Relação entre Honorário de Auditoria e Não Auditoria com o Resultado Econômicofinanceiro das Empresas Listadas na BM&FBOVESPA
Autoria: Mara Vogt, Maurício Leite, Paulo Roberto da Cunha, Vanderlei dos Santos
RESUMO
O estudo objetiva verificar a relação entre honorário de auditoria e não auditoria com o
resultado econômico-financeiro das empresas listadas na BMF&BOVESPA. Pesquisa
descritiva e quantitativa foi realizada por meio de pesquisa documental nas demonstrações
financeiras de 2010 a 2012. Os resultados mostraram que os indicadores econômicofinanceiros retorno sobre o ativo (ROA) e retorno sobre o capital próprio (ROE), não
impactaram nos honorários de auditoria e de não auditoria. Já as variáveis de controle, nível de
governança corporativa, empresa de auditoria e tamanho impactam nos honorários de
auditoria e de não auditoria, pois ajudam a explicar o pagamento desses honorários.
1 1 INTRODUÇÃO
Conforme Watts e Zimmerman (1986) a auditoria e a contabilidade andam lado a lado
na história das empresas há mais de 600 anos. De acordo com Martinez (1998) a
contabilidade e a auditoria, seja ela interna ou externa, no contexto da teoria da agência,
transformam-se em instrumentos para monitorar, validar e preservar as relações contratuais
entre o principal e o agente. Os pareceres de auditoria e os relatórios contábeis são os meios
pelos quais as partes contratantes monitoram os contratos.
Neste sentido, a informação contábil fornece contribuições importantes para os
principais mecanismos de governança e são consideradas ingredientes chave no processo da
governança corporativa. São usadas para indicar se as ações de governo contra a
administração são necessárias e também se ajudam na determinação dos retornos de diferentes
partes interessadas. O uso dessas informações, em mecanismos de governança corporativa,
representa o papel mais importante das informações contábeis (SLOAN, 2001).
Para DeAngelo (1981), o valor de uma auditoria aos consumidores desses serviços
depende da capacidade do auditor descobrir se há uma violação, erros ou falhas no sistema
contábil e, além disso, em resistir às pressões dos clientes no caso da divulgação de uma
violação descoberta. O nível de independência do auditor é definido como a probabilidade
condicional que, caso um descumprimento tenha sido descoberto, este irá relatar a violação.
Para Frankel, Johnson e Nelson (2002), um dos grandes problemas para a independência é a
venda de serviços de não auditoria. A prestação de serviços não relacionados às atividades
inerentes à auditoria poderá reduzir a independência do auditor, levando a uma deterioração
da qualidade das auditorias e, portanto, a erosão da qualidade dos relatórios financeiros.
Para Teixeira, Amorim e Borges (2012), atualmente a qualidade da prestação de
serviços por parte dos auditores independentes é objeto de discussão. Assim, para assegurar
essa qualidade, as entidades profissionais e os órgãos reguladores elaboram um conjunto de
medidas e, dentre elas tem-se a revisão externa de qualidade pelos pares. Os honorários de
auditoria podem ser utilizados para analisar a qualidade das auditorias e a existência de
demanda por diferenciação nesse mercado (HALLAK; SILVA, 2012).
Neste sentido, pesquisas vêm sendo realizadas com o intuito de estudar os honorários
de auditoria, assim como os de não auditoria. Em âmbito nacional, Brugni (2012) objetivou
identificar os principais atributos que caracterizam os conselhos de administração do Brasil.
Já Hallak e Silva (2012) identificaram os fatores que influenciam na determinação dos gastos
com os serviços de auditoria e consultoria prestados pelo auditor independente no Brasil.
Em âmbito internacional, Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003)
investigaram as características e o relacionamento do cliente com o auditor para determinar os
serviços de auditoria e de não auditoria. Zaman, Hudaib e Haniffa (2011), examinaram a
possível influência da qualidade da governança corporativa, especialmente eficácia do comitê
de auditoria, sobre a remuneração do auditor. Kim e Kim (2013) verificaram se o índice de
governança corporativa e a responsabilidade social empresarial impactam nos honorários de
auditoria. Neste estudo, optou-se por analisar a relação dos honorários de auditoria e de não
auditoria com o resultado econômico-financeiro das empresas.
A interface dos honorários de auditoria e de não auditoria com o resultado econômicofinanceiro das empresas é observada apenas em algumas pesquisas em âmbito internacional.
Joshi e AL-Bastaki (2000) analisaram as variáveis tamanho, risco, complexidade, tempo de
auditoria, rentabilidade, e honorários de auditoria. Hentati e Jilani (2013) realizaram um
estudo para testar a hipótese de uma relação entre o desempenho financeiro da empresa
auditada e a quantidade de honorários de não auditoria. A lacuna percebida nestes estudos
motivou contemplar nesta pesquisa as possíveis relações entre estas variáveis, cuja abordagem
ainda é pouco observada na literatura.
2 Diante do exposto, apresenta-se a seguinte questão de pesquisa: Qual a relação entre
honorário de auditoria e não auditoria com o resultado econômico-financeiro das empresas
listadas na BM&FBOVESPA? Dessa forma, o objetivo do estudo é verificar a relação entre
honorário de auditoria e não auditoria com o resultado econômico-financeiro das empresas
listadas na BM&FBOVESPA.
A pesquisa justifica-se pela relevância que os auditores independentes possuem e,
além disso, a importância de se estudar como os honorários de auditoria e de não auditoria
refletem na qualidade dos resultados econômico-financeiro das empresas auditadas. Percebeuse que há uma lacuna de pesquisa na literatura no que se refere ao desempenho econômicofinanceiro relacionado com os honorários de auditoria e não auditoria. Conforme Larcker e
Richardson (2004), a relação entre os honorários pagos aos auditores e qualidade dos lucros é
foco considerável no debate acadêmico e institucional.
