A EXPERIÊNCIA COMO MÉTODO: UM OLHAR SOBRE O ENSINO DA FÍSICA NA EJA NO COLÉGIO ESTADUAL DOM CLIMÉRIO DE ALMEIDA ANDRADE Celsina dos Santos Azevedo Neta (PIBID/UESB) Mohammed Luiz Santos Couto (PIBID/UESB) Valmir Henrique de Araújo (PIBID/UESB) Resumo: O presente trabalho visa relatar a experiência dos bolsistas PIBID, na turma do EIXO VII da Educação de Jovens e Adultos, do Colégio Estadual Dom Climério de Almeida Andrade, durante o período de março a julho de 2014. O projeto tem-se mostrado de fundamental importância na formação acadêmica dos alunos do curso de licenciatura em Física, haja vista que nos leva a uma reflexão sobre as possíveis práticas pedagógicas adotadas na sala de aula pelo professor, além disso, o projeto possibilita a prática do futuro docente. Os alunos do EIXO VII do colégio colocavam sempre a falta de interação com o conteúdo como um empecilho para o aprendizado, pois não conseguiam se enxergar dentro da realidade dos assuntos ministrados. Para que obtivéssemos uma maior eficácia no trabalho desenvolvido com eles, utilizamos como ponto de partida os saberes adquiridos pelos alunos da EJA ao longo da vida. Construímos um aparato para que fosse observado o movimento uniforme de uma arruela solta do topo de uma haste enroscada e esperássemos que ela descesse até a base com movimento uniforme, e a cada intervalo de tempo e espaço era calculada a velocidade. Verificamos que, após o desenvolvimento e execução da atividade experimental, foi possível apresentar o assunto com maior facilidade aos alunos. Eles ainda tiveram avanços no conhecimento que rege o movimento uniforme, e a partir da prática experimental ainda conseguiram assimilar o fenômeno da aceleração, que não era nem o objetivo principal do experimento, pois apesar de saberem calculá-la utilizando a equação da aceleração média. Além disso, a turma obteve melhoras quanto a utilização do cronômetro, na medição dos intervalos de tempo, bem como uma evolução na leitura dos décimos, centésimos e milésimos de segundo. Portanto, desde que bem planejado, e elaborado com a parceria do aluno, um experimento pode ser uma ferramenta de relevância no processo de ensino-aprendizagem, fazendo com que o aluno se sinta não somente o agente receptor do conhecimento, mas um participante ativo na construção dele. Palavras-chave: PIBID, Ensino de física, EJA. 1 INTRODUÇÃO 2 Iniciativas como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) surgem com a finalidade de proporcionar aos discentes dos cursos de licenciatura uma vivência direta com a sala de aula. As experiências vividas em sala de aula agregam, com efeito, na formação dos acadêmicos. Em contrapartida, a partir de orientações, atividades, leituras, discussões e observações, os bolsistas vão às escolas no intuito de levar às discentes novas metodologias de ensino, estimulando novos formas aprendizagens com base no que aprendeu na Universidade. O objetivo de ir às escolas era apresentar alguns experimentos aos alunos com o intuito de mostrar, na prática, a teoria de alguns conceitos da disciplina física. Levamos para a sala de aula um experimento que mostrava o funcionamento do movimento retilíneo uniforme, tema da cinemática. Vale ressaltar que o experimento realizado em sala de aula de baixo custo e pode ser realizado com material reciclável, podendo qualquer docente realizar em suas aulas. Percebemos que houve interesse maior por parte dos alunos ao apresentarmos o experimento em sala de aula, os mesmos salientaram que, vendo o MRU em prática, conseguiram entender melhor as explicações e resolver os exercícios do assunto em questão. A experiência foi muito satisfatória e rica para o crescimento acadêmico do aluno do curso de licenciatura em física. A partir desta experiência, podemos depreender que a inclusão de simples experimentos em salas de aula ou laboratórios podem mudar o cenário do ensino de temas não muito próximo da compreensão do alunado. Realizar esta atividade foi muito estimulante tanto para os docentes quanto para os discentes do Colégio Estadual Dom Climério de Almeida Andrade. Percebemos também que, conforme apresentamos os assuntos, com seus respectivos experimentos, as aulas ficaram mais dinâmicas e participativas. 