HISTÓRICO DO DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO E DE SEUS ANTECESSORES(*) 1.Instituto Álvaro Ozório de Almeida(1950-1956)(**) Criado em 1950 e assim denominado em homenagem ao grande fisiólogo brasileiro de mesmo nome, o Instituto Álvaro Ozório de Almeida era constituído pela junção das cadeiras de Fisiologia, Histologia, Embriologia Geral e Técnica Operatória da Faculdade de Medicina da Universidade do Recife. Tinha como finalidade o ensino das disciplinas específicas das cadeiras que o integravam e a realização de pesquisa científica, em especial sobre as condições fisiológicas do homem das regiões tropicais. Foi instalado no antigo prédio da Faculdade de Medicina, no Derby, onde hoje funciona o Restaurante Spettus, à margem da Avenida Agamenon Magalhães. O prédio era carinhosamente denominado “o mercadinho”, talvez pela simplicidade de suas instalações. Além das disciplinas específicas sob a responsabilidade das Cátedras de Histologia, Embriologia Geral e Técnica Operatória, da Faculdade de Medicina, eram lecionadas, no Instituto Álvaro Ozório de Almeida, as seguintes disciplinas: Fisiologia (do Curso Médico, Odontológico e da Escola de Enfermagem do Recife); Biologia Geral (da Faculdade de Filosofia de Pernambuco, da Universidade do Recife); e Dietoterapia (do Curso de Enfermagem da Escola de Enfermagem do Recife). As pesquisas eram realizadas com suporte financeiro de algumas instituições e pessoas físicas: Conselho Nacional de Pesquisas, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), Instituto do Açúcar e do Álcool, Fundação Rockefeller (bolsas de estudo), Companhia Abbott (assinatura de revistas), Laboratórios Raul Leite (auxílio para a construção de pavilhão destinado à Biblioteca), Professor Guilhermo Anguiano (doação de instrumentos de laboratório), Companhia Nestlé (fornecimento de leite em pó para a alimentação dos ratos do Biotério), e doações de particulares João Pessoa de Queiroz e Augusto Otaviano de Souza Neto e sra. Francisca Vitta (doações para a construção do pavilhão da Biblioteca). Com o auxílio da Universidade do Recife, de pessoas e instituições e o saldo de uma verba do Conselho Nacional de Pesquisas, foram ampliadas as instalações do Instituto Álvaro Ozório de Almeida, com a construção de um pavilhão anexo à Cadeira de Fisiologia, dispondo de cinco salas, onde funcionariam alguns laboratórios e serviços, além da Biblioteca Professor Oscar Coutinho, de cujo acervo faziam parte cerca de 2.000 volumes (oriundos das bibliotecas de Álvaro e Miguel Ozório de Almeida), doados pela família dos dois ilustres cientistas, e vários títulos de periódicos, além de separatas, teses etc. O Instituto Álvaro Ozório de Almeida dispunha também de um canil, com sala cirúrgica completa, para cirurgias experimentais. Foram tempos difíceis, de muita luta e trabalho. Com sua característica de lutador por aquilo que julgava importante, o Professor Nelson Chaves pleiteava a (*) de autoria de Maria Christina Malta de Almeida Costa Incluído nesta retrospectiva pela sua importância histórica, considerando tratar-se da Instituição que deu origem a todas as demais, a célula-máter do Instituto de Fisiologia e Nutrição e, por transformação estrutural da Universidade do Recife e da Universidade Federal de Pernambuco, do Instituto de Nutrição e do Departamento de Nutrição. (**) 1 concessão do regime de tempo integral para os membros de sua equipe e fazia uma verdadeira apologia acerca do exercício da atividade de pesquisa, ao afirmar: “É já questão pacífica o papel fundamental da pesquisa científica para a vida de qualquer Nação. Mas, a pesquisa científica é como a Ciência-humanista.” E continuava: “Um simples fato descoberto resulta do trabalho intenso de um ou de vários pesquisadores. Uma nova descoberta científica é capaz de modificar profundamente as condições de vida. O trabalho científico exige cultura e material, mas também serenidade, reflexão, análise, perseverança e continuidade.” “Além disso, a pesquisa científica constitui um estímulo ao espírito e exige uma recapitulação constante dos conhecimentos. Obriga o Professor ao estudo e à meditação”.