UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ANA PAULA DE OLIVEIRA AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE GASTROPROTETORA DO EXTRATO METANÓLICO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE PREPARAÇÕES EXTRATIVAS DAS PARTES AÉREAS DE Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) Itajaí – 2011 1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ PROGRAMA DE MESTRADO ACADÊMICO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM PRODUTOS NATURAIS E SUBSTÂNCIAS SINTÉTICAS BIOATIVAS ANA PAULA DE OLIVEIRA AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE GASTROPROTETORA DO EXTRATO METANÓLICO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE PREPARAÇÕES EXTRATIVAS DAS PARTES AÉREAS DE Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) Dissertação submetida ao Programa de Mestrado Acadêmico em Ciências Farmacêuticas, da Universidade do Vale do Itajaí, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Ciências Farmacêuticas. Orientadora: Prof.ª. Dra. Angélica Garcia Couto Co-orientador: Prof. Dr. Valdir Cechinel Filho Itajaí, maio de 2011. 2 O3a Oliveira, Ana Paula de, 1981Avaliação da atividade gastroprotetora do extrato metanólico e desenvolvimento tecnológico de preparações extrativas das partes aéreas de Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) [manuscrito] / Ana Paula de Oliveira. – 2011. 118 f. : il. ; 30 cm Cópia de computador (Printout(s)). Dissertação (mestrado) – Universidade do Vale do Itajaí, Próreitoria de Pesquisa. Pós-graduação, Extensão e Cultura, 2011. “Orientador: Profª. Dra. Angélica Garcia Couto ”. Bibliografia: f. 104-117. 1. Produtos naturais. 2. Plantas medicinais. 3. Farmacognosia. 4. Química vegetal. I. Universidade do Vale do Itajaí. II. Título. CDU: 615.32 Cristina M. V. Porciúncula – CRB 14/966 3 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE GASTROPROTETORA DO EXTRATO METANÓLICO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE PREPARAÇÕES EXTRATIVAS DAS PARTES AÉREAS DE Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) ANA PAULA DE OLIVEIRA ‘Esta Dissertação foi julgada adequada para obtenção do Título de Mestre em Ciências Farmacêuticas, Área de Concentração Produtos Naturais e substâncias Bioativas e, aprovada em sua forma final pelo Programa de Mestrado em Ciências Farmacêuticas da Universidade do Vale do Itajaí.’ ____________________________________ Angélica Garcia Couto, Doutora Orientadora __________________________________________________________ Tânia Mari Bellé Bresolin, Doutora Coordenador do Programa Mestrado em Ciências Farmacêuticas Apresentado perante a Banca Examinadora composta pelos Professores: ______________________________________ Dra. Angélica Garcia Couto (UNIVALI) Presidente ______________________________________ Dr. Valdir Cechinel Filho (UNIVALI) Co-orientador ______________________________________ Dr. Sérgio Faloni de Andrade (UNIVALI) Membro ______________________________________ Dr. Andreas Sebastian Loureiro Mendez (UNIPAMPA/Uruguaiana-RS) Membro Itajaí (SC), 31, maio de 2011. 4 Aos meus pais... 5 AGRADECIMENTOS A Deus pela proteção e por tornar isso tudo isso possível e por ter permitido esta transformação em minha vida... À minha família, meu porto seguro... especialmente minha mãe e meu pai, pessoas maravilhosas que sempre me incentivaram a buscar o melhor, pelas palavras incentivadoras e reconfortantes, pela preocupação a cada viagem, pelo apoio financeiro, pelos conselhos, pelo exemplo de garra que são em minha vida, pela educação que me deram, enfim... por tudo que fez ser quem eu sou e me fez chegar até aqui e buscar ir muito mais além... A meu irmão pelo incentivo e demonstração de interesse... A meu amor, Cristiano, por incansáveis discursos de apoio, pela paciência, por ser meu amigo, companheiro, parceiro, conselheiro, me dar força e não me deixar desistir, pelo abraço acolhedor, pelo carinho, cuidado, dedicação e amor... À Profª. Dr. Angélica Garcia Couto pela orientação... Ao Prof. Dr. Valdir Cechinel Filho pela co-orientação... Aos professores do Programa de Mestrado em Ciências Farmacêuticas que colaboraram com seus conhecimentos para a realização deste trabalho... A Profa. Dr. Christiane Meyre pelo interesse a pesquisa... Prof. MSc. Rene Arthur pela análise botânica... Ao Prof. Theodoro Marcel Wagner pela ajuda e apoio nas análises em CG... Ao Prof. Dr. Sérgio pela excelente ajuda e orientação, na realização dos experimentos farmacológicos... Aos técnicos de todos os laboratórios pelos quais passei... 6 Ao Juliano dos Santos e a Helenize Heyse Moreira... Aos meus queridos colegas de mestrado por toda a ajuda que me deram... A José Roberto Santin e a Marivane Lemos, colegas e amigos do mestrado, pela importante ajuda nos experimentos farmacológicos... As minhas amigas, parceiras, Juliana, Jaqueline, Isabel, Marivane e Isabela... pessoas extremamente especiais, que tornaram minha vida mais alegre e divertida... A todas as pessoas que de alguma forma tenham colaborado para a realização deste trabalho, direta ou indiretamente e que sempre serão lembradas... Muito obrigada! 7 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE GASTROPROTETORA DO EXTRATO METANÓLICO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE PREPARAÇÕES EXTRATIVAS DAS PARTES AÉREAS DA Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) ANA PAULA DE OLIVEIRA Maio de 2011 Orientadora: Profª. Dra. Angélica Garcia Couto Co- Orientador: Prof. Dr. Valdir Cechinel Filho Área de Concentração: Produtos naturais e substâncias sintéticas bioativas. Número de páginas: 119 Resumo: Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) é uma planta de origem européia, popularmente conhecida no Brasil por marroio, maromba, ou erva de sapo, entre outros, cujo chá tem sido usado no tratamento de inflamações, dispesias e desordens gastrointestinais. O presente trabalho teve como objetivos avaliar o potencial gastroprotetor do extrato metanólico (EMMV) e do seu diterpeno majoritário, a marrubiína (Mb), contribuindo para o desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos a base desta planta. A atividade gastroprotetora foi avaliada utilizando-se o modelo de úlceras agudas induzidas por etanol/HCl e AINE/simpaticomimético, a atividade sobre a secreção gástrica, através da ligadura de piloro e doseamento de muco e os possíveis mecanismos da gastroproteção, estudando-se a participação do sistema do óxido nítrico e dos grupamentos sulfidrilas, pelos modelos L-NAME e NEM, respectivamente. Para a caracterização física e química da droga vegetal, foram realizadas duas coletas em Bom Retiro/SC, sendo uma no verão de 2009 e outra no inverno de 2010. As partes aéreas foram secas, moídas e caracterizadas quanto à perda por secagem (PS), granulometria média (Gm), cromatografia em camada delgada (CCD) para terpenóides, teor de extrativos solúveis em água quente (TE), teor de flavonóides equivalentes em quercetina (EQ) e fenólicos totais equivalentes em ácido gálico (EAG). Após coleta, tratamento e caracterização da droga vegetal, foi avaliado o efeito da extração com água, por decocção e infusão, e com as misturas hidroalcoólicas, por maceração estática, sobre o teor de fenólicos totais e presença de Mb nas CCDs. Após a seleção do solvente e método de extração, foram desenvolvidas nove soluções extrativas, seguindo planejamento fatorial 32, no qual se variou o tempo de extração (5, 10 e 15 dias) e relação planta: solvente (5, 7,5 e 10%, m/V), estudando-se o efeito destas variáveis sobre o resíduo seco (RS), teor de Mb (TM), por cromatografia gasosa (CG), e EAG. Os resultados demonstraram que tanto o EMMV, como a Mb reduziram o índice de lesões induzidas por etanol, quando comparados ao grupo controle, sendo que nos grupos tratados com EMMV 25, 50 e 100 mg/kg houve redução de 18,20 ± 2,57, 14,60 ± 3,07 e 7,40 ± 2,01, respectivamente, demonstrando efeito superior ao tratamento com Mb (25 mg/kg), que causou um índice de redução de 11,00 ± 2,38. Tanto o EMMV, como a cimetidina (CM) (controle positivo), inibiram significativamente as lesões induzidas por indometacina, quando comparados ao grupo controle, sendo que, nos grupos tratados com EMMV 25, 50 e 100 mg/kg houve inibição de 50,32 ± 5,60, 66,24 8 ± 4,30 e 83,17 ± 4,09%, respectivamente, equiparáveis ao tratamento com CM (100 mg/kg), que causou inibição de 67,52 ± 4:38%. Todas as doses de EMMV e Mb causaram alterações significativas de pH, volume e acidez total, quando comparados ao grupo controle e aumento significativo (p<0,01) do muco. Os resultados demonstram que a gastroproteção induzida pelo EMMV e Mb estão altamente relacionados com a atividade do óxido nítrico, segundo o modelo LNAME, e ligeiramente relacionada às sulfidrilas, segundo modelo NEM. A PS das partes aéreas frescas foi em média 83% (m/m). A presença de Mb foi confirmada por CCD em todos os EMMV. Não houve diferença significativa entre as coletas realizadas no inverno e verão quanto aos parâmetros de EAG, EQ e TE, que foram em média 7,64 mg/g, 2,79 mg/g e 32,71%, respectivamente. Para o estudo de otimização foi selecionado o método de maceração com álcool 70%, utilizando-se as partes aéreas (61% de folhas e 39% de caules), secas e moídas, classificadas como pós-grossos (Gm = 2,86 mm). O TM variou de 1,53 mg/mL (5%; 10 dias) a 6,46 mg/mL (7,5%, 5 dias); o EAG variou de 0,603 mg/mL (5%; 15 dias) a 1,13 mg/mL (10%; 10 dias) e o RS de 0,805% (5%; 15 dias) a 1,592% (10%; 5 dias). Apenas o EAG e o RS sofreram influência significativa (p<0,01) da relação planta: solvente. Pode-se sugerir que a atividade gastroprotetora esteja ligada a fatores antioxidantes. Recomenda-se o tempo de 10 dias e relação planta: solvente de 5,7% e 10% para a extração otimizada de marrubiína. Palavras-chave: Marrubium vulgare. Soluções extrativas. Gastroproteção. Marrubiína. 9 EVALUATION OF GASTROPROTECTIVE ACTIVITY OF METHANOL EXTRACT PREPARATIONS AND TECHNOLOGICAL DEVELOPMENT OF EXTRACT FROM AERIAL PARTS OF Marrubium vulgare L. (LAMIACEAE) ANA PAULA DE OLIVEIRA May, 2011 Supervisor: Angélica Garcia Couto, Doctor. Co-supervisor: Valdir Cechinel Filho, Doctor. Area of Concentration: Natural products and synthetic bioactive substances Number of Pages: 119 Abstract Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) is a European plant, popularly known as marrubio, cowshed or grass frog, among other names, that is used in the form of a tea to treat inflammation, dyspepsia and gastrointestinal disorders. This study evaluates the gastroprotective activity potential of methanol extract (MEMV) and its major diterpene, marrubiin (Mb), contributing to the technological development of herbal medicines from aerial parts of M. vulgare. The gastroprotective activity was evaluated through the model of acute ulcer induced by ethanol/ HCl and NSAIDs/ sympathomimetic. This work also studied the activity on gastric secretion by pylorus ligation, mucus levels, and the possible mechanisms of antiulcer action, taking into account the system involvement of nitric oxide and sulfhydryl groups by the L-NAME and NEM models, respectively. For physical and chemical characterization, the herbal raw material was harvested, one in summer 2010 and one in winter 2009, both in Bom Retiro (Santa Catarina, Brazil). The aerial parts were dried, milled and characterized in relation to loss on drying (LD), mean particle size (MS), thin layer chromatography (TLC) for terpenoids, water extractable matter (WEM), total phenol content as gallic acid equivalent (GAE) and total flavonoid content as quercetin equivalent (QE). After harvesting, pre-treatment and herbal drug characterization, the extraction effect with water, through decoction and infusion, and with hydroethanol mixtures, through static maceration, on the GAE and TLC for terpenoid, were evaluated. After solvent and method selection, 9 extract solutions were developed, using a 32 factorial design and varying the extraction time (5, 10 and 15 days) and plant:solvent ratio (5, 7.5 and 10%, w/v), in order to study the effect of those variables on the dry residue (DR), Mb content by gas chromatography and GAE. The results showed that both MEMV and Mb reduced the ethanol induced lesion index, compared with the control group. MEMV 25, 50 and 100 mg/kg caused a reduction in the lesion indexes of 18.20 ± 2.57, 14.60 ± 3.07 and 7.40 ± 2.01, respectively, demonstrating a superior effect to the treatment with Mb 25 mg/kg, which caused a reduction of 11.00 ± 2.38. Both MEMV and cimetidine (CM) (positive control) significantly inhibited the indomethacin induced lesions, compared with the control group. Likewise, the MEMV 25, 50 and 100 mg/kg treatments inhibited 50.32 ± 5.60, 66.24 ± 4.30 and 83.17 ± 4.09%, similar to the CM 100 mg/kg treatment, which showed 67.52 ± 4.38% inhibition. All treatments caused significant (p<0.01) alterations in pH, volume and total acidity, and an increase in mucus, compared with the control group. The results also showed that the gastroprotection is probably related to nitric oxide activity, and slightly related to sulphydryls, according the L-NAME and NEM models, respectively. The herbal quality 10 control results showed a loss on drying of 83% (m/m) from fresh aerial parts, and no statistical differences was observed between the summer and winter harvests for GAE, QE and WEM, which were around 7.64 mg/g, 2.79 mg/g and 32,71%, respectively. TLC confirmed the presence of Mb in all of MEMV samples. For the optimization study for extraction, maceration with ethanol 70% was selected, using a mixture of 61% leaves and 39% stems as herbal raw materials, dried, milled and classified as coarse powder (MS = 2.86 mm). The Mb content varied from 1.53 mg/mL (5%; 10 days) to 6.46 mg/mL (7.5%, 5 days); the GAE from 0.603 mg/mL (5%; 15 days) to 1.13 mg/mL (10%; 10 days) and the DR from 0.805% (5%; 15 days) to 1,592% (10%; 5 days). Only GAE and DR were significantly influenced (p<0.01) by the plant: solvent ratio. This work suggests that gastroprotection is related to antioxidant factors. For the development of M. vulgare solutions by maceration with ethanol 70%, the results recommend 10 days of extraction and a plant: solvent ratio of 7.5% or 10% as the optimal conditions for marrubiin extraction. Key words: Marrubium vulgare. Extract solution. Gastroprotection. Marrubiin. 11 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Figura 2. Figura 3. Figura 4. Figura 5. Figura 6. Figura 7. Figura 8. Figura 9. Figura 10. Figura 11. Figura 12. Figura 13. Figura 14. Fotografia obtida da parte superior das folhas da Marrubium vulgare L.................................................................................... Partes aéreas e flores da Marrubium vulgare L. ....................... Medicamentos a base da Marrubium vulgare comercializados em diferentes países.................................................................. Estrutura química da pré-marrubiína e do seu derivado, marrubiína................................................................................. Secção longitudinal, face ventral do estômago......................... Índice de cura obtido pelo efeito da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da Marrubium vulgare (nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por etanol/HCl em camundongos.............................. Índice de cura obtido pelo efeito da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e do diterpeno marrubiína obtido do extrato das partes aéreas da M. vulgare (na dose de 25 mg/kg) em úlceras gástricas induzidas por etanol/HCl em camundongos............................................................................ Índice de cura obtido pelo efeito da administração oral de cimetidina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da M. vulgare (EMMV) (nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por indometacina/betanecol em camundongos........................................................................... Efeitos do extrato da M. vulgare (100 mg/kg), marrubiina (25 mg/kg) e carbenoxolona (200 mg/kg) nas lesões induzidas por etanol em ratos pré-tratados com L-NAME (70 mg/kg, ip).............................................................................................. Efeitos do extrato da M. vulgare (100 mg/kg), marrubiína (25 mg/kg) e carbenoxolona (200 mg/kg) nas lesões induzidas por etanol em ratos pré-tratados com NEM (10 mg/kg, ip)..... Cromatoplaca em camada delgada dos extratos metanólicos dos lotes 1. BR06; 2. BR07/09; 3. BR02/10; AU. Padrão de ácido ursólico.......................................................................... Cromatoplaca em camada delgada dos extratos metanólicos dos lotes; 1. BR06; 2. BR07/09; 3. BR02/10; . Padrão de beta-sitosterol........................................................................... Cromatoplaca em camada delgada dos extratos metanólicos dos lotes 1. EMBR06 2. BR07/09; 3. BR02/10; M. Padrão de marrubiína................................................................................. Cromatograma obtido por cromatografia gasosa. A = Padrão marrubiína isolada da M. vulgare; B = Extrato metanólico EMBR06..................................................................................... 23 23 25 26 30 63 65 67 72 73 77 77 78 79 12 Figura 15. Cromatograma obtido por cromatografia gasosa dos extratos metanólicos. C = lote BR02/10 e D = lote BR07/09................... Figura 16. Distribuição granulométrica das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare............................................................. Figura 17. Análise granulométrica das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare............................................................................. Figura 18. Curva analítica de ácido gálico em 750 nm............................... Figura 19. Curva analítica de quercetina em solução hidroalcoólica (70%) em 415 nm..................................................................... Figura 20. Esquema de desenvolvimento dos extratos da M. vulgare utilizados para seleção do solvente e método de extração........ Figura 21. Cromatoplacas em camada delgada dos extratos hidroalcoólicos 90, 70 e 50% (1, 2 e 3 respectivamente), aquosos obtidos pela decoção (4) e infusão (5), metanólico (6) e o padrão marrubiína (M); confeccionados com a M. vulgare dos diferentes lotes de coleta (BR07/09 e BR02/10).... Figura 22. Curva analítica de ácido gálico em 750 nm............................... Figura 23. Distribuição granulométrica das partes aéreas secas e moídas do lote BR07/09............................................................ Figura 24. Aspectos visuais da distribuição granulométrica da droga vegetal. (A) Folhas trituradas. (B) Mistura de folhas e caules após a moagem adicional em moinho de martelos................... Figura 25. Esquema de otimização e desenvolvimento dos extratos da M. vulgare.................................................................................. Figura 26. Superfície de respostas para o Resíduo seco das soluções extrativas da M. vulgare por maceração................................... Figura 27. Superfície de respostas para o Teor de Marrubiína das soluções extrativas da M. vulgare obtidas por maceração....... Figura 28. Superfície de respostas para o Teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG), das soluções extrativas da M. vulgare obtidas por maceração............................................ 80 82 82 84 85 88 89 91 93 95 96 98 98 100 13 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Tabela 2. Tabela 3. Tabela 4. Tabela 5. Tabela 6. Tabela 7. Tabela 8. Tabela 9. Tabela 10. Tabela 11. Tabela 12. Tabela 13. Tabela 14. Tabela 15. Lotes de droga vegetal classificados pelo local e época de coleta............................................................................................. Sistema de cromatoplacas em camada delgada para a análise de terpenóides em extratos com as partes aéreas da M. vulgare Planejamento fatorial 32 para a otimização das condições extrativas do processo de maceração com álcool 70 % (V/V)...... Diluição das soluções extrativas para a determinação do teor de fenólicos totais............................................................................... Efeitos da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da M. vulgare (25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por etanol/HCl em camundongos.................................. Efeitos da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e do diterpeno marrubiína isolado das partes aéreas da M. vulgare (25 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por etanol/HCl em camundongos........................................................ Efeitos da administração oral de cimetidina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da M. vulgare (25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por AINE/betanecol em camundongos.......................... Efeitos da administração intraduodenal de cimetidina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da Marrubium vulgare (20, 50 e 100 mg/kg) nos parâmetros bioquímicos de camundongos submetidos à ligadura de piloro para avaliação da secreção ácida.................... Efeitos da administração intraduodenal de carbenoxolona (200 mg/kg) e indometacina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das folhas da Marrubium vulgare (20, 50 e 100 mg/kg) nos parâmetros bioquímicos de camundongos submetidos à ligadura de piloro para avaliação da quantidade de muco ligada ao tecido............................................................... Rendimentos do material vegetal (fresco e seco) obtido nas diferentes coletas e perda por secagem (PPS)............................ Rendimento seco das partes vegetais da M. vulgare coletadas em Bom Retiro/SC nas diferentes épocas.................................... Perda por dessecação das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare coletadas em Bom Retiro nas diferentes épocas........ Distribuição granulométrica (%) das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare e granulometria média (Gmédia)............... Teor de extrativos das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare........................................................................................... Teor de fenólicos totais da M. vulgare coletada em diferentes épocas e locais.............................................................................. 51 56 58 59 63 64 66 69 70 74 75 75 81 83 84 14 Tabela 16. Resultados da caracterização da droga vegetal quanto ao teor de flavonóides totais..................................................................... Tabela 17. Características de pH (média ± DP (DPR%) e resíduo seco (média ± DP (DPR%) das soluções extrativas das partes aéreas da M. vulgare................................................................................. Tabela 18. Teor de fenólicos totais (mg/mL) nos diferentes extratos (2,5%, m/V) produzidos a partir das amostras vegetais da M. vulgare coletadas em Bom Retiro nas diferentes épocas.......................... Tabela 19. Teor de marrubiína, resíduo seco e pH das soluções extrativas obtidas segundo o planejamento fatorial 3 2 para a otimização das condições extrativas do processo de maceração das partes aéreas com álcool 70 % (V/V)......................................................................... Tabela 20. Teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) das soluções extrativas obtidas segundo o planejamento fatorial 32 para a otimização das condições extrativas do processo de maceração das partes aéreas com álcool 70 % (V/V).................. 86 90 92 97 100 15 LISTA DE ABREVIATURAS ABS Absorbância AC Padrão de ácido cafêico AINE Anti-inflamatório não-esteroidal AU Padrão de ácido ursólico Padrão de beta-sitosterol CCD Cromatografia em camada delgada CEP Comitê de ética em pesquisa CG Cromatografia gasosa DM Diterpeno marrubiína DP Desvio padrão DPR Desvio padrão relativo EAD Extrato aquoso por decocção EAG Equivalente em ácido gálico EAI Extrato aquoso por infusão EARP Software de análise de imagens EH50 Extrato hidroalcoólico a 50% EH70 Extrato hidroalcoólico a 70% EH90 Extrato hidroalcoólico a 90% EM Extrato metanólico EMMV Extrato metanólico de Marrubium vulgare FID Detector de ionização de chama i.p. Via intraperitoneal IC Índice de cura L Padrão de luteolina L-NAME N-nitro-L-arginina metil éster M Padrão de marrubiína MeOH Metanol mEq Miliequivalente-grama MOL Padrão de marrubenol Nd Não determinado NEM N-etilmaleimida 16 NO Óxido nítrico NOS Óxido nítrico-sintase RS Resíduo seco SA Solução amostra SC Solução comparativa SHs Grupos sulfidrilas TF Teor de fenólicos TM Teor de marrubiína ULI Índice de lesão ulcerativa V Padrão de vitexina v.o. Via oral 17 SUMÁRIO 1 2 INTRODUÇÃO ........................................................................ OBJETIVOS ........................................................................... 2.1 2.2 Objetivo Geral ........................................................................................ Objetivos Específicos ........................................................................... 3 REVISÃO DE LITERATURA .................................................. 3.1 3.1.1 3.1.2 3.1.3 3.1.4 3.1.5 3.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.3.3 3.3.4 3.4 Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) ...................................................... Características botânicas e agronômicas .......................................... Etnofarmacologia .................................................................................. Estudos tecnológicos e mercadológicos............................................ Estudos fitoquímicos ........................................................................... Estudos farmacológicos....................................................................... Fisiopatologia da úlcera, secreção gástrica e terapia da úlcera....... Úlcera ..................................................................................................... Epidemiologia e conceito geral ........................................................... Agentes agressores da mucosa.......................................................... Agentes de defesa da mucosa ............................................................. Tratamento de desordens gástricas ................................................... Desenvolvimento de fitoterápicos........................................................ 4 MATERIAL E MÉTODOS ....................................................... 4.1 4.2 4.3 4.4 4.4.1 4.4.2 4.4.2.1 4.4.2.2 Matérias-primas de origem vegetal ..................................................... Reagentes, soluções e outras matérias-primas ................................. Equipamentos e outros materiais ....................................................... Atividade Farmacológica ...................................................................... Animais e ensaios farmacológicos ..................................................... Avaliação da atividade gastroprotetora............................................... Modelo de úlcera aguda induzida por etanol/HCl.................................... Modelo de úlcera aguda induzida por antiinflamatório nãoesteroidalassociada à estimulação parassimpaticomimética................... Avaliação da atividade sobre a secreção gástrica ............................ Modelo da avaliação da secreção gástrica (ligadura de piloro)............... Modelo de avaliação da secreção de muco em mucosa gátrica ............ Mecanismos de ação antiúlcera .......................................................... Participação do óxido nítrico endógeno envolvido na gastroproteção..... Participação dos grupamentos sulfidrila endógenos envolvidos na gastroproteção......................................................................................... Obtenção, tratamento e caracterização da droga vegetal ................ Determinação da perda por dessecação ............................................ Análise granulométrica ........................................................................ Determinação do teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) na droga vegetal ............................................................. Determinação do teor de flavonóides totais na droga vegetal ......... Obtenção e caracterização preliminar das soluções extrativas ....... Determinação do pH ............................................................................. Determinação do resíduo seco ............................................................ Análise cromatográfica em camada delgada (CCD) .......................... Determinação do teor de fenólicos totais nas soluções extrativas.. 4.4.3. 4.4.3.1 4.4.3.2 4.4.4 4.4.4.1 4.4.4.2 4.5 4.5.1 4.5.2 4.5.3 4.5.4 4.6 4.6.1 4.6.2 4.6.3 4.6.4 19 21 21 21 22 22 22 24 24 25 27 28 31 31 32 33 35 36 43 43 43 44 45 45 46 46 47 48 48 49 50 50 50 51 52 52 53 54 55 56 56 56 57 18 4.6.5 4.7 4.7.1 4.7.1.1 4.7.1.2 4.7.1.3 4.7.1.4 Análise cromatográfica por CG ........................................................... Otimização das condições extrativas ................................................. Caracterização das soluções extrativas ............................................. Determinação do pH................................................................................ Determinação do resíduo seco................................................................ Determinação do teor de fenólicos totais................................................. Determinação do teor de marrubiína....................................................... 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................. Avaliação da atividade antiúlcera do extrato metanólico e da marrubiína............................................................................................... 5.1.1 Efeito do extrato metanólico da M. vulgare e do diterpeno marrubiina em úlceras agudas induzidas por etanol/HCl.................. 5.1.2 Efeito do extrato metanólico da M. vulgare em úlceras agudas induzidas por AINE/parassimpaticomimético..................................... 5.1.3 Avaliação da atividade sobre a secreção gástrica............................. 5.1.3.1 Ligadura de piloro.................................................................................... 5.1.3.2 Secreção de muco em mucosa gástrica.................................................. 5.1.4 Mecanismo de ação antiúlcera in vivo................................................. 5.1.4.1 Papel do óxido nítrico e do extrato metanólico da Marrubium vulgare em úlceras agudas induzidas por etanol/HCl........................................... 5.2 Obtenção, tratamento e caracterização da droga vegetal ................ 5.2.1 Rendimento do material vegetal .......................................................... 5.2.2 Perda por dessecação........................................................................... 5.2.3 Caracterização química por cromatografia em camada delgada ..... 5.2.4 Análise cromatográfica por CG ........................................................... 5.2.5 Análise granulométrica ........................................................................ 5.2.6 Teor de extrativos solúveis em água .................................................. 5.2.7 Teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico(EAG)............... 5.2.8 Teor de flavonóides totais na droga vegetal ...................................... 5.3 Desenvolvimento das soluções extrativas ......................................... 5.3.1 Caracterização química por cromatografia em camada delgada dos extratos metanólicos, hidroalcoólicos e aquosos...................... 5.3.2 Determinação pH e resíduo seco nos extratos metanólicos, hidroalcoólicos e aquosos ................................................................... 5.3.3 Determinação de fenólicos totais nos extratos metanólicos, hidroalcoólicos e aquosos.................................................................... 5.4 Otimização do Processo Extrativo ..................................................... 57 58 59 59 59 59 59 61 5.1 61 61 65 67 68 69 71 71 74 74 75 76 78 81 83 83 85 87 88 89 91 92 102 5 CONCLUSÕES ....................................................................... REFERÊNCIAS ......................................................................................... 104 ANEXO A ................................................................................................... 118 19 1 INTRODUÇÃO As plantas medicinais são importantes fontes de compostos bioativos, constituem-se em importante matéria-prima para a produção de fitomedicamentos. Dentre os fitomedicamentos, os fitoterápicos, preparações contendo extratos padornizados de uma ou mais planta, tem sua utilização em contínua expansão. Esta acelerada valorização das plantas acaba por gerar o aumento na busca de comprovação das propriedades farmacêuticas, qualidade, segurança e eficácia dos fitoterápicos, reforçando a importância de estudos científicos que permitam o seu controle de qualidade e de suas matérias-primas (CALIXTO, 2001; SIMÕES; SCHENKEL, 2002; MELLO et al., 2004; ARNOUS; BEINNER; SANTOS, 2005; RIBEIRO et al., 2005; SOUZA; LIONZO; PETROVICK, 2006). Dentre as plantas medicinais, a Marrubium vulgare L. (Lamiaceae), popularmente conhecida por marroio, marrubio, maromba, erva-virgem, bomhomem, marroio-comum ou erva de sapo é uma planta melífera, de origem européia, adaptada ao planalto catarinense do Brasil, muito usada na medicina popular na forma de chás para o tratamento de diversas doenças, incluindo inflamações, desordens gastrointestinais e doenças respiratórias. A partir do uso na medicina popular, uma série de propriedades desta planta vem sendo confirmada em estudos laboratoriais, que tiveram início pelos pesquisadores no Núcleo de Investigações Químicas e Farmacêuticas desta universidade (NIQFAR/UNIVALI), através do estudo das propriedades analgésica, antiespasmódica, hipoglicemiante e hipolipidêmica (SCHLEMPER et al., 1996; DE SOUZA et al., 1998; NOVAES et al., 2001; HERRERAARELLANO et al., 2004; MEYRE-SILVA et al., 2005); atividade vasorelaxante e anti-hipertensiva (EL-BARDAI et al., 2001, 2003a, b), bem como antiinflamatória (MOLINARI et al., 1997) e antioxidante (SCHINELLA et al., 2002). O guia terapêutico de plantas medicinais alemães, o Comission E Monographs, cita a M. vulgare como colerético, utilizado para a falta de apetite e dispepsia (azia). Há também na literatura relatos sobre o uso popular em tribos do México, das sementes da M. vulgare para dores de estômago e parasitoses intestinais (MORENO-SALAZAR; ROBLES-ZEPEDA; JOHNSON; 2008). 20 Segundo Toso et al. (2007), o extrato hidroalcoólico das partes aéreas da M. vulgare demonstrou atividade gastroprotetora e efeito inibitório da motilidade gastrointestinal, sugerindo que o mecanismo de ação do extrato esteja ligado a ação espasmolítica. No entanto, apesar destes achados, existem poucos estudos bem desenhados nesta área, e há pouca informação disponível sobre a eficácia da M. vulgare para este uso. Junto ao amplo potencial terapêutico e a incipiente aceitabilidade no mercado, vem necessidade de estabelecer condições para o controle de qualidade e desenvolvimento de fitoterápicos em geral. Dada à importância clínica e a ausência de medicamentos mais eficazes e com menos efeitos indesejáveis, torna-se necessário a procura de novas terapias contra os distúrbios gástricos, bem como a compreensão de todos os processos envolvidos na fisiopatologia das úlceras e gastrites (LA VECCHIA; TAVANI, 2002; RAGHUNATH et al., 2005; SCHMEDA-HIRSCHAMANN; YESILADA, 2005). Diante do exposto, este trabalho visa avaliar a atividade antiúlcera das partes aéreas da M. vulgare, planta que apresenta relatos de efeitos curativos para dispepsias e para o alívio de distúrbios gastrointestinais, através dos modelos de úlceras agudas induzidas por etanol/HCl, AINE/simpaticomimético, bem como a atividade sobre a secreção gástrica (ligadura de piloro, doseamento de muco). Tendo-se em vista a procura por novas terapias para os distúrbios gástricos que sejam totalmente eficazes e estejam associados a menos efeitos colaterais, buscou-se também, investigar e otimizar a preparação de soluções extrativas da M. vulgare, que possam instigar estudos posteriores para a produção futura de um fitoterápico. Buscou-se caracterizar a droga vegetal e preparações extrativas, a fim de se estabelecer parâmetros de qualidade ou conformidade ligados às diversas etapas do desenvolvimento de fitoterápicos para que estes conhecimentos possam ser utilizados para a industrialização nacional de medicamentos a base desta planta. 21 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivos Gerais 1. Avaliar o potencial gastroprotetor do extrato metanólico das partes aéreas da Marrubium vulgare, e do diterpeno isolado, marrubiína; 2. Contribuir para o desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos a partir das partes aéreas da Marrubium vulgare. 2.2 Objetivos Específicos 1. Caracterizar a droga vegetal, quanto aos parâmetros físicos (perda por secagem, rendimento, granulometria) e químicos (cromatografia em camada delgada, teor de flavonóides e fenólicos totais); 2. Avaliar a atividade gastroprotetora e a atividade sobre a secreção gástrica do extrato metanólico e da marrubiína, obtidos das partes aéreas da Marrubium vulgare; 3. Investigar os possíveis mecanismos de ação antiúlcera, via participação do sistema óxido nítrico e grupamentos sulfidrila; 4. Avaliar o efeito do método de extração (maceração, infusão e decocção) e líquido extrator em diferentes graduações alcoólicas (90, 70 e 50%) sobre a extração de potenciais marcadores químicos; 5. Otimizar as condições extrativas do método selecionado, através de planejamento fatorial, variando o tempo de extração, a relação planta:solvente e a granulometria padronizada, visando o maior teor de resíduo seco e marcadores químicos. 22 3 REVISÃO DA LITERARURA 3.1 Marrubium vulgare L. (Lamiaceae) 3.1.1 Características botânicas e agronômicas Apesar de não ser uma planta muito comum, a M. vulgare L. (Lamiaceae) (Fig. 1) pode ser encontrada nos campos não cultivados e nas margens das estradas, preferindo zonas de calor mais intenso e clima seco. Possui origem européia, entretanto pode ser encontrada nas regiões altas da Armênia, Rússia, Afeganistão e Azerbaidjão. Foi introduzida no Brasil pelos imigrantes europeus e apresentou melhor adaptação à região sul, principalmente no planalto catarinense (DE SOUZA et al., 1998). M. vulgare é uma planta herbácea perene, da família das Labiadas, cuja altura não ultrapassa os 50 cm. Possui caule lenhoso quadrangular, ereto e robusto, densamente albo-lanoso. Suas folhas são oval-arredondadas de 4,5 cm de comprimento, com base estreita e ápice obtuso, pecíolo de 1-2 cm de comprimento e flores pseudo verticilos de 20 a 50 flores de cor clara (Fig. 2), localizados nas axilas das folhas superiores. As substâncias encontradas são amargo-adstringentes, tônicas e sudoríferas, com ação sobre a membrana pituitária e os pulmões (CORRÊA, 1984; CIRILO, 1993; DE SOUZA et al., 1998). Possui um cálice tubuloso e estriado, com um número variável de dentes (5-10), terminados em ponta. Toda a planta tem cor esbranquiçada por sua abundante velosidade, e desprende um odor característico (QUER, 1992). 23 Figura 1. Fotografia obtida das folhas da Marrubium vulgare L. A Figura 2. Fotografia das partes aéreas (A) e das flores (B) da Marrubium vulgare L. (Fonte: CHARTERS, 2003; RIGNANESE, 2007). B 24 3.1.2 Etnofarmacologia No Brasil, a M. vulgare é uma planta conhecida popularmente pelos seguintes nomes: marroio, marroio-branco, marrubio, maromba, erva-virgem, bom-homem, marroio-comum ou erva de sapo. Consiste em uma planta melífera que é usada pela população na forma de chás e suas raízes são indicadas como diuréticas e nas doenças hepáticas e renais (BALMÉ, 1982; CORRÊA, 1984; CIRILO, 1993). Esta planta medicinal é também usada para o tratamento de diversas doenças, incluindo inflamações, desordens gastrointestinais e doenças respiratórias (BALMÉ, 1982; NEWAL; ANDERSON; PHILIPSON, 1996), neurosedativo e antiinflamatório (MASCOLO et al., 1987; SAHPAZ et al., 2002). Segundo Wichtl e Anton (1999), as partes floridas aéreas e os extratos aquosos e hidroalcoólicos são usados na medicina para o tratamento de tosses e como colérico em transtornos digestivos e biliares (SAHPAZEVSER et al., 2002). A M. vulgare é também muito utilizada no meio rural como fonte terapêutica para uso veterinário (CORRÊA, 1984; KORBES, 1989). Há referências do seu uso para tratamento da febre tifóide, com a ação antitérmica muito notável, caracterizada pela baixa na temperatura, melhora rápida no estado geral e diminuição real da duração da enfermidade (QUER, 1992). Já foi descrito que a M. vulgare pode alterar o ciclo menstrual e foi verificada a atividade uterogênica e o efeito abortivo desta planta em animais de experimentação (VANACLOCHA; FOLCARO, 2003). 