UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Terapia Ocupacional Ana Paula da Silva Tavares Bruna Mara Nunes Watanabe Thaís Cristina de Oliveira A TERAPIA OCUPACIONAL FAVORECENDO O DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR, AO INTERVIR PRECOCEMENTE, EM CRIANÇAS COM PARALISIA BRAQUIAL OBSTÉTRICA. LINS-SP 2008 Ana Paula da Silva Tavares Bruna Mara Nunes Watanabe Thaís Cristina de Oliveira A TERAPIA OCUPACIONAL FAVORECENDO O DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR, AO INTERVIR PRECOCEMENTE, EM CRIANÇAS COM PARALISIA BRAQUIAL OBSTÉTRICA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Terapia Ocupacional sob a orientação da Professora Esp. Renata Tunes Antoneli e a Professora Mestranda Jovira Maria Sarraceni LINS-SP 2008 Oliveira, Thais Cristina; Tavares, Ana Paula da Silva; Watanabe, Bruna Mara Nunes A Terapia Ocupacional favorecendo o desenvolvimento O52t neuropsicomotor, ao intervir precocemente com crianças com Paralisia Braquial Obstétrica / Thais Cristina de Oliveira; Ana Paula da Silva Tavares; Bruna Mara Nunes Watanbe.-- Lins, 2008. 124 p. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Terapia Ocupacional, 2008. Orientadores: Jovira Maria Sarraceni; Renata Tunes Antoneli. 1.Paralisia Braquial Obstétrica. 2. Desenvolvimento Neuropsicomotor . 3. Intervenção precoce. 4. Terapia Ocupacional. I Título. ANA PAULA DA SILVA TAVARES CDU 615.851.3 BRUNA MARA NUNES WATANABE THAÍS CRISTINA DE OLIVEIRA A TERAPIA OCUPACIONAL FAVORECENDO O DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR, AO INTERVIR PRECOCEMENTE, EM CRIANÇAS COM PARALISIA BRAQUIAL OBSTÉTRICA. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Terapia Ocupacional. Aprovada em: ____/______/_____ Banca Examinadora: Prof(a) Orientadora (a): Renata Tunes Antoneli Titulação: Especialização Lato Sensu em Terapia Ocupacional Uma visão dinâmica em neurologia Assinatura:______________________________________ 1º Prof(a):_______________________________________________________ Titulação :_______________________________________________________ Assinatura:_____________________________________ 2º Prof(a):_______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ Assinatura:_____________________________________ DEDICATÓRIA AOS MEUS PAIS: Dedico esse trabalho a vocês, que são os maiores merecedores dessa conquista, que não é somente minha, mas sim nossa, pois juntos nos doamos para que essa realização acontecesse. Agradeço por abrirem mão de muitos sonhos seus para que os meus pudessem ser realizados, e para que eu hoje, pudesse ter a perspectiva de um futuro melhor e menos tortuoso por que passaram, mas jamais menos glorioso. Sou grata a Deus por tê-los como exemplo a serem seguidos por toda a vida. ** Agora sou uma TERAPEUTA OCUPACIONAL.** De sua filha que os AMA MUITOOO....Ana Paula A MINHA FAMÍLIA- Ao meu irmão Gabriel, Tias,Tios,Primas,Primos e Vózinha. Agradeço a vocês, que tiveram ao meu lado nos momentos que mais precisei, me dando apoio e me ajudando a realizar os meus sonhos. Amo TODOS vocês. Ana Paula AS AMIGAS Gorda) ESPECIAIS (Bruna Raphela, Jú, Mayara, Buh, Thatá, Vocês além de amigas, são anjos que Deus colocou no meu caminho, para que essa caminhada fosse repleta de coisas boas. Amizade nem sempre é pensar do mesmo jeito! Mas sim, abrir mão de vez em quando! É compartilhar segredos...emoções! É compreensão...é diversão! É contar com alguém sempre que precisar. É ter algo em comum. É querer dar um tempo! É dar preferência! É bater ciúmes! AMIZADE que é amizade nunca acaba! Porque amizade não se explica, ela simplesmente existe! Vocês fazem parte da minha vida, amuuuu muito vocês! GOSTOOOOO!...Ana Paula AS PARCEIRAS: Buh e Thatá, quantas dificuldades encontramos para que esse sonho se realiza-se. CONSEGUIMOS AMIGUINHAS!!!!!!!!!, Pois somos fortes e persistentes. Espero que Deus ilumine cada passo da caminhada de vocês e que tenham muito SUCESSO, pois vocês merecem! Contem sempre com minha amizade e carinho!! Ana Paula DEDICATÓRIA A minha mãe Talvez você não saiba o quanto é importante pra mim, o quanto eu sou grata por esses 4 anos que você me proporcionou. Obrigada por abrir mão dos seus sonhos para tornar os meus realidade! Essa conquista também é sua. Amo você! Buh. A Tia Sandra Nem preciso dizer que é minha segunda mãe né?! Obrigada por me dar forças e não me deixar desistir nos momentos difíceis... Suas palavras foram fundamentais! Amo você! Buh. Ao meu pai, meu avô e avó (in memorian) Eu sei que mesmo longe dos olhos vocês estiveram por perto e me deram forças para chegar até aqui! Buh. Ao meu namorado Obrigado por não desistir de nós! Você é essencial no meu dia a dia. Obrigado pelos conselhos, pelo carinho, por não me deixar desanimar e até mesmo pelo silêncio quando as palavras não confortavam mais! Te amo muitão! Buh. As amigas... (Em especial Thatá, Mah, Kety, Jú, Selma, Lê e Ana Paula) Todos vocês que passaram pela minha vida nesses anos tem um lugar especial no meu coração. Aprendi com vocês que FAMÍLIA não precisa ter conta sanguínea, é preciso ter apenas um pouco mais de sintonia! Com vocês dividi os melhores anos da minha vida. Obrigado pelas risadas, pelas fofocas, pelos conselhos, pelas causações e pelos almoços juntas. De maneira direita ou indireta vocês fizeram parte dessa história linda! Sucesso a todas! Amo vocês! Bju. Buh! Às parceiras... Nada é por acaso... Hoje é difícil olhar pra mim e não ver um pouco de vocês! As lembranças ficarão pra sempre, mas enfim, CONSEGUIMOS! Sucesso a todas nós! Bjus. Buh! DEDICATÓRIA Aos meus pais Dedico esse momento da minha vida à vocês, que sempre me incentivaram a estudar e crescer como pessoa, sempre com respeito e honestidade. Todo o meu crescimento é fruto da educação e da base familiar que vocês construíram e me proporcionaram... Por isso estou aqui, hoje, concluindo a tão sonhada faculdade, pelos nossos esforços e por terem acreditado em mim... Venci mais uma etapa da minha vida !!! Sou uma Terapeuta Ocupacional. Amo vocês... Thais A minha Família Vocês sempre estiveram ao meu lado em todos os momentos da minha vida. Agradeço a Deus sempre pela família maravilhosa que me deu!! Obrigado por tudo. !!! Adoooroooo... Thais Aos meus Avós A vocês que me cercam de muito carinho, de muito amor. Que me fazem todas as vontades. Que me dão tudo sem nada pedir. Que me amam mais que a si próprios. A vocês, meus queridos avós, que Deus os abençoe cada dia mais. Que me dê a bênção de sempre têlos comigo, me dando muito amor. Vocês são para mim, um grande exemplo de experiência, de trabalho, de honestidade, de paciência, de fé, de firmeza, e principalmente de muito amor. Amo muito vocês... Ao pessoal do Sale (Esp: Helô, Gilda, Lucia, Luan, Bel, Jô) Obrigado, pelas amizades. pela alegria que sinto quando compreensão que vocês tiveram OBRIGADOS que aqui não caberia Um enorme OBRIGADO por tudo que Obrigado, pela força. Obrigado, estou com vocês. Obrigado, pela por mim. Enfim...! São tantos quase nada. Adoro vocês !!!!!! vocês fizeram por mim! Já sinto Saudades As Minhas Parceiras de Monografia È meninas chegamos a mais uma etapa das nossas vidas, passamos por muitas coisas difíceis juntas mas soubemos estar sempre ao lado uma da outra.Obrigado por tudo, espero que continuemos sempre unidas ... Adooorrrooo vocês !!!! AGRADECIMENTOS A Deus Grandes foram as lutas, maiores as vitórias. Sempre estiveste conosco. Muitas vezes, pensamos que este momento nunca chegaria. Queríamos recuar ou parar, no entanto, tu estavas presente, na alegria ou na tristeza, fazendo da derrota uma vitória, da fraqueza uma força. Com tua ajuda vencemos. A emoção é forte. Não chegamos ao fim, mas ao início de uma longa caminhada. Aos Nossos colegas de Turma Que a distância não disperse as nossas idéias, mas as defina, expandindo-as em prol da transformação social. O incrível de tudo é que uma parte de nós fica, a outra vai... Não nos dividindo, mas nos reproduzindo; cada um vai com todos e todos ficam com um. Isso é um acréscimo mútuo. Trocamos idéias e propusemo-nos paulatinamente, perpetuando, dessa forma, a realidade do ser , guardando as peculiaridades de cada um. O carinho com que nos lembraremos de tudo o que passamos juntos,de todos os problemas que enfrentamos, de todas as experiências que tivemos,é tão grande que chega a ser infinito.Portanto, na hora de despedida não diremos Adeus!Somente até breve!Se, por acaso, lágrimas deslizarem, serão apenas da saudade que invadirá a cada um de nós.... SAUDADESSSSSS!!! Ana Paula, Bruna e Thais. A nossa Orientadora Renatinha A você que se dedicou muito para nos transmitir seus conhecimentos e experiências, sempre com carinho, paciência e dedicação. No inicio, ficamos perdidas, desorientadas, mas você nos confortou e indicou o caminho certo a ser seguido por todos esses meses. Conseguimos!!! Vencemos mais uma etapa em nossas vidas na qual você foi muito importante....Muito Obrigado por tudo!!!! Ana, Bruna, Thais. A Paula....( olha essa Paula .....) Esse trabalho também tem um pouquinho de você e de sua dedicação. Já te admirávamos deste antes, hoje muito mais!!! Obrigado pelo seu incentivo, participação e principalmente pela alegria, que fez os momentos difíceis mais agradáveis!!! Ana, Bruna, Thais. A nossa Florzinha J. B. C. Florzinha.. Agradecemos a você por nos proporcionamos tantos momentos de aprendizado e alegria, este trabalho só foi possível porque você fez parte dele. A cada sorriso seu, a cada etapa vencida, só nos incentivou ainda mais a prosseguir com o nosso trabalho. Que Deus a Abençoe... Sentiremos Saudades... Tia Ana, Tia Bruna e Tia Thais. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Lesão do plexo braquial por estiramento durante a manobra do parto ................................................................................................. 21 Figura 2: Desenho esquemático da anatomia do plexo braquial ........... 24 Figura 3: Preensão palmar...................................................................... 37 Figura 4: Controle de cabeça.................................................................. 38 Figura 5: Padrão postural em prono ....................................................... 39 Figura 6: Puxada para sentar.................................................................. 39 Figura 7: Retificação cervical e apoio nos antebraços ........................... 40 Figura 8: Rolando para decúbito lateral.................................................. 41 Figura 9: Controle cervical quando puxada para sentar......................... 41 Figura 10: Padrão postural em supino ...................................................... 42 Figura 11: Cabeça retificada a 90º e apoio nos antebraços..................... 42 Figura 12: Pegar voluntário ....................................................................... 43 Figura 13: Apoio sobre as mãos e liberação de um membro para brincar 45 Figura 14: Reação de proteção para frente .............................................. 46 Figura 15: Padrão postural no 7º mês ...................................................... 47 Figura 16: Padrão postural ao 8º mês ...................................................... 48 Figura 17: Rolando para explorar o ambiente .......................................... 48 Figura 18: Apoio em móveis para assumir postura ortostática................. 49 Figura 19: Em pé com apoio no 10º mês.................................................. 50 Figura 20: Deambulação com apoio de uma das mãos ........................... 52 Figura 21: Olha para o objeto ao pegá-lo ................................................. 52 Figura 22: Chocalhos, varal de bichinhos, flocks...................................... 70 Figura 23: Caixa de Luz, livro de textura, urso com contraste, bastões texturizados................................................................................................. 70 Figura 24: Caixa de areia .......................................................................... 70 Figura 25: Grãos, pasta de dente ............................................................. 70 Figura 26: Bola e feijão de bobath ............................................................ 71 Figura 27: Espelho .................................................................................... 71 Figura 28: Piscina de bolinhas .................................................................. 71 Figura 29: Estimular ADM do membro lesado .......................................... 108 Figura 30: Estimulação Tátil...................................................................... 108 Figura 31: Movimentação passiva do membro lesado (flexão e rotação exter na de ombro) Figura 32: Co Evitar contraturas e estimular a ADM .............................. contração 108 Estimular aumento do tônus ....................... 109 Figura 33: Estimular ADM de membro lesado e preensão....................... 109 Figura 34: Estimular a preensão e função manual ................................... 109 Figura 35: Estimular a simetria de membro superior e preensão bimanual 110 Figura 36: Estimular o pegar voluntário e ADM do membro lesado......... 110 Figura 37: Estimular a ADM do membro lesado ....................................... 110 Figura 38: Movimentação passiva Evitar contraturas e estimular a ADM do membro lesado ........................................................................................... 111 Figura 39: Estimular o rolar e transferência de peso................................ 111 Figura 40: Estimular mudança postural Rolar e tranferência de peso .. 112 Figura 41: Estimular o arrastar.................................................................. 112 Figura 42: Preensão voluntária e função manual ..................................... 112 Figura 43: Órtese Cock-up para posicionamento .................................. 112 Figura 44: Brincando com as mãos ......................................................... 113 Figura 45: Órtese para extensão de punho e favorecer a função manual 113 Figura 46: Órtese para extensão de punho .............................................. 113 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Esquemas dos principais nervos, músculos e funções........... 26 Quadro 2: Classificação da PBO .............................................................. 29 Quadro 3: Intervenção realizada, caso 1.................................................. 78 Quadro 4: Intervenção realizada, caso 2 ................................................. 83 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADM: Amplitude de Movimento AVD s : Atividades de vida diária CRFDB: Centro de Reabilitação Física Dom Bosco DNPM: Desenvolvimento neuropsicomotor ECP: Extensor curto do polegar ED: Extensor dos dedos ELP: Extensor longo do polegar ERCC: Extensor radial curto do carpo ERLC: Extensor radial longo do carpo FUC: Flexor ulnar carpo H: Horas Min: Minutos MI: Membro inferior MS: Membro superior MMII: Membros inferiores MMSS: Membros superiores MSE: Membro superior esquerdo OEA: Occipto-esquerda-anterior PC: Perímetro cefálico PBO: Paralisia Braquial Obstétrica RN: Recém-nascido RTCA: Reflexo tônico cervical assimétrico RTL: Reflexo tônico labiríntico RTCS: Reflexo tônico cervical simétrico SIC: Segundo informações colhidas SJRP: São José do Rio Preto T.O: Terapeuta Ocupacional SUMÁRIO CAPÍTULO I - PARALISIA BRAQUIAL OBSTÈTRICA................................. 20 1 HISTÓRICO .......................................................................................... 20 1.1 Definição, Etiologia e Incidência ........................................................... 21 1.2 Anatomia do Plexo Braquial................................................................ 1.3 Tipos de Lesão...................................................................................... 26 22 1.3.1 Paralisia braquial Alta ou Superior ou Erb-Duchenne .......................... 26 1.3.2 Paralisia braquial Inferior ou de Klumpke ............................................. 27 1.3.3 Paralisia Total ou Completa.................................................................. 28 1.4 Diagnóstico............................................................................................ 30 1.4.1 Diagnóstico Diferencial ......................................................................... 30 1.5 Prognóstico ........................................................................................... 31 1.6 Procedimento Cirúrgico......................................................................... 32 1.7 A Intervenção da Terapia Ocupacional na PBO................................... 32 CAPÍTULO II DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR DE 0 A 18 MESES............................................................................................................. 36 2 DESENVOLVIMENTO NORMAL ......................................................... 36 2.1 Primeiro Mês ......................................................................................... 37 2.2 Segundo Mês ........................................................................................ 39 2.3 Terceiro Mês ....................................................................................... 40 2.4 Quarto Mês.......................................................................................... 41 2.5 Quinto Mês .......................................................................................... 43 2.6 Sexto Mês ........................................................................................... 44 2.7 Sétimo Mês ......................................................................................... 46 2.8 Oitavo Mês .......................................................................................... 48 2.9 Nono Mês ............................................................................................ 49 2.10 Décimo Mês ........................................................................................ 50 2.11 Décimo Segundo Mês......................................................................... 51 2.12 Décimo Quinto Mês............................................................................. 52 2.13 Décimo Oitavo Mês............................................................................. 53 2.2 Reflexos e Reações ............................................................................ 53 2.2.1 Reflexos .............................................................................................. 54 2.2.1.1 Reflexo dos Olhos de Boneca Japonesa .......................................... 54 2.2.1.2 Reflexo Glabelar ................................................................................ 55 2.2.1.3 Reflexo Magnético ............................................................................. 55 2.2.1.4 Reflexo de Galant .............................................................................. 55 2.2.1.5 Reflexo de Marcha Automática.......................................................... 56 2.2.1.6 Reflexo Tônico Labiríntico ................................................................. 56 2.2.1.7 Preensão Palmar ............................................................................... 56 2.2.1.8 Reflexo de Procura ou dos quatro pontos cardeais .......................... 56 2.2.1.9 Reflexo de Sucção............................................................................. 57 2.2.1.10 Reflexo de Vômito............................................................................ 57 2.2.1.11 Reflexo de Mordida.......................................................................... 57 2.2.1.12 Reflexo de Moro............................................................................... 57 2.2.1.13 Extensão Cruzada ........................................................................... 58 2.2.1.14 Preensão Plantar ............................................................................. 58 2.2.1.15 Babinsk ou cutâneo plantar ............................................................. 58 2.2.1.16 Reflexo Tônico Cervical Assimétrico ou Magno Kleijn .................... 59 2.2.1.17 Reflexo Tônico Cervical Simétrico................................................... 59 2.2.2.1 Reações ............................................................................................. 59 2.2.2.2 Reação cervical de retificação........................................................... 59 2.2.2.3 Reação positiva e negativa de suporte ............................................. 60 2.2.2.4 Reação labiríntica de retificação........................................................ 60 2.2.2.5 Reação corporal de retificação .......................................................... 60 2.2.2.5.1 Agindo sobre o corpo...................................................................... 60 2.2.2.5.2 Agindo sobre a cabeça ................................................................... 61 2.2.2.6 Reação de Landau............................................................................. 61 2.2.2.7 Reação de anfíbio.............................................................................. 61 2.2.2.8 Reação de equilíbrio .......................................................................... 61 2.2.2.9 Reação de paraquedas ..................................................................... 62 2.2.2.10 Reação de proteção......................................................................... 62 CAPÍTULO III INTERVENÇÃO PRECOCE ................................................. 63 3 CONCEITUAÇÃO................................................................................. 63 3.1 Objetivos e Finalidades......................................................................... 64 3.2 A intervenção precoce e a Terapia Ocupacional................................ 66 CAPÍTULO IV - A PESQUISA......................................................................... 68 4 INTRODUÇÃO.................................................................................... 68 4.1 Características do local da pesquisa .................................................... 