XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
GESTÃO DE ESTOQUES E SEUS
EFEITOS NOS CUSTOS: UMA PESQUISA
SOB A ÓTICA JIT
CarolinaKelly Pinto Barbosa Celani (UFPB)
[email protected]
Tiago Silveira Machado (UFPB)
[email protected]
Denise D Muniz (UFPB)
[email protected]
Diante de um nível de competição cada dia mais acirrado, as
empresas buscam por melhores preços de venda e menores custos de
produção. Os custos são fatia significativa em todo processo produtivo
e precisam ser tratados com atenção e seriedade, sob o risco de
comprometer toda a lucratividade e competitividade da empresa,
chegando até mesmo a inviabilizá-la. Com isso em mente, o presente
artigo traz uma visão dos ganhos possíveis quando se adota a filosofia
Just In Time (JIT) nos processos produtivos, permitindo a otimização
dos estoques, reduzindo seus custos totais e seus impactos nas finanças
da empresa. Por meio de uma pesquisa bibliográfica e de uma
pesquisa empírica em uma gráfica industrial foi possível vislumbrar
algumas orientações pertinentes que auxiliam na tomada de decisões e
apoiam medidas que permitirão eliminar níveis de estoque que não
agregam valor e que ainda geram desperdícios.
Palavras-chave: gestão de estoques, custos, just in time
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
1. Introdução
A boa gestão de custos tem seu grande objetivo na maximização dos lucros, cuja eficácia mais
contundente é a conquista natural da liderança em custos. Esta é a estratégia competitiva
principal para levar uma empresa a conquistar mais fatias e permanência assegurada no
mercado (POMPERMAYER; LIMA, 2002). Essa afirmativa nos leva a depreender que
uma gestão de custos eficiente pode ser determinante para o sucesso de uma empresa, pois
como bem sabemos, o lucro é, sem dúvida, o principal objetivo de mercado.
Os custos inerentes as atividades de uma organização são determinantes para uma maior ou
menor lucratividade. Isso se explica porque o preço final para o consumidor é estabelecido em
grande parte, pelo mercado, e não de acordo com os custos agregados as atividades acessórias
daquela organização. Nessas atividades estão incluídos os serviços logísticos (LAVIE, 2006).
Estes serviços estão presentes desde a aquisição da matéria-prima ou produto acabado até a
entrega atendendo as condições impostas, promovendo satisfação e superando as expectativas
do consumidor final (ARBACHE et al., 2002).
Na gestão estratégica considera-se que é redundante afirmar que toda essa operação logística
gera um custo e que ele não pode ser agregado ao valor final do produto. A partir dessa
premissa, a gestão deve elaborar ou utilizar de práticas que reduzam esse custo e ainda
agregue valor ao produto no final do processo (GRANT, 1991). O controle de entrada das
mercadorias ou na movimentação das mesmas dentro do armazém, o conhecimento dos custos
que incidem em cada operação apoia decisões importantes das equipes de estratégia e
planejamento. Ações para definir tamanho ou diminuição dos lotes, escolha e descarte de
fornecedores, a escolha de modal utilizado para entrega, layout da fábrica ou armazém, e o
modo como as mercadorias são armazenadas e movimentadas em um determinado depósito,
indicam a variação no montante dos custos que irão incidir nessas operações (PIGATTO;
ALCANTARA, 2007).
De acordo com Dutra (2003), entende-se como custo, o gasto que aplica-se no processo da
produção ou ainda, em qualquer outra operação que gere gasto, esse sendo pago ou não. Para
que as empresas atinjam o objetivo de se manterem competitivas no mercado é necessário
conhecer e implantar um sistema de levantamento de custos que lhes dê suporte. Na opinião
de Pompermayer e Lima (2002), faz necessário que a empresa venha ter uma visão gerencial
2
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
de custos em que leve em consideração alguns aspectos como: a intensa concorrência a que
estiver submetida a empresa, e, a implantação de um método que lhe permita conhecer seus
custos.
