INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SUL-RIO- GRANDENSE CAMPUS PELOTAS-VISCONDE DA GRAÇA (CaVG) A CONTRIBUIÇÃO CRÍTICA DO GESTOR AMBIENTAL SOBRE O LAUDO DE IMPACTO SOCIOAMBIENTAL DE UM EMPREENDIMENTO E SEUS POSSÍVEIS EFEITOS DENTRO DE UMA COMUNIDADE Conflitos vívidos por moradores da BR116 RELATÓRIO DE ATIVIDADES DE PESQUISA PATRÍCIA PIRES NUNES CHARQUEADAS, 27 DE AGOSTO DE 2015. INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SUL-RIO- GRANDENSE CAMPUS PELOTAS-VISCONDE DA GRAÇA (CaVG) A CONTRIBUIÇÃO CRÍTICA DO GESTOR AMBIENTAL SOBRE O LAUDO DE IMPACTO SOCIOAMBIENTAL DE UM EMPREENDIMENTO E SEUS POSSÍVEIS EFEITOS DENTRO DE UMA COMUNIDADE Conflitos vívidos por moradores da BR116 RELATÓRIO DE ATIVIDADES DE PESQUISA Relatório apresentado como requisito para participação na IX Mostra de Ciência e Tecnologias do IFSUL – Campus Charqueadas PATRÍCIA PIRES NUNES CHARQUEADAS, 27 DE AGOSTO DE 2015. Sumário Introdução ............................................................................ Erro! Indicador não definido. Desenvolvimento .................................................................. Erro! Indicador não definido. Conclusão ............................................................................ Erro! Indicador não definido. Referências .......................................................................... Erro! Indicador não definido. Introdução O artigo apresenta alguns resultados do trabalho de conclusão apresentado e aprovado junto ao Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental do CaVG-IFSul. O presente trabalho tem por objetivo analisar a percepção dos moradores sobre os impactos socioambientais sentidos e sofridos pela comunidade da BR 116 Pelotas/RS, devido a duplicação que está sendo realizada. O local escolhido foi o trecho que parte do ponto do trevo da Empresa Oderich ao trecho em que a BR 116 e a BR 392 se cruzam A escolha do tema se baseia, na preocupação de como o gestor ambiental -minha área de formação - deve agir nestes procedimentos de realocação de famílias, seu entendimento de ambos os lados social e ambiental, identificando as inter-relações dos mesmos, com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável. Justifica-se por ser interligada as minhas relações, sendo moradora de um dos bairros afetados pelas obras. Esse processo também vem ocasionando impactos em bairros vizinhos, como exemplo, o transtorno e aumento de trânsito de veículos, devido aos desvios nas estradas onde ocorrem as obras. Tal processo acaba por danificar outras ruas, pela frequente presença de caminhões com cargas pesadas, em calçamentos que não possuem estrutura para suportar tal peso. O que preocupa os moradores do bairro vizinho seria a situação que a avenida se apresenta agora, mesmo depois da situação dos desvios regularizada, a danificação continua presente na avenida, sendo que a empresa não se responsabilizou por este transtorno. Como foi evidenciado em algumas entrevistas publicados no jornal diário da manhã, do dia 16 de setembro de 2014, cedida pelo vereador Vicente Amaral: Os transtornos começaram em meados de 2013, quando ocorreram os primeiros encaminhamentos da obra naquela região. Devido aos procedimentos necessários, como demolições e trânsito de cargas pesadas, muitos estragos foram feitos nas vias; o grande problema é que os responsáveis não realizaram o reparo dos estragos até presente data. (Diário da manhã, 2014. p. 6) E ainda na mesma reportagem o vereador, salienta os problemas encontrados nessa avenida como se deslocar: [...] inundações, lama, vias danificadas, bloqueios nas entradas e saídas, e inclusive no principal acesso do bairro pela BR-116. (Diário da manhã, 2014. p. 6). Soma-se a isto, o problema enfrentado pela suspensão do transporte coletivo, diante da alegação da empresa que presta serviço, de que nesta localidade se torna inviável a passagem do mesmo frente às precárias condições da via. Esses impactos deveriam ser mencionados no laudo, buscando o controle e minimização dos mesmos, o que não fora efetuado. O problema de pesquisa discutido se apresenta na seguinte questão: “Com o crescimento ou ampliação na construção de empreendimentos, de que forma o gestor ambiental pode contribuir nos processos de realocação analisando os possíveis impactos de forma a considerar as relações sociais, culturais e ambientais vivenciadas no contexto de origem?” A pesquisa teve como objetivo geral verificar a forma de gerenciamento e monitoramento do patrimônio imaterial socioambiental da comunidade, afetada por esse empreendimento de duplicação da BR 116. E nesta apresentação irá focar na percepção dos moradores sobre os impactos que a obra ocasiona. Além de relacionar de que forma o gestor ambiental pode contribuir como mediador de idéias entre comunidade local e empresa, diminuindo a grande distância entre os mesmo e amenizando possíveis impactos sofridos à longo prazo. A busca por respostas se realizou a partir da metodologia qualitativa, com a realização e gravação de entrevistas, observações e apreensão de imagens como parte da coleta de dados. O registro de dados se fez através da gravação em áudio das entrevistas, uso do diário de