ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 METODOLOGIA PARA DEFINIÇÃO DE UMA REDE DE MONITORAMENTO CONTÍNUO DE EFLUENTES ATMOSFÉRICOS EM UMA INDÚSTRIA SIDERÚRGICA Guilherme Corrêa Abreu(1) Formado em Engenharia Industrial Mecânica pela Fundação de Ensino Superior de São João del Rei, e aluno do curso de pós graduação em Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG.Atualmente exerce o cargo de Engenheiro da Assessoria de Meio Ambiente da Açominas, em Minas Gerais. Gilberto Caldeira Bandeira de Melo Engenheiro Químico pela UFMG (1982), mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental também pela UFMG (1990), e doutor em Ciências de Engenharia (Dr.-Ing.) pela Universidade de Karlsruhe, Alemanha (1995). Desde março de 1996 exerce o cargo de Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA-UFMG). Endereço(1): Açominas - Assessoria de Meio Ambiente, Rodovia MG 443, km 05 - Ouro Branco - MG - CEP: 36406-000 - Brasil - Tel: (031) 749-2755 - Fax: (031) 749-2233 - email: [email protected]. RESUMO O presente trabalho apresenta a fase de planejamento de uma tese de mestrado em desenvolvimento junto ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, que objetiva o estabelecimento de uma proposta de metodologia para o desenvolvimento de uma rede de monitoramento contínuo de emissões atmosféricas em uma indústria siderúrgica. As etapas seguintes, ainda não desenvolvidas, consistirão da parte prática do desenvolvimento da e para tanto, pretende utilizar as instalações industriais da Açominas, que é uma indústria siderúrgica integrada à coque situada em Ouro Branco - MG, à 100 km de Belo Horizonte. A metodologia proposta passa por várias fases, desde o inventário das fontes existentes, até a determinação do monitor contínuo mais adequado para determinada fonte. Em virtude das características dos processos envolvidos em siderurgia, o trabalho foi direcionado para considerar o monitoramento contínuo de SO 2 (Dióxido de Enxôfre) e Material Particulado. O presente trabalho estende-se até a fase atual em que se encontra, que é o início da caracterização das fontes de emissões atmosféricas existentes. Como produto final da tese pretende-se dimensionar um anteprojeto de uma rede de monitoramento contínuo para a Açominas. PALAVRAS -CHAVE: Emissões Atmosféricas, Monitoramento Contínuo, Siderurgia. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2552 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 INTRODUÇÃO O monitoramento da poluição insere-se no contexto atual como uma das principais etapas para o controle da qualidade ambiental. Nestes termos, a poluição atmosférica destaca-se como uma das formas mais relevantes e atuantes sobre o homem e o meio ambiente. Por tratar-se de uma área complexa, em função das diversas variáveis que a influenciam, e que por sua vez, tais variáveis são algumas vezes escassamente compreendidas, a literatura especializada carece de estudos mais detalhados em áreas específicas. Por outro lado, mesmo quando alguns fenômenos são estudados de forma mais concreta, a sua comprovação prática raras vezes é possível em função das limitações dos equipamentos existentes, e da grande complexidade dos processos naturais. O estudo de tais fenômenos em uma indústria siderúrgica torna-se um tanto difícil em vista da complexidade dos processos aí envolvidos.Uma usina siderúrgica integrada à coque consiste de um complexo industrial que objetiva a fabricação do aço tendo como matéria prima básica o minério de ferro, e como agente redutor, o coque produzido à partir do carvão mineral. Este complexo envolve operações diretamente ligadas ao processo produtivo, como destilação à seco do carvão mineral, redução do minério de ferro, refino do ferro gusa, e conformação (laminação) à quente do aço; e também operações indiretas como tratamento mecânico de materiais granulares (carvão, coque, minérios e fundentes), limpeza e queima de gases para geração de energia elétrica e aquecimento em fornos, fabricação de insumos básicos (cal virgem), e obtenção de subprodutos específicos (ex. benzeno, tolueno, xileno, naftaleno, etc.) extraídos dos gases gerados na destilação do carvão mineral. Com esta gama de operações pode-se ter uma idéia do potencial de geração de poluentes atmosféricos, e da importância de conhecer tais emissões. O problema do monitoramento das emissões atmosféricas reside no fato de que a geração de um único resultado depende de equipamentos específicos e pessoal especializado. O monitoramento de forma pontual (não contínuo), até