(*) Não obstante contar com um reduzido quadro de pessoal (Anexo1), profundamente engajado na mística de amor à ciência, que constituía uma das características básicas do Professor Nelson Chaves, o Instituto Álvaro Ozório de Almeida realizou uma profícua atividade de pesquisa, aprimoramento científicodocente e intercâmbio com instituições de ensino e pesquisa. Assim é que, além dos cursos regulares sob sua responsabilidade, foram ministrados inúmeros cursos de extensão e atualização, oferecidos estágios a especialistas da área de saúde e de química, participação em reuniões científicas e cursos no Brasil e no exterior, realizadas viagens de estudo a instituições/centros de pesquisa e ensino etc. No que concerne a pesquisa, foram realizados, no Instituto Álvaro Ozório de Almeida,algumas dezenas de trabalhos. O Instituto Álvaro Ozório de Almeida foi visitado por grande número de professores e cientistas brasileiros e estrangeiros, dentre outros: − − − − Professor Hugh Davson, do University College – Londres; − Professor Bernardo Houssay, da Argentina (Prêmio Nobe;l de Medicina); Professor Guilhermo Anguiano Landin, da Universidade do México; Professor Benjamin Horning, Presidente da Kellog Foundation; Professor Pierre Grassé, da Academia de Ciências e Faculdade de Ciências de Paris; − Dra. Mildred L. Tuttle, Diretora do Nursing Education - Kellog Foundation; − − − − Dra. Mary Ann Hurst, da Rockefeller Foundation; − − Professor Paulo Sawaya, da Universidade de São Paulo; − Professor Mira y López, da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro; − − Professor Marcel Monnier, da Universidade de Sorbonne – Paris; Professor Reynolds, do Carnegie Institute – Washington; Professor Carlos Chagas, da Faculdade Nacional de Medicina - Rio de Janeiro; Professor Di Dio, da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais; Professor Mário Taveira, da Faculdade Nacional de Farmácia, Rio de Janeiro; Professor Jorge Novis, da Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia; (*) CHAVES, Nelson, In: Relatório anual da Cadeira de Fisiologia da Faculdade de Medicina. Recife, 1954. 14p. p.10-11. 2 − − − Dr. Robert Watson, da Fundação Rockefeller; Professor Hans Ussing, da Universidade da Dinamarca; e Profa. Maria Aparecida Pourchef Campos, da Faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo. 2 Instituto de Fisiologia e Nutrição(1956/1962) A criação do Instituto de Fisiologia e Nutrição resultou de proposta do Professor Nelson Chaves, sob forma de exposição de motivos (no 6/56, de 3 de fevereiro de 1956) dirigida ao Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Recife, Professor Antônio Simão dos Santos Figueira. Ao término de sua exposição de motivos, o Professor Nelson Chaves propunha a criação do Instituto de Fisiologia e Nutrição, anexo à cadeira de Fisiologia, de acordo com o artigo 300 do Regimento Interno da Faculdade de Medicina, com as seguintes finalidades: (Anexo 2) a) “Realizar pesquisas científicas sobre metabolismo e nutrição; b) Ministrar cursos de extensão universitária sobre metabolismo e nutrição; c) Ministrar cursos regulares para nutrólogos, nutricionistas e dietistas, de acordo com planos que serão apresentados posteriormente; d) Colaborar com outras Cadeiras da Faculdade de Medicina, unidades da Universidade e instituições científicas e culturais, nacionais e estrangeiras, no estudo dos problemas relativos à nutrição humana; e) Divulgar conhecimentos básicos sobre nutrição, com o