O MEIO RURAL E A ORIGEM DO IDOSO: A SAÚDE E A MORTE NA CIDADE.
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(RESULTADOS DO ESTUDO SABE 2000 – 2006)
Jair Licio Ferreira SANTOS(1)
Marina Leandrini de OLIVEIRA(2)
Marta Rovery de SOUZA (3)
Maria Lúcia LEBRÃO(4)
Yeda Aparecida Oliveira DUARTE(5)
Palavras-chave: Origem Rural, Saúde do Idoso, Mortalidade, causas pregressas
Resumo
Estudos indicam conexões entre condições de vida na infância e a saúde e mortalidade
entre idosos. As condições pregressas podem estar relacionadas a fatores individuais do
desenvolvimento, e em particular, o meio rural pode mesclar condições específicas
diferenciadas do meio urbano durante o desenvolvimento infantil. Este trabalho avalia o
impacto que a origem rural tem sobre a saúde do idoso e a sua sobrevivência. São utilizados
os dados do Estudo SABE-São Paulo em 2000 e 2006. A variável explicativa é a origem,
obtida nas respostas à pergunta: “Até os 15 anos de idade viveu no campo por mais de 5
anos?”. As variáveis de controle foram sexo, idade, escolaridade, posição na distribuição da
renda, medidas em 2000. Como variável dependente se definiu “Estado em 2006” com 3
categorias: Óbito – idosos que faleceram entre as duas pesquisas – e para os que
sobreviveram, a saúde auto-referida nas categorias “Boa” e “Regular/Má”.
A análise através do teste de Rao-Scott (P=5%) mostrou diferenças entre os idosos
segundo a origem, para todas as variáveis com exceção da idade. Na análise multivariada,
para a avaliação das associações entre a variável explicativa e a dependente, na presença das
variáveis de controle, foi aplicada regressão logística multinomial, tendo a categoria “Saúde
Boa” como referência. O elemento de comparação foi a Razão de Risco Relativo (RRR) e a
significância fixada em P=0,10.
A origem rural foi significativa para a associação com Saúde Regular/Má (RRR=
1,39) e para o Óbito (RRR=1,59): O idoso de origem rural teve um risco 39% maior de
apresentar Saúde Regular/Má. Igualmente, o risco de óbito nos 6 anos de observação foi
superior aos idosos de origem urbana em 59%. . Estes resultados permitem apontar
associações que tornam o local de origem dos idosos um instrumento fomentador de hipóteses
e norteador de ações em saúde.
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Trabalho apresentado no XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu- MG –
Brasil, de 20 a 24 de setembro de 2010.
(1) – Professor Titular- Departamento de Medicina Social da FMRP-USP
(2) – Mestranda do Programa de Pós Graduação em Saúde da Comunidade – FMRP-USP
(3) – Professora Adjunta - Faculdade de Ciências Sociais – UFG.
(4) – Professora Titular – Departamento de Epidemiologia – FSP-USP
(5) – Professora Associada – Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da EE-USP.
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O MEIO RURAL E A ORIGEM DO IDOSO: A SAÚDE E A MORTE NA CIDADE.
(RESULTADOS DO ESTUDO SABE 2000 – 2006)
Jair Licio Ferreira SANTOS(1)
Marina Leandrini de OLIVEIRA(2)
Marta Rovery de SOUZA (3)
Maria Lúcia LEBRÃO(4)
Yeda Aparecida Oliveira DUARTE(5)
Introdução
Queda da mortalidade e urbanização
As alterações demográficas importantes observadas no Brasil e na América Latina a
partir de meados do século passado
não surgiram apenas como
resultados do
desenvolvimento social, mas sobretudo, como conseqüência do processo maciço de
urbanização sem alterações acentuadas na distribuição de renda e na estrutura do poder social
(RAMOS, 2006).
Nossa transição demográfica foi decorrente de uma série de alterações populacionais
marcadas inicialmente pelo declínio significativo da mortalidade entre os anos 40 e 60.
Ressalta-se que o impacto da queda de mortalidade não foi significativo na estrutura etária em
termos proporcionais; somente a partir da segunda metade da década de 60, por meio da
redução da fecundidade é que se iniciam mudanças na distribuição etária (CARVALHO;
GARCIA, 2003).
