26 de maio de 2011 Exposição dos trabalhadores ao ruído em uma usina de asfalto Vinícius Carvalho Guimarães Enfermeiro - Universidade Federal do Vales Jequitinhonha e Mucuri - [email protected] Daniela Felícia Silva Enfermeira do Trabalho - Universidade Federal de Alfenas - [email protected] Gustavo Barbosa Alcântara Engenheiro Civil e Especialista em Segurança no Trabalho - Universidade Federal do Vales Jequitinhonha e Mucuri - [email protected] Angelo Marcio Pinto Leite Engenheiro Florestal - Professor do Curso de Engenharia Florestal da UFVJM - [email protected] Resumo: No mundo atual, o trabalhador está constantemente expostos a níveis significativos de pressão sonora durante o trabalho, nas ruas e, até mesm,o nas atividades de lazer. A perda auditiva relacionada ao trabalho é doença ocupacional de alta prevalência nos países industrializados. Este estudo avaliou a exposição ao ruído em uma usina de asfalto em Betim, MG. Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, cujos dados foram coletados por intermédio de um questionário, aplicados em todo universo da pesquisa, constituído pelos cinco funcionários do setor de produção da usina de asfalto. Os resultados indicaram que o nível de ruído presente no ambiente laboral encontra-se abaixo do valor de tolerância mas, no entanto, merece cuidados de proteção para minimizar a exposição do trabalhador. A pesquisa mostrou que a utilização efetiva do protetor auricular não é realizada pela totalidade dos funcionários, sendo que sua maioria não utiliza ou não permanece com o equipamento durante a jornada de trabalho. Quase todos trabalhadores citou a necessidade de aquisição de maquinas modernas para diminuir a pressão sonora, dentro da empresa. A importância desse estudo consistiu em possibilitar a concretização, por meio de programas de educação continuada, de qualidade e segurança do trabalho aos funcionários. Palavras-chave: Segurança no trabalho, EPI, Protetor auricular. 1 INTRODUÇÃO No mundo atual, estamos constantemente expostos a níveis significativos de pressão sonora durante o trabalho, nas ruas e, até mesmo, nas atividades de lazer. A perda auditiva consiste no agravo mais freqüente na saúde dos trabalhadores; no entanto, são escassos os dados epidemiológicos, aliada a falta de notificação dos casos registrados. O ruído tem sido considerado causador de alteração auditiva nas pessoas que trabalham em indústrias, existindo relatos nos mais diversos ramos de atividades. A V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 1 26 de maio de 2011 característica clínica da perda auditiva induzida por ruído é seu início insidioso e sua irreversibilidade. (ABREU E SUZUKI, 2002) A exposição aos elevados níveis de ruído é capaz de ocasionar efeitos maléficos ao organismo, auditivos ou não. Essas alterações não-auditivas podem ocasionar nervosismo, irritabilidade, além de outros problemas organo-psiquicos, sendo para isso necessária a adoção de medidas preventivas e de conscientização da população sobre esse problema. Apesar de o ruído ocupacional ser considerado um dos principais fatores de risco na gênese da perda auditiva ocupacional, outros agentes causais de naturezas diversas podem ocasionar déficit auditivo, ao interagir com o ruído, potencializando seus efeitos sobre a audição. (GUERRA et al, 2005) A redução dos efeitos do ruído no organismo é alcançada com a conscientização dos trabalhadores, exames audiométricos, tratamento acústico dos ambientes de trabalho e uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), entre outras medidas de controle. (BRITO, 1999) Atualmente, usa-se máquinas cada vez mais velozes operadas em ritmo de trabalho acentuado, o que torna as tarefas mais ruidosas, gerando conseqüentemente perdas auditivas e outros efeitos em um número cada vez maior de trabalhadores. Esses danos não são adequadamente avaliados pelas empresas e instituições governamentais, havendo fatores econômicos, sociais e técnicos que dificultam tal avaliação. Por essa situação constituir um risco aos trabalhadores das indústrias, propõe-se o desenvolvimento de uma pesquisa com os seguintes questionamentos: Qual o nível de exposição dos empregados de uma indústria quanto ao ruído? Qual o conhecimento dos trabalhadores a cerca da exposição ao ruído? Justifica-se a realização desse trabalho pela sua grande importância, sendo assim necessário analisar o grau ruído na fabrica estudada e os conhecimentos dos trabalhadores da usina de asfalto sobre os meios de prevenir a perda auditiva, a fim de contribuir para a melhoria da segurança ocupacional. A pesquisa teve como objetivo geral: avaliar a exposição ao ruído dos trabalhadores de uma usina de asfalto. E como objetivos específicos: determinar o nível de pressão sonora no setor de produção da fábrica; avaliar o conhecimento dos trabalhadores quanto os meios de reduzir os efeitos do ruído; verificar se os empregados utilizam corretamente os equipamentos de proteção individual (EPI) para mitigação dos efeitos do ruído nos mesmos. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Conceito de Ruído A definição de ruído, do ponto de vista da Acústica Física, é englobada pela definição de som (BRASIL, 2001). De acordo com Vale (2002), ruído é definido como som indesejável ou desagradável, embora isso implique certa subjetividade, uma vez que o que para alguns é barulho (ruído), para outros pode ser agradável de ouvir. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 2 26 de maio de 2011 O som, segundo Maia (2002), é conceituado como ondas mecânicas longitudinais que se propagam em meio sólido, líquido e gasoso, sendo tais ondas produzidas por elementos vibrantes. As vibrações desses elementos são transmitidas por pressões e rarefações do ar que os rodeiam, até atingirem o ouvido. Para Feldman e Crimes (1985), citados por Brasil (2006), o ruído consiste em um sinal acústico aperiódico originado de vários movimentos de vibração diferentes que não apresentam relação entre si. O ruído é entendido como uma sub-classificação do som, sendo que o mesmo compõe-se de um som desagradável ou indesejável, podendo ser prejudicial aos diversos aspectos da atividade humana ou mesmo à saúde. O ruído encontra-se entres os agentes agressores do ambiente de trabalho, classificado como agente físico, assim como o calor, o frio, a vibração, as pressões, as radiações ionizantes e radiações não-ionizantes. 2.2 Tipos de Ruídos Maia (2002) cita a classificação dos ruídos segundo a norma ISO 2204 - 1979: • • • • • Contínuo: ruídos com variações de níveis desprezíveis (±3 dB) durante o tempo observado; Não contínuo: ruído cujo nível varia significativamente no período de avaliação; Flutuante: ruído cujo nível varia continuamente de um valor apreciável durante o período de observação; Intermitente: ruído cujo nível diminui rapidamente no ambiente, várias vezes no período de observação; a duração na qual o nível permanece em valores constantes diferentes do ambiental é da ordem de um segundo ou mais; Impacto ou impulsivo: possui picos de energia acústica de duração inferior a um segundo em intervalos superiores a um segundo. Outra classificação consta na Norma de Higiene Ocupacional 01 (NHO-01) da FUNDACENTRO, elaborada por Brasil (2001). De acordo com essa norma, os ruídos podem ser classificados como: ruídos de impacto ou impulsivo, nos quais apresentam picos de energia acústica de duração inferior a um segundo e intervalos superiores a um segundo; e ruídos contínuos ou intermitentes, sendo todo e qualquer ruído que não se classifique como de impacto ou impulsivo; e Segundo Cezar (2000), os ruídos contínuos são menos danosos que os intermitentes. O mesmo autor explica que o ouvido possui um mecanismo de proteção, que é acionado no início de impacto sonoro desta forma, no ruído contínuo, o primeiro impacto é recebido sem proteção, mas o restante é atenuado pelo mecanismo de proteção. Já no ruído intermitente, de acordo com mesmo autor, todos os impactos são recebidos sem atenuação, pois entre um som e outro há tempo do mecanismo de proteção não funcionar. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 3 26 de maio de 2011 2.3 Efeitos do ruído na audição A perda auditiva induzida por ruído (PAIR), segundo Maia (2005), consiste em doença de alta prevalência, principalmente em países industrializados. O mesmo autor informa que no Brasil a doença atinge proporções endêmicas no meio industrial. Os dados epidemiológicos sobre perda auditiva no Brasil são escassos e referem-se a determinados ramos de atividades e, portanto, não há registros epidemiológicos que caracterizem a real situação. Os dados disponíveis sobre as ocorrências dão uma idéia parcial da situação de risco relacionada à perda auditiva. (BRASIL, 2006, p. 15) Para Maia (2005), os efeitos do ruído na audição podem ser divididos em três categorias: • Mudança temporária de limiar: é uma elevação do limiar de audibilidade que se recupera gradualmente, após a exposição ao ruído. • Mudança Permanente de Limiar: consiste na perda irreversível da audição. Decorrente da exposição acumulada ao ruído, que são freqüentes, por um período de longo tempo. • Trauma acústico: é a perda súbita da audição, devido à exposição única a ruído intenso, como explosões e detonações. Geralmente aparece zumbido imediato, podendo ocasionar rompimento de membrana timpânica, hemorragia e até mesmo dano da cadeia ossicular. Umas das alterações auditivas mais freqüentes decorrente da exposição a ruído excessivo é a Perda Auditiva Induzidas por Ruído (PAIR). De acordo com Brasil (2006), a PAIR é provocada pela exposição por tempo prolongado ao ruído, configurando-se como uma perda auditiva do tipo neurossensorial, muitas vezes bilateral, irreversível e progressiva com o tempo de exposição ao ruído. Maia (2002) completa a definição de PAIR, informando que essa doença é o resultado da destruição das células ciliares localizadas na cóclea originada pela exposição ao ruído excessivo (80 a 120 dB), manifestando depois de alguns anos de exposição. Essas células ciliadas, segundo Vale (2002), são em número limitado e incapazes de regenerar, ou seja, toda perda de célula será permanente. Persistindo a exposição à níveis perigosos de pressão sonora, o dano será progressivo. Guerra et al (2005) informa que a perda auditiva induzida por ruído (PAIR), é a doença ocupacional de alta prevalência nos países industrializados, destacando-se como um dos agravos à saúde do trabalhador mais prevalentes nas industrias brasileiras. O mesmo autor diz que esse agravo caracteriza-se por perda gradual da acuidade auditiva num período de, geralmente, seis a 10 anos de exposição a elevados níveis de pressão sonora. Enquanto para Vale (2002), a perda auditiva tem início e predomínio nas freqüências de 6000, 4000 e/ou V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 4 26 de maio de 2011 3000 Hz, progredindo para freqüências mais altas nos primeiros 10 a 15 anos de exposição estável a níveis elevados de pressão sonora. Os sintomas mais relatados pelos trabalhadores expostos, segundo Barros e Saint’yves (2002) são: zumbido persistente de longa duração e dificuldade para ouvir determinados sons, em geral, sons agudos. Brasil (2006) acrescenta que o ruído pode desencadear outros efeitos nocivos na saúde em geral, tais como nervosismo, irritabilidade, cefaléia, insônia, alterações circulatórias, alteração de visão, alterações gastrointestinais, entre outros apontados com efeitos não-auditivos. 