objetivo de educar”. O Diretor do Instituto de Fisiologia e Nutrição seria o Catedrático de Fisiologia e a nova instituição seria mantida com os recursos previstos para o funcionamento da Cadeira de Fisiologia, não acarretando, portanto, despesas adicionais. A proposta foi objeto de discussão em duas instâncias: Conselho Administrativo da Faculdade de Medicina (em reunião realizada em 22/2/1956), e Congregação da Faculdade de Medicina (em reunião realizada em 16/3/1956), sendo aprovada em ambas. (Anexo 3) Em 3 de abril de 1956, através do ofício 417, o então Diretor da Faculdade de Medicina, Professor Dr. Antônio Simão dos Santos Figueira, remetia ao Reitor da Universidade do Recife as normas de funcionamento do recém-criado Instituto de Fisiologia e Nutrição, para apreciação pelo Conselho Universitário. (Anexo 4) Na prática, o Instituto de Fisiologia e Nutrição começou a funcionar a partir de 1957, conforme se deduz do Relatório de Atividades relativo àquele exercício: “A cadeira de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Recife no corrente ano foi transformada no Instituto de Fisiologia e Nutrição, continuando com o mesmo objetivo de ensinar e pesquisar no campo da Fisiologia e da Nutrição.” Conforme seu Regimento Interno (Anexo 5), aprovado pelo Conselho Técnico Administrativo (CTA) da Faculdade de Medicina, em 13 de junho de 1961 e pela Congregação da Faculdade de Medicina, em reunião realizada em 18 de setembro de 1961, o Instituto de Fisiologia e Nutrição era um Instituto Universitário destinado à pesquisa e ao ensino no campo da Fisiologia e da Nutrição, funcionando 3 anexo à Cadeira de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Recife, a cuja diretoria estava subordinado. “Tinha como finalidades: a) Investigação científica no domínio da Fisiologia, preferencialmente das peculiaridades dos fenômenos metabólicos e endócrinos das regiões tropicais; b) Investigação científica no campo da nutrição, especialmente das regiões tropicais; c) Formação de pesquisadores e profissionais fisiólogos, nutrólogos e nutricionistas; d) Aperfeiçoamento de profissionais de nível universitário no âmbito da Fisiologia e da Nutrição; e) Intercâmbio com entidades congêneres, nacionais e estrangeiras, através de: − − − − − cursos e conferências; bolsas de estudo ou estágios; permuta de publicações; colaboração científica, inclusive pesquisas em conjunto; e reuniões científicas.” Internamente, o Instituto de Fisiologia e Nutrição estava estruturado em quatro grandes setores: Diretoria, Departamento de Administração, Departamento de Pesquisa, Departamento de Ensino. A Diretoria era exercida pelo Diretor e pelo Conselho Consultivo, constituído pelos Chefes de Departamento. O Departamento de Administração era dividido em quatro seções: − − − − Secretaria; Contabilidade; Biblioteca; e Almoxarifado. O Departamento de Pesquisa compreendia seis seções: − − − − − − Fisiologia; Endocrinologia Experimental; Neurofisiologia; Metabolismo; Nutrição; e Bioquímica. Ao Departamento de Ensino competia a realização dos cursos regulares (Cadeira de Fisiologia da Faculdade de Medicina, do Curso de Odontologia e da Escola de Enfermagem e todas as Cadeiras do Curso de Nutricionistas), além dos cursos de extensão e de aperfeiçoamento. Em 1957, o Professor Nelson Chaves fundou o Curso de Nutricionistas, cujas aulas se iniciaram no dia 8 de agosto do mesmo ano. A 1a turma de profissionais nutricionistas colou grau em dezembro de 1959. (Item 4.1-1) Até meados de 1961, o Curso de Nutricionistas foi ministrado nas dependências do Instituto de Fisiologia e Nutrição, no Bloco B, 1opavimento, da Faculdade de Medicina. Em junho deste ano o Reitor, Professor João Alfredo Gonçalves da Costa Lima, destinou ao Curso de Nutricionistas o prédio construído 4 para abrigar o Biotério