UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA DEPTº DE ENGENHARIA AMBIENTAL - DEA MESTRADO PROFISSIONAL EM GERENCIAMENTO E TECNOLOGIAS AMBIENTAIS NO PROCESSO PRODUTIVO JOSÉ AUGUSTO OLIVEIRA OTIMIZAÇÃO AMBIENTAL DE UM SISTEMA DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO BASEADA EM CRITÉRIOS DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA ESTUDO DE CASO SALVADOR 2006 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL JOSÉ AUGUSTO OLIVEIRA OTIMIZAÇÃO AMBIENTAL DE UM SISTEMA DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO BASEADA EM CRITÉRIOS DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA–ESTUDO DE CASO Dissertação de mestrado apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo. Orientador: Prof. Pacheco Filho Salvador 2006 José Geraldo de Andrade Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em critérios de PmaisL O482o Oliveira, José Augusto Otimização ambiental de um sistema de produção de petróleo baseada em critérios de Produção Mais Limpa. /José Augusto Oliveira---Salvador-Ba, 2005. 222p. il.color Orientador: Prof. Dr. José Geraldo de Andrade Pacheco Filho Dissertação (Mestrado em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais no Processo Produtivo - Ênfase em Produção Limpa) - Departamento de Engenharia Ambiental Universidade Federal da Bahia, 2005. Referências e Apêndices. 1. Indústria Petroquímica – Aspectos Ambientais. 2. Prevenção da Poluição 3. Eficiência industrial I. Universidade Federal da Bahia. Escola Politécnica. II. Pacheco Filho, José Geraldo de Andrade. III. Título CDD 661.804 iii Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em critérios de PmaisL iv Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em critérios de PmaisL Agradecimentos À minha esposa e companheira, Marilene, pela compreensão e tranqüilidade com que atravessou esses longos meses de clausura doméstica, principalmente, nos fins de semana e também por aturar e ajudar a reduzir o meu estresse. Às minhas filhas, Raissa e Ádria, que mesmo na adolescência conseguiram ter sabedoria para resignarem-se pela ausência temporária do pai e amigo... Aos meus pais, João Batista e Antonia Maura, pelo apoio e estímulo sempre prestados nos meus estudos. Ao professor José Geraldo pela orientação na elaboração do trabalho e apoio moral nas horas difíceis. A todos os amigos que souberam entender as dificuldades para a travessia desse turbilhão acadêmico... À PETROBRAS/Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bahia, não apenas pelos recursos dispendidos nessa jornada, mas principalmente pela disponibilização de suas instalações e de seu corpo técnico para a realização desse estudo. A toda equipe da Estação B pelas preciosas informações prestadas e ainda pela cordial acolhida em todo período. v Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em critérios de PmaisL RESUMO A crescente pressão da sociedade por um meio ambiente preservado associada aos efeitos danosos da emissão de gases de efeito estufa ao clima do planeta têm colocado a indústria do petróleo sob os holofotes da opinião pública mundial, compelindo-a a buscar alternativas para melhorar a gestão ambiental dos seus processos, reduzindo a sua emissão de resíduos. Nesse cenário, a otimização do uso de recursos naturais e a minimização dos resíduos gerados nos processos produtivos - elementos essenciais da Produção Mais Limpa (PmaisL)- permitem o aumento da eficiência econômica, da competitividade e da lucratividade das empresas. Para tanto o uso equilibrado dos recursos da Terra pelas empresas- exigência da sociedade- requer constantes avaliações dos processos produtivos baseadas nos critérios da PmaisL, pois esta é reconhecida ferramenta para o desenvolvimento sustentável. Este trabalho desenvolve uma metodologia para a otimização ambiental de um processo produtivo utilizando os critérios da PmaisL e apresenta uma aplicação desta ferramenta através de avaliação de um sistema de produção de petróleo. Em sua elaboração foram analisadas diversas metodologias disponíveis, como também foi estudado o processo de produção de petróleo de uma maneira mais detalhada. A análise das operações e procedimentos existentes, visando a conservação de energia e a redução da geração de resíduos, permitiu a revisão das tarefas realizadas no processo. Na realização da avaliação do processo produtivo foram elaborados fluxogramas nos diversos níveis, identificadas as tarefas/atividades críticas, realizados os balanços de massa e energia, incluindo-se dados de consumo de vapor e aditivos químicos, e, foram criados de indicadores de performance para consumo de insumos e geração de resíduos, a fim de que o trabalho contemplasse as propostas de PmaisL com posterior avaliação técnica econômica e ambiental. As melhores oportunidades identificadas nesta avaliação foram: recuperação do óleo da borra de fundo de tanque; utilização de resíduos oleosos de produção de petróleo para a fabricação de blocos cerâmicos; instalação de recuperador de condensado de vapor; instalação de recuperador de vapor de hidrocarboneto no tanque lavador; redução da faixa de controle de temperatura no tanque lavador; instalação de válvula moduladora no tanque lavador. Essas propostas podem levar a um beneficio econômico anual aproximado de R$ 940.000,00. vi Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em critérios de PmaisL ABSTRACT The growing pressure of society towards a preserved environment, together with the negative impact of the greenhouse gas emission on the planet’s climate, has put the petroleum industry under the holophotes of the world’s public opinion. Therefore that industry has been compelled search for alternatives to improve the environmental management of productive processes, reducing wastes. In that scenery the optimization of the natural resources use and the minimization of the produced waste, which are essential elements of the cleaner production concept, contribute to the improvement of the enterprises economic efficiency, competitiveness and profitability. The well-balanced use of the Earth’s resources by the enterprises, which is a growing need of the society these days, requires frequent evaluations of the productive processes based on the cleaner production concept, as this is considered an important tool for the sustainable development. This research developed a methodology for environmental optimization of productive process, using the criterion of cleaner production and presents a petroleum production system evaluation using the same tool. To make real this research several cleaner production methodologies were investigated and the petroleum productive process was studied in a detailed way. The analysis of the operations and the existent procedures aiming the energy conservation and the reduction waste production permitted a review of all tasks during the process. For evaluation of productive process some flowcharts were made in different levels, critical activities were identified. The mass and energy balances were made including steam and chemical additives and also establishing performance indicators of raw material and waste products. The conclusion of this research brings some cleaner production propositions with technical, economic and environmental evaluation. The best opportunities identified were: a) Oil recovery in sludge oily of bottom tank; b) Use of oil sludge at manufacturing bricks industry; c) condensed steam recovery installation; d) hydrocarbon emissions recovery in the storage tanks; e) reduction on the temperature control range in the wash tank; f) modulating valve installation in the wash tank. These proposals can lead to an yearly economic benefit close to US$ 340,000.00. vii Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 9 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS......................................................................................................12 LISTA DE QUADROS....................................................................................................14 LISTA DE TABELAS .....................................................................................................15 LISTA DE SIGLAS e ABREVIATURAS ........................................................................16 1. INTRODUÇÃO .........................................................................................................19 1.1 OBJETIVO.................................................................................................................................................. 24 2. REFERENCIAL TEÓRICO.......................................................................................25 2.1–RELAÇÃO ENTRE PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E PRODUÇÃO MAIS LIMPA ............................ 27 2.2 FERRAMENTAS DA PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E PRODUÇÃO MAIS LIMPA. ......................... 29 2.2.1 Mudanças nos insumos......................................................................................................................... 32 2.2.2 Mudanças tecnológicas......................................................................................................................... 33 2.2.3 Boas práticas operacionais “Good housekeeping” ............................................................................... 33 2.2.4 Mudanças nos produtos ........................................................................................................................ 34 2.2.5 Regeneração/reuso................................................................................................................................ 35 2.2.6 Recuperação ......................................................................................................................................... 35 2.3 METODOLOGIA PARA APLICAÇÃO DA PmaisL ................................................................................ 36 2.4 ETAPAS DA METODOLOGIA PARA APLICAÇÃO DA PmaisL.......................................................... 40 2.4.1 Pré-avaliação - coleta de informações .................................................................................................. 42 2.4.2 Construção do diagrama de fluxo ......................................................................................................... 44 2.4.3 Balanço de massa e energia .................................................................................................................. 46 2.4.4 Seleção do foco e priorização de processos;......................................................................................... 47 2.4.5 Estabelecimento de indicadores............................................................................................................ 48 2.4.6 Determinação dos custos das perdas..................................................................................................... 50 2.4.7 Identificação das causas de geração de resíduos .................................................................................. 51 2.4.8 Gerando as propostas de PmaisL.......................................................................................................... 53 2.4.9 Avaliação técnica ambiental e econômica ............................................................................................ 54 3. REVISÃO DA LITERATURA ...................................................................................56 3.1 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL..................................................................................................... 57 3.2 PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO NA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO ........................................................ 58 3.3 PROCESSO DE PRODUÇÃO DO PETRÓLEO........................................................................................ 68 3.3.1 Coleta de Petróleo................................................................................................................................. 68 3.3.2 Separação de Fases do Petróleo............................................................................................................ 73 3.3.3 Tratamento da Água Produzida ............................................................................................................ 79 3.3.4 Armazenamento do Óleo ...................................................................................................................... 81 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 10 3.3.5 Geração e Distribuição de Vapor.......................................................................................................... 85 4. METODOLOGIA ......................................................................................................93 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ...............................................................................96 5.1 PRÉ –AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE PRODUÇÃO ............................................................................. 97 5.1.1 Descrição do processo produtivo.......................................................................................................... 98 5.1.2 Questões gerais do processo produtivo............................................................................................... 115 5.1.3 Questões específicas do processo. ...................................................................................................... 116 5.1.4 Maiores consumidores de energia e geradores de resíduos. ............................................................... 117 5.1.5 “Lay-out” das instalações. .................................................................................................................. 118 5.2 CONSTRUÇÃO DO DIAGRAMA DE FLUXO...................................................................................... 119 5.3 BALANÇO DE MASSA E ENERGIA ..................................................................................................... 122 5.3.1 Balanço de massa e energia global. .................................................................................................... 123 5.3.2 Balanço de massa e energia intermediário.......................................................................................... 125 5.3.3 Balanço de massa específico. ............................................................................................................. 131 5.3.4 Análise das tarefas críticas. ................................................................................................................ 131 5.4 DETERMINAÇÃO DOS CUSTOS DAS PERDAS................................................................................. 144 5.4.1 Cálculo de perda pela geração de resíduos oleosos. ........................................................................... 144 5.4.2 Cálculo do custo da perda de COV para atmosfera. ........................................................................... 145 5.4.3 Cálculo do custo de calor perdido na Estação B................................................................................. 146 5.5 SELEÇÃO DO FOCO E PRIORIZAÇÃO DE PROCESSO .................................................................... 150 5.6 ESTABELECIMENTO DE INDICADORES........................................................................................... 152 5.7 ANALISE DAS RAÍZES DAS CAUSAS ................................................................................................ 154 5.7.1 Causas da geração de resíduos oleosos............................................................................................... 154 5.7.2 Causas da perda de vapor. .................................................................................................................. 157 5.7.3 Causas da perda de calor. ................................................................................................................... 158 5.8 GERANDO AS PROPOSTAS DE PmaisL............................................................................................... 160 5.8.1–Práticas operacionais. ........................................................................................................................ 161 5.8.2–Mudanças tecnológicas...................................................................................................................... 161 5.8.3–Regeneração/reuso dentro da indústria.............................................................................................. 162 5.8.4–Recuperação de energia fora da indústria. ......................................................................................... 162 5.9 AVALIAÇÃO TÉCNICA AMBIENTAL E ECONÔMICA .................................................................... 163 5.9.1–Avaliação global das propostas de PmaisL. ...................................................................................... 194 6. CONCLUSÕES E SUGESTÕES ...........................................................................197 7. REFERÊNCIAS......................................................................................................200 APÊNDICE...................................................................................................................216 A-1- Calor específico de soluções de Cloreto de Sódio .................................................................................. 216 A-2-Temperatura dos tanques da Estação medida em dias variados ao longo do ano 2004............................ 217 ANEXOS ......................................................................................................................218 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 11 Anexo 1-Densidade de soluções de Cloreto de Sódio ..................................................................................... 218 Anexo 2-Perda de vapor através de orifício..................................................................................................... 218 Anexo-3-Avaliação de aspectos e impactos da Estação retirado de SMS-NET 2004 ..................................... 219 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 12 LISTA DE FIGURAS Figura 1-Gerenciamento de resíduos - hierarquia de prioridades. 30 Figura 2-Técnicas de prevenção da poluição. 31 Figura 3-Prioridades para minimização de resíduos no processo. 32 Figura 4-Etapas da Metodologia de PmaisL do UNEP. 37 Figura 5-Etapas para implementação de um programa de PmaisL do CNTL 38 Figura 6-Etapas da Metodologia de PmaisL do CEBDS. 39 Figura 7-Comparação entre as metodologias de PmaisL:Principais etapas 41 Figura 8-Fluxograma de processos nível 1. 44 Figura 9-Mapeamento de processo USEPA. 45 Figura 10-Diagrama da cebola. 48 Figura 11-Caracterização de um processo por meio de diagrama de causa e efeito. 52 Figura 12-Gráfico esquemático viscosidade x temperatura. 70 Figura 13-Processo de medição de vapor-Desenho esquemático 72 Figura 14-Separador gás-líquido-Desenho esquemático. 74 Figura 15-Pirâmide da PmaisL 97 Figura 16-Fluxograma de processo da estação B. 98 Figura 17-Gráfico de temperatura média das chaminés das caldeiras. 106 Figura 18-Gráfico de pressão média do vapor nas caldeiras. 107 Figura 19-Gráfico de pressão média do vapor na caldeira agosto 2004 108 Figura 20-Consumo de gás natural da Estação B 110 Figura 21-Consumo de água para a geração de vapor da Estação B 110 Figura 22-Gráfico de setores apresentando os resíduos gerados no Pólo de 114 Produção A Figura 23-Diagrama de fluxo da produção do petróleo. 119 Figura 24-Diagrama de fluxo da estação B. 121 Figura 25-Diagrama de fluxo da Estação B com perdas de massa. 121 Figura 26-Diagrama de fluxo da Estação B com perdas de energia. 122 Figura 27-Balanço global do processo de produção 124 Figura 28-Balanço energético global do processo de produção 125 Figura 29-Balanço material do processo de coleta de óleo por carreta 126 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 13 Figura 30-Balanço energético do processo de coleta de óleo por carreta 127 Figura 31-Balanço material do processo de separação óleo água 128 Figura 32-Balanço energético do processo de separação óleo água. 129 Figura 33-Balanço material do processo de armazenamento de petróleo 130 Figura 34-Balanço energético do processo de armazenamento de petróleo 130 Figura 35-Balanço de massa específico para a drenagem de água livre 131 Figura 36-Fluxograma detalhado da coleta de petróleo por carreta. 134 Figura 37- Fluxograma detalhado do processo de geração de distribuição de vapor 140 Figura 38-Fluxograma detalhado do processo de separação óleo- água. 142 Figura 39-Fluxograma detalhado do processo de armazenamento do petróleo. 143 Figura 40-Causas para a geração de borra no tanque de armazenamento. 155 Figura 41-Causas para a geração de borra de fundo de tanque lavador. 156 Figura 42-Causas para a perda de vapor no tanque lavador. 157 Figura 43-Causas para a geração de borra no descarregamento de carretas. 158 Figura 44-Causas para a geração de energia no armazenamento de óleo. 159 Figura 45-Sistema de recuperação de condensado para a Estação B-Desenho 178 esquemático. Figura 46-Sistema de recuperação de COV no tanque lavador- Desenho 188 esquemático. Figura 47- Sistema de recuperação de COV no tanque de armazenamentoDesenho esquemático. 191 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 14 LISTA DE QUADROS Quadro 01-Indicadores de Produção Limpa 49 Quadro 02 Oportunidades de melhoria de performance para um sistema de 66 geração de vapor. Quadro 03-Pontos de perdas em caldeira 87 Quadro 04-Matriz de priorização de processos. 151 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 15 LISTA DE TABELAS Tabela 01-Indicadores de eficiência de processo –(OGP 2003) 49 Tabela 02-Coeficientes globais de transferência de calor para tanques de petróleo. 83 Tabela 03-Carretas recebidas na Estação B. 100 Tabela 04- Temperaturas máximas medidas no tanque de emulsão 101 Tabela 05-Cálculo de consumo de vapor no tanque de emulsão 102 Tabela 06- Volumes de óleo produzido na estação B 103 Tabela 07- Qualidade de óleo produzido na estação B 103 Tabela 08-Volumes de água injetada e teor de óleos e graxas na Estação B 104 Tabela 09- Temperaturas medidas no tanque lavador 104 Tabela 10- Consumo de combustível nas caldeiras da Estação B. . 109 Tabela 11- Consumo de energia da Estação B. 109 Tabela 12- Consumo anual de aditivos Estação B 111 Tabela 13- Estimativa de emissão de COV nos tanque da Estação. 113 Tabela 14 - Perdas de óleo nas instalações da Estação B 116 Tabela 15- Consumo energético de vapor por equipamento 117 Tabela 16- Resíduos gerados na limpeza de tanques-Estação B. 118 Tabela 17- Tempo de aquecimento de carretas recebidas na Estação B 136 Tabela 18-Medição de vazão de vapor na descarga de carretas 136 Tabela 19- Consumo de vapor para o descarregamento de carretas 137 Tabela 20- Temperatura de óleo saindo do poço e descarregando na Estação 137 Tabela 21- Consumo de vapor descarga de carretas do poço FE-XII 138 Tabela 22-Custo para gerenciamento de resíduos oleosos da Estação. 144 Tabela 23-Custo para gerenciamento de COV 145 Tabela 24-Custo para gerenciamento de perda de condensado 147 Tabela 25 - Custo para gerenciamento de perda de calor no armazenamento 147 Tabela 26-Custo de gerenciamento de perda por vazamento em linha 148 Tabela 27-Custo para gerenciamento de perda de calor tanque de emulsão 149 Tabela 28 –Matriz de Custo x processo das perdas. 149 Tabela 29–Indicadores de PmaisL na Estação B 152 Tabela 30–Indicadores comparativos da Estação B 153 Tabela 31–Priorização das propostas de PmaisL em função do beneficio econômico 195 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 16 LISTA DE SIGLAS e ABREVIATURAS A Área ANP Agência Nacional do Petróleo API Instituto Americano do Petróleo Btu Unidade térmica britânica Bbl Barril BS&W Sedimentos básicos e água CEBDS Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável CECP Centro de Excelência em Produção Mais Limpa da Universidade de Curtin CCME Conselho Canadense de Ministros de Meio Ambiente CNTL Centro Nacional de Tecnologias Limpas CONAMA CRA Conselho Nacional de Meio Ambiente Centro de Recursos Ambientais Cc Custo com combustível para produção do vapor Ca Custo da água consumida para produção do vapor Cta Custo do tratamento da água de alimentação da caldeira Ceb Custa da energia para bombeamento da água Cec Custo da energia para insuflar ar de combustão Cda Custa da água de descarga da água salina para o esgoto Cdc Custo de descarte das cinzas Ce Controle das emissões ambientais Cm Custo com materiais de manutenção e mão-de-obra CG Custo de geração do vapor em Dólar americano por mil libras (US$/1000lb). COV Compostos Orgânicos Voláteis Cpa Calor específico da água produzidao Cp Calor específico Cpp Calor específico do petróleo CSA Custo da situação atual CSE Custo da situação esperada DOE Departamento de Energia dos Estados Unidos Eac Energia acumulada no sistema. Ee Energia transferida para o sistema; Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Et Energia transferida do sistema; Hv Entalpia do vapor HAA Entalpia da água de alimentação Hsv Entalpia especifica de evaporação a 65psia INMETRO Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial IR Investimento realizado K Coeficiente de transmissão de calor de uma serpentina m Massa do produto mfl Massa do fluido em aquecimento Me Massa entrando no sistema; Ms Massa saindo do sistema; Mac Massa acumulada dentro de um sistema OGP Associação dos Produtores de Óleo e Gás com sede em Londres PmaisL Produção Mais Limpa PCS Poder calorífico superior Pc Preço do combustível P2 ou 2P Prevenção da Poluição Qt Quantidade de calor transferida por unidade de tempo Qv Vazão de vapor Q2 Quantidade de calor RRC Comissão de Estradas de Ferro do Texas (Órgão de controle ambiental) SIGRE Sistema de Gerenciamento de Resíduos SIGEA Sistema Informatizado de Gerenciamento de Emissões Atmosféricas. TF Temperatura final TI Temperatura inicial T sa Temperatura da superfície de aquecimento To Temperatura do óleo TPH Hidrocarbonetos totais de petróleo TRI Tempo de retorno do investimento. 17 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL U Coeficiente de global de transmissão de calor UNCED Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento UNEP Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente UNIDO Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial USEPA Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos V Velocidade de queda das partículas relativa ao líquido. ∆ρ ao Densidade diferencial entre a água e o óleo D Diâmetro das partículas de água. µo Viscosidade dinâmica do óleo ηc Eficiência total da caldeira (fração) 3P (Prevenção da Poluição se Paga) 18 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 19 1. INTRODUÇÃO Para alguns, a noção de desenvolvimento da indústria de óleo e gás dentro do contexto de sustentabilidade é uma contradição. Para outros, a idéia provê uma oportunidade para diálogo, consenso e criatividade. (OGP 2002, p 3, tradução nossa) O conhecimento técnico e científico tem sido reconhecido como um dos principais pilares da sociedade humana e elemento fundamental para a exploração dos recursos naturais, pois este permite harmonizar a produção de bens e serviços com mínimo impacto ao meio ambiente: produzir mais com menos. Como este conhecimento está em constante evolução, bem como é notória a exigência da sociedade por melhoria da qualidade ambiental, conforme reconhece Nobre (2000, p. 10, tradução nossa) afirmando que: “...cidadãos comuns de países industrializados e não industrializados reconhecem, cada vez mais, a importância de um convívio adequado das atividades humanas com o meio ambiente, por isso pressionam governos e agências ambientais por um maior controle da poluição”. Assim torna-se primordial que as organizações incorporem novos conhecimentos, o que pode ser feito avaliando os seus processos produtivos e atualizando-os tecnologicamente, de modo a atender as demandas sociais por uma melhoria ambiental. Embora há muito tempo seja reconhecida a importância da tecnologia para o desenvolvimento de uma sociedade, apenas nos anos 60 (sessenta) a preocupação com o meio ambiente tornou-se um conceito popular entre as nações industrializadas. Nesse período os cientistas começaram a expressar o seu interesse por assuntos como a poluição e a depleção de recursos ambientais de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em língua inglesa- “United Nations for Environmental Program” (UNEP 2003). A crescente demanda social pelas questões ambientais foi causada pelo aumento da pressão sobre os recursos da Terra e pela poluição gerada por resíduos oriundos dos processos industriais. Tecnologia e meio ambiente tornaram-se assuntos convergentes para o desenvolvimento sustentável, pois este somente pode ser alcançado com a otimização de uso de recursos naturais e com a minimização de resíduos gerados, ou seja: pela (PmaisL). A Organização para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas- “United Nations for Industrial Development Organizations” UNIDO (2002), reconhece que esta prática é uma ferramenta Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 20 para as formas sustentáveis de desenvolvimento econômico de uma sociedade, porque pode proteger o meio ambiente e a saúde humana, e ainda melhorar a eficiência econômica, a competitividade e a lucratividade. A avaliação dos processos e instalações industriais, utilizando os critérios da PmaisL, pode identificar perdas e ineficiências, a serem corrigidas na fonte, de forma a evitar que se transformem em impactos ambientais. Isto significa corrigir o próprio processo de produção, (PORTER E VAN DER LINDE 1995; KIPERSTOCK 1999). É fato que a geração de resíduos nas atividades produtivas e sua fuga para o meio ambiente é um dos principais causadores de impacto ambiental e um grande fator de desequilíbrio social; haja vista a crescente contaminação de corpos hídricos por resíduos industriais ou mesmo a contaminação da atmosfera pela emissão de gases tóxicos ou que causam danos ao meio ambiente (a exemplo do dióxido de carbono, um dos causadores do efeito estufa). Segundo Mizsey (1994, p 1) resíduo é “... qualquer material ou energia entrando no processo que não é incorporado ao produto final desejado”. Compartilhando esse conceito; Furtado, Silva e Margarido (2003), com uma visão sistêmica das atividades econômicas, representam os resíduos por quaisquer restos e efluentes dos processos de produção: subprodutos não utilizáveis, no todo ou em parte. Nesse contexto, os resíduos são identificados como o problema central dos impactos ambientais e devem ser um dos principais orientadores para a excelência ambiental das organizações (FERNANDES, ET AL 2001). Porter e van der Linde (1995) utilizaram o conceito de resíduos não apenas para as saídas, mas também para as entradas do processo e propuseram que a poluição e os resíduos são produtos de uma baixa eficiência no aproveitamento dos recursos naturais, traduzindo a idéia na seguinte equação matemática : POLUIÇÃO = INEFICIÊNCIA Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 21 Assim a geração de resíduos, em seu sentido mais amplo, é entendida como a utilização incompleta de materiais e o pobre controle do processo. Nesse sentido, Kiperstok (1999, p.45), afirma que “é necessário evoluir das práticas de fim de tubo para as de prevenção da poluição”. É preciso estabelecer novas concepções nos processos industriais que eliminem a geração de resíduos, atacando o problema na fonte. A Produção Mais Limpa representa esse novo paradigma para equacionar o problema da poluição, visto que transfere o cerne da questão para o interior do processo produtivo, conforme pode ser entendido pelo próprio conceito da técnica: “A Produção Mais Limpa significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de insumos e a minimização de resíduos gerados”. (UNEP, 1996). A melhoria ambiental e a competitividade andam juntas, já que geração de resíduos implica em: custos adicionais devido à perda de matéria-prima e energia; em tratamento e disposição final e em gastos com multas por não atendimento à legislação. Tais custos reduzem a competitividade da empresa e colocam em risco a sua sobrevivência. A geração de resíduos, portanto, se constitui em um efeito indesejado da atividade produtiva. A avaliação dos processos, baseada nos critérios da PmaisL, utiliza ferramentas capazes de identificar as perdas otimizando o consumo de matérias-primas, energia e demais insumos, conduzindo a empresa a um maior conhecimento do seu processo industrial. Isso promove o desenvolvimento de um sistema econômico e ambientalmente mais eficiente, com a eliminação de desperdícios, a redução de resíduos e emissões, a minimização dos passivos ambientais e a redução dos custos de gerenciamento-Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL 2003). A indústria do petróleo é um dos principais segmentos da economia mundial e reconhecidamente causadora de impactos ambientais, sendo os de maior significância associados à liberação de resíduos para o meio ambiente. (RAMNATH E DYAL, 2001). Mesmo considerando todos os seus benefícios econômicos é importante a atuação desse Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 22 segmento minimizando a sua geração de resíduos e os conseqüentes impactos ao meio ambiente. A indústria de óleo e gás permanecerá sendo a maior componente da matriz energética mundial por vários anos, até que fontes de energia alternativas se tornem disponíveis e viáveis economicamente. Durante este período de transição, esse segmento tem importante papel no gerenciamento de suas operações, de modo a reduzir suas perdas e impactos ambientais e ainda prover energia a custos razoáveis. (ARSCOTT 2003). Dados apresentados pelo Ministério da Minas e Energia (2003), referentes ao ano de 2002 para o Brasil, mostram que essa atividade respondia por 43,1% da Matriz Energética Nacional, equivalente a 1.449.000 bbl/dia (Petróleo e Gás Natural). Assim o petróleo e o gás natural continuarão sendo, pelo menos nas próximas décadas, um importante segmento energético nacional. A PmaisL certamente contribuirá para o prolongamento da vida dessa atividade produtiva, com a redução dos impactos através da minimização dos resíduos gerados e conseqüente aumento da eficiência no uso dos recursos naturais. Wojtanowicz (1991) afirmou que o controle ambiental emergiu das atitudes da indústria como resultado da elevação dos custos para disposição de resíduos. E que os custos de gerenciamento têm crescido rapidamente em resposta ao aumento de volume dos resíduos oleosos. Por fim concluiu que o aumento de volume de resíduos gerados, não está associado ao aumento da produção, e sim às regulamentações mais restritivas. O segmento de Exploração e Produção de petróleo, internacionalmente conhecido como E&P, é o responsável pelo início da cadeia produtiva da indústria do petróleo, especificamente pela identificação e mapeamento dos reservatórios produtores até a entrega do óleo para o refino. No Brasil, este segmento representado pelas Unidades de E&P da Petróleo Brasileiro S.A.- PETROBRAS, apesar da redução da geração de resíduos imposta por medidas de controle e adequação às restrições legais–ainda gera consideráveis volumes de resíduos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 23 A Unidade de Negócio de E&P, na Bahia - mesmo investindo na modernização de suas instalações, em procedimentos operacionais, adoção de sistemas de gestão padronizados conforme a norma (NBR ISO–14000), manutenção de dutos e automação – ainda gera considerável montante de resíduos oleosos, sendo contabilizado entre 500t e 800 t por mês, segundo dados obtidos do sistema informatizado de gerenciamento de resíduos medidos durante o período de 1998 a 2003. (PETROBRAS 2004a). As instalações de produção de petróleo, apesar se sua simplicidade, envolvem consideráveis volumes de processamento e armazenamento, ficando sujeitas a perdas de insumos, especialmente as Unidades terrestres mais antigas. Assim, a avaliação dessas instalações de produção de óleo e gás com enfoque na PmaisL torna-se importante para reduzir a geração de resíduos e melhorar a eficiência do processo com aumento de sua competitividade. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 24 1.1 OBJETIVO O objetivo deste trabalho é desenvolver uma metodologia para otimização ambiental de um sistema de produção de petróleo, utilizando os critérios de produção mais limpa, e aplicar esta ferramenta na unidade industrial Estação B, localizada na Bacia sedimentar do Recôncavo – Estado da Bahia, propondo medidas para a redução do consumo de insumos e da geração de resíduos. Como objetivos específicos propõem-se: 1. Identificar os processos críticos da Estação sob os critérios da Produção mais Limpa. 2. Identificar os resíduos gerados e oportunidades de melhoria em cada etapa do processo produtivo. 3. Estabelecer proposta de Produção mais Limpa para a redução de geração de resíduos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 25 2. REFERENCIAL TEÓRICO Este trabalho está baseado nos princípios da Produção Mais Limpa e Prevenção da Poluição (2P), que são práticas de minimização de emissões na fonte e redução de consumo de matérias-primas e energia. O UNEP (1996), define PmaisL como: “A contínua aplicação de uma estratégia ambiental preventiva integrada aos processos e produtos para reduzir riscos aos seres humanos e ao meio ambiente. Para os processos de produção, a Produção Mais Limpa inclui a conservação de matériaprima e energia, eliminação de matérias-primas tóxicas, e redução na quantidade e toxicidade de todas as emissões e resíduos antes deles deixarem o processo. Para os produtos, a estratégia foca na redução de impactos ao longo de todo ciclo de vida do produto, da extração da matéria-prima à última disposição do produto”. Este conceito apresenta a essência da técnica de PmaisL que é o aumento da eficiência do uso dos recursos naturais, a partir do processo produtivo; fonte da qual emanam os impactos ambientais, os danos a saúde ou as perdas financeiras. A atuação nos processos produtivos – utilizando as diversas ferramentas organizadas por Rittmeyer (1991), Hopper et al (1994), UNEP (1996), La Grega, Buckingham e Evans (2001) – permite obter as melhorias ambientais que, por serem resultados da minimização de perdas, trarão benefícios econômicos como conseqüência. Shen (1999) cita as várias iniciativas de empresas preocupadas com a redução da geração de resíduos nos seus processos. Inicialmente o aspecto econômico, visando aumentar a taxa de utilização da matéria-prima, era primordial. Posteriormente, o enfoque dado às questões ambientais pela sociedade levou as empresas a se engajarem na prevenção da poluição. A origem do termo “prevenção da poluição” remonta a 1976, quando o Dr. Joseph Ling da Companhia 3M falou sobre o programa 3P (Prevenção da Poluição se Paga), durante o primeiro Seminário para a Europa da Comissão Econômica das Nações Unidas, realizado Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 26 em Paris. Nesse mesmo ano as Nações Unidas lançaram os seus princípios de Prevenção da Poluição. Neste sentido a PmaisL seria considerada uma evolução da 2P. As tecnologias limpas ou mesmo as técnicas voltadas para a PmaisL adquiriram impulso a partir do conceito de desenvolvimento sustentável, especialmente depois da decisão do Conselho de Governo do UNEP, em 1989, que estabeleceu prioridade para as atividades relacionadas com tecnologias de baixo resíduo, produção mais limpa, gerenciamento de resíduos e política industrial. O direcionamento dado às tecnologias limpas começa a se efetivar a partir de 1992, quando da realização da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento –“United Nations Conference on Environment and Development”–UNCED, (CONFERÊNCIA RIO-92) a qual lançou a Agenda 21 e introduziu os métodos de produção mais limpa, tecnologias de reciclagem e gerenciamento preventivo para realizar o desenvolvimento sustentável. A partir do entendimento de que a prevenção da poluição está associada à redução de custos, como conseqüência da melhoria da produtividade; as empresas têm incorporado esta estratégia ambiental à sua matriz de negócios. Por outro lado, a legislação ambiental tem sido cada vez mais restritiva. Assim, o aumento da conformidade ambiental torna-se fundamental para a imagem da empresa e a redução de seus custos. Esses dois itens do ambiente empresarial são apontados como os principais elementos motivadores para a PmaisL. Centre of Excellence in Clean Production.