UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA MITO OU VERDADE: ALUNOS ORIUNDOS DA RESERVA DE VAGAS INFLUENCIAM NO RENDIMENTO ACADÊMICO DA UERJ. Por: Waléria Sodré Machado Orientadora Profª. Ma. Flávia Martins de Carvalho Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA MITO OU VERDADE: ALUNOS ORIUNDOS DA RESERVA DE VAGAS INFLUENCIAM NO RENDIMENTO ACADÊMICO DA UERJ. Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Pública Por: Waléria Sodré Machado 3 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus colegas da Secretaria da Faculdade de Direito da Uerj, Angélica, Dalmo, Kelly e Sandra, que souberam entender e supriram, com muita competência, as minhas ausências. Agradeço especialmente ao Prof.Horácio, orientador pedagógico da Uerj, pela prestimosa ajuda na realização do levantamento estatístico deste trabalho e intensa troca de ideias. Por fim, agradeço por todo o incentivo da minha querida mãe, Wanda, que foi determinante para que eu iniciasse e concluísse o Curso. 4 DEDICATÓRIA Dedico ao meu pai, Waldyr (1934-1988), presença constante em minha memória. 5 RESUMO O presente trabalho descreve o processo de implementação do Sistema de cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que completou nove anos de existência, tempo suficiente para se fazer uma avaliação a seu respeito. Este texto tem como objetivo principal dar conhecimento à sociedade sobre o papel desempenhado pela instituição, na consecução do trabalho realizado ao longo desses anos para a implantação da política de cotas, desde a aprovação das Leis; ingresso, permanência e avaliação dos estudantes, até chegar aos resultados decorrentes da aplicação da política pública instituída. Dessa forma, o positivo deste trabalho foi averiguar que a Uerj vem respondendo às demandas da sociedade e procurando formas, juntamente com os seus Conselhos Superiores, de continuar atendendo ao que determina a Lei em vigor, sem perder a excelência na qualidade do ensino. 6 METODOLOGIA As fontes utilizadas para a produção dos capítulos desta monografia são originalmente oficiais. Foram extraídos dados de setores que participaram de momentos diferentes da implantação do Sistema de Cotas na Universidade, tais como, o Departamento de Seleção Acadêmica - DSEA, o Departamento de Desenvolvimento Acadêmico de Projetos e Inovações – DEAPI, Sistema Acadêmico de Graduação – SAG, o Departamento de Orientação e Supervisão Pedagógicos – DEP, o Departamento de Administração Acadêmica – DAA, todos subordinados à Sub-Reitoria de Graduação – SR-1 e o Núcleo de Informação e Estudos de Conjuntura – NIESC, responsável pela organização do DataUerj , publicação que reúne as principais informações institucionais sobre a universidade. Também foram consultados, jornais, artigos da internet, questionários, coleta de dados, pesquisa bibliográfica e houve a realização de uma pequena entrevista, bem objetiva, com alguns professores da instituição. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I - Criação do Sistema de Cotas 11 CAPÍTULO II - Atual Execução da Política de Acesso pelas Cotas 20 CAPÍTULO III – Análise do Desempenho dos Alunos 26 CONCLUSÃO 38 ANEXOS 40 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 42 BIBLIOGRAFIA CITADA 43 ÍNDICE 44 FOLHA DE AVALIAÇÃO 45 8 O que mata um jardim É esse olhar vazio, De quem por ele Passa indiferente Mário Quintana 9 INTRODUÇÃO O processo seletivo de ingresso nas universidades públicas é um tema complexo de ser analisado se levarmos em consideração os diversos fatores a esse respeito: qualidade do ensino médio, mercado de trabalho, condições sociais, contexto histórico. Diante desses problemas, algumas políticas são criadas como mecanismos para minimizar as dificuldades de parcela da população que fica impossibilitada de realizar o ensino superior em virtude de determinadas desigualdades históricas, físicas e sociais. Nesse panorama, será apreciada a implantação da política pública em educação, voltada para o sistema de reserva de vagas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.- Uerj. A Uerj foi uma das primeiras instituições de ensino superior do Brasil a reservar vagas em seu vestibular. Nas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro – Uerj e Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos) - a adoção de reserva de vagas começou no ano de 2000, com a aprovação da Lei Estadual nº 3524/2000, de 28 de dezembro de 2000, que garantia, em cada uma das duas universidades, a reserva de 50% das vagas para estudantes que tivessem cursado integralmente os ensinos fundamental e médio em escolas das redes públicas de ensino. No ano seguinte, a Lei Estadual nº 3.708/2001, de 9 de dezembro de 2001, determinou, também para as duas universidades estaduais públicas citadas, a reserva de 40% das vagas de cada um de seus cursos de graduação para estudantes negros e pardos. Nos sete anos seguintes, foram criadas as Leis 4.151/03 e 5.074/07, nas quais, respectivamente, primeiro se estabeleceu um percentual de reserva mínimo de 45% das vagas, todas para estudantes carentes com renda máxima líquida de R$300,00 por pessoa da família, sendo 20% para oriundos da rede pública; 20% para estudantes negros e 5% para integrantes de minorias étnicas e portadores de deficiência; e depois, com a segunda foram incluídos 10 os filhos de policiais civis, militares, bombeiros militares e de inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Tendo em vista as incoerências de ambas e as mudanças no Projeto, a Assembleia Legislativa decretou e sancionou a Lei 5346/08, que rege o atual processo seletivo. Por meio bibliográfico e da análise de termos encontrados na internet veremos, primeiramente, a parte histórica e a criação das Leis que regem o sistema de cotas nas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. No segundo capítulo, revelaremos a atual execução da política de acesso dos egressos pela reserva de vagas e explicaremos a política adotada internamente pela universidade para a manutenção dos cotistas, até o final do curso, nas mesmas condições dos demais alunos. Por último, averiguaremos, por meio de dados estatísticos, se o rendimento acadêmico da instituição sofreu alguma influência após nove anos da implantação do sistema de cotas. 11 CAPÍTULO I Criação do Sistema de Cotas na Uerj O conceito de cotas como ação afirmativa surgiu na década de 1960, nos Estados Unidos da América, com o presidente John F. Kennedy, como forma de promover a igualdade entre os negros e brancos norte-americanos1. No Brasil, o sistema demorou a chegar. As reservas de vagas surgiram com a Constituição Brasileira de 1988, garantindo um percentual dos cargos e empregos públicos aos portadores de deficiência física, e ganharam maior destaque nos anos 90. Certamente, há de se considerar que esta ação afirmativa não se restringe apenas aos dois países mencionados, visto que é detentora de atenção global. Em um panorama nacional, influenciado por traços norte-americanos, percebemos certa tendência em adotar diretrizes de admissão levando-se em conta, sensivelmente, a origem étnica e a condição financeira, visto que, pelo menos 50 instituições públicas de ensino superior já fazem uso de tal ação afirmativa. Nas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro – Uerj e Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos) - a adoção de reserva de vagas começou no ano de 2000, com a aprovação da Lei Estadual nº 3524/2000, de 28 de dezembro de 2000, que garantia, em cada uma das duas universidades, a reserva de 50% das carteiras para estudantes que tivessem cursado integralmente os ensinos fundamental e médio em escolas das redes públicas de ensino. No ano seguinte, a Lei Estadual nº 3.708/2001, de 9 de dezembro de 2001, determinou, também para as duas universidades estaduais públicas citadas, a reserva de 40% das vagas de cada um de seus cursos de graduação para estudantes negros e pardos. Porém, só começou a ser aplicada durante o ano de 2002, valendo a partir do Vestibular 2003, que foi realizado por meio de dois exames distintos: o SADE – Sistema de 1 Cf. Ensaio: aval.pol.púb.Educ.,RJ, v.18,n.69, out/dez 2010 12 Acompanhamento de Desempenho dos Estudantes do Ensino Médio - para reserva de vagas, e outro para o Vestibular Estadual tradicional, no qual se inscreviam os candidatos que não podiam ou não desejavam participar do sistema de cotas instituído. Foram dois vestibulares diferentes, com graus de 2 dificuldade similares , ambos com inclusão de afrodescendentes, porém sem o corte socioeconômico. A lei que destinava vagas a portadores de deficiência, naquele ano, não entrou em vigor por ter sido promulgada após a realização do certame. As diferentes leis promulgadas ao longo de 2003 demonstraram a necessidade de a Uerj se inserir efetivamente no debate travado sobre ações afirmativas, contribuindo, juntamente com vários segmentos da sociedade, para a formulação das regras que deram origem à Lei 4.151/03, de 4 de setembro de 2003, aplicada ao vestibular para cursos com início no ano seguinte. Adotando como paradigma o critério socioeconômico, a Lei estabeleceu um percentual de reserva mínimo de 45% das vagas, todas para estudantes carentes (renda máxima líquida de R$300,00 por pessoa da família), sendo 20% para oriundos da rede pública; 20% para estudantes negros (com o critério da autodeclaração) e 5% para integrantes de minorias étnicas e portadores de deficiência. Estabelecida a Lei para o ingresso de estudantes carentes nas universidades públicas estaduais do Rio de Janeiro, fez-se cumprir, de forma efetiva, o Título II da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) – Dos Princípios e Fins da Educação – que preconiza que o ensino seja ministrado com base na igualdade de condições para o acesso e permanência do educando na escola. Quatro anos depois, com a publicação da Lei nº 5.074/2007, foram incluídos ainda neste tipo de cota os filhos de policiais civis, militares, bombeiros militares e de inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Em dezembro de 2008, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de 13 Janeiro decretou e sancionou a Lei 5346/08 que em seus artigos estabelece: Art. 1º Fica instituído, por dez anos, o sistema de cotas para ingresso nas universidades estaduais, adotado com a finalidade de assegurar seleção e classificação final nos exames vestibulares aos seguintes estudantes, desde 3 que carentes . Art. 2º As cotas universidades de estaduais vagas para serão ingresso as nas seguintes, respectivamente: I - 20% (vinte por cento) para os estudantes negros e indígenas; II - 20 % (vinte por cento) para os estudantes oriundos da rede pública de ensino; III- 5% (cinco por cento) para pessoas com deficiência, nos termos da legislação em vigor, e filhos de policiais civis, militares, bombeiros militares e de inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Art. 3º É dever do Estado do Rio de Janeiro proporcionar a inclusão social dos estudantes carentes destinatários da ação afirmativa objeto desta Lei, promovendo a sua manutenção básica e preparando seu ingresso no mercado de trabalho, inclusive mediante as seguintes ações: I - pagamento de bolsa-auxílio durante o período do curso universitário; II - reserva proporcional de vagas em estágios na administração direta e indireta estadual; III - instituição de programas específicos de crédito pessoal 2 Fonte: DSEA- Departamento de Seleção Acadêmica da Uerj Para o Vestibular 2012, o corte socioeconômico estabelecido pela Universidade está em R$ 960,00 mensais per capta 3 14 para instalação de estabelecimentos profissionais ou empresariais de pequeno porte e núcleos de prestação de serviços. Em pouco tempo, a implantação da Lei transformou a Uerj na instituição que detém o maior número de estudantes cujo ingresso se deu por meio de reserva de vagas no país. Sempre comprometida com a superação dos graves problemas sociais que abatem o Brasil, e em particular sobre o Estado do Rio de Janeiro, a Uerj não poderia deixar de reconhecer que nossa sociedade convive com níveis intoleráveis de desigualdade social. Da mesma forma, não poderia deixar de reconhecer que o mecanismo mais eficaz de combate à desigualdade, de promoção da ascensão social, é a educação pública. Com base nessa premissa, muitos ainda hoje se mostram contrários à adoção de sistemas de vagas reservadas, alegando que compete à escola habilitar seus egressos a competir pelas vagas oferecidas. No entanto, sabemos que, embora o acesso à educação básica tenha sido universalizado, o mesmo não aconteceu com a escola pública. O ideal de escola pública de excelência para todos foi distanciando-se progressivamente, tornando cada vez menores as chances de milhares de estudantes ultrapassarem o gargalo do vestibular. Em função disso, o resgate da escola pública de excelência – ideal a ser perseguido por todos nós – por depender de um complexo conjunto de fatores para ser atingido imediatamente, poderia arrastar-se durante décadas. Assim, foi preciso reconhecer a necessidade de enfrentar a questão das desigualdades sociais, viabilizando políticas que permitissem, pelo acesso à educação superior, um alargamento no topo da pirâmide social. Nesse sentido, a Uerj vem cumprindo a principal função de uma instituição de educação superior, que é promover a transformação social. Ela se mostra uma ferramenta necessária ao aperfeiçoamento social, contribuindo para o desenvolvimento científico-tecnológico, cultural, econômico e ambiental, que, além do caráter formativo de seus estudantes, preza cada um como um ser humano em busca de oportunidades para desenvolver suas potencialidades, a fim de se realizar 15 profissionalmente. A Universidade representa relevante papel ao assegurar ao seu discente a formação que lhe trará a capacidade de ser parte integrante dessa transformação social. Até a década de 70, frequentar a escola era uma escolha da família que decidia se as suas crianças deveriam ou não se ocupar em aprender, ou se deveriam trabalhar para ajudar na manutenção familiar. A alteração desse cenário ocorreu com a Lei 5.692/71, que instituiu a educação obrigatória dos 7 aos 14 anos. Nos anos que se seguiram, percebemos uma elevação dos níveis de escolarização das crianças brasileiras, que traduziu não apenas a aplicação da lei, mas um conjunto de políticas públicas que foram aos poucos implementadas com foco na universalização do acesso à escola. Os resultados tornaram-se perceptíveis no início deste século: a taxa de escolarização das crianças entre sete e nove anos salta de 70,7% em 1981 para 93,1% em 1993, chegando a 97% em 2003. Deste último percentual, apenas 80% iniciam a 5ª 4 série . Assim, embora o país experimentasse níveis quase escandalosos de evasão e de repetência, a partir dos anos 90 um quantitativo muito significativo de adolescentes passou a bater às portas do ensino médio, pressionando os poderes públicos à expansão de sua rede, já que a oferta desse nível de ensino não era obrigatória. Tal parcela da população sofrendo com o baixíssimo índice de crescimento econômico e com o alto índice de desemprego que caracterizou os anos 80 e 90, sente a necessidade de alargar o tempo de escolaridade, e, como estratégia para ingresso no mercado de trabalho, passa a buscar a educação superior de forma mais sistemática. Em paralelo, como a opção de investimento público teve foco na educação básica, especificamente no ensino fundamental, a quase estagnação das vagas oferecidas em instituições públicas abriu espaço para um crescimento da oferta de vagas em instituições privadas. Assim, entre 1980 e 1998, enquanto o crescimento da oferta das vagas públicas no ensino superior limita-se a irrisórios 16%, na rede privada o aumento ultrapassa os 150%, gerando uma enorme 4 distorção Fonte: MEC/INEP do sistema. Este se mostra incapaz de atender 16 adequadamente às necessidades da população, já que a procura prioritária passa a ser pelas instituições públicas, em função tanto da qualidade da educação oferecida, quanto da dificuldade de arcar financeiramente com o investimento exigido nas instituições privadas. Nos primeiros anos do novo milênio, a situação perdura: as vagas em instituições públicas seriam capazes de atender a apenas 15% dos concluintes do ensino médio. Isso significa que a rede pública de educação superior não se preparou, ao longo dos anos, para receber a demanda qualificada que foi sendo criada à medida que a expansão do ensino médio ia ocorrendo. Com isso, apareceu o lado mais perverso desse desequilíbrio do sistema: o Vestibular, uma competição acirrada, enviando aos bancos das universidades públicas apenas uma pequena parcela de jovens que tinham acesso às melhores oportunidades educacionais, evidenciando-se isto nos cursos de maior procura. O exame de admissão às escolas superiores transformou-se em um instrumento para se descartar candidatos e não para selecioná-los. A