campo, degravação das entrevistas e imagens. A análise de dados se baseou na metodologia etnográfica e documental, considerando-se os espaços públicos de sociabilidade. Assim partindo com a ideia de que mesmo com os projetos que estão previstos no laudo ambiental feito pela empresa, estes não conseguem suportar nem mesmo suprir todas as necessidades para retirada e acompanhamentos destas famílias, além de que o fator social não ocupa o espaço necessário para defesa e preservação do patrimônio socioambiental material e imaterial da região. Desenvolvimento Na realização deste trabalho foram discutidas questões centrais enfatizando-se o diálogo entre as Ciências Humanas e Ambientais. Para dar conta foram priorizados os seguintes temas: “Progresso e projetos de desenvolvimento: será que a mudança para melhorar a vida, melhora?” Na discussão apresento as ideias de Waldman 2006 e Sposito 2000, que problematizam as dinâmicas sociais, culturais e econômicas que envolvem na decisão de instalar um empreendimento. Evidencio o modelo capitalista, que é dado como um fator que melhora a qualidade de vida que assentada sobre categoria “desenvolvimento”, se tornou um dos responsáveis por gerar as primeiras desigualdades sociais. Quando o crescimento desenfreado das cidades sai do controle dos órgãos, acaba dando origem as periferias e moradias impróprias. Na sequência apresento a crítica ao “modelo econômico capitalista e os grandes empreendimentos”, onde em discussão Capra 2005 e Leff 2010, apresentando a economia como o desenvolvimento de um país, e o equivoco existente sobre esta. Partindo do principio que todos deveriam se desenvolver e crescer juntos quando isto não ocorre se encontra a crise econômica hoje vista. Na continuidade apresento a discussão: “Laudos ambientais: algumas questões”, onde apresento a importância de elaboração dos mesmos, diante da abrangência do estudo detalhado da região em todos os seus aspectos social, ambiental e econômico. Ainda apresento as leis que se inserem neste estudo assim o aprimorando e defendendo os direitos tanto do meio ambiente quanto do homem. Além de referenciar a importância de um profissional com amplos conhecimentos para realização deste laudo, contextualizo o papel das universidades na formação de profissionais com ética e saber capazes de associar o conhecimento técnico e o popular na tomada de decisões. E por fim venho a discutir “O patrimônio imaterial cultural e a sociedade”, onde apresento ideias de autores como Laiara 2009, que evidenciam a importância da preservação da cultura de um grupo, que muitas vezes acaba sendo esquecida na tomada de decisões. A importância da percepção de que naquele local se formou um grupo que não poderá ser encontrado em nenhum outro espaço, o que por si justifica realização de monitoramento a fim de perceber como estas famílias irão se adaptar em um novo local com novos costumes. A pesquisa se deu com dois grupos de informantes: Um grupo em que os moradores permaneceram em sua residência, mas consequentemente foram atingidos pela obra, necessitando realizar um recuo em suas residências. E os moradores que foram atingidos diretamente pela obra, e necessitaram ter sua casa removida do local. Na análise de dados foram encontrados pontos positivos e negativos para os moradores, assim gerando respostas parcialmente por não ter acesso diretamente as informações da empresa responsável. Dentre os pontos positivos relatados nas entrevistas fica explicito o fator progresso da região na visão de alguns moradores, a duplicação contribui para fluir o trânsito da BR. E para vários dos comerciantes do local, se tornou positivo por dar uma maior visibilidade do comercio e contribuindo para higienização do mesmo, como relata um dos moradores: [...] Realizamos intensamente limpezas no estabelecimento na maioria das vezes, na parte da manhã e da tarde, mas os produtos estão sempre com poeira o que gera uma má impressão em nossos clientes”. Dentre os pontos negativos que ficaram presentes neste processo se destaca o fator comunicação, o que foi responsável por diversos conflitos entre moradores e empresa como mencionado nas entrevistas. O pouco contato da empresa com essas famílias apenas duas reuniões, não foi capaz de suprir as duvidas dos moradores. A incerteza sobre como seria o processo de remoção das casas, informações sobre: indenizações, tempo para sair do local, entre outras coisas, eram desconhecidas pelos moradores. Como foi relatada por um deles: [...] A empresa não nos responder já está nos interferindo, meu exemplo é que costumo arrumar fazer melhorias na minha casa, mas não continuo como gostaria não pintei a casa para o natal tudo porque fiquei no aguardo, não adianta arrumar se terei que entregar a casa, porque posso ser pobre mas sou caprichoso e mantenho minha casa arrumada da melhor forma possível. Mas como mudam de idéia toda hora achei melhor esperar. O se afirma de certo modo, pela dificuldade que encontro em tentar um contato com a empresa. Por diversos problemas encontrados em me receber, o questionário elaborado não pode ser aplicado, assim o contato se resumiu em telefonemas onde respondem algumas de minhas perguntas. Sendo que não é possível