(CECP 2003) Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 27 2.1–RELAÇÃO ENTRE PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E PRODUÇÃO MAIS LIMPA A Prevenção da Poluição e a PmaisL são técnicas muito parecidas quanto as ferramentas aplicadas para avaliação dos sistemas produtivos. Apesar dessas técnicas serem consideradas iguais por alguns e diferentes por outros, há concordância que as ferramentas de prevenção são as mesmas. A seguir estão transcritos alguns conceitos das duas técnicas. Hopper et al (1994, p 187) definem prevenção da poluição como: “.. o uso de materiais, processos, ou práticas que reduzem ou eliminam a criação de poluentes ou resíduos na fonte” O Conselho Canadense de Ministros do Meio Ambiente (2003), em língua inglesa “Canadian Council of Minister of the Environment”, utiliza um conceito bastante semelhante e abrangente, defendendo que a Prevenção da Poluição é o uso de processos, práticas, materiais e energia que evitam ou minimizam a criação de poluentes e resíduos. O conceito de PmaisL apresentado pelo UNEP (1996), no item anterior, inclui um nível de detalhamento que permite um entendimento da abrangência da técnica, sem no entanto, perder o foco que é a eliminação das matérias–primas tóxicas e emissões. O CNTL (2003, p7) utilizando o conceito desenvolvido pelo UNEP, considera a PmaisL como: “A aplicação continua de uma estratégia técnica, econômica e ambiental integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem dos resíduos e emissões geradas, com benefícios ambientais, de saúde ocupacional e econômicos ”. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos foi pioneira na elaboração– através do seu Escritório de Prevenção da Poluição “Pollution Prevention Office”, em nível institucional– de um ensaio com a hierarquia das ações de prevenção da poluição; o que culminou com a promulgação da Lei de Prevenção da Poluição “Pollution Prevention Act– Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 28 PPA” em 1990 pelo Congresso daquele país. A partir de então ocorreu a evolução da metodologia e o seu detalhamento, estabelecendo assim uma seqüência de ações gerenciais e técnicas. A “United States Environmental Protection Agency” (USEPA) (2001 a) considera que a 2P significa redução na fonte e outras práticas que reduzam ou eliminem a criação de poluentes. Estas práticas envolvem um criterioso uso de recursos através da redução na fonte, contemplando eficiência energética, reuso de matérias-primas e redução de consumo de água. Prevenção da poluição e conservação de energia são atividades complementares. Ações que conservam energia reduzem a quantidade de resíduos produzidos pelo processo de geração de energia, e ações que reduzem a produção de resíduos tornam menores os gastos com energia pelo manuseio e tratamento desses resíduos. Apesar da ênfase adquirida no fim da década de 80 (oitenta), em função das Nações Unidas, pode-se afirmar que a operacionalização do conceito de prevenção da poluição surgiu a partir da própria indústria, quando se estabeleceu programas de minimização de resíduos. O UNEP (1996) utiliza o termo PmaisL como sinônimo de 2P, registrando que a distinção entre eles tende a ser apenas geográfica, pois o termo 2P é usado nos Estados Unidos, enquanto PmaisL no resto do mundo. A PmaisL também é conhecida como Minimização de Resíduos e Redução na Fonte. A USEPA (2001b, p 23, tradução nossa), porém, afirma haver alguma diferença entre os termos; “A Produção Mais Limpa foca no uso mais eficiente de recursos naturais. P2 procura a proteção de recursos naturais pela conservação”. O CECP (2003, p 17, tradução nossa) apresenta idêntico entendimento: “a Produção Mais Limpa quando aplicada ao processo é também conhecida como prevenção da poluição ou minimização de resíduos”. As técnicas da PmaisL e 2P são realizadas pela aplicação de conhecimento, por melhoria na tecnologia e, principalmente, por troca de atitudes, tendo forte concentração de esforços na vertente gerencial e social da organização. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 29 2.2 FERRAMENTAS DA PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E PRODUÇÃO MAIS LIMPA. A prevenção da poluição refere-se à eliminação, troca ou redução de práticas operacionais que promovam descargas para o meio ambiente e está fortemente associada à aplicação hierarquizada dos princípios de gerenciamento de resíduos: a conhecida técnica dos 3R’s (Reduzir, Reutilizar, Reciclar). Essa hierarquia de gerenciamento coloca uma seqüência de opções. A primeira e preferida é a redução na fonte, considerada como qualquer atividade que reduza ou elimine a geração de resíduos na fonte ou a liberação de um contaminante de um processo. Reutilizar um produto traz como vantagem minimizar o uso de produto virgem. A próxima opção é a reciclagem. Reciclar significa a recuperação de um constituinte aproveitável de um resíduo para reuso, ou uso de um resíduo como substituto para um produto comercial ou como produto para um processo industrial. As duas últimas e menos recomendadas são o tratamento e a disposição final. Esses fundamentos de prevenção acima citados devem ser considerados não apenas na operação das facilidades de produção, mas também, na própria concepção do projeto dessas instalações. Conceitualmente a PmaisL e a 2P abrangem uma infinidade de elementos sociais e tecnológicos, passando pela componente gerencial, que devidamente aplicados às organizações podem promover a redução de geração de resíduos nos processos industriais e a otimização do uso de insumos. Nesse aspecto o CECP (2003) entende que a PmaisL é realizada através de práticas de prevenção, quais sejam: 1–boas práticas operacionais; 2–substituição de insumos; 3–modificações tecnológicas; 4–modificações no produto; 5–reciclagem interna. Rittmeyer (1991) logo após a promulgação da lei de prevenção da poluição dos Estados Unidos – “Pollution Prevention Act” fez uma abordagem do assunto transcrevendo a interpretação da lei e estabelecendo uma hierarquização das diversas ferramentas propostas, Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 30 desde a redução na fonte com os seus diversos elementos até a destinação final, passando pela reciclagem, conforme mostrado na Figura 01, a seguir. Redução da Fonte A redução na fonte ou eliminação do resíduo dentro do processo. Incluem as modificações no processo, substituição de matérias-primas, melhorias na matériaprima por purificação, melhorias no housekeeping e praticas de gerenciamento, aumento na eficiência dos equipamentos e reciclagem dentro do processo. Reciclagem O uso ou reuso de resíduos perigosos como efetivo Substituto para um produto comercial ou como um ingrediente ou insumo em um processo industrial. Este pode ocorrer na instalação ou fora dela, e inclui a recuperação de frações usáveis dentro do resíduo. A retirada de contaminantes do resíduo permite este ser utilizado como substituto de combustível ou suplemento. Separação e concentração do resíduo. Troca do resíduo Recuperação de energia e material Tratamento do resíduo Qualquer método, técnica, ou processo que troque as características físicas, químicas ou biológicas de qualquer resíduo perigoso de modo que neutralize o resíduo, recupere energia ou material, ou converta o resíduo em não perigoso ou menos perigoso, mais seguro para gerenciar, mais estável para recuperar ou armazenar, ou reduzido em volume Disposição O descarte, deposição, injeção, lançamento no solo, derramamento, vazamento, ou colocação do resíduo dentro ou sobre o solo ou água, de maneira que o resíduo, ou qualquer de seus constituintes possa entrar no ar ou ser descarregado em qualquer água incluindo de subsuperficie. Gerenciamento de resíduos-Hierarquia de Prioridade USEPA Figura 01–Gerenciamento de resíduos – hierarquia de prioridades Rittmayer (1991) Hopper et al (1994) e Shen (1999), ainda utilizando a lei da Prevenção da Poluição como referência, mostraram, conforme Figura 02, a existência de várias trajetórias a serem seguidas para a realização de um projeto de minimização de geração de resíduos. As técnicas associadas à redução na fonte são as preferidas, pois contemplam a efetiva prevenção. Já as técnicas de reciclagem, mesmo não eliminando a geração do resíduo, permitem que o mesmo seja usado em outro processo ou atividade. A organização das ferramentas de prevenção da poluição dada pelos autores é praticamente a mesma e tem sido utilizada por todas as metodologias de PmaisL. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL ALTAMENTE DESEJÁVEL 31 POUCO DESEJÁVEL Ordem de aplicação PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO REDUÇÃO NA FONTE MUDANÇAS NO PRODUTO RECICLAGEM INTERNA E EXTERNA MUDANÇAS NO PROCESSO Substituição do produto Conservação do produto Alterações na composição MUDANÇA NOS INSUMOS Purificação de materiais Substituição de materiais REGENERAÇÃO E REUSO RECUPERAÇÃO Retorno ao processo original . Substituto de matéria-prima para outro processo. Processamento para recuperação de material. Processamento como sub-produto. MUDANÇA NA TECNOLOGIA Mudanças no Lay-out Melhorias nos equipamentos (Tubulação etc.) Maior automação Mudanças nas condições operacionais Novas Tecnologias BOAS PRATICAS OPERACIONAIS Procedimentos de Manutenção de Operação Prevenção de perdas Praticas gerenciais Segregação de correntes e de resíduos Melhorias no manuseio dos materiais Programação da produção. Treinamento Figura 02–Técnicas de prevenção da poluição com base em (LA GREGA, BUCKINGHAM E EVANS 2001; HOPPER et al 1994; SHEN 1999). Neste modelo a ênfase está nas mudanças no produto e no processo, sendo seguidas pelas mudanças tecnológicas e práticas operacionais. Assim, as possíveis tecnologias e/ou atitudes gerenciais e técnicas, organizam-se da esquerda para a direita e de cima para baixo, segundo sua importância ou prioridade de aplicação: quanto mais à esquerda ou mais no alto, mais desejável é a atitude ou a tecnologia. O UNEP (1996) organiza a PmaisL com o processo produtivo no centro, Figura 03, circundado pelas ferramentas de prevenção da poluição ou minimização de resíduos, e estabelece como critério o conhecimento detalhado das suas várias etapas, para então lançar as opções de melhorias. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 2-MUDANÇAS NAS TECNOLOGIAS 3-BOAS PRATICAS PROCESSO 1-MUDANÇAS NAS MATERIAS PRIMAS 32 4-MUDANÇAS NO PRODUTO 5-REUSO DENTRO DA INDUSTRIA Figura 03– Prioridades para minimização de resíduos no processo. UNEP (1996) Van Berkel (1997) estudando as técnicas de PP avalia que os fatores que geralmente afetam o volume e a composição das correntes de resíduos e emissões são: os produtos; as entradas de materiais; os próprios resíduos e emissões; a tecnologia e a execução do processo. Esses elementos são entendidos como causas das gerações de resíduos e dão origem às técnicas de prevenção da poluição, quais sejam: as modificações no produto; modificações nas tecnologias; práticas de conservação; substituição das matérias–primas e reuso dentro da fábrica. 2.2.1 Mudanças nos insumos A substituição de matérias-primas inclui itens tão simples como materiais de limpeza. Algumas vezes a conversão para matérias-primas de alta qualidade pode eliminar a geração de resíduos perigosos. As mudanças nos insumos é importante para a produção limpa devido a redução ou eliminação de materiais perigosos que entram no processo produtivo (UNEP, 1996). A troca de insumos inclui: Purificação de materiais; Substituição de materiais. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 33 2.2.2 Mudanças tecnológicas As trocas tecnológicas são orientadas para as mudanças nos processos e equipamentos, com o intuito de reduzir a geração de resíduos em todo conjunto (UNEP, 1996). Consideramse mudanças tanto as pequenas alterações que podem ser implementadas em poucos dias como a completa mudança no processo que envolve volumoso aporte de recursos. A questão tecnológica deve ser sempre avaliada, pois pode trazer competitividade para a empresa. As novas tecnologias muitas vezes são as únicas maneiras de tornar viável e competitiva a atividade de uma empresa. As mudanças nas tecnologias incluem: Modificação do processo de produção; Modificação em tubulações, lay-out ou equipamentos; Automação das instalações; Modificação nas condições do processo de produção (vazão, temperatura, pressão, tempo de residência, etc.); Novas tecnologias. 2.2.3 Boas práticas operacionais “Good housekeeping” As práticas operacionais consistentes com a cultura local se constituem em excelente ferramental para a manutenção da disciplina operacional e coesão gerencial. Essas práticas geralmente são de baixo custo e podem ser implementadas em todas as áreas da planta, incluindo produção, manutenção, estocagem de matéria-prima e produtos. As boas práticas se traduzem na organização das instalações e na manutenção da arrumação. Não ter itens desnecessários é colocar tudo nos seus próprios lugares. As boas práticas operacionais são ótimas ferramentas para a minimização de geração de resíduos, pois são meios simples, de fácil implementação, não requerendo mudanças nas instalações, bastando apenas à troca de atitudes. Esse é o estágio inicial na busca pelo conceito de produção limpa. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 34 O controle sobre os resíduos gerados evitando a mistura de diferentes tipos, ou seja contaminar resíduos com características menos tóxicas com resíduos de elevada toxicidade contribui com a redução de volume de resíduos mais tóxicos. Reduzir a adição de compostos químicos ou aditivos que conferem características inadequadas ao produto numa etapa posterior, também reduz o volume de resíduos. Controle de modificações – Uma importante ação de controle na fonte é adotar como decisão gerencial não autorizar novos processos ou modificações nos existentes quando estes aumentam a geração de resíduos. A simples melhoria no controle pode redundar em aumento do uso de componentes e conseqüentemente reduzir o desperdício. O UNEP (1996) recomenda as boas práticas, que se seguem: Programas de minimização de resíduos; Práticas de gerenciamento de recursos humanos (treinamento, incentivos e bônus); Prevenção de perdas (atenção para evitar vazamentos e derrames em equipamentos); Segregação de correntes e de resíduos (evitando misturas de resíduos perigosos com não-perigosos); Contabilização de custos (alocação de custos diretamente nos geradores); Esquema de produção (evitar muitas paradas do equipamento e conseqüente limpeza pode ajudar a minimizar a geração de resíduos). 2.2.4 Mudanças nos produtos As mudanças nos produtos são realizadas com a intenção de reduzir os resíduos resultantes do uso desse produto. As trocas no produto incluem: Substituição do produto; Conservação do produto; Trocas na composição. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 35 2.2.5 Regeneração/reuso A reciclagem através da regeneração ou reuso envolve o retorno de um resíduo ou material para o processo de origem, como substituto de matéria-prima, ou para outro processo. Mantendo-se iguais outros fatores, a reciclagem dentro da própria indústria é preferível, porque além de evitar o envio de resíduos perigosos para fora da empresa, reduz potenciais danos causados por um manuseio inadequado. Para a efetivação do reuso deve-se considerar: a disponibilidade, a adequação, os efeitos ambientais e a viabilidade econômica. Como exemplos para reutilização de materiais na indústria, pode-se: Usar embalagens retornáveis para insumos; Utilizar toalhas laváveis como substituto de trapos e estopas; Promover o retorno de caixas de papelão, bombonas, tonéis e vidros para os fornecedores; Buscar utilizar resíduos gerados diretamente no processo como combustível ou matéria-prima, mediante modificações no processo produtivo. 2.2.6 Recuperação O reaproveitamento de materiais usados é uma atividade tão importante quanto à redução na fonte. Reutilizar produtos antes de descartá-los no lixo, usando-os para a mesma função original ou criando novas formas de utilização é uma atitude racional para a melhoria da qualidade ambiental. O processamento se faz para recuperar o material perdido ou para utilizá-lo como subproduto. A coleta de produto derramado, ou acidentalmente misturado com outros produtos, é um meio de recuperação. Isso permite minimizar a perda de matérias-primas e gerar resíduos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 36 2.3 METODOLOGIA PARA APLICAÇÃO DA PmaisL As metodologias, propostas pelo UNEP (1996), CNTL (2003), CEBDS (2004): instituições governamentais e não governamentais que se engajaram num esforço em prol da disseminação do conceito de desenvolvimento sustentável foram analisadas e estabelecido um modelo conceitual para as atividades a serem realizadas para avaliar um sistema de produção, com vistas a minimização de resíduos. A aplicação da PmaisL em uma organização considera a mobilização gerencial e da força de trabalho, identificação de processos mais importantes e a priorização de ações para a realização de um plano de prevenção da poluição. As duas últimas etapas se constituem em elementos fundamentais de uma avaliação de um processo produtivo e para sua realização, as técnicas de prevenção da poluição e o processo produtivo da instalação em estudo devem ser conhecidos. Visando contribuir para um melhor entendimento desse ferramental este trabalho foi direcionado para os elementos técnicos da avaliação. A seguir estão descritas de modo sucinto as metodologias utilizadas para a aplicação da PmaisL nos processos industriais. Saliente-se que esta técnica está profundamente relacionada com o conceito de Prevenção da Poluição, visto que os instrumentos técnicos têm origem comum. A abordagem do UNEP (1996) com vistas a PmaisL surgiu em 1994 e foi elaborada como um guia para treinamento de diversas organizações interessadas em implantar um programa de PmaisL. A metodologia de aplicação está agrupada em três fases principais: pré-avaliação, balanço material e síntese, as quais foram subdivididas em várias etapas, totalizando 20 (vinte) itens. A Figura 04 a seguir apresenta esse sequenciamento. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Fase I 37 Pré avaliação Preparação da Auditoria Etapa 1-Preparar e organizar Equipe de Auditoria e Recursos. 2-Dividir o processo em unidades de operação 3-Construir diagramas de fluxo de processo relacionando-os as operações Fase II Balanço Material Entradas do Processo Saídas do Processo Etapa 4-Determinar insumos. 5-registrar uso de água 6-Medir níveis atuais de reuso reciclagem de água Etapa 7-Quantificar produtos/subprodutos. 8-Explicar a água contaminada 9-Explicar as emissões gasosas 10-Explicar as saídas resíduos Elaborar um balanço de massa Etapa 11-Compor as informações das entradas e saídas. 12-Elaborar um balanço de massa preliminar 13 e 14-Evoluir e refinar o balanço de massa. Fase III Síntese Identificar opções de redução de geração de resíduos Etapa 15-Identificar medidas obvias de redução. 16-focar e caracterizar os problemas de resíduos 17-Investigar a possibilidade de segregação de resíduos 18-Identificar medidas de redução a longo prazo. Avaliar as opções de redução de resíduos Etapa 19-Submeter as opções de redução de geração de resíduos a avaliação ambiental e econômica, e listar as opções viáveis Elaborar plano de ação para redução de geração de resíduos eficiência Etapa 20-Projetar e implementar Plano de ação para realizar melhorias na eficiên cia do processo. Figura 04–Etapas da Metodologia de PmaisL conforme UNEP (1996) A metodologia do CNTL (2003) vista em resumo, na Figura 05, também contempla várias etapas e prioriza os processos a serem analisados para a proposição de melhorias. Segundo esta metodologia o processo de avaliação, de uma organização industrial, passa por etapas bastante definidas. Existem cinco etapas e mais a visita técnica que é colocada com destaque na metodologia. O começo do processo é a avaliação prévia, ou diagnóstico do processo, enquanto na etapa seguinte o objetivo é a elaboração de propostas de melhorias, utilizando o conhecimento técnico mais detalhado do processo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 38 Visita Técnica Comprometimento Gerencial Etapa 1 Identificação de Barreiras Estudo da Abrangência do Programa Formação do Ecotime Fluxograma do Processo Etapa 2 Diagnostico Ambiental e de Processo Balanço Material e Indicadores Seleção do Foco da Avaliação Etapa 3 Identificação da Opções de Produção Mais Limpa Avaliação Técnica e Econômica e Ambiental Etapa 4 Seleção de Oportunidades Viáveis Plano de Implantação e Monitoramento Etapa 5 Identificação das Causas da Geração de Resíduos Plano de continuidade Passos para implementação de um programa de Produção Mais Limpa Figura 05 –Etapas para implementação de um programa de PmaisL.(CNTL 2003) A Metodologia do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, CEBDS (2004) apresenta os mesmos fundamentos dos documentos do UNEP(1996) e do CNTL (2003), porém em um nível de detalhamento maior, o que facilita a sua aplicação por empresas de pequeno e médio portes, carentes ou possuidoras de poucos recursos humanos especializados. Na Figura 06 a seguir estão apresentadas as tarefas para a implantação da PmaisL. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Tarefa 01 Comprometimento da direção da empresa Tarefa 02 Sensibilização dos funcionários Tarefa 03 Formação do ECOTIME Tarefa 04 Apresentação da metodologia Tarefa 05 Pré avaliação Tarefa 06 Elaboração dos fluxogramas Tarefa 07 Tabelas quantitativas Tarefa 08 Definição de indicadores Tarefa 09 Avaliação dos dados coletados Tarefa 10 Barreiras Tarefa 11 Seleção do foco de avaliação e priorização Tarefa 12 Balanços de massa e energia Tarefa 13 Avaliação das causas de geração dos resíduos Tarefa 14 Geração das opções de PML Tarefa 15 Avaliação técnica, ambiental e econômica Tarefa 16 Seleção da opção Tarefa 17 Implementação Tarefa 18 Plano de monitoramento e continuidade Figura 06–Etapas da Metodologia PmaisL, conforme (CEBDS 2004 p. 11) 39 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 40 2.4 ETAPAS DA METODOLOGIA PARA APLICAÇÃO DA PmaisL As metodologias para a aplicação da PmaisL estão divididas em etapas e representam a experiência da instituição na aplicação, ou no apoio a programas de melhoria direcionados a vários setores industriais, em todo mundo, ou nas propostas práticas de representações empresariais para a implementação desses programas nos seus respectivos segmentos. Em uma análise mais apurada dessas metodologias, é perceptível a existência de etapas que estão presentes em todas, ou na maioria delas. Essas etapas, quando de caráter técnico, foram selecionadas para comporem a metodologia aplicada neste trabalho. A metodologia aqui utilizada para aplicação da PmaisL, contempla as etapas mais importantes contidas nos trabalhos (UNEP 1996; CNTL 2003; CEBDS 2004). Essas etapas foram relacionadas conforme a identificação de cores, vista na Figura 07. Assim um conjunto de cores similares indica que uma etapa da metodologia foi produzida daquele conjunto: Deve-se considerar também que algumas etapas foram fundidas ou segregadas em uma ou outra metodologia. Adicionalmente, mesmo etapas que aparentemente apresentam denominações diferentes, a análise de conteúdo pode mostrar igualdade. Pode-se observar que a metodologia do CEBDS (2004), a mais recente, apresenta um maior nível de detalhamento e um maior número de etapas. Por outro lado, a ausência explícita de uma determinada etapa nas outras metodologias não significa a sua efetiva inexistência, vez que a tarefa pode estar incorporada numa outra. Na figura comparativa a seguir aparecem em destaque às etapas que foram utilizadas como referência para este trabalho, quais sejam: 1. pré-avaliação 2. elaboração de fluxogramas de fluxo 3. balanço de massa e de energia 4. determinação de custos das perdas 5. seleção de foco e priorização Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 41 6. indicadores 7. avaliação das causas de geração de resíduos 8. propostas ou alternativas de PML 9. avaliação técnica econômica e ambiental CNTL UNEP CEBDS 1 Estudo de abrangência Programa Divisão dos processos em unidades de operação Pre-avaliação 2 Identificação das Barreiras Const. de Diagrama de Fluxo Elaboração de Fluxograma de processo 3 Fluxograma de Processo Elaboração Balanço de Massa Tabelas Quantitativas 4 Diagnostico Ambiental Refinar o Balanço de Massa Indicadores 6 Seleção do foco de avaliação Balanço material Indicadores Ident. Medidas Obvias de Redução Focar e caracterizar os problemas de resíduos 7 Ident. das Causas de Geração de Resíduos Investigar possibilidade de segregação de Resíduos Seleção do foco e priorização 8 Ident. das opções de Produção + Limpa Identificar medidas de redução a Longo Prazo Balanço de Massa e Energia 9 Avaliação Tec. Econ. Ambiental Avaliação Ambiental e econômica Avaliação das Causas 10 Seleção das oportunidades 5 Avaliação dos Dados coletados Identificação das Barreiras Geração das opções de PML Avaliação Tec. Econômica. Ambiental 11 Figura 07– Comparação entre as metodologias da PmaisL: Principais etapas A maioria dos itens na metodologia do UNEP foi excluída ou incorporada devido a semelhança com outros itens. Um exemplo disso é o item “refinar o balanço de massa” que foi excluído na metodologia final pela complementaridade. Quanto ao sequenciamento de etapas, é notável que as diferentes metodologias traçam um encadeamento lógico, porém próprio. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 42 A partir da identificação de elementos comuns nas metodologias avaliadas, foi adaptada uma metodologia que utiliza esse conjunto de elementos. O detalhamento das etapas selecionadas será apresentado a seguir. 2.4.1 Pré-avaliação - coleta de informações A primeira fase de um processo de PmaisL é a avaliação prévia e se constitui na busca de informações do processo produtivo. O CEBDS (2004) recomenda uma inspeção visual nas instalações, visando identificar possíveis impactos ambientais e como os resíduos são manuseados: se segregados ou misturados. O atendimento a legislação como um todo e em especial à ambiental também deve ser verificado. Nesta fase, a realização de inventário dos resíduos é fundamental para a identificação das fontes e quantidades geradas. (UNEP 1996) O CEBDS (2004) sugere que devem ser coletados os dados e informações registradas em diversos documentos da empresa. (compras de produtos químicos e matérias-primas, contas de água, energia elétrica, etc.). Esses documentos permitirão conhecer os gastos com as entradas de insumos, tais como: consumo de água e energia elétrica, vazão de efluentes líquidos e quantidade de resíduos sólidos. Devem-se também realizar medições de consumos de insumos ou produção de resíduos quando os dados não estão disponíveis. No caso da conta de energia elétrica é importante verificar a adequação do consumo com o contrato da concessionária, o consumo mensal, multas por excesso de consumo contratado, ou por baixo fator de potência. Existindo um fluxograma do processo este deve ser analisado detalhadamente, pois permite a visualização e definição do fluxo qualitativo das matérias–primas, água e energia no processo. (CNTL 2003). A USEPA (2001 a) salienta que a avaliação de uma indústria em profundidade é uma revisão das operações existentes, objetivando aumentar a prevenção da poluição e conservação de energia. Esta avaliação pode ser dividida em três tipos: energia, resíduos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 43 (perigosos e não perigosos) ou uma combinação dos dois tipos. Os dados que devem ser coletados para a elaboração da pré-avaliação, seguem abaixo: 1) Descrição do processo –Fluxograma –Consumo de Energia –Entradas de material –Correntes de resíduos = Ar = Água = Resíduos perigosos = Resíduos sólidos 2) Questões gerais /Observações. – Técnicas de manuseio dos materiais – Procedimentos de estocagem – Organização “Good Housekeeping” 3) Questões específicas do processo. (desenvolvidas para o processo individual) 4) Lista dos maiores consumos de energia e equipamentos geradores de resíduos. 5) “Lay out” das instalações. Fazer um “lay-out” das instalações é uma prática bastante útil para mostrar a disposição espacial dos equipamentos, bancadas, materiais etc. A avaliação das distâncias envolvidas entre as diversas tarefas é parte essencial para a PmaisL. A análise do “lay-out” das instalações permite reposicionar equipamentos e tarefas, de modo a otimizar deslocamento, reduzir esforços e , assim, economizar recursos e principalmente energia. Neste trabalho foi utilizada a proposta da USEPA (2001), pois é a que apresenta um maior nível de detalhamento para a coleta das informações, conforme visto acima. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 44 2.4.2 Construção do diagrama de fluxo A análise de um processo produtivo sob a ótica da PmaisL requer a sua divisão em elementos menores, tarefas ou atividades, para facilitar a obtenção de informações sobre usos e perdas de recursos, assim como para consolidar os dados já conhecidos do processo. As metodologias da PmaisL UNEP (1996), CNTL (2003), CEBDS (2004) apresentam o diagrama de fluxo como uma ferramenta de visualização das etapas do processo produtivo, porém, elas não estabelecem em detalhes, como deve ser utilizado tal diagrama. Por outro a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos apresenta uma a abordagem mais detalhada para a aplicação desse instrumento, estabelecendo critérios específicos que levam ao mapeamento dos processos. As terminologias utilizadas para a elaboração do mapeamento de processos, estão apresentadas na Figura 08, descrita logo a seguir. Uso do recurso não-produto Entrada de recurso Etapa de Trabalho Produto intermediário/final Perda do recurso não-produto Figura 08–fluxograma de processos nível 1. USEPA (2001,b) Uso de não-produtos–significa que o recurso não se torna parte do produto final ou intermediário. Perda de não produtos – significa que o recurso é perdido naquela etapa do trabalho como resíduo, descarga ou emissão. Perdas de processo podem ser classificadas pelo meio (ar, água, resíduos sólidos, derrames/vazamentos e acidentes). Os custos também podem ser rastreados por cada etapa do processo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 45 A elaboração de um esquema qualitativo com as operações da instalação e suas respectivas perdas é fundamental para o entendimento do processo e conseqüentemente para a viabilização da PmaisL. Neste item, o uso da abordagem da prevenção da poluição proposta pela USEPA (2001b) permite a elaboração do mapeamento do processo, tornando mais fácil a visualização das relações de produção e geração de resíduos entre as suas várias etapas. O CEBDS (2004) orienta para que apareçam nos fluxogramas os resíduos gerados, as matérias-primas e os produtos fabricados, e que eles sejam apresentados em três níveis do processo: global, intermediário e específico. Nesta etapa da avaliação para a PmaisL, o conhecimento do sistema produtivo considerando o processo é revelado e organizado, novos conhecimentos são facilmente obtidos, porque a ferramenta torna todos os processos relacionados visíveis. As conexões entre todas as etapas do trabalho, conforme pode ser visto na Figura 09, ajudam a tornar mais claro, as causas para o uso de recursos e a geração de resíduos. Nível topo 3 2 1 Estrutura nó de arvore 1.1 1.2 1.2.2 1.2.1 1.2.2.1 1.3 1.2.3 1.2.2.2 Segundo Nível 1.2.4 1.2.2.3 Figura 09–Mapeamento de processo conforme USEPA (2001b). Terceiro Nível Quarto Nível Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 46 2.4.3 Balanço de massa e energia O balanço material tem como principal objetivo à identificação quantitativa das perdas no processo e requer a existência de dados de consumo de todos os insumos e produtos fabricados. O início do balanço é o inventário dos resíduos e demais dados da instalação: matéria-prima, gás natural, aditivos etc. O balanço energético também deve ser realizado. (UNEP 1996). O balanço deverá contemplar entradas e saídas da instalação–Balanço global. Balanços intermediários – utilizados para setores ou processos da instalação; e Balanço específico, quando o objeto da análise for uma operação ou equipamento da instalação. Para o balanço é necessário estabelecer: o setor, equipamento ou processo que será analisado; um período representativo - em geral 1 ano; equipamentos de medição. O balanço de massa, utilizou a equação geral de conservação de massa num volume de controle (região delimitada do processo) que estabelece a relação entre a massa que entra e a que sai de um sistema, equação 1. M e − M s = M ac Equação 1 Onde: Me = massa entrando no sistema; Ms = massa saindo do sistema; Mac= massa acumulada dentro do sistema. Para o balanço de energia num volume de controle, sem reação química, é mostrado na equação 1a (ÍNDIO DO BRASIL 1999). Ee − E s = E ac Equação 1a Onde: Eac = Energia acumulada no sistema; Ee = Energia transferida para o sistema; Et= Energia transferida do sistema; Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 47 2.4.4 Seleção do foco e priorização de processos; Considerando que a avaliação de uma instalação ou processo produtivo sob os critérios da PmaisL envolve em conjunto os aspectos técnicos, ambientais e econômicos e que os resultado esperados são: a melhoria na saúde ocupacional e no meio ambiente, com redução de custos para a organização; faz-se necessário a priorização dos processos a serem avaliados, a fim de se chegar a um melhor benefício global para os envolvidos e partes interessadas. A priorização dos processos, sob a ótica da PmaisL, pode se realizar através dos vários critérios contidos nas próprias metodologias ou desenvolvidos por teóricos ou outros pesquisadores. Abaixo estão relacionados critérios para priorização dos processos, a saber: a) O CNTL (2003) defende que o foco de avaliação da PmaisL seja dado pela análise dos principais aspectos ambientais considerando todas as operações e atividades da empresa. Para a seleção das atividades e processos, devem-se considerar os regulamentos legais, a quantidade de resíduos, a toxicidade e os custos. b)O CEBDS (2004) propõe que os dados coletados nas etapas anteriores e a disponibilidade de recursos financeiros sejam utilizados para definir as etapas, processos, produtos ou equipamentos que serão priorizados para as efetivas medições e realização dos balanços de massa e energia. c) Smith (1991), Smith (1992), Mizsey (1994) utilizaram o “diagrama da cebola”, Figura 10, proposto por Linhoff (1985) inicialmente como ferramenta para a otimização energética, para a seleção dos processos industriais a serem avaliados. Para esses autores o diagrama deve ser usado visando à redução de resíduos, e a integração de plantas de processo industrial, de modo a estabelecer geradores de resíduos e consumidores desses resíduos dentro de uma organização maior. Esta ferramenta estabelece a prioridade de atuação nos processos em função de sua importância relativa na instalação industrial. Assim, para a indústria química o reator é o centro das atenções, portanto o coração do processo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 48 CORAÇÃO DO PROCESSO SEPARAÇÃO TROCADORES DE CALOR UTILIDADES Figura 10–Diagrama da cebola adaptado de Smith (1992). Para o caso em estudo, o tanque lavador requer a maior atenção, pois nesse equipamento ocorre a conversão da matéria-prima em produto final. É também onde existe o maior consumo de energia. A partir do coração do processo são priorizados nesta ordem: a separação de matéria-prima, os trocadores de calor e as utilidades. 2.4.5 Estabelecimento de indicadores Os indicadores são ferramentas técnico-gerenciais importantes para orientar a tomada de decisão e estabelecer parâmetros comparativos de processo. A partir dos dados coletados deverão ser estabelecidos indicadores relacionando o parâmetro que será acompanhado com a produção geral da empresa. (CEBDS 2004). O CNTL (2003) orienta que sejam estabelecidos indicadores de consumo de insumos e produção de resíduos, a fim de tornar possível qualquer comparação futura em uma mesma atividade, ou em outras atividades semelhantes, ou entre empresas. Cardoso (2004) identificou indicadores de Produção Limpa utilizados pelas empresas para informar o seu desempenho ambiental. Categorizou-os de acordo com a eficiência do uso de materiais, energia e prevenção da geração de resíduos. A utilização desses mesmos fatores, Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 49 para a atividade de produção de petróleo, resultou nos indicadores do Quadro 01, que relaciona o consumo de água e energia com a geração de resíduos e emissões. Quadro 01–Indicadores de Produção Limpa. Categoria Eficiência no uso materiais e energia. Indicador Unidade m3/t Consumo de água por unidade de de produto. Consumo de energia por unidade de produto kWh/t Quantidade de resíduos sólidos Prevenção de Geração de gerados por unidade de produto resíduos na fonte Quantidade de emissões atmosféricas geradas por unidade de produto Construção adaptada da proposta de Cardoso (2004) t/t t/t Com essas premissas foram encontrados os indicadores, divulgados pela Associação Internacional de Produtores de Óleo e Gás–OGP, contidos no documento Indicadores de Performance Ambiental (OGP 2003). Essa instituição coleta dados dos seus associados e elabora valores médios que são disponibilizados como referências para as empresas associadas. Desse documento foram retirados os indicadores utilizados para a produção de petróleo que estão apresentados na Tabela 01, a seguir. Tabela 01– Indicadores de eficiência de processo de produção de petróleo Indicador Descrição Descarte de óleo na água produzida em terra. Perda de óleo na água produzida Concentração de óleos e graxas na água produzida tratada oriunda da produção de petróleo em terra. Quantidade de óleo perdido em tonelada para cada milhão de toneladas de hidrocarbonetos produzidos. Valor de referência 14,02 mg/L 9,8 t Fonte: OGP (2003). A utilização dos indicadores divulgados pela OGP permite a comparação entre empresas de petróleo em várias partes do mundo, servindo como base orientadora para ações de desenvolvimento e pesquisa nessas organizações. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 50 2.4.6 Determinação dos custos das perdas. Coletar as informações de custos é importante para justificar os investimentos em alternativas de prevenção da poluição e devem ser coletados para cada etapa do trabalho, porque elas mostram se as propostas de prevenção da poluição deverão ser aplicadas. Para cada perda, identificada no mapeamento de processos, deve ser rastreado o custo a ela relacionada. Os custos das perdas geralmente estão associados a(o): 1- tratamento ou disposição; 2- perda do recurso; 3- gerenciamento da perda do não produto. Para o cálculo de custos das perdas de vapor, considerando a existência de metodologias específicas, foi utilizada a proposta do Departamento de Energia dos Estados Unidos, DOE (2003), a qual considera as diferentes contribuições para o custo de produção do vapor, sendo identificadas as seguintes: 1–Custo com combustível para a produção do vapor (CC); 2–Água consumida para produção do vapor (Ca); 3–Tratamento da água de alimentação da caldeira – incluindo clarificação, abrandamento, desmineralização (Cta); 4–Energia para bombeamento da água (Ceb); 5–Energia para insuflar ar de combustão (Cec); 6–Água de descarga da água salina para o esgoto (Cda); 7–Descarte das cinzas (Cdc); 8–Controle das emissões ambientais (Ce); 9–Materiais de manutenção e mão de obra (Cm). A equação 02, a seguir, expressa a soma de todos esses fatores. O custo do combustível geralmente equivale a 90% do custo total de produção de vapor (DOE 2003). CG = Cc + C a + Cta + Ceb + Cec + C da + CCdc + Ce + C m Equação 02 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 51 O custo de geração de vapor (CG em US$/1000lb), pode ser calculado com a simplificação expressa na equação 03, que substitui a soma das contribuições dos itens 2 a 9, para instalações queimando óleo e gás natural, pelo fator 0,30. (DOE 2003). CG = Cc × (1+ 0,3 ) Cc = Pc × ( HV − H AA ) ×ηc ÷ 1000 Equação 03 Equação 04 Onde: Pc = Preço do combustível (US$/MMbtu) Hv= Entalpia do vapor (btu/lb) HAA = Entalpia da água de alimentação (btu/lb) ηc = Eficiência total da caldeira (adimensional) 2.4.7 Identificação das causas de geração de resíduos A análise de causas de geração de resíduos deve vislumbrar, numa primeira etapa, identificar como cada resíduo é gerado e assim encontrar as ações de bloqueio. A identificação das razões básicas, que fazem com que um recurso seja usado ou perdido no processo, permite avaliar a possibilidade de evitar o seu uso ou prevenir sua perda. CEBDS (2004), CNTL (2003) relacionam possíveis causas de geração de resíduos nos processos produtivos, de modo em geral. A USEPA(2001b) porém propõe o uso do diagrama de causa e efeito como ferramenta de análise para identificação de causas de geração de resíduos, a considera a ferramenta mais largamente utilizada para identificar problemas em todo mundo. Por isso ele foi aplicado para a realização desta avaliação. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 52 O diagrama de causa efeito ou diagrama de Ishikawa, Figura 11, apresenta um processo com uma organização lógica, fragmentando-o em processos menores. Isso permite se ter uma visão integrada do conjunto, o que é fundamental para análise de causas. Um processo pode ser definido como um conjunto de causas que tem como objetivo produzir um determinado efeito, o qual é denominado produto do processo. Insumos, equipamentos, informações do processo ou medidas, condições ambientais, pessoas ou procedimentos constituem famílias de causas que compõem esse processo. Um processo pode ser dividido para permitir que ele seja controlado separadamente, o que facilita a localização de possíveis problemas e a atuação nas suas causas. (WERKEMA, 1995a) Processo Insumos Métodos ou procedimentos Informações do processo Ou medidas Efeito Pessoas Condições ambientais Equipamentos Produto Conjunto de Causas Figura 11– Caracterização de um processo por meio de diagrama de causa e efeito. O diagrama de causa e efeito é utilizado para sumarizar e apresentar as possíveis raízes do problema considerado, atuando como um guia para identificação da causa fundamental deste problema e para determinar as medidas corretivas. Werkema (1995b) propõe as seguintes etapas para a construção de um diagrama de causa e efeito: 1–Listar as características da qualidade ou problema a ser analisado; Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 53 2–Relacionar dentro de retângulos, como espinhas grandes, as causas primárias que afetam a característica da qualidade ou o problema definido no item 1; 3–Relacionar, como espinhas médias, as causas secundárias que afetam as causas primárias; 4–Relacionar, como espinhas pequenas, as causas terciárias que afetam as causas secundárias; 5–Identificar no diagrama as causas que parecem exercer um efeito mais significativo sobre as características da qualidade ou problema. Durante a construção do diagrama de causa e efeito e com o objetivo de identificar as causas a serem relacionadas, deve-se repetidamente formular e responder a perguntas chave tais como: “que tipo de variabilidade nas causas poderia afetar a característica da qualidade de interesse ou resultar no problema considerado?”. 2.4.8 Gerando as propostas de PmaisL A aplicação das ferramentas de PmaisL ao processo produtivo, aliado ao conhecimento de opções tecnológicas disponíveis, possibilita a elaboração de propostas para reduzir ou prevenir perdas de material e energia. O UNEP (1996) sugere que as opções de PmaisL podem ser obtidas de várias fontes, tais como: Pesquisa na literatura; Conhecimento pessoal; Discussão com fornecedores; Exemplos em outras companhias; Bancos de dados especializados; Pesquisas e desenvolvimento posterior. As organizações USEPA (2001a), CEBDS (2004) estabelecem que a mais alta prioridade é atribuída à redução na fonte e a seguir ao reuso e a reciclagem, conforme visto no subitem 2.2. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 54 2.4.9 Avaliação técnica ambiental e econômica Identificadas as oportunidades de PmaisL, deve-se realizar uma avaliação técnica, econômica e ambiental de cada opção encontrada. 2.4.9.1–AVALIAÇÃO TÉCNICA. Esta avaliação considera as propriedades e requisitos das matérias-primas e outros materiais com relação ao produto fabricado. A USEPA (1992) sugere os seguintes critérios para a avaliação técnica: Haverá redução de resíduos? O sistema é seguro para os trabalhadores? A qualidade do produto será melhorada ou mantida? Há espaço disponível na instalação?: Os novos equipamentos, matérias e procedimentos são compatíveis com os procedimentos operacionais o fluxo de trabalho e a produtividade? Será necessário contratar trabalho adicional para implementar a proposta? Será necessário treinar ou contratar pessoal com conhecimento especial para operar ou manter o novo sistema? Estão disponíveis as utilidades necessárias ao funcionamento dos equipamentos? Ou eles serão instalados com acréscimo de custo? Quanto tempo a produção irá ficar parada para a instalação do novo sistema? O fornecedor irá prover um serviço de qualidade? O novo sistema criará outros problemas ambientais? novos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 55 2.4.9.2–AVALIAÇÃO AMBIENTAL. Aqui se devem observar os benefícios ambientais que poderão ser obtidas pela empresa tais como redução de matéria-prima, redução de carga orgânica, redução de carga inorgânica e metais tóxicos no efluente final; e melhoria da classificação da periculosidade do resíduo. A USEPA (1992) além de considerar o consumo de energia alerta para os da extração e transporte e tratamento de algum resíduo inevitável. 2.4.9.3–AVALIAÇÃO ECONÔMICA. A avaliação econômica é realizada através de estudos de viabilidade econômica. Podem ser considerados o período de retorno do investimento, a taxa interna de retorno e o valor presente líquido. O CEBDS (2004) faz um detalhamento deste item propondo que esta avaliação seja feita considerando o tempo de retorno do investimento, conforme segue: TRI = IR ÷ ( C SA − C SE ) Equação 05 Onde: TRI = Tempo de retorno do investimento. IR=Investimento realizado; CSA= Custo da situação atual; CSE= Custo da situação esperada. O beneficio econômico é o ganho líquido obtido em um determinado projeto. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 56 3. REVISÃO DA LITERATURA A literatura disponível sobre a minimização de resíduos na indústria do petróleo é fortemente relacionada às técnicas da Prevenção da Poluição, provavelmente devido à influência norte americana nesse segmento, berço da indústria do petróleo e onde está instalado o mais influente órgão normatizador: o Instituto Americano do Petróleo, ou “American Petroleum Institute”–API. Vale ressaltar que, nos trabalhos divulgados por essa Instituição ou mesmo publicações da OGP, a referência encontrada é a Prevenção da Poluição. Conforme será visto no item 3.2–Prevenção da Poluição na Indústria do Petróleo, a seguir, existem vários trabalhos aplicados a essa indústria, mas sem estabelecer uma avaliação sistemática e detalhada do processo de produção do petróleo. Os estudos mostram apenas a existência das ferramentas, mas sem uma aplicação prática do seu uso. Toda a literatura encontrada apresentou referências à prevenção da poluição. Como as ferramentas de minimização de resíduos, mais utilizadas pelas duas técnicas são exatamente as mesmas, conforme citado no subitem 2.1, estas foram utilizadas para comporem o trabalho. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 57 3.1 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL A instalação de produção é parte de uma Unidade Operativa com sistema de gestão integrado, que contempla a gestão das funções Segurança Industrial, Meio Ambiente e Saúde– SMS e ainda qualidade do produto. Essa certificação tem como base nas Normas NBR ISO14000 e NBR ISO 9000, versão 2000. Portanto a Instalação tem toda uma estrutura organizacional de suporte de gestão para a realização de suas atividades operacionais, o que permite um maior nível de controle. A estrutura da gestão ambiental propiciada pela NBR ISO–14001 está baseada na identificação dos aspectos e impactos ambientais do processo. A partir deles são construídos os demais elementos da gestão, desde os planos de atendimento à emergência, até os objetivos e metas ambientais. Os aspectos e impactos ficam priorizados de acordo com a sua significância, a qual é medida através do produto das variáveis: severidade e freqüência, ou através da probabilidade de ocorrência. Assim, as tarefas de maior importância são aquelas que representam maior potencial de causar danos às pessoas ou ao meio ambiente. A severidade, a freqüência ou probabilidade de ocorrência são medidas em três gradações: baixa, média e alta, atendendo ao procedimento específico da Unidade de Negócio. (PETROBRAS 2004b). A ABNT (1996) conceitua aspecto ambiental, como: “elemento das atividades, produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com o meio ambiente”. Nesta definição todos os elementos da atividade produtiva de uma empresa; inclusive os processos, equipamentos e os produtos estão considerados como potenciais causadores de impacto. Por sua vez o impacto ambiental, ainda segundo a mesma organização é “qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização.” Assim os impactos ambientais e também os resíduos são conseqüências dos processos, que precisam ser minimizadas. Para as tarefas identificadas como críticas pela Instalação foram estabelecidas rotinas operacionais padronizadas denominadas de Padrões de Execução–PE. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 58 3.2 PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO NA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO As técnicas de PP foram incorporadas pelo segmento de E&P logo após a aprovação da Lei de prevenção da poluição dos Estados Unidos, quando a OGP elaborou um guia de orientação sobre gerenciamento de resíduos. Nos anos seguintes, vários autores de diversas companhias petrolíferas apresentaram trabalhos sobre o assunto. A seguir, estão relacionados alguns desses trabalhos de versando sobre o gerenciamento de resíduos utilizando as técnicas de prevenção da poluição na atividade de E&P. Em 1993 a entidade internacional que congrega as diversas empresas petrolíferas, produtoras e prestadoras de serviço, que operam no segmento de Exploração de Produção (E&P–Forum), atual– “Oil and Gás Producers-OGP”–lançou o Manual de Gerenciamento de Resíduos de Exploração e Produção “Exploration and Production (E&P) Waste Management Guidelines”. O E&P–Forum (1993) propôs que os princípios da prevenção da poluição deveriam balizar o gerenciamento de resíduos e fossem incorporados nos projetos, no gerenciamento de instalações e no planejamento das atividades. O mesmo E&P–Forum (2003) estabeleceu um diagrama de fluxo mostrando a hierarquia das práticas de gerenciamento de resíduos, priorizando a redução na fonte, e, a partir daí, o reuso, a reciclagem/recuperação, e, por fim, o tratamento ou disposição responsável. Assim, o trabalho do E&P–Forum demonstra forte relação com as técnicas da prevenção da poluição. Salienta, porém, que a sensibilidade da locação onde se realizam as operações é fator chave para a seleção de um apropriado modelo de gerenciamento. Embora aquele documento não analise os processos de geração de resíduos em detalhe, ele estabelece dez passos para a implantação de um sistema de gerenciamento de resíduos eficiente. McFadden (1996), Smith, Gopinath e Freeman (1997), Ritter (2003) analisaram a geração de resíduos (sólidos, líquidos e gasosos) na indústria do petróleo e no segmento E&P, com foco: na classificação desses resíduos; identificação da fonte e ainda na sua quantificação. Algumas vezes foram estabelecidos elementos de gerenciamento desses Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 59 resíduos, relacionando-os com a redução de custos e a minimização da geração, mas sem um direcionamento específico para o processo gerador. Callaghan (1991) afirmava que a redução de emissão das instalações existentes poderiam se realizar por trocas nos procedimentos operacionais e por modificações nos equipamentos com vistas as tecnologias mais limpas. Porém, quando fosse realizada uma grande reforma, seriam utilizadas tecnologias apropriadas. Defendia também que as novas instalações deveriam utilizar a “melhor tecnologia prática”, o que significa não necessariamente utilizar a opção tecnológica de menor custo, mas aquela que ainda permita ao projeto atender ao critério econômico aceitável. O mesmo Callaghan ainda considerava como áreas problemáticas: às emissões atmosféricas, os sólidos e borras contaminadas por óleo e o uso de energia. Os trabalhos de Weinrach (1999), Petrusak (2000) almejaram um direcionamento para a prevenção da poluição – estruturando ferramentas de gestão de resíduos – aplicada a atividade E&P. Contudo, não se detiveram em uma análise criteriosa das instalações e tecnologias disponíveis. Wojtanowicz (1991), orientando-se para a prevenção da poluição, desenvolveu a metodologia técnica chamada “Environmental Control Technology”– ECT. Esta ferramenta, elaborada especialmente para o segmento E&P, tem como objeto a integração da tecnologia de produção ao processo produtivo do petróleo. A ECT tem como características básicas: 1) Integração com o processo produtivo; 2) Projetos específicos para o objeto em análise; 3) Propostas associadas à produtividade. Ainda, Wojtanowicz (1997) classifica os resíduos de produção em dois grupos: os resíduos primários (água produzida) e os resíduos associados. Os resíduos associados têm maior toxicidade e baixo volume, enquanto a água produzida tem relativamente baixa toxicidade e alto volume. As instituições “Railroad Commission of Texas”-RRC (2001), “Oil Conservation Division” (2000a) ligadas ao governo Texano e do Novo México, respectivamente elaboraram Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 60 um consistente trabalho sobre a minimização de resíduos nas atividades de Exploração e Produção de Petróleo. Esse trabalho teve como foco as atividades operacionais dos campos de petróleo e apresentando em detalhes os resíduos gerados em cada uma das etapas de produção, e, ainda, contendo sugestões de minimização de geração ou reuso em alguns casos. Abaixo estão relacionados exemplos bem sucedidos de melhorias realizadas por empresas petrolíferas, para minimizar a geração de resíduos em suas instalações. Sistemas de dosagem e medição de produtos químicos – A adição de excesso de produtos químicos utilizados para tratamento de óleo compromete a performance do processo tanto pelo excesso como pela falta. O uso de equipamentos de dosagem adequados permite a redução de custos. Redução de depósitos de fundo de tanque – Para reduzir o volume desses resíduos algumas empresas operadoras têm usado de equipamentos como: jatos de circulação, propulsores e pás rotativas. Esses equipamentos instalados dentro do tanque reduzem a decantação dos cristais de parafina. Pintura de um tanque com a cor preta – Alguns operadores têm utilizado um tanque para acumular os resíduos oleosos da produção. No verão, pela maior temperatura dentro do tanque, o óleo é fluidificado e assim é possível recuperá-lo. Blindagem de equipamento com íons de alta energia – O processo de blindagem se realiza pela colisão de partículas de metais como: cromo, ligas de ouro ou cobre puro sobre uma superfície de aço. A aplicação desses metais, com alta energia sobre uma superfície, provoca a penetração de suas partículas no aço, obtendo-se assim uma superfície mais dura e de baixa fricção. Esta tecnologia tem sido utilizada na fabricação das hastes polidas nas “stuffing-box” montadas nas cabeças de produção de poços, e nos eixos de bombas reduzindo substancialmente os vazamentos nesses equipamentos. Sistemas de recuperação de vapor – Existem vários sistemas disponíveis no mercado. Porém chama-se a atenção para um sistema simples e de baixo custo que utiliza a água Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 61 produzida, bomba, tubulação e tubo venturi. Esse sistema provoca um pequeno vácuo e retira o vapor do tanque que é enviado com a água para o separador de gás-líquido onde é recuperado. O liquido retorna a corrente liquida do processo. Modificação no procedimento – A automação das unidades de processo tais como: cargas nas unidades de bombeamento, vazamentos em “stuffing box”, temperatura da haste polida, temperatura e nível de tanques podem ser transmitidos por microondas para um escritório central e assim permitir a ação rápida do operador. Tanques, “containers”, bombas e motores de combustão interna todos estão sujeitos a vazamentos. A estocagem de óleos combustíveis desses equipamentos em locais adequados, bem como o uso de aparadores de óleo e outros tipos de recipientes permitem reduzir gastos com remediação de solo e água contaminados. Estocagem de produtos químicos e materiais – Esses produtos devem ser estocados de modo que eles não entrem em contato com o solo e água. Preferencialmente em área elevada, com bordas de contenção e protegida do sol e chuva. Todos os tambores devem ser mantidos fechados, exceto quando em uso. Os produtos químicos devem ser rotulados de modo que possam ser identificados a qualquer tempo. A estocagem em volumes pequenos é preferível, sendo sugerido que o volume não exceda a um tambor (55 galões). Arrumação das instalações – É acompanhada pela manutenção preventiva, assim esquemas de manutenção em equipamentos, bombas tubulações válvulas e motores permitem reduzir a ocorrência de vazamentos de produtos e aditivos químicos para o sistema de contenção ou para o meio ambiente. Controle de inventário – É considerado um dos mais eficientes caminhos para reduzir geração de resíduos, custos de operação e, ainda, adequação aos regulamentos legais. A companhia que rastreia seus materiais e produtos químicos pode usá-los mais eficientemente e reduzir a perda desses produtos que irão se converter em resíduos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 62 Negociar com fornecedores que recebam produtos de volta é uma das ações vantajosas para minimizar perdas de produtos e geração de resíduos. Webb (1993) apresentou um sistema alternativo destinado a recuperação de pequenos volumes de hidrocarbonetos gasosos em tanques de petróleo e demais facilidades. O sistema conhecido por jato de vapor “Vapor Jet Sistem”, utiliza água produzida pressurizada como meio de operação para um edutor (tubo venturi) que converte energia de pressão em energia cinética e assim promove a remoção de gás natural do tanque levando-o para um vaso separador de baixa pressão, onde a água é separada. As vantagens desse sistema destacadas pelo autor é a simplicidade, baixo custo e praticamente sem manutenção. Em recente estudo realizado pela USEPA (2002a) foi testada uma nova tecnologia para recuperação de vapor em tanques de petróleo. O equipamento denominado de Unidade Ambiental de Recuperação de Vapor–EVRU utiliza a pressão de gás natural existente nas instalações de produção petróleo como força motriz para a recuperação de vapor de tanques de armazenamento de petróleo. O equipamento testado custou aproximadamente US$ 108,000.00 para recuperar 174.855 pés 3/dia de gás. O custo do gás foi considerado em US$ 2.85/MMbtu. A pressão do gás disponível deve estar entre 800 a 900 psig e entra numa câmara onde um leve vácuo é produzido pelo efeito venturi. O condensado é misturado com o gás e adicionado ao produto para venda. Este equipamento apresenta disponibilidade operacional superior a 99% do tempo com baixo custo de manutenção. A vazão necessária de gás está entre 350 e 380 pés3/min. O EVRU recupera até 300.000 pes3/dia de gás natural. A reciclagem é a segunda opção na hierarquia de gerenciamento de resíduos. A RRC (2001) oferece algumas dicas para reciclagem na atividade de E&P, conforme segue. Água produzida – A água produzida injetada para aumento da recuperação de óleo nos campos de petróleo é considerada reciclada, já que a ela é dado um fim útil. Borras de fundo de tanque - São mais bem gerenciadas por envio a plantas de recuperação de óleo cru. Óleo lubrificante e filtros usados – São gerenciados pelo envio a empresas de reciclagem. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 63 Produtos químicos comerciais – A implementação de procedimentos para reciclar quaisquer produtos químicos não usados é viável e consistente com a PmaisL. Devem ser contratados fornecedores que se responsabilizem pelo recebimento e reciclagem do produto e recipientes não usados nas instalações. Tambores e Sucatas – As sucatas metálicas devem ser manuseadas adequadamente e recicladas, de modo a não se converterem em resíduos perigosos. Bansal (1993) estudou os efeitos dos fluidos “não-produzidos”, que são aqueles não associados à produção dos poços de petróleo (fluidos de estimulação completação e “workover1”, misturas de fluidos de sonda, fluidos descarregados do poço após correção, ácidos gastos, drenagens das facilidades de produção e produtos químicos de limpeza das instalações), sobre a qualidade da água de injeção e identificou importantes interações entre os dois. Essas interações se resolvidas são importantes elementos para a redução da geração de resíduos nesse processo. As propostas são as seguintes: Controlar a reciclagem de fluidos não-produzidos, no sistema de processamento de óleo-água. Reduzir a taxa de reciclo a no máximo 10 % da produção total, quando necessário; Aumentar o espaçamento entre as operações de estimulação de poços, reduzindo, portanto, o efeito dos fluidos produzidos sobre o sistema de produção; Revisar os procedimentos de “Workover” de modo a determinar o volume e a concentração do ácido a ser utilizado; Neutralizar o ácido gasto, resultante das operações de acidificação, retornando do poço com solução de carbonato de sódio, antes de misturá-lo ao processo. Bansal e Caudle (1998) identificaram os fatores que interferem no tratamento da água 1 Workover- operações realizadas em um poço de petróleo para tentar aumentar a sua produção. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 64 produzida dificultando a remoção do óleo disperso e apontaram algumas soluções para o aumento da recuperação do óleo. A seguir estão relacionados os problemas identificados e as soluções propostas. Utilizar tanque de “surge”–equipamento que funciona como equalizador da carga recebida, antes da unidade de flotação, para evitar variações bruscas na vazão e manter baixa a taxa de escumação, o que resulta na formação de flocos oleosos de melhor qualidade. Os flocos ficam retidos no equipamento, permitindo uma melhor separação óleo-água. Abaixar o pH da água para em torno de 4 ou menos, com ácido clorídrico, por exemplo, para remover o óleo solúvel antes da separação óleo-água, evitando a sua precipitação. Os ácidos orgânicos são convertidos à forma não-ionizada, que é mais solúvel no óleo que na água. Desse modo reduz-se a quantidade de precipitado no processo. Deve-se ter cuidado para não causar corrosão nos equipamentos. Reduzir a entrada de oxigênio para evitar a conversão do ferro (II+) em ferro (III+), que é insolúvel, através de um projeto adequado. A operação do sistema também é importante, assim deve-se reduzir a reciclagem de fluidos contendo oxigênio, em atividades como: circulação de água de caixas de drenagem de água de chuva; abertura das células de flotação. Deve-se também evitar a entrada de oxigênio na sucção das bombas. Remover o material residual de limpeza de poços. O material residual das operações de intervenção em poços: argila, areia, produtos de corrosão e incrustações, contem óleo e outros matérias orgânicos, que se misturados com os aditivos utilizados no processo (oxidantes, ácidos e surfactantes) influenciam negativamente o tratamento da água. Portanto não devem ser misturados. Jamaluddin e Vandamme (1994) da petrolífera Total Petroleum citam a recuperação de óleo de fundo de tanque, utilizando água doce quente, agitador e caminhão vácuo. Essa Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 65 técnica informa os autores reduz o teor de cloreto no resíduo para abaixo de 2000mg/kg e o teor de óleo a, aproximadamente, 1% em peso. Além da redução na fonte, a recuperação de óleo depois de gerado o resíduo, ou a sua utilização em outros processos como insumo, tem se mostrado viável. Um exemplo é o trabalho realizado por Amaral e Domingues (1990) testando a utilização de resíduos de produção de petróleo (borra de fundo de tanque e resíduos de caixas de recuperação) como insumo para a indústria cerâmica. O teste foi realizado para fabricação de tijolos de vedação, lajes de forro e telhas com a adição de resíduo oleoso, em até 5% em peso. A incorporação do resíduo de petróleo teve o objetivo de melhorar a plasticidade e a trabalhabilidade da massa de argila (bloco cru) que vai para o cozimento. A incorporação do resíduo à massa argilosa levou ao aumento da velocidade da extrusora o que permitiu aumento da produção entre 30% a 80%, e ainda redução do consumo de energia de 30% a 40%. Foram realizados testes de solubilização e lixiviação no produto final e demonstrado que o mesmo continua inerte. As emissões atmosféricas também foram consideradas pouco significativas pelos autores. Alves (2003) reforçando o trabalho de Amaral e Domingues (1990) realizou a incorporação de borra oleosa em blocos cerâmicos e obteve bons resultados para a faixa de incorporação de 10% a 20% de borra na massa argilosa para a fabricação do bloco. Em recente trabalho a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2005) utilizou cascalho de perfuração impregnado com fluido de perfuração a base de n-parafina, para a fabricação de blocos cerâmicos e concluiu que o processo de queima desse material não apresenta emissão de dioxinas. O cascalho de perfuração apresentava concentração de TPH de 109.960 mg/L e de Cloreto em 4000 mg/L. A taxa de incorporação de cascalho a massa do bloco chegou a 30%. Perez (2005) relata um processo de recuperação de borra oleosa de fundo de tanque, o qual utiliza vapor, solventes orgânicos e produtos químicos tensoativos para reduzir a viscosidade da borra e assim permitir a remoção dos sólidos do óleo. Esse processo, utilizando centrifugação para a separação, consegue obter um sólido com apenas 1500ppm de Hidrocarbonetos Totais de Petróleo – TPH. O óleo recuperado equivalente a 16% do volume Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 66 total e, aproximadamente, 50% da fração oleosa da emulsão é incorporado ao processo de produção tendo qualidade compatível. A centrifugação gera 7% de borra oleosa pesada. A produção de petróleo necessita de calor para a realização de vários processos, sendo o vapor a forma de transferência de energia térmica mais utilizada na indústria. Esta é uma atividade necessária ao processo. Assim, conhecer as melhores práticas é fundamental para o bom andamento da atividade. (Bhatt, 1999; DOE, 2002) apresentaram várias oportunidades de melhoria, conforme o Quadro 02, em sistemas de geração e distribuição de vapor, relacionando-as com as diversas atividades/operação realizadas nesses sistemas. Quadro 02 Oportunidades de melhoria de performance para Sistema de Geração e Distribuição de Vapor. 01–Eficiência de Combustão Controle do excesso de ar dos ventiladores, ingresso de ar indesejado na fornalha e vazamento no pré-aquecedor. Manutenção da temperatura e pressão ótimas do combustível e ar injetados no queimador. 02–Eficiência na transferência de calor Garantir a adequada superfície para transferência de calor. Manter alta limpeza na fornalha e pelo lado da água, utilizando esquemas de limpeza contínuo e intermitente. Manter o isolamento térmico nas condições adequadas minimizando perda de radiação pelas paredes da fornalha. 03–Eficiência de material Minimizar perda de vapor pelas descargas de fundo, “vent”, e pela abertura freqüente de válvulas de alivio de pressão. Minimizar perda pelas descargas de fundo através de controle de contaminantes. 04–Eficiência na linha de vapor Verificar funcionamento dos purgadores garantindo que apenas vapor superaquecido entre na linha principal e que líquido sub-resfriado entre na linha de retorno após uso. Minimizar perdas de vapor em purgadores escolhendo equipamentos adequados. Isolar linhas fora de uso. 05–Eficiência no uso Encurtar o tempo de processamento, apurar o controle de temperatura e fluxo de vapor para os equipamentos usuários. Minimizar perdas de selos, drenos etc, e equipamentos de fim de linha. Instalar equipamentos de recuperação de calor (economizadores de água de alimentação aquecedores de ar de combustão) 06–Condensado não recuperado Garantir que todo condensado seja reciclado. Uso de filtros para condensado que esteja em contato indireto (trocadores de calor) com óleo. 07– Eficiência de todo circuito Apurar o rastreamento dos níveis de carga para a tarefa útil, considerando a saída do vapor da caldeira. Construção própria com base em (DOE 2002, p. 26; Bhatt 1999, p. 295) Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 67 Jaber, McCoy e Hart (2001) também apresentaram algumas recomendações para um sistema de geração e distribuição de vapor tais como: avaliar a necessidade real de pressão e temperatura do vapor a ser utilizado; remover os depósitos de cálcio e magnésio nos trocadores de calor evitando perdas por aquecimento excessivo; identificar e corrigir os vazamentos de vapor, bem como isolar termicamente as tubulações de passagem de vapor. Essas práticas promovem aumento na eficiência do sistema na ordem de 20% a 30%. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 68 3.3 PROCESSO DE PRODUÇÃO DO PETRÓLEO O objeto de estudo, ao qual foi aplicado a metodologia de PmaisL, é um sistema de produção de petróleo. Por isso foi necessária a aquisição do conhecimento da tecnologia de produção utilizada na estação. Um sistema de produção de petróleo é estruturado com o objetivo de coletar a emulsão oleosa ou petróleo cru de um ou mais campos de petróleo e tratar essa matéria-prima, por processos de separação, em seus constituintes básicos: óleo, gás natural, água produzida e impurezas (sólidos). A produção de petróleo envolve vários processos menores, que indo desde a coleta nos poços até a transferência dos produtos (Óleo e Gás Natural) para os clientes, incluindo-se a destinação adequada da água produzida e dos resíduos gerados, passando por vários processos de separação de fases e de armazenamento. Thomas et al (2001) chamam esses vários processos de processamento primário de petróleo, sendo dividido em três etapas: – separação do óleo, do gás e da água; – tratamento ou condicionamento dos hidrocarbonetos; – tratamento da água para reinjeção ou descarte. 3.3.1 Coleta de Petróleo O sistema de coleta de petróleo é instalado de modo a que a produção de vários poços seja transportada para uma estação de separação. Um sistema de coleta pode consistir de linhas de produção singelas ligando um poço ao seu equipamento de separação ou muitas linhas de produção conectadas a um “header” que também se conecta a uma estação de separação (SKINNER 1982). Um “header” em um sistema de coleta ou distribuição provê um meio de reunir várias linhas de produção em uma única linha de coleta de maior diâmetro. Válvulas são instaladas nessas linhas de modo a poder isolar cada uma delas durante a operação e manutenção. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 69 As linhas de produção geralmente são fabricadas em aço-carbono, porém materiais sintéticos como polietileno e fibra de vidro podem ser utilizados. As linhas de coleta por estarem submetidas a baixas pressões não rompem, portanto vazamentos acontecem por pequenos orifícios causados por corrosão externa ou menos freqüentemente interna ou eventualmente por falha de material. Além da coleta por linhas, o petróleo pode ser transportado por carretas, o que ocorre nos poços afastados do sistema de escoamento implantado, ou quando a viscosidade do óleo é bastante elevada fazendo com que as perdas de calor no deslocamento sejam suficientemente grandes para promover a perda de fluidez do óleo e o conseqüente bloqueio da linha. No caso de elevada viscosidade do óleo a transferência por carretas requer a utilização de vapor para o descarregamento. A viscosidade descreve a resistência ao escoamento e pode ser entendida como a medida da fricção de um fluido, sendo uma função da temperatura, pressão e espécie molecular. A composição do óleo baiano com elevado teor de parafinas é a responsável pela alta viscosidade em baixas temperaturas. Os problemas no manuseio e transporte de petróleos viscosos são conhecidos há muito tempo, assim como o uso do calor para facilitar o seu deslocamento. Irani e Zajac (1981) afirmaram que o uso do calor em óleos de elevado ponto de fluidez era uma prática generalizada. Schuster e Irani (1984) utilizaram as informações de comportamento reológico e composição de óleo para identificar opções de minimização de consumo de energia no transporte desses óleos. Sifferman (1979), Irani e Zajac (1981), estudando o manuseio e o escoamento de petróleos parafínicos, observaram a influência da temperatura na viscosidade desses óleos. A viscosidade fica relativamente constante com relação à temperatura até o ponto de congelamento, e a partir daí aumenta rapidamente. O ponto em que ocorre uma abrupta Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 70 elevação de viscosidade do óleo e conseqüente aumento da resistência ao escoamento com a redução de temperatura é conhecido por ponto de fluidez. Esse comportamento pode ser visto, no gráfico de viscosidade aparente versus temperatura, na Figura 12 a seguir. A partir desse ponto torna-se necessária à adição de calor para redução da resistência ao escoamento Viscosidade Viscosidade do óleo. nto Po de id flu ez temperatura Figura 12– Gráfico esquemático temperatura x viscosidade adaptado de Sifferman (1979) e Irani e Zajac (1981). A coleta de óleo por carretas utiliza caminhões-tanque com serpentinas em seu interior, as quais têm a função de transferir calor do vapor para o aquecimento do óleo. Esse processo segue a equação geral para transferência de calor. (VIEIRA 1986). Qt = K × A × ( Tsa − To ) Equação 06 Qt= Quantidade de calor transferida por unidade de tempo (kJ / h ) K= Coeficiente de transmissão de calor da serpentina para o óleo (kJ/m2.h .°C) A = Área de serpentina (m 2) T sa = Temperatura da superfície de aquecimento (°C) Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 71 To = Temperatura do óleo (°C) O mesmo Vieira (1986) propõe que as perdas de calor podem ser calculadas pela equação de transmissão de calor, utilizando a variação de temperatura, em lugar da média logarítmica como uma aproximação. Usando serpentina de vapor em um fluido viscoso como óleo pesado o coeficiente de transferência de calor teórico é de cerca de 195kcal/m2.h.°C.Mas é normal considerar o coeficiente real de transmissão de calor na ordem de (68 a 98) kcal/m2. h.°C. (VIEIRA 1986). Pagy (1986), mesmo reconhecendo que a queda de pressão do vapor em serpentinas depende de vários fatores, esta pode ser estimada em 0,12 kg/cm2 para cada 100 metros de comprimento para tubulações com 11/2” e 2” de diâmetro. Serpentinas excessivamente longas ou sem queda na direção do fluxo facilita o acúmulo de condensado e freqüentemente fica inundada. Conhecer o processo de coleta de óleo por carretas implica monitorar as variáveis preponderantes: o consumo de vapor é uma delas. A medição de consumo de vapor é um processo que pode ser realizado de várias maneiras. Pagy (1986) propôs três: dados do fabricante; medida direta através do condensado e cálculo teórico. A medida direta é realizada com: um reservatório, uma balança, um mangote, manômetro na saída do condensado e um termômetro, conforme desenho esquemático na Figura 13. O termômetro e o manômetro têm por finalidade estabelecer as condições da medição. O reservatório deverá conter no início da medição certa quantidade de água de modo a permitir que o vapor de reevaporação formado pela descompressão do vapor não seja perdido. A medição de tempo para realizar a incorporação de massa no recipiente permite estabelecer a vazão de vapor. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 72 Termômetro Manômetro Mangote Reservatório Vapor Balança Figura 13 – Desenho esquemático do processo de medição de vazão de vapor Spiraxsarco (2005a) cita os mesmos métodos vistos em Pagy (1986), mas acrescenta um para a medição da taxa de uso de vapor e o divide em duas categorias: aplicações sem fluxo e aplicações com fluxo. As aplicações sem fluxo são utilizadas para equipamentos fechados como tanques. Para essas medições, é considerado que dois processos de aquecimento requerem a mesma quantidade de energia, mas diferentes intervalos de tempo. Assim a taxa de transferência de calor será diferente, mas a quantidade total de calor transferido será a mesma. O cálculo pode ser feito utilizando a equação abaixo: m Fl × C P × ∆T ÷ t = Qv × H SV Equação 07 Onde mFl = massa de fluido (kg), Cp= calor específico (kJ/kg/ºC) , ∆T= acréscimo de temperatura ºC, t= tempo para aquecimento do líquido (s), Qv= taxa de consumo médio de vapor (kg/s), Hsv= Entalpia específica do vapor (kJ/kg). Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 73 3.3.2 Separação de Fases do Petróleo O processamento primário, assim chamado para diferenciar do processamento propriamente dito, realizado nas refinarias tem como objetivo a separação das fases constituintes do petróleo bruto. Ou seja, a recuperação do gás sob condições controladas e remoção da água e demais impurezas, tornando o óleo estável para transferência. O processamento do petróleo, portanto ocorre em duas etapas distintas: a desidratação que ocorre nas Instalações de Produção e a dessalgação nas Refinarias.(RAMALHO 2000). O óleo coletado nos poços pode conter partículas dispersas de compostos inorgânicos. Esses contaminantes são basicamente: SiO2 (óxidos de silício), lodo, areia, CaCO3, CaSO4, BaSO4, FeS, CuS, Fe3O4, Fe2O3. O sulfeto de ferro é o sal mais comum e está normalmente associado aos fenômenos naturais do reservatório, ou produtos de corrosão nas tubulações e demais facilidades de produção. Esses sedimentos são detectados pelo teste de “Basic Sediments and Water” ou BS&W (Sedimentos Básicos e Água). (ÍNDIO DO BRASIL e AZEVEDO FILHO 2002). O processo de separação é o coração do tratamento de petróleo, e se processa em duas fases a separação gás-líquido e a óleo-água. No primeiro estágio é realizada a separação gáslíquido, o que ocorre num vaso vertical, separador de gás, provido de separador de névoa, chapa defletora, volume para acúmulo de líquidos e instrumentos de controle, como mostra a Figura 14. O fluido entrando no vaso é direcionado pela chapa defletora de forma que as grandes partículas de líquido sejam conduzidas para baixo e o gás escoe em sentido ascendente, carregando somente pequenas partículas de líquido. No eliminador de névoa, as partículas de líquido são coalescidas e retidas, saindo pelo topo um gás saturado e praticamente isento de líquido. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 74 Eliminador de nevoa Chapas defletoras Acumulador de liquido Figura 14– Separador gás-líquido– Desenho esquemático. No segundo estágio ocorre a separação óleo-água, quando se realiza a desestabilização da emulsão em seus constituintes básicos: óleo e água. A separação óleo-água considera a taxa de sedimentação de gotículas dispersas em um campo gravitacional. Para líquidos com densidades diferentes, as gotículas começarão a sedimentar (ou flotar) devido ao efeito de empuxo, assim a gota atinge uma velocidade limite que pode ser calculada pela lei de Stokes. A velocidade de sedimentação é fortemente influenciada pelo diâmetro das partículas, considerada o fator mais importante.(ÍNDIO DO BRASIL E AZEVEDO FILHO 2002) A Lei de Stokes, apresentada na Equação 08, estabelece que a velocidade de decantação de uma partícula em um meio líquido depende da diferença de densidade entre esses líquidos (fase contínua e fase dispersa), do diâmetro da partícula e da viscosidade dinâmica do óleo. V = [( D × D × g × ∆ρAO ) ÷ 18µO ] onde: Equação 08 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 75 V = Velocidade de queda das partículas relativa ao líquido.(m/s) ∆ρ AO= Densidade diferencial entre água e o óleo. (kg/m3) D = Diâmetro das partículas de água. (m) µo = Viscosidade dinâmica do óleo (N.s/m2) g= Aceleração da gravidade (m/s2) O tratamento do óleo, em instalações terrestres conhecidas internacionalmente como “on shore”, é realizado em tanques de lavagem e tratadores eletrostáticos (THOMAS, ET AL 2001). Os tanques lavadores são equipamentos que operam com base na separação gravitacional com fluxo vertical, o que implica numa baixa eficiência de remoção de óleo. Aqui o balanço de forças influenciando a separação não atinge o seu máximo, uma vez que a força gravitacional atua em sentido contrário ao fluxo. Já os equipamentos com fluxo horizontal têm melhor eficiência, porquanto nestes a força gravitacional tem uma componente que atua paralela ao fluxo, o que facilita a separação. Os tanques de lavagem são empregados para grandes vazões de tratamento e BS&W na faixa de moderado a muito alto. Utilizam vapor como meio de aquecimento da emulsão e baixas pressões de operação (ÍNDIO DO BRASIL E AZEVEDO FILHO 2002). De Wit (1974) pesquisando os tanques de lavagem verificou que o tempo de residência da emulsão nesses equipamentos convencionais era de (8 a 24) horas e que as gotículas inferiores a 80 micra de água salgada ou 120micra de água doce não são separadas. Powers (1996) estudando os tanques de lavagem da empresa petrolífera CONOCO afirmou que esses equipamentos, apesar de terem surgido no começo da indústria de produção de petróleo, era freqüentemente o meio preferido para desidratação do óleo em locais de clima quente, ou onde as circunstâncias fazem o calor desnecessário ou barato. A essência da separação óleo-água está na desestabilização da emulsão oleosa formada pelo óleo, água e gás produzidos no reservatório de petróleo. Uma emulsão de óleo cru é uma dispersão de gotículas de água em óleo. Segundo Kokal (2002) podem ser classificadas em três grupos, conforme segue: Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL emulsões de água em óleo (A/O); emulsões de óleo em água (O/A); emulsões complexas. 76 A emulsão de água em óleo (A/O) consiste de gotículas de água em uma fase contínua de óleo, enquanto a emulsão de óleo em água (O/A) a fase contínua é a água. Na indústria do petróleo o tipo de emulsão mais comum é a de água em óleo. (KOKAL, 2002). (Kokal 2002; Vega, Delgado e Vega 2002) em recente trabalho avaliaram que embora termodinamicamente as emulsões sejam sistemas instáveis – devido à tendência natural dos sistemas líquido-líquido de reduzirem à sua área interfacial – algumas delas apresentam estabilidade cinética, o que permite a sua existência por longos períodos de tempo. As emulsões de petróleo podem ser estabilizadas por alguns componentes naturais presentes no próprio petróleo, a exemplo de emulsificantes e sólidos finos da formação. Kokal (2002.) afirma que desestabilização da emulsão oleosa é o objetivo da produção de petróleo e pode ser obtida pelo aumento da velocidade de quebra dessas emulsões, através dos seguintes fatores: –aumento da temperatura; –redução na agitação ou cisalhamento; –aumento do tempo de residência; –remoção de sólidos; –controle de agentes emulsificantes. Para Índio do Brasil e Azevedo Filho (2002), a quebra da emulsão pode ser conseguida por vários meios: decantação, adição de desemulsificante, aquecimento, filtração e campo elétrico. Warren (2002) avalia que historicamente a separação óleo-água depende: de calor para o controle de viscosidade; de produtos químicos para desestabilização dos agentes emulsificantes naturais contidos no petróleo e do tempo de retenção sob condição tranqüila de fluxo para permitir a sedimentação das partículas. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 77 De Wit ( 1974) estudando o processo de produção de petróleo referencia a existência de dois processos de separação óleo-água: o elétrico, que requer relativamente alta temperatura (150ºF a 180º F) e o processo químico, que requer temperaturas mais baixas entre (80ºF e 120ºF). O campo elétrico é considerado o mais eficiente meio de desemulsionamento (ÍNDIO DO BRASIL E AZEVEDO FILHO 2002). Kokal (2002), analisando vários sistemas de produção de petróleo da empresa Saudi Aramco, observa que a desestabilização da emulsão se realiza por um das seguintes técnicas, sendo isoladamente ou em conjunto: –redução da velocidade de fluxo permitindo a separação gravitacional das partículas oleosas, o que ocorre em separadores de grandes volumes; –adição de desemulsificante; –aumento na temperatura da emulsão; –aplicação de campo elétrico para provocar coalescência; –troca das características físicas da emulsão. Ainda Kokal (2002) lista quatro métodos para quebra de emulsão de petróleo, conforme segue: Método térmico – Baseado em que um aumento na temperatura reduz a viscosidade do óleo e aumenta a taxa de decantação de água. Este método tem como desvantagem: o aumento do custo pela necessidade de calor, aumento da perda dos leves e do grau APIº do óleo e o aumenta da tendência para a corrosão e deposição de incrustações. Método mecânico – É utilizado para separação de água livre de emulsão. Basicamente atua na separação gravitacional (Tanque de decantação, Tanque de água livre e separadores de duas e três fases são exemplos). Método elétrico – A desidratação elétrica está baseada no fato de que as gotículas de água possuem carga elétrica e que elas se movem colidindo umas com as outras quando um campo elétrico é aplicado. A desidratação elétrica é raramente usada sozinha como método de Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 78 quebra de emulsão. Geralmente é utilizada com produtos químicos e calor favorecendo a redução dos custos do processo. Método químico – É de longe o mais comum método de tratamento de emulsões. Os desemulsificantes são formulados para neutralizar o efeito do agente emulsificante contido no petróleo, o qual estabiliza a emulsão formada pela mistura óleo-água. Esses produtos químicos quando adicionados à emulsão migram para a interface óleo-água e rompem ou enfraquecem o filme rígido que separam as gotículas, promovendo a sua coalescência. Uma ótima aplicação do método requer: –seleção e quantidade adequada do produto desemulsificante para uma dada emulsão; –adequada mistura do produto na emulsão; –tempo de retenção suficiente para a decantação das gotas de água; –adição de calor, campo elétrico, coalescedores, etc. No tratamento químico utilizado na indústria do petróleo o desemulsificante é selecionado através de ensaios de laboratório, sendo o mais utilizado o Teste da Garrafa. A partir do meio da década de 80 (oitenta) a concentração de desemulsificante no petróleo reduziu para uma faixa entre 5 ppm e 20 ppm, utilizando produtos à base de aminas de poliéster e combinações sinérgicas. (ÍNDIO DO BRASIL E AZEVEDO FILHO, 2002). O aquecimento é uma forma auxiliar eficaz no tratamento das emulsões, dado que são conseguidos vários efeitos, em destaque: a redução da viscosidade do óleo o que propicia aumento da sedimentação e a dilatação das gotículas, gerando enfraquecimento da película emulsionante e conseqüente aumento da coalescência. Embora a elevação de temperatura seja eficiente para promover a separação dos fluidos, os custos de investimento e de operação são elevados. Eles aumentam muito para temperaturas mais altas. Assim, o uso de temperaturas menos elevadas associadas a outros métodos são quase sempre mais vantajosas, (ÍNDIO DO BRASIL E AZEVEDO FILHO 2002). Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 79 O calor necessário para o processo de separação segue os mesmos princípios orientados por Vieira (1986) e Soares (1987) citados no item 3.3.4–armazenamento de óleo. 3.3.3 Tratamento da Água Produzida A água produzida é a água trazida com o hidrocarboneto durante a extração do óleo e gás e pode incluir: a água naturalmente presente nos reservatórios; a água de injeção com os aditivos para a separação óleo-água e os aditivos químicos adicionados nas operações de intervenção no poço. A quantidade de água produzida associada ao óleo varia muito em função do estágio de produção da bacia, podendo alcançar valores da ordem de 5% em volume, no início da produção, ou até mesmo atingir valores bastante próximos de 100% ao fim da vida econômica do poço. Há dois tipos de processos para remover óleo da água produzida. Um é baseado na diferença de massa específica entre a água produzida e o óleo disperso e o outro que utiliza a filtração ou coalescência (BANSAL E CAUDLE 1998). O tratamento da água produzida também se realiza em grandes tanques flotadores, baseados na separação gravitacional. A estabilidade maior da emulsão produzida– durante as etapas anteriores e devido principalmente ao seu envelhecimento– torna necessário um maior esforço para tratá-la. Gonzalez et al (2002)– reconhecendo que a quebra da emulsão da água produzida e sua purificação para descarte são etapas difíceis devido à estabilidade dessas emulsões, e que isso representava uma importante conquista para a indústria do petróleo– realizaram experimentos laboratoriais visando avaliar a eficiência de quebra dessas emulsões utilizando polieletrólitos. Nesse trabalho concluíram os autores que quando um determinado polieletrólito é eficiente para a separação óleo-água este gera sólidos residuais, e quando os sólidos não são gerados, caso dos polieletrólitos não-iônicos, o óleo não se separa. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 80 Os mesmos Bansal e Caudle (1998) estudando o tratamento de água produzida constataram que a operação eficiente das unidades de flotação requer o uso de vasos de repouso, antes da unidade. Esses vasos são tanques grandes para permitir um ambiente com baixíssima velocidade de escoamento, adequado para a separação da emulsão. A flotação pode ser classificada como convencional ou a gás. Na primeira, a separação ocorre por diferença de densidade; na segunda, pela introdução de um fluxo de gás na massa líquida, (AZEVEDO FILHO E SOUZA FILHO 2002). A flotação convencional funciona baseada na separação gravitacional cujo tempo de retenção varia de 2horas a 6horas. A água contendo traços de óleo fica residente no tanque o tempo suficiente para que as partículas de óleo– por diferença de densidade– sejam carreadas até a superfície formando uma película de óleo. A drenagem da água ocorre pela parte superior do equipamento. Em algumas unidades de produção pode ser necessária a filtração da água para atender aos requisitos de qualidade para ser injetada no reservatório local. Segundo Índio do Brasil e Azevedo Filho (2002), os problemas associados à presença da água salgada no petróleo são: a necessidade de superdimensionamento das instalações de coleta, armazenamento e transferência; o maior consumo de energia; a redução na segurança operacional e ambiental; pois devido à presença de microorganismos, os sais dissolvidos e os gases aumentam os riscos de corrosão nas tubulações e demais equipamentos. Bansal (1993) estudou os efeitos dos fluidos não-produzidos na eficiência dos equipamentos de tratamento. Concluiu que os surfactantes e os sólidos molhados por óleo podem aumentar muito a estabilidade das gotas de óleo e, portanto, são responsáveis pela redução na eficiência desses equipamentos de separação. Propôs também que o controle da reciclagem desses fluidos no processo era a opção mais prática e efetiva para lidar com o problema. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 81 A emulsão formada pelo ácido gasto retornando ao fluxo de produção causa a precipitação de sólidos devido à incompatibilidade dos aditivos com os fluidos dos poços (HEBERT et al, 1998). Hebert et al (1998) avaliando as opções para tratamento dos fluidos não-produzidos reforçaram a necessidade de otimização das atividades de estimulação de poços e listaram as opções preferidas para manusear com os fluidos ácidos de retorno, conforme segue: –disposição no mesmo local por injeção em poço de sub-superficie; –transporte para outro local para injeção em poço de sub-superficie, ou disposição comercial; –tratamento no local para reduzir o teor de óleos e graxas e recombinação com a água existente para injeção em poços, ou descarte direto. Brown (1999) relatou que o método tradicional para lidar com problemas de fluidos não-produzidos era adicioná-los lentamente ao sistema de tratamento de óleo e aumentar a adição de produtos químicos. Outra opção era injetar esses fluidos em poços de descarte. Após o tratamento da água é adicionado seqüestrante de oxigênio na dosagem de 8 ppm para cada 1 ppm de oxigênio dissolvido na mesma. O aditivo utilizado é à base de sulfito de sódio. 3.3.4 Armazenamento do Óleo O armazenamento do óleo ocorre após o tratamento e tem como finalidade prover volume pulmão para a estação otimizar a transferência. O armazenamento do petróleo requer calor para reduzir a viscosidade do óleo e assim permitir o seu bombeamento. (SPIRAXSARCO 2005b). Schuster e Irani (1984), estudando a estocagem e transferência de óleos parafínicos, já Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 82 percebiam que significante quantidade de calor e hidrocarbonetos voláteis poderia ser salva quando a temperatura do tanque de estocagem era reduzida. Vieira (1986), estudando o aquecimento e armazenamento de óleos e outros líquidos, concluiu que na prática o calor necessário ao aquecimento de um fluido dentro de um tanque é a soma das perdas por radiação nas piores condições de trabalho mais o calor necessário – numa determinada velocidade de aquecimento – para alcançar a temperatura desejada. O calor necessário para elevar a temperatura do conteúdo do tanque é calculado pela equação 09. Q2 = m × C PP × ( TF − TI ) Equação 09 Onde: Q 2 = Quantidade de calor necessário para o aquecimento (kJ). m = massa do produto (kg). C pp = Calor específico do petróleo (kJ / °C). T F = Temperatura final (°C) T I = Temperatura inicial (°C) O calor específico utilizado para o cálculo do calor necessário para aquecimento do petróleo varia com a temperatura e a densidade, conforme visto na equação 10. (PERRY 1997) C PP = A ÷ d15 + B( To − 15 ) Equação 10 Onde: Cpp = Calor específico do petróleo (cal / g. º C) A = 0,415 e B = 0,0009 3 d 154 = Densidade do óleo (g/cm ) To=temperatura do óleo (ºC) O cálculo do calor necessário para aumento de temperatura é direto. No entanto, o cálculo das perdas de calor é mais complexo, e usualmente dados empíricos ou tabelas baseadas em várias considerações têm que ser levados em conta. (SPIRAXSARCO, 2005b). Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 83 A perda de calor pela superfície quando o tanque é colocado sobre o solo usualmente é desprezível. (SPIRAXSARCO, 2005b). Vários autores apresentaram trabalhos propondo coeficientes globais de transferência de calor para tanques de petróleo e outros equipamentos aquecidos (Nunes e Lavaquial 1971; Vieira 1986; Spiraxsarco 2005b), o mais recente, apresenta uma compilação de dados para diversas situações conforme Tabela 02 a seguir. Tabela 02 – Coeficientes globais de transferência de calor para tanques de petróleo. Posição do tanque ∆T entre o óleo Coef. de transferência de calor em W/m2/ºC e o ar. Não isolado Isolado Até 10ºC 6,8 1,7 Tanque abrigado Até 27ºC 7,4 1,8 Até 38ºC 8,0 2,0 Até 10ºC 8,0 2,0 Tanque exposto Até 27ºC 8,5 2,1 Até 38ºC 9,1 2,3 Tanque enterrado Todas 6,8 Retirado de Spiraxsarco (2005b, p. 4). O armazenamento de petróleo parafínico é sujeito a deposição das frações pesadas no fundo do tanque. Esses depósitos provocam: a redução do volume útil do equipamento, o bloqueio das linhas de sucção do petróleo, a perda do produto, além do aumento dos custos de remoção e tratamento dos resíduos gerados. Esses compostos são essencialmente: mistura de hidrocarbonetos (n-parafina) de cadeias longas com faixa de C15 a C75+ e de natureza cristalina que tendem a precipitar de óleos crus abaixo de seu ponto de névoa. (HAMMAMI E RAINES 1999). O ponto de nevoa é definido como a temperatura na qual o conteúdo de parafina do óleo começa a solidificar e formar cristais, fazendo o petróleo ter uma aparência fosca e sem brilho. (API 2001). Shaheen, Ibrahim e Raoul (1999) estudaram a deposição de parafinas e identificaram os fatores que a influenciam como sendo internos e externos. Os fatores internos são: o tipo de Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 84 óleo (leve ou pesado) e a viscosidade; os fatores externos são: a variação de temperatura e o tempo de mobilização parcial ou total. Esses fatores atuam como catalisadores da deposição das parafinas no fundo dos tanques. Mc Claflin e Whitfill (1984) classificaram os métodos para lidar com os depósitos de ceras e parafinas em quatro categorias: mecânicos, térmicos, químicos e combinados. Garcia (2001), por sua vez, divide esses métodos em duas categorias. Os de remoção: mecânico, térmico e químico; e os de prevenção: dispersantes e modificadores de cristalização. Esta visão de Garcia já orienta para a PmaisL, vez que prevê a opção de evitar a geração do resíduo de fundo de tanque, considerando a possibilidade de redução custos. Garcia (2001) realizou estudo visando o uso de agentes químicos inibidores de deposição de parafinas em vários tipos de óleos crus com variados graus API e identificou que é possível reduzir o ponto de fluidez de alguns óleos entre 3ºC e 18ºC de acordo com a composição do óleo. Salientou, porém, que são necessárias soluções especificas para cada campo ou mesmo para cada poço de petróleo. Sadeghazad e Ghaemi (2003) discutiram os mecanismos de deposição de borras de petróleo em tanques, nos poros da rocha reservatório, ou mesmo nas linhas de produção. Os autores estudaram a deposição de parafinas e os mecanismos de biodegradação; e demonstraram que é possível a utilização de microorganismos ou materiais enzimáticos para a degradação das parafinas depositadas. A degradação se realiza pela quebra das moléculas maiores das parafinas produzindo compostos químicos com cadeias menores que atuam como solvente, promovendo a solubilização das parafinas. Os microorganismos testados para o propósito de reduzir a deposição de parafinas foram as Pseudomonas Aeruginosas, Bacilus Subtillis, Bacilus Licheniformis e suas misturas. O B. Licheniformis foi o que apresentou a maior redução de densidade e viscosidade. Existem vários trabalhos procurando controlar a deposição de parafinas no processo de produção. Estudos de Ahn et al (2005) identificaram que com a adição de desemulsificante adequado é sempre possível eliminar a deposição de parafinas, pelo menos num curto período Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 85 de tempo. Verificaram adicionalmente que ocorre redução nos depósitos de parafinas quando aumenta a velocidade do fluido e o cisalhamento. O armazenamento do óleo, além de atender aos requisitos operacionais, está relacionado ao processo de medição fiscal para transferência, estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo–ANP, órgão regulador da atividade petrolífera no Brasil, (BRASIL 2000). Assim modificações no processo que afetem a sistemática de medição do óleo nas estações necessitam de aprovação do citado Órgão. A Portaria Conjunta nº 1, de 19 de junho de 2000, emitida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO, estabelece algumas regras para a localização dos pontos de medição, como transcrito no item 5.3, daquele documento, conforme abaixo. No caso da Estação B a medição fiscal ocorre nos tanques de armazenamento. “os pontos de medição fiscal de produção de petróleo devem localizar-se imediatamente após as instalações de separação, tratamento e tancagem de produção, e antes de quaisquer instalações de transferência processamento, estocagem em estações, transportes ou terminais marítimos.” Com relação à medição fiscal em tanques a referida Portaria estabelece em seu item 6.1.7.1 a necessidade de que o tanque esteja selado quando da realização da medição. “... durante o ciclo de enchimento, as válvulas de saída de petróleo de tanques para o ponto de medição devem estar fechadas e, no caso de medição fiscal, devem estar seladas.” 3.3.5 Geração e Distribuição de Vapor O sistema de geração e distribuição de vapor tem como função converter a energia química de um combustível em energia térmica e disponibilizá-la nos diversos pontos de consumo dentro de uma instalação de produção. Para viabilizar esse propósito a energia térmica é armazenada sob a forma de vapor, o qual pela versatilidade e multiplicidade de usos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 86 é o fluido de aquecimento indireto mais utilizado nos processos industriais. Um sistema de geração de vapor consiste de duas principais unidades: o gerador de vapor ou caldeira e o circuito de carga. (BHATT 1999). Soares (1987) considerava o sistema de vapor como constituído de gerador de vapor, rede de distribuição, o equipamento utilizador, o vapor de reevaporação e, ainda, o aproveitamento do condensado. Neste sistema a caldeira é o coração do processo. Nela é produzido o vapor de água à pressão acima da atmosférica utilizando o calor produzido na câmara de combustão. As caldeiras podem ser classificadas de acordo com as suas características de serviço, tais como: a finalidade, fonte de aquecimento, conteúdo nos tubos, princípio de funcionamento, pressão de serviço e tipo de fornalha. As que produzem vapor pela queima de combustíveis são classificadas em dois grandes grupos, conforme o conteúdo nos tubos: flamotubulares e aquatubulares. (PETROBRAS 2004c). Bega (1989) identifica basicamente dois tipos de caldeiras em função do seu desenho: as caldeiras fogotubulares, ou tubos de fogo, que trabalham a pressão aproximada de até 150psig. Outro tipo de caldeira é o aquatubular, ou tubos de água. Neste segundo tipo de equipamento a água flui dentro de tubos, enquanto o gás aquecido, dentro de um invólucro, transfere calor para a água. Esses equipamentos são utilizados para gerar vapor de alta pressão. Nas caldeiras flamotubulares os gases quentes da combustão circulam no interior de tubos que atravessam o reservatório de água a ser aquecida para produzir vapor. Os tubos são montados como nos permutadores de calor, com um ou mais passes. Existem vários tipos de caldeiras flamotubulares, dentre os quais se destacam a vertical e a horizontal. Nas caldeiras aquatubulares a água a ser aquecida passa no interior de tubos que, por sua vez, são envolvidos pelos gases de combustão. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 87 Garcia–Borras (1983) salienta que as caldeiras fogotubulares são as mais populares, sendo utilizadas em pequenas plantas industriais. As vantagens desse tipo de equipamento é a sua elevada eficiência, acima de 80%. O DOE (2002) afirma que esses equipamentos têm como vantagem, além da eficiência, a durabilidade. Ozdemir (2004) após realizar pesquisa visando identificar os parâmetros críticos para o desempenho de caldeiras verificou que embora a performance dos queimadores seja crítica para a eficiência, este não é um parâmetro operacional no mesmo sentido que o excesso de ar. Conclui o pesquisador que uma ótima eficiência de combustão de caldeira envolve o controle do excesso de ar suprido. A eficiência da caldeira pode ser aumentada em 1% para cada 15% de redução no excesso de ar: ou 1,3% de redução no teor de oxigênio. O mesmo Ozdemir mostra que as perdas de energia numa caldeira surgem de cinco categorias principais: Calor perdido da chaminé pelos gases de saída secos (excluindo vapor d’água); Calor perdido da chaminé pelo vapor d’água quente, incluindo ambos o calor sensível e o latente; Combustível não queimado e produtos de combustão incompleta; Perdas de calor da estrutura da caldeira através do isolamento; Calor perdido pela purga da caldeira. Franchi (1987) listou os pontos de perdas nos sistema de geração de vapor (caldeiras), relacionando as respectivas causas, conforme Quadro 03, a seguir: Quadro 03– Pontos de perdas em caldeira. Pontos de perda Causa Perdas na combustão Perdas por radiação Perdas em purgas, drenagens, vents, etc.. Perdas por diluição (excesso de ar) Combustão incompleta Construção da unidade - Isolamento Qualidade da água Estanqueidade; Concepção das caldeiras. Perdas por excesso na temperatura nos gases de Concepção da unidade (Falta de précombustão. aquecedor para recuperação) Perdas por bombeamento de ar (ventiladores) Concepção construtiva Perdas bombeamento de água Concepção construtiva Construção própria –Adaptado de (Franchi 1987) Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 88 O sistema de distribuição de vapor é outro elemento de importância fundamental numa instalação industrial, sendo o responsável por conduzir a energia do vapor até o equipamento que irá realizar o processo industrial. Deve estar adequadamente dimensionado de modo a propiciar o seu máximo aproveitamento e assim, evitar perdas. Este dimensionamento pode ser realizado por critérios de perdas de carga nas linhas ou pela velocidade do vapor. Tanto em um quanto no outro se requer o conhecimento do nível de pressão ótima para o produto que está sendo aquecido ou processado. Pagy (1986) considerava que o nível ótimo de pressão de vapor para o aquecimento de óleos deve situar-se entre (3.0 e 3.5)kgf/cm2. Justificava que temperaturas equivalentes acima desses níveis de pressão propiciam a decomposição do óleo e a sedimentação das frações pesadas. Soares (1987) compartilha com a idéia, mas considera o nível ótimo de pressão em 3.0 kgf/cm2. 3.3.5.1–EFICIÊNCIA DE CALDEIRAS A caldeira como sendo o gerador de vapor é a responsável direta pela conversão da energia química do combustível em energia térmica do vapor. Por isso precisa ter a sua eficiência conhecida e otimizada de modo a produzir os melhores resultados. (Garcia-Borras 1985; Ozdemir 2004) estabelecem a eficiência de uma caldeira pela medida da habilidade desta em produzir vapor de um dado suprimento de combustível. Esta eficiência varia com o desenho, carga, idade do equipamento e vários outros fatores. Cleaver-brooks (2004) afirma que para as caldeiras industriais há quatro definições de eficiência, mas apenas uma é considerada verdadeira: a conhecida eficiência combustível– vapor. Ela pode ser medida de duas maneiras. A primeira, considerando a razão entre a quantidade de calor do combustível queimado e a quantidade de calor existente no vapor produzido, multiplicado por 100. A segunda utiliza o balanço de calor adicionado pelo combustível e considera a temperatura da chaminé e subtrai as perdas do sistema; excesso de ar, radiação e convecção. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 89 Segundo Magalhães (1987) a eficiência das caldeiras pode ser medida com a seguinte equação: η c = Qv × ( H V − H AA ) ÷ C × PCS Equação 11 Onde: η = Eficiência da Caldeira Qv = vazão de vapor (kg/h) Hv= Entalpia do vapor (kJ/kg) HAA= Entalpia da água de alimentação em (kJ/kg) C= Consumo de combustível (kg/h) PCS= Poder calorífico superior do combustível (kJ/kg) Melhorar a eficiência das caldeiras é fundamental para a redução de custos e minimização de uso de recursos naturais, principalmente combustíveis e água. Os métodos para melhorar a eficiência das caldeiras são classificados em dois grupos, de acordo com a necessidade de recursos financeiros: sem custo ou novo capital; e com custo e/ou equipamento adicional. (GARCIA-BORRAS 1985) 3.3.5.1.1–MÉTODOS SEM INVESTIMENTO Entre os principais métodos sem investimento são citados os seguintes: Redução do excesso de ar. O excesso de ar de uma caldeira influencia fortemente a eficiência, porque quanto maior o excesso de ar menor é a eficiência. O excesso de ar recomendado pelo mesmo autor é de 10% para gás natural (equivalendo a 2.2% de O2 no gás da chaminé) sendo que o controle de concentração de CO feito com sensor infravermelho deve ser de (150 a 250) ppm. Outra Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 90 maneira de medir o excesso de oxigênio é utilizar analisadores de CO portáteis. Neste caso a freqüência de medição recomendada é semanal. Redução da temperatura dos gases de saída. A alta temperatura da chaminé indica que calor está sendo perdido para o ambiente. A temperatura deve ser mais baixa quanto possível sem causar corrosão por deposição de partículas líquidas de ácido no metal da chaminé. A USEPA(2001a) recomenda que a temperatura de chaminé deve ser de 50ºF (10ºC) a 100º F (37,8°C) acima da temperatura do vapor saturado produzido. A temperatura da chaminé deve ser medida imediatamente após o serviço de limpeza. Este valor deve ser usado como referência. O aumento de temperatura de chaminé acima dessa referência é indício da necessidade de ajustes na razão ar/combustível ou limpeza dos tubos da caldeira. Redução na pressão caldeira. Esta ação representa um potencial de ganho de 1% para cada 70 psig a menos. Se o serviço que usa o vapor não é prejudicado pela menor pressão deve-se proceder a esta redução, pois oferece ganhos financeiros e ainda redução de perdas na caldeira e por vazamentos nas tubulações. Redução de descarga de fundo. As descargas de fundo são necessárias para evitar entupimentos das caldeiras por sólidos presentes na água de alimentação. A alcalinidade e o teor de sólidos devem ser verificados para ajustar a quantidade de descarga necessária para correta operação do equipamento. Parar os vazamentos de vapor. Vazamentos de vapor podem ser responsáveis por grandes volumes perdidos. Isso é devido a que a perda é continuada. Para uma pressão de operação de caldeira de 100psig Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 91 um furo com diâmetro de ¼” pode resultar numa perda mensal de 210.000 libras. Parar vazamentos por purgadores de condensado. Os purgadores são equipamentos responsáveis pela eliminação do liquido condensado do sistema de distribuição de vapor, mantendo a eficiência do mesmo. Os cuidados de manutenção e operação devem ser rotineiros, de modo a propiciar os reparos quando detectados problemas. 3.3.5.1.2 –MÉTODOS COM ALGUM INVESTIMENTO. Entre os métodos com algum investimento são citados os seguintes: Reduzir “Scale” e depósitos no lado da água. “Scales” ou incrustações de sais inorgânicos nas paredes das tubulações e depósitos reduzem a transferência de calor, pois esses sais têm baixa condutividade térmica. Com a redução da transferência de calor, aumenta a perda para os gases de combustão, reduzindo o assim aproveitamento do processo. Aumentar a temperatura do ar de combustão. O uso de recuperadores de calor para o pré-aquecimento do ar de combustão reduz o calor necessário para que a mistura combustível atinja a temperatura ótima de queima, assim aumentando a eficiência da caldeira. Reduzir perda de calor na caldeira, vapor e válvulas. Calor é perdido por radiação e convecção através das paredes da caldeira e tubulações e válvulas não isoladas, ou com baixa isolação. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 92 Recuperar energia do condensado. O condensado ainda contém um considerável aporte energético que precisa ser aproveitado. A sua perda significa desperdício de energia e ainda de água. Justificando, portanto, projetos para a sua recuperação. A USEPA (2001a) defende que a mais eficiente alternativa para a recuperação de condensado é retorná-lo diretamente para a caldeira. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 93 4. METODOLOGIA O trabalho objetivou a avaliação de um sistema de produção de petróleo utilizando os critérios da PmaisL, a qual foi balizada pelas metodologias existentes: (UNEP 1996; CNTL 2003; CEBDS 2004). A partir dos princípios técnicos da PmaisL e do conhecimento do processo de produção de petróleo, foi desenvolvido o trabalho seqüenciando as etapas técnicas necessárias à aplicação da metodologia, conforme segue: 1–Avaliação do processo produtivo, considerando os seguintes aspectos: coleta de dados e informações registradas em diversos documentos da empresa sobre compras de produtos químicos, contratos de prestação de serviços e contas de energia elétrica. A análise desses documentos permitiu conhecer os gastos com as entradas de insumos, tais como: água, energia elétrica e quantidade de resíduos sólidos; Pesquisa de dados bibliográficos em periódicos, principalmente o Society of Petroleum Engineer-SPE, em livros e “sites” especializados da Internet contemplando a experiência de outras empresas na prevenção da poluição, com ênfase na busca de artigos sobre processo de produção de petróleo e minimização de resíduos; Consulta ao pessoal técnico especializado em assuntos inerentes ao projeto e a operação das instalações de produção de petróleo, quanto a detalhes do processo; Visita às instalações da Estação objeto do estudo e realização de entrevistas com operadores e supervisores para coleta de dados sobre os procedimentos e tarefas do processo; Análise de procedimentos de execução das tarefas realizadas na estação; Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 94 Acompanhamento das operações realizadas na unidade de produção. 2–Levantamento da quantidade de resíduos gerados por cada processo, utilizando dados históricos disponíveis na instalação ou dados de instalações e equipamentos semelhantes dentro da Unidade. 3–Medições de temperatura nos tanques de coleta de armazenamento e lavador, nos poços e nas carretas de óleo na estação, utilizando um termômetro de contato digital de Marca TESTO modelo 925, TAG: TD-01. 4–Medições de temperatura na superfície do óleo no interior do tanque de emulsão, utilizando um termômetro infravermelho com mira a laser de Marca RAYTEK ST modelo 60XT com precisão de 1% e faixa de temperatura de -32ºC a 600ºC. 5–Estimativa do consumo de vapor para a operação de descarregamento de carretas de óleo e tanque de emulsão, por balanço de massa e energia. 6–Elaboração de fluxogramas nos três níveis do processo: global, intermediário e específico, com os resíduos gerados, as matérias-primas e os produtos fabricados, mostrando a interrelação de todos os processos. Identificação dos processos ou tarefas/atividades críticas da atividade em destaque utilizando os critérios da PmaisL. 7–Elaboração do balanço de massa e energia para os processos em estudo, contemplando todas as entradas e saídas nos processos críticos ou priorizados na etapa anterior. 8– Priorização dos processos para análise e aprofundamento com relação aos critérios de PmaisL: quantidade de resíduos e custos de gerenciamento; problemas identificados na visita à instalação; importância do processo pelo diagrama da cebola. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 95 9-Estabelecimento de indicadores de consumo de insumos e produção de resíduos para comparação futura na mesma atividade, ou com outras atividades semelhantes, ou com outras empresas, utilizando os dados coletados. 10– Identificação dos custos relacionados às perdas, utilizando os mesmos para justificar os investimentos em alternativas de PmaisL. 11–Análise das causas de geração de resíduos utilizando o diagrama de causa e efeito e considerando a possibilidade de eliminação de uso do recurso. 12–Elaboração de propostas para reduzir ou prevenir perdas de material e energia, utilizando os conceitos de PP ou PmaisL e levando em conta: Informações na literatura Conhecimento técnico do pessoal da planta Exemplos semelhantes em outras companhias Informações de Bancos de dados especializados sobre a atividade de E&P. 13–Avaliação técnica, ambiental e econômica de cada proposta de minimização de consumo de matérias-primas, insumos e geração de resíduos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 96 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO A otimização ambiental de um processo produtivo com os critérios da PmaisL está sustentada em metodologias de PmaisL disponibilizadas por organizações de reconhecida credibilidade. Na metodologia proposta para este trabalho, conforme Figura 15, a avaliação prévia exerce importância crucial e a partir dela é construída a avaliação do processo produtivo. As etapas desenvolvidas posteriormente foram reduzidas a apenas oito, porém mantendo a mesma consistência técnica e objetivo das metodologias originais. As informações do processo coletadas nas visitas à instalação permitiram orientar os esforços para as etapas subseqüentes, de modo que o objetivo seja alcançado na Avaliação Técnica, Econômica e Ambiental–ATEA das propostas de minimização. A avaliação prévia exerce portanto, um papel de sustentação para as demais etapas, sendo por isso de grande valia que ela se desenvolva, considerando todo o aporte de conhecimento do processo produtivo objeto do estudo. As etapas seguintes se caracterizam pelo uso de ferramentas técnicas de análise de processos, cientificamente comprovadas, e, orientam os esforços empreendidos durante a otimização. Trazendo a PmaisL para um modelo piramidal, Figura 15, a etapa de avaliação prévia ocuparia a base da pirâmide e as seguintes estariam conseqüentemente nela apoiadas, representando assim um processo gradativo de incorporação de informações, através das ferramentas técnicas para tomada de decisão. Neste modelo, a avaliação técnica, econômica e ambiental ocuparia o ápice da pirâmide, sendo portanto a etapa final que se materializa como resultado obtido com a aplicação da metodologia de PmaisL Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 97 A.T.E.A Propostas PML Causas das perdas Indicadores Foco e priorização Custos das Perdas Balanço de massa e energia Diagrama de fluxo Pré avaliação Figura 15– Pirâmide da PmaisL A seguir estão apresentadas as etapas da avaliação de um sistema de produção de petróleo, bem como discutidos os resultados obtidos. 