ideia de separar aptos e não aptos à educação superior, significava também, aptos ou não aptos a fazerem parte da elite intelectual do país. Com o aumento da rede privada de ensino, o vestibular só se justificava nas carreiras em que a demanda era maior do que a oferta. Por meio deste mecanismo, as vagas dos cursos e das instituições de excelência estariam destinadas a apenas alguns poucos, realimentando as exclusões. Então, podemos dizer que a reserva de vagas tem origem nas décadas em que não houve investimento na educação pública, tornando a oferta da educação pública superior extremamente desproporcional à população em condições de cursá-la, vinda em grande parte, da educação básica oferecida por esta mesma rede pública. Por outro lado, mesmo o aumento da oferta na rede privada não se mostrou capaz de atender às necessidades para uma formação superior. Foram criados cursos que exigiam pequeno investimento inicial, sem necessidade de laboratórios e equipamentos específicos para funcionarem. Este fato acabou gerando novas distorções. Os cursos das áreas de Ciências Humanas e Sociais responderam, por um bom tempo, pelo maior percentual de oferta de vagas, causando um 17 excesso de oportunidades em cursos de menor prestígio social e expectativa salarial baixa. As áreas de impacto para o desenvolvimento do país que exigiam investimentos iniciais mais pesados acabaram estranguladas, atendendo a uma pequena parcela de jovens nos grandes centros urbanos. A falta de políticas que permitissem o crescimento harmônico do sistema, aumentando aos poucos o número de cursos em todas as áreas, provoca ainda hoje as distorções que sustentam as reivindicações por formas alternativas de ingresso nas instituições, viabilizando o pleno desenvolvimento de gerações excluídas do acesso à educação superior pública e, assim, excluídas também do mundo do trabalho, dos melhores salários e das melhores possibilidades de desenvolvimento humano e de crescimento profissional. Justifica-se assim, em primeiro lugar, a defesa de uma política clara de expansão de vagas para o atendimento da população e para o desenvolvimento do país; e, em segundo lugar, a defesa de políticas de acesso diferenciado, que permitam não o fim do ingresso por mérito, mas uma disputa entre iguais visando também a não evasão de estudantes em condições econômicas desfavoráveis. As análises a serem expostas neste trabalho têm o objetivo maior de reflexão sobre as ações afirmativas de caráter inclusivo que vêm sendo incorporadas à rotina das universidades brasileiras. As emendas às leis de ações afirmativas já existentes são criadas sem consultas ou conhecimento do funcionamento da vida acadêmica e das implicações que essas leis provocam tanto acadêmica quanto financeiramente. 18 CAPÍTULO II Atual Execução da Política de Acesso pelas Cotas As ações afirmativas de acesso à educação superior, embora venham sendo tratadas exclusivamente como cotas, envolvem inúmeras outras questões como ampliação de vagas em instituições públicas, a partir de um projeto claro de desenvolvimento do país; pela melhoria da educação básica, com mecanismo essencial ao pleno desenvolvimento da cidadania; pela adoção de formas diferenciadas de ingresso, como forma de compensar o desequilíbrio do sistema e, consequentemente, pela definição de políticas de investimentos nas instituições e nos estudantes, de modo a viabilizar sua permanência com sucesso até o final do curso. À Uerj, após a Lei Estadual nº 3708/2001 aprovada pela Assembleia Legislativa, sancionada pelo então Governador Anthony Garotinho e apoiada pela Reitoria, restou apenas aceitar a realidade imposta, vale salientar que sem a oportunidade de decisão em seus conselhos universitários, e trabalhar para que esta política de reparação fosse implementada. Hoje, esta realidade está configurada com cerca de 8.000 estudantes que nela ingressaram. O êxito em cumprir tal política deve-se ao empenho de um trabalho de equipe, que a cada ano se aprimora em cuidar, desde o ingresso do aluno cotista até a sua permanência e término do curso escolhido. Com poucas chances de se manterem na Universidade, quer por lhes faltarem condições econômicas, quer por insuficiência de capital cultural que lhes garantisse bom desempenho acadêmico nas disciplinas, a tendência inevitável era a evasão. Sendo assim, foram criadas políticas de permanência para garantir a sobrevivência do estudante cotista até a conclusão do seu curso universitário. O Programa de Iniciação Acadêmica (Proiniciar) é um exemplo destas políticas. Instituído por meio da Deliberação-Uerj 043/2004, o Proiniciar, com seus eixos de atividades, destinava uma bolsa de estudos e oferecia disciplinas 19 instrumentais e oficinas para suprir demandas educacionais e socioculturais dos alunos cotistas. A bolsa de estudos apresentava duas vias de financiamento: o Programa Jovens Talentos II (Faperj) e a própria Universidade (Bolsa Proiniciar/Uerj), com gerenciamentos distintos no que tange aos aspectos administrativos e acadêmicos. Quanto à questão acadêmica, a bolsa do Programa Jovens Talentos II da Faperj associava o aluno a um projeto de pesquisa de um professor da Instituição, devidamente cadastrado na Faperj. O aluno deveria apresentar um relatório parcial das atividades desenvolvidas ao completar seis meses de bolsa e outro final, quando terminasse a bolsa (ao término dos outros seis meses). A bolsa Proiniciar/Uerj também tinha duração de doze meses. A concessão da bolsa estava vinculada à realização de atividades específicas: cumprir uma carga horária de 90h semestrais, inscrevendo-se em atividades oferecidas pelo Proiniciar (atividades instrumentais, oficinas e atividades culturais) em datas específicas divulgadas pelo Departamento. As atividades culturais eram propostas em parceria com a Sub-Reitoria de Extensão e Cultura (SR-3), com os diferentes componentes organizacionais e demais instituições da sociedade. Compunham as atividades culturais sessões comentadas de filmes, idas ao teatro, salas e concertos e espetáculos variados, visitas a museus e participação em grupos de arte popular. Ao término do semestre, o aluno deveria apresentar relatório descritivo de carga horária. Em 2007, a Bolsa Jovens Talentos II foi extinta e criou-se com a Faperj, a Bolsa de Incentivo à Graduação, também para alunos que ingressaram por reserva de vagas, no sentido de promover maior interação acadêmica e incentivar a permanência de alunos do terceiro período em diante na Universidade. Em abril de 2008, a Lei 5.230 estendeu o recebimento da bolsa para "todo o curso universitário do estudante cotista que mantivesse a condição de carente" e passou a chamar a Bolsa Proiniciar de Bolsa Permanência. No ano letivo de 2011 foi estipulado o valor de R$300,00 (trezentos reais) oferecidos juntamente com parte do material didático para a realização de atividades discentes. A verificação da continuidade da condição 20 de carência e manutenção da Bolsa Permanência ao cotista é feita por assistentes sociais que realizam também atendimento às demandas espontâneas dos alunos, com a orientação que se fizer pertinente à situação apresentada. A equipe de Serviço Social utiliza instrumentos técnicos para a coleta de informações e, assim, subsidia a emissão dos pareceres. Dentre eles: entrevistas com alunos e solicitação de documentos pessoais/familiares, renda e de moradia para melhor compreensão da situação apresentada e realização de visitas domiciliares. Tendo em vista a extensão da duração do programa de bolsa para todo o período do curso de graduação, as atividades acadêmicas complementares continuam sendo oferecidas, não tendo mais o caráter de obrigatoriedade. As atividades são propostas baseadas nas demandas dos alunos e disponibilizadas pelas Unidades Acadêmicas. No início de cada semestre, o Programa recebe todos os alunos ingressantes pelo sistema de reserva de vagas nas reuniões de acolhida. O objetivo é orientá-los sobre o processo de concessão de bolsas e sobre as atividades que o programa oferece que são organizadas em categorias: a) instrumentais, que têm como objetivo resgatar e revisar conceitos e conteúdos necessários ao bom aproveitamento acadêmico. As de maiores demandas são: Língua Portuguesa, Matemática, Língua Estrangeira Instrumental, Informática Instrumental e Física; b) oficinas, que objetivam oferecer ao aluno uma formação mais abrangente, ampliando sua vivência acadêmica e sua visão de mundo. As mais procuradas são: Oficinas do Departamento Cultural, Orientação Profissional, Metodologia Científica, Informática e Música; c) culturais, na perspectiva de apresentar ideias diversificadas, inovadoras e criativas, democratizando os espaços e os saberes. Estas atividades são realizadas em parceria com diversos programas, projetos da Universidade e prestadores de serviços. A partir de março de 2011, com a assinatura do Ato Executivo 008/11 pelo Reitor, foi permitido, atendendo aos reclamos dos movimentos estudantis, ao aluno ingressante pela reserva de vagas acumular o recebimento da Bolsa Permanência com quaisquer outras modalidades de estágio. 