É interessante notar que este processo se deu de forma predominantemente urbana,
em decorrência de intenso movimento migratório iniciado nos anos 60, motivado pela
industrialização. A urbanização proporcionou maior acesso da população aos serviços de
saúde e saneamento, assim contribuindo para queda da mortalidade (GORDILHO et al.,
2000). De forma resumida pode-se lembrar que certas conquistas, como o avanço tecnológico
da medicina, as mudanças nas estruturações dos serviços de saúde, e a disseminação de
saneamento do meio favoreceram a prevenção e tratamento de doenças antes mais letais,
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Trabalho apresentado no XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu- MG –
Brasil, de 20 a 24 de setembro de 2010.
(1) – Professor Titular- Departamento de Medicina Social da FMRP-USP
(2) – Mestranda do Programa de Pós Graduação em Saúde da Comunidade – FMRP-USP
(3) – Professora Adjunta - Faculdade de Ciências Sociais – UFG.
(4) – Professora Titular – Departamento de Epidemiologia – FSP-USP
(5) – Professora Associada – Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da EE-USP.
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diminuindo as taxas da mortalidade infantil e aumentando a expectativa de vida (GORDILHO
et al., 2000).
É portanto lícito esperar que diferenças urbano-rurais na morbi-mortalidade se
acentuem nesse processo. As grandes mudanças na mortalidade foram mais decorrentes da
atuação de inovações médicas e de saúde pública e bem menos do aumento nos padrões de
vida ou melhora nos níveis nutricionais. Assim, é justo entender que as pessoas continuaram
afetadas por doenças e expostas a determinadas condições adversas durante o inicio da vida,
porém com a letalidade reduzida (PALLONI et al., 2006), e que essa exposição teve o
diferencial urbano-rural aumentado no processo de transição.
As condições de vida iniciais e a saúde na vida adulta
O estado nutricional e a exposição às infecções e inflamações no início da vida são
alvos de atenção crescente no meio acadêmico ligado à Saúde. Na medida em que a
mortalidade prematura diminui, a vida do adulto e do idoso passa a acontecer sob condições
que refletem heranças daquelas exposições e que podem afetar a saúde de forma tardia.
Estas relações constituem o interesse de estudiosos nas investigações dos efeitos das
condições precárias observadas no inicio da vida sobre a saúde durante o envelhecimento. A
emergente linha de pesquisa vem encontrando evidências de que as doenças e exposições a
condições deletérias precocemente na vida – as denominadas condições pregressas – podem
ter efeitos permanentes que influenciariam a vida adulta e a velhice.
O termo condições pregressas (early conditions) é usado para denotar alguns fatores
heterogêneos que afetam o crescimento e o desenvolvimento como o estado nutricional, a
exposição e o risco de adquirir doenças infectocontagiosas, exposição ao estresse e mais
geralmente, experiências associadas às condições socioeconômicas familiares, as quais
modificam direta ou indiretamente o ambiente no inicio da vida (MONTEVERDE;
NORONHA; PALLONI, 2009). Os autores apontam os nexos através dos quais as
condições pregressas podem associar-se à saúde dos adultos São cinco os mecanismos, que
de forma não excludente, conectam a história do inicio da vida com a saúde dos adultos e
idosos: status nutricional, doenças específicas, infecções recorrentes, estresse crônico e
eventos estressantes, condições socioeconômicas precárias esquematicamente representados
na figura 1. Além destes cinco caminhos outros como a região ou localização de onde o
indivíduo se desenvolve durante a infância tem sido apontados como preditores de doenças na
vida adulta e velhice ( LAVERY; LEE, 2009). Em particular, o nosso meio rural, sobretudo o
existente anteriormente à 2ª Guerra Mundial, mescla condições bastante específicas e
diferenciadas do meio urbano para o desenvolvimento infantil.
Segundo Poel, O’Donnell e Van Doorslaer (2007) a saúde durante a infância em áreas
urbanas é melhor se comparado a áreas rurais de países em desenvolvimento. Alguns autores
investigaram, entre outros fatores, a origem do idoso (área urbana ou rural) como marcador
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para desfechos de saúde e mortalidade (ANDERSSON et al., 1995; HUANG; ELO, 2009;
SCAZUFCA et al., 2008).
A hipótese investigada neste trabalho está assentada sobre as considerações acima
formuladas a respeito da diferenciação urbano-rural no processo de queda da mortalidade e
sobre as indicações de conexões entre as condições pregressas e a saúde de adultos: sendo
plausíveis essas indicações, deveremos encontrar diferenças na mortalidade e na saúde entre
idosos cujos primeiros anos foram vividos no meio urbano e aqueles do meio rural, ainda que
estes tenham migrado para a cidade em alguma época posterior.