Como alternativa para essa necessidade, o sistema JIT (do inglês, Just in Time) se caracteriza
por enfatizar em processos que reduzam os níveis de estoque em toda a cadeia produtiva e
custos
envolvidos
na
movimentação
desses
materiais
também
sejam
reduzidos,
proporcionando melhoria contínua e a eliminação dos desperdícios (Slack et al., 2002). Com
base nessas premissas, foi feito um levantamento bibliográfico buscando entender como as
práticas do sistema JIT são eficazes para redução dos custos envolvidos nos processos de
controle de estoque da cadeia de suprimentos e em contrapartida buscou-se verificar se uma
empresa que não implanta tal sistema é eficaz no seu controle de estoque.
O presente trabalho justifica-se não só por buscar entender como as práticas JIT são eficazes
para o controle de estoque, como também busca obter dados importantes que espelhem a real
situação do controle dos custos a partir do nível dos estoques de uma empresa da indústria
gráfica, a qual não emprega o modelo supracitado. Essa problemática é também importante
pelo fato de reduzir a carga de trabalho dos colaboradores, pois, com menos estoque, há
menos movimentação e, de contra partida reduz-se os custos logísticos de mão de obra direta
e indireta. Segundo Trigueiro (2007), quanto maior o nível de estoque, menor o dinheiro
disponível para investimento em outras atividades e capital investido em elevados estoques é
reconhecido como capital parado em armazém, ou seja, não gera rentabilidade.
2. Revisão teórica
A Logística agrega valor ao produto e até mesmo às empresas e organizações em sua
totalidade, pois é capaz de auxiliá-las na agregação e valor ao cliente. Porém, se mal
administrada, essa atividade pode se tornar bastante onerosa para a empresa. Em se tratando
de Brasil, onde as condições das estradas não são muito favoráveis, esse custo pode ser ainda
maior. Essa declaração ganha ainda mais relevância quando Arbache et al., (2006) destaca
que a logística se expande de tal forma, que na gestão dos negócios adquiriu um perfil
estratégico para as organizações, em função das modificações e tendências ocorridas nos
últimos anos, inclusive no Brasil.
3
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
2.1 Just in Time
Traduzindo para o português, Just in Time significa “no tempo certo”, “no momento certo”.
Os japoneses, por terem espaço e recursos restritos e estarem se reerguendo de uma guerra
introduziram a filosofia Just in Time em suas operações para que, assim, evitassem os
desperdícios que, em sua situação na época, precisava ser o mínimo possível (MOREIRA,
2012).
A empresa Toyota é conhecida por ser pioneira em aplicar as técnicas do JIT em seu processo
produtivo. Para Arbache et al., (2006), Para obter melhoria no processo produtivo, a Toyota
desenvolveu um sistema que visa erradicar as atividades repetitivas, com o objetivo de
diminuir os custos de produção. Acordando, Slack et al., (2002), ressalva que o JIT tem a
finalidade de atender à demanda de imediato, com qualidade e sem desperdícios. Esse intuito
de eliminar desperdícios leva a abordagem JIT a procurar abolir os estoques intermediários,
fazendo com que os materiais somente sejam movimentados quando haja necessidade real.
Ainda de acordo com Arbache et al., (2006), ao contrário do que muitos pensam, o JIT não
preconiza que seja necessário trabalhar com estoque zero, mas sim que a busca de níveis cada
vez mais baixos de estoque levará a empresa a encontrar o nível de estoque adequado na
cadeia de abastecimento. Nesse contexto, é preciso realizar um controle e verificar quais as
reais necessidades e capacidade da empresa a nível de estoque. Pois deste modo, a empresa
pagará um preço por não ter aquele produto em estoque e outro por tê-lo em excesso. É com
foco nessa reflexão que no próximo tópico são apresentadas a diferença dos custos de perda e
de excesso.