3.1.3 Estudos tecnológicos e mercadológicos Quanto a M. vulgare, em países onde seu uso é mais descrito, é possível encontrar medicamentos a base desta planta, ou com a associação de outras plantas medicinais. É o caso de países como a Espanha (Marroio Branco® - Arkocápsulas), Venezuela (Marrubina® - Vitaplant) e Portugal (Sambukid xarope infantil – Farmodiética®) (Fig. 3). Nestes casos, os usos mais populares destes medicamentos são para uso em casos de tosse e bronquite. No México (Control de Azúcar® – Herbs of México) (Fig. 3), entretanto, é possível encontrar um medicamento a base da M. vulgare para controle de diabetes. (HERBS OF MÉXICO, 2009). 25 O FDA (Food and Drug Administration) proibiu o uso dos comprimidos da M. vulgare (popularmente horehound em inglês), para tosse em 1989 por não haver evidências suficientes que comprovassem sua eficácia. Entretanto, a M. vulgare é comumente usada na Europa e pode ser encontrados para tosse, preparados por indústrias Européias e que são vendidos nos Estados Unidos, como por exemplo, Ricola®. A C B Figura 3: Medicamentos a base da Marrubium vulgare comercializados em diferentes países. (A) México (Herbs of Mexico®) (B) Espanha (Marroio Branco® - Arkocápsulas) (C) Inglaterra (Cough Elixir® – Welleda). 3.1.4 Estudos fitoquímicos Estudos antigos indicaram nesta planta a presença de alcalóides, esteróides, lactonas, terpenos, taninos, açúcares e vitamina C (POURRAT; LE MEM, 1953; NICHOLAS, 19648; HENDERSON; McCRINDLE, 1969). Portanto, já foram isolados diversos compostos, com grande predominância de uma lactona diterpênica amarga de núcleo labdonofurânico, a marrubiína, (Fig. 3B), um esterol da série do estigmasterol e um sesquiterpeno (NICHOLAS, 1964; ABBONDANZA; BRECCIA; CRESPI, 1964; VANACLOCHA; FOLCARO, 2003). Outros diterpenos presentes são: marrubiol, peregrinol, vulgarol, (VANACLOCHA; FOLCARO, 2003). Aliev e Aliev, em 1956, demonstraram os efeitos dos alcalóides presentes nesta planta ao provocar a inibição das contrações provocadas em coração isolado de sapos. Anos mais tarde, Paudler e Wagner (1963) isolaram e caracterizaram os principais alcalóides turicina, betocina e estaquidrina. A análise química desta planta revelou ainda, a presença de compostos fenólicos (DE VICENZI; MAIALETTI, 1995), enquanto o extrato da cultura de 26 calos revelou a presença de fitosteróis (KNOSS; WILHELM; GLONBITZA 1993). Estudos demonstraram a atividade biológica anti-esquistossomal dos óleos voláteis da M. vulgare. (SALEH; GLOMBITZA, 1989; VANACLOCHA; FOLCARO, 2003). Além disto, verificou-se, nesta e em outras plantas da família das Labiadas, a presença do ácido ursólico, composto este reconhecido como sendo capaz de inibir a tumorigênese e inflamação induzida quimicamente na pele de camundongos (BRIESKORN et al., 1952; HUANG et al., 1994). Investigações fitoquímicas com a M. vulgare levaram à caracterização de uma série de flavonóides, incluindo luteolina, apigenina, 7-glucosídeos, 7lactatos, vitexina (NAWWAR et al., 1989). El Bardai et al. (2003a) identificaram e caracterizaram o marrubenol (1,4naptalenediol, 1-[2-(3-furanil)etil]decahidro-5-(hidroximetil)-2,5,8 atrimetil, [1R(1a, 2a, 4b, 4a, 5b, 8ab)], um diterpenóide sintetizado a partir da marrubiína e o primeiro a ser isolado da Marrubium vulgare por Fulke, Henderson e McCrindle (1968). As partes aéreas da M. vulgare contém 2% da lactona diterpênica, a marrubiína, que se encontra na forma de pré-marrubiína (Fig. 3A), assim como alcoóis diterpênicos: marrubiol, vulgarol e peregrinol (BUSBY et al., 1983). A otimização na obtenção do diterpeno marrubiína tem sido relatada com a utilização de quitina, um biopolímero natural que é capaz de promover a obtenção da marrubiína com alto rendimento de maneira eficaz e de baixo custo (RODRIGUES et al., 1998). A B Figura 4. Estrutura química da pré-marrubiína (A); e do seu derivado, marrubiína (B) (KNOSS; REUTER; ZAPP, 1997) . Considerando que existem muitos terpenos com atividade 27 gastroprotetora (KLOPELL et al., 2007; ANDRADE et al., 2008; ANDRADE et al., 2006), foi avaliado o potencial antiúlcera do extrato metanólico, bem como da marrubiína, obtidos da M. vulgare, em diferentes modelos experimentais de úlcera. 3.1.5 Estudos farmacológicos Além de exibir significante atividade analgésica, pelo antagonismo da dor aguda induzida quimicamente, o extrato hidroalcoólico de partes aéreas e raízes da M. vulgare exerceu efeito antiespasmódico em músculo liso in vitro com a inibição de alguns neurotransmissores como a acetilcolina, bradicinina, prostaglandina E e ocitocina (SCHLEMPER et al., 1996). Em estudos preliminares, o extrato hidroalcoólico da M. vulgare também apresentou a atividade broncodilatadora não específica in vitro (MOLINARI et al., 1997). O extrato hidroalcoólico das partes aéreas demonstrou efeito inibitório sobre o extravasamento de plasma induzido por agonistas inflamatórios em orelhas de camundongos. O efeito apresentado parece estar ligado a interferência sobre o sistema histaminérgico e sobre a cascata de cininas (CAVALLI;, MOLINARI, 1997). O decocto da M. vulgare quando administrado oralmente, apresentou uma diminuição de glicemia semelhante a apresentada pela tolbutamida, uma sulfoniluréia utilizada para o tratamento do diabetes (RAMOS et al., 1992). Além disso, o extrato hidroalcoólico do M. vulgare, quando administrado oralmente em ratos diabéticos na dose de 300 mgkg, diminui a hiperglicemia tornando os animais normoglicêmicos (NOVAES; ROSSI, 1998). Arellano et al. (2004) demonstraram que esta planta é capaz de reduzir os níveis de glicose sanguíneo e lipídio em pacientes portadores do diabetes tipo 2. Outros efeitos medicinais reportados para a M. vulgare são: antioxidante (VANDERJAGT et al., 2002), hipotensivo (EL BARDAI et al., 2001) e propriedades inseticidas (PAVELA, 2004). Meyre-Silva et al. (2005), demonstraram que alguns derivados presentes na M. vulgare, ácido marrubinico e marrubiína, apresentam efeito analgésico, o que poderia contribuir para o uso como modelo para obtenção de novos e mais efetivos agentes analgésicos. 28 O resultado do estudo de Stulzer et al. (2006), demonstrou pela primeira vez que a marrubiína exibe significante inibição na reação microvascular induzida por agonistas pró-inflamatórios, além de significante propriedades inibitórias no edema alérgico. Os resultados sugeriram ainda, que a marrubiína interfere com alguns mecanismos comuns de agentes flogísticos usados. Verificou-se que a marrubiína apresenta propriedade antiinflamatória não seletiva. Outro estudo revelou ainda que a M. vulgare possui atividade antimicrobiana contra gram positivos, especialmente Staphylococcus aureus (AL-BARKI; AFIFI, 2007). Recentemente foi publicada por Meyre-Silva e Cechinel (2010), uma ampla revisão abordando as propriedades para as espécies do gênero Marrubium. Segundo Toso et al. (2007), o extrato hidroalcoólico das partes aéreas apresentou atividade gastroprotetora, utilizando-se o extrato na concentração de 2 g/mL, por via oral. Além disso, A Commission E guia terapêutico alemão com monografias de ervas medicinais, aprovou o uso da M. vulgare para falta de apetite, dispepsia e agente colérico (WHITE HOREHOUND, 2008). Com base nestes optou-se pela avaliação da atividade farmacológica do extrato metanólico feito a partir das partes aéreas da M. vulgare, coletada em fevereiro de 2006 (verão) na cidade de Bom Retiro/SC. 3.2 Fisiopatologia da úlcera A humanidade convive com úlceras pépticas desde tempos mais remotos. A primeira descrição de úlceras pépticas data do século IV a.C., inscrita nos pilares do templo de Esculápido, em Epidaurus (Grécia), descrevendo de forma mitológica a origem da doença. Outro fato histórico foi a morte de Marco Aurélio, ilustre imperador romano, cujo médico, Galeano, concluiu ser por perfuração de úlcera péptica. A terapia mais antiga contra a úlcera gástrica data do século IX, cuja uma mistura de solos ricos em sais e leite era responsável pela neutralização do ácido (BRUNTON; LAZO;, PARKER, 2006). As úlceras gástricas e duodenais afetam pessoas em todo o mundo. O estilo de vida moderno (estresse, fumo, uso de drogas, má alimentação), 29 colabora para o aumento da incidência de úlceras pépticas (BELAICHE et al., 2002; BRUNTON;, LAZO;, PARKER, 2006). Cerca de 10% da população dos países industrializados é afetada, sendo que só no continente americano mais de dois milhões de adultos sofrem deste mal em alguma fase da vida. Este distúrbio afeta aproximadamente de 11 a 20% dos homens e 8 a 11% das mulheres (FERREIRA, 2005). As úlceras gástricas costumam ser freqüentemente uma doença crônica, a qual pode persistir por até 20 anos, caracterizada por episódios repetidos de cura e re-exacerbação (NAIK et al., 2007). O estômago é um reservatório em forma de “J”, no qual o alimento é embebido pelo suco gástrico, que contém enzimas e ácido clorídrico. Este suco gástrico desdobra os alimentos em substâncias químicas mais simples, que podem ser absorvidas pela mucosa intestinal (KUTCHAI, 1996; FLOCH et al., 2007). O estômago é um reservatório composto por uma túnica mucosa, de cor cizento-avermelhado, composta de uma única camada superficial de células epiteliais que começa na região da cárdia e se estende até a região do piloro. A capacidade do estômago é de aproximadamente 1200 mililitros (FLOCH et al., 2007). É um órgão revestido por várias camadas de músculo liso e que possui um revestimento de muco. Anatomicamente este órgão é dividido em três regiões topográficas (fundo, corpo e antro) (Fig. 5) e duas áreas funcionais (glândulas parietais e piloricas) (CARVALHO, 2006; SCHUBERT; PEURA, 2008). O corpo principal do estômago apresenta várias pregas longitudinais. A mucosa gástrica apresenta glândulas secretoras (células parietais). Estas glândulas estão localizadas no fundo e no corpo e são as responsáveis pela secreção do muco e dos íons HCO 3-, que são os responsáveis pela proteção do lúmen estomacal contra a ação ácida promovida pelo estímulo de agonistas endógenos sobre as células parietais (CARVALHO, 2006). 30 Figura 5. Secção longitudinal, face ventral do estômago. (Fonte: Enciclopédia multimídia do corpo humano, 2000) Segundo Crawford (2000), o estômago está dividido em quatro regiões anatômicas: a) Cárdia: representa a região próxima à junção esofagogástrica; b) Fundo: é a região bulbosa subdiafragmática do estômago, localizado à esquerda do esôfago, em direção cefálica à entrada do esôfago para o estômago; c) Corpo: é a maior região anatômica interposta entre o fundo e o antro mais caudal. O início do antro é demarcado por uma linha vertical traçada através da incisura angular da pequena curvatura do estômago; d) Antro ou porção pilórica: se estende desde o corpo do estômago até o esfíncter pilórico. Segundo Carvalho (2006), a liberação do ácido na luz do estômago pelas células parietais é desencadeada por três diferentes vias: a) Parácrina: estimula a secreção de histamina, que e liberada por células enterocromafins (ECL), semelhantes aos mastócitos existentes no estômago e dispostas em intimo contato com as células parietais, atuando em 31 receptores H2, promove o aumento da secreção ácida gástrica por elevar os níveis intracelulares de AMPc; b) Endócrina: estimula a liberação de gastrina a qual incita receptores da célula parietal, provocando aumento dos níveis intracelulares de Ca2+, levando desta forma a uma excreção aumentada de ácido gástrico; c) Neuronal: estimula a liberação de acetilcolina a qual atua em receptores muscarínicos, estimulando a secreção ácida por elevar os níveis intracelulares de Ca2+. Esta excitabilidade está associada a estímulos olfativos, visão, paladar e mastigação e por neurônios locais da parede gástrica os quais são estimulados pela distenção das paredes do estômago; O estômago a fim de manter sua função primordial de efetuar a digestão, apresenta barreiras que evitam a lesão das células pelo ácido gástrico, sendo a camada de muco a principal barreira (TULASSAY; HERSZENYI, 2010). 3.3 Úlcera 3.3.1 Epidemiologia e conceito geral O surgimento de úlceras pépticas e desordens gástricas é um processo que não é totalmente compreendido. Acredita-se que quando este sistema de gastroproteção se torna deficiente, a mucosa e o epitélio ficam expostos aos fatores agressivos (secreção do suco gástrico), que geram lesões, inflamação e necrose. Ocorre um desequíbrio entre os fatores agressivos e os mecanismos protetores da mucosa (BRZOZOWSKI, 2003; TULASSAY;, HERSZE’NYI, 2010). Segundo o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (2004), a úlcera péptica é definida como uma ferida no revestimento do estômago ou do duodeno. Segundo Toledo Dias et al. (2009), a úlcera gástrica corresponde a uma perda circunscrita de tecido da mucosa, ocorrendo nas regiões do trato digestivo que entram em contato com o suco gástrico secretado no estômago. Esta lesão, pode se estender da camada mucosa até a camada muscular, porém, geralmente são lesões crônicas e solitárias. As desordens gástricas também envolvem dispepsias e gastrites, que podem ser tanto 32 agudas quanto crônicas. A dispepsia é um grupo de sintomas do trato digestório, geralmente associado a causas orgânicas, mas em geral é caracterizada pelo aumento da secreção ácida. Já a gastrite é caracterizada como a inflamação do revestimento do estômago, podendo ser aguda ou crônica, podendo também evoluir para um quadro ulcerativo (LIPOF;, SHAPIRO;, KOZOL, 2006; MAHADEVA; GOH, 2006). Quando a mucosa perde a capacidade de proteger-se através das secreções de bicarbonato e muco, ocorrem lesões, que são desencadeadas devido a um desequilíbrio entre os agentes ofensivos (secreção de ácido e pepsina) e defensivos (secreção de bicarbonato, muco e produção de prostaglandinas) acarretando no surgimento de úlceras (ANDRADE et al., 2006). 3.3.2 Agentes agressores da mucosa A úlcera gástrica pode ser provocada, por diversos fatores, muitos estão relacionados com maus hábitos alimentares, estresse, tabagismo, uso abusivo de AINEs e bebidas alcoólicas (BARROS et al., 2008; KLEIN-JR et al., 2010). As desordens gástricas, gastrites e úlceras podem estar associadas a fatores endógenos, tais como predisposição genética, ácido, pepsina, secreção biliar, e fatores endógenos, relacionados com as condições de vida, tais como estresse, fumos, álcool, uso de drogas e medicamentos, uso de alimentos nocivos ou infecção por Helicobacter pylori (HIRSCHOWITZ et al., 1995; WOLFE; SANCHS, 2000; BRUNTON; LAZO; PARKER, 2006). A mucosa gástrica é continuamente exposta a agentes potencialmente irritantes, tais como ácidos, pepsina, ingredientes alimentares, bactérias e drogas. Estes implicam na patogênese da úlcera, incluindo aumento da secreção gástrica, diminuição do fluxo sangüíneo gástrica, supressão de produção de prostaglandinas endógenas, inibição da proliferação de células da mucosa e alteração da motilidade gástrica (KONTUREK et al., 1998; KWIECIÉN; BRZOZOWSKI; KONTUREK, 2002; TULASSAY; HERSZE’NYI, 2010). 33 A seguir estão descritos os principais agentes agressores: Etanol: É considerado um dos agentes que induz mais intensamente a úlcera gástrica, ele promove sérios distúrbios na mucosa gástrica como, isquemia e aparecimento de radicais livres, degranulação de mastócitos, inibição da produção de prostaglandinas e diminuição na produção do muco gástrico (HIRUMA-LIMA et al., 2009). AINEs: O uso abusivo de AINEs é um dos maiores causadores de úlceras, estes medicamentos inibem a produção de prostaglandinas, com consequente aumento na liberação de ácido gástrico e diminuição na produção do muco citoprotetor, acarretando assim no surgimento de lesões (HIRUMALIMA et al., 2009). Estresse: As úlceras provocadas por estresse são ocasionadas por um aumento na peroxidação lipídica, a principal consequência deste aumento, é a formação de espécies reativas de oxigênio, levando assim a formação de lesões no lúmen gástrico (RODRIGUES et al., 2008). Infecção por Helicobacter pylori: É fato conhecido que a úlcera pode ser ocasionada por uma elevação na liberação de ácido clorídrico e pepsina, porém ocorrem casos em que o paciente apresenta úlcera sem ter esta liberação aumentada de fatores ofensivos. Nestes casos, o provável agente etiológico é o H. pylori, uma bactéria gram-negativa, que é considerada o agente de infecção crônica mais comum em seres humanos, tendo como habitat específico a mucosa gástrica e em função disto, acredita-se que contribua para a destruição das células gástricas (SIQUEIRA et al., 2007; FALCÃO et al., 2008). A bactéria é o principal agente etiológico da úlcera péptica em humanos, apresenta uma alta taxa de prevalência a nível mundial, em países desenvolvidos chega a 40% e em países em desenvolvimento a taxa é maior de 80% (SOUZA et al., 2006). 3.3.3 Agentes de defesa da mucosa Os mecanismos de defesa da mucosa gástrica permitem que esta mucosa suporte a exposição frequente de agentes agressores. Os mecanismos de defesa podem agir localmente bem como a partir de mecanismos neurohormonais. A defesa da mucosa gástrica é um processo dinâmico. 34 A primeira linha de defesa da mucosa gástrica constitui-se na barreira de muco e bicarbonato, sendo esta a única barreira entre o epitélio e a luz. Esta barreira é composta por um gel de muco, bicarbonato e fosfolipídios surfactantes, possuindo característica elástica, viscosa e aderente (ALQASOUMI et al., 2009). O muco é secretado por células secretoras encontradas entre as células superficiais, por toda a mucosa gástrica. No muco estão presentes íons bicarbonato, que geram um gradiente de pH 6-7 na mucosa gástrica, protegendo-a do pH 1-2 presente na luz estomacal, formando uma camada inerte, como se fosse um gel, protegendo a mucosa do suco gástrico. Acreditase que os distúrbios nas funções secretórias descritas acima estejam envolvidos na patologia da úlcera. As células parietais são estimuladas pela histamina que provém de mastócitos (ou células semelhantes), e esta, atua em receptores H2, ocorrendo um aumento da ação da gastrina e da acetilcolina (TULASSAY; HERSZE’NYI, 2010). Uma perfusão sanguínea adequada evita danos epiteliais às camadas mais profundas da mucosa. A principal função da micro-circulação da mucosa é abastecer as células com nutrientes e com oxigênio. O fluxo sanguíneo protege a mucosa gástrica por fornecer oxigênio, bicarbonato e nutrientes, além de remover o dióxido de carbono, íons hidrogênio e difundir toxinas do lúmen gástrico (BECKMAN; KOPPENOL, 1996; REPETTO; LLESUY, 2002). Quando a mucosa gástrica é exposta a agentes irritantes, as células endoteliais produzem potentes vasodilatadores, como óxido nítrico (NO) e prostaciclina I2 (PGI2), que agem protegendo a mucosa de lesões causadas por substâncias vasoconstritoras como leucotrienos, tromboxanos e endotelina. O NO age ainda inibindo a secreção de ácido gástrico pelas células parietais (WALLACE; MILLER, 2000). Além do muco e do fluxo sanguíneo, o ácido gástrico também constitui uma defesa da mucosa, pois reduz a possibilidade de colonização por bactérias. O epitélio, que se encontra logo após a camada de muco é uma barreira protetora capaz de se reparar rapidamente, possuindo células de rápida proliferação. Existem ainda a linha de defesa do sistema imune, como mastócitos, macrófagos e imunoglobulinas que reconhecem a entrada de 35 invasores na mucosa e produzem uma resposta inflamatória (WALLACE; GRANGER, 1996; WALLACE, 2001). Outro fator de proteção da mucosa é a renovação celular. O epitélio gástrico é reconstruído a cada 2-4 dias. Esta contínua renovação das células progenitoras da mucosa, é uma característica muito importante, que colabora na manutenção da integridade estrutural da mucosa, acarretando em maior resistência na formação de lesões (TULASSAY; HERSZENYI, 2010). As prostaglandinas também estão envolvidas na proteção da mucosa. Elas facilitam e estimulam a maioria dos mecanismos de gastroproteção da mucosa. Responsável pela geração contínua de PGI2 e principalmente de PGE2, que são essenciais na manutenção da integridade gástrica e na proteção contra agentes necrotizantes e ulcerosos. As PGs inibem a liberação de ácido gástrico, aumentam o fluxo sanguíneo da mucosa, estimulam a produção de muco e bicarbonato, aceleram o reparo e a cicatrização tecidual (BRZOZOWSKI, 2003; TULASSAY; HERSZENYI, 2010). 