20 INCLUSÃO ESCOLAR: A TERAPIA OCUPACIONAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL Introdução Este artigo visa identificar e compreender a atuação do terapeuta ocupacional na rede regular de ensino para o atendimento de crianças de 0 (zero) a 6 (seis) anos, buscando perceber sua participação junto aos atores envolvidos neste processo. Apresenta uma revisão bibliográfica de estudos sobre a atuação do terapeuta ocupacional e a possibilidade de abertura de novos campos de trabalhos na área escolar, face às atuais políticas públicas educacionais no Brasil quanto à inclusão escolar de crianças com necessidades educativas especiais. Apresenta também um breve levantamento documental de como tem sido construída em nosso país as políticas para inclusão escolar. Este tema despertou meu interesse durante minha formação acadêmica no Curso de Terapia Ocupacional por meio de situações de atendimento a pais e cuidadores que relatavam as dificuldades encontradas em relação ao acolhimento de seus filhos com necessidades educacionais especiais na escola regular. São relatos que revelam que, embora muitas escolas tenham discurso sobre a inclusão, a realidade exposta às famílias é de despreparo e de falta de conhecimento da equipe pedagógica acerca da inclusão escolar. O que sugere que, por muitas vezes, as crianças com necessidades educativas especiais podem estar sendo apenas ‘incluídas’ no espaço escolar, sem que haja um aprofundamento e uma compreensão do significado do processo de inclusão. Pesquisas realizadas em trabalhos de conclusão do curso de Terapia Ocupacional do Centro Universitário Metodista – IPA1, 2005, apontam para uma possível realidade em que as escolas não estão preparadas para receber alunos com necessidades educativas especiais, tanto pela organização curricular, acessibilidade, formação de professores e apoio de equipe multiprofissional. E nesse 1 ÁVILA, Ana Helena Dias. Refletindo sobre a inclusão escolar: contribuições da terapia ocupacional através de uma pesquisa-ação. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Terapia Ocupacional) - Faculdade de Ciências da Saúde do Centro Universitário Metodista – IPA, Porto Alegre, 2005. PINTO, Vanessa Medeiros. Inclusão escolar: um olhar sobre as crianças com transtornos mentais e do comportamento. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Terapia Ocupacional) Faculdade de Ciências da Saúde do Centro Universitário Metodista – IPA, Porto Alegre, 2005. 21 contexto podem surgir situações inesperadas, que diante do objetivo de inclusão da criança no ambiente escolar pode estar sendo ‘adaptada’ a um sistema insensível às suas necessidades e desenvolvimento de suas capacidades. Apresentando a Terapia Ocupacional Inicialmente, a exposição do tema requer uma breve apresentação da Terapia Ocupacional, como uma profissão complexa, fundamentada em uma ampla base de conhecimento tanto das ciências da saúde, como das ciências sociais. A sua prática incorpora habilidades de gerenciamento: corretivas, técnicas e criativas, com processos especializados da Terapia Ocupacional. A atividade é desenvolvida com todos os grupos etários e auxiliam uma grande variedade de problemas de saúde, sociais e ambientais. A autora Rosemary Hagedorn2 apresenta algumas definições acerca da Terapia Ocupacional embasadas em teorias mais aceitas, dentre as quais destacase nesta pesquisa: Em 1989, a ‘World Federation of Occupational Therapists’ definiu terapia ocupacional assim [...] é o tratamento das condições físicas e psiquiátricas por meio de atividades específicas para auxiliar pessoas a alcançarem seu nível máximo de função e independência. A ‘College of Occupational Therapists’ (Reino Unido) emitiu um posicionamento em 1994 sobre as habilidades essenciais e os fundamentos conceituais para a prática [...] A Terapia Ocupacional avalia as funções físicas, psicológicas e sociais do indivíduo, identifica áreas de disfunção e envolve o indivíduo em um programa estruturado de atividade para superar a incapacidade. As atividades selecionadas serão às necessidades pessoais, sociais, culturais e econômicas do consumidor e refletirão os fatores ambientais que influenciam a sua vida. O ‘Committee of Occupational Therapists for the European Community’ (COTEC) fornece a seguinte definição: Os terapeutas ocupacionais avaliam e tratam pessoas empregando as atividades com objetivo de prevenir as incapacidades e desenvolver a independência funcional. Embora estas definições sejam claras, Hagedorn (2003) considera que elas são incapazes de expressar a esfera total de ação prática da Terapia Ocupacional, 2 HAGEDORN, Rosemary. Fundamentos para a prática em Terapia Ocupacional. 