DESLOCAR-SE NÃO ERA MAIS PRECISO: OS ESTUDANTES E A
EFETIVÇÃO DO ENSINO SUPERIOR EM SERGIPE, 1948-1961
José Vieira da Cruz1
Eixo temático 13: Ensino Superior no Brasil
Resumo:
A pretensão desta comunicação é discutir, sob a perspectiva do jornal Academus – órgão de
imprensa do Centro Acadêmico Silvio Romero, vinculado a Faculdade de Direito de Sergipe
–, e da produção bibliografia existente, o processo de efetivação das instituições de ensino
superior em Sergipe. Discussão delimitada, em termos cronológicos, entre 1948, quando são
efetivadas as duas primeiras faculdades, e 1961, quando o número dessas instituições de
ensino superior eleva-se para seis. Em torno dessa delimitação espaço-temporal e do diálogo
com as fontes e a bibliografia disponíveis, essa comunicação descortina alguns dos
significados atribuídos a esse processo de efetivação do ensino superior no estado, ao menos,
sob a perspectiva dos estudantes que comemoraram a possibilidade de não mais terem de se
deslocarem – para outros estados ou países – como condição necessária para cursarem o
ensino superior.
Palavras-chaves: História, ensino superior, Sergipe
Abstract:
The intention of this communication is to discuss the perspective of the newspaper Academus
– publication from the “Centro Acadêmico Silvio Romero”, linked to the Law School of
Sergipe – and production of existing literature, the process of realization of the higher
education institutions in Sergipe. Talk bounded, in chronological terms, between 1948, when
they take effect the first two colleges, and 1961, when the number of these higher education
institutions rises to six. Around this time-space boundaries and dialogue with the sources and
the literature available, this communication reveals some of the meanings attributed to this
process of realization of higher education in the state, at least from the perspective of students
who celebrated the possibility of no more have to move – to other states or countries – as a
necessary condition to route higher education.
Keywords: History, higher education, Sergipe
2
Introdução
O passado é, portanto, uma dimensão permanente da consciência humana,
um componente inevitável das instituições, valores e outros padrões da
sociedade humana. O problema para [sociedade e para] os historiadores é
analisar a natureza desse “sentido do passado” na sociedade e localizar suas
mudanças e transformações2.
A posição da sociedade e dos historiadores diante do passado ajuda a compreender como ele é
interpretado. No caso dessa comunicação, que tem como pretensão discutir alguns dos
significados atinentes a efetivação do ensino superior em Sergipe, sobretudo sob a perspectiva
dos estudantes, a compreensão desse passado colabora para a construção de uma visão de
conjunto sobre o processo de organização do ensino superior em uma das unidades federativas
do país. Processo iniciado na década de 1940, mas que só se efetiva em Sergipe nos cursos
das duas décadas seguintes. Compreender alguns dos significados atinentes a esse tema
norteia a discussão do presente texto.
Neste sentido, sob a perspectiva do jornal Academus – órgão de imprensa do Centro
Acadêmico Silvio Romero, vinculado a Faculdade de Direito de Sergipe –, uma das fontes
pesquisadas, e da produção bibliografia existente, essa reflexão está delimitada, em termos
cronológicos, entre 1948, quando são efetivadas as duas primeiras faculdades, e 1961, quando
o número dessas instituições de ensino superior eleva-se para o número de seis. Em torno
dessa delimitação espaço-temporal e do diálogo com as fontes e a bibliografia disponíveis,
descortinam-se alguns dos significados atribuídos a esse processo de efetivação do ensino
superior no estado, em particular, o relacionado ao problema do deslocamento para outros
estados ou países, e mesmo, questões de gênero, de seleção, de permanência e de conclusão
dos referidos cursos.
Articulada a essa perspectiva, a primeira parte desse texto versa sobre significados
relacionados a não mais necessidade dos estudantes de Sergipe migrarem para outros cidades
como condição obrigatória para cursarem o ensino superior, já a segunda tece algumas
discussões a respeito das primeiras instituições de ensino superior efetivadas em Sergipe no
período de 1948 a 1961.