3.3.4 Tratamento de desordens gástricas O tratamento das desordens gástricas, gastrites e úlceras, por muitos anos, foram baseados na supressão da secreção ácida. Porém, pesquisas recentes revelam que os fatores envolvidos na defesa participam do controle da acidez, sendo que atualmente há um grande interesse pelos mecanismos reguladores e cicatrizantes envolvidos na resolução do quadro ulcerativo (DAJANI; KLAMUT, 2000; WALLACE, 2005). A terapia para cura de úlceras tem por objetivo a redução da dor, promover a cicatrização e prevenir prováveis úlceras reincidentes. A terapia farmacológica baseia-se em reestabelecer o equilíbrio entre os fatores ofensivos e defensivos, ou seja, proteger a mucosa da ação do suco gástrico (AIHARA et al., 2003) Durante muitos séculos o tratamento das úlceras gástricas era realizado, utilizando-se antiácidos para neutralizar a secreção gástrica, restrições alimentares eram utilizadas e os procedimentos cirúrgicos eram corriqueiros (YUHONG et al., 2006). 36 Assim, fármacos utilizados no tratamento da úlcera gástrica agem por um dos seguintes mecanismos: Drogas que inibem ou neutralizam a secreção de ácido gástrico (terapia anti-secretória). Nesta classe estão agrupados: a) antagonistas de receptores H2 da histamina (cimetidina, ranitidina): agem diretamente sobre as células parietais provocando uma diminuição na liberação de secreção gástrica (YUHONG et al., 2006) b) inibidores da bomba de prótons, (H+-K+)-ATPase (omeprazol, pantoprazol): atua inibindo a secreção de ácido gástrico através da inativação da bomba, a partir da formação de ligações dissulfeto entre as moléculas reagentes do omeprazol com a estrutura da bomba de prótons; c) antiácidos que neutralizam o ácido gástrico (hidróxido de magnésio, trissilicato de magnésio, bicarbonato de sódio). Drogas que protegem a mucosa (quelato de bismuto, sucralfato) (RANG; DALE; RITTER, 2001; BRUNTON; LAZO; PARKER, 2006). Atualmente, recomenda-se a associação de uma droga que atue inibindo a secreção ácido e/ou protegendo a mucosa e associações de antibióticos, para o tratamento desta patologia (RANG; DALE; RITTER, 2001), porém, ainda não há um fármaco que produza 100% de cura das úlceras gástricas e devido ao fato da úlcera gástrica ser considerada agravo a saúde, a pesquisa de novos fármacos e o desenvolvimento de terapias alternativas é de extrema importância. Neste aspecto os extratos vegetais estão entre os mais promissores no tratamento de úlceras gástricas (SANNOMIYA et al., 2005; BONACORSI et al., 2009; DONATINI et al., 2009). 3.4 Desenvolvimento de fitoterápicos A produção de fitomedicamentos a partir de plantas cultivadas torna-se ainda mais atrativo, tendo em vista a produção de biomassa associada à produção do(s) princípio(s) ativo(s) de interesse. O aumento da procura por drogas vegetais reflete os índices de crescimento do setor. Neste aspecto, o Brasil já abarca US$ 550 milhões desse segmento, com previsão de ter dobrado esse valor em 2010. Além disso, o mercado sofre um crescimento 37 anual de cerca de 10% (ABIFISA, 2010). Este crescimento, que também é observado em outros países, pode gerar divisas para o Brasil desde que a produção de fitomedicamentos atenda a características de qualidade, eficácia e segurança. Estrategicamente, políticas claras que proporcionem ações e fomento do governo na área de fitoterápicos são entraves antigos; porém são necessárias, não só para o desenvolvimento do setor, como também para o desenvolvimento social e econômico do país (HEINZMANN; BARROS, 2007). Um fator limitante para uma maior utilização de plantas como matériaprima pelas indústrias é que sua maioria não possui descrição em códigos oficiais (formulários e farmacopeias) não havendo inclusive estudos científicos adequados sobre muitas delas. Dentro deste restrito número, pode-se citar que 324 estão descritas na Farmacopéia Alemã, 60 na Cooperativa Europeia Científica de Fitoterapia, 13 na Farmacopéia Americana, 60 na Organização Mundial da Saúde e apenas 24 na Farmacopéia Brasileira (TOLEDO et al., 2003). O decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, que aprova a Política Nacional de Plantas Medicinal e Fitoterápico, fortalece e amplia as ações políticas voltadas ao setor, constituindo-se num marco regulatório histórico. Como objetivo geral, esta política visa à promoção do uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional. O impacto esperado com essas medidas é a diminuição da dependência externa e o aumento da competitividade do setor farmacêutico nacional (BRASIL, 2006). A legislação brasileira, segundo o que consta na redação da Resolução RDC n° 14, de 31 de março de 2010 (BRASIL, 2010) define como medicamento fitoterápico: “medicamento obtido com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais, e cuja eficácia e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, de utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas, caracterizados pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade, não considerando medicamento fitoterápico aquele que inclui na sua composição substâncias ativas isoladas, sintéticas ou naturais, nem as associações dessas com extratos vegetais.” Antes que um medicamento seja registrado e prescrito pela classe 38 médica, são necessários estudos científicos que comprovem sua segurança e eficácia clínica. Tais quais os critérios utilizados para o desenvolvimento de medicamentos sintéticos, estudos farmacológicos pré-clínicos, estudos toxicológicos em animais, e estudos clínicos (Fases I, II e III) devem ser realizados seguindo protocolos rígidos e critérios aceitos internacionalmente (YUNES; CALIXTO, 2001). Os estudos de um novo medicamento fitoterápico seguem importantes etapas sequenciais, conforme descrito a seguir (SONAGLIO et al., 2004): a) Etapa botânica e agronômica: identificação da planta, relativo à obtenção do material, manejo e coleta. Pontos críticos desta fase: se a planta que se deseja estudar é selvagem ou cultivada, disponibilidade crescente ou decrescente, com ou sem a manipulação agronômica, variação no fornecimento, a melhora genética, controle de qualidade e manuseio pós-colheita. b) Etapa fitoquímica: isolamento, elucidação estrutural, identificação dos constituintes do vegetal, ausência de contaminantes e padronização de marcadores químicos. c) Desenvolvimento de metodologias analíticas: avaliação do teor de substâncias ativas ou grupo de substâncias ativas e do perfil qualitativo dos constituintes químicos de interesse, bem como a avaliação das características físicas e físico-químicas dos produtos tecnologicamente transformados. d) Etapa farmacêutica: preparo das formas farmacêuticas para a administração, garantindo a qualidade e uniformidade da amostra e sua estabilidade durante os testes pré-clínicos e clínicos. e) Ensaios biológicos pré-clínicos: ensaios farmacodinâmicos, farmacocinéticos e toxicológicos em animais de laboratório. f) Etapa clínica: estudos farmacológicos pré-clínicos, estudos toxicológicos em animais, estudos clínico (Fase I, II e III). A transformação tecnológica do material vegetal em um produto tecnicamente elaborado, intermediário ou acabado, faz uso de técnicas de operação de transformação tecnológica. Estas operações de transformação pedem ser classificadas, de forma geral, em: operações preliminares (divisão e classificação), extração, concentração e secagem (SONAGLIO et al., 2004). 39 O termo extração refere-se a uma forma mais seletiva e completa de retirada de substancias ou frações ativas que estão contidas na droga vegetal. Para isto utiliza-se um líquido ou uma mistura de líquidos apropriados para tal extração e que garanta segurança tecnológica em seu uso. Como produto resultante desta extração sólido-líquido obtém-se a chamada solução extrativa (SONAGLIO et al., 2004). Antes de se iniciar um processo de extração deve-se definir a seletividade do solvente a ser empregado no processo. Esta escolha irá determinar a constituição do extrato: maior parte de constituintes químicos da planta ou apenas constituintes químicos com uma determinada característica. Portanto, a escolha do solvente de extração assim como a constância da composição química da matéria-prima vegetal, representam duas etapas importantes no processo de fabricação de produtos fitofarmacêuticos (SHARAPIN et al., 2000). Apesar da variedade de substâncias líquidas conhecidas, as que são utilizadas na extração de drogas vegetais são poucas e esta limitação é justificada por três aspectos (SONAGLIO et al., 2004): Propriedades extrativas: eficiência e seletividade com que o líquido extrator dissolve, à temperatura ambiente, uma substância. Depende dos parâmetros de solubilidade do solvente e do soluto. Adequação tecnológica: diz respeito à facilidade de eliminação de sua eliminação da solução extrativa ou do produto final. Depende do ponto de ebulição, ocorrências de misturas azeotrópicas, risco de explosão, corrosão e formação de peróxidos. Inocuidade fisiológica: toxicidade do líquido extrator para o ser humano. Os solventes mais utilizados como líquidos extratores no caso de fitofármacos é a água, o álcool etílico, a glicerina, o propilenoglicol e as misturas destes líquidos (SANTOS, 2000). As variáveis que interferem no processo de extração, independente da escala de produção ou do tipo de produto final que se deseja são (SANTOS, 2000): a) Estado de divisão da droga: a utilização de pós moderadamente grossos é recomendada para a grande maioria das drogas para 40 partículas muito pequenas podem resultar na que se evite a compactação e formação de canais que dificultam os processos de percolação ou passam para o extrato, nos processos de maceração. b) Natureza do solvente: dependendo da finalidade desejada, o líquido extrator utilizado extrai determinada classe de compostos, seletivamente ou não. c) Temperatura: o aumento da temperatura de extração facilita a dissolução das substâncias extratíveis e, consequentemente, o aumento a eficiência do processo. Entretanto, deve-se cuidar para que o aumento da temperatura do processo não destrua princípios ativos termolábeis ou cause a perda de substâncias voláteis. d) Agitação: permite que uma nova quantidade do líquido extrator entre em contato com o sólido e seja alcançado, desta forma, um novo ponto de equilíbrio de saturação, o que, por sua vez, determinará a eficiência do processo extrativo. Para o aumento na eficiência do processo pode-se fazer uso de bombas de recirculação do solvente ou agitadores mecânicos. e) pH: influencia a solubilidade de diversos compostos pela possibilidade de formação de sais. f) Tempo de extração: é determinado em função do solvente e do equipamento selecionado e deve corresponder ao tempo suficiente para retirar os componentes de interesse. Os processos de extração variam de acordo com três características: escala de produção, qualidade da matéria-prima e natureza do solvente. Os processos extrativos usualmente estudados no desenvolvimento de extratos vegetais, incluem a maceração, a percolação, a turbo-extração, extração em contra-corrente e fluido-supercrítico. Dentre eles, a maceração é um dos processos mais economicamente viáveis, por ser um processo que pode ser realizado em temperatura ambiente e de forma predominantemente estática. É realizada em recipiente fechado, podendo-se variar a temperatura, durante um período de tempo prolongado, sob agitação ocasional e sem remoção do líquido extrator. Esta operação possui variações, entre elas: digestão, que consiste no processo de maceração que ocorre em sistema aquecido a 40-60 °C; maceração dinâmica, feita sob 41 agitação mecânica constante; e a remaceração, que consiste na repetição do processo com o mesmo material vegetal, porém com a remoção do solvente (SONAGLIO et al., 2004). Os extratores para maceração estática possuem maior tamanho e são fechados. A droga fica em contato com o solvente durante o tempo necessário. Em escala industrial, são mais usados os extratores com agitação (SANTOS, 2000). Não se recomenda o uso de água ou de misturas hidroalcoólicas com concentrações etanólicas inferiores a 20%, pois favorecem a proliferação microbiana (SONAGLIO et al., 2004). Geralmente, a otimização de variáveis experimentais é realizada por meio de procedimentos que avaliam o efeito de uma variável por vez (univariado), apresentando desvantagens tais como o tempo gasto para otimização e a falta de avaliação acerca das interações entre as variáveis que afetam o processo em estudo. De acordo com BRASIL et al. (2007), estas desvantagens resultam numa otimização ineficiente, impedindo o rápido estabelecimento de ótimos verdadeiros, os quais são atingidos pelo emprego de sistemas multivariados. O planejamento fatorial é o mais indicado quando se deseja estudar os efeitos de duas ou mais variáveis de influência, sendo que em cada tentativa ou réplica, todas as combinações possíveis dos níveis de cada variável são investigadas (BARROS NETO et al., 2001). Dentre as diversas vantagens da utilização do planejamento fatorial, destacam-se as seguintes (BUTTON, 2005): • Redução do número de ensaios sem prejuízo da qualidade da informação; • Estudo simultâneo de diversas variáveis, separando seus efeitos; • Determinação da confiabilidade dos resultados; • Realização da pesquisa em etapas, num processo interativo de acréscimo de novos ensaios; • Seleção das variáveis que influenciam um processo com número reduzido de ensaios; O planejamento fatorial determina que fatores tenham efeitos relevantes na resposta e, também, como o efeito de um fator varia com os níveis dos 42 outros fatores. Além disso, permite estabelecer e quantificar as correlações entre os diferentes fatores. Diante do exposto, verifica-se que sem o uso de planejamentos fatoriais de experimentos, importantes interações entre fatores podem não ser detectadas e a otimização máxima do sistema pode levar mais tempo para ser alcançada (CUNICO et al., 2008). 43 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Matérias-primas de origem vegetal As partes aéreas da M. vulgare utilizadas para produção do extrato metanólico utilizado nos testes farmacológicos foram coletadas no município de Bom Retiro, estado de Santa Catarina, Brasil, em fevereiro de 2006, pela equipe de estudo da profa. Dr. Christiane Meyre. O composto, marrubiína, foi isolado pela profa. Dra. Christiane Meyre, a partir do extrato das partes aéreas da M. vulgare coletas em Bom Retiro/SC, no mês de fevereiro de 2006. Para caracterizar a droga vegetal segundo parâmetros farmacopeicos e de compêndios oficias (WHO, 1998) foram utilizadas as partes aéreas da M. vulgare coletada em Bom Retiro/SC, em julho de 2009 (inverno) e em fevereiro de 2010 (verão). 4.2 Reagentes, soluções e outras matérias-primas Todos os reagentes são de grau de pureza pró-análise, ou grau CLAE, exceto os diferentemente especificados. Acetato de Etila (Tedia®); Acetona (Tedia®); Ácido Gálico (Vetec®, lote 0904283, validade 07/2013); Ácido gálico (Sigma Aldrich®); Água purificada (Tipo I obtido por filtração em aparato Mili ® Q); Álcool 95% (Nuclear®); Álcool Etílico PA (Dinâmica®, lote 31285, validade 10/2012); Carbonato de Sódio (Labysinth®); Cimetidina Sigma-Aldrich® (St. Louis, MD, USA); Clorofórmio (Tedia®); Hexano (Tedia®); Indometacina Sigma-Aldrich® (St. Louis, MD, USA); Metanol (Tedia® - grau HPLC); 44 Omeprazol Sigma-Aldrich® (St. Louis, MD, USA); Quercetina (Sigma Aldrich®); Reativo de Folin-Ciocalteau (Dinâmica®, lote 35164, validade 08/2011); Solução de carbonato de sódio 10%. 4.3 Equipamentos e outros materiais Balança analítica (Marte®); Balança analítica (Celtac® FA- 2104N); Balança de secagem IV (Mettler Toledo ® HB13); Balança semi-analítica (Marte®); Câmara reveladora de UV (Dist® GRC-03) dotada de lâmpadas GE® de 254/365 nm; Chapa de aquecimento (Quimis®); Cromatógrafo gasoso CG Agilent Technologies 5975C inert MSD, com detector de massas da Agilent, modelo 7890C e injetor de amostra (amostrador automático) modelo 7683B, usando coluna HP-5; Cromatoplacas de gel de sílica (Merck® GF254); Cromatógrafo gasoso marca Shimadzu modelo QP 2010S; Cromatoplacas Merck GF254; Espectrofotômetro (Spectrovision® DB 1880 S) com software U.V. Win 5; Estufa (Fanem® 315 SE); Estufa (Fanem® 502 C); Estufa com renovação e circulação de ar (Marconi® MA 037); Geladeira (Consul ®); Manta aquecedora (Ética®); Manta aquecedora (Fisatom® 752A); Microscópio óptico binocular (Leica® 1349522X); Moinho de facas (Cremar®); Moinho de martelos (Marconi ® 600); pHmetro (Digimed®/DM 20); Processador de alimentos (Walita®); Refrigerador (Bosch® Frost Free KDN 43); 45 Refrigerador (Consul® 280); Rota-evaporador (Quimios®); Rota-evaporador (Tecnal ® TE 2 II); Tamisador (Bertel®); Tamises (2360, 1700, 1180, 600, 250, 150 m); Tecidos Sontara®; Ultrassom (Unique® UltraCleaner 800A com aquecimento). 4.4 Atividade Farmacológica Como há pouca informação disponível sobre a eficácia da M. vulgare para uso na gastroproteção, foram avaliados o extrato metanólico proveniente das partes aéreas da M. vulgare coletadas em Bom Retiro/SC em fevereiro de 2006 (verão) e a marrubiína, utilizando os modelos descritos a seguir. 4.4.1 Animais e ensaios farmacológicos As doses estabelecidas nos experimentos foram baseadas em dados da literatura e em estudos preliminares realizados em nosso Laboratório. No estudo farmacológico de plantas utilizam-se normalmente doses crescentes correlacionadas para possível observação da relação doseresposta. Neste estudo foram avaliados os efeitos do extrato metanólico da M. vulgare utilizando-se doses de 25 mg/kg, 50 mg/kg e 100 mg/kg e do padrão Marrubiína, usado pela prof. Cristiane Meyre em nossos laboratórios, na concentração de 25 mg/kg Seguindo a Lei 11.794, de 8 de outubro de 2008, e de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório, os animais foram mantidos segundo normas e cuidados com animais de laboratório, bem-estar e biosegurança na experimentação (BRASIL, 2008; SBCAL/COBEA, 1991). Os experimentos foram autorizados e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Vale do Itajaí, tendo sido aprovados através do parecer nº 015/2010 (Anexo A). 46 Nos ensaios biológicos foram utilizados camundongos machos e fêmeas Swiss, pesando entre 25-50 g provenientes do Biotério Central da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Os animais foram mantidos em caixas de polipropileno, em sala com temperatura (25 ºC) e ciclo controlados (claro/escuro 12 horas cada), tendo ração e água ad libitum. Doze horas anteriores aos experimentos, os animais foram mantidos em jejum, sendo adicionada a caixa uma grade para inibir a coprofagia e tiveram livre acesso à água. 4.4.2 Avaliação da atividade gastroprotetora Na avaliação da atividade gastroprotetora, foram utilizados experimentos que procuram mimetizar os distúrbios gástricos em humanos, baseados em fatores etiológicos da doença no homem, como por exemplo, o aumento do suco gástrico, o uso de drogas anti-inflamatórias não esteroidais e uso abusivo de bebidas alcoólicas. Cada experimento apresenta seus respectivos controles positivos (omeprazol, cimetidina ou carbenoxolona) e negativos (veículo ou indometacina), dependendo da necessidade de cada modelo. Para avaliar a atividade gastroprotetora do extrato metanólico da Marrubium vulgare L., foram utilizados diferentes modelos experimentais, conforme descritos a seguir. 4.4.2.1 Modelo de úlcera aguda induzida por etanol/HCl A metodologia que foi utilizada neste experimento foi a descrita por Mizui e Doteuchi (1983), com algumas modificações. Os camundongos foram submetidos inicialmente a jejum de doze horas e, após esse período, divididos em diferentes grupos (n=5) que foram pré-tratados por via oral com omeprazol na dose de 30 mg/kg (controle positivo), veículo (controle negativo- água destilada), extrato metanólico da M. vulgare nas concentrações de 25, 50 e 100 mg/kg e o diterpeno isolado, Marrubiína, na concentração de 25 mg/kg. Após uma hora e meia, foram administrados aos animais 0,5 mL de solução EtOH/HCl (60% / 0,3 M) (agente lesivo) por via oral, e uma hora e meia após a administração do agente lesivo, os mesmos foram sacrificados por deslocamento cervical; em seguida, os estômagos foram retirados e abertos ao 47 longo da curvatura maior, sendo esticados em placas de parafina, e através de Scanner, as imagens foram captadas e analisadas por software de análise de imagens EARP, a fim de determinar-se o número de lesões e o tamanho destas. Posteriormente foi realizada a determinação da área total de lesão 2 (mm ), área relativa lesada (%) e índice de úlceras (ULI) calculado através da severidade das lesões da mucosa gástrica, classificadas como: a) tipo 1 (T1): área da úlcera 1 mm2; b) tipo 2 (T2): área da úlcera de 1-3 mm2; e c) tipo 3 (T3): área da úlcera 3 mm2. O índice lesão ulcerativa (ULI) será determinado como: ULI = (1 x T1) – (2 x T2) – (3 x T3) O índice de cura (%) será determinado como: IC = 100 – (ULITratado x 100/ULIControle) Os resultados foram expressos em quantidade total de área lesada 2 (mm ), quantidade relativa de área lesada (%), índice de lesão ulcerativa (ULI) e índice de cura (%). 