Central da Universidade. Após algumas adaptações, o prédio foi solenemente inaugurado e o curso instalou-se em suas novas dependências, em outubro de 1961. As atividades de pesquisa e de ensino eram realizadas graças ao suporte financeiro obtido através da assinatura de convênios com instituições nacionais e internacionais, como o Conselho Nacional de Pesquisas (atual Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas - CNPq), CAPES, Fundação Rockefeller (convênio firmado em abril de 1956). Além da verba da Universidade, o Instituto de Fisiologia e Nutrição era também agraciado com uma verba de dotação específica anualmente votada no Congresso Nacional, por proposta do então Deputado Nilo Coelho, patrono da entidade. Apesar de contar com um reduzido quadro de pessoal, a mística do Professor Nelson Chaves e sua equipe fazia produzir trabalhos científicos de tal qualidade que o Instituto de Fisiologia e Nutrição era conceituado no Brasil e no Exterior, atraindo visitantes ilustres, dentre os quais alguns prêmios Nobel (C. Heymans, da Bélgica, S. C. Wang, da Universidade de Columbia, USA, e U. S. von Euler, da Suécia). Além destes, devem ser mencionados outros visitantes, dentre eles os Professores Zenon Bacq, do Laboratoire de Pathologie et Thérapeutique Génèrale, Université de Liège, Bélgica (Presidente do Comité Internacional de Estudos sobre as Conseqüências das Radiações sobre os Seres Vivos); Gregório Marañon, de Madrid, E. Phyllipot, também da Bélgica; Jean Malméjac, da Faculdade de Medicina da Argélia; Chandler Brooks, dos Estados Unidos; G. Millaud, do Instituto Pasteur, Paris; Daniel Bovet, do Instituto Superior de Sanitá, Roma; Ignácio Chavez, do Instituto Nacional de Cardiologia, México. Da lista também constam Martha Truelson, da Universidade de Harvard, Estados Unidos; Robert Watson, da Fundação Rockefeller; Lauro Sollero, da Faculdade Nacional de Medicina e do Instituto de Biofísica, Rio de Janeiro; C. E. French, Diretor do Unicef; Gertrudes Lutz, Diretora da Seção Brasileira do Fundo das Nações Unidas para a Infância; F. Lowenstein, do Institute of Interamerican Affairs; A. S. G. Huggett e Esther M. Killick, do Physiology Department of St. Mary’s Hospital Medical School, University of London; José Maria Bengoa, do Instituto de Nutrição de Caracas e Divisão de Nutrição da OMS; e José Gongora y Lopez, da FAO. Havia um intenso intercâmbio científico, visando à realização de pesquisas conjuntas, cursos e conferências, bolsas de estudo, estágios de aprimoramento científico etc. Em 1958, o Instituto de Fisiologia e Nutrição transferiu-se para suas novas instalações, no Bloco B, 1o pavimento, do prédio da Faculdade de Medicina, no Engenho do Meio. Suas antigas instalações, no prédio em que funcionava o Instituto Álvaro Ozório de Almeida, passaram a abrigar a Faculdade de Odontologia. Grande foi a luta do Professor Nelson Chaves, sua secretária Vilma Wanderley Braga Mota e seus assistentes, em especial Naíde Teodósio e Antônio Gomes de Matos Júnior, para adequar as instalações do novo prédio às finalidades e compromissos da instituição e adquirir material permanente, fato comprovado em inúmeros ofícios, em que reclamava ao Diretor da Faculdade de Medicina e ao Reitor a precariedade e inadequação das instalações e a lentidão dos serviços de adaptações (Ofícios 22/56, de 1/3/56; 62/56, de 14/5/56;106/56, de 9/8/56;16/58, de 22/1/58;18/58, de 31/1/58; 115/58, de 18/9/58). 