2 Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência De acordo com a Capes, o PIBID é uma iniciativa para a valorização e o aperfeiçoamento da formação docente para a educação básica. Os discentes selecionados no projeto realizam atividades tanto nas escolas de educação básica da 3 rede pública de ensino quanto nas instituições de ensino superior, em conformidade com os projetos do orientador. A finalidade do PIBID é que o aluno, cada vez mais, tome ciência da sala de aula e o estimule para o campo da docência. Os alunos bolsistas possuem formação especializada, uma vez que estão em contato, desde cedo, com a sala de aula. Dentre os objetivos do PIBID, salientados que é papel da instituição inserir os licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação, proporcionando-lhes oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem (CAPES, 2013). Desta forma, o discente poderá participar da vivência em sala de aula e, conforme o programa, caberá ao discente: contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura (CAPES, 2013). Um dos grandes desafios atuais no processo ensino-aprendizagem na aula de física, nas escolas, é a de estabelecer uma ligação direta entre o conhecimento transmitido ao cotidiano dos alunos, ou seja, a teoria e a prática. É notável que há dificuldade, dos docentes das disciplinas de exatas, demonstrar por outras vias os assuntos que são abordados em sala de aula. Neste aspecto, os discentes do projeto de Educação para Jovens e Adultos (EJA), possuem grau maior de dificuldade que os alunos dos cursos regulares, principalmente pela idade avançada, tempo escasso e da pouca motivação. É perceptível que a falta de motivação, principalmente para esse grupo de alunos, na maioria das vezes, é o grande fator que implica no ensino-aprendizagem, pois o problema da motivação torna-se bastante complexo, pois o professor só conseguirá de fato motivar seus alunos se for capaz de despertar seu interesse pela matéria que está sendo ministrada. Ou quando for capaz de demonstrar que aquilo que está sendo ensinado é necessário para os alunos alcançarem os seus objetivos (GIL, 2005, p. 59). 4 Seguindo a linha de pensamento de Lev Semynovich Vygotsky, faz-se necessários o uso de instrumentos para a mediação do que queremos transmitir aos alunos. Neste aspecto, o instrumento seria o mediador do que agiria entre o aluno (sujeito) e o assunto discutido (objeto), com o objetivo de melhorar o ensino-aprendizagem. Desta forma, foi necessário observar quais as dificuldades apresentadas pelos alunos e docentes do colégio para que nossa intervenção fosse mais objetiva. Utilizamos experimentos do livro Física Mais Que Divertida, do autor Eduardo de Campos Valadares, feitos com material reciclados e de baixo custo, uma vez que nem sempre a instituição de ensino possui recursos para dispensar para estes experimentos, com a finalidade de fixar o conteúdo trabalhado em sala de aula, estabelecendo, assim, ligação com as experiências vividas no dia-a-dia. 2.1 PIBID Física no Colégio Estadual Dom Climério de Almeida Andrade Desenvolvemos as atividades como bolsista do PIBID no Colégio Estadual Dom Climério de Almeida Andrade, este localizado no bairro URBIS VI, Vitória da Conquista. Com base em nossas leituras e observações in loco, optamos em realizar um experimento para simplificar a explicação de determinados assuntos/tópicos da física. Estes experimentos utilizados em sala de aula serviram como instrumentos, estabelecendo o conhecimento teórico com o prático. Por exemplo, para explicar como funciona o movimento retilíneo uniforme (MRU), assunto da cinemática, ramo da física que explica a movimentação dos corpos, utilizamos um experimento usando óleo de cozinha, mangueira, água, seringa, régua e cronômetro. O movimento Uniforme tem sua importância, pois é de grande importância para que as pessoas compreendam melhor a parte de movimento acelerado. A intenção era que, após realizar a atividade os alunos entendessem como funcionamento do MRU, reconhecer e construir gráficos do M.U. Com a montagem bem simples, conseguimos demonstrar que podemos calcular a velocidade de um objeto (gota d´água) através do tempo e espaço. 