E X P E D I E N T E Editor Fundación MAPFRE Estudios Monte del Pilar, s/n. 28023 MADRI - EL PLANTÍO (ESPANHA) Tel.: (34) 91 581 23 36. Fax: 91 581 23 55. www.mapfre.com/estudios [email protected] ANO XXI - NÚMERO 88 -4O TRIMESTRE/2004 - VERSÃO BRASILEIRA Diretor Francisco Martínez García Imagem da capa: Cena do filme Conselho de Redação José Antonio Aventín Arroyo, Carlos Carballal Hernández, Gonzalo Iturmendi Morales, José Juanatey Viqueira, Miguel Ángel Mar tínez Mar tínez, Luis de Mingo Cachón, Eduardo Pavelek Zamora, Juan Ignacio Perdiguero Mar tín, María Teresa Piserra de Castro, Eduardo Romero Villafranca y Juan AntonioVaquero Cidoncha. Conselho de Redação Editorial MAPFRE, S. A. Ctra. de Pozuelo, 52 28220 Majadahonda (Madri). ESPANHA Tel.: (34) 91 581 53 57. Fax: (34) 91 581 18 83. www.mapfre.com/editorial [email protected] O Dia Depois de Amanhã. Foto cedida pela Fox Film do Brasil. SUMÁRIO 03 EDITORIAL........................................... ATUALIDADE......................................... VERSÃO BRASILEIRA: OBSERVATÓRIO DE SINISTROS.................... Jornalistas Responsáveis Tatiana Cerezer - MTb 28.298 André Guerra - MTb 33.675 NOTÍCIAS DA AGERS................................ 04 10 12 15 17 17 NOTÍCIAS DA FERMA................................ Tradução Joaquim Piera Projeto Gráfico CONGRESSOS E REUNIÕES........................ “AGENDA 2004” FUNDACIÓN MAPFRE.......... BM&W Comunicação Editoração Rafael Di Giovanni Massimino Pré-impressão e ESTUDOS Impressão Garilli GERÊNCIA DE RISCOS E SEGUROS não é responsável pelo conteúdo de nenhum ar tigo ou trabalho assinado por seus autores. O fato de publicá-los não implica conformidade ou identificação com os trabalhos expostos. Está proibida a reprodução total ou parcial dos textos e ilustrações desta revista sem autorização prévia e por escrito dos editores. 20 34 50 56 62 Aplicação da teoria do valor extremo no ajuste e modelação de catástrofes .................................. Análise técnica dos planos de previsão segurados............... Gerenciamento de Riscos. Não é esotérico?..................... DOCUMENTO Novo regulamento do Consórcio de Compensação de Seguros..... RESENHAS DE LIVROS............................. Editorial Um mundo mais seguro Por encomenda do Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o Grupo de Alto Nível sobre as ameaças, os desafios e a mudança, presidido por Anand Panyarachun, ex-presidente da Malásia, elaborou o relatório “O mundo mais seguro: a responsabilidade que compartilhamos”, que analisa as ameaças principais para a sociedade mundial e propõe as diretrizes gerais para sua prevenção e resposta no século XXI. Os seis grupos de ameaças denunciados são causados pelo ser humano através de comportamentos antisociais, em maior ou menor grau deliberados. A vergonha humana inclui as guerras entre países, os conflitos internos, guerras civis e genocídios, a pobreza e repercussões associadas a epidemias e degradações do meio ambiente, as armas de destruição em massa: nucleares, biológicas e químicas, o terrorismo e o crime internacional organizado. Como indica o relatório, estes riscos nascem em ambientes subdesenvolvidos em educação, alimentação, saúde, emprego... nos países em desenvolvimento. Para sua prevenção é preciso facilitar o desenvolvimento sustentável nestas partes do mundo, para que sejam atendidas suas necessidades primárias e secundárias sem ter que recorrer a comportamentos ilícitos e violentos. Na edição de Gerência de Riscos que fecha o ano de 2004, incorpora-se o primeiro estudo do ajuste de valorações atuariais para a proteção financeira das entidades seguradoras, baseado na teoria do valor extremo, como perda máxima possível que se pode esperar frente a determinados sinistros catastróficos em uma carteira de seguros. Keystone Segue uma análise, desde o ponto de vista técnico, da recente modalidade dos Planos de Previsão Segurados (PPA) na sua condição de sistema de poupança para aposentadorias. A garantia de alguns níveis de retribuição financeira e determinadas vantagens fiscais que os elevam a uma das proteções preferidas neste momento. A extensa relação de siglas nos diferentes idiomas, que resume extensas denominações técnicas, confere uma auréola esotérica na maioria das disciplinas. Assim, o autor de outro trabalho, que descobre o mistério que parece girar em volta de alguns dos termos mais recentes empregados no gerenciamento de riscos. Finalmente, há um espaço para a análise elaborada por um grupo de trabalho da Associação Espanhola de Gerenciamento de Riscos, AGERS, sobre o novo Regulamento do Consórcio de Compensação de Seguros, que, além de algumas reformas estruturais, incorpora a cobertura de perda de benefícios derivada de sinistros declarados catastróficos. Nossos melhores desejos para um mundo mais seguro e feliz em 2005. Pulsar Imagens Atualidade Concessão do II Prêmio Internacional de Seguros “Julio Castelo Matrán” A FUNDACIÓN MAPFRE ESTUDIOS concedeu o II Prêmio Internacional de Seguros Julio Castelo Matrán, convocado pela MAPFRE MUTUALIDADE, a uma equipe de professores universitários formada por Montserrat Guillén Estany, Mercedes Ayuso Gutiérrez, Catalina Bolancé Losilla, Luis Bermúdez Morata e Isabel Morillo López, da Universidade de Barcelona, e Irene Albarrán Lozano, da Universidade de Extremadura, pelo seu trabalho O Seguro de Automóveis: Estado Atual e Perspectiva da Técnica Atuarial. Montserrat Guillén Estany, catedrática de Economia Aplicada, Mercedes Ayuso Gutiérrez e Catalina Bolancé Losilla, professoras titulares de Economia Aplicada, são membros do Depar tamento de Econometria, Estatística e Economia Espanhola da Universidade de Barcelona; Luis Bermúdez Morata e Isabel Morillo López, professores titulares de Economia Financeira, são membros do Depar tamento de Matemática Econômica, Financeira e Atuarial dessa Universidade; Irene Albarrán Lozano é professora titular de Economia Aplicada no Depar tamento de Economia Aplicada e Organização de Empresas da Universidade de Extremadura. A obra oferece uma visão global sobre os métodos empregados no controle de riscos derivados do seguro de automóveis, abrangendo desde o cálculo de prêmios para as diferentes classes de risco, até os mecanismos de correção ou tarifação baseados na experiência e na detecção de fraudes. Tudo isto, com a visão completa sobre o estado atual do seguro de automóvel. O júri desta segunda convocatória estava constituído por Luis de Angulo Rodriguez, catedrático de Direito Mercantil da Uni4 4º trimestre 2004 versidade de Granada; José Boada Bravo, presidente da Pelayo, Mútua de Seguros; José Antonio Gonzalo Angulo, catedrático de Economia Financeira e Contabilidade da Universidade de Alcalá; Antonio Guardiola Lozano, reitor da Faculdade de Ciências do Seguro, Jurídicas e da Empresa da Universidade Pontifícia de Salamanca; Filomeno Mira Candel, presidente da FUNDACIÓN MAPFRE ESTUDIOS e presidente do júri, Miguel Maria Muñoz Median, diretor geral adjunto da MAPFRE MUTUALIDAD; Federico Carlos Sainz de Robles, ex-presidente do Conselho Geral do Poder Judicial e ex-presidente do Tribunal Supremo; Ana Vicente Merino, presidenta do Instituto de Atuários Espanhóis; e Mariano Yzquiero Tolsada, catedrático de Direito Civil e professor ordinário da Universidade Pontifícia de Comillas, ganhador da I Edição deste Prêmio. Atuou como secretário José Luis Catalinas Calleja, diretor do Instituto MAPFRE de Estudos Ibero-americanos. O Prêmio Internacional de Seguros Julio Castelo Matran foi criado pela MAPFRE MUTUALIDADE em 2001 em homenagem à aposentadoria do então presidente do sistema, e tem como objetivo premiar, com periodicidade bienal, trabalhos científicos inéReprodução ditos que estejam relacionados com o Seguro e o Risco. O prêmio compreende 30.000 euros, além de uma placa e um diploma que certifica sua obtenção. Nesta segunda edição do prêmio, a FUNDACIÓN MAPFRE ESTUDIOS, seguindo as recomendações do júri, decidiu publicar outro dos trabalhos que concorreram ao prêmio, titulado A Cobertura de Riscos Catastróficos desde a Óptica da Solvência das Entidades Seguradoras. A função do resseguro tradicional e suas alternativas, do atuor Francisco Alcántara Grados. Atualidade Últimas mudanças legislativas no Seguro Espanhol No último trimestre, promulgou-se novas disposições legais que afetam às operações de seguro na Espanha, entre as quais destacam: • Real Decreto 6/2004, de 29 outubro, pelo qual é aprovado o texto criado a par tir da Lei de Ordenação e Supervisão do Seguro Privado. • Real Decreto 7/2004, de 29 outubro, pelo qual é aprovado o texto criado a par tir do Estatuto Legal do Consórcio de Compensação de Seguros. • Real Decreto 72004, de 29 outubro, pelo qual é aprovada a Lei sobre responsabilidade civil e seguro de circulação de veículos a motor. Paralelamente, se fossem cumpridos os prazos, antes de 15 de janeiro de 2005, estará promulgada a Lei de Mediação de Seguros e Resseguros Privados, que transpõe a diretriz da União Européia 2002/92/EC e substitui a vigente Lei 9/1992 de Mediação de Seguros. Aumenta o FIDAC, Fundo Internacional de Danos por Contaminação de Hidrocarbonetos Até novembro de 2003, o FIDAC, Fundo Internacional de Danos de Contaminação pelos Hidrocarbonetos, possuía um limite de 171 milhões de euros. Naquela data foi atualizado a 240 milhões e agora atingiu 880 milhões por evento. A insuficiência dos limites anteriores manifestou-se quando afundou o petroleiro Prestige, em novembro de 2002, na costa da Galícia (Espanha). O Estado espanhol estabelece, até agora, o valor das indenizações em cerca de 1 bilhão de euros, Pesquisa de Gerenciamento de Riscos em empresas européias Com o patrocínio da FERMA, Federação Européia de Associações de Gerenciamento de Riscos, realizou-se a pesquisa do ano 2004 sobre a prática do Gerenciamento de Riscos nas empresas européias, preenchida por 269 entidades. Os resultados mais destacados são: • 42% dos gerentes de riscos reportam ao CEO (Chief Executive Officer), enquanto 37% o fazem ao diretor. • 42% das empresas têm divididas as funções de gerenciamento de riscos e de administração de seguros. • 36% dos pesquisados dispõem de um procedimento normalizado de gerenciamento de riscos. • 57% dos gerentes de riscos dão prioridade à identificação de riscos. • Os riscos que mais preocupam em curto prazo são: - Governança Corporativa. - Sistemas de informação e informática. - Meio ambiente. FIDAC/Reprodução que teve que adiantar esperando a execução das coberturas de seguros de responsabilidade civil e as reclamações diante do FIDAC, por uns 730 milhões de euros, que não poderão ser atendidos na sua soma total. O novo fundo entrou em vigor em 3 de março de 2005 e dará proteção às contaminações marítimas por hidrocarbonetos produzidas nas costas e águas nacionais dos países que assinaram e colaboraram na capitalização acrescentada de 640 milhões: Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Japão e Noruega. 4º trimestre 2004 5 Atualidade O Regulamento de Incêndios em Indústrias, novamente em vigor Espanha Entram em vigor as “Normas Internacionais de Informação Financeira” União Européia Em 3 de dezembro 2004, o Conselho de Ministros espanhol aprovou o Real Decreto 2267/2004 pelo qual se promulga novamente o regulamento de segurança contra incêndios em estabelecimentos industriais, anulado em 27 de outubro de 2003. Como aconteceu em outros setores financeiros, o segurador deverá cumprir desde 2005 com as IIF, Normas Internacionais de InformaEuropean Community ção Financeira, com as quais se pretende uma maior transparência na situação financeira das companhias de seguros na União Européia. A maior consecução das informações econômicas e financeiras permitirá uma visão objetiva da situação de solvência e rentabilidade futura. Nesta data, o Tribunal Supremo declarou nulo de pleno direito o Real Decreto 786/2001, por defeito na forma da tramitação desta disposição. O regulamento, que voltou a ser promulgado sem nenhuma variação, 14 meses depois de ser anulado, terá um guia técnico de caráter não vinculante, que, de uma maneira contínua e atualizada, apresentará esclarecimentos práticos para o correto cumprimento desta regulamentação. Entre os aspectos mais destacados do regulamento reabilitado, se incluem a escala de classificação do risco intrínseco do estabelecimento projetado e os níveis de segurança contra incêndios, tanto passivo quanto ativo, que lhe correspondem. Para a obtenção da licença de abertura, requer-se a apresentação diante do órgão competente da comunidade autônoma da certidão que confirme a adequação das medidas de segurança contra incêndios, segundo os requerimentos do regulamento. Igualmente, os donos dos estabelecimentos industriais deverão solicitar a inspeção periódica das instalações a um órgão de controle credenciado, sem que seja especificada a freqüência destas inspeções. NextFoto As primeiras análises das normas adiantam certos inconvenientes no campo da movimentação e valorização dos capitais sociais e a rentabilidade, especialmente nos seguros de vida pelo desenvolvimento dos seus passivos no longo prazo. Nos ramos de não vida, o efeito será menos marcado, porém alguns aspectos, como a consideração contábil de sinistros extraordinários repercutirão diretamente nos fundos próprios, em lugar de poder tratá-los com provisões em prazos deferidos. NOTA No estudo “Modelo de predição de insolvências em empresas de seguros baseado na Solvência II. O algoritmo de indução de árvores de decisão See 5”, publicado no último número da revista Gerência de Riscos e Seguros, omitiu-se involuntariamente a referência dos três co-autores seguintes: • José Fernández Menéndez • Paloma Martínez Almodóvar • Eva Maria del Pozo García Todos eles professores da Faculdade de Ciências Econômicas e Empresariais da Universidade Complutense de Madri. 6 4º trimestre 2004 4º trimestre 2004 7 Atualidade Indenizações por desastres naturais batem recorde histórico Divulgação Uma das maiores tragédias naturais conhecidas pela humanidade, os Tsunamis ocorridos no final de 2004, não só causaram sofrimento com a perda de mais de 280 mil pessoas que habitavam o sudoeste da Ásia e par te do continente africano, mas como também, geraram prejuízos financeiros estimados em bilhões de dólares. Segundo um estudo da Associação Americana de Seguradores (AIA – American Insurance Association) as indenizações que serão pagas pelas companhias seguradoras àqueles que tiveram seus bens materiais destruídos devem alcançar a histórica marca de US$ 10 bilhões. Ao contrário do que se acredita com relação a estigma de que a maioria dos seguros não cobrem perdas geradas por catástrofes naturais, no ano passado os prejuízos ocasionados por estes fenômenos chegaram aos mais altos índices já registrados na economia do planeta. De acordo com um relatório feito pela resseguradora Munich Re, o total de prejuízos trazidos por furacões, enchentes, terremotos, entre outras tragédias, chegou a US$ 140 bilhões em 2004. Deste montante, cerca de US$ 40 bilhões foram ressarcidos por indenizações pagas pelas seguradoras, outro recorde a ser registrado. Estes dados fazem par te do documento Topics Geo, divulgado na Conferência Mundial para Redução de Desastres, organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) na cidade japonesa de Kobe em janeiro deste ano. Do total de prejuízos verificados em 2004, aproximadamente US$ 72,6 bilhões vieram de desastres naturais no continente asiático, sobretudo ciclones e furacões. Embora a Ásia concentre os maiores danos, a região recebeu uma quantia de indenizações bem inferior àquela paga nas Américas. Enquanto as seguradoras desembolsaram US$ 32,5 bilhões em conseqüência de desastres naturais no continente americano, os asiáticos foram ressarcidos apenas em US$ 6,8 bilhões, sem acresentar a este valor, os recentes prejuízos causados pelos Tsunamis. 