5.1 PRÉ –AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE PRODUÇÃO Conforme visto em 2.4.1–Pré-avaliação do sistema de produção, esta é a etapa em que se realiza a visita às instalações e são coletados os dados necessários para levar a cabo a avaliação do processo sob os critérios da PmaisL. Nesta etapa foram identificadas as entradas e saídas do processo, bem com acompanhadas a realização das operações de produção em campo, além de tomadas medidas de parâmetros necessários à elaboração do balanço de massa e energia e aos demais itens necessários à avaliação. Nos itens seguintes estão contidos o detalhamento e as constatações verificadas em campo, para os tópicos necessários a uma pré-avaliação de um processo produtivo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 98 5.1.1 Descrição do processo produtivo A estação B foi estruturada para coletar a emulsão oleosa ou petróleo cru do próprio campo: Fazenda Araras e o dos vizinhos: Fazenda Sal–FS; Fazenda Espera–FE; Fazenda Azul–FA, Fazenda Rio Sul–FRS e Fazenda Maria–FM, por dutos, e ainda receber a produção de campos afastados, por carretas. O petróleo, após passar pelo processamento primário e estando estabilizado, é enviado para um Parque armazenamento, e, em seguida, para a Refinaria. O gás natural separado é comprimido e destinado para a Unidade de Processamento de Gás Natural–UPGN. A água produzida, após o tratamento por flotação, é utilizada para injeção no reservatório produtor para manutenção de sua pressão, ou, quando não atinge os níveis de qualidade adequados é injetado em um reservatório não produtor, com a função de descarte. A Figura 16 apresenta o fluxograma do processo da Estação B . Satélite Compressão Oleo=1473556t Gás POÇOS 5562t TQ. OLEO 3 x 5000 bbl 42000 bbl Óleo 232273 t TQ. DE LAVAGEM Oleo=88107,8t TQ FLOTADOR TQ. DE Inibidor de Incrustação – 0,72 l/h Desemulsificante – 1,89 l/h TQ. AGUA DECANTAÇÃO PRODUZIDA AGUA EMULSAO Caixa de descarregamento TQ. PRODUZIDA 4 x 5000bbl Petróleo cru Corrente Óleo Corrente gasosa Corrente aquosa Figura 16– Fluxograma de processo da estação B 2000 bbl 5000 bbl Água de injeção 1348400 t Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 99 Este fluxograma apresenta uma simplificação do processo de produção de petróleo, com os volumes processados, as capacidades volumétricas dos equipamentos da instalação e também as quatro correntes de processo: multifásica, oleosa, aquosa e gasosa. A coleta de petróleo é realizada tanto por linhas de 2 e 3 polegadas de aço-carbono, compondo o sistema de coleta convencional, como por carretas-tanque. As linhas de coleta por estarem submetidas a baixas pressões não rompem, portanto, quando vazamentos acontecem são causados por pequenos orifícios provocados por corrosão externa, ou menos freqüentemente interna, e, eventualmente, por falha de material. O óleo coletado pelas linhas de produção entra na Estação através do “manifold”,– conjunto de linhas conectadas a um duto central perpendicular a elas– passa por separadores gás-líquido, sendo a corrente gasosa enviada para compressão. O gás residual na corrente líquida é recuperado em um separador gás-líquido com remoção de gás por um compressor de baixa pressão de sucção, denominado “gás-boot”. A corrente líquida é enviada para o tanque de lavagem para separação óleo-água. O óleo recebido por carretas é enviado para dois tanques de emulsão com 2000 barris (um com aquecimento e outro sem). Do tanque de emulsão, o óleo é bombeado para o “gasboot” e incorporado a corrente líquida que segue para o tanque lavador. O tanque de armazenamento de emulsão não tem revestimento isolante e nem controle de temperatura. A bomba tem sua vazão ajustada entre (10 e 30)m3/h de modo a propiciar a transferência do óleo recebido durante o dia para o tanque de lavagem, sem provocar esvaziamento total do tanque de emulsão. O processo de descarga de carretas de óleo consome, segundo estimativa operacional, 20% do vapor gerado na instalação. Tecnicamente, a operação de descarga de óleo já é bastante avançada, pois as carretas dispõem de um conjunto de serpentinas internas para a distribuição de calor nos tanques de transporte. O vapor promove o aquecimento do óleo reduzindo a sua viscosidade e, assim, aumentando a eficiência de descarregamento do produto. Este sistema, porém, apresenta perda energia e água, pois o condensado produzido é inteiramente descartado para a corrente de águas industriais. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 100 5.1.1.1–Descarregamento de carretas. A coleta de petróleo está inserida no procedimento denominado-Receber petróleo, o qual contempla várias etapas, quais sejam: receber petróleo por carreta; receber petróleo por carro sugador; receber petróleo por linhas de produção. (PETROBRAS 2004b). A coleta de petróleo por carretas atende a produção de poços afastados do sistema de coleta por dutos e aos poços cuja viscosidade do óleo não permite o seu escoamento até a Estação. Este processo envolve desde o carregamento do óleo nos tanques de armazenamento temporário na área dos poços – o que é feito por gravidade – até a transferência por bombeamento deste óleo para o tanque lavador com aquecimento, passando pelo descarregamento das carretas na Estação, o que também é feito por processo gravitacional. O número de carretas que utiliza vapor para o descarregamento na Estação está apresentado na Tabela 03 a seguir. Essa tabela foi construída utilizando dados coletados ao longo de três meses de operação, no Boletim de Registros, extrapolando o resultado para todo ano (PETROBRAS 2004d). O volume total descarregado na Estação é a multiplicação do volume do tanque da carreta pelo número de carretas no período. Tabela 03– Carretas recebidas na Estação B Poço Volume carretas (m3) FE-XII FE-XI FE-X FS-X FRS-X Média Desvio Padrão 35 35 35 35 30 Total Total carretas Volume total Descarregado(m3) N° de carretas transportadas por mês Set Out Nov 20 37 25 15 18 5 12 12 7 8 12 9 55 59 58 22 27,6 20,8 19 20 22 82 38 31 29 172 2870 1330 1085 1085 5160 110 352 11530 138 104 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 101 Além do aquecimento do óleo para descarregamento das carretas, o vapor é necessário para aquecer o óleo recebido no tanque de emulsão. Este aquecimento visa manter a fluidez do óleo, de modo a permitir sua transferência para o tanque lavador por bombeamento. O tanque de emulsão não dispõe de isolamento térmico e não há controle de fluxo de vapor. Deste modo o vapor é continuamente inserido no tanque, independentemente de haver necessidade de calor. A adição de vapor no tanque de emulsão sem controle, propicia a elevação excessiva da temperatura do óleo desperdiçando energia, já que o calor é transferido para o ambiente. O armazenamento de emulsão ocorre em ciclos de enchimento e esvaziamento. Na etapa de enchimento acontece a elevação do nível do tanque, o que corresponde a menor temperatura e ao turno vespertino se estendendo até a noite. Por outro lado o nível mais baixo do óleo no tanque coincide com a madrugada, se estendendo até a manhã do dia seguinte e apresenta a maior elevação de temperatura, correspondendo a conclusão da transferência da mistura óleo-água para o tanque lavador. Neste estágio, a elevação de temperatura e a perda de calor atingem o seu ponto máximo. A Tabela 04, a seguir, mostra as temperaturas medidas nesse tanque, pela manhã, durante três dias e antes do recebimento de óleo de carretas, portanto na situação de maior elevação de temperatura. Essas medições permitiram calcular o excesso de calor perdido para o ambiente pelo tanque. Tabela 04 Temperaturas máximas no tanque de emulsão Medição 1 2 3 média Temperatura(ºC) 82 80 75 79 A temperatura para manter a fluidez do óleo é de apenas 37ºC, o aquecimento em mais 5ºC é suficiente para manter o óleo fluido em condição de bombeamento para o tanque lavador. A temperatura acima de 42ºC é excessiva para o processo e implica em perda de calor. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 102 Na Tabela 05, a seguir, estão apresentadas as medições de temperatura utilizadas para avaliar o consumo de vapor no aquecimento do tanque de emulsão. Tabela 05– Cálculo de consumo de vapor no tanque de emulsão Medição 1 2 3 média ∆Temperatura(ºC) ∆tempo(s) Taxa de injeção do vapor(kg/s) 5,8 1210 0,18 6,0 1200 0,19 6,2 1220 0,19 6,0 1210 0,19 As medições de taxa de injeção de vapor nesta tabela utilizaram o balanço de energia dado pela equação 07, no qual a taxa de aquecimento de óleo é igual à taxa de calor fornecida pelo vapor, usando os seguintes dados: Hsv= entalpia especifica de evaporação do vapor a 65psia 2110,9 kJ/kg Mfl=massa do fluido sendo aquecimento 25,7t Cpp=calor específico do petróleo (valor médio para a faixa de temperatura utilizada) 1,88 kJ/kg/ºC Cpa=calor específico da água salgada 4,05 kJ/kg/ºC Consumo de vapor= 685 kg/h=16,43 t/dia. Para as medições de temperatura foi utilizado um termômetro infravermelho com o feixe direcionado para a superfície do óleo no centro do tanque, deste modo não houve contato direto do equipamento de medição com o óleo. 5.1.1.2–Separação óleo-água. A separação óleo-água é realizada num tanque de lavagem com capacidade volumétrica de 42.000 bbl que trata toda emulsão recebida dos campos. O tanque lavador, apesar de não ser um equipamento otimizado para a separação óleo-água, conforme visto em 3.2.2., tem boa eficiência de remoção, porém com tempo de residência muito elevado, Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 103 aproximadamente 96horas. O nível de água, mantido em sua altura média, propicia um volume de processamento de óleo de 20.000bbl. O volume anual de óleo produzido na Estação, em 2004, foi de 276.991,3 m3. A média mensal está mostrada na Tabela 06, a seguir. Esses dados foram utilizados para compor o balanço de massa para o processo. Tabela 06 –Volume de óleo produzido na Estação B Média mensal Desvio padrão Desvio padrão relativo (%) Fonte: PETROBRAS (2004e) Produção(m3 ) 23082,6 1236 5,3 As características de qualidade do óleo são apresentadas na Tabela 07, a seguir. Esses dados mostram que o processo apresenta uma baixa estabilidade com relação ao parâmetro salinidade. Tabela 07 –Qualidade do óleo produzido na Estação B BS&W(%) 0,052 0,004 7,7 Desvio padrão relativo (%) Fonte: PETROBRAS (2004f ) Média mensal Desvio padrão SAL (mg/L) 154,5 32 20,7 Os dados mostram que os padrões de qualidade do óleo, BS&W < 1,0% e Salinidade < 320 ppm em cloreto, são atendidos, mas existe significativa variação neste último parâmetro, medido pelo elevado desvio padrão relativo da amostra, o que suscita uma relativa instabilidade desse processo, embora não tenha comprometido a qualidade do produto nesse período. A água produzida tem as suas propriedades monitoradas, de modo a mantê-la dentro de características compatíveis com o reservatório que a recebe. O volume médio mensal de Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 104 água injetada pela Estação, apresentado na Tabela 08, também foi utilizado para a elaboração do balanço de massa. O volume total de água produzida na Estação foi de 1.248.074,6 m3. Tabela 08 – Volumes de água injetada e teor de óleos e graxas. Água injetada (m3) Média mensal 104006,2 Desvio padrão 8141 Desvio padrão relativo 8% Fonte: PETROBRAS (2004f) Óleos/graxas (mg/L) 18,15 3,6 20% A medição de temperatura no tanque lavador é feita por três termômetros instalados no costado em diferentes níveis de líquido: o primeiro a 1,5 m do piso; o segundo a 6m; o terceiro a 9m. Os dois últimos medidores estão na camada de óleo e o primeiro está na água. As temperaturas medidas quatro vezes, em cada nível do tanque, ao longo de uma semana e as respectivas médias nesses diversos estratos estão na Tabela 09 e foram utilizadas para o cálculo das necessidades de calor pelo tanque lavador e perdas de calor da massa oleosa para a água. Tabela 09 – Temperatura medida no tanque lavador Altura do tanque (m) 1,5 6,0 9,0 45 74 75 Temperatura (°C ) 41 42 44 71 72 71 72 73 72 média 43 72 73 O controle de temperatura no tanque de lavagem é feito manualmente, ficando o operador encarregado de fechar a alimentação do vapor quando é atingida a temperatura de 75ºC e de reiniciá-la quando a temperatura desce para 60ºC. O óleo produzido tem grau API° 37, dado de análise laboratorial (UN-BA 2001). Depois de especificado pelo tanque lavador esse óleo é armazenado em três tanques de 5000bbl cada, para posterior transferência. Esses tanques operam em sistema de revezamento: 1º-recebendo a produção; 2º-transferindo; 3º-aguardando para transferir. Como os tanques e dutos não dispõem de isolamento térmico o petróleo perde calor, equivalente a uma redução Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 105 de temperatura de 8ºC a 10ºC- observada nos tanques, durante o armazenamento e transferência– conseqüentemente reduzindo a sua temperatura e fluidez. Para compensar essas perdas torna-se necessário o sobreaquecimento do óleo no tanque lavador. 5.1.1.3–Geração e distribuição de vapor. Todo aquecimento de processo da estação é produzido pelo sistema de geração de vapor, sustentado por três caldeiras: 1(uma) com capacidade de produção de 5000kg/h e 02 (duas) com capacidade de operação de 2500kg/h utilizadas para apoio em eventualidade. Todas as caldeiras são do tipo flamotubular, portanto adequadas à produção de vapor de baixa pressão e utilizam gás natural como combustível. O vapor produzido na caldeira é utilizado para aquecimento do tanque lavador, que necessita de calor para aumentar a eficiência de separação óleo-água, e para o processo de descarga de óleo recebido por carretas que inclui o tanque de emulsão. A água industrial para produção de vapor não recebe qualquer tratamento químico. Isso se deve ao uso de um equipamento de dispersão de partículas iônicas, de marca comercial – Scaletron, que evita a formação dos depósitos de cálcio sobre as paredes de evaporação de água da caldeira. O equipamento utilizado funciona alterando a composição iônica da água quando da sua passagem por uma superfície de liga especial. A ação eletrolítica da liga troca à razão de supersaturação da água. Isso garante que depósitos de cálcio não se formem como incrustações. Nesta condição as partículas de cálcio ficam dispersas na água. (SCALETRON, 2004). A Estação utiliza um procedimento padronizado para realizar a manutenção das caldeiras. Essa sistemática prevê o uso de equipamentos para análise dos gases de combustão e ajuste dos parâmetros operacionais visando otimizar a eficiência do sistema. Este processo de manutenção, que ocorre durante as paradas programadas a cada doze meses, ajusta a pressão do gás entrando no queimador utilizando como parâmetro o teor de Oxigênio nos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 106 gases de combustão, que deve ser mantido na faixa de 3,5% a 5,5%. Outros parâmetros controlados são: teor de CO2 < 12% e temperatura dos gases de chaminé entre 180ºC e 350ºC. Com esses ajustes a eficiência da caldeira deve ficar acima de 82%. (PETROBRAS, 2004b). A pressão do vapor está estabelecida na faixa de 25psi a 145 psi e a temperatura entre 110 e 250ºC para as caldeiras menores e 110ºC e 350°C para a maior. (PETROBRAS, 2004b). As médias mensais de temperatura dos gases de chaminé das caldeiras, ao longo do ano de 2004, são mostradas na Figura 17. Apesar da faixa excessivamente ampla para controle dessa temperatura, estabelecida no procedimento de operação, a sistemática de controle da Estação tem conseguido manter uma faixa mais limitada. Na Figura 17 também estão mostrados as linhas amarela e vermelha que representam os limites máximo e mínimo de temperatura propostos pela USEPA, conforme subitem 3.3.5.1.1. A temperatura de chaminé tem sido mantida abaixo do limite superior permitido, o que demonstra baixa perda de calor pelos gases de combustão na caldeira. 190,0 Temperatura maxima 180,0 temperatura (ºC) 170,0 160,0 Temperatura minima 150,0 140,0 130,0 120,0 110,0 100,0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Mes Figura 17–Gráfico de temperatura média de chaminés das caldeiras Fonte: PETROBRAS (2004f). Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 107 As caldeiras são equipadas com válvula moduladora (fogo alto/fogo baixo) de modo a reduzir a taxa de injeção de gás em função da temperatura do vapor, ou seja, quando a temperatura do vapor estiver abaixo de 100°C aumenta-se a carga de gás, diminuindo com o aumento da temperatura. A pressão de geração de vapor na caldeira é acompanhada pelos operadores. Na Figura 18, a seguir, estão apresentadas duas curvas de pressão média mensal da caldeira: uma na cor amarela representando a média das pressões acima de 60psi, portanto acima da pressão ótima, e outra abaixo de 60psi na cor azul. Os dados foram obtidos do boletim de controle de processo. 100,0 90,0 Pressao>60psi Pre ssao do vapor (psi) 80,0 70,0 60,0 50,0 Pressao <60psi 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 jan fev mar abr mai jun jul Mes ago set out nov dez Figura 18– Gráfico de pressão média do vapor na caldeira-Estação B Fonte: PETROBRAS (2004f). Durante o ano de 2004 foram identificadas 1102 horas (12,5%) do tempo de operação acima da pressão ótima de (3,5 a 4)kgf/cm2 proposta por Pagy (1986) e Soares (1987), conforme subitem 3.3.5, já considerando a perda de carga na tubulação. No período em que a pressão esteve acima da faixa ótima, o seu valor médio foi de 74psi, enquanto fora desse período à pressão média foi de 47psi. (PETROBRAS, 2004f). Apenas no mês de agosto a pressão da caldeira foi mantida durante todo tempo dentro dos limites adequados, conforme mostrado na Figura 19. Naquele mês ocorreu coincidência entre as duas curvas. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 108 Apesar da pressão média mensal ao longo do ano apresentar uma relativa estabilidade, uma avaliação mais apurada demonstra grandes variações dentro de um mesmo mês, conforme mostra a Figura 19, que apresenta medições de temperatura ao longo do mês de agosto. Pressâo do Vapor Pressâo (psig) 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 Dia Figura 19– Gráfico de pressão média do vapor na caldeira agosto 2004, Construção a partir de dados PETROBRAS (2004f). Para os cálculos de geração de vapor da Estação foram utilizados os dados de eficiência da caldeira medidos em 2002, 82%, conforme consta no Boletim de Acompanhamento de Avaliação de Caldeiras PETROBRAS (2002) e o consumo de gas natural pela caldeira. Para os cálculos de consumo de energia no tanque de emulsão e descarrregamento de carretas foi utilizado a medição indireta como visto no item 5.1.1.1. Para o consumo de energia no tanque lavador foi realizada uma subtração entre o consumo total de energia de todo processo e os consumos nos equipamentos específicos. 5.1.1.4–Consumo de Energia. O consumo de energia da instalação está baseado no Gás Natural e na Energia elétrica. O gás é obtido do próprio processo de produção de petróleo, e alimenta caldeiras para geração de vapor e motores de compressores. A energia elétrica é recebida da rede de Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 109 distribuição da COELBA, empresa distribuidora de energia elétrica no estado da Bahia. Óleo diesel, em pequena quantidade, é utilizado nos motores das bombas de combate a incêndio. A medição de consumo de gás e energia elétrica é realizada de maneira aproximada. Não existem medidores para os diversos processos ou equipamentos. Assim a medição é feita em um nó onde estão conectadas diversas instalações e por meio de rateio sobre o consumo chega-se ao valor dos vários equipamentos. Deste modo uma perfeita avaliação de desempenho do sistema fica prejudicada. Apenas o gás natural exportado é medido. A Tabela 10 apresenta o consumo de combustível nas caldeiras da Estação. Tabela 10–Consumo de combustível nas caldeiras da Estação B Total 2004 Media mensal Desvio padrão Consumo (m3) 2.520.875 210.073 70.000 Consumo (t) 2006,58 167,22 58 O consumo por equipamentos é obtido de modo aproximado e considera os seus dados de placa de identificação e sua taxa horária de uso. A Tabela 11 apresenta um resumo do consumo de energia pelas atividades mais importantes da Estação. Tabela 11– Consumo de energia da Estação B Atividade Compressão gás (energia elétrica) Produção óleo (energia elétrica) Separação óleo-água (gás natural) Recebimento óleo por carretas (gás natural) Fonte: PETROBRAS (2005a). Consumo MWh/ano 25.800 14.400 23.922 6.500 O consumo de gás natural nas caldeiras da Estação, Figura 20, é obtido através de método estimativo que considera o gás produzido e o gás exportado pela Estação. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 110 Consumo de gas natural (t) 250 200 150 100 50 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Figura 20– Consumo de gás natural da Estação (PETROBRAS 2005b) 5.1.1.5–Consumo de Água. A água doce é captada em poço artesiano na região sendo utilizada para a produção de vapor e limpeza geral das instalações. A Figura 21 apresenta o volume de água utilizada para a geração de vapor na Estação. Consumo de agua para produção de vapor (t) 300 250 200 150 100 50 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Figura 21– Consumo de água para geração de vapor. Fonte PETROBRAS (2004f) Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 111 5.1.1.6–Entrada de Material. A principal entrada de material para o processo é o petróleo, matéria-prima natural sujeita as variações qualidade inerentes ao reservatório que o produz e as técnicas de produção. O petróleo produzido no campo de Araras e demais campos associados apresentam elevado teor de água livre 81% com desvio padrão de 15%, segundo dados dos testes de poços PETROBRAS (2004g) e baixo teor de sedimentos. Testes de BS&W no petróleo do campo mostram que poucos poços apresentaram sedimentos ao longo de 2004. Outras entradas de material importantes estão descritas seguir: 1)Aditivos químicos – Desemulsificante, inibidor de incrustação e corrosão e seqüestrante de oxigênio. Esses são produtos utilizados para separação óleo-água e proteção das instalações de superfície e poço. Esses produtos ficam estocados na própria estação, em tambores plásticos de 200 litros, em áreas cobertas e cimentadas com muretas de contenção, a fim de minimizar a geração de resíduos em caso de vazamentos desses recipientes. O quantitativo de aditivos químicos, adicionados ao petróleo na estação, está apresentado na Tabela 12, sendo também utilizado para a elaboração dos balanços de massa global e específico; Tabela 12– Consumo anual de aditivos -Estação B Aditivo Desemulsificante,. Inibidor de incrustação Inibidor de corrosão Seqüestrante de oxigênio. Total Quantidade utilizada (ano) litro 15417,6 8409,6 4204,8 7533,6 35565,6 kilograma 14338,37 8409,6 5760,6 10019,69 38528,23 2)Embalagens plásticas – As embalagens plásticas dos aditivos são coletadas seletivamente e enviadas para aterro sanitário, conforme definido no padrão da Unidade; 3)Óleo lubrificante – O óleo lubrificante usado é coletado em tambores e entregues as empresas de reciclagem conforme orienta a resolução CONAMA 362/05 ; Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 112 4)Peças de reposição, tubulações, conexões, válvulas etc. – As peças metálicas são coletadas e armazenadas em área de sucata para entrega a empresa siderúrgica. 5.1.1.7–Corrente de Resíduos. Os resíduos são gerados em todas as etapas do processo produtivo, merecendo destaque a separação óleo–água, o armazenamento do petróleo e a flotação. Em tais etapas são produzidas significativas quantidades de resíduos por decantação de sedimentosprincipalmente (sólidos da formação: areia e silte) e parafina pelas características físicoquímicas do produto. Os efluentes líquidos são gerados em função do BS&W do petróleo e do uso de vapor, cujo condensado é incorporado à corrente líquida da estação. Todo efluente produzido nesse processo é injetado no reservatório produtor para manutenção de sua pressão. Os resíduos oleosos são gerados continuamente. Contudo a sua remoção ocorre de forma intermitente, quando da limpeza dos vasos de separação e armazenamento. Tais resíduos estão associados às características intrínsecas do produto e a qualidade da matériaprima. Toda água oleosa produzida no processo é utilizada dentro da própria instalação, uma vez que existe necessidade de utilização desse recurso para a manutenção da atividade produtiva–manutenção da pressão do reservatório produtor. Nesse aspecto, a incorporação da água oleosa ao processo é positiva, pois evita a adução de água doce adicional. 5.1.1.7.1 –CORRENTE GASOSA. Essa corrente, enviada para a atmosfera, está associada às características do produto e as condições de armazenamento e de processo. Ocorrem em maior intensidade no tanque de emulsão oleosa, no tanque lavador e no armazenamento. As perdas correspondentes foram calculadas pelo módulo de cálculo do SIGEA, PETROBRAS (2005b), utilizando os fatores de Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 113 emissão da “American Petroleum Institute”, “Environmental Proteccion Agency” e “Oil and Gás Pruducers”. Na Tabela 13, a seguir, estão listadas as emissões atmosféricas na Estação B, por tipologia de fonte, no ano de 2004. Esses dados foram utilizados para a elaboração do balanço de massa. Tabela 13– Estimativa de emissão de COV nos Tanques Equipamentos Tanque Lavador Tanques de Armazenamento Tanques de emulsão Total Emissão (t/ano) 193,8 117,0 41,4 352,2 5.1.1.7.2 –RESÍDUOS SÓLIDOS PERIGOSOS. Os resíduos sólidos perigosos típicos são: o óleo lubrificante, a borra oleosa, o solo contaminado e a sucata ferrosa. Na Figura 22 estão relacionados os resíduos gerados com suas respectivos percentuais mássicos. O Pólo de Produção A contém a Estação B. Essa Estação responde por mais de 90% da produção deste pólo, por isso utilizada como referencia. A borra oleosa ou borra de fundo de tanque e o solo contaminado, representam a maior porção dos resíduos gerados. A borra oleosa é o resíduo de maior importância volumétrica e econômica pelo seu elevado custo de gerenciamento. A sucata ferrosa apesar de ser gerada em montante significativo, apresenta interesse econômico, pois é vendida para reciclagem. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 114 Borra Oleosa Restos de alimentos(lixo doméstico) 0% 0% 0% Solo contam. com petroleo(Terra oleosa) 0% Sucata ferrosa Embalagens plásticas Óleo lubrificante usado Outros Papel 33% 51% 16% 0% Figura 22– Gráfico de setores - resíduos gerados no Pólo de Produção A. Fonte:PETROBRAS (2004a). 5.1.1.7.3 –CORRENTE DE ÁGUA OLEOSA. Água oleosa é a principal corrente de resíduos, sendo gerada nas atividades operacionais do campo e estação está associada à limpeza de equipamentos e instalações, tais como bombas, tanques, dutos, canaletas etc. Merece também destaque a limpeza de dutos de transferência, a qual consome água doce quando o óleo é substituído pela água evitando o congelamento do óleo na tubulação e a drenagem dos tanques. Outra fonte de produção de água oleosa é a precipitação pluvial nas áreas operacionais contaminadas por óleo. A limpeza dos tanques de processo e armazenamento também consome elevado volume de água, porém a freqüência desses eventos é baixa: uma vez a cada 2 a 3 anos por tanque. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 115 A água oleosa gerada nas operações de campo, também é outro resíduo com volume significativo. No entanto toda ela é utilizada no processo de injeção de água para a manutenção da pressão do reservatório produtor, o que minimiza a demanda de água doce pelo processo. Assim, esse resíduo passou a ter importância secundária como perda, e por isso, não foi considerado para avaliação. 5.1.2 Questões gerais do processo produtivo O sistema de gestão da Unidade identifica os processos realizados pela Estação como sendo de: coleta, tratamento e transferência de óleo, conforme consta no apêndice A-2. A existência de procedimentos padronizados para a realização das tarefas denota o interesse da Unidade em utilizar práticas reconhecidas pelo seu corpo técnico, como sendo as melhores. Os aspectos e impactos ambientais relacionados às atividades desenvolvidas na instalação foram identificados conforme subitem 3.1, e registrados no banco de dados corporativo denominado de Sistema Informatizado de Gerenciamento de Aspectos e Impactos– SMSNET (PETROBRAS 2004h). O apêndice A-1 apresenta as tarefas realizadas na Estação com as respectivas atividades e importância. O Sistema de Produção está licenciado pelo órgão ambiental do estado, o Centro de Recursos Ambientais – CRA. O estoque de produto na instalação é bastante reduzido, até pela pouca variedade de insumos consumidos. Assim é minimizada a geração de resíduos desses produtos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 116 5.1.3 Questões específicas do processo. O tanque de lavagem foi adaptado de um tanque de armazenamento existente, utilizando toda a sua capacidade instalada de 42.000 bbl, quando o padrão para tanques lavadores são volumes menores: habitualmente 5.000 bbl ou 10.000 bbl. Deste modo fica explicado o maior tempo de retenção do equipamento. A drenagem de condensado para o sistema de água oleosa – com a conseqüente perda da energia nele contida – está associada à dificuldade técnica de controle do teor de hidrocarboneto no condensado, vez que existe risco de arraste de óleo do tanque para os trocadores de calor nele imerso, podendo chegar até a caldeira comprometendo a sua operação. Nas instalações de produção da Estação B os vazamentos ocorridos em 2004 estiveram relacionados às atividades desenvolvidas no sistema de escoamento, ou seja, nas linhas de coleta e de transferência. Esses eventos, conforme podem ser visto na Tabela 14, a seguir, não estão associados a uma causa específica. Tabela 14–Perdas de óleo nas instalações de Produção da Estação B. Evento Equipamento Volume (m3 ) Vazamento Oleoduto Transbordamento Caixa recuperação Vazamento Poço FAR-64 Vazamento Poço FAR-303 Transbordamento Tanque emulsão Fonte: PETROBRAS (2004i) 0,005 10,00 0,010 0,010 0,030 Causa Furo por corrosão Falha instrumentação Furo por corrosão Falha operacional Falha de equipamento Embora o volume vazado na caixa de recuperação posicione o evento como o de maior importância, deve-se destacar não haver um processo ou equipamento, cuja freqüência de vazamentos o aponte como prioritário. Deste modo, a Tabela 14 mostra a caixa de recuperação como elemento importante para a geração de resíduos. Não é possível, contudo a sua eliminação, mas apenas o aumento do controle. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 117 5.1.4 Maiores consumidores de energia e geradores de resíduos. O consumo de energia produzida pelo gás natural apresentado na Tabela 15, a seguir, está concentrado no tanque lavador e no tanque de emulsão. O quantitativo de energia consumida foi estimado com base no consumo de gás natural utilizado para produzir o vapor produzido na Estação, o consumo de vapor do tanque de emulsão, calculado na Tabela 14, mostrada anteriormente e o consumo de vapor nas carretas. Os dados dessa tabela foram utilizados para a elaboração dos balanços energéticos dos respectivos processos. Tabela 15– Consumo energético (vapor) por equipamento Fonte Consumidora Tanque lavador Tanque de emulsão Perdas Total Consumo Percentual (MWh/mês) 1993,5 78,10 541,7 21,23 16,5 0,57 2551,7 100 5.1.4.1.–Adequação do consumo ao contrato da concessionária O contrato de fornecimento de energia elétrica é baseado no consumo medido em nó de medição que abrange um conjunto de instalações (nó de consumo). A tarifa de energia elétrica é negociada diretamente com o fornecedor no mais baixo nível de mercado denominado como “consumidor especial”. Nesta categoria a concessionária disponibiliza uma carga de energia pré-estabelecida e a empresa paga por ela. Não tem havido problema de excesso de consumo nem pagamento de excessivo nas contas de energia da instalação. 5.1.4.2–Geradores de resíduos. Os resíduos sólidos oleosos são gerados nos tanques de armazenamento e de processo e estão associados à qualidade da matéria-prima principalmente aos sólidos da formação Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 118 produtora. Esses resíduos ficam depositados no fundo dos tanques, sendo removidos apenas com a limpeza dos mesmos. O resíduo decantado nos tanques de armazenamento e de processo foi obtido através de dados de contratos para limpeza desses tanques. Para o tanque lavador o volume de resíduo gerado foi estimado utilizando a produção anual de uma estação de produção, que opera com tanques de lavagem, e o petróleo processado é da própria bacia sedimentar e com o mesmo grau APIº, cuja limpeza tem freqüência anual e a geração de resíduos é de 138,7m3. O tanque lavador da própria Estação B está operando há mais de 4 anos sem ter parado para manutenção e não há registro do volume de resíduo gerado. A tabela 16 foi construída utilizando dados do SIGRE disponíveis em PETROBRAS(2004a) e informações colhidas em campo. Tabela 16–Resíduos gerados na limpeza de tanques–Estação B. Tanque Emulsão Lavagem 2 Armazena Flotação Água prod. Total Volume de Resíduos Resíduo por Nº de Intervalo tanque (m3) tanques de limpeza (ano) 72,5 2 2 386,6 1 7 62,7 3 2 66,9 4 2 14,25 2 2 Volume (m3/ano) 72,5 53,9 115,5 133,8 14,25 389,9 5.1.5 “Lay-out” das instalações. A análise do “lay-out” das instalações permite reposicionar equipamentos e tarefas, de modo a otimizar o deslocamento dos operadores ou a reduzir esforços e assim economizar recursos e principalmente energia. No caso de uma estação de produção, os equipamentos são de grande porte cuja movimentação requer considerável investimento, não se justificando, portanto a sua realização. 2 O volume de resíduo no tanque lavador foi estimado considerando o volume máximo permissível dentro dele, o que equivale a 358,7m3 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 119 5.2 CONSTRUÇÃO DO DIAGRAMA DE FLUXO A aplicação das técnicas de prevenção da poluição na indústria requer conhecimento detalhado de todas as etapas do processo produtivo, bem como de suas inter-relações. Assim, a fragmentação do processo em tarefas e atividades menores, conforme visto no subitem 2.4.2, promove o conhecimento das entradas e saídas, o que torna possível a análise das causas de geração dos resíduos. Para a elaboração desses fluxogramas foram utilizados dados das visitas às instalações e informações colhidas com técnicos e operadores da Estação, além de dados dos sistemas (PETROBRAS 2004d; PETROBRAS 2004e; PETROBRAS 2005b). O diagrama de fluxo nível 1, apresentado na Figura 23, relaciona os principais insumos e saídas do processo de produção de petróleo, quais sejam: borra oleosa, Compostos Orgânicos Voláteis-COV, petróleo de vazamentos, aditivos, calor e água de vapor condensado. Energia elétrica Água Aditivos Petróleo Produção de Petróleo Óleo Tratado Gás Natural Água de Injeção Borra oleosa Hidrocarbonetos Voláteis Óleo vazado Calor Aditivos Água industrial Figura 23– Diagrama de fluxo da produção de petróleo Neste nível de avaliação foi possível apenas a identificação das perdas globais do Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 120 processo, sem detalhes quanto a etapa efetivamente responsável pela perda ou geração de resíduo. Conforme descrito, a seguir, os resíduos gerados e os respectivos processos a eles vinculados, assim se constituem: A borra oleosa é gerada pela decantação de sólidos da formação e precipitação de parafina e por emulsões estabilizadas nos tanques de flotação. Os compostos orgânicos voláteis são gerados pela volatilização do petróleo nos tanques de armazenamento e de processo. Os vazamentos de óleo acontecem principalmente no sistema de coleta por dutos e na caixa de recuperação. O calor é perdido para o ambiente pela falta de isolamento dos tanques, pela não recuperação de condensados e por procedimentos inadequados. A água do condensado está associada à perda do vapor condensado que é descartado no tanque lavador e de emulsão. Aditivos são perdidos pela recirculação/incorporação de água desnecessária ao processo, o que demanda um adicional de produtos químicos. (seqüestrante de oxigênio). Apenas os resíduos sólidos industriais relacionados diretamente com o processo produtivo, por sua maior importância econômica, foram listados nesta avaliação. Os critérios utilizados para a fragmentação do processo em tarefas estão relacionados à gestão integrada da Unidade de Exploração e Produção, conforme visto anteriormente no Sistema de Gestão Ambiental, item 3.1. Para cada uma das tarefas identificadas foram analisados o consumo de insumos e as perdas, e, posteriormente detalhada ao nível de atividade, quando necessário. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 121 Com os critérios acima foram identificadas 11 (onze) tarefas no processo de produção de petróleo, conforme relacionadas na Figura 24. Aos processos identificados anteriormente foram associadas às respectivas perdas: óleo, água, aditivos químicos por uso ineficiente pela diluição com água advinda da condensação do vapor e ainda energia. Produção de Petróleo 3-Gerar e distribuir vapor 9-Flotação de Óleo 2-Coleta Petróleo por Carretas 1-Coleta Petróleo Por dutos. 5-Separação Óleo/água 10-Arm. Água Produzida 6-Armazenamento de Óleo 11-Injeção Ag. Produzida 7- Transferência do Óleo 4-Separação Gas/liquido 8-Compressão do Gás Figura 24 – Diagrama de fluxo da Estação B Com as perdas do processo e as tarefas a elas relacionadas, utilizando os critérios de fragamentação do processo definidos no Sistema de Gestão Ambiental da Unidade foram estabelecidos os mapas de processo conforme diagramas na Figuras 25 e 26. Produção de petróleo-Perdas de massa 3-Gerar e distribuir vapor 2-Coleta Petróleo por Carretas Água Óleo Óleo 9-Flotação de Óleo 5-Separação Óleo/água Óleo 1-Coleta Petróleo Por dutos. COV Água 4-Separação Gas/liquido Óleo 10-Arm. Água Produzida 6-Armazenamento de Óleo Óleo 11-Injeção Ag. Produzida 7- Transferência do Óleo COV Óleo Figura 25– Diagrama de fluxo da Estação B com perdas de massa. 8-Compressão do Gás Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 122 As perdas de insumos ou resíduos estão relacionadas aos processos: coleta de petróleo por carretas ou dutos, separação óleo-água, armazenamento de petróleo, flotação e injeção da água produzida, conforme visto na Figura 25. As perdas de energia estão nos processos: coleta de óleo por carreta, separação óleoágua e armazenamento de óleo, conforme identificação da Figura 26, a seguir. Essas perdas ocorrem devido ao não aproveitamento da energia disponível no condensado e a falta de isolamento dos tanques (emulsão e armazenamento) e ainda por falta de controle de temperatura no tanque de emulsão. Produção de petróleo-Perdas de energia 3-Gerar e distribuir vapor Calor 2-Coleta Petróleo por Carretas 5-Separação Óleo/água Calor 1-Coleta Petróleo Por dutos. Calor 9-Flotação de Óleo 10-Arm. Água Produzida 6-Armazenamento de Óleo 11-Injeção Ag. Produzida 7- Transferência do Óleo Calor 4-Separação Gas/liquido 8-Compressão do Gás Figura 26– Diagrama de fluxo da Estação B com perdas de energia 5.3 BALANÇO DE MASSA E ENERGIA Seguindo a metodologia proposta, conforme previsto no item 2.4.3, foi realizado o balanço material e de energia para o processo de produção de petróleo. Este balanço contempla as entradas e saídas da Instalação nos três níveis necessários a compreensão do processo: Balanço Global, Balanços intermediários– utilizados para setores ou processos da instalação e Balanços específicos, para operações críticas. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 123 Para a realização dos balanços citados, em seus vários níveis, foram utilizados dados de produção de óleo e injeção de água, de geração de resíduo na limpeza de tanques, de emissões atmosféricas e dados de consumo de água de caldeira e os registros de recebimento de carretas da Estação B. Essas informações estão nos seguintes bancos de dados: Sistema de Contabilização da Produção de Petróleo– CPROP; Sistema Informatizado de Gerenciamento de Resíduos– SIGRE; Sistema de Gestão de Emissões Atmosféricas–SIGEA e informações coletadas junto aos operadores/supervisores da Instalação, bem como laudos laboratoriais. Os dados utilizados foram convertidos para um período de um ano, quando estes correspondiam a intervalos menores de tempo. 