4.4.2.2 Modelo de úlcera aguda induzida por antiinflamatório não-esteroidal associada à estimulação parassimpaticomimética A metodologia que foi utilizada foi descrita por Rainsford (1980), com algumas modificações. Após doze horas de jejum, os animais foram divididos em diferentes grupos (n=5) que foram pré-tratados por via oral com cimetidina na dose de 100 mg/kg (controle positivo), veículo (controle negativo), extrato metanólico da M. vulgare nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg, e marrubiína, nas mesmas doses. Após uma hora e meia da administração dos diferentes tratamentos, os animais receberam 100 mg/kg de indometacina (v.o.), associada com a administração via intraperitonial (i.p.) de betanecol, um estimulante parassimpaticomimético, na dose de 5 mg/kg, preparada em solução fisiológica 48 antes do uso. Passadas cinco horas após a administração de indometacina os animais foram sacrificados por deslocamento cervical e os estômagos retirados e abertos ao longo da grande curvatura; esticados e através de Scanner, as imagens foram captadas e analisadas por software de análise de imagens EARP, a fim de determinar-se o número de lesões e o tamanho destas. Posteriormente foi realizada a determinação da quantidade total de área lesada (mm2), quantidade relativa de área lesada (%), índice de lesão ulcerativa (ULI) e índice de cura (%), conforme descrito anteriormente. 4.4.3 Avaliação da atividade sobre a secreção gástrica 4.4.3.1 Modelo de avaliação da secreção gástrica (ligadura de piloro) Este experimento foi realizado de acordo com o método descrito por Shay et al. (1945), com algumas modificações. Os animais foram submetidos a jejum por doze horas com livre acesso a água, e divididos em diferentes grupos (n=5). Em seguida foram anestesiados (com os anestésicos cetamina 10% e xilazina 5% em solução de salina, 0,1 mL/10g de peso do animal) e submetidos a uma incisão longitudinal abaixo ao processo apófise xifóide, para amarração do piloro e a administração por via intraduodenal dos diferentes tratamentos: cimetidina na dose de 100 mg/kg (controle positivo), veículo (controle negativo), extrato metanólico da M. vulgare nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg e Marrubiína na dose de 25 mg/kg. Após os tratamentos, as incisões foram suturadas e quatro horas após a cirurgia os animais foram sacrificados por deslocamento cervical. As incisões foram reabertas e após pinçamento da válvula cárdia, evitando-se a perda do conteúdo gástrico, o estômago foi retirado. O conteúdo estomacal foi coletado e foram analisados os parâmetros de volume, pH e concentração de íons hidrogênio. Após a determinação do volume, adicionou-se 5 mL de água destilada à amostra e esta passou pelo processo de centrifugação por 10 min a 3000 rpm. No sobrenadante determinou-se o pH, titulando-se com solução de hidróxido de sódio a 0,01 N, 49 utilizando-se fenolftaleína como indicador. Os resultados foram expressos em g (volume), pH e mEq/L/4h (concentração de íons hidrogênio). 4.4.3.2 Modelo de avaliação da secreção de muco em mucosa gástrica O modelo utilizado neste experimento é o descrito por Sun, Matsumoto e Yamada (1991), com algumas modificações. Os animais foram submetidos a jejum por doze horas com livre acesso a água, e divididos em diferentes grupos (n=5). Em seguida foram anestesiados (com os anestésicos cetamina 10% e xilazina 5% em solução de salina, 0,1 mL/10g de peso do animal) e submetidos a uma incisão longitudinal abaixo ao processo apófise xifóide, para amarração do piloro e a administração por via intraduodenal dos diferentes tratamentos: carbenoxolona na dose de 200 mg/kg (controle positivo), veículo (controle normal), indometacina na dose de 30 mg/kg (controle negativo) e extrato metanólico da M. vulgare nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg. Após os tratamentos, as incisões foram suturadas e quatro horas após a cirurgia os animais forão sacrificados por deslocamento cervical. As incisões foram reabertas e após pinçamento da válvula cárdia (evitando-se a perda do conteúdo gástrico) o estômago foi retirado, sua face exterior lavada cuidadosamente em salina e pesado em balança analítica. O conteúdo gástrico, bem como a mucosa, foi acondicionada em 10 mL de solução de Alcian Blue (Alcian Blue 0,02%, sacarose 0,16 M, acetato de sódio 0,05 M; pH 5,8 a 20 ºC) por 24 horas. Após este período, o tecido estomacal foi retirado e o líquido foi centrifugado a 3000 rpm por 10 minutos. A leitura do sobrenadante foi realizada através de leitor de microplaca em Asys Expert Plus UV (no comprimento de onda a 620 nm), em triplicata. Os resultados foram expressos em quantidade de corante aderido ao muco (mg) por grama de tecido (g). 50 4.4.4 Mecanismos de ação antiúlcera 4.4.4.1 Participação do óxido nítrico endógeno envolvido na gastroproteção O método empregado neste experimento foi descrito primeiramente por Arrieta et al. (2003), com algumas modificações. Os ratos foram separados em dez grupos (n=6), onde cinco grupos receberam pré-tratamento com L-NAME (N-nitro-L-Arginina metil éster), um inibidor da enzima óxido nítrico sintase, na dose de 70 mg/kg, i.p. e os cinco grupos restantes foram pré-tratados com salina, i.p. Após 30 minutos dos pré-tratamentos, aplicou-se o teste de indução de úlcera por etanol, utilizando como tratamento extrato metanólico da M. vulagre, na concentração de 100 mg/kg, o composto isolado, marrubiína, na concentração de 25 mg/kg, controle positivo (carbenoxolona 200 mg/kg) e controle negativo (veículo). Passado o tempo do teste, os animais foram sacrificados e os estômagos retirados e abertos ao longo da grande curvatura, esticados e através de Scanner, as imagens foram captadas e analisadas por software de análise de imagens EARP, a fim de determinar-se a % de área lesada. 4.4.4.2 Participação dos grupamentos sulfidrila endógenos envolvidos na gastroproteção Para a avaliação dos grupamentos sulfidrila na gastroproteção foi adotado o modelo de Matsuda e Yoshikawa (1999). Os ratos foram separados em dez grupos (n=6), onde cinco grupos receberam o pré-tratamento com NEM (N-etilmaleimida), um quelante de grupamentos sulfidrila, na dose de 10 mg/kg, i.p. e os cinco grupos restante foram pré-tratados com salina, i.p. Após 30 minutos dos pré-tratamentos, aplicou-se o teste de indução de úlcera por etanol, utilizando como tratamento o extrato metanólico da M. vulgare na dose de 100 mg/kg, marrubiína na dose de 25 mg/kg, controle positivo (carbenoxolona 200 mg/kg) e controle negativo (veículo). Passado o tempo do teste, os animais foram sacrificados e os estômagos retirados e abertos ao longo da grande curvatura, esticados e através de Scanner, as imagens foram 51 captadas e analisadas por software de análise de imagens EARP, a fim de determinar-se a % de área lesada. 4.5 Obtenção, tratamento e caracterização da droga vegetal As partes aéreas da espécie Marrubium vulgare foram coletadas nos municípios de Bom Retiro (SC) (Tab.1). Uma excicata encontra-se depositada no Herbarium Flor sob número 4725, em Florianópolis – SC. Tabela 1. Lotes de droga vegetal classificados pelo local e época de coleta. Local Mês Ano Lote Bom Retiro/SC Julho 2009 BR07/09 (inverno) Bom Retiro/SC Fevereiro 2010 BR02/10 (verão) BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. Após a colheita, o material vegetal foi tratado manualmente por meio da seleção das partes aéreas, em folhas, caules e flores, e eliminação do material estranho. O material vegetal foi então, submetido à estabilização através da secagem em estufa a 35 ºC, com circulação de ar até que apresentassem consistência friável, referente a teor de umidade inferior a 10% e após, foi acondicionado em embalagens plásticas de polietileno recobertas por papel pardo. As partes aéreas foram pesadas, separadamente, antes e após a secagem, para determinação do rendimento de massa fresca e seca, respectivamente, para as folhas, caules e flores, correspondentes a cada lote. As partes aéreas secas foram inicialmente submetida ao processo de moagem grosseira em moinho de facas Cemar ® com abertura de malha de 3 mm e o tamanho de suas partículas foi padronizado entre 1,0 e 2,0 mm, para caracterização preliminar. Para o estudo posterior de otimização das condições extrativas, as partes aéreas secas pré-moídas, lote BR02/10, foram novamente submetidas à moagem em moinho de martelos Marconi ® 600, com abertura de malha de 3 mm, e padronizadas entre 0,150 e 2,36 mm. 52 4.5.1 Determinação da perda por dessecação O teor de umidade foi determinado por método gravimétrico (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010), em balança de secagem por radiação infravermelha (Mettler Toledo® HB13), com o uso de aproximadamente 1,0 g do material vegetal, correspondente às folhas, caules e flores, quando existentes. O teor de umidade foi obtido a 105 ºC, em triplicata. 4.5.2 Análise granulométrica A granulometria dos pós foi determinada após cada procedimento de moagem. Para a determinação da granulometria dos pós, foi utilizado o método da tamisação, em tamises com aberturas de malha de 1,0 e 2,0 mm empilhados sobre o coletor em ordem crescente. Após a segunda moagem, em moinho de martelos, foram selecionados os tamises com abertura de malha de 2,36; 1,70; 1,18; 0,6; 0,25 e 0,15 mm. Uma amostra de 50 g da droga vegetal (representada pelas folhas, caules ou flores secas e moídas; ou ainda, pela misturadas partes aéreas) foi submetida à passagem pelos tamises, previamente tarados, com aberturas de malhas de diferentes tamanhos. A tamisação foi realizada a 60 vibrações por segundo, durante 15 minutos em tamisador (Bertel®). Em seguida, as frações retidas nos tamises e no coletor foram pesadas. Para a análise dos dados foi empregado o cálculo do diâmetro médio de distribuição granulométrica (ALLEN; POPOVICH; ANSEL, 2007), conforme equação 1. O ensaio foi realizado em triplicata. d médio AM Fr % 100% Eq. 1 onde dmédio = diâmetro médio aritmético (mm); AM = abertura média de malha (mm) e a Fr% = fração retida percentual em cada tamis. 53 4.5.3 Determinação do teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) na droga vegetal (SINGLETON; ORTHOFER; LAMUELA-RAVENTOS, 1999) Inicialmente foi obtida uma curva padrão de absorbância do ácido gálico no ultravioleta, em 750 nm. A partir da solução de 1 mg/mL foram feitas diluições que resultaram nas concentrações de 0,005; 0,05; 0,1; 0,2; 0,4 e 0,6 mg/mL. De cada diluição foram retiradas alíquotas de 25 µL, transferindo-se para tubo de ensaio, onde se adicionou 125 µL de reagente de Folin-Ciocalteau e 1,5 mL de água, seguido de homogeneização. Adicionou-se a solução de carbonato de sódio 15%. Após 30 segundos, completou-se o volume com água q.sp. 2,5 mL. Paralelamente, foi preparada uma solução comparativa (branco) do mesmo, substituindo-se a adição da solução de ácido gálico por etanol. Para a determinação do teor de fenólicos na droga vegetal, cerca de 500 mg (partes aéreas secas e moídas), exatamente pesados, foram transferidos para um balão volumétrico de 100 mL, completando-se o volume do mesmo com álcool etílico. Após sonicação por 10 minutos, filtrou-se a solução extrativa em papel filtro desprezando-se os primeiros 10 mL do filtrado. Uma alíquota de 0,1 mL deste filtrado foi transferido para um balão volumétrico de 25 mL, onde se adicionou 0,5 mL de reativo de Folin-Ciocalteau, 10 mL solução de carbonato de sódio 10% e água purificada até completar o volume do balão. Esta foi considerada a solução amostra (SA). Paralelamente, uma alíquota de 0,5 mL de reativo de Folin-Ciocalteau foi transferida para o balão de fundo redondo de 25 mL, onde se adicionou 10 mL de solução de carbonato de sódio a 10% e água purificada até completar o volume do balão, constituindo-se a solução comparativa (SC). Após 60 minutos, foi realizada a leitura da absorbância da SA comparando-se a leitura com o SC no espectrofotômetro em 750 nm. O teor de fenólicos totais foi calculado como equivalente em ácido gálico (EAG), pela média de três determinações, conforme a equação 2: EAG C ( g / mL) FC ppd m m 100 Eq. 2 onde EAG = equivalente em ácido gálico (mg/g), C = concentração de ácido gálico, na solução amostra (µg/mL), calculada pela equação da reta da curva 54 analítica do ácido gálico; FC = fator de correção (25); m = massa da droga vegetal (g); ppd = perda por dessecação da droga vegetal (%). 4.5.4 Determinação do teor de flavonóides totais na droga vegetal (Chang et al., 2002 com modificações) Inicialmente foi obtida uma curva padrão de absorbância no ultravioleta, em 420 nm, a partir de cinco diluições da solução de quercetina a 1 mg/mL, resultando nas concentrações de 10,0; 5,0; 2,5; 1,25; 0,5 g/mL. Paralelamente, uma alíquota de 0,5 mL de cada concentração da solução padrão de quercetina foi transferida para outro tubo de ensaio, no qual foram acrescentados 1,5 mL de etanol 96%, 1,5 mL de acetato de potássio 0,1 M e 1,5 mL de água destilada, a fim de se obter a solução comparativa (SC). Para a determinação do teor de flavonóides na droga vegetal (partes aéreas secas e moídas dos lotes BR07/09 e BR02/10), cerca de 500 mg das partes aéreas secas e moídas, foram transferidos para um balão volumétrico de 100 mL, completando-se o volume do mesmo com etanol 70% (v/v). Após sonicação por 10 minutos, a solução extrativa foi filtrada em papel filtro, desprezando-se os primeiros 10 mL do filtrado. Uma alíquota de 0,5 mL do filtrado foi transferida para um tubo de ensaio e foram adicionados 1,5 mL de etanol 96%, 1,5 mL de solução de cloreto de alumínio 10%, 1,5 mL de acetato de potássio 0,1 M e 1,5 mL de água purificada, a fim de se obter a solução amostra (SA). Uma alíquota de 0,5 mL da solução padrão de quercetina (1 mg/mL) foi transferida para outro tubo de ensaio, onde acrescentou-se 1,5 mL de etanol 96%, 1,5 mL de acetato de potássio 0,1 M e 1,5 mL de água destilada, constituindo-se a solução comparativa (SC). Após 30 minutos, realizou-se a leitura da absorbância de SA e SC no espectrofotômetro em 420 nm. Os resultados foram expressos em porcentual ponderal calculado como quercetina pela média de três determinações, segundo a equação 3. TF C (mg / mL) FD ppd m m- 100 Eq. 3 55 onde TF = Teor de flavonóides totais equivalentes a quercetina (mg/g), C = concentração de quercetina, na solução amostra (µg/mL), calculada pela equação da reta da curva analítica da quercetina; FD = fator de diuição (1000); m = massa da droga vegetal (g); ppd = perda por dessecação da droga vegetal (%). 4.6 Obtenção e caracterização preliminar das soluções extrativas A droga vegetal (partes aéreas secas e moídas dos lotes BR07/09 e BR02/10) foi submetida a uma análise preliminar para identificação dos possíveis marcadores químicos, escolha do solvente e método de extração; e avaliação do efeito da época de coleta sobre os parâmetros determinados. Para tanto, as partes aéreas secas e pré-moídas foram extraídas com diferentes solventes e métodos, conforme descrito a seguir. Soluções extrativas metanólicas obtidas por maceração: cerca de 5,0 g da droga vegetal, lotes BR07/09 e BR02/10, foram macerados com 200 mL de metanol, durante 7 dias. Soluções extrativas hidroetanólicas obtidas por maceração: cerca de 5,0 g da droga vegetal, lotes BR07/09 e BR02/10, foram macerados com 200 mL das diferentes misturas de etanol: água (V/V) (90:10; 70:30 e 50:50), durante 7 dias. Solução extrativa aquosa obtida por infusão: cerca de 5,0 g da droga vegetal foi mantida em repouso por 15 minutos com 200 mL de água fervente. Solução extrativa aquosa obtida por decocção: cerca de 5,0 g da droga vegetal foi mantida em contínuo aquecimento sob refluxo com 200 mL de água. Após a extração, as soluções foram filtradas utilizando-se prensagem manual em duplo tecido Sontara ® sobre papel de filtro, em funil de büchner, com auxílio de vácuo. A seguir, as soluções foram caracterizadas quanto ao pH e determinação de resíduo seco. Uma parte das soluções foi concentrada em aparelho de rota-evaporador Quimios® a 50 ºC até consistência mole, e retomada em metanol para aplicação em cromatoplacas de gel de sílica GF 254. Para a avaliação conjunta do efeito da época de coleta, foram usados os lotes de plantas coletadas em Bom Retiro (SC) (Tab.1). 56 4.6.1 Determinação do pH A determinação do pH nos extratos líquidos hidroalcoólicos e aquosos foi realizada em potenciômetro calibrado (pHmetro Digimed ®/DM20). 4.6.2 Determinação do resíduo seco Foram transferidos 5,0 mL de cada extrato para as cápsulas de porcelana, previamente taradas e dessecadas, as quais foram levadas a chapa de aquecimento (chapa de aquecimento - Quimis®) até evaporação do solvente. Os cadinhos contendo os resíduos secos foram então levados à estufa a 100 ± 5 ºC e, depois, resfriados em dessecador, imediatamente após sua retirada da estufa. A secagem e resfriamento foram repetidos até peso constante. Os resultados foram expressos utilizando-se da média de três determinações. 4.6.3 Análise cromatográfica em camada delgada (CCD) Os cromatogramas foram desenvolvidos de forma ascendente, em cubas saturadas, a altura de até 10 cm. As amostras foram aplicadas (10 L) com capilar volumétrico na forma de manchas circulares sequencialmente, à distância não inferior a 0,5 cm das bordas laterais e inferior. Após a secagem, à temperatura ambiente, as placas foram observadas sob luz UV em 365 nm e, novamente, após a revelação química com revelador específico e adequado para grupo de marcadores, conforme tabela 2. Tabela 2. Sistema de cromatografia em camada delgada para a análise de terpenóides em extratos obtidos com as partes aéreas da M. vulgare. Grupo fitoquímico Terpenóides Sistema eluente Clorofórmio: Metanol Sistema revelador Anisaldeído Sulfurico SQR Marrubiína, sitosterol, ácido ursólico SQR: Substâncias químicas de referência obtidas por isolamento no laboratório de Fitoquímica do NIQFAR 57 4.6.4 Determinação do teor de fenólicos totais nas soluções extrativas (SINGLETON; ORTHOFER; LAMUELA-RAVENTOS, 1999) Previamente foi feita a seleção do comprimento de onda e do tempo de leitura. Para isso, um extrato escolhido aleatoriamente foi submetido ao processo de preparo de amostra e esta teve suas medidas de absorbância realizadas a cada 15 minutos, avaliando-se o comportamento da amostra frente ao tempo de leitura. Para o preparo das amostras, a uma alíquota de 25 L da solução amostra, adicionaram-se 125 L do reativo de Folin-Ciocalteau e 1,5 mL de água destilada. Após agitação e repouso de 1 minuto, uma alíquota de 0,5 mL da solução recém preparada de carbonato de sódio a 15% foi adicionada a mistura inicial. Submeteu-se esta mistura à agitação por 30 segundos e após completou-se o volume para 2,5 mL com água destilada. Após 30 minutos fezse a medida de sua absorbância a 784 nm contra um branco contendo os reagentes e etanol no lugar da amostra. Construiu-se curva de calibração com seis concentrações (0,005; 0,05; 0,1; 0,2; 0,4; 0,6 g/mL) de ácido gálico, em triplicata. 4.6.5 Análise cromatográfica por CG1 As análises cromatográficas dos fitoconstituintes foram realizadas em cromatógrafo gasoso CG Agilent Technologies 5975C inert MSD, com detector de massas da Agilent, modelo 7890C e injetor de amostra (amostrador automático) modelo 7683B, usando coluna HP-5 (5% fenil dimetilpolisiloxano) de 30 m de comprimento, com 0,25 mm de diâmetro interno e 0,25 μm de espessura do filme. Foi utilizado etanol grau de pureza pró-análise. As condições de operação da análise cromatográfica foram as seguintes: temperatura inicial do forno igual a 50 °C por 2 min, logo em seguida a velocidade de aquecimento foi de 20 °C/min até 220 °C, em seguida 5 °C/min até 250 °C. Após 10 °C/min até 290 °C, permanecendo por 3 min e logo em seguida 20 °C/min até 300 °C e continuando por 2 min; temperatura do injetor: 1 Realizada na Universidade de Joinville/SC (UNIVILLE), pelo Prof. MSc. Theodoro Marcel Wagner. 