JC CULTURA
Bauru, quinta-feira, 19 de julho de 2012 - Página 31
‘Heavy metal ainda é underground’
Dani Nolden, da Shadowside, fala sobre carreira e considera que o gênero musical é tratado como fora dos padrões
Mariana Cerigatto
E
les representam a nova
safra do heavy metal mundial
e prometem esquentar a noite bauruense. Os brasileiros
da Shadowside se apresentam
pela primeira vez em Bauru, e
sobem no palco do Jack Music
Pub amanhã, a partir das 23h.
Quem abre o show é o grupo
Orckout.
Em entrevista ao JC Cultura, a musa do metal, a vocalista Dani Nolden, adiantou como
será o show em Bauru, falou do
mais recente trabalho do grupo
“Inner Monster Out” e ainda
avaliou os cenários do metal no
País. “O heavy metal tem número enorme de seguidores no
Brasil, mas infelizmente ainda
é tratado como um movimento
bem underground”, salientou.
Em constantes turnês pela
Europa e EUA, a Shadowside
tem conquistado grande exposição na mídia internacional. Nos
EUA, as novas composições
ficaram seis semanas consecutivas no top 15, tendo alcançado
recentemente a 9º posição das
músicas mais tocadas. Confira
entrevista feita pelo JC com a
vocalista Dani Nolden JC - Geralmente é mais
difícil de ver uma mulher no
heavy metal. Você acha que as
mulheres também têm espaço
no metal?
Dani - Nunca tive qualquer problema sendo uma
mulher no heavy metal. Sinceramente acho que não faz diferença alguma. O que o público
quer é música boa e os homens
em banda querem é um companheiro ou companheira que faça
bem a sua função. Para eles, não
faz diferença ter homem ou mulher nos vocais, assim como não
faria diferença para mim se eu
tocasse com uma mulher na bateria, desde que ela tocasse tudo
que a banda precisa. Se existe
pouca mulher no metal, é por
falta de interesse das meninas
em formar bandas ou aprender
a cantar e tocar um instrumento. Heavy metal é um dos esti-
metal melódico até glam metal
(risos). Todos ficam confusos
escutando Shadowside pela
primeira vez, pois não sabem
exatamente o que nós somos,
porém gostam mesmo assim.
Essa reação é muito legal para
nós, mostra que estamos encontrando nossa identidade
além de uma simples fórmula.
A banda, da vocalista Dani Nolden, se apresentará,
amanhã à noite, em Bauru, no Jack Music Pub
los musicais mais democráticos
do mundo... todo mundo pode
entrar. Se você sabe fazer boa
música, você será ouvido, seja
mulher, homem, assexuado...
tanto faz de verdade.
JC - Qual será o repertório do show aqui?
Dani - Será nossa primeira vez na cidade e estamos
muito ansiosos! O repertório
será baseado principalmente no
“Inner Monster Out”, porém tocaremos algumas músicas mais
antigas que o público já conhece bem.
JC - Como você avalia
o “Inner Monster Out”?
Dani - “Inner Monster
Out” é, sem sombra de dúvida,
o álbum mais maduro que já fizemos até hoje. Ele representa
bem o que buscávamos desde o
início da carreira, que é um som
atual, sem deixar nossas raízes
de lado. É um disco pesado e
agressivo, porém sem perder a heavy metal no Brasil. Qual
musicalidade. Buscamos unir nova tendência seria essa?
Dani - Nosso som é
as melodias bonitas do metal
mais tradicional com a inten- diferente do que costuma ser
sidade do metal extremo. Na feito no Brasil. Quando exisverdade, não tivemos medo tem misturas, o comum é que
de experimentar, de apostar na seja algo com a própria múnossa própria identidade. No sica brasileira ou com música
erudita. Quepassado, estávaríamos
algo
mos um pouco
completamente
presos ao medo
Não seguimos
nosso,
únide tentar, de não
vertentes.
co, fosse isso
agradar aos fãs,
Sempre nos
bom ou ruim,
mas durante a
rotulamos
mas queríamos
composição de
como heavy
algo que pu“Inner Monster
desse ser idenOut” percebemetal
tificado como
mos que, antes
Shadowside
de
tentarmos
convencer nossos fãs de que rapidamente e acredito que
o álbum é bom, precisávamos encontramos isso. Nosso som
estar orgulhosos do trabalho, é mais moderno do que o que
tínhamos que estar satisfeitos é encontrado por aqui, tem
bastante influência europeia e
com o que fizemos.
americana, porém tem a enerJC - Este disco foi apon- gia do metal brasileiro, é um
tado como um trabalho que pouco mais flexível e não tão
inaugura nova tendência do fácil de rotular.
JC - Qual vertente do
heavy metal vocês seguem?
Dani - Não seguimos
qualquer vertente. Sempre nos
rotulamos como “heavy metal”
e nada mais, exatamente para
não precisar limitar o som. Não
seguimos uma fórmula. Desde
que soe de forma interessante aos nossos ouvidos, vamos
usar. Você pode encontrar facilmente riffs de death e thrash
metal nas nossas músicas, porém vai encontrar melodias que
poderiam facilmente estar em
bandas de hard rock, mas nada
disso está fora de lugar. Permitimos que nossa criatividade
passeie por onde tivermos vontade, desde que tudo faça sentido e se encaixe. Preferimos que
o público e a imprensa decida
em que vertente nos encontramos, porém vejo que todos estão com dificuldade para fazer
isso, pois já fomos chamados
de tudo que você imaginar. Já
fomos chamados desde death
JC - O público do Exterior concebe o heavy metal
de outra forma?