2 TEORIA DA AGÊNCIA E A AUDITORIA INDEPENDENTE
A teoria da agência é definida por Jensen e Meckling (1976) como a relação a partir de
um contrato com uma ou mais pessoas, entre o principal e o agente, para a realização de
algum serviço que envolva a delegação de uma autoridade e para fazer deste, o agente de
decisão. Para tanto, tem-se três condições necessárias: o agente dispõe de comportamentos
possíveis para serem adotados, além disso, a ação dos agentes, ou seja, dos administradores,
afeta não somente seu próprio bem-estar como também do principal, de seus acionistas,
controladores e ainda, as atitudes do agente dificilmente são observáveis pelo principal, o que
resulta em assimetria informacional entre as partes (SIFFERT FILHO, 1996).
Ainda, baseia-se nos conflitos entre os credores, administradores e controladores. Os
conflitos ocorrem no momento em que os administradores contrariam os acionistas no que se
refere às decisões destes e, pode resultar do aumento de endividamento e dos gastos da
empresa, o que impacta nas decisões operacionais, nas oportunidades de investimento e ainda,
no valor da companhia (MARQUES, 2011).
Diante disso, as relações entre o principal e o agente apresentam grandes desafios para
o denominado principal, devido ao fato deste ter que monitorar as atividades do agente.
Dentre os problemas de agência tem-se a questão do principal observar e julgar o
comportamento dos agentes (MARTINEZ, 1998).
De acordo com Jensen e Meckling (1976), na relação entre o principal e o agente, o
principal pode limitar as divergências por meio da criação de incentivos adequados para o
agente, o que incorre em custos de monitoramento destinados a limitar as atividades do
agente. A monitorização é mais do que apenas observar o comportamento do agente, ou seja,
é o principal controlar o comportamento do agente por meio de regras de funcionamento,
restrições orçamentárias, políticas de compensação, dentre outras. Segundo Watts e
Zimmerman (1986), a auditoria é uma das formas em que os contratos são monitorados, isto
é, o auditor verifica se as disposições contratuais foram violadas e também se os números
utilizados nas cláusulas contratuais foram calculados por meio de procedimentos aceitos.
Martinez (1998) enfatiza que, na teoria da agência os sistemas de informação contábil
são vistos como sistemas para monitorar as informações produzidas, na qual o principal e o
agente baseiam suas relações. Os custos de monitoramento são incorridos pelo principal, para
avaliar e restringir o comportamento do agente. Dentre esses custos estão os gastos com a
implantação de sistemas de informações, com auditoria e com outros custos diretos que a
empresa deve enfrentar para evitar que o agente tenha uma postura oportunista.
Um dos mecanismos para reduzir o problema de assimetria informacional existentes
entre principal e agente são as boas práticas de governança corporativa. A governança
corporativa preocupa-se com a resolução dos problemas de ação coletiva entre investidores e
com a conciliação dos conflitos de agência, ou seja, conflitos de interesse entre os detentores
3 do direito corporativo (BECHT; BOLTON; RÖELL, 2003). Para Bushman e Smith (2003), as
estruturas de governança corporativa servem para motivar os gestores a maximizar o valor da
organização em detrimento de seus objetivos pessoais, assegurar que acionistas minoritários
recebam informações confiáveis referentes ao valor da empresa e que, gestores e acionistas
controladores não utilizem o valor dos investimentos indevidamente. Silveira, Barros e Famá
(2003) afirmam que, a estrutura de governança corporativa afeta a qualidade da gestão e o
desempenho financeiro da empresa.
Para Klotzle e Costa (2006) a governança se traduz em mecanismos internos como o
conselho de administração, sistemas de remuneração dos executivos, estrutura de propriedade
entre outros, e os externos são o sistema legal/regulatório e o mercado de fusões e aquisições.
A introdução do conceito governança corporativa no Brasil é considerado um processo
recente e a sua discussão surgiu por meio da baixa participação dos acionistas minoritários.
Segundo Marques (2007), as sementes do conceito governança corporativa surgiram
recentemente e a importância do tema é reconhecida mundialmente, pois a governança
representa o modo como às empresas são dirigidas e controladas. Além disso, o sistema de
governança corporativa tem como objetivo central o equilíbrio entre competitividade e
produtividade da empresa por meio de uma gestão transparente e responsável. Martinez
(2011) e Erfurth e Bezerra (2013) complementam que, o objetivo geral da governança
corporativa é o aumento do valor da empresa, sua eficiência, com transparência, respeito aos
direitos e tratamento igualitário entre os acionistas, ou seja, diminuição da assimetria e a
prestação de contas confiável.
As práticas de governança são advindas do avanço de empresas brasileiras no exterior
e do aumento dos investimentos estrangeiros o que ocasionou diversas iniciativas de órgãos
brasileiros (VENTURA et al., 2012). Dentre os órgãos responsáveis no Brasil pelas práticas
de governança está a Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (BM&FBOVESPA), o
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM). Ambos buscam estratégias para proteger os seus proprietários e investidores. A
BM&FBOVESPA apresenta as práticas de governança corporativa listadas em níveis
diferenciados, com um objetivo, a qualidade nas informações divulgadas por meio das
demonstrações contábeis (BECK et al., 2012).
Os segmentos especiais de listagem da BM&FBOVESPA foram criados em dezembro
de 2000 quando perceberam que para desenvolver o mercado de capitais brasileiro, era
necessário ter segmentos adequados aos diferentes perfis de empresa, estas que aderem
voluntariamente ao segmento de seu interesse. São segmentos o Novo Mercado (nível de
maior exigência), o Nível 2 (nível intermediário) e o Nível 1 e a Bovespa Mais (menor nível).