21 Como mais uma inovação e com base na demanda dos alunos por horários mais flexíveis, a partir de 2009, foram oferecidas oficinas no período de recesso, que receberam a denominação de CURSO DE FÉRIAS. A atividade “Inserção em Práticas Acadêmicas” foi implementada no segundo semestre de 2010, com intuito de incluir os alunos do Proiniciar em atividades que permeiem projetos de Ensino, Pesquisa e Extensão. Essa nova atividade é um diferencial acadêmico para proporcionar o desenvolvimento de habilidades e competências em diferentes áreas de conhecimento por meio de projetos previamente selecionados pelos setores parceiros. Mais uma vez o Programa funciona como um interlocutor entre os alunos e os diversos setores da Universidade cumprindo sua missão principal no processo formativo acadêmico. O Programa conta ainda com um importante instrumento: O PROINICIAR VIRTUAL, projeto que surgiu no segundo semestre de 2007 para atender uma necessidade de aperfeiçoamento no atendimento aos alunos. Trata-se de um ambiente virtual de aprendizagem que utiliza um sofware livre, de apoio, denominado Moodle (Modular Object-Oriented Dynamics Learning Environment). Esta plataforma contribui e facilita a administração das atividades educacionais, tendo como objetivo maior gerenciar a comunicação e interação entre os diferentes sujeitos que atuam no programa: coordenadores e professores das unidades acadêmicas, alunos de iniciação à docência, bolsistas do Proiniciar e demais alunos da Uerj. Dentre as ações disponibilizadas, destacamos o cadastramento de alunos e professores usuários do programa, a inscrição nas atividades acadêmicas, a divulgação de eventos, fóruns de notícias e dúvidas, o apoio e enriquecimento de aulas presenciais e semipresenciais. Hoje, o ambiente possui cerca de três mil alunos cadastrados. O atendimento ao aluno é feito online, pela plataforma virtual de aprendizagem, cujo ambiente está permanentemente no ar. Cabe ressaltar que a Instituição ainda não possui alojamento para 22 estudantes, porém, no segundo semestre de 2011, foi inaugurado o restaurante universitário, com refeições no valor de R$2,00 para os cotistas. Uma reivindicação permanente dos alunos, geração após geração, há 60 anos. Temos clareza acerca do muito que ainda há por fazer quanto a uma política de permanência para a Universidade, em prol do sucesso acadêmico dos estudantes cotistas. O apoio institucional é fundamental para que eles consigam desenvolver de forma completa suas capacidades intelectuais, habilidades, valores e competências, formando o espírito crítico para que possam participar mais efetivamente da sociedade e diminuir as diferenças sociais e econômicas do nosso país. 1. O Modelo de Seleção na Uerj. O Departamento de Seleção Acadêmica – DSEA é o órgão da SubReitoria de Graduação responsável pela seleção de candidatos para ingresso nos Cursos de Graduação da Uerj, é a estrutura organizacional executora da política de acesso de cotistas e não cotistas. A seleção de candidatos para ingresso nos cursos de graduação da Uerj compõe-se de duas fases: Exame de Qualificação e Exame Discursivo. A primeira fase, que consta do Exame de Qualificação, é eliminatória e realizada igualmente por todos os candidatos, cotistas ou não cotistas; não há escolha de curso ou opção de cota. Seu objetivo é avaliar as competências e habilidades consideradas necessárias ao exercício pleno da cidadania, articuladas ao conteúdo formal adquirido ao longo do processo de escolarização. Nesta fase, atribui-se um conceito a cada candidato, em função de seu percentual de acertos em uma prova objetiva de múltipla escolha, que versa sobre os conteúdos básicos das áreas de conhecimento do Ensino Médio: Linguagens, Códigos, Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e Ciências Humanas. Estarão qualificados para a segunda fase os candidatos cujo conceito 23 corresponda a mais de 40% de acertos nessa prova. De acordo com os resultados do Exame de Qualificação, os candidatos serão alocados em 5 faixas para a realização do Exame Discursivo: a) aprovados com recomendação A: candidatos cujo número de acertos for maior do que 70% das questões da provado Exame de Qualificação receberão um bônus de 20 pontos para ser acrescido ao resultado Exame Discursivo; b) aprovados com recomendação B: candidatos cujo número de acertos for maior do que 60% e igual ou menor do que 70% das questões da prova do Exame de Qualificação receberão um bônus de 15 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo; c) aprovados com recomendação C: candidatos cujo número de acertos for maior do que 50% e igual ou menor do que 60% das questões da prova do Exame de Qualificação receberão um bônus de 10 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo; d) aprovados com recomendação D: candidatos cujo número de acertos for maior do que 40% e igual ou menor do que 50% das questões da prova do Exame de Qualificação receberão um bônus de 5 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo. Na segunda fase, cada candidato procederá ao Exame Discursivo e indicará sua escolha de curso. Nesta etapa, são aplicadas três provas discursivas: Língua Portuguesa Instrumental com Redação, realizada por todos os candidatos, além de duas provas de disciplinas específicas, de acordo com o curso escolhido, definidas pelas respectivas unidades acadêmicas. O resultado final do vestibular é composto pela nota do Exame Discursivo, acrescida de um bônus, em pontos, relativo ao conceito obtido no Exame de Qualificação. Quem obtiver zero em qualquer uma das três provas deste exame será eliminado. O candidato que desejar concorrer às vagas reservadas fará sua opção de cota. Aquele que não comprovar ao DEAPI – Departamento de 5 5 documentação comprobatória de identificação e de renda de todas as pessoas que integram o seu grupo familiar, bem como a situação de moradia, de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e de energia elétrica 24 Desenvolvimento Acadêmico de Projetos e Inovações sua condição de carência socioeconômica passará a concorrer automaticamente às vagas não reservadas. A documentação comprobatória de cada candidato é analisada por uma comissão do Departamento de Projetos Especiais e Inovações, ligado à Sub-Reitoria de Graduação, formada especialmente para este fim. Quanto às vagas destinadas para as diferentes etnias, a Uerj adota o sistema de autodeclaração, em que o próprio candidato se declara como indígena, negro ou pardo, definindo assim quem ingressa pelo sistema de cotas. Contudo, esse sistema vem enfrentando muitas críticas por acabar fazendo com que pessoas não negras se autodeclarem afrodescendentes, com o intuito de se beneficiarem do sistema de cotas. A Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, por sua vez, instituiu o sistema de reserva de vagas para negros e indígenas, adotando, no caso dos negros, o critério fenotípico, em que o candidato tem que apresentar, além de uma autodeclaração sobre o grupo étnico ao qual pertence, uma foto colorida recente. As inscrições são deferidas ou não por uma comissão composta por representantes da própria Universidade e do Movimento Negro. Ambos os critérios têm seus riscos, pois já houve o caso de dois irmãos gêmeos univitelinos que, ao se candidatarem a uma vaga como cotistas na Universidade Nacional de Brasília, que faz uso também do critério fenotípico, terem avaliações distintas. Enquanto um foi aceito para concorrer pelo sistema de cotas, por ter sido considerado negro, o outro não teve a inscrição aceita como cotista, gerando polêmicas e confusão. Para as demais reserva de vagas, o candidato deve apresentar os seguintes pré-requisitos para concorrer: rede pública - histórico escolar que comprove ter cursado integralmente os ensinos fundamental e médio em escolas públicas; portadores de necessidade especiais – devem apresentar atestado médico comprovando a sua deficiência física indicada pelo código internacional da doença; filhos de policiais civis e militares, de bombeiros militares e de inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço – certidão de óbito, documento com a 25 decisão administrativa que reconheceu a morte ou incapacidade em razão do serviço e documento de reforma ou aposentadoria por invalidez. Sabemos que o Sistema de Reserva de Vagas ainda é passível de muita discussão. A adoção do acesso facilitado para alguns grupos de candidatos em diversas universidades públicas do país continua sendo criticado por certos segmentos da sociedade e pela mídia nacional, contudo encontra respaldo no âmbito do ordenamento jurídico brasileiro. Cabe enfatizar, que os alunos cotistas da Uerj passam, depois do crivo da análise socioeconômica, por um processo de seleção acadêmica igual a dos não cotistas com notas mínimas previstas para eliminação, cuja dinâmica ainda não é de pleno conhecimento da sociedade. Para concorrer às vagas reservadas pelo sistema de cotas, o candidato teve que preencher todos os itens do Edital do Vestibular/Uerj 2012 que, em anexo, é parte integrante deste trabalho. 