MATERIAIS
As informações do Estudo Sabe
O Estudo Sabe no Brasil teve sua primeira rodada realizada no Município de São
Paulo em 2000 quando foram entrevistados 2143 pessoas de 60 anos e mais. Seguiu com
uma segunda onda de entrevistas em 2006 e deve continuar o seguimento dos entrevistados
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em 2010.
As respostas aos questionários de 2000 (disponíveis em: http://
www.fsp.usp.br/sabe ) constituem uma gama enorme de informações, cujos resultados
principais constam do livro O Projeto SABE no Município de São Paulo: uma abordagem
inicial (LEBRÃO; DUARTE; 2003).
Para este trabalho foram utilizadas informações referentes à vida do entrevistado antes
dos 15 anos de idade, obtidas no questionário de 2000. A indicação de que o idoso tenha
vivido por mais de cinco anos no meio rural foi tomada como marcador para sua origem.
Outra informação de importância foi a relativa à sobrevivência. Encerradas as
atividades de campo do Estudo Sabe 2006, após exaustivas buscas para confirmação de
óbitos e localização de unidades de análise ainda faltantes, resultaram confirmados 649
óbitos entre os entrevistados na primeira fase (LEBRÃO; DUARTE; SANTOS; LAURENTI;
2008). Mais de 50% da amostra inicial (1115) foi novamente entrevistada, o que representa
resultado excelente no tocante ao volume das informações colhidas em 2006: somando-se o
número de entrevistados com o de óbitos confirmados obtém-se mais de 80% da amostra
inicial, uma perda de menos de 20% em mais de seis anos.
As co variáveis sexo, idade, escolaridade, posição na distribuição da renda foram
obtidas a partir das respostas de 2000. Com as respostas de 2006 ainda se obteve as
informações sobre a auto avaliação da saúde.
MÉTODOS
Amostra
Foram utilizados os dados coletados no Estudo SABE, referentes ao município de São
Paulo em 2000 e 2006, quando nesta última data 1115 idosos foram entrevistados. A amostra
é representativa dos idosos residentes em São Paulo, realizada por conglomerados com duplo
estágio. No primeiro estágio a seleção foi realizada com probabilidade proporcional ao
tamanho, e no segundo com estratificação por idade e sexo. A amostra de 2000 resultou em
2143 entrevistas e o procedimento amostral completo está descrito por Silva (2003).
Variável explicativa
Origem - foi considerado de origem rural o idoso que respondeu afirmativamente à
questão “Desde que o(a) Senhor(a) nasceu até os 15 anos, viveu no campo por 5 anos ou
mais?”. A resposta “Não” à questão foi considerada como indicadora de origem urbana do
entrevistado.
Co - variáveis
Idade - foi considerada a idade relatada em 2000, agrupada em duas classes: 60 a 74
anos e 75 anos e mais.
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Renda - Medida pela posição do entrevistado nos quintis da distribuição de renda,
com duas classes: até o segundo e acima do segundo quintil.
Escolaridade - aferida pelos anos de estudo, dividida em duas classes: até 3 anos de
estudo e quatro ou mais anos de instrução.
Variável Dependente
Status – Aferida em 2006 com três classes: “Bom”- se o indivíduo sobreviveu de 2000
até a entrevista de 2006 e relatou ter saúde excelente ou boa. “Ruim” se o indivíduo
sobreviveu de 2000 até a entrevista de 2006 e relatou ter saúde regular ou má. “Óbito” se o
indivíduo faleceu no período entre as pesquisas.
Esta variável foi assim constituída não apenas por facilidade de análise. A saúde autoreferida tem se mostrado um excelente marcador das condições de vida do idoso e, mais
importante, de sua sobrevivência. Assim, LIMA-COSTA et AL. (2004) encontraram
associações da auto avaliação da saúde com suporte social, condições efetivas de saúde e
acesso aos serviços. Nos estudos de mortalidade foi verificado que a auto avaliação de saúde
como “má” aumenta o risco de óbito com um fator de 2,7 quando comparada com as
categorias agrupadas “boa, muito boa ou excelente” (MAIA; DUARTE;LEBRÃO;SANTOS;
2006). Santos et al (2009) encontram razões de riscos para óbitos aumentadas em 1,4 e 3,3
respectivamente para as categorias “regular” e “má”, quando comparadas com a categorias
“muito boa e excelente”. Com estes valores de aumento dos riscos, pode-se considerar a auto
avaliação da saúde como um previsor do óbito ou mesmo constituindo, por meio de suas
categorias de avaliação, as classes de uma variável relativa à piora da saúde que culmina no
óbito.