então largamente empregado, consiste em realizar medições individuais através de equipamentos apropriados, e de forma extrativa, ou seja, uma alíquota é retirada do efluente atmosférico, e nela são determinadas as concentrações dos poluentes que se deseja conhecer. Isto levou as indústrias a manterem equipes especializadas, com dedicação integral, ligadas diretamente ao seu quadro próprio de pessoal ou subcontratadas. Esta forma de monitoramento possui limitações e deficiências. As metodologias utilizadas são extrativas e portanto, sujeitas a erros durante o transporte e manuseio das amostras. Outra deficiência é de que a geração de um único resultado analítico, de alto valor econômico agregado, e cuja determinação demanda um certo tempo, limita a obtenção de uma maior massa de dados. E finalmente, os processos industriais são contínuos, e são passíveis de variações em suas características intrínsecas, de forma que um monitoramento pontual não possuirá a representatividade adequada da qualidade das emissões em um determinado período. A indústria necessita de tais medições para manter uma base de dados de suas emissões em resposta à exigências ambientais. Os órgãos ambientais necessitam destas informações para melhor conhecer as fontes de poluição e sua influência no meio ambiente. Fabricantes de sistemas de controle de poluição necessitam de métodos mais efetivos para avaliar os seus desempenhos. Fabricantes de instrumentos de medições necessitam de orientações para otimizar a performance dos equipamentos específicos envolvidos. Os sistemas instrumentais que monitoram as emissões automaticamente e continuamente são uma crescente alternativa ferramental para atingir tais objetivos, o que levou ao desenvolvimento de técnicas para monitoramento automático e contínuo destas emissões. O monitoramento automático significa que o sistema de medição é capaz de atender à operação 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2553 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 por períodos extensos, 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2554 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 pelo menos 24 hs, mas preferencialmente por períodos superiores à uma semana. Contínuo significa que as medições são feitas instantaneamente ou periodicamente, com uma freqüência suficiente para atender às necessidades do monitoramento.Estas técnicas, largamente aplicadas na Europa e EUA, são de certa forma, recentes no Brasil. Como exemplo, pode ser citada a norma da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (Environmental Protection Agency - EPA) “Standards Performance for New Stationary Sources; Monitoring Requirements (40 CFR Part 60)”, que estabelece os procedimentos gerais para monitoramento contínuo de emissões atmosféricas, e os padrões de performance que tais equipamentos devem atender. A legislação brasileira ainda não aborda explicitamente a necessidade do monitoramento contínuo de emissões atmosféricas, seja à nível federal ou estadual. Entretanto verificam-se algumas linhas de ação entre os órgãos ambientais estaduais neste sentido, no que se refere ao controle das indústrias de maior porte. A utilização destes medidores possibilita à indústria, além de conhecer com clareza as suas emissões, otimizar os seus processos e determinar as situações exatas para intervenções à nível de manutenção e/ou melhorias nos sistemas de controle de poluição do ar. Desta forma, o monitoramento contínuo de emissões consiste em uma poderosa ferramenta para a indústria cuja tendência natural é de tornar-se cada vez mais competitiva, e de otimizar os seus processos através de melhor conhecê-los, antecipando-se à exigências ambientais, buscando sempre a excelência na sua qualidade ambiental. BREVE HISTÓRICO O monitoramento contínuo de emissões atmosféricas surgiu da necessidade de possuir uma melhor forma de conduzir uma amostragem mais representativa, e menos dispendiosa que os métodos tradicionais. A Tabela 1 mostra uma breve comparação entre as vantagens e desvantagens com respeito a monitoramento pontual e contínuo. Tabela 1: Comparação Entre Monitoramento Pontual e Contínuo. ? ? ? ? ? ? PONTUAL Metodologias extrativas, com possibilidade de erros associados ao transporte e manuseio das amostras. Geração de um único resultado, com alto valor econômico agregado. Amostragem relativamente cara. Processos industriais contínuos, passíveis de variações, que questionam a representatividade das amostras. Manutenções de equipes especializadas, com