2.4 Limite de exposição ao ruído Conforme a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH) (2008), os limites de exposição ou tolerância são condições de níveis de pressão sonora e tempo de exposição para os quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa estar exposta repetidamente sem sofrer efeitos adversos à sua capacidade de ouvir e entender um diálogo. O ouvido é um órgão muito eficiente; no entanto, possui limite à audição e exposição a ruídos. Estes limites dependem da oscilação da pressão sonora causada por uma fonte em torno da pressão atmosférica e com a freqüência na qual é emitido. Importante ressaltar que os limites auditivos variam de pessoa para pessoa. Os limites de exposição ao ruído são estabelecidos pela Norma Regulamentadora 15 (NR-15), da Portaria MTe n.º 3.214/1978 (BRASIL, 1978) , na qual são determinados os limites para a exposição aos níveis de pressão sonora sem que haja danos à saúde humana. O quadro 01 fixa os níveis de ruído máximo permitido em relação à jornada de trabalho: V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 5 26 de maio de 2011 QUADRO 1 - Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente. Fonte: NR-15, BRASIL, 1978. Maia (2005) acrescenta na determinação do nível de exposição ao ruído o cálculo dos limiares de audição devido à idade. O mesmo autor informa que a audição de uma população não exposta ao ruído em função da idade depende do grau de envelhecimento natural e de outros fatores, como: doenças, históricos de drogas ototóxicas e exposição desconhecida ao ruído ocupacional ou não. As principais normas relacionadas à avaliação quantitativa de ruído são a NR-15, ACGIH e a NHO-01. De acordo com Silva (2005), a NR-15 se fundamenta no critério de limite tolerado de 85 dB(A) para um período de exposição de 8 horas, com um fator de troca igual a 5, sendo que a constante de tempo seja “SLOW”, com a ponderação “A”. Garbas (2004) fomenta que no caso da ACGIH e da NHO-01, o critério de avaliação considera dose máxima diária de 100%, e para exposição de 8 horas, limite de 80 dB(A), e incremento de duplicação da dose (q) igual a 3. 2.5 Avaliação da exposição ocupacional ao ruído Para Maia (2005), a avaliação da exposição ocupacional ao ruído fornece dados que irão mostrar riscos potenciais de perda auditiva dos trabalhadores; para tal, esses dados devem ser colhidos e interpretados. Risco excessivo é a diferença em porcentagem entre duas populações cuja audição excede o limiar de normalidade: uma exposta ao ruído ocupacional e outra não ocupacional (MAIA, 2002, p. 80). V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 6 26 de maio de 2011 O autor informa ainda que o limiar de normalidade consiste no divisor entre a audição normal e a que apresenta algum grau de perda auditiva. A medição do ruído ambiental, segundo Alfaro et al (2005), consiste na determinação dos níveis de ruído nos setores de trabalho, sendo que essa avaliação deve ocorrer diretamente na máquina, no ambiente (ruído de fundo) e no entorno (vizinhança). A avaliação da exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente deverá ser realizada por meio da determinação da dose diária de ruído ou do nível de exposição, parâmetros representativos da exposição diária do trabalhador. (BRASIL, 2001) A dose diária é um parâmetro utilizado para a caracterização da exposição ocupacional ao ruído, expresso em porcentagem de energia sonora, tendo por referência o valor máximo de energia sonora diária admitida na jornada de trabalho. Já o nível de exposição consiste na quantidade média representativa da exposição ocupacional diária. A Norma de Higiene Ocupacional 01 (NHO-01) (Brasil, 2001) preconiza que na avaliação do ruído podem ser utilizados medidores integrados de uso pessoal, fixados no trabalhador, de modo que possa captar ruídos o mais próximo possível do pavilhão auricular do mesmo; e outros tipos de medidores integrados ou medidores de leitura instantânea, não fixados no trabalhador, que podem ser usados na avaliação de determinadas situações de exposição ocupacional. A Norma Regulamentadora 15 (BRASIL, 1978) determina que os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação “A” - dB (A) - e circuito de resposta lenta (SLOW), sendo que as leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. Os circuitos de reposta lenta são empregados em medições de ruídos cujo nível varia excessivamente, obtendo-se um valor médio. 2.6 Medidas de controle a exposição ocupacional ao ruído Barros e Saint’Yves (2002) afirmam que para garantir a integridade auditiva do trabalhador, foi criado o Programa de Conservação Auditiva, com base nos aspectos colocados pela OSHA (Occupational Safety and Health Administration). O mesmo autor complementa que no Brasil, uma portaria do INSS (Diário Oficial nº 131, 11/07/1997, seção 3 págs. 14244 a 14249, edital nº 3 de 09/07/1997, anexo II) faz considerações a respeito da Perda Auditiva por Ruído Ocupacional e sobre o Programa de Conservação Auditiva (PCA), além de colocar que a organização deste programa é responsabilidade da empresa e envolve a formação de uma equipe multidisciplinar composta por “profissionais da área de saúde e segurança, da gerência industrial e de recursos humanos da empresa e, principalmente, dos trabalhadores”. O Programa de Conservação Auditiva é o conjunto de medidas a serem desenvolvidas, cujo objetivo é prevenir a instalação ou evolução de perdas auditivas em trabalhadores expostos a ruídos presentes em locais de trabalho. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 7 26 de maio de 2011 A implantação do Programa de Conservação Auditiva, de acordo com a Portaria nº 131, 11/07/1997, determina as seguintes etapas: • Monitoramento da exposição a níveis de pressão sonora elevada; • Controles de engenharia e administrativos; • Monitoramento audiométrico; • Especificação de Equipamento de Proteção Individual – EPI; • Educação e motivação; • Conservação de registros. O uso de equipamentos de proteção individual (EPI) ou protetores auriculares faz-se necessário como medida provisória, enquanto não se consegue a redução de ruído no ambiente ou em áreas nas quais tal redução não foi suficiente. Avagliano e Almeida (2001) afirmam que o ruído ocupacional é uma das principais causas de exposição prejudicial, devendo ser controlada por medidas de engenharia e/ou administrativas; no entanto quando tais medidas não são exeqüíveis ou suficientes, o protetor auditivo se apresenta como um dos métodos mais comuns e práticos para reduzir a dose de ruído. Os mesmos autores informam que protetores auditivos, quando utilizados de forma correta e devidamente supervisionados, podem prevenir significativamente a ocorrência de perdas auditivas, sendo que a efetividade depende da correta especificação, do treinamento quanto ao uso e dos cuidados com o mesmo. A NR 15 determina em seu anexo nº 1 que “não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos” (BRASIL, 1978). A escolha do protetor auditivo deve ser feita a partir de um trabalho individualizado, no qual são considerados aspectos de atenuação inerentes ao protetor (qualidade), características pessoais do usuário (tamanho do meato acústico externo, formato do rosto e da cabeça, compatibilidade com outros equipamentos de proteção individual (EPI), tipo de atividade, utilização adequada, preferências) e nível de ruído no qual o operário trabalha. Dessa forma, o protetor auditivo deve deixar de ser escolhido pela empresa de forma indiscriminada, e passar a ser escolhido considerando principalmente as características do usuário, obedecendo a aspectos técnicos. Os protetores auditivos possuem características que devem ser consideradas no momento da sua seleção e escolha, sendo elas a atenuação oferecida, o conforto, o tamanho do protetor, a facilidade de colocação, a compatibilidade com o usuário e com outros equipamentos e a preferência pessoal do usuário. 2.7 Usina de Asfalto O asfalto – material de consistência variável, aderente, altamente impermeabilizante e durável – é constituído predominantemente de betume, podendo ser obtido diretamente de jazidas ou por meio do refino do petróleo. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 8 26 de maio de 2011 As características do asfalto conferem flexibilidade controlável às misturas com agregados minerais, possibilitando o aumento da resistência à ação de ácidos, álcalis e sais. Mesmo sendo sólido ou semi-sólido à temperatura atmosférica, pode ser liquefeito se aquecido, ou ainda dissolvido em solventes de petróleo ou por emulsificação. Os asfaltos utilizados para pavimentação atualmente em sua maioria são oriundos do refino de petróleo, e apenas uma pequena parte da produção é destinada a aplicações industriais, como impermeabilizantes, isolantes etc. (SANTOS,2002). Os asfaltos para pavimentação são comercializados em quatro formas: • Cimentos asfálticos de petróleo (CAP); • Asfaltos diluídos de petróleo (ADP); • Emulsões asfálticas (EAP); • Asfaltos modificados (asfaltos polímeros) A Usina de asfalto estudada classifica-se como atividade de fabricação de produtos do refino de petróleo, desta forma enquadrasse no grau de risco 03 de acordo com a NR- 4. A operação da empresa constitui na mistura dos insumos (água, ácido clorídrico, emulsificantes e diaminas) na quantidade necessária. Essa mistura juntamente com o cimento asfáltico forma-se a emulsão asfáltica. A usina possui uma caldeira elétrica que mantém a emulsão asfáltica a uma temperatura aproximada de 160ºC. A indústria produz também o asfalto polimerizado, sendo que para tal realiza-se a mistura da emulsão asfáltica com polímeros, no qual se utiliza tambores misturadores. As fontes de ruído de mais significância na usina de asfalto avaliada consistem na caldeira elétrica e no tambor de mistura. No processo produtivo, analises são realizadas em laboratório para avaliar o pH dos componentes, o teor dos resíduos, a viscosidade e penetração. Ao deixar a usina, o asfalto é entregue por transportadora ou distribuidora aos construtores, que são responsáveis pelas execuções de obras de pavimentação, públicas ou privadas 3 METODOLOGIA 3.1 Tipo de Estudo O estudo consistiu em uma pesquisa de campo sobre exposição ao ruído dos trabalhadores de uma usina de asfalto, situada na cidade Betim/MG. De acordo com Oliveira (1999), o estudo de campo consiste na observação dos fatos que ocorrem espontaneamente, na coleta de dados e no registro de variáveis para posteriores análises. Para o desenvolvimento desta investigação optou-se por uma abordagem quantitativa com caráter descritivo. Segundo Oliveira (1999), o método quantitativo visa quantificar opiniões, dados, na forma de coleta de informações, assim como empregar recursos e técnicas estatísticas. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 9 26 de maio de 2011 A pesquisa quantitativa viabiliza a organização e distribuição dos dados que devem ser expressos com medidas numéricas, ou seja, tabelas e gráficos, resultantes da pesquisa descritiva de campo (MARCONI; LAKATOS, 2002). Segundo definições de Duarte e Furtado (2002), a pesquisa descritiva descreve um fenômeno ou situação mediante um estudo em determinado contexto espacial e temporal, com o objetivo de explicar as características de determinada população, ou fenômeno, ou então o estabelecimento de relações entre variáveis. Andrade (1999), afirma que na pesquisa descritiva, os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira nos mesmos. Por isso, em nenhum momento o pesquisador intervém nos dados da pesquisa, resguardando-se a imparcialidade durante todo estudo. 3.2 Universo da Pesquisa O universo da pesquisa compreendeu todos os empregados relacionados diretamente aos setores de produção da emulsão asfáltica. De acordo com a gerência da indústria, a produção da matéria-prima consta de cinco funcionários, sendo um coordenador de produção, um técnico de laboratório e três operadores de produção. 