Todos esses segmentos prezam por regras rígidas de governança corporativa e tem por
objetivo, a melhoria da avaliação das companhias que resolvem aderir a um desses níveis, o
estímulo do interesse dos investidores e a valorização das empresas listadas (VENTURA et
al., 2012; ERFURTH; BEZERRA, 2013; BM&FBOVESPA, 2013; IBGC, 2013).
Dessa forma, Ferreira et al. (2013) afirmam que é necessária a existência de um
mercado de capitais confiável e forte para a capitalização das empresas, o que alavanca e
desenvolve um país. As empresas que adotam os mecanismos de governança se tornam mais
atrativas, o que facilita a captação de recursos e diminui seu custo. Mesmo com o
aprofundamento dos debates no Brasil sobre governança e a crescente pressão para de boas
práticas de governança corporativa, o país ainda se caracteriza pela alta concentração de
controle acionário, baixa efetividade dos conselhos de administração, alta sobreposição entre
a propriedade e a gestão. O conselho de administração, o conselho fiscal e a auditoria
independente são as principais ferramentas que asseguram o controle da propriedade sobre a
gestão (IBGC, 2013).
4 O auditor exerce um papel fundamental na profissão contábil nos contexto tanto
nacional quanto internacional. A atividade do auditor independente ajudou a impulsionar o
desenvolvimento dos mercados e contribuiu para estabelecer a ordem socioeconômica do
mundo. Na visão dos clientes e usuários externos da informação contábil, a atuação do auditor
é sinônimo de credibilidade e confiança. A perda dessa credibilidade e confiança é motivada
muitas vezes pela falta de qualidade nos relatórios, ou seja, do trabalho. O parecer de
auditoria é, portanto, a principal ferramenta do auditor para cumprir a norma e relatar o seu
trabalho (SANTOS; GRATERON, 2003).
Rezera (2007) afirma que a confiança é o principal produto que é esperado do trabalho
do auditor, pois seu relatório confere credibilidade às entidades auditadas. Para gerar essa
confiança o auditor depende da percepção da sociedade no que se refere aos seus atributos
éticos e técnicos. Dessa forma, segundo Martinez e Reis (2010), a implementação do rodízio
de auditores independentes nas empresas tem como objetivo principal, a preservação da ética
e independência do auditor externo para reduzir as fraudes e os erros contábeis. De acordo
com Firmino, Damascena e Paulo (2010) a auditoria independente é uma das responsáveis
pela redução da assimetria informacional que ocorre entre os usuários das informações.
Conforme Mattos (2005), no Brasil, em função do aumento das atividades das
empresas, aumentou a procura pelos bons profissionais de auditoria, não somente para a
verificação das falhas das empresas, mas sim, para auxiliar no desempenho destas, dando
sugestões para possíveis correções e melhoras.
A independência para Law (2008) é considerada uma das pedras angulares da auditoria
e ainda, considerada um atributo importante dos auditores externos. Segundo Cunha et al.
(2010), as empresas contratam os serviços de auditoria independente para dar maior
credibilidade às demonstrações contábeis. A auditoria independente audita essas
demonstrações com a finalidade de atestar aos usuários que estas representam em seus
aspectos relevantes, a situação patrimonial e financeira das entidades. Dessa forma, o auditor
independente aplicará vários procedimentos de auditoria, para que no final do seu trabalho,
tenha reunido evidências suficientes para o seu parecer.
No Brasil, de acordo com Dutra (2011), pode definir-se a auditoria independente
como, uma auditoria contábil realizada por profissionais que não são ligados à empresa,
porém estão registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que objetiva a
expressão de uma opinião sobre a adequação das demonstrações contábeis. Além disso, a
auditoria independente é feita geralmente para atender à exigência legal.
Além disso, de acordo com Griffin, Lont e Sun (2008), a qualidade da auditoria e a
governança refletem efeitos contrários, pois, o aumento dos custos de auditoria e a
governança apresentam uma relação positiva e a redução desses custos e o risco, uma relação
negativa. Isso porque nas empresas que possuem melhores práticas de governança, há a
redução dos custos dos serviços, ou seja, nos honorários de auditoria independente.
3 HONORÁRIOS DE AUDITORIA E DE NÃO AUDITORIA
Muitos usuários parecem não entender o papel dos auditores e a natureza dos serviços
que oferecem. Um dos impedimentos para a compreensão do serviço de auditoria é a
ambiguidade da relação entre auditores, empresas auditadas e usuários externos das
demonstrações financeiras. Auditores devem ser independentes, já que são contratados e
remunerados pelos auditados. Apesar dos interesses econômicos entre auditores e auditados
serem divergentes, a interdependência desses interesses é reconhecida (SIMUNIC, 1980).
A independência do auditor tem potenciais benefícios aos clientes por meio de seu
impacto sobre o valor da empresa, bem como, para os auditores por meio dos honorários que
podem cobrar por serviços de auditoria. Ambas as partes têm incentivos para escolher
5 voluntariamente acordos contratuais que lhes permitam capturar os benefícios líquidos
esperados de independência do auditor (DeAngelo, 1981).
Para Watts e Zimmerman (1980) e DeAngelo (1981), é improvável que os auditores
são perfeitamente independentes de seus clientes. O nível de independência do auditor é
definido como a probabilidade condicional do auditor relatar essa violação.
Dee, Luseged e Nowlin (2002) afirmam que os auditores estão cientes das
preocupações de que o público e os reguladores têm em relação à sua independência e, agora
que os honorários pagos a auditores estão disponíveis ao público, os auditores podem ser
menos propensos a ceder a pressões dos clientes e mais propensos a cobrar honorários de não
auditoria mais elevados de seus clientes com o mesmo nível de independência.
