclipsar: ofuscar.
6) ademane: aceno.
6) (MACKENZIE) Assinale a alternativa que apresenta
significativo traço do estilo romântico comprovado com
passagem do texto.
a) A contenção emotiva, que caracteriza a descrição
panorâmica, aliada ao uso de clichê da tradição mitológica: Vênus nascendo da espuma do mar.
b) A associação de características da figura feminina
a imagens fluidas e voláteis — nuvem, espuma do
mar, brumas vaporosas —, criando atmosfera de
envolvente devaneio.
c) O contraste que se estabelece entre “matéria” e
“espírito”: a idealização do esplendor físico da mulher
aristocrática, em oposição à frivolidade de seu caráter
(vaidosa de sua formosura e alta posição).
d) A opção pela prosa descritiva permite as divagações
egocêntricas (em amplas ondulações parecia uma
nuvem) , em detrimento de um registro de aspectos
do mundo social.
e) A descrição pormenorizada e crítica de um universo
feminino, caracterizado por personagens que se deixam dominar pelos instintos e valores materialistas
da sociedade burguesa: os requintes da beleza física,
por exemplo (formosa dama... bonita, bem feita e
elegante).
Fixação
Leia o texto e responda às questões 7, 8, 9 e 10.
O Amazonas
Baliza natural ao norte avulta
O das águas gigante caudaloso,
Que pela terra alarga-se vastíssimo;
Do oceano rival, ou rei dos rios,
Se é que o nome de rei o não abate;
Pois mais que o rei supera em pompa e brilho
No sólio, à multidão em torno curva,
Supera o Amazonas na grandeza
A quantos rios há grandes no mundo!
O Kiang, o Nilo, o Volga, o Mississipe
Inda que as águas suas reunissem,
Com ele competir não poderiam.
Ao lado seu direito, e ao esquerdo lado,
Mil feudatários rios vêm pagar-lhe
Tributo perenal de suas águas.
Ressupino gigante se afigura,
Qual outro Briaréu, mas verdadeiro,
Que estende os braços pra abraçar a terra!
Pujante assim no Atlântico se entranha,
Ante si repelindo o argênteo salso,
Como se ele na terra não coubera,
Ou como de inundá-la receoso,
Se mais longo e mais lento a discorresse!
O Amazonas com o Oceano furioso
Luta renhida trava interminável
Para roubar-lhe o leito; e ronca e espuma.
Qual no lago, enlaçada a cauda a um tronco,
Feroz sucuriúba hórrida ronca,
Quando sente mover-se à flor das águas
Lontra ligeira ou anta descuidada,
E, inchando as fauces, a cabeça eleva,
Os queixos escancara, a língua solta,
Para de uma só vez tragar o anfíbio:
Tal no pleito com o Oceano o Amazonas
Para sorvê-lo a larga foz medonha
Léguas abre setenta! A ingente língua
Estende de três vezes trinta milhas,
Como uma longa espada que se embebe
Ao través do Atlântico iracundo,
Que gemendo recua no arremesso,
E em montes alquebrado o dorso enruga.
Armas que joga ao mar, são grossos troncos
Arrancados na fúria, são pedaços
De esboroadas montanhas que ele mina;
Seus gritos são trovões tão horrorosos
Que ali parece submergir-se o mundo;
Quando se incha o seu corpo desmedido,
Equórea, espessa nuvem se levanta,
Como uma chuva contra o céu erguida,
Refletindo do sol os sete raios:
Tal o conquistador que com os despojos
Dos reis destronizados se opulenta,
Ou com os tributos dos vencidos povos,
Em pé firme no carro de combate,
Envolto numa nuvem de poeira,
Na frente vai levando debandada ingente aluvião imigas hostes,
E ante as portas de bronze do castelo
Nova vitória alterca porfiosa.
(Gonçalves Magalhães)
Glossário:
1) Baliza: marco
2) Avultar: distinguir-se
3) Caudaloso: com fluxo forte
4) Sólio: trono
5) Feudatário: subordinado
6) Perenal: permanente
7) Ressupino: deitado de costas
8) Briaréu: gigante mitológico com cem braços
9) Pujante: forte
10) Argênteo: de prata
11) Salso: salgado
12) Receoso: com medo
13) Discorrer: espalhar
14) Renhido: disputado
15) ucuriúba: sucuri
16) Fauce: garganta
17) Pleito: discussão
18) Ingente: enorme
19) Iracundo: raivoso
20) Alquebrado: curvado, cansado
21) Esboroado: desmoronado
22) Equóreo: referente ao mar
23) Opulentar: enriquecer
24) Aluvião: enxurrada
25) Imigo: inimigo
26) Hoste: exército
27) Altercar: discutir
28) Porfioso: persistente
7) O tom solene do texto combina com a grandiosidade do tema. Justifique essa
afirmativa.
