ÁREA TEMÁTICA: MIGRAÇÕES, ETNICIDADE E RACISMO O LUGAR DA POPULAÇÃO NEGRA NUMA CIDADE BRASILEIRA: Londrina espaço de segregação e resistência DA SILVA, Maria Nilza Doutora em Sociologia (relações étnicas e raciais) Universidade Estadual de Londrina – Paraná – Brasil [email protected] PIRES LARANJEIRA Doutor em Literaturas Africanas Universidade de Coimbra [email protected] Resumo A história da população negra no Brasil mostra que não houve uma preocupação com o seu processo de integração na sociedade moderna e nem com o seu desenvolvimento socioeconômico no período pósabolição. A cidade de Londrina, região norte do Estado do Paraná tem 73 anos de existência, mas não menciona a presença de negros entre os seus pioneiros. A pesquisa tem como objetivo o resgate da presença e da contribuição da população negra na cidade de Londrina em sua formação e desenvolvimento a partir da sua territorialidade, pois uma das características das populações marginalizadas e excluídas é na ocupação de territórios que reforçam os estigmas e as desigualdades sociais e raciais. A pesquisa está sendo desenvolvida baseada na metodologia quantitativa, com a utilização dos dados secundários do Censo de 2000, IBGE e na metodologia qualitativa com a realização de entrevistas em profundidade para analisar as trajetórias de vida das famílias negras presentes em Londrina, desde a fundação da cidade. Também se utiliza o material iconográfico (fotografias) em posse das famílias que participam da pesquisa. Até o momento, a pesquisa mostra que os negros estão ausentes da história oficial, mas estão presentes nas histórias das famílias negras e foram fundamentais para a construção e desenvolvimento da cidade. Segundo o IBGE, 22% da população de Londrina é negra (afro-brasileira) Palavras-chave: negros, território, Londrina, racismo, desigualdades. NÚMERO DE SÉRIE: 187 VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA 2 de 8 VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA Maria Nilza da Silvai Pires Laranjeiraii A nossa intenção é mostrar a trajetória dos negros na cidade de Londrina, no Estado do Paraná, Brasil, especialmente porque não existe a menção dessa presença na história oficial, apresentando a situação socioeconômica dessa população e a experiência de vida de algumas pessoas que foram entrevistadas no decorrer de uma pesquisa que ainda está em curso. Foram realizadas, até ao momento, 26 entrevistas com moradores negros na cidade de Londrina. Destas, foram analisadas 10 entrevistas e escolhidos alguns trechos que servem de ilustração indicativa do modo de viver e de sentir as relações sociais pelos negros da cidade Para compreender alguns aspectos da trajetória do negro de Londrina é necessário conhecer um pouco da história desta localidade, considerada promissora e já um significativo exemplo do que se convencionou chamar- em termos de propaganda desenvolvimentista – o “Sul maravilha do Brasil”. A cidade de Londrina é uma das principais do Sul e a segunda do Estado do Paraná. Com apenas 73 de existência, é referência por causa de sua importância econômica, social e política. Sua população se caracteriza por uma heterogeneidade étnica que é o resultado da presença de imigrantes, de seus descendentes e dos chamados “brasileiros”. Mas, como foi dito, a população negra não faz parte da história oficial, que destaca a presença do “brasileiro” e do imigrante, fazendo, ao longo das décadas, o constante panegírico dessa população, e, contudo, silencia sobre a existência da população indígena e negra. Sobre o povoamento da cidade, que ocorreu no início dos anos 30, Tomazi (1997) chama a atenção para a exclusão e a violência sofrida pela população nativa da região do norte do Paraná no processo de colonização e explica que era excluído do painel das forças representativas da região aquele que não era proprietário e não se enquadrava nos padrões dos que se tornariam ícones do desenvolvimento de uma próspera e promissora cidade: imigrantes e seus descendentes “empreendedores”, possidentes de terras e outros bens imóveis e móveis, ou seja, os “escolhidos” pelas suas potencialidades e capacidades de fazer. Como se um grupo que usufruía de benesses e apoios de todo o tipo (terras, isenção de certas taxas, crédito bancário, etc.) pudesse, por si só – e mesmo com todo esse suporte institucional -, ser empresário para fazer surgir algo sem mão-de-obra barata e trabalho precário. O quadro sócio-econômico de Londrina está ligado diretamente ao capitalismo que norteou a concentração de mão-de-obra nas regiões metropolitanas das principais cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador, e