afirmar se ouve ou não mais esclarecimentos por parte da empresa. Já que as informações fornecidas por ambos se diferem. Porém ressalto uma parte da entrevista com o profissional responsável: [...]me explicou que o processo de remoção foi iniciado a pouco tempo e não possui registros desta atividade. E em contraponto com o que os moradores me relataram nas entrevistas sobre as avaliações e valores impostos sobre as residências, quando questionado o responsável me relatou que não tinha informações sobre isso, mas que não foram realizadas estas avaliações, até mesmo pela dificuldade encontrada, referente a avaliar estas casas por as mesmas não serem escrituradas e como o responsável informou ao telefone o perito avalia o terreno que os mesmos não possuem por se encontrarem irregulares no local estes seriam indenizados de um valor tão pequeno que não seria possível adquirir uma nova casa, então seria preciso um custeio dos órgãos federais como está previsto no laudo. Porém segundo ele as reuniões foram realizadas informando que estes moradores necessitariam ser retirados do local e que estas avaliações sobre as casas seriam futuras ações da empresa. Este contato acabou por confirmar a falta de comunicação existente, se concluindo que este é o fator que implica no desenvolvimento do processo. O que preocupa pela proximidade em que a obra se encontra das casas (apêndice 1). Conclusão Na pesquisa foi fundamental a análise do laudo de impacto ambiental para compreensão deste. A partir da análise do mesmo, buscou-se possíveis equívocos ou esquecimentos em relação a tomada de decisões sobre fatores sociais destas famílias. No mesmo foram encontrados estudos desta localidade, entretanto o mesmo considerou estes impactos como mínimos relacionados ao desenvolvimento que a obra traria para o estado. Entretanto apresentam projetos que segundo eles amenizariam o processo gerando o menor impacto possível tanto para a comunidade como para o meio ambiente. Por outro lado, a coleta de dados realizada junto aos moradores apontou que o maior problema entre eles e a empresa foi a falta de comunicação. A incerteza sobre o futuro rondava os mesmo. Quando questionados sobre as abordagens que a empresa teve com os mesmo relataram que os encontros foram apenas dois, onde se reuniram no centro de eventos e os avisaram que necessitariam se retirar do local, não sendo fornecidas mais informações referentes a datas, valores: [...] A empresa não nos responder já está nos interferindo, meu exemplo é que costumo arrumar fazer melhorias na minha casa, mas não continuo como gostaria não pintei a casa para o natal tudo porque fiquei no aguardo, não adianta arrumar se terei que entregar a casa, porque posso ser pobre, mas sou caprichoso e mantenho minha casa arrumada da melhor forma possível. Mas como mudam de idéia toda hora achei melhor esperar. Observo que a mesma dificuldade encontrada pelos moradores foi vivenciada em meu estudo, foram inúmeras tentativas de contato, mais poucas com sucesso. Não conseguindo formalizar uma entrevista, o contato se deu por telefone com um dos responsáveis pelo processo de remoção das famílias. O mesmo não conseguiu me informar com certeza sobre o assunto, relatou em contraponto com os moradores que estes encontros nem haviam ocorrido e que esta abordagem a população esta sendo estudada devido à difícil fragilidade econômica da comunidade necessitando da ajuda de órgãos. Assim ficou evidente a falta de comunicação entre ambas as partes, o que preocupa pelo fato das obras já estarem próximas as residências não existindo soluções rápidas para este processo. Assim, a partir da análise de dados o que se identifica, é que na maioria das vezes a carência de comunicação entre estado e população prejudica em todas as fases do processo. Sendo assim é necessário a implementação de um projeto com metas de trabalho que segundo Scott 2006, p.76, se apresentam em quatro etapas: “[...] planejamento e divulgação, implantação, desenvolvimento e emancipação”. O que se percebe é que na maioria dos casos as empresa acabam por pecar nas primeiras etapas do processo não seguindo este continuamente, gerando problemas que não mais são possíveis de solução. O estudo acabou sendo respondido de forma parcial, por não se obter respostas concretas da empresa, assim o estudo não consegui confrontar as ideias e achar uma solução viável para ambas às partes. Pelas analises feitas e interpretadas o que se observou e que existente sim uma preocupação da empresa com os impactos sociais, porem e muito superficial se levado em conta a responsabilidade de preservação de todo o patrimônio cultural da região, assim estas falhas no processo se tornam lastimáveis a medida que se perde parte da história de um povo. Referências LARAIA, Roque de Barros.Cultura:um conceito antropológico.24. ed. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2009. LEFF, Enrique. Discursos sustentáveis. Tradução Silvana Cobrucci Leite. São Paulo: Cortez, 2010. SPOSITO, Maria. Capitalismo e Urbanização. Editora: Contexto. 10 ed. São Paulo, 2000. WALDMAN, Maurício. Meio ambiente e antropologia; Coordenação José de Ávila Aguiar Coimbra. Editora Senac. São Paulo, 2006. Apêndice 1