2.2 Custo de perda e Custo de excesso
Uma empresa precisa definir através de seus históricos, os custos de perda e de excesso de seu
estoque. Esse cálculo é realizado através da taxa de oportunidade. Através dessa taxa é que
poderemos saber qual o real custo de se ter estoque sobrando ou de deixar faltar o produto.
Segundo Moreira (2012), como exemplo desse custo, reflete-se as consequências das vendas
perdidas, perda de imagem, perda de concluir negócios em razão da indisponibilidade de
material, ou ainda a entrega ao consumidor ocorra excessivamente em atraso.
4
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
É de suma importância que os dados sejam minuciosamente calculados e colocados em
gráficos, para que fique claro onde se ganha e onde se perde (TRIGUEIRO, 2007). O tópico a
seguir apresenta os custos envolvidos nos processos logísticos.
2.3 Conhecendo Custos Logísticos
A atividade logística implica em vários custos para sua operação ser realizada. Para alguns
pesquisadores essa atividade está se tornando o grande diferencial competitivo no mercado.
Segundo Rosa (2007), o ambiente empresarial é bastante competitivo, nesse sentido a
manutenção da carteira de clientes e a obtenção de lucro, estão relacionados a redução dos
custos. São consideradas primárias, algumas das atividades da logística, isso porque ou elas
contribuem com a maior parcela do custo total ou elas são essenciais para a coordenação e a
realização da tarefa Logística (BALLOU, 2006).
Como a atividade Logística visa atuar como prestador de serviços de outras atividades da
empresa, o consumo dos recursos associados a esta atividade foi tratado como custos, assim
como são tratados por todos os autores e profissionais ligados à atividade Logística. Para
melhor compreensão, são listados em outro tópico, os custos inerentes a essa atividade.
2.4 Custos Logísticos no Brasil e no Mundo
Os dados a seguir, foram obtidos com base na pesquisa do Núcleo CCR de Infraestrutura e
Logística da FDC - Fundação Dom Cabral. O Brasil apresentou em 2010, uma taxa nos seus
custos logísticos de 12% do PIB. Comparado aos EUA, onde esses custos são de 8%, o país
perde cerca de 83,2 bilhões de reais por ano.
Ainda de acordo com a pesquisa da FDC, ao compararmos o BRICS (Brasil, Rússia, Índia,
China e África do Sul), sigla que significa economicamente um grupo de países que, somados,
apresentam um PIB pela paridade do poder de compra no valor de 25% do PIB mundial, o
Brasil apenas leva vantagem no item entrega rápida. Porém, para ter essa vantagem, o país
precisa ter altos volumes de estoques próximos aos seus clientes e, com isso, aumentar seus
custos logísticos.
5
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
2.5 Conhecendo o estoque
Não é possível pensar em estoque sem ter a devida preocupação com os custos logísticos
inerentes a ele. Nesse contexto, são entendidos como estoque o montante vindo do
fornecedor, os produtos semiacabados e os produtos acabados. Para Chiavenato (1991),
estoque é a conciliação de materiais em processamento, materiais semiacabados e materiais
acabados. Assim sendo, para atender futuras necessidades, precisam existir na empresa,
mesmo sem uso imediato, sendo que o acúmulo de estoques em níveis adequados é uma
necessidade para o sistema produtivo funcionar de forma apropriada.
Uma empresa que define e determina quais são os processos produtivos adotados e como a
gestão dos estoques será conduzida, terá melhores condições de calcular os níveis de estoque
necessários para que o processo seja continuo sem esperas e grandes intervalos por falta de
matéria prima ou material semiacabado e, portanto, terá dados suficientes para transformá-los
em informação precisa a respeito dos custos que incidem na sua produção, sabendo assim qual
o real problema a ser enfrentado.