1 - Desloca-se não era mais preciso
3
Sergipe, que já se fartou de mandar seus filhos para outros Estados para
então formarem sua cultura, procurou fundar a sua escola de Direito,
passando de hoje em diante a ter dupla vaidade: vaidade por ser berço de
grandes homens e por enchê-los de sabedoria em seu próprio seio, não mais
precisando deslocá-los para outras faculdades, não mais tendo necessidade
de mandá-los beber a sabedoria em fontes de outros centros, mesmo que em
terras gloriosas do Brasil3.
Sob o título “Criação que nos honra”, o artigo assinado por Jean Frontin, publicado em
setembro de 1951 na edição inaugural do jornal Academus, órgão de imprensa do Centro
Acadêmico Silvio Romero, vinculado à Faculdade de Direito de Sergipe – uma das quatro
faculdades existentes no estado na época –, revela aspectos do processo social que então se
desenrolava no país a partir da segunda metade do século XX, momento transpassado pelo
fim da Segunda Guerra Mundial e pela expectativa de que o mundo passaria por um período
de paz e de maior liberdade política, expectativas logo confrontadas com a polarização
ideológica provocada pela chamada Guerra Fria e o realinhamento político dos países
“subdesenvolvidos” ou “em desenvolvimento” entre o bloco capitalista, liderado pelos
Estados Unidos, e o bloco socialista, liderado pela então União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas4.
Em torno dessa nova ordem mundial, o Brasil encerrava o período da ditadura do Estado
Novo e assistia: ao fortalecimento da sociedade civil em meio a debates nacionalistas; à
intensificação do processo de industrialização e de urbanização; ao aumento da demanda por
cursos superiores e ao desencadeamento do processo de criação de universidades federais5.
Neste contexto, o Estado de Sergipe assiste à efetivação de suas primeiras instituições de
ensino superior e ao surgimento de um movimento estudantil universitário.
Para os estudantes pertencentes aos setores sociais mais tradicionais do estado, a efetivação
dessas instituições e de seus cursos – sobretudo o de Direito, fundado em 1951, e o de
medicina, a partir de 1961 – oferecia a possibilidade de não mais precisarem emigrar para
“formarem sua cultura” em outros centros urbanos do país e se manterem distintos
socialmente6, possibilidade de formação que até a primeira metade do século XX era restrita
àqueles que tivessem recursos ou recebessem auxílio governamental para completar seus
estudos fora do estado. Neste sentido, segundo Thétis Nunes, durante o Império, foram
frequentes as resoluções da Assembleia Provincial no sentido de conceder auxílios para
alguns estudantes da chamada “classe média urbana” para que eles conseguissem conquistar
4
os cobiçados diplomas, sobretudo nas áreas do direito e da medicina, uma forma de eles
manterem ou conseguirem ascensão social7.
Em relação a esses estudantes durante o período imperial, as pesquisas têm apontado que eles
provinham de famílias bem estruturadas tanto em termos econômicos como quanto à posição
social e aos cargos que ocupavam8, condição que parece não ter sido suficiente para que
alguns deles, juntamente com estudantes menos abastados, dispensassem o apoio do governo
provincial. A este respeito é também importante considerar que a produção de açúcar,
principal atividade econômica durante o período provincial em Sergipe, estava em crise desde
meados do século XIX9, fato que pode ter influenciado as elites locais a investirem na
formação de alguns de seus filhos como forma de manutenção de seus status, inclusive
recorrendo ao erário provincial, inicialmente, e ao erário estadual durante a Primeira
República, posteriormente, para obtenção de auxílio financeiro com o objetivo de garantir a
formação em cursos que lhes assegurassem uma carreira de bacharéis e de ocupantes de
cargos públicos de comando.
Por outro lado, a partir do período republicano, sobretudo após o fim do Estado Novo, para as
camadas médias da sociedade brasileira, em particular para os trabalhadores urbanos, a
expansão do ensino secundário, a equivalência dos cursos profissionais ao secundário10 e o
processo de expansão dos cursos superiores significaram “um meio de aumentar as chances de
estes alcançarem melhores condições de vida”11.