F
8
c
Fixação
8) A que outros corpos d´água o Amazonas é oposto no poema? Qual é o objetivo dessa
comparação?
Fixação
F
9) Há no poema uma série de prosopopeias referentes ao Amazonas. Destaque algumas.
1
Fixação
10) Segundo o eu lírico, que semelhança há entre o Amazonas e o conquistador?
Proposto
Leito de folhas verdes
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: é meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arasoia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! Nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as flores!
Glossário:
1) viração: brisa.
2) cimo: cume.
3) tapiz: tapete.
4) bogari: espécie de flor.
5) influxo: influência.
6) quebranto: feitiço.
7) alva: nascer do sol.
8) arasoia: vestimenta indígena para a parte inferior do tronco.
1) O poema retrata um eu lírico feminino submisso ou
dominador perante Jatir? Justifique com versos do poema.
Proposto
2) Transcreva os versos em que há uma identificação entre o eu lírico e a natureza.
.
Proposto
3) Ao fim do poema, o eu lírico expressa uma mágoa, abandonando a espera de Jatir. Transcreva o verso que sintetiza essas ideias.
Proposto
-4) Há sensualidade no poema? Justifique.
Proposto
Tupã, ó Deus grande! cobriste teu rosto
com denso velame de penas gentias;
E fazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz!
Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre;
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande mudança.
Anhangá impiedosa nos trouxe de longe
Os homens que os raios manejam cruentos,
Que vivem sem pátria que vivem sem tino
Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.
E a terra em que pisam e os campos e os
rios
Que assaltam, são nossos; tu és nosso
Deus:
Porque lhe concede tão alta pujança
Se os raios de mote, que vibram, são teus?
(Gonçalves Dias)
Glossário:
1) velame: véu.
2) gentio: índio.
3) anhangás: espiritos.
4) cruento: cruel.
5) pujança: força.
5) Dadas as afirmações:
I) evidencia-se nesses versos uma característica
que dominou a obra de seu autor: o Indianismo.
Neles, o poeta ressalta o sentimento de honra
e de nobreza de caráter do índio e apresenta-o
como um ser idealizado e livre;
II) não obstante os versos sejam de período
literário que sucedeu ao Arcadismo, o problema
denunciado pelo poeta — os malefícios causados
pelos brancos aos índios — ainda é atual;
III) embora pertença à segunda geração dos poetas românticos, o autor antecipa nestes versos
temáticas que provocaram profunda renovação
da poesia romântica: pessimismo e nacionalismo.
Está(ão) correta(s):
a) apenas I
b) apenas II
c) apenas III
d) apenas I e II
e) todas
Proposto
6) É próprio do “eu” romântico invocar a natureza, às vezes transformá-la em “cúmplice”,
nela projetando os sentimentos, as emoções
ou as expectativas que lhe vão na alma. Exemplo dessa atitude se encontra em:
a) Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma contou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
o E no silêncio derramai-lhe canto!
b) Saio da minha cabana
- sem reparar no que faço;
busco o sítio aonde moras,
. suspendo defronte o passo.
Fito os olhos na janela;
aonde, Marília bela,
tu chegas ao fim do dia;…
c) Ah! Toda a Alma num cárcere anda presa,
soluçando nas trevas, entre as grades
do calabouço olhando imensidades,
mares, estrelas, tarde, natureza.
d) Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa Alta Piedade me despido:
Antes, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
e) No meio do caminho tinha um pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha um pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Proposto
Fé acima de tudo
Muitos são os traços que podem ajudar
a compor o perfil do brasileiro típico. O
talento para pensar, arquitetar e executar
o chamado jeitinho é um. O espírito
carnavalesco, a alma musical, a mania de
se achar “o maior”, a queda pela mulata, a
habilidade com a bola nos pés são outros.
