MAPEAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA, BRASIL. Autoras: Maria Luiza Carneiro Büchele1, Jane Maria de Souza Philippi2. 1 Acadêmica do Curso de Farmácia da Universidade Federal de Santa Catarina / UFSC e bolsista da Casa da Mulher Catarina. 2 Professora do Departamento de Saúde Pública / UFSC - Casa da Mulher Catarina. Resumo O Mapa da Violência no Brasil de 2012 mostra que o país ocupa a 7a colocação, entre os países de elevados níveis de feminicídio. De 1980 a 2010 foram assassinadas no Brasil mais de 91 mil mulheres. Na lista dos municípios com maior número de homicídios femininos estão cinco de Santa Catarina: Lages, Mafra, Criciúma, Balneário Camboriú e Chapecó . Para avaliar a situação de Florianópolis, a capital do Estado, a Casa da Mulher Catarina, organização feminista com 25 anos de atuação sobre a saúde e os direitos da mulher, fez um levantamento em 2012 sobre as denúncias registradas para estabelecer prioridades de atuação no combate à violência contra a mulher. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da UFSC, no 790/2010. Foram analisados 375 boletins de ocorrência, correspondendo a 10% do total de denúncias do ano. O perfil das vítimas era: 98% do sexo feminino, com média de idade de 35 anos, sendo que 60%, a maioria, tinha entre 22 e 40 anos. Pediram providências à polícia 37% das vítimas, mas em 55% o item não estava informado no boletim de ocorrência; em 2,7% dos casos a vítima já tinha medida protetiva. O perfil dos agressores/agressoras era: 90% do sexo masculino, com média de idade de 36 anos, sendo que 56%, a maioria, tinha entre 31 e 60 anos. A maioria das vítimas (39%) teve como agressor/agressora pessoas do mesmo nível de escolaridade, e das vítimas do sexo masculino (2%), 83% tiveram mulheres como agressoras. Levando-se em conta que a metade da população é constituída por mulheres, e que a amostra estudada é representativa de todas as denúncias de 2012, tem-se, nas cinco regiões do Município: que no Norte da Ilha 1,9% de mulheres fizeram denúncias sobre violência contra a mulher; no Centro da Ilha 1,4%; no Leste da Ilha 0,7%; no Sul da Ilha 2,6%; e no Continente 0,9% de mulheres fizeram denúncias; 11% eram denúncias de outros municípios da Grande Florianópolis e/ou sem informação do local. Por bairro, os locais de maior registro de denúncias de violência contra a mulher foram: Centro (9,3%) e Agronômica (6,9%), talvez pela proximidade da delegacia e ainda Costeira, Itacorubi, Tapera, Trindade e não informado, com 3,5%, respectivamente. Com certeza, o número de casos de violência em Florianópolis é bem maior do que as denúncias registradas. Mesmo assim podese dizer, com os dados que se dispõe, que dez mulheres são vítimas de violência por dia em Florianópolis. O estudo possui limitações, pois o medo e o desamparo fazem com que as vítimas não denunciem e também alguns itens dos boletins estavam em branco. É preciso capacitação e treinamento de profissionais para o atendimento à vítima da violência e uma rede policial, de saúde, jurídica e de assistência social, no atendimento rápido e seguro, protegendo a vítima e sua família e penalizando o agressor/agressora para que a violência não fique impune e se perpetue. Palavras-chave: violência contra a mulher, denúncias de violência contra a mulher, violência de gênero. Abstract The Map of Violence in the 2012 Brazil shows that the country occupies the seventh place among the countries with high levels of femicide. From 1980 to 2010 were murdered in Brazil over 91 thousand women. In the list of cities with the highest number of female homicides are five of Santa Catarina: Lages, Mafra, Criciúma, Balneario Camboriú and Chapecó. To assess the situation Florianópolis, the state capital, the House of Women Catarina, feminist organization with 25 years of work on health and women's rights, did a survey in 2012 on the registered complaints to establish priorities for action in the fight violence against women. The study was approved by the Ethics Committee of the UFSC under the 790/2010. 