recebeu a migração e imigração para dinamizar o processo urbano-industrial. O desenvolvimento das relações sociais e raciais depende do território em que estas ocorrem. Os processos de urbanização e de industrialização influenciam e transformam a forma de contato entre os indivíduos e as maneiras de estar juntos, num mesmo território. Foram essas mudanças radicais no processo de produção do espaço urbano que levaram os estudiosos da Escola de Chicago, e outros em seqüência, a se preocuparem com a desorganização e reorganização que ocorriam a partir dessas transformações. Como ocorreu na cidade de Chicago, as cidades contemporâneas continuam sendo os lugares privilegiados para analisar as relações sociais e a realidade social, sobretudo porque é nelas que se encontra a maior diversidade de tradições culturais, de identidades, etc. É essa multiplicidade de diferenças que constitui o específico da malha social urbana, verificável sobremaneira nas grandes cidades. Como afirma Grafmeyer, a aglomeração “serve de ‘laboratório social’ por excelência da imigração, do desenraizamento, da desintegração das pertenças e dos laços sociais, da extrema heterogeneidade social e culturaliii. 3 de 8 VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA A exclusão afeta diferentes grupos raciais na sociedade. Contudo, a população negra é o grupo mais vulnerável, pois o racismo está aliado à pobreza. Segue o depoimento de Sandra iv sobre a sua experiência educacional: “Tenho até o Segundo Grau, fiz um curso profissionalizante, eh Auxiliar de Laboratório, fiz estágio no Hospital das Clínicas de São Paulo, mas também por racismo, não consegui trabalho aqui, né. Que aí eu distribui curriculum né... lugar que eu fui, que me mandaram ir que tavam precisando, eu cheguei lá, me barrou, não consegui nem ir no Departamento Pessoal” (Sandra, 65 anos, empregada doméstica). O racismo acirra ainda mais as dificuldades vivenciadas por esta população em todos os âmbitos sociais, tornando-a ainda mais vulnerável à depauperação econômica, à degradação social e à subestimação psico-afectiva: “Algumas coisas me agrediram muito, o que tem relação com a educação dada pela família, tinha um distanciamento por causas dos apelidos Pelé, neguinho, piadas, senti muito isso no primário, o preconceito vem de berço, a rejeição nos trabalhos escolares, nos times de futebol, mas só nessa fase (...) senti talvez pelo fato de ser pobre, por causa das roupas velhas, algum afastamento” (Juvenal, 47 anos, operário). A história do negro no Brasil mostra que não houve uma preocupação com a sua integração no processo de formação da sociedade de classes e no desenvolvimento socioeconômico v no período pósabolição. A história oficialvi da cidade de Londrina, não menciona a presença da população negra no processo de colonização. Os estudos realizados por pesquisadores das relações raciais no Brasil, no âmbito do projeto empreendido pela UNESCOvii, como Florestan Fernandes, Costa Pinto, Thales de Azevedo e, desde o final da década de 1970, por outros inúmeros pesquisadores, mostram que historicamente os negros têm ocupado espaços subalternos, e que, portanto, são relegados para os fundos (a periferia) e a marginalidade na sociedade, o que influencia e fortalece as situações de discriminação e de desigualdades sociais e raciaisviii, contribuindo para a criação de estereótipos, preconceitos e lugares-comuns a seu respeito. A entrevistada atribui a si mesma a responsabilidade por ter permanecido na escola. Ela não compreende que existem inúmeras barreirasix que impedem o negro de perseverar no ambiente educacional: “Eu fiquei um ano só na escola, daí eu não tinha cabeça boa pra estudar assim, daí eu peguei eu mesma não quis ficar na escola, tem um ano só na escola, daí eu não passei eu mesmo quis sair da escola, daí” (Mafalda, 64 anos, empregada doméstica desde os sete anos, entregue a uma família). Também os estudos sobre as leis de planejamento urbano mostram que existem práticas de exclusão daqueles cuja presença é, considerada, indesejada nos territórios selecionados como de privilégio pela classe dominante (Rolnik, 2003). É nessa perspectiva que se realiza uma pesquisa sobre as condições socioeconômicas e culturais da população negra na cidade de Londrina (que funciona assim como paradigma da generalidade da sociedade brasileira), a partir do território ocupado por esta população, pois, como se sabe, o conceito de “território” tem profundas relações com o “lugar” que a população ocupa na sociedade. Com a noção de território buscamos sintetizar e analisar a trajetória histórica