3.3 Instrumento de coleta de dados Para a pesquisa de campo, utilizou-se o questionário que, segundo Marconi e Lakatos (2002), é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas. As autoras afirmam ainda que, através deste, há maior liberdade nas respostas, em razão do anonimato; mais segurança pelo fato de as respostas não serem identificadas; menos riscos de distorção, pela não influência do pesquisador; maior uniformidade na avaliação em virtude da natureza impessoal do instrumento (APENDICE A). O questionário foi elaborado de acordo com critérios obtidos através de pesquisa literária sobre recomendações quanta a exposição ao ruído e medidas de controle auditivo. Para aplicação do instrumento de pesquisa, o pesquisador entrou em contato com a diretoria da empresa para que esta autorizasse a realização do estudo com os empregados e setores da fábrica. Os empregados presente no turno da visita responderam o questionário e para isso, foram informados sobre a pesquisa e solicitados a preencher o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O questionário foi respondido individualmente e entregue ao pesquisador após o seu preenchimento pelo entrevistado. O aplicador estava em local próximo, para sanar alguma dúvida, caso necessário. Realizou-se um pré-teste do instrumento de coleta de dados com alguns empregados da empresa, de forma a ser avaliada a operacionalidade e aplicabilidade do mesmo. Para V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 10 26 de maio de 2011 Lobiondo-Wood e Haber (2001), o pré-teste tem como finalidade avaliar o instrumento, visando garantir a exata aferição das informações a serem obtidas. Para determinação dos níveis de pressão sonora instantâneo foi utilizado um decibelímetro, operando no circuito de compensação “A“ e resposta lenta (SLOW) para ruído continuo ou intermitente. A medição foi efetuada no setor de produção da indústria, com leituras feitas na altura e próximas ao ouvido do trabalhador. 3.4 Análise dos dados A análise dos dados foi realizada utilizando Software Microsoft Excel. Foram gerados gráficos e tabelas e posteriormente submetidos à avaliação descritiva, com distribuição de percentual. Os gráficos foram construídos no programa Microsoft Excel e adaptados no programa Microsoft Word. 3.5 Aspectos Éticos As informações contidas no estudo terão caráter sigiloso quanto a identidade dos participantes e os resultados serão divulgados apenas com o intuito de contribuir para a ampliação do conhecimento acerca do tema abordado. 4 RESULTADO E DISCUSSÃO A exposição permanente ao ruído continuo durante a jornada de trabalho foi obtida por intermédio de uma avaliação quantitativa por dosimetria. A intensidade encontrada na indústria compreende de 83,6 dB. A análise dos dados foi realizada com uma abordagem estatística descritiva contando com a apreciação dos cinco (5) questionários respondidos pelos empregados de uma usina de asfalto. Os resultados serão apresentados em gráficos e tabelas. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 11 26 de maio de 2011 TABELA 1 - Características da população de empregados da usina de asfalto, Betim, novembro -2009. Características Codificação Idade 33 anos 34 anos 40 anos 52 anos Não declarada Total Nº 1 1 1 1 1 05 Grau de Instrução Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Técnico Graduação Analfabeto Total 1 2 2 2 0 05 Anos trabalhando na empresa 04 anos 11 anos 14 anos 25 anos 30 anos Total 1 1 1 1 1 05 Fonte: Usina de Asfalto Ao analisar as características da população referenciada na Tabela 1 observa-se que, os sujeitos estão em uma faixa etária de 33 a 52 anos, sendo a média da idade de 40 anos. Verifica-se que 1 funcionário possui o ensino fundamental, 2 estudaram até o ensino médio e 2 cursaram o ensino técnico. Em relação o tempo que os empregados trabalham na indústria, é possível averiguar que 2 funcionários prestam serviços à indústria de 25 e 30 anos, 2 trabalham de 11 a 14 anos, enquanto 1 está na empresa a 04 anos. Ribeiro e Câmara (2006), em sua pesquisa com empregados de unidade de manutenção de aeronave, encontraram uma relação significativa entre o tempo de trabalho acima de 15 anos e a perda auditiva. Os mesmos autores concluem que os funcionários, que estão a mais de 15 anos na empresa, além de maior tempo de trabalho e, por tanto maior tempo de exposição ao ruído, iniciaram suas atividades com equipamentos mais antigos, ou seja, mais ruidosos. Pode-se observar quanto à importância da utilização do protetor auricular em um ambiente com ruído que 4 empregados marcaram intensidade 10, em uma escala de 0 a 10, enquanto 1 profissional assinalou valor 4. Esse resultado mostra que a maioria dos funcionários acha importante a utilização do protetor auricular em área com ruído intenso. Conforme a Tabela 2, a totalidade dos funcionários citou a perda auditiva como o agravo passível de ser adquirido quando o nível de pressão sonora encontra-se acima do limite tolerado. Para Brito (1999), a perda auditiva causada pelo ruído intenso e constante é denominada Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR), na qual é considerada a forma mais V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 12 26 de maio de 2011 característica das lesões auditivas decorrentes da ação do ruído, constituindo uma patologia que aumenta ao longo de anos de exposição a ruído, geralmente relacionadas ao ambiente de trabalho. TABELA 2 - Conhecimento dos empregados de uma usina de asfalto sobre o agravo que pode ocasionar quando exposto ao ruído acima do limite tolerado, Betim, novembro - 2009 Doenças Perda Auditiva Meningite AIDS Micose Sarampo Perda da fala Dengue Fonte: Usina de Asfalto Nº % 05 ------- 100% ------- 1; 20% Longo prazo - acima de 10 anos de exposição Médio prazo - até 5 anos de exposição 