Conforme Ahadiat (2011), a potencial perda de independência do auditor aumenta
quando os níveis mais elevados de serviços não relacionados à auditoria são prestados aos
clientes. Mesmo que não haja meios de estabelecer uma relação diretamente com serviços de
não auditoria e a perda da independência, a pura percepção suscita dúvidas sobre a reputação
e a credibilidade do auditor, e de certa forma da auditoria e profissionais de contabilidade em
geral. Dessa forma, para Hallak e Silva (2012), os honorários de auditoria podem ser
utilizados na análise da qualidade das auditorias e se existe demanda por diferenciação no
mercado de auditoria.
Além disso, o papel dos honorários para serviços de auditoria e de não auditoria sobre
escolhas contábeis é uma questão não resolvida. Há uma relação positiva entre os honorários
pagos aos auditores e acréscimo nos lucros apenas quando honorários de não auditoria estão
inclusos nos honorários totais (LARCKER; RICHARDSON, 2004).
Neste sentido, diversas pesquisas analisaram os honorários de auditoria, assim como
os de não auditoria, porém, poucos estudos relacionaram os honorários de auditoria e de não
auditoria com o resultado econômico-financeiro das empresas. Autores como Whisenant,
Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003) verificaram que o Retorno sobre os Ativos (ROA)
está diretamente relacionado com os honorários de auditoria. Brugni (2012) utilizou as
variáveis ROA e ROE e acreditava que em função da crise de 2008 estas não puderam ser
explicadas. Diante disso, estabeleceu-se a primeira e a segunda hipótese da pesquisa com o
intuito de relacionar os indicadores de desempenho econômico-financeiro com os honorários
de auditoria e de não auditoria:
H1: O desempenho econômico-financeiro impacta nos honorários de auditoria.
H2: O desempenho econômico-financeiro impacta nos honorários de não auditoria.
Assim, a não rejeição da hipótese H1 e H2 indicará que o desempenho econômicofinanceiro das empresas analisadas impacta nos honorários de auditoria e de não auditoria
cobrados pelos auditores independentes.
Os estudos de Joshi e AL-Bastaki (2000) demonstram que os honorários de auditoria
estão associados com o tamanho da empresa auditada, o risco, a complexidade das operações
dessas empresas e a rentabilidade. Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003)
verificaram que a proxie tamanho da empresa auditada está associada diretamente com
honorários de auditoria mais elevados. Além disso, a alavancagem financeira é relacionada
como um controle para a variação de custos de agência. Ainda, o aumento dos custos de
agência pode levar a maiores exigências de auditoria.
Zaman, Hudaib e Haniffa (2011), identificaram que as variáveis tamanho da empresa,
número de subsidiárias e o tipo de auditor (BIGFour), têm uma associação positiva com
honorários de auditoria. Já a variável alavancagem apresentou uma relação negativa com
honorários de auditoria. Kim e Kim (2013) verificaram que as empresas que possuem
excelente Índice de Governança Corporativa e Responsabilidade Social Empresarial pagam
mais honorários que se for o contrário dessa lógica.
6 Hallak e Silva (2012) constataram que as empresas tendem a gastar mais com
auditoria do que consultoria e, além disso, encontram uma relação positiva entre tamanho das
empresas e despesas com auditoria e consultoria. Identificaram ainda que existe uma relação
positiva entre qualidade das práticas de governança e gastos de auditoria e que não existe
relação significativa entre gastos com auditoria e consultoria, alavancagem e valor (price-tobook) da empresa. Diante de tais resultados, formula-se a terceira hipótese do estudo:
H3: As variáveis de controle nível de governança corporativa, empresa de auditoria
(BIGFour ou não) e tamanho impactam nos honorários de auditoria, ao passo que variável
endividamento não possui impacto.
Desse modo, a não rejeição da hipótese H3 indicará que as variáveis de controle, nível
de governança corporativa, empresa de auditoria e tamanho impactam nos honorários de
auditoria e ajudam a explicar o valor desses honorários.
Zaman, Hudaib e Haniffa (2011), verificaram que a empresa de auditoria (BIGFour)
têm uma associação significativa e positiva com o valor dos honorários de não auditoria.
Além disso, Hentati e Jilani (2013) revelaram que o tamanho da empresa e a data de
encerramento influencia a quantidade de honorários de não auditoria. Verificaram também
que os honorários de não auditoria aumentam no momento em que o desempenho financeiro
da empresa auditada melhora. Isto é explicado pela transferência de competências dos
auditores por realização de outros serviços que não são de auditoria. Dessa forma estabeleceuse a quarta hipótese da pesquisa:
H4: As variáveis de controle nível de governança corporativa, empresa de auditoria
(BIGFour ou não) e tamanho impactam nos honorários de não auditoria, ao passo que variável
endividamento não possui impacto.
A não rejeição da hipótese H4 irá demonstrar que a empresa de auditoria tem uma
relação positiva com o valor cobrado pelos honorários de não auditoria, isso no que se refere
às variáveis de controle, sendo estas variáveis, o nível de governança corporativa, empresa de
auditoria e tamanho, enquanto o endividamento não apresenta impacto.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para verificar a relação entre honorários de auditoria e não auditoria com o resultado
econômico-financeiro das empresas listadas na BM&FBOVESPA realizou-se uma pesquisa
descritiva, com abordagem quantitativa por meio de pesquisa documental nos relatórios
financeiros das empresas analisadas.
O período de análise das demonstrações financeiras foi de 3 anos, de 2010 a 2012. Na
seleção das empresas na BM&FBOVESPA, foram verificados os formulários de referência de
todas as empresas listadas e se estas apresentavam informações disponíveis. Ainda, foram
coletados dados referentes às demonstrações de resultados dessas empresas na base de dados
da Economática®, na qual se concentram os dados da BM&FBOVESPA.