3 ed., São Paulo, SP: Editora Roca, 2003, p 5-6. 22 sendo necessário que o profissional faça adequações em sua ação, respeitando os princípios e objetivos da área. Pois se verifica que no desenvolvimento de sua ação a Terapia Ocupacional tem se utilizado cada vez mais de propostas de intervenção que vão além dos espaços terapêuticos tradicionais. Tem recorrido a dispositivos que buscam a ampliação do entorno social, a autonomia e a melhoria da qualidade de vida das pessoas que, por motivos variados, encontram-se em dificuldades de inserção e participação social. Com esta visão Berenice Rosa Francisco3 afirma que, ao se pensar em Terapia Ocupacional, deve-se focar a questão intrínseca da interdisciplinaridade nela contida, buscando evidenciar seu papel como instrumento mantenedor ou transformador da sociedade. E, para tanto, conforme a visão da autora: Utilizaremos a concepção materialista da história, a qual nos possibilitará uma melhor compreensão dos mecanismos pelos quais a prática terapêutica se apresenta. Consideramos que a terapia ocupacional deva ser entendida como uma entre as demais práticas sociais capazes de criar as condições necessárias para a realização da transformação social, sendo fundamental para tal compreensão questionar como existe na sociedade e em que condições é praticada: contra ou a favor de qual homem ou classe social. A partir da definição de Terapia Ocupacional e o seu campo de atuação abrangente, este trabalho traça um paralelo a partir das atuais políticas públicas educacionais no Brasil quanto à inclusão escolar de crianças com necessidades educativas especiais. O mundo propõe educação para todos A adoção de políticas públicas inclusivas no Brasil tem sido orientada a partir de uma série de documentos internacionais, a saber - Programa de Ação Mundial 3 FRANCISCO, Berenice Rosa. Terapia Ocupacional. 2. ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 2001. p.3. 23 para as Pessoas Deficientes (1982)4, Declaração Mundial sobre Educação para todos (Jomtiem, 1990)5 e Declaração de Salamanca (1994)6 No mundo todo, um movimento na busca de escolarização e direitos para todos, tem eclodido em muitos locais numa série de congressos, conferências, organizados pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), Através de cada uma das cinco agências líderes do movimento da Educação para Todos (Banco Mundial, Fundo de População das Nações Unidas - FNUAP, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization UNESCO e United Nations Children's Fund -UNICEF) para definir sua ação 7 conjunta e coordenada a nível mundial . Muitas destas ações têm surgido sob o patrocínio do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Documentos são produzidos nesses eventos sob a forma de declaração, orientação, programas e planos de ação mundial e servem como vetores de orientação para a definição de políticas educacionais, principalmente nos países do chamado Terceiro Mundo. A Educação para Todos (EPT), como política educacional planetária e como implementação da proposta de Desenvolvimento Humano é o objetivo maior a ser alcançado e para o qual convergem as propostas e orientações. Foi projetada no Programa de Ação Mundial, a partir da ‘Conferência Mundial sobre Educação Para Todos’, a ‘Conferência Mundial de Educação Especial em Salamanca’ (Espanha, 1994). Nesta conferência em Salamanca foi construída e assinada a ‘Declaração de 4 CEDIPOD. Programa de Ação Mundial para pessoas deficientes. 1992. Disponível em: <http://www.cedipod.org.br/w6pam.htm> Acesso em: 10 out. 2007. 5 BRASIL. Declaração Mundial de Educação Para Todos e Plano de Ação Mundial para satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem. Brasília/DF: UNICEF, 1991. Disponível em: http://www.inep.gov.br/download/cibec/2000/Publicações_inst/avaliacao.pdf.> Acesso em: 03 nov. 2007. 6 BRASIL. Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais. Brasília/DF: CORDE, 1994. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf > Acesso em: 03 nov. 2007. 7 UNESCO, Educação para Todos: prioridade 1 da UNESCO. Disponível em: <http://www.unesco.org.br/areas/educação/institucional/EFA/index_html/emmostra _documento> Acesso em: 10 nov. 2007. 