58 280 ºC; gás de arraste: hélio, com fluxo de 1,0 mL/min, modo de injeção na forma de divisão de fluxo pulsado (pulsed split), com condições do pulso de 22 psi x 30 seg. A corrida com detetor de massa foi feita no modo scan M/Z igual 30 a 400 m, com tempo de aquisição de 3,85 scan/seg; analisador do tipo quadrupolo. Foram submetidas a esta análise os extratos metanólicos produzidos com as partes aéreas dos lotes das plantas coletadas em Bom Retiro no verão/2006, inverno/2009 e verão/2010, utilizando-se como referência o padrão de marrubiína. 4.7 Otimização das condições extrativas Esta etapa teve por objetivo otimizar as condições extrativas do processo de maceração, avaliando a influência da relação planta:solvente e tempo de extração, sobre as características das soluções extrativas, como o rendimento (volume líquido), pH, resíduo seco, fenólicos totais, e teor de marrubiína. Este estudo foi realizado seguindo um modelo fatorial 3 2, tendo a relação planta:solvente e tempo de extração como variáveis independentes e o resíduo seco e teor dos fitoconstituintes (fenólicos totais e marrubiína) como variáveis dependentes. Foram preparadas 9 soluções extrativas conforme tabela 3. Tabela 3. Planejamento fatorial 32 para a otimização das condições extrativas do processo de maceração com álcool 70 % (V/V) Experimento 01 02 03 04 05 06 07 08 09 Relação planta:solvente (m/V, %) 5,0 (-1) 5,0 (-1) 5,0 (-1) 7,5 (0) 7,5 (0) 7,5 (0) 10,0 (+1) 10,0 (+1) 10,0 (+1) Tempo de extração (dias) 5 (-1) 10 (0) 15 (+1) 5 (-1) 10 (0) 15 (+1) 5 (-1) 10 (0) 15 (+1) -1: nível inferior; 0: nível intermediário; +1: nível superior Os resultados foram submetidos à análise de regressão múltipla 59 (COCHRAN; COX, 198378; MONTGOMERY, 1991) e curvas de superfície de respostas construídas a partir das equações ajustadas pela regressão, com o auxílio do software Statgraphics Plus®. 4.7.1 Caracterização das soluções extrativas 4.7.1.1 Determinação do pH Conforme descrito no item 4.6.1. 4.7.1.2 Determinação do resíduo seco Conforme descrito no item 4.6.2. 4.7.1.3 Determinação do teor de fenólicos totais Conforme descrito no item 4.6.4. Para a análise do teor, as soluções extrativas foram submetidas à diluição 1:1 e 1:2, conforme a tabela 4. Tabela 4. Diluição das soluções extrativas para a determinação do teor de fenólicos totais. Diluição 1:1 1:2 Volume da amostra 1 mL 1 mL Volume de etanol 1 mL 2 mL 4.7.1.4 Determinação do teor de marrubiína As análises por CG/MS foram feitas com o uso de um cromatógrafo gasoso da marca Shimadzu modelo QP 2010S com detector de ionização de chama (FID) e injetor de amostra (amostrador automático) modelo AOC-20i. Foi utilizada uma coluna RTX-1 (100% dimetilpolisiloxano) de 30 m de comprimento, com 0,25 mm de diâmetro interno e 0,25 μm de espessura do filme. As condições de operação da análise cromatográfica foram as seguintes: temperatura inicial do forno igual a 80°C por 1 min, logo em seguida a velocidade de aquecimento foi de 20°C/min até 300°C por 2 min. Após 10°C/min até 310°C, permanecendo por 5 min. Temperatura do injetor: 300 ºC; gás de arraste: hélio, com fluxo de 0,8 mL/min, modo de injeção na forma de 60 divisão de fluxo (split 40:1), com condições de fluxo total de 35,8 mL/min. A temperatura do detetor foi de 310 oC e o volume de injeção da amostra foi de 1µL. Para análise quantitativa da marrubiína foi realizada uma curva analítica, a partir das diluições da solução etanólica do padrão a 1 mg/mL, resultando nas concentrações de 0,4; 0,2; 0,1; 0,05; 0,025 e 0,0125 mg/mL. Foram injetadas as diluições preparadas em triplicata. A partir da equação da reta foram calculadas as concentrações da marrubiína presente nas amostras analisadas. Foram submetidas à análise, as soluções extrativas hidroetanólicas, obtidas a partir da droga vegetal coletada em Bom Retiro no ano de 2009. As amostras foram diluídas na concentração de 2:8, com o mesmo solvente utilizado para a extração. 61 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Avaliação da atividade antiúlcera do extrato metanólico e da marrubiína Considerando o uso popular da M. vulgare já relatado para o tratamento de dispepsias (WHITE HOREHOUND, 2008), torna-se importante comprovar a sua eficácia através de modelos farmacológicos específicos. Ressalta-se que Toso et al. (2007) avaliou o efeito gastroprotetor do extrato hidroalcoólico das partes aéreas da M. vulgare, utilizando o modelo de indução de úlceras agudas por estresse por imobilização e frio. O presente trabalho visa elucidar os mecanismos da atividade gastroprotetora, avaliando os modelos descritos na metodologia descrita anteriormente, cujos resultados estão descritos a seguir. 5.1.1 Efeito do extrato metanólico da M. vulgare e do diterpeno marrubiina em úlceras agudas induzidas por etanol/HCl A atividade gastroprotetora do extrato metanólico da M. vulgare foi inicialmente avaliada nos modelos de indução de úlceras agudas induzidas por etanol, que é um agente necrosante, e por AINE, que inibe a proteção normal do estômago (diminuição de síntese de prostaglandinas constitutivas). Apesar de não representar integralmente a patologia humana, esses dois modelos são clássicos no screening para o estudo de fármacos com atividade gastroprotetora. Estes modelos fornecem importantes indicativos de possíveis mecanismos de ação dos extratos, que podem estar associados a fatores antioxidantes e/ou fatores anti-inflamatórios, ou ainda à diminuição da secreção ácida. O uso de substâncias como álcool e AINES está entre as principais causas envolvidas na etiologia de úlceras gástricas no homem (RAIHA et al., 1998; SCHMASSMANN, 1998; LEVENSTEIN, 1998). Quando a mucosa perde a capacidade de proteger-se através das secreções de bicarbonato e muco, ocorrem lesões, que são desencadeadas devido a um desequilíbrio entre os agentes agressivos e defensivos, acarretando o surgimento de úlceras (LAM et al., 2007; KLEIN-JR et al., 2010). O etanol é um potente agente ulcerogênico que age dissolvendo a camada de muco da mucosa gástrica, resultando em aumento do fluxo de Na+ e H+ no lúmen, estimulando a secreção de pepsina, histamina e H+ (SANTIN et 62 al., 2010; HIRUMA-LIMA et al., 2009; SINGH et al., 2008). Além disso, o etanol faz com que o tecido entre em um estado de êxtase de sangue levando a graves lesões com características necróticas (MARROTTA et al., 1999). No modelo de úlceras agudas induzidas por etanol, as lesões ulcerativas são decorrentes da ação necrosante do etanol sobre a mucosa gástrica, com menor participação da secreção ácida, sendo de etiologia bastante ampla e complexa, envolvendo a depleção dos fatores protetores (muco e bicarbonato, por exemplo) e aumentando os fatores agressores (ácido clorídrico, por exemplo) (SIKIRIC et al., 1999; REPETTO; LLESUY, 2002; VAZQUEZRAMIREZ et al., 2006). Os efeitos do etanol sobre a mucosa gástrica podem estar associados com a formação de espécies reativas de oxigênio (EROs), que causam um desequilíbrio entre o processo antioxidante e oxidante celular. A administração de etanol resulta em lesões no plexo vascular, ocasionando ruptura dos vasos, favorecendo a hemorragia e necrose, retrodifusão de íons hidrogênio, causando esfoliação nas células epiteliais, rompendo a barreira protetora da mucosa e alterando a permeabilidade da membrana (LEWIS, HANSON, 1991; SIKIRIC et al., 1999). Neste modelo, observou-se que o tratamento com o extrato metanólico da M. vulgare (EMMV 50 e 100 mg/kg) e omeprazol (30 mg/kg) reduziu significativamente a área total da lesão, a porcentagem de área lesada e o índice de lesões (ULI) em comparação ao grupo controle negativo (Tab. 5). O índice de cura (IC) for de 36,81% para a dose de 25 mg/kg; 49,31 para a dose de 50 mg/kg e 74,31 para a dose de 100 mg/kg (Fig. 6). A dose de 25 mg/kg do extrato metanólico da M. vulgare não apresentou valores significativos de diminuição da área total de lesão e porcentagem de área lesada. 63 Tabela 5. Efeitos da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da M. vulgare (25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por etanol/HCl em camundongos. Tratamentos Dose (mg/kg) Controle Veículo 25 50 100 30 EMMV Omeprazol Área total de lesão (mm2) 33,39 ± 7,97 21,35 ± 5,25 11,90 ± 3,40* 3,20 ± 0,76** 4,13 ± 1,67** Área relativa de lesão (%) 11,08 ± 2,94 5,78 ± 1,20 4,14 ± 1,15* 1,41 ± 0,16** 1,56 ± 0,56** Índice de Lesão Ulcerativa (ILU) 28,80 ± 2,10 18,20 ± 2,57* 14,60 ± 3,07** 7,40 ± 2,01** 5,80 ± 1,06** Diferença significativa em relação ao grupo controle (*p<0,05 e **p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnet ** ** EMMV 100 mg/kg Omeprazol 30 mg/kg 85 80 75 70 Índice de cura (IC - %) 65 60 ** 55 50 45 ** 40 35 30 25 20 15 10 5 0 EMMV 25 mg/kg EMMV 50 mg/kg Tratamentos Figura 6. Índice de cura obtido pelo efeito da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da Marrubium vulgare (nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por etanol/HCl em camundongos. Diferença significativa em relação ao grupo controle (**p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnett). Buscando-se investigar o possível metábolito responsável pela atividade gastroprotetora, foram avaliadas no modelo de úlceras agudas induzidas por 64 etanol/HCl, o composto diterpênico marrubiína (DM), isolado das partes aéreas da M. vulgare. Neste modelo, o DM (25 mg/kg) reduziu significativamente todos os parâmetros, quando comparados ao grupo controle (p<0,01). A dose utilizada reduziu a área total lesada e a área relativa lesada quando comparados com o grupo controle negativo (Tab. 6). Tabela 6. Efeitos da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e do diterpeno marrubiína isolado das partes aéreas da M. vulgare (25 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por etanol/HCl em camundongos. Área total de Área relativa Índice de Lesão lesão (mm2) de lesão (%) Ulcerativa (ILU) Veículo 32,18 ± 4,22 11,11 ± 1,13 19,80 ± 0,73 Marrubiína 25 3,32 ± 1,16** 1,42 ± 0,58** 11,00 ± 2,38** Omeprazol 30 3,12 ± 0,90** 1,13 ± 0,13** 6,60 ± 1,69** Tratamentos Controle Dose (mg/kg) Diferença significativa em relação ao grupo controle (*p<0,05 e **p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnet Assim, o índice de cura calculado foi de 44,44% para a dose de 25 mg/kg de marrubiína e 66,67% para o omeprazol (30 mg/kg) (Fig. 7). De acordo com os parâmetros avaliados, o DM na dose de 25 mg/kg apresentouse ativo contra o dano gástrico produzido pelo etanol/HCl. Estes resultados indicam que o extrato apresenta uma possível atividade citoprotetora, provavelmente correlacionado com o diterpeno marrubiína. 65 80 ** 70 Índice de cura (IC - %) 60 ** 50 40 30 20 10 0 DM 25 mg/kg Omeprazol 30 mg/kg Tratamentos Figura 7. Índice de cura obtido pelo efeito da administração oral de omeprazol (30 mg/kg) e do diterpeno marrubiína obtido do extrato das partes aéreas da M. vulgare (na dose de 25 mg/kg) em úlceras gástricas induzidas por etanol/HCl em camundongos. Diferença significativa em relação ao grupo controle (**p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnett. A gastroproteção pode estar relacionada com a manutenção da integridade da mucosa gástrica, que depende da integridade da microcirculação, secreção de muco e atividade de enzimas antioxidantes (KWIECIÉN et al., 2004). 5.1.2 Efeito do extrato metanólico da M. vulgare em úlceras agudas induzidas por AINE/parassimpaticomimético Outro fator que leva ao desequilíbrio dos fatores protetores da mucosa gástrica são os AINEs. A indometacina e outros AINEs atuam inibindo a síntese das prostaglandinas através da inibição da enzima ciclooxigenase-1, fornecendo forte evidencia de que o efeito ulcerogênico destes fármacos esta, intimamente correlacionado com a supressão da síntese de prostaglandinas (KUSHIMA et al., 2009). Os anti-inflamatórios não esteroidais apresentam como efeito indesejável a ulceração da mucosa gástrica, resultado principalmente da 66 diminuição da síntese de prostaglandinas, devido à inibição da enzima ciclooxigenase. As prostaglandinas são responsáveis pela secreção de muco e bicarbonato na mucosa gástrica. Sua diminuição acarreta em perda da citoproteção e redução do fluxo sanguíneo local (CRYER, 2000). No estômago, as prostaglandinas desempenham um importante papel de proteção, estimulando a secreção de bicarbonato e muco, mantendo o fluxo sanguíneo, sendo também responsável pela regulação da renovação das células da mucosa (MALFERTHEINER; CHAN; Mc COLL, 2009). A inibição da síntese das prostaglandinas enfraquece os fatores protetores da mucosa, diminuindo a sua capacidade de resistir aos agentes agressores (KLEIN-JR et al., 2010). A atividade gastroprotetora do extrato metanólico da M. vulgare e do composto isolado marrubiína, foi avaliada no modelo de úlcera induzida por AINE/parassimpaticomimético (indometacina/betanecol). Neste modelo o tratamento com o EMMV (25, 50 e 100 mg/kg) e o controle positivo cimetidina (100 mg/kg) reduziram significativamente todos os parâmetros avaliados quando comparado ao grupo controle (p <0,01). Tabela 7. Efeitos da administração oral de cimetidina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da M. vulgare (25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por AINE/betanecol em camundongos. Tratamentos Controle EMMV Cimetidina Área total de Área relativa Índice de Lesão lesão (mm2) de lesão (%) Ulcerativa (ILU) Veículo 11,30±1,49 3,53±0,47 31,40±5,60 25 3,67±1,14** 1,72±0,26** 15,60±1,03** 50 2,94±0,57** 1,14±0,28** 10,60±0,92** 100 2,68±0,91** 0,73±0,26** 5,60±1,63** 30 3,99±0,59** 1,44±0,11** 10,20±0,80** Dose (mg/kg) EMMV = Extrato Metanólico da M. vulgare. Diferença significativa em relação ao grupo controle (*p<0,05 e **p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnett. A porcentagem de inibição da úlcera foi de 50,32; 66,24; 83,17 e 67,52 para os grupos tratados com 25, 50 e 100 mg/kg do EMMV e controle positivo (cimetidina), respectivamente (Fig. 8). A dose de 100 mg/kg revelou ser mais efetiva que o fármaco de escolha cimetidina. 67 Os resultados nesses dois experimentos (úlceras agudas induzidas por etanol/HCl e úlceras agudas induzidas por AINE/parassimpaticomimético) sugerem que as substâncias presentes no EMMV promovem a participação coordenada de mediadores na resposta gastroprotetora e que esta resposta esteja fortemente ligada a marrubiína. Podem estar havendo influência da PGE2 e NO, os quais podem modular a defesa da mucosa, estimulando a secreção de muco e bicarbonato, elevando o fluxo sanguíneo, promovendo o tamponamento da acidez ou inibindo a secreção ácida, e citoproteção, favorecendo os mecanismos de reparo tecidual (WALLACE; MILLER, 2000). ** 90 80 ** ** Índice de cura (IC - %) 70 60 50 40 30 20 10 0 EMMV 25 mg/kg EMMV 50 mg/kg EMMV 100 mg/kg Cimetidina 100 mg/kg Tratamentos Figura 8. Índice de cura obtido pelo efeito da administração oral de cimetidina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da M. vulgare (EMMV) (nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg) em úlceras gástricas agudas induzidas por indometacina/betanecol em camundongos. Diferença significativa em relação ao grupo controle (**p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnett. 5.1.3 Avaliação da atividade sobre a secreção gástrica Considerando que os dados obtidos em testes de úlcera aguda sugerem que o extrato metanólico da M. vulgare é capaz de proteger a mucosa gástrica contra lesões induzidas por etanol e AINEs, passou-se a estudar se o extrato da M. vulgare e o composto marrubiina seriam capazes de interferir nos parâmetros da secreção gástrica, uma vez que os medicamentos atualmente disponíveis atuam através desse mecanismo. Para isso, foi utilizado o teste de 68 ligadura do piloro, que fornece parâmetros importantes para avaliar o envolvimento de compostos sobre a secreção gástrica, pois o estiramento da mucosa causada pela obstrução pilórica leva ao aumento da liberação de acetilcolina, que age diretamente sobre as células parietais, induzindo a secreção de ácido clorídrico (SHAY et al., 1945; LEWIS, HANSON, 1991; LAKSHMI et al., 2009). 5.1.3.1 Ligadura de piloro No modelo de ligadura de piloro foi avaliada a atividade do extrato metanólico da M. vulgare e do composto diterpênico isolado, a marrubiína, sobre a secreção de ácido, uma das mais importantes funções do estômago. Quando os mecanismos homeostáticos estão prejudicados, o volume e a acidez gástrica podem aumentar desproporcionalmente, superando assim as defesas da mucosa gástrica, levando a formação de úlceras gástricas (LAPA et al., 2008). Ao quantificar o muco livre no tecido gástrico, foi observado que o extrato da M. vulgare e a marrubiína, nas doses testadas, diminuiram significativamente a produção de muco, quando comparado com o controle (p <0,01) (Tab. 8). Estes resultados sugerem que o extrato tem efeito antisecretor, provavelmente relacionado com a marrubiína. A via de administração no modelo de ligadura de piloro é a via intraduodenal, que permite investigar as ações do extrato por via sistêmica, excluindo as interações do contato direto com a mucosa gástrica. Os resultados obtidos através deste modelo sugerem que os compostos presentes no extrato possam estar atuando sobre a secreção ácida gástrica e que esta atuação esta fortemente ligada ao composto isolado, a marrubiína. 69 Tabela 8. Efeitos da administração intraduodenal de cimetidina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das partes aéreas da Marrubium vulgare (20, 50 e 100 mg/kg) nos parâmetros bioquímicos de camundongos submetidos à ligadura de piloro para avaliação da secreção ácida. Tratamentos Controle Dose (mg/kg) pH Volume de [H+] secreção (mL) (mEq.g-1/L) Veículo 3,62 ± 0,13 0,74 ± 0,05 155,21 ± 16,02 25 3,91 ± 0,18 0,39 ± 0,06* 123,34 ± 13,40 50 4,80 ± 0,41** 0,36 ± 0,09* 83,05 ± 15,13** 100 5,01 ± 0,24** 0,33 ± 0,08** 48,36 ± 4,36** Marrubiína 25 4,46 0,32** 0,37 0,10** 94,99 15,98** Cimetidina 100 5,49 ± 0,17** 0,38 ± 0,02* 40,55 ± 1,23** EMMV EMMV = Extrato Metanólico da M. vulgare. Diferença significativa em relação ao grupo controle (*p<0,05 e **p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnett. 5.1.3.2 Secreção de muco em mucosa gástrica O envolvimento do extrato com a secreção gástrica instigou a investigação dos mecanismos protetores da mucosa gástrica, pois estes mecanismos protegem a mucosa contra inúmeros agentes agressores. O primeiro mecanismo protetor investigado foi a produção de muco gástrico. Quando a barreira de muco é afetada, o epitélio gástrico torna-se mais sensível ao ataque de ácido produzido pelo estômago e, consequentemente, leva à formação de úlceras gástricas. O muco é um dos fatores protetores da mucosa gástrica, criando uma barreira física contra bactérias, ácidos, toxinas, além de agir como um lubrificante, reduzindo o atrito e os efeitos abrasivos sobre a mucosa. O muco tem a capacidade de sequestrar radicais livres, devido a sua composição glicoprotéica (NAM et al., 2005; WALLACE, 2007). Um fármaco disponível, capaz de promover a produção de muco, é o misoprostol (Citotec®). Trata-se de um análogo sintético da prostaglandina E1 que atua inibindo a secreção gástrica e estimulando a produção de muco, protegendo o epitélio gástrico de lesões, principalmente as causadas por AINEs. Porém, este fármaco apresenta sérios efeitos adversos que limitam seu uso, como por exemplo, promover severas contrações uterinas, o que levou ao uso como abortivo, sendo usado indiscriminadamente pela população, e devido 70 a isto, foi retirado do mercado, sendo proibida sua comercialização (ARONSSON et al., 2007). A busca por um novo tratamento que tenha ação semelhante, porém, com menores efeitos indesejáveis seria interessante farmacologicamente, uma vez que, o muco aderido à superfície da mucosa gástrica protege o epitélio subjacente contra o ácido, pepsina e agentes necrotizantes como etanol e indometacina (ALQASOUMI et al., 2009). Após o tratamento com o extrato metanólico da M. vulgare nas doses de 25 (6,10 ± 0,41), 50 (6,78 ± 0,70) e 100 (7,04 ± 0,25) mg/kg e o composto marrubiína na dose de 25 (6,52 0,34) mg/kg, houve um aumento significativo na produção de muco quando comparados ao grupo controle (5,16 ± 0,26) (Tab. 9). A carbenoxolona (200 mg/kg) mostrou-se efetiva como controle positivo, pois promoveu o aumento de muco. A indometacina (100 mg/kg) também mostrou-se efetiva como controle negativo, pois diminuiu a quantidade de muco presente na mucosa gástrica. Tabela 9. Efeitos da administração intraduodenal de carbenoxolona (200 mg/kg) e indometacina (100 mg/kg) e das diferentes doses do extrato metanólico das folhas da Marrubium vulgare (20, 50 e 100 mg/kg) nos parâmetros bioquímicos de camundongos submetidos à ligadura de piloro para avaliação da quantidade de muco ligada ao tecido. Tratamentos Salina Dose (mg/kg) Quantidade de Alcian Blue ligado (mg/g tecido) Veículo 5,16 ± 0,26 100 3,07 ± 0,24 25 6,10 ± 0,41** 50 6,78 ± 0,70** 100 7,04 ± 0,25** Marrubiína 25 6,52 0,34** Carbenoxolona 200 7,09 ± 0,42** Indometacina EMMV EMMV = Extrato Metanólico da M. vulgare.Diferença significativa em relação ao grupo controle (*p<0,05 e **p<0,01), ANOVA, teste a posteriori de Dunnett. (ABS = 0,0035 + 0,0081 * Conc; R2: 0,998) Desta forma, sugere-se que os compostos presentes no extrato de alguma forma estejam atuando de maneira similar ao efeito produzido pelo fármaco misoprostol (SULEYMAN et al., 2009). 