Logo, ao se retomar o texto de Jean Frontin, no jornal Academus – possivelmente o
pseudônimo de um colaborador –, percebe-se que os significados atribuídos à luta dos
chamados “filhos” de Sergipe – qual seja a de não mais precisarem deslocar-se para outros
estados com o objetivo de completarem seus estudos – representavam não apenas o orgulho e
o reconhecimento de uma sociedade que passava a acompanhar o florescimento de uma nova
cultura urbana – pautada na formação de estudantes em cursos de ensino superior ofertados na
capital de seu estado –, mas também descortinava, do ponto de vista social, econômico e
cultural a possibilidade de se eliminar a restrição do acesso ao ensino superior àqueles que
não podiam se deslocar para outros estados ou países.
A existência, o funcionamento e a expansão de cursos superiores em cidades como Aracaju, a
partir da segunda metade do século XX, significaram, portanto, para os que tinham condição
socioeconômica menos abastada, uma maior possibilidade de acesso a esse nível de ensino.
Outro ponto a ser destacado sobre implantação desses cursos gira em torno da diminuição das
limitações encontradas pelas mulheres que desejavam completar seus estudos, na medida em
5
que, geralmente, a dificuldade do deslocamento acrescentava-se à lista de valores culturais de
uma sociedade que limitava os espaços e os papéis a elas destinados.
Nesse contexto, torna-se importante observar também que, de modo geral, havia outras
restrições ao acesso ao ensino superior. Tem-se, dentre elas, o número de estudantes que
chegavam a concluir o ensino secundário, o processo de seleção para ingresso nos referidos
cursos e a estrutura das novas instituições.
Ao analisar a primeira restrição, a formação secundária, uma das condições de acesso ao
ensino superior, os dados escolares do ano de 1959 registravam apenas 7.411 alunos
matriculados nos cursos de ensino secundário, atualmente denominado de ensino médio –
menos de 1% do cômputo geral de uma população estimada em 768.000 habitantes, conforme
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a população do estado no
ano de 1960. A distribuição dessas matrículas, por sua vez, indicava ainda que 5.707, ou mais
de 80%, cursavam o ensino secundário ou ensino propedêutico, voltado para a formação
geral12, enquanto que os cursos profissionalizantes ou técnicos, voltados para os
trabalhadores, tinham menos de 20% do total de matrículas, assim distribuídas: 1.116 alunos
no ensino comercial; 249 alunos no ensino industrial; 209 alunos no ensino agrícola; e 130
alunos no ensino normal13, sendo este último mais frequentado pelas mulheres.
Não obstante o baixo acesso da população ao ensino secundário, em 1960, o mapa de
matrícula indica a predominância dos cursos propedêuticos, voltados para preparação para o
ensino superior, em detrimento dos cursos profissionalizantes, atuais cursos técnicos, que
também estavam equiparados ao secundário, permitindo que seus participantes estivessem
habilitados a cursar o ensino superior. Por um lado, essa demanda refletia o caráter elitista
deste nível de ensino, uma vez que havia a priorização do ensino propedêutico em lugar do
profissional. Por outro lado, esses números e a condição de equiparação que eles permitiam
indicavam a existência de uma demanda de estudantes suscetíveis a prestarem os exames de
seleção para ingresso nos cursos superiores então existentes.
Entretanto, esse acesso também esbarrava na rigidez dos exames de seleção e nas condições
de funcionamento das instituições de ensino superior e de seus cursos. Na primeira situação,
as vagas disponibilizadas muitas vezes não eram preenchidas, não obstante o número de
inscritos, a exemplo do primeiro vestibular da Faculdade de Medicina de Sergipe ocorrido em
1961, no qual 32 candidatos se inscreveram, apenas nove foram aprovados, e destes, somente
sete concluíram o curso cinco anos depois14. Situações desta ordem estimularam ao longo dos
anos de 1960 que estudantes de várias partes do país desencadeassem campanhas não só para
6
o aumento de vagas nos cursos superiores, mas também para o aproveitamento das vagas já
existentes, inclusive em Sergipe15.