Quadro 1 – Custos Logísticos
6
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
TIPO DE CUSTO
Custo de armazenagem
DEFINIÇÃO
Armazenagem é definida como toda a atividade
de um ponto destinado à guarda temporária,
sucedendo a distribuição de materiais. Os custos
de armazenagem são gerados pela produção que
não é vendida, assim torna-se um impacto
negativo ao resultado. Em específicos, os
produtos de pouco giro de estoque, também são
considerados produtos obsoletos.
Custos de estoques
São aqueles gerados a partir da necessidade de
estocar materiais. Investir em estoque custa
dinheiro, empata capital e enfatiza a questão de
custo de oportunidade, ou seja, o valor que a
empresa perde, imobilizando o capital em
estoque.
Custo com transportes
São todas as despesas relacionadas à
movimentação de materiais fora da empresa.
Inclui a depreciação de veículos (frota própria)
e gastos com pneus, combustíveis e
manutenção.
Custo de inventário
Os inventários visam checar os saldos reais
físicos dos estoques periodicamente, com os
registros contábeis efetivamente ocorridos nesse
mesmo período.
Consiste em verificar através de arranjos de
simulação, qual é o lote de compra (ou conjunto
de produtos) que tem o menor custo total, ou
seja, o somatório de todos os custos que incidem
nas operações da empresa.
Custos de lote
EXEMPLOS
Custo do armazém – inclui
aluguel,
impostos,
luz,
conservação;
Custo do manuseio de estoques –
inclui o uso de empilhadeiras,
guindastes, separadores, tratores
e,
Custo de pessoal – salários e
encargos.
Custo
com
impostos
–
pagamento de taxas e impostos
diversos;
Custos com seguros – seguros
contra incêndios ou roubo de
produtos e;
Custo com manutenção de
estoques
–
depreciação,
obsolescência, furtos e roubos.
Depreciação
do
veículo,
remuneração de capital, taxas
anuais do veículo, seguros e
salários.
E como
custos
variáveis:
combustível,
manutenção e peças; trocas de
óleo e lavagens, graxas e pneus.
Inventario de diversos itens por
período.
Prática de desconto para
compras de grandes quantidades.
Fonte: Autores, baseado em Moreira (2012)
2.6 A filosofia de operações do Just in Time
A busca pela melhoria contínua proposta pelo modelo JIT é bem clara ao definir o fim dos
desperdícios. Slack et al., (2002) enfatiza que “o Just in Time visa atender à demanda
instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios”. Sendo observado bem de perto
o desperdício com estoque. Um exemplo citado por Slack et al., (2002) relatou que empresas
japonesas da indústria naval atingiram um nível de capacidade produtiva tão eficiente que
possibilitava aos estaleiros solicitar entregas de aço no momento em que seriam necessitados,
reduzindo assim, o nível de estoque de aproximadamente um mês para três dias. Através
7
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
dessa prática, visivelmente vantajosa, outros setores da indústria japonesa aderiram ao
modelo.
O desperdício pode ser definido como qualquer atividade que não agrega valor e não são
necessários ao trabalho efetivo (SLACK et al., 2002; BORNIA, 2010). Slack et al., (2006)
trazem um exemplo da Cummins Engineering, um fabricante de motores que mudou seu
processo produtivo para o Just in Time. Ao iniciar sua implantação, ela realizou um
levantamento para determinar qual o seu lead time de fabricação, ou seja, o tempo total entre
o momento em que o pedido é feito e aquele em que é recebido”. (Chopra apud Arbache et
al., 2006).
Esse estudo mostrou que o motor estava efetivamente trabalhando em apenas 15% do tempo
em que se encontrava na fábrica. O pior índice de resultado foi um percentual de 9%, o que
significa que em 91% do tempo de produção ele estava agregando custos, e não valor. A
Toyota prega em sua gestão que, identificar os desperdícios é o primeiro passo para eliminálos. Em seus estudos, a empresa identificou sete tipos de desperdício, os quais formam a base
da filosofia JIT. São eles descriminados no quadro 2:
Fonte: Autores, baseado em Slack et al., (2002).
