O EFEITO DA IDADE RELATIVA ENTRE OS JOGADORES DE FUTEBOL: ESTUDO DE CASO NA COPA A GAZETINHA a Gonzaga, A. S.a; Martinelli, B. F.a; Silva, E. G.a; Teoldo, I.a Núcleo de Pesquisas e Estudos em Futebol da Universidade de Viçosa NuPEF/UFV – Brasil. E-mail: [email protected] Palavras-chave: futebol, talento, idade relativa Resumo Este estudo tem por objetivo verificar a presença do Efeito da Idade Relativa (EIR) entre os jogadores de futebol que participaram da Copa A Gazetinha 2010. Os dados referentes às datas de nascimento (DN’s) de 1658 jogadores das categoria sub-12, sub-14 e sub-16 foram coletados, através da ficha de inscrição dos jogadores, e organizados em quartis (Q1, janeiro a março; Q2, abril a junho; Q3, julho a setembro; Q4, outubro a dezembro). Frequência e percentual dos dados em cada quartil foram calculados. A distribuição dos dados apresentou os seguintes resultados: 581 no Q1, 451 no Q2, 373 no Q3, 248 no Q4. O teste qui-quadrado (c²) revelou diferenças estatisticamente significativas na distribuição dos dados (p<0,001) e nas comparações entre os quartis. Conclui-se que o EIR está presente entre os jogadores de futebol que participaram da Copa A Gazetinha 2010. Abstract The purpose of this study is to verify the presence of Relative Age Effect (RAE) among the soccer players who participated of the A Gazetinha Cup 2010. Data of the birthdates of 1658 players of the under-12, under-14 and under-16 categories were collected and organized in quartiles (Q1- january to march, Q2- april to june, Q3-july to september and Q4- octubre to december). Frequency and percent of data in each quartile were calculated. The following distribution of data was observed: 581 in Q1, 451 in Q2, 373 in Q3 and 248 in Q4. Statistical significative differences in the data distribution (p<0,001) and in comparison between quartiles were found. It was concluded that RAE was present among the football players who participated of the A Gazetinha Cup 2010. Keywords: soccer, talent, relative age. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 2271 Introdução O agrupamento pela idade cronológica tem sido utilizado como uma forma de orientar e prescrever atividades apropriadas e promover o desenvolvimento adequado dos indivíduos, de modo que, estejam relacionados à sua faixa etária (BARNSLEY, THOMPSON, LEGAULT, 1992). No futebol, em especial, durante o processo de seleção e formação de atletas, os participantes são agrupados por categorias etárias, com o objetivo de promover oportunidade de participação, competição justa e equilibrada, e chance igual de sucesso para todos (MUSCH, GRONDIN, 2001; HELSEN, VAN WINCKEL, WILLIAMS, 2005). Desta forma, os atletas que nasceram no mesmo ano são agrupados na mesma categoria, independente do seu mês de nascimento. Em um grupo de jogadores com a mesma idade cronológica, pode haver diferenças de quase um ano de idade entre eles. Diversos estudos têm destacado as diferenças físicas, motoras e cognitivas entre garotos que nasceram em períodos extremos do mesmo ano (MUSCH, GRONDIN, 2001; GONZÁLEZ ARAMENDI, 2004; DEL CAMPO et al., 2010). Tais diferenças, decorrentes de uma maturação biológica mais avançada dos garotos mais velhos, podem proporcionar, aos mesmos, vantagens no desempenho esportivo (HELSEN, VAN WINCKEL, WILLIAMS, 2005; FOLGADO et al., 2006). Estas diferenças entre indivíduos no mesmo grupo etário, que resultam em vantagens no desempenho, em favor dos mais velhos, são denominadas Efeito da Idade Relativa (EIR) (BARNSLEY, THOMPSON, LEGAULT, 1992; MUSCH, GRONDIN, 2001; GONZÁLEZ ARAMENDI, 2004). As diferenças decorrentes das variações na idade dos jogadores têm sido relatadas como um dos fatores que influenciam na escolha