A população do estudo foi composta por todas as empresas listadas na
BM&FBOVESPA, em dezembro de 2013, totalizando 528 empresas. Foi utilizado o ano de
2012 como base para a seleção das empresas e após verificar as empresas listadas na
BM&FBOVESPA, foram excluídas as empresas financeiras por apresentarem características
peculiares das demais empresas da amostra, como, por exemplo, alto grau de endividamento e
inexistência de estoques de mercadorias. Além disso, excluíram-se as empresas que não
apresentavam os valores dos honorários de auditoria, o qual é o objetivo central deste estudo.
Após as exclusões das empresas, visando a sua comparabilidade, restaram 323
empresas no ano de 2010, 319 empresas em 2011 e 312 empresas em 2012. Diferenciam-se de
um ano para o outro pelo fato que algumas empresas não possuíam as informações
necessárias disponíveis em alguns períodos.
7 Para análise dos dados, utilizou-se da regressão linear no software SPSS20 para
analisar os determinantes dos honorários de auditoria e de não auditoria e dessa forma,
estimou-se os seguintes modelos:
HA: α1 + α2ROA + α3 ROE + α4 BIG4ou não + α5 Tam+ α6 NGC+ α7Endiv
(1)
HNA: α1 + α2ROA + α3 ROE + α4 BIG4ou não+ α5 Tam + α6 NGC + α7 Endiv
(2)
Os honorários de auditoria e de não auditoria são as variáveis dependentes do estudo,
o ROA e ROE são as variáveis independentes que representam os indicadores econômicofinanceiros das empresas e as demais variáveis são de controle. A variável de controle BIG4 é
o termo apresentado pela literatura para identificar as grandes empresas de auditoria, sendo
elas a KPMG, Deloitte, Ernest & Young e PricewaterhouseCoopers. As variáveis utilizadas
neste estudo e os respectivos autores nas quais foram consubstanciadas estão evidenciadas na
Figura 1 a seguir.
Figura 1 – Variáveis da pesquisa
Tipo de
Descrição
variáveis
Honorários de
auditoria
(HA)
Dependentes
Honorários de
não auditoria
(HNA)
Fórmula
Joshi e AL-Bastaki (2000); Whisenant,
Valor pago referente
Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003);
serviços de auditoria
Zaman, Hudaib e Haniffa (2011); Hallak e Silva
discriminados no
(2012); Hentati e Jilani (2013); Kim e Kim
formulário de referências
(2013)
Valor pago referente a
Joshi e AL-Bastaki (2000); Whisenant,
outros serviços
Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003);
discriminados no
Zaman, Hudaib e Haniffa (2011); Hentati e Jilani
formulário de referências (2013);
Joshi e AL-Bastaki (2000); Whisenant,
Lucro Gerado pelos
Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003);
Ativos (operacional)
Ativo Total Médio
Brugni (2012)
Retorno sobre
Independentes o Ativo Total
(ROA)
(Indicadores
econômicoRetorno do
Lucro Líquido
financeiro)
Capital Próprio
Patrimônio Líquido
(ROE)
Nível de
NGC (Nível 1 e Bovespa
Governança
Mais: 1 – Nível 2: 2 –
Corporativa
Novo Mercado:3)
(NGC)
Empresa de
Variável dummy (se
Auditoria
empresa BIG4: 0 e se não:
(BIG4 ou não)
1)
Independentes
(Controle)
Tamanho
LN (Ativo Total
(Tam)
Normalizado)
Endividamento
(Endiv)
Autores
Exigível total
Ativo Total
Brugni (2012)
Zaman, Hudaib e Haniffa (2011); Hallak e Silva
(2012); Kim e Kim (2013);
Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan
(2003); Zaman, Hudaib e Haniffa (2011); Hallak
e Silva (2012)
Joshi e AL-Bastaki (2000); Whisenant,
Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003);
Zaman, Hudaib e Haniffa (2011); Hallak e Silva
(2012); Hentati e Jilani (2013); Kim e Kim
(2013)
Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan
(2003); Zaman, Hudaib e Haniffa (2011); Hallak
e Silva (2012)
Fonte: dados da pesquisa.
Por meio da Figura 1 apresentam-se as variáveis do presente estudo. Como variáveis
dependentes têm-se os honorários de auditoria e os honorários de não auditoria e, como
variáveis independentes têm-se os indicadores econômico-financeiros, sendo estes o retorno
sobre o ativo total (ROA) e o retorno do capital próprio (ROE) e ainda, há as variáveis de
8 controle, sendo o nível de governança corporativa, empresa de auditoria, tamanho e
endividamento. Tais variáveis foram consubstanciadas a partir de pesquisas, principalmente
em âmbito internacional, sobre auditoria.
5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Nesta seção faz-se a descrição e análise dos dados. Primeiramente, apresenta-se a
aplicação da regressão linear em cada período analisado. Posteriormente, são discutidos os
resultados com base na literatura proposta, em que se aceita ou refuta as hipóteses
estabelecidas na pesquisa.
5.1 Aplicação da Regressão Linear
Primeiramente, utilizou-se da regressão linear para analisar as 323 empresas no ano de
2010, as 319 em 2011 e as 312 em 2012. Efetuou-se o teste Kolmogorov-Smirnov para
verificar a normalidade dos dados, para assim, realizar a regressão linear. O resultado do teste
K-S apontou normalidade dos dados. Para a realização da análise foi também realizado o teste
de multicolinearidade VIF, que conforme Fávero et al. (2009), sugere-se que os resultados do
teste sejam menores que cinco.
A Tabela 1 apresenta os resultados da equação dos honorários de auditoria dos anos de
2010 a 2012 a partir da aplicação da regressão linear.
Tabela 1: Dados da Equação dos Honorários de Auditoria de 2010 a 2012
Coeficiente
Variável
2010
2011
R²
0,392
0,319
R² Ajustado
0,380
0,306
SIG
0,000
0,000
F de significação
33,956
24,355
Durbin-Watson
1,944
1,892
Observações
323
319
Fonte: Dados da Pesquisa.