1; 20% 3; 60% Curto prazo - até um ano de exposição FIGURA 1 - Conhecimento dos empregados de uma usina de asfalto quanto ao tempo de aparecimento dos efeitos causados pelo nível de ruído elevado, Betim, novembro – 2009. Fonte: Usina de Asfalto. Verifica-se na Figura 1 que 3 (60%) dos profissionais responderam que os efeitos causados pela pressão sonora elevada aparecem após um tempo de exposição acima de 10 anos, 1 profissional fomentou que tais danos iniciam até 5 anos de exposição, enquanto que 1 funcionário coloca que os agravos na audição surgem antes de um ano com elevado nível de ruído. Para Ribeira e Câmara (2006), a perda auditiva por exposição a níveis elevados de V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 13 26 de maio de 2011 pressão sonora costuma ser evidenciada no exame audiométrico após 10 a 15 anos de atividade em ambiente ruidoso. Taylor et al. (1964) apud Maia (2008) estudaram 251 trabalhadores que durante a sua vida ocupacional estiveram expostos a níveis de pressão sonora de 99 a 102 dB(A). Os autores verificaram deterioração da audição nos primeiros 10 a 15 anos de exposição, seguidos por um período de 10 anos no qual a progressão das perdas foi pouco significativa embora, entre 20 e 25 anos de exposição, tenha sido atingida a freqüência de 2000 Hz. A Tabela 3 evidencia que 60% dos empregados da empresa utilizam o equipamento de proteção individual, sendo que 2 (40%) fazem uso do protetor tipo concha e 1 (20%) do protetor pré-moldado. O resultado dessa tabela mostra ainda que 2 (40%) funcionários não utilizam o protetor auricular em nenhum momento na jornada de trabalho. Ribeiro e Câmara (2006) encontraram em sua pesquisa que 58,3% dos empregados não utilizam o protetor auricular, além de destacar uma maior proporção de usuários de protetor auricular que não possuíam perda auditiva, mostrando assim a importância desse equipamento. TABELA 3 - Tipo de protetor auricular utilizado pelos profissionais de uma usina de asfalto, Betim, novembro 2009 Protetor tipo concha Protetor pré-moldado Protetor moldado Protetor tipo capa de canal Não utilizo protetor auricular Total Fonte: Usina de Asfalto 2 1 --2 5 40% 20% --40% 100% TABELA 4 - Opinião dos funcionários sobre o tempo de permanecia com o protetor auricular durante a jornada de trabalho, Betim, novembro - 2009 Às vezes retiro Todo o tempo Utilizo muito ocasionalmente Nunca uso Total Fonte: Usina de Asfalto 02 01 --03 67% 33% --100% Todos os sujeitos que utilizam o protetor auricular fomentaram que os equipamentos utilizados são confortáveis. Um dos fatores primordiais para se garantir a utilização do equipamento auricular é o conforto, uma vez que o empregado não o usará caso seja desconfortável. Uma reportagem na Revista Proteção expõe que avaliar o conforto oferecido pelo protetor é importante, uma vez que as chances do trabalhador não utilizá-lo aumentam se o EPI for desconfortável. A mesma reportagem propõe a necessidade de conhecer a opinião do empregado sobre o protetor para a eficácia na sua utilização, sendo que essa avaliação pode ser obtida através da aplicação de questionário onde o trabalhador experimenta os vários tipos de equipamento auricular e escolhe o mais adequado ao seu ambiente de trabalho. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 14 26 de maio de 2011 A totalidade dos empregados que usam o protetor auricular responderam que a temperatura ambiente elevada dificulta a utilização do equipamento. Gerges (2007) estabelece alguns aspectos que podem influenciar na eficácia da proteção do equipamento auricular, sendo os principais: alta temperatura, umidade, poeira e trabalho em lugar confinado. Acrescenta que o trabalho físico, especialmente em altas temperaturas pode causar sudorese severa e desagradável sob protetores tipo concha, necessitando nesse caso ser substituído por tipo inserção. Observa-se na tabela 5 que 100% dos trabalhadores disseram que a empresa realizou o treinamento quanto ao uso, guarda e conservação adequada do protetor auricular. Segundo Gabas (2004), o treinamento é de responsabilidade do empregador, sendo que o trabalhador deve ser instruído quanto à necessidade, uso, limitações e cuidados com o protetor. O mesmo autor fomenta que o conteúdo mínino de uma capacitação precisa ter: conhecendo o risco do ruído; efeitos do ruído (como proteger sua audição dentro e fora do trabalho); seleção do protetor auditivo adequado; e instruções de colocação/inspeção/manutenção. TABELA 5 - Meios de capacitação dos empregados quanto ao uso, guarda e conservação adequada do protetor auricular, Betim, novembro - 2009 Treinamento na empresa Televisão Embalagem do equipamento Internet Cursos de capacitação Companheiro de serviço Não fui capacitado ao uso Total Fonte: Usina de Asfalto 3 ------3 100% ------100% Quando foi perguntado aos empregados, o que poderia ser feito para diminuir a emissão de ruído na área de trabalho, 4 (80%) funcionários fomentaram a utilização de maquinário mais moderno, enquanto para 1 (20%) empregado, a manutenção preventiva dos equipamentos de produção minimizaria o efeito do ruído. A redução da emissão de ruído deve ser priorizada, utilizando ações de prevenção. O Ministério da Saúde (2006) informa que inicialmente necessita ser feito uma detalhada observação do processo produtivo, por meio da qual serão localizados os pontos de maior risco auditivo (considerando-se também número e idade dos expostos), o tipo de ruído, as características da função e os horários de maior ritmo de produção. O mesmo autor acrescenta ainda que essas informações sejam obtidas pela observação direta, levantamento de documentação da empresa e conversa com os trabalhadores. O Ministério da Saúde (2001) propõe medidas de controle da exposição ao ruído que podem ser adotadas sobre a fonte emissora ou na trajetória de propagação, por meio de: • enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível utilizando sistemas hermeticamente fechados; V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 15 26 de maio de 2011 • normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo colocação de barreiras e anteparos; • monitoramento ambiental sistemático; • adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição; • fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, de modo complementar às medidas de proteção coletiva. 