8 4º trimestre 2004 No caso dos quatro furacões que afetaram o golfo do México em 2004, por exemplo, as seguradoras tiveram que desembolsar valores muitos superiores. A disparidade se justifica pelo fato de haver baixo consumo de seguros na Ásia, já que a maioria da população não tem condições financeiras para adquirir a proteção. Em março do ano passado, a segunda maior empresa de resseguros do mundo, a Swiss Re, adver tiu que o aquecimento do planeta poderia levar ao aumento descontrolado dos custos para cobrir as perdas causadas por desastres naturais. As perdas das seguradoras decorrentes de desastres naturais aumentaram relevantemente nos últimos 30 anos e há perspectivas de mais avanço. Atualidade Barbaridades e fraudes Em meio a destruição e sofrimento deixados pela tragédia que mobilizou todo o mundo na busca por apoio logístico e financeiro às vítimas dos tsunamis, surgem neste comovente cenário, pessoas bárbaras e cruéis capazes de abusar sexualmente de mulheres e crianças abandonadas depois do maremoto. Além das violências contra indefesos, aumenta a cada dia o número de criminosos que cometem saques e roubam todo tipo de estabelecimento. Na Tailândia, por exemplo, ladrões disfarçados de policiais e funcionários de resgate saquearam bagagens e cofres de hotéis na área da praia de Khao Lak, onde um tsunami matou mais de 3 mil pessoas. A ONU alertou inclusive quanto o perigo de piratas que atrapalham o trabalho de assistência na costa oeste da ilha de Sumatra, na Indonésia. Danielsson, em entrevista a uma rádio sueca. Na vizinha Noruega, a polícia estava em alerta para a tentativa de criminosos de colocar seus nomes na lista de vítimas, para conseguir uma nova identidade ou fraudar as seguradoras, semelhantes às ocorridas depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Na Grã-Bretanha, que tem pelo menos 40 vítimas dos tsunamis, um homem admitiu ter mandado e-mails falsos para amigos e parentes de desaparecidos, confirmando sua morte. Em Hong Kong, que registrou grandes doações para as vítimas, a Oxfam, organização internacional que trabalha com projetos de desenvolvimento e ajuda humanitária, alertou para um e-mail falso que pede depósitos para uma conta corrente no Chipre. Solidariedade Não somente os países atingidos fisicamente pelas ondas sofreram com a tragédia. A Suécia, por exemplo, enviou sete policiais que estão investigando o possível seqüestro de um garoto de 12 anos, cujos pais foram levados pelo mar. O país já conta com 52 mortos confirmados e 2.500 desaparecidos no sudeste asiático. Mas os nomes são mantidos em segredo, depois que algumas casas de desaparecidos foram alvo de roubos e invasões, informou o secretário de Estado Lars Estimativas apontam para um valor que ultrapassa os US$ 2 bilhões arrecadados até o momento, em todo o mundo em prol das vítimas causadas pelos Tsunamis. O Grupo MAPFRE decidiu doar 300 mil Euros (mais de R$ 1 milhão) para ajudar as famílias afetadas pelo maremoto. O montante foi entregue à Cruz Vermelha Internacional, para que ser distribuído nos lugares em que a organização considere mais opor tuno e necessitado. O Grupo MAPFRE também divulgou um comunicado interno aos 18.605 funcionários da empresa, em todo o mundo, convidando-os, se assim desejarem, a colaborarem economicamente com as organizações que estão ajudando na reconstrução das zonas devastadas. 4º trimestre 2004 9 Observatório de Sinistros Riscos de epidemia gripal As epidemias sofridas em animais e, algumas, transferidas às pessoas nos últimos anos no sueste da Ásia, evidenciaram os riscos de epidemia espalhadas continentalmente. Neste último mês de dezembro, detectou-se uma nova onda ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE de gripe avícola na China, que se soma às de dois anos recentes nesta zona, em outras aves, gado suíno e animais de granja. Entre elas os casos da SARS, popularmente conhecidos como pneumonia asiática, que chegou a infeccionar cerca de 10.000 pessoas, algumas delas em países de outros continentes, em um total de 29 estados. A última pandemia registrada, a cepa El Tor, aconteceu entre 1963, tendo o seu começo em Bangladesh, espalhando-se até a União Soviética, onde chegou em 1966, produzindo milhares de mortos. A anterior, conhecida como a “gripe espanhola”, embora tivesse sua origem nos Estados Unidos, espalhou-se entre 1918 e 1919 a outras partes do mundo, e causou a morte de cerca de 25 milhões de pessoas. Com a emergência dos casos repetidos no sudeste asiático, teme-se uma eclosão acelerada que poderia espalhar-se rapidamente a outros continentes de forma geral. Especialistas da Organização Mundial da Saúde estudaram cenários de infecção que atingem até a quarta parte da população, 1,6 bilhões de pessoas, e de dois a sete milhões de mortos. Contudo, as condições sanitárias nos países desenvolvidos permitem prever um controle que evitaria sua fácil propagação; questão que, lamentavelmente, se produziria em sentido contrário nos países em desenvolvimento. Entre em contato com a revista Envie suas sugestões, idéias, dúvidas ou críticas para: [email protected] 10 4º trimestre 2004 Falsas ameaças de bomba, terrorismo de baixa intensidade? As ameaças de bomba, na sua maioria falsas, costumam ser uma das alterações típicas em atos de grandes concentrações de pessoas –competições esportivas, shows musicais, atos culturais– e sedes de organismos públicos, centros de formação (especialmente em épocas de exames), empresas de serviços públicos, multinacionais e shoppings. Estas ameaças são instrumentos delituosos fáceis de cometer usados tanto pelos grupos terroristas como por consumidores e empregados que se sentem prejudicados, grupos anti-sistema ou simples brincalhões. O objetivo pretendido de evacuação urgente das dependências e a interrupção temporal ou definitiva das atividades afetadas, atingese quando as autoridades públicas responsáveis determinam a veracidade das ameaças, recebidas normalmente por telefones públicos. Esta decisão tão crucial é tomada depois de analisar a veracidade da chamada; a disposição de sistemas e protocolos de gravação; e perguntas ao interlocutor. Estes elementos constituem uma informação fundamental para resolver situações tão delicadas. O último caso registrado na Espanha, com grande repercussão na mídia, sucedeu em dezembro em um jogo de futebol no estádio Santiago Bernabeu de Madri, entre os times do Real Madri e a Real Sociedad, de São Sebastião (País Basco), que foi suspenso 7 minutos antes de seu fim, quando faltavam 22 minutos para a hora anunciada da explosão. A evacuação dos 65.000 espectadores presentes aconteceu ordenadamente em 12 minutos. No entanto, não houve nenhuma explosão, nem pacote suspeito, tratando-se apenas de um falso alarme originado por um telefonema reivindicado pelo grupo terrorista ETA, cuja identidade não se pôde garantir. Estes incidentes, que não chegam a materializar-se em explosões com agressões diretas sobre pessoas e bens materiais, causam transtornos e perdas econômicas consideráveis às entidades afetadas e, além disto, cria pânico e preocupação nos cidadãos. Sem dúvida, a prevenção nas origens e circunstâncias concorrentes podem ajudar evitar estes incidentes e, em caso que aconteçam, os planos de emergência e evacuação, experimentados em simulações, contribuem para minimizar os efeitos negativos. Observatório de Sinistros Cobertura do seguro no ataque terrorista às “torres gêmeas” Foto: Cruz Vermelha Internacional O júri do processo aberto em Nova Iorque sobre o ataque terrorista do 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas considerou, em dezembro último, a existência de dois eventos independentes. Se esta decisão, que haverá recurso, prosperar, as seguradoras teriam que indenizar por dois sinistros com o limite, cada um deles, do valor segurado de 3,5 bilhões de euros. Em abril de 2004, outro tribunal de Nova Iorque determinou que se tratava de um único, continuado e planejado ataque terrorista, com o que o limite da indenização situava-se em 3,5 bilhões de euros. davam a cobertura dos danos dos edifícios. Dada a considerável diferença econômica da indenização, dependendo da decisão, é esperado um longo processo judicial entre o promotor imobiliário que gerenciava as Torres do World Trade Center e as companhias de seguros e resseguros que As complicações desta questão se acrescentam com a formalização das apólices de seguros, poucas semanas antes do ataque terrorista, segundo as propostas dos corretores da operação e da transcrição não perfeitamente ajustada aos contratos de cobertura. Novo processo contra a indústria de cigarros Estados Unidos A Promotoria Geral dos Estados Unidos apresentou um processo perante a Justiça de Nova Iorque, no final de setembro, por conspiração e fraude contra várias das principais empresas de tabaco mundiais. O processo sustenta-se no silêncio pactuante entre as acusadas, Philip Morris, Reynolds, Brown and Willianson, Lorillard, British American Tobacco e Liggett, dos efeitos viciosos da nicotina durante mais de cinqüenta anos. Segundo o jornal New York Times, o caso tem sua origem em 1953, quando os então presidentes destas companhias fizeram uma reunião em um hotel de Nova Iorque e combinaram silenciar as investigações que indicavam os efeitos negativos do tabaco para a saúde humana. Os processos atingem 230 bilhões de euros. Caso as empresas implicadas percam (isso é esperado, embora a expectativa é que a batalha judicial se prolongue) poderiam ir a falência. 4º trimestre 2004 11 Notícias da AGERS X Jornada Expectativas de renovação dos programas de seguros para 2004 Madri, 18 de novembro de 2004 A A Associação Espanhola de Gerenciamento de Riscos e Seguros (AGERS) celebrou em Madri, no último dia 18 de novembro sua tradicional jornada sobre “Expectativas de Renovação dos Programas de Seguros para 2004”, ato no qual compareceram mais de 300 representantes de empresas e profissionais do setor. A primeira apresentação, feita por Ricardo Lozano, diretor geral de Seguros e Fundos de Previdência, centrou-se nos recentes acontecimentos nos Estados Unidos sobre ações judiciais, assinalando que na Espanha não parecem existir situações irregulares pela atuação de nenhum corretor. Manuel Mascarque, representante da Unespa, subscreveu as palavras do diretor geral de Seguros e comentou a melhora dos índices de sinistralidade que, segundo a ICEA, foram de 76,8% no segundo trimestre de 2004, o que representa uma melhora incontestável, que já está refletindo-se em um crescimento dos lucros do setor segurador. O presidente da CEIM, Gerardo Díaz Ferran, destacou a importância do gerenciamento de riscos para as empresas e ofereceu 12 4º trimestre 2004 o apoio dos empresários para defender as conclusões da jornada sobre o novo regulamento e tarifa de riscos extraordinários. Também manifestou a preocupação dos empresários pela volatilidade existente nas qualificações de solvência. No encerramento do ato de abertura, o presidente da AGERS, Julio Sáez, indicou a importância que a associação concede à nova lei de mediação, pelo interesse de toda a sociedade para que sejam esclarecidas as funções dos mediadores, que são os responsáveis por aproximar o gerenciamento de riscos às pequenas e médias empresas. O presidente da AGERS assumiu a mensagem tranqüilizadora do diretor geral de Seguros e do representante da Unespa sobre o compor tamento correto dos corretores na Espanha, porém convidou os gerentes de riscos a fazerem uma sondagem no mercado. Notícias da AGERS Estabilização dos “Ratings” Peter McClean, da Standard & Poor’s, assinalou que depois da diminuição geral nos ratings das seguradoras nos últimos anos, as expectativas atuais são de estabilização, embora ainda há algumas dúvidas a respeito de cer tas resseguradoras norte-americanas. S&P prevê uma diminuição dos prêmios de riscos de cur to desenvolvimento (danos materiais) apesar dos 20 bilhões de dólares de perdas que supuseram os últimos furacões nos Estados Unidos. Contudo, nos riscos de mais desenvolvimento (responsabilidade civil), a tendência em alta continuará durante 2005, ainda que de forma mais moderada. Danos e Transportes Álvaro Mengotti, diretor geral da AIG Europe, manifestou que nos últimos anos as taxas de resseguro se incrementaram 240% em média. O mercado de patrimoniais vai abrandar em breve, porém com uma tendência diferenciada segundo o risco de cada empresa. Agustín de la Cuerda, responsável de “Proper ty” da AGR Allianz, assinalou que depois da melhora do índice combinado de sinistralidade, que na sua empresa passou de 143% em 2002 até 98% em 2004, haverá uma melhora nas condições, ainda que não será igual para todos, e um maior aproveitamento das sinergias de outras áreas (financeiras) com a utilização de programas alternativos de transferências de riscos (ART). Dominique Herbrich, diretor geral da AXA Corporate Soluciones Assurance, destacou que sempre os ciclos de mercado rígido foram mais curtos que os de mercado flexível com o qual o balanço para as seguradoras é negativo. Indicou, a necessidade de estabelecer relações a longo prazo com os clientes para evitar as flutuações do mercado e conse- guir um equilíbrio técnico que evite suas sobre-reações. Francisco Pérez Couceiro, da AON, sintetizou a situação atual do mercado de patrimoniais e destacou o começo do ciclo flexível a par tir da metade do ano passado, que se traduz em prêmios menores, melhores condições de cobertura e uma manutenção das franquias. Esta situação, contudo, está condicionada pelos grandes riscos, por sua necessidade de maiores capacidades, que embora se geraram, continuam representando poucas opções para limites altos de cobertura. O gerente de riscos da Leche Pascual, Fernando Pérez Vila, referiu-se à mudança de tendência do mercado que depois de só três anos de ciclo rígido já está experimentando diminuições de prêmios sem aparente rigor técnico. Questionou-se como um gerente de riscos pode assegurar a rentabilidade à sua empresa com estas oscilações. Sobre os ART disse que não parece que ninguém os contrate. Responsabilidade Civil Juan Villanueva, da MAPFRE Industrial, indicou que seguirá o incremento de prêmios de responsabilidade civil, ainda que este aumento será mais moderado e poderá esperar-se alguma diminuição para grandes riscos. Também destacou a tendência à queda na sinistralidade na cobertura de empregador, conseqüência de uma maior prevenção e gerenciamento de riscos. Francisco Cabrera, da Zurich, destacou que para riscos em longo prazo como são os de responsabilidade civil, é preciso capital e uma organização especializada. Indicou que os ART podem ser uma alternativa de cobertura para as Administrações Públicas. Thomas Guesde, da XL Insurance, expôs dados da AM-Best que mostram que desde os anos 70, os ciclos foram menos acentuados em responsabilidade civil que em danos, ainda que 30 dos últimos 35 anos experimentaram perdas técnicas. Previu, assim mesmo, que será difícil que se retorne aos limites e 4º trimestre 2004 13 Notícias da AGERS níveis de franquia do ano 2001. Paralelamente, disse que haverá estabilidade de condições de cobertura e preços, porém só para riscos rentáveis, e um retorno às apólices de seguros trienais. Luis Basabe, da Marsh, assinalou que no último ano a tendência para muitos ramos de responsabilidade civil passou de encrementos de prêmios de até 30% a reduções em torno de 10%. A responsabilidade civil geral, embora exista uma tendência a aumentar os limites de indenizações, ainda não está em consonância com o crescimento das reclamações. O gerente de riscos da FCC, Miguel Ángel Macias, explicou que o desenvolvimento da cultura da reclamação afeta tanto às grandes quanto às