24 Salamanca sobre Princípios, Política e Prática em Educação Especial’, apresentando uma estrutura de ação em Educação Especial que define as linhas de ação a serem desenvolvidas, com ênfase na valorização da Educação Infantil no processo de inclusão. A Declaração de Salamanca tem sido adaptada para a implementação da política e prática de diversos países quanto ao enquadramento de ações para as pessoas com necessidades educativas especiais. No presente estudo, dentre os itens proclamados pelos delegados representantes de oitenta e oito governos e vinte e cinco organizações internacionais participantes, destaca-se uma das ‘Áreas Prioritárias’: a Educação Infantil, item 51: O sucesso de escolas inclusivas depende em muito da identificação precoce, avaliação e estimulação de crianças pré-escolares com necessidades educacionais especiais. Assistência infantil e programas educacionais para crianças até a idade de 6 anos deveriam ser desenvolvidos e/ou reorientados no sentido de promover o desenvolvimento físico, intelectual e social e a prontidão para a escolarização. Tais programas possuem um grande valor econômico para o indivíduo, a família e a sociedade na prevenção do agravamento de condições que inabilitam a criança. Programas neste nível deveriam reconhecer o princípio da inclusão e ser desenvolvidos de uma maneira abrangente, através da combinação de atividades pré-escolares e saúde infantil. A Declaração de Salamanca salienta que há uma relação entre o sucesso das escolas inclusivas e a combinação de atividades educacionais com a saúde infantil, tais como: a identificação precoce, avaliação e estimulação de crianças com necessidades educacionais especiais. E que tais programas possuem um grande valor econômico para o indivíduo, a família e a sociedade, na prevenção do agravamento de condições que inabilitam a criança. Esta Declaração tem se constituído como um dos importantes marcos para a Educação, a partir dela intensas discussões têm sido travadas pelos educadores acerca da perspectiva apontada pela nova legislação educacional, na perspectiva de definir a especificidade da educação infantil. 25 Educação para todos no Brasil: desafio também para Terapia Ocupacional No Brasil, a ‘Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional’8, Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disciplina a educação escolar que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino em instituições próprias. Destacam-se nesta Lei as orientações básicas sobre a educação especial e infantil: Art. 58º. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. [...] § 3º. A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Art. 59º. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades. A Resolução CNE/CEB Nº. 2, de 11 de setembro de 20019, institui as Diretrizes Nacionais para a educação de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais na Educação Básica, em todas as suas etapas e modalidades. Prevê que o atendimento escolar desses alunos terá início na educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado. Institui que os sistemas de ensino devem “matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos” (Resolução CNE/CEB Nº. 2, de 11 de setembro de 2001, Art. 2º) (grifo nosso). Art. 3º Por educação especial, modalidade da educação escolar, entendese um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que 8 BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília/DF: 1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf > Acesso em: 20 out. 2007. 9 BRASIL. Resolução: CNE/CEB Nº. 2, de 11 de setembro de 2001. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/txt/res2.txt.> Acesso em: 20 out. 2007. 26 assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica. Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva. Diante da Legislação atual, considerando que as escolas devem atender aos educandos com necessidades educacionais especiais, torna-se essencial o desenvolvimento de uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar, constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial. Neste sentido enfatiza-se a necessidade da organização de recursos humanos que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva. No caso da inclusão na educação infantil, cabe neste trabalho um aprofundamento de estudos relacionados à formação dos profissionais que atuam com crianças de 0 (zero) a 6 (seis) anos com necessidades educativas especiais, com destaque ao terapeuta ocupacional. Na visão de Vitor da Fonseca10, para que seja possível este processo de modificação na estrutura da própria escola, “subentende uma ação em prol dos direitos humanos e cívicos”. Assim, considera que para que a política se fundamente é necessário que se ampliem as oportunidades educacionais por meio de adequações. Os programas e os currículos terão de ser necessariamente diferentes, porque adaptados às necessidades educacionais específicas das crianças deficientes. A filosofia e o fundamento científico que terão de presidir à elaboração do desenho (design) curricular deverão respeitar os estilos e os biorritmos preferenciais de cada criança, isto é, deverão adotar uma filosofia centrada na semelhança diferenciada e não na semelhança indiferenciada que tem caracterizado os programas escolares vigentes. 