5 CONCLUSÃO Verificou nesse estudo que a intensidade de ruído detectada, que corresponde a 83,6 dB, encontra-se próxima do limite mínimo tolerado de acordo com a NR-15 e acima do nível máximo para a NHO - 01. Os profissionais detêm o conhecimento quanto ao ruído e os meios reduzir o efeito da pressão sonora com a utilização de medidas coletivas e individuais. No entanto, a utilização do protetor auricular, levando em consideração o tempo de permanência com o equipamento na jornada de trabalho, é feita pela minoria dos funcionários dessa usina de asfalto. O estudo possibilitará uma ampliação do conhecimento sobre o tema abordado, podendo ser usado como fonte para subsidiar a formulação de normas e treinamentos pelas empresas que possuem como fator de risco ocupacional o ruído. Além de colaborar na concretização de programas de educação continuada para empregados das indústrias, visando aprimorar a qualidade e segurança no trabalho. Referências ABREU, Mauricio T. de; SUZUKI, Fábio A. Avaliação audiométrica de trabalhadores ocupacionalmente expostos a ruído e cádmio. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, vol. 68, n. 4, São Paulo Julho/Augosto, 2002. Disponível em: www.scielo.com.br ALFARO, Adriane Theodoro Santos; ALFARO, Jean Carlo; FILHO, Niceu Alves Pereira. Influência do Ruído em uma Usina de Reciclagem de Resíduos de Construção Civil. Universidade Estadual de Ponta Grossa. Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, 2005. ANDRADE, Maria Aparecida Margarida de. Introdução ao Estudo da Metodologia. 4ªed. São Paulo: Editora Atlas, 1999. AVAGLIANO, Adriana; ALMEIDA, Kátia de. Estudo do desempenho de diferentes tipos de protetores auditivos. Revista Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica, vol. 3, pag. 77-87, 2001. BARROS, Laura Côrrea de; SAINT’YES, João Evangelista de Almeida. Saúde Ocupacional: considerações a respeito da perda auditiva induzida por ruído e da disfonia. ABREPO, 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Perda auditiva induzida por ruído (Pair) / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: www.saude.gov.br BRASIL, Ministério do Trabalho. Fundacentro. Norma de Higiene Ocupacional: procedimento técnico. Avaliação da exposição ocupacional ao ruído. 2001 V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 16 26 de maio de 2011 BRASIL, Ministério do Trabalho. Portaria nº 3.214, de 8 de Junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas a Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília/DF, junho, 1978. BRITO, Viviane Vacheco Santana de. Incidência de perda auditiva induzida por ruído em trabalhadores de uma fábrica. Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica, 1999. CEZAR, Maria do Rozário Vieira. Atuação do Fonoaudiólogo na Prevenção da Perda Auditiva Induzida por Ruído. Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica, Recife/PE, 2000 DUARTE, Simone Viana; FURTADO, Maria Sueli Viana. Manual para Elaboração de Monografias e Projetos de Pesquisas. 3ªed. Montes Claros: Editora Unimontes, 2002. FELDMAN, A. S.; GRIMES, C. T. Hearing conservation in industry. Baltimore: The Williams & Wilkins, 1985. GABAS, Gláucia C. Programa de Conservação Auditiva. Guia Prático 3M, 2004 GERGES, Samir N. Y. Critérios importantes. Revista Proteção, Novo Hamburgo, n. 183, mar. 2007. GUERRA, Maximiliano Ribeiro; LOURENÇO, Paulo Maurício Campanha; BUSTAMANTE-TEIXEIRA, Maria Teresa; ALVES, Márcio José Martins. Prevalência de perda auditiva induzida por ruído em empresa metalúrgica. Revista de Saúde Pública, vol.39, nº. 2, pag. 238-244, 2005. Disponível em: www.fsp.usp.br/rsp MARCONI, Maria de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa. 5ªed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2002. MAIA, Paulo Alves. Estimativa de exposições não contínuas a ruído. 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Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica, 1999. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 17 26 de maio de 2011 APÊNDICE A QUESTIONÁRIO Nº____________________ O questionário consta de 4 perguntas abertas e 12 fechadas, que deverá ser respondido pelo trabalhador. Esse questionário será preenchido mediante analise e assinatura do Consentimento Livre e Esclarecido pelo participante. As informações contidas no estudo terão caráter sigiloso quanto à identidade dos participantes, uma vez que os resultados serão divulgados apenas com o intuito de contribuir para a ampliação do conhecimento acerca do tema abordado. 1. Qual é a sua idade? ______________ 2. Qual sua escolaridade? ( ) Ensino Fundamental ( ) Ensino Médio ( ) Ensino Técnico ( ) Graduação ( ) Analfabeto 3. Há quantos anos trabalha na empresa?________ 4. Em uma escala de 1 a 10, qual a importância da utilização do protetor auricular em um ambiente com ruído? ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5 ( ) 6 ( ) 7 ( ) 8 ( ) 9 ( ) 10 5. Qual o agravo que o trabalhador pode ter, caso fique exposto ao ruído acima do limite tolerado? ( ) Meningite ( ) AIDS ( ) Perda Auditiva ( ) Micose ( ) Sarampo ( ) Perda da fala ( ) Dengue 6. Os efeitos do nível de ruído elevado aparecem a: ( ) curto prazo - até um ano de exposição ( ) médio prazo - até 5 anos de exposição ( ) longo prazo - acima de 10 anos de exposição V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 18 26 de maio de 2011 ( ) não sei informar 7. Qual sua área de trabalho?