pequenas empresas. Manifestou igualmente que se observa uma tendência à estabilização dos prêmios do ramo, porém sem recuperar preços nem, sobretudo, às garantias de cinco anos atrás. Finalmente, se expôs o resultado da pesquisa realizada por um grupo de trabalho da UNESPA, a ADECOSE e a AGERS, com o Consórcio de Compensação de Seguros, sobre o novo regulamento e sua tarifa. A conclusão do presidente da associação, Julio Sáez, é que este regulamento supõe para as empresas uma situação pior a respeito das coberturas atuais. Sobre esta questão, afirmou que os pontos fundamentais são a não limitação da franquia percentual de danos materiais para grandes riscos e as questões relacionadas com as garantias vitais para a empresa como a «falta de fornecimentos» e os sinistros em fornecedores e clientes. Por outro lado, o diretor geral do Consórcio, Ignacio Macheti, explicou que não concordava com o que tinha dito o presidente da AGERS, e, ainda reconhecendo algumas carências da legislação, este organismo está disposto a continuar trabalhando com a associação e a Unespa para solucionar no prazo mais breve possível este problema, ainda que o tempo não será inferior a um ou dois anos. Primeiro curso de Lucros Cessantes Do dia 24 até 26 de novembro de 2004, houve em Madri o primeiro curso de Perda de Lucros, organizado pela AGERS com a intervenção dos professores Celia Rodríguez Pretil, Vicente Hurtado Fernández e Rober to Revengo Penales e a presença de 34 alunos participantes. Reunião da diretoria A reunião periódica da diretoria da AGERS celebrou-se em Madri em 14 de dezembro de 2004. AGERS ASSOCIAÇÃO ESPANHOLA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS Príncipe de Vergara, 86, 1ª esc., esq. • 28006 Madri • Tel.: (34) 91 562 84 25 • Fax: (34) 91 561 06 05 • e-mail: [email protected] • www.agers.es 14 4º trimestre 2004 Notícias da FERMA Fórum 2005 “Gerenciamento de Risco Europa, o mundo e o futuro. Oportunidades para o gerenciamento de riscos”. Lisboa, de 2 a 5 de outubro de 2005 N No entorno empresarial de hoje, o gerenciamento de riscos converteu-se em uma prioridade fundamental para a maioria das organizações. Qualquer atividade empresarial deve ser capaz de adaptar-se ao novo entorno. O Fórum FERMA 2005 sobre Gerenciamento de Riscos que, se celebrará em Lisboa, debaterá as questões, cada vez mais complexas, às quais enfrentam os gerentes de riscos na nova União Européia ampliada e no atual mundo cheio de mudanças. Problemas de deslocamento e subemprego, ameaças interculturais, pressões dos distintos interessados na empresa e novas regulamentações no mundo todo. Como você pode gerenciar os riscos a partir da Europa quando muitas de suas atividades se desenvolvem na Ásia, África ou América Latina? Analisando estes novos horizontes e fronteiras, até que ponto você tem seus riscos sob controle e ajuda ao bom governo corporativo? Dispõe de procedimentos adequados para identificar e gerenciar os riscos? Tendo em conta o impacto da liberalização dos serviços, quais são as novas fronteiras do risco na Europa Central, e como as empresas devem enfrentar os riscos na Rússia? 4º trimestre 2004 15 Notícias da FERMA Nas sessões plenárias e nas comissões de trabalho, se fomentará o debate e se comentarão as últimas mudanças e novidades, que apresentam desafios e oferecem oportunidades de melhorar o gerenciamento de riscos. O programa tentará responder a uma questão: como garantir que sua estratégia de risco limite o risco de sua organização em todos os aspectos? Também serão analisadas as questões críticas enfrentadas pelos gerentes de riscos por causa das atuais condições dos mercados financeiros e de seguros. Os aspectos principais que se tratarão no Fórum FERMA 2005 sob o título geral da “Europa, o mundo e o futuro: oportunidades para o gerenciamento de riscos”, serão as seguintes: • Europa: ameaças ou oportunidade? • Planos de continuidade de negócio. • Basiléia II. • Impacto das diretrizes Solvência 2 e as novas normas contábeis nos produtos ART e as companhias cativas de seguros e resseguros. • Aspectos interculturais. • O deslocamento para a China. • Estratégia para diretores. • Responsabilidades meio-ambientais: a nova diretriz e suas conseqüências para o risco industrial. • Aspectos legais da subcontratação. • Novas tendências no mercado segurador. Além das tradicionais sessões plenárias e comissões de trabalho de máximo nível, o programa oferece módulos de debates interativos entre gerentes de riscos, que terão a forma de “brainstorming” e acrescentarão valor adicional aos participantes, sobre uma série de questões: • Novos países, Europa Central (impacto da liberalização de serviços). • Transporte, apólices de condução. • Terrorismo. • Valor adicionado do gerenciamento de riscos. • Recursos humanos e comportamentos dependentes (tabaco, drogas, álcool, estresse etc). • O Projeto Leonardo da Vinci: o programa educativo europeu para o gerenciamento de riscos (com o apoio da Comissão Européia). O Fórum FERMA é uma opor tunidade ideal para a interação e ampliação de conhecimentos. Não se arrisque a perdê-lo, e prepare-se para as mudanças do futuro. FERMA FEDERAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES EUROPÉIAS DE GERENCIAMENTO DE RISCOS Rue de la Presse, 4 • B-1000 Bruxelas (Bélgica) • Tel.: (32) 322 227 11 44 • Fax: (32) 322 227 11 48 • e-mail: [email protected] • www.ferma-asso.org 16 4º trimestre 2004 Fundación MAPFRE 4º trimestre 2004 17 Fundación MAPFRE 18 4º trimestre 2004 Estudos 4º trimestre 2004 19 Estudos Aplicação da teoria do valor extremo no ajuste e modelação das catástrofes MARÍA JOSÉ PÉREZ FRUCTUOSO ALMEIDA GARCÍA PÉREZ Universidade Carlos III de Madri Universidade de Alcalá de Henares O objetivo deste trabalho é a análise de dados de perdas associadas às catástrofes e sua possível modelação. Por isto, está baseado na Teoria do Valor Extremo, e se ajusta às distribuições características do valor extremo aos dados disponíveis, com a intenção de prever possíveis catástrofes futuras ou a probabilidade de que aconteça um evento de conseqüências determinadas. Exatamente, determina-se o modelo paramétrico que melhor se ajusta aos dados e a estimativa dos seus parâmetros através do método da máxima verossimilhança. INTRODUÇÃO A Teoria do Valor Extremo aplica-se para a modelação das caudas das distribuições com o objetivo de evitar os problemas derivados do ajuste global de um conjunto de dados através de um modelo único: aplicando a lei dos grandes números, ou o teorema central do limite, o ajuste dos valores centrais deixa fora da análise aquelas situações que fogem da normalidade. A aplicação de um modelo individual que represente o comportamento de todos os dados pode não ser aceitável para os valores elevados. Em determinadas ocasiões, as entidades seguradoras encontram-se diante de situações que põem em perigo sua estabilidade e sua solvência. A Teoria do Valor Extremo pode ajudar, não a eliminar os acontecimentos que causam conseqüências extremas e pesadas como as catástrofes, senão a predizê-los e, portanto, a ajustar melhor os prêmios, os aumentos ou a dotar maiores provisões. 20 4º trimestre 2004 A aplicação da Teoria do Valor Extremo também é de interesse em setores como o ressegurador, onde fundamentalmente nos tratados não proporcionais, a cober tura realiza-se exclusivamente para níveis de sinistralidade altos. Isto implica, portanto, que, geralmente, a correta tarifação do resseguro não deve realizar-se baseada em valores médios senão a partir dos valores extremos. É evidente, que a utilidade da Teoria do Valor Extremo é indiscutível. Contudo, sua execução afronta vários desafios, entre eles a dispersão dos dados, a determinação da densidade da cauda, a eleição de métodos para estimar os parâmetros do modelo e a eleição de um umbral, ou prioridade, determinado. O objetivo deste artigo é superar estes desafios na análise do comportamento esperado de uma amostra de perdas por catástrofes a partir do seu comportamento acima de uma determinada quantidade. Estudos Para isto, primeiramente, descreve-se de forma teórica as duas distribuições importantes que configuram a Teoria do Valor Extremo e que vamos ajustar aos dados mencionados: a distribuição generalizada do valor extremo e a distribuição generalizada de Pareto. Segundo, e como parte central do artigo, se introduz os correspondentes modelos ou distribuições que ajustam às observações. Para isto, trabalha-se com gráficos obtidos por meio da aplicação dos programas XTREMES(1) STATGRAPHICS e EXCEL já que as ferramentas gráficas e visuais são as mais utilizadas para debater sobre os modelos. Dos gráficos analisados, o mais relevante é o gráfico quantilquantil, já que permite comprovar se uma distribuição ajusta a distribuição real dos dados através da linearidade. O gráfico quantil-quantil usa-se de referência permanente para testar os dados disponíveis. A razão: a linearidade do gráfico pode verificar-se rapidamente com uma simples checagem visual. Também é usada na análise os gráficos de excesso médio para ajustar a distribuição generalizada de Pareto. Com o estudo destes gráficos acharemos o ponto a par tir do qual, os excessos superiores ajustam sua distribuição. A TEORIA DO VALOR EXTREMO Conhecer os limites máximos de perdas que pode sofrer uma empresa é uma informação que interessa a todos aqueles que intervêm no gerenciamento do risco. É evidente que o cálculo dos níveis de perdas máximas que podem pôr em perigo a continuidade de uma empresa implica ter em conta variáveis e circunstâncias excepcionais que podem gerar acidentes ou sinistros de extrema gravidade. A Teoria do Valor Extremo, como se comentou na introdução, pode ajudar a predizer estas variáveis e situações extremas e, portanto, levar a cabo um melhor ajuste dos prêmios ou provi(1) sões técnicas do setor segurador sujeito a esta tipologia de riscos (Fundación MAPFRE Estudios, 1994). Nesta epígrafe, resume-se a Teoria do Valor Extremo a par tir dos textos gerais de Embrechts, Kluppelberg e Mikosch (1997), de Reiss e Thomas (2001) e de Beirlant, Teugels e Vynckier (1996) dedicados globalmente a estudar a aplicação desta complexa teoria estatística na resolução de problemas tradicionais de gerenciamento de riscos em seguros e finanças. Dado um conjunto de variáveis aleatórias independentes e identicamente distribuídas, Xl,n, X2,n ,..., X k,n ,..., X n,n, - que neste trabalho representam as quantidades de sinistralidade derivadas da ocorrência de catástrofes-, deseja-se conhecer a função de distribuição que ajusta estas variáveis aleatórias. Para isto, primeiramente, introduziremos as duas distribuições de probabilidade fundamentais na modelação dos valores extremos, distribuição do valor extremo generalizado e distribuição generalizada de Pareto, a partir dos teoremas que as desenvolvem: -Teorema de Fischer e Tippet -Teorema de Pickands-Balkema-de Haan. 1. TEOREMA DE FISCHER E TIPPET O desenvolvimento deste teorema levou à obtenção da distribuição generalizada do valor extremo que modela os máximos (ou mínimos) de séries de valores. Sob certas condições, demonstra-se que a distribuição dos máximos padronizados destas séries convergem até as distribuições de Gumbel, Weibull e Frechet, que surgem da expressão de uma distribuição asintótica, G, e cuja forma geral é a distribuição generalizada do valor extremo (Generalized Extreme Value Distribution - GEV). Os três modelos de limites de distribuição asintótica G são: – Distribuição de Gumbel para caudas médias. G0(x ) = exp {-exp (2x ) }, x R XTREMES Versão 3.01 é um programa informático desenvolvido pela Universidade de Siegen para a análise de valores extremos 4º trimestre 2004 21 Estudos 2. TEOREMA DE PICKANDS – BALKEMA – DE HAAN – Distribuição de Frechet para caudas densas. 0, X < 0 G1 (X ) = exp {-x }, X >0 >0 – Distribuição de Weibull para caudas curtas ou suaves. G2 (X ) 5 1, X > 0 exp {- (-x ) }, X < 0 <0 A partir de cer tas transformações e de uma redefinição do parâmetro como 5 1/ se obtém a expressão que configura a distribuição do valor extremo generalizado ou distribuição limite dos máximos normalizados: 1/ G = exp - (1 + . X ) + ,1+ .X >0 ou bem, representando de forma explícita os parâmetros de localização e escala, 1/ G ;an,bn = exp - 1+ x 2 an bn + ,an R bn > 0 Resumindo, a distribuição generalizada do valor extremo apresenta três parâmetros fundamentais: o parâmetro de localização (an ), o parâmetro de escala (bn ) e o parâmetro de forma ou índice de cauda ( ). Este último tem um papel fundamental já que indicará a densidade cauda da distribuição: quanto maior seja o índice mais densa será a cauda, e determina se a cauda de distribuição é finita ou infinita. Este teorema dá lugar à distribuição que recolhe o comportamento probabilístico dos excessos superiores de um determinado valor nomeado umbral ou prioridade. Ou seja, descreve o comportamento da perda extrema, em excesso de dito umbral. Os valores que excedem de um determinado umbral têm um papel fundamental em vários campos, especialmente no campo atuarial, e mais concretamente nas aplicações ao resseguro de excesso de perda. Dada a prioridade u no resseguro excesso de perdas (Excess of Loss – XL), o ressegurador dever pagar a quantidade X-u sendo X>u. Acaba, portanto, sendo fundamental conhecer se os dados superiores de u podem aproximar-se mediante alguma distribuição. Pois é possível demonstrar que quando o umbral atinge um valor suficientemente grande, em vir tude do teorema indicado, os dados superiores deste ponto seguem uma distribuição generalizada de Pareto que modelará de maneira eficiente a distribuição dos excedentes do umbral. A distribuição dos excessos superiores do valor u é uma distribuição condicionada: ajusta a cauda da distribuição uma vez que os dados superaram o umbral: F u (y)= P (X - u < y / X > u)= P (Y < y / X >u) para 0 < y < x0 - u onde X representa a variável aleatória quantidade do sinistro e Y o excesso sobre o umbral. O extremo direito finito ou infinito da função de distribuição define-se como x0 e se sabe que o extremo inferior da distribuição, o ponto esquerdo, é zero. A dificuldade, contudo, se encontra na eleição do umbral apropriado, já que a teoria não propõe uma solução geral a respeito (Beirlant, J.; Teugels, J.L; Vynckier, P. (1996)). A função da distribuição de Pareto generalizada é a seguinte: 22 4º trimestre 2004 Estudos W (X ) = 1- 1 + X -1/ , W0 (X ) = 1 - exp -X , Para >0 Para < 0 para 0 ASPECTOS ESTATÍSTICOS E ESTUDO DA AMOSTRA Nesta etapa, aplica-se a Teoria do Valor Extremo ao conjunto de dados disponíveis, tratando os seguintes aspectos: para =0 • Estudos sobre a densidade da cauda. Para isto, é analisada através do gráfico quantil-quantil, os quantis empíricos da amostra frente aos quantis teóricos da distribuição exponencial. No caso em que os dados representem uma cauda densa, se aproximarão várias distribuições alternativas. x>0 0<x< / onde e representam os parâmetros de forma e escala respectivamente. Em termos gerais, quanto maior é o índice de cauda ou parâmetro de forma ( ), mais densa será a cauda de distribuição, já que convergirá mais lentamente para sua assíntota. Portanto, o ajuste realizado com os parâmetros estimados darão lugar a maiores valores esperados (maior quantidade estimada de perdas). Considera-se que a distribuição é de cauda forte para > - 0,5. • Distribuição generalizada de Pareto. Deve-se escolher o umbral sobre o qual se calculam os excessos. Para efetuar esta eleição, será útil a ferramenta gráfica da função de excesso médio. Para esclarecer, antes de continuar aprofundando a questão, o quantil é uma estatística de posição definida como um valor da variável aleatória debaixo da qual se encontra uma determinada proporção dos valores da variável. Dito de outra forma, o