2012
0,419
0,408
0,000
36,682
1,847
312
Observa-se na Tabela 1 que o SIG da regressão linear apresentou-se significativo nos
três anos analisados ao nível de 5% pois a variável apresentou valor de 0,000, portanto, esse
conjunto de variáveis tem poder de explicação nos honorários de auditoria. Ao analisar o
poder de explicação do modelo, tem-se que o R² ajustado apresentou um poder de explicação
de 0,380 em 2010, o que significa que a variação nas variáveis independentes explica em 38%
a variação na variável dependente. Já em 2011 apresentou um poder de explicação de 0,306, o
que representa 30,6 % de explicação e em 2012 esse valor foi de 0,419, ou seja, 41,9 % de
poder de explicação. Verificou-se que o Durbin-Watson do modelo, nos três anos chegou
próximo a 2, o que significa que a independência dos erros é satisfeita (MAROCO, 2003).
Na Tabela 2, é analisada a estatística das variáveis da equação e verificado o teste VIF,
que objetiva o fornecimento do diagnóstico de multicolinearidade entre variáveis
independentes apresentadas na amostra. Conforme Fávero et al. (2009) são aceitos os
resultados de multicolinearidade até 5, pelo fato de que os indicadores VIF abaixo de 5
demonstram que não existe problema de multicolinearidade nas variáveis independentes. De
acordo com a Tabela 2 apresenta-se o coeficiente, o P-Value, o VIF das variáveis, que tem por
finalidade verificar se as variáveis são significantes.
Tabela 2: Dados dos Coeficientes dos Honorários de Auditoria de 2010 a 2012
2010
2011
Variável
Coef.
PVIF
Coef.
PVIF
Coef.
2012
P-
VIF
9 Constante
3,268
Nível de GC
0,126
Empr. de Audit.
0,334
ROA
0,002
ROE
0,005
Tamanho
0,114
Endividamento
0,002
Fonte: Dados da Pesquisa.
Value
0,000
0,000
0,000
0,781
0,845
0,000
0,561
1,229
1,443
11,577
10,684
1,654
2,260
4,276
0,148
0,670
-0,008
-0,055
0,025
-0,001
Value
0,000
0,000
0,000
0,460
0,143
0,123
0,804
1,204
1,197
1,452
1,011
1,301
1,368
2,990
0,099
0,332
-0,013
0,012
0,140
0,002
Value
0,000
0,000
0,000
0,194
0,783
0,000
0,683
1,149
1,386
1,531
1,014
1,609
1,381
Verifica-se por meio da Tabela 2 que os resultados do teste VIF demonstram que
apenas as variáveis ROA e ROE em 2010 apresentaram problemas de multicolinearidade, pois
ambas ficaram acima de 5%, no caso, o ROA apresentou um percentual de 11,577% e o ROE
10,684, as demais variáveis não apresentaram problemas de multicolinearidade. Já nos anos
2011 e 2012 nenhuma variável apresentou problemas de multicolinearidade, pois
permaneceram abaixo de 5%.
O P-Value demonstrou que as variáveis, ROA, ROE e o endividamento não
apresentaram significância estatística em nível de 5% (P-Value<0,05) nos anos de 2010 a
2012, enquanto as demais variáveis, ou seja, o nível de governança corporativa e empresa de
auditoria possuem poder de explicação do modelo verificado nos três anos. Além disso, em
2010 e 2012 o tamanho também apresentou significância. Diante disso, essas três variáveis
ajudam a explicar o pagamento dos honorários de auditoria. Esse resultado vem ao encontro
do evidenciado por Hallak e Silva (2012), no qual identificaram que existe uma relação
positiva entre tamanho das empresas e qualidade das práticas de governança e honorários de
auditoria com os honorários de auditoria. Verifica-se ainda que não existe relação
significativa entre os honorários de auditoria e a alavancagem (endividamento).
O P-Value no ano de 2011 demonstra que por meio das variáveis, nível de governança
corporativa e empresa de auditoria é possível explicar o modelo, pois estas variáveis
apresentaram significância estatística em nível de 5% (P-Value<0,05), já as demais variáveis,
inclusive a variável tamanho, não possuem poder de explicação do modelo verificado.
Em relação aos coeficientes, nos anos 2010 e 2012 as variáveis, nível de governança
corporativa, empresa de auditoria e tamanho não apresentaram significância estatística em
relação aos honorários de auditoria. Já em 2011 as variáveis, nível de governança corporativa,
empresa de auditoria e ROE não apresentaram significância estatística. As variáveis, ROA, e
endividamento apresentaram significância nos honorários de auditoria, porém, a influência
dos honorários de auditoria no ROA e endividamento no ano 2011 é negativa. Além disso, em
2012 as variáveis ROA, ROE e endividamento, apresentaram significância, porém o ROA
apresenta uma influencia negativa nos honorários de auditoria.
Na Tabela 3, apresenta-se a análise dos dados da equação dos honorários de não
auditoria dos anos de 2010 a 2012.
Tabela 3: Dados da Equação dos Honorários de Não Auditoria de 2010 a 2012
Coeficiente
Variável
2010
2011
R²
0,140
0,088
R² Ajustado
0,124
0,071
SIG
0,000
0,000
F de significação
8,586
5,025
Durbin-Watson
1,933
1,928
Observações
323
319
Fonte: Dados da Pesquisa.
2012
0,142
0,125
0,000
8,432
1,746
312
10 Com base na Tabela 3 é possível verificar que os dados da equação dos honorários de
não auditoria nos três anos, apresentaram-se significativos ao nível de 5% no que se refere ao
SIG, devido ao fato de ter apresentado um valor de 0,000.