10 FONSECA, Vitor. Educação Especial: programa de estimulação precoce, uma introdução às idéias de Feuerstein. 3 ed., Porto Alegre, RS: Editora Artmed, 1985, p. 202. 27 Para Bartalotti e Carlo11 é neste contexto que se encontra a relevância da atuação do terapeuta ocupacional, como um profissional de apoio na rede de educação. Sua atuação deve estar ligada às questões surgidas no processo educacional. Os estudos sobre os aspectos do desenvolvimento infantil, como sensóriomotor, cognitivo, afetivo e social, e as correlações entre as etapas de amadurecimento do sistema nervoso permitem ao terapeuta ocupacional dominar o conhecimento sobre o processo de desenvolvimento e 12 estabelecer os parâmetros que vão nortear sua prática com crianças . Entretanto, apenas o conhecimento a respeito do desenvolvimento infantil, não é suficiente para a prática da Terapia Ocupacional nas escolas. É extremamente importante que o profissional tenha um conhecimento do “processo de ensinoaprendizagem em suas relações com o desenvolvimento infantil”13. Ele precisa conhecer a forma que se estrutura o sistema educacional. Os autores citados consideram que este apoio deve estar “associado a uma reestruturação das escolas e das classes e precisa incluir instrumentos, técnicas e equipamentos 14 especializados” . Nesse contexto, a partir de uma visão inclusivista, é que estão sendo construídas “as práticas de Terapia Ocupacional que chamamos transformadoras – considera-se que não basta atuar sobre o individuo, mas é preciso transformar a sociedade e a cultura”15. Portanto, a atuação da Terapia Ocupacional nos contextos socioeducativos ultrapassa a atenção individualizada para uma ação que envolve tanto o aluno com necessidades educativas especiais quanto o meio sociocultural no qual está inserido. 11 CARLO, Marysia M. R. De; BARTALOTTI, Celina Camargo. Terapia Ocupacional e os processos socioeducacionais. In: Terapia Ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. São Paulo, SP: Editora Plexus, 2001. 12 MOTTA, Margareth Pires; TAKATORI, Marisa. A Assistência em Terapia Ocupacional sob a perspectiva do desenvolvimento da criança. In: Terapia Ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. São Paulo, SP: Editora Plexus, 2001, p. 120 e 121. 13 CARLO; BARTALOTTI, 2001, p.100 e 114. 14 Ibid., p. 114 e 115. 15 Ibid., p. 114 e 115. 28 Nesta perspectiva, ao terapeuta ocupacional compete “instrumentalizar o aluno e a escola para uma ação pedagógica efetiva, nisso incluindo adaptações ambientais e de mobiliário e utilização de diversos recursos de tecnologia assistiva”. Porém, esta atuação não deve ser planejada “apenas como um oferecimento de recursos técnicos ou tecnológicos para a inclusão da pessoa com deficiência no espaço físico da escola”. Antes, deve se dar por meio de um acompanhamento participativo nas atividades escolares, tanto por meio de orientação e assessoria à equipe educacional, como por trabalhos com toda a comunidade escolar para a sensibilização quanto ao respeito à diversidade16 . A partir desta visão é possível que o terapeuta ocupacional coloque-se como um parceiro essencial para o desenvolvimento dos trabalhos nos espaços, programas e recursos educacionais, por meio da “compreensão do processo de ensino-aprendizagem aliada ao conhecimento sobre a ação humana em geral, desenvolvimento humano e as relações socioculturais”17. No entanto, na visão de Vitta na obra ‘Identidade em construção: o terapeuta ocupacional e a criança com retardo no desenvolvimento neuropsicomotor’18, há necessidade que temas relacionados à formação do profissional sejam aprofundados. Destaca a formação profissional, tanto em “relação à graduação e as disciplinas que capacitam ao estudante a intervenção com o público infantil”, como a que ocorre na formação continuada, “ou seja, cursos e experiências que capacitam o terapeuta ocupacional a uma prática especializada”. Enfatiza a importância de levantamento das bibliografias mais utilizadas pelos profissionais e, da “prática propriamente dita, que abre um leque de assuntos a serem revistos, como a atuação em instituições, o trabalho em equipe e suas decorrências, as técnicas usadas na prática e sua eficácia”. 16 Ibid., p. 114 e 115. 17 Ibid., p. 114 e 115. 18 VITTA, Fabiana Cristina Frigieri. Uma identidade em construção: o terapeuta ocupacional e a criança com retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Bauru, SP: Editora Edusc, 1998, p.83. 