XLIII CONGRESSO DA SOBER
Instituições, Eficiência, Gestão e Contratos no Sistema Agroindustrial
Valoração econômica das atividades de turismo de aventura
Estudo de caso: Brotas, SP
Arnaldo Freitas de Oliveira Junior
Instituição: FEAD-MINAS – Centro de Gestão Empreendedora
CPF. 074537548-01
R Valdir Leite Pena, 145, ap. 201 –
Silveira – Belo Horizonte, MG –
CEP - 31140-420
Email: [email protected]
Mayra Batista Bitencourt
Doutora em Economia Aplicada e professora do curso de Direito e do Mestrado
em Economia de Empresas e Agronegócio da FEAD-MINAS
Instituição: FEAD-MINAS – CENTRO DE GESTÃO EMPREENDEDORA.
CPF: 766.565941-15
Rua Eugênio Volpini, número 130, apto.501
Bairro São João Batista
Belo Horizonte – Minas Gerais
CEP: 31.515-190
e-mail: [email protected] ou [email protected]
Número do Grupo de Pesquisa: 06 (Meio Ambiente)
BASE: Outros projetos.
FORMA DE APRESENTAÇÃO: Apresentação em sessão com debatedor.
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Valoração econômica das atividades de turismo de aventura
Estudo de caso: Brotas, SP
Resumo: Este trabalho tem como objetivo aplicar a valoração econômica nas
atividades de turismo de aventura em Brotas/SP. O município de Brotas é considerado
atualmente como um pólo receptor de turismo de aventura no Estado de São Paulo, com
vocação para a prática de tais atividades demonstrando potencial para promover o
desenvolvimento sócio-econômico do município e abrindo novas frentes de trabalho,
melhorando o padrão e a qualidade de vida da população local, aumentando seu poder
aquisitivo. Para tanto, devem-se desenvolver mecanismos de monitoramento e controle
visando à maximização do uso dos recursos naturais, com base em um planejamento
ambiental. O planejamento deve contemplar modelos aplicados ao crescimento da cidade e,
desta forma, envolver a administração pública que deve integrar a participação dos três
setores (público/civil/privado) a fim de fortalecer as tomadas de decisões, de ser dinâmico
e, reavaliar sempre que necessário as novas metas e estratégias ao longo do tempo,
obtendo-se resultados desejáveis com o objetivo de se promover um turismo de aventura
com alternativas para o desenvolvimento sustentável.
Palavras-Chaves: Valoração Econômica, Turismo de Aventura, Brotas.
1. Introdução.
O Brasil desponta atualmente para uma nova fase econômica ditada pelo setor do
turismo que vem crescendo e se desenvolvendo vertiginosamente. A indústria do turismo,
assim chamada por vários autores que querem se referir aos diversos negócios associados
ao ramo, tem sido capaz de demonstrar grande potencial para promover o desenvolvimento
sócio-econômico. Segundo a Organização Mundial do Turismo – OMT (1990), esta
indústria cresceu entre 1970 e 1990, cerca de 260%. Apresenta uma receita bruta de US$
3,5 trilhões por ano, cerca de 11% do PIB mundial, empregando em torno de 127 milhões
de pessoas; e recebendo investimento da ordem de 11,4%, em nível mundial (WTTC,
1995).
Diante desses vários motivos, todas as modalidades de turismo têm sido
extremamente valorizadas e em muitos casos, é considerado como importante elemento da
engrenagem econômica local em sustentar as relações dos valores monetários e diversos
empregos.
1.1. Ecoturismo
De todas as modalidades de turismo, o ecoturismo, vem recebendo posição de
destaque no cenário nacional, devido às diversas riquezas naturais existentes no Brasil.
Entende-se por ecoturismo as atividades de recreação, lazer e cultura, realizada em áreas
naturais como parques, estações ecológicas, praias, montanhas e, que se beneficiam do uso
direto dos recursos naturais como cachoeiras, grutas, ou passeios, e até mesmo da
contemplação da visão cênica da paisagem entre outros, e que tenham por finalidade o
entretenimento, o estudo cientifico, e a conservação ambiental e, promovam a
conscientização ecológica/ambiental (Ceballos-Lascurain, 1990).