Análise Estatística
Inicialmente foi realizada a análise bi-variada por meio do teste de associação de RaoScott. Esta técnica pondera as estimativas pelos pesos provenientes do desenho amostral. As
proporções são estimativas populacionais, isto é, estimativas da população de idosos do
município de São Paulo já que estão ponderadas pelos pesos amostrais (RAO; SCOTT, 1984).
Para apreciação do efeito da variável explicativa sobre a variável dependente foi
empregada a técnica multivariada, na presença das co variáveis idade, escolaridade e sexo. A
análise multivariada se torna importante e adequada neste contexto porque permite avaliar o
efeito conjunto e simultâneo das variáveis Para tanto foi ajustada uma regressão logística
multinomial com a categoria Status “Bom” servindo de referência para as comparações. O
ajuste foi realizado com estimação robusta dos erros, as razões de risco relativo RRR
utilizadas como elementos de comparação e o nível de significância fixado em P =
0,10.(AFIFI; CLARK; MAY. 2004)
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RESULTADOS
Análise bi-variada
Na tabela 1 pode-se observar os principais resultados da amostra párea as variáveis em
estudo. Alí constam, para a devida informação, os valores de n observados em cada categoria.
As porcentagens da variável explicativa “Origem” são as obtidas por expansão da amostra,
isto é, são estimativas populacionais referentes aos idosos residentes no município de São
Paulo em 2000.
Verifica-se que o local de origem está associado significantemente com todas as
variáveis, com a única exceção de variável idade. Isto é, os idosos aqui classificados como
oriundos da zona rural diferem daqueles da zona urbana segundo o sexo, a escolaridade, a
renda e a variável dependente Status em 2006. Assim,
neste nível de análise, os idosos
que passaram pelo menos 5 anos de sua infância na zona rural tem: menor proporção de
mulheres, menor escolaridade, menor renda e piores condições de saúde em 2006.
Particularmente com relação à variável dependente, nota-se que enquanto 24,7% dos idosos
de zona urbana morreram durante os anos que separaram as duas entrevistas, para os de
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origem rural a porcentagem se eleva a 31,1%, isto é, um risco 34% maior. Na avaliação de
saúde, as diferenças nas proporções também são importantes, com 41,1% dos urbanos
relatando saúde Boa, contra apenas 26,6 dos idosos de origem rural.
É importante, entretanto, passar para o nível multivariado. Tanto a mortalidade como a
avaliação de saúde recebem influências do sexo, como podem receber da renda e da
escolaridade. A análise multivariada possibilita a avaliação da atuação conjunta das variáveis,
e de cada uma na presença das demais.
Análise multivariada
Apresenta-se separadamente os resultados da regressão logística multinomial para as
categorias “Saúde Regular/Má” e “’Obito”, quando constrastadas para a categoria “Saúde
Boa. O modelo teve ajuste significativo, com F(10,103) = 17,8 e P < 0,000.
Tabela 2 – Resultados da regressão logística multinomial para
a categoria “Saúde regular/má”
Variáveis
Categoriass
Razões
de Risco
Origem
Urbana
1,00
Rural
1,39
60 a 74
1,00
75 e +
0,96
Masculino
1,00
Feminino
1,24
Até 2º. Quintil
1,00
Acima 2º. Quintil
0,88
4 anos e +
1,00
Até 3 anos
1,49
Grupo Etário
Sexo
Renda
Escolaridade
.
8
P
Intervalo de confiança
95%
0,07
0,97
1,99
0,80
0,73
1,27
0,24
0,86
1,77
0,42
0,66
1,19
0,01
1,10
2,02
Observa-se que ser de origem rural aumenta o risco de declarar saúde regular ou má
em 39% (RRR = 1,39) , valor significante a 7%. Ter menor escolaridade também aumenta
significantemente o risco (P = 0,01) por um fator de 1,49. As demais variáveis não mostraram
resultados significantes.