Lugares e sabores também contribuem. Por
exemplo, o botequim e a cachaça, a novela
de TV e o feijão preto. Por mais que uma
coisa não pareça ter a ver com a outra, é
a soma delas que faz o Brasil brasileiro
que Ary Barroso cantou em seu célebre
samba-exaltação. Ou seja, o Brasil do
mulato inzoneiro e do coqueiro que dá coco.
Esperto, folião, canoro, injustificadamente
orgulhoso, seduzido pela
morenice,
amarrado em futebol, dramalhão televisivo,
água que passarinho não bebe, tira-gosto e
conversa de botequim.
Mas poucos traços serão fortes no
perfil do brasileiro típico quanto a fé em
tudo, seu peculiar temperamento religioso.
Peculiar porque exercido em todas as
direções, acima e além das teologias. Já se
disse que o brasileiro ou é muito religioso
ou é ateu graças a Deus. Pode ser um
agnóstico de formação católica que, tendo
se convertido ao judaísmo, não sai dos
terreiros de umbanda. Ou seguir, ao mesmo
tempo, padres cantores e bispos zangados,
pregador de rua ou pais-de-santo, sempre
com a mesma unção. Pode lotar praças
para ver o Papa ou praticar o hinduísmo na
intimidade, seguir procissão ou apelar para
a farofa amarela numa encruzilhada. Uma
fé não anula a outra. O que talvez explique
o que chamamos de sincretismo. Misturar
crenças, dogmas, seitas, altares e santos
e até deuses seria assim uma forma de
proteção total, de cercar pelos sete lados
os fluidos que vêm não sabe de onde. O
brasileiro pode até não crer em Deus nem
no diabo, mas certamente teme os dois. E
por vias das dúvidas, se cuida.
(João Máximo)
7) Identifique, no texto, o trecho que melhor
remete à postura romântica, justificando a
sua resposta.
Proposto
8) Na evolução da literatura brasileira, podemos reconhecer dois momentos que abordaram
fortemente o tema marcante no texto de João Máximo. Comente.
a
Proposto
I – Juca Pirama
VIII
Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de vis Aimorés.
E entre as larvas da noite sombria
Nunca possas descanso gozar:
Não encontres um tronco, uma pedra,
Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos,
Padecendo os maiores tormentos,
Onde possas a fronte pousar.
Que a teus passos a relva se torre;
Murchem prados, a flor desfaleça,
E o regato que límpido corre,
Mais te acenda o vesano furor;
Suas águas depressa se tornam,
Ao contacto dos lábios sedentos,
Lago impuro de vermes nojentos,
Donde fujas com ascos e terror!
Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;
Não encontres amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigos tiveres,
Tenham alma inconstante e falaz!
Glossário:
1) arrimo: amparo.
2) execrar: desprezar.
3) falaz: mentiroso.
4) regato: rio.
5) vesano: louco.
Não encontres doçura no dia,
Nem as cores da aurora te ameiguem,
9) Qual relação familiar se estabelece entre o eu
lírico e seu interlocutor? Tal vínculo é marcado por
orgulho ou vergonha? Por quê?
(In: Gonçalves Dias. São Paulo: Abril Educação, 1982, p.
53-4. Literatura Comentada.)
Proposto
10) (FUVEST)
Texto I
Porque não merecia o que lograva,
Deixei, como ignorante, o bem que tinha,
Vim sem considerar aonde vinha,
Deixei sem atender o que deixava.
Texto II
Se a flauta mal cadente
Entoa agora o verso harmonioso,
Sabei, me comunica este saudoso
Influxo a dor veemente;
Não o gênio suave,
Que ouviste já no acento agudo e grave.
Texto III
Da delirante embriaguez de bardo
sonhos em que afoguei o ardor da vida,
Ardente orvalho de febris pranteios,
Que lucro à alma descrita?”
Cada estrofe, a seu modo, trabalha o tema
de um bem, de um amor almejado e passado
ou perdido. Avaliando atentamente os recursos poéticos utilizados em cada uma delas
podemos dizer que os movimentos literários a
que pertencem I, II e III são respectivamente:
a) Barroco – Arcadismo – Romantismo.
b) Barroco – Romantismo – Parnasianismo.
c) Romantismo – Parnasianismo – Simbolismo.
d) Romantismo – Simbolismo – Modernismo.
e) Parnasianismo – Simbolismo – Modernismo.
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