dos jogadores durante o processo de seleção (WILLIAMS, REILLY, 2000; RÉ et al., 2005; CARLI et al., 2009). A capacidade que um jogador possui para competir e obter uma vaga em uma equipe, geralmente, é mais desenvolvida nos jogadores mais velhos, por serem maiores, mais fortes, mais rápidos e mais experientes (MUSCH, GRONDIN, 2001; MALINA et al., 2004). Desta forma, eles possuem mais chances de serem selecionados para uma equipe, onde teriam à disposição maior tempo de treinamento, e com mais qualidade, de forma a desenvolverem, ainda mais, as suas habilidades aumentando, assim, as suas vantagens em relação aos garotos mais novos (GONZÁLEZ ARAMENDI, 2004; HELSEN, VAN WINCKEL, WILLIAMS, 2005). A cobrança por resultados imediatos pode interferir no processo de formação destes jogadores e, aqueles que não apresentam um bom desempenho nos treinos e jogos, acabam sendo dispensados pelos clubes (CARLI et al., 2009). Deste modo, muitos jogadores, mesmo após selecionados, podem sofrer os EIR, sendo discriminados durante os treinamentos e jogos, por não terem muitas oportunidades de participarem destas atividades, em virtude das suas condições físicas e maturacionais 2272 R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 (JIMÉNEZ, PAIN, 2008). Assim, muitos perdem a motivação para continuar treinando e acabam abandonando o esporte (LESMA, PÉREZ-GONZÁLEZ, SALINERO, 2011). O desenvolvimento de estudos que investiguem a presença do EIR em diferentes categorias etárias e níveis de desempenho poderá possibilitar conhecimentos necessários à elaboração de critérios mais objetivos e confiáveis a serem utilizados no processo de identificação e formação de jogadores de futebol. O objetivo deste estudo é verificar a presença do Efeito da Idade Relativa entre os jogadores de futebol participaram da Copa A Gazetinha 2010. Materiais e métodos Amostra Para a realização deste estudo, foram analisados os dados referentes às DN’s de 1658 jogadores de futebol das categorias sub-12 (n=610), sub14 (n=517) e sub-16 (n=543), que participaram da Copa A Gazetinha 2010. Instrumentos e procedimentos Os dados foram coletados através das fichas de inscrição dos jogadores, que foram disponibilizadas pelos organizadores da competição. Todos os dados foram mantidos em sigilo e utilizados, apenas, para fins de pesquisa. Estes foram registrados em uma planilha Windows Excel 2010 e organizados em quartis, de acordo com o mês de nascimento dos jogadores, sendo: Q1 - janeiro, fevereiro e março; Q2 - abril, maio e junho; Q3 - julho, agosto e setembro; Q4 - outubro, novembro e dezembro. Análise estatística A frequência e o percentual de jogadores nascidos em cada quartil foram calculados. O teste de Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para verificar a normalidade dos dados. Para verificar se houve diferenças estatísticas significativas na distribuição dos dados e para comparação da frequência de jogadores entre os quartis foi utilizado o teste do qui-quadrado (c²). O nível de significância utilizado no estudo foi de p<0,05. Para a análise dos dados, foi utilizado o software SPSS for Windows® versão 18.0. Resultados A tabela 1 apresenta a distribuição dos jogadores pelos quartis de nascimento. Verifica-se uma maior frequência de jogadores nascidos no primeiro quartil e uma menor frequência, no último quartil, em todas as distribuições apresentadas, ou seja, quando se observa a amostra total, ou quando separadas por categorias. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 2273 Dos 1658 jogadores analisados, 581 nasceram no Q1, totalizando 35% da amostra; 451 no Q2, representando 27,2% da amostra; 378 no Q3, 22,8% da amostra; e 248 jogadores no Q4, apenas 15% da amostra. O teste c² revelou diferenças estatísticas significativas na distribuição dos dados entre os quartis (c²(3) = 140,191; p<0,001) entre Q1 e Q2 (c²(1) =16,376; p<0,001); Q1 e Q3 (c²(1)=42,971; p<0,001); Q1 e Q4 (c²(1)=133,762; p<0,001; Q2 e Q3 (c²(1)=6,428; p=0,011); Q2 e Q4 (c²(1)=58,954; p<0,001) e Q3 e Q4 (c²(1)=26,997; p<0,001). TABELA 1 Distribuição total e por categorias dos jogadores entre os quartis [c²(3) = 76,118; p<0,001: Q1xQ2 (c²(1)= 9,326; p=0,002); Q1xQ3 (c²(1)= 32,433; p<0,001); Q1xQ4 (c²(1)= 65,620; p<0,001); Q2xQ3 (c²(1)= 7,247; p=0,007); Q2xQ4 (c²(1)= 27,016; p<0,001); Q3xQ4 (c²(1)= 6,550; p=0,010). b [c²(3) = 49,740; p<0,001: Q1xQ2 (c²(1)= 9,446; p=0,002); Q1xQ3 (c²(1)= 15,902; p<0,001); Q1xQ4 (c²(1)= 47,431; p<0,001); Q2xQ4 (c²(1)= 14,431; p<0,001); Q3xQ4 (c²(1)= 6,550; p=0,010). c [c²(3) = 25,062; p<0,001: Q1xQ4 (c²(1) = 23,536; p<0,001; Q2xQ4 (c²(1) = 17,009; p<0,001); Q3xQ4 (c²(1) = 11,682; p=0,001). d [c²(3) = 140,191; p<0,001: Q1xQ2 (c²(1) =16,376; p<0,001; Q1xQ3 (c²(1) =42,971; p<0,001); Q1xQ4 (c²(1) =133,762; p<0,001; Q2xQ3 (c²(1) =6,428; p=0,011); Q2xQ4 (c²(1) =58,954; p<0,001); Q3xQ4 (c²(1) =26,997; p<0,001)]. a Quando se observa a distribuição dos dados por categorias, verificase que na categoria sub-12, 230 (37,8%) jogadores foram distribuídos no Q1; 169 (27,8%) no Q2; 123 (20,2%) no Q3; e 86 (14,1%) no Q4. O teste c² revelou que a distribuição dos jogadores na categoria sub-12 apresentou diferenças estatísticas significativas (c²(3) = 76,118; p<0,001), entre Q1 e Q2 (c²(1)= 9,326; p=0,002), Q1 e Q3 (c²(1)= 32,433; p<0,001), Q1 e Q4 (c²(1)= 65,620; p<0,001), Q2 e Q3 (c²(1)= 7,247; p=0,007), Q2 e Q4 (c²(1)= 27,016; p<0,001) e Q3 e Q4 (c²(1)= 6,550; p=0,010). Na categoria sub-14, 194 (36,3%) dados foram distribuídos no Q1; 138 (25,8%) no Q2; 123 (23,0%) no Q3; e 80 (15%) no Q4. O teste c² demonstrou diferenças estatísticas significativas na distribuição dos jogadores na categoria sub-14 (c²(3)= 49,740; p<0,001), Q1 e Q2 (c²(1)= 9,446; p=0,002), Q1 e Q3 (c²(1)= 15,902; p<0,001), Q1 e Q4 (c²(1)= 47,431; p<0,001), Q2 e Q4 (c²(1)= 14,431; p<0,001), e Q3 e Q4 (c²(1)= 9,108; p=0,003). Na categoria sub-16, são observados 157 (30,5%) jogadores no Q1; 144 (28,0%) no Q2; 132 (25,6) no Q3; e 82 (15,9%) no Q4. O teste c² 2274 R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 apresentou diferenças estatísticas significativas na distribuição dos jogadores da categoria sub-16 (c²(3) = 25,062; p<0,001), entre Q1 e Q4 (c²(1)= 23,536; p<0,001), Q2 e Q4 (c²(1)= 17,009; p<0,001), e Q3 e Q4 (c²(1)= 11,682; p=0,001). Discussão O objetivo deste estudo é verificar a existência do EIR entre os jogadores que participaram da Copa A Gazetinha de Futebol, no ano 2010. Esta competição que envolve jogadores das categorias de base (sub-12, sub-14 e sub-16) é realizada, anualmente, no Estado do Espírito Santo – Brasil, e tem um papel importante na revelação de jovens talentos para o futebol. No presente estudo, verifica-se que a maioria dos jogadores que participaram da competição nasceu nos primeiros meses do ano. Dos 1658 jogadores que compõem a amostra, 1143 (62,2%) nasceram no primeiro semestre, sendo que, 581 (35,0%), nasceram nos três primeiros meses do ano. Estes dados são característicos do EIR, que favorece os garotos mais velhos, em detrimento dos mais novos, durante a seleção de jogadores para a formação dos times. De acordo com Williams e Reilly (2000), existe uma tendência dos times selecionarem os jogadores que nasceram nos primeiros meses do ano. Isto se deve ao fato destes garotos possuírem um nível maturacional mais avançado, em relação aos mais novos (MUSCH, GRONDIN, 2001; GONZÁLEZ ARAMENDI, 2004). Estes jogadores, geralmente, são