5 Em novembro de 1960, o Instituto de Fisiologia e Nutrição foi indicado nas recomendações do Seminário de Saúde Pública, realizado em Natal (RN), por sugestão de Dr. José Maria Bengoa, da Organização Mundial da Saúde (OMS), como Centro de Preparação de Pessoal de Nível Superior e Médio em Nutrição no Nordeste. Ainda por indicação do Dr. Bengoa, o Instituto de Fisiologia e Nutrição iniciou gestões junto à OMS para cooperação científica e financeira, visando à realização de um curso de Nutrição com ênfase em Saúde Pública, para médicos, em nível de especialização; seria realizado um curso por ano. Este propósito foi efetivado em 1963. Até 1970, foram realizados sete cursos de especialização em Nutrição em Saúde Pública, propiciando a formação de grande número de profissionais, provenientes de vários estados do Brasil. 3. Instituto de Nutrição(1962-1975) Em 1962, a então Universidade do Recife sofreu profundas modificações estruturais, com a criação de algumas unidades e transformação de outras. O Instituto de Fisiologia e Nutrição deixou de existir e, em seu lugar, foi criado o Instituto de Nutrição, unidade universitária autônoma, diretamente subordinada aos órgãos competentes da UFPE. Esta classificação como unidade universitária autônoma seria confirmada posteriormente pelo Estatuto da UFPE (capítulo II, artigo 17o, 1970), aprovado pelo Parecer n0 870/70, do Conselho Federal de Educação, em 13 /11/70. As atividades específicas de Fisiologia ficaram a cargo da Cátedra de Fisiologia da Faculdade de Medicina. O Instituto de Nutrição tinha como finalidades − − “Realizar pesquisas em nutrição e tecnologia alimentar; e Preparar pessoal especializado em alimentação e nutrição, para dirigir ou auxiliar serviços de alimentação coletiva.” Inicialmente estava estruturado em três setores distintos: - Divisão de Pesquisas; - Divisão de Ensino; e - Divisão de Administração. Na prática, à época de sua fundação, começaram a funcionar as divisões de Nutrição Experimental e Bioquímica, instaladas no prédio que fora destinado ao Curso de Nutricionistas, em 1961. Formalmente, a Divisão de Pesquisa estava dividida em dois setores: Divisão de Nutrição Experimental e Divisão de Nutrição Aplicada. Posteriormente, em 1964, seria criada a Divisão de Nutrição em Saúde Pública, por sugestão dos Drs. Bengoa, Kevany e Rao, da Organização Mundial de Saúde (OMS), conforme reconhecia posteriormente o Professor Nelson Chaves (Of. 344/68, dirigido ao Diretor da Faculdade de Medicina da UFPE, Professor Clóvis Paiva, em 17/12/68). Para chefiar a nova Divisão foi solicitado ao Diretor da Faculdade de Medicina, Professor Romero de Gama Marques, fosse colocado à disposição do Instituto de Nutrição o Professor Álvaro Vieira de Melo, lotado na Cadeira de Higiene, Medicina Preventiva e Medicina do Trabalho, solicitação esta efetivada em 13.02.64. E assim justificava o Professor Nelson Chaves a necessidade de contar com a colaboração do Professor Álvaro Vieira de Melo (of. n0 25/64, de 4 de fevereiro de 1964): “Destarte, será da alçada do Instituto de Nutrição da Universidade do Recife organizar programas de Nutrição em Saúde Pública, cujos resultados deverão ser utilizados nos planos de melhoramento da Nutrição no Nordeste brasileiro, ao mesmo tempo que se responsabilizará pelo levantamento de 6 dados estatísticos, através de uma coleta sistemática, servindo de centro de informações aos órgãos locais no campo específico da nutrição, mantendo ainda intenso intercâmbio com organizações nacionais, estrangeiras e internacionais”. Além do Professor Álvaro Vieira de Melo, compuseram inicialmente a Divisão de Nutrição em Saúde Pública as nutricionistas Emília Aureliano de Alencar Monteiro e Heloísa de Andrade Lima Coelho, recém-chegadas do Curso de Especialização em Nutrição no Instituto de Nutrición de Centro America y Panamá (Incap). Em meados de 1962, o Instituto de Nutrição firmou convênio com o Department of Defense - Interdepartmental Committee on Nutrition for National Development (ICNND) – Estados Unidos, para realização de um programa conjunto de pesquisas de que resultou a publicação de um documento: Northeast Brazil, Nutrition Survey, March-May 1963 (publicado em maio de 1965). A pesquisa que serviu de base para o trabalho foi realizada por uma equipe multidisciplinar constituída por pesquisadores americanos e brasileiros, em 16 municípios de seis estados do Nordeste do Brasil, sobre as causas da desnutrição, sobretudo as carências de proteínas e vitaminas. Curiosamente, até 1965, o Instituto de Nutrição não tinha um quadro próprio de pessoal. Este quadro somente foi proposto no final de 1964 (of. 466, de 23/12/64, dirigido ao Diretor da Faculdade de Medicina, Professor Romero de Gama Marques). No aludido ofício, o Professor Nelson Chaves explicava os critérios adotados para a composição do Quadro de Pessoal do Instituto de Nutrição, bem como do Quadro de Pessoal da Cadeira de Fisiologia. Assim, o primeiro Quadro de Pessoal do Instituto de Nutrição era constituído por 19 funcionários, dentre professores/pesquisadores, técnicos, funcionários administrativos e auxiliares. (Anexo 7) O combate às precárias condições de saúde e nutrição no Nordeste, decorrentes de um conjunto de fatores que condicionam desequilíbrios econômicos e sociais em escala crescente, ao longo dos séculos, sempre constituiu uma das prioridades de ação do Professor Nelson Chaves. Preocupado com os elevados índices de desnutrição no Nordeste, evidenciados em vários inquéritos nutricionais realizados, constatando hipovitaminose A, carência calórica-protéica, parasitoses intestinais, baixa estatura, envelhecimento precoce, ao lado de grau elevado de analfabetismo, precárias condições sanitárias etc. , ele convocou sua equipe para o planejamento de um Programa de Combate à Desnutrição, efetivado pela instalação de centros de educação e recuperação nutricional (CERNs). O programa se iniciou em agosto de 1968, com a instalação da Unidade de Campo do Instituto de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco na cidade de Ribeirão, Zona da Mata Sul do Estado, com a ajuda técnica e financeira de alguns organismos nacionais e internacionais, além do apoio irrestrito da Prefeitura da cidade de Ribeirão: − − − Diaconia - entidade privada com fins sociais; − − − Secretaria de Saúde de Pernambuco; LBA - Legião Brasileira de Assistência; OPS/OMS - Oficina Sanitária Pan-Americana/Organização Mundial de Saúde; Sudene - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste;e William Wateman Fund of Research Corporation. 7 Seguindo-se ao CERN de Ribeirão, foram instaladas outras sete unidades em Pernambuco, nas cidades de Água Preta, Gameleira, Primavera, Belém de Maria e Joaquim Nabuco. No Recife foram instalados CERNs na Ilha de Santa Terezinha (bairro de Santo Amaro) e em Tejipió. Por solicitação dos governos do Ceará e de Alagoas, o Instituto de Nutrição prestou assessoria para a implantação de CERNs nas cidades de Fortaleza e Maceió, supervisionando-os durante o biênio 1971/1972. Nestas unidades de campo, era feito o diagnóstico clínico/nutricional da população (em especial na faixa etária inferior a 5 anos), ministrada suplementação alimentar às crianças inscritas, além de educação nutricional oferecida às mães. Explicando as razões da implantação dos CERNs afirmava o Professor Nelson Chaves:(*) “Nosso objetivo foi demonstrar a existência de um problema muito sério, ligado ao desenvolvimento econômico e responsável pela instabilidade social e, desta maneira, ressaltar a imperiosa necessidade de assistência destes contingentes humanos, para que possam ser elevados os seus níveis de nutrição, saúde e educação”. E acrescentava: “O homem precisa ser valorizado não somente do ponto de vista da nutrição e da saúde, mas também do educacional. O tripé Nutrição/Saúde/Educação é essencial ao desenvolvimento. Com recursos humanos de má-qualidade, os recursos naturais não poderão ser devidamente explorados”. Os CERNs funcionaram até 1972. Não