Já em relação às condições de funcionamento das instituições de ensino superior em Sergipe,
questões como as estruturas dos prédios, laboratórios e bibliotecas, a falta de professores e a
irregularidade ou insuficiência das fontes de financiamento sinalizavam algumas das
dificuldades mais frequentes para manutenção da oferta e da possibilidade de ampliação das
vagas nos cursos então existentes. Nesse mesmo período, o governo federal, com o intuito de
resolver a demanda por mais cursos superiores, a partir do final da década de 1940, procurou
criar novas faculdades, estabelecer a gratuidade dos cursos superiores nas instituições federais
e federalizar as faculdades estaduais e privadas, reunindo-as em universidades16. Entretanto,
esse processo de federalização, como uma das possibilidades para se garantir a expansão do
ensino superior, não ocorreu de igual modo entre os diferentes estados brasileiros.
2 - As primeiras instituições de ensino superior
No caso de Sergipe, a trajetória percorrida entre a criação das primeiras instituições de ensino
superior, efetivadas entre o final da década de 1940 e início da década de 196017, e a
Fundação da Universidade Federal de Sergipe (FUFSE), em 1968, é uma evidência de que
esse processo teve desdobramentos tardios em relação à federalização e ao mesmo tempo
reveladores a respeito das dificuldades enfrentadas pelo estado para superar aquilo que a
historiadora Maria Thétis Nunes – e uma das participantes do processo de fundação da
FUFSE –, definiu como a “arcaica estrutura socioeconômica que teimava em permanecer”18.
Entretanto, apesar da persistência de uma estrutura socioeconômica pouco desenvolvida, de
um ambiente político dominado por oligarquias – associadas à produção do açúcar e à
atividade pecuária –, e ao fato de a Província de Sergipe, inicialmente, e o Estado de Sergipe,
posteriormente, entre o Império, a Primeira República e o fim do Estado Novo, não contarem
com instituições de ensino superior, esta realidade não impediu que alguns intelectuais, parte
dos quais provenientes dos mencionados setores socioeconômicos – concluíssem sua
formação nos meios universitários de Recife, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, obtendo
inclusive destaque em importantes debates jurídicos, científicos e políticos sobre a realidade
brasileira e a latino-americana. Dentre esses intelectuais, podem ser citados os seguintes
bacharéis: Tobias Barreto, Silvio Romero, João Ribeiro, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa,
em direito, e os médicos Felisbelo Freire, Manoel Bomfim, entre outros19.
7
Contudo, a projeção alcançada por esses intelectuais e políticos de Sergipe não se converteu
ou não foi suficiente para a efetivação de instituições de ensino superior no estado, ao menos
até o final da primeira metade do século XX. A necessidade de deslocamento para outros
centros culturais, com o propósito de obter formação universitária e galgar uma projeção no
ambiente intelectual e político, nacional e estadual, persistiu, portanto, sem uma alternativa
local até 1948, quando o ensino superior foi efetivado no estado.
A esse respeito, são significativas as palavras proferidas pelo discurso de José Augusto da
Rocha Lima, professor do Colégio Estadual de Sergipe, em 15 de março de 1947, por ocasião
dos festejos alusivos ao centenário da implantação do ensino secundário em Sergipe. Nesse
discurso, entre outros aspectos, ele destaca o crescimento do ensino primário e do ensino
secundário, enfatizando que isso deveria abrir caminhos para a instalação do ensino superior
no estado. Ele argumenta, ainda, que a efetivação do ensino superior em Sergipe dependeria
da vontade da sociedade sergipana. Em suas próprias palavras, “A vontade forte, é o abrete,
Sésamo (sic) e não duvido que haja vontades fortes, serenas e clarividentes na tripulação da
nau do Estado, nesta nova jornada que se há de iniciar”20, em uma clara referência de que o
início do ensino superior no estado dependeria da vontade da sociedade, da intelectualidade e
dos políticos, como de fato se pode verificou nas décadas seguintes21.