375 police reports were analyzed, corresponding to 10% of the complaints of the year. The profile of the victims was: 98% female, with a mean age of 35 years, with 60%, the majority of them between 22 and 40 years. They asked the police measures 37% of the victims, but in 55% the item was not informed in the police report; in 2.7% of cases the victim had protective measure. The profile of aggressors was 90% male, with a mean age of 36 years, with 56%, the majority of them between 31 and 60 years. Making a correlation between victims and aggressors, it can be said that most of the victims had the aggressor people of the same level of education, and male victims (2%), 83% had women as aggressors. Taking into account that half of the population are women, and that the sample is representative of all reports of 2012, we have, in the five regions of Florianópolis, in the North Island 1.9% of women made allegations of violence against women; in the center of the Island 1.4%; in the east of the island 0.7%; in South Island 2.6%; and the Continental 0.9%; 11% were complaints from other locations and without location information. By neighborhood, the locations with a record of complaints of violence against women were: Center (9.3%) and Agronômica (6.9%), perhaps the proximity of the station and still Costeira, Itacorubi, Tapera, Trindade and uninformed with 3.5%, respectively. Certainly, the number of cases of violence in Florianopolis is much higher than the registered complaints. Yet it can be said, with the data that has ten women are victims of violence a day in Florianopolis. The study has limitations because the fear and helplessness cause the victims do not denounce and some items of the ballots were blank. It takes training and training professionals to care for the victim of violence and police network, health, legal and social assistance, rapid and secure service, protecting the victim and his family and penalizing the aggressor that the violence is not perpetuated. Keywords: violence against women, reports of violence against women, gender-based violence. INTRODUÇÃO Configura violência doméstica e familiar contra a mulher, qualquer ação ou omissão baseada no gênero, que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, no âmbito da unidade doméstica, no âmbito da família, em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de orientação sexual (BRASIL, 2006). A Lei Maria da Penha, promulgada em 2006 (BRASIL, 2006), foi criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Teve por base a Constituição Federal de 1988, que diz no seu Artigo 226, que a família, base da sociedade, tem a proteção 2 do Estado, e este assegurará a assistência à família, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações (BRASIL, 1988); a Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, de 1979, ocorrida na Cidade do México, onde foi construída uma Carta Internacional dos Direitos da Mulher, adotada pela Organização das Nações Unidas (CONVENÇÃO DO MÉXICO, 1979; ONU 2014); a Convenção de Belém do Pará, Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, em 1994, que conceitua o que é violência contra as mulheres, reconhecendo-a como uma violação dos direitos humanos e estabelecendo os deveres dos Estados (CONVENÇÃO DE BELÉM DO PARÁ, 1995); e ainda a denúncia formulada pela brasileira Maria da Penha Maia Fernandes, o Centro pela Justiça pelo Direito Internacional e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde, pela primeira vez no Brasil, foi considerado um crime de violência doméstica, resultando em pena para o Brasil, com indenização à vítima e construção de lei para proteção das mulheres no país (LEI MARIA DA PENHA, 2015). Mas o Mapa da Violência no Brasil de 2012, segundo Waiselfisz, 2012, não mostra melhoras no quadro da violência contra a mulher, onde o país ocupa a 7a colocação, entre os países de elevados níveis de feminicídio. O autor chama a atenção ao dizer que altos níveis de feminicídio frequentemente são acompanhados de elevados níveis de tolerância da violência contra as mulheres e, em alguns casos, são o resultado