e o cotidiano dos negros na cidade de Londrina, uma vez que lhes tem cabido a ocupação de territórios periféricos, degradados e estigmatizados onde quer que se encontrem, usando a conceituação do conhecido geógrafo Milton Santos, que escreveu: “Cada homem vale pelo lugar onde está: o seu valor como produtor, consumidor, cidadão, depende de sua localização no território. Seu valor vai mudando, incessantemente, para melhor ou para pior, em função das diferenças de acessibilidade (tempo, freqüência, preço), independentes de sua própria condição. Pessoas, com as mesmas virtualidades, a mesma formação, até mesmo o mesmo salário têm valor diferente segundo o lugar em que vivem: as oportunidades não são as mesmas. 4 de 8 VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA Por isso, a possibilidade de ser mais ou menos cidadão depende, em larga proporção, do ponto do território onde se está. Enquanto um lugar vem a ser a condição de sua pobreza, um outro lugar poderia, no mesmo momento histórico, facilitar o acesso àqueles bens e serviços que lhes são teoricamente devidos, mas que, de fato, lhe faltam” (Santos, 1987, p.81). É na perspectiva de um contexto heterogêneo que se verifica a relação social dos negros na cidade de Londrina, notadamente levando-nos a compreender como se processam a sociabilidade e o significado de sua presença no território urbano, visto que eles se acham ausentes da história oficial da cidade. Embora os dados dos Censos tenham mostrado que a população negra anda em torno de 20% na cidade de Londrina, constatando-se essa ausência na historiografia oficial, isso só pode ser o reflexo de um processo – social, econômico, político e ideológico - de discriminação e exclusão. A exclusão social nas cidades brasileiras reúne diversos elementos, como o histórico, o político, o econômico, o social e cultural, ou seja, um cenário híbrido que produz subjetividades diversas e complexas, sobretudo na sociedade brasileira, nos indivíduos e grupos que pertencem ao local. Em Londrina, a realidade da população não é diferente daquela constatada na maioria das regiões do país. Quando se trata do mercado de trabalho, a maioria da população negra desenvolve atividades de menor reconhecimento e menor rendimentox: “Porque no trabalho, acham que negro só pode trabalhar de porteiro, de faxineiro, de cozinheira, do trabalho. E também a cor porque uma coisa puxa a outra, que acha que a cor, a cor morena deve ser só assim, portanto, eu já vou falar uma. Você já viu, alguma... Pouco você vê um médico branco, pouco você vê uma pessoa negra, dum estudo assim, um grau assim, preto quer dizer. Só vê branco, por quê? Porque não tem oportunidade por causa da cor, muito difícil, quando vê um br... preto, muitas vezes aquela pessoa dá aquela cara de espanto assim porque é preto. Tanto que a gente nem vê quase. Não vê, eu vou falar bem sinceramente, eu só vi no HU médico de cor. Nunca vi médico de cor. Vejo branco” (Gabriela, 73 anos, merendeira, informou ter sido discriminada por alguns professores e uma diretora). Se a cidade representou o locus privilegiado de oportunidades para inúmeros migrantes e imigrantes que chegaram ao Norte do Paraná em busca de melhores condições de vida, para a maioria dos negros que aportaram na cidade, Londrina não lhes proporcionou as oportunidades que outros contingentes populacionais tiveram. A exclusão do negro da própria história oficial da cidade obriga o sociólogo e o historiador a buscá-la na memória de cada família que ali chegou nos anos 30 e 40 do século XX e nas fotografias que não deixam a “oficialidade” negar a existência de um povo que traz, na história recente, as marcas de um passado de trabalho e luta nas promissoras (só para alguns, note-se) “terras vermelhas” do chamado Norte Pioneiro do Paraná.xi. As falas dos entrevistados são eloqüentes quanto ao “lugar” do negro em Londrina, versam sobre a educação, o trabalho ou o bairro onde as pessoas habitam (de que geralmente gostam, mal grado o problema das drogas, temendo o contato de pessoas viciadas com as crianças do local): “Bom, lógico, eu, o meu bairro é bom, mas falta muita coisa. Infra-estrutura, por exemplo não temos rede de esgoto, segurança, você chama por exemplo, também, a pessoa tá doente, você chama o SAMUxii, demora pra chegar, até que chega, tá pegando o carro e já levou. E o que menos gosto é isso aí a falta de segurança. Eu queria mais agilidade do prefeito, também na infraestrutura também” (Sandra, 65 anos, empregada doméstica). Os entrevistados falam também das suas vivências sociais, é certo, mas são recorrentes no Brasil as referências à