71 5.1.4 Mecanismo de ação antiúlcera in vivo 5.1.4.1 Papel do óxido nítrico e do extrato metanólico da Marrubium vulgare em úlceras agudas induzidas por etanol/HCl Os resultados obtidos neste modelo demonstram que além de diminuir a secreção ácida gástrica, o extrato metanólico da M. vulgare e a marrubiína estimulam a produção de muco gástrico, ou seja, favorecem o aparecimento dos fatores defensivos da mucosa, que pode estar relacionado com o aumento do potencial antioxidante do muco (HAMAISHI; KOJIMA; ITO, 2006). Em busca de mecanismos de gastroproteção possíveis, envolvidos na atividade antiúlcera do extrato da M. vulgare e marrubiína, experimentos foram realizados para verificar o envolvimento do óxido nítrico (NO) e dos compostos sulfidrílicos (SHs). Visto que o extrato metanólico da M. vulgare e o diterpeno marrubiína apresentam ação gastroprotetora, provavelmente por atuar aumentando os mecanismos antioxidantes, deste modo, testes na tentativa de elucidação do mecanismo de ação (L-NAME e NEM) foram realizados. Para investigar a influência do NO endógeno no efeito gastroprotetor do extrato da M. vulgare e da marubiína, os ratos foram pré-tratados com um inibidor da enzima óxido nítrico sintase (ONS), éster metílico NG-Nitro-Larginina (L-NAME), um análogo da L-arginina, que é hidrolisado para produzir L-nitro arginina, inibindo a atividade da ONS. Isso faz com que a úlcera induzida por etanol seja aumentada (ZANATTA et al., 2009). O NO é um importante transmissor endógeno liberado pelas células endoteliais, quando a mucosa está exposta a agentes nocivos. Sua principal função é proteger a mucosa gástrica de agentes vasopressores e inibem a secreção de ácido gástrico de células parietais (TULASSAY; HERSZÉNYI, 2010). O L-NAME é uma substância capaz de inibir a enzima NOS. Em modelos de avaliação da atividade gastroprotetora ligada a fatores antioxidantes, verifica-se a participação do NO através da pré-administração de L-NAME. Neste modelo, quando administrado o L-NAME aos animais antes dos tratamentos com EMMV (100 mg/kg) e DM (25 mg/kg) , verificou-se que 72 estes perderam sua atividade gastroprotetora, quando comparado com animais tratados somente com EMMV e DM. Os resultados obtidos neste experimento demonstraram que a atividade gastroprotetora do extrato metanólico da M. vulgare e da marrubiína apresentaram alta correlação com a atividade do NO, uma vez que, foi observada uma perda estatisticamente significativa da proteção após a administração do L-NAME (Fig. 9). % Carbenoxolona + L-NAME Carbenoxolona Extrato da M. vulgare + L-NAME Extrato da M. vulgare Marrubiína + L-NAME Marrubiína Á r e a d e l e s ã o L-NAME Controle Tratamentos Figura 9. Efeitos do extrato da M. vulgare (100 mg / kg), marrubiina (25 mg / kg) e carbenoxolona (200 mg / kg) nas lesões induzidas por etanol em ratos pré-tratados com L-NAME (70 mg / kg, ip) ou com salina (grupo controle). Os resultados são média ± EPM de seis ratos. A comparação estatística foi realizada utilizando ANOVA e pós teste de Tukey. ** P <0,01 quando comparado com o grupo controle, # p <0,01 quando comparados ao grupo L-NAME. Δ mostra a diferença entre os grupos pré-tratados com L-NAME e pré-tratados com salina (p <0,01). Para investigar o envolvimento de sulfidrilas endógenas no efeito gastroprotetor do extrato da M. vulgare e da marubiina foi utilizado o NEM (Netilmaleimida), um bloqueador de tiol dos grupos sulfidrila (SHs). SHs são importantes para a proteção da mucosa gástrica, especialmente quando as espécies reativas de oxigênio estão envolvidas na lesão da mucosa (BARBASTEFANO et al., 2007). 73 O NEM, ao diminuir a concentração de SH na mucosa, potencializa os danos gástricos induzidos pelo etanol, danos estes associados à diminuição significativa nos níveis de grupos sulfidrílicos (DEVI et al., 2007). % Carbenoxolona + NEM Carbenoxolona Extrato da M. vulgare + NEM Extrato da M. vulgare Marrubiína + NEM Marrubiína Á r e a d e l e s ã o NEM Controle Tratamentos NEM Controle Figura 10. Efeitos do extrato da M. vulgare (100 mg/kg), marrubiína (25 mg/kg) e carbenoxolona (200 mg/kg) nas lesões induzidas por etanol em ratos pré-tratados com NEM (10 mg/kg, ip) ou com solução salina (grupo controle). Os resultados são médios ± EPM de seis ratos. A comparação estatística foi realizada utilizando ANOVA e pós-teste de Tukey. ** p <0,01 quando comparado com o grupo controle, # p <0,01 quando comparado ao grupo NEM. Δ mostra a diferença entre os grupos pré-tratados com NEM e pré-tratados com salina (p <0,05). Os dados sugerem que o mecanismo farmacológico do extrato da M. vulgare está ligeiramente relacionado aos grupos sulfidrilas (Fig. 10). Entretanto, na avaliação da participação dos grupamentos sulfidrílas (SHs) endógenos envolvidos na gastroproteção, utilizando NEM (quelante de grupamentos SHs), foi possível verificar que a substância isolada, marrubiína, não age por esta via de gastroproteção, uma vez que não foi observada a perda da gastroproteção nos grupos pré-tratados com NEM (Fig. 10). 74 5.2 Obtenção, tratamento e caracterização da droga vegetal 5.2.1 Rendimento do material vegetal Para a realização deste trabalho a planta foi coletada no município de Bom Retiro em julho de 2009 (lote BR07/09) e em fevereiro de 2010 (lote BR02/10). Para o cálculo dos rendimentos de material fresco e seco, e consequentemente da perda por secagem (%), foram pesadas, separadamente, antes e após a secagem, as partes aéreas dos lotes BR07/09 e BR02/10. Os resultados estão descritos na Tabela 5. Tabela 10. Rendimentos do material vegetal (fresco e seco) obtido nas diferentes coletas e perda por secagem (PPS) Coleta Material Fresco (g) Material Seco (g) PPS (%) BR 07/09 (inverno) 3400 745,00 78,08 BR 02/10 (verão) 1700 208,56 87,73 BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. Nd =valores não determinados de coletas anteriores ao desenvolvimento deste trabalho. O maior rendimento de planta seca, considerando todas as partes aéreas, foi obtido da coleta realizada em Bom Retiro/SC no inverno de 2009 (Tab. 10), sendo 61% representado pelas folhas (Tab. 11). O menor rendimento, obtido em Bom Retiro pode estar relacionado com as condições climáticas menos favoráveis ao desenvolvimento da planta no período de julho de 2009 a fevereiro de 2010. 75 Tabela 11. Rendimento seco das partes vegetais da M. vulgare coletadas em Bom Retiro/SC nas diferentes épocas. Coletas Partes da planta (%) Folhas Caules Flores BR 07/09 (inverno) 61,07 38,93 BR 02/10 (verão) 42,57 51,96 0,00 5,47 BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. No inverno, houve maior desenvolvimento de folhas e ausência de flores. Assim, o maior rendimento de material seco total (Tab. 10) está relacionado à maior quantidade de folhas presentes nesta coleta (BR07/09), e menor desenvolvimento de caules. 5.2.2 Perda por dessecação O teor de umidade, determinado por método gravimétrico (FARMACOPEIA BRASILEIRA, 2010), corresponde aos valores descritos na Tabela 7. Tabela 12. Perda por dessecação das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare coletadas em Bom Retiro nas diferentes épocas. média(%) ± DP (DPR%) Amostra BR07/09 (inverno) BR02/10 (verão) Primeira secagem Segunda secagem Caule 5,71 0,11 (1,86) 5,64 0,02 (0,35) Folhas 9,26 0,16 (1,68) 3,29 0,12 (3,67) Flores Não existente Não existente Caules 1,51 ± 0,05 (3,26) Nd Folhas 4,11 ± 0,07 (1,75) Nd Flores 2,90 ± 0,09 (3,20) Nd BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. Nd = valores não determinados para o material vegetal procedente desta coleta. O teor de umidade foi determinado de acordo com o método descrito na Farmacopeia Brasileira (2010). Esse método baseia-se na perda por dessecação em estufa e visa determinar a quantidade de substância(s) volátil(eis) de qualquer natureza eliminada(s). Esta determinação é importante 76 para o controle de qualidade microbiológico, pois um excesso de água na droga vegetal favorece o crescimento de fungos e bactérias, podendo também levar à hidrólise de seus constituintes (SHARAPIN, 2000). Além de, sob o ponto de vista tecnológico e de produção, é importante conhecer quantitativamente, o conteúdo de água presente na matéria-prima, para que este valor seja considerado nos cálculos de rendimento (PAULA, 1996). Foi observado que os teores de umidade encontrados para todas as amostras são inferiores ao limite máximo de 14% estabelecido pela Farmacopeia Brasileira (2010). Por outro lado, em relação ao limite mínimo, pôde-se observar que algumas amostras analisadas apresentaram valores abaixo de 8%. Como o protocolo adotado nesta etapa focou o benefício para a operação de moagem, procedeu-se a secagem adicional a fim de tornar o material vegetal mais friável. No caso da última coleta, realizada no verão de 2010, o teor de umidade foi extremamente reduzido, tornando-se desnecessária operação adicional. 5.2.3 Caracterização química por cromatografia em camada delgada Esta etapa teve por objetivo determinar os possíveis marcadores químicos para o controle de qualidade da M. vulgare, bem como avaliar comparativamente as diferentes amostras da droga vegetal. Como extrato de referência foi utilizado o extrato metanólico, por representar uma matriz mais complexa em termos de grupos de substâncias de interesse químico e farmacológico. Para tanto, foram analisados os dois lotes de droga vegetal, anteriormente citado (Tab. 10), incluindo um extrato metanólico procedente de coleta realizada em Bom Retiro, no ano de 2006 (EMBR06). Foram utilizados sistemas cromatográficos específicos para investigação do diterpeno marrubiína isolado da M. vulgare, usado como substância marcadora e que teve sua atividade gastroprotetora anteriormente testada. Os padrões de ácido ursólico e marrubiína b-sitosterol foram bem evidenciados em todos os extratos analisados (Fig. 11 e 13). 77 1 2 3 AU Figura 11. Cromatoplaca em camada delgada dos extratos metanólicos dos lotes 1. BR06; 2. BR07/09; 3. BR02/10; AU. padrão de ácido ursólico, eluídos em Clorofórmio : metanol (8,5:1,5) e revelados com anisaldeído sulfúrico. 1 2 3 Figura 12. Cromatoplaca em camada delgada dos extratos metanólicos dos lotes 1. BR06; 2. BR07/09; 3. BR02/10; . Padrão de betasitosterol, eluídos Hexano: Acetato de etila (7:3) e revelados com anisaldeído sulfúrico. 78 1 2 3 M Figura 13. Cromatoplaca em camada delgada dos extratos metanólicos dos lotes 1. EMBR06 2. BR07/09; 3. BR02/10; M. padrão de marrubiína; eluídos em clorofórmio: metanol (9,8:0,2) e revelados com anisaldeído sulfúrico. 5.2.4 Análise cromatográfica por CG Os extratos metanólicos produzidos com as plantas coletadas nos diferentes anos (BR07/09, BR02/10), o extrato metanólico EMBR06, e o padrão de marrubiína (Fig. 14A), foram submetidos à análise qualitativa. Todas as análises realizadas apontaram para presença de marrubiína (Fig. 14 e 15). 79 A Padrão marrubiína B EMBR06 Figura 14. Cromatograma obtido por cromatografia gasosa. A = padrão marrubiína isolada da M. vulgare; B = extrato metanólico EMBR06. 80 C BR02/10 D BR07/09 Figura 15. Cromatograma obtido por cromatografia gasosa dos extratos metanólicos. C = lote BR02/10 e D = lote BR07/09. 81 5.2.5 Análise granulométrica Após as etapas de coleta, secagem e moagem grosseira, cada parte da planta foi caracterizada quanto ao tamanho de partículas. A distribuição granulométrica está representada na Tabela 8 e ilustrada no histograma da frequência da massa retida (%) em função das classes granulométricas (Fig. 14) referentes a cada lote. Tabela 13. Distribuição granulométrica (%) das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare e granulometria média (Gmédia) Amostra BR07/09 (inverno) BR02/10 (verão) Caule Folha Flor Caule Folha Flor Classe granulométrica (mm) 0,0 -1,00 2,00 – 5,00 1,00 - 2,00 (<1,0) (>2,0) 17,85 44,13 38,02 35,96 31,71 32,33 Nd Nd Nd 5,22 41,71 53,07 11,18 35,69 53,13 29,30 12,73 34,09 Gmédia (mm) 2,08 1,79 Nd 2,51 2,45 1,53 BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. Nd = valores não determinados para o material vegetal procedente desta coleta. Na Figura 16, pode-se verificar que a distribuição granulométrica não foi uniforme, em se tratando de uma mesma parte do vegetal. Também não houve correlação entre a perda por dessecação e a maior redução do tamanho de partícula. Uma explicação plausível para esta variabilidade pode estar relacionada com a formação de aglomerados de partículas ao serem trituradas. Assim, quando submetidas à vibração, as partículas finas permanecem nos tamises de maior abertura de malha, ao serem envolvidas pelas partículas mais filamentosas, as quais provavelmente tenham origem na grande quantidade de tricomas das folhas e caules. Ainda há que se considerar a própria heterogeneidade do material vegetal analisado, uma vez o mesmo havia sido submetido a apenas um corte grosseiro em moinho de facas. 82 Figura 16. Distribuição granulométrica das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare. Apesar de não haver uma reprodutibilidade entre os diferentes lotes de folhas, caules e flores, foi possível identificar para uma mesma coleta, que os caules apresentaram granulometria sempre maior que as folhas e flores. (>2,0 mm) (<1,0 mm) (1,00 mm – 2,00 mm) Figura 17. Análise granulométrica das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare. 83 5.2.6 Teor de extrativos solúveis em água Segundo uma Organização Mundial de Saúde, este método determina a quantidade de princípios ativos extraídos com solventes a partir de uma determinada quantidade de plantas medicinais. É empregado para os materiais para os quais ainda nenhum produto químico adequado ou ensaio biológico existe (WHO, 1998). Considerando-se o teor de extrativos obtido para as partes aéreas da M. vulgare (Tab. 14), pôde-se verificar que não houve considerável variação na concentração das substâncias extraíveis em água quente, e, portanto, não se constatou diferenças importantes entre as épocas de coleta que possam estar relacionadas a estação climática. Tabela 14. Teor de extrativos das partes aéreas secas e trituradas da M. vulgare. Amostra média (%) ± DP (DPR%) BR07/09 (inverno) 31,95 2,32 (7,26) BR02/10 (verão) 33,47 0,13 (0,39) BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. 5.2.7 Teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) Para a determinação do teor de fenólicos totais na droga vegetal foi construída a curva analítica, a partir da solução aquosa/etanólica de ácido gálico a 5 mg/mL, nas concentrações de 0,05 a 6 µg/mL, com a qual se obteve a equação da reta y= 0,0977x – 0,0002 com coeficiente de correlação r2= 0,9991 (Fig. 18). 84 Figura 18. Curva analítica de ácido gálico em 750 nm. O teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) dos diferentes lotes foi expresso em ácido gálico e estão descritos na Tabela 15. Tabela 15. Teor de fenólicos totais no vegetal coletada em diferentes épocas e locais. Amostra média (mg/g) DP (DPR%) BR07/09 (inverno) 7,09 1,44 (20,36) BR02/10 (verão) 8,18 1,45 (17,72) BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. O teor de fenólicos totais equivalente a ácido gálico (EAG) na droga vegetal variou entre 7,09 e 8,18 mg/g. Os valores demonstram que dentre as amostras coletadas em Bom Retiro/SC, o verão é a época mais propícias para se obter a droga vegetal com maior teor de fenólicos. Entretanto os valores obtidos não podem ser considerados conclusivos. 85 5.2.8 Teor de flavonóides totais na droga vegetal Para a determinação dos flavonóides foi utilizada a da metodologia de Chang et al. (2002) que utiliza o cloreto de alumínio (AlCl 3) para avaliar a presença de grupamentos químicos de flavonóides. O composto é empregado como um reagente de deslocamento em espectrometria no UV-visível para a determinação estrutural dos flavonóides. A leitura é feita em espectrofotômetro a 420 nm. Nestas condições o complexo flavonóide-Al absorve mais intensamente e em comprimento de onda maior do que o flavonóide sem a presença do agente complexante. Os ácidos fenólicos, mesmo os que formam complexos com o AlCl 3, absorvem em comprimentos de onda inferiores, evitando-se desta maneira interferências nas medidas da absorbância (LIANDA, 2009). Para a determinação do teor de flavonóides em quercetina, foi construída a curva analítica, a partir de uma solução de quercetina a 1 mg/mL, que deu origem às concentrações que variaram de 0,9 a 10,9 x 10 -3 mg/mL, resultando na equação da reta y= 12,355x – 0,0015, com coeficiente de correlação r2= 0,9987 (Fig. 19). 0,14 Absorbância (U.A.) 0,12 0,10 0,08 0,06 0,04 0,02 0,00 0 0,001 0,002 0,003 0,004 0,005 0,006 0,007 0,008 0,009 0,01 0,011 0,012 Concentração de quercetina (mg/mL) Figura 19. Curva analítica de quercetina em solução hidroalcoólica (70%) em 415 nm. 86 O teor de flavonóides totais, equivalente a quercetina (EQ), dos diferentes lotes foi estão descritos na Tabela 16. Tabela 16. Resultados da caracterização da droga vegetal quanto ao teor de flavonóides totais. Amostra média (mg/g) DP (DPR%) BR07/09 (inverno) BR02/10 (verão) 3,05 0,74 (24,24) 2,52 0,13 (5,21) BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. Vários fatores ambientais influenciam a produção de flavonóides nas plantas, como, por exemplo, temperatura, nutrição, injúria, metabolismo do açúcar e do nitrogênio e qualidade de radiação (BLANK, 1947). A radiação solar é um dos fatores que, via de regra, está relacionada à variação quantitativa. Muitos trabalhos demonstraram que há um aumento quantitativo de flavonóides em órgãos expostos à luz, em comparação com aqueles que estão à sombra. Com relação a fatores edáficos, a maioria dos trabalhos com flavonóides envolve a análise de pigmentos florais, havendo diferenças qualitativas nos perfis flavonoídicos das plantas provenientes de diferentes solos (SANTOS; BLATT, 1998). No entanto, segundo os resultados do TFT apresentados na Tabela 15, observa-se, pelo elevado desvio padrão relativo, que não foi possível identificar diferença estatisticamente significativa entre amostras coletadas no inverno e verão. Os resultados encontrados para flavonóides totais para a M. vulgare são equiparáveis a outras espécies. Yariwake et al. (2005) ao estudarem a variabilidade química sazonal em Maytenus aquifolium encontraram 1,349 a 3,859 mg flavonóides/g folhas secas. No entanto, os trabalhos citados na literatura para outras espécies, evidenciam maior teor de flavonóides na primavera e verão, relacionando a maior expressão de compostos polifenólicos com os fotoperíodos mais longos (HARBONE, 1994). No presente estudo, porém, a estação climática não foi preponderante. 87 5.3 Desenvolvimento das soluções extrativas Esta etapa foi realizada com o objetivo de selecionar o método e o solvente para a extração das principais classes de compostos, utilizando-se da cromatografia em camada delgada como técnica de triagem. Para tanto, foram realizadas extrações com diferentes solventes e métodos de extração, levandose em conta a sua viabilidade no preparo de fitoterápicos. Nesse sentido optouse por trabalhar com misturas hidroetanólicas e água como solventes, e pela decocção, infusão e maceração como métodos extrativos (Fig. 20). As soluções extrativas foram obtidas a partir da droga vegetal, representada pelas partes aéreas da M. vulgare, secas e trituradas, respeitando-se as proporções de folhas, caules e flores provenientes de cada coleta (Tab. 6). Nesta etapa do estudo, foi fixada a concentração de 2,5% (m/V) como relação planta:solvente. Esta relação planta:solvente foi escolhida para se evitar um eventual efeito de saturação de solvente. As soluções extrativas obtidas de cada coleta, solvente e método, foram caracterizadas quanto ao resíduo seco, CCDs qualitativas, pH e teor de fenólicos. As diferentes coletas foram utilizadas como amostras representativas de diferentes locais e épocas do ano, a fim de se conhecer os efeitos destas variáveis sobre as características químicas e físico-químicas, apresentadas a seguir. 