69 4.2 Fotos ilustrativas referentes aos recursos terapêuticos utilizados para o desenvolvimento das terapias ......................................................................... 69 4.3 Casos em estudo .................................................................................. 71 4.3.1 Caso 1 ................................................................................................... 71 4.3.1.1 Anamnese ............................................................................................ 71 4.3.1.2 Avaliação.............................................................................................. 73 4.3.1.3 Relatório de visita domiciliar ................................................................ 74 4.3.1.4 Dados referentes às terapias............................................................... 75 4..3.2 Caso 2.................................................................................................... 79 4.3.2.1 Anamnese ............................................................................................ 79 4.3.2.2 Avaliação.............................................................................................. 80 4.3.2.3 Dados referentes às terapias............................................................... 81 4.4 A Palavra dos Profissionais .................................................................. 83 4.4.1 Depoimento do Médico Ortopedista A sobre a Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional............................. 83 4.4.2 Depoimento do Médico Ortopedista B sobre a Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional............................. 84 4.4.3 Depoimento da Terapeuta Ocupacional sobre a Paralisia Braquial Obstétrica e intervenção da Terapia Ocupacional................................ 85 4.4.4 Depoimento da Fisioterapeuta sobre a Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional ..................................................... 86 4.4.5 Depoimento do Médico Neurologista sobre a Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional ............................................... 86 4.5 A palavra da Mãe .................................................................................. 87 4.6 Parecer sobre os casos ........................................................................ 87 4.7 Discussão.............................................................................................. 89 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ................................................................... 91 CONCLUSÃO .................................................................................................. 92 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 93 APÊNDICES ................................................................................................... 96 ANEXOS .......................................................................................................... 114 GLOSSÁRIO................................................................................................... 119 RESUMO Há muito tempo a Paralisia Braquial Obstétrica (PBO), vem sendo estudada por diferentes pesquisadores, Hipócrates já citava recém nascido (RN) com dificuldades em movimentar os braços. A PBO é uma lesão do plexo braquial do recém-nascido que acontece no momento do parto, causada pela tração da cabeça do mesmo durante o parto ou por um mau posicionamento. O plexo braquial é formado por raízes nervosas que vai de C5 a T1 e, é responsável pela inervação sensitiva e motora do membro superior, causando assim uma paralisia flácida parcial ou total do membro lesado, dependendo do nível da lesão, podendo ser classificada em: paralisia braquial alta ou superior ou de Erb Duchene, paralisia braquial inferior ou de Klumpke, e paralisia total ou completa. Desta maneira a PBO acarreta um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) da criança, sendo necessário a intervenção precoce e o uso de atividades que promovam aquisições das etapas neurospsicomotoras da criança de acordo com a idade. O terapeuta ocupacional visa proporcionar a criança, meios para o aprendizado motor e sensorial acontecer, buscando a maior independência possível da criança, visando uma melhor qualidade de vida e sua integração ao meio. O presente trabalho tem por objetivo, demonstrar os benefícios proporcionados pela terapia ocupacional, ao intervir precocemente em crianças com PBO. Para demonstrar que a terapia ocupacional, ao intervir precocemente favorece o DNPM dessas crianças, foi utilizado como método de pesquisa o estudo de dois casos, no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco de Lins, na clinica de Terapia Ocupacional com análise e descrição dos resultados obtidos após intervenção terapêutica. Utilizou-se uma sala equipada com recursos terapêuticos necessários ao desenvolvimento das terapias. Os atendimentos foram realizados no período de maio a setembro, duas vezes por semana por um período de 45 min cada sessão. A pesquisa mostra que com a elaboração de um programa terapêutico adequado, aliada a oferta de estímulos e orientação familiar, a Terapia Ocupacional, favorece o DNPM de crianças com seqüela de PBO Palavras chave: Paralisia Braquial Obstétrica. Desenvolvimento Neuropsicomotor. Intervenção Precoce. Terapia Ocupacional. ABSTRACT For a long time the Paralysis Obstetric Brachial (WBC), has been studied by different researchers, Hippocrates already quoted newborn (RN) with difficulties in moving his arms. The WBC is an injury of the brachial plexus newborn is that happening at the time of birth, caused by the pull of the head of it during delivery or by a bad position. The brachial plexus is formed by nerve roots that correspond of C5 to T1, and is responsible by sensory and motor nerve of the upper limb, thus causing a flaccid or total paralysis of the injured limb, depending on the level of injury and may be classified in: brachial paralysis high or higher or Erb Duchene, lower brachial paralysis arm Klumpke, and total or complete paralysis. Thus the WBC carries a delay in the development neuropsychomotor (DNPM) of the child, if appropriate early intervention and the use of activities that promote purchases of steps neurospsicomotoras the child according to age. The occupational therapist aims to provide the child the means to motor and sensory learning, seeking the greatest possible independence of the child, seeking a better quality of life and their integration to emrronment. This work has the goal to demonstrate the benefits offered by occupational therapy, to intervene early in children with WBC. To demonstrate that the occupational therapy, to intervene early favors the DNPM of these children, was used as a search`s method, the study of two cases in the Center for Physical Rehabilitation of Don Bosco Lins, Occupational Therapy at the clinic, with description and analysis of results obtained after therapeutic intervention. It was used a room equipped with resources needed for the development of therapeutic treatments. The consultations were conducted in the period from May to September, twice a week to a period of 45 minutes each session. The research shows that with the development of an appropriate therapeutic program, coupled the offer of incentives and guidance family, the Occupational Therapy, favors the DNPM of children with sequelae of WBC Keyword: Polio Obstetric Brachial. Development Neuropsicomotor. Early Intervention. Occupational Therapy INTRODUÇÃO A Paralisia Braquial Obstétrica é uma lesão que ocorre no plexo braquial do recém-nascido no momento do parto, causada pela tração da cabeça do recém-nascido durante o parto ou um mau posicionamento intra-uterino. O plexo braquial é formado por raízes nervosas que vai de C5 a T1 e, é responsável pela inervação sensitiva e motora do membro superior, causando uma paralisia flácida parcial ou total do membro, dependendo do nível da lesão. O desenvolvimento neuropsicomotor normal envolve uma série de aquisições motoras e mentais, de acordo com a faixa etária, onde novas habilidades e novos comportamentos surgem através da interação da criança com o meio em que vive. A seqüência de aquisição de habilidades é geralmente invariável durante a infância, porém, o ritmo dessas aquisições difere de criança para criança. A Paralisia Braquial Obstétrica acarreta um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Para tanto, faz-se necessário a intervenção precoce e o uso de atividades que promovam a aquisição das etapas neuropsicomotoras da criança de acordo com a idade. A intervenção precoce refere-se a diversas atividades com o objetivo de estimular as capacidades da criança o mais cedo possível, dar apoio a família e oferecer um acompanhamento nas aquisições, atuando na prevenção e/ou minimização de problemas relacionados ao desenvolvimento neuropsicomotor. Sendo assim segue-se o seguinte questionamento: a Terapia Ocupacional ao intervir precocemente em duas crianças com Paralisia Braquial Obstétrica, pode favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor das mesmas? Portanto, em resposta a esta questão foi levantada a seguinte hipótese norteadora do trabalho: a Terapia Ocupacional, ao intervir precocemente, através da utilização de recursos terapêuticos, como atividades motoras, sensoriais e perceptivas, compatíveis com a idade, orientações familiares, oferta de estímulos de acordo com a necessidade individual, pode favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças com paralisia braquial obstétrica e minimizar seqüelas inerentes a patologia. Para demonstrar a veracidade do pressuposto de que a Terapia Ocupacional, ao intervir precocemente favorece o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças com Paralisia Braquial Obstétrica, utilizou-se como método de pesquisa o estudo de dois casos, no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco, na clínica de Terapia Ocupacional, com análise dos resultados da intervenção terapêutica e evolução do quadro, assim como levantamento bibliográfico para referencial teórico. Os métodos e técnicas serão abordados no Capítulo IV. O presente trabalho está assim estruturado: Capítulo I Aborda aspectos sobre a patologia em estudo e a atuação da Terapia Ocupacional. Capítulo II Descreve as fases do desenvolvimento neuropsicomotor e as aquisições previstas no período de 0 a 18meses, bem como os reflexos e reações. Capítulo III Aborda sobre a Intervenção Precoce e correlaciona com a Terapia Ocupacional. Capítulo IV como a Terapia Descreve, analisa os dados pesquisados e demonstra Ocupacional ao intervir precocemente favorece o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças com seqüelas de PBO. Para finalizar segue-se a proposta de intervenção e as considerações finais. CAPÍTULO I PARALISIA BRAQUIAL OBSTÉTRICA 1 HISTÓRICO A Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) é reconhecida e estudada há séculos. Desde muito antes, Hipócrates já citava recém-nascidos (RN) com dificuldade de movimentar os braços, porém o ginecologista Smellie, em 1764, já relatou brevemente uma criança com paralisia bilateral, sendo essa a primeira referência sobre PBO (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p.216). Foi relatada também a relação entre o trauma durante o parto e a paralisia ocorrida. A maioria das lesões do plexo braquial em crianças é causada por trauma no parto. Essas lesões são chamadas de Paralisia de Erb, que é indicativa de lesões na quinta e sexta raízes do plexo braquial e Paralisia de Klumpke que afetam a face mais distal do membro superior (LEHMAN; MCCORMACK in PEDRETTI; EARLY, 2005). Mais de um século depois, em 1872, Duchenne de Boulong empregou o termo paralisia de origem obstétrica, e descreveu a paralisia de raízes superiores. Baseado nas características semelhantes com a paralisia flácida total do membro superior (MS) seguida ao trauma, correlacionou a paralisia superior do braço do neonato com a tração excessiva ocorrida no plexo braquial durante o parto (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007; GALBIATTI; FALOPPA, in SIZÍNIO, XAVIER, 2003). Já em 1874, Heinrich Erb descreveu o quadro clínico da PBO do tronco superior, onde a lesão acomete especificamente as raízes de C5 e C6, sendo denominada então paralisia de Erb. Em 1885, Klumpke descreveu a paralisia do tronco inferior, acometendo as raízes de C8 a T1, a qual é considerada a mais rara entre os tipos existentes. Klumpke fez também pela primeira vez a associação com a síndrome de Claude Bernard Horner descrita como alterações pupilares que ocorrem no mesmo lado do membro acometido (SANTOS in CAVALCANTI, GALVÃO, 2007; GALBIATTI, FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003). 1.1 Definição, Etiologia e Incidência A paralisia braquial obstétrica (PBO) é uma lesão do plexo braquial do recém-nascido que ocorre no momento do parto. Em sua maioria, há uma combinação de tração e compressão do plexo braquial, causando uma distensão e até ruptura das raízes nervosas. Caracteriza-se como uma paralisia flácida, parcial ou total do membro superior (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p.216). A PBO é uma paralisia do membro superior que ocorre em decorrência da lesão do plexo braquial. Portanto, é reconhecida como uma lesão traumática em decorrência à tração da cabeça do bebê durante o parto e conseqüentemente, acarretará lesão das raízes nervosas, sendo que a má adaptação intra-uterina também pode ser causa. Fonte: Nascimento, 2005, p.138. Figura 1: Lesão do plexo braquial por estiramento durante a manobra do parto. Blakiston (1982, p.782) define PBO como Paralisia do braço devido à lesão do plexo braquial durante o parto . Em vista disso, devem-se considerar alguns fatores que aumentam o risco de uma lesão durante o parto. Entre elas estão os bebês muito grandes e de alto peso (4 kg), extração de cesárea difícil, bebês sedados e uso de fórceps. Para Dimeglio (1990, p.140) a PBO: Trata-se de uma paralisia neonatal do plexo braquial que ocorre num contexto de parto difícil, mas que pode acontecer também durante um parto normal. Paralisia mais ou menos difusa, tem como características: possível regressão que pode ser total em 18 meses, freqüente persistência das seqüelas nos músculos C5 e C6, existência de atitudes viciosas fixadas pelas retrações. Os fatores de risco que predispõem ao aparecimento dessa lesão são: obesidade materna, aumento de peso excessivo durante a gravidez, diabetes materna, macrossomia fetal, mãe com idade avançada, baixa estatura materna, uso de fórceps durante o parto e feto com apresentação podálica (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007; GALBIATTI ; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER 2003). Atualmente a incidência desses casos varia de 0,9 a 2,3 casos por 1.000 nascidos vivos, o que contradiz autores que consideram que a incidência de PBO diminuiu devido à melhora no manuseio obstétrico durante partos difíceis, ou mesmo pelo aumento do número de parto cesáreas. Quanto ao lado acometido, existe uma pequena predominância do lado direito, o que pode estar relacionado com a apresentação occipto-esquerda-anterior (OEA), que é mais comum, e predispõe ao choque do ombro direito contra o púbis da mãe, durante a manobra de expulsão (GALBIATTI ; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003, p.830). Sendo assim, pode-se constatar que mesmo com melhores condições obstétricas, a ocorrência de casos de PBO, atualmente ainda é significativa, levando em consideração as evoluções da medicina, o que se considera um dado preocupante, pois sabe-se que a PBO pode acarretar um atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) da criança. 1.2 Anatomia do Plexo Braquial O plexo braquial é formado pela união das raízes nervosas ventrais que vão de C5 a T1, segmentos medulares, emergindo entre os músculos escalenos anterior e médio. Para Santos (in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007) os ramos de C5 e C6 formam o tronco superior, o ramo de C7 corresponde ao tronco médio, e os ramos de C8 a T1 formam o tronco inferior (quadro 1). Cada tronco se subdivide em uma porção anterior e outra, posterior. As divisões anteriores do tronco superior e do médio formam o cordão lateral, e a divisão anterior do cordão inferior continua como cordão medial (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p.216). As divisões anteriores dos troncos superior e médio dão origem ao fascículo lateral e a divisão posterior dos três troncos forma o fascículo posterior. Dos fascículos emergem os nervos que inervam os músculos do MS. Os fascículos estão localizados na região infraclavicular profundamente ao músculo peitoral e recebem essas denominações por sua relação anatômica com a artéria axilar (GALBIATTI; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003 p.831). O gânglio simpático que está abaixo da raiz de T1, denominado gânglio cervicotorácico ou estrelado, exerce relação importante com o plexo braquial, pois ele mantém comunicações com T1, portanto, lesões nessa região levam à diminuição da função do sistema nervoso simpático, o que levará ao predomínio do parassimpático, resultando em ptose palpebral, enoftalmia e miose, que caracterizam sinal de Claude Bernard - Horner (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007; GALBIATTI; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003). Embaixo do músculo peitoral, os cordões envolvem artéria axilar, que serve como influência para a determinação dos cordões em lateral, medial e posterior (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p.216). O cordão posterior dá origem aos nervos radial (C6, C7 e C8) e axilar (C5). Já do cordão lateral origina o nervo musculocutâneo e o restante deste se une à parte do medial, formando o nervo mediano. O cordão medial dá origem ao nervo ulnar, sendo que parte dele forma o nervo mediano, ao passo que se junta com parte do cordão lateral (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007; GALBIATTI; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003). R - raízes, T - tronco, D - divisões, C - cordão, N nervo. Fonte: Santos, 2007, p. 217 Figura 2: desenho esquemático da anatomia do plexo braquial. O quadro a seguir, apresenta o esquema dos principais nervos, músculos, e funções acometidas na lesão do plexo braquial. Nervo Músculo Função Axilar (C5) Deltóide Abdução do ombro Subescapular (C7) Redondo menor Rotação externa ombro Toracodorsal Subescapular Adução ombro Redondo menor Adução ombro Grande dorsal Adução ombro Tríceps Braquial Extensão cotovelo Ancôneo Extensão cotovelo Braquiorradial Flexão cotovelo ERLC Extensão punho e abdução (C7,C8) Radial (C6,C7,C8) dedos ERCC Extensão punho e abdução dedos ED Extensão falange proximal II aV EV Extensão falange proximal 5º dedo continua continuação EVC Extensão punho e adução dedos ELP Extensão falange proximal 2º dedo Musculocutâneo Abdutor longo do polegar Abdução polegar ECP Extensão falange polegar Supinador Supinação antebraço Coracobraquial Flexão ombro Braquial Flexão cotovelo Bíceps braquial Flexão cotovelo Peitoral maior Adução e rotação interna (C5, C6) Peitoral lateral (C5) ombro Ulnar (C8,T1) Flexor ulnar carpo- FUC Flexão punho e adução mão Flexor profundo dedos Flexão falange distal 3º , 4º e 5º Palmar curto Tenciona pele região hipotênar Abdutor 5º dedo Abdução 5º dedo Flexor curto 5º dedo Flexão 5º dedo Oponente 5º dedo Flexão e rotação 5º dedo Adutor do polegar Adução polegar Flexor curto polegar Flexão polegar Interósseos dorsais Abdução dedos (exceto 5º dedos), flexão falange proximal e extensão falange média e distal dos dedos). Interósseos palmares Adução dedos (exceto 3º dedos), flexão falange proximal e extensão falange média e distal dos dedos. Lumbricais 3º e 4º Flexão falanges proximais e extensão falanges médias e falanges distais do 3º e 4º dedos Mediano (C6, C7, C8, T1) Pronador redondo Pronação antebraço Pronador quadrado Pronação antebraço Flexor radial carpo Flexão punho e abdução dos continua continuação dos dedos Palmar longo Tenciona aponeurose palmar Flexor superficial dedos Flexão falange média dedos Flexor profundo dedos Flexão falange distal dedos Flexor longo polegar Flexão polegar Flexor curto polegar Flexão polegar Abdutor curto polegar Abdução polegar Oponente polegar Oposição polegar Lumbricais 1º e 2º Flexão falange proximal e extensão falange média e distal do 2º e 3º dedos. Fonte: Santos, 2007, p.217. Quadro1: Esquema dos principais nervos, músculos e funções. 1.3 Tipos de Lesão Existem três tipos de classificação para a PBO que se apresentam sob formas clínicas distintas, de acordo com a localização e gravidade da lesão neuronal : Paralisia Alta, ou de Erb-Duchenne, Paralisia Baixa ou de Klumpke e Paralisia Completa. 1.3.1 Paralisia Braquial Alta ou Superior ou Erb-Duchenne Lesão das raízes nervosas de C5 a C6. É o tipo mais comum de PBO correspondendo de 80 a 90 % dos casos encontrados, sendo resultado da tração dos troncos superiores (C5, C6). É caracterizada pela flacidez e rotação interna do ombro que o impede de realizar o movimento ativo de abdução, dificuldade em supinação caracterizando a pronação de antebraço, cotovelos em extensão, punho e dedos ligeiramente fletidos. Segundo Blakiston (1982), Paralisia de Erb é definida como Paralisia do Plexo Braquial Superior. Paralisia do Plexo Braquial Superior: Composição e rotura das raízes do 5º e 6º nervos cervicais, geralmente por lesão do parto; atinge principalmente as funções dos bíceps, do deltóide, do braquial e do músculo braquiorradial, havendo perda da abdução e da rotação externa do braço e debilidade da função e da supinação do antebraço. Há perda da sensibilidade nas superfícies deltóide e radial do braço e do antebraço. A paralisia pode ser transitória ou permanente, conforme o grau da lesão (BLAKISTON, 1982, p. 783). Para Salter (2001) o resultado da lesão da paralisia muscular do recémnascido (RN) é a não movimentação ativa no braço afetado, permanecendo este em posição de rotação interna. As crianças portadoras da lesão não apresentam o reflexo de moro e biciptal, porém, há capacidade de preensão e força de antebraço, presença da sensibilidade tátil e dolorosa, mas nas extremidades não há fenômenos vasomotores. Os portadores podem se recuperar até aproximadamente aos 18 meses, mas se o desequilíbrio muscular persistir, as deformidades tornam-se fixas ocorrendo o aparecimento das contraturas e alterações osteomusculares, limitando assim a rotação externa, a abdução de ombro e flexão dos cotovelos (PARALISIA OBSTÉTRICA, [s.d.]). 