2.7 Gestão de Estoques
8
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
Trigueiro (2007) defende que o principal objetivo dos setores de gerenciamento de estoques é
a constante monitoração dos níveis de todos os ativos armazenados. E ainda, destaca a
relevância da revisão, acompanhamento e atualização periódica dos conteúdos estocados, bem
como suas flutuações de consumo e os tempos de ressuprimento.
Nesse contexto, é importante levantar dados de maneira precisa e que permitam definir, por
exemplo, quais serão os tamanhos dos lotes e quanto tempo os fornecedores levam para
entregar um pedido solicitado e, através dessas informações, determinar qual será o montante
dos estoques de segurança. As atividades inerentes a gestão de estoques, de acordo com Dias
(2005), podem ajudar a elaborar uma política correta para administrar os estoques, pois sugere
a adoção de algumas regras simples e práticas como, conforme apresentado no quadro 3.
PRÁTICA
Evite manter estoques de
produto acabado
Estabeleça uma relação de
confiança com o seu
fornecedor
Reorganizar o mix da
empresa
Padronize suas peças e
equipamentos
Estabeleça o ponto de
pedido
Cuidado com o custo do
dinheiro
Limpe o almoxarifado
Harmonize a
com vendas
produção
Quadro 3 – Praticas para Gestão de Estoque
DESCRIÇÃO
Manter esses estoques onera os custos de produção em até 60%. Essa prática
corrobora com o objetivo do sistema JIT que visa eliminar esse tipo de estoque e
trabalhar com o processo de produção puxada. Relatos que qualquer movimento
de produção somente é liberado, na medida da necessidade sinalizada pelo usuário
da peça ou componente em fabricação, para que se tenha controle preciso do nível
de estoque no armazém.
Conforme o JIT, a colaboração com o seu fornecedor traz vantagens para ambos.
Essa relação de confiança e parceria é bastante favorável, tanto para quem vende
quanto para quem compra.
É um procedimento realizado por meio da análise da curva ABC, a qual determina
quais são os itens mais rentáveis para a empresa. Classifica-se por meio de
investigação, quais os produtos que mais contribuem para um bom resultado final.
Prática essa, aprovada pelo JIT, pois permite que sejam produzidos ou comprados
apenas materiais sob encomenda.
Um exemplo dessa sugestão foi implantado pela GM, na sua fábrica dos EUA,
onde são produzidas as marcas Chevrolet, Pontiac e Oldsmobile. Os carros dessas
marcas usam o mesmo chassi, o que reduz substancialmente seus custos de
produção e estocagem.
Ponto de pedido é o momento em que é necessário realizar um novo pedido. É
calculado usando técnicas de estatística, nas quais influem as probabilidades e
desvio-padrão do prazo de entrega dos itens solicitados. Com esse dado, é possível
definir a carteira de fornecedores da empresa.
Dinheiro tomado como empréstimo para compra de estoque pode ficar muito mais
caro do que o próprio estoque, levando em consideração as altas taxas de juros.
A exemplo, uma grande empresa que matinha em seu almoxarifado 20 mil itens,
dos quais a metade não era utilizada havia mais de cinco anos. O resultado desse
levantamento foi a mudança desse número para 05 mil itens. Só nessa ação foram
cortados 75% dos custos para se manter o estoque.
O entrosamento entre o departamento de vendas e o de produção, resultam ações
positivas. Quando ocorre uma modificação nas especificações de um produto e a
negociação é feita apenas entre o cliente e o setor de vendas, não há como saber
se a produção está preparada para esta nova especificação do pedido. Essa falha
de comunicação pode acarretar retrabalho, afetando os custos, a qualidade dos
produtos e os serviços logísticos.