violência, incluindo a policial que é mais freqüente quando se trata de negros. Segue o depoimento de Juvêncio que teve a casa invadida pela policia, que suspeitava de que ele fosse um marginal: “Eles invadiram não que o cara era parecido comigo mesmo, tinha um cabelo até igual ao meu. (...) Era umas 3 horas da manhã, acordei com a polícia batendo, e a policia disse “vamo muer você no 5 de 8 VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA pau, até você contar onde ta a arma e o que você fez”. (...) A policia é racista, se tiver num bar e tiver 10 branco e um negro e ele vai no negro, no escuro pra dar gera” (Juvêncio, 47 anos, serralheiro). Outra violência, a psicológica, relaciona-se com a agressividade das alcunhas ou apelidos (Tigrão, Chokito - um tipo de doce -, Baiano, Pelé, Ronaldinho...), algumas vezes desculpadas pelos próprios atingidos, mas que marcam e ferem a auto-estima. Vários entrevistados expressaram suas dores por causa dos apelidos: “Bom, a gente procurava ignorar (as alcunhas) né, mas é achava que não prejudicava, e eles achavam que não prejudicavam né, embora estavam se só divertindo né, a gente achava que aquilo não estava nos prejudicando né, entendeu. Ignorar né, mas é enquanto mais você ficar, e ficar, continuar contra é pior e também não tinha ao que recorrer também né, então você tem que ter estrutura pra conviver com isso né, é o que é feito normalmente né” (Eduardo, 51 anos, funcionário público). Começa-se a trabalhar muito cedo, devido a condições sociais, étnicas e culturais. O trabalho infantil é uma experiência que aparece frequentemente no depoimento dos entrevistados: “Eu comecei a trabalhar com 11 anos. Parei de estudar, eu nem tinha terminado a quarta serie, aí comecei a trabalhar de doméstica e depois agora que eu terminei, eu fui fazer a quarta até sexta serie” (Márcia, 45 anos, zeladora); “Eu comecei a trampar quando eu tinha 5 anos, fui obrigada a ir pra rua cata papel pra ajudar em casa, quando eu tava com nove anos comecei a trabalhar na serralheria” (Juvêncio, 47 anos, serralheiro). O pai de Márcia era “saqueiro”, ou ensacador, função relacionada com a colheita do café: Londrina chegou a ser a capital mundial da produção de café. Já o pai de Juvêncio trabalha como vigia, no mesmo local que ele. Os dois relatam uma infância junto à família, com vários irmãos, mas submetidos às privações provocadas pela pobreza. A mãe de Márcia, de tanto trabalhar, adoeceu e morreu, e o pai tornou-se alcoólatra. Sente-se a falta da educação formal, mas pouco se pode fazer para alterar individualmente a situação: são raros os casos de ascensão social, narrados com a consciência do esforço gigantesco de vencer barreiras sociais, econômicas, espaciais, culturais, raciais. Mas as mulheres, tal como noutras regiões do país, são verdadeiras heroínas na caminhada pela subsistência e dos seus e algumas são divertidas e extremamente positivas a avaliar a vida. Assim é Gabriela, de profissão “merendeira”, bemhumorada, que, com os seus 73 anos, ainda trabalha, teve possibilidades de estudar até certo patamar, embora elementar, mora sozinha e seleciona suas amizades, com o saber que a experiência confere: “Ai , a minha vida, eu Graças a Deus, eu trabalho, porque se eu não trabalhasse , eu não tinha o meu aquisitivo de vida né. Se eu não trabalhasse né . E ...Trabalho e estudo, levo a vida bem controlada, gosto muito de me divertir, gosto de sair, fazer amizades, tenho muita facilidade de fazer amizade, não discrimino cor, nem nada, nem branco nem preto, à partir da hora que a pessoa faz amizade comigo.Pode ser quem for, porque eu sou o tipo de pessoa que tenho muita facilidade de ..de..me divertir...de..levo minha vida social assim, gosto de..de tudo eu gosto um pouco , divido, eu divido , divido as minhas ...também tenho isso, eu também tenho esse problema, eu sou assim, eu seleciono minhas amizades, não por ser branco, preto, que seja. Eu seleciono minhas amizades. Quando eu vejo que é uma pessoa que é meio lá meio cá. Não vou dizer que não gosto, não vou dizer que é isso e aquilo e desligo daquela pessoa e acabou. Eu seleciono minhas amizades, porque isso foi..você já é preto, você se junta com gente que é lá levada as breca..”cambada de preto”..”preto é assim”..não por ser isso, mas eu seleciono não pela cor, pela pessoa o que ela é. Eu seleciono porque isso é muito importante, que é aquela que..minha falava que isso ...”minha filha porco que se mistura farelos come”, quando você se mistura com a pessoa que não presta, 6 de 8 VI CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA você também , quando chegar ali