1.3.2 Paralisia Braquial Inferior ou de Klumpke Lesão das raízes nervosas de C8 a T1. Nesta o movimento do ombro e cotovelo estão preservados, porém existe um acentuado déficit sensitivo e motor da mão, com perda sensorial e há a presença da Síndrome de Horner. Devido à paralisia da musculatura dos flexores dos punhos e dedos, não há a presença do reflexo palmar, porém os reflexos de moro e biciptal estão preservados. Fraqueza dos pequenos músculos da mão e dos músculos flexores do punho, acarretando mão em garra e diminuição ou perda da sensibilidade do tipo ulnar, em virtude da lesão da oitava raiz cervical e da primeira raiz torácica ou do tronco inferior do plexo braquial; habitualmente causada por traumatismo de parto; prognóstico é favorável (BLAKISTON, 1982, p. 783). 1.3.3 Paralisia Total ou Completa Lesão das raízes nervosas de C5 a T1. É caracterizada pela flacidez de todo o membro e a não resposta a estímulos sensitivos. Não há presença de nenhum reflexo decorrente da gravidade da lesão, há fenômenos vasomotores como palidez ou vermelhidão da pele. Além da lesão total do plexo, existe o comprometimento do gânglio cervicotorácico ou estrelado, ocorrendo assim, a Síndrome de Horner, caracterizada pela ptose palpebral, miose pupilar e diminuição da sudorese. Há perda completa da sensibilidade e paralisia completa de todo o membro superior, além do mais, pode haver a síndrome de HORNER devido à lesão das fibras simpáticas da primeira raiz torácica. (SALTER, 2001, p.336). Tipo Raízes Erb- Duchenne C5 a C7 Paralisia alta Manifestações O braço que foi acometido permanece ao lado do corpo. 80 a 90% dos casos encontrados O ombro fica rodado internamente, cotovelo estendido e punho e dedos Tem melhor ligeiramente fletidos. prognóstico Há perda da abdução do ombro e Evolução rotação externa do braço. espontânea favorável Incapacidade para flexão do cotovelo e supinação do antebraço. Ausência do reflexo bicipital e de Moro no lado acometido. continua continuação Tem preservada a força do antebraço e capacidade de preensão. Há possibilidade de deficiência sensorial na face externa do braço. Klumpke C8 e T1 Flexão do cotovelo e supinação É mais raramente do antebraço. encontrada Acometimento dos músculos da mão com ausência do reflexo palmar. Reflexos bicipital e radial presentes. Síndrome de Horner (ptose palpebral, miose pupilar e diminuição da sudorese) quando há envolvimento das fibras simpáticas cervicais e dos espinhais torácicos. Completa C5 a T1 O membro superior acometido está Prognóstico mais flácido, com reflexos assimétricos ou desfavorável ausentes. É o segundo tipo Pode-se mais encontrado sinais apresentar também com vasomotores palidez ou vermelhidão da pele. Evolução espontânea desfavorável Fonte: Santos, 2007, p.218. Quadro 2: Classificação da PBO. 1.4 Diagnóstico O diagnóstico é realizado pelo exame físico da criança, história de trauma obstétrico, eletroneuromiografia, ressonância magnética (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 219). Segundo Souza, Barral in Freitas (2003) na avaliação física do DNPM a criança é observada em diversas posturas, se faz uso de tecnologia assistiva, quanto ao tônus de base, postural ou de movimento, apresenta deformidades, reflexos, reações associadas, localização e distribuição de peso, mudanças posturais, reações de proteção e equilíbrio, habilidades motoras, amplitude de movimento (ADM), simetria, posicionamento dos membros, habilidades básicas de alcance, preensão e manuseio, força muscular e sensibilidade. O diagnóstico da PBO é essencialmente clínico neurológico, podendo ser realizado logo após o nascimento. Recomenda-se aguardar três semanas para definição do quadro clínico, trazendo informações dos tipos de lesões (GALBIATTI; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003). 1.4.1 Diagnóstico Diferencial As principais causas de paralisia do MS que precisam ser diferenciadas da PBO são: a) Pseudoparesia: a causa mais freqüente é a fratura do úmero; b) Amioplasia Congênita: uma das formas da artogripose múltipla congênita. O padrão do MS se assemelha a PBO tipo Erb-Duchenne, mas há a presença de rigidez articular e persistência de deformidade durante o repouso; c) Danos das células da coluna anterior, por exemplo, na Varicela Congênita e na Atrofia Cervical Espinhal Congênita; d) Lesões do Trato Piramidal que afetam o neurônio motor superior; e) Lesões dos Nervos Periféricos: o mais comum é o nervo radial e a postura do membro será de flexão de cotovelo e punho; f) Lesões Cerebelares: podem produzir hipotonia do MS, g) Lesão Medular: afeta o neurônio motor inferior (SOUZA; BARRAL in FREITAS, 2003). 1.5 Prognóstico O prognóstico da PBO depende da gravidade da lesão e a grande maioria dos casos tem prognóstico favorável. De acordo com Sheperd, Gherman et al e Papazian et al a recuperação completa da função motora ocorre em mais de 90 % dos casos. As lesões das raízes de C5 e C6 têm prognóstico mais promissor, quando a raiz de C7 está envolvida o prognóstico é menos favorável. Se as lesões são totais, o braço está completamente flácido e a criança apresenta Síndrome de Horner, o prognóstico é desencorajador (SOUZA; BARRAL in FREITAS, 2003). Em algumas situações, a paralisia regride de uma paralisia total na fase inicial, tornando-se limitada as raízes superiores. Poucos pacientes não apresentam alguma melhora do quadro (GALBIATTI; FALOPPA in SIZÍNIO; XAVIER, 2003, p.834). Todas as formas evoluem de acordo com o grau da lesão, no entanto, quanto mais cedo a criança começar o seu processo de reabilitação, mais favorável será a sua evolução, evitando assim, futuros problemas de esquema corporal, limitação de movimento, hipotrofia e alteração sensitiva e vasomotora. A instalação progressiva de uma atitude viciosa contribui para um mau prognóstico. Se o músculo não se recuperar até os 6 meses, poderá nunca mais contar com a sua integridade motora (DIMEGLIO, 1990 ). Para um melhor prognóstico, é importante que a reabilitação seja iniciada precocemente, oferecendo estímulos de acordo com a necessidade individual, objetivando a melhora no quadro. Segundo GALBIATTI; FALOPPA (in SIZÍNIO; XAVIER, 2003, p.834), as lesões antigas em pacientes não tratados evoluem para seqüelas decorrentes do desequilíbrio muscular, com deformidades osteomusculares e contraturas musculares. 1.6 Procedimento Cirúrgico Kenned, em 1903, introduziu o tratamento cirúrgico da lesão obstétrica do plexo braquial. Ele relatou os resultados de três pacientes operados aos dois meses de idade com recuperação favorável (SOUZA; BARRAL in FREITAS, 2003, p.270). Segundo Galbiatti; Faloppa (in SIZÍNIO; XAVIER, 2003), os pacientes que não evoluem favoravelmente em seu quadro clínico, ou quando até o terceiro mês de vida não recuperam a atividade do músculo bíceps braquial, é indicado à exploração cirúrgica do plexo braquial. Existem três principais procedimentos neurocirúrgicos realizados na PBO. Um deles é a reconstrução do plexo braquial com enxertos. Outro é a neurólise, que vem a ser a remoção do tecido cicatricial ao redor do nervo lesado. E o terceiro é a neurotização, onde a extremidade distal do membro lesado é anastomosada ou através de enxerto (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). 1.7 A Intervenção da Terapia Ocupacional na PBO O tratamento da criança com PBO deve ser iniciado o mais precocemente possível. É importante iniciar o quanto antes movimentos passivos suaves, estimulações sensoriais e orientações. Os objetivos principais que devem compor o programa terapêutico em casos de PBO são: posicionamento adequado, movimentação passiva, estimulação sensorial, estimulação do desenvolvimento motor, estimulação do brincar, estimulação das atividades de vida diária e indicação de órteses (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). O terapeuta ocupacional (TO) visa proporcionar à criança, meios para o aprendizado motor e sensorial acontecer, buscando a maior independência possível da criança, visando uma melhor qualidade de vida e a sua integração ao meio. Sendo assim, os principais objetivos do T.O centram-se em: criar condições possíveis para a recuperação da atividade funcional, proporcionar condições ambientais necessárias para os músculos poder reassumir sua função e treinar o controle motor mediante os exercícios (LEITE, 2007). Quando se fala em criar condições para a recuperação funcional, devese pensar em prevenir contraturas e deformidades, ocasionadas pelo desuso ou comportamento motor adaptativo, evitando posturas viciosas e favorecendo componentes motores e de desempenho, se não igual, próximos à normalidade. O posicionamento é um elemento importante no tratamento, pois previne e minimiza movimentos desorganizados, manobras compensatórias, favorecem movimentos funcionais, simetria e melhor exploração do ambiente. O membro acometido deve ser posicionado em discreta abdução de ombro, semiflexão de cotovelo, punho e dedos em repouso (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 220). A movimentação passiva deve ser realizada suavemente, a fim, de manter a mobilidade articular do membro acometido. A estimulação para movimentação ativa deve ser realizada oferecendo situações em que a criança tenha vontade de explorar algo, conseqüentemente realizando o movimento. Objetos sonoros macios devem ser incorporados ao cotidiano dessa criança e a orientação aos pais quanto às possibilidades de oferecer o brinquedo e o brincar devem ser feitas. Se a criança não conseguir completar toda ADM, é importante deixar que inicie o movimento e os pais ou o terapeuta termine a movimentação. A iniciativa de exploração traz a movimentação ativa. A movimentação ativa traz por sua vez, força e alongamento muscular (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 221). A estimulação sensorial adequada juntamente ao trabalho motor deve ser realizada, através de estímulos táteis, como por exemplo, a aplicação de diferentes texturas na pele da criança. Evidencia-se na teoria e na prática, que a PBO tem como conseqüência um atraso no DNPM. No caso das crianças com PBO, a dificuldade para alcance, preensão, apoio, transferência e descarga de peso para o lado acometido irá interferir nas aquisições, atrasando-as e/ou realizandoas de formas compensatórias. Então, um tratamento com enfoque motor nessas dificuldades pode levar a criança a um desempenho mais funcional e eficaz (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 222). Segundo Ferland (2006), a descoberta do mundo através do brincar tem efeitos significativos sobre a evolução das habilidades da criança. Em vista disso, é necessário que se ofereça à criança com PBO um ambiente propício ao brincar. As condições para que aconteça as atividades que visam as habilidades uni e bimanuais, de destreza, de força, de preensões diferenciadas, de transporte, de apoio e de soltar/lançar ativamente são possíveis dentro da atividade do brincar. A repetição favorecida pelo brincar traz aperfeiçoamento, técnica, aprendizado, melhora motora e sensorial (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 223). Portanto, o brincar provê base para a iniciativa, movimento e prazer (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). Vale ressaltar que as atividades oferecidas durante o brincar devem levar em consideração as etapas do DNPM, o interesse e o prazer intrínseco do indivíduo. A independência nas atividades de vida diária permite a liberdade de melhor desempenho nas tarefas educacionais, de lazer e de trabalho, todas altamente significativas para qualquer pessoa (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 495). Atividades como segurar a mamadeira, a escova de dente, a colher ou até mesmo os brinquedos, têm um impacto significativo na vida da criança com PBO, afinal, oferecem condições bimanuais, às crianças que possuem dificuldade em realizá-la. Portanto, é necessário iniciar a estimulação precoce, favorecendo a funcionalidade do membro acometido, dos componentes de desempenho, como grau de força muscular e ADM que envolva tais tarefas (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). O uso de órteses é um método terapêutico auxiliar de grande importância, pois nesses casos visa prevenir e/ou corrigir deformidades, evitar rigidez articular, contratura muscular e maximizar a função. As órteses podem ser estáticas, para repouso e estabilidade articular e prevenção de deformidades, e dinâmicas, para auxiliar nos movimentos funcionais da mão (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 224). O TO lança mão destes dispositivos, como meio eficaz, de reabilitação, na prevenção de deformidades e otimização da função, contribuindo para um melhor desempenho funcional no cotidiano daqueles que apresentam PBO e favorecendo seu DNPM. As mais indicadas são o abdutor de polegar, faixa ou posicionamento de supinação, de posicionamento ventral em extensão para favorecer o engatinhar com apoio adequado e de posicionamento dorsal. (SANTOS in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007, p. 224). As mesmas devem ser revistas periodicamente e freqüentemente, para verificarem-se as necessidades de ajustes, para que continuem satisfazendo as necessidades e objetivos citados e evitando pressões e outras alterações prejudiciais à evolução do caso, entre elas, segundo Santos (in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007), situam-se as alterações circulatórias, dormências, edema e reações alérgicas ao material selecionado. Por isso, informações trazidas pelos familiares e cuidadores desempenham um papel fundamental, uma vez que nos trará dados sugestivos e indicativos da reação da criança ao dispositivo auxiliar, no ambiente domiciliar. A abordagem da Terapia Ocupacional, em conjunto com a equipe multidisciplinar é baseada na intervenção terapêutica precoce com orientações familiares, manipulações e posicionamentos, objetivando o máximo de recuperação funcional e que, ainda de acordo com Santos (in CAVALCANTI; GALVÃO, 2007), deve ter início com o planejamento após diagnóstico da lesão e com os encaminhamentos e/ou procedimentos que se fizerem necessários. CAPÍTULO II DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR DE 0 A 18 MESES 2 DESENVOLVIMENTO NORMAL Segundo Bee (1996) o desenvolvimento motor significa crescimento e mudança na capacidade de realizar atividades físicas, tais como caminhar, correr ou andar de bicicleta. O DNPM normal envolve, portanto, uma série de aquisições motoras e mentais de acordo com a faixa etária onde, novas habilidades e novos comportamentos surgem através da interação da criança com o meio em que vive. Desenvolvimento neuro-psico-motor é a capacidade de adquirir novas habilidades e de desenvolver tarefas cada vez mais complexas. Abrange dimensões psicológicas, neurológicas e motoras (MARTINS; PAULINO, 2002, p. 34). Portanto, o desenvolvimento significa adquirir habilidades e funções de forma crescente no que diz respeito à complexidade das ações. As teorias tradicionais com respeito ao desenvolvimento motor admitiram que esse desenvolvimento obedecia a uma seqüência hierárquica e invariável, na dependência principalmente da maturação do córtex cerebral (SHEPHERD, 1995, p. 10). Essas teorias defendem a evolução do DNPM com progressão na seqüência céfalo-caudal, ou seja, cabeça, tronco, membros, e próximo distal. Atividades com menor grau de complexidade criam condições necessárias para atividades mais complexas, que constituem um requisito indispensável para os atos subseqüentes e gradativos no desenvolvimento da criança (JANEZ; OLIVEIRA, 2000). Portanto, o ser humano passa continuamente por aprendizados que obedecem uma seqüência progressiva, onde o alcance de uma habilidade pode ser pré-requisito para outra consecutiva. Segundo Schwartzman (2000), essas modificações vão depender de transformações estruturais do sistema nervoso. Entretanto, essas transformações podem variar de uma criança para outra. De acordo com Gallahue, Ozmun (2003), a seqüência de aquisição de habilidades é geralmente invariável durante a infância, porém, o ritmo dessas aquisições difere de criança para criança, que nos faz pensar que o início do desenvolvimento não se deve apenas ao sistema nervoso, mas também a um sistema auto-organizado que envolve a tarefa, o ambiente e o indivíduo. 2.1 Primeiro Mês No primeiro mês de vida do bebê, a atividade motora é em grande parte a continuação daquela observada no período fetal, os reflexos de orientação e sucção persistem e são desencadeados pela estimulação da região oral (SCHWARTZMAN, 2000). Durante o primeiro mês pode-se observar uma série de reflexos que com o passar do tempo são substituídos por outros ou desaparecem, são eles os reflexos de sucção e deglutição, quatro pontos cardeais, olhos de boneca, glabelar, magnético, reflexo tônico cervical simétrico (RTCS), preensão palmar (Figura 3), preensão plantar, reflexo tônico labiríntico (RTL), galante, moro, positivo de apoio, marcha automática e reação de endireitamento da cabeça (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2006). Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 37. Figura 3: Preensão palmar. Segundo Flehmig (2002) nessa idade o bebê permanece em estado de vigília e a postura flexora predomina. A postura flexora do RN é a flexão fisiológica. Predomina a simetria (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2006, p. 2). O neonato tem como característica postural uma atitude de flexão global dos segmentos apendiculares superiores e inferiores. Essa atitude deve ser invertida durante o primeiro ano de vida quando a criança experimenta diversas reações antigravitárias (KUDO, 1994). A cabeça do recém-nascido cai completamente para trás quando ele é puxado para a posição sentada (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2006, p. 2). Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 36. Figura 4: Controle de cabeça. Então pode-se dizer que o bebê no primeiro mês de vida tem pouco controle de cabeça, não sendo suficiente para mantê-la ereta. Segundo Gallahue, Ozmun (2003), quando o bebê nasce, ele tem pouco controle de cabeça e dos músculos do pescoço. Se o bebê for seguro ereto pelo tronco, sua cabeça cairá para frente. Ao final do primeiro mês, o mesmo ganha controle sobre esses músculos, sendo então, capaz de manter a cabeça ereta, quando apoiada na base do pescoço. Portanto, durante o primeiro mês, o bebê aprimora o controle sobre os músculos do pescoço, o que favorece gradativamente o controle de cabeça. As pernas estão afastadas do quadril em rotação externa, às vezes, só uma delas, ao passo que a outra se coloca ao lado, podendo ser rodada para dentro (FLEHMIG, 2002, p. 111). Para Oliveira, Oliveira (2006) nessa idade a criança move os braços, as pernas e o corpo inteiro ao mesmo tempo, chamado movimento em bloco, isso porque ainda não pode diferenciar movimentos separados. Sendo assim, a criança não dissocia a cintura escapular e a cintura pélvica. Na posição ventral os ombros se apresentam fletidos, ou mesmo um tanto retraídos e os braços se posicionam embaixo ou ao lado do tórax (FLEHMIG, 2002). 2.2 Segundo Mês Flehmig (2002) diz que os bebês nessa faixa etária, quando em supino, apresentam o corpo em simetria, padrão flexor predominante com melhor extensão, coloca a cabeça para os lados, os membros superiores (MMSS) encontram-se em ângulo com o corpo, podem ser levantado, mas não chegam à linha média. Os membros inferiores (MMII) em rotação externa no quadril, abduzidos, pode-se observar um membro em rotação interna mais acentuada que o outro. A criança em prono consegue levantar ligeiramente a cabeça, coloca os braços sobre o antebraço para apoio. O quadril está fletido com os MMII em rotação externa, pés em dorsoflexão, podendo apresentar flexão plantar. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 38. Figura 5: Padrão postural em prono. Segundo Flehmig (2002) quando puxada a criança para sentar, dobra-se os seus braços, mantém a cabeça elevada por alguns segundos, depois cai e o tronco apresenta-se instável. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 38. Figura 6: Puxada para sentar. Nessa fase do desenvolvimento é notável o reflexo de moro, reflexo de preensão palmar, principalmente quando as mãos estão fechadas e são tocadas, estas se abrem, mas fecham-se novamente. Colocado um objeto na mão da criança, ela o segura, não o largando, devido o reflexo de preensão palmar. 2.3 Terceiro Mês Nessa fase para Flehmig (2002), a criança pode virar-se para os lados com certa rotação. ... a cabeça pode ser mantida na linha média, mas se coloca, frequentemente e de preferência, para um lado, enquanto o tronco se mostra virado para o lado do rosto, retraído de modo que se pode assumir atitude assimétrica, possível de superar. Trata-se de influência do reflexo tônico-nucal assimétrico (FLEHMIG, 2002, p.137). Trazem as mãos à linha média, consegue uní-las na frente do rosto e olhar para elas. Os MMII encontram-se afastados, com rotação externa, abduzidos e fletidos. Pode ocorrer o reflexo de moro com abdução e rotação externa dos braços e abertura das mãos, quando movimentar ativamente a cabeça. Na posição prona, a criança ergue a cabeça até 45º, o apoio sobre o antebraço não está estável, apresenta rotação externa, abdução de MMII com flexão dos joelhos e os pés dorsofletidos ou estendidos. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 38. Figura 7: Retificação cervical e apoio nos antebraços. Segundo Flehmig (2002) ao levantar a criança, a cabeça acompanha bem, porém ainda oscila. O reflexo de preensão palmar, moro, RTCA, diminuem, mas os reflexos labirínticos e de retificação permanecem. 