Fonte: Autores, baseado em Dias (2005)
9
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
3. Procedimentos metodológicos
Quanto aos procedimentos metodológicos utilizados, a pesquisa pode ser considerada como
método de pensamento reflexivo que requer um tratamento cientifico (MARCONI;
LAKATOS, 2012) identificando no sistema Just in Time, práticas de controle de estoque que
reduzam os custos logísticos de um armazém e aplicação empírica dos conceitos teóricos, por
meio de estudo de caso (YIN, 2001).
Essa pesquisa foi construída levando-se em consideração sua natureza, suas características,
áreas, sujeitos, e instrumentos de coleta, ordenamento e análise dos dados. Quanto à natureza,
ela foi de caráter quantitativo e qualitativo, uma vez que foram coletados dados a partir do
resultado de fórmulas e procedimentos utilizados para levantamento dos custos de estoque.
Com isso, obtivemos os dados que a quantificaram e qualificaram.
Os dados de pesquisa serão relatados por meio das ferramentas que são determinantes para o
alcance de resultados que mantenham o nível de competitividade da empresa. Segundo
Vergara (2006), na coleta de dados, o leitor deve ser informado como o autor pretende obter
os dados de pesquisa para responder ao problema.
O estudo empírico foi desenvolvido em uma indústria gráfica da cidade de João Pessoa/PB.
Trata-se de uma empresa que já está no mercado há mais de 30 anos, trabalha atualmente com
cerca de 200 colaboradores diretos e terceirizados, além de possuir uma carteira de clientes
consolidada na área de promocionais, editoriais e industriais. O estudo foi desenvolvido entre
os meses de julho e agosto de 2014, junto aos Setores de Compras e Almoxarifado, onde
foram feitas entrevistas semiestruturadas que duraram 36 e 47 minutos respectivamente.
A entrevista buscou levantar, caso existam, ações realizadas para definir o tamanho e a
diminuição dos estoques, como era realizada a escolha dos fornecedores, o modal utilizado
para entrega, o layout da fábrica e do armazém, a maneira como as mercadorias são
armazenadas e movimentadas. Para obter conhecimento acerca do nível de estoque e do
tempo de ressuprimento, foi realizada uma classificação ABC nos estoques de materiais da
empresa.
Além disso, foram coletados dados secundários no software de gestão referentes a demanda
anual, custo médio de estoque e informações correlatas a pesquisa. Informações referentes aos
10
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
itens de estoque serão tratados de modo confidencial conforme acordo previamente
estabelecido com a empresa examinada.
4. Descrição e análise dos resultados
O primeiro passo, foi a realização da classificação ABC no estoque de papel, considerado o
principal insumo da empresa, e a partir de então, foi possível determinar quais tipos
apresentam maior demanda. Assim, dos 201 tipos de papel analisados, a tabela 1 demostra
que na classificação, a curva A têm dez tipos de papéis representam cerca de 5% da
quantidade total, e representavam mais de 65% do valor de estoque. A curva B contém 29
tipos de papéis, o que corresponde a 14,43% do total e representa pouco mais de 22% do valor
de estoque, enquanto na curva C os 162 tipos restantes, representam cerca de 80% dos tipos
de papéis, possuem pouco mais de 12% do valor do estoque.
Tabela 1 – Classificação ABC
Determinados os itens de maior importância no estoque, foi feita uma análise dos itens da
curva A, com relação ao consumo médio mensal, estoque médio, custo da folha em estoque,
custo médio de estoque, tempo de cobertura do estoque e tempo de ressuprimento dos itens. A
partir daí, foi elaborada a Tabela 2 que mostra a situação do estoque no período em que a
pesquisa foi feita. Analisando o estoque médio, constatou-se com base no consumo médio
mensal, todos os itens apresentam pelo menos, quatro meses de cobertura do estoque, em
alguns casos como o item B, D e A, estes apresentam estoque para 9,2, 7,9 e 7,4 meses de
consumo médio. Essa quantidade e cobertura de estoque mostrou-se bastante excessiva. O que
11
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
nos remete novamente ao aporte teórico que trata de forma negativa, estoques altos e sem real
necessidade diminui a rentabilidade da empresa.