maiores, mais fortes e mais rápidos, o que favorece o seu desempenho esportivo (MALINA et al., 2004). Além disso, possuem um maior desenvolvimento cognitivo e psicológico (FOLGADO et al, 2006; LESMA, PÉREZ-GONZÁLEZ, SALINERO, 2011) e, mais experiência, devido ao maior tempo de prática na modalidade (HELSEN, VAN WINCKEL, WILLIAMS, 2005; LESMA, PÉREZGONZÁLEZ, SALINERO, 2011), tendo, assim, mais chances de serem selecionados para participarem de uma equipe. Em todas as categorias analisadas, verifica-se uma maior frequência de jogadores que nasceram no Q1 e a menor, no Q4 (Ver tabela 1). Observase que existem diferenças estatisticamente significativas (p<0,001) na comparação entre Q1 e Q4, em todas as categorias. Estes resultados reforçam a ideia anterior sobre a influência do EIR na formação dos times. Porém, verifica-se que, enquanto nas categorias sub-12 e sub-14 o número de jogadores distribuídos no Q1 representam, respectivamente, 37,8% e 36,3%, na categoria sub-16, este percentual é reduzido para 30,5%. Estes dados podem sugerir que muitos jogadores que foram selecionados devido as vantagens relacionadas ao seu desenvolvimento maturacional mais avançado R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 2275 do que os seus colegas mais novos, não conseguem manter o seu desempenho esportivo, por não apresentarem uma vantagem física significativa, acabam sendo dispensados pelos clubes. Isto se deve ao fato de, ao final da adolescência, as diferenças no nível maturacional dos jogadores não serem tão abrangentes (MALINA et al., 2004). Segundo Carli et al. (2009), a necessidade de vitórias imediatas faz com que muitos jogadores sejam avaliados a partir do seu desempenho nos jogos, o que resulta na exclusão daqueles que não se destacam no momento. Segundo Jiménez e Pain (2008), uma vez que o desenvolvimento físico é completado e as vantagens decorrentes da idade mais avançada são eliminadas, as condições competitivas entre os jogadores se tornam mais equilibradas, prevalecendo as qualidades técnicas e táticas, de forma que, alguns jogadores que não se destacaram nas categorias iniciais poderão ter a oportunidade de se destacar. Além do mais, por possuírem algumas vantagens que os diferenciam no desempenho, os garotos mais maduros poderão não se empenhar adequadamente nos treinamentos, de modo a não desenvolver as suas habilidades (JIMÉNEZ, PAIN, 2008). Desta maneira, é possível que em algumas competições que envolvam jogadores com idades mais elevadas, sub-20, por exemplo, a distribuição dos jogadores entre os quartis de nascimento não apresente diferenças estatísticas significativas. Em contraste com o que foi relatado, a maioria dos estudos confirma a existência do EIR, mesmo nas categorias maiores, inclusive entre jogadores profissionais (BARNSLEY, THOMPSON & LEGAULT, 1992; HELSEN, VAN WINCKEL & WILLIAMS, 2005; FOLGADO et al., 2006; CARLI et al., 2009; COSTA et al., 2009; DEL CAMPO et al., 2010; LESMA, PÉREZ-GONZÁLEZ & SALINERO, 2011). Conforme Carli et al. (2009) é possível que haja influências do EIR, mesmo quando as vantagens a ela associadas deixam de existir. Isto pode ser relacionados ao fato da maioria dos jogadores serem selecionados nas categorias menores, durante a infância e início da adolescência (WILLIAMS & REILLY, 2000; FOLGADO et al., 2006). Desta forma, estes jogadores serão favorecidos por terem a disposição melhores condições de treinamento, caracterizada por melhor estrutura e orientação profissional (MUSCH & GRONDIN, 2001; HELSEN, VAN WINCKEL & WILLIAMS, 2005). Além disso, têm mais chances de apresentarem um melhor desempenho nas competições, devido às vantagens decorrentes do maior desenvolvimento maturacional, tornando-se mais estimulados em continuar treinando e, consequentemente, desenvolverem, ainda mais, as suas habilidades (HELSEN, VAN WINCKEL & WILLIAMS, 2005; PLESMA, PÉREZGONZÁLES, SALINERO, 2011). 