fora, ninguém vai dizer que você é boa também, você não presta também, então eu to explicando isso, não pela cor, esse tipo de coisa eu seleciono mesmo”. Conforme a pesquisa realizada na cidade de São Paulo sobre a questão da sociabilidade negra desenvolvida em várias regiões da cidade. Mesmo numa cidade com apenas 74 anos de existência, as dificuldades vivenciadas pelo negro londrinense para a sua sobrevivência e a luta contra o racismo são semelhantes àquela vivenciada pela população negra paulistana. Contudo, em São Paulo, o negro aparece nas histórias não-oficiais, na imprensa negra, nos depoimentos registrados por pesquisadores como Florestan Fernandes, Octávio Ianni, Roger Bastide entre outros enquanto que em Londrina, a trajetória do negro desde a sua chegada à cidade ainda está por ser contadaxiii. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, José Idalto de. Presença negra em Londrina: história da caminhada de um povo. Londrina: PROMIC, 2004. AUGÉ, Marc. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. 3ª ed., Trad. de Maria Lucia Pereira.Papirus, São Paulo: 2003. BASTIDE, Roger e FERNADES, Florestan. Relações raciais entre negros e brancos em São Paulo. São Paulo: Anhembi, 1955. 955. MAIO, Marcos Chor. “O Brasil no concerto das nações: a luta contra o racismo nos primórdios da UNESCO”. História, Ciência e Saúde. V. 2. Jul/Ago 1998, p. 375-413. PREFEITURA DO MUNICIPIO DE LONDRINA. Perfil de Londrina – 2003: Dados estatísticos. Secretaria de Planejamento: Londrina – 2003. SANTOS, Milton. O espaço do cidadão. São Paulo, Nobel: 1987. SILVA, Maria Nilza e Pires Laranjeira. “Do problema da ‘raça’ às políticas de ação afirmativa”. PACHECO, Jairo Queiroz e SILVA, Maria Nilza (orgs.) 2ª reimpressão. O negro na universidade: o direito à inclusão. Fundação Cultural Palmares: Brasília, 2008. SILVA, Maria Nilza da. Nem para todos é a cidade: segregação urbana e racial em São Paulo. Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006. TOMAZI, Nelson Dacio. Norte do Paraná: histórias e fantasmagorias. Curitiba: Aos Quatro Ventos, 2000. VÉRAS, Maura Pardini Bicudo. Trocando Olhares: uma introdução à construção sociológica da cidade. São Paulo, Studio Nobel/Educ, 2000. WACQUANT, Loïc. Os condenados da cidade. Rio de Janeiro: Revan, 2001. 7 de 8 i Professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina – Paraná - Brasil. Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – Portugal. iii GRAFMEYER (1994, p. 79). iv Aqui, todos os nomes próprios são pseudônimos para preservar a identidade dos entrevistados. ii v Conf. Florestan Fernandes e Roger Bastide (1955). Não foi encontrada referência à população negra nos livros que analisam a formação da cidade e entre os pioneiros, os negros não são mencionados vii Os estudos promovidos pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, cujo objetivo inicial foi mostrar ao mundo o exemplo do Brasil como um país em que as relações raciais eram consideradas harmônicas, num contexto em que o mundo estava horrizado por causa das conseqüências da II Guerra Mundial, em que a raça se tornou referência para o genocídio. Os resultados dos estudos foram publicados na década de 1950 e não confirmaram as relações tão harmônicas entre negros e brancos no Brasil, mostrando um país com grandes desigualdades. Conf. MAIO, 1998, pág. 375-413. viii Conf.: SILVA, Maria Nilza da. Nem para todos é a cidade: segregação urbana e racial em São Paulo. Fundação Cultural Palmares, Brasília, 2006. ix Várias pesquisas realizadas por especialistas em educação mostram que professores têm dificuldades em acreditar no potencial do estudante negro, vendo-o como possível fracassado. Também a falta de conteúdos referentes à história do negro no Brasil e a história africana dificultam a formação de uma identidade positiva em relação à própria trajetória. E isso contribui para que, segundo o PNUD/2007, em torno de 70% das crianças que evadem no ensino fundamental sejam negros. x O rendimento dos negros é 53% da renda dos brancos. Conf.: Folha de São Paulo, 13de Maio de 2008. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u401394.shtml xi As terras do Paraná têm uma cor avermelhada e são comparáveis às da Ucrânia, pela sua fecundidade; a expressão “Norte Pioneiro” faz lembrar o conceito do Far-West; é, de fato, uma região de criação de gado, de cultura do café, soja e outros cereais. xii Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. xiii Somente em 2004, Idalto José de Almeida publica um livro com depoimentos de “pessoas negras importantes”, mas a população como um todo não tem a sua história registrada. vi