quantil de ordem de uma variável aleatória é um valor desta variável debaixo do qual se acumula um por cento de probabilidade. Os quantis podem ser de vários tipos, por exemplo, percentis quando a série de valores divide-se em cem partes 4º trimestre 2004 23 Estudos cada uma delas equivalente a um 1%, quar tis se a série de valores classifica-se em quatro partes cada uma relacionada com 25%, ou decis quando o conjunto de valores distribui-se em 10 partes cada uma relativa a 10%. Os dados utilizados para a realização do artigo fazem referência às perdas por catástrofes naturais acontecidas nos Estados Unidos desde o ano 1973 e até o ano 1997. Na série inicial disponível de dados, indica-se o Estado onde se produz a catástrofe, a data de inicio e de finalização, seu ano de ocorrência, um número identificador da catástrofe acontecida e o total de perdas, em dólares constantes, ocasionadas por cada uma delas. Para realizar o estudo, primeiramente, ordenamos os dados por ano de ocorrência, e baseados na data de início das catástrofes e o seu número identificador, obtemos a soma total de perdas associadas a uma mesma catástrofe, evitando o fato que tenham afetado a vários Estados ao mesmo tempo. Na continuação, apresenta-se o gráfico do conjunto de dados históricos disponíveis e as características essenciais da amostra que se derivam dele, assim como mostra o gráfico 1 (na página anterior e na parte superior desta): 24 4º trimestre 2004 1. GRÁFICOS QUANTIL-QUANTIL Para determinar a família de distribuições na qual pertencem os extremos observados na amostra - ordenados de menor a maior-, são comparados, através do gráfico quantil-quantil, os quantis empíricos da amostra com a função de quantis da distribuição generalizada de Pareto para distintas estimações dos parâmetros da mesma. No gráfico analisado nesta epígrafe, é representado como variável dependentes os quantis da amostra ordenados de menor a maior, Xr,n2, e como variável independente os quantis teóricos da função estimada. Estes quantis se obtêm a par tir dos percentuais estimados a través da expressão p= r n +1 bem como p= r -1/3 como segue: n +1/3 -1 Xr,n= Fn r n +1 com r =1,2,...,n onde representa a inversa da função de distribuição escolhida como referência, que, em nosso caso, será exponencial. Estudos Esta representação permite observar se os dados provêm de uma distribuição com uma cauda mais ou menos densa que a distribuição exponencial e se utiliza como uma primeira aproximação ao comportamento da amostra. distribuição exponencial. Além disso, os dados se curvam por debaixo da linha de ajuste à esquerda, indicativo que a amostra apresenta uma cauda mais densa que a cauda de distribuição exponencial. Se os dados da amostra se geram através da distribuição de referência, o gráfico de quantis deve mostrar uma tendência fortemente linear (Embrechts et al., 1997). Isto é, se o modelo exponencial escolhido neste caso ajusta bem os dados, o gráfico deve ser linear, e quanto mais linear for, melhor será o ajuste realizado. 2. AJUSTE DA DISTRIBUIÇÃO GENERALIZADA DE PARETO AOS VALORES ACIMA DE UM UMBRAL U As ferramentas gráficas empregadas na análise apresentado nesta epígrafe são as seguintes: A) GRÁFICOS DE EXCESSO MÉDIO Paralelamente, se a distribuição real dos dados tem uma cauda mais densa que a distribuição de referência, o gráfico se curvará por debaixo da linha de ajuste à esquerda e/ou acima à direita. É evidente que o gráfico obtido não mostra uma tendência linear no ajuste, o que indica que a amostra não provém de uma Este gráfico representa a esperança dos valores acima de u uma vez superado este valor, ou seja, a média esperada de uma função de distribuição condicionada, eF(u) u eF (u)=E (X - u / X > u) = x .dF (x) (2) Se uma amostra de n valores é ordenada de menor a maior em uma hierarquia crescente, Xl,n < X 2,n ,..., < X r,n ,..., < Xn,n o subíndice r representa a posição nesta ordenação, de modo que r = l e r = n indicam, respectivamente, o menor e maior dos valores da amostra. 4º trimestre 2004 25 Estudos é conhecido habitualmente como o valor médio de excesso sobre o valor do umbral u e em um contexto segurador e(u) , interpreta-se como a sinistralidade esperada acima da prioridade u, quando a quantidade possível dos sinistros é ilimitada. Esta função será um dos pontos básicos na hora de verificar a hipótese de Pareto generalizada na cauda de uma distribuição, já que a função de excesso médio para dados de cauda densa situa-se entre a função de excesso médio de uma distribuição exponencial, que é constante, e a da distribuição generalizada de Pareto, que é linear é tende ao infinito para valores altos de u (Embrechts, et al. 1997). O gráfico de excesso médio gera-se através da função empírica ên (u) para distintos valores da prioridade u, obtidos de dados da própria amostra, de modo que u = Xk11 e, portanto, ên (Xk11 ). Além disso, o gráfico terá as coordenadas (X k11 : E k,n ) para k +1,...,n -1 ,ainda que também pode obter-se com a dupla de valores: (k ; Ek,n ) para k = 1,..., n - 1. As duas representações devem ter uma aparência praticamente simétrica. A função empírica de excesso médio, ên(Xk+1 ), estima-se a partir da seguinte expressão dada uma amostra representativa ordenada (Xl,n >,..., > Xn,n ):3 k Em geral, as distribuições da cauda densa dão lugar a uma função de excessos médios que tende ao infinito para valores altos de u e apresentam uma forma linear com pendente positiva. (3) Xi i=l Ek,n= ên (Xk +1)= k -Xk +1,k =1,...,n -1 Se uma amostra de n valores é ordenada de maior a menor em uma hierarquia decrescente, o subíndice k representa a posição nesta ordenação, de modo que k 5 l e k 5 n representam, respectivamente, o maior e o menor dos valores da amostra. 26 4º trimestre 2004 Estudos que é a média aritmética dos K valores que excedem o umbral u = X k+1 . Na continuação, mostra-se o gráfico de excesso médio da amostra em questão, representando a seguinte dupla de valores (Xk+1;Ek,n ) para k = 1 ,..., n - 1. (Veja gráfico de excesso médio). Se os pontos representados mostram uma tendência ascendente, é sinal de um comportamento de cauda densa na amostra. Se os dados fossem distribuídos exponencialmente, mostrariam um gráfico aproximadamente linear; e os pontos de uma distribuição de cauda curta ou suave mostrariam uma tendência descendente. Da observação do gráfico de excesso médio se deduz uma tendência ascendente dos dados, indicação de uma distribuição de cauda densa neles. Isto sugere que os valores da amostra podem ser modelados com sucesso mediante à distribuição generalizada de Pareto. Como esta distribuição ajusta-se aos dados que excedem um determinado umbral, é necessário a eleição deste umbral como o ponto a partir do qual a função começa crescer. O crescimento da função inicia-se nos valores mais inferiores, mesmo que se observe um crescimento mais pronunciado para cifras que superem 1.135.000 dólares, o que supõe o valor k=9. Escolher o umbral u, ou analogamente o número de valores k que ficam acima de u, é importante porque se pretende ajustar a distribuição de Pareto generalizada aos números que excedam esse valor. Contudo, a eleição do valor de k, implica alguns problemas relacionados à eleição entre variância e enviesado. Isto é, se é aumentado o número de observações, a estimativa do índice de cauda será mais precisa (com menor variação), já que terá maiores valores para a estimativa; porém poderia estar enviesada, já que algumas observações do centro da distribuição poderiam introduzir na série. 4º trimestre 2004 27 Estudos Paralelamente, se é reduzido o número de observações, se reduz o enviesado, porém isso faz com que a estimativa do índice seja mais volátil ao realizar-se com um menor número de observações. Selecionado u, são estimados os parâmetros da distribuição, índice de escala ( ) e índice de cauda ( ), sendo o parâmetro de localização o próprio umbral escolhido para ajustar os excedentes, e o zero para ajustar os excessos. 28 No eixo de coordenadas, foram apresentados os quantis da amostra, no eixo de abscissa os quantis empíricos estimados através da função de quantis padrões (inversa da função de distribuição) a partir do índice de cauda estimado pelo programa XTREMES e parâmetros de localização e escala 0 e 1, respectivamente. B) ESTIMATIVA DO MODELO (DISTRIBUIÇÃO GENERALIZADA DE PARETO) PARA O TOTAL DE VALORES DA AMOSTRA O gráfico está suportado por 93 pontos que excedem um umbral de 150.000. Entre estes pontos, realizou-se uma interpolação linear. O parâmetro da função de quantis calculou-se a par tir destes 93 pontos. Depois de ajustar a distribuição de Pareto generalizada aos excedentes de vários umbrais, se obtêm alguns gráficos quantilquantil longe de uma linha reta, como seria de esperar entre ajustes ótimos. Como se pode comprovar visualmente, o gráfico está longe de aproximar-se a uma linha reta. Contudo, o desvio acontece como conseqüência dos dois últimos valores da amostra mais elevados. O gráfico quantil-quantil para os distintos umbrais é similar ao gráfico 4 (página anterior). Para evitar esta distorção, a solução proposta, consiste em eliminar alguns valores e, portanto, modelar sem os picos maiores. 4º trimestre 2004 Estudos Novamente, observa-se uma tendência crescente indicativa de ajuste da distribuição generalizada de Pareto, pelo qual, como no aparelho anterior, primeiramente, se selecionam vários umbrais para ajustar a distribuição generalizada de Pareto à cauda da distribuição. Uma vez selecionados ditos umbrais, separamos o índice de cauda e o índice de escala utilizando o método da máxima verossimilhança. O parâmetro de localização será o próprio umbral elegido, já que a distribuição truncou-se pela esquerda em determinado valor. C) ESTIMATIVA DO MODELO (DISTRIBUIÇÃO GENERALIZADA DE PARETO) PARA OS VALORES DA AMOSTRA MENOS DOIS PICOS Na seqüência, apresenta-se os parâmetros para os diferentes umbrais junto ao gráfico quantil-quantil, que visualmente mostrará a qualidade do ajuste realizado. O novo gráfico de excesso médio corrigido depois de eliminar os valores mais altos representa-se no gráfico 5 (página anterior). Foi sobresposta uma linha no gráfico para comprovar visualmente se existe ou não linearidade no mesmo. 4º trimestre 2004 29 Estudos Nos gráficos, pode observar-se que conforme diminuiu a prioridade se produz um melhor ajuste para os quantis mais altos, o que também se comprova através do índice de cauda: já que quanto maior o índice, mais densa é a cauda da distribuição e, portanto, melhor se ajustam os valores mais altos. Além disso, os quantis empíricos mais altos estimados com os primeiros ajustes (umbrais de 350.000 e 210.000) ficam um pouco sub- 30 4º trimestre 2004 valorizados, enquanto que, com o último ajuste (umbral de 150.000), os quantis empíricos ficam um pouco supervalorizados. Cabe assinalar que os ajustes foram muito próximos e que os desvios máximos, dos quantis estimados em relação aos valores da amostra observados são, aproximadamente, de 25%. Estes desvios são os pontos mostrados nos gráficos distanciados da linha traçada. Estudos D) AJUSTE E ESTIMULAÇÃO DA CAUDA O ajuste da distribuição de Pareto à cauda de distribuição realizou-se com o objetivo de predizer a probabilidade de uma catástrofe de cer ta quantidade ou a quantidade esperada de sinistralidade para alguma freqüência. Na seguinte tabela, mostra-se as estimativas esperadas de catástrofes segundo os parâmetros estimados com o programa XTREMES para distintos valores de k ( e, portanto, do umbral u) para os modelos da distribuição generalizada de Pareto considerando os percentuais 99,5%; 99,9% e 99,99%. Escolhido um umbral, por exemplo 150.000 dólares, se acontece uma catástrofe que supere dita probabilidade, é de esperar que seja de uma soma total superior a 5.613.453 dólares com uma probabilidade de 0,5%. Do mesmo modo, se acontece uma catástrofe que supere o umbral de 150.000 é de esperar que a soma total de uma das próximas 1.000 catástrofes supere a quantidade de 13.851.661 dólares. Paralelamente, as probabilidades que superam certas quantidades uma vez ultrapassada a quantidade do umbral, pode-se resumir na segunda tabela. Escolhido um umbral, por exemplo, de 150.000, a probabilidade da quantidade da catástrofe superar os 5 milhões de dólares depois de haver superado o umbral indicado é de 0,613% e a probabilidade de que supere os 50 milhões é de quase um para cada 10.000 sinistros. Depois de calcular a função de distribuição condicional, a estimativa de toda a distribuição da cauda pode obter-se pela seguinte relação (Embrechts (1997)): u F (y +u ) = F (u ) . F (y ) A aproximação de é determinada pela distribuição generalizada de Fu (y ) Pareto que já foi realizada: 4º trimestre 2004 31 Estudos u F (y ) ~W (y) y>0 ^^ , O resultado fica, portanto: u A aproximação de Fu (u) pode obter-se a partir da função de dis^ tribuição empírica, F n(u) que para série de dados univariantes [Xl , X2 , ..., Xn ] é o número relativo de valores Xi que são menores a u de modo que: Fn (u) = 1 . n i<n I (xi <u) onde a função I indica a recontagem de valores inferiores a u, o que representa a proporção ou freqüência relativa daqueles dados que não são maiores que o valor u. A função complementária estará determinada pelo quociente entre os valores superiores ou iguais ao umbral u e o total de valores n. Fn (u) = 1 . n 32 4º trimestre 2004 i<n I (xi >u) = Nu n P (X >y +u)=F (y +u)+F (u).F (y )= = N u . 1+^ y n ^ -1/^ e a estimativa do quantil Xp, ou seja, o valor que deixa a sua esquerda a probabilidade p seria: Xp = u + ^ . ^ n . (1-p)-^ -1 Nu Na seguinte tabela, mostram-se as probabilidades conjuntas que sejam superadas as quantidades de 5, 15, 25 e 50 milhões de dólares a partir da amostra disponível e depois de haver eliminado os dois maiores valores da amostra. (Veja a tabela na parte inferior desta página) Estudos Como se observa, as estimativas estão bastante próximas ainda que começam a diferir no caso do maior dos percentis. (Veja tabela na página anterior). ADLER, R.; FELDMAN, R.; TAQQU, M.; (EDS.) (1997). A practical Guide to Heavy Tails: Statistical Techniques and Applications. Birkhauser. Boston. CONCLUSÕES BEIRLANT, J.; TEUGELS, J. L.; VYNCKIER, P. (1996). Practical Analysis of Extreme Values. Leuven University Press. Leuven. A partir da análise realizada durante o artigo, podemos concluir que é possível ajustar as catástrofes que excedam de uma determinada quantidade ou umbral a uma distribuição generalizada de Pareto. COLES, S. (2001). An Introduction to Statistical Modelling of Extreme Value. Springer-Verlag. Londres. Portanto, podemos determinar a quantidade de catástrofes que se produzirão no futuro com uma determinada probabilidade, ou bem, a probabilidade de que aconteça uma catástrofe de determinada quantidade. É preciso assinalar, contudo, que a distribuição de Pareto generalizada que se ajustou aos dados é uma distribuição condicionada. Isto implica que as probabilidades que proporciona o ajuste estão condicionadas a que o sinistro previamente exceda a quantidade tomada como prioridade. Esta eleição integra a maior complicação da análise: qual é o umbral a eleger que proporcione o melhor ajuste. No presente trabalho, temos utilizado três prioridades, das quais, a prioridade de 150.000 dólares proporcionou melhores ajustes na cauda. Não obstante, cabe dizer que a estatística dos valores extremos não perde a condição de ser uma ciência não exata. Portanto, os resultados obtidos no estudo devem ser tomados como uma aproximação em previsão do que realmente possa acontecer. BIBLIOGRAFÍA ADLER, R.; FELDMAN, R.; TAQQU, M.; (EDS.) (1997). A practical Guide to Heavy Tails: Statistical Techniques and Applications. Birkhauser. Boston. EMBRECHTS, P.; RESNICK, S. I.; SAMORODNITSKY, G. (1999). Extreme Value Theory as a Risk management Tool; North American Actuarial Journal, Volume 3, no 2, 30-41. EMBRECHTS, P.; KLUPPELBERG, C.; MIKOSCH, T. (1997). Modelling extremal events for Insurance and Finance. Applications of Mathematics. Springer-Verlag Berlin Heidelberg. Fundacion Mapfre Estudios (1994). Evaluacion de riesgos. Estimacion de perdidas maximas en siniestro; Revista Gerencia de Riesgos y Seguros no 48. 