2.4 Quarto Mês Flehmig (2002) diz que durante o quarto mês, o bebê na posição dorsal, apresenta posição simétrica e então é capaz de virar para ambos os lados. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 40. Figura 8. Rolando para decúbito lateral. Sua cabeça mantém-se na posição média, mas freqüentemente colocase para um dos lados, preferencialmente. Quando puxada para sentar a cabeça acompanha o movimento do corpo. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 40 Figura 9: Controle cervical quando puxada para sentar Nessa fase, o bebê começa a explorar mais o ambiente de forma motora e visualmente. Para Le Boulch (1982) a partir dos quatro meses se inicia a coordenação olho-mão. A criança não se contenta apenas em manipular, a visão vai desencadear uma agitação dos MMSS. Se um objeto é trazido à proximidade da criança ela podendo vê-lo, ocorrem, às vezes, movimentos maciços antes que a criança se estabilize, a fim de agarrar o objeto (FLEHMIG, 2002, p. 155). Percebe-se maior interesse da criança por tudo aquilo que ela visualiza. As mãos são trazidas à linha média e contempladas, coordenadamente com a atitude da cabeça e do corpo. As mãos estão abertas, o ombro, muitas vezes, se encontra retraído, sem que, no entanto, as mãos se fechem automaticamente. A criança brinca com as mãos e é capaz de segurar o objeto (FLEHMIG, 2002, p. 155). Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p.39 Figura 10: Padrão postural em supino. A partir do quarto mês a criança passa a utilizar cada vez mais suas mãos, principalmente, para pegar objetos que estejam no seu campo visual e para levá-los à boca. A criança olha e pega. Segundo Flehmig (2002), a criança, na posição ventral, pode colocar-se simetricamente e sua cabeça se ergue a aproximadamente 90° e demonstra bastante estabilidade ao apoiar-se sobre os antebraços. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 39. Figura 11: Cabeça retificada a 90º e apoio nos antebraços. ...se se segurar a criança no tronco, ficam os braços em retração escapular. Quando se ergue a criança pelas mãos, os braços ficam ligeiramente fletidos nas articulações dos cotovelos (FLEHMIG, 2002, p. 156). 2.5 Quinto Mês O lactente em decúbito dorsal pode virar-se de um lado para outro e de vez em quando, atingir o decúbito ventral. Os pés são agarrados e levados à boca (FLEHMIG, 2002, p. 173). Durante o quinto mês é observado que o bebê rola em bloco e consegue pegar seus pés, podendo levá-los até sua boca. O bebê de cinco meses é capaz de alcançar e fazer contato com objeto, aparece o pegar voluntário. Ele segura com a mão inteira, mas não firmemente (GALLAHUE; OZMUN 2003, p. 2004). Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 41. Figura 12: Pegar voluntário. De acordo com Flehmig (2002), os objetos apreendidos pelo bebê são levados até sua boca e podem ser largados. Seu tronco se encontra simétrico, em alinhamento com a cabeça. E seus MMII se apresentam em rotação externa e abduzidos. Então seus movimentos se produzem coordenadamente. A criança em decúbito ventral, já se posiciona simetricamente, a cabeça ergue-se bem até aproximadamente 90° e possui um bom apoio sobre os antebraços. Nessa posição existe um deslocamento de peso, com o intuito de liberar um dos lados e estender o braço para diante (FLEHMIG, 2002). Portanto, no quinto mês, a criança já mantém simetria e possui controle de cabeça suficiente para sustentá-la a 90°. A criança colabora bem se existe um bom controle da cabeça. A cabeça é bem elevada para diante e pode depois girar para o lado. Os pés estendem-se durante o ato. Os braços estão fletidos ou móveis na articulação do cotovelo (FLEHMIG, 2002, p. 175). Para Flehmig (2002), sentada, a criança apresenta estabilidade incipiente do tronco, seu dorso ainda não estende completamente, mas em um curto espaço de tempo o mesmo pode estender-se. E seus braços são colocados à frente, a fim de apoiar-se. Com relação às reações de equilíbrio a criança possui um bom apoio com sustentação do peso, entretanto seus braços não podem ser trazidos para diante para que esta consiga assumir o peso completo (FLEHMIG, 2002). A criança ri e produz sons inarticulados. Pára de chorar quando ouve música. Conversa sozinha. Forma novas combinações de sons (FLEHMIG, 2002, p. 181). Então, com cinco meses a criança utiliza a linguagem para manter um contato social com pessoas conhecidas. A criança tornou-se mais estável, embora possa não realizar ainda movimentos em posição ereta (fase instável). Tenta mover-se contra a gravidade sempre melhorando o controle da cabeça. Rotação incipiente e boa reação postural. A criança começa a investigar o ambiente com seus meios (FLEHMIG, 2002, p.182). 2.6 Sexto Mês O sexto mês de vida da criança é a etapa em que vão desaparecendo as respostas reflexas, fazendo com que a criança consiga movimentos mais localizados e segmentares. Os reflexos primitivos facilitam aquisições como preensão, coordenação olho-mão, entretanto, a persistência dos mesmos vai impedir que aquisições possam surgir e interferir no desenvolvimento de padrões motores mais complexos, diferenciado e voluntário (DILEO apud SCHWARTZMAN, 2000). Aos seis meses, então, a maioria dos reflexos primitivos tendem a desaparecer, dando lugar a padrões motores complexos, contribuindo, assim, com o DNPM da criança. No sexto mês, a criança, em decúbito dorsal, pode virar-se, passando da posição dorsal para ventral, vira-se de ambos os lados, porém, na maioria dos casos tem preferência por um lado. Seu tronco é retificado no sentido da linha média e as pernas estendem-se bem. Nota-se que o decúbito dorsal já não é preferido nesta idade (FLEHMIG, 2002). A criança vira-se, às vezes, do decúbito ventral para o dorsal, caindo de início, porém, não em bloco e sim com rotação (FLEHMIG, 2002). Sendo assim, com seis meses, a criança já não rola mais em bloco, como no quinto mês, mas sim, realizando uma dissociação de cintura pélvica e escapular. Em decúbito ventral a cabeça eleva-se muito bem. Posição média de 90°. O tronco está estendido e o quadril apóia-se na base (FLEHMIG, 2002, p. 184). Quanto ao sentar, nesta idade, a criança já senta sem o auxílio das mãos, porém por um período não muito longo. A criança também pode se jogar para trás, assemelhando-se isso a um convite à brincadeira (FLEHMIG, 2002). Reações posturais da cabeça sobre o corpo e do corpo sobre o corpo já bem desenvolvidas. Quando perder o equilíbrio, a criança recupera-se, isto é, reequilibra-se quando vai cair (FLEHMIG, 2002, p.188). Nessa idade a criança já estende os braços, utiliza ainda toda superfície da mão e passa objetos de uma mão para outra, ou seja, além da linha média (FLEHMIG, 2002). Apóia-se sobre as mãos, pode passar seu peso para uma só mão, deixando a outra livre para brincar. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 41. Figura 13: Apoio sobre as mãos e liberação de um membro para brincar. As mãos estão abertas, os dedos já bem preparados para atividades mais finas. A criança começa a pegar objetos com os dedos em pinça (FLEHMIG, 2002, p.189). A criança também brinca com sua imagem no espelho e cada vez se liga em cadeias rítmicas de sílabas, chegando a dizer, papai e mamãe inespecificamente, ri e arrulha alto (FLEHMIG, 2002). Demonstra dessa maneira um bom contato com o ambiente. Este mês parece constituir um segmento evolutivo muito importante. A posição ortostática torna-se mais estável, mais equilibrada nos decúbitos dorsal e ventral. As modificações de posição ampliam o horizonte da criança, que se faz muito mais interessada e curiosa (FLEHMIG, 2002, p. 191). Os reflexos primitivos dessa etapa são: o reflexo de preensão plantar, o reflexo cutâneo plantar em extensão e Landau e as reações são as de retificação da cabeça sobre o corpo, endireitamento do corpo sobre o corpo, postural de fixação e de proteção para frente (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2006). Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 42. Figura 14: Reação de proteção para frente. 2.7 Sétimo Mês Segundo Flehmig (2002), o bebê ao sétimo mês não fica mais em decúbito dorsal, pode estender os dois braços, erguendo a cabeça para sinalizar que quer se levantar. Não existe predominância de padrão flexor e extensor. Em decúbito ventral ela levanta bem a cabeça, desloca o seu peso e puxa a perna para ficar ereta. Repete constantemente o que já exercitou. Virase nesta posição ao redor, inclina-se para trás quando deseja que fosse para diante. Estende um braço a fim de pegar um objeto (FLEHMIG, 2002). Stoppard (1995), diz que a criança pode sustentar o peso numa das mãos quando deitada de bruços, sentar-se sem apoio, levantar a cabeça quando deitada de costas e sustentar todo peso nos joelhos e quadris quando elevada no ar. ...apresenta bom equilíbrio quando se inclina para frente. Quando inclinada passivamente para o lado, os braços e as mãos estendemse para equilibrar-se, sem que haja ainda uma rotação muito boa. Pernas em abdução, os quadris muito bem fletidos (FLEHMIG, 2002, p.194). Nessa fase a criança já alcança objetos, rola, rasteja ou engatinha. Passa de supino para prono e arrasta-se para frente. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 42. Figura 15: Padrão postural no 7º mês. Os objetos menores e maiores são agarrados quase sempre com a palma da mão. Já existe boa coordenação dos músculos oculares, boa coordenação olho-mão, já acompanha em todos os planos (OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2006, p.4). Segundo Flehmig (2002), as crianças quando levantadas pela axila tentam equilibrar-se, mas por um curto período. Seu quadril apresenta-se bem estendido, flexível com inclinação para o lado, apresentam movimentos compensatórios. Estágios motores melhores, com boa abdução do quadril e mobilidade das articulações. Nessa faixa etária as reações posturais da cabeça sobre o corpo e vice-versa são mais nítidas, há bom equilíbrio tanto na postura dorsal como ventral e sentada. ... a criança consegue diariamente uma melhora do equilíbrio, constantemente experimentada até que ponto pode ir. Quando há deslocamento, estabelece-se o equilíbrio mediante regulação e contra-regulação. As reações de apoio então ajudam. Boa disposição para o salto, reação de Landau muito boa (FLEHMIG, 2002, p.200). Segundo Flehmig (2002), a criança começa a dizer as primeiras sílabas, emitir sons e gosta de contar muita coisa, repete ruídos próprios. Tomam contato com o meio mediante troca de olhares, diverte-se em reconhecer pessoas, diverte-se com a sua imagem no espelho. Presta atenção quando ouve um ruído, vira-se para onde vem o ruído. Começam a selecionar as pessoas que lhe agradam, a descoberta do ambiente para essas crianças provoca curiosidade e diversão. 2.8 Oitavo Mês Segundo Flehmig (2002), a criança pode passar da posição ventral, para a posição que vai engatinhar, mesmo ainda sem segurança e sem rotação. Vira-se em círculo em volta do mesmo eixo. As pernas movem-se livremente, resultado da rotação externa do quadril. A criança senta-se, passa da posição ventral para a sentada virando-se de lado, aparece reação de proteção para os lados. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 42. Figura16: Padrão postural ao 8º mês. Se a criança se senta, pode apoiar-se com rotação muito boa para diante e lateralmente. Dorso reto e bom controle do seu próprio eixo, todos os movimentos já se mostram coordenados (FLEHMIG, 2002, p.205). Segundo Stoppard (1995), a criança pode tentar mover-se, estica-se para pegar um objeto, balança o corpo para frente e para trás, gosta de sustentar o próprio peso em pé, rola para explorar o ambiente. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 42. Figura 17: Rolando para explorar o ambiente. Essas crianças não apresentam bom equilíbrio, mas ergue-se apoiada, é observável ainda o reflexo de preensão plantar. ... a criança apoiada caminha com passos titubeantes; largada, senta-se e tenta novamente erguer-se, sobretudo tenta alcançar alguma coisa (FLEHMIG, 2002, p. 209). Para Flehmig (2002), as crianças apresentam boa colocação da cabeça no espaço, boas reações posturais, equilíbrio bom nas posições dorsal e ventral. Segundo Stoppard (1995), as crianças gostam de fazer barulho batendo os brinquedos, refinou-se os movimentos a ponto de rasgar papel, pode segurar firmemente um objeto entre os dedos. Toca e apalpa objetos, aprende a conhecer materiais e a distinguir superfícies agradáveis e desagradáveis, com reações de conforto e desconforto. Agarra objetos estreitos com o polegar e indicador; preensão em garra. A supinação é possível, os ombros movem-se quase livremente em todos os planos. Extensão para diante possível (FLEHMIG, 2002, p.212). Segundo Flehmig (2002), nessa fase as crianças falam sílabas duplas, imitam sons próprios e os que ouvem, sorri, olha desconfiada para desconhecidos, apresentam sinais de estranheza. 2.9 Nono Mês Segundo Oliveira; Oliveira (2006), as crianças nessa faixa etária quase nunca assumem a posição dorsal e ventral. Sentam-se estavelmente e quando perdem o equilíbrio reagem com contra-movimento do corpo. Agarram em móveis para ficar em pé, permanecendo pouco tempo nessa posição e caem. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 42. Figura18: Apoio em móveis para assumir postura ortostática. Ficam em pé com maior estabilidade e apresentam bom equilíbrio quando seguradas sentada ou em pé, apóiam-se sobre os quatro membros, locomovendo-se com maior rapidez. Flehmig (2002), afirma que essas crianças apresentam tônus regulado, podendo realizar movimentos e manter atitudes. As articulações são móveis, preparadas para posição ereta. Possuem boa posição da cabeça no espaço, bom esquema corporal, bom equilíbrio na posição dorsal, ventral e sentada, pode voltar de uma posição assimétrica para uma simétrica. Segundo Stoppard (1995), os movimentos dessas crianças estão se tornando mais complexos, podem começar a apontar com o dedo, pode inclinar-se para frente e apanhar pequenos objetos. A criança apresenta contato visual, sorri e olha atenciosamente para as pessoas, quando não tem medo, entende perguntas simples. Se lhe perguntam onde está a mamãe? , olha na direção desta. Observa os estranhos com cepticismo. Toda interferência no que deseja é respondido com choro, recusa o contato social, quando não quer, esconde-se atrás de objetos, coloca objetos em vasos e tira-os para fora. 2.10 Décimo Mês Ao décimo mês as crianças dormem em posição dorsal ou ventral, viram-se, para ambos os lados, sentam-se sozinha com bom equilíbrio, elas deslizam para diante em redor do próprio eixo. Começam a ficar em pé sozinha ou segurando em objetos. Quando apoiadas, dão passos para o lado e caem. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 43. Figura19: Em pé com apoio no 10º mês. Ás vezes, a criança já se larga, mas ainda não pode dar nenhum passo. Na maior parte das vezes, anda ao longo dos móveis. Já é bem estável. Da posição em pé já se senta com bons estádios motores intermediários. Da posição em pé passa com freqüência para o engatinhar (FLEHMIG, 2002, p.237). Segundo Stoppard (1995), já começa a apanhar objetos com o polegar e indicador, demonstra curiosidade para investigar brinquedos barulhentos e outros sons. A criança olha para os objetos em todas as direções e tenta apanhá-los em todas as posições em que permanece com bom equilíbrio, olha para aquilo que pega, traz as mãos à linha média, troca os objetos de uma mão para a outra. Pronuncia algumas sílabas como mamãe e papai , emite sons. Ri alto ou sorri, mas recusa o contato que lhe é desagradável, gosta de se esconder e começa a brincar com os outros (STOPPARD, 1995). Ainda para Stoppard (1995), nessa fase a criança já começa a pegar na colher para comer sozinha, segura xícara com as duas mãos e bebe sozinha, tem boa coordenação óculo-manual, pega objetos e olha o que tem nas mãos, possui bom contato visual, manifesta sua vontade, seleciona as pessoas e recusa contatos indesejáveis. É curiosa, diverte-se com a descoberta que faz, o que, em certas condições, pode ser perigoso, obrigando a maior vigilância por parte da mãe. Mostra-se grata a qualquer colaboração que se lhe ajuste as necessidades (FLEHMIG, 2002, p. 240). 2.11 Décimo Segundo Mês Nessa fase as crianças já começam a engatinhar como urso, até pôr-se de pé, sentam e levantam livremente e apóiam-se para qualquer lado. Permanecem em pé paradas sem apoio, e caminham quando estão apoiadas em uma das mãos. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 44. Figura 20: Deambulação com apoio de uma das mãos. Segundo Stoppard (1995), as crianças começam a conseguir andar, quando engatinham, em vez de utilizarem os joelhos, apóiam-se nas mãos e nos pés, em um andar de urso. Dizem duas ou três palavras com significado, são capazes de reconhecer objetos em um livro e apontá-los. Começam a entender perguntas simples. As crianças começam a atirar objetos, conseguem fazer linhas com lápis, construir torres de blocos. A criança olha para o objeto a ser pego, atinge-o mesmo quando está distante, junta os MMSS e MMII na linha média, brinca com os mesmos. Fonte: Rodrigues; Miranda, 2005, p. 44. Figura 21: Olha para o objeto ao pegá-lo. Apalpa diferentes objetos, mostrando reações de conforto e desconforto a diferentes materiais (FLEHMIG, 2002). Nessa fase do desenvolvimento, as crianças já compreendem o significado do não , conseguem lembrar de alguns rituais como tchau e beijos , ficam zangadas, principalmente quando lhes são retirados brinquedos. 2.12 Décimo Quinto Mês Nessa fase, as crianças não ficam por muito tempo em prono ou supino, preferem a posição ortostática, sentam-se sozinhas com equilíbrio, engatinham, porém, esse não é o meio utilizado para se locomover. As crianças começam a caminhar livremente, mas não possuem completamente o equilíbrio, porém modificam e adaptam seu espaço no meio, conseguem subir escadas (FLEHMIG, 2002, in STOPPARD, 1995). ...já conhece partes do corpo e objetos num livro, pode emitir sons de animais e tentará tirar as roupas, se lhe for pedido. Adquire entre outras, a capacidade de identificar a figura de um gato, como gato de brinquedo e um animal vivo, todos como gatos (Stoppard,1995,p.28). Começam a segurar xícaras e beber dela sozinhas, sem derramar muito. Já comem, com colher, sozinhas. Apresentam boa coordenação motora fina e óculo manual, tentando virar páginas de revistas. 2.13 Décimo Oitavo Mês Geralmente as crianças nessa fase apresentam boa mobilidade, adaptam-se às posições e às mudanças. Segundo Stoppard (1995), a criança reconhece várias figuras e fotografias de objetos, pode apontar e entender pedidos, tenta imitar o que vê, consegue subir escadas sem ajuda com os dois pés em cada degrau, mas necessita de apoio, corre, anda para trás, apresenta mais equilíbrio. Entre vários movimentos novos, a criança, consegue virar as páginas de um livro de duas a três delas por vez e fica fascinado por zíperes e outros tipos de fechos. Consegue alimentar-se sozinho, incluindo o uso da xícara sem derramar nenhum líquido. Também gosta de pintar com os dedos e de rabiscar (STOPPARD, 1995). 2.2 Reflexos e Reações Os reflexos e reações são respostas automáticas em resposta a um estímulo específico. Reflexo é toda e qualquer resposta automática e imutável a um determinado estímulo. Esta resposta não pode ser alterada ou adaptada de acordo com as necessidades ou circunstâncias. Possui um arco reflexo fixo, cuja resposta também é fixa. Reação é toda e qualquer resposta automática a um estímulo. Esta resposta não é específica e, portanto pode ser adaptável de acordo com as circunstâncias, uma vez que, é mutável (OLIVEIRA, 2007, p.01). Podem-se dividir os reflexos em duas categorias, os reflexos adaptativos e os reflexos primitivos. ... há muitos reflexos adaptativos que ajudam o bebê a sobreviver no mundo em que nasceu. Os reflexos de sugar e engolir são proeminentes nesta categoria. Assim como o reflexo de enraizamento a virada automática da cabeça em direção a qualquer toque na bochecha, um reflexo que ajuda o bebê a colocar o mamilo na boca durante a amamentação (BEE, 1996, p. 91). Alguns reflexos adaptativos podem persistir por toda a vida. ... os reflexos primitivos, são assim chamados por serem controlados pelas partes mais primitivas do cérebro, a medula e o mesencéfalo, que estão quase totalmente desenvolvidas no nascimento, por exemplo, se você fizer um ruído e assustar um bebê de alguma outra maneira verá que ele abre os braços e arqueia as costas, um padrão que é parte do reflexo de moro ou de susto. Esfregue a sola do seu pé e verá que ele abre os dedos e depois os encolhe, o chamado reflexo de Babinsk (BEE, 1996, p. 91). Com o amadurecimento das estruturas cerebrais, esses reflexos começam a desaparecer. Geralmente isso ocorre por volta dos 6 meses. Após o desaparecimento desses reflexos, começa a se perceber as reações. Segundo Bee (1996), quando esses reflexos persistem além da idade esperada para seu desaparecimento, pode ser um sinal de algum problema neurológico, e este deve ser investigado. 2.2.1 Reflexos 2.2.1.1 Reflexo dos Olhos de Boneca Japonesa Aparece no RN, desaparecendo até o primeiro mês. Observa-se com a rotação lateral da cabeça que os olhos permanecem na mesma posição, não acompanhando o movimento (ROGANTE; MIARELLI, 2001). Segundo Flehmig (2002), com a rotação lenta da cabeça, os olhos se movimentam em direção oposta. Já, se o movimento for mais rápido, pode aparecer o nistagmo. 2.2.1.2 Reflexo Glabelar Aparece no RN, desparecendo no segundo mês. Para desencadear esse reflexo, comprime-se a glabela do RN, conseqüentemente os olhos irão fechar-se simetricamente (OLIVEIRA, 2007). 2.2.1.3 Reflexo Magnético Aparece no RN, desaparecendo no segundo mês. Ocorre quando o dedo do examinador entra em contato com a sola do pé da criança, com seus joelhos e quadris fletidos. Como resposta, ao se retirar o dedo do examinador, haverá extensão dos MMII e o pé do RN permanecerá colado no dedo do examinador (OLIVEIRA, 2007 in FLEHMIG, 2002). 2.2.1.4 Reflexo de Galant Aparece no RN, desaparecendo até o segundo mês. Estimula-se com o dedo a musculatura paravertebral de um dos lados. Em resposta, o mesmo curva o tronco para o lado estimulado de forma que a concavidade volta-se à direção do estímulo (OLIVEIRA, 2007). 