88 Figura 20. Esquema de desenvolvimento dos extratos da M. vulgare utilizados para seleção do solvente e método de extração. 5.3.1 Caracterização química por cromatografia em camada delgada dos extratos metanólicos, hidroalcoólicos e aquosos Os perfis cromatográficos dos extratos hidroalcoólicos, aquosos e metanólicos dos lotes BR07/09 e BR02/10 da M. vulgare, apresentaram a mancha referente à marrubiína entre seus compostos, independente da época de coleta. Todos os extratos hidroalcoólicos e aquosos apresentaram evidências de marrubiína variando apenas a intensidade da mancha, o que pode estar a relacionado à concentração em que esta substância encontra-se em determinado extrato analisado. Entretanto, a maior intensidade das manchas referentes a estas substâncias foi evidenciada no perfil cromatográfico dos extratos aquosos obtidos por infusão (5) e decocção (4) do lote BR02/10 (Fig. 21). Este comportamento pode estar relacionado à maior solubilidade desta classe de compostos em solventes orgânicos e do maior aporte de calor no processo de extração aquosa por decocção. 89 Após a análise dos cromatograma para terpenóides (Figura 21) confirmou-se a marrubiína como substância de referência para a análise de controle de qualidade da M. vulgare, já que preenche os quesitos para um bom marcador ideal, sendo específico para a droga vegetal em estudo, abundante e farmacologicamente ativo. BR07/09 1 2 3 4 5 6 M BR02/10 1 2 3 4 5 6 M Figura 21. Cromatoplacas em camada delgada dos extratos hidroalcoólicos 90, 70 e 50% (1, 2 e 3 respectivamente), aquosos obtidos pela decoção (4) e infusão (5), metanólico (6) e o padrão marrubiína (M); confeccionados com a M. vulgare dos diferentes lotes de coleta (BR07/09 e BR02/10); eluídos em clorofórmio:Metanol (9,8:0,2) e reveladas com anisaldeído sulfúrico . 5.3.2 Determinação pH e resíduo seco nos extratos metanólicos, hidroalcoólicos e aquosos O resultado do resíduo seco foi expresso em relação a 100 g do extrato, pela média de três determinações, conforme descrito na Tabela 12. Observou-se que, para o lote BR02/10, o resíduo seco foi diretamente proporcional ao aumento da polaridade nos sistema solvente entre as misturas hidroalcoólicas. Já o resíduo seco dos extratos aquosos sofreu maior influência da época de coleta. No lote BR07/09 o resíduo seco do infuso foi discretamente superior ao decocto. Não houve diferença significativa quanto ao resíduo seco entre os extratos obtidos por decocção e infusão do lote BR02/10. 90 Por outro lado, o resíduo seco dos extratos hidroalcoólicos foi inversamente relacionado à presença de marrubiína evidenciada na cromatoplaca (Fig. 21), demonstrando que o resíduo seco deve ser associado a outros parâmetros de qualidade como critério de decisão para a finalidade que se pretende alcançar. O pH é um parâmetro físico importante para avaliar a estabilidade e a qualidade da preparação. As leituras de pH foram produzidas em triplicata e os resultados estão apresentados a seguir, na tabela 17. Os diferentes métodos (infusão e decocção) e solventes (água e misturas hidroalcoólicas) tiveram fraca influência sobre o pH das soluções extrativas, que apresentaram valores entre 5,88 e 6,10 (Tab. 17). Tabela 17. Características de pH (média ± DP (DPR%) e resíduo seco (média ± DP (DPR%) das soluções extrativas das partes aéreas da M. vulgare. Amostra BR07/09 BR02/10 Extratos pH Resíduo seco (mg/mL) EAD 6,07 0,077 (1,28) 1,57 0,0474 (3,01) EAI 6,04 0,055 (0,92) 1,87 0,0156 (0,83) EM 5,99 0,040 (0,67) 1,42 0,0311 (2,19) EH90 6,03 0,032 (0,53) 1,09 0,0202 (1,85) EH70 6,02 0,047 (0,79) 1,65 0,0577 (3,48) EH50 5,95 0,066 (1,12) 1,59 0,0352 (2,20) EAD 6,01 0,040 (0,67) 0,71 0,0275 (2,09) EAI 5,88 0,110 (1,88) 0,73 0,0222 (3,01) EM 6,02 0,045 (0,76) 0,45 0,0091 (1,99) EH90 5,91 0,116 (1,96) 0,43 0,0103 (2,38) EH70 6,08 0,030 (0,50) 0,55 0,0116 (2,08) EH50 6,10 0,081 (1,43) 0,67 0,0191 (2,81) BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. EAD = extrato aquoso por decocção; EAI = estrato aquoso por infusão; EM = extrato metanólico; EH90= extrato hidroalcoólico 90%; EH70= extrato hidroalcoólico 70%; EH50 = extrato hidroalcoólico 50%. 91 5.3.3 Determinação de fenólicos totais nos extratos metanólicos, hidroalcoólicos e aquosos Para a determinação do teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) nos diferentes extratos foi construída a curva analítica do ácido gálico (Fig. 22), nas concentrações de 0,5 a 10 µg/mL, com a qual se obteve a equação da reta y= 0,1166x + 0,0330 com coeficiente de correlação r2= 0,9961. Figura 22. Curva analítica de ácido gálico em 750 nm. Os resultados foram expressos em mg/mL de fenólicos totais, calculados com relação ao padrão de ácido gálico, pela média de duas determinações, através da equação da reta e estão representados na tabela 18. Analisando-se os resultados das amostras coletadas em Bom Retiro, os maiores teores de fenólicos totais (TF) foram evidenciados nos extratos hidroalcoólicos 70%. Dentre eles, o maior TF foi obtido da planta coletada no verão, cujo extrato aquoso apresentou o maior valor (0,95 mg/mL). 92 Tabela 18. Teor de fenólicos totais (mg/mL) nos diferentes extratos (2,5%, m/V) produzidos a partir das amostras vegetais da M. vulgare coletadas em Bom Retiro nas diferentes épocas. Amostra BR07/09 (inverno) BR02/10 (verão) Extratos Teor de fenólicos (mg/mL) EAD 0,35 0,025 (7,04) EAI 0,55 0,033 (6,08) EM 0,38 0,046 (12,06) EH90 0,29 0,116 (39,97) EH70 0,93 0,004 (0,42) EH50 0,62 0,077 (12,41) EAD 0,40 0,026 (6,51) EAI 0,59 0,023 (3,84) EM 0,44 0,009 (2,16) EH90 0,36 0,012 (3,27) EH70 0,95 0,015 (1,53) EH50 0,63 0,008 (1,23) BR refere-se ao local de coleta; os dois primeiros dígitos reportam-se ao mês da coleta e os dois últimos ao ano da coleta. DP = desvio padrão; DPR = desvio padrão relativo. EAD = extrato aquoso por decocção; EAI = estrato aquoso por infusão; EM = extrato metanólico; EH90= extrato hidroalcoólico 90%; EH70= extrato hidroalcoólico 70%; EH50 = extrato hidroalcoólico 50%. 5.4 Otimização do Processo Extrativo Os resultados das etapas de caracterização de diferentes extratos, aliados à facilidade de transposição para a produção de um fitoterápico apontaram para a escolha do álcool 70% como solvente e da maceração como método extrativo. O estudo de otimização buscou identificar a influência das variáveis tempo e relação planta:solvente, bem como identificar a melhor condição, visando maximizar o teor de marrubiína. Como grupo de marcador suplementar elegeu-se os fenólicos totais. Como droga vegetal para a produção dos extratos, foi empregada o lote BR07/09, considerando a maior quantidade de material disponível para os estudos tecnológicos. Foi planejado um delineamento fatorial 3 2, no qual foram estudados dois fatores (A = tempo e B = relação planta:solvente) em três níveis (A = 5, 10 e 15 dias; B = 5, 7,5 e 10%, m/V). Os experimentos foram ordenados ao acaso e 93 sem reposição. Para caracterização dos extratos obtidos utilizou-se as técnicas de CCD, resíduo seco (RS), teor de fenólicos (TF) por espectrofotometria no UV e teor de marrubiína (TM) por cromatografia gasosa. É importante que a matéria-prima vegetal esteja suficientemente pulverizada para que se consiga um rendimento ótimo no processo de extração dos constituintes químicos de interesse farmacêutico. O processo de pulverização da matéria prima vegetal constitui uma etapa crítica na produção de medicamentos fitoterápicos, uma vez que o produto pulverizado representa na maioria das vezes o insumo indispensável para obtenção de preparações intermediárias, desse modo, o controle da tenuidade de pós é uma etapa óbvia no processo de produção (SILVA JR, 2006). Portanto, nesta etapa de otimização do processo extrativo por maceração, optou-se por realizar uma moagem adicional no material já triturado, a fim de se obter uma granulometria mais uniforme do lote BR07/09, visto que a granulometria da matéria-prima vegetal é o parâmetro que determina a superfície de contato disponível para a interação com o solvente utilizado. 60 Fração retida (%) 50 40 30 20 10 0 0-180 180-425 425-600 600-710 710-850 850-1000 1000-2000 classe granulométrica (um) Figura 23. Distribuição granulométrica das partes aéreas secas e moídas do lote BR07/09 94 A determinação da distribuição granulométrica demonstrou especificações equivalentes a um pó grosso, de acordo com a Farmacopéia Brasileira (2010). A matéria-prima vegetal em análise representa a mistura de folhas (61%) e caules (39%) após o processo de moagem adicional em moinho de martelos. A distribuição granulométrica para esta amostra apresentou quase 50% de partículas entre 1,0 e 2,0 mm e menos que 30% das partículas passou pelo tamis com abertura nominal de malha de 425 µm (Fig. 23). A granulometria média foi 2,86 mm 0,463 (16,18). Embora seja possível notar a diferença no aspecto visual das folhas e caules antes e após a moagem no moinho de martelos (Fig. 24), verificou-se que mesmo após a moagem adicional, não houve redução da G média. Ao contrário, houve um deslocamento para o aumento na % de partículas de maior tamanho. Este comportamento pode ser devido à maior tendência de formação de aglomerados de partículas fibrosas que englobam as partículas mais finas, especialmente quando a amostra é composta de diferentes partes vegetais. 95 A B Figura 24. Aspectos visuais da distribuição granulométrica da droga vegetal. (A) Folhas trituradas. (B) Mistura de folhas e caules após a moagem adicional em moinho de martelos. Após realização do processo de padronização da granulometria das partículas, realizou-se a produção dos extratos variando-se a quantidade de planta e o tempo de extração de cada solução (Fig. 25). 96 Figura 25. Esquema de otimização do desenvolvimento dos extratos da M. vulgare. Os valores das determinações do pH, dos extratos obtidos por maceração em meio hidroalcoólico estão descritos na tabela 19. Para cada método de extração, as respostas estudadas (RS, TM e TFT) foram ajustadas através de um modelo matemático de segunda ordem de acordo com a equação: Y = β0 + β1*Conc + β2*T + β12 Conc*T + β11*Conc 2+ β22*T2, onde y = resposta estudada, β0... β22 = coeficientes, Conc = concentração de fenólicos totais na solução extrativa, T = tempo de maceração. Os valores de pH estão em conformidade com os resultados já descritos anteriormente no item desenvolvimento de soluções extrativas. Naquela etapa, o extrato EH70 a 2,5% (m/V) apresentou pH de 6,02 0,047, condizente com os valores apresentados nos extratos preparados com o mesmo solvente na presente etapa. Os resultados sugerem que o pH é proporcional à relação planta:solvente, porém variam de levemente ácidos até muito próximos a neutralidade. 97 Tabela 19. Teor de marrubiína, resíduo seco e pH das soluções extrativas obtidas segundo o planejamento fatorial 3 2 para a otimização das condições extrativas do processo de maceração das partes aéreas com álcool 70 % (V/V) Fator A Fator B pH* 5,0 (-1) 5 (-1) 5,89 0,007 (1,25) 5,0 (-1) 10 (0) 5,95 0,021 (2,45) 5,0 (-1) 15 (+1) 6,13 0,022 (2,21) 7,5 (0) 5 (-1) 6,05 0,005 (1,33) 7,5 (0) 10 (0) 6,31 0,022 (1,55) 7,5 (0) 15 (+1) 6,36 0,084 (2,50) 10,0 (+1) 5 (-1) 6,33 0,007 (1,28) 10,0 (+1) 10 (0) 6,45 0,013 (1,98) 10,0 (+1) 15 (+1) 6,51 0,032 (2,01) RS* % (m/m) 0,867 ± 0,010 (1,16) 0,914 ± 0,013 (1,38) 0,805 ± 0,021 (2,56) 0,946 ± 0,019 (2,05) 0,985 ± 0,024 (2,46) 1,016 ± 0,026 (2,55) 1,592 ± 0,029 (1,80) 1,590 ± 0,021 (1,33) 1,585 ± 0,009 (0,54) TM* (mg/mL) 3,44 ± 0,40 (11,63) 1,53 ± 0,01 (0,65) 2,17 ± 0,54 (24,95) 6,46 ± 0,84 (13,08) 4,38 ± 0,21 (4,72) 2,55 ± 0,09 (3,52) 3,76 ± 0,60 (16,01) 5,08 ± 0,28 (5,61) 3,83 ± 1,07 (28,00) Fator A = relação planta solvente (%, m/V); Fator B = tempo de extração (dias). -1: nível inferior; 0: nível intermediário; +1: nível superior. TM = teor de marrubiína; RS = resíduo seco; *resultados expressos pela média ± desvio padrão (desvio padrão relativo). Os dados experimentais do RS das soluções extrativas obtidas por maceração foram ajustados através do modelo quadrático (RS = 1,0009 + 0,0003*T + 0,727*Conc – 0,0557*T2 + 0,0275*T*Conc + 0,4863*Conc2), sendo que cerca de 99,33 % da variação experimental pode ser explicada pelo modelo proposto. De acordo com a análise de variância, o coeficiente linear da concentração, apresentou significância estatística (p = 0,0003). A significância do coeficiente é refletida no gráfico de superfície de resposta (Fig. 26), onde pode ser constatado que a concentração foi o fator a apresentar maior influência, devido ao maior grau de significância, sobre o RS das soluções extrativas. Além disso, a relação quadrática de planta:solvente também apresentou significância estatística (p = 0,0047). 98 Figura 26. Superfície de respostas para o Resíduo seco das soluções extrativas da M. vulgare obtidas por maceração. Figura 27. Superfície de respostas para o Teor de Marrubiína das soluções extrativas da M. vulgare obtidas por maceração. A extração do TM comporta-se de modo decrescente, quando se analisado o tempo de extração, havendo uma obtenção de maiores quantidades de marrubiína no nível intermediário de tempo, exceto no menor nível de relação planta:solvente. Na tabela 19, observa-se que os maiores teores de marrubiína (TM) foram obtidos no nível inferior (5 dias) e intermediário de tempo (10 dias), para os níveis de relação planta:solvente de 7,5 e 10%, respectivamente. Para o nível de relação planta:solvente de 5%, o maior TM foi obtido no nível inferior de 5 dias, seguido do nível superior de 15 dias. 99 Os dados experimentais de TM foram ajustados através do modelo quadrático (TM = 4,4378 + 1,8433*Conc -1,70333 *T + 0,67 Conc*T - 2,32333 Conc2 + 0,0766667 *T2), porém este modelo proposto explica apenas 68,31% da variação experimental. Nem o tempo de extração ou a relação planta:solvente foram significativos sobre o teor de marrubiína (p = 0,2319 e p = 0,2042, respectivamente). Talvez este comportamento possa estar relacionado a outros fatores não estudados neste delineamento, supostamente ligados à estabilidade da marrubiína, pois em todos os níveis de concentração houve certo grau de redução do TM ao longo do tempo, mas não foi possível identificar nenhuma relação de proporcionalidade. Para as soluções extrativas obtidas por maceração, os dados experimentais de TFT foram ajustados através do modelo quadrático (TFT = 0,7751 + 0,0376*T + 0,4186*Conc – 0,0463*T2 + 0,0405*T*Conc + 0,1726*Conc2), sendo que cerca de 92,93% da variação experimental pode ser explicada pelo modelo proposto. Os resultados do teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) estão descritos na Tabela 20. A fim de se avaliar um eventual efeito de saturação na reação com Folin Ciocalteau, foram testadas duas diluições. Os resultados apontam que a diluição 1:2 é a mais indicada, pois a diluição 1:1 não foi diretamente proporcional à concentração esperada, sugerindo o efeito de saturação do reagente. 100 Tabela 20. Teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG) das soluções extrativas obtidas segundo o planejamento fatorial 32 para a otimização das condições extrativas do processo de maceração das partes aéreas com álcool 70 % (V/V) Fator A Fator B TFT* (mg/mL) Diluição 1:1 Diluição 1:2 5,0 (-1) 5 (-1) 0,769 ± 0,002 (0,307) 0,672 ± 0,021 (3,110) 5,0 (-1) 10 (0) 0,722 ± 0,002 (0,327) 0,635 ± 0,004 (0,558) 5,0 (-1) 15 (+1) 1,051 ± 0,003 (0,297) 0,603 ± 0,008 (1,281) 7,5 (0) 5 (-1) 0,771 ± 0, 033 (4,290) 0,688 ± 0,005 (0,773) 7,5 (0) 10 (0) 0,907 ± 0,016 (1,805) 0,733 ± 0,020 (2,724) 7,5 (0) 15 (+1) 1,104 ± 0,018 (1,669) 0,858 ± 0,006 (0,745) 10,0 (+1) 5 (-1) 0,772 ± 0,011 (1,403) 1,012 ± 0,025 (2,453) 10,0 (+1) 10 (0) 0,924 ± 0,001 (0,128) 1,130 ± 0,011 (0,979) 10,0 (+1) 15 (+1) 1,250 ± 0,008 (0,620) 1,024 ± 0,035 (3,462) Fator A = relação planta solvente (%, m/V); Fator B = tempo de extração (dias). -1: nível inferior; 0: nível intermediário; +1: nível superior. TFT = teor de fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG); *resultados expressos pela média ± desvio padrão (desvio padrão relativo). De acordo com a análise de variância, apenas o coeficiente de concentração apresentou significância estatística (p = 0,0090). No gráfico de superfície de resposta (Figura 28), visualiza-se que o maior tempo e maior relação planta:solvente, levam a um maior TFT. Figura 28. Superfície de respostas para o Teor de Fenólicos totais equivalentes a ácido gálico (EAG), das soluções extrativas da M. vulgare obtidas por maceração. 101 Os resultados da otimização da extração indicam a necessidade de investigação de estudos de estabilidade da marrubiína e outros fatores que influenciam a extração, como a agitação, temperatura e polaridade do solvente. 102 5 CONCLUSÕES 1) O extrato metanólico da M. vulgare apresenta atividade gastroprotetora, assim como seu composto isolado, o diterpeno marrubiína. 2) No modelo de úlceras induzidas por etanol/HCl, todas as concentrações de extrato testadas apresentam atividade gastroprotetora, porém a substância isolada marrubiína, é mais efetiva, demonstrando que a gastroproteção observada no tratamento com a marrubiína isolada é mais efetiva do que a observada nos tratamentos com omeprazol e cimetidina, nos modelos de úlceras induzidas como por etanol/HCl e indometacina/betanecol. 3) Avaliando-se o papel do NO e dos compostos sulfidrilas, pode-se sugerir que a atividade gastroprotetora esteja ligada a fatores antioxidantes. 4) Os compostos presentes no extrato podem estar atuando sobre a secreção ácida gástrica e que esta atuação esta fortemente ligada ao composto isolado, a marrubiína. 5) No teste de ligadura de piloro, os resultados obtidos sugerem que o extrato e marrubiina interferiram com a secreção de ácido gástrico. Ao quantificar o muco livre no tecido gástrico, observou-se que o extrato de M. vulgare e marubiina, em doses de 100 e 25 mg/kg, aumentou significativamente a produção de muco, quando comparado com o controle (p <0,01) 6) Estudos posteriores in vitro e in vivo devem ser realizados para a determinação das enzimas envolvidas nos processos antioxidantes e antiinflamatórios relacionados com a gastroproteção. 7) A presença de marrubiína foi identificada em todos os extratos metanólicos, tanto por CCD, como por CG, sugerindo sua utilização como marcador químico para M. vulgare. 103 8) Não houve diferenças significativas, entre as coletas realizadas no verão e inverno, quanto ao teor de extrativos solúveis em água quente, fenólicos totais e flavonóides totais. 9) Os flavonóides representam mais de 30% dos compostos fenólicos totais das partes aéreas da M. vulgare. 10) Não foram identificadas diferenças significativas entre os TF das coletas realizadas em Bom Retiro, no verão e inverno. 11) O maiores teores de marrubiína (TM) foram obtidos no nível inferior (5 dias) e intermediário de tempo (10 dias), para os níveis de relação planta:solvente de 7,5 e 10%, respectivamente. Para o nível de relação planta:solvente de 5%, o maior TM foi obtido no nível inferior de 5 dias, seguido do nível superior de 15 dias. 12) O TFT sofreu forte influência da relação planta:solvente, e em menor grau do tempo de extração. 13) O presente estudo aponta para o desenvolvimento de um fitoterápico, empregando-se a marrubiína como marcador químico e farmacológico. 104 REFERÊNCIAS ABIFISA - Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico, suplemento Alimentar e Promoção da Saúde, 2010. Disponível em: < http://www.abifisa.org.br/>. Acesso: 04 de mar. 2011. ABBONDANZA, A.; BRECCIA, A.; CRESPI, A. Biosynthesis of labeled molecules: mechanism of biosynthesis reactions of precursors of furanic terpenes and phytosterols. Preparation Biomedical Application Labele Molecular Proc. Symposium, p. 95-101, 1964. AIHARA, T.; NAKAMURA, E.; AMAGASE, K.; TOMITA, K.; FUJISHITA, T. 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