Além do discurso sobre a necessidade dessa vontade, a efetivação do ensino superior em
Sergipe deve ser associada ao momento político e econômico que o país passou a viver após o
fim da ditadura do Estado Novo. A partir desse contexto, verifica-se que o interesse em buscar
alternativas para o desenvolvimento estadual toma novos encaminhamentos, entre os quais, o
de garantir o acesso ao ensino superior no estado, construindo uma alternativa local. Dessa
forma, aqueles que tinham dificuldades ou impossibilidades para migrar para outras cidades
fora do estado também passaram a ter acesso a esse ensino, pelo menos sem a restrição de
terem de se deslocarem do estado.
Antes disso, ou seja, da efetivação dessas instituições de ensino superior, o estado já havia
contado com o funcionamento do Seminário Episcopal do Sagrado Coração de Jesus –
fundado em 1913 e em atividade até 1933 –, que teve por objetivo a formação superior de
religiosos para a vida sacerdotal22, e duas tentativas de instalar cursos superiores laicos,
ocorridas no governo de Maurício Graccho Cardoso durante a década de 1920, “com a
instituição da Faculdade de Farmácia e Odontologia ‘Aníbal Freire’ e da Faculdade de Direito
‘Tobias Barreto’”, experiências de ensino que não tiveram êxito23.
Mas não obstante as experiências de ensino superior mencionadas, a religiosa e a tentativa de
instalação de faculdades na década de 1920, a efetivação do ensino superior no estado
8
somente ocorreu quando o governo “passou a investir na construção da infra-estrutura básica
e na montagem de estratégias para o desenvolvimento estadual”24. Esse desenvolvimento, por
sua vez, não foi pensado apenas em termos da estruturação logística, como também, em
termos do desenvolvimento das instituições de ensino e de formação profissional, a exemplo
das faculdades e escolas superiores.
Entre essas estratégias, as criações da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE) e da Escola
Superior de Química (ESQ), em 1948, representaram o início da efetivação de cursos
universitários em Sergipe. Para Manoel Cabral Machado, intelectual católico, ligado ao PSD,
essas duas iniciativas dariam a sustentação para a construção de uma política de
desenvolvimento, em particular no longo processo de efetivação do ensino superior em
Sergipe, que só se concluiria em 196825.
Considerações finais
A essa iniciativa governamental somaram-se a Faculdade de Direito de Sergipe (FDS),
fundada por uma sociedade mantenedora formada por juristas ligados ao PSD, em 1951, a
qual, nos anos seguintes, efetivou-se como faculdade federalizada26; duas instituições
mantidas pela Igreja Católica: a Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (FCFS)27, fundada
em 1951, e a Escola de Serviço Social (ESS), criada em 1954; e ainda a Faculdade de
Medicina de Sergipe (FMS), mantida por uma sociedade civil com aportes financeiros do
estado, fundada em 1961.
Essas instituições, a partir de 1963, através de um processo articulado pelo governo do estado,
iniciariam um processo que culminaria em 1968 com a fundação da FUFSE. Esta instituição
de ensino superior reuniria as duas instituições pertencentes ao governo do estado, as duas
faculdades católicas, a faculdade de medicina e a faculdade de direito, mantidas como
sociedades civis sem fins lucrativos, em torno de uma única instituição criada na condição de
fundação federal28.
Antes da criação de uma universidade, no período entre 1948 e 1961, a efetivação do ensino
superior no estado permitiu a fomentação de uma alternativa local para aqueles que tinham na
dificuldade de deslocamento uma restrição para obtenção desse objetivo. Evidentemente essa
possibilidade não garantiu o acesso universal a esse nível de ensino a todos os interessados.