5 Figura 1 – Experimento de MRU Fonte: InfoEscola Verificamos que, após apresentar o experimento e seu funcionamento, foi possível apresentar o assunto com mais facilidade aos alunos. Quando levamos para outros campos, como por exemplo, calcular a velocidade de um carro em movimento, nos deparamos com a maior facilidade no entendimento do problema. Os PCN’s defendem que ao ensinar física, os jovens sejam capazes de lidar com as diversas situações do cotidiano. Para que isso seja feito, ele nos traz algumas competências que o ensino de Física deve promover e a capacidade de: identificar temperaturas, pressão, índices pluviométricos; no volume de alto-falantes, reconhecer a intensidade sonora (dB); em estradas ou aparelhos: velocidades (m/s, km/h, rpm); em aparelhos elétricos, códigos como W, V ou A; em tabelas de alimentos, valores calóricos. Conhecer as unidades e as 6 relações entre as unidades de uma mesma grandeza física para fazer traduções entre elas e utilizá-las adequadamente (OLIVEIRA, 2002, p. 94). A execução deste trabalho permite ao aluno romper com a ideia de que a ciência é feita como algo mágico, e abrir seus olhos para a possibilidade de assim também fazê-la. 3. Conclusão O ensino de Física tem procurado desenvolver alternativas para que se obtenha uma aprendizagem mais produtiva, participativa e também mais eficaz. Tratando-se de Educação para Jovens e Adultos (EJA) não é diferente. É um novo desafio. A EJA tem se tornado um grande desafio para o ensino, pois o modelo de ensino dominante nas escolas ainda é o de repasse de conteúdo resolução de problemas de forma técnica sem conexão com a realidade, e, se para os alunos do ensino regular já não tem sido suficiente, para os do EJA os resultados nesses moldes têm sido desastrosos. Por mais que muitos pesquisadores defendam a necessidade de mudança na forma de ensino, não conseguimos encontrar, de fato, atividades que sejam elaboradas e desenvolvidas para este público. Os PCN Ciências Naturais da EJA nos instrui a seguir um ensino que promova não apenas o conhecimento necessário para se aplicar nas provas, mas um ensino voltado para a formação de um cidadão capaz de criticar sobre as principais influências do desenvolvimento das ciências na sociedade. Lecionar implica ao docente muito mais que passar conteúdo. Nos dias atuais, com os avanços tecnológicos, é possível verificar que o interesse por parte dos alunos tem reduzidos mais matérias, ditas “complexas”. Os alunos deixam de ser meros espectadores e passam a ser, com efeito, colaboradores, interlocutores ativos s criadores de conteúdo. É preciso haver convergência entre as novas mídias com os conteúdos da matéria, e a aula é uma oportunidade. Cabe ao docente, na medida do possível, elaborar estratégicas de repassar o conteúdo de modo diferenciado. Ao fazermos com o que os alunos interajam com o assunto estudado em sala de aula, o ensino-aprendizagem é facilitado, uma vez que surge interesse pelo novo. 7 Quando o objetivo é repassar o conteúdo de modo eficiente, é perceptível no aluno o resultado de nossas ações. Pensam diferente, formulam ideias e são estimulados a desenvolver novas práticas que o ensino tradicional não permitia. Além das novas perspectivas, é possível verificar que com a interação do aluno nos assuntos abordados, o mesmo consegue utilizar em suas atividades do dia-a-dia. Com efeito, podemos depreender que a experiência realizada na sala de aula foi tanto satisfatória e rica ao discente do EJA quanto para o crescimento acadêmico do aluno do curso de licenciatura em física. 8 Referências BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Parâmetros nacionais de qualidade para a educação do ensino médio. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica: Brasília (DF), 2002. CAPES. PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. 2013. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid>. Acesso em: 18 de agosto de 2014. GIL, Antonio Carlos. Metodologia do ensino superior. 4ª Edição. São Paulo, SP: Atlas, 2005. OLIVEIRA, José Eldésio de. O ensino da física numa abordagem experimental: resignificando a prática docente. 2012. 130 f. Dissertação - UFC. Fortaleza - CE, 08/06/2012. PDF VALADADRES, Eduardo de Campos. Física Mais que Divertida: Inventos eletrizantes baseados em materiais reciclados e de baixo custo. 3ª Edição. Belo Horizonte, MG: UFMG, 2012. VIGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1987.