dedicação integral para a atividade. São considerados métodos de referência. ? ? ? ? ? ? ? ? ? CONTÍNUO Sistemas de medição mais simples e confiáveis (eliminação do transporte e manuseio). Geração de uma base de dados representativa das emissões. Melhor conhecimento da performance dos Equipamentos de Controle de Poluição. Resultados em tempo real. Otimização dos processos produtivos, de intervenções de manutenções e melhorias. Antecipação à possíveis exigências legais. Possibilidade de transmissão de dados “online”, e de associações com modelos de dispersão para projeções da qualidade do ar na área de influência. Relação custo/resultado insignificante. Necessitam de calibrações com as 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2555 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 referências. Estas tecnologias iniciaram seu desenvolvimento na década de 60 para monitoramento de emissões gasosas (SO x, NOx, CO). Partiu-se então da aplicação de analisadores de qualidade do ar, utilizados para baixas concentrações, em fontes de emissões com concentrações significativamente maiores. Não obtiveram muito sucesso em função da necessidade de diluir-se a amostra, nem sempre confiáveis, o que levava a erros. A próxima evolução, observada no início dos anos 70, foi a aplicação de analisadores fotométricos infravermelho e ultravioleta, para concentrações reais, sem a necessidade da diluição. Entretanto, as técnicas até então utilizadas, consistiam de sistemas extrativos, considerados a 1ª geração de medidores, onde uma amostra era retirada do duto ou chaminé e conduzida para um determinado analisador. Estes sistemas possuíam com grande desvantagem, o transporte da amostra, que pode levar a erros nos resultados finais. Foram então desenvolvidos sistemas “in-situ”, considerados com a 2ª geração de medidores, onde as medições são feitas no próprio local, sem a necessidade de transportar a amostra para um analisador. Estes métodos, juntamente com os sistemas óticos de monitores de opacidade desenvolvidos na Alemanha, e as técnicas luminescentes de medições desenvolvidas nos EUA permitiram que padrões de performance para monitores contínuos pudessem ser estabelecidos. Em 1971, foi publicada a primeira exigência legal para monitoramento contínuo de emissões nos EUA, apesar dos Padrões de Performance destes sistemas só foram concluídos em 1975. Recentemente, o estado da arte desta tecnologia aponta para a utilização de sistemas remotos, que são considerados a 3ª geração de medidores contínuos, e nasceram no programa espacial americano. Estes sistemas dispensam qualquer tipo de interferência na fonte, realizando as medições à longas distâncias diretamente na pluma emitida pelas chaminés. Apesar das vantagens deste método, o seu desenvolvimento tecnológico diminuiu, e a sua aplicação é pouco observada. No Brasil, percebe-se um avanço da utilização dessas tecnologias, muito mais em função do que é aplicado em outros países do que de necessidades próprias. Entretanto, alguma movimentação a nível governamental pode ser observada, e portanto, tornase necessário o aprofundamento do conhecimento para viabilizar-se a utilização de tais técnicas. MEDIDORES CONTÍNUOS - DESCRIÇÃO E PRINCÍPIOS Considerações Iniciais Os medidores contínuos podem ser considerados como possuindo as seguintes divisões: ? Interface de amostragem ? Analisadores ? Sistema para manuseio dos dados A interface de amostragem consiste na separação e transporte da amostra para o analisador. A classificação mais utilizada destes medidores pode ser dividida em três grandes grupos: Sistemas Extrativos, In-Situ e Remotos. Na Tabela 2, pode ser observada com mais detalhes. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2556 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 Tabela 2: Classificação dos Monitores Contínuos. Sistemas Extrativos Medição à concentração da fonte Diluições Sistemas In-Situ Sistemas Remotos Pontual Ativos Linear Passivos Simples passe Duplo passe As técnicas aplicadas aos analisadores nos sistemas contínuos englobam uma vasta gama de princípios físicos e químicos, e podem ser classificadas de acordo com a Tabela 3. Tabela 3: Técnicas Analíticas Utilizadas em Monitores Contínuos. Sistemas Extrativos Gases Espectroscopia de Absorção: ? Espectrofotometria ? Absorção Diferencial ? Correlação Gás/Filtro ? Transformada de Fourier Luminescência: ? Fluorescência ? Quimioluminescência ? Fotometria de Chama Eletroanalíticos: ? Polarografia ? Potenciometria ? Eletrocatálise Sistemas In-Situ Gases Material Particulado Pontual: Pontual: ? Espectroscopia de ? Backscattering Absorção ? Transferência de ? Segunda-Derivativa carga ? Eletroanalíticos ? Atenuação nuclear ? Polarografia ? Eletrocatálise Linear: ? Absorção e Linear: Dispersão da Luz ? Espectroscopia de Absorção ? Absorção Diferencial ? Correlação Gás/Filtro Paramagnéticos Sistemas Extrativos São sistemas que extraem continuamente uma alíquota das emissões e conduzem à um analisador, que pode possuir uma das técnicas mencionadas na Tabela 2, onde é processada a determinação da concentração do gás em questão. Foram os primeiros sistemas a serem desenvolvidos, possuindo o seu auge no final dos anos 70 e início dos anos 80. O fato de serem os mais antigos não significa que foram abandonados do uso, pois cada aplicação possui características próprias. Os principais problemas associados a estes sistemas, referiam-se às diluições necessárias para os analisadores, posteriormente contornado, através do desenvolvimento de um sistema de diluição na própria sonda de extração da amostra, ou da determinação sem alguma diluição. Uma configuração típica deste sistema pode ser visualizada na Figura 1. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2557 VI - 059 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental Figura 1: Configuração Típica de Um Sistema Extrativo. Sonda de Amostragem Condicionamento da Amostra Bomba Analisador Chaminé ou Duto de Exaustão Os métodos utilizados para determinação dos poluentes em questão, discriminados na Tabela 3, podem ser resumidos da seguinte forma: Métodos Espectroscópicos - Analisadores Infravermelhos Foram construídos para determinação de moléculas heteroatômicas (SO 2, NO, CO, HCl, CO2, e Hidrocarbonetos), as quais absorvem luz no comprimento de onda infravermelho. a) Analisador infravermelho não dispersivo (NDIR) São sistemas cujo princípio baseia -se na absorção de luz pela molécula em questão, em um determinado comprimento de onda, na região infravermelha. São chamados espectrofotômetros, pois a luz emitida varia muito pouco quanto ao comprimento de onda, apenas na faixa cujo pico coincide com a absorção espectral da molécula. Uma fonte de luz infravermelha, que é filtrada para um determinado comprimento de onda, em direção à duas células, a de referência e a da amostra. A célula de referência possui um gás inerte, tal como Nitrogênio ou Argônio, enquanto que a célula da amostra possui o elemento que se deseja analisar. Com isto, a luz que sai da célula da amostra possui menos energia que a de referência, as quais são detectadas, e cuja razão fornece a transmitância, que é proporcional à concentração do elemento na amostra, segundo a lei de Beer-Lambert. Uma desvantagem deste sistema é devido à presença de CO2 e umidade, os quais também absorvem energia em regiões espectrais infravermelhas, e portanto, devem ser removidos de alguma forma da amostra. b) Analisador por Correlação Gás/Filtro É uma técnica semelhante à NDIR, que possibilita a determinação de vários gases ao mesmo tempo. Uma fonte de luz emite radiação infravermelha, à qual passa por um filtro, contendo um gás neutro e o gás que se deseja analisar em uma concentração tal que garanta 100% de absorção da luz. Quando a luz passar pelo filtro contendo o gás em questão, e logo após pela célula da amostra, não sofrerá modificação pois toda energia já foi absorvida no filtro (Figura 2a). Quando a luz atravessar o filtro com gás inerte, não sofrerá modificação (Figura 2b), e 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2558 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 portanto será absorvida na célula da amostra, proporcionalmente à concentração presente (Figura 2c). Da mesma forma, a interferência pela umidade e CO2 devem ser eliminadas. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2559 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 Figura 2: Princípios de Absorção na Correlação Gás / Filtro. %T %T %T ? 2a Absorção total pelo filtro ? 2b Sem absorção pelo gás inerte ? 2c Redução transmitância na Métodos Espectroscópicos Ultravioleta a) Analisadores Ultravioleta Não Dispersivo (NDUV) - Absorção Diferencial. Estes instrumentos operam de forma semelhante ao NDIR, mas na região ultravioleta. A diferença principal reside no fato de que ao invés de uma célula de referência, o método NDUV utiliza um comprimento de onda diferente daquele onde ocorre a absorção da luz pelas moléculas em questão. Esta técnica é conhecida como absorção diferencial e é largamente empregada para determinação de SO2 (?