Já para o desfecho óbito, todas as variáveis em estudo resultaram significantes, a
menos da escolaridade. Em ordem de relevância das razões de risco relativo observamos:
 Idade: o grupo etário 75 e + tem uma razão de mais de 4 vezes a do grupo 60 a 75
 Sexo: ser mulher representou um fator de proteção de 0,54, isto é, o sexo masculino
teve 85% a mais no razão de risco para óbito no período. (1/0,54 = 1,85)
 Renda: posição NE distribuição de renda melhor (acima do segundo quintil) representa
um fator de proteção de 0,57. Isto é, estar na classe infoerior de renda aumenta a razão
de risco para óbito por um fator de 1,75 (1,75 = 1/0,57)
 Origem : a razão de risco para que tem origem rural é aumentada em 59%
confirmando e ampliando os resultados da análise bi-variada.
Tabela 3 – Resultados da regressão logística multinomial para
a categoria “ Óbito ”
Variáveis
Origem
OOrigem
Grupo Etário
Sexo
Renda
Escolaridade
Categoriass
Razões
de Risco
Urbana
1,00
Rural
1,59
60 a 74
1,00
75 e +
4,08
Masculino
1,00
Feminino
0,54
Até 2º. Quintil
1,00
Acima 2º. Quintil
0,57
4 anos e +
1,00
Até 3 anos
1,07
9
P
Intervalo de confiança
95%
0,028
1,05
2,40
0,000
3,04
5,50
0,002
0,37
0,80
0,003
0,39
0,82
0,656
0,78
1,48
DISCUSSÃO
Relevância dos resultados
Interessante notar que as variáveis escolaridade e renda inverteram seus papéis: na
análise para avaliação da saúde a escolaridade resultou significante e na análise para óbito, a
renda. O fato poderia indicar uma interação entre as variáveis com relação à variável
desfecho, mas tal não se comprovou empiricamente. Como avaliação da saúde é um forte
marcador para o óbito uma hipótese que deve ser mencionada é a de que esta “previsão” do
óbito pela auto avaliação se dá com um certo ritmo no transcorrer das idades. Quando se
estuda grupos etários amplos como os aqui utilizados, a escolaridade pode ter seu efeito na
avaliação da saúde, mas pode não chegar a tê-lo para o óbito. Da mesma forma, para a
própria escolaridade foi utilizada uma classificação dicotômica para facilidade de
interpretação, mas pode-se argumentar que outra classificação poderia apresentar resultados
distintos.
A origem do idoso provou estar relacionada tanto com a auto avaliação da saúde como
com o desfecho óbito. Note-se que o resultado, controlado por idade, sexo, renda e
escolaridade responde efetivamente à hipótese inicial de trabalho. O local onde o idoso viveu
antes dos seus 15 anos de idade (ainda que aferido de modo aproximado como o que aqui foi
utilizado – pelo menos 5 anos na zona rural) tem efeito sobre sua sobrevivência após os 60
anos. Este é um resultado de enorme relevância no movimento de “garimpo” dos nexos que
ligam as condições pregressas à vida e saúde do adulto e do idoso.
Limitações e conclusões
Trata-se de resultados importantes e relevantes, mas que, como em qualquer trabalho
apresentam certas limitações. Para a origem do idoso foi utilizada a informação
imediatamente disponível sobre sua vida antes dos 15 anos de idade. É uma informação
preciosa, inédita nos estudos em nosso meio, e que permite direta associação com os
desfechos atuais. No entanto, como em qualquer informação retrospectiva, não se dispõe dos
dados referentes à aqueles que, em idênticas circunstâncias de vida, não chegaram a ser
entrevistados por terem falecido antes. Outra limitação diz respeito à época em que o idoso de
origem rural veio para o município de São Paulo. Do ponto de vista dos objetivos de
averiguar o efeito de causas pregressas na vida atual, esta informação não teria tanta força.
Mas deve exercer alguma influência no modo de vida e outras circunstâncias ligadas à saúde e
sobrevivência.
Este trabalho pretendeu abordar apenas peque parte do universo de fatores que pode
interferir nas condições de vida do idoso. E assim propiciar a investigação de mais um fator
que se associa aos desfechos de saúde no idoso, e que no caso, comprovou e existência de
nexos importantes do início da vida com suas condições finais.
Os vínculos entre o local de origem, a saúde auto referida e a sobrevivência dos idosos
podem envolver fatores múltiplos e complexos. No entanto, são resultados como o deste
trabalho que produzem desafios e incitam o prosseguimento das investigações, como propõe o
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projeto SABE. Estes resultados permitem apontar para associações que tornam o local de
origem dos idosos um instrumento fomentador de hipóteses e norteador de ações em saúde.
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12
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