Outras restrições persistiriam no tocante ao processo de seleção, permanência e conclusão do
ciclo de estudos desse nível de ensino. Mas, não obstante a persistência de outras restrições,
essa efetivação foi um processo significativo para a história do ensino superior, dos estudantes
9
universitários e da sociedade em Sergipe. Assim como, um exemplo ilustrativo das
especificidades da efetivação ensino superior em uma das unidades da federação brasileira.
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SILVA, Eugênia Andrade Vieira da. A formação intelectual da elite sergipana (1822-1889).
São Cristóvão: NPGED/UFS, 2004 (Dissertação de mestrado).
SOUZA, Terezinha Oliva de. Impasses do federalismo brasileiro: Sergipe e a Revolta de
Fausto Cardoso. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
11
Notas:
1
Doutor em História Social/UFBA, Membro do Grupo de pesquisa História Popular do Nordeste/UFS, prof. da
SEED, da SEMED e do Curso de História de Universidade Tiradentes. E-mail: [email protected]
2
HOBSBAWM, Eric. Sobre história. Tradução Cid Knipel Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
p.22.
3
FRONTIN, Jean. “Criação que nos honra”. In: Academus. Ano I, nº 1, setembro de 1951, p. 8.
4
HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. Tradução Marcos Santarrita. São
Paulo: Companhia das Letras, 1995, pp. 223-253.
5
CUNHA, Luiz Antônio. “Ensino superior e universidade no Brasil”. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA
FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greiva. 500 anos de educação no Brasil. 3 ed. Belo Horizonte:
Autêntica, 2003, pp. 170-171.
6
A respeito da apropriação do nível superior como forma de distinção social ver: CUNHA, Luiz Antônio.
“Ensino superior e universidade no Brasil”. Op. cit., pp. 156-157.
7
NUNES, Maria Thétis. História da educação em Sergipe. Rio de Janeiro: Paz e Terra; Aracaju: Secretaria de
educação e cultura do estado de Sergipe: Universidade Federal de Sergipe, 1984, pp. 120-121.
8
SILVA, Eugênia Andrade Vieira da. A formação intelectual da elite sergipana (1822-1889). São Cristóvão:
NPGED/UFS, 2004 (Dissertação de mestrado), pp.14-40; a respeito da formação desses intelectuais durante o
Império, ver também: CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de
Janeiro: Campus, 1980, p. 69.
9
Ver mais informações a respeito em: ALMEIDA, Maria da Glória S. de. Nordeste açucareiro: desafio num
processo do vir-a-ser capitalista. Aracaju: UFS/SEPLAN/BANESE, 1993; e em: PASSOS SUBRINHO, Josué
Modesto dos. Reordenamento do trabalho: trabalho escravo e trabalho livre no Nordeste Açucareiro, Sergipe,
1850-1930. Aracaju: FUNCAJU, 2000.
10
Esse processo de equivalência dos cursos profissionalizantes (comercial, normal ou técnico) ao grau do ensino
secundário iniciado ao longo das décadas e de 1940 e 1950 foi ampliado e garantido pelo artigo 34 da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 4024, de 20 de dezembro de 1961.
11
CUNHA, Luiz Antônio. “Ensino superior e universidade no Brasil”. Op. cit., p. 157.
12
Essa modalidade de ensino voltada para a formação mais geral destinava-se a formar o aluno para os cursos
superiores mais frequentados pelas chamadas “elites condutoras”. Ver mais informações a este respeito em:
CUNHA, Luiz Antônio. “Ensino superior e universidade no Brasil”. Op. cit., p. 171.
13
MENDONÇA, José Antônio Nunes. Pelo desenvolvimento de Sergipe. Aracaju: Centro de Estudos
Pedagógicos, 1961, p. 15 e pp. 38-39.
14
Entre os concluintes estavam: Antonio Leite Cruz, João Fernando Salviano, Lydia Mesquita Salviano, Maria
Rosa Silva, Simone Matos Moura, Willian de Oliveira Menezes e Zulmira Freire Rezende. Mais informações a
respeito em: CINFORM. Faculdade de Medicina de Sergipe completa 50 anos [reportagem do jubileu de ouro].