2.2.1.5 Reflexo de Marcha Automática Aparece no RN, desaparecendo até o segundo mês. Esse reflexo pode ser observado quando o bebê é mantido em pé, segurado pelo tronco. Ao tocar a sola do pé na superfície, o RN, flete um dos MMII e estende o outro. Com a sucessão desse movimento, parece que o bebê caminha. A criança é mantida verticalmente, com as mãos do examinador no tronco. Se se comprimir a sola do pé de uma perna sobre o suporte, flete-se esta perna ao contato e a outra estende-se, tocando, então, o suporte e fletindo-se, a perna antes fletida estende-se. Este movimento alternadamente dá a impressão de marcha (marcha automática). A parte superior do corpo da criança é mantida ligeiramente para diante (FLEHMIG, 2002, p. 18). 2.2.1.6 RTL Aparece no RN, desaparecendo até o segundo mês. Na posição supina ocorre hipertonia extensora. Com a hiperextensão da cabeça é observável a extensão de todo o corpo, abdução dos MMSS e abertura da boca dificultando a respiração. Na posição prona, ocorre hipertonia flexora e observa-se a flexão e adução dos MMSS, o quadril e os MMII podem estar fletidos ou permanecer em extensão e adução (ROGANTE; MIARELLI, 2001 in FLEHMIG, 2002). 2.2.1.7 Preensão Palmar Aparece no RN, desaparecendo no quarto mês. Para desencadear este reflexo, estimula-se a superfície interna da palma da mão, em resposta a criança fechará a mão, permanecendo assim até o final do estímulo (OLIVEIRA, 2007). 2.2.1.8 Reflexo de Procura ou dos quatros pontos cardeais Aparece no RN e desaparece por volta do quarto mês. É observado quando é estimulado um dos cantos da boca do RN, e em resposta, a cabeça vira-se na direção do estímulo (OLIVEIRA, 2007) 2.2.1.9 Reflexo de Sucção Aparece no RN, desaparece por volta do quarto mês. Esse reflexo é desencadeado quando propicia-se estímulos nos lábios ou posição anterior da língua. Em resposta, observam-se movimentos rítmicos de sucção realizados pela criança (OLIVEIRA, 2007). 2.2.1.10 Reflexo de Vômito Aparece no RN, desaparece até o sétimo mês. Ocorre quando a parte superior da língua é estimulada, e em resposta, a criança irá apresentar náuseas. O primeiro sinal desse reflexo é o arregalar dos olhos (OLIVEIRA, 2007). 2.2.1.11 Reflexo de Mordida Aparece no RN, desaparece até o 7º mês ou com o aparecimento da mastigação. É desencadeado ao realizar uma pressão na região superior da gengiva. Em resposta, é observado um fechar e abrir rítmico da mandíbula (OLIVEIRA, 2007) 2.2.1.12 Reflexo de Moro Aparece no RN, enfraquecendo a partir do quarto mês e desaparecendo até o 7º mês (Oliveira, 2007). Esse reflexo é desencadeado, quando ocorre a mudança da posição da cabeça, esta cai para trás, o bebê assusta-se, junta os braços e flete o corpo. (BRAZELTON, 1981). Segundo Flehmig (2002), o reflexo de moro apresenta-se em duas fases. Na primeira ocorre a extensão, abdução e elevação dos MMSS, abertura da boca e extensão dos dedos em forma de leque. A segunda consiste no fechamento da boca e flexão dos MMSS. 2.2.1.13 Extensão Cruzada Aparece no RN e desaparece até o sexto mês, enfraquecendo a partir do 4º mês. É observado quando mantém-se o joelho estendido, estimula-se a planta do pé do RN e em resposta, o membro inferior oposto flexiona-se em direção ao abdômen e em seguida estende-se, com aproximação do pé ao local do ponto estimulado (OLIVEIRA, 2007). 2.2.1.14 Preensão Plantar Aparece no RN, desaparecendo no décimo mês. É observado quando é dado um estímulo abaixo dos artelhos da criança, obtendo como resposta a flexão dos mesmos. (ROGANTE; MIARELLI, 2001) 2.2.1.15 Babinsk ou cutâneo plantar Aparece no RN, desaparece até o primeiro ano, observável quando estimulado a parte externa da planta do pé. Em resposta, ocorre uma hiperextensão dos dedos ou uma flexão destes, sendo este menos comum (BRAZELTON, 1982). 2.2.1.16 RTCA ou Magno de Kleijn Aparece no 2º mês, desaparecendo até o quarto mês. Esse reflexo é desencadeado quando ocorre a lateralização da cabeça. O braço do lado da face estende-se, o outro braço flete numa mesma posição de esgrimista e a perna do lado da face pode dobrar-se em flexão (BRAZELTON, 1981, p. 55). 2.2.1.17 RTCS Aparece no quarto até o sexto mês de idade. Quando a criança realiza a flexão da cabeça, observa-se simultaneamente a flexão dos MMSS e extensão dos MMII. Com a hiperextensão da cabeça, é observável a extensão dos MMSS e flexão dos MMII (OLIVEIRA, 2007). 2.2.2.1 Reações 2.2.2.2 Reação cervical de retificação Aparece no RN, desaparecendo até o terceiro mês. Na posição supina, ao lateralizar a cabeça para um lado, ativa ou passivamente, ocorrerá uma rotação em bloco do corpo na direção para qual a cabeça foi virada. Já em prono ocorrerá à extensão, lateralização da cabeça e liberação das vias respiratórias. O amadurecimento dessa reação provocará a extensão progressiva da cabeça e a liberação dos MMSS gradativamente. (OLIVEIRA, 2007) 2.2.2.3 Reação positiva e negativa de suporte Aparece no RN, desaparecendo por volta do quarto mês. A reação positiva é observada quando a criança é segurada na posição ortostática, fazendo-a saltar várias vezes. Em resposta, ocorrerá o aumento do tônus extensor dos MMII e flexão plantar. A reação negativa é observada quando a criança é segurada na posição ortostática no ar, e em resposta, há um aumento do tônus flexor do membro inferior (ROGANTE; MIARELLI, 2001). 2.2.2.4 Reação labiríntica de retificação Aparece entre o quarto e sexto mês. É observada quando o bebê levanta a cabeça estando na posição prona, e mais tarde fortalece, assim é capaz de levantar a cabeça em supino (OLIVEIRA, 2007). 2.2.2.5 Reação corporal de retificação Aparece em torno do sexto ao oitavo mês. 2.2.2.5.1 Agindo sobre o corpo Ocorre quando vira-se a cabeça para um lado, a criança será capaz de começar o movimento pelo ombro, seguido pelo quadril ou vice e versa. Essa reação permitirá a criança iniciar o rolar por uma das cinturas, resultando em uma dissociação (OLIVEIRA, 2007). 2.2.2.5.2 Agindo sobre a cabeça Ocorre diante de estímulos táteis, pressão no corpo e no membro. O bebê é capaz de elevar a cabeça em direção ao estímulo, reforçando a reação labiríntica de retificação (OLIVEIRA, 2007). 2.2.2.6 Reação de Landau Evidenciada do quinto ao décimo segundo mês. É observada quando a criança é segurada na posição horizontal por baixo do tronco, mantendo-a no ar. Em resposta a criança ergue-se e as pernas a acompanham tanto na flexão como na extensão (ROGANTE; MIARELLE, 2001). 2.2.2.7 Reação de anfíbio Aparece a partir do sexto mês, permanecendo por toda a vida. É observado quando colocada a criança em decúbito ventral e o examinador ergue e gira um lado da pelve. Em resposta ocorrerá a flexão desse membro e a extensão do membro contralateral (OLIVEIRA, 2007). 2.2.2.8 Reação de equilíbrio Aparece por volta do sexto mês, e aprimora-se até os 18 meses. A reação de equilíbrio sobrepõe as reações de retificação. Podem ser observadas nas seguintes posições: sentada, gato e em pé. É testada com o uso de uma prancha, e em resposta, a criança irá restabelecer o equilíbrio perturbado (OLIVEIRA, 2007 in ROGANTE; MIARELLI, 2001). 2.2.2.9 Reação de paraquedas Aparece no sexto mês. Observada ao segurar a criança suspensa no ar, o examinador suspende a criança em direção ao solo. Em resposta a criança estenderá os braços para apoiar-se (OLIVEIRA, 2007 in ROGANTE; MIARELLI, 2001). 2.2.2.10 Reação de proteção Aparece entre o sexto e décimo mês. A criança será observada sentada. O examinador estimula a criança a pegar algum objeto ou proporciona um leve desequilíbrio em diferentes posições: para frente, para os lados e para trás. Em resposta ao estímulo, para evitar a queda, utilizará as mãos como apoio para retornar à posição inicial. A aquisição das habilidades de proteção acontecem sucessivamente, para frente por volta dos 6 meses; para os lados aos 8 meses e para trás aos 10 meses (OLIVEIRA, 2007). CAPÍTULO III INTERVENÇÃO PRECOCE 3 CONCEITUAÇÃO Para que o DNPM da criança desenvolva-se normalmente, é necessário oferecer estímulos adequados. Sem esta estimulação, seu desenvolvimento pode ser prejudicado. Os pais e as pessoas que com ela convivem proporcionam através de brincadeiras e AVD s estímulos para o seu desenvolvimento. Tal conjunto de estímulos proporcionados pelos cuidadores constitui o que compreendemos por estimulação precoce, sendo assim a estimulação precoce não necessita de conhecimentos ou de profissionais especializados para sua execução (BRANDÂO, 1992). No entanto, o tratamento por estimulação precoce é diferente, é indicado para corrigir desenvolvimento deficiente ou anormal, deve ser fornecido por uma equipe especializada juntamente com a cooperação dos pais (BRANDÃO, 1992). O objetivo da estimulação precoce é facilitar o desenvolvimento normal da criança. Já o objetivo do tratamento por estimulação precoce é facilitar e corrigir o desenvolvimento anormal, minimizar as seqüelas presentes no desenvolvimento das crianças, em determinadas patologias. Na atual literatura encontram-se diversas nomenclaturas, tais como intervenção precoce, tratamento por estimulação precoce, estimulação essencial, entre outros, que conceitualiza o processo aplicado a crianças entre zero e três anos de idade, diagnosticada sob risco de apresentarem déficits que possam vir a afetar o seu desenvolvimento (BRAZ, 1999). Entende-se por intervenção, diversas atividades com o objetivo de estimular as capacidades das crianças o mais cedo possível, dar apoio a família e oferecer um acompanhamento nas aquisições. É de suma importância para prevenir danos ou agravos ao desenvolvimento de crianças que necessitam de estimulação adequada durante a primeira infância (RAMEY & RAMEY 1998 apud FORMIGA; PEDRAZZANI, 2004). A intervenção precoce é uma ação efetiva que visa proporcionar estímulos, facilitar aquisições ou prevenir disfunções, aproveitando o grande potencial de maturidade neurológico devido á plasticidade neural, que ocorre desde as primeiras etapas do desenvolvimento neurpsicomotor (MAIA et al ,2003, p. 2515). O termo estimulação precoce define um conjunto dinâmico de atividades e recursos que destinam à criança em seus primeiros anos de vida experiências significativas para ajudá-la a alcançar um desenvolvimento o mais adequado possível de seu potencial evolutivo (BRASIL, 1995). A estimulação precoce é o conjunto de técnicas especializadas que por meio de estímulos ambientais (físicos, químicos ou mecânicos) sobre o corpo de uma criança, principalmente as com deficiência neuropsicomotora precoce, buscam respostas e reações indispensáveis e necessárias para o desenvolvimento global da criança (SANTANA; SIQUEIRA, 2004, p. 32). O ideal é que o programa de intervenção precoce seja iniciado assim que houver suspeita e/ou algum risco de alteração no desenvolvimento da criança, procurando evitar a instalação de padrões anormais de comportamentos, favorecendo o DNPM e evitando futuras deficiências (BRAZ, 1999). Estimulação precoce é o estabelecimento de educação e de serviço de suporte para criança com deficiência ou de risco, até os três primeiros anos de idade, e para suas famílias (ARIAS; ZEFERINO; FILHO, 2004, p.13). São de extrema importância a participação e o compreendimento da família nos programas de intervenção precoce. A participação ativa dos pais durante o processo assegura a eficácia do plano de tratamento e a continuidade desta estimulação em casa (RODRIGUES, [s.a]). 3.1 Objetivos e Finalidades Para GURALNICK (1997), a intervenção precoce tem por objetivo prevenir ou minimizar problemas de desenvolvimento em crianças consideradas de risco por fatores biológicos ou ambientais. Essa idéia se estende também à crianças com déficits estabelecidos, com intervenções visando minimizar problemas relacionados a eles, e que possam vir a comprometer o desenvolvimento. O processo de intervenção precoce contribui para o desenvolvimento das aquisições básicas de motricidade, cognição, socialização e linguagem, e sobre essas aquisições outras capacidades virão a ser construídas no decorrer do desenvolvimento (SAMPAIO; FARIAS, 2000). Sendo assim, a intervenção precoce atua sobre o desenvolvimento motor, prevenindo ou minimizando problemas relacionados ao mesmo. Segundo SAMPAIO, FARIAS (2000), a estimulação global é de suma importância dentro da intervenção precoce. Estimular não é bombardear a criança para que faça alguma coisa. Estimular é oferecer situações, pessoas, objetos etc, que tenham um significado para ela, despertando dessa forma, seu desejo de agir, sobre estímulos, que lhe foram oferecidos (FARIAS apud SAMPAIO, FARIAS , 2000, p. 48). É importante detectar precocemente fatores de risco para disfunções motoras, sensoriais e atraso no desenvolvimento, pois se tem possibilidade de estabelecer precocemente um tratamento eficaz, tendo em vista, que o período de início da intervenção é importante para que se criem e fortaleçam as forças para o desenvolvimento, reforço de uma auto-imagem positiva e recuperação ou aprimoramento de habilidades funcionais (MEYERHOF E PRADO, 1998). Entretanto quando já existem déficits instalados o processo de intervenção precoce tem como objetivo aprimorar as habilidades funcionais para uma adaptação social e prevenir novas deficiências que possam ocorrer futuramente (BRAZ, 1999). Segundo BARBA et al (2002), existe alguns itens que são tidos como obrigatórios no conhecimento de profissionais que atuam em intervenção precoce: a) Desenvolvimento normal de bebês e crianças b) Desenvolvimento atípico dos mesmos c) Função e estrutura familiar, dinâmica familiar e o papel da família na promoção do desenvolvimento. d) Avaliação das necessidades da criança e sua família e) Criação de ambientes de aprendizagem apropriados para o desenvolvimento de bebês e crianças. De acordo com MEYERHOF e PRADO (1998), o sucesso de uma intervenção precoce, está em um programa de atividades elaboradas de acordo com a individualidade de cada criança e compatíveis com a seqüência do desenvolvimento e direcionadas por objetivos significativos, como dar oportunidade para que a criança desenvolva-se normalmente; detectar problemas no desenvolvimento, visando a intervenção, tratamento e seguimento através de orientações aos pais (SILVA; KOGA, 2003). A estimulação precoce tem como objetivo desenvolver a capacidade da criança de acordo com a fase do desenvolvimento em que se encontra, fazendo com que a criança atinja um grau de independência satisfatória (SANTANA; SIQUEIRA, 2004). Para GURALNICK, KLEIN, CAMPBELL apud BARBA et al. (2002), um programa de intervenção precoce bem sucedido têm que centrar-se nas necessidades da criança e da sua família, tendo a capacidade de integrar conhecimento de diversas disciplinas com o planejamento de oferecer suporte em direção as necessidades. 3.2 A intervenção precoce e a Terapia Ocupacional A Terapia Ocupacional é uma das profissões que compõe os programas de reabilitação. Estes programas são ações integradas e executadas por uma equipe multidisciplinar, cujos objetivos variam de acordo com as necessidades dos pacientes (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). A equipe multidisciplinar deverá ser constituída por profissionais de diversas áreas como Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Fonoaudiologia, entre outros. O trabalho realizado pela equipe possibilitará obter uma avaliação global da criança, garantindo um trabalho completo e eficaz (SIQUEIRA; SANTANA, 2004). A Terapia Ocupacional utilizando-se da intervenção precoce tem como objetivo estimular e integrar as várias áreas do desenvolvimento e orientar à família sobre as necessidades da criança e sobre as adaptações que possam favorecer o seu desenvolvimento (NOVO; TREVISAN, 2004 apud VITTA, 1998). O sucesso da Terapia Ocupacional está, portanto na elaboração de um programa de atividades de acordo com as necessidades individuais de cada criança. Quanto mais cedo a criança for estimulada, maiores serão as chances de um rápido desenvolvimento. A cada brincadeira nova, a cada passeio, a cada música que ouvimos, a cada brincadeira na hora do banho ou durante as refeições, consiste na oferta de estímulos que destinados e aplicados adequadamente compõe o programa de reabilitação e viabiliza o DNPM (SANTANA; SIQUEIRA, 2004). CAPÍTULO IV A PESQUISA 4 INTRODUÇÃO Para demonstrar que a TO, ao intervir precocemente favorece o DNPM de crianças com PBO, foi realizada uma pesquisa, após aprovação pelo Comitê de Ética, Pesquisa e Extensão (CEP) Unisalesiano em 11/04/2008, no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco de Lins, situado na rua nove de julho, nº 1010, Centro, na clínica de Terapia Ocupacional, no período de 30 de abril a 17 de outubro deste ano, duas vezes por semana por um período de 45 min cada sessão. O método utilizado foi o de Estudo de Caso com duas crianças com seqüela de PBO, com análise e descrição dos resultados obtidos. Para a intervenção, utilizou-se uma sala equipada com recursos terapêuticos necessários ao desenvolvimento das terapias, onde realizaram-se as avaliações, atendimentos e reavaliações. Acredita-se que a TO ao intervir precocemente em crianças com seqüela de PBO, através do direcionamento de orientações familiares, oferta de estímulos e atividades selecionadas de acordo com as necessidades individuais, poderá favorecer o DNPM do sujeito assistido, uma vez que se torna provável a ocorrência de um atraso em seu DNPM em conseqüência da lesão. Complementando o estudo, foram colhidos depoimentos de profissionais, sendo eles, dois médicos Ortopedistas, um Neurologista, um Fisioterapeuta e um Terapeuta ocupacional. As técnicas utilizadas na pesquisa foram: Roteiro de estudo de caso (Apêndice A) Avaliação física e do DNPM (Apêndice B) Roteiro de entrevista para o médico Ortopedista (Apêndice C) Roteiro de entrevista para médico Neurologista (Apêndice D) Roteiro de entrevista para Fisioterapeuta (Apêndice E) Roteiro de entrevista para o Terapeuta Ocupacional (Apêndice F) Roteiro de entrevista para os pais (Apêndice G) Informações contidas no manual de orientação para os pais (Apêndice H) Termo de consentimento (Apêndice I) Anamnese infantil (Anexo A) Outros registros: foram utilizados materiais ilustrativos. (Apêndice J) 4.1 Características do local da pesquisa O trabalho foi realizado na clínica de T.O, no CRFDB, que fica localizada na rua Nove de Julho, nº 1010 na cidade de Lins. Funciona como clínica escola, com horário de atendimento das 8 às 17 horas, de 2° a 6° feira, oferecendo à comunidade atendimento reabilitativo em diversas áreas. Os atendimentos são realizados por estagiários supervisionados por profissionais especialistas nas áreas específicas. O espaço físico consta de dez salas para atendimentos, um banheiro social e um adaptado para o uso dos pacientes, uma cozinha que também pode ser utilizada como setting terapêutico, uma sala dos supervisores, uma recepção e uma sala de coordenação. A clínica dispõe de avaliações e materiais específicos para cada área. Para a realização desta pesquisa, os atendimentos foram realizados em uma sala equipada com recursos terapêuticos necessários ao desenvolvimento das terapias. Os materiais foram diversificados e ligados diretamente aos objetivos da pesquisa, visando o DNPM, através da oferta de estímulos motores, sensoriais e perceptivos. 4.2 Fotos ilustrativas referentes aos recursos terapêuticos utilizados, para o desenvolvimento das terapias. Fonte: clínica de T.O Figura 22: chocalhos, varal de bichinhos, flocks. Fonte: clínica de T.O Figura 23: Caixa de luz, livro de textura, urso com contraste, bastões texturizados. Fonte: clínica de T.O Figura 24: Tanque de areia. Fonte: clínica de T.O Figura 25: Grãos, pasta de dente. Fonte: clínica de T.O Figura 26: Bola e feijão de bobath. Fonte: clínica de T.O Figura 27: Espelho. Fonte: clínica de T.O Figura 28: Piscina de bolinhas. 4.3 Casos em estudo 4.3.1 Caso 1 4.3.1.1 Anamnese Realizada anamnese, com a mãe de J. B. C, sexo feminino, nascida em 29/01/08. SIC da mesma, ao engravidar estava com 18 anos e o pai com 21 anos, sendo esta a primeira gravidez, que não foi desejada nem planejada. Foram realizados pré-natais a partir da 7ª semana de gestação, sendo realizada todos os meses, não ingeriu medicamentos. Apresentou infecção urinária aos dois meses de gestação. Durante sua gestação o ambiente familiar foi tranqüilo, e não apresentou sinais de aborto. O parto realizado foi normal, havendo complicações ocorrendo lesão do plexo braquial da criança e circular de cordão. A criança nasceu a termo com 37 semanas e 5 dias, pesando 3.350 kg, 48 cm de altura, perímetro cefálico (PC) 32. Seu apgar no primeiro minuto não consta e aos cinco minutos nota 9. A criança nasceu em São José do Rio Preto (SJRP), devido ao fato da avó materna morar lá. Após o nascimento permaneceu por lá aproximadamente 20 dias. Mãe se lembra que a criança chorou um pouco depois que nasceu. Não apresentou icterícia, não ficou na incubadora, não precisou de fototerapia. Ficou internada no IELAR em SJRP, aos cuidados do médico Pediatra e do Obstetra. Não precisou de oxigênio. Não realizou transfusão de sangue. Não teve convulsões. E até o momento da anamnese estava sendo amamentada. Mãe e bebê saíram juntos do Hospital. A criança foi encaminhada pelo Pediatra de SJRP a estar fazendo tratamento e acompanhamento de Fisioterapia e Terapia Ocupacional na cidade de Lins A criança dorme com a mãe na cama, ao lado da parede, posicionada em decúbito ventral, segundo demonstrado pela mãe, com os ombros em abdução horizontal, flexão de cotovelos, punho e dedos em extensão, cabeça lateralizada ora para direita, ora para esquerda. Com relação a rotina diária a criança intercala períodos de sono e alerta. Mama e/ou toma banho após o horário do almoço. Fica no colo a maior parte do tempo quando está acordada. Não fica no carrinho, pois chora, devido a mãe ter acostumado a criança no colo. Quando próxima a televisão, presta atenção nas imagens. Dorme aproximadamente às 00h30min e acorda às 11h. Neste período acorda aproximadamente duas vezes para mamar. A criança relaciona-se bem com o pai, com a mãe e não possui irmão. O ambiente familiar é tranqüilo e harmonioso. O pai ajuda a trocar, é carinhoso e fica com ela no colo. Os pais não são casados, mas vivem juntos, o pai trabalha, e é a mãe que cuida da criança. A criança permanece diariamente no domicílio familiar, e é mantida, a maior parte do tempo no colo quando acordada, e quando está dormindo permanece na cama ou no carrinho. No momento está fazendo acompanhamento com Pediatra da cidade de Lins. Esta encaminhou a criança para o Neurologista, pois a criança apresentou PC com medidas abaixo do esperado. Mãe se mostrou bastante preocupada e foi orientada da importância da consulta ao médico e exames para afastar eventuais suspeitas. A criança está fazendo tratamento com pediatra, fisioterapeuta no Unisalesiano e será acompanhada quinzenalmente no ambulatório de RN de alto risco e fisioterapia, do núcleo de reabilitação municipal de SJRP. No momento está tomando vitaminas e remédios para cólica. A mãe foi orientada quanto à estimulação em casa (sensorial e motora), relatando já estar realizando por orientações anteriores dos profissionais. Após consulta com neurologista, foi descartada a hipótese de microcefalia. 