5.3.1 Balanço de massa e energia global. A partir do fluxograma do processo de produção no item 5.2 e com os dados apresentados na avaliação prévia do Sistema de Produção foi elaborado o balanço de massa visto na Figura 27, que permite uma visão geral dos insumos e das perdas no processo, sem maiores detalhes que permitam distinguir a operação ou tarefa responsável pela perda. Neste balanço as perdas materiais são hidrocarbonetos voláteis, água industrial e óleo (borra de fundo de tanque e vazamento). Os dados de produção de óleo, água e gás utilizados para a elaboração do balanço de massa foram obtidos de informações oficiais da Companhia. As perdas foram calculadas com base em informações obtidas de várias fontes, conforme mostrados nos balanços específicos adiante. Para o cálculo do material depositado nos tanques foi considerado o intervalo de tempo entre duas limpezas, em geral (1 a 2) anos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 38,53t 1397,7t 30870t Ad AC A Óleo Trat Petróleo 1618171,4 t Produção de Petróleo Gás Natural 124 232673t 5562t Ág. de Inj. 1348400t BO 390,8t COV Vz 370,8t 8,2t Borra oleosa –BO Compostos Orgânicos Voláteis- COV Vazamentos - Vz Água Industrial – A Água Chuva - AC Figura 27– Balanço global do processo de produção de petróleo O balanço de massa foi realizado para conhecer a produção entrando na Estação, vez que, esses dados não são medidos diretamente, mas apenas pelos testes de produção. A produção saindo da estação, a produção recebida por carretas, os insumos adicionados e as perdas permitiram o calculo da produção recebida dos poços. O balanço energético global, apresentado na Figura 28, utilizou a produção de vapor da Estação e o seu correspondente conteúdo energético. As perdas de calor foram calculadas para cada equipamento utilizando a equações 09, 10 e 11 e os coeficientes globais de troca térmica da Tabela 02. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Água doce 22ºC Petróleo Gás Natural Produção de Petróleo 125 1,03 x 1011 kJ Óleo Tratado 3,2 x 1010 kJ (30,8%) 32 º C CPAP= 3,3 x1010 kJ(32,4%) CPAR= 3,4x109 kJ (3,3%) CPTL= 4,6x109 kJ(4,4%) Calor Calor Calor Calor Calor Calor perdido perdido perdido perdido perdido perdido CPCond= 8,3x109 kJ(8,1%) CPCAL = 1,6x1010 kJ(19%) CPTem= 2,1x109 kJ(2,0%) para Água Produzida- CPAP pelo condensado- CPCond pelo armazenamento- CPAR na caldeira –CPCAL pelo Tanq. Lavador-CPTL tq de emulsão- CPTem Figura 28 – Balanço energético global do processo de produção de petróleo O vapor consumido para descarregamento do óleo e aquecimento do tanque de emulsão foi medido conforme descrito no subitem 3.3.1–Coleta de petróleo, e o vapor consumido na separação óleo-água foi obtido pela diferença entre a produção total de vapor e o utilizado izado anteriormente. 5.3.2 Balanço de massa e energia intermediário. De posse das perdas do processo identificadas no balanço global e com o conhecimento das etapas em que elas ocorrem, conforme visto no diagrama de fluxo item 5.2, foram selecionados os processos objeto de análise, ou seja, aqueles para a realização de balanço material intermediário, quais sejam: Coleta de petróleo por carreta; Separação óleoágua; Armazenamento de petróleo e Geração e distribuição do vapor. A seguir estão apresentados os balanços de material e energia para essas tarefas. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 126 5.3.2.1–Balanço material e energético do processo de coleta de petróleo. A coleta de petróleo por carretas apresenta a sua mais significante perda nos tanques de armazenamento de emulsão, quando o óleo é aquecido a temperaturas de 60°C, propiciando aumento nas emanações de hidrocarbonetos voláteis. Outra perda nesse processo é a borra gerada no fundo do tanque. Essas perdas estão apresentadas na Figura 29 - Balanço material do processo de coleta de óleo por carretas, a seguir. Vapor Petróleo 88110,4 t 6655 t Coleta de Petróleo por carretas CO V 41,4 t BO Petró leo Petróleo 87965t Cond 6655 t 104 t Com postos O rgân icos Voláteis-CO V Borra O leosa-BO Condensad o-Cond Figura 29 – balanço material do processo de coleta de óleo por carretas A coleta de petróleo por carretas também apresenta perdas energéticas na etapa de aquecimento do óleo no tanque de emulsão. Nesta etapa ocorre perda de calor para o ambiente pela falta de revestimento isolante no tanque, e em menor escala, pelo uso desnecessário de vapor para aquecimento das carretas; a exemplo do aquecimento da água livre vinda com o petróleo. O balanço energético desse processo, apresentado na Figura 30, foi elaborado a partir da medição de consumo de vapor nessa etapa. Esta medição foi realizada conforme subitem 3.3.1. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Vapor Petróleo 1,8 10 10 127 kJ Coleta de Petróleo por carretas Petróleo aquecido 1,2 x10 CPA 2,0 x10 9 kJ (11,6%) CPcond 1,9 x10 9 kJ (10,7%) 10 kJ (77,8%) Calor perdido para o ambiente- CPA Calor perdido pelo condensado- CPCond Figura 30– Balanço energético do processo de coleta de óleo por carretas. 5.3.2.2–Balanço material e energético do processo de separação óleo-água. A separação óleo-água ocorre no tanque lavador e apresenta um número significativo de perdas, quais sejam: hidrocarbonetos voláteis; água; aditivos e energia- necessitando, portanto, de maior controle. As perdas de hidrocarbonetos gasosos ocorrem pelo aquecimento do óleo dentro do tanque lavador e foram calculadas com base no banco de dados de gerenciamento de emissões atmosféricas SIGEA, PETROBRAS (2005b). Para cálculo da quantidade de borra de fundo gerada no tanque lavador, pela falta de dados de volume de material coletado em limpeza do tanque lavador, foram utilizadas informações de uma estação semelhante, conforme visto no subitem 5.1.4.2–geradores de resíduos. Na Figura 31 estão apresentados os insumos e as perdas deste processo. O balanço de massa utilizou os dados de produção da instalação (óleo, água, gás natural e borra oleosa de limpeza de fundo de tanque), consumo de insumos; aditivos químicos e perdas de voláteis. A partir desses dados foi composta a entrada de emulsão para o processo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Vapor Aditivos 14,34 t 24012 t Separação Óleo/agua Petróleo + Água 128 Óleo Tratado 232905 t Água oleosa 1348471 t 1581663,3t Borra Cond 24012 t Oleosa COV 193,8 t 107,8 t Compostos orgânicos voláteis-COV Condensado-Cond. Figura 31–Balanço material do processo de separação óleo água. O balanço energético desse processo considerou o conteúdo energético total do vapor consumido na estação subtraindo do vapor consumido (equivalente) para o descarregamento de carretas, do calor contido na corrente de emulsão, e ainda do calor das correntes oleosa e aquosa saindo do tanque lavador. O balanço energético, mostrado na Figura 32, apresenta a perda de calor para a água como a mais importante do processo, demonstrando que a separação óleo-água por tanque lavador é energeticamente um processo pouco eficiente, já que a energia é perdida sem uso efetivo. Este dado associado ao elevado teor de água livre do petróleo sugere que o tratamento desse óleo se realize em duas etapas; a primeira, a separação da água livre em um Tanque de Água Livre–TAL; e uma posterior, que contemple o tratamento da emulsão mais estável em um tanque lavador de menor volume e, portanto, de menor perda. As perdas de calor para o ambiente foram calculadas pelas fórmulas apresentadas no item 3.3.4–armazenamento do óleo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 129 V apor 6,36 10 Petróleo + Água 10 kJ Ó leo T ratado S eparação Ó leo/agua 3,2 10 C P C ond 6,4 10 9 kJ (10,1% ) CPA CPAP 4,6 10 3,4 10 9 10 10 kJ (30,2% ) kJ (52,8% ) kJ (6,9% ) C alor pe rdido para Á gua Produzida- C PA P C alo r pe rdido pelo co nden sa do - C PC ond C alo r pe rdido para o am b iente-C PA Figura 32 – Balanço energético do processo de separação óleo água. 5.3.2.3–Balanço material e energético do processo de armazenamento de petróleo. O armazenamento de petróleo apresenta como perdas o gás natural vaporizado do petróleo e a borra oleosa oriunda da decantação de parafinas no tanque e se manifesta na etapa de limpeza do tanque, conforme Figura 33. O tanque de armazenamento de óleo, limpo em 2003 apresentou um volume de 77 m3 (PETROBRAS 2003). Esse tanque teve um intervalo de tempo em operação de dois anos, portanto 38,5m3/ano. Como são utilizados três tanques de 38,5 m3 em paralelo, são geradas três vezes esse volume de resíduo, ou seja, 115,5 m3/ano. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Petróleo tratado Armazenamento de Petróleo 130 Petróleo 232673 t tratado 232904,7 t Borra oleosa COV 115 t 117 t Figura gura 33 – Balanço material do processo de armazenamento de petróleo. A perda de energia ocorre pela troca de calor com o ambiente e pela falta de isolamento térmico do tanque, ver Figura 34. Essa perda de calor foi calculada pela variação de temperatura medida na saída do tanque lavador (entrando no tanque de armazenamento) no momento da transferência para o parque de armazenamento. Armazenamento aquecido 1,03X10 1,03 X10 10 Petróleo Armazenamento de de Petróleo Petróleo Petróleo aquecido 9,5 x 10 kcal CPA 8,2 x 10 8 9 kcal (91,2) kcal (8,8) CPA-Calor perdido para o ambiente Figura 34 – Balanço energético do processo de armazenamento de petróleo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 131 5.3.3 Balanço de massa específico. O balanço material específico foi realizado para a atividade de drenagem de água livre que se realiza no processo de coleta de petróleo por carreta. Esta atividade é uma das críticas identificadas na Figura 36–Fluxograma detalhado da coleta de petróleo por carretas. O balanço de massa específico, Figura 35, mostra que realizando a drenagem da água livre que acompanha a emulsão oleosa recebida por carretas, ocorre redução na massa de água a ser aquecida e assim é possível reduzir a quantidade de vapor utilizado. Balanço de massa específico -Drenagem de água livre Vapor 6655 t Emulsão de petróleo 25,2 t Drenagem de Água livre Petróleo 18,9t 6,3 t Figura 35–Balanço de massa específico para a drenagem de água livre 5.3.4 Análise das tarefas críticas. A PmaisL é essencialmente uma análise detalhada do processo produtivo, identificando as atividades ou tarefas críticas, e, assim, estabelecendo condições de realização Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 132 compatíveis. As tarefas críticas identificadas nas Figuras 25 e 26 foram correlacionadas às suas respectivas perdas, formando o mapeamento dos processos. Deste modo tornam-se visíveis os processos geradores de perdas. A avaliação de criticidade de processos e tarefas, conforme o procedimento da Unidade resultou na relação de aspectos e impactos da Estação apresentadas no Apêndice A2. O procedimento existente, porém, avalia apenas a geração de resíduos e os impactos a ela relacionados, sem considerar o consumo de insumos; portanto não sendo suficiente para atender a PmaisL. A seguir encontram-se analisadas as tarefas críticas do processo de produção de petróleo: coleta de petróleo; geração e distribuição de vapor; separação óleo-água e armazenamento de petróleo. 5.3.4.1 Coleta de petróleo. O processo de coleta de petróleo por carretas inclui, além do desembarque de emulsão, a coleta e o desembarque de água oleosa realizadas por carreta e por carro sugador (carro a vácuo). Nesta avaliação verifica-se sob o critério de consumo ou de perda de insumo, que estas duas atividades são diferentes, pois o potencial de perdas da primeira é grande devido ao processo de descarga se realizar com uso de vapor, enquanto a segunda não utiliza esse insumo. Adicionalmente no desembarque de petróleo de carretas pode ocorrer perda de produto, enquanto no descarregamento com sugador apenas resíduo pode ser gerado. As perdas no processo são: energia do vapor, água doce pela condensação desse vapor e compostos orgânicos voláteis. O fluxograma detalhado da coleta de petróleo, na Figura 36, foi concebido atendendo ao critério proposto e tendo como adicional às melhorias necessárias a esse processo. As tarefas 2.1–Embarcar petróleo; 2.3–Desembarcar petróleo da carreta; e 2.4–Desembarcar petróleo de carro sugador e 2.6–Armazenar emulsão, são as que requerem maior atenção, Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 133 porque nelas podem ocorrer perdas de produto ou energia (vapor) e gerar resíduo. A seguir está apresentado o detalhamento dessas tarefas nas atividades que as compõem: Em condições normais de operação para a tarefa 2.1–Embarcar petróleo; as atividades críticas são: 2.1.2–Posicionar carreta embaixo do mangote corretamente; 2.1.4–Conectar cabo de aterramento; 2.1.5–Conectar mangote de descarga; 2.1.10–Efetuar o carregamento até o indicador de nível interno; 2.1.12–Fechar a válvula do mangote de embarque drenando o óleo para a carreta. Para a tarefa 2.3–Desembarcar petróleo de carreta as atividades críticas são: 2.3.1– Certificar-se do correto posicionamento da carreta; 2.3.3–Conectar cabo de aterramento; 2.3.4–Conectar mangote de descarga; 2.3.9–Drenar água livre; 2.3.10–Acompanhar nível do petróleo no tanque da carreta; 2.3.11–Fluidificar óleo; 2.3.12–Retirar vapor quando serpentina visível. A tarefa 2.4–Desembarcar petróleo de carro sugador apresenta as atividades críticas: 2.4.1–Certificar-se do correto posicionamento da carreta; 2.4.3–Conectar cabo de aterramento; 2.4.4–Conectar mangote de descarga; 2.4.7–Acompanhar nível de água oleosa no tanque da carreta. Por fim para a tarefa 2.6–Armazenar emulsão a atividade crítica é: 2.6.3–Manter temperatura menor que 45ºC. Estas atividades foram identificadas com a cor azul no fluxograma de processo conforme Figura 36. A perda de energia ocorre não apenas pelo descarte do condensado, mas também pela falta de controle de temperatura do óleo aquecido para descarregamento, e, ainda, pela falta de controle de temperatura do óleo no tanque de emulsão. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 134 2-Coletar petróleo por Carretas 2.1 Embarcar petróleo. 2.1.1 Conferir lacres da Válvula de desembarque e da boca de visita da carreta 2.1.2 Posicionar a carreta embaixo do mangote corretamente 2.1.3 Desligar motor da carreta 2.2 Medir e Contabilizar petróleo 2.3 Desembarcar petróleo de carreta 2.3.1 Certificar-se do correto posicionamento da carreta 2.3.3 Conectar cabo de aterramento 2.3.4 Conectar mangote de descarga 2.3.5 Conferir numeração dos lacres da válvula desemb. e da boca de visita 2.1.5 Conectar mangote de descarga 2.3.6 Abrir boca de visita e conferir nível do óleo 2.1.6 Romper lacre da boca de visita e colocar mangote dentro da mesma 2.3.7 Verificar alinhamento das válvulas para tanque selecionado 2.1.8 Abrir válvula do Tanque de petróleo 2.1.9 Abrir a válvula do mangote de embarque 2.1.10 Efetuar o carregamento até indicador de nível interno 2.1.11 Fechar a válvula do tanque de petróleo 2.1.12 Fechar a válvula do mangote de embarque drenando o óleo para a carreta 2.1.13 Fechar e lacrar boca de visita da carreta 2.4.1 Certificar-se do correto posicionamento da carreta 2.3.2 Desligar motor da carreta 2.1.4 Conectar cabo de aterramento 2.1.7 Certificar-se de que o tanque da carreta está vazio 2.4 Desembarcar Petróleo de Carro sugador 2.3.8 Abrir válvula de descarga 2.4..2 Desligar motor da carreta 2.4.3 Conectar cabo de aterramento 2.4.4 Conectar mangote de descarga 2.4.5 Verificar alinhamento das válvulas para tanque selecionado 2.4.6 Abrir válvula de desembarque de petróleo 2.3.9 Drenar água livre 2.3.10 Acompanhar nível de petróleo no tanque da carreta 2.3.11 Fluidificar óleo 2.3.12 Retirar vapor quando serpentina visível 2.3.13 Fechar e lacrar válvula de descarga da carreta 2.3.14 Fechar boca de visita Tq. 2.4.7 Acompanhar nível de petróleo no tanque da carreta 2.4.8 Fechar e lacrar válvula de descarga do carro sugador 2.4.9 Desconectar mangote 2.4.10 Desconectar aterramento 2.3.15 Desconectar mangote 2.3.16 Desconectar aterramento Figura 36– Fluxograma detalhado da coleta de petróleo por carretas 2.5 Receber petróleo de Manifold 2.6 Armazenar emulsão 2.6.1 Abrir válvula do tanque 2.6.2 Distribuir emulsão 2.6.3 Manter temp. < 40ºC 2.6.4 Ajustar vazão da bomba 2.6.5 Manter transferência Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 135 As atividades críticas foram identificadas em azul no fluxograma detalhado na Figura 36. A atividade 2.3.9–drenar água livre foi analisada em detalhe, inclusive sendo testada a sua viabilidade técnico-operacional, conforme visto nos tópicos seguintes. Foram contabilizadas as carretas que utilizam vapor para o descarregamento e então calculado o consumo de vapor por carreta, bem como o consumo total de vapor, e, ainda, o potencial de redução de consumo. Com a quantidade de carretas descarregadas na Estação, conforme visto na Tabela 3, e o volume de vapor consumido por cada carreta, estimado a seguir, foi avaliado o consumo total de vapor para este processo. As etapas para o cálculo foram: medição do tempo de aquecimento das carretas; medição da vazão do vapor. O número de carretas transportando óleo é influenciado pelas intervenções realizadas nos poço no período. Assim, quando um poço é parado para manutenção, a sua produção é muito afetada, o que promove grande variação no volume de óleo produzido. Os poços FE- XII, FE- X, FE- XI e FS-X utilizam vapor para o descarregamento devido à resistência ao fluxo propiciada pela viscosidade dos seus óleos, que é alta a temperatura de descarregamento na Estação. A perda de calor do óleo resultando na queda da temperatura está associada a baixa produtividade do poço, implicando em elevado tempo de armazenamento nos carros-tanque estacionados nesses poços. O descarregamento da carreta do poço FRS-X apresenta variação no procedimento utilizado na Estação, ocorrendo o uso ou não do vapor em função da interpretação do operador quanto a sua necessidade. Em uma primeira observação visual verifica-se que o óleo produzido nos poços FE-XI e FE X apresentam as maiores viscosidades, portanto de mais difícil descarregamento na Estação. A medição do tempo de aquecimento do óleo das carretas considerou que a vazão de Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 136 vapor disponibilizada no ponto de consumo durante um intervalo de tempo curto é constante. O tempo de aquecimento considerou a média de três medições, conforme Tabela 17, a seguir. Tabela 17– Tempo de aquecimento de carretas recebidas na Estação B. Poço FE-XII FE-XI FE-X FS-X FRS-X Vol (m3) 35 35 35 35 30 2700,0 6460,0 4950,0 3320,0 3180,0 Tempo(s) 2800,0 2760,0 6480,0 6500,0 4920,0 4890,0 3280,0 3300,0 3160,0 3200,0 Média 2753,3 6480,0 4950,0 3300,0 3180,0 Os óleos dos poços FE-X e FE-XI apresentaram os maiores consumos de vapor e, portanto priorizados para a avaliação de redução de consumo de insumos. Para a medição de vazão de vapor, dados apresentados na Tabela 18, foi utilizado um recipiente de 52litros, dos quais 48 foram ocupados por água fria à temperatura ambiente. O volume restante foi preenchido, até transbordar, com vapor condensado e o intervalo de tempo, medido com um cronômetro. A pressão de vapor na linha foi medida com um manômetro com escala de 0psi a 100psi e atingiu a 42 psi. A temperatura da água foi elevada até 62ºC. Tabela 18– Medição de vazão de vapor na descarga de carretas Medição 1 2 3 4 média Vol (l) 4,0 4,0 4,0 4,0 Tempo(s) 315,0 312,0 312,0 310,0 312,2 Vazão (l/s) 0,0127 0,0128 0,0128 0,0129 0,0128 Com a vazão média de vapor no ponto de alimentação das carretas e o tempo médio para enchimento do recipiente de 312,25s foi calculada a vazão do vapor no descarregamento: 0,0128 l/s. O consumo de vapor por carreta está na Tabela 19, a seguir. Também é mostrado o consumo acumulado no período de um ano considerando o número de carretas descarregadas na Estação. O volume total de vapor consumido na Estação em 2004 foi de 64,9t. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 137 Tabela 19– Consumo de vapor para o descarregamento de carretas Poço Tempo(s) FE-XII FE-XI FE-X FS-X FRS-X Total 2760 6462 4938 3300 3162 Volume Consumido (l/s) 35,4 82,9 63,4 42,4 40,6 Total carretas 328 152 124 116 688 Volume anual(m3) 11,6 12,6 7,9 4,9 27,9 64,9 A Tabela 20, a seguir, apresenta as temperaturas dos óleos medidas nos poços (FE-X e FE-XI) e também na Estação. A temperatura média desses óleos chegando a Estação é respectivamente de 31 ºC e 30,4ºC. A perda de calor do óleo é equivalente a sua variação de temperatura, portanto 5,4ºC para o óleo do poço FE-X e para o poço FE-XI 5,2 ºC. A perda de calor por carreta corresponde a 70.591,5 kcal e 67.977kcal respectivamente. Tabela 20–Temperatura de óleo saindo do poço e descarregando na Estação DATA 05/05/05 DATA 30/05 DATA 06/0605 DATA 07/06/05 Poço Estação Estação Estação FE X Medição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Media 36,5 36,2 36,3 36,4 36,5 36,6 36,2 36,3 36,5 36,3 36,38 FE-XI 35,8 35,6 35,6 35,2 36,2 34,8 35,3 35,6 35,9 36,6 35,66 FE-X FE-XI FE-X FE-XI FEX FE-XI 29,5 29,5 30,9 30,6 30,8 31,0 31,2 Temp. (°C) 29,5 31,7 31,2 31,7 31,5 31,8 31,0 31,8 31,5 32,0 31,7 32,0 32,4 32,0 30,0 30,1 30,2 30,0 29,9 29,8 29,6 30,1 30,1 30,3 30,4 31,0 31,0 31,1 29,8 29,9 30,0 29,8 30,1 30,3 30,3 30,5 31,26 29,94 30,57 30,03 31,86 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 138 A temperatura do óleo nos poços é inferior à temperatura do ponto de fluidez do óleo produzido na Estação, suscitando ser a perda de calor e conseqüente aumento de viscosidade os responsáveis pela necessidade de calor para o descarregamento desses óleos. A confirmação desta hipótese ocorreu através da medição do ponto de fluidez do óleo dos poços FE-X e FE-XI. Essa propriedade foi determinada em laboratório e apontam valores de 39°C e 45ºC, respectivamente, portanto acima da temperatura que eles estão no poço. Deste modo é demonstrado que o isolamento térmico da carreta não eliminaria a necessidade de vapor para o descarregamento desses óleos. Concluído pela inviabilidade de eliminação do vapor para o descarregamento das carretas, foi avaliada a possibilidade de redução de consumo, considerando a hipótese de que a água livre existente no óleo transportado, por sua baixa viscosidade, não necessita de aquecimento para o seu descarregamento. Para a realização do teste foi descarregado o óleo da carreta drenando a água livre, antes da injeção de vapor. O monitoramento do teor de água no óleo foi realizado qualitativamente (coletando amostras do óleo no duto de descarga da carreta). Efeitos como: bloqueio na linha e aumento do tempo de descarregamento, não foram observados durante a tarefa, portanto a retirada do vapor durante a drenagem da água livre não trouxe qualquer efeito adverso. O menor tempo de aquecimento obtido com o atraso na injeção de vapor representa menor consumo desse insumo. A Tabela 21, a seguir, apresenta a redução no tempo de aquecimento do óleo e o volume de vapor por carreta. Tabela 21–Consumo de vapor descarga de carretas do poço FE -XII Poço FE-XII Média Vazão vapor(l/s) 0,0128 0,0128 0,0128 de Tempo (s) 2100 2090 2110 2110 Volume de Vapor(l) 26,9 25,4 27,7 26,7 A redução de consumo com o experimento representa quase 20% do vapor utilizado para o descarregamento das carretas desse campo. O teor de água no petróleo recebido por carretas na Estação está próximo dos 33% . (PETROBRAS 2004c) Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 139 5.3.4.2 Geração e distribuição de vapor. A geração de vapor atende diretamente a dois processos: o de separação óleo-água e o de coleta de petróleo por carretas. Indiretamente atende ao armazenamento e a transferência de óleo. As perdas de calor estão relacionadas ao processo de produção de vapor, por conta do tipo de equipamento utilizado e, eventuais, falhas no isolamento térmico de linhas e válvulas. As tarefas realizadas nesse processo estão detalhadas na Figura 37, sendo a 3.3–Operar caldeira e a 3.5–Distribuir vapor as que requerem maior atenção. Ressalta-se que o Procedimento da Estação, não contem as atividades críticas constantes da Figura 37, a seguir. Essas atividades devem ser incluídas no procedimento da Estação considerando as boas práticas para o sistema de geração e distribuição de vapor, identificadas no subitem 3.3.5–Geração e distribuição de vapor, pois a sua ausência propicia a perda do recurso energético. As tarefas críticas para o processo são: 3.3.2–Monitorar e controlar as variáveis do processo; 3.3.3–Verificar funcionamento da purga de fundo automática; 3.5.1–Verificar purgadores; 3.5.2–Inspeção linhas de distribuição; 3.5.3–Corrigir vazamentos identificados de imediato. Os parâmetros – temperatura da chaminé abaixo de 350 °C para a caldeira de maior potência e abaixo de 250ºC para a de menor; pressão de combustível e; diferencial de pressão na fornalha devem ser reavaliados, conforme os critérios de otimização constantes do item 3– Revisão da literatura. Identicamente os procedimentos operacionais relacionados a manutenção dos equipamentos de distribuição de vapor de modo a contemplar: a correção imediata de vazamentos em linhas e válvulas; recuperação de revestimento isolante e realização de limpeza contínua e intermitente da caldeira. Com relação aos gases de chaminé a variação de temperatura deve ter a sua faixa alterada de modo a atender ao critério da USEPA. A faixa atualmente aceita implica em maior Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 140 perda de calor. A pressão do vapor gerado é outra variável a ser controlada com mais rigor, haja visto o aumento de consumo de gás com a maior pressão. 3-Gerar e distribuir vapor 3.1 Prep. caldeira para partida 3.5 Distribuir vapor Caldeira 3.6 Parar Caldeira 3.4.1 Verificar nível de água no GV. 3.5.1 Verificar purgadores 3.4.2 Verificar se o nível de água no tq e > 3m 3.5.2 Inspecionar linhas de distribuição 3.6.1 Pressionar tecla “MENU” depois tecla “0” e depois tecla “1” 3.4.3 Desligar a válvula de purga de fundo do GV 3.5.3 Corrigir vazamentos identificados de imediato 3.2 Partir a caldeira 3.3 Operar caldeiras 3.4 Medir consumo de água 3.1.1 Verificar nível de água no tq e no GV. 3.2.1 Posicionar chave em automático 3.3.1 Verificar nível de água no tq e no GV. 3.1.2 Abrir válvulas da bomba d’água 3.2.2 Selecionar bomba d’água e posicionar chave em automático 3.3.2 Monitorar e controlar as variáveis do processo 3.1.3 Abrir válvula primaria da linha de gás 3.1.4 Verificar a pressão após a PCV da linha principal 3.1.5 Abrir válvula secundaria da linha de gás do piloto 3.1.6 Verificar a pressão após a PCV da linha gás do piloto 3.1.7 Verificar existência de vazamentos 3.1.8 Verificar se val. de saída de vapor está fechada 3.2.3 Posicionar a chave Seletora do GV em LIGA, segurar e aguardar o acionamento do GV 3.2.4 Verificar o acendimento dos queimadores (piloto e principal), observando o sinalizador do programador eletrônico e o visor de chama 3.3.3 Verificar o funcionamento da purga de fundo automática 3.3.4 Purgar a coluna de nível uma vez por dia 3.3.5 Purgar a coluna de nível uma vez por dia até desligar caldeira 3.2.5 Fechar a válvula secundaria da linha de gás do piloto 3.3.6 Fazer teste manual das PSV, todo dia 15 3.2.6 Aguardar a Pressurização do GV para começar a abrir a Válvula de saída de vapor 3.3.7 Substituir elementos do filtro de água pressão > 1kg/cm2 3.4.4 Fechar a válvula de entrada do tanque 3.4.5 Medir o nível de água no tq 3.4.6 Após 1 h medir nível de água no Tq 3.6.2 Fechar valv. Primaria da linha geral de gás 3.6.3 Fechar valv. de saída de vapor 3.6.4 Acionar bomba d’agua até o nível de água cobrir o visor de nível 3.6.5 Fechar as válvulas de sucção e recalque 3.4.7 Ligar válvula de purga de fundo do GV 3.4.8 Abrir válvula de entrada de água no Tq 3.4.9 Calcular o consumo de água dos GV’s Figura 37– Fluxograma detalhado do processo de geração e distribuição de vapor, elaborado com base em PETROBRAS (2004b). . 5.3.4.3–Separação óleo-água. A separação óleo-água é realizada no tanque lavador, o qual processa o petróleo vindo do tanque de emulsão e mais a produção recebida por dutos. O vapor utilizado para aquecimento do tanque lavador pode ser descartado para corrente de água pluvial, ou ainda pode ser incorporada na corrente de água produzida para injeção. A prática utilizada na Estação é o descarte para o meio ambiente. Como o vapor utilizado para aquecimento é descartado para a corrente de água pluvial o calor residual neste condensado é perdido. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 141 Os fluidos vindos da caixa recuperação oriundos da limpeza de equipamentos, água pluvial contaminada com óleo e vazamentos na área operacional contém oxigênio, o que propicia a formação de ácidos orgânicos e sua conseqüente precipitação no processo, conforme visto no subitem 3.3.3–Tratamento de água produzida. A separação óleo-água apresenta a maior variedade e quantidade de resíduos gerados. Neste processo as principais perdas são: calor, resíduos sólidos e hidrocarbonetos voláteis. A Figura 38 apresenta as tarefas que requerem maior atenção no processo de separação óleo-agua, quais sejam: 5.2–Injetar vapor no tanque; 5.3–Injetar produtos químicos; 5.4– Monitorar variáveis do processo; 5.5.–Coletar amostras de óleo. Essas tarefas foram detalhadas em atividades identificadas com a cor azul por serem consideradas as de maior criticidade, conforme segue: 5.2.3–Manter purgadores regulados; 5.2.4–Retornar condensado ao tanque lavador; 5.3.3–Regular taxa de injeção de produto químico; 5.4.2–Manter injeção de vapor se temperatura maior que 55ºC e menor que 70ºC; 5.5.3–Fechar válvula após coleta de amostra de óleo. No procedimento operacional para a separação óleo-água não foi prevista a descarga do condensado para a canaleta de água pluvial. Esta descarga é crítica para o processo, pois propicia perda de calor e ainda risco para a segurança dos operadores, já que é uma fonte aquecida disponível para acesso. Uma opção ao descarte do condensado para as canaletas seria a injeção no colchão de água do tanque de lavagem. Neste caso o risco para os trabalhadores é minimizado, porém a perda energética continua. Esta tarefa deve ser incorporada entre as críticas, portanto. A injeção de produto químico, desemulsificante, é outra tarefa crítica desse processo, vez que a sua falta ou excesso são prejudiciais à separação óleo-água. Assim sendo é necessário rigoroso controle dessa atividade. O retorno do condensado para a linha de água de alimentação da caldeira, permite a recuperação de energia e de água, minimizando o consumo de gás natural e a adução de água doce para o processo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 142 5-Separação óleo-água 5.2 Injetar vapor no tanque 5.3 Injetar Produto químico 5.4 Monitorar variáveis do Processo 5.5 Coletar amostras de óleo 5.6 Retirar Tanque De operação 5.1.1 Abrir válvula de entrada no tanque 5.2.1 Abrir válvula 5.3.1 Conectar bombona na sucção 5.4.1 Verificar temp. entre 5.5.1 Abrir válvula 5.6.1 Fechar válvula de alimentação 5.1.2 Distribuir a vaz ão de petróleo no tanque 5.2.2 Aguardar temperatura subir Até 70ºC 5.3.2 Acionar bomba injetora 5.4.2 Manter vapor se 55<T<70°C 5.5.2 Encher coletor 5.6.2 Injetar água produzida 5.2.3 Manter purgadores regulados 5.3.3 Regular taxa de Injeção 5.4.3 Receber resultado do laboratório 5.5.3 Fechar válvula 5.6.3 Elevar nível de água 5.1 Colocar tanque em operação 5.2.4 Retornar condensado ao TL 55<T<70°C 5.4.4 Avaliar BS&W 5.4.5 Reprocessar se BS&W > 0,2 5.5.4 Enviar amostra laboratório 5.6.4 Drenar óleo 5.6.5 Drenar água 5.6.6 Limpar o tanque Figura 38– Fluxograma detalhado do processo de separação óleo água elaborado com base em PETROBRAS (2004b) 5.3.4.4–Armazenamento de petróleo. O armazenamento de petróleo é realizado em tanques de aço-carbono que recebem o óleo tratado do tanque lavador. A falta de isolamento térmico permite perdas de calor durante o armazenamento equivalente a 8ºC de diferença de temperatura. A temperatura mínima do óleo para transferência é de 55ºC, abaixo desse limite, a perda de calor compromete a fluidez do óleo no duto devido ao seu congelamento, impossibilitando a transferência. As atividades críticas estão apresentadas na Figura 39. Nesse processo as perdas de compostos voláteis e borra oleosa não estão associadas às práticas operacionais, mas ao próprio armazenamento. As tarefas que requerem maior atenção foram detalhadas em atividades, conforme segue: 6.4.3–Fechar válvula quando volume atingido; 6.5.1–manter óleo estocado. Foram detalhadas por serem consideradas as de maior Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 143 criticidade. A perda de calor identificada no fluxograma do processo de armazenamento não é visível para o procedimento da Unidade. 6-Armazenar Petróleo 6.1 Selecionar tanque em estação 6.1 .1 Verificar tanque que está vazio 6.2 Preparar tanque em estação 6.4 Acompanhar recebimento 6.5 Manter óleo estocado 6.2.1 Verificar volume útil 6.4.1 Medir Altura do tanque 6.5.1 Manter óleo estocado 6.2.2 Sinalizar tanque para recebimento 6.4.2 Conferir volume útil 6.3 Alinhar tanque em estação 6.4.3 Fechar válvula quando volume atingido Figura 39–Fluxograma detalhado do processo de armazenamento de petróleo elaborado com base em PETROBRAS (2004b). Os tanques de armazenamento também são utilizados como complementos ao sistema de separação óleo-água para eventualidades operacionais; quando o óleo não sai especificado do tanque de lavagem. Assim esses tanques são utilizados como um sistema de segurança operacional para a garantia da qualidade do produto. A instabilidade do processo é provocada por variação de temperatura, concentração de desemulsificante e tempo de residência no tanque de lavagem. Como o último parâmetro é muito maior que o necessário ao processo, este não se constitui em uma variável crítica. As outras duas são controláveis a partir de procedimentos operacionais estabelecidos e rigorosamente cumpridos, assim sendo descontrole nesse processo se constituirá em exceção e como tal deverá ser tratado. Na rotina operacional três tanques propiciam a intensificação de efeitos indesejáveis no processo; o primeiro deles, a deposição de material no fundo do tanque; o segundo é a perda de calor nessa mesma massa de óleo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 144 5.4 DETERMINAÇÃO DOS CUSTOS DAS PERDAS Os custos das perdas foram determinados utilizando as suas parcelas conforme proposto no subitem 2.4.6. Foram calculados os custos para as perdas: pela geração de resíduos oleosos (Borra de fundo de tanque e solo contaminado); perda de Compostos Orgânicos Voláteis nos tanques de armazenamento e de vapor de água. A cotação do Dólar americano (US$) utilizada durante esta etapa foi de R$ 2,75 =US$ 1,00 referente ao dia 14/03/2005. 5.4.1 Cálculo de perda pela geração de resíduos oleosos. Os resíduos oleosos são os de maior importância considerando os volumes e custos envolvidos. O custo dessa perda envolve várias atividades desde a coleta do material dentro do tanque, ou no solo – de acordo com o tipo do resíduo – até o seu tratamento, passando pela administração desse trabalho. A Tabela 22 –Custo por tonelada para gerenciamento de resíduos oleosos da Estação B– apresenta dados obtidos de contratos de prestação de serviços de limpeza de tanques, transporte e tratamento de resíduos realizados na Unidade de Negócio no ano de 2005. Tabela 22 –Custo para gerenciamento de resíduos oleosos da Estação B (R$/t) Tipo de Custo Tratamento Perda do produto Administrativo Resíduo oleoso Borra fundo tanque Solo contaminado 565,00 565,00 341,00 85,25 50,00 60,00 Coleta 380,00 50,00 Total 1336,00 760,25 O custo administrativo considera o tempo necessário para a realização da coleta e tratamento de uma tonelada de resíduo e valor do salário médio por hora dos trabalhadores envolvidos na coordenação desses serviços. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 145 O teor de sólidos da borra oleosa considerado foi de 20% calculados a partir do teor de sedimentos nos tanques. Cada tonelada de borra oleosa contém 2,51 bbl de óleo. A densidade da borra é muito próxima de 1g/cm3. O teor de sólidos do solo contaminado foi estimado em 90%, a partir de dados de remoção de material de vazamentos em diversos campos da Unidade. Cada tonelada de solo contaminado contém 0,62 bbl de óleo. O custo anual com esses resíduos oleosos é de R$ 608.586,00 sendo R$ 520,906,40 com a borra de fundo de tanque e R$ 87.679,60 com solo contaminado. 5.4.2 Cálculo do custo da perda de COV para atmosfera. O volume de hidrocarbonetos gasosos perdidos para a atmosfera anualmente, calculado pelo SIGEA PETROBRAS (2005b) é de 352,2t, conforme a Tabela 13, página 111. Considerando o preço de mercado para o gás natural de US$3,00/MMbtu, ou R$ 320 /1000m3 (PETROBRAS 2005c), pode-se calcular o valor da perda, conforme apresentado na Tabela 23, a seguir. Tabela 23 – Custo para gerenciamento de COV (R$/t) Tipo de Custo Tratamento Perda do produto Administrativo Coleta Total COV´s 0,00 403,20 0,00 0,00 403,20 O custo de gerenciamento dos Compostos Orgânicos Voláteis – COV está associado apenas à perda do produto. Os demais itens de custo têm valor desprezível e, portanto não foram considerados. Com o custo unitário e volume total de perda calcula-se o custo total em R$ 142.007,40/ano. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 146 5.4.3 Cálculo do custo de calor perdido na Estação B. O cálculo do custo do calor perdido considerou o custo equivalente para a produção da mesma quantidade de vapor, levando em conta o custo de geração de vapor da estação. As perdas de vapor foram calculadas utilizando as equações 03 e 04, sendo que inicialmente foi calculado o custo de geração de vapor CG, conforme abaixo. Dados de entrada: Pc = Preço do combustível – gás natural da Petrobras (US$/MMbtu) 3,00 Hv = Entalpia do vapor produzido na Estação (btu/lb) a 65psia 1.179,1 HAA = Entalpia da água de alimentação (btu/lb) a (22,5 °C) 33,00 ηc = Eficiência total da caldeira (fração) 0,82 CG = Custo de geração do vapor (US$/1000lb). 5,50 5.4.3.1 – Cálculo do custo anual da perda de calor no condensado descartado. Todo condensado de vapor é drenado para as canaletas de água pluvial sendo, portanto o calor perdido para o ambiente. Utilizando a equação 11 calcula-se o custo da perda do condensado na Estação. Massa de condensado (kg) 30870000 2 Entalpia do condensado a pressão média de uso 4,0kgf/cm (kJ/kg) 414,2 Entalpia da água de alimentação (kJ/kg) 83,6 Quantidade de vapor anual equivalente ao condensado perdido (t) 2710,7 Custo anual da perda do condensado vapor (US$) 32799,80 Como o condensado é descartado não há coleta e nem tratamento e, portanto, o custo de gerenciamento não foi considerado. O custo total perfaz um montante de R$ 90.199,42. A Tabela 24 apresenta o custo de gerenciamento dessa perda. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 147 Tabela 24 – Custo para gerenciamento de perda de condensado (R$/t) Tipo de Custo Tratamento Perda do produto Administrativo Condensado 0,00 3,36 0,00 Coleta 0,00 Total 3,36 5.4.3.2 – Cálculo do custo anual da perda de calor pelo Tanque de armazenamento. A perda de calor no tanque de armazenamento ocorre pela falta de isolamento térmico e propicia uma redução média de 8°C na temperatura do óleo. A seguir está apresentado o cálculo da perda por cada tanque, que foi realizado utilizando a equação 09. Calor específico do óleo (kJ/kg/°C) 1,88 Variação de temperatura do óleo (°C) 8.0 Massa de óleo aquecida (kg) 76172600 Calor perdido (kJ) 1,145x109 Volume de gás equivalente perdido (m3) 35265,09 Quantidade de vapor (t) 431,9 Custo anual do vapor (US$) 5234,82 O custo unitário de gerenciamento da perda de calor no armazenamento para cada tanque apresentado na Tabela 25 é de R$ 14.395,76, enquanto o custo total para os três tanques é de R$ 43.187,27. Tabela 25 – Custo para gerenciamento de perda de calor armazenamento Tipo de Custo Tratamento Perda do produto Administrativo Coleta Total (R$/tanque) Tq’s Armazenamento 0,00 14.395,76 0,00 0,00 14.395,76 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 148 5.4.3.3 – Cálculo do custo anual da perda de vapor por linha de ¼ ” Foi identificada uma válvula de quatro polegadas com vazamento de vapor de aproximadamente ¼” . Esse tipo de perda tem efeito altamente negativo sobre o sistema de distribuição devido a sua constância e tendência ao alargamento do orifício com o tempo. Para o cálculo da perda de vapor foi utilizado o Anexo II-Perda de vapor por orifício. Taxa de perda horária 35,11 Tempo de perda (h) 8640 Consumo de combustível (m3) 1751,05 Quantidade de vapor (t) 137,88 O custo unitário de gerenciamento pela perda de vapor na válvula da linha de distribuição apresentado na Tabela 26 é R$ 33,27, enquanto o custo total é R$ 4.588,00 considerando a seguinte cotação do dólar ( US$ =2,75R$) Tabela 26 –Custo de gerenciamento de perda por vazamento em linha Tipo de Custo Tratamento Perda do produto Administrativo Coleta Total (R$/t) Vazamento vapor 0,00 33,27 0,00 0,00 33,27 5.4.3.4 – Cálculo do custo da perda de calor no tanque de emulsão. Para o cálculo do custo da perda de calor no tanque de emulsão foram utilizados a equação geral de perda de calor e os coeficientes globais de troca térmica, considerando a temperatura máxima em 79ºC, conforme visto anteriormente. A Tabela 27 apresenta os valores para o gerenciamento dessa perda. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Coeficiente global de troca térmica (W/m2/ºC) 149 9,1 2 Área do tanque total (m ) 204,4 Temperatura da emulsão ( ºC) 79 Temperatura ambiente (ºC) 22 O calor perdido ano (kJ) 6,46x109 Volume de gás equivalente consumido (m3) 160.946,12 Quantidade de vapor perdido (t) 1.995,22 Custo de geração de vapor perdido (US$/1000lb) 5,5 Custo do vapor perdido (R$) 66.391,11 O custo para gerenciamento da perda de calor está associado apenas à sua reposição. Não há custos com a coleta e o tratamento do condensado, já que o mesmo é descartado. Tabela 27 – Custo para gerenciamento de perda de calor Tq emulsão Tipo de Custo Condensado Tratamento Perda do produto Administrativo 0,0 66.391,11 0,0 Coleta 0,0 Total (R$/tanque) 66.391,11 Os custos das perdas associadas ao respectivo processo estão mostrados na Tabela 27, a seguir. O processo de coleta é o que apresenta o maior numero de perdas enquanto a geração e distribuição de vapor o menor e menos significativo. Tabela 28 – Matriz de Custo x processo das perdas. Tipo de perda Processo Coleta Separação O/A Armazenamento Geração e dist vapor Borra Oleosa 96.860,00 72.010,40 154.308,00 _ COV Vazamento 16.693,00 78.140,00 47.175,00 _ 87.680,00 _ _ _ Calor condensado 16.234,60 82.964,80 _ 4.588,00 Calor 66.396,10 _ 43.187,30 _ Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 150 5.5 SELEÇÃO DO FOCO E PRIORIZAÇÃO DE PROCESSO Para a identificação dos processos prioritários da produção de petróleo foram utilizados os critérios estabelecidos, conforme visto no subitem 2.4.4–Seleção do foco e priorização de processos, sendo apresentados os respectivos resultados dessa seleção, a seguir: a–)Quantidade de resíduos e custos– Conforme visto na Figura 18–Gráfico de setores dos resíduos gerados no Pólo de Produção A, a borra oleosa é o resíduo com maior volume de geração, após a água oleosa. O custo de manuseio elevado para esse resíduo, conforme apresentado no subitem 5.4–Determinação dos custos das perdas, explica a sua priorização para estudo. Os processos associados a este resíduo são a separação óleo-água no tanque lavador, o armazenamento do óleo e a flotação de óleo. b–)Problemas identificados na avaliação da instalação – A geração de resíduos oleosos, perda de água pelo descarte do condensado do vapor, a perda de hidrocarbonetos voláteis por evaporação nas diversas etapas do processo, a perda de calor no tanque de lavagem, no descarregamento de óleo e no tanque de armazenamento são os principais problemas identificados. Os vazamentos de óleo embora sejam fontes de geração de resíduos apresentam causas diversas, mas nenhuma associada a operações possíveis de eliminação. c–)Utilizando o diagrama da cebola. A ordem de prioridade estabelecida por esta ferramenta coloca a separação óleo-água como o centro da análise, pois este processo concentra o consumo energético e a geração de resíduo, sendo, portanto o coração da produção de petróleo. A flotação convencional para a retirada do óleo da água assume a segunda posição, com baixa geração de resíduo e sem consumo energético. O sistema de geração de vapor como sendo produtor de utilidade para o processo ocupa a terceira posição. Com base na avaliação anterior foi elaborada uma matriz de priorização de atividades, Quadro 04, mostrando os critérios de análise e os processos/tarefas de produção de petróleo. Assim os processos priorizados para análise foram: Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 151 Quadro 04 –Matriz de priorização de processos. Critério a b c Separa. O/A Desc. carreta 1 1 2 1 3 Processo Armazen . 2 3 - Flotação 3 2 Dist. de Vapor 4 Legenda: 1– Prioridade muito alta; 2– Prioridade alta; 3–Prioridade média; 4–Prioridade baixa; 5– Prioridade muito baixa. Os processos foram priorizados em função de sua pontuação nos critérios estabelecidos anteriormente. A mais alta prioridade foi atribuída o valor 1, a condição imediatamente inferior o valor 2 e assim sucessivamente. A separação óleo-água é priorizada em todos os critérios, quer seja por atuar como reator do processo realizando a mistura do desemulsificante, quer seja por permitir condição adequada para a separação óleo-água. Os processos de descarregamento de carretas, de armazenamento e de flotação de óleo apresentaram empate na segunda colocação. Porém considerando que a geração de borra é maior no armazenamento este foi selecionado. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 152 5.6 ESTABELECIMENTO DE INDICADORES No item subitem 2.4.5–estabelecimento de indicadores; foi vista a importância desses elementos comparativos para o monitoramento das atividades industriais e quais deles podem ser utilizados para acompanhar a atividade de produção de petróleo. Neste trabalho os indicadores foram utilizados com dois propósitos: o primeiro, para estabelecer parâmetros internos de controle ambiental; e o segundo, para servir como elemento de comparação com outras empresas. Para atendimento ao primeiro propósito foram utilizados os indicadores relacionados às principais perdas, ou consumo de recurso natural (água, energia, óleo). Com esta premissa, o monitoramento do consumo de água da instalação por unidade de produto contribui para a otimização do uso de recurso, além de estimular a reciclagem. Para os demais indicadores são válidas as mesmas premissas, principalmente estimulando a redução das perdas. Os valores atualmente medidos para esses indicadores são vistos na Tabela 28,a seguir. O volume de água medido na estação atualmente é relacionado apenas à geração de vapor. Os demais itens de consumo são baixos e não é previsto o seu acompanhamento pela operação da Unidade. Tabela 29 –Indicadores de PmaisL da Estação B Indicador Consumo de água por unidade de produto. Consumo de energia (vapor) por unidade de produto Quantidade de resíduos sólidos gerados por unidade de produto Quantidade de emissões atmosféricas geradas por unidade de produto Unid. m3/t Valor da Estação 0,1 kWh/t 10,7 t/t 0,012 t/t 0,0016 Além dos indicadores acima, foram utilizados os da “Oil and Gás Pruducers”, atendendo ao segundo propósito, conforme apresentado na Tabela 01, página 49. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 153 Os valores para os indicadores medidos na Estação indicam haver oportunidades para melhoria no processo de tratamento de água produzida, conforme Tabela 28. Salienta-se que a Estação não descarta água para o ambiente, o que explica os valores mais elevados de óleo na água produzida. Tabela 30 –Indicadores comparativos da Estação B Indicador Descarte de óleo na água produzida em terra. Perda de óleo na água produzida Valor referência OGP Valor da Estação 14,02 mg/L 20,5 mg/L 9,8 t/106 t 86,99 t/106 t Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 154 5.7 ANALISE DAS RAÍZES DAS CAUSAS A análise da causas de geração de resíduos tenta vislumbrar como o resíduo é gerado e assim encontrar as ações de bloqueio. Encontrar as razões básicas que explicam o uso de um recurso, ou a sua perda no processo é importante porque permite avaliar se este recurso pode deixar de ser usado ou substituído. O diagrama de Ishikawa, conforme proposto no item 2.4.7, foi utilizado para mapear as causas das principais perdas identificadas e demonstrar as relações de causa e efeito nos diversos processos. Nos itens a seguir é apresentada a discussão detalhada do assunto. 5.7.1 Causas da geração de resíduos oleosos. As causas da geração de borra nos tanques de armazenamento estão associadas a vários fatores conforme pode ser visto na Figura 40, que se segue, sendo destaque a falta de isolamento térmico, as condições ambientais e a qualidade da matéria-prima. O ponto de névoa do óleo explica a necessidade de calor para o armazenamento do produto. A análise laboratorial do óleo da Estação B mostra o ponto de névoa em 41,49ºC. (UN-BA 2001). Conforme visto anteriormente, temperaturas do óleo abaixo do seu ponto de névoa permitem a deposição das parafinas. Ainda deve ser considerado que, com a evaporação de leves, a solubilidade das parafinas de peso molecular mais elevado é reduzida, havendo a sua precipitação no óleo e gerando, portanto as borras. A variação de temperatura a qual está submetido o óleo é outro fator a ser considerado, uma vez que, o óleo chegando do tanque lavador encontra o óleo residual da última transferência a uma temperatura mais baixa, propiciando o esfriamento do conjunto em 10ºC. . Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Informações do processo ou medidas Tmp arm Métodos ou procedimentos Insumos Aum. visco. Teor paraf. alto PM Flh. ajte tmpt. Ef. sep. tl Per. cal. Ajte bmb. inj. Conc. adt. Sol.form. Flh. contr. proc. de transf. Tmpt arm Qualid. óleo. Bxa vel. Ench.tq. Desc. proc. Bxa turb. 155 Var. tmpt Geração de borra tanque armazenamento Per. cal. Flt isol. term. Cond. clim. Vol. mor.fun.tq. Intp transf. Pessoas Condições ambientais Equipamentos Figura 40 – Causas as para a geração de borra no tanque de armazenamento. Legenda: Aum. visc– Aumento na viscosidade; Ajte bmb inj. –Ajuste na bomba de injeção; Bxa turbBaixa turbulência; Bxa vel ench. tq-Baixa velocidade de enchimento do tanque; Conc. adtConcentração de aditivo; Cond. clim- Condição climática; Desc. proc- desconhecimento do processo; Ef. Sep. tl- Eficiência de separação no tanque de lavagem; Flh. ajte tmpt- Falha no ajuste de temperatura; Flh. contr. proc. trans. - Falha no controle do processo de transferência; Flt isol. term- Falta de isolamento térmico; Intp trans.-Interrupção no processo de transferência; Per.cal- Perda de calor; Teor paraf. alto PM- Teor de parafinas de alto Peso Molecular; Qualid. Óleo-Qualidade do óleo; Red. Tmpt- Redução de temperatura; Sol. form- Sólidos da formação produtora; Tmp arm- Tempo de armazenamento; Tmpt arm- Temperatura de armazenamento; Var. tmpt- variação de temperatura; Vol. mor. fun. tq- Volume morto no fundo do tanque O tanque de armazenamento não tem isolamento térmico. Assim o mesmo fica submetido às condições ambientais: perdendo para o ambiente o calor adquirido e reduzindo a temperatura do óleo no fundo do tanque para 45°C. Como visto anteriormente as parafinas são sensíveis a variação de temperatura e a condição ambiental. No fundo do tanque, com Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 156 pouca ou nenhuma turbulência, existem condições adequadas para a deposição das parafinas. O óleo recebido para armazenamento está a temperatura média de 75 °C. Devido ao ciclo de enchimento e esvaziamento, cada tanque fica parado sem movimentação por 24 h. Neste período ocorre a perda de calor do óleo remanescente no fundo do tanque, o que favorece a redução de temperatura para 45°C. Quando o tanque volta a receber a produção a 75°C, a temperatura final de equilíbrio é reduzida com diferencial de 8ºC a 10°C. representando uma perda de calor equivalente a até US$ 5.234,84. As causas da geração de borra no tanque lavador, ver na Figura 41, a seguir, estão associadas a um menor número de fatores, quando comparadas com a geração de borras no fundo de tanques de armazenamento. Merecem destaque as condições ambientais, as medidas do processo e ainda a qualidade da matéria-prima. A condição ambiental necessária ao processo de separação óleo-água: um ambiente tranqüilo e de baixa viscosidade propicia a decantação de partículas vindas com o fluido produzido e, por conseguinte a geração de borras. Como o tanque lavador apresenta essas condições é sempre um local adequado à precipitação de partículas sólidas, especialmente aquelas vindas no meio aquoso. Tais partículas encontram uma baixa viscosidade nesse fluido e sedimentam, mesmo as de menores diâmetros. Insumos Métodos ou procedimentos Informações do processo ou medidas Tempo de residência Sólidos Concentração de aditivos Desconhecimento do processo Geração de borra no tanque lavador Necessidade operacional Turbulência Pessoas Condições ambientais Equipamentos Figura 41 – Causas para a geração de borra de fundo de tanque lavador. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 157 5.7.2 Causas da perda de vapor. O descarte de vapor no tanque lavador ocorre devido à inexistência de um sistema de recuperação de condensado. Isso está associado principalmente à dificuldade em garantir a ausência de óleo no condensado, tanto do ponto de vista de projeto quanto operacional (manutenção da confiabilidade dos equipamentos de medição de óleo), vez que existe a possibilidade de furo no trocador de calor, o que provocaria o arraste do óleo pelo vapor, conseqüentemente danificando a caldeira. As causas que provocariam a não recuperação do condensado do vapor estão no diagrama de causa e efeito na Figura 42, abaixo. Métodos ou procedimentos Informações do processo Ou medidas Falta de medição de temperatura do condensado. Falta de sistema de recuperação Desconhecimento processo de recuperação Descarte de vapor tanque lavador Desconhecimento da perda Desconhecimento do beneficio da recuperação Pessoas Equipamentos Figura 42– Causas para a perda de vapor no tanque lavador A instalação do sistema de recuperação de condensado somente se viabiliza, estabelecendo mecanismos de garantia da qualidade do vapor, o que pode ser feito eliminando as causas identificadas no diagrama de causa-efeito constante da Figura 42. A implantação de algumas ações preventivas, como: estabelecimento de uma rotina de medição de teor de óleos e graxas no condensado de vapor; testes de estanqueidade das linhas Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 158 e trocadores de calor, irão garantir a qualidade do vapor e, portanto, a manutenção de sua recuperação. 5.7.3 Causas da perda de calor. As principais perdas de calor ocorrem nos tanques de emulsão e armazenamento. A perda de calor no descarregamento de óleo ocorre devido tanto a falta de isolamento do tanque de armazenamento de emulsão, como a inexistência de um sistema de controle de temperatura nesse tanque; o que propicia se ter um aquecimento excessivo do óleo. As causas para a perda de calor constam da Figura 43, a seguir. Métodos ou procedimentos Insumos Temperatura do óleo Desconhecimento do processo Variação climática Informações do processo ou medidas Falta medição de temperatura do óleo. Trocador de calor furado Perda de vapor descarregamento de óleo Falta de equipamento Pessoas Condições ambientais Equipamentos Figura 43– Causas para a perda de calor no descarregamento de carretas Além da perda do calor no tanque de emulsão, ocorrem perdas menores nos descarregamento de carretas devido à falta de conhecimento da temperatura da matéria-prima, e da quantidade de vapor necessário à fluidificação do óleo as condições climáticas que favorecem essa perda de calor. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 159 Outra importante perda de energia ocorre no armazenamento do óleo. Isso se deve principalmente a falta de isolamento do tanque, bem como a prática de se manter um volume residual no tanque de armazenamento, após a transferência. Esta massa de óleo no fundo do tanque resfria e promove a perda de calor da fração com maior temperatura. Influenciam também, outros fatores como desconhecimento dos operadores sobre a importância de reduzir o consumo de gás natural. Este último fator está relacionado a pouca importância que se atribui a esse recurso natural, já que ele é produzido no próprio sistema. Na Figura 44 estão apresentadas as causas de perda de energia pelo tanque de armazenamento. Insumos Métodos ou procedimentos Informações do processo Ou medidas Programação de transferência Desconhecimento do processo Perda de energia no tanque armazenamento óleo Variação climática Falta isolamento térmico Pessoas Condições ambientais Equipamentos Figura 44– Causas para a perda de energia no armazenamento de óleo. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 160 5.8 GERANDO AS PROPOSTAS DE PmaisL A elaboração de propostas de PmaisL requer: o conhecimento detalhado: do processo produtivo e das opções tecnológicas disponíveis. A aplicação sistematizada das ferramentas de minimização sobre o sistema de produção em estudo, conforme previsto no subitem 2.4.8., ocorre após o desenvolvimento de todo um processo analítico da instalação. A seguir está apresentada a discussão das propostas identificadas sob o foco da avaliação técnica, econômica e ambiental. O produto não pode sofrer alteração de composição, dado que implicaria em perdas econômicas. A qualidade do petróleo, para o mercado, é determinada por sua composição química, já que ela define os produtos que serão produzidos por ocasião do processo de refino e, ainda, determina o grau de dificuldade para processamento deste petróleo. O petróleo baiano está classificado entre os melhores do mundo pelo seu alto teor de parafinas. A redução na fonte pela eliminação ou decréscimo do volume ou da toxicidade relativa da matéria-prima não se viabiliza, atualmente, em face da inexistência de uma opção adequada. Assim a melhoria da matéria-prima antes de sua incorporação no processo implicaria também em processamento, conseqüentemente, produzindo os mesmos efeitos indesejados quando processada na Estação. A utilização de aditivos menos tóxicos no tratamento do petróleo não traz efeito considerável, vez que a concentração utilizada é muito baixa (15 ppm). Adicionalmente o efluente produzido possui elevada toxicidade intrínseca, devido a grande concentração de sais na água do reservatório. Desta forma nenhum efeito perceptível seria obtido com a troca do aditivo. A toxicidade do efluente, portanto não seria modificada.. As embalagens utilizadas para os aditivos poderiam ser recicladas com o fornecedor do produto, o que minimizaria o impacto pelo uso do produto. O estoque de produto na instalação é bastante reduzido, e se realiza em área protegida, minimizando a geração de resíduos por eventuais vazamentos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 161 A borra oleosa apresenta elevado teor de hidrocarbonetos; mas devido a simplicidade do processo de produção de petróleo, não é viável recuperá-la na planta. A geração do resíduo ocorre em batelada, tornando difícil a instalação de uma unidade para a recuperação de óleo, já que a mesma teria uma baixa taxa de utilização, encarecendo assim os custos do processo. Externamente à planta, a Unidade dispõe de Centrais de Armazenamento e Tratamento de Resíduos. Nessas instalações é possível recuperar o óleo deixando o teor de hidrocarbonetos abaixo de 8%. Essas plantas utilizam vapor para fluidificação do óleo. A seguir estão listadas as opções identificadas e classificadas, de acordo com as ferramentas da PmaisL a ela relacionadas. 5.8.1–Práticas operacionais. 5.8.1.1– Inserir melhorias no procedimento de geração e distribuição de vapor . 5.8.1.2– Alterar esquema de transferência de óleo. 5.8.1.3–Transferir continuamente a produção operando com apenas um tanque de armazenamento. 5.8.1.4– Alterar esquema de transferência de óleo e revestir tanque de armazenamento. 5.8.2–Mudanças tecnológicas. 5.8.2.1– Redução da faixa de controle de temperatura do tanque lavador. 5.8.2.2– Controlar a pressão do vapor na caldeira estabelecendo menor faixa de variação. 5.8.2.3.– Isolar termicamente os três tanques de armazenamento. 5.8.2.4.– Instalar sistema de recuperação de condensado de vapor. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 5.8.2.5– Isolar termicamente o tanque de emulsão. 5.8.2.6– Instalar válvula moduladora no tanque lavador 5.8.2.7–Instalar válvula moduladora no tanque de emulsão 5.8.3–Regeneração/reuso dentro da indústria. 5.8.3.1–Recuperar óleo da borra de fundo de tanque. 5.8.3.2–Instalar recuperador de vapor de hidrocarbonetos no tanque lavador. 5.8.3.3–Instalar recuperador de vapor de hidrocarbonetos no tanque de armazenamento. 5.8.4–Recuperação de energia fora da indústria. 5.8.4.1–Utilização do resíduo oleoso na indústria cerâmica. 162 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 163 5.9 AVALIAÇÃO TÉCNICA AMBIENTAL E ECONÔMICA Conforme o item 2.4.9, depois de identificadas as oportunidades de PmaisL, deve-se realizar uma avaliação técnica, econômica e ambiental de cada opção encontrada. Essa análise visa dar consistência às propostas elaboradas e assim facilitar a sua implantação. A avaliação econômica foi realizada com o cálculo do tempo de retorno do investimento – TRI dado pela equação 5. A taxa de conversão do Dólar considerado foi de 1US$= 2,75R$, conforme visto anteriormente no item5.4. A seguir estão relacionadas às propostas de PmaisL identificadas para a Estação com a respectiva avaliação técnica, econômica e ambiental. Proposta 1– Inserir melhorias no procedimento de geração e distribuição de vapor. Avaliação técnica – A inserção de tarefas críticas nos procedimentos operacionais permite a equipe o entendimento da importância dessa tarefa para a minimização de perdas no processo, vez que, torna visível as etapas fundamentais, outrora relegadas a um plano secundário. As melhorias identificadas no processo de geração e distribuição de vapor subitem 5.2.1.2, devem ser incorporadas nos procedimentos operacionais da Estação, de modo a permitir a sua realização dentro dos critérios da PmaisL. As atividades críticas são: inspecionar linhas e corrigir vazamentos; manutenção de purgadores; verificar funcionamento da purga de fundo; monitorar e controlar as variáveis do processo; manter o teor de oxigênio entre 2,0% e 2,4%. Estas modificações são tecnicamente viáveis e trazem como beneficio a redução de perdas. Não existem impedimentos para a sua realização. Não será comprometida a segurança Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 164 dos operadores, desde que sejam treinados para a realização das novas tarefas. Como as mudanças são de procedimento, não serão necessários novos equipamentos e nem espaço adicional na instalação. A inspeção de linhas e correção imediata de vazamentos torna possível reduzir perdas de vapor. Vazamento de uma válvulas de bloqueio podem produzir consideráveis perdas anuais de vapor. A manutenção das boas condições de higiene da instalação facilita a identificação das perdas e a sua rápida eliminação, além de ser mais seguro para os trabalhadores, pois reduz risco de contato com fontes aquecidas. Estabelecer rotina de troca de equipamentos, logo que detectado o vazamento, implica algumas vezes em paralisar operações, no entanto não compromete a produtividade da instalação, por que a carga térmica acumulada no processo é muito grande, assim a sua operacionalidade não é comprometida. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental do estabelecimento de procedimentos críticos no processo sob o critério da PmaisL é evitar o consumo desnecessário de aditivos, gás natural e água. Apenas com a geração de vapor seriam economizados anualmente 942,9t de vapor equivalente 76.068 m3 de gás natural. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução de custo: pela economia de gás utilizado para produzir o vapor e pelo menor consumo de água. Importa salientar que este último, ainda não exerce influência significativa, pois o seu custo é muito baixo. Apenas considerando a correção de vazamentos de vapor identificado na visita a instalação, o beneficio econômico calculado é previsto em R$ 4.588,00/ano. O custo de substituição da válvula não foi considerado para a avaliação de investimento, pois teria que ser feito de qualquer maneira. O beneficio está na abreviação do tempo para realizar a troca. Investimento: Sem investimento Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 165 Retorno financeiro: Recuperação da perda de vapor R$ 4.588,00/ano Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 166 Proposta 2– Alterar o esquema de transferência de óleo. Avaliação técnica – O óleo recebido para armazenamento está a temperatura média de 75 °C, mas devido ao processo cíclico de operação (enchimento, espera, esvaziamento, espera,enchimento) cada tanque fica parado sem movimentação por até 16 horas. Neste intervalo de tempo ocorre a perda de calor do óleo reduzindo a temperatura da porção remanescente no fundo tanque para 45°C. Quando o tanque com óleo frio, volta a receber a produção a 75°C, a temperatura final da mistura é reduzida em 8ºC, representando uma perda de calor equivalente a 34.896 m3/ano. A alteração do esquema de transferência, para reduzir perdas, requer a redução do numero de tanques da Estação. A operação com apenas um tanque evita os problemas advindos do processo cíclico de operação. Porém, para manter a sistemática de medição fiscal da produção é necessário fazer a transferência em bateladas, dividindo-a em duas etapas. A transferência do óleo em duas etapas reduz as perdas de calor, pois a exposição do óleo ao ambiente acontece por um intervalo de tempo menor e reduz emissões pela menor área exposta. O tempo de decantação das partículas pesadas de óleo também será reduzido, o que contribui para minimizar a geração de borra oleosa. Porém será necessário atentar para o aumento do controle da qualidade do óleo no tanque lavador, de modo a garantir a especificação do produto e evitar o seu retratamento. Caso seja necessária a realização dessa operação o óleo deverá ser transferido para o tanque de armazenamento que estará vazio. A modificação é segura para os trabalhadores e evita variações de temperatura no tanque, portanto melhora a qualidade do produto e não compromete o espaço disponível na instalação. Os procedimentos operacionais e o fluxo de trabalho serão alterados, por isso será necessário treinar o pessoal para operar a nova sistemática de transferência, no entanto não será necessária a parada da produção para a sua implantação. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 167 Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da alteração do esquema de transferência de óleo está associado à minimização de consumo de gás natural em 34.896 m3/ano e a redução de emissão de compostos orgânicos voláteis para a atmosfera em 49.140 m3/ano. Adicionalmente é esperada a redução de borra oleosa no fundo do tanque. A redução na perda de calor para o ambiente implica em outras 76 t/ano de vapor correspondendo a 6.131m3/ano. Avaliação econômica – A componente ambiental é muito importante devido ao efeito estufa provocado pelo metano presente nos compostos voláteis emitidos pelo petróleo. A redução no consumo de vapor para aquecimento do óleo em R$ 14.395,72 também deve ser considerada. Apesar do pequeno retorno financeiro é recomendável a realização desse projeto pela possibilidade de venda dos créditos de carbono. Investimento: Treinamento dos operadores R$ 6.000,00 Retorno financeiro: Redução da perda de gás natural geração de vapor R$ 14.395,72 Redução da perda de calor para o meio ambiente R$ 2.528,90 Redução da emissão de voláteis para o meio ambiente R$ 15.724,80 TR I=6.000,00/32.649,42=0,18anos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 168 Proposta 3 – Transferência continua da produção operando com apenas um tanque de armazenamento. Avaliação técnica – A rotina operacional com mais de um tanque de armazenamento aumenta as emissões atmosféricas de COV, pois esta perda depende, entre outros fatores, da área de exposição do produto; maior número de tanques maior a área exposta. Neste cenário a simulação de emissão de hidrocarbonetos, utilizando o módulo de cálculo do SIGEA mostrou aumento da perda em 24,60 t/ano. (PETROBRAS 2005b). O óleo recebido para armazenamento está a temperatura média de 75 °C, mas devido ao processo cíclico de transferência, cada tanque fica parado sem movimentação por até 16 horas. Neste intervalo de tempo ocorre a perda de calor do óleo reduzindo a temperatura da porção remanescente no fundo tanque para 45°C. Quando o tanque com óleo frio, volta a receber a produção a 75°C, a temperatura final da mistura é reduzida em 8ºC, representando uma perda de calor total equivalente a até US$ 5,234.84/ano por tanque. Esta perda não será eliminada por conta desta proposta, uma vez que não se prevê o isolamento térmico do tanque. A operação continua de transferência com apenas um tanque de armazenamento, sem revestimento isolante provoca o aumento da perda de calor em aproximadamente 1% ou o equivalente a 76 t/ano de vapor, devido a este tanque ficar todo tempo com o óleo em seu nível médio exposto ao ambiente, portanto perdendo calor. Apesar da redução de perda de voláteis, operar a Estação com apenas um tanque e transferência contínua traz os seguintes inconvenientes: a)necessidade de troca da metodologia de medição fiscal da produção na Estação, passando a ser em linha e não por diferença de nível. Esta mudança requer a instalação de equipamentos de medição de volume e BS&W, que são sofisticados e demandam custos adicionais de instalação e operação, além de uma sistemática de aferição e calibração. b)mudança no processo de transferência da produção da Estação, tornando o escoamento de óleo constante e não mais intermitente. Isso demanda alterações da sistemática de transferência das estações de produção vizinhas. Com essa nova sistemática de transferência é adicionado o risco de congelamento do óleo na linha em caso de paralisação. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 169 Tal evento tornará a estação inoperante por pelo menos 10 dias, já que será necessária a desobstrução de toda tubulação numa extensão aproximada de 50 km. A instalação dos equipamentos de medição, não compromete o espaço disponível, haja vista as suas pequenas dimensões. Esse novo equipamento utiliza apenas energia elétrica e, portanto, não compromete as facilidades disponíveis na Estação, mas necessitará de manutenção adequada, pois apresenta elevado nível de precisão. A instalação do medidor em linha não compromete o fluxo de trabalho ou a produtividade. Mas será necessário treinar o pessoal da instalação para operar o novo sistema de medição além de negociar com outros gestores o uso do duto de modo continuo e não mais intermitente. Não haverá comprometimento da segurança dos trabalhadores, porque não serão adicionados novos riscos ao processo. Para a instalação do novo sistema de medição não será necessária parada da produção, pois atualmente a transferência de óleo opera em regime de batelada, assim a instalação do novo sistema deverá ser programada no intervalo entre duas transferências. Avaliação ambiental – O beneficio da transferência contínua está associado a redução de emissão de compostos orgânicos voláteis para a atmosfera em 24,6t/ano. Adicionalmente é esperada a redução de borra oleosa no fundo do tanque. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a recuperação dos compostos orgânicos voláteis que seriam perdidos para a atmosfera caso fossem utilizados 3 tanques, mas ocorreria aumento na perda de calor para o ambiente. Adicionalmente os custos de instalação e manutenção dos equipamentos de medição fiscal são elevados. Investimento: Instalação de uma estação de medição R$ 209.000,00 Retorno financeiro: Redução da perda de COV’s nos tanques R$ 9.918,72 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Aumento da perda de calor TR I=209.000,00/7.398,20=28,3anos. R$ 2.520,50 170 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 171 Proposta 4 – Alterar o esquema de transferência de óleo e revestir um tanque de armazenamento. Avaliação técnica – Conforme visto no item anterior a operação com apenas um tanque traz inconvenientes técnico-operacionais, econômicos e também ambientais. Esses problemas podem ser evitados mantendo a transferência em batelada, mas dividindo-a em duas etapas. Este modo de operação requer negociação com as demais estações que compartilham o uso do duto para escoamento da produção. A transferência em duas etapas reduz as perdas de calor por um menor intervalo de exposição do óleo ao ambiente. O tempo disponível para decantação das partículas pesadas de óleo também será reduzido, o que contribui para minimizar a geração de borra oleosa. Porém será necessário atentar para o aumento do controle da qualidade do óleo no tanque lavador de modo a garantir a sua especificação e evitar o seu retratamento. A modificação é segura para os trabalhadores e evita variações de temperatura no tanque, portanto melhora a qualidade do produto. O isolamento térmico, por razões óbvias, não compromete o espaço disponível na instalação. Os procedimentos operacionais e o fluxo de trabalho serão alterados, por isso será necessário treinar o pessoal para operar com o novo sistema de transferência. A instalação do revestimento implica em custo adicional, mas não será necessária a parada da produção para a implantação do novo sistema de operação. O revestimento pode ser instalado com o tanque em operação, ou durante a parada para manutenção. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental do isolamento está associado à minimização de consumo de gás natural em 69.797m3/ano, a redução de emissão de compostos orgânicos voláteis para a atmosfera em 23.843,10 m3/ano. Adicionalmente é Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 172 esperada a redução de borra oleosa no fundo do tanque e ainda a redução em 865 m3/ano no consumo de água. Avaliação econômica – A perda de calor total pela sistemática de operação de transferência, visto anteriormente, é equivalente a até US$ 5,234.84/ano por tanque. O revestimento do tanque reduz o beneficio econômico desta medida, porém a componente ambiental é muito importante, neste caso, devido ao efeito estufa provocado pelos compostos voláteis emitidos pelo petróleo. A pequena diferença entre o investimento e o retorno financeiro aconselha a sua realização pela possibilidade de venda dos créditos de carbono. Atualmente com valor de US$ 5,00/t. em equivalente de dióxido de carbono. Deve-se também considerar que o metano principal componente do gás natural tem potencial de efeito estufa aproximadamente 23 vezes maior que o dióxido de carbono. Investimento: Isolamento de um tanque R$ 42.000,00 Treinamento R$ 6.000,00 Retorno financeiro: Redução da perda de COV’s nos tanques contabilizado como gás natural R$ 9.918,72 Redução da perda de calor para o meio ambiente TR I=48.000.00/38.710,40=1,23anos R$ 28.791,52 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 173 Proposta 5 – Redução da faixa de controle de temperatura no tanque lavador. Avaliação técnica – Operar o tanque lavador com faixa de variação de temperatura de 5°C e não 15°C, reduz o consumo de gás natural; pois evita o aquecimento desnecessário do óleo e reduz a perda de calor para o ambiente por irradiação. A mudança no procedimento operacional proposta traz melhorias para o processo aumentando a sua estabilidade e reduzindo a perda de calor na ordem de 5,4 x 109 kJ/ano, o que representa 17,5% do calor útil do equipamento. É necessário, porém, treinar operadores no sentido de aumentar a freqüência de verificação do óleo e interromper a alimentação de vapor no limite superior de temperatura. Esta mudança melhora a qualidade do produto, vez que, reduz as perdas de voláteis e a deposição das frações mais pesadas. A proposta reduz as perdas sem comprometer a segurança para os trabalhadores, por que o novo procedimento não traz tarefas com risco adicional. Não serão instalados novos equipamentos, por isso o espaço disponível não será comprometido. Não será necessário contratar trabalho adicional para implementar a proposta, porque o controle de temperatura requer apenas o fechamento de uma válvula. Não será necessário paralisar a produção da instalação para adoção dos novos procedimentos, vez que os operadores podem ser treinados com o sistema em operação. Os novos procedimentos não irão afetar o fluxo de trabalho e nem a produtividade. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da redução da temperatura do óleo está associado à minimização de consumo de vapor em 2.312t/ano, o que no modelo de operação atual corresponde a idêntica perda de água doce. Como conseqüência da redução no consumo de vapor haverá correspondência com o consumo de gás natural em 186.499,0 m3/ano. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução de custo, pela redução de perda de calor; menor temperatura do óleo e perda para o ambiente por Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 174 convecção e irradiação. A redução de custo pelo menor consumo de água, ainda não exerce influência significativa, pois o custo desse recurso é muito baixo, por isso o custo desse recurso não foi considerado na avaliação. Investimento: Curso de conscientização para empregados (16 horas/aula) R$12.100,00 Retorno financeiro: Redução de custo pela minoração da temperatura em 10 °C no Tanque TRI= 12.100,00/76.931,80=0,16anos R$76.931,80 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 175 Proposta 6 – Controlar a pressão do vapor de caldeira estabelecendo menor faixa de variação. Avaliação técnica – Pressões de vapor acima do necessário ao processo que o usa causa danos a matéria-prima, o óleo, e ainda propicia maior consumo de gás. Ao contrário, menores pressões de vapor reduzem os custos de manutenção devido a menores probabilidades de vazamento. A caldeira opera a 14 psig acima da pressão necessária ao processo em 12% do tempo. Para cada 70psig de redução na pressão do vapor ocorre uma redução no consumo de 1%. Portanto, 14 psig trará uma redução em 0,2% no valor gasto anual com vapor na estação (US$ 379,980.00.) Haverá redução de resíduos sem alterar a qualidade do produto e nem aumentar os riscos para os trabalhadores, pois a menor pressão reduz riscos operacionais. Não será necessária a instalação de novos equipamentos e, portanto, o espaço disponível na instalação não será comprometido. A redução na pressão se realiza pelo controle de vazão do gás. Tal alteração no procedimento não afeta o fluxo de trabalho e a produtividade na Estação, mas será necessário treinar o pessoal para implementar a proposta. Não haverá parada de produção para a instalação do novo sistema. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da redução da pressão do vapor implica na redução de consumo deste insumo em 61,7 t/ano o que equivale a minimização de consumo de gás natural em 4.980,3m3/ano. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução de custo pela economia de gás utilizado para produzir vapor. Não é necessário investimento para a realização dessa melhoria, pois o treinamento será pelos próprios supervisores. A redução anual de custo na produção de vapor de R$ 2.054,38. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 176 Proposta 7 – Isolar termicamente os três tanques de armazenamento Avaliação técnica – O isolamento térmico dos tanques permite a redução de perda de calor para o ambiente, portanto tornando o processo mais eficiente energeticamente. Neste modo de operação o vapor de hidrocarboneto continuaria sendo perdido para a atmosfera, mas com a menor temperatura nos tanques a emissão de vapor seria reduzida em 0,9t/ano. A instalação do isolamento térmico não compromete a segurança dos trabalhadores, porque não haverá adição novos riscos ao processo, por outro lado não afeta a qualidade do produto. O isolamento térmico ocupará pouco espaço na estação devido a sua simplicidade, por isso não haverá comprometimento de espaço disponível. A produtividade ou fluxo de trabalho, não serão afetados, mas será necessário contratar trabalho adicional para instalação do revestimento. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental do isolamento térmico do tanque é a minimização da perda de calor e assim redução no consumo de gás natural em 69.797m3/ano.. Adicionalmente é esperada a redução de borra oleosa no fundo do tanque devido a menor variação de temperatura no tanque. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução do consumo de gás natural para gerar o vapor perdido para o meio ambiente pela falta de isolamento térmico. Mas é necessário investir no isolamento térmico do tanque. Investimento: Isolamento dos três tanques R$ 126.000,00 Retorno financeiro: Ganho com a redução da perda de calor para o meio ambiente R$ 28.791,52 Ganho com a redução da perda de emissão de voláteis R$ TRI=126.000,00/29.081,52=4,3anos 290,00 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 177 Proposta 8–Instalar sistema de recuperação de condensado de vapor. Avaliação técnica – A recuperação de condensado é uma ação amplamente utilizada na indústria para a redução no consumo de gás natural e água, porquanto o condensado agrega considerável conteúdo energético, que de outra forma seria perdido para o meio ambiente. O condensado recuperado traz como vantagem adicional a melhor qualidade da água, já que esta foi utilizada para produzir vapor, possui um nível de sais mais baixo que a água “in natura”, permitindo assim a redução de depósitos de cálcio nas partes quentes, o que reduz as perdas de calor aumentando o intervalo de manutenção da caldeira. A dificuldade para a implantação dessa melhoria é o risco de entrada de óleo nas linhas de distribuição de vapor, já que elas ficam imersas em óleo e água salgada. Para a instalação de um sistema de recuperação nessa condição é necessário o uso de mecanismos de segurança que minimizem a possibilidade de óleo invadir as linhas de vapor, tais como: –Testes semestrais de estanqueidade para as linhas de distribuição de vapor, internas ao tanque lavador; –Instalação de equipamentos de detecção de hidrocarbonetos na água (condensado); –Instalação de filtros de carvão ativado para remoção de hidrocarbonetos na água (condensado). O equipamento de recuperação ocupará pouco espaço na estação devido a sua simplicidade. Por isso não haverá comprometimento de espaço disponível. Também, não haverá comprometimento da produtividade ou fluxo de trabalho, mas será necessário contratar trabalho adicional para instalar o recuperador. Como o sistema é um complemento do existente não será necessário longo período de paralisação, mas se recomenda utilizar o período de parada para manutenção para a implantação do sistema. Não serão necessárias utilidades para o funcionamento do sistema de recuperação, visto na Figura 45, na forma de desenho esquemático. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 178 Figura 45–Sistema de recuperação de condensado para a estação B– Desenho esquemático. Avaliação ambiental – O fechamento do circuito de distribuição de vapor propicia a redução no consumo de gás natural em 197.813 m3/ano pelo uso da energia perdida para o meio ambiente pela água quente, e ainda reduz o consumo de água industrial em 25704 m3/ano, considerando a perda pela purga de fundo em 3% e a perda evaporativa em 15%. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução de custo pela economia de gás utilizado para produzir vapor. Será necessário investir na construção de uma unidade para receber o condensado do tanque lavador e tanque de emulsão, e bombeá-lo de volta para a caldeira. Investimento: Linha de aço carbono 3”, 60m R$ 3.000,00 Instalação isolamento térmico linha aérea de aço carbono R$ 5.000,00 Válvulas Check 3” R$ 600,00 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Válvulas esfera 3” . R$ 500,00 Nipples 3” R$ 300,00 Curvas 90x 3” R$ 400,00 Tanque de acumulação 5m3 isolado termicamente R$ 8.000,00 Bomba de Condensado instalada R$ 8.000,00 Compra e instalação de sensor de hidrocarbonetos R$ 17.000,00 Custo de operação da Bomba de vapor R$ 3.603,60 Investimento total = R$ 46.403,60 Retorno financeiro: Recuperação do calor perdido para o ambiente TR do Investimento = 46.403,60/85.562,13 =0,54anos R$ 85.562,13 179 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 180 Proposta 9–Isolar termicamente o tanque de emulsão. Avaliação técnica – O isolamento térmico do tanque é uma medida compatível com as práticas atuais para manter calor no processo. Permite a redução de perda para o ambiente sem comprometer a segurança dos trabalhadores, sem causar problemas ambientais e sem influenciar a qualidade do produto. Não haverá acréscimo de tarefas no processo durante a operação. Apenas durante a montagem do revestimento haverá acréscimo de risco para os trabalhadores devido ao trabalho em altura e a presença de andaimes na área. O espaço disponível na instalação não será comprometido, pois o isolamento térmico não ocupa espaço significativo na instalação. Não haverá modificação nos procedimentos operacionais ou no fluxo de trabalho. Também a produtividade não será afetada. Será necessário contratar trabalho adicional para instalar o isolamento, pois esse é um serviço especifico. O revestimento térmico embora requeira custo de aquisição e mão de obra, não demanda consumo de utilidade industrial adicional ou parada da produção para a sua instalação. Avaliação ambiental – O isolamento térmico do tanque traz como vantagem a redução de consumo de gás natural para produzir vapor em 34.756 m3/ano e ainda uma menor variação de temperatura no tanque contribuindo para a redução de geração de borra no fundo do tanque. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 181 Avaliação econômica – O beneficio econômico da redução de custo pela economia de gás utilizado para produzir vapor necessita de investimento em material de isolamento e execução do serviço. Investimento: Isolamento térmico do Tanque de 2.000 bbl R$ 25.000,00 Retorno financeiro: Custo da perda do calor TR do Investimento = 25.000,00/14.336,73 =1,74anos R$ 14.336,73 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 182 Proposta 10 – Instalar válvula moduladora no tanque lavador. Avaliação técnica – Existem no mercado válvulas moduladoras que permitem regular o fluxo de vapor em função da temperatura desejada para o produto- objeto do aquecimento (o óleo), automatizando o controle de produção de vapor e estabelecendo sincronismo com a temperatura do óleo. Deste modo não será necessário constante atuação do operador para controlar a abertura e fechamento da válvula de vapor, o que facilita a operacionalização do sistema e ainda permite reduzir a faixa de temperatura. Isso minimiza o consumo de gás, sem comprometer a segurança dos trabalhadores. A qualidade do produto será melhorada porque com melhor controle da quantidade de vapor injetado no processo haverá menor variação de temperatura, reduzindo a perda de voláteis e o craqueamento do óleo. A instalação da válvula moduladora não compromete o espaço disponível na instalação e nem o fluxo de trabalho e a produtividade. Não será necessário contratar trabalho adicional para a instalação do equipamento, pois já existem contratos na Unidade relacionados a esta atividade. O monitoramento dos parâmetros operacionais já é realizado por sistema supervisório e assim o equipamento será incorporado a esse sistema, não necessitando de outros equipamentos adicionais. A instalação da válvula demandará acréscimo de custo, mas não será necessária a paralisação da produção, haja vista o pulmão de calor do tanque lavador conseguir manter o processo estável por algumas horas. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da redução da temperatura está associado a minimização de consumo de gás natural em 173.381,1 m3/ano e redução na geração de vapor em 2.149,4 t/ano.. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 183 Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução de custo pela economia de gás utilizado para produzir vapor. O custo da perda anual de vapor pelo excesso de calor dispendido para aquecimento do óleo processado no tanque lavador chega a R$ 71.520,05 considerando o excedente de temperatura em 10ºC e as perdas de calor para o meio ambiente correspondente ao esse aumento de temperatura. Investimento: Instalação de válvula moduladora R$ 35.000,00 Retorno financeiro: Custo do calor perdido para o aquecimento excedente (55ºC) TR do Investimento = 35.000,00/71.520,05=0,49 anos R$ 71.520.05 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 184 Proposta 11 – Instalar válvula moduladora no tanque de emulsão. Avaliação técnica – Existe no mercado válvulas moduladoras que permitem regular o fluxo de vapor em função da temperatura desejada para o produto objeto do aquecimento (o óleo). Deste modo não será necessário constante atuação do operador para controlar a abertura e fechamento da válvula de vapor, o que facilita a operacionalização do sistema e ainda permite reduzir a faixa de temperatura. Isso minimiza o consumo de gás. Como este tanque não dispõe de qualquer controle de fluxo de vapor, a instalação da válvula moduladora proveria um mecanismo de controle de fornecimento desse insumo.O aquecimento do óleo no tanque de emulsão além dos 55°C leva a desperdício de energia tanto pelo excesso no aquecimento, quanto pelo aumento da perda para o ambiente. A qualidade do produto será melhorada porque com melhor controle da quantidade de vapor injetado no processo haverá menor variação de temperatura é, portanto menor perda de voláteis e de calor para o ambiente, sem comprometer a segurança dos trabalhadores. A instalação da válvula moduladora não compromete o espaço disponível na instalação e nem o fluxo de trabalho e a produtividade. Não será necessário contratar trabalho adicional para a instalação do equipamento, pois já existem contratos na Unidade relacionados a esta atividade. O monitoramento dos parâmetros operacionais já é realizado por um sistema supervisório e assim o equipamento será incorporado a esse sistema, não necessitando de outros equipamentos adicionais. A instalação da válvula demandará acréscimo de custo, mas não será necessária a paralisação da produção, haja vista que o pulmão de calor do tanque lavador consegue manter o processo estável por algumas horas. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da instalação da válvula moduladora esta na minimização de consumo de gás natural em 160.946,12 m3/ano pelo excesso de calor Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 185 provido a emulsão, considerando que a temperatura deste insumo não precisa ultrapassar os 55ºC.. A geração anual de vapor seria reduzida em 1.995,2t Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é a redução de consumo de gás utilizado para produzir vapor, mas em compensação seria necessário a realização do investimento na compra da válvula. Investimento: Custo de compra e instalação de válvula moduladora R$ 35.000,00 Retorno financeiro: Custo do calor perdido (55ºC) TR do Investimento = 35.000,00/66.391,11=0,53anos R$ 66.391,11 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 186 Proposta 12– Recuperar óleo da borra de fundo de tanque. Avaliação técnica – A recuperação de óleo por processos de separação físicos e químicos, conforme visto no subitem 3.2–Prevenção da poluição na industria do petróleo é viável e promove à redução de volume de resíduo oleoso para apenas 7% do total. O sólido gerado pelo tratamento apresenta baixo teor de hidrocarbonetos (< 1.000 ppm), mas este deve ser adicionado à borra oleosa final, evitando assim uma potencial contaminação do solo. Neste caso o resíduo total representaria aproximadamente (13%) da massa inicial e pode ser tratada por coprocessamento na indústria cimenteira, recuperando a energia nela contida. Existem empresas no mercado capacitadas para fazerem essa recuperação com eficácia comprovada. Não haverá acréscimo de risco para os trabalhadores e a qualidade do produto não será afetada pela recuperação do resíduo, já que este não receberá qualquer processamento adicional. O espaço na instalação será comprometido apenas durante a remoção do resíduo do tanque. Os equipamentos de remoção não afetam significativamente os procedimentos operacionais o fluxo de trabalho ou a produtividade da instalação, porque serão realizados por outra equipe. As utilidades necessárias ao funcionamento do sistema de recuperação e tratamento de borra já existem na estação, portanto não será acrescido custo em função deles. O novo modo de operação não criará outros problemas ambientais, pois o sólido ficará incorporado à massa do cimento produzido e assim reduzindo o consumo de material virgem para a sua fabricação. O mesmo acontecerá com o consumo de energia utilizada no processo. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da recuperação de óleo é o seu retorno ao processo produtivo, quando seria tratado como resíduo e portanto necessitaria de cuidados especiais no manuseio e no transporte. A recuperação do óleo no próprio tanque evita o deslocamento do resíduo para tratamento fora da empresa, minimizando os riscos associados a esse transporte. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 187 Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é aumento da recuperação de óleo, em face do seu retorno ao processo produtivo e a redução no custo de tratamento. O custo da coleta no tanque e recuperação do óleo para cada tonelada de resíduo tratado foi estimado em R$ 700,00, enquanto o coprocessamento para o resíduo final gerado do tratamento (sólido + borra); custará R$ 54,6/t, considerando que 13% do resíduo (em massa) serão enviados para a cimenteira. O custo de pessoal da instalação para gerenciar o resíduo continua em R$ 50,00/t. Assim o custo de tratamento passará para R$ 804,60/t, porém com a recuperação de 2,2 bbl de óleo que valem R$ 302,50, o custo total será reduzido para R$ 502,10/t. Como o custo atual de gerenciamento do resíduo é R$ 1.336,00/t esse processo de recuperação importa em redução de R$ 833,90/t. Não será necessário investir em equipamentos, pois existem empresas que realizam esse tipo de tratamento. Despesa anual: Coleta e tratamento do resíduo (recuperação do óleo) R$ 272.930,00 Tratamento da torta oleosa gerada na recuperação do óleo R$ 21.288,54 Pessoal envolvido R$ 19.495,00 Receita anual: Óleo recuperado (2,2 bbl/t) R$ 117.944,75 Retorno anual líquido = (R$ 833,40/t X 389,9 t ) R$ 322.137,60 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 188 Proposta 13 – Instalar recuperador de vapor de hidrocarbonetos no tanque lavador. Avaliação técnica – A recuperação de vapor é uma prática comum na indústria do petróleo, pois as propriedades do produto inviabilizam a opção reduzir na fonte. Nesta instalação ainda é necessário considerar que existe aquecimento do petróleo o que aumenta a perda evaporativa nos tanque. A instalação de recuperadores de vapor de hidrocarbonetos, utilizando a técnica do sistema “vapor-jet” descrita no item 3.2, e apresentada em desenho esquemático na Figura 46 é, pois, uma medida que contribui para a redução da emissão de gás para a atmosfera, minimizando riscos operacionais para a instalação e operadores. Esta proposta é viável tecnicamente, não há impedimentos para a sua realização. Porém seria necessário adicionar os equipamentos de coleta em regime de operação ininterrupta. Separador Válvula de pressão e vácuo Edutor Figura 46 – Sistema de recuperação de COV no tanque lavador - Desenho esquemático Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 189 A qualidade do produto não será afetada pelo recuperador e o espaço disponível na instalação é suficiente para receber a melhoria. Os novos equipamentos, materiais e procedimentos são compatíveis com os procedimentos operacionais, o fluxo de trabalho e a produtividade; mas será necessário contratar trabalho adicional para implementar a proposta. As utilidades necessárias ao funcionamento dos novos equipamentos estão disponíveis na instalação. Assim, não haverá acréscimo de custo pela sua instalação. Por conta da instalação dos equipamentos será necessária a paralisação apenas de um separador gás-líquido, sem implicar na parada da instalação. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da recuperação do hidrocarboneto é a minimização da emissão de metano: o principal componente do gás natural e contribuinte para o efeito estufa. A instalação do recuperador de vapor evita a emissão de 193,8 t/ano de compostos orgânicos voláteis para atmosfera. Avaliação econômica – O beneficio econômico desta medida é o ganho proveniente do gás natural recuperado. Investimento: Válvula de pressão e vácuo R$ 25.000,00 Bomba Centrífuga R$ 5.000,00 Tubulação de aço-carbono 3” com 260m de comprimento R$ 12.000,00 Válvulas Check 1X3” e válvulas de controle 2X3” R$ 2.000,00 Niple 6x3”, Curvas longa 90°X3”, Flange R$ 1.580,00 Chapa aço-carbono R$ 400,00 1/4” Instalação dos equipamentos R$ 4.500,00 Consumo de energia elétrica por ano R$ 7.322,60 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Retorno financeiro: Custo do COV’s recuperado contabilizado como gás natural TR do investimento = 57.802,60/ 78.140,00=0,74anos R$ 78.140,00 190 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 191 Proposta 14 – Instalar recuperador de hidrocarbonetos nos tanque de armazenamento. Avaliação técnica – Conforme visto anteriormente a recuperação de vapor é uma prática comum na indústria do petróleo. A avaliação técnica permanecesse a mesma do caso anterior. A Figura 47 apresenta um desenho esquemático do sistema de recuperação que deve ser instalado na Estação. Separador Válvula de pressão e vácuo Edutor Figura 47–Sistema de recuperação de COV no tanque de armazenamento – Desenho esquemático. Avaliação ambiental – O beneficio ambiental da recuperação do hidrocarboneto é a minimização da emissão de metano o principal componente do gás natural e contribuinte para o efeito estufa. A instalação do recuperador de vapor evita a emissão de 117 t/ano de compostos orgânicos voláteis para atmosfera. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 192 Avaliação econômica - O beneficio econômico desta medida é o ganho proveniente do gás natural recuperado. Em compensação seria necessário investimento em uma unidade de recuperação de vapor. Investimento: Válvula de pressão e vácuo R$ 25.000,00 Bomba Centrifuga R$ 5.000,00 Tubulação de aço-carbono 3” com 260m de comprimento R$ 12.000,00 Válvulas Check 1X3” e válvulas de controle 2X3” R$ 2.000,00 Niple 6x3”, Curvas longa 90°X3”, Flange R$ 1.580,00 Chapa aço-carbono R$ 400,00 1/4” Instalação dos equipamentos R$ 4.500,00 Retorno financeiro: Redução de consumo de energia elétrica ano R$ 7.322,60 Recuperação do COV contabilizado como gás natural R$ 48.672,00 TR do Investimento = 57.880,00/ 48.672,00=1,19anos Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 193 Proposta 15 – Utilização do resíduo oleoso na fabricação de blocos cerâmicos. Avaliação técnica – A utilização de resíduos oleosos de produção de petróleo como insumo para fabricação de blocos na indústria cerâmica é uma opção testada, conforme visto anteriormente e não traz problemas ambientais adicionais. Embora não reduza a geração do resíduo no processo de produção de petróleo, a fabricação de blocos cerâmicos reduz o consumo energia e de matéria-prima virgem e na manufatura do bloco cerâmico pela incorporação da argila e queima do óleo. A queima de hidrocarbonetos em presença de cloretos em indústria cerâmica apresenta condição ambiental adequada a formação de dioxinas, no entanto limitando a concentração desse halogênio, conforme visto no trabalho da Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro, espera-se não produz dioxinas, portanto não trazendo problemas ambientais adicionais. Existem empresas no mercado capacitadas para fazerem essa recuperação com eficácia comprovada. Não haverá acréscimo de risco para os trabalhadores e a qualidade do produto não será afetada pela recuperação do resíduo, já que este não receberá qualquer processamento adicional. Por se tratar de um processo de recuperação fora da planta será acrescido o custo de remoção, transporte e tratamento, porém este será menor que o atualmente realizado. A remoção do resíduo do tanque continuará sendo feita, sem modificação, portanto não haverá comprometimento do espaço na instalação. Os equipamentos de remoção não afetam significativamente os procedimentos operacionais, o fluxo de trabalho ou a produtividade da instalação, porque serão realizados por outra equipe. O novo modo de operação não criará outros problemas ambientais, pois o sólido ficará incorporado a massa dos blocos cerâmicos e assim reduz o consumo de material virgem para a sua fabricação. O consumo de energia utilizada no processo também será reduzido. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 194 Avaliação ambiental - O beneficio ambiental do uso de resíduo oleoso na indústria cerâmica é a redução de consumo de matéria–prima virgem e de combustível, pelo elevado poder calorífico do resíduo oleoso da limpeza de tanques. A avaliação ambiental sob um contexto global mostra que a energia contida na borra teria um uso nobre; não estaria sendo perdida. Avaliação econômica - O beneficio econômico desta medida é a redução no custo de gerenciamento da borra oleosa, pois o custo do tratamento da borra por incorporação a massa de argila para fabricação de blocos é menor. O custo de incorporação do resíduo a massa cerâmica é de aproximadamente R$ 80,00/t, adicionados ao custo de remoção, de transporte e de gerenciamento do pessoal de apoio atinge aos R$ 550,00/t enquanto, atualmente o custo unitário de gerenciamento total da borra oleosa é de R$ 1.336,00/t. Despesa anual: Remoção e transporte do resíduo (R$ 420,00/t x 389,90) R$163.758,00 Incorporação do resíduo a massa cerâmica (R$ 80,00/t x 389,90) R$ 31.192,00 Receita anual: Ganho pelo menor custo de tratamento (R$ 786,50/t x 389,90 t ) R$ 306.461,40 5.9.1–Avaliação global das propostas de PmaisL. As propostas de PmaisL identificadas anteriormente foram classificadas em ordem decrescente considerando o beneficio financeiro de sua implantação, conforme está apresentado na Tabela 30, a seguir. As seis primeiras propostas de PmaisL propiciam um retorno monetário aproximado de R$ 940.000,00/ano, equivalendo a 78% do beneficio financeiro potencial identificado, considerando apenas as propostas com TRI menores que 1,5 anos. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL Tabela 31– Priorização das propostas de PmaisL em função do beneficio econômico. Ordem Descrição 1 Recuperar óleo da borra de fundo de tanque 2 Utilização do resíduo oleoso na fabricação de blocos cerâmicos 15 306.461,40 3 Instalar sistema de recuperação de 0,54 condensado de vapor. 08 85.562,13 4 Instalar recuperador de vapor de 0,74 hidrocarboneto no tanque lavador 13 78.140,00 5 Reduzir a faixa de controle de 0,16 temperatura no tanque lavador. 05 76.931,80 6 Instalar válvula moduladora no 0,49 tanque lavador 10 71.520,05 7 Instalar válvula moduladora no 0,53 tanque de emulsão 11 66.391,11 8 Instalar recuperador de vapor de 1,19 hidrocarboneto nos tanques de armazenamento 14 57.880,00 9 Alterar o esquema de transferência 1,23 de óleo e revestir os tanques de armazenamento. Alterar o esquema de transferência 0,18 de óleo Isolar termicamente os três tanques 4,38 de armazenamento 04 38.710,00 02 32.649,42 07 28.791,52 Isolar termicamente o tanque de 1,74 emulsão. Transferência continua da produção 28,3 operando com apenas um tanque de armazenamento. Inserir melhorias no procedimento 0,48 operacional de geração e distribuição de vapor 09 14.336,73 03 7.398,20 01 4.588,00 06 1.617,43 10 11 12 13 14 15 Controlar a pressão do vapor de caldeira estabelecendo menor faixa de variação. TRI (ano) - Proposta Beneficio anual (R$) 12 322.137,60 195 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 196 As propostas 12 e 15 são as que envolvem maiores benefícios financeiros, embora não requeiram a instalação de novos equipamentos, necessitam de mudanças na técnica utilizada para tratamento do resíduo e, portanto, dependem de empresas externas ao processo. Apenas a proposta 03 – Controlar a pressão do vapor de caldeira, não necessita de qualquer investimento, no entanto o retorno financeiro é muito pequeno. Considerando o tempo de retorno do investimento as melhores propostas seriam a 02 e a 04 com 0,16 anos e 0,18 anos respectivamente. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 197 6. CONCLUSÕES E SUGESTÕES A metodologia desenvolvida neste trabalho para a otimização ambiental do sistema de produção, se mostra factível e trouxe como benefícios um menor número de etapas e ainda a utilização de critérios mais técnicos para a aplicação dos conceitos da PmaisL. (um exemplo dessa assertiva é o uso do diagrama da cebola como elemento de priorização de processo). O detalhamento de algumas etapas trazido de outras referências bibliográficas, a exemplo da USEPA, deram maior consistência a metodologia facilitando, portanto a sua aplicação prática. A avaliação do sistema de produção de petróleo, com os critérios da PmaisL, teve como resultado o estabelecimento de várias oportunidades de melhoria, com redução de consumo de energia e minimização de resíduos na instalação, sendo as mais relevantes, considerando o beneficio econômico, as seguintes: Recuperar óleo da borra de fundo de tanque; Utilização do resíduo oleoso na fabricação de blocos cerâmicos; Instalação de sistema de recuperação de condensado de vapor; Instalação de recuperador de vapor de hidrocarboneto no tanque lavador; Redução da faixa de controle de temperatura no tanque lavador; Instalação de válvula moduladora no tanque lavador. Vale destacar que a maioria das opções de PmaisL, está relacionada à recuperação da perda e não a redução na fonte. Embora oportunidades de redução na fonte– através de mudanças no processo, tais como: instalação de válvula moduladora no tanque lavador e no tanque de emulsão; redução da faixa de controle de temperatura no tanque lavador– tenham sido identificadas, essas requerem o aporte de recursos financeiros consideráveis. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 198 A maturidade da tecnologia utilizada aliada a elevada capacitação técnica do pessoal da Instalação, implicam em reduzida margem para identificação de novas oportunidades de melhoria (redução de geração de resíduos ou de consumo de insumos) com ganhos relevantes e com baixo ou nenhum investimento. . A existência de poucas operações, no processamento primário de petróleo, traz como vantagem a geração de poucos resíduos em termos quantitativos e qualitativos. Sabe-se porém que os resíduos gerados são de difícil minimização na fonte. A exceção ocorre quando o resíduo gerado está associado às falhas no processo. A qualidade do petróleo (BS&W e parafinas) e as variações de temperatura são os principais responsáveis pela geração de resíduos no processo de produção. Merecem destaque os processos de separação óleo-água e o armazenamento do petróleo que produzem significativa quantidade de resíduos oleosos por decantação de sedimentos, principalmente sólidos da formação (areia e silte) e parafina pelas características físico-químicos do produto. Além das propostas de melhorias do sistema de produção, foram identificadas áreas potenciais de aproveitamento operacional, com vistas às práticas de minimização de emissões na fonte e redução de consumo de matérias-primas e energia, para o que sugerem-se realizações de estudos complementares, quais sejam: a instalação de tanque de água livre –TAL como etapa inicial do processo de separação óleo-água, para reduzir de perda de calor para água de produção. a avaliação do impacto do retorno de fluidos dos testes de poços. A qualidade dos fluidos produzidos afeta o tratamento do óleo aumentando a geração de resíduos e o consumo de aditivos. Teste de redutores de viscosidade para transferência de óleo objetivando reduzir consumo de calor. Adicionalmente, existem modificações e inclusões nos procedimentos operacionais utilizados na Estação que, se implementadas, podem trazer redução de perdas no processo, pois são ações classificadas como de boas práticas, citam-se: Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 199 Monitorar e controlar as variáveis do processo de geração e distribuição de vapor; Verificar o funcionamento da purga automática de fundo; Verificar o funcionamento dos purgadores; Inspecionar as linhas de distribuição; Corrigir vazamentos identificados de imediato; Drenar água livre no descarregamento de carretas; Acompanhar nível do petróleo no tanque da carreta; Retirar vapor quando a serpentina estiver visível. Injetar vapor na serpentina da carreta pela parte superior evitando acúmulo de liquido na tubulação. Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 7. 200 REFERÊNCIAS AHNELL, A; O’LEARY H.; Introduction, In; AHNELL, A; O’LEARY H.; Environmental Technology In the Oil Industry; London; S.T. Orszulik, 1997. capítulo I. p. 1-15. ALVES, M.R.F.V.; Incorporação de Borra Oleosa em Blocos Cerâmicos. In: Seminário PETROBRAS de Resíduos e áreas Impactadas, Novembro 2003, Angra dos Reis -Rio de Janeiro: Petróleo Brasileiro S.A.- apresentação. AMARAL, S. P.; DOMINGUES G.H; Aplicação de Resíduos Oleosos na Fabricação de Materiais Cerâmicos. In: Congresso Brasileiro de Petróleo e SPE Latin American Petroleum Engineering Conference, 4, 1990,Rio de Janeiro: Anais do Congresso Brasileiro de Petróleo e SPE Latin American Petroleum Engineering Conference, Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Petróleo. outubro de 1990- 13pg. AHN, S.; WANG K.S.; SHULER P. J.; CREEK J.L.; TANG Y.; Paraffin crystal and deposition control by emulsification. 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SPE 25942 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL APÊNDICE A-1- Calor específico de soluções de Cloreto de Sódio Calor especifico de solução aquosa de NaCl –Retirado de Perry (1999, pg 2-185) Calor especifico de solução aquosa de NaCl (cal/g°C) % Molar de NaCl 6ºC 0,249 0,99 2,44 9,09 0,960 0,910 0,805 20ºC 0,990 0,970 0,915 0,810 33ºC 57°C 0,970 0,915 0,810 0,923 0,820 Calor especifico de solução aquosa de NaCl –Adaptado de Perry (1999) Calor especifico de solução aquosa de NaCl (Cal/g°C) % Massa de NaCl 6ºC 0,80 3,15 7,52 8,0 24,53 0,960 0,910 20ºC 0,990 0,970 0,915 33ºC 0,970 0,915 0,805 0,810 0,810 35ºC 57°C 0,9157 0,974 0,8108 0,923 0,820 216 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL A-2-Temperatura dos tanques da Estação medida em dias variados ao longo do ano 2004 T.LAV 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Media Desvio padrão 68 71 72 74 77 77 78 66 78 76 55 79 79 80 78 74 70 70 72 79 78 70 64 64 68 67 77 72 64 78 76 TANQUES ARMAZENAMENTO TQ 03 TQ 06 TQ 08 59 66 66 59 66 67 59 62 63 59 62 61 59 63 66 59 66 65 59 70 66 59 66 65 59 68 66 59 66 65 59 63 64 59 72 70 59 66 67 59 67 72 59 70 70 59 68 70 59 60 62 59 61 59 59 61 60 59 60 68 59 66 68 59 58 68 59 64 68 59 61 62 59 58 63 59 67 66 59 65 66 59 62 66 59 62 64 55 59 60 55 64 66 T Q 12 68 63 66 62 62 62 66 67 66 66 66 66 68 65 65 64 62 58 56 66 66 68 68 55 56 61 69 66 62 68 64 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 T.LAV 77 76 79 76 78 74 70 72 73 78 78 79 79 79 76 78 79 78 79 79 72 76 70 73 74 74 68 68 76 74 76 74,0 5,0 TANQUES ARMAZENAMENTO TQ 03 TQ 06 TQ 08 TQ 12 55 62 66 63 55 63 63 65 55 65 65 65 55 64 67 65 55 67 62 56 55 64 64 65 55 63 62 62 55 62 66 55 55 63 60 64 55 64 66 63 55 65 68 63 55 66 72 70 55 68 65 66 55 60 62 64 55 63 67 63 55 60 64 68 55 64 64 60 55 67 70 60 55 69 68 65 55 69 68 75 55 67 62 64 55 62 63 64 55 62 63 62 55 64 61 60 55 60 67 63 55 65 64 60 55 58 57 60 55 62 68 58 55 63 67 64 55 66 65 63 55 65 64 66 56,9 64,0 65,1 63,7 2,0 3,1 3,1 3,8 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL ANEXOS Anexo 1-Densidade de soluções de Cloreto de Sódio Tabela Densidade de Soluções de Cloreto de Sódio - retirada de Perry 1999 2-105 % 0°C 10°C 25°C 40°C 60°C 80°C 100°C 0,99 0,9785 0,9651 1 1,00747 1,00707 1,00409 0,99905 0,9967 0,9852 0,9719 2 1,01509 1,01442 1,01112 1,00593 1,0292 1,0253 1,01977 1,0103 0,9988 0,9855 4 1,03038 8 1,06121 1,05907 1,05412 1,04798 1,0381 1,0264 1,0134 12 1,09244 1,08946 1,05365 1,07699 1,0667 1,0549 1,042 16 1,12419 1,12056 1,11401 1,10688 1,0962 1,0842 1,0713 1,1268 1,1146 1,1017 20 1,15663 1,15254 1,14533 1,13774 1,1584 1,1463 1,1331 24 1,18999 1,18557 1,17776 1,16971 1,1747 1,1626 1,1422 26 1,20709 1,20254 1,19443 1,18614 Anexo 2-Perda de vapor através de orifício. Tabela de perda de vapor através de orifício (descarregando p/atmosf.))-Soares (1987, pg2) Perda de vapor em lb/h Pressão do vapor na linha ou equipamento em (psi) ø Orificio (pol) 2 5 10 15 25 100 125 150 200 250 300 1/32 1/16 3/32 1/8 5/32 3/16 7/32 1/4 9/32 5/16 11/32 3/8 13/32 7/16 15/32 1/2 0,31 1,25 2,81 4,5 7,8 11,2 15,3 20 25,2 31,2 37,7 44 52,7 61,1 70,2 79,8 0,49 1,97 44,4 7,9 12,3 17,7 24,2 31,6 39,9 49,3 59,6 71 83,3 96,6 111 126 0,7 2,8 6,3 11,2 17,4 25,1 34,2 44,6 56,5 69,7 84,4 100 118 137 157 179 0,85 3,4 7,7 13,7 21,3 30,7 41,9 54,7 69,2 85,4 103 123 144 167 192 219 1,14 4,6 10,3 18,3 28,5 41,1 55,9 73,1 92,5 114 138 164 193 224 257 292 3,3 13,2 29,7 52,8 82,5 119 162 211 267 330 399 475 557 647 742 844 4,02 16,1 36,2 84,3 100 145 197 257 325 402 486 578 679 787 904 1028 4,74 18,9 42,6 75,8 118 170 232 303 384 474 573 682 800 928 1065 1212 6,17 24,7 55,6 99 154 222 303 395 500 617 747 889 1043 1210 1389 1580 7,61 30,4 68,5 122 190 274 373 487 617 761 921 1096 1286 1492 1713 1949 4,05 36,2 81,5 145 226 326 443 579 733 905 1095 1303 1529 1774 2037 2317 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL 219 Anexo-3-Avaliação de aspectos e impactos da Estação retirado de SMS-NET 2004 Tipo MA Processo COLETA, TRATAMEN TO E TRANSFER ÊNCIA DE PETRÓLEO Tarefa ARMAZENAR PETRÓLEO/ ACOMPANHAR RECEBIMENTO EM ESTAÇÃO, ETO/PARQUE ARMAZENAR PETRÓLEO/ ALINHAR TANQUE EM ESTAÇÃO, ETO/PARQUE ARMAZENAR PETRÓLEO/ PREPARAR O TANQUE EM ESTAÇÃO, ETO/PARQUE Aspecto/ Perigo Situ Temp. Avaliação Fre/Pro Sever. Imp/Ris ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Normal Atual Alta Baixa 4 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Média 5 DA DA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Média 5 DA DA Normal Atual Média Alta 5 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Baixa 4 DA DA Normal Atual Alta Média 5 DA DO Normal Atual Média Média 4 DA DA Normal Atual Alta Média 5 DA DO Normal Atual Alta Média 5 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DA Normal Atual Média Média 4 DA DO Normal Atual Baixa Média 3 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DA Normal Atual Média Média 4 DA DO Normal Atual Média Média 4 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DA Normal Atual Alta Média 5 GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO ARMAZENAR PETRÓLEO/ SELECIONAR TANQUE (OPERACIONAL, APROPRIAÇÃO, FISCAL, CUSTÓDIA) EM PONTO DE COLETA ( COM DOIS TANQUES ) OPERAR SEPARADOR GÁSLIQUIDO/ MONITORAR VARIÁVEIS DE PROCESSO OPERAR SEPARADOR GÁSLIQUIDO/ RETIRAR SEPARADOR DE OPERAÇÃO OPERAR TANQUE DE LAVAGEM/ COLETAR AMOSTRA DE ÓLEO Impacto/ Dano GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO OPERAR TANQUE DE LAVAGEM/ COLOCAR TANQUES EM OPERAÇÃO OPERAR TANQUE DE LAVAGEM/ CONTROLAR, ACOMPANHAR E MONITORAR VARIÁVEIS DE PROCESSO CONSUMO DE ÁGUA GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO OPERAR TANQUE DE LAVAGEM/ INJETAR PRODUTO QUÍMICO RECEBER PETRÓLEO/ DESEMBARCAR PETRÓLEO DE CARRETA CONSUMO DE PRODUTO QUÍMICO DE TRATAMENTO DE ÓLEO-ÁGUA PERIGO DE DERRAMAMENTO/ VAZAMENTO DE PRODUTOS QUÍMICOS GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO PERIGO DE DERRAMAMENTO/ VAZAMENTO DE EFLUENTES RECEBER PETRÓLEO/DESEM BARCAR PETRÓLEO DE CARRO SUGADOR GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO PERIGO DE DERRAMAMENTO/ VAZAMENTO DE EFLUENTES 220 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DO SOLO ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DO SOLO REDUÇÃO DA DISPONIBILIDAD E DE RECURSOS HÍDRICOS Normal Atual Alta Baixa 4 Normal Atual Alta Média 5 Normal Atual Alta Média 5 Normal Atual Baixa Alta 4 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DO SOLO ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DO SOLO REDUÇÃO DA DISPONIBILIDADE DE RECURSOS NATURAIS Normal Atual Média Média 4 Normal Atual Alta Média 5 Normal Atual Alta Média 5 Normal Atual Média Média 4 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DO SOLO Emerg ência Atual Baixa Alta 4 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Baixa 4 DA DA Normal Atual Alta Média 5 DA DO Normal Atual Alta Média 5 DA DA Emerg ência Atual Média Média 4 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Emerg ência Atual Média Média 4 DA DA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Média 5 DA DA Emerg ência Atual Média Média 4 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DO SOLO Emerg ência Atual Média Média 4 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL RECEBER PETRÓLEO/RECEB ER PETRÓLEO DE MANIFOLD TESTAR POÇO DE PETRÓLEO/ ACOMPANHAR TESTE TESTAR POÇO DE PETRÓLEO/ ALINHAR POÇO PARA TESTE TESTAR POÇO DE PETRÓLEO/ COLETAR AMOSTRA(S) PARA DETERMINAÇÃO DE BS&W TESTAR POÇO DE PETRÓLEO/ CONTABILIZAR TESTE TESTAR POÇO DE PETRÓLEO/ SELECIONAR POÇO TESTAR POÇO DE PETRÓLEO/ SELECIONAR TANQUE PARA TESTE TRANSFERIR PETRÓLEO/ ACOMPANHAR O BOMBEIO APÓS O ENCHIMENTO DO DUTO A CADA HORA CHEIA (REGIME PERMANENTE) TRANSFERIR PETRÓLEO/ ACOMPANHAR O BOMBEIO APÓS O ENCHIMENTO DO DUTO A QUALQUER MOMENTO (REGIME PERMANENTE) TRANSFERIR PETRÓLEO/ 221 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Normal Atual Média Alta 5 DA DO Normal Atual Baixa Baixa 2 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Média 5 DA DA Emerg ência Atual Baixa Alta 4 DA DO Emerg ência Atual Baixa Alta 4 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DA Normal Atual Alta Média 5 DA DO Normal Atual Alta Baixa 4 GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Baixa 4 DA DA Emerg ência Atual Baixa Alta 4 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Emerg ência Atual Baixa Alta 4 DA DA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Emerg ência Atual Baixa Alta 4 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Emerg ência Atual Baixa Alta 4 DA DA Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA Normal Atual Alta Média 5 PERIGO DE ROMPIMENTO DE EQUIPAMENTO /LINHA PRESSURIZADA PERIGO DE ROMPIMENTO DE EQUIPAMENTO /LINHA PRESSURIZADA GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO PERIGO DE ROMPIMENTO DE EQUIPAMENTO/ LINHA PRESSURIZADA GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL ÁGUA ACOMPANHAR O BOMBEIO ATÉ O ENCHIMENTO DO DUTO (REGIME PERMANENTE) TRANSFERIR PETRÓLEO /PARTIR O SISTEMA TRANSFERIR PETRÓLEO /PREPARAR O SISTEMA PARA INICIO DE OPERAÇÃO TRANSFERIR PETRÓLEO /REALIZAR BALANÇO VOLUMÉTRICO 222 PERIGO DE ROMPIMENTO DE EQUIPAMENTO /LINHA PRESSURIZADA GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO GERAÇÃO DE EFLUENTE LÍQUIDO GERAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA DA DO Normal Atual Alta Média 5 DA DA Emerg ência Atual Baixa Alta 4 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO DA DO Emerg ência Atual Baixa Alta 4 DA DO Normal Atual Alta Média 5 ALTERAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA Normal Atual Média Média 4 ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO ALTERAÇÃO QUALIDADE ÁGUA ALTERAÇÃO QUALIDADE SOLO DA DO Normal Atual Baixa Média 3 DA DA Normal Atual Alta Média 5 DA DO Normal Atual Alta Média 5 Otimização Ambiental de um Sistema de Produção de Petróleo Baseada em Critérios de PmaisL UFBA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA DEPTº DE ENGENHARIA AMBIENTAL - DEA MESTRADO PROFISSIONAL EM GERENCIAMENTO E TECNOLOGIAS AMBIENTAIS NO PROCESSO PRODUTIVO Rua Aristides Novis, 02, 4º andar, Federação, Salvador BA CEP: 40.210-630 Tels: (71) 3235-4436 / 3203-9798 Fax: (71) 3203-9892 E-mail: [email protected] Home page: http://www.teclim.ufba.br