4o Trimestre de 1994. Fundación MAPFRE Estudios. CALAMBOS, J. (1987). The asymptotic theory of extreme order statistic. Krieger, Florida. Segunda edição. JUNG, J. (1965). On the use of extreme values to estimate the premiun for an excess of loss reinsuranc. Astin Bulletin, Vol. III, Pt. II, 178-184. MCNEIL, A. J.; SALADIN, T. (1997). The Peak over Thresholds Method for Estimating High Quantiles of loss Distributions. www.math.ethz.ch/~mcneil/pub_list.html REISS, R. D.; THOMAS, M. (2001). Statistical Analysis of Extreme Values (with applications to insurance, finance, hydrology and other fields). Birkhauser Verlag. Segunda edição. 4º trimestre 2004 33 Estudos Análise técnica dos Planos de Previsão Segurados FERNANDO RICOTE GIL Universidade Complutense de Madri Os planos de previsão segurados constituirão um dos pilares fundamentais da previsão social voluntária com uma significação tão notável no futuro como os planos de previdência têm agora. Neste estudo, analisa-se minuciosamente as características técnicas e contratuais desta modalidade, estabelecendo as linhas dos produtos a ser comercializados, os requerimentos de gerenciamento e as diferenças com os planos de previdência. Realiza-se uma comparação de suas características frente aos planos de previdência, avaliando suas vantagens e desvantagens, e analisam-se os diversos sistemas de capitalização de suas diferentes coberturas propondo vários modelos técnicos. O gerenciamento dos riscos empresariais, em matéria de previsão social complementar, só pode tratar-se através da gestão individual de contratos, já que sua comercialização como seguros coletivos não possui, de momento, o necessário desenvolvimento normativo. Tem como objetivo a clarificação de suas condições, assim como a fixação de linhas de atuação a ter em conta pelas entidades seguradoras para seu desenvolvimento. CONCEITO DE PLANOS DE PREVISÃO SEGURADOS O Real Decreto 27/2003 de 10 de janeiro, pelo qual é modificado o artigo 50 do Regulamento dos Impostos sobre a Renda das Pessoas Físicas, desenvolve os requisitos e condições dos planos de previsão segurados. São definidos como contratos de seguros os que cumprem os seguintes requisitos: vistas para os planos de previdência (no artigo 8.6 da LPeFP), e deverão ter como cobertura principal a aposentadoria. Só será permitida a disposição antecipada, total ou parcial, nestes contratos nos casos de doença grave ou desemprego de longa duração (previstos no artigo 8.8 de LPeFP). a) O contribuinte deverá ser o tomador, segurado e beneficiário. Não obstante, no caso de morte poderá gerar direito a prestações nos termos previstos na Lei de Planos e Fundos de Previdência, LPeFP. Nestes contratos não será aplicado o que determina os artigos 97 e 99 da Lei de Contratos de Seguros, LCS (Lei 50/1980) relativo, respectivamente, a que: b) As contingências cobertas deverão ser, unicamente, as pre34 4º trimestre 2004 • O segurador deverá em qualquer momento conceder adiantamentos conforme as condições da apólice. Estudos • O tomador poderá em qualquer momento ceder ou empenhar a apólice. vadas aos contratos de seguro que cumpram estes requisitos (conferidos na lei 46/2002). c) Este modelo de seguros terá obrigatoriamente que oferecer uma garantia de lucro e utilizar técnica atuariais. e) Os requisitos e condições para a mobilização da provisão matemática a outro plano de previsão segurado serão estabelecidos a partir de regras. d) Nas condições da apólice, constará de forma expressa e destacada que se trata de um plano de previsão segurado. A denominação Plano de Previsão Segurado e suas siglas ficam reser- Na continuação, serão extraídas e comentadas algumas de suas principais características: QUADRO 1 4º trimestre 2004 35 Estudos cont. QUADRO 1 36 4º trimestre 2004 Estudos cont. QUADRO 1 4º trimestre 2004 37 Estudos cont. QUADRO 1 38 4º trimestre 2004 Estudos NORMATIVA APLICÁVEL AO REGIME FINANCEIRO FISCAL E AOS ASPECTOS FINANCEIROS ATUARIAIS DAS PROVISÕES TÉCNICAS Para os aspectos não especificamente regulados na Lei 46/ 2002, que foram expostos anteriormente, será levado em conta que: • O regime financeiro e fiscal das contribuições, contingências e prestações destes contratos será regido pela normativa reguladora dos planos de previdência. • Os aspectos financeiros-atuariais das provisões técnicas serão correspondentes aos que se lhes aplicará o ROSSP. Estes aspectos serão objeto de desenvolvimento regulamentar, que, de momento, não se publicaram. DIREITOS NÃO EMBARGÁVEIS Os direitos em um plano de previsão segurado não poderão ser embargados por impedimento judicial ou administrativo até o momento em que se cause o direito à prestação, ou em que se levem a cabo nos supostos de doença grave ou desemprego de longa duração. O Real Decreto 27/2003, de 10 de janeiro, pelo qual é modificado o Regulamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, aprovado pelo Real Decreto 214/1999, de 5 de fevereiro, contém os requisitos e condições dos planos de previsão segurados. A Lei 46/2002, no seu ar tigo vinte desenvolve o ar tigo cinqüênta do regulamento do IRPF, referente aos planos de previsão segurados (1). A APOSENTADORIA COMO COBERTURA PRINCIPAL DO PPA (2) O Real Decreto 27/2003, de 10 de janeiro, pelo qual se modifica o RIRPF de fevereiro introduzindo os PPA, é complementado pela lei 46/2002, que no seu artigo vigésimo desenvolve o artigo 50 do RIRPF. 1) Será entendido que um contrato de seguros cumpre o requisito que a cober tura seja a de aposentadoria, quando for verificada a condição que o valor da provisão matemática para aposentadoria atinge o final de cada anuidade presente, pelo menos, o triplo da soma dos prêmios pagos desde o início do plano para o capital de morte ou invalidez. DISPOSIÇÃO ANTECIPADA (3) Só será permitida a disposição antecipada dos planos de previsão segurados nos supostos previstos nas suas normativas, ou seja, em caso de doença grave ou desemprego de longa duração. • O direito de disposição antecipada se calculará pela soma total da provisão matemática. • Não se poderá aplicar penalidades, despesas ou descontos. • Não obstante, se a entidade tiver investimen tos afetos, o direito de disposição antecipada se valorizará pelo valor de mercado dos ativos assinados. Tudo isto constitui uma proteção para a entidade seguradora, em caso de disposição antecipada. Não obstante, dado o caráter que tem esta disposição, as entidades s eguradoras deveriam conceder, pelo menos, o juro mínimo e a possível participação em lucros. (1) O Real Decreto 27/2003 do dia 10 de fevereiro, pelo qual se modifica o RIRPF introduzindo os PPA é complementado pela lei 46/2002, que, no seu ar tigo vinte, desenvolve o ar tigo cinqüênta do RIRPF. (2) Idem. Parágrafo I do RD 27/2003. (3) Idem. Parágrafo 2 do RD 27/2003. 4º trimestre 2004 39 Estudos MOVIMENTAÇÃO DA PROVISÃO MATEMÁTICA (4) de origem, os dados referentes ao tomador e o plano de previsão segurado de destino, assim como a conta na qual realizarse a transferência. ANTES DE ATINGIR A CONTINGÊNCIA Os tomadores dos planos de previsão segurados poderão, através de decisão unilateral,movimentar sua provisão matemática a outro plano de previsão segurado do qual sejam tomadores. ATINGIR A CONTINGÊNCIA Uma vez atingida a contingência, a movimentação só será possível se as condições do plano o permitem. Para que tenha efeito, será comunicado à entidade seguradora (4) Idem. Parágrafo 3 do RD 27/2003 40 4º trimestre 2004 Tal comunicação poderá ser feita diretamente pelo tomador ou pela entidade seguradora de destino. • A movimentação será realizada no prazo máximo de sete dias desde a recepção por parte da entidade seguradora de origem da documentação correspondente. No mesmo prazo, a entidade de origem deverá remeter à entidade de destino toda a informação que disponha sobre o tomador e os dados históricos do plano de previsão segurado. Para estes efeitos, considera-se que a petição dirigida à entidade de destino implica, por parte do tomador, a autorização para a remissão de dita informação. Estudos • Para a avaliação da provisão matemática se tomará a data em que a seguradora de origem receba a documentação referida. No caso em que a entidade disponha de investimentos afetos, no valor da provisão matemática a ser movimentada, o valor será do mercado dos ativos assinados. • Não poderão ser aplicadas penalizações, despesas ou descontos à soma total desta movimentação. VALORIZAÇÃO DOS DIREITOS Os direitos dos tomadores serão valorizados dependendo da influência da modalidade do contrato a investimentos ou não. Assim, poderemos distinguir: A entidade não possui investimentos afetos à modalidade de PPA: O conjunto de contratos da modalidade de PPA não está afeto a uns investimentos determinados. • Os direitos dos tomadores serão avaliados pela soma total da provisão matemática à qual não se poderão aplicar penalizações, despesas ou descontos. Ou seja, pela provisão matemática da cobertura principal de aposentadoria (e de outras coberturas se existisse), estabelecida em base ao juro técnico mínimo garantindo e a correspondente à participação em lucros se existisse e estivesse estabelecida no contrato. A PROTEÇÃO DO TOMADOR E/OU SEGURADO ATRAVÉS DO DEVER DE INFORMAÇÃO DOS TOMADORES 1. INFORMAÇÃO AO COMEÇO DO CONTRATO: A NOTA INFORMATIVA Esta obrigação refere-se ao conteúdo mínimo da nota informativa que deve ser entregue ao tomador no momento da contratação e que ele deve reconhecer se o recebimento através de assinatura no contrato de PPA. Tem que prever mais informações derivadas da seguinte decisão: I) Resolução de 5 de março de 2003, da Direção Geral de Seguros e Fundos de Previdência, sobre obrigações de informação das entidades seguradoras que comercializem planos de pevisão segurados. PRIMEIRO Sem prejuízo das obrigações de informação as quais se referem o artigo 60 da Lei 30/1995 de 8 de novembro, de Ordenação e Supervisão dos Seguros Privados e suas normas de desenvolvimento. 2. CONTEÚDO ESPECÍFICO DA NOTA INFORMATIVA As entidades seguradoras que comercializem PPA deverão, antes da celebração do contrato, entregar ao tomador uma nota informativa redigida de forma clara e precisa com o seguinte conteúdo: 4º trimestre 2004 41 Estudos (5) Parágrafo Primeiro a) da Resolução de 5 de março de 2003, da Direção Geral de Seguros e Fundos de Previdência, sobre obrigações de informação das entidades seguradoras que comercializem Planos de Previsão Segurados. Parágrafo segundo do Ar tigo 60 da Lei 30/1995, de 8 de novembro de Ordenação e Supervisão dos Seguros Privados e suas normas de desenvolvimento. (7) Parágrafo Primeiro b) da Resolução de 5 de março de 2003 da Direção Geral de Seguros e Fundos de Previdência, sobre obrigações de informação das entidades seguradoras que comercializem Planos de Previsão Segurados. (8) Ibidem. Parágrafo Primeiro c). (9) Ibidem. Parágrafo Primeiro d). (10) Ibidem. Parágrafo Primeiro e). (11) Ibidem. Parágrafo Primeiro f). (12) Ibidem. Parágrafo Primeiro f). (13) Ibidem. Parágrafo Primeiro g). (14) Ibidem. Parágrafo Primeiro h) (6) 42 4º trimestre 2004 Estudos (15) Ibidem. Parágrafo Primeiro i). Ibidem. Parágrafo Primeiro j). Ibidem. Parágrafo Primeiro k). (18) Ibidem Parágrafo Primeiro l). (19) Ibidem. Parágrafo Primeiro m). (16) (17) 4º trimestre 2004 43 Estudos 3. REGISTRAR A ENTREG.A DA NOTA INFORMATIVA Será realizado, através de uma nota, datada e assinada pelo tomador, inserida ao pé da apólice, onde reconheça havê-la recebido com antecedência e seja precisada sua natureza e data de recepção. 4. INFORMAÇÕES PERIÓDICAS DA COMPANHIA AOS TOMADORES A) COMUNICAÇÃO TRIMESTRAL DOS DIREITOS DE TITULARIDADE DO TOMADOR A quantificação dos direitos serve para que o tomador tenha a informação necessária sobre a evolução de seu contrato. Esta quantificação só poderá ser válida para a data indicada, podendo variar continuamente, sem que em nenhum caso, seja inferior ao resultado de aplicar o juro técnico mínimo garantido previsto no contrato. Com periodicidade trimestral (22), as entidades seguradoras deverão comunicar aos tomadores dos PPA, o valor dos direitos de que são titulares. (20) (21) (22) 44 Ibidem. Parágrafo Primeiro n). Ibidem. Parágrafo Primeiro ñ). Parágrafo 4 del RD 27/2003. 4º trimestre 2004 Estudos Parece razoável que deve enviar-se uma nova nota informativa (ou suplementar) cada vez que a entidade (por própria iniciativa) realize uma modificação de seu conteúdo ou tenha uma modificação por imperativo legal. De todas formas, deverá enviar-se um documento complementar ou substitutivo cada ano para comunicar a nova situação fiscal da modalidade. B) COMUNICAÇÃO ANUAL DA PARTICIPAÇÃO EM LUCROS (23) Nos termos que seja determinado pelo regulamento, em todo caso com periodicidade anual, o tomador do seguro deverá receber a informação relativa à situação de sua participação em lucros (24). Parece razoável e preciso que ao comunicar os direitos deve incluir-se a par ticipação em lucros assinada ao contrato (apólice). 5. INFORMAÇÕES SUCESSIVAS AO TOMADOR Durante o período de vigência do contrato de seguro sobre a vida, a entidade seguradora deverá informar ao tomador de Modificações no conteúdo da nota informativa dos PPA (25): Deverá comunicar-se também ao tomador qualquer mudança que aconteça no conteúdo da Nota Informativa, detalhada anteriormente, e que deve entregar-se na contratação dos PPA. (Modificações da informação inicialmente fornecida). 6. OUTRAS OBRIGAÇÕES FORMAIS DE INFORMAÇÃO INFORMAÇÕES FISCAIS(27) O Real Decreto 214/1999, de 5 de fevereiro, com o que se aprova o Regulamento de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas. É o parágrafo 5 do ar tigo 66 do Regulamento, na redação dada pelo Real Decreto 27/2003, de 10 de janeiro, que regula a informação que a efeitos fiscais tem que fornecer as entidades seguradoras que comercializem planos de previsão segurados. As entidades seguradoras que comercializem PPA deverão apresentar nos trinta primeiros dias naturais do mês de janeiro do ano imediato seguinte, uma declaração informativa na qual constará os dados seguintes: (23) Parágrafo segundo do Ar tigo 60 LOSSP. Trata-se de um dever par ticular de informação no caso dos seguros sobre a vida contido no Ar tigo 105.4 do ROSSP. (25) Parágrafo segundo do Ar tigo 60 LOSSP. (26) Parágrafo Segundo da Resolução de 5 de março de 2003, da Direção Geral de Seguros e Fundos de Previdência sobre obrigações de informação das entidades seguradoras que comercializem Planos de Previsão Segurados. (27) Parágrafo 5 do ar tigo 66 do RIRPF, na redação dada pelo Real Decreto 27/2003. (24) 4º trimestre 2004 45 Estudos • Nome, sobrenomes e número de identificação fiscal dos tomadores. • Soma total dos prêmios satisfeitos pelos tomadores. Não obstante, no caso em que a declaração seja apresentada em suporte diretamente legível por computador, o prazo de apresentação finalizará no dia 20 de fevereiro do ano imediato seguinte. A ALTERNATIVA DE PLANOS DE PREVISÃO FRENTE AOS PLANOS DE PREVIDÊNCIA Na continuação, realiza-se no quadro uma comparação, que no futuro com o desenvolvimento regulamentar poderá ponderar-se. 46 4º trimestre 2004 DESENHO E CARACTERÍSTICA DOS PRODUTOS QUE PODEM COMERCIALIZAR-SE COM A DENOMINAÇÃO DE PLANOS DE PREVISÃO SEGURADOS As seguradoras começarão a pensar com caráter imediato o desenho destes novos produtos. Em princípio, seu desenho pode estar baseado nas seguintes alternativas: 1. Produtos tradicionais. 