4.3.1.2 Avaliação Realizada avaliação com a criança, onde foram avaliados itens referentes ao DNPM. A mesma foi observada em diferentes posturas. Com relação ao tônus, de base, postural e de movimento apresentam-se com hipotonia acentuada no MS direito e normotônico no restante do corpo. Em prono a criança apresenta reação cervical de retificação, permanece com extensão de quadril, apóia-se no MS esquerdo e o peso está localizado na região média inferior de tronco e cintura pélvica. Já em supino, a criança traz à mão esquerda a linha média, a cabeça acompanha os movimentos visualmente a 180°, os MMII permanecem em extensão. Quando estimulada acompanha com a cabeça para a direita e esquerda, sem rolar para decúbito lateral. Nessa posição o peso localiza-se uniformemente ao longo do corpo. Quando posicionada em decúbito lateral passivamente o peso se encontra no hemicorpo sobre o qual está apoiada e volta para supino. A criança apresenta reflexo palmar a esquerda, reflexo plantar, reflexo de Babinsk. Encontra-se simétrica não apresentando RTCA. Não apresenta reflexo de Moro. Quando esforça-se para mover o membro são, a mesma esboça reações associadas com o membro lesado, apresentando leve movimentação simultânea de segmento proximal (ombro). Observa-se efeito tenodese, em membro lesado, durante flexão e extensão passiva de punho. Quanto às habilidades motoras, apresenta controle cervical, porém, não apresenta controle de tronco; rola de prono para supino e vice-versa somente de forma passiva, e rola ativamente de decúbito lateral para supino. A ADM passiva do MS direito e esquerdo está preservada. A ADM ativa no MS esquerdo apresenta-se sem alterações e no MS direito está ausente. A ADM dos MMII e restante do corpo estão preservadas. Na comparação entre o membro lesado e contralateral não foram observadas assimetrias com relação ao posicionamento de ombro, encontrando-se ambos no mesmo nível (sem elevação, depressão, protração, retração) e nem de cotovelo. Quanto ao punho do membro lesado, permanece em flexão e leve desvio radial, com flexão e adução de dedos. A mesma faz uso de órtese de posicionamento, cock-up, para favorecer posicionamento de punho e evitar deformidades e contraturas. Força muscular aparentemente preservada no MS esquerdo e ausente no MS direito. A mesma não apresentou reação a estímulos táteis, térmicos e dolorosos, sugerindo déficit acentuado de sensibilidade no MS envolvido. 4.3.1.3 Relatório de Visita Domiciliar Foi realizada visita domiciliar na residência da paciente, onde a mesma permanece a maior parte do dia. A visita teve como objetivo reforçar as orientações passadas em terapia no seu cotidiano. As estagiárias foram recebidas pela mãe da paciente, que as convidou para entrar e mostrou os cômodos da casa. Foi observado que a casa é pequena, bem organizada, contendo 2 quartos, 1 sala, 1 cozinha, 1 copa e 1 banheiro. As estagiárias pediram para a mãe mostrar onde a paciente dorme, a mesma mostrou o quarto da criança que é constituído por um berço, um guarda-roupa e banheira para o banho da mesma, que ali é realizado. Porém segundo relato da mãe, a mesma dorme esporadicamente em seu quarto, pois dorme na cama dos pais. Durante o dia a paciente fica com a mãe; fica a maior parte do tempo no colo ou no carrinho ou andador, ficando poucas vezes no chão, pois a mãe tem medo que a mesma caia ou se machuque. A mãe também relatou que a criança não tem muitos brinquedos. Quando fica na sala, permanece sentada no sofá ao lado da mãe ou no seu colo assistindo TV. As estagiárias ao final da visita, orientaram a mãe quanto à utilização do quite de estimulação sensorial e ao manual que foi feito para auxiliar e favorecer os cuidados com a criança. Constam no manual orientações referentes a: Alimentação, Vestuário, Banho, Como Carregar, entre outras. Foi orientado também quanto ao não uso do andador, e estar colocando a criança para sentar e brincar no chão protegido por lençóis, almofadas, para que a criança não se machuque, estimular o uso do membro lesado e estar oferecendo brinquedos diversos para que a criança possa explorá-los. 4.3.1.4 Dados referentes às terapias Após avaliação e levantamento das necessidades de J.B.C, foi elaborado o plano de tratamento. Segue-se abaixo, um quadro descritivo referente à intervenção realizada, com datas, atividades utilizadas e objetivos almejados. DATA 30/04/08 ATIVIDADE/RECURSO TERAPÊUTICO Colchonete e brinquedos diversos. OBJETIVO Avaliar o Desenvolvimento Neuropsicomotor e Continua Continuação estabelecer contato. 05/05/08 07/05/08 Colchonete e brinquedos diversos. Cunha, varal de bichinhos, chocalho, movimentação passiva, co-contração. 12/05/08 Cunha, grão de bico, flocks, movimentação passiva, cocontração. 14/05/08 19/05/08 Falta da Estagiária Falta Justificada Cunha, grão de bico, movimentação passiva, cocontração. 21/05/08 o primeiro Término da Avaliação. Estimular a ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, e ganho de ADM. Estimular ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimular aumento do tônus, estimulação sensorial tátil. Estimular ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimular aumento do tônus, estimulação sensorial tátil. 26/05/08 Cunha, feijão branco, chocalho, movimentação passiva, co-contração. Estimular ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimular aumento do tônus, estimulação sensorial tátil. 28/05/08 Cunha, feijão branco, flocks, chocalhos, movimentação passiva, co-contração. Estimular ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimular aumento do tônus, estimulação sensorial tátil. 02/06/08 Falta Justificada- a criança estava doente. Falta Justificada- a criança estava doente. Falta Justificada- a criança estava doente. Falta Justificada- a criança estava doente. Falta Justificada- a criança estava doente. Falta Justificada- a criança estava doente. Falta Justificada- a criança estava doente. Urso de pelúcia, brinquedos sonoros, flocks, bexiga, movimentação passiva, cocontração. 04/06/08 09/06/08 11/06/08 16/06/08 18/06/08 23/06/08 25/06/08 Alongamento do MS, estimular ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimular aumento do tônus, estimulação sensorial tátil. continua Continua Falta Injustificada 30/06/08 01/07/08 Realizada a confecção da órtese cock-up. 14/07/08 Brinquedos sonoros, flocks,movimentação passiva e co-contração 16/07/08 21/07/08 Falta Injustificada. Flocks, co-contração, movimentação passiva. 23/07/08 28/07/08 Falta Injustificada Flocks, bexigas, espelho, varal de bichinhos e feijão Bobath, co-contração. Feijão branco, espelho, focks, bolinha de cravos, cocontração. Varal com bichinhos, xilocão, chocalhos e sagu, cocontração. 30/07/08 04/08/08 06/08/08 Bastões com diversas texturas, flocks, brinquedos sonoros e piscina de bolinha, movimentação passiva, cocontração. 11/08/08 Flocks, chocalhos, brinquedos sonoros e piscina de bolinhas. 13/08/08 Brinquedos sonoros, flocks,espelho, rádio, plumas e bolinha de cravos, movimentação passiva, cocontração. Flocks, chocalhos, brinquedos sonoros e tambor. 18/08/08 20/08/08 Flocks, chocalhos, bexigas, espelho. Posicionamento do membro lesado e prevenção de deformidades. Estimular ADM do membro lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, aumento do tônus. Estimular o controle de tronco, estimular a reação de proteção para frente, estimular o uso bimanual e o rolar, ADM do membro lesado. Estimular o rolar, o arrastar e o uso bimanual, estimular controle de tronco. Estimulação tátil, estimular o sentar, o rolar e a ADM do membro lesado. Movimentação passiva Estimular o pegar voluntário, estimular o sentar,o uso bimanual e trocas posturais (rolar), estimulação tátil e ADM. Estimular a normalização do tônus, estimular ADM e evitar contraturas, estimulação tátil e estimular o pegar voluntário. Estimular a ADM do membro, evitar contraturas, estimular o arrastar, favorecer a postura sentada, favorecer reações de proteção para frente e para o lado, estimulação do sistema sensorial (tátil). Estimular ADM (flexão e extensão de ombro, cotovelo e punho), estimulação tátil e evitar contraturas. Normalização do tônus, evitar contraturas e estimular a ADM, estimular o rolar e a transferência de peso, favorecer a postura sentada, favorecer a reação de proteção (frente e lados), favorecer a preensão. Evitar contraturas e favorecer a ADM do continua continuação membro lesado, estimular o 22/08/08 Flocks, varal, sonoros. brinquedos 27/08/08 Flocks, brinquedos sonoros, tartaruga e espelho. 01/09/08 05/09/08 Falta Injustificada Feijão de Bobath, bexigas, espelho, flocks, chocalhos e brinquedos sonoros. Realizada a confecção de órtese para extensão do punho. 08/09/08 Bola de Bobath, tanque de areia, flocks, brinquedos sonoros, espelho e banquinho. 10/09/08 Caixa de Luz, flocks, chocalhos, brinquedos sonoros e plumas. !5/09/08 Bola bobath, varal, flocks, chocalhos, espelho. 17/09/08 Brinquedos colchonete. Fonte: Próprias autoras. Quadro 3: Intervenção realizada, caso 1 diversos e arrastar e transferência de peso, estimular o uso bimanual. Normalização de tônus, Evitar contraturas e favorecer a ADM do membro lesado, estimular o sentar e a reação de proteção para frente e para os lados e uso bimanual. Trabalhar ADM do membro lesado, estimular a preensão voluntária e simetria de MMSS. Evitar contraturas, ganhar ADM de ombro (flexão), cotovelo, (extensão) e punho (extensão). Estimular a preensão voluntária do membro lesado, favorecer a simetria, posicionamento do membro lesado, prevenção de deformidades e favorecer a extensão do punho. Estimular o arrastar, estimular a movimentação voluntária, favorecer extensão de cotovelo, estimulação tátil, favorecer a propriocepção e estimular a simetria Evitar contraturas e manter a ADM do membro lesado, estimular o arrastar, estimular o uso funcional da mão, estimular a reação de proteção para os lados, estimulação tátil. Favorecer a ADM do membro lesado, favorecer simetria de MMSS, estimular o arrastar, estimular trocas posturais, estimular a imagem corporal. Reavaliar DNPM. É importante ressaltar que durante as terapias, a menor J.C.B, permaneceu bem ativa, sendo receptiva aos estímulos ofertados, demonstrando interesse em explorar os materiais utilizados e o ambiente a sua volta, com motivação intrínseca e visível prazer, que conduziu a exploração visual, auditiva e motora. Os estímulos foram graduados de acordo com as necessidades da criança. As técnicas e manuseios realizados, tiveram por objetivo facilitar a movimentação da criança no espaço, buscando o seu DNPM como um todo, de acordo com a faixa etária em que se encontra, além de visar maior funcionalidade e integração do membro lesado. Foi utilizado como potencializador da intervenção, um dispositivo auxiliar-órtese para posicionamento do membro lesado e para evitar deformidades, confeccionada na própria clínica pela supervisora responsável pela área. Outro ponto relevante a ser destacado, é que a intervenção foi norteada por orientações durante o processo, que foram acolhidas e aceitas pela família, para prosseguimento das estimulações em casa, o que contribuiu significativamente para a reabilitação. 4.3.2 Caso 2 4.3.2.1 Anamnese Realizada anamnese com a mãe de S.V. B. A. B, sexo feminino, nascida em 25/06/07. SIC da mesma ao engravidar estava com 19 anos e o pai com 30 anos, senso esta a 3ª gestação, que não foi planejada, porém desejada. Realizou pré-natal e durante a gestação ingeriu sulfato ferrozo, para anemia, com prescrição. O parto realizado foi normal, havendo complicações ocorrendo lesão do plexo braquial em membro superior esquerdo (MSE). Seu apgar no primeiro minuto foi 9 e aos cinco minutos foi 10. Chorou ao nascer e no dia 27/07/07 mãe e bebê saíram juntos do hospital. A criança não teve icterícia. Foi relatado que a criança ficou em berço aquecido no quarto, do hospital, Santa casa de Lins. A mãe amamentou apenas oito dias depois, pois o leite empedrou e o bico do seio rachou. O bebê acorda aproximadamente duas a três vezes para amamentação. Relaciona-se bem com os irmãos, e o ambiente familiar é agitado, pois a mãe relata ter mais dois filhos. Os pais vivem juntos e trabalham em uma fazenda. Com relação ao cotidiano, a criança mama a cada duas ou três horas, e toma banho por volta das 15h. Está fazendo tratamento com, neuropediatra no Hospital Estadual de Bauru. 4.3.2.2 Avaliação Realizada avaliação com a criança, onde foram avaliados itens referentes ao DNPM. Em relação ao tônus de base, postural e de movimentação, este apresentou-se normotônico em todo o corpo, com discreta hipotonia no membro lesado, principalmente proximal. A criança foi observada em diferentes posturas. Em prono a mesma, apóia-se sobre o antebraço, rola para supino e viceversa, engatinha. Em supino, a cabeça acompanha os movimentos visualmente a 180º, a paciente explora os objetos, levando às mãos a linha média, apresenta habilidades básicas de alcance, preensão e manuseio. O alcance ativo encontra-se limitado quanto à ADM de ombro, com o peso localizado na cintura pélvica e região média de tronco. Permanece na posição ortostática com auxílio, deambulando com apoio. Ao ser posicionada, semi-ajoelhado, ajoelhado e gato a mesma consegue permanecer e realizar transição para postura sentada. Na posição long sitting, a paciente apóia o membro lesado no MI esquerdo e manipula os objetos com o MS direito. Nesta postura o peso está na região glútea. Quando sentada apresenta reação de proteção para frente e para o lado direito. Para o lado esquerdo e para trás encontra-se deficitária. A criança apresenta reflexo plantar. Encontra-se simétrica. Quanto às habilidades motoras, apresenta controle cervical, controle de tronco, rola de prono para supino e vice-versa e engatinha. A ADM passiva no membro superior direito e esquerdo está preservada. A ADM ativa no MS direito apresenta-se sem alterações e no MS esquerdo está preservada parcialmente. A ADM no restante do corpo está preservada. A força muscular encontra-se normal no MS direito e levemente reduzida no MS esquerdo, principalmente no ombro. Na comparação entre o membro lesado e contralateral não foram observadas assimetrias com relação ao posicionamento do ombro, encontrando-se ambos no mesmo nível (sem elevação, depressão, protração, retração) e nem de cotovelo. A criança apresenta sensibilidade preservada em ambos os membros, reagindo a estímulos táteis, térmicos e dolorosos, voltando-se em direção aos mesmos visualmente. 4.3.2.3. Dados referentes às terapias Após avaliação e levantamento das necessidades de S.V.B, foi elaborado o plano de tratamento. Segue-se abaixo, um quadro descritivo referente à intervenção realizada com datas, atividades utilizadas e objetivos almejados. DATA ATIVIDADE/RECURSO OBJETIVOS TERAPEUTICO 29/04/08 Brinquedos diversos Avaliar o Desenvolvimento Neuropsicomotor estabelecer o e primeiro contato. 06/05/08 Falta Injustificada 09/05/08 Falta Injustificada 13/05/08 Falta Injustificada 16/05/08 Grão de movimentação assistida. bico, flocs, Estimular ADM do membro ativo- lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimulando o uso funcional do mesmo, continua continuação estimulação tátil e o brincar. 20/05/08 Falta Justificada Ganho de ADM do membro 23/05/08 Pasta de Dente, espelho. lesado, ombro, cotovelo, punho e dedos, estimular o uso funcional do membro, estimulação tátil e estimular o brincar. 27/05/08 Feijão Bobath, feijões brancos, flocks. Estimular ADM do membro lesado, punho e dedos, estimulação tátil, favorecer mudanças posturais (sentado, ajoelhado, posição ortostática), transferência de peso nas posições citadas acima. 30/05/08 Falta Injustificada 03/06/08 Feijão bobath Estimular ADM do membro lesado, transferência de peso, deambulação e equilíbrio dinâmico na postura ortostática. 06/06/08 Mesa, urso de pelúcia, flocks, Estimular ADM do membro brinquedos sonoros, mesa lesado, estimulação sensorial tátil, mudanças posturais ativas (engatinhar), transferência de peso, propriocepção, preensão e manuseio. 10/06/08 Bexiga, espelho, livros com Estimular ADM do membro diversas texturas lesado, estimulação sensorial tátil, preensão e manuseio. 13/06/08 Feriado 17/06/08 Falta Injustificada 20/06/08 Falta Injustificada 24/06/08 Falta Injustificada 27/06/08 Falta Injustificada 01/07/08 Falta Injustificada 04/07/08 Desligamento do caso Fonte: Próprias autoras. Quadro 4: Intervenção realizada, caso 2 Diante do alto número de faltas e várias tentativas de contato com a família sem sucesso, a menor S. V. B foi desligada do tratamento. É importante ressaltar que a família é de Sabino, e encontrava dificuldades em ter quem acompanhasse a menor nas terapias, pelo fato dos pais trabalharem, sendo este um provável e forte motivo para a ocorrência de abandono no tratamento. 4.4 A Palavra dos Profissionais 4.4.1 Depoimento do médico Ortopedista A sobre Paralisia Braquial Obstétrica e a Intervenção da Terapia Ocupacional. Foi entrevistado o médico Ortopedista, sexo masculino, 35 anos de idade. Especialista em cirurgia do trauma. Atualmente é o Professor Assistente do Curso de Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Marília. Sobre o assunto, assim se expressou: Acompanho aproximadamente 5 casos de PBO ao ano, e as causas mais freqüentes são traumas obstetrícios e bebês grandes para a idade gestacional (GIG). Conheço o trabalho da Terapia Ocupacional e costumo indicar pacientes portadores de PBO para tratamento com o mesmo, principalmente os casos tardios. Pacientes que se submetem as sessões de Fisioterapia juntamente com a Terapia Ocupacional apresentam resultados significativamente melhores principalmente no que diz respeito a independência nas atividades do dia-a-dia e melhoria na qualidade de vida. Acredito ser importante a intervenção da Terapia Ocupacional com pacientes com PBO porque o T.O desenvolve de maneira rápida e satisfatória a independência nas AVDs dos pacientes, melhorando a qualidade de vida e reajustando-os as suas funções no contexto familiar, social e profissional. O terapeuta ocupacional tem um papel fundamental para incentivar o paciente a utilizar o membro enfermo com a finalidade de reabilitá-lo ou prepará-lo para um futuro procedimento cirúrgico. (MÉDICO ORTOPEDISTA, 35 ANOS) 4.4.2 Depoimento do médico Ortopedista B, sobre paralisia braquial obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional. Foi entrevistado médico ortopedista, sexo masculino, 46 anos.Trabalha no Hospital das Clínicas da faculdade de medicina da USP. Especialista em ortopedia e traumatologia e cirurgia da mão. Sobre o assunto, assim se expressou: Tenho acompanhado casos de PBO, e a causa mais freqüente é o parto normal cefálico. O diagnóstico é feito através do quadro clínico e de uma anamnese. O tratamento varia de caso para caso, nos casos que os pacientes não recuperam a flexão do cotovelo até o terceiro mês tem indicação de exploração e reconstrução do plexo braquial. E em casos que não recuperam a rotação externa através do sinal da bolacha (Clarke) ou da toalha (Bertelli) até o nono mês tem indicação de reconstrução do nervo supra-escapular. Conheço o trabalho da Terapia Ocupacional e costumo indicar os pacientes, pois acredito ser importante a intervenção da mesma nesses casos. Em minha opinião é de grande importância a intervenção precoce em casos de PBO, para que possam ser trabalhados todos os músculos afetados pela paralisia seja parcial ou total. (MÉDICO ORTOPEDISTA, 46 ANOS) 4.4.3 Depoimento da Terapeuta Ocupacional sobre Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional. Foi entrevistada a Terapeuta Ocupacional, sexo feminino, 27 anos. Trabalha na cidade de Lins, no Unisalesiano. Especialista em terapia da mão e membro superior e em Ergonomia, atualmente docente do curso de Terapia Ocupacional e supervisora de estágio. Sobre o assunto, assim se expressou: Apesar da PBO ser uma patologia de grave conseqüência no desenvolvimento de uma criança, não considero alta a incidência da patologia em meus serviços. Ao meu ver a estimulação precoce é de fundamental importância para crianças com PBO, além de estimular o DNPM, auxilia também na prevenção de deformidades que se não forem trabalhadas precocemente, poderá acarretar danos irreversíveis para a criança. Antes de tudo, é necessário realizar uma avaliação para detectar dificuldades encontradas pela criança. Com dados da avaliação é traçado o plano de tratamento e então são selecionadas atividades de acordo com a necessidade da criança, levando em conta a faixa etária. Para mim a atuação do TO no atendimento em crianças com PBO merece destaque, pois é o profissional preparado para prevenção de deformidades, além de ofertar estímulos para o desenvolvimento psicomotor. O T.O acompanha a criança no seu crescimento, e caso seja necessário, realiza adaptações e confecções de órteses, buscando a independência da criança em todas as áreas, como no auto-cuidado, na alimentação, vestuário e higiene, além de acompanhamento escolar, sem falar no trabalho de orientação realizado com os pais. O T O é o profissional que promove melhor qualidade de integração dessas crianças com o meio. (TERAPEUTA OCUPACIONAL, 27 ANOS) 4.4.4 Depoimento do Fisioterapeuta sobre Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional. Foi entrevistada a Fisioterapeuta, sexo feminino, 24 anos. Trabalha na cidade de Lins na clínica de Fisioterapia Bem Estar. Especialista em Pneumologia. Sobre o assunto, assim se expressou: Não acompanho muitos casos de PBO, mas conheço o trabalho da Terapia Ocupacional e acredito ser de muita importância a estimulação precoce para os portadores da PBO, pois através de estimulações passivas realizadas, como as atividades funcionais da mão garantem maior ADM e previne outras deformidades. A estimulação precoce em PBO previne que o quadro se agrave, sendo assim proporciona melhor qualidade de vida para o portador. (FISIOTERAPEUTA, 24 ANOS) 4.4.5 Depoimento do médico Neurologista sobre Paralisia Braquial Obstétrica e a intervenção da Terapia Ocupacional. Foi entrevistado o médico neurologista, sexo masculino, 41 anos. Trabalha na cidade de Lins no Unisalesiano, na Santa Casa de Lins e no Hospital Clemente Ferreira. Especialista em Neurologia e neurocirurgia. Sobre o assunto, assim se expressou: Não tenho acompanhado com freqüência casos de PBO, porém as causas mais freqüentes são distócia de parto. O diagnóstico realizado é clínico e o tratamento que utiliza é a estimulação através da T.O e da fisioterapia. Conheço parcialmente o trabalho da T.O e costumo encaminhar meus pacientes. Acredito que a intervenção da T.O em pacientes com PBO é muito importante, em virtude da estimulação motora. E a estimulação precoce nesses casos também é de grande importância, pois o tecido nervoso necessita de estimulação para que sua regeneração aconteça. (NEUROLOGISTA, 41 ANOS) 4.5. A palavra da mãe, caso 1: Observei uma boa evolução no desenvolvimento da minha filha, após a intervenção de Terapia Ocupacional. Considero o tratamento importante, pois, minha filha ganhou movimento no membro lesado, ela está mais esperta, está sentando, quase engatinhando, está se desenvolvendo normalmente. 