Ano XXIX, nº 1467, 23 a 29/05/2011, p. 11.
15
Mais informações a esse respeito em: CRUZ, José Vieira da. Da autonomia à resistência democrática:
movimento estudantil, ensino superior e a sociedade em Sergipe, 1950-1985. Salvador: PPGH/UFBA, 2012, pp.
116-168.
16
MENDONÇA, José Antônio Nunes. Op. cit., p. 171.
17
ROLLEMBERG, Maria Stella Tavares & SANTOS, Lenalda Andrade (Org.). UFS: História dos Cursos de
Graduação. São Cristóvão: UFS, 1999.
18
NUNES, Maria Thétis. “A UFS completa 40 anos”. In: Universidade Federal de Sergipe 40 anos. 04 de abril
de 2008. Disponível em: <http://www.ufs.br/ufs40anos/index_artigos.php?id=22>. Acessado em 10/02/2009.
19
Ver a respeito em: FONTES, José Silvério Leite. A formação do povo sergipano. Aracaju: Secretaria de
Estado da Cultura, 2004; em: CRUZ, José Vieira da, BITTENCOURT JÚNIOR, Antonio. Manoel Bomfim e a
América Latina: a dialética entre o passado e o presente. Aracaju: Diário Oficial, 2010; e ainda em: SOUZA,
Terezinha Oliva de. Impasses do federalismo brasileiro: Sergipe e a Revolta de Fausto Cardoso. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1985, entre outros.
20
LIMA, José Augusto da Rocha. “Discurso”. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, vol.
14, nº 19, 1947, p. 29, (negrito do autor). Ver a respeito os comentários de: OLIVEIRA, João Paulo Gama.
“Curso de história e geografia da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe: reflexões sobre seu currículo”. In:
Revista HISTEDBR On-line, Campinas, nº 30, jun 2008, pp. 164-174.
21
Mais informações a esse respeito em: CRUZ, José Vieira da. Da autonomia à resistência democrática:
movimento estudantil, ensino superior e a sociedade em Sergipe, 1950-1985. Op. cit., pp. 260-270.
12
22
Ver mais informações a esse respeito em: BARRETO, Raylane Andreza Dias Navarro. Os Padres de Dom
José: O Seminário Sagrado Coração de Jesus 1913-1933. São Cristóvão: UFS/NPGED, 2004 (Dissertação de
mestrado); e da mesma pesquisadora: A formação dos padres no Nordeste do Brasil (1894 -1933). Natal:
PPGE/UFRN, 2009 (Tese de doutorado).
23
NUNES, Maria Thétis. História da educação em Sergipe. Op. cit., p. 251.
24
Op. cit.
25
MACHADO, Manoel Cabral. “Nossa Universidade Federal e o Ensino Superior em Sergipe (I)”. In:
Universidade Federal de Sergipe 40 anos. 25 de abril de 2008. Disponível em:
<http://www.ufs.br/ufs40anos/index_artigos.php?id:19>. Acessado em 10/02/2009.
26
DANTAS, José Ibarê Costa. História de Sergipe: República (1889-2000). Rio Janeiro: Tempo Brasileira,
2004, p. 158.
27
A respeito da fundação da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, ler: LIMA, Luís Eduardo Pina.
Ideologias e utopias na história da educação: o processo de criação da Faculdade Católica de Filosofia de
Sergipe – 1950-1951. Aracaju: NPPCS/UFS, 1993, (Monografia de especialização). E sobre o cotidiano dos
primeiros anos desta faculdade, ler: OLIVEIRA, João Paulo Gama. O curso de Geografia e História na
Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (1951-1954), entre alunas, docentes e disciplinas – uma história.
Aracaju: Departamento de História/UFS, 2008 (Monografia de graduação).
28
Mais informações a esse respeito em: CRUZ, José Vieira da. Da autonomia à resistência democrática:
movimento estudantil, ensino superior e a sociedade em Sergipe, 1950-1985. Op. cit., pp. 260-270.
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