O Dubin-Watson do modelo também se aproxima de 2 nos três anos, como também foi
o caso dos honorários de auditoria nesse mesmo período. No ano de 2010 o R² ajustado
apresentou um poder de explicação de 0,124, o que representa 12,4 % de explicação. Em 2011
este apresentou um poder de explicação de 0,071, o que representa 7,1 %. Já em 2012 ficou
muito próximo de 2010, ou seja, apresentou um poder de explicação de 0,125, o que
representa 12,5 % de explicação, ou seja, nos três anos analisados o poder de explicação é
considerado baixo em relação aos honorários de não auditoria.
Por meio da Tabela 4 apresenta-se o coeficiente, o P-Value, o VIF das variáveis, que
tem por finalidade verificar se as variáveis são significantes.
Tabela 4: Dados dos Coeficientes dos Honorários de Não Auditoria de 2010 a 2012
2010
2011
Variável
Coef.
PVIF
Coef.
PVIF
Coef.
Value
Value
Constante
-3,219
0,000
-0,303
0,722
-2,985
Nível de GC
0,273
0,006
1,229
0,260
0,007
1,204
0,338
Empr. de Audit.
0,203
0,529
1,443
0,830
0,010
1,197
0,508
ROA
-0,011
0,621 11,577 -0,023
0,566
1,452
-0,031
ROE
-0,032
0,714 10,684 0,156
0,243
1,011
-0,043
Tamanho
0,280
0,000
1,654
0,024
0,672
1,301
0,229
Endividamento
0,009
0,529
2,260
0,019
0,236
1,368
0,008
Fonte: Dados da Pesquisa.
2012
PValue
0,001
0,001
0,163
0,456
0,756
0,000
0,640
VIF
1,149
1,386
1,531
1,014
1,609
1,381
Na Tabela 4, ao analisar a estatística das variáveis da equação e verificar o teste VIF,
percebe-se que houve problemas de multicolinearidade no ano de 2010 para as variáveis ROA
e ROE, pois ficaram acima de 5%. Porém, nos anos de 2011 e 2012 nenhuma variável
apresentou problemas de multicolinearidade, pois todos os valores ficaram abaixo do nível de
5%.
As significâncias P-Value demonstram que as variáveis ROA, ROE, empresa de
auditoria e o endividamento não apresentam significância estatística ao nível de 5% (PValue<0,05) em 2010 e 2012. Além das variáveis ROA, ROE e endividamento, em 2011,
outra variável que não apresenta significância é o tamanho. Além disso, nos três anos a
variáveis nível de governança corporativa apresenta significância estatística, em 2010 e 2012
a variável tamanho também apresentou significância em nível de 5% e em 2011 a variável
empresa de auditoria também apresentou-se significativa, ou seja, essas variáveis ajudam a
explicar os honorários de não auditoria. Os resultados encontrados nos anos de 2010 e 2012
assemelham-se com o de Hentati e Jilani (2013), no qual, o tamanho da empresa influencia a
quantidade de honorários de não auditoria cobrados.
Em relação ao coeficiente, as variáveis que não apresentaram significância estatística
nos três anos analisados foram o nível de governança corporativa e empresa de auditoria.
Além disso, em 2010 e 2012 a variável tamanho não apresentou-se significativa, porém, as
variáveis ROA, ROE e endividamento apresentaram significância, sendo que ROA e ROE
influenciam de forma negativa nos honorários de não auditoria. Já em 2011, a variável ROE
não apresentou significância, sendo que as variáveis ROA, tamanho e endividamento
apresentaram-se significantes, mesmo com a influência negativa do ROA nos honorários de
não auditoria.
5.2 Discussões dos resultados obtidos
11 O modelo proposto no estudo apresentou-se significativo ao nível de 5% pois, obtevese por meio da regressão linear ao valor de 0,000. Portanto, esse conjunto de variáveis tem
poder de explicação nos honorários de auditoria e de não auditoria em todos os anos
analisados, porém o poder de explicação nos honorários de não auditoria pode ser
considerado baixo. No que se refere ao P-Value, as variáveis ROA e ROE não apresentaram
significância nos três anos nos honorários de auditoria e de não auditoria.
Dessa forma, os resultados encontrados são contrários aos achados de Joshi e ALBastaki (2000) na qual o ROA está positivamente associado aos honorários de auditoria. Para
esses autores, as empresas que são altamente lucrativas também pagam honorários de
auditoria mais elevados. Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003) também
constataram que o ROA está diretamente relacionado com honorários de auditoria, na qual
mostraram que quando o desempenho diminui ou quando os ganhos e perdas de exercícios
anteriores tornam-se evidentes, auditores parecem despender mais esforço de auditoria, não
sendo confirmado com o resultado obtido neste estudo.
Além disso, este resultado se confirma com o estudo de Brugni (2012) em que o autor
utilizou essas duas variáveis para medir o desempenho e acredita que em função da crise de
2008 as variáveis ROA e ROE não puderam ser explicadas, pois apresentavam problemas de
estatística F e coeficientes quase nulos.
Dessa forma, verificou-se que o desempenho, resultante dos indicadores econômicofinanceiros utilizados no estudo, ROA e ROE, não impactou nos honorários de auditoria e nos
honorários de não auditoria e, diante disso, rejeita-se H1 e H2. Porém, o VIF apenas em 2010
apresentou problemas de multicolinearidade nas variáveis ROA e ROE, tanto nos honorários
de auditoria como nos de não auditoria. Segundo Corrar, Paulo e Dias Filho (2007), quando
variáveis independentes são altamente correlacionadas, levam a dificuldade na separação dos
seus efeitos individualmente sobre a variável dependente, na qual fornece informações
similares para explicação e previsão tornando uma delas insignificante na explanação do
comportamento do fenômeno.