4.6 Parecer sobre os casos Após reavaliação, obteve-se os seguintes resultados: Referente ao caso 1, com relação ao tônus de base, postural e de movimento no MS direito observou-se grau de tonicidade significativamente melhor, evoluindo para uma leve hipotonia. Em prono notou-se que a mesma realiza trocas posturais ativamente, e apóia-se nos MMSS (região palmar com MSE e dorso da mão e punho com o MSD). No MSD há padrão de flexão de punho quando se apóia. Nesta posição o peso encontra-se na região média de tronco. Libera cervical e a movimenta em todos os planos. Em supino trás as mãos ativamente a linha média, inclusive a direita, a cabeça acompanha os movimentos visualmente à 180° na horizontal, vertical e diagonal, com trocas posturais ativas nesta posição. O peso encontra-se distribuído na cintura escapular e pélvica, pois libera MMSS, realiza esperneios com MMII. A criança apresenta reflexo cutâneo plantar, reflexo de preensão plantar, reflexo de landau e reação labiríntica, ainda prevista em sua faixa etária. Quanto às habilidades motoras, a mesma senta sem apoio, rola de prono para supino e vice e versa, com dissociação de cinturas. Se arrasta porém, durante o movimento o membro lesado permanece aduzido em baixo do tronco, então a criança rola ativamente para supino, libera o membro e após retorna à posição prona para arrastar-se novamente. Sentada apresenta reação de proteção para frente e para os lados, utilizando-se de flexão de punho do membro lesado. A ADM passiva do MSD e MSE encontra-se preservada. A ADM ativa no MSE apresenta-se sem alterações e no MSD há movimentação parcial com elevação e flexão de ombro e movimentos de flexo extensão de cotovelo, dos dedos e preensão palmar ativa e voluntária também no membro lesado. Em comparação entre o membro lesado e o contra lateral a criança apresenta no MSD elevação de ombro, mantendo o membro lesado levemente afastado do tronco, semi flexão de punho, desvio radial e adução e flexão do polegar. Força muscular preservada no MSE e no MSD apresenta força parcial, agindo contra a gravidade. Faz uso de órtese de posicionamento cock-up, para favorecer o posicionamento de punho e evitar deformidades e contraturas, e também órtese para extensão de punho, confeccionada com luva de lã, velcro e E.V.A para evitar a flexão de punho em suas atividades. Constatou-se portanto, que J. B.C teve evolução significativa em seu DNPM, com aquisições das etapas pertinentes à sua faixa-etária e ganho importante na funcionalidade do membro lesado. Referente ao caso 2, os resultados não foram analisados, devido a baixa freqüência e abandono do tratamento, o que comprometeria os dados obtidos. Portanto, conclui-se que a Terapia Ocupacional ao intervir precocemente em crianças com PBO, favorece o DNPM e minimiza as seqüelas inerentes à patologia. 4.7 Discussão O presente estudo buscou avaliar crianças com PBO, levantando as necessidades individuais, e a partir das terapias com oferta de estímulos sensoriais, motores, perceptivos, minimizar as seqüelas inerentes a patologia. A PBO é uma lesão do plexo braquial do recém-nascido que ocorre no momento do parto. Em sua maioria, há uma combinação de tração e compressão do plexo braquial, causando uma distensão e até a ruptura das raízes nervosas. Caracteriza-se como uma paralisia flácida, parcial ou total do membro superior (SANTOS in CAVALCANTI, GALVÃO, 2007, p.216). Esta lesão é passível de acarretar atrasos no DNPM de crianças acometidas por ela, uma vez que provoca déficits sensitivos e motores no membro acometido. Desenvolvimento neuro-psico-motor é a capacidade de adquirir novas habilidades e de desenvolver tarefas cada vez mais complexas. Abrange dimensões psicológicas, neurológicas e motoras. (MARTINS, PAULINO, 2002, p. 34). De acordo com GALLAHUE, OZMUN (2003), a seqüência de aquisição de habilidades é geralmente invariável durante a infância, porém o ritmo dessas aquisições difere de criança para criança, que nos faz pensar que o início do desenvolvimento não se deve apenas ao sistema nervoso, mas também a um sistema auto-organizado que envolve tarefa, o ambiente e o indivíduo. A Intervenção Precoce refere-se a diversas atividades com o objetivo de estimular as capacidades das crianças o mais cedo possível, dar apoio a família e oferecer um acompanhamento nas aquisições. É de suma importância para prevenir danos ou agravos ao desenvolvimento de crianças que necessitam de estimulação adequada durante a primeira infância (RAMEY & RAMEY 1998 apud FORMIGA, PEDRAZZANI, 2004). Com o intuito de favorecer este processo, a pesquisa utilizou uma sala no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco de Lins, clínica de Terapia Ocupacional, equipada com recursos terapêuticos necessários ao atendimento, com desenvolvimento de atividades motoras, sensoriais e perceptivas, além de orientações à família, para atingir as metas e objetivos propostos. A pesquisa realizada demonstrou que a Terapia Ocupacional, ao intervir precocemente, através da utilização de recursos terapêuticos, como atividades motoras, sensoriais e perceptivas, compatíveis com a idade, orientações familiares e oferta de estímulos de acordo com a necessidade individual, favorece o DNPM de crianças com seqüela de PBO, e minimiza desta forma, déficits e seqüelas inerentes a patologia. PROPOSTA DE INTERVENÇÂO A PBO é uma lesão do plexo braquial do RN, no momento do parto, que acarreta déficit motor e sensitivo em diferentes graus. Sendo a mesma geradora de grande impacto, no que se refere ao desempenho funcional e independência da criança, em decorrência do déficit motor e sensorial causados por esta lesão, torna-se relevante a intervenção precoce, como fonte de estímulos para reversibilidade do quadro e minimização das seqüelas e atrasos que poderão vir a associar-se ao seu desenvolvimento. O TO por ser um profissional apto na seleção e direcionamento de atividades adequadas ao caso, no processo de reabilitação torna-se fundamental como membro da equipe, no processo de intervenção e tratamento destas crianças. A intervenção precoce da Terapia Ocupacional Influencia diretamente nestes casos favorecendo o DNPM. Ressalta-se a importância do T.O em adquirir conhecimento teórico e revertê-lo em aplicabilidade prática, em benefício da clientela. O presente estudo buscou fazer a associação entre a teoria e prática, para alcançar as necessidades individuais das crianças assistidas. Portanto, a partir dos resultados obtidos, acredita-se que a intervenção precoce da T.O, em crianças com PBO, favorece o DNPM das mesmas e minimiza as seqüelas inerentes a patologia ao utilizar-se de atividades motoras, sensoriais e perceptivas compatíveis com a idade, oferta de estímulos de acordo com a necessidade individual e orientações familiares. Sugere-se que a intervenção da Terapia Ocupacional se faça cada vez mais freqüente e presente em casos de PBO, pelos ganhos significativos e relevantes que são atribuídos ao processo de reabilitação desta clientela, quanto às etapas do DNPM. CONCLUSÃO Como descrito anteriormente a PBO, resulta em variados quadros clínicos, dependendo do nível lesionado, podendo acarretar desde um comprometimento motor e sensorial parcial do membro lesado, até uma paralisia total ou completa. O déficit motor e sensorial neste membro traz consigo conseqüente atraso na aquisição das etapas do DNPM, com prejuízos funcionais no cotidiano dessas crianças. A pesquisa realizada no CRFDB, clínica de Terapia Ocupacional demonstra que a intervenção precoce da Terapia Ocupacional em crianças com PBO é de grande importância para o DNPM, pois minimiza as seqüelas decorrentes da patologia. A intervenção da TO, deve ser realizada precocemente, e em conjunto com uma equipe multidisciplinar com o objetivo de estimular e integrar as várias áreas do desenvolvimento, através da oferta de estímulos e direcionamento de orientações à família, de acordo com a necessidade individual da criança, favorecendo o DNPM da mesma. Por ter a PBO uma grande influência no DNPM dessas crianças, gerando consequentemente atraso nas aquisições pertinentes às diversas faixas etárias, espera-se que a contribuição deixada neste trabalho some-se a futuras pesquisas enfocando assuntos, tais como: intervenção com ênfase em outros períodos do desenvolvimento e idades, além do uso de órteses como dispositivos auxiliares na prevenção de deformidades e maximização da função, nesta patologia. REFERÊNCIAS ARIAS, M. H. R; ZEFERINO, A. M. B.; BARROS FILHO, A. A. Surdocegueira: A importância da estimulação precoce. Temas sobre Desenvolvimento , v. 13, n. 77, p. 12-9, 2004. BARBA, R. C. S. D. Interneção em Terapia Ocupacional junto a uma criança com necessidades especiais. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFScar . São Paulo, v. 10. n.1, p. 51-59, 2002. BEE, H. A. Criança em desenvolvimento. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998 BLAKISTON. Dicionário Médico. 2. ed. São Paulo: Organização André Editora Ltda. 1982. BOBATH, B. 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Intervenção precoce: uma abordagem interdisciplinar no atendimento de bebês de risco do serviço de Fisioterapia infantil da UFPB-( Universidade d=Federal da Paraíba-UFPb, Brasil). MARTINS, G. S; PAULINO, V. V. A Terapia Ocupacional e a utilização da Shantala como instrumento terapêutico em bebês de 0 a 2 anos.2002. Monografia (Graduação em Terapia Ocupacional) Faculdade de Educação Física de Lins, Lins. MEYERHOF, F. G; PRADO, T. F. A. Intervenção. Precoce em Paralisia cerebral. In: SOUZA; A. M. C; FERRARETO, I. (orgs). Paralisia Cerebral: aspectos práticos. São Paulo: Memnon. P. 251-269, 1998. NASCIMENTO, B. M. Paralisia Braquial. in: LECH, O. Membro Superior abordagem fisioterapêutica das Patologias Ortopédicas mais comuns, Rio de Janeiro: Revinter, 2005, p.137-141. OLIVEIRA, R. M. S. G. Reflexos e Reações, 2007.6 p. Apostila da disciplina de Terapia Ocupacional aplicada aos Distúrbios do Desenvolvimento. Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium. OLIVEIRA, O. R. 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Terapia Ocupacional na Reabilitação Física, São Paulo: Roca, 2003, p. 485-501. SANTOS, L. S. B. Paralisia Braquial Obstétrica. In: CAVALCANTI, A; GALVÂO, C. Terapia Ocupacional fundamentação e prática, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007, p. 216-225. SCHWARTZAMAN, J. S. O desenvolvimento motor normal. Temas sobre desenvolvimento, v. 9. n.52, p. 51-55, 2000. SHEPHERD, R. B. Fisioterapia em pediatria. 3. ed. Santos, 1995. SOUZA, M. B. A; BARRAL, T.T. Paralisa Braquial Obstétrica. FREITAS, P. P. Reabilitação da Mão; São Paulo: Atheneu, 2003 p.255 - 273. STOPPARD, M. Conheça seu filho: um guia para descobrir e enriquecer o potencial de seu filho. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1995. APÊNDICES APÊNDICE A - Roteiro de Estudo de Caso 1 INTRODUÇÃO - Anamnese - Avaliação física e do desenvolvimento neuropsicomotor 2 O TRATAMENTO REALIZADO Materiais Métodos terapêuticos empregados Técnicas utilizadas Depoimentos do Médico Neurologista, Ortopedista, Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional sobre a intervenção precoce da Terapia Ocupacional em duas crianças com Paralisia Braquial Obstétrica e entrevista com os pais. 3 DISCUSSÃO Será realizada a análise entre os fundamentos teóricos e procedimentos práticos utilizados no caso. 4 RESULTADOS E SUGESTÕES Será descrita a evolução e os resultados obtidos diante da intervenção realizada, com sugestões sobre manutenção e modificações de procedimentos. APÊNDICE B - Avaliação Física e do Desenvolvimento Neuropsicomotor 1 Observar a criança nas diversas posturas: Prono ............................................................................................... Supino .............................................................................................. Decúbito Lateral ............................................................................... Sentada ........................................................................................... Long Sitting ...................................................................................... Gato ................................................................................................. Ajoelhado ......................................................................................... Semi-Ajoelhado .............................................................................. Em pé .............................................................................................. 2 Faz uso de cadeira de rodas, andador, tutor, órteses (splints)?....................... 3 Tônus de base, postural e de movimento.......................................................... 4 Apresenta deformidades? Quais? 5 Apresenta reflexos? Quais? 6 Apresenta reações associadas? Quais? 7 Localização e distribuição de peso nas diversas posturas. 8 Realiza mudanças posturais? Quais e de que forma? 9 Apresenta reações de proteção e equilíbrio? Em que postura? 10 Descrever habilidades como: Controle cervical .............................................................................. Controle de tronco ........................................................................... Rolar ................................................................................................ Arrastar ............................................................................................ Engatinhar ....................................................................................... 11 Permanece na postura ortostática?.................................................................. 12 Descrever a amplitude de movimento passiva e ativa no membro lesado e demais articulações............................................................................................. 13 Simetria............................................................................................................. 14 Comparação do posicionamento entre o membro lesado e contralateral ............................................................................................................................... 15 Coordenação motora fina, preensões, destreza (habilidades básicas de alcance, preensão e manuseio)............................................................................. 16 Força muscular: presente, ausente, parcial...................................................... 17 Sensibilidade da extremidade superior envolvida............................................ Fonte :CAVALCANTI, A; GALVÃO. C. Terapia Ocupacional Fundamentação e Prática; in SANTO, L. S. B. Paralisia Braquial Obstétrica; Guanabara koogan; Rio de Janeiro, 2007, p. 216 a 225. FREITAS, P. P; Reabilitação da Mão. in: BARRAL, T. T; SOUZA, M. B. A. Paralisia Braquial Obstétrica; São Paulo; Atheneu; 2005; p. 255 a 273. APÊNDICE C - Roteiro de Entrevista para o Médico Ortopedista I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome:......................................................................Idade..................................... Local de trabalho:.................................................................................................. Formação e Especialização:.................................................................................. Experiências Profissionais:.................................................................................... II 1 PERGUNTAS ESPECÍFICAS V. tem acompanhado com freqüência casos de Paralisia Braquial Obstétrica?............................................................................................................. 1.1 Quais as causas mais freqüentes?............................................................. 2 Como é feito o diagnóstico da Paralisia Braquial Obstétrica? ................... 2.1 Qual o tratamento que você utiliza em pacientes portadores de Paralisia Braquial Obstétrica?.............................................................................................. 3 V. conhece o trabalho da Terapia Ocupacional? ....................................... 3.1 V. costuma indicar tratamento de Terapia Ocupacional para pacientes portadores de Paralisia Braquial Obstétrica?........................................................ 4 V. acredita ser importante a intervenção da Terapia Ocupacional em pacientes com seqüelas de Paralisia Braquial Obstétrica? ................................. 4.1 Por quê?...................................................................................................... 5 Na sua opinião qual a importância da estimulação precoce em casos de Paralisia Braquial Obstétrica?................................................................................ APÊNDICE D - Roteiro de Entrevista para o Médico Neurologista I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome:.......................................................................Idade................................... Local de trabalho:.................................................................................................. Formação e Especialização:.................................................................................. Experiências Profissionais:.................................................................................... II 1 PERGUNTAS ESPECÍFICAS V. tem acompanhado com freqüência casos de Paralisia Braquial Obstétrica? ............................................................................................................ 1.1 Quais as causas mais freqüentes?............................................................. 2 Como é feito o diagnóstico da Paralisia Braquial Obstétrica?.................... 2.1 Qual o tratamento que v. utiliza em pacientes portadores de Paralisia Braquial Obstétrica?.............................................................................................. 3 V. conhece o trabalho da Terapia Ocupacional? ....................................... 3.1 V. costuma indicar tratamento de Terapia Ocupacional para pacientes portadores de Paralisia Braquial Obstétrica?........................................................ 4 V. acredita ser importante a intervenção da Terapia Ocupacional em pacientes com Paralisia Braquial Obstétrica?....................................................... 4.1 Por quê?..................................................................................................... 5 Na sua opinião qual a importância da estimulação precoce em casos de Paralisia Braquial Obstétrica?................................................................................ APÊNDICE E - Roteiro de Entrevista para o Fisioterapeuta I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: .......................................................................Idade................................... Local de trabalho:.................................................................................................. Formação e Especialização:.................................................................................. Experiências Profissionais:.................................................................................... II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 Há grande incidência de pacientes com Paralisia Braquial Obstétrica que a procuram?........................................................................................................... 1.1 Quanto?....................................................................................................... 2 V. conhece o trabalho da Terapia Ocupacional?........................................ 2.1 V. costuma indicar tratamento de Terapia Ocupacional para pacientes portadores de Paralisia Braquial Obstétrica?........................................................ 3 V acredita ser importante a intervenção da Terapia Ocupacional com pacientes com Paralisia Braquial Obstétrica?....................................................... 