26 CAPÍTULO III Análise do Desempenho dos Alunos Os resultados apresentados nesta análise de desempenho demonstram a realização alcançada pelos estudantes cotistas, com base nos dados obtidos pelo DataUerj e pelo SAG (Sistema Acadêmico de Graduação), com atualização até dezembro de 2010. O sistema de cotas foi implantado no primeiro semestre de 2003 e, como os cursos de menor duração são os de 8 períodos, as listas de concluintes de 2006/2 já apresentavam alunos cotistas. Vale ressaltar que a Universidade descaracteriza aluno cotista e não cotista, ou seja, uma vez aprovado no vestibular, todos são tratados de modo igual por meio do mérito acadêmico. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro oferece 32 cursos de graduação, que se desdobram em diferentes habilitações, licenciaturas e bacharelados. Os cursos são oferecidos por 30 unidades acadêmicas, abrangendo as cidades do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Friburgo, Resende e São Gonçalo. São eles: Administração, Artes Visuais, Ciências Atuariais, Ciências Biológicas, Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciências Sociais, Comunicação Social, Desenho Industrial, Direito, Educação, Educação Física, Engenharia (de Computação, Elétrica, Mecânica, de Produção e Química), Filosofia, Física, Geologia, História, História da Arte, Letras (Português/Alemão, Espanhol, Francês, Grego, Inglês, Italiano, Japonês, Latim e Literaturas) Medicina, Nutrição, Oceanografia, Odontologia, Pedagogia, Psicologia, Química, Serviço Social e Turismo. Além das unidades de ensino, a estrutura acadêmica da Uerj compreende quatro centros setoriais: Centro de Ciências Sociais (CCS), Centro Biomédico (CBI), Centro de Tecnologia e Ciências (CTC) e Centro de Educação e Humanidades (CEH), destinados a coordenar unidades afins, a promover articulação entre os ciclos e os cursos e a integração do ensino, pesquisa e extensão. Esses centros são constituídos de unidades acadêmicas que podem ser faculdades ou institutos. 28 COTISTAS ANOS NÃO COTISTAS 2006 2007 2008 2009 2010 7,80 7,70 7,70 Etnia 7,60 7,60 7,50 Ensino Público 7,65 7,70 7,70 Deficientes 7,35 7,35 7,20 7,65 7,70 7,45 7,35 7,60 7,55 7,30 7,20 Fonte: DEP Nota-se que não há variações significantes e, mesmo nos grupos de média um pouco menor, nos quais se inserem os portadores de necessidade especiais, a diferença verificada é irrelevante, considerando-se as características e dificuldades inerentes à condição dos mesmos. Após nove anos da implantação do sistema de cotas esperava-se que o corpo discente da Uerj se dividisse em dois “grandes grupos”: não cotistas (55%) e cotistas (45%). Para verificar a veracidade destes números, listamos os Cursos por Centros Setoriais e determinamos o percentual de cotistas de cada um, considerando-se o universo de alunos ativos com as médias das notas e, paralelamente, com os CRs, no ano letivo de 2010. Tabela 2: Porcentagem de Alunos Cotistas por Centros Setoriais CENTROS COTISTAS CBI CCS CEH CTC UERJ 845 2302 2421 2195 7763 NÃO COTISTAS 996 2987 5979 5886 15848 TOTAL 1841 5289 8400 8081 23611 % DE COTISTAS 45,9 43,5 28,8 27,2 32,9 média 7,8 6,8 6,9 5,6 6,4 A Composição dos Centros Setorias dá-se da seguinte forma: CBI – Enfermagem, Medicina, Ciências Biológicas, Nutrição e Odontologia. (1.841 alunos) CCS – Direito, Administração, Ciências Econômicas, Serviço Social, Ciências Sociais, Filosofia e História. (5.289 alunos) CEH – Artes Visuais, História da Arte, Pedagogia, Comunicação Social, 29 Geografia (Duque de Caxias), Matemática (Duque de Caxias), Formação de Professores, Educação Física, Letras e Psicologia. (8.400 alunos) CTC – Desenho Industrial, Oceanografia, Engenharia, Geologia, Física, Geografia (Maracanã), Turismo, Ciências Atuariais, Ciências da Computação, Estatística, Matemática (Maracanã), Engenharia Química e Química. (8.081 alunos) De acordo com os índices da tabela 2, conclui-se que os dois “grandes grupos” da UERJ são constituídos, em valores inteiros, por 67% de não cotistas e apenas 33% de cotistas. O número total de cotistas abaixo do esperado é uma consequência do não preenchimento de todas as vagas a eles destinadas ao longo dos 9 anos e que foram revertidas, como ociosas, para os alunos que não optaram pelo ingresso reservado. Os Cursos de menor procura pelos cotistas são os relacionados às ciências exatas, como Atuária, Estatística e Matemática e os localizados fora do campus do Maracanã (alguns de Engenharia), devido ao alto custo para frequentá-los. Vale acrescentar que os de maior escolha são todos os do Centro Biomédico, seguidos por Desenho Industrial, Jornalismo, Direito e Geografia. Passemos, agora, a analisar, de fato, a possível influência do sistema de cotas no desempenho acadêmico da Uerj. Para isto, usou-se um conjunto de indicadores de diferença entre alunos cotistas e não cotistas: médias, médias compreendidas entre 8,01 e 10,0, taxas de aprovação, número de inscrições em disciplinas e número de conclusões. Tabela 3: Diferença de médias Curso Direito Matemática Ciências da Computação Oceanografia História da Arte 7 7 Unidade Acadêmica DIR FEBF IME Média de Não Cotistas 8,4 7,3 5,5 Média de Cotistas 6,8 6,3 4,5 Diferença 1,6 1,0 1,0 FAOC ART 6,9 6,8 6,0 5,9 0,9 0,9 Foram selecionadas apenas as maiores diferenças (acima de 0,7). 30 Administração Ciências Biológicas Pedagogia UERJ FAT IBRAG 6,6 7,8 5,7 7,0 0,9 0,8 EDU 7,5 6,5 6,7 6,2 0,8 0,3 Fonte: DataUERJ Tabela 4 – Diferenças de médias compreendidas entre 8,01 e 10,0 8 Unidade % de Não % de Cotistas Curso Acadêmica Cotistas Diferença Direito DIR 78,2 35,8 42,4 Ciências IBRAG 58,9 41,5 17,4 Biológicas Letras ILE 47,8 31,9 15,9 Psicologia PSI 69,4 53,9 15,5 Matemática FEBF 40,0 25,0 15,0 Oceanografia FAOC 30,8 18,9 11,9 Geografia IGEOG 41,6 30,6 11,0 História da Arte ART 44,2 33,3 10,9 Administração FAF 24,5 14,2 10,3 Engenharia QUI 22,5 12,4 10,1 Química UERJ 36,3 30,3 6,0 Fonte: DataUERJ Tabela 5 – Diferenças de taxas de aprovação média nos dois grupos Unidade Acadêmica FAT DIR IPRJ FEN FAOC EDU QUI ESDI FCE IBRAG UERJ IGEOG Aprovação de Não Cotistas (%) 71,5 94,3 78,0 78,8 87,7 81,8 75,3 90,4 65,3 88,7 78,3 77,3 Aprovação de Cotistas (%) 59,3 83,3 71,5 72,5 81,7 76,3 69,9 85,1 60,3 83,9 76,6 85,4 Diferença (%) 12,2 11,0 6,5 6,3 6,0 5,5 5,4 5,3 5,0 4,8 1,7 -8,1 Fonte: DataUERJ Acima, selecionamos as dez Unidades Acadêmicas com maior 8 Foram selecionadas somente as diferenças acima de 10% 31 diferença positiva e, também, a de maior diferença negativa, para o confronto. Tabela 6 – Número de inscrições em disciplinas em 2010 Centro Inscriçõe s dos Cotistas CBI CCS CEH CTC UERJ 7970 24482 27587 21267 81306 Inscriçõe s dos Não Cotistas 9176 30310 68189 50925 158600 Total % de cotistas % Esperada Diferença 17146 54792 95776 72192 239906 46,5 44,7 28,8 29,5 33,9 45,9 43,5 28,8 27,2 32,9 0,6 1,2 0,0 2,7 1,0 Fonte: DataUERJ Com os dados da tabela anterior, observou-se que nenhum Centro apresentou diferença negativa, embora essas diferenças não tenham mostrado significado estatístico. Note-se que a percentagem denominada “esperada” corresponde à taxa relativa ao número de cotistas do Centro. Tabela 7 – Conclusões de Curso no ano de 20109 ALUNOS COTISTAS ALUNOS NÃO COTISTAS CENTRO 1º SEM. 2º SEM. SOMA 1º SEM. 2º SEM. SOMA 40 147 213 81 481 15,7 99 143 275 81 598 19,5 139 290 488 162 1079 35,2 32,9 59 199 366 246 870 28,4 137 203 544 231 1115 36,4 196 402 910 477 1985 64,8 67,1 CBI CCS CEH CTC UERJ % % esperada TOTAL 335 692 1398 639 3064 100,0 100,0 Fonte: DataUERJ É Importante frisar que estão quantificados não os alunos concluintes, mas as conclusões de curso, lembrando que o Instituto de Psicologia permite três conclusões (Psicólogo, Bacharel e Licenciado) e muitos outros cursos (como por exemplo: Letras, Filosofia, História, Geografia, Física, etc.) oferecem Licenciatura e Bacharelado. 