29 Concluindo, mas não encerrando A inclusão escolar na educação infantil se constitui num novo e crescente espaço para pesquisas sobre a atuação da Terapia Ocupacional. Um espaço aberto para a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, frente aos novos desafios da transformação social no país e no mundo. É neste contexto que se encontra a relevância da atuação do terapeuta ocupacional, como um profissional de apoio na rede de educação, visando à instrumentalização do aluno e da escola para uma ação pedagógica efetiva. Sua contribuição por meio de um acompanhamento participativo ultrapassa as sugestões e orientações de adaptações ambientais e de mobiliário e utilização de diversos recursos de tecnologia assistiva. É necessário que haja uma imersão na escola para um reconhecimento da forma em que se estrutura o sistema educacional, para que haja oportunidade de uma contribuição “transformadora” da Terapia Ocupacional (na construção da estratégia pedagógica - orientação quanto à acessibilidade e tecnologia assistiva). Uma contribuição que perpasse pela reestruturação das escolas e das classes a atenção individualizada ao aluno, tanto dando visibilidade a um conhecimento maior de suas potencialidades, como para alcance efetivo no meio sociocultural no qual está inserido. No entanto, urge que temas sobre a inclusão escolar sejam aprofundados na formação do Terapeuta Ocupacional, tanto em sua formação acadêmica, quanto na formação continuada. E que experiências na área de inclusão escolar sejam registradas e relatadas pelos profissionais para que fomente novas reflexões sobre a inclusão de crianças com necessidades educativas especiais a partir da operacionalização das atuais políticas públicas educacionais no Brasil. Neste espaço aberto e de relevância social pretendo realizar novas pesquisas da inclusão escolar sob o olhar da Terapia Ocupacional. 30 REFERÊNCIAS ÁVILA, Ana Helena Dias. Refletindo sobre a inclusão escolar: contribuições da terapia ocupacional através de uma pesquisa-ação. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Terapia Ocupacional) - Faculdade de Ciências da Saúde do Centro Universitário Metodista – IPA, Porto Alegre, 2005. BRASIL. Declaração Mundial de Educação Para Todos e Plano de Ação Mundial para satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem. Brasília/DF: UNICEF, 1991. Disponível em: <http://www.inep.gov.br/download/cibec/2000/Publicações_inst/avaliacao.pdf.> Acesso em: 03 nov. 2007. _______. Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais. Brasília/DF: CORDE, 1994. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf > Acesso em: 03 nov. 2007. _______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília/DF: 1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf > Acesso em: 20 out. 2007. _______. Resolução: CNE/CEB Nº. 2, de 11 de setembro de 2001. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/txt/res2.txt.> Acesso em: 20 out. 2007. CEDIPOD. Programa de Ação Mundial para pessoas deficientes. 1992. Disponível em: < http://www.cedipod.org.br/w6pam.htm> Acesso em: 10 out. 2007. CARLO, Marysia M. R. De; BARTALOTTI, Celina Camargo. Terapia Ocupacional e os processos socioeducacionais. In: Terapia Ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. São Paulo, SP: Editora Plexus, 2001. FRANCISCO, Berenice Rosa. Terapia Ocupacional. 2. ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 2001. FONSECA, Vitor. Educação Especial: programa de estimulação precoce, uma introdução às idéias de Feuerstein. 3 ed., Porto Alegre, RS: Editora Artmed, 1985. HAGEDORN, Rosemary. Fundamentos para a prática em Terapia Ocupacional. 3 ed., São Paulo, SP: Editora Roca, 2003. MOTTA, Margareth Pires; TAKATORI, Marisa. A Assistência em Terapia Ocupacional sob a perspectiva do desenvolvimento da criança. In: Terapia Ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. São Paulo, SP: Editora Plexus, 2001. 31 PINTO, Vanessa Medeiros. Inclusão escolar: um olhar sobre as crianças com transtornos mentais e do comportamento. 2005. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Terapia Ocupacional) - Faculdade de Ciências da Saúde do Centro Universitário Metodista – IPA, Porto Alegre, 2005. UNESCO, Educação para Todos: prioridade 1 da UNESCO. Disponível em: <http://www.unesco.org.br/areas/educação/institucional/EFA/index_html/emmostra _documento> Acesso em: 10 nov. 2007. VITTA, Fabiana Cristina Frigieri. Uma identidade em construção: o terapeuta ocupacional e a criança com retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. Bauru, SP: Editora Edusc, 1998.