Dani - Os fãs de metal no
Brasil e no exterior são iguais.
Não há qualquer diferença. Porém, é um fato que o Brasil tem
menos fãs de heavy metal em
comparação com o número de
habitantes do País. Na Suécia,
por exemplo, o heavy metal é
extremamente popular e toca
em rádios, e não apenas no programa dedicado ao rock e metal
da meia-noite (risos). Acho que
aqui ainda existe uma resistência grande contra música cantada em língua estrangeira, que
costuma ser o caso do heavy
metal que comumente é cantado em inglês. O público não se
importa, mas você dificilmente
vai ver alguém cantando metal
em um programa de talentos,
pois eles sempre pedem para
que você cante uma música em
português. Enquanto isso, os
vencedores de programas desse tipo na Suécia e Finlândia se
consagram cantando músicas
do Iron Maiden, por exemplo.
O heavy metal tem um número enorme de seguidores no
Brasil, mas infelizmente ainda
é tratado como um movimento bem underground. A mídia
brasileira ainda precisa aprender e entender a força do heavy
metal.
Serviço
O Jack fica na avenida Duque de Caxias, 8-56. Ingressos à venda por R$ 15,00
na Music Sound, Extinção
Discos e no Jack Music Pub.
Informações e reservas:
(14) 3245-3254
Moacyr Franco, um artista ‘faz tudo’
Um verdadeiro “faz
tudo” na área artística: Moacyr Franco, um artista completo que transita pela música, pelo teatro, pela TV, pela
escrita, pelo humor, e até pela
política, é atração amanhã, às
22h30, na Sociedade Hípica
de Bauru. Abertura será a partir das 21h, com a Banda Som
Musical Ellas.
Em entrevista ao JC, ele
contou de sua eclética trajetória
e ainda revelou sua paixão por
cantar e sua habilidade afiada
pela escrita. “De tudo, o que
mais gosto é de cantar. Tenho
um repertório extenso, e as
pessoas que vão ao meu show
já vão preparadas pra me aplaudir, para cantar comigo. É uma
grande emoção cantar e eu adoro ser o porta- voz dessa emoção”, salientou o artista. “Embora eu goste mais de cantar,
o que faço melhor é escrever.
Escrevo muito bem”, assinalou.
Moacyr, atualmente com
75 anos, começou sua carreira
nos anos 60, no programa Praça da Alegria. Interpretando o
personagem “Mendigo”, emplacou um grande sucesso ao
gravar a marchinha de carnaval “Me Dá Um Dinheiro Aí”.
“E, sobre o Carnaval, queria
dizer que ele não morreu... na
verdade, as rádios pararam de
tocar as músicas carnavalescas... Há um tempo, o Carnaval e suas marchinhas eram
um gênero famoso, como hoje
é o sertanejo universitário, o
axé”, discorreu o compositor.
Em sua discografia, acumula mais de 20 álbuns. Foi
agraciado com seis prêmios
Troféu Roquette Pinto, além
de um prêmio Troféu Imprensa de melhor cantor. Mais recentemente, ganhou o Troféu
Menina de Ouro de melhor
ator coadjuvante no Festival
de Cinema de Paulínia, por
conta do personagem Delegado Justo, no filme O Palhaço,
de Selton Mello.
Com mais de 50 anos de
carreira, Moacyr diz que já nasceu com essa “mistura”. “Comecei trabalhando como pintor,
aí de pintor virei cantor. No
meu tempo, era obrigado a fazer de tudo, todos que começavam a carreira tinham que fazer
de tudo um pouco – saber tocar
violão, piano, cantar, sapatear...
então eu não conhecia outro jeito de ser artista”, conta Moacyr.
Em Bauru, o artista promete transformar o palco em
um grande show de música,
dança e alegria. “Eu canto,
vou interagindo, brincando
com as pessoas, e danço, sigo
um enredo. Após o show, tiro
foto e abraço todos os presentes”, afirma o artista. (MC)
Serviço
A Sociedade Hípica de Bauru
fica na avenida José Henrique
Ferraz, 7-15. Interessados em
adquirir ingressos para a apresentação de Moacyr Franco
devem fazer contato através
do telefone (14) 3236-1255
“Embora goste
mais de cantar, o
que faço melhor é
escrever”, revela
Moacyr Franco
Ele mira carreira no cinema
Durante entrevista ao
JC Cultura, o ator e cantor
Moacyr Franco falou de sua
atução no filme O Palhaço.
“Foi super emocionante. O
Selton é, sem dúvida, um dos
melhores diretores e atores
do Brasil. E espero que esse
seja o início de outra carreira que acho que vou me dar
bem. Gosto de cinema, tenho
impressão que sei fazer isso.
Estou escrevendo agora com
o olhar de diretor de cinema”,
enfatizou.
Aliás, escrever é uma
grande habilidade de Moacyr.
“Escrevo demais, todo dia.
Tenho praticamente pronto
um livro da minha trajetória.
E também, neste momento,
estou fazendo um seriado só
com gente que nunca atuou
em televisão. Descubro a pessoa e depois escrevo para a
pessoa, não procuro um ator
pra interpretar”, revela Moacyr Franco. (MC)
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