obstante constituírem uma experiência bem sucedida, os elevados custos operacionais inviabilizaram a continuidade do Programa. Em 1974, foi inaugurado o Laboratório de Processamento de Alimentos, integrante do Departamento de Nutrição Experimental, em decorrência de convênio firmado entre o Governo Brasileiro e a Confederação Suíça. Este Acordo de Cooperação Técnica visava à execução do Projeto “Nutrição e Tecnologia Alimentar”. Ao novo Laboratório de Processamento de Alimentos competia o desenvolvimento de pesquisas aplicadas em Ciência dos Alimentos. Este Laboratório posteriormente seria denominado Laboratório de Experimentação e Análise de Alimentos - LEAAL. (Anexo 8). Em seus 13 anos de trabalho, o Instituto de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco contribuiu para um melhor conhecimento da nutrição, em especial da Região Nordeste e do Estado de Pernambuco, com uma produção científica superior a 200 pesquisas, publicadas em periódicos nacionais e internacionais, sem contar os inúmeros trabalhos apresentados em reuniões científicas. 4. Departamento de Nutrição (1975 –até hoje) No ano de 1975, a Universidade Federal de Pernambuco foi objeto de reformulação em sua estrutura, passando a ser constituída por centros e departamentos, encarregados de cumprir suas atividades-fins: ensino, pesquisa e extensão. Unidades universitárias de maior amplitude, os centros, em número de nove, coordenam as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelos 63 departamentos. Contava ainda a Universidade Federal de Pernambuco com seis (*) CHAVES, Nelson. A desnutrição no Nordeste brasileiro. In: SEMINÁRIO SOBRE CENTROS DE RECUPERAÇÃO NUTRICIONAL (CERNs). Anais. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, Instituto de Nutrição, 1971. 217p. p. 23-38. 8 órgãos suplementares, além dos órgãos centrais encarregados da administração central. De acordo com a nova estrutura, o Instituto de Nutrição passou a integrar o Centro de Ciências da Saúde, com a denominação de Departamento de Nutrição (Portaria Normativa nº 102, de 04 de agosto de 1975). Inicialmente, o Departamento de Nutrição tinha, como objetivo geral, ministrar o ensino, realizar pesquisas e atuar no campo da extensão universitária, no que concerne a alimentação e nutrição, na área de sua competência. (Anexo 9) Como desdobramento deste objetivo geral, se propunha atingir os seguintes objetivos específicos: − − − − − − Ministrar ensino em nível de graduação e de pós-graduação, na área de sua especialidade; Contribuir para a melhoria da situação nutricional da população do Nordeste, através de estudos e pesquisas de matérias-primas disponíveis na Região; Realizar projetos de pesquisa no campo da alimentação e nutrição; Oferecer condições para especialização profissional na área de sua atuação; Preparar pessoal qualificado para ensino, investigação científica e extensão em sua área de abrangência; e Realizar programas de extensão universitária através de assessoramento e treinamento de pessoal de instituições congêneres, de projetos comunitários e de assessoria a indústrias regionais, nos problemas de ciência e tecnologia dos alimentos. Em 1976, foi assinado convênio entre o Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco e o INAN/MEC/DAU, para execução do Projeto “Ampliação e Aperfeiçoamento das Atividades de Ensino e Extensão Universitária”. No ano seguinte, as mesmas instituições firmaram um convênio de maior abrangência, que beneficiaria todo o Departamento de Nutrição: “Apoio Operacional ao Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco”. O objetivo geral do Departamento de Nutrição foi reformulado em 1984, para melhor adequá-lo aos compromissos e prioridades do órgão, passando a ser: gerar, transmitir e aplicar conhecimentos na área de Nutrição, com ênfase