As variáveis de controle, nível de governança corporativa e empresa de auditoria
impactam nos honorários de auditoria nos três anos analisados, pois ajudam a explicar o
pagamento desses honorários. Quanto à variável tamanho, constatou-se que em 2010 e 2012
apresentou-se significante, no entanto, não foi possível explicar os honorários de auditoria por
meio do tamanho em 2011. Já a variável endividamento não possui poder de explicação do
modelo em nenhum dos períodos analisados. Deste modo, aceita-se parcialmente H3, em que
anunciava que as variáveis de controle nível de governança corporativa, empresa de auditoria
(BIGFour ou não) e tamanho impactam nos honorários de auditoria, ao passo que variável
endividamento não possui impacto.
Nos estudos de Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003), Joshi e ALBastaki (2000) e Zaman, Hudaib e Haniffa (2011), foram identificados que os honorários de
auditoria estão associados positivamente com o tamanho da empresa auditada, ou seja, quanto
maior for o tamanho da empresa auditada, maiores serão os honorários de auditoria. Tais
resultados convergem com a presente pesquisa no período de 2010 e 2012, porém, não há
elementos suficientes para inferir sobre a convergência com a presente pesquisa no ano de
2011.
Os autores Hallak e Silva (2012) também encontraram resultados relacionados, pois
verificaram uma relação positiva entre tamanho das empresas com os honorários de auditoria,
ou seja, quanto maior for a empresa auditada, mais complexo será o serviços e,
consequentemente, maiores serão os honorários de auditoria cobrados e não existe relação
significativa entre os honorários de auditoria e a alavancagem (endividamento). Além disso,
identificaram que existe uma relação positiva entre qualidade das práticas de governança e
honorários de auditoria. As companhias com boas práticas de governança gastam mais com
12 auditoria com intuito de serviços de maior qualidade para seus stakeholders. Kim e Kim
(2013) observaram que as empresas que possuem um excelente índice de governança
corporativa pagam mais honorários que se for o contrário dessa lógica.
Por último, a hipótese H4 tem seus resultados relacionados com a pesquisa de Zaman,
Hudaib e Haniffa (2011) no qual verificam que a empresa de auditoria tem uma relação
positiva e significativa com o valor cobrado pelos honorários de não auditoria. Além do mais,
este estudo também se apoia no estudo de Hentati e Jilani (2013) no qual o tamanho da
empresa influencia a quantidade de honorários de não auditoria cobrados. Também, verificouse que os honorários de não auditoria aumentam quando o desempenho financeiro da empresa
auditada melhora. Isto é explicado pela transferência de competências dos auditores por
realização de outros serviços que não são de auditoria.
Diante disso, as variáveis de controle, nível de governança corporativa e tamanho em
2010 e 2012 apresentaram significativas e, em 2011 além do nível de governança corporativa,
outra variável que se apresenta significativa é a empresa de auditoria, ou seja, estas variáveis
impactam nos honorários de não auditoria e ajudam a explicar o pagamento dos honorários de
não auditoria e dessa forma, aceita-se parcialmente H4. Porém, nos anos de 2010 e 2012 a
variável empresa de auditoria não ajuda a explicar os honorários de não auditoria e no ano de
2011 o tamanho também não explica o modelo. Novamente a variável endividamento não
possui poder de explicação do modelo em nenhum dos períodos, conforme preconizado em
estudos anteriores.
6 CONCLUSÕES
Esta pesquisa objetivou verificar a relação entre honorário de auditoria e não auditoria
com os indicadores econômico-financeiros das empresas listadas na BMF&BOVESPA.
Pesquisa descritiva e quantitativa foi realizada por meio de pesquisa documental nas
demonstrações financeiras de 2010 a 2012. A amostra do estudo foi composta de 323
empresas no ano de 2010, 319 empresas em 2011 e 312 empresas em 2012.
Os resultados do estudo mostraram que o desempenho econômico-financeiro não
impactou nos honorários de auditoria e de não auditoria e, dessa forma, rejeita-se H1 e H2, o
que converge com o estudo de Brugni (2012) e diverge dos resultados encontrados por Joshi e
AL-Bastaki (2000) e Whisenant, Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003).
Em relação às variáveis de controle, observou-se que o nível de governança
corporativa e a empresa de auditoria impactaram nos honorários de auditoria nos três anos
analisados. No entanto, a variável tamanho apresentou impacto em 2010 e 2012, mas não
houve confirmação para o ano de 2011. Já a variável endividamento não possui poder de
explicação do modelo em nenhum dos períodos analisado, conforme já preconizado pela
teoria. Desta forma, tais resultados apresentam evidências para não rejeitar a H3, o que
converge com as pesquisas realizadas Sankaraguruswamy e Raghunandan (2003), Joshi e ALBastaki (2000), Zaman, Hudaib e Haniffa (2011), Hallak e Silva (2012) e Kim e Kim (2013).
Apenas houve divergência na variável tamanho em 2011, o que enseja futuras investigações.
Em relação aos honorários de não auditoria, constatou-se que o nível de governança
corporativa impactou nos três anos. Ao passo que a variável tamanho apresentou impacto em
2010 e 2012; e a variável empresa de auditoria impactou apenas em 2011. Já a variável
endividamento não possui poder de explicação do modelo em nenhum dos períodos
analisados. Desta forma, aceita-se parcialmente a H4.
Denota-se que as variáveis de controle analisadas impactam mais nos honorários de
auditoria, comparativamente aos honorários de não auditoria. Dentre as variáveis, o nível de
governança corporativa foi a que apresentou maior impacto em todo o período analisado.
Entretanto, os resultados não são conclusivos, uma vez que nem todos os resultados
convergiram com estudos anteriores, o que implica novas pesquisas para explicar a relação do
13 desempenho econômico-financeiro com os honorários de auditoria. Considerando as
limitações da pesquisa, recomenda-se para estudos futuros, uma análise temporal maior e
também distinguindo as empresas por tipo de atividade (comércio, indústria e/ou prestação de
serviços), além da consideração de outras variáveis de controle.
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Relação entre Honorário de Auditoria e Não Auditoria com o