Investigando os motivos que levaram a essa quantidade elevada de estoque, foi afirmado que
o tempo de ressuprimento era muito alto, assim, era necessário ter um estoque de segurança
que atendesse a demanda de consumo. Assim, foi feito uma análise onde foi possível
encontrar os tempos médios de ressuprimento para cada item. Além disso, descobriu-se que o
cálculo de necessidades do item estava sendo feito com uma expectativa de crescimento a
uma taxa de 10% sobre a demanda, assim, gradativamente, a cada novo pedido o lote de
compra era aumentado em cerca de 10% do pedido anterior o que levou a estes números no
estoque.
Sabendo que estes itens representam 65% do estoque de papel da empresa, constatou-se que o
custo médio de estoque está em cerca de R$ 3,6 milhões, o que é muito significativo, tendo
em vista o porte da empresa e o capital imobilizado nesse estoque. Assim, foi feito um estudo
com base nos princípios de gestão de estoque, dentre eles o Lote Econômico de Compra e
apresentado aos gestores de Compras, Almoxarifado, Gerência Financeira e a Diretoria
Administrativo-Financeira, entretanto, os resultados apresentados foram vistos com bastante
cautela por parte do Gerente Financeiro e pelo Diretor Administrativo-Financeiro, assim,
chegou-se ao consenso de que o estoque deveria ser reduzido para um tempo de cobertura de
3,5 meses para os itens da curva A.
Tabela 2 – Análise de Estoques
12
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
A Tabela 3 mostra que a empresa poderá reduzir seu capital imobilizado de R$ 3,6 milhões
para pouco menos de R$ 970 mil, haja vista que além disso, a empresa passará a ter maior
espaço físico no seu estoque, o que é visto como um problema atualmente. Esta redução pode
levar a uma fluidez de pelo menos R$ 2,6 milhões de capital que no momento do estudo
encontrava-se imobilizado, o que pode levar a empresa a investir este capital em outras áreas
vistas pela direção como prioritárias.
Tabela 3 – Análise de Estoques
Partindo do tempo médio de ressuprimento apresentado na Tabela 2 que é de 1,6 para 3,5
meses, nota-se que ainda há uma margem significativa para economia, além disso, os altos
níveis de estoque estão totalmente desassociados dos princípios JIT no estoque tornaram-se
inviáveis, caso a empresa insista em manter a política anterior de manutenção de altos níveis
de estoque. Ressalva-se que há uma divergência constatado nesse estudo que é o fato de se
utilizar uma taxa de 10% para aumento do lote de compra, o que no decorrer dos anos
13
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
proporcionou um inchaço nos estoques. Vale destacar que não foram identificadas na
literatura nenhuma referência a essa política de estoque, o que foi pesquisado foi exatamente o
oposto, seguindo para redução de estoques e uma maior proximidade dos fornecedores para
que as filosofias como JIT fossem implantadas.
5. Conclusões
Principal pauta das reuniões de planejamento de uma organização, a redução de custos e o
aumento dos lucros são fundamentos indiscutíveis da gestão e alimentam os processos
decisórios da alta cúpula diretora. A logística pode assumir um papel determinante na
agregação de valor aos processos produtivos. O pleno conhecimento sobre estes custos e a
prática de trabalhar com os estoques reduzidos e bem administrados favorecem toda a cadeia
produtiva e a própria logística em si, sendo esse o objetivo proposto pelo modelo JIT, quando
estimula o planejamento sério, as constantes reavaliações internas, e o minucioso
levantamento dos dados que causam impactos nos custos em todas as etapas de produção.