=280 nm) e NO2(?=436 nm). Métodos Espectroscópicos - Luminescência a) Analisador Fluorescente de SO2 Fluorescência é um processo fotoluminescente onde a energia luminosa de um dado comprimento de onda é absorvido e liberado sob a forma de energia luminosa com diferente comprimento de onda. A molécula permanece excitada por ainda 10-8 a 10-4s. A base deste processo é bombardear com ? ? 210 nm (UV) e medir a luz com ????? inicial . SO2 ? h ? ? SO2* ? SO2 '? h ? ' O problema principal reside no fato de uma molécula de SO 2 dissipar energia através da colisão com outras moléculas O2, CO2, N2 ou água, conhecido como “quenching”. Assim, estima-se conhecer os produtos de combustão dos gases para corrigir os valores de SO 2 já encontrados. Na calibração recomenda-se utilizar SO 2 misturado com gás à uma composição típica da fonte em questão. b) Analisador Quimioluminescente para NOx e NO Baseia-se no princípio de que a reação do NO com o Ozônio (O3) produz uma radiação infravermelha da ordem de 500 a 3000 nm. Reações básicas: NO ? O3 ? NO 2 * ? O 2 NO 2 * ? NO 2 ? hu.(luz ; 500 a 3000nm) O NO2 não é sensível à este método e portanto precisa ser convertido à NO, através de um catalisador: NO 2 ? NO ? 12 O2 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2560 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 O resultado da quimioluminescência expressa então a leitura total de NO x. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2561 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 Sistemas In-Situ Estes sistemas consistiram em um avanço na tecnologia de monitores contínuos, pois visam eliminar as interferências relacionadas com o transporte da amostra a um analisador, que é necessária nos sistemas extrativos. Na Tabela 3, pode-se verificar que os sistemas In-Situ dividem-se em dois grupos: Pontuais e Lineares. Os sistemas Pontuais caracterizam-se por considerar somente um pequena região do duto com efluente atmosférico, cuja distância pode ser de 5 ou 10 cm, até no máximo 1m. Já os sistemas Lineares consideram toda a extensão do duto de exaustão. As técnicas utilizadas para os analisadores de poluentes gasosos nos sistemas In-Situ são as mesmas aplicadas para os sistemas Extrativos, sendo as grandes diferenças observadas na interface dos sistemas. Por este motivo, será descrita somente uma comparação entre sistemas In-Situ e Extrativos (Tabela 4), no que se refere à determinação de poluentes gasosos. Sendo assim, o maior enfoque dos sistemas In-Situ será direcionado à determinação de Material Particulado. Tabela 4: Comparação Entre Sistemas In-Situ e Extrativos. Sistemas Extrativos Podem amostrar no ponto de concentração média Podem dividir as amostras por analisadores Uso de gás de calibração Amostra necessita ser filtrada e condicionada Amostra pode ser alterada Tempo de resposta depende da distância do analisador Manutenção pouco especializada Sistemas In-Situ Linear Pontual Média linear das Podem amostrar no ponto concentrações de concentração média Não podem dividir as amostras por analisadores Podem usar células internas para calibração Condições ambiente das chaminés podem prejudicar o sistema Amostra não é alterada Tempo de resposta imediato Manutenção muito especializada Determinação de Material Particulado Ainda não foi desenvolvida uma metodologia que determine continuamente a concentração de material particulado, expressa em termos de massa por volume de ar exaurido. Entretanto, várias técnicas foram desenvolvidas, buscando correlacionar a grandeza medida com a concentração de material particulado. Uma das grandes dificuldades destas correlações reside no fato da natureza não homogênea das partículas, em relação ao tamanho, composição química, estratificação no fluxo, etc. Dentre as técnicas desenvolvidas, destacam-se a técnicas óticas (efeitos da atenuação e reflexão da luz)e elétricas (efeito tribo-elétrico). a) Técnicas Óticas Estas técnicas baseiam-se nos princípios da interação da luz com a matéria, que podem ser a difração, reflexão e absorção. A equação fundamental para descrição deste processo é a Lei de Beer-Lambert, onde o coeficiente “? ” resume toda esta interação da luz com a partícula em questão. Entre os equipamentos utilizados, destacam-se os medidores de transmissão 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2562 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental VI - 059 (Opacímetros) e de reflexão da luz (“backscatters”). Estes sistemas são os mais antigos e largamente empregados