2
O ecoturismo tem recebido interesse especial por parte de várias organizações
governamentais e não governamentais e, as estimativas pela busca por esta modalidade têm
mostrado um crescimento em torno de 10 a 30% ao ano (Kallen, 1990; Vickland, 1989). Na
década de 90, foi a modalidade que mais despertou atenção da sociedade que procurava no
turismo suas atividades para recreação/lazer (Wearing & Neil, 2001).
Esta modalidade de turismo tem em si o potencial de apoiar diversos programas de
conservação, tanto nas áreas que envolvem a comunidade hospedeira como nos visitantes e
população do entorno. Os benefícios sociais advindos da economia do ecoturismo, podem
gerir o crescimento dos padrões de vida, ao mesmo tempo em que os benefícios ambientais
surgem quando as comunidades hospedeiras são induzidas a proteger os ambientes naturais
para sustentar as atividades de ecoturismo, economicamente viável (Ceballos-Lascurain,
1990).
1.2. Planejamento ambiental em áreas de turismo
Deve-se atentar para o fato de que as atividades realizadas por esta modalidade
contribuem para o desenvolvimento sócio-econômico. No entanto, da mesma maneira que é
uma atividade que possui grande força para promover o desenvolvimento, possui igual
força para promover ações impactantes ao meio ambiente, causando sua degradação e, por
conseqüência podem contribuir para a formação do declínio das atividades do turismo
local.
Para tanto, deve-se desenvolver um processo de planejamento ambiental
ecoturístico que contemplem as atividades todas as atividades associadas com o objetivo de
elaborar estruturas políticas e administrativas com a finalidade de garantir meios para a
sustentabilidade do turismo garantindo o desenvolvimento.
Tais medidas administrativas prevê, por meio de uma gestão adequada e com vistas
à sustentabilidade, a obtenção de benefícios máximos advindos do turismo, onde este deve
ser bem planejado a fim de se prever possíveis impactos ambientais (Inskeep apud Polette,
1997).
As atividades de ecoturismo em geral, quando desenvolvidas a partir de um plano
de gestão ambiental e calcadas em uma administração pública consciente e responsável,
pressupõe a melhoria das condições de vida para a população local graças à melhoria dos
serviços públicos oferecidos como; abastecimento de água, saneamento, energia, estradas,
comunicação, sinalização, saúde e segurança (Magalhães, 2001).
1.3. Turismo de aventura
Dentre todos os segmentos do ecoturismo o que mais desponta é o turismo de
aventura. Estima-se que em 1998, o turismo de aventura tenha rendido mais de US$ 8
bilhões em vendas globais (Pellegrini Filho, 2000). Esta modalidade está associada aos
esportes de aventura, dito “radicais” e, podem ser praticados em áreas onde há obstáculos
naturais em que seus praticantes desempenham exercícios físicos para contrapô-los.
3
Como exemplo de turismo de aventura tem-se o montanhismo, o rapel, o
“cannyoing”, o “bike”, o bóia-cross, o “rafiting”, entre outros.
No Brasil, algumas cidades possuem aptidão para o turismo de aventura devido a
características naturais. Nesse contexto, o município de Brotas, no estado de São Paulo,
destaca-se devido as suas características geomorfológicas.
1.4. Pólos de ecoturismo
Segundo a EMBRATUR (2001) a região é considerada um pólo ecoturístico
denominada como Pólo SP-3, caracterizada por ser uma região de Cuestas de formação
arenito-basáltico.
As Cuestas possuem relevo escarpado que se inserem na “depressão periférica” com
grandes plataformas estruturais e relevo suavizado inclinado para o rio Paraná (Ponçano et
all apud Maier, 1983). Estas características geomorfológicas propiciam várias atividades de
esportes “radicais” colocando Brotas no cenário do turismo de aventura e sendo
considerada uma referência no interior paulista.
Brotas está distante a 242km da capital, localizado a noroeste do Estado de São
Paulo e apresentando cerca de 81,9% do seu território integrado à bacia hidrográfica do rio
Jacaré Pepira (Figura 1), o qual nasce no município de São Pedro, SP., e sua importância
está associada ao abastecimento doméstico de água, bem como em proporcionar atividades
que contemplam o turismo de aventura em relação ao uso dos recursos hídricos
(Mata’dentro, 2002).
Brotas
FIGURA 1 – Bacia hidrográfica do rio Jacaré Pepira e localização de Brotas, SP.
Fonte: Homero Fonseca Filho (1999).
Organizado: Arnaldo Freitas de Oliveira Júnior (2002).