Com relação ao estudo empírico, foi possível constatar que esta empresa apresenta um grande
potencial para redução não só dos seus custos logísticos como também obter uma maior
rentabilidade ao reduzir o nível de estoque. Constatou-se também, que ao realizar uma
simples investigação a partir de uma ferramenta tão simples como a curva ABC é possível
obter dados preciosos para a gestão de estoque. Outro fator importante é a falta de um sistema
de seleção de fornecedor, leva as empresas a manterem altos níveis de estoque. Uma das
limitações deste estudo foi o fato de se ter utilizado apenas 10 itens de estoque de um
determinado tipo de insumo, entretanto, futuros estudos podem identificar outros pontos de
redução de custos de estocagem, além disso, é sugerido o estudo de outros casos tanto na
indústria gráfica como em outros seguimentos para efetuar comparativos com relação ao grau
de evolução dos níveis de estoque da empresa e do potencial de redução de cada caso.
14
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
Por fim, um sistema de medidas e métodos que podem trazer benefícios a empresa como um
todo e proporcionam um sistema produtivo competitivo, atacando principalmente o
desenvolvimento de produtos, a cadeia de suprimentos (SANTOS; RODRIGUES, 2006),
pode ser os passos iniciais para o desenvolvimento e implementação de ferramentas que
proporcionem a redução de estoques agregando valor as atividades, reduzindo por sua vez o
desperdício.
REFERÊNCIAS
ARBACHE, F. S.; SANTOS, A. G.; MONTENEGRO C.; SALLES W. F. Gestão de Logística, Distribuição e
Trade Marketing. 3ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2006.
BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5ª ed. Porto Alegre:
Bookmam, 2006.
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; DA SILVA, R. Metodologia científica 6ª ed. São Paulo: Pearson Hall, 2007.
CHIAVENATO, I. Iniciação à administração dos materiais. São Paulo: Makron, 1991.
DIAS, M. A. P. Administração de Materiais: princípios, conceitos e gestão 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005.
DUTRA, R. G. Custos uma abordagem prática. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2003.
GRANT, R. M. The resource-based theory of competitive advantage: implications for strategy formulation.
California Management Review, v.33, n.3, p. 114-135, 1991.
LAVIE, D. The competitive advantage of interconnected firms: an extension of the resource-based view.
Academy of Management Review, v. 31, n. 3, 638–658. 2006.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa,
amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação dos dados, 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MOREIRA, D. A. Administração da produção e operações. 2ª Ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
PIGATTO, G.; ALCANTARA, R. L. C. Relacionamento colaborativo no canal de distribuição: uma matriz para
análise. Gestão & Produção, São Carlos, v. 14, n. 1, p. 155-167, 2007.
POMPERMAYER, C. B.; LIMA, J. E. P. Gestão de Custos. In: Finanças empresariais/FAE Business School.
Curitiba: Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, 2002. v. 4. p.49-68.
15
XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
ROSA, A. C. Gestão do Transporte na Logística de Distribuição Física: uma análise da minimização do custo
operacional / Adriano Rosa –Taubaté: 2007 90p.
SANTOS, N. Logística e Produção: Um estudo sobre a aplicação da filosofia Just-in-time e a eficiência do
serviço logístico da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos DR-PI, UFPI, 2011.
SANTOS, A. M.; RODRIGUES, I. A. Controle de estoque de materiais com diferentes padrões de
demanda: estudo de caso em uma indústria química. Gestão e Produção. v. 13, n. 2, p. 223-231, 2006.
SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2009.
TRIGUEIRO, F. G. R. Administração de Materiais e das Compras “Um enfoque prático” – Visão Logística
– 7ª ed. – Recife: Focus edições, 2007.
VELOSO, Á. L. Sistemas de custos da produção: a gestão de custos fabril para a competitividade. IV Congresso
Internacional de Custos, Anais. UNICAMP, Campinas - SP, outubro, 1995.
YIN, R. K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 2. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
16
Download

gestão de estoques e seus efeitos nos custos: uma