9 Vários quadros foram adaptados para que se chegasse a esta tabela-resumo. 32 Após a análise feita das conclusões em 2010, pudemos notar que o percentual de conclusões dos alunos cotistas (35,2%) é ligeiramente superior ao percentual esperado (32,9%) e que a tendência para a conclusão dos cursos foi mantida. A título de ilustração, considerando as respostas ao VII 10 Censo , alguns alunos não conseguem concluir seus estudos no período mínimo recomendado, em função de duplas ou triplas jornadas de trabalho e estágios. Este seria também um dos pontos alegados pelos estudantes, para a entrega retardatária das monografias de fim de curso, ultrapassando o tempo previsto para terminá-las. Os Cursos, como os de ciências exatas, que sempre apresentaram certas dificuldades em algumas disciplinas, com a maioria de seus estudantes não conseguindo concluir no prazo mínimo determinado, continuaram com a mesma tendência. O disputadíssimo Curso de Medicina formou em dezembro de 2010 a primeira turma com alunos cotistas. Em entrevista concedida ao jornal Estado de São Paulo que foi publicada em 8 de maio de 2011, o diretor da Faculdade, Prof. Plínio José da Rocha, garantiu que o Curso vem mantendo a qualidade do ensino e o índice de aprovação:” a cobrança é igual para todos e não houve alteração no nível das aulas”, mas revelou uma mudança sutil causada pela diversidade. No Vestibular de 2004, foram aprovados, para o Curso de Medicina, 94 11 candidatos sendo 43 cotistas . Apenas 4 cotistas do total de 8 alunos, não terminaram o Curso na data prevista 12, em dezembro de 2010. Antes da política de cotas, passava para Medicina da Uerj somente a nata da elite que frequentava os melhores colégios. Agora, 45% é da rede pública. A diferença na relação candidato/vaga chega a ser cruel: entre os cotistas é de 5,33 e entre os não cotistas 55,80. Um cotista garante a vaga se fizer 41,5 pontos e o não cotista tem que chegar a 75,75. Conforme mencionado anteriormente, o Coeficiente de Rendimento dos alunos também foi relacionado. A fim de se conhecer a existência ou não 10 O VII Censo de Graduação da UERJ 2010 é uma pesquisa realizada pelo DEP, a cada 2 anos. Fonte: DESEA 12 Fonte: DEP 11 34 De acordo com os dados indicados neste capítulo, de um modo geral o sistema de cotas, até por corresponder a apenas um terço dos alunos, não influenciou os resultados acadêmicos obtidos anteriormente, já que, se por um lado apresenta um decaimento do valor na faixa superior das médias (tabela4) e no número de aprovações (tabela 5), por outro demonstra ser mais positivo no número de inscrições em disciplinas (tabela6), no percentual de conclusões de curso (tabela7) e há uma correlação positiva moderada quando se compara o CR médio com o percentual de cotistas de cada curso (gráfico2). No tocante aos desempenhos apresentados, os resultados são bem animadores, uma vez que era esperado do grupo de cotistas um resultado bem pior. Entretanto, não podemos, à luz das tabelas e dados contidos nos relatórios do SAG e DataUerj, desconsiderar que alguns cursos sofrem influência significativa do Sistema de Cotas, principalmente o Curso de Direito, em que a diferença entre as médias dos alunos não cotistas e cotistas é 1,6 (a maior da UERJ, conforme a Tabela 3), a diferença percentual na faixa de médias entre 8,01 e 10,00 é 42,4% (a maior da UERJ, de acordo com a Tabela 4) e 11,0% é a diferença na taxa de aprovação média (Tabela 5), demonstrando que, neste caso, os alunos não cotistas tendem a um melhor aproveitamento acadêmico. A partir de minhas entrevistas com alguns professores desta Faculdade, pude constatar certas informações relevantes. Analisando o fluxograma do Curso, a primeira impressão que temos é a de que ele seja totalmente desvinculado dos conteúdos das matérias básicas dos Ensinos Fundamental e Médio, não havendo uma real necessidade de o aluno ter sido bem preparado naqueles. Portanto, não poderia ser atribuída à ineficiência daquele ensino, a provável causa do insucesso. Na opinião da docente Rosângela Gomes, Professora Adjunta de Direito Civil, para o acadêmico de Direito é imprescindível um bom conhecimento literário para obter um vocabulário adequado e uma compreensão de texto crítica: “Observo que os alunos estão muito aquém da demanda do Curso sob o aspecto dos conteúdos de história, literatura, português e geografia, disciplinas sustentáculos para o 35 nosso Curso”, disse ela. O Prof. Carlos Konder, igualmente Doutor em Direito Civil, vai além: “considero que o problema mais grave seja com a Língua Portuguesa”. Ele explica que o aluno precisa entender a leitura de textos técnicos e maçantes durante o Curso. Muitos deles são clássicos e, portanto, escritos com uma linguagem menos acessível dificultando o entendimento das ideias gerais. Para ele, o aluno precisa diferenciar o que é relato do que é crítica do autor, sistematizando toda a informação e se utilizando dela de forma argumentativa. Logo, o aluno com deficiência na formação de base fica prejudicado e com dificuldade de construir o conhecimento para saber pensar e estudar. Para o também entrevistado, Prof. Ricardo Falbo, Doutor em Sociologia do Direito, seria possível afirmar que os baixos coeficientes dos alunos cotistas, quando comparados com os não cotistas, se devem ao fato de que os “professores mantém o ensino de forma tradicional”. Com a chegada dos cotistas, não houve mudanças no ritmo e nem no conteúdo das aulas. A Faculdade de Direito também não promoveu nenhuma atividade paralela para compensar isto. Talvez este curso mereça uma análise mais aprofundada e multidepartamental a respeito do desempenho dos seus estudantes. 1. O Perfil da Uerj Não resta a menor dúvida que a Uerj tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida da população fluminense e para a construção de uma sociedade mais justa, por meio dos processos de ensino, pesquisa e extensão que promovem o conhecimento e as informações. Sabemos que incluir não se resume na simples inserção de pessoas em um mundo do qual têm sido geralmente privadas. A inclusão é um processo que levará o indivíduo à participação social plena em algumas áreas da vida humana, neste caso, à educação. A inclusão é uma luta, um movimento no sentido da garantia da máxima participação de qualquer pessoa em qualquer área da sociedade em que ela viva. 36 A Uerj, assumindo suas ações sociais, culturais e políticas não necessitou modificar seus objetivos fundamentais, nem no âmbito educacional e nem no operacional, mas reorientou-se a partir dos mesmos para garantir a oportunidade de promover o convívio com a diversidade de forma aberta, flexível e acolhedora. Diversidade, do latim diversitas 13 significa qualidade ou estado do que é diverso, diferente. Variedade. E é assim que a Uerj vive o seu dia a dia, fornecendo aos “diferentes” os instrumentos para exercerem seus papéis sociais e efetivarem sua ação no mundo. É um desafio cotidiano que envolve superação de várias barreiras relacionadas ao ensino/aprendizagem, à atuação dos professores, ao apoio administrativo e à orientação pedagógica. O ingresso de estudantes carentes nos cursos de graduação, historicamente destinados e ocupados pelas classes economicamente privilegiadas da população brasileira, promoveu uma revolução no interior de faculdades e institutos da Uerj, expondo, inclusive, a precariedade das condições de infraestrutura de alguns espaços. Um dos exemplos foi a ampliação das bibliotecas das faculdades, que antes não precisavam se preocupar com o aumento da quantidade de seus livros, pois os estudantes tinham poder aquisitivo para adquiri-los como material de uso particular e individual. O mesmo pode ser constatado em relação à ampliação dos laboratórios de informática que, nos andares onde existiam, contavam com pouquíssimas máquinas, pois grande parte dos estudantes contava com os seus computadores em casa. A própria Reitoria tem como prioridade captar e multiplicar recursos para o atendimento destes alunos, com a mesma excelência de sempre, investindo em projetos que buscam alcançar objetivos voltados para a educação superior inclusiva. Considerada o pomo da discórdia na Uerj, a Lei das Cotas quando sancionada, aprovada e apoiada pela reitoria não foi bem vista pelos professores, funcionários e estudantes que desejavam um modelo de gestão 13 AULETE, Francisco Julio de Caldas. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. 7ªed..Rio de Janeiro: Delta,1980. 37 mais acadêmico e menos corporativo. Ouvia-se muito discurso sobre a incapacidade do governo de propor um plano para equiparar a qualidade de todas as escolas públicas de ensino médio e fundamental às escolas privadas, sobre a elaboração de um projeto que tornasse obrigatório o ensino médio como foi feito com o fundamental, sobre a federalização das universidades privadas que ampliariam radicalmente as vagas no ensino público, sobre a responsabilidade que os vivos teriam pelas infâmias do passado e tantos outros menos comentados. A pergunta constante era: “Você é a favor das cotas ou de vagas para todos?” Sem dúvida, tais medidas, trariam mais igualdade e ampliação do serviço público de qualidade para todos, mas, a bem da verdade, de nada mais adiantavam as diversas opiniões, pois, em termos práticos, ninguém podia fazer nada a não ser aceitar. Dentre aqueles que se declaravam favoráveis, a ideia predominante era a de uma política de reparação, tanto por causa do legado escravista quanto pelo fato de que as populações afrodescendentes eram aquelas que mais se localizavam na linha da pobreza. (FRY.P.p.180). Somente uma opinião era unificada: “O rendimento acadêmico vai cair!” e isto daria margem a mais preconceito com o aluno cotista. Pois bem, nada disto aconteceu e hoje ninguém mais enxerga a Uerj sem as cotas. O coletivo estudantil das salas de aula está bem mais próximo da realidade brasileira e a continuidade dos estudos vem sendo permitida aos alunos da rede pública. 38 Conclusão Este trabalho apresentou alguns dados resultantes da implementação de um sistema de cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A Universidade tem como destaque a perspectiva social, contribuindo com a melhoria de vida da população. A grande questão relaciona-se a quem teria direito ao benefício social advindo desta política pública. Apesar dos índios (e descendentes), deficientes físicos e ex- alunos da rede pública serem contemplados, o centro nevrálgico está nos afrodescendentes. Não se pode negar que há um contingente de excluídos que independentemente da raça, vive à margem, devido ao subemprego, aos baixos salários, à exploração social e servil. É também inegável a injustiça social para os negros e as desvantagens que eles sofrem em função de um racismo velado que só aparece quando a discussão é sobre papéis sociais, marginalidade, estudo e emprego. A redução das desigualdades da pobreza é desafio para o Brasil que enfrenta com assimetria a concentração de renda e o acesso à educação. Sob este prisma, pareceu mais justo definir critérios de cota pela realidade econômica. Foi bom verificar que a Uerj não teve o seu padrão de qualidade alterado em função da fixação das novas normas e da presença de cotistas, “alunos teoricamente menos qualificados”. Digo ”teoricamente” porque a seleção na política de cotas se dá, também, pelo critério de mérito, se analisado dentro de cada grupo separadamente. Os alunos não cotistas que ingressarem na universidade serão aqueles com as melhores notas dentro de seu grupo. Como ocorrerá também com os demais grupos. Cursos concorridos como Medicina, Odontologia e Direito continuarão a selecionar candidatos com alto potencial de rendimento escolar. Não me pareceu pertinente fazer sugestões de alterações no modelo vigente de seleção. Observamos variações não significativas no período 2006 a 2010. Certamente interferiu no rendimento de alguns cursos, mas no cômputo geral, não tem influência determinante. Vimos que o empenho dos cotistas durante o 39 curso compensa a nota de corte inferior à dos não cotistas. No tocante à gestão acadêmica, seria importante que todos os professores da Uerj fossem devidamente preparados para a educação superior inclusiva. Não se verificou nenhuma ação voltada para os docentes a fim de garantir um melhor resultado da ação afirmativa. A meu ver, há necessidade de um programa de capacitação docente com foco na prática pedagógica e na adaptação à realidade das cotas. A política pública revelada neste trabalho surgiu como um instrumento para minimizar a desigualdade, mas só se justifica à medida em que outras ações venham a ser desenvolvidas pelo governo, em prol das classes menos favorecidas da população brasileira. Com uma educação básica de qualidade, futuramente, não serão mais necessárias cotas nas universidades. Acredito que o desejo de todo cidadão brasileiro seja saber que os seus estudantes estão recebendo um ensino de base de alto nível e simétrico em âmbito nacional, garantindo, assim, igualdade de condições e o desenvolvimento pleno do país. 40 ANEXO 1 SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SUB-REITORIA DE GRADUAÇÃO DEPARTAMENTO DE SELEÇÃO ACADÊMICA EDITAL VESTIBULAR ESTADUAL 2012 – EXAME DE QUALIFICAÇÃO A Universidade do Estado do Rio de Janeiro torna público o presente Edital, com normas, rotinas e procedimentos relativos ao Exame de Qualificação, primeira fase do Vestibular Estadual 2012, para ingresso nos cursos de graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO) e nos cursos de formação de oficiais da Academia de Bombeiro Militar D. Pedro II, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (ABM D. Pedro II/CBMERJ), e da Academia de Polícia Militar D. João VI, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (APM D. João VI/PMERJ). 1. DA REALIZAÇÃO 1.1 A realização do Exame de Qualificação ficará a cargo do Departamento de Seleção Acadêmica (DSEA), vinculado à Sub-reitoria de Graduação (SR-1) da UERJ e localizado na rua São Francisco Xavier, nº 524, Pavilhão João Lyra Filho, 1º andar, bloco F, sala 1148, Maracanã, Rio de Janeiro, CEP 20550-013, telefones (21) 2334-0239, 2334-0275 e 2334-0669. 1.2 O Exame de Qualificação poderá ser feito por todos aqueles que tenham concluído ou estejam cursando o último ano do ensino médio. 1.3 O Exame de Qualificação será realizado em duas datas no decorrer do ano de 2011 - 1º Exame de Qualificação e 2º Exame de Qualificação do Vestibular Estadual 2012 -, conforme estabelecido no calendário (Anexo 1). 1.4 O candidato poderá optar pela realização do 1º Exame de Qualificação do Vestibular Estadual 2012, do 2º Exame de Qualificação do Vestibular Estadual 2012 ou, ainda, pela realização de ambos. 1.5 O candidato que desejar se inscrever para o Exame Discursivo, segunda fase do Vestibular Estadual 2012, deverá ter sido aprovado na primeira fase. 2. DA INSCRIÇÃO 2.1 Para realizar sua inscrição em cada um dos Exames de Qualificação, o candidato deverá, nos períodos indicados no calendário (Anexo 1), adotar os seguintes procedimentos: a) acessar o endereço eletrônico www.vestibular.uerj.br; b) tomar ciência das normas do Edital; c) preencher, de acordo com as instruções específicas disponíveis, o Requerimento de Inscrição e o Questionário de Informações Socioculturais; d) imprimir o Requerimento de Inscrição; e) imprimir o boleto bancário para pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 45,00 (quarenta e cinco reais); f) efetuar o pagamento da taxa de inscrição até a data estabelecida no calendário (Anexo 1). 2.1.1 Ao preencher o Requerimento de Inscrição, o candidato deverá, obrigatoriamente, informar o número do seu CPF. 2.2 Somente serão validados os pagamentos efetuados por meio do boleto bancário. 2.3 Ao candidato isento do pagamento da taxa de inscrição não será exigido o cumprimento dos procedimentos indicados nas alíneas e e f. 2.4 O candidato deverá manter sob sua posse, para eventuais comprovações junto ao DSEA, a cópia do Requerimento de Inscrição e o comprovante de pagamento da taxa de inscrição. 2.5 O preenchimento do Requerimento de Inscrição será de inteira responsabilidade do candidato e deverá obedecer estritamente às normas deste Edital e às instruções que constam do endereço eletrônico www.vestibular.uerj.br . 