4
O município vem se destacando como pólo receptor desta modalidade onde os tipos
de turismo de aventura mais realizados são o “rapel”, “bóia-cross”, tiroleza, “mountain
bike”, “cannyoing”, cavalgada, trilhas, “rafiting”, “duck”, entre outros (Mata’dentro, 2002).
1.5. A Economia do turismo de Brotas
A crescente procura pelo turismo de aventura, neste município, fomentou a
economia nos últimos anos, alcançando cifras consideráveis (Oliveira Jr. et al., 2001).
Essas atividades são capazes de gerar um fluxo econômico, estritamente, a partir do uso
direto dos recursos naturais mas, também mediante os empreendimentos associados como
agências de turismo, hotéis, restaurantes, postos de gasolina, comércio em geral e, outros.
2. Valoração Ambiental
Os recursos naturais são definitivamente o aporte para a prática de todos os esportes
de aventura onde seu usufruto ocorre por meio de uso direto. Assim sendo, tais recursos
naturais como cachoeiras, a topografia do município, a visão cênica da paisagem, os
córregos, os rios, a vegetação predominante e outros atrativos naturais, possuem um valor
ambiental bastante considerável. Os valores ambientais de uso direto de tais recursos
naturais necessitam de serem estimados a fim de justificar sua manutenção em seu estado
primitivo assim como também ratificar toda ação e programa ambiental para sua
conservação.
O papel do valor na análise do meio ambiente assume interesse fundamental, pois os
recursos ambientais (parques, locais de recreação como cachoeiras, balneários, praias,
outros) não têm preço estimado no mercado convencional. Os ativos da natureza (recursos
naturais que estão submetidos ao uso direto) não estão disponíveis no mercado e necessitam
de serem avaliados de modo holístico onde a valoração adquire fundamental interesse e
necessidade (MOTA, 2001).
Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo estimar o valor econômico das
atividades de turismo de aventura, no município de Brotas, SP.
3. Metodologia
Para se estimar o valor econômico das atividades do turismo de aventura, efetuou-se
o cálculo do Valor Econômico Total - VET.
Valor Econômico Total – VET
Bellia (1990) refere-se ao VET como sendo a somatória de todos os valores de uso
direto e do não uso dos recursos naturais, no entanto, neste trabalho será considerado
apenas o valor de uso direto por entender que tais atrativos naturais são aportes para a
prática do turismo de aventura.
Todos os bens provêm da natureza para a satisfazer as necessidades do homem, seja
direta ou indiretamente e, possuem um valor cognitivo quanto a sua importância, raridade,
prazer, escassez, a satisfação do bem estar coletivo ou individual, e a utilidade que as
pessoas atribuem a este bem (Oliveira Junior, 2003).
5
O valor de um bem está diretamente associado à quantidade de suas reservas, da
procura e de sua importância que a sociedade lhe atribui. A natureza, manancial de matérias
primas, será responsável por satisfazer todas as necessidades humanas e ainda como fonte
de bens e serviços ambientais é capaz de gerar renda, lucros e empregos por meio dos
diversos tipos do uso do solo, do clima, das atividades agrícolas, da hidrografia, da fonte de
energia, de alimentos, de transportes, etc. (Bellia, 1996).
Para a estimativa do VET referente ao usufruto dos recursos naturais pertencentes
ao município de Brotas, foram efetuados diversos cálculos para os anos de 1999, 2000,
2001 e 2002, da seguinte maneira:
1 - Estimou-se o número total de turistas durante cada ano considerado;
2 – com base no número total de turistas, estimou-se qual a proporção de turistas
permaneciam de 1 a 4 dias, ou mais, no município;
3 – estimou-se os valores que cada turista gasta por dia durante sua permanência em
Brotas;
4 – estimou-se o tempo de permanência, em dias;
Os valores são obtidos pelo produto entre número total de turistas (NT) versus a
porcentagem de turistas (%) que permanecem de 1 a 4 dias, ou mais, versus valor
gasto/dia/turista.
Desta maneira o VET está em função de três variáveis, basicamente:
VET = ƒ(nt x vg x p)
VET = Valor Econômico Total;
nt = número de turistas x porcentagem de turistas que permanecem de 1 a 4 dias;
vg = valores gastos, por dia – em reais (R$);
p = período de permanência no município, em dias.