em problemas regionais e nacionais. Para atender aos compromissos de ensino, pesquisa e extensão, suas atividades-fins, o Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco está internamente estruturado em seis laboratórios e dois cursos, além da Secretaria Geral e Biblioteca especializada(*), conforme organograma constante do anexo 10. Laboratórios: Bioquímica da Nutrição, Experimentação e Análises de Alimentos, Fisiologia da Nutrição, Nutrição Clínica, Nutrição Experimental e Nutrição Humana. Cursos: (*) Graduação em Nutrição (item 4.1-1) Em fase de incorporação do acervo à Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde 9 Pós-graduação, compreendendo o Doutorado em Nutrição (item 4.1-2) Mestrado em Nutrição e o Para coordenar as atividades da instituição e representá-la perante os órgãos superiores conta com a Direção Executiva, constituída por uma Chefia e uma Subchefia, com mandato de dois anos, sendo permitida uma recondução, além da Comissão Diretora, constituída conforme o que determina o artigo 44, §1o e 2o do Estatuto da UFPE. Aos laboratórios compete ministrar o ensino e realizar pesquisas nas respectivas áreas. São as seguintes as atuais linhas de pesquisa, por laboratório: Laboratório de Bioquímica da Nutrição(**) − Alterações bioquímicas de carências específicas. Hipovitaminose A; − Dieta hiperlipídica: animais; e − Modelos experimentais de desnutrição. alterações bioquímicas em humanos e Laboratório de Experimentação e Análises de Alimentos(***) − − Pesquisas analíticas e tecnológicas de matérias-primas convencionais ou não, encontradas na Região: composição, interação entre constituintes, fisiologia pós-colheita, preservação, desenvolvimento de novas tecnologias e produção de biomassa; e Avaliação da eficiência e eficácia do processamento de alimentos: controle de qualidade e estabelecimento de parâmetros dos alimentos e serviços de distribuição de alimentos. Laboratório de Fisiologia da Nutrição(*) − − − − Nutrição e Sistema Nervoso- Efeitos da Dieta Básica Regional e sua suplementação e dietas hiperlipídicas sobre: a atividade do SNC e periférico, comportamento, ontogenia dos reflexos, analgesia endógena, excitabilidade cerebral; Metabolismo - Aspectos metabólicos da DBR: utilização protéica (efeitos sobre o aminoacidograma plasmático) e glicemia; Manipulações dietéticas em dietas em modelos experimentais de convulsão: carência de triptófano, dieta hiperlipídica; e Modelos dietéticos e neurotransmissores centrais. Detecção dos mecanismos implicados na excitabilidade cerebral mediante o uso de drogas. Laboratório de Nutrição Clínica(**) − − Nutrição nas enfermidades crônicas e/ou degenerativas; Aspectos nutricionais na terceira idade; (**) Criado em 11 de dezembro de 1975. Inicialmente denominado Departamento de Experimentação Dietética. (*) Incorporado ao Departamento de Nutrição em setembro de 1975, pela transferência de alguns professores do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFPE, sob a liderança da Professora Dra. Naíde Regueira Teodósio. (**) Antigo Laboratório de Patologia da Nutrição. (***) 10 − − Aleitamento ao seio: implicações físicas e psíquicas para o lactente; e Anemia em gestantes e sua repercussão no recém-nascido. Laboratório de Nutrição Experimental − − − Qualidade biológica de proteínas e de misturas protéicas: repercussão sobre a gestação, lactação, crescimento e desenvolvimento; Biodisponibilidade de alimentos e fontes alternativas: modelos animais de desnutrição; e Nutrição e atividade física. Laboratório de Nutrição em Saúde Pública − − Avaliação de programas e políticas de alimentação e nutrição; − Recomendações de Programas de baseadas em pesquisas operacionais. Caracterização e análise epidemiológica nutricionais e seus condicionantes; e dos problemas Intervenção Nutricional, 11