2.6 O DSEA não se responsabilizará pelos Requerimentos de Inscrição não processados por problemas de ordem técnica no equipamento ou na conexão de internet utilizados pelo candidato que impossibilitem a transmissão dos dados, principalmente no último dia de inscrição, bem como por agendamentos efetuados e não pagos pelas instituições bancárias. 2.7 O candidato pagante da taxa somente terá sua inscrição efetivada após a confirmação, pelo DSEA, do pagamento dentro do prazo estabelecido no calendário (Anexo 1). 2.8 O candidato deverá acompanhar, no endereço eletrônico www.vestibular.uerj.br, a confirmação do pagamento da taxa de inscrição e, verificando alguma pendência, deverá comparecer ao local estabelecido no calendário (Anexo 1), no prazo e horário indicados, para solicitar a devida regularização. 2.8.1 Para regularização do pagamento da taxa de inscrição será exigida a apresentação do documento de identidade do candidato, da cópia do Requerimento de Inscrição e do comprovante de pagamento da taxa de inscrição. 2.8.2 Será considerado desistente do processo seletivo o candidato que não solicitar a regularização do pagamento da taxa de inscrição no prazo previsto no calendário (Anexo 1). 2.9 Em nenhuma hipótese haverá devolução do valor pago na taxa de inscrição. 2.10 O candidato portador de necessidades especiais que precise de condições específicas para realizar a prova deverá comparecer ao DSEA e solicitar o tipo de atendimento diferenciado que lhe deverá ser oferecido, mediante apresentação de atestado médico com parecer descritivo das necessidades, no prazo estabelecido no calendário (Anexo 1). 2.10.1 O não comparecimento ao DSEA implicará a realização da prova nas mesmas condições dos demais candidatos. 2.11 O não cumprimento de qualquer procedimento de inscrição impedirá a sua efetivação. 3. DA CONFIRMAÇÃO DE INSCRIÇÃO 3.1 O Cartão de Confirmação de Inscrição, comprovante formal da inscrição, deverá ser obtido no endereço eletrônico www.vestibular.uerj.br nos prazos estabelecidos no calendário (Anexo 1). 3.2 Para a realização da prova, o candidato deverá apresentar o Cartão de Confirmação de Inscrição e o original de qualquer documento 41 oficial de identificação com foto. 3.2.1 Serão aceitos os documentos de identificação expedidos pelas Secretarias de Segurança Pública, Forças Armadas, Polícias Militares e demais órgãos legalmente habilitados para emissão de tais documentos, além da Carteira Nacional de Habilitação com foto, Passaporte e Carteira de Trabalho e Previdência Social. 3.2.2 Não será aceita fotocópia do documento de identificação. 3.3 O candidato, ao obter o Cartão de Confirmação de Inscrição, deverá: a) tomar ciência do horário e local (endereço e número da sala) de realização da prova; b) conferir os seus dados pessoais; c) verificar se o número de inscrição e a opção de Língua Estrangeira estão de acordo com as informações presentes no Requerimento de Inscrição. 3.4 O candidato que verificar incorreções nas informações apresentadas no Cartão de Confirmação de Inscrição deverá comparecer ao local estabelecido no calendário (Anexo 1), no prazo e horário indicados, de posse de seu documento de identidade e do Requerimento de Inscrição, para retificação de dados. 3.4.1 Nenhuma retificação será efetuada após o prazo previsto no calendário (Anexo 1), valendo, portanto, os dados constantes no Cartão de Confirmação de Inscrição. 3.5 O candidato não poderá solicitar alteração do local de prova constante do seu Requerimento de Inscrição. 4. DA PROVA 4.1 A prova do Exame de Qualificação, comum a todos os candidatos inscritos, terá como objetivo avaliar as habilidades e as competências fundamentais para o ingresso no ensino superior e para o exercício pleno da cidadania (Anexo 2). 4.2 A prova do Exame de Qualificação constará de questões objetivas, de múltipla escolha, versando sobre os conteúdos básicos (Anexo 3) de disciplinas agrupadas nas três áreas determinadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio: a) Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; b) Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias; c) Ciências Humanas e suas Tecnologias. 4.3 Cada Exame de Qualificação do Vestibular Estadual 2012 terá sua prova aplicada em data estabelecida no calendário (Anexo 1). 4.4 O candidato somente poderá realizar a prova no local indicado no Cartão de Confirmação de Inscrição, sendo de sua inteira responsabilidade a locomoção até o local da prova. 4.5 O candidato deverá apresentar-se no local da prova, no dia indicado no calendário (Anexo 1), às 8 (oito) horas, munido de Cartão de Confirmação de Inscrição, de qualquer um dos documentos de identificação original indicados no item 3.2.1 e de caneta esferográfica preta ou azul. 4.6 A prova terá início às 9 (nove) horas e duração de 4 (quatro) horas. 4.7 Serão admitidos recursos quanto à formulação das questões e quanto ao gabarito, desde que devidamente fundamentados, no prazo de 2 (dois) dias úteis, a contar da data de sua divulgação, a serem solicitados das 10 às 17 horas, no DSEA/UERJ - Pavilhão João Lyra Filho, 1º andar, bloco F, sala 1141. 4.7.1 Somente o próprio candidato poderá solicitar recurso. 4.7.2 Não serão aceitos recursos via fax, Correios ou e-mail. 5. DISPOSIÇÕES GERAIS 5.1 O candidato impedido de comparecer à UERJ para qualquer procedimento administrativo poderá constituir um representante por meio de procuração específica por instrumento público ou particular, neste último caso com firma reconhecida; sendo menor, poderá ser representado por seu responsável, mediante documento que comprove paternidade, maternidade, guarda ou tutela do candidato. 5.2 O candidato poderá acessar, a qualquer tempo, o sistema de inscrição para atualizar seu cadastro, sendo de sua responsabilidade os prejuízos decorrentes da não atualização. 5.3 Nas salas de prova não será permitido aos candidatos portar arma de fogo, fumar, usar relógio digital ou boné de qualquer tipo e utilizar corretores ortográficos líquidos ou similares. 5.4 Será eliminado do Vestibular Estadual 2012 o candidato que: a) utilizar, durante as provas, qualquer instrumento de cálculo e/ou qualquer meio de obtenção de informações, eletrônicos ou não, tais como calculadoras, agendas, computadores, rádios, telefones, receptores, livros e anotações manuscritas ou impressas; b) fizer uso de documentos falsos, informações falsas ou de outros meios ilícitos em qualquer etapa do processo seletivo; c) utilizar ou tentar utilizar meios fraudulentos ou ilegais para obter aprovação própria ou de terceiros em qualquer etapa do processo seletivo; d) desrespeitar qualquer membro da equipe de aplicação das provas, autoridades presentes ou demais candidatos. 5.5 Os casos omissos serão resolvidos pelo DSEA/SR-1/UERJ. 42 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA FRY, P. et alii. Divisões perigosas: políticas raciais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.364p ARRUDA, J. R. C. Políticas e Indicadores da Qualidade na Educação Superior. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora Ltda./Dunya, Ed.1997. 170p BRASIL(1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, Senado Federal. ADRIÃO,Theresa e Oliveira, Romualdo P. de (orgs). Gestão, Financiamento e Direito à Educação: análise da LDB e da Constituição Federal. São Paulo: Xamã, 2001. SISS, Ahyas, Aluísio Jorge de Jesus Monteiro (orgs); Amparo Lilla Cupolillo et alii. Educação, cultura e relações interétnicas. Rio de Janeiro: Quartet: EDUR, 2009. Artigos: FERNANDES, Francisco das Chagas. FUNDEB: democratização e garantia do acesso à Educação Básica. ARRUDA, J.R.C. Modelo Sistêmico de Formação na Educação Superior. Webgrafia: www.uerj.br/arq_comuns www.alerj.rj.gov.br/processo2.htm 43 BIBLIOGRAFIA CITADA AULETE, Francisco Julio de Caldas. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. 7ªed.Rio de Janeiro: Delta,1980. FRY, P. et alii. Divisões perigosas: políticas raciais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.364p Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação. V.18 n.69 dez 2010. Fundação Cesgranrio. 44 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I Criação do Sistema de Cotas na Uerj 11 CAPÍTULO II Atual Execução da Política de Acesso pelas Cotas 1. O modelo de Seleção na Uerj 18 22 CAPÍTULO III Análise do Desempenho dos Alunos 1. O perfil da Uerj 26 35 CONCLUSÃO 38 ANEXO 40 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 42 BIBLIOGRAFIA CITADA 43 ÍNDICE 44 45