Para o ano de 1999 e 2000 os valores monetários foram calculados de acordo com o
tempo de permanência e gastos médios/dia, segundo metodologia empregada por Damm
(1999). Para o ano de 2002, o VET foi estimado segundo a aplicação de questionários
(descrito anteriormente para obtenção do perfil sócio-econômico do turista) onde foi
possível obter dados com maior rigor e precisão de gastos/dia/turista em função de seu
tempo de permanência, em dias, no município.
O VET para o ano de 2001 foi inferido segundo a mesma metodologia adotada para
estimar o VET para o ano de 2002, devido a inexistência de dados precisos e de uma
metodologia recente. O número de turistas foi fornecido pela Secretaria de Turismo de
Brotas para aquele ano.
A pesquisa envolveu todos os estabelecimentos associados ao suporte do turismo
local, tais como comércio, hotéis, restaurantes, farmácias, postos de gasolina, agências de
turismo, camping, artesanato, casas de aluguel, sítios turísticos, praças, cachoeiras, etc.
6
Os dados, para o cálculo do VET, foram levantados junto a Secretaria de Turismo e
Cultura de Brotas e, envolveram todos os estabelecimentos associados ao suporte para o
turismo local, tais como comércio, hotéis, restaurantes, farmácias, postos de gasolina,
agências de turismo, camping, artesanato, casas de aluguel, etc., durante os anos de 1999,
2000 e 2001.
4. Resultados e Discussão
O turismo de aventura teve seu início na cidade de Brotas em meados de 1993
informalmente e, atualmente, apresenta uma taxa de crescimento considerável decorrente
das atividades de recreação. É notória a evolução de investimentos, de crescimento da
cidade, de empregos gerados e da aparição na mídia, o que vem determinando considerável
incremento de novos negócios. Muitas propriedades rurais que mantinham apenas
atividades agrícolas, associadas ao plantio de laranja e cana-de-açúcar, ou de pecuária,
descobriram um novo potencial econômico na exploração do turismo de aventura (Damm,
1999), o que levou vários proprietários a considerarem suas propriedades ao público para
realização de atividades turísticas e de lazer.
Durante o ano identifica-se três períodos de visitação dos turistas no município. Alta
temporada, período compreendido entre 15 de novembro até o final da Páscoa; baixa
temporada, período que vai da Páscoa até meados de agosto/setembro; e média temporada
que se estende deste último período até meados de novembro.
De acordo com os dados obtidos pôde-se observar o fluxo monetário gerado em
todos os períodos considerados, ou seja, alta, média e baixa temporada. O quadro 1
evidencia os valores monetários gerados pelos turistas, ao mesmo tempo em que,
demonstram valores crescentes e promissores durante quatro anos. Os cálculos foram
realizados com base no VET= NT x VG x P, por exemplo, no ano de 1999 onde o município
recebeu em torno de 60.000 visitantes, 36,02% destes, o equivalente a 21.612 turistas,
permaneceram apenas um dia e gastando em média R$ 50,00. o total que pode ser
observado neste ano foi em torno de R$ 1.080.600,00. Os demais cálculos seguiram o
mesmo protocolo.
Valores monetários gerados pelo eco-turista: tempo de permanência X gasto médio/dia.
Tempo de Equivalent Gasto/dia
Valor
ANO
permanênci
e (%)
(R$)
gerado
Total
a (dias)
Min. e
Máx.
1
36.02
50,00
2
19.11
50,00
3
16.17
50,00
>3
27.97
50,00
1999
60.000
Turistas
7
1.080.600,
00
1.146.600,
00
1.455.300,
00
2.517.300,
00
6.199.800,0
0
15,00
1
36.02
25,00
2000
50,00
90.000
Turistas
2
19.11
70,00
50,00
3
16.17
70,00
50,00
>3
27.97
70,00
1
25,86
50,00
2
12,07
100,00
3
5,17
200,00
4
29,31
300,00
5
27,59
300,00
1
25,86
50,00
2
12,07
100,00
3
5,17
200,00
4
29,31
300,00
5
27,59
300,00
2001
120.000
Turistas*
2002
156.000
Turistas*
486.270,0
0
810.450,0
0
1.719.900,
00
2.407.860,
00
2.182.950,
00
3.056.130,
00
3.775.950,
00
5.286.330,
00
1.551.600,
00
1.448.400,
00
1.240.800,
00
10.551.60
0,00
9.932.400,
00
2.017.050,
00
1.882.900,
00
1.613.000,
00
13.716.90
0,00
12.912.00
0,00
19.725.840,
00
24.724.800,
00
32.141.850,
00
426.000
82.792.290,
Turistas
00
Quadro 1 – Valores monetários advindos das atividades do turismo de aventura. Período de
1999 a 2002
Fonte: Secretaria de Turismo e Cultura de Brotas, 2000.