dessa tolerância. Em 30 anos, de 1980 a 2010, foram assassinadas no Brasil 91.932 mil mulheres. Entre os estados brasileiros, o Espírito Santo ocupa o 10 lugar no ranking nacional; Santa Catarina ocupa a 23a posição. E na lista dos municípios com maior número de homicídios femininos estão cinco de Santa Catarina, Lages (170 no ranking nacional), Mafra (410), Criciúma (770), Balneário Camboriú (820) e Chapecó (870) (WAISELFISZ, 2012). Em levantamento realizado por Driessen, Philippi e Da Cruz, 2014, sobre notificação/investigação de violência doméstica, sexual e outras violências, de 2008 a 2010, pode-se dizer sobre o perfil da vítima que a maioria era do sexo feminino, que o tipo de violência mais frequente foi a violência física através da força corporal, onde o local da lesão foi cabeça / face. A maioria das vitimas tinha entre 1 e 19 anos (45,8%) e quase metade dos casos (49%) ocorreu pela primeira vez e dentro da própria residência. Sobre o perfil do(a) agressor(a) pode-se dizer que a maioria era do sexo masculino, amigo e/ou conhecido da 3 vítima, e que a maioria das agressões ocorreram durante a noite e sem suspeita de uso de álcool. Para avaliar a situação de Florianópolis, a capital do Estado de Santa Catarina, a Casa da Mulher Catarina, organização feminista com 25 anos de atuação sobre a saúde e os direitos da mulher, fez um levantamento de dados sobre as denúncias na 6 a DP, Delegacia de Polícia da Mulher. Denunciar e dar visibilidade a violência é uma importante luta no campo dos direitos humanos. A violência contra a mulher manteve-se por muito tempo invisível aos olhos da sociedade. Portanto, é fundamental que a sociedade tome conhecimento desses agravos e os reconheça como um problema de saúde pública. No Estado de Santa Catarina em 2011, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a procura pelo serviço de proteção à mulher cresceu, alcançando mais de nove mil denúncias. Fato que revela que uma mulher foi vítima de violência doméstica no estado catarinense a cada 46 minutos (GLOBO G1, 2011). MATERIAL E MÉTODOS A Casa da Mulher Catarina realizou um levantamento de dados sobre as denúncias na Delegacia de Polícia da Mulher de Florianópolis, SC, para, através do mapeamento da violência em 2012, estabelecer prioridades para a atuação no combate à violência contra a mulher. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da UFSC, sob no 790/2010. RESULTADOS E ANÁLISE Foram analisadas 375 ocorrências, correspondendo a 10% das denúncias de 2012 sobre violência contra a mulher em Florianópolis, capital de Santa Catarina. Os resultados sobre o perfil das vítimas foram: 98% eram do sexo feminino, com média de idade de 35 anos, sendo que 60%, a maioria, tinha entre 22 e 40 anos. Pediram providências à polícia 37% das vítimas, mas em 55% o item não estava informado no boletim de ocorrência; em 2,7% dos casos a vítima já tinha medida protetiva. Todas as vítimas com curso superior completo (19%) eram mulheres. Em 9% dos casos, a vítima era menor de 21 anos, sendo dessas, 97% mulheres. Outros dados sobre o perfil das vítimas encontram-se na Tabela 1. 4 Tabela 1. Dados sobre o perfil das vítimas, Florianópolis, Santa Catarina, 2012. Perfil da vítima Porcentagem Idade 3% - 11 a 17 anos 8% - 18 a 21 anos 32% - 22 a 30 anos 28% - 31 a 40 anos 25% - 41 a 60 anos 3% - 61 a 84 anos 24% - médio completo 22% - médio incompleto 19% - superior completo 35% - vários outros Escolaridade - ensino Local da ocorrência Horário da ocorrência Tipo de violência 67% - casa da vítima 21% - vários outros locais 12% - via pública 41% - noturno 26% - vespertino 33% - vários outros 49% - psicológica 37% - física 17% - moral 6% - patrimonial, sexual, institucional, não informado. Os resultados sobre o perfil dos agressores/agressoras foram: 90% eram do sexo masculino, com média de idade de 36 anos, sendo que 56%, a maioria, tinha entre 31 e 60 anos. Outros dados sobre os agressores/agressoras encontram-se na Tabela 2. Tabela 2. Dados sobre o perfil dos agressores, Florianópolis, Santa Catarina, 2012. Perfil do/a agressor/a