na industria, e o resultado final obtido pode ser expresso em termos de densidade ótica onde verifica-se que é proporcional à concentração de material particulado, sob certas condições. Atualmente existem normas específicas (ISO 10155 e VDI 2066) que estabelecem como correlacionar os resultados obtidos em termos de Densidade Ótica e os valores de uma amostragem gravimétrica pontual. b) Transferência de Carga Iônica Consiste na transferência de carga elétrica entre as partículas no gás exaurido e um sensor quando entram em contato físico. Este fenômeno é definido com “efeito triboelétrico”. A transferência de carga é medida como corrente à partir do sensor com um sistema eletrônico apropriado. A composição e propriedades superficiais das partículas e do sensor, aliadas às características do fluxo gasoso, determinam a probabilidade e natureza do contato físico entre as partículas e o sensor, gerando então um sinal elétrico, que é possível correlacionar com a concentração de material particulado, apesar destas interelações não estarem bem desenvolvidas atualmente. METODOLOGIA PROPOSTA PARA DEFINIÇÃO DE UMA REDE O objetivo principal de desenvolver uma metodologia é conferir um caráter lógico e seqüencial, que, via de regra, deve ser sempre considerado em implantação de sistemas de monitoramento de poluentes. Ou seja, a sistematização de uma seqüência possibilitará o dimensionamento objetivo e com melhor custo benefício, pois serão implantados monitores adequados somente naquelas fontes onde realmente serão necessários. Outro aspecto refere-se à variedade de processos, com características diferentes, levando a crer que os diversos princípios de medição dos monitores contínuos nem sempre atenderão à todos os processos. As fases descritas à seguir, fazem parte da metodologia proposta, e podem sofrer alterações quando da conclusão do trabalho. Inventário das Fontes de Emissão Nesta fase foram levantadas todas as fontes de poluição atmosférica da Açominas, locando-as em um “lay-out” apropriado, de forma a ter uma idéia do posicionamento físico das mesmas. Definiu-se também quais os poluentes seriam abordados no estudo, e em função das características de um processo siderúrgico, optou-se pelo SO 2 (Dióxido de Enxôfre) e Material Particulado. Uma pré-seleção foi realizada, excluindo-se aquelas fontes que não possuem condições físicas de suportar um monitor contínuo, que são as fontes difusas (não pontuais), ex. emissões de pilhas de materiais em pátios. Na Tabela 5 encontra-se um resumo da situação atual das fontes existentes na Açominas, sendo que o estudo da rede foi direcionado para as 46 fontes pontuais. Tabela 5: Fontes de Emissão de Poluentes Atmosféricos. SITUAÇÃO Fontes Levantadas QUANTIDADE 56 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2563 VI - 059 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental Fontes Controladas por ECP 44 Fontes Difusas 10 Fontes Pontuais 46 Seleção das Fontes para compor a Rede A fase de seleção consistiu de uma avaliação do impacto causado pelas 46 fontes pontuais, devidamente pré-selecionadas, em termos da vazão mássica de poluentes lançados na atmosfera, expressos em kg/h. A vazão mássica foi escolhida como parâmetro de comparação uma vez que integra a vazão de ar emitido juntamente com a concentração do poluente em questão. Para o cálculo das estimativas de vazões mássicas foram utilizados dados originários de 03 fontes distintas: ? Resultados de medições existentes na própria empresa. ? Valores de referência em dados de projetos. ? Fatores de Emissão estabelecidos pela EPA - Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Entende-se que também possa ser utilizado, nesta fase, resultados de outras usinas com processos semelhantes, o que não foi necessário neste estudo. Com isto, após calculadas as contribuições percentuais de cada fonte, foi possível estabelecer em forma de gráfico (Figuras 3 e 4), destacando-se as fontes selecionadas com o percentual de contribuição que seria abrangido pela rede de monitoramento contínuo. Figura 3: Fontes Selecionadas - Material Particulado. 45,0 6,9 6,4 Outras 2,8 Especiais 2,8 Chaminé Coque 2 Secundário Sinter 7,7 Chaminé Coque 1 19,2 Desenf. Coque 40 30 20 10 0 Fontes Selecionadas 93,6% Máquina Sinter 100 90 80 70 60 50 No caso das contribuições para Material Particulado as fontes denominadas Especiais formam um número total de 07, e são aquelas cujas contribuições em termos de vazão mássica não são tão significantes, mas que o monitoramento contínuo irá auxiliar nas intervenções de manutenção. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2564 VI - 059 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental Figura 4: Fontes Selecionadas - Dióxido de Enxôfre (SO2). 100 Fontes Selecionadas 97,5% 90 80 70 60 37,1 16,5 20 12,0 10,3 10,3 Chaminé Coque 2 Chaminé Coque 1 Fornos-Poços Regenerador 0 Máquina Sinter 10 5,9 5,7 2,4 Outros 30 Forno Cal 40 CTE 50 No caso das contribuições de Dióxido de Enxôfre, existem fontes que são em maior número, mas que representam uma emissão conjunta, e portanto considerada como fonte única. É o caso dos Fornos-Poços, que são em número de 06 chaminés de exaustão, mas para efeito de seleção, consideradas como uma única contribuição. Cronograma de Trabalho As fases seguintes à seleção das fontes de emissão, consistem na parte prática do trabalho, em cujo estágio atual se encontra. Pretende-se realizar uma caracterização das fontes selecionadas, determinando-se parâmetros específicos que podem influenciar na definição de um ou outro sistema de monitoramento contínuo. Os parâmetros selecionados foram: ? Concentração média de Dióxido de Enxôfre e Material Particulado do efluente. ? Teor de umidade do efluente ? Vazão volumétrica ? Perfil de velocidades ? Perfil de temperaturas ? Densidade das partículas (para Material Particulado) ? Distribuição de tamanhos (para Material Particulado) As fases seguintes a caraterização referem-se à concepção da rede, que englobará a disposição dos equipamentos, forma de reportagem e manuseio dos dados gerados pelos monitores. Assim, foi elaborado um cronograma de trabalho, com as diversas fases previstas, pode ser visualizado na Figura 5. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2565 VI - 059 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental Figura 5: Cronograma de Trabalho. ATIVIDADE 1. Preparação e Planejamento 1.1 Revisão bibliográfica 1.2 Revisão do plano do experimento 2. Período do Experimento 2.1 Calibrações necessárias 2.2 Caracterização das fontes de emissão 3. Elaboração do Anteprojeto 3.1 Avaliação dos resultados obtidos 3.2 Levantamentos de resultados pendentes 3.3 Elaboração do Anteprojeto 4. Elaboração do Relatório Final de Dissertação 5. Defesa de Tese 1997 1998 1ºTri 2ºTri 3ºTri 4ºTri 1ºTri concluído XX X X concluído X concluído X XXX X X X XX X XX X CONCLUSÕES O desenvolvimento das metodologias e equipamentos de monitoramento contínuo de poluentes atmosféricos vem destacando-se e ocupando um espaço cada vez maior no que se refere ao acompanhamento da eficiência de controle e quantificação das emissões das fontes de poluição atmosférica. As legislações dos países industrializados, a exemplo dos EUA no setor de geração de energia, já estabelecem, de certa forma, exigências quanto à utilização de monitores contínuos. No Brasil, algumas legislações estaduais apontam para esta linha de pensamento. A metodologia proposta neste trabalho é uma forma objetiva e sistemática de concepção de uma rede de monitoramento contínuo de poluentes atmosféricos, que objetiva entre outros o estabelecimento de uma boa relação custo/benefício, e vem antecipar-se a futuras exigências da legislação ambiental, possibilitando um melhor conhecimento e controle das fontes de poluição nas indústrias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. 2. 3. 4. 5. 6. JAHNKE, J.A. Continuous Emission Monitoring. 1st ed. Ed. Van Norstrand Reinhold, New York, 1993. U.S. ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. Handbook - Continuous Air Pollution - Source Monitoring systems. EPA - Technology Transfer, June 1979. CALVERT, S., ENGLUND, H.M. Handbook of Air Pollution Technology. 1st ed. Ed. John Wiley & Sons, Inc., New York, 1994. STERN, A.C. Air Pollution. 3rd ed. Vol III - Measuring, Monitoring, and Surveillance of Air Pollution, Ed. Academic Press, Inc., 1986. UNITED STATES CODE OF FEDERAL REGULATIONS. Vol. 40 Part 60 Appendix B - Performance Specification 1. US Government Printing Office, 1996. MYERS, R.L., AGUILAR, R. Guidelines for the Use of Commercially Available Transmissiometers and Backscatter Devices to Estimate Particulate Mass Loading in Stack and Ducts. In ASME Joint International Power Generation Conference, 1994, Phoenix. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2566 ABES - Associação Brasileira de E ngenharia Sanitária e Ambiental 7. VI - 059 BAHAR,B. New Developments in Monitoring Particulate Emissions. American Ceramic Society Bulletin, v.73, p. 64-70, Jul. 1994. 19o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 2567