3.1 Por quê?...................................................................................................... 4 Qual o procedimento que v. utiliza em pacientes portadores de Paralisia Braquial Obstétrica?.............................................................................................. 5 Na sua opinião qual a importância da estimulação precoce em casos de Paralisia Braquial Obstétrica?................................................ APÊNDICE F - Roteiro de Entrevista para o Terapeuta Ocupacional I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: ......................................................................Idade:................................... Local de trabalho:.................................................................................................. Formação e Especialização:.................................................................................. Experiências Profissionais:.................................................................................... II 1 PERGUNTAS ESPECÍFICAS Há grande incidência de pacientes com Paralisia Braquial Obstétrica que a procuram?........................................................................................................... 1.1 Quanto?....................................................................................................... 2 Na sua opinião qual a importância da estimulação precoce em casos de Paralisia Braquial Obstétrica?................................................................................ 3 V. acredita ser importante a intervenção da Terapia Ocupacional em casos de Paralisia Braquial Obstétrica? ............................................................... 3.1 Por quê?..................................................................................................... 4 Quais procedimentos v. utiliza em pacientes com seqüelas de Paralisia Braquial Obstétrica?.............................................................................................. APÊNDICE G - Roteiro de Entrevista para os Pais I DADOS DE IDENTIFICALÇÃO Nome: ......................................................................Idade:................................... Profissão............................................................................................................... Endereço............................................................................................................... Cidade..........................................................................Estado............................. II 1 PERGUNTAS ESPECÍFICAS Foi observado evolução no desenvolvimento da criança que recebeu a intervenção em Terapia Ocupacional? 2 Em quais aspectos? ( ) Sim ( ) Não APÊNDICE H - Manual de Orientações aos Pais Unisalesiano Centro de Reabilitação Física Dom Bosco Setor de Terapia Ocupacional DEFINIÇÃO E OBSTÉTRICA ORIENTAÇÕES SOBRE A PARALISIA BRAQUIAL O QUE É O PLEXO BRAQUIAL? O QUE É A LESÃO E O QUE ELA PROVOCA? O plexo braquial é formado pela união das raízes nervosas, sendo responsável pela parte sensitiva e motora do membro superior. A paralisia braquial obstétrica (PBO) é uma lesão no plexo braquial do recém-nascido que ocorre no momento do parto. Em conseqüência à lesão ocorre distensão ou ruptura das raízes nervosas, ocasionando prejuízos quanto aos movimentos ativos (realizados pela própria criança) e quanto a sensibilidade, podendo não perceber/sentir estímulos táteis, ou ter esta percepção diminuída. A maioria dos casos de PBO envolve as raízes de C5 e C6, afetando funções do ombro e cotovelos. Algumas vezes a raiz C7 também é lesada com C5 e C6, afetando a extensão de punho e dedos. Já a lesão completa que envolve todo plexo braquial (raízes C5, C6, C7, C8 e T1) afeta todo o membro superior. A lesão é observada logo após o nascimento, sendo necessário toda uma equipe (Médico, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta) para compor o programa de reabilitação, visando estimular o desenvolvimento neuropsicomotor e minimizar as seqüelas. ORIENTAÇÕES PARA OS PAIS COMO CARREGAR? A maneira adequada é fazendo uma cadeirinha, apoiando um dos braços no bumbum e o outro entre o membro lesado e o tronco; permitindo assim que os braços fiquem afastados do corpo. Quando de outra maneira, segurar com o lado bom encostado em seu corpo e o lado lesado livre para movimentá-lo. DEITAR Para deitar a posição de barriga para baixo é importante, sendo que os braços não devem estar embaixo do corpo. É importante manter o ombro em abdução, cotovelo em semi-flexão, punho e dedos em extensão. Deixar a criança nesta postura, irá ajudar a desenvolver força muscular e transferir o peso para o lado lesado, ao tentar se virar para os estímulos, por isso é importante oferecer brinquedos à criança. Quando o braço estiver ao lado do corpo, colocar rolinhos entre o braço e o tronco, mantendo o mesmo afastado do corpo. Deitar a criança com o lado lesado onde tenha estímulo para que a criança olhe e perceba este lado. COMO VESTIR? Ao despir a criança, iniciar sempre pelo membro não lesado, e ao vestir iniciar pelo membro lesado. BANHO Na hora do banho brincar com a criança e movimentar bastante o lado lesado. BRINCAR Sente a criança no seu colo de frente para você, brinque com ela trazendo as mãos á linha média, dê um brinquedo para que ela segure com as duas mãos.Pode-se também levar as mãos da criança nos pés. Ajude a criança a levar as mãos em direção à boca e aos pés. Isto é importante, pois ajuda a criança a conhecer seu próprio corpo, sendo importante para o seu desenvolvimento. Colocar brinquedos na frente da criança e do lado lesado, estimulandose para que os pegue voltando para este lado AVD Estimular o uso bimanual, por exemplo, ao segurar a mamadeira. MOVIMENTAÇÃO Realizar movimentação passiva suave e bem lentamente, pelo menos três vezes ao dia, envolvendo ombro, cotovelo, punho e dedos. Se a criança chorar é sinal de dor e deve parar com o movimento. Estimular sensorialmente a criança, utilizando materiais diferentes em contato com a pele, como: algodão, gaze, espuma, toalha. Escova, tecidos diferentes, bucha, bombril, espuma, entre outros. Observação: Em casa é importante realizar movimentação passiva e estimulação sensorial, que irão contribuir para o desenvolvimento sensorial e motor da criança, onde as mesmas devem ser agradáveis, sem provocar o choro. Um bom horário para realizar as estimulações é na hora do banho e durante as trocas da fralda. APÊNDICE I - Termo de Consentimento Eu, ________________________________________________ Portadora do RG: __________________________________, mãe da (o) menor de ______meses, autorizo minha filha (o) a participar de uma pesquisa sobre Paralisia Braquial Obstétrica no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco, Setor de Terapia Ocupacional. Estou ciente que será feito uma intervenção da Terapia Ocupacional com crianças com seqüela de Paralisia Braquial Obstétrica, com o objetivo de demonstrar a importância da Terapia Ocupacional ao intervir precocemente com essa clientela, para a minimização dos déficits. A pesquisa tem início previsto para maio de 2008 a setembro de 2008, duas vezes por semana, durante 45 minutos cada sessão, no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco. Esta pesquisa está sendo realizada para verificar se a Terapia Ocupacional ao intervir precocemente em crianças com Paralisia Braquial Obstétrica poderá favorecer o desenvolvimento neuropsicomotor e minimizar as seqüelas da clientela. Em caso de dúvida procurar a orientadora responsável pela pesquisa. Lins __________________ de 2008 Ass: Endereço: Telefone: Orientadora de Terapia Ocupacional Endereço: Telefone: Ass: Estagiária de Terapia Ocupacional Endereço: Telefone: Ass: Estagiária de Terapia Ocupacional Endereço: Telefone: Ass: Estagiária de Terapia Ocupacional Endereço: Telefone: Ass: APÊNDICE J - Fotos Referentes aos Atendimentos Fonte: Próprias Autoras. Figura 29: Estimular ADM do membro lesado. Fonte: Próprias autoras. Figura 30: Estimulação Tátil. Fonte: Próprias autoras. Figura 31: Movimentação passiva do membro lesado (Flexão e rotação externa de ombro) Evitar contraturas e estimular a ADM. Fonte: Próprias autoras. Figura 32: Co-contração Estimular aumento do tônus. Fonte: Próprias autoras. Figura 33: Estimular ADM do membro lesado e preensão. Fonte: Próprias autoras. Figura 34: Estimular a preensão e função manual. Fonte: Próprias autoras. Figura 35: Estimular a simetria de membro superior.e preensão bimanual. Fonte: Próprias autoras. Figura 36: Estimular o pegar voluntário e ADM do membro lesado. Fonte: Próprias autoras. Figura 37: Estimular a ADM do membro lesado. Fonte: Próprias autoras. Figura 38: Movimentação passiva e estimular a ADM do membro lesado. Evitar contraturas Fonte: Próprias autoras. Figura 39: Estimular o rolar e transferência de peso. Fonte: Próprias autoras Figura 40: Estimular mudança postural - rolar e transferência de peso. Fonte: Próprias autoras. Figura 41: Estimular o arrastar. Fonte: Próprias autoras. Figura 42: Preensão voluntária e função manual. Fonte: Próprias autoras. Figura 43: Órtese Cock-up.para posicionamento. Fonte: Próprias autoras. Figura 44: Brincando com as mãos. Fonte: Próprias autoras. Figura 45: Órtese para extensão do punho, e favorecer a função manual. Fonte: Próprias autoras. Figura 46: Órtese para extensão do punho. ANEXOS ANEXO A - Anamnese Infantil NOME:................................................................................................................... DATA DE NASCIMENTO: ______/ ______/ ______ FILIAÇÃO Mãe: ..................................................................................................... Pai: ...................................................................................................... ENDEREÇO:.......................................................................................................... ............................................................................................................................... ENCAMINHADO POR: .................................................................................................................... 01 GRAVIDEZ S/N Desejada? ( ) Planejada? ( ) Casual? ( ) Problemas durante a gravidez? ( ) Quais?.................................................................................................................... Idade que a mãe engravidou? - ...........anos Idade do pai? ........... anos 02 PRÉ Fez pré NATAL natal? Ingeriu medicamentos? ( ) ( ) Quais? ................................................................................................................... Com prescrição?....................................................................................... ( ) Ameaça de aborto?................................................................................... ( ) 03 ABORTO Já teve aborto? ( ) Natural? ( ) Provocado? ( ) Número de gestação? ............................. 04 PARTO Complicações no parto? ( ) Quais? ................................................................................................................... Nasceu a termo? ( ) Chorou ao nascer? ( ) Circular de cordão? ( ) Complicações com o bebê? ( ) Quanto tempo? ................................................ Peso da criança ao nascer............................... Apgar?.............................. Quais?................................................................................................................... Mãe e bebê saíram juntos do hospital? ( ) Teve icterícia? ( ) Precisou ficar na fototerapia? ( ) Quanto tempo?............................................ Hospital que ficou internado?................................................................................ Amamentou? ( ) Quanto tempo?............................................................. Pediatra responsável quando o bebê nasceu?.................................................... 05 D.N.P.M. Controle de cabeça? ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Quando?............................................................. Rolou? Quando? ............................................................ Arrastou? Quando? ............................................................ Engatinhou? Quando? ............................................................ Andou? Quando? ............................................................ Falou? Quando? ............................................................ 06 CONTROLE ESFINCTERIANO Xixi? ( ) ( ) ( ) Tranqüilo? ( ) Agitado? ( ) Quando? ............................................................ Coco? Quando? ............................................................ Uso de fraldas? Quando? ............................................................ 07 SONO Dorme com quem? .................................................................... 08 ROTINA DIÁRIA DA CRIANÇA Descrever: ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... 09 RELACIONAMENTO FAMILIAR a) Relaciona-se bem com o pai ? ( ) b) Relaciona-se bem com a mãe? ( ) c) Relaciona-se bem com os irmãos? ( ) d) Descrever como é o ambiente familiar? ........................................................... e) Em relação aos pais: Casados ( ) Vivem juntos ( ) Pai trabalha? ( ) Onde? ................................................................................................................... Mãe trabalha? ( ) Onde? ................................................................................................................... Quem cuida da criança? ......................................................................... Observações gerais: ............................................................................................. 10 COTIDIANO Alimentação:.......................................................................................................... Vestuário:............................................................................................................... Higiene:.................................................................................................................. Locomoção:........................................................................................................... 11 INFORMAÇÕES GERAIS: Está fazendo algum tratamento? ( ) Qual, onde e com quem? ...................................................................................... ............................................................................................................................... 12 OBSERVAÇOES GERAIS: ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... ............................................................................................................................... LINS, ...../...../..... ESTAGIÁRIO RESPONSÁVEL Fonte: COELHO, M. S. Avaliação neurológica Infantil nas ações primárias de saúde; São Paulo: Atheneu, 1999. GLOSSÁRIO Abdução: movimento que afasta um membro ou segmento de um membro do plano médio do corpo (Aurélio, 1999, p.07). Adução: movimento em direção à linha média ou ao eixo do corpo (Blakiston, 1982, p.47). Anastomose: Entrelaçamento de fibras de dois nervos ou coaptação das extremidades seccionadas de um nervo (Blakiston, 1982, p.79). Apendicular: referente a um apêndice ou membro (Blakiston, 1982, p.103). Apgar: Boletim de sistema de avaliação dos recém-nascido, usando-se critérios respiratórios, circulatórios e neurológicos e que permitam nota de zero a dez (Guimarães, 2002, p.57). Aponeurose: expansão de um tendão, que consiste de uma bainha fibrosa ou membranosa e serve como meio de fixação de músculos chatos em sua origem ou inserção, ou como uma fáscia para envolver ou ligar um grupo de músculos (Blakiston, 1982, p.105). Assimetria: falta de similaridade ou correspondência entre órgãos e as parte deles de cada lado do organismo (Blakiston, 1982, p.121). A termo: Parto que ocorre no período de 37 a 42 semanas (259 a 293 dias) após a última menstruação normal ( http://www.pdamed.com.br). Cognição: Faculdade de processo conscinete de conhecer, de adquirir ou ter noção de idéias ou percepções, inclusive de raciocinar (Blakiston, 1982, p.239). Contratura: encurtamento de um músculo ou de tecido cicatricial, produzindo distorção ou deformidade ou limitação anormal do movimento de uma articulação (Blakiston, 1982, p.261). Córtex: zona funcional do cérebro (Blakiston, 1982, p.278). Deambulação: ato de deambular, passeio, digressão (Aurélio, 1999, p.607). Decúbito: posição horizontal (Blakiston, 1982, p.294). Difuso: dessiminado, não restrito a um tecido ou ponto (Blakiston, 1982, p.320). Disfunção: Qualquer anomalia de comprometimento de uma função ou de um órgão (Blakiston, 1982, p.327). Dissociação: ação de dissociar-se (Aurélio, 1999, p.694). Dorsal: parte posterior de um órgão(Blakiston, 1982, p.338). Dorsiflexão ou dorsoflexão: curvatura do pé para o dorso ou superfície superior (Blakiston, 1982, p.339). Eletroneuromiografia: O exame é uma extensão do exame clínico fisiátrico neurológico. Não só verifica ou exclui uma suspeita clínica mas, também, define precisamente o local, tipo e grau de lesão e revela anormalidades que são clinicamente incertas ou silenciosas (http://www.suportemed.com/index_arquivos/page0005.htm). Enoftalmia: retração do globo ocular para dentro da órbita (Blakiston, 1982, p.362). Esfíncter: músculo que rodeia e fecha um orifício (Blakiston, 1982, p.385). Fascículo: um feixe ou trato de fibras nervosas que apresentam, presumivelmente, conexões e funções comuns (Blakiston, 1982, p.424). Flácido: relaxado, mole, frouxo (Blakiston, 1982, p.444). Flexão plantar: curvatura do pé ou de artelhos em direção da planta do pé (Blakiston, 1982, p.446). Fórceps: instrumento cirúrgico com duas lâminas ou dois braços em oposição, controlado por cabos ou por pressões diretas sobre as lâminas. Usado para pegar, comprimir e segurar tecido, parte do corpo, agulhas ou outro material cirúrgico (Blakiston, 1982, p.452). Hipotonia: Diminuição da tonicidade ou tensão normal, especialmente, diminuição de pressão intraocular ou de tônus muscular (Blakiston, 1982, p.538). Icterícia: coloração amarelada que adquirem a pele e as mucosas por causa do aumento nas taxas sangüíneas das bilirrubinas (Guimarães, 2002, p.265). Imutável: não sujeito as mudanças, imudável (Aurélio, 1999, p.1089). Incipiente: inicial, principiante, que começa a existir (Blakiston, 1982, p.560). Intrínseco: inerente, situado dentro de; peculiar ou característico de um órgão ou de uma parte do corpo (Blakiston, 1982, p.580). Macrossomia fetal: gigantismo do feto (Blakiston, 1982, p.642). Mesencéfalo: Encéfalo médio. Parte do cérebro que deriva da vesícula cerebral média e que consiste nos tubérculos quadrigêmeos e pedúnculos cerebrais, atravessa pelo aqueduto cerebral (Blakiston, 1982, p.664). Miose pupilar: - constrição da pupila. Contração anormal da pupila abaixo de 2 mm (Blakiston, 1982, p.685). Motricidade: capacidade em realizar movimento (Aurélio, 1999, p.1372). Mutável: mudável (Aurélio, 1999, p.1385). Neural: Relativo a nervo (Guimalhães, 2002, p. 323) Nistagmo: Movimentos oscilatórios dos globos oculares (Blakiston, 1982, p.729). Órtese: dispositivo ou braçadeira ortopédica (Blakiston, 1982, p.758). Ortostático: Refere a posição ereta (Blakiston, 1982, p.759). Paravertebral: Que ocorre ou se situa próximo à coluna espinhal (Blakiston, 1982, p.787). Plasticidade: Qualidade ou condição de plástico, referente à construção de tecidos, à restauração das partes que se perderam, à recuperação de malformações ou defeitos (Blakiston, 1982, p.822). Plexo braquial: plexo nervoso localizado no pescoço e na axila, constituído pelos ramos anteriores dos quatro últimos nervos cervicais e do primeiro dorsal (Blakiston, 1982, p.824). Podálico: referente aos pés (Blakiston, 1982, p.828). Pronação: colocar em posição prona.Virar a palma da mão para baixo (Blakiston, 1982, p.854). Propriocepcão: apreciação da posição, do equilíbrio e de suas modificações por parte do sistema muscular, especialmente durante o movimento (Blakiston, 1982, p.855). Ptose palpebral: Ptose- prolapso, depressão anormal ou queda de um órgão ou uma parte, aplica-se especialmente ao descenso da pálpebra superior, por paralisia do III nervo craniano (Blakiston, 1982, p.874). Ressonância magnética: exame bem detalhado por meio de ondas magnéticas, melhor que a tomografia, porém com condições restritas. Método de diagnóstico que usa o campo magnético e ondas de radiofrequência para obtenção de imagens para diagnóstico (Guimarães, 2002, p.397). Retração: ato de retrair ou encolher, como por exemplo, uma retração dos músculos após amputações (Blakiston, 1982, p.920). Sensorial: referente a sensação (Blakiston, 1982, p.948). Simetria: correspondência harmônica das partes e, também a relação das partes homólogas em lados ou extremidades opostos do corpo (Blakiston, 1982, p.956). Sistema nervoso: a totalidade do aparelho nervoso do organismo, inclusive cérebro, tronco cerebral, medula espinhal, nervos cranianos e periféricos e gânglios. Parte funcional ou anatômica do aparelho nervoso do organismo (Blakiston, 1982, p.977). Sudorese: Sudação exagerada (Blakiston, 1982, p.995). Sulfato ferrozo: cristais ou grânulos de cor verde-azulada pálida largamente usado como hematínico (Blakiston, 1982, p.998). Supinação: virar a palma para cima (Blakiston, 1982, p.1001). Tecnologia assistiva : é uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências (http://www.assistiva.com.br/)., data 29/09/08. Titubeante: que titubeia, que vacila, que oscila, titubeante (Aurélio, 1999, p.1967). Tônus: Estado de tensão leve, porém, permanente, existente normalmente nos músculos (http://www.pdamed.com.br/diciomed/pdamed_0001_aa.php). Vasomotor: Que regula a contração (vaso constrição) e a expansão (vasodilatação) dos vasos sanguíneos (Blakiston, 1982, p.1083). Ventral: Referente ao aspecto anterior do corpo humano ou ao aspecto de flexão dos membros. (Blakiston, 1982, p.1086). This document was created with Win2PDF available at http://www.daneprairie.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.