Porcentagem Idade 2% - 11 a 17 anos 5% - 18 a 21 anos 23% - 22 a 30 anos 28% - 31 a 40 anos 28% - 41 a 60 anos 2% - 61 a 67 anos 12% - não informado 24% - médio completo 21% - médio incompleto 19% - não informado 37% - vários outros 78% - não percebido 9% - uso de álcool 2% - uso de drogas 30% - ex-marido/ex-namorado/ex-companheiro 23% - marido/namorado/companheiro 17% - familiares 13% - não informado 6% - vizinhos colegas de trabalho, outros Escolaridade - ensino Uso de entorpecentes Vínculo com a vítima 5 Das agressoras (7,5% do total), a maioria tinha vínculo de parentesco diverso com a vítima. Fazendo correlação entre vítimas e agressores/agressoras, pode-se dizer que: Das vítimas com ensino fundamental incompleto (22% do total), a maioria, 42%, teve como agressor/agressora pessoas com ensino fundamental incompleto. Das vítimas com ensino médio completo (24% do total), a maioria, 38%, teve como agressor/agressora pessoas com ensino médio completo. Das vítimas com ensino superior completo (19% do total), a maioria, 36%, teve como agressor/agressora pessoas com ensino superior completo. Das vítimas do sexo masculino (2%), 83% tiveram mulheres como agressoras. Os principais responsáveis pelos acidentes violentos, segundo Waiselfisz, 2012, são: até 4 anos de idade, principalmente a mãe; a partir dos 10 anos, principalmente o pai; dos 20 aos 59 anos, principalmente cônjuge ou namorado ou ex; e a partir dos 60 anos, principalmente os filhos. Na Figura 1 estão os dados do mapeamento da violência contra a mulher em Florianópolis. Norte: 46.796 habitantes 11,7% das denuncias Continente: 84.472 habitantes 10,4% das denúncias Centro: 210.407 habitantes 39.4% das denúncias Leste: 27.090 habitantes 2,4% das denúncias Sul: 72.694 habitantes 25,3% das denúncias Figura 1. População estimada e dados sobre as denúncias de violência em Florianópolis, SC, 2012. 6 Florianópolis, com base nos dados do IBGE 2010, possuía em 2012 uma população estimada de mais de 441 mil habitantes, dividida entre cinco regiões: Norte da Ilha, com 46.796 habitantes, Centro da Ilha com 210.407 habitantes, Leste da Ilha com 27.090 habitantes, Sul da Ilha com 72.694 habitantes, e Continente com 84.472 habitantes. Separando as denúncias de violência por regiões, temos: Norte da Ilha com 11,7% das denúncias, Centro com 39,4%, Leste da Ilha com 2,4%, Sul da Ilha com 25,3% e Continente com 10,4% das denúncias; 11% eram de denúncias de municípios da Grande Florianópolis e/ou sem informação do local. Levando-se em conta que a metade da população do município é constituída por mulheres, e que a amostra estudada é representativa das denúncias do ano de 2012 (erro amostra de 5% e nível de confiança de 95%), temos na Tabela 3, os dados representativos para toda a população de mulheres da capital. Tabela 3. Dados sobre as denúncias de violência, por região da cidade, Florianópolis, Santa Catarina, 2012. Região de Florianópolis Norte da Ilha População feminina 23.398 % de denúncias 11,7 Mulheres denunciantes 439 % de mulheres denunciantes 1,9 Centro da Ilha 105.203 39,4 1.478 1,4 Leste da Ilha 13.545 2,5 94 0,7 Sul da Ilha 36.347 25,3 949 2,6 Continente 42.236 10,4 390 0,9 Pode-se notar que nas Regiões Leste da Ilha e Continente, nem 1% das mulheres fizeram denúncia sobre violência contra a mulher. Já nas Regiões Norte e Centro da Ilha, menos de 2% das mulheres fizeram denúncia e na Região Sul da Ilha, mais de 2% das mulheres registraram denúncia, talvez porque haja mais informação sobre os direitos da mulher, ou porque nessa região ocorram realmente mais casos de violência do que nas outras regiões. Por bairro, os locais de maior registro de denúncias de violência contra a mulher foram: Centro (9,3%) e Agronômica (6,9%), talvez pela proximidade da delegacia e ainda Costeira, Itacorubi, Tapera, Trindade e não informado, com 3,5%, respectivamente. Segundo Waiselfisz, 1998, in Waiselfisz, 2014, em pesquisa realizada no Distrito Federal, nos casos de violência física, somente 6,4% dos jovens fizeram denúncia à polícia; nos casos de assalto e/ou furto apenas 4% e