2276 R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 Os fatores psicológicos podem ser determinantes e mesmo, nocivos, considerando o impacto da baixa autoestima e dos baixos níveis motivacionais que podem ser gerados nos jogadores mais jovens que são preteridos, enquanto seus pares mais velhos são favorecidos (MORAES et al., 2009). Segundo Helsen, Van Winckel e Williams (2005), quando jogador apresenta um melhor desempenho inicial na atividade, tende a aumentar a sua motivação, de forma a encorajá-lo a continuar praticando e aperfeiçoando as suas habilidades. Já entre os jogadores que não obtém tal sucesso, é provável que os mesmos percam a motivação e abandonem a prática (HELSEN, VAN WINCKEL & WILLIAMS, 2005). No entanto, o EIR pode, também, ser prejudicial aos jogadores que foram selecionados, pois, em virtude das vantagens que estes possuem, as cobranças por resultados da parte dos treinadores e do próprio atleta poderão prejudicar o seu desenvolvimento (CARLI et al.,2009). A utilização de critérios subjetivos, baseados nas características antropométricas e no desempenho físico dos garotos durante processo de seleção e formação de jogadores tem sido utilizado na identificação e no desenvolvimento de jogadores de futebol nas categorias de base (WILLIAMS, REILLY, 2000; MONTAGNER, SILVA, 2003; MALINA et al., 2004; LESMA, PÉREZ-GONZÁLEZ, SALINERO, 2011) . Utilizar estes critérios baseando-se, apenas, no desempenho dos jogadores no momento jogo, sem considerar o seu nível de maturação ou seu potencial técnico e tático, pode interferir no desenvolvimento das suas capacidades e habilidades, e facilitar o desperdício de muitos talentos (HELSEN, VAN WINCKEL, WILLIAMS, 2005; FOLGADO et al., 2006; CARLI et al., 2009). Deste modo, é necessário considerar os diversos fatores que influenciam o desempenho esportivo relacionado ao futebol e, também, as potenciais qualidades que poderão ser desenvolvidas no treinamento em longo prazo (BÖHME, 2008; LESMA, PÉREZ-GONZÁLEZ, SALINERO, 2011). A partir do conhecimento das causas e das consequências do EIR pelos profissionais responsáveis em selecionar e formar os jogadores, novos métodos para a identificação de talentos poderão ser utilizados. Estudos adicionais envolvendo jogadores de diferentes categorias etárias e níveis de desempenho poderão contribuir para um maior entendimento do EIR entre os jogadores de futebol. Conclusão No presente estudo, constatou-se a existência do EIR entre os jogadores de futebol que participaram da Copa A Gazetinha 2010, nas categorias sub-12, sub-14 e sub-16. Foram encontradas diferenças estatísticas significativas na distribuição dos jogadores entre os quartis de nascimento, sendo que, em todas as categorias, há uma maior frequência de jogadores que nasceram nos primeiros meses do ano. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 1, p 2271-2278, 2012 2277 Referências Bibliográficas BARNSLEY, R. H.; THOMPSON, A. H.; LEGAULT, P. (1992). Familly planning: Football style. The relative age effect in football. International Review for Sociology of Sport, 27, 77-87, 1992. BÖHME, M.T.S. (2008). O tema talento esportivo na ciência do esporte. Revista brasileira Ciência e Movimento, 15 (1), 119-126. CARLI, G. C.; LUGUETTI, C. N.; RÉ, A. H.; BÖHME, M. T. (2009). Efeito da idade relativa no futebol. Revista brasileira Ciência e Movimento, 17 (3), 25-31. COSTA, V. T.; SIMIM, M. A.; NOCE, F.; COSTA, I. T.; SAMULSKI, D. M.; MORAES, L. C. (2009). 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