Pode-se observar por meio do quadro 1, que existe uma tendência ascendente no
valor monetário gerado a cada ano. Este fato demonstra que o turismo de aventura no
município vem criando novas demandas de mercado, garantindo o retorno econômico dos
investimentos realizados sobre as atividades associadas a este setor. Tal avaliação torna-se
8
importante pois todo e qualquer investimento em ecoturismo deve justificar
antecipadamente a sua contribuição para o desenvolvimento da economia (Lage, 1991).
Durante quatro anos de acompanhamento das atividades associados ao Turismo de
Aventura em Brotas, pode-se perceber que o número de turistas cresceu a cada ano de
maneira considerável, ou seja, de 1999 para 2002, houve um acréscimo 260%,
aproximadamente.
Pode-se perceber que o turismo de aventura, tem nos recursos naturais, seu aporte
para a prática de diversas atividades de esporte, e foi o responsável pelo crescimento em
mais de 500% nos valores monetários gerados no município durante o período considerado.
A figura 2, evidencia o incremento das atividades associadas ao turismo, ao mesmo tempo
em que, demonstra o forte crescimento do número de visitantes em Brotas, mediante os
valores monetários estimados em cada período - VET.
Evolução das atividades econômicas associadas
ao
turismo de aventura em Brotas, SP.
Valores monetários
arrecadados
(milhões de Reais)
32.141.850
24.724.800
19.725.840
6.199.800
FIGURA 2 - Valores monetários estimados em cada ano mediante
2000
2001e proveniente
2002
usufruto dos
recursos naturais
das
atividades econômicas
ao turismo de
Períodoassociadas
(ano)
aventura em Brotas, SP.
1999
o
Estes dados tornam-se importantes para elaborar planos e estratégias específicas
para os anos seguintes, assim como implementar planos de desenvolvimento urbano,
ambiental, rural e social, e ainda econômico mediante a criação de um fundo de reserva
para subsidiar diversos programas relacionados ao turismo de aventura e à conservação
ambiental, assim como um tratamento diferenciado para cada perfil de turista.
No ano de 1999, 36,02% dos turistas permaneciam um dia apenas no município, e
quase 28% do total desejavam permanecer mais de três dias. Em 2002 houve profunda
modificação deste panorama em que 56,90% do total dos turistas desejam aumentar seu
período de permanência no município. Sugere-se portanto, que há uma tendência em que os
visitantes permaneçam mais de quatro dias no município e apresentam disposição
financeira para tal, sendo responsáveis pela promoção de valores monetários superiores a
R$ R$ 26.628.900,00 e de acordo com a metodologia empregada este grupo de turistas
apresenta um perfil sócio-econômico privilegiado.
Em 1999 o valor gasto por turista por dia foi em torno de R$ 103,33, em 2000 foi de
R$ 219,18, em 2001 R$ 206,04 e em 2002 R$ 206,04. Percebe-se, portanto, que houve um
acréscimo no gasto médio/dia/turista no período considerado, no entanto, para os anos de
9
2001 e 2002, os valores se mantiveram constantes demonstrando uma tendência o que vem
ao encontro da promoção para o desenvolvimento do município.
Os visitantes que permanecem apenas um dia no município são aqueles que residem
próximo a Brotas e, portanto, possui condições de viajar de volta para sua residência
habitual. Este turista apresenta um perfil socioeconômico comedido e sua disposição em
gastar é restrita. No entanto, este tipo de turista contribuiu em mais de dois milhões de reais
no ano de 2002.
Apesar dos valores estimados observados serem promissores demonstrando a
prosperidade e o potencial para as atividades turísticas, deve-se ter uma preocupação latente
a qual reside sobre o fato de que o aumento do valor monetário a cada ano está associado
também ao aumento do número de visitantes por ano.
O aumento crescente de turistas a cada ano concorre para a necessidade de se iniciar
um processo de planejamento ambiental voltado para a gestão do turismo local e para a
conservação das áreas que envolvem as práticas de turismo de aventura com proposições a
sustentabilidade.