nos casos de violência no trânsito, apenas 15% 7 dos jovens que sofreram esse tipo de violência. Se os mesmos parâmetros forem estabelecidos para Florianópolis, com relação à violência física, poderíamos ter em torno de até cinquenta e oito mil ocorrências, onde tivemos 3.750 ocorrências, para o ano de 2012. Com certeza, o número de violência contra a mulher em Florianópolis é bem maior do que as denúncias registradas na polícia, e sem contar o número de mortes. Mesmo assim pode-se dizer, com os dados que se dispõe que dez mulheres são vítimas de violência por dia em Florianópolis. CONSIDERAÇÕES FINAIS O levantamento de dados realizado em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, sobre a violência contra a mulher revelou que as mulheres das regiões Sul e Norte da Ilha fazem mais denúncias das ocorrências sobre violência, 2,6% e 1,9% respectivamente. Levando em conta que uma minoria de mulheres não se intimida para fazer denúncia sobre violência, com certeza os casos de violência contra a mulher devem ser bem maiores, talvez o dobro, do que aparece nos dados oficiais. O estudo possui limitações, pois o medo e o desamparo fazem com que a maioria das vítimas não faça denúncia, além de alguns itens das denúncias registradas estarem em branco. Os meios de comunicação deveriam incentivar a denúncia, mas noticiam somente sobre as mulheres que fizeram denúncias e morreram, servindo de exemplo para que outras mulheres não denunciem. Mesmo sabendo-se das dificuldades para uma tomada de atitude por parte das mulheres, e que a realidade deve ser bem mais do que é registrado, pode-se afirmar que dez mulheres são vítimas de violência por dia em Florianópolis, SC. Portanto, é importante a conscientização do problema por parte das mulheres, e o respaldo institucional para que essas mulheres rompam a barreira do medo e das dificuldades financeiras. É preciso o trabalho constante de atividades, palestras e oficinas e uma rede de informações sobre a legislação e a proteção à mulher e seus filhos e filhas, assim como o já feito constantemente pela Casa da Mulher Catarina e outras instituições do gênero. Também é preciso capacitação e treinamento de profissionais para o atendimento às vítimas da violência, na polícia, nos hospitais, nas unidades de saúde, nas casas abrigos, no acolhimento à vítima e seus filhos e filhas, e no rápido atendimento jurídico, protegendo a vítima e sua família e penalizando o agressor / agressora para frear a violência. É preciso uma rede de atendimento confiável para as mulheres, pois a violência é um grave problema de saúde pública que se tolerado e banalizado se transformar em epidemia. 8 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8 o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências. Brasília, D.O.U. 08 de agosto de 2006. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acessado em 24/10/2014. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm. Acessado em 24/10/2014. CONVENÇÃO DO MÉXICO. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, 1979. Tratado Internacional. Adotada pela Resolução 34/180 da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 18.12.1979. Ratificada pelo Brasil em 01.02.1984. Disponível em http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm. Acessado em 24/10/2014. CONVENÇÃO DE BELÉM DO PARÁ. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher – 1994. Tratado Internacional. Adotada pela Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos em 06 de junho de 1994, ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995. Disponível em http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/belem.htm. Acessado em 24/10/2014. DRIESSEN, Rosana Maffessoni; PHILIPPI, Jane Maria de Souza: DA CRUZ, Elma Fior. O sistema de informação de notificação / investigação sobre violência doméstica, sexual e/ou outras violências em Santa Catarina - de 2008 a maio de 2010. Disponível em http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/publicacoes. Acesso em 29/10/2014. GLOBO G1. 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