______________________________ 8. Qual protetor auricular que você utiliza na sua área de trabalho? ( ) protetor pré-moldado ( ) protetor moldado ( ) protetor tipo concha ( ) protetor tipo capa de canal ( ) não utilizo protetor auricular (Caso essa seja a alternativa escolhida, responda a questão 16) 9. Indique o grau de conforto do protetor auricular que você utiliza: ( ) Confortável ( ) Tolerável ( ) Desconfortável 10. Você acha que o protetor utilizado é adequado para sua exposição ao ruído? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei 11. Quem capacitou você quanto ao uso, guarda e conservação adequada do protetor auricular? ( ) Televisão ( ) Embalagem do equipamento ( ) Treinamento na empresa ( ) Internet ( ) Cursos de capacitação ( ) Companheiro de serviço ( ) Não fui capacitado quanto ao uso, guarda e conservação do meu protetor auricular 12. O protetor auricular que você usa dificulta o reconhecimento da fala ou de sinais sonoros? ( ) Sim ( ) Não 13. Durante quanto tempo você permanece com o protetor auricular em sua jornada de trabalho? ( ) Todo o tempo ( ) As vezes retiro ( ) Utilizo muito ocasionalmente ( ) Nunca uso 14. Você já teve algum problema no ouvido como irritação do canal auditivo, dor de ouvido, ou perda auditiva, ou ainda precisou de algum tratamento por problema no ouvido que possa esta associada ao uso do protetor auricular? ( ) Sim ( ) Não 15. Indique o principal fator ambiental que dificulta a utilização do protetor auricular: V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 19 26 de maio de 2011 ( ( ( ( ( ( ) Umidade do local de trabalho ) Temperatura ambiental elevada ) Poeira ) Trabalho em lugar confinado ) Outros: ____________________________________ ) Não existe 16. O que você acha q pode ser feito para diminuir a emissão de ruído em sua área de trabalho? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 20 26 de maio de 2011 APÊNDICE B - CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA PARTICIPAÇÃO EM PESQUISA Título da pesquisa: Exposição dos trabalhadores de uma usina de asfalto ao ruído Instituição promotora: Universidade Federal do Vale Jequitinhonha e Mucuri Patrocinador: Não se Aplica Pesquisador: Vinícius Carvalho Guimarães Coordenador: Gustavo Barbosa Alcântara Atenção: Antes de aceitar participar desta pesquisa, é importante que você leia e compreenda a seguinte explicação sobre os procedimentos propostos. Esta declaração descreve o objetivo, metodologia/procedimentos, benefícios, riscos, desconfortos e precauções do estudo. Também descreve os procedimentos alternativos que estão disponíveis a você e o seu direito de sair do estudo a qualquer momento. Nenhuma garantia ou promessa pode ser feita sobre os resultados do estudo. 1) Objetivo: O projeto tem como objetivo geral avaliar a exposição ao ruído dos trabalhadores de uma usina de asfalto. 2) Metodologia/procedimentos: O estudo a ser realizado possui caráter descritivo com abordagem quantitativa, uma vez que se pretende avaliar a exposição ao ruído dos profissionais relacionados ao tema. Os sujeitos desse estudo serão os trabalhadores da área de produção de uma usina de asfalto. Como instrumento de coleta de dados, tem-se um questionário que será aplicado em todo universo da pesquisa. 3) Justificativa: Justifica-se a realização desse trabalho pelo fato de este ser de grande importância sendo necessário analisar o grau pressão sonora na fábrica estudada e os conhecimentos dos trabalhadores sobre os meios de prevenir a perda auditiva. 4)Benefícios: As informações colhidas nessa pesquisa serão de grande valia para a construção e ampliação do conhecimento acerca da temática, a fim de contribuir para a melhoria da segurança no trabalho. 5)Desconfortos e riscos e danos: Desconsidera-se a existência de danos ou riscos uma vez que as informações colhidas não ferem a integridade moral dos participantes, sendo a identidade preservada na divulgação dos dados. 6) Metodologia/procedimentos alternativos disponíveis: A metodologia viável para a realização desta pesquisa, já foi descrita acima. V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 21 26 de maio de 2011 7) Confidencialidade das informações: Os resultados encontrados serão utilizados para fins de pesquisa, de maneira ética. As informações/opiniões levantadas serão tratadas anonimamente no conjunto dos dados coletados e serão utilizadas apenas para fins de pesquisa. 8) Compensação/indenização: O pesquisador está ciente de que, caso haja, qualquer desvirtuamento da pesquisa, a mesma, arcará com possíveis indenizações. 9) Outras informações pertinentes: O participante terá total liberdade em recusar ou retirar seu consentimento sem penalização em qualquer etapa da pesquisa. 10) Consentimento: Li e entendi as informações precedentes. Tive oportunidade de fazer perguntas e todas as minhas dúvidas foram respondidas a contento. Este formulário está sendo assinado voluntariamente por mim, indicando meu consentimento para participar nesta pesquisa, até que eu decida o contrário. Receberei uma cópia assinada deste consentimento. − ____________________ − Nome do participante − ____________________ Nome do Pesquisador ____________________ − Nome do coordenador _______________________ Assinatura do participante _______________________ Assinatura do Pesquisador _______________________ Assinatura da coordenadora ______ Data ______ Data ______ Data Endereço do Pesquisador: Praça Padre João Ferreira, nº 990, Apt 201, Cerqueira Lima. CEP: 35680-351 Itaúna - MG. Telefone: (37) 9191-7258 / (38) 9173-7990 Endereço do coordenador: [email protected] http:// gustavobalcantara.blogspot.com Telefone: (38) 9171-1414 V WORKSHOP DE ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO - UFV II ENCONTRO MINEIRO DE ESTUDOS EM ERGONOMIA 22