A função ambiental de recreação, lazer e turismo que os recursos naturais exercem,
passam a assumir uma conotação administrativa, interferindo no planejamento estratégico,
no desenvolvimento das atividades rotineiras e, nas tomadas de decisões, devendo-se,
portanto, monitorar a evolução das atividades turísticas e ambientais garantindo políticas
especificas, metas adequadas e um plano de ação definido (Almeida, 2000).
A figura 3 evidencia a proporção de valores monetários gerados em cada temporada
durante o período considerado.
Proporção de temporada (%)
20%
10%
70%
1
2
3
1-Alta (70%); 2- Média (20%); 3- Baixa temporada (10%).
Figura 3 - Fases de temporada e proporção do fluxo econômico gerado pelo
turismo de aventura no município de Brotas/SP.
Fonte: Secretaria de Turismo e Cultura de Brotas (2000)
Isto quer dizer que de todo fluxo monetário proporcionado pelo usufruto dos
recursos naturais e demais setores da economia formal associados ao turismo de aventura,
70% refere-se aos valores gerados durante o período de alta temporada, 20% no período de
média visitação e, somente 10% durante a baixa temporada.
10
Historicamente já se sabe que os benefícios econômicos oriundos do período de alta
temporada para o turismo, revelam importância considerável para se realizar investimentos
no ramo de hotelaria, alimentação, no treinamento de guias, no atendimento aos clientes, e
na melhoria dos produtos e equipamentos turísticos oferecidos.
A interpretação desses dados e a implementação de medidas efetivas no processo de
gestão favorecerá a arrecadação e beneficiará as atividades associadas ao turismo de
aventura garantindo a manutenção da economia ambiental, ao financiamento de programas
para conservação dos recursos naturais e elaborar medidas políticas-administrativas para
normatizar o processo turístico do município maximizando a gestão do turismo de aventura
em Brotas.
Os valores monetários obtidos referiram-se ao fluxo econômico na cidade,
estritamente. Não considerou-se a estimativa dos valores gerados em cada sítio turístico,
por meio do uso direto de seus recursos naturais existentes.
6. Considerações finais
O município de Brotas é considerado atualmente como um pólo receptor de turismo
de aventura no Estado de São Paulo, com vocação para a prática de tais atividades
demonstrando potencial para promover o desenvolvimento sócio-econômico do município
e abrindo novas frentes de trabalho, melhorando o padrão e a qualidade de vida da
população local, aumentando seu poder aquisitivo. Este setor foi capaz de resgatar a autoestima dos moradores os quais, atualmente, se inserem aos processos turístico/ambiental.
O crescimento exponencial com que o turismo vem estimulando novos negócios
pode gerar também determinados entraves urbanos alterando a qualidade de vida local. Para
tanto, devem-se desenvolver mecanismos de monitoramento e controle visando à
maximização do uso dos recursos naturais, com base em um planejamento ambiental, a fim
de desenvolver normas a serem estabelecidas e agregar novos valores aos produtos e
equipamentos turísticos.
A valoração ambiental torna-se um instrumento valioso junto ao processo de
planejamento ambiental, para mensurar o usufruto dos recursos naturais de cada sitio
turístico. Podendo-se a partir daí descrever um elenco de recomendações adequadas para o
uso e manutenção das áreas que envolvem as atividades de ecoturismo - turismo de
aventura.
Por todos os benefícios econômicos e sociais observados, há de se salientar o
ambiental, pois este é o aporte de todas as atividades associadas ao turismo de aventura, o
que justifica todo empenho em se conservar os recursos naturais existentes. Como o próprio
precursor do ecoturismo, Hector Cebalos-Lascurian enfatiza, o ecoturismo, e por
perspectiva o turismo de aventura, é uma atividade que deve ser uma ferramenta importante
para a conservação ambiental (Wearing & Neil, 2001).
O planejamento deve contemplar modelos aplicados ao crescimento da cidade e,
desta forma, envolver a administração pública que deve integrar a participação dos três
setores (público/civil/privado) a fim de fortalecer as tomadas de decisões, de ser dinâmico
11
e, reavaliar sempre que necessário as novas metas e estratégias ao longo do tempo,
obtendo-se resultados desejáveis com o objetivo de se promover um turismo de aventura
com alternativas para o desenvolvimento sustentável, isto é, que seja economicamente
viável, que considere a inclusão social e que promova o usufruto correto do ambiente.
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