2. Produtos de tipo universal life, com elevado grau de transparência. Estudos PLANEJAMENTO ATUARIAL DO SALDO DA OPERAÇÃO Capitalização financeira do fundo e cálculo de prêmios das garantias de risco atuarialmente. Na continuação, apresenta-se duas das possíveis opções. Garante-se um juro básico ib mais uma participação em lucros que é cifrada em i a. Provisão matemática no ano t da apólice, correspondente à capitalização financeira dos prêmios de poupança líquidos de despesas (administração e aquisição). A. PLANEJAMENTO FINANCEIRO DA COBERTURA PRINCIPAL DE PREVIDÊNCIA 4º trimestre 2004 47 Estudos V ={[P n (1-g 2 )](1-g 1 ) - Pfall - Pinv - Pac}(1 + ib +ia) 1 x V ={[P ” (1-g 2 )+1Vx ] (1-g 1) - Pfall - Pinv - Pac}(1 + ib +ia) 2 x V Provisão matemática ao final de t P Prêmio comercial do período t g2 Despesas de aquisição g1 Despesas de administração Pfall , Pinv , Pac Prêmios das coberturas complementares à de previdência Os PPA são o produto “estrela” como fórmula de poupança para a previdência e outras coberturas previstas na LPeFP, tendo em conta que garantem uma rentabilidade e que dispõem de uma fiscalização muito favorável. B.PLANEJAMENTO ATUARIAL DA COBERTURA PRINCIPAL DE PREVIDÊNCIA Os produtos a comercializar devem possuir as seguintes características: Capitalização atuarial do fundo e cálculo de prêmios das garantias de risco atuarialmente. • Próximos aos planos de previdência garantidos. t x n A garantia de morte é o reembolso de prêmios com juros Adicionalmente, podem ser outorgadas outras garantias complementares como invalidez de forma habitual. n-1 V = C . n - tEx+t +g1 t x k=t _ (1 - g ) P” 2 k=t n-1 k + P” D (1+ )k x + k + Dx s k-s (1+ ) (1+r ) k=t PRODUTOS A COMERCIALIZAR • Flexibilidade e transparência. Devem ser mais flexíveis e transparentes como os Universal life, pelo que é necessário dispor de sistema informático adequado. Com esta fórmula também podem ser utilizadas modalidades do tipo index linked ou unit linked garantidos ou com garantia de lucro mínimo. Dx + k . P” _ Dx SISTEMA DE GERENCIAMENTO (1+ )k n-1 s=0 Cx + k Dx CONCLUSÕES 48 voluntária, de forma individual, junto com as vantagens acrescentadas da experiência no investimento a longo prazo das entidades seguradoras. No sistema de gerenciamento dos PPA são necessários adicionais: • Subsistema que gerencie os requerimentos especiais de informação: a tomadores, fiscal etc. • Subsistema que gerencie os requerimentos do gerenciamento de investimentos, em quanto à movimentação da provisão matemática e a afetação dos investimentos nos diferentes ativos MODALIDADE “EXCELENTE” DE POUPANÇA O subsistema de gerenciamento das apólices deve adaptar-se aos requerimentos técnicos e contratuais, o que supõe investimentos significativos. Os PPA constituem uma forma de poupança de previsão social DISTRIBUIÇÃO DOS PPA 4º trimestre 2004 Estudos Será realizada pelo canal bancário principalmente, venda direta e on-line e, complementarmente, pelo canal tradicional. Tendo em conta suas características, o ideal para comercializar estes seguros seria dispor de uma oferta conjunta de planos de previsão e de planos de previdência. Este é o suposto de partida de algumas companhias e da maioria dos grupos bancários. Os produtos tradicionais, em relação à previdência, serão trocados por outros produtos mais modernos, transparentes e flexíveis. A necessidade de constituir a margem de solvência conforme a regulamentação vigente, segundo a forma habitual para as companhias de seguros, supõe um inconveniente para o desenvolvimento frente aos planos de previdência. GERENCIAMENTO DE RISCOS EMPRESARIAIS EM MATÉRIA DE PREVISÃO SOCIAL COMPLEMENTAR: PPA COLETIVOS É preciso um desenvolvimento normativo urgente desta modalidade classificada para sua comercialização como modalidade de seguro coletivo de vida, já que este produto é o ideal para o gerenciamento dos riscos empresariais, em relação à previsão social complementar em matéria de aposentadoria. Imposto às mudanças legais praticadas. É o artigo 50 do Regulamento, na redação do Real Decreto 27/2003, de 10 de janeiro, o que desenvolve os requisitos e condições dos Planos de Previsão Segurados. Paralelamente, o parágrafo 5 do artigo 66 regula a informação que a efeitos fiscais tem que fornecer as entidades seguradoras que comercializem os Planos de Previsão Segurados. Resolução de 5 de março de 2003, da Direção Geral de Seguros e Fundos de Previdência, sobre obrigações de informação das entidades seguradoras que comercializem Planos de Previsão Segurados. (BOE n.º 61, 12-Mar 2003). Na redação dada pela Lei 46/2002, de 18 de dezembro e pelo Real Decreto 27/2003: Lei 40/1998, de 9 de dezembro, do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas e outras Normas Tributárias. Real Decreto 214/1999, de 5 de fevereiro, pelo que se aprova o Regulamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas. Mateu Gordon, José Luis e Palomo Zurdo, Ricardo. Produtos financeiros e Operações de investimento. Ed. Instituto Superior de Técnicas e Práticas Bancárias. Primeira Edição. 2004 BIBLIOGRAFIA Félix Domínguez Barrero. Regime fiscal da previsão social na empresa: Incentivos existentes e eqüidade do sistema. Universidade de Saragoça. Lei 46/2002, de 18 dezembro, de reforma parcial do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas e pelo que se modificam as Leis dos Impostos sobre Sociedades e sobre a Renda de não Residentes. Félix Domínguez Barrero DOMÍNGUEZ BARRERO, F. “Regime fiscal da previsão social empresarial. Incentivos existentes e Eqüidade do sistema, Fazenda Pública Espanhola, n.° 163, pp. 35-69. (2002). Real Decreto 27/2003, de 10 de janeiro, pelo que se modifica o Regulamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, desenvolve as novas regras que a Lei de reforma parcial introduz na Lei 4071998, de 9 de dezembro, do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas e outras Normas Tributárias. Assim mesmo, efetua a adaptação do texto do Regulamento do WEBSITES • www.icea.es • www.unespa.es • www.milenari.com • www.actuarios.org 4º trimestre 2004 49 Estudos Gerenciamento de Riscos. Não é esotérico? FRANÇOIS SETTEMBRINO FERMA, Federação Européia de Associações de Gerenciamento de Risco E Eis aqui uma bela palavra que não podemos empregar em nenhuma conversação sem pôr um ar pedante e sem incomodar ao nosso interlocutor. De fato, não é uma palavra comum, nem fácil de entender sem acudir ao grego, de onde procede. Esoterikós quer dizer “reservado exclusivamente aos adeptos”. Para os antigos filósofos, referia-se com toda propriedade a suas doutrinas secretas. Porém, nos nossos dias, esotérico significa simplesmente qualquer linguagem ou doutrina inteligível só para os iniciados. Todo jargão (gíria profissional) pode ser qualificada mais ou menos de esotérica e vamos vê-lo em relação ao Gerenciamento de Riscos. Se verificamos a literatura ou as revistas especializadas, veremos com surpresa que quase ninguém fala de Gerenciamento de Riscos sem utilizar abundantes siglas, cujo sentido escapa para a maioria dos mortais. Como, além disso, estas siglas procedem habitualmente do inglês, isto acrescenta mistério e dificuldades, já que todavia não existe nenhum dicionário que as explique. Como para esclarecê-las, necessitaríamos provavelmente de várias páginas, ou até mesmo volumes, ficaremos satisfeitos, por enquanto, em decifrar algumas delas. Além disso, o uso destas siglas contribui para reforçar o caráter esotérico de uma disciplina, cujo manejo é, às vezes, incômodo ou difícil. Em numerosos relatórios e estatísticas nos encontramos uma e outra vez as siglas “n. a.”, que querem dizer simplesmente que a informação não está disponível (“not available”). Porém, em relatórios mais qualitativos, estas mesmas (“n. a.”) querem dizer, às vezes, que o critério utilizado não 50 4º trimestre 2004 é aplicável. Se trocássemos ambos significados, acredito que teríamos com certeza problemas. Vamos ver alguns exemplos: ERM Não tem nada a ver com nenhuma escola militar, senão que significa simplesmente “Enterprise Risk Management”, ou seja, o Gerenciamento de Riscos na Empresa. A intenção de seus inventores era muito louvável, já que com estas siglas queriam dizer simplesmente que o Gerenciamento de Riscos afeta a todas as ações da empresa e seus protagonistas. A partir daqui, já não podemos seguir pensando em fenômenos isolados, senão que devemos ver a empresa como um todo e tratá-la de maneira sistemática (os entendidos dizem holismo). O processo começa pela cabeça e vai difundindo-se por todo o Estudos corpo da empresa, sem distinguir entre riscos puros e riscos do negócio e sem limitar-se exclusivamente aos danos. E isto no sentido estrito, pois alguns haveriam preferido ORM (“Organisation Risk Management”), porque o Gerenciamento de Riscos afeta qualquer organização e não somente à empresa, no sentido em que se costuma aplicar. COSO Como o caminho entre uma boa idéia e sua aplicação pode ser comprido demais e, às vezes, cheio de dificuldades, nossos amigos americanos inventaram um guia específico para a aplicação da ERM. A idéia básica é investigar quais são seus componentes fundamentais e como se articulam na prática uns com os outros. Portanto, trata-se, em princípio, de um trabalho de estudo e dis- las. O debate abriu-se ao público em outubro de 2003 e se esperava um primeiro relatório para princípios de 2004. Já dissemos em várias ocasiões que a ERM simplesmente é o Gerenciamento de Risco bem entendido. Recordemos que vai dirigido a todos, sejam diretores ou executivos; que tem uma dimensão estratégica e que se baseia na cultura interna feita de boa informação e comunicação. Seu único defeito é que se concentra demais nos danos que devem ser evitados e, não tanto, nas vantagens positivas que gera. COLI Apresentamos esta sigla sobretudo pelo seu caráter curioso, pois lembra a cer tas infecções intestinais. Procede, como não, O termo foi difundindo-se desde 2001 por uma comissão denominada Committee Of Sponsoring Organizations ou COSO, que tinha como objetivo guiar às empresas pelo caminho da ERM. cussão que deveria levar à compreensão mais ampla possível antes de uma aplicação o mais uniforme ou universal possível. O termo foi difundindo em 2001 por uma comissão denominada “Committee Of Sponsoring Organizations” ou COSO, que tinha como objetivo guiar às empresas pelo caminho da ERM. Aproveitamos para dizer que o ensaio pretendia ser sistemático desde o começo, já que se mencionam as organizações como objetivo geral do Gerenciamento de Riscos, e não só as empresas. A história recente acrescenta milhares de casos de balanços e outros estados financeiros de muitas empresas que foram manipulados. Nos Estados Unidos, criou-se uma comissão nacional para combater esta praga: a “National Commission of Fraudulent Financial Reporting”. Depois de haver estudado o problema através do COSO, encomendou-se a esta, a continuidade de seus trabalhos, além de dedicar-se à ERM, com o objetivo de pôr um pouco de ordem nas idéias e dar conselhos em como aplicá- dos Estados Unidos e significa “Corporate Owned Life Insurance”, o seguro de vida de um empregado subscrito pela empresa no seu próprio benefício (o da empresa), não tão diferente de nossas apólices para diretores. Freqüentemente, o contrato tratava de conceder direitos ou promessas de previdência, aliviando a tesouraria da empresa «a prazo». Parece que na Califórnia, existiam empresas que nem sequer comunicavam ao empregado o fato que tinham subscrito uma apólice de seguro, para reembolsar-se o capital quando desejassem (na Europa, como em alguns estados norte-americanos seria impossível e até impensável já que para subscrever um seguro de vida é necessária a conformidade do segurado). Por este motivo, está sendo redigida uma nova legislação nesse estado que proibirá especialmente esta “trapassa”, o que poderia complicar a vida a algumas empresas, e, em muitos casos legais, prejudicar aos empregados e suas famílias, beneficiários indiretos do seguro. Além disso, obrigaria às empresas a recomprar os contrato pagando altos impostos (como se fosse 4º trimestre 2004 51 Estudos na Bélgica). Seus oponentes dizem que seria suficiente em legislar sobre um só ponto, ou seja, dar mais informação aos segurados e dispor de sua aprovação. CSR “Corporate Social Responsability”, ou seja, responsabilidade social corporativa. Trata-se de uma sigla muito nova e muito mais ambígua porque se mistura à ética, à cidadania, à ecologia e à fama, que afetam a realidade econômica da empresa ou funcio- importante: a seriedade, a confiabilidade, a honradez e o respeito pelos outros e pelo meio ambiente. Porém, a parte interna é só subjetiva, pois o pessoal vive dia-adia a cultura da empresa pelo que respeita à organização de seu trabalho e o salário que recebe, fatores perfeitamente mensuráveis. Paralelamente, o reconhecimento que se atribui ao modo de gerenciar os negócios tem grande influência sobre a percepção moral do pessoal. Depois do caso Enron, os comen- Procede, como não, dos Estados Unidos e significa Corporate Owned Life Insurance, o seguro de vida de um empregado subscrito pela empresa no seu próprio benefício (o da empresa), não tão diferente de nossas apólices de diretores. nal das outras entidades. As administrações públicas ou privadas dependem, muitas vezes, em proporção mais ou menos variável, das duas realidades, pelo que não se podem considerar imunes. O problema de base é ao mesmo tempo subjetivo e objetivo: objetivo em quanto que a empresa deve comportar-se corretamente com seu pessoal, seus fornecedores e seus tários do pessoal referiam-se com freqüência e, sobretudo, ao desprezo dos diretores pelos empregados. Quanto maior é a caixa, mais acreditamos que podemos confiar nela, porém, quando é pequena compreendemos melhor e mais rápido como funciona. Rapidamente temos uma idéia e, na continuação, lutamos por ela ou a abandonamos. Como a liberdade de movimen- O problema de base é ao mesmo tempo subjetivo e objetivo: objetivo em quanto que a empresa deve comportar-se corretamente com seu pessoal, seus fornecedores e seus subcontratados e deve cumprir as leis e regulamentos. subcontratados e deve cumprir as leis e regulamentos. Evidentemente, comportar-se corretamente tem um aspecto moral que evolui com o tempo. Para pôr dois exemplos: o respeito pela natureza e o trabalho infantil não eram grandes preocupações há 50 anos. Por outro lado, o problema é subjetivo em quanto se trata da percepção que possamos ter do exterior, do mundo em geral e dos clientes em particular, ou do interior, o pessoal e outros subordinados. Por tanto, a imagem da empresa tem duas facetas: para o mundo exterior, sobretudo para os clientes que a fazem prosperar, nutre-se de uma boa reputação que, por sua vez, estende-se ao bom funcionamento de seus produtos ou serviços. Isto forma um todo sem que se saiba o que é mais 52 4º trimestre 2004 to na matéria é pouca e o emprego conver teu-se em um bem escasso e precioso, cada vez é mais habitual a tendência de permitir e proteger a divulgação de tolices, fraudes e outras maldades. Assim, a CRS converte-se, principalmente, em Governo Corporativo. ART Esta é, sem dúvida, a sigla mais «artística» e mais rica de todas as recentemente inventadas: significa “Alternative Risk Transfer” ou Transferência Alternativa de Riscos. A cessão tradicional do risco no mercado de seguros ou resseguros acaba de mostrar seus limites. É um processo que está em funcionamento já a algum tempo, porém Estudos que se exacerbou por algumas recentes catástrofes, entre elas o 11 de setembro, de sinistra lembrança. Diante de uma situação que começava a ser insustentável pela ausência ou exclusão de coberturas em certo número de casos ou, pelas desmedidas exigências financeiras em forma de prêmios ou franquias, era preciso achar uma nova solução. Estas soluções -porque há várias- se agrupam em algumas famílias que resumiremos na continuação. Prevalecem a terminologia anglo-saxã que por isto deu lugar a algumas siglas suplementares: ADC: “Adverse Development Cover”, ou cober tura por condições adversas: é um contrato de resseguro que concede meios suplementares, além das reservas já constituídas por uma seguradora, baseadas em sinistros já acontecidos. Podem ser incluídos os sinistros ainda não declarados ou não declarados totalmente. O prêmio a ser pago tem em conta o valor líquido atual dos pagamentos durante a vigência do contrato. Diante de uma situação que começava a ser insustentável pela ausência ou exclusão de coberturas em certo número de casos ou, pelas desmedidas exigências financeiras em forma de prêmio ou franquias, era preciso achar uma nova solução. FRS: “Finite Risk Solutions” ou soluções de risco limitado: trata-se de uma combinação de cessão de risco e risco financeiro que utilizam as empresas que desejam controlar uma parte impor tante de seus riscos e o correspondente custo. Ao contrário do seguro tradicional, o “jogo” desenvolve-se só e, ao longo de períodos que cobrem no mínimo alguns anos. Em FQS: “Finite Quota Share”, a quota-parte financeira. Apareceu nos Estados Unidos (onde poderia ser) por razões contábeis: a questão são as despesas de aquisição que devem ser repercutidas total e imediatamente nas contas. Isto criava distorções do valor, as quais supunham para a seguradora uma redução de sua capacidade. Um resseguro de tipo financeiro recebe da se- Estes exemplos mostram claramente por que as grandes organizações recorrem às soluções deste tipo. Além disso, se adaptam muito bem a situações de risco de muita gravidade, porém de freqüência mínima. princípio, sempre há um ajuste ao longo do período ou no seu final. LPT: “Loss Portfolio Transfer” ou cessão de perdas da car teira: utiliza-se quando uma seguradora quer “ceder” seus desembolsos previstos como resultado de obrigações contraídas no passado. Se o cálculo está bem feito pela resseguradora, o prêmio exigido será igual à reserva por sinistros futuros mais um pequeno benefício e um prêmio ou garantia de resseguro, que dependerá do prazo. Porém, se o cálculo estava mal feito e os pagamentos por sinistro acontecem muito antes do previsto, a resseguradora sofrerá perdas. guradora parte dos prêmios e, em contrapartida, concede uma “comissão” que permite à seguradora reequilibrar as contas e aumentar sua capacidade. SLT: “Spread Loss Treaty”, pacto ou contrato de diluição de perdas: serve para nivelar as flutuações de sinistros ao longo do tempo e, portanto, as contas de resultado. Se a realidade é diferente para bem ou para mal, o cedente paga um prêmio maior e a diferença negativa ao final do contrato, ou recebe nesse momento a diferença positiva, se existe. Estes exemplos mostram claramente por que as grandes or4º trimestre 2004 53 Estudos ganizações recorrem às soluções deste tipo. Além disso, se adaptam muito bem a situações de risco de muita gravidade, porém de freqüência mínima. Trata-se de não pagar redigir e negociar-se individualmente, e o produto final será melhor quanto mais cuidado, seriedade e competência se ponha na sua redação. OSH significa Occupational Safety and Health Administration e é a agência que controla ou pune em caso necessário, porém dá conselhos ou edita folhetos sobre toda classe de matérias úteis como ergonomia e segurança. prêmios astronômicos, pois é suficiente esperar. Como dissemos, o segurado par ticipa nos bons resultados da transação e não depende de seu caso pessoal. Assim, o segurado não tem que se preocupar com os ciclos imprevistos do mercado. Além disso, se acontece um sinistro grave, seu custo é repercutido ao longo dos anos do convênio e não somente no momento que acontece. Com a legislação fiscal de muitos países, se os prêmios realmente são pagos, com freqüência podem ser deduzidos. Na prática, as coisas estão misturadas e repar tidas entre os resseguros de tipo tradicional e de tipo financeiro. Estas combinações convêm não só às seguradoras diretas, senão também COMP Esta não é uma sigla, porém todo o mundo entende que se trata de “Workers Compensation”, ou indenização por acidente de trabalho. Há tempos, os Estados Unidos, e também o Reino Unido, estão muitos afetados pelos acidentes de trabalho devido às grandes somas que concedem alguns tribunais no caso variável da avaliação dos danos corporais a indenizar. Alguns estados, entre eles a Califórnia, tratam de buscar novas soluções, quase sempre no sentido de limitar os medicamentos e cuidados variados. Daqui vem a kinesioterapia ou quiropraxia. Poupa-se aos médicos que incrementam os custos, porém se cede nos aspectos fundamentais como a avaliação dos danos corporais e o grau de invalidez ou incapacidade. Dá vontade de convidá-los para vir à Europa, ainda que alguns advogados não agradeceriam a delicadeza, pois para muitos deles as reclamações e os Há tempos, o Estados Unidos, e também o Reino Unido, estão muito afetados pelos acidentes de trabalho devido as grandes somas que concedem alguns tribunais no caso variável da valoração dos danos corporais a indenizar. às cativas e, em alguns casos, aos segurados, dadas as vantagens que oferecem para o financiamento dos sinistros futuros. De fato, a resseguradora oferece financiamento, que, no caso da seguradora reduz a volatilidade de seus lucros, porém estabiliza os desembolsos por sinistros. Portanto, estamos na fronteira entre o mercado de seguros e o mercado de capitais e daqui a denominação de Transferência Alternativa de Riscos, que se apresenta como um híbrido entre cessão de riscos e financiamento. Como não existe contrato padrão, em cada caso deve-se 54 4º trimestre 2004 litígios são pechinchas. Pelo contrário, se estão fazendo notáveis esforços para voltar rapidamente ao trabalho depois de um sinistro, em interesse tanto da vítima como da empresa. OSHA Sigla citada com freqüência na Europa pelas medidas técnicas de prevenção que defende esse organismo, que não é mais que uma espécie de superintendência do trabalho norte-americano. Significa “Occupational Safety and Health Estudos Administration” e é a agência que controla ou pune se necessário, e também oferece recomendações ou edita folhetos sobre toda classe de matérias úteis como ergonomia e segurança. Porém, além de punir também usa a via didática, pois cita às empresas que se distinguiram pela execução de programas Por esotéricas que sejam, estas siglas não devem nunca criar em nós medo. Qualquer temor desaparece quando entendemos a realidade que refletem, porém, sobretudo é necessário empregálas bem e não como ferramentas de falsa superioridade. Com freqüência, uma explicação na hora certa será muito benéfica e faci- Seu quadro de honra, o VPP (Voluntary Protection Program) está reservado às empresas que fazem grandes esforços em matéria de prevenção e proteção e cuja taxa de dias de incapacidade é inferior a 50% da média no setor industrial! concretos de segurança e higiene. Seu quadro de honra, o VPP (Voluntary Protection Program) está reservado às empresas que fazem grandes esforços em matéria de prevenção e proteção e cuja taxa de dias de incapacidade é inferior ao 50% da média no setor industrial! litará a comunicação. Ainda que todos utilizamos as siglas sem dar-nos conta é muito importante que saibamos o que significam. Fora de nossas fronteiras, falar da ONSS não significa uma grande coisa, com exceção se explicamos que é a “Office National de Sécurité Sociale”. A propósito, sabem o que significa GSM ou GPS? 4º trimestre 2004 55 Documento O novo regulamento do Consórcio de Compensação de Seguros ENRIQUE ZÁRRAGA ARANCETA O Willis Iberia Grupo de Trabajo AGERS Onze de setembro de 2001 foi, sem dúvida, um dia em que o mundo ocidental tomou consciência de que nosso sistema de vida tinha sido atacado brutalmente. Passados os primeiros efeitos do choque emocional, pouco a pouco entendemos que os atentados contra o World Trade Center e o Pentágono não iam ser fatos isolados. Ao contrário, para muitos este dia foi o primeiro em que de verdade fez-se evidente que o terrorismo internacional era uma realidade viva, e como tudo que é vivo, trataria de voltar a atuar conforme o sentido de sua existência, e realizaria novos atentados contra nossos países, nossos cidadãos e nossos bens. Esta tomada de consciência aconteceu de maneira generalizada. Todas nossas instituições, e, especialmente, o mundo segurador, assumiu que os meios utilizados anteriormente para combater o terrorismo e também para proteger as perdas econômicas produzidas não iam ser válidos em um futuro próximo. Também entendeu-se que as avaliações de perdas por este fenômeno realizadas até o momento não serviriam, já que o futuro ia ser totalmente imprevisível. Tal como temiam os gerentes de riscos, os responsáveis pela contratação de seguros das empresas, os assessores externos no gerenciamento de riscos e os corretores, a renovação dos tratados de resseguro para o ano 2002 foram a culminação de um processo que já tinha começado no ano 2000. De maneira geral, se enrijeceram as condições –conseqüência das perdas técnicas sistemáticas produzidas pelo ramo de riscos industriais nos últimos 12 anos–, foram impostas restrições, se limitaram as capacidades e, também, desapareceu a possibilidade de oferecer certas coberturas. 56 4º trimestre 2004 Neste último grupo de desaparições de coberturas, a mais importante foi a de terrorismo. Exceto para casos especiais, com limites muitas vezes insuficientes e a um preço alto, na prática a cobertura de terrorismo não se podia comprar no mercado segurador. A RESPOSTA DO CONSÓRCIO DE COMPENSAÇÃO DE SEGUROS Desde 1954, existe na Espanha o Consórcio de Compensação de Seguros, organismo procedente da fusão em um só dos Consórcios de Compensação de Riscos Catastróficos sobre as Coisas e de Acidentes Individuais. Nestes cinqüenta anos de existência, o Consórcio de Compensação de Seguros evoluiu e se adaptou, em grande medida, às necessidade de cobertura que o mercado comercial não proporcionou, ou o fez de maneira limitada ou insuficiente. A proximidade do Consórcio de Compensação de Seguros às Documento necessidades da sociedade, e sua sensibilidade para tratar de dar soluções dentro do seu ordenamento jurídico, foram evidentes para o mercado segurador durante os últimos anos. É justo reconhecer que dentro do razoável e possível evoluiu e redefiniu seus objetivos e atribuições, recolhidas no «Texto criado a partir do Estatuto Legal do Consórcio de Compensação de Seguros» publicado no BOE de 5 de novembro de 2004. A finalidade pela qual nasceu o Consórcio de Compensação de Seguros foi para dar resposta à necessidade de cobertura dos riscos ou acontecimentos extraordinários, tais como se definem no seu regulamento. Nele, entre outros, se entendem por acontecimentos extraordinários “os ocasionados violentamente pela conseqüência de terrorismo, revolta, sublevação, motim e tumulto popular” e se define terrorismo como “toda ação violenta efetuada com a finalidade de desestabilizar o sistema político estabelecido, ou causar temor ou insegurança no meio social em que se produz”. As garantias de riscos extraordinários são de inclusão obrigatória, e até princípios de 2004 afetavam aos seguros de pessoas seguradas em apólices de acidentes, e os seguintes seguros contra danos: apólices de veículos terrestres, veículos ferroviários, incêndios e eventos da natureza, assim como outros danos nos bens (roubo, quebra de vidros, danos ao maquinário, equipamentos eletrônicos e computadores). A garantia outorgada pelo Consórcio de Compensação de Seguros ficava restrita exclusivamente à indenização que correspondesse por danos materiais. Por isso, o mercado segurador foi complementando às necessidades de cobertura dos segurados para o risco de lucros cessantes, prestando proteção para os prejuízos subseqüentes ao dano, incluso se o fato gerador do dano provinha de um acontecimento extraordinário indenizável pelo Consórcio de Compensação de Seguros. O desaparecimento, na prática, da cobertura de terrorismo do mercado comercial segurador, não gerou na Espanha nenhum contratempo nos danos materiais nas apólices das modalidades de seguro mencionadas anteriormente. O que preocupou ao mercado foi a garantia de lucros cessantes, se a perda fosse devida a um acontecimento por terrorismo, já que esta garantia ficaria totalmente restringida. Conseqüência desta situação: no fim do ano 2001, se solicitou ao Consórcio de Compensação de Seguros que apresentasse uma solução para cobrir a lacuna de cobertura de terrorismo em Perda de Benefícios, que a partir de primeiro de janeiro de 2002 se produziria naqueles segurados que renovassem seus contratos nessa data. A resposta do Consórcio de Compensação de Seguros foi rápida e eficaz, colocando à disposição do mercado segurador, com data de primeiro de janeiro de 2002, uma cobertura de resseguro específica para Perda de Benefícios por terrorismo. Esta era a primeira vez, em seguros contra danos, que este organismo dava cober tura a perdas que fossem além do puro dano material. A subscrição desta cober tura, cuja taxa básica de resseguro era 0,15‰ seria de caráter voluntário para os segurados. Ao contrário do que o mercado segurador esperava, a contratação desta garantia não teve uma demanda generalizada, e foram escassas as empresas que decidiram comprá-la. Esta situação originou que de alguma maneira existisse uma compra “anti-seletiva” do risco e, portanto, o volume de prêmios arrecadado não foi suficientemente importante como para oferecer estabilidade aos resultados técnicos. De qualquer jeito, apesar da demanda de cobertura estar abaixo das previsões, esta experiência permitiu ao Consórcio de Compensação de Seguros começar a ter presença em um âmbito de risco diferente e complementar ao que historicamente tinha atuado. Provavelmente, duas das mudanças mais importantes e significativas da história do Consórcio de Compensação de Seguros foram: primeiro, a incorporação no final de 1986 de uma estrutura de tarifas baseadas em taxas sobre os capitais segurados 4º trimestre 2004 57 Documento nas apólices ordinárias; e, segundo, o Real Decreto 30/2004 de 20 de fevereiro de 2004, pelo que se aprova um novo Regulamento do seguro de riscos extraordinários, complementado posteriormente pela Resolução de 28 de maio de 2004 e publicado no BOE de 11 de junho do mesmo ano. A grande inovação do Real Decreto é o nascimento, também com caráter obrigatório, da cobertura de lucros cessantes em conseqüência de riscos extraordinários. As modificações introduzidas no novo Regulamento são, exceto na área de Perdas de Benefícios, conseqüência da experiência acumulada pelo Consórcio de Compensação de Seguros durante sua existência. Segundo manifestações do diretor geral do Consórcio de Compensação de Seguros, o critério geral que foi seguido com estas modificações foi o de favorecer em conjunto aos segurados. Algumas modificações do Regulamento não são propriamente mudanças, senão esclarecimentos a assuntos que ao longo dos anos anteriores foram planejados, e aos que o Consórcio de Compensação de Seguros teve que dar resposta e solução em cada caso concreto. Na continuação, recolhe-se as modificações mais impor tantes que incorpora o novo Regulamento em relação do que estava anteriormente em vigor. Ao ser o lucro cessante uma garantia de nova incorporação, procederemos a dar-lhe um tratamento global e diferenciado. DANOS MATERIAIS DEFINIÇÕES A redação do novo Regulamento não introduz nenhuma modificação no Artigo 1 de Riscos Cobertos: entende-se como efeitos de cobertura, os acontecimentos extraordinários. As modificações acham-se no Artigo 2. Definições, sendo estas: • Inundação extraordinária: inclui-se como nova causa os “embates do mar nas costas”, sem que exista no Regulamento nenhuma referência à altura da onda, período de recorrência, 58 4º trimestre 2004 •Tempestade ciclônica atípica: aparecem duas novas causas suscetíveis de oferecer cobertura pelo Consórcio de Compensação de Seguros por esta epígrafe: a) Tornados, segundo se definem no Regulamento, e sem que exista nenhum tipo de limitações à cobertura por sua intensidade, tamanho, velocidade ou qualquer outro parâmetro. b) Ventos extraordinários, definidos como aqueles que apresentem rajadas que superem os 135 km por hora durante um intervalo de três segundos. Os dados dos fenômenos atmosféricos serão obtidos pelo Consórcio de Compensação de Seguros através de relatórios certificados expedidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o que, em alguns casos –e, sobretudo, não referem-se ao conceito de ventos extraordinários– com certeza gerará problemas de determinação da cobertura. O Consórcio de Compensação de Seguros é ciente das dificuldades da comprovação da velocidade do vento em áreas nas que não tenha podido ser medido de forma “oficial”. Nestes casos, o Consórcio de Compensação de Seguros solicitará ao Instituto Nacional de Meteorologia, ou a outros organismos públicos competentes na matéria, o grau de probabilidade que, efetivamente, tenha podido chegar à velocidade de 135 km por hora. Em função da resposta recebida, decidirá se existe cobertura para o dano. SEGUROS DE PESSOAS São incluídos como ampliação da cobertura a indenização de danos pessoais acontecidos no exterior quando o tomador da apólice tenha seu endereço habitual na Espanha. A interpretação desta ampliação não aceita nenhum tipo de restrição e atinge também aos residentes habituais no exterior, sempre que o tomador tenha seu endereço habitual na Espanha. O único caso que se nos ocorre que terá que interpretar o Con- Documento sórcio de Compensação de Seguros serão situações como na atualidade existem no Iraque, onde terá que discernir se as ações violentas que aconteceram são fatos de terrorismo, para os que haveria cobertura, ou de guerra, para os que não haveria cobertura. EXTENSÃO DA COBERTURA Nas apólices de Danos desaparece a exigência de menção expressa e fixação de capital segurado para determinados bens, tais como moldes, modelos e matrizes, piscinas, frontões, linhas elétricas, muros de contenção de terras independentes de edifícios etc. Assim mesmo, também desaparecem as definições do que o Consórcio de Compensação de Seguros entendia como Conteúdo e como Continente. Segundo o novo Regulamento, a cobertura dos riscos extraordinários atingirá aos mesmos bens ou pessoas que se indiquem na apólice ordinária. Sem dúvida, é uma modificação que simplifica a redação do contrato de seguro e que não obriga a detalhes muitas vezes desnecessários e difíceis de ser conhecidos pelos segurados. Nos pactos de inclusão facultativa, são incluídos como novidades a aceitação da cláusula de compensação de capitais entre diferentes apartados da mesma apólice ou entre conteúdo e continente. DESPESAS COMPLEMENTARES O novo Regulamento dá uma redação mais ampla neste artigo. Detalha-se as seguintes novas garantias para: • Continente: demolição, desentulho, extração de lixiviados e transporte a depósitos de lixo ou plantas de resíduos autorizados. • Conteúdo: transpor te a depósitos de lixo, incluídos os bens de conteúdo danoso, até os tóxicos ou perigosos. PERÍODO DE CARÊNCIA O prazo geral de trinta dias previsto no anterior Regulamento fica reduzido a sete dias, sendo somente aplicável aos danos e perdas derivadas dos fenômenos da natureza. Em nenhum caso será de aplicação nos seguros de pessoas. FRANQUIA Com o objetivo de evitar as discussões que aconteceram em alguns sinistros no momento de delimitar a franquia aplicável segundo o anterior Regulamento, o Consórcio de Compensação de Seguros simplificou este aspecto da cobertura fixando-o em 7% dos danos materiais indenizáveis, sem nenhum tipo de limitação de importe máximo, como existia no anterior Regulamento. DANOS EXCLUÍDOS No novo Regulamento, a redação deste apar tado teve várias modificações. A maior parte delas eram precisões às exclusões já existentes. Destacamos como esclarecimento mais importante, o relacionado com a exclusão de danos devidos as elevações do nível freático e aos movimentos e deslizamentos de terra; exceto que estes efeitos aconteçam simultaneamente como uma inundação e sejam ocasionados de forma manifesta pela ação da água, em cujo caso sim que haverá cobertura. Não se aplicará franquia para os danos às pessoas, veículos, residências e condomínios. Está previsto que esta modificação representará para o Consórcio de Compensação de Seguros um aumento global nas indenizações de 4,5%. Não é menos certo, porém, que aos riscos suscetíveis de sofrer um grande sinistro, se lhes poderá aplicar em conceito de franquia uma quantidade muito superior à prevista no anterior regulamento. Este aspecto terá que voltar a ser analisado pelos gerentes de 4º trimestre 2004 59 Documento riscos e seus assessores para tratar de conseguir a proteção ótima que deseja o segurado. O “Lucro Cessante” em apólices de Danos LUCROS CESSANTES Dentro deste grupo de trabalho, o Consórcio de Compensação de Seguros solicitou à AGERS que elaborasse uma relação de coberturas incluídas habitualmente em apólices de Danos. Como anteriormente se comentou, a grande inovação do novo Regulamento é a cobertura dos lucros cessantes por riscos extraordinários, de obrigatória contratação com o Consórcio de Compensação de Seguros, se a apólice inclui esta cober tura. Porém elas devem garantir o lucro cessante como está definido no Regulamento, e, portanto, devem pagar o aumento do Consórcio para o lucro cessante. Nas apólices de danos materiais se indicaram os seguintes conceitos: Define-se o lucro cessante como “uma alteração dos resultados normais da atividade econômica do sujeito segurado, derivada da paralisação, suspensão ou redução dos processos produtivos ou de negócio de dita atividade”. • Inabitabilidade e/ou evacuação forçosa. • Perda de aluguéis. • Paralisação do trabalho • Indenizações diárias por paralisação. • Despesas extraordinárias: reparos urgentes, horas extraordinárias, transportes urgentes. • Despesas extraordinárias para colocar em funcionamento. • Mercadorias seguradas no “valor de venda”. • Qualquer outra despesa ou perda indireta, cuja indenização se pactuou na apólice. É importante assinalar que para que lucro cessante seja indenizável pelo Consórcio de Compensação de Seguros será necessária que uma apólice ordinária reflita sua cobertura como conseqüência dos riscos ordinários de incêndio, explosão, roubo ou avaria, ou ruptura de maquinário. Portanto, seguros de suspensão de espetáculos, e outros que não costumam ter contratada nenhuma das garantias mencionadas, não teriam lugar nesta nova cobertura do Consórcio de Compensação de Seguros. Depois da publicação do novo Regulamento, o mercado evidenciou ao Consórcio de Compensação de Seguros uma série de questões relacionadas com o tratamento de casos específicos, mais ou menos habituais, que não se encontram previstos no Regulamento. Para sua análise, formou-se um grupo de trabalho, onde se encontravam representantes da AGERS, que recolheu uma relação das questões apresentadas e as propostas e alternativas em relação a elas. A primeira conclusão foi que algumas destas questões são suscetíveis de interpretação. Há outras que requerem modificações normativas para as que o Consórcio de Compensação de Seguros considera que precisa dispor de certa experiência antes de proceder a uma possível modificação na regulamentação. 60 4º trimestre 2004 Nas apólices de quebra de máquinas se indicaram: • Despesas extraordinárias: igual que em danos materiais. • Aluguel de equipamentos. • Aumento dos custos de “leasing”. • Qualquer outra despesa ou perda indireta, cuja indenização se pactuou na apólice. Algumas interpretações e alguns problemas Conseqüência das várias questões apresentadas pelo grupo de trabalho, o Consórcio de Compensação de Seguros incluiu no seu site, em 18 novembro de 2004, uma nota na qual se recolheram uma série de normas para a aplicação prática das questões apresentadas, entre as quais destacamos: • “Interdependência” entre empresas do mesmo grupo. Com uma interpretação estrita, poderia entender-se que o Re- Documento gulamento não oferece esta cobertura, porém o Consórcio de Compensação de Seguros revisou este assunto e tornou clara a existência de garantia para a Margem Bruta consolidada para grupos de empresas. A AGERS ofereceu ao Consórcio de Compensação de Seguros uma “Cláusula de cober tura de interdependência” que serviu de base para a delimitação da garantia. • Falta de fornecimento de energia elétrica, água, gás etc. e falta de fornecedores e/ou clientes. O Consórcio de Compensação de Seguros determina de forma explícita que não fica coberto o lucro cessante por estas causas. O grupo de trabalho fez ver ao Consórcio de Compensação de Seguros a incongruência de que – ainda que se trate de um seguro em regime de compensação – com este tratamento, penaliza-se excessivamente a quem, com um adequado gerenciamento de risco, contrate uma franquia elevada e, em compensação, terá que pagar o mesmo preço de seguro como se não fosse aplicada nenhuma franquia. O Consórcio de Compensação de Seguros entende que uma possibilidade a ser considerada é uma regulamentação específica das franquias que aplica, com independência das estabelecidas na apólice a efeitos do risco ordinário. No prazo máximo de ano e meio, espera-se ter a experiência suficiente para voltar a planejar este assunto. O preço da cobertura A AGERS realizou uma pesquisa a respeito entre seus associados, sendo que a maior parte das empresas que responderam dispõe, na atualidade, destas garantias através do mercado segurador ordinário. No momento de escrever este artigo a maioria dos tratados de resseguro para 2005 não estavam fechados. Muito tememos que, geralmente, estas garantias somente se conseguirão através de um mercado facultativo, o que complica a contratação. Portanto, em muitos casos gerará desproteção para as pequenas e médias empresas. O Consórcio de Compensação de Seguros comprometeu-se em estudar este importante ponto. • Impossibilidade de acesso. O Consórcio de Compensação de Seguros aceita a cobertura nos mesmos termos e limites que se contemplam na apólice para eventos não extraordinários. Exceto para as moradias e condomínios, para o resto de risco e para um período de indenização de 12 meses, a taxa básica de referência é de 0,25‰ sobre a margem bruta anual. Estão previstos descontos e aumentos proporcionais em função do período de indenização contratado. Na AGERS acreditamos que este preço gerará um maior custo para grande parte dos segurados, pois, em geral, o mercado não realizará um desconto equânime por não assumir o risco. O Consórcio de Compensação de Seguros também manifestou que se a experiência demonstra que o preço é excessivo, será diminuído em quanto seja possível. Desde a AGERS esperamos que o esforço de ampliação das garantias realizado pelo Consórcio de Compensação de Seguros para Danos Materiais se transforme em uma melhora na proteção de riscos dos segurados. Também esperamos que todos os assuntos da garantia dos lucros cessantes mencionados que possam gerar problemas de cobertura, sejam solucionados com a maior rapidez. • Franquias e carências temporais. A franquia é a mesma, que na apólice ordinária, se aplicada à cobertura principal. Para que isto seja possível, as duas instituições, conjuntamente com a UNESPA, se comprometeram a seguir colaborando sem interrupções para conseguir este objetivo. 4º trimestre 2004 61 Resenhas de livros La Bancassurance. Strategies et perspectives en France et en Europe A Bancaeeurance. Estratégias e perspectivas na França e na Europa Dicionário de termos de seguros, resseguros e financeiros Borderie, Alain e Gonzalo Fernández Isla. Lafitte. Michel La Revue Banque. Paris (França), 2004, 197 págs. 18, rue La Fayette. 75009 Paris (França) McGraw-Hill. Madri (Espanha) C/ Basauri, 17, 1ª 28023 Aravaca Madri (Espanha), 2004, 816 págs. Obra que visa à descrição dos fundamentos e às definição de estratégia de entidades bancaseguradoras nos diferentes ramos do seguro: pessoas, patrimoniais e responsabilidade civil. Também explica o sucesso da expor tação do modelo francês no sul da Europa e pesquisa sobre seu futuro no cenário da internacionalização e globalização das finanças. O conteúdo divide-se em quatro capítulos, que tratam os aspectos do estado da questão e tendências no seguro fr ancês, a pr oblemática da bancassurance, os eixos estratégicos e desafios. As experiências reais dos autores contribuem a melhorar as referências práticas nas decisões nesta parcela do negócio. La Tecnologia: llums i ombres A Tecnologia: luzes e sombras Instituto de Estudos da Segurança. Barcelona, Catalunha (Espanha), 2004, 264 págs. Passeig de Gràcia, 50 – 5º. 08007 Barcelona (Espanha) O relatório 2004 do Observatório do Risco, que publica o Instituto de Estudos da Segurança para analisar os riscos na Catalunha com referência aos da Espanha, de outras comunidades autônomas e do mundo, dedica-se à tecnologia: luzes e sombras. A visão humana e social caracteriza nesta ocasião o conteúdo do estudo, que baseiase nos dados registrados em 2003. A estrutura do relatório compreende, em primeiro lugar, uma análise sobre o entorno social e os efeitos da tecnologia, para tratar, na continuação, as considerações das vantagens e inconvenientes – os riscos envolvidos - da tecnologia e, finalmente, a apresentação dos sinais do risco no trânsito de veículos, no trabalho, no meio ambiente, na saúde e na ruptura social. 62 4º trimestre 2004 Diccionario de términos de seguros, reaseguros y financieros Francisco Mochón, Rafael Isidro Dicionário que inclui mais de 5.000 termos explicados, revisados e atualizados, em relação aos conceitos de seguros, resseguros e gerenciamento de riscos, incidindo especialmente nas novas tendências e soluções nos mercados internacionais, incluindo as transferências alternativas de risco ou ART. Este dicionário pretende ter caráter universal, ou seja, que possa ser utilizado por todas as pessoas de fala hispânica, e, em geral, por todos àqueles que, sem ser seus idiomas nativos, utilizam o espanhol e/ou inglês nas suas relações de negócios. Nos anexos, há o equivalente de termos inglês-espanhol e a relação de abreviações e acrônimos espanhóis e não espanhóis. El mercado español de seguros en 2003 O mercado espanhol de seguros em 2003. Fundación MAPFRE Estudios. Madri (Espanha), 2004, 47 págs. Monte del Pilar, s/n. 28023. Madri (Espanha) O relatório elaborado pela Fundaçión MAPFRE Estudios oferece uma visão geral sobre o mercado espanhol de seguros em 2003 através dos dados e acontecimentos mais importantes sucedidos durante o exercício, analisando os números publicados pelas principais fontes de informação do setor. O estudo começa com um resumo da situação econômica da Espanha em 2003, e segue com uma seleção de dados estatísticos de algumas variáveis econômicas e sociais relacionadas com o seguro (população, frota automobilística, acidentes de trânsito e moradia). Os capítulos seguintes estão dedicados a conferir as principais características do setor segurador, primeiro no seu conjunto e, depois, nos ramos Vida, Automóveis, Responsabilidade Civil, Crédito e Caução, e